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Numero do processo: 14751.720202/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Verificadas uma série de contradições na decisão, cabe admitir embargos de declaração para o seu enfrentamento.
ERRO MATERIAL. EXTENSÃO. NULIDADE ACÓRDÃO.
Padecendo o acórdão embargado de vícios em extensão tal que inviabilizem sua serventia para a apreciação da lide, deve ser reconhecida sua nulidade e realizado novo julgamento.
Numero da decisão: 2202-004.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de decretar a nulidade do Acórdão nº 2803-003.177, sendo que, após a ciência desta decisão aos interessados, deverá ser redistribuído o feito para novo julgamento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Verificadas uma série de contradições na decisão, cabe admitir embargos de declaração para o seu enfrentamento. ERRO MATERIAL. EXTENSÃO. NULIDADE ACÓRDÃO. Padecendo o acórdão embargado de vícios em extensão tal que inviabilizem sua serventia para a apreciação da lide, deve ser reconhecida sua nulidade e realizado novo julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de decretar a nulidade do Acórdão nº 2803-003.177, sendo que, após a ciência desta decisão aos interessados, deverá ser redistribuído o feito para novo julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
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Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM JOÃO PESSOAPB Interessado CHURRASCARIA CABO BRANCO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Verificadas uma série de contradições na decisão, cabe admitir embargos de declaração para o seu enfrentamento. ERRO MATERIAL. EXTENSÃO. NULIDADE ACÓRDÃO. Padecendo o acórdão embargado de vícios em extensão tal que inviabilizem sua serventia para a apreciação da lide, deve ser reconhecida sua nulidade e realizado novo julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de decretar a nulidade do Acórdão nº 2803003.177, sendo que, após a ciência desta decisão aos interessados, deverá ser redistribuído o feito para novo julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 02 02 /2 01 2- 35 Fl. 613DF CARF MF 2 A 3ª Turma Especial da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2803003.177, em 20/03/2014 (fls. 569/580), no qual foi dado parcial provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/06/2011 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, art. 106 do CTN. Autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da vigência da MP n° 449/1996, vislumbrase a possibilidade de, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, reduzir a penalidade para adequála ao artigo 32A da Lei nº 8.212/91. A Delegacia da Receita Federal em João Pessoa/PB levantou (fls. 599/606) a existência de contradição na decisão, nos seguintes resumidos termos: 1. DA CONFUSÃO ENTRE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ... Na análise do mérito, observase que o Relator, não obstante tenha iniciado sua exposição às fls. 575 afirmando que “devese manter o crédito previdenciário em relação à diferença de alíquotas aplicadas na rubrica RAT”(descumprimento de obrigação principal), passa, em seguida, a se referir à “superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ... Analisando os artigos acima, percebese claramente que, em se tratando de Auto de Infração lavrado por falta de recolhimento de contribuições declaradas a menor, o único dispositivo aplicável na espécie para determinação da multa de ofício é o art. 35A da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44 da Lei nº 9.430/96. Portanto se contradiz o Acórdão embargado ao analisar caso concreto de falta de recolhimento (descumprimento de obrigação principal) e vislumbrar possibilidade de aplicação de multa específica para descumprimento de obrigação acessória (art. 32A da Lei nº 8.212/91) ... 2. DO EQUÍVOCO QUANTO AO PERÍODO DE APURAÇÃO Fl. 614DF CARF MF Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2202004.761 S2C2T2 Fl. 614 3 Continuando sua análise às fls. 579, informa que “no que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n°449/1996 (sic), importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo106, inciso II, alínea “c” do CTN”, segundo o qual a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em trecho da própria Ementa também se lê: “Autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da vigência da MP n° 449/1996(...)”. Destaquese, por oportuno, mais uma vez, que o Auto de Infração em questão foi lavrado em 2012 e se refere a fatos geradores de 2010,(...) Face ao alegado, os embargos de declaração foram admitidos com esteio no art. 65 do Anexo II do RICARF, via Despacho de fls. 609/611. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Realizada a ciência da decisão em 17/08/2016 (fl. 598), os embargos foram tempestivamente opostos em 18/08/2016 (fl. 607), devendo ser, destarte, conhecidos. Com razão a embargante, ao levantar os vícios que permeiam o acórdão questionado. De antemão, necessário destacar quais são os objetos dos autos de infração veiculados neste processo administrativo, resumidos na tabela abaixo (ver também autos de infração e no relatório fiscal às fls. 02/68), cabendo registrar que só restou controverso, dada o pedido de parcelamento quanto aos demais e impugnação parcial (fls. 499/507 c/c fls. 508/511), parte do AI nº 51.028.3721, objeto da decisão embargada: Verificase, de pronto, estarem bastante equivocadas as referências constantes na ementa ao período de apuração como sendo fatos geradores do ano de 2011, tendo em vista ser o ano de relevo o ano de 2010. Fosse somente isso, contudo, seria mero erro material perfeitamente superável com a respectiva correção. Fl. 615DF CARF MF 4 Todavia, em sua fundamentação, o voto condutor passa a tecer considerações acerca da retroatividade da multa benigna, afirmando que o lançamento foi realizado em período anterior à MP nº 449/08. Vale transcrever novamente tal passagem (fl. 578): 13. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Ora, o lançamento foi cientificado em 24/11/2012 (fl. 424), e não antes da edição da MP nº 449/08; ademais, abarca períodos de apuração de 2010, também posteriores ao advento daquele diploma, não havendo retroatividade benigna relativa às infrações a operar na espécie, mas sim mera aplicação da legislação então vigente. Não bastasse o conjunto de relevantes impropriedades já mencionadas, a argumentação veiculada foca, reiteradamente, seu esforço de convencimento em desenvolver razões sobre as normas que regem as multas por falta de entrega de GFIP e omissão de fatos geradores, vide, ilustrativamente, alguns trechos do julgado (fls. 576 e 578): 8. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. (...) 12. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A, da Lei n° 8.212/1991, que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Sem embargo, tratamse de obrigações acessórias completamente alheias ao caso em tela, no qual a obrigação acessória constatada como descumprida, e com relação à qual houve desistência do recurso, diz respeito à elaboração da folha de pagamento sem identificação das bases de cálculo das contribuições previdenciárias relativas aos empregados de férias ou demitidos, dentre outras falhas CFL30, de embasamento legal distinto. Além disso, a lide remanescente é atinente a obrigação principal, e não a obrigação acessória, conforme bem observado pela embargante. A apreensão distorcida da realidade na fundamentação do voto culminou em ementa, reproduzida no relatório deste em sua completude, na qual se assevera que: (..) Autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da vigência da MP n° 449/1996, vislumbrase a possibilidade de, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, reduzir a penalidade para adequála ao artigo 32A da Lei nº 8.212/91. Em suma, julgouse, ao invés de obrigação principal, obrigação acessória, distinta inclusive da única veiculada nos autos, e partindose do pressuposto de que os fatos geradores e o lançamento se deram em momentos distintos do tempo em que efetivamente ocorreram. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2202004.761 S2C2T2 Fl. 615 5 Não possuindo serventia para a solução da controvérsia posta neste processo administrativo, deve assim o acórdão embargado, eivado dos vícios supra destacados, ser anulado, para que outro seja proferido na boa e devida forma, em observância ao disposto nos arts. 59 a 61 do Decreto nº 70.235/72, c/c os arts. 53 e 54 da Lei nº 9.784/99. Nesse sentido, é recorrente a jurisprudência do CARF, vide Acórdãos nº 2202003.175 (j. 16/2/2016), nº 1103000.872 (j. 24/10/2013), nº 02.03.253 (j. 30/6/2008), e nº 10423.275 (j. 25/6/2008), valendo transcrever deste último a respectiva ementa: EMBARGOS INOMINADOS Confirmado o erro material no acórdão embargado, é de se acolher os embargos inominados que o apontaram. ACÓRDÃO ERRO MATERIAL NULIDADE O descompasso entre as matérias objeto do processo e aquelas relatadas e enfrentadas no relatório e no voto condutor do acórdão embargado é vicio que compromete de forma irremediável o acórdão, impondo a sua anulação, para que outro seja proferido na boa e devida forma. Sendo assim, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração, para fins de decretar a nulidade do Acórdão nº 2803003.177, sendo que, após a ciência desta decisão aos interessados, deverá ser redistribuído o feito para novo julgamento do recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 617DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001936/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES E RECOLHIMENTO DO TRIBUTO APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO.
O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTERPOSTAS PESSOAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Alegações genéricas sobre a origem dos depósitos bancários desacompanhadas de provas não são suficientes para afastar o lançamento por presunção.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. RECORRÊNCIA DA CONDUTA.
A movimentação recorrente de recursos próprios através de contas bancárias de terceiros e a ausência total de contabilização da receita correspondente seguida do conseqüente não oferecimento de tais valores à tributação demonstra por si só o efetivo dolo da contribuinte que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1201-002.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES E RECOLHIMENTO DO TRIBUTO APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTERPOSTAS PESSOAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Alegações genéricas sobre a origem dos depósitos bancários desacompanhadas de provas não são suficientes para afastar o lançamento por presunção. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. RECORRÊNCIA DA CONDUTA. A movimentação recorrente de recursos próprios através de contas bancárias de terceiros e a ausência total de contabilização da receita correspondente seguida do conseqüente não oferecimento de tais valores à tributação demonstra por si só o efetivo dolo da contribuinte que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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INOCORRÊNCIA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES E RECOLHIMENTO DO TRIBUTO APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTERPOSTAS PESSOAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Alegações genéricas sobre a origem dos depósitos bancários desacompanhadas de provas não são suficientes para afastar o lançamento por presunção. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. RECORRÊNCIA DA CONDUTA. A movimentação recorrente de recursos próprios através de contas bancárias de terceiros e a ausência total de contabilização da receita correspondente seguida do conseqüente não oferecimento de tais valores à tributação demonstra por si só o efetivo dolo da contribuinte que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 19 36 /2 01 0- 56 Fl. 18832DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Contra o interessado, contribuinte do SIMPLES, foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica no valor total de R$ 29.034,87, PIS/Pasep no valor total de R$ 29.034,87, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido no valor total de R$ 50.456,52, Cofins no valor total de R$ 100.913,20, Imposto sobre Produtos Industrializados valor total de R$ 25.228,21 e Contribuição para a Seguridade Social INSS no valor total de R$ 188.814,80, em função de receitas operacionais movimentadas em contas bancárias em nomes de terceiros e suprimento de numerário efetuado por sócio, sem origem comprovada, conforme Relatório Fiscal de fls. 97/122; Foi emitida Representação Fiscal visando a exclusão da autuada do Simples, tendo sido editado os Atos Declaratórios Executivos DRF/JFA nº 045/2010 e 49/2010, excluindo a empresa da sistemática do Simples Federal e Simples Nacional, respectivamente; A empresa apresenta impugnação (fls. 292/308) na qual alega, em síntese, que: 1) preliminarmente pleiteamos a nulidade do presente auto de infração”, tendo em vista que “a empresa impugnante, antes de ser intimada , auditou sua escrita contábil e, encontrando algumas diferenças, tratou de fazer uso do que disposto no artigo 138 do CTN, retificando suas declarações de rendimento e efetuando os pagamentos complementares de imediato. Desta forma , o presente auto de infração resta esvaído de nulidades, haja vista que mencionado dispositivo beneficia o contribuinte no sentido de evitar que o mesmo seja sancionado, haja vista que o mesmo, espontaneamente, denunciou erros e omissões encontrados, tratando de regularizar a situação; 2) em relação á omissão de receitas decorrentes do empréstimo de sócios, mais uma vez o fisco errou terrivelmente. Isto por que, alem de entregarmos as planilhas demonstrativas inclusive com o n° dos lançamentos efetuados no diário relativo aos valores movimentados na referida conta, também tivemos o cuidado de demonstrar a origem dos recursos dos sócios devidamente contabilizados no livro diário. Fl. 18833DF CARF MF Processo nº 10640.001936/201056 Acórdão n.º 1201002.473 S1C2T1 Fl. 3 3 Deste feito, considerando que demonstramos os recibos de empréstimo, bem como os recibos de distribuição de lucros recebidos da empresa, efetivamente lançados no livro diário, nas datas específicas dos respectivos lançamentos, não cabe a o fisco utilizar da hipótese de presunção prevista no RIR, haja vista que esta somente permite ao fisco considerar como receita omitida os valores emprestados pelos sócios cuja origem não possa ser comprovada. Ora, a contabilidade demonstra claramente que os sócios haviam recebido distribuição de lucros e que tinham disponibilidade financeira quando dos respectivos empréstimos. A contabilidade demonstra também que os referidos empréstimos foram pagos em quase sua totalidade, tudo efetivamente lançado de acordo com a legislação pertinente e com os princípios contábeis geralmente aceitos”; 3) o fisco , ao determinar o referido valor considerado omisso não efetuou os seguintes procedimentos: a não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais efetivamente emitidas e informadas não somente na planilha, como nos livros fiscais estaduais, na contabilidade e , inclusive , na declaração de imposto de renda original, haja vista que os valores detectados pela empresa não entraram nesta conta corrente. b embora devidamente informado na planilha, não foi excluído da mesma os valores decorrentes dos cheques depositados e devolvidos duas vezes. Cumpre salientar que a empresa recebia de seus clientes com cheques, na maioria das vezes, de terceiros. Então, dava baixa nos clientes, conforme escrituração contábil quando do recebimento destes cheques e efetuava o deposito no banco. Quando estes cheques eram devolvidos, ao invés da empresa voltar novamente com o cheque devolvido para o cliente inadimplente, foi criado pela contabilidade uma conta em que todos estes cheques eram lançados, Tais cheques referiamse a clientes que pagaram e tiveram o cheque devolvido por duas vezes. Após o recebimento destes clientes, quando isto acontecia , a empresa dava baixa nos referidos cheques, devolvidos a tais clientes, e depositava os valores recebidos ora em dinheiro , ora em cheque na conta corrente. Desta forma , ao tributar estes valores mais uma vez a fiscalização fere o principio do "no bis in idem". “Isto por que os cheques recebidos , conforme pode ser observado nos lançamentos contábeis decorrem de notas fiscais devidamente lançadas cujo imposto foi previamente pago; 4) vários valores depositados nas contas, conforme o próprio fisco pode averiguar, tratamse de receitas decorrentes das outras empresas da família. Desta forma também as receitas das outras empresas deveriam ser excluídas do levantamento fiscal, haja vista que tais receitas já estão sendo tributadas na empresa cedente; 5) expedir ato declaratório de exclusão e, neste, garantir defesa, é o mesmo que consubstanciála ineficiente para os fins legais, afrontando o § 3º, do artigo 15, da Lei 9.317/96 c/c o Decreto 70.235/72 e a Lei 9.784/99. Não fosse o bastante, os ADE's ora combatidos consignam, ainda, que os efeitos da exclusão devem ser retroagidos à data do ano calendário de 2006. Tratase de uma ilegalidade que merece ser reparada”; 6) desta forma são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste manifesto de inconformidade: Fl. 18834DF CARF MF 4 a) A empresa teve cerceado seu direito de defesa na medida em que não lhe foi oferecido quaisquer documentos que lhe informassem que auferiu receita superior ao legalmente estabelecido para estar incursa no SIMPLES, de forma que os únicos elementos de que dispõe para realizar o presente manifesto de inconformidade ratificam sua posição de que combatidos; b) A Impugnante não pode ser excluída do Simples, haja vista não estar incursa em nenhuma das situações excludentes elencadas pela legislação pertinente. c) A impugnante solicita que sejam anulados e/ou retificados os ADE's ora combatidos.considerando todo o explanado no presente manifesto de inconformidade. d) A impugnante pretende provar o alegado por meio de provas documentais, testemunhais ou periciais solicitando .portanto, neste ato, estas possibilidades. e) a impugnante solicita a inteira desconsideração do auto de infração em epigrafe sendo anulados, portanto, quaisquer sanções civis, criminais ou pecuniárias, moratórias, juros, correções, complemento de impostos, dentre outros. f) A impugnante requer que seja desconsiderado o arbitramento do lucro, haja vista que possuía o livro diário devidamente escriturado com todas as informações necessária à apuração do lucro, caso, de fato, houvesse omitido quaisquer valores. Ademais quem escolhe a tributação que melhor lhe cabe é o próprio contribuinte não cabendo ao fisco tal escolha, haja vista que a empresa tinha os documentos necessários para que sua receita fosse apurada.Ademais era impossível ter efetuado o pagamento da primeira quota do imposto como lucro presumido ,por exemplo , haja vista que a empresa era optante pelo simples e somente ficou sabendo do valor da suposta receita omitida quando do recebimento pela procuradora do auto de infração ora combatido, tendo completamente ferido seus direitos de ampla defesa e contraditório. g) Requer ainda a juntada de documentos e complementos desta petição, vez que , em virtude de motivos de força maior, não teve prazo razoável para juntar os documentos pertinentes que justificassem todo o explanado neste documento. h)solicita que seja realizada pericia contábil a fim de verificar que não houve omissão de receitas no que diz respeito á conta das pessoas físicas supracitadas, constatando através da referida perícia que toda a movimentação financeira foi efetivamente lançada alem de averiguar a questão dos depósitos dos cheques devolvidos, notas iscais de exercícios anteriores, bem como todos os outros itens passíveis de fazer com que tal imputação completamente injusta seja desconsiderada. i) Nomeia , desde já , como assistente técnico do perito, a Sra Adriana de Fátima Moreira , bacharel em ciências contábeis , CRCMG 56.680”; 7) “que seja desconsiderada quaisquer majorações de multa vez que não configurada pela fiscalização o intuito de dolo ou fraude praticado pela empresa”; Decisão DRJ Em decisão de 29/06/11, a 2° Turma da DRJ/JFA manteve integralmente o lançamento fiscal, conforme ementa abaixo: Fl. 18835DF CARF MF Processo nº 10640.001936/201056 Acórdão n.º 1201002.473 S1C2T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. OMISSÃO DE RECEITA. Comprovado que a empresa usou contas bancárias de interpostas pessoas para recebimento de receitas que não transitaram pela sua contabilidade e nem foram oferecidas à tributação, esses valores serão considerados como omissão de receita. O suprimento de numerário efetuado por sócio, caracteriza omissão de receita por presunção legal do tipo juris tantum. Cabe, portanto, ao contribuinte apresentar a prova da origem e da efetiva entrega dos valores. MULTA QUALIFICADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. Recurso Voluntário Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica seus argumentos de Impugnação. É o breve relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Fl. 18836DF CARF MF 6 Preliminar Alega a ora Recorrente em matéria preliminar a nulidade do lançamento fiscal, vez que aplicável ao caso o disposto no artigo 138 do CTN, isso porque, a Recorrente teria retificado suas declarações fiscais, bem como efetuado os respectivos recolhimentos complementares antes de sua intimação pela fiscalização. Concordo com o racional jurídico adotado pela Recorrente mas discordo da aplicação ao caso em tela. Isso porque, conforme será explicitado mais adiante, devemos analisar o encadeamento dos eventos que culminaram no auto de infração de uma forma conjunta, como um filme e não como fotos estáticas e isoladas entre si. Explico. O procedimento fiscal na Recorrente originouse em apuração de indícios de irregularidades cometidas por ela, no decorrer da fiscalização realizada nas pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio – CPF nº 998.070.84687 e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge – CPF nº 038.143.98602, quando foi constatado que grande parte das receitas da empresa eram depositadas diretamente em contas correntes dessas pessoas, sem a devida contabilização. Neste ponto, acertada a menção na decisão da DRJ do disposto no § 1º do artigo 7º do PAF (Decreto 70.235/72), pois, trata da questão da espontaneidade, estabelecendo que “o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas”. É exatamente o que trata o presente caso. As pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge foram cientificados do procedimento fiscal efetuado contra eles em 24/03/08. Nesse procedimento foram identificadas infrações envolvendo a ora Recorrente, que constituem objeto tanto do presente processo quanto do processo nº 10640.001935/201010. Não me parecer haver qualquer sombra de dúvida que o envolvimento da ora Recorrente nas infrações apuradas pela fiscalização perpetrada em relação às pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, implica na aplicação do citado art. 7°, § 1º do PAF, o que significa a perda de espontaneidade a partir de 24/03/08 que foi a data de ciência do início da ação fiscal nas pessoas físicas. No presente caso, temos que a declaração retificadora entregue após o início da ação fiscal não produz qualquer efeito e o mesmo se aplica aos pagamentos efetuados, não havendo que se falar em espontaneidade. Neste sentido, trago recente julgado deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 Fl. 18837DF CARF MF Processo nº 10640.001936/201056 Acórdão n.º 1201002.473 S1C2T1 Fl. 5 7 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE ALUGUÉIS. DIMOB. DECLARAÇÃO APRESENTADA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A declaração do cônjuge somente foi transmitida após o início da ação fiscal, e quando já existia inclusive decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Não há que se falar em espontaneidade para efetuar retificação da declaração (art. 138 do CTN). O art. 7º, § 1º do Decreto 70.235 estabelece que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (Acórdão 2401005.499 09/05/18 1° Turma 4°Câmara 1°Seção) Assim, afasto a preliminar suscitada. Mérito O lançamento fiscal referese à receita omitida apurada por presunção em razão de movimentação bancária em nome de interpostas pessoas, bem como, suprimento de caixa efetuado por sócio, sem comprovação de origem. A fiscalização efetuada nas pessoas físicas Elcimar de Araújo Egydio e Áurea Luiza Lopes de Freitas Jorge, identificou que parte do caixa movimentado em suas contas bancárias pertenciam na verdade a um grupo de empresas, entre elas a ora Recorrente. Cabe aqui ressaltar que da leitura dos autos é fácil concluir que a própria Recorrente aceita a constatação acima mencionada, vez que toda discordância referese somente aos valores lançados em função da apuração dessas receitas. Tendo sido identificado que as contas bancárias das pessoas físicas acima eram usadas pela Recorrente, a fiscalização elaborou relação na qual apresenta de forma discriminada os depósitos e os créditos efetuados em cada conta bancária e intimou o respectivo titular a apresentar comprovação da origem dos valores. Em resposta às intimações foram apresentadas planilhas nas quais constam a qual empresa pertence o valor depositado/creditado e indica a(s) notas(s) fiscal(ais) do qual ele se origina. Em alguns casos, informa que o valor se refere a empréstimo recebido de outra empresa (fls. 909/1016). Com base nessas planilhas a Fiscalização elaborou demonstrativo denominado “ORIGEM DOS CRÉDITOS” (fls. 125/166), no qual, depois dos devidos ajustes e exclusões, relacionam os valores que se referem à ora Recorrente. Fl. 18838DF CARF MF 8 Como esses valores, recebidos pela empresa através de contas bancárias de interpostas pessoas, não transitaram por contabilidade e nem, tampouco, foram oferecidos à tributação, foram considerados receita omitida pela Recorrente. A Recorrente alega erro da fiscalização ao não excluir da base tributada, os valores referentes a cheques depositados e devolvidos duas vezes e também valores relativos a empréstimos disponibilizados por outras empresas da família. Não concordo com a Recorrente. Neste ponto, a Recorrente traz apenas alegações genéricas desacompanhadas de evidências e documentos que demonstrem os cheques considerados em duplicidade ou empréstimos tratados como receita omitida. Isso porque, resta claro no demonstrativo “ORIGEM DOS CRÉDITOS”, que a fiscalização considerou apenas os depósitos de cheques liberados, ou seja, aqueles já compensados pelas instituições financeiras. Tratase de questão de fato, devidamente demonstrado nos autos. No tocante aos empréstimos, o TVF afirma que tais valores foram considerados para a empresa que concedeu o empréstimo que é a titular do recurso e isso é evidenciado nos demonstrativos preparados. Assim, me parece demonstrado que os empréstimos tomados pela Recorrente não foram computados no total da receita omitida. A impugnante alega ainda que o fisco não considerou as entradas de valores provenientes de notas fiscais efetivamente emitidas, escrituradas nos livros fiscais e contábeis. Mais uma vez, trouxe a Recorrente apenas alegações, contudo, não demonstrou o respectivo cotejo entre tais valores contabilizados e os montantes movimentadas em contas bancárias de terceiros, assim, não enxergo elementos suficientes que possam justificar a conclusão de que os valores declarados pela Recorrente são exatamente aqueles identificados na movimentação de contas bancárias de titularidade alheia. Desta sorte, acertada a conclusão de que a movimentação financeira efetuada nas contas de terceiros representa a receita omitida. Quanto ao suprimento de numerário efetuado por sócio, sem origem comprovada, temos que o lançamento decorre de presunção legal prevista no art. 282 do RIR/99. Em relação a este tópico, invoco a Súmula CARF n. 95: Súmula CARF 95 A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos. Não entendo presente nos autos a necessária comprovação pela Recorrente, com documentos hábeis e idôneos, tanto da origem, quanto da efetiva entrega pelo sócio do numerário suprido à pessoa jurídica. Assim, não é possível afastar o lançamento fiscal. Fl. 18839DF CARF MF Processo nº 10640.001936/201056 Acórdão n.º 1201002.473 S1C2T1 Fl. 6 9 Multa Qualificada Com relação à aplicação da multa qualificada, tenho que plenamente justificada nos autos. A movimentação de recursos próprios através de contas bancárias de terceiros e a ausência total de contabilização da receita correspondente seguida do conseqüente não oferecimento de tais valores à tributação demonstra por si só o efetivo dolo da Recorrente na busca de evitar ou reduzir tributação, preenchendo assim, os requisitos previstos em lei para aplicação da multa qualificada, que deve ser mantida. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para AFASTAR a PRELIMINAR SUSCITADA e no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 18840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720185/2014-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do lançamento somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972.
DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
GUARDA DE DOCUMENTOS.
O contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é instrumento de controle administrativo sobre as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. APURAÇÃO.
Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário
Numero da decisão: 2202-004.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. A declaração de voto do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto foi encaminhada por e-mail institucional ao Conselheiro Relator, no entanto diante da renúncia de mandato do Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto antes do acórdão estar formalizado, a declaração de voto é juntada ao acórdão sem a sua assinatura digital.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 226 1 225 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.720185/201492 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.669 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente PAULO HENRIQUE MATTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se configura na ocorrência das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. DECADÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Quando o contribuinte não houver efetuado qualquer pagamento prévio, o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário começa a contar do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. GUARDA DE DOCUMENTOS. O contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou o preenchimento de sua declaração de rendimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é instrumento de controle administrativo sobre as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. APURAÇÃO. Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 85 /2 01 4- 92 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 227 2 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. A declaração de voto do conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto foi encaminhada por email institucional ao Conselheiro Relator, no entanto diante da renúncia de mandato do Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto antes do acórdão estar formalizado, a declaração de voto é juntada ao acórdão sem a sua assinatura digital. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11516.720185/201492, em face do acórdão nº 0955.383, julgado pela 4ª Turma da Delegacia Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 228 3 Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), em sessão realizada em 07 de novembro de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.138/142, lavrado pela DRF/Florianópolis/SC em 07/02/2014, contra o contribuinte retro identificado, que resultou na cobrança do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao exercício financeiro de 2010, no montante de R$ 452.756,76, sendo R$ 207.344,18 de imposto de renda, R$ 155.508,14 de multa proporcional (passível de redução), e R$ 89.904,44 de juros de mora calculados até fevereiro de 2014. O lançamento efetuado decorreu da apuração, pela autoridade fiscal, de “omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos adquiridos em reais”, no mês de abril do anocalendário de 2009, no valor tributável de R$ 1.382.294,51, tudo conforme expresso no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls.139 – parte integrante do Auto de Infração ora contestado – e Termo de Verificação Fiscal de fls.131/136. Protocolizouse ainda o processo administrativo 11516.720186/201437, também em nome do autuado, o qual trata da Representação Fiscal para Fins Penais visto que a autoridade lançadora entendeu ter ficado demonstrada, em tese, para os mencionados pagamentos, a ocorrência de fatos que configuram crime contra a Ordem Tributária, consoante definido pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90. Em sua peça impugnatória de fls.150/170, o contribuinte, por meio de seu procurador nomeado pelo instrumento de fls.171, contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: Dos Fatos: 1) O Auto de Infração foi lavrado em seu desfavor em razão da autoridade fiscal ter entendido que ocorreu Ganho de Capital na “operação imobiliária realizada com a Cia Cimento Itambé, no ano de 2008, a qual teve como objeto de pagamento imóvel de sua propriedade localizado em Capão da Barra, no Município de Garopaba/SC”; 2) “Em 2009 o impugnante obteve oferta da Cia Cimento Itambé para adquirir terreno com área de 17.832 m2, situado no Bairro Praia Comprida, no Município de São José/SC, e, depois de diversas tratativas, respectivo negócio foi ajustado e ao final convencionado o valor justo e acertado de R$ 4.112.000,00, conforme Escritura Pública de Compra e Venda”, 3) “Dentre as formas de pagamento discriminadas na mencionada escritura pública, foi dado como forma de pagamento, a título de dação em pagamento, o imóvel alvo da fiscalização em análise”, avaliado em R$ 1.700.000,00; Da Decadência da Constituição do Crédito Tributário: 4) A teor do disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, “considerando que realizada no ano de 2008 e supondo incidência de ganho de capital, o Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 229 4 termo inicial para contagem do prazo decadencial deuse em 01.01.2009, contandose 05 (cinco) anos para o lançamento do tributo, forçoso reconhecer que o lançamento encontrase abarcado pela decadência pois findo o prazo para constituição da obrigação em 01.01.2014”; Da Prescrição Quanto à Guarda de Documentos: 5) Considerando o lapso temporal existente entre a edificação e a solicitação de documentos pelo Fisco, “o termo inicial da obra ocorreu em 03/04/2003 e sua conclusão em 01/04/2004, mesmo que se considere como início do prazo prescricional a conclusão da obra, verificase incidente o referido instituto” visto que “instado o contribuinte a prestar esclarecimentos apenas em 23/07/2013, evidente o alcance da prescrição na guarda dos documentos comprovadores dos custos com a edificação”; Da Extrapolação do Prazo Fiscalizatório: 6) O início da ação fiscal se deu em 23/07/2013, segundo Termo de Verificação Fiscal, enquanto que sua finalização ocorreu apenas em 23/01/2014, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização, ou seja, “extrapolado a limitação legal porque manteve o contribuinte sob fiscalização por prazo superior há seis meses, isto porque, anterior ao Mandado de Procedimento Fiscal, já estava sendo alvo de fiscalização pelo Fisco”; 7) Considerando que “o prazo para procedimento fiscalizatório não poderia ultrapassar o limite legal, deveria ter sua conclusão em prazo não superior a sessenta dias (Decreto nº 22.586/1984, art.117)”; Da Não Concretização do Fato Gerador : 8) O impugnante adquiriu no ano de 2002 terreno urbano de 1.606,50 m2, sem quaisquer edificações. Em 03/04/2003 a Municipalidade expediu Alvará de Licença para construção de uma edificação de alvenaria para fins residenciais multifamiliar transitória (pousada). Mencionada obra teve sua conclusão em 01/04/2004 e o “Habitese” foi expedido apenas em 12/03/2008, “momento em que a construção deixou de estar em situação irregular e, portanto, passou a agregar valor ao terreno”; 9) Tão logo obteve o “Habitese”, informou a construção e seu valor econômico em sua Declaração de Bens, anexa a DIRPF; 10) A dificuldade em prestar ao Fisco as informações relativas as benfeitorias realizadas se deve ao lapso temporal ora transcrito; 11) “Haverá possibilidade de acréscimo patrimonial se evidenciado disponibilidade de riqueza a ser utilizada pelo contribuinte, entendendose, assim, a manutenção patrimonial existente mais o lucro com a transação efetivada. Por certo, não ser esta a situação em concreto, haja vista que a transação realizada entre o impugnante e a Cia de Cimento Itambé não trouxe acréscimo patrimonial ao contribuinte, apenas manteve situação fática préexistente”; 12) Na mencionada transação comercial, “restou dado na forma de dação em pagamento o imóvel objeto de fiscalização, mais uma vez caracterizando ausência de ganho de capital”; 13) Do Princípio de Vedação de Confisco às Multas Fiscais; 14) “Multas Fiscais de valor exorbitante podem caracterizar uma maneira indireta de burlar a Carta Magna, que proíbe o confisco”; 15) “A multa de 75% sobre o valor do tributo, aplicada ao contribuinte sob a hipótese de ganho de capital, é abusiva, desarrazoada, desproporcional e confiscatória”; 16) “Diante do princípio da vedação ao Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 230 5 confisco, somado aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, caso entendase pela manutenção do lançamento impugnado, requerse a diminuição da multa moratória”; Da Taxa SELIC: 17) “Embora a SELIC tenha sido materializada, através de lei ordinária, como juros moratórios que devem incidir sobre débitos tributários e previdenciários, esta não possui tal natureza por traduzir fenômeno monetário de pagamento pelo uso de dinheiro, com caráter nitidamente remuneratório” e “não pode o Fisco exigir pagamento de juros de mora calculado por taxas de juros com caráter remuneratório, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios, ferindo o artigo 161 e seu parágrafo 1º do CTN”; 18) “Determinando a lei que deve ser aplicada a Taxa SELIC em matéria tributária, e cabendo a fixação dessa taxa ao Banco Central do Brasil, que tem competência financeira, mas não tributária, há uma inconstitucional delegação de competência tributária, sem mencionar a ofensa, no caso, à segurança nas relações jurídico tributárias”. Para corroborar seus argumentos, o interessado, em sua defesa, transcreve ementas de Acórdãos emanados do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, do Superior Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, bem como textos da lavra dos juristas Vittório Cassone, Sacha Calmon Navarro Coelho, Luiz Roberto Barroso, Hugo de Brito Machado, Pero Roberto Decomain e Ives Gandra da Silva Martins. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, a integralidade do crédito tributário. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 197/223, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator I – Preliminares. Alegações de inconstitucionalidade. Quanto a alegação da recorrente contrariedade a Constituição e a princípios constitucionais, deixo de analisálo pois este Conselho não possui competência para ser pronunciar a respeito, nos termos da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Nulidade do lançamento. No tocante a alegação de nulidade do lançamento, cumpre destacar o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, balizador do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 231 6 Art. 59 – São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pela leitura do inciso I do dispositivo acima transcrito, depreendese que basta que os atos e termos processuais tenham sido lavrados por pessoa competente para que sejam considerados válidos, esclarecendose que esses atos e termos são os chamados, no processo civil, despachos de mero expediente, sem qualquer carga decisória. Notese quanto às decisões – e a lei não faz qualquer distinção e, portanto, estáse tratando aqui, também, das decisões interlocutórias – são tratadas no inciso seguinte. Delas é exigido, para que sejam tidas como eficazes, terem sido proferidas por autoridade competente e sem preterição no direito de defesa do requerente. Examinando o presente processo, observo que o Termo de Intimação Fiscal de fl. 23, o Termo de Início de Diligência de fl. 51, o Termo de Início de Ação Fiscal de fls. 70/71 e o Termo de Intimação Fiscal de fls. 103/104, bem como o Auto de Infração de fls. 138/142, estão embasados na legislação tributária pertinente, citada expressamente nos mencionados documentos, os quais foram expedidos por pessoa e autoridade competentes para assim proceder; que o contribuinte foi devidamente intimado e cientificado, resguardandolhe os prazos legais para apresentar os esclarecimentos solicitados pelo Fisco e a impugnação apresentada; que o processo se encontra instruído com todas as peças indispensáveis, cujos requisitos correspondem à perfeita descrição exigida pelo artigo 11 do Decreto nº 70.235/1972 alterado pela Lei nº 8.748/1993. Assim sendo, a autoridade lançadora agiu com estrita observância das normas legais que regem a matéria em questão, não tendo como se enquadrar o lançamento em tela nas disposições contidas no precitado artigo. Observase, ainda, que o contribuinte, ao expor seus argumentos na impugnação, às fls. 150/170, assim como em recurso voluntário, às fls. 197/223, demonstra pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada. Nessas circunstâncias, esvaise qualquer argumentação do autuado no sentido de questionar a validade do presente lançamento. Decadência. Consoante relatado, o contribuinte argui ter ocorrida a decadência para o lançamento em tela, argumentando que, a teor do disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, “considerando que realizada no ano de 2008 e supondo incidência de ganho de capital, o termo inicial para contagem do prazo decadencial deuse em 01.01.2009, contandose 05 (cinco) anos para o lançamento do tributo, forçoso reconhecer que o lançamento encontrase abarcado pela decadência pois findo o prazo para constituição da obrigação em 01.01.2014”. O autuado efetuou a alienação do “terreno urbano de 1.606,50 m2, sito em Capão da Barra, Município de Garopaba/SC, com edificação em alvenaria, abrangendo área de 1.271,81m²” à empresa Cia de Cimento Itambé, CNPJ 76.630.573/000160, em 28/11/2008, mediante “dação em pagamento” em operação imobiliária realizada com a mencionada pessoa jurídica, nesta mesma data, para a compra de um terreno situado no Município de São José/SC, conforme expresso na Escritura Pública de Compra e Venda e Outras Avenças anexada às Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 232 7 fls.25/32 e na Escritura Pública de Dação em Pagamento Parcial Garantia Hipotecária e Outras Avenças anexada às fls.37/47. Equivocouse o contribuinte em sua argumentação. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa privativa, vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, não admitindo delegação de competência ao sujeito passivo ou a terceiro. No lançamento por homologação, a legislação do tributo remete ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo porventura devido e cumprir deveres instrumentais e formais, dando conhecimento de tais fatos à autoridade administrativa. No entanto, esta atividade exercida pelo contribuinte (pagamento antecipado e cumprimento dos deveres instrumentais e formais) não se confunde com lançamento, que só ocorrerá no momento em que a autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, a homologue. Portanto, é precisamente no momento da homologação que a atividade do contribuinte se converterá em lançamento. Contudo, necessariamente há que haver a antecipação do pagamento do tributo devido, pois o que se homologa é o pagamento. No caso de não haver o pagamento, não há o que se homologar. Então, haverá a necessidade de a autoridade administrativa substituir o lançamento por homologação pelo lançamento de ofício, no tocante ao tributo que não foi pago. O Código Tributário Nacional trata da decadência em dois artigos principais: o artigo 173, inciso I, que estabelece a regra geral; e o artigo 150, § 4°, em casos de lançamento por homologação. Para melhor elucidar a matéria, transcrevese, a seguir, os mencionados dispositivos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 233 8 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Assim, não havendo recolhimento antecipado não se pode falar em lançamento por homologação e o termo inicial da contagem do prazo decadencial se dá conforme artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, acima transcrito. Por oportuno, transcrevo trecho do voto da DRJ de origem que bem apreciou a matéria em questão: “O pagamento do imposto de renda devido, na hipótese de Ganho de Capital relativo à uma operação imobiliária realizada à vista, sujeito à tributação exclusiva à alíquota de 15% (quinze por cento), deve ser efetuado até o ultimo dia útil do mês subsequente àquele em que os rendimentos forem percebidos, a teor do disposto no artigo 852 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente. Considerando que a operação imobiliária em comento ocorreu em 28/11/2008, o imposto de renda incidente sobre o Ganho de Capital correspondente, deveria ter sido recolhido aos cofres públicos pelo contribuinte até o dia 30/12/2008. Não o tendo feito, o exercício em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado iniciouse em janeiro de 2009 e encerrouse em dezembro desse mesmo ano. Portanto, “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado” é 01/01/2010, tendo o prazo decadencial de 05 (cinco) anos expirado somente em 31/12/2014. Como a ciência do Auto de infração em tela se deu em 27/02/2014, constatase que o lançamento ocorreu dentro do prazo qüinqüenal, não havendo que se falar, portanto, em decadência.” Diante disto, rejeitase a alegação de decadência suscitada. Da Prescrição Quanto à Guarda de Documentos. Argumenta o contribuinte que a considerar o lapso temporal transcorrido entre a edificação realizada no terreno – “o termo inicial ocorreu em 03/04/2003 e sua conclusão em 01/04/2004” – e a exigência do Fisco para que prestasse esclarecimentos acerca dos comprovantes da obra e suas benfeitorias somente em 23/07/2013, “torna evidente o alcance da prescrição na guarda dos documentos comprovadores dos custos com a edificação”, ou seja, já transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos previsto na legislação tributária vigente. Não assiste razão ao contribuinte. Na Declaração de Bens e Direitos, parte integrante de sua Declaração de Ajuste Anual IRPF/2009, cópia anexada às fls.10/16, o contribuinte aponta “Terreno urbano de 1.606,50 M2, sito em Capão da Barra, Município de GaropabaSC, adquirido em 01/08/2002 de Marcos Toledo dos Santos, com construção em Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 234 9 2008”, informando os valores de R$ 40.000,00 (situação 31/12/2007) e R$ 1.896.500,00 (situação 31/12/2008). Por pertinente, transcrevese trechos do Termo de Verificação Fiscal de fls.131/136: “Com base nestas informações, no Termo de Início de Diligência (fls. 51) foi solicitado ao contribuinte que apresentasse os comprovantes dos gastos com benfeitorias que justificassem a alteração do valor do imóvel na Declaração de Bens. No item 3.2 de sua resposta, o contribuinte informou que: “[...] após a obtenção do HABITESE em 2008 c/c pagamento da referida Guia GPS/INSS, foi na oportunidade de imediato feito o lançamento da edificação junto ao IRPF do Requerente PAULO HENRIQUE MATTOS (exercício 2009 anocalendário 2008). Desta forma, o antigo terreno urbano de 1.606,50m2, situado em Capão da Barra, no Município de Garopaba SC, passou de um valor de bem declarado condizente com a efetiva regularização do imóvel concluída em 2008. Ou seja, o valor do imóvel passou a contemplar a edificação em alvenaria de uma área total de 1.271,81m2, o que justifica sua declaração no IRPF (exercício 2009 anocalendário 2008), em R$ 1.896.560,00 pois reproduz o preço de mercado correspondente ao terreno c/c a edificação acima referida. Logo, o preço total do imóvel lançado/declarado se justifica pelo valor de mercado que o bem passou a corresponder após a regular edificação”. (grifouse) Assim, acertadamente salientou a DRJ de origem ao dizer que não há previsão legal que permita ao contribuinte registrar em sua Declaração de Bens o preço total do imóvel pelo valor que o bem passou a corresponder após a construção (valor de mercado). Ocorre que o valor a ser incluído na declaração é, necessariamente, o valor de aquisição do imóvel (terreno) acrescido das benfeitorias comprovadas com documentação hábil e idônea (construção). Portanto, o valor de R$ 1.896.560,00, incluído em sua declaração, está totalmente equivocado. Vejamos trecho do acórdão da DRJ ora recorrido: “Os documentos apresentados pelo contribuinte atestam que houve uma construção no mencionado terreno. O contribuinte averbou a construção por R$ 243.815,00 (fls. 50). Entretanto, vale lembrar que para averbar uma construção e seu respectivo valor não é necessário comprovar os gastos junto ao Cartório de Registro de Imóveis, bastando que a pessoa informe verbalmente quanto gastou. Portanto, o simples fato de estar averbado um determinado valor não serve como comprovação dos gastos. Não foram apresentados comprovantes do custo da construção, exceto o pagamento da contribuição previdenciária relativa à obra, R$ 62.330,81 (fls. 65) e a ART da execução do projeto, R$ 21,00 (fls. 61). Assim, o valor efetivamente Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 235 10 comprovado pelo contribuinte como determina a legislação se restringe a R$ 62.351,81. Ainda em sua resposta, no item 3J3, o contribuinte informou que: "[...] as benfeitorias no imóvel iniciaram em 2003 (data do alvará) e foram concluídas em 2004 (conforme termos do Habite se expedido só em 2008), por isso, inviável apresentar de forma individual todas notasfiscais, uma vez que já foram decorridos praticamente 10 anos do início da obra/edificação” Em relação a estes argumentos do contribuinte é preciso esclarecer que a legislação tributária estabelece que, para fins de apuração de Ganho de Capital, podem integrar o custo de aquisição do imóvel, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens, os dispêndios com construções, ampliações, reformas e pequenas obras. O contribuinte não apresentou comprovação dos gastos com a construção (exceto com o pagamento da contribuição previdenciária e da ART do projeto) e não incluiu benfeitorias no imóvel em suas Declaração de Ajuste Anual relativas aos anos de 2003 (fls. 03) e Cabe ainda salientar que em suas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2004 e 2005, anos calendário 2003 e 2004, anos em que o contribuinte afirma ter construído no imóvel, ele declarou um total de rendimentos de R$ 41.172,34 e R$ 15.820,00 (fls. 02 e 09, respectivamente), valores incompatíveis com os gastos com a construção por ele informados ”. Nada trouxe o interessado, para apreciação da autoridade julgadora, que justificasse sua afirmativa de que a edificação no terreno ocorreu nos anoscalendário de 2003 e 2004. Observo que os dados apontados pela autoridade fiscal, acima transcritos, se contrapõem a assertiva do autuado. Os documentos anexados ao presente processo, inclusive os fornecidos pelo autuado durante a ação fiscal, apontam o ano calendário de 2008 como o ano de construção do imóvel em comento. Os contribuintes devem manter em boa guarda e ordem todos os documentos que se refiram aos rendimentos e deduções por eles declarados, aos atos e às operações que contribuíram para modificar a sua situação patrimonial. Essa guarda deve ser observada enquanto não se efetivar a caducidade de a Fazenda Pública proceder ao lançamento tributário, ou seja, pelo prazo decadencial atinente ao imposto de renda. Vale registrar as disposições contidas no artigo 797 do RIR/1999 vigente: Art. 797 É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigando se, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 236 11 documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário. (DecretoLei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 4º). Da expressão “quando estas julgarem necessário” deve ser entendido que tal liberalidade está adstrita ao tempo entre a entrega da Declaração de Ajuste Anual IRPF e a decadência do crédito tributário nela apurado ou dela decorrente. Portanto, tendo em vista que o contribuinte recebeu o Termo de Início de Diligência anexado a fls.51 em 31/07/2013, segundo AR – Aviso de Recebimento de fls.52, não há que se falar em “prescrição quanto à guarda de documentos” relativos ao ano calendário de 2008. Novamente, carece de razão o recorrente, não merecendo reforma o acórdão recorrido. Extrapolação do Prazo Fiscalizatório. Alega o autuado que o início da ação fiscal se deu em 23/07/2013, segundo Termo de Verificação Fiscal, enquanto que sua finalização ocorreu em 07/02/2014, conforme Termo de Encerramento de Fiscalização, tendo sido “extrapolado a limitação legal porque manteve o contribuinte sob fiscalização por prazo superior há seis meses, isto porque, anterior ao Mandado de Procedimento Fiscal, já estava sendo alvo de fiscalização pelo Fisco”. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), disciplinado atualmente pela Portaria SRF nº 3.007/2001, é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. É uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditoresfiscais, em nome desta, executem atividades fiscais (fiscalização, diligência, etc.) tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Assim, em 23/07/2013 foi emitido o MPF nº 09201002013011897, a fim de permitir a realização de uma diligência junto ao contribuinte, consubstanciada no Termo de Início de Diligência de fls.51/52. Posteriormente, em 17/09/2013 foi emitido o MPF nº 09201002013013750, determinando a abertura de fiscalização no impugnante, para exame do IRPF de sua responsabilidade no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, segundo Termo de Início de Fiscalização de fls.70/71. Cumpre registrar que, nos casos de necessidade de prorrogação da validade do MPF originário, seu disciplinamento está na mencionada Portaria SRF 3.007 de 26/11/2001, em alguns de seus dispositivos, a seguir transcritos: “Art.12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 237 12 Art.13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput farseá por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. . . . . . . Art.15. O MPF se extingue: I – pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II – pelo decurso dos prazos a que se referem os artigos 12 e 1 3. Art.16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal”. Parágrafo Único Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não pode ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto.” Portanto, o MPF passou a ser prorrogado mediante registro eletrônico, sem a necessidade de se dar ciência ao sujeito passivo sobre o fato. O conhecimento da prorrogação do MPF pelo contribuinte ocorre por iniciativa deste, mediante acesso ao sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, com a utilização do “código de acesso” do procedimento fiscal inicial ou quando da prática de algum ato de ofício pela autoridade fiscal, oportunidade na qual lhe será fornecido o “Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF”, simplesmente, reproduzindo as informações constantes na Internet. O acórdão da DRJ de origem, inclusive possui em seu voto o seguinte: “Conforme Tela MPFD de fls.178, o MPF nº 09201002013 011897 de 23/07/2013 foi prorrogado até 16/05/2014. Conforme Tela MPFF de fls.179, o MPF nº 09201002013 013750 de 17/09/2013 foi prorrogado até 16/05/2014. Considerando que o Auto de Infração foi lavrado em 07/02/2014 e dado ciência ao contribuinte em 27/02/2014, segundo AR – Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 238 13 Aviso de Recebimento a fls.148, não houve nenhuma irregularidade no procedimento fiscal em foco.” Ademais, também não procede o comentário do impugnante, de que “o prazo para procedimento fiscalizatório não poderia ultrapassar o limite legal, deveria ter sua conclusão em prazo não superior a sessenta dias (Decreto nº 22.586/1984, art.117)”, tendo o acórdão recorrido bem exposto que o referido Decreto (do Estado de Santa Catarina) não integra a legislação tributária federal. Mérito Da Não Concretização do Fato Gerador. Após ressaltar que “a dificuldade em prestar ao Fisco as informações relativas às benfeitorias realizadas se deve ao lapso temporal ora transcrito”, argumenta o contribuinte que só “haverá possibilidade de acréscimo patrimonial se evidenciado disponibilidade de riqueza a ser utilizada pelo contribuinte, entendendose, assim, a manutenção patrimonial existente mais o lucro com a transação efetivada” e, por certo, não ser esta a situação em concreto, “haja vista que a transação realizada entre o impugnante e a Cia de Cimento Itambé não trouxe acréscimo patrimonial ao contribuinte, apenas manteve situação fática préexistente”, concluindo que, na mencionada transação comercial, “restou dado na forma de dação em pagamento o imóvel objeto de fiscalização, mais uma vez caracterizando ausência de ganho de capital”. A DRJ, importante referir, expressou em seu acórdão que “Evidentemente, se confirmado o “valor de aquisição” apontado, para o anocalendário de 2008, pelo contribuinte em sua DIRPF/2009, para o terreno e suas benfeitorias (R$ 1.896.500,00), não teria havido Ganho de Capital na operação imobiliária por ele efetuada no anocalendário de 2009, quando o mencionado imóvel foi avaliado e repassado a empresa Cia de Cimento Itambé, mediante “dação em pagamento”, pela importância de R$ 1.700.000,00. E, conseqüentemente, não teria havido o acréscimo patrimonial correspondente. Contudo, necessário destacar que o contribuinte não conseguiu comprovar durante a ação fiscal, e tampouco na fase impugnatória, o “valor de aquisição” questionado pelo Fisco, sequer logrou comprovar algum valor relativamente próximo a esta quantia, prevalecendo, portanto, o “valor de aquisição” apurado pela autoridade fiscal (R$ 102.351,81). Na apuração de Ganho de Capital são consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza, inclusive “dação em pagamento”, a teor do disposto no artigo 117, parágrafo 4º, do RIR/1999 vigente. Assim, carece de razão o recorrente, pois não provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Não merece provimento o recurso quanto a este ponto, portanto. Caráter confiscatório da Multa de Ofício. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 239 14 Quanto ao caráter confiscatório da multa proporcional alegado pela interessada, cumpre esclarece que, deixo de analisálo pois este Conselho não possui competência para ser pronunciar a respeito, nos termos da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Taxa Selic. Por fim, inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Além disso, estabelece a Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte também quanto a esta matéria. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Declaração de Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Congratulo o i.Relator pela clareza do seu voto. Entretanto, divirjo quanto à questão de mérito, compreendendo não ser possível simplesmente afastar todo o custo de aquisição quando for possível arbitrálo. Nessa linha, entendo ser necessário esclarecer os fundamentos do meu voto. Compulsando os autos, constatase que já no Termo de Verificação Fiscal a autoridade lançadora registrou que: "No dia 23 de julho de 2013 foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 09201002013011897 a fim de permitir a realização de uma diligência junto ao contribuinte. No termo de INício de DiligÊncia (Fls. 51 e 52) foi solicitado ao Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 240 15 contribuinte que apresentasse os valores das benfeitorias realizadas no terreno urbano de 1.606,50 m² situado em Capão da Barra, município de Garopaba SC, negociado com a Cia de Cimento Itambé. Atendendo ao Termo de INício de Diligência, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 53 a 57 à qual anexou os seguintes documentos relativos à construção de uma pousada no referido terreno: projeto arquitetônico da obra (planta baixa) (fls. 59); ART do projeto da obra (fls. 60 a 62); Alvará de Licença Municipal (fls. 63); 'Habitese' (fls. 64); Guia de Previdência Social (fls. 65) e cópias de suas declarações de IRPF, exercícios 2009 e 2010, anoscalendário 2008 e 2009. As cópias das declarações apresentadas pelo contribuinte não foram incluídas no processo por já existirem cópias das mesmas anexadas pela fiscalização (fls. 10 a 22).” fl. 131; (...) "Na Declaração de Bens da Declaração de Ajuste Anual anterior, exercício 2009, anocalendário 2008, o contribuinte alterou o valor do terreno em Garopaba de R$ 40.000,00 para R$ 1.896.560,00 informando uma construção em 2008 (fls. 14). Com base nestas informações, no Termo de INício de DiligÊncia (fls. 51) foi solicitado ao contribuinte que apresentasse os comprovantes dos gastos com benfeitorias que justificassem a alteração do valor do imóvel na Declaração de Bens." fl. 133 (...) "Primeiramente é preciso salientar que não há previsão legal que permita ao contribuinte registrar em sua Declaração de Bens o preço total do imóvel pelo valor que o bem passou a corresponder após a construção (valor de mercado). O valor a ser incluído na declaração é, necessariamente, o valor de aquisição do imóvel (terreno) acrescido das benfeitorias comprovadas com documentação hábil e idônea (construção). Portanto, o valor de R$ 1.896.560,00, incluído em sua declaração, está totalmente equivocado. Os documentos apresentados pelo contribuinte atestam que houve uma construção no mencionado terreno. O contribuinte averbou a construção por R$ 243.815,00 (fls. 50). Entretanto, vale lembrar que para averbar uma construção e ser respectivo valor não é necessário comprovar os gastos junto ao Cartório de Registro de IMóveis, bastando que a pessoa informa verbalmente quanto gastou. Portanto, o simples fato de estar averbado um determinado valor não serve como comprovação dos gastos. Não foram apresentados comprovantes do custo da construção, exceto o pagamento da contribuição previdenciária relativa à obra, R$ 62.330,91 (fls. 65) e a ART da execução do projeto, R$ 21,00 (fls. 61). Assim, o valor efetivamente comprovado pelo contribuinte como determina a legislação se restringe a R$ 62.351,81." fl. 134. Ato contínuo, a autoridade lançadora continuou esclarecendo que a legislação impõe a apresentação de documentação hábil, idônea e discriminada da declaração de bens. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 241 16 Nesse sentido, entendendo que não comprovou os gastos, à exceção do pagamento da contribuição previdenciária e da ART. Então, concluiu que não apresentou as provas exigidas, razão pela qual glosou o custo de aquisição declarado. Ratificou seu raciocínio afirmando que a construção teria ocorrido entre 2003 e 2004, anoscalendário em que a Contribuinte declarou renda de ínfima, comparada ao custo declarado da construção. Em sua defesa, a Contribuinte argumenta pela inocorrência do fato gerador. Explica especificamente que, entre outras questões, a despeito de não ter as notas fiscais individualizadas, incorporou a construção. Nesse caminho, afirma ter apresentado provas da existência de fato da despesa, e pede que seja aceita como custo. In verbis: "O Recorrente adquiriu no ano de 2002, terreno urbano de 1.606,50 m², situado na Rua ArcoIris, esq. Rod. Municipal GRP030, em Capão da Barra, no Município de Garopaba/SC, sem quaisquer edificações, todavia, porém, perante sua visão empreendedora decidiu realizar melhorias no imóvel e, em 03.04.2003, esta Municipalidade expediu Alvará de Licença para construção de uma edificação em alvenaria para fins residenciais multifamiliar transitória (pousada), possuindo dois pavimentos, contendo área total de 1.271,81 m² (doc. já anexo ao procedimento). Mencionada obra teve conclusão em 01.04.2004, contudo, o HABITESE documento necessário para regularização e uso da obra foi expedido apenas em 12.03.3008, momento que a construção deixou de estar em situação irregular e, portanto, passou a agregar valor ao imóvel/terreno. Desse modo, diante da nova realidade fática, somadas a boafé do contribuinte, tão logo obteve o HABITISE, tratou de lançar a construção em sua declaração de bens e direitos, anexo ao seu Imposto de Renda." fl. 207. Realmente, compulsando os autos, constatase que consta nos autos inúmeros documentos comprovando a realização de uma construção no interregno entre a aquisição e a alienação do imóvel: 1. Planta baixa com carimbo de aprovado em 04/03/2003 pelo Secretário Municipal de Obras de Saneamento e Meio Ambiente (fl. 59); 2. Anotação de Responsabilidade Técnica ART, datado de 25/06/2003, o qual inclusive utilizada como base de cálculo o valor da obra/serviço R$ 150.000,00, e que esclarece que os honorários são de R$ 400,00 (fl. 60); 3. Solicitação de Baixa de ART por conclusão da obra/serviço em 14/01/2005 (fl. 62); 4. Alvará de licença de construção de pousada com área de 1.271,81 m² (fl. 63); Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 242 17 5. Habitese datado de 12/03/2008, referente a obra de 1.271,81 m² do alvará de 2003 (fl. 64); 6. Guia da Previdência Social GPS referente à competência 12/2008 no valor de R$ 62.330,81 (fl. 65); 7. Certidão Negativa de Débitos relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros, referente a essa obra (total de 1.271,81 m²), emitda em 09/12/2008 (fl. 66); 8. Cadastro Geral Dados da Obra do Cadastro Específico do INSS CEI da obra, indicando que a obra foi iniciada em 03/04/2003 e emitido o habite se em 12/03/2008 (fl. 67); 9. Aviso de Regularização de Obras ARO referente a essa obra, e datado de 05/12/2008, no qual ficou avaliado como custo de remuneração de R$ 169.377,20 e como custo global R$ 1.018.727,11, apurando como débito de Contribuições Previdenciárias o valor de R$ 62.330,81 (fls. 68/69); Registrase que todos esses documentos indicam o Contribuinte como construtor ou proprietário do imóvel. Nesse caminho, é possível afirmar que houve uma construção no imóvel ao longo do período em que o Contribuinte era seu titular. Ou seja, ele comprou um terreno e vendeu uma pousada (terreno com edificação). Inclusive, esse fato já havia sido indicado e comprovado durante a fiscalização, com bem constatou a autoridade lançadora. Pois bem. A despeito de admitir a existência da construção inclusive admitindo como custos comprovados o pagamento da GPS e da ART (mas não dos honorários identificados nesta, registrase) a autoridade lançadora entendeu que não restou comprovado o custo da construção. Por isso, glosou o valor declarado pela Contribuinte, reconhecendo apenas os já citados custos da GPS e da ART. Admitindo que o custo exato não ficou comprovado, entendo ser necessário divergir da autoridade lançadora e do i.Relator quanto à solução a ser adotada. É verdade que cabe ao Contribuinte comprovar o custo incorrido; não o fazendo, deve realmente ser glosado o valor declarado. Contudo, comprovada a existência do custo, tampouco pode a autoridade lançadora simplesmente desconsiderálo integralmente, "zerando" o custo de aquisição ante à falta do valor exato; deve, isso sim, buscar meios indiretos para apurálo. Registrase que o CTN atribui à autoridade lançadora a competência e o dever de arbitrar o valor do bem sempre que as declarações do Contribuinte forem omissas ou não merecerem fé: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 243 18 sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Não se trata de mera autorização, mas sim de determinação legal: a autoridade lançadora ARBITRARÁ o valor ou o preço. Exatamente pautandose nessa regra geral, a Lei nº 7.713/1988 estabeleceu que deve ser utilizado como custo de aquisição do bem percebese, portanto, que o tributo tem por base o preço do bem o seu preço ou valor pago, mas admite e já prevê as formas pelas quais a autoridade lançadora arbitrará o custo de aquisição caso não mereça fé ou não prove o que declara o Contribuinte: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Assim, caso não seja possível identificar exatamente o valor pago na aquisição do bem, então deve a autoridade lançadora buscar outras formas para apurar o custo de aquisição. Simplesmente desconsiderar qualquer custo, imputando o valor zero, é verdadeira ficção jurídica: é adotar como verdade algo que se sabe falso. Enfim, configura completo confronto com as Leis. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 244 19 Novamente, a Lei específica e não apenas a regra geral do art. 148 do CTN ou mesmo raciocínio lógico determina que, quando não puder apurar o valor exato, a autoridade fiscalizadora deve utilizar meios indiretos para apurar o custo de aquisição do bem. Ressaltase, outrossim, que a Lei prevalece sobre eventual regulamentação infralegal. Acontece que não há contradição; pelo contrário, a IN SRF nº 84/2001 apenas ratifica o comando do CTN e da Lei nº 7.713/1988: Valores computáveis como custo Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; f) o valor da contribuição de melhoria; g) os juros e demais acréscimos pagos para a aquisição do imóvel; h) o valor do laudêmio pago, etc.; II outros bens ou direitos: os dispêndios realizados com a conservação e reparos, a comissão ou a corretagem quando não transferido o ônus ao adquirente, os juros e demais acréscimos pagos, etc. Custo na ausência do valor pago Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 245 20 III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Percebese, portanto, que o art. 17 garante o direito de considerar no custo de aquisição certos valores, inclusive os dispêndios com a construção. Para tanto, deve discriminálos na DAA e apresentar documentação hábil e idônea quando instado a comprová los. Ressaltase, o direito é garantido ao Contribuinte. Conquanto estejam lançados na DAA, não cabe à autoridade lançadora escolher se considerará ou não os valores descritos nesse art. 17. Cabe, isso sim, exigir a comprovação hábil e idônea. O que acontece quando o Contribuinte não logra comprovar a existência do dispêndio? O valor deve ser desconsiderado. E quando o Contribuinte comprova a existência do dispêndio, mas não o seu quantum? Então aplicase o art. 18, ou seja, apuração por meios indiretos e, apenas quando for impossível, é que se lhe atribuirá o valor de zero. Frisase: o art. 18 não apenas está localizado imediatamente após o art. 17, como trata "do valor pago". Logo, não há que se discutir que se restringe apenas ao valor de aquisição em relação ao alienante do imóvel, mas também a qualquer montante que tenha sido incorrido em função da transmissão, da manutenção ou beneficiamento da coisa. Registrase que a alienação da propriedade pode ser tanto onerosa quanto gratuita; sendo gratuita, não há pagamento pelo adquirente ao alienante, mas ainda assim há outros pagamentos inerentes, como o referente ao imposto de transmissão (in casu, ITCMD). Portanto, não se pode restringir o art. 18 ao valor referente ao pagamento ao alienante, devendo abranger todos os pagamentos. No caso presente, há nos autos documentação hábil e idônea para comprovar a ocorrência dos dispêndios com construção, de forma que podem integrar o custo de aquisição do imóvel. A questão em dúvida não é se houve ou não a construção, mas apenas o quantum. Dessa forma, deve ser aplicada a regra do art. 18, apurando o custo por meios indiretos. Conforme a lista já citada acima, há inúmeros documentos nos autos e já apresentados durante a fiscalização que serviriam de base para a apuração indireta desse custo de aquisição. Ressaltase, especialmente, o valor considerado pela própria Receita Federal como custo da obra para a apuração das Contribuições Previdenciárias. Ora, o mesmo ente não pode admitir a existência de um custo da obra na ordem centenas de milhares de reais para fins de apuração de um tributo e zero para outro. Mormente quando considerar um valor alto aumenta a arrecadação daquele, e considerar um valor baixo aumenta a arrecadação deste. É clara hipótese de venire contra factum proprium. Para que não restem dúvidas, a própria Receita Federal é clara em admitir que a construção superveniente deve ser considerada na apuração do custo de aquisição do bem. Assim, por exemplo, a Solução de Consulta Interna COSIT nº 2, de 14/01/2014, cuja ementa já antecipa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL ADQUIRIDO POR FINANCIAMENTO BANCÁRIO. GANHO DE CAPITAL. CUSTO E DATA DE AQUISIÇÃO. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 246 21 Para fins de apuração do ganho de capital no âmbito da legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, diante da ocorrência de alienação (contrato de compra e venda) de bem imóvel que fora adquirido por intermédio de financiamento em instituição financeira (financiamento bancário), considerase: a) custo de aquisição aquele que corresponda ao total dos valores pagos, incluindo sinal (ou valor correspondente), os decorrentes das prestações efetuadas a cada anocalendário, à medida que tenham sido pagas, os juros e demais acréscimos pagos no respectivo financiamento, bem como as despesas permitidas pela legislação do imposto como integrantes daquele custo (tais como: construção, ampliação, reforma etc), até o momento da respectiva alienação. O que é mais, convém observar a IN SRF nº 599, de 28/12/2005, que determina o seguinte: Art. 3º Para a apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital por ocasião da alienação, a qualquer título, de bens imóveis realizada por pessoa física residente no País, serão aplicados fatores de redução do ganho de capital apurado. § 1º A base de cálculo do imposto corresponderá à multiplicação do ganho de capital pelos fatores de redução, que serão determinados pelas seguintes fórmulas: (...) § 4º Na alienação em conjunto de imóvel constituído de partes adquiridas em datas diferentes, a redução aplicase à parcela do ganho de capital que corresponder a cada parte, observandose que: I a redução correspondente a cada parte é determinada em função da data de sua aquisição e aplicada sobre a parcela do ganho de capital a ela correspondente; II a parcela do ganho de capital correspondente a cada parte é determinada aplicandose sobre o total do ganho de capital o percentual resultante da relação entre o custo da parte objeto da redução e o custo total do imóvel, ou entre a área da parte objeto da redução e a área total do imóvel. § 5º O disposto no § 4º aplicase à construção, ampliação ou reforma, ressalvado o disposto no § 6º. § 6º Na alienação de imóvel constituído por terreno adquirido até 31 de dezembro de 1995 e de edificação, ampliação ou reforma iniciada até essa data, ainda que concluída em ano posterior, informada na Declaração de Ajuste Anual, os fatores de redução de que trata o caput são determinados em função do ano de aquisição do terreno e aplicado sobre todo o ganho de capital. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11516.720185/201492 Acórdão n.º 2202004.669 S2C2T2 Fl. 247 22 Tanto a SCI COSIT nº 2/2014 quanto a IN SRF nº 599/2005 consideram a construção como um dos custos que deve ser considerado na apuração do custo de aquisição do bem, custo esse equiparável à aquisição de imóvel por partes. Tanto assim, inclusive, que esclarecem que o custo da construção deve ser considerado em data própria tal qual a data de aquisição de uma parcela nova do imóvel para fins de aplicação dos fatores de redução e apuração final do ganho de capital. Correto o raciocínio: uma vez que a construção não se perfaz no mesmo instante em que ocorre a aquisição do terreno, então não podem ser utilizados os mesmos índices de redução. Ainda assim, a construção acresce ao patrimônio, aumentando o valor do imóvel, assim como acresce ao patrimônio a aquisição de nova parcela do mesmo imóvel. Efetivamente, não poderia ser diferente. O bem compõe o patrimônio enquanto valor. Enquanto se observa o patrimônio, os bens que o compõe são fungíveis, tendo relevância apenas o seu valor. Tanto assim que, na própria Ficha "Declaração de Bens e Direitos" da DIRPF, os bens são individualizados mas, ao final, é indicado o valor total dos bens. Inclusive, é esse valor final total que é apropriado na Ficha "Resumo", ao final da DIRPF. Ao ser incorporado ao patrimônio, o bem entra com determinado valor. Por certo, ao receber benfeitorias no presente caso, construções , elas certamente aumentam o seu valor e seu custo de aquisição. Por tudo isso, e reiterando o quanto já escrito acima, uma vez que reste comprovada a ocorrência da construção, ficando em discussão exclusivamente o quantum despendido, não pode a autoridade lançadora simplesmente afastar todo o custo de aquisição das benfeitorias pelo fato de não merecer fé o valor declarado pela Contribuinte. Deve, isso sim, utilizar uma das formas indiretas de apurar o referido custo de aquisição, regra essa imposta pela Lei inclusive no CTN e na Lei nº 7.713/198 e pela legislação infralegal, já citada acima. São essas as razões pelas quais divergi do voto condutor do acórdão. Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 247DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000372/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 72 /2 00 9- 81 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.115, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 379DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 381DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 384DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 385DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 16349.000372/200981 Acórdão n.º 3401004.916 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 387DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.720478/2013-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 04 78 /2 01 3- 84 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13005.720478/201384 Acórdão n.º 1001000.711 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 63 a 65) interposto contra o Acórdão nº 0130.839, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 57 a 59), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 Ementa Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade ao Termo de Indeferimento (pedido em 28/01/2013, fl. 04) da Opção pelo Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) –, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006. 2. O motivo do indeferimento foi existência de Débitos previdenciários e não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal, cuja exigibilidade não está suspensa: 1) 39.970.9444 2) 39.970.9452 3) 40.094.4103 4) 40.466.1602 5) Código 1345 tributo: DCTF Multa /Atraso/falta Período: 2009 Saldo Devedor: R$ 200,00 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13005.720478/201384 Acórdão n.º 1001000.711 S1C0T1 Fl. 4 3 3. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 02, em 08/03/2013, através da qual vem alegar que: a) Parcelou os débitos previdenciários e pagou a multa; b) Manifesta a importância de seu retorno ao Simples Nacional, tendo em vista que se isso não ocorrer será muito difícil para a empresa passar a tributar sob outra forma de enquadramento." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) 5. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) 6. A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13005.720478/201384 Acórdão n.º 1001000.711 S1C0T1 Fl. 5 4 § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) 7. Conforme histórico do sistema Sincor (fl. 42) o pagamento efetuado em 31/01/2013 não foi suficiente para quitar a totalidade do débito do código 1345 (multa). O restante somente foi quitado em 13/02/2013. Ressaltese que a autoridade competente para aplicar a legislação tributária somente utilizará a equidade na ausência de disposição expressa. 8. Logo, como o contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal, devese indeferir a manifestação de inconformidade." Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.721438/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA.
Verificada omissão e contradição em relação a determinado tema no acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício.
Numero da decisão: 3302-005.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem, contudo, conferir-lhe efeitos infringentes
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. Verificada omissão e contradição em relação a determinado tema no acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem, contudo, conferir-lhe efeitos infringentes (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. Verificada omissão e contradição em relação a determinado tema no acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem, contudo, conferirlhe efeitos infringentes (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 14 38 /2 01 2- 55 Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302005.751 S3C3T2 Fl. 1.172 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte contra o Acórdão nº 3302003.655 que, (i) por maioria de votos, rejeitou a preliminar de cerceamento de defesa, (ii) por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de prova testemunhal; (iii) por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário quanto à redução da multa qualificada e validação do planejamento, e (iv) por maioria de votos, admitiu, de ofício, a dedução dos valores recolhidos a título de PIS e Cofins contidos no DAS mensal relativo ao Simples Nacional, proporcional às receitas de vendas à recorrente. Em seu arrazoado (fls. 1.1521.156), a Embargante alega ter ocorrido omissões e contradição no acórdão embargado com base nos seguintes fundamentos, senão vejamos: a) de contradição entre o acórdão, em que restou consignado que a votação do indeferimento do pedido de produção de prova testemunhal foi por unanimidade, e o voto da Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora, que defendeu ser necessário o deferimento do pedido de produção de provas, na forma pleiteada pela recorrente, em especial a prova testemunhal; b) de omissão de pronunciamento quanto à dedução dos valores recolhidos a título de PIS e COFINS pelas empresas enquadradas no Simples Nacional, de forma proporcional às receitas de vendas para a recorrente, e; c) de omissão quanto ao argumento recursal de que se faz necessária a inclusão das empresas Diversu's Componentes para Calçados Ltda., Mixage Calçados Ltda. e Cleiton Lazaretti & Cia. no polo passivo do Auto de Infração. 1 Nos termos do despacho de fls.1.1631.169, os Embargos de Declaração foram parcialmente admitidos para sanar a contradição e omissão noticiadas nos itens "a" e "b", conforme se verifica da conclusão extraída do referido despacho, a saber: Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, admito, parcialmente, os embargos opostos, para sanar a omissão quanto à inclusão no voto vencido das razões que levaram à admissão da dedução do PIS/Pasep e Cofins, contidos no DAS mensais relativo ao SIMPLES NACIONAL recolhidos pelas empresas enquadradas no SIMPLES NACIONAL, proporcional às receitas de venda daquelas empresas para a recorrente, bem como sanar a contradição concernente ao resultado do indeferimento da prova testemunhal. É o relatório. 1 Trecho extraído do despacho de admissibilidade de fls.1.1631.169. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302005.751 S3C3T2 Fl. 1.173 3 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pelo contribuinte teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. O primeiro ponto suscitado pela Embargante, diz respeito a contradição existente entre o resultado do acórdão e o voto proferida pela relatora original, posto que no resultado constou que a Turma decidiu de forma unânime em relação ao indeferimento do pedido de produção de prova testemunhal, ao passo que a relatora original havia deferido tal pedido. De fato, a relatora original restou vencida na matéria que envolveu a análise do pedido de produção de prova testemunhal requerida pela Embargante, cujo voto vencedor incumbiu a relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar redigir. Assim, devem ser acolhidos os embargos de declaração para corrigir o resultado do julgamento, alterandose de "Por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de prova testemunhal" para " Por maioria de votos, em indeferir o pedido de prova testemunhal, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.". Já em relação ao segundo ponto, entendo também que razão assiste à Embargante, na medida em que restou omisso no acórdão embargado os fundamentos que levaram a turma admitir de ofício, o direito do contribuinte deduzir os valores recolhidos a título de PIS e Cofins contidos no DAS mensal relativo ao Simples Nacional, proporcional às receitas de vendas à Embargante, merecendo, assim, ser sanada a referida omissão. Pois bem. O litígio trata de lançamento de crédito tributário de PIS e de COFINS pela fiscalização, devido a ter sido identificado a formação de grupo econômico entre as empresas Calçados Mollino Ltda. e Calçados Di Cristalli Ltda., de cunho familiar (esposa, marido, filho, etc.), as quais teriam transferido parte de sua produção para três empresas interpostas: Diversu’s Componentes para Calçados Ltda., Calçados Mixage Ltda. e Cleiton Lazaretti e Cia. Ltda. Tal grupo econômico e transferência da produção objetivariam impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de obrigações tributárias, ou seja, sonegação das contribuições sociais. Entendeu a fiscalização que pelo conjunto de ações implementado por esse grupo econômico estaria completamente descartada a hipótese de erro material na conduta. Essa simulação na transferência da produção proporcionaria as empresas envolvidas a obtenção de créditos com insumos de PIS e de COFINS reduzindo consideravelmente os valores devidos das mesmas no período de apuração abrangido pelo Auto de Infração. Outro benefício seria que a fiscalizada com os seus respectivos departamentos não poderia ser optante do SIMPLES por superar o limite de faturamento, ao passo que tal desmembramento oportunizou a inclusão no SIMPLES das áreas repassadas para Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 11020.721438/201255 Acórdão n.º 3302005.751 S3C3T2 Fl. 1.174 4 as empresas interpostas, pois o faturamento foi fracionado possibilitando uma tributação mais vantajosa. Neste cenário, a fiscalização entendeu por bem desenquadrar a Embargante da opção do SIMPLES e, exigir integralmente o PIS/COFINS nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/2003, sem dedução do montante já recolhido pelo contribuinte pelo regime do SIMPLES, vide Auto de Infração e Relatório Fiscal carreado às fls. 0279. A Embargante, por sua vez, tanto em sede impugnatória quanto em recursal, defendeu a legitimidade das operações sob análise e, consequentemente pleiteou o cancelamento do lançamento fiscal. Subsidiariamente, requereu, no caso de manutenção do lançamento, a redução da multa de ofício, de 150% para 75%. Esses foram, em síntese, os argumentos suscitados pela Embargante. Não obstante a Embargante tenha deixado de pleitear a dedução dos valores recolhidos do período em que sua apuração era realizada pelo regime do SIMPLES, a antiga composição da Turma, admitiu de ofício, a possibilidade do contribuinte deduzir do montante exigido, os valores recolhidos a título de PIS e COFINS contidos no DAS mensal relativo ao Simples Nacional. Isto porque, o fato das contribuições terem sido recolhidas através de regime diverso, não impede a fiscalização, por se tratar do mesmo tributo, de considerálos para o fim de apurar o quanto realmente é devido. Ou seja, quando do desenquadramento da Embargante do regime do SIMPLES ACIONAL, deveria a fiscalização ter apurado as contribuições nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/2003, como o fez, deduzindo, contudo, os valores recolhidos pela Embargante no antigo regime. Portanto, resta explicitado os fundamentos que levaram à antiga Turma dar provimento parcial ao recurso da Embargante, para admitir a dedução do valores recolhidos a título de PIS e COFINS contidos no DAS mensal relativo ao Simples Nacional, desde que cabalmente comprovado nos autos. Diante do exposto, voto por acolher parcialmente os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem contudo, conferirlhe efeitos infringentes. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 1174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.721841/2017-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. ISENÇÃO. RENDIMENTO DE APOSENTADORIA. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Numero da decisão: 2401-005.751
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. ISENÇÃO. RENDIMENTO DE APOSENTADORIA. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
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ISENÇÃO. Recorrente CLAUDIO MITSUAKI ESSUMI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. ISENÇÃO. RENDIMENTO DE APOSENTADORIA. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 18 41 /2 01 7- 54 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13884.721841/201754 Acórdão n.º 2401005.751 S2C4T1 Fl. 113 2 Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite. Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 41/45, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) anocalendário 2012, que apurou imposto de renda suplementar de R$ 26.933,22, sujeito à multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Fonte Pagadora: São Paulo Previdência CNPJ 09.041.213/000136 (R$ 150.205,14), sendo considerada a omissão de rendimentos da fonte pagadora em função da data do ato legal da Reforma. Em impugnação apresentada às fls. 2/5, o contribuinte alega, em síntese: tem direito à isenção total dos rendimentos recebidos, por ser portador de moléstia grave irreversível e incapacitante com início comprovado em maio de 1997, conforme laudo pericial oficial para isenção de Imposto de Renda; através de publicação no Diário Oficial do poder Executivo, em 17 de outubro de 1998 o impugnante, servidor militar, foi transferido para a reserva; sucessivamente, através de publicação no Diário Oficial do poder Executivo, em 26 de maio de 2015 o contribuinte passou a reforma, de ofício com início de em dezembro de 2014; tinha o direito de restituir o valor de R$ 35.027,10, valor completamente restituído, mas após a Notificação de Lançamento está sendo cobrado do elevado importe de R$ 60.155,34, solicita que o lançamento seja revisto; e solicita a aplicação no presente caso da súmula nº 43 do Carf. A DRJ/BSB, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme acórdão 0377.309, de fls. 79/82. Consta do voto do acórdão de impugnação: Quanto ao requisito do laudo pericial, o documento acostado à fl. 10 (laudo pericial para isenção do imposto de renda), datado de 12 de julho de 2016, atesta que o contribuinte é portador de moléstia grave M544 paralisia irreversível e incapacitante, não passível de controle, desde maio de 1997. Portanto, comprovada a moléstia grave. No que tange à outra condição cumulativa, ou seja, à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, cumpre observar que o contribuinte acostou aos autos a cópia do Diário Oficial, de 26 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13884.721841/201754 Acórdão n.º 2401005.751 S2C4T1 Fl. 114 3 de maio de 2015, que informa a transferência para a reforma apenas a partir de dezembro de 2014 (fls. 12/13). É importante destacar que o período da reserva remunerada não está abrangido pela isenção supracitada, só fazendo jus a essa a partir do momento em que foi reformado, nos exatos termos da disposição legal. Além disso, a Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010 não atribuiu à Súmula CARF nº 43 efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Portanto, a Receita Federal do Brasil não está vinculada ao entendimento sumulado (Súmula nº 43) do Carf. Cientificado do Acórdão em 10/11/17 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 106), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/11/17, fls. 189/105, no qual apresenta novamente os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. ISENÇÃO Quanto a isenção, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13884.721841/201754 Acórdão n.º 2401005.751 S2C4T1 Fl. 115 4 [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13884.721841/201754 Acórdão n.º 2401005.751 S2C4T1 Fl. 116 5 validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Acrescentese a isso o enunciado da Súmula Carf nº 63, aprovada em 29/11/10: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No presente caso, a DRJ reconhece a existência comprovada da moléstia grave. Contudo, não aceita os rendimentos por serem de reserva remunerada e que a súmula CARF nº 63 não é vinculante. Entretanto, não cabe ao conselheiro afastar enunciado de súmula do CARF. Conforme publicação no Diário Oficial do poder Executivo, cópia à fl 11, o impugnante, servidor militar, foi transferido para a reserva em 17 de outubro de 1998. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13884.721841/201754 Acórdão n.º 2401005.751 S2C4T1 Fl. 117 6 Sendo assim, sendo o recorrente portador de moléstia grave devidamente comprovada e os rendimentos serem provenientes de reserva remunerada, cumpridos estão os requisitos cumulativos para o gozo da isenção. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, dandolhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.914070/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES.
Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhece-se o direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. Comprovado que a interessada, optante pelo lucro presumido, atende aos requisitos previstos na legislação para ser considerada prestadora de serviços hospitalares, pode aplicar, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o percentual de 12%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Estando correta a determinação da base de cálculo do tributo, reconhecese o direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 40 70 /2 01 2- 82 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10783.914070/201282 Acórdão n.º 1201002.570 S1C2T1 Fl. 3 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de pagamento indevido de CSLL. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que a contribuinte não preenchia os requisitos para caracterizarse como prestadora de serviços hospitalares, nos termos de consulta por ela mesmo formulada à Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal tendo em vista a adoção dos percentuais de 8% e 12% para fins de presunção do lucro tributável pelo IRPJ e CSLL, respectivamente, e não 32% como adotado originariamente, o que gerou o recolhimento indevido. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado preliminarmente que a decisão de primeira instância é nula, uma vez não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório. Se superada a preliminar, argúi a recorrente que preenche os requisitos para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares, nos termos da legislação de regência da matéria, conforme apontam os fatos devidamente comprovados nos autos mediante a farta documentação apresentada. Colaciona jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.556, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.912343/2012 54, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10783.914070/201282 Acórdão n.º 1201002.570 S1C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.556): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Nulidade da decisão de primeira instância. É arguida a nulidade da decisão de primeira instância por não ter sido enfrentada a questão meritória trazida no despacho decisório, qual seja, o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Ocorre que essa utilização deuse em face do percentual de Lucro Presumido aplicado à receita, inicialmente 32% como informou a própria recorrente e não 8% (IRPJ) ou 12% (CSLL) como é o pretendido. E essa é exatamente a fundamentação da manifestação de inconformidade e, por óbvio, foi a matéria tratada na decisão de piso. Vêse pois que, embora a decisão não tenha se detido em específico no fato de que o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação de débitos, essa conclusão é facilmente extraída da fundamentação, em que é analisada toda a questão relativa ao percentual de Lucro Presumido aplicável em face da atividade da recorrente: se 32%, como considerado na decisão, o pagamento foi totalmente utilizado para a quitação do quanto devido pela contribuinte, não restando assim nenhum saldo a restituir. Rejeitase a preliminar. Mérito. Argúi a recorrente que é prestadora de serviços hospitalares, incidindo pois a exceção prevista na alínea "a", do inciso III, do § 1º, do artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1o Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10783.914070/201282 Acórdão n.º 1201002.570 S1C2T1 Fl. 5 4 citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA. (Destaque acrescido) Traz extenso arrazoado em que justifica o enquadramento de sua atividade como de prestação de serviços hospitalares, anexando documentos. Colaciona também jurisprudência nesse sentido. Junto com a manifestação de inconformidade, veio a Solução de Consulta nº 09/2008, emitida pela DISIT da Superintendência da Receita Federal da 7ª Região Fiscal, base da decisão de piso. Ao final dessa Solução de Consulta, são discriminados os requisitos cumulativos para que a contribuinte seja considerada como prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus então aos percentuais de Lucro Presumido de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Tais requisitos foram analisados individualmente na decisão de piso. O primeiro requisito é o desempenho de atividade prevista no inciso I, alínea "c", do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004: “prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação”. Conforme a decisão de primeira instância, segundo o que consta no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES: "... ali está registrado que a interessada presta atendimento de internação, dispondo de nove leitos. Além disso, presta serviços de apoio ao diagnóstico e terapia, pois dispõe de equipamentos para diagnóstico por imagem ( raio x – fl. 81) e serviço de diagnóstico por anatomia patológica ou citopatológica (...). Por estas razões, concluo que a interessada atende o primeiro requisito estatuído na Solução de Consulta nº 9. Quanto ao segundo requisito, assim está registrado no voto condutor da decisão de piso: O segundo requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, assim dispõe: “b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10783.914070/201282 Acórdão n.º 1201002.570 S1C2T1 Fl. 6 5 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e” [...] Como esclarece o contribuinte, a empresa está situada em endereço próprio, no meio andar do 7º andar do prédio do Centro Hospitalar Granmater, o que se encontra ratificado pelo OF/SESA/GEVS/NVS/CHEFIA/N ° 634, de 23 de setembro de 2008, da Secretaria de Saúde do Espírito Santo que informa (...): “A empresa NEOCARE CUIDADOS INTENSIVOS EM NEONATOLOGIA S/S LTDA, CNPJ 03.826.269/0001 10, está na área do CENTRO HOSPITALAR GRANMATER, CNPJ 03.691.392/000170, fazendo parte do seu Projeto Arquitetônico, aprovado conforme o "Programa Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde" e de"Dimensionamento Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes", estando apta conforme legislação em vigor. Portanto, seu licenciamento faz parte do conjunto do Centro Hospitalar Granmater.” Deste modo, em 23 de setembro de 2008, estava apta a exercer suas atividades. Sucede que o pedido formulado referese ao ano calendário de 2.006. Então, há que se ver se o Hospitalar Granmater, onde a empresa funciona, atendia os requisitos estabelecidos pela Vigilância Sanitária, ..., quanto ao período em exame: Entendeu o então relator que, como a licença, no ano calendário 2006, não abrangeu todo o ano, mas um período de sete meses, esse requisito não restaria preenchido. Contudo, o que se poderia concluir quanto a essa questão seria, no máximo, que, nos meses em que não havia a licença, não teria havido o preenchimento do referido requisito. No entanto, essa conclusão não pode ser aceita, pois não poderia haver a aplicação de sistemáticas diversas de apuração do lucro para fins do IRPJ e da CSLL em um só ano, nem tampouco a de que haveria uma extensão do não preenchimento do requisito para todo o ano de 2006. Como visto também, as licenças foram válidas por um período de sete meses, o que corresponde a mais da metade do ano. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10783.914070/201282 Acórdão n.º 1201002.570 S1C2T1 Fl. 7 6 Portanto, quanto ao segundo requisito, concluise que ele foi preenchido. No que respeita ao terceiro requisito, consta do multicitado voto: Passo ao exame do terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7 ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, que determina: “c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil.” A fim de examinar a matéria, transcrevemos parte da ementa contida na Solução de Consulta nº 9: “PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender cumulativamente aos seguintes requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005: (...) c) tratarse de empresário ou de pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Novo Código Civil, reunindo fatores de produção e circulação, com profissionalismo e economicidade, e valendose de profissionais não só para o desenvolvimento das atividades auxiliares mas também para o exercício da atividadefim.”(grifei) Esta matéria também foi tratada pela Solução de Consulta DISIT nº 252, de 13 de setembro de 2.005, da 9ª Região Fiscal, parcialmente transcrita: “14. À vista do exposto, concluise que, para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade exercida nos ramos de imagenologia, ginecologia e obstetrícia, desde que a contribuinte seja constituída de fato e de forma como sociedade empresária, o que pressupõe a existência: (i) de estrutura física própria, na conformidade do art. 27, § 1º, da IN SRF nº 480, de 2004, cf. redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005; e (ii) de empregados Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10783.914070/201282 Acórdão n.º 1201002.570 S1C2T1 Fl. 8 7 com competência técnica para realizar sua atividade fim sem a necessidade de atuação dos sócios.”(grifei) Segundo o que consta ..., a empresa não possui médicos (profissionais SUS) e possui 20 profissionais não SUS. Tais informações não elucidam se há médicos contratados pela empresa. De acordo com os contratos sociais ..., no ano de 2.006, as sócias da empresa eram Cíntia Ginaid de Souza e Circe Ginaid de Souza, ambas médicas. Do exame dos documentos anexos aos autos não há como se inferir que a empresa possua profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fim, sem a necessidade de atuação dos sócios, restando incomprovado o atendimento ao terceiro requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9. Não há dúvidas de que a recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária. A questão levantada é a de que não se pode saber se a empresa possuía "profissionais contratados para o desenvolvimento de suas atividades fins, sem a necessidade de atuação dos sócios". Em que pese a fragilidade da questão relacionada à atuação dos sócios, uma vez que pode existir uma sociedade com sócios que sejam profissionais habilitados em número suficiente para a prestação do serviço a que se destina a empresa, não é crível que uma prestadora de serviços de UTI neonatal, localizada no prédio de um hospital, com vários leitos, não disponha de profissionais médicos, além dos sócios, para a prestação dos serviços. É quase certo que haja a prestação de serviços de médicos que também o fazem para o próprio hospital em que se insere fisicamente a recorrente, ou que tenha havido a contratação de profissionais por meio também de pessoas jurídicas. Assim, aqui também há que se entender preenchido o requisito. Por fim, no que tange ao quarto requisito, assim registrou o relator no voto condutor da decisão recorrida: Por fim, o quarto requisito estabelecido pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, de 30 de janeiro de 2.008, determina: “d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10783.914070/201282 Acórdão n.º 1201002.570 S1C2T1 Fl. 9 8 condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto.” Tendo em vista a citação do ADI nº 19 de 10/12/2007, segue a transcrição do dispositivo: “Artigo Único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a'', da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida.” Nos autos não há provas suficientes para comprovar que a empresa disponha de “estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. Portanto, o quarto requisito estatuído pela Solução de Consulta nº 9, da DISIT/7ª RF, restou incomprovado. Mais uma vez, frisese, a recorrente é uma prestadora de serviços de UTI neonatal que funciona fisicamente no prédio de um hospital. Não há dúvida quanto a possuir estrutura material e de pessoal (quanto a esta última vejase comentário ao requisito anterior) destinada a atender a internação de pacientes Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10783.914070/201282 Acórdão n.º 1201002.570 S1C2T1 Fl. 10 9 (as notas fiscais constantes dos autos confirmam esse tipo de serviço) com assistência permanente durante vinte e quatro horas, com disponibilidade de serviços de radiologia e laboratório. Portanto, cumprido também o quarto e último requisito. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 223DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000640/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DESACORDO COM LEI. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS - FNDE, INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS.
Entende-se por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, I da Lei n° 8.212/91).
Nos termos do art. 28, § 9°, j da Lei 8.212/1991 e art. 214, § 9°, inciso X e § 10 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, integra O salário de contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com Lei 10.101/2000.
Devida contribuição social destinada aos Terceiros - FNDE, a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, nos termos dos artigos 2° e 3 da Lei -n° 11457/07 e legislação complementar.
Numero da decisão: 2201-004.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS EM DESACORDO COM LEI. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS FNDE, INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, I da Lei n° 8.212/91). Nos termos do art. 28, § 9°, “j” da Lei 8.212/1991 e art. 214, § 9°, inciso X e § 10 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, integra O salário de contribuição para fins de incidência previdenciária a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga em desacordo com Lei 10.101/2000. Devida contribuição social destinada aos Terceiros FNDE, a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, nos termos dos artigos 2° e 3“ da Lei n° 11457/07 e legislação complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 40 /2 00 8- 40 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 334 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 236/250 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados. Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização, AI DEBCAD 37.179.4307, consolidado em 24/11/2008, contra o contribuinte acima identificado, relativo às contribuições sociais devidas e não recolhidas à Seguridade Social, destinadas a Outras Entidades/Terceiros Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE SalárioEducação, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, no valor consolidado de R$ 204.373,03 (duzentos e quatro mil e trezentos e setenta e três reais e três centavos) nas seguintes competências: 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 80/88 e anexos, temos que: 2.1. Neste AI foram lançadas diferenças referentes às contribuições para Outras Entidades e Fundos FNDE, incidentes sobre rendimentos pagos a segurados empregados a título de PLR Participação nos Lucros sem observância do contido na alínea “j”, § 9°, art. 28 da Lei 8.212/91 e inciso X do § 9° e § 10 do art. 214 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, vigente à época da ocorrência do fato gerador; Fl. 334DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 335 3 2.2. No período fiscalizado o contribuinte tinha convênio com o salário educação, estando obrigado ao recolhimento direto; 2.3. A empresa foi enquadrada no código FPAS 736 (código de Terceiros 0003), que tem alíquota de 2,7%, sendo que 2,5% referemse às contribuições ao FNDE; 2.3. Quanto as normas relativas ao PLR, cita o art 7°, inciso XI da Constituição Federal, a Medida provisória 794/94, convertida na Lei 10101/2000, assim como a legislação apontada no item 2.1 acima, na qual se embasou para efetuar o lançamento; 2.4. Quanto a situação Fática, a auditora informa que na análise das Folhas de Pagamento e dos lançamentos contábeis efetuados na conta de resultado n° 392112 Desp.c/partic. Lucros e Resultados Empregados foi detectado a ocorrência de pagamentos a título de PLR, mais de duas vezes no mesmo ano civil em desobediência ao estabelecido no art. 3°, § 2° da Lei 10.101/2000. Tais pagamentos foram efetuados de duas formas: a) na folha de pagamento: adiantamento em 01/2004, complementado em 02/2004, e nova parcela em 08/2004 e alguns poucos pagamentos em 03/2004 e 09/2004; b) por meio de previdência privada PGBL em 02/2004 e 08/2004 por opção do funcionário. 2.5. Os segurados empregados que receberam PLR de acordo com a lei, não foram incluídos no lançamento; 2.6. Considerando a situação fática a Auditora Fiscal conclui que os valores desembolsados mais de duas vezes no mesmo ano civil são fatos geradores para incidência de contribuições previdenciárias. DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada a empresa apresentou impugnação de fls.l 16/ 134 onde alega em síntese: 3.1. Da tempestividade; 3.2. Da Participação nos Lucros e Resultados: 3.2.1. Quanto aos fatos destaca que a fiscalização não alegou objetivo de remunerar ou “camuflar” salários, sendo verificado que os valores decorrem do seu lucro mas que “deve ser integrado à base de cálculo da contribuição previdenciária pelo simples fato de não ter observado a peridiocidade prevista na legislação previdenciária”. 3.2.2. Quanto as previsões legais entende que o disposto no art 7°, inciso XI da Constituição Federal não deixa espaço para o legislador dispor de forma diferente quanto a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador. Considera o disposto na alínea “j”, § 9°, art. 28 da Lei 8.212/91 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 336 4 restritivo do alcance da norma constitucional. Cita a Lei 10101/00 como regulamentadora e uniformizadora de procedimentos, concluindo que “a impugnante não desvirtuou o instituto da participação nos lucros, sendo indevida a cobrança das contribuições previdenciárias ...” 3.2.3. Aponta que de acordo com Convenção Coletiva de Trabalho celebrada entre o Sindicato das Empresas de Seguros Privados, de Capitalização e de Resseguros no Estado do Rio de Janeiro, ao qual a impugnante está vinculada e o Sindicato dos Securitários do Estado do Rio de Janeiro, de 14/01/2004, referente especificamente a participação nos lucros e resultados, temse que: a) Pagamento de duas parcelas no ano de 2004, em janeiro e julho, a título de participação nos lucros, sendo a primeira de “cunho obrigatório.” b) A segunda parcela em julho só seria devida para aquelas empresas que não possuíssem programa próprio de distribuição de lucros. c) A impugnante optou por fonnalizar um programa próprio, “com regras mais benéficas, conforme facultado pelo art. 21 I, da Lei n" 10.101/00.” d) Atenta para o fato de que seu programa observou todas as regras referentes a participação nos lucros, sendo estipulado os meses de fevereiro e agosto para distribuição. e) Observa que estava vinculada a dois instrtunentos de negociação coletiva válidos, optando por efetuar a distribuição de acordo com o disposto em ambas as negociações: janeiro, fevereiro e agosto. Í) Aponta o disposto no att. 7°, inciso XXVI, referente aos direitos dos trabalhadores quanto ao reconhecimento das convenções e acordos coletivos, assim como o art. 611 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe acerca da obrigatoriedade do cumprimento das normas pelas partes celebrantes. Entende que a Lei 10101/00 se encontra no mesmo patamar hierárquico da Convenção Coletiva. g) Cita decisões da Justiça do Trabalho acerca da matéria e conclui que o pagamento “se deu com amparo no art. 7'Í inciso XXVI da Constituição Federal, o que deve prevalecer ante à alegada ofensa à Lei n° 10.101/00.” 3.2.4. A impugnante discorre sobre a vedação constitucional à tributação da participação nos lucros e resultados. Entende que a Constituição Federal já regulamentava a participação nos lucros e que somente a gestão da empresa deveria se remeter á regulamentação da lei. Ressalva porém que mesmo que a regulamentação estivesse se estendido a participação nos lucros, o disposto na alínea “j”, § 9°, art. 28 da Lei 8.212/91 não poderia alterar sua condição de parcela não integrante do Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 337 5 salário de contribuição, uma vez que o dispositivo constitucional trata de imunidade de tributação. 3.2.5. Discorre ainda acerca do estímulo constitucional às empresas, referente à distribuição de lucros, entendendo que a rígida interpretação da Lei 10101/00 viola o art. 218, § 4° da Constituição Federal. 3.2.6. Cita decisões dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais para embasar sua razões. 3.3 Requer a procedência da presente impugnação com declaração de insubsistência do Auto de Infração. 2 – A decisão da DRJ julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte fls. 288/313 do EFls. É o relatório do necessário. Voto Fl. 337DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 338 6 Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – A principal matéria de fundo tratase da periodicidade do pagamento do PLR paga pelo contribuinte sendo que a acusação fiscal é no sentido de que os valores pagos estão fora da regra de isenção da Lei 10.101/2000 por esse motivo. Essa turma já teve oportunidade de tratar do tema em outras oportunidades, em assuntos de relatoria da Conselheira DIONE JESABEL WASILEWSKI nos AC. 2201004.461 j. em 08/05/2018 e AC nº 2201003.796 j. em 08/08/2017, abaixo ementados, sem grifos no original: Ementa(s) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Anocalendário: 2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS. PERIODICIDADE SEMESTRAL.É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados. PLR. PAGAMENTO. ADIANTAMENTOS. CORREÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Deve ser excluída da base de cálculo sujeita à tributação os valores que, embora constantes da folha de pagamentos, correspondem a adiantamentos pagos em outras competências. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE. Devem ser excluídas do pólo passivo as pessoas a quem foi atribuída responsabilidade solidária, quando a fiscalização não apresenta fundamentos suficientes para essa caracterização. Ementa(s) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2011 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 339 7 PLR. PAGAMENTO EM MAIS DE DUAS PARCELAS NO ANO CIVIL. PERIODICIDADE MENSAL. DESCARACTERIZAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCLUSÃO. Os valores pagos a título de PLR em mais de duas parcelas no mesmo ano civil e em periodicidade mensal devem ser integralmente incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive para outras entidades e fundos. 6 – Em vista do quanto acima exposto, por entender da mesma forma que a I. Relatora dos leading cases acima indicados e julgados por essa C. Turma e por economia processual, com a devida vênia faço como minha as palavras abaixo como razões de decidir no presente caso no Ac. 2201004.461: “A autoridade fiscal fundamentou o lançamento no descumprimento da regra constante do § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.101, de 2000, que estabeleceria uma periodicidade para essa modalidade de pagamento. Para verificar a correção desse proceder, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no Acórdão nº 2201 003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurada obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Fl. 339DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 340 8 Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (Grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 341 9 Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Fl. 341DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 342 10 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições préestabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Fl. 342DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 343 11 Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados Fl. 343DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 344 12 “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 345 13 I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Entre as premissas estabelecidas por esse texto, destaco aquela que estabelece a natureza na norma em análise como isentiva. Daí decorre a obrigatoriedade de adoção do método literal de interpretação do texto legal, de forma que apenas os programas que atenderem integralmente a norma mencionada, dentro do limite imposto pela investigação sintática de seu conteúdo, estariam excluídos da tributação. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 346 14 Neste processo, a controvérsia ficou restrita à observância da seguinte condição: a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Vejamos o que dizia o texto legal, à época dos pagamentos realizados: Art. 3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A legislação previa expressamente ser "vedado" o pagamento em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ou seja, tratandose de PLR que se pretende acobertado pelo disposto na Lei nº 10.101, de 2000, essa forma de pagamento recebe o modal deôntico "proibido". A taxatividade do texto não condiz com a interpretação conferida a ele pela recorrente. Com efeito, ao se afirmar que o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil ensejará a desconsideração de apenas parte deles, não se está aplicando a norma com razoabilidade, mas legislando, porque não há espaço no texto legal para essa interpretação. A razoabilidade na leitura desse comando residiria na aceitação de pagamentos em desconformidade com a periodicidade/número de parcelas estabelecidos pela lei para, por exemplo, corrigir eventuais erros de apuração do valor já pago. Mas desde que resulte de erro eventual. Ou, ainda, em caso de desligamento do empregado, que faria jus ao recebimento proporcional do valor ajustado no instrumento de negociação. Se o programa de participação nos lucros é composto por mais de um instrumento, como relata a recorrente, cabe à empresa, cuja vontade é elemento integrante na constituição deles, laborar para que haja observância da periodicidade estipulada por lei. O entendimento aqui esposado está de acordo com a jurisprudência recente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do que servem de exemplo os Acórdãos 9202004.543, 9202004.347, 9202004.342. Deste último, transcrevo abaixo parte da ementa: Fl. 346DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 347 15 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. PERIODICIDADE SEMESTRAL. É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados. No caso, restou comprovado descumprimento do critério da periodicidade para alguns dos empregados. E do voto, de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Reparase da leitura acima, que não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Por esse motivo, entendo que, para cada empregado, pagamentos sem respeito à periodicidade mínimima legalmente estabelecida, desconfiguram o programa e, portanto, todas as verbas a ele pagas a título de PLR devem compor o salário de contribuição. Isto posto, em relação à descaracterização dos pagamentos realizados pela empresa fiscalizada nas competências 02/2010, 08/2010 e 11/2010 como PLR, entendo que está correta a fiscalização ao afirmar que não foram observadas as exigências estabelecidas pela lei no que diz respeito à periodicidade e ao número de parcelas.” 7 – Na mesma esteira de entendimento a decisão no Ac. 2302002.844 da C. 2ª TO 3ª CAM dessa Seção julgado em 19/11/13 relator Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, em aresto assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/12/2008 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 348 16 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. PERIODICIDADE. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000. É até intuitiva a construção lógica pela qual, quando não ocorre a exceção, incide a regra. Assim, se há o descumprimento fático de um pressuposto normativo da regra excepcional, não se pode afirmar que não há consequência ou sanção prevista em lei. A consequência ou sanção é exatamente a incidência da regra geral, no caso, a vinculação do pagamento à remuneração (artigo 28, I, da Lei n° 8.212/91). A descaracterização do plano de participação nos lucros ou resultados atinge todas as regras e pagamentos a ele relativos. Não se pode cindilo para se considerar parte dos pagamentos como cobertos pelo exceção legal e parte não. Não podem ser aproveitadas apenas as condições ou pagamentos que, isoladamente, estejam de acordo com a Lei n° 10.101/2000. Assim, descumprido algum dos pressupostos legais, a descaracterização reportase ao somatório do plano. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitandose aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 349 17 Recurso Voluntário Provido em Parte (sem grifos no original) 8 A recorrente confirma em seu recurso nos autos do PAF 19740000637200826 (processo principal) que efetuou o pagamento a título de PLR em mais de uma vez no semestre verbis: 9 Portanto, nada a ser provido de acordo com as razões acima expostas. 10 – Quanto ao pedido de redução da multa em virtude das alterações introduzidas na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/09 nada a ser conhecido ou a ser deferido em razão do lançamento apenas ter constituído o crédito previdenciário sob a rubrica de PLR salário educação, não havendo aplicação de multa com base nos artigos indicados no recurso. Conclusão 11 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito, lhe NEGO PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19740.000640/200840 Acórdão n.º 2201004.670 S2C2T1 Fl. 350 18 Fl. 350DF CARF MF
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Numero do processo: 13858.000145/2010-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 8. 00 01 45 /2 01 0- 51 Fl. 331DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 303 a 314) em face do Acórdão nº 2403002.638, proferido na Sessão de 16 de julho de 2014 (efls. 291 a 302), o qual deu provimento parcial ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS POR INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA. A contratação de empregados por interposta pessoa jurídica é conduta simulada, devendo a Fiscalização efetuar o lançamento de ofício, conforme previsão no artigo 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional CTN. Havendo extensa prova da ausência de autonomia e independência da pessoa jurídica considerada interposta pessoa, correta a autuação da verdadeira responsável pelas operações realizadas. A sociedade que contrata empregados mediante interposta pessoa jurídica é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e contribuições devidas a Terceiros, decorrentes da relação de emprego. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13858.000145/201051 Acórdão n.º 9202007.037 CSRFT2 Fl. 3 3 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário provido em Parte A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. O recurso visa rediscutir a retroatividade benigna das multas em razão da mudança legislativa introduzida pela MP/449 (cesta de multas). A Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de fls. 315 a 319. Em suas razões a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que antes da MP nº 449/2008, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada); que a MP nº 449/2008, instituiu uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91; que o art 32A trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; que o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; Fl. 333DF CARF MF 4 que a MP nº 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A o qual remete à aplicação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996; que a leitura do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996 corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que tal dispositivo abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); que se deve privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A, da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; que toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, sendo essa a conclusão a que chegou a eminente relatora do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; que a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009; que a respeito da forma correta para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 1.027, de 22/04/2010, explicando qual é o procedimento adequado a ser utilizado e que em seu inciso I define o critério ora defendido; Por fim, a Fazenda Nacional formula pedido nos seguintes termos: Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que: (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância dos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF aprovado pela ; (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja adotada a tese esposada nos acórdãos paradigmas, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma é mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cientificada do Acórdão nº 2403002.638, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13858.000145/201051 Acórdão n.º 9202007.037 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme se atestou no Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial de efls. 921 a 925, o qual não merece reparos. Conheço, portanto do recurso. Quanto ao mérito, a matéria em discussão diz respeito à definição da(s) penalidade(s) aplicável(eis) no caso de lançamento de ofício quando se apure infrações relacionadas às contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/1991, após as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em razão da aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir reproduzido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a Lei nº 8.212, de 1991 previa, para os casos de lançamento de ofício de contribuições sociais de que trata as alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11, a incidência de uma penalidade para o caso de falta de declaração em GFIP de verba tributável (art. 32, § 5º) e outra penalidade pelo recolhimento insuficiente (art. 35, II). Eis a redação dos referidos dispositivos, antes da MP n° 449, de 2008: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. [...] Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 335DF CARF MF 6 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Incidiam, portanto, duas penalidades para duas infrações materialmente distintas: a falta de declaração de verba tributável e o recolhimento insuficiente do tributo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, essas duas penalidades foram substituídas por uma só: a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13858.000145/201051 Acórdão n.º 9202007.037 CSRFT2 Fl. 5 7 I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). Para aferir qual a penalidade mais benigna, se a prevista anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008 ou a posterior à mudança legal, devemos sopesar, consideradas as naturezas materiais das infrações previstas, isto é, a relação entre as condutas e as infrações previstas, aquela menos onerosa para o infrator, conforme entendimento consolidado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016): AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, Fl. 337DF CARF MF 8 ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Como, para as duas condutas: a falta de declaração e o pagamento insuficiente, para as quais a legislação anterior previa a incidência de duas penalidades, cumulativamente, a nova legislação prevê apenas a incidência de uma única penalidade, na aplicação da retroatividade benigna, devese comparar a soma das multas previstas anteriormente (arts. 35, II, e 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 1991) à multa prevista na nova legislação (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991). Mais especificamente, como a nova legislação prevê multa de 75%, na ausência de evidente intuito de fraude, haverá retroatividade benigna se a penalidade aplicável, segundo a legislação vigente à época do lançamento, ultrapassar esse percentual. No caso de incidência das multa previstas nos §§ 4º e 5º, do art. 32 e do art. 35, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à MP nº 449, de 2008, se a soma das duas penalidades for superior a 75%. No caso de aplicação, por qualquer razão, de apenas uma das penalidades, a comparação deve ser feita com o valor desta. Esse é o entendimento compatível com a posição da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, segundo entendimento também consolidada deste Colegiado, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13858.000145/201051 Acórdão n.º 9202007.037 CSRFT2 Fl. 6 9 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 339DF CARF MF 10 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13858.000145/201051 Acórdão n.º 9202007.037 CSRFT2 Fl. 7 11 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A citada Portaria 14, de 2009, que, vale ressaltar, está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF, é clara quanto aos procedimentos a serem observados para aplicação, em cada caso, da retroatividade benigna. Vejamos: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos Fl. 341DF CARF MF 12 valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Em face ao exposto, conheço do recurso e doulhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13858.000145/201051 Acórdão n.º 9202007.037 CSRFT2 Fl. 8 13 Fl. 343DF CARF MF
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