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Numero do processo: 10660.000459/2008-59
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 05/11/2007
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência do Aviso de Recebimento da decisão da DRJ
Numero da decisão: 3001-000.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 05/11/2007 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência do Aviso de Recebimento da decisão da DRJ
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência do Aviso de Recebimento da decisão da DRJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 04 59 /2 00 8- 59 Fl. 308DF CARF MF 2 Relatório Auto de Infração na descrição dos fatos e enquadramentos legais, foi exposto que em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações acessórias pela recorrente, foram apuradas falta de recolhimento de Cofins, Pis, IPI e II. Mercadoria Reimportada o Relatório da Ação Fiscal elaborado com o fim de verificar o cumprimento das obrigações relativas à reimportação de mercadoria exportada e solicitou a não incidência do Imposto de Importação com fundamento no artigo 70 do RA. especificou que a mercadoria fora exportada conforme Declaração de Despacho de Exportação, posteriormente solicitado seu cancelamento, por motivo de devolução da mercadoria enviada, Tratavase de exportação definitiva, conforme constatado de seu Registro de Exportação. Siscomex sistema informatizado de registro, acompanhamento e controle computadorizado de informações do comércio exterior No caso em análise, devese observar que os campos próprios dos RE fazem referência somente a uma operação de exportação normal e, portanto,uma eventual reimportação somente poderia ampararse nos incisos III ou V do dispositivo legal retrocitado. Da documentação analisada, o importador estrangeiro alegava el producto K&S Nuggets sabor Peixe, debido a que no cumple con ias especificaciones pactadas inicialmente" (o produto K&S Nuggets sabor Peixe não cumpre com as especificações pactuadas inicialmente) como motivo para efetuar a devolução da mercadoria (fls. 33). As hipóteses elencadas pelo artigo 70 em comento: consignação, defeito técnico, modificação de sistemática, guerra ou calamidade foram descartadas como motivadoras da devolução e, quanto A alínea "e" (fatores alheios A vontade do exportador), considerouse que descumprimento de especificações pactuadas não constitui uma ocorrência alheia A vontade, pois o fabricante é diretamente responsável pela qualidade de seus produtos Portanto, a conclusão desta fiscalização é que a reimportag&o, definitivamente, não se enquadra nos motivos excludentes de incidência de tributos devidos na importação (Art. 70 do Decreto n° 4.543/2002 , acima transcrito). Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10660.000459/200859 Acórdão n.º 3001000.495 S3C0T1 Fl. 309 3 Impugnação A defesa da contribuinte traz que atua no ramo de rações. Exporta para inúmeros países. Desta forma, em operação com o México, enviou 12 mil kilos de ração. Segundo argumenta, por motivo alheio, essa mercadoria exportada foii devolvida co base na declaração prestada, no sentido de que a SAGARPA exigiria um prazo de 60 dias para nova análise de prebióticos como condição de entrada no país. A autoridade fazendária nacional entendeu esta reentrada em território brasileiro como fato gerador dos tributos incidentes sobre a importação Da inexigibilidade tributária após expor suas premissas sobre o princípio da tipicidade fechada, declara não haver tipicidade no enquadramento do suposto fato gerador. Colaciona inúmeros julgados a seu favor. hipótese de devolução de mercadoria pelo comprovador estrangeiro por motivo alheio a vontade do Contribuinte, não configura a incidência dos impostos pagos na importação de mercadoria estrangeira. Descabimento da barreira tarifária exigência de tributos na importação tem como motivação (i) impor barreira tarifária para proteção da industrial nacional não é lógica a exigência do pagamento de tributos na reimportação de mercadoria nacional que lhe foi devolvida DRJ/FNS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA. NÃO SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. Para caracterizar reimportação sem incidência de tributação, deve o importador demonstrar alguma das hipóteses de não incidência previstas na legislação de regência. O relatório, por bem retratar os eventos ocorridos, merece ser transcrito vez que elucida questões pontuais, essenciais ao enfrentamento do mérito: O processo traz quatro autos de infração (AI) lavrados em função do não recolhimento dos tributos incidentes na operação de importação albergada pela Declaração de Importação (DI) nº 07/15216494 (registro e desembaraço em 5112007). Foram lançados valores atinentes ao Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS, como segue: Fl. 310DF CARF MF 4 II R$ 6.771,21 Multa de Ofício R$ 2.872,89 Juros de Mora R$ 67,80 IPI R$ 5.513,70 Multa de Ofício R$ 2.339,36 Juros de Mora R$ 55,20 PIS/PASEP R$ 1.121,44 Multa de Ofício R$ 475,81 Juros de Mora R$ 11,22 COFINS R$ 5.165,45 Multa de Ofício R$ 2.191,60 Juros de Mora R$ 51,72 Extraio do Relatório de Ação Fiscal (fls. 1821) que a mercadoria objeto da DI foi exportada em 2172007 sob amparo da Declaração de Despacho de Exportação (DDE) nº 2070811863/1 – Registro de Exportação (RE) nº 07/1073840001. Em 1512008, a Total Alimentos solicitou o cancelamento da DDE por devolução da mercadoria, alegando que não foi obtida licença para a importação no México, pois o produto não cumpria com as especificações pactuadas inicialmente. Registrou a DI e procedeu ao desembaraço sem recolhimento de tributos, vinculando o RE retromencionado e alegando reimportação com enquadramento no artigo 70, I, do Decreto nº 4.543/02 – Regulamento Aduaneiro (RA). Concluiu o AuditorFiscal que a situação não se enquadra nos motivos excludentes de incidência de tributos devidos na importação, pois o “(...) descumprimento de especificações pactuadas não constitui uma ocorrência alheia à vontade, pois o fabricante é diretamente responsável pela qualidade de seus produtos” (fl. 19). Inconformada, a empresa interpôs tempestivamente quatro impugnações (relativas a cada tributo) com identidade de fundamentações. Alega que a devolução da mercadoria se deu por motivo alheio a sua vontade, pois a SAGARPA (órgão competente para fiscalização técnica no México) impôs prazo de aproximadamente 60 dias para nova análise de prebióticos o que poderia afetar a qualidade dos produtos que são de natureza perecível. Argumenta, também, que a mercadoria não pode ser considerada estrangeira por uma ficção jurídica para exigência de tributos e apresentou jurisprudência administrativa e judicial. Tece, ainda, considerações de que a imposição tributária foi instituída para proteger a indústria nacional e que aplicála seria o equivalente a impor penalidade ao exportador nacional por desfazimento de negócio. Outros trechos do voto condutor do acórdão sob vergasta, devem ser trazidos, a fim de segmentar os temas discutidos. Inicialmente, a autoridade julgadora de primeira instância, indica a celeuma tratada nestes autos, qual seja, a aplicação do artigo 70, V, do RA, que regra as hipóteses de reimportação de mercadoria Recurso Voluntário Expõe a recorrente, em sua peça de defesa recursal, que se insurge em face da cobrança de Pis, Cofins, IPI e II exigidos em razão da DI 07/15216494 Sustenta que a reimportação não configura fato gerador do tributo exigidos na importação de mercadorias, reforçando seus argumentos expostos na manifestação de inconformidade, em especial, a exigência de aplicação do princípio da tipicidade. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10660.000459/200859 Acórdão n.º 3001000.495 S3C0T1 Fl. 310 5 In casu, o fato de um produto nacional ter sido comercializado para o exterior, em definitivo, não lhe retira sua origem nacional, mas apenas altera seu local de procedência, o que, diante da Constituição Federal de 1988, como visto, não autoriza a incidência dos tributos exigidos na importação. A regra atual é clara: para a incidência do imposto de importação, o produto deve ser fabricado no exterior. Da Ocorrência de Evento Alheio à Vontada A exigência do prazo de 60 dias para análise dos produtos, manifestado pela autoridade mexicana constitui, na visão da contribuinte, fato alheio a sua vontade que justifica a aplicação da alínea e do artigo 70 do RA. É o relatório Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Admissibilidade do Recurso Voluntário Intempestividade Compulsando estes autos, verificase que a ciência do resultado do julgamento ocorrido em primeira instância, deuse em 19 de novembro de 2013, conforme se depreende do termo de abertura de documento em fls. 292. O decurso de prazo para a apresentação do Recurso Voluntário deuse em 15 dias, ocorrido, portanto, em 21 de novembro de 2013. Já o termo de solicitação de juntada, em fls. 303, referente ao Recurso voluntário,demonstra que ocorreu somente, em data em 20 de dezembro de 2013. Desta forma, intempestivo o recurso. Dos requisitos de adminissibilidade O contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em data 19/11/2013, às 8:29h, conforme documento de fls. 292, que constatou a abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Fl. 312DF CARF MF 6 De acordo com os termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF), iniciouse a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme seu artigo 5º. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Logo, o recurso apresentado é extemporâneo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Vale ressaltar que o que o exame do recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção, conforme dispõe o art. 35 do PAF: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Conclusão Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expostos, voto por não conhecer do recurso voluntário, por ser intempestivo, não comportando apreciação por essa instância recursal, exceto quanto à admissibilidade. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10660.000459/200859 Acórdão n.º 3001000.495 S3C0T1 Fl. 311 7 Fl. 314DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000202/2003-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp), fls. 0102 e 3033, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$130.579,05, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 02 02 /2 00 3- 26 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Acórdão n.º 1003000.203 S1C0T3 Fl. 400 2 Consta no Parecer DRF/Limeira/SP/SAORT de 25.03.2008, fls. 262270, os seguintes fundamentos: CONCLUSÃO Isso posto, encaminhese ao Gabinete da DRF/Limeira para reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 87.420,69 (oitenta e sete mil, quatrocentos e vinte reais e sessenta e nove centavos), referente ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002 e homologação das compensações analisadas neste processo, até o limite do crédito proposto. (grifos do original) Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RJOI/RJ nº 1232.497, de 05.08.2010, fls. 321323: COMPENSAÇÃO. Mantémse o Despacho Decisório recorrido, se não apresentado elemento de prova que o modifique. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 18.01.2011, fl. 326, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.02.2011, fls. 327335, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: Sem se falar de que a manifestação de inconformidade se prestou exatamente para esclarecer o porque da diferença de R$ 43.158,36, saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, no instante em que aponta ter havido (erro de fato) não intencional, no preenchimento da DCTF, no tocante à competência de Abril/2002, sendo que ao invés de constar como débito o valor de R$ 54.735,35, e como valor compensado R$ 43.158,36, acabou por equivocadamente apresentar, como débito apenas R$11.576,99 e nenhum valor a título de compensação. [...] Válido destacarse, ademais, que a ora recorrente solicitou em sua manifestação de inconformidade, que em razão do constatado erro de fato alhures, fosse a mesma DCTF desde logo retificada de ofício pelo Fisco. [...] O que nem poderia ser diferente, vez que em se tratando o processo administrativo em tela, exatamente de processo de verificação dós lançamentos tributários (auto lançamento) que teriam dado origem ao crédito de saldo negativo de IRPJ, factível, face a informação e reconhecimento do erro de fato, pudesse o próprio Fisco efetuar a almejada retificação de ofício. [...] Além do que a retificação da DCTF por parte da ora recorrente, em relação à competência de Abril/2002, não seria possível, posto que o Processo Administrativo (DCOMP) em que se solicitou o reconhecimento de seu crédito por saldo negativo de IRPJ ainda não se encontra julgado em definitivo, sendo o que ora se debate (Proc. n. 13887.000202/200326), impedindo, portanto, possa ser gerada a DCTF retificadora do período em tela. [...] Seja como for inobstante entenda a recorrente por demais provado nos autos a existência do seu crédito de saldo negativo de IRPj acerca da diferença discutida (R$ Fl. 418DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Acórdão n.º 1003000.203 S1C0T3 Fl. 401 3 43.158,36, saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002 Competência ABRIL), [...] Com efeito, protestando pela aplicação do princípio da verdade real aplicável aos processos administrativos tributários, e ainda, ao da boafé e economia processual, desde já requerse pela reforma da decisão da 1ª Turma da DRJ/RJ1, a fim de modificar o despacho decisório combatido, reconhecendo e homologando e em favor da recorrente, o crédito de R$ 43.158,36 a título de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, compensandoo, por meio de retificação de ofício da DCTF de Abril/2002, [...]: Concernente ao pedido expõe que: Isto posto requer seja acolhido e provido o presente recurso, para fins de reforma da decisão da Ia Turma da DRT/RJ1, a fim de modificar o despacho decisório combatido, reconhecendo e homologando em favor da recorrente, o crédito de R$ 43.158,36 a título de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, compensandoo, por meio de. retificação de oficio da DCTF de Abril/2002, conforme acima sugerido ao item 13 do presente. Porventura .entenda pela impossibilidade da retificação acima; se digne em reconhecer em favor da recorrente o direito ao crédito em discussão (item 14.1), assim como seu direito de compensálo nas demais formas permitidas na legislação em vigor, sem prejuízo de se for o caso, converter o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização possa efetuar a comprovação o direito de crédito pretendido junto à. documentação fiscal e contábil da empresa. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido, uma vez que houve erro de fato na DCTF em que foi confessado o débito de IRPJ, código 5993, do período de apuração de abril de 2002 no valor de R$11.576,99, ao invés da quantia correta de R$54.735,35 conforme consta na DIPJ. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Acórdão n.º 1003000.203 S1C0T3 Fl. 402 4 Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal3. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Acórdão n.º 1003000.203 S1C0T3 Fl. 403 5 receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza4. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Analisando a Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) do segundo trimestre de 2002, fl. 61, foi confessado, entre outros, o débito de IRPJ, código 5993, do período de apuração de abril de 2002 no valor de R$11.576,99, coincidente com o DARF arrecadado em 31.05.2002, conforme consta nos sistemas internos da RFB, fl. 60. Porém na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2002, o IRPJ a pagar de abril de 2002 consta o valor de R$54.735,35. Estes valores foram analisados. Está registrado no Parecer DRF/Limeira/SP/SAORT de 25.03.2008, fls. 262270, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Retornando por fim ao anocalendário de 2002, o saldo negativo apurado nos anoscalendário de 2000 e 2001 é suficiente para validar a compensação das estimativas de IRPJ dos meses de janeiro a março (fls. 253 a 261), declaradas em DCTF (fls. 58 a 60): Mês DIPJ DCTF Pagamento Compensação Janeiro/2002 19.088,20 19.088,20 19.088,20 Fevereiro/2002 20.252,74 20.252,74 14.918,88 5.333,86 Março/2002 23.588,37 23.588,37 23.588,37 Abril/2002 54.735,35 11.576,99 11.576,99 Maio/2002 7.699,40 7.699,40 7.699,40 Junho/2002 1.676,08 1.676,08 1.676,08 Julho/2002 1.338,33 1.338,33 1.338,33 Agosto/2002 994,33 994,33 994,33 Setembro/2002 402,63 402,63 402,63 Outubro/2002 482,68 482,68 482,68 Novembro/2002 2.213,19 2.213,19 2.213,19 Dezembro/2002 19.949,32 19.949,32 19.949,32 Total 152.420,62 109.262,26 61.251,83 48.010,43 Ante a confirmação do recolhimento das demais estimativas (fl. 70), de retenção em fonte (fl. 71) e da existência de crédito para as compensações (fl. 254), o contribuinte poderia deduzir R$ 2.130,68 a título de fonte e R$ 109.262,26 como estimativa, diferentemente dos R$ 152.420,62 deduzidos na apuração anual (fl. 45) que não foram declarados na DCTF nem consta comprovação da extinção. Portanto, 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Acórdão n.º 1003000.203 S1C0T3 Fl. 404 6 o saldo negativo comprovado para o anocalendário de 2002 e passível de ser utilizado para compensação neste processo é de R$ 87.420,69: FICHA 12A CÁLCULO DO IR SOBRE LUCRO REAL AC 2002 01. Alíquota de 15% 23.972,25 03. Adicional 0,00 13. () Imposto de Renda Retido na Fonte 2.130,68 16. () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 109.262,26 18. Imposto de Renda a Pagar 87.420,69 Verificase que o IRPJ pago por estimativa durante o ano de 2002 perfaz o total de 109.262,26 resultante do somatório das parcelas pagas (R$61.251,83) e das parcelas compensadas (R$48.010,43). montante está contido o valor de IRPJ determinado pela base estimada de abril de 2002 no valor de R$11.576,99. O valor de R$54.735,35 de IRPJ de abril de 2002 informado na DIPJ não pode ser considerado pois não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alteração de ofício de elemento consignado na DCTF originalmente apresentada não tem amparo legal. O suposto erro de fato não está evidenciado pois não há pagamento tampouco compensação coincidente no valor de R$54.735,35 de IRPJ referente a abril de 2002. Consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RJOI/RJ nº 091232.497, de 05.08.2010, fls. 321323, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Como visto no Relatório, a DRF/Limeira/SP, através do Despacho Decisório de fls. 262/270, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, referente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002, no valor de R$87.420,69, e homologou as compensações declaradas neste processo até o limite do crédito reconhecido. Na referida decisão, a DRF/Limeira apresenta análise dos saldos negativos apurados pelo interessado desde o ano calendário de 1995. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que houve erro de fato no preenchimento da DCTF do mês de abril/2002 — o valor total do débito apurado é R$54.735,35, com pagamento de R$11.576,99, através de Darf, e compensação de R$43.158,36 com saldo negativo referente a 2001, conforme tabela. O pagamento de R$11.576,99, através de Darf, foi considerado pela DRF (planilha à fl. 269). Resta, então, analisar a alegação de, no mês de abril/2002, ter havido compensação de estimativa de IRPJ, no valor de R$43.158,36 com saldo negativo referente a 2001. A partir do exercício 1993, foi permitida a compensação do saldo credor de IRPJ e do de CSLL, apurados nas Declarações de Rendimentos das pessoas jurídicas, compensação que, até setembro de 2002, podia ser feita na própria contabilidade do contribuinte (mediante registro nos livros contábeis e fiscais), independente de requerimento à SRF, abrangendo débitos de mesma natureza e de períodos de apuração posteriores (IN SRF 21/97, revogada pela IN SRF 210/2002). As compensações efetuadas na contabilidade deveriam ser informadas na DCTF. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Acórdão n.º 1003000.203 S1C0T3 Fl. 405 7 O interessado, no entanto, não juntou aos Autos elementos que comprovem ter havido compensação na forma da legislação. A simples apresentação de planilha não prova a alegação de ter havido erro de fato no preenchimento da DCTF. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. Uma vez que o interessado entende que teria um valor a ser restituído/compensado, cabe unicamente a ele o ônus da prova, por meio de documentos hábeis, como os livros contábeis e fiscais. O Despacho Decisório deve, então, ser mantido, por não ter sido apresentado elemento de prova que o modifique. (grifos do original) Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.910860/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO "NT".
A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Súmula CARF nº 20.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
LEI Nº 11.457/2007. DECISÃO ADMINISTRATIVA. PRAZO MÁXIMO. 360 DIAS. RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. EFEITOS.
Segundo o art. 24 da Lei nº 11.457/2007, é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, corolário do princípio insculpido no inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição de 1988, segundo o qual a todos, no âmbito administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. O descumprimento do preceito estatuído pela norma pode eventualmente gerar potencial responsabilização civil objetiva do Estado por dano tributário, mas não configura, em nenhuma hipótese, o reconhecimento tácito do suposto direito ou crédito vindicado.
Numero da decisão: 3401-005.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO "NT". A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Súmula CARF nº 20. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 LEI Nº 11.457/2007. DECISÃO ADMINISTRATIVA. PRAZO MÁXIMO. 360 DIAS. RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. EFEITOS. Segundo o art. 24 da Lei nº 11.457/2007, é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, corolário do princípio insculpido no inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição de 1988, segundo o qual a todos, no âmbito administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. O descumprimento do preceito estatuído pela norma pode eventualmente gerar potencial responsabilização civil objetiva do Estado por dano tributário, mas não configura, em nenhuma hipótese, o reconhecimento tácito do suposto direito ou crédito vindicado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 298 1 297 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.910860/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.341 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria IPI Recorrente APIDOURO COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO "NT". A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Súmula CARF nº 20. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 LEI Nº 11.457/2007. DECISÃO ADMINISTRATIVA. PRAZO MÁXIMO. 360 DIAS. RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. EFEITOS. Segundo o art. 24 da Lei nº 11.457/2007, é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, corolário do princípio insculpido no inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição de 1988, segundo o qual a todos, no âmbito administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. O descumprimento do preceito estatuído pela norma pode eventualmente gerar potencial responsabilização civil objetiva do Estado por dano tributário, mas não configura, em nenhuma hipótese, o reconhecimento tácito do suposto direito ou crédito vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 91 08 60 /2 00 9- 61 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10840.910860/200961 Acórdão n.º 3401005.341 S3C4T1 Fl. 299 2 Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito declarado porque o crédito presumido apresentado como direito creditório foi calculado sobre a exportação de produtos (mel) classificados na TIPI como NT, ou seja, produtos não industrializados e, portanto, sem direito ao benefício. Transcrevo, por pertinente, a íntegra do relatório da decisão recorrida: Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade alegando, preliminarmente, que o Despacho Decisório foi proferido após os 360 dias previstos na Lei n° 11.457/2007, portanto suas compensações deveriam ser homologadas. No mérito, argúi que, sendo empresa produtora e exportadora (beneficiadora e acondicionadora, portanto, industrial), seriam ilegais e inconstitucionais os atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação serviriam de base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais que cita. 2. Em 30/12/2014, a 02ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1455.946, situado às fls. 265 a 271, de relatoria do AuditorFiscal Marcelo de Camargo Fernandes, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. LEI Nº 11.457/07. NORMA PROGRAMÁTICA. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10840.910860/200961 Acórdão n.º 3401005.341 S3C4T1 Fl. 300 3 A norma do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 que diz que é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte é meramente programática, um apelo feito pelo legislador ao julgador administrativo para implementar o ditame do inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição Federal (a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação), não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento por parte da Administração Tributária, muito menos o reconhecimento tácito do suposto direito pleiteado. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. 3. A contribuinte, intimada da decisão em 30/01/2015, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 278, interpôs, em 19/02/2015, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 280, recurso voluntário, situado às fls. 281 a 295, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10840.910860/200961 Acórdão n.º 3401005.341 S3C4T1 Fl. 301 4 5. O produto exportado (mel), embora sofra algum tipo de tratamento, é classificado na TIPI como NT e, portanto, permanece fora do campo de incidência do IPI, e dessa forma não pode a contribuinte ser considerada, nos termos da legislação fiscal, como estabelecimento produtor, e, conseqüentemente, tampouco é possível pleitear o ressarcimento do crédito presumido referente às suas exportações de tal jaez. Esta a dicção do art. 1º combinado com o parágrafo único do art. 3º da Lei n° 9.363/1996: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos (...) e de produção, (...)”. 6. Assim, o artigo 1º da Lei n° 9.363/96 autoriza a fruição do benefício do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, duas condições – ser produtora e ser exportadora, não sendo possível o aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI, uma vez que os estabelecimentos processadores de produtos NT não são considerados como produtores para efeitos da legislação fiscal. 7. De todo modo, a matéria se encontra pacificada no âmbito administrativo federal, aplicandose, à espécie, o preceito normativo da Súmula CARF nº 20: Súmula CARF nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. 8. Neste sentido, ademais, por todos, o Acórdão nº 20400488 do 2º Conselho de Contribuintes, de relatoria do Conselheiro Jorge Freire, proferido, por unanimidade de votos, em sessão de 11/08/2005, cuja ementa abaixo se transcreve: IPI. RESSARCIMENTO. Os produtos classificados na TIPI como NT estão fora da incidência do IPI, pelo que, em relação a eles, não há atividade industrial e, em conseqüência, não há legitimidade para creditamento das mercadorias adquiridas para sua produção. Recurso negado. 9. Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto neste particular. 10. A argumentação concernente ao art. 24 da Lei nº 11.457/2007, por outro lado, merece ser enfrentada sob enfoque diverso: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10840.910860/200961 Acórdão n.º 3401005.341 S3C4T1 Fl. 302 5 Lei nº 11.457/2007 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. 11. Prevê o dispositivo em apreço no sentido da obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, corolário do princípio insculpido no inciso LXXVIII do art. 5° da Constituição de 1988, segundo o qual a todos, no âmbito administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. 12. Necessário se esclarecer desde já que o descumprimento, por parte da Administração, do prazo de 360 dias que deflui do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 NÃO CONFIGURARÁ, sob nenhuma hipótese (i) o reconhecimento tácito do suposto direito ou crédito vindicado, e muito menos acarretará (ii) a decadência do crédito tributário constituído em lançamento de ofício e, digase, (iii) tampouco será apto a evitar a incidência de juros moratórios. Conforme se desenvolverá a seguir, o escoamento do prazo caracterizará, por outro lado, resistência ilegítima do Fisco ao aproveitamento do crédito de IPI, ensejadora de correção monetária pela taxa Selic (REsp 1.138.206/RS). 13. Ressaltese, ademais, que a desobediência ao preceptivo normativo do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 tampouco caracteriza uma ilicitude, mas sim eventual ilegitimidade afeta à imputação aquiliana ou objetiva, pois as normas nacionais que atinem a respeito da responsabilidade civil do Estado não apontam para a necessidade da comprovação da culpa, como didaticamente explicita ANDREIA CRISTINA SCAPIN em obra de referência sobre a matéria,1 bem como em recente artigo que se voltou a tratar dos limites normativos da responsabilidade do Estado no âmbito das relações tributárias:2 "Apesar da responsabilidade do Estado regularse por princípios compatíveis com as peculiaridades da posição jurídica estatal e de estar prescrita no art. 37, § 6º da CF, o tema se insere no âmbito da responsabilidade civil, especificamente da responsabilidade extracontratual ou aquiliana regulada nos arts. 186, 187 e 927 do CC, portanto, perpassa pelo Direito Civil. Essa espécie de responsabilidade aplicase à Administração Tributária, pois é o setor especializado da Administração Pública em exercer a função fiscal – que corresponde às atividades de fiscalização, constituição, inscrição e cobrança do crédito tributário –, conforme disposto no art. 37, incisos XVIII e XXII da CF. Logo, além do dever de praticar seus atos em obediência aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, estabelecidos no caput de tal artigo, por meio dos quais o legislador constituinte deixou implícita sua submissão ao dever de não causar danos a outrem 1 SCAPIN, Andreia Cristina. Responsabilidade do Estado por dano tributário. Belo Horizonte: D´Placido, 2017, 318p. 2 SCAPIN, Andreia Cristina. "Limites normativos da responsabilidade do Estado por danos tributários no Direito brasileiro vigente". In: REVISTA DA FACULDADE DE DIREITO (USP), v. 112, pp. 199 a 237, jan/dez. 2017, disponível em: <http://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/view/149479/146621>, último acesso em 22/09/2018. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10840.910860/200961 Acórdão n.º 3401005.341 S3C4T1 Fl. 303 6 (neminem laedere), está obrigada a ressarcir eventuais prejuízos resultantes da conduta dos agentes públicos a ela vinculados em razão da prescrição do § 6º do mesmo dispositivo. (...) Aplicase à responsabilidade do Estado por dano tributário, regra geral, a teoria objetiva, que se baseia no risco administrativo. No entanto, a teoria subjetiva é empregada em duas situações, nas quais é necessário demonstrar a culpa lato sensu: i) se o dano resultar de condutas omissivas do agente público, como deixar de anular atos ilegais para restaurar a legalidade violada por meio da autotutela; e, ii) em ação regressiva movida pelo Estado em face do agente público. Nesses dois casos, só a conduta ilícita enseja o dever de ressarcir. 5. Para deflagrar a responsabilidade do Estado, impondolhe o dever jurídico de ressarcir os danos causados por seus agentes públicos, requerse a presença dos elementos essenciais, ou seja: i) conduta (lícita ou ilícita); ii) dano ilícito (lesão de direitos subjetivos); e, iii) nexo de causalidade entre os dois primeiros. 6. A conduta (lícita ou ilícita) gera um evento danoso ilícito se for identificado no dano a violação de direitos subjetivos do administrado, denominado “dano evento”, além do prejuízo econômico que normalmente se associa na forma de uma consequência material, intitulado “dano consequência”. Esse é o sentido jurídico do termo dano, que constitui objeto da responsabilidade do Estado e que se aplica inclusive em âmbito tributário. 7. A ilicitude do dano corresponde à contrariedade ao Direito (antijuridicidade) que se revela na lesão de direitos subjetivos, como: propriedade, liberdade, personalidade e exercício de profissão, dispostos no art. 5º da CF; livre iniciativa econômica, segundo o art. 170 da CF; e, o leque de direitos que resultam da relação normal entre a Administração Pública e o cidadão num Estado de Direito, por exemplo: legalidade, igualdade, eficiência, proporcionalidade, razoabilidade, boafé, colaboração, visto que é direito subjetivo do administrado a atuação da Administração Pública em conformidade com os princípios do ordenamento jurídico brasileiro. 8. Para imputar a responsabilidade ao Estado, o elemento “ilícito” deve estar presente tanto na conduta quando no resultado danoso, sendo ambos ilícitos, ou somente no resultado danoso; caso contrário, não há dever de ressarcimento do dano causado pelo agente público. Logo, apenas haverá responsabilidade do Estado nas hipóteses: conduta ilícita com resultado danoso ilícito e conduta lícita com resultado danoso ilícito. 9. Há dano ilícito como consequência da conduta lícita também na situação em que o tributo é efetivamente devido pelo contribuinte tendo transcorrido in albis o prazo para pagamento, porém existe lesão ao direito de eficiência (boa administração) Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10840.910860/200961 Acórdão n.º 3401005.341 S3C4T1 Fl. 304 7 que se vislumbra na violação da proporcionalidade dado os efeitos excessivamente gravosos em consequência de atos praticados pela Fazenda Pública, ainda que sob a escora duma regra jurídica, os quais poderiam ter sido evitados. 10. Para que exista dever jurídico do Estado de ressarcir os danos resultantes de condutas lícitas, além do dano revelar a violação de uma situação jurídica legítima suscetível de configurar um direito subjetivo, deverá ser: i) certo e não eventual, podendo ser atual ou futuro; e, ii) anormal. 11. O dano será certo se efetivamente existir, mesmo que os efeitos não ocorram na atualidade, mas no futuro; e, anormal, se extrapolar o dever de tolerância mínima, ao qual todos estão sujeitos em razão do convívio social, por ser proporcionalmente maior do que aquilo que deve ser normalmente suportado por qualquer membro da sociedade em virtude do exercício das atividades públicas" (seleção e grifos nossos). 14. Assim, não bastante o descumprimento do prazo de 360 dias para que se profira a decisão administrativa tratada pelo art. 24 da Lei nº 11.457/2007, ainda restará ao sujeito passivo o ônus da comprovação do dano tributário causado ao particular para que se cogite de responsabilidade do Estado. De toda sorte, tais questões escapam por completo da competência do julgador administrativo e deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: a matéria devolvida à cognição deste colegiado, como se pode perceber, é unicamente aquela pertinente ao reconhecimento tácito do encontro de contas, o que não merece provimento, por absoluta ausência de amparo legal, sendo, pois, irreprochável a decisão objurgada neste particular. 15. Tal pedido guarda, digase, substancial distância com relação a ser devida a correção monetária ao creditamento do IPI decorrente de oposição a seu aproveitamento desinente de resistência ilegítima do Fisco, em conformidade com a Súmula STJ nº 411, pois, em tais casos, a correção monetária, pela taxa referencial Selic, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido ou a declaração da contribuinte, nos termos da prefalada lei de 2007, pois este o racional do quanto decidido no Recurso Especial nº 1.138.206/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, representativo de controvérsia sob o regime do art. 543C do Código de Processo Civil: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10840.910860/200961 Acórdão n.º 3401005.341 S3C4T1 Fl. 305 8 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10840.910860/200961 Acórdão n.º 3401005.341 S3C4T1 Fl. 306 9 igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. 16. O direito à correção diante de oposição ilegítima tem sido (corretamente, digase) reconhecido na esfera administrativa, como no Acórdão CARF nº 3302005.478, de relatoria do Conselheiro Jorge Lima Abud, proferido em sessão de 23/05/2018, conforme ementa que abaixo se transcreve: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10840.910860/200961 Acórdão n.º 3401005.341 S3C4T1 Fl. 307 10 17. Em igual sentido, a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como no Acórdão CSRF nº 9303006.521, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro, proferido em 15/03/2018, que decidiu, por unanimidade de votos, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 18. Diversa é a questão em disputa no presente caso e, desta feita, o descumprimento do prazo em análise por parte da Administração não configura, em nenhuma hipótese, o reconhecimento tácito do crédito vindicado pela recorrente, por completa ausência de lastro positivo que fundamente tal pedido. 19. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 307DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.909843/2011-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 15/01/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.208
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 15/01/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 43 /2 01 1- 04 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10840.909843/201104 Acórdão n.º 9303007.208 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.496, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/01/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10840.909843/201104 Acórdão n.º 9303007.208 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10840.909843/201104 Acórdão n.º 9303007.208 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10840.909843/201104 Acórdão n.º 9303007.208 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10840.909843/201104 Acórdão n.º 9303007.208 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006943/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
EMBARGOS. OMISSÃO.
Verificada omissão no julgado face a não manifestação acerca de arguição recursal, cabe a correspondente integração via embargos.
INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO.
Não cabe conhecer de argumentação não veiculada quando da impugnação, na ausência de fato impeditivo para tanto, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir quando do julgamento de segundo grau administrativo.
Numero da decisão: 2202-004.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2403-002.589, de modo que nessa decisão conste o não conhecimento do tema relativo a alegadas incorreções nos NITs utilizados pela fiscalização, rerratificando-se o julgado quanto aos demais aspectos.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 EMBARGOS. OMISSÃO. Verificada omissão no julgado face a não manifestação acerca de arguição recursal, cabe a correspondente integração via embargos. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. Não cabe conhecer de argumentação não veiculada quando da impugnação, na ausência de fato impeditivo para tanto, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir quando do julgamento de segundo grau administrativo.
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Embargante META LIMPEZA E E CONSERVAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 EMBARGOS. OMISSÃO. Verificada omissão no julgado face a não manifestação acerca de arguição recursal, cabe a correspondente integração via embargos. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. Não cabe conhecer de argumentação não veiculada quando da impugnação, na ausência de fato impeditivo para tanto, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir quando do julgamento de segundo grau administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2403002.589, de modo que nessa decisão conste o não conhecimento do tema relativo a alegadas incorreções nos NITs utilizados pela fiscalização, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 69 43 /2 01 0- 13 Fl. 26670DF CARF MF 2 Relatório A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2403 002.589 em 16/04/2014 (efls. 26604/26621), dando parcial provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o entendimento do STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação, eis que, independente da forma como tal benefício é ofertado, não há como desqualificar o seu caráter indenizatório. SALÁRIOMATERNIDADE.INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O STJ, nos autos do REsp 1.230.957, proferiu decisão, submetida à sistemática do art. 543C do CPC, no sentido de ratificar a incidência de contribuição previdenciária sobre o saláriomaternidade, vinculando este Conselho à sua reprodução obrigatória, nos termos do art. 62A do RICARF. AJUDA DE CUSTO/LOCOMOÇÃO. REEMBOLSO DE DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há que se falar em reembolso de despesas quando os valores pagos a título de ajuda de custo/locomoção eram pagos aos segurados sob um valor fixo, o que desnatura o caráter indenizatório, posto que não se tratou de efetivo ressarcimento. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. O contribuinte interpôs embargos de declaração (efls. 26656/26662) os quais foram aceitos via Despacho de Admissibilidade (efls. 26667/26668) para fins de que fosse sanada omissão do vergastado acerca de questionamento efetuado no recurso voluntário sobre os NITs considerados pela fiscalização, a respeito dos quais a embargante alega estarem Fl. 26671DF CARF MF Processo nº 10120.006943/201013 Acórdão n.º 2202004.758 S2C2T2 Fl. 26.771 3 incorretos, propondo a exclusão de valores "comprovadamente recolhidos nos NIT's" com base em tabelas de sua lavra. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Dado que o contribuinte foi cientificado do acórdão de recurso voluntário em 24/06/2015 (efl. 26654), constatase a tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 29/06/2015 (efl. 266655). Pois bem, conforme observado no Despacho de Admissibilidade, não houve qualquer abordagem do tema relativo à incorreção dos NITs, suscitado no recurso voluntário, na fundamentação do acórdão embargado, ainda que tenha constado referência à questão no seu relatório. Necessário destacar, entretanto, que argumentos aduzidos tão somente em sede de recurso voluntário não devem ser conhecidos, em respeito às normas que regem o processo administrativo fiscal. Nesse rumo, o cotejo entre a impugnação (efls. 337/365) e o recurso voluntário (efls. 19733/19758) revela que, quando da impugnação, o contribuinte em nenhum momento arguiu, naquela primeira oportunidade, que os NITs considerados pela fiscalização em seu levantamento estão incorretos. Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos. Diante dessas cogentes normas, parece buscar o recorrente, por via tortuosa, guarida para sua pretensão, ao aludir ao princípio da verdade material e a estar, supostamente, se contrapondo a razões do julgamento de primeira instância. Ora, o princípio da verdade material no processo administrativo fiscal é voltado para a autoridade julgadora, a qual possui uma maior liberdade na busca das provas necessárias para a sua convicção1; nessa linha, não tem como destinatário a atuação das partes na produção das provas que lhes competem no curso do contencioso, nem pode preponderar sobre as regras expressas de preclusão consumativa insculpidas no Decreto nº 70.235/72, tanto mais quando se consideram os princípios constitucionais da eficiência e da duração razoável do processo, dentre outros. Noutro giro, e almejando embasar seu argumento de que estaria se contrapondo à razões do julgamento de piso, afirma o contribuinte que "No penúltimo item do 1 Neder, Marcos Vinicius e López, Maria Teresa Martinez. Processo administrativo fiscal federal. 3ª ediçao: São Paulo. Dialética, 2010, p.210. Fl. 26672DF CARF MF 4 acórdão recorrido alegações não comprovadas o Relator aduz que possíveis alegações estariam desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios". Aludese nesse ponto, à evidência, à ementa do acórdão (não a 'item'), na qual constam, efetivamente, tais expressões. Esse trecho da ementa, contudo, referese na verdade a tópico da fundamentação denominado "Estagiários constantes na folha de pagamento" (fl. 19721). Nessa parte do voto o relator ressaltou que o contribuinte arguiu que algumas pessoas incluídas na base de cálculo das contribuições eram estagiários, mas não carreou provas hábeis a dar respaldo a suas alegações. Destarte, o trecho "pinçado" da ementa a que remete o embargante não diz respeito nem sequer de modo tangencial à controvérsia sobre eventual incorreção dos NITs utilizados na autuação. Revelase, portanto, que a adução recursal em específico, não antes levantada no curso do contencioso, tem fins precipuamente procrastinatórios, não merecendo ser conhecida, à míngua de amparo normativo para tanto. Sendo assim, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração para fins de suprir a omissão verificada no Acórdão nº 2403002.589, de modo que nesta decisão conste o não conhecimento do tema relativo a alegadas incorreções nos NITs utilizados pela fiscalização, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 26673DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.926611/2016-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.944
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2014 CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 11 /2 01 6- 05 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10680.926611/201605 Acórdão n.º 3301004.944 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.526. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10680.926611/201605 Acórdão n.º 3301004.944 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10680.926611/201605 Acórdão n.º 3301004.944 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10680.926611/201605 Acórdão n.º 3301004.944 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10680.926611/201605 Acórdão n.º 3301004.944 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.002278/2003-02
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS APLICADOS NA MATÉRIA-PRIMA.
Somente podem ser considerados como produto intermediário aquele adquirido para emprego na industrialização, não se incluindo neste conceito os insumos aplicados na matéria-prima adquirida, mas que não fazem parte do processo produtivo.
Numero da decisão: 3002-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS APLICADOS NA MATÉRIA-PRIMA. Somente podem ser considerados como produto intermediário aquele adquirido para emprego na industrialização, não se incluindo neste conceito os insumos aplicados na matéria-prima adquirida, mas que não fazem parte do processo produtivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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IPI. INSUMOS. Recorrente CENTRAL AÇUCAREIRA SANTO ANTÔNIO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS APLICADOS NA MATÉRIAPRIMA. Somente podem ser considerados como produto intermediário aquele adquirido para emprego na industrialização, não se incluindo neste conceito os insumos aplicados na matériaprima adquirida, mas que não fazem parte do processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 104/107 dos autos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 22 78 /2 00 3- 02 Fl. 138DF CARF MF 2 O contribuinte em epígrafe pleiteou ressarcimento do Crédito Presumido de IPI (fl. 52), relativo ao 3º trimestre de 2000, no montante de R$27.777,18. Ao ressarcimento, foi atrelada a Declaração de Compensação de fl. 53. Com os formulários apresentados, ainda em papel, pretendia o interessado quitar os seguintes débitos: De acordo com os documentos anexados aos autos, a SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió, AL, expediu, às fls. 60/62, o Despacho Decisório nº 497/2014, para decidir: 1) A contribuinte pede ressarcimento do crédito presumido do IPI do 3° Trimestre de 2000 no valor de R$27.777,18, cumulado com pedido de compensação, comunicando, posteriormente, que os débitos indicados para compensação haviam sido incluídos no parcelamento da Medida Provisória n° 470/2009. A análise deste será, em face da comunicação da desistência do pedido de compensação, sobre o direito ao crédito presumido pleiteado pela contribuinte. 2) A Instrução Normativa SRF n° 23, de 13 de março de 1997 e a Portaria MF n° 093, de 27/04/2004, disciplinaram em seu art. 3° § 1° Incisos I a IV, a forma de apuração do crédito presumido dizendo que para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção. Por sua vez, o § 2° do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 23/1997, ao tratar da aquisição de produtos oriundos da atividade rural restringiu o crédito apenas quando oriundos de aquisições de pessoas jurídicas. 3) A requerente, indústria do setor sucroalcooleiro, exerce atividade de agroindústria produtora de açúcar e álcool, tendo nos seus custos os decorrentes da atividade agrícola e das atividades industriais, além disso, adquire matériaprima de produtores rurais pessoas físicas, como claramente está demonstrado nas planilhas que anexou a seu pedido de ressarcimento. Assim, com base nas informações prestadas pela requerente, documentos de folhas 27 a 34, não compõem os custos para fins de apuração da base de cálculo do crédito presumido os custos com Materiais de Garagem, no valor de R$737.108,06; Materiais Agrícolas, no valor de R$1.426.287,91; Materiais de Aplicação Imediata, no valor de R$640.364,41, e aquisição de Cana de fornecedores rurais pessoas físicas, no valor de R$2.124.911,06. Este último, em razão da expressa vedação contida no § 2° do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 23/1997; os demais por não se enquadrarem nos conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. 4) Compõem a base de cálculo o Estoque Inicial – R$2.528.898,39, somado aos custos com Materiais Industriais – R$2.032.447,30, Energia Elétrica – R$100.130,66, Cana de Fornecedores Pessoas Jurídicas R$ 17.883,53, subtraído do Estoque Final no Trimestre de R$2.620.599,95, que totaliza R$2.032.447,30, valor que multiplicado pelo percentual resultante da relação entre a Receita de Exportação, dividido pela Receita Bruta Total que é 15,7815%, resulta na Base Para Cálculo do Crédito Presumido do IPI, sendo este valor de R$320.750,67, sobre o qual aplicamos a alíquota de 5,37% prevista no art. 2°, § 1°, da Lei n° 9.363/1996, resultando num crédito de R$ 17.224,31. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10410.002278/200302 Acórdão n.º 3002000.293 S3C0T2 Fl. 139 3 5) Com base no acima exposto e nas provas acostadas aos autos e na autorização contida na Portaria DRFB/MAC n° 10, de 01/03/2012, com as alterações introduzidas pela Portaria DRFB/MAC n° 12, de 12/03/2012, DEFIRO parcialmente o pedido para determinar o ressarcimento do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados de que trata o art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996, no valor de R$17.224,31 (...). Irresignado, o contribuinte apresentou, em 09/12/2014, a manifestação de inconformidade de fls. 65/70, para alegar: 1) A Receita Federal do Brasil em Maceió/AL não reconheceu, ao apurar da base de cálculo do crédito presumido de IPI, diversos custos relativos a materiais de garagem, no valor de R$737.108,06; materiais agrícolas, no valor de R$1.426.287,91; materiais de aplicação imediata, no valor de R$640.364,41. Também não reconheceu a aquisição de cana de fornecedores rurais pessoas físicas, no valor de R$2.124.911,06, reconhecendo tãosomente um crédito no valor de R$17.224,31 e, mesmo assim, sem qualquer atualização pela SELIC. O Auditor Fiscal argumentou que tais produtos não se enquadrariam nos conceitos de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção. Sobre a aquisição de cana de fornecedores pessoa física, disse o Auditor que o §2° do art. 2o da IN SRF n° 23/1997 somente permite a utilização de aquisições de pessoa jurídica. Entretanto, os materiais devem ser considerados na apuração da base de cálculo do crédito presumido porque fazem parte do processo produtivo, na condição de produto intermediário. A canade açúcar adquirida de fornecedores pessoa física, matériaprima utilizada no processo de produção, deve ser reconhecida como custo, simplesmente porque a norma administrativa utilizada pelo fiscal é ilegal, conforme jurisprudência do STJ e do CARF, reconhecido por Ato Declaratório da PGFN; 2) O silêncio do Auditor Fiscal, quanto à atualização do débito pela SELIC, diverge totalmente do que vem sendo julgado pelo CARF de que o ressarcimento de crédito presumido de IPI, por se constituir em uma das espécies do gênero restituição, deve merecer a devida atualização pela SELIC, com a aplicação do art. 39, §4° da Lei 9.250/95. Há a mais completa e absoluta ilegalidade ao não se reconhecer ao crédito a atualização pela SELIC, simplesmente porque o art. 24 da Lei 11.457/2007 estabeleceu o prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias, a contar do protocolo realizado pelo contribuinte. O critério de correção deve estar em consonância com o aplicado pelo fisco na cobrança de seus créditos, considerando o critério de isonomia, estabelecido pela Constituição Federal. A Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já proferiu entendimento nesse sentido, nos termos do Acórdão 40202269, Processo 138050012919890. O Superior Tribunal de Justiça tem adotado o Julgamento da Primeira Seção do STJ no REsp 993.164/MG no sentido de que “E válida a aplicação da SELIC como índice de reajuste do crédito presumido de IPI extemporaneamente aproveitado. Matéria fixada no julgamento do REsp 993.164/MG, sob o rito do art. 543C do CPC” (extraído da Ementa do AgRg no REsp n° 1.226.623RS (2010/02280877, Relator Ministro Herman Benjamin, jugado em 02/08/2011, Publ. DJ 05/09/2011). Nunca é demais frisar que a atividade administrativa é plenamente vinculada à Lei, de forma que os entendimentos adotados pelos Tribunais Superiores, definindo critérios legais, devem, no mesmo passo, serem encampados pela administração pública, razão porque o entendimento acima esposado merece ser acatado. Neste passo, não surgem dúvidas do direito, pois deve sim haver a necessária correção do Pedido de Ressarcimento formulado pela Recorrente, conforme disposto no art. 39, §4° da Lei 9.250/95; Fl. 140DF CARF MF 4 3) Merece ser revista a questão que diz respeito ao não reconhecimento pela Receita Federal do Brasil de diversos custos os quais, sem sombra de dúvidas, integram o processo produtivo. Muito embora a fiscalização não tenha esmiuçado seu entendimento a ponto de entendermos o porquê de tal pensamento, o fato é que há uma interpretação bastante restritiva. O crédito presumido a que se refere a Lei nº 9.363/96 trata, em verdade, de um incentivo financeiro à exportação e utiliza como base de cálculo o valor total dos custos dos produtos intermediários que compõem o produto exportado com o intuito de compensar o exportador do valor do PIS/COFINS que onerou a cadeia anterior. Dessa forma, deve ser questionado o seguinte: como é que não fazem parte do processo produtivo, por exemplo, os custos com fungicida, inseticidas, peças utilizadas em equipamentos agrícolas, etc? Realmente não há como se entender. A retirada destes custos acaba por desatender o verdadeiro propósito do Governo em desonerar o produto exportado, razão por que se entende que devem ser mantidos tais custos no cálculo do crédito presumido; 4) A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, órgão que atua na defesa da Fazenda Nacional, já se manifestou expressamente pelo Ato Declaratório n° 14/2011, no qual fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, relativamente às “ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido de IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas”. Tal posicionamento veio após a consolidação da posição proveniente do Superior Tribunal de Justiça, bem como do Conselho Superior de Recursos Fiscais. Ambos pacificaram a matéria em favor da tese dos contribuintes, no sentido de que a Lei 9.363/1996 estabeleceu a base de cálculo do crédito presumido sobre o valor total das aquisições sem distinção. A IN/SRF n° 23/1997 acabou por limitar o alcance previsto na Lei, o que a torna ilegal. Diante disso, não há como serem contestados os custos relativos à cana de açúcar adquirida de pessoas físicas, por óbvio, os quais devem ser inseridos no cálculo para apuração do crédito presumido; 5) Diante de todo o exposto, o contribuinte requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade, com a finalidade de reconhecer os custos relativos aos materiais de garagem, materiais agrícolas, materiais de aplicação imediata e aquisição de cana de pessoas físicas, para fins de apuração do crédito presumido, fazendo aplicar a SELIC não só sobre os referidos créditos, mas também sobre o crédito já reconhecido. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, deferir em parte a solicitação contida na manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 1. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, a energia elétrica, os combustíveis, o ácido clorídrico, etc, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Contrário senso, reconhecese como integrante da base de cálculo do crédito presumido o cilindro de gravação (cilindro de estamparia) (PN CST, nº 65, de 1979; Lei nº 9.363, de 1996). 2) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10410.002278/200302 Acórdão n.º 3002000.293 S3C0T2 Fl. 140 5 O afastamento da discussão acerca da composição da base de cálculo do crédito presumido, no tocante às aquisições realizadas por intermédio de pessoas físicas, em razão da conjugação do Parecer PGFN/CRJ/nº 2016, de 2011, e do Despacho do Ministério da Fazenda, SN, de 13/12/2011, publicado no DOU na pág. Nº 00057, em 15/12/2011, do Ato Declaratório da PGFN nº 14, de 20/12/2011, publicado na pág. 00037 do DOU, de 22/12/2011, bem como do art. 26A, § 6º, incs. I e II, do Decreto 70.235, de 06/03/1972, nas condições tratadas e atendidas nos citados atos, obriga a inserção das referidas aquisições na base de cálculo do crédito presumido de IPI. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. Ainda que expressamente vedada nos atos normativos da Receita Federal, a correção do valor ressarcido pela taxa Selic será admitida após decorridos 360 dias do pleito, por força do item 22 da Nota PGFN/CRJ nº775, de 2014, que inseriu a matéria na relação de Recursos Especiais Repetitivos (STJ), aos quais está vinculada a Receita Federal do Brasil, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O acórdão (fls. 103/117) consignou o deferimento parcial da manifestação de inconformidade, reconhecendo o direito creditório no importe de R$ 16.464,73, quantia inferior ao que já lhe havia sido deferido pela unidade de origem, no importe de R$ 17.224,31. Os motivos foram: i) apesar de considerar indevida a inclusão de energia elétrica na apuração do crédito presumido, já transcorreu o prazo de cinco anos para anulação do ato, de modo que restou acatada a despesa indevidamente computada na apuração do crédito presumido; ii) estão presentes os requisitos para acatamento das aquisições de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 22/11/2017 (vide AR à fl. 128 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 22/12/2017, Recurso Voluntário (fls. 131/135). Em seu recurso, o contribuinte se insurge contra o entendimento de que os materiais agrícolas (inseticidas, fertilizantes, herbicidas) não estariam enquadrados como produtos intermediários. Argumenta que estes produtos são incorporados à matéria prima principal do produto, que é a canadeaçúcar, não podendo ser desconsiderados como produto intermediário apto a gerar o crédito. Junta decisão para mostrar que tudo o que esse incorpora à matéria prima do produto há de ser considerado para fins de reconhecimento do crédito. Pediu, por fim, a modificação do acórdão recorrido para que sejam reconhecidos os valores relativos aos materiais agrícolas. Apresentou, com o recurso, procuração (fl. 108). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 142DF CARF MF 6 Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o contribuinte apresentou o presente pedido de ressarcimento com o objetivo de ter reconhecido crédito no importe de R$ 27.777,18. A decisão recorrida, então, deferiu parcialmente o pleito do contribuinte, reconhecendo o crédito no valor de R$ 16.464,73. Percebese, então, que o Recorrente já teve parte do seu pedido deferido pelas instâncias anteriores. A matéria que remanescente pendente de julgamento por parte deste Colegiado, portanto, referese exclusivamente à discussão do direito creditório do contribuinte relativo aos materiais agrícolas (inseticidas, fertilizantes e herbicidas). Passo, então, à análise deste ponto. Sobre esta matéria, após realizar um cotejo da legislação do IPI aplicável ao caso, bem como do Parecer CST 65/1979, a DRJ assim concluiu: É de se concluir, portanto, que os gastos com fungicida, inseticidas, peças utilizadas em equipamentos agrícola não podem ser computados na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário, nos termos da legislação de regência. Em sua defesa, assim argumenta o contribuinte: Ora, é sabido que os produtos mencionados acima, são incorporados a matéria prima principal do produto, qual seja, a cana de açúcar, razão por que não podem ser desconsiderados como produto intermediário apto a gerar o crédito presumido. Ou seja, destacou o contribuinte que os produtos em análise não correspondem à matériaprima, mas são incorporados à matéria prima principal do produto, caracterizandoos portanto, como produtos intermediários. Há de se verificar, portanto, se estes itens se enquadram como "produtos intermediários", para fins de admissão do direito creditório pleiteado. Conforme definido no parágrafo único do artigo 3º da Lei nº 9.363/96, o conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem são os mesmos definidos na legislação do IPI. E, no intuito de dirimir as dúvidas existentes sobre a matéria, o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, ao tratar, à época, sobre o art. 66, inciso I, do RIPI/1979, assim dispôs “É assegurado ao estabelecimento industrial o direito à manutenção do crédito relativo às matériasprimas e produtos intermediários utilizados na industrialização ou acondicionamento de produtos tributados vendidos a pessoa natural ou jurídica a quem a lei conceda isenção do impôsto expressamente na qualidade de adquirente do produto.” Ou seja, para que seja considerado "produto intermediário", o insumo há de ser utilizado na industrialização ou acondicionamento de produtos. Acontece que, no presente caso, é certo que os inseticidas, fertilizantes e herbicidas, embora integrem determinada matériaprima, não são utilizados na industrialização, ou mesmo para fins de acondicionamento dos produtos. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10410.002278/200302 Acórdão n.º 3002000.293 S3C0T2 Fl. 141 7 E, para que não reste qualquer dúvida quanto à aplicação do entendimento ao caso concreto aqui analisado, transcrevese a seguir o teor do art. 164 do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores objeto da presente contenda: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Notese que o referido dispositivo, na mesma linha do disposto no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, restringe o direito a crédito aos produtos intermediários adquiridos para emprego na industrialização. Acontece que, como visto, os insumos em questão são adquiridos para emprego direto na matériaprima (canadeaçúcar), e não no processo de industrialização. Nesse contexto, ainda que se entenda que o referido produto, por integrar a matéria prima adquirida finda por integrar o produto final objeto de industrialização, ainda assim não acoberta o creditamento pretendido, visto que não foram adquiridos "para emprego na industrialização". Importante mencionar, inclusive, que a decisão objeto Acórdão nº 3403 002.428, trazido pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, tampouco o socorre em sua pretensão, visto que o insumo ali analisado integrava o processo produtivo (nitrogênio que entrava em contato diretamente com o Ácido NFosfonemetil Iminodiacetico (PIA), exercendo função de inergizante). Ademais, ainda que se analise o presente caso sob o ângulo dos insumos que não se integrem ao novo produto, é necessário que esses insumos sejam consumidos no processo de industrialização, por meio de uma ação direta sobre os produtos em fabricação, situação esta que tampouco encontra correspondência com os produtos aqui analisados. Nesse contexto, entendo que se apresenta acertada a conclusão a que chegou a DRJ na decisão recorrida. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.004420/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 44 20 /2 00 7- 81 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10320.004420/200781 Acórdão n.º 2402006.343 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10320.004420/200781 Acórdão n.º 2402006.343 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10320.004420/200781 Acórdão n.º 2402006.343 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720672/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/11/2010, 10/01/2011, 26/04/2011, 14/07/2011, 03/08/2011, 06/09/2011
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS
Deve ser cancelada a pena de perdimento, convertida em multa pecuniária (inciso V do caput e §§ 1° e 3° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455/76), quando não há provas nos autos de que as operações teriam sido cursadas a conta e ordem ou por encomenda, com consequente ocultação do real adquirente.
Numero da decisão: 3301-005.130
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do Voto Vencedor
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS Deve ser cancelada a pena de perdimento, convertida em multa pecuniária (inciso V do caput e §§ 1° e 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76), quando não há provas nos autos de que as operações teriam sido cursadas a conta e ordem ou por encomenda, com consequente ocultação do real adquirente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 06 72 /2 01 3- 03 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 442 2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do Voto Vencedor Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante do Acórdão nº 1655.769 11ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 477/496): Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 20/05/2013, pela prática da interposição fraudulenta de terceiros na importação. O Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.2.52.0020130002669 teve por objetivo proceder a auditoria das importações realizadas por conta própria no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, especificamente aquelas amparadas pelas declarações de importação3 de nº 10/19939437, 11/00491629, 11/07459240, 11/13019931, 11/14442986 e 11/16814414. Segundo a fiscalização, a empresa RUELL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, doravante denominada RUELL , atuava como importador interposto sendo uma delas a empresa RM REVESTIMENTOS MONOLÍTICOS LTDA, doravante denominada RM REVESTIMENTOS, CNPJ n° 07.446.039/000186, real adquirente das mercadorias importadas objeto das DIS acima listadas. Tal conclusão foi baseada nas informações constantes nas Declarações de Importação, nos conhecimentos rodoviários de carga ou sua ausência, nas notas fiscais de entrada e de saídas das mercadorias importadas, nos livros e demonstrações contábeis da fiscalizada, nas informações prestadas por esta última, nas bases de dados da SRF e em outros elementos de convencimento obtidos durante os trabalhos. Constatouse que as mercadorias importadas ao amparo das DIs objeto da fiscalização haviam sido destinadas em sua totalidade para duas empresas, sendo uma delas a RM REVESTIMENTOS. Como resultado, foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias importadas nos termos do art. 23, V, § 1° do Decretolei n° 1.455/76 (art. 618, XXII, § 1° do Regulamento Aduaneiro de 2002). Tendo em vista o consumo dos bens importados, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos do § 3° do mesmo art. 23. (§ 1° do art. 618 do RA de 2002). O valor da multa é de R$ 558.217,09 (quinhentos e cinqüenta e oito mil duzentos e dezessete reais e nove centavos). Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 443 3 A empresa RM REVESTIMENTOS MONOLÍTICOS LTDA foi autuada como responsável solidária pelos créditos lançados, fl. 249. Apenas a título de informação, a outra empresa real adquirente das mercadorias importadas pela RUELL é a empresa MIAKI SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA, CNPJ n° 73.009.425/000135, sendo o Auto de Infração objeto do processo nº 10983.720669/201381 Tendo em vista os fatos narrados, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais formalizada pelo processo administrativo nº 10983720673/201340 Cientes do Auto de Infração, fls. 292, a empresa RUEL em 29/05/13 e fls.293 a empresa RM REVESTIMENTOS, em 03/06/2013, as interessadas apresentaram suas devidas impugnações. A empresa RUEL através de seu representante alegou: a exigência fiscal mostrase totalmente indevida e ilegal. À medida que as operações de importação foram realizadas de forma lícita e regular, bem como ausentes ospressupostos caracterizadores da interposição fraudulenta; a multa aplicada somente pode ser cominada quando a mercadoria, estando sujeita à pena de perdimento, não for localizada ou tenha sido consumida. (Cita Acórdãos do CARF); no curso do procedimento fiscal, a Fiscalização intimou as empresas adquirentes para prestar informações, contudo, em nenhum momento, sequer indagou sobre a localização ou consumo das mercadorias; a intimação da empresa Miaki Serviços e Comércio Ltda, como se depreende do processo administrativo fiscal n° 10983720.669/201381, não foi realizada em razão da devolução da correspondência pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos com a anotação de que a empresa havia mudado de endereço; caberia ao Agente Fiscal uma nova tentativa, nos termos do art. 23,§ 1º, do Decreto nº 70.235/1973; a referida empresa, por outro lado, não estava em local incerto ouignorado. Tanto é assim que foi intimada da lavratura do Auto de Infração no novo endereço; conforme consta do Relatório (fl. 278), simplesmente presumiu se que as mercadorias já teriam sido comercializadas, o que inviabiliza juridicamente a cominação da penalidade substitutiva; impõese, assim, a anulação do auto de infração; Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 444 4 as mercadorias foram regulamente revendidas às empresas Miaki Serviços e Comércio Ltda e RM Revestimentos Monolíticos Ltda; os indícios apontados pela Fiscalização não são idôneos nem tampouco suficientes para se concluir pela caracterização da interposição fraudulenta no caso concreto, uma vez que: (i) não é adequado afirmar que, de toda importação direta, decorrem “vendas pulverizadas no mercado interno”. A venda pode ocorrer no varejo ou no atacado; (ii) A armazenagem dos produos importados foi realizada no Município de Itajaí, nos depósitos das empresas Multilog S.A. e Poly Terminais Portuários S.A., que são alfandegadas pela Receita Federal e prestam tais serviços, conforme notas fiscais de prestação de serviços (anexos); (iii) as mercadorias foram contabilizadas no estoque. Tanto é assim que foram emitidas notas fiscais de entrada e de saída; (iv) as datas das notas (de entrada e de saída) e os números seqüenciais justificamse porque a venda ocorreu no atacado, logo após o ingresso no território nacional; (v) A habilitação das empresas adquirentes no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) não é exigida para a compra de bens no mercado interno; em relação ao “fator tempo” das operações, objeto do item 4.2 Do “Relatório de Procedimento Fiscal”, cumpre destacar que, entre a data de embarque em Hamburgo até a nacionalização, houve o decurso de 30 a 69 dias (vide fls. 307 – impugnação); segundo a Jurisprudência do CARF, “a existência de meros indícios não é suficiente para concluir pela interposição fraudulenta” (Cita Acórdão); a Fiscalização não demonstrou ter ocorrido o uso de recursos de terceiros na operação de importação; sequer foi aventado ou mencionado na fundamentação do ato administrativo. Nada se disse acerca da capacidade financeira da Impugnante para realizar as operações de importação; essa omissão no Relatório, foi um silêncio eloqüente para evitar fazer referência ao fato de que, na época, a Impugnante estava habilitada no Siscomex, na modalidade ordinária, para realizar operações de comércios exterior com cobertura cambial, em cada período consecutivo de seis meses até o limite de US$ 11.800.000,00 (doc. 04); no curso da fiscalização foram apresentadas provas documentais de que todas as despesas com o SISCOMEX, com os tributos incidentes na importação e fechamento de câmbio foram pagas e debitadas diretamente em conta correntes de titularidade da Impugnante, consoante extratos dos protocolos das DIs e contratos de câmbio anexados aos autos, resumidos nas tabelas de (fls. 310 ss); de acordo com a 6º alteração do contrato social de fls. 8393, a empresa “Neobrasil Com. Exterior Ltda”, teve sua razão social Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 445 5 alterada para “Ruell Import. Export. Ltda.” Tratase, portanto, da mesma pessoa jurídica; a margem de lucro adotada evidencia que o importador não atuou como prestador de serviço (remunerado com simples comissão). Mas que, ao contrário do que entendeu a Fiscalização, realizou uma operação em seu próprio interesse econômico, auferindo margem de lucro compatível com uma importação própria, real e efetiva; a prova cabal nesse sentido decorre do confronto entre as notas fiscais de entrada e saída (fls. 187212) que denotam a prática de margem de lucro da revenda no mercado interno de 30% (trinta por cento) a 80% (oitenta por cento); houve um excesso na interpretação dos fatos. Não houve emprego de recursos de terceiros e as operações foram absolutamente compatíveis com a capacidade financeira da importadora; caso se entenda pela ocorrência da infração (apenas para efeitos de argumentação), devese ter presente que , com o advento da Lei nº 11.488/2007, a multa de 100% do valor aduaneiro deixou de ser aplicável ao importador ostensivo; a Impugnante, por meio do processo administrativo fiscal nº 10.983.720539/201349, já foi penalizada com a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007; Logo, diante da impossibilidade de aplicação concomitante das penalidades, impõese o afastamento da multa de 100% do valor aduaneiro, (Cita Acórdãos); Por sua vez a empresa RM REVESTIMENTOS apresentou a impugnação de 389 e seguintes alegando: para presumir a interposição fraudulenta de pessoas, a Autoridade Fiscal deveria ter demonstrado que as operações de importações fiscalizadas foram realizadas mediante utilização de recursos da Impugnante, conforme se depreende da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cita Acórdãos); a Impugnante não realizou importações de mercadorias por "conta e ordem", pois, conforme demonstrado, tal fato somente seria presumido mediante comprovação da utilização dos seus recursos nas operações; os elementos coletados pela Fiscalização revelam presunções simples, que não se apresentam suficientemente robustas e sérias para provar a infração, razão pela qual se impõe a declaração de nulidade da penalidade aplicada; não foi demonstrada a ocorrência do dano ao erário no procedimento fiscal, como prevê o art. 23 do DecretoLei n° 1.455/1976; Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 446 6 não havendo indício de máfé ou de lucro a ser obtido com a suposta infração, a pena de perdimento revelase totalmente desarrazoada; a compra das mercadorias no mercado interno, conforme cópia das notas fiscais em anexo (doc. 03), foi amparada por documentos idôneos, emitidas por pessoa jurídica regularmente estabelecida, razão pela qual, não pode ser responsabilizada por eventual irregularidade no processo de importação. a pena de perda de mercadoria de procedência estrangeira, nos termos do art. 87, II, da Lei n° 4.502/1964, somente é cabível quando não estiverem acompanhadas da nota fiscal; requerse o afastamento da exigência fiscal, porquanto não restou demonstrado pela fiscalização que a Impugnante realizou importações por "conta e ordem" ou, ainda, que tenha concorrido com a prática da infração ou dela se beneficiado; requer o cancelamento da exigência fiscal. A DRJ considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/11/2010, 10/01/2011, 26/04/2011, 14/07/2011, 03/08/2011, 06/09/2011 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Ocultado o real adquirente, mediante prestação de informação falsa nas DI, segundo a qual o importador seria o “adquirente” das mercadorias importadas, acolhese a infração imputada (DL 1.455/1976, artigo 23, V). O artigo 33 da Lei 11.488/2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação (acórdão CARF nº 310200.662, de 24/5/2010). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido São apresentados dois Recursos Voluntários, o primeiro da Ruell Importação e Exportação Ltda. e o segundo da RM Revestimentos Monolíticos Ltda. A Ruell Importação e Exportação Ltda apresentou recurso organizado nos seguintes itens, que são devidamente analisados no voto deste acórdão. II.1 Da ausência de demonstração de impossibilidade da aplicação da pena de perdimento II.2 Da fragilidade dos indícios apontados pela Fiscalização II.3 Da ausência dso pressupostos de caracterização da infração Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 447 7 II.4 Do princípio do ne bis in idem A RM Revestimentos Monolíticos Ltda apresentou recurso voluntário tempestivo, com os itens abaixo, que também são devidamente analisados no voto deste acórdão. II.1 Da não ocorrência da infração II.2 Da ausência de dano ao erário II.3 Da ausência da responsabilidade pela infração Na análise do Recurso Voluntário pela 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decidiuse, por unanimidade de votos, por meio da Resolução nº 3301000.270 (fls. 590/594), converter o julgamento da lide em diligência. A determinação foi no sentido de que fosse estabelecida a conexão com o processo no. nº 10983.720669/201381 e determinado o julgamento conjunto. Os processos nº 10983.720669/201381, 10983.720672/201303 e 10983.720539/201349 serão julgados conjuntamente na mesma sessão desta turma do CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Liziane Angelotti Meira Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Do Recurso Voluntário apresentado pela Ruell Importação e Exportação Ltda Nos próximos parágrafos haverá análise de cada um dos pontos levantados neste Recurso Voluntário. II.1 Da ausência de demonstração de impossibilidade da aplicação da pena de perdimento Segundo a Recorrente, o Fisco deveria demonstrar a impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, para somente então aplicar a multa equivalente ao valor aduaneiro. Cita o art. 23 da Lei no. 10.833/2003 e o artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Anotese que o Fisco não precisa esgotar todas as possibilidades existentes de encontrar a mercadoria. Isso não está previsto na lei e inviabilizaria a atuação fiscal. Na verdade, o Fisco deve verificar que as mercadorias não estão com a contribuinte ou que foram revendidas ou consumidas. No presente caso, a própria Recorrente, em sua primeira resposta à Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 448 8 intimação (fls. 4/8), informou que as mercadorias não foram registradas no Livro Registro Inventário, haja vista que não ingressaram no estoque. Portanto, não cabe à própria recorrente afirmar que o Fisco deveria ter envidado esforços para verificar que a mercadoria teria sido revendida ou consumida se ela mesma informou que não mais as tinha em mão. A própria contribuinte, que no item II.2 do seu Recurso Voluntário afirmou se tratarem de "importações diretas de mercadorias oriundas da Alemanha" com o "objetivo de comercialização", mas informou que tais mercadorias não foram registradas no seu livro contábil porque não ingressaram no estoque. Naturalmente, em relação à Recorrente, a Fiscalização tem elementos suficientes para concluir que se trata de mercadorias revendida ou consumida, conforme exige a legislação. II.2 Da fragilidade dos indícios apontados pela Fiscalização A Recorrente asseverou que importações diretas de mercadorias oriundas da Alemanha" com o "objetivo de comercialização" e que a Fiscalização considerou haver interposição fraudulenta com base nos seguintes elementos: Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 449 9 Assevera a Recorrente que, em relação ao tempo, afirma que entre a data de embarque em Hamburgo e a nacionalização se passaram de 30 a 60 dias e defende que os incícios considerados pela fiscalização para caracterização da interposição fraudulenta. Cumpre, por sua vez, retomar alguns fundamentos constantes da decisão recorrida: A fiscalização intimou a RUELL através do Termo de Início nº 011201 (Termo de Início 0112)a apresentar em 20 (vinte) dias: a documentação de constituição da empresa, cópia dos documentos de identificação das pessoas com poderes para assinar por ela, Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 450 10 comprovantes de integralização do capital social, cópias dos extratos e documentos instrutivos das Declarações de Importação nº 10/19939437, 11/00491629, 11/07459240, 11/13019931, 11/14442986 e 11/16814414, cópias da notas fiscais de entrada e saída, conhecimentos de transporte tanto da operação de entrada quanto por ocasião da venda, cópia do livro Diário e de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias com o respectivo registro das entradas/saídas e Inventário, comprovante de pagamento das importações e cópia do extrato bancário comprovando o recebimento pelas vendas das mercadorias importadas. Também foram solicitados: declaração assinada pelos sócios informando a forma de processamento das importações, responsáveis pelas tratativas comerciais em nome da empresa, informações do fechamento de câmbio e preenchimento de uma tabela informativa a respeito dos pagamentos relativos às Declarações de Importação. Das notas fiscais de saí da apresentadas (Notas e Fretes), constatouse que as mercadorias importadas ao amparo das DIs objeto da fiscalização haviam sido vendidas em sua totalidade para duas empresas, sendo uma delas a RM Revestimentos Monolíticos Ltda. A fiscalização intimou, em 11/05/2012, a interessada RM Revestimentos através do Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação nº 051202 (Termo de Início 051202) a apresentar em 20 (vinte) dias: declaração informando a existência de contrato de fornecimento ou de qualquer outra espécie com a Ruell e também cópia de todos os pedidos de Verniz marca ‘Silikal’ efetuados à mesma empresa no período de setembro de 2010 a novembro de 2011. Em 21/05/2012 (Resposta 0512) veio a empresa informar que adquiriu o referido produto naquele período da Ruell através de pedidos verbais, não possuindo qualquer contrato de fornecimento ou de qualquer outra espécie com a referida. A fiscalização, diante dos fatos apurados, concluiu que a empresa RUELL importou mercadorias por conta e ordem da empresa RM Revestimentos, sem indicar esta operação à Receita Federal, ocultando o real adquirente, agindo como interposta pessoa. Entendeu, o fisco, que houve simulação na operação. Através da TABELA 4, fl. 271 a fiscalização compilou as informações fornecidas pela interessada: As fls. 271 descreve a fiscalização: Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 451 11 “Desta Tabela 4 surgem algumas informações bastante significativas: a) Da coluna “Conhec. Transp. Recinto Empresa”: Para nenhuma das DIs fiscalizadas o contribuinte apresentou o conhecimento de carga da operação de transporte das mercadorias desde o recinto alfandegado até suas instalações. Como todas elas foram desembaraçadas em recintos alfandegados da cidade de Itajaí SC (Doctos. DI), onde a fiscalizada não possui instalações, obrigatoriamente deveria haver o transporte até um de seus endereços para a devida entrada e armazenagem. Considerando que, como veremos no item ‘b’ abaixo, a fiscalizada possui endereços em Florianópolis e Brasília, causa bastante estranheza a não comprovação já que as mercadorias teriam que ser transportadas por rodovias federais onde há fiscalização deste transporte; b) Ainda que não haja a prova do transporte desde o recinto até a empresa, passa esta fiscalização a analisar os endereços declarados do importador buscando localizar onde poderia haver sido armazenada a mercadoria importada. Para isto o primeiro passo é apurar a quantidade de mercadoria importada em cada DI, já que necessitaria a empresa possuir espaço físico suficiente e adequado para armazenagem. Dos extratos das DIs (Doctos. DI) verificase que apenas os vernizes importaram em: DI 10/19939437 13.910 Kg, 11/00491629 14.400 Kg, Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 452 12 11/07459240 14.450 Kg, 11/13019931 14.400 Kg, 11/14442986 14.400 Kg e 11/16814414 13.800 Kg. Ressaltamos que foram importados outros produtos nas mesmas DIs aqui não consideramos já que a análise do espaço necessário apenas para os vernizes irá exaurir o tema. Tendo as quantidades, passamos então a buscar pelos endereços declarados pelo contribuinte a esta SRF e também à junta comercial (Contrato e Doctos.)” Ficou constatado que ambos os endereços declarados pelo contribuinte são salas em prédios comerciais, sendo inclusive ressaltado por este que sua matriz em Florianópolis estaria destinada APENAS a atividade de escritório conforme o parágrafo primeiro da cláusula segunda do contrato social. Embora a interessada RUELL alegue que as mercadorias foram contabilizadas no estoque, cabe destacar que, intimado a apresentar (item 5.3 da intimação): “5.3 Cópia do Livro Diário e Livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias e Inventário com o devido registro de entrada da mercadoria. Relacionar com a Declaração de Importação pertencente e destacar a entrada de interesse”, o contribuinte respondeu, fls. 44: ““4. Quanto a solicitação contida nos itens 5.3 e 5.7, informase que as mercadorias não foram registradas no Livro Registro de Inventário, haja vista que não ingressaram no estoque.” Ou seja, mercadorias importadas na modalidade direta, sem cliente prédefinido como deveria ser nesta modalidade, não foram registradas no Livro de Inventário simplesmente porque NÃO INGRESSARAM NO ESTOQUE. Na tabela 4 acima transcrita podemos observar que nas colunas “Data Desembaraço”, “NF Entrada” e “NF Saída” há uma proximidade entre estas três datas para todas as Declarações de Importação. Como bem destacou a fiscalização, esta proximidade entre as datas é mais compatível com operações de importação “por conta e ordem de terceiros” ou por “encomenda”. Entretanto a RUELL declara realizar importações na modalidade “por conta propria”. Analisadas as colunas “NF Entrada” e “NF Saída” observamos que os números das notas fiscais de saída são imediatamente seqüenciais aos das respectivas notas de entrada EM TODAS AS DIs. Exemplo para a DI de nº 10/19939437 que teve nota fiscal de entrada nº 314, as notas fiscais de saída foram 315 e 316. Ademais, as datas de emissão das notas de entrada e saída para uma mesma Declaração de Importaão SÃO AS MESMAS PARA TODOS OS CASOS. Assim, pelas razões apresentadas, podemos concluir que na operação de importação albergada pelas DIs destacadas no Relatório deste Acórdão ocorreu a ocultação do real adquirente, através da interposição da empresa autuada, , caracterizando a ocorrência da infração descrita no art. 23, V, do Decretolei n.º 1.455/76. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 453 13 É obrigação do importador informar na Declaração de Importação quem é o adquirente da mercadoria, ou o encomendante, nos termos do artº 3º da IN SRF 225/2002 como também no artº 3º da IN SRF 634/2006. Mesmo que se alegue, como de fato alegou a empresa RM Revestimentos, que o Erário não deixou de efetuar o recolhimento que lhe cabia, a burla dos controles aduaneiros ocorreu, pois não é o real importador que se apresenta perante à fiscalização com o seu nome no despacho aduaneiro. Dessa forma, considerando os fundamentos constantes do Auto de Infração/acórdão impugnado, dentre os quais a própria afirmação da Recorrente de que as mercadorias não foram registradas no seu livro contábil porque não ingressaram no estoque, propõse manter integralmente o entendimento da decisão recorrida. II.3 Da ausência dos pressupostos de caracterização da infração Segundo a Recorrente, a Fiscalização não demonstrou ter ocorrido o uso de recusos de terceiros na operação de importação. Defende possuir capacidade financeira compatível com as importações realizadas. Afirma também eu todas as despesas com o Siscomex e com os tributos incidentes na importação e no fechamento do câmbio foram pagas diretamente pela Recorrente. Afirma também a Recorrente que, do confronto entre as notas fiscais de entrada e saída, verificase que a margem de lucro de revenda no mercado interno foi entre 30% e 80%, o que denotaria sua real atividade econ Parecenos, no entanto, que os elementos levantados pela Fiscalização constantes do item anterior são suficientes para caracterizar a infração, dentre os quais destacamse: Nas notas fiscais de saída apresentadas, verificouse que as mercadorias importadas ao amparo das DIs objeto da fiscalização haviam sido vendidas em sua totalidade para duas empresas, sendo uma delas a RM Revestimentos A RM Revestimentos Monolíticos Ltda. informou que adquiriu o referido produto naquele período da Ruell através de pedidos verbais, não possuindo qualquer contrato de fornecimento ou de qualquer outra espécie com a referida. Para nenhuma das DIs fiscalizadas o contribuinte apresentou o conhecimento de carga da operação de transporte das mercadorias desde o recinto alfandegado até suas instalações. Como todas elas foram desembaraçadas em recintos alfandegados da cidade de Itajaí SC), onde a fiscalizada não possui instalações, obrigatoriamente deveria haver o transporte até um de seus endereços para a devida entrada e armazenagem. Não ha prova do tranporte. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 454 14 Ficou constatado que ambos os endereços declarados pelo contribuinte são salas em prédios comerciais, sendo inclusive ressaltado por este que sua matriz em Florianópolis estaria destinada APENAS a atividade de escritório conforme o parágrafo primeiro da cláusula segunda do contrato social. Não havendo, portanto, espaço para receber as mercadorias. Embora a interessada RUELL alegue que as mercadorias foram contabilizadas no estoque, cabe destacar que, intimado a apresentar (item 5.3 da intimação): “5.3 Cópia do Livro Diário e Livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias e Inventário com o devido registro de entrada da mercadoria. Relacionar com a Declaração de Importação pertencente e destacar a entrada de interesse”, o contribuinte respondeu, fls. 44: ““4. Quanto a solicitação contida nos itens 5.3 e 5.7, informase que as mercadorias não foram registradas no Livro Registro de Inventário, haja vista que não ingressaram no estoque.” Ou seja, mercadorias importadas na modalidade direta, sem cliente prédefinido como deveria ser nesta modalidade, não foram registradas no Livro de Inventário simplesmente porque NÃO INGRESSARAM NO ESTOQUE. Nas colunas “Data Desembaraço”, “NF Entrada” e “NF Saída” há uma proximidade entre estas três datas para todas as Declarações de Importação. Como bem destacou a fiscalização, esta proximidade entre as datas é mais compatível com operações de importação “por conta e ordem de terceiros” ou por “encomenda”. Entretanto a RUELL declara realizar importações na modalidade “por conta propria”. Analisadas as colunas “NF Entrada” e “NF Saída” observamos que os números das notas fiscais de saída são imediatamente seqüenciais aos das respectivas notas de entrada EM TODAS AS DIs. Exemplo para a DI de nº 10/19939437 que teve nota fiscal de entrada nº 314, as notas fiscais de saída foram 315 e 316. Ademais, as datas de emissão das notas de entrada e saída para uma mesma Declaração de Importaão SÃO AS MESMAS PARA TODOS OS CASOS. Em face do exposto, propõse também neste item manter o entendimento da decisão recorrida. II.4 Do princípio do ne bis in idem Defende a Recorrente que com o advento da da Lei nº 11.488/2007, a multa de 100% do valor aduaneiro deixou de ser aplicável ao importador ostensivo. Contudo, esse não é o entendimento predominante neste Conselho. A multa de 10% destinase a apenar exclusivamente a cessão de nome a terceiro ao passo que a pena de perdimento aplicase no caso de importação com interposição fraudulenta, a qual deve ser Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 455 15 substituída pela multa de 100% no caso de mercadoria não localizada, consumida ou revendida. Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) . De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 456 16 Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Colacionamos entendimento constante da decisão recorrida: O CARF exarou o acórdão nº 310200.662, de 24/05/2010, assim ementado: “REFLEXO DO ART. 33 da LEI nº 11.488, de 2007, SOBRE O INCISO V DO ART. 23 DO DECRETOLEI Nº 1.475, DE 1976. AUSÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007 não produz qualquer reflexo sobre a imposição da pena de perdimento ou multa substitutiva à hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação. Jurisprudência.” Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Do Recurso Voluntário apresentado pela RM Revestimentos Monolíticos Ltda II.1 Da não ocorrência da infração Alega a Recorrente que não ficou demonstrada a falta de capacidade econômica da emrpesa importador ou mesmo a utilização de recursos financeiros de terceiros das operações de importação. Assevera que os elementos coletados pela Fiscalização revelam presenções simples que não se apresentam suficientemente robustas e sérias para provar a infração. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 457 17 Neste, item retomamos os fundamentos constantes dos itens do Recurso Voluntário da pela Ruell Importação e Exportação Ltda, acima II.2 Da fragilidade dos indícios apontados pela Fiscalização e II.3 Da ausência dos pressupostos de caracterização da infração para propor que seja mantido o entendimento da decisão recorrida. II.2 Da ausência de dano ao erário Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 458 18 § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Dessarte, propõese manter o entendimento constante da decisão recorrida neste item. II.3 Da ausência da responsabilidade pela infração Alega a Recorrente que a regra de responsabilidade não se aplica ao presente caso porque não ficou demonstrado que a empresa realizou importações por conta e ordem ou que tenha concorrido para a prática da infração ou dela se beneficiado. Contudo,dos elementos juntados para comprovação da infração, verificouse, dentre outros, que as importações em pauta eram destinadas diretamente e na totalidade à RM Revestimentos Monolíticos Ltda; que não há prova do transporte para a RUELLL e depois para a RM; que as importações não circularam pelo estabelecimento da RUELL, porque não havia espaço físico e porque a própria RUELL informou à Fiscalização que as mercadorias não ingressaram no estoque; a RM afirmou que contratos verbais embasaram todas as transações; as notas fiscais de entrada e saída das DI são todas do mesmo dia. Assim, por essas razões e pelas demais constantes da decisão recorrida, proponho manter integralmente o entendimento da decisão recorrida neste item. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 459 19 Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, nos termos do § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e do § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF), e negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator Designado A fiscalização acusou a recorrente de ter declarado como diretas importações que na verdade teriam sido efetuadas a conta e ordem da empresa de RM Revestimentos Monolíticos Ltda e Miaki Serviços e Comércio Ltda.. O presente processo trata apenas das importações, cujas saídas tiveram como destino a empresa RM. Diante disto, capitulou a infração no inciso V do caput e no § 1° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76, com aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Dada a impossibilidade de as mercadorias serem apreendidas, a penalidade foi convertida em multa pecuniária, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (§ 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76). O agente fiscal chegou a tal conclusão, em virtude de ter identificado o seguinte: i) Todas as mercadorias importadas pelas DI objetos de foram vendidas para as empresas RM e Miaki. A "característica básica para este tipo de transação são vendas pulverizadas no mercado interno" (fl. 28). ii) As mercadorias foram desembaraçadas no porto de Itajaí (SC), onde a recorrente não possui instalações. Não foram apresentados conhecimentos de transporte para estabelecimento da recorrente. iii) Nos conhecimentos de transporte das vendas, consta que as mercadorias partiram das cidades de Florianópolis (SC) e Brasília (DF), onde a recorrente não tinha estabelecimentos com capacidade para tanto. iv) Havia proximidade entre as datas das DI. Para todas as notas fiscais de entrada, havia duas de saída e para as mesmas compradoras. Tais fatos são típicos de operações a conta e ordem ou para revenda a encomendante predeterminado. Nestes casos, não há "risco de revenda das mercadorias importadas", o que é "característica essencial da importação direta". v) Em relação a algumas DI auditadas, as datas de emissão das notas fiscais de entrada e saída eram idênticas. E as vendas foram realizadas por meio de duas notas fiscais de saída de numeração sequencial. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 460 20 vi) As mercadorias importadas não foram escrituradas no Livro de Inventário, o que "leva a fortes de indícios de que estas mercadorias sequer tenham sido fisicamente transportadas para a empresa". vii) Os importadores de fato não tinham habilitação para operar no comércio exterior. Com a devida vênia, discordo do agente fiscal e da i. Conselheira Relatora. Os fatos identificados pela fiscalização não são suficientes para que se conclua que as importações teriam sido efetuadas a conta e ordem ou mesmo por encomenda das empresas RM e Miaki. A Receita Federal do Brasil, no uso da atribuição que lhe foi conferida pelo inciso I do artigo 80 da Medida Provisória 2.15835, de 2001, § 1º do artigo 11 da Lei nº 11.281, de 2006, e pelo artigo 16 da Lei 9.779, de 1999, editou as Instruções Normativas SRF nº 225/02 e 634/06, que estabeleceram requisitos e condições para a realização de importações por conta e ordem de terceiros e por encomenda, respectivamente. Assim foram conceituadas: "IN SRF n° 225/02 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial." "IN SRF n° 634/06 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa." Não há nos autos uma única prova de que as importações em comento foram realizadas com recursos das empresas RM e Miaki., para que pudessem ser consideradas como realizadas a conta e ordem das mesmas, tais como: transferências de recursos dos ditos reais adquirentes para a recorrente, com o objetivo de liquidar as correspondentes operações de câmbio; e prática de margem de lucro nas vendas incompatível com os respectivos mercados e também insuficiente para cobrir os custos da operação e ainda gerar lucros. E igualmente não há elementos que comprovassem terem sido cursadas por encomenda, tais como, evidências documentais da existência de acordos comerciais prévios Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10983.720672/201303 Acórdão n.º 3301005.130 S3C3T1 Fl. 461 21 entre a Miaki e a RM e a recorrente, em que constassem compromisso desta última identificar exportador capacitado para vender determinados tipos de mercadorias, respeitando prazos e quantidades definidos pelos encomendantes. Sendo assim, dou provimento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 618DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.000688/2004-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA.
A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao ano-calendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
Numero da decisão: 9101-003.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em retornar os autos ao colegiado de origem.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10480.006261/2003-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araùjo Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em retornar os autos ao colegiado de origem. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 10480.006261/200392, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araùjo – Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 06 88 /2 00 4- 96 Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 3 2 Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente ao afastamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ/CSLL, relativamente ao(s) ano(s)calendário(s) de 2000, 2001, 2002, 2003. É o breve relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10480.006261/200392, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.858, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 10480.006261/200392. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.858: Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento de multa isolada, por falta de pagamento de IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada, apurada em fevereiro de 2000, calculada com base em balanços de suspensão ou redução, no valor de R$ 3.708,27. A multa isolada foi mantida na primeira instância, e afastada pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). Em seu recurso especial, a PGFN procura restabelecer a multa isolada. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 4 3 A contribuinte suscita, em sede de contrarrazões, uma preliminar de não conhecimento do recurso especial, invocando o §10 do art. 67 do RICARF, com a alegação de que estaria superado o entendimento aplicado pelas decisões paradigmas. Quanto a essa preliminar, é importante registrar que a regra regimental que tratava dessa questão de superação de tese pela CSRF (art. 67, §10, do Anexo II do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009) não foi reproduzida no RICARF atual, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em razão da dificuldade de se fixar um critério objetivo para a sua aplicação. Uma decisão da CSRF bastaria para se considerar que determinada tese está superada? Quantas decisões seriam necessárias para isso? A decisão posterior teria que fazer menção expressa às decisões anteriores cuja tese foi superada? Atualmente, o RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com suas alterações posteriores, não mais fala que não servirá como paradigma o "acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF". O que o regimento atual diz é que "não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente" (Art. 67, §15, incluído no atual RICARF pela Portaria MF nº 39, de 2016). Verificar se o "próprio" acórdão paradigma foi ou não reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente é procedimento que não traz os mesmos problemas da regra regimental anterior. Nesse passo, cabe registrar que nenhum dos dois acórdãos paradigmas foi reformado, conforme indica a página eletrônica do CARF, na consulta ao andamento dos processos correspondentes aos referidos acórdãos (Acórdão nº 10806.004 Processo nº 13826.000384/9840; e Acórdão nº 10806.571 Processo nº 13409.000156/9962). Portanto, de acordo com as regras atuais, as referidas decisões não encontram óbice para servirem como paradigmas de divergência. Desse modo, rejeito a preliminar de não conhecimento do recurso especial da PGFN. Quanto ao mérito, vêse que a interpretação adotada pelo acórdão recorrido é no sentido de que se não há tributo a ser exigido no ajuste (no caso, porque a contribuinte apurou prejuízo), também não há razão para exigir estimativas mensais, e nem para aplicar multa isolada pela falta de seu recolhimento. Esta 1ª Turma da CSRF já examinou esse tipo de situação, quando exarou o Acórdão nº 9101002.604, na sessão realizada em 15/03/2017. Aquele julgado também analisou exigência de Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 5 4 multa isolada relativamente a períodos anteriores a 2007 (anteriores à vigência da Lei nº 11.488/2007), em que não houve a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. E tratou de anoscalendário em que o contribuinte ou não tinha apurado tributo a pagar no final do ano, ou tinha apurado prejuízo fiscal, ou tinha apurado tributo no ajuste em valor inferior ao montante das estimativas que seriam devidas ao longo do ano. Vale transcrever trechos do voto do Conselheiro André Mendes de Moura que orientou a referida decisão, e também declaração de voto por mim apresentada naquela ocasião: Acórdão nº 9101002.604 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999, 2000, 2001 APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submetese a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do anocalendário. [...] Voto Conselheiro André Mendes de Moura [...] Mérito. A matéria devolvida trata da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, no decorrer dos anos calendário de 1997, 1999, 2000 e 2001, conforme relato da autoridade fiscal (efls. 57/58): [...] Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 6 5 A multa isolada, após ter sido mantida na decisão de primeira instância, foi mantida parcialmente pela decisão recorrida. Para os anoscalendário de 1997, foi afastada integralmente, porque não se apurou tributo a pagar ao final do anocalendário. Para o anocalendário de 1999, também foi afastada a autuação porque se apurou prejuízo fiscal em 31 de dezembro. Para os anoscalendário de 2000 e 2001, a decisão recorrida manteve a autuação fiscal até o limite apurado de IRPJ a pagar, pautandose nas seguintes conclusões (efls. 3223/3225): [...] Tomandose por base todo o exposto até o momento, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal, sendo necessário apenas tecer considerações complementares. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 7 6 observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação à época dos fatos geradores): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 8 7 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Registrese que o percentual da multa isolada sobre estimativa mensal não recolhida, foi alterado de 75% para 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007. A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano calendário. A sanção tem base legal. A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Nesse contexto, não obstante as substanciosas argumentações da decisão recorrida, entendo que, no caso concreto, não há base legal para se afastar a multa isolada para o anocalendário de 1997 porque a contribuinte, ao final do anocalendário, não apurou lucro, e para o anocalendário de 1999 porque a contribuinte não apurou tributo a pagar. Tampouco carece de base legal limitar a aplicação de multa isolada ao valor de imposto apurado ao final do anocalendário, como ocorreu para os anoscalendário de 2000 e 2001. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 9 8 Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a aplicação da multa isolada no percentual de 50%. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. A presente declaração de voto se faz necessária tendo em vista que, em relação à matéria objeto do recurso especial ora sob exame, passo a adotar entendimento distinto daquele por mim acolhido no âmbito de alguns antigos acórdãos. A matéria trazida à apreciação desta 1ª Turma diz respeito à divergência interpretativa quanto à exigência de multa isolada imposta pela autoridade fiscal por falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ devidas. Inicialmente considero importante registrar que, conforme bem enfatizado pelo Relator, no presente caso a multa isolada foi imposta sobre os valores das estimativas já declaradas pelo sujeito passivo, não alcançando os Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 10 9 valores referentes às provisões não autorizadas, objeto de lançamento de ofício para exigência de IRPJ e CSLL. Noutras palavras, não houve aqui exigência concomitante entre a multa isolada imposta por falta de pagamento de estimativas de IRPJ, e a multa de ofício imposta por falta de pagamento do IRPJ devido ao final dos respectivos anoscalendário, razão pela qual também não se aplica aqui o disposto na Súmula CARF nº 105. Pois bem, no caso a Turma recorrida afastou integralmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas ao longo dos anos de 1997 e 1999, e parcialmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas no decorrer dos anos de 2000 e 2001. Relativamente aos períodos objeto da presente autuação, acima mencionados, a referida multa isolada encontra previsão legal no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, o qual faz remissão ao art. 2º da mesma Lei, também na redação original, ambos a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 11 10 IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; (g.n.) (...) Pelo exame do acórdão recorrido é possível resumir da seguinte maneira a interpretação que a Turma emprestou às normas acima reproduzidas: a) a multa isolada deve ser aplicada em caso de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e/ou CSLL devidas ao longo do anocalendário; b) todavia, encerrado o anocalendário, o valor total da multa isolada está limitado a 50% (percentual previsto na MP 351/2007, aplicado retroativamente) do valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do mesmo ano; c) como corolário da afirmativa acima, encerrado o ano calendário com apuração de prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, incabível a imposição de multa isolada pois inexistentes IRPJ e/ou CSLL devidos ao final do ano; d) entretanto, a multa isolada poderá ser imposta sem observância do afirmado nos itens "b" e "c", desde que o lançamento seja realizado antes de encerrado o respectivo anocalendário. Bem, como se verá a seguir, das quatro afirmações acima apenas aquela contida no item "a" é correta. As outras três ("b", "c" e "d") são incorretas. Da fato, a construção interpretativa levada a efeito pela Turma recorrida para chegar às conclusões contidas nos itens "b" e "c" retro parte do disposto no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 segundo o qual as multas ali previstas (isoladas ou não) só podem incidir sobre o valor do "tributo ou contribuição". E como a Turma recorrida entendeu que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição", concluiu que a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, não poderia incidir sobre o valor daquelas estimativas. A multa, assim, incidiria sobre um valor equivalente ao da estimativa mensal, desde que tal valor não ultrapassasse o valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "b"). E acaso apurado prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, a multa isolada sequer poderia ser exigida, pois inexistentes IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "c"). Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 12 11 Ocorre que, embora sob o ponto de vista científico até seja possível considerarse correta a premissa de que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição" (e não estou afirmando aqui que são, ou que não são), o fato iniludível é que a própria Lei nº 9.430/96, ao se referir àquelas estimativas mensais, expressamente às denominou de "imposto" ou "contribuição" mensais, com vistas a distinguilas do imposto e da contribuição devidos ao final do ano calendário. Vejamos novamente o que estabelece o art. 2º: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (g.n.) (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (g.n.) Como dito, a norma acima textualmente denomina as estimativas mensais de IRPJ como "imposto". E não é só. Outras normas da mesma Lei, ao se referirem às estimativas mensais de IRPJ previstas no art. 2º, expressamente às denominam de "imposto", senão vejamos: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. (g.n.) (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. (g.n.) (...) Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 13 12 Quanto às estimativas mensais de CSLL, o art. 30 da Lei nº 9.430/96 textualmente denomina as estimativas mensais de CSLL como "contribuição social sobre o lucro líquido". Vejamos: Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. (g.n.) (...) Ora, se a própria Lei nº 9.430/96, em diversos de seus artigos, expressamente conferiu às estimativas mensais de IRPJ e CSLL a denominação de "imposto" ou "contribuição", a Turma recorrida jamais poderia interpretar as expressões "imposto de renda", "contribuição social sobre o lucro líquido" e apurados "na forma do art. 2º", todas contidas no art. 44, § 1º, IV daquela Lei, como se tais expressões se referissem ao IRPJ e à CSLL devidos ao final do anocalendário, e não às próprias estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Essa premissa inicial equivocada, de que ao empregar as expressões "imposto de renda" e "contribuição social sobre o lucro líquido" o art. 44, § 1º, IV não poderia estar se referindo às estimativas mensais, mas sim ao IRPJ e à CSLL devidos final do ano, causou grande dificuldade à Turma recorrida para interpretar a parte final daquela mesma norma, à qual estabelece que a multa isolada é exigida "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente". Foi a partir da dificuldade da Turma recorrida em compatibilizar essa (equivocada) premissa inicial com a parte final da norma que surgiu a "interpretação", descrita na afirmativa "d" retro, segundo à qual na hipótese de a autuação ser realizada no decorrer do próprio ano calendário (e só nessa hipótese) a multa isolada poderá incidir sobre o valor das estimativas mensais, sem qualquer limitação aos valores do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano, já que no decorrer do anocalendário a fiscalização não poderia saber qual o valor de IRPJ ou CSLL seriam devidos ao final do ano, se é que algum valor seria devido. Ocorre que essa imaginativa "interpretação" do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 levou à Turma recorrida a violar a sua própria premissa inicial, que tanto lhe era cara. De fato, veja que a premissa inicial da Turma (a multa isolada não pode incidir sobre o valor da estimativa mensal, pois esta não é tributo ou contribuição) colide frontalmente com Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 14 13 a afirmativa "d" (a multa isolada incide sobre a estimativa mensal, desde que a autuação seja realizada ao longo do ano calendário respectivo). Ora, o fato de a autuação ser realizada no decorrer do anocalendário nada pode dizer sobre a natureza do valor sobre o qual incide a multa isolada (se sobre o valor das estimativas ou sobre o valor do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano). Em verdade, como sugerido antes, a correta interpretação do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 deve levar em consideração o fato de que essa Lei, em diversos momentos, denominou as estimativas mensais de IRPJ e CSLL como "imposto" ou "contribuição". E ainda que seja possível afirmarse que essa denominação não seja cientificamente correta (e, novamente, não acolho nem afasto aqui essa proposição), o fato é que, como essa denominação foi empregada ao longo do texto legal, não haveria razão para o intérprete deixar de considerála justamente ao examinar a multa isolada de que trata o art. 44. Somese a isso o fato de que, ao empregarse a denominação legal (estimativa mensal como "imposto" ou "contribuição"), a interpretação do art. 44 tornase linguisticamente muito mais fluida (ao contrário do esforço interpretativo hercúleo empreendido pela Turma recorrida), além de consentânea com a finalidade da multa isolada, que é de reprimir a falta dos pagamentos mensais por estimativa. Tendo em vista o exposto, voto por manter integralmente as exigências das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ verificada ao longo dos anos de 1997, 1999, 2000 e 2001. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Adoto os mesmos fundamentos acima transcritos, para dizer que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, de não se estar exigindo débito de IRPJ em relação ao ajuste anual daquele período. Finalmente, cabe registrar que o recurso voluntário continha argumentos cuja análise restou prejudicada em razão do que foi decidido na segunda instância, conforme aponta o próprio voto condutor do acórdão recorrido: Por fim, deve ser ressaltado que fica prejudicada a análise dos demais argumentos tecidos pela recorrente, uma vez que a exigência deve ser integralmente cancelada. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10380.000688/200496 Acórdão n.º 9101003.861 CSRFT1 Fl. 15 14 Entre esses argumentos, está a alegação de que a contribuinte "compensou o IRPJ com o imposto a recuperar, relativo ao IR sobre aplicação financeira processo administrativo n° 13403.000148/8661 no total de R$ 7.510,41, informados em balancete sintético e razão analítico, tornando, assim, o imposto pago". Uma vez decidido que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa referente ao anocalendário de 2000 não fica prejudicada pelo fato de a contribuinte ter apurado prejuízo naquele ano, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar o fundamento pelo qual o acórdão recorrido cancelou a multa isolada, determinando que os autos sejam devolvidos à Turma Ordinária para o exame das matérias suscitadas no recurso voluntário e não apreciadas naquela fase processual em razão do que lá foi decidido. Em síntese, voto por DAR provimento ao recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. (...) Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, voto por DAR provimento ao recurso especial, com retorno dos autos ao colegiado de origem. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 382DF CARF MF
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