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Numero do processo: 16327.001391/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88.
A Relação de Co-Responsáveis CORESP, o Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%.
Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas.
TAXA SELIC INCIDÊNCIA
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS
A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo.
Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32ª da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Numero da decisão: 2301-005.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301- 003.958, de 19/03/2014, (a) alterar a seguinte parte do dispositivo: " II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso"; e (b) ajustar a ementa correlata, para refletir o que foi decidido no voto.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Junior (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 91 /2 00 9- 83 Fl. 413DF CARF MF 2 negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32ª da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 003.958, de 19/03/2014, (a) alterar a seguinte parte do dispositivo: " II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso"; e (b) ajustar a ementa correlata, para refletir o que foi decidido no voto. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado para substituir a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente) e João Bellini Junior (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16327.001391/200983 Acórdão n.º 2301005.741 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados tempestivamente tanto pela União (Fls. 221 e seguintes), representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, quanto pelo Contribuinte (fls. 243 e seguintes) contra o Acórdão 2301003.959 da lavra desta 1a Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, cuja ementa, no pertinente aos presentes embargos, será reproduzida a seguir: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado Fl. 415DF CARF MF 4 pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. É muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo desconheciam os objetivos a serem perseguidos. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32ª da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Alega a Procuradora da Fazenda Nacional (a) a existência de erro material no item II (substituição salarial) do dispositivo, no qual constou que ambos, conselheiros vencidos e vencedores, deram provimento ao recurso voluntário; e (b) haver obscuridade quanto ao enfrentamento da questão atinente à isenção da PLR, uma vez que o acórdão deu e negou provimento ao recurso voluntário, para o mesmo período. Em Despacho de Admissibilidade de Embargos da Procuradoria, de 1º de fevereiro de 2017 (Fls. 229 e seguintes), o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF admitiu os Embargos da Procuradoria, uma vez que: (a) restou evidenciado o erro material, uma vez que não é possível que conselheiros vencidos e vencedores na votação, possam, todos, dar provimento ao recurso voluntário; e (b) restou evidenciada a obscuridade no acórdão recorrido, uma vez que, de fato, a questão a ser resolvida é se deve ou não ser afastada Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16327.001391/200983 Acórdão n.º 2301005.741 S2C3T1 Fl. 4 5 a tributação incidente sobre o PLR pago no período de 01/08/2007 a 31/08/2007. Assim, tendo o acórdão considerado cumpridos certos requisitos para a isenção e descumpridos outros, a decisão deve ser clara a respeito da incidir tributação, ou não, em relação às verbas pagas a título de PLR. Alega o contribuinte que o acórdão recorrido incorreu em omissão por não ter se pronunciado sobre os seguintes argumentos constantes do recurso voluntário: (a) inexiste previsão legal expressa na Lei n° 10.101/2000 quanto à data limite de finalização das negociações entre as partes e assinatura do acordo; e (b) o programa de metas, que deve ser pactuado previamente, não está atrelado à data de finalização das formalidades de assinatura do instrumento decorrente da negociação. Em Despacho de Admissibilidade de Embargos do Contribuinte, de 3 de outubro de 2017 (Fls. 307 e seguintes), o Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF não admitiu os Embargos, uma vez que o Colegiado apreciou suficientemente os argumentos do Contribuinte, porém entendeu que a empresa não atendeu a todos os requisitos exigidos pela Lei nº 10.101/2000, para que o Programa de Participação nos Lucros e Resultados pudesse usufruir da condição isentiva das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, alínea 'j', da Lei nº 8.212, de 1991, conforme se extrai de trecho transcrito do voto vencedor, assim como constam como pontos acolhidos no voto vencido. Em 14 de novembro de 2017, a Recorrente interpôs Recurso Especial (Fls. 319 e seguintes) requerendo (i) preliminarmente o reconhecimento da vinculação do presente processo ao processo n. 16327.001389/200912, devendose apensálo ao processo principal para julgamento conjunto; (ii) o conhecimento e o provimento do presente Recurso Especial para que seja parcialmente reformado o acórdão n. 2301003.959. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Os embargos da Procuradoria são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado nos seus artigos. 65 e 66, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na Fl. 417DF CARF MF 6 decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, bem como artigo 66 do RICARF dispõe que inexatidões materiais serão corrigidas mediante embargos. A partir da leitura do Acórdão embargado, verifico que restou evidenciado o erro material, uma vez que não é possível que conselheiros vencidos e vencedores na votação, possam, todos, dar provimento ao recurso voluntário. Ademais, também verifico que restou evidenciada a obscuridade no acórdão recorrido, uma vez que, de fato, a questão a ser resolvida é se deve ou não ser afastada a tributação incidente sobre o PLR pago no período de 01/08/2007 a 31/08/2007. Assim, tendo o acórdão considerado cumpridos certos requisitos para a isenção e descumpridos outros, a decisão deve ser clara a respeito da incidir tributação, ou não, em relação às verbas pagas a título de PLR. A partir da conjunção da parte dispositiva da decisão no sentido que: “b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura do acordo para pagamento de PLR ser posterior ao perídio de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão” com a parte conclusiva do voto vencedor no sentido de que: “Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Não há como alcançar algo que já foi alcançado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valore, por ausência de requisito determinado. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, divirjo do voto do relator e nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo neste ponto, prevalecendo o voto do Relator nos demais, nos termos do voto”, verificase que a Turma votou no sentido de que houve descumprimento de requisito da Lei n. 10.101/2000, de modo que o texto da ementa relativa ao ponto “PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS” deve ser ajustado para refletir esse entendimento da Turma. Dessa forma, voto por acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, colmatando a omissão apontada sejam retificada a ementa, parte dispositiva e conclusão do voto condutor no seguinte sentido: Parte Dispositiva: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura do Fl. 418DF CARF MF Processo nº 16327.001391/200983 Acórdão n.º 2301005.741 S2C3T1 Fl. 5 7 acordo para pagamento de PLR ser posterior ao perídio de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a Relação de Co Responsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP. Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 419DF CARF MF 8 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b) convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32ª da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 420DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.003958/2004-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000
DESPACHO ADUANEIRO. DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS FALSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTA. APLICAÇÃO.
Aplica-se a multa por consumir ou dar a consumo mercadoria estrangeira importada de forma irregular, clandestina ou fraudulenta, prevista no art. 463, inciso I, do RIPI/98, nos casos de falsificação de documentos obrigatórios de instrução do despacho aduaneiro, ainda que tenha havido registro da declaração de importação correspondente.
EMPRESAS SITUADAS NO MESMO ENDEREÇO. CONFUSÃO ADMINISTRATIVA E PATRIMONIAL. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. OCORRÊNCIA.
A autoridade administrativa deve desconsiderar o ato jurídico praticado com abuso de direito, identificado como ato ilícito, tal como previsto no art. 187 do Código Civil.
O direito destina-se ao regramento das atividades civis e comerciais que a ele estão normalmente associados, seu exercício não pode ter como único e exclusivo objetivo a obtenção de vantagem fiscal indevida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000
DECISÃO ADMINISTRATIVA. PARTICIPAÇÃO DE SERVIDOR QUE ASSINOU O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nula a decisão de colegiado integrado por servidor que, ao assinar o Mandado de Procedimento Fiscal, autorizou a realização da fiscalização que redundou na lavratura do auto de infração controvertido nos autos.
Numero da decisão: 9303-007.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 DESPACHO ADUANEIRO. DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS FALSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTA. APLICAÇÃO. Aplica-se a multa por consumir ou dar a consumo mercadoria estrangeira importada de forma irregular, clandestina ou fraudulenta, prevista no art. 463, inciso I, do RIPI/98, nos casos de falsificação de documentos obrigatórios de instrução do despacho aduaneiro, ainda que tenha havido registro da declaração de importação correspondente. EMPRESAS SITUADAS NO MESMO ENDEREÇO. CONFUSÃO ADMINISTRATIVA E PATRIMONIAL. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. OCORRÊNCIA. A autoridade administrativa deve desconsiderar o ato jurídico praticado com abuso de direito, identificado como ato ilícito, tal como previsto no art. 187 do Código Civil. O direito destina-se ao regramento das atividades civis e comerciais que a ele estão normalmente associados, seu exercício não pode ter como único e exclusivo objetivo a obtenção de vantagem fiscal indevida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 DECISÃO ADMINISTRATIVA. PARTICIPAÇÃO DE SERVIDOR QUE ASSINOU O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de colegiado integrado por servidor que, ao assinar o Mandado de Procedimento Fiscal, autorizou a realização da fiscalização que redundou na lavratura do auto de infração controvertido nos autos.
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DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS FALSIFICAÇÃO. INFRAÇÃO. CONSUMIR OU DAR A CONSUMO MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTA. APLICAÇÃO. Aplicase a multa por consumir ou dar a consumo mercadoria estrangeira importada de forma irregular, clandestina ou fraudulenta, prevista no art. 463, inciso I, do RIPI/98, nos casos de falsificação de documentos obrigatórios de instrução do despacho aduaneiro, ainda que tenha havido registro da declaração de importação correspondente. EMPRESAS SITUADAS NO MESMO ENDEREÇO. CONFUSÃO ADMINISTRATIVA E PATRIMONIAL. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. OCORRÊNCIA. A autoridade administrativa deve desconsiderar o ato jurídico praticado com abuso de direito, identificado como ato ilícito, tal como previsto no art. 187 do Código Civil. O direito destinase ao regramento das atividades civis e comerciais que a ele estão normalmente associados, seu exercício não pode ter como único e exclusivo objetivo a obtenção de vantagem fiscal indevida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 DECISÃO ADMINISTRATIVA. PARTICIPAÇÃO DE SERVIDOR QUE ASSINOU O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de colegiado integrado por servidor que, ao assinar o Mandado de Procedimento Fiscal, autorizou a realização da fiscalização que redundou na lavratura do auto de infração controvertido nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 39 58 /2 00 4- 19 Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3401002.834, de 11 de dezembro de 2014 (efolhas 1.703 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 ATO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Na esteira do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, os vícios que acarretam a nulidade dos atos decisórios são a incompetência da autoridade prolatora e a preterição do direito de defesa, o que, em não se verificando, importa a plena validade do ato administrativo. Outrossim, não se vislumbra cerceamento do direito de defesa quando é franqueado ao contribuinte o acesso a todos os documentos que instruem o processo de exigência do crédito tributário. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/01/2000, 03/08/2000, 06/09/2000 UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS MANIPULADOS. DOLO. OCORRÊNCIA. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 4 3 Mostrase dolosa a conduta deliberada de utilizar faturas comerciais cujas informações foram manipuladas pelo próprio importador, na instrução do despacho aduaneiro de mercadorias de procedência estrangeira, ainda que destinadas à Zona Franca de Manaus. IMPORTAÇÃO. DESPACHO ADUANEIRO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS FALSOS. INFRAÇÃO AO ART. 463, I DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO. A utilização de faturas comerciais manipuladas pelo importador para instrução de despacho aduaneiro de importação configura a infração descrita no art. 463, I do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/98), consistente na entrega para consumo, ou consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. Recurso voluntário negado. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 1.893 e segs) diz respeito (i) à aplicação da multa prevista no art. 463, I, do RIPI/98 (art. 83, I, da Lei nº 4.502, de 1964) quando ocorre o registro de Declaração de ImportaçãoDI; (ii) à aplicação da multa prevista no art. 463, I, do RIPI/98, ao invés da pena de perdimento por dano ao Erário, em caso de imputação de falsificação de fatura comercial; (iii) à nulidade da decisão da DRJ em razão de participação no julgamento de autoridade que participou da fiscalização ao assinar o Mandado de Procedimento FiscalMPF; (iv) à nulidade da decisão da DRJ em razão de falta de apreciação de parecer jurídico e (v) à configuração da responsabilidade solidária em decorrência do funcionamento de duas pessoas jurídicas no mesmo endereço O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 2.198 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 2.208 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito De plano, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade da decisão da primeira instância. A teor do disposto na Portaria MF no 341/2011, está impedido de deliberar no processo o julgador que tenha participado da ação fiscal, praticado ato decisório ou proferido parecer no processo, se não vejamos. Art. 18. O julgador está impedido de deliberar nos processos em que: I tenha participado da ação fiscal, praticado ato decisório ou proferido parecer no processo; (...) Ora, por óbvio, a decisão de autorizar a realização do procedimento, por mais importante que seja, não faz do chefe da unidade um membro da equipe que pratica os atos inerentes ao procedimento. O servidor que assina o Mandado de Procedimento Fiscal não vai até a empresa colher provas, não as examina, não estuda a legislação aplicável e, principalmente, não decide sobre as infrações cometidas pelo contribuinte. De fato, é esse o cerne da questão. A norma acima reproduzida tem por escopo justamente evitar que o mesmo servidor exerça a competência de decidir a respeito de determinado caso duas vezes, em momentos distintos. Da mesma forma, a falta de apreciação de parecer jurídico também não acarreta a nulidade da decisão de primeira instância. O argumento de que o parecer não constitui uma prova e, por conta disso, não atrai a aplicação do disposto no art. 16 do Decreto Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 6 5 70.235/72, não merece ser acolhido. Nenhuma peça impugnatória dispõe ou admite um terceiro elemento. Ou tratase dela própria, a impugnação em si, ou das provas com as quais o apelante pretende demonstrar a veracidade dos fatos alegados. Seja um ou outro, o prazo será sempre de trinta dias, contados da ciência do auto de infração. Sugerir que novas considerações ou provas possam ser carreados aos autos a qualquer momento e sem razão aparente, não passa de uma homenagem à desordem. O processo administrativo fiscal regese por regras que devem ser observadas pelo contribuinte. E também não há que se falar em aplicação do art. 38 da Lei no 9.784/99. O art. 69 do mesmo diploma legal atribui clara precedência às regras processuais definidas para processos administrativos específicos, como é o caso do Processo Administrativo Fiscal. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Passo ao mérito. No mérito, em essência, discutemse duas questões, quais sejam, a aplicação da multa prevista no art. 463, I, do RIPI/98 ao caso concreto e à configuração da responsabilidade solidária em decorrência do funcionamento de duas pessoas jurídicas no mesmo endereço Desde logo refutase a tese de que a penalidade aplicável destinase apenas aos casos de introdução clandestina de mercadorias e não a todas as ocorrências especificadas no corpo do texto que tipifica a infração. Para maior clareza, reproduzo uma vez mais o texto legal. Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e DecretoLei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 7 6 Ora, pareceme bastante claro que a penalidade instituída no caput do art. 463 do RIPI/98 é aplicável a quaisquer das condutas especificadas no inciso I. São elas: consumir ou dar a consumo produto de procedência estrangeira introduzido de forma (i) clandestina, (ii) irregular (iii) ou fraudulenta, ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem (iv) registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de (v) Guia de Licitação ou (vi) nota fiscal. Depreendese dos autos, sem margem de dúvidas, que o contribuinte praticou inúmeras graves irregularidades no processo de internação dessas mercadorias no território nacional. Confrontemos as alegações de defesa e os fatos apurados pela Fiscalização Federal. Em sua peça de defesa, a recorrente argumenta que Assim, as Recorrentes, com o intuito de viabilizar o desembaraço dos produtos importados e regularização das DIs, emitiam faturas “pro forma”, substancialmente idênticas às faturas emitidas pelos fornecedores, em razão destas últimas não conterem descrição detalhada das mercadorias ou ser necessário alguma adaptação de idioma e peso, e sem alteração de valor das faturas, não havendo, no entanto, qualquer diferenciação em relação ao preço praticado nas operações, à quantidade de mercadorias fornecidas, à especificação de referidas mercadorias, ou qualquer outro dado relevante ao controle aduaneiro. Oportuno esclarecer que a d. fiscalização acusa as Recorrentes de ter falsificado as faturas comerciais para enquadrar as mercadorias no Processo Produtivo Básico da Zona Franca de Manaus, aprovado pela SUFRAMA. No entanto, neste caso, não há qualquer divergência entre as faturas originais e proforma, apontadas como pressuposto para aplicação da multa regulamentar prevista no art. 463, inciso I do Decreto 2.637/98 (RIPI/98). (...) Assim, resta evidenciada a improcedência da acusação, posto que os fundamentos adotados pela d. fiscalização e o r. acórdão recorrido para caracterização da falsificação, deixam de observar que no presente processo, (i) inexiste divergência quanto ao nome do importador e exportador, (ii) não há Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 8 7 qualquer diferença no preço das mercadorias, e (iii) não há qualquer alteração na descrição das mercadorias. Observese agora a narrativa feita pela Fiscalização Federal acerca dos atos praticados pelo contribuinte. Explicação da Fraude (...) 1) 10283.002.5941200450, verificouse que a via da invoice n° C290109 (etiqueta 1 B, fls.51) foi emitida pela Taiwanesa "JEAN CO. LTD.", acobertando mercadorias exportadas ao Brasil para a empresa TCE no valor de USD 592,000.00 e que nela há ordem administrativa para superfaturar os preços dos produtos em 30%, retirandose USD 3,000.00 do valor superfaturado. Notamse a descrição resumida e genérica das mercadorias estrangeiras e o Term of Payment de 0/A45 days. A esta invoice, relacionase o conhecimento marítimo n° PIQMAN 0030/99 (etiqueta 1E, fls.56) que também aponta como shipper a "JEAN CO. LTD.". Por outro lado, há outra via de invoice n° C290109 (com etiqueta 1A, fls.45/50) emitida pela "Kelsey Commercial SA" sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso Paraíso Fiscal, acobertando as mesmas mercadorias, porém, com o valor superfaturado em 30%, retirados os USD 3,000.00, e com descrição especifica itemizada. Ainda, nesta via, o Term of Payment declarado é ADVANCE PAYMENT US$ 610,000.00+ DRAF AT SIGHT US$ 156,000.00. Ou seja, esse documento foi emitido no Brasil, conforme o número e ordem referida na outra invoice (com etiqueta 1 B, fls.51), pois esta via tem descrição especifica das mercadorias necessária à fruição dos benefícios fiscais, valor 30% maior e simulação do exportador. A esta invoice irregular, corresponde outra via do conhecimento marítimoBL n° PK/MAN 0030/99 (com etiqueta 1F, fls.57), que também aponta como shipper empresa "Kelsey Commercial SA" nas Ilhas Virgens Britânicas. Portanto, as vias da invoice e do BL estão em duplicidade e com dados controversos. Comprovase ter sido o despacho aduaneiro subsidiado pelas vias falsas/adulteradas da invoice (etiqueta 1 A, fls.45/50) e do B/L (etiqueta 1F, fls.57), haja vista as informações do valor, do exportador, do termo de pagamento e da descrição das mercadorias na Declaração de Importação correlata n° 99/0960874 0 (fls.52/55), registrada pelas autuadas, serem aquelas constantes de ambos os documentos irregulares epigrafados. A operação cambial decorre dos dados informados na DI, dai que o fechamento de câmbio se deu conforme os dados simulados, ou seja: a organização criminosa enviou divisas para Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 9 8 o paraíso fiscal mencionado antes, Ilhas Virgens Britânicas, por meio do superfaturamento das importações e simulação do exportador. 0 dolo fica provado quando se lê a mensagem eletrônica às fls. 211/212. 2) 10283.002.649/200421, como nos outros processos e neste Auto de Infração, há a invoice n° M291297 (etiqueta 1B, fls.33) emitida também pela Taiwanesa "JEAN CO. LTD." acobertando mercadorias no valor de USD 74,817.00. Correspondente a esta via de invoice, existe o BL n° NYKS490267373 (etiqueta 1E, fls.40) demonstrando como shipper a "JEAN (WI) SDN. BHD." A via falsa (etiqueta 1 A/1, fls.27/32) simula a emissão pela "Kelsey Commercial SA" e totaliza USD 97,262.10. Os outros itens, como terms of Payment, também foram simulados como de praxe. Referente à via falsa/adulterada da invoice, também há outra do BL no NYKS490267373 (etiqueta 1F, fls.41) do qual consta como shipper a "KELSEY COMMERCIAL S.A". Não obstante essas irregularidades, há mais uma via da invoice falsa/adulterada (etiqueta 1 A, fls.21126). (Absurdo: há três vias diferentes da mesma invoice!) Ainda neste processo, foi apurado que, em bastantes ocasiões, era simulado o nome do importador, ora sendo a TCE, ora a SDW. Como exemplo, há o BL NYKS490261769. Numa via (etiqueta 2E, fls.42), o consignee (importador, neste caso) é a TCE. Na outra via (etiqueta 2F, fls.43), é a SDW. Adiante, a Fiscalização Federal demonstra que ocorrências da mesma natureza foram identificadas no procedimento fiscal objeto da vertente lide. Da mesma forma, assim como provado nos procedimentos anteriores, deste processo consta o jogo de documentos n° 3 (fls.685 a 802), no qual há a invoice verdadeira "B" n° C290123 (fls. 700) acobertando mercadorias no valor de US$ 1,300,000.00, prazo de pagamento de 0/A 45 DAYS e a mensagem "Shipped BY JEAN CO., LTD. Per MV NORDSEA V.13/99". Este documento foi emitido' pela JEAN CO. LTD.. sediada em TAIWAN. Nele há ordem para superfaturar em 30% as mercadorias estrangeiras. Além da flagrante evasão de divisas por meio do superfaturamento das mercadorias, o Fisco explica que Neste caso e nos outros já protocolizados, a descrição das mercadorias nas invoices "A" (falsas/adulteradas), sempre, em lingua portuguesa, é exatamente aquela constante do Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa. 0 motivo desta simulação: fazer as mercadorias se enquadrarem no PPB Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 10 9 aprovado pela Suframa, conforme explicado antes e no Auto de Infração 0285/00 (fls.455/506). Também deve ser veementemente refutado argumento declinado pelo contribuinte de que as faturas pro forma eram meros documentos emitidos com o propósito de viabilizar o desembaraço das mercadorias, tendo em vista certas imprecisões observadas nas faturas dos exportadores. Ora, chega a ser um acinte defenderse com argumentos dessa natureza. Primeiro, como me parece ter ficado bastante claro, foram identificadas grosseiras diferenças na comparação das faturas pro forma apresentadas no curso do despacho aduaneiro e as invoice encontradas em poder da fiscalizada. Segundo, a fatura pro forma não é nada menos do que o primeiro instrumento negocial firmado entre as partes, equivalente a um contrato de compra e venda, com o qual o importador dá andamento aos procedimentos internos, bancários, legais etc, para que seja possível, mais tarde, efetivar a importação das mercadorias. Inadmissível, portanto, a alegação de que “as Recorrentes, com o intuito de viabilizar o desembaraço dos produtos importados e regularização das DIs, emitiam faturas “pro forma”, substancialmente idênticas às faturas emitidas pelos fornecedores, em razão destas últimas não conterem descrição detalhada das mercadorias ou ser necessário alguma adaptação de idioma e peso, e sem alteração de valor das faturas, não havendo, no entanto, qualquer diferenciação em relação ao preço praticado nas operações, à quantidade de mercadorias fornecidas, à especificação de referidas mercadorias, ou qualquer outro dado relevante ao controle aduaneiro”. Como se viu, essa narrativa dos fatos não condiz com a realidade. No mesmo diapasão, revelase meramente retórico o argumento de que, na prática, a empresa jamais apresentou as invoices pro forma consideradas falsas para operacionalização do desembaraço das mercadorias, uma vez que, por força do disposto na IN SRF nº 1.111/98 e, hodiernamente, na IN SRF nº 680/2006, estava dispensada da apresentação de fatura comercial e conhecimento de carga no curso do desembaraço aduaneiro. Seja no momento em que for, se no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, as constatações de que aqui se trata revelam, indubitavelmente, a prática de infração punível com a pena de perdimento dos bens, por consumo de mercadorias introduzidas fraudulentamente no país. Pouco importa que a declaração de importação tenha sido desembaraçada no canal verde de conferência e, por conta disso, os documentos de instrução Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 11 10 obrigatório do despacho não tenham sido apresentados no momento da importação, mas apreendidos em poder do contribuinte. E muito menos o disposto no art. 512, parágrafo 2º, do Regulamento Aduaneiro vigente à época, pode trazer algum benefício ao importador das mercadorias. Aqui não se está falando de meros enganos, ou omissões na fatura comercial, corrigidos ou corretamente supridos na DI. Noutro giro, também não procede a alegação de que a legislação obsta a aplicação da multa prevista no art. 463, I, do RIPI/98 quando a irregularidade é passível de aplicação da pena de perdimento por dano ao Erário como pretende a recorrente. Na data da atuação (28/07/2004, efolhas 02), não havia nenhuma orientação acerca da penalidade que deveria ser aplicada nos casos de mercadorias sujeitas à pena de perdimento por infração identificada como dano ao Erário. Outrossim, o disposto no art. 704 do RA/20091 não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do Código Tributário Nacional2. Não é lei interpretativa, não deixa de definir a situação como uma infração, não deixa de tratar o ato como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão e também não comina ao ato penalidade menos severa. Por conta disso, não se cogita de sua aplicação a fatos pretéritos. Com efeito, o disposto no parágrafo único do art. 704 do RA/2009 não faz mais do que estabelecer uma ordem de precedência entre duas infrações de igual quilate: a conversão da pena de perdimento da mercadoria nos casos de infrações consideradas dano ao Erário e substituição por pena de perdimento de mercadorias introduzidas clandestinamente, 1 Art. 704. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei no 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto. 2 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 12 11 fraudulentamente ou irregularmente no país, nos casos de infrações que não sejam identificadas em lei como dano ao Erário. Tratase, portanto, de uma regra procedimental, que somente pode ser aplicada a partir da entrada em vigor do Decreto nº 6.759/09 (RA/2009). Menos razões ainda pra que se cogite a aplicação de outras infrações de menor expressão como falta de apresentação da fatura comercial no curso do desembaraço, fatura comercial em desacordo com as disposições legais ou outras. Como sobejamente demonstrado nos autos, tratase, aqui, inegavelmente, de mercadoria estrangeira introduzida no país de forma irregular e fraudulenta. Também não se revela em nada razoável o argumento de que o entendimento expresso nos acórdãos paradigmas é o mesmo da COSIT/SRF e até mesmo da Procuradoria da Fazenda Nacional que, motivada por uma consulta realizada por aquele órgão, entendia não caber lançamento de IPI concomitante com a penalidade prevista no artigo 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, pois a hipótese só se refere a caso em que não há despacho nem DI registrada. Ora, se não há registro de declaração de importação, não há fato gerador do Imposto sobre Produtos Industrializados. Não há termo de comparação entre o entendimento da Cosit e a situação versada nos autos. Finalmente, no que diz respeito à solidariedade das empresas autuadas, também não assiste razão às recorrentes quando defendem que a legislação autoriza o funcionamento de duas unidades econômicas independentes no mesmo endereço. Como bem apontado pela contrarrazoante, O ato jurídico praticado com abuso de direito, a seu turno, verdadeiro ato ilícito previsto no art. 187 do Código Civil, uma vez constatado tem o condão de permitir a autoridade administrativa que desconsidere os seus efeitos, em sede tributária, inclusive. Nesse sentido, valiosa é a lição de Leandro Paulsen sobre o assunto, verbis: “Se o direito é utilizado para atingir os fins civis ou comerciais que normalmente a ele estão associados, seu exercício não é questionado. O mesmo não se daria quando o direito fosse Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 13 12 exercido com o objetivo de obter vantagem fiscal que, de outro modo, não se teria; nessa perspectiva, estaríamos diante do abuso de direito, e o Fisco não estaria obrigado a aceitar os efeitos fiscais que decorreriam da questionada conduta Com efeito, no Relatório Fiscal que fundamenta o auto de infração ora controvertido, a Fiscalização Federal demonstra com eloquência a prática reiterada dos atos perpetrados, assim como da ação conjunta e arranjada das duas empresas às quais foi atribuída a sujeição passiva no presente caso. Assevera o Fisco que: As simulações, fraudes e dolo estão também provados nos 2 (dois) relatórios juntados, que são partes integrantes deste auto de infração, em cujos expedientes há inúmeras correspondências eletrônicas provando a organização hierárquica do esquema e a vontade explicita de lesar a economia nacional. Também estão provados nos processos constantes do quadro já referenciado. Desta Forma, a Fiscalização prova inequívoca e inexoralmente que as empresas SDW e TCE são uma única entidade, ou melhor, são uma só empresa a mesma unidade econômica, formalizada desta forma bipartida tão somente para fraudar o Erário e para usufruir duplamente os saldos de importação autorizados pela Suframa por meio de aprovação de dois Processos Produtivos BásicosPPB distintos. A seguir descreve constatações feitas em outro procedimento fiscal. 1.A empresa produz e interna para fora da ZFM, utilizando no cálculo do DCR componentes (...) que são adquiridos da empresa SDW Indústria de Componentes da Amazônia Ltda., CGC.84.658.855/000102, declarandoos como componentes nacionais. 2. Ocorre que em trabalho de vistoria às instalações fabris, verificamos que as duas empresas estão instaladas basicamente no mesmo endereço, Rua Içá, N° 21, em prédios contíguos, localizados dentro da mesma área, compartilhando, além da dependência administrativa no tocante aos funcionários burocráticos, o portão de entrada e saída, pátio de estacionamento de veículos, área de carga e descarga de insumos e produtos. As linhas de produção, embora autônomas, possuem comunicação interna entre os prédios. (…) 5. Concluise que, ao promover as internacões (...), a empresa utilizouse indevidamente do beneficio fiscal integral referente às Placas mencionadas, produzidas pela SDW Componentes e declaradas como nacionais, quando deveria acrescer o Imposto relativo(...)". Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 10283.003958/200419 Acórdão n.º 9303007.687 CSRFT3 Fl. 14 13 Lembrando que a SDW e a TCE se localizavam, formalmente, no mesmo endereço, é importante reproduzir o parágrafo único da clausula 45 de uma das vias do contrato social da empresa SDW (fls.610/626), que, no caput, nomeia como diretores delegados para exercerem o comando administrativo da aludida empresa, as mesmas pessoas fisicas responsáveis pela TCE, dentre elas o Sr. Roberto Sverner e o Sr. Raphael Ades: Por todo o exposto, à luz de todas as circunstâncias narradas nos autos, com base nos fundamentos até aqui declinados, considero integralmente improcedente a defesa apresentada pelas recorrentes. Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 2240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000504/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007
31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS DE INTERPOSIÇÃO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE.
Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/1972, o recurso voluntário deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o inconformismo; os pontos de discordância; as razões e provas e, o objetivo formulado de modo claro e preciso de desconstituir a decisão recorrida. Na ausência de tais elementos, o recurso não deve ser conhecido, por violação ao princípio da dialeticidade.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-005.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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PRESSUPOSTOS DE INTERPOSIÇÃO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/1972, o recurso voluntário deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o inconformismo; os pontos de discordância; as razões e provas e, o objetivo formulado de modo claro e preciso de desconstituir a decisão recorrida. Na ausência de tais elementos, o recurso não deve ser conhecido, por violação ao princípio da dialeticidade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 05 04 /2 01 0- 38 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16095.000504/201038 Acórdão n.º 3301005.326 S3C3T1 Fl. 225 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza o litígio: Tratase de Impugnação contra Auto de Infração do IPI, cujos valores foram lançados com multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O total do crédito tributário lançado é R$ 2.555.821,44, incluindo multa e juros. A autuação devese à falta recolhimento e declaração em DCTF e DIPJ de parte das receitas escrituradas. Conforme o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais, a fiscalização verifique que “o contribuinte apurou corretamente o IPI em seus livros de apuração, porém declarou valores inferiores em DCTF.” (fl. 116, no final). Na Impugnação, tempestiva, a autuada trata também de autuações do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. No que abrange o lançamento deste processo, contesta apenas os juros e a multa de ofício, arguindo que esta é confiscatória e contraria o art. 150, IV, da Constituição Federal, que a cumulação com os juros cria uma “capitalização indevida e uma onerosidade ilícita” (fl. 138), contrariando o percentual de 1% (um por cento) ao mês fixado no CTN e que a taxa Selic é inaplicável. Requer, ao final, no tocante ao IPI, “a inaplicabilidade de multa excessiva bem como de juros e da Taxa SELIC.” A 2ª Turma da DRJ/REC, acórdão nº 1142.431, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007 CONSECTÁRIOS LEGAIS. EVASÃO. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A falta de recolhimento do tributo e a ausência de declaração dos débitos à administração tributária autorizam o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. Nos termos do art. 161, § 1º, do CTN, apenas se a lei não dispuser de modo diverso os juros serão Fl. 225DF CARF MF Processo nº 16095.000504/201038 Acórdão n.º 3301005.326 S3C3T1 Fl. 226 3 calculados à taxa de 1% ao mês, sendo legítimo o emprego da taxa SELIC, nos termos da legislação vigente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal. Tempestivamente, a Recorrente interpôs peça recursal, conforme efls. 185217. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário não reúne os pressupostos legais de interposição, não devendo ser conhecido, como se exporá a seguir. Preliminar de competência, suscitada de ofício O auto de infração lavrado no presente processo decorreu do MPF n° 08.1.11.002009004772. O mesmo procedimento fiscal resultou na autuação de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI. Consta no Termo de Verificação Fiscal (efl.113), a seguinte motivação: Durante os trabalhos de auditoria na empresa acima identificada, constatamos que, embora as receitas auferidas foram corretamente registradas nos livros fiscais (livros registro de saídas) nem todas as receitas foram corretamente declaradas na DIPJ e nas DCTFs dos anos calendário sob fiscalização. Dessa forma, com base nas notas fiscais de saída e nos Livros de Registro de Saída apresentados, apuramos as receitas operacionais de vendas de produtos e de industrialização (valores sem IPI). De posse desses valores excluímos as receitas declaradas em DIPJ e obtivemos, então, as receitas não oferecidas à tributação nos anoscalendário de 2006 e 2007, conforme anexos 01 e 02. Tendo em vista a omissão de receita apurada, intimamos o contribuinte em 16/06/2010, como reportado acima, a apresentar os livros de apuração de IPI dos anos de 2006 e 2007, para verificar a eventual omissão também naquele tributo. Constatamos, então, que o contribuinte apurou corretamente o Fl. 226DF CARF MF Processo nº 16095.000504/201038 Acórdão n.º 3301005.326 S3C3T1 Fl. 227 4 IPI em seus livros de apuração, porém declarou valores inferiores em DCTF. O art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), livro II, elenca as hipóteses de competência da 1ª Seção. No seu inciso IV, constam os casos que versam sobre PIS, COFINS e IPI, quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ainda sobre o caráter reflexo da tributação, é válido analisar o disposto no inciso III do parágrafo 1º do art. 6º também do Regimento Interno do CARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Por sua vez, o § 5º do art. 6º do RICARF dispõe: Fl. 227DF CARF MF Processo nº 16095.000504/201038 Acórdão n.º 3301005.326 S3C3T1 Fl. 228 5 § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Entendo que os três artigos devem ser aplicados conjuntamente. Não consta informação sobre os outros processos do ano de 2010, que formalizaram as exigências de PIS, COFINS e IRPJ. Em pesquisas efetuadas no portal “Acompanhamento Processual”, observase que tais processos não estão no CARF. Assim, se não estão no CARF, e considerando a aplicação conjunta dos dispositivos do RICARF supracitados, entendo que não há que se declinar da competência desta Seção para apreciação deste caso. Dito de outra forma, não há vinculação entre processos na mesma instância. Ademais, sob outro aspecto, o auto de infração de IPI teve apuração própria: conforme o demonstrativo de Apuração do IPI elaborado pela fiscalização, houve o cotejo entre os valores apurados nos livros de IPI e aqueles confessados (coluna 2) em DCTF/recolhidos. Dessa forma, o auto constituiu o crédito tributário referente às diferenças apuradas. Em suma, não há que se declinar da competência desta 3ª Seção para a 1ª Seção de Julgamento do CARF. Requisitos para interposição do Recurso Voluntário Nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, contra a decisão de 1ª instância administrativa caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Todavia, a peça recursal posta em julgamento, não é um recurso voluntário, mas sim um Recurso Especial destinado à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Recorrente fundamenta seu recurso no art. 37, parágrafo 2°, II, do Decreto n° 70.235/72: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. § 2o Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado: II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em sua argumentação, aponta divergência entre o acórdão nº 1142.431, da DRJ/REC e o acórdão n° 2301003.365 (efl. 213). Confirase trechos da peça recursal: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 16095.000504/201038 Acórdão n.º 3301005.326 S3C3T1 Fl. 229 6 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 16095.000504/201038 Acórdão n.º 3301005.326 S3C3T1 Fl. 230 7 Diante disso, não houve qualquer insurreição contra os fundamentos do acórdão n° 1142.431, da DRJ/REC, logo houve violação ao princípio da dialeticidade, sob o qual impera a obrigação da Recorrente de mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o inconformismo; os pontos de discordância; as razões e provas e, o objetivo formulado de modo claro e preciso de desconstituir a decisão recorrida. Conclusão Do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000299/2005-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000,2001
RECURSO DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
COMPETÊNCIA. TURMA ESPECIAL.
A competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância.
Numero da decisão: 1803-002.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso de ofício para declinar da competência para turma ordinária, nos termos do voto da Redatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: Relator
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LEGISLAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. COMPETÊNCIA. TURMA ESPECIAL. A competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso de ofício para declinar da competência para turma ordinária, nos termos do voto da Redatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 99 /2 00 5- 20 Fl. 505DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 506 2 Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 205214 com a exigência do crédito tributário no valor de R$517.774,98 título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real referente aos segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2000 e terceiro trimestre do anocalendário de 2001. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO NÃO COMPROVADA A ORIGEM E/OU A EFETIVIDADE DA ENTREGA Omissão de Receita caracterizada por pagamentos efetuados com numerário, cuja origem e efetividade da entrega dos recursos correspondentes NÃO foi devidamente comprovada, co forme "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL", datado de 28/11/2005, em anexo. [...] Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, e 288, do RIR/99 . 002 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS Glosa de despesas indedutíveis, por não se enquadrarem no conceito de necessidade e não estarem intrinsecamente ligadas à atividade operacional da empresa, conforme "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL", datado de 28/11/2005, em anexo. [...] Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 215219 com a exigência do crédito tributário no valor de R$14.743,76 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS Omissão de Receita caracterizada por pagamentos efetuados com numerário, cuja origem e efetividade da entrega dos recursos correspondentes NÃO foi devidamente comprovada, conforme "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL", datado de 28/11/2005, em anexo. [...] Arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/70; Art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95; Arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9° da Lei n° 9.715/98; Arts. 2° e 3°, da Lei n° 9.718/98. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 507 3 III – O Auto de Infração às fls. 220226 a exigência do crédito tributário no valor de R$203.318,15 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Glosa de despesas indedutíveis, por não se enquadrarem no conceito de necessidade e não estarem intrinsecamente ligadas à atividade operacional da empresa, conforme "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL", datado de 28/11/2005, em anexo. [...] Art 2° e §§, da Lei n° 7.689/88: Art. 19 da Lei n° 9.249/95; Art. 1° da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. 002 CSLL OMISSÃO DE RECEITA CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS Omissão de Receita caracterizada por pagamentos efetuados com numerário, cuja origem e efetividade da entrega dos recursos correspondentes NÃO foi devidamente comprovada, conforme "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL", datado de 28/11/2005, em anexo. [...] Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88: Arts. 19 e 24 da Lei n° 9.249/95; Art. 1° da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 6° da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. IV – O Auto de Infração às fls. 227231 com a exigência do crédito tributário no valor de R$68.048,44 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 COFINS OMISSÃO DE RECEITA Omissão de Receita caracterizada por pagamentos efetuados com numerário, cuja origem e efetividade da entrega dos recursos correspondentes NÃO foi devidamente comprovada, conforme "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL", datado de 28/11/2005, em anexo. [...] Art. 1° da Lei Complementar n°70/91; Art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95; Arts. 2°, 3°e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 238254. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita: A Fiscalização, conhecedora dos pagamentos realizados (ressalte se que o Fisco não discute a validade dos pagamentos), instou à Impugnante a demonstrar a origem das receitas utilizadas para efetuar tais pagamentos, uma vez que a empresa foi considerada como não operacional e não apresentava movimentação em seu caixa ou em conta bancária para justificálos. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 508 4 Em resposta à Fiscalização, a Impugnante informou que os recursos utilizados nos pagamentos em referência tiveram origem na amortização de contrato de conta corrente feita pela empresa SYNERY S/A, com quem a Impugnante mantém contrato de contacorrente, assinado em 13/10/1998 (doc. n° 04). Como a Impugnante detinha créditos com a empresa SYNERGY em função do referido contrato de contacorrente (vide extrato do contacorrente mantido pelas empresas — doc. n° 05), aquela empresa efetuou pagamentos à Impugnante, que foram utilizados para os pagamentos listados pela Fiscalização. Em que pese a perfeita demonstração da origem dos recursos (inclusive por meio de registros contábeis na empresa SYNERGY S/A e na Impugnante), a Fiscalização desconsiderou tal comprovação, uma vez que a empresa SYNERGY S/A "não teria disponibilidade financeira", pois também foi considerada como não operacional. Ademais, considerou a documentação que comprova as operações de débito e crédito no contrato de contacorrente apresentada pela Impugnante como "imprestável", uma vez que as notas de débitos emitidas pelas empresas foram feitas "em papel sem timbre". Por conta disso, a Fiscalização tomou os pagamentos realizados pela empresa nos anos calendário de 2000 e 2001 já listados acima como receita omitida pela Impugnante, e sobre eles lavrou a autuação para a exigência de IRPJ (sob a alíquota de 15 % acrescido do adicional de 10%), CSLL, PIS e COFINS, além de aplicar multa de 75% em razão da falta de recolhimento dos tributos acima. B — Glosa de despesas indedutíveis: A Impugnante tomou como empréstimo externo junto ao BANCO EUROINEST S/A a quantia de US$ 800.000,00, em contrato celebrado em 17/12/1998 (doc. n° 06), devidamente aprovado pelo Banco Central, conforme constatado pela fiscalização. Em razão de tal empréstimo, a Impugnante deduziu da base de cálculo do lucro real apurado nos exercícios de 2001 e 2002 (anos calendário 2000 e 2001) os encargos financeiros dos referidos contratos, tais como juros, variação cambial, despesa do contrato, etc. No entanto, a fiscalização entendeu que tais rubricas não poderiam ser deduzidas, pois não se tratariam de despesas necessárias ao objeto social da empresa. Segundo a fiscalização, como o empréstimo foi feito a título de ingresso de capital de giro, mas teve seu recurso utilizado na compra de ações da DUANE TRADING DO BRASIL S/A, os encargos financeiros dele decorrentes não poderiam ter sido deduzidos, pois o empréstimo "teve sua aplicação desviada do objetivo autorizado pelo BACEN (capital de giro), além disso, a compra de ações não se enquadra no conceito de necessidade e não está intrinsecamente ligada à atividade operacional da empresa". Por força deste entendimento, a Fiscalização determinou a glosa de todos os valores deduzidos da base de cálculo do lucroreal a título de encargos financeiros decorrentes do contrato de empréstimo, que alcançam o total de R$351.308,94 para o anocalendário de 2000 e R$276.079,65 para o anocalendário de 2001. No entanto, os autos de infração lavrados pela fiscalização não devem prosperar, na medida em que: (a) A autuação é nula em razão de erro no cálculo do IRPJ e da CSLL supostamente devidos pela omissão de receita; Fl. 508DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 509 5 (b) Parte dos créditos lançados se encontram atingidos pela decadência (art. 150, §4° do CTN); (c) A Impugnante comprovou devidamente a origem dos recursos que suportaram os pagamentos efetuados; (d) A origem dos recursos da empresa SYNEGY S/A, repassados para a Impugnante por força da amortização do contrato de contracorrente, não diz respeito à Impugnante, que não tem obrigação de fiscalizar ou diligenciar suas operações; (e) O empréstimo tomado pela Impugnante foi utilizado em atividade prevista em seu contrato social, qual seja, a participação no capital de outras sociedades, razão pela qual os encargos financeiros decorrentes do contrato são despesas necessárias a atividade da Impugnante, por isso mesmo dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL. É o que se passa a demonstrar. 2. DAS PRELIMINARES. 2.1. Da nulidade da autuação por erro no cálculo do IRPJ e CSLL supostamente devidos. De início, cumpre verificar o procedimento adotado pela Receita Federal na lavratura dos autos de infração em epígrafe e do cálculo do imposto de renda e da CSLL lançados contra a Impugnante. Como foi visto, por supostamente não haver comprovado a origem das receitas que suportaram os pagamentos efetuados, a Fiscalização formou entendimento de que tais valores tiveram seu real ingresso omitido pela Impugnante, motivo pelo qual sobre ela fez incidir o imposto de renda pessoa jurídica e CSLL. Entretanto, na hora de calcular o imposto devido em função da omissão de receita, a Fiscalização simplesmente tomou a totalidade dos pagamentos efetuados no períodobase (trimestral, de acordo com a planilha apresentada pela Fiscalização) e sobre eles fez incidir a alíquota do IRPJ e da CSLL (inclusive dos adicionais), sem se preocupar em apurar o eventual lucro real decorrente das receitas supostamente omitidas. Ou seja, o Fisco utilizou como base de cálculo do IRPJ e da CSLL os pagamentos efetuados, e não o lucro real auferido no período. Nada mais equivocado. Como é de conhecimento comezinho, o Imposto de Renda e a • CSLL são tributos cujo fato gerador deve ser apurado ao longo de um período de tempo estabelecido. Ao final do período, o contribuinte apura a totalidade das receitas auferidas, e deste montante subtrai as despesas dedutíveis segundo a legislação. Outrossim, desta operação aritmética, surgirá a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sobre a qual incidirá alíquota dos referidos tributos. Desta operação, uma das duas situações ocorrerá: ou o contribuinte apresenta prejuízo fiscal (base de cálculo negativa) e neste caso nada terá de imposto a pagar (mas ao contrário, disporá de créditos para compensar nos exercícios posteriores), ou o contribuinte apresentará um lucro tributável no período, situação na qual o contribuinte irá apurar o imposto devido e dele irá subtrair o montante eventualmente antecipado ao longo do período. Deste modo, a fiscalização deveria ter agido da seguinte maneira: Fl. 509DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 510 6 1 Adicionar à base de cálculo do IRPJ e da CSLL apurada no período a receita supostamente omitida pela Impugnante; 2 Desta nova receita auferida (na qual já estaria somada as receitas omitidas no períodobase), subtrair as despesas dedutíveis previstas na legislação do imposto; 3 Caso apurado base de cálculo positiva (lucro líquido), descontar desta base de cálculo os prejuízos fiscais acumulados pelo contribuinte nos exercícios anteriores, se houver; 4 E finalmente, havendo ainda base de cálculo positiva — lucro real, fazer incidir a alíquota do IRPJ e da CSLL (acrescidos dos adicionais legais), para se chegar no montante do tributo devido. Entretanto, no caso dos autos, a Fiscalização simplesmente determina a incidência do IRPJ e da CSLL sobre os valores dos pagamentos efetuados pela Impugnante, sem se preocupar em verificar a base de cálculo real do período. Neste particular, ressaltese que a contribuinte, até por ser não operacional, acumula prejuízos fiscais ao longo de vários exercícios, inclusive nos períodosbase nos quais se verificou possível omissão de receita (basta verificar as DIPJ's da Impugnantes, já apresentadas à Receita Federal), que foram sumariamente ignorados pela fiscalização. Ora, o procedimento é absurdo, pois retrata um momento fixo no tempo sem se preocupar com os resultados do período. Como se disse, o fato gerador e a base de cálculo do IR e a CSLL ocorrem em um intervalo de tempo fixado em lei, e a entrada de receitas não importa necessariamente em tributo a pagar. Afinal, a receita auferida em determinado momento pode ser superada por prejuízos fiscais ao longo do período, situação na qual além de não haver tributo a pagar, o contribuinte terá ainda créditos oponíveis ao fisco para compensação em exercícios futuros. Neste sentido, aliás, a jurisprudência do E. STJ, ao analisar casos de omissão de receita, já fixou que "os conceitos de receita e renda são diversos. O imposto de renda não deve incidir sobre a integralidade da receita auferida, mas apenas à renda efetiva obtida a partir dela". Assim, o que a Fiscalização está tributando pelo IR e pela CSLL não é a renda líquida auferida no período (que é o fato gerador e a base de cálculo daqueles tributos), mas sim o faturamento da empresa (entendendose faturamento como toda a receita ingressa na contabilidade do contribuinte), que é instituto absolutamente diverso e sobre o qual não incide o IR e a CSLL (e sim o PIS e a COFINS). Afinal, tenhase em mente, que o que se tributa no IRPJ "é o aumento patrimonial líquido em determinado período, como resultado de suas operações"e não o ingresso de receita. [...] Pelo que se extrai da autuação, notase que a Fiscalização confundiu o procedimento do lançamento do IRRF nos casos de pagamento sem causa ou a beneficiário indeterminado (art .61 da Lei n° 8.981/95) com o caso do IRPJ em casos de omissão de receita (caso dos autos). Nos casos de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado (o que não é o caso dos autos, pois a Fiscalização não questiona os pagamentos efetuados pela Impugnante, mas antes, reconhece sua causa e seu beneficiário), a legislação fiscal determina a incidência do IR retido na fonte, na alíquota majorada de 35% sobre o valor dos pagamentos autuados. É que nestes casos o pagamento é único e Fl. 510DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 511 7 exclusivo, ou seja, sobre ele não incide qualquer outro tributo (CSLL, PIS e COFINS — e tanto é assim que alíquota é majorada a 35%) e não é ele deduzido do montante do IR pago pelo contribuinte no período fiscal. Nestes casos, repitase, a tributação do IR fonte é definitiva, e tais valores não são observados na declaração de ajuste anual do contribuinte. Contudo, como foi visto, não é este o caso dos autos, pois não se trata de tributação sobre pagamento indevido, mas sim sobre receita omitida, que atrai a alíquota de 15% de IRPJ (mais o adicional de 10%), além de CSLL, PIS e COFINS. Neste caso, a utilização dos pagamentos como base de cálculo do IRPJ e da CSLL é rigorosamente indevida, pois não observam os princípios inerentes a ambos os tributos e não refletem a base de cálculo durante o período. 2.2. Da decadência parcial dos créditos tributários objeto do lançamento. Com o advento da Lei n° 8.383, de 1991, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser devido mensalmente, à medida que os lucros fossem auferidos e, portanto, com a obrigatoriedade de as empresas apurarem a base de cálculo e o imposto devido a cada mês. Nenhuma solução de continuidade houve com a superveniência das Leis n° 8.541, de 1992, e 8.981, de 1995, que mantiveram o sistema de bases correntes para as pessoas jurídicas. Relativamente à contribuição social sobre o lucro, determinam os diplomas legais acima citados que a ela aplicamse as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (art. 38 da Lei n° 8.541/92 e art. 57 da Lei n° 8.981/95). Assim, a determinação do lucro real (base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica) e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro é precedida da apuração do lucro líquido do períodobase mensal, com observância das disposições das leis comerciais. Para as empresas tributadas pelo lucro real, permitiu o legislador a opção pelo pagamento do imposto e contribuição devidos mensalmente, calculados por estimativa, admitindose a suspensão ou redução do pagamento na forma autorizada pelo art. 35 da Lei n° 8.981/95. [...] Pois bem. A Lei n° 9.430/96, seguindo o sistema de bases correntes, alterou o período de apuração do imposto — de mensal para trimestral, mas manteve a faculdade de as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real optarem por duas formas de pagamento do imposto: calculandoo com base na receita bruta mensal (art. 2° da Lei n° 9.430/96) ou nos balanços de suspensão ou redução (art. 35 da Lei n° 8.981/95). Em ambas as hipóteses, a pessoa jurídica estará sempre obrigada à apuração do lucro real em 31 de dezembro de cada ano. [...] Ora, a apuração do lucro real em 31 de dezembro não significa que o período base seja anual e que o fato gerador só ocorrerá em 31 de dezembro. A Lei n° 9.430/96 definiu o fato gerador do imposto por períodos de apuração trimestrais (art. 1°). O pagamento mensal por estimativa continuou sendo forma de pagamento. À evidência, para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, a estimativa constitui regime especial de pagamento do imposto devido. [...] Ora, os períodosbase do imposto de renda são trimestrais e os fatos geradores ocorrem no último dia da cada trimestre. As estimativas mensais constituem apenas regime especial de pagamento do imposto devido a cada trimestre. O pagamento por estimativa não representa antecipação do que será devido, mas pagamento do imposto devido apurado de forma simplificada. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 512 8 Como o fato gerador ocorre a cada trimestre, o prazo decadencial também será contado a partir de cada trimestre, na forma do 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Considerando que parte das supostas irregularidades apontadas pela Fiscalização ocorreram durante o 2° e 3° trimestres de 2000 (maio a julho), operouse a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário. Neste particular, vejase que a própria Fiscalização reconhece que o fato gerador do Imposto de Renda se dá ao final de cada trimestre do anocalendário, pois estabelece como data da ocorrência do fato gerador no Auto de Infração de IRPJ sempre o último dia dos trimestres nos quais houve os pagamentos (Fato gerador em 30/06/2000 — para os pagamentos realizados em maio de junho e 30/09/2000 para o pagamento efetuado em 30/07/2000). O auto de infração foi lavrado em 13.12.2005, tendo a Impugnante tomado ciência na mesma data, e nele foram lançados como omissão de receita os pagamentos efetuados entre maio e julho 2000. Ora, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, operouse a preclusão total, decaindo o direito de a Fazenda Nacional constituir o suposto crédito tributário. [...] A questão é ainda mais simples para o PIS e para COFINS, na medida em que seu fato gerador se aperfeiçoa no mês em que é registrado o faturamento. Neste particular, a jurisprudência é pacifica no sentido de que o prazo decadencial é de cinco anos contados do fato gerador. Vejase o entendimento da Oitava Câmara do Primeiro Conselho e da Primeira e Terceira Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes Federal. [...] Portanto, como parte dos pagamentos que foram considerados como fato gerador para o PIS e a COFINS ocorreram em maio, junho e julho de 2000 (e repita se, para a fiscalização o fato gerador — faturamento ocorreu nada dos pagamentos), ao momento da lavratura dos autos de infração (dezembro de 2005) o prazo, decadencial já se havia consumado, pois transcorridos mais de cinco anos desde a ocorrência do fato gerador. Logo, tais contribuições não podem ser exigidas da Impugnante, pois estão atingidas pela decadência. 3. DO MÉRITO. 3.1. Da comprovação da origem da receita utilizada nos pagamentos efetuados pela Impugnante. Como já foi dito, a Fisco verificou que a Impugnante realizou uma série de pagamentos no período autuado, e entendendo que a empresa é não operacional, intimou a Impugnante para demonstrar a origem dos recursos que foram utilizados nos referidos pagamentos. Em resposta a esta intimação, a Impugnante informou a origem dos recursos (amortização de saldo credor que possui em contrato de contacorrente com a empresa SYNERGY S/A), apresentando farta documentação comprovando a veracidade das operações. Em que pese a demonstração inequívoca desta origem já apresentada pela Impugnante (inclusive por meio de lançamentos registrados na contabilidade de ambas empresas), o Fisco simplesmente ignorou tal comprovação, preferindo autuar a empresa por falta de comprovação da origem de recursos, e assim, considerálos como receita omitida. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 513 9 Como será visto, a autuação não se sustenta, pois a origem dos recursos utilizados pela Impugnante é facilmente demonstrável, o que se passa a fazer. A Impugnante mantém com a empresa SYNERGY S/A contrato de conta corrente, assinado em 13/10/1998 (doc. n° 04, cit), cujos principais termos pactuados são os seguintes: 1 Pelo presente instrumento e na melhor forma de direito, as partes pactuam um Contrato de ContaCorrente sujeito às disposições seguintes, obrigandose cada parte a efetuar, à outra, remessas periódicas de seus saldos de caixa, para posterior acerto de contas. 2 — Cada parte se obriga a destacar, em sua contabilidade, os registros relativos à contabilidade ora contratada, lançando a crédito os valores recebidos da outra parte, e a débito as quantias retiradas. 2.1 — A fim de permitir a individualização das operações sujeitas a este contrato, separandoas de eventuais outros negócios entre as partes, todas as remessas serão efetuadas por cheques nominativos, nos quais se fará referência ao objeto do pagamento, ou bem, por notas de débitos, devidamente aceitas pela outra contratante. 2.2 — Não obstante o previsto no subitem 2.1 anterior, as remessas ou transferências poderão, também, ser feitas através de cheques emitidos por terceiros, devidamente endossados, bastando, nesse caso, a fotocópia do respectivo cheque com os endossos realizados, como comprovante da remessa ou transferência realizada. [...] Como se pode ver, o contrato de conta corrente é contrato licito, que tem arrimo na legislação civil brasileira, e que é largamente utilizado para a transferência de saldos entre duas empresas. Após a formalização do contrato, e nos termos de seu art. 2°, a lmpugnante fez o primeiro lançamento na contacorrente que mantém com a empresa SYNERGY S/A, por meio da nota de débito emitida pela XAPURI LTDA em 06/11/1998 e aceita pela SYNERGY S/A na mesma data (doc. n° 05,cit). Deste primeiro lançamento, originouse saldo credor em favor da Impugnante, que a empresa SYNERGY S/A vem amortizando ao longo dos anos, conforme o extrato do contacorrente juntado em anexo (doc. n° 05, cif). Uma vez que detém créditos com a empresa SYNERGY S/A, toda vez que a Impugnante necessita de recursos para realizar seus pagamentos, a Impugnante requer que SYNERGY S/A amortize parte de seu saldo devedor, fornecendo recursos para Impugnante. Neste sentido, vejase as Notas de Débitos emitidas pela empresa SYNERGY S/A, informando a amortização parcial na contacorrente mantida com a XAPURI LTDA (doc. n° 07): 1 — Nota de Débito de 25/05/2000 — Valor de R$383.334,74 2—Nota de Débito de 14/06/2000 — Valor de R$310.000,00 3—Nota de Débito de 11/07/2000 — Valor de R$71.177,16 4—Nota de Débito de 04/04/2001 — Valor de R$86.032,27 Notese que o valor das Notas de Débitos é rigorosamente igual aos valores registrados na contabilidade da XAPURI como pagamentos realizados em função dos empréstimos, pois foram usados para este fim, conforme os recibos que acompanham as notas de débito. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 514 10 Entretanto, ocorre que tais valores não transitaram no caixa ou em conta bancária da Impugnante, uma vez que tais recursos foram imediatamente utilizados no pagamento dos títulos relativos aos empréstimos tomados pela Xapuri. Neste sentido, vejase que as notas de débitos são emitidas no mesmo dia em que foram realizados os pagamentos (doc. n° 06, cit). Ademais, os recursos passados pela SYNERGY à XAPURI foram feitos por meio de cheques de terceiros, e utilizados diretamente no pagamento dos débitos da Impugnante. Não obstante, vejase que, ante a total lisura das operações, todos esses movimentos foram formalmente registrados na escrita contábil tanto da Impugnante quanto da empresa SYNERGY S/A, como se pode observar pelas cópias do livro diário (devidamente autenticados e com termo de abertura e encerramento dos livros — doc. n° 08) e razão (doc. n° 09) da Impugnante, que registram a entrada dos recursos provenientes da contacorrente mantida com a SYNERGY S/A. Outrossim, ressaltese que tais operações também estão registradas nos livros diário e razão da SYNERGY S/A, que a própria Fiscalização • anexou aos autos (fls. 111/134). Demonstrada, portanto, a origem da receita utilizada pela Impugnante em seus pagamentos. Não obstante, apesar desta inequívoca comprovação (lastreada em robusta prova documental), a Fiscalização preferiu ignorar a origem das receitas, argumentando que os documentos apresentados pela Impugnante seriam "imprestáveis" e que a SYNERGY S/A é empresa não operacional e que não mantinha movimentação em seu caixa que comprovasse a efetiva saída dos recursos para a Impugnante. Ora, quanto à documentação apresentada pela Impugnante, a Fiscalização não pode simplesmente desconsiderála e taxála de imprestável de acordo com sua vontade. Como é cediço, para que o Fisco desqualifique a documentação apresentada pelo contribuinte, é preciso que se prove a inidoneidade da documentação. [...] Ora, os documentos apresentados à Fiscalização são perfeitamente válidos e atestam uma realidade fática, tanto que considerados na contabilidade da empresa. Ademais, as notas de débitos são o instrumento previsto no contrato para fins de amortização dos débitos, e são subscritas por representantes das duas empresas, não havendo qualquer motivo para sua desqualificação como pretende o Fisco. Não obstante, tampouco procede o argumento relativo à situação fiscal da empresa SYNERGY S/A. Isto porque, convém ressaltar, a Impugnante e a empresa SYNERGY S/A são pessoas jurídicas distintas, com existência, obrigações e direitos próprios. O fato de manterem relações comerciais não implica na ingerência de uma na vida da outra. Sendo assim, a situação pessoal da SYNERGY bem como o modo pela qual contabiliza seus resultados é matéria estranha ao feito, e a rigor não diz respeito à XAPURI. Vejase que a Impugnante comprovou a existência de um contrato de conta corrente com a SYNERGY, bem como a existência de um saldo em seu favor. Demonstrou também, a amortização de parte deste saldo devedor pela SYNERGY, e sua utilização para os pagamentos autuados. Já o modo pelo qual a SYNERGY aufere seus rendimentos ou o modo pela qual vai contabilizar suas receitas é questão do interesse desta, e não da Impugnante. Para a Impugnante, o que importa é que aquela quite seus compromissos com a XAPURI, o que vem sendo feito, como Fl. 514DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 515 11 restou demonstrado. Deste modo, o que interessa ao caso dos autos — que discute a suposta omissão de receitas pela XAPURI — é a comprovação de que seus recursos vieram da amortização da conta corrente que mantém com a SYNERGY, e não o modo como esta aufere sua receita. [...] A toda evidência, a autuação não merece prosperar, pois, conforme restou demonstrado, a Impugnante identifica e comprova origem da receita utilizada nos pagamentos que efetuou. 3.2. Da dedutibilidade dos encargos financeiros do empréstimo tomado pela Impugnante: despesas necessárias à atividade da empresa. Por fim, cumpre demonstrar o equívoco da fiscalização, ao determinar a glosa dos encargos financeiros oriundos do empréstimo externo tomado pela Impugnante, e que foram deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no período autuado. Segundo a Fiscalização, tais encargos não seriam dedutíveis porque o empréstimo tomado pela Impugnante teria sido utilizado de modo diverso do autorizado pela Banco Central (segundo a fiscalização capital de giro), e aplicado na compra de ações da empresa DUNE TRADING DO BRASIL S/A, o que atribuiria a tais despesas natureza não necessária ao objeto social da Impugnante. Primeiro, cumpre ressaltar que o empréstimo autorizado pelo BACEN, segundo da autorização juntada aos autos (doc. n° 06, cit), foi feito para 4111 fins de Novos Ingressos. Segundo, que, conforme ressaltado pela própria fiscalização na página 1 de seu Termo de Constatação Fiscal n° 002, entre os objetos da empresa está o de "participar no capital de outras sociedades" (Cláusula terceira do contrato social XAPURI — doc. n° 02, cit). Neste sentido, uma vez que a Impugnante utilizou os recursos do empréstimo para fins de compra de ações de outra companhia (conforme reconhecido pela Fiscalização), a Impugnante exerceu atividade ligada ao seu objeto social, e os custos do referido empréstimo, são, portanto, necessários ao desenvolvimento das atividades da empresa, por isso dedutíveis. 4. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Dado que a discussão travada nesta impugnação envolve matéria 01, fática, requer a Impugnante a produção de prova pericial, indicando como assistente técnico o Sr.Luiz Carlos Gonçalves, contador, RG n° 3275785 IFP, CRC/RJ n° 37.683/00, com endereço na Rua México, 98, sala 704 à 706, Centro, Rio de Janeiro, Fone: 2125737232. Na oportunidade, apresenta os seguintes quesitos [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Pelo exposto, pede a Impugnante a procedência desta impugnação, para extinguirse o crédito tributário objeto dos autos de infração em referência, nos termos das razões acima expostas. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 516 12 Provará o alegado por todos os meios em direito admitidos, em especial pelos documentos ora anexados, pela perícia acima requerida e pela juntada posterior de documentos, face ao exíguo prazo concedido para impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1216.652, de 17.10.2007, fls. 468481: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 PERÍCIA.DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a perícia que é desnecessária, já que a documentação contida nos autos é suficiente para formar a convicção da autoridade julgadora. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindO' o direito do interessado em fazêlo em outro momento processual, a menos que o interessado demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Contudo, no lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Se dão houver pagamento, já não será o caso de lançamento pro homologação, mas sim de lançamento de oficio (art. 149 do CTN), situação em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN ("O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"). APURAÇÃO DO RESULTADO. PERÍODO DE APURAÇÃO. OPÇÃO PELO REGIME ANUAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. O lançamento de oficio deve obedecer o período e o regime de apuração pelo qual optou o interessado. Demonstrado nos autos que o interessado optou pelo regime de apuração anual, não pode a Fiscalização desconsiderar a opção e apurar o resultado trimestralmente. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. NÃO COMPROVADO. Uma vez que não restou comprovado nos autos que os suprimentos de numerário, utilizados para efetuar pagamentos, foram efetuados por sócios, administradores ou por qualquer pessoa ligada ao quadro societário do interessado, descabe a autuação com fundamento na presunção legal tipificada no art. 282 do RIR/1999. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. NÃO COMPROVADO. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 517 13 Tendo restado comprovado que as despesas glosadas pela fiscalização estão ligadas à atividade operacional do interessado, sendo, portanto, necessárias e dedutíveis, descabe a autuação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000, 2001 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Programa de Integração Social (Pis) O Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofms) DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O art. 45, caput e inciso I, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, reza que o direito de constituir o crédito tributário extinguese somente após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. DECORRÊNCIA. Insubsistindo as matérias fáticas que ensejaram o lançamento matriz (IRPJ), igual sorte colhem os autos de infração lavrados por mera decorrência, tendo em vista o nexo causal existente entre eles. Lançamento Improcedente Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da 7' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro — I, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, por unanimidade de votos, JULGAR, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. I) IMPROCEDENTES os lançamentos efetuados relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$194.636,04, à Contribuição Social s/ o Lucro Líquido (CSLL), R$76.548,95, ao Programa de Integração Social (Pis), no valor de R$5.528,52, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$25.516,31, e indevidos os créditos tributários exigidos. II) IMPROCEDENTES as reduções dos prejuízos fiscais de R$351.308,94 (fl. 208) e de R$ 276.079,65 (fl. 210) e das bases negativas de CSLL de R$351.308,94 (fl. 221) e de R$276.079,65 (fl. 222). Deste ato RECORRESE DE OFICIO ao Primeiro Conselho de Contribuintes. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 517DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 518 14 O recurso de ofício foi apresentado pela 7ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e da Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001, que estabelecia: Art. 2 º O Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$500.000,00 (quinhentos mil reais). Em preliminar tem cabimento o exame do aspecto temporal da legislação aplicável para fins da apreciação do recurso de ofício interposto. A Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, prevê: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001 Consta na Ata de Julgamento da Câmara Superior De Recursos Fiscais – Pleno da período de 08.12.2014 a 09.12.20141: 8ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Acórdãos Precedentes: 9202002.930, de 05/11/2013; 9202 003.129, de 27/03/2014; 9202 003.027, de 11/02/2014; 9303 002.165, de 18/10/2012; 1101000.627, de 24/11/2011; 1301 00.899, de 08/05/2012; 180201.087, de 17/01/2012; 2202 002.528, de 19/11/2013; 2401 003.347, de 22/01/2014; e 3101 001.174, de 17/07/2012. Manifestação a favor da aprovação: Elias Sampaio Freire, Henrique Pinheiro Torres, Karem Jureidini Dias e Marco Aurélio Pereira Valadão. Resultado da votação: APROVADA Numeração sequencial recebida: 103 1 Disponível em:<http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/SessoesJulgamento/Atas/consultarAtas.jsf>. Acesso em: 10 jan.2014. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 519 15 Em relação à previsão legal para julgamento do valor do crédito tributário, vale transcrever excertos da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que determina: Art. 2° Ficam criadas no CARF 21 (vinte e uma) turmas especiais temporárias. § 1° As turmas especiais de que trata o caput serão instaladas no ato de designação dos respectivos conselheiros. § 2° A competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância. [...] A norma de regência estabelece limitação valorativa de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) para fins de restrição da competência de turma especial ao julgamento de recursos interpostos nos processos administrativos fiscais no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Verificase no presente caso que a 7ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ opôs o recurso de ofício sob a égide da Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001, ocasião em que o valor do limite de alçada era R$500.000,00. Atualmente essa norma encontrase revogada pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, que aumentou o limite de alçada para R$1.000.000,00. O conhecimento de recurso de ofício está vinculado ao limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Temse que os valores dos Autos de Infração, fls. 205231, estão discriminados abaixo: Descrição (A) Valor R$ (B) Valor da Multa de Ofício Proporcional IRPJ 194.636,04 145.977,02 340.613,06 PIS 5.528,52 4.146,38 9.674,90 CSLL 76.548,95 57.411,68 133.960,63 Cofins 25.516,31 19.137,23 44.653,54 Ajuste de Prejuízo Fiscal IRPJ 2000 351.308,94 351.308,94 Ajuste de Prejuízo Fiscal IRPJ 2001 276.079,65 276.079,65 Ajuste da Base de Cálculo Negativa CSLL 2000 351.308,94 351.308,94 Ajuste da Base de Cálculo Negativa CSLL 2001 276.079,65 276.079,65 Total 1.783.679,31 Fl. 519DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1803002.519 S1TE03 Fl. 520 16 Ainda assim, o total do crédito tributário exonerado pela 7ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ ultrapassa o valor de R$1.000.000,00. Em assim sucedendo, voto por provimento em parte ao recurso de ofício para declinar da competência para turma ordinária. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 520DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903326/2015-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.727
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 33 26 /2 01 5- 63 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.903326/201563 Acórdão n.º 3402005.727 S3C4T2 Fl. 0 2 Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.903326/201563 Acórdão n.º 3402005.727 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.117 considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada face a ausência de comprovação de direito creditório líquido e certo. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.721, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900604/201610, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.721): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.903326/201563 Acórdão n.º 3402005.727 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminares A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.903326/201563 Acórdão n.º 3402005.727 S3C4T2 Fl. 0 5 Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.903326/201563 Acórdão n.º 3402005.727 S3C4T2 Fl. 0 6 Mérito Do Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.903326/201563 Acórdão n.º 3402005.727 S3C4T2 Fl. 0 7 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.903326/201563 Acórdão n.º 3402005.727 S3C4T2 Fl. 0 8 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratar se de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.903326/201563 Acórdão n.º 3402005.727 S3C4T2 Fl. 0 9 Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.903326/201563 Acórdão n.º 3402005.727 S3C4T2 Fl. 0 10 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902928/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-005.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 29 28 /2 01 1- 59 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.902928/201159 Acórdão n.º 3402005.797 S3C4T2 Fl. 0 2 Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação por meio da qual a contribuinte realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose de crédito de Cofins cumulativa. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo, para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão. Diante do exposto, requer o acolhimento da manifestação para o fim de homologar a compensação pleiteada." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu o Acórdão nº 06042.939, pelo qual julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório e a não homologação da compensação. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo, pugnando pelo provimento para que seja reformada a decisão recorrida e homologada a compensação formalizada. Em Recurso Voluntário a Contribuinte alegou que: i) O direito creditório tem origem em pagamento indevido ou a maior, tendo em vista a ilegalidade e inconstitucionalidade da inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS; ii) Foram adotadas as medidas administrativas, retificações de declarações e protocolo das DCOMP's, dando conta dos créditos geradores e a forma de utilização; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.902928/201159 Acórdão n.º 3402005.797 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Foi induzida a erro e a pagar valores indevidos ou a maior, a título de PIS e COFINS, em virtude de legislação que se verifica ilegal e inconstitucional. iv) Após exposição legislativa da contribuição e forma de apuração, a Recorrente invocou a Lei nº 9.718/70 para as empresas optantes pelo Lucro Presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.795, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.902926/201160, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.795): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Como relatado na decisão de primeira instância, a Recorrente havia apresentado Manifestação de Inconformidade com os seguintes argumentos: "Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo,para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Acrescenta que “No caso em tela, verificase que além dos elementos não terem sido analisados suficientemente, conforme legislação e a jurisprudência, há ausência de fundamentação jurídica que baseie a decisão e que mostre de maneira convincente o motivo pelo qual a Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.902928/201159 Acórdão n.º 3402005.797 S3C4T2 Fl. 0 4 Impugnante não pôde ter seu crédito compensado.” Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão." Outrossim, verificase do PERD/COMP de fls. 610 as seguintes informações, o que demonstra que não foi informado crédito oriundo de ação judicial: Diante dos argumentos da Contribuinte, a DRJ enfrentou a preliminar de nulidade e, no mérito, concluiu pela improcedência do pedido nos seguintes termos: "A compensação declarada na Dcomp não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da emissão do despacho decisório o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004, indicado como origem do crédito para compensação, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte. Notese, aliás, que essa situação, diferentemente do que afirma a interessada na manifestação, não sofreu qualquer alteração, nem mesmo após a emissão do Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.902928/201159 Acórdão n.º 3402005.797 S3C4T2 Fl. 0 5 Despacho Decisório, conforme demonstram as declarações (DCTF) entregues pela interessada. A última DCTF relativa ao débito de Cofins do setembro de 2004 apresentada pela interessada foi a DCTF do 3º trimestre de 2004 (Retificadora), entregue em 17/11/2004, por meio da qual esse débito foi confessado no valor de R$ 42.432,20, e para o qual foi vinculado o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004 (justamente o DARF apontado como crédito na Dcomp tratada no presente processo). Lembrese, nesse ponto, que a DCTF constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos tributários nelas declarados, de acordo com o que dispõe o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. Como se vê, o Despacho Decisório contestado relata exatamente a situação acima identificada, ou seja, a ausência de crédito em face da utilização de todo o valor do DARF indicado como origem do crédito em outro débito da própria contribuinte. É evidente, portanto, que inexiste nesse ato administrativo falta de clareza,precisão e lógica, afinal ele está a retratar a situação que a própria interessada declarou (através de DCTF) para o órgão administrativo." A motivação da improcedência decorreu da ausência de provas apresentadas pela Contribuinte sobre o direito creditório passível de surtir os efeitos legais. Ocorre que em análise às razões de Recurso Voluntário, constatase que a Recorrente abordou, de maneira genérica, pela ilegalidade e inconstitucionalidade de inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS, conforme colacionado abaixo: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.902928/201159 Acórdão n.º 3402005.797 S3C4T2 Fl. 0 6 (...) Ou seja, além de não haver nenhuma informação e/ou comprovação de que o alegado crédito teve origem nas razões demonstradas em Recurso Voluntário, resta flagrante que a Recorrente inaugura nova discussão, sem amparo, portanto, no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10980.902928/201159 Acórdão n.º 3402005.797 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, foi proferido o v. Acórdão nº 3401004.446 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Por sua vez, resta igualmente impossibilitado o conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao con hecimento do Órgão Julgador de Primeira Instância, sob pena de supressão de instância e negativa de vigência ao artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Dispositivo Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003449/2006-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
SUPOSTA RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 34 49 /2 00 6- 28 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, por meio do qual formalizouse a cobrança da restituição indevida a devolver de R$ 1.793,66. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que é portadora de moléstia grave, estando isenta de imposto de renda desde janeiro de 2004, conforme documentos em anexo A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda desde janeiro de 2004, eis que o laudo estaria datado apenas em 2005, sem indicação de doença anterior No entanto , entende que a cobrança da restituição indevida a devolver não pode prosperar, uma vez que a contribuinte, ao apresentar sua DIRPF simplificada original (fls.24/26), já ofereceu à tributação corretamente os rendimentos recebidos da Secretaria de Administração e Reestruturação do Estado, CNPJ n° 42.498.634/000166, inclusive, com a dedução do imposto de renda retido na fonte. Assim sendo, vota por considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação, no entanto junta documento emitido pela superintendência de saúde do serviço médico estadual, ratificando o quanto alegado pela contribuinte, ou seja, de que a moléstia grave, cegueira, restou comprovada desde janeiro de 2004.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito do direito a isenção por moléstia grave Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13706.003449/200628 Acórdão n.º 2001000.802 S2C0T1 Fl. 3 3 profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. Sustenta a DRJ que a contribuinte não teria direito a isenção no ano calendário de 2004 eis que o laudo foi datado em 2005 e não havia informação no mesmo de que a doença teria de manifestado anteriormente. Ocorre que em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte documento emitido pela secretaria de saúde municipal onde deixa claro que a servidora CELIA LEMOS NOGUEIRA, matrícula n°61.8868, é portadora de patologia elencada na Lei número 7.713/88 desde 21.01.2004 em consonância com os laudos e exames anexados ao prontuário. Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros Fl. 64DF CARF MF 4 procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se nos fatos e argumentos acima expostos, entendo que deve dado provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito a isenção do Imposto de Renda por ser a contribuinte portadora de moléstia grave comprovada desde janeiro de 2004 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar a contribuinte como portadora de moléstia grave e por conseqüência, reconhecer a sua isenção para fins de imposto de renda desde janeiro de 2004. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13706.003449/200628 Acórdão n.º 2001000.802 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13163.720029/2017-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL.
É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ.
INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO.
A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
Numero da decisão: 2001-000.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 3. 72 00 29 /2 01 7- 47 Fl. 103DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "O contribuinte alega ser portador de moléstía grave que o isentaria do imposto de renda, todavia, não apresenta o indispensável laudo pericial em conformidade com a exigência legal e, assim, a isenção pleiteada não pode ser reconhecida." O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ PORTO ALEGRE. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 69/78. Em síntese, alega ser portador de moléstias graves (distrofia muscular, cardiopatia, usuário de marcapasso e AIDS). Informa que recebe proventos de pensão, decorrentes da morte de sua mãe. Junta ao recurso, Relatório Médico, receituários, declaração de profissional da área médica. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13163.720029/201747 Acórdão n.º 2001000.318 S2C0T1 Fl. 3 3 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Fl. 105DF CARF MF 4 Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o “Relatório Médico” de f. 81. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Importante frisar que o próprio Relatório Médico que o contribuinte apresenta destaca a necessidade de emissão de Laudo Pericial. Isso se constata pelo aviso expresso ao final: "As informações relacionadas estão sujeitas à ratificação pelo grupo médico pericial credenciado da entidade solicitante." Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13163.720029/201747 Acórdão n.º 2001000.318 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Discordo do relator quanto sobre a caracterização da doença grave. Tratase de divergência principalmente quanto à necessidade de apresentação de laudo oficial. O contribuinte apresentou outros elementos de prova indicando possuir doença grave. Entendemos que a fundamentação baseada somente na falta de apresentação, ou problemas formais no documento, no laudo médico, não afastam por si a caracterização da doença grave quando há outros meios de prova indicando a doença. Trazemos entendimento do STJ com o qual concordamos, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, relator do caso, AREsp 81.149: “Ainda que conste como preceito legal, a perícia médica oficial não pode ser tida como indispensável ou como o único meio de prova habilitado, sendo necessário ponderarse a razoabilidade de tal exigência legal no caso concreto” E mais recente, mais no ponto do caso em questão e já sendo matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão do Poder Judiciário do Brasil que assegura a uniformidade à interpretação da legislação federal., trazemos a Súmula 598, que assim dispôs: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. Sobre a interpretação literal do texto legal, em cumprimento ao art 111 do CTN, inciso II, que trata de isenção, questão trazida amiúde quando se fala de isenção tributária, trazemos o pensamento do tributarista Carlos da Rocha Guimarães, com o qual concordamos plenamente: O art. 111 "não quer realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, alargando, além do seu exato limite, o que diz a letra da lei, sem, no entanto, deixar de incluir, na interpretação do texto legal, todos os casos que a sua significação indica como nele incluídos, sem o que a própria letra da lei também estaria ferida, e a exoneração, assim truncada, ficaria sem sentido." Explicase, em relação ao caso: não se poderia estender a isenção de doença grave para pessoas em casos semelhantes, pessoas com doenças não consideradas graves, pessoas idosas, pessoas desempregadas, pessoas presas, etc. Aqui, sim, não se pode estender porque se interpreta literalmente, a isenção é só para doença grave. Fl. 107DF CARF MF 6 No entanto, para a caracterização da doença grave prevista em lei, para o exame da prova sobre a doença, se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e processo normal do exame da prova. No exame da documentação entendemos estar caracterizada a doença grave. Os rendimentos recebidos por portador de doença grave são isentos, conforme Lei 7.713/1988, art. 6º. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900106/2006-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO POR INTEMPESTIVIDADE.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados a partir da data de ciência da decisão recorrida. Ultrapassado este prazo, fica caracterizada a intempestividade e não se conhece das razões do recurso voluntário.
Numero da decisão: 1002-000.483
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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INSTITUTO BAURUENSE DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO POR INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados a partir da data de ciência da decisão recorrida. Ultrapassado este prazo, fica caracterizada a intempestividade e não se conhece das razões do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 01 06 /2 00 6- 69 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10825.900106/200669 Acórdão n.º 1002000.483 S1C0T2 Fl. 101 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO) mediante o Acórdão n.º 1432.701, de 25/02/2011 (efls. 65 a 79). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 28609.59692.281003.1.3.040401, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2089). Por intermédio de despacho decisório, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no referido PER/Dcomp, ao fundamento de que são considerados serviços hospitalares somente os prestados por estabelecimentos qualificados como hospital, devendo dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos, constituídos por empresários e sociedades empresárias. Cientificada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a) a autoridade fiscal considerou não se tratar de serviços hospitalares, os serviços ambulatoriais ou meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas, que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital; b) a autoridade fiscal aduz também que no CNPJ da empresa consta o CNAE n° “86.90.9.99 Outras atividades de atenção à saúde humana não especificada anteriormente”, enquanto o apropriado para as atividades de atendimento hospitalar seria o da classe n° “86101 Atividades de Atendimento Hospitalar; c) para conduzir o raciocínio sobre o inconformismo da empresa, as seguintes normas são citadas: 1) Portaria GM n° 1.884, de 11/11/1994; 2) artigo 15, inciso III, “a” da Lei n° 9.249,95; 3) Resolução da Anvisa RDC n° 50, de 21/02/2002; 4) IN/SRF n° 306, de 12/03/2003; 5) Solução de Divergência n° 11, de 21/07/2003, da Coordenação Geral de Tributação; 6) Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 18, de 23/10/2003; 7) Instrução Normativo SRF n° 480, de 15/12/2004, publicada em 29/12/2004; 8) Instrução Nonnativa SRF n° 539, de 25/04/2005; 9) Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 07/12/2007; 10) Instrução Normativa RFB n° 791, de 10/12/2007; d) cita decisões judiciais de 2005 e 2006 sobre a matéria; e) em recente decisão proferida pelo Juízo da 4” Vara Federal de São Paulo, nos autos do MS n° 2006.61.00.0194351, uma clínica de nefrologia conseguiu em 1” instância o Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.900106/200669 Acórdão n.º 1002000.483 S1C0T2 Fl. 102 3 enquadramento para recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro liquido no regime de tributação do lucro presumido; Í) a Lei n° 1 1.727, de 23/06/2008, em seu artigo 29 pacificou o conceito de serviços hospitalares; g) transcreve ementas de Soluções de Consulta, Acórdão do Conselho de Contribuintes e Acórdão do TRF da 4” Região, para concluir que a empresa solicitante faz jus à aplicação dos coeficientes de 8% e 12% para a determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL; h) a empresa tem as suas atividades voltadas ao atendimento da população em geral, mediante utilização de equipamentos próprios e materiais de elevado custo; i) a atividade exercida pela empresa não pode ser equiparada à prestação de serviços unicamente de natureza intelectual; j) a Lei n° 11.727/2008 pacificou o entendimento de conceito de serviços hospitalares em consonância com os julgados pelo Conselho de Contribuinte e 0 TRF; k) para provar sua condição de beneficiária da aplicação do percentual de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ no regime de lucro presumido, junta cópia do Contrato Social e suas alterações, comprovando sua condição de sociedade empresária, planta da estrutura fisica, relação de funcionários e sua respectivas atividades. Ao final, requer a homologação da compensação solicitada. [...] A decisão de primeira instância administrativa negou provimento ao recurso por considerar que o contribuinte não exercia a atividade própria de estabelecimentos qualificados como hospitais, o que importava a utilização do percentual de 32% para o cálculo do lucro presumido. Inconformado, o sujeito passivo interpôs, em 11/08/2011, recurso voluntário, defendendo o enquadramento de sua atividade como típica de hospitais, pugnando pela consequente aplicação do percentual de 8% sobre sua receita, para efeito de apuração de seu lucro presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. No exame dos autos fica constatada a intempestividade do recurso voluntário, pois o recorrente tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 07/07/2011 (efl. 83), uma quintafeira, e apresentou seu recurso voluntário em 11/08/2011 (efl. 84), uma quintafeira, conforme autenticação mecânica de recepção de documento n.º 00026 CAC/DRF BAURU, após, portanto, os 30 dias de prazo previstos no art. 33 do Decreto 70.235/72: SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância (...) Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.900106/200669 Acórdão n.º 1002000.483 S1C0T2 Fl. 103 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A regra de contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal Federal segue o disposto no art. 5.º, do Decreto n.º 70.235/72: Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Portanto, considerando o comando normativo, no caso dos presentes autos o recurso voluntário foi apresentado no 35.º dia após a ciência da decisão de piso, caracterizando a intempestividade do recurso, razão pela qual não deve ser conhecido por este colegiado. Registrese que não foi identificada a ocorrência de feriado nacional ou local, ou de circunstância outra que pudesse qualificar os dias de início ou de fim da contagem do prazo — 07/07/2011 e 11/08/2011 — como dias em que não houve expediente normal da repartição (DRF BAURUSP). A decisão de primeira instância então tornase definitiva no âmbito administrativo, conforme regência do artigo 42 do Decreto n.° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Sendo assim, observados o princípio da legalidade e o descumprimento da condição temporal para admissibilidade contida no art. 33 do Decreto n.º 70.235/72, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, dada sua intempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722129/2014-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 09/09/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 29 /2 01 4- 98 Fl. 35809DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35810DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.602, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35811DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35812DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35813DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35814DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35815DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35816DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35817DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35818DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35819DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35820DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35821DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35822DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35823DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35824DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35825DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35826DF CARF MF Processo nº 12466.722129/201498 Acórdão n.º 3301005.110 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35827DF CARF MF
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