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Numero do processo: 12466.722509/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 25 09 /2 01 4- 22 Fl. 35766DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35767DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.594, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35768DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35769DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35770DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35771DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35772DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35773DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35774DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35775DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35776DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35777DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35778DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35779DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35780DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35781DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35782DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35783DF CARF MF Processo nº 12466.722509/201422 Acórdão n.º 3301005.116 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35784DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.693429/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.693416/2009-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 93 42 9/ 20 09 -7 9 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório constante nos autos, o alegado crédito já havia sido utilizado para a quitação de outro débito, não restando, portanto, valor disponível para a compensação do débito por ela indicado no Per/Dcomp. Dessa forma, não foi homologada a compensação declarada. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a manifestante não sabe qual seria, na realidade, o motivo do indeferimento do direito creditório e, consequentemente, da não homologação da compensação declarada. apenas supõe que o direito creditório tenha sido negado em virtude de não ter sido localizada a DCTF retificadora que corrigiu o valor do débito devido. entretanto, não se pode aceitar que a contribuinte seja obrigada a se defender com base em suposições, sem ter segurança quanto ao motivo que determinou a glosa, pois o Decreto n° 70.235/1972 é claro ao determinar que os atos proferidos por autoridades administrativas que prejudicam ou impossibilitam o direito de defesa do contribuinte são eivados de nulidade. há de se observar que o Despacho Decisório ora combatido não contém uma descrição precisa e congruente dos fatos que ensejaram a sua emissão. Tal omissão e imprecisão impedem o pleno conhecimento das circunstâncias que levaram ao indeferimento do seu direito creditório, implicando grandes dificuldades e embaraços ao direito da ampla defesa e do contraditório. a própria fundamentação legal utilizada como embasamento para o indeferimento do direito creditório ora pleiteado foi indicada de modo apenas genérico, não permitindo a identificação de qual o equivoco teria sido pretensamente cometido. Em síntese, não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. o valor do pagamento ora discutido decorre, inequivocamente, da tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. sobre a tributação das receitas que não se enquadram no conceito de faturamento (base de cálculo prevista pela Lei 9.718/1998), é assente que tal exigência não está de acordo com o direito. Isto porque, o Supremo Tribunal Federal já declarou a sua inconstitucionalidade. Ademais, no caso ora analisado, a manifestante obteve decisão judicial definitiva que a possibilita não observar a base de cálculo prevista na Lei 9.718/1998. independentemente da decisão judicial definitiva favorável à manifestante, o direito creditório deve ser reconhecido, pois, como já mencionado, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 4 3 o não reconhecimento da inconstitucionalidade da lei já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal viola princípios consagrados pelo ordenamento jurídico brasileiro, dentre os quais se destacam o "Principio da Moralidade” e o "Principio da Eficiência". muito embora a manifestante acredite que o seu direito creditório será reconhecido com a conseqüente homologação da compensação efetuada, em função do Principio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na hipótese dos julgadores entenderem que o indeferimento deva prevalecer. no caso em tela, não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a manifestante quitou tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, o débito compensado. não há que se alegar mora ao quitar o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada não é, por si só, fato caracterizador de mora do contribuinte. a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a manifestante não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. Diante dessas alegações, a interessada solicita: o cancelamento total do Despacho Decisório ora combatido, com a declaração de sua nulidade, pois, em preliminar, é comprovado o cerceamento do direito de defesa. na hipótese de se entenderem que não deve ser declarada a nulidade do Despacho Decisório, a manifestante pede e espera que, no mérito, o seu direito creditório seja deferido e, conseqüentemente, homologada a compensação declarada. caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser afastada a exigência de multa e juros de mora pelos motivos já expostos. Por fim, a manifestante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, sobretudo a diligência fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão recorrida, a Recorrente interpôs recurso voluntário reproduzindo as matérias de mérito já apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.853, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3302000.853): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão tratada nestes autos não é nova neste Conselho e, já foi analisado nos autos do Processo Administrativo nº 10880.693376/200996 (acórdão paradigma nº 3401001.361), instaurada contra a mesma empresa, de relatoria do i. Conselheiro Robson José Bayerl que, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para verificar a origem do crédito pleiteado pela Recorrente com base nos documentos já carreados aos autos e outros que fizerem necessários. Neste caso, por concordar com os argumentos explicitados por aquela relator e, visando dar o mesmo tratando processual, adoto as razões do citado Conselheiro como causa de decidir o presente processo, a saber: Como questão preliminar, cabe examinar a exigência de retificação da DCTF correspondente, como condição para repetição do indébito, consoante acentuado pela decisão recorrida. A tese defendida pelo colegiado a quo é que o impedimento à alteração do valor declarado a título de Cofins, dezembro/1999, obstaria o direito à restituição do montante pago indevidamente, mesmo que não ocorrida a decadência desse direito, nos termos do art. 165, I do Código Tributário Nacional, por entender que o crédito tributário já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Todavia, ainda que o art. 150, § 4º do CTN disponha que a fluência do prazo de 05 (cinco) anos corporifica homologação tácita e transmuta o lançamento e respectivo pagamento em causa de extinção do crédito tributário, não se pode olvidar que o mencionado art. 165, I do mesmo diploma legal também garante o direito, independente de prévio protesto, à restituição do tributo pago em quantia maior que a devida, desde que observada a temporalidade do requerimento próprio (art. 168), o que se verificou nesse processo. Nestes autos, o decurso do prazo veda a constituição de crédito tributário complementar àquele declarado pelo sujeito passivo (art. 150, § 4º), entretanto, não obstaculiza a devolução do indébito, ao passo que feito o pedido dentro do prazo de 05 (cinco) anos do recolhimento(arts. 165, I e 168), mormente na situação sub examine, Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 6 5 onde a quantia indevida corresponde justamente ao pagamento feito a destempo, acrescido de multa e juros de mora. Demais disso, esquadrinhando a IN SRF 600/05, vigente por ocasião da transmissão da PERDCOMP, não se localiza qualquer imposição de retificação da DCTF como requisito para processamento do pedido de restituição aviado, salvo na hipótese de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), segundo o art. 16, § 5º, II do ato normativo. Portanto, mostrase improcedente a questão vestibular erigida pela decisão recorrida como fundamento à denegação do recurso. Tocante ao mérito, observase que o motivo inicial à não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notase, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua utilização em outra finalidade. Em outra linha argumentativa exposta na decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração documental das razões arroladas pelo recorrente, o que não se verificou. Nesse passo, é certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, assim como sua ausência não serve de causa ao indeferimento de restituição, também não é suficiente ao seu deferimento. Contudo, em recurso voluntário, o contribuinte trouxe demonstrativo de apuração e balancetes, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente a respeito do direito invocado (pagamento indevido de Cofins ante à inconstitucionalidade do conceito de faturamento veiculado pela Lei nº 9.718/98, decidida em repercussão geral no RE 585.235QO, de 10/09/2008). Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo,não se nega que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, eis que validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Demais disso, ao fato constitutivo do direito ao crédito tributário posto pela Administração tributária – vinculação do direito de crédito a outro débito de titularidade do sujeito passivo –, contrapõe o recorrente um fato modificativo desse mesmo direito – a existência de pagamento a maior e o pedido tempestivo de sua restituição, acompanhado de início de prova –, o que milita em favor da verificação de procedência dessa alegação. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, ∙ Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.693429/200979 Resolução nº 3302000.863 S3C3T2 Fl. 8 7 Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.721516/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL.
Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal.
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO.
É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação.
Numero da decisão: 2402-006.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pinho de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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MONTREAL INFORMATICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. INSTRUMENTO DO LANÇAMENTO. ERRO. VÍCIO FORMAL. Vício no instrumento do lançamento, correspondente a erro no domicílio tributário do contribuinte, possui natureza formal. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. VÍCIO FORMAL. PRAZO. É de cinco anos o prazo para a autoridade tributária substituir lançamento anulado por vício formal, sendo contado esse prazo da data em que se tornar definitiva a anulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 15 16 /2 01 3- 66 Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 601 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pinho de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0963.962, da 5ª Turma da DRJ de Juiz de Fora (fls. 570/580), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAD nº 37.410.5979, no montante de 215.779,43 (duzentos e quinze mil e setecentos e setenta e nove reais e quarenta e três centavos), que tem por objeto o lançamento de contribuição previdenciária patronal sobre valores pagos pela recorrente a estagiários no período autuado em desacordo com a legislação vigente. O relatório da fiscalização esclarece o seguinte: “2. Informamos que o presente auto de infração está sendo emitido exclusivamente para restabelecer a exigência anulada, sem análise do mérito, na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD nº 37.004.8059 de 24/08/2006 (processo COMPROT nº 35301.014169/200631), em virtude da constatação de vício formal, conforme prolatado no Acórdão nº 20500.843 de 03/07/2008, da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (ANEXO I). 2.1. Ressaltamos que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou recursos visando a reformar o Acórdão n° 20500.843 a fim de que fosse apreciado o mérito do lançamento. Entretanto, em decisão definitiva datada de 12/04/2011 (Acórdão n° 920201.472), a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF negou seguimento aos citados recursos, não cabendo, assim, mais recurso contra a decisão proferida no referido Acórdão (ANEXO II). (...) 6. Qualificamos como centralizador, para todos os efeitos legais, o estabelecimento de CNPJ 42.563.692/000126, conforme disposto na 51ª Alteração Contratual de 10/07/2012, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais – JUCEMG em 11/12/2012, sob n° 4971653, e que foi considerada, pela fiscalização, como a última alteração do Contrato Social efetuada pela empresa. 7. A Auditoria Fiscal, demandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 06.1.01.00 2013008072 (de abrangência nacional), tem como finalidade a emissão de novos autos de infração em substituição a processos anulados na esfera administrativa por vício formal. (...)”. O contribuinte apresentou impugnação tempestivamente a fls. 215/223, na qual alega, em síntese: Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 602 3 Que o acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes (acórdão de nº 20500.878), mantido por unanimidade pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, reconheceu que os lançamentos refeitos por intermédio do presente auto de infração foram anulados por cerceamento de seu direito de defesa e que não há, em momento algum dos acórdãos do CARF, seja na fundamentação ou no dispositivo, declaração de que a anulação do lançamento original se deu por vício formal; assim, alega que a autoridade fiscal partiu de uma premissa equivocada e sem respaldo nas decisões supramencionadas ao lavrar o auto de infração impugnado, infringindo os arts. 3º do CTN e 5º, II e LV da CF, que estabelecem que a atividade exercida pela autoridade fiscal na constituição do crédito tributário é plenamente vinculada, bem como que qualquer o erro na fundamentação do lançamento gera sua nulidade absoluta, em obediência aos princípios constitucionais da legalidade e do devido processo legal; ademais, esclarece que este Conselho já se manifestou em diversos outros acórdãos, que anexa (fls. 9891245), relativos à mesma ação fiscal, inclusive por meio da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais reconheceu que o desrespeito ao domicílio fiscal da impugnante, ora recorrente, não se resumiu a um aspecto formal do lançamento do tributo, mas sim atingiu a própria constituição do crédito tributário, de um vício material, uma vez que pela impossibilidade de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos úteis à fiscalização por parte do contribuinte, implicou em cerceamento de defesa e ensejou o indevido lançamento por arbitramento, tratandose, assim, de nulidade absoluta e insanável; desse modo, conclui que havendo, no caso, nulidade material, tendo em vista que os fatos geradores estão compreendidos entre julho/2001 e maio/2005 e que o Termo de Início de Procedimento Fiscal foi emitido no dia 07/08/2013, nos termos dos arts. 142 e 173, II do CTN, o direito do fisco de constituir os créditos tributários foram atingidos pela decadência; argumenta, ainda, que o único documento exigido pelo auditor fiscal nesse segundo procedimento fiscalizatório foi a última alteração do contrato social da empresa. Porém, em várias passagens do auto de infração, a autoridade fiscal alega omissão da recorrente na apresentação de documentos, além de ter pautado o novo lançamento em documentos que suportaram lançamento anterior, anulado justamente por cerceamento de defesa do recorrente; ademais, alega que se a anulação do lançamento anterior se deveu justamente ao fato de não se ter dado oportunidade à recorrente de apresentar documentos, ficando caracterizado cerceamento de seu direito de defesa, não oportunizar a ela fazêlo novamente neste novo lançamento, como ocorreu, implicou em novo cerceamento ao seu direito de defesa. por fim, requer o reconhecimento da decadência, com a extinção do crédito tributário ou, sucessivamente, a nulidade do auto de infração em face do novo cerceamento de defesa. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, em julgado assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 VÍCIO FORMAL. AUTO DE INFRAÇÃO SUBSTITUTIVO. Vício formal se caracteriza nos elementos extrínsecos do ato administrativo. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 603 4 O novo auto de infração deve ser efetuado com os mesmos elementos do anterior, a menos do fato irregular efetuado e tem, por prazo de decadência, o previsto no art. 173, II do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual trouxe os mesmos argumentos contidos na impugnação e juntou acórdãos recentes da DRJ em Recife que deram provimento a impugnações apresentadas contra outros autos de infração lavrados para restabelecer débitos originários da mesma ação fiscal, também anulados pelas mesmas razões pelas quais anulado o lançamento ora em debate, e que reconheceram a decadência do direito do fisco de constituir os créditos tributários, uma vez que o vício que motivou a anulação do lançamento original, qual seja cerceamento de defesa, tratase de vício de natureza material, não formal. Requer, por fim, o provimento do recurso, para que seja declarada a decadência, com a extinção do crédito tributário ou, sucessivamente, a nulidade do auto de infração em face do novo cerceamento de defesa. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo (fls. 569/571) e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A DRJ julgou improcedente a impugnação do recorrente sob o fundamento de que não consta dos autos do lançamento originário declaração expressa de nulidade material, não tendo havido pronunciamento a respeito da espécie do vício que o inquinou. Argumenta, ademais, que a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Volta Redonda se manifestou nos autos no sentido de que o procedimento fiscal em domicílio diverso do eleito pelo contribuinte, verificado no caso, tratase de vício formal. Ousamos discordar do nobre julgador. Se não há alusão acerca da espécie do vício que maculou o lançamento, no voto vencedor do último acórdão proferido nos autos do processo que anulou o lançamento originário há o reconhecimento expresso de que houve cerceamento do direito de defesa do ora recorrente, o que levou à sua anulação. Isso, aliás, consta da própria decisão recorrida, que reproduz esse trecho do aludido julgado, e o faz justamente para demonstrar que não há, nela, menção expressa à espécie do vício de que se trata, conforme se pode verificar abaixo, com destaque: Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 604 5 Esclareçase que a ação fiscal que originou o lançamento anulado foi realizada na filial da recorrente, situada na São José, nº 90, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, o que ensejou o indevido arbitramento do valor da base de cálculo do tributo lançado em decorrência da não apresentação de documentos no endereço equivocado da recorrente, contrariando decisão judicial transitada em julgado, que declarou seu domicilio tributário na rua Capitão Jorge Soares, nº 04, Centro, no Município de Rio das Flores/RJ (autos do processo nº 2003.51.01.0224300, da 7ª Turma do Tribunal Regional da 2ª Região, rel. Des. Sergio Schwaitzer). Desse modo, o cerceamento de seu direito de defesa, no caso, teve influência direta no conteúdo do lançamento, pela impossibilidade de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos úteis à fiscalização em razão da ação fiscal ter ocorrido em endereço diverso de seu domicílio fiscal, tratandose, assim, de vício material, não de uma mera formalidade do auto de infração, como sustentam tanto a Procuradoria da Fazenda Nacional quanto a 5ª Turma da DRJ/JFA. Nesse mesmo sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho já teve a ocasião de se pronunciar em processos semelhantes, envolvendo autos de infração anulados, originários da mesma malfadada ação fiscal, em que expressamente reconheceu que a nulidade do lançamento decorrente do cerceamento de defesa em função da ação fiscal ter ocorrido em local diverso do domicílio fiscal da recorrente diz respeito ao seu conteúdo, implicando em nulidade material: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 605 6 Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Exonerado (Acórdão nº 2301003.235 – 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicilio tributário, reconhecido em decisão judicial, que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal. Deve ser declarada a nulidade de lançamento que aplica arbitramento pela falta de apresentação de documentação quando a fiscalização foi realizada em domicílio diverso do eleito, vício que afeta a própria fundamentação em que se sustenta a imputação infracional. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202002.413 – 2ª Turma) Nesse passo, cumpre transcrever, dada sua clareza e relevância para a apreciação do presente de caso, trecho do voto proferido pelo relator do acórdão nº 9202002.413: Acresço a isto fundamento particular do caso em concreto que considero sobremaneira relevante. Embora a decisão judicial não tenha tratado diretamente do lançamento efetuado nos presentes autos, é fato que ele decorreu de arbitramentos efetuados pela fiscalização por falta de apresentação de documentação no domicílio fiscalizado (diverso do eleito). O fundamento da autuação – falta de apresentação de documentação comprobatória – tem assim relação direta com o vício de ilegalidade no exercício de fiscalização em domicílio diverso do eleito e em descumprimento a decisão judicial, consubstanciando situação em que o próprio lançamento, na origem, mostrase comprometido e eivado de vício. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 606 7 A postura da fiscalização de efetuar a fiscalização em domicilio diverso do eleito causou não só prejuízo à qualidade da acusação e da imputação infracional, mas inquinou de vício o próprio fundamento do arbitramento por ausência de apresentação de documentação comprobatória, medida que já é por si só extrema e admitida apenas em hipóteses excepcionais. Não se pode, nesta hipótese, considerar como ausente prejuízo para afastar a nulidade, por não se tratar de mero vício formal, mas de mácula que atinge a substância da imputação infracional. Resta claro, assim, que o vício que macula o lançamento original se trata de vício material, de modo que não se aplica ao presente caso o art. 173, II do CTN. Desse modo, considerando que os fatos geradores estão compreendidos entre julho/2001 e maio/2005 e que o procedimento fiscal visando a restabelecer os créditos tributários anulados teve início aos 03/12/2013 (fls. 44), o direito do fisco de fazêlo foi fulminado pela decadência, à luz do que dispõe o art. 173, I do CTN. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO VISANDO A RESTABELECER OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS ANULADOS Caso essa relatora reste vencida quando ao posicionamento adotado acerca da natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento original, cumprenos analisar a tese da defesa concernente à nulidade do novo lançamento visando a restabelecer o crédito tributário anulado. Segundo argumenta o recorrente, o novo lançamento padece do mesmo vício de nulidade em razão de cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que a fiscalização não lhe oportunizou, nesse novo procedimento, a apresentação de documentos e esclarecimentos relativamente ao crédito tributário em questão, apenas dele exigindo a última alteração de seu contrato social. Assim, alega que se o lançamento original foi anulado justamente em razão de cerceamento de defesa, não ter a fiscalização lhe dado oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos neste segundo lançamento caracteriza novo cerceamento ao seu direito de defesa. Inicialmente, cumprenos anotar que conforme apontado no relatório fiscal a fls. 60 (trecho, aliás, reproduzido no relatório da decisão recorrida fls. 556), o auto de infração ora combatido foi emitido exclusivamente para restabelecer, sem análise de mérito, a exigência anulada por decisão constante do Acórdão nº 20500.843, decisão esta que se tornou definitiva em face de ter sido negado seguimento ao recurso dela interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional visando reformar o referido julgado para que fosse apreciado o mérito do lançamento (Acórdão nº 920201.472, Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Especiais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, datado de 12/04/2011). O Acórdão nº 20500.843, por sua vez, que anulou o lançamento original, é expresso no seguinte sentido: “Reconheço a existência de cerceamento de defesa, o que acabou se evidenciando através das autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento. O Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 607 8 acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, prestando os esclarecimentos necessários e exibindo os documentos que justificam os fatos constatados pela fiscalização, constitui direito do contribuinte alinhado com os preceitos constitucional (sic) garantidores da ampla defesa e do contraditório”. Muito bem. Uma vez que essa decisão se tornou definitiva, não cabe mais a este colegiado analisar se houve ou não cerceamento de defesa no lançamento original, dado que essa questão já foi decidida afirmativamente por decisão administrativa transitada em julgado. Tratase, portanto, de questão posta. Assim, a nós somente nos cabe analisar se esse vício, assim já definitivamente reconhecido, é de natureza material ou formal e, superado este ponto, agora, nesta oportunidade, se o novo lançamento, tal como levado a efeito pela fiscalização, tem o condão ou não de restabelecer os créditos tributários que dele foram objeto. Nesse passo, a própria decisão recorrida reconhece que “por óbvio, os atos anulados devem ser repetidos saneandoos. Os atos não alcançados pela declaração de nulidade devem ser mantidos, conforme preceitua o art. 12 do Decreto 7.574/2011”, (destacamos) E prossegue: “O procedimento de restabelecimento da exigência não comporta fase instrutória, eis que o lançamento deve fundamentarse nos mesmos elementos de prova já levantados no processo anterior. Apenas o instrumento de lançamento (auto de infração) é que necessita ser reformulado, a fim de corrigir o erro que provocou a nulidade do auto primitivo. (...) Repetido o lançamento expurgandose o que imprestável à sua sanidade, abrese oportunidade de o sujeito passivo impugnálo em toda sua plenitude, apresentando as devidas e necessárias provas de seu interesse”. (destacamos) Ora, mas como haveria de ser saneado o procedimento fiscalizatório anulado e corrigido o erro que provocou a nulidade do auto primitivo, expurgandose o que de imprestável à sua sanidade, nas exatas palavras da decisão recorrida, se esse erro foi, exatamente, o cerceamento do direito de defesa do contribuinte? Seria tão somente mediante a solicitação de sua última alteração contratual? E seria isso, a apresentação de sua última alteração de seu contrato social, que a decisão recorrida entende como sendo uma nova oportunidade dada ao contribuinte de impugnar o auto em toda a sua plenitude, apresentado as devidas provas de seu interesse, uma vez que poderia ter ocorrido alteração de sua razão social, ou de seu domicílio tributário, ou reorganização societária, suficiente para corrigir o lançamento viciado por cerceamento de defesa? Data maxima venia, é evidente que não. E é evidente também que tudo aquilo que teve lugar no procedimento fiscalizatório anterior, sob a pecha de cerceamento de defesa, está irremediavelmente comprometido e não pode ser simplesmente validado com a simples Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 608 9 entrega de uma alteração do contrato social do contribuinte, sem que a ele se tivesse dado ocasião de apresentar documentos e considerações em sua defesa. De fato, a decisão recorrida tem razão. É sabido que o lançamento que substitui outro, anulado, não pode inovar além do ponto detectado na anulação. Mas aqui não se trata de inovação, de inserção de elementos novos, o que é vedado, mas sim de se dar oportunidade ao contribuinte de fazer prova com relação aos mesmos fatos constantes do lançamento anterior, anulado. Hugo de Brito Machado, ao tratar da reabertura de prazo para a correção de lançamento por vício formal, esclarece que “a reabertura de prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior”. (Aspectos do direito de defesa no processo administrativo. RDDT 175/106, abril/2010) E a nulidade do lançamento anterior, como já visto, é o cerceamento de defesa do contribuinte, de modo que um novo lançamento visando corrigilo no qual não seja dada oportunidade ao contribuinte de apresentar provas não se presta a essa finalidade, padecendo do mesmo vício do anterior, sendo, portando, nulo de pleno direito em face do cerceamento de seu direito de defesa. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para declarar extinto o crédito tributário em face da decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado Com a maxima venia, divirjo da Relatora quanto à natureza do vício ensejador da nulidade do primeiro lançamento e quanto à nulidade do segundo lançamento. Antes de considerações outras, gostaríamos de esclarecer que a definitividade da decisão consubstanciada no Acórdão nº 20500.843, do Segundo Conselho de Contribuintes, em nosso entendimento, diz respeito, tão somente, à anulação do primeiro lançamento fiscal, mas não à existência ou não de cerceamento do direito de defesa, até porque, segundo se observa no voto condutor do acórdão em comento, além da decisão ter tratado do cerceamento do direito de defesa de modo muito superficial, em apenas um parágrafo, quase que en passant (vide transcrição acima, no voto da Relatora), o julgado também se amparou numa suposta ausência de justificativa para a recursa do domicílio tributário, nos seguintes termos: Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 609 10 No caso sob exame temos que o sujeito passivo, logo após a ciência dos MPF e TIAD, manifestouse através de requerimento sobre o domicílio tributário eleito, apontando alteração de seus atos constitutivos e informando que sua documentação se encontrava no estabelecimento centralizador eleito. A resposta ao requerimento se limitou às alegações trazidas pela Procuradoria do INSS, já expostas no relatório, que em síntese são: a) em ação fiscal anterior, a documentação foi disponibilizada no estabelecimento ora fiscalizado; b) no papel timbrado da empresa não consta o endereço de Rio das Flores Volta Redonda/RJ; e c) o Poder Judiciário já analisou e rejeitou todos os argumentos trazidos pela empresa no requerimento. Assim procedendo, preferiu o órgão fiscalizador não demonstrar qual hipótese legal, impossibilidade ou dificuldade para a realização da ação fiscal, se configurou para a recusa do domicílio eleito pelo sujeito passivo, já que a matéria estava sendo deduzida em juízo e não havia até aquela data decisão judicial deferindo as pretensões do sujeito passivo. De fato, a última decisão judicial foi pelo indeferimento da medida cautelar inominada. Só que o fundamento evidencia que sequer o juízo sumário sobre o mérito foi enfrentado. Entendeu o Egrégio Tribunal Regional Federal da 2a Região que a cautelar não se presta para a realização do direito pretendido com a apelação, mas apenas para assegurar a instrumentalidade deste direito. Entendo que ao se sujeitar integralmente aos argumentos trazidos pela Procuradoria do INSS, sem mencionar a hipótese para a recusa do domicílio tributário eleito e, após, demonstrá la, o órgão fiscalizador assumiu que prevaleceria o desfecho do processo judicial, isto é, quando a sentença transitasse em julgado. Entendo que, equivocadamente, aplicouse ao caso o disposto no artigo 126, § 3° da Lei n° 8.213/91 combinado com o artigo 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: [...] Equivocadamente porque desejasse fazer uso da prerrogativa de recusar o domicílio eleito pelo sujeito passivo, caberia demonstrar a ocorrência de uma das hipóteses previstas no artigo 127, §2° do CTN, já que não havia à época tutela judicial que a impedisse. Ao fazêla apenas sob o argumento de que havia discussão sobre a matéria em processo judicial, o órgão fiscalizador adotou, desnecessariamente, postura de submissão ao seu desfecho. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 610 11 Sendo assim, para que possamos identificar a natureza do vício ensejador da anulação (se formal ou material), uma vez que omitida no Acórdão nº 20500.843, temse por imprescindível avaliarmos se houve, de fato, algum cerceamento do direito de defesa, em razão da fiscalização ter sido realizada na Cidade do Rio de Janeiro, e se a recusa do domicílio tributário foi devidamente justificada. Pois bem, para melhor análise do caso, vejamos, primeiramente, o que restou consignado no item 11.1, e subitens, do relatório fiscal referente ao lançamento anulado (processo 35301.014169/2006311, fls. 264 e 265): 11.1. No início dos presentes trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa MI Montreal, esta encaminhou em 24/06/2005 ao INSS um requerimento, e seus anexos, protocolado sob o nº 35301.005732/200507 (protocolo geral da Gerência Executiva do Rio de Janeiro Centro), informando a Sra. Chefe do Serviço de Fiscalização que havia manifesto equívoco quanto à Autoridade competente para a determinação da fiscalização, bem como quanto ao seu cumprimento. Justifica a empresa que, conforme consta no seu contrato social, devidamente registrado na JUCERJA, sua sede é na Rua Capitão Soares nº 04, em Rio das Flores, Volta Redonda, RJ, sendo este, portanto, seu domicílio fiscal, “sob jurisdição da GRAF de Volta Redonda”. No referido requerimento, e em seus anexos, a empresa MI Montreal não faz referência a nenhuma ação judicial, onde figure como parte autora, em que se discute o seu domicílio tributário. O requerimento, sem os seus anexos, encontrase no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 11.1.1. Encaminhado o Processo n2 35301.005732/200507 (carta e seus anexos) para Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), esta se manifestou conforme transcrição abaixo dos parágrafos 6, 7 e 9 da resposta proferida contida no Despacho Nº 17.200.310DCGD/RJ, de 18/07/2005, ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. 6. Como se vê do requerimento [...] do contribuinte, foi omitida a existência de ação judicial discutindo a fixação do domicílio fiscal do requerente. Todavia, da leitura da sentença proferida na ação ordinária nº 200351010224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.29/33), notase que todos os argumentos apresentados pela empresa já foram analisados e rejeitados pelo Poder Judiciário, que considerou justificada a recusa do INSS em aceitar o domicílio eleito, aplicandose à hipótese o artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. 7. Acrescentase, nesta oportunidade, que o contribuinte propôs a Medida Cautelar Inominada nº 2005.02.01.0055337, junto ao Tribunal Regional Federal da 2º Região, visando à declaração de que o seu domicílio 1 Segue em apenso ao presente processo. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 611 12 fiscal é em Rio das Flores/RJ, tendo a petição inicial sido indeferida, conforme se vê às fls. 34/37. 9. Concluise, pois, que o requerimento do contribuinte já é objeto de demanda judicial, que julgou improcedente a alteração do domicílio fiscal, devendo a ação fiscal proceder na filial 0012, Rua São José, 90, 7º andar, nesta Capital, em obediência às decisões judiciais vigentes. 11.1.2. A empresa MI Montreal foi notificada do despacho da Procuradoria em 29/07/2005, conforme ciência firmada pelo representante legal da empresa, Sr. Paulo Sérgio de Assumpção, numa cópia do referido despacho, juntada a esta NFLD no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. Nesta mesma data foi deixado o TIAD nº 2 que formalizou o reinício dos trabalhos de Auditoria Fiscal na empresa, conforme comando contido no despacho do Sr. Delegado da Receita Previdenciária datado de 21/07/2005, reproduzido no ANEXO ALTERAÇÃO DE DOMICÍLIO FISCAL a este REFISC. (Grifos no original) Conforme se observa, após iniciado o procedimento fiscal, o contribuinte apresentou requerimento à Gerência Executiva do INSS, no Rio de Janeiro/RJ, por meio do processo 35301.005732/200507, apontando suposto equivoco quanto à autoridade competente para realizar a fiscalização, informando que seu domicílio seria na Rua Capitão Soares nº 4, em Rio das Flores, Volta Redonda/RJ. Em razão do alegado, a fiscalização foi interrompida e o processo 35301.005732/200507 foi encaminhado à Divisão de Cobrança de Grandes Devedores da ProcuradoriaGeral Federal (AdvocaciaGeral da União), para manifestação a respeito, tendo este setor da Procuradoria informado quanto à discussão judicial acerca do domicílio tributário do contribuinte e da sentença proferida na ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, pelo juízo da 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que confirmou o domicílio na Capital do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, 7º andar. O contribuinte foi, então, cientificado da manifestação da Procuradoria, recebendo, na mesma oportunidade, o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) nº 2, que formalizou o reinício da fiscalização. Insta destacar que o INSS, nos autos da ação ordinária nº 2003.51.01.022430 0, fez a devida demonstração dos motivos pelos quais recusou o domicílio eleito pelo contribuinte com vistas a proceder à fiscalização na Capital do Rio de Janeiro. Por oportuno, pedimos venia para transcrevermos o seguinte trecho da decisão judicial em tela (processo 35301.014169/200631, fls. 786 a 790): M. I. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA., qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, Objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, nº 4 Rio das Flores RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 612 13 recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. [...] O feito está pronto para receber julgamento no estado em que se encontra, nos termos do artigo 330, I, do CPC. Algumas considerações introdutórias devem ser feitas. A decisão que deferiu o pedido de antecipação de tutela, da lavra do ilustre Dr. Carlos Alexandre Benjamin, estava fundada na alegação deduzida na inicial, no sentido de que a sede da autora estava fixada no Município de Rio das Flores, e tal assertiva foi demonstrada pela apresentação da última alteração contratual da sociedade, na qual foi alterada a cláusula primeira do contrato social da autora. Ali se lê que sua sede social está situada em Rio das Flores (cf. fls. 17 e 18 cláusula primeira denominação, sede e filiais). Tal constatação, a princípio, autorizava a aplicação do disposto no artigo 127, II, do Código Tributário Nacional. Entretanto, ofertada a defesa, todo o quadro se modificou, pois tudo indica que a fixação da sede no Município Rio das Flores foi o meio encontrado pela autora para dificultar a ação da fiscalização. Confirase excerto da contestação, que transcrevo, “in verbis”: Ao revés do noticiado pela Autora, o local onde instalado a Diretoria, o núcleo decisório da empresa, corresponde em verdade, à cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, como atesta a última alteração contratual, 37º, adunada pela Autora às fls. 15/23, local em que sediada até então. A referida ata comprova, igualmente, que a controladora da empresa MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., cláusula 4ª, fls. 19, é sediada no indigitado endereço. Igualmente significativo, que a sede indicada no instrumento de Procuração, de fls. 13, outorgada aos causídicos signatários da exordial, corresponde à Rua São José, 90, 7º ao 9º andar, Centro, Rio de Janeiro – RJ. [...] A transferência do domicilio fiscal de uma empresa que, segundo o preambulo da exordial, fls.02, fora constituída em 1976, tendo por ramo de negócio serviços ligados à área de informática, execução de serviços de engenharia de sistemas, prestação de serviços de processamento de dados, de planejamento, de consultoria de treinamento, de impressão a laser, mercancia de equipamentos e materiais, para o Município de Rio das Flores, no interior do Estado, local alheio ao da prestação de tais serviços e Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 613 14 distinto do em que atua sua Diretoria, só pode ter a conotação de criar embaraço à fiscalização. A Circunstância de que a Autora presta serviços à Prefeitura do Rio de Janeiro, Petrobrás, Serviço Federal de Processamento de Dados SERPRO, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, Empresa. Brasileira de Correios e Telégrafos, à toda evidência, efetuados em local distinto da sede de Rio das Flores, autoriza o entendimento preconizado pelo Eg. STJ de que a opção visa, tão só, criar embaraço a fiscalização, autorizandose ao INSS a recusa do domicílio eleito. (cf. fls.91/93) Tais esclarecimentos modificam todo o quadro anteriormente vislumbrado. Mas há mais: Advirtase, ainda, que a agravada se constitui numa das maiores devedoras previdenciárias, tendo lançados em seu desfavor 54 débitos que montam a R$ 42.258.006,27 (quarenta e dois milhões duzentos e cinqüenta e oito mil seis reais e vinte sete centavos), conforme atestam os extratos em anexo. A inconfessada intenção da açodada transferência de sede pela Autora, é de refugir à atuação centralizada da Divisão de Cobrança de Grandes Devedores, que só atua na capital do Estado, na execução fiscal dos indigitados créditos, que se encontram em fase de iminente julgamento pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, como atestam os extratos CCREDEXT adunados, que registram que a maioria dos créditos aguarda, tãosó, a expedição de acórdão para inscrição em dívida ativa. Consoante o disposto no art. 109, §1º, da CRFB/88 e art. 57B do Código [...], as execuções fiscais para cobrança dos referidos créditos, deverão ser ajuizadas no foro do domicílio do réu. Assim é de todo interesse da autora, que seja reconhecido o domicilio fiscal como Rio das Flores, em cuja circunscrição deverão ser ajuizados os executivos atinentes aos créditos que montam a mais de R$ 40 MILHÕES de reais, refugindo ao âmbito de atuação da Divisão de Grandes Devedores e, obviando a efetiva cobrança judicial, dado que não dispõe de patrimônio na comarca, ensejando a expedição de cartas precatórias, para ordinária necessidade de garantia do juízo. (grifos originais cf. fls.93) Em síntese, tais informações do INSS no sentido de que a intenção da autora, ao transferir sua sede de local situado no Centro do Rio de Janeiro (onde passou a funcionar suposta filial) para município no interior do Estado, foi impedir a atuação da Divisão de Grandes Devedores, que só atua na capital, dificultando a fiscalização e arrecadação tributária estão amparadas em farta documentação acostada aos autos (confirase, especialmente, a diligência autuada em fls.113/114, Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 614 15 no qual foi constado que no local, indicado como sede da sociedade, não havia qualquer representante legal, mas apenas uma secretária, e o local é guarnecido com aparelho de fac símile, e estantes com caixas de arquivos). Portanto, justificada está a recusa do INSS a aceitar o domicilio eleito, e tal postura tem amparo no disposto no artigo 127, §§ 1º e 2º do Código Tributário Nacional. Sendo assim, o pedido é de ser julgado improcedente. II Do exposto, JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO. (Grifos no original) Portanto, como se pode ver, além da recusa do domicílio eleito ter sido plenamente justificada pela autoridade tributária, esteve devidamente amparada pela Justiça Federal, quando da realização do procedimento fiscal. Lembrando que a recusa do domicílio eleito encontra fundamento no art. 127, §§ 1º e 2º, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: [...] § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Dessa forma, restou consignado em todos os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIADs), como endereço para a disponibilização de documentos e informações, a Rua São José, nº 90, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, conforme se observa no seguinte excerto do TIAD nº 20, constante do processo 35301.014169/200631, fl. 278: A documentação assinalada, relativa ao período de 01/2001 a 05/2005, e a todos os estabelecimentos da empresa, inclusive obras de construção civil, deverá ficar à disposição desta Fiscalização, no endereço RUA SÃO JOSÉ N. 90 7 ANDAR, CENTRO, RIO DE JANEIRO RJ, a partir de 28/07/2006 às 10:00 horas, durante todo o desenvolvimento do procedimento fiscal. A referida documentação deverá, ainda, ser liberada com vistas à extração de cópias reprográficas, destinadas à instrução processual, podendo, também, o sujeito passivo, se preferir, fornecer as cópias que se fizerem necessárias. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 615 16 (Grifos no original) Pois bem, compulsando os autos do processo 35301.014169/200631, nota se, claramente, que após ter sido superada a questão quanto ao domicílio tributário, o procedimento fiscal transcorreu normalmente, tendo a empresa fornecido diversos documentos solicitados pela fiscalização. Todavia, pela não apresentação de parte da documentação solicitada e valendose da prerrogativa prevista no art. 33, § 3º, da Lei 8.212, de 24/7/91, a fiscalização procedeu à apuração das bases de cálculo, das contribuições lançadas, por aferição indireta. Insta destacar que na fase preparatória do lançamento, que corresponde a uma fase inquisitória, a fiscalização atua com amplos poderes de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe, com vistas a efetuar o lançamento. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa durante o procedimento fiscal. O que se desenvolve nessa fase é um “procedimento preparatório do ato de lançamento tributário” 2, no qual a fiscalização coleta os elementos capazes de justificar a exação consubstanciada no lançamento. Finalizada essa etapa e consolidado o lançamento, deste é dado ciência ao contribuinte para que efetue o pagamento dos créditos lançados ou para que apresente a sua defesa (impugnação), momento em que se instala o contencioso administrativo, segundo previsto no art. 14 do Decreto 70.235, de 6/3/72. Importa ressaltar que o arbitramento da base de cálculo, por meio de aferição indireta, corresponde, tão somente, a uma técnica de auditoria empregada para se apurar o montante das contribuições devidas na fase preparatória do lançamento, com inversão do ônus da prova ao contribuinte. Dessa forma, uma vez que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). De mais a mais, conforme se depreende dos autos, tanto do lançamento anulado (35301.014169/200631), quanto do lançamento substitutivo (10680.721516/201366), o relatório fiscal e seus anexos são perfeitamente compreensíveis, estando devidamente motivado o lançamento e cumprindo todas as formalidades essenciais relacionadas à sua lavratura, tais como: a qualificação do sujeito passivo; a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem; o valor do crédito lançado e o prazo para recolhimento ou impugnação; a disposição legal de regência; a assinatura dos Auditores Fiscais, a indicação dos seus cargos e o número de matrícula. Atende, pois, às exigências do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse contexto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, máxime quando há nos autos prova de que o contribuinte foi regularmente cientificado da exação tributária, tendo tido acesso a todas as informações necessárias para elaborar a sua defesa. Tanto foi possível o pleno exercício do direito de defesa que utilizou dessa prerrogativa, conseguindo contestar (na impugnação e no recurso voluntário) tanto os aspectos formais como materiais do lançamento, de uma forma bastante abrangente e extensa. 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro. São Paulo: Editora Dialética, 2002, p. 260. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 616 17 Além do mais, no caso em tela, não entendemos que a fiscalização realizada no estabelecimento da empresa, situado na Capital do Rio de Janeiro, tenha representado qualquer obstáculo ao exercício do direito de defesa. Sem sobra de dúvida, a fiscalização foi realizada em estabelecimento importante da empresa, quiçá em estabelecimento com status material de sede, situado em localidade onde, seguramente, na época da ação fiscal, a empresa possuía o maior número de clientes e negócios no Estado, sendo um de seus clientes, inclusive, a própria Prefeitura do Rio de Janeiro. Isso sem mencionar o fato de que, segundo a 37ª alteração contratual da empresa3, a sua Diretoria esteve instalada na Cidade do Rio de Janeiro, na Rua São José, 90, grupos 708/9, endereço no qual, aliás, encontravase sediada a MISC PARTICIPAÇÕES LTDA., sua controladora. Acrescentese que no papel timbrado da empresa, no qual foi comunicado à fiscalização sobre o seu domicilio eleito, no início do procedimento fiscal (processo 35301.014169/200631, fls. 781 a 785), consta, em seu rodapé, endereço na Cidade do Rio de Janeiro e não na Cidade de Rio das Flores, o que só vem a corroborar a importância do estabelecimento situado na capital do Estado: Ademais, se parte da documentação solicitada pela fiscalização esteve arquivada no Município de Rio das Flores/RJ, cabia à empresa transferir essa documentação para o seu estabelecimento situado na Cidade Rio de Janeiro/RJ, a fim de atender aos termos de intimação. Lembrando que o procedimento fiscal durou mais de um ano, ou seja, de 30/5/05 (MPF4) a 24/8/06 (TEAF5). Cabe destacar, inclusive, que em seu primeiro recurso voluntário (processo 35301.014169/200631, fls. 1.466 a 1.488), a Recorrente não fez qualquer alegação quanto ao seu domicílio tributário e nem apontou qualquer dificuldade quanto ao fornecimento de documentos, em razão da fiscalização ter sido realizada na Cidade do Rio de Janeiro. Sendo assim, diante de todo o exposto, não vislumbramos qualquer erro de direito ou qualquer mácula na essência do lançamento original, capaz de ensejar a sua anulação por vício material. Todavia, tendo em vista que o lançamento foi anulado pelo CARF, de ofício, uma vez que a decisão judicial, que havia acatado a recusa do domicílio tributário eleito, fora reformada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em 2007, reconhecendo o domicílio do contribuinte no município de Rio das Flores/RJ, no muito, o quadro aponta para um erro de fato no instrumento do lançamento, passível de caracterizar vício formal. Nessa linha é a Solução de Consulta Interna nº 8, de 2013, da CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB): 3 Informação extraída da sentença proferida nos autos ação ordinária nº 2003.51.01.0224300, cujo excerto foi transcrito neste voto. 4 Mandado de Procedimento Fiscal constante do processo 35301.014169/200631, fl. 33. 5 Termo de Encerramento da Ação Fiscal constante do processo 35301.014169/200631, fls. 253 a 256. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 617 18 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra matriz de incidência que configure erro de direito é vício material. Dispositivos Legais: arts. 10, 11 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF); arts. 142 e 173, II, da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Segue esse entendimento, também, o Parecer PGFN/CAT nº 278/2014: LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NATUREZA DO DEFEITO. POSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO CASO CONCRETO. I O erro na identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar tanto um vício material quanto formal, a depender do caso concreto, não se podendo afirmar, aprioristicamente, em que categoria o defeito se enquadra. II Se o equívoco se der na “identificação material ou substancial” (art. 142 do CTN), o vício será de cunho “material”, por “erro de direito”, já que decorrente da incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram a prática do ato. Por outro lado, se o engano residir na “identificação formal ou instrumental” (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), o vício, por consequência, será “formal”, eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra insculpida no art. 173, II, do CTN. Convém observar, ainda, que a autoridade tributária, antes de proceder à realização do lançamento substitutivo, agiu com diligência, buscando se certificar quanto à natureza do vício que levou à anulação do lançamento original, segundo se extrai no parágrafo 7.1 do relatório fiscal, fl. 62: 7.1. Ressaltamos que em consulta formulada à Procuradoria da Fazenda Nacional no Rio de Janeiro – PFN (Procuradoria Seccional em Volta Redonda) pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda, a douta Procuradoria esclareceu que se trata de vício formal quando “o procedimento fiscal é realizado em domicílio diverso do eleito pelo contribuinte”, conforme demonstrado no ANEXO IV. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10680.721516/201366 Acórdão n.º 2402006.681 S2C4T2 Fl. 618 19 (Grifo no original) Também não vemos qualquer mácula no procedimento fiscal que resultou no lançamento substitutivo ao não oportunizar à Recorrente, durante a sua realização, a apresentação de documentos e informações, pois tal lançamento teve por fim, apenas, corrigir um vício formal no instrumento do lançamento, referente ao domicílio tributário, o qual, diga se de passagem, nem mais é em Rio das Flores/RJ, mas sim em Belo Horizonte/MG. Além do mais, com a ciência do lançamento substitutivo, foi instaurada a fase contenciosa do novo procedimento fiscal, e aí sim foi oportunizado à Recorrente o direito de carrear aos autos, junto com sua impugnação, documentos e informações capazes de amparar sua defesa, porém, não aproveitou essa oportunidade, limitandose a alegar a nulidade das autuações (original e substitutiva), o que permite concluir que a Recorrente não possui os alegados documentos ou, se os possui, tais documentos deporiam contra a defesa, explicando, assim, a sua não apresentação. Portanto, não restou evidenciada a ocorrência de vício material no lançamento anulado e, por conseguinte, temse por correta a realização do lançamento substitutivo, nos termos do art. 173, inciso II, do CTN, uma vez que os créditos lançados não foram atingidos pela decadência. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.724163/2014-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
PERDA DE ESPONTANEIDADE.
O primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, exclui a espontaneidade não só do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, como, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.
PARCELAMENTO. DÉBITOS AUTUADOS
Se o contribuinte, sob procedimento fiscal, contratou o parcelamento dos débitos antes da constituição de ofício do crédito tributário, os débitos parcelados seguirão sendo quitados pela interessada mediante as prestações do parcelamento; os demais valores constituídos por lançamento de ofício e que excederem o montante daqueles, serão objeto de cobrança administrativa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/08/2012, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012
RECEITA OMITIDA. DESÁGIO. RECEITAS FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA
É descabida a reclamação de que a fiscalização teria reconhecido receitas no regime de competência enquanto que a Autuada havia optado pelo regime de caixa, se todos os demonstrativos fiscais evidenciam que os valores autuados de receitas de deságios e receitas financeiras foram computados no regime de caixa, ou seja, à medida em que foram realizados/recebidos.
RECEITA OMITIDA. DESÁGIO. RECEITAS FINANCEIRAS.
Correta a autuação fiscal sobre valores de créditos que a Autuada realizou, mediante o recebimento das ações da credora, mas sua contabilidade não refletiu os fatos e tampouco a Autuada ofereceu à tributação os valores realizados (regime de caixa) do deságio na aquisição desses créditos e das receitas financeiras acumuladas desde a aquisição até a realização.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS.
Descabe considerar como receita operacional de atividade imobiliária, as alienações efetuadas de imóveis que não constavam do ativo circulante da empresa que não é do ramo de compra e venda de imóveis.
DESPESAS GLOSADAS. MATÉRIA NÃO OBJETO DA AUTUAÇÃO.
Descabe julgar matéria que não foi objeto da autuação fiscal em análise.
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes, o decidido no principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012
DECADÊNCIA.
Caracterizado o dolo e inexistindo pagamentos, aplica-se o prazo do art. 173, I do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITOS CONFESSADOS NÃO ESPONTANEAMENTE.
É dever funcional da autoridade administrativa constituir de ofício o crédito tributário relativo a débitos não confessados espontaneamente.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. .
Comprovada a intenção dolosa de sonegar tributos/contribuições pela apresentação das DIPJ e DCTF zeradas, contabilização errada das receitas de deságio e receitas financeiras auferidas, não contabilização das receitas de deságio e financeiras auferidas na conversão de créditos em capital social da credor, falta de contabilização e não declaração dos resultados da alienação de 4 (quatro) imóveis, cabível a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1201-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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RECEITA, GANHO CAPITAL, RESP SOLID Recorrente D & D ADMINISTRADORA DE BENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PERDA DE ESPONTANEIDADE. O primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, exclui a espontaneidade não só do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, como, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. PARCELAMENTO. DÉBITOS AUTUADOS Se o contribuinte, sob procedimento fiscal, contratou o parcelamento dos débitos antes da constituição de ofício do crédito tributário, os débitos parcelados seguirão sendo quitados pela interessada mediante as prestações do parcelamento; os demais valores constituídos por lançamento de ofício e que excederem o montante daqueles, serão objeto de cobrança administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/08/2012, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 RECEITA OMITIDA. DESÁGIO. RECEITAS FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 41 63 /2 01 4- 50 Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 3 2 É descabida a reclamação de que a fiscalização teria reconhecido receitas no regime de competência enquanto que a Autuada havia optado pelo regime de caixa, se todos os demonstrativos fiscais evidenciam que os valores autuados de receitas de deságios e receitas financeiras foram computados no regime de caixa, ou seja, à medida em que foram realizados/recebidos. RECEITA OMITIDA. DESÁGIO. RECEITAS FINANCEIRAS. Correta a autuação fiscal sobre valores de créditos que a Autuada realizou, mediante o recebimento das ações da credora, mas sua contabilidade não refletiu os fatos e tampouco a Autuada ofereceu à tributação os valores realizados (regime de caixa) do deságio na aquisição desses créditos e das receitas financeiras acumuladas desde a aquisição até a realização. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. Descabe considerar como receita operacional de atividade imobiliária, as alienações efetuadas de imóveis que não constavam do ativo circulante da empresa que não é do ramo de compra e venda de imóveis. DESPESAS GLOSADAS. MATÉRIA NÃO OBJETO DA AUTUAÇÃO. Descabe julgar matéria que não foi objeto da autuação fiscal em análise. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase aos lançamentos decorrentes, o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012 DECADÊNCIA. Caracterizado o dolo e inexistindo pagamentos, aplicase o prazo do art. 173, I do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITOS CONFESSADOS NÃO ESPONTANEAMENTE. É dever funcional da autoridade administrativa constituir de ofício o crédito tributário relativo a débitos não confessados espontaneamente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. . Comprovada a intenção dolosa de sonegar tributos/contribuições pela apresentação das DIPJ e DCTF zeradas, contabilização errada das receitas de deságio e receitas financeiras auferidas, não contabilização das receitas de deságio e financeiras auferidas na conversão de créditos em capital social da credor, falta de contabilização e não declaração dos resultados da alienação de 4 (quatro) imóveis, cabível a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 520/611, que exigem R$2.806.661,84 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no regime lucro presumido, devido às infrações: 0001 Omissão de Ganhos de Capital (deságio em aquisição de direitos creditórios e omissão de receitas financeiras incidentes sobre estes, item 4.3.2 do Relatório Fiscal), fatos geradores 30/03/2009; omissão de ganho de capital auferido em operações imobiliárias (item 5 do relatório Fiscal), fato gerador em 30/08/2012; 002 Omissão de Receitas (não inclusão de receitas relativas a deságio em aquisição de direitos creditórios, e não inclusão de receitas financeiras destes, item 4.3.1 do Relatório Fiscal), fatos geradores em 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 30/09/2012, 31/12/2012. R$1.036.318,25 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reflexo das mesmas infrações. R$194.240,46 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, incidência cumulativa padrão, reflexo da infração 001, fato gerador 31/03/2009; R$42.085,43 de Contribuição para o PIS, incidência cumulativa padrão, reflexo da infração 001, fato gerador em 31/03/2009. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício 150%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Relatório Fiscal, págs. 612/669. 2. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, pág. 672, de Dilnei Heizen, CPF 767.708.42904, nos termos dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 3. Cientificados o contribuinte e o responsável solidário, em 26/11/2014, págs. 670/671 e 675, o contribuinte apresentou impugnação, págs. 696/798; às págs. 878/879, despacho de saneamento, nos seguintes termos: Apesar de o administrador ser o representante legal da pessoa jurídica, e ter, inclusive, assinado a procuração em que a D&D ADMINISTRADORA DE BENS LTDa outorga poderes de representação processual ao subscritor da impugnação, Sr. IVAN ADOLFO HADLICH, não consta procuração para que o referido subscritor seja também representante processual do administrador. Vejase que, na procuração, apenas a D&D aparece na qualidade de “outorgante”, tendo o Sr. DILNEI Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 5 4 HEINZEN figurado como representante legal da pessoa jurídica, e não como “outorgante”. Para que a impugnação fosse recebida também em nome do administrador, designado responsável tributário, necessário que ele (o administrador) a tivesse subscrito, ou que tivesse sido providenciada a juntada procuração com outorga de poderes do Sr. DILNEI HEINZEN, para que o Sr. IVAN ADOLFO HADLICH também o representasse. Segundo o preceito normativo à época em vigor (art. 6º do Código de Processo Civil – CPC, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), e agora reproduzido no art. 18 do Código de Processo Civil – CPC, instituído pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. 4. Em resposta o responsável solidário, Dilnei Heinzen, juntou a procuração de pág. 886, outorgando poderes ao advogado que subscreveu a impugnação, ficando assim saneada a questão. 5. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, proferiu o Acórdão nº 1463.210 de 05/10/2016, págs. 889/950, que considerou a impugnação improcedente: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO. ADMINISTRADOR. Consolidase administrativamente a matéria não expressamente impugnada, operandose em relação a ela a preclusão processual. ARROLAMENTO DE BENS. INCOMPETÊNCIA DOS ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS DE JULGAMENTO. Nos termos da delimitação imposta pelo Decreto nº 70.235, de 1972, a apreciação acerca da procedência de arrolamento de bens e direitos formalizado pela autoridade fiscal não se insere na competência dos órgãos administrativos de julgamento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. DENÚNCIA DA INFRAÇÃO E PAGAMENTO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. A responsabilidade por infrações é excluída pela denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 6 5 STJ, no Recurso Especial nº 1.102.577, de 22/04/2009, sujeito ao regime dos Recursos Repetitivos, já decidiu que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. RECEITAS DE DESÁGIO E RECEITAS FINANCEIRAS. Comprovado que a tributação se deu no momento do recebimento das receitas auferidas, por ocasião da quitação dos títulos, mediante pagamento efetuado pela devedora, ou por ocasião da utilização dos títulos na conferência de bens para integralização de aumento de capital, procedente o lançamento. LUCRO PRESUMIDO. ALIENAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. Numa empresa dedicada à assessoria empresarial administrativa, à administração de bens próprios móveis e imóveis, e à participações em outras sociedades de qualquer natureza, deve ser tributado o ganho de capital auferido na alienação de bens do ativo permanente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA REITERADA E SISTEMÁTICA. Comprovada a conduta reiterada e sistemática de omissão de todas as receitas comprovadamente auferidas na atividade operacional, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO/DECLARAÇÃO. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ausente a antecipação do pagamento, e nos casos de dolo, fraude ou simulação, deve ser aplicada a norma prevista no art. 173, I, do CTN, contando se o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Como a ciência dos lançamentos se efetivou antes do decurso do prazo decadencial, o crédito tributário encontrase regularmente constituído. 6. O contribuinte e responsável solidário foram cientificados em 20/10/2016, págs. 961/962 e apresentaram o Recurso Voluntário de págs. 964/989, em 21/11/2016, tempestivo. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 7 6 7. Acusam de notoriamente nulo o lançamento efetuado, porque foi lavrado sob o inócuo argumento de que um "Termo de Diligência Fiscal" endereçado a esse contribuinte, que decorre de ação fiscal em outro contribuinte, que tratava de apurar outros fatos visivelmente desconexos com as "condutas praticadas" por este contribuinte, pode ser caracterizado como "inicio de ação fiscal", a teor do § 1º do art. 33 do Decreto nº 7.574, de 2011, como afirmou a fiscalização e o Acórdão recorrido, e excluir a espontaneidade da Recorrente de retificar suas DCTF's e DIPJ's que, originalmente, haviam sido apresentadas com erro; e assevera que, ao ser cientificada do MPFF 09.2.04.00.2014.007311 (atinente à Autuada) em 08/10/2014, os débitos relativos aos mesmos fatos geradores já estavam todos declarados em DCTF, desde 05/08/2014, e em DIPJ, desde 08/08/2014, e não é verdade que o procedimento fiscal junto à empresa Textil Renauxview S/A tratasse dos mesmos atos aqui autuados. Reitera que: o contribuinte, ora recorrente, tratou de apurar, declarar (em DCTF e em DIPJ) valores referentes a receitas e, as consequentes tributações sobre as mesmas receitas, mais tarde formalizando parcelamento de débitos regularmente, estando absoluta e rigorosamente em dia com o aludido parcelamento até os dias atuais e, isso gostem os agentes fiscais ou não, NUNCA TEVE QUALQUER RELAÇÃO COM O OBJETO DA AÇÃO FISCAL EM CURSO NA EMPRESA “TEXTIL RENAUXVIEW”. 8. Aduz que o lançamento fiscal se refere a : valores e fatos JÁ OBJETO DE REGULAR DECLARAÇÕES, tanto em DCTF, quanto em DIPJ pelo contribuinte, MESES ANTES DE INICIADO O PROCEDIMENTO INSTAURADO PELO MPF 09.2.01.00.2014007311 (MPFF 09.2.04.00.2014.007311 atinente à Autuada), se resumem em síntese, a esse contribuinte não ter declarado e oferecido a tributação, na época própria, receitas decorrentes do recebimento parcial de créditos de terceiros, contra a empresa “Têxtil Renauxview”, adquiridos junto aos credores originários com deságio, títulos esses que, em muitos casos, ainda estão sendo objeto de cobrança por parte da recorrente. 9. E que a diligência que foi realizada na empresa Recorrente era a aferição em relação à fiscalizada "Textil Renauxview" quanto ao seu endividamento perante terceiros, restou estabelecido pela própria fiscalização, que todos estes direitos creditórios foram contabilizados pela Recorrente pelo seu valor de aquisição, onde a fiscalização reconhece que teve pleno conhecimento dos montantes lançados, das contas utilizadas; conforme admitido pela fiscalização, como resultado de suas diligencias, NÃO houve qualquer divergência apurada em relação ao objeto do MPF 09.2.04.002014001366 (diligência na Autuada, durante a fiscalização na Textil Renauxview), qual seja, a aferição de informações quanto ao endividamento perante terceiros da investigada, e é absurdo ser mais tarde autuada, em NOVEMBRO DE 2014. com base nos mesmos valores e competências JÁ DECLARADOS em AGOSTO DE 2014. que NADA TEM A VER COM o aludido MPF. 10. Cita que o procedimento fiscal contra a Textil Renauxview, iniciou em 27/03/2014, e discorda que seja hábil para excluir a espontaneidade também da Recorrente, como terceiro envolvido e questiona qual seria a infração, se o objeto da autuação é diverso do da diligência que apurou infração na outra empresa? Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 8 7 11. No mérito, diz que, cientificada do início da fiscalização em 08/10/2014, já havia consolidado os débitos de IRPJ e CSLL que, salvo erro da fiscalização, correspondem aos da autuação, já havia requerido o parcelamento da Lei nº 12.996, de 2014 e pago a 1ª parcela em 08/2014; anexa comprovantes de pagamentos do parcelamento, doc. 02; destaca que o parcelamento suspende a exigibilidade do crédito tributário, art. 151, VI do CTN, por isso, os débitos da autuação já não são mais exigíveis. 12. Além de que, os créditos autuados já estavam atingidos pela decadência, pois o autuante não logrou comprovar o dolo; e aduz que os débitos estavam declarados e as antecipações legalmente exigíveis em parcelamento devidamente quitadas; cita jurisprudência. 13. Disserta sobre a impossibilidade de lançamento de ofício relativo a débitos confessados em DCTF e DIPJ. 14. Aponta a inexigibilidade da multa de ofício frente a declaração em que confessou o débito e ao parcelamento do valor devido nos termos da Lei n° 11.941, de 2009. 15. Reclama da impossibilidade de tributação em relação a valores “não realizados”, no regime de tributação pelo lucro presumido, pelo regime de caixa, pelo qual a recorrente optou, e descreve valores não realizados, pág. 977/980, e diz: Em dado momento de seu relatório, o r. agente fiscal, mesmo tendo reconhecido ter pleno conhecimento de que a impugnante optou pela tributação, nos anos calendário em análise, com base no LUCRO PRESUMIDO, pelo REGIME DE CAIXA, propõem e insensata e ilegal exigência de tributação do chamado “deságio” no momento da aquisição de créditos, contra a “Textil Renauxview” junto a terceiros. 16. Aponta impossibilidade de tributação de venda de bens integrantes do estoque de imóveis para revenda, apurando ganho de capital, no lucro presumido, pois os quatro imóveis haviam sido adquiridos para revenda, conforme objeto social da empresa, e vendidos em 30/08/2012. 17. Acerca das despesas consideradas indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, por não necessárias às atividades da empresa: glosa de depreciação de veículos locados, em que o julgador entendeu que o contrato de locação entre a Quimisa e a Quimilog, não atende os requisitos exigidos pelo Código Civil (art. 565 a 578), e portanto, não pode ser considerado um contrato válido, assevera que existe e foi reconhecido pela fiscalização e descreve detalhes, págs. 981/985; requer as deduções da depreciação de veículos e de despesas financeiras. 18. Reclama da multa de 75% (sic) que restou em decorrência da apropriação de despesas desnecessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, em patamar absurdo, que viola princípios constitucionais do direito à propriedade e não confisco. 19. A PGFN foi informada e não apresentou Contrarrazões. 20. É o relatório. Voto Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 9 8 Conselheira Eva Maria Los, Relatora 3. Destacase, de início, que não houve contestação à Responsabilidade Solidária de Dilnei Heizen, CPF 767.708.42904, que a DRJ considerou não impugnada. 1 Preliminar de nulidade dos autos de infração. 4. Em relação às infrações autuadas, a litigante afirmou na impugnação de 26/12/2014, e em correspondência de 14/04/2015, págs. 804/805, ao ser cientificada do Arrolamento de Bens: I Importante destacar que, o aludido auto de infração decorre do MPF 0920400.2014.007311, cientificado ao contribuinte "D & D Administradora de Bens Ltda" em 08/10/2014, em relação a fatos geradores, valores de débitos de impostos e contribuições DEVIDAMENTE declarados, confessados e parcelados em parcelamento especial previsto pela Lei 12.996/2014, formalizado regularmente em agosto de 2014, com todos os pagamentos do parcelamento em dia. 5. Argumenta a nulidade da autuação porque não reconhece que a fiscalização iniciada na empresa Textil Renauxiew S/A e diligências relativas à mesma que foram dirigidas à Autuada lhe tenham excluído a espontaneidade para apresentar e/ou retificar as Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que a Autuada havia entregado zeradas. 6. A Autuada efetuou as seguintes entregas, declarando os valores objeto da autuação, conforme datas a seguir, constantes do Relatório Fiscal: Tabela 2: Declarações apresentadas por D&D ADMINISTRADORA em agosto de 2014. Tipo de Declaração Competência Data da Entrega Número da Declaração Retificadora ? DIPJ 2010 08/08/2014 0001563926 Sim DIPJ 2011 08/08/2014 0001617699 Sim DIPJ 2012 08/08/2014 0001607369 Sim DCTF 06/2010 05/08/2014 100201020141811751360 Sim DCTF 09/2010 05/08/2014 100201020141881745768 Sim DCTF 12/2010 05/08/2014 100201020141891744223 Sim DCTF 03/2011 05/08/2014 100201120141811256686 Nào DCTF 06/2011 05/08/2014 100201120141831255729 Nào DCTF 09/2011 05/08/2014 100201120141841254309 Nào DCTF 12/2011 05/08/2014 100201120141851254012 Sim DCTF 03/2012 05/08/2014 100201220141871307368 Nào DCTF 06/2012 05/08/2014 100201220141881306995 Nào DCTF 09/2012 05/08/2014 100201220141881306993 Nào DCTF 12/2012 05/08/2014 100201220141811313074 Sim Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 10 9 7. A Renauxview foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização em 27/03/2014, págs. 177/178 (MPFF da Têxtil Renauxview S/A 09.2.04.00.214.001234), pág. 215; a Autuada foi cientificada do primeiro Termo de Diligência Fiscal durante a fiscalização na Renauxview, em 07/04/2014 (MPFD nº 09.2.04.00.214001366), págs. 239/240, sendo que este se referiu a dados relativos ao relacionamento da Autuada com a Renauxview: Diante do exposto, com a finalidade de subsidiar o procedimento fiscal instaurado junto à empresa TÊXTIL RENAUXVIEW, e tendo por base o Procedimento de Diligência Fiscal n° 0920400 20140013661, intimase o sujeito passivo acima especificado a apresentar: 1.1. Relação de todos os créditos adquiridos, indicando o valor de face dos títulos, valor pago, proprietário do título, data da aquisição; 1.2. Cópias dos contratos de aquisição dos títulos; 1.3. Cópias dos lançamentos contábeis relativos às aquisições dos títulos; 1.4. Informar a origem dos recursos utilizados nas aquisições dos títulos; 1.5. Comprovante de endereço: conta de água, luz ou telefone. 8. A Autuada recebeu ainda o Termo de Diligência Fiscal nº 2, em 28/05/2014, págs. 307/308; Termo de Diligência Fiscal nº 3, em 11/07/2014, págs. 373/375. 9. Entregou as DIPJ e DCTF originais e/ou retificadoras em 05 e 08/08/2014. 10. Em 08/10/2014, págs. 405/431, a Autuada foi cientificada do respectivo Termo de Início de Fiscalização, MPFF 09.2.04.00.2014.007311. 11. A legislação do processo administrativofiscal é clara sobre a questão da perda de espontaneidade: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 11 10 12. O Autuante destaca no Relatório Fiscal que a sequência de intimações impediu que ocorresse lapso de 60 (sessenta) dias ou superior, de forma que não houve oportunidade para readquirir a espontaneidade. 13. Também ressalta que o teor dos Termos de Intimação de Diligência, dirigidos à Autuada deixam claro que a matéria foi relativa aos direitos creditórios que adquiriu com deságio e os rendimentos financeiros decorrentes, o que já se evidencia desde o primeiro Termo reproduzido supra. 14. Destaquese a: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. 15. Concluise que decabe a arguição de que teria confessado espontaneamente os débitos objeto da autuação. 16. Ainda em relação à arguição de nulidade dos autos, verificase que não foi ferido o dispositivo do Decreto nº 70.235, de 1972, que o determina: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 17. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 18. A autuação foi lavrada por autoridade competente, descabendo a nulidade dos autos. 1.1 IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO RELATIVO A DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E DIPJ. 19. Se o contribuinte confessou os débitos mediante o instrumento DCTF, descabe o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário, uma vez que este já terá sido constituído espontaneamente. 20. No entanto, como no presente caso, se o contribuinte efetua a confissão dos débitos, sem espontaneidade, como no presente caso, o lançamento de ofício é dever funcional da Autoridade Fiscal, a teor do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 12 11 1.2 O PARCELAMENTO SUSPENDE A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, ART. 151, VI DO CTN 21. Ao pleitear o parcelamento, o contribuinte confessou os correspondentes débitos. 22. Informou que requereu o parcelamento da Lei nº 12.996, de 2014, e pagou a 1ª parcela em agosto de 2014; no entanto, nesta data, encontravase sob procedimento fiscal, portanto, a confissão dos débitos não foi espontânea. 23. Tal fato não invalida o parcelamento; e a cobrança administrativa se dará em relação ao crédito tributário constituído de ofício, no valor que exceder o montante do parcelamento aprovado. 24. Assim, os débitos parcelados seguirão sendo quitados pela interessada mediante as prestações do parcelamento; os demais valores serão objeto de cobrança administrativa. 2 Preliminar de decadência 25. A Autuada foi cientificada dos autos de infração em 26/11/2014, págs. 670/671, em relação a fatos geradores de 30/03/2009, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011, 31/03/2012, 30/06/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/12/2012. 26. Argui a decadência, portanto do fato gerador em 30/03/2009, ao argumento de que não foi comprovado o dolo. 27. Está questão foi examinada adiante neste voto, concluindose pela intenção dolosa do contribuinte em ocultar os fatos geradores dos tributos devidos. 28. Cabe destacar que, tendo apresentado zeradas suas DIPJ e DCTF, não houveram pagamentos a serem homologados. 29. Desta feita, aplicase o prazo decadencial do art. 173, I do CTN, não se tendo caracterizado decadência em relação ao fato gerador de 31/03/2009. 3 Autuação Fiscal. Mérito. 30. Apesar de alegar que todos os débitos autuados foram objetos de parcelamento (e por consequência, confessados) o contribuinte levantou contestações que se analisa a seguir. 31. Cabe analisálas dado que os créditos tributários constituídos de ofício incluem multa de ofício e a procedência da autuação deve ser julgada. 3.1 IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO EM RELAÇÃO A VALORES “NÃO REALIZADOS”, NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO, REGIME DE CAIXA 32. A litigante argumenta que o Autuante está a lhe exigir tributos sobre valores não recebidos (realizados), mesmo ciente de que a litigante havia optado pelo lucro presumido, no regime de caixa; cita o seguinte parágrafo do Relatório Fiscal: Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 13 12 "(...) o deságio existe e é perfeitamente mensurável desde o momento da aquisição do direito creditório, gerando reflexos no patrimônio da empresa que devem ser registrados em sua contabilidade. O fato da realização deste deságio ocorrer em momento posterior não justifica o fato da contabilidade deixar de representar o ativo correspondente pelo seu efetivo valor. E conforme será detalhado adiante, em boa parte dos casos os valores de deságio de fato se confirmaram, ou seja, foram efetivamente realizados pela D&D ADMINISTRADORA. (...) " 33. Ocorre que a Recorrente cita o parágrafo supra fora do contexto, pois o Autuante o afirmou em relação à contabilização, mas, ao apurar os valores tributáveis, efetuou as apurações com base nos recebimentos (valores realizados), como se evidencia a seguir no trecho do relatório Fiscal, págs. 619/622: Assim, a empresa não reconheceu em sua contabilidade o valor do deságio incorrido nas aquisições, sendo que o 10° quesito do Termo de Início de Procedimento Fiscal abordou justamente este fato, solicitando justificativa para este comportamento, bem como o respectivo embasamento legal que lhe desse respaldo. Eis o teor da resposta apresentada: Ai 10 Porque no momento da "aquisição dos créditos", NÃO incorreu deságio algum. No momento das aquisições dos créditos por um valor menor que o dito "valor de face", apenas existia a "possibilidade" real de realizar um recebíve!, e em valor maior que aquele que foi pago, entretanto, a "realização" ou não desse "valor recebívd" até o montante pago, foi uma aposta e, a realização de um "ganho" somente poderia ser considerado no momento em que fosse efetivamente recebido um valor pelos direitos creditórios, maior que o custo de aquisição dos mesmos. Na verdade a contribuinte está equivocada, já que o deságio existe ... (trecho citado pela Recorrente, já transcrito). Mesmo a hipótese de ocorrer a frustração da realização do deságio em período posterior não justifica a ausência de contabilização do deságio. Neste caso, caberia a contribuinte aferir eventual prejuízo na realização do ativo, e registrálo em sua contabilidade, diminuindo o resultado do período correspondente. Ademais, o lucro presumido engloba todas as receitas auferidas pela contribuinte, e não apenas as vinculadas às vendas de bens e serviços. E o que determina o artigo 521 do RIR/9910. Concluise, portanto, que as receitas de deságio deveriam ter sido contabilizadas no momento em que a D&D ADMINISTRADORA adquiriu e registrou os direitos creditórios em sua contabilidade, sendo certo, também, que tais valores devem ser computados na base de cálculo do lucro presumido. No caso da adoção do regime de caixa, tal tributação se dá no efetivo recebimento dos valores, o que não desobriga a Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 14 13 contribuinte de manter sob controle, em sua contabilidade, os valores de deságio auferidos nas aquisições. (Grifouse.) Por fim, em relação ao assunto, cabe comentar outra alegação apresentada pela contribuinte em sua resposta ao 10° quesito do Termo de Início de Procedimento Fiscal, agora transcrita: Assim, cumpre destacar que, diante da opção desse contribuinte pelo "Lucro Presumido Regime de Caixa " os eventuais "ganhos "foram considerados/tributados na medida em que os efetivos recebimentos foram ocorrendo, na proporção em que excediam o custo de aquisição. Ao contrário do que afirma a empresa fiscalizada, não houve qualquer tributação de valores pela contribuinte, que não informou em DIPJ a apuração de qualquer valor a pagar no período fiscalizado, tampouco os declarou nas DCTFs consideradas por esta auditoria. Convém relembrar que a contribuinte buscou retificar suas declarações apenas após iniciada a investigação dos fatos relacionados às aquisições buscou retificar suas declarações apenas após iniciada a investigação dos fatos relacionados às aquisições destes direitos creditórios (vide item '1.1 Das Declarações Consideradas na Autuação'). (Grifouse. Obs.: as DCTF consideradas pela fiscalização foram as que haviam sido entregues espontaneamente) Quanto ao reconhecimento contábil, de fato, os livros apresentados contemplam o registro de receitas, sob a rubrica "outras receitas", sempre por ocasião dos recebimentos advindos da TÊXTIL RENAUXVIEW. Ocorre que tal reconhecimento não foi feito "na proporção em que (os efetivos recebimentos) excediam o custo de aquisição", conforme alegado na resposta apresentada. O reconhecimento de tais receitas foi feito pelo valor integral dos pagamentos, sem considerar que parte destes recursos referemse à amortização do valor pago pela D&D ADMINISTRADORA para aquisição dos direitos creditórios (custo de aquisição). Assim, a receita contabilizada, nestes casos, foi registrada em excesso pela contribuinte, conforme será melhor detalhado adiante. (Grifouse.) 34. Transcrevese do Relatório Fiscal o primeiro deságio autuado, págs. 620/621: 4.1.4. Aquisição de Direitos Creditórios junto ao Banco Intermedium Conforme Instrumento Particular de Promessa de Cessão de Crédito cuja cópia foi apresentada pela própria D&D ADMINISTRADORA em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal lavrado em 01/04/2014, o Banco Intermedium S/A era titular de créditos junto à empresa TÊXTIL RENAUXVIEW, decorrentes de empréstimos bancários. Conforme a cláusula segunda daquele instrumento, pactuado em 19/01/2009, todos os direitos sobre estes créditos foram transferidos para a fiscalizada, pelo valor de R$ 230.000,00. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 15 14 Conforme a contabilidade da D&D ADMINISTRADORA, tal valor foi integralmente pago, conforme lançamentos efetuados na conta '2.1.1.01.2125 Banco Intermedium5. Quanto ao valor dos créditos no momento da cessão, vemos que a própria D&D ADMINISTRADORA informou ser de R$ 861.583,64n. Também a devedora, TÊXTIL RENAUXVIEW, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 01, informou toda a movimentação ocorrida neste seu passivo financeiro, que foi reproduzida no anexo 13 do Termo de Início de Procedimento Fiscal da D&D ADMINISTRADORA. Tal movimentação foi reconhecida como fidedigna pela fiscalizada, conforme sua resposta ao 7o quesito daquela intimação, que afirmou "que foi possível aferir/confirmar todos os saldos apresentados pela fiscalização", sem qualquer ressalva em relação a movimentação deste direito adquirido do Banco Intermedium. Naquela movimentação, de fato o valor consolidado da dívida era de R$ 861.583,64 em janeiro de 2009. Assim, temos demonstrada no quadro abaixo a receita de deságio que deveria ter sido contabilizada na ocasião: Data da cessão Valor dos Créditos Adquiridos Valor pago pela D&D Valor do Deságio 19/01/2009 861.583,64 230.000,00 631.583,64 Cumpre destacar que sobre tais créditos continuaram a incidir encargos reconhecidos mensalmente pela TÊXTIL RENAUXVIEW, que honrou integralmente este passivo, pagando a D&D ADMINISTRADORA o valor total de R$ 1.610.735,30 entre maio de 2010 e janeiro de 2011. Assim, a receita do deságio auferida no momento da aquisição dos direitos creditórios ingressou efetivamente na movimentação bancária da empresa fiscalizada. A forma de contabilização destes recursos será detalhada adiante. 35. A forma de apuração dos ganhos omitidos está às pág. 627/632: 4.3. Das Receitas Efetivamente Realizadas Conforme se demonstrou, a aquisição dos direitos creditórios sob análise gerou dois tipos de receitas para a contribuinte: o deságio na aquisição e as receitas financeiras decorrentes dos encargos incorridos. Tendo adotado o regime de caixa, tais receitas deveriam ter sido oferecidas à tributação quando de seu recebimento, pelo que agora serão abordadas as efetivas quitações realizadas pela devedora no período fiscalizado. 4.3.1. Quitação Através de Pagamentos Parte significativa dos créditos abordados neste relatório foi efetivamente recebida pela D&D ADMINISTRADORA, via pagamentos realizados pela devedora, o que demonstra a efetiva realização financeira do deságio e das receitas auferidas. Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 16 15 Os direitos creditórios adquiridos junto ao Banco Intermedium é um bom exemplo. Conforme pode ser visualizado no anexo 13 do Termo de Início de Procedimento Fiscal, o valor foi pago pela TEXTIL RENAUXVIEW para a fiscalizada para quitação desta dívida foi de R$ 1.610.735,30. Com base nas demais constatações relatadas neste termo, podemos fazer a seguinte classificação deste valor: Valor pago pela D&D ADMINISTRADORA: R$ 230.000,00; Receita de Deságio : R$ 631.583,64; Receitas Financeiras : R$ 749.151,66; Total : R$ 1.610.735,30. 36. Em seguida o Autuante planilhou os recebimentos (realização) da totalidade dos valores pela Recorrente, págs. 627/628, Tabela 6 e: Além destes valores, houve a quitação de outros direitos creditórios adquiridos pela D&D ADMINISTRADORA no período fiscalizado, tendo a fiscalizada recebido, no total, R$ 5.380.000,00 da TÊXTIL RENAUXVIEW a título de amortizações, conforme demonstrado na tabela seguinte deste relatório. Tabela 6: Valores recebidos pela fiscalizada vinculados aos direitos creditórios adquiridos, a título de amortizações feitas pela TÊXTIL RENAUXVIEW . Mes Credor original Total Geral Bradesco (Instrumento de 07/12/2005) Intermedium Nuevo Unibanco 04/2010 70.000.00 70.000.00 05/2010 500.000.00 500.000.00 06/2010 838.848.01 41.151.99 880.000.00 09/2010 210.000.00 210.000.00 10/2010 100.000.00 100.000.00 11/2010 30.000.00 30.000.00 12/2010 310.000.00 310.000.00 01/2011 28.112,71 121.887,29 150.000.00 02/2011 110.000,00 110.000.00 03/2011 120.000,00 120.000.00 04/2011 110.000,00 110.000,00 05/2011 380.000,00 380.000.00 06/2011 430.000,00 430.000,00 07/2011 80.000,00 80.000.00 08/2011 540.000,00 540.000,00 09/2011 80.000,00 80.000.00 10/2011 80.000,00 80.000,00 11/2011 80.000,00 80.000.00 Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 17 16 12/2011 130.000,00 130.000,00 01/2012 50.000,00 50.000.00 02/2012 50.000,00 50.000,00 03/2012 50.000,00 50.000.00 04/2012 220.000,00 220.000,00 05/2012 160.000,00 160.000.00 06/2012 160.000,00 160.000,00 07/2012 7.992,43 42.007,57 50.000.00 08/2012 50.000.00 50.000,00 09/2012 50.000.00 50.000.00 10/2012 50.000.00 50.000,00 11/2012 50.000.00 50.000.00 12/2012 50.000.00 50.000,00 Total Geral 2.866.105.14 1.610.735,30 292.007,57 611.151.99 5.380.000.00 37. Consta do Relatório Fiscal a Tabela 7, relacionando os lançamentos contábeis desses recebimentos e de onde os dados da Tabela 6 foram extraídos; o Autuante relata que esses valores recebidos foram lançados integralmente na conta "Outras Receitas", porém nenhum valor foi oferecido à tributação. 38. Em seguida, identificou, para cada um desses recebimentos, qual parte se refere à amortização do valor pago na aquisição e quais as parcelas de receita de deságio e de receita financeira, e explicou: Para tanto, basta identificar a composição do saldo atualizado de cada crédito no momento das quitações, e atribuir, pro rata, a quitação a cada uma destas partes. Vejamos, por exemplo, o empréstimo adquirido pela D&D ADMINISTRADORA do UNIBANCO. Conforme as duas tabelas anteriores deste termo, o primeiro pagamento feito pela devedora para quitação se deu em 19/04/2010, no valor de R$ 70.000,00. Conforme anexo 01 do Termo de Início de Procedimento Fiscal entregue à D&D ADMINISTRADORA, o saldo consolidado deste empréstimo no momento imediatamente anterior a este recebimento (31/03/2010) era equivalente a R$ 600.936,08. No momento da aquisição deste crédito, a fiscalizada desembolsou R$ 81.000,00 e auferiu um deságio de R$ 233.651,47 (vide tabela 5 deste relatório), sendo que a diferença para o saldo em 31/03/2010 corresponde às receitas financeiras, equivalentes aos encargos reconhecidos pela TÊXTIL RENAUXVIEW no período compreendido entre a data de aquisição pela D&D ADMINISTRADORA e 31/03/2010. Resumidamente, temos: Saldo em 31/03/2010 : R$ 600.936,08; Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 18 17 Dos quais: Custo de aquisição R$ 81.000,00 Deságio R$ 286.284,61 Receitas Financeiras R$ 233.651,47 A quitação feita em 19/04/2010, no valor de R$ 70.000,00, corresponde a uma amortização de 11,65% do saldo da dívida. Proporcionalmente, implica na quitação neste mesmo percentual do custo de aquisição, das receitas financeiras e das receitas de deságio. Assim, no recebimento desta primeira parcela temos a realização de 11,65% das receitas de deságio (R$ 33.347,84) e das receitas financeiras (R$ 27.216,88): Assim, o saldo deste crédito, após este recebimento, passa a ser o seguinte: Saldo em 19/04/2010: R$ 530.936,08 Dos quais: Custo de aquisição: R$ 71.564,72 Deságio: R$ 252.936,77 Receitas Financeira: R$ 206.434,59 Como os encargos financeiros continuam a incidir sobre o saldo deste crédito, ao final de cada mês as receitas financeiras devem ser ajustadas, pelo reconhecimento dos encargos daquele período mensal, demonstrados no anexo 01 do Termo de Início de Procedimento Fiscal. Toda esta dinâmica se repete até a quitação final deste direito creditório, sendo que a tabela a seguir ilustra a evolução de seu saldo consideradas estas movimentações, incluindo todos os pagamentos efetuados conforme as datas registradas na contabilidade da contribuinte. Tabela 8: Evolução do saldo dos direitos creditórios adquiridos do Unibanco, demonstrando a decomposição dos pagamentos efetuados pela TÊXTIL RENAUXVIEW para a D&D ADMINISTRADORA. Data Evento Valor Composição do Valor Custo de aquisição Deságio Receitas Financeiras 31/03/10 Saldo 600.936,08 81.000.00 286.284,61 233.651,47 19/04/10 Pagamento 70.000,00 9.435.28 33.347.84 27.216.88 19/04/10 Saldo 530.936,08 71.564,72 252.936,77 206.434,59 30/04/10 Encargos 10.215,91 10.215.91 30/04/10 Saldo 541.151,99 71.564,72 252.936,77 216.650,51 03/05/10 Pagamento 200.000.00 26.449.03 93.480.86 80.070.11 03/05/10 Saldo 341.151,99 45.115,69 159.455,91 136.580,39 14/05/10 Pagamento 200.000.00 26.449.03 93.480.86 80.070.11 14/05/10 Saldo 141.151,99 18.666.66 65.975,05 56.510,28 20/05/10 Pagamento 100.000.00 13.224,51 46.740,43 40.035.06 Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 19 18 20/05/10 Saldo 41.151,99 5.442,15 19.234,62 16.475,22 01/06/10 Pagamento 41.151.99 5.442,15 19.234,62 16.475,22 01/06/10 Saldo 0.00 0.00 0.00 0.00 Da mesma forma, o Anexo I deste termo demonstra, para todos os direitos creditórios em que foram efetuados pagamentos pela TEXTIL RENAUXVIEW entre 2010 e 2012, a composição do saldo e apropriação proporcional de cada amortização ocorrida. Finalmente, o anexo II relaciona apenas os pagamentos feitos pela TEXTIL RENAUXVIEW para a D&D ADMINISTRADORA, demonstrando, para cada um, as correspondentes realizações de receitas financeiras e de deságio, a partir das informações do anexo I. 39. Resta evidente que a autuação fiscal apurou os valores tributáveis pelo regime de caixa, como demonstrado. 3.2 CRITÉRIO DE RECONHECIMENTO DOS GANHOS DE DESÁGIO NO CASO DA UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS NA INTEGRAÇÃO ED CAPITAL 40. Reclama sobre o critério de reconhecimento dos ganhos de deságio no caso em que a Recorrente utilizou os créditos junto à Têxtil Renauxview, para integralizar capital nesta. 41. Sintetizase o Relatório Fiscal: a. em 03/02/2009 AGE da Têxtil Renauxview, aprova aumento do capital social no mínimo em R$7.000.000,00; em 03/03/2009 comunica ao mercado que Breda Participações Ltda cedeu gratuitamente à D&D direito de preferência à subscrição e a D&D subscreveu ações, pelo preço total de R$7.495.946,97, integralizados mediante o aproveitamento de créditos líquidos e certos neste montante, que detinha contra a Renauxview; b. Esses créditos eram: Tabela 10: Direitos creditórios detidos pela D&D ADMINISTRADORA utilizados na subscrição de capital feita na TÊXTIL RENAUXVIEW em março de 2009. Credor Original Valor utilizado na subscrição Gilberto Rénaux 2.603.749,52 GMG (Goldman) 1.701.598,03 Ónix (ABN) 3.190.599,42 TOTAL 7.495.946,97 c. O s valores desta tabela são os valores atualizados dos créditos até aquela data. d. Verificase que os créditos que a D&D detinha junto à Renauxview, resultaram totalmente quitados por esta, nessa operação, mediante a entrega das ações de seu capital, resultando que a D&D passou a deter 61% do capital; Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 20 19 e. O Termo de Início de Procedimento Fiscal e os itens 4.3.2.1, 4.3.2.2, 4.3.2.3. do relatório Fiscal fornecem os dados seguintes: Credor Original Data da cessão Valor da dívida no momento da negociação da cessão Valor pago pela D&D Valor utilizado na subscrição (valor com juros até a data) Deságio Receitas financeiras Gilberto Rénaux 03/01/2008 7.810.256,30 882.000,00 *(232.170,81) 2.603.749,52 1.783.194,85 588.383,86 GMG (Goldman) 08/04/2008 1.264.935,02 255.000,00 1.701.598,03 1.009.935,02 436.663,01 Ónix (ABN) 14/04/2008 6.342.233,00 1.268.447,00 **(534.094,17) 3.190.599,42 2.136.375,83 520.129,42 TOTAL 7.495.946,97 Valor utilizado na subscrição = Valor pago (+) deságio (+) Receitas financeiras * Tabela 11 ** Tabela 13 f. Consta do relatório Fiscal que a Autuada, em relação a essa conversão de crédito a receber, em investimento, contabilizou: Data Valor Histórico 30/03/2009 230.287,41 Valor Referente Agio Integralizaçào Rénaux Gilberto Rénaux 30/03/2009 255.000,00 Valor Referente Agio Integralizaçào Rénaux GMG 30/03/2009 526.620,05 Valor Referente Agio Integralizaçào rénaux Ónix ABN g. Enquanto a Renauxview deu baixa no seu passivo de R$7.495.946,97 e aumentou o capital social no mesmo montante; h. questionada, justificou nos mesmos termos que os do recurso voluntário Cumpre destacar que embora tenha havido o ingresso da intimada no quadro de acionistas da "Textil Renauxview S/A" através do aumento do valor do capital, mediante emissão de novas ações, tendo como parâmetro o valor de face dos títulos, acrescidos dos encargos contratuais até a data da subscrição, o "Patrimônio Líquido1" da investida era negativo antes da subscrição e continuou assim após a subscrição, razão pela qual sendo o valor "patrimonial" da investida inferior a "Zero", todo o valor do efetivo investimento (valor do custo de aquisição dos direitos creditórios integralizados) foi contabilizado como "Ágio Investimento Rénaux'", cujo saldo da conta é RS 1.011.907,46. 42. Concluiu o Autuante: O fato do patrimônio líquido da investida ser negativo não justifica o procedimento contábil da fiscalizada, que, inclusive, subdimensionou o alegado ágio pago na subscrição de capital, ao mesmo tempo que não registrou as receitas decorrentes das aquisições dos direitos creditórios. Ou seja, de todas as formas sua contabilidade peca pela ausência de registros relativos a importantes variações patrimoniais ocorridas. Assim, tendo adotado o regime de caixa para o reconhecimento de suas receitas, a D&D ADMINISTRADORA deveria contabilizar e oferecer à tributação as respectivas receitas no Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 21 20 momento da subscrição efetuada. Assim, resta decompor o valor de cada direito creditório utilizado na subscrição para identificar as receitas tributáveis, o que será demonstrado a seguir: (...) 43. Resumindo, a Autuada realizou /recebeu os créditos, mediante o recebimento das ações da credora e sua contabilidade não refletiu os fatos e tampouco a Autuada ofereceu à tributação os valores realizados (regime de caixa) do deságio na aquisição desses créditos e das receitas financeiras acumuladas desde a aquisição até a realização. 3.3 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. 44. Aponta impossibilidade de tributação de venda de bens integrantes do estoque de imóveis para revenda, apurando ganho de capital, no lucro presumido, pois os quatro imóveis haviam sido adquiridos para revenda, conforme objeto social da empresa, e vendidos em 30/08/2012. 45. Relata o Autuante: Conforme informações prestadas em Declarações de Operações Imobiliárias apresentadas por cartórios, a D&D ADMINISTRADORA teria efetuado a alienação de quatro imóveis em 2012. A análise de sua contabilidade, entretanto, não logrou identificar nenhum lançamento relacionado a estas operações imobiliárias, pelo que se inseriu o seguinte quesito no Termo de Intimação Fiscal 01: 46. No entanto a contribuinte respondeu que: I Em relação ao item "1", esclarecemos que o único bem/direito de propriedade desse contribuinte sujeito a registro público é uma participação acionária na empresa "Textil Renauxview S/A, inscrita no CNPJ sob n° 82.982.075/000180 NI RE 42300009491 Companhia Aberta, conforme atesta cópia da "Ata da Assembleia Geral Extraordinária", realizada cm 03/03/2009 (Anexo I). 47. Depois de cientificada dos autos, na impugnação e recurso voluntário, argumentou que se tratavam de transações relativas ao seu objeto social, portanto deveriam ser tratadas como receitas brutas, e base para apuração do lucro presumido pelo percentual de 8% e não acrescidos os ganhos ao lucro presumido, a título de ganhos de capital. 48. Citemse por pertinentes, os seguintes acórdãos do CARF: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 08/08/2013 Nº Acórdão 1101000.929 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE IMÓVEIS. ATIVO PERMANENTE.O resultado da venda de imóveis contabilizados no Ativo Permanente é tributado como ganho de capital, ainda que antes da alienação eles sejam Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 22 21 destinados à revenda e no contrato social da alienante haja previsão, dentre outras, de atividade imobiliária. A legislação somente permite a incidência sobre a margem presumida de lucro calculada a partir da receita de venda do imóvel quando este é adquirido para revenda. Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO, RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 19/02/2018 Nº Acórdão 1402 002.874. Ementa(s) OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. RECEITA OPERACIONAL. VENDA DE TERRENO POR EMPRESA (SPE) ESTATUTARIAMENTE DEDICADA À INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. CONCEITO DE RECEITA BRUTA IMOBILIÁRIA ABRANGENTE. AUSÊNCIA DE TRATAMENTO OU ONERAÇÃO FISCAL DISTINTA ENTRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. MANUTENÇÃO CONTÍNUA EM ESTOQUE E EXCLUSIVA INTENÇÃO DE ALIENAÇÃO. Na hipótese de Sociedade de Propósito Específico, originalmente constituída para promover incorporação em terreno de sua propriedade sempre mantido em conta do ativo circulante, que não obtêm êxito na realização imobiliária pretendida inicialmente e aliena regularmente tal imóvel de seu estoque, mesmo sem edificações ou desdobros, a receita percebida pode ser classificada como operacional, ficando sujeita ao coeficiente de presunção de 8%, determinado pelo art. 15 da Lei nº 9.249/95, para a obtenção da base de cálculo.O conceito de receita bruta imobiliária, veiculado pelo art. 30 da Lei nº 8.981/95, abrange expressamente as atividades imobiliárias de loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados a venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, dando tratamento geral e idêntico ao seu produto, sem qualquer restrição, distinção ou ressalva. Receitas secundárias, fruto de atividades de natureza correlacionada, decorrente ou semelhante ao objeto principal da sociedade, estão incluídas na receita bruta, mesmo antes da vigência da Lei nº 12.973/2014.A determinação do objeto social das companhias é de decisão e implementação de seus titulares, sendo promovida contratualmente, sem qualquer necessidade de autorização pública. Desse modo, a classificação pela Fiscalização de uma receita como não operacional não pode, exclusivamente, basear se na ausência da presença de uma subatividade imobiliária específica em seu registro societário.Contabilmente, a classificação de um ativo como circulante é determinada pelo fato deste ser mantido essencialmente com o propósito de ser negociado. Se a natureza das atividades pressupõe e compreende a alienação de um determinado imóvel, e este sempre esteve registrado em conta de ativo circulante (estoque), não existindo qualquer elemento indicativo de utilização diversa, não se sustenta a rotulação de ativo permanente imobilizado para tal bem.RECEITA TRIBUTÁVEL. PERMUTA DE BENS IMÓVEIS. LUCRO PRESUMIDO.Nas empresas que adotem o regime do Lucro Presumido, o valor do bem alienado em forma de permuta deve ser tratado como receita e oferecido à tributação. Havendo Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 23 22 torna, tal montante se agrega à receita e igualmente deve ser tributado. Se a permuta envolver bem do não circulante, a tributação deverá ocorrer na forma de ganho de capital e não como resultado da atividade operacional da contribuinte. 49. Observase que o contribuinte, em todas DIPJ, anos 2006 a 2015, entregues, págs. 5/176 informou o Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 68.218/02 Corretagem no aluguel de imóveis. 50. Às págs 432/457, o Contrato Social, registrado em 20/09/2001, informa o objeto social, que foi mantido nas alterações subsequentes: Artigo 2 OBJETO SOCIAL À sociedade terá pôr finalidade : Assessoria empresarial administrativa; Administração de bens próprios móveis e imóveis Participações em outras sociedades de qualquer natureza; 51. Além de que, os imóveis simplesmente não constavam de sua contabilidade; não estavam contabilizados nem no ativo permanente, nem nos estoques. 52. Pelo exposto, concluise não haver base para que se considere receita operacional de atividade imobiliária, as alienações efetuadas de imóveis que não constavam do ativo circulante da empresa, que não é do ramo de compra e venda de imóveis. 3.4 DESPESAS GLOSADAS. MATÉRIA NÃO OBJETO DA AUTUAÇÃO. NÃO CONSTA DA IMPUGNAÇÃO. 53. Consta do recurso voluntário, argumentação acerca de despesas consideradas indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, por não necessárias às atividades da empresa: glosa de depreciação de veículos locados, em que o julgador entendeu que o contrato de locação entre a Quimisa e a Quimilog, não atende os requisitos exigidos pelo Código Civil (art. 565 a 578), e portanto, não pode ser considerado um contrato válido, assevera que existe e foi reconhecido pela fiscalização e descreve detalhes, págs. 981/985; requer as deduções da depreciação de veículos e de despesas financeiras. 54. Porém tais fatos não foram objeto da autuação fiscal. 55. Tampouco consta qualquer referência aos mesmos na impugnação. 56. Concluise tratarse de engano da litigante, não se devendo conhecêla. 3.5 MULTA DE OFÍCIO. 57. Aponta a inexigibilidade da multa de ofício frente a declaração em que confessou o débito e ao parcelamento do valor devido nos termos da Lei n° 11.941, de 2009 (sic). 58. Reclama da multa de 75% (sic) que restou em decorrência da apropriação de despesas desnecessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, em patamar absurdo, que viola princípios constitucionais do direito à propriedade e não confisco. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 24 23 59. A contestação do contribuinte está errada; foi aplicada a multa de ofício de 150% do art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007; cabe, portanto, analisar se há provas nos autos da ocorrência das hipóteses citadas: sonegação, fraude, conluio, se houve simulação dolosa; em caso contrário, a multa deve ser reduzida a 75%. 60. No período examinado, de 2008 a 2012, cinco anos, a litigante havia apresentado as DIPJ e DCTF zeradas, isto é, não ofereceu qualquer resultado à tributação; contabilizou de forma errada as receitas de deságio e receitas financeiras auferidas; não contabilizou as receitas de deságio e financeiras auferidas na conversão de créditos em capital social da credora, não registrou na contabilidade e não declarou os resultados da alienação de 4 (quatro) imóveis. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 11/02/2014 Nº Acórdão 1202001.089 Tributo / Matéria CONDUTA DOLOSA POR ATOS REITERADOS E POR LONGO PERÍODO DE UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE NÃO COMPROVAM A EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS OU MESMO PAGAMENTOS A SERVIÇOS NÃO PRESTADOS.Comprovada a reiterada conduta em incorrer em custos ou despesas sem comprovação hábil ou idônea, por todo o período fiscalizado, temse caracterizada uma série de atos ordenados com objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.DOLO. DECADÊNCIA. ART. 173 INCISO I DO CTN.Caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, aplicase o prazo previsto no inciso I, art. 173, do CTN, em detrimento da regra disposta no § 4º, art. 150, do CTN.DOLO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.O art. 44 da Lei nº 9.430, de1996 prevê, para as situações em que reste demonstrada a conduta dolosa, a aplicação de multa de ofício, para o percentual de 150%. Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 20/06/2017 Nº Acórdão 1402002.600 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 09/05/2018 Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 25 24 Nº Acórdão 9101003.580 MULTA QUALIFICADA. LEI 9.430, ART. 44, INCISO II.É qualificada a multa na hipótese de apresentação de DIPJ e DCTF zeradas, que atestam o dolo do contribuinte. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão 08/03/2018 Nº Acórdão 9101003.477 Assunto: Normas Gerais de Direito TributárioAnocalendário: 2003, 2004, 2005MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Se a contribuinte, ao longo de três anos seguidos (2003/2005), apresenta sistematicamente declarações com valores de receitas muito menores que as efetivamente auferidas, e até mesmo com valores zerados, como se estivesse em inatividade, enquanto operava normalmente, não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias, provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. Tipo do Recurso RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR Data da Sessão 07/12/2017 Nº Acórdão 9101003.286 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.1 Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do art. 150, §4º, ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72.2 No caso concreto, não há Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 13971.724163/201450 Acórdão n.º 1201002.586 S1C2T1 Fl. 26 25 pagamento e tampouco confissão de dívida.. Aplicação do prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN. Consoante a jurisprudência citada, verificouse a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da Administração Tributária e a sonegação dos tributos devidos. 4 Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1026DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.906863/2012-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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COMPENSAÇÃO. Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 63 /2 01 2- 48 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13888.906863/201248 Acórdão n.º 3002000.527 S3C0T2 Fl. 109 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins no valor de R$ 23.642,58, relativo ao período de apuração novembro/2007, para a quitação de débitos de IRPJ e CSLL (fls. 45 a 49). Por meio do despacho decisório à fl. 50, a Delegacia da Receita Federal em Piracicaba decidiu pela não homologação da declaração porque o Darf informado no PER/Dcomp havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para a realização da compensação. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por tratarse de decisão genérica, sem a devida motivação, o que caracterizaria o cerceamento ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao mérito, informou que ao proceder à revisão dos créditos das contribuições sociais no período de agosto/2006 a junho/2011, na sistemática nãocumulativa, constatou que não havia descontado créditos relativos às aquisições de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda e relativos às despesas e custos incorridos com armazenagem e frete, decorrendo daí o pagamento indevido da Cofins para o qual pleiteava compensação. Instruiu sua peça recursal com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original (fls. 8 a 44). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 0256.389 (fls. 56 a 60), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o despacho decisório não incidiu em nenhuma hipótese que possibilitasse a decretação de sua nulidade e, em relação ao mérito, que a divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afastavam a certeza do crédito. A decisão sustentouse, ainda, no fato de o contribuinte, a quem caberia o ônus da prova, não ter trazido aos autos documentação probatória, sendo insuficiente a retificação do Dacon, desacompanhada de documentos para suportar a alteração efetuada. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13888.906863/201248 Acórdão n.º 3002000.527 S3C0T2 Fl. 110 3 Data do fato gerador: 30/11/2007 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 29.07.2014, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 62, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 27.08.2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 63. Em seu recurso voluntário (fls. 64 a 74), o contribuinte retoma a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, agora tanto do despacho decisório quanto da decisão de primeira instância, configurado pela ausência de análise dos argumentos e da prova apresentada (Dacon retificador), bem como por não ter sido solicitada a realização de diligência ou de apresentação de novos documentos pela DRJ. Em relação ao mérito, repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, sobre não ter tomado crédito relativo a despesas na prestação de serviços de ferramentaria, usinagem de peças e manutenção de máquinas; nos serviços de frete; e nas aquisições de peças para manutenção de máquinas e equipamentos. Defende a adoção de um conceito de insumo que seja sinônimo de custos de produção, ou seja, os gastos incorridos no processo de obtenção de bens e serviços colocados à venda. Juntou ao recurso voluntário, a título de prova, o Dacon original, demonstrativo da apuração da Cofins e algumas notas fiscais de prestação de serviços de manutenção e venda/substituição de peças, emitidas por empresas diversas em outubro e novembro/2007 (fls. 75 a 105). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13888.906863/201248 Acórdão n.º 3002000.527 S3C0T2 Fl. 111 4 O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13888.906863/201248 Acórdão n.º 3002000.527 S3C0T2 Fl. 112 5 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento pré Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13888.906863/201248 Acórdão n.º 3002000.527 S3C0T2 Fl. 113 6 estabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. Nestes autos, ocorre que, no momento da emissão do despacho decisório, a Receita Federal dispunha de uma declaração de débito de Cofins no valor de R$ 57.524,24 (DCTF), ao passo que na declaração de compensação o contribuinte afirmava ser o débito inferior, de apenas R$ 33.881,65, e que poderia utilizar a diferença para compensar débitos de IRPJ e CSLL. Logo, a não homologação da compensação está plenamente justificada pela utilização integral do Darf para quitar os débitos de Cofins confessados em DCTF e não padece de nenhum vício que possa acarretar a sua nulidade. Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito. Para melhor ilustrar os fatos acima relatados, as verificações efetuadas nos sistemas da RFB e nos autos desse processo podem ser assim consolidadas: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13888.906863/201248 Acórdão n.º 3002000.527 S3C0T2 Fl. 114 7 Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13888.906863/201248 Acórdão n.º 3002000.527 S3C0T2 Fl. 115 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13888.906863/201248 Acórdão n.º 3002000.527 S3C0T2 Fl. 116 9 É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303006.241, pela pertinência no presente caso: Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.906863/201248 Acórdão n.º 3002000.527 S3C0T2 Fl. 117 10 conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte. (grifado) Pelo o exposto, uma vez não caracterizada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, concluo por precluso o direito de produzir provas e não conheço da documentação juntada aos autos. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.908226/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2007
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 82 26 /2 00 9- 24 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13819.908226/200924 Acórdão n.º 3301005.163 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12065.706. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13819.908226/200924 Acórdão n.º 3301005.163 S3C3T1 Fl. 4 3 Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13819.908226/200924 Acórdão n.º 3301005.163 S3C3T1 Fl. 5 4 Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14191.000047/2007-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/07/1998
NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. IMPROCEDÊNCIA.
Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, e estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revela-se inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa ao instituto alegado.
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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IMPROCEDÊNCIA. Não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972 que rege o processo administrativo fiscal, e estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revelase inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa ao instituto alegado. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 19 1. 00 00 47 /2 00 7- 62 Fl. 157DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 02 de outubro de 2018, proferido no âmbito do processo n° 16020.000194/200720, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário apresentado por ELLENCO CONSTRUÇÕES LTDA. em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal, a recorrente foi tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção civil, em especial os serviços prestados por subempreiteira por cada prestador de serviço. O relatório recorrido dispõe o seguinte: "Constituiu fato gerador das contribuições lançadas a remuneração devida aos segurados empregados da empresa Antônio Carlos Martins Capela do Alto ME que prestaram serviços em obras de construção civil da Ellenco Construtora`Ltda., no período de 01/1997 a 07/1998. A base de cálculo foi apurada por aferição indireta e correspondeu à alíquota de 40% incidente sobre o valor das notas fiscais prestação de serviços. O crédito foi constituído em nome da Ellenco Construtora Ltda., com fundamento na responsabilidade solidária do construtor com as subempreiteiras, prevista no artigo 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91. As contribuições lançadas foram objeto de crédito previdenciário anteriormente constituído, mas anulado, em razão de vício formal, pelo' Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS (Acórdão n° 608/2006), com decisão definitiva em 26/04/2006. A empresa Ellenco Construtora Ltda apresentou impugnação, acompanhada de documentos, requerendo a nulidade do lançamento por falta de motivação e, subsidiariamente, a procedência parcial do lançamento em razão da ausência da responsabilidade solidária da impugnante e dos serviços contratados não se enquadrarem Fl. 158DF CARF MF Processo nº 14191.000047/200762 Acórdão n.º 2301005.666 S2C3T1 Fl. 3 3 na definição de obra de construção civil, sob os seguintes argumentos: Ausência de motivação O artigo 37, caput da Lei n° 8.212/91, estabelece que a NFLD deve discriminar, de forma clara e precisa, os fatos geradores de contribuição previdenciária. A motivação do ato administrativo foi alçada a princípio pelo artigo 2° da Lei n° 9.784/99. O lançamento foi efetuado em nome da impugnante (responsável solidária) em razão desta não comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelas subempreiteiras que contratou para executar obras de construção civil. A imposição dessa responsabilidade solidária depende da comprovação da ocorrência do fato gerador, ou seja, que a subempreiteira executou obra de construção civil. Contudo, a fiscalização não comprovou que os serviços contratados pela impugnante enquadravamse como obra de co trução civil, apenas presumiu essa situação, valendo se do artigo 33, § 3° da Lei n° 8.212/91 O fato do contribuinte não apresentar a documentação requisitada pela fiscalização não permite a esta praticar o lançamento sem qualquer atividade investigatória. Modificase apenas a qualidade da prova. Ao invés da prova direta, a fiscalização pode se valer da prova indireta, pela verificação de indícios da ocorrência do fato gerador. Entretanto, sequer a prova indiciária foi investigada pela fiscalização. Ela apenas verificou os livros Diário da impugnante, eximindose de verificar as notas fiscais de serviços que descreviam as atividades executadas pelas empresas terceirizadas. Não há nos autos qualquer prova de que os serviços contratados pela impugnante figuram como obra de construção civil. A indicação do nome da empresa terceirizada não constitui fato que, por si só, convença da existência da execução de obra de construção civil. Ausência de fundamentação legal Por não ter investigado a realidade dos serviços contratados pela impugnante e por esta ser uma empresa construtora, a fiscalização supôs que todos os serviços que ela subempreita são obras de construção civil. Conforme definição estabelecida pela legislação tributária complementar vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (Ordem de Serviço INSS/DAF n° 165/1997). Fl. 159DF CARF MF 4 obra de construção civil é a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou subsolo. Ao se examinar a inscrição da empresa terceirizada no CNP.l/MF e as atividades descritas na planilha que instrui o Relatório Fiscal, é possível formar convicção de que ela não executou obra de construção civil, e sim locação de equipamentos mecânicos. Por se tratar de serviços prestados mediante cessão de mão de obra. a responsabilidade solidária do contratante decorre do artigo 31 e não do artigo 30, Vl da Lei 8.212/91. A Entretanto, não está registrado no Relatório Fiscal, e tampouco. na planilha Fundamento Legais do Débito, a fundamentação legal que autoriza o lançamento em nome do tomador de serviços de cessão de mão de obra. A omissão de fundamentação legal configura vicio insanável e implica em nulidade do lançamento. Inexistência de responsabilidade solidária Ao lançamento deve ser aplicada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. A responsabilidade solidária do construtor com o subempreiteiro apenas adveio com a Lei n° 9.528/97. Em sua redação original, o artigo 30. Vl da Lei n° 8.212/9l somente previa responsabilidade solidária entre o proprietário. o incorporador, o dono da obra ou o condômino. Assim, para o período anterior à Out/ 1997, não existe fundamento legal que autorize a fiscalização a responsabilizar o proprietário incorporador, dona da obra ou condômino com o subempreiteiro. É nulo de pleno direito qualquer ato administrativo regulamentar que estabeleça a responsabilidade solidária entre as partes, em especial, o itein 15 da Os INSS/DAF n° 51/92 e o item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97. Tanto porque a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei (artigo 124, ll do CTN), como porque o conteúdo dos atos regulamentares restringese ao alcance da lei em função da qual são expedidos (artigo 99 do CTN). INSS/DAF n° 51/92 e o item 17 da OS INSS/DAF n° 165/97. Tanto porque a responsabilidade solidária é matéria exclusiva de lei (artigo 124, ll do CTN), como porque o conteúdo dos atos regulamentares restringese ao alcance da lei em função da qual são expedidos (artigo 99 do CTN). A despeito disso, a fiscalização responsabilizou à impugnante pelas obrigações previdenciárias descumpridas pela subempreiteira de obra de construção civil, relativas ao período de 01/1997 a 07/1998. Inaplicabilidade do artigo 124, I do CTN Caso, ainda, o sujeito ativo pretenda convalidar o lançamento com fundamento no artigo 124, l do CTN, isso não será Fl. 160DF CARF MF Processo nº 14191.000047/200762 Acórdão n.º 2301005.666 S2C3T1 Fl. 4 5 permitido, pois este dispositivo não foi informado como fundamento legal do lançamento. Inexatidão da base de cálculo De acordo com o capítulo Vl da OS INSS/DAF n° 51/1992 e com o capítulo V da OS INSS/DAF n° 165/1997, a aferição da base de cálculo deve levar em consideração a utilização de equipamentos mecânicos pela subempreiteira. Embora a subempreiteira tenha executado serviços de terraplenagem, o que reduziria a aferição da base de cálculo para 5% do valor da nota fiscal de serviços, esse limite não foi respeitado no lançamento. Portanto, ele deve ser retificado. A empresa Antônio C`arlos1Martins Capela do Alto ME, regularmente notificada, não apresentou impugnação. Remetidos aos autos a DRF de origem para que a autoridade lançadora indicasse os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil, ela apresentou Relatório Fiscal Complementar, acompanhado de documentos, na qual precisou os motivos adotados para fundamentar o lançamento. A Ellenco Construtora Ltda, regularmente cientificada do resultado da diligência. manifestouse pela nulidade do lançamento, sob os seguintes argumentos: A motivação inicial do ato administrativo não pode ser modificada após a sua lavratura. Caso a motivação inicial seja insuficiente, o ato administrativo deve ser declarado nulo. Não obstante, a informação fiscal apresentou motivação sem fundamento em fatos, apenas em especulações da autoridade administrativa. São três os motivos apresentados pela fiscalização: a terceirização do serviço pressupõe sua vinculação á atividade fim da impugnante; a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE; e o fato da impugnante não fazer prova do contrário. Contudo, existem inúmeras atividadesmeio que podem ser terceirizadas (p.ex limpeza, manutenção e segurança); o CNAE não pode ser aceito como legislação tributária (art. 100 do CTN). devendo prevalecer a definição do item l da OS INSS/DAF n° 165/97, vigente à época dos fatos geradores; e 0 ônus probatório é sempre da autoridade administrativa, que é obrigada a investigar a ocorrência dos fatos geradores. A fiscalização afirma que faz prova da natureza dos serviços pelas cópias de livro Razão da impugnante, porém, Fl. 161DF CARF MF 6 a escrituração contábil não serve como elemento probatório dos serviços prestados por terceiros, porquanto não descreve os serviços tomados pela impugnante. A empresa Antônio Carlos Martins Capela do Alto ME, regularmente cientificada do resultado da diligência, não se manifestou". Em recurso voluntário a recorrente reproduz as mesmas razões de primeira instância, acrescentando o seguinte: NFLD. Nulidade absoluta. Modificação dos motivos determinantes. a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); Alega a decadência em razão de nova decisão administrativa; A elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço. Diante dos fatos narrados, é o relatório.” Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 02 de outubro de 2018, proferido no âmbito do processo n° 16020.000194/200720, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Wesley Rocha, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 02 de outubro de 2018: Acórdão nº 2301005.659 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE ALEGADA A recorrente sustenta a nulidade do auto de infração, alegando que não há indicação das descrições dos fatos, necessários para lavratura do referido auto, bem como alteração dos motivos determinantes, em desobediência ao que prescreve o art. 10º, inciso III, do Decreto lei ° 70.235/72. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 162DF CARF MF Processo nº 14191.000047/200762 Acórdão n.º 2301005.666 S2C3T1 Fl. 5 7 II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Já o art. 60, do Decreto 70.235/1972, in fine, menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como identificou elementos que pudessem chegar às conclusões do lançamento. Conforme o relatório fiscal, constatase que: "Trata o presente de créditos apurados em favor da Seguridade Social, devidos pela empresa supra, referentes à parte patronal e empregados, excluídas as contribuições de Outras Entidades Terceiros, tendo em vista tratarse de debito de responsabilidade solidária, de acordo com o contido no Art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91 e Art. 42, caput do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS aprovado pelo Decreto 2.173, de 05/03/1997 ( Nesta ação fiscal reportarse também ao anexo FLD Fundamentos Legais do Débito". De todo o andamento processual, verificase que o lançamento fiscal foi anulado em razão de vício formal, e que posteriormente, seguiu sua marcha processual normalmente. Entretanto, o vício formal não alterou o critério jurídico adotado para autuação fiscal. Por outro lado, ao realizar a especificação do Lançamento, em sede de diligência fiscal, a autoridade administrativa apontou o seguinte: “ DA DILIGÊNCIA Fl. 163DF CARF MF 8 Retorna o presente processo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Ribeirão Preto (SP), com as seguintes solicitações: A) Solicitase que...“a autoridade fiscal Lançadora indique os motivos que a levaram a concluir que os serviços foram prestados na atividade de construção civil” (sic); B) Junte, quando possível, os elementos de prova que possuir. C) Do resultado da diligência deverá ser cientificada a interessada para, querendo, se manifestar no prazo de 30 dias. II DA INFORMAÇÃO FISCAL em face dos quesitos solicitados, passamos às informações correspondentes: A) Os motivos que levaram a autoridade fiscal a concluir que os serviços prestados pela empresa prestadora de serviço foram prestados na atividade de construção civil, estão demonstrados, inicialmente, pela própria atividade fim da defendente, bem como, na atividade da contratada. A.1) A Ellenco tem como atividade principal, conforme seu contrato social, o ramo de engenharia Elétrica e civil, envolvendo: construções elétricas, telefônicas, civis por administração, civis por conta própria, projetos, serviços topográficos, Comércio de materiais de construção civil, elétricos e telefônicos, Terraplanagem, compra e venda de imóveis, pavimentação asfáltica, serviços de construção e recuperação de pontes, viadutos, passarelas, galerias, obras em concreto armado ou protendido em geral e serviços correlatos; Usina de Massa Asfáltica; Serviços de Limpeza Urbana e Gestão de Aterros. A.2) Com certeza, para o cumprimento de suas atividades, indicadas em seu contrato social, a defendente, até por uma questão de demanda, precisou “terceirizar” suas atividades, e para essa tarefa não poderia contratar outra empresa que não estivesse intimamente associada à atividade da tomadora que, por conseguinte, esta relacionada à construção civil" A.2.1) Antes de qualquer citação de que a defendente não contratou apenas empresas ligadas à construção civil, deixamos claro que estamos nos atendo às empresas prestadoras de serviços que a fiscalização verificou e constatou a correlação entre o serviço prestado e a atividade de construção civil. A.3) A autoridade fiscal, além dos motivos mencionados, utilizouse, naturalmente, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, também denominada "CÓdigo CNAE", divulgada pela Resolução n° 54, de 19 de dezembro de 1994, da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, publicada no Diário Oficial em 26 de dezembro de 1994, da qual transcrevemos a parte relacionada à construção: F CONSTRUÇÃO 45 construção 45.1 preparação do terreno 45.110 demolição e preparação do terreno 45.128 perfurações e execução de fundações destinados a construção civil Fl. 164DF CARF MF Processo nº 14191.000047/200762 Acórdão n.º 2301005.666 S2C3T1 Fl. 6 9 45.136 grandes movimentações de terra 45.2 construção de edifícios e obras de engenharia civil 45.21 7 edificações (residenciais, industriais, comerciais e de serviços) inclusive ampliação e reformas completas 45.225 obras viárias inclusive manutenção 45.233 grandes estruturas e obras de arte 45.241 obras de urbanização e paisagismo 45.250 montagens industriais 45.292 obras de outros tipos 45.3 obras de infraestrutura para engenharia elétrica. eletrônica e engenharia ambiental 45.31 4 construção de barragens e represas para geração de energia elétrica 45.322 construção de estações e redes de distribuição de energia elétrica 45.330 construção de estações e redes de telefonia e comunicação ' 45.349 construção de obras de prevenção e recuperação do meio ambiente 45.4 obras de instalações 45.411 instalações elétricas 45. 420 instalações de sistemas de ar condicionado, de ventilação e refrigeração 45.438 instalações hidráulicas, sanitárias. de gás, de sistema de prevenção contra incêndio, de páraraios. de segurança e alarme 45.497 outras obras de instalações 45.5 obras de acabamentos e serviços auxiliares da construção 45.51 9 alvenaria e reboco 45.527 impermeabilização e serviços de pintura em geral 45.594 outros serviços auxiliares da construção” Das informações prestadas, é possível compreender exatamente os serviços que foram prestados, sendo possível, portanto, identificar os elementos que levaram a fiscalização a realizar o Lançamento fiscal. Nesses termos, estando o lançamento formalmente adequado, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, onde foram corrigidas formalidades necessárias, revelase inviável falar em nova nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. DO MÉRITO Fl. 165DF CARF MF 10 DA DECADÊNCIA Nesse quesito, a recorrente alega o seguinte: "Não assiste razão à autoridade administrativa, e tampouco à autoridade julgadora, ao defender que, uma vez anulado o lançamento por vício formal, a Fazenda tem um novo prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. O artigo 173, inciso II do CTN não estabelece uma hipótese de interrupção do prazo decadencial para a constituição do crédito, o que, data vênia, seria uma violação ao princípio jurídico elementar de que a decadência não se interrompe. Além da fragilidade deste raciocínio, caso prevaleça, estarseia submetendo contribuinte ao exclusivo arbítrio do sujeito ativo, o que não pode ser admitido. Se ele pratica lançamentos fiscais formalmente nulos, o contribuinte não pode aguardar ad eternum que o sujeito ativo aprenda a praticar seu munus, respeitando as prerrogativas do contribuinte". Como visto, o lançamento fiscal foi anulado, por vício formal, o que possibilita ao fisco realizar novo lançamento. Nesse sentido, o art. 173, inciso II, do CTN dispõe o seguinte: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Nesse sentido, é claro o dispositivo citado de que a fazenda tem o poder dever de realizar novo lançamento dentro do prazo de cinco anos, contados da decisão que anular, por vício formal, o lançamento. A decisão que anulou a primeira NFLD foi proferida em 26 de abril de 2006, e a recorrente se manifestou novamente em março de 2009 (efl. 109). Portanto, dentro do prazo quinquenal a que poderia intimar a responsável para sua manifestação. DA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO E DA BASE DE CÁLCULO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA A fiscalização identificou valores a serem recolhidos para a Seguridade Social. A base de cálculo foi apurada por aferição indireta e correspondeu à alíquota de 40% incidente sobre o valor das notas fiscais prestação de serviços. Nesse sentido, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando Fl. 166DF CARF MF Processo nº 14191.000047/200762 Acórdão n.º 2301005.666 S2C3T1 Fl. 7 11 constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) Conforme a diligência fiscal realizada, foram lançadas as seguintes informações: A.4) A defendente tenciona demonstrar que os serviços selecionados pela autoridade fiscal para a apuração do presente débito não estão relacionados à atividade da construção civil, no entanto em nenhum momento ela descreve a que tipo de atividade a prestadora de serviços efetuou o seu trabalho. Nem sequer trouxe aos autos qualquer evidência de que os serviços estiveram atrelados à outra atividade. B) No que tange aos elementos de prova, na presente diligência, intimamos a Ellenco a fornecer cópias das notas fiscais relacionadas nos autos, bem como a apresentação dos Livros contábeis concernentes ao período de O1/2006 O1/2009. A defendente não nos apresentou a totalidade das notas fiscais, mas, as que foram apresentadas demonstram, por amostragem, o tipo de serviço prestado. B.1) Juntamos, também, aos autos, cópias de folhas extraídas dos Livros Razão, conforme o período, dos anos de 1996 a 1998, demonstrando os lançamentos contábeis relacionados aos valores apurados nessa NFLD, também por amostragem, conforme seguem Livro Razão 96 fls. 209, 210, 245, 248 e 253 Livro Razão 98 fls. 222 e 317. B.2.) Solicitada à empresa a informação a respeito de contrato de prestação de serviços que, eventualmente, poderia ter sido elaborado entre a tomadora e a prestadora, ela nos apresentou a declaração (juntamos aos autos) informando que: “os contratos, referentes ao Fl. 167DF CARF MF 12 T/PF n° 0811000.2008.0057, não foram reduzidos a termo, porquanto foram celebrados verbalmente.” No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. Igualmente, conforme se verifica do Lançamento o montante foi arbitrado em razão das informações prestadas e também omitidas pela recorrente. Nesse sentido, a recorrente alega que há insuficiência probatória dos documentos acostados aos autos, diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Fl. 168DF CARF MF Processo nº 14191.000047/200762 Acórdão n.º 2301005.666 S2C3T1 Fl. 8 13 Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) Fl. 169DF CARF MF 14 (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mãode obra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriode contribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 14191.000047/200762 Acórdão n.º 2301005.666 S2C3T1 Fl. 9 15 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, cabe transcrever aqui, também, o item 12 e 13 do relatório fiscal: "12. Constituem fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento do crédito, pagamentos efetuados a várias Sub empreiteiras, cujas guias vinculadas não foram fornecidas e com recolhimentos verificados através da Conta Corrente (INSS) estando zerados ou com valores inexpressivos em relação ao valor das faturas sendo que estas empresas indicadas conforme Relatório de Fatos Geradores (na atual nomenclatura é 0 RL Relatório de Lançamentos que neste caso é exclusivo de cada tomador embora extraído do relatório original de Fatos Geradores compilado na integra conforme dito em item 2 e do qual a empresa recebeu uma via para controle e conferência). 13. A empresa Ellenco apresenta em sua contabilidade dois centros de custos mais utilizados, a saber: CUSTOS/OBRAS de TE RRAPLENA GEM E CUSTOS/OBRAS DA TE LESP, em cujos custos são lançadas as despesas com SUBEMPREI TA DAS, SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURIDICA, MATERIAL EMPREGADO NA OBRA, DESPESA COM LOCAÇÃO, DESPESAS GERAIS, ETC". Ainda, o relatório fiscal, consoante diligência administrativa, é claro em informar: "A) Os motivos que levaram a autoridade fiscal a concluir que os serviços prestados pela empresa prestadora de serviço foram Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 171DF CARF MF 16 prestados na atividade de construção civil, estão demonstrados, inicialmente, pela própria atividade fim da defendente, bem como, na atividade da contratada. A.1) A Ellenco tem como atividade principal, conforme seu contrato social, o ramo de engenharia Elétrica e civil, envolvendo: construções elétricas, telefônicas, civis por administração, civis por conta própria, projetos, serviços topográficos, Comércio de materiais de construção civil, elétricos e telefônicos, Terraplanagem, compra e venda de imóveis, pavimentação asfáltica, serviços de construção e recuperação de pontes, viadutos, passarelas, galerias, obras em concreto armado ou protendido em geral e serviços correlatos; Usina de Massa Asfáltica; Serviços de Limpeza Urbana e Gestão de Aterros A.2) Com certeza, para o cumprimento de suas atividades, indicadas em seu contrato social, a defendente, até por uma questão de demanda, precisou “terceirizar” suas atividades, e para essa tarefa não poderia contratar outra empresa que não estivesse intimamente associada à atividade da tomadora que, por conseguinte, esta relacionada à construção civil" A.2.1) Antes de qualquer citação de que a defendente não contratou apenas empresas ligadas à construção civil, deixamos claro que estamos nos atendo às empresas prestadoras de serviços que a fiscalização verificou e constatou a correlação entre o serviço prestado e a atividade de construção civil. A.3) A autoridade fiscal, além dos motivos mencionados, utilizouse, naturalmente, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, também denominada "CÓdigo CNAE", divulgada pela Resolução n° 54, de 19 de dezembro de 1994, da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE, publicada no Diário Oficial em 26 de dezembro de 1994, da qual transcrevemos a parte relacionada à construção" Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 14191.000047/200762 Acórdão n.º 2301005.666 S2C3T1 Fl. 10 17 "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” Portanto, foi constatado que os recolhimentos não são condizentes com os fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Desse modo, deve ser mantido o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento, bem como a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Embora os dispositivos acima transcritos já concluam a responsabilidade solidária da recorrente, passo a abordar o tema de maneira objetiva. É alegado pela recorrente que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o Fl. 173DF CARF MF 18 dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). CONCLUSÃO Voto, portanto, por rejeitar a preliminar alegada, e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a exigência fiscal. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator” Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior. Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925445/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
IRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CONDICIONADO AO DESFECHO DE AÇÃO JUDICIAL. TERMO INICIAL DE PRESCRIÇÃO.
O termo inicial para contagem do prazo de prescrição para o direito de pleitear a restituição de Saldo Negativo vinculado ao desfecho de ação judicial em trâmite inicia-se somente a partir da data do trânsito em julgado da decisão.
Numero da decisão: 1201-002.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava parcial provimento para sobrestar o julgamento do recurso. O conselheiro Rafael Gasparello Lima, em sessão, declarou-se impedido para o julgamento do processo.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO CONDICIONADO AO DESFECHO DE AÇÃO JUDICIAL. TERMO INICIAL DE PRESCRIÇÃO. O termo inicial para contagem do prazo de prescrição para o direito de pleitear a restituição de Saldo Negativo vinculado ao desfecho de ação judicial em trâmite iniciase somente a partir da data do trânsito em julgado da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava parcial provimento para sobrestar o julgamento do recurso. O conselheiro Rafael Gasparello Lima, em sessão, declarouse impedido para o julgamento do processo. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 54 45 /2 01 6- 11 Fl. 3566DF CARF MF 2 Relatório Por bem resumir o litígio, reproduzo o relatório constante da decisão da DRJ: O presente processo versa acerca da PER nº 12744.07950.301215.1.2.024366 (fls. 159/169), transmitida em 30/12/2015, objetivando a restituição de crédito proveniente de saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) atinente ao anocalendário de 2010, no montante de R$ 222.431.389,92 (duzentos e vinte e dois milhões, quatrocentos e trinta e um mil, trezentos e oitenta e nove reais e noventa e dois centavos). No que concerne às parcelas de composição do crédito declarado, observase que se resumem às antecipações oriundas de débitos de estimativas pagos, parcelados e compensados e de retenções na fonte do imposto de renda discriminados no corpo do pedido de restituição. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório eletrônico Rastreamento nº 116.586.073, 04/08/2016 (fl. 156), endereçado à incorporadora da requerente (CSN MINERAÇÃO S/A, CNPJ nº 08.902.291/000115), exarado em sede da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG (DRF/BELO HORIZONTE/MG), segundo o qual restou decidido INDEFERIR o pedido de restituição. De acordo com os fundamentos da decisão administrativa assentase que analisadas as informações prestadas no aludido PER/DCOMP não foi confirmada a existência do crédito nele veiculado, porquanto a inexistência de apuração de saldo negativo de IRPJ na Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) do Exercício 2011 (ano calendário 2010): [...] Regularmente cientificado do aludido Despacho Decisório, por via postal, consoante AR recebido em 18/08/2016 (fl. 158), o representante legal da incorporadora promoveu a postagem eletrônica das contrarrazões da sucessora do requerente em 19/09/2016 (fls. 5/13), acompanhada de documentação anexada à defesa, através da qual submete seus argumentos de forma a contrapor as inferências firmadas na decisão administrativa. Inaugura suas argumentações, antecipando que o requerimento formulado pela sucedida decorre de interpretação consubstanciada na decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) nos autos do Processo nº 19515.723039/201279 (Acórdão nº 1401001.239, de 26/08/2014 – Doc. 04). Fl. 3567DF CARF MF Processo nº 10680.925445/201611 Acórdão n.º 1201002.677 S1C2T1 Fl. 3 3 Não obstante a decisão não ser definitiva, salienta que em relação a ela foram opostos embargos de declaração; nele o requerente argumentou que o pleito foi realizado para evitar a prescrição do direito à repetição de indébito. Alega que, no curso da execução da análise a cargo da unidade de jurisdição da sucedida, conduziu demonstrativo de vinculação ao acórdão em referência, bem assim de memória de cálculo com os ajustes provenientes de decisão que resultou de apuração do crédito. Paralelamente, requereu o sobrestamento do pedido até o julgamento definitivo daquela lide em apreciação no CARF e, oportunamente, na esfera judicial, que trate da validade da autuação fiscal supracitada. [...] Sustenta que, a prevalecer a posição consubstanciada naquela decisão administrativa, as importâncias pagas pelo requerente à CSN a título de prépagamento pelo fornecimento de serviços portuários e minério perderão sua natureza antecipatória e passarão a compor o preço da aquisição da participação societária. Diante disto, o ágio amortizável seria mais elevado e, a seu turno, as despesas atinentes à remuneração pelos serviços prestados e minério adquirido se configurariam menores. Por via de conseqüência, os juros acrescidos ao passivo da CSN não se classificariam como receitas tributáveis. Neste contexto, propugna que os resultados contábeis e fiscais do requerente seriam alterados em decorrência dos seguintes ajustes: (i) complementação das amortizações do ágio; (ii) reversão de parte das despesas/custos relativos à prestação de serviços portuários e ao fornecimento de minério; e (iii) reversão da receita financeira alusiva aos juros calculados sobre o adiantamento feito à CSN. Desta forma, consoante expresso no demonstrativo carreado à manifestação de inconformidade (doc. 06), a efetivação de tais ajustes resultariam na apuração de um saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 222.441.389,92. [...] Encaminhado o pleito para julgamento, a decisão de primeira instância (fls. 304/317) indeferiu o PER sob os seguintes fundamentos: (i) por não ter havido retificação da DIPJ e da contabilidade, o que comprometeria a liquidez do indébito; (ii) que a existência de ações judiciais ajuizadas pelo contribuinte enseja o indeferimento, nos termos do artigo 170A do CTN; e (iii) não haveria base legal para o sobrestamento requerido. Cientificada da decisão (fl. 318), a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 321/348). Reitera os argumentos da manifestação de inconformidade, aduz que a DRJ não Fl. 3568DF CARF MF 4 compreendeu bem os fatos, que não há concomitância do PER com nenhuma ação judicial e que o presente processo deveria permanecer sobrestado até decisão definitiva dos processos administrativos ou judiciais que questionam o acórdão proferido no processo 19515.723039/201279. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conforme relata a própria Recorrente no início de sua manifestação de inconformidade (fls. 6/13): Tratase, no caso, de pedido de restituição do saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), anobase 2010 (doe. 03), da empresa incorporada NAMISA, decorrente do entendimento consubstanciado na decisão proferida pela Ia Turma Ordinária da 4a Câmara da Ia Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos autos do processo n° 19515.723039/201279 (acórdão n° 1401001.239, de 26.08.2014 doe. 04). Apesar de aquela decisão não ser definitiva, pois contra ela foram opostos embargos de declaração, a NAMISA apresentou o referido pedido de restituição com a ressalva de que o mesmo tem por objetivo evitar a prescrição do direito de pleitear a repetição de seu crédito correspondente ao saldo negativo do IRPJ. Contra o referido acórdão 1401001.239, inicialmente a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, pretendendo fosse restabelecida a qualificação da multa no percentual de 150%, o que acabou ocorrendo posteriormente pela CSRF. A contribuinte também interpôs recurso especial, suscitando divergência apenas quanto ao tema juros sobre multa de ofício, mas este recurso foi em seguida objeto de pedido de desistência. A Recorrente, aliás, esclarece no recurso voluntário que: Tendo a Fazenda Nacional interposto recurso especial quanto à desqualificação da multa, o referido processo administrativo nº 19515.723039/201279 foi desmembrado com a abertura do processo administrativo nº 16151.720074/201729, no qual por meio da Carta Cobrança nº 131/2017 foi exigido da CSN o pagamento dos valores cuja exigência já se tornou definitiva na esfera administrativa. Fl. 3569DF CARF MF Processo nº 10680.925445/201611 Acórdão n.º 1201002.677 S1C2T1 Fl. 4 5 Em conseqüência, a CSN impetrou o Mandado de Segurança nº 100228825.2017.4.01.3400 (doc. 03), o Mandado de Segurança nº 100713303.2017.4.01.3400 (doc. 04) e a Ação Anulatória nº 502197948.2017.4.03.6100 (doc. 05), pendentes de decisão final. No entanto, a prevalecer o entendimento consubstanciado naquela decisão administrativa, os valores pagos pela Recorrente à CSN a título de prépagamento pelo fornecimento de serviços portuários e minério deixarão de ter a natureza de antecipação de preço desses serviços e do minério, passando a compor o preço pago pela aquisição da participação societária da NAMISA. Para facilidade de visualização, cumpre examinar quais seriam as conseqüências no mundo dos fatos de tratar a operação como uma compra e venda de participação societária, como entendeu o Fisco nos autos de infração objeto do processo nº 19515.723039/201279, e de tratála como uma operação de capitalização seguida de pagamento antecipado de parte do preço fixado em obrigações contratuais. Em uma operação de capitalização seguida de pagamento antecipado de parte do preço fixado em obrigações contratuais, que é o negócio jurídico celebrado, teríamos: 1) o valor do aporte de capital (R$ 7,28 bilhões) ingressaria de forma definitiva no patrimônio da empresa investida (no caso a NAMISA); 2) em contrapartida a esse aporte de capital, e somandose a participação de 0,7907% adquirida diretamente da CSN, a Big Jump seria titular de 40% do capital social da NAMISA majorado por conta do aporte realizado; 3) considerando que o patrimônio líquido da NAMISA antes da capitalização supostamente inexistente era de R$ 884.109.087,84, somandose a este valor os R$ 7,28 bilhões chegase a um PL de R$ 8,16 bilhões, correspondendo 40% deste valor a R$ 3,27 bilhões, daí decorrendo o ágio registrado pela Big Jump de R$ 4 bilhões; 4) a utilização deste aporte de capital pela NAMISA para realizar o pagamento antecipado de parte (P2) do preço acordado nos contratos de prestação de serviços e fornecimento de minério firmados não alteraria seu capital social mas apenas seu caixa, reconhecendose em contrapartida um ativo (crédito) em face da CSN e registrandose um passivo no valor correspondente na CSN; 5) em razão deste pagamento antecipado, a Recorrente passaria a reconhecer uma receita de juros, parte efetivamente recebida em dinheiro e parte aumentando seu crédito junto à CSN; e 6) ainda em razão deste pagamento antecipado (P2), a CSN teria a obrigação de prestar os mesmos serviços e fornecer o Fl. 3570DF CARF MF 6 mesmo minério contratado, recebendo porém à medida em que prestados os serviços e fornecido o minério apenas a outra parte (P1) do preço tratado (embora oferecendo à tributação o valor integral faturado (P1+P2), que aliás é o mesmo valor que tributaria se recebesse o valor integral na hipótese de compra e venda de que se cuidou acima). Já em uma operação de compra e venda, como entendeuse ter ocorrido no processo nº 19515.723039/201279, teríamos: 1) o valor total desembolsado pela Big Jump (R$ 7,40 bilhões) ingressaria de forma definitiva no patrimônio do vendedor (no caso supostamente a CSN) a título de preço, sem qualquer obrigação daí decorrente; 2) em contrapartida a este elevadíssimo valor a Big Jump receberia 40% do capital social da NAMISA considerando seu patrimônio líquido original, ou seja, não mais teria a Big Jump qualquer direito sobre o valor desembolsado de R$ 7,40 bilhões; 3) considerando que o patrimônio líquido da NAMISA antes da capitalização supostamente inexistente era de R$ 884.109.087,84, e correspondendo 40% deste valor a R$353.643.635,10, o comprador teria pago então nesta hipótese um ágio de R$ 7,05 bilhões! (e não os R$ 4,09 bilhões que registrou); e 4) a Recorrente não teria valor algum a receber a título de juros; Assim, a prevalecer o entendimento de que a CSN e a Recorrente teriam realizado uma operação de compra e venda de participação societária, os resultados contábeis e fiscais da Recorrente seriam alterados em razão dos seguintes ajustes: (i) complementação das amortizações do ágio; (ii) reversão de parte das despesas/custos relativos à prestação de serviços portuários e ao fornecimento de minério; e (iii) reversão da receita financeira referente aos juros calculados sobre o adiantamento feito à CSN. Nessa hipótese, o ágio amortizável pela Recorrente seria maior, as despesas relativas à remuneração pelos serviços prestados e minério adquirido seriam menores e os juros acrescidos ao passivo da CSN, correspondente ao adiantamento que se entendeu inexistente, não seriam receitas tributáveis da Recorrente. Neste passo, de forma a melhor esclarecer a composição e origem do crédito objeto do presente pedido, a Recorrente solicitou à PricewaterhouseCoopers a elaboração do “Relatório de constatação sobre a existência de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2010” (doc. 06) mediante o qual foi recalculado o seu resultado fiscal partindo da premissa de que a acusação fiscal contra a CSN é procedente. Conforme se verifica no referido laudo, que convalida os cálculos apresentados pela Recorrente na manifestação anterior, resta plenamente demonstrado que se mantido o lançamento Fl. 3571DF CARF MF Processo nº 10680.925445/201611 Acórdão n.º 1201002.677 S1C2T1 Fl. 5 7 realizado no processo administrativo nº 19515.723039/201279 haverá saldo negativo de IRPJ a ser restituído que, considerandose tais ajustes, no anobase 2010 corresponde a R$ 222.441.389,92. Daí porque, para evitar o perecimento de seu direito pelo transcurso do prazo decadencial, a Recorrente apresentou tal pedido e requereu o seu sobrestamento até a decisão final, administrativa ou judicial, acerca da legitimidade do lançamento formalizado contra a CSN. Conforme se percebe, a Recorrente é categórica ao afirmar que apresentou o PER ora em debate apenas como forma de evitar uma prescrição do Saldo Negativo que seria apurado no caso de prevalecer a decisão do Acórdão n. 1401001.239, mas que atualmente é objeto de questionamento em Ação Anulatória. Tratase o presente pleito de restituição, portanto, de um alegado crédito de Saldo Negativo que somente seria formado na hipótese de não provimento de uma demanda judicial. Vale dizer, estamos diante de um pedido de restituição cujo crédito está condicionado ao desfecho desfavorável de uma ação judicial que ainda tramita. Assim, caso o Autor obtenha provimento jurisdicional definitivo que corrobore a tese que advoga, não há que se falar no direito de uma reapuração do IRPJ do AC 2010 e, conseqüentemente, de indébito. Caso, porém, seja mantido o entendimento proferido no Acórdão 1401001.239, o contribuinte passaria a fazer jus ao Saldo Negativo, restando pendente apenas a validação do montante exato do crédito. Nesse estado de coisas, vale assinalar que sobre a restituição de indébito tributário, dispõem os artigos 165, I e III e 168, III, do CTN, que: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 3572DF CARF MF 8 I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Da análise das regras de restituição previstas nesses dispositivos, notase que se o pagamento indevido ou maior a título de tributo estiver condicionado aos efeitos de uma reforma de decisão, o termo inicial para reaver o indébito corresponde à data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial reformadora. Isso significa dizer que, ao contrário do que sustenta a Recorrente, a argüida prescrição não "começou a correr", uma vez que o pretenso crédito sequer se materializou. Ora, se o indébito, conforme narra com precisão o contribuinte, se exterioriza no contexto de um não provimento de uma demanda judicial pendente de desfecho, o termo prescricional só se iniciaria com uma decisão judicial definitiva desfavorável. Nesse sentido já se posicionou o CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. (Acórdão 10323.503, Sessão de 26/06/2008). Grifei RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, Fl. 3573DF CARF MF Processo nº 10680.925445/201611 Acórdão n.º 1201002.677 S1C2T1 Fl. 6 9 calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida”. (Acórdão nº 10805.791, Sessão de 19/07/1999). Caminhando nessa mesma trilha, entendo que a Recorrente não possui nenhum crédito de Saldo Negativo até o presente momento, razão pela qual correta a decisão de primeiro grau ao indeferir o PER. Também entendo que não estamos diante de processo conexo ou de hipótese para sobrestamento, afinal o PER é carente de liquidez e certeza, que são requisitos do indébito. O termo inicial da prescrição, na hipótese ventilada nesse caso concreto, é a ocorrência da "Actio Nata", isto é, o momento em que restar imodificável o mérito julgado no Acórdão 1401001.239, o que somente se fará presente com o trânsito em julgado de decisão improcedente que venha a ser proferida na mencionada Ação Anulatória. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 3574DF CARF MF
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Numero do processo: 14766.000198/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966, combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
Numero da decisão: 3301-005.336
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira , Marcelo Costa Marques D´ Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966, combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira , Marcelo Costa Marques D´ Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 76 6. 00 01 98 /2 00 9- 21 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 14766.000198/200921 Acórdão n.º 3301005.336 S3C3T1 Fl. 157 2 Adoto o relatório constante da decisão recorrida (fls. 71/77), abaixo transcrito: O contribuinte acima qualificado formalizou Perdcomp nº 33041.55770.181004.1.3.012132, fls. 3 a 8, onde solicita a compensação de débitos de PIS/PASEP, COFINS e IPI, com suposto crédito de IPI, no valor de R$ 52.512,95, que foi objeto do pedido de ressarcimento constante do processo nº 19647.009259/200481 O pedido de ressarcimento, constante do processo nº 19647.009259/200481, foi considerado não formulado pelo SEORT/DRF/RCE por estar em desacordo com a exigência de Pedido Eletrônico previsto na legislação, fl. 9. A DRF/Recife proferiu despacho decisório em 06/06/2009, fl. 12, não homologando as compensações declaradas, Dcomp nº 33041.55770.181004.1.3.012132, em razão do pedido de ressarcimento ter sido considerado não formulado, e determinou a cobrança dos débitos especificados: Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou, em 03/018/2009, manifestação de inconformidade de folhas 28 a 50, alegando, em síntese, que: · Apresenta a manifestação de inconformidade no escopo de demonstrar as razões da legitimidade da compensação dos demais créditos pleiteados, pois a recorrente impetrou Mandado de Segurança, processo nº 2002.83.00.0044667, acossando o reconhecimento de seus créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos desonerados; · Seu pleito judicial foi deferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em sede de apelação, nessa trilha passou a aproveitar os seus créditos de IPI extemporâneo de acordo com a autorização judicial, que está em vigor até a presente data; · Todas as compensações materializadas pela recorrente, dentre elas a ensejadora do processo administrativo em foco e rejeitadas pela decisão em tela foram realizadas em total conformidade com os termos de decisão judicial; · A decisão em tela, não obstante o expresso reconhecimento da vigência e da efetividade da decisão Fl. 157DF CARF MF Processo nº 14766.000198/200921 Acórdão n.º 3301005.336 S3C3T1 Fl. 158 3 judicial obtida pela recorrente, termina por descumprila através de meios transversos, posto que desconsidera o direito, reconhecido de forma ampla pelo judiciário, de aproveitamento de todos os insumos desonerados, pela suposta inobservância de obrigação acessória; · A situação da recorrente é diferenciada, posto que a ação judicial não transitou em julgado, portanto, o pedido de ressarcimento não poderia ser feito através do sistema eletrônico (PERDCOMP), ao reverso, tal sistema exige, em campo próprio, a informação relativa a data do trânsito em julgado; · Diante da impossibilidade de apresentação do pedido de compensação através do sistema eletrônico, a recorrente se viu obrigada a formular o pedido de ressarcimento em formulário papel, nos termos da decisão judicial proferida pelo TRF 5ª Região; · Tal situação jurídica, inexistência do trânsito em julgado, como também, a vedação do próprio sistema eletrônico (PERDCOMP) exigiram que a recorrente apresentasse o pedido de ressarcimento nº 19647.009259/200481, através de formulário papel observando a permissão prevista no art. 3º da IN SRF nº 323/2003; · Diante da inexistência de trânsito em julgado, o pedido de ressarcimento formulado pela recorrente, obrigatoriamente, teve que ser processado através de formulário de papel, portanto, merece reforma a decisão que não homologou o pedido de compensação diante do suposto vício formal no pedido de ressarcimento formulado pela recorrente; · Em relação a apuração do crédito, a decisão em favor da recorrente alarga a interpretação dada ao princípio da incumulatividade do IPI, para efeito de garantir aos contribuintes adquirentes de insumos desonerados, o direito de apuração do crédito do mesmo IPI. Tal apuração, por inexistir IPI destacado no corpo da nota fiscal é levada a cabo pela aplicação da alíquota prevista para a saída do produto final sobre os ditos insumos desonerados. Essa é a única forma de obtenção efetiva do direito salvaguardado pelo Poder Judiciário; · O procedimento adotado pelo fiscal quando da não homologação da compensação, em palavras simples e clara, continuou a desrespeitar a decisão judicial em pleno vigor, que certa ou errada, sob o prisma jurídico, enquanto favorável à recorrente deve ser cumprida pelo órgão de arrecadação; · Indubitável o direito da contribuinte de manter o creditamento, mesmo sobre os insumos sujeitos à regime de suspensão do IPI, seja porque a legislação assim Fl. 158DF CARF MF Processo nº 14766.000198/200921 Acórdão n.º 3301005.336 S3C3T1 Fl. 159 4 defere (5º, § 3º da lei nº 9.826/99, com redação dada pela lei nº 10.485/2002), seja porque a decisão judicial em vigor garante o direito ao creditamento dos insumos desonerados; · A IN SRF nº 323/2003 não se refere à obrigatoriedade do procedimento e transmissão ser realizado apenas pela Internet, limitase apenas a disciplinar sua utilização; · Somente a partir de 18/10/2004, com a publicação do IN nº 460/2004 foi introduzida a efetiva obrigatoriedade de utilizarse do “sistema eletrônico”; · Consubstanciada a natureza meramente instrumental das obrigações tributárias acessórias, seu descumprimento importa, acaso previamente prescrito em lei, apenas na imposição de multa pecuniária, de cunho punitivo; · A decisão do Chefe do Seort/Recife demonstrou excessivo apego à forma em desfavor do conteúdo material dos atos administrativos, pois considerou apenas a obrigatoriedade da apresentação através da Internet, não observando o conteúdo material do pedido de ressarcimento/compensação da Recorrente; · Indiscutível, portanto, a desproporcionalidade da não homologação das declarações de Compensação apresentadas pela empresa Recorrente apenas por não ter cumprido obrigação acessória à principal. Cabendo a esse Órgão Julgador afastar tal óbice à pretensão da Recorrente, sob pena de chancelar conduta ilegal, prevalecendo a forma em desfavor do conteúdo material dos atos administrativos; · Ao final, requer a reforma da decisão recorrida e, consequentemente, a homologação do PER/DCOMP n.º 33041.55770.181004.1.3.012132, no valor de R$ 52.512,95. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 71): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. É incabível a compensação de débitos utilizandose créditos de IPI, cujo pedido de ressarcimento foi considerado não formulado em processo administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 159DF CARF MF Processo nº 14766.000198/200921 Acórdão n.º 3301005.336 S3C3T1 Fl. 160 5 Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 116/153), no qual a Recorrente assevera que não há concomitância nas esferas administrativa e judicial, defende seu direito à restituição/ressarcimento e também solicita que sejam analisadas suas declarações de compensação. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Defende a Recorrente seu direito de utilizar créditos relativos a decisão judicial ainda não transitada em julgado. Observese, contudo, que a utilização de crédito ainda pendente de decisão judicial definitiva encontrase expressamente vedada no art. 170A do CTN, e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os quais transcrevemos: Código Tributário Nacional Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Lei nº 9.430, de 1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado;ou (grifouse) Cabe consignar a informação de que o processo judicial em pauta teve trânsito em julgado com decisão desfavorável à Recorrente, com a seguinte ementa: AMS 82188/PE (2002.83.00.0044607) APTE : ENGARRAFADORA IGARASSU LTDA ADV/PROC : FÁBIO HENRIQUE DE ARAÚJO URBANO e outros Fl. 160DF CARF MF Processo nº 14766.000198/200921 Acórdão n.º 3301005.336 S3C3T1 Fl. 161 6 APDO : FAZENDA NACIONAL ORIGEM : 7ª Vara Federal de Pernambuco (Especializada em Questões Agrárias) RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL VLADIMIR SOUZA CARVALHO (Ementa) Tributário. Retorno dos autos para, se for o caso, se proceder a adequação do acórdão, nos termos do art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil, por destoar do entendimento adotado em repercussão geral, RE 562.980, que tem como questão controvertida o creditamento de IPI em relação à aquisição de insumos ou de produtos intermediários aplicados na fabricação de produtos finais sujeitos à alíquota zero ou isentos. 1. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é de apenas haver direito constitucional a créditos de IPI, com supedâneo no princípio da não cumulatividade, quando se verifica superposição impositiva, com a incidência tributária na operação antecedente e também na de saída dos produto, exceto diante de previsão de lei específica, o que não é o caso dos autos, vez que se trata aqui de insumos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados e produto final tributado. 2. O acórdão recorrido destoa do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao conferir à apelante o direito aos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos ou tributados à alíquota zero, diante de produto final tributado. 3. Adequação do julgado ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, passando se a negar provimento à apelação da Empresa. (Acórdão) Vistos, etc. Decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, adequar o acórdão recorrido, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas constantes dos autos. Recife, 10 de março de 2015. (Data do julgamento) Ademais, adotase o entendimento constante da decisão de piso no sentido de que (fl. 114): O MS interposto pela contribuinte teve liminar indeferida, sendo igualmente denegada a segurança. Contra a decisão que indeferiu a liminar, opôs Agravo de Instrumento que permitiu o aproveitamento dos créditos solicitados, acrescido (indevidamente) dos não tributados, dos bens destinados ao ativo fixo e dos imunes. Posteriormente obteve decisão favorável em Apelação ao MS que autoriza a utilização de créditos oriundos das aquisições de insumos sob isenção ou alíquota zero. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 14766.000198/200921 Acórdão n.º 3301005.336 S3C3T1 Fl. 162 7 O MS encontrase com decisão favorável em Apelação, quanto às aquisições de insumos sob isenção ou alíquota zero, decisão ainda sujeita aos recursos extremos ao STJ e STF. Não cabe no presente processo reconhecer ou autorizar matéria submetida e decidida pelo Poder Judiciário. Portanto, não se toma conhecimento da parte do mérito que coincide com o objeto da ação judicial em curso, e quanto ao mérito remanescente, desbordante da lide judicial, propõese manter o indeferimento do pedido. Diante do exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.905423/2012-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA.
Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão.
Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Numero da decisão: 1001-000.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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INEXISTÊNCIA. Uma vez que o pagamento foi integralmente utilizado para o débito fiscal correspondente, inexiste direito creditório. Consequentemente, não há como homologar a compensação requerida. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar proposta de diligência suscitada no recurso e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 54 23 /2 01 2- 21 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10840.905423/201221 Acórdão n.º 1001000.829 S1C0T1 Fl. 72 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo (SP), mediante o Acórdão nº 1663.767, de 28/11/2014 (efls. 39/43). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Trata o presente processo de Despacho Decisório emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Per/Dcomp nº 0167.44367.040111.1.2.048642 (fls. 2 a 4) e indeferiu a restituição declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao Darf apresentado, crédito disponível a ser aproveitado no presente Per/Dcomp. O referido Darf, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: nº de pagamento – 2686824711; período de apuração –31/05/2006; data de arrecadação – 20/06/2006; código de receita – 6106 (Pagamento de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte Simples); valor total do Darf R$ 20.399,18; valor total original utilizado R$ 20.399,18. 1.1. O limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, informado no Per/Dcomp é de R$ 6.799,72, conforme Despacho Decisório de 05/12/2012 (fl. 5). A transmissão do Per/Dcomp ocorreu em 04/01/2011. 2. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, protocolada em 14/01/2013 (fls. 10 a 12, com anexos às fls. 13 a 32), com a seguinte alegação: (...) 2. Conforme resultado de consulta no processo 11610.003039/200700, formulada pela ABRIGAF NACIONAL (doc. 4, anexo), da qual é filiada (doc. 5, anexo), a requerente é titular de crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional, por recolhimento feito em montantes maiores que o devido, de janeiro de 2.004 a maio de 2.006, (doc. 6, anexo), faltando acrescentar os valores legais de correção monetária e juros, mediante simples operação aritmética. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10840.905423/201221 Acórdão n.º 1001000.829 S1C0T1 Fl. 73 3 3. Por força do previsto no Código Civil, artigos 368 e seguintes, no Código Tributário Nacional, artigo 156, II e na Lei 10.637 de 30.12.2002, artigo 49, o contribuinte tem direito assegurado de extinguir crédito tributário da Fazenda com créditos seus contra a mesma, até o montante em que se compensarem. 4. Pelo exposto e com os documentos acostados, vem requerer a reforma e inversão do despacho decisório de indeferimento (rastreamento 040198195), a fim de que o PER/DECOMP, tal como requerido, seja acatado. (...) O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujo excerto do voto vencedor transcrevo a seguir: 4. Configuramse os requisitos de admissibilidade da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo legal (art.15 do Decreto nº 70.235/1972). 4.1. As matérias não expressamente questionadas presumemse legítimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art.17 do Decreto no 70.235/1972, na redação dada pela Lei nº 9.532/1997. 4.2. Também estabelece o art. 16 do citado Decreto que a Impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em complemento, o § 4º do citado artigo é manifesto ao prescrever que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos descritos. 4.3. Ressaltase que o regramento previsto no Decreto nº 70.235/1972 é aplicável à Manifestação de Inconformidade em decorrência da previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, incluída pela Lei nº 10.833/2003. 5. No caso concreto, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fl. 5). 5.1. O referido DD aponta como causa do indeferimento o fato de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. 5.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para a restituição. 5.3. Em suma, os motivos do indeferimento residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 6. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório, que indeferiu a restituição, afirmando que em razão de consulta formulada pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica (ABIGRAF NACIONAL – acostou documento às fls. 26 a 30), possui crédito em face da Fazenda Pública, em função de recolhimentos efetuados Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10840.905423/201221 Acórdão n.º 1001000.829 S1C0T1 Fl. 74 4 em montantes superiores ao devido, no período de janeiro/2004 a maio/2006 (acostou planilha com alteração dos valores de débitos do Simples Federal à fl. 30). 6.1. Quanto à Planilha elaborada pela defendente (fl. 32), na qual há alteração no débito do Simples Federal relativo ao Período de Apuração maio/2006 (de R$ 20.399,18 (valor que consta na Declaração Simplificada entregue, conforme pesquisa efetuada no sistema IRPJ da RFB) para R$ 13.599,46) é de se observar, inicialmente, que a elaboração de Planilha retificadora, não é, por si só, suficiente para fazer prova em favor do contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado (ou seja, do pagamento indevido, conforme definido no art. 165 do CTN), por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em conformidade com a legislação de regência do regime simplificado e em obediência ao disposto no art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. 6.2. Observese, ainda, que, em consonância com a legislação acima citada, consta das “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” (disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil), a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. 6.3. Verificada a não existência de parte ou mesmo da totalidade do crédito, pela Autoridade Administrativa, cumpre ao autor a comprovação do direito alegado, cuja negativa restou demonstrada no Despacho Decisório, conforme dispõe o art. 333 do Código Processual Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Parágrafo único. É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. 6.4. Ou seja, no presente caso, caberia à Manifestante, em respeito à verdade material, além de apresentar cópia da retrocitada Planilha e da Declaração Simplificada retificadora, indicar os motivos fáticos que ensejaram a redução do Simples Federal devido, bem como demonstrar documentalmente a correção das alterações na referida Declaração, em conjunto articulado com o anocalendário relacionado ao documento de arrecadação que ela consignou no Per/Dcomp. 6.5. Ademais, conforme o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco consubstanciado em ato da Administração finda no mesmo prazo para a apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10840.905423/201221 Acórdão n.º 1001000.829 S1C0T1 Fl. 75 5 7. Além disso, cabe asseverar que a Autoridade Julgadora vêse livre quanto ao convencimento quando da apreciação das provas trazidas aos autos, consoante previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. 7.1. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no Despacho Decisório, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados não pode ser acatada, pelo que se mantém correto o não deferimento do pedido de restituição. CONCLUSÃO 8. Em consonância com o exposto e de tudo mais que do processo consta, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendose o Despacho Decisório à fl. 5. É como voto. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de Declaração Simplificada, não é suficiente para reformar a decisão de indeferimento de restituição. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 23/12/2014, conforme Termo de ciência por decurso de prazo à efl. 70, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 07/01/2015 (efls. 48/56), conforme carimbo aposto à fls. 48. É o Relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10840.905423/201221 Acórdão n.º 1001000.829 S1C0T1 Fl. 76 6 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, que o "crédito objeto da PER/DCOMP originouse do recolhimento a maior do Simples efetuado pelo Recorrente. É que o mesmo entendia estar submetido à majoração de 50% das alíquotas do Simples, determinada pelo art. 2 da Lei 10.034/00". que "a Receita Federal emitiu Solução de Consulta n. 20 COSIT, de 27/06/2008, pelo qual esclareceu que a receita de industrialização não estaria submetida à majoração da alíquota", consulta esta "formulada pela ABRIGAF NACIONAL, da qual a Recorrente é filiada" que "Tal situação foi devidamente demonstrada quando da apresentação da manifestação de inconformidade...". Alega que "não houve qualquer análise de sua escrita fiscal, tão somente o cruzamento de dados pelo sistema da Receita Federal"e que "a JULGADORA A QUO falhou em não deferir diligência fundamental ao deslinde da questão". Transcreve acórdãos do CARF favoráveis à sua tese. E assim, requer que seja o julgamento convertido em "diligência para que seja determinado, com base nos livros e documentos da empresa e demais verificações necessárias a apuração da receita bruta proveniente de atividade sujeita ao incremento de 50% das alíquotas do Simples e daquela que não se sujeita a tal incremento, conforme definido na mencionada solução de consulta, qual o real valor do Simples a pagar no PA 31/12/2005" (sic) Alega, ainda, que a recorrente é empresa de pequeno porte com "presumidamente hipossuficiente em relação ao adequado assessoramento técnico e de recursos humanos" e que "Neste contexto, evidenciase que a administração pública deve atuar com menor rigor processual em relação a tais entes, sob pena de se cometer injustiças em total desrespeito aos ditames constitucionais que lhe garante tratamento jurídico diferenciado." Quanto a este último argumento de "que a administração pública deve atuar com menor rigor processual" por presumir a hipossuficiência da empresa de pequeno porte, entendo que o tratamento diferenciado no citado artigo 179 da Constituição não está sendo descumprido pelo presente e escorreito julgamento. Cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10840.905423/201221 Acórdão n.º 1001000.829 S1C0T1 Fl. 77 7 Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. Quanto aos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e reiterado no presente recuso, estes foram fundamentadamente afastados em sede de primeira instância, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito no relatório, pelo que peço vênia para adotar como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Quanto às jurisprudências citadas, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Neste sentido, voto por REJEITAR o PEDIDO DE DILIGÊNCIA e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 77DF CARF MF
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