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Numero do processo: 10880.674254/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-004.131
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 54 /2 01 1- 15 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição para o PIS, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição, uma vez que referido imposto não se consubstancia em receita própria, tratandose de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição, já tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Solicitou, ainda, a realização de perícia capaz de atestar que os valores devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições, bem como a exatidão do montante a ser restituído. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06051.824, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ser, segundo ela, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, valor esse integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo o seguinte: (i) a base de cálculo da contribuição é a receita bruta, sendo que apenas os valores correspondentes ao resultado das atividades devem integrála, não alcançando, portanto, o ICMS; (ii) nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, mormente quando apartadas da aquisição do direito patrimonial sobre eles, como ocorre no caso do ICMS, haja vista sua absoluta incapacidade de alterar o patrimônio líquido da sociedade, dado constituirse de um direito do Estado; (iii) o conceito de receita, qualquer que seja a sua fonte de origem (de venda de bens ou serviços, financeiras, etc.), decorre sempre e necessariamente do exercício da atividade empresarial, representando, também, sempre e necessariamente, riqueza nova ingressando ao patrimônio da sociedade empresarial; (iv) o ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias pela Recorrente não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 4 3 limites constitucionais da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins, seja de seu critério material, seja de seu critério subjetivo; (v) o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo da Cofins; (vi) ao caso se aplica o contido no art. 26A do Decreto 70.235/1972; (vii) a inconstitucionalidade arguida pode ser enfrentada em âmbito administrativo, em razão da decisão definitiva plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal; (viii) cita jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais em seu favor; (ix) a Lei 9.718/1998 e as que lhe sucederam jamais determinaram a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins; (x) uma vez demonstrado ser indevida a inclusão dos valores do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, temse o direito de pleitear a restituição do quantum recolhido indevidamente a este título, respeitado o prazo de 5 (cinco) anos; (xi) necessidade de realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.124, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.674237/201188, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.124): Assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) O Supremo Tribunal Federal STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende do julgado adiante colacionado: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 6 5 "COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação dos honorários recursais previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de recurso formalizado em processo cujo rito os exclua. AGRAVO – MULTA – ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Se o agravo é manifestamente inadmissível ou improcedente, impõese a aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância protelatória."(RE 440787 AgRsegundo, Relator(a):Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe098 DIVULG 18052018 PUBLIC 21052018) Com a decisão proferida pela Corte Suprema, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais estar aplicando o seu antigo posicionamento. A Corte Superior de Justiça, de modo reiterado, está decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. A título ilustrativo, colacionase recentes decisões em tal sentido, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). 1. O recurso especial foi interposto na vigência do CPC/1973. Dessa forma, sujeitamse aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra Cármen Lúcia, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.030, II do CPC/2015." (EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 7 6 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706RG/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA, PREVISTA NA LEI 12.546/2011. JULGAMENTO PELO STF, EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 574.706/PR. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PROVIDO, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, QUANTO AO TEMA OBJETO DA REPERCUSSÃO GERAL. I. Agravo interno aviado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial, havia mantido a sentença que concedera o Mandado de Segurança. II. A Segunda Turma do STJ, considerando a jurisprudência pacífica da Corte, quando do julgamento do Recurso Especial interposto, no sentido da incidência do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva, prevista na Lei 12.546/2011, negou provimento ao Agravo interno do contribuinte. III. Entretanto, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, sob o regime da repercussão geral, firmou a tese de que "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS" (STF, RE 574.706/PR, Rel. Ministra CÁRMEN LÚCIA, TRIBUNAL PLENO, DJe de 02/10/2017), porquanto o valor arrecadado, a título de ICMS, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Diante da nova orientação da Suprema Corte, o STJ realinhou o seu posicionamento (STJ, REsp 1.100.739/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018; AgInt no AgInt no AgRg no AREsp 392.924/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). Mutatis mutandis, a mesma lógica deve ser aplicada para a contribuição previdenciária substitutiva, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 12.546/2011, em razão da identidade do fato gerador (receita bruta). Com efeito, "os valores relativos ao ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB, prevista na Lei n. 12.546/11, porquanto não se incorporam ao patrimônio do contribuinte, é dizer, não caracterizam receita bruta, em observância à axiologia das razões de decidir do RE n. 574.706/PR, julgado em repercussão geral pelo STF, no qual foi proclamada a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS" Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 8 7 (STJ, REsp 1.568.493/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/03/2018). Em igual sentido: STJ, REsp 1.694.357/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/12/2017. IV. Nesse contexto, retornaram os autos por determinação da Vice Presidência do STJ, para fins do disposto no art. 1.040, II, do CPC/2015 , em face do aludido julgado do Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral. V. Agravo interno provido, para, em juízo de retratação, previsto no art. 1.040, II, do CPC/2015, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional." (AgInt no REsp 1592338/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. O mesmo posicionamento tem sido adotado pelos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido: "EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574.706/PR, SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, AC 5004059 55.2015.4.04.7215, SEGUNDA TURMA, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, juntado aos autos em 09/07/2018) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. RETRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574706/PR. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, EINF 2006.70.00.0284961, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator ROGER RAUPP RIOS, D.E. 10/07/2018) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ICMS. EXCLUSÃO BASE CÁLCULO. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RE 574.706. VINCULAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. No caso, foram abordadas todas as questões debatidas pela Agravante, tendo sido apreciada a tese de repercussão geral, julgada em definitivo pelo Plenário do STF, que decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Cabe destacar que foi reconhecida a repercussão geral do RE 574.706/PR, e julgado o mérito do recurso pelo Plenário do STF, devendo os tribunais decidir no mesmo sentido do entendimento adotado, nos termos do art. 1.040, II do CPC, e incumbindo ao Relator decidir de forma monocrática, como prevê o art. 932 do CPC. Anotese que a diretriz jurisprudencial firmada deve ser observada pelos demais Tribunais, como tem reiteradamente decidido o próprio STF, que, inclusive, tem aplicado a orientação firmada a casos similares. Precedentes. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 9 8 Quanto à alegação de que o feito deve ser sobrestado até a publicação do acordão, resultante do julgamento dos embargos de declaração a serem opostos pela Fazenda Nacional, cabe salientar o que restou consignado na r. decisão combatida de que a decisão proferida pelo STF no RE 574.706, independentemente da pendência de julgamento dos aclaratórios, já tem o condão de refletir sobre as demais ações com fundamento na mesma controvérsia, como no presente caso, devendo, portanto, prevalecer a orientação firmada pela Suprema Corte. Ademais, quanto à eventual insurgência relativa à possibilidade de modulação dos efeitos do julgado, ressaltase não ser possível, nesta fase processual, interromper o curso do feito apenas com base numa expectativa que até o momento não deu sinais de confirmação, dada a longevidade da ação e os efeitos impactantes que o paradigma ocasiona. A regra geral relativa aos recursos extraordinários, julgados com repercussão geral, é a de vinculação dos demais casos ao julgado, sendo que a inobservância da regra deve ser pautada em razões concretas. A tese de repercussão geral fixada foi a de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". A motivação dos embargos de declaração, embora não tenha sido acolhida, não permite a conclusão de que foram opostos em litigância de máfé ou com manifesto caráter protelatório. As razões recursais não contrapõem os fundamentos do r. decisum a ponto de demonstrar qualquer desacerto, limitandose a reproduzir argumentos os quais visam à rediscussão da matéria nele contida. Negado provimento ao agravo interno." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 369987 000198616.2017.4.03.6000, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 04/07/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PR. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. COMPENSAÇÃO. SÚMULA Nº 213 DO STJ. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. 1. Ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PRRG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." 2. Quanto à análise da compensação tributária em sede mandamental, o próprio C. STJ tem reiterado a aplicação do seu Enunciado 213, limitando, in casu, a prova à simples condição de credora tributária, por não se confundir com os fundamentos adotados no REsp 1.111.164/BA. 3. Apelação a que se dá parcial provimento, concedendose a segurança para determinar a exclusão, relativa à base de cálculo da COFINS e do PIS, da parcela relativa ao ICMS, autorizando a respectiva compensação, observado, contudo, o lustro prescricional (RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie), na forma da legislação de regência, notadamente com respeito ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe conferiu a Lei nº 10.637/02, artigo 170A do CTN e correção monetária com a incidência da Taxa SELIC, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 08/07/2008. 4. Acresçase, por oportuno, que a pendência de análise de modulação dos efeitos, pelo eventual acolhimento dos aclaratórios opostos no referido RE Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 10 9 574.706/PR, não tem o condão de atrair o efeito suspensivo aqui perseguido, não merecendo, nesse viés, prosperar o argumento alinhavado pela União Federal nesse exato sentido, AC 2015.61.10.0085860/SP, Relator Desembargador Federal ANDRÉ NABARRETE, decisão de 08/03/2018, D.E. 23/03/2018; EDcl na AMS 2007.61.12.0077639/SP, Relator Desembargador Federal MARCELO SARAIVA, decisão de 26/03/2018, D.E. 05/04/2018, e AMS 2014.61.05.0105413/SP, Relatora Desembargadora Federal MÔNICA NOBRE, Quarta Turma, j. 21/02/2018, D.E. 22/03/2018. 5. Matéria reapreciada, em sede de juízo de retratação, por força do artigo 543B, § 3º, do CPC/73, aplicável à espécie." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 333152 001626088.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 20/06/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) Pertinentes são as palavras da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, em voto proferido no processo 10580.721226/200701 (Acórdão 3301004.355): "Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: (...) Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF." Cito, ainda: "Os órgãos do Estado são entes sem vida, sem inteligência e sem sentimento; são dirigidos por gestores que assumem o compromisso constitucional de respeitar os princípios democráticos, dentre os quais o efetivo cumprimento das decisões judiciais. De outra forma, não faz sentido o próprio governo, integrante do sistema, desrespeitar as leis. A Fazenda Pública e os órgãos públicos de maneira geral, por não terem vida, não se sensibilizam com os fatos que ocorrem em seu derredor, diferentemente do que acontece com seus agentes políticos ou administrativos." (CARDOSO, Antonio Pessoa. Cumprimento das leis Estado deve ser referência de valores do Direito. Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2011, 7h41) Um órgão administrativo de julgamento não aplicar o decidido em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal STF quando até mesmo o Superior Tribunal de Justiça STJ já não mais aplica o seu entendimento em sentido diverso é verdadeira afronta ao julgado pela mais Alta Corte do país. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 11 10 Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em sua atual composição, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 12 11 Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, ressalvandose os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 2 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para a Cofins o decidido em relação ao PIS lançado a partir da mesma matéria fática." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratarse de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.674254/201115 Acórdão n.º 3201004.131 S3C2T1 Fl. 13 12 10935.906300/201259; Acórdão nº 3001000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706, e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 13601.000558/2002-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
IPI. REDUC¸A~O DE ALI´QUOTA DE REFRIGERANTES ESTABELECIDA PELA NOTA COMPLEMENTAR N° 22-1 DA TIPI/98,
A reduc¸a~o da ali´quota do IPI incidente na venda de refrigerantes, estabelecida pela NC n° 224 da TIPI198, na~o e´ auto-aplica´vel. Para que a contribuinte tenha direito a reduc¸a~o e´ necessa´rio o cumprimento de alguns requisitos e a autorizac¸a~o expedida por declarac¸a~o da Secretaria da Receita Federal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3301-005.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE REFRIGERANTES ESTABELECIDA PELA NOTA COMPLEMENTAR N° 221 DA TIPI/98, A redução da alíquota do IPI incidente na venda de refrigerantes, estabelecida pela NC n° 224 da TIPI198, não é autoaplicável. Para que a contribuinte tenha direito a redução é necessário o cumprimento de alguns requisitos e a autorização expedida por declaração da Secretaria da Receita Federal. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 05 58 /2 00 2- 38 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 376 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 300 a 303) interposto pelo Contribuinte, em 2 de abril de 2007, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0915.532 (fls. 281 a 295), de 14 de fevereiro de 2007, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG), que decidiu, por unanimidade de votos, indeferir a manifestação de inconformidade. No julgamento do Recurso Voluntário do Contribuinte foi proferido o Acórdão nº 20218.435, em 18 de outubro de 2007. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão nº 20218.435 (fls. 316 e 317): Cuidase de recurso da interessada ÁGUAS MINERAIS IGARAPÉ LTDA. (CNPJ nº 66.345.208/000150) em face do Acórdão n º 0915.532/3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 172/179), que manteve o indeferimento à solicitaca̧õ de ressarcimento de IPI, apurado no período de 01/04/2002 a 30/06/2002, conforme o teor da seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPL RESSARCIMENTO. Indeferese o pedido de ressarcimento quando evidente a ausência de saldo credor de IPI favorável à contribuinte, porquanto todos os créditos passíveis de creditamento, sejam em razão da decisão judicial, sejam por decorren̂cia de normas legais a que se submete a Administração Fiscal, já foram contabilizados no confronto com os respectivos débitos. Solicitação Indeferida." A conclusão do acórdão é a seguinte: "I em relacã̧o à apuração de que decorreu o processo administrativo fiscal n° 13603.000976/200639 ficou evidente a ausência de saldo credor favorável à contribuinte, além dos já deferidos R$3.249,20, porquanto todos os créditos passíveis de creditamento, sejam em razão da decisão judicial, sejam por decorren̂cia de normas legais a que se submete à Administracã̧o Fiscal, já foram contabilizados; 1 quanto à apuracã̧o de que decorreu o processo administrativo fiscal n° 13603.000977/200683 não houve glosa que pudesse redundar em desobediência à decisão judicial proferida no processo n" 2003.38.00.0002840; 3 no tocante aos créditos reclamados judicialmente foram tomadas todas as medidas administrativas no sentido de proteger o interesse da Fazenda Nacional, bem como de atenderás ordens judiciais; 4 embora já considerados todos os créditos favoráveis à contribuinte, não remanesceu saldo credor, além do já deferido." Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 377 3 A Delegacia da Receita Federal (atual Receita Federal do Brasil) em Contagem MG (fls. 83/85) deferiu em parte o pedido de ressarcimento, aduzindo, para tanto, que ao final de cada trimestrecalendário, remanescendo os créditos de IPI passíveis de ressarcimento, após efetuadas as deduções pertinentes, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer o ressarcimento em nome do estabelecimento que os tiver apurado, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos administrados pela SRF (a contribuinte solicitou R$19.459,39 e obteve o ressarcimento de R$3.249,20). No Recurso de fls. 182/185, a recorrente alega, em síntese, que em virtude da reformulação de sua conta gráfica nos autos do Processo nº 13603.000976/200639, ainda pendente de decisão final, resultou na redução do crédito almejado para R$3.249,20, evidenciando tratarse de novo fundamento sobre o qual não teve oportunidade de se manifestar, caracterizando cerceamento de defesa, pela supressão de instância, razão pela qual a decisão recorrida deve ser anulada. Não sendo este o entendimento predominante, requer alternativamente que o feito seja suspenso até a análise final e irrecorrivel do Processo nº 13603.000976/200639 (em tram̂ite neste colendo Segundo Conselho de Contribuintes). No julgamento do recurso a decisão proferida no Acórdão nº 20218.435 ficou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa: O direito creditório, em si, há de ser discutido no processo próprio, interposto pelo contribuinte, relativo ao pedido de ressarcimento de créditos do IPI decorrente da aquisição de insumos tributados à alíquota zero. Recurso negado. Diante de tal decisão o Contribuinte ingressou com Embargos de Declaração (fls. 325 a 327) em 7 de janeiro de 2008. Na apreciação dos Embargos de Declaração, a Segunda Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, proferiu a Resolução nº 20201.227 (fls. 341 a 345), em 8 de maio de 2008, em que se acolheu os embargos com efeitos infringentes para anular o Acórdão nº 20218.435, convertendo o julgamento em diligência a fim de que se aguarde o desfecho do Processo nº 13603.000976/200639. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Tratase do cumprimento do estabelecido na Resolução nº 20201.227, de 8 de maio de 2008, que converteu o julgamento em diligência para que se aguardasse o desfecho do Processo nº 13603.000976/200639. Com o objetivo de esclarecer a matéria citase o relatório e o voto proferido na referida resolução (fls. 341 a 345): Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 378 4 (...) Como estabelecido na Resolução nº 20201.227, que converteu o julgamento em diligência para que se aguardasse o desfecho do Processo nº 13603.000976/200639, verificase que a Saort – Seção de Orientação e Análise Tributária por intermédio de despacho assim se manifestou (fls. 369): Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 379 5 Portanto, em atendimento ao disposto na resolução, foi juntada aos autos às fls. 363 a 367 a decisão proferida no Processo nº 13603.000976/200639, Acórdão nº 3401 00.979, de 29 de setembro de 2010, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Esta decisão, que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, ficou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2001 a 30/11/2001 IPI. REDUÇAÕ DE ALÍQUOTA DE REFRIGERANTES ESTABELECIDA PELA NOTA COMPLEMENTAR N° 221 DA TIPI/98, A redução da alíquota do IPI incidente na venda de refrigerantes, estabelecida pela NC n° 224 da TIPI198, não é autoaplicável. Para que a contribuinte tenha direito a reduçaõ é necessário o cumprimento de alguns requisitos e a autorização expedida por declaracã̧o da Secretaria da Receita Federal. Recurso provido em parte. Como a resolução anulou o Acórdão nº 20218.435 e estabeleceu que se aguardasse o desfecho do Processo nº 13603.000976/200639, para que se julgasse novamente o presente processo, cito na integra o relatório e voto do Acórdão nº 340100.979, referente ao Processo nº 13603.000976/200639, para que possa balizar o entendimento: Relatório Trata o presente processo de auto de infracã̧o lavrado em 03/07/2006 (fis.03/07), em decorren̂cia de recolhimento insuficiente do IPI, no período entre 20/07/2001 e 30/11/2001. Conforme descrição dos fatos contida no auto de infraçaõ (fls.05), o recolhimento a menor ocorreu em razão de aproveitamento de crédito indevido e aplicação errônea de aliquota reduzida nas vendas de alguns refrigerantes efetuadas até 08/10/2001 Conforme o termo de verificação fiscal, os créditos são indevidos pelas seguintes razões : 1 Parte do crédito aproveitado são de revenda de produtos dos quais a autuada não operou qualquer operaca̧õ industrial e, portanto, não teria direito ao aproveitamento do crédito; 2 Aproveitamento de crédito oriundo da compra de bem ativo, o qual, segundo a autoridade fiscal, não teve a compra comprovada, e, mesmo que tivesse, não gera crédito do IPI, A contribuinte impugnou o auto de infracã̧o (fls202/213), porém somente parte o lanca̧mento foi cancelada. O acórdão da DRJ em Juiz de Fora/MG (fis.261/274) foi prolatado com a seguinte ementa: "IPI REDUÇÃO DO IMPOSTO, REFRIGERANTES. A redução do imposto prevista na NC (221) da TIPI para os refrigerantes não é autoaplicável, porquanto é exigível para sua fruicã̧o prévia concessão Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 380 6 do benefício pela Secretaria da Receita Federal, através de Ato Declaratório, reconhecendo que o produto satisfaz os pressupostos para a redução, IPI RECOLHIMENTO A MENOR. LANÇAMENTO DE OFICIO, Constatado que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados com insuficiência de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados, impõese a constituição do crédito tributário em procedimento de oficio, por ser o lançamento ato vinculado e obrigatório. CONFISSÃO DE DÍVIDA. PAES Os débitos incluídos no PAES, antes do único (sic) da ação fiscal, devem ser excluídos da autuação uma vez que o procedimento da contribuinte se constitui confissão irretratável e irrevogável de dívida perante a Fazenda. (artigo 1º §2°, da Lei n° 10,684, de 30/05/2003) Lançamento Procedente em Parte" A contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 21/05/2007 (fl. 290) e interpôs Recurso Voluntário em 06/06/2010 (fls297/306) alegando, em resumo, o seguinte: 1. O Ato Declaratório nº 30, expedido pelo Delegado local da Receita Federal em 30/05/2003, apenas reconheceu o desconto de 50% no IPI incidente sobre os refrigerantes de laranja, limão e guaraná, pois tal reducã̧o já havia sido concedida pela Nota Complementar n° 221 da TIPI. Corno o ato declaratório tem natureza declaratória, e não constitutiva, seus efeitos retro agem, portanto, não houve recolhimento a menor no período autuado; 2. Também não houve recolhimento a menor relativo à venda dos refrigerantes sabor cola, pois no cálculo do IPI devese abater o que foi recolhido a maior. No período autuado, em razão da diminuica̧õ da alíquota, o IPI dos refrigerantes de sabor laranja, limão e guaraná foram recolhidos a maior, podendo esse montante abater o débito do IPI do refrigerante de cola. Por fim, a recorrente pediu o cancelamento total do auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, Relator. O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente foi autuada em decorrência do recolhimento a menor do IPI e aproveitamento indevido de crédito. O lançamento relativo ao aproveitamento indevido de crédito foi cancelado pela DRJ em decorrência da inscriçaõ no PAES, restando a ser apreciada por este Conselho somente a matéria pertinente ao recolhimento a menor. O cerne da questão reside no efeito da eficácia do Ato Declaratório nº 30, de 30 de maio de 2003, que reconheceu a possibilidade da recorrente recolher o IPI com 50% de desconto para os refrigerantes de limão, laranja e guaraná, em conformidade com a Nota Complementar n° 224 da TIPI. O período lançado foi de julho a novembro de 2001. Para melhor esclarecer o assunto, tornase necessário transcrever as norma em foco. A Nota Complementar nº 221 da TIPI/98 assim dispõe: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 381 7 "NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as aliquotas do IPI relativas aos refrigerantes, refrescos e néctares, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00 que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério". O Ato Declaratório Executivo n° 30, de 30 de outubro de 2001, expedido pelo Delegado da Receita Federal em Contagem/MG, foi juntado à fl. 158 e assim dispõe em seu art. 1°: "Art. 1º Fica concedida à empresa Águas Minerais Igarapé Ltda., CNPJ 66345.208/000150, a reducã̧o das aliquotas de que trata a Nota Complementar (NC) 221 da TIPI, para os produtos 'Refrigerante de Limão', 'Refrigerante de Laranja' e 'Refrigerante de Guaraná', registrados no Ministério da Agricultura sob os números MG09727 000046, MG 09727 000097 e MG09727000011, respectivamente, com vigen̂cia a partir de 8 de outubro de 2001". (grifo nosso) A recorrente alega em sua defesa que o Ato Declaratório apenas reconheceu direito já outorgado pela TIPI, sendo seus efeitos, portanto, ex tunc. Contudo a recorrente não tem razão, pois o direito outorgado pela Nota Complementar n° 221 da TIPI/98 não tinha eficácia plena, dependendo de alguns requisitos a serem preenchidos e somente após o reconhecimento, pela autoridade administrativa, do cumprimento desses pressupostos, é que a contribuinte passa a ter direito a tal redução. Esse entendimento se infere da leitura do art. 57, inciso I, do Decreto n° 2.637, de 26 de junho de 1998 (RIPI/98), in verbis: "Art. .57. Haverá redução.' I das aliquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão' o declaradas, em cada caso, pela Secretaria da Receita Federal, após audien̂cia do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficio". (grifo nosso) Pelo que se conclui do dispositivo acima, na verdade o que houve foi a autorização para a redução de alíquota, a qual dependia de autorização da Secretaria da Receita Federal, a ser analisado em cada caso. Sendo reconhecido o cumprimento dos requisitos, a SRF autorizaria Percebase que o verbo está no futuro: "serão declaradas", logo, a eficácia da redução da alíquota depende do ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. Sendo assim, a recorrente tem direito à redução da alíquota somente a partir do período reconhecido pelo Ato Declaratório, ou seja, a partir de 8 de outubro de 2001. Portanto, em relação à reduçaõ da alíquota, devem ser mantidos todos os lanca̧mentos referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 08/10/2001 e cancelados os ocorridos após essa data. Concernentemente ao lançamento referente às vendas dos refrigerantes de sabor cola, a recorrente não refutou o recolhimento a menor, pelo contrário, até confessou que recolheu o tributo a menor do devido, e limitouse a alegar que como tinha direito a redução de alíquota na venda dos refrigerantes de limão, laranja e guaraná, efetuou o recolhimento do IPI desses refrigerantes a maior restando saldo, o qual serviria para abater o IPI do refrigerante de cola. Ocorre que como ficou demonstrado a inexistência de direito de reduçaõ no período lançado, naõ há saldo a Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 382 8 ser abatido. Desse modo, deve ser mantido, integralmente, o lançamento relativo as̀ vendas dos refrigerantes de sabor cola. Ex positis, dou provimento parcial para cancelar os lançamentos posteriores a 8 de outubro de 2001. Isto posto, cabe a luz da decisão proferida acima, no Acórdão nº 3401 00.979, referente ao Processo nº 13603.000976/200639, julgar o presente processo, visto que a Resolução nº 20201.227 anulou o Acórdão nº 20218.435. No Recurso Voluntário o Contribuinte aduz (fls. 300 e seguintes): (...) (...) No voto do Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, proferida no Acórdão nº 20218.435, se depreende a questão central objeto do presente processo e que cito como razões para decidir (fls. 318): Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 383 9 (...) Assim, a questão central no presente processo é de se saber qual o saldo credor do IPI e, conforme o entendimento exposto na resolução, dependia da decisão proferida no Processo nº 13603.000976/200639, que decidiu o seguinte: o Contribuinte tem direito à redução da alíquota somente a partir do período reconhecido pelo Ato Declaratório Executivo n° 30, de 30 de outubro de 2001, expedido pelo Delegado da Receita Federal em Contagem/MG. Portanto, voto por dar provimento parcial ao recurso do Contribuinte, para que seja reformulado o saldo credor do IPI de acordo com a decisão proferida no Acórdão nº 340100.979 que estabeleceu: 1) em relação à redução da alíquota, devem ser mantidos todos os lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos antes de 8 de outubro de 2001 e cancelado os lançamentos posteriores a esta data, 2) em relação às vendas dos refrigerantes de sabor cola deve ser mantido o lançamento. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13601.000558/200238 Acórdão n.º 3301005.221 S3C3T1 Fl. 384 10 Fl. 384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.968412/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 84 12 /2 00 9- 81 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.968412/200981 Acórdão n.º 1201002.427 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.968412/200981 Acórdão n.º 1201002.427 S1C2T1 Fl. 4 3 Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.968412/200981 Acórdão n.º 1201002.427 S1C2T1 Fl. 5 4 Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 11634.720211/2016-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011, 2012
COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de Cofins que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
TIPI. VEÍCULOS CLASSIFICADOS NA POSIÇÃO 8711. FABRICANTE OU IMPORTADOR. VENDAS A COMERCIANTE VAREJISTA. COFINS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA.
As receitas decorrentes das operações de vendas de veículos classificados na posição 8711 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) realizadas por fabricante ou importador diretamente a comerciante varejista estão sujeitas à substituição tributária da Cofins e permanecem submetidas às regras anteriores à incidência não-cumulativa dessa contribuição.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011, 2012
PIS/PASEP. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento da Contribuição ao PIS/Pasep que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
TIPI. VEÍCULOS CLASSIFICADOS NA POSIÇÃO 8711. FABRICANTE OU IMPORTADOR. VENDAS A COMERCIANTE VAREJISTA. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA CUMULATIVA.
As receitas decorrentes das operações de vendas de veículos classificados na posição 8711 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) realizadas por fabricante ou importador diretamente a comerciante varejista estão sujeitas à substituição tributária da Contribuição ao PIS/Pasep e permanecem submetidas às regras anteriores à incidência não-cumulativa dessa contribuição.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Os pedidos de perícia devem atender às formalidades exigidas pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, e a sua realização pode ser negada pela autoridade julgadora, quando as repute prescindíveis ou impraticáveis, sem qualquer ofensa ao direito de defesa do sujeito passivo.
ADVOGADO. INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA.
A legislação não obriga a autoridade tributária a realizar a intimação de procurador do sujeito passivo para a prática de atos processuais, em especial para a realização de sustentação oral, sendo validas as intimações realizadas na forma prescrita pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo Regimento Interno do CARF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
PRINCIPAL. JUROS. MULTAS. MESMO DESTINO.
Os juros de mora e as multas de ofício incidentes sobre o crédito tributário constituído no lançamento de ofício seguem o mesmo destino conferido a este pelo contencioso administrativo.
Numero da decisão: 1302-003.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e o pedido de perícia e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo as receitas sob o regime de substituição tributária, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de Cofins que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. TIPI. VEÍCULOS CLASSIFICADOS NA POSIÇÃO 8711. FABRICANTE OU IMPORTADOR. VENDAS A COMERCIANTE VAREJISTA. COFINS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. As receitas decorrentes das operações de vendas de veículos classificados na posição 8711 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) realizadas por fabricante ou importador diretamente a comerciante varejista estão sujeitas à substituição tributária da Cofins e permanecem submetidas às regras anteriores à incidência nãocumulativa dessa contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011, 2012 PIS/PASEP. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da Contribuição ao PIS/Pasep que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. TIPI. VEÍCULOS CLASSIFICADOS NA POSIÇÃO 8711. FABRICANTE OU IMPORTADOR. VENDAS A COMERCIANTE VAREJISTA. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 11 /2 01 6- 06 Fl. 8063DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.064 2 As receitas decorrentes das operações de vendas de veículos classificados na posição 8711 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) realizadas por fabricante ou importador diretamente a comerciante varejista estão sujeitas à substituição tributária da Contribuição ao PIS/Pasep e permanecem submetidas às regras anteriores à incidência não cumulativa dessa contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Os pedidos de perícia devem atender às formalidades exigidas pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, e a sua realização pode ser negada pela autoridade julgadora, quando as repute prescindíveis ou impraticáveis, sem qualquer ofensa ao direito de defesa do sujeito passivo. ADVOGADO. INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. AUSÊNCIA. A legislação não obriga a autoridade tributária a realizar a intimação de procurador do sujeito passivo para a prática de atos processuais, em especial para a realização de sustentação oral, sendo validas as intimações realizadas na forma prescrita pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo Regimento Interno do CARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 PRINCIPAL. JUROS. MULTAS. MESMO DESTINO. Os juros de mora e as multas de ofício incidentes sobre o crédito tributário constituído no lançamento de ofício seguem o mesmo destino conferido a este pelo contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e o pedido de perícia e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo as receitas sob o regime de substituição tributária, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 8064DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.065 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário frente ao Acórdão nº 1466.964, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 7.996 a 8.017), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 PIS/COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Tratandose de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento de oficio do IRPJ/CSLL, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento, no que for pertinente, em razão da relação de causa e efeito, bem como dos mesmos elementos probantes. PIS/COFINS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE PAGAMENTOS. A contagem do prazo decadencial do PIS/COFINS deve ser realizada considerandose a apuração mensal, sendo que, havendo pagamento espontâneo, o prazo é de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador; do contrário, contase os 5 anos do primeiro dia do ano seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado.." O presente processo decorre de procedimento fiscal realizado junto à MARLON BONILHA EIRELI, em relação aos anoscalendários de 2011 e 2012, tendo sido, conforme descrição contida do Termo de Verificação Fiscal de fls. 7.898 a 7.921, constatadas as seguintes infrações: 1. Omissão de Receitas: 1.1 Saldo credor de Caixa Da verificação por amostragem da escrituração contábil do sujeito passivo, constatouse a existência de inúmeros lançamentos a débito e crédito da conta contábil nº 1031(Caixa Tesouraria) que não corresponderiam à realidade dos fatos e que ensejaram a ocorrência de saldo credor na própria contabilidade da fiscalizada. Constatouse, por exemplo, o lançamento de algumas vendas realizado de forma genérica na conta Títulos a Receber (enquanto havia o controle contábil individualizado para cada cliente), o lançamento na referida conta de recebimentos e pagamentos de fornecedores realizados por via bancária, e a contabilização a débito de cheques emitidos pela pessoa jurídica. Fl. 8065DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.066 4 A conclusão da autoridade fiscal foi que "a conta Caixa mantida pela empresa em sua escrituração contábil é uma ficção criada com o objetivo de ocultar movimentações efetuadas à margem daquela escrituração". E prossegue: "Como a quantidade de lançamentos a débito e crédito são muito numerosos se tornou impraticável reconstituir os saldos daquela conta. Assim consideramos os valores constantes da própria escrituração contábil da conta Caixa que apresentou saldos credores em alguns períodos (razão de fls. 859 a 2.142)". Assim, para a constituição do crédito tributário, foi considerado para o IRPJ/CSLL, o maior saldo credor do período e, para o PIS/COFINS/IPI, o maior saldo credor de cada mês. 1.2 Passivo Fictício A empresa fiscalizada apresentou saldos em contas do passivo (fornecedores) identificados nos razões contábeis de fls. 2.143 a 2.147 e Balanço patrimonial de fls. 492 a 762, obtidos mediante arquivos contábeis transmitidos ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED contábil), mas que já teriam sido pagos, conforme cópias de documentos de pagamento requisitados diretamente às instituições financeiras (fls. 2.148 a 2.158). 1.3 Pagamentos não contabilizados Por meio de verificação efetuada por amostragem na escrituração contábil da empresa fiscalizada transmitida ao SPED contábil, a autoridade fiscal constatou a falta de registro de inúmeros pagamentos realizados (fornecedores, doação eleitoral, patrocínio de clube, etc.), conforme documentos bancários requisitados mediante RMF aos Bancos Bradesco e Banco do Brasil (fls. 2.159 a 2.357). "Intimada (fls. 2.358) a apresentar ou identificar os registros contábeis relativos aos documentos da relação anexa à intimação (2.359 a 2.361), a empresa apresentou (fls. 2.363 a 2.384) apenas os registros referentes aos pagamentos efetuados ao fornecedor de serviços Dhuan Comissária de Desp. Aduaneiros Ltda no anocalendário de 2001, que foram contabilizados como adiantamento de importações (conta 1.01.02.02.010)". Isto posto, a autoridade fiscal realizou, com base no art. 281, incisos I a III, do RIR/99, o lançamento por omissão de receitas relativo às três constatações anteriores. Os lançamentos referentes ao IRPJ/CSLL Cofins/PIS e ao IPI foram realizados em processos fiscais diversos (11634.720210/201653 e 11634.720212/201642, respectivamente). 1.4 Diferença entre os valores registrados na escrituração contábil e na escrituração fiscal Foram constatadas, ainda, em relação a todos os meses do anocalendário de 2011, diferenças entre os valores de receitas de vendas de mercadorias e produtos registrados nos livros fiscais da pessoa jurídica fiscalizada (fls. 2.386 a 3.970) e os valores constantes de sua escrituração contábil (fl. 484), representando valores que não foram considerados pelo sujeito passivo nas bases de cálculo mensais da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep (fl. 5.868). Fl. 8066DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.067 5 Os valores apurados foram acrescidos às bases de cálculo das referidas contribuições. 1.5 Valores não recolhidos substituição tributária Contatouse que a empresa fiscalizada não efetuou o recolhimento da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep na condição de substituta tributária, conforme relação de notas fiscais de fls. 5.869 a 5.879. 1.6 Valores que não geram direito aos crédito da nãocumulatividade ou apuração incorreta A autoridade fiscal verificou que a pessoa jurídica apurou créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas apurados sobre estoque de abertura, já que no anocalendário de 2010 apurou as referidas contribuições na sistemática cumulativa, mas teria utilizado as alíquotas de 7,6% e 1,65%, quando o correto seriam as alíquotas de 3% e 0,65%, respectivamente. Além disso, o sujeito passivo teria apurado créditos sobre despesas com manutenção e combustíveis de veículos integrantes do seu ativo imobilizado, e sobre o valor de aquisição de bens integrantes do seu ativo imobilizado mas que não se inserem no conceito de bens utilizados na produção, conforme discriminado às fls. 7.894 a 7.897. Cientificado do lançamento (fls. 7.939 a 7.940), o sujeito passivo apresentou Impugnação (fls. 7.943 a 7.993), por meio da qual: a) alega a existência de decadência em relação aos valore devidos de janeiro a abril de 2011; b) invoca a aplicação do princípio da verdade material, para requerer a realização de perícia técnica a fim de comprovar a inexistência das infrações apuradas, uma vez que existiria complexidade nas questões apontadas na autuação, que teria, ainda, sido realizada por meio de amostragem; b) sustenta que inexistiriam documentos que comprovassem as infrações apontadas pela autoridade fiscal, e que o próprio auditor fiscal teria apontado que "a contabilidade da autuada foi má elaborada, apresenta diversas inconsistências, divergências, irregularidades", de modo que defende que a apuração deveria ter sido realizada por meio de arbitramento; c) defende que não existiram as omissões de receitas evidenciadas por meio de saldo credor de caixa, passivo fictício e pagamentos não contabilizados, mas falta de atenção da autoridade responsável pelo lançamento em relação aos valores lançados na contabilidade, bem como "erro contábil de preenchimento de obrigações acessórias"; d) argui que optou por centralizar os lançamentos na Conta Caixa, sendo que a autoridade fiscal não teria atentado para a existência dos lançamentos complementares, razão pela qual invoca, mais uma vez, a necessidade de perícia técnica; e) quanto aos valores que não teriam sido recolhidos a título de substituição tributária, alega que a Medida Provisória nº 2.15835/2001, que fundamenta a autuação, não Fl. 8067DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.068 6 teria sido convertida em lei e que o art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 2001, violaria o princípio da irretroatividade, ferindo cláusula pétrea da Constituição Federal; f) ainda quanto a este tópico, sustenta que somente teria realizado vendas a comerciantes atacadistas, pelo que não haveria a responsabilidade tributária por substituição; g) em relação aos créditos da nãocumulatividade, defende a inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 594, de 2005, e que a Lei nº 10.637, de 2002, teve efeitos apenas até 1º de dezembro de 2002; h) aduz, ainda, que as despesas com manutenção e combustíveis dos veículos integrantes do ativo imobilizado estariam incluídas no conceito de insumo que "seria amplo, abrangendo todos os custos e despesas da empresa, suportados por esta em seu processo produtivo", sendo que as atividades abrangidas pelo seu objeto social incluiriam o transporte rodoviário de cargas; i) por fim, quanto à glosa dos créditos sobre o custo de aquisição de bens do ativo imobilizado, defende a ilegalidade da apuração por amostragem e a possibilidade do creditamento realizado; j) ao final, apresenta os quesitos que pretende ver respondidos por meio de perícia contábil e junta alguns documentos comprobatórios. A decisão de primeira instância rejeitou o pedido de perícia técnica e produção extemporânea de provas, tendo em vista que esta não pode ser utilizada para suprir a impugnação do sujeito passivo, que a Impugnante não comprovou a impossibilidade de justificar as irregularidades apuradas pelo Fisco e que, decorrido mais de dois anos desde a interposição da Impugnação, nenhuma nova prova foi juntada aos autos. Manteve os lançamentos baseados em presunção legais, tendo em vista que os saldos credores de caixa foram constatados na própria escrituração contábil do sujeito passivo; que, quanto aos pagamentos não contabilizados, o simples fato de apresentar saldo na conta não autoriza a conclusão de que determinado pagamento não foi realizado; e que nada foi alegado quanto ao passivo fictício. Quanto à diferença entre as escriturações contábil e fiscal do sujeito passivo, a decisão recorrida, manteve o lançamento uma vez que as divergências invocadas pela Impugnante, com base nas constatações da autoridade fiscal, se referem exclusivamente à Conta Caixa, e que o valor total das receitas foi apurado com base nas notas fiscais de saídas de produtos por venda. Com relação à alegação de decadência, acatou apenas a relativa ao período de apuração de março de 2011, uma vez que não houve lançamento em relação aos períodos de janeiro e fevereiro daquele ano e que não houve recolhimento ou pagamento relativo ao mês de abril. O Acórdão entendeu não ser cabível a apreciação pelo julgador administrativo de questões atinentes à aplicação ou legalidade de atos normativos em pleno vigor, tais como a Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Fl. 8068DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.069 7 Quanto à alegação de que as vendas da Impugnante seriam relativas apenas a comerciantes atacadistas, entendeu ser imprópria, posto que "a norma é destinada aos fabricantes e importadores, condição na qual se enquadra a autuada, que deve recolher o tributo devido pelos varejistas, ainda que suas vendas sejam destinadas somente a atacadistas". A decisão manteve ainda a glosa dos créditos da nãocumulatividade, uma vez que o entendimento aplicado pelo responsável pelo procedimento fiscal é aquele adotado pela Receita Federal, ao qual também estaria submetido o julgador de primeira instância. O sujeito passivo foi cientificado do Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto (fl. 8.022), interpondo o Recurso Voluntário de fls. 8.025 a 8.064, no qual: a) alega a decadência em relação ao mês de abril de 2011, uma vez que o lançamento seria reflexo do lançamento de IRPJ, para o qual houve pagamento antecipado; b) repete o pedido de realização de perícia técnica, invocando "falhas e inseguranças" que permeariam o trabalho fiscal; b) quanto à infração de nãocontabilização de pagamentos, alega ter apresentado as notas fiscais emitidas pelos fornecedores e que a apresentação de comprovantes de pagamento, como exigida pela autoridade fiscal, não seria medida indispensável e necessária para a validação da escrituração contábil, posto que as empresa não emitiriam notas fiscais (cuja idoneidade não teria sido contestada) sem o correspondente pagamento; c) no que tange à infração de nãorecolhimento de valores por substituição tributária, argumenta que foram utilizadas as alíquotas de 7,6% e 1,65%, para a Cofins e a Contribuição ao PIS/Pasep, respectivamente, quando deveria ter sido utilizadas as alíquotas de 3% e 0,65%, e que teria havido duplicidade de cobrança; d) reitera a alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade da Medida Provisória nº 2.158/35, de 2001; e) sustenta que já era optante pelo regime de tributação com base no Lucro Real, de modo que não haveria "sentido em ser restringido o crédito a que possui direito e deve ser reconhecido no mesmo patamar de alíquota a qual está sujeito para fins de recolhimento de tributo"; f) apresenta a sua frota, cadastrada junto ao Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e defende a essencialidade dos veículos para a sua atividade empresarial, passando a repetir os mesmos argumentos já trazidos na Impugnação em relação à glosa dos créditos sobre despesas com combustíveis e manutenção destes veículos; g) repete, ainda, parcialmente, os fundamentos de defesa sobre a glosa dos créditos quanto aos bens do ativo imobilizado; h) traz nova alegação com base na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 574.706, que considerou que o ICMS não compõe a base de cálculo para incidência da Cofins e da Contribuição ao PIS/Pasep, pugnando pela subtração do ICMS dos valores apurados pela auditoria; Fl. 8069DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.070 8 i) solicita que os valores de multa e juros tenham o mesmo destino dos valores principais; j) por fim, pede a intimação de todos os atos em nome do contribuinte e do seu procurador, bem como a intimação deste para fins de sustentação oral perante o CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. Do conhecimento do Recurso O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 11 de julho de 2017 (fl. 8.022), tendo apresentado Recurso Voluntário em 10 de agosto de 2017, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído às fls. 7.980. A matéria objeto do Recurso está parcialmente contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Às matérias que não são, originariamente, de competência da 1º Seção, ante a indissociabilidade do lançamento, aplicase, por analogia, o disposto no art. 8º, inciso I, do RI/CARF. "Art. 8º Na hipótese prevista no § 1º do art. 7º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I da 1ª (primeira) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; e" Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II. Da decadência Como relatado, o sujeito passivo arguiu e teve parcialmente reconhecida pela decisão de primeira instância a ocorrência de decadência dos valores referentes aos meses de janeiro a abril de 2011. O reconhecimento foi parcial (apenas referente ao período de apuração de março), posto que não houve lançamento em relação aos meses de janeiro e fevereiro e o contribuinte não confessou nem pagou qualquer valor em relação ao período de abril. Para a Recorrente, o fato de não haver recolhido ou declarado valores relativos à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep não é óbice ao reconhecimento da decadência, Fl. 8070DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.071 9 uma vez que o lançamento, no presente caso, é reflexo do relativo ao IRPJ, e, no que tange a tal tributo, houve confissão e pagamento. O argumento da Recorrente é absurdo e não pode ser acatado. No caso, de fato, reconhecese que as contribuições em pauta são tributos sujeitos ao pagamento antecipado por parte do sujeito passivo e posterior homologação pela administração tributária, de modo que, não tendo havido dolo, fraude ou simulação, a ocorrência seja do pagamento antecipado seja da confissão por meio de DCTF faz com que a contagem do prazo decadencial se realize na forma prescrita pelo art. 150, §4º, do CTN. Inexistindo o pagamento antecipado ou a confissão, o prazo deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que poderia ocorrer o lançamento, conforme disposto no art. 173, inciso I, do CTN. De nada aproveita, para a Cofins e a Contribuição ao PIS/Pasep, a existência de confissão ou recolhimento a título de IRPJ, ainda que o lançamento das contribuições seja, em parte, reflexo do relativo àquele tributo. É que o elemento central para a possibilidade de homologação por parte do Fisco é exatamente a existência da atividade prévia do sujeito passivo. Inexistindo pagamento ou confissão, não há o que ser homologado. Tal posição está em plena consonância com o que foi consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio de julgamento do Resp n° 973.733/SC (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009), julgado sob a sistemática do artigo 543C, do antigo CPC (e de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), cuja ementa se transcreve: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 8071DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.072 10 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008" (Destacou se) Não há como, portanto, ser reconhecida a decadência em relação ao período de abril de 2011. III. Do saldo credor de caixa, do passivo fictício e dos pagamentos não contabilizados Fl. 8072DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.073 11 Parte dos créditos tributários constituídos decorrem da presunção legal de omissão de receitas face à constatação das hipóteses previstas nos incisos do art. 281, inciso I, do RIR/99: "Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): Ia indicação na escrituração de saldo credor de caixa; IIa falta de escrituração de pagamentos efetuados; IIIa manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada." O lançamento de que trata o presente processo, como já dito, é reflexo daquele efetuado no âmbito do processo administrativo nº 11643.720210/201653, que tratou do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, de modo que o decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Passo, portanto, a transcrever a decisão quanto a tais temas: "II. Do saldo credor de caixa Parte dos créditos tributários constituídos decorrem da presunção de omissão de receitas face à constatação de saldos credores de caixa, conforme previsão do art. 281, inciso I, do RIR/99: "Art.281.Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): Ia indicação na escrituração de saldo credor de caixa; IIa falta de escrituração de pagamentos efetuados; IIIa manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada." Os saldos credores que embasaram a autuação foram constatados pela autoridade fiscal diretamente a partir dos valores constantes na escrituração contábil da Recorrente, conforme cópia do Livro Razão de fls. 858 a 2.141, tendo sido, para a apuração do IRPJ e da CSLL, utilizado o maior saldo credor no ano, já que o sujeito passivo adotou a apuração anual de tais tributos. Para o anocalendário de 2011, R$ 125.551,78 (fl. 1.236) e para o de 2012, R$ 544.400,20 (fl. 1.958). A decisão de primeira instância manteve o lançamento quanto a tal tópico exatamente porque a negação genérica apresentada Fl. 8073DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.074 12 pelo sujeito passivo na Impugnação, e o pleito de realização de perícia técnica desacompanhada de qualquer elemento de comprovação ou justificativa não elidiram a presunção legal comprovada a partir de sua própria contabilidade. A situação em nada se alterou com o Recurso Voluntário apresentado. A Recorrente primeiro suscita insegurança do auditorfiscal, o que justificaria a realização de perícia técnica: "O próprio auditor fiscal responsável pela lavratura do presente medida fiscal afirmou: “Como a quantidade de lançamentos a débito e crédito são muito numerosos se tornou impraticável reconstituir os saldos daquela conta. Assim consideramos os valores constantes da própria escrituração contábil da conta caixa que apresentou saldos credores". (...) Enfim, são consideráveis as falhas e inseguranças que permeiam a medida fiscal, sendo certo que a realização de perícia técnica poderia corroborar para o esclarecimento dos pontos levantados." Após isso, ataca a autuação com uma negativa genérica: "Ao contrário do defendido pelo auditor fiscal não houve omissão de receitas através de saldo credor em caixa, passivo fictício, pagamentos não contabilizados e receitas de exportação não escrituradas. Pelo contrário, muitas das transações bancária foram lançadas pela contabilidade, mas o auditor fiscal não fez atenção a este fato." De fato, no item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal, o responsável pelo lançamento, ao tratar da constatação de saldo credor de caixa, principia evidenciando a conduta do sujeito passivo de realizar os lançamentos de pagamentos e recebimentos ocorridos por via bancária mediante a utilização da conta 1031 (Caixa Tesouraria). A constatação da autoridade fiscal, contudo, não impacta a infração em análise, uma vez que, como já repetido, levouse em consideração, para a realização do lançamento, os valores de saldo credor evidenciados na própria escrituração contábil do sujeito passivo. Como bem decidido pela autoridade julgadora a quo, a Recorrente não traz qualquer elemento de prova capaz de afastar os saldos credores registrados na sua contabilidade, não sendo possível se acatar que se valha da realização da perícia técnica para buscar as provas que a ele incumbia apresentar, conforme dever tratado no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 8074DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.075 13 Não tendo sido afastada a presunção legal, deve ser negado provimento ao Recurso, quanto a este item. III. Do passivo fictício Outra parcela dos créditos tributários foi constituída com base na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 281, inciso III, do RIR/99, ou seja "a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". A constatação foi realizada nos seguintes termos: "A empresa fiscalizada apresentou os seguintes saldos em contas do passivo (fornecedores) identificados nos razões contábeis de fls. 2.142 a 2.146 e Balanço Patrimonial (fls. 489 a 759) , obtidos mediante arquivos contábeis transmitidos ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED contábil,mas que todavia já haviam sido pagas conforme cópias de documentos de pagamentos requisitados diretamente às instituições financeiras (fls. 2.147 a 2.157): MÊS/ANO FORNECEDOR DATA PAGTO VALOR R$ Ago/2011 Copel Distribuição S/A 05.08.2011 138.521,08 Jun/2012 Ford Motor Company Brasil Ltda 12.06.2012 98.500,00 Set/2012 Man Latim América Ind. Com. Veículos 19.09.2012 195.000,00 Nov/2012 Man Latim América Ind. Com. Veículos 26.11.2012 195.000,00 Out/2012 Marafon Ind. Imp. E Exp. De Máq. Ltda 02.10.2012 283.088,98 Out/2012 Marafon Ind. Imp. E Exp. De Máq. Ltda 17.10.2012 166.911,02 Out/2012 Schulz S/A 25.10.2012 74.000,00 " Além da negativa genérica e do pedido de perícia, nos mesmos moldes acima tratados, o sujeito passivo nada alegou especificamente acerca da infração em pauta, razão pela qual o lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância. No Recurso Voluntário, apesar de destinar tópico específico para se contrapor a esta infração, ao lado da constatação de pagamentos não contabilizados (Tópico III. a), a Recorrente se limita a afirmar que a constatação fiscal se deu "pela desconsideração, pelo auditor fiscal, da conta caixa escriturada pela Recorrente". Ora, como se observa da transcrição acima, em nenhum momento a infração decorreu de desconsideração da conta Fl. 8075DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.076 14 Caixa (que sequer foi desconsiderada no procedimento fiscal), mas do confronto entre as provas obtidas junto à instituições financeiras, que demonstram que a Recorrente pagou obrigações junto a Fornecedores, e a sua escrituração contábil, na qual tais obrigações foram mantidas em conta do Passivo, amoldandose a situação, então, perfeitamente, à presunção legal. Não tendo sido apresentado qualquer prova pelo sujeito passivo que se contraponha à constatação da autoridade fiscal, deve ser mantido o lançamento quanto a tal item. IV. Dos pagamentos não contabilizados Uma terceira infração apurada teve por base o art. 281, do RIR/99. Desta feita, a constatação se enquadra no inciso II do dispositivo, com a comprovação de que o sujeito passivo não escriturou pagamentos realizados. Mais uma vez, a constatação decorreu do confronto entre a escrituração contábil do sujeito passivo e documentos obtidos junto a instituições financeiras (fls. 2.158 a 2.356). Os pagamentos estão relacionados às fls. 2.384 e 2.385, e se referem aos meses de janeiro a dezembro de 2012, em relação aos quais o sujeito passivo foi intimado e não apresentou qualquer comprovação. No Acórdão recorrido, as alegações do sujeito passivo em relação a tal tópico foram rejeitadas pelos julgadores, do seguinte modo: "Quanto aos pagamentos não contabilizados, os saldos iniciais e finais das contas contábeis são irrelevantes. Isso porque, o simples fato de apresentar saldo na conta não autoriza concluir que o determinado pagamento foi feito com o recurso que supostamente estava no “Caixa” físico ou escritural da empresa. Caberia a impugnante fazer prova de que tais pagamentos foram realizados com recursos oriundos de receitas contabilizadas e tributadas,, afinal tais valores efetivamente saíram das contas correntes, mediante cheques compensados ou sacados e não da conta caixa. Alem disso, o Fisco constatou que se tratam de despesas ou custos não contabilizados, pelo que é inevitável a conclusão de que os recursos utilizados para esse fim também não foram.Vejamos o facsimile parcial dos pagamentos não contbilizados apurados pela Fiscalização (fls. 2384 dos autos): (...) E mais: os lançamentos exemplificados à Fl. 11 da peça impugnatória sequer relacionamse com os valores autuados. Evidenciase que a Impugnante buscou justificar Fl. 8076DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.077 15 os mesmos exemplos apontados na Fl. 12 do TVF, mas deixou de observar que não faziam parte da autuação." No Recurso Voluntário apresentado, o sujeito passivo funda a sua contraposição ao lançamento na suposta existência de lançamentos que não teriam sido considerados pelo responsável pela autuação. A exemplo do que já havia realizado na Impugnação, contudo, a Recorrente não traz a comprovação de que realizou o registro contábil dos pagamentos que embasaram o lançamento, mas se limita a citar pagamentos relativos ao anocalendário de 2011, os quais não foram objeto de autuação. No mais, repete a alegação já rechaçada acima de que o lançamento se basearia na desconsideração da conta caixa e o pedido de perícia técnica, sendo que, como já afirmado, no caso tal pedido não serviria para comprovar provas trazidas pelo Recorrente, mas para o levantamento das provas que ele deveria ter trazido aos autos e não o fez. A Recorrente traz, ainda, a estranha alegação de que ao apresentar as notas fiscais emitidas pelos fornecedores estava dispensado da apresentação do comprovante de pagamento, uma vez que a própria nota já teria o condão de comprovar o pagamento. Ora, a alegação é totalmente estranha à autuação, posto que a presunção legal não se baseia na ausência de comprovação do pagamento, mas não ausência de registro contábil de tal pagamento. Tornase, portanto, despiciendo rechaçar com maiores detalhes a alegação do sujeito passivo, que, por si só, é absolutamente infundada. A mera nota fiscal não atesta a realização de um pagamento, devendo estar acompanhada da comprovação do meio pelo qual o pagamento foi realizado. Finalmente, a Recorrente sustenta que há na sua contabilidade lançamentos que complementariam os encontrados pela autoridade fiscal e que afastariam a presunção de ausência de escrituração de pagamentos. Cita, como exemplos, os seguintes lançamentos: "31.01.2012 Débito: Folha de Pagamento (ordenados e salários) R$ 122.492,74 Crédito: Caixa R$ 122.492,74 Histórico: Valor ref. Diversos relativo as folha de pgto. 31.05.2012 Fl. 8077DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.078 16 Débito: Combustíveis e lubrificantes R$ 63.807,67 Crédito: Caixa R$ 63.807,67 Histórico: Ref. pagamento de abastecimentos diversos 31.10.2012 Débito: Combustíveis e lubrificantes R$ 86.424,98 Crédito: Caixa R$ 86.424,98 Histórico: Ref. pagamento de abastecimentos diversos 30.11.2012 Debito: Combustíveis e lubrificantes R$ 85.534,64 Crédito: Caixa R$ 85.534,64 Histórico: Ref. pagamento de abastecimentos diversos" A análise do Razão da Conta Caixa (fls. 1.495 a 2.141), contudo, revela que não é verídica a afirmação do sujeito passivo. Nenhum dos referidos lançamentos se encontra em sua escrituração contábil. Deve ser improvido o Recurso Voluntário, em relação a mais este tópico." No caso de apuração de omissão de receitas, estas serão consideradas na determinação da base de cálculo para o lançamento das contribuições acima referidas, por expressa disposição do art. 24, §2º, da Lei nº 9.249, de 1995. Deste modo, tendo sido considerado procedente o lançamento do IRPJ referente às omissões de receita apuradas com base nos referidos dispositivos, deve ser improvido o Recurso Voluntário, em relação a estas matérias. IV. Diferença apurada entre os valores registrados na escrituração contábil e na escrituração fiscal e da realização de perícia técnica O responsável pelo procedimento fiscal apontou, em relação ao ano calendário de 2011, a existência de divergências entre os valores de receitas de vendas de mercadorias e produtos resultante da totalização das notas fiscais eletrônicas emitidas pelo sujeito passivo (fls. 2.386 a 3.970, totalizadas à fl. 5.867) e os valores constantes de sua escrituração contábil (conforme Demonstração do Resulta do Exercício de fl. 484). No TVF, foi apresentado o seguinte demonstrativo das referidas divergências: Fl. 8078DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.079 17 O Acórdão recorrido manteve o lançamento, ao rejeitar os argumentos de defesa apresentados pelo sujeito passivo, no sentido de que "as divergências e inconsistências dos dados manifestados na contabilidade impediram a verificação real dos valores a serem considerados para fins de autuação", e de que os totais considerados pela autoridade fiscal incluiriam saídas que não configurariam faturamento, tais como as remessas para conserto, devoluções de compras e simples remessas. Bem como, de exigir a realização de perícia. Eis os fundamentos dos julgadores: "As justificativas da Impugnante são inaceitáveis. Em primeiro lugar, as “incontáveis divergências” foram apontandas (sic) na conta Caixa e somente impediriam a reconstituição fiscal dos saldos diários. Por sua vez, o valor total das receitas foi apurado com base nas notas fiscais de saídas de vendas de produtos, cujos códigos são específicos. A Fiscalização sabe muito bem distinguir uma saída de produto em devolução de um produto vendido. Os demonstrativos fiscais são precisos e apontam os valores mensais das receitas tributáveis da empresa. Vejamos facsimile parcial dos quadros de fl. 5867: (...) Ao invés de simplesmente requer perícia, caberia à Impugnante fazer prova de que o Fisco errou na apuração de ao menos um desses valores mensais. Em verdade, o trabalho fiscal nessa parte não merece reparos, pelo que a tributação deve ser confirmada." Fl. 8079DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.080 18 O Recurso Voluntário não traz qualquer refutação diretamente relacionada com a infração em pauta, limitandose a pleitear a realização de perícia que, supostamente, afastaria a infração. Em primeiro lugar, como apontado pelo julgado a quo, os vícios apontados pela autoridade fiscal na escrituração contábil do sujeito passivo se restringem às dificuldades produzidas pela centralização na conta Caixa de operações realizadas por via bancária, não possuindo nenhuma relação com a infração em pauta. Além disso, a análise da relação de notas fiscais discriminadas às fls. 3.970 a 5.865 atesta que todas as saídas ali discriminadas se referem a vendas de produtos e mercadorias, não existindo qualquer saída por remessa ou devolução, como alegado na Impugnação. O que se constata, portanto, é que a Recorrente busca se valer da realização de perícia técnica para construir provas que teria o ônus de apresentar. Na verdade, cabe neste posto, rechaçar expressamente o pedido de perícia formulado pela Recorrente e apresentado como preliminar de mérito. Em relação a várias matérias incluídas no auto de infração, há o apela à realização de perícia técnica que, no entender da Recorrente, viria a comprovar as suas alegações. O exame das matérias, contudo, revela que não qualquer razão para a realização de diligências ou perícias, posto que a autoridade fiscal reuniu provas cabais das infrações e o sujeito passivo não apresentou qualquer elemento comprobatório capaz de suscitar dúvidas que demandassem a necessidade de esclarecimento. A própria razão suscitada pela Recorrente ("para fins de conferir maior segurança jurídica à medida fiscal impugnada"), frente às sólidas provas trazidas pelo responsável pela constituição do crédito tributário, já revela a desnecessidade da medida. Ademais, em relação às hipóteses de omissão de receita por presunção legal, a realização da perícia já foi rechaçada, quando do julgamento do processo administrativo nº 11643.720210/201653, que, como já dito, teve os seus efeitos estendidos para os presentes autos. Assim, à luz do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, considero prescindível a realização de perícia e indefiro o pedido formulado pela Recorrente, bem como mantenho o lançamento quanto às diferenças abordadas neste tópico. V. Dos valores não recolhidos substituição tributária O responsável pela constituição do crédito tributário imputou à Recorrente a infração de haver deixado de recolher Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep a que estava obrigado, na condição de substituto tributário. Na Impugnação, o sujeito passivo alegou que o lançamento não procederia posto que as vendas realizadas se destinariam apenas a comerciantes atacadistas. Fl. 8080DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.081 19 Tal tese foi rechaçada pela decisão recorrida, uma vez que a obrigação imposta pelo art. 43 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, é destinada aos fabricantes e importadores, que deveriam recolher os tributos devidos pelos comerciantes varejistas, ainda que suas vendas sejam destinadas somente a atacadistas. No Recurso Voluntário, a autuada deixa de lado tal argumento, mas alega que haveria duplicidade de cobrança ou utilização de alíquotas equivocadas, já que a cobrança ter seia realizado com base nas alíquotas previstas para a incidência nãocumulativa, quando deveriam ser utilizadas aquelas destinadas à incidência cumulativa. Examinemos, pois, o dispositivo legal que instituiu o recolhimento por substituição tributária, com a alteração realizada pela Lei nº 10.637, de 2002: "Art.43.As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores dos veículos classificados nas posições 8432, 8433, 8701, 8702, 8703 e 8711, e nas subposições 8704.2 e 8704.3, da TIPI, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas. § 1º Na hipótese de que trata este artigo, as contribuições serão calculadas sobre o preço de venda da pessoa jurídica fabricante. § 2º O disposto neste artigo, no que diz respeito aos produtos classificados nas posições 84.32 e 84.33, alcança apenas os veículos autopropulsados descritos nos Códigos 8432.30, 8432.40.00, 8432.80.00 (exceto rolos para gramados ou campo de esporte), 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00 e 8433.5.(NR)" Desde a implantação da sistemática de apuração nãocumulativa para a Contribuição ao PIS/Pasep e a Cofins, porém, as referidas receitas foram excetuadas do novo regime, mantendose sujeitas à incidência cumulativa. Vejase o teor das normas na redação original: Lei nº 10.637, de 2002 "Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...) Fl. 8081DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.082 20 Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: (...) b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep;" Lei nº 10.833, de 2003 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; (...) Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) b) sujeitas à substituição tributária da COFINS;" Fl. 8082DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.083 21 Com o advento da Lei nº 10.485, de 2002, parte dos produtos de que trata o art. 43 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, passou, então, à incidência monofásica. Para as motocicletas, porém (veículos classificados na posição 8711 da TIPI), foram mantidas as regras previstas nas Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, as receitas decorrentes das vendas de tais produtos continuaram excepcionadas da incidência não cumulativa e apuradas com base nas alíquotas aplicáveis à incidência cumulativa. Cabe destacar que, conforme explicitado na Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT nº 9, de 2007, a substituição tributária para as referidas receitas se aplica apenas nas vendas de fabricante ou importador diretamente a comerciante varejista, conforme tese defendida pela Recorrente na Impugnação, rejeitada pelo julgador de primeira instância e não renovada perante este Conselho. De todo modo, a argumentação é irrelevante no caso, posto que inexiste qualquer elemento nos autos que comprove que as vendas realizadas pela Recorrente se destinavam a comerciantes atacadistas. Pelo contrário, a observação das notas fiscais elencadas às fls. 5.869 a 5.879 revela que se referem a operações sujeitas à substituição tributária (CFOP 5.401 e 6.401). O lançamento merece reparo, porém, uma vez que, de fato, as receitas correspondentes às citadas notas fiscais foram incluídas, indevidamente, pela autoridade fiscal na apuração nãocumulativa (conforme fls. 7.894 a 7.897), quando, conforme o art. 8º, inciso VII, alínea "a", da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, inciso VII, alínea "b", da Lei nº 10.833, de 2003, deveriam ser submetidas à apuração cumulativa. Deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, quanto a tal tópico, portanto, com a exclusão das receitas submetidas ao recolhimento por parte da Recorrente na condição de substituta tributária. VI. Créditos da nãocumulatividade apurados indevida ou incorretamente Conforme o Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo teria calculado créditos da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins sobre o estoque de abertura em 01/01/2011 por meio do emprego das alíquotas referentes à apuração nãocumulativa, quando deveria ter utilizados aquelas previstas para a apuração cumulativa, uma vez que, até 31/12/2010, apurava o IRPJ com base no Lucro Presumido. A par disso, teria apurado indevidamente créditos sobre despesas com manutenção e combustíveis de veículos integrantes do seu ativo imobilizado, as quais não se caracterizariam como insumos, portanto não dariam direito a tal apuração. Por fim, teria apurado créditos sobre bens integrantes do seu ativo imobilizado com base no valor de aquisição, porém tais bens não seriam bens utilizados na produção, de modo que, mais uma vez, não ensejariam a apuração dos créditos. Toda a glosa realizada pela autoridade fiscal foi mantida pelo Acórdão recorrido, com base, fundamentalmente, no fato de que a mesma interpretação adotada pela autoridade fiscal, para o aproveitamento dos créditos, por ser o entendimento da Receita Fl. 8083DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.084 22 Federal do Brasil, também deve ser reverenciada pelo julgador de primeira instância, que a ele está submetido. No Recurso Voluntário, a Recorrente suscita a ilegalidade da restrição à utilização do crédito decorrente do estoque de abertura mediante o emprego das alíquotas aplicáveis ao regime nãocumulativo, posto que, uma vez que seria optante pela apuração do IRPJ com base no Lucro Real, develhe ser reconhecido o direito à apuração dos créditos no mesmo patamar de alíquotas a que está sujeito para fins de recolhimento do tributo. Os percentuais aplicáveis ao cálculo do crédito calculado sobre o estoque de abertura, no caso de o contribuinte passar a ser tributado com base no Lucro Real, são definidos expressamente pelas Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, conforme a seguir transcrito: Lei nº 10.637, de 2002 "Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1o de dezembro de 2002. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. (...) § 3o A pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido, passar a adotar o regime de tributação com base no lucro real, terá, na hipótese de, em decorrência dessa opção, sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens e ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo." Lei nº 10.833, de 2003 "Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. (...) § 5o A pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido ou optante pelo SIMPLES, passar a ser tributada com base no lucro real, na hipótese de sujeitarse à incidência não Fl. 8084DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.085 23 cumulativa da COFINS, terá direito ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo, calculado sobre o estoque de abertura, devidamente comprovado, na data da mudança do regime de tributação adotado para fins do imposto de renda." Ora, decorrendo a forma de cálculo da própria lei, plenamente vigente, é totalmente descabida a pretensão da Recorrente de realizar o cálculo de modo diverso. Não há qualquer ilegalidade, que possa ser reconhecida. Em relação aos créditos calculados sobre as despesas com manutenção e combustíveis de veículos integrantes do seu ativo imobilizado, a Recorrente sustenta que tais veículos compõem a sua frota (inclusive apresenta relação) e que, possuindo dentre os seus objetos sociais o transporte dos próprios produtos industrializados, tais despesas seriam essenciais para o desempenho da atividade empresarial e dariam direito ao aproveitamento de créditos. O aproveitamento de créditos sobre insumos tem como base legal os arts. 3º, inciso II, das Lei nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que possuem a mesma redação (conferida pela Lei nº 10.865, de 2004). In verbis: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)" A interpretação conferida pela Receita Federal para o conceito de insumos sempre foi aquela já consolidada no âmbito da legislação do IPI, conforme se constata do teor do art. 8º, §4º, da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004: "Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) Fl. 8085DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.086 24 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço." A jurisprudência do CARF caminhou no sentido da consagração de um conceito próprio de insumos, dissociado tanto da legislação do IPI, quanto da do IRPJ. É o que ilustra a seguinte decisão: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 INSUMOS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição em apreço não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IRPJ (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção) e, consequentemente, à persecução da atividade empresarial desenvolvida pelo contribuinte. Precedentes CARF. (...) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática." (Acórdão nº 3402005.289, sessão de julgamento de 24/05/2018, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Fl. 8086DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.087 25 O Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do Resp n° 1.221.170/PR (Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018), também caminhou no sentido de um conceito próprio, inclusive considerando ilegal a regulamentação dada pela Instruções Normativas da Receita Federal. O referido julgamento se deu sob a sistemática do artigo 543C, do antigo CPC (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do RI/CARF, possuindo a seguinte ementa: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA.RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." Fl. 8087DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.088 26 O exame da questão, pois, deve se dar à luz da interpretação conferida pelo Superior Tribunal de Justiça. A glosa realizada pela autoridade fiscal se fundamenta no fato de que os dispêndios com combustíveis e manutenção para os veículos que integram a sua frota não se referem a despesas com itens que foram aplicados ou consumidos diretamente na produção dos produtos industrializados pela Recorrente, em estrita consonância com a interpretação estampada nas Instruções Normativas da RFB. A alegação da Recorrente, por outro lado, é de que as referidas despesas se dariam com veículos utilizados para a entrega dos produtos por ela industrializados, pelo que se enquadrariam no conceito de insumo, e portanto gerariam o direito ao crédito das contribuições nãocumulativas. Ainda que se adotando o conceito mais abrangente de insumo, conforme consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça, e ainda que se admita o fato de que a Recorrente possui dentre as atividades do seu objeto social o transporte de mercadorias (conforme contrato social e alterações de fls. 14 a 37), a questão central in casu é que as receitas auferidas e tributadas se referem à venda de produtos por ela industrializados ou por ela adquiridos (como se observa pelas notas fiscais de fls. 2.387 a 5.866). Deste modo, à luz das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e da citada interpretação, somente haveria o direito ao crédito da Contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins, caso os dispêndios em questão fossem essenciais, imprescindíveis à "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". A entrega dos produtos já fabricados, ao contrário do alegado, não é essencial ao processo fabril da Recorrente. Para a procedência da tese da Recorrente, seria necessário que as receitas tributadas se referissem à prestação do serviço de transporte, onde, aí sim, poderseia constatar os requisitos de essencialidade ou relevância das despesas, produzindo o direito ao creditamento. Outra hipótese seria que os veículos fossem empregados para o transporte de insumos e produtos ainda durante o processo de fabricação da Recorrente, o que não é alegado, nem comprovado. Deve ser mantida, portanto, a glosa referente a tais créditos. Em último lugar, há a glosa referente aos bens do ativo imobilizado sobre o valor de aquisição. Mais uma vez a questão se cinge à finalidade do uso dos referidos veículos. A própria Recorrente comprova aquilo que foi aferido, por amostragem, pela auditoria fiscal. Os veículos do seu ativo imobilizado são destinados "à entrega dos produtos fabricados ou revendidos". Ou seja, os veículos não são utilizados na "produção de bens e serviços", requisito essencial do creditamento, conforme o art. 1º da Lei nº 11.774, de 2008 (seja na redação original, seja naquela conferida pela Lei nº 12.546, de 2011): Fl. 8088DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.089 27 "Art. 1o As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 12 (doze) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS de que tratam o inciso III do § 1o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e serviços." (Destacouse) "Art. 1o As pessoas jurídicas, nas hipóteses de aquisição no mercado interno ou de importação de máquinas e equipamentos destinados à produção de bens e prestação de serviços, poderão optar pelo desconto dos créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social/Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de que tratam o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, da seguinte forma:" (Redação dada pela Lei nº 12.546, de 2011) (Destacouse) Neste sentido, novamente, deve ser mantida a glosa efetuada. VII. Da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições A Recorrente traz, no Recurso Voluntário, matéria não veiculada na Impugnação. Tratase da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, que determinou a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, conforme ementa a seguir: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, Fl. 8089DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.090 28 não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. O referido julgamento se deu em sede repercussão geral, o que atrairia a observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do RI/CARF. Em alguns julgamentos posteriores realizados no âmbito do CARF (a exemplo do Acórdão nº 3301004.416, sessão de julgamento de 22/03/2018, Relator Conselheiro José Henrique Mauri), tal obrigatoriedade foi afastada pelo fato de a referida decisão ainda não ser definitiva, posto que pendente o julgamento de Embargos de Declaração. Assim, com base no mesmo dispositivo do RI/CARF, deverseia continuar a obedecer ao entendimento do STJ firmado por meio do julgamento do Recurso Especial nº 1.144.469/PR, sob a sistemática dos recursos repetitivos. Esta Turma, por meio do Acórdão nº 1302002.690 (sessão de julgamento de 16 de março de 2018, Relator Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias), enfrentou a matéria, ocasião em que entendeu que, apesar da ausência do trânsito em julgado, o precedente criado pela decisão do STF deve ter aplicação imediata. O próprio Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o entendimento do STF, conforme, a título ilustrativo, as decisões proferidas nos EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG (Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) e no REsp 1496603/MG (Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018). Este Colegiado, porém, a partir do Acórdão nº 1302002.908 (sessão de julgamento de 24 de julho de 2018, Relator Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias), reviu o seu posicionamento, em decorrência da ausência de definitividade da decisão do STF, o que, a teor do já citado art. 62, §2º, do Anexo II do RI/CARF, não tornaria obrigatória a sua observância pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como consignado no voto condutor do citado Acórdão desta Turma: "Assim, mesmo que haja um precedente fixado, que vincula os órgãos judicantes, ainda não se sabe ao certo a extensão temporal da decisão do STF, sendo temerário, neste momento, aplicar, de forma precária, aquele precedente em fatos pretéritos." No mesmo sentido, o Acórdão nº 1302002.977 (sessão de julgamento de 26 de julho de 2018, Relator Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado). Fl. 8090DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.091 29 Além disso, no caso sob análise, mesmo admitida a tese da nãoinclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS/Pasep e à Cofins, não há como se deferir o pedido formulado pela Recorrente. Em primeiro lugar, a Recorrente não comprova que as bases de cálculo adotadas no lançamento incluem o valor do ICMS, nem ainda que o tributo estadual foi efetivamente declarado e recolhido aos cofres estaduais. Mais que isso, sendo o lançamento, em grande parte, baseado em presunções legais de omissão de receita, tornase impossível aferir quais exatamente foram as receitas omitidas pela Recorrente, o que torna igualmente impossível a determinação de que tais receitas incluiriam valores de ICMS efetivamente recolhidos. Por fim, apurando o contribuinte as citadas contribuições sob o regime não cumulativo, a exclusão do ICMS da base de cálculo tem como decorrência a necessidade de exclusão também do ICMS dos valores dos créditos a que a Recorrente teve direito na aquisição dos seus insumos, o que implicaria a necessidade de completa reformulação da apuração das contribuições, o que é inviável em tal instante, em especial, ante a absoluta falta de provas por parte do sujeito passivo. Isto posto, deve ser improvido o pedido formulado. VIII. Da aplicação de juros e multas A Recorrente traz o esdrúxulo pedido para que os valores de juros e multas tenham o mesmo tratamento concedido aos valores principais. Em especial, que tendo sido reconhecida pela DRJ a decadência referente aos créditos relativos ao mês de março de 2011, haja o afastamento dos acréscimos legais. Ora, embora o Acórdão recorrido seja silente em relação a tal fato, o que se pede é decorrência lógica, em relação à qual inexiste qualquer matéria controversa. Para todos os valores mantidos no contencioso administrativo, deverá haver a cobrança de multas e juros fixadas na legislação. Afastada a tributação sobre alguma parte do crédito tributário constituída, a mesma sorte seguirão os respectivas parcelas de acréscimos legais. IX. Das intimações Em relação aos pedidos da Recorrente relacionados com a intimação ao procurador para os atos processuais e, em especial, para a realização de sustentação oral perante o CARF, cabe apenas registrar que não há previsão legal para tais práticas, sendo as intimações dirigidas ao sujeito passivo, nas formas reguladas pelo art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, e a pauta de reunião publicada no Diário Oficial da União, conforme art. 55 do RI/CARF, quando caberá ao eventual procurador, por ocasião do julgamento, solicitar a realização de sustentação oral, conforme art. 68, inciso II, do RI/CARF. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 110: Fl. 8091DF CARF MF Processo nº 11634.720211/201606 Acórdão n.º 1302003.096 S1C3T2 Fl. 8.092 30 "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo." X. Conclusão Por todo o exposto, voto por indeferir o pedido de perícia e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir da tributação as receitas submetidas ao recolhimento por parte da Recorrente na condição de substituta tributária. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 8092DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900774/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
Numero da decisão: 3401-005.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 07 74 /2 00 8- 81 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900774/200881 Acórdão n.º 3401005.180 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 23351.84781.150704.1.3.04 1676 a compensação de débito de COFINS (cód.5856) do período de apuração 06/2004 com crédito de PIS/PASEP por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 12/2003, arrecadado na data de 15/01/2004. Do Despacho Decisório A DRF LIMEIRA em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 20/05/2008 (efls.7), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação de débito do PIS/PASEP do período de apuração 31/12/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, justificando que: “Em janeiro de 2.003 houve um equivoco e aconteceu que a empresa recolheu a maior os valores do pis no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2.003 e alguns pelo código indevido também ( 8109 — antigo) mas a Receita nos orientou a fazer o Redarf se viesse alguma cobrança apenas, pois a empresa optou pelo cálculo através do regime não cumulativo sobre receita bruta auferida”; anexou cópia do DARF que reflete o valor do crédito indicado na PER/DCOMP e diante desses fatos, elaborou e juntou planilha a seguir transcrita, acreditando no direito que lhe é conferido, comprovado a inexistência de má fé e demonstrada a insubsistência do despacho decisório, requer o deferimento de seu pleito. STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTOA Saldo em 01/12/2002 Estoque: 0,65% de RS 574.328,40.............................................................................................. RS 3.733, 1 Mês/Ano 12/2002 Vendas R$ 144.543,59 Compras RS Saldo RS 72.799,26 PIS a Recolher R$ PIS Recolhido a Recuperar RS 1.183,78 01/2003 R$ 75.284,22 RS 71.120,90 RS 4.163,32 RS 68,69 R$ 1.243,01 R$ 1.174,32 02/2003 R$ 194.327,31 RS 142.238.41 RS 52.088,90 RS 859,47 R$ 3.206,40 R$ 2.346,93 03/2003 R$ 269.805,40 R$ 140.434, 12 RS 129.371,28 RS 2.134,63 RS 4.451,78 R$ 2.317,15 04/2003 RS 247.127,33 RS 167.687,22 RS 79.440, 11 RS 1.310,76 RS 4 077,60 RS 2.766,84 05/2003 RS 183.193,65 RS 141.965,71 RS 41.227,94 RS 680,26 RS 3.022,69 R$ 2.342,43 06/2003 RS 184.542,46 RS 180.365,51 RS 4.176,95 RS 68,92 R$ 3.044,95 R$ 2.976.03 07/2003 RS 115.829,07 RS 68.235,22 RS 47.593,85 RS 785,30 R$ 1.911,18 RS 1.125,88 08/2003 RS 80.982,53 RS 28.786,83 RS 52.195, 70 RS 861,23 R$ 1.336,22 RS 474,99 09/2003 RS 81.003,70 RS 38.669,64 RS 42.334,06 RS 698,51 RS 1.336,56 R$ 638,05 10/2003 RS 141.451,95 R$ 85.044,44 RS 56.407,51 RS 930,73 RS 2.333,96 R$ 1.403,23 11/2003 R$ 126.813,12 RS 87.247,01 RS 39.566. 11 RS 652,84 RS 2.092,42 RS 1.439,58 12/2003 R$ 120.042,52 RS 82.274,05 RS 37.768,47 RS 623,18 RS 1.980,70 RS 1.357,52 Total: R$ 1.964.946,85 R$ 1.305.813,39 R$ 659. 133,46 R$ 10.875,71 R$ 32.422,44 R$ 21.546,73 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900774/200881 Acórdão n.º 3401005.180 S3C4T1 Fl. 4 3 Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/01/2004 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo demanda a comprovação da liquidez e certeza do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2004 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 41 a 44) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, limitandose a repisar os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, sem apresentar as provas pertinentes ao caso como bem observado pela autoridade julgadora de primeiro grau. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que se discute teve início com a apresentação de PER/DCOMP declarando a compensação de débito de COFINS (cód. 5856) do período de apuração Junho/2004, com crédito por pagamento indevido ou a maior de PIS (vide efls.4): Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10865.900774/200881 Acórdão n.º 3401005.180 S3C4T1 Fl. 5 4 A unidade de origem informou no despacho decisório que inexiste o crédito, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado de PIS/PASEP para o período 12/2003. A Contribuinte com base em alegações entende que não pode ser prejudicada pelo simples erro de forma, sem ter causado prejuízo ao erário. Demonstra na planilha acima reproduzida, que para o período de apuração 12/2002 a 12/2003, estaria sujeita ao recolhimento do PIS pelo regime não cumulativo na alíquota de 1,65% e por equívoco a empresa recolheu a respectiva contribuição, inclusive em alguns meses com o código 8109 (do regime cumulativo), sem levar em consideração, na apuração do valor devido, os créditos a que teria direito. Esse fato é que resultou no recolhimento indevido ou a maior, cuja diferença corresponde ao crédito que deu base à compensação realizada nas PER/DCOMP apresentadas. É de se destacar que o valor do PIS/PASEP apurado e declarado ao fisco é igual ao crédito vinculado, como pode ser observado pelas telas dos sistemas da Receita Federal do Brasil juntadas ao processo. Restringese a Recorrente a manifestar sua discordância com a não homologação da compensação praticada, sem nada comprovar quanto a disponibilidade do crédito através de seus registro contábeis ou apresentando declarações retificadoras (DACON e DCTF). Prendese única e exclusivamente ao fato alegado, consubstanciado pela planilha resumo, de que teriam ocorrido pagamentos a maior que o devido de PIS/PASEP no período de 12/2002 a 12/2003. O Auditor Fiscal da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que conduziu o voto do acórdão recorrido, fez constar que: “para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação”. Cabe ainda destacar do voto do acórdão recorrido: Com efeito, conforme se observa no extrato de fl. 30, o pagamento realizado em 15/01/2004 correspondeu exatamente ao valor do débito do tributo declarado na DCTF, não restando, assim, qualquer crédito passível de compensação relativamente a este pagamento. E também no DACON entregue pela contribuinte (fls. 27/29) o valor do débito apurado corresponde àquele declarado em DCTF. Mas, como se viu, informa a reclamante que o valor declarado não considerou a correta apuração do valor devido, conforme demonstrada em seu "resumo''. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10865.900774/200881 Acórdão n.º 3401005.180 S3C4T1 Fl. 6 5 Ora, para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação. Portanto, foi oportunizado a contribuinte exercer o seu amplo poder de defesa, conforme direito prescrito na Lei do PAF, nº 9.430/1996 e nada foi feito na fase recursal, nenhum demonstrativo contábil/fiscal foi apresentado, como também, declarações retificadoras (DACON e DCTF) ou mesmo a DIPJ, que resultasse em meio de prova a dar convencimento a uma melhor análise passível de atender a compensação requerida. Reflete, nesse caso, completo desinteresse da Recorrente de agir em favor de sua causa, quando repete em seu recurso as alegações anteriormente produzidas, sem se dar ao trabalho ou se empenhar na produção de provas básicas a dar suporte ao crédito relacionado com a compensação pretendida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.720621/2012-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007, 2008
SIMPLES FEDERAL. SIMILITUDE E DIVERGÊNCIA.
Não é conhecido o recurso se não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária.
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIDO. FUNDAMENTO INATACADO.
O fundamento inatacado, que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas nº 126 do STJ e 283 do STF.
MULTA QUALIFICADA. LEI 9.430, ART. 44. OMISSÃO SUBSTANCIAL. SÚMULA CARF 25.
A omissão substancial de receita, devidamente identificada no lançamento tributário, legitima a aplicação de multa qualificada.
A Súmula CARF nº 25 trata da presunção legal de omissão de receita, impedindo a aplicação de multa qualificada sem a comprovação do dolo do contribuinte, na forma dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964.
O lançamento tributário expressamente trata do dolo do contribuinte, com a substancial omissão de rendimentos, aplicando-se o racional da Súmula CARF 25 para manutenção da multa.
Numero da decisão: 9101-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos dois primeiros temas relacionados à exclusão do Simples Federal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso quanto à multa qualificada e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. Julgamento iniciado na sessão de 08/2018 e concluído em 13/09/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007, 2008 SIMPLES FEDERAL. SIMILITUDE E DIVERGÊNCIA. Não é conhecido o recurso se não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIDO. FUNDAMENTO INATACADO. O fundamento inatacado, que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida, impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas nº 126 do STJ e 283 do STF. MULTA QUALIFICADA. LEI 9.430, ART. 44. OMISSÃO SUBSTANCIAL. SÚMULA CARF 25. A omissão substancial de receita, devidamente identificada no lançamento tributário, legitima a aplicação de multa qualificada. A Súmula CARF nº 25 trata da presunção legal de omissão de receita, impedindo a aplicação de multa qualificada sem a comprovação do dolo do contribuinte, na forma dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. O lançamento tributário expressamente trata do dolo do contribuinte, com a substancial omissão de rendimentos, aplicandose o racional da Súmula CARF 25 para manutenção da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos dois primeiros temas relacionados à exclusão do Simples Federal. Acordam, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 06 21 /2 01 2- 21 Fl. 8938DF CARF MF 2 ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso quanto à multa qualificada e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe negaram provimento. Julgamento iniciado na sessão de 08/2018 e concluído em 13/09/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por exclusão do Simples Federal, por meio de Ato Declaratório Executivo da Receita Federal de Osasco nº 14, de 12 de março de 2012 (fls. 4.274), no qual se identifica como causas de exclusão: O CHEFE DO SERVIÇO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA – SEORT, no uso da atribuição conferida pelo inciso V do artigo 1º, da Portaria DRFOSA nº 140 de 26 de outubro de 2011, publicada no DOU de 28 de outubro de 2011, considerado o disposto no artigo 28 e artigo 29, inciso VIII, da Lei Complementar 123 de 14 de dezembro de 2006 e o que consta no processo 10882.720621/201221, DECLARA: Art. 1º A exclusão de ofício do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01 de julho de 2007, da empresa LETEM ESTAMPARIA E SERVIÇOS LTDA., CNPJ 04.198.872/00001 67, por falta de escrituração do livro Caixa ou sua escrituração que não permita a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. (...) Além disso, consta Ato Declaratório Executivo nº 15, emitido pela mesma Delegacia da Receita Federal, excluindo o contribuinte do Simples Nacional. No entanto, a análise do ADE 15 não foi devolvida a este Colegiado. Com a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional, o contribuinte sofreu autuação fiscal para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, quanto ao período de janeiro a junho de 2007 (TVF e Auto de Infração às fls. 4.278/4.326) e julho de 2007 a dezembro de 2008 (fls. 6.365/6.458). Fl. 8939DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.939 3 Destaquese trecho do Termo de Verificação Fiscal que trata da multa qualificada quanto ao segundo semestre de 2007 e ano de 2008 (fls. 6.365), tema ainda em debate nestes autos por recurso especial: Considerando que o contribuinte foi excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições – SIMPLES NACIONAL, a partir de 01/07/2007 (...) e tendo em vista que os valores acima descritos não tiveram suas origens comprovadas, mesmo depois de repetidas oportunidades dadas ao contribuinte no curso da fiscalização, como se pode constatar no confronto das reiteradas intimações para a comprovação da origem dos recursos e com as respostas apresentadas, os valores acima devem ser tidos como omissão de receitas, em face do que dispõe o art. 42 da Lei 9.430/96 e o art. 537 do Decreto nº 3000 (...). Com relação à multa qualificada, cabe assinalar que os documentos e informações constantes dos presentes autos, bem como o presente Termo de Verificação Fiscal, mostram, à evidência, que o contribuinte, por períodos sucessivos, não só do ano de 2007, como também do ano 2008, deixou de oferecer à tributação parte dos valores movimentados em sua conta corrente, tendo, também, deixado de escriturar contabilmente, de forma repetida e sucessiva, ao longo de vários períodos, sua movimentação bancária e financeira, sobretudo dos recursos que constituem a omissão de receitas objeto do presente lançamento. Essas práticas reiteradas só podem ser reputadas como evidente intuito de deixar à margem da tributação parte dos ganhos do contribuinte. Ademais, não se mostra plausível admitirse erro de não registro na contabilidade e de não oferecimento à tributação de valores de significativa grandez, auferidos em períodos sucessivos, restando, pois, como evidente o intuito de fraudar a lei tributária e sonegar informação ao Fisco sobre a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária, impondo se, pois, a multa prevista no art. 44, §1º, da Lei 9.430/96, em virtude da configuração das condutas descritas nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64. Diante da apresentação de Manifestação de Inconformidade (quanto à exclusão do Simples Federal e Simples Nacional) e Impugnação administrativa contra autos de infração, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas decidiu confirmar a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional, acolhendo em parte a impugnação quanto aos créditos tributários lançados (fls. 8.536/8.608). O acórdão restou assim ementado: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se cogita de nulidade, por cerceamento de defesa, de Atos Declaratórios de Exclusão de sistemática simplificada, se deles constou expressamente a descrição dos fatos que suscitaram a exclusão permitindo ao interessado compreender as acusações Fl. 8940DF CARF MF 4 que lhe foram formuladas de modo a desenvolver plenamente sua peça de inconformismo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 SISTEMÁTICA DO SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. A manutenção de Livro Caixa contendo a escrituração de toda a movimentação financeira e bancária é obrigação legal das empresas optantes pelo Simples e pelo Simples Nacional, sob pena de exclusão das referidas sistemáticas. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. Constatada hipótese legal de exclusão do Simples e do Simples Nacional, cuja ocorrência não foi afastada pela defesa, mantémse a exclusão regularmente formalizada pela autoridade competente. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO ARBITRADO. Se a escrituração a que está obrigado o contribuinte não é mantida na forma da legislação de regência, deixando de abranger todos os atos e operações relativos à atividade, nos quais se incluem a totalidade da movimentação financeira e bancária, sujeitase a pessoa jurídica ao arbitramento do lucro. PAGAMENTOS EFETUADOS NAS MODALIDADES SIMPLIFICADAS. Excluemse do lançamento de ofício as parcelas correspondentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, integrantes de recolhimentos anteriores ao início do procedimento, efetuados na modalidade do Simples e Simples Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO. Imputada pela Fiscalização a ocorrência de fraude decorrente da prática reiterada de não contabilizar a movimentação Fl. 8941DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.940 5 bancária, inviabilizando a identificação das operações, denota o objetivo de obstar o conhecimento pela Administração Tributária do real faturamento e do resultado tributável circunstâncias não afastadas pela defesa , impõese a manutenção da multa no percentual de 150%. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de alegações relacionadas a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra tal decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 8.626), alegando, em síntese: (i) Com relação aos atos de exclusão do Simples Federal e Simples Nacional: (i.a) Teria corretamente escriturado seu Livro Caixa, eis que para o exercício de sua atividade prevista em contrato social (cobrança) o contribuinte movimenta valores de titularidade de clientes, que transitariam em suas contas correntes sem que estes valores pertençam a seu patrimônio. Assim, não se aplicaria o previsto no artigo 7º, §1º, alínea ‘a’ da Lei nº 9.317/1996, como tampouco o artigo 26, §2º, da Lei Complementar nº 123/2006; (i.b) Nulidade do Ato Declaratório nº 15/2012, por “desarmonia entre motivo que fundamentou o ato e o dispositivo legal apontado” (ii) Com relação aos Autos de Infração: (ii.a) decadência, aplicandose o prazo do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional; (ii.b) nulidade do arbitramento; (ii.c) sobre a omissão de receitas, que não teria sido comprovada pelo Fisco; a presunção relativa – se admitida – teria sido afastada por prova do contribuinte, violação ao princiípio da verdade material, pois teria demonstrado por amostragem a origem dos depósitos questionados; (ii.d) Sobre o auto de infração 1 (01/07 a 06/07), haveria contrato com a empresa Santa Cruz Fomento Comercial Ltda. e com a Klin Fomento Comercial prevendo abatimentos (deságio). No mesmo sentido, seriam os documentos relaciconados ao clientes Metalúrgica Tecnoestamp, DNP Indústria e Navetagação e Derech Indústria Metalúrgica; (ii.d) Relativamente ao Auto de Infração 2 (07/07 a 12/08) também haveria prova destes descontos contratualmente definidos; Fl. 8942DF CARF MF 6 (ii.e) a multa qualificada (150%) seria indevida, eis que confiscatória e não caracterizada a fraude ou sonegação. Nesse contexto, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deu parcial provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 2.971): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. A falta de escrituração da movimentação bancária no Livro Caixa é insuficiente para justificar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal com fundamento no art. 14, inciso II da Lei nº 9.317/96. EXIGÊNCIAS DECORRENTES. Não sendo possível inovar a exigência, mediante acréscimo de fundamentação legal e de critérios de cálculo segundo a sistemática simplificada de recolhimento, uma vez afastada a exclusão do Simples Federal devem ser canceladas as exigências formalizadas por meio de arbitramento dos lucros e segundo a sistemática cumulativa de apuração das contribuições sobre a receita. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. O art. 29, inciso VIII, da Lei Complementar nº 123/2006 autoriza a exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional não só quando ela deixa de escriturar o Livro Caixa, como também quando o faz sem integrar a movimentação bancária mantida em contas de sua titularidade. ARBITRAMENTO. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). Uma vez cientificado da exclusão, o sujeito passivo não pode se abster de optar por uma das formas regulares de tributação do lucro, reconstituindo sua escrituração comercial e fiscal para fundamentála. Tal omissão implica o arbitramento dos lucros e, por conseqüência, a exigência das contribuições sobre a receita na forma cumulativa. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OPERAÇÕES DE COBRANÇA. DESÁGIOS E DESCONTOS. Divergências entre o valor das notas fiscais cobradas e os depósitos cuja comprovação de origem é exigida, quando decorrentes de deságios e descontos, devem ser provadas por documento idôneo, emitido por empresa de fomento mercantil, Fl. 8943DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.941 7 caso esta figure como intermediária nas operações, ou pelo cliente que promove o pagamento com desconto. MULTA QUALIFICADA. A presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que verificada de forma reiterada, somente autoriza a qualificação da penalidade se demonstrada a natureza dos depósitos e a intenção do sujeito passivo em não computar na base tributável dos períodos fiscalizados valores que corresponderiam a receitas ou ganhos. De forma semelhante, irregularidades na escrituração que ensejam a exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros são insuficientes para justificar a aplicação de multa qualificada sobre os créditos tributários daí decorrentes. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). A Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário quanto a exclusão do Simples Federal, como também quanto às exigências de 01/01/07 a 30/06/07. Assim, negou provimento ao recurso voluntário quanto à exclusão do Simples Nacional e exigências posteriores a 30/06/07, mas deu provimento neste período para desqualificar a multa de ofício. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 09/09/2013 (fls. 8.734), interpôs recurso especial em 27/09/2013 (fls. 8.735), sustentando divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) Fatos que ensejaram a exclusão do Simples Federal, indicando como paradigmas os acórdãos nº 110200.344 e 10323.530; (ii) Fundamento da exclusão do Simples Federal, constando como paradigma o acórdão nº 1401000.894 e 1802001.296; (iii) Qualificação da multa de ofício, com os seguintes acórdãos paradigmas 9101001.504 e 120200.833 O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas pelo então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (fls. 8.784/8.793): 1) Cancelamento do Ato Declaratório nº 15/2012 e dos créditos tributários dele decorrentes (...) Trouxe como paradigmas para caracterizar a divergência os Acórdãos nºs. 110200.344 e 10323.530 (...) Embora os paradigmas tenhamse fundado em disposições legais diversas, há que se ressaltar que o foco do dissídio são os fatos imputados aos contribuintes; falta de escrituração da movimentação bancária e financeira no livro Caixa, de forma reiterada, os quais, por si sós, já seriam capazes de impulsionar a exclusão do Simples. Nesse sentido, resta comprovada a divergência porquanto, ao contrário da decisão combatida, os paradigmas mantiveram a Fl. 8944DF CARF MF 8 exclusão, ratificando os dizeres da autoridade fiscal no sentido de que a falta da escrituração de toda a movimentação bancária e financeira no Livro Caixa, reiteradamente, seria apta a ensejar a inclusão do contribuinte do regime do Simples. DOU SEGUIMENTO à matéria 2) Anulação da acusação fiscal por incorreto enquadramento legal Trouxe como paradigmas os Acórdãos nºs 1401000894 e 1802 001.296 (...) Por meio do cotejo entre decisão recorrida e seus paradigmas verificase que, enquanto na primeira decidiuse por cancelar o ADE por erro no enquadramento legal, os paradigmas adotaram o entendimento de que estando os fatos devidamente descritos pela autoridade fiscal e tendo o contribuinte apresentado plena defesa demonstrando total conhecimento dos fatos que lhe foram imputados, fica afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal. Assim, ante a diferença de entendimentos obtida no confronto das decisões que julgaram fatos semelhantes, constatase comprovada a divergência. DOU SEGUIMENTO à matéria 3) Afastamento da qualificação da multa. A Recorrente aponta como fatores a ensejar a manutenção da multa qualificada em 150% a omissão reiterada de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, de significativa grandeza, auferidos em períodos sucessivos, fato que configuraria o evidente intuito de fraude e o típico caso de dolo. Acostou como paradigmas os Acórdãos nº s 9101001.504 e 120200.833 (...) Esse acórdão trata de IRPJ, imposto sujeito às normas gerais de Direito Tributário, que embora possua arcabouço jurídico específico, se aplica à matéria em exame, pois se coaduna com o entendimento da Recorrente quanto à manutenção da multa, servindo à comprovação da divergência.(...) Esse paradigma, ao decidir sobre o Simples, julgou que o impedimento ou retardamento do conhecimento do fato gerador implica em dolo, a configurar a manutenção da qualificação da multa. Ao adotar a tese defendida pela recorrente quanto à caracterização dos fatos imputadores da multa qualificada, se prestou à comprovação da divergência. DOU SEGUIMENTO ao recurso quanto à insurgência relativa ao afastamento da multa qualificada. Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 8945DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.942 9 O contribuinte foi intimado em 10/09/2015 (fls. 8.799), apresentando contrarrazões ao recurso especial em 25/09/2015 (fls. 107), alegando, em síntese: (i) falta de divergência quanto à nulidade do ADE 15 (Simples Federal), inclusive porque os paradigmas tratariam de exclusão do Simples tratando de outro dispositivo legal (art. 14, V, da Lei n. 9317/96), quando no presente processo se analisou o artigo 14, II, da mesma Lei. (ii) No mérito, pede a manutenção do acórdão recorrido quanto ao ADE 15, em especial porque a Lei n. 9.317 não elegeu a “falta de escrituração” do Livro Caixa como causa de exclusão do Simples Federal; (iii) Pondera que não houve qualquer embaraço à fiscalização, hipótese tratada pelo artigo 14, II, da Lei n. 9317/96 e indevidamente utilizada para fundamentar o ADE 15; (iv) Requer também não seja conhecido o recurso quanto à multa qualificada, na medida em que os acórdãos paradigmas teriam entendimento convergente com o recorrido. Acrescenta que os fundamentos do acórdão recorrido não teriam sido objeto de divergência na interpretação da lei tributária; (v) Sustenta, ainda, que a multa de 150% teria caráter confiscatório, faltando, ainda, proporcionalidade entre infração e sanção. O recurso especial do contribuinte não foi admitido, por decisão do Presidente da 1ª Câmara da Primeira Seção (Conselheiro André Mendes de Moura, fls. 8917). O contribuinte foi intimado desta decisão por edital, em 05/04/2017, sem que tenha apresentado agravo. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento O recurso especial da Procuradoria é tempestivo, tendo o contribuinte questionado seu conhecimento diante da falta de divergência quanto a todos os temas de recurso especial. Assim, reavalio a divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos temas do recurso: Conhecimento – Exclusão do Simples Federal A exclusão do Simples Federal foi enfrentada pela Procuradoria em dois tópicos do seu recurso. O primeiro trata dos fatos sobre exclusão do Simples Federal com os Fl. 8946DF CARF MF 10 seguintes acórdãos paradigmas: 110200.344 e 10323.530. O segundo referese aos fundamentos da exclusão do Simples Federal, com paradigmas nº 1401000.894 e 1802001.296. Conhecimento – Exclusão do Simples Federal Atos A Procuradoria em seu recurso especial que "os paradigmas, ao revés da decisão recorrida, mantiveram a exclusão do contribuinte do SIMPLES, ratificando a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a falta de escrituração de toda a movimentação bancária e financeira no Livro Caixa (em sua forma reiterada)" seria motivo apto a ensejar a exclusão do contribuinte do regime simplificado". Foram apresentados dois acórdãos paradigmas, e segundo a Recorrente "o fato de os paradigmas estarem assentados em fundamento legal diverso (inciso V do art. 14) daquele estampado no ADE vinculado a este feito (inciso II do art. 14) não invalida o dissídio" Destacandose trecho do relatório do primeiro paradigma (nº 110200.344): Trata o presente processo de exclusão da empresa acima identificada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, e de lançamentos de oficio formalizados por meio dos autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativos ao ano calendário 2001, na modalidade do lucro arbitrado. (...) A fiscalização constatou que o Livro Caixa mantido pela fiscalizada não contemplava a escrituração da sua movimentação bancária. Conforme fls. 66 a 76, a empresa foi então intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários ali identificados individualmente, os quais totalizavam R$ 3.874.082,04 no ano. Em resposta, fls. 77, a empresa informou, verbis, "que não possui documentos hábeis para comprovar as origens das recursos utilizados nos depósitos em sua conta corrente 2.6042 junto ao Banco Bradesco S/A, sendo que os valores encontrados originaramse de vendas de mercadorias," Ante a comprovação da omissão de receitas, e a falta de escrituração da movimentação bancária no Livro Caixa, em todos os meses do anocalendário, a fiscalização propôs a exclusão da empresa da sistemática do Simples, por prática reiterada de infração A legislação tributária, a partir de 1º de janeiro de 2001, observando ainda que a receita bruta também excedia ao limite para a permanência no Simples, o que também motivaria a sua exclusão por excesso de receita a paitir de 1º de janeiro de 2002. A representação foi analisada pela autoridade administrativa, fls. 173174, e foi expedido o competente Ato Declaratório de Exclusão, com efeitos a partir de 1º de janeiro Fl. 8947DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.943 11 de 2001, por prática reiterada de infração à legislação tributária (fls. 175) Diante deste quadro fático, decidiu a Turma prolatora do primeiro acórdão paradigma (110200.344): O ato de exclusão, portanto, é meramente declaratório, uma vez que os efeitos da exclusão se produzem, neste caso, a partir, inclusive, do mês de ocorrência do fato mencionado (pratica reiterada de infração à legislação tributária por não escriturar no Livro Caixa a movimentação bancária referente a todos os meses de 2001), conforme dispõe o inciso V do art. 5 da Lei n° 9.317/96. É evidente que nestsa circunstâncias, se impõe a lavratura do auto de infração, pois não pode ficar a Fazenda à mercê do transcurso do prazo decadencial. Por outro lado, a sua lavr atura nenhum prejuízo traz ao contribuinte, urna vez que este, cientificado na mesma data tanto de sua exclusão do Simples, quanto do auto de infração, pode exercer plenamente a sua defesa, sendo certo que o julgamento da exclusão do simples constitui preliminar prejudicial ao julgamento do auto de infração, pois se a exclusão se mostrarindevida, a mesma sorte terão os autos de infração lavrados. (...) Consultandose os autos, verificase que a fiscalização intimou a ora recorrente, fls. 66 a 76, a comprovar a origem dos recursos financeiros creditados em suas contas correntes, tendo ela (lb. 77) não apenas reconhecido que não possuía documentos hábeis para comprovar as origens daqueles recursos, mas inclusive confirmado que se originavam de vendas de mercadorias.. Entendo que o primeiro paradigma (110200.344) não é apto a comprovar a divergência na interpretação da lei tributária porque a causa da exclusão do Simples Federal no paradigma foi outro dispositivo (art. 5º, V, da Lei nº 9.317/1996 "prática reiterada de infração à legislação tributária"), pronunciandose a Turma do acórdão paradigma mais sobre os efeitos do ato declaratório de exclusão; enquanto o recorrido trata da possibilidade de exclusão do Simples Federal à luz do artigo 5º, II, entendendo o Colegiado por afastálo no caso concreto por entender inocorrente o "embaraço à fiscalização" diante dos documentos apresentados nos autos. Assim, não conheço a primeira matéria quanto o recurso quanto ao paradigma 110200.344. O relatório do segundo paradigma (nº 10323.530) é parcialmente transcrito a seguir: Tratase de pessoa jurídica excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, por meio do Ato Declaratório DRF/FNS n° 64, de 7 de dezembro de 2005, de fl. 18, em razão de ter excedido o limite da receita bruta e pela prática reiterada de infração à legislação Tributária, tipificadas, respectivamente, nos incisos II do art. 9° e V do art. 14, ambos Fl. 8948DF CARF MF 12 da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2002, conforme disposto no inciso V do art. 150 da Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996, e incisos V do art. 24 da Instrução Normativa SRF n" 355, de 29 de agosto de 2003. (...) Nesse contexto, decidiu a Turma prolatora do segundo acórdão paradigma (10323.530): A recorrente foi excluída do SIMPLES e após intimada não ter apresentado escrituração suficiente à determinação do Lucro Real (Livros Diário e Razão), teve o seu lucro apurado segundo as regras do lucro arbitrado, correspondente aos anos calendário de 2002 e 2003. (...) Ainda pretendendo justificar a nulidade do Ato Declaratório ou que seus efeitos só se iniciem em 2003, assevera que não praticou reiteradamente infração à legislação tributária uma vez que a opção pelo SIMPLES seria anual e, desta forma a ausência de comunicação sobre a exclusão do Programa no ano de 2003 não poderia ser considerada como prática reiterada tendo em vista que isso ocorreu apenas em um anocalendário e para configuração de prática de infração "reiterada" exigirse ia que a infração ocorresse várias vezes. Não merece maior sorte essa sua alegação. O conceito utilizado está certo, o problema é sua aplicação. A infração que nesse contexto se cogita é a da omissão de receitas por depósito bancários cujas origens não foram comprovadas (2002 e 2003), bem assim por não manter escriturado livro obrigatório, inclusive para o Simples (Livro Caixa) em 2002 e 2003. A recorrente se apega em outra situação (ausência de comunicação sobre a exclusão do SIMPLES). Ressaltese que o não registro da movimentação bancária, ocorreu em cada um dos meses dos 2 (dois) anoscalendário fiscalizados. Ademais a demonstração da ocorrência da hipótese prevista no inciso V do art. 14 da Lei n° 9.317/1996 está sendo discutida juntamente com a exclusão do Simples, não provocando qualquer tipo de cerceamento do direito de defesa.. O segundo paradigma, tal qual o primeiro, trata de dispositivo distinto da Lei nº 9.317/1996 (art. 14, V), não trazendo descrição de fatos similares aos analisados pelo acórdão recorrido (sendo determinante o atendimento à fiscalização para afastar a hipótese do art. 14, II "embaraço à fiscalização") Por tais razões também não conheço do recurso especial quanto ao segundo paradigma (10323.530) Nesse contexto, não conheço do recurso especial quanto à primeira matéria. Fl. 8949DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.944 13 Conhecimento – Exclusão do Simples Federal Fundamentos Legal da Exclusão do Simples Federal A Procuradoria sustenta quanto ao segundo tema (Fundamento legal da exclusão) que: O acórdão recorrido defende que o equívoco na capitulação expressa de determinado dispositivo legal na acusação fiscal implica o seu cancelamento. (...) Por outro lado, os acórdãos paradigmas ressaltaram que esse erro na capitulação legal não determina a nulidade da acusação fiscal, nos termos já consignados, pois não demonstrao o efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Ocorre que esta não foi a única razão para provimento ao recurso voluntário do contribuinte quanto ao Simples Federal. Com efeito, há razão autônoma e suficiente para manutenção daquela decisão, consistente na falta de subsunção do caso à disposição da Lei nº 9.317/96. Nesse sentido, é o voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa: Como se vê, embora presente referência à obrigação contida no art. 7º, §1o da Lei nº 9.317/96, acerca da escrituração exigida dos optantes pelo Simples Federal, os argumentos seguintes são totalmente direcionados às disposições da Lei Complementar nº 123/2006, que disciplina o Simples Nacional a partir de 01/07/2007, na forma de seu art. 89. E, em que pese o art. 26, §2o da Lei Complementar nº 123/2006 traga a mesma exigência contida no art. 7o, §1o, inciso I, da Lei nº 9.317/96 – escrituração do Livro Caixa integrada pela movimentação financeira, inclusive bancária – a hipótese de exclusão prevista no art. 29, inciso VIII da Lei Complementar nº 123/2006, vinculada àquela obrigação acessória, é distinta daquela contida na Lei nº 9.317/96, antes citada. Vejase o que dispõe a Lei Complementar nº 123/2006: (...) Em conseqüência, frente à motivação estruturada nos termos antes transcritos, o ato de exclusão da contribuinte do Simples Federal indicou como fundamento legal a ocorrência de embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional). Ocorre que ao estipular esta hipótese de exclusão do Simples Federal, o legislador incorporou o que, paralelamente, está previsto no art. 33 da Lei nº 9.430/96, como causa de regime especial de fiscalização (...) No presente caso, como se vê às fls. 619/831, intimada a apresentar escrituração contábil e fiscal dos anoscalendário 2007 e 2008, a contribuinte apresentou não só o Livro Caixa, Fl. 8950DF CARF MF 14 como também os livros Diário e Razão, todos autenticados. Por sua vez, no depoimento prestado pela procuradora da contribuinte aos agentes fiscais em 20/01/2012, esta afirmou que teria entregue todos os documentos à disposição do contribuinte, não possuindo outros livros fiscais e contábeis além daqueles já apresentados (fl. 3874). É certo que houve retificação posterior deste depoimento, mas apenas com referência às atividades exercidas pela fiscalizada (fl. 4266/4268). Por sua vez, a auditoria fiscal foi desenvolvida a partir dos extratos bancários e outros documentos fornecidos pelo sujeito passivo, inexistindo notícia de qualquer intimação não atendida, ou mesmo de lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização. Assim, tem razão a recorrente quando contesta o fundamento legal adotado para sua exclusão do Simples Federal de 01/01/2007 a 30/06/2007. Não há provas suficientes nos autos para caracterizar a ocorrência prevista em lei, de modo que a exclusão não pode subsistir. O fundamento inatacado e que é suficiente para a manutenção da decisão recorrida impede o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Nesse sentido, são os Enunciados da Súmula do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal: Súmula 283, do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos êles. Súmula 126, do STJ É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário. Portanto, não conheço quanto ao segundo tema (fundamento da exclusão do Simples Federal) pois não reformaríamos a causa que me parece principal da reforma da exclusão do Simples, consistente na falta de provas da ocorrência de embaraço à fiscalização, para fins de subsunção à norma da Lei nº 9.317/1996. Acrescento que não há similitude do caso dos autos com os paradigmas. Com efeito, o tema foi tratado em razões de recurso especial, confrontandose o julgamento do presente processo aos acórdãos paradigmas nº 1401000.894 e 1802001.296. O primeiro paradigma (140100894) tem o contexto fático descrito no seu relatório: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 89 a 92) relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ do anocalendário 2000 da empresa sucedida Banco Lloyds TSB S.A., CNPJ 33.852.567/000145, lavrado em razão do não reconhecimento do direito ao incentivo fiscal relativo à destinação, ao FINAM, de parte do IRPJ recolhido. De acordo com o relatório de fls. 7, o incentivo fiscal pleiteado pela. sucedida não foi reconhecido, por ocasião do processamento da DIPJ/2001, em rrazão de apuração de Fl. 8951DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.945 15 pendência fiscal. Está consignado, também, que não consta registro de PERC em relação ao anocalendário de 2000, o que indica não ter havido manifestação por parte da interessada no prazo legal. Considerandose que a empresa sucedida efetuou pagamentos com código específico para o FINAM, foi elaborado o demonstrativo de fls. 8, no qual se apurou recolhimento a menor de IRPJ no montante de R$2.800.000,00. Nesse panorama, decidiu a Turma prolatora do primeiro paradigma (1401 00894), nos termos do voto do Relator, Antonio Bezerra Neto: Conforme relatado, tratase de recurso contra lançamento de ofício de IRPJ decorrente da revisão da DIPJ do anocalendário de 2000, onde ficou constatado que a contribuinte recolheu Darf com código específico para o FINAM, com base em opção efetuada na DIPJ2001 – Ficha 16. (...) Preliminarmente, a recorrente imputa o presente AI com o vício da nulidade, por conter enquadramentos legais alternativos e absolutamente incompatíveis entre si, fato este que teria gerado cerceamento do seu direito de defesa. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: (...) Cabe salientar que em relação especificamente ao suposto erro no enquadramento legal, é pacífico o entendimento deste Colegiado no sentido de que o mero erro no enquadramento legal não é suficiente para inquinar o auto de infração quando os fatos estão suficientemente bem descritos, permitindo plenamente o livre exercício do direito de defesa, como efetivamente aconteceu. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Analisando os termos do primeiro acórdão paradigma (140100894), entendo que não há similitude fática ou divergência na interpretação da lei tributária. Em que pese a decisão do paradigma não seja expressa sobre quais os fundamentos legais para sua conclusão, pareceme que a interpretação é do artigo 142, do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.2135, que não foi analisado pelo acórdão recorrido. O segundo acórdão paradigma nº 1802001.296 trata da seguinte situação de fato: Tratase de Recurso Voluntário de fls. 85/94 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Salvador (fls. 69/75) que julgou a impugnação Fl. 8952DF CARF MF 16 improcedente, mantendo o crédito tributário dos autos de infração do IRPJ e da CSLL, quanto ao anocalendário 2006. Quanto aos fatos, consta que, relativo aos períodos de apuração do anocalendário 2006, no regime do Lucro Presumido, em procedimento de fiscalização externa verificações obrigatórias (confrontação dos dados constantes da DIPJ, DCTF e da escrituração contábil), o fisco apurou diferença a pagar de IRPJ e de CSLL (não confessadas em DCTF), lavrando respectivos autos de infração, em 15/03/2010, na DRF/Aracajú, para exigência do principal dessas exações fiscais, juros de mora e multa de ofício de 75%. Analisando tal situação, decidiu a Turma no segundo acórdão paradigma (1802001.296): A recorrente, nas razões do recurso, suscitou preliminar de nulidade dos autos de infração, alegando a existência de vícios formais; que os autos de infração não satisfazem plenamente as exigências dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72; que a descrição do fato, prevista no art. 10, deve ser conjugada com o inciso III do art. 11, que prevê o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; que o art. 9º estabelece que os autos de infração devem ser distintos para cada infração ou penalidade; que, no caso, os autos de infração são oriundos são oriundos do mesmo e único MPF, o qual deu origem a mais de uma infração; que os autos de infração não estão individualizados por numeração específica, fato que poderá dificultar a defesa da contribuinte. Preliminar suscitada sem nexo, totalmente fora de propósito, pois sem fundamento plausível fáticojurídico; deve ser rechaçada de plano. Os autos de infração, diversamente do alegado pela recorrente, contêm descrição clara, precisa e objetiva dos fatos, matéria tributável, infração imputada e fundamentação legal pertinente, permitindo perfeito entendimento das infrações imputadas, não restando, por conseguinte, a caracterização de prejuízo algum à defesa, sendo, destarte, totalmente fora de propósito a alegação de cerceamento do direito de defesa. O lançamento fiscal foi efetuado por agente competente. O lançamento foi efetuado, em consonância com o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Ainda, não restou caracterizado vício algum de que trata o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que pudesse macular de nulidade o lançamento fiscal. Na verdade, somente a falta ou insuficiência de descrição dos fatos e a falta de capitulação legal ensejam, ou configuram, cerceamento de defesa e provocam a nulidade do lançamento fiscal por prejuízo à defesa (Decreto nº 70.235/71, art. 59, II), que não é o caso dos presentes autos, pois, como já dito, os autos de infração, objeto do litígio, não possuem vício algum, seja formal ou material que pudesse inquinar de nulidade o feito do fisco. Fl. 8953DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.946 17 Notase que este segundo paradigma também trata de requisitos de lançamento, tratados pelo art. 142, do CTN e dispositivos do Decreto 70235/72. Assim, entendo que não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária quanto a ambos os paradigmas, o que também justifica o não conhecimento do recurso especial da Procuradoria quanto ao segundo tema. Conhecimento – Qualificação da multa de ofício A multa qualificada não perde objeto diante do resultado quanto ao Simples Federal, pois há imputação de multa qualificada quanto a período posterior. Pois bem. A Procuradoria recorreu quanto à desqualificação da multa de ofício, apresentando dois acórdãos paradigmas 9101001.504 e 120200.833, ambos admitidos pelo Presidente da Câmara. Inicio a análise pelo acórdão paradigma 120200.833, cuja íntegra encontra se disponível no sítio do CARF. Destaco os fatos descritos no relatório: Foram aplicadas as seguintes multas de ofício: no percentual de 225%, prevista no art. 44, inciso I, e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, nos casos de omissão de receita, tendo em vista a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, caracterizando situações previstas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e por ter deixado de atender intimações da Fiscalização; no percentual de 75%, prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, nos casos de insuficiência de recolhimento. Diante disso, decidiu a Turma prolatora do acórdão paradigma 1202 00.833, conforme voto condutor, da Conselheira Viviane Vidal Wagner: Sobre a multa de ofício aplicada no percentual de 225%, a recorrente sustenta ser indevida por não haver comprovação de fraude e/ou dolo, em face da acusação de conduta dolosa, no sentido de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada) e pelo não atendimentos das intimações para prestar esclarecimento (multa agravada), com fulcro no art. 44, inciso I, e §§1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. No caso, a recorrente declarou a menor expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2007 a 30/09/2007, não declarou nenhum valor no 4º trimestre do mesmo ano, e não escriturou no Livro Caixa a sua movimentação financeira, inclusive bancária, no período de 01/07/2007 a 31/12/2007. Fl. 8954DF CARF MF 18 Através desses procedimentos, verificase que a recorrente, intencionalmente, pretendeu, de forma reiterada, impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964, cabendo a qualificação da multa de ofício. Ademais, com esses procedimentos, no primeiro semestre de 2007, a recorrente obteve especial vantagem tributária, enquadrandose indevidamente em faixa de tributação inferior a que seria a correta, com evidente benefício pela redução indevida dos custos de manutenção da fonte produtiva e, ainda, criando uma forma de concorrência desleal em face dos demais prestadores de serviços. Entendo que há clara divergência entre o caso dos autos e o acórdão paradigma 120200.833, eis que ambos tratam de omissão de receita, sendo qualificada multa com fulcro nos artigos 71 e 72, da Lei nº 4.502/1964. A despeito da similitude, as Turmas concluíram de forma divergente, justificandose o conhecimento do recurso especial. Conhecimento Inconstitucionalidade Por fim, deixo de tomar conhecimento das alegações do Recorrido a respeito de inconstitucionalidade (não confisco, dentre outras), por força do artigo 26A, do Decreto nº 70.235/1972 e artigo 62, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015). Conclusão de conhecimento: Por tais razões, voto por não conhecer os dois primeiros temas relacionados à exclusão do Simples Federal, conhecendo o recurso especial quanto à multa qualificada. Mérito Passo à análise do mérito quanto ao tema conhecido por este Colegiado em sessão de julgamento: multa qualificada. A multa qualificada foi justificada pelo autuante em Termo de Verificação Fiscal quanto ao segundo semestre de 2007 e ano de 2008 (fls. 6.365): Com relação à multa qualificada, cabe assinalar que os documentos e informações constantes dos presentes autos, bem como o presente Termo de Verificação Fiscal, mostram, à evidência, que o contribuinte, por períodos sucessivos, não só do ano de 2007, como também do ano 2008, deixou de oferecer à tributação parte dos valores movimentados em sua conta corrente, tendo, também, deixado de escriturar contabilmente, de forma repetida e sucessiva, ao longo de vários períodos, sua movimentação bancária e financeira, sobretudo dos recursos que constituem a omissão de receitas objeto do presente lançamento. Fl. 8955DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.947 19 Essas práticas reiteradas só podem ser reputadas como evidente intuito de deixar à margem da tributação parte dos ganhos do contribuinte. Ademais, não se mostra plausível admitirse erro de não registro na contabilidade e de não oferecimento à tributação de valores de significativa grandez, auferidos em períodos sucessivos, restando, pois, como evidente o intuito de fraudar a lei tributária e sonegar informação ao Fisco sobre a ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária, impondo se, pois, a multa prevista no art. 44, §1º, da Lei 9.430/96, em virtude da configuração das condutas descritas nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64. Os valores identificados pela fiscalização, movimentados pelo contribuinte em suas contas sem que tenha sido demonstrado à fiscalização, são os seguintes: 07/2007 R$ 636.838,22 08/2007 R$ 554.557,74 09/2007 R$ 1.241.581,83 10/2007 R$ 991.179,20 11/2007 R$ 1.525.346,69 12/2007 R$ 2.809.158,37 01/2008 R$ 885.639,24 02/2008 R$ 698.069,95 03/2008 R$ 1.057.8899,45 04/2008 R$ 1.239.310,56 05/2008 R$ 626.808,00 06/2008 R$ 266.616,62 07/2008 R$ 29.312,89 08/2008 R$ 74.076,14 09/2008 R$ 65.925,54 10/2008 R$ 72.012,79 11/2009 R$ 65.038,15 12/2009 R$ 109.089,41 O lançamento identifica como fundamento para a imposição de multa qualificada o disposto no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, que previa ao tempo dos fatos nos autos: Fl. 8956DF CARF MF 20 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O Relatório Fiscal ainda menciona o artigo 71, da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Consta da ementa do acórdão recorrido a análise da multa qualificada, concluindo o Colegiado: MULTA QUALIFICADA. A presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que verificada de forma reiterada, somente autoriza a qualificação da penalidade se demonstrada a natureza dos depósitos e a intenção do sujeito passivo em não computar na base tributável dos períodos fiscalizados valores que corresponderiam a receitas ou ganhos. De forma semelhante, irregularidades na escrituração que ensejam a exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros são insuficientes para justificar a aplicação de multa qualificada sobre os créditos tributários daí decorrentes. Colacionase trecho do voto condutor, no mérito, a respeito da multa qualificada: Extraise daí, que a multa deve ser qualificada quando há prova direta de receitas auferidas e está demonstrada a intenção do sujeito passivo de ocultálas do Fisco. Nos casos em que a prova da omissão de receitas decorre de presunção legal, a investigação fiscal deve estabelecer vínculos concretos entre a movimentação bancária e a atividade operacional da empresa, para assim afirmar que houve a intenção de ocultar receitas tributáveis do Fisco Federal. Por fim, a intenção do sujeito passivo deve ser objeto de acusação fiscal, para que no contencioso administrativo eventual prova em contrário seja produzida. Fl. 8957DF CARF MF Processo nº 10882.720621/201221 Acórdão n.º 9101003.789 CSRFT1 Fl. 8.948 21 No presente caso, a ausência de escrituração da movimentação bancária foi, ao menos em parte, justificada pela contribuinte, dado que a sua alegação de que atuava como agente de cobrança de outra pessoa jurídica, ou ao menos como repositório dos valores por ela auferidos, restou demonstrado em relação aos depósitos bancários de origem comprovada. Diante deste contexto, não é possível afirmar, com a certeza que a qualificação da penalidade exige, que os demais depósitos bancários de origem não comprovada seriam receitas da atividade da contribuinte, intencionalmente subtraídas da base tributável, por vários períodos de apuração consecutivos. Em verdade, os elementos reunidos nos autos apenas permitem afirmar a existência de receitas presumidamente omitidas, relativamente às quais a lei autoriza estabelecer a tributação em face do titular da conta bancária nas quais se verificaram os depósitos de origem não comprovada. Mas para afirmar que estes valores correspondem a receit as ou ganhos que a contribuinte sabidamente não computou na base tributável dos períodos fiscalizados, e inclusive subtraiu de sua escrituração fiscal para ocultálos do Fisco, o procedimento fiscal deveria ter sido direcionado para os depositantes destes valores, de modo a aproximarse um pouco mais da natureza dos créditos. Acrescentese que a autoridade lançadora também aplicou multa qualificada sobre os tributos exigidos em relação às receitas provenientes de notas fiscais emitidas pela contribuinte, e, em princípio, submetidas à tributação na sistemática simplificada de recolhimento. A autoridade julgadora de 1a instância, inclusive, reduziu a exigência em razão da dedução dos valores recolhidos naquela sistemática. E, relativamente às parcelas remanescentes, a qualificação da penalidade está sustentada, apenas, nas irregularidades formais constatadas na escrituração do sujeito passivo, aspecto que enseja, somente, a sua exclusão do Simples Nacional e o arbitramento dos lucros, mas não a qualificação da penalidade sobre os créditos tributários daí decorrentes. Entendo que o acórdão recorrido merece reforma, eis que os fatos descritos pelo Termo de Verificação Fiscal – inclusive para justificar a qualificação da multa de ofício – atestam que houve substancial omissão pelo contribuinte (à época optante do Simples) e, assim, o dolo na sua conduta. Não há mero erro do contribuinte, mas conduta evidente de sonegação fiscal. Lembro que a Súmula CARF nº 25 trata da presunção legal de omissão de receita, impedindo a aplicação de multa qualificada sem a comprovação do dolo do contribuinte, na forma dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (grifo nosso) Fl. 8958DF CARF MF 22 No caso destes autos, o lançamento tributário expressamente referese ao intuito de fraude do contribuinte, comprovandoo com a substancial omissão de rendimentos. Assim, aplicando o racional da Súmula CARF 25, entendo pela procedência da multa qualificada. Conclusões Diante das razões expostas, voto por não conhecer os dois primeiros temas relacionados à exclusão do Simples Federal, conhecendo o recurso especial quanto à multa qualificada. Ademais, dou provimento ao recurso da Procuradoria quanto à multa qualificada. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 8959DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720481/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. DÉBITO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA.
O saldo devedor de IPI decorrente da re-escrituração fiscal, após glosas de créditos do imposto, sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos, considerados os recolhimentos feitos a menor previamente ao início da ação fiscal como parcelas redutoras da exigência a ser formulada.
CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ÔNUS DA PROVA.
Ao buscar o reconhecimento de créditos do IPI, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza, devendo produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Apresentação parcial de documentos fiscais. Análise pontual de cada nota fiscal apresentada.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS.
A inexistência de evidências de que a conduta do contribuinte tenha impedido ou retardado o conhecimento do fato gerador da obrigação principal por parte da autoridade fazendária, nem tampouco, tenha impedido ou retardado sua ocorrência ou, ainda, modificado suas características essenciais, impossibilita a qualificação da multa de ofício.
NULIDADE. FALTA DE PRORROGAÇÃO DO TDPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. SUMULA CARF 46.
Não é nulo o lançamento por prorrogação do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal - TDPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do TDPF, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência do Termo.
NULIDADE. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS. NÃO OCORRÊNCIA.
O procedimento fiscal refere-se a análise dos créditos escriturados pelo contribuinte, que busca o aproveitamento do IPI destacado nas aquisições de insumos para reduzir os débitos do imposto nas saídas de mercadorias. Neste sentido, é o contribuinte que deve fazer prova do seu pleito: ao escriturar créditos de IPI deve encaminhar o elemento material (documental) comprobatório efetivamente capaz de conferir certeza e liquidez aos valores aproveitados em sua escrita fiscal: as notas fiscais de entrada das respectivas aquisições de mercadorias.
Numero da decisão: 3401-005.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, acompanhando as conclusões da DRJ, e em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar declaração de voto em relação à preliminar de nulidade por falta de prorrogação do TDPF. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração, sendo considerada não formulada, nos termos do parágrafo 7º, do artigo 63, Anexo II, do RICARF.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. DÉBITO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA. O saldo devedor de IPI decorrente da reescrituração fiscal, após glosas de créditos do imposto, sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos, considerados os recolhimentos feitos a menor previamente ao início da ação fiscal como parcelas redutoras da exigência a ser formulada. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ÔNUS DA PROVA. Ao buscar o reconhecimento de créditos do IPI, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza, devendo produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Apresentação parcial de documentos fiscais. Análise pontual de cada nota fiscal apresentada. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. A inexistência de evidências de que a conduta do contribuinte tenha impedido ou retardado o conhecimento do fato gerador da obrigação principal por parte da autoridade fazendária, nem tampouco, tenha impedido ou retardado sua ocorrência ou, ainda, modificado suas características essenciais, impossibilita a qualificação da multa de ofício. NULIDADE. FALTA DE PRORROGAÇÃO DO TDPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. SUMULA CARF 46. Não é nulo o lançamento por prorrogação do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do TDPF, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência do Termo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 04 81 /2 01 6- 19 Fl. 827DF CARF MF 2 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS. NÃO OCORRÊNCIA. O procedimento fiscal referese a análise dos créditos escriturados pelo contribuinte, que busca o aproveitamento do IPI destacado nas aquisições de insumos para reduzir os débitos do imposto nas saídas de mercadorias. Neste sentido, é o contribuinte que deve fazer prova do seu pleito: ao escriturar créditos de IPI deve encaminhar o elemento material (documental) comprobatório efetivamente capaz de conferir certeza e liquidez aos valores aproveitados em sua escrita fiscal: as notas fiscais de entrada das respectivas aquisições de mercadorias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, acompanhando as conclusões da DRJ, e em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar declaração de voto em relação à preliminar de nulidade por falta de prorrogação do TDPF. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração, sendo considerada não formulada, nos termos do parágrafo 7º, do artigo 63, Anexo II, do RICARF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício contra Acórdão 0963.271, da 3ª Turma da DRJ/JFA, que veio a julgar procedente em parte a Impugnação relativa a lançamento de ofício para a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), relativo aos meses compreendidos entre janeiro de 2013 e dezembro de 2014. Do Lançamento de Ofício Fl. 828DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 828 3 Foi lavrado Auto de Infração (fls. 295 a 305), com a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido da multa de ofício qualificada e dos juros de mora, referente ao imposto não declarado e não pago no período compreendido entre 2013 e 2014. Os motivos que levaram ao lançamento foram: (...) Entretanto os valores dos débitos e créditos de IPI informados no RAIPI não guardam qualquer relação com os valores informados em DIPJ (relativamente a 2013, ano em que foi apresentada a Declaração). Embora, como já referido, o valor a recolher apurado pelo confronto entre as duas parcelas esteja igual nosdois documentos. Ampliando a análise, a Fiscalização apurou o valor do IPI destacado nas Notas Fiscais eletrônicas emitidas pelos fornecedores da fiscalizada e identificou divergências entre o valor efetivamente destacado pelos fornecedores e o valor dos créditos informado pelo contribuinte no RAIPI. No Anexo I deste Relatório demonstramos o valor mensal do IPI destacado nas Nfe emitidas pelos fornecedores. Nas Tabelas a seguir, demonstramos o confronto entre os créditos escriturados no RAIPI e o valor efetivamente destacado nas Nfe dos fornecedores: (...) É importante ressaltar que o contribuinte destacou o IPI em suas notas de venda. O IPI destacado foi pago e utilizado pelos adquirentes, conforme verificamos em cruzamentos efetuados nos sistemas internos da RFB. Todavia, para dissimular o saldo devedor de IPI que deveria ser recolhido mensalmente, escriturou créditos inexistentes no RAIPI. Adicionalmente, cabe informar que o contribuinte já havia apurado débitos de IPI em todos os meses do período fiscalizado. Assim, a totalidade das diferenças deverá ser objeto de lançamento de ofício. Intimado acerca dessas diferenças, por intermédio dos Termos de Intimação Fiscal nº 05, 06, 07, 08 e 09, o contribuinte limitouse a não responder ou a responder com manobras protelatórias. Transcorridos cerca de cinco meses da primeira intimação, sem qualquer justificativa da parte do contribuinte, não resta outra alternativa a não ser o lançamento de ofício das diferenças indicadas nas Linhas C das Tabelas 1 a 4. (...) Verificase com clareza que o contribuinte omitiu deliberadamente em suas declarações o valor efetivamente devido a título de IPI e, diante do procedimento de Fiscalização, procurou dissimular a situação escriturando no RAIPI créditos de IPI inexistentes. Assim, está configurada a sonegação o que representa a prática de ato contrário à lei. Destarte, o sóciogerente no período fiscalizado praticou atos com infração à lei e incorreu na hipótese de solidariedade passiva prevista no Art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Diante disso, é lavrado Termos de Solidariedade Passiva em desfavor de Herman Brian Elias Moura – CPF nº 170.127.78830 – que consta no sistema CNPJ e no Contrato Social como sócioadministrador. Fl. 829DF CARF MF 4 (...) A aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no inciso I do caput c/c § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, pressupõe a existência de fraude, sonegação ou conluio, nos termos do disposto nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. De pronto, cabe destacar que estes três institutos somente estarão caracterizados quando da existência de dolo. O conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do DecretoLei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 Código Penal, segundo o qual crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Isso significa que o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. No caso específico, o contribuinte inicialmente informou em DIPJ valores de débitos de IPI muito inferiores ao efetivamente apurado com base nas Nfe de sua própria emissão. Por outro lado, os valores de créditos de IPI informados em DIPJ estão próximos aos efetivamente apurado com base nas Nfe emitidas pelos fornecedores. Assim, ao sonegar a informação do valor do IPI efetivamente destacado em suas vendas, o contribuinte informou um valor devido do tributo muito inferior ao valor real. Assim que iniciado o procedimento fiscalizatório, o contribuinte – ciente de que a Fiscalização já havia identificado a fraude – buscou ainda o artifício de reescriturar o RAIPI, desta vez com os débitos corretos, mas criando créditos fictícios de IPI de forma a manter o valor a pagar igual ao apurado em DIPJ e declarado em DCTF. Consideramos que, no presente caso, não se pode afirmar que esse fato tenha sido decorrente de um simples erro da fiscalizada, restando configurada a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento, pelo fisco, do fato erador do tributo. Para fins de enquadramento, consideramos que fica caracterizada a fraude. Isto porque, num sentido mais abrangente, fraude consiste em uma ação ou omissão, promovida com máfé, tendente a ocultar uma verdade ou a fugir de um dever. De forma mais específica, o art. 72 da Lei nº 4.502/64 estabelece que fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Assim, concluímos que, no caso em pauta, por presentes os pressupostos estabelecidos pela legislação que rege a matéria, cabe a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os valores do IPI devido, tendo sido providenciada, ainda, a Representação Fiscal para Fins Penais (Processo 11065720.479/2016 31) estabelecida pelo Decreto n° 2.730/98. Da Impugnação Irresignado, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls.382 e seguintes), alegando, em síntese, que: I.I Preliminar: Nulidade do Procedimento Fiscal. Ausência de Prorrogação Válida e Tempestiva. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 829 5 O Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF, que deu origem ao Auto de Infração a que se refere o presente Processo Administrativo, tem por data inicial o dia 05/05/2015, conforme se observa do documento anexo, e deveria ter sido concluído no prazo de cento e vinte dias, nos termos como determina atualmente a Portaria RFB nº 1.687/2014 (art. 11), pois se cuida de Procedimento Fiscal de Fiscalização. (...) Assim, o prazo de validade do procedimento se encerrou no dia 02/09/2015, oportunidade em que o TDPF em questão deveria ter sido concluído, observado o que estabelece o art. 12 da Portaria SRF nº 1.687/2014. Ou seja, a partir de 03/09/2015 o prazo de validade do MPF já estava extinto, como visto acima, uma vez que a Fazenda Nacional em nenhum momento notificou a Impugnante sobre a prorrogação do ato fiscalizatório, nos termos como prevê o §1º do art. 11 da Portaria RFB 1.687/2014 e tampouco a data em que foi ocorrida tal prorrogação. (...) Ante o exposto, por ter ocorrido prorrogação irregular e intempestiva do TDPF, há violação ao art. 11,”I”, da Portaria SRF nº 1.687/2014, motivo pelo qual requer a Impugnante que seja reconhecida a nulidade do procedimento fiscal objeto do TDPF nº 08.1.65.002015004518 e, consequentemente, do auto de infração e do respectivo lançamento fiscal. I.II Preliminar: Nulidade do Auto de Infração. Cerceamento de Defesa e ofensa aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Ausência de Documentos imprescindíveis para apuração do lançamento fiscal. Violação ao art. do decreto n° 70.235/72. Conforme Relatório que compõe o Auto de Infração, a autoridade fazendária alega que a Impugnante teria informado em sua DIPJ valores de débitos e créditos de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) totalmente diversos daquelas apurados com base nas NFs emitidas pela empresa e pelos seus fornecedores, de modo que os créditos informados em seu RAIPI seriam muito superiores ao créditos efetivamente destacados na NFs emitidas por seus fornecedores. A infração da Impugnante se substanciaria, portanto, no aproveitamento de créditos indevidos/inexistentes de IPI, relativamente aos anos de 2013 e 2014, o que teria sido constatado a partir do somatório dos valores de IPI destacado nas NFs emitidas pelos Fornecedores da empresa (valores este que seria inferior aquele informado pelo contribuinte no RAIPI). Ou seja, a prova substancial das alegações constante no Relatório da Ação Fiscal repousa na análise das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores da Impugnante no período fiscalizado. Ocorre, contudo, que absolutamente nenhuma Nota Fiscal integrou o Auto de Infração em cotejo, restando prejudicada a apreciação da matéria suscitada pelo Auditor Fiscal. (...) Desta feita, ante tudo que foi exposto, tendo em vista que o Auto de Infração foi formado sem a presença de documentos indispensáveis para a sua propositura, requer a Impugnante seja reconhecida sua nulidade, seja pelo desrespeito ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, seja pela ofensa ao seu corolário, o princípio do devido processo legal, isso tudo com base no que estabelecem os Fl. 831DF CARF MF 6 incisos LIV e LV, artigo 5º da Carta Magna, bem como ao disposto no art. 9º do decreto 70.235/72. I.III Preliminar: Nulidade do Auto de Infração. Omissão Dolosa de Documentos pelo Fisco. Como pode ser verificado nos termos do Relatório Fiscal do Auto de Infração, a empresa Lordplastics Embalagens Plásticas S/A, hoje Impugnante, e também parte de seus clientes, foram intimados para apresentar informações da contabilidade e informações relacionadas às atividades comerciais da empresa. Estes documentos foram entregues ao Fisco através de Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – Recibo de Entrega de Documentos Digitais ou mesmo por meio físico, mas foram juntados apenas em parte aos autos. Embora entregues a Fiscalização, tais documentos foram omitidos dolosamente do procedimento administrativo, o que causa enormes prejuízos à Impugnante tendo em vista que seus dados são comparados com informações e documentos advindos de outras empresas, dados estes que a Impugnante desconhece e que não foram juntados no processo. Tais documentos fazem parte do conjunto probatório apresentado ao Fisco, mas foram unilateralmente descartados do procedimento por ele. (...) II RAZÕES PARA A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL II.I. Da Ação fiscal sem qualquer subsídio fático. Apuração totalmente equivocada por parte do fisco do valor de IPI destacado nas Notas Fiscais. (...) No entanto, absolutamente nenhuma Nota Fiscal foi juntada ao Auto de Infração ou teve sua chave de acesso indicada. Ora, se o Fiscal diz ter se baseado exclusivamente nas Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores para considerar o crédito a que a Autuada teria efetivamente direito, o mínimo que se poderia esperar é que essas Notas fossem ao menos indicadas no relatório da Ação Fiscal, no Anexo I(intitulado "IPI destacado NFe Fornecedores") ou que fossem juntados ao Auto de Infração. É impossível à Autuada saber de onde foram extraídas as informações referidas pelo Fisco e qual o critério adotado para apuração do "IPI NFe Fornecedores (Anexo I)". Por simples amostragem de fornecedores é possível verificar que os valores não guardam qualquer relação com as Notas Fiscais. Se há algo de fictício in casu não se trata dos créditos escriturados pela Impugnante em seu Livro RAIPI, mas sim os créditos referidos no Anexo I do Auto de Infração pelo Sr. Fiscal, os quais não guardam qualquer relação com as NFes dos Fornecedores da Autuada, tendo sido extraídos, por certo, do imaginário do Autuador. A título exemplificativo podemos citar as seguintes inconsistências, as quais podem ser facilmente demonstradas tanto pelas chaves de acesso indicadas nas tabelas abaixo, como nos documentos que instruem a presente Impugnação: (...) Ora, por simples amostragem aleatória é capaz de se demonstrar que os valores a título de crédito de IPI referidos pelo Sr. Fiscal como extraídos das Notas Fiscais dos Fornecedores da Autuada não guardam qualquer relação com a verdade. (...) Alternativamente, não sendo esse o entendimento deste Julgador de Primeiro Grau, requer a Impugnante a realização de perícia contábil, a fim de se aferir os valores a que a Autuante teve direito de crédito no período fiscalizado, bem como para atestar a legitimidade da escrituração promovida pela Impugnante. Fl. 832DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 830 7 II.II. Da Inexistência de Fraude ou Simulação. Inocorrência de Reescrituração do RAIPI pela autuada. Solicitação extemporânea de documentos pelo fisco. No caso em tela não houve qualquer conduta ilícita do Contribuinte, que utilizou de meios lícitos em todas suas condutas. (...) Não há qualquer demonstração da ocorrência de Fraude por parte da Impugnante ou de seus representantes. Não pode o agente fiscalizador arguir a ocorrência de Fraude sem promover prova robusta que substancie suas alegações. No caso vertente, por simples deliberação dos fiscais, a Administração Pública resolveu por entender que houve reescrituração dos livros RAIPI da impugnante. (...) Sendo assim, por não ter incorrido em qualquer meio de fraude, bem como por não ter promovido a reescrituração do Livro RAIPI, nem ter promovido a tomada de crédito irregular de IRI, requer a impugnante que seja afastado o lançamento fiscal contido no Auto de Infração. III. DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE INAPLICABILIDADE DE MULTA EM DOBRO No caso sob análise é inaplicável a imposição de multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento), pois não existe qualquer prova de dolo na conduta da Impugnante. Muito pelo contrário, tanto não havia intuito de fraude que o Fisco deixou de juntar os documentos contábeis no procedimento a fim de iludir o julgador sobre a real situação tática. (...) Sendo assim, o lançamento fiscal deve ser modificada, no sentido de excluir a multa aplicada pelo Sr. Auditor Fiscal. Da mesma forma, ante a não configuração de fraude, não da se falar em responsabilidade do sóciogerente. IV DAS DEDUÇÕES NECESSÁRIAS EM CASO DE DESPROVIMENTO DO RECURSO IV.I. Aproveitamento dos Tributos Pagos a maior Pela Impugnante (...) Dessa forma, requer a Impugnante a utilização dos créditos dos tributos pagos a maior nos últimos cinco anos como compensação junto ao Lançamento Fiscal ora impugnado, devendo ser realizada perícia contábil para aferição dos corretos valores a serem compensados. IV.II. Da Não Incidência da Contribuição Social Previdenciária Patronal Sobre Parcelas Indenizatórias (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, necessário que, em vista da inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária patronal sobre as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, inclusive os valores pagos pelo empregador ao empregado durante os 15 (quinze) primeiros dias que antecedem à concessão dos auxílios doença ou acidente, tais valores pagos indevidamente pela Impugnante nos últimos 5 anos devem ser utilizados para compensação dos valoras referidos no Lançamento Fiscal. Da mesma forma, essencial fazse a declaração de não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o adicional de um terço (1/3) de férias, sobre o abono de férias e utilização dos valores pagos indevidamente pela Impugnante para compensação do débito referido no lançamento fiscal. Fl. 833DF CARF MF 8 IV.III. Da necessária exclusão do ICMS da Base de Cálculo do PIS e da Cofins (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, é necessário que seja declarada a ilegalidade da inclusão do ICMS na base de Cálculo do PIS e da Cofins, bem como reconhecido o direito da empresa Impugnante a promover a compensação dos tributos (PIS e COFINS), pagos a maior, com os valores referidos no Lançamento Fiscal. IV.IV. Da não incidência de IPI na operação de revenda de produto importado Nesse passo, admitir a incidência do IPI na importação e, posteriormente, novamente na comercialização no mercado interno, além de caracterizar bis in idem, viola o princípio da isonomia, de modo a onerar em excesso o importador (pela incidência dos incisos I e II do artigo 46 do CTN) em relação ao industrial interno (que se encaixo única e exclusivamente no inciso II do supracitado artigo). (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, Imperioso se faz, portanto, seja reconhecida a não incidência do IPI saídas dos produtos importados acabados do estabelecimento da Impugnante, devendo os valores recolhidos indevidamente serem utilizados para compensação dos valores referidos no lançamento fiscal. V DA IMPOSSIBILIDADE DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS V.I Ilícito penal. Fraude. Inocorrência. Impossibilidade de constatação mediante prova produzida pelo próprio contribuinte. Do Relatório Fiscal, depreendese que o Auditor entendeu que o aproveitamento de crédito pela empresa Lord Ind e Comércio de embalagens Plásticas Ltda se deu de forma irregular, o que acarretaria em fraude à legislação tributária, o que teria dado ensejo à Representação Fiscal para Fins Penais, da qual a Autuação ainda não restou cientificada.(...) Sendo assim, requer a impugnante que seja declarada por esta autoridade julgadora a não constatação de crime contra ordem tributária e, por consequência, a impossibilidade de representação fiscal para fins penais e de consequente comunicação ao Ministério Público Federal. Da Diligência Fiscal Diante da argumentação do contribuinte de que não teve acesso aos documentos fiscais considerados pelo fisco para legitimar parte dos créditos escriturados pelo contribuinte, por meio do "confronto entre os créditos escriturados no RAIPI e o valor efetivamente destacado nas Nfe dos fornecedores", o processo retornou em diligência à Autoridade Fiscal por intermédio do Despacho 04 da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA, às fls. 716/720. Em resposta, a Autoridade Fiscal, por meio do Relatório da Diligência Fiscal às fls. 722/725, verificou que houve erro em determinados cálculos e apurou redução dos tributos exigidos no Auto de Infração. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 831 9 Instado a se manifestar, o contribuinte replicou às fls. 731/734, alegando, em síntese, que não teve acesso ao documento não paginável referido à fl. 721, "documento descrito como “[...] relação de todas NFe emitidas tendo como destinatário a fiscalizada, nos anos de 2013 e 2014 [...]” que "o Sr. Auditor esqueceu de sobre o valor do novo crédito considerado como legítimo, aplicar a redução também da multa e dos juros que haviam sido inseridos no Auto de Infração", concluindo que "a situação do feito permanece exatamente a mesma da situação anterior a do Relatório da Diligência Fiscal, ou seja, sem a mínima condição de se auferir quais créditos foram considerados como legítimos e quais foram considerados como ilegítimos pela autoridade fiscal". Da Decisão de 1ª Instância Por meio do Acórdão 0963.271, exarado pela 3ª Turma da DRJ/JFA, em 12.05.2017, foi mantido em parte o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. DÉBITO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA. O saldo devedor de IPI decorrente da reescrituração fiscal, após glosas de créditos do imposto, sujeita o contribuinte ao lançamento dos montantes inadimplidos, considerados os recolhimentos feitos a menor previamente ao início da ação fiscal como parcelas redutoras da exigência a ser formulada. CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. ÔNUS DA PROVA. Ao buscar o reconhecimento de créditos do IPI, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goza de liquidez e certeza, devendo produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Apresentação parcial de documentos fiscais. Análise pontual de cada nota fiscal apresentada. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE ELEMENTOS. A inexistência de evidências de que a conduta do contribuinte tenha impedido ou retardado o conhecimento do fato gerador da obrigação principal por parte da autoridade fazendária, nem tampouco, tenha impedido ou retardado sua ocorrência ou, ainda, modificado suas características essenciais, impossibilita a qualificação da multa de ofício. Princípio da estrita tipicidade na aplicação de penalidades. Aplicação da multa em percentual básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 NULIDADE. FALTA DE PRORROGAÇÃO DO TDPF. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não é nulo o lançamento por prorrogação do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do TDPF, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência do Termo. Fl. 835DF CARF MF 10 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE NOTAS FISCAIS. NÃO OCORRÊNCIA. O procedimento fiscal referese a análise dos créditos escriturados pelo contribuinte, que busca o aproveitamento do IPI destacado nas aquisições de insumos para reduzir os débitos do imposto nas saídas de mercadorias. Neste sentido, é o contribuinte que deve fazer prova do seu pleito: ao escriturar créditos de IPI deve encaminhar o elemento material (documental) comprobatório efetivamente capaz de conferir certeza e liquidez aos valores aproveitados em sua escrita fiscal: as notas fiscais de entrada das respectivas aquisições de mercadorias. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Assim, a Delegacia de Julgamento veio a afastar o agravamento da multa de oficio, além de homologar as conclusões da diligência realizada anteriormente, de modo a reduzir uma pequena parte do lançamento ora impugnado.. Do Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo apenas a reprisar os argumentos apresentados na impugnação: É o relatório Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado relator Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Quanto ao Recurso de Ofício, uma vez que o montante suprimido no Acórdão em exame supera o atual limite de alçada, também deve ser conhecido. i. Do Recurso de Ofício Fl. 836DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 832 11 O Recurso de Oficio ocasionou da redução do lançamento em razão de a Delegacia de Julgamento ter acatado a revisão feita pela unidade de origem quando da diligência efetuada antes do julgamento de primeiro grau, de modo que a DRJ apenas homologou o ajuste no lançamento de ofício. Por isso mesmo, não merece qualquer reforma. A outra parcela do lançamento desonerada deveuse ao afastamento da multa agravada imposta no lançamento original. Sobre esse ponto, tendo a concordar com a decisão recorrida no que tange à falta de evidências de conluio, fraude ou simulação para que restasse configurada a hipótese de multa agravada constante no artigo 80, da Lei Federal 4.502/1964. Não parece haver dúvidas de que o contribuinte, como se verá adiante, apropriouse de crédito indevido, porém, tal conduta, per si, não se amolda às definições previstas nos artigos 71 a 73, da Lei Federal 4.502/1996, a saber: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Assim inexistindo tal suporte probatório, é de se afastar o agravamento da multa. Passo ao Recurso Voluntário. ii. Do Recurso Voluntário Das Preliminares a. Falta de prorrogação do TDPF A recorrente alega a nulidade do aludido auto de infração porque “o prazo de validade do procedimento se encerrou no dia 02/09/2015, oportunidade em que o TDPF em questão deveria ter sido concluído, observado o que estabelece o art. 12 da Portaria SRF n° 1.687/2014". Fl. 837DF CARF MF 12 Contudo, tal fato não é causa de nulidade do lançamento de ofício. As causas de nulidade estão expressamente previstas no artigo 59, do Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Essa também a conclusão que pode ser extraída da Súmula CARF 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Uma vez que o auto de Infração foi elaborado por autoridade competente, devidamente investida das atribuições legais inerentes ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e isso não deixou existir pela mera ausência de prorrogação, não vislumbro violação ao direito de defesa da Recorrente. b. Cerceamento de Defesa Não assiste razão à Recorrente ao alegar que a ausência de notas fiscais teria prejudicado sua ampla defesa. O próprio relatoria realiza um escrutínio das operações fiscais da Recorrente, identificando os casos em que os créditos foram apropriados indevidamente. Diante disso, restando insubsistente a razão que a Recorrente indica para fundamentar o pretenso cerceamento de defesa e inexistindo qualquer outra evidência de que houve violação do artigo 59, do Decreto 70.235/1972, não acolho a preliminar. c. Omissão Dolosa de Documentos pelo Fisco À luz das alegações da Recorrente, não houve qualquer comprovação por sua parte que pudesse indicar que o auditorfiscal teria “montado” uma situação fática para prejudicar o contribuinte, de maneira que mantenho a decisão recorrida pelos próprios fundamentos, para não reconhecer a nulidade apontada. Do Mérito Conforme se denota da peça recursal, não restaram argumentos de mérito que possam vir a ser analisados por esse Colegiado; se existem não foram trazidos à baila no prazo recursal, tampouco até a presente sessão de julgamento. Na verdade, a Recorrente discorre algumas laudas sobre a falta de subsídio fático da ação fiscal para tentar desconstituir o lançamento, porém sem trazer qualquer Fl. 838DF CARF MF Processo nº 11065.720481/201619 Acórdão n.º 3401005.154 S3C4T1 Fl. 833 13 elemento de prova ou de direito que pudesse servir de contraponto aos argumentos da fiscalização. Desse modo, restando insubsistentes os argumentos trazidos pela Recorrente, não há o que se reformar na decisão de primeiro grau. Dos Pedidos de Aproveitamento de Créditos para quitação do débito em caso de não acolhimento do Recurso Da mesma forma que a Delegacia de Julgamento, o CARF não tem competência para liquidar os termos do lançamento ora impugnado, bem como não possui competência para reconhecer de ofício créditos fiscais que não tenham sido objeto do presente litígio. Por todo o exposto, conheço dos Recursos, porém negolhes provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 839DF CARF MF
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Numero do processo: 19726.000430/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/07/1997 a 30/09/1998
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
É de cinco anos o prazo decadencial das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2301-005.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. É de cinco anos o prazo decadencial das contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, e João Bellini Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 72 6. 00 04 30 /2 00 9- 11 Fl. 492DF CARF MF Processo nº 19726.000430/200911 Acórdão n.º 2301005.339 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o Relatório objeto do Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 12267.000363/200869, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias. Inconformada, o sujeito passivo apresentou impugnação alegando que o prazo decadencial aplicável é de cinco anos. A decisão de primeira instância, todavia, entendeu aplicável o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação original, que previa o prazo decadencial de dez. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário no qual, a despeito de outras alegações, sustentou a ocorrência da decadência quinquenal. É o relatório necessário". Fl. 493DF CARF MF Processo nº 19726.000430/200911 Acórdão n.º 2301005.339 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro João Bellini Júnior Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 12267.000363/200869, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro João Maurício Vital, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2301005.336 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Destaquese, inicialmente, que este voto foi proferido com base no § 1º do art. 47 do Regimento Interno do Carf e será aplicado a distintos processos nos quais os recursos se fundam em idêntica questão de direito, qual seja, a aplicação da regra decadencial quinquenal. A decisão recorrida entendeu aplicável a regra decadencial prevista na redação original do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia ser de dez anos o prazo para a decadência do direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos Constatase, de pronto, a ocorrência de decadência, em face do Súmula Vinculante STF nº 8, de 12/06/2008, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. Para os períodos em que tenha havido, comprovadamente, antecipação de pagamento, devese aplicar a regra decadencial é a prevista no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), cujo termo inicial do prazo de decadência é a data do fato gerador. Para os períodos em que não estejam comprovados, nos autos, antecipação de pagamento, a regra de decadência é a do inc. I do art. 173 do CTN, que estabelece o termo a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Independentemente da regra de decadência quinquenal aplicável, todos os períodos contidos no lançamento já foram atingidos pela norma extintiva do crédito tributário. Considerando que a análise da decadência é suficiente para a solução definitiva do contencioso sem que haja prejuízo ao Fl. 494DF CARF MF Processo nº 19726.000430/200911 Acórdão n.º 2301005.339 S2C3T1 Fl. 5 4 sujeito passivo, deixo de apreciar eventuais alegações adicionais, preliminares ou de mérito, por despiciendas. Conclusão Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator" Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro João Bellini Júnior Fl. 495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.720837/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO.
Havendo omissão, obscuridade ou contradição, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que seja esclarecida a obscuridade, eliminada a contradição ou suprida a omissão.
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. NÃO CABIMENTO.
1. Segundo o voto condutor do acórdão de recurso voluntário, o recurso interposto no processo de exclusão do Simples Federal tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15, § 3º, da Lei 9317/96.
2. Logo, e ao contrário do que constou do acórdão ora embargado, não houve determinação de sobrestamento do processo, mas sim de suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão definitiva daquele outro PAF.
Numero da decisão: 2402-006.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de modo que seja integrado ao dispositivo e à ementa do acórdão de recurso voluntário referência à suspensão da exigibilidade do crédito tributário até decisão definitiva do PAF nº 10935.001431/2008-61.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Havendo omissão, obscuridade ou contradição, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que seja esclarecida a obscuridade, eliminada a contradição ou suprida a omissão. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. NÃO CABIMENTO. 1. Segundo o voto condutor do acórdão de recurso voluntário, o recurso interposto no processo de exclusão do Simples Federal tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15, § 3º, da Lei 9317/96. 2. Logo, e ao contrário do que constou do acórdão ora embargado, não houve determinação de sobrestamento do processo, mas sim de suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão definitiva daquele outro PAF.
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EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ROCAMP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. ACOLHIMENTO. Havendo omissão, obscuridade ou contradição, devem ser acolhidos os embargos declaratórios, a fim de que seja esclarecida a obscuridade, eliminada a contradição ou suprida a omissão. SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. RELAÇÃO DE PREJUDICIALIDADE. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. NÃO CABIMENTO. 1. Segundo o voto condutor do acórdão de recurso voluntário, o recurso interposto no processo de exclusão do Simples Federal tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15, § 3º, da Lei 9317/96. 2. Logo, e ao contrário do que constou do acórdão ora embargado, não houve determinação de sobrestamento do processo, mas sim de suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão definitiva daquele outro PAF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de modo que seja integrado ao dispositivo e à ementa do acórdão de recurso voluntário referência à suspensão da exigibilidade do crédito tributário até decisão definitiva do PAF nº 10935.001431/200861. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 08 37 /2 01 1- 42 Fl. 313DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Do acórdão embargado Este colegiado conheceu e acolheu os embargos de declaração do contribuinte, opostos em 08/12/2015, conforme ementa e resultado a seguir transcritos: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma (art. 65 do RICARF). Embargos Acolhidos. Dos Embargos de Declaração Cientificada da decisão, a PGFN opôs os embargos, alegando omissão, contradição e obscuridade. Da alegada omissão No entender da PGFN, a ementa do presente acórdão embargado não dispõe sobre o sobrestamento, que foi a matéria objeto dos embargos, o que configuraria omissão. Das alegadas contradição e obscuridade A PGFN também entende que houve contradição, vez que o acórdão embargado determinou o sobrestamento do processo, mas ao mesmo tempo teria proferido decisão de mérito provendo parcialmente o recurso voluntário. Por fim, a obscuridade residiria na confusão entre sobrestamento do processo e suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10935.720837/201142 Acórdão n.º 2402006.589 S2C4T2 Fl. 3 3 Do exame de admissibilidade Conforme despacho/decisão de fls. 266/270, os embargos foram admitidos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Admissibilidade Conforme detalhado no exame de admissibilidade de fls. 266/270, os embargos são tempestivos e foram objetivamente apontados os pontos que deveriam, no entender da PGFN, ser clareados. Em sendo assim, o recurso deve ser conhecido. 2 Da omissão Segundo a PGFN, a ementa do acórdão embargado não tratou do sobrestamento, que foi a matéria objeto dos embargos do contribuinte. Realmente, a ementa foi omissa nesse tocante e os embargos devem ser acolhidos para que seja suprida a omissão. A ementa acima, portanto, refletirá o resultado do julgamento do recurso voluntário, com as inclusões decorrentes desta decisão. 3 Da contradição e da obscuridade Analisandose o voto condutor do acórdão de recurso voluntário, verificase que, ao contrário do que constou no acórdão ora embargado pela PGFN, a Turma julgadora não havia determinado o sobrestamento do processo, mas sim a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até a decisão definitiva do PAF nº 10935.001431/200861. Vejase: Diante disso, convém ressaltar que a decisão deste processo ficará sobrestada até a decisão definitiva sobre o direito da recorrente ao regime do SIMPLES FEDERAL, uma vez que o recurso interposto naquele processo tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15 § 3o da Lei 9.317/96. Isso porque realmente houve decisão de mérito, mais precisamente para, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vejase o teor do acórdão proferido: ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do Fl. 315DF CARF MF 4 lançamento de parte do período, vencidos o relator e os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Para que não pairem dúvidas, eis o teor do dispositivo do voto condutor do acórdão: Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, excluindo as contribuições patronais e as devidas aos terceiros, lançadas no período de 07/2007 a 12/2008, período em que a recorrente era optante pelo regime tributário diferenciado do SIMPLES NACIONAL. Portanto, o que havia sido determinado pela Turma julgadora era, realmente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (também denominada, talvez por equívoco, em sobrestamento da decisão), até a decisão definitiva daquele outro PAF. Vejase que se afirmou, textualmente, que "o recurso interposto naquele processo tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15 § 3o da Lei 9.317/96", muito embora se tenha cogitado em sobrestamento da decisão. Em sendo assim, o acórdão de embargos de declaração jamais poderia ter, com a finalidade de mero suprimento da omissão então apontada pelo sujeito passivo, ter alterado o conteúdo do acórdão de recurso voluntário e determinado o sobrestamento do processo. Logo, os embargos devem ser acolhidos, para esclarecer essa obscuridade e eliminar qualquer contradição entre a decisão do acórdão de recurso voluntário e a decisão do acórdão ora embargado. Em síntese, deveria ser integrado ao dispositivo do acórdão de recurso voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito tributário até a decisão definitiva do PAF nº 10935.001431/200861. Ao mesmo tempo, a fundamentação adotada pela Turma julgadora, para determinar a aludida suspensão, deveria ter constado da ementa. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007315/2004-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 14/07/1998, 22/07/1999, 28/10/2000, 10/04/2000, 28/11/2000, 01/03/2001
DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR NÃO CONFIGURADO.
O inadimplemento do compromisso de exportar, assumido em regime de Drawback, enseja a cobrança de tributo, juros de mora e multa de ofício. No caso, a Recorrente logrou êxito em demonstrar que efetuou tempestivamente os pedidos de prorrogação nos processos de drawback suspensão, logo o auto de infração deve ser cancelado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 14/07/1998, 22/07/1999, 28/10/2000, 10/04/2000, 28/11/2000, 01/03/2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR NÃO CONFIGURADO. O inadimplemento do compromisso de exportar, assumido em regime de Drawback, enseja a cobrança de tributo, juros de mora e multa de ofício. No caso, a Recorrente logrou êxito em demonstrar que efetuou tempestivamente os pedidos de prorrogação nos processos de drawback suspensão, logo o auto de infração deve ser cancelado. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 14/07/1998, 22/07/1999, 28/10/2000, 10/04/2000, 28/11/2000, 01/03/2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR NÃO CONFIGURADO. O inadimplemento do compromisso de exportar, assumido em regime de Drawback, enseja a cobrança de tributo, juros de mora e multa de ofício. No caso, a Recorrente logrou êxito em demonstrar que efetuou tempestivamente os pedidos de prorrogação nos processos de drawback suspensão, logo o auto de infração deve ser cancelado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 73 15 /2 00 4- 08 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 349 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado pelo inadimplemento do compromisso de exportar no Regime de DrawbackSuspensão, Ato Concessório nº 200099/0005217, emitido em 08/11/1999 e Ato Concessório nº 200099/0003963, emitido em 29/06/1998. Do Ato Concessório de DrawbackSuspensão nº 200099/0005217 Conforme Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte (fls. 55 e 56), o Drawback em questão objetivava a importação de embalagens (sacos ou bolsas assépticas) utilizadas para acondicionamento de polpa de banana não acidificada, a ser exportada. Em 08/11/1999 foi concedido o benefício, que permitiu a importação, com suspensão de tributos, de 3.990 unidades de sacos plásticos num valor FOB total de 35.815,50, com a condição de que o contribuinte efetuasse até 06/05/2000, a exportação de 1.600 toneladas de purê de polpa de banana num valor FOB total de US$ 480.000, (fls. 57). Em 28/02/2000, foi concedido ao beneficiário diversas alterações aos elementos originais do Ato Concessório. O prazo para exportação, no entanto, não foi alterado (fls. 58). Em 16/05/2000, foi concedida a prorrogação do prazo para exportação de 06/05/2000 para 06/08/2000 (fl. 59). Em 10/08/2000 nova prorrogação foi concedida, passando o prazo para exportação de 06/08/2000 para 04/11/2000 (fl. 60). O mesmo ocorreu em 26/10/2000, onde se concedeu prorrogação do prazo para exportação, de 04/11/2000 para 03/01/2001 (fl. 61). Em 24/11/2000, novas alterações foram concedidas, acrescentandose um novo modelo de saco asséptico a ser importado e reduzindose a quantidade de um dos modelos de saco previstos dentre os elementos originários do Ato Concessório em questão (fl. 62). Em 09/01/2001, nova prorrogação de prazo para exportação foi concedida, sendo este alterado de 03/01/2001 para 03/04/2001 (fl. 63). Em 26/07/2001, mais uma vez, a data final para exportação foi adiada, desta vez de 03/04/2001 para 02/07/2001 (fls. 64). Em 25/07/2003 a interessada providenciou o recolhimento do II, da multa de mora e dos juros de mora correspondentes, referentes a uma parcela das mercadorias importadas com suspensão de tributos (fls. 65 a 71). Em 04/08/2003 o Banco do Brasil enviou a Secretaria da Receita Federal Comunicação de Baixa Parcial do Ato Concessório nº 200099/0005217 juntamente com cópia do Relatório Unificado de Drawback (folhas 72 a 77) e Carta de Nacionalização (fl. 65). Ocorre que o Aditivo de 16/05/2000, foi concedido após 10 (dez) dias a data limite para a exportação, 06/05/2000. Inclusive o contribuinte, embora tenha sido intimado a apresentar solicitações e protocolos enviados a Secex/Banco do Brasil, não respondeu a intimação (fls. 49 e 50 item 1). Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 350 3 Acrescentou ainda a fiscalização em seu relatório que, levando em conta esta intempestividade de prorrogação, percebese que outras intempestividades posteriores ocorreram; sendo a última prorrogação de prazo concedida mais de três meses após a data limite teórica (e errônea – 03/04/2001) para a exportação. E mais, nenhum protocolo ou solicitação referente aos aditivos (em especial o de 16/05/2000) foi enviado à fiscalização pelo Banco do Brasil, em resposta ao Ofício 501/2004 (fls. 54 e item 1). Assim, destacou, por fim a fiscalização que todos os aditivos ao Ato Concessório, efetuados posteriormente a 06/05/2000, deveriam ser desconsiderados, também o sendo as exportações e importações efetuadas posteriormente a este período, ainda que se refiram (erroneamente) ao Ato Concessório em questão. Também, a liquidação do Compromisso de exportar não poderiam ser consideradas, tendo em vista o não cumprimento das condições necessárias para sua efetivação (ver item 2.7) do Auto de Infração. À fl. 32 a fiscalização faz uma minuciosa demonstração da operacionalização do Ato Concessório 200099/0005217 e um demonstrativo dos tributos devidos pelo inadimplemento. Do Ato Concessório de DrawbackSuspensão nº 200098/0003963 Conforme Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte (fls. 99 a 101), o Drawback em questão objetivava a importação de embalagens (sacos ou bolsas assépticas) utilizadas para acondicionamento de polpa de banana não acidificada, a ser exportada. Em 29/06/1998 foi concedido o benefício, que permite a importação, com suspensão de tributos, de 17.700 unidades de sacos plásticos num valor FOB total de 139.275,00, com a condição de que o contribuinte efetuasse até 29/06/1999, a exportação de 3.870 toneladas de purê de polpa de banana num valor FOB total de US$ 1.161.000,00. (fl. 102). Em 16/06/1999 foi concedida alteração do código da mercadoria a serem exportadas, somente (fl. 103); Em 14/07/1999, foi concedida a prorrogação do prazo para exportação, de 29/06/1999 para 27/09/1999 (fl. 104). Em 27/10/1999, nova prorrogação foi concedida, passando o prazo de 27/09/1999 para 25/03/2000 (fl. 105). O mesmo ocorreu em 26/04/2000, onde se concedeu prorrogação do prazo para exportação de 25/03/2000 para 25/06/2000 (fl. 106). Em 25/07/2003 a interessada providenciou o recolhimento do II, da multa de mora e dos juros de mora correspondentes, referentes a uma parcela das mercadorias importadas com suspensão de tributos (fls. 107 a 110). Em 04/08/2003 o Banco do Brasil enviou, à Secretaria da Receita Federal, Comunicação de baixa Parcial do Ato Concessório nº 200098/0003963 juntamente com cópia do Relatório Unificado de Drawback e anexos a esse (fls. 111 a 144) e Carta de Nacionalização (fls. 107). Ocorre que o Aditivo de 14/07/1999, foi concedido mais de 10 (dez) dias a data limite para a exportação, 29/06/1999. Inclusive o contribuinte, embora tenha sido intimado a apresentar solicitações e protocolos enviados a Secex/Banco do Brasil, não respondeu a intimação. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 351 4 Acrescentou ainda a fiscalização em seu relatório que, levando em conta esta intempestividade de prorrogação, percebese que outras intempestividades posteriores ocorreram; sendo as outras duas prorrogações posteriores concedidas um mês após a data limite para a exportação. E mais, nenhum protocolo ou solicitação referente aos aditivos (em especial o de 14/07/1999) foi enviado à fiscalização pelo Banco do Brasil, em resposta ao Ofício 501/2004 (fls. 54). Assim, destacou, por fim a fiscalização que todos os aditivos ao Ato Concessório, efetuados posteriormente a este período, deveriam ser desconsiderados, também o sendo as exportações e importações efetuadas posteriormente a este período, ainda que se refiram (erroneamente) ao Ato Concessório em questão. Também, a liquidação do Compromisso de exportar não poderia ser considerada, tendo em vista o não cumprimento das condições necessárias para sua efetivação (ver item 2.7) do Auto de Infração. À fl. 35 e seguintes, a fiscalização faz uma minuciosa demonstração da operacionalização do Ato Concessório 200098/0003963 e um demonstrativo dos tributos devidos pelo inadimplemento. Ciente do Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação de fls. 171/178, onde alegou, em síntese do necessário: a autuação imposta à Impugnante está calcada na alegação de que as exportações das mercadorias importadas ao abrigo do regime DrawbackSuspensão foram realizadas após as datas limites originalmente estabelecidas nos Atos Concessórios; o argumento fático utilizado pela Autoridade Fiscal é que os prazos de validade de ambos os regimes de Drawback Suspensão concedidos à Impugnante não foram validamente prorrogados, fazendo com que os impostos suspensos na importação fossem devidos com as penalidades e acréscimos legais cabíveis; de acordo com o que determina os artigos 16 e 18 da Portaria SECEX nº 04, de 11/06/1997, vigentes à época dos fatos, claro está que para se obter a prorrogação do prazo de validade dos Atos Concessórios de Drawback, o beneficiário deverá solicitar a prorrogação dentro do prazo de validade; em nenhum momento o texto regulamentar determina que a prorrogação seja concedida pelo órgão responsável dentro do prazo de validade do Ato Concessório. Ao contrário, no próprio item 3 do art. 8.11 do Comunicado DECEX nº 21/97, a apreciação pelo órgão responsável do pedido de prorrogação está condicionada à apresentação desse pedido, pelo interessado, dentro do prazo de validade do Regime; a Impugnante, com relação aos dois Atos Concessórios questionados na autuação ora impugnada, efetivamente realizou todos os pedidos de prorrogação dentro dos respectivos períodos de validade, conforme protocolados junto ao Banco do Brasil, juntados à presente na forma de anexos. Vide quadros às fls. 176 da impugnação; prova adicional da correção do procedimento adotado pela Impugnante foi a própria concessão pelo Banco do Brasil, das prorrogações solicitadas, em todos os casos em que houve o pedido, sempre tempestivos; feita esta comprovação, tornamse descabidas as alegações da Autoridade Fiscal quanto à intempestividade das prorrogações, devendo ser consideradas como válidas as prorrogações realizadas e, por consequência, liquidados os compromissos de exportar a que a Impugnante estava vinculada pelos Atos Concessórios de DrawbackSuspensão objeto da Auditoria Fiscal; claro está que a discussão e a própria autuação cingiuse à intempestividade das prorrogações realizadas pela Impugnante, pois nada mais com relação às demais obrigações foi arguido pela Autoridade Fiscal; demonstrada a total improcedência do Auto de Infração, serve a presente para requerer o cancelamento integral da exigência fiscal. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 352 5 A DRJ/SPII negou provimento ao apelo, com decisão assim ementada: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 14/07/1998, 22/07/1999, 28/10/2000, 10/04/2000, 28/11/2000, 01/03/2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O inadimplemento do compromisso de exportar, assumido em regime de Drawback, enseja a cobrança de tributo, juros de mora e multa de ofício. Lançamento Procedente. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa os argumentos de sua impugnação e, em especial, ratifica que efetivamente realizou todos os pedidos de prorrogação dentro dos respectivos períodos de validade, conforme protocolados junto ao Banco do Brasil, anexados com impugnação, efls. 187 a 203. Ao final pede a improcedência da ação fiscal. A 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Resolução n° 3101000.128, converteu o julgamento em diligência para que: a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimea a trazer os originais dos documentos apontados às fls. 187 a 203, bem como cópias legíveis deles (notadamente dos carimbos de protocolo), a fim de serem verificadas a autenticidade, o conteúdo e o prazo dos mesmos. Elabore a autoridade preparadora um relatório fiscal conclusivo acerca da autenticidade, conteúdo e prazo dos documentos apresentados, relativamente aos Atos Concessórios originários, e dê ciência do relatório à recorrente, em prestígio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. A diligência foi cumprida, cf. relatório fiscal de efls.330334. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência e sobre ela se manifestou favoravelmente. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A controvérsia referese ao regime especial de importação DRAWBACK SUSPENSÃO, notadamente, o suposto inadimplemento do compromisso de exportar assumido pela empresa, decorrente da anterior autorização concedida através de ato concessório. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 353 6 A acusação fiscal apontou que, em relação ao Ato Concessório n° 2000 99/0005217, o Aditivo de 16/05/2000 foi concedido após 10 (dez) dias da data limite para a exportação, 06/05/2000 e, em relação ao Ato Concessório n° 200098/0003963, o aditivo de 14/07/1999 foi concedido mais de 10 (dez) dias da data limite para a exportação, 29/06/1999. Por sua vez, entendeu a DRJ que os documentos anexados pela Recorrente não comprovariam que os pedidos de prorrogação foram feitos dentro dos respectivos períodos de validade. O voto condutor aduziu que os documentos comprovam a concessão da prorrogação e não o seu pedido dentro do prazo. Por conseguinte, para a DRJ houve inadimplemento do Regime, não poderia a interessada continuar com a manutenção do benefício, sendo procedente a autuação para a cobrança dos tributos suspensos. A Portaria SECEX n° 04 de 11/06/1997, vigente à época dos fatos relacionados aos Atos Concessórios de Drawback ora analisados, estabelece em seu art. 16 e no caput de seu art. 18, que: Artigo 16. A empresa beneficiária poderá solicitar alterações das condições gerais estabelecidas quando da concessão do Regime, desde que devidamente justificado e dentro do prazo de validade do Ato Concessório de Drawback. Por sua vez, o Comunicado DECEX n° 21, de 11/07/1997, vigente à época dos fatos relacionados aos Atos Concessórios de Drawback ora tratados, determina em seu capítulo III, itens 8.8, 8.9 e 8.11: 8.8 0 prazo de validade do Ato Concessório de Drawback é determinado pela datalimite estabelecida para a efetivação das exportações vinculadas e será compatibilizado ao ciclo produtivo do produto a exportar, com o objetivo de permitir a exportação no menor prazo possível. 8.9 Qualquer alteração das condições concedidas pelo Ato Concessório de Drawback deverá ser solicitada, dentro do prazo de sua validade, por meio de formulário Aditivo ao Pedido de Drawback. 1. Os pedidos de alteração somente serão passíveis de análise quando formulados até o último dia de validade do Ato Concessório de Drawback ou no primeiro dia útil subsequente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. (8.11 Poderá ser solicitada uma ou mais prorrogações do prazo de validade de Ato Concessório de Drawback, desde que devidamente justificado, respeitado o limite de 2 (dois) anos para a permanência da mercadoria importada no País, com suspensão dos tributos. 3. Os pedidos de prorrogação somente serão passíveis de análise quando formulados até o último dia de validade do Ato Concessório de Drawback ou no primeiro dia útil subseqüente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 354 7 Ressaltese que a diligência fiscal comprovou a veracidade das alegações da Recorrente. Com isso, acolho o resultado da diligência e transcrevo os fundamentos expostos no relatório fiscal (efls. 330334): Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 355 8 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11128.007315/200408 Acórdão n.º 3301004.794 S3C3T1 Fl. 356 9 Como a própria autoridade fiscal reconheceu, os documentos apresentados pela Recorrente foram autenticados por notários, logo devem ser considerados legítimos. E, restou demonstrado que a Recorrente efetuou tempestivamente os pedidos de prorrogação nos processos de drawback suspensão, motivo pelo qual o auto de infração deve ser cancelado. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 356DF CARF MF
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