Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10730.722177/2016-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10730.722177/2016-45
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5937721
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.832
nome_arquivo_s : Decisao_10730722177201645.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10730722177201645_5937721.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7543637
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1331; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.722177/201645 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.832 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente DAVID FERNANDES GONCALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 21 77 /2 01 6- 45 Fl. 48DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 24.096,80. O contribuinte apresentou impugnação parcial (solicita apenas o acatamento das despesas com UNIMED), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Rio de Janeiro. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 39/40. Apresenta novo documento, emitido pela UNIMED,.que atende os requisitos destacados pela autoridade julgadora, É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Analisando a documentação acostada pela contribuinte, entendo ser suficiente para comprovar seus argumentos e reverter a glosa das despesas médicas efetuadas. O documento de folha 40, atesta o pagamento, pelo recorrente, do valor declarado a título de plano de saúde. Assim, as razões apontadas no lançamento e pela decisão de primeira instância foram supridas com os documentos trazidos com o recurso voluntário. Por estas razões, concluo pela aceitação da dedução com plano de saúde, no valor declarado, R$ 3.196,80. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento, acatando o valor declarado a título de plano de saúde (UNIMED). (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 49DF CARF MF
_version_ : 1713051148685934592
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917301/2009-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INTEGRALMENTE ALOCADO POR POSSÍVEL ERRO NA DCTF. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
No processo administrativo fiscal deve-se buscar uma decisão de mérito justa e efetiva, buscando-se a revelação da verdade material, para tanto o instituto da preclusão não pode ser levado às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos, em homenagem ao princípio da verdade real, podendo conhecer de prova complementar carreada após o prazo para apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, quando ela guardar relação com a matéria impugnada e com outras provas anteriormente colacionadas.
A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre declarações, especialmente saneadas após retificadora da DCTF, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCTF após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e da compensação pretendida pelo contribuinte, especialmente porque, após retificação da DCTF, o DARF que se apresentava completamente alocado pode eventualmente externar saldo possível de restituição, porém prescindido de confirmação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão para exame do mérito do direito creditório e da compensação pretendida pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INTEGRALMENTE ALOCADO POR POSSÍVEL ERRO NA DCTF. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. No processo administrativo fiscal deve-se buscar uma decisão de mérito justa e efetiva, buscando-se a revelação da verdade material, para tanto o instituto da preclusão não pode ser levado às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos, em homenagem ao princípio da verdade real, podendo conhecer de prova complementar carreada após o prazo para apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, quando ela guardar relação com a matéria impugnada e com outras provas anteriormente colacionadas. A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre declarações, especialmente saneadas após retificadora da DCTF, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCTF após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e da compensação pretendida pelo contribuinte, especialmente porque, após retificação da DCTF, o DARF que se apresentava completamente alocado pode eventualmente externar saldo possível de restituição, porém prescindido de confirmação. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15374.917301/2009-40
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5923951
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.450
nome_arquivo_s : Decisao_15374917301200940.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 15374917301200940_5923951.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão para exame do mérito do direito creditório e da compensação pretendida pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7499994
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148686983168
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-10-30T01:50:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-10-30T01:50:40Z; Last-Modified: 2018-10-30T01:50:40Z; dcterms:modified: 2018-10-30T01:50:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-10-30T01:50:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-10-30T01:50:40Z; meta:save-date: 2018-10-30T01:50:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-10-30T01:50:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-10-30T01:50:40Z; created: 2018-10-30T01:50:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2018-10-30T01:50:40Z; pdf:charsPerPage: 2360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-10-30T01:50:40Z | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 319 1 318 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917301/200940 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.450 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2018 Matéria CSLL PER/DCOMP Recorrente XAVIER, BERNARDES, BRAGANÇA SOCIEDADE DE ADVOGADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INTEGRALMENTE ALOCADO POR POSSÍVEL ERRO NA DCTF. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. No processo administrativo fiscal devese buscar uma decisão de mérito justa e efetiva, buscandose a revelação da verdade material, para tanto o instituto da preclusão não pode ser levado às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos, em homenagem ao princípio da verdade real, podendo conhecer de prova complementar carreada após o prazo para apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, quando ela guardar relação com a matéria impugnada e com outras provas anteriormente colacionadas. A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre declarações, especialmente saneadas após retificadora da DCTF, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCTF após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e da compensação pretendida pelo contribuinte, especialmente porque, após retificação da DCTF, o DARF que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 73 01 /2 00 9- 40 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15374.917301/200940 Acórdão n.º 1002000.450 S1C0T2 Fl. 320 2 se apresentava completamente alocado pode eventualmente externar saldo possível de restituição, porém prescindido de confirmação. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão para exame do mérito do direito creditório e da compensação pretendida pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 194/199) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 186/188), proferida em sessão de 29 de junho de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1238.058, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 12/14) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 09/04/2009 (efl. 10), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 28505.13265.140504.1.3.047913, transmitido em 14/05/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AnoCalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15374.917301/200940 Acórdão n.º 1002000.450 S1C0T2 Fl. 321 3 Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de compensação materializada pela declaração (Per/DComp) de fls. 02/06 [efls. 03/07], transmitida à base de dados da Receita Federal em 14/05/2004, na qual a interessada acima qualificada empregou alegado crédito, no valor de R$ 21.609,37, oriundo de pagamento indevido ou a maior e referente ao anocalendário 2004. A compensação declarada foi homologada parcialmente porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente (fls. 09) [efl. 10], o pagamento informado teria sido, em parte, utilizado para quitação de outro débito, restando o crédito de R$ 3.105,73 para a compensação realizada. Fundamentouse a decisão nos seguintes dispositivos legais: art. 165 e 170 da Lei n.º 5.172/66 (CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Inconformada com a denegação de seu intento, da qual tomou ciência em 30/04/2009 (fls. 08) [efl. 09], a interessada interpôs, em 01/06/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 11/13 [efls. 12/14], alegando, em síntese, erro no preenchimento da DCTF do período, retificada em 28/05/2009. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 21.609,37, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a procedência apenas parcial do crédito informado no PER/DCOMP, sendo reconhecido R$ 3.105,73. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento parcialmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a haver apenas crédito parcial disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi integralmente extinto, isto é, não foi completamente compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/12/2003 2372 R$ 149.314,40 31/03/2004 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado Valor Original Utilizado 4365460468 R$ 152.420,13 PD: 23056.88988.140504.1.3.047461 R$ 149.314,40 R$ 3.105,73 Valor Total R$ 8.465,68 R$ 3.105,73 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2009 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15374.917301/200940 Acórdão n.º 1002000.450 S1C0T2 Fl. 322 4 Principal: R$ 8.258,61 Multa: R$ 1.651,72 Juros: R$ 5.988,31 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a decisão quanto a parte não reconhecida do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação até referido montante, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Fazse mister perceber que, com a MP n.º 135/03, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833/03, a informação de débitos em DCTF equivale à confissão de dívida, pelo que se tornam desde logo exigíveis. O mesmo entendimento foi exarado pela PGFN, que em seu Parecer n.º 991/01, assim concluiu: (..) 15. A título de conclusão, podemos afirmar: a) a declaração e confissão de dívida tributária, hoje efetuada no âmbito da secretaria da Receita Federal por intermédio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, guarda conformidade com a ordem jurídica em vigor, sendo plenamente válida para viabilizar a inscrição em Dívida Ativa e a cobrança judicial, se for o caso; b) a sistemática de cobrança do "saldo a pagar", mediante inscrição em Dívida Ativa e os consequentes a partir daí, é juridicamente escorreita, representando, inclusive, um aperfeiçoamento desejável pela redução, em tese, de inconsistências de várias ordens; c) não há necessidade, a rigor não é juridicamente válida, a formalização ou constituição de crédito tributário já revelado no âmbito da sistemática da declaração e confissão de dívida na modalidade do "saldo a pagar"; d) a Secretaria da Receita Federal pode, e deve, alterar o montante do "saldo a pagar", sem afronta ao débito devido ("débito apurado"), se identificar de ofício fatos relevantes para tanto, devidamente contemplados na legislação tributária."(...) No presente caso, somente após a ciência do despacho decisório que frustrou a compensação realizada é que a interessada promoveu a retificação do que disse ser um erro na DCTF, fazendoo sem demonstrar suas razões. Nenhum elemento de prova em favor da defesa foi carreado aos autos, em que pese o fato de o ônus da prova incumbir a quem alega o direito. Certo é que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Além disso, ao crédito informado desta maneira faltam os atributos fundamentais para o seu emprego em compensação, quais sejam a liquidez e a certeza exigidas pelo art. 170 do CTN. Ante o exposto, restame negar provimento à manifestação de inconformidade. No recurso voluntário, em síntese, o contribuinte reitera a impugnação. Em acréscimo juntou DARFs das 1.ª, 2.ª e 3.ª cotas de CSLL do 4º Trimestre/2003 (efls. 273/275), páginas da DCTF relativa ao 1.º Trimestre/2004, referente ao PA 4.º Trimestre/2003 (efls. 276/279) e PER/DCOMP's (efls. 290/304). Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 15374.917301/200940 Acórdão n.º 1002000.450 S1C0T2 Fl. 323 5 É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 15/07/2011, sextafeira, efls. 191/192, e protocolo recursal em 15/08/2011, efl. 194), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito assiste razão em parte ao recorrente. Explico. Observo nulidade no acórdão vergastado, inclusive seguindo precedente constante do Acórdão n.º 9101002.203, sem olvidar também de premissas do Acórdão n.º 9303005.065, ambos da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 15374.917301/200940 Acórdão n.º 1002000.450 S1C0T2 Fl. 324 6 Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, bem como confessando débito próprio, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou em parte o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado, não restando saldo a ser aproveitado. O débito cujo DARF teria dado baixa, estando extinto, estaria lastreado e confessado em DCTF. O contribuinte, em breve resumo, argumenta que a DCTF foi retificada, de modo que o valor recolhido pelo referido DARF, apresentase, em verdade, a maior do que o devido, destarte havendo saldo a ser pretendido na forma do direito creditório vindicado. Argumenta o sujeito passivo: "É que a Recorrente neste declaração em lugar de informar o pagamento em excesso realizado através do DARF de 31 de março de 2004 no valor de R$ 381.003,40 (...), informou equivocadamente ter quitado a terceira cota do 4º trimestre mediante Per/Dcomp (...) no valor de R$ 149.314,40 (...), a qual nunca deveria ter sido realizada ou informada, visto que referida cota já havia sido quitada pela apresentação do DARF de 31 de março de 2004 no valor de R$ 152.420,13 (...). Esse erro, quando finalmente apurado pela Recorrente foi objeto da DCTF retificadora apresentada em 28 de maio de 2009. A DERAT ao analisar o pedido de compensação da Recorrente foi induzida em erro pela DCTF da Recorrente do 4º Trimestre de 2003, e emitiu, em 09 de abril de 2009, despacho decisório no qual concluiu que os valores recolhidos teriam sido parcialmente 'utilizados para quitação de débitos do contribuinte, (...). Notese que tal despacho decisório foi proferido antes da retificação da DCTF do 4º trimestre de 003, pelo que a DERAT não tinha conhecimento do pagamento efetuado pela Recorrente em 31 de março de 2004 no valor de R$ 152.420,13 (...)." A DRJ argumenta que a DCTF tem força de confissão de dívida e que foi retificada após despacho decisório, não sendo acompanhada de provas e, por isso, manteve a decisão inicial da origem. Ora, ao meu ver, a DRJ, em verdade, quer transmitir uma ideia de que é vedado a retificação da DCTF após a prolação do despacho decisório. Este seria o maior Fl. 324DF CARF MF Processo nº 15374.917301/200940 Acórdão n.º 1002000.450 S1C0T2 Fl. 325 7 motivo para não se aprofundar sobre o crédito e, simplesmente, negar a homologação da compensação. Ocorre que, mutatis mutandis, referida tese já foi superada pelo CARF, inclusive por sua Câmara Superior de Recursos Fiscais, especialmente na forma explanada nas razões de decidir do Acórdão n.º 9101002.203, da lavra do Ilustre Conselheiro, atualmente Presidente da 1.ª Seção, Rafael Vidal de Araújo, cuja ementa transcrevo: Acórdão n.º 9101002.203 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1. Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a ideia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (ano calendário de 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2. A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. Noutro prisma, também destaco a premissa em que se lastreou as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, igualmente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Fl. 325DF CARF MF Processo nº 15374.917301/200940 Acórdão n.º 1002000.450 S1C0T2 Fl. 326 8 Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Além disto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT), na forma do Parecer Normativo COSIT n.º 8, de 03 de setembro de 2014, já se posicionou no sentido de poder ser revisto o despacho decisório denegatório da homologação da compensação quando se observar, por exemplo, erro de fato no preenchimento de DCTF: Assunto. (...) (...) REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. (grifei) Acrescentese, outrossim, outro normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciada no Parecer Normativo COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, que externa entendimento diametralmente oposto as razões de decidir da decisão recorrida: ASSUNTO. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 15374.917301/200940 Acórdão n.º 1002000.450 S1C0T2 Fl. 327 9 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6.º do art. 9.º da IN RFB n.º 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB n.º 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9.ºA da IN RFB n.º 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB n.º 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, Fl. 327DF CARF MF Processo nº 15374.917301/200940 Acórdão n.º 1002000.450 S1C0T2 Fl. 328 10 que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo n.º 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5.º do Decretolei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP n.º 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB n.º 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB n.º 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB n.º 8, de 3 de setembro de 2014. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário para afastar o óbice formal em que se fundamentou a decisão de primeira instância administrativa, para dar provimento parcial ao recurso anulando o acórdão proferido e determinando o retorno dos autos à instância a quo, a fim de que esta análise o direito creditório do recorrente e a compensação pretendida, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado para fins do pedido de compensação. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901180/2017-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2011
DECISÃO EMBASADA EM PROCESSO PARADIGMA QUE NÃO RECONHECEU DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE PROVAS. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA.
Quando o direito creditório não resta reconhecido por falta de documentação, não pode tal decisão embasar nova decisão por considerar preclusa a questão, tendo me vista que em cada um dos processos é facultado ao contribuinte instruir as provas que entender necessárias. Preclusão não vislumbrada devendo ser anulada a decisão primeva para que seja proferida nova decisão com base nas provas carreada aos autos.
Numero da decisão: 1401-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, anulando-se o acórdão 16-81.246, para que a DRJ/SPO analise a documentação acostada aos autos e profira nova decisão que verse sobre o mérito da compensação formalizada no PER/DCOMP n° 08510.41905.170413.1.3.04-3000.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano , Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Sérgio Abelson (suplente convocado).
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2011 DECISÃO EMBASADA EM PROCESSO PARADIGMA QUE NÃO RECONHECEU DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE PROVAS. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Quando o direito creditório não resta reconhecido por falta de documentação, não pode tal decisão embasar nova decisão por considerar preclusa a questão, tendo me vista que em cada um dos processos é facultado ao contribuinte instruir as provas que entender necessárias. Preclusão não vislumbrada devendo ser anulada a decisão primeva para que seja proferida nova decisão com base nas provas carreada aos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.901180/2017-52
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924951
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.977
nome_arquivo_s : Decisao_16327901180201752.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
nome_arquivo_pdf_s : 16327901180201752_5924951.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, anulando-se o acórdão 16-81.246, para que a DRJ/SPO analise a documentação acostada aos autos e profira nova decisão que verse sobre o mérito da compensação formalizada no PER/DCOMP n° 08510.41905.170413.1.3.04-3000. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano , Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Sérgio Abelson (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7506963
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148702711808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 574 1 573 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.901180/201752 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.977 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO SANTANDER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2011 DECISÃO EMBASADA EM PROCESSO PARADIGMA QUE NÃO RECONHECEU DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE PROVAS. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Quando o direito creditório não resta reconhecido por falta de documentação, não pode tal decisão embasar nova decisão por considerar preclusa a questão, tendo me vista que em cada um dos processos é facultado ao contribuinte instruir as provas que entender necessárias. Preclusão não vislumbrada devendo ser anulada a decisão primeva para que seja proferida nova decisão com base nas provas carreada aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, anulandose o acórdão 1681.246, para que a DRJ/SPO analise a documentação acostada aos autos e profira nova decisão que verse sobre o mérito da compensação formalizada no PER/DCOMP n° 08510.41905.170413.1.3.043000. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 11 80 /2 01 7- 52 Fl. 574DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano , Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Sérgio Abelson (suplente convocado). Relatório Por economia processual e bem descrever a síntese dos fatos adoto o relatório da decisão recorrida complementandoo com minhas observações: Cuidam os auto de pedido de compensação Per/Dcomp nº 08510.41905.170413.1.3.043000 (fls. 141 a 146), no qual foram declaradas compensações de PIS e de COFINS de março de 2013 com crédito relativo a pagamento a maior de estimativa de IRPJ de abril de 2011, sendo de R$26.076.035,50 o valor original do crédito pleiteado. Por meio do Despacho Decisório de número de rastreamento 122330576 (fls. 51), a Deinf/SPO não reconheceu o crédito pleiteado e não homologou as compensações declaradas. Reproduzse abaixo o item 3 – Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal do referido Despacho Decisório: 3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL O crédito em análise corresponde ao valor necessário para compensação dos débitos declarados, ajustados para a data de pagamento do DARF, conforme art. 39, parágrafo 4 da Lei 9.250, de 1995, e art. 73 da Lei 9.532, de 1997. Valor do crédito em análise: R$26.076.035,50 Valor do crédito reconhecido: R$0,00 CARACTERÍSTICAS DO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP O crédito associado ao DARF acima identificado foi objeto de análise em PER/DCOMP anteriores que referenciam o mesmo pagamento, cuja decisão concluiu pela inexistência de crédito remanescente para utilização em novas compensações ou atendimento de pedidos de restituição. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal do Brasil e integram este despacho. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2017. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16327.901180/201752 Acórdão n.º 1401002.977 S1C4T1 Fl. 575 3 Para informações complementares da análise de crédito, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. De acordo com as informações complementares da análise do crédito (fls. 356), o Per/Dcomp anterior a que se refere o Despacho Decisório é o de número 28402.81593.030413.1.7.042564, objeto do processo administrativo nº 16327.902707/2015 02. Da Manifestação de Inconformidade Cientificada do Despacho Decisório por via postal em 11/05/2017 (fls. 354), a interessada apresentou, em 05/06/2017, a Manifestação de Inconformidade de fls. 55 a 84, acompanhada dos documentos de fls. 85 a 351 e do arquivo não paginável em formato Excel juntado às fls. 352. Preliminarmente, a interessada requer o sobrestamento deste processo até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 16327.902707/201502, que se encontra no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, aguardando julgamento do Recurso Voluntário. Alega que a decisão a ser proferida no referido processo certamente gerará efeitos idênticos no presente processo, tendo em vista se tratar exatamente do mesmo crédito. Sustenta que o sobrestamento deste feito é a medida mais razoável a ser adotada, face ao princípio da eficiência ao qual está sujeita a Administração Pública. Caso assim não se entenda, a requerente apresenta as razões pelas quais entende que deve ser reformado o Despacho Decisório. Cabe observar que se trata das mesmas alegações constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada nos autos do processo administrativo nº 16327.902707/201502 (fls. 199 a 222). Em síntese, as alegações da requerente são as seguintes: a) o Despacho Decisório é nulo em razão de não terem sido infirmadas as explicações apresentadas pela requerente quando intimada; b) a requerente incluiu, por equívoco, alguns resultados positivos referentes a contratos de “swap – scc” na apuração da estimativa mensal de abril/2011, mesmo não tendo ocorrido a liquidação das respectivas operações; c) a tributação das operações de swap ocorre somente quando da liquidação dos contratos; Fl. 576DF CARF MF 4 d) a requerente excluiu os valores referentes aos contratos de swap não liquidados da base de cálculo de abril/2011; e) todos os processos mencionados pela fiscalização, que tratam de prejuízo fiscal e de utilização de ágio, estão ativos, pendentes de apreciação e, portanto, não podem ser glosados; f) os processos pendentes relacionados à presente demanda devem ser sobrestados até a decisão definitiva das lides. Foram esse autos julgados pela DRJ onde foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do processo administrativo fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUTIR A MATÉRIA NA MESMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Não é cabível a rediscussão de direito creditório já analisado em processo administrativo fiscal anterior. Não tendo sido reconhecido o direito creditório pleiteado, resta apenas, no que se refere a este processo, não homologar as compensações de que se trata. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, interpôs a Contribuinte recurso voluntário a esse Conselho alegando em síntese: Que inexiste a preclusão alegada pela DRJ/SPO porque nos autos do processo administrativo tido como paradigma n.16327.902707/201502 somente restou decidido que naqueles autos não haveria prova do crédito a ser utilizado. Além do que, os autos foram baixados em diligência para que fosse verificado o crédito requerido. E até mesmo fere o entendimento externado no processo 16327.902707/201502, em que o CARF, a partir deste mesmo conjunto probatório, entendeu pela pertinência de uma melhor análise fática do direito creditório, baixando os autos em diligência. Tendo em vista que a DCTF retificadora está respaldada nos registros contábeis e controles extrafiscais da Recorrente (planilhas, extratos bancários etc), não há Fl. 577DF CARF MF Processo nº 16327.901180/201752 Acórdão n.º 1401002.977 S1C4T1 Fl. 576 5 dúvidas de que restou demonstrado que o recálculo das operações de mercados futuros, nos termos da Lei 11.051/04, gerou um pagamento indevido de IRPJ, no mês de abril de 2011, sendo imperiosa a devolução de indébito à Recorrete, por meio da homologação das compensações formalizadas. Este é o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Cuidam os autos de pedido de compensação de R$46.367.904,88 de pagamento a maior de IRPJ de abril de 2011. O acórdão recorrido deixou de examinar a questão posta nos autos tendo em vista que foi demonstrada a identidade de objeto quanto ao direito creditório no processo 16327.90270/201502, conforme exposto abaixo: Demonstrada a identidade de objeto quanto ao direito creditório, não pode esta Turma reapreciar o mérito por força da preclusão processual. Uma vez que já houve uma decisão relativa à matéria, não cabe mais qualquer nova manifestação, pelo mesmo órgão julgador, quanto à procedência ou não do direito creditório, cabendo tão somente aplicar a decisão proferida no processo nº 16327.902707/201502 ao presente caso. Não tendo sido reconhecido o direito creditório, deve ser mantida a não homologação das compensações declaradas no Per/Dcomp nº 08510.41905.170413.1.3.04 3000 Contudo, olvidouse que a decisão daquele processo não é definitiva e, portanto deveria ser analisada a documentação juntada pelo Contribuinte. Pela documentação acostada à Manifestação de Inconformidade, parece assistir razão à contribuinte. Assim, para que seja observado o duplo grau de jurisdição, deve ser anulada a decisão proferida para que sejam examinadas as provas carreadas aos autos e proferida nova decisão. Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, anulandose o acórdão 1681.246, para que a DRJ/SPO analise a documentação acostada aos autos e profira nova decisão que verse sobre o mérito da compensação formalizada no PER/DCOMP n° 08510.41905.170413.1.3.043000, tendo em vista que a fundamentação de preclusão do acórdão recorrido está equivocada. É o voto. Fl. 578DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 579DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901794/2008-99
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. DESISTÊNCIA.
Configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, não há que se tomar conhecimento dele, por completa carência de objeto.
Numero da decisão: 9101-003.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. DESISTÊNCIA. Configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, não há que se tomar conhecimento dele, por completa carência de objeto.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10855.901794/2008-99
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944484
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-003.907
nome_arquivo_s : Decisao_10855901794200899.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10855901794200899_5944484.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7560413
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148748849152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10855.901794/200899 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.907 – 1ª Turma Sessão de 8 de novembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CAMF ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. DESISTÊNCIA. Configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, não há que se tomar conhecimento dele, por completa carência de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 17 94 /2 00 8- 99 Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 9101003.907 CSRFT1 Fl. 3 2 Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à negativa de reconhecimento de direito creditório reivindicado em Declaração de Compensação (PER/DCOMP). A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 110300.662, de 11/04/2012, por meio do qual a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, negou provimento a recurso voluntário apresentado na fase anterior do processo, mantendo a negativa em relação ao PER/DCOMP. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO ÔNUS DA PROVA LUCRO PRESUMIDO DO 4º TRIMESTRE DE 2001 COEFICIENTE DE 8% OU DE 32% Se a pretensão é da contribuinte, dela é o ônus probandi, de modo que, se ela se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus "primário" das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: a controvérsia existente no processo gira em torno da comprovação ou não de que as receitas da Recorrente sejam provenientes da prestação de serviços na construção civil com emprego de materiais, para fim de determinar o coeficiente aplicável para apuração do lucro presumido (8% ou 32%); o acórdão recorrido entendeu preclusa a juntada de documentos na fase recursal para melhor elucidar os fatos, e alegou ainda falta de discriminação nos livros para Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 9101003.907 CSRFT1 Fl. 4 3 apontar a conexão entre as receitas da construção civil com os custos dos materiais empregados nas obras; ocorre que os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis comprovam claramente as atividades desenvolvidas pela Recorrente, assim como os materiais empregados nelas, na medida em que são contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, onde consta expressamente os serviços a serem realizados, com emprego de materiais; por esta razão, restou caracterizada divergência com a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo 10814.008031/9875, CSRF/0305.210, assim ementado: Ementa. Questão processual. Momento da apresentação de Provas. Preclusão. Princípio da Legalidade e da Verdade Material. A apresentação de prova documental, após o decurso do prazo para interposição de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, nos termos do artigo 16, do Decreto n° 70.235/72, com redação dada pela Lei n° 9.532/97, a fim de que a decisão proferida se coadune com os princípios da legalidade e da verdade material. assim, considerando a divergência processual e que os contratos e as notas fiscais juntados na impugnação já constituíam prova hábil à comprovação do crédito da Recorrente, requer seja dado provimento ao recurso, para anular o acórdão recorrido ou para reconhecer o crédito da Recorrente. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 02/07/2015, deu seguimento ao recurso especial, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: I Matéria objeto do recurso especial Neste processo discutemse os meios de comprovação da prestação de serviços com fornecimento de materiais, o que ensejaria a aplicação da alíquota de 8% para a determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal da contribuinte. A recorrente insurgese contra a decisão que entendeu preclusa a juntada de documentos na fase recursal e negou provimento ao recurso voluntário. [...] III Análise da admissibilidade do Recurso Especial [...] Ao examinar as razões trazidas no recurso, constato a presença da divergência argüida, uma vez que na decisão combatida entendeuse que “a produção de provas deve limitarse ao momento da manifestação de inconformidade”, ao passo que no paradigma (Acórdão nº 30130.777) admitiuse a possibilidade de apresentação de provas após o prazo de Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 9101003.907 CSRFT1 Fl. 5 4 impugnação, a prevaleceram os princípios da legalidade e da verdade material. Pelo exposto, entendo que foi comprovada a divergência argüida possibilitando a subida destes autos a julgamento pela CSRF. Em 07/07/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e nessa mesma data o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: ab initio, cabe arguir que o recurso especial não deve ser conhecido, haja vista tem por objeto a rediscussão do conjunto probatório; outrossim, ainda que superada a preliminar acima, cabe suscitar que houve preclusão na apresentação das provas. Corroborando nosso entendimento decidiu esta Egrégia Corte, verbis: [...]; posto isso, requer a Fazenda Nacional sucessivamente, em preliminar, o não conhecimento do recurso especial e, em relação ao mérito, o seja negado provimento. É o relatório. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 9101003.907 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo traz controvérsia sobre negativa de compensação (PER/DCOMP), em razão do não reconhecimento do direito creditório reivindicado pela contribuinte. Esse direito creditório seria originário de pagamento indevido ou a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código de receita: 2089, no valor de R$ 5.103,96, relativo ao quarto trimestre de 2001. A contribuinte alega que aplicou indevidamente o coeficiente de 32% para presunção do lucro, enquanto que, por atuar no ramo de construção civil por empreitada, com fornecimento de material próprio, e por força da Solução de Consulta SRRF/8a RF/DISIT n° 52, proferida no processo administrativo n° 10855.000267/200351, o coeficiente correto seria de 8%. A decisão de primeira instância administrativa indeferiu o pleito com o entendimento de que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o alegado direito creditório. A decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido), em síntese, destacou que a produção de provas devese limitar, em princípio, ao momento da manifestação de inconformidade (porque a pretensão deduzida é da contribuinte), mas que, sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, a contribuinte não conseguiu comprovar o alegado direito creditório. Com seu recurso especial, a contribuinte busca a anulação do acórdão recorrido, ou o reconhecimento de seu direito de crédito contra o Fisco. E em sede de contrarrazões, a PGFN suscita uma preliminar de não conhecimento do recurso, alegando que ele não deve ser conhecido, porque tem por objeto a rediscussão do conjunto probatório. Realmente, não há condições para se conhecer do recurso especial, e por várias razões. A primeira é que o acórdão recorrido, embora tenha pontuado o problema da preclusão processual, analisou detalhadamente a documentação apresentada pela contribuinte, para concluir que não houve comprovação do crédito alegado. O voto que orientou o acórdão recorrido não deixa dúvida sobre isso (efls. 535/ 540): [...] Compulsando os autos, vejo que há cópias: a) de notas fiscais emitidas pela recorrente; Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 9101003.907 CSRFT1 Fl. 7 6 b) de notas fiscais de compra de materiais para construção civil; c) de contratos com a SABESP para construção de casa de bombas, execução de melhoria nas ligações domiciliares de água, de rede de distribuição de água, de rede coletora de esgotos, de ligações prediais de esgotos, de corte e restabelecimento de fornecimento de água e supressões e religações de fornecimento de água, de ampliação da estação de tratamento de esgotos, de remanejamento de rede de distribuição de água; d) do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas, do balanço e da demonstração de resultado. As cópias do Livro Diário do 4º trimestre de 2001, do plano de contas contábil, do balanço, da demonstração de resultado, das notas fiscais emitidas em novembro e dezembro de 2001, de parte das notas fiscais de compra, e de alguns dos contratos já mencionados somente foram trazidas aos autos com a peça recursiva. A documentação contábil, conectada às notas fiscais que dão lastro aos lançamentos contábeis, é fundamental para aferir se a recorrente não auferira receitas no trimestre em questão por atividade de construção civil sem emprego de materiais. Importa registrar, nesse passo, que a recorrente se limitou a juntar cópia do Livro Diário do trimestre em discussão, sem anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil, e sem indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os registros de compras. Além disso, não juntou cópia das contas do Razão sensibilizadas com o reconhecimento das receitas e das compras: não há anotação da somatória dos lançamentos a crédito em conta de receitas da atividade lançadas no Diário e que teriam sido com emprego de materiais em "batimento" ou cruzamento com as receitas da atividade da demonstração do resultado do trimestre. Não tendo feito isso, como meio de demonstração de sua alegação, a recorrente deveria ter elaborado no mínimo, por ex., alguma planilha: demonstrativa de tais receitas indicando sua origem contábil (indicação com n° de fl. e destaque dos lançamentos contábeis no Diário e/ou no Razão), e demonstrativa das compras (custos) indicando sua origem contábil (indicação com n° de fl. e destaque dos lançamentos contábeis no Diário e/ou no Razão), com a indicação de um mínimo de conexão entre elas as receitas que supostamente seriam com emprego de matérias e as compras (custos). Ademais disso, a cópia do Diário só foi juntada aos autos no momento processual recursivo (além, é claro, da cópia de notas fiscais emitidas em novembro e dezembro, de parte das notas fiscais de compra e da demonstração de resultado que é do exercício, e não do 4º trimestre). [...] Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 9101003.907 CSRFT1 Fl. 8 7 Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à recorrente, no mínimo, repito, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Não percebeu a recorrente que, sendo sua a pretensão, seu é o ônus probandi, competindo a quem tem esse ônus a discriminação acima referida, para a comprovação de sua pretensão, e não simplesmente "lançar" ou "despejar" nos autos lotes de notas fiscais, o Livro Diário correspondente ao 4º trimestre de 2001, balanço e demonstração de resultado do anocalendário de 2001. De outra parte, a determinação de diligência se presta para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclama essa constatação (esclarecimentos); ou, eventualmente, a diligência se orienta a complementar produção probatória ordinariamente não imputável à parte que tenha o ônus da prova (por ex., o contribuinte carreia aos autos documento que comprova o pedido, à fonte pagadora, de entrega do informe de rendimentos, mas não o recebe). Ainda assim, apreciando os autos, encontro: o lançamento contábil a débito na conta "Cia. de Saneamento Básico" contra o lançamento contábil a crédito na conta "Serviços Prestados a Terceiros" (conta de resultado, a conta de receita) fl. 300 relativo à nota fiscal n° 180, no valor de R$ 14.715,40 (fl. 35); [...] Mas isso é insuficiente para comprovar a alegação da recorrente, ademais do que tal documentação contábil foi carreada aos autos somente no recurso. Diante de tudo quanto deduzi, padece de falta de certeza o crédito postulado pela recorrente, conforme o art. 170 do CTN. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. Como a contribuinte atacou apenas a questão da preclusão, a apreciação dessa matéria não resultaria em nenhum proveito para ela (falta de interesse), já que a negativa em relação ao PER/DCOMP se manteria pelo outro fundamento (falta de comprovação do crédito). Outra razão para o não conhecimento do recurso especial é que esse tipo de recurso deve ter por escopo uniformizar o entendimento da legislação tributária entre as câmaras e turmas que compõem o CARF, não se prestando como instrumento para o reexame de material probatório, e é isso o que, no fundo, a contribuinte pretende, mesmo tendo suscitado apenas divergência sobre preclusão processual. E há ainda uma última razão para o não conhecimento do recurso. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 9101003.907 CSRFT1 Fl. 9 8 Conforme informação prestada pela Delegacia de origem MEMORANDO DRF/SOR/EQJUD N° 81/2013, de 25/10/2013 (efls. 571), a contribuinte ingressou com ação judicial para que fosse reconhecida a validade do PER/DCOMP constante dos presentes autos: De: DRF/SOROCABA/EQJUD Para: CARF 1. Informamoslhe que o contribuinte CAMF ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA., CNPJ 01.347.926/000110, ajuizou a ação judicial n° 000458270.2013.403.6110 por meio da qual requereu que seja reconhecida a validade das compensações realizadas por meio das declarações de compensação n° 09317.77844.120804.13040079. 2. O crédito alegado para as pretendidas compensações é objeto do processo administrativo n° 10855.901794/200899, o qual encontrase atualmente nesse Conselho. 3. Assim sendo, encaminhamos o presente memorando para dar conhecimento a esse Conselho da existência de tal ação judicial e para que sejam adotadas as providências que entender cabíveis. Ressaltamos que cópia da petição inicial de tal ação judicial pode ser obtida junto ao e.Processo 19805.720143/201327. De acordo com o art. 78, caput e §§ 2º e 3º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação; a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso; e no caso de desistência, e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Consultando ainda o referido Processo Administrativo 19805.720143/2013 27 (processo de acompanhamento da ação judicial), vêse que já foi proferida sentença naquela ação judicial (efls. 57/58). Na sentença, a Juíza da 3ª Vara da Justiça Federal de Sorocaba registra: que ante a necessidade da expedição de certidão negativa de débito, a parte autora requereu fosse convertido em renda da União o depósito judicial referente ao débito indevidamente compensado; e que a parte autora requereu a extinção do feito, informando ainda que renunciava ao direito em que se funda a ação. Assim, considerando que a parte renunciou ao direito sobre o qual se funda a ação, a Juíza julgou extinto o processo, com resolução do mérito (a favor da Fisco), com fulcro no disposto no artigo 269, inciso V, do Código de Processo Civil. A contribuinte, portanto, não somente desistiu dos processos administrativo e judicial, como também solicitou a conversão do depósito judicial em renda da União. Sendo assim, o presente recurso especial carece totalmente de objeto. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10855.901794/200899 Acórdão n.º 9101003.907 CSRFT1 Fl. 10 9 Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000446/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
PRESUNÇÃO DE OMISSÃODE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE.
A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n9 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2301-005.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado para substituir a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 PRESUNÇÃO DE OMISSÃODE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n9 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10805.000446/2006-26
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5935336
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.749
nome_arquivo_s : Decisao_10805000446200626.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10805000446200626_5935336.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado para substituir a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7539420
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148777160704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.000446/200626 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.749 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente JAIME VALDIR LEONELLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002 PRESUNÇÃO DE OMISSÃODE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n9 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado para substituir a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 04 46 /2 00 6- 26 Fl. 308DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física do anos/calendário 2000, 2001 e 2002 decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 222/226, a autuação ocorreu pelas seguintes razões: (i) em face da magnitude dos recursos movimentados nos anos calendário 2000, 2001 e 2002, o contribuinte foi intimado a apresentar extratos referentes a contas bancárias em seu nome e/ou de seus dependentes, o que não atendeu; (ii) procedeuse então a requisição dos extratos as instituições financeiras, que os forneceram, juntandose aos autos cópias dos extratos bancários em nome do contribuinte relativos ao Banco do Brasil, Banco Real, Caixa Econômica Federal e Bank Boston; (iii) foi efetuada a conciliação das contas bancárias em planilha encaminhada ao contribuinte para que comprovasse a origem dos recursos utilizados nas operações, o que não atendeu, ensejando o lançamento de oficio da omissão de rendimentos nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96; (iv) que da conta conjunta no Banco Real imputouse ao contribuinte 50% dos rendimentos por ter apresentado declaração em separado do outro titular da conta, sua cônjuge Simone Sultani Leonello, nos períodos de 2000 a 2002; (v) A outra conta conjunta, no Bank Boston, foi utilizado o percentual de 100% dos valores porque o outro titular da conta consta das declarações de ajuste anual como dependente do contribuinte nos períodos em questão. Após a impugnação a DRFB de Julgamento em São Paulo manteve parcialmente a autuação (excluindo o ano/calendário 2000) e o contribuinte apresentou recurso à este conselho onde reitera as argumentações da impugnação que em sínteses são: Justifica o não atendimento a autoridade autuante alegando doença de ordem psiquiátrica; Alega que nos anosbase em referência declarou no campo "dividas e ônus reais" valores superiores àqueles lançados como depósitos bancários de origem não comprovada, ou seja, na medida em que dispunha de numerários provenientes de empréstimos declarados suficientes para dar lastro as movimentações financeiras do período, seria ilógico afirmar que tais movimentações não teriam origem comprovada; Entende que, assim como foi excluído do lançamento o ano calendário 2000, vez que para este houve a comprovação contrária do contribuinte para a não incidência do imposto de renda, o mesmo deve ocorrer para os anos/calendário 2001 e 2002. Afirma tratase de erro de conceito apurar todas as movimentações financeiras através da CPMF sem considerar os aportes oriundos dos empréstimos. Requer o provimento do recurso com a desconstituição dos créditos mantidos. É o relatório. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10805.000446/200626 Acórdão n.º 2301005.749 S2C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese o inconformismo do recorrente, suas razões não merecem prosperar. A presente autuação decorreu de omissão de rendimentos provenientes de valores depositados em contas correntes ou de investimento mantidas em instituições financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante documentação hábil. A presente autuação teve como fundamentação legal a Lei n° 9.430/1996, art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4° da Lei n° 9.481/1997, que assim dispõe: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submetersedo ás normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica, II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente ex época ern que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 310DF CARF MF 4 Logo, à partir da referida Lei, a existência de depósitos não escriturados, ou de origens não comprovadas tomouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao Fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi ao seu cargo. Antes, tal previsão não existia, e com isso o fisco precisava, nos estritos termos do parágrafo 5° e do caput do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Há, portanto, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, com documentação hábil coincidente em data e valor, devendo o contribuinte fazer prova em contrário, através de documentação idônea, das razões para a não incidência do tributo. Em sua impugnação e posterior recurso, limitouse a alegar doença psiquiátrica como causa impeditiva da comprovação de seus argumentos. A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9430/96 é presunção relativa, presunção juris tantum, que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. Notese que, com relação ao ano/calendário 2000, o recorrente juntou documentos que corroboraram suas afirmações, tendo o Acórdão guerreado excluído tais valores da autuação. O mesmo não ocorreu nos anos/calendário 2001 e 2002. Assim, não restando comprovada a origem dos valores depositados em suas contas correntes nos anos/calendários acima citados, correta a decisão de primeira instância, não merecendo qualquer reparo o Acórdão ora combatido. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e no mérito negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.901635/2006-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/11/2001
PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO.
Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido
PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO.
No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocou-se e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.
Numero da decisão: 3301-005.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/11/2001 PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO. Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO. No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocou-se e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.901635/2006-87
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924123
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.177
nome_arquivo_s : Decisao_16327901635200687.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16327901635200687_5924123.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7501264
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148785549312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 764 1 763 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.901635/200687 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.177 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria IOF PERD/COMP Recorrente BANCO ITAÚ S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/11/2001 PER/DCOMP. PROVA DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO DEMONSTRADO. Em pedidos de ressarcimento e compensação, cabe ao contribuinte a prova da liquidez e certeza do crédito por meio de demonstrações contábeis e fiscais, o que não foi trazido aos autos. Crédito não reconhecido PER/DCOMP. PROVA DO EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DO DÉBITO. PROVIDO. No momento do preenchimento do montante do débito a compensar, a contribuinte equivocouse e preencheu um montante muito superior ao devido, o que foi comprovado por documentos e confirmado por diligência da unidade de origem, devendo ser este valor o montante ainda devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CANDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 16 35 /2 00 6- 87 Fl. 764DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de restituição e compensação realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 09572.64738.220503.1.3.044642 (fls. 2429) transmitido em 22/05/2003 informando um crédito de R$ 135,22 (cento e trinta e cinco reais e vinte e dois centavos) por um suposto recolhimento à maior de IOF imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros, realizado em 07/11/2001 (período de apuração 14/11/2001). Para compensar com este montante, foi declarado um débito de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos) supostamente devido para o período de apuração referente à segunda semana de fevereiro de 2003, com vencimento em 12/02/2003 Em 14/02/2008, a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado (fls. 21), sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição, verbis: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 135,22 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Com a não homologação do pedido de compensação, o valor de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos) declarado como débito restou constituído, mas sem pagamento. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1014) para instaurar o contencioso administrativo, pleiteando a nulidade do "auto de infração" por cerceamento de defesa e, no mérito, juntou demonstrativos e argumentos para desconstituir a declaração do débito, pois houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP. Em 17/05/2010 a d. 3ª Turma da DRJ de Campinas proferiu o r. acórdão nº 0528.797 para negar o direito creditório pleiteado e manter a cobrança do débito declarado em PER/DCOMP, restando assim ementado (fls. 3743): Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 2003 Compensação. Pagamento indevido ou a maior. Argüição de nulidade. Despacho decisório. Motivação. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 16327.901635/200687 Acórdão n.º 3301005.177 S3C3T1 Fl. 765 3 Válida a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. Despacho Decisório Eletrônico. Fundamentação. Cerceamento de Defesa. Na medida em que o despacho decisório que não homologou a compensação declarada teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo, não há falar em cerceamento de defesa, máxime quando a manifestação de inconformidade demonstra o entendimento das razões do despacho decisório. Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade. Retificação. Impossibilidade. A retificação dos débitos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Compensação. Créditos. Comprovação. É prérequisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em face desta decisão, a DRJ enviou carta de cobrança com a Guia DARF para pagamento do débito informado (fls. 4546). Inconformada, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, que ora se julga, (fls. 4853), argumentando, em síntese: a não homologação da compensação pleiteada ocorreu por conta de equívocos cometidos pela Recorrente; a Recorrente possui um sistema de dados que captura os débitos de tributos de terceiros a serem recolhidos pelo Recorrente na qualidade de responsável tributário para recolhimento do IOF; Para o período de apuração da 2ª semana de fevereiro/2003, com vencimento de 12/02/2003, o sistema apurou um total de débito de R$ 257.109,48. Ainda, no final do mesmo dia, o sistema acusou um valor de complementar de R$ 601,17, totalizando o valor de R$ 257.710,65 devido de IOF para o período. Estes valores foram declarados em DCTF e recolhidos por guia DARF (fls. 34 e 59 respectivamente); Após alguns meses, o sistema indicou que o montante devido de IOF para o período da 2ª semana de fevereiro/2003 seria de R$ 271.040,71, o que resultou em um saldo a pagar de R$ 13.330,06; Fl. 766DF CARF MF 4 Para pagar esta diferença, a Recorrente realizou 35 PER/DCOMPs, informando créditos de IOF decorrentes de pagamentos a maior de 35 períodos diferentes, porém, ao invés de informar o débito equivalente ao crédito para compor a soma de R$ 13.330,06, realizou a declaração total do débito no montante de R$ 271.040,71, para o mesmo período de fevereiro/2003 em cada uma das 35 PER/DCOMPs; Em relação à PER/DCOMP específica destes autos, à Recorrente informou um valor original de crédito de R$ 135,22 por um pagamento a maior realizado em dezembro/2001, informando ainda o débito de R$ 271.040,71. Este valor do débito, como dito , foi erroneamente informado em cada uma das 35 PER/DCOMP, constituindo um crédito tributário, referente ao principal, de R$ 7.047.058,46 (sete milhões e quarenta e sete mil e cinqüenta e oito reais e quarenta e seis centavos) para a 2ª semana de fevereiro/2003; Quanto aos créditos, argumentou sobre sua existência e a necessidade de reconhecimento independentemente de retificação na DCTF, em nome da verdade material, porém, não indicou a origem do pagamento a maior, muito menos demonstrou documentalmente; Diante destes argumentos e das provas juntadas aos autos, em 14 de fevereiro de 2012 esta colenda 1ª turma ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, proferiu a resolução nº 3301000.148 (fls. 6674) para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa analisasse os documentos e argumentos da Recorrente e respondesse os seguintes pontos: (...) sendo constatada a veracidade dos argumentos apresentados, estarseia exigindo pagamento de valores extremamente elevados em relação ao que de fato pudesse ser devido. Assim, em homenagem aos princípios da proporcionalidade, formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, ainda, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem analise os documentos acostados aos presentes autos e, caso entenda necessário, intime a contribuinte a comprovar a pertinência e veracidade das alegações supramencionadas, em duas vertentes, sendo a primeira em relação às declarações ditas equivocadas e a segunda, quanto à existência e disponibilidade do indébito, conforme abaixo: a) visando à constatação de que de fato as declarações apresentadas encontramse equivocadas e, caso os equívocos fossem saneados, a exigência correta limitarseia ao valor a compensar pretendido, ou seja, cerca de treze mil reais, acrescidos de multa e juros: b) demonstrar e existência do indébito alegado, bem como sua condição de haver suportado o ônus financeiro do IOF retido na qualidade de responsável. O processo então foi baixado para DEINF/SPO para análise e elaboração de relatório de diligência. Para tanto, intimou a Recorrente (intimação 273/2013 fls. 7273) para apresentar registros contábeis para demonstrar o lançamento da despesa (desembolso) de IOF período de apuração 02/2003, a fim de que seja comprovado a existência do efetivo erro de declaração do débio na DCTF; Em relação aos créditos, pediu demonstrativo, acompanhado de notas explicativas, para demonstrar a existência do pagamento indevido ou maior que o devido Fl. 767DF CARF MF Processo nº 16327.901635/200687 Acórdão n.º 3301005.177 S3C3T1 Fl. 766 5 quando dos pagamentos realizados por meio de DARF e apresentar os documentos fiscais e contábeis (lançamentos contábeis, retificação da dívida na DCTF, relatórios internos, etc) que comprovem a ocorrência do indébito; Relatório contendo o número das DCOMP e/ou processos administrativos utilizadas para extinguir a dívida R$ 13.931,23. relacionando a situação atual do débito (homologação/não homologação). Salientese que este processo administrativo foi apensado ao considerado processo principal de número 16327.901630/200654, conforme termo de apensação de fls. 746, sendo, portanto, julgados em conjunto neste ato. Em atendimento à intimação 273/2013, a Recorrente apresentou petição de fls. 183188 explicando seu equívoco na declaração do débito complementar, bem como buscou demonstrar a liquidez de seus créditos. Juntou documentos como DCTF e planilhas e lançamentos contábeis de contas do passivo (fls. 201285), no entanto, sem inovações em relação ao já apresentado no Recurso Voluntário, acrescentando um relatório de auditoria independente para comprovar o erro na declaração dos débitos (fls. 647672) Nas conclusões da diligência fiscal, a autoridade de origem emitiu relatório (fls. 740744) confirmando as alegações e documentos da Recorrente no sentido de que houve um equívoco na informação do montante do débito, devendo ser retificado para o valor correto apurado pela diligência conforme demonstrativos da Recorrente e informações fiscais da RFB. A autoridade confirmou que este erro se repetiu em todas as 35 PER/DCOMPs envolvidas, merecendo a retificação de ofício para constar o valor correto do débito, no total de R$ 13.931,23 para as 35 DCOMPs, embora reconhecendo que em 09 delas já teria operado a homologação tácita. Quanto aos créditos, afirmou a inaptidão dos lançamentos contábeis juntados para demonstrar a liquidez de seus créditos, pelo fato de que os lançamentos representam contas do passivo (conta credora), sem a indicação da efetiva despesa e nem a ligação com DCTF e DARF. c) Verificouse que das 35 Declarações de Compensação transmitidas pelo contribuinte, 13 foram objeto de diligência fiscal cumprida por esta Delegacia Especial da Receita Federal (DEINF), cujo resultado foi pelo reconhecimento do erro no preenchimento das DCOMP transmitidas pelo contribuinte, porém sem a homologação da extinção do crédito. Nove delas, foram homologadas pelo sistema. E o restante, faz parte desta diligência fiscal. d) Restou comprovado pela documentação trazida aos autos, em resposta a intimação, de que, realmente, o contribuinte incorreu em erro ao informar nas DCOMP o valor de R$ 271.109,48 (sic) como valor principal do débito a extinguir. Assim, com base no princípio da verdade material, que norteia o direito administrativo fiscal , devese retificar de ofício a informação constante das 35 Declarações de Compensação apresentadas, conforme documento em anexo. e) Com relação ao suposto crédito de IOF, decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido, utilizados nas DCOMP visando a extinção da dívida no valor total de R$ 13.931,23, informase que foram analisados os documentos Fl. 768DF CARF MF 6 apresentados pelo contribuinte (Doc. 4 – relação demonstrando a baixa do passivo, conta 4801.354 – TR/IOF S/OPER. TVM, pelos recolhimentos dos DARF com retenção indevida), cuja conclusão foi a de que os mesmos em nada comprovam que houve a retenção indevida de IOF, pois os registros contábeis referemse a lançamento de conta de natureza credora que se presta a registrar a assunção ou extinção de dívidas. O que, de fato, comprovaria que houve o pagamento feito indevidamente, seria: o lançamento contábil do registro da dívida, do estorno do valor pago indevidamente, do crédito fiscal (razão contábil da conta IOF a recuperar), o registro na DCTF do valor real da dívida, bem como, a apresentação de termo circunstanciado das razões que levaram ao pagamento da obrigação a maior que o devido. A exigência da comprovação por meio de todos esses documentos é necessária pois se trata de obrigação tributária em que o contribuinte é tãosomente o responsável pelo recolhimento do tributo, e segundo o que preconiza o art. 166 do Código Tributário Nacional para ter direito à repetição do pagamento que alega indevido, precisa comprovar que assumiu o ônus da dívida. (...) 10. Desta forma, respondese aos questionamentos elaborados pelo Sr. Conselheiro da seguinte forma: a) O contribuinte incorreu em erro ao indicar o valor de R$ 271.040,71 em 35 Declarações de Compensação, a título de dívida de IOF, código 6854, período de apuração 2° semana de fevereiro de 2003, pois esse valor referese ao valor total da dívida apurada. O valor correto a ser compensado seria o de R$ 13.931,23. b) Não restou comprovado por meio de documentos contábeis e fiscais a existência de crédito líquido e certo, oriundo de pagamento indevido de IOF que possa ser utilizado na extinção da dívida da mesma natureza, declarada em DCOMP. (grifo não consta do original) Percebese que nesta diligência a autoridade fiscal apontou o valor total do débito decorrente das 35 DCOMPs, porém, ao contrário do que realizado nas outras diligências, não apontou o valor do débito específico para esta DCOMP nº 14639.05090.220503.1.3.049106. Apesar disso, consta de fls. 176 e seguintes, na resposta à intimação para atender a diligência fiscal, demonstrativos e documentos que informam o montante de R$ 164,99 para esta DCOMP específica. Estes documentos foram analisados em diligência e a autoridade fiscal emitiu parecer confirmando a veracidade dos valores. Intimada para se manifestar sobre o resultado da diligência (Termo de Ciência nº 43 em 12/01/2015, fls. 745 Ciência em 13/01/2015, fls. 748), a Recorrente nada fez, apresentando apenas procuração de advogado. É a síntese do necessário Fl. 769DF CARF MF Processo nº 16327.901635/200687 Acórdão n.º 3301005.177 S3C3T1 Fl. 767 7 Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso voluntário é tempestivo, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. Da síntese acima, constatase que o problema envolvido neste processo deixou de ser o direito ao crédito alegado pela Recorrente informado na PER/DCOMP em questão, passando a ser mais relevante a discussão do equívoco na declaração do débito a compensar. Em fevereiro de 2003, o sistema informatizado de apuração tributária da Recorrente apurou como valor devido a titulo de IOF na segunda semana de fevereiro do ano calendário de 2003, como responsável tributário, o montante de R$ 257.109,48 (duzentos e cinqüenta e sete mil e cento e nove reais e quarenta e oito centavos), mais um complemento de R$ 601,17 (seiscentos e um reais e dezessete centavos), resultando no montante de R$ 257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos). Este montante somado de débito foi informado em DCTF e foram pagos via Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) no código "6854", uma guia para cada valor, na data de vencimento da obrigação (dia 12 de fevereiro de 2003) e o valor total (R$ 257.710,65), conforme demonstrado em fls. 59. No entanto, em decorrência de um reprocessamento da base de cálculo do imposto, apurouse um valor adicional para a mesma competênciada segunda semana de fevereiro de 2003. O montante total do período em referência era de R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos). Considerando o valor de R$ 257.710,65 (duzentos e cinqüenta e sete mil setecentos e dez reais e sessenta e cinco centavos) já declarado e pago, restou em aberto uma diferença no montante de R$ 13.330,06 (treze mil trezentos e trinta reais e seis centavos). Para declarar e recolher esta diferença, a Recorrente verificou que possuía créditos de IOF por recolhimentos a maior em outros períodos de apuração, então optou por realizar a quitação do correspondente valor da diferença via compensação, realizando de 35 (trinta e cinco) PER/DCOMP, cada uma com um montante de crédito próprio decorrente de um específico período de apuração, porém, ao informar o débito, informou em cada uma destas PER/DCOMPs o montante total do período de apuração da segunda semana de fevereiro/2003, qual seja, R$ 271.040,71 (duzentos e setenta e um mil e quarenta reais e setenta e um centavos), o que engloba inclusive os montantes que já haviam sido recolhidos. Estes supostos créditos teriam origem, como dito, em diferentes períodos de apuração. No caso desta PER/DCOMP específica, este suposto recolhimento a maior teria sido realizado em 07/11/2001 para a competência 14/11/2001, no montante de R$ 135,22 (cento e trinta e cinco reais e vinte e dois centavos), porém, não foi realizada a retificação da DCTF relativa à competência deste crédito, assim, o crédito foi negado. Consta dos autos que esse mesmo equívoco foi repetido em todas a 35 (trinta e cinco) declarações de compensação. Deste universo de declarações, 26 (vinte e seis) Fl. 770DF CARF MF 8 resultaram não homologadas, gerando igual número de processos de cobrança com o objetivo de exigir o pagamento dos débitos tributários informados em cada PER/DCOMP pela Recorrente. As outras 09 (nove) declarações de compensação foram homologadas tacitamente pelo decurso do tempo. Percebendo o equívoco após a não homologação da compensação, a Recorrente buscou evidenciar o equívoco na declaração do débito informado na DCOMP, pleiteando a retificação de ofício, porém, esquecendose de comprovar seu crédito. Quanto ao débito: por todos os documentos que constam dos autos, inclusive confirmado na resposta da diligência pela autoridade administrativa, o montante do débito está equivocado, pois foi informado o montante total do período de apuração, merecendo a retificação do quantum devido de ofício. O valor correto, conforme relatório da diligência, para esta PER/DCOMP específica, confirmando os documentos juntados aos autos, é o de R$ 164,99 (sem juros e multa), devendo ser, por isso, corrigido. Quanto ao crédito: consta dos autos lançamentos contábeis de contas do passivo com referências ao IOF (fls. 201285). No entanto, como bem salientado no relatório da diligência, tais documentos não se prestam a apurar e demonstrar a liquidez e certeza do crédito alegado, a uma porque são contas do passivo, a duas porque muitos lançamentos estão ilegíveis, a três porque não foi indicada a correspondência dos valores contábeis com declarações DCTF e recolhimentos em guias DARF, muito menos uma ligação entre estes dados, tampouco a demonstração da razão do pagamento indevido. A razão da não homologação do crédito foi a não retificação da DCTF do período de origem, de modo a informar à Receita Federal do Brasil a existência de um saldo credor a compensar. No entanto, a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), ao afirmar que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e Fl. 771DF CARF MF Processo nº 16327.901635/200687 Acórdão n.º 3301005.177 S3C3T1 Fl. 768 9 certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Entretanto, cabe à Recorrente a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente não trouxe aos autos qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a existência e liquidez de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) Fl. 772DF CARF MF 10 Neste diapasão, é de se negar o direito creditório pleiteado. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para lhe dar parcial provimento, negando o direito de crédito pleiteado, mas reduzindo o montante de débito devido à Fazenda Nacional à título de IOF nos termos da diligência de fls. 740744. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 773DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13846.000189/2002-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IMPOSTO DE RENDA RETIDO E NÃO RECOLHIDO. BENEFICIÁRIO SÓCIO DA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o Contribuinte sócio-administrador da fonte pagadora, incabível a compensação de imposto retido na fonte e não recolhido.
Numero da decisão: 9202-007.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 IMPOSTO DE RENDA RETIDO E NÃO RECOLHIDO. BENEFICIÁRIO SÓCIO DA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o Contribuinte sócio-administrador da fonte pagadora, incabível a compensação de imposto retido na fonte e não recolhido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13846.000189/2002-19
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924809
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.263
nome_arquivo_s : Decisao_13846000189200219.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 13846000189200219_5924809.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7506381
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148791840768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 202 1 201 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13846.000189/200219 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.263 – 2ª Turma Sessão de 22 de outubro de 2018 Matéria IRRF NÃO RECOLHIDO GLOSA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JURACI RAPACCI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IMPOSTO DE RENDA RETIDO E NÃO RECOLHIDO. BENEFICIÁRIO SÓCIO DA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o Contribuinte sócioadministrador da fonte pagadora, incabível a compensação de imposto retido na fonte e não recolhido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 6. 00 01 89 /2 00 2- 19 Fl. 202DF CARF MF 2 Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2001, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte, cujo recolhimento não foi comprovado pelo Contribuinte beneficiário dos rendimentos, sócioadministrador da fonte pagadora. Em sessão plenária de 17/10/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2102002.345 (fls. 148 a 150), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. O fato de a fonte pagadora ter apresentado Pedido de Compensação de crédito de IPI com débitos de imposto de renda retido na fonte não implica em negarse ao contribuinte que sofreu a retenção na fonte a possibilidade de compensar o imposto retido com o devido na Declaração de Ajuste Anual (DAA), ainda que o referido pedido seja indeferido. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, salvo nos casos em que restar comprovado que as informações contidas no comprovante não correspondem a realidade dos fatos. Recurso Voluntário Provido.” O processo foi recebido na PGFN em 04/12/2012 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 153) e, em 06/12/2012 (Relação de Movimentação de fls. 154), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 155/156, rejeitados conforme despacho de 31/05/2013 (fls. 157/158). Foi o processo novamente recebido na PGFN em 26/09/2013 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 160) e, em 27/09/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 162 a 163 (Relação de Movimentação de fls. 161), com fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a glosa de IRRF por falta de seu recolhimento pela fonte pagadora da qual o Contribuinte é representante legal. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 15/05/2015 (efls. 191 a 194). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: tratase de lançamento em virtude de dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, por ausência de comprovação de recolhimento; Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13846.000189/200219 Acórdão n.º 9202007.263 CSRFT2 Fl. 203 3 consoante relatado pela fiscalização, houve a glosa do valor informado pelo Contribuinte, integrante do quadro societário da fonte pagadora que não procedeu ao recolhimento do IRRF; no caso sob análise, constatase que o próprio Contribuinte é sócio administrador, representante legal da fonte pagadora, conforme aponta o documento de fls. 156; essa circunstância resulta na aplicação do disposto no art. 723 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999; também aplicase à espécie o disposto na Instrução Normativa SRF nº 28, de 1984; portanto, a compensação do IRRF na correspondente declaração de rendimentos, na hipótese em questão, por tratarse o interessado de representante de pessoa jurídica que figurava como fonte pagadora, fica condicionada à comprovação, por parte do Contribuinte, de que houve os respectivos recolhimentos à Fazenda Nacional. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (efls. 198 a 200). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2001, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte, cujo recolhimento não foi comprovado pelo Contribuinte beneficiário dos rendimentos, sócioadministrador da fonte pagadora. Com efeito, o Contribuinte beneficiário dos rendimentos, Sr. Juraci Rapacci, consta como sócioadministrador da pessoa jurídica J Rapacci & Cia Ltda, fonte pagadora, conforme certidão de fls. 156. Nesse passo, o art. 723, do Decreto nº 3.000, de 1999, assim estabelece: "Art.723.São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, Fl. 204DF CARF MF 4 gestão ou representação (DecretoLei no 1.736, de 1979, art. 8o, parágrafo único)." Concluise, portanto, que o Contribuinte, na qualidade de representante da pessoa jurídica, tinha o dever de determinar o recolhimento do imposto retido. Não o fazendo, sujeitouse à responsabilidade que se efetivou com o lançamento da glosa da retenção na Declaração de Ajuste Anual. Assim, não estando comprovado o recolhimento do Imposto de Renda na Fonte pela empresa J Rapacci & Cia Ltda, da qual o Contribuinte é sócioadministrador, é de se manter a respectiva glosa. Cabe trazer à colação a jurisprudência administrativa que ratifica o posicionamento esposado no presente voto: Acórdão nº 2201003.977, de 04/10/2017 "Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2014 COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DIRETOR DA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LEGAL. É descabida a compensação de IRPF na Declaração de Ajuste Anual do IRPF, no caso de diretor da pessoa jurídica fonte pagadora dos rendimentos, quando não comprovado o recolhimento, tendo em vista a sua responsabilidade solidária." Acórdão nº 2802003.066, de 13/08/2014 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 Ementa: IRRF. DEDUÇÃO DIRPF. SÓCIO OU DIRETOR. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Sendo o beneficiário dos rendimentos sócio ou dirigente da fonte pagadora, a dedução do imposto retido na fonte fica condicionada à comprovação do seu efetivo pagamento, em observância ao princípio da responsabilidade tributária solidária.Não havendo a comprovação do pagamento do tributo pela fonte pagadora, devese negar a dedução ao beneficiário. Recurso Voluntário Negado." Acórdão nº 2801000.991, de 21/10/2010 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. PROVA. COMPENSAÇÃO. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13846.000189/200219 Acórdão n.º 9202007.263 CSRFT2 Fl. 204 5 Os Comprovantes de Rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras do sujeito passivo são elementos hábeis de prova da retenção declarada e compensação pleiteada, exceto nas hipóteses de responsabilidade tributária solidária ou de comprovação de erro ou outro vício nos referidos documentos. Recurso Voluntário Provido." Acórdão nº 2202000.788, de 22/09/2010 "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. SÓCIO DA FONTE PAGADORA. GLOSA DE FONTE RESPONSABILIDADE. Por força do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o contribuinte sócio da empresa (fonte pagadora), incabível a compensação da fonte quando comprovada a inexistência do recolhimento do tributo retido. Acórdão CSRF/0401.181, de 04/11/2008 "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 GLOSA DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Em decorrência do princípio da responsabilidade tributária solidária, deve ser mantida a glosa do valor do imposto retido na fonte, quando restar comprovado que o valor não foi recolhido e que o contribuinte é sóciogerente da fonte pagadora dos rendimentos. Recurso Especial do Procurador provido." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 206DF CARF MF 6 Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.961001/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.961001/2008-83
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927855
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.539
nome_arquivo_s : Decisao_10880961001200883.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880961001200883_5927855.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7514414
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148793937920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 120 1 119 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.961001/200883 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.539 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de outubro de 2018 Assunto PER/DCOMP (DDE) COFINS Recorrente GINES SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA (atual denominação de GINES REPRESENTAÇÕES LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 61 00 1/ 20 08 -8 3 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.961001/200883 Resolução nº 3401001.539 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.961001/200883 Resolução nº 3401001.539 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.961001/200883 Resolução nº 3401001.539 S3C4T1 Fl. 123 4 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.961001/200883 Resolução nº 3401001.539 S3C4T1 Fl. 124 5 o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.961001/200883 Resolução nº 3401001.539 S3C4T1 Fl. 125 6 de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.961001/200883 Resolução nº 3401001.539 S3C4T1 Fl. 126 7 se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13878.000070/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
O prazo prescricional do pedido de restituição de indébito, quando efetuado antes de 9 de julho de 2005, é de 10 anos contados do fato gerador.Aplicação da Súmula Carf 91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correa Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional do pedido de restituição de indébito, quando efetuado antes de 9 de julho de 2005, é de 10 anos contados do fato gerador.Aplicação da Súmula Carf 91. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13878.000070/2002-61
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5945198
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.564
nome_arquivo_s : Decisao_13878000070200261.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13878000070200261_5945198.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correa Lima Macedo.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7561617
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148797083648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13878.000070/200261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.564 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2018 Matéria FINSOCIAL COMPENSAÇÃO Recorrente CYBELAR COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional do pedido de restituição de indébito, quando efetuado antes de 9 de julho de 2005, é de 10 anos contados do fato gerador.Aplicação da Súmula Carf 91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correa Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 00 00 70 /2 00 2- 61 Fl. 126DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: O processo epigrafado foi inaugurado para recepcionar pedido de restituição de Finsocial, no montante de R$ 412.580,78 (fl. 01), protocolado em 25;/03/2002, nos temos da petição anexada ao pedido (fls. 02/13), assim concluída: Ante o exposto é a presente para, respeitosamente, requerer a V.Sa., se digne a autorizar a restituição, sob a forma de compensação, de toda a importância recolhida indevidamente a titulo de contribuição ao FINSOCIAL, com parcelas devidas a título de IRPJ, CSLL, COFINS e demais tributos administrados pela SRF, conforme Leis n”s 8.383/91, 9.430/96 e IN SRF n° 21/97 e alterações, atualizada monetariamente pelos índices que mediram a inflação real, desde o pagamento indevido, acrescentando se os juros da Taxa SELIC, a partir de 1°de janeiro de 1996 (nos termos do artigo 39, parágrafo único da Lei 11'” 9.250/95), ou, no mínimo, conforme Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n” 08/97. importância esta que corresponde, nesta data, a RS 412.580, 78. Além da referida petição e de cópias dos documentos societários, a interessada instruiu seu pedido com cópias dos ,DARFs (fls. 21/38), recolhidos no período de 16/10/1989 a 15/03/1991, assim como planilha de'mo_nstrativa da apuração do direito creditório pleiteado (fl. 39). Por meio do despacho decisório de fls. 43/46, a DRF Piracicaba indeferiu o pedido, nos termos da seguinte ementa: EMENTA: RESTITITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DECA DÊNCIA PEDIDO IMPROCEDENTE. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Os fundamentos normativos indicados na decisão foram os artigos 165 e 168 do Código Tributario Nacional (CTN), assim como o Ato Declaratório SRF n° 96/1999. A interessada foi cientificada da referida decisão em 11/10/2007 (fl. 49), tendo protocolado sua manifestação de inconfonnidade em 12/11/2007 (véspera de feriado nacional), conforme peça de fls. 50/62 (e anexos), por meio da qual aduziu, em síntese, que: a) de princípio, “se trata da contagem de prazo prescricional e não decadencial, como erroneamente consta da r. decisão”; b) o entendimento esposado na decisão recorrida “equivale tratar de forma desigual aquele que pagou o tributo e não questionou judicialmente sua cobrança, além de negar os efeitos Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13878.000070/200261 Acórdão n.º 3201004.564 S3C2T1 Fl. 3 3 ex tunc da decisão do E. STF”, como restou decidido no Acórdão 201.73669, de 15/03/2000, relativo a julgamento procedido no processo n° 13654000102/9625, analisando situação “exatamente idêntica ao caso dos autos”. Nesse caso, o termo inicial que deve ser considerado é a data de 02/04/1993, quando foi declarado inconstitucional o art. 9° da Lei n° 7.689/88; c) quanto ao prazo a ser observado a partir ida referida data, “o entendimento do E. STJ é pacífico no sentido de que o prazo para pleitear a compensação dos valores recolhidos indevidamente, nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é de 10 (dez) anos, contados da data da declaração de inconstitucionalidade da respectiva lei”. Assim sendo, inaplicável, à especie o entendimento esposado no Ato Declaratório SRF n° 96, de 1999, citado no decisum combatido. E como o pedido foi protocolado em 25/03/2002, não oconeu a alegada prescrição do seu direito de pleitear a restituição/compensação; d) mesmo que se considere o prazo de cinco anos, seu direito ainda assim não estaria prescrito. “Isso porque, a CSRF já pacificou o entendimento relativamente ao início da contagem do prazo para o contribuinte pleitear a repetição de tributos recolhidos indevidamente”, como se observa na ementa do julgado trazido à colação. Segundo entendimento daquela Corte Administrativa, o prazo há que ser contadoda data “da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária”. E no caso do Finsocial, há que se considerar a data da publicação da IN SRF n° 31, de 10/04/1997. Novamente, verificase que o pedido de restituição foi protocolado antes de transcorrido cinco anos daquela data; e) “cabe salientar a absoluta inaplicabilidade de LC n° 118/05 ao presente caso, uma vez que o E. STJ já pacificou que a referida legislação somente se aplica aos fatos geradores ocorridos após o início da sua vigência, sendo que, no presente caso, o próprio Pedido de Restituição foi ajuizado cerca de três anos antes do advento da nova norma”; f) no mérito, seu direito encontra fundamento no próprio reconhecimento do indébito pela Receita Federal, expresso na referida IN SRF nº 31/97, que acatou o posicionamento do STF acerca da questão. Concluiu requerendo a reforma da decisão recorrida para o fim de lhe ser atendido o pleito manejado, nos exatos termos do pedido que encerrou a petição administrativa acostada ao pedido de restituição. A 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 1431.814, de 06/12/2010, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade.Transcrevo a ementa: Fl. 128DF CARF MF 4 Assumo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Periodo de apuração: 01/09/1989 a 28/O2/1991 . FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DECADENCIA. INTERPRETAÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipa'do,de que trata o § 1° do art. 150 do CTN, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal :em ação declaratória ou em recurso extraordinário. No Recurso Voluntário, a empresa reforça a Manifestação de Inconformidade, no sentido que não ter ocorrido a prescrição do pedido de restituição. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A solução é simples, porque já sumulada no Carf. Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. As súmulas Carf são vinculantes para suas turmas, nos termos do artigo 72 do Regimento Interno. Assim, contados dos fatos geradores, 09/89 a 02/91, o pedido, em 25/03/2002 (fl.2), foi intempestivo, posto que ultrapassado o prazo prescricional de 10 anos. Pelo exposto,voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13878.000070/200261 Acórdão n.º 3201004.564 S3C2T1 Fl. 4 5 Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13821.000132/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO.
Só são restituíveis valores de tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido quando comprovado tal pagamento.
Numero da decisão: 1201-002.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Só são restituíveis valores de tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido quando comprovado tal pagamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13821.000132/2009-66
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924831
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.622
nome_arquivo_s : Decisao_13821000132200966.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
nome_arquivo_pdf_s : 13821000132200966_5924831.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7506503
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148804423680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1477; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13821.000132/200966 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.622 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria Restituição Recorrente PEDREIRA TRÊS IRMÃOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. Só são restituíveis valores de tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido quando comprovado tal pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 1. 00 01 32 /2 00 9- 66 Fl. 118DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 30.401 da 2ª Turma da DRJ/BEL (fls. 98 a 104), com a complementação necessária em seguida: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte acima identificada contra o PARECER SAORT/DRF ARAÇATUBA SP Nº 10820/691/2009, fls. 80/84, com ciência em 11/09/2009, AR de fls. 86, que indeferiu o pedido de restituição de pagamentos do Simples, efetuados nos períodos de 01/2002 a 12/2003, em virtude de prazo decadencial expirado. Inconformada, em 17/09/2009, a interessada apresentou manifestação de inconformidade ao Parecer retro, fls. 87/93, alegando, em apertada síntese, como razões: 1) Sob a alegação de que um exsócio, Gildásio Couto, CPF 042.289.36849, participava de outra empresa, com mais de 10% do capital, e que a receita bruta global, no ano calendário de 2001, ultrapassou o limite legal para permanência no SIMPLES, foi a RECORRENTE notificada de sua exclusão do referido sistema, com efeitos a partir de 01/01/2002; 2) Mesmo antes da Notificação em apreço, o sócio Gildásio Couto, cuja participação motivara o Ato de exclusão, já havia sido excluído do quadro social da ora Recorrente, mas mesmo assim a exclusão foi mantida em decisão definitiva, da última instância administrativa; 3) Em cumprimento ao decidido, a Recorrente, que não pode, por imprevisão ou limitação dos sistemas, retificar as Declarações apresentadas sob o SIMPLES para os ac. 2002 e 2003, apresentou novas declarações para os exercícios 2003 e 2004, pelo Lucro Presumido, resultando obrigações de pagar, além da Previdência Social, o PIS, a COFINS, o IRPJ e a Contribuição Social, sem que pudesse, também, por impossibilidade ou imprevisibilidade dos sistemas disponibilizados, compensar os valores pagos ao SIMPLES, nos mesmos períodos acima citados; 4) A Decisão Recorrida atevese isoladamente a uma data e se esqueceu que o Ato Declaratório Executivo atacado — que acabou por prevalecer — estava suspenso e, portanto, só se aperfeiçoou e tornouse válido, definitivamente, no seu trânsito em julgado. 5) Ora isso é regra elementar também em tributação, visto que a Lei 5.172/66 – CTN, em seu Art. 151, III (c/c 168, II) diz claramente da suspensão do crédito no caso de Impugnação. Ora se a exigibilidade estava suspensa para o crédito é obvio que não corria prazo nenhum, quiçá o de decadência, mesmo porque não havia definitividade; 6) O art. 168, inciso II do CTN, mais que estabelecer o direito à restituição de pagamento efetuado em virtude de decisão administrativa que só posteriormente tenha sido confirmada, estabeleceu que, em havendo direito à Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13821.000132/200966 Acórdão n.º 1201002.622 S1C2T1 Fl. 3 3 restituição por força de fato superveniente ao pagamento, o prazo decadencial para o contribuinte requerer repetição do indébito tributário contase a partir do evento posterior (a decisão definitiva) que tornou o pagamento indevido, e não da data do efetivo recolhimento. Portanto, entendese que o direito de pleitear a restituição do SIMPLES pago, em virtude da Decisão que manteve a exclusão do sistema, somente nasce com o trânsito em julgado dessa Decisão, aplicandose nessa situação, extensivamente, o disposto no arts. 165, III e 168, II do CTN; 7) Os créditos são anteriores a 2004, mas para negálos vale invocar, ao arrepio do disposto no Art. 106 do CTN, a Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005; 8) A análise não foi ao cerne da questão, ficou no rigor formal que implicou desconhecer e renegar um direito inequívoco ignorando parte da legislação, que no estado democrático de direito é o amplo conjunto de normas que formam o sistema jurídico, abrangendo toda a pirâmide, em cujo ápice se encontra a Constituição; 9) Se a própria Constituição Federal estabeleceu no seu art. 179 a garantia de tratamento diferenciado as micro e pequenas empresas, a prevalência do decisum recorrido importa sua violação implicando além do enriquecimento sem causa, também, o desrespeito a princípios como os da estrita reserva legal, da isonomia e da capacidade contributiva; 10) Logo, nos tributos lançados por homologação, que, como o sabe imperam na legislação tributária, o prazo decadencial para a formulação de pedi administrativo ou judicial, de repetição de indébitos tributários, inclusive através de compensação, se inicia na data em que o pagamento antecipado do tributo foi homologado por ato expresso da competente autoridade fiscal. Na ausência de procedimento homologatório, e transcorridos os 5 anos, previstos no § 4º do art. 150 do CTN, se perfectibiliza a homologação tácita, a partir da qual começa a contagem do prazo de decadência cominado no art. 168, I, do CTN; 11) De concluirse, por conseguinte, que, em se tratando de tributos enquadráveis na modalidade de lançamento por homologação, o prazo para o exercício do direito repetição do que foi pago indevidamente, ou a maior que o devido, contase, não a partir da data do pagamento indevido, mas da data em que expirou, para a autoridade administrativa lançadora, o prazo de 5 anos de que esta dispôs para formalizar o ato homologatório, sem o fazer; 12) Requer a nulidade da decisão recorrida; 13) Cita doutrina e jurisprudência dos tribunais. Por essa decisão, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PRAZO DECADENCIAL EXPIRADO. Fl. 120DF CARF MF 4 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Restituição de pagamentos do Simples efetuados indevidamente nos períodos de 01/2002 a 12/2003. Exclusão do Simples por vedação legal. Reenquadramento a partir de 01/01/2004. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do Ato de Exclusão exarado pelo órgão de competência originária quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. No recurso voluntário, é alegado: a) que a decisão de piso é nula: b) a suspensão do prazo de decadência: É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13821.000132/200966 Acórdão n.º 1201002.622 S1C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Síntese dos fatos. A recorrente estava enquadrada no Simples desde 1997 (Despacho emitido nos autos do processo nº 13821.000023/200434 relativo à exclusão do Simples, que foi acostado à fl. 75 deste). Em 7 de agosto de 2003, foi excluída desse regime de tributação, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2002 (Ato Declaratório Executivo DRF/ARA n° 465.267, de 07/08/2003 conforme citação à fl. 75). Contudo, não concordando com esse ato, manifestou se contra a exclusão conforme pode ser visto nos autos. A decisão final ocorreu em 25 de abril de 2008, conforme pode ser visto no Acórdão nº 30134.421 da antiga 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 66 a 72). O recurso especial contra tal decisão não foi admitido (Despacho de Exame de Admissibilidade às fls. 64 e 65). Muito embora tal decisão, houve despacho da DRF/Araçatuba no processo nº 13821.000023/200434 (Exclusão do Simples), em 7 de julho de 2009, que reconheceu que o enquadramento foi válido de 1º de janeiro de 2004 em diante (fls. 75 e 76). Assim, a exclusão só surtiu efeitos nos anoscalendário 2002 e 2003. A recorrente informa que apresentou declarações PJ, optando pela forma de tributação "Lucro Presumido" para esses anos (Manifestação de Inconformidade fl. 88): Em cumprimento ao decidido, a Recorrente, que não pode, por imprevisão ou limitação dos sistemas, retificar as Declarações apresentadas sob o SIMPLES para os ac. 2002 e 2003, apresentou novas declarações para os exercícios 2003 e 2004, pelo Lucro Presumido, resultando obrigações de pagar, além da Previdência Social, o PIS, a COFINS, o IRPJ e a Contribuição Social, sem que pudesse, também, por impossibilidade ou imprevisibilidade dos sistemas disponibilizados, compensar os valores pagos ao SIMPLES, nos mesmos períodos acima citados. (Destaque acrescido) Em face disso, foi apresentado o Pedido de Restituição (fls. 2 a 26) dos pagamentos do Simples (código 6106) desses dois anos (2002 e 2003). Tal pedido foi protocolado em 22 de junho de 2009. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, sustenta a contribuinte que o prazo decadencial para o pedido de restituição tem como termo inicial o dia do trânsito em julgado da decisão definitiva que considerou a contribuinte excluída do Simples, Fl. 122DF CARF MF 6 porque antes disso (em face da possibilidade de se contestar o ato de exclusão, com a suspensão dos seus efeitos), os pagamentos na sistemática do Simples não podiam ser considerados indevidos. Tanto o despacho decisório da DRF/Araçatuba (fls. 80 a 84), quanto a decisão de primeira instância (Acórdão nº 0130.401 da 2ª Turma da DRJ/BEL fls. 98 a 104), consideraram que o pleito de restituição foi atingido pela decadência, pois decorridos mais de cinco anos entre a data do pagamento e a do protocolo do pedido de restituição, nos termos do artigo 165 do CTN. Mérito. A questão, antes da análise quanto à decadência para se efetuar o pedido de restituição em face da suspensão dos efeitos do ato declaratório de exclusão do Simples, deve ser enfrentada tendose em vista o princípio da vedação ao enriquecimento sem causa que, obviamente, tem mão dupla no que tange à relação Administração/Administrado. Informa a recorrente que "para os ac. 2002 e 2003, apresentou novas declarações para os exercícios 2003 e 2004, pelo Lucro Presumido, resultando obrigações de pagar, além da Previdência Social, o PIS, a COFINS, o IRPJ e a Contribuição Social, sem que pudesse, também, por impossibilidade ou imprevisibilidade dos sistemas disponibilizados, compensar os valores pagos ao SIMPLES, nos mesmos períodos acima citados". De fato, conforme pode ser visto no extrato de fl. 77, para os anoscalendário 2002 e 2003, as declarações na situação "Liberada" são as entregues pelo formulário "L.PRES.". As pelo formulário "SIMPLES" constam como canceladas. Tais declarações (Lucro Presumido) foram apresentadas em 17 de junho de 2009. Por primeiro, salientase que tais declarações não têm o efeito de confissão de dívidas. Não consta dos autos que tenham sido apresentadas DCTFs relativas aos períodos em tela. E, mesmo que tivesse havido tal entrega simultaneamente ou logo após as declarações PJ "Lucro Presumido", a "confissão de dívida" não teria efeitos para fins de exigência, administrativa ou em execução fiscal, dos tributos nela declarados, pois decorridos mais de cinco anos da data em que tais tributos deveriam ter sido constituídos, nos termos do artigo 174 do CTN, não tendo tal apresentação (supondose ter ela havido) o efeito do inciso IV do parágrafo único do mesmo artigo (interrupção da prescrição), pois também teria ocorrido mais de cinco anos da data em que deveriam ter sido constituídos os tributos. Ademais, a interessada não trouxe, com seu recurso, nenhuma informação sobre o pagamento desses tributos. Limitouse a alegar que, com a entrega das declarações (pelo Lucro Presumido) surgiram " obrigações de pagar". Também não consta dos autos a informação de que tenha havido lançamento de ofício (autos de infração) dos tributos devidos pela sistemática do "Lucro Presumido", nos quais, normalmente, se faz a dedução dos tributos pagos após a decomposição do valor do Simples pago. Dessa forma, o que restou comprovado foi o pagamento de tributos, mesmo que pela sistemática do Simples, mas que, como salientado, pode ser decomposto nos tributos devidos pelas pessoas jurídicas em geral. E, como é cediço, após a referida decomposição, as parcelas pagas são em valor bem abaixo do devido pela sistemática do Lucro Presumido, opção da contribuinte. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13821.000132/200966 Acórdão n.º 1201002.622 S1C2T1 Fl. 5 7 Conclusão. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
