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Numero do processo: 19985.725114/2016-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Provas inequívocas foram juntadas aos autos, satisfazendo a legislação pertinente.
Numero da decisão: 2002-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Provas inequívocas foram juntadas aos autos, satisfazendo a legislação pertinente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 51 14 /2 01 6- 23 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 19985.725114/201623 Acórdão n.º 2002000.431 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.60/61) contra decisão de primeira instância (fls.47/51), que julgou procedente em parte impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: 1. Contra o contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento (NL) de fls. 06/12 e 34/40, relativamente ao anocalendário 2014, exercício 2015, por meio da qual foram glosados valores considerados indevidamente deduzidos a título de Pensão Alimentícia e de Despesas Médicas. Previamente à lavratura da NL, o contribuinte foi regularmente intimado a apresentar documentos comprobatórios das deduções pleiteadas. 1.1. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da NL são apontados os motivos das glosas, conforme abaixo resumido: em relação à glosa de dedução de Pensão Alimentícia, é assinalado que a glosa do valor de R$ 14.693,04, foi efetuada por falta de apresentação da Decisão Judicial ou Acordo Homologado Judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia conforme solicitado na intimação; em relação às despesas médicas, são apontados os seguintes motivos para as glosas dos pagamentos efetuados: Unimed Curitiba se deve ao fato de a beneficiária Elair Pinto Pieruccini não constar na dependência da DIRPF do contribuinte; Danilo Alains por falta de referência dos serviços prestados, endereço, n° conselho e a profissão exercida, e Chiropratic Center Ltda por tratarse de estabelecimento não cadastrado no CNES Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde e cuja atividade é de apucuntura, beleza e estética. 1.2. Como resultado das glosas efetuadas, foi apurado Imposto de Renda da Pessoa Física Suplementar de R$ 9.062,43, sujeito à Multa de Ofício nos termos do art. 44, inciso I e § 3º da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com alterações incluídas pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, e juros de mora. 2. Cientificado em 28/11/2016 (fl. 42), o interessado apresentou tempestivamente, em 30/11/2016, a impugnação de fls. 04/05, instruída com os documentos de fls. 06/24, onde alega, em síntese, que: Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PUBLICA Valor da infração: R$ 14.693,04. Estou questionando o valor de R$ 14.693,04. O valor contestado referese a pagamentos efetuados a titulo de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual. Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Fl. 92DF CARF MF Processo nº 19985.725114/201623 Acórdão n.º 2002000.431 S2C0T2 Fl. 4 3 UNIMED CURITIBA. Valor da infração: R$ 1.711,26. Estou questionando o valor de R$ 1.711,26. O valor contestado referese a despesas médicas com pagamento de plano de saúde, cujo comprovante contém a especificação dos beneficiários e do valor pago referente a cada um deles. DANILO GUSTAVO PULITA ALANIS. Valor da infração: R$ 16.400,00. Estou questionando o valor de R$ 16.400,00. O valor contestado referese a despesas médicas relativas a gastos com próteses dentárias ou aparelhos ortodônticos, para os quais apresento documentação comprobatória. CHIROPRACTIC CENTER LTDA ME. Valor da infração: R$ 150,00. Estou questionando o valor de R$ 0,01. Foi cometido erro no preenchimento da declaração de ajuste anual. O valor deve ser considerado como dedução de outra natureza. Dedução pretendida: O presente recibo no valor de R$ 150,00 reais foi declarado por eu entender que tal procedimento está dentro dos quesitos uma vez que, fui neste profissional para me tirar os dores que tenho no quadril. Assim entendi que é da área médica. 3. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em RecifePE, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11/04/2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24/07/2013. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. Valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente são dedutíveis, desde que comprovada a efetividade do pagamento. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 19985.725114/201623 Acórdão n.º 2002000.431 S2C0T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 09/05/2017 (fl.57); Recurso Voluntário protocolado em 23/05/2017 (fl.60), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o recorrente, pela Notificação de Lançamento, relativamente do anocalendário 2014, exercício 2015, por meio do qual foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de Pensão Alimentícia e de Despesas Médicas. Acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade julgar procedente em parte a impugnação, expungindo a glosa referente às despesas a título de Pensão Alimentícia, remanescendo as Despesas Médicas. Em sua peça de resistência, o recorrente alega que, o valor de R$ 16.400,00 foi pago ao seu dentista, em tratamento nele realizado, juntando recibos e microfilme dos cheques pagos. Relativo a glosa no valor de R$ 150,00 da Chiropratic Center Ltda e também os recibos da UNIMED, somando um total de R$ 1.711,26, o recorrente concorda com a glosa. Para a glosa destes valores, o recorrente junta DARF no valor de R$ 794,99 (fl. 64 dos autos). Pois bem, em sede de Recurso Voluntário, o recorrente juntou o recibo de fl. 65, onde o profissional Dr. Danilo Alanis, confirma as alegações do recorrente. Esclareço ainda que, em busca no site do CRO, o nome do profissional consta como ativo. Os cheques microfilmados dos pagamentos feito pelo recorrente ao profissional da saúde se encontram, às fls. 66/87. Em razão da apresentação do Recurso Voluntário parcial, o processo foi encaminhado para este CARF, para julgamento, com a observação que os débitos da parcela não recorrida do lançamento foram transferidos para processo apartado, conforme termo de fl. 88. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento ao mesmo. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001009/2006-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 2002-000.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN na hipótese de pagamento antecipado do tributo e ausência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. Caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 10 09 /2 00 6- 81 Fl. 184DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 137/148) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual dos exercícios 2001, 2003, 2004 e 2005, onde se apurou: Omissão de Rendimentos do Trabalho Sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas, Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições de Previdência Privada e Fapi, Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Pensão Judicial, Dedução Indevida de Despesa com Instrução, Dedução Indevida de Previdência Privada/Fapi e Dedução Indevida de Imposto com Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente. O sujeito passivo ingressou com impugnação alegando tão somente a decadência do lançamento relativo ao exercício 2001 com base no art. 150, §4º, do CTN (efls. 152/154). O lançamento foi julgado procedente pela 4ª Turma da DRJ/CTA conforme ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2003, 2004, 2005 PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXERCICIO 2001. INOCORRÊNCIA. No lançamento de oficio o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem desse prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso, 01 de janeiro de 2002. AUTUAÇÃO DOS EXERCÍCIOS DE 2003 A 2005. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Cabe à esfera administrativa aplicar as normas legais nos estritos limites de seu conteúdo, mormente se as decisões administrativas, suscitadas na petição, não possuírem leis que lhes atribuam eficácia, ou se o ato legal contestado não tiver sido declarado inconstitucional pelo Poder Judiciário. Cientificado da decisão de piso em 26/02/2009 (efls. 172), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/03/2009 (efls. 173/182), em síntese, com os mesmos argumentos de sua impugnação. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10907.001009/200681 Acórdão n.º 2002000.496 S2C0T2 Fl. 185 3 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a arguição de decadência do lançamento referente ao exercício 2001, ano calendário 2000. Adentrando ao exame da questão, impõese esclarecer que, nos lançamentos por homologação, como é o caso do IRPF, o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário extinguese em 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, desde que tenha sido efetuado pagamento antecipado de parte do imposto e que não tenha sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN. Nas hipóteses de ausência de pagamento ou nos casos de dolo, fraude e simulação, a contagem do prazo quinquenal iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do CTN. É nesse sentido a decisão proferida no REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil CPC, cuja emenda encontrase parcialmente reproduzida a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). No caso em exame, em que se examina o ano calendário 2000, verificase que efetivamente ocorreu a antecipação do pagamento do imposto através da retenção na fonte, conforme se extrai da DIRPF apresentada pelo recorrente (efls. 05/06), devendo ser aplicado, Fl. 186DF CARF MF 4 para efeitos da contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 150, § 4° do CTN. Nesse ponto, cabe transcrever a Súmula do CARF nº 123 sobre o assunto: Súmula CARF nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Considerando a regra contida no art. 150, § 4° do CTN, o prazo decadencial referente ao ano calendário 2000 teve início em 31/12/2000, ou seja, na data do fato gerador, extinguindose, por conseguinte, em 31/12/2005. Assim, como a ciência do Auto de Infração foi efetuada somente em 05/05/2006 (efls. 137), resta evidenciada a decadência do lançamento para o exercício 2001, tal como alega o recorrente. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo a decadência do crédito tributário referente ao exercício 2001. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.720328/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento.
SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E ÁLCOOL.
O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de cana-de-açúcar e álcool.
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-004.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("big-bag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD - Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II - Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMO Recorrente RAIZEN ENERGIA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA DEAÇÚCAR E ÁLCOOL. O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de canadeaçúcar e álcool. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 72 03 28 /2 01 3- 15 Fl. 1260DF CARF MF 2 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de Cofins, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("bigbag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos da Cofins, apurada no 4º trimestre de 2012. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico retificador (PER nº 08549.88285.110414.1.5.099175), relativo a crédito de Cofins não cumulativa sobre operações no mercado externo do 4º trim/2012, no valor de R$ 52.708.656,71, seguido de Declarações de Compensação Eletrônicas (DCOMP) e apresentadas em formulário específico (neste processo e naqueles de nºs 11610.720329/201351 e 12585.720006/2013 85, apensos a este), para compensação de débitos próprios e de empresas sucedidas. Consoante o Despacho Decisório SAORT/DRF Bauru/SP nº 169/2017, o direito creditório foi parcialmente reconhecido, no valor de R$ 25.712.300,09, conforme fundamentos descritos abaixo: Fundamentação O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação encontramse amparados na Lei nº 5.172, de 25/10/66, e na IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, que atualmente trata da matéria, estando revogadas as Instruções Normativas anteriores, e que disciplina entre outros, o ressarcimento e a compensação de créditos de Cofins nãocumulativa. Conforme Termo de Verificação Fiscal de folhas 299 a 331, que é parte integrante e indissociável do presente despacho, no período objeto do pedido, a interessada foi submetida a procedimento fiscal com o intuito de verificar a regularidade da apuração do PIS e da Cofins, que culminou com a lavratura de Auto de Infração, bem como do Termo de Verificação Fiscal em tela, consubstanciados no processo nº 19311.720238/2016 45, já regularmente cientificados à contribuinte pela abertura dos documentos junto à Caixa Postal do Domícilio Tributário Fl. 1262DF CARF MF 4 Eletrônico em 08.11.2016, os quais foram transladados para o presente processo, a fim de subsidiar a presente decisão. No curso do referido procedimento foram apurados os créditos de PIS e Cofins a que a contribuinte teria direito, conforme consta do “Demonstrativo Anexo ao referido Termo de Verificação Fiscal – Detalhamento das Diferenças de Cofins Devidas Apuradas pela Fiscalização” (processo nº 19311.720238/2016 45), que foram resumidos pela Fiscalização desta DRF no Termo de Verificação de folhas 294 a 298, tendo sido constatado a procedência parcial do direito creditório pleiteado, no montante de R$ 25.712.300,09. Posto isto e considerandose o valor apurado como passível de ressarcimento/compensação a título de Cofins nãocumulativa, referente ao 4º trimestre de 2012, bem como as compensações solicitadas, segundo tabela 2 supra, de rigor o reconhecimento parcial do direito creditório requerido e a homologação parcial das compensações pleitadas (vide demonstrativo de cálculo de folhas 514 a 518). (destaques acrescidos) Consta o seguinte resumo da mencionada ação fiscal no referido Termo de Verificação Fiscal de efls. 294/298: (...) Consta no Dacon que as apurações do PIS e da COFINS são feitas no regime não cumulativo e, também, com alíquotas por unidade de medida de produto na condição de contribuinte, e o método de determinação dos créditos é o vinculado à receita auferida no mercado interno e de exportação com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Informa créditos vinculados às receitas: tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação; crédito presumido da atividade agroindustrial calculado sobre insumos de origem vegetal. Os créditos informados nos DACON e na Escrituração Fiscal Digital Contribuições –EFD Contribuições são os mesmos constantes do Pedido de Ressarcimento acima transcritos. 4. O regime de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, ao qual se submeteu a contribuinte nos períodos sob análise, foi o do Lucro Real. Dessa forma a empresa enquadravase, no período, na sistemática de apuração do PIS e COFINS no regime não cumulativo para todos os produtos. 5. Anteriormente a essa ação em curso, foi realizada na Raízen Energia S/A a ação fiscal comandada pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF nº 0816500.2015.01044, concluída em 04/11/2016 pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Alberto de Toledo, com emissão do Auto de Infração AI nº 19311.720238/2016 45 lançando contribuições devidas de PIS e COFINS não cumulativos. 6. Neste processo de Auto de Infração (AI) ficaram apuradas as bases de cálculo mensais dos créditos de PIS e Cofins, menores que as calculadas e informadas pela empresa nos DACON e Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 4 5 EFD Contribuições. A fiscalização não aceitou diversos gastos incluídos pela empresa em suas apurações, resultando em glosas nos créditos, com base nos fundamentos legais relatados no Termo de Verificação Fiscal do AI. 7. Ficaram apurados, pela fiscalização anterior, no Termo de Verificação Fiscal, os valores de todos os créditos de PIS e Cofins não cumulativos que a empresa tem direito após as deduções das glosas. No Auto de Infração 19311.720238/2016 45 foram utilizados apenas os créditos vinculados à receita tributada no mercado interno e os presumidos da agroindústria, resultando em lançamento de contribuições. Os créditos vinculados à receita de exportação e os vinculados à receita não tributada no mercado interno foram objetos de PER/DCOMP, em análise nesta ação fiscal. Está informado no item 10.1 do Termo de Verificação Fiscal do AI: “10.1 Os Pedidos de Ressarcimento do PIS e da Cofins e as Declarações de Compensação (PER/Dcomp) apresentados pelo contribuinte, relativos aos períodos fiscalizados, serão analisados em procedimento específico, a ser realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru – SP.” 8. Este processo referese ao pedido de ressarcimento de créditos vinculados à receita de exportação do 4º trimestre de 2.012, com os seguintes valores: ... 9. Os créditos apurados na fiscalização encerrada em 04/11/2016, constantes do “Demonstrativo Anexo ao Termo de Verificação Fiscal – Detalhamento das Diferenças de COFINS Devidas Apuradas pela Fiscalização”, processo 19311.720238/201645, resumidamente foram: (omissis) 10. Anexado o Termo de Verificação Fiscal contido no processo 19311.720238/201645, formado pelas folhas 895/926, que contém as apurações de todos os créditos do período de 01/2012 a 12/2013. 11. Concluindo, a empresa solicita neste processo R$ 52.708.656,71 e a fiscalização apurou o crédito de COFINS vinculado à receita de exportação de R$ 25.712.300,09, distribuídos mensalmente conforme o quadro acima. (...). (destaques acrescidos) O Termo de Verificação Fiscal contido no processo 19311.720238/2016 45, por sua vez, foi acostado às efls 299 a 331 e faz parte integrante e indissociável deste processo, nele constando os fundamentos para a glosa dos créditos. Fl. 1264DF CARF MF 6 No referido Termo de Verificação Fiscal, de efls 299 a 331, a fiscalização registra a verificação por amostragem dos documentos fiscais e das declarações, bem como descreve a atividade da contribuinte como "a industrialização e a comercialização de açúcar, álcool e geração e comercialização de energia térmica e elétrica". Transcreve os dispositivos legais pertinentes à apuração de créditos (Lei nº 10.637/2002, art. 3º, incisos I, II, IV, V, VII e IX; IN SRF nº 247/2002, art. 66, incisos I, II e IV, §§ 1º e 2º; Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos I, II, III, IV, VI, VII, VIII e IX, §1º, inciso III, §2º, incisos I e II, e art. 15, inciso V; IN SRF nº 404/2004, art. 8º, incisos I, II, III e IV; IN SRF nº 457/2004, art. 1º, incisos I e II, §3º, inciso II, art. 2º, incisos I, II e III, §1º; Lei nº 10.925/2004, art. 1º, inciso XXII, art. 8º, §1º, inciso III, §§2º e 3º, inciso III; IN SRF nº 660/2006, art. 5º, inciso I, alínea "e", art. 9º, parágrafo único, incisos I e II). E conclui que o legislador optou por listar de forma exaustiva os bens e serviços capazes de gerar créditos e atrelou a determinada atividade, dizendo que a aquisição de um bem ou serviço, mesmo que listado, poderá ou não gerar crédito a ser descontado, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Afirma que, em relação à atividade econômica realizada pela contribuinte, isto é, indústria de açúcar e álcool (recepção da cana > limpeza da cana > preparo para moagem ou difusão > extração do caldo > tratamento do caldo através de calagem, sulfitação, fosfatação, carbonatação e uso de óxido de magnésio > açúcar ou álcool), e geração de energia térmica e elétrica, tendo em vista a legislação que rege a matéria, podem ser descontados créditos do PIS e da Cofins calculados somente sobre os sobre os gastos com os seguintes itens: a) Materiais utilizados como insumos e aplicados diretamente na fabricação do açúcar e do álcool e na geração de energia térmica ou elétrica; b) Fretes sobre o transporte dos fornecedores desses insumos até o estabelecimento do adquirente; c) Serviços e peças de manutenção das máquinas de produção do açúcar e do álcool e de geração de energia térmica ou elétrica; d) Energia elétrica consumida em seus estabelecimentos; e) Leasing mercantil; f) Aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa; g) Aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa; h) Fretes e armazenagem nas operações de vendas; i) Encargos de depreciação calculados sobre o custo de aquisição dos prédios e máquinas e equipamentos de produção; e j) Crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 5 7 de açúcar destinado diretamente à alimentação humana. Neste caso, deve ser observado que o aproveitamento do crédito presumido está limitado ao PIS e à Cofins apurados sobre as Receitas de Vendas de Açúcar destinado à alimentação humana, ou seja, não poderá, por exemplo, ser descontado das contribuições apuradas sobre as receitas de vendas de álcool ou etanol. Acusa que, em análise da Escrituração Contábil Digital ECD (contas contábeis 1010403066 – PIS Não Cumulativo a Recuperar – Presumido Cana, 1010403065 –PIS Não Cumulativo a Recuperar – MI – Tributável, 1010403043 PIS Não Cumulativo a Recuperar – Não Tributável, 1010403044 – PIS Não Cumulativo a Recuperar – ME, 1010403064 – Cofins Não Cumulativo a Recuperar – Presumido Cana, 1010403063 – Cofins NãoCumulativo a Recuperar – MI – Tributável, 1010403049 – Cofins NãoCumulativo a Recuperar – Não Tributável, 1010403050 Cofins NãoCumulativo a Recuperar – ME, 1030202002 – Máquinas e Equipamentos – Depreciação Acumulada, 1030214002 –Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 – Benfeitorias – Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios – Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido), da Escrituração Fiscal Digital EFDContribuições e do DACON, constatou e glosou os seguintes créditos, por não se enquadrarem no conceito de insumo nem estarem listados nas hipóteses legais de permissão de creditamento: a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD –Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; Fl. 1266DF CARF MF 8 h) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido de máquinas, equipamentos, instalações, benfeitorias e edifícios, conforme registros contábeis nas contas 1030202002 –Máquinas e Equipamentos– Depreciação Acumulada, 1030214002– Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 –Benfeitorias – Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios –Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido, o que contraria a vedação expressa contida no artigo 2º, § 1º da IN SRF nº 457, de 2004; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag); j) Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria; k) Desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açúcar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes; l) Desconto de crédito presumido sobre valor superior ao PIS e à Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açúcar. Quanto à impossibilidade do desconto dos créditos acima mencionados, cita ementa do Acórdão nº 1461.092, desta 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, bem como da Solução de Consulta DISIT/SRRF 9ª RF nº 24, de 2010. Por fim, ressalta que foram também glosados integralmente os créditos remanescentes de meses anteriores informados nas fichas 14A (R$ 22.919.568,79) e 24A (R$ 105.043.054,09) do DACON do período de apuração de janeiro/2012, tendo em vista o resultado da ação fiscal sobre os períodos do anocalendário 2011, que concluiu pela insuficiência de crédito para a compensação de todos os débitos vinculados, conforme consta no processo nº 10880.723546/201512 e nos PER/DCOMP nºs 07655.74178.300312.1.3.09 5954 e 38976.31164.140812.1.1.085200. Destaca que os valores do PIS/Pasep e da Cofins devidos pela contribuinte em razão das glosas de valores erroneamente descontados a título de créditos estão detalhados no demonstrativo e nas planilhas de cálculo, anexos a este Termo de Verificação Fiscal. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório SAORT/DRF Bauru/SP nº 169/2017, em 03/05/2017, conforme Termo de Abertura de Documento no eprocesso. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 6 9 Em 01/06/2017 a interessada apresentou sua Manifestação de Inconformidade, acompanhada de documentos, conforme Termo de Solicitação de Juntada no eprocesso. Após afirmar a tempestividade da defesa, requer o julgamento em conjunto desta defesa com as demais apresentadas nos processos listados abaixo, eis que conexos, pois possuem idênticos (i) quadro fático e discussão de direito (similitude de objetos creditórios/conceito de insumos para crédito de "PIS" e "COFINS"/depreciação de ativo imobilizado), e (ii) pedido e causa de pedir, apenas diferenciandose com relação aos trimestres dos anoscalendário de 2012 e 2013 e alternando as referidas contribuições sociais. (omissis) Fundamentase nos arts. 55, §§ 1º e 3º, 56 e 58 do Código de Processo Civil, com supedâneo no art. 15 do mesmo Código processual. Na sequência, faz um breve resumo dos fatos, acusando que o TVF relacionado ao 4º trim/2012 (doc. 03) indicou os valores pleiteados, bem como os montantes deferidos e indeferidos pela fiscalização com relação ao presente Pedido de Ressarcimento, contudo não discriminou as rubricas relacionadas aos valores dos créditos deferidos e indeferidos. E que na fundamentação da decisão a autoridade fiscal adotou, de forma genérica, os termos do TVF que faz parte do auto de infração controlado no processo nº 19311.720238/201645 (doc. 04), "que abarca o período completo dos anoscalendário de 2012 e 2013 e, portanto, não explicitou, de forma individualizada as razões para o não reconhecimento de parte do crédito pleiteado, importando em ausência de fundamentação do ato administrativo, em clara violação às disposições contidas no artigo 93, inciso IX, da Constituição do Brasil, bem como artigo 59, do Decreto 70.235/72." Acrescenta que no referido TVF do auto de infração a autoridade fiscal ignora a atividade econômica da produção agrícola e menciona jurisprudência que discorre apenas acerca da possibilidade de creditamento sobre insumos integrados diretamente aos bens destinados à venda (açúcar e álcool). Afirma que a falta de motivação se verifica de plano, na medida que o malfadado TVF que instruiu o auto de infração controlado no processo nº 19311.720238/2016 45 (i) não esclarece o conceito de insumo adotado frente a Fl. 1268DF CARF MF 10 cada item (bem e serviço) adquirido, bem como (ii) não traz um cotejo entre a glosa dos créditos (indeferimento do direito creditório neste Pedido de Ressarcimento) e a inaplicabilidade dos bens no processo produtivo da requerente, que necessariamente contempla a fase agrícola. E que a simples menção de encampar as razões do auto de infração controlado em outro processo, de nº 10880.723546/201512, não é suficiente, por si só, para justificar o indeferimento dos créditos neste caso, diante do dever de obediência ao art. 37 da CF/88, além dos requisitos do art. 142 do CTN e dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72. Destaca que, por o TVF do Despacho Decisório relativo ao “2º trim/2013” (doc. 03) ser omisso quanto às rubricas cujos créditos não restaram reconhecidos, a contribuinte tomou como base as glosas efetuadas no processo nº 19311.720238/201645, incidentes sobre depreciação do ativo imobilizado, cujo cálculo considerou o valor integral das contas contábeis onde foram registrados, supostamente reavaliadas (item 'H' do Auto de Infração), a fim de demonstrar que o presente Pedido de Ressarcimento não abarcou qualquer crédito relacionado a bens reavaliados, "já que a Requerente não procedeu com a correção dos custos de aquisição daqueles bens, bem como em relação a muitos daqueles bens sequer registrou crédito, de modo que não existe pleito de reconhecimento creditório sobre bens alegadamente reavaliados pela DD. Autoridade Fiscal, bem como bens que sequer registra crédito de Contribuições Sociais sobre a depreciação de diversos deles". Também aqui acusa ausência de fundamentação no Despacho Decisório. Informa que as contas contábeis patrimoniais cujos códigos são iniciados com o número 10 (ex: 1030202002) referem se a lançamentos por depreciação mensal ao passo que a conta contábil nº 3040699007 se reporta à contrapartida contábil de todas aquelas contas patrimoniais, baseandose a fiscalização na simples denominação da conta contábil nº 3040699007, que contém a expressão “Custo Corrigido”. Ressalta que a própria IN SRF nº 457/2004 autoriza o desconto de crédito sobre o encargo de depreciação dos bens arrolados nas contas contábeis indicadas pela fiscalização, o que evidencia que sequer foi analisado o conteúdo dos documentos fornecidos pela contribuinte (os bens arrolados). Porém, afirma ser fato não ter reavaliado os bens contidos naquelas contas contábeis, sequer havendo nos autos prova nesse sentido, dizendo ter havido erro na descrição dos fatos cumulado com a falta de intimação específica para esclarecimentos, denotando violação aos art. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72, e ao art. 142 do CTN. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 7 11 Aponta como prova da não reavaliação dos bens contidos nas contas citadas aquele bem registrado sob o código BAR2 1634590 (Sistema Irrigação Edra Mod Sied 1) na conta contábil “1030202002 – Máquinas e Equipamentos”, que possui vida útil de 10 anos e se deprecia como regra em igual período, conforme IN SRF nº 162/98. Diz que simples cálculo matemático conduz à conclusão de que a depreciação está ocorrendo na proporção autorizada, sem qualquer atualização do custo de aquisição, não havendo fundamento para a glosa procedida naquele processo, reiterando inexistir Pedido de Ressarcimento sobre alegadas diferenças de atualização do custo dos bens. Apresenta planilhas anexas (docs. 06 a 08) indicando os bens do ativo permanente sobre os quais foi tomado crédito (indicado pelo número 1 na coluna “Vinc. Prod.”) e os bens sobre os quais não houve crédito (indicado pelo número 2 na mesma coluna), ressaltando que do total de 40.664 ativos não tomou crédito sobre encargo de depreciação sofrido por 13.327 dos bens (32,77%). Acusa que mesmo se tivesse reavaliado – o que não fez – a fiscalização glosou indiscriminadamente os encargos de depreciação, incluindo glosas sobre créditos que jamais foram tomados. Julga, assim, evidente a nulidade, diante da violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Do contrário, protesta pela realização de diligência e perícia para que se verifique a inexistência de qualquer correção do custo de aquisição dos bens do ativo imobilizado e para que a autoridade fiscal esclareça sob quais fundamentos veio a concluir que a contribuinte teria corrigido o custo dos bens dessas contas e se creditado deles, bem como que tais diferenças teriam sido objeto do presente Pedido de Ressarcimento. No mérito, aponta que o TVF contido no processo nº 19311.720238/2016 45 adota conceito restritivo para insumo, concluindo, a partir da atividade da requerente, não ser possível o crédito sobre (i) bens e serviços aplicados na fase agrícola de produção de cana de açúcar principal insumo da agroindústria sucroalcooleira, (ii) determinadas etapas de preparo da cana à fase de produção industrial, bem como (iii) despesas relacionadas à movimentação portuária para exportação de produtos finais. Destaca inexistir neste processo pedido de crédito presumido da agroindústria, pois delimitado o pedido de ressarcimento às despesas vinculadas a receitas de exportação. Mediante largo arrazoado, toma o conceito de insumo adotado pela jurisprudência administrativa e judicial e pela doutrina, centrado, basicamente, na essencialidade dos bens e serviços na Fl. 1270DF CARF MF 12 atividade da empresa e que integram o custo de produção (direta ou indiretamente), a fim de comprovar a possibilidade de gerar créditos sobre bens e serviços utilizados também na fase de produção agrícola (cana de açúcar usada como matéria prima na fabricação de açúcar e álcool), amparada por laudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz ESALQ na descrição de sua atividade e etapas de produção agrícola (doc. 05). Ressalta que dentro dos custos de produção do açúcar e do álcool os gastos com a área agrícola correspondem a quase 70% do total. Diz que a discussão se insere na verticalização da produção, quando é o próprio contribuinte quem fabrica a matériaprima (in casu, cana de açúcar), sobre a qual a jurisprudência administrativa já está sedimentada no sentido de ser plenamente possível se creditar desses insumos. Registra existir decisões do CARF que beneficiam, inclusive, a própria recorrente nos períodos de 2006 e 2009. Desta forma, conclui que todos os bens e serviços com créditos indeferidos pela fiscalização e que compuseram o custo de produção deverão ser considerados como insumos para fins de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins. Destaca o seu objeto social, constante do estatuto, como “(i) a produção, venda e comercialização de açúcar de canade açúcar e seus subprodutos, dentro ou fora da República Federativa do Brasil; (ii) a produção de etanol de canade açúcar e de subprodutos do etanol, dentro ou fora da República Federativa do Brasil, sua venda nos países onde são produzidos pela Cia. e sua comercialização dentro ou fora da República Federativa do Brasil; (iii) o desenvolvimento e licenciamento de tecnologia relativa à produção de canadeaçúcar, seus subprodutos e etanol (não apenas a partir da canadeaçúcar) dentro ou fora da República Federativa do Brasil; (iv) a produção e venda, nas instalações da Cia., de vapor e eletricidade gerados a partir de insumos e subprodutos do processo de produção de canadeaçúcar, de matériasprimas usadas para essa cogeração e de quaisquer produtos derivados resultantes dessa cogeração; (v) o investimento em, e a operação de, infraestrutura logística relativa a açúcar de canadeaçúcar ou a etanol (não apenas a partir da canadeaçúcar), incluído dutos no Brasil e nos demais países em que a Cia. produza açúcar de canadeaçúcar, etanol ou seus subprodutos; (vi) o transporte de passageiros e de carga, incluindo transporte de passageiros e mercadorias sobre a água; (vii) a exploração agrícola de terra de propriedade da Cia. ou de terceiros; (...)”. E acusa ser absolutamente restritivo o entendimento esposado no Acórdão DRJ/RPO nº 1461.092 – 11ª Turma de Julgamento, tomado como fundamento pela fiscalização, pois denota o total desconhecimento do processo produtivo/industrial de obtenção do açúcar e do álcool a partir da cana de açúcar. Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 8 13 Traz detalhes do processo produtivo industrial (agroindústria), dizendo que a cana de açúcar é o principal insumo para a fabricação do açúcar e do álcool, cujo volume de participação da fase agrícola fica nítido em cada uma de suas fases, que se inicia antes do efetivo plantio, com estudos técnicos para delimitação da área de implantação da unidade industrial e de plantio, abrangendo ainda: arrendamento ou aluguel de terras; análise de tipo de solo; preparação do solo para plantio (aração profunda, gradagem, subsolagem, curvas de nível, abertura de estradas; calagem); seleção e melhoria das mudas (aprimoração genética, campos de multiplicação, transferência para viveiros, transporte para o campo); plantio (utilização de maturadores, herbicidas); corte, carregamento, transporte para unidade industrial, utilização de procedimentos físicoquímicos para transformação em açúcar e álcool. Conclui ser de rigor reconhecer que todos os dispêndios incorridos com bens e serviços adquiridos na fase agrícola (principal etapa do processo produtivo), tais como na preparação do solo, plantio da cana, corte, colheita e transporte do campo até a área industrial, são totalmente imprescindíveis ao desenvolvimento do seu processo produtivo/industrial. Passa, então, a rebater cada uma das glosas que supõe sejam objeto do despacho decisório recorrido, já que nele não individualizadas. DAS DESPESAS COM EMBALAGENS DE TRANSPORTE (“BIGBAG”) E PALLETS ITEM A DO “TVF DO AUTO DE INFRAÇÃO” Acusa que a fiscalização não considerou passível de crédito as despesas com embalagens e itens de transporte da cana de açúcar, diante do conceito restritivo de insumo. Explica que as embalagens tipo big bag, containers e sacos são diretamente utilizadas e se desgastam no leva e traz dos insumos e produtos (como a cana e o açúcar) entre as unidades fabris e os centros agrícolas, sendo evidente a sua essencialidade e utilização no processo produtivo, pois possibilitam a movimentação em grande escala. Contra a glosa dos créditos de pallets de madeira, acusa inexistir uma única linha no TVF que menciona essa negativa, o que também contribui para a nulidade arguida. De todo modo, esclarece que são itens usuais e se inserem no contexto do acondicionamento e transporte de insumos e estocagem dos produtos intermediários e finais, sendo utilizados como suporte para as embalagens. Conclui, portanto, pela essencialidade no processo produtivo, observando que as embalagens e os pallets também compõem o custo de produção e são utilizados no transporte de insumos internos e entre estabelecimentos produtores. Cita jurisprudência. Fl. 1272DF CARF MF 14 DESPESAS COM SERVIÇOS DE MECANIZAÇÃO AGRÍCOLA ITEM B DO “TVF DO AUTO DE INFRAÇÃO” Contra a utilização do conceito restritivo de insumo e da impossibilidade de tomar crédito na fase agrícola reitera o quanto já exposto na defesa, dizendo que os serviços de mecanização agrícola referentes a (i) preparação do solo, (ii) plantio, (iii) cultivo, (iv) adubação, (v) pulverização de inseticidas e (vi) colheita mecanizada são essenciais ao processo produtivo, na medida em que a cultura da canadeaçúcar seria inviável sem a realização de quaisquer uma destas etapas. Acrescenta que os dispêndios com as atividades de preparo da área de plantio, do trato da canadeaçúcar e da soca (que é a canadeaçúcar de segundo corte), a colheita, o carregamento e a abertura de estradas, são determinantes para o desenvolvimento das atividades produtivas/industriais desenvolvidas pela contribuinte. Cita jurisprudência. DESPESAS COM MATERIAIS DIVERSOS APLICADOS NA LAVOURA ITEM ‘C’ DO “TVF DO AUTO DE INFRAÇÃO” Diz que, pelas próprias razões fiscais, os materiais diversos são aplicados na lavoura da cana, e, na linha do quanto discorrido acima, devem ser considerados insumos, uma vez que intrinsecamente relacionados à produção agrícola. Traz exemplos dos itens glosados concluindo que, pelo próprio teor dos itens, já se verifica serem todos serviços e peças de reposição de máquinas e equipamentos agrícolas, os quais, inclusive, integram o custo de produção. Destaca que a produção agrícola é intensiva, de modo que as fases agrícola e industriais seguem ininterruptamente, necessitando os bens frequentemente de reparos e reposição de peças devido o desgaste sofrido. Cita jurisprudência. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE DA CANA COLHIDA NAS LAVOURAS DA REQUERENTE ATÉ A USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL ITEM ‘D’ DO “TVF DO AUTO DE INFRAÇÃO” Mais uma vez, mediante os mesmos argumentos, contrapõese ao conceito restritivo de insumo e da impossibilidade de tomar crédito na fase agrícola, mormente sobre despesas com transporte da cana colhida entre a lavoura e a usina de açúcar e álcool, diante do fato da cana ser seu principal insumo, sendo tal transporte serviço essencial para a produção industrial. Alega que o transporte do insumo dentro do próprio estabelecimento da contribuinte também deve ser considerado insumo da produção, pois sem ele o insumo não seria movimentado dentro do contexto do processo produtivo. Além disso, destaca que tal transporte integra o custo de produção. Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 9 15 Cita jurisprudência e requer o reconhecimento do crédito sobre despesas de transporte entre a lavoura e a usina – transporte interno de insumo entre estabelecimentos da própria contribuinte. DESPESAS PORTUÁRIAS (TRANSPORTE INTERNO) ITEM ‘E’ DO “TVF DO AUTO DE INFRAÇÃO” Contrapõese à glosa de serviços de estufagem de contêineres, transbordo e elevação portuária, dizendo que tais despesas de exportação são absolutamente essenciais à atividade para viabilizar a comercialização internacional de seus produtos finais (açúcar e álcool), devendo ser admitidos como insumos. Afirma que os serviços são terceirizados e que o frete para venda das mercadorias é amplamente aceito pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para fins de creditamento. Entende que as despesas portuárias, no presente caso, nada mais são do que despesas de fretes utilizadas na comercialização internacional das mercadorias. E que o mesmo entendimento deve ser empregado ao frete realizado entre estabelecimentos da mesma empresa de produtos acabados, na medida que igualmente compõe o custo do bem, de acordo com a legislação comercial. Diz que as despesas portuárias são custos de produção, figurando como responsável pela manutenção dos seus produtos em instalações portuárias antes da remessa ao exterior. Cita jurisprudência. DESPESAS COM PEÇAS DE REPOSIÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DO PROCESSO PRODUTIVO ITEM ‘F’ DO “TVF DO AUTO DE INFRAÇÃO” Diz que a glosa se deu sobre diversos itens que não teriam sido identificados na EFDContribuições como insumos, utilizados tanto na área agrícola como na industrial. Alega que são peças de reposição freqüentemente utilizadas pelos mais variados setores industriais, cujo crédito foi indeferido sem se atentar às atividades desempenhadas na fase industrial da produção da recorrente. Acusa que até na acepção restritiva tais bens poderiam ser considerados insumos, diante da obviedade da sua utilização. Cita jurisprudência e a Solução de Divergência COSIT nº 13/2013, acrescentando que a leitura do laudo da ESALQ pode dirimir eventual dúvida acerca da aplicação dos itens. DESPESAS COM SERVIÇOS, PEÇAS DE MANUTENÇÃO, ÓLEOS E COMBUSTÍVEIS APLICADOS NO MAQUINÁRIO DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA ITEM ‘G’ DO “TVF DO AUTO DE INFRAÇÃO” Aponta que a Fiscalização não reconheceu o direito de crédito sobre despesas referentes a Fl. 1274DF CARF MF 16 aquisição de óleo diesel combustível, graxas, lubrificantes, serviços de manutenção, pneus e peças de reposição; todos estes bens aplicados aos (i) tratores, (ii) colhedeiras, (iii) ônibus e (iv) caminhões vinculados à produção canadeaçúcar. E que conforme demonstrado na descrição de suas atividades: (...) os (i) tratores são utilizados, dentre outras necessidades na lavoura, na fase de preparação do solo para plantio (gradagem e subsolagem), etapa absolutamente essencial à produção agrícola da canadeaçúcar, de modo que devem ser considerados como insumos os bens aplicados para abastecimento desses equipamentos (óleo diesel, graxas e lubrificantes), bem como peças de reposição, pneus e serviços de manutenção, imprescindíveis para que os bens de produção sigam em funcionamento; As (ii) colhedeiras de cana, por sua vez, como o próprio nome indica, são equipamentos utilizados na colheita da canade açúcar, que sem eles fica inviabilizada a colheita da canade açúcar, de modo que deve ser deferido o creditamento de itens de abastecimento, peças de reposição, pneus e manutenção desses equipamentos agrícolas. Os (iii) ônibus são utilizados pela REQUERENTE para transporte dos funcionários na lavoura da canadeaçúcar, de modo que são absolutamente essenciais no contexto produtivo para levar e trazer os empregados a seus postos de trabalho. Assim, também deve ser deferido o creditamento sobre despesas com abastecimento, peças de reposição e manutenção destes maquinários. Já os (iv) caminhões são utilizados no transporte da canade açúcar dentro do contexto do processo produtivo. Estes maquinários agrícolas são responsáveis pelo transporte da canadeaçúcar entre estabelecimentos da REQUERENTE, nos trajetos entre a lavoura e a usina, conforme destacado na Seção V.3.4 (item d) desta Manifestação de Inconformidade. Dessa forma, deve ser reconhecido o direito ao crédito sobre itens de abastecimento (óleo diesel, graxas e lubrificantes), bem como peças de reposição, pneus e manutenção utilizados como insumos para caminhões. Afirma que o laudo elaborado pela ESALQ destaca a essencialidade destes bens e acrescenta que o óleo diesel, graxas e lubrificantes são utilizados diretamente no abastecimento das referidas máquinas agrícolas, sendo também absolutamente essenciais para a produção agrícola, integrando seu custo de produção. Cita jurisprudência a seu favor em processo no qual figura como interessada no ano de 2009, segundo a qual, inclusive, foi reconhecido o direito a despesas com transporte de pessoal na lavoura (insumos aplicados aos ônibus). Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 10 17 Acrescenta que o direito ao crédito sobre o óleo diesel decorre do art. 3º, §8º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e art. 3º da Lei nº 10.833/2003, pelos quais está a requerente autorizada, a seu critério, optar pelo regime de rateio proporcional. E que a manutenção do crédito do óleo diesel adquirido é possível em razão do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, mesmo que posteriormente revendido. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO ITEM ‘I’ DO “TVF DO AUTO DE INFRAÇÃO” Diz que a Fiscalização nega o direito ao crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre os seguintes grupos de bens do ativo imobilizado: (i) veículos automotores; (ii) móveis e utensílios; (iii) licenças e softwares; (iv) equipamentos de informática; (v) embarcações fluviais; (vi) aeronaves; e (vii) contêineres utilizados em transporte de açúcar. Reitera a precariedade do trabalho fiscal, “na medida em que a DD. AUTORIDADE FISCAL pode ter considerado indeferimentos em seu levantamento no “TVF do Despacho Decisório” do período sobre depreciação de ativos imobilizados das contas contábeis respectivas, em relação as quais a REQUERENTE sequer se creditou”. Aponta que naquela oportunidade restou identificado nas planilhas apresentadas que não houve o crédito relacionado a boa parte dos ativos imobilizados lançados na contabilidade, de modo que a consideração daqueles valores de cálculo do valor ora cobrado pelo indeferimento do crédito implica em exigência de tributo que não é devido. Reitera, também, que caso não seja reconhecida a afirmação de defesa, requer a baixa em diligência “para que a DD. AUTORIDADE FISCAL confirme (i) quais os bens em relação aos quais tomouse o crédito, bem como (ii) o valor do crédito correspectivo, e retificando o levantamento fiscal”. Com relação aos bens sobre os quais, de fato, tomou crédito das contribuições, indicados com o número 1 nas colunas “E” e “G” das planilhas do período global fiscalizado pelo “TDPF” (docs. 06 a 09 – protocolos suplementares), julga regular seu procedimento. Alega que todos esses itens são essenciais ao seu processo produtivo, ainda mais diante da já demonstrada relevância da etapa agrícola no ciclo agroindustrial. E que, segundo a fiscalização, em razão dos bens, supostamente, não serem empregados diretamente na industrialização dos produtos finais, Fl. 1276DF CARF MF 18 sua “amortização” não poderia ser considerada para fins de creditamento. Entende ser imperioso o direito ao crédito sobre encargo de depreciação, nos termos do art. 3º, §1º, inciso III, c/c inciso VI do caput, de ambas as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, dada a essencialidade e integração daqueles bens ao processo produtivo agrícola. Discorre acerca da cada conta contábil, vinculando todos os bens à atividade agrícola. Especificamente acerca da conta “licenças e softwares” , observa que a fiscalização, ao considerar somente a sua denominação, concluiu que tais ativos seriam destinados ao setor administrativo, quando, na verdade, destinamse também ao setor agrícola, pois são ativos tecnológicos aplicados aos maquinários utilizados nas lavouras, assim como os itens da conta "equipamentos de informática". E complementa: Ainda mais grave – e novamente – o “TVF do Auto de Infração” menciona glosas naquela autuação do período sobre equipamentos sobre os quais não foi tomado o crédito e, portanto, ainda que a glosa dos softwares fosse devida em razão do restritivo conceito de “insumo” adotado pela fiscalização, jamais poderia haver glosa de “não créditos”. Aliado a isso, a DD. Autoridade Fiscal não pode inserir no montante de crédito indeferido valores referentes a rubricas sobre as quais a REQUERENTE sequer pleiteia o direito ao crédito. Dessa forma, devem ser deferidos os créditos (i) sobre encargos de depreciação de softwares, uma vez que são parte do ativo imobilizado essencial e pertinente ao processo produtivo agrícola e (ii) canceladas as cobranças sobre bens os quais não houve crédito (mais uma vez, remetese aqui à precariedade do trabalho fiscal e a ausência de fundamentação descrita na Seção IV.1 desa defesa). Também especificamente acerca da conta "aeronaves", observa que possui apenas um item Aeronave King Air B200GT BY 118, sobre o qual a pessoa jurídica sequer se creditou de PIS/Pasep e Cofins, de modo que esse valor não pode ser considerado no indeferimento do direito creditório. Novamente cita jurisprudência a seu favor em processo no qual figura como interessada, inclusive. Afirma que, além da demonstração individual, a análise do Laudo/Parecer Técnico (Doc. nº 05) e a descrição das atividades da recorrente permitem verificar a pertinência e a relevância de cada um daqueles itens para o desenvolvimento das atividades. DESPESAS COM TRATAMENTO DE ÁGUA, RESÍDUOS E ANÁLISES LABORATORIAIS – AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DESTE INDEFERIMENTO NO “TVF DO AUTO DE INFRAÇÃO” Acusa, também aqui, que os créditos relacionados a tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais concorrem para a nulidade, porque não foram sequer Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 11 19 mencionados no TVF que acompanha o auto de infração (processo nº 19311.720238/201645), a despeito de computados nos cálculos ali elaborados, de modo que o indeferimento do respectivo direito creditório não poderia subsistir, pois descumprido um dos requisitos para o lançamento ausência de determinação da matéria tributável. Ainda que assim não se entenda, julga que no mérito deve ser reconhecido o direito creditório, presumindo que o indeferimento teria ocorrido em razão do restritivo conceito de insumo e da impossibilidade de tomar crédito na fase agrícola. Adota a mesma linha de defesa de que tais despesas são essenciais na fase agrícola, fundamentandose, novamente, na jurisprudência a seu favor. Além disso, argumenta que são atividades obrigatórias do ponto de vista regulatório, em atendimento à legislação ambiental vigente, em especial a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), sendo requisito para renovação dos alvarás de funcionamento das usinas de açúcar e álcool. Ao final, mesmo tendo sido expressamente mencionado no TVF do Despacho Decisório sobre não constar no Pedido de Ressarcimento o crédito presumido, relaciona abaixo os documentos comprobatórios dos equívocos fiscais sobre os créditos glosados no Auto de Infração, de modo a confirmar no Despacho Decisório sobre a inexistência de créditos sobre estes temas no Pedido de Ressarcimento: · Doc. nº 10, protocolo suplementar de documentos – Demonstração dos equívocos nas glosas sobre crédito presumido na aquisição de canadeaçúcar; · Doc. nº 11, protocolo suplementar de documentos – Demonstração dos equívocos nas glosas sobre crédito presumido de operações de comercialização de açúcar para empresas produtoras de bebidas destinadas ao consumo humano; · Doc. nº 12, protocolo suplementar de documentos – Demonstração dos tipos de açúcares e respectivos valores das operações dos períodos, que foram destinados para empresas produtoras de bebidas destinadas ao consumo humano; e · Doc. nº 13, protocolo suplementar de documentos – Demonstração do equívoco na glosa de suposto crédito presumido de canadeaçúcar, quando na realidade o crédito apurado se trata do crédito presumido de etanol. Repisa o pedido de diligência, indica seu perito e formula seus quesitos sobre os seguintes temas: (i) Em relação ao item ‘H’ do “TVF do Auto de Infração” – itens que sequer são objeto de pedido de ressarcimento, porém conforme analisado não foram delimitados pelo “TVF do Fl. 1278DF CARF MF 20 Despacho Decisório” – “i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido de máquinas, equipamentos, instalações, benfeitorias e edifícios, conforme registros contábeis nas contas 1030202002 – Máquinas e Equipamentos – Depreciação Acumulada, 1030214002– Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 – Benfeitorias– Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios – Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido, o que contraria a vedação expressa contida no artigo 2º, § 1º da IN SRF nº 457, de 2004;”, tendo em vista que a REQUERENTE não reavaliou os bens do ativo imobilizado nas contas indicadas, bem como sequer tomou crédito sobre encargos de depreciação de diversos bens, conforme evidenciado anteriormente, é essencial a conversão em diligência, tendo em vista a absoluta ausência de análise do conteúdo das contas contábeis e seus itens pela fiscalização, para apurar sobre quais documentos concluiu que a REQUERENTE teria corrigido o custo desses ativos, e sobre quais bens houve crédito e qual o seu valor. ... (ii) Em relação ao item ‘I’ do “TVF” – “i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e contêineres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag);”, tendo em vista que a REQUERENTE não tomou crédito em relação a diversos bens objeto de indeferimento creditório, conforme evidenciado anteriormente, é essencial a conversão em diligência, tendo em vista a absoluta ausência de análise dos itens pela fiscalização, para apurar sobre quais bens houve crédito e qual o seu valor. ... (iii) No que diz respeito ao direito de crédito – mérito dos insumos: ... Encerra com o seguinte pedido: Ante o exposto, a REQUERENTE requer às Vossas Senhorias que seja dado provimento à Manifestação de Inconformidade, para que, acolhendose a preliminar de nulidade, seja integralmente anulado o Despacho Decisório, para reconhecimento da integralidade do direito creditório pleiteado. Caso assim não se entenda, requerse o deferimento do pleito para produção de prova pericial, bem como, ainda com relação às preliminares arguidas: i) Item “H”, sejam integralmente anuladas eventuais somas de valores aos indeferimentos de créditos perpetrados pela D. Autoridade Fiscal, que não tenham sido pleiteados pela REQUERENTE, pela completa e manifesta precariedade do trabalho fiscal, tendo em vista que a REQUERENTE em nenhum Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 12 21 momento corrigiu o custo dos bens indicados nas contas, bem como sequer toma crédito de “PIS” e “COFINS” sobre diversos dos ativos nelas contidas. Caso assim não se entenda, requerse a baixa do julgamento do processo em diligência nos termos do requerido na Seção VI; e ii) Parcial do item “A”, referente ao indeferimento dos direitos creditórios sobre pallets de madeira, e sobre captação e tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais, sejam anulados integralmente, por não constarem no “TVF do Auto de Infração” e tampouco no “TVF do Despacho Decisório”, em flagrante infringência aos princípios da transparência, boafé, direito de defesa e contraditório. No mérito, requer o provimento à Manifestação de Inconformidade, para, com relação aos Itens “A (incluindo a aquisição de pallets de madeira), B, C, D, E, F, G e I”, e sobre captação e tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais, seja integralmente provida para homologação integral do creditório originalmente pleiteado, tendo em vista o enquadramento desses bens e serviços adquiridos como insumos, bem como que foram regularmente tomados créditos sobre encargos de depreciação sobre bens do ativo imobilizado vinculados à produção. A 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1475.856, de 22/11//2017 (fls. 954 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 PROVAS. A prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência e perícia em se tratando de prova a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COFINS. CRÉDITOS VINCULADOS A Fl. 1280DF CARF MF 22 OPERAÇÕES DO MERCADO EXTERNO. CONEXÃO PROCESSUAL. Baseandose o Despacho Decisório em auto de infração controlado em processo específico, cuja impugnação já foi objeto de decisão em Primeira Instância Administrativa, sujeita a recurso de ofício necessário, a matéria questionada não comporta nova análise em mesma esfera de julgamento, adotandose iguais razões de decidir daquela decisão, exceto com relação à inovação trazida em sede de diligência, cuja análise deve prosseguir no âmbito do reconhecimento do direito creditório, sob aspecto distinto. A despeito de acolhidas as mesmas razões de decidir, deixase de implementar o resultado do julgamento constante de decisão de Primeira Instância sujeita a recurso de ofício necessário, dado que atinge a certeza e liquidez exigida no art. 170 do CTN, para fins de ressarcimento e/ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1042 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou vários pedidos de ressarcimento e, após analisálos, a unidade de origem promoveu lançamento do PIS/Cofins devidos nos períodos de apuração de 01/2012 a 12/2013 (processo administrativo nº 19311.720238/201645, ora também examinado), em face da escrituração de créditos indevidamente descontados na apuração. Deferido em parte o crédito e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua parcialmente procedente, daí a interposição do recurso voluntário. Em síntese, a Recorrente, grosso modo, repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. E pede o julgamento conjunto do presente processo com outros de seu interesse em que se debatem as mesmas matérias. É o que se fará nesta assentada. Preliminarmente, a Recorrente sustenta a nulidade do Despacho Decisório, ao argumento de carência de motivação e de que não haveria a necessária individualização das glosas de créditos. Não é o que se vê dos autos. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 13 23 No próprio Despacho Decisório, consta a orientação de que maiores informações sobre a análise dos créditos poderiam ser obtidas no sítio eletrônico da RFB: Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Base Legal: Lei nº 10.637, de 2002, Lei nº 10.865, de 2004, art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 43 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Não fosse o bastante, como a própria Recorrente já indica, no bojo da mesma ação fiscal foram analisados vários outros processos de mesma natureza e efetuado um lançamento de PIS/Cofins integrado por Termo de Verificação Fiscal onde a mesma análise também foi depurada. Cabe ressaltar, ademais, que a eventual correção do Despacho Decisório (e também do lançamento) pelos órgãos que compõem o Contencioso Administrativa, mediante a reversão de créditos glosados pela fiscalização, não macula a decisão (ou mesmo o lançamento), senão que o conforma à legislação aplicável, considerada a jurisprudência administrativa e judicial. Rejeitada a preliminar de nulidade, passamos a reproduzir, pelos motivos já declinados, o nosso voto proferido no processo administrativo nº 19311.720238/201645, adotandoo, também aqui, como razão de decidir: Rejeitada a preliminar de nulidade, vemos que o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO Fl. 1282DF CARF MF 24 DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo ao conceito de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB. E aí glosou os seguintes créditos (consoante Termo de Verificação Fiscal): a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 14 25 contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; h) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido de máquinas, equipamentos, instalações, benfeitorias e edifícios, conforme registros contábeis nas contas 1030202002 – Máquinas e Equipamentos – Depreciação Acumulada, 1030214002 – Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 – Benfeitorias – Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios – Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido, o que contraria a vedação expressa contida no artigo 2º, § 1º da IN SRF nº 457, de 2004; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag); j) Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria; k) Desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes; l) Desconto de crédito presumido sobre valor superior ao PIS e à Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar. Consideradas as razões que fundamentaram a impugnação, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de dirimir algumas dúvidas. Foram elas: I. Quanto ao item “H” – “NULIDADE PARCIAL– INEXISTÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS” (fls. 981 a 988), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores. Apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. II. Quanto ao item “I” – “DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO” (fls. 1041 a 1047), considerando as alegações e documentos trazidos pela Fl. 1284DF CARF MF 26 IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado sobre os bens citados no referido item “I”, em desacordo com a legislação de regência. Também apresentar a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “I”. III. Por fim, dar ciência do resultado da diligência acima solicitada ao interessado, para que esse, se assim desejar, se manifeste sobre esta documentação no prazo de trinta dias, retornando, então, os autos a esta DRJ/RJO para julgamento. E no Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade que a realizou prestou as seguintes informações: Quanto ao item I, esclarece a fiscalização que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. No entanto, essas mesmas informações mostram que parte dos bens que serviram de base de cálculo do PIS e da Cofins e que foram classificados como máquinas e equipamentos, na verdade tratamse de outros veículos ou seus componentes, tais como tratores, dollys, transbordos, carregadeiras, carrocerias, reboques e semireboques. Sendo assim, não podem compor a base de cálculo dos créditos sobre depreciação, por falta de previsão legal. Quanto ao item II, segue anexo demonstrativo com planilha do recálculo das diferenças do PIS e da Cofins devidas, consideradas as exclusões das glosas sobre a reavaliação de ativos e levando em conta a memória de cálculo da depreciação apresentada pelo contribuinte às fls. 1453/1481 destes autos. A DRJ, então, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos seguintes: Manter integralmente as glosas relacionadas ao conceito de insumo nos itens “A” a “G” do Termo de Verificação Fiscal. Afastar a glosa relacionada à reavaliação de ativos no item “H” do Termo de Verificação Fiscal. Manter parcialmente a glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (desconsiderados os valores inovados na diligência). Afastar integralmente todas as glosas efetuadas em relação aos créditos presumidos apurados pelo contribuinte nos itens “J” a “L” do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 15 27 Manter o critério adotado de não considerar o saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo. O recurso de ofício, esclareçamos melhor, teve por fundamentos as seguintes matérias, que totalizaram a exoneração de crédito em limite superior ao de alçada: a) a reversão de créditos do PIS/Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, uma vez que as informações apresentadas na impugnação, e confirmadas na diligência, comprovam que não ocorreu a reavaliação do valor dos ativos; b) a manutenção parcial da glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (foram desconsiderados os valores inovados na diligência, uma vez que a DRJ acertadamente entendeu que tal procedimento equivaleria a alterar o lançamento originário); c) a reversão da glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial"; d) a reversão da glosa sobre crédito presumido oriundo de receita de vendas de açúcar não destinado à alimentação humana, mas à fabricação de bebidas e refrigerantes; e) a reversão sobre o desconto de crédito presumido superior ao PIS/Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar. Os motivos da exoneração de parte do crédito foram muito bem enfrentados no acórdão recorrido, razão pela qual passamos a adotálos, também aqui, como fundamento desta decisão, mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua transcrição, importante consideração, que, como se verá, nos levarão a adotar, no ponto a ser suscitado, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto, apenas quanto às matérias que levaram à exoneração de parte do crédito lançado, para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): DAS GLOSAS SOBRE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS Ítem “H” do Termo de Verificação Fiscal: Sobre essa glosa que a AUTORIDADE FISCAL chamou no Termo de Verificação Fiscal de “Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido”, não haviam informações suficientes para afirmar que os valores glosados eram créditos apurados e descontados pela IMPUGNANTE sobre encargos de depreciação calculados sobre a reavaliação de seus ativos. A IMPUGNANTE contestou que não reavaliou seus ativos. Fl. 1286DF CARF MF 28 Então, esta 16ª Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem apresentasse planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrassem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores e apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. A unidade de origem lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 1371 a 1374), contra a IMPUGNANTE, que atendeu e apresentou os documentos solicitados. Então, a unidade de origem, a DRF/JundiaíSP, no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1482 a 1484), conclui e esclarece que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. Por esse motivo voto por afastar a glosa em relação a este item. (...) DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO Ítem “I” do Termo de Verificação Fiscal: Cabe analisar as glosas sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado nos valores recalculados após a diligência. A unidade de origem, glosou créditos sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag) por entender não que não estão listados nas hipóteses que a legislação permite o creditamento do PIS e da Cofins. A IMPUGNANTE contestou. Afirma que foram realizadas glosas sobre depreciação de ativos imobilizados que sequer se creditou. Como os documentos anexados aos autos não deixaram claro que essas glosas foram efetuadas apenas sobre os creditos de PIS e COFINS efetivamente apurados pela IMPUGNANTE sobre a depreciação dos seus ativos, foi determinado em resolução à unidade de origem, que essa apresentasse planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado em desacordo com a legislação de regência e também apresentasse a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa. De modo a atender o que lhe fora exigido por meio de Resolução desta 16ª Turma de Julgamento, a DRF/Jundiaí intimou a IMPUGNANTE a apresentar demonstrativo das bases de cálculo dos descontos de créditos do PIS e Cofins sobre o Imobilizado Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 16 29 Então, tendo a IMPUGNANTE atendido a intimação, a AUTORIDADE FISCAL da unidade de origem substituiu a base de glosas anteriormente efetuadas pelo demonstrativo apresentado pela IMPUGNANTE na intimação fiscal. Nesse demonstrativo em forma de planilha (fl.1485), foram glosados os créditos de depreciação tomado em relação aos ítens listados como: veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag. A IMPUGNANTE afirma que em relação aos bens sobre os quais de fato tomou crédito relativos a sua depreciação, todos são essenciais ao desenvolvimento do seu processo produtivo diante da já demonstrada relevância da etapa agrícola no referido ciclo agroindustrial, e tendo em vista a disposição contida nos artigos 3º, parágrafo 1º, inciso III de ambas as Leis 10.637/02 e 10.833/03, imperativo o cancelamento dessas glosas . Art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) ... § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag, embora todos utilizados em algum processo da IMPUGNANTE, não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por infringência ao dispositivo legal acima transcrito, corretas as glosas efetuadas. (...) DAS GLOSAS SOBRE CRÉDITOS PRESUMIDOS ORIUNDOS DE AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR DE PESSOA Fl. 1288DF CARF MF 30 JURÍDICA ͞”NÃO AGROINDUSTRIAL” Item “J” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme relatado, AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, ítm “J” (fl.903) glosou o “Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria”, pois segundo seu entendimento, não poderiam ter sido apurados créditos de pessoas jurídicas não agroindustriais. Foram elaboradas pela AUTORIDADE FISCAL as planilhas, “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx”, anexadas ao presente processo na forma de arquivos não pagináveis vinculados aos documentos nominados de “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas de créd. presumido 2012” e “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas créd. presumido 2013” (fls. 932 a 933). Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL apurou os totais mensais de PIS e Cofins apurados sobre os valores de compra de cana de açúcar da IMPUGNANTE, cujos fornecedores têm pelo menos um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial. Esses totais mensais foram levados para os “Detalhamentos das diferenças de PIS e COFINS devidas apuradas pela fiscalização” no ‘Demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal” (fls. 906 a 925), cujos valores servem de base para os lançamentos no Auto de Infração. Da forma como essa glosa foi sucintamente descrita no Termo de Verificação Fiscal e da forma como foi apurado o cálculo dessa glosa nas planilhas “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx” bastou a presença de um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial em um fornecedor de cana de açúcar para a AUTORIDADE FISCAL automaticamente considerar tal fornecedor “pessoa jurídica não agroindústria” e conseqüentemente glosar os créditos referentes às aquisições de cana de açúcar de fornecedores em tal situação. A IMPUGNANTE destaca que nada impede que as pessoas jurídicas que tenham as mais diversas atividades principais, exerçam, em caráter secundário, a atividade venda de canade açúcar caracterizandose como comercial agropecuária (ou agroindústria), permitindose tal creditamento. Conforme a Lei nº 10.925/2004, base legal citada pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e ..., destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos noinciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 17 31 adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: ... III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... Cumpre ressaltar que em nenhum momento a AUTORIDADE FISCAL buscou afastar o direito ao crédito em razão de que tais operações não teriam sido relacionadas com a venda de canadeaçúcar, mas, sim, pelo simples fato de terem sido firmadas com pessoas jurídicas que não seriam agroindústrias. Além de inexistente a restrição apontada pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, cabe verificar o método que adotou para tal glosa. Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canadeaçúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DA GLOSA SOBRE CRÉDITO PRESUMIDO ORIUNDO DE RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR NÃO DESTINADO À ALIMENTAÇÃO HUMANA, MAS À FABRICAÇÃO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES Item “K” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, pode ser descontado crédito presumido sobre as compras de cana de Fl. 1290DF CARF MF 32 açúcar para a produção de açúcar destinado diretamente à alimentação humana e é glosado, conforme descrito no item “k)” desse termo, o desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes. O crédito presumido condicionado a venda de açúcar é calculado sobre a aquisição dos insumos, como a cana de açúcar, destinados a sua produção. No Termo de Verificação Fiscal, é citada pela AUTORIDADE FISCAL, a Lei 10.925/2004, que em seu artigo 8º, passou a permitir apuração desse crédito em relação a aquisição de insumos de pessoa física, cooperado pessoa física e de pessoas jurídicas exercendo algumas condições. A possibilidade de desconto desses créditos está de forma mais clara no artigo 5º da IN 660/2006, também citado pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Nas “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2012” e “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2013” arquivos não pagináveis correspondentes aos seu respectivos Termos de Anexação de Arquivo Não Paginável, anexados às folhas 934 a 935 desse processo, são apresentadas as planilhas “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2012.xlsx” e “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2013.xlsx”. Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL, ao invés de calcular crédito presumido sobre o valor da cana de açúcar utilizada como insumos na fabricação de açúcar destinado à alimentação humana ou animal, calculou crédito sobre o valor de venda do açúcar a produtores de bebidas destinadas ao consumo humano. Mas não é sobre a venda de açúcar que esse crédito é calculado, na verdade, essa operação de venda apenas condiciona a tomada do crédito sobre a operação anterior de aquisição da cana. Também foram efetuadas glosas sobre os períodos entre agosto de 2013 e dezembro de 2013, hiato no qual a IMPUGNANTE sequer registrou créditos referentes a esse crédito presumido. Conforme os já mencionados artigo 8º da Lei 10.925/2004 e artigo 5º da IN 660/2006, esse crédito presumido é decorrente das compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado à alimentação humana ou animal. Da forma como foi sucintamente descrita a glosa desse crédito no Termo de Verificação Fiscal, ainda que fosse calculada corretamente sobre as compras e não sobre as vendas, como de fato Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 18 33 aconteceu, o açúcar vendido para as indústrias de bebidas e refrigerantes é destinado à alimentação humana. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DO DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO SUPERIOR AO PIS E À COFINS APURADOS SOBRE A RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR Ítem “L” do Termo de Verificação Fiscal: Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o aproveitamento do crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar está limitado ao PIS e à Cofins apurados sobre as Receitas de Vendas de Açucar destinado à alimentação humana. Nesse item “L”, a AUTORIDADE FISCAL glosou a diferença entre o que ela entendeu ser os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar menos o que ele entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar a partir das informações prestadas nos Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar não foi especificamente contestada pela IMPUGNANTE. As somas mensais dessa contribuição sobre a receita de venda de açúcar com as somas mensais das contribuições sobre as demais receitas (como da receita de venda de álcool, de etanol, de melaço, etc.) estão de acordo com os totais mensais das contribuições apuradas conforme fichas 15B e 25B do Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu serem os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar foram os valores da linha 29 da Ficha 06A (Pis) e 16A (Cofins) do Dacon. Essa linha corresponde ao somatório dos créditos presumidos de atividades agroindustriais, incluídos os calculados sobre os insumos de origem animal, origem vegetal e os ajustes positivos e negativos de créditos. Pelas informações prestadas nos Dacons e pelos cálculos no Termo de Verificação Fiscal, a AUTORIDADE FISCAL entende como créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar para a produção de açúcar os créditos presumidos calculados sobre os insumos de origem vegetal e os ajustes positivos de créditos. Entretanto, para a IMPUGNANTE os ajustes positivos de créditos correspondem aos créditos apurados sobre a venda de etanol no mercado interno, conforme expressa disposição contida no artigo 1º, da Lei n° 12.859/13, conversão da Medida Provisória n° 613/13. E, de fato, a IMPUGNANTE, coerentemente com sua impugnação, passou a apurar os créditos apurados sobre a Fl. 1292DF CARF MF 34 venda de etanol e demonstrálos em seus Dacon somente a partir da publicação da referida medida provisória, em junho de 2013. No Termo de Verificação Fiscal, para fundamentar a glosa sobre o desconto de crédito presumido superior ao Pis e à Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar, além de descrever os principais dispositivos legais em seu início, a AUTORIDADE FISCAL cita especificamente o trecho da ementa da Solução de Consulta nº 24, de 21 de janeiro de 2010, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9ª Região Fiscal, in verbis: (...) O crédito presumido antes mencionado somente pode ser utilizado para desconto dos valores devidos a título de Cofins resultantes da comercialização das mercadorias produzidas com os produtos in natura adquiridos, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de ressarcimento. A construção dessa Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, foi feita a partir dos seguintes dispositivos legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3o , Lei nº 10.833/2002, art. 3o; Lei nº 10.925/2004, art. 8o, caput, e §§ 1o e 4o; IN SRF nº 660/2006, art. 2o, I e IV, e § 1o; art. 3o, I, §§ 1o e 2o; art. 5o, I, “d”; e art. 6o, I. Quanto à utilização do crédito presumido pelas agroindústrias (item 16, fl.12, dessa SC), o caput do art. 8o da Lei nº 10.925, de 2004, citado tanto pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, quanto pela citada Solução de Consulta referida acima, é claro em definir a utilização permitida para o crédito em questão: “deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração”. Tal imposição significa que do valor devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, pela comercialização das mercadorias industrializadas com os produtos in natura adquiridos, a agroindústria poderá descontar o crédito presumido apurado. E a IN SRF nº 660, de 2004, citada no Termo de Verificação Fiscal, deixa o assunto bem evidenciado: Art.8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. [...]§3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. §4º O crédito presumido deve ser apurado de forma segregada e seu saldo deve ser controlado durante todo o período de sua utilização. Assim, de acordo com a Lei nº 10.925/04 e com a IN 660/04, o crédito presumido da agroindústria não pode ser utilizado para Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 19 35 compensação ou ressarcimento, pode apenas ser utilizado para dedução de cada contribuição. E caso não possa ser aproveitado para dedução de cada contribuição no período, seu saldo deve ser controlado segregadamente, até ser totalmente utilizado nos períodos seguintes. A AUTORIDADE FISCAL, diferentemente do disposto na Lei nº 10.925/04 na IN 660/04 e na Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, para cada mês em que esse crédito presumido foi apurado em valor maior do que a contribuição apurada sobre a receita de venda de açúcar glosou a diferença a maior do valor do crédito. Esse crédito, apurado sobre a aquisição de cana de açúcar, não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, mas pode ser utilizado para dedução da contribuição devida apurada em relação às mercadorias produzidas, não apenas sobre a contribuição devida sobre a receita de venda da mercadoria “açúcar”. E sobrando saldo, esse não deve ser glosado, esse saldo deve ser controlado e utilizado nos períodos seguintes. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Recentemente, nesta mesma Turma, assim também se decidiu: CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADE AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. (Acórdão nº 3201004.161, de 28/08/2018) As matérias cuja apreciação remanesce no recurso voluntário são as seguintes: Fl. 1294DF CARF MF 36 a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag). E, finalmente, como se demonstrará ao final, também discordamos das glosas de despesas com o tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais. Conforme já expusemos noutros votos, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a nosso juízo, o creditamento de PIS/Cofins. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3odo art. 1odesta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 20 37 b) nos §§ 1oe 1oA do art. 2odesta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Fl. 1296DF CARF MF 38 Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 Admitir que, no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da canadeaçúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 21 39 Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma2, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. No caso aqui julgado, referemse aos seguintes itens (consoante alíneas acima): b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containeres utilizados em transporte de açúcar (embora conste da alínea "i", na redação anteriormente transcrita, retiramos as aeronaves, porque, conforme ela própria assevera e consta de um dos demonstrativos que integram o acórdão recorrido, a Recorrente sobre elas nada se creditou). Há de se registrar, para melhor esclarecimento do que se trata, algumas observações a respeito dos itens relacionados na mesma alínea "i". Segundo a Recorrente, a) os veículos são aqueles utilizados na fase agrícola, como tratores e colheitadeiras, ônibus para transporte, dollys etc. (conta contábil 1030203002); b) os móveis e utensílios são materiais e equipamentos utilizados no processo produtivo da cana, bem como no seu acondicionamento, processamento e pesagens, tais 2 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 1298DF CARF MF 40 como estufa, centrífuga, balança etc. (conta contábil 1030204002); c) as licenças e softwares são ativos tecnológicos aplicados no maquinário aplicados na lavoura (conta contábil 1030210002); d) as embarcações são utilizadas no transporte da cana entre a lavoura e a unidade produtora (conta contábil 1030212002). Tais informações, acompanhadas de registros fotográficos no recurso voluntário, em nenhum momento foram antes contraditadas pela fiscalização, quer por ocasião do lançamento, quer na diligência. Concordamos, todavia, com a glosa do crédito em relação aos serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, pois, com efeito, a legislação não prevê o creditamento das contribuições sobre os serviços de capatazia (alínea "e", supra). Comunga do mesmo entendimento a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Prosseguindo, agora sobre os crédito tomados em relação às embalagens de transporte ("bigbag"), como é de todos conhecido, temos entendido — e recentemente também assim fizemos noutro processo envolvendo a mesma empresa — que se deve considerálas insumo, no regime não cumulativo de PIS/Cofins, pois destinadas à proteção ou ao acondicionamento do produto final no seu transporte. Conforme Acórdão nº 3201 004.164, de 28/08/2018: NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. Finalmente, cumpre registrar que os créditos tomados em relação aos gastos com o tratamento de água, de resíduos e com análises laboratoriais não foram expressamente citados no texto que encerra o Termo de Verificação Fiscal, mas consta das planilhas a ele e ao acórdão recorrido anexadas. Contudo, mesmo que os considerássemos não originalmente apreciados, se é entendimento dos demais conselheiros que compõem esta Turma que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar podem ser considerados na apuração de créditos para o PIS/Cofins, não há razão para afastar a possibilidade de craditamento quanto os gastos com o Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 22 41 tratamento de água (fase agrícola e industrial) e de resíduos (fase industrial) e análises laboratoriais (fase agrícola e industrial). Aliás, é cediço, constitui importante requisito para a produção de açúcar e álcool o tratamento de seus resíduos industriais e o seu constante monitoramento. E, por último, quanto ao não reconhecimento dos saldos de créditos de períodos anteriores, cumpre observar que, com efeito, conforme destacado na decisão recorrida, a consequência é o não aproveitamento dos mesmos saldos para a dedução de valores devidos em períodos subsequentes. Todavia, tais saldos ficam subordinados ao que aqui decidido, já que o entendimento será replicado nos processos a este conexos. O pedido de realização de nova diligência (ou de perícia) afigurase absolutamente desnecessário em face de tudo o que expusemos aqui e das informações já carreadas aos autos (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. E DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos Fl. 1300DF CARF MF 42 valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 11610.720328/201315 Acórdão n.º 3201004.233 S3C2T1 Fl. 23 43 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria3. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 3 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 1302DF CARF MF 44 Declaração de Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário. A presente declaração de voto tem por objetivo externar o posicionamento pelo qual acompanhei o Relator "pelas conclusões" relativamente à preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte demonstra que a Fiscalização, ao efetuar a lavratura do Auto de Infração, deixou de individualizar as glosas realizadas, deixando, inclusive, de lavrar Termo de Verificação Fiscal próprio, fazendo simples remissão a TVFs de períodos de apuração diversos. Além disso, deixou de indicar a espécie dos créditos glosados (crédito de insumos ou créditos presumidos). Ao assim proceder, a Fiscalização imputou à Recorrente excessivo ônus de defesa que, ainda que cumprido adequadamente pelo contribuinte, não afasta o excesso fiscal, passível de reconhecimento de nulidade do procedimento. Não obstante ao exposto, há que se considerar que, na hipótese dos autos, o mérito da demanda foi resolvido de modo favorável ao contribuinte, incorrendose em hipótese típica de aplicação do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Desse modo, externo meu posicionamento não pela improcedência da preliminar de mérito, mas, sim, pela possibilidade de sua superação, no presente julgamento, nos exatos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1303DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720022/2016-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011
PRELIMINAR DE CONHECIMENTO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA
Não cabimento da preliminar face a inexistência de matéria de ordem pública alegada pela parte. Falta a boa fé processual da parte quando, sabendo que matéria sofreu preclusão consumativa, tenta enquadrar matéria de mérito como de ordem pública.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE TESES OMITIDAS EM PRIMEIRO GRAU. IMPOSSIBILIDADE.
Todas as matérias devem ser arguidas na impugnação, salvo exceções legais, sob pena de violação ao ônus da impugnação específica e aos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal.
AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO.
O agravamento da multa previsto no art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996 é hipótese de exceção, aplicada quando restar absolutamente comprovada a atuação dolosa do contribuinte para tentar impor obstáculos, retardar ou dificultar a fiscalização, o que não entendo ter ocorrido no caso concreto.
O não cumprimento das intimações não impede que a fiscalização proceda ao lançamento. Inteligência da Súmula n. 96 do CARF.
Numero da decisão: 1401-003.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar o agravamento da multa de ofício aplicada.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011 PRELIMINAR DE CONHECIMENTO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA Não cabimento da preliminar face a inexistência de matéria de ordem pública alegada pela parte. Falta a boa fé processual da parte quando, sabendo que matéria sofreu preclusão consumativa, tenta enquadrar matéria de mérito como de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE TESES OMITIDAS EM PRIMEIRO GRAU. IMPOSSIBILIDADE. Todas as matérias devem ser arguidas na impugnação, salvo exceções legais, sob pena de violação ao ônus da impugnação específica e aos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. O agravamento da multa previsto no art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996 é hipótese de exceção, aplicada quando restar absolutamente comprovada a atuação dolosa do contribuinte para tentar impor obstáculos, retardar ou dificultar a fiscalização, o que não entendo ter ocorrido no caso concreto. O não cumprimento das intimações não impede que a fiscalização proceda ao lançamento. Inteligência da Súmula n. 96 do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2073; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 339 1 338 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720022/201693 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401003.018 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes NEWPOWER SISTEMAS DE ENERGIA S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011 PRELIMINAR DE CONHECIMENTO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA Não cabimento da preliminar face a inexistência de matéria de ordem pública alegada pela parte. Falta a boa fé processual da parte quando, sabendo que matéria sofreu preclusão consumativa, tenta enquadrar matéria de mérito como de ordem pública. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE TESES OMITIDAS EM PRIMEIRO GRAU. IMPOSSIBILIDADE. Todas as matérias devem ser arguidas na impugnação, salvo exceções legais, sob pena de violação ao ônus da impugnação específica e aos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO. O agravamento da multa previsto no art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996 é hipótese de exceção, aplicada quando restar absolutamente comprovada a atuação dolosa do contribuinte para tentar impor obstáculos, retardar ou dificultar a fiscalização, o que não entendo ter ocorrido no caso concreto. O não cumprimento das intimações não impede que a fiscalização proceda ao lançamento. Inteligência da Súmula n. 96 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 22 /2 01 6- 93 Fl. 339DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar o agravamento da multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife (PE), que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, Contribuição para o PIS, entre outras multas Administrativa, lavrado para formalização e exigência de crédito tributário no valor total do auto de R$ 22.898.877,82, conforme tabela abaixo indicada: Os referidos autos de infração são “decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infração à legislação do IRPJ, resultando na infração de RECEITAS DA ATIVIDADE – RECEITA BRUTA NA VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA”. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16095.720022/201693 Acórdão n.º 1401003.018 S1C4T1 Fl. 340 3 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração e no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (fls. 42/52), “a autoridade autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria”. Conforme CNPJ, “a empresa tem como atividade econômica a fabricação de pilhas, baterias e acumuladores elétricos, exceto para veículos automotores, código de atividade 27.21000, sujeita a alíquota de 8% para a apuração da base de cálculo, na forma prevista no artigo 528, 5 18 e 5 19 do Decreto N° 3.000/99, com o acréscimo de 20% previsto no artigo 532 do mesmo decreto”. Foi também lavrado “o Auto de Infração no valor de R$ 21.500,00, em razão da empresa não ter entregado a ECD, nos termos do art. 3o Incisos I e II da Instrução Normativa RFB n° 787, de 19/11/2007. A empresa estava obrigada a entregar a ECD relativa ao anocalendário de 2011. Através dos TIF Termos de Intimações Fiscais, a empresa foi intimada e posteriormente reintimada diversas vezes a apresentar e ECD, conforme inciso II do artigo 57 da Medida Provisória 215835 de 24/08/2001. Decorridos mais de 45 dias da intimação (prazo previsto no inciso II do artigo 57 da Medida Provisória 215835 de 24/08/2001) a empresa não entregou a ECD”. Ciente da autuação, o interessado apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA – em 23/02/2016 (fls.186/198), na qual alegou em síntese: 1. DOS ERROS E OMISSÕES COMETIDOS PELO AFRFB NA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO: Afirma que Para apuração das receitas da impugnante, o AFRFB não intimou nem verificou se a contribuinte tinha recolhido os tributos, os quais deveriam ser abatidos do valor do principal apurados nos Autos de Infração”. 2. Diz que “no Sistema da Receita Federal do Brasil constam todos os pagamentos dos tributos IRPJ, CSLL, COFINS e PIS referentes ao anocalendário de 2011, poderiam também ser solicitados através de intimação à impugnante”. 3. Aduz também, que “consta no sistema da Receita Federal do Brasil todas as retenções efetuadas pelos clientes da impugnante nos códigos 6147 (IR = 1,50%, CSLL = 1,00%, COFINS = 3,00% e PIS = 0,65%), 5952 (CSLL = 1,00%, COFINS = 3,00% e PIS = 0,65), 1708 (IR = 1,50%) e 6190 (IR 4,80%, CSLL = 1,00%, COFINS 3,00% e PIS = 0,65%), cujos valores mensais constam das DIRF entregues por quem efetuou as retenções e gerou os dados extraídos do sistema da Receita Federal do Brasil”. 4. Diz que “apesar de o AFRFB informar no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade que a impugnante atendeu aos termos 1 e 3 não juntou nenhum documento ao processo, inclusive o pedido de prorrogação para atendimento do Termo nº 2 e rejeitou as Fl. 341DF CARF MF 4 argumentações das dificuldades da não entrega da Escrituração Contábil Digital”. 5. Argumenta que “com referência a multa agravada é descabida, a impugnante não deixou de apresentar os documentos que possuía e o AFRFB de antemão já sabia que a impugnante não tinha entregado a ECD através da transmissão do arquivo digital para o SPED”. 6. Afirma que “a não entrega da Escrituração Contábil Digital já enseja a multa por descumprimento de obrigação acessória e foi aplicada pelo AFRFB autuante”. 7. Requereu que “presente impugnação seja julgada procedente, determinandose o cancelamento do Auto de Infração Consolidado do Crédito Tributário referente à IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, Processo n° 16095.720022/201693, por medida de JUSTIÇA”. O Acórdão ora Recorrido (1155.343 4ª Turma da DRJ/REC) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 NÃO DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS Encontrandose comprovado o recolhimento espontâneo de parte dos tributos lançados, devese efetuar a correspondente dedução. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ESCLARECIMENTOS E DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A falta de esclarecimentos à intimação fiscal viola o dever de colaboração do sujeito passivo, aliada a falta de apresentação de documentos contábeis sabidamente em poder do mesmo autoriza o agravamento, mediante majoração em 50% da multa de ofício. MULTA REGULAMENTAR. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Isto porque, conforme entendimento da Turma julgadora, “a Autoridade Fiscal, ao apurar as bases de cálculo dos tributos lançados de ofício, conforme demonstrativo "Resumo das Notas Fiscais Eletrônicas" (fls. 139), não deduziu os tributos recolhidos anteriormente, como também não os deduziu nos demonstrativos dos Autos de Infração”. Desta forma, reconheceu o direito da Impugnante “à dedução de todos os tributos recolhidos espontaneamente ou retidos na fonte, desde que comprovados”. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16095.720022/201693 Acórdão n.º 1401003.018 S1C4T1 Fl. 341 5 Em relação ao agravamento da multa, segundo a Turma julgadora, ficou evidenciado que, com a negativa da contribuinte em apresentar a sua escrituração contábil digital, após vários termos de intimação fiscal, deve incidir a norma disposta no § 2º, do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: “nessa hipótese, de arbitramento por falta de apresentação da documentação contábilfiscal, exatamente como no caso concreto, o regime adotado não constitui punição, tratase de conseqüência da omissão, de forma legal de determinação da base de cálculo do tributo decorrente da falta de condições da Autoridade Fiscal para verificar a correção da apuração original da contribuinte”. Ciente da decisão do Acórdão em 31/03/2017 (fls. 316) o interessado interpõe Recurso Voluntário (fls. 322/330), trazendo as seguintes razões: 1. Alega em sede de preliminar a possibilidade de inovação de argumentos em sede de Recurso Voluntário em se tratando de matéria de ordem pública. 2. Do Indevido Arbitramento do Lucro: Aduz que no presente caso, “mesmo obtendo as informações constantes da DIPJ, a fiscalização optou pelo arbitramento do lucro, ou seja, mesmo obtendo a composição detalhada das contas contábeis de ativo, passivo e resultado, desdobrada tais informações em detalhes na Demonstração do Resultado do Exercício, incluindo as parcelas não dedutíveis”. (...) “considerando que a Recorrente em razão do sinistro não tinha condição de cumprir todas as exigências no tocante a Escrituração Contábil Digital, resta evidente que a fiscalização deveria se atentar às demais informações constantes na DIPJ e DRE para a apuração do Lucro Real, considerando as despesas e custos declarados pela empresa”. 3. Da Necessidade de Exclusão de Receitas de comercialização de mercadorias destinadas à Exportação: Diz que “para a correta apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, a autoridade fiscal com as informações obtidas específicas às Notas Fiscais Eletrônicas deveria ter segregado as receitas que não devem compor referida base de cálculo. Portanto, é imperiosa a conversão em diligência no tocante à demonstração das vendas destinadas a clientes localizados no exterior para que reste devidamente comprovado que a utilização da totalidade das NFE’S é indevida, pela fata de segregação de receitas atingidas pela não incidência do PIS e da COFINS”. 4. Do Agravamento da Multa de Ofício: Afirma que “ao contrário do que a autoridade fiscal sustenta, a Recorrente não deixou de cumprir todas estas intimações, o fato é que a empresa não possuía no momento as informações necessárias para cumprimento desta solicitação, razão pela qual estaria sujeita à multa por descumprimento de obrigação acessória, anterior inclusive a qualquer procedimento fiscalizatório”. (...) “Portanto, considerando a multa específica já aplicada por conta da não apresentação da Escrituração Contábil Digital e o entendimento sumulado desta E. Conselho, deve Fl. 343DF CARF MF 6 ser afastada o agravamento da multa nos moldes efetuadas pela fiscalizando, determinando sua redução para 75%”. 5. Requereu o provimento do Recurso Voluntário para “determinar cancelamento das exigências fiscais consubstanciadas nos autos de infração ora questionados”. 6. Aduz que “Na remota hipótese de se entender pela manutenção do lançamento, a Recorrente requer seja afastada a aplicação da multa agravada no montante de 112,5%”. 7. Subsidiariamente, “na remota hipótese de se entender pela manutenção do lançamento, requer seja afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores aplicadas na multa de ofício, considerado a lei prescrever aplicação do referido encargo apenas em relação a multas isoladas”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Os recursos são tempestivos e inicio a análise pelo Recurso Voluntário. A impugnação juntada (fls.186/198) instaurou a fase contestatória do procedimento e tornou litigiosa as alegações já sinteticamente explicitadas quando da reprodução do relatório constante do acórdão recorrido. Neste sentido, ultrapassada a análise dos pressupostos extrínsecos para sua admissão, passo a analisar o juízo de admissibilidade intrínseco. O recorrente, inconformado com a decisão a quo, conforme observase do resumo do recurso voluntário presente no relatório supra, inova praticamente in totum seus os argumentos de defesa. Inicialmente, e ciente da inovação, em sede preliminar sustenta a possibilidade de inovação recursal de matéria de ordem pública. Entretanto, nenhuma das matérias por ele aduzidas se enquadram em tal conceito, pelo contrário, são contestações de mérito do lançamento. Em razão disso, desde não acolho a preliminar arguída. Também deixo de acolher o pedido de diligência vez que fundado em uma das razões de mérito inovadas. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16095.720022/201693 Acórdão n.º 1401003.018 S1C4T1 Fl. 342 7 Em sede de impugnação a contribuinte basicamente alegou a não dedução dos tributos pagos ou retidos na fonte (parte provida pela DRJ e objeto de Recurso de Ofício), e contestou a multa agravada por entender que já haveria multa específica aplicada. Por sua vez, em sede Recursal, com exceção do argumento contestatório ao agravamento da multa, a Recorrente alega incorreções na base de cálculo do arbitramento, bem como a inadequação da sua adoção, o que se constitui em inovação do mérito de defesa. Neste contexto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. Pois, não obstante, o recurso ser cabível, haver interesse recursal, o recorrente deter legitimidade, inexistir fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, em contra fluxo, notase existir fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a todas as matérias nele aduzidas, haja vista que não apresentadas em impugnação. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); Fl. 345DF CARF MF 8 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tal conduta implica que o recorrente inovou na tese jurídica na fase recursal, pois o que alegado na peça vestibular de segundo grau, não foi suscitado em primeiro grau. Desta forma, porque tal matéria não foi questionada em primeiro grau, em relação a ela aplicase o disposto nos artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235, de 1972, pois a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo, pois, conhecer de inovação recursal. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. No caso, o Carf não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Essa é a posição majoritária do CARF, senão vejamos: RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal. (Acórdão n. 1001 000.655 de 04/07/2018) INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria. (Acórdão n. 3402004.942 de 27/02/2018) Demais disso, é oportuno pontuar também que, no caso sob exame, não ocorre a devolutividade da matéria, pois tal não foi levada do conhecimento do julgador a quo, violando o princípio do tantum devolutum quantum apellatum. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16095.720022/201693 Acórdão n.º 1401003.018 S1C4T1 Fl. 343 9 Vejamos, por oportuno e a título de ilustração, o teor das seguintes ementas: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PERÍODO DE 2002 A 2006. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. O efeito devolutivo expresso nos arts. 505 e 515 do CPC consagra o princípio do tantum devolutum quantum appellatum, que consiste em transferir ao tribunal ad quem todo o exame da matéria impugnada. Se a apelação for total, a devolução será total. Se parcial, parcial será a devolução. Assim, o tribunal fica adstrito apenas ao que foi impugnado no recurso. 3. A alegada violação dos arts. 168, inciso I, e 6º, inciso XIV, da Lei n. 7.713/88, não foi sequer citada nas razões de apelação. Logo, não foi devolvida ao Tribunal de origem, não podendo ser apreciada também em recurso especial por tratarse de inovação recursal. Agravo regimental improvido. (AGRESP 201402621001, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:21/11/2014 ..DTPB:.) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazêlo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. (...) DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO DEFINITIVA. É considerada definitiva, na esfera administrativa, a parte da decisão de primeira instância na recorrida. Recurso Voluntário Negado. (Processo 10280.900644/201034. Acórdão 3102001.880. Rel. Jose Fernandes do Nascimento. Data 12/08/2013). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Fl. 347DF CARF MF 10 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 36624.000679/200641. Acórdão: 2302002.993. Rel. Arlindo da Costa e Silva. Data 31/03/2014). Destacase também que a CSRF, igualmente, tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor do Acórdão 9303004.566, de 08.12.2016, cuja ementa, na parte que nos interessa, dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. Outrossim, cumpre neste particular faze uma ressalva quanto à postura do patrono da Recorrente. Da análise dos autos, é perceptível que a peça de Impugnação parece não ter sido feita por advogado, mas pela própria empresa, apesar do grande porte e faturamento. E por tal razão, possivelmente a defesa não tenha sido bem conduzida e praticamente nenhuma razão de mérito tenha sido aduzida. Mas essa foi uma escolha feita pelo contribuinte dentro do seu direito de ampla defesa. Por sua vez, em sede Recursal, já representado por advogado, o contribuinte faz uma defesa mais robusta e com embasamento jurídico. Tanto assim que o preposto da Recorrente demonstra ter conhecimento dos dispositivos do RPAF que vedam a inovação de mérito em sede recursal. Exatamente por isso é que inicia sua peça recursal com preliminar em que defende a possibilidade de arguição de matéria de ordem pública a qualquer momento. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16095.720022/201693 Acórdão n.º 1401003.018 S1C4T1 Fl. 344 11 Entretanto, nenhuma matéria de ordem pública foi alegada, mas apenas razões de mérito, que sabidamente estavam sujeitas à preclusão consumativa. Assim é que, entendo ter faltado a Recorrente com seu dever de boa fé processual. Feita tal ressalva, concluo que, com exceção do tópico "III.3 Do Agravamento da Multa de Ofício", o Recurso Voluntário não pode ser conhecido por lhe carecer de requisito de admissibilidade. Passo à análise do tópico III.3 do Recurso Voluntário, e nesse ponto, entendo assistir razão ao voto vencido da DRJ, que foi a base do Recurso, tendo sido copiado in totum. De fato, entendo que no caso concreto não deveria ter sido aplicado o agravamento, e peço vênia para reproduzir o voto vencedor acima citado: Venho, por intermédio desta Declaração de Voto, expor divergência relativa à interpretação do art. 44, §2º, da Lei nº 9.430/1996 aplicada no zeloso e preciso Voto condutor do Acórdão, o que ocorre unicamente quanto ao agravamento da multa ex officio, portanto. Em brevíssimo resumo, o processo trata de arbitramento dos lucros com base na receita bruta de vendas de produtos de fabricação própria, em razão de omissão da Impugnante na apresentação dos seus livros e documentos de escrituração, após intimada a fazêlo, segundo consta do Auto de Infração (fls. 141) e do detalhado Relatório. A multa de ofício teve o seu percentual ordinário aumentado de metade, com base no art. 44, §2º, da Lei 9.430/1996. A Autoridade Fiscal fundamentou o agravamento no TVCI Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (fls. 42) nos seguintes termos: "Do agravamento da Multa de Ofício para essa Infração: Considerando que a Newpower Sistemas de Energia S.A. não atendeu às intimações que lhe foram regularmente expedidas, foi aplicado o disposto no § 2° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, elevando, desta feita, a multa total aplicada para 112,5 %." (Destaque acrescido) Vêse, no destaque do texto acima transcrito, que o agravamento decorreu da falta de apresentação de livros e documentos, omissão que sustentou o arbitramento dos lucros. Além da multa ex officio agravada, lavrouse auto de infração específico para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória (fls. 179), de omissão na transmissão da Escrituração Contábil Digital (ECD). Observese que a omissão relativa à apresentação da ECD é anterior ao procedimento investigatório, não podendo ser confundido com ausência ou negativa no atendimento de intimação para prestação de informações ou apresentação de documentos. Fl. 349DF CARF MF 12 Portanto, tal infração decorrente da ECD, relativa a descumprimento de obrigação acessória, não deu causa ao agravamento e foi devidamente punida com multa pecuniária aplicada em instrumento próprio, não podendo ser vinculada ao agravamento da multa de 75% de que trata o art. 44, I, da Lei 9.430/1996, aplicada por descumprimento de obrigação principal. Tecidas essas considerações, separandose uma multa da outra e as suas respectivas fundamentações, passo ao exame do caso, sob o enfoque da falta de atendimento às intimações como causas tanto do arbitramento como do agravamento. Consolidouse na jurisprudência administrativa1 o entendimento de que o agravamento do percentual da multa de ofício, nos termos do art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996, é descabido quando não restar caracterizada a recusa da fiscalizada no atendimento das intimações ou o inequívoco descaso com o procedimento investigatório. Aplicase o agravamento do percentual quando restar clara a oposição de obstáculos ao regular andamento da ação fiscal. Particularmente impróprio é o agravamento resultante de falta de apresentação de documentos que a fiscalizada não dispunha e que, ao fim, motivou o arbitramento dos lucros. Nessa hipótese, de arbitramento por falta de apresentação da documentação contábilfiscal, exatamente como no caso concreto, o regime adotado não constitui punição, tratase de conseqüência da omissão, de forma legal de determinação da base de cálculo do tributo decorrente da falta de condições da Autoridade Fiscal para verificar a correção da apuração original da contribuinte. A Súmula Carf nº 96 consolidou a interpretação referida, com o seguinte enunciado: "Súmula Carf nº 96. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros." Esclareçase que o arbitramento não constitui sanção, em nenhuma hipótese. Isso posto, considero parcialmente procedente a impugnação para excluir o aumento do percentual da multa em metade, reduzindoo ao percentual ordinário de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Aloysio José Percínio da Silva AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil – matrícula 11768 A posição manifestada no voto vencido, acima transcrito, não poderia reproduzir mais fielmente meu entendimento sobre o assunto. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16095.720022/201693 Acórdão n.º 1401003.018 S1C4T1 Fl. 345 13 No caso dos autos, o fundamento para o agravamento foi a não apresentação de documentos e cumprimento a intimações da autoridade fiscal, entretanto, há conseqüência jurídica para a não apresentação dos livros, e previsão legal para aplicação do arbitramento como fez o autuante. Entendo ser um direito do contribuinte cumprir ou não as intimações que lhe são feitas, até porque, caso o faça, isso não impede a autoridade fiscal de promover o lançamento, exatamente como fez. O agravamento da multa previsto no art. 44, § 2º, da Lei 9.430/1996, no meu entender, é hipótese de exceção aplicada quando restar absolutamente comprovada a atuação dolosa do contribuinte para tentar impor obstáculos, retardar ou dificultar a fiscalização, o que não entendo ter ocorrido no caso concreto. Face o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário tão somente para para excluir o aumento do percentual da multa em metade, reduzindoo ao percentual ordinário de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 No que se refere ao Recurso de Ofício, como relatado, o mesmo decorre da desoneração em razão do abatimento dos tributos comprovadamente recolhidos ou retidos na fonte do contribuinte. De forma bastante objetiva, não vejo reparos na decisão. Há prova do recolhimento e das retenções, as quais foram desconsideradas pela autoridade fiscal quando da apuração do crédito tributário, muito provavelmente, em razão do não cumprimento das intimações. Entretanto, além de comprovadas quando da Impugnação, os recolhimentos foram atestados pela DRJ como constantes nos sistemas da Receita federal, relativos aos mesmos tributos e período exigido, razão pela qual andou bem a DRJ ao fazer os devidos ajustes no lançamento. Assim, voto por não dar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723347/2017-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. ISENÇÃO. VERBA ORIUNDA DE ANISTIADO POLÍTICO. DOCUMENTOS JUNTADOS EM FASE RECURSAL. FORMALISMO MODERADO. DEFERIMENTO.
Os valores pagos a título de pensão alimentícia judicial que impõe a isenção do Imposto de Renda, ainda que a verba seja oriunda de verba de indenização a anistiados políticos, mas paga judicialmente, por meio de determinação jurídica expressa, não devem ser exigidos para fins de apuração do IR.
Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória do seu direito, ainda que em fase recursal, deve ser acolhida para fins de constatação dos fatos ocorridos, pelo princípio do formalismo moderado no processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2301-005.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente).
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente), e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior - Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente), e Wesley Rocha.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. ISENÇÃO. VERBA ORIUNDA DE ANISTIADO POLÍTICO. DOCUMENTOS JUNTADOS EM FASE RECURSAL. FORMALISMO MODERADO. DEFERIMENTO. Os valores pagos a título de pensão alimentícia judicial que impõe a isenção do Imposto de Renda, ainda que a verba seja oriunda de verba de indenização a anistiados políticos, mas paga judicialmente, por meio de determinação jurídica expressa, não devem ser exigidos para fins de apuração do IR. Tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória do seu direito, ainda que em fase recursal, deve ser acolhida para fins de constatação dos fatos ocorridos, pelo princípio do formalismo moderado no processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Reginaldo Paixão Emos (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 33 47 /2 01 7- 97 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11516.723347/201797 Acórdão n.º 2301005.683 S2C3T1 Fl. 418 2 convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente), e Wesley Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por MARIA DE LOURDES DOMINONI LOURENÇÃO, contra o Acórdão de julgamento (efls. 39/42), que julgou improcedente a impugnação apresentada. A exigência diz respeito à Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios 2013, 2014 e 2015, anoscalendário 2012, 2013 e 2014, exigida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil da de Florianópolis. Foi apurado Imposto Suplementar nos valores de R$39.043,83 (AC 2012), R$94.213,39 (AC 2013) e R$37.597,28 (AC 2014), acrescido de multa de ofício e juros de mora. O relatório do Acórdão recorrido assim dispõe: "O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS – ALUGUÉIS E OUTROS – Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pelo titular e/ou dependentes, informados na Declaração de Informação sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB pelas administradoras de imóveis ou em outros documentos. Valores: R$189.532,48 (AC 2012) R$392.289,04 (AC 2013). Janeiro a Dezembro: R$379.670,14. 13º Salário: R$12.618,90. R$188.648,58 (AC 2014) Complementação: omissão de rendimentos recebidos a titulo de pensão alimentícia judicial, paga por Romeu de Andrade Lourenção Júnior (CPF nº 069.742.36891). Segundo disposto no art. 54 do Decreto nº 3000, de 1999, são tributáveis os valores percebidos, em dinheiro, a titulo de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. A base legal do lançamento encontrase nos autos. A contribuinte teve ciência do lançamento em 19/07/2017 e 25/07/2017, conforme documentos de fls. 83, 99 e 85 e, em 17/08/2017, apresentou impugnação, em petição de fls. 02/05, acompanhada dos documentos de fls. 06/43, por meio de procurador habilitado, na qual alega, resumidamente, o quanto segue: que foi autuada indevidamente, pois está amparada sob a égide da Lei nº 10.559, de 2002 e do Decreto nº 4.897, de 2003 (Anistiados Políticos); Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11516.723347/201797 Acórdão n.º 2301005.683 S2C3T1 Fl. 419 3 que realizou pedido de restituição em 2011, em razão dos recolhimentos de imposto dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, com base na legislação que concede isenção aos anistiados políticos e seus dependentes; que teve seu pedido deferido e recebeu as restituições do imposto recolhido, considerando o seu enquadramento na lei dos anistiados políticos, haja vista estar na dependência de um anistiado; que no lançamento há a equivocada informação que se tratava de pensão alimentícia; que, em 2011, ao requerer a restituição, contava com mais de 75 anos, daí a Receita Federal lhe conceder o benefício previsto na legislação para dependente de anistiado político; que se enquadra na lei, pois sempre teve que acompanhar o cônjuge; que se enquadra na lei porque, devido à idade avançada, ficou dependente do exconjugee, ainda, porque se separou em 1987 e este beneficio foi obtido somente em 2002, por dependência em virtude da idade avançada (65 anos); que recentemente recebeu os lançamentos fiscais dos anoscalendário de 2012, 2013 e parte de 2014, porque o titular da renda faleceu em meados de 2014; que já obteve resultado da Receita Federal considerandoa novamente isenta do imposto de renda em virtude do falecimento do cônjuge; que requer a anulação dos lançamentos ou, alternativamente, a exclusão da multa de ofício e dos juros de mora, vez que foi induzida a erro pela Receita Federal; que solicita prioridade na análise de sua impugnação, por força de ser pessoa idosa (81 anos). Em seu Recurso Voluntário, a recorrente alega, de forma sucinta, as mesmas argumentações em sede de impugnação, acrescentando que possui uma determinação judicial em seu favor, alegando que os valores recebidos a título de pensão alimentícia, seriam isentos e que só agora obrou sucesso em juntar cópia da decisão judicial, uma vez que por ser idosa teria se esquecido de fornecido todos os documentos a seus patronos. Pede a procedência do recurso e o cancelamento da exigência fiscal. É breve o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11516.723347/201797 Acórdão n.º 2301005.683 S2C3T1 Fl. 420 4 Tratase de pedido de reconhecimento de isenção dos valores percebidos a título de pensão alimentícia, decorrente de recebimento por pessoa anistiada, que possuía isenção do imposto devido. Nesse sentido, a fim de verificar a legislação aplicada ao caso, citase o seguinte: Lei nº 10.559, de 2002. Art.1º O Regime do Anistiado Político compreende os seguintes direitos: (...) II reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, asseguradas a readmissão ou a promoção na inatividade, nas condições estabelecidas no caput e nos §§ 1º e 5º do art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (...) DA DECLARAÇÃO DA CONDIÇÃO DE ANISTIADO POLÍTICO Art.2º São declarados anistiados políticos aqueles que, no período de 18 de setembro de 1946 até 5 de outubro de 1988, por motivação exclusivamente política, foram: (...) §2º Fica assegurado o direito de requerer a correspondente declaração aos sucessores ou dependentes daquele que seria beneficiário da condição de anistiado político. DA REPARAÇÃO ECONÔMICA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO Art. 3º A reparação econômica de que trata o inciso II do art. 1o desta Lei, nas condições estabelecidas no caput do art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, correrá à conta do Tesouro Nacional. §1º A reparação econômica em prestação única não é acumulável com a reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada. §2º A reparação econômica, nas condições estabelecidas no caput do art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, será concedida mediante portaria do Ministro de Estado da Justiça, após parecer favorável da Comissão de Anistia de que trata o art. 12 desta Lei. (...) Art. 9º Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de pensão Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11516.723347/201797 Acórdão n.º 2301005.683 S2C3T1 Fl. 421 5 ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único. Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda. Como bem analisado pela DRJ de origem, a isenção é proporcionada para pessoas anistiadas e decorre de direito personalíssimo, exclusivo ao beneficiário. Entretanto, conforme pode se constatar dos autos, a recorrente juntou ao processo na efl. 118, ofício da 2ª Vara de Família da Comarca de FlorianópolisSC, referente ao processo n.º 02387.0401850, destinado ao Ministério do Planejamento para determinada a isenção do pagamento dos valores à recorrente. Diante da determinação judicial juntada aos autos, constando o período de 2011, que remonta todo o exercício autuado (2012, 2013 e 2014), entendo que deve ser deferido o pedido da recorrente e determinar a isenção pleiteada, cumprindo o comando da decisão judicial. O pedido se molda inclusive com os valores postulados pela restituição descritas nas efls. 42/43 dos autos, em que foram deferidos a devolução dos valores para a recorrente, e agora cobrados de forma indevida. Assim, entendo que a contribuinte fez prova do seu direito, devendo ser afastada a glosa do Lançamento fiscal. Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99, em seu art. 36: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei". Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Por outr lado, o artigo 16, § 4º, do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro documento processual, a menos que: i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ii) refirase a fato ou a direito superveniente; iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Entretanto, em razão do princípio do formalismo moderado que se aplica aos processos administrativos, em casos de apresentação de documento extemporâneo mas idôneo, esse Conselho tem admitido o acolhimento de provas em fase recursal, como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11516.723347/201797 Acórdão n.º 2301005.683 S2C3T1 Fl. 422 6 "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos que atendem as exigências legais, ainda que em fase recursal, deve ser admitida os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância."(Ac 1102000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção 1ª Seção, Sessão 09/04/2013). Por fim, verificase que a súmula CARF Assim, diante dos documentos idôneos juntados pelo recorrente, em atendimento à ampla defesa e contraditório, consoante o formalismo moderado e a busca da verdade material no PAF, afasto a glosa lançada a glosa de R$ 33.091,69, a título de IRRF, referente a aluguéis pagos pela fonte pagadora. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, cancelandose a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11516.723347/201797 Acórdão n.º 2301005.683 S2C3T1 Fl. 423 7 Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.917826/2009-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO DO CRÉDITO A DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO PREGRESSAS. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO REMANESCENTE. ART. 24 DA LEI N° 11.457, DE 2007. PRAZO IMPRÓPRIO.
Certo que o Contribuinte já vinculara o crédito sob disputa em declaração de compensação pregressa, na declaração de compensação presente só se lhe disponibiliza o saldo remanescente. O art. 24 da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, rege espécie de prazo impróprio, diga-se, sem sanção.
Numero da decisão: 1001-000.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação às questões de mérito do Recurso Voluntário, deixando de conhecer da preliminar suscitada uma vez que se trata de inovação processual e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO DO CRÉDITO A DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO PREGRESSAS. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO REMANESCENTE. ART. 24 DA LEI N° 11.457, DE 2007. PRAZO IMPRÓPRIO. Certo que o Contribuinte já vinculara o crédito sob disputa em declaração de compensação pregressa, na declaração de compensação presente só se lhe disponibiliza o saldo remanescente. O art. 24 da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, rege espécie de prazo impróprio, diga-se, sem sanção.
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO DO CRÉDITO A DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO PREGRESSAS. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO REMANESCENTE. ART. 24 DA LEI N° 11.457, DE 2007. PRAZO IMPRÓPRIO. Certo que o Contribuinte já vinculara o crédito sob disputa em declaração de compensação pregressa, na declaração de compensação presente só se lhe disponibiliza o saldo remanescente. O art. 24 da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, rege espécie de prazo impróprio, digase, sem sanção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação às questões de mérito do Recurso Voluntário, deixando de conhecer da preliminar suscitada uma vez que se trata de inovação processual e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 78 26 /2 00 9- 45 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.917826/200945 Acórdão n.º 1001000.931 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 46 a 85) interposto contra o Acórdão nº 0534.961, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (fls. 35 a 37), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO DO CRÉDITO A DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO PREGRESSAS. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO REMANESCENTE. ART. 24 DA LEI N° 11.457, DE 2007. PRAZO IMPRÓPRIO. Certo que o Contribuinte já vinculara o crédito sob disputa em declaração de compensação pregressa, na declaração de compensação presente só se lhe disponibiliza o saldo remanescente. 0 art. 24 da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, rege espécie de prazo impróprio, digase, sem sanção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de declaração de compensação tendente a extinguir débitos relativos â Contribuição ao PIS e à Cofins, todos de competências insertas no anocalendário de 2006, mas contra a qual foi emitido despacho denegatório de conteúdo seguinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na espécie, o Contribuinte ofertava como crédito oponível à Fazenda Pública Federal recolhimento (encontrados e ratificados pelo processamento eletrônico, Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.917826/200945 Acórdão n.º 1001000.931 S1C0T1 Fl. 4 3 como visto acima) havido em 10/01/2005, e a titulo de Simples Federal (Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996). Em 27/11/2009 o Interessado tomou ciência da negativa antes referida e, 22/12/2009, fez colacionar a respectiva manifestação de inconformidade. Alega, breve síntese, que teria sido excluído do Simples Federal, donde pagamentos feitos na sistemática em tela seriam servientes à compensação que formalizara. Além disso, não caberia dizer da incidência de multa de mora, certo que, de toda forma, o valor apontado como crédito a seu beneficio já estava â disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Por fim ainda, diz que já teria sido ultrapassado o prazo estatuído no art. 24 da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007 — sobre o interregno de trezentos e sessenta dias para que seja proferida decisão em procedimento administrativo —, de ordem que já ocorrente a preclusão administrativa.”. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância, adicionando apenas, em sede de preliminar, que supostamente os débitos que pretendeu compensar não estariam vencidos, logo não há razão para cobrança de multa. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, a Recorrente inova no presente instrumento recursal alegando, em sede de preliminar, que os débitos ora compensados não estariam em atraso, logo não haveria razão para multa, conforme se colaciona: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.917826/200945 Acórdão n.º 1001000.931 S1C0T1 Fl. 5 4 Contudo, insta dizer que tal impugnação não foi realizada em primeira instância, sendo esta a primeira vez que a contribuinte traz essa preliminar ao feito. Ora, conforme os dispostos do Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente atacada pelo sujeito passivo na peça que deu início ao litígio. Outrossim, é a impugnação que inicia e delimita a fase litigiosa, isto é, o presente processo administrativo. Segue os excertos: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. " Desta forma, sob pena de inovação recursal, entendo que não é mais possível conhecer destas alegações nesta fase processual. Assim, deixo de conhecer da preliminar, e passo ao exame de mérito. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Primeiro. A negativa, ora impugnada, não foi dada porque terseia desconsiderada a circunstância de o Contribuinte ter sido excluído do Simples Federal. Não, não se cuidou disso, mas tãosó da perspectiva de parte do crédito anotado pelo Contribuinte já estar vinculado a declarações de compensação pregressas, como especificadas no despacho denegatório recorrido, isto 6, as DCOMP no 06283.18550.290506.1.3.047480, no 29580.21711.100806.1.7.049652, e no 13176.98365.100806.1.3.048600. Digase que, do processamento eletrônico dessa última, ainda restou disponível o importe de R$ 1.653,65 (valores originais), que serviu e foi suficiente para extinguir do débito de Contribuição ao PIS, competência de agosto/2006, vencível em 15/09/2006, restando ainda em aberto o débito de Cofins, competência de agosto/2006, vencível em 15/09/2006. E, mais ainda, porque a declaração de compensação em apreço foi transmitida antes das excogitadas datas de vencimento — a transmissão se deu em 12/09/2006 —, nada houve que imputado a titulo de acréscimo que fosse, sem descurar que, do lado do crédito, este sim foi reajustado segundo a variação da Selic entre o período de sua formação (10/01/2005) até a data do encontro de contas (data de transmissão da DCOMP). Por fim, sobre o art. 24 da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, rege a espécie prazo impróprio, digase, sem sanção. D'outro turno, corre, sim, prazo que se poderia dizer "sancionatório" aos interesses da Fazenda Pública Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.917826/200945 Acórdão n.º 1001000.931 S1C0T1 Fl. 6 5 Federal, mas tal é o de homologação tácita, assim veiculada no art. 74, § 5 0, da Lei no 9.340, de 27 de dezembro de 1996, coisa inocorrente na hipótese. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000026/2010-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/01/2005 a 31/05/2008
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigma são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigma são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 00 26 /2 01 0- 52 Fl. 5074DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3403003.323, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos créditos fictos de IPI provenientes de aquisições da Amazônia Ocidental efetuadas pela fiscalização a partir de 11.12.07, inclusive. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2005 a 31/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFICÁCIA. A coisa julgada formada em mandado de segurança coletivo só alcança os substituídos domiciliados no âmbito territorial do órgão judiciário que proferiu a decisão. DECISÕES DO STF. APLICABILIDADE. À luz do art. 62A do RICARF, o RE 212.484 tornouse inaplicável no âmbito do CARF desde a decretação da repercussão geral no RE 592.891. CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67. CRÉDITOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. Comprovado que o fornecedor dos insumos estava amparado por Resolução emitida pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus para gozar da isenção prevista no art. 6º do Fl. 5075DF CARF MF Processo nº 10950.000026/201052 Acórdão n.º 9303007.540 CSRFT3 Fl. 565 3 DecretoLei nº 1.435/75, revertese a glosa de créditos efetuada no adquirente dos insumos a partir da data daquela Resolução.” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, trazendo que a 3ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos créditos fictos de IPI provenientes de aquisições da Amazônia Ocidental efetuadas pela fiscalização a partir de 11.12.2007, inclusive para o concentrado sabor cola. O que, por conseguinte, entende que não caberia à E. Turma, em julgamento extra petita, discutir fatos não impugnados no processo. Apreciados os Embargos de Declaração, o Colegiado a quo, por unanimidade de votos, rejeitou os embargos, por entender inexistir a omissão e o julgamento extra petita, conforme consignado no acórdão 3403003.584: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS. OMISSÃO. JULGAMENTO EXTRA PETITA. Inexistindo a omissão e o julgamento extra petita, rejeitamse os embargos de declaração. Embargos rejeitados.” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O sujeito passivo adquiriu concentrado de sabor “cola”, da empresa RECOFARMA IND. DO AMAZONAS, situada na Zona Franca de Manaus, para emprego no processo de fabricação de refrigerantes, produto sujeito a IPI na saída, o que, à primeira vista, poderia sugerir que, de fato, a autuada faria jus ao creditamento sobre o valor das referidas aquisições; · Sucede que a fornecedora do concentrado não preenche os requisitos exigidos pelo DL n.º 1.475/75 e RIPI/2002, para que a adquirente dos insumos, SPAIPA, possa usufruir do benefício fiscal; Fl. 5076DF CARF MF 4 · O sujeito passivo não tem direito ao crédito de IPI, vez que o tipo de concentrado adquirido, sabor de “cola”, não recebe na sua composição matériaprima agrícola ou extrativista vegetal de produção regional. Requer, assim, a Fazenda Nacional o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja reformado o acórdão recorrido na parte em que reverteu as glosas dos créditos fictos de IPI provenientes de aquisições da Amazônia Ocidental efetuadas pela fiscalização a partir de 11.12.07. Em Despacho às fls. 4053 a 4054, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Insatisfeito, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando omissões e contradições na parte em que se manteve a glosa e a exigência do crédito tributário referente ao período de 10.1.2005 a 10.12.2007, trazendo, entre outros, que: · O acórdão embargado se omitiu quanto ao fato de que o pedido formulado no r. MSC foi amplo e irrestrito, abrangendo todos os associados da AFBCC; · Ainda há omissão ao desconsiderar o fato de que o MSC foi ajuizado em 14.8.91, antes da entrada em vigor do art. 2A da Lei 9.494/97 e, por conseguinte, deve ser aplicado o entendimento consubstanciado no REsp 1.243.887PR, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos, no qual a Corte Especial do STJ decidiu que a limitação prevista no art. 2ºA da Lei 9.494/97 somente é aplicável às ações coletivas ajuizadas após a sua entrada em vigor – ou seja, após 11.2.99; · Deve ser sanada a contradição apontada e aplicado ao presente caso o entendimento do r. RE 212.484, bem como sanadas as omissões apontadas e reconhecido que a embargante faz jus ao benefício do art. 6º do DL 1.435/75. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: Fl. 5077DF CARF MF Processo nº 10950.000026/201052 Acórdão n.º 9303007.540 CSRFT3 Fl. 566 5 · O Recurso Especial não pode ser conhecido, por falta de demonstração de divergência jurisprudencial proferida em caso idêntico; · Houve inovação de fundamentos pela DRJ em relação ao lançamento para manter a autuação relativamente ao período de 11.12.07 a 31.10.09. O que, por conseguinte, deve ser mantido a parte do acórdão 3403003.323, que afastou a inovação de fundamento do lançamento, determinando o cancelamento da glosa e do crédito tributário. Em Despacho às fls. 4140 a 4146, o Presidente da 4ª Câmara em exercício rejeita os embargos de declaração. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, ressurgindo com a discussão acerca: · Do benefício previsto no art. 6º do DL 1435/75, argumentando que a Resolução do CAS 387/93 integrada pelo Parecer 88/93 aprovou o projeto industrial da RECOFARMA, concedendolhe, entre outros, o benefício do art. 6º do DL 1435/75; · O Superintendente da SUFRAMA integra o CAS, que concedeu o benefício e tem competência para atestar a concessão do benefício do art. 6º do DL 1435/75 pela Resolução 387/93; · A única conclusão lógica e jurídica possível decorrente da existência da repercussão geral atribuída ao RE 592.891 e da revogação da previsão de sobrestamento pelo RICARF em razão de processo com repercussão geral no STF é a higidez do entendimento consubstanciado no RE 212.484RS; · A coisa julgada formada no MSC ajuizado pela AFBCC reconheceu e assegurou a todos os fabricantes de CocaCola, independentemente de sua localização, o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de concentrados isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, utilizados na fabricação de refrigerantes (os quais são sujeitos ao IPI); Fl. 5078DF CARF MF 6 · O STJ e a Câmara Superior do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo – TIT pacificaram o entendimento no sentido de que tem direito ao crédito – ICMS, o adquirente de boafé que adquire mercadoria cuja nota fiscal posteriormente seja declarada inidônea, pois o ato declaratório de inidoneidade somente produz efeitos a partir da respectiva publicação – submetida a sistemática dos recursos repetitivos. Houve petição pela Spal Indústria Brasileira de Bebidas, considerando que recebeu a intimação 1034/15, por meio da qual foi cientificada do despacho que negou seguimento aos embargos de declaração opostos pela Spaipa Indústria Brasileira de Bebidas Ltda e intimada a pagar os débitos relativos ao processo administrativo – que ainda não são definitivos porque foram objeto de recurso especial interposto pela SPAIPA e estão com sua exigibilidade suspensa. Traz que não seria cabível a cobrança, vez que os débitos exigidos estão com a sua exigibilidade suspensa em razão do recurso especial interposto pela Spaipa e não houve o exaurimento da cobrança contra o devedor originário. Em Despacho às fls. 4873 a 4877, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade às fls. 4878 a 4879, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em exercício decidiu por manter na íntegra o despacho do Presidente da Câmara – que negou seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. O sujeito passivo opôs Embargos Inominados para que sejam sandas as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto contidas nos r. Despachos Em Despacho às fls. 5063 a 5065, o Presidente Substituto da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu por não conhecer dos “Embargos Inominados”. É o relatório. Fl. 5079DF CARF MF Processo nº 10950.000026/201052 Acórdão n.º 9303007.540 CSRFT3 Fl. 567 7 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos autos do processo, entendo que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não deva ser conhecido, vez não haver comprovação de divergência, conforme regramento disposto no art. 67 do RICARF/2015. Ora, o acórdão indicado como paradigma de nº 3302001.790 não trouxe absolutamente nada em relação à inovação de fundamento do lançamento, da qual o acórdão recorrido se valeu. Eis trechos do voto do acórdão recorrido (Grifos meus): “Entretanto, não se pode concordar nem com a DRJ e nem com a Procuradoria da Fazenda Nacional, quando argumentam que mesmo a partir de dezembro de 2007 o contribuinte não poderia tomar o crédito ficto, em razão do concentrado sabor cola não ser produzido com matériasprimas de produção regional. A uma porque esse motivo não foi levantado pela fiscalização no termo de verificação fiscal como fato determinante da autuação.[...]” Constatase que não há identidade fática entre os arestos, tampouco argumentativas, vez que no acórdão indicado como paradigma, o fundamento utilizado para se manter a glosa do crédito de IPI considerou o não atendimento ao requisito previsto na Resolução CAS 387/93. E o aresto indicado como paradigma tratou de fatos anteriores a vigência da Resolução CAS 298/07. Em vista de todo o exposto, não conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 5080DF CARF MF 8 Fl. 5081DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000238/2010-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL.
Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.
Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, necessário que os rendimentos sejam provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave seja devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O MONTANTE A PARTILHAR NA HERANÇA. INDEFERIMENTO.
O fato gerador do imposto de renda exigido tem fundamento no recebimento do rendimento pelo espólio e não em valor recebido pelos herdeiros, portanto, não aplicada a isenção.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
IMPROCEDÊNCIA. PROVAS INSUFICIENTES
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação insuficiente da prova de seu direito, indefere-se o pedido.
MULTA DE OFÍCIO.OMISSÃO NA DECLARAÇÃO. DEVIDA.
Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
Quando há omissão na declaração de ajuste anual é devido o lançamento da multa de ofício, nos termos da legislação, independente da constatação de dolo ou má-fé. Sendo constatado o dolo ou a má-fé, devida a multa qualificada.
Numero da decisão: 2301-005.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, necessário que os rendimentos sejam provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave seja devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O MONTANTE A PARTILHAR NA HERANÇA. INDEFERIMENTO. O fato gerador do imposto de renda exigido tem fundamento no recebimento do rendimento pelo espólio e não em valor recebido pelos herdeiros, portanto, não aplicada a isenção. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. PROVAS INSUFICIENTES Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação insuficiente da prova de seu direito, indefere-se o pedido. MULTA DE OFÍCIO.OMISSÃO NA DECLARAÇÃO. DEVIDA. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Quando há omissão na declaração de ajuste anual é devido o lançamento da multa de ofício, nos termos da legislação, independente da constatação de dolo ou má-fé. Sendo constatado o dolo ou a má-fé, devida a multa qualificada.
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SÚMULA CARF 63. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, necessário que os rendimentos sejam provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave seja devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE O MONTANTE A PARTILHAR NA HERANÇA. INDEFERIMENTO. O fato gerador do imposto de renda exigido tem fundamento no recebimento do rendimento pelo espólio e não em valor recebido pelos herdeiros, portanto, não aplicada a isenção. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. PROVAS INSUFICIENTES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 38 /2 01 0- 43 Fl. 124DF CARF MF 2 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo o contribuinte apresentado documentação insuficiente da prova de seu direito, indeferese o pedido. MULTA DE OFÍCIO.OMISSÃO NA DECLARAÇÃO. DEVIDA. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Quando há omissão na declaração de ajuste anual é devido o lançamento da multa de ofício, nos termos da legislação, independente da constatação de dolo ou máfé. Sendo constatado o dolo ou a máfé, devida a multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 97 e ss.) interposto em face da decisão da DRJ proferida pela 7ª Turma da DRJ/RJ1, Acórdão 1263.874 de 13/03/2014 (acostado às fls. 82 e ss.), que indeferiu a Impugnação e determinou a procedência do lançamento, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 14041.000238/201043 Acórdão n.º 2301005.641 S2C3T1 Fl. 125 3 RENDIMENTO ACUMULADO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ESPÓLIO Sujeitamse à incidência do imposto de renda, devendo ser tributados na fonte e na Declaração de Ajuste Anual ou na Declaração Final de Espólio, os proventos de aposentadoria ou reforma e valores a título de pensão de portador de moléstia grave recebidos pelo espólio ou por seus herdeiros, independentemente de situações de caráter pessoal. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A multa de oficio aplicada pela fiscalização em virtude da falta de recolhimento do imposto de renda pune precisamente o ato que, muito embora não tenha sido praticado dolosamente pelo contribuinte, ainda assim, tipifica infração cuja responsabilidade é de natureza objetiva. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia e/ou diligência quando os elementos constantes dos autos já são suficientes para a solução do litígio. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração juntado às fls.2/8, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2007, exercício 2008, sendo lançado o valor de R$43.999,71 (quarenta e três mil novecentos e noventa e nove reais e setenta e um centavos) de imposto devido, decorrente da apuração da infração Omissão de Rendimentos do Trabalho Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 194.586,21. Tendo em vista que a Contribuinte tenha recolhido o imposto retido na fonte no valor de R$63.208,92, o Auto de Infração apurou o valor de R$ 19.209,21de imposto à restituir para o período apurado. A Contribuinte, portadora de moléstia grave desde 1999, faleceu em 16/02/2002. Representada por seu inventariante/herdeiros, apresentou a Declaração de Imposto de Renda, na qual omitiu o recebimento do rendimento por entender que a mesma era beneficiária da isenção por moléstia grave. De acordo com a autoridade fiscal às fls. 4/5, a Autoridade Fiscalizadora entendeu que não se beneficiam de isenção do imposto de renda os valores relativos a proventos de aposentadoria pagos acumuladamente ao espólio, ainda que a pessoa falecida Fl. 126DF CARF MF 4 tenha sido portadora de moléstia grave no período a que se referem os rendimentos, citando o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 26, de 26/12/2003: “sujeitamse à incidência do imposto de renda, devendo ser tributados na fonte e na Declaração de Ajuste Anual ou na Declaração Final de Espólio, os proventos de aposentadoria ou reforma e valores a titulo de pensão de portador de moléstia grave recebidos pelo espólio ou por seus herdeiros, independentemente de situações de caráter pessoal”. Observase nas fls. 22 a presença do Laudo Pericial Médico Oficial, elaborado pela GDF – Secretaria de Saúde do Distrito Federal, elaborado em 27/05/1999, o qual atesta a condição da Contribuinte como sendo portadora da CID 204.1/9= C91 e que a mesma é considerada “como doença especificada no art. 186, I da Lei 8.112/90”. Na fl. 25 observase a certidão de óbito da Contribuinte, em 16/02/2002 e na fl. 23 o Termo de Inventariante, nomeando o Sr. Sylvio Otavio Batista de Carvalho. Na fl. 28, observase a Certidão da do TRT da 10ª Região, o qual identifica os valores a serem pagos à falecida Contribuinte proveniente da demanda trabalhista 0016200 63.1986.5.10.0004, proposta pela mesma em face do Distrito Federal, o qual demonstra que durante os anos de 2006/2007/2008 e 2009 recebeu o valor de R$1.041.878,57 sendo retida da quantia de R$257.167,49 de Imposto de Renda. Conforme consta da Impugnação juntada nas fls. 33/57, a Contribuinte, representada por seu inventariante, alega que a falecida pertencia ao quadro dos servidores públicos da Secretaria de Saúde do DF até o ano 1991, quando havia se aposentado por tempo de serviço; que no ano de 2000 foi constatada a moléstia grave (Neoplasia Maligna) atestada por Laudo Médico Oficial de 05/05/2000; que a Contribuinte moveu ação trabalhista em face do Governo do DF, sendo que o pagamento foi formalizado por meio de Precatório depois de seu falecimento (2007, 2008 e 2009); que a Fonte Pagadora efetuou indevidamente a retenção do IR sem considerar a condição pessoal da Contribuinte, sendo providenciada as Declarações Retificadoras de Ajuste Anual do Espólio para os anos de 2007, 2009 e 2010; mesmo assim, a fiscalização lançou o débito por entender que todos os rendimentos recebidos a partir do falecimento deveriam sofrer incidência do Imposto de Renda, requerendo a nulidade do lançamento; ou a isenção com base no art. 39, inciso XXXIII do Decreto n° 3.000/99 (moléstia grave); ou Isenção sobre Montante dos Rendimentos a Partilhar. Na decisão da DRJ, juntada nos autos nas fls. 82 e ss., observase que a Autoridade Fiscal decidiu pela não concessão da isenção pleiteada, visto que “referida isenção foi conferida pelo legislador com o fito de diminuir a dificuldade financeira a que está sujeito aquele que necessita de tratamento médico e medicação ininterrupta”, sendo de “cunho personalíssimo e, portanto, cessa com a morte do beneficiário portador da moléstia grave, pelo que não há como isentar da exação os rendimentos recebidos pelo espólio”. Os rendimentos recebidos pelo espólio decorrem de decisão judicial prolatada pela Justiça do Trabalho da 10a Região (Certidão às fls. 28) em ação ajuizada pela contribuinte quando era servidora pública do Distrito Federal, aposentada, reclamando o pagamento de integração de horas extras (ativos, inativos e pensionistas) além da redução da jornada de trabalho. Vencida a demanda judicial, os rendimentos acumulados decorrentes da ação foram pagos anos depois de prolatada a sentença, de forma parcelada nos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, por precatórios, sendo que, por conta do falecimento da Contribuinte, os Fl. 127DF CARF MF Processo nº 14041.000238/201043 Acórdão n.º 2301005.641 S2C3T1 Fl. 126 5 rendimentos, no importe líquido apurado pela fiscalização de R$ 194.586,21 para o exercício sob análise (ano calendário 2007), foram disponibilizados em favor do espólio da contribuinte. Portanto, para a Autoridade, quando houve a disponibilidade econômica da renda, fato gerador do imposto de renda (CTN, art. 43), não havia mais que se falar de isenção de pagamento do tributo. Como o rendimento acumulado recebido pelo espólio, no valor bruto de R$ 257.187,67, foi informado erroneamente na declaração como rendimento isento, enquanto que deveria ter sido informado como rendimento tributável, houve o lançamento do crédito. Na DRJ, a Autoridade também entendeu ser inaplicável a isenção prevista para o caso de bens adquiridos por doação ou herança (inciso XVI do art. 6º da Lei n.º 7.713, de 1988), pois o fato gerador do imposto de renda exigido tem fundamento no recebimento do rendimento pelo espólio, valor este que, conforme já foi expendido, não goza de benefício de isenção. Inconformada, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, requerendo: 1. Nulidade da Autuação, tendo em vista que a Contribuinte havia Laudo Médico Oficial que reconhecia ser portadora de moléstia grave desde 05/05/2000, sendo seu direito de isenção ao IRPF deferido antes de seu falecimento, entretanto a Autoridade Fiscal continua a exigir seu pagamento; 2. Isenção do Imposto de Renda sobre proventos para portadores de moléstia graves, diante da apresentação do Laudo Pericial que comprova ser portadora de moléstia grave e do fato de a Contribuinte ter sido aposentada, sendo que os herdeiros não buscam a extensão dos efeitos da norma aos seus rendimentos, mas tão somente que, caso a Contribuinte estivesse viva, esse valor seria recebido sem desconto, pois se “tratava de diferença de proventos de salários e aposentadoria”. 3. Isenção do Imposto de Renda sobre o montante a partilhar, nos termos do Art. 39, XV do Decreto 3000/99, tendo em vista que tais valores foram objeto de sobrepartilha e não foram pagos diretamente aos herdeiros, com base na Solução de Consulta 201/99 da SRRF/8ª RF; 4. Inexiste fundamentação ao lançamento da multa de ofício, diante da constatação de dolo/máfé, sendo que o montante exigido de 75% representa o confisco, visto que é quase o valor da restituição deferida; Este é o relatório. Fl. 128DF CARF MF 6 Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme consta das fls. 96, a Contribuinte tomou ciência da decisão em 30/04/2008, apresentando Recurso Voluntário em 28/05/2008, nos termos das fls. 97. Portanto, tempestivo o Recurso, conheço do mesmo, passando à análise de seu mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada pelo Contribuinte referente à restituição de Imposto de Renda, diante da sua suposta isenção de recolhimento, por ser aposentado e ser portador de moléstia grave. A Autoridade Fiscal entendeu que, tendo em vista que a isenção por Moléstia Grave concedida à Contribuinte cessou quando da sua morte, sendo que, no momento que recebera valores depois deste evento, é devido o recolhimento de Imposto de Renda. Passase à análise da fundamentação apresentada pelo inventariante da Contribuinte em seu Recurso Voluntário, julgandose item por item: Da Nulidade da Autuação Argúise nulidade do Auto de Infração sob o fundamento de que a autoridade fiscal não apurou a realidade dos fatos, deixando de aplicar a legislação que rege a matéria, visto que, a documentação comprova a condição de isenção dos rendimentos percebidos pelo espólio e que a decisão afronta os princípios constitucionais da verdade material, da legalidade, da moralidade administrativa e da ampla defesa. Concordo com a decisão da DRJ, de que a matéria argüida nesta preliminar tem similaridades com o mérito do próprio Recurso. Não se vislumbra qualquer nulidade no Auto de Infração com o conseqüente lançamento do crédito tributário, razão pela qual refuto a alegação. Da Isenção do Imposto de Renda sobre proventos para portadores de moléstia graves Alega o inventariante da Contribuinte que, diante da apresentação do Laudo Pericial Oficial, que comprova que a mesma era portadora de moléstia grave e tinha o direito de isenção por ser aposentada, indevida a retenção dos valores pagos de Imposto de Renda da “diferença de proventos de salários e aposentadoria” recebidos da demanda trabalhista manejada. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 14041.000238/201043 Acórdão n.º 2301005.641 S2C3T1 Fl. 127 7 Portanto, para decidir sobre o presente Recurso Voluntário, a presente decisão deverá verificar se a Contribuinte preenchia ou não os requisitos legais para a concessão da isenção/restituição do IRPF. Conforme constata a Legislação (Lei nº 7.713/88, art. 6º, XIV), as pessoas portadoras de doenças graves são isentas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) desde que se enquadrem cumulativamente: os rendimentos sejam relativos a aposentadoria, pensão ou reforma E possuam alguma das seguintes doenças: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; A exigência da apresentação do Laudo Pericial advém do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, no art. 39, XXXIII e §4º que assim determina: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 5° As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 130DF CARF MF 8 II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Sobre o tema, observase as Súmulas deste R. Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Com relação ao requisito “ser portadora de moléstia grave comprovado por Laudo Pericial Oficial”, verificase que a Contribuinte preenchia o mesmo, visto que, nas fls. 22 consta o Laudo Pericial Médico Oficial, elaborado pela GDF – Secretaria de Saúde do Distrito Federal, firmado em 27/05/1999, o qual atesta a condição da Contribuinte como sendo portadora da CID 204.1/9= C91 e que a mesma é considerada “como doença especificada no art. 186, I da Lei 8.112/90”. Portanto, com relação à este requisito, observase a comprovação de que a Contribuinte era em 27/05/1999 portadora de moléstia grave, fazendo jus, a partir daquela época, caso fosse aposentada, da isenção de recolhimento do Imposto de Renda. Com relação ao outro requisito – ser os proventos oriundos de Aposentadoria – verificase que a Contribuinte não o preencheu. Isto, pois, como bem afirmou seu inventariante na Impugnação e no Recurso Voluntário, os valores recebidos 2006, 2007, 2008 e 2009 por precatórios são oriundos de uma demanda judicial trabalhista, interposta em 1986 pela Contribuinte (visto que a numeração única do processo é 001620063.1986.5.10.0004), que tramitou perante a Justiça do Trabalho da 10a Região (Certidão às fls. 28), referente o pagamento de integração de horas extras (ativos, inativos e pensionistas) além da redução da jornada de trabalho. Portanto, os valores recebidos em 2006, 2007, 2008 e 2009 são valores recebidos por proventos de SALÁRIO e NÃO APOSENTADORIA. Sobre este ponto, inclusive, o inventariante disse inúmeras vezes na Impugnação e no Recurso Voluntário que “tratava de diferença de proventos de salários e aposentadoria”. Se a demanda foi proposta em 1986 e a Contribuinte aposentou em 1991 (conforme disse a DRJ nas fls. 84), é fato que o valor recebido da sentença do processo trabalhista é referente à proventos de salário e não aposentadoria. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 14041.000238/201043 Acórdão n.º 2301005.641 S2C3T1 Fl. 128 9 Ademais, tratase de valores recebidos em 1986, sendo que o Laudo Pericial Oficial que concedeu a isenção de Imposto de Renda data de 27/05/1999, ou seja, apenas a partir desta data última é que a Contribuinte tinha direito da isenção pleiteada. Portanto, não há comprovação de que o valor recebido pela Contribuinte seja provento de Aposentadoria. Há, no entanto, prova contrária à este fato. Necessário pontuar que as verbas recebidas na demanda trabalhista são referentes ao pagamento de integração de horas extras (ativos, inativos e pensionistas) além da redução da jornada de trabalho (conforme informação prestada na Impugnação de fls. 34). Tais verbas, como se verifica, são verbas rescisórias e não indenizatórias. Cabia à Contribuinte comprovar com cópia dos autos de que tais verbas eram indenizatórias. Caso tivesse preenchido tal requerimento, mesmo assim não seria devida a isenção, pois, conforme Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 26, de 26 de dezembro de 2003, a isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou reforma e valores a título de pensão de portador de moléstia grave cessa com a morte do Contribuinte, sendo um direito pessoal do mesmo, não sendo estendido aos seus herdeiros. Determina o Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 26, de 26 de dezembro de 2003: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal de 1988, no art. 176 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pela art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, nos arts. 6º e 1.784 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2001, Código Civil, no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 81, de 11 de outubro de 2001, e no Processo nº 10168.004190/200336, declara: Artigo único. Sujeitamse à incidência do imposto de renda, devendo ser tributados na fonte e na Declaração de Ajuste Anual ou na Declaração Final de Espólio, os proventos de aposentadoria ou reforma e valores a título de pensão de portador de moléstia grave recebidos pelo espólio ou por seus herdeiros, independentemente de situações de caráter pessoal. Portanto, quando houve a disponibilidade econômica da renda, fato gerador do imposto de renda (CTN, art. 43), não havia mais que se falar de isenção de pagamento do tributo. Diante do todo exposto, voto por conhecer e negar provimento neste ponto. Fl. 132DF CARF MF 10 Isenção do Imposto de Renda sobre o montante a partilhar na Herança Sustenta a defesa de que seriam isentos os rendimentos do Imposto de Renda sobre o montante a partilhar na Herança, nos termos do inciso XVI do art. 6º da Lei n.º 7.713, de 1988. Assim determina a legislação trazida pelo Contribuinte: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XVI o valor dos bens adquiridos por doação ou herança; Verificase que o valor foi recebido pela Contribuinte que, apesar do pagamento ter sido realizado em 2006, 2007, 2008 e 2009 quando a mesma já havia falecido, tratase de valores referentes à verbas trabalhistas de 1986. O artigo suscitado determina isenção ao Imposto de Renda dos Herdeiros e não da Contribuinte. Como dito, os valores apurados no Auto de Infração não são os recebidos pelos herdeiros, mas sim, pela própria Contribuinte. Portanto, o fato gerador do imposto de renda exigido tem fundamento no recebimento do rendimento pelo espólio, valor este que, conforme já foi expendido, não goza de benefício de isenção e por esta razão nego provimento ao pedido. Da multa de ofício Requer, a defesa, o cancelamento da multa de ofício lançada na proporção de 75% do imposto apurado, por não ter sido identificado o dolo ou máfé na conduta da Contribuinte, multa da qual enseja o Confisco, vedado pelo ordenamento jurídico. Acredito que houve confusão da Contribuinte no apelo do Recurso Voluntário, isto, pois, com relação a necessidade de identificação do dolo ou máfé. Isto, pois, desnecessária a constatação ou não do dolo ou máfé para lançamento da multa de ofício. A multa qualificada, esta sim depende da constatação do dolo ou máfé, conforme entendimento sumulado por este Conselho: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A simples omissão na Declaração Anual de ajuste permite a imposição da multa de ofício. A multa qualificada depende da comprovação do dolo. Assim como, impossível a redução da porcentagem que apura o valor da multa de ofício de 75%, sendo que a Lei 9430/96 determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 14041.000238/201043 Acórdão n.º 2301005.641 S2C3T1 Fl. 129 11 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Portanto, não há a previsão legal para o cancelamento ou a redução da multa de ofício atribuída à Contribuinte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722122/2014-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 22 /2 01 4- 76 Fl. 35890DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35891DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16069.599, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35892DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35893DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35894DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35895DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35896DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35897DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35898DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35899DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35900DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35901DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35902DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35903DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35904DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35905DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35906DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35907DF CARF MF Processo nº 12466.722122/201476 Acórdão n.º 3301005.103 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35908DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902046/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente BRADESCO SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira e Marcelo Giovani Vieira, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 20 46 /2 01 2- 64 Fl. 205DF CARF MF 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de pedido de restituição em face de pagamento a maior a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativamente ao período de junho de 2000 (fls. 142/144). Através do despacho decisório de fl. 145, foi a restituição indeferida, posto que o documento de arrecadação (Darf) indicado pelo declarante corresponderia a pagamento integralmente utilizado para a quitação de débito do mesmo contribuinte, inexistindo direito creditório disponível à restituição. Inconformado, apresenta o interessado manifestação de inconformidade (fls. 2/13), por meio da qual, em síntese, requer seja o despacho decisório reformado, deferindose a restituição pleiteada. A título preliminar, o manifestante assevera a nulidade do ato administrativo censurado, posto que ausente requisito essencial, qual seja, motivo. Uma vez insuficientes as razões declinadas pela autoridade fiscal, darseia cerceamento ao direito de defesa, conforme art. 59 do Decreto n. 70.235, de 1972, segundo o inconformado. Diz que, embora as importâncias recolhidas correspondam às contribuições devidas nos termos da Lei n. 9.718, de 1998, faria o manifestante jus à restituição do montante pleiteado em face do reconhecimento pelo plenário do Supremo Tribunal Federal da inconstitucionalidade do §1o ao art. 3o do referido diploma legal. A exigência de contribuição, assim, apenas seria possível com base no faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos. Esclarece que teria equivocadamente incluído o valor de R$ 764.195,60 no pedido de restituição, correspondente às receitas financeiras atinentes ao período e objeto de concomitante ação judicial. Reconhece, assim, que o pedido de restituição, no lugar de R$ 1.897.417,64, deveria ser de R$ 1.133.222,04. Defende que a sobredita ampliação da base de cálculo pelo art. 3o, §1o, da Lei n. 9.718, de 1998, seria inconstitucional porque, ao equiparar o faturamento à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, teria extrapolado a competência outorgada à União pelo art. 195, I, da Constituição da República. Faturamento seria conceito objetivo de direito comercial que não se alteraria em função do objeto social do contribuinte e que não poderia ser modificado pela legislação tributária, ex vi do art. 110 do Código Tributário Nacional. Não compreenderia, assim, entre outros, receitas financeiras e prêmios de seguros, porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Reclama que, conquanto se entenda que as receitas advindas de prêmios comporiam a base de cálculo das contribuições do Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16327.902046/201264 Acórdão n.º 3201004.415 S3C2T1 Fl. 206 3 manifestante, subsistiriam receitas que teriam composto tal base somente por força do art. 3o da Lei n. 9.718, de 1998. Referidas receitas não restariam elencadas no Parecer PGFN/CAT n. 2.773, de 2007, ensejando o direito à restituição dos correspondentes montantes. Para tanto, carreia aos autos os documentos de fls. 14/112. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01 34.371, de 29/06/2015 (fls. 151 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE SEGUROS. A atividade de seguro promovida pelas operadoras de seguro, ainda que não submetida ao ato de faturar, enseja receitas que correspondem ao faturamento ou receita bruta a que aludem os arts. 2o e 3o, caput, da Lei 9.718, de 1998, restando tal realidade inabalada pela declaração de inconstitucionalidade do §1o ao art. 3o da Lei n. 9.718, de 1998. A redação do art. 195, I, b, da Carta Política, conferida pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998, serve de fundamento de validade aos arts. 2o e 3o da Lei n. 9.718, de 1998, de cuja inconstitucionalidade não se cogita, conformando arcabouço a reclamar a exação tributária referida. Consequentemente, uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa de lançamento, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de pedido de restituição em face de pagamento a maior a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativamente ao período de junho de 2000 (fls. 142/144). Através do despacho decisório de fl. 145, foi a restituição indeferida, posto que o documento de arrecadação (Darf) indicado pelo declarante corresponderia a pagamento integralmente utilizado para a quitação de débito do mesmo contribuinte, inexistindo direito creditório disponível à restituição. Fl. 207DF CARF MF 4 Inconformado, apresenta o interessado manifestação de inconformidade (fls. 2/13), por meio da qual, em síntese, requer seja o despacho decisório reformado, deferindose a restituição pleiteada. A título preliminar, o manifestante assevera a nulidade do ato administrativo censurado, posto que ausente requisito essencial, qual seja, motivo. Uma vez insuficientes as razões declinadas pela autoridade fiscal, darseia cerceamento ao direito de defesa, conforme art. 59 do Decreto n. 70.235, de 1972, segundo o inconformado. Diz que, embora as importâncias recolhidas correspondam às contribuições devidas nos termos da Lei n. 9.718, de 1998, faria o manifestante jus à restituição do montante pleiteado em face do reconhecimento pelo plenário do Supremo Tribunal Federal da inconstitucionalidade do §1o ao art. 3o do referido diploma legal. A exigência de contribuição, assim, apenas seria possível com base no faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos. Esclarece que teria equivocadamente incluído o valor de R$ 764.195,60 no pedido de restituição, correspondente às receitas financeiras atinentes ao período e objeto de concomitante ação judicial. Reconhece, assim, que o pedido de restituição, no lugar de R$ 1.897.417,64, deveria ser de R$ 1.133.222,04. Defende que a sobredita ampliação da base de cálculo pelo art. 3o, §1o, da Lei n. 9.718, de 1998, seria inconstitucional porque, ao equiparar o faturamento à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, teria extrapolado a competência outorgada à União pelo art. 195, I, da Constituição da República. Faturamento seria conceito objetivo de direito comercial que não se alteraria em função do objeto social do contribuinte e que não poderia ser modificado pela legislação tributária, ex vi do art. 110 do Código Tributário Nacional. Não compreenderia, assim, entre outros, receitas financeiras e prêmios de seguros, porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Reclama que, conquanto se entenda que as receitas advindas de prêmios comporiam a base de cálculo das contribuições do manifestante, subsistiriam receitas que teriam composto tal base somente por força do art. 3o da Lei n. 9.718, de 1998. Referidas receitas não restariam elencadas no Parecer PGFN/CAT n. 2.773, de 2007, ensejando o direito à restituição dos correspondentes montantes. Para tanto, carreia aos autos os documentos de fls. 14/112. É o relatório. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BEL n.º 01 34.371, de 29/06/2015 (fls. 151 e ss.), assim ementado: Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16327.902046/201264 Acórdão n.º 3201004.415 S3C2T1 Fl. 207 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE SEGUROS. A atividade de seguro promovida pelas operadoras de seguro, ainda que não submetida ao ato de faturar, enseja receitas que correspondem ao faturamento ou receita bruta a que aludem os arts. 2o e 3o, caput, da Lei 9.718, de 1998, restando tal realidade inabalada pela declaração de inconstitucionalidade do §1o ao art. 3o da Lei n. 9.718, de 1998. A redação do art. 195, I, b, da Carta Política, conferida pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998, serve de fundamento de validade aos arts. 2o e 3o da Lei n. 9.718, de 1998, de cuja inconstitucionalidade não se cogita, conformando arcabouço a reclamar a exação tributária referida. Consequentemente, uma vez vinculada e obrigatória a atividade administrativa de lançamento, inexiste alternativa ao agente fazendário, limitado que se encontra, consoante parágrafo único ao art. 142 do CTN, ao estrito cumprimento da legislação tributária, expressão que compreende leis, tratados, convenções internacionais, decretos e normas complementares. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 169 e ss., por meio do qual alega, em síntese, a nulidade do Despacho Decisório (vício de motivação) e do acórdão recorrido (proferida sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados). No mérito, traz as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Fl. 209DF CARF MF 6 Contestada a decisão, a DRJ julgoua improcedente. No recurso voluntário, a Recorrente basicamente repete os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. Em acréscimo, apenas a nulidade do acórdão recorrido. Antes de ingressar na análise das razões de defesa, cabe destacar que, consoante a própria Recorrente asseverou em sua manifestação de inconformidade, foi incluído, equivocadamente, no valor pleiteado, o montante de R$ 764.195,60, pois estaria sendo discutido no bojo de uma ação judicial, de modo que, em discussão aqui, resta apenas R$ 1.133.222,04. Posto isso, entendemos assistir razão em parte à Recorrente. Inicialmente, sustenta ter havido, no Despacho Decisório, vício de motivação (sustenta que foi intimada, em 31/01/2012, através da Intimação Deinf/SPO/Diort nº 18), a apresentar documentos e esclarecimentos a respeito do crédito. E que o acórdão recorrido, no entender também nulo, foi proferido sem qualquer menção aos documentos/esclarecimentos apresentados em sua defesa. Motivação, como se sabe, é a explicitação dos motivos, de fato e de direito, do ato administrativo. No caso em exame, consistiu na afirmação de que o suposto crédito estava alocado para quitar débito da própria Recorrente, uma vez que não houvera, é evidente, retificação anterior da DCTF correspondente ao período de sua apuração. Nenhum defeito há no Despacho Decisório, não obstante singular o procedimento, uma vez que a repartição já sabia da não retificação da DCTF, daí que, para o entendimento que restou declinado no Despacho Decisório, não era necessária a intimação. Tampouco nulidade no acórdão recorrido há, pois a questão posta em litígio é eminentemente jurídica, de modo que não havia necessidade da análise de documentos. E, com relação aos esclarecimentos prestados pela Recorrente, a Turma não está vinculada à apreciação de todos, notadamente quando as razões adotadas no voto foram suficientes para fundamentála. No mérito, vemos que a Recorrente, uma sociedade seguradora, pretende dar tratamento tributário diverso a receitas oriundas dos prêmios de seguros (prestação paga pelo segurado, para a contratação do seguro, que se efetiva com a emissão da apólice por parte da empresa seguradora), porquanto não incluídas no conceito de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16327.902046/201264 Acórdão n.º 3201004.415 S3C2T1 Fl. 208 7 Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, Fl. 211DF CARF MF 8 mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16327.902046/201264 Acórdão n.º 3201004.415 S3C2T1 Fl. 209 9 sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de Fl. 213DF CARF MF 10 mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do Fl. 214DF CARF MF Processo nº 16327.902046/201264 Acórdão n.º 3201004.415 S3C2T1 Fl. 210 11 REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. Fl. 215DF CARF MF 12 INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, E DJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16327.902046/201264 Acórdão n.º 3201004.415 S3C2T1 Fl. 211 13 TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Fl. 217DF CARF MF 14 Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente sustenta que também aufere outras receitas, tais como receitas financeiras e de aluguel de imóveis. Entendemos que, no caso do aluguel de imóveis, como o objeto social da Recorrente não se refere a esta atividade, mas apenas à realização de operações de seguros de danos e pessoas, em qualquer de suas modalidades (ver fl. 15), as receitas daí decorrentes devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, mas não as originadas nas atividades financeiras (decorrentes ou não de provisões técnicas). É que, segundo o Parecer SUSEP/DECOM/GEACO/ DIMES/ Nº 32/09, de 23 de julho de 2009, "as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividadefim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS". Ainda, conforme o Parecer SUSEP/DITEC/CGASO/DIREF/ Nº 64/2013, do qual destacamos o seguinte excerto: “Neste ponto, no entanto, cabe ressaltar que a operação de seguros caracterizase por apresentar ciclo financeiro negativo. Em outras palavras, a operação securitária tem como característica a captação de recursos, uma vez que, em condições normais, os prêmios são recebidos antes do pagamento de sinistros. Tal característica, inerente à operação, permite que a seguradora aufira receitas financeiras que contribuem significativamente para o seu resultado, o que a assemelha a uma instituição financeira. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válida apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da Cofins apenas as receitas decorrentes de aluguel de imóveis. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16327.902046/201264 Acórdão n.º 3201004.415 S3C2T1 Fl. 212 15 Fl. 219DF CARF MF
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