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Numero do processo: 10920.000406/00-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1989
IRPJ - RESTITUIÇÃO - CORREÇÃO MONETÁRIA
O tributo pago a maior deve ser atualizado monetariamente, para fins de restituição ou compensação. Os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pela pacífica jurisprudência do STJ , a saber: no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC; no período de fevereiro a dezembro de 1991, o INPC; a partir de janeiro/92 a dezembro/95, a UFIR. A taxa Selic aplica-se exclusivamente a partir de janeiro de 1996.
Numero da decisão: 9101-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989 IRPJ RESTITUIÇÃO CORREÇÃO MONETÁRIA O tributo pago a maior deve ser atualizado monetariamente, para fins de restituição ou compensação. Os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pela pacífica jurisprudência do STJ , a saber: no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC; no período de fevereiro a dezembro de 1991, o INPC; a partir de janeiro/92 a dezembro/95, a UFIR. A taxa Selic aplicase exclusivamente a partir de janeiro de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 04 06 /0 0- 65 Fl. 462DF CARF MF 2 Relatório O presente processo originouse no Poder Judiciário, por intermédio de Ação Ordinária (efl 2139) em face da União, registrada sob os autos nº 94.01009007, na qual Condor S/A, visava o reconhecimento de crédito tributário oriundo dos expurgos inflacionários referentes a restituição do IRPJ, apurado no períodobase de 1988/exercício de 1989. Sintetizo abaixo o pleito do contribuinte, naquela ação (efl 126): seja a Ação julgada procedente, com o consequente reconhecimento do crédito ora postulado, oriundo do expurgo da correção monetária na restituição do imposto pago a maior, com o cômputo dos seguintes percentuais: a) 70,28 % correspondente ao mês de janeiro/89 ("Plano Verão"); b) 30,46 % e 44,80 % correspondentes, respectivamente, aos meses de março e abril/90 ("Plano Collor I”); e c) 395,24 % correspondentes ao IPC relativo aos meses de fevereiro a dezembro/91 ("Plano Collor II"); seja acrescido a tal valor o cômputo de juros moratórios incidentes desde a retenção indevida (já que o art. 167, § 1° do CTN só se aplica a processo administrativo), além de juros compensatórios de 12% a.a., e da correção monetária devida desde a data em que a restituição ,se deu a menor até a data do efetivo pagamento, em cálculo a ser efetuado em liquidação final de sentença; reconhecido o crédito, seja acolhido o presente pedido para que a Autora proceda a compensação do crédito com imposto de renda ou imposto sobre produtos industrializados ou imposto sobre operações de câmbio, crédito e seguro vincendos; caso assim não o haja por bem V.Exa., requer seja a Ré condenada a pagar à Autora o "quantum" a ser apurado, acrescido dos consectários legais. Em agosto de 1996, foi proferida sentença favorável ao contribuinte (efl 61 65), cujo dispositivo reproduzo a seguir: Isto posto, julgo procedente em parte a presente ação (excetuado parte do índice de janeiro de 89 e os juros compensatórios), para condenar a ré a pagar ao autor o valor relativo às diferenças de correção monetária do valor restituído (recolhido sobre o ano base de 1988, exercício de 1989) nos períodos de janeiro de 1989 (42,72%), março (30,46%) e abril de 1990 (44,80%) e fevereiro a dezembro de 1991 (IPC), apurado com base no IPC, corrigido monetariamente até a data do efetivo pagamento, acrescido de juros moratórios de um por cento ao mês, a contar da restituição insuficiente (l3.10.93). Reconheço o direito do autor de, alternativamente, compensar o crédito com débitos subseqüentes relativos a imposto federal. Condeno, ainda, o réu ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que fixo em vinte salários mínimos (face à hipótese de compensação extrajudicial do crédito). Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10920.000406/0065 Acórdão n.º 9101003.852 CSRFT1 Fl. 463 3 Ato contínuo, depois de apresentadas contestação e embargos, a União e o contribuinte interpuseram Apelação (AC 97.04.100779/SC), cuja ementa e acórdão colaciono abaixo (efl 229): EMENTA DEVOLUÇÃO DA DIFERENÇA DO IMPOSTO DE RENDA. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO. RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. É cabível a devolução da correção monetária que não fora incluída na restituição do Imposto de Renda. É facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou mediante compensação, desde que, caso a parte opte pela compensação do indébito, formule pedido de desistência nos autos quanto à modalidade de execução por repetição, se deferida inicialmente. Caso a opção seja pela compensação, do mesmo modo, deve ser formulado pedido de desistência nos autos quanto à modalidade de execução por precatório. Os juros de mora incidem somente na modalidade de restituição, a partir do trânsito em julgado da decisão, de acordo com o art. 167, par. único, do Código Tributário Nacional e Súmula 31 desta Corte. Não há incidência de juros moratórios na compensação tributária. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação da autora e à remessa oficial e negar provimento ao apelo da União, nos termos do relatório e voto do Relator, que fazer parte integrante do presente julgado. Ciente de tal decisão, o sujeito passivo protocolou Pedido de Restituição, na instância administrativa em 15 de maio de 2000 (efl 75). Na sequência, o Despacho Decisório nº 611/00 (efl 268) deferiu parcialmente o pedido do contribuinte reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 736.816,25 mais juros SELIC, autorizando as compensações pleiteadas. Inconformada, Condor S/A apresentou Manifestação de Inconformidade (efl 273), que foi indeferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, em outubro de 2006, sob o acórdão nº 08 9.290. Ato contínuo, interpôs Recurso Voluntário (efl 381), alegando o seguinte, quanto ao expurgo de 2,36% (tema do Recurso Especial): No que pertine ao expurgo de 2,36% no mês de maio de 1990, necessário de faz a seguinte explanação. O referido expurgo, ao contrário do que entende a fiscalização, é aplicável pela lógica da sentença quando o M. Juiz determina a utilização do IPC, da seguinte forma: Fl. 464DF CARF MF 4 Em síntese, deve ser utilizado o IPC como índice de correção, abatidos os valores recebidos, com o cuidado relativo ao mês de janeiro de 1989, em que só deve ser pesada a inflação do mês (...). Assim, no mês de maio de 1990 aplicável o IPC pelo mesmo fundamento da sentença, devendo tal índice ser reconhecido e aplicado na esfera administrativa por força do Princípio da Moralidade Administrativa (art. 37, da CF/88). Deste modo, com a aplicação da variação do IPC de 7,87% (no mês em referência), abatido o BTN de 5,38%, resta um expurgo aplicável de 2,36% a ser reconhecido administrativamente. Ademais, a sentença foi mantida pelo TRF 4°, o qual tem o referido índice já sumulado. (…) Em março de 2008, sob o acórdão nº 10196.595 (efl 412), a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, deu parcial provimento ao recurso do sujeito passivo, reconhecendo ao recorrente o índice relativo ao expurgo de maio de 1990, de 2,36%, sob a seguinte justificativa: “Ocorre que, como já mencionado nesse voto, com o socorro da lição de Alexandre Freitas Câmara, a sentença fez coisa julgada nos limites do objeto do processo, o que significa dizeer, nos limites do pedido. Assim, o índice relativo a maio de 1990, por não ter sido objeto do pedido, não integra o objeto do processo, não foi contemplado na parte dispositiva da sentença, e consequentemente, não está alcançado pela coisa julgada.” Tal decisão restou assim ementada: IRPJ RESTITUIÇÃO CORREÇÃO MONETÁRIA – O tributo pago a maior deve ser atualizado monetariamente, para fins de restituição ou compensação. Os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pela pacífica jurisprudência do STJ , a saber: no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC; no período de fevereiro a dezembro de 1991, o INPC; a partir de janeiro/92 a dezembro/95, a UFIR. A taxa Selic aplicase exclusivamente a partir de janeiro de 1996. A Procuradoria, por sua vez, interpôs Recurso Especial (efl 426), alegando violação da coisa julgada material. Ainda, além de apontar que a sentença prolatada na Ação Ordinária retromencionada não faz qualquer alusão ao expurgo referente ao mês de maio de 1990, a recorrente indicou os artigos 472, do CPC/73 e 4º, do Decreto nº 2.346/97 para demonstrar a contrariedade à lei, requisito exigido para a interposição do Recurso Especial, quando da vigência do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, que exigia apenas, em seu §1º, do artigo 7º, a demonstração da contrariedade à lei ou à evidência da prova, para a interposição do Recurso Especial. O Despacho de Admissibilidade, efl 432, deu segmento ao Recurso Especial por entender que a contrariedade à lei restou demonstrada. Recapitulese os artigos indicados: “Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, nao beneficiando, nem prejudicando terceiros...” “Art. 4°. Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional,relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10920.000406/0065 Acórdão n.º 9101003.852 CSRFT1 Fl. 464 5 definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os Órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.” Por fim, a recorrente ainda postulou que o pedido de aplicação de correção monetária é implícito e acessório, de tal forma que mesmo que o contribuinte não pedisse tal aplicação, se o juiz a entendesse cabível, poderia determinála de forma expressa, o que não ocorreu no caso concreto e, como o contribuinte não recorreu sobre tal tema no momento oportuno, a matéria estaria precluída, operandose a coisa julgada. Em resposta, Condor S/A apresentou Contrarrazões dizendo que o expurgo de 2,36% no mês de maio de 1990 é aplicável pela lógica determinada na sentença sobre a aplicação do IPC, mais especificamente este trecho: “Em síntese, deve ser utilizado o IPC como índice de correção, abatidos os valores recebidos, com o cuidado relativo ao mês de janeiro de 1989, em que só deve ser pesada a inflação do mês (...).” Defende, então, o contribuinte que “com a aplicação da variação do IPC de 7,87% (no mês em referência), abatido o BTN de 5,38%, resta um expurgo aplicável de 2,36%. Ademais, cumpre destacar que a sentença foi mantida pelo TRF 48, o qual tem o referido índice já sumulado, senão vejamos: "SúmuIa 37: Na liquidação de débito resultante de decisão judicial, incluem se os índices relativos ao IPC de março, abril e maio de 1990 e fevereiro de 1991.”” Ainda, traz jurisprudência do STJ para demonstrar que a correção monetária não é acréscimo ao crédito, mas apenas uma ferramenta que serve para evitar o aviltamento do crédito, em face da desvalorização da moeda. É o relatório. Fl. 466DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Foi admitido em 17 de julho de 2008, nos termos do Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, conforme Despacho PRESI NR. 101226/2008, de p. 432, por ter demonstrado, conforme o i. Presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, contrariedade à lei ou à evidência da prova no que tange o reconhecimento, pelo Colegiado a quo, de índice relativo a expurgo de maio de 1990 diferente do determinado em lei. Sendo incontroverso o conhecimento, concordo e adoto as razões do Presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para conhecer do recurso especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Em síntese, a questão posta para análise deste Colegiado está circunscrita à extensão de decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte, na qual, como restou verificado por este Julgador, não há previsão expressa de utilização do IPC/IBGE para a correção monetária no mês de maio/1990 e o índice oficial de inflação, para o referido mês, era o BTN. No v. acórdão recorrido (p. 412/421), o Colegiado a quo decidiu, por maioria, que “os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pela pacífica jurisprudência do STJ, a saber: no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC; (...)”. A Procuradoria, em seu recurso especial, não traz acórdão paradigma, uma vez que aponta contrariedade à lei como fundamento para o seu recurso, mas defende, em seu recurso especial (p. 426/430) que “a sentença prolatada necessariamente tem que ser cumprida por ambas as partes envolvidas, em obediência aos termos do artigo 472, do Código de Processo Civil” (Lei 5.869/73), reforçando que “caso fosse intenção do Poder Judiciário de fazer incidir os expurgos referentes ao mês de maio/1990 o teria feito expressamente, ainda que não houvesse pedido expresso do autor na petição inicial, pois se trata de pedido acessório e implícito, sobre o qual deveria ter se manifestado o julgador”. Em outras palavras, a Procuradoria, em seu recurso especial, defende a interpretação literal da decisão transitada em julgado, sob pena de flexibilização da coisa julgada, ressaltando que “não há como admitirmos que este Conselho de Contribuintes emita qualquer opinião axiológica sobre o assunto”. Ressalto, pela importância para o deslinde desta controvérsia, que o recurso especial está datado de 11 de julho de 2008 e que foi juntado aos autos 3 dias depois (p. 431). Esclareço a importância da data. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10920.000406/0065 Acórdão n.º 9101003.852 CSRFT1 Fl. 465 7 Em 20 de novembro de 2008 foi emitido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, pelo qual, à vista da jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, tendo por base o inciso II, do art. 19, da Lei nº 10.522/2002 e o Decreto nº 2.346/1997, foi feita análise da possibilidade de dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. No que interessa ao caso concreto, o Parecer tratou da utilização do IPC/IBGE para a correção monetária no período de mar/90 a fev/91 em substituição ao BTN e ao INPC de fev/91. Feita a análise, a partir do posicionamento reiterado do STJ e, uma vez presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522/2002 c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346/97, recomendouse fossem autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação de índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. A referida Resolução nº 561/2007 foi revogada pela Resolução nº 134/2010 da CJF, a qual consolidou o “Manual de Orientação de procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal”, no qual encontrase o item 4.1.2.1, que trata de “Expurgos Inflacionários”, apresentando a seguinte orientação: 4.1.2.1 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Devemse considerar, também, os expurgos inflacionários, IPC/IBGE integrais (descontando o BTN ou outro índice utilizado, evitando bis in idem), já consolidados pela jurisprudência, salvo decisão judicial em contrário, nos seguintes períodos: jan/89 = 42,72% fev/89 = 10,14% mar/90 a fev/91 = IPC/IBGE em todo o período. Em outras palavras, ao ver deste Julgador, se o contribuinte não tivesse feito qualquer pedido acerca de correção monetária em processo judicial, mas fosse a mesma admitida, sem a indicação dos índices a serem aplicados, a utilização dos expurgos inflacionários seguiria a orientação acima reproduzida e o contribuinte faria jus, em maio/1990, ao IPC/IBGE. No caso concreto, de fato, não há menção, no dispositivo da sentença que transitou em julgado, do índice IPC para o mês de maio/1990 (p. 179), notadamente porque também não fez parte do pedido inicial, conforme destacou a i. Relatora do v. acórdão recorrido (p. 418). Prossegue a i. Relatora: “o índice relativo a maio de 1990, por não ter sido objeto do pedido, não integra o objeto do processo, não foi contemplado na parte dispositiva da sentença, e, consequentemente, não está alcançado pela coisa julgada”. (p. 419) Fl. 468DF CARF MF 8 Ressaltase, por fim, que a decisão transitada em julgado indica a utilização do IPC entre fevereiro a novembro de 1991, mas este não era mais publicado, de tal forma que a própria autoridade administrativa, como ponderou a i. Relatora do v. acórdão recorrido, “concorda com a aplicação do INPC do IBGE”. Por todo o exposto, firmo posicionamento no sentido que a utilização do IPC, em maio/1990, não viola a coisa julgada no caso concreto, e, à vista do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, concluo que se o recurso especial tivesse que ser apresentado posteriormente à edição do referido Parecer, talvez sequer tivesse sido apresentado e que há, no âmbito da Administração Tributária, posicionamento firmado pelo reconhecimento da utilização do IPC para a correção monetária do indébito tributário para o mês de maio/90. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo íntegro o v. acórdão recorrido quanto à parte objeto do recurso especial, qual seja, a utilização do IPC/IBGE como índice de correção monetária do indébito tributário no mês de maio/90. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 469DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.724477/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
DIFERENÇAS ENTRE AS FOLHAS DE PAGAMENTO E AS GFIPS. INEXISTÊNCIA. RETIFICAÇÃO SUGERIDA PELA AUTORIDADE AUTUANTE.
As retificações sugeridas pela própria autoridade administrativa, para decotar eventuais excessos do lançamento, implicam acolhimento da tese do sujeito passivo.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DIRETOR EMPREGADO. INCLUSÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Tem-se por procedente o lançamento, quanto a autoridade autuante traz fortes evidências de que a requerente arcara com o ônus da remuneração a trabalhador que lhe prestara serviços e constara em sua folha de pagamento por período considerável.
Numero da decisão: 2402-006.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as contribuições até a competência 10/2005, inclusive, uma vez que atingidas pela decadência. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que não reconheceram a ocorrência da decadência em relação às contribuições referentes ao Diretor Empregado. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao lançamento referente ao Diretor Empregado. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. DIFERENÇAS ENTRE AS FOLHAS DE PAGAMENTO E AS GFIPS. INEXISTÊNCIA. RETIFICAÇÃO SUGERIDA PELA AUTORIDADE AUTUANTE. As retificações sugeridas pela própria autoridade administrativa, para decotar eventuais excessos do lançamento, implicam acolhimento da tese do sujeito passivo. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DIRETOR EMPREGADO. INCLUSÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Temse por procedente o lançamento, quanto a autoridade autuante traz fortes evidências de que a requerente arcara com o ônus da remuneração a trabalhador que lhe prestara serviços e constara em sua folha de pagamento por período considerável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 44 77 /2 01 0- 14 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 565 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as contribuições até a competência 10/2005, inclusive, uma vez que atingidas pela decadência. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que não reconheceram a ocorrência da decadência em relação às contribuições referentes ao Diretor Empregado. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao lançamento referente ao Diretor Empregado. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AIs) em face do sujeito passivo: (a) AI 37.272.0420 PAF 10680.724477/201014, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação e cartões de premiação. Também foram constituídas as contribuições da mesma natureza incidentes sobre a contratação de Diretor Administrativo Financeiro, bem como aquelas resultantes do confronto entre as folhas de pagamento e as GFIPs. Por fim, também foram constituídas as contribuições patronais incidentes sobre a contratação de contribuintes individuais; Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 566 3 (b) AI 37.272.0439 PAF 10680.724478/201051, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações a eles pagas, relativas às despesas com alimentação, cartões de premiação e com a contratação de Diretor Administrativo Financeiro. Ainda foram constituídas as contribuições dos segurados contribuintes individuais; (c) AI 37.272.0447 PAF 10680.724481/201074, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades ou fundos, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação, cartões de premiação, contratação de Diretor Administrativo Financeiro e aquelas atinentes às reclamatórias trabalhistas apuradas no curso da fiscalização; (d) AI 37.272.0501 PAF 10680.724489/201031, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado as GFIPs com informações incorretas ou omissas, mais precisamente pela falta de declaração das remunerações atinentes às despesas com alimentação, cartões de premiação, contratação de Diretor Administrativo Financeiro, bem como a remuneração de contribuintes individuais; (e) AI 37.272.0544 PAF 10680.724493/201007, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades ou fundos, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação, cartões de premiação, contratação de Diretor Administrativo Financeiro, reclamatórias trabalhistas apuradas no curso da fiscalização e aquelas resultantes do confronto entra as folhas de pagamento e as GFIPs. Para fins ilustrativos, segue uma tabela das autuações: PAF AI Créditos Contribuições ou Multa Rubricas 10680.724477/201014 37.272.0420 Patronal + SAT/RAT Alimentação + Contr. Ind. + Cartões de Premiação + Diretor + Folha x GFIP 10680.724478/201051 37.272.0439 Segurados Alimentação + Contr. Ind. + Cartões de Premiação + Diretor 10680.724481/201074 37.272.0447 Outras entidades ou fundos patronal Alimentação + Cartões de Premiação + Diretor + Reclamatórias Trabalhistas 10680.724489/201031 37.272.0501 CFL 68 Informações incorretas ou omissas: Alimentação + Cartões de Premiação + Diretor + Contr. Ind. 10680.724493/201007 37.272.0544 Outras entidades ou fundos patronal Alimentação + Cartões de Premiação + Diretor + Reclamatórias Trabalhistas + Folha x GFIP Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 567 4 Doravante, adotase parte do relatório do acórdão de impugnação: Consta no relatório fiscal de fls. 131/139 conforme segue: ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT [...] CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa remunerou contribuintes individuais constantes no MEMO SAFIS/DRF/Divinopólis nº 70/2008 sem incluílos nas folhas de pagamento e nas GFIP –Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Tais valores foram apurados com base nos recibos de pagamento. Constatouse, ainda, a ocorrência de pagamentos a outros contribuintes individuais declarados na DIRF – Declaração de Imposto de Retido na Fonte, também não declarados em Folhas de Pagamento e GFIP [...] CARTÃO PREMIAÇÃO A empresa remunerou seus empregados por meio de cartões eletrônicos oferecidos como prêmio no Programa de estímulo ao aumento de produtividade. Os cartões foram fornecidos pela Incentive House S. A, CNPJ 00.416.126/000303 [...] DIRETOR EMPREGADO Foi constatada a contratação de Fernando Luiz Gomes Filho NIT 12288536154 – admitido em 1/10/2003 e demitido em 1/05/2008, para ocupar o cargo de diretor administrativo financeiro. Tal constatação deuse por meio da análise do cadastro de pessoal da empresa, das folhas de pagamento apresentadas em meio digital, das informações constantes das GFIP referentes às competências 12/2003 e 05/2008, e das informações constantes dos atos constitutivos da empresa conforme segue: [...] As remunerações desse segurado foram apuradas, por aferição, com base nas remunerações recebidas ou creditadas para outro diretor representante legal da empresa, tendo em vista que o Sr. Fernando Luiz Gomes Filho foi incluído nas folhas de pagamento com salário zerado acompanhado da seguinte expressão "Folha Confidencial Diretoria" (que não foi apresentada à fiscalização). Especificamente, optouse, para fins de aferição, por utilizar como referência, as remunerações percebidas pelo diretor de logística que está menos sujeito as variações de produtividade. [...] Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 568 5 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DE REMUNERAÇÃO DISCRIMINADOS NAS FOLHAS DE PAGAMENTO E NA GFIP Foram encontradas diferenças entre a remuneração incluída nas folhas de pagamento e a remuneração incluída na GFIP. Esses fatos geradores foram identificados nos autos com o código de levantamento FG – Batimento de folha com GFIP (valores de diferenças entre folhas de pagamento e GFIP, de 01/2005 a 08/2005, 11/2005 e 13/2005) . MP 449/2008 Considerando que o contribuinte enviou Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, após a publicação da Medida Provisória nº 449/2008, com omissões, foi lavrado o auto de infração cabível com Código de Fundamentação Legal 78. Especificamente, o sujeito passivo deixou de declarar remunerações para os meses de 01/2005 a 12/2007. O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 29/11/2010, conforme assinatura aposta à fl. 3 e apresentou impugnação em 29/12/2010 (fls. 256/270), na qual, essencialmente: DECADÊNCIA Diz que parte do crédito tributário cobrado referese ao ano de 2005, período abrangido pela decadência nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Acrescenta que, como o auto de infração foi lavrado em 12/2010, os valores referentes às competências de 01/2005 a 11/2005 encontramse alcançados pela decadência. AUXILIO ALIMENTAÇÃO Diz que os auxílios de natureza alimentar fornecidos a seus empregados compreendem o gasto na manutenção de restaurante dentro de seu estabelecimento para servir refeições a empregados, gastos com o fornecimento de cestas básicas distribuídas e tickets refeição e alimentação. Afirma que, em relação à sua exclusão do PAT, conforme se verifica dos acordos coletivos de trabalho dos anos de 2005 a 2007, apenas o pagamento do ticket alimentação estava atrelado à assiduidade do empregado (inexistência de faltas injustificadas). Diz que, ainda que se admita que a condição para o recebimento do ticket alimentação exigida em acordo coletivo de trabalho (assiduidade do empregado) tenha o condão de descaracterizar a natureza do benefício pago, não haveria como concluir que essa condição possa desnaturar os demais benefícios relativos à alimentação pagos a seus empregados não abarcados pelo acordo coletivo. Acrescenta que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ é pacífica no sentido de que o pagamento de auxílio alimentação in natura, como no caso, não integra a base de Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 569 6 calculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Cita jurisprudência. Alega que não há como se cogitar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores gastos com a manutenção de restaurante interno, bem como gastos a titulo de cesta básica, alimentação, lanches e ticket refeição, haja vista o inegável caráter indenizatório de tais verbas, pagas para o trabalho e não pelo trabalho, devendo o lançamento fiscal ser julgado improcedente quanto a esses itens. Aduz que além de estar restrita ao ticket alimentação, a condição estipulada em acordo coletivo de trabalho jamais poderia ser assemelhada a um sistema de premiação, para descaracterizar o benefício dado. Diz que não havia metas a serem recompensadas com um prêmio, mas simplesmente, cumprida a carga horária contratada o empregado fazia jus ao benefício. Diz que condicionar o pagamento do ticket alimentação à assiduidade do empregado passa pela avaliação de que o benefício tem por objetivo alimentar o trabalhador que está efetivamente prestando serviço e não remunerálo pelo alcance de determinada meta de produtividade, de modo que se não comparece ao trabalho, não há que se falar em pagamento do valor necessário para se alimentar. Aduz que o fato de possuir um programa de prêmios para os empregados visando a uma maior produtividade, demonstra que o pagamento de ticket alimentação não é uma espécie de premiação ao empregado. Afirma que não há lei ou decreto que proíba essa condição (assiduidade) para a concessão do benefício, sendo que tal vedação foi estabelecida por meio de portaria. Cita doutrina e conclui que aceitar que uma portaria imponha tal vedação viola o princípio da legalidade. Disserta e cita jurisprudência sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre vale transporte para subsidiar sua afirmação de que o Poder Executivo tenta, há muito tempo, implementar, sem amparo na lei, restrições às formas usualmente aceitas de pagamento de benefícios a empregados, buscando descaracterizar sua natureza indenizatória. Diz ainda que a Portaria nº 87, que o teria excluído do PAT é datada de 19/3/2009, tendo sido publicada no Diário Oficial da União – DOU de 23/3/2009, mas pretende produzir efeitos de forma retroativa, cancelando inscrições de 1995 a 2008. Conclui que tal circunstância revela ilegalidade. Aduz que os fundamentos para a cassação das inscrições não decorrem de atos que lhes houvessem sido posteriores, justificando sua revisão, mas de disposições já existentes nos seus sucessivos acordos coletivos que não a haviam impedido. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 570 7 Afirma que a exclusão do PAT não se tratou de mera inovação interpretativa das normas por parte da administração pública, mas de nova limitação à permanência das empresas no programa. Cita legislação e doutrina que trata de segurança jurídica. Conclui que deve ser julgado improcedente o lançamento no que se refere aos gastos com alimentação in natura ou, ao menos, devese restringir a cobrança da contribuição previdenciária aos valores gastos com a concessão de ticket alimentação a seus empregados. DIRETOR ADMINISTRATIVO FINANCEIRO Diz que a AFRFB abstevese de tecer qualquer consideração a respeito dos esclarecimentos que lhe foram prestados no desenvolvimento do procedimento fiscal, decidindo arbitrar um salário mensal do Diretor Fernando Luiz Gomes Filho com base nas remunerações pagas aos demais diretores. Alega que a autuação não tem qualquer amparo legal já que o referido diretor foi cedido à impugnante pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. Diz que no documento denominado Secondment Service Agreement, a Recofarma comprometese a ceder um diretor à impugnante, o qual continuaria vinculado a ela, responsável pelo pagamento do seu salário. Apresenta o que seria a tradução livre de um trecho do documento como segue: [...] Em razão das alegações do impugnante, os autos do presente processo foram baixados em diligência para que a fiscalização prestasse esclarecimentos (despacho de fls. 455/458). Em 23/12/2013 a fiscalização elaborou a informação fiscal de fls. 462/463 na qual, essencialmente: Esclarece que as despesas com alimentação dos empregados, inclusive despesas com restaurante, identificada nos autos com o código de levantamento AL foram fornecidas in natura. Conclui, após análise dos resumos de folhas de pagamentos juntados por ocasião da impugnação, que os salários de contribuição, rubrica código 8000, são divergentes dos declarados em GFIP. Elaborou quadros às fls. 462 e 463, sendo que, no primeiro recompõe essa diferença, por competência e por estabelecimento, e no segundo (item “c” do despacho) informa, por estabelecimento e competência, as retificações que devem ser efetuadas nos fatos geradores identificados nos autos com o código de levantamento FG. O contribuinte foi cientificado da diligência e de seu resultado, [...], e se manifestou em 27/1/2014 [...], basicamente, conforme segue: Diz concordar parcialmente com a conclusão da diligência realizada. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 571 8 Afirma que a não incidência de contribuições previdenciárias, por força do conteúdo do Ato Declaratório PGFN nº 3, além se de aplicar à rubrica “AL – alimentação e lanches” também se estende aos valores lançados por meio do auto de infração com os códigos de levantamento “RE – restaurante” e “CB – cesta básica”, pois todas elas se referem à alimentação fornecida in natura. Reitera seus argumentos apresentados por ocasião da impugnação acerca de fornecimento de alimentação a empregados. Afirma que, quanto à divergência entre os valores registrados na folha de pagamento e aqueles declarados na GFIP, diz que a DRF reconheceu o equívoco e procedeu á revisão de seus cálculos, excluindo parcela substancial dos valores lançados. Argui, contudo, que em sua “planilha” a DRF deixou de considerar a linha “deduções previdenciárias” existente na folha de pagamento para formação da base de cálculo da contribuição. Apresenta quadro à fl. 465 contendo o que seriam os valores corretos de dedução e quadro à fl. 466 indicando as diferenças entre folha de pagamento e GFIP que existiriam. [...] A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher à previdência social as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, a seus empregados. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Nos lançamentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre despesas com alimentação in natura fornecida aos segurados empregados aplicase o disposto no Ato Declaratório PGFN nº 3, de 20/12/2011. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Houve a interposição de recurso de ofício. O sujeito passivo foi eletronicamente intimado da decisão em 03/06/2014 e interpôs recurso voluntário em 18/06/2014, no qual apenas reafirmou as teses atinentes à decadência e à contratação do diretor empregado. Diante da informação expressa, à fl. 255 do PAF 15504.020542/200941, de que a empresa teria incluído a totalidade dos seus débitos no parcelamento, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, para que a unidade de origem verificasse a existência de pedido de parcelamento total ou parcial. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 572 9 Em cumprimento à citada resolução, a unidade de origem informou que a empresa não teria optado pelo parcelamento de débitos previdenciários em fase administrativa. Intimado, o sujeito passivo manifestouse apenas no sentido de requerer o julgamento e o provimento de seu recurso. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento A Portaria MF 63/17 estabeleceu um novo limite para a interposição de recurso de ofício, ao prever que a DRJ recorrerá sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Vejase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A Súmula CARF 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Neste caso, só o total das contribuições exoneradas é de R$ 5.962.251,77 (veja o valor total lançado, fl. 3, e o total remanescente, fl. 527, DADR DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO RETIFICADO), de forma que o recurso de ofício deve ser conhecido. Por outro lado, o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, tendo sido inclusive demonstrada a inexistência de pedido de parcelamento dos débitos em questão. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 573 10 2 Do recurso de ofício 2.1 DOS PONTOS CONTROVERTIDOS DO RECURSO DE OFÍCIO Analisandose o acórdão de impugnação, constatase que os pontos controvertidos do recurso de ofício são os levantamentos AL, CB, RE, TA, TR e FG. Para ilustrar, vale transcrever o seguinte trecho do acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação e pela manutenção parcial do crédito tributário objeto de impugnação, excluindose todas as contribuições cujos fatos geradores foram identificados nos autos com os códigos de levantamento AL, CB, RE, TA e TR e FG. Esse dispositivo decorre da fundamentação do decisum, que, no tocante ao custeio de alimentação in natura sem PAT e às diferenças entre as folhas e as GFIPs, assim concluiu: Portanto, devem ser excluídos do AI combatido todas as contribuições cujos fatos geradores foram identificados nos autos com os códigos de levantamento AL, CB, RE, TA e TR. ......................................................................................................... Assim, todos os valores lançados com o código de levantamento FG devem ser integralmente excluídos da autuação. Tais levantamentos foram excluídos no DADR DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO RETIFICADO e são referentes a: AL ALIMENTACAO E LANCHES, CB CESTA BASICA, FG BATIMENTO FOLHA COM GFIP, RE RESTAURANTE, TA TICKET ALIMENTACAO e TR TICKET REFEICAO. 2.2 DO CUSTEIO DE ALIMENTAÇÃO SEM PAT Nesse particular, vêse que o acórdão de impugnação está amparado no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/11 e no Ato Declaratório 3/11, que por sua vez decorrem da reiterada jurisprudência do STJ a respeito do thema iudicandum, segundo os quais não incidem contribuições previdenciárias sobre a alimentação in natura fornecida pela empresa. Vale transcrever o entendimento do STJ a respeito do assunto e o citado Ato Declaratório: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. SALÁRIO IN NATURA. DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT. NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 574 11 eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido. (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) ......................................................................................................... Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". É importante frisar que a fiscalização, após ser provocada por meio de despacho da DRJ, prestou esclarecimentos em informações fiscal e apontou que as despesas com alimentação dos empregados, inclusive despesas com restaurante, identificadas nos autos com o código de levantamento AL, referemse à alimentação fornecida in natura. Vejase: 1. Em resposta ao item 6 do Despacho da 8a. Turma da DRJ/BHTE, após análise da documentação apresentada pela autuada em sua defesa, a fiscalização presta os seguintes esclarecimentos: a) A fiscalização constatou que as despesas com alimentação dos empregados, inclusive despesas com restaurante, lançadas pelo levantamento de código “AL” foram fornecidas in natura; Logo, deve ser negado provimento ao recurso de ofício no ponto atinente ao custeio da alimentação dos trabalhadores, mantendose, assim, as exclusões determinadas em sede de acórdão de impugnação. 2.3 DAS DIFERENÇAS ENTRE AS FOLHAS DE PAGAMENTO E AS GFIPS Nesse tocante, a DRJ excluiu integralmente o levantamento FG BATIMENTO FOLHA COM GFIP, em parte por força da decadência, em outra parte porque a própria autoridade autuante, instada a manifestarse através de despacho daquele órgão de Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 575 12 julgamento, e considerandose o demonstrativo elaborado pelo sujeito passivo em sede de impugnação, retificou o levantamento em sede de diligência. Relativamente à decadência, verseá, em tópico específico e mais abrangente, que a decisão não deve ser reformada. Quanto à outra parcela excluída, vêse que ela ocorreu em decorrência de informação fiscal e de retificação determinada pela própria autoridade autuante, a qual analisou os resumos das folhas de pagamento e concluiu que as divergências remanescentes em GFIP seriam apenas aquelas constantes do quadro demonstrativo que elaborou. Em sendo assim, também deve ser negado provimento ao recurso de ofício nesse ponto. 3 Do recurso voluntário 3.1 DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Os pontos controvertidos do recurso voluntário são apenas aqueles atinentes à decadência e à contratação do diretor empregado. 3.2 DA DECADÊNCIA A esse respeito, o sujeito passivo sustenta a tese de que o prazo decadencial deve ser contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, tendo em vista a existência de recolhimentos antecipados. Como o lançamento teria ocorrido em 22/11/2010, estariam decaídas as contribuições do período de janeiro a novembro de 2005. A DRJ não compactuou desse entendimento, arvorandose na tese de que a existência de recolhimento antecipado se caracterizaria rubrica por rubrica. Vejase: Ora, se o contribuinte sequer incluía tais valores nas folhas de pagamento, não há se falar que tenha ocorrido qualquer antecipação de pagamento relativamente a essas verbas. Portanto, nesses casos, aplicase o disposto no CTN, artigo 173 O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 576 13 E ao contrário do que decidiu a DRJ, caracteriza pagamento antecipado qualquer recolhimento de contribuição previdenciária na competência do fato gerador, independentemente de ter sido incluída na base de cálculo do recolhimento a rubrica específica (ex. custeio de alimentação) exigido no Auto de Infração. Essa questão foi definitivamente pacificada com a edição da Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No mesmo sentido, o entendimento do colendo STJ em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 577 14 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) A existência de recolhimentos parciais em todas as competências é inconteste, tanto porque todas as autuações são relativas a rubricas específicas (custeio de alimentação, cartões de premiação, diferenças entre as folhas e as GFIPs, etc) exigidas em diversos Autos de Infração, quanto porque os recolhimentos parciais foram admitidos em sede de acórdão de impugnação, e também porque a fiscalização constatou a existência de valores declarados em GFIP (vejase que há lançamento por batimento entre as folhas e as guias). Mais ainda, e segundo se depreende do incluso Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, entre os documentos examinados estão os "Comprovantes de Recolhimento". Logo, a regra decadencial aplicável é a do art. 150, § 4º. Portanto, quando o lançamento foi realizado, em 22/11/2010, já havia transcorrido mais de cinco anos desde os fatos geradores ocorridos de janeiro a outubro de 2005, mas não de novembro de 2005, cujo período de apuração somente se encerrou no dia 30. Portanto, deve ser parcialmente acolhida a preliminar de decadência, para declarar a extinção dos créditos tributários cujo período de apuração vai de janeiro a outubro de 2005. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 578 15 3.3 DO DIRETOR EMPREGADO Basicamente, o sujeito passivo afirma que o Diretor Administrativo Financeiro foilhe cedido pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, conforme o documento denominado Secondment Service Agreement. Assevera, ainda, que a inclusão do nome do referido diretor na sua folha de pagamento com salário zerado deuse unicamente por razão de hierarquia de trabalho, já que ele era o responsável pela sua gestão administrativofinanceira, ascendendo um grupo de empregados constantes na folha. Conclui que é sem razão o arbitramento levado a efeito pela fiscalização. O acórdão de impugnação discordou dessa argumentação, com base na fundamentação que pode ser sintetizada abaixo: Vêse, que é inconteste que o Sr. Fernando Luiz Gomes Filho prestava serviços para o contribuinte, como diretor financeiro, e que seu nome foi incluído nas folhas de pagamento do impugnante juntamente com a menção de que havia uma folha confidencial relativa à diretoria. [...] Temse, portanto, que o impugnante não trouxe aos autos qualquer elemento ou esclarecimento capaz de explicar porque razões um diretor financeiro que presta serviços em seu favor, vinculado à sua estrutura organizacional, seria incluído na folha de pagamentos (com a indicação da existência de informações mais detalhadas em folha de pagamento confidencial), caso inexistisse remuneração custeada por ele para esse diretor. Tudo levar a crer que tal diretor foi remunerado pelo contribuinte e que o valor de sua remuneração somente não foi incluído na folha por tratar de informação “confidencial” tal como descrito nesses documentos. Ocorre que os documentos denominados Secondment Service Agreement e Exhibit revelam que o Diretor Administrativo Financeiro era empregado de outra empresa, que lhe custeava o salário e que o cedeu para o sujeito passivo por prazo determinado. Vejase, a propósito, que as folhas de pagamento de fls. 322 e seguintes demonstram que ele era realmente empregado da Recofarma. Essas circunstâncias, aliadas ao fato de que a fiscalização não demonstrou a existência efetiva de pagamentos realizados pela recorrente em favor do citado Diretor, muito menos que ele estivesse a ela subordinado, tornam frágil o lançamento e obstaculizam qualquer possibilidade de arbitramento. A rigor, o Diretor Administrativo Financeiro estava subordinado à outra pessoa jurídica e dessa pessoa jurídica recebia a sua remuneração, com todas as consequências trabalhistas e previdenciárias daí decorrentes. Em não havendo remuneração recebida da recorrente, igualmente não há base de cálculo para o lançamento. E como afirmado em sede de impugnação e recurso, isso explica o fato de a folha de pagamento do Diretor Administrativo Financeiro estar com valores zerados. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 579 16 Resumidamente, o recurso voluntário deve ser provido nesse particular. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de: (a) CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; (b) CONHECER do recurso voluntário, para ACOLHER PARCIALMENTE a preliminar de decadência do lançamento, declarandose a extinção dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até outubro de 2005, e, no mérito, DARLHE TOTAL PROVIMENTO, para excluir da autuação o levantamento "DE DIERETOR EMPREGADO" (erro de grafia no original). (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Não obstante as, como de praxe, muito bem fundamentaras razões de decidir do Relator, peço venia para delas dissentir. O ponto de discordância, naquilo que superou o seu entendimento, recai quanto ao lançamento, por arbitramento, sobre valores eventualmente pagos pela autuada àquele Diretor Administrativo Financeiro, Sr Fernando Luiz Gomes Filho. Entendeu o Ilustre Relator que o autuante não teria feito a prova de que a autuada efetuou pagamentos àquele trabalhador, tampouco de que havia subordinação na relação entre ambos, além do quê, haveria um documento denominado Secondment Service Agreement, por meio do qual se atestaria sua cessão à recorrente pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, a quem competiria o pagamento de seu salário e as conseqüências trabalhistas e previdenciárias dele decorrentes. Não vejo dessa forma. De plano, quanto ao documento apresentado no idioma estrangeiro, filiome ao entendimento da decisão de piso acerca da imprescindibilidade de sua tradução para o vernáculo, a teor do que dispõem os artigos 22 da Lei 9.784/99 e 157 do CPC/731, sem a qual, temse por prejudicada a sua força probatória. 1 Artigo correspondente: 192 do NCPC Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 580 17 Por sua vez, consoante aduzido naquele acórdão, referido Diretor, que efetivamente teria prestado serviço para a recorrente, e isso pareceme inconteste, figurou em sua folha de pagamento por quase 5 (cinco) anos, vale dizer, de 12/2003 a 05/2008. Registrese ainda, que tal folha de pagamento, em que pese incluírem aquele trabalhador, não discriminavam os valores de sua remuneração, além de conter a incomum expressão "Folha Confidencial Diretoria". E mais, esta última não teria sido sequer apresentada à Fiscalização. Quanto à alegação de que receberia salário pela cedente Recofarma, a qual arcaria, em função disso, com os encargos trabalhistas e previdenciários, vale destacar que, conforme atestado pelo Fisco, aquele trabalhador teria sido declarado nas GFIP da Recofarma apenas nos meses de 12/2005 e 13/2005, o que conduz à conclusão de que as contribuições incidentes sobre sua remuneração alegadamente lá percebida não teriam sido por ela recolhidas com relação aos demais períodos da autuação. Na sequência, quanto à motivação atinente a questões de hierarquia no trabalho, passo a colacionar a oportuna observação promovida pela DRJ, nos seguintes termos: ] Postos então os fatos, penso pairar sobre o caso uma robusta presunção de que a autuada arcara, de fato, com o ônus da remuneração daquele Diretor Administrativo Financeiro, o qual, repitase, a ela prestara serviços e figurara em sua folha de pagamento por quase 5 (cinco) anos. Forte nas razões acima, VOTO por, nesse ponto, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 580DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.720888/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
O ágio na aquisição de participações societárias é amortizável, quando comprovado o pagamento efetivo do valor negociado e a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, havendo os demais pressupostos normativos para dedutibilidade fiscal.
EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE.
As despesas com juros e variação cambial, oriundos de empréstimo em moeda estrangeira, são dedutíveis, quando necessários e usuais às atividades da tomadora.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Em se tratando dos mesmos fatos constitutivos do lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, aplica-se no mérito idêntica razão de decidir para a exigência reflexa da contribuição social.
Numero da decisão: 1201-002.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o relator pelas conclusões.Vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o relator pelas conclusões.Vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. O ágio na aquisição de participações societárias é amortizável, quando comprovado o pagamento efetivo do valor negociado e a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, havendo os demais pressupostos normativos para dedutibilidade fiscal. EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. As despesas com juros e variação cambial, oriundos de empréstimo em moeda estrangeira, são dedutíveis, quando necessários e usuais às atividades da tomadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando dos mesmos fatos constitutivos do lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, aplicase no mérito idêntica razão de decidir para a exigência reflexa da contribuição social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o relator pelas conclusões.Vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 08 88 /2 01 2- 41 Fl. 1827DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Tratase de lançamento de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), anoscalendário de 2008 a 2010, compreendendo as infrações abaixo resumidas: 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Valores equivalentes a 48,53% do montante dos juros contabilizados sobre o empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) indevidamente deduzidos como despesas operacionais nas seguintes contas: 302080201 para 2008 7550, para 2009 e, 61210103 para 2010, conforme demonstrado no “Termo de Verificação Fiscal” em anexo, notadamente o tópico 9.3. 0002 AMORTIZAÇÃO VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS – ÁGIO Valores relativos ao ágio excluídos indevidamente na apuração do Lucro Real dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, conforme demonstrado no “Termo de Verificação Fiscal” em anexo. 0003 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS VARIAÇÃO CAMBIAL Valores referentes a variação cambial regime caixa excluídos indevidamente na apuração do Lucro Real dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, conforme demonstrado no “Termo de Verificação Fiscal” em anexo, notadamente o tópico 9.3. A imposição do mencionado Auto de Infração reduziu o saldo acumulado de prejuízo fiscal e base negativa em R$ 15.491.386,77 (anocalendário: 2008), R$ 23.571.188,47 (anocalendário: 2009) e R$ 30.426.732,56 (anocalendário: 2010), sendo assim, não sobrevindo a exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com acréscimo de juros e multa de ofício. Contudo, ainda que não identificada a ausência de pagamento de qualquer exação, a acusação fiscal interpretou que a conduta era típica da hipótese de multa de ofício qualificada, formalizando a Representação Fiscal para Fins Penais (processo administrativo nº 13161.720889/201296). Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.026 3 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por unanimidade, julgou improcedente a impugnação administrativa da contribuinte, como se infere da ementa do acórdão nº 0431.313: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AMORTIZAÇÃO. A amortização de ágio na aquisição de participações societárias não é cabível em casos de planejamento tributário com a utilização de mecanismos tendentes a evitar o conhecimento do fisco relativamente à natureza ou circunstâncias materiais e às reais características essenciais do fato gerador. EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. As despesas com juros e variação cambial decorrentes de empréstimo em moeda estrangeira só são dedutíveis se este é necessário e usual às atividades da tomadora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. Impugnação Improcedente. Outros Valores Controlados Em Recurso Voluntário, extraise a narrativa dos principais fatos sobre a controvertida aquisição de participação societária: A Recorrente (“Usina Eldorado”) é uma, dentre outras pessoas jurídicas, controladas pela ETH Participações S.A. (“ETH”), holding das empresas produtoras de etanol, energia elétrica e açúcar, controlada pela Odebrecht S.A.. Até o início de 2008, as ações representativas do capital da Recorrente eram de propriedade dos senhores Marcelo Maçães Coutinho, Luis Ricardo Maçães Coutinho e Bruno Coutinho Gonçalves Fernandes e da Companhia Eldorado de Agronegócios, por eles controlada (conjuntamente denominados “FAMÍLIA COUTINHO”). À época, ETH já havia constituído a Fl. 1829DF CARF MF 4 sociedade empresária NOVA BOIPEBA, com o objetivo angariar os recursos necessários, centralizar as negociações e tomar todas as medidas necessárias com o propósito de adquirir a participação societária na Recorrente. A FAMÍLIA COUTINHO, de sua parte, concordava em transmitir as ações da Recorrente à NOVA BOIPEBA, desde que por meio da permuta dos seus papéis por participação em outra empresa, sem que houvesse torna de recursos. Diante disso, a ETH, que, na mesma data de formação da NOVA BOIPEBA, havia constituído também outra sociedade – a Nova Mucuri Participações S.A. (“NOVA MUCURI”) –, capitalizou a NOVA BOIPEBA com parte dos recursos necessários para que esta, juntamente com os valores que captasse, aumentasse o capital de NOVA MUCURI no montante suficiente para viabilizar a permuta de ações. Nessa medida, os fatos que se sucederam até que houvesse a transferência da integralidade das ações da Recorrente detidas pela FAMÍLIA COUTINHO e ulterior incorporação de NOVA BOIPEBA podem ser assim resumidos: 27.02.08: Constituição de NOVA BOIPEBA e NOVA MUCURI, ambas de propriedade de ETH. 09.03.08: Subscrição de aumento de capital de NOVA BOIPEBA, pela ETH, com a previsão de aporte de R$ 150.000.000,00. 10.03.08: Subscrição de capital de NOVA MUCURI, pela NOVA BOIPEBA, com a previsão de aporte de R$ 234.539.000,00. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 150.000.000,00, pela ETH à NOVA BOIPEBA, a título de integralização de capital. 12.03.08: NOVA BOIPEBA contrai empréstimo, na modalidade de repasse de recursos captados no exterior, mediante a assinatura de Cédula de Crédito Bancário, com o Banco ABN Amro Real S.A.. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 234.539.000,00 pela NOVA BOIPEBA à NOVA MUCURI, a título de integralização de capital. 18.03.08: Subscrição de “Contrato de Permuta e Outras Avenças” entre, de um lado, ETH e NOVA BOIPEBA e, de outro, FAMÍLIA COUTINHO. Na mesma data, são formalizadas as transferências das ações de NOVA MUCURI à FAMÍLIA COUTINHO e das ações da Recorrente para ETH e NOVA BOIPEBA. 30.04.08: Uma vez concretizado o negócio para o qual havia sido constituída, NOVA BOIPEBA foi incorporada por sua controlada (ora Recorrente). Como o preço da permuta foi superior ao valor de patrimônio líquido contábil da Recorrente, NOVA BOIPEBA registrou a diferença a maior no seu custo de aquisição como ágio por expectativa de rentabilidade futura, na forma do artigo 385 do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento do Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.027 5 Imposto de Renda – “RIR/99”), com fundamento em estudo econômico elaborado à época da transação. Em decorrência da última operação societária acima apontada, a Recorrente, na condição de sucessora por incorporação, passou a amortizar o ativo diferido formado pelo montante até então registrado a título de ágio, à razão de 1/60 avos ao mês, com fundamento nos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97 (art. 386 do RIR/99 e art. 75 da Instrução Normativa – IN n. 390/04), regulamentados pela IN n. 11/99. Pelo mesmo motivo, passou a apropriar no seu resultado as despesas com juros e variação cambial, oriundos do empréstimo originário do repasse de recursos captados no exterior, o que tem fundamento nos artigos 377 e 378 do RIR/99 e nos artigos 18, 73 e 74 da IN n. 390/04. (fls. 1278 a 1279) O Termo de Verificação Fiscal (TVF) interpretou que os negócios jurídicos acima se materializaram com abuso de direito, substituindo a compra e venda direta da participação societária na Recorrente pela ETH Participações S.A. (“ETH”), proporcionando vantagem tributária indevida com a ulterior dedutibilidade do ágio e das despesas financeiras: A aquisição pela ETH das participações societárias na Usina Eldorado resultou na geração do ágio no montante de R$ 159.151.115,17 (cento e cinquenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, cento e quinze reais e dezessete centavos) fruto da aplicação de métodos e critérios legais e contábeis. Como vimos, a fiscalização não questiona se houve ou não o pagamento pela aquisição das participações. O que não pode ser aceito é o ágio pertencente ao investidor ETH, que é o verdadeiro titular, ter sido transferido por intermédio de uma engenharia de fatos societários que só existiram no papel para a Usina, que é a investida. A Usina é uma empresa operacional e com potencial para aproveitálo, porém, este ágio não lhe pertence. Outro fato, que do mesmo modo não pode ser aceito, são os custos financeiros decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) realizados inicialmente em nome da Nova Boipeba e, transferidos para a Usina quando da incorporação às avessas. O empréstimo foi contraído com o objetivo de realizar o pagamento da aquisição da Usina – fato inquestionável. Ocorre que, os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Se a investidora ETH buscou capital junto a instituições financeiras para realizar a aquisição, cabe a ela arcar com os ônus decorrentes do empréstimo. Esses custos jamais poderiam ser artificialmente transferidos para a própria investida para serem por ela suportados, são despesas financeiras que não lhe pertencem. Para rememorar, cabe aqui um breve resumo dos principais fatos que justificam a autuação fiscal: Fl. 1831DF CARF MF 6 Criação da Nova Mucuri e Nova Boipeva na mesma data, com diferença de 30 minutos, com sede no mesmo endereço, com os mesmos acionistas, com o mesmo capital social e estatuto, de duração efêmera e usadas como empresas veículos ou de passagem; Nova Boipeba nunca captou recursos de outros grupos econômicos, não se comportou como holding, o empréstimo realizado em seu nome foi feito pela Odebrecht; Os históricos contábeis dos lançamentos que registram a subscrição das ações da Nova Mucuri pela Nova Boipeba indicam “Aquisição Eldorado”, denunciam a verdadeira intenção da transferência; O único patrimônio da Nova Mucuri são os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real utilizados para realizar o pagamento pela aquisição; A Celebração do contrato denominado de “Permuta e Outras Avenças” divorciado da verdadeira realidade dos fatos. As diversas justificativas traçadas no “Protocolo de Incorporação e Justificação” foram uma a uma desmontadas pela fiscalização; O resultado final produzido pela sucessão de todos esses atos societários não alteram o resultado final. A ETH Participações sempre foi e continua sendo a verdadeira adquirente e proprietária da Usina; As Atas da Assembléia Geral Extraordinária assinadas em 30/04/2008 em São Paulo/SP e ao mesmo tempo em Rio Brilhante/MS, ambas secretariadas pelo Sr. Luciano Dequech, demonstram sua artificialidade; A criação da Nova Boipeba e Nova Mucuri e os atos societários praticados decorrentes de sua criação, não tiveram qualquer propósito negocial, não há qualquer substância econômica que possa ser extraída; O “nexo causal” está perfeitamente caracterizado: a operação real de compra e venda de ações com ágio, transformada artificialmente em operação de permuta com incorporação às avessas, com a finalidade de deduzir como despesa o ágio gerado pela aquisição de suas próprias ações e transferir os custos financeiros do empréstimo de US$ 100.000.000,00 que deveriam ser suportados pelos verdadeiros investidores (Grupo ETH) e, O princípio da verdade material que determina que a Autoridade Fiscal deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Considerando os fatos relatados os trabalhos fiscais concluíram por: não considerar como despesas dedutíveis o ágio aproveitado pela contribuinte nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 e, não considerar os custos financeiros contabilizados como despesas financeiras decorrentes do empréstimo de US$ Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.028 7 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) contraídos junto ao ABN Amro Real S/A em nome da Nova Boipeba pela Odebrecht. (...) Em 12/03/2008 a Nova Boipeba Participações S/A, com garantias prestadas pela Odebrecht S.A., contraiu financiamento bancário junto ao Banco Real/ABN Amro Bank no valor de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) equivalente a R$ 169.080.000,00 (cento e sessenta e nove milhões e oitenta mil reais), conforme lançamento na conta 2.1.1.2.01.07. Em 30/04/2008, nesta mesma conta, em processo de incorporação, a obrigação foi transferida para a Usina Eldorado S.A.. Revelamse como indedutíveis na base de cálculo do IRPJ e CSLL os encargos financeiros decorrentes de parte do empréstimo contraído para adquirir a participação acionária na própria Usina Eldorado S.A. Foi usado na aquisição da Eldorado o valor de R$ 82.539.000,00 (oitenta e dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil reais) que corresponde a 48,53% do empréstimo e transferido o valor de R$ 87.535.915,33 (oitenta e sete milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, novecentos e quinze reais e trinta e três centavos) que corresponde a 51,47%. Devem ser glosados os valores dos juros deduzidos indevidamente (48,53%), bem como ajustada a variação cambial no Lalur (regime caixa), pelo percentual do valor efetivamente transferido (51,47%). Assim, as despesas de juros e variação cambial (caixa) decorrentes do valor que foi utilizado na aquisição das ações da própria Usina Eldorado S.A., não cumprem os requisitos de dedutibilidade do artigo 299 do RIR/99, sendo, portanto, consideradas despesas desnecessárias. Os juros sobre o financiamento foram lançados nas contas: 302080201 – Juros s/Empréstimos e Financiamentos no ano calendário 2008; 7550 – Juros sobre Empréstimos e Financiamentos no anocalendário 2009 e 6.2.1.01.03 – Juros s/Financiamento no anocalendário de 2010. Conforme planilhas anexas, fizemos o rateio efetuado a glosa dos valores considerados como despesas desnecessárias que correspondem a 48,53%, valor utilizado na aquisição da própria Usina Eldorado S.A.. (fls. 1137 a 1139) Em 08 de maio de 2013 (fl. 1.276), a contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, sendo intimada do acórdão recorrido em 23 de abril de 2013 (fl. 1.252). Por sua vez, a Fazenda Nacional protocolou seus Memoriais (fls. 1.363 a 1.390), ratificando o Termo de Verificação Fiscal e contraditando os argumentos da Recorrente. Em 03 de fevereiro de 2015, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, por maioria, proferiu a Resolução nº 1101000.146, convertendo o julgamento do recurso em diligência para a seguinte finalidade: Fl. 1833DF CARF MF 8 De outro lado, subsidiariamente, a recorrente acrescenta que ETH foi extinta em 2009, mediante cisão, por meio da qual parte do seu acervo foi incorporada na Recorrente (docs. J.). Referido documento evidencia que o investimento detido por ETH Participações S/A foi vertido para a autuada, apurandose a diferença de R$ 681,41 correspondente a ágio por rentabilidade futura, a ser registrado no ativo intangível da autuada, e isto porque a participação societária na investida estava registrada em ETH Participações S/A no valor de R$ 106.135.964,10, justamente por desconsiderar a aquisição paga com parte do empréstimo que foi deslocado para contratação por Nova Boipeba Participações S/A, com os efeitos antes expostos (fls. 1332/1345). Em tais condições, como antes dito, a extinção do investimento mantido pela adquirente na adquirida implementaria o requisito legal para dedução fiscal do ágio pago na sua aquisição. Por sua vez, como a autuada passaria a ser sucessora da cindida, a partir daquele momento figuraria como efetiva devedora da totalidade do empréstimo a ser pago. Tratase, portanto, de fato relevante para a solução do litígio, mas que demanda sua confirmação e complementação. Por tais razões, necessária se faz a CONVERSÃO do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal do domicílio do sujeito passivo: · Confirme a cisão noticiada nos documentos juntados às fls. 1332/1345, juntando aos autos os atos correspondentes e a evolução contábil do investimento mantido por ETH Participações S/A na autuada nos períodos fiscalizados; · Informe os registros contábeis promovidos por ETH Participações S/A e a autuada por ocasião da cisão; e · Demonstre a evolução do empréstimo originalmente contraído por Nova Boipeba Participações S/A e posteriormente sucedido pela autuada, detalhando seus pagamentos e juros incorridos desde sua contratação até o último período autuado. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (fls. 1.442 e 1.443). Finalizada a diligência solicitada pela Resolução nº 1101000.146 (fls. 1.411 a 1.443), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS exarou a respectiva Informação Fiscal (fls. 1.623 a 1.797). Em 04 de maio de 2016, a Recorrente se manifestou sobre essa Informação Fiscal (fls. 1.800 a 1.802). Considerando a extinção da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, mediante novo sorteio, fui designado relator. É o relatório. Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.029 9 Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, relevante a Informação Fiscal, elaborada em atendimento à Resolução nº 1101000.146, noticiando fatos que influenciam no julgamento do presente recurso, como a seguir transcrevo: Fl. 1835DF CARF MF 10 Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.030 11 Fl. 1837DF CARF MF 12 Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.031 13 Fl. 1839DF CARF MF 14 A redatora designada daquela Resolução nº 1101000.146, conselheira, Edeli Pereira Bessa, evidenciava sua discordância quanto à dedutibilidade do ágio e das despesas financeiras, porém, quando justificou a pertinência da citada diligência, explanou que "a recorrente acrescenta que ETH foi extinta em 2009, mediante cisão, por meio da qual parte do seu acervo foi incorporada na Recorrente (docs. J.). Referido documento evidencia que o investimento detido por ETH Participações S/A foi vertido para a autuada, apurandose a diferença de R$ 681,41 correspondente a ágio por rentabilidade futura, a ser registrado no ativo intangível da autuada, e isto porque a participação societária na investida estava registrada em ETH Participações S/A no valor de R$ 106.135.964,10, justamente por desconsiderar a aquisição paga com parte do empréstimo que foi deslocado para contratação por Nova Boipeba Participações S/A, com os efeitos antes expostos." Em seguida, conclui tal redatora, "como antes dito, a extinção do investimento mantido pela adquirente na adquirida implementaria o requisito legal para dedução fiscal do ágio pago na sua aquisição. Por sua Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.032 15 vez, como a autuada passaria a ser sucessora da cindida, a partir daquele momento figuraria como efetiva devedora da totalidade do empréstimo a ser pago." Uma vez cientificada da Informação Fiscal com a conclusão da diligência, a Recorrente se manifestou nos seguintes termos: O processo em referência tem origem em autuações de IRPJ e CSLL relativas aos anos de 2008 a 2010 calcadas nas glosas de: (1) amortização de ágio originário da aquisição do investimento na ora Requerente pela NOVA BOIPEBA e (2) juros e variação cambial incorridos em empréstimo tomado pela NOVA BOIPEBA, por ser necessário à aquisição do investimento na Requerente. (...) O objetivo da diligência é atestar se, documentalmente, procedem as alegações da Requerente no sentido de que mesmo que admitida como correta a premissa fiscal isto é, a incorporação de NOVA BOIPEBA pela Requerente possibilitou a indevida transferência do ágio da ETH Participações S/A, real adquirente, para a adquirida sem a unificação dos seus patrimônios , ainda assim as autuações devem ser tidas por improcedentes. O raciocínio da Requerente, conforme consta das suas manifestações, foi calcado no fato de que a ETH Participações S/A foi extinta em 2009, tendo ocorrido versão de parte de seu patrimônio para a Recorrente, sem que tenha havido registro em duplicidade do ágio na operação (tanto do investimento detido por ETH Participações S/A, quanto daquele que foi adquirido por NOVA BOIPEBA). Nesse sentido, a fim de realizar o trabalho determinado pelo Tribunal, a unidade de origem formulou quatros requerimentos de documentos, por meio do Termo de Intimação Fiscal NR.001, devidamente atendido pele Requerente mediante a apresentação de petição em 09.10.2015. Após o exame da documentação obtida, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal ora avaliada, que comprova as alegações da Recorrente, de modo a demonstrar a improcedência das autuações fiscais. Vejase: 1. Consta das páginas 1 e 2 da Informação Fiscal de que, em 27.07.2009, a ETH Participações foi extinta e teve parte do seu acervo incorporado na ora Requerente (Usina Eldorado), passando as suas ações a serem detidas pela ETH Bioenergia. Portanto, nesse ponto, a diligência confirmou exatamente aquilo que já havia aduzido a Requerente. 2. Na sequência, a Informação Fiscal passa a tratar da evolução contábil do investimento. Nesse ponto, após descrever diferentes dados da evolução patrimonial e contábil da Requerente, a Fiscalização destacou que não teria sido apresentado na diligência o balanço patrimonial encerrado em 31.07.2009, nem Fl. 1841DF CARF MF 16 a demonstração de resultado de exercício de 01.01.2009 a 31.07.2009 A assunção, porém, não procede. As demonstrações financeiras preparadas para fins da cisão da ETH Participações o que inclui o balanço patrimonial e a demonstração de resultado do exercício acompanharam os respectivos atos societários. Os documentos contábeis são datados de 30.06.2009, para o que não há qualquer ilegalidade, na medida em que a legislação faculta o uso de balanço e demonstração de resultado de até 30 dias antes do evento societário, tal como se deu no caso concreto (evento societário de 27.07 e documentos contábeis de 30.06). Os eventuais reflexos patrimoniais posteriores à elaboração dos documentos societários deveriam ser refletidos nas sucessoras, na proporção de suas participações nos patrimônios transmitidos, conforme consta dos atos societários. Dessa forma, nada impedia que a Fiscalização examinasse o balanço patrimonial e a demonstração de resultado vinculados à operação societária. 3. Ainda no que respeita aos dados contábeis, igualmente improcedente é a afirmação de que o investimento da ETH Bioenergia na Requerente escriturado na conta de investimento (1.3.1.1.01.09) era R$ 120.184.927,52, enquanto o valor correto seria R$ 104.956.756,33 (página 4 da Informação Fiscal). A assunção está equivocada. Na época do evento societário, o investimento tinha o valor de R$ 120.184.927,52. Não há divergência. Apenas posteriormente, ao fim de 2009, é que foi reduzido para R$ 104.956.756,33. 4. Por fim, cumpre tratar da improcedente, impertinente e descabida nota 5, objeto do item 3.4., da Informação Fiscal, a qual trata da apropriação dos juros e do empréstimo no qual a Requerente sucedeu as empresas extintas (página 8). Por meio dela, foi afirmado que: “(...) a fiscalização quando da autuação entendeu que houve a continuidade do empréstimo original, não havendo, na prática, qualquer liquidação apenas a troca de papéis e de instituição financeira, por consequência, manteve a glosa de parte dos encargos financeiros até 31.12.2010. Lembramos que a autuada em nenhum momento contestou tal fato, restando preclusa a discussão”. A ilação feita não só é improcedente, como também impertinente e incabível, devendo ser rechaçada porque: 4.1. A peça fiscal não afirma que os juros seriam indedutíveis em razão de ter havido a continuidade da operação de financiamento original. A acusação é de que quem a teria contraído teria sido ETH e, nessa medida, seria vedado à Requerente (Eldorado) vir a registrálo. Vejase: “Ocorre que, os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Se a investidora ETH buscou capital junto a instituições financeiras para realizar a aquisição, cabe a ela arcar com os ônus decorrentes do empréstimo. Esses custos jamais poderiam ser artificialmente transferidos para a própria investida para serem por ela suportados, são despesas financeiras que não lhe pertencem” (Página 13 do Termo de Verificação Fiscal). Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.033 17 Tanto é certo que essa era a acusação fiscal, que as autoridades julgadoras jamais cogitaram de preclusão na contestação dos lançamentos ou mesmo de ausência de ataque das razões dos autos de infração pela Requerente. 4.2. Independentemente do exposto acima, qualquer que tenha sido a acusação fiscal, é certo que não cabe à unidade de origem, por lhe faltar competência legal, afirmar que dada matéria é ou não preclusa. A conduta representa indevida intromissão na seara reservada à DRJ e ao CARF, aos quais o Decreto 70.235, de 1972, atribui competência exclusiva para decidir sobre litígios na esfera administrativa. Desse modo, deve ser descartada a observação feita, por não ter qualquer base a assunção fiscal. 4.3. Por fim, no mérito, a alegação da Fiscalização também se mostra indevida. Isso porque, se houve a troca de uma operação financeira por outra, com a substituição do agente financeiro de uma para outra, é fora de dúvida que o primeiro negócio foi extinto e substituído pelo segundo. Logo, não houve uma continuidade do empréstimo original, como quer fazer crer a inovadora alegação da unidade de origem. Prova irrefutável do seu desacerto são as palavras da Resolução 1101000.146 ao solicitar informações sobre “a evolução do empréstimo originalmente contraído por Nova Boipeba Participações S/A e posteriormente sucedido pela autuada, detalhando seus pagamentos e juros incorridos desde sua contratação até o último período autuado”. Em conclusão, à vista de todo o exposto, verificase que o material acostado aos autos ao longo do processo serve de sustentação aos argumentos aduzidos pela Requerente em impugnação e em recurso voluntário. Por esses motivos, reitera se o pedido feito a partir das peças anteriormente mencionadas pelas razões nelas descritas, que, se requer, sejam aqui consideradas como se integralmente reproduzidas, a fim de ser reconhecida a improcedência integral das autuações em exame. Em Memoriais, a Fazenda Nacional reafirma a exigência fiscal, alegando a impossibilidade da amortização do ágio, eis que faltava propósito negocialeconômico, havendo planejamento abusivo mediante uma empresa veículo. Destacase: Um breve histórico das operações societárias levadas a termo pela Contribuinte fazse necessário para a compreensão da matéria. Entretanto, é preciso ter em mente, ao analisar tais operações, que a vontade real subjacente, a despeito da via trilhada, foi a compra da Usina Eldorado S.A. (de propriedade da Família Coutinho) pela ETH Participações. Ocorre, que, ao invés da realização de uma aquisição direta, foi adotada a via do artificialismo, trilhada com o exclusivo propósito de economia tributária, através da geração de ágio fictício. Com efeito, após uma sucessiva e concatenada estruturação societária, por vias oblíquas, o Grupo ETH adquiriu a Usina Eldorado S.A. Fl. 1843DF CARF MF 18 Para entendermos a situação fática, valemonos de histórico sintético constante do Termo de Verificação Fiscal para afirmar que, em 27/02/2008, empresas do Grupo ETH constituíram a sociedade Nova Boipeba Participações S.A., com capital social de R$ 1000,00. É importante destacar as seguintes constatações da Fiscalização (fls. 08 do TVF) sobre esta empresa: a Nova Boipeba Participações S.A “não possui sede social e corpo administrativo, não é operacional e não desenvolve qualquer atividade, está constituída a (sic) apenas dois meses” das operações que originaram o ágio. Em 10/03/2008, a irmã gêmea da Nova Boipeba, a empresa Nova Mucuri Participações S.A, aumenta seu capital social de R$ 1.000,00 para R$ 232.540.000,00, sendo este totalmente subscrito por Nova Boipeba Participações S.A, coincidentemente o mesmo valor a ser pago pela compra da Usina Eldorado S.A. pelo Grupo ETH. Ante a incapacidade financeira da recémconstituída Nova Boipeba Participações S.A em suportar o aumento de capital por ela subscrito na Nova Mucuri, a ETH Participações S.A. transfere R$ 150.000.000,00 para a Nova Boipeba Participações S.A. em 12/03/2008. Essa transferência entre ETH e Nova Boipeba se dá a título de aumento de capital, cuja ata é de 09/03/2008. O restante dos recursos financeiros para honrar o aumento de capital da Nova Mucuri são oriundos de empréstimo tomado em nome da Nova Boipeba Participações S.A. pela Odebrecht S.A. (...) Notem que o próprio lançamento contábil de 12/03/2008 já admite expressamente a real intenção das transferências (AQUISIÇÃO ELDORADO), e não qualquer propósito econômiconegocial outro senão o atalho para o aproveitamento de ágio. Feitas tais transferências financeiras e registrado o respectivo lançamento contábil, temos que a Nova Boipeba Participações S.A. detém as ações da Nova Mucuri Participações S.A, e esta, por sua vez, tem como seu único patrimônio os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real S.A. Em 18/03/2008, as partes vendedora (Família Coutinho) e compradora (ETH Participações) celebram “Contrato de Permuta e Outras Avenças”, no qual a Família Coutinho permuta (vende, em verdade) sua participação societária na Usina Eldorado para o Grupo ETH, via Nova Boipeba Participações S.A., se apropriando do único bem existente na Nova Mucuri Participações S.A (os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real S.A.). Essa suposta operação de permuta é que teria dado origem ao ágio escriturado na Nova Boipeba Participações S.A., fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da Usina Eldorado S.A. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.034 19 A engenharia societária orquestrada desde o início para o aproveitamento do ágio gerado tem seu desfecho com a incorporação da Nova Boipeba Participações S.A. pela Usina Eldorado S.A, em 30/04/2008. A partir de então, a incorporadora passou a amortizar o ágio lançado quando da aquisição do investimento (“permuta” entre Família Coutinho e ETH, envolvendo ações da Nova Mucuri e ações da Nova Boipeba). (fls. 1.366 a 1.368) O ágio provém da expectativa de rentabilidade futura (artigo 385, § 2º, inciso II, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999), demonstrada por laudo específico (fls. 225 a 240), quando da sucessão por incorporação da Nova Boipeba S.A. pela Usina Eldorado S.A., ora Recorrente, com expressa previsão normativa sobre sua amortização na apuração do lucro real, segundo o artigo 386, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (grifei) O pagamento do ágio proporciona sua amortização com lucros futuros, como leciona Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Gelbcke1: "O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deverá ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados e que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas." Não há divergência sobre a possibilidade de dedução do ágio, quando constituído pela expectativa de rentabilidade futura, mas, sim, se na hipótese dos autos existiu artificialidade na reorganização societária, com fim específico de auferir redução tributária indevida. 1 (15) IUDICIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995, p. 270 Fl. 1845DF CARF MF 20 A Fazenda Nacional prossegue em seus Memoriais (fls. 1.369 e 1.370) sustentando que "a empresa ETH Participações S.A, quem realmente efetivou o investimento, não deixou de existir nem perdeu seus investimentos na fiscalizada Usina Eldorado S.A.". E, complementa, que "constatou a Fiscalização, a Nova Boipeba Participações S.A. se prestou como mero veículo para geração aproveitamento de ágio pela Usina Eldorado S.A. Dessa forma, requisito legal específico, constante da legislação aplicável à matéria, não foi cumprido, qual seja: a absorção do patrimônio da empresa que de fato realizou o investimento. Neste caso, a absorção do patrimônio foi da empresa veículo (Nova Boipeba Participações S.A.), e não da ETH Participações S.A Somente se tivesse havido a incorporação da ETH Participações S.A pela Usina Eldorado é que o requisito legal (absorção de patrimônio) teria sido obedecido." Divirjo o posicionamento da Fazenda Nacional, principalmente, diante da Informação Fiscal, concluindo a diligência pela extinção da ETH Participações S.A. em 27 de julho de 2009, com seu acervo incorporado pela Usina Eldorado S.A., assim sendo, transferindo o controle societário à ETH Bioenergia S.A2. Concordando com a assertiva da Recorrente, opino pela improcedência do lançamento de ofício, sobretudo, identificando a substância da aquisição de participação societária com (i) Pagamento efetivo do valor negociado; (ii) Confusão patrimonial entre a investidora e a investida e; (iii) Propósito econômico. Consequentemente, dedutíveis as despesas financeiras, incluindo juros e variação cambial de empréstimo contratado no exterior. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira (fls. 225 a 240) não pressupõe qualquer formalidade especial, sendo necessário sua contemporaneidade aos fatos, como in casu, explicitando o motivo que justificava o pagamento superior ao valor patrimonial, que propiciou o ágio. Inobstante, o negócio jurídico indireto, havido pela interposição de empresa veículo, isoladamente, não comprova a evasão fiscal. Nesse sentido, citase a ementa do acórdão nº 1102001.182, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado na mais valia do ativo ou em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes. Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico “transfira” o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se para isso se utilizar de empresa veículo. Do mesmo modo que é necessário frear os planejamentos que criem benefícios fiscais aos quais o contribuinte não faça jus, não se deve permitir que um formalismo exacerbado impeça o uso de direito legitimamente adquirido. ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. 2 Informação Fiscal, páginas 1 e 2. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.035 21 A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Contudo, não é possível se admitir que laudo elaborado mais de um ano após os fatos, sem qualquer suporte em documentos contemporâneos à aquisição de terceiros, sirva para fundamentar o ágio em uma das modalidades que permitam o benefício fiscal. O interesse pela reorganização societária como menor incidência ou com benefício tributário não é vedado pela legislação, ao contrário, o artigo 2º da Lei nº 6.404/1976 preconiza que "A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais." A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, quando proferiu o acórdão nº 1402 001.341, relatado pelo conselheiro, Antônio José Praga, entendeu "que constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios." Outrossim, quanto ao planejamento tributário e seu propósito, interessante o ensinamento do conselheiro, Marcelo Cuba Netto, relator do acórdão nº 1201001.267: "(...)Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos." De acordo com Ricardo Lodi Ribeiro, "o planejamento fiscal é uma conduta inerente ao desenvolvimento regular das atividades das empresas, assegurado constitucionalmente pelo princípio da livre iniciativa (artigo 170, CF). Porém, o abuso no exercício dessa liberdade, a partir de um planejamento tributário que se afaste dos princípios mais caros à nossa ordem constitucional, é combatido por mecanismos introduzidos no direito positivo, como as cláusulas antielisivas. No entanto, a ponderação entre a liberdade de planejar as atividades econômicas e as pautas valorativas baseadas na Justiça Fiscal oferece um modelo em que o combate ao planejamento fiscal é condicionado aos certos requisitos, que devem estar conjuntamente presentes: · prática de um ato jurídico, ou um conjunto deles, cuja forma escolhida não se adequa à finalidade da norma que o ampara, ou à vontade e aos efeitos dos atos praticados pelo contribuinte; Fl. 1847DF CARF MF 22 · intenção, única ou preponderante, de eliminar ou reduzir o montante de tributo devido; · identidade ou semelhança de efeitos econômicos entre os atos praticados e o fato gerador do tributo; · proteção, ainda que sob o aspecto formal, do ordenamento jurídico à forma escolhida pelo contribuinte para elidir o tributo; · forma que represente uma economia fiscal em relação ao ato previsto em lei como hipótese de incidência tributária. "3 Ricardo Mariz de Oliveira distingue que “É essencial compreender que o negócio indireto diferenciase da simulação porque nesta há desconformidade entre o desejado e o praticado, o que obriga as partes a realizar atos paralelos ocultos de desfazimento ou neutralização dos efeitos do praticado ostensivamente, ao passo que no negócio indireto as partes desejam e mantêm o ato praticado e se submetem por inteiro ao seu regime jurídico e a todas as suas consequências.” 4. Paulo Ayres Barreto, dissertando sobre "a efetiva e real intenção do contribuinte que pratica certos atos que geram economia fiscal ou redução dos tributos devidos", ressalta que "Se os seus atos tiveram motivações outras, e não as de natureza tributária, a operação se legitima. Na hipótese contrária, ou seja, se restar comprovado que o único propósito de seus atos foi alcançar um ganho fiscal ou a redução de tributos, os efeitos desta natureza não se legitimam." 5 Em síntese, compartilho do mesmo entendimento do acórdão nº 1201 001.554, desta 1ª Turma Ordinária, prolatado sob a relatoria do conselheiro, Luis Fabiano Alves Penteado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Uma vez norteado o permissivo legal para a amortização do ágio contido no art. 7° da Lei 9532/97 ou art. 386 do RIR/99 e, de fato concretizada a confusão patrimonial que reúne as despesas de amortização fiscal do ágio e os lucros que motivaram o pagamento do ágio baseado em expectativa de 3 RIBEIRO, Ricardo Lodi. Justiça, Interpretação e Elisão Tributária. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003, p. 145 146. 4 Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto sobre a Renda, 11º Simpósio, IOB de Direito Tributário. 5 BARRETO, Paulos Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso à livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo: USP, 2008, p. 232233. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.036 23 rentabilidade futura, possibilitando o emparelhamento de receitas e despesas, tornase legal a amortização do ágio. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. Finalmente, ressalvase a certeza sobre a existência do empréstimo, posteriormente, liquidado. No entanto, presumiu a acusação fiscal que houve um continuidade do empréstimo original, diferente da sua extinção, como se constata da Informação Fiscal. Limitase a discordância à constituição de uma estrutura societária artificial com único propósito de obter vantagem tributária indevida. Novamente, meu convencimento é pela improcedência do Auto de Infração. O empréstimo foi, nitidamente, compatível com propósito da sociedade, configurando despesas operacionais "necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora", conforme o artigo 299 do Regulamento de Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Logo, insustentável a glosa das despesas com juros e variação cambial, provenientes da contratação de empréstimo em moeda estrangeira. O outrora relator, Benedicto Celso Benício Júnior, declarou seu voto antes da conversão julgamento em diligência pela Resolução nº 1101000.146, existindo minha concordância com seus termos e, sendo assim, reiteroo parcialmente: Fl. 1849DF CARF MF 24 Os lançamentos em apreço são manifestamente improcedentes. (...) Com efeito, entendo que o fato de o Grupo ETH ter constituído a Nova Boipeba com vistas a centralizar os esforços atinentes à aquisição das ações da ora Recorrente não encontra qualquer óbice na legislação de regência, sendo inquestionável que tal entidade não agiu enquanto agente meramente passivo durante todo o processo de aquisição. Deveras, é certo que foi a Nova Boipeba não foi capitalizada com cifras suficientes à aquisição da Recorrente, de modo que foi ela – a Nova Boipeba, e não a ETH Participações – que buscou no mercado financeiro empréstimo cujo montante extrapolava o investimento feito por sua controladora. O fato de que a Odebrecht S/A tenha constado como fiadora nesse negócio jurídico apenas revela o absurdo de uma das considerações tecidas pela r. autoridade fiscal: obviamente, a instituição financeira mutuante jamais permitiria que um determinado mutuário fosse fiador de si mesmo, de modo que é absolutamente despropositada a assertiva no sentido de que a Odebrecht, e não a Nova Boipeba – que figura como mutuária no contrato –, tenha entabulado a avença em análise. Salientese que, consoante organograma que repousa ao fólio n. 1220, por mais que a Odebrecht seja controladora da ETH Participações, é certo que uma terceira sociedade detinha 1/3 das ações dessa última companhia – participação essa bastante expressiva –, o que revela o desacerto nas equiparações entre a ETH Participações e a Odebrecht, fiadora do contrato. O pressuposto dos lançamentos em destaque consiste na afirmação da r. autoridade fiscal no sentido de que, se a ETH Participações tivesse adquirido as ações da Recorrente diretamente, o ágio em destaque não seria amortizável para fins fiscais. No modelo proposto pela autoridade fiscal, a participação societária adquirida com ágio permaneceria indefinidamente no Ativo da ETH Participações, sem que ocorressem quaisquer das hipóteses de reorganização societária a que alude o art. 386 do RIR/99 e, consequentemente, sem que a mais valia pudesse ser amortizada para fins da apuração do lucro real da investidora. A afirmação é hialinamente falaciosa. Com efeito, é certo que, se a ETH Participações tivesse adquirido as ações da Recorrente diretamente, ainda assim o ágio de que aqui se cuida existiria, uma vez que o preço ajustado com os antigos controladores da Usina extrapolava o valor do Patrimônio Líquido dessa. Nesse cenário – sendo certo que a mais valia em questão teve como fundamento a rentabilidade futura da Recorrente, o que jamais foi contestado pela r. autoridade fiscal –, é realmente jocosa a consideração da autoridade fiscal no sentido de que Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.037 25 jamais ocorreria a confusão entre investimento e investida que ensejasse a amortização fiscal da mais valia. De fato, pareceme insustentável qualquer consideração no sentido de que o administrador da ETH Participações, no quadro da compra direta das ações da Recorrente, devesse simplesmente manter o ativo diferido de que aqui se cuida inerte, sem que diligenciasse com vistas à sua amortização. Realmente, o ágio de que aqui se cuida é da ordem de R$ 159.151.115,17, valor que representava basicamente o DOBRO do Patrimônio Líquido da ora Recorrente ao tempo da aquisição da participação societária aqui discutida. Assim sendo, penso que se o administrador da ETH Participações – no cenário imaginado pela r. autoridade fiscal, qual seja, compra direta das ações da Usina Eldorado – não procedesse a um rearranjo societário com sua investida com vistas à amortização fiscal do ágio em análise, estaria ele agindo em franco descumprimento dos deveres de diligência ínsitos à sua posição, na esteira dos arts. 153 e 154 da Lei das S/A, que rezam, verbis: Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios. Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. Frisese que é a própria lei que estabelece que o ágio com lastro em rentabilidade futura pode ser amortizado fiscalmente SE, E SOMENTE SE, ocorrer uma das hipóteses a que se refere o art. 386 do RIR/99. Destarte, é óbvio que a boa gestão da ETH Participações envolveria inequivocamente a prática dos atos societários a que alude o citado dispositivo com vistas ao aproveitamento das vultosas cifras pagas aos antigos controladores que sobejavam o patrimônio líquido da investida. Ainda que não se considere que a norma que emerge da conjugação dos arts. 385 e 386 do RIR/99 efetivamente induza os agentes econômicos a materializarem os atos que ativam a fruição do “benefício fiscal” em referência, revelase desconectada de qualquer racionalidade econômica uma reconstrução de eventos que não encerre tais atos quando eles podem facilmente ser praticados e quando eles se constituem em condição ao gozo da benesse fiscal. Ou seja, na reconstrução dos negócios jurídicos empreendida, observase claramente que a r. autoridade autuante parou um passo antes do que ordinariamente seria de se esperar, e, ao que tudo indica, essa reconstrução parcial do que ocorreria Fl. 1851DF CARF MF 26 normalmente foi assim parcial apenas para que a autoridade fiscal atingisse o seu desiderato de provar que o ágio em destaque não seria amortizável. Caso a ETH Participações tivesse adquirido as ações da Recorrente e, posteriormente, tivesse procedido à cisão seguida de incorporação a que se referiu o contribuinte no excerto de seu Recurso Voluntário supratranscrito, é inegável que a amortização da mais valia ocorreria basicamente nos mesmos moldes daquela que teve lugar após a incorporação da Nova Boipeba pela ora Recorrente, o que revela que a conclusão a que chegou a r. autoridade fiscal é inconsistente com as próprias premissas que adota. (...) Importante salientar que, de acordo com informação trazida pelo sujeito passivo unicamente em seu Recurso Voluntário, a ETH Participações efetivamente foi extinta em 2009, através de cisão, sendo que essa fração do seu acervo foi incorporada na Recorrente. Essa alegação do contribuinte repousa à fl. 1290 dos autos, sendo que os documentos a comprovar o alegado constam das fls. 1311 e seguintes. Mister apontar, ademais, a completa infelicidade da r. decisão recorrida – da qual não se extrai nada de aproveitável – ao fazer as seguintes assertivas, litteris: Além das dificuldades operacionais apontadas, o ponto crucial é que, na aquisição da Usina Eldorado por ETH e posterior cisão parcial desta, a nova empresa, originada da cisão, não poderia amortizar o ágio, uma vez o destaque de o patrimônio ser o da já empresa adquirida. Além disso, ela não seria a adquirente original e, dessa forma, não poderia cogitar de ágio, uma vez não ter efetuado pagamento algum. (fl. 1246) Penso despiciendo tecer maiores considerações sobre a erronia das afirmações, sendo certo que o ágio deve acompanhar o investimento cuja aquisição determinou seu surgimento e que a assertiva de que o ágio não seria aproveitável pelo fato de a sociedade resultante não ter efetuado pagamento significaria, ao fim e ao cabo, a completa impossibilidade de amortização fiscal de ágio em se tratando de incorporação às avessas, o que obviamente fere de morte o texto de lei. Por todo o exposto, mostrase completamente descabida a glosa da amortização do ágio levada a efeito pela r. autoridade autuante, razão pela qual acolho o Recurso Voluntário para cancelar as exigências de que aqui se cuida. A mesma sorte devem ter as glosas dos juros e da variação cambial passiva atinentes à parcela do mútuo de US$ 100.000.000,00 que foi utilizada para a aquisição das ações da ora Recorrente. A glosa aqui discutida é maculada em sua essência. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.038 27 Com efeito, os valores objetos de glosa correspondem às despesas de juros e variação cambial passiva relacionados ao mútuo contraído pela Nova Boipeba de US$ 100.000.000,00; mais especificamente, a glosa recaiu sobre os juros e variação passiva correspondentes à fração do empréstimo (48,53%) que efetivamente foi utilizada na aquisição das ações da ora Recorrente. Já se disse nesse voto que o fato de a Odebrecht S/A – controladora indireta da ETH Participações – ter afiançado o empréstimo tomado pela Nova Boibepa não permite a ilação precipitada da r. autoridade fiscal no sentido de que a Odebrecht seria a verdadeira mutuária. Ora, a instituição financeira, obviamente após uma análise de crédito, houve por bem emprestar valores à entidade Nova Boipeba, sendo que o fato de a sua controladora indireta constar como garante dessa avença não é suficiente para que a personalidade jurídica do tomador seja desconsiderada, não dando o necessário suporte à especulação de que fiador e afiançado correspondam a uma única sociedade. Após a incorporação às avessas, a ora Recorrente naturalmente absorveu todo o patrimônio da Nova Boipeba, que foi extinta nesse mesmo ato societário, assumindo consequentemente todo o passivo da incorporada, que também era composto do mútuo em destaque. Assim sendo, tendo em vista que a Recorrente não contraiu pessoalmente a obrigação a que se ligam os juros e a variação cambial em destaque, é certo que o exame acerca da dedutibilidade dessas despesas apenas deve gravitar em torno da origem dessa obrigação, é dizer, devese perquirir se a despesa era dedutível na sucedida. De fato, observase que, in casu, a sucessora realmente teve que fazer face aos juros atinentes a mútuo que não contraiu, tratase de passivo formado por negócio jurídico entabulado pela sucedida. Se o negócio jurídico de que derivam os deveres de pagar juros foi firmado pela sucedida, pretender que sejam tais despesas necessárias, úteis ou usuais para a sucessora acaba por revelar critério absurdo e perverso, a sociedade resultante é assume o patrimônio da incorporada a título universal nos termos da lei. Uma breve incursão pela situação inversa – qual seja, se a sucessora tivesse assumido um mútuo ativo gerador de receitas financeiras – prestase a elucidar a questão. Poderia, nessa hipótese, a sociedade resultante simplesmente deixar computar tais juros ativos em seu resultado pelo simples fato de que não foi ela que firmou o negócio jurídico do empréstimo? A resposta é obviamente negativa, sendo certo que o sujeito passivo imaginado não poderia lançar mão desse Fl. 1853DF CARF MF 28 argumento para fulminar uma autuação por omissão de ditas receitas. In casu, o empréstimo foi inquestionavelmente necessário para o fiel cumprimento dos propósitos da Nova Boipeba, e não há dúvidas de que a própria autoridade autuante jamais questionou a imprescindibilidade desse financiamento para a consecução da aquisição da participação societária da ora Recorrente. Salientese que é completamente equivocada a afirmação de que os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Realmente, a ETH Participações não é nem mutuária e nem fiadora do empréstimo de que aqui se cuida, posições essas assumidas respectivamente pela Nova Boibepa – sucedida pela Recorrente – e pela Odebrecht S/A. Destarte, tendo em vista que indubitavelmente não participou dessa avença, não se consegue vislumbrar como poderia a ETH Participações responder, tributária ou civilmente, por tal negócio jurídico, o que apenas vem a corroborar o que restou dito nas linhas anteriores. (fls. 1.418 a 1.431) Isto posto, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO integral ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 1854DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.721045/2017-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2014
DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO
Cabe revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria.
DAS ÁREAS AMBIENTAIS
Lastreado em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural.
Numero da decisão: 2201-004.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2014 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO Cabe revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS Lastreado em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 10 45 /2 01 7- 71 Fl. 316DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 297/308, a qual julgou procedente a impugnação decorrente do lançamento de Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2013, acrescido de multa lançada e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda Santa Rita", cadastrado na RFB sob o nº 0.642.2926, com área declarada de 12.692,8ha, localizado no Município de João Pinheiro /MG. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 13.231.998,15 (treza milhões, duzentos e trinta e um mil, novecentos e noventa e oito reais e quinze centavos), já incluídos os juros e a multa. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR/2013 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 06113/00018/2016 de fls. 08/12, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado dentro de prazo legal junto ao IBAMA, nos termos do art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382/2002; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, detalhando a localização e a dimensão do imóvel e das áreas de preservação permanente declaradas, previstas nos termos dos artigos 4º e 5º da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, por coordenadas geográficas, com ao menos um ponto de amarração georreferenciado do perímetro do imóvel; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 6º da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012; 4º Certidão do registro de imóveis, com a averbação da área de reserva legal; 5º Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhado de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. 6º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 317 3 comprovem as áreas de florestas nativas declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos do inciso II, “e”, do § 1º, art. 10 da Lei nº 9.393/1996, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georreferenciadas ao sistema geodésico brasileiro. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 13, acompanhada dos documentos de fls. 14/30, requerendo a prorrogação do prazo por mais 10 dias, até o dia 14.07.2016. O contribuinte apresentou as correspondências, às fls. 34 e 38, acompanhadas dos documentos de fls. 39/41, requerendo a prorrogação do prazo, por mais 10 dias, ou seja, até 25.07.2016. Por meio de correspondência, às fls. 56, recebida pela fiscalização em 27.07.2016, o contribuinte requereu a prorrogação de prazo por mais 15 dias, até 09.08.2016, e juntando aos autos os documentos de fls. 58/59. Na data solicitada anteriormente, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 64 e 74, acompanhadas dos documentos de fls. 66/78 e 80/95, requerendo a concessão de prazo até o dia 24.08.2016. O contribuinte apresentou a correspondência, às fls. 50, em 24.08.2016, às fls. 52, requerendo a prorrogação do prazo, por mais 20 dias, ou seja, até 13.09.2016. Em 13.09.2016, às fls. 46, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 44, requerendo a prorrogação de prazo para a entrega dos Laudos solicitados. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes na DITR/2013, a fiscalização resolveu glosar as áreas de preservação permanente de 3.508,0 ha, de reserva legal de 3.104,8 ha, de interesse ecológico de 336,5 ha e coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha, com consequente redução do Grau de Utilização (GU) de 97,6% para 26,5% e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada de 0,45% para 20,00%, e disto resultando imposto suplementar de R$6.014.544,62, conforme demonstrado às fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 03/05 e 07. Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, em 07.08.2017 (fls. 96), apresentou, em 06.09.2017 (fl. 98), impugnação de fls. 101/133, alegando em síntese: Fl. 318DF CARF MF 4 menciona que, independentemente da área de atuação, o Grupo Votorantim sempre pautou suas atividades e desenvolvimento com atenção e cuidado com o meio ambiente e o uso sustentável, sendo pioneiro no estabelecimento de rígidos princípios e valores corporativos e em inúmeros projetos de preservação ambiental; destaca que o Grupo Votorantim detém a maior reserva de mata atlântica do país, com 31 mil hectares protegidos, tendo criado importante e pioneiro projeto denominado Legado das Águas, que proporciona o uso sustentável da floresta e dos recursos ecossistêmicos, proporcionando conhecimento por meio de pesquisas científicas e promovendo o desenvolvimento das comunidades locais; informa que o imóvel é composto pelas matrículas 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395, do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de João Pinheiro (doc. 03); registra que, não obstante constar no complemento da descrição dos fatos informação sobre um arbitramento do VTN, o demonstrativo de apuração do imposto devido não tem nenhuma referência a tal arbitramento, de modo que entende que essa menção foi efetuada equivocadamente; afirma que faz jus à isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico e de florestas nativas declaradas, motivo pelo qual é necessário o acolhimento da impugnação para julgar improcedente o lançamento; ressalta que, desde já, que não instruiu a defesa com todos os documentos técnicos que comprovam as áreas declaradas na DITR/2013, o que será feito oportunamente e antes da Decisão ser proferida pela DRJ, visto que o prazo de 30 dias se mostrou exíguo para a conclusão das análises e estudos técnicos necessários à comprovação das referidas áreas; cita a legislação referente ao ITR (Lei nº 9.393/1996, Decreto nº 4.382/2002 e IN/SRF nº 256/2002) e transcreve o art. 10 da Lei nº 9.393/1996, para resumir que o ITR é apurado por meio da aplicação da alíquota sobre a área tributável do imóvel rural, que é resultado da subtração da área total do imóvel rural por determinadas áreas não tributáveis, como, por exemplo, a área de preservação permanente, cuja definição está estabelecida no artigo 4º da Lei nº 12.651/2012; observa que a legislação tributária permite a exclusão de determinadas áreas no cômputo da área tributável do imóvel para fins de apuração do ITR com o objetivo de incentivar e permitir a criação e manutenção de áreas ambientais, em respeito à política do meio ambiente e de uso sustentável dos recursos naturais, temas extremamente importantes e atuais e, desse modo, a cobrança do ITR sobre essas áreas que são preservadas é contrária à política em favor do meio ambiente; considera que mesmo que o contribuinte venha a falhar na difícil missão de observar todas as regras acessórias para comprovação das áreas ambientais, não se pode ignorar a verdade material dos fatos, de modo a equivocadamente se Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 318 5 prestigiar a forma sobre o conteúdo, sob pena de negar a efetiva vigência da norma fiscal; registra que, mesmo que não tenha atendido ao pedido da fiscalização da melhor forma possível, notase que outros documentos apresentados e que ainda serão trazidos aos autos, comprovam a existência das áreas ambientais declaradas, motivo pelo qual não deve prosperar o lançamento lavrado com base em sua completa desconsideração; ressalta ser importante fixar a premissa de que a apreciação dos elementos que comprovam as áreas isentas do ITR não pode ser pautada pela formalidade legal, mas pelo conteúdo e racional de todos os elementos de prova já apresentados e que ainda o serão antes da Decisão da DRJ, haja vista o primado do princípio da verdade material; o princípio da verdade material, que dentre suas vertentes, leva ao entendimento de que a forma não pode se sobrepor ao conteúdo, inclusive admitindo que os processos administrativos de exigência e apuração do crédito tributário sejam convertidos em diligência, para real investigação dos fatos, tem como finalidade última resguardar a legalidade da Administração Tributária; considera que o entendimento da Doutrina, das DRJ e do CARF privilegiam o conteúdo em detrimento a forma, em linha com o princípio da verdade material, transcrevendo excertos doutrinários e de Decisões Administrativas, para embasar sua tese e, assim, requer que a análise do feito seja baseada na busca da verdade material, sobrepondo o conteúdo em detrimento de formalidades previstas na legislação; contesta a desconsideração das áreas declaradas de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico e de florestas nativas, não obstante a apresentação do ADA/2013 (doc. 04), o qual foi tempestivamente registrado no IBAMA; destaca que o trabalho da fiscalização limitouse a uma mera intimação para fornecer inúmeros documentos em prazo exíguo, não realizando nenhuma diligência, vistoria ou outra forma de análise, para apuração da veracidade das informações declaradas; diz que, por lapsos, infelizmente, não conseguiu atender a contento as solicitações da fiscalização, o que, por si só, não pode representar elemento suficiente para embasar o lançamento, ainda mais na astronômica quantia cobrada; enfatiza que o ADA, que indica exatamente as áreas ambientais declaradas, configura elemento de presunção da veracidade da informação, pois, em caso de questionamento da fiscalização, cabe a ela reunir os elementos ou, ao menos, os indícios que levaram à desconsideração dos dados declarados, sob pena de tornar inútil o próprio ADA; Fl. 320DF CARF MF 6 considera que não compete à RFB desconsiderar as informações do ADA, sob pena de usurpar a competência do IBAMA, em conformidade com o disposto no art. 9° da IN/IBAMA n° 05/2009, transcrevendoo, pois, compete apenas a ele averiguar a regularidade das informações do ADA, ressaltando que o IBAMA jamais questionou a regularidade das informações do ADA no que concerne as áreas ambientais declaradas; apresenta mapas geográficos do imóvel (doc. 05), que mostram as áreas de preservação permanente contidas na propriedade e tais mapas, no mínimo, demonstram o descuido e a falta de zelo que culminou na lavratura da Notificação de Lançamento, uma vez que o lançamento não reconheceu nenhuma área de preservação permanente, o que evidencia a ausência de adoção de medidas para a real apuração dos fatos no caso concreto e, por conseguinte, a sua completa improcedência; protesta pela posterior juntada de outros documentos, em especial o Laudo Técnico, que comprovará as áreas ambientais, com o objetivo de afastar qualquer dúvida sobre a exatidão das informações declaradas, não obstante já tenha apresentado o ADA e o mapa geográfico do imóvel, que já apontam para a improcedência da autuação; considera que, em relação à reserva legal, apresentou as Certidões das matrículas nº 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395, que compõem o imóvel (doc. 03), onde se verifica a sua averbação, conforme exigências do RITR/02 e da IN/SRF 256/02 e, além disso,os mapas geográficos do imóvel (doc. 05), também, demonstram a existência da área de reserva legal; destaca que o CARF reiteradamente decidiu que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel dispensa, inclusive, a apresentação do ADA, sendo medida suficiente para assegurar a não tributação da área, observando que a averbação foi realizada em 23.01.1989, data muito anterior ao fato gerador do ITR/2013; menciona que, com o objetivo de afastar qualquer dúvida ou questionamento sobre a exatidão das informações da DITR, protesta pela posterior juntada aos autos do Laudo Técnico que comprovará a área declarada como de reserva legal; registra que, no caso da área de interesse ecológico, o art. 10, § 1º, II, “b” e “c”, da Lei nº 9.393/96 estabelece que ela deverá ser declarada por ato do órgão público competente e, desse modo, protesta pela posterior juntada desse documento, pois não foi possível apresentálo no exíguo prazo legal para a impugnação e, assim, com a apresentação do ato do Poder Público competente e do ADA, resta inquestionavelmente comprovada a área declarada como de interesse ecológico, não havendo razões para manutenção do lançamento; observa que a fiscalização deveria ter adotado outras medidas para apurar a exatidão das informações da DITR e no ADA/2013, como a vistoria in loco, novas intimações e etc. e, assim não procedendo, o lançamento carece dos fundamentos Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 319 7 mínimos para ter sua validade confirmada, sendo imprescindível reconhecer sua improcedência; destaca que a apresentação “intempestiva” do Laudo não pode servir de fundamento para manutenção do improcedente lançamento, sob pena de ferir os princípios da legalidade e da verdade material, inclusive como reconhece a jurisprudência do CARF; pelo exposto, requer o provimento da impugnação, para julgar integralmente improcedente o lançamento; alternativamente, requer seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de apurar as áreas do imóvel isentas do ITR, com o consequente recálculo do imposto, considerando a área tributária e o correto GU e alíquota; protesta pela posterior juntada aos autos dos documentos comprobatórios das áreas ambientais, nomeadamente o Laudo Técnico, que comprovará a existência das áreas declaradas como não tributáveis, sem prejuízo de outros elementos materiais para o deslinde da questão, de modo a demonstrar irrefutavelmente a improcedência do lançamento, tendo em vista a impossibilidade de apresentálo no curto prazo para a apresentação da impugnação. Em 21.11.2017, às fls. 193, o contribuinte apresenta impugnação complementar, às fls. 195/216, para juntar o Laudo Técnico das Áreas Ambientais, às fls. 217/296, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: informa que o Laudo Técnico foi elaborado considerando os documentos e informações relativas ao exercício de 2013, de modo a atestar a realidade fática do imóvel, independentemente das informações declaradas ou consideradas pela Notificação de Lançamento; salienta que o Laudo Técnico é o instrumento hábil e competente para comprovar a existência das áreas ambientais do imóvel, juntamente com todos os documentos comprobatórios a ele acostados, evidenciando a necessidade de cancelamento da Notificação de Lançamento; destaca que o Laudo Técnico concluiu que a área ambiental efetivamente existente na Fazenda Santa Rita foi declarada a menor na DITR/2013, resultando, ao contrário do que afirma a Notificação de Lançamento, no pagamento a maior do ITR; ressalta que o Laudo Técnico não pôde ser apresentado no momento do oferecimento da impugnação, pois estava em processo de elaboração, com a devida análise dos documentos e informações referentes ao imóvel, o que não pôde ser concluído no exíguo prazo de 30 dias para Fl. 322DF CARF MF 8 protocolo da defesa e, assim, a apresentação do Laudo Técnico nessa oportunidade encontra amparo no art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/1972; observa que, ainda que se entenda que a apresentação do Laudo Técnico não está amparada pelo referido dispositivo, o que se admite para fins argumentativos, a orientação reiterada do CARF, inclusive da CSRF, no sentido de aceitar provas apresentadas até mesmo no momento do acesso recursal em respeito à primazia da verdade material; enfatiza que a cobrança do ITR pretendida sobre áreas ambientais que são preservadas pelos contribuintes vai na contramão de todo o ideal e política em favor do meio ambiente e diz que, ainda que o contribuinte venha a falhar na difícil missão de observar todas as regras acessórias para comprovação das áreas ambientais, não se pode ignorar a verdade material dos fatos atestada pelo Laudo Técnico, de modo a, equivocadamente, prestigiar a forma sobre o conteúdo, sob pena de negar a efetiva vigência da norma fiscal; ressalta a inafastável premissa de que a apreciação dos elementos que comprovam as áreas isentas do ITR não pode ser pautada pela formalidade legal, mas pelo conteúdo e racional de todos os elementos de prova apresentados, haja vista o primado do princípio da verdade material; esclarece que declarou área de preservação permanente de 3.508,0 ha, que foi desconsiderada, resultando no acréscimo da área tributável, na majoração da alíquota aplicável e, por fim, na apuração de suposto saldo complementar do ITR; informa que no ADA/2013, registrado tempestivamente junto ao IBAMA, declarou a mesma área de preservação permanente; observa que, como mencionado na impugnação, não compete a RFB desconsiderar as informações constantes no ADA, sob pena de usurpar a competência atribuída ao IBAMA, transcrevendo o art. 9° da IN/IBAMA n° 05/2009, para embasar sua tese; entende que, compete apenas ao IBAMA averiguar a regularidade das informações constantes no ADA, ressaltando que o IBAMA jamais questionou a regularidade das informações objeto do ADA no que concerne às áreas de (i) preservação permanente, (ii) reserva legal, (iii) interesse ecológico e (iv) floresta nativa; menciona que nos Processos Administrativos nº 13609.720504/201707 e 13609.720505/201743, formalizados Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 320 9 contra ela, anos de 2013 e 2014, pela desconsideração das áreas ambientais da Fazenda Santa Cecília, a DRJ reconheceu as áreas declaradas como de preservação permanente, vez que (i) constante no ADA tempestivamente apresentado ao IBAMA e (ii) comprovado pelo Mapa acostado aos autos, transcrevendo excerto do Acórdão nº 03076.566 do Processo nº 13609.720504/201707; considera que, em que pesem as informações declaradas, as quais são passíveis de reconhecimento pela DRJ, como evidenciado em caso análogo, o Laudo Técnico apurou que a APP representa, na realidade, 3.557,4 ha, esclarecendo que a informação do Laudo tem base no Georreferenciamento realizado no imóvel, o qual apurou com maior exatidão a área total do imóvel, suas áreas internas e seus respectivos limites; ressaltar que essa pequena diferença positiva apurada pelo Laudo Técnico a título de área de preservação permanente é constituída de vegetação nativa típica do Bioma Cerrado, enquadrandose também no conceito de áreas cobertas por florestas nativas, para fins de exclusão do cálculo do ITR e, assim, o nãocômputo da área 3.557,4 ha de preservação permanente na apuração do ITR é medida que se impõe; registra que declarou uma área de reserva de legal de 3.104,8 ha, tendo a Fiscalização desconsiderado tal informação, alegando a falta de comprovação, contudo, apresentou o ADA no qual consta a mesma área declarada na DITR e, também, apresentou as certidões das matrículas nº 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395 do imóvel e nelas é possível verificar a averbação dessas áreas, conforme as exigências do RITR/02 e da IN/SRF nº 256/02; diz que a Lei n° 6.015/73, que dispõe sobre os Registros Públicos, estabelece a presunção de que todos os atos são de conhecimento geral ou, ao menos, estão disponíveis para acesso, pois o art. 17 dispõe que “qualquer pessoa pode requerer certidão do registro sem informar ao oficial ou ao funcionário o motivo ou interesse do pedido.”; registra que o Laudo Técnico apurou que toda a área declarada como reserva legal está devidamente averbada nas matrículas do imóvel, conforme atestam os registros AV.2 da matrícula 11.560, AV.2 da matrícula 11.561, AV.4 da matrícula 11.562 e AV.2 da matrícula 13.395, todas anteriores ao exercício de 2013 e, desse modo, o imóvel deve ter reconhecida como reserva legal a área declarada de 3.104,8 ha, que está averbada; destaca que o CARF reiteradamente decidiu que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel rural dispensa, inclusive, a apresentação do ADA, sendo medida suficiente para assegurar a não tributação da área; observa que as averbações levadas em consideração pelo Laudo Técnico foram efetivadas antes de 2013, pelo que estavam plenamente regulares para a DITR/2013 e, desse modo, toda a Fl. 324DF CARF MF 10 área de 3.104,8 ha declarada na DITR/2013 está averbada e, portanto, deve ser reconhecida para fins de exclusão do ITR; esclarece que declarou na DITR a área de interesse ecológico de 336,5ha, que também foi desconsiderada sob a mesma alegação de falta de comprovação da respectiva área, informando que essa área encontrase em consonância com o ADA/2013, entregue tempestivamente ao IBAMA e entregue após ser intimada do procedimento fiscal, contudo, em que pesem as informações declaradas na DITR/2013, o Laudo Técnico concluiu que essa área de 336,5 ha foi equivocadamente classificada como de interesse ecológico; diz que o Laudo Técnico verificou que, na realidade, tal área referese a uma área de compensação, contudo, o processo de lavratura do Termo de Responsabilidade não foi finalizado e, por consequência, a averbação na matrícula não foi levada a efeito, de modo que essa área não pode ser considerada como reserva legal ou de interesse ecológico; destaca que o Laudo Técnico apurou que essa área é coberta por florestas nativas primária e secundária de vegetação típica do Bioma Cerrado, em consonância com o artigo 10, § 1º, II, “e”, da Lei nº 9.393/1996, concluindo, portanto, que a área de 336,5 ha deve ser considerada como coberta por floresta nativa, sendo isenta do ITR/2013; comenta que a Fiscalização desconsiderou a área de florestas nativas declarada de 1.988,8 ha, utilizandose do mesmo argumento de falta de apresentação de documentos comprobatórios, contudo, já havia apresentado o ADA/2013, entregue tempestivamente ao IBAMA, no qual consta a mesma informação da DITR; menciona que nos Processos Administrativos nº 13609.720504/201707 e 13609.720505/201743, formalizados contra ela, para cobrança de ITR dos anos de 2013 e 2014, pela desconsideração das áreas ambientais da Fazenda Santa Cecília, a DRJ reconheceu as áreas declaradas como cobertas por floretas nativas, vez que (i) constante no ADA tempestivamente apresentado ao IBAMA e (ii) comprovado pelo Mapa acostado aos autos, transcrevendo excerto do Acórdão nº 03076.566 do Processo nº 13609.720504/201707; considera que o Laudo Técnico concluiu pelo acréscimo da área coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha para 2.356,2 ha, pela reclassificação de áreas antes declaradas como de reserva legal (averbada após o exercício de 2013) e de interesse ecológico; registra que o Laudo Técnico demonstrou e comprovou que as áreas acrescidas são cobertas por florestas nativas primária e secundária com vegetação típica do Bioma Cerrado, em consonância com o artigo 10, § 1º, II, “e”, da Lei nº 9.393/1996 e, por isso, tais áreas não são utilizadas para suas atividades industriais e comerciais, devendo ser reconhecido o cumprimento dos requisitos para seu reconhecimento como áreas cobertas por florestas nativas e, portanto, não sujeitas ao ITR; Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 321 11 destaca que a apresentação “intempestiva” do Laudo não pode fundamentar a manutenção do improcedente lançamento, sob pena de ferir os princípios da legalidade e da verdade material, inclusive como reconhece a jurisprudência do CARF; conclui que, comprovada a existência de área coberta por florestas nativas de 2.356,2 ha, é necessário o seu reconhecimento com o cancelamento do lançamento; pelo exposto, requer a recepção e análise do Laudo Técnico das Áreas Ambientais de 2013, acostado aos autos, que conduz ao provimento da impugnação e, por consequência, ao julgamento de improcedência do lançamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou procedente a impugnação, cancelandose o crédito tributário, conforme ementa abaixo (fls. 296): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2013 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser realizada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS Com base em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Do Recurso de Ofício A Fazenda recorreu de ofício. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 326DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O presente recurso de ofício não merece prosperar, tendo em vista que a decisão recorrida está pautada nas fartas provas trazidas aos autos e que foram decisivas para fosse dado provimento à impugnação do contribuinte. Diante do caráter didático da decisão, passo a transcrever trechos que demonstram as razões pelas quais a pretensão fazendária não merece prosperar. Não obstante a autuação referirse à glosa das áreas declaradas de preservação permanente de 3.508,0 ha, de reserva legal de 3.104,8 ha, de interesse ecológico de 336,5 ha e coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha, o requerente, aventando a ocorrência de erro de fato nos dados informados na correspondente DITR/2013, pretende que sejam acatadas as áreas ambientais informadas no Laudo Técnico – Áreas Ambientais 2013, às fls. 217/294, elaborado por Engenheiro Agrônomo, com ART registrada no CREA, às fls. 295/296, que informa que a área declarada como sendo de interesse ecológico seria uma área coberta por florestas nativas. Apesar da hipótese de erro de fato somente ter sido arguida pelo contribuinte na fase de impugnação, portanto, após a materialização do procedimento de ofício, cabe a mesma ser analisada, observandose aspectos de ordem legal. Caso fosse negada essa oportunidade ao contribuinte, estaria sendo ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja, o da estrita legalidade e, como decorrência, o da verdade material. Porém, na hipótese levantada, o lançamento regularmente impugnado somente poderá ser alterado, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, em caso de evidente erro de fato, devidamente comprovado por meio de provas documentais hábeis e idôneas. Pois bem, no caso do pedido de acatamento de áreas não tributáveis, cabe observar que, com base na legislação de regência das matérias, exigese o cumprimento de uma obrigação para fins de acatar a exclusão de qualquer uma delas da incidência do ITR, que consiste na informação dessas áreas no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado tempestivamente no IBAMA, que é uma exigência, de caráter genérico, para a exclusão de qualquer área nãotributável e, também, que a eventual área de reserva legal esteja averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel, no cartório competente, que é uma exigência específica para essa área. Quanto à exigência relativa ao ADA, de caráter genérico, pois se aplica a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente, coberta por florestas nativas ou de utilização limitada (RPPN, Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico e Reserva Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 322 13 Legal), ela está prevista na IN/SRF nº 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e subsequentes) e no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei nº 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Para o exercício de 2013, o prazo expirou em 30.09.2013, data final para a entrega da DITR/2013, de acordo com a IN/RFB nº 1.380/2013 c/c a IN/IBAMA nº 05/2009. No presente caso, o requerente acostou aos autos o ADA – Exercício 2013, às fls. 172, protocolado no IBAMA, em 27.09.2013, contemplando as áreas ambientais declaradas, de preservação permanente de 3.508,0 ha, de reserva legal de 3.104,8 ha, de interesse ecológico de 336,5 ha e coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha, conforme declarado na DITR/2013, sendo essa providência tempestiva para o exercício em questão. No que se refere à área de reserva legal, faziase necessário comprovar nos autos, também, a sua averbação, em tempo hábil, à margem da matrícula do imóvel. A exigência específica de que a área de reserva legal esteja averbada à margem da matrícula do imóvel, encontravase prevista no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/1965 (até o exercício 2012) e, para exercícios posteriores, como é o caso do exercício 2013, nos artigos 18, 29 e 30 da Lei nº 12.651/2013; art. 11, § 1º, da IN/SRF nº 256/2002 e art. 12, § 1º do Decreto nº 4.382/2002 – RITR. Ressaltese que a averbação deve ser realizada até 01.01.2013 (data do fato gerador do ITR/2013, art. 1º da Lei nº 9.393/1996). Para comprovar o cumprimento dessa exigência, o interessado instruiu a sua defesa com as Certidões das Matrículas nº 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395, que compõem o imóvel, às fls. 157/170, do Cartório de Registro de Imóveis. Constatase nos autos, que uma área de reserva legal de 1.430,0 ha, às fls. 157/158, foi averbada em 25.10.1993, junto à matrícula nº 11.560; que uma área de reserva legal de 1.223,0 ha, às fls. 160, foi averbada em 23.01.1989, junto à matrícula nº 11.561; que uma área de reserva legal de 415,6 ha, às fls. 166/167, foi averbada em 04.10.2007, junto à matrícula nº 11.562 e que uma área de reserva legal de 36,2 ha, às fls. 169/170, foi averbada em 04.10.2007, junto à matrícula nº 13.395, sendo tais providências tempestivas para o exercício em questão, para uma área total de reserva legal de 3.104,8 ha (1.430,0 ha + 1.223,0 ha + 415,6 ha + 36,2 ha), sendo tais providências tempestivas para o exercício 2013. Considerando que há áreas ambientais informadas no ADA/2013, áreas de reserva legal averbadas tempestivamente à margem da matrícula do imóvel e áreas constantes no citado Laudo, para as áreas ambientais no ano de 2013, Fl. 328DF CARF MF 14 especificamente às fls. 244, cabe apresentar quadro comparativo com essas informações, para a análise da hipótese de erro de fato na DITR suscitada pelo impugnante, como se segue: Da análise dos dados sintetizados no quadro anterior e da documentação constante nos autos e considerando que o Laudo Técnico, elaborado por profissional legalmente habilitado, foi apresentado com a finalidade de corrigir o erro de fato suscitado e que, além disso, há exigências legais para a exclusão de áreas ambientais da área tributável do ITR e em obediência ao disposto no art. 145, I, do CTN, concluise por acatar: uma área de preservação permanente de 3.508,0 ha, constante no ADA e contida no Laudo; uma área de reserva legal de 3.104,8 ha – averbada à margem da matrícula do imóvel e informada no ADA e Laudo e uma área coberta por florestas nativas de 3.325,3 ha (1.988,8 ha + 336,5 ha) – caracterizada no Laudo e informada no ADA como coberta por florestas nativas (1.988,8 ha) e de interesse ecológico (336,5 ha), totalizando uma área ambiental no imóvel de 8.938,1 ha, conforme consta na DITR/2013 e no ADA/2013. Salientese que, por ter sido comprovada a ocorrência de erro de fato na DITR/2013, em relação à área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico de 336,5 ha e caracterizada no Laudo Técnico como sendo área coberta por florestas nativas, não se fez necessária o cumprimento da exigência específica para reconhecimento de uma área de interesse ecológico, que consiste na apresentação de Ato específico do órgão ambiental competente, atestando qual a área do imóvel, devidamente caracterizada e dimensionada, é considerada de interesse ambiental para proteção do referido ecossistema, nos termos do art. 10, § 1º, II, “b” e “c”, da Lei nº 9.393/96. Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 06113/00018/2017 de fls. 02/07, relativa ao exercício de 2013, para restabelecer as áreas declaradas de preservação permanente de 3.508,0 ha e de reserva legal de 3.104,8 ha e acatar uma área coberta por florestas nativas de 2.325,3 ha, resultante do somatório das Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 323 15 áreas declaradas anteriormente de interesse ecológico e coberta por florestas nativas, comprovadas com documentação hábil, no exercício de 2013, desconsiderandose a exigência. Sendo assim, correta a decisão recorrida, devendo ser cancelado o crédito tributário objeto do presente PAF. Conclusão Diante do exposto, conheço do presente recurso de ofício e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000831/2001-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) providencie a ciência do Recorrente do inteiro teor do Acórdão nº 17-27.537 (fls. 326 a 342), devolvendo o prazo de 30 (trinta) para a interposição de recurso voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) providencie a ciência do Recorrente do inteiro teor do Acórdão nº 1727.537 (fls. 326 a 342), devolvendo o prazo de 30 (trinta) para a interposição de recurso voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 354/372) em face do Acórdão n. 17 27.537 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo (SP) DRJ/SPOII (efls. 326/342), que julgou parcialmente procedente a impugnação de efls. 303/315 e manteve em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .0 00 83 1/ 20 01 -4 0 Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13830.000831/200140 Resolução nº 2402000.700 S2C4T2 Fl. 396 2 13/08/2001 (ciência pessoal) mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário: 1998 e 1999 no montante de R$ 793.008,24 sendo R$ 406.193,00 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 82.170,49 de juros de mora calculados até 31/07/2001 e R$ 304.644,75 de multa proporcional calculada sobre o principal (efls. 13/18) com fulcro em i) acréscimo patrimonial (não tributado no ajuste anual);e ii) omissão de ganhos de capital de bens e direitos (transferência de bens), conforme o discriminado no Termo de Constatação Fiscal (efls. 19/24). Foi devolvido ao sujeito passivo o prazo de 30 (trinta) dias para pagamento ou impugnação do Auto de Infração IRPF (efls. 13/18) contados da data da ciência do Termo de Intimação Fiscal (efl. 301), ocorrida em 16/08/2001, em virtude de juntada do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n. 0811800.2000.00313.86 (efl. 300). Em face do lançamento em apreço (efls. 13/18), o sujeito passivo apresentou, em 14/09/2001, a impugnação de efls. 303/315 julgada parcialmente procedente, nos termos do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente em consonância com o disposto no artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 PAF e não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 desse mesmo Decreto, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR MPF. ANÁLISE DE PERÍODO NÃO INDICADO. EMISSÃO DE MPFC PARA INCLUSÃO DE PERÍODO PARA AUTUAÇÃO. Não é caso de nulidade a falta de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar para o período diverso, uma vez que resta autorizado o exame de livros e documentos, referentes a outros períodos, com vistas a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. Emitido MPFComplementar para a lavratura do auto, resta regularizado o procedimento fiscal. _ ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. É tributável a variação patrimonial não justificada pelos rendimentos informados na declaração de ajuste igual. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DECORRENTE DE TRANSFORMAÇÃO DE ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS PARA COM FINS LUCRATIVOS. A legislação estabeleceu a forma de aferição da participação societária por ocasião da transformação de entidade sem fins lucrativos para com fins lucrativos, sem definir a forma de tributação. CUSTO DE AQUISIÇÃO. PERMUTA SEM TORNA. Considerase custo de aquisição de imóvel adquirido por permuta com outro imóvel, o valor do imóvel dado em permuta. GANHO DE CAPITAL. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13830.000831/200140 Resolução nº 2402000.700 S2C4T2 Fl. 397 3 Correta a Apuração de Ganho de Capital na transferência de Bens em valor maior ao de aquisição. Lançamento Procedente em Parte Cientificado do teor do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342) em 30/01/2009 (efls. 349/350), o agora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls. 354/372) na data de 03/03/2009, esgrimindo, em linhas gerais, os seguintes argumentos: i) em sede preliminar: cerceamento de direito à ampla defesa; e ii) no mérito: inconsistências na apuração do acréscimo patrimonial não tributado; e inexistência de ganho de capital na alienação de bens. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 354/372) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide, delimitado na peça recursal (efls. 354/372), concentra se, preliminarmente, em cerceamento de direito à ampla defesa, e, no mérito, inconsistências na apuração do acréscimo patrimonial não tributado e inexistência de ganho de capital na alienação de bens. Da preliminar O Recorrente inaugura a peça recursal de efls. 354/372 protestando por cerceamento de direito à ampla defesa em virtude da ausência das páginas ausência das páginas n. 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14 e 16 do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), nos seguintes termos: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II vem cultivando o hábito de imprimir suas decisões em frente e verso das folhas que numera, deixando à mercê de servidores menos avisados, a conferência e constatação de que as cópias a serem encaminhadas juntamente com a intimação reproduzem o inteiro teor daquelas decisões. Tal prática instala descompasso entre o número de páginas componentes do Acórdão e a quantidade de folhas envolvidas, facilitando a intromissão equívocos prejudiciais ao entendimento de seu conteúdo. No caso vertente, foram encaminhadas com a Intimação, as páginas 1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15 e 17, do Acórdão, numeradas no processo como fls. 309 a 317, sendo omitidas as cópias do verso das respectivas folhas, que correspondem às páginas 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14 e 16. Inegavelmente, o inteiro teor da decisão encontrase às páginas 1 a 17, o que pode ter passado despercebido ao servidor encarregado de extrair as cópias para juntada à Intimação. A título ilustrativo, 0 Recorrente junta cópia da decisão a ele encaminhada, contendo apenas a página de frente das fls. 309 a 317 do processo. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13830.000831/200140 Resolução nº 2402000.700 S2C4T2 Fl. 398 4 A ausência das páginas assinaladas prejudica o conhecimento das razões de decidir, criando obstáculos intransponíveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa, garantia assegura pelo art. 5°, LV da Constituição Federal. Diante da falha denunciada, postula o encaminhamento do inteiro teor do Acórdão e a reabertura do prazo para elaboração de recurso voluntário. O demonstrativo de julgamento estampado às páginas 17 do Acórdão (fls. 317 do processo), possibilita constatar a manutenção quase integral da exigência. Daí, a necessidade de conhecer os fundamentos esposados pela Turma Julgadora. Mais à frente, no tópico IV DA DECISÃO, o Recorrente reitera: Como enfatizado no preâmbulo deste petitório, o Recorrente não tem conhecimento do inteiro teor do Acórdão objeto da decisão prolatada pela 63 Turma de Julgamento da DRJSPO II, tendo recebido apenas cópia das páginas 1,3, 5, 7, 9, 11, 13, 15 e 17. Como já consignado, o equívoco denunciado, embora involuntário, inibe o exercício do contraditório e ampla defesa, assegurado pela Carta Constitucional. Outrossim no tópico V DAS RAZÕES RECURSAIS: A Intimação do Acórdão chegou às mãos do Recorrente desacompanhada das fls. 2, 4, 6, 8, 10, 12, 14 e 16. Exatamente esta última, contempla os itens 34 (parte) a 41 do voto elaborado. [...] Na absoluta impossibilidade de contraditar o que não se tem conhecimento, o Recorrente ratifica todo o questionamento lançado em sua Impugnação, especialmente, em relação ao pretenso ganho de capital. Não obstante a possibilidade de o Recorrente ter solicitado cópia integral do processo, ou apenas da decisão recorrida, de forma a suprir o equívoco que denuncia, há de se convir que é obrigação da Administração Tributária disponibilizar ao sujeito passivo o inteiro teor do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), bem assim de quaisquer outros documentos, imprescindíveis ao exercício do amplo direito de defesa e de contraditório, princípios consagrados na Constituição Federal (art. 5°., LV). Nessa perspectiva, acato a preliminar suscitada, impondose, por consequência, a conversão deste julgamento em diligência para que a Unidade de Origem providencie a ciência do Recorrente do inteiro teor do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), observando, inclusive, as respectivas páginas frente e verso do documento. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 354/372), ACATAR A PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DIREITO À AMPLA DEFESA para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à Unidade de Origem providenciar a ciência do Recorrente do inteiro teor do Acórdão n. 1727.537 (efls. 326/342), com as respectivas páginas frente e verso, devolvendose o prazo de 30 (trinta) para interposição de Recurso Voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/1972. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903074/2009-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
Numero da decisão: 1001-001.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PERDCOMP. INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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INOVAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de compensação, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 23656.80964.260406.1.3.048259, transmitida em 26/04/2006, (e fls. 02/08), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 74 /2 00 9- 67 Fl. 48DF CARF MF 2 indevido efetuado por meio de DARF, data de arrecadação 29/12/2005, no valor de R$ 1.506,22, período de apuração 30/11/2005. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 831231607, de 09/04/2009 (efl. 05), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito de estimativa mensal 11/2005 do contribuinte, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Assim dispôs em relatório o Acórdão Recorrido (efls. 34/38): A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 09 33.214 1ª Turma da DRJ/JFA, efls. 33/36), que dispôs em voto que o que a manifestante sustenta é que cometeu um equívoco ao preencher o PER/DCOMP, pois indicou como crédito um DARF que não correspondia ao crédito que pleiteava e requer indevido direito de retificar a PERDCOMP via processo administrativo fiscal regulado pelo Decreto 70.235/72. Cientificada em 10/02/2011 (efl. 39), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/02/2011 (efl. 40), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O contribuinte pretendeu, através de PERDCOMP, compensar débitos de sua responsabilidade com crédito proveniente de pagamento indicado como indevido referente a DARF, data de arrecadação 29/12/2005, no valor de R$ 1.506,22, período de apuração 30/11/2005. Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, prudente considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10675.903074/200967 Acórdão n.º 1001001.028 S1C0T1 Fl. 79 3 Porém concordo com o entendimento da decisão de primeira instância que na essência entendeu ser incabível compensar os débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento de arrecadação, os quais simplesmente não integraram originalmente seu conteúdo. No caso presente o que se pretendeu foi modificar, após a apreciação do direito à compensação (despacho decisório) a natureza do crédito. Tratase de outro pedido, e a retificação nesta condição é vedada pela legislação. Se há algum outro recolhimento indevido, cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003807/2004-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1999
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO
O prazo para o lançamento da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração. Art. 173, I, do CTN
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. ASSINATURA ELETRÔNICA NO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
A irresignação não procede, pois a assinatura do auditor não é eletrônica, como parece entender a interessada, pelo contrario, é assinatura comum, é assinatura de próprio punho. Ainda assim, não estaria presente nenhum dos pressupostos arrolados no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 para a nulidade do ato.
TAXA DE JUROS SELIC. NÃO OCORRÊNCIA NO LANÇAMENTO.
O auto de infração em análise trata, exclusivamente, de multa por inobservância de obrigação acessória, não existindo no lançamento de oficio de juros Selic. É certo que o não pagamento da multa, no prazo previsto no auto de infração, acarreta a partir dai, a cobrança de juros com base na taxa selic. Mas isso é matéria que diz respeito exclusivamente à cobrança do indébito, que não faz parte do lançamento de oficio.
Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 1999
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 1001-000.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e da nulidade do lançamento e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO O prazo para o lançamento da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração. Art. 173, I, do CTN Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. ASSINATURA ELETRÔNICA NO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A irresignação não procede, pois a assinatura do auditor não é eletrônica, como parece entender a interessada, pelo contrario, é assinatura comum, é assinatura de próprio punho. Ainda assim, não estaria presente nenhum dos pressupostos arrolados no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 para a nulidade do ato. TAXA DE JUROS SELIC. NÃO OCORRÊNCIA NO LANÇAMENTO. O auto de infração em análise trata, exclusivamente, de multa por inobservância de obrigação acessória, não existindo no lançamento de oficio de juros Selic. É certo que o não pagamento da multa, no prazo previsto no auto de infração, acarreta a partir dai, a cobrança de juros com base na taxa selic. Mas isso é matéria que diz respeito exclusivamente à cobrança do indébito, que não faz parte do lançamento de oficio. Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 1999 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN.
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Recorrente ANDRÉ MULLER CARIOBA ARNDT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. NÃO CABIMENTO O prazo para o lançamento da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração. Art. 173, I, do CTN ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. ASSINATURA ELETRÔNICA NO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO CABIMENTO. A irresignação não procede, pois a assinatura do auditor não é eletrônica, como parece entender a interessada, pelo contrario, é assinatura comum, é assinatura de próprio punho. Ainda assim, não estaria presente nenhum dos pressupostos arrolados no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 para a nulidade do ato. TAXA DE JUROS SELIC. NÃO OCORRÊNCIA NO LANÇAMENTO. O auto de infração em análise trata, exclusivamente, de multa por inobservância de obrigação acessória, não existindo no lançamento de oficio de juros Selic. É certo que o não pagamento da multa, no prazo previsto no auto de infração, acarreta a partir dai, a cobrança de juros com base na taxa selic. Mas isso é matéria que diz respeito exclusivamente à cobrança do indébito, que não faz parte do lançamento de oficio. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 1999 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 38 07 /2 00 4- 99 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 64 2 MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS ACESSÓRIAS. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de decadência e da nulidade do lançamento e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba (PR), mediante o Acórdão nº 0611.939, de 24/08/2006 (efls. 32/36), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Trata o processo de auto de infração que exige da interessada o recolhimento de RS 200,00 de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do exercício 1999. Constam como fundamentação legal os arts. 88 da Lei n°8.981, de 1995, 27 da Lei n° 9.532, de 1997,70 da Lei n° 10.426, de 2002, 106, II, "c" do CTN e Instrução Normativa SRF n" 166, de 1999. Contra o lançamento, a interessada interpôs tempestiva impugnação, articulada da seguinte forma, em síntese: a. levanta a preliminar de decadência, sob o entendimento de que a contagem do seu prazo se inicia no dia da ocorrência do fato gerador; Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 65 3 b. ainda em preliminar, diz que o lançamento é nulo, por vicio formal, consubstanciado na "assinatura eletrônica/digital"; c. no mérito, alega que, ocorrendo a denúncia espontânea, nenhuma penalidade poderá ser imposta, na melhor inteligência do art. 138 do CTN; d. por fim, reclama da cobrança de juros com base na taxa Selic. A DRJ considerou procedente o lançamento, cujo acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 1999 Ementa: POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega da declaração de rendimento fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 11/09/2006, conforme Aviso de Recebimento à efl. 40, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/09/2006 (efls. 41/30), conforme carimbo aposto à efl. 41. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto a recorrente reitera todos os mesmos argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, como preliminares alega a decadência do direito de lançar e a nulidade do lançamento, por ter ocorrido vicio formal, consubstanciado na Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 66 4 "assinatura eletrônica/digital"; no mérito alega a denúncia espontânea e se posiciona contra a cobrança de juros com base na taxa Selic. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados no aresto de primeira instância, o qual entendo que não merece reparos. E por concordar com todos os seus termos e conclusões, peço vênia para transcrever, a seguir, o voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: Preliminar de nulidade A interessada requer a anulação do auto de infração por vicio formal, em face da "assinatura eletrônica/digital" O art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê o seguinte: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. A alegação apresentada é voltada para a assinatura do auditor fiscal. Tal irresignação não procede, pois a assinatura do auditor não e assinatura eletrônica, como parece entender a interessada. Pelo contrario, é assinatura comum, é assinatura de próprio punho. De qualquer forma, ainda que o auto de infração tivesse levado assinatura eletrônica do auditor, me parece descabido falar em nulidade do lançamento, por não estar presente nenhum dos pressupostos arrolados no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Não vejo no que o fato prejudicaria a defesa. Em autuação da espécie. indispensável era, para afastar a multa, provar que a declaração não foi entregue depois do prazo estabelecido na legislação ou provar que a entrega da declaração não era obrigatória. A assinatura do fiscal autuante, à toda evidência, ainda que contivesse vício, em nada prejudicaria o direito de defesa. Rejeito a preliminar. Preliminar de decadência. O CTN, no art. 113, § 3º, prevê que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. No caso dos autos, houve o descumprimento da obrigação acessória de apresentação, no prazo fixado, da declaração anual de rendimentos do exercício 2000, pelo que foi aplicada a multa prevista no art. 88 da Lei n° 8.981, de 1995. Não se trata, pois, de lançamento por homologação, que ocorre nos casos em que a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, nos termos do art. 150 do CTN, e cujo prazo decadencial de cinco anos é contado a partir da ocorrência do fato gerador, como quer a impugnante. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 67 5 Não se tratando de lançamento por homologação, a regra da contagem da decadência é a do art. 173, I, do CTN, qual seja, de que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em se tratando da entrega da declaração de rendimentos, somente depois de decorrido o termo final para o cumprimento dessa obrigação acessória (e não sendo ela satisfeita) é que poderia o Fisco constituir o crédito tributário referente à multa pela sua inobservância, e, portanto, apenas no primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração é que se inicia a contagem do prazo decadencial (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Destarte, em relação ao exercício 1999 cuja declaração simplificada deveria ser apresentada ate 31/05/1999 , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e, portanto, a data de inicio da contagem do prazo de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é 01/01/2000. Logo, o prazo fatal para o lançamento foi 31/12/2004. Corno a interessada foi cientificada em 29/10/2004 (doc. fl. 26), não ocorreu a alegada decadência. Dessa forma, incabível a preliminar. Mérito A multa em análise tem fundamento no art. 88 da Lei n" 8.981, de 1995, que visa punir, não só a falta de cumprimento da obrigação acessória de apresentação da declaração de rendimentos, mas também a sua intempestiva apresentação. Ou seja, a não apresentação da declaração de rendimentos no prazo fixado sujeita à aplicação da multa, o que não se modifica pela sua apresentação a destempo, mesmo que espontânea. No que se refere à exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, de que trata o art. 138 do CTN, cabe esclarecer que não se aplica aos casos de inobservância de obrigação acessória à qual estão sujeitos todos os contribuintes. O teor do referido dispositivo é o seguinte: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (...) Da leitura do dispositivo depreendese, claramente, que ele trata de penalidade vinculada a tributo, prevendo uma situação (denúncia espontânea) em que a multa ex officio não pode ser aplicada. Logo, não alcança as penalidades pela inobservância de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Lembrese, ademais, que o art. 113, § 3º, do CTN dispõe que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária. E a responsabilidade pela Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 68 6 obrigação principal não é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do CTN. A respeito do assunto, os esclarecimentos formulados no Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, por Aldemário Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, demonstram a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória, corno se depreende a seguir: "Com efeito, o objetivo da denúncia espontânea, conforme explícita previsão legal, é afastar a responsabilidade por infração contida na composição do crédito tributário impago. Quando o tributo não é pago em tempo hábil gera um crédito com, pelo menos, os seguintes componentes: PRINCIPAL tributo, MULTA penalidade pecuniária e JUROS DE MORA. A denúncia espontânea afasta justamente a parte punitiva e mantém, com toda sua intensidade quantitativa, o PRINCIPAL tributo, Esta estrutura de débito, a única referida no citado art. 138 do CTN, obviamente só existe no caso de descumprimento de obrigação tributária principal. O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no art. 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: PRINCIPAL multa (penalidade pecuniária) e MULTA inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denúncia espontânea não afeta o PRINCIPAL do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Uma única ponderação parece ratificar estas considerações. Admitir a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigação acessória significa negar; em regra, a obrigatoriedade do adimplemento obrigação de fazer ou nãofazer; isto porque a sanção decorrente poderia ser afastada, a qualquer tempo, justamente a partir da realização daquela ação originalmente com prazo certo. O raciocínio seria o seguinte: apresento a declaração quando quiser, sendo, em princípio, irrelevante O masco temporal legal, porque a apresentação depois do prazo seria denúncia espontânea e afastaria a multa, única consequência da intempestividade, salvo ação fiscal extremamente improvável. Mais ainda, temse que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse em aplicar a lei regularmente inserida no mundo jurídico, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Nesse sentido, observese o que dispõe o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 69 7 Essa vinculação da autoridade administrativa à norma legal somente deixa de prevalecer quando a norma em questão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, o que não ocorre com as normas legais que fundamentam a exigência em análise. Dessa forma, e sendo inconteste que a declaração objeto do lançamento foi apresentada a destempo, é de se manter a multa. Juros de Mora com base na Selic A impugnante argui no sentido de que é incabível a exigência de juros de mora com base na taxa Selic. Porém, o auto de infração em análise trata, exclusivamente, de multa por inobservância de obrigação acessória, não existindo lançamento de oficio de juros Selic. É certo que o não pagamento da multa, no prazo previsto no auto de infração, acarreta a partir dai, a cobrança de juros com base na taxa selic. Mas isso é matéria que diz respeito exclusivamente à cobrança do indébito, que não faz parte do lançamento de oficio. Por conseguinte, não cabe, aqui, apreciar razões relativas à validade da exigência de juros com base na taxa Selic, que não é matéria tratada nos autos. CONCLUSÃO Posto isto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento, para manter integralmente a exigência. Importante ressaltar que apesar de a recorrente reiterar que deve ser aplicado o artigo 150, § 4º do CTN para a aplicação da decadência, o voto condutor fundamenta com perfeição que a aplicação correta, in casu, é o art. 173, I, do CTN No tocante ao instituto da denúncia espontânea, cumpre acrescentar que o tema tem entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº. 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada nos autos, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. Em relação à jurisprudência citada, não cabe ao agente do Fisco nem a este Carf deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Diante do exposto, voto por REJEITAR AS PRELIMINARES de decadência e da nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10930.003807/200499 Acórdão n.º 1001000.982 S1C0T1 Fl. 70 8 (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903437/2015-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 37 /2 01 5- 03 Fl. 213DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 215DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 217DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 219DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 221DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.903437/201503 Acórdão n.º 1302003.265 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 223DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000927/2005-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003
MATÉRIA PRECLUSA. FUNDAMENTO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES.
AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de questionamento em relação a qualquer um dos fundamentos de exclusão do SIMPLES caracteriza a preclusão da matéria e impede que se afaste os efeitos do ato de exclusão, ainda que se verifique a possibilidade de permanência em face dos demais fundamentos.
Numero da decisão: 1202-001.087
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
1.0 = *:*
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SOLDA E MECÂNICA INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 MATÉRIA PRECLUSA. FUNDAMENTO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de questionamento em relação a qualquer um dos fundamentos de exclusão do SIMPLES caracteriza a preclusão da matéria e impede que se afaste os efeitos do ato de exclusão, ainda que se verifique a possibilidade de permanência em face dos demais fundamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 09 27 /2 00 5- 31 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte. Por economia processual, adotase, na íntegra, o relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito, com destaques acrescidos: O contribuinte acima identificado foi excluído do SIMPLES, por meio do Ato Declaratório executivo DRF/PPE nº 009/2007, em razão do exercício de atividade econômica vedada no sistema simplificado, consistente na locação de mãodeobra (alínea “f” do inciso XII do art. 9º da Lei n° 9.317/96) e na prestação de serviço de engenheiro ou assemelhado (inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317/96). Os efeitos da exclusão iniciamse a partir de 01/01/2002. 2. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 6170, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 2.1. Alega o contribuinte que o art. 179 da Constituição Federal determina que seja dispensado tratamento jurídico diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte. Afirma que a Lei n° 9.317/96, ao disciplinar tal tratamento diferenciado, adotou um critério objetivo para caracterizar as microempresas e as empresas de pequeno porte, qual seja, a receita bruta. Aduz que atende a este critério objetivo, de modo que faz juz à opção pelo SIMPLES. Sustenta que a decisão recorrida incide em equívoco ao caracterizar a execução dos serviços de que trata os autos como próprios de engenheiros e técnicos, consistindo o erro na falta de distinção entre as atividades de engenheiro e de técnico, distinção esta prevista na Resolução CONFEA nº 218/73. O art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96 impede a opção pelo SIMPLES da empresa que presta serviço profissional de engenheiro, sendo descabida a interpretação ampla ou o emprega de analogia. A vedação, por ser norma excepcional, deve ser interpretada restritivamente, alcançando apenas os serviços cuja execução exija concurso de profissional legalmente habilitado. Esta exigência não se aplica aos serviços de manutenção e reparação de máquinas em geral e soldas. Interpretação em sentido contrário viola a própria Lei n° 5.194/66. A Resolução 218/73 do CONFEA não regula a Lei n° 9.317/96, de maneira que sua aplicação na hipótese dos autos configura violação ao princípio da legalidade tributária (art. 150, I, da Constituição Federal). A interpretação extensiva empregada afronta o art. 108, § 1º, do CTN. Cita o contribuinte farta jurisprudência em abono a seus argumentos. O art. 4º da Lei n°10.964/2004 contempla diversas hipóteses em que não se aplica a vedação prevista no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 4 3 dentre as quais destacase a atividade de reparação de veículos automotores, de motos e de aparelhos eletrodomésticos. Estas atividades não são realizadas por engenheiros, razão pela qual é descabido também o desenquadramento de empresa que exerce atividade de manutenção de equipamentos industriais. A Resolução 218/73, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, ultrapassou os limites da lei regulamentada (Lei n° 5.194/96), de modo que o desenquadramento não pode ser promovido com base na referida Resolução, sob pena de restar caracterizada a criação de tributo por meio de analogia, ofendendo o princípio da legalidade tributária. Afirma o contribuinte que já se encontra desenquadrado do SIMPLES desde o início do segundo semestre do ano de 2005, tendo migrado para o regime do lucro presumido pelo fato de que ultrapassou o limite de receita bruta admitido no SIMPLES. Assevera que houve inclusive parcelamento de tributos, revelando a situação da empresa, que se encontra com as atividades praticamente encerradas desde setembro de 2006, de modo que não há condições financeiras de suportar com o pagamento dos impostos originados de outro regime. 2.2. Por fim, pede o contribuinte que o recurso seja recebido com efeito suspensivo e que seja admitida a permanência da empresa no SIMPLES, desde 04/01/2002 até quando por iniciativa própria foi desenquadrada do referido sistema. A DRJ decidiu nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Data do fato gerador: 01/01/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. É vedada a opção pelo SIMPLES do contribuinte que exerce atividade de manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Cientificada da decisão em 08/07/2008 (fl.125), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário ao CARF, em 30/07/2008 (fls.126141), alegando, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 5 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e assente em lei, sendo conhecido. Analisando a Representação Administrativa, fls.0103, que apontou como ocorrências, em tese, de hipótese de exclusão do SIMPLES, a prevista no art. 9°, alínea "f", dos incisos XII e XIII e alínea "a" do inciso II, do art. 13, todos da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, o Parecer/Sacat/DRF/PPE/156/2007, de 14 de março de 2007 (fls.43 e ss.), opinou pela exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2002. Consoante o referido parecer, em relação à atividade de locação de mão de obra, concluiuse pela caracterização, considerando que: As provas nas quais baseouse a autoridade do INSS para concluir que a empresa presta serviços de locação de mão de obra, foram ás notas fiscais de prestação de serviço anexadas às fls. 15 á 35. Nas quais há indicação de que tenha havido pagamento dos serviços em função de horas trabalhadas. Como exemplo podemos citar a nota fiscal numero 019, fl. 17, na qual consta como descrição do serviço "Serviços prestados referentes á mão de obra — 794 horas trabalhadas". O que nos permite concluir que teria havido locação de mãodeobra. Em relação à atividade de manutenção mecânica, o referido parecer concluiu no mesmo sentido, considerando que: A Representação apresentada pelo INSS, fls. 01/03, aponta, também, o exercício da atividade de Manutenção Mecânica, a qual depende para seu exercício de profissional habilitação. O que é fato impeditivo a opção pelo Simples, nos termos do inciso XIII, do Artigo 9º da lei 9.317/96: [...] As notas fiscais constantes as folhas 15 a 35 comprovam o efetivo exercício da atividade de Manutenção Mecânica. Como exemplo podemos citar a nota fiscal de numero 155, fl. 19, na qual consta como descrição do serviço "Serviços de manutenção mecânica". A recorrente questiona a exclusão alegando que a vedação à sistemática do SIMPLES não alcança o serviço que presta, qual seja, de manutenção e reparação de máquinas em geral e soldas. Após analisar o caso, a turma da DRJ confirma que a recorrente exerce “atividade de manutenção de máquinas e equipamentos industriais”, mas considera tal atividade impeditiva, por enquadrála como atividade própria de engenheiros, com fulcro no Fl. 152DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 6 5 Ato Declaratório Normativo COSIT nº 04/2000, que, ao interpretar o art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/96, no tocante à atividade de manutenção de equipamentos industriais, dispôs que tal atividade caracterizava prestação de serviço profissional de engenharia. Assim, o colegiado de piso entendeu que: 5.6. Portanto, a atividade de manutenção de máquinas é própria de profissionais com habilitação em engenharia. O fato de haver, de fato, eventual prestação destes serviços por profissionais sem esta habilitação não infirma esta conclusão. Todavia, a jurisprudência do CARF encontrase pacificada em sentido oposto. Da análise dos autos, é possível concluir que a situação do contribuinte enquadrase na Súmula CARF nº 57, que dispõe: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. De fato, em relação à atividade de manutenção mecânica, inexiste fundamento para a exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2002. Todavia, vejase que a exclusão do SIMPLES em litígio também se deu com fundamento na alínea “f” do inciso XII do art. 9º, da Lei nº 9.317/96, que dispõe: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica:[...] XII que realize operações relativas a:[...] f) prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra; A prestação de serviços através de locação de mão de obra foi demonstrada na representação do INSS com a juntada de notas fiscais, expressamente referidas no Parecer/Sacat/DRF/PPE/156/2007, de 14 de março de 2007 (fls.43 e ss.). A DRJ foi silente sobre o tema, visto que, em sua manifestação de inconformidade, a ora recorrente não se defendeu dessa imputação. Tampouco no recurso voluntário isso foi questionado. Diante disso, verificase que a matéria resta preclusa, pelo que este colegiado está impedido de se manifestar, nos temos do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Como a exclusão do SIMPLES se deu por dois motivos expressamente descritos e fundamentados nos atos administrativos que originaram o Ato Declaratório Executivo DRF/PPE nº 009, de 16/03/2007 (fl.54), ainda que se afaste um dos fundamentos, o segundo permanece. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13830.000927/200531 Acórdão n.º 1202001.087 S1C2T2 Fl. 7 6 Considerandose que a imputação da locação de mão de obra não foi atacada nos autos, a exclusão, por esse fundamento, é definitiva, inexistindo a possibilidade de se desconstituir os efeitos do ADE referido. Ante o exposto, negase provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 10/01/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.726147/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 18/03/2014
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ÁLCOOL CETOESREARLICO. NCM 3823.70.30 - Álcoois Graxos Industriais - outras misturas de álcoois primários alifáticos (classificação do contribuinte) versus NCM 3823.7010 - Alcoóis Graxos Industriais - Esteáneo (classificação da fiscalização).
As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado distinguem as misturas de álcoois primários alifáticos, álcool cetílico industrial e as misturas de álcoois primários alifáticos, não sendo a última resultado da mistura das outras duas, tal qual quer fazer prevalecer o contribuinte.
As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado explicita o que vem a ser misturas de álcoois primários alifáticos e o produto em questão não se enquadra nessa descrição
Numero da decisão: 3401-005.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 18/03/2014 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ÁLCOOL CETOESREARLICO. NCM 3823.70.30 - Álcoois Graxos Industriais - outras misturas de álcoois primários alifáticos (classificação do contribuinte) versus NCM 3823.7010 - Alcoóis Graxos Industriais - Esteáneo (classificação da fiscalização). As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado distinguem as misturas de álcoois primários alifáticos, álcool cetílico industrial e as misturas de álcoois primários alifáticos, não sendo a última resultado da mistura das outras duas, tal qual quer fazer prevalecer o contribuinte. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado explicita o que vem a ser misturas de álcoois primários alifáticos e o produto em questão não se enquadra nessa descrição
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 317 1 316 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.726147/201417 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.317 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente COFERLY COSMÉTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/03/2014 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. ÁLCOOL CETOESREARLICO. NCM 3823.70.30 Álcoois Graxos Industriais outras misturas de álcoois primários alifáticos (classificação do contribuinte) versus NCM 3823.7010 Alcoóis Graxos Industriais Esteáneo (classificação da fiscalização). As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado distinguem as misturas de álcoois primários alifáticos, álcool cetílico industrial e as misturas de álcoois primários alifáticos, não sendo a última resultado da mistura das outras duas, tal qual quer fazer prevalecer o contribuinte. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado explicita o que vem a ser misturas de álcoois primários alifáticos e o produto em questão não se enquadra nessa descrição Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 61 47 /2 01 4- 17 Fl. 317DF CARF MF 2 convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem retratar os fatos contidos nos autos, adotase o relatório da DRJ/SP (efl. 264 e ss.), cujo relator fora o atual conselheiro Jorge Lima Abud: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 05/08/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, acrescido de multa de ofício e juros de mora, além de multa regulamentar, no valor de R$ 17.674,72, em virtude dos fatos a seguir escritos. A empresa CORFERLY COSMÉTICA LTDA submeteu a despacho de Declaração de Importação n° 14/05254264, registrada em 18/03/2014, 13.440 kg de produto químico descrito como “álcool cetoesrearlico” em forma sólida, fabricado na Alemanha. A mercadoria foi classificada no código tarifário 3823.70.30 – Álcoois Graxos Industriais outras misturas de álcoois primários alifáticos, cujas alíquotas aplicadas são de 2,00 % para o Imposto de Importação, 0,00 % para o Imposto sobre Produtos Industrializados na importação, 1.65 % para o PIS e 7,60 % para a Cofins. A partir do laudo de análise, a fiscalização concluiu que a correta classificação da mercadoria seria no código NCM 3823.70.10 Alcoóis Graxos Industriais Esteáneo) que possui as seguintes alíquotas: 14,00 % para o Imposto de Importação, 0,00 % para o Imposto sobre Produtos Industrializados na importação, 1.65 % para o PIS e 7,60 % para a Cofins. O Importador, atendendo à decisão judicial, efetuou depósito no valor dc RS 9.462.19, referente à diferença entre o valor que já havia sido recolhido pela aplicação da alíquota de 2% e o valor a ser recolhido pela alíquota de 14%. A fiscalização entende que caso seja comprovado que a mercadoria foi classificada incorretamente pelo contribuinte, também devam ser pagas as multas previstas nos artigos 7 11 I e 7251 do Decreto 6.759.2009. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 02/09/2014 (fls. 42), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 30/09/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 46 à 76, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: PRELIMINAR DE NULIDADE (grifo do Relator originário). ⊙ NATUREZA CONSTITUCIONAL DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL Como é sabido, o direito ao devido processo legal na via administrativa foi elevado à garantia fundamental constitucional, espelhandose, repetidamente, em vários dispositivos, como o direito à ampla defesa e ao contraditório, (direito de ser ouvido), à publicidade dos atos decisórios, dupla instância de decisão, fundamentação das decisões, defesa técnica, produção de provas, proibição de tribunais de exceção etc. Tal elevação se deu não somente porque o constituinte assim o quis, mas porque o direito positivo pátrio, cujo fundamento de validade se ampara no texto constitucional, configurase Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11128.726147/201417 Acórdão n.º 3401005.317 S3C4T1 Fl. 318 3 em um sistema de normas, as quais devem manterse consentâneas entre si, em seus elementos e suas relações, sob pena de inviabilidade do próprio sistema. N (sic) relação jurídicotributária, o nascimento do título executivo não decorre de decisão judicial, muito menos de vontade do devedor, mas tão somente por ato unilateral do credor, consubstanciado na inscrição do débito na dívida ativa. E suas prerrogativas não param aí, sendo notórias suas garantias e privilégios, assim como estabelecidos no Capítulo VI, do Título III do C.T.N., bem como na legislação tributária extravagante, a exemplo da ação cautelar fiscal. Tais características denotam o caráter instrumental do crédito tributário. Ora, se por um lado ao crédito tributário são asseguradas tais prerrogativas, notadamente aquelas que atribuem ao próprio credor, ao st ' . nte, a constituição de seu crédito, a garantia constitucional ao pro st, administrativo, mais do que instrumento de constituição da lívida, onfigurase em verdadeira limitação do poder fiscal. Na ausência de condenação judicial ou expressa manifestação de vontade do devedor, o processo administrativo constituise em contrapartida mínima do contribuinte. Devem, por isso, serlhes assegurados os mesmos tipos de garantia do processo judicial, vez que este não existe. Neste aspecto, a teleologia do processo administrativo é idêntica à do processo judicial: solução de conflitos, na busca da verdade material. Não se admite, por isso, o sofisma de ser o processo administrativo secundário, vez que, em última análise o contribuinte poderia socorrerse da via judicial. Conforme se depreende, o processo administrativo faz, de fato, as vezes do processo de conhecimento. Admitir o contrário significa afirmar a própria negação ao sistema de limitações ao poder de tributar imposto pela Constituição Federal. Junta textos da doutrina de Ada Pellegrini Grinover: (O Processo em sua UnidadeII, Forense, 1.98., pg. 57 Grifos da impugnante) Junta textos da doutrina de Geraldo Ataliba: (Princípios do Procedimento Tributário, in Revista Fisco e Contribuinte, junho/75, p 464, gritos da Impugnante). Junta textos da doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello: (Curso de Direito Administrativo, 8a ed., ver., atual e ampl., São Paulo: Malheiros, 1996, p. 306). Concluise, pois, que o princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa e consiste no dever de • verificação, pela autoridade fiscal, exaustiva e imparcial, dos eventos ocorridos faticamente, para fins de aferição de eventual nascimento de obrigação tributária. Assim, se a Administração Pública tem porfinalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é obvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse Pelas presunções, fundamentase na ocorrência de fatos que, a "priori", não se podem conhecer facilmente. Assim, admitidos referidos artifícios no direito positivo, e sendo o direito positivo um sistema normativo, somente se concebem em face dos princípios norteadores do processo administrativo, vale dizer, as presunções não podem se sobrepor à busca da verdade material pela administração pública. Por essa razão, fazse necessário delimitar até que ponto pode um indício, fazendo parte do Fl. 319DF CARF MF 4 conjunto probatório, servir para sustentação da pretensão tributária do Fisco. Isso porque, embora haja norma prevendo a f ss ilidade do Fisco, pelos elementos de que dispõe, acusar o contribuinte J ) cometimento de infrações, por estar a administração pública, obrigatoriamente, atrelada ao princípio da verdade material, conforme já aludido, fazse necessário que o agente fiscal, ainda que existente o indício, aprofunde sua pesquisa para a busca de provas de que houve a ocorrência do fato imponível, sua função precípua. Se o agente do fisco não possui um fato ou situação contundente para provar determinada situação, deverá ir em busca de outros elementos para verificar se, em conjunto, podem ou não produzir a prova. • O princípio da verdade material impõe ao agente fiscal o esgotamento de aferição dos eventos, para então, ante a situação sistemicamente permitida pelo ordenamento jurídico, lançar mão das presunções legais. Ora, se há indícios e presunções, a administração pública não tem certeza do fato pelo qual o contribuinte poderá estar sendo acusado; contudo, tem conhecimento de fatos indicativos de que aconteceu determinada situação, cabendo, nesse caso, ir em busca da verdade material, que poderá ser revelada mediante simples aprofundamento do trabalho de fiscalização. Não lhe sendo possível esta verificação, então, poderá lançar mão das presunções legais. De seu turno, verificada a certeza da ocorrência do evento, esta elide o indício, vez que maior e mais forte. ⊙ A INOBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL NA PRESENTE AUTUAÇÃO No caso dos autos, partindo de indícios e presunções, a administração pública lavrou o presente auto de infração sob a alegação de tratarse de recolhimento a menor de Imposto de Importação por uso de NCM supostamente incorreto, gerando diferencial de 12% (doze por cento) na alíquota utilizada para cálculo do referido imposto. Entretanto, conforme será demonstrado adiante, não considerou o agente fiscal que o NCM utilizado, o qual fixa a alíquota de 2% (dois por cento) encontrase devidamente embasado em Laudo Técnico sobre o produto! Referido laudo, comprova o enquadramento do produto em questão no NCM 3823.70.30, através da aplicação das Normas de Interpretação contidas na NESH – Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, bem como através da própria análise laboratorial pormenorizada do produto. Além disso, conforme consta nos anexos do Laudo, o próprio fabricante Sasol Germany GmbH, detalha instruções, com destaque para o anexo A5, em que podem ser verificadas as distinções entre o "nafol 1618" (álcoo1 steárico" e o "nafol 1618h" (álcool cetoestearílico), ou seja, em tal material vid nciamse as DISTINÇÕES de composição química, peso molecular, ponto de fusão e densidade! (does. anexos) De um modo mais específico, na segunda parte do parecer técnico, consta um estudo comparativo entre as conclusões sobre a classificação do produto "nafol 1618h" e a classificação merceológica, constante da NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado), sobretudo, no que se refere ao capítulo 38. A solução de Consulta agora proferida, afirmou de modo simplório, tratarse de produto a ser enquadrado no NCM 3823.70.10 alíquota de 14%, por supostamente não se tratar de "mistura" de alcoóis primários alifáticos, mas sim de simples álcool estearílico, CONTRARIANDO ABSURDAMENTE A PRÓPRIA INSTRUÇÃO DO FABRICANTE DO PRODUTO! Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11128.726147/201417 Acórdão n.º 3401005.317 S3C4T1 Fl. 319 5 Ora Nobres Julgadores, não pode o Fisco de modo tão superficial, emitir simples opinião diversa do próprio fabricante do produto, tratando o tema de modo tão subjetivo, a fim de aumentar a arrecadação em prejuízo do contribuinte! Evidente neste sentido, a inobservância do PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL, dentre outros, o que não pode nem deve prevalecer! A comprovação da situação fática ensejadora da 1avvratura do AIIM, pertence ao Fisco, sendo que sua ausência configura NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL, conforme entendimento do CARF. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Analisando terminologicamente, a palavra Proporcionalidade dá uma conotação de proporção, adequação, medida justa, prudente e apropriada à necessidade exigida pelo caso presente. Neste sentido, tal princípio tem como escopo evitar resultados desproporcionais e injustos, baseaado em valores fundamentais conflitantes, ou seja, o reconhecimento e a aplicação do princípio permitem vislumbrar a circunstância d e que o propósito constitucional de proteger determinados valores fundamentais deve ceder quando a observância intransigente de tal orientação importar a violação de outro direito fundamental mais valorado. In casu, ainda que o Nobre Julgador entenda não ser o caso de considerar de plano NULO o Auto de Infração ora impugnado, melhor saída será CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, de modo que se realize PERICIALMENTE a análise do produto em questão, a fim de se constatar a veracidade sobre a real composição do produto, posto que somente assim eliminarseá a controvérsia, reestabelecendo A VERDADE MATERIAL. Assim, com suporte no princípio da verdade material, requer desde já seja reconhecida a nulidade da autuação ou, se assim Vossa Senhoria não entender, que seja CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que se realize PERÍCIA sobre o produto, por ser medida justa! ⊙ NULIDADE DO LANÇAMENTO CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Como se não bastasse a impropriedade da autuação, considerando o posicionamento meramente subjetivo do Fisco, verificase a irregularidade da cobrança em detrimento ao fato do presente crédito encontrarse com a exigibilidade suspensa! Ora, de que valeu o contribuinte de boafé efetivar o depósito do montante integral nos autos do Mandado de Segurança inicialmente mencionado, se o Fisco ainda assim procedeu a autuação?! Transcreve o artigo 151 do Código Tributário Nacional. Realmente não se justifica exigirse que a Fazenda Pública, mesmo existindo depósito da quantia questionada em ação judicial contra ela movida pelo contribuinte, formalize um lançamento tributário sob pena de decadência do seu direito de lançar. Tal exigência, além de ser desprovida .de fundamento a luz dos dispositivos do Código Tributário Nacional, consubstancia exigência que levaria a Administração Tributária a desenvolver atividade inteiramente inútil! Neste sentido, portanto, há de se reconhecer a nulidade de pleno direito do lançamento ora impugnado, haja vista a evidente ilegalidade de cobrar algo que encontrase pago sob a égide dos efeitos do deposito do montante integral realizado e devidamente comprovado, nos autos Fl. 321DF CARF MF 6 no mandado de segurança impetrado para liberação do produto importado. Tal situação, também ocorreu em razão da autoridade fiscal não ter procedido ao seu poder/dever de busca da verdade material, mediante aprofundamento de sua fiscalização. Digase que sequer vislumbrou esta possibilidade, frisese, igualmente indiciária, já que mesmo a impugnante procedendo a exibição da documentação comprobatória da suspensão da exigibilidade do crédito, a autoridade promoveu o lançamento irregular. O ora alegado se comprova cabalmente mediante a inexistência de qualquer menção, na presente autuação, pelo agente fiscal acerca de diligências por ele efetuadas e/ou requeridas, além da documentação exigida. Na realidade, consta na autuação que o agente fiscal simplesmente procedeu o lançamento, sem considerar a existência do depósito do montante integral em mandado de segurança, o que demonstra o erro cometido por dita autoridade administrativa no lançamento em questão e, por consequencia, a sua nulidade. DO MÉRITO Conforme mencionado ‘ anteriormente, o agente fiscal, ao lavrar o auto de infração em questão, considerou existência de pagamento "supostamente" a menor de imposto de importação originado por uso supostamente incorreto de NCM. Entretanto, como conforme já explicitado, o NCM utilizado encontra respaldo em Laudo Técnico de análise do produto em questão, no qual sobreveio confirmação de seu enquadramento no código 3823.70.30, cuja alíquota é de 2% (dois por cento). Não há qualquer justificativa ou embasamento legal que ampare o procedimento do agente fiscal, que considerou o produto enquadrado o código 3823.70.10 (alíquota de 14%), logo, é improcedente o auto de infração. Da análise do Laudo Técnico juntado, restou conclusivo o parecer para utilização do código 3823.70.30, vejamos: O teor do Parecer Técnico 179/11 estabelece que o produto estudado, ISiAFOL 1618H, tratase de um produto da indústria química, caracterizandose como um álcool graxo industrial e, mais particularmente, como uma mistura de alcoóis primários alifáticos (mistura equivalente dos alcoóis cetílico e estearílico, também denominada álcool cetoestearílico), utilizado na área cosmética, na formulação dos seguintes produtos: cremes para as mãos e pés; cremes para cabelos (creme rinse), etc: A classificação de mercadorias na Nomenclatura é regida pelas Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado, sendo o teor de sua primeira regra o seguinte: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas Posições e Notas, pelas Regras seguintes." O produto estudado, NAFOL 1618H, ou seja, uma mistura de álcoois primários alifáticos, 110 código tarifário 3823.70.30, atende perfeitamente, à luz das Regras Gerais de interpretação da Pauta, ao dispôs' ' nos textos dessa posição e das notas da Seção e Capítulo e não contraria os textos das referidas posição e n tas.. Ora Nobre Julgador, da análise do conteúdo do Parecer em questão verificasse a plausibilidade do direito invocado, posto que respeitadas as formas e normas aplicáveis a correta interpretação da classificação fiscal aplicável. Ademais, a conclusão técnica baseiase essencialmente no fato de tratarse de uma "mistura" de alcoóis que tecnicamente contém PARTES IGUAIS, o que se leva a crer, Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11128.726147/201417 Acórdão n.º 3401005.317 S3C4T1 Fl. 320 7 s.m.j., pela impossibilidade de definição como álcool esteárico ou cetílico, mas única e simplesmente como "cetoestearílico", enquadrandose, por consequência, no NCM 3823.70.30 já utilizado pela impugnante. Assim, a presente autuação não merece ser acolhida, porquanto existem elementos fáticos probatórios suficientes para o deslinde da controvérsia, notadamente o Laudo Técnico produzido, sobretudo, diante da evidente boafé da impugnante em fundamentar legalmente o uso do NCM em comento. Não obstante, subsistindo opiniões divergentes sobre a referida classificação, sabido é que o tema em questão não há como ser definido através de mera subjetividade, demandando, entretanto, aprofundamento mediante PERÍCIA TÉCNICA, na qual será possível o desempa e de qualquer opinião, arrolandose os quesitos necessários á conc isi o. Neste sentido, o princípio da AMPLA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA emerge do direito à ampla defesa, que inclusive admite a utilização de todos os meios de provas pertinentes à lide submetida ao julgamento administrativo. Tal garantia é conferida expressamente aos litigantes em Processo Administrativo através do art. 5Q LV da CF/88. Não podem por si mesmo, a legislação processual administrativa ou o órgão julgador obstaculizarem o exercício do direito à prova, sob pena de incidência em cerceamento de defesa, nem criar presunções fazendárias absolutas ou relativas que colimem INVERTER O ONUS PROBANDI ou EXIGIR PROVA NEGATIVA. Deste modo, pleiteiase no caso concreto que seja considerado válido o Laudo Técnico apresentado, reconhecendose, por consequência, como correto o uso do NCM 3823.70.30, de modo que seja o presente auto de infração julgado improcedente. Entretanto, caso Vossa Senhoria assim não entenda, melhor saída não há, senão a conversão do julgamento em diligência, de forma a realizar a competente perícia técnica sobre o produto. (...). (Negritos do Relator). À unanimidade de votos, da DRJ/SP, manteve o crédito tributário exigido, por meio da seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/03/2014 Importação de produto químico descrito como “álcool cetoesrearlico”, com classificação no código tarifário 3823.70.30 Álcoois Graxos Industriais outras misturas de álcoois primários alifáticos. A fiscalização concluiu que a correta classificação da mercadoria seria no código NCM 3823.70.10 Alcoóis Graxos Industriais Esteáneo. O Laudo do fabricante, por si só, não tem qualquer força indicativa e muito menos normativa. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado distinguem as misturas de álcoois primários alifáticos, álcool cetílico industrial e as misturas de álcoois primários alifáticos, não sendo a última resultado da mistura das outras duas, tal qual quer fazer prevalecer o importante na sua argumentação. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, que possui força normativa, explicita o que vem a ser misturas de álcoois primários alifáticos e o produto em questão não se enquadra nessa descrição. Perícia negada. Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia. Prova disso é que a impugnação sequer apresenta quesitos. Fl. 323DF CARF MF 8 A Recorrente tomou ciência do acórdão em 18/12/2014 (AR de efl. 285), vindo a interpor recurso voluntário em 16/01/2014 (efl. 289), no qual basicamente repete os argumentos da impugnação, acrescentando que a multa deve ser cancelada por flexibilização do artigo 136 do CTN, vez que demonstrada sua boafé – formalizou consulta fiscal; manifestou sua discordância no Sistema SISCOMEX sobre a correção do NCM e recolhimento do diferencial de alíquota do II, baseandose em Laudo Técnico; impetrou MS para a liberação do produto importado, obtendo liminar com depósito judicial integral; apresentou impugnação em face do AIIM, com novo exame pericial, diante da existência de 2 (dois) laudos técnicos divergentes/conflitantes , permitindo que o julgador aja com equidade (artigo 108 do CTN), colacionando jurisprudências em seu favor. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos O recurso voluntário é tempestivo e dele se toma conhecimento. Quanto às preliminares de violação do direito de defesa e suas derivações sobre o assunto, temse que razão não socorre a Recorrente, vez que apresentou sua impugnação, juntou laudo, enfim, discutiu profundamente o assunto e obtive resposta da Administração Pública, bem como interpôs seu voluntário, de modo que as afasto. O ponto central da discussão é saber se o produto importado é uma mistura de álcoois primários alifáticos. A decisão da DRJ/SP foi no ponto ao citar respostas advindas do laudo de assistência técnica LAB 190/14, cujas partes mais importantes se destaca (efl. 279 e ss.): 1. Não se trata de mistura de Alcoóis Primários Alifáticos. Tratase de mistura constituída de 51,1% de Álcool Estearlico e 48,9% de Álcool Cetílico, com características de cera. Um Álcool Estearlico industrial. Um Ácido Graxo (*Gordo) Industrial. (...) O laudo de assistência técnica n° LAB 190/14 refutou o fato do produto em questão ser uma mistura de Alcoóis Primários Alifáticos. O laudo de assistência técnica n° LAB 190/14 identificou o produto como uma de mistura constituída de 51,1% de Álcool Estearlico e 48,9% de Álcool Cetílico, com características de cera. Um Álcool Estearlico industrial. Um Ácido Graxo (*Gordo) Industrial. (...) Tratando da posição 3823, menciona o relator da DRJ/SP (efl. 280): 5) As misturas de álcoois primários alifáticos, habitualmente compostas por álcoois com seis a treze átomos de carbono. Tratase de líquidos obtidos geralmente pela síntese Oxo. E prossegue com seu pensamento: Portanto, as própria Notas Explicativas do Sistema Harmonizado distinguem as misturas de álcoois primários alifáticos, álcool cetílico industrial e as misturas de Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11128.726147/201417 Acórdão n.º 3401005.317 S3C4T1 Fl. 321 9 álcoois primários alifáticos, não sendo a última resultado da mistura das outras duas, tal qual quer fazer prevalecer o importante na sua argumentação. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, que possui força normativa, explicita o que vem a ser misturas de álcoois primários alifáticos e o produto em questão não se enquadra nessa descrição. Na impossibilidade de proceder a classificação tributária do produto enquanto misturas de álcoois primários alifáticos, atribuise a classificação tributária do produto pela característica predominante: 51,1% de Álcool Estearlico. Portanto, para a classificação tributária o código NCM adequado é o 3823.70.10. A decisão proferida pelo acórdão recorrido, adentrou no assunto e decidiu corretamente, aliás, aproveitandoa para fins de fundamento do presente voto, como razões de decidir, evitandose repetições de fundamento que se chegaria ao mesmo desiderato, situação permitida pelo § 3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei nº 9.784/99. Por tais razões, não há reparo a ser feito na decisão de piso, e assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 325DF CARF MF
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