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Numero do processo: 10480.010459/2002-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
Ementa:
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA. DÉBITO COMPENSADO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Restou provado nos autos, inclusive por intermédio de diligência fiscal, inexistir qualquer relação entre os créditos glosados no presente processo administrativo e débitos posteriormente lançados de ofício pela União em prejuízo do contribuinte. Preliminar afastada.
MÉRITO. DECISÃO JUDICIAL AUTORIZATIVA DE CREDITAMENTO PARA OPERAÇÕES ISENTAS E SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DA DECISÃO JUDICIAL ABARCAR OUTRAS OPERAÇÕES DESONERADAS.
A ação judicial promovida pelo contribuinte limitou-se a prover seu pedido de creditamento nas taxativas hipóteses de aquisições sujeitas à isenção e alíquota zero, não sendo possível estender o teor do decisum para outras operações desoneradas, tais como as operações não tributadas. Logo, é indevido o creditamento promovido pelo contribuinte.
Recurso voluntário negado. Direito creditório não recohecido.
Numero da decisão: 3402-004.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto.
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA. DÉBITO COMPENSADO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Restou provado nos autos, inclusive por intermédio de diligência fiscal, inexistir qualquer relação entre os créditos glosados no presente processo administrativo e débitos posteriormente lançados de ofício pela União em prejuízo do contribuinte. Preliminar afastada. MÉRITO. DECISÃO JUDICIAL AUTORIZATIVA DE CREDITAMENTO PARA OPERAÇÕES ISENTAS E SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DA DECISÃO JUDICIAL ABARCAR OUTRAS OPERAÇÕES DESONERADAS. A ação judicial promovida pelo contribuinte limitouse a prover seu pedido de creditamento nas taxativas hipóteses de aquisições sujeitas à isenção e alíquota zero, não sendo possível estender o teor do decisum para outras operações desoneradas, tais como as operações não tributadas. Logo, é indevido o creditamento promovido pelo contribuinte. Recurso voluntário negado. Direito creditório não recohecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 04 59 /2 00 2- 90 Fl. 574DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em comento emprego como meu parte do relatório desenvolvido na resolução n. 20400.589 (fls. 439/445), o que passo a fazer nos seguintes termos: Em apreciação, recurso da contribuinte contra decisão que manteve o indeferimento parcial do pedido de ressarcimento de créditos básicos do IPI, oriundo da aquisição de insumos desonerados do IPI (alíquota zero, isentos e NT). Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: "O contribuinte acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de R$ 23.049,14, relativo ao 4° trimestre de 2000, decorrente da aquisição de insumos tributados à. alíquota zero (R$ 3.458,77) e desonerados do IPI (R$ 19.590,37). À fl. 46, encontrase cópia de decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n.° 2002.83.00.00044607 (fls. 42144), através da qual o Tribunal Regional Federal da 5a Região, em sede de Agravo de Instrumento (AGTR n.° 42.173 / PE), concedeu em caráter substitutivo, liminar permitindo o aproveitamento dos créditos de IPI decorrente de aquisição de insumos isentos, tributados com alíquota zero, imunes ou não tributados, e de créditos de bens do ativo permanente. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 65 a 217, a autoridade diligenciadora, depois de discorrer pormenorizadamente sobre o IPI, em especial sobre a impossibilidade de creditamento quanto à aquisição de produtos isentos, não tributados ou tributados à. alíquota zero, assim como, sobre a sistemática instituída pela Lei n.° 9.779, de 1999, e a vedação incidência de correção monetária e de juros de mora sobre créditos escriturais de IPI, consignou, ao final, em conclusão: A fim de prevenir qualquer dano à Fazenda Pública, e para assegurar o respeito decisão judicial, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) para a manifestação daquele órgão acerca da extensão da referida decisão, bem como da definição sobre as seguintes indagações: a) se há direito ao creditamento do IPI no Livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI), diante da situação atual do processo judicial antes referido; b) se pode ser admitida a utilização dos créditos, antes da compensação constitucional estabelecida para o IPI e regulada Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 575 3 pelo CTN e demais normais legais, para compensação com outros tributos e contribuições federais; c) se a ação judicial ampara a pretensão de incidência de coney do monetária (pela UFIR) e juros de mora (taxa Selie) sobre créditos do IPI alegados. Com a citada manifestação judicial, diz a autoridade diligenciadora, será possível definir precisamente o valor a ser reconhecido pelo Delegado da Receita Federal no Recife, para creditamento extemporâneo do contribuinte em sua escrita fiscal e a subseqüente compensação com os débitos do IPI decorrentes de suas saídas de produtos tributados, diante do alcance das decisões proferidas no processo judicial antes mencionado. Às fls. 220 a 223, acostouse cópia de despacho da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 5' Regido, no qual foram prestadas as seguintes informações aos questionamentos tecidos pela autoridade diligenciadora: ∙ Quanto ao item "a": Em razão da existência de ordem liminar e de decisão favorável proferida em apelação, há direito ao creditamento do IPI no RAIPI, porém exclusivamente quanto ás aquisições de insumos (aqueles devidamente enquadrados no conceito definido pela legislação de regência) isentos ou tributados à alíquota zero, não havendo decisão que favoreça a empresa ao creditamento em qualquer outra hipótese. ∙ Quanto ao item "b": Nos termos do pedido formulado pelo contribuinte e da decisão proferida em apelação, o crédito foi reconhecido para compensação com próprio IPI e, havendo saldo, com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Salientese que as decisões favoráveis ao contribuinte não permitem a cessão de créditos a terceiros. ∙ Quanto ao item "c": A incidência de correção monetária e de juros de mora não é discutida na petição inicial e, dessa forma, não foi objeto de exame nas decisões judiciais em debate. O Supervisor do IPI da Delegacia da Receita Federal no Recife proferiu despacho, acostado à fl. 248, no qual afirma que os valores passíveis de ressarcimento já foram apurados, conforme demonstrado ás fls. 50/54. A fl. 248, encontrase Despacho Decisório deferindo parcialmente o pedido formulado: 'Reconheço o direito creditório no valor de R$ 2.458,46 (dois mil, quatrocentos e cinqüenta e oito reais e quarenta e seis centavos) conforme planilha de fls. 50 sem correção monetária e juros de mora, enquanto permanecerem os efeitos da ação judicial APS n° 82188PE de fls. 49.' Fl. 576DF CARF MF 4 Cientificada do Despacho Decisório SEORT/IPI, de 19/10/2006, em 01/11/2006, conforme "AR", fl. 259, a contribuinte apresentou, em 23/11/2006, manifestação de inconformidade de folhas 260 a 271, na qual aduz, em síntese: ⇒ O eventual indeferimento da presente impugnação se mostrará inócua por força dos lançamentos materializados pelo auditor da receita federal, processos 10418.015941/200216 (Cofins), 10480.015942/200261 (PIS) e 10480.015943/200213(1PI). ⇒ A presente decisão relativamente ao lançamento dos valores compensados e não aceitos perdeu objeto, porque nos citados processos administrativos já há a discussão acerca da legitimidade da presente restituição/compensação do IPI. ⇒ destaca a possibilidade de haver dupla cobrança, pois o pedido de ressarcimento/compensação já foi desconsiderado pela Receita Federal com o conseqüente lançamento (exofficio) dos tributos compensados, de modo que a parcela da decisão concernente à homologação não pode ensejar nenhum lançamento de tributo objeto do mesmo. ⇒ Diz que a manifestação de inconformidade é manejada em face da decisão que reconheceu apenas parcialmente o direito de apropriarse dos créditos decorrentes de aquisições de insumos desonerados, em seu Livro de IPI, pois a impugnante impetrou Mandado de Segurança, processo n° 2002.83.00.0044667, acossando o reconhecimento de seus créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos desonerados. ⇒ Seu pleito judicial foi deferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 5' Região, em sede de apelação, nessa trilha passou a aproveitar os seus créditos de IPI extemporâneo de acordo com a autorização judicial, que está em vigor ate a presente data. ⇒ Todas as compensações materializadas pela impugnante, dentre elas a ensejadora do processo administrativo em foco e rejeitadas pela decisão em tela foram realizadas em total conformidade com os termos de decisão judicial. ⇒ A decisão em tela, não obstante o expresso reconhecimento da vigência e da efetividade da decisão judicial obtida pela impugnante, termina por descumprila através de meios transversos, posto que desconsidera o direito, reconhecido de forma ampla pelo judiciário, de aproveitamento de todos os insumos desonerados, bem como de incidência de correção monetária, de modo que os valores deferidos pelo ato rechaçado incorre em flagrante ilegalidade. ⇒ Considerando se a inquestionável resistência dos órgãos fazendários em considerar os direitos creditórios da contribuinte, não há como desconsiderar, na esteira da pacifica jurisprudência do STJ, o direito à correção monetária dos créditos reconhecidos, bem como dos valores que restarem, posteriormente, validados. ⇒ A decisão em favor da impugnante alarga a interpretação dada ao principio da nãocumulatividade do IPI, para efeito de garantir aos contribuintes adquirentes de insumos desonerados, o direito de apuração do credito do imposto. Tal apuração, por inexistir Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 576 5 IPI destacado no corpo da nota fiscal é levada a cabo pela aplicação da alíquota prevista para a saída do produto final sobre os ditos insumos desonerados. Essa é a única forma de obtenção efetiva do direito salvaguardado pelo Poder Judiciário. ⇒ O procedimento adotado pelo fiscal quando da materialização da planilha de fl. 55 continuou a desrespeitar a decisão judicial em pleno vigor, que deve ser cumprida pelo órgão de arrecadação. Adotase falsa premissa da inexistência de crédito em favor da empresa. ⇒ Indubitável o direito da contribuinte de manter o creditamento, mesmo sobre os insumos sujeitos à regime de suspensão do IPI, seja porque a legislação assim defere (art.29 da lei n° 10.637/2003 e 5º, § 3° da lei n° 9.826/99, com redação dada pela lei n° 10.485/2002), seja porque a decisão judicial em vigor garante o direito ao creditamento dos insumos desonerados. ⇒ Ao final, diz estar caracterizada a parcial improcedência da decisão que glosou crédito que efetivamente possui, seja pelo efetivo descumprimento da decisão judicial em seu favor, seja pelo inequívoco direito à. correção monetária, requer seja reformada a decisão." A decisão combatida indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão DRJ/Salvador nº. 1513.832, de 24 de setembro de 2007 (fls. 380 a 70 a 388), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITOS RELATIVOS A INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. Inexiste o direito ao creditamento do IPI, nas aquisições de insumos classificados como não tributados. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste legislação especifica para manutenção de crédito, relativo ao segmento ou produtos elaborados pela contribuinte. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. Por ausência de previsão legal, descabe falarse em atualização monetária ou juros incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão a quo, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 392 a 403, no qual repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Fl. 578DF CARF MF 6 (...) (grifos constantes no original). 2. Uma vez submetido a julgamento neste Tribunal, a então Turma julgadora resolveu baixálo em diligência (resolução n. 20400.589 fls. 439/445), nos termos da manifestação da Relatora ad hoc, Mônica Monteiro Garcia De Los Rios, que assim prescreveu: (...). Com base nos fundamentos expostos o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade de origem: a) ateste se o presente processo possui duplicidade de cobrança em relação ao processo 10480.015943/200213 (Auto de Infração do IPI); b) junte aos autos informações atualizadas, bem como cópia das últimas decisões judiciais atinentes ao MS 2002.83.00.0044667 (e a respectiva AMS); c) forneça outros esclarecimentos que entender necessários; d) dê ciência à contribuinte dos resultados da diligência, concedendolhe o prazo de 30 dias para sua manifestação. Após as providências solicitadas o processo deve retornar a este Conselho, para prosseguimento. (...). 3. Em cumprimento a tais diligências, a unidade preparadora (i) providenciou a juntada das principais peças do mandado de segurança impetrado pelo recorrente (autos n. 2002.83.00.0044667 fls. 478/552), bem como (ii) promoveu o termo de informação fiscal de fls. 553/564. 4. O contribuinte foi intimado a respeito do aludido termo (aviso de recebimento de fl. 568), sem, todavia, manifestarse a seu respeito. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da suposta inclusão dos valores aqui tratados nos processos administrativos autuados sob os ns. 10480.015942/200261 (PIS) e 10480.015941/200216 (COFINS) 7. Preliminarmente, o contribuinte alega o que segue: Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 577 7 8. Tal alegação, inclusive, foi um dos motivos que suscitou a conversão em diligência do presente julgamento pela antiga Turma julgadora. E, em resposta a tal diligência, assim manifestouse a unidade preparadora: (...). Como já consta na descrição da própria infração que resultou no Auto de Infração referido (Vide fl. 008 do Processo nº 10480.015943/200213), a sua lavratura decorreu do procedimento de Verificações Obrigatórias em relação ao período do 1º decêndio de Outubro de 2001 ao 3º decêndio de Julho de 2002. Tudo isso está também devidamente descrito no Termo de Verificação Fiscal do mesmo processo (Vide fls. 018/025 do Processo nº 10480.015943/200213). O procedimento de “Verificações Obrigatórias” abrange apenas, de acordo com sua própria definição (DIFERENÇA APURADA ENTRE O SALDO DEVEDOR ESCRITURADO NO LIVRO RAIPI E O VALOR DE DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF OU PAGOS – DARF), os valores de saldos devedores escriturados nos Livros RAIPI que ainda não tenham sido confessados pelo contribuinte (em DCTF) nem pagos regularmente (em DARF). Assim, como também comentara o ConselheiroRelator, não há qualquer superposição entre o presente processo e o Auto de Infração referido (Processo nº 10480.015943/200213), pois, Fl. 580DF CARF MF 8 enquanto o presente processo referese a indeferimento de créditos indevidos, o Auto de Infração somente abrangeu as diferenças não declaradas nem pagas. O creditamento indevido referese a questionamentos sobre os créditos anotados na escrita fiscal, ao passo que as Verificações englobam apenas os valores incontroversos escriturados pelo próprio contribuinte em seus livros fiscais pertinentes (Livro RAIPI), mas que não tenham confessados integralmente em DCTF ou pagos regularmente por meio de DARF. 9. Aliás, referida questão já havia sido devidamente detectada pela Relatora ad hoc da resolução alhures citada, quando assim ponderou: (...). Quanto aos Autos de Infração da Cofins e do PIS, nenhuma vinculação existe com o presente processo, que cuida de ressarcimento de crédito básico do IPI relativo ao quarto trimestre de 2000. Primeiro porque as autuações envolvem períodos a partir de setembro de 2001, enquanto o presente pedido é relativo ao quarto trimestre de 2000. Segundo porque os autos cuidam de falta de recolhimento da Cofins e do PIS, enquanto o presente litígio envolve ressarcimento do IPI. No tocante ao Auto de Infração do IPI, seria possível existir alguma vinculação. Todavia, pela cópia juntada aos autos pela contribuinte (fls. 352 a 377), tudo indica não existir qualquer vinculação com o presente processo, nem tampouco possibilidade de ocorrer cobrança em duplicidade. Isso porque o Auto de Infração abrange períodos a partir de outubro de 2001, enquanto o presente processo cuida de ressarcimento de crédito básico do IPI relativo ao 4º trimestre de 2000. Além disso, da leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 366 a 373), constatase que o processo 10480.015943/200213 refere se a lançamento do IPI relativo a verificações obrigatórias, que envolve, tão somente, diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos pela contribuinte, o que não abrange glosa de créditos básicos. O citado termo de verificação não faz qualquer menção a nãoaceitação de créditos básicos oriundos de aquisições desoneradas do imposto, que é o objeto do presente processo de ressarcimento.(...). (...). 10. Da análise do termo de relatório fiscal acima transcrito é possível destacar que a Relatora ad hoc tinha total razão em suas suspeitas e que a citada resolução, neste tópico, só foi adiante em razão do seu dever de ofício em redigila por designação do Presidente da então Turma julgadora. 11. Por concordar integralmente com tais considerações (termo de verificação fiscal e resolução n. 20400.589) empregoas como minhas para fins de fundamentação do presente voto, o que faço com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/91. Logo, afasto a preliminar aventada pelo contribuinte. 1 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 578 9 II. Mérito (i) Da pretenso descumprimento da decisão judicial proferida no mandamus autuado sob o n. 2002.83.00.0044667 12. Em relação ao presente tópico insta destacar que o despacho que denegou o ressarcimento/compensação vindicado foi fundamentado com base nos esclarecimentos prestados pela Procuradoria da Fazenda Nacional e documentado as fls. 222/225, que assim concluiu: (...). Tendo por pressuposto os limites da decisão colegiada na AMS n°, passaremos, pois, a responder os questionamentos bem colocados ao fim do Termo de Verificação Fiscal, a seguir transcritos: a) há direito ao creditamento do IF) no Livro Registro de Apuração do IP) (RAIPI), diante da situação atual da apreciação da lide judicial (Mandado de Segurança n° 2002.83.00.0044607 e recursos diversos)? Resposta: Em razão da existência de ordem liminar e de decisão favorável proferida em Apelação, há direito ao creditamento do IPI no RAIP1, PORÉM EXCLUSIVAMENTE QUANTO As AQUISIÇÕES DE INSUMOS (assim considerados apenas aqueles devidamente enquadrados no conceito definido pela legislação de regência) sob ISENÇÃO OU ALÍQUOTA ZERO. Não há decisão que favoreça a empresa ao creditamento em qualquer outra hipótese, restando absolutamente pertinentes as EXCLUSÕES destacadas pelo Auditor Fiscal no tópico "DOS CRÉDITOS PLEITEADOS PELO CONTRIBUINTE", itens "a" até "h", do Termo de Verificação Fiscal. (...) (grifos constantes no original). 13 As exclusões acima indicadas foram feitas na medida em que o contribuinte, a pretexto de creditarse de IPI com fundamento na decisão exarada no bojo do citado mandamus, que autorizava o creditamento de insumos adquiridos sob regime de isenção ou alíquota zero, também promoveu o creditamento de aquisições não tributadas. Foram esses específicos creditamentos que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. 14. Nesse sentido, a discussão promovida pelo contribuinte é no sentido que a fiscalização interpretou mal a decisão judicial autorizativa do creditamento do IPI. Segundo o contribuinte, as decisões proferidas seriam no sentido de autorizar o creditamento de todo e qualquer tipo de operação desonerada. É o que se observa do seguinte trecho do seu recurso voluntário: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato." Fl. 582DF CARF MF 10 15. Não é isso, todavia, que estabelecem as decisões proferidas em favor do contribuinte na citada demanda judicial. Nesse sentido, destacamse, respectivamente, as decisões proferidas pelo TRF da 5a Região (autos n. 2002.83.00.0044667) e pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp n. 644.500), in verbis: TRF da 5a Região STJ (...). O Tribunal a quo deu provimento à apelação do contribuinte para conceder a segurança, "reconhecendo à impetrante o direito a se apropriar do créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentes ou tributados à alíquota zero [...]" (fls.295). Ademais, quando do julgamento dos embargos de declaração, no qual a FAZENDA NACIONAL questionava um possível julgamento extra petita, aquele Tributal enfatizou que, apesar de ter falado da Lei n. 9.363/96, "faço referência à hipótese do IPI e de crédito presumido por insumos, matériaprima, que é a matéria dos autos" (fls. 314) (grifei). Assim, não prospera a alegação de julgamento extra petita, uma vez que a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. (...). Quanto à suposta violação do princípio da nãocumulatividade previsto no art. 153, § 3º da Constituição Federal, a competência é do Supremo Tribunal Federal. É entendimento deste Tribunal Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10480.010459/200290 Acórdão n.º 3402004.764 S3C4T2 Fl. 579 11 que, tendo o recurso especial como fundamento dispositivos constitucionais ditos por violados, falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer da proposição. Tampouco pode ser conhecido o presente recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional, pois o recorrente não realizou o necessário cotejo analítico, bem como não apresentou, adequadamente, o dissídio jurisprudencial, pois, apesar da transcrição de ementa, deixou de demonstrar as circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma. Ante o exposto, com fundamento no art. 557, § 1º, do Código de Processo Civil, conheço em parte do recurso especial e negolhe provimento. (...). 16. Percebese, pois, que a decisão judicial proferida do contribuinte e que fundamentava o pleito aqui debatido restringia o creditamento do IPI para operações sujeitas à isenção e alíquota zero, não abarcando, todavia, as demais operações desoneradas, como aquelas consideradas não tributadas (NT). 17. Logo, não merece razão o fundamento invocado pelo contribuinte no mérito, o que, por conseguinte, redunda na prejudicialidade do pedido por mele cumulativamente formulado, i.e., de incidência da taxa SELIC para fins de correção dos seus pretensos créditos. Dispositivo 18. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. 19. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 584DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.721372/2014-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
Ementa
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.
A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 72 /2 01 4- 21 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento (fl. 27), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de outubro de 2013. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/18) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea.. A decisão de primeira instância (efls. 33/35) manteve o crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2014 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário em 04/09/2014 (efls. 41/60), em que aduz, em resumo (repetindo argumentos da impugnação): que a Recorrente entregou a DCTF em atraso, de forma espontânea, antes de qualquer procedimento da fiscalização em exigilas; que é inaplicável qualquer forma ou nominação de multa, quando da efetivação da denúncia espontânea e pagamento do tributo devido ou parcelamento deste, já que a expressão contida na lei se for o caso afasta a multa na hipótese de cumprimento espontâneo dá obrigação tributária, seja ela principal, acessória ou acessória que se tornou principal; apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam a tese de que o cumprimento a destempo, mas espontâneo e antes de qualquer exigência da administração fazendária, autorizaria a aplicação do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, a fim de caracterizar a inexigibilidade da multa pretendida; que no acórdão recorrido.já na descrição do voto condutor, observarseia o equívoco do ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória desvinculada de natureza tributária, pois seria certo que as informações prestadas na referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige informações das situações tributárias ocorridas na empresa, como desvinculá la da ocorrência do fato gerador dos tributos. que até mesmo nos casos de pedidos de parcelamento há que se considerar a denúncia espontânea para elidir exigência de qualquer multa; seria absurdamente incoerente admitirse aplicação de penalidade a este contribuinte de forma idêntica à qual lhe seria aplicada caso permanecesse inerte, aguardando eventual manifestação da autoridade fazendária. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Definiu acertadamente a decisão de primeira instância que a entrega da DCTF constituise em obrigação acessória, desvinculada de natureza tributária, pois assim prevista nos §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10435.721372/201421 Acórdão n.º 1001000.109 S1C0T1 Fl. 65 3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Mesmo nos casos de entrega espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco, a aplicação de multa como a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN) se refere à multa de ofício que acompanha a obrigação principal. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Este é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria, já tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Adiantese que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que, ao contrário do que alega a recorrente, a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração (com ou sem paramento ou parcelamento do tributo), com a devida redução da multa à metade. Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas, relacionamse a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi parte do processo e/ou tratam de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 66DF CARF MF 4 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720932/2010-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.
Considerando que a matéria objeto do recurso esta em dependência de processo principal, com a mesma conclusão do presente caso, mantendo o valor ressarcido nos termos da Delegacia de origem, nota-se a manifesta ausência de interesse em recorrer sobre o tema, carecendo, assim, do cumprimento dos requisitos de admissibilidade.
Numero da decisão: 9303-005.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Considerando que a matéria objeto do recurso esta em dependência de processo principal, com a mesma conclusão do presente caso, mantendo o valor ressarcido nos termos da Delegacia de origem, nota-se a manifesta ausência de interesse em recorrer sobre o tema, carecendo, assim, do cumprimento dos requisitos de admissibilidade.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. Considerando que a matéria objeto do recurso esta em dependência de processo principal, com a mesma conclusão do presente caso, mantendo o valor ressarcido nos termos da Delegacia de origem, notase a manifesta ausência de interesse em recorrer sobre o tema, carecendo, assim, do cumprimento dos requisitos de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 09 32 /2 01 0- 92 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10665.720932/201092 Acórdão n.º 9303005.509 CSRFT3 Fl. 310 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº 3401002.007, proferido pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito de IPI no montante de R$ 63.860,50, prejudicadas as demais matérias suscitadas pela Recorrente e que versavam sobre a necessidade de se aguardar o julgamento do processo que tratou do auto de infração. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de PER/Dcomp relativa ao saldo credor de IPI relativo ao 2º trimestre de 2007, que, em face de auditoria fiscal realizada no âmbito do processo administrativo nº 10665.001722/201000, na qual foram detectadas infrações à legislação do IPI [reclassificação fiscal e glosa de créditos], o que resultou na reconstituição da escrita fiscal e, conseqüentemente, na apuração de novo saldo no Livro Registro de Apuração de IPI, teve valor reconhecido parcialmente como crédito a ser utilizado nas compensações declaradas até o limite reconhecido. Referida auditoria fiscal foi realizada justamente para fins de se verificar a procedência dos saldo credores dos quatro trimestres dos anos de 2006 e de 2007 informados nos vários pedidos eletrônicos de ressarcimento, dentre os quais o que consta do presente processo. Na Manifestação de Inconformidade a interessada pugnou pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário até que seja proferida decisão em definitivo no referido processo que tratou da revisão de seu saldo credor e que resultou na lavratura de auto de infração. Juntou cópia da impugnação apresentada contra o referido lançamento. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. INEXISTÊNCIA. Confirmado os termos em que realizado o refazimento da escrita fiscal, de se reconhecer o direito ao crédito no montante dos novos valores encontrados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10665.720932/201092 Acórdão n.º 9303005.509 CSRFT3 Fl. 311 3 Da decisão vergastada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, suscitando omissão. O Colegiado a quo rejeitou os aclaratórios por entender que inexiste qualquer omissão. Não se conformando com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo requer seja conhecido e provido o apelo, para que seja reformado o acórdão proferido nestes autos, restaurandose o teor da r. decisão de primeira instância. Para comprovar a divergência jurisprudencial, aponta como paradigma o acórdão nº 10322.595. Em seguida, por ter sido comprova a divergência, o Presidente da 4ºCâmara da 3º Seção de Julgamento do CARF, deu seguimento ao recurso. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Com efeito, trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER/Dcomp) de créditos de IPI (saldo credor) referente ao 2º trimestre de 2007, que, em face de auditoria fiscal realizada no âmbito do processo administrativo nº 10665.001722/201000, na qual foram detectadas infrações à legislação do IPI (reclassificação fiscal e glosa de créditos), o que resultou na reconstituição da escrita fiscal e, conseqüentemente, na apuração de novo saldo no Livro Registro de Apuração de IPI, teve valor reconhecido parcialmente como crédito a ser utilizado nas compensações declaradas até o limite reconhecido, fls. 155. O presente processo esta em dependência dos autos nº 10665.001722/201000 (processo principal) com trânsito em julgado, o qual Autoridade Fiscal reconheceu parcialmente as compensações declaradas até o limite reconhecido. Por outro lado, a decisão recorrida reconheceu o direito ao crédito de IPI no montante de R$ 63.860,50, considerando que naquele processo ( principal) restou ratificado pela Turma a quo o entendimento da fiscalização quanto à necessidade de refazimento da Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10665.720932/201092 Acórdão n.º 9303005.509 CSRFT3 Fl. 312 4 escrita fiscal da Contribuinte, de sorte que, em função da nova apuração, confirmouse a existência de saldo credor a ser ressarcido no presente processo. Dessa forma, entendo que não há interesse recursal da Fazenda Nacional, pois, o processo referente ao Auto de Infração, do qual este era dependente, transitou em julgado com a mesma conclusão do presente processo, mantendo o valor ressarcido nos termos da Delegacia de origem. Com essas considerações, voto no sentido, de não tomar conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 312DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.012397/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 24/02/2004
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. GARRAFA TÉRMICA. ARTIGO DESMONTADO OU POR MONTAR. REGRA 2. APLICAÇÃO PARA POSIÇÃO E SUBPOSIÇÃO DA NOMENCLATURA.
O Acordo Internacional estabelece que as regras de interpretação do sistema harmonizado devem ser utilizadas sucessivamente. Ou seja, somente se utiliza uma regra após esgotadas as possibilidades de aplicação da regra imediatamente anterior.
Se com base nas características do produto importado, estamos diante de garrafas térmicas incompletas, mas que, no estado em que se apresentam (corpo da garrafa térmica, em inox e a vácuo, e tampa), possuem as características essenciais do artigo completo, apenas faltando a sua montagem, devem como tal ser classificadas na Posição 9617 (posição do artigo completo primeira parte do texto da Posição), ao amparo da Regra Geral de Interpretação 2, "a" (artigos desmontados ou por montar); e dentro dessa Posição, no Item 9617.00.10, como Garrafas térmicas, ao amparo da Regra Geral de Interpretação n. 1 combinada com as Notas Explicativas da Regra Geral de Interpretação n. 2, "a", não havendo espaço, assim, para a utilização da Regra n. 3.
MULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE
Aplica-se a multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, de acordo com o art. 636, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (artigo 84 da Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001).
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. GARRAFA TÉRMICA. ARTIGO DESMONTADO OU POR MONTAR. REGRA 2. APLICAÇÃO PARA POSIÇÃO E SUBPOSIÇÃO DA NOMENCLATURA. O Acordo Internacional estabelece que as regras de interpretação do sistema harmonizado devem ser utilizadas sucessivamente. Ou seja, somente se utiliza uma regra após esgotadas as possibilidades de aplicação da regra imediatamente anterior. Se com base nas características do produto importado, estamos diante de garrafas térmicas incompletas, mas que, no estado em que se apresentam (corpo da garrafa térmica, em inox e a vácuo, e tampa), possuem as características essenciais do artigo completo, apenas faltando a sua montagem, devem como tal ser classificadas na Posição 9617 (posição do artigo completo primeira parte do texto da Posição), ao amparo da Regra Geral de Interpretação 2, "a" (artigos desmontados ou por montar); e dentro dessa Posição, no Item 9617.00.10, como Garrafas térmicas, ao amparo da Regra Geral de Interpretação n. 1 combinada com as Notas Explicativas da Regra Geral de Interpretação n. 2, "a", não havendo espaço, assim, para a utilização da Regra n. 3. MULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE Aplicase a multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, de acordo com o art. 636, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (artigo 84 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001). Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 23 97 /2 00 7- 90 Fl. 131DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Recife, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de multa regulamentar, consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre divergência na classificação fiscal de mercadorias, que culminou no lançamento da multa pela classificação fiscal incorreta de mercadorias, prevista no art. 636, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, artigo 84), de 1% proporcional ao valor aduaneiro dos bens importados (garrafas térmicas), oriundas da República Popular da China. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Consoante relato das autoridades fiscais responsáveis pelo lançamento, a empresa autuada, por meio da Declaração de Importação (DI) nº 04/01534167 (fls. 22/24), registrada em 17/02/2004, importou garrafas térmicas em partes (corpos e tampas) e indicou a classificação tarifária NCM 9617.00.20 (Partes de garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos). Todavia, em vista de as mercadorias terem sido adquiridas em quantidades idênticas, ou seja, de modo a constituírem um único produto, tendo sido, inclusive, posteriormente comercializadas na forma de garrafas térmicas montadas e não em partes, conforme se verifica por meio das notas fiscais anexadas aos autos, entendeu a fiscalização que a classificação correta seria a NCM 9617.00.10 (Garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos), razão pela qual foi efetuado o lançamento da multa regulamentar em apreço. Tal constatação implicou ainda na imposição de direitos antidumping à alíquota de 47%, conforme estabelece a Portaria Interministerial MDIC/MF nº 07, de 1999 (fl. 10), objeto do processo 19647.012373/200731, também em julgamento na presente sessão. Tendo tomado ciência do lançamento em 08/11/2007, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 06/12/2007, a Fl. 132DF CARF MF Processo nº 19647.012397/200790 Acórdão n.º 3402004.755 S3C4T2 Fl. 334 3 impugnação de fls. 67/75 do processo digitalizado, formulando, em síntese, as seguintes considerações: a) Aduz que as mercadorias importadas são “... corpos de garrafas térmicas, faltando a peça essencial para que se possa ter um cadeado completo, qual seja, a tampa...” e que ao corpo da garrafa é agregado o sistema de servir, que consiste na tampa, bico, copo e, dependendo do modelo, outros acessórios. b) Alega que o corpo de uma garrafa térmica, sem a tampa, poderia ser definido como um recipiente qualquer, mas nunca como uma garrafa térmica, já que a função desta, que é conservar a temperatura dos líquidos em seu interior, ficaria prejudicada. Nesse sentido, argumenta também que somente após processo de industrialização, onde seriam acoplados corpo e tampa, é que se teria uma garrafa térmica. c) Passa a fazer uma explanação a respeito Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias e suas regras gerais de interpretação e defende, com base em jurisprudência administrativa e judicial, que transcreve por meio de ementas, que a posição mais específica deve prevalecer sobre a mais genérica, em razão do elemento essencial do artefato em questão ser a tampa, enquadrandose, pois, o corpo da garrafa como parte da garrafa, o que justificaria, segundo sua ótica, a utilização da classificação 9617.00.20. Ao final, requer a procedência da impugnação e o cancelamento do lançamento contestado. Sobreveio então o Acórdão 1137.091, da 6ª Turma da DRJ/REC, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/02/2004 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS NA NCM/TEC. A Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 2 e a Regra Geral Complementar (RGC) nº 1 da Nomenclatura do Mercosul (NCM) a) são o suporte legal para a classificação de Garrafas Térmicas, de aço inox, a vácuo, de 1 litro e de meio litro, formadas pelo corpo e pela tampa, apresentados incompletos, no Item 9617.00.10 da Tarifa Externa Comum (TEC), vigente à época do fato gerador da importação. Aplicase a multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, de acordo com o art. 636, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 110/117) a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Fl. 133DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 19/07/2012, conforme AR de fls. 107 e apresentou em 16/08/2012 o recurso voluntário de fls. 110/117, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Pelo relato acima, de pronto constatase que o ponto fulcral da controvérsia cingese à correta classificação fiscal das mercadorias importadas. Em síntese, a Recorrente e a Autoridade Fiscal divergem sobre a correta posição NCM/SH em que se enquadram os produtos objeto de importação mediante a DI n. 04/01534167 (fls. 22/24), quais sejam garrafas térmicas ou suas partes e peças. Haja vista que a discussão dos presentes autos versa sobre a classificação fiscal de mercadorias, é válido tecer um breve esclarecimento a respeito da sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para que, em seguida, seja possível a aplicação das regras estabelecidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) acerca da forma utilizada para a classificação de mercadorias. Pois bem. A sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) obedece à seguinte estrutura: 00 00 00 0 0 No presente caso, a classificação no NCM/SH (Sistema Harmonizado) pretendida pela Recorrente é a 9617.00.20, enquanto a posição sustentada pela Fiscalização no auto de infração e ratificada pela DRJ é a 9617.00.10. Vejamos abaixo os capítulos, posições, subposições e itens que tais número representam: · CLASSIFICAÇÃO 9617.00.20 (entendimento da Contribuinte): Capítulo 96: Obras diversas; Posição 17: Garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos montados, com isolamento produzido pelo vácuo, bem como suas partes (exceto ampolas de vidro). Item e Subitem 20: partes · CLASSIFICAÇÃO 9617.00.10 (entendimento fazendário): Fl. 134DF CARF MF Processo nº 19647.012397/200790 Acórdão n.º 3402004.755 S3C4T2 Fl. 335 5 Capítulo 96: Obras diversas; Posição 17: Garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos montados, com isolamento produzido pelo vácuo, bem como suas partes (exceto ampolas de vidro). Item e Subitem 10: Garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos Ou seja, a divergência cingese ao item e subitem. Dessa forma, fazse imperioso debruçarnos sobre as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, para dirimir a questão, já que o importador amparou a classificação dos corpos das garrafas térmicas e de suas tampas nas Regras Gerais de Interpretação (RGIs) n. 1, n. 3 "a" e n. 3 "b", enquanto a fiscalização se baseou na RGI n. 2 "a". São elas: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na nomenclatura regese pelas seguintes regras: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: Fl. 135DF CARF MF 6 a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. REGRA 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. REGRA 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. REGRA 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os Fl. 136DF CARF MF Processo nº 19647.012397/200790 Acórdão n.º 3402004.755 S3C4T2 Fl. 336 7 fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Cumpre lembrar que o Acordo Internacional estabelece que as regras de interpretação devem utilizadas sucessivamente. Ou seja, somente se utiliza uma regra, após esgotadas as possibilidades de aplicação da regra imediatamente anterior. No caso ora sob análise, a importação realizada através da DI n. 04/01534167, conforme documentação constante dos autos, acoberta 6.840 corpos de garrafas térmicas de aço inox, a vácuo, com capacidade de 1 litro, e 1.200 de 0,5 litro, além de 6.840 tampas correspondentes aos corpos de garrafas com capacidade de 1 litro e 1.200 correspondentes aos de 0,5 litro. Em atenção a RGI n. 1, vejamos o que dizem as Notas Explicativas a respeito da posição 96.17: “9617 Garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos montados, com isolamento produzido pelo vácuo, bem como suas partes (exceto ampolas de vidro). Classificamse nesta posição: 1) As garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos semelhantes, tais como jarros, baldes, garrafas, etc., que se destinam a manter à temperatura constante, durante um certo tempo, líquidos, alimentos ou outros produtos. Estes artefatos são constituídos por uma ampola de parede dupla, geralmente de vidro, no interior da qual se fez vácuo, e por um invólucro externo de proteção (de metal, plásticos, ou outras matérias), forrado ou não com papel, couro, imitação de couro, etc. O espaço entre a ampola e o invólucro pode ser preenchido com matérias isolantes (fibras de vidro, cortiça ou feltro). No caso das garrafas térmicas, a tampa pode ser muitas vezes utilizada como caneca. 2) Os invólucros, canecas e tampas de metal, ou de plásticos, etc., que se adaptem aos invólucros. As ampolas de vidro, apresentadas isoladamente, incluemse na posição 7020”. (Grifei) Ou seja, a tampa da garrafa térmica, à luz das disposições da Nomenclatura Comum, constitui parte da própria garrafa térmica ainda por montar, devendo ser classificada, portanto, como garrafa térmica, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmoniza a respeito da RGI n. 2 "a" e "b", a seguir transcritas: REGRA 2 a) (Artigos incompletos ou inacabados) I) A primeira parte da Regra 2 a) amplia o alcance das posições que mencionam um artigo determinado, de maneira a englobar não apenas o artigo completo mas também o artigo incompleto Fl. 137DF CARF MF 8 ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. II) As disposições desta Regra aplicamse aos esboços de artigos, exceto no caso em que estes são expressamente especificados em determinada posição. Consideramse “esboços” os artigos não utilizáveis no estado em que se apresentam e que tenham aproximadamente a forma ou o perfil da peça ou do objeto acabado, não podendo ser utilizados, salvo em casos excepcionais, para outros fins que não sejam os de fabricação dessa peça ou desse objeto (por exemplo, os esboços de garrafas de plástico, que são produtos intermediários de forma tubular, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensão e forma desejadas). Os produtos semimanufaturados que ainda não apresentam a forma essencial dos artigos acabados (como é, geralmente, o caso das barras, discos, tubos, etc.) não são considerados esboços. III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. IV) Vários casos de aplicação desta Regra são indicados nas Considerações Gerais de Seções ou de Capítulos (Seção XVI, Capítulos 61, 62, 86, 87 e 90, por exemplo). REGRA 2 a) (Artigos apresentados desmontados ou por montar) V) A segunda parte da Regra 2 a) classifica na mesma posição do artigo montado o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar; apresentamse desta forma principalmente por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação ou de transporte. VI) Esta Regra de classificação aplicase, também, ao artigo incompleto ou inacabado apresentado desmontado ou por montar, desde que seja considerado como completo ou acabado em virtude das disposições da primeira parte desta Regra. VII) Deve considerarse como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinamse a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Para este efeito, não se deve ter em conta a complexidade do método da montagem. Todavia, os diferentes elementos não podem receber qualquer trabalho adicional para complementar a sua condição de produto acabado Fl. 138DF CARF MF Processo nº 19647.012397/200790 Acórdão n.º 3402004.755 S3C4T2 Fl. 337 9 Disto já é possível constatar o equívoco da classificação fiscal por parte da Recorrente, que deveria ter classificado as mercadorias importadas de acordo com a RGI n. 2 a), clara ao resolver casos como o presente, em que se importou um artigo completo (garrafa térmica) para montar (corpos de inox a vácuo e tampa) não permitindo que se passe para a aplicação da RGI n. 3. Efetivamente, com base nas características do produto importado, estamos diante de garrafas térmicas incompletas (faltando bico, copo e outros acessórios), mas que, no estado em que se apresentam (corpo da garrafa térmica, em inox e a vácuo, e tampa), possuem as características essenciais do artigo completo, devendo como tal classificarse na Posição 9617 (Posição do artigo completo primeira parte do texto da Posição), ao amparo da RGI 2, "a" (artigos incompletos ou inacabados, desmontados ou por montar); e dentro dessa Posição, no Item 9617.00.10, como Garrafas térmicas, ao amparo da RGI n. 1 combinada coma RGI n. 2 a). Considero, dessa forma, incorreta a classificação fiscal adotada pela Recorrente, na NCM 9617.00.20. Indiscutivelmente cabível, então, a aplicação da multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, objeto do presente lançamento, consoante o artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158, de 24.08.2001, em razão da sua classificação incorreta na NCM vigente à época da importação. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 139DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.003950/2009-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 50 /2 00 9- 16 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10865.003950/200916 Acórdão n.º 9202006.094 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10865.003950/200916 Acórdão n.º 9202006.094 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10865.003950/200916 Acórdão n.º 9202006.094 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10865.003950/200916 Acórdão n.º 9202006.094 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10865.003950/200916 Acórdão n.º 9202006.094 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10865.003950/200916 Acórdão n.º 9202006.094 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10865.003950/200916 Acórdão n.º 9202006.094 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.722023/2010-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
APP: ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO DENTRO DE PARQUE QUESTIONAMENTO: ATO ESPECÍFICO DO PODER PUBLICO. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente.
Numero da decisão: 9202-006.039
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ANTONIO CARLOS PELEGRINA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 APP: ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO DENTRO DE PARQUE QUESTIONAMENTO: ATO ESPECÍFICO DO PODER PUBLICO. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 20 23 /2 01 0- 10 Fl. 243DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional por meio do qual questiona o entendimento do Colegiado a quo que se manifestou no sentido de que a área total do imóvel estaria isenta do Imposto Territorial Rural ITR. Tratase de ITR relativo ao exercício de 2006. A decisão recorrida, acolhendo os argumentos de defesa e com base na prova juntada aos autos, concluiu que não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em parque estadual instituído por Decreto Estadual. O acórdão nº 2801003.576, preferido pela 1ª Turma Especial da Segunda Seção recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Não incide o imposto sobre imóvel inteiramente localizado em área de preservação permanente transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. Recurso Voluntário Provido. O ilustre Relator assim se manifestou: O litígio cingese à glosa procedida pela autoridade fiscal de 29.278,6 ha de área de preservação registrada na declaração em tela, que corresponde a integralidade do imóvel denominado “Fazenda Najá”, localizado no município de Santa Cruz do Xingu/MT, com NIRF – Número do Imóvel na Receita Federal – 2.587.0386. Compulsando os autos verificase que de acordo com a Declaração da Secretaria de Estado do Meio Ambiente SEMA (Governo do Estado do Mato Groso(fl.142),o referido imóvel rural encontrase inserido no Parque Estadual do Xingu criado pelo Decreto n° 3.585, de 07.12.2001, alterado pela Lei n. 8.054, de 29.12.2003. ... Portanto, em relação à referida área, está terminantemente proibido uso direto dos recursos naturais com desenvolvimento de atividade produtiva, ressalvandose as atividades científicas devidamente autorizadas pela autoridade competente. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10183.722023/201010 Acórdão n.º 9202006.039 CSRFT2 Fl. 244 3 Registrese que os Parques (Nacional, Estadual ou Municipal), em conformidade com a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamentou o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição da República Federativa do Brasil e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, são Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto (aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais) dos seus atributos naturais. ... Em que pese à referida área não ter sido ainda desapropriada, a partir da edição do Decreto n° 7.641/1980 (art. 7°), ela passou a ser controlada pelo poder público, de forma a não haver possibilidade de qualquer tipo de exploração, a não ser ambiental e, mesmo assim, com autorização prévia dos órgãos governamentais de controle do meio ambiente. Citando como paradigma os acórdão 30236.783, a Fazenda Nacional defende que para reconhecimento da isenção de áreas citadas em decreto estadual como área de interesse ecológico, se faz essencial ato específico do Poder Público atestando ao contribuinte a abrangência e restrição imposta pela criação do Parque sobre suas áreas. Por meio do despacho de fls 199/200 o recurso foi recebido. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões reiterando seus argumentos. Na parte que nos interessa: 1) argui que a Área de Preservação Permanente APP de 1,250.360 hectares e Área de Reserva Legal ARL de 28,028,300 hectares que pertencem a propriedade localizada no Município de Santa Cruz do Xingu denominada FAZENDA NAJA, está totalmente inserida dentro do Parque Estadual do Xingu, criado pelo Decreto nº 3.585/2001 e alterado pela Lei nº 8.054/2003 ambos do estado de Mato Grosso, sendo uma unidade de conservação e de proteção integral que tem como objetivo básico de preservar a natureza, inviabilizando, dessa forma, o imóvel para desenvolvimento de atividade produtiva; 2) reitera os documentos juntados com a impugnação tais como: a) declarações ao IBAMA no sentido de não existir exploração de atividade econômica; b) ofício da Secretaria de Estado de Meio Ambiente atestanto que a totalidade da área está localizada dentro do Parque Estadual do Xingu (fls. 40) É o relatório. Voto Vencido Fl. 245DF CARF MF 4 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente por declaração de interesse ecológico, do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'b' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de interesse ecológico, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de nãoincidência do ITR. E para fixar a abrangência dessa não incidência, assim como ocorre com as demais áreas citadas pela Lei nº 9393/96, para delimitar o conceito de área de interesse ecológico devemos fazer uma interpretação do citado dispositivo com o Código Florestal, que na época se tratava da Lei nº 4.771/65. Assim a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10183.722023/201010 Acórdão n.º 9202006.039 CSRFT2 Fl. 245 5 áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições impostas pela norma específica que define a característica desta área. O Código Florestal ao conceituar de área de preservação permanente, inclui entre essas a chamada área de interesse ecológico, vejamos: Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendose os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. ... § 2o Para os efeitos deste Código, entendese por: ... II área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas; ... Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Fl. 247DF CARF MF 6 Observando a redação do citado art. 3º, além das delimitações que vamos chamar de ecológicas, temos também um requisito formal para sua constituição, qual seja a necessidade de que tais áreas sejam assim definidas por Ato do Poder Público. Destacando que o próprio código florestal já deixa claro que essas áreas sofrerão mitigações no exercício pleno da propriedade pois, a supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. A Lei nº 9.393/96 ao regulamentar o ITR o fez partindo desta premissa para fixar que não estão sujeitas ao imposto as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas em relação às Áreas de Preservação Permanente, restrições essas já inerentes á criação da própria área por força do art. 3º do Código Florestal. Percebemos, portanto, que ao contrário da argumentação do Recorrente não temos nas duas leis que tratam do tema qualquer exigência de ato específico direcionado a determinado proprietário por parte do Poder Público e ainda a necessidade de que ocorra a desapropriação prévia do bem, a exigência imposta pelo Legislador se restringe a exigir que o ente responsável, por ato próprio, crie e defina as limitações o exercício da propriedade da área por ele eleita como se interesse ecológico. Portanto os requisitos para afastar a incidência do imposto são: existência de ato do Poder Público criando a área e comprovação de que o imóvel objeto do lançamento está ali localizado. No presente caso os dois elementos foram cumpridos. Conforme consta das fls. 41, o Decreto Estadual nº 3.585/2001 criou o Parque Estadual do Xingu e, entre outros pontos, impôs em seu art. 3º que, extrapolando as vedações impostas pela Código Florestal, que as terras e benfeitorias localizadas dentro dos limites descritos são de utilidade pública para fins de desapropriação. Consta também das fls. 42 a Lei Estadual nº 8.054/2003 que traz as mesmas vedações, e amplia a área do parque. Para fins de comprovação da localização da área citamos o documento de fls. 40 emitido pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente que, além de reiterar as limitações impostas pelos instrumentos normativos acima, atesta que a totalidade do imóvel em questão encontrase nos limites do Parque Estadual do Xingu. Vale citar o teor da declaração: Atendendo solicitação as Vossa Senhoria contida no documento com protocolo nº. 461258/07, que trata da confirmação da localização de um imóvel com área de 29.278,68 ha, denominado Fazenda Najá, no município de Santa Cruz do Xingu/MT. De acordo com as Coordenadas da propriedade apresentada pelo requerente, temos a informar que a área está totalmente inserida no interior do Parque Estadual do Xingu, criada por Decreto nº 3565 de 07/12/2001 e alterado pela Lei N°.3054 de 29/12/2003, inviabilizando dessa forma o imóvel para desenvolvimento de atividade produtiva. Informamos ainda que de acordo com a base fundiária do Parque e as informações do interessado o imóvel denominado Fazenda Naja incide também sobre os títulos de Adolfo José do Nascimento, Antenor F Andrade, Alaor Rodrigues da Cunha / Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10183.722023/201010 Acórdão n.º 9202006.039 CSRFT2 Fl. 246 7 Luiz C. de Almeida, Antonio Sillar a Eablino do Vale, fonte Instituto de Terras da Mato Grosso INTERMAT. Assim, cumpridos os requisitos apontados, não há como incluir na base de cálculo tributável pelo ITR imóvel que por determinação do Poder Público não pode ser utilizado pelo proprietário em sua plenitude. Somase ao argumento acima o fato do art. 10, §1º inciso II, 'c' da Lei nº 9.393/96 excluir da tributação também área imprestável à exploração econômica, reforçando o caráter extrafiscal do imposto: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; (...) Portanto, no entender desta relatora a área pertencente ao Contribuinte efetivamente enquadrase como não tributável, seja por pertencer a parque ecológico devidamente criado pelo Poder Público, seja pela impossibilidade de exploração privada, nos termos do art. 10, §1º, da Lei nº 9.393/96, não havendo fundamento para o lançamento. Assim, diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Fl. 249DF CARF MF 8 Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar de seu posicionamento quanto aos requisitos aplicáveis para fins de exclusão das áreas de interesse ecológico da base de cálculo do ITR. A propósito, estabelece art. 10, §1º inciso II, 'b' da Lei nº 9.393/96, com a redação à época do fato gerador em questão: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) Necessária assim, conforme o referido dispositivo legal em seu inciso II, "b", a declaração das referidas áreas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que amplie as restrições de uso previstas na alínea anterior, de forma a se poder excluir tais áreas da base de cálculo do ITR. Destarte, declarações ou ofícios, tal como o de efl. 40, que se limitou a afirmar que o imóvel de denominação em questão se encontrava dentro de Parque Estadual, "(...)Inviabilizando dessa forma o imóvel para desenvolvimento de atividade produtiva", não supre tal requisito, uma vez notese, ser esta característica também eventualmente observável no caso de áreas de Reserva Legal e APP, não podendo se depreender, do referido ato, a existência, legalmente exigida, de restrições de uso adicionais em relação àquelas outras duas espécies de áreas. Adicionalmente a propósito, adotamse aqui também as razões de decidir de lavra da autoridade julgadora de 1a. instância, in verbis: (...) Neste aspecto, como já visto, a interessada pretende sustentar seus argumentos nas legislações de criação do Parque Estadual do Xingu, por entender que pelo fato de seu imóvel estar localizado no perímetro dessa área seria de interesse ecológico com direito à isenção. Porém, este argumento, por si só, não é suficiente para comprovar a isenção, pois, se assim fosse, Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10183.722023/201010 Acórdão n.º 9202006.039 CSRFT2 Fl. 247 9 praticamente todos os imóveis situados nessa região seriam isentos, situação esta que não ocorre. 31. Neste item, na Notificação de Lançamento o Fisco explicou, detalhadamente, que enquanto não concluído o necessário processo de regularização fundiária, mediante a desapropriação das áreas declaradas de utilidade pública, admitese a existência de terras particulares dentro dos limites do parque, portanto, tributáveis. Foi tratado, inclusive, do dispositivo legal que demonstra que o expropriado é contribuinte do ITR até a data da transferência do imóvel. 32. Assim, embora já bem explanado pelo Fisco, vejamos aqui a legislação que trata da matéria, Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que estatui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, especificamente na parte relativa aos Parques: DAS CATEGORIAS DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO Art. 7O As unidades de conservação integrantes do SNUC dividemse em dois grupos, com características específicas: I Unidades de Proteção Integral II Unidades de Uso Sustentável. § 1o (...) Art. 8O O grupo das Unidades de Proteção Integral é composto pelas seguintes categorias de unidade de conservação: I – (...) III Parque Nacional IV – (...) Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. (grifos não presentes no original). § 2o (...) 33. Assim, a previsão legal define como Parque Nacional (aos quais se equiparam os Parques Estadual e Municipal) a área composta por imóveis públicos e esses já estão afastados da tributação por imunidade, como previsto na Constituição Federal. No caso, não há comprovação de que houve Fl. 251DF CARF MF 10 desapropriação do imóvel ora tratado para constituição de um Parque em data anterior a do fato gerador aqui tratado, para justificar reconhecimento da imunidade e afastar o interessado do pólo passivo da exigência tributária. 34. O próprio impugnante explicou, com base na legislação de criação do Parque, que as terras e benfeitorias localizadas dentro de seus limites ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação. Ou seja, serão desapropriadas, ainda. 35. Vejamos os artigos 3o e 4o, do referido Decreto, que se repetem na Lei estadual: Art. 3o As terras e benfeitorias localizadas dentro dos limites descritos no artigo 1o deste Decreto ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação. Art. 4o O Parque fica subordinado à Fundação Estadual do Meio Ambiente FEMA que deverá tomar as medidas necessárias para sua efetiva implantação e controle. 36. Desta forma, de acordo com § 1o, do artigo 1o, da Lei nº 9.393/1996, há incidência do tributo em questão. Em linha com o excerto acima, também entendo aplicável ao caso de terras particulares ainda não desapropriadas em limites de parque o referido dispositivo, restando, assim, estabelecida a incidência, verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. Finalmente, de se rechaçar a possibilidade de exclusão de qualquer montante na forma declarada pelo contribuinte, uma vez que: a) Quanto às áreas de preservação permanente (APP) declaradas, não foi apresentado laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a sua existência (materialidade) e b) Quanto ás áreas de Reserva Legal/Utilização Limitada, descumprido o requisito, entendido como essencial pela maioria deste Colegiado, de sua averbação na matrícula do imóvel junto ao Registro de Imóveis competente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose a glosa perpretada pela autoridade lançadora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 252DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.727766/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS.
A dedutibilidade das despesas na apuração do lucro real sujeita-se a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, onde fiquem evidenciados, dentre outros requisitos, a indicação da operação ou a causa que deu origem ao rendimento e a individualização do beneficiário desse rendimento.
PAGAMENTOS SEM CAUSA - IRRF.
Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a sua causa, considerando-se líquido o rendimento.
CRÉDITOS.
Do valor apurado para a Contribuição para o PIS segundo o regime não-cumulativo, a pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a serviços efetivamente prestados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL
Lavrado o auto principal deverão ser também formalizadas as exigências decorrentes, dada a intima relação de causa e efeitos que as vincula. Translada-se as autuações reflexas a mesma orientação decisória adotada quanto ao lançamento matriz.
Numero da decisão: 1402-002.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A dedutibilidade das despesas na apuração do lucro real sujeitase a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, onde fiquem evidenciados, dentre outros requisitos, a indicação da operação ou a causa que deu origem ao rendimento e a individualização do beneficiário desse rendimento. PAGAMENTOS SEM CAUSA IRRF. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a sua causa, considerandose líquido o rendimento. CRÉDITOS. Do valor apurado para a Contribuição para o PIS segundo o regime não cumulativo, a pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a serviços efetivamente prestados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Lavrado o auto principal deverão ser também formalizadas as exigências decorrentes, dada a intima relação de causa e efeitos que as vincula. Transladase as autuações reflexas a mesma orientação decisória adotada quanto ao lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 77 66 /2 01 5- 91 Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.029 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.030 3 Relatório Tratase o presente de Recurso Voluntário interpostos pela empresa autuada, face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de que manteve integralmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração relativas ao IRPJ, CSLL, PIS COFINS e IRRF. Os autos de infração (fls. 144/145 148/149), acompanhados dos demonstrativos de fls. , formalizados contra a Recorrente, que resultou na constituição do crédito tributário no montante de R$ 11.209.308,02, aqui incluídos principal multa de oficio no percentual de 75% e juros de mora. A autuação decorreu pela falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços relativos aos pagamento contabilizados como despesa de serviço de transporte e pagamento sem causa relativo ao IRRF, na medida em que a empresa Recorrente apresentou documentos fiscais de prestadores de serviços de empresas que tinham como sócios familiares e encontravamse sitiadas no mesmo endereço da autuada. No mais, adoto o relatório do v. acórdão recorrido, relativo a descrição dos fatos, completandoo ao final no que interessa para o presente julgamento: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 2643 a 2701, para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 11.209.308,02, assim discriminado: [...] fls. 86 do TFV anexo ao AI. Segundo a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal/Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica”, a fls. 2644, apurouse na ação fiscal a seguinte a infração: INFRAÇÃO: DESPESAS NÃO COMPROVADAS Despesas não comprovadas apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99 No que se refere à CSLL, à Cofins e ao PIS, idêntica infração foi descrita a fls. 2655, 2674 e 2693. Já para o lançamento do IRRF, o Auto de Infração consigna a fls. 2693 e 2695: Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.031 4 INFRAÇÃO: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA Valor do Imposto de Renda na Fonte, decorrente das Despesas Não Comprovadas, incidente sobre pagamento(s) sem causa ou de operação(ões) não comprovada(s), contabilizadas ou não, no(s) valor(es) abaixo especificado(s) (BC Reajustada §3º, art. 674, RIR/99), conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo: [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 04/01/2011 e 30/12/2011: Art. 674 e 675 do RIR/99. Art. 674 do RIR/99 Os fatos apurados na ação fiscal estão relatados no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 2703 a 2720, que pode ser sintetizado pelos seguintes excertos: Preliminarmente, cabe destacar que, todo o procedimento de fiscalização realizado na contribuinte, teve como base a sua escrituração contábil digital – ECD, relativa ao anocalendário de 2011, baixada do ambiente SPED, conforme legislação de regência (arquivo hash nº 38F7636C8F875BEB40B06068AC66576245D32A1D), anexa às fls. 2252. Dessa forma, analisando a referida escrituração contábil digital – ECD, chamou a atenção desta fiscalização, as pretensas despesas operacionais, contabilizadas na contacontábil 511101000500515 FRETES, CARGA E DESCARGA (razão contábil anexo às fls. 2593/2623), relativas às seguintes empresas: • CNPJ 08.876.491/000140 – Creuza Maria Rodrigues EPP – R$ 1.531.060,00; • CNPJ 12.157.706/000140 – Viamax Transportes e Serviços Ltda – R$2.427.326,00; • CNPJ 04.330.503/000186 – Mundial Serviços de Transportes e Logística Ltda R$480.950,00. Da mesma forma, chamou a atenção desta fiscalização, os seus respectivos pagamentos, registrados nas seguintes contas contábeis: • 111101000200904 CAIXA UNS (razão contábil anexo às fls.2530/2570); • 111101000100006 CAIXA UNC (razão contábil anexo às fls.2475/2529); Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.032 5 • 111102000100008 BANCO BRADESCO C/C 262005 (razão contábil anexo às fls.2320/2474); • 113201000300033 ADIANTAMENTOS P/ CREUZA (razão contábil anexo às fls.2312/2314); • 113201000700037 ADIANTAMENTOS P/ VIAMAX (razão contábil anexo às fls.2316/2319); • 113201000400034 ADIANTAMENTOS P/ MUNDIAL (razão contábil anexo às fls.2315). Bem como, os decorrentes créditos relativos ao PIS e à COFINS NÃO CUMULATIVOS, registrados nas seguintes contas contábeis: • 511101000500515 FRETES, CARGA E DESCARGA (razão contábil anexo às fls.2593/2623); • 114101000600047 COFINS A RECUPERAR (razão contábil anexo às fls.2571/2577); • 114101000200043 PIS A RECUPERAR (razão contábil anexo às fls.2578/2584). Vale destacar que, chamou a atenção desta fiscalização para as pretensas despesas/desembolsos acima citados, o fato de que as referidas empresas, têm sócios em comum com a Mundial Center Atacadista Ltda (empresa fiscalizada), bem como, os seus respectivos endereços cadastrais, coincidem com o endereço da Mundial Center Atacadista Ltda. Dessa forma, foram realizadas Diligências Fiscais nas empresas citadas, afim de coletar provas da efetiva prestação dos serviços de Transporte, Carga e Descarga, ou a sua não prestação. [...] Da análise dos documentos apresentados, temse as seguintes constatações: As empresas diligenciadas têm sócios em comum com a Mundial Center Atacadista Ltda (empresa fiscalizada), bem como, os seus respectivos endereços de funcionamento, coincidem com o endereço da Mundial Center Atacadista Ltda (conforme cópias dos respectivos contratos sociais e demais alterações), ou seja, elas não possuem estrutura física, em tese, operam no mesmo ambiente físico da Mundial Center Atacadista Ltda. [...] Conforme consta dos registros contábeis (AC 2011), as empresas diligenciadas não possuem patrimônio compatível com suas atividades (transporte de cargas). Viamax Transportes e Serviços Ltda 01 veículo registrado no Ativo Permanente no valor de R$ 40.000,00 Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.033 6 Creuza Maria Rodrigues EPP 01 veículo registrado no Ativo Permanente no valor de R$ 40.000,00 Mundial Serviços de Transportes e Logísitica LtdaEPP NÃO possui veículos [...] Além dos registros contábeis, as empresas diligenciadas apresentaram os ofícios de fls.1720/1924, onde relacionam os veículos de suas propriedades, conforme tabela a seguir: Viamax Transportes e Serviços Ltda JJB9454; JJB9464; JJB 9663; *JJB 6558; JGA0401; JHM3844; JHM 6794; EAL 3442 (*estes veículos em destaque, também aparecem como sendo de propriedade da empresa fiscalizada Mundial Center Atacadista – fls. 74/75) Creuza Maria Rodrigues EPP (atualmente Mundial Empreendimentos Imobiliários e Participações LtdaEPP)JIK 5878; JJB5625; JHP1311 Mundial Serviços de Transportes e Logísitica LtdaEPP DECLARA NÃO possuir veículos [...] Neste ponto, cabe salientar que a Mundial Center Atacadista Ltda, apresentou a esta Fiscalização, sua relação de veículos (fls.74/75) constantes do ativo permanente (conforme balancete anexo às fls.2296/2311), abaixo reproduzida: [...] Analisando as notas fiscais apresentadas pelas diligenciadas (fls.2192/2251), verificase que elas seguem o mesmo padrão, o mesmo layout, foram impressas pela mesma gráfica, e são preenchidas pela mesma pessoa, a grafia é a mesma em todas as notas fiscais das 3 empresas diligenciadas. Em conformidade com os respectivos registros contábeis, bem como das notas fiscais de serviços das empresas diligenciadas, conforme cópias acostadas aos autos, constatase que as empresas têm como cliente, única e exclusivamente a Mundial Center Atacadista Ltda, apresentando, anocalendário de 2011, os seguintes faturamentos: • CNPJ 08.876.491/000140 – Creuza Maria Rodrigues EPP – R$ 1.531.060,00; • CNPJ 12.157.706/000140 – Viamax Transportes e Serviços Ltda – R$ 2.427.326,00; • CNPJ 04.330.503/000186 – Mundial Serviços de Transportes e Logística Ltda R$ 480.950,00. Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.034 7 Neste ponto, salientase que não é razoável/compatível, os respectivos faturamentos com o patrimônio apresentado pelas empresas diligenciadas, uma delas, inclusive, não possui patrimônio algum (Mundial Serviços de Transportes e Logística Ltda, não possui nenhum veículo). [...] Vale lembrar que, a mera emissão de nota fiscal de serviços, por si só, NÃO comprova a efetiva prestação dos serviços de Fretes, Cargas e Descargas. As empresas diligenciadas, embora intimadas, NÃO apresentaram a esta fiscalização os respectivos Romaneios de Fretes. Por outro lado, a Mundial Center Atacadista Ltda, apresentou os seus respectivos relatórios de Romaneios de Fretes próprios realizados no anocalendário de 2011 (fls.164/1699). [...] Ao contrário das empresas diligenciadas, a Mundial Center Atacadista Ltda (empresa fiscalizada), possui patrimônio compatível com as suas atividades, conforme se verifica no seus registros contábeis (contacontábil 121301000700088 VEICULOS e 121301000900090 CARROCERIAS – Balancete fls.2296/2311), bem como na relação de veículos apresentada (fls. 74/75). A Mundial Center Atacadista Ltda, não cobra de seus clientes o frete relativo às mercadorias vendidas, ou o cliente retira a mercadoria adquirida no depósito da empresa, ou a própria Mundial Center Atacadista Ltda efetua a entrega da mercadoria vendida ao cliente, conforme relatórios de Romaneios de Frete anexos às fls.164/1699. Por isso, justificase a frota de veículos da Mundial Center Atacadista Ltda (contacontábil 121301000700088VEICULOS e 121301000900090 CARROCERIAS), bem como as despesas operacionais decorrentes da referida frota, registradas nas seguintes contascontábeis (conforme Balancete de fls.2296/2311): • 511103001300545 DESPESAS C/ VEICULOS R$ 417.822,77 • 511101000600516 COMBUSTIVEIS E LUBRIFICANTES R$ 1.139.878,85 • 511103000500537 COMBUSTIVEIS E LUBRIFICANTES – R$ 74.622,43 • 511103002900914 DESPESAS COM SEGUROS VEICULOS R$ 42.145,18 Por todo o exposto, com base em todos esses indícios, constata se que as empresas diligenciadas NÃO prestaram nenhum serviço de Frete, Carga e Descarga; todo o frete das mercadorias vendidas é realizado pela própria Mundial Center Atacadista Ltda (conforme relatórios de Romaneios de Fretes – fls.164/1699), pois, é dela a frota de veículos utilizados nos referidos fretes (contacontábil 121301000700088VEICULOS e Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.035 8 121301000900090 CARROCERIAS – Balancete fls.2296/2311, bem como relação de veículos fls. 74/75); é a Mundial Center Atacadista Ltda quem possui toda a estrutura física e patrimonial pretendida pelas empresas diligenciadas, conforme demonstrado neste Termo de Verificação Fiscal e demais documentos acostados aos autos. [...] Por todo o exposto no presente Termo de Verificação Fiscal, efetuase a glosa das pretensas despesas operacionais de Fretes, Carga e Descarga, NÃO COMPROVADAS, contabilizadas na contacontábil 511101000500515 FRETES, CARGA E DESCARGA (razão contábil anexo às fls.2593/2623), relativas às empresas diligenciadas. [...] Nos termos das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, a empresa fiscalizada, sujeita ao regime de incidência NÃOCUMULATIVA do PIS e da COFINS, descontou indevidamente na apuração das respectivas contribuições, os créditos (conforme contas contábeis: 114101000600047 COFINS A RECUPERAR razão anexo às fls.2571/2577; 114101000200043 PIS A RECUPERAR razão anexo às fls.2578/2584), relativos às pretensas despesas operacionais de Fretes, Carga e Descarga, NÃO COMPROVADAS, contabilizadas na contacontábil 511101000500515 FRETES, CARGA E DESCARGA (razão contábil anexo às fls.2593/2623), relativas às empresas diligenciadas. [...] A empresa fiscalizada efetuou os pagamentos/desembolsos, conforme os seus registros contábeis e Demonstrativo em anexo (Base de Cálculo Reajustada_Desembolsos_Despesa Fretes_AC2011_Creuza_Viamax_Mundial Serviços), relativos às pretensas despesas operacionais, NÃO COMPROVADAS, contabilizadas na contacontábil 511101000500515 FRETES, CARGA E DESCARGA (razão contábil anexo às fls.2592/2623), relativas às empresas diligenciadas. [...] Fato que caracteriza a infração de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, nos termos dos art. 674 e 675 do Decreto 3.000/99 RIR/99, cuja alíquota do IRRF é de 35% incidente sobre a base de cálculo reajustada (§ 3º, art. 674 e §1º, art. 675, do Decreto 3.000/99 RIR/99). [...] Determina o artigo 44, da Lei 9.430/96, a qual dispõe, entre outros assuntos, sobre procedimentos de fiscalização tributária e lançamentos de ofício de impostos e contribuições, que, nos casos de constituição de ofício de créditos tributários, deverá ser Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.036 9 aplicada multa de 75% sobre o montante não pago ou declarado. Cientificada em 1º de outubro de 2015 (fls. 2830), a contribuinte apresentou, em 3 de outubro de 2015, a fls. 2833 a 2864, impugnação ao lançamento. Relata explorar a atividade de venda de materiais de construções e produtos correlatos para o mercado de atacado e para atingir o seu objeto social necessita do transporte de cargas para que o material vendido chegue até os seus clientes, dentro do Distrito Federal, onde está estabelecida, e também para fora dele. Afirma utilizarse em sua maioria de transportes terceirizados, por meio de transportadoras, inclusive daquelas conhecidas no mercado nacional, por transportar também para outros fornecedores e dentro do Distrito Federal, para atender adequadamente à sua clientela, utilizase do transporte e da administração das cargas por meio de transportadoras terceirizadas, porque essas empresas se especializaram nesses serviços e têm melhores condições de atingir com eficiência os seus objetivos, até porque atuam exclusivamente nesse nicho. Aduz que o serviço de transporte contratado não engloba apenas o frete, mas toda uma logística de despacho, carga e descarga, com planejamento de saída e chega no destino com a avaliação e estratégica das vias do trânsito, em razão do material transportado e que, por isso, nada mais natural que se valesse de empresas que ficassem encarregadas de toda essa logística, o que é muito diferente da sua atividade de compra e venda de material de construção. Sustenta que os serviços de fretes, cargas e descargas glosados foram todos pagos e efetivamente prestados, estando representados por notas fiscais de fretes (sujeito ao ISS municipal/distrital), além de devidamente contabilizados nas empresas transportadoras e, também, na autuada, com os respectivos tributos sobre os referidos serviços recolhidos regularmente. Considera frágeis as desconfianças e os apontamentos mencionados pela fiscalização para glosar as notas fiscais, como a falta de condição para o exercício da atividade, porque estão revestidos de certa subjetividade, uma vez que na prática essas atividades podem ser exploradas de várias maneiras, inclusive com a utilização de terceirizados, especialmente os equipamentos e veículos. Entende que a fiscalização, como ente acusador, não se desincumbiu adequadamente do seu ônus probatório, que as suas observações não passam de ilações que não podem ser consideradas provas para fins de imposição de ônus tributário e que não há nos autos qualquer prova contundente da não existência dos fretes. Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.037 10 Menciona o artigo 9o do Decretolei nº 1.598, de 1977, que dispõe que o registro contábil faz prova plena a favor do contribuinte dos fatos registrados. Argumenta que o fato de também realizar despesas com frota de veículos próprios (combustíveis, lubrificantes, seguros, etc), conforme consta do Relatório Fiscal, por si só, não é suficiente para se concluir que as outras despesas com fretes também não foram realizadas, dizendo inexistir no processo qualquer demonstrativo de que os valores dos gastos com veículos encontrados na contabilidade da autuada são suficientes para cobrir todos os custos de transportes que a empresa necessita, pelo que perderia credibilidade o trabalho fiscal. Alega que materiais de construção são compostos de miudezas (conexões, tubos, etc.) e também de peças de luxo (vasos, acabamentos, etc.) que dependem de transportes especiais, adequados, ou adaptados, e que a terceirização ajuda em muitos aspectos nesse transporte, seja na mãodeobra, ou nos veículos, em razão da especialização desses terceirizados. Aduz que o parágrafo único do artigo 116 do CTN ainda não está regulamentado de forma a permitir à fiscalização a desconstituição de negócios do contribuinte, enquanto no Direito Tributário vigeria o princípio da legalidade estrita. Define como idôneas tanto a autuada quanto as transportadoras que receberam os fretes, que existiriam de fato e de direito e funcionariam regularmente, com o recolhimento regular de todos os seus tributos. Aponta erro material na exigência do IRRF: No caso, o Auto de Infração se propôs em reajustar em 35% por o valor dos custos glosados de forma que com o desconto do IRRF o valor seria equivalente aos próprios custos glosados. Ou seja, os 35% seria elevado para uma alíquota real de 53,84%. Assim, se fosse como o Auto de Infração propôs, de reajustar em 35% por dentro, o valor dos custos glosados que foi de R$ 4.439.336,00 elevaria a base de cálculo do IRRF para R$ 6.829.747,69 (4.439.336,00 : 0,65), o que resultaria num tributo do IRRF de R$ 2.390.411,69. O valor líquido seria o custo glosado de R$ 4.439.336,00 (R$ 6.829.747,69 () menos R$ 2.390.411,69). No entanto, o que se observa é que o tributo lançado no Auto de infração foi de R$ 3.296.630,49, o que SIGNIFICA que a fiscalização erroneamente se utilizou de uma base reajustada de R$ 9.418.944,00. Desse modo, a fiscalização dentro de seus próprios critérios cometeu um erro a maior de R$ 906.218,80, que é a diferença entre o IRRF lançado 3.296.630,10 e o critério proposto no Auto Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.038 11 de Infração que resultaria em R$ 2.390.411,60 (35% de R$ 6.829.747,60). Ataca a tributação simultânea sobre a mesma base de IRRF e do IRPJ e da CSLL, apoiandose em julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Carf. Colaciona decisão do Supremo Tribunal Federal que considera afrontoso à Constituição tributação que corresponde a 100% de sua base de cálculo, por se traduzir em confisco, concluindo que: No caso, a tributação excessiva, além de macular os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, e o conceito de confisco, ela afronta ainda o conceito de renda do art. 43 do CTN e a capacidade econômica do contribuinte e do rendimento tributado, repelido no § 1º, do art. 145 da Constituição Federal. Reputa ter havido uma superposição de tributações (duplicidade), sobre uma mesma base, pois retenção na fonte de 35% estaria ocorrendo sobre um rendimento que foi devidamente tributado pela pessoa jurídica que o auferiu, o que estaria demonstrado nos autos. Afirma também que a jurisprudência do Carf também não permite que possam ser objeto da tributação do IRRF de 35% tendo por base qualquer espécie de presunção. Assinala que A impugnação da matéria relativa à glosa dos custos e despesas de fretes constante desta peça se aplica ao IRPJ e, de forma reflexa e decorrente também a todos os demais lançamentos deste procedimento fiscal relativos à CSLL, PlS, COFINS e IRRF, a cujos fundamentos da defesa se reporta em seu inteiro teor. Pede o reconhecimento de seu direito ao creditamento pelos recolhimentos de PIS feitos pelas transportadoras nos seguintes termos: Ocorre que as transportadoras que realizaram os fretes glosados neste procedimento recolheram regularmente o PIS, conforme consta dos próprios autos e, no caso, tornase necessário e merecido o creditamento pela autuada, pena de valer a duplicidade de recolhimento sobre a mesma base, tanto pela ora autuada como pelas transportadoras. O pagamento da contribuição pelo Fornecedor dá direito ao que com ele se relacionar ao creditamento, mesmo que em regimes de tributação diferentes (cumulativo), em razão do princípio da nãocumulatividade, que garante a não incidência em cascata desse tributo, nos termos das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Repete os mesmos argumentos para pleitear seu direito ao creditamento pelos recolhimentos de Cofins feitos pelas transportadoras. Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.039 12 Por fim, protesta pela juntada de outros elementos, esclarecimentos ou documentos adicionais. Ato contínuo, foi proferido o v. acórdão recorrido de fls. dando parcial provimento a impugnação da Recorrente em relação aos créditos relativos ao IRRF, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Devem ser glosadas as despesas relativas a serviços cuja prestação não foi efetivamente comprovada pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 APURAÇÃO. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 CRÉDITOS. Do valor apurado para a Contribuição para o PIS segundo o regime nãocumulativo, a pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a serviços efetivamente prestados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 CRÉDITOS. Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.040 13 Do valor apurado para a Cofins segundo o regime não cumulativo, a pessoa jurídica somente poderá descontar créditos calculados em relação a serviços efetivamente prestados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 PAGAMENTOS SEM CAUSA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a sua causa, considerandose líquido o rendimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PROVAS. A prova da infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ acolheu o requerimento da Recorrente e que a determinação da base de cálculo reajustada do IRRF nos termos do parágrafo terceiro, do artigo 674 do RIR/99, estava equivocada. Segue abaixo a fundamentação do voto que alterou a base de cálculo. Aduz a impugnante, quanto ao valor exigido, que a fiscalização teria se equivocado na determinação da base de cálculo reajustada do IRRF, estabelecida no § 3o do artigo 674 do RIR/99. A fls. 2725, encontrase o demonstrativo “Base de Cálculo Reajustada_Desembolso_DespesaFretes_AC2011_Creuza_Viam ax_Mundial Serviços”, em que estão informados os valores diários dos pagamentos efetuados e as correspondentes bases de cálculo reajustadas (pagamentos ÷ 0,65). Vêse a fls. 2696, que os valores reajustados foram erroneamente considerados pela fiscalização, no Demonstrativo de Apuração/Imposto de Renda Retido na Fonte, como sendo o rendimento pago, o que provocou novo reajustamento da base de cálculo. Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.041 14 Nestes termos, os valores do IRRF devem ser corrigidos como segue: [...] tabela das exclusões. fl. 2.978 pag. 15 do v. acórdão. Ato contínuo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando os mesmos argumento da impugnação. Em seguida, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.042 15 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso de Ofício: O recurso foi interposto no momento adequado, pelos julgadores/parte competente e com interesse processual para tanto, bem como o valor do crédito que foi cancelado relativo ao IRRF foi superior ao valor disposto na legislação para interposição do Recurso de Ofício, motivo pelo qual deve ser conhecido. Ao analisar os documentos e relatórios onde indicam os valores dos reajustes das bases de cálculo do IRRF, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida em seus termos. O Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Retido na Fonte de fls. 2696, anexo ao AI, utilizou erroneamente os valores constantes no item base de cálculo reajustada no Demonstrativo Base de Cálculo_reajustada_desembolso_despesa fretes_AC 2011 da empresa Creuza Viamax Mundial Serviços de fls. 2725, como sendo os rendimentos pagos e em seguida reajustou novamente o valor e aplicou a alíquota de 35%. Sendo assim, entendo que o v. acórdão recorrido está correto e os valores que constam na tabela de fls.2978 (fl.15 do acórdão) relativos a redução devido ao reajuste devem ser mantidos em seus termos. Desta forma, voto no sentido de conhecer o Recurso de Ofício e negar provimento. Do Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, devendo assim, ser conhecido. Após a narrativa dos acontecimentos que ocorreram no processo, a Recorrente requer a reforma do v. acórdão com base nos mesmos argumentos da impugnação. Ao analisar os documentos constantes nos autos e os fatos constatados pela Fiscalização entendo que os Autos de Infração devem ser mantidos. Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.043 16 As empresas Mundial Serviços de Transportes e Logística Ltda., Viamax Transportes e Serviços Ltda. e Creuza Maria Rodrigues EPP não tinham substância física e econômica para exercer a atividade de transporte. Foi constatado também pelo agente autuante, que as empresas funcionavam no mesmo local e tinham os mesmos sócios da Recorrente, sendo que esta ultima (a Recorrente) que tinha condições e porte para arcar com os serviços de transporte/frete carga e descarga que geraram os créditos de despesas ora glosados. Importante ressaltar, que as empresas transportadoras que supostamente prestaram os serviços nunca emitiram documentos, enquanto que a Recorrente, única cliente das transportadoras, emitia os romaneios de fretes (fls. 160/1699). Tais fatos, nos leva a concluir que a Recorrente era quem prestava os serviços de transporte e as outras três empresas eram utilizadas para emitir os documentos relativos a prestação de serviço e fundamentar as despesas com fretes, que foram deduzidas do imposto da autuada. Pelo que constatei nos autos, o conteúdo probatório não deixa dúvida da infração cometida pela Recorrente e a meu ver, não foi mera presunção da Fiscalização. Sendo assim, entendo que assiste razão a fiscalização ao glosar a despesa e considerar, em relação ao IRRF, pagamento sem causa. Para fundamentar meu voto em relação a glosa dos créditos ora em análise, segue a parte de v. acórdão que nos interessa: Sustenta a impugnante que os serviços de fretes, cargas e descargas glosados pela autoridade fiscal foram todos pagos e efetivamente prestados, conforme demonstrariam as notas fiscais, sua contabilidade, como também a contabilidade das empresas transportadoras. Considera ainda frágeis os indícios apresentados pela fiscalização, que não teria se desincumbido de seu ônus probatório. Do exame dos autos, verificase que, com base em diligências realizadas no curso da ação fiscal, constatou o autor do feito que fretes, no valor total de R$ 4.439.336,00, foram pagos a empresas pertencentes a sócios da fiscalizada – Mundial Serviços de Transportes e Logística Ltda., Viamax Transportes e Serviços Ltda. e Creuza Maria Rodrigues EPP –, que não apresentavam estrutura física e patrimonial para prestar o serviço para o qual teriam sido contratadas. Por outro lado, a autuada dispunha de grande frota de veículos destinada ao transporte de mercadorias. Para contestar tal fato, aduz a impugnante que as empresas sob suspeição terceirizavam o serviço, especialmente equipamentos e veículos. Ocorre que, na contabilidade Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.044 17 das transportadoras, conforme se verifica a fls. 1925 a 2191, não há registro de qualquer despesa com locação de veículos ou equipamentos de carga ou transporte. Afirma ainda a impugnante que, entre as mercadorias que comercializa, estariam produtos de luxo que demandariam um transporte especializado, o que justificaria a contratação de terceiros. Ofende o senso comum que, para tanto, contratasse empresas que, como demonstrado nos autos, apresentavam tão somente um ou mesmo nenhum veículo em seu ativo permanente. Não se compreende como uma empresa que dependa de serviço especializado para entrega de seus produtos recorra a transportador que não seja proprietário de sequer um único veículo, como o caso da Mundial Serviços de Transporte e Logística Ltda., ou cujo ativo permanente seja constituído exclusivamente de um veículo, sem nenhum outro bem que pudesse, portanto, ser utilizado para a carga e descarga dos alegados produtos de luxo, como é o caso da Viamax Transporte e da Creuza Maria Rodrigues EPP. Por sua vez, no ativo permanente da autuada, em 2011, estavam registrados cinquenta e seis veículos, conforme relação a seguir: [...] tabela com os veículos registrados na Recorrente. fl.2974 pag. 11 do acórdão. Em relação a alegação da Recorrente de que não é viável a glosa de despesas do IRPJ, juntamente com o IRRF, entendo que também não deve prosperar. São infrações distintas e tratam de créditos gerados de acordo com a regulamentação de cada imposto. Ademais, conforme pode se verificar nos demonstrativos anexos aos AIs a Fiscalização dividiu por imposto as bases sobre as quais lançou as exigências. Assim, após a correção feita pela DRJ no v. acórdão recorrido, a base de cálculo do IRRF está correta, não havendo que se falar que a glosa das despesas de IRPJ e CSLL simultaneamente com o IRRF seriam inviáveis, eis que as bases foram corretamente divididas por imposto, com as devidas correções, reajustes dos valores que ensejaram o lançamento de ofício. Em relação a alegação da CSLL e do PIS/COFINS de que as empresas transportadoras recolheram as contribuições pela sistemática da nãocumulatividade e que por isso a Recorrente teria direito ao crédito glosado, sob pena de se contraria o princípio da não cumulatividade, entendo que não devem ser acolhidas. As despesas e operações não ocorreram de fato e por consequencia os créditos também não são legítimos, não podendo se falar em princípio da nãocumulatividade. Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.045 18 Para que as empresas transportadoras e a Recorrente pudessem se creditar, deveriam existir documentos válidos que albergassem as operações que não existiram como apontas pela autuação. Sendo assim, o creditamento deve seguir a mesma lógica da glosa das despesas, eis que foram gerados por operações que não ocorreram. Sendo assim, entendo que o Recurso Voluntário não deve ser provido. De resto, adoto os fundamentos do .v acórdão recorrido para fundamentar meu voto. Estranhase ainda que, apesar de apresentarem o mesmo endereço cadastral e sócios comuns, as empresas adotassem procedimentos diversos com respeito à emissão de documentos de controle das mercadorias transportadas: enquanto a autuada emitia romaneios de fretes (fls. 160 a 1699), as transportadoras jamais emitiram tais documentos. Chama atenção também que as transportadoras tinham a autuada como sua única e exclusiva cliente. De tais fatos, temse como conclusão lógica que a própria autuada prestava os serviços de transporte de suas mercadorias, lançando indevidamente os valores transferidos às mencionadas empresas como despesas com frete. Ataca a impugnante o uso da presunção, que entende ser insuficiente para caracterizar as infrações que lhe são imputadas, especialmente para autorizar a exigência do IRRF por pagamentos sem causa. Em primeiro lugar, deve ser dito que as presunções são admitidas pelo Direito, estando previstas no artigo 212 da Lei nº 10.406, de 2002, Código Civil, in verbis: [...] A prova da infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. De outro lado, indícios vários e concordantes constituem prova. No caso vertente, vêse que os indícios colhidos pelo autor do feito são claros e congruentes no sentido de demonstrar de forma inequívoca a inexistência dos serviços indevidamente contabilizados pela contribuinte. Em face dos fatos acima reportados, outra alternativa não restava à autoridade fiscal que formalizar o lançamento. Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.046 19 Com respeito às alegações sobre o § único do artigo 116 do CNT, há de se observar que tal dispositivo não constituiu o fundamento do lançamento, que não se valeu de qualquer desconsideração de negócio jurídico, mas sim da demonstração da inexistência de serviços contabilizados pela contribuinte. Devem, por tais razões, ser confirmadas as glosas efetuadas pela fiscalização, que, nos termos da legislação de regência, são aplicáveis tanto ao IRPJ quanto à CSLL, e extensivas ainda ao PIS e Cofins apurados segundo o regime da nãocumulatividade. Lei nº 8.981, de 1995: [...] Quanto às afirmativas a respeito da exigência do IRRF, assinale se, de início, que a atividade administrativa do lançamento, nos termos do § único do artigo 142 do CTN, é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dispõe o artigo 674 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, in verbis: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de1995, art. 61, § 3º). (g.n.) Nestes moldes, demonstrada a existência de recursos entregues a terceiros sem comprovação de sua causa, como no caso vertente, é forçoso procederse à exigência do imposto de renda, Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 10166.727766/201591 Acórdão n.º 1402002.722 S1C4T2 Fl. 3.047 20 exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, considerandose líquido o rendimento. Aduz a impugnante, quanto ao valor exigido, que a fiscalização teria se equivocado na determinação da base de cálculo reajustada do IRRF, estabelecida no § 3o do artigo 674 do RIR/99. A fls. 2725, encontrase o demonstrativo “Base de Cálculo Reajustada_Desembolso_DespesaFretes_AC2011_Creuza_Viam ax_Mundial Serviços”, em que estão informados os valores diários dos pagamentos efetuados e as correspondentes bases de cálculo reajustadas (pagamentos ÷ 0,65). Vêse a fls. 2696, que os valores reajustados foram erroneamente considerados pela fiscalização, no Demonstrativo de Apuração/Imposto de Renda Retido na Fonte, como sendo o rendimento pago, o que provocou novo reajustamento da base de cálculo. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 3047DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.723649/2011-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 36 49 /2 01 1- 16 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13603.723649/201116 Acórdão n.º 9202005.859 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 316DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.000403/2005-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2004
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo.
Numero da decisão: 9303-005.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 04 03 /2 00 5- 33 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.269, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 11/2004 Ementa: PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. Não existe nenhum prazo decadencial ou prescricional em curso a partir do momento da apropriação dos créditos no regime não cumulativo de PIS/Cofins. O prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN aplicase exclusivamente aos procedimentos de lançamento por homologação, sendo despropositado referirlhe aos casos de ressarcimento e compensação. Nos pedidos de compensação apenas corre o prazo de homologação tácita previsto no art. 70 da Lei 9.430/96, que começa a contar da data da apresentação da declaração de compensação. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA O MAQUINÁRIO DE CORTE E TRANSPORTE. SERVIÇO DE Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 4 3 TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANA DE AÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de cana de açúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da cana de açúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS. Em razão do art. 8º, § 2º da Lei 10.925/2004, que se refere expressamente ao art. 3º, § 4º da Lei 10.637/2002, o tratamento que deve ser dado ao crédito presumido da agroindústria é o do regime aplicável ao crédito ordinário relativo ao mercado interno – que apenas pode ser aproveitado para redução da própria contribuição nos meses subseqüentes – e não o regime do crédito correspondente à exportação – que pode ser objeto de restituição e compensação. Legalidade da vedação contida no art. 8º, § 3º, II da IN 660/2006.” Embargos de Declaração foram apresentados pela Fazenda Nacional, apontando omissão no que tange ao cômputo no estoque dos bens dos adesivos, corretivos, cupinicida, fertilizantes e inseticidas como custos agrícolas. O que, requer que a Câmara emita pronunciamento sobre a omissão e traga os fundamentos jurídicos que autorizam a conclusão de que devem ser computados no estoque tais produtos. Apreciados os Embargos, o Colegiado, por unanimidade de votos, os acolheu para sanar o defeito verificado no acórdão 340301.269, alterandose o resultado do julgamento para “por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários”, combustíveis e lubrificantes. Vencido o Conselheiro Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 5 4 Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento ao recurso quanto ao transporte de funcionários”. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que efetivamente, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, produtos que não são consumidos diretamente em contato com o produto em elaboração, combustíveis, bem como transporte de funcionários não podem ser consideradas como matériaprima ou produto intermediário para os fins de manutenção do crédito do PIS. Em Despacho às fls. 185 a 188, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação à possibilidade de gastos com transporte de funcionários e com combustíveis e lubrificantes gerarem direito a crédito. Contrarrazões ao recurso interposto pela Fazenda Nacional foram apresentados pelo sujeito passivo, requerendo o não provimento do recurso. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, com o propósito de trazer á baila a discussão acerca da possibilidade de os créditos presumidos vinculados ás receitas de exportação auferidas no mesmo período de apuração serem utilizados na forma dos § 1º, inciso II, do art. 5º, da lei 10.637/02, para fins de compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições, ou para ressarcimento em dinheiro. O que, requereu a homologação das compensações. Em Despacho às fls. 248 a 253, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Em 10.8.17, foi juntado aos autos os seguintes documentos: · Memorando: ü Solicitando a análise de pedido de desistência parcial de julgamento apresentado pelo sujeito passivo em 25.9.2015, para inclusão de saldo devedor na consolidação do parcelamento da Lei 12.996/14; Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 6 5 ü Ressaltando que o sujeito passivo pretende incluir na citada consolidação somente o valor de R$ 45.262,48, referente a parte do débito de PIS de código 8109 – vencido em 15.2.2005. · Planilha com os dados da desistência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Recordo apenas que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional traz discussão acerca da constituição ou não de crédito sobre gastos com transporte de funcionários e com combustíveis e lubrificantes. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 7 6 contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 8 7 Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 9 8 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 10 9 Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 11 10 analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 12 11 [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 13 12 Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 14 13 prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 15 14 declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 16 15 proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 17 16 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, é de se recordar que o sujeito passivo exerce atividade agroindustrial, tendo como objeto social a fabricação de açúcar e o álcool, sendo imprescindível para o exercício dessa atividade a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, que abrange o plantio, o corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda deste produto. Notase que, para tanto, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção, tornando necessária a verificação de todos os dispêndios efetivamente incorridos na produção, para se entender tais custos serem essenciais à atividade/produção do sujeito passivo. Sendo assim, considerando que as etapas de corte, carregamento e transporte da cana até o estabelecimento industrial são representativas e envolvem grande parte dos custos operacionais necessários para o exercício da atividade de produção, é de se constatar que, nessa etapa, se faz essencial o transporte de trabalhadores rurais para o corte de canade açúcar, eis o acesso restrito a essas áreas de produção. Diferentemente de mero transporte de funcionários da residência para o “trabalho” – local da prestação de serviço. Dessa forma, concordo com o acórdão recorrido que considerou que na atividade de usinagem de cana de açúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da cana de açúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 18 17 benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. No que tange aos gastos com combustíveis, lubrificantes utilizados nos veículos de transporte e maquinário do sujeito passivo, sendo por vezes constatado nos autos pelo Colegiado do acórdão recorrido serem vinculados à atividade/produção do sujeito passivo, é de se manter o direito ao crédito das contribuições – em respeito ao art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...]” Não obstante, considerando memorando e planilha juntados aos autos do processo em 10.8.17, informando sobre a desistência parcial, apenas atento que deve, após esse julgamento, a unidade competente analisar se há crédito tributário passível de desistência parcial, tal como exposto pelo sujeito passivo. art. 78 da Ricarf/2015. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 19 18 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da contribuição para o PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre despesas com serviços de transporte de funcionários utilizados no corte da canadeaçúcar e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais itens integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 20 19 Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotado pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO); IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 21 20 limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...). § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as despesas com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes não foram utilizadas diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Tais gastos foram incorridos com o custeio agrícola da canade açúcar, mais especificamente com o maquinário utilizado no corte e transporte da canade açúcar e no transporte de pessoas (trabalhadores rurais) entre a sede da empresa e a lavoura. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10840.000403/200533 Acórdão n.º 9303005.631 CSRFT3 Fl. 22 21 Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos (açúcar e álcool) não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens e serviços que não foram utilizados diretamente no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no custeio agrícola da canadeaçúcar, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000615/2008-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/05/2006
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Deve ser conhecido o Recurso Especial da Divergência quando restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência foi aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 06 15 /2 00 8- 75 Fl. 299DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração AI 37.128.5615 para cobrança multa pelo descumprimento de obrigação acessória (AI 68) que assim foi resumida pelo Relatório Fiscal de fls. 07: 1 Em auditoria fiscal na Empresa, constatamos que a mesma elaborou e encaminhou GFIP, no período de 06/2003 a 05/2006, inclusive o 13°salário, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o que constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5° da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n°9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, parágrafo 4 0 do Regulamento de Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999; 2 0 fato foi constatado no exame das GFIP apresentadas, as quais foram solicitadas através do Termo de Inicio da Ação Fiscal TIAF e Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, verificandose que no período de 06/2003 a 05/2006, a empresa informou o código 2, como sendo empresa do SIMPLES, ao invés de 1, como empresa normal, discriminando as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados e contribuintes Individuais, de acordo com a Folha de Pagamento de salários. 0 enquadramento incorreto, alterou para menor o valor devido à Previdência Social, uma vez que não foi declarada a contribuição patronal, conforme Demonstrativo da Multa Aplicada em anexo; 3 A empresa optou indevidamente pelo SIMPLES no período de 01/1997 a 05/2006. 4 Foi lavrado o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 36, de 11 de setembro de 2008, com base em auditorias fiscais Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 9202006.331 CSRFT2 Fl. 300 3 desenvolvidas nas empresas relacionadas ao Grupo, do qual fazem parte a SAMBORA COMÉRCIO E CONFECÇÕES LTDA e também a empresa WORLD BLUE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA, que determinou a exclusão da sucedida do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES ( PROCESSO : 13962.000575/200861 ), por constituição de pessoas jurídicas por interpostas pessoas ( art. 14, inciso IV da lei n° 9.317/96 e art. 23, inciso IV da IN/SRF 608/06) , conseqüentemente, por incidir na vedação imposta pelo artigo 9°, inciso IX da Lei n°9.317/96; ... Após o trâmite processual, a 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao recurso voluntário para determinar que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições inscritas no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09. O acórdão nº 2201002.545 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de Apuração: 06/2003 a 05/2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MATÉRIA OBJETO DE OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. MULTA APLICADA. LEI 11.941/2009. Há óbice à apreciação da matéria relativa à exclusão da empresa do SIMPLES, pois a questão já foi discutida e definitivamente decidida na esfera administrativa. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência questionando o critério adotado pelo Colegiado no que tange a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Recurso foi conhecido com base no acórdão paradigma de nº 240100.127. Cientificado o sujeito passivo apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso sob as seguintes fundamentações: ausência de demonstração analítica – a decisão não analisa a mesma situação fática, e limitouse o recorrente a mera reprodução da ementa, deixando de juntar o inteiro teor da decisão. É o relatório. Voto Fl. 301DF CARF MF 4 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Na peça de contrarrazões o recorrido requer o não conhecimento do recurso por ausência similitude fática entre acórdãos recorrido e o acórdão paradigma nº 240100.127. Em que pesem os argumentos do recorrido, não há reparos a serem feitos ao exame de admissibilidade, isso porque embora os fatos geradores que deram origem aos lançamentos sejam distintos no paradigma lançamento decorrente do não pagamento de contribuições sobre valores pagos à titulo de prêmio e no recorrido complementação de contribuição decorrente da exclusão do contribuinte do Simples, fato é que a tese divergente se relacionada a aplicação das multas decorrentes desses lançamento, multas de ofício e por descumprimento de obrigação acessória. E neste ponto, ao contrário do argumentado pelo recorrido, entendo que a divergência foi muito bem apresentada e demonstrada na peça recursal. Vale citar parte do recurso: Insta aqui consignar que a hipótese em análise nos acórdãos paradigmas é idêntica a que ora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD correlata em decorrência da mesma ação fiscal. Naquelas ocorrências, consignou‑ se que havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35‑ A da Lei nº 8.212/91, que nos remete ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, e não o art. 32‑ A da Lei nº 8.212/91, conforme entendeu a e. Turma a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha ocorrido o descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35‑ A, da Lei nº 8.212/91, sob pena de bis in idem. Assim, o que temos em relação as multas aplicadas é que os acórdãos paradigma e recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009, e nos dois se encontrava em julgamento o lançamento de contribuições relativas a fatos geradores anteriores a esse marco. Nessas ocasiões foi analisada a retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei nº 8.212/91, tendo os Colegiados chegado a entendimentos distintos. Portanto, para fins de análise do objeto do presente recurso, a divergência existente entre os fatos geradores que justificaram os lançamentos são acidentais e, portanto, não impedem o respectivo conhecimento pelo Colegiado. Por fim, quanto a alegação de ausência de apresentação do inteiro teor dos acórdãos apontados como paradigmas, lembramos que o próprio Regimento Interno deste Conselho traz a possibilidade de que as partes instruam seus recursos apenas com a transcrição da íntegra das ementas dos julgados apontados como paradigmas. Essa era a regra do art. 67, Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 9202006.331 CSRFT2 Fl. 301 5 §9º do antigo regimento (Portaria nº 256/09), atualmente reproduzida no art. 67, §11 do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Assim, nos termos do art. 67 e 68 do RICARF, conheço do recurso. Do mérito: Antes de analisarmos o mérito, pertinente destacar que tanto a DRJ quanto o Colegiado a quo se manifestarem favoráveis a exclusão da empresa o Simples, sendo que quanto a este ponto não foram apresentados recursos. Partindose desse premissa, lembramos que cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 303DF CARF MF 6 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 9202006.331 CSRFT2 Fl. 302 7 Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 305DF CARF MF 8 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 9202006.331 CSRFT2 Fl. 303 9 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de Fl. 307DF CARF MF 10 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13962.000615/200875 Acórdão n.º 9202006.331 CSRFT2 Fl. 304 11 Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Vale mencionar, pela relevância quando da execução do julgado, que contra o contribuinte foram lavrados na mesma ação fiscal os DEBCADs 37.276.7230 (contribuições terceiros) e 37.276.7257 (AI CLF 38). Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 309DF CARF MF 12 Fl. 310DF CARF MF
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