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Numero do processo: 13899.000625/2003-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1989 a 30/04/1995
COMPENSAÇÃO. DECISÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. CTN, ART. 170-A. PARECER PGFN/CRJN Nº 683/1993. DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. INAPLICABILIDADE.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Extraordinário no 1.164.452/MG, decidido no regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, decidiu que a vedação do art. 170-A do CTN não se aplica às ações judiciais propostas em data anterior à Lei Complementar nº 104/2001. REsp 1164452/MG. Aplicação do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Afastamento do Parecer PGFN/CRJN nº 683/1993.
DIREITO DE CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS-LEIS N° 2.445/1988 E N° 2.449/1988. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a prejudicial de ausência de decisão transitada em julgado, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive se houve pagamentos realizados com fundamento nos Decretos-Leis n° 2.445/1988, e n° 2.449/1988. Os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-004.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado para afastar a ausência de decisão transitada em julgado para análise do mérito.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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DECISÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO. VEDAÇÃO. CTN, ART. 170A. PARECER PGFN/CRJN Nº 683/1993. DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. INAPLICABILIDADE. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Extraordinário no 1.164.452/MG, decidido no regime do art. 543C do Código de Processo Civil, decidiu que a vedação do art. 170A do CTN não se aplica às ações judiciais propostas em data anterior à Lei Complementar nº 104/2001. REsp 1164452/MG. Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Afastamento do Parecer PGFN/CRJN nº 683/1993. DIREITO DE CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS N° 2.445/1988 E N° 2.449/1988. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 06 25 /2 00 3- 15 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado para afastar a ausência de decisão transitada em julgado para análise do mérito. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 467): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1989 a 30/04/1995 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de débitos com direito creditório discutido judicialmente, antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada. Por bem descrever o objeto da lide, reproduzse o relatório da decisão recorrida: Tratase de Declaração de Compensação, apresentada em 29/04/2003 (fl. 1), de crédito decorrente da ação judicial n° 2000.61.00.0025137, conforme planilha de cálculos às fls. 3/6. Além disso, vinculadas ao mesmo crédito, a interessada enviou eletronicamente as Dcomps de n° 05184.66914.130603.1.3.043283, n° 06209.16024.151003.13.047998, n° 13176.55889.280604.1.7.044302, n° 15267.43712.150903.1.3.043516 e n° 41656.08766.130803.1.7.041668. A DRF em Osasco emitiu o Despacho Decisório de fls. 338/344, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações, sob a fundamentação de que o crédito alegado pela interessada tem origem em créditos decorrentes de Ação Judicial não transitada em Julgado”. A DRJ manteve o referido entendimento, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. A Recorrente, em suas razões recursais (fls. 472 e ss.), alega que o direito de crédito teria sido reconhecido por decisão judicial, de sorte que nada impede a compensação. Sustenta que a vedação para a compensação do crédito tributário, objeto de demanda judicial, antes do trânsito em julgado da decisão, é vedada pelo art. 170A, incluída pela Lei Complementar nº Fl. 504DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13899.000625/200315 Acórdão n.º 3802004.109 S3TE02 Fl. 504 3 104/2001, posterior ao momento em que teria havido o fato gerador da compensação (o pagamento indevido). Por fim, salienta que tendo o Senado Federal, por meio da Resolução n° 49/1995, ratificado a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445/1988, e n° 2.449/ 1988, descabe qualquer discussão acerca da direito ao crédito. Requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 17/12/2008 (fls. 471), ao passo que o recurso foi protocolizado em 14/01/2009 (fls. 472), dentro do prazo legal. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso deve ser conhecido. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte, baseado em sentença ainda não transitada em julgado, promoveu a compensação de crédito de Cofins com débitos de Csll, o que, como se sabe, é vedado pelo art. 170A do Código Tributário Nacional: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001). Mesmo antes da Lei Complementar nº 104/2001, não se admitia a compensão antes do trânsito em julgado, consoante Parecer PGFN/CRJN n.° 683/1993: Para ter direito à compensação, no entanto, não basta o sujeito passivo da relação jurídico fiscal entender que pagou ou recolheu o tributo ou contribuição federal indevidamente ou a mais que o devido, necessitando que o seu respectivo crédito tenha sido reconhecido pela Administração Fazendária ou por decisão judicial com trânsito em julgado, tendo em vista que o art. 170 do CTN exige, para que seja possível a compensação, que o crédito do sujeito passivo contra o Fisco seja liquido e certo. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Extraordinário no 1.164.452/MG, decidido no regime do art. 543C do Código de Processo Civil, entende que a vedação do art. 170A do CTN não se aplica às ações judiciais propostas em data anterior à Lei Complementar nº 104/2001: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Referido entendimento deve ser aplicado compulsoriamente pelo CARF, na forma do art. 62A do Regimento Interno: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, à medida que, no caso em exame, a ação foi ajuizada no ano de 1997 antes, portanto, do início da vigência da Lei Complementar º 104/2001 , a ausência de decisão transitada em julgado não pode ser invocada como fundamento para a não homologação da compensação. Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a matéria referida, não chegou a apreciar o mérito da liquidez e da certeza do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive se houve pagamentos realizados com fundamento nos DecretosLeis n° 2.445/1988, e n° 2.449/1988. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinando se o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 506DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13899.000625/200315 Acórdão n.º 3802004.109 S3TE02 Fl. 505 5 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19740.901614/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SÚMULA N° 84.
Valor recolhido a título de estimativa mensal pode ser compensado no curso do ano-calendário. Aplicação da Súmula CARF n° 84.
Numero da decisão: 1801-002.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma de Julgamento da Primeira Instância para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IRPJ. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SÚMULA N° 84. Valor recolhido a título de estimativa mensal pode ser compensado no curso do ano-calendário. Aplicação da Súmula CARF n° 84.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma de Julgamento da Primeira Instância para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SÚMULA N° 84. Valor recolhido a título de estimativa mensal pode ser compensado no curso do anocalendário. Aplicação da Súmula CARF n° 84. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma de Julgamento da Primeira Instância para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 16 14 /2 00 9- 11 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ1 que, por maioria de votos, não reconheceu o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP, deixando de homologar a compensação. O PER/DCOMP (fls. 07/09) foi transmitido pela Recorrente com o objetivo de compensar débito de IRRF, apurado no primeiro decêndio de agosto/2007, com crédito decorrente do pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal de IRPJ, no período de apuração julho/2002, no valor original de R$ 226.022,81. Consta na fundamentação legal do despacho decisório eletrônico nº 851562112 (fl. 10) que a compensação não foi homologada porque “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 16/19), a Recorrente requereu a reforma do despacho decisório, com a consequente homologação da compensação, sob o fundamento de que “a declaração de débitos e créditos tributários federais (DCTF) relativa ao 3° trimestre de 2002, por ela apresentada em 18/02/2004 – antes, portanto, da ciência do despacho decisório ora combatido –, está em consonância com os dados informados no PER/DCOMP”. A Turma Julgadora de 1a instância conheceu da manifestação de inconformidade, mas a ela negou provimento (fl. 138/144), sob o entendimento de que o crédito decorrente de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real somente poder ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL desse mesmo período.. Notificada da decisão, em 09/08/2011, a Recorrente apresentou recurso voluntário (fl. 151/159). Nas razões do recurso, afirma que, conforme DIPJ e DCTF do período, o crédito utilizado efetivamente existia, sendo que não há qualquer ilegalidade na sua utilização para compensar débito no mesmo exercício. Requer, por fim, o provimento do recurso voluntário para reformar o acórdão nº 1236.706 e homologar a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Percebese que a decisão recorrida não negou a existência do pagamento realizado pela Recorrente, mas, considerandoo como estimativa mensal de IRPJ, indeferiu a sua utilização para compensação de débitos dentro do mesmo anocalendário, ao argumento de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 19740.901614/200911 Acórdão n.º 1801002.163 S1TE01 Fl. 198 3 que o contribuinte deve aguardar o ajuste do IRPJ para que o montante pago a maior componha eventual saldo negativo de IRPJ do período. Assim, a controvérsia deduzida nos presentes autos diz respeito à natureza jurídica do pagamento realizado, uma vez que, ao contrário do entendimento constante do despacho decisório, mantido pela DRJ/SP1, a Recorrente entende que o pagamento realizado configura indébito, apto a ser compensado de imediato. Razão assiste à Recorrente. Conforme a Lei nº 9.430/96 dispõe, na sistemática da apuração do IR pelo lucro real anual, o contribuinte possui duas opções: a) realizar antecipações através de estimativas calculadas com base na sua receita bruta mensal; b) realizar antecipações apuradas com base em balancetes de suspensão e redução. A Recorrente adotou a segunda opção, isto é, apurou e pagou o imposto através de antecipações mensais, calculadas com base em balancetes de suspensão e redução. Através desta sistemática o contribuinte realiza, em cada mês, o cálculo do imposto com a adoção de metodologia equivalente a do ajuste anual, de forma que o montante calculado será sempre o efetivamente devido até aquele momento. Ou seja, os valores das receitas e das despesas são acumulados mês a mês, de forma a obterse uma apuração consolidada. Assim, por exemplo, os valores apurados em março refletirão tanto os resultados do próprio mês de março quanto os de janeiro e fevereiro, de forma consolidada. Ao final do exercício, é elaborada a declaração de ajuste anual, apurandose de forma consolidada o resultado até 31 de dezembro do anocalendário, com a indicação de lucro ou prejuízo (IRPJ) e base de cálculo positiva ou negativa (CSLL). A questão está em saber se eventuais antecipações superiores ao devido podem ser compensadas de imediato ou se o montante total deve compor o ajuste para fins de determinação do saldo negativo do período. O art. 10, da IN/SRF nº 600/2005 dispõe que: “Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Nesses termos, as retenções em valor superior ao débito apurado e eventual recolhimento a maior a título de estimativa, somente poderiam ser utilizados para dedução de imposto a pagar (i) ao final do período de apuração, ou (ii) para compor o saldo negativo (também calculado ao final do período de apuração). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 Da leitura atenta da IN/SRF nº 600/2005 é possível concluir que o objetivo da norma era vedar a compensação de estimativa no mesmo anocalendário em que recolhida e não a compensação do crédito decorrente de pagamentos indevidos, realizados a título de estimativa, como no caso dos autos. Isto porque, as estimativas somente são consideradas pagamentos a maior (aptas a serem compensadas) ao final do anocalendário, caso seja apurado saldo negativo em favor do contribuinte. Já os pagamentos indevidos, como no presente caso, são imediatamente passíveis de compensação, pois se tratam de recolhimento indevido. Essa interpretação do art. 10 da IN/SRF nº 600/2005 foi reforçada pela publicação da IN/RFB nº 900/2008, que aboliu do seu texto a suposta vedação ao aproveitamento de crédito decorrente do pagamento indevido, realizado a título de estimativa. É ver: “Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Assim, a IN/RFB nº 900/2008 manteve a restrição para a compensação ou restituição dos valores antes do final do período de apuração apenas para o aproveitamento das retenções, o que leva a crer que as instruções normativas anteriores não pretendiam vedar a compensação de valor indevidamente pago a título de estimativa. Tratandose de norma interpretativa, a IN/RFB nº 900/2008 deve ser aplicada retroativamente, nos termos do art. 106, II, do CTN, conforme reconhecido pelo COSIT, através da Solução de Consulta Interna nº 19/2011: “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.” Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 19740.901614/200911 Acórdão n.º 1801002.163 S1TE01 Fl. 199 5 Considerando a edição de norma de caráter interpretativo, bem como a Solução de Consulta nº 19/2011, concluise que a própria Receita Federal entendia não haver qualquer vedação à compensação de pagamentos indevido, feito a título de estimativa mensal, antes do encerramento do anocalendário. A jurisprudência deste Conselho também se firmou neste sentido: “ESTIMATIVA APURADA POR MEIO DE BALANÇO OU BALANCETE SUSPENSÃO REDUÇÃO. IRPJ. CSLL. RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A apuração do montante a ser pago a cada mês a título de estimativa não se faz pela mera composição do percentual de estimativa com a receita bruta; mas sim pela composição do percentual de estimativa com a receita bruta, deduzido o montante pago no mês anterior apurado segundo o balancete de suspensão/redução. Dessa feita, caso o contribuinte recolha, à título de estimativa, montante superior àquele devido segundo o balancete por ele registrado, referido excesso não será levado à composição do tributo adiantado para fins do ajuste anual, tratandose, pois, de tributo pago indevidamente, podendo o mesmo ser restituído. IN SRF nº 460/04. IN nº 600/05. A vedação das instruções normativas em reconhecer a possibilidade de devolução de valores pagos indevidamente a título de estimativa e que não integraram o crédito de tributo pago no curso do ano pelo regime de balancete suspensão/redução quando do ajuste anual, torna referidas instruções normativas ilegais. Recurso voluntário provido. (1ª Seção, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, AC nº 140100.421, Rel. Alexandre Alkmim, 26.01.2011) “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. (...)” (1ª Seção, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, AC nº 120200.469, Rel. Nelson Lósso Filho, 25.01.2011) Nesse mesmo sentido, o CARF editou a Súmula nº. 84, que dispõe: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Vejase que a questão da impossibilidade de compensação de antecipação paga indevidamente ou a maior no curso do anocalendário está superada. No entanto, considerando que os requisitos da liquidez e da certeza do crédito tributário ainda não foram verificados no presente caso, devem os autos retornar à Turma de Julgamento da Primeira Instância para que esta o faça. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 6 Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à Turma de Julgamento da Primeira Instância para que esta avalie a existência de liquidez e certeza do crédito tributário aqui pretendido. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 17/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002990/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converte em diligência o julgamento do recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Cristiane Romano, OAB/DF nº. 1503-A
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converte em diligência o julgamento do recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Cristiane Romano, OAB/DF nº. 1503A Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de lançamento do Imposto de Importação II, acrescido dos juros de mora previstos no art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, bem como da multa de oficio capitulada no art. 44, inciso I, da mesma lei, fundamentado com base nos dispositivos legais e infralegais constantes das fls. 16 e 21, perfazendo, na data da autuação, crédito tributário no valor total de R$ 6.822.449,33, conforme Auto de Infração às fls. 05/22. O lançamento foi efetuado, porque a empresa teria descumprido o PPB processo produtivo básico, estabelecido no Anexo IX do Decreto nº 783/1993, na fabricação de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 02 99 0/ 20 06 -4 9 Fl. 808DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002990/200649 Resolução nº 3202000.338 S3C2T2 Fl. 808 2 televisores de projeção, segundo noticiou a SUFRAMA, por meio do Oficio nº 1077/2004 GAB.SUP. (fls. 50/51), de 18/01/2004, Para a autuação, houve descumprimento do PPB, visto que a empresa teria importado insumo (tubo raio catódico monocromático) já montado com alguns componentes, apesar de essa possibilidade só ter surgido, em 05/07/2004, com a publicação da Portaria Interministerial MDIC/MCT 172/2004MDIC/MCT 172/2004. Dessa forma, a empresa deixou de atender às condições estabelecidas para gozo da redução no Imposto de Importação (II), incidente sobre os insumos importados, fato que ensejou a lavratura do presente auto de infração para cobrança do montante desse tributo que passou a ser devido. Contra a autuação, a empresa apresentou impugnação (fls. 138/ss), pedindo que fosse julgada improcedente o lançamento. Apreciando o pleito da contribuinte, a DRJ, por maioria, rejeitou a preliminar requerendo a produção de provas e, no mérito, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme resume a ementa abaixo transcrita (fls. 464 e ss): ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2004 ZONA FRANCA DE MANAUS. REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. PERDA DO BENEFICIO. 0 direito à redução do Imposto de Importação, relativo a insumos de origem estrangeira, empregados em produtos industrializados na Zona Franca de Manaus e remetidos para outro local do território nacional, está condicionado ao cumprimento do Processo Produtivo Básico fixado na legislação. Descumprida condição estabelecida por lei para fruição do incentivo fiscal, cabe a exigência do imposto que deixou de ser recolhido e os consectários legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2004 INCENTIVO FISCAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. EXIGIBILIDADE DOS ENCARGOS LEGAIS. A mera habilitação para o gozo de incentivo fiscal não configura a hipótese exonerativa dos encargos legais prevista no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional, eis que não sendo atendidos todos os requisitos para a fruição do beneficio, não restará observada nenhuma das normas complementares ali dispostas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Não resignada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 275 e ss.), informando que o auto de infração reflexo que lançou IPI, em relação aos mesmos fatos ora examinados, foi julgado improcedente pelo 2º Conselho de Contribuintes, no Processo administrativo n° 10283.002989/200614. A recorrente acrescentou, ainda, que cumpriu o PPB, pois o processo produtivo aprovado incluiu a importação de subconjunto ótico, mediante Resolução da SUFRAMA 349/2001, com base no Parecer Técnico 138/2001, e que o tubo raio catódico monocromático e Fl. 809DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002990/200649 Resolução nº 3202000.338 S3C2T2 Fl. 809 3 seus componentes, que foram objeto da autuação, fazem parte ou são equivalentes ao subconjunto ótico. Partindo da premissa de que a importação do referido insumo foi aprovada, a recorrente defende que a atuação implica em mudança do critério jurídico, o que seria vedado pelo art. 146 do CTN. Igualmente, para a contribuinte, o auto de infração não merece prosperar, uma vez que, partindo de uma única amostragem, presumiu que todas os produtos importados teriam a mesma característica, o que constituiria uma presunção ilegal que indevidamente transferia o ônus da prova para empresa. Por fim, a recorrente defende a inexigibilidade da multa, nos termos do parágrafo único, do art. 100 e do art. 179 c/c o art. 155, todos do CTN O processo digitalizado, então, foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. A questão sob exame se restringe a saber se o tubo raio catódico monocromático e seus componentes, que foram objeto da autuação, fazem parte ou equivalem a expressão subconjunto ótico. Se for afirmativa a resposta, a empresa cumpriu o PPB e é indevida a autuação. Se for negativa a resposta, o recurso voluntário não merece acolhimento. É o que se infere dos Votos divergentes proferidos no acórdão recorrido sobre a necessidade ou não de perícia. Uma parte dos julgadores entendeu que seria necessário laudo técnico sobre o assunto e a outra parte dos julgadores, majoritária, entendeu que seria prescindível perícia, pois o tubo raio catódico monocromático e seus componentes não fariam parte do subconjunto ótico. Confirase (fls. 464/ss.): Voto vencido A autuada junta às fls. 194/203 um laudo técnico onde contam detalhes técnicos acerca do sistema de televisor de projeção, bem como, em linhas gerais, das partes que o integram. As respostas dos quesitos 02, 03 e 04 levam ao entendimento de que os componentes bobina de deflexão com anéis de convergência, cabo (malha) com mola, cabo (condutor elétrico) com peça de conexão para aterramento e chupeta acoplados aos Tubos Raio Catódico Monocromático sic) partes integrantes do denominando subconjunto ótico, fato que corroboraria a tese defendida pela impugnante de que, nos termos da alínea "a" da Observação "1" do Anexo XI do Decreto 783/1993, não havia necessidade de montagem destes componentes em território nacional. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002990/200649 Resolução nº 3202000.338 S3C2T2 Fl. 810 4 Assim, filtrando ainda mais o cerne da presente lide, vejo que é imperioso saber se a afirmação da parte impugnante de que o Tubo Raio Catódico Monocromático equivale aos subconjuntos óticos de fato é verdadeira. Deste modo, diante das considerações acima, tendo em vista os fundamentos apontados pela fiscalização e os argumentos de defesa trazidos pela impugnante, considerando, ainda, que os conhecimentos necessários para se chegar a uma conclusão correta acerca de tais fatos transcende ao conhecimento e A. competência legal deste julgador, entendo ser necessária a formulação de um parecer técnico por parte de um perito especializado na área, de modo que fique esclarecido, com base na legislação acima exposta, se a afirmação da impugnante de que o Raio Tubo Catódico Monocromático corresponde aos subconjuntos óticos a que se refere a alínea "a" da observação "1" do Anexo XI do Decreto 783/1993, com o escopo de proporcionar elementos de convicção para julgamento do litígio. *** Voto vencedor Para o deslinde da questão, fazse necessária interpretação lógica e sistemática da legislação que rege a matéria: Decreto n° 783, de 25 de março de 1993 — que estabeleceu os processos produtivos básicos a serem observados pelas empresas instaladas na ZFM que queiram gozar dos benefícios fiscais em apreço, sendo que o do televisor de projeção foi definido no Anexo XI; Portarias Interministeriais MDIC/MCT n° 06/1999, 24/2000, 15/2002, 137/2002 e 172/2004 — que alteraram o referido Anexo XI; e Resolução SUFRAMA 349, de 31 de agosto de 2001 (fls. 28), norma que concedeu, sob condição suspensiva, o beneficio fiscal discutido no presente caso. [...] Em relação ao laudo técnico juntado pela impugnante (fls.194/203), verificase que suas principais conclusões são no sentido de equiparar tubo de raio catódico monocromático a policromático e a subconjunto ótico. Conforme demonstrado anteriormente, tal entendimento não é aceitável, pois contraria a interpretação lógica e sistemática da legislação aplicável ao tema, cujo resultado foi confirmado pela manifestação oficial da SUFRAMA (fls. 50/51), em atendimento a consulta formulada pela Inspetora da Alfândega do Porto de Manaus (fls. 49), e também não tem respaldo na literatura técnicocientifica. Ressaltase que o referido laudo não traz indicação de suas fontes de informações, como manda a boa técnica, fato que contribuiu para a pouca utilidade dele. Assim, resta claro que a questão é substancialmente técnica/fática, embora exija também interpretação de normas, cabendo decidir, nesse momento, se o processo está suficientemente instruído ou se necessitaria perícia. No meu entender, não há elementos nos autos necessários ao julgamento. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002990/200649 Resolução nº 3202000.338 S3C2T2 Fl. 811 5 Com efeito, consta dos autos declaração do Superintendente Adjunto de Projetos da SUFRAMA (Ofício nº 4.404/2006SPR/CGAPI/COPIN), afirmando, com base em Laudo Pericial emitido pelo INT do Ministério da Ciência e Tecnologia, que é equivocado o Ofício anterior da mesma SUFRAMA (Oficio nº 1077/2004 GAB.SUP., às fls. 50/51), no qual se fundamentou o auto de infração. Eis suas palavras (fl. 202): Prezado Senhor, Em resposta à solicitação dessa empresa, objeto da carta protocolo Suframa no 005956, de 02.05.06, informamos que é entendimento desta Autarquia que a importação de cinescópios destinados à fabricação de televisores de projeção, antes da vigência da Portaria Interministerial n° 172, de 5 de julho de 2004, não contrariava o PPB estabelecido no Anexo XI do Decreto n° 783/93, visto que a alínea "m" da Portaria citada veio apenas detalhar o cinescópio utilizado na fabricação desse tipo de televisor., o qual tinha sua importação autorizada segundo a alínea "c" da Portaria Interministerial n° 137, de 8 de agosto de 2002. Foi com base nessas provas que o 2º Conselho de Contribuintes julgou improcedente, por unanimidade, o auto de infração de IPI, reflexo da presente autuação sob julgamento. Transcrevo a parte essencial do Voto da Relatora, MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA: Existem dois ofícios da Suframa nos autos. O primeiro, à vista dos produtos apresentados, negou o cumprimento do PPB e que os produtos submetidos à perícia correspondessem ao que consta das respectivas DI. No segundo, consta manifestação da Superintendência técnica da Suframa de que tais produtos encontravamse com a obrigatoriedade de montagem no território nacional suspensa pela portaria interministerial de 2002. Também o Técnico do Ministério da Ciência e Tecnologia, ao desmontar e descrever o equipamento que utiliza o tubo de raios catódicos, atesta que os cinescópios (tubos de raios catódicos monocromáticos) são parte integrante do subconjunto ótico. Esses dois últimos documentos divergem do primeiro, que foi o que motivou a autuação. Este, de emissão da Superintendência geral da Suframa, o segundo é da Superintendência Adjunta de Projetos, a qual compete, nos termos do art. 15, I, do Decreto n2 4.628/2003, a "análise de projetos industriais, agropecuários e de prestação de serviços com vistas à concessão de incentivos fiscais administrados pela SUFRAMA" Ou seja, os incentivos fiscais representados pela concessão da isenção em foco são administrados pela Suframa. Alega o Fisco que a fiscalização do cumprimento dos requisitos legais, previstos na norma tributária é de sua competência e não da Suframa. Ocorre que, tratandose de matéria técnica, como a aqui analisada, deve a fiscalização aterse ao entendimento expedido por aquela autarquia. E assim procedeu. Porém, em manifestação posterior, a Superintendência Adjunta de Projetos, que detém a competência legal Fl. 812DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002990/200649 Resolução nº 3202000.338 S3C2T2 Fl. 812 6 para analisar os projetos industriais, desfez o engano veiculado no primeiro expediente. E, analisandose o laudo técnico do Ministério da Ciência e Tecnologia, fica cabalmente demonstrado o efetivo engano do primeiro oficio, encaminhado à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, urna vez que a descrição técnica do equipamento não deixa dúvidas quanto ao fato de o produto "tubo de raios catódicos" ser parte do subconjunto ótico, o que o insere no rol dos produtos, cuja montagem foi dispensada. Portanto, a importação agregada de cinescópio dos itens: cabo (malha) com mola, cabo (condutor elétrico) com peça de conexão e chupeta, diferentemente do atestado pela Superintendência da Suframa em seu oficio inicial, não contraria o PPB, por ser parte de um todo que detinha permissão legal para a suspensão da montagem no Pais. Dessarte, o procedimento fiscal perdeu o fundamento legal que justificou a lavratura do auto de infração. [Processo administrativo n° 10283.002989/200614. Julgado em 05 de agosto de 2008. Participaram do julgamento: os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Antônio Lisboa Cardoso, Antônio Zomer, Domingos Sá e Filho e Maria Teresa Martínez López] Ainda no mesmo Voto, ora destacado, transcrevese os excertos conclusivos do Laudo do Ministério da Ciência e Tecnologia (laudo constante no Anexo 7 do recurso voluntário): À fl. 1843, ao efetuar o desmonte do equipamento com explicitação de suas partes, informa o Técnico do MCIT: "6.2. O Conjunto Ótico do Televisor de Projeção é formado a partir da produção das imagens nas cores monocromáticas primárias: vermelha (RRED), Verde (GGREEN) e Azul (BBLUE), são utilizados três cinescópio (Tubo de Raios Catódicos) monocromáticos, ou seja, cada cinescápio produzindo uma cor primária (R, G ou B) combinado a um Acoplador Otico transformandose em uma unidade de projeção denominada PRT ("Projection Ray Tube") Tubo de Raios de Projeção. Essa imagem do PRT é ampliada e projetada por um conjunto de lentes no espelho, refletindo em um anteparo denominado Tela ("Screen') com lente de Fresnel" E, à fl. 1.844, o Técnico do MCIT afirma que: "O Subconjunto ótico é constituído do Cinescópio (CRT —Vathode Ray Tube' — Tubo de Raios Catódicos) com Cabo de Alta Tensão (Anodo Cap), Figura IS; Bobina de Deflexão (DY — 'Deflection Yoke'), Figura_16;_Anéis de Convergência (Anéis Com),Figura17 e o Terra (G1VD). Como se vê, o LAUDO do INT/MCT afirmou que o cinescópio é sinônimo de tubos de raios catódicos [“...são utilizados três cinescópio (Tubo de Raios Catódicos) monocromáticos...”] e que “o subconjunto ótico é constituído do cinescópio...com cabo de alta tensão...bobina de deflexão...anéis de convergência”. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002990/200649 Resolução nº 3202000.338 S3C2T2 Fl. 813 7 Vale dizer: subconjunto ótico = cinescópio + cabos/bobinas/anéis/terra/malha, de acordo com o Laudo INT. Assim, considerando que o Parecer Técnico de Projeto n° 138/2001 (fls. 32/33), dispensa a montagem do subconjunto ótico, no PPB, a Recorrente não o teria descumprido quando importou o cinescópio + cabos/bobinas/anéis/terra/malha. Destaquese, ainda, que a empresa juntou Laudo Técnico nº 2 049/06 CLAB/DTEC elaborado pela FUCAPI Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica, contendo as mesmas conclusões da SUFRAMA (Fls. 209/ss). Essa fundação é credenciada pela Receita Federal no Amazonas (Portaria nº 1/2005). Apesar desses dados, entendo que ainda é preciso a produção de provas adicionais. Por isso, voto para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja elaborado laudo técnico, por instituição federal credenciada, nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de esclarecer o seguinte: 1) o tubo raio catódico monocromático e seus componentes, que foram objeto da autuação, é sinônimo de cinescópio? Há distinção entre cinescópio, tubo raio catódico monocromático e subconjunto ótico? Explicar e fundamentar a resposta. 2) o tubo raio catódico monocromático e seus componentes, que foram objeto da autuação, fazem parte ou equivalem a expressão subconjunto ótico? Explicar e fundamentar a resposta. 3) Para fins de comprovação do Processo Produtivo Básico compromissado pela empresa autuada LG ELECTRONICS DA AMAZONIA, por ocasião da Resolução SUFRAMA 349/2001 (fls.28/29), considerando, ainda, as disposições do Anexo XI do Decreto 783/1993, o termo "subconjuntos óticos" corresponde ao Tubo de Raio Catódico Monocromático? 4) Dentre as operações de industrialização constantes do Parecer Técnico de Projeto n° 138/2001 (fls.30/34), inclui a obrigação de montagem dos componentes bobina de deflexão com anéis de convergência, cabo (malha) com mola, cabo (condutor elétrico) com peça de conexão para aterramento e chupeta no Tubo Raio Catódico Monocromático, insumo que é utilizado na produção de televisores de projeção? 5) Os produtos importados, descritos na DI – declaração de importação, examinados em seu conjunto, constituem ou representam um subconjunto ótico ou são apenas partes de um subconjunto ótico? Além dos questionamentos acima, seja intimada a autoridade fiscal e a recorrente, com o objetivo de formular quesitos adicionais a serem respondidos ao Perito. Depois de elaborado o laudo, seja aberto de 30 dias para que a autoridade fiscal e, posteriormente, a Recorrente, apresentem suas considerações sobre as conclusões técnicas do experto. Após isso, sejam remetidos os autos ao CARF para dar continuidade do julgamento. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.002990/200649 Resolução nº 3202000.338 S3C2T2 Fl. 814 8 É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 815DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10825.902149/2012-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, “a”, da Medida Provisória nº 1.8586, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.15835/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 21 49 /2 01 2- 27 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 30/11/2009, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a exigência da contribuição ao PIS foi restabelecida sob a égide da CF/88, notadamente nos termos do art. 2o, II, da Lei 9.715/98, sendo um ano após expressamente revogada em relação às entidades sem fins lucrativos, por meio da MP 1.85810/99, com a atual redação conferida pelo art. 93 da MP nº 2.15835/01, ainda assim algumas cooperativas permaneceram obrigadas ao recolhimento da contribuição ao PIS sobre a folha de salário, em vista de regra específica prevista no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 9.715/98; (ii) a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos. Explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13; (iii) ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; (iv) ainda que a redação do art. 15 da MP2.15835 seja genérica em relação às sociedades cooperativas e, portanto, não excetue as cooperativas de trabalho médico, isso não permite a conclusão de que essas cooperativas estariam entre as compreendias no alcance desse dispositivo, como também concluiu as autoridades fiscais, nos termos do art. 28 da IN SRF nº 635/06; (v) conclui aduzindo que se as sociedades cooperativas médicas não se sujeitam às exigências da contribuição ao PIS com base na folha de salários de seus empregados e, portanto, todo o recolhimento realizado a esse título deve ser entendido comore colhimento a Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902149/201227 Acórdão n.º 3803005.821 S3TE03 Fl. 12 3 maior ou indevido e, logo, passível de ser recuperado. Requereu, ainda, a reforma do julgado de primeira instância, a procedência integral da declaração de compensação, com vista a legitimidade do crédito tributário e o reconhecimento da extinção dos débitos compensados no PER/DECOMP. A decisão prolatada pela 14ª Turma da DRJ/RPO, de 11/09/13 (fls. /) por meio do Acórdão nº 1444.639, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter o crédito tributário exigível, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão adotou o pressuposto de que : (a) “Nos termos da regra consolidada na atual MP nº 2.15835, de 2001, a tributação das sociedades cooperativas segue a tributação das demais pessoas jurídicas em geral, calculando o PIS de acordo com o faturamento. No entanto, caso a cooperativa realize determinadas operações que não sofrem a incidência do PIS com base no faturamento, deverá, conforme disposição inscrita no art. 15, §2º, I da MP nº 2.15835, de 2001, apurar o PIS com base na folha de salários. Nesse caso, portanto, a cooperativa sujeitase cumulativamente à tributação com base no faturamento e com base na folha de pagamentos”. Consubstanciouse ainda no art. 13 da referida MP, e nos arts. 36 da MP 66/02; no art. 1º da MP nº 101/02, convertida na Lei nº 10.767/03; no art. 32 do Dec. 4.524/02 e nos arts. 9º e 33 da IN SRF nº 247/02. De acordo com os dispositivos mencionados não prevalece a tese de que as sociedades cooperativas outras que não de produção agropecuária, eletrificação rural, de Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 crédito e de transporte rodoviário, estariam fora do alcance do PIS sobre a folha de salários. E assim, nos períodos em que tenha procedido à exclusão das sobras líquidas da base de cálculo da contribuição, o PIS sobre a folha de pagamentos deve ser recolhido. Situação essa em que o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada na primeira instância administrativa, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito creditório, no caso, a de que não efetuou a exclusão em foco. No que se relaciona ao aspecto do elemento material de prova extraise excertos que sintetizam o posicionamento adotado pela decisão em questão, adiante: “Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejando os com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.” De acordo com o Termo de Ciência por decurso de prazo, a data de disponibilização na caixa postal da contribuinte da decisão contida no Acórdão nº 1444.639, foi em 20/09/2013. Com isso a data da ciência se deu em 05/10/2013. O Termo de Solicitação de Juntada de recurso voluntário foi registrada pela repartição preparadora em 01/11/13. Ciente da decisão contida no acórdão retromencionado a contribuinte irresignada, em sede de recurso voluntário, reiterou de forma minudente acerca das razões de defesa apresentadas na exordial. Ressaltou que a MP 2.15835/01, em seu artigo 13, explicitou quais os tipos de entidades que se sujeitavam à contribuição ao PIS, calculada sobre a folha de salários, bem assim que as sociedades cooperativas não foram contempladas, de acordo com o elenco formulado nesse artigo, como o foram às Organizações das Cooperativas – OCB e as Organizações estaduais de Cooperativas, nos termos do inciso I, do art. 13, da MP nº 2.158 35/01, que não se identifica com as sociedades cooperativas propriamente ditas. Mencionou que na mesma senda segue o § 2º e incisos I a IV, do art. 15 dessa MP, eis que as cooperativas de trabalho médico não praticam as operações descritas nesses incisos do confuso enunciado do referido artigo da MP correspondente. Aduziu ademais disso que o art. 28 da IN SRF 635/06 identifica quais sociedades cooperativas se sujeitam à incidência da contribuição ao PIS com base na folha de Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902149/201227 Acórdão n.º 3803005.821 S3TE03 Fl. 13 5 salário, ou seja, as sociedades sujeitas às exclusões previstas no art. 15 da MP 2.15835/01,bem assim que a resposta à Consulta 290/07 ratifica este entendimento. Requer ao final o integral provimento do recurso, protestando pela apresentação de memoriais e sustentação oral das razões aduzidas. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Duas foram às questões devolvidas para apreciação pelo Tribunal ad quem, a saber: (i) a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pela Recorrente; e (ii) a tributação das sociedades cooperadas de trabalho médico pelo PIS. O exame acerca da primeira questão resta prejudicado, eis que nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo foi colacionado aos autos, com o fim de corroborar as assertivas formuladas na exordial, ou mesmo no apelo sob exame, o que se faz em respeito aos dispositivos contidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caput e § 4º. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Resta, então, o enfrentamento da questão relacionada à tributação das sociedades cooperadas pelo PIS. O hodierno ordenamento jurídico tem a sua gênese na Constituição Cidadã de 1988. O seu artigo 146, III, ‘C’, dispõe que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais me matéria de legislação tributária, especialmente sobre: adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. A Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas, por meio do seu artigo 4º, já havia atribuído à definição legal de “cooperativas”, como sendo: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, como forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...); VII – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. Adiante, no caput e no parágrafo único do artigo 79 do mesmo mandamus, adveio a definição e a funcionalidade de “atos cooperativos”. Em outras palavras são tais atos jurídicos que criam, mantém ou extinguem relações cooperativas, não implicando, necessariamente, em atos de mercado. Acerca da tributação do PIS e da COFINS, inicialmente, foi a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, considerada isenta por força do disposto no caput e inciso I do art. 6º, da LC nº 70/91, instituidora da Cofins. Entretanto, com o advento da MP nº 1.8586/99, por meio de seu artigo 23, foram os incisos I e III do artigo 6º da LC nº 70/91, revogados. Ocorre que essa revogação se manteve por meio da MP nº 66/02 e também pela Lei nº 10.637/02, por meio dos seus artigos 1º e 2º, que atualmente regula esta matéria (cobrança do PIS/PASEP, cuja base de cálculo é o valor do faturamento). Do mesmo modo ocorreu com o PIS, cujas cooperativas estão sujeitas ao pagamento desse tributo, seja sobre a folha de salários, mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. A outra forma de tributação incide sobre a receita bruta, mediante a alíquota de 0,65% (a partir de 01/11/1999, data fixada pelo Ato Declaratório SRF nº 88/99), com exclusões da base de cálculo prevista pela MP 2.11327/01, ou mesmo de acordo com a MP 107, com as exclusões da base de cálculo, de acordo com o disposto também no artigo 15 da MP 2.113 27/01. Por força do contido na Lei nº 10.637/02, a partir de 01/12/02, a alíquota do PIS foi majorada para 1,65%. Destarte, por meio da MP 107/03, de 10/022003, a alíquota do PIS que houvera sido majorada, retorna ao seu valor original de 0,65%, inclusive para as sociedades cooperativas. Foi a partir da MP nº 2.11329, de 27/03/01, DOU de 28/03/01, de suas reedições e alterações posteriores, até a MP 2.15835/01, através de suas disposições que se tornou possível para as sociedades cooperativas a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, de valores mencionados no artigo 15 desta MP, isto uma vez observado o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902149/201227 Acórdão n.º 3803005.821 S3TE03 Fl. 14 7 Portanto, a base de cálculo para as contribuições para o PIS e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento, correspondente à receita bruta. A respeito da exclusão de valores da base de cálculo do PIS e da Cofins das cooperativas vale mencionar as disposições da MP nº 101/02, litteris: Art. 1º. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração de Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º. Omissis. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Portanto, seja sob a ótica da MP nº 2.15835/01, ou segundo os dispositivos contidos na MP nº 101/02, posteriormente convertida na Lei 10.767/02 e, observados o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, o que se percebe nitidamente, é a possibilidade de exclusão de elementos da base de cálculo do PIS e da Cofins, para as sociedades cooperativas. Confirase: Art. 1° Esta Lei aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e a Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, ao Imposto sobre a Renda e ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...); § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). (Grifei). De outra parte assim se pronunciou a Solução de Consulta COSIT nº 06, de 8 de novembro de 2010 (ação judicial): EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. O Poder Judiciário, aqui representado pelos Tribunais Superiores, também não se omitiu quando provocado a se pronunciar a respeito da tributação do PIS/PASEP e da Cofins, senão vejamos: O Julgamento da Questão no STJ – Sistemática do Recurso Repetitivo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR ADVOGADO : CAMILA COLARES SANTANA E OUTRO(S) DECISÃO (...) impõese, da mesma forma, a submissão do presente apelo extremo como representativo da controvérsia atinente à incidência da Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902149/201227 Acórdão n.º 3803005.821 S3TE03 Fl. 15 9 contribuição destinada ao PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas, à luz do disposto no artigo 79, parágrafo único, da Lei 5.764/71, a fim de se prevenir eventual óbice de conhecimento. (...) Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2010. A discussão realizada pelo Supremo Tribunal Federal ainda não chegou a termo, entretanto o reconhecimento da repercussão geral a respeito do tema ora sob exame, já ocorreu. Confirase: REPERCUSSÃO GERAL EM RE N.672.215CE RELATOR: MIN. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA COFINS, DA CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE O PRODUTO DE ATO COOPERADO OU COOPERATIVO. DISTINÇÃO ENTRE “ATO COOPERADO TÍPICO” E “ATO COOPERADO ATÍPICO”. CONCEITOS CONSTITUCIONAIS DE “ATO COOPERATIVO”, “RECEITA DE ATIVIDADE COOPERATIVA” E “COOPERADO”. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. VALORES PAGOS POR TERCEIROS À COOPERATIVA POR SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS. LEIS 5.764/1971, 7.689/1988, 9.718/1998 E 10.833/2003. ARTS. 146, III, c, 194, par. ún., V, 195, caput, e I, a, b e c e § 7º e 239 DA CONSTITUIÇÃO. Tem repercussão geral a discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”. Discussão que se dá sem prejuízo do exame da constitucionalidade da revogação, por lei ordinária ou medida provisória, de isenção, concedida por lei complementar (RE 598.085RG), bem como da “possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158 33, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de1998” (RE 599.362 RG, Rel. Min. Dias Toffoli). Como visto ainda não se vislumbra nos textos normativos, nem jurisprudenciais, a hipótese de isenção ou de não incidência tributária para as cooperativas. Tampouco de distinção entre cooperativas de trabalho médico, de crédito, enfim, entre as demais modalidades de sociedades cooperativas. Concluise, por conseguinte que, do texto legal, onde o legislador não faz distinção, não cabe ao operador do direito fazêlo, tampouco ao intérprete da lei. O PIS sobre a folha de pagamento constitui uma obrigação tributária principal devida por todas as entidades sem fins lucrativos, classificadas como Isentas, Imunes ou Dispensadas, e calculado sobre a folha de pagamento de salários, à alíquota de 1%. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Quanto ao requerido pela Recorrente, no sentido de que o PIS/folha de pagamento não é cabível, portanto poderia ser compensado com tais débitos, considero inadequado o seu pedido. Isto porque ao manifestar o seu inconformismo a ora Recorrente destacou que a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13. Tema este reiterado no recurso voluntário. Há um equívoco nas assertivas formuladas pela Recorrente quanto à revogação da exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, pela MP nº 2.158 35/01. Diversamente, com o advento dessa medida provisória tornouse concreta a possibilidade de exclusão de elementos previstos na legislação de regência, da base de cálculo do PIS e da Cofins, isto em conformidade com o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. E mais, a Recorrente foi além ao mencionar que ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; O fato de o art. 28 não relacionar expressamente a sociedade cooperativa de trabalho médico dentre aquelas cujo fato gerador para o PIS/PASEP incide sobre a folha de salários no percentual de 1%, não autoriza o contribuinte a dela se eximir, como se imune ou isenta fosse, o que não corresponde ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, posto que as deduções permitidas em lei, se faz em observância desses dois artigos suso citados. O rol das exclusões mencionados no art. 15 da MP 2.15835/01, aplicável ao caso em comento, não é exaustivo, ou mesmo conclusivo, como também não o é aquele constante do artigo 28 da IN SRF nº 635/06, DOU de 17/04/2006, e ambos ensejam a incidência do PIS/Folha. Isto posto oriento o meu voto pelo não provimento do recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões em 25 de março de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902149/201227 Acórdão n.º 3803005.821 S3TE03 Fl. 16 11 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10920.000463/2003-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/2002
COFINS - BASE DE CÁLCULO - ART. 3º, § 1º, DA L. 9.718/98 - INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF - EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da L. 9.718/98 RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 - Inf./STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475-L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliara a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação.
COFINS - BASE DE CÁLCULO - RECEITA -VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA - CONTRATOS DE MÚTUO EM MOEDA ESTRANGEIRA (DÓLAR) - INCIDÊNCIA NO MOMENTO DA LIQÜIDAÇÃO DA OPERAÇÃO, OPORTUNIDADE EM QUE DEVERÁ SER VERIFICADA A VARIAÇÃO CAMBIAL.
Embora as variações cambiais dos contratos de mútuo em moeda estrangeira possam, em tese, se integrar no conceito de receita (base de cálculo tributável pela contribuição da COFINS), o fato gerador da respectiva obrigação tributária somente se considera ocorrido com a liquidação total do contrato em moeda estrangeira (art. 116, inc. I do CTN), vez que não é lícito tributar a mera expectativa de receitas que, por não se terem ainda incorporado definitivamente ao patrimônio do contribuinte, somente podem ser definitivamente aferidas após a liquidação total das obrigações objeto do contrato externo, quando então se pode apurar a existência (ou não) de eventual receita residual, a título de variação cambial, então tributável pela contribuição da COFINS. Precedentes do STJ.
PIS/COFINS - BASE DE CÁLCULO - EXCLUSÃO -RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EXTEMPORÂNEOS E PRÊMIOS DE SEGUROS - POSSIBILIDADE
As parcelas relativas à recuperação de créditos de IPI e ICMS registrados extemporaneamente e prêmios de seguros não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, e não portanto não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS.
COFINS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO.
Equiparação, para fins fiscais, das vendas a Zona Franca de Manaus às exportações. Limitação temporal
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarou-se a decadência do período de apuração compreendido entre 06/97 a 01/98, cancelou-se a exigência sobre receitas financeiras decorrentes de variação cambial, recuperações de créditos tributários e seus consectários correção monetária e juros - , prêmios de seguros, reembolsos de empréstimo compulsórios Celesc/Telesc, descontos obtidos, receita de venda de imobilizado, dividendo recebido e crédito presumido de IPI; e pelo voto de qualidade, manteve-se o lançamento quanto às remessas à Zona Franca de Manaus. Vencidos nesta matéria os Conselheiros Fernando Luiz da Gamam Lobo dEça, João Carlos Cassuli e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor referente à Zona Franca de Manaus.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
Redator Designado.
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), José Paulo Puiatti (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/2002 PIS/COFINS DECADÊNCIA RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR CTN, ART. 150, § 4º PREVALÊNCIA LEI Nº 8.212/91 INAPLICABILIDADE. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/08. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o E. STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA CTN , ARTS, ARTIGOS 150, § 4º E 173 APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4º e 173” do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º aplicase exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/10/2002 COFINS BASE DE CÁLCULO ART. 3º, § 1º, DA L. 9.718/98 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF EFEITOS. Já é AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 04 63 /2 00 3- 02 Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da L. 9.718/98 RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 Inf./STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliara a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. COFINS BASE DE CÁLCULO RECEITA VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA CONTRATOS DE MÚTUO EM MOEDA ESTRANGEIRA (DÓLAR) INCIDÊNCIA NO MOMENTO DA LIQÜIDAÇÃO DA OPERAÇÃO, OPORTUNIDADE EM QUE DEVERÁ SER VERIFICADA A VARIAÇÃO CAMBIAL. Embora as variações cambiais dos contratos de mútuo em moeda estrangeira possam, em tese, se integrar no conceito de “receita” (base de cálculo tributável pela contribuição da COFINS), o fato gerador da respectiva obrigação tributária somente se considera ocorrido com a liquidação total do contrato em moeda estrangeira (art. 116, inc. I do CTN), vez que não é lícito tributar a mera expectativa de receitas que, por não se terem ainda incorporado definitivamente ao patrimônio do contribuinte, somente podem ser definitivamente aferidas após a liquidação total das obrigações objeto do contrato externo, quando então se pode apurar a existência (ou não) de eventual receita residual, a título de variação cambial, então tributável pela contribuição da COFINS. Precedentes do STJ. PIS/COFINS BASE DE CÁLCULO EXCLUSÃO RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EXTEMPORÂNEOS E PRÊMIOS DE SEGUROS POSSIBILIDADE As parcelas relativas à recuperação de créditos de IPI e ICMS registrados extemporaneamente e prêmios de seguros não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, e não portanto não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS. COFINS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ÁREA DE LIVRE COMÉRCIO. Equiparação, para fins fiscais, das vendas a Zona Franca de Manaus às exportações. Limitação temporal Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000463/200302 Acórdão n.º 3402002.457 S3C4T2 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarou se a decadência do período de apuração compreendido entre 06/97 a 01/98, cancelouse a exigência sobre receitas financeiras decorrentes de variação cambial, recuperações de créditos tributários e seus consectários – correção monetária e juros , prêmios de seguros, reembolsos de empréstimo compulsórios Celesc/Telesc, descontos obtidos, receita de venda de imobilizado, dividendo recebido e crédito presumido de IPI; e pelo voto de qualidade, mantevese o lançamento quanto às remessas à Zona Franca de Manaus. Vencidos nesta matéria os Conselheiros Fernando Luiz da Gamam Lobo d’Eça, João Carlos Cassuli e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designado o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida para redigir o voto vencedor referente à Zona Franca de Manaus. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator Designado. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), José Paulo Puiatti (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1356/1396 vol. V) contra o v. Acórdão nº 0616.843 exarado em 20/02/08 (fls. 1325/1351 vol.V) pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente em parte”, o lançamento original de COFINS (MPF nº 0920200/00042/02 fls. 137/148 vol. I), notificado em 28/02/03 (fls. 147), no valor total de R$ 2.871.378,54 (COFINS R$ 1.136.717,39; e Juros R$ 882.123,29; multa R$ 852.537,86), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento da COFINS no período de 30/06/97 a 14/11/02, em razão do que, a d. Fiscalização considerou infringidos o art. 1º da LC nº 70/91, arts. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações da MP nº 1.807/99 e reedições, com as alterações da MP nº 1.858/99 e reedições, arts. 2º, inciso II e § único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02 devida a multa de 75% capitulada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9430/96, e juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 1325/1351 (vol.V) da 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR, houve por bem “julgar procedente em parte”, o lançamento original de COFINS aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1997 a 27/02/1998 DECADÊNCIA. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à COFINS decai em dez anos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1997 a 31/05/1998, 01/02/1999 a 30/09/1999, 01/11/1999 a 28/02/2001, 01/04/2001 a 31/10/2002 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO. DE OFICIO A autoridade julgadora de primeira instância determinará de oficio a realização de diligência, quando tal procedimento for elucidador ao desfecho do processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/05/1998 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INOBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS LEGAIS O direito de compensação de indébito está condicionado, para sua efetivação, ao prazo de cinco anos contados da data do respectivo recolhimento indevido ou maior, ainda que o pagamento indevido/a maior tenha ocorrido em função de lei posteriormente declarada inconstitucional. Período apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999, 01/11/1999 a 28/02/2001, 01/04/2001 a 31/10/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, considerandose corno receita bruta a totalidade das receitas auferidas, podendo ser excluídas apenas as parcelas expressamente previstas na legislação que rege a matéria. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000463/200302 Acórdão n.º 3402002.457 S3C4T2 Fl. 4 5 vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. VARIAÇÃO CAMBIAL. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Para fins de apuração da base de cálculo da contribuição, as receitas relativas à variação cambial ativa no anocalendário 1999 eram apuradas obrigatoriamente pelo regime de competência e, a partir de 2000, sendo facultativo, foi a forma eleita pela contribuinte, como demonstrado por meio das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ´s entregues. ZONA FRANCA DE MANAUS. Todas as demais receitas decorrentes de vendas efetuadas a pessoas jurídicas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade, sujeitamse à incidência da Contribuição para o PIS, sem o beneficio da isenção, ressalvadas as hipóteses previstas em lei. ERRO MANIFESTO. CORREÇÃO. Verificada a ocorrência de erro manifesto na apuração fiscal, deve se proceder à sua correção, por meio do cancelamento da exigência indevida. Lançamento Procedente em Parte” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 1356/1396 vol. V) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância na parte em que a manteve tendo em vista: a) a decadência do direito de constituir parte do crédito tributário nos termos do art. 150, § 4º do CTN; b) legitimidade das exclusões da base de cálculo da COFINS glosadas pela d. Fiscalização (receitas financeiras decorrentes de variação cambial, recuperações de créditos tributários e seus consectários – correção monetária e juros – prêmios de seguros, reembolsos de empréstimo compulsório Clelesc/Telesc, descontos obtidos, remessas à Zona Franca de Manaus, Receita de Venda de Imobilizado, Dividendos Recebidos, Outras Diferenças não localizadas, Recuperações Diversas, Crédito presumido de IPI) que deve incidir exclusivamente sobre o faturamento tal como proclamou a Suprema Corte; c) ilegalidade da multa de ofício e juros à Taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece ser parcialmente provido. Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 De fato, inicialmente verifico que o lançamento abrange operações ocorridas no período de 06/97 a 02/98 (fls. 137/148 vol. I), sobre as quais já se achava extinto o direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento, por se ter consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário nos expressos termos dos arts. 150, § 4º e 156, inc. V do CTN, impondose a exclusão das referidas operações. Realmente, solidamente apoiado no princípio constitucional da reserva da lei complementar, o E. STJ recentemente proclamou que “as contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária” e, “por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos”, razões pelas quais aquela E. Corte Superior de Justiça expressamente reconheceu que “padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no REsp nº 616.348MG, Reg. nº 2003/02290040, em sessão de 14/12/04, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 14/02/05 p. 144 e in RDDT vol. 115 p. 164), diferentemente do prazo de qüinqüenal estabelecido na lei complementar (CTN, arts. 150, § 4º e 173). Na mesma ordem de idéias, já na interpretação dos dispositivos da lei complementar prevalente, aquela mesma E. Corte Superior de Justiça recentemente esclareceu que “as normas dos artigos 150, § 4º e 173” do CTN “não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º aplicase exclusivamente aos tributos ‘cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa’; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento”. Assim, entende aquela E. Corte que “a aplicação concorrente dos artigos 150, § 4º e 173”, a par de ser “juridicamente insustentável” e padecer de invencível “ilogicidade”, apresentase como “solução (...) deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no R. Esp. nº 638.962PR, rel. Min. Luiz Fux, publ. no DJU de 01/08/05 e na RDDT 121/238). Igualmente desinfluente o fato de ter havido pagamento parcial ou não do tributo, pois como já assentou o E. STJ, “no âmbito de um lançamento por homologação”, “o contribuinte identifica o fato gerador da obrigação tributaria, calcula o montante do tributo devido e antecipa o respectivo pagamento (CTN, ART. 150)”, no sentido de que “recolhe o tributo antes da constituição do credito pela autoridade administrativa” ou, “se ele tem créditos contra a fazenda publica, (...), ao invés de recolher o tributo, o contribuinte registra o credito na escrita, anulando o debito correspondente. Numa hipótese como na outra vale dizer, a da antecipação do pagamento, bem assim a do registro do credito o procedimento tem caráter precário, valendo até a respectiva revisão, para cujo efeito a fazenda publica tem o prazo de (cinco) anos (CTN, art. 150, par. 4º.). O pagamento ou a compensação, propriamente, enquanto hipóteses de extinção do critério tributário, só serão reconhecidos por meio da homologação formal do procedimento ou depois de decorrido o prazo legal para a constituição do credito tributário, ou de diferenças deste (CTN, art. 156, VII e II, respectivamente)” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp 155329SP, Reg. nº 1997/00820378, em sessão de 18/12/1997, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, publ. in DJU de 06/04/1998 p. 51) Acolhendo e conformandose com esses ensinamentos de inegável juridicidade a Jurisprudência desse E. Conselho tem reiteradamente proclamado a Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000463/200302 Acórdão n.º 3402002.457 S3C4T2 Fl. 5 7 inaplicabilidade do art. 45 da Lei 8.2123/91 invocado como fundamento da r. decisão recorrida, em razão do que dispõem as normas da Lei Complementar (art. 150, §4º do CTN), como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO: (...) a regra a ser seguida na contagem do prazo decadencial é a estabelecida no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, que é de 5 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador. Da mesma forma, os lançamentos das contribuições sociais que, por se revestirem de natureza tributária, sujeitamse às regras instituídas por lei complementar (CTN), por expressa previsão constitucional (artigos 146, III, "b" e 149 da C.F). Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso." (Acórdão nº 10194.394, da 1ª Câmara do 1º CC Relator: Raul Pimentel publ. in DOU 1 28.01.2004, pág. 9 e in "JurisprudênciaIR anexo ao Bol. IOB nº 11/04) “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO NATUREZA JURÍDICA TRIBUTÁRIA PRAZO DE DECADÊNCIA DE 10 ANOS PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO ART. 45 DA LEI 8.212/91, DIANTE DO ART. 150, § 4º DO CTN. CSLL de 1997. Preliminar decadência CSLL Inaplicabildiade do art. 45 da Lei 8.2123/91 frente às normas dispostas no art. 150, §4º do CTN. A partir da Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais voltaram a ter natureza jurídicotributária, aplicandose lhes todos aos princípios tributários previstos na Constituição (art. 146, III, "b"), e no CTN (arts. 150, §4º e 173).” (cf. Acórdão nº 10194.602 da 1ª Câm. do 1.º CC/MF, publ. no DJ de 28/04/2005 e in RDDT 118/146) “CSL Decadência do direito ao crédito tributário Prazo "(...) LANÇAMENTO DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Não se operou a decadência do direito de constituir o crédito tributário em virtude de ter prevalecido o entendimento de se aplicar às contribuições sociais o prazo definido no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, aliado ao prazo definido no artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91 (dez anos). Preliminar rejeitada (...)." (cf. Acórdão nº 10321.255, da 3ª Câm. do 1º CC, Rel. Victor Luis de Salles Freire, publ. in DOU 1 de 24/12/03, pág. 45 e in "JurisprudênciaIR anexo ao Bol. IOB nº 7/04) “CSLL Decadência Caracterização "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DECADÊNCIA CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ART. 150, § 4º NÃO “APLICAÇÃO DA LEI Nº 8.212/91. O prazo decadencial das contribuições é o previsto no art. 150, do CTN, pois, em virtude de prescrição constitucional (art. 146, III), tratase de matéria exclusiva de lei complementar, não podendo ser tocada por lei ordinária. No caso, até o exercício de 1996, podese falar em decadência (...). Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Octávio Campos Fischer (Relator). Designado o Conselheiro Natanael Martins para redigir o voto vencedor." (cf. Acórdão nº 10707049, da 7ª Câm. Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 do 1º CC, Rel. Cons. Natanael Martins; publ. DOU 1 de 10/12/03, pág. 38 e in "JurisprudênciaIR anexo ao Bol. IOB nº 1/04) No mesmo sentido, reiterando a inconstitucionalidade do referido art. 45 da Lei nº 8.212/91, o STF recentemente editou a Súmula Vinculante nº 8 relativa à matéria, como se pode ver da seguinte ementa: “Súmula Vinculante nº 8 “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” (cf. Decisão de Sessão Plenária do STF de 12/06/2008, publ. in DJU nº 112/2008, de 20/6/2008, p. 1).” Notese que a Súmula Vinculante nº 8 do STF, tendo por objeto a interpretação e eficácia de normas determinadas, acerca das quais há controvérsia atual entre órgãos judiciários e a administração publica que acarreta grave insegurança e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica, tem efeito vinculante em relação à administração pública federal direta e indireta a partir de sua publicação na imprensa, nos expressos termos no art. 103A da Constituição (redação dada pela EC nº 45/04). Dos preceitos expostos, desde logo verificase que o Auto de Infração original notificado em 28/02/03 (fls. 147), jamais poderia abranger operações ocorridas no período de 06/97 a 02/98 (fls. 137/148 vol. I), sobre as quais já se achava extinto o direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento, por se ter consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário nos expressos termos dos arts. 150, § 4º e 156, inc. V do CTN, impondose a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já proclamou a Jurisprudência (administrativa e judicial) retro citada. Da mesma forma no que toca às operações remanescentes, relativas ao período não abrangido pela decadência, a r. decisão comporta parcial reforma. Realmente, já é do domínio público que, “ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da L. 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal” (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Ag.Reg. no RE nº 330.226PR, em sessão de 23/05/06, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 16/06/06, pág. 17 EMENT VOL0223703 PP 00481; Ac. da 1ª Turma do STF nos Emb. Dec. no RE nº 368.468PR, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23062006, pág. 52 EMENT VOL0223803 PP00428; Ac.da 1ª Turma nos Emb. Dec. no RE nº 410.691MG, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, EMENT VOL0223803 PP00538), anteriormente à EC nº 20/98. Nesse particular, releva notar que o pronunciamento do STF sobre a inconstitucionalidade de uma lei ou exigência administrativa tinha efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado (cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 1.770RN, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 187/468; cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 952, rel. Min. Celso de Mello publ. in RTJ 183/486). Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000463/200302 Acórdão n.º 3402002.457 S3C4T2 Fl. 6 9 Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o E. STJ recentemente esclareceu que “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliara a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF”. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteiramente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inc. I da CF/88; arts. 97 e 142 do CTN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformarse com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimamse todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 1º do art. 3º da Lei 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do COFINS e PIS PASEP adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza. No caso concreto verificase que as acusações fiscais do lançamento fiscal excogitado, se fundamentam na disposição legal inconstitucional e versam sobre receitas não operacionais (receitas financeiras decorrentes de variação cambial, recuperações de créditos tributários e seus consectários – correção monetária e juros – prêmios de seguros, reembolsos de empréstimo compulsório Clelesc/Telesc, descontos obtidos) que se inserem na base de cálculo julgada inconstitucional, o que, nos termos da Jurisprudência citada “torna ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação”. Melhor sorte não está reservada ao lançamento no período posterior à vigência da Lei nº 9718/98, eis que a Jurisprudência do E. STJ já proclamou a que a inexigibilidade do PIS e da COFINS, decorrente da variação cambial dos contratos de mútuo, firmados em moeda estrangeira, antes de sua liquidação, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. COFINS E PIS. CONTRATOS EM MOEDA ESTRANGEIRA (DÓLAR). INCIDÊNCIA NO MOMENTO DA LIQÜIDAÇÃO DA OPERAÇÃO, OPORTUNIDADE EM QUE DEVERÁ SER VERIFICADA A VARIAÇÃO CAMBIAL. OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC REPELIDA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 1. Cuidam os autos de mandado de segurança preventivo impetrado por DEL MONTE FRESH TRADE COMPANY BRASIL LTDA. contra ato a ser praticado pelo Delegado da Receita Federal em Fortaleza no sentido de exigirlhe a COFINS e o PIS sobre a variação cambial decorrente de contratos de empréstimos firmados em moeda estrangeira. A sentença denegou a segurança. A autora interpôs apelação e o TRF deulhe provimento, reconhecendo que, embora a variação cambial integre o conceito de receita, o que comporta a incidência da COFINS e do PIS, não é razoável entender que se possa tributar a expectativa de receita, pois, enquanto não liquidada a obrigação contraída, não se pode apurar a existência de saldo positivo no caixa da empresa. Recurso especial da Fazenda Nacional, pela alínea “a”, apontando violação dos arts. 535, II, do CPC, 2º e 9º da Lei 9.718/98 e 1º da Lei 10.637/02. Sustenta, em suma: a) anulação do acórdão por ofensa ao art. 535, II, do CPC, por haver deixado de se manifestar acerca da aplicação dos arts. 2º e 9º da Lei 9.718/98 e 1º da Lei 10.637/02; b) todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica devem ser consideradas quando da determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS; c) por expressa determinação legal, art. 9º da Lei 9.718/98, as variações monetárias em função da taxa de câmbio deverão ser consideradas como receitas. 2. Não se constata infringência do art. 535, II, do CPC se o Tribunal de segundo grau aprecia todos os pontos nucleares para a decisão da causa, fundamentando a entrega da prestação jurisdicional. Não há necessidade de se rebater individualmente todas alegações das partes nem se pronunciar especificamente sobre cada um dos dispositivos legais listados nas peças processuais se já encontrou fundamentos suficientes para embasar a conclusão. In casu, verificase que o cerne da controvérsia, quanto ao momento da incidência da COFINS e do PIS sobre variações cambiais decorrentes de contratos pactuados em moeda estrangeira, foi efetivamente analisado, não se cogitando na hipótese de ser anulado o aresto proferido. 3. A matéria já foi objeto de discussão nesta Casa Julgadora, culminandose com o entendimento firmado na linha de que a exigibilidade do PIS e da COFINS, decorrente da variação cambial dos contratos de mútuo, firmados em moeda estrangeira, só ocorre por ocasião de sua liqüidação. Precedentes: REsp 640.069/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 08/11/04; REsp 872.492/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 14/12/06. 4. Recurso especial nãoprovido.” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 898.372CE, Reg. nº 2006/02395566, em sessão de 03/05/07, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, publ. in DJU de 28/05/07 p. 299) Realmente, do v. aresto retro mencionado, resulta claro que, embora as variações cambiais dos contratos de mútuo em moeda estrangeira possam, em tese, integrar o conceito de “receita” (base de cálculo tributável pela contribuição da COFINS), o fato gerador da respectiva obrigação tributária somente se considera ocorrido com a liquidação total do contrato em moeda estrangeira (art. 116, inc. I do CTN), vez que não é lícito tributar a mera Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000463/200302 Acórdão n.º 3402002.457 S3C4T2 Fl. 7 11 expectativa de receitas que, por não se terem ainda incorporado definitivamente ao patrimônio do contribuinte, somente podem ser definitivamente aferidas após a liquidação total das obrigações objeto do contrato externo, quando então se pode apurar a existência (ou não) de eventual receita residual, a título de variação cambial, então tributável pela contribuição da COFINS. Relativamente à recuperação de créditos tributários e seus consectários, a Jurisprudência desta Corte Administrativa tem reiteradamente proclamado que as parcelas relativas à recuperação de créditos de IPI e ICMS registrados extemporaneamente não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, e não portanto não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2000 a 31/08/2000 Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO DO ICMS. O valor do ICMS registrado extemporaneamente não representa entrada de receita e não integra a base de cálculo do PIS. (...) Recurso provido em parte. (cf. ACÓRDÃO nº 20179494, Rec. nº 122665, Proc. nº 10940.000811/200133, em sessão de 27/07/06, Rel. Cons. Walber José da Silva, publ. in D.O.U. de 14/08/2007, Seção 1, pág. 288,) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002 “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002 (...) CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 Recurso provido.” (cf. ACÓRDÃO nº 20218396 da 2ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 139098, Proc. nº 13973.000401/200365, em sessão de 18/10/07, Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa, publ. in D.O.U. de 07/03/2008, Seção 1, pág. 29) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 (...) BASE DE CÁLCULO. ICMS. CESSÃO DE CRÉDITO. As cessões onerosas e outras operações semelhantes envolvendo créditos de ICMS, por representarem mera mutação patrimonial, não integram a base de cálculo da contribuição. Recurso provido em parte.” (cf. ACÓRDÃO nº 20180864 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 142593, Proc. nº 13609.000792/200457, em sessão de 13/12/07, Rel. Cons. José Antonio Francisco, publ. in D.O.U. de 23/04/2008, Seção 1, pág. 45) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2003 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS. Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. (...) Recurso provido em parte. (cf. ACÓRDÃO nº 20180785 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 131895, Proc. nº 10825.001520/200341, em sessão de 11/12/07, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, publ. in D.O.U. de 23/04/2008, Seção 1, pág. 41), “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. Não há incidência de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Recurso provido.” (cf. ACÓRDÃO nº 20180505 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 138254, Proc. nº 13005.000506/200533, em sessão de 15/08/07, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, publ. in D.O.U. de 08/01/2008, Seção 1, pág. 22)” Finalmente, no que toca à isenção das receitas decorrentes de remessas à Zona Franca de Manaus, verificase que as Superintendências Regionais da Receita Federal de São Paulo e Paraná, já reconheceram expressamente que estão isentas da contribuição para o PIS e para a COFINS, as receitas decorrentes de venda de mercadorias para empresas Fl. 2844DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000463/200302 Acórdão n.º 3402002.457 S3C4T2 Fl. 8 13 estabelecidas na Zona Franca de Manaus, como se pode ver das Soluções de Consulta nºs 98/2001 e 102/2001 exaradas sob as seguintes ementas: “Solução de Consulta nº 98 – PIS/COFINS Vendas para a Zona Franca de Manaus “São isentas da contribuição para a COFINS as vendas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus efetuadas a partir de 18/12/2000.” (DOUE de 6.07.2001). Dispositivos legais: Decretolei nº 288/1967, art. 4º; Lei Complementar nº 70/1991, art. 7º; Decreto nº 1030/1993, art. 1º; Lei Complementar nº 85/1996; MP nº 1858/1999, art. 14 e art. 23, II, “b”; MP nº 203725/2000, art. 14. “São isentas da contribuição para o PIS as vendas para a Zona Franca de Manaus efetuadas a partir de 18/12/2000.” (DOUE de 6.07.2001). Dispositivos legais: Decretolei nº 288/1967, art. 4º; MP nº 1858/1999, art. 14 e art. 23, II, “b”; MP nº 203725/2000, art. 14.” “Decisão nº 102/2001 – PIS E COFINS – Zona Franca de Manaus solução de consulta ISENÇÃO Zona Franca de Manaus. A partir da publicação da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000 publicada no DOU de 22 de dezembro de 2000 (atualmente Medida Provisória nº 2.11325, de 27 de março de 2001), as receitas decorrentes de venda de mercadorias para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e COFINS. (Site da Imprensa Nacional em 8.06.2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro DE 1967, art. 4º e Medida Provisória 2.11329, de 27 de março de 2001, art. 14, § 1º.” No mesmo sentido esta C. Câmara, acolhendo memorável voto da ínclita Cons. Fabiola Keramidas recentemente assentou que: “Entendo que a questão limitase à análise da aplicação ou não das legislações que prevêem a isenção da contribuição ao PIS e da Cofins para os casos em que ocorra a venda do produto à Zona Franca de Manaus ZFM. Inicialmente, cabe identificar a legislação de regência aplicável ao caso, tendo em vista as diversas alterações perpetradas no período de 1998 a 2003. No que se refere à Cofins, em relação às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, estabeleceu em seu art. 7º: Fl. 2845DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 “Art. 7º É ainda isenta da contribuição a venda de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, restringiu o tratamento de isenção para as empresas estabelecidas nas localidades que menciona, assim dispondo: “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) à empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; (...).” (Grifouse) Posteriormente, a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, modificou a normatização da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não fazendo qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Daí a necessidade de edição de novo dispositivo legal tratando das isenções das referidas contribuições. No sentido de solucionar tal falha foi incluído na Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03424, de 23 de novembro de 2000, o art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, redefinindo as regras de desoneração das contribuições em tela nas hipóteses especificadas e revogando expressamente todos os dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção, existentes até o dia 30 de junho de 1999: “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput . § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: Fl. 2846DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000463/200302 Acórdão n.º 3402002.457 S3C4T2 Fl. 9 15 I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...)”. (destaquei) Em virtude da patente afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o governador do Amazonas, Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. Ocorre que a esta decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Posteriormente à decisão do STF, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado, que vinha constando em suas edições anteriores. Por aplicação ao caso em questão dos dispositivos legais acima transcritos, inferese, de plano, que não é possível a este tribunal administrativo analisar a constitucionalidade dos dispositivos que, expressamente, impediam a aplicação, por analogia, do benefício fiscal da isenção tributária. Inclusive em razão de os eminentes Ministros do Supremo Tribunal Federal terem determinado, expressamente, a impossibilidade de aplicação retroativa erga omnes dos benefícios tributários à Zona Franca de Manaus. Neste particular, não importa a opinião pessoal desta julgadora, por impossibilidade de apreciação. Ainda de acordo com este raciocínio, entendo que, a partir de dezembro de 2000, devese reconhecer a existência do benefício pretendido, sendo indiscutível a equiparação das remessas de mercadorias para a Zona Franca de Manaus à exportação. Por outro giro, discordo da decisão de primeira instância, que, concluiu pela impossibilidade da citada equiparação sob a argumentação de que deveria haver legislação específica para garantir a isenção da contribuição ao PIS e da Cofins também para as mercadorias enviadas à Zona Franca de Manaus, sendo certo que exigir dispositivo expresso é conferir letra morta não só ao DecretoLei nº 2.88/67 e aos atos constitucionais, que asseguram o desenvolvimento da Zona Franca de Manaus, como à decisão do Supremo Tribunal Federal. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que seja reformada a r. Decisão proferida pela DRJ em Ribeirão Preto SP, a fim de se obter o cancelamento da autuação no tocante aos fatos geradores ocorridos após 18/12/2000, bem como às respectivas multas e os juros a eles aplicados.” (cf. ACÓRDÃO nº 20179406 da 1ª Câm. do 1º CC, Fl. 2847DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 Rec nº 129337, Proc. nº 10820.001521/200335, em sessão de 29/06/2006, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas publ. in DOU de 15/02/2007, Seção 1, pág. 105, Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reformando parcialmente a r. decisão recorrida, para proclamar a decadência e a extinção do direito de constituir o crédito tributário em relação às operações ocorridas no período de 06/97 a 01/98, nos expressos termos dos arts. 150, § 4º e 156, inc. V do CTN e, no mérito, julgar improcedente o lançamento, cancelando as exigências relativas a receitas financeiras decorrentes de variação cambial, recuperações de créditos tributários e seus consectários – correção monetária e juros – prêmios de seguros, reembolsos de empréstimo compulsório Clelesc/Telesc, descontos obtidos, remessas à Zona Franca de Manaus, Receita de Venda de Imobilizado, Dividendos Recebidos, Crédito presumido de IPI. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Declaração de Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, Redator designado. Nada obstante a posição do nobre relator, no sentido de não acompanhar o entendimento externado pela decisão recorrida no que tange ao tratamento tributário das receitas de vendas à Zona Franca de Manaus, com todo o respeito, faço uma leitura dissonante, concluindo que o mesmo deve prevalecer, diante dos irrefutáveis fundamentos jurídicos apresentados, como passo a reproduzir e demonstrar. Concluiu a decisão recorrida que: “Tendo em vista que a impugnante não demonstrou que, para os fatos geradores considerados no auto de infração, suas receitas se enquadram em qualquer das hipóteses legais concessivas de isenção do PIS e da COFINS, é forçoso concluir que não há que se falar em pagamentos indevidos da referida contribuição.” Entendeu a decisão, ora contestada, que a expressão "constante da legislação em vigor" contida no texto do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, restringiu a aplicabilidade da equiparação mencionada, para os efeitos dos impostos e contribuições constantes da legislação vigente em 28 de fevereiro de 1967, não pondendo projetar os efeitos da legislação isencional para o futuro indiscriminadamente. Fl. 2848DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000463/200302 Acórdão n.º 3402002.457 S3C4T2 Fl. 10 17 Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (grifei) No sentir do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, por mim acompanhado, em Declaração de Voto firmada no Acórdão n.º 9303002.502 (09/10/13), 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “...razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no Decretolei nº 288, de 1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I. ... II. aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Ora, por razões óbvias, o citado Decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. (grifei) Nesse sentido, concluiu a decisão aquo, “...que a isenção do PIS e da Cofins prevista no art.14 da Medida Provisória n" 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória n" 2.15835, de 2001, no que se refere a vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, como no caso em tela, deve ser aplicável, exclusivamente, para as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do já citado artigo...”, reproduzido, abaixo: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (grifei) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou Fl. 2849DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 18 registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput.(grifei) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (grifei) I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput.(grifei) Entendeu o Órgão Julgador recorrido que: “...a isenção da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicase as receitas de vendas enquadradas nas letras "a" (IV), "b" (VI), "c" (VIII) e "d" (IX) acima, a partir do dia 18 de dezembro de 2000, tendo em vista a medida liminar concedida pelo STF na ADI nº 2.3489, e a edição da Medida Provisória n" 2.03725, de 2000, e reedições, atual Medida Provisória 2.15835, de 2001. Já as receitas decorrentes dos fatos geradores ocorridos anteriormente ao dia 18 de dezembro de 2000, nas situações aludidas acima, sujeitamse à incidência do PIS/Pasep, de acordo com as vedações contidas no inciso I Fl. 2850DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10920.000463/200302 Acórdão n.º 3402002.457 S3C4T2 Fl. 11 19 do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições.” (referências e grifos meus) Concluindo que: “ ...ressalvadas as hipóteses mencionadas, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, sem o beneficio da isenção, todas as demais receitas decorrentes de vendas efetuadas a pessoas jurídicas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, independentemente de sua destinação ou finalidade.” Aduz, ainda, que: “Esta situação só foi alterada pela Lei n°. 10.996/2004, que contém norma a respeito...”, citando o art. 22 da norma, que reduziu à 0 (zero) as aliquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, arrematando a conclusão: “Porém, esta redução a zero das alíquotas só é aplicável a partir da publicação da referida Lei, que ocorreu em 16/12/2004, de modo que não alcança os fatos geradores de que trata o presente processo administrativo.” Assim sendo, concluo, no mesmo sentido da decisão aquo, “ ...que a impugnante não demonstrou que, para os fatos geradores considerados no auto de infração, suas receitas se enquadram em qualquer das hipóteses legais concessivas de isenção do PIS e da COFINS, é forçoso concluir que não há que se falar em pagamentos indevidos da referida contribuição.”, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não reconhecendo a possibilidade de exclusão das bases de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quanto às remessas à Zona Franca de Manaus. Com estas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, no que tange a essa matéria. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 2851DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 29/01/2015 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por FENELON M OSCOSO DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 13888.002438/2004-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins - não cumulativa, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento da Cofins - não cumulativa incidente em suas aquisições.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS.
A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL.
Não há como reconhecer o direito à apuração de créditos da Cofins - não cumulativa em relação as despesas de aluguel de propriedade rural, por falta de expressa autorização em Lei.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO.
Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis - não cumulativo.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito da Cofins - não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO.
Apenas os créditos da Cofins não cumulativa apurados na forma do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento.
Numero da decisão: 3401-002.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Robson José Bayerl divergiram quanto às despesas com oficinas; e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima e a Conselheira Ângela Sartori que davam provimento também quanto às despesas de arrendamento e às despesas portuárias. Fez sustentação oral pela recorrente a Dr.ª Carina Elaine de Oliveira OAB SP 197.618.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins não cumulativa, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento da Cofins não cumulativa incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. Não há como reconhecer o direito à apuração de créditos da Cofins não cumulativa em relação as despesas de aluguel de propriedade rural, por falta de expressa autorização em Lei. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 24 38 /2 00 4- 78 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Cofins ou do Pis não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito da Cofins não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos da Cofins não cumulativa apurados na forma do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Robson José Bayerl divergiram quanto às despesas com oficinas; e os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça e Bernardo Leite de Queiroz Lima e a Conselheira Ângela Sartori que davam provimento também quanto às despesas de arrendamento e às despesas portuárias. Fez sustentação oral pela recorrente a Dr.ª Carina Elaine de Oliveira OAB SP 197.618. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida das Declarações de Compensação (fls. 14, 113, 134, 140, 168, 178, 208, 236, 245, 273, 277, 300, 323, 345, 368, 391 e 414) por meio da qual requer, primeiramente, reconhecimento de créditos da contribuição para a COFINS Mercado Externo, do regime não cumulativo, nos termos do art. 3o da Lei n° 10.833/2003 A contribuinte alega possuir créditos no valor de R$ 10.827.110,46, no período de apuração (3º trimestre de 2004), referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. A parcela de R$ 372.864,77 do Fl. 763DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 3 3 citado crédito foi utilizada para a dedução da própria contribuição para a COFINS apurada no período, como estabelece o art. 2° da Lei n° 10.833/2003, restando, segundo a contribuinte, o valor de R$ 10.454.245,69 6.729.504,04 desse crédito para efetuar compensações com outros tributos de sua responsabilidade ou solicitar o ressarcimento ao final do período de apuração. A contribuinte requereu o aproveitamento INTEGRAL desse valor restante de crédito, por meio de declarações de compensação (DCOMP), processos anexados a este: 13888.002603/200491, 13888.002843/200433, 13888.002733/200424, 13888.002895/2004 62, 13888.002893/200473, 13888.000043/200511, 13888.000127/200555, 13888.000320/200596, 13888.000697/200545, 13888.000842/200598, 13888.000988/2005 33, 13888.001242/200547 e 13888.000013/200509. O Despacho Decisório DRF/PCA n. 829/2009, às fls. 563/569, que adotou o constante no Termo de Informação Fiscal (fls 97111), do total pleiteado (R$ 10.827.110.46), confirmou as glosas propostas (R$ 3.724.741,65), do que resultou o reconhecimento do direito creditório de R$ 7.102.368,81. Mas, subtraindo dele o valor já aproveitado a título de dedução da contribuição no período (R$ 372.864,77), ficou determinado o seguinte montante disponível para compensação: de R$ 6.729.504,04. O Despacho Decisório homologou as compensações até este limite disponível. Foram as seguintes as glosas e respectivas justificativas constante dessa decisão da unidade de jurisdição: (i) bens utilizados como insumos "Entendese como insumo, utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam, incluídos no ativo imobilizado (IN 404/04, art. 8o, § 4o c/c § 9o). Aliás, este conceito de insumo já se encontra consolidado na legislação do IPI, há muito tempo, dando suporte ao item 11 do Parecer CST n° 65 de 05/11/1979, o qual definiu claramente o conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem: " item 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente da ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis, geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente". Acrescentese: Pelo que se depreende do texto, acima citado, para gerar o direito ao crédito do imposto, o insumo tem que estar relacionado diretamente ao processo produtivo de fabricação do produto final; nele se transformando, a exemplo da madeira se transformando em móveis ou nele se consumindo, química e fisicamente, exemplo a lixa que se consume em contato com o produto final. Em decorrência da definição de insumo, todas as despesas e custos lançados nos centros de custo não diretamente relacionados ao processo produtivo deixaram de ser considerados, pela fiscalização como passíveis de gerar créditos. Quatro planilhas relacionam despesas e custos glosados pela fiscalização (fls.63/82), no valor de R$ 57.632,26(=R$ 4.189,38+ R$ 39.078,63+ R$ 12.119,71 + R$ 2.244,54)." Fl. 764DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 As citadas planilhas do Termo de Informação Fiscal (fls. 97/111) se referem às seguintes despesas, encargos e custos e aos seguintes valores de crédito para apuração de COFINS, relacionados ao mercado externo (ME) para o 3º trimestre de 2004: centro de custo descrição tipos de despesas valor total do 3º trimestre de 2004 Manutenção Conservação Civil ferramentas operacionais; lubrificantes, material manutenção, materiais elétricos. R$ 294,18 oficinas mecânica (manutenção automotiva), elétrica (instrumenta) e de caldeiraria. combustíveis; ferramentas operacionais; lubrificantes, material manutenção, materiais elétricos. R$ 3.895,20 armazéns de açúcar; armazém externo de açúcar; tonéis de álcool; tonéis de melaço. combustível, lubrificantes, material manutenção, consumo água, materiais elétricos, ferramentas operacionais... R$ 12.119,71 balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório industrial e micro; laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo, armazéns de açúcar; armazém externo de açúcar; tonéis de álcool; tonéis de melaço; rede de restilo; refinaria granulado. combustíveis; materiais manutenção, ferramentas operacionais, materiais elétricos,.... R$ 39.078,63 custos lançados nas contas 4301181829 (materiais elétricos) materiais elétricos R$ 1.063,19 custos lançados nas contas 4301181836 (materiais e utensílios) materiais e utensílios R$ 1.181,35 TOTAL R$ 57.632,26 (ii) Serviços utilizados como insumo: "São insumos os serviços prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de produtos destinados à venda (IN SRF 404/04, art. 8o, § 4o c/c/ § 9o). Em decorrência da definição de insumo, todas as despesas e custos lançados nos centros de custo não diretamente relacionados ao processo produtivo não foram considerados, pela fiscalização, como passíveis de gerar créditos. Três planilhas relacionam despesas e custos glosados pela fiscalização ( fls. 97/111), no valor de R$ 108.088,45 (= R$ 16.735,49 + R$ 39.640,82+ R$ 51.712,14)." As citadas planilhas do Termo de Informação Fiscal (fls. 97/111) se referem às seguintes despesas, encargos e custos e aos seguintes valores de crédito para apuração de COFINS, relacionados ao mercado externo (ME) para o 3º trimestre de 2004: centro de custo descrição tipos de despesas valor total do 3º trimestre de 2004 oficinas mecânica (manutenção automotiva), caldeiraria e elétrica mão de obra de manutenção PJ; mão de obra de terceiros PJ; serviços prestados R$ 1.768,55 Fl. 765DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 4 5 (instrumenta) PJ.. MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL mão de obra de manutenção PJ; mão de obra de terceiros PJ;. R$ 56,14 DIRETORIA INDUSTRIAL serviços prestados PJ R$ 1.680,69 INCENTIVO VALE TRANSPORTE INDUSTRIAL transporte de empregados R$ 13.230,11 armazéns de açúcar; armazéns externo de açúcar; tonéis de álcool; tonéis de melaço. mão de obra de manutenção PJ; mão de obra de terceiros PJ; serviços de máquinas PJ; serviços prestados PJ; mão de obra contratada; R$ 39.640,82 ÁREA DE VENDAS: contas contábeis 6101141407, 6101141411, 6101141413. mão de obra de terceiros PJ; serviços prestados PJ;. R$ 51.712,14 TRANSPORTE DE PESSOAL: contas contábeis 4301202003 E 4301202001. transporte TURMAS E EMPREGADOS PJ. TOTAL R$ 108.088,45 Para a autoridade fiscal, os serviços de manutenção em instalações próprias para armazenagem não dão direito a crédito, pois não são considerados insumos, tendo em vista que não foram consumidos no processo de fabricação das mercadorias, que obviamente já estavam acabadas por ocasião da armazenagem; e não geram crédito as despesas de serviços prestados por PJ que "não são insumos do processo produtivo das mercadorias, pois são despesas específicas da área de vendas." (iii) despesas de arrendamento: "É vedado o aproveitamento de créditos sobre o valor dos aluguéis de bens, quando devidos a pessoa jurídica domiciliada no País e não se enquadrem no conceito de prédios, máquinas e equipamentos, como por exemplo, o aluguel ou arrendamento de terrenos e propriedades rurais, entre outros ( Lei 10.833/2003, art. 3o, inciso IV). Pelo demonstrativo da contribuinte, constam despesas com arrendamento de propriedades rurais, as quais não se pode admitir, em face da legislação citada e transcrita. Glosado, por conseguinte, neste item, o montante de R$ 458.317,65." As citadas planilhas do Termo de Informação Fiscal (fls. 97/111) se referem às seguintes despesas, encargos e custos e aos seguintes valores de crédito para apuração de COFINS, relacionados ao mercado externo (ME) para o 3º trimestre de 2004: centro de custo descrição tipos de despesas valor total do 3º trimestre de 2004 contas contábeis 4301212101, 4301212119, 4301212105. arrendamento agrícola PJ; arrendamento manaca/s.an; arrendamento agrícola coligadas.. R$ 458.317,65 (iv) bens e serviços adquiridos de pessoas físicas: Há permissão legal para o aproveitamento de crédito presumido relativo às aquisições de bens ou serviços utilizados como insumos, em operações junto a pessoa física, a partir de 01/02/2003, quando da edição da Lei 10.684/2003, art. 25, ao Introduzir o § 10 ao art. 3o da Lei 10.637/2002 e Lei 10.925/2004, art. 16,1. a). Lei 10.684 de 30 de maio de 2003, art. 25. Nos centros de custo examinados observase que houve introdução de diversos custos e despesas, contratados junto a pessoas físicas, que não se Fl. 766DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 enquadram como insumos, por isso, glosados como demonstrado por planilha à fl. 107, no valor de R$ 1.068.212,71. A autoridade fiscal (fls. 107) reconheceu que a importância de R$ 1.068.212,71, das despesas pagas a pessoas físicas no 4º trimestre de 2004) e vinculadas por rateio às receitas do mercado externo, possa ser usada para desconto ou dedução da própria contribuição, nos termos previstos na Lei n.º 10.925/2004, MAS NÃO PARA COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. As citadas planilhas do Termo de Informação Fiscal (fls. 97/111) se referem às seguintes despesas, encargos e custos e aos seguintes valores de crédito para apuração de COFINS, relacionados ao mercado externo (ME) para o 3º trimestre de 2004 centro de custo descrição tipos de despesas valor total de novembro 2004 contas contábeis 4301212116, 61011202017 e 4740 arrendamento agrícola PF; . R$ 3.960,68 fabricação de açúcar, geração de vapor (caldeiras), matéria prima fornecedores; parcerias agrícolas; ensacamento serviços prestados. matérias primas fornecedores PF; geração de vapor (caldeiras), transporte resíduos; serviços prestados. R$ 1.068.212,71 v despesas com exportação: A contribuinte registrou na conta contábil 6101242421 (Despesas Portuárias) R$ 10.194.287,28 no período de apuração em questão. Desse total, a autoridade fiscal glosou R$ 7.359.456,98 por se referirem a despesas com serviços de operações portuárias e de embarque, e elas não poderiam se enquadrar como despesas de armazenagem e frete. Após essa glosa, restou o saldo de R$ 2.834.830,30. A autoridade fiscal também glosou as despesas de estadia (conta 6101242422), valor R$ 3.284,25, por não corresponder a serviço de frete ou armazenagem. Mas a autoridade fiscal apurou também que a contribuinte é comercial exportadora, que revende no mercado externo bens adquiridos no mercado interno. E o § 4º do artigo 6º da Lei n. 10.833, de 2003, veda a apuração de créditos vinculados à receita desse tipo de exportação. Dessa forma, as parcelas dos encargos de exportação proporcionais às receitas como comercial exportadora não podem ser aproveitadas como crédito. Somente a parcela proporcional às receitas com mercadorias de produção própria é que podem ser aproveitadas. O Despacho Decisório assim resume a apuração consoante essa proporcionalidade e o disposto no § 4º do art. 6º da Lei 10.833/2003: Considerando a atuação da empresa também como comercial exportadora, na proporção de 46,92% em julho, 22,38% em agosto e 32,83 % em setembro de 2004, fará jus ao crédito sobre as despesas de exportação, que após todas as glosas, montam: julho R$ 4.852.450,51, agosto R$ 9.399.107,90 e setembro R$ 7.396.574,55, realizando a seguinte operação: julho (4.852.450,51 X 53,08% = R$ 2.575.680,73 X 7,6%= R$ 195.751,74) obtémse R$ 195.751,74 de crédito permitido. Em agosto (9.399.107,90 X 77,62% ). R$ 7.295.587,55 X 7,6% = R$554.464,65 de crédito permitido e em setembro $ 7.396.574,55 X 67,170%) = R$ 4.968.279,12 X 7,6% = R$ 377.589,21 de crédito permitido. Assim, considerando que a empresa havia calculado créditos de R$ 688.756,53, R$ 883.683,43 e R$ 632.136,86, respectivamente para os meses de julho, agosto e setembro as glosas efetuadas nos referidos meses foram de R$ 493.004,79, R$ 329.218,78 e R$ 254.547,65, perfazendo o importe de R$ 1.076.771,22. Também glosadas DESPESAS DE ESTADIAS, Conta 6101242422, nos meses de julho a setembro de 2004, uma vez que não se caracterizam como insumos no processo produtivo e nem podem ser classificados como serviços de frete ou armazenagem. Valor da glosa no trimestre R$ 3.284,25. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 5 7 vi perdas com operações derivativas: A contribuinte calculou créditos de COFINS sobre despesas relacionadas na conta 6301171713 (perdas com operações derivativas). Da análise dos lançamentos contábeis correspondentes verificase que são lançamentos de despesas e ou perdas em aplicações financeiras. Entretanto, é vedado o aproveitamento de créditos sobre despesas financeiras não decorrentes de empréstimos e financiamentos, tais como perdas financeiras em aplicações efetuadas no mercado de capitais. Glosado R$ 948.474,13. As referidas planilhas do Termo de Auditor Fiscal se referem aos seguintes valores de despesas e de custos de COFINS relacionados ao mercado externo: centro de custo descrição tipos de despesas valor total do 3º trim. 2004 contas contábeis 63011171713 PERDAS COM OPERAÇÕES DERIVATIVOS. R$ 948.474,13 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual apresentou as razões porque pede o reconhecimento do direito ao crédito e a insubsistência das glosas, em resumo: o a não cumulatividade do PIS e da COFINS é distinto da não cumulatividade do IPI e do ICMS; o conceito de insumo para o PIS e a COFINS não pode se basear no que determina a legislação do IPI; há vicio de ilegalidade; o especificamente em relação às glosas relativas aos bens utilizados como insumos. elas não podem prevalecer porquanto "tratamse de ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar, na destilaria de álcool, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal". o sobre as despesas com combustíveis "... com relação aos combustíveis adquiridos para o transporte do produto para exportação e indispensáveis a atividade agroindustrial. Não há como se negar que a atividade agroindustrial integrada demanda grandes espaços, e, por isso mesmo, uma movimentação muito grande de máquinas e veículos, seja na colheita e nos transporte de matériaprima dos fundos agrícolas para a indústria, seja no transporte de máquinas, eguipamentos e, sobretudo, adubos e produtos químicos aos diversos fundos agrícolas onde são aplicados. Sem mencionar o transporte da mão de obra que é indispensável em todo o processo de plantio, tratos culturais, colheita e industrialização. Em decorrência da necessidade de constante vigilância das lavouras, em todo o Fl. 768DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 seu estágio, são necessárias diligências diárias aos diversos fundos agrícolas por agrimensores, agrônomos e demais empregados qualificados para a finalidade de tratar da cultura." Todo esse transporte se faz em sua grande parte por meio de veículos próprios e de terceiros movidos à gasolina ou álcool ou, na hipótese de ônibus, óleo diesel. Sem combustível, portanto, não há como se conceber o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte e, por fim, a industrialização da canadeaçúcar. ... resta patente que os combustíveis se consubstanciam em verdadeiro insumo de produção intrinsecamente ligados ao processo agroindustrial e, conseqüentemente, à atividade da Recorrente. o "no item de serviços utilizados como insumos. todas as glosas são equivocadas e indevidas, tendo em vista que todos os itens indicados pela fiscalização também estão diretamente ligados ao processo produtivo". o são também indevidas as glosas dos custos relacionados com armazenagem e transporte do produto para fins de exportação, inclusive as demais despesas portuárias. "Não há como negar que essas despesas estão diretamente ligadas ao processo produtivo"; não pode ser aceita a glosa com as despesas de exportação, pois se referem a "serviços com o recebimento, armazenagem e embarque, ... e transporte rodoviário para os terminais portuários cujo nítido propósito é o transporte para exportação. ... O mesmo com as despesas de estadia .. que se referem ao custo adicional ao frete pela demora no recebimento da mercadoria pelo terminal portuário." E elas encontram amparo nos §§ 1º a 3º do art. 6º da Lei 10.833/2003. o "no amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado também o arrendamento de propriedades rurais, razão pela qual é legítimo o crédito pleiteado". E que, juridicamente, o imóvel rural pode ser considerado um "prédio rústico", como prescreve o art. 4o do Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64), conceito este posteriormente incorporado no texto da Lei n° 8.629/93, que tratou da reforma agrária. Neste sentido, aplicase à espécie o disposto no art. 1 1 0 do CTN; o não deve prosperar a indevida glosa dos créditos dos veículos utilizados pela recorrente, na medida em que também estão vinculados ao seu processo produtivo, com o transporte de cana (caminhões) e locomoção de funcionários do setor agrícola nas lavouras de canadeaçúcar. Destarte, deve prevalecer um conceito mais amplo de equipamentos e máquinas, de modo a abranger também os veículos utilizados no processo de produção agroindustrial. o sobre os bens e serviços adquiridos de pessoas físicas "não há dúvida de que os serviços de pessoas físicas mencionados (transporte de resíduos industriais vinhaça para aplicação na lavoura de cana de açúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar, etc), também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de créditos de Pis não cumulativo. " o sobre a glosa pela receita de exportação de mercadorias adquiridas no mercado interno "Igualmente não pode a recorrente se resignar com a glosa alusiva as despesas com exportação excluídas por proporcionalidade, porquanto tal exclusão vulnera a não cumulatividade do PIS e da COFINS, como acima elucidado." o sobre glosa das perdas com operações derivativas "Igualmente não há razões para a glosa das despesas relacionadas com perdas com operações derivativas (despesas e perdas com aplicações financeiras) porquanto o Fl. 769DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 6 9 seu aproveitamento encontra amparo no artigo 84 e/ou no art. 3º, inciso V, da lei n. 10.833, 2003." Os julgadores a quo apreciaram a contestação, a autuação e demais documentos que instruem o processo, e firmaram as seguintes considerações e conclusões: 1. não apreciar as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade; 2. considerar definitiva a glosa quanto a crédito presumido de agro indústria, no montante de R$ 1.068.212,71, por não ter sido contestada na impugnação; 3. analisaram a questão das glosas nos mesmos termos genéricos postos pela recorrente, sem se debruçar especificamente e individualizadamente nos itens glosados pela fiscalização (identificados pelas respectivas notas fiscais de aquisição); 4. sobre bens utilizados como insumos "nenhum dos itens relacionados pela recorrente, já reproduzidos (ferramentas operacionais e materiais de manutenção), podem efetivamente ser enquadrados na eonceituaçâo de insumos recém transcrita, porquanto não se tratam de matériasprimas ou materiais de embalagem e tampouco desgastamse em contato direto com o produto em fabricação." 5. sobre combustíveis utilizados no transporte "a legislação equiparou os combustíveis aos demais bens considerados como insumos. desde que aqueles também sejam utilizados diretamente no processo produtivo, de fabricação do açúcar e do álcool destinado à venda. Portanto, não há que se falar em creditamento na aquisição de combustíveis utilizados no transporte da produção para a exportação ou mesmo da mãodeobra utilizada no processo agrícola, como pleiteou expressamente a recorrente. Em resumo, a aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda." 6. sobre serviços utilizados como insumos "também neste caso o direito arguido reportase ao conceito de insumos. Ou seja, apenas os serviços efetivamente utilizados (aplicados ou consumidos) na fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem gerar créditos do PIS/COFINS Não cumulativo. Tendo a fiscalização observado este critério nas glosas procedidas, reputo como também correio o procedimento fiscal, nesse aspecto." 7. sobre aluguel de propriedade rural " ..... as normas que criam direitos em matéria tributária devem ser interpretadas de forma restritiva. Isto porque tais direitos implicam, em última análise, cm renúncia fiscal a favor de uns em detrimento do interesse público da arrecadação de tributos. Nesse sentido, penso que ao intérprete/aplicador destas normas não é dado o direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendêlos a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de autoridade administrativa. Destarte, a meu sentir o direito à apuração de créditos do PIS Não cumulativo só alcança as despesas de aluguéis de prédios (obviamente, utilizados nas atividades da empresa), no sentido estrito da palavra, que não abrange a propriedade rural." Fl. 770DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 8. despesas de exportação as glosas se justificaram pela constatação que as despesas (despesas com embarque, despesas portuárias s/retenção) não podiam ser associadas a encargos com frete e armazenagem na operação de venda. E a contribuinte não apresentou prova do direito material que alega. E sobre a glosa pela proporcionalidade entre receitas de exportação e receitas de exportação com revenda, ela corresponde à prescrição legal que veda o aproveitamento de créditos de encargos desse tipo de receita de exportação por revenda. 9. sobre as glosas das perdas com operações derivativas os julgadores a quo entenderam que a contribuinte não provou o direito alegado, e que as perdas glosadas não se enquadram na hipótese do inciso V do artigo 3º da Lei 10.833/2003, nem do artigo 84 da mesma Lei, em vigor naquela ocasião, pois "a fiscalização não contestou o direito à apuração dos créditos... as glosas deveramse exclusivamente à impossibilidade de se aproveitar estes créditos para os fins pretendidos pela contribuinte (compensação e ressarcimento), mantido o direito de aproveitamento para fins de dedução de débito da própria contribuição." O Acórdão n.º 1434.268 proferido por unanimidade de votos em 20/06/2011 pela mui respeitável 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins Não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos que dão direito ao creditamento da Cofins Não cumulativa incidente em suas aquisições. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 7 11 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RENÚNCIA FISCAL. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. DESPESAS COM ALUGUEL DE PROPRIEDADE RURAL. No contexto de interpretação restritiva de norma que implica em renúncia fiscal, não há como reconhecer o direito à apuração de créditos da Corms Não cumulativa em relação as despesas de aluguel de propriedade rural. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação as despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito do Pis Não cumulativo. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito da Cofins Não cumulativa não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim especifico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. Apenas os créditos da Cofins não cumulativa apurados na forma do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003 podem ser objetos de aproveitamento para fins de compensação ou ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário contra essa decisão e repisou as razões que compuseram sua contestação apreciada pela instância de 1º piso, além de negar que tenha havido matéria não contestada, como afirmaram os julgadores. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 Prolegômenos O sentido de não cumulatividade para o PIS e para a COFINS e a lógica básica para sua apuração A Constituição Federal, em seu artigo 195, estabeleceu contribuições incidentes sobre as receitas ou faturamento do empregador, da empresa ou de entidade equiparada na forma da lei, cuja arrecadação desse tributo se constituiria em recursos a serem destinados a financiar a seguridade social. Ela, em seu § 12, atribuiu ao legislador ordinário a competência para a criação e o disciplinamento do regime de não cumulatividade dessas contribuições. A Constituição Federal cria a incidência desses tributos sobre a receita ou a faturamento. Mas, são as Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 que trazem elementos para definir as hipóteses de incidência e as de exclusão ou isenção. Além disso, essas leis, regulam o PIS e a COFINS e pretendem vir ao encontro daquela previsão constitucional de um regime de não cumulatividade. Nesse sentido, elas trazem as regras para a determinação do valor devido dessas contribuições, e, para tanto, prevêem que o cálculo considere a redução por créditos apurados para fatores que concorreram para a obtenção dessa receita ou faturamento. A regra da não cumulatividade estatuída pelo inciso II, § 3º do artigo 153 da CF/1988 para o IPI não corresponde ao regime de não cumulatividade previsto pelo § 12 do artigo 195 da mesma CF. E mesmo as regras das Leis acima citadas, que se apresentam como sob o manto desse regime de não cumulatividade, não correspondem à lógica e regime previsto para o IPI. Mas o uso da mesma expressão pareceme pode causar confusão para os neófitos da matéria. Por isso propugno seja o regime de não cumulatividade do PIS e da COFINS considerado um regime próprio e distinto daquele reservado ao IPI. Para disciplinar o creditamento, que abate o valor devido, essas leis informam e disciplinam o creditamento para, por dedução ou abatimento, se determinar o valor devido dessas contribuições. O creditamento assim estabelecido pretende atender ao regime de não cumulatividade previsto na Constituição Federal e criado através das Leis aqui citadas. E, até o momento, este é um ponto central em minha compreensão a respeito dessa matéria: 1. a materialidade desse tributo está na receita tributável; 2. a materialidade da não cumulatividade está na relação de dependência da receita tributável para com a ocorrência do fator previsto em lei qual seja, corresponda à uma das hipóteses dos §§ e incisos do artigo 3º da Lei em tela; 3. logo, o direito de creditamento está reservado para os fatores em que esteja demonstrado ser ele necessário para a geração da receita tributável. Apesar de mal traçadas, essas breves considerações representam, a meu ver, a lógica da não cumulatividade do PIS e da COFINS expressa na leitura conjugada dos artigos dessas Leis. Não faz sentido que se possa gerar creditamento a partir da ocorrência de fatores que não tenham relação de causação ou de concorrência para com a geração da receita a ser tributada. Contradiz essa lógica ler os incisos e §§ do artigo 3º desconectados dos demais artigos da mesma Lei, principalmente os artigos 1º e 2º. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 8 13 Pressupostos para interpretar e identificar os insumos para o creditamento do PIS e da COFINS: Além dessas considerações gerais, ainda preciso me aproximar de outro aspecto central da matéria: a referência a insumo constante nessas leis. Grande controvérsia se instalou a respeito desse creditamento, especialmente quanto ao inciso II, que traz o seguinte texto: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Principalmente os debates se centram na definição de insumos para efeito dessa regra. Os estudiosos sintetizam relatando a existência de três correntes de interpretação e decisão: 1. a primeira que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do IPI, e constantes nas Instruções Normativas da Receita Federal que tratam do PIS e da COFINS, e circunscrevem insumos a matérias primas, produtos intermediário e material de embalagem; 2. a segunda que se utiliza dos conceitos e definições proporcionadas pela legislação do Imposto de Renda, e identificam e separam os custos e despesas das operações e os custos e despesas não operacionais; insumos seriam toda e qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica; 3. a terceira que entende que o PIS e a COFINS deve se pautar por conceitos e definições próprias, que acaba por se afastar da visão estreita da primeira e, também, da visão alargada da segunda. As duas primeiras perspectivas, (1º) para se tratar insumos no PIS e na COFINS a partir da legislação do IPI, malgrado ser a esposada pela Receita Federal em suas normativas, e (2ª) a que se alinha com a legislação do Imposto de Renda, vêm sendo questionadas recorrentemente. Reproduzo, a título de exemplos, trecho do bem fundamentado voto do I Conselheiro Maurício Taveira e Silva proferido no Acórdão n. 3301000.954, refletindo a intensidade crescente dos debates: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. (...) Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. A recorrente invoca o entendimento do IRPJ para servir de fonte aos critérios de determinação dos insumos para o PIS e para a COFINS. Mas não me parece que seja ele adequado. É verdade que a legislação do IRPJ possui uma longa trajetória de existência e consolidação, mas, a principio, creio que a sua simples transposição pode gerar mais imprecisões que soluções. Aproveito também o raciocínio da I Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas a esse respeito, em seu alentado Acórdão 3302002.262: Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 290 e 299 do RIR/99. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 9 15 O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e Cofins não cumulativos. Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Decisões proferidas nas altas cortes administrativas vêm assentando o entendimento da 3ª perspectiva, de que o PIS e a COFINS demandam critérios próprios. Dentre essa decisões destaco o bem fundamentado voto do Ilmo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres na Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n.º 930301.035: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens Fl. 776DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 16 (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional.. Por causa dessas considerações que entendo: (a) não se poder limitar o creditamento aos conceitos e critério advindos da legislação do IPI. Os insumos não se limitam às matérias primas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem, e não se limitam à avaliação pela aplicação do critério de consumo/desgaste físico. Essa limitação não encontra sustentação no que dispôs a Constituição Federal e as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a matéria; (b) não se pode acriticamente transpor para o creditamento do PIS e da COFINS os conceitos e regras da legislação do Imposto de Renda, pois, além de serem de materialidades distintas, essa legislação não se destina a tratar a hipótese de incidência do tributo contemplando a unidade de análise representada pela relação "insumoprocessoproduto/serviço destinados a venda", como é o caso do PIS e da COFINS. Perdoemme mais uma vez pela brevidade nas considerações. Reconheço que Conselheiros desta Alta Corte têm dedicado longos estudos à matéria e têm produzido artigos e votos que, pela profundidade do conhecimento e da análise, acabam por se constituir em ensinamentos e abastadas fontes para nossa aprendizagem e reflexão. Este voto nada pretende acrescer nos debates em andamento. Está sendo ele proferido sob o manto da cautela, mas com convicção, pela constatação de que, apesar das leis em comento estarem vigentes, o direito correspondente ainda está em construção. Fazme necessário esclarecer que entendo que produção abrange fabricação; mas o inverso não é verdadeiro: fabricação está contida em produção. E também industrialização está contida em produção. Mas nem fabricação, nem industrialização compreende a totalidade das possibilidades da produção. Quando se industrializa, se produz. Quando se fabrica, se produz. Mas há produções que não são industrialização e que não são fabricação. Produzir, em um sentido lato, é dar existência, gerar, fornecer, fazer, realizar, fabricar, manufaturar. Mas, para o âmbito da Lei em discussão, produzir subentende um agir humano, deliberado e com propósito, e capaz de atrair interesse jurídico. Há criação resultante de um esforço físico e mental. Ainda para o âmbito da Lei em discussão, as atividades de produção de bens, regra geral, não se confundem com outras atividades do empreendimento, tais como: vendas, Fl. 777DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 10 17 publicidade, comercialização, finanças, administração, pesquisa e desenvolvimento, projetos, e outras. Muito bem, prosseguindo: a meu ver, essas duas leis informam que dão direito a crédito os bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens ou produtos destinados a venda. Quando designam insumos, tenho como certo que se referem a fatores de produção, os fatores necessários para que os serviços possam estar em condições de serem prestados ou para que os bens e produtos possam ser obtidos em condições de serem destinados a venda. E quando afirmam que são os utilizados na prestação de serviços e na produção, depreendo que: são os utilizados na ação de prestar serviços ou na ação de produzir ou na ação de fabricar. Para se decidir que um bem ou serviço possa gerar crédito com relação a determinada receita tributada, há que se perquirir em que medida esse bem ou serviço é fator necessário para a prestação do serviço ou para o processo de produção do produto ou bem destinado a venda, e geradores, em última instância, da receita tributada. A meu sentir, não é o caso de restringir a que o bem ou serviço tenha sido utilizado como insumo do próprio produto a ser vendido ou do próprio serviço; ou que ele seja adstrito pelo principio do contato físico, ou do desgaste ou transformação. Embora o serviço prestado ou o produto vendido seja o alfa da obtenção da receita a ser tributada, a lei indica que o bem ou o serviço utilizado como insumo alcança a atividade de prestação do serviço ou a atividade de produção, direta ou indiretamente. Essa visão conjuga o "processo" e o "produto/serviço resultante do processo". Mas esses processos devem estar inequivocamente ligados ao serviço prestado ou ligados ao produto vendido. Para se justificar o creditamento, não basta demonstrar que os bens e serviços concorreram para o processo de produção, ou de fabricação, ou de prestação do serviço, mas é necessário em adição demonstrar para qual produto ou serviço aqueles fatores de produção ou insumos concorreram. Concluídas essas considerações introdutórias, sintome em condições de propor passar à análise das questões de mérito. Mérito Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, Fl. 778DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 18 tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Nesse sentido, as possibilidades para se caracterizar insumos não se limitam a: · quando se tratar de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, bens esses que efetivamente compõem ou se agregam ao bem final da etapa de industrialização; · quando se tratar de outros bens quaisquer, os quais não se agregam ao bem final, desde que sofram alterações, como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em industrialização. · aos bens obtidos por processo industrial. No caso em discussão neste processo, e divergindo da autoridade fiscal e dos julgadores a quo, entendo que o preparo da cana de açúcar para ser ela um insumo da industrialização do açúcar e do álcool é, sim, etapa do processo de produção do açúcar e do álcool. E, sendo assim, há que se identificar que despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. As informações presentes neste processo, a meu ver, permitem que formemos convicção a esse respeito. Das glosas dos bens utilizados como insumos: Inicialmente, neste tópico, esclareço que me parece informação evidente, de domínio público, que o processo de colheita de cana e o seu aproveitamento para o processo de produção de açúcar e álcool, quando em escala industrial, implica em operações realizadas ininterruptamente, dia e noite, durante semanas, até meses. Ademais, não só essa extensão, intensidade e freqüência de uso, mas também os efeitos abrasivos e erosivos da natureza do material colhido, promovem desgaste substantivo nos instrumentos usados nessas operações. Por isso, julgo razoável que as ferramentas de operação e os materiais elétricos e de manutenção efetivamente aplicados no processo de colheita e tratamento dessa matéria prima possam ser considerados como não ativados ou imobilizados. Sobre as despesas e custos relacionados às oficinas Depreendo, portanto, que as despesas com combustíveis, lubrificantes, consumo de água, materiais de manutenção e materiais elétricos nas oficinas de serviços elétricos, de caldeiraria e de serviços mecânicos e automotivos para as máquinas, equipamentos e veículos utilizados no processo produtivo da canadeaçúcar, ou seja, sua semeadura, colheita e transporte até a usina onde será fabricado o açúcar, atendem ao critério para caracterização como insumos. Contudo, a recorrente não Fl. 779DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 11 19 demonstra como se integram com o processo de produção os bens adquiridos para o centro de custo "MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL" (R$ 294,18), e porque elas não deveriam compor o imobilizado, quanto ao bem que recebeu a manutenção de conservação civil, donde concluo que elas não podem gerar crédito pelos valores pagos. Essas glosas, a meu sentir, devem ser mantidas. Proponho dar PARCIAL provimento ao recurso neste item. Sobre as despesas relacionadas diretamente ao preparo da cana de açúcar para se tornar insumo na produção do álcool e do açúcar Com a mesma razão as despesas e custos com combustíveis, consumo de água e materiais elétricos para emprego nas atividades: balança de cana; destilaria de álcool; ensacamento de açúcar; fabricação de açúcar; fermentação; geração de energia (turbo gerador); geração de vapor (caldeiras); laboratório teor de sacarose; lavagens de cana/ residuais; mecanização industrial; preparo e moagem; recepção e armazenagem; transporte industrial; tratamento do caldo; captação de água; rede de restilo; refinaria granulado. Proponho dar provimento ao recurso neste item. Sobre as despesas relacionadas a armazenamento Pareceme que as despesas e custos glosadas neste processo não são de armazenagem. As atividades que cuidam dos estoques dos insumos, dos bens em fase de processamento, dos semiacabados e dos acabados que ainda não estão prontos para comercialização podem ser, a meu ver, como necessárias ao processo de produção. Portanto, divirjo das decisões anteriores, pois entendo que as despesas com materiais de manutenção, materiais de acondicionamento, materiais elétricos, lubrificantes e combustíveis empregados nas atividades de estocagem são insumos no processo de produção da cana de açúcar e do açúcar e do álcool. Proponho dar provimento ao recurso neste item. Sobre a glosa das despesas de materiais elétricos e de materiais e utensílios das contas contábeis 4301181829 e 4301232336 A autoridade fiscal efetuou esta glosa porque eles não teriam sido diretamente consumidos na produção da matéria prima cana de açúcar. A recorrente não contesta especificamente essa glosa, e também não apresenta elementos que possam invalidála, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção. Por falta de comprovação de se tratar de insumo e falta de amparo legal, proponho manter a glosa. Das glosas dos serviços utilizados como insumos: Glosa das despesas e custos com serviços de manutenção das oficinas e dos armazéns pagos a pessoas jurídicas a autoridade fiscal que esses tipos de despesas não correspondem ao conceito de insumo pois não estão diretamente relacionados ao processo da fabricação do açúcar e do álcool. Mas pareceme que razão assiste à recorrente. Como já visto anteriormente, o conceito de insumo não pode ficar adstrito ao haurido a partir da legislação do IPI. Separo a apreciação dessas glosas em dois itens. (a) As atividades das oficinas e de Fl. 780DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 20 estocagem que atendem as outras atividades de preparo da cana de açúcar e de fabrico do açúcar e do alcool são parte do processo de produção. As despesas pagas a pessoas jurídicas para a manutenção dos equipamentos e instalações pertencentes às oficinas e depósitos dedicados ao processo de produção podem gerar creditamento. (b) Contudo, a recorrente não demonstra como se integram com o processo de produção os serviços prestados por pessoa jurídica para os centros de custo "DIRETORIA INDUSTRIAL", "INCENTIVO VALE TRANSPORTE INDUSTRIAL" E "MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL" (total de R$ 14.966,94), e porque elas não deveriam compor o imobilizado, quanto ao bem que recebeu a manutenção de conservação civil, donde concluo que elas não podem gerar crédito pelos valores pagos. Essas glosas, a meu sentir, devem ser mantidas. Proponho dar parcial provimento ao recurso neste item. Glosa das despesas pagas a pessoas jurídicas e lançadas nas contas contábeis 6101141407, 6101141411 e 610114113 A autoridade fiscal glosou por se referirem ao setor de vendas da contribuinte, e não ter relação com a produção. A recorrente não contesta especificamente essa glosa, e também não apresenta elementos que possam invalidála, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção. Por falta de comprovação de se tratar de insumo e falta de amparo legal, proponho manter a glosa. Glosas de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas a autoridade fiscal glosou arrendamento agrícola pago a pessoa física, despesas de geração de vapor caldeiras pagos a pessoas físicas e gastos de fornecimento pagos a pessoas físicas. A recorrente alega que os gastos pagos a pessoas físicas "(transporte de resíduos industriais — vinhaça — para aplicação na lavoura de canadeaçúcar como fertilizante, armazenagem de açúcar, etc.) , também se enquadram perfeitamente no conceito de insumos para efeitos de crédito de PIS não cumulativo. A meu ver, a recorrente não apresenta argumento congruente com os itens glosados, e silencia a respeito das despesas de arrendamento pagos a pessoas físicas. Entendo que a legislação não acode a recorrente: o § 5º do artigo 3º da Lei n. 10.833, de 2003, admitia que se pudesse deduzir da COFINS devida em cada período de apuração os créditos presumido calculado sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas e usados como insumos ao processo de produção. § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do art. 2o; I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do Fl. 781DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 12 21 art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) A meu ver, correto foi o entendimento fiscal que identificou e delimitou os gastos pagos a pessoas físicas que podem dar direito ao aproveitamento de crédito presumido no mês de apuração do tributo (a partir de 01/02/2003, quando da edição da Lei 10.684/2003, art. 25, ao Introduzir o § 10 ao art. 3o da Lei 10.637/2002 e Lei 10.925/2004, art. 16,1. a). Lei 10.684 de 30 de maio de 2003, art. 25.). Ademais as despesas de arrendamento não podem ser aceitas, pois a recorrente não contesta a glosa, nem traz elementos que demonstrem que elas se constituem em insumos. Proponho NÃO dar provimento ao recurso neste item. Glosa das despesas com aluguel e arrendamento rural A autoridade fiscal propôs a glosa das despesas com arrendamento agrícola e rural por não se enquadraram na hipótese do inciso IV do art. 3º das Leis em comento. Não consigo acompanhar a recorrente em sua argumentação de que o vocábulo 'prédios' desta hipótese legal abrange as propriedades rurais. A meu ver, não há essa equivalência e carece, no texto legal, a expressa autorização para creditamento desse tipo de gasto (arrendamentos rural e agrícola). Proponho não dar provimento ao recurso neste item, por falta de previsão legal. Glosa das despesas portuárias e de estadia nas operações de exportação a autoridade fiscal e os julgadores a quo decidiram que essas despesas não faziam jus ao creditamento por que lhes falta a previsão legal. Elas se referem a gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação e embarque e estadia. A esse respeito a recorrente afirma, sem demonstrar, que elas estão ligadas diretamente ao processo de produção ou que elas deveriam ser consideradas como de frete ou armazenagem. Os valores de despesas com estadia foram integralmente glosados (R$ 3.284,25). As despesas portuárias foram parcialmente glosadas: valor total de despesas portuárias R$ 10.194.287,28 valor glosado R$ 7.359.456,98 valor despesas portuárias não glosados R$ 2.834.830,30 Concluo sublinhando que as despesas glosadas não se confundem com o frete ou a armazenagem, como propõe a recorrente, e que não há previsão legal para o creditamento desse tipo de despesa. Proponho não dar provimento ao recurso neste aspecto. Glosas das despesas de exportação (despesas portuárias, despesas transportes rodoviários e transportes ferroviários) pela proporcionalidade das receitas de exportação Do valor das despesas portuárias não glosadas (R$ 2.834.830,30), e das despesas de transporte rodoviário (conta 6101242401) que somam no trimestre R$ 18.804.854,63 , e das despesas de transporte ferroviário (conta 6101242411) que somam no trimestre R$ 8.448,03 , a autoridade fiscal aplicou o que dispõe o § 4º do art. 6º da Lei Fl. 782DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 22 10.833/2003, ou seja, apurou o valor correspondente à proporção de receitas de exportação de bens adquiridos no mercado interno sobre o total das receitas. A recorrente não se resigna com a glosa alusiva às despesas com exportação excluídas por proporcionalidade. Ela firma que essa exclusão vulnera a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Contudo, ela não apresentou prova do que alega. Ocorre que o texto do § 4º do artigo 6º da Lei n. 10.833, de 2003, é cristalino a respeito: art. 6º A COFINS não incidirá sobre sa receitas decorrentes das operações de: (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedado, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. A recorrente não contradita o fato de ser comercial exportadora e ter receita de exportação proveniente de bens adquiridos no mercado interno e exportados, nem contesta a apuração dos percentuais adotados pela autoridade fiscal para os cálculos. A meu ver, foi correta a glosa pela proporcionalidade entre receitas de exportação e receitas de exportação com revenda, conforme demonstrado às fls. 109 (termo de informação fiscal), pois ela corresponde à prescrição legal que veda o aproveitamento de créditos de encargos desse tipo de receita de exportação por revenda. Do total de R$ 2.204.576,82 de crédito inicialmente calculado pelo próprio contribuinte, a autoridade fiscal corretamente glosou R$ 1.076.771,22, e manteve o crédito de R$ 1.127.785,60. Proponho manter a glosa e não dar provimento ao recurso neste item. Glosa das perdas com derivativos A contribuinte calculou créditos de COFINS sobre despesas relacionadas na conta 6301171713 (perdas com operações derivativas). Ela alega que essa perda se enquadra na previsão dada pelo artigo 84 da Lei n. 10.833, de 2003. Art. 84. A pessoa jurídica nãofinanceira, sujeita à incidência nãocumulativa da COFINS, que realizar operações de hedge em bolsa de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão, poderá apurar crédito calculado sobre o valor das perdas verificadas no mês, nessas operações, à alíquota de até 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento). (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito do disposto no caput, consideramse hedge as operações destinadas, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preço ou de taxas, quando o objeto do contrato negociado: (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) I estiver relacionado com as atividades operacionais da pessoa jurídica; e(Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) II destinarse à proteção de direitos ou obrigações da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O crédito presumido a que se refere o caput, no caso das operações de hedge realizadas no mercado de balcão, somente será admitido quando referidas operações forem registradas nos termos da legislação vigente. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o O disposto neste artigo fica limitado às operações que atendam às normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, que poderá observar, na caracterização das Fl. 783DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.002438/200478 Acórdão n.º 3401002.890 S3C4T1 Fl. 13 23 operações de hedge, critérios estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários.(Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) A autoridade fiscal e os julgadores a quo não desqualificam a natureza das despesas, mas, apenas, o seu aproveitamento para compensação ou ressarcimento, como pleiteado pela contribuinte. eles explicam que até 31/03/2005 (foi revogado pelo inciso IV do art. 35 da Lei n. 11.051/2004, com efeitos a partir de 01/04/2005), o art. 84 da Lei n. 10.833/2003 permitia às pessoas jurídicas não financeiras, sujeitas à incidência não cumulativa da contribuição em comento, que tivessem realizado operações de hedge em bolsas de valores, de mercadorias e d futuro ou no mercado de balcão, poderiam apurar crédito da contribuição, calculado à alíquota de 4,6% sobre o valor das perdas verificadas no mês nestas operações. Mas o crédito assim calculado, não foi incluído no artigo 3º para se aproveitar para compensação e ressarcimento, ou seja, ele somente poderia ser aproveitado para desconto ou dedução da própria contribuição apurada. A meu ver, razão não socorre a recorrente nesse particular. Ela não traz provas que essas perdas se referem exatamente ao texto legal que autoriza aproveitamento de créditos para compensação e ressarcimento. São lançamentos de despesas e ou perdas em aplicações financeiras. Entendo que a contribuinte não prova o alegado direito à compensação, nem comprova que as perdas glosadas se enquadram na hipótese do artigo 3º, V, da mesma Lei. Proponho não dar provimento ao recurso neste item. Conclusão: Então, seriam as seguintes as despesas, custos e gastos que propomos a manutenção das glosas pelas razões expostas no voto, para a apuração da COFINS: 1. bens adquiridos para o centro de custo "MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL"; 2. serviços prestados por pessoa jurídica para os centros de custo "DIRETORIA INDUSTRIAL", "INCENTIVO VALE TRANSPORTE INDUSTRIAL" E "MANUTENÇÃO CONSERVAÇÃO CIVIL" 3. despesas pagas a pessoas jurídicas e lançadas nas contas contábeis 6101141407, 6101141411 e 610114113 ÁREA DE VENDAS; 4. despesas pagas a pessoas físicas arrendamento agrícola; fornecimento de materiais; 5. despesas de arrendamento rural e agrícola arrendamento rural; 6. despesas de estadia nas operações de destinação em área portuária; 7. despesas lançadas na conta 6101242421 (Portuária); glosada por não se tratar de frete e armazenagem; 8. proporção de despesas lançadas na conta 6101242421 (Portuária) e não glosadas inicialmente pela razão de não serem frete e armazenagem, mas glosadas pela proporcionalidade. parcela rejeitada pela proporção das receitas de exportação provenientes dos bens adquiridos no mercado interno como comercial exportadora. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 24 9. proporção de despesas de transporte rodoviário e ferroviário glosadas pela proporcionalidade: parcela rejeitada pela proporção das receitas de exportação provenientes dos bens adquiridos no mercado interno como comercial exportadora. 10. perdas com derivativos. Concluindo, proponho dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos exposto neste voto, e, do total pleiteado de R$ 10.827.110,46, considerar glosado R$ 3.623.983,58, reconhecer o direito ao crédito de R$ 7.203.126,88. Deste montante, R$ 372.864,77 já foi aproveitado como crédito para deduzir a própria contribuição, remanescendo R$ 6.830.262,11 para aproveitar, até este limite, nas declarações de compensação DCOMPs apresentadas pela contribuinte e vinculadas a este processo administrativo. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 785DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 14337.000218/2010-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007
PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. ERRO DE SUJEITO PASSIVO.
Constatando-se que o sujeito passivo, pessoa física, ao qual se imputara responsabilidade solidária não fizera parte da administração da pessoa jurídica na integridade do período autuado, na forma do Relatório de Representantes Legais - RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; ( redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007), a imputação de solidariedade para todo o período autuado resta indevida por erro de sujeito passivo.
Não ocorrendo as hipóteses previstas nos arts. 124 e 135 do código Tributário Nacional - CTN onde se registra previsão de imputar responsabilidade solidária às pessoas expressamente designadas por lei, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal atribuindo-lhes pessoal responsabilidade pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não se vislumbra atribuir solidariedade às pessoas não insertas nas sobreditas condições.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA . RETROATIVIDADE BENÍGNA
As obrigações acessórias descumpridas, sujeitam-se às multas previstas nos artigos 32 e 32-A da Lei n 8.212/91.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 32-A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou em parte o art. 32 da Lei 8.212/1991na forma da nova redação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em preliminar: Por maioria de votos em dar provimento ao recurso para afastar Paulo Afonso Costa da sujeição passiva solidária em razão de o cumprimento da obrigação acessória não ser de sua responsabilidade. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Votaram pelas conclusões Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa conforme o artigo 32-A da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. ERRO DE SUJEITO PASSIVO. Constatando-se que o sujeito passivo, pessoa física, ao qual se imputara responsabilidade solidária não fizera parte da administração da pessoa jurídica na integridade do período autuado, na forma do Relatório de Representantes Legais - RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; ( redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007), a imputação de solidariedade para todo o período autuado resta indevida por erro de sujeito passivo. Não ocorrendo as hipóteses previstas nos arts. 124 e 135 do código Tributário Nacional - CTN onde se registra previsão de imputar responsabilidade solidária às pessoas expressamente designadas por lei, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal atribuindo-lhes pessoal responsabilidade pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não se vislumbra atribuir solidariedade às pessoas não insertas nas sobreditas condições. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA . RETROATIVIDADE BENÍGNA As obrigações acessórias descumpridas, sujeitam-se às multas previstas nos artigos 32 e 32-A da Lei n 8.212/91. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 32-A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou em parte o art. 32 da Lei 8.212/1991na forma da nova redação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 63; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14337.000218/201057 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.744 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ATIVO ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA OUTROSMAFRINORTEMAT FRIG NORTE E PAULO A COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. ERRO DE SUJEITO PASSIVO. Constatandose que o sujeito passivo, pessoa física, ao qual se imputara responsabilidade solidária não fizera parte da administração da pessoa jurídica na integridade do período autuado, na forma do Relatório de Representantes Legais RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; ( redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007), a imputação de solidariedade para todo o período autuado resta indevida por erro de sujeito passivo. Não ocorrendo as hipóteses previstas nos arts. 124 e 135 do código Tributário Nacional CTN onde se registra previsão de imputar responsabilidade solidária às pessoas expressamente designadas por lei, que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal atribuindolhes pessoal responsabilidade pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, não se vislumbra atribuir solidariedade às pessoas não insertas nas sobreditas condições. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA . RETROATIVIDADE BENÍGNA As obrigações acessórias descumpridas, sujeitamse às multas previstas nos artigos 32 e 32A da Lei n 8.212/91. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional cabe aplicar o artigo 32 A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou em parte o art. 32 da Lei 8.212/1991na forma da nova redação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 02 18 /2 01 0- 57 Fl. 618DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em preliminar: Por maioria de votos em dar provimento ao recurso para afastar Paulo Afonso Costa da sujeição passiva solidária em razão de o cumprimento da obrigação acessória não ser de sua responsabilidade. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Votaram pelas conclusões Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. No mérito: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa conforme o artigo 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Apenso ao processo principal de n° 14337.000211/201035, consta que a empresa fora autuada por descumprimento de obrigação acessória vinculada. Conforme Relatório de Fundamentos Legais FLD fls. 01, a empresa deixou de apresentar o documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Na forma do Relatório Fiscal de fl. 05, foi atribuída responsabilidade solidária a MAFRINORTE MATADOURO E FRIGORIFICO DO NORTE LTDA, CNPJ 05.047.121/000102, e a PAULO AFONSO COSTA, 055.085.84668. DA IMPUGNAÇÃO Foram intimados do lançamento efetuado o contribuinte e os responsáveis solidários acima identificados. Inconformados, apresentaram impugnação o contribuinte e o responsável solidário, PAULO AFONSO COSTA. DA AUTUADA ATIV0 ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA O Contribuinte, ATIV0 ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA, apresentou sua impugnação , conforme fls.852/878, e em apertada síntese alegou que : em respeito ao princípio da eventualidade, cumpre dispor que a MP n°. 449/08, que alterou diversas disposições da Lei n°. 8.212/91, instituiu uma nova multa, imposta sobre omissões na GFIP, estabelecendo um novo modo de calcular o valor correspondente da penalidade cominada neste AI, abrandandoo substancialmente; a referida multa foi fixada no art. 32A da Lei da Previdência Social; antes era aplicada uma multa com base nos §§3° a 5o do art. 32 da Lei n°. 8.212/91. que foi revogada, e atualmente encontrase em vigor uma outra multa, fixada no artigo 32A da mesma Lei; consoante o previsto no art. 106 do CTN, para aplicação da penalidade, incumbia ao Sr. Auditor Fiscal comparar valores da multa que seria imposta pela infração na legislação anterior e na atualmente em vigor, ambas citadas acima, pautandose pela mais branda; não fez assim o Auditor Fiscal, que sem relatar quaisquer dispositivos legais no seu confuso trabalho fiscal, impôs valores equivocados, sem lastro na legislação que de fato deveria ser aplicada; Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 mesmo tipificando no AI o art. 32, §5° da Lei n°. 8.212/91 como fundamento legal da multa imposta, o Sr. Auditor relata uma situação totalmente díspare da descrita no referido artigo, descrevendo que seria devida uma multa de 24%; tal situação, por si só, já reluz a irregularidade na autuação realizada, porquanto ao citar um artigo (já revogado, digase) como fundamento legal para a imposição da multa, a fiscalização deveria por ele se pautar, sendo no mínimo, confuso que assim não tenha feito. DOS PEDIDOS Requer a impugnante: 1 seja declarado insubsistente o Auto de Infração ora impugnado, por flagrante descabimento da multa imposta; 2 eventualmente, caso esta Douta Delegacia Fiscal não acate o pleito acima, seja recalculado o valor da multa, com base nos arts. 32, §§3° a 5o da Lei n°. 8.212/91 (com redação anterior à revogação implementada pela MP n°.449/08) ou art. 32A da Lei n°. 8.212/91, aplicandose o menor valor (cfr. art. 106 do CTN), bem como afastada a incidência da TAXA SELIC. DA IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO O responsável solidário, PAULO AFONSO COSTA, apresentou sua impugnação , conforme fls.824/830, alegando, em síntese, que: O Auditor fez constar, equivocadamente, como responsável solidário, nos termos do art. 135 do CTN , o Sr. Paulo Afonso Costa, ora Impugnante; o Auditor apenas cita os arts. 16, 17 e 18 da Lei n°. 8.884/94, dispondo que a personalidade jurídica deve ser desconsiderada, nos casos em que é constatado o abuso de direito, excesso de poder, infração à lei, fato ou ato ilícito ou violação do estatuto ou contrato social. Não esclarece em momento algum qual teria sido o ato do Impugnante ou fato que justificaria sua a acusada solidariedade; os arts. 134, III, e 135, I e II, do Código Tributário Nacional CTN dispensam interpretações, pois literalmente atribuem responsabilidade pessoal aos mandatários, prepostos, administradores de bens de terceiros pelos créditos correspondentes à obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei; a solidariedade não se presume, resultando da Lei ou da vontade das partes. Na presente situação, não há como se extrair dos autos elementos suficientes de convicção que possam comprovar a necessidade da medida excepcional de responsabilização. Isto por que: a) não há documentos nos autos que liguem os fatos geradores à atos praticados pelo Impugnante; b) não é descrito durante o trabalho fiscal um mísero ato praticado pelo Impugnante; Fl. 621DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 4 5 c) o conjunto probatório carreado aos autos não autoriza concluir que, ao menos, os atos de gestão praticados pelo Impugnante foram utilizados em infração à lei; d) não está demonstrado nos autos, como deveria, qual o pretenso excesso de poder conferido, infração à lei ou contrato social foi cometido pelo Impugnante. A apuração pela fiscalização de não retenção de contribuições previdenciárias não pode ser presumidamente imposto ao Impugnante, se ,não caracterizado a prática do ilícito (excesso ou infração); não há fatos nem documentos que instruam os autos com carga probatória suficiente para caracterizar a pretendida responsabilidade solidária ao Impugnante, mesmo diante de todos os esforços do Auditor Fiscal em imputar os créditos apurados aleatoriamente a qualquer um indivíduo que representou a empresa; DOS PEDIDOS Requereu o Impugnante: – seja declarada a nulidade do Auto de Infração lavrado, face ao cerceamento de defesa e violação ao princípio da impessoalidade consumado com o irregular procedimento fiscal levado à cabo pelo AuditorFiscal responsável; caso não seja acatado a preliminar de ilegitimidade passiva, face ao princípio da eventualidade, que seja dado provimento ao descabimento de responsabilidade solidária ao Impugnante em virtude da inexistência de provas; caso não seja cancelado o AI e seja analisado o mérito, seja julgada improcedente a sujeição passiva solidária. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da então Impugnante, bem como do resonsável solidário, na forma do registro de fls.727, a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (MS) DRJ/CGE em 28/06/2012 exarou o Acórdão n° 0429.190, MANTENDO O CRÉDITO LANÇADO. DO RECURSO Irresignados, a Autuada e o Responsável Solidário PAULO AFONSO COSTA interpuseram Recursos Voluntários como se observa às fls. 561 e 586 , respectivamente , ocasião em que reiteram as alegações q1ue fizweram em sede de impugnação. Irresignados, a Recorrente e o solidário Paulo Afonso Costa, interpuseram Recursos Voluntários de fls.761 e 786, respectivamente, onde reiteraram as alegações que fizeram em instancia “ad quod ”. DA RESOLUÇÃO Fl. 622DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Após analisar sobredito Acórdão bem como e Recursos interpostos, requeri converter o julgamento em DILIGÊNCIA para completar informações do processo principal ao qual este é apenso ao que este Colegiado anuiu na forma da RESOLUÇÃO n° 2403000.168, em 16 de julho de 2013. É o Relatório. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Os recursos são tempestivos. Aduz que reúnem os pressuposto de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. DO RECURSO DO SOLIDÁRIO PAULO AFONSO COSTA Pessoa Física CPF: 055.085.84668 PRELIMINAR DA ATRIBUIÇÃO "INTUITE PERSONAE" De plano cabe lembrar que o lançamento em comento tratase de descumprimento de obrigação acessória de responsabilidade única da pessoa jurídica autuada. Assim , tomando de empréstimo o conceito do direito do trabalho é relevante ressaltar que sendo a obrigação de fazer "intuite personae", deve ser executada pelo obrigado legítimo, a empresa, descabendo responsabilizar terceiros para adimplila. Nestas circunstâncias, considero nula a imputação de solidariedade. DO ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Por outro giro, cumpre observar que os fatos geradores que constituíram o crédito em comento ocorreram no período 07/2005 a 09/2007. Conforme o disposto nos itens X e XI do art. 660 da Instrução Normativa IN MPS/SRP n° 3, 14/07/2005, nos autos listaramse todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação verbis: " IN MPS/SRP n° 3, 14/07/2005 “Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos:(...) X Relatório de Representantes Legais RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; ( redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007) XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária Fl. 624DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo " No Relatório de coresponsáveis colacionado pela Autoridade autuante às fls.24, consta que o senhor PAULO AFONSO COSTA passou a ser sócio administrador a partir de 14/03/2006, desse modo a imputação de solidariedade para todo o período autuado 07/2005 a 09/2007 resta indevida por erro de sujeito passivo: "CPF 0 5 5 . 0 8 5 . 8 4 6 6 8 Período d e A t u a ç ã o : 14/03/2006 a Q u a l i f i c a ç ã o : SÓCIOADMINISTRADOR Nome: PAULO AFONSO COSTA Endereço: AV NAZARÉ 617 ED SAINT HONORE APTO 101 Bairro: NAZARÉ Município: BELÉM UF: PA CEP: 66035170" Até 14/03/2006, na forma do sobredito relatório, constou como sócio administradora a senhora WALDIRENE MORAIS GARCIA. Cumpre ressaltar que a esta nada fora imputado pelo período em que fora gestora : CPF 3 7 5 . 9 3 5 . 0 1 2 7 2 Período d e A t u a ç ã o : 05/03/2004 a 1 4 / 0 3 / 2 0 06 Q u a l i f i c a ç ã o : SOCIOADMINISTRADOR Nome: WALDIRENE MORAIS GARCIA Endereço: RUA TIRADENTES, 3420 Bairro: ESTRELA Município: CASTANHAL UF: PA CEP: 68743150 A incorreta eleição do sujeito passivo no lançamento implica em nulidade material, em razão da modificação do critério pessoal da regra de incidência. É cediço que vício formal é o defeito do ato administrativo relacionado não ao conteúdo do lançamento mas apenas aos aspectos aparentes que não trazem óbices à sua compreensão. Identificar corretamente o sujeito passivo é obrigação que se impõe na forma do comando do art. 142. Ali o legislador se reporta ao conteúdo lançamento, à constituição do crédito tributário, logo, isto maculado inquina de vício material o lançamento. Recentemente , em 11/12/2013, a 2ª Turma da CSRF enfrentado a matéria exarou Acórdão 9202002.987 onde se confere identidade de convicção com meu entendimento:, verbis: " Acórdão : 9202002.987 10580.004373/200712 11/12/2013 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/01/1996 NFLD ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NULIDADE.NATUREZA DO VÍCIO. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 6 9 A decisão recorrida concluiu pela nulidade do lançamento em razão da incorreta eleição do sujeito passivo. Tal equívoco cometido pela fiscalização afronta claramente o artigo 142 do CTN, sendo, portanto, um vício de natureza material. Recurso especial negado." Na improvável hipótese da Turma não corroborar os argumentos expostos , não obstante o encimado, NO MÉRITO , também as razões abaixo não permitem anuir o lançamento MÉRITO DA SOLIDARIEDADE PREVISTA NO ARTS. 124, II, 135 DO CTN. DO ART. 13 DA LEI Nº 8.620/93 E DOS DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL Por se justapor à questão em apreço, trago à colação extrato do REsp 717717/SP, julgado em 28/09/2005 onde nos autos de agravo de instrumento movimentado pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS este se insurgiu em face de decisão proferida pelo juízo monocrático que indeferiu pedido de redirecionamento de execução fiscal ajuizada contra empresa Assistência Universal Bom Pastor. O TRF/3ª Região, sob a égide do art. 135, III, do CTN, negou provimento ao agravo à luz do entendimento segundo o qual o inadimplemento do tributo não constitui infração à lei, capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios. Recurso especial interposto pela Autarquia apontando infringência dos arts. dos arts. 535, II, do CPC, 135 e 136, do CTN, 13, caput, Lei 8.620/93 e 4º, V, da Lei 6.830/80. Em ampla abordagem sobre a questão o REsp 717717/SP, de relatoria do Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/09/2005, DJ 08/05/2006 p. 172, nega provimento ao recurso interposto, verbis: "DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. REDIRECIONAMENTO. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LTDA). SOLIDARIEDADE. PREVISÃO PELA LEI 8.620/93, ART. 13. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR CF, ART. 146, III, B). INTERPRETAÇÕES SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. CTN, ARTS.124, II, E 135, III. CÓDIGO CIVIL, ARTS. 1.016 E 1.052. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INOCORRÊNCIA. 1. Tratam os autos de agravo de instrumento movimentado pelo INSS em face de decisão proferida pelo juízo monocrático que indeferiu pedido de redirecionamento de execução fiscal ajuizada contra empresa Assistência Universal Bom Pastor. O TRF/3ª Região, sob a égide do art. 135, III, do CTN, negou provimento ao agravo à luz do entendimento segundo o qual o inadimplemento do tributo não constitui infração à lei, capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios. Recurso especial interposto pela Autarquia apontando infringência dos arts. dos arts. 535, II, do CPC, 135 e 136, do CTN, 13, caput, Lei 8.620/93 e 4º, V, da Lei 6.830/80. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 (...) 3. A solidariedade prevista no art. 124, II, do CTN, é denominada de direito. Ela só tem validade e eficácia quando a lei que a estabelece for interpretada de acordo com os propósitos da Constituição Federal e do próprio Código Tributário Nacional. 4. Inteiramente desprovidas de validade são as disposições da Lei nº 8.620/93, ou de qualquer outra lei ordinária, que indevidamente pretenderam alargar a responsabilidade dos sócios e dirigentes das pessoas jurídicas. O art. 146, inciso III, b, da Constituição Federal, estabelece que as normas sobre responsabilidade tributária deverão se revestir obrigatoriamente de lei complementar. 5. O CTN, art. 135, III, estabelece que os sócios só respondem por dívidas tributárias quando exercerem gerência da sociedade ou qualquer outro ato de gestão vinculado ao fato gerador. O art. 13 da Lei nº 8.620/93, portanto, só pode ser aplicado quando presentes as condições do art. 135, III, do CTN, não podendo ser interpretado, exclusivamente, em combinação com o art. 124, II, do CTN. 6. O teor do art. 1.016 do Código Civil de 2002 é extensivo às Sociedades Limitadas por força do prescrito no art. 1.053, expressando hipótese em que os administradores respondem solidariamente somente por culpa quando no desempenho de suas funções, o que reforça o consignado no art. 135, III, do CTN. 7. A Lei 8.620/93, art. 13, também não se aplica às Sociedades Limitadas por encontrarse esse tipo societário regulado pelo novo Código Civil, lei posterior, de igual hierarquia, que estabelece direito oposto ao nela estabelecido. 8. Não há como se aplicar à questão de tamanha complexidade e repercussão patrimonial, empresarial, fiscal e econômica, interpretação literal e dissociada do contexto legal no qual se insere o direito em debate. Devese, ao revés, buscar amparo em interpretações sistemática e teleológica, adicionandose os comandos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e do Código Civil para, por fim, alcançarse uma resultante legal que, de forma coerente e juridicamente adequada, não desnature as Sociedades Limitadas e, mais ainda, que a bem do consumidor e da própria livre iniciativa privada (princípio constitucional) preserve os fundamentos e a natureza desse tipo societário. 9. Recurso especial improvido. (REsp 717717/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/09/2005, DJ 08/05/2006 p. 172) DA FALTA DE AUTUAÇÃO POR COMETIMENTO DE ILICITUDE Autuada mediante procedimento de aferição indireta, não consta nos autos que tenha sido providenciado Representação Fiscais para Fins penais. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 7 11 Muito embora tudo o que a Autoridade autuante tenha relatado sobre indícios de ilicitudes , não autuou a empresa pelas razões narrads e tampouco exortou o art. 135 do CTN para imputar solidariedade do sóciogerente. O EREsp 260107/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/03/2004, DJ 19/04/2004 p. 149 e o Processo Administrativo Fiscal n° 10074.001220/9864 reiteram os pressupostos do art. 135 do CTN : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL N° 10074.001220/9864 "Processo Administrativo Fiscal n° 10074.001220/9864 Nº Recurso 130500 8ª Câmara Contribuinte: VILLA ORNES COMERCIAL IMPORTADORA LTDA Recurso Voluntário Provimento Parcial Por Unanimidade Data da Sessão: 05/11/2003 Relator(a): Nelson Lósso Filho Nº Acórdão 10807601 Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso "EMENTA: “(...) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI – De acordo com o contido no artigo 135 do Código Tributário Nacional, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Provada nos autos a utilização de interposta pessoa para fraudar o recolhimento de tributos federais, deve a responsabilidade tributária por tal ilícito recair sobre a pessoa física do sócio ou diretor da beneficiada. (...)”. ERESP 260107/RS “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE DE SÓCIOGERENTE. LIMITES. ART. 135, III, DO CTN. PRECEDENTES. 1. Os bens do sócio de uma pessoa jurídica comercial não respondem, em caráter solidário, por dívidas fiscais assumidas pela sociedade. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 A responsabilidade tributária imposta por sóciogerente, administrador, diretor ou equivalente só se caracteriza quando há dissolução irregular da sociedade ou se comprova infração à lei praticada pelo dirigente. 2. Em qualquer espécie de sociedade comercial é o patrimônio social que responde sempre e integralmente pelas dívidas sociais. Os diretores não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros, solidária e ilimitadamente, pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do estatuto ou da lei (art. 158, I e II, da Lei nº 6.404/76). 3. De acordo com o nosso ordenamento jurídicotributário, os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituição, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN. 4. O simples inadimplemento não caracteriza infração legal. Inexistindo prova de que se tenha agido com excesso de p oderes, ou infração de contrato social ou estatutos, não há falar se em responsabilidade tributária do exsócio a esse título ou a título de infração legal. Inexistência de responsabilidade tributária do exsócio. 5. Precedentes desta Corte Superior. 6. Embargos de divergência rejeitados.” (EREsp 260107/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/03/2004, DJ 19/04/2004 p. 149) " Não obstante o encimado, a Procuradoria Geral da Fazenda PGFN , expõe entendimento sobre a questão no PARECER PGFN/CRJ/CAT N° 55/2009 Aprovado, em 14/01/2009. Chamo atenção para o dizeres na letra "m", verbis: "m) a responsabilidade do administrador não tem natureza de obrigação tributária em sentido estrito, porquanto não decorre de fato lícito, mas sim ato ilícito (art. 3°, CTN); logo sua obrigação não precisa ser ‘constituída’ por lançamento, bastando que seja ‘declarada’, seja por autoridade administrativa do Fisco, seja pelo Procurador da Fazenda (por meio da CDA), seja pela autoridade judicial; (…)”. " PARECER PGFN/CRJ/CAT N° 55/2009 _ Aprovado, em 14/01/2009 “(...) q) Quando incide o art. 135, III, do CTN, não se tem uma obrigação solidária, senão duas ou mais obrigações solidárias; tratase de solidariedade imprópria, em que obrigações distintas são atadas pelo nexo de adimplemento. (...)”. “(...) l) a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à natureza (licitude ou ilicitude do fato jurídico), ao nascimento (momento do surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), mas é subordinada no que tange à existência, validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica Fl. 629DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 8 13 contribuinte, por sua vez, independe da obrigação do responsável no que tange a esses elementos; m) a responsabilidade do administrador não tem natureza de obrigação tributária em sentido estrito, porquanto não decorre de fato lícito, mas sim ato ilícito (art. 3°, CTN); logo sua obrigação não precisa ser ‘constituída’ por lançamento, bastando que seja ‘declarada’, seja por autoridade administrativa do Fisco, seja pelo Procurador da Fazenda (por meio da CDA), seja pela autoridade judicial; (…)”. Relatório Fiscal REFISC faz difusos comentários não restando efetivamente fundamentada a imputação de solidariedade da pessoa física. DA IMPUGNAÇÃO Na sua impugnação, EQUIVOCADAMENTE o contribuinte registra que teria sido autuada na forma do art. 135 do CTN que não consta no Relatório de Fundamentos Legais e sequer fora exortado no Relatório Fiscal. No item 39 do REFISC a Autoridade autuante chama atenção que "somente pode ser investido nesta condição (de devedor solidário), quando presentes todos os requisitos legais " : " 39. A possibilidade de atribuir a responsabilidade tributária por solidariedade, via legislação ordinária, exige, entretanto, o atendimento dos requisitos do CTN, sob pena de não ser juridicamente possível, pois, em ocorrendo a solidariedade tributária, a obrigação de pagar o tributo passa a ser compartilhada pelo sujeito passivo originário aquele diretamente relacionado com a ocorrência do fato gerador, para um terceiro com o chamado responsável tributário, que, entretanto, somente pode ser investido nesta condição (de devedor solidário), quando presentes todos os requisitos legais enumerados no próprio CTN, ao qual se deve submeter a legislação ordinária e os atos normativos. " DAS HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO DE SOLIDARIEDADE O código Tributário Nacional CTN registra previsão de imputar responsabilidade solidária nos arts. 124 e 135, vebis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 630DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado ". Referindome ao art. 124, ressalto que o legislador determina que ocorra interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Não vejo como a figura do sócioadminstrador, representante da pessoa jurídica, possa como pessoa física se responsabilizar, por exemplo por inadimplências bancárias da pessoa jurídica. Assim , o interesse comum pode afetar o sócio de fato mas não o sócio de direito. Embora Autoridade autuante no REFISC conduza o leitor a idéia de que houvera sido cometido CRIME TRIBUTÁRIO , procedeu a autuação por aferição indireta e no corpo do documento e tampouco nos autos não consta que se tenha aberto Representação Fiscal para Fins Penais. O comentário tem pertinência na medida em que houvesse sido a empresa autuada por prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos resultando, então poderseia exortar o disposto no art. 135 supra atribuindose responsabilidade pessoal os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Na forma da resposta da Resolução 2403000.168, a autoridade relacionou no item 2.1.2 o resultado da ação no sujeito passivo solidário Mafrinorte Mat. Frig. do Norte Ltda também auditada pela mesma Autorida autuante em ação concomitante. O resultado aduz que , também, aquela empresa não sofreu Representação Fiscal para Fins Penais : "2.1.2. Da mesma forma, integra este relato, como anexo, o Mandado ne 02.1.01.00201000237.7, sujeito passivo Mafrinorte Mat. Frig. do Norte Ltda. O resultado da ação fiscal está demonstrado no quadro abaixo e os Relatórios Fiscais, conforme é solicitado na Resolução, são anexados. AIPO PROCESSO DEBCAD VALOR AIOP 14337.000236/2010 39 37.299.9069 392.637,42 AIOP 14337.000237/2010 83 37.299.9077 2.806.682,48 AIOP 14337.000238/2010 28 37.299.9085 794.059,51 AIOA 14337.000239/2010 72 37.299.9093 14.317,78 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 9 15 AIOA 14337.000240/2010 05 37.299.9107 64.022,48 Com argumentos sobre constituição de Grupo Econômico, de ocorrência crimes de dissimulação, simulação ou omissão, de constatação de abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação do estatuto ou contrato social de desconsideração da personalidade jurídica, nos itens 41 a 54 a Autoridade autuante expressa sua motivação para imputar solidariedade a pessoa física, com base no disposto no art. 124 do CTN, verbis: "40. Com efeito, o CTN estabelece as condições para que seja estabelecida a solidariedade: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: 41. Duas são, portanto, as situações autorizadas pelo CTN, para que se possa fazer incidir a solidariedade: a) Inciso I do art. 124 do CTN (as pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal): os "grupos econômicos", justamente por constituírem um conjunto de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, têm interesses comuns no fato gerador, na medida em que o resultado de uma interessa às demais, notadamente em se tratando de grupos econômicos de fato, nos quais são identificadas irregularidades administrativas e fiscais, e, justamente em face de tais irregularidades (dissimulação, simulação ou omissão), podese considerar até mesmo que esteja estabelecida a confusão patrimonial entre os integrantes desses grupos, além do fato de que, a prática de ilegalidades, como se verá adiante, determina, por si só, a solidariedade dos contribuintes envolvidos. b) Inciso II do art. 124 do CTN (as pessoas expressamente designada por lei): como já observado, a Lei 8.212, de 24/07/1991, seu Regulamento, o Decreto 3.048, de 06/05/1999 e a Instruções Normativas SRP3 e RFB971, vêm exatamente, de acordo com o permissivo legal do CTN, atribuir responsabilidade legal aos integrantes dos grupos econômicos, sejam quais forem: de direito ou de fato, estes últimos, regulares ou irregulares. 42. Portanto, em síntese, a responsabilidade tributária, por sujeição solidária é possível, por expressa autorização legal CTN, art. 124, incisos I e em consonância com a autorização do CTN, está expressamente prevista na legislação previdenciária." A Autoridade autuante no item 45 de seu relatório induz inferir que concluiria por desconsiderar a personalidade jurídica da autuada. Cumpre ressaltar que, contraditoriamente, no item 47 do REFISC , é a própria Autoridade autuante que lembra a Fl. 632DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 impossibiidade de prosseguir no seu objetivo em razão do disposto § único do art. 116 do CTN: "45. Ou seja, primeiro, a Lei reitera a responsabilidade solidária dos integrantes de grupo econômico, de fato ou de direito. Depois, determina a desconsideração da personalidade jurídica. Desta forma, constatado abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação do estatuto ou contrato social será promovida a desconsideração da personalidade jurídica, não importando qual a aparência ou a forma com a qual se pretendeu revestir o sujeito passivo. " "47. Não obstante o § único do art. 116 do CTN (introduzido pela Lei Complementar 104, de 10/01/2001) estabelecer que a desconsideração dos atos ou negócios jurídicos, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, estar condicionada aos procedimentos a serem estabelecidos por lei ordinária, nada impede a possibilidade de caracterização de "grupo econômico de fato" na auditoriafiscal, pois o próprio art. 149 do CTN estabelece a obrigação do Fisco realizar o lançamento ou sua retificação, em se constatando irregularidades ou ilegalidades. O § 3o . do art. 33 da Lei 8.212, de 24/07/1991, assim como o § único e "caput" do art. 233 do Decreto 3.048, de 06/05/1999 também vinculam o fisco previdenciário a realizar o lançamento, neste caso. " Muito embora não tenha sido reiterado o art. 124 do CTN em que se escuda a Autoridade autuante para imputar a solidariedade da pessoa física , no item 54 do REFIS se consolida a síntese da motivação que o levara a tal entendimento: "54. Dessa forma, caracterizada a formação de grupo econômico, MAFRINORTE e a responsabilidade do sócio administrador dos sujeitos passivos Sr. Paulo Afonso Costa, detentor de mais de noventa e oito por cento das quotas dos capitais das empresas destacadas, e principal interessado na situação delineada nos pontos anteriores e em consonância com a legislação citada são chamados a responder pelos créditos tributários constituídos no curso da ação fiscal, sendo ambos intimados dos créditos lavrados no curso da auditoria, não aplicável a valores devidos a outras entidades ou fundos (terceiros), AIOP DEBCAD 37.290.9388, lavrandose Termo de Sujeita Passiva Solidária TSPS." DOS TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA ÁS FLS 478/ 481, registramse as emissões dos Termos de Sujeição Passiva Solidária para a pessoa Jurídica MAFRINORTE MATADOURO E FRIGORÍFICO DO NORTE LTDA e para a Pessoa Física PAULO AFONSO COSTA CPF 05508584668. Relevante ressaltar que nos sobreditos documentos não se verificam registros de dispositivos legais para imputação da solidariedade. Também no Relatório de Fundamentos Legais às fls 22, não se verificam tais dispositivos. No Termo de Sujeição Passiva Solidária para a pessoa física a Autoridade autuante apenas procedeu ao destaque abaixo: Fl. 633DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 10 17 " No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e no curso da ação, constatamos a responsabilidade solidária do sócio administrador, conforme consta nos relatórios fiscais dos autos de infração lavrados. Fica o sujeito passivo solidário CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado relativamente às contribuições previdenciárias na data de 25 de Junho de 2010, contra o sujeito passivo acima identificado, cujas cópias, juntamente com o presente Termo são entregues neste ato. E, para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em três vias de igual teor e forma, assinado pelo(s) Auditor(es) da Receita Federal do Brasil e pelo sujeito passivo solidário ou seu representante legal, que neste ato recebe uma das vias." Eros Graus leciona que " não se interpreta o direito em tiras" . Assimilada a lição , por analogia , também não se interpreta os normativos em tiras mas de forma sistêmica. Isto posto, não vejo como corroborar o lançamento. CONCLUSÃO Conheço do Recurso Voluntário para NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Relator Ivacir Júlio de Souza. DO RECURSO DA AUTUADA ATIV0 ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA DAS PRELIMINARES DA PRIORIDADE PARA JULGAMENTO De plano cumpre lembrar que o processo em comento é apenso e derivado do processo principal n° 14337.000211/201035 o qual sob minha relatoria nesta mesma sessão pugnei pela nulidade em razão dos motivos abaixo transcritos. Aduz que a Turma NEGOU PROVIMENTO "Relevante ressaltar que, nas hipóteses de prioridade para julgamento destacadas nos sistemas eletrônicos, eprocesso, é praxe constar o registro do motivo , por exemplo " ocorrência de Representação Fiscal para Fins Penais" e outras de igual importância,. Muito embora situado no rol das prioridades, aduz que o presente processo não informa a razão de sua inserção na Fl. 634DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 referida relação sendo lícito portanto, inferir que o grau lhe atribuído é dos menores. Talvez a inclusão tenha ocorrido pela demora na tramitação. No Relatório Fiscal abriramse muitas frentes. Para ser efetivo há que se enfrentar o que ficou traduzido como razão do lançamento observado na forma dos fundamentos legais trazidos nas fls.22 referendado pelo registro no item 55 do Relatório Fiscal, verbis: " FATOS GERADORES 55. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste AIOP as remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados empregados. 56. As bases de cálculos apropriadas neste crédito previdenciário foram obtidas por arbitramento. A utilização do arbitramento esta condizente com o Art 33 da Lei 8212 e alterações posteriores, pois a empresa não apresentou todos os elementos solicitados nos termos fiscais, além de manifestar explicitamente que os abates não são contabilizados em sua totalidade, conforme se verifica nos subitens seguintes." DOS FUNDAMENTOS LEGAIS O relatório de Fundamentação Legal do Débito – FLD colacionado às fls. 22 registra o abaixo: “062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 07/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007, 08/2007 a 09/2007 MP n°. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Do encimado, os núcleos a se verificar para comprovar ou não a pertinência do lançamento são valores lançados na contabilidade que, segundo a Autoridade autuante não têm seus beneficiários identificados bem como se as importâncias apropriadas como outros custos foram ou não justificadas documentalmente. Neste sentido, pontos de relevo precisam ser destacados, senão vejamos: Logo no início do Relatório Fiscal às fls.60, no item 2, a Autoridade autuante ,sem apontar qual a documentação a que se refere, chama atenção com o destaque que faz quando registra que : “parte da documentação analisada no curso da ação Fl. 635DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 11 19 fiscal, foi apreendida na Operação Arroba do Departamento de Polícia Federal:” “2. Parte da documentação analisada no curso da ação fiscal, foi apreendida na Operação Arroba do Departamento de Polícia Federal, procedimento que contou com Mandado de Busca Apreensão, processo n° 2007.3718, expedido pelo Dr. Ronaldo Desterro, Juiz de Direito da Subseção Judiciária de Castanhal (PA), datado de 27/06/2007. Um dos auto de apreensão é acostado a este Autode lnfração (anexo 27).” Cumpre ressaltar que o sobredito anexo 27 a que se refere a Autoridade autuante , consta colacionado às fls 353 tratandose o mesmo exatamente o citado Mandado de Busca Apreensão, processo n° 2007.3718, expedido pelo Dr. Ronaldo Desterro, Juiz de Direito da Subseção Judiciária de Castanhal (PA), datado de 27/06/2007. No documento em apreço, se registra a relação do que fora apreendido por ocasião do cumprimento do Mandado . O termo informa que se trata de documentos mas não identifica o conteúdo das caixas. Conforme registro de fls. 61, a ação fiscal teve início em 29/03/2010 com a ciência postal ao sujeito Passivo no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF : “ 5. Os serviços de fiscalização, autorizados pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0210100201000238, foram iniciados em 29/03/2010 com a ciência postal ao sujeito Passivo no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (anexo 01..” Leitura atenta faz perceber que datado de 27/06/2007, o referido Mandado de Busca e Apreensão não é contemporâneo à ação fiscal que teve início em 29/03/2010 e , tampouco, aos fatos geradores que ensejaram a autuação em comento cujas ocorrências se observa iniciadas em 01/07/2005 e findas em 30/09/2007. Ainda sobre o anexo 27, supra, o Mandado do Busca, revela que o Auto de Apreensão de documentos fora emitido não em face da autuada mas da empresa MAFRINORTE MATADOURO E FRIG. DO NORTE , que , mais tarde , viria integrar empresa do grupo. DAS OPERAÇÕES DE ROTINA Cumpre ressaltar que não se alcança nos autos que a ação fiscal em tela tenha sido provocada por algum expediente do MP, da Polícia Federal ou tenha recebido enquadramento especial de procedimento. Emitido nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 o Mandado de Procedimento Fiscal não faz registro excepcional para a ação fiscal autorizada: Fl. 636DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO Nº 02.1.01.002010002385 CONTRIBUINTE/RESPONSÁVEL NOME EMPRESARIAL/NOME: ATIVO ALIMENTOS EXPORTADORA E IMPORTADORA EIRELI ENDEREÇO:ROD CASTANHAL INHANGAPI, S/N COMPLEMENTO: KM 4,5 BAIRRO: ZONA RURAL UF: PA CNPJ/CPF: 06.128.996/000100 MUNICÍPIO: CASTANHAL CEP:68.745000 PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES : Contrib Previdenciárias e para Outras Entidades e Fundos PERÍODOS : 03/2005 a 12/2007 ENCAMINHAMENTO Determino, nos termos da Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil (AFRFB) acima identificado(s), que está(ão) autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários a sua realização. Este Mandado deverá ser executado até 16 de Julho de 2010. Este instrumento poderá ser prorrogado, a critério da autoridade outorgante, em especial na eventualidade de qualquer ato praticado pelo contribuinte/responsável que impeça ou dificulte o andamento deste procedimento fiscal, ou a sua conclusão. Belém, 18 de Março de 2010. Às 24, no Relatório de Vínculos, consta que a MAFRINORTE MATADOURO E FRIG DO NORTE passou a integrar vínculo com o sujeito passivo a partir de abril/2009. Relevante ressaltar que os créditos tributários em comento foram constituídos para o período de 01/07/2005 a 30/09/2007 quando a empresa supra ainda não integrava o quadro societário da autuada. Nas fls.66 do Relatório Fiscal registrase que MAFRINORTE MATADOURO E FRIG DO NORTE integra o quadro societário da autuada ATIVO ALIMENTOS EXP. E IMP. LTDA . Fl. 637DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 12 21 Às 24, no Relatório de Vínculos, consta que a MAFRINORTE MATADOURO E FRIG DO NORTE passou a integrar vínculo com o sujeito passivo a partir de abril/2009. O destaque faz notar que o vínculo é : anterior à ação fiscal (início em 29/03/2010) ; posterior ao Mandado de Busca e Apreensão (datado de 27.06.2007 ; e posterior aos fatos geradores ocorridos no período 07/2005 a 09/2007 conforme registro dos levantamentos às fls. 005. Conforme registro de fls. 61, a ação fiscal teve início em 29/03/2010 com a ciência postal ao sujeito Passivo no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF : “ 5. Os serviços de fiscalização, autorizados pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0210100201000238, foram iniciados em 29/03/2010 com a ciência postal ao sujeito Passivo no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (anexo 01) ..” O Termo de Início foi recebido pelo de contribuinte mediante o Aviso de RecebimentoAR, fls.111. DA PREJUDICIAL DE NULIDADE A Recorrente vem de argüir nulidade desde em sede de impugnação. DA AFERIÇÃO INDIRETA No Relatório Fiscal REFISC, consta que o Auto de Infração nº Debcad 37.290.9434, em comento referese às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (segurados, empresa e riscos ambientais do trabalho), lavrado por aferição indireta considerando como base de cálculo das contribuições previdenciárias valores lançados na contabilidade que, segundo a Autoridade autuante não têm seus beneficiários identificados bem como as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente. Relevante ressaltar que às fls. 69, no item 19 do sobredito REFISC, a Autoridade autuante revela que a empresa possuía, até o mês de dezembro de 2006, apenas UM FUNCIONÁRIO. " 19. "......... Ponto mais interessante: a empresa possuía, até o mês de dezembro de 2006, apenas UM FUNCIONÁRIO. " Fl. 638DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Merece destaque o fato de no REFISC não ter sido feito alusão da existência de empregados sem registros. Ponto de relevo é que embora a Autoridade autuante tivesse constatado que empresa tinha apenas um funcionário até janeiro de 2007, imputou por aferição indireta, pagamentos à este único empregado de valores que exorbitam a razoabilidade tanto pela expressão quanto pelas súbitas variações mensais : 07/2005 R$ 1.196.799,33 08/2005 Nihil 09/2005 R$ 128.413,46 10/2005 R$ 130.461,70 11/2005 R$ 143.280,10 12/2005 R$ 165.843,36 01/2006 R$ 519.628,49 02/2006 R$ 335.621,89 03/2006 R$ 694.748,64 04/2006 R$ 542.335,10 05/2006 R$ 759.963,64 06/2006 R$ 598.750,84 07/2006 R$ 540.689,83 08/2006 R$ 415.839,11 09/2006 R$ 384.592,20 10/2006 R$ 654.832,23 11/2006 R$ 494.778,07 12/2006 RS 473.885,41 DA AFERIÇÃO INDIRETA E DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE Fábio Zambitte Hibrahim, na página 390, da 16ª Edição de sua consagrada obra Curso de Direito Previdenciário, dissertando sobre Aferição Indireta exorta o Princípio da Proporcionalidade e nos traz que : " Como a contribuição não tem efeito de penalidade , não poderá a SRFB estipular valor irreal como sanção ", verbis: " há regra elementar de direito no sentido de que a ninguém é lícito tirar vantagem da própria ilicitude e, portanto, será obtido Fl. 639DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 13 23 um meio de quantificar o valor devido à Previdência Social. Daí surge a idéia de aferição que é a obtenção do valor devido por outros meios previstos em lei. Naturalmente , tratase de regra excepcional , somente aplicável na impossibilidade de identificação da base de cálculo real. Ainda deverá atender ao Princípio da Proporcionalidade , porque não poderá a SFRB, aferir valor irreal , evidentemente acima do devido, As aferições deverão seguir critérios , que , dentro do possível, se aproximem ao máximo do real devido.Como a contribuição não tem efeito de penalidade , não poderá a SRFB estipular valor irreal como sanção, já que esta somente poderá ser feita pela multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória a ser cobrada mediante auto de infração " DOS CRÉDITOS CONSTITUÍDOS No item 58 do Relatório Fiscal a fiscalização informa que as bases de cálculo utilizadas para proceder a aferição indireta foram os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados, bem como outros custos verbis: "58. Desse modo, a fiscalização aferiu as salários de contribuições, considerando como bases de cálculos das contribuições previdenciárias os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados e as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente.” Embora a Autoridade autuante não aponte em que folhas estariam colacionados os documentos que registram os créditos referidos no item 58 acima, na forma da planilha de fls, 36/58, estes foram constituídos pelos valores obtidos nas competências 07/2005 a 09/2007, onde o Auditor deixa claro que tomou como base de cálculos BC os lançamentos da contabilidade referentes a custos, matéria prima e saldos de caixa. No Relatório da Diligência às fls. 808, este ponto foi questionado: "Nos relatórios Discriminativos do Débito – DD de fls. 06 a 010 constam as bases de cálculo arbitradas pela Autoridade autuante conforme abaixo se transcreve: (...) Como se observa, os valores atribuídos como mensalmente pagos aos empregados e até mesmo a falta de pagamentos na competência 07/2007 denotam variações bruscas , expressivas e aleatórias para mais e para menos de um mês para outro na forma determinada como remunerações aos segurados. A busca da verdade material estabelecida na exegese do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, exige esclarecimentos." Ressaltese que no registro do item 56.3 do Relatório Fiscal quando a Autoridade autuante informa que no anexo 5 estariam os valores de outros custos para ano de 2007 não justificados, está se referindo às planilhas 01 e 02 : Fl. 640DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 “56.3. O contribuinte deixou de justificar lançamentos verificados na sua escrita contábil, mesmo regularmente intimada, como ocorre com os valores referentes a outros custos, ano de 2007 que integram planilha do termo intimação fiscal final (anexo 05).” Aduz que colacionados às fls. 119/164 os valores a que se refere o anexo 5, em resumo, traduzem inúmeros lançamentos contábeis das contas de despesas( 119/121) e de custos (122/164) da empresa que foram utilizados como base de cálculo para o arbitramento. Na seqüência, sem apontar quais das dezenas de lançamentos do citado Anexo 29, a autoridade autuante, motivando a autuação de forma genérica, registrou que existiam diversos sem identificação dos beneficiários. Aduz que nas 102 páginas colacionadas chanceladas como anexo 29, a leitura aponta o contrário do que afirma o Relatório Fiscal. Os registros informam beneficiários: “56.4. Alem desse fato, constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários.” Ressaltando que o crédito fora constituído até as competências 001/07/2005 a 30/09/2007, aduz que o sobredito Anexo 29 consta colacionado nas renumeradas fls.359/462, verificandose tratar de cópias do livro Razão número 5, onde se registram as despesas e custos da autuada tãosomente até 31/12/2006. Aqui peca pela falta. Disponibilizaramse, também, todas as páginas do razão anteriores à constituição do crédito de 01/05 até 06/05 que por desnecessárias , peca pelo excesso : Às fls.802, conforme a Resolução 2403000.168, este Colegiado converteu o julgamento em diligência. Na oportunidade, entre outras solicitações foi requerido: " Que se esclareça quais foram os empregados que receberam os pagamentos e as razões das bruscas variações das bases de cálculos arbitradas como remuneração dos segurados empregados;" Em resposta a Autoridade autuante revela que não há vínculos das bases com pagamentos a segurados em razão do arbitramento e sem responder ao questionamento das bruscas e expressivas oscilações afirmou que não procedeu de forma aleatória posto que teria obtido as informações dos registros contábeis, verbis : "2.3.1 As justificativas prestadas nos itens anteriores já deixaram clarificadas que não há possibilidade em enumerar os segurados que receberam as remunerações consideradas pela fiscalização, pelo fato que as bases de cálculo foram arbitradas.(...) 2.3.2 Ademais, a fiscalização, como critério para arbitramento, não lançou mão de nenhum procedimento aleatório, mais sim daquilo que foi disponibilizado pela própria empresa: sua escrita contábil. Nesse sentido, foram consideradas como bases de Fl. 641DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 14 25 cálculo das contribuições previdenciárias as despesas lançadas na contabilidade que não possuem os beneficiários identificados, bem como custos não justificados documentalmente, nos termos exarados no relatório fiscal. Repisando: a empresa não apresentou a comprovação documental daquilo que foi contabilizado como despesas/custos. A adoção do arbitramento está amparada pelo art. 33 da Lei 8212/91 e alterações"70 DOS FUNDAMENTOS LEGAIS A narrativa no REFISC , trazendo à colação indícios de que fora praticado SIMULAÇÃO e FRAUDE forma convicção de que o lançamento iria proceder autuação por cometimento de crime tributário com concomitante Representação Fiscal para Fins Penais, entretanto , ao final, isso não se configura e a Autoridade autuante meramente procede ao lançamento por aferição indireta . No Relatório de Fundamentos Legais às fls. 22, não são exortados dispositivos insertos no rol dos crimes tributários . A multa aplicada nos termos do art. 35, I, II e III da Lei 8.212/91 faz claro que apesar de colacionar indícios de ação criminal a penalidade não foi agravada na previsão de procedimentos com intenções dolosas. DOS ARGUMENTOS EXTEMPORÂNEOS No item 56.7 do Relatório Fiscal , a Autoridade autuante, referindose `a uma correspondência datada de novembro de 2006, sobre ocorrências situadas entre 2004 /2006, período não alcançado pelo lançamento, cita o episódio como elemento cabal de prova da irregularidade e artimanha criminosa para imputar o procedimento de aferição indireta para constituição dos créditos 07/2005 a 09/2007: "56.7. Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior e) Há uma correspondência de TIÃO CONTABILIDADE, CRC GO 5043 TPA, CPF 168.656.50115, datada de novembro de 2006, anexo 24, DIRIGIDA a Ativo Alimentos de Água Azul do Norte (PA), AT. Sr. José Antônio Barboza, constando o seguinte: Meu prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraídos da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de setembro de 2004 a outubro de 2006. (...) Fl. 642DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CFOP 1101 e a quantidade de bovinos enviado para ser industrializado, através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual. Pois, é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de fiscalização por parte do Estado, se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela SEFA." DA CONFISSÃO DE NÃO CONTABILIZAÇÃO Embora extemporâneo, não se pode olvidar o grave registro que a autoridade autuante faz às fls.102, quando no item 56.7 do seu Relatório o Fiscal revela que : “ Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior ” Colacionado pela Autoridade autuante, o referido anexo 24, datado de 16/11/2006, encontrase às fls.349/350 e com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo na íntegra. Cumpre notar que o diálogo ali contido se processa em torno da documentação enviada para a contabilidade que conclui por eventuais retificações de DIEF’S posto que estariam vulneráveis à legislação ESTADUAL nos aspectos de ICM e ainda sobre FUNRURAL, PIS COFTNS, CSLL E IR. Isto posto, de plano, caberia na oportunidade ter sido verificado junto à empresa, à luz de elementos probantes, mediante intimação, informar se teriam realizado as retificações aventadas.Da forma como ficou não se tem notícias se providências foram tomadas e quais. Da atenta leitura do suprareferido documento, faço juízo de que não se vislumbra conluio mas preocupação em retificar DIEF's referentes a diferença de ICMS À RECOLHER antes de serem intimadas pela Fazenda Estadual . Na parte final da correspondência fica claro que se trata de uma resposta a uma proposta de auditoria que a autuada fizera para proceder eventuais correções : “ Vale ressaltar que aceito a proposta desse extra trabalho, para completálo necessariamente precisamos dos valores pagos através dos DAE's referente aos recolhimento do ICMS referente ao período de setembro 2004 a março/2006, para definir se há ou não diferença de ICMS À RECOLHER, bem como para possíveis REFITIFICAÇÃO de DIEF's referente ao mesmo período ” A ÍNTEGRA : “Meu Prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraído da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos Ltda, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de 3 setembro de 2004 a outubro de 2006 Neste levantamento em planilhas é possível visualizar com clareza a situação da empresa no que tange os seus encargos no aspecto tributário, tal como: ICMS à razão de 1,8%; bem como o ICMS 3%, sobre as entradas de gado em pé ao valor de pauta Fl. 643DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 15 27 fiscal agregado com 30%, conforme estabelece a legislação Estadual para as empresas que não possui a extensão ou não gozam de beneficio fiscal, pelo uso do controle de abate, fílax. Pode ser visto também a real situação do FUNRURAL, PIS COFTNS, CSLL E IR. Esses quatro últimos claro, em caso do regime de tributação presumida. Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CEOP 1101 e a quantidade de bovinos enviados para ser industrializado através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual . Pois é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de fiscalização por parte do Estado se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela SEFA. Vale ressaltar que aceito a proposta desse extra trabalho, para completálo necessariamente precisamos dos valores pagos através dos DAE's referente aos recolhimento do ICMS referente ao período de setembro 2004 a março/2006, para definir se há ou não diferença de ICMS À RECOLHER, bem como para possíveis REFITIFICAÇÃO de DIEF's referente ao mesmo período., lembrando que o período de abril/2006, em diante faz parte dos honorários devidamente pagos,conforme nosso contrato de trabalho verbal firmado com a Ativo Alimentos Ltda, filial Água Azul do Norte. Para o período em questão, ou seja, setembro/2004 a março/2006, correspondente 19(dezenove) meses à razão de l(um) salário mínimo/mês.” O relatório de Fundamentação Legal do Débito – FLD colacionado às fls. 22 registra o abaixo: “062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 07/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007, 08/2007 a 09/2007 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Analisando a legislação apontada no item 062 que motivou a fundamentação legal para o procedimento de aferição indireta, temse que o fizeram sob o comando da Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos §§3° e 6°, Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 Cumpre destacar que o Legislador não determina lançar de ofício qualquer importância, mas sim a importância devida havendo pois que as bases escolhidas sejam estabelecidas mediante patamares lógicos e consistentes, verbis: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) (..) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” No que concerne ao art. 235 do Decreto 3.048/91, o legislador concebe que a aferição indireta será implementada após a constatação, leiase comprovação, da imprestabilidade da contabilidade "e" de qualquer outro documento da empresa da empresa. Ressaltese que o Legislador remetendose ao movimento real da remuneração do segurado , não faculta uma coisa " ou" outra mas determina uma " e " outra seguido de desconsideração , que presumese formal, da contabilidade, verbis: “Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Por ocasião da ação fiscal encerrada em, 25/06/2010, conforme o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF às fls 485, notificada por Aviso de RecebimentoAR colacionado às fls, 487, em 29/07/2010, vigia a INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971, de 13 de novembro de 2009 cuja previsão de se aferir indiretamente as bases de cálculo, método extremo de apuração, se verifica incluída, não por acaso, no sugestivo título VI das atividades fiscais e dos procedimentos especiais. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 16 29 Com destaque para o comando do art. 447, aduz que a aferição indireta tem nos art. 446 / 449 o amparo que legitima sua utilização, verbis: “ Art. 446. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 447. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, ou em outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para fins do disposto no inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme disposto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 47 desta Instrução Normativa. § 3º No caso de apuração, por aferição indireta, das contribuições efetivamente devidas, caberá à empresa, ao segurado, proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 § 4º Aplicamse às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007, as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ” Do sobredito, embora no curso da ação fiscal não tenha sido emitido documento formal de desconsideração da contabilidade, implicitamente restou caracterizado que a escrituração contábil da empresa é imprestável e seu conteúdo não tem valor algum. Assim, não se alcança válido constituir o crédito sobre aqueles dados desconsiderados. DOS PARÂMETROS PARA AFERIÇÃO INDIRETA Nas empresas em geral, podese ter como bons parâmetros para a base de cálculo da contribuição previdenciária a ser aferida indiretamente os fatores abaixo descritos tomados em conjuntamente ou não : o porte da empresa, o número de segurados a serviço da empresa e o valor médio das últimas contribuições apuradas ou recolhidas, em período anterior ou posterior ao período da base de cálculo aferida indiretamente, devidamente atualizadas com os mesmos índices de reajustamento salarial da respectiva categoria ou do salário mínimo nacional; o piso salarial da categoria, fornecido pelo sindicato ou órgão de classe ou, na falta deles, os valores médios de salários publicados em jornais ou revistas de grande circulação; o resultado de subsídio à fiscalização (SF); os fatos constatados mediante verificação física; a existência de Auto de Infração emitido pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); o livro de inspeção do trabalho; as reclamatórias trabalhistas; o número de empregados registrados, apurado em fiscalização anterior; Fl. 647DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 17 31 o histórico dos recolhimentos previdenciários efetuados anteriormente pela empresa e as guias de contribuição sindical; a massa salarial obtida junto ao banco de dados do INSS; a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ), a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF); I o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o extrato dos depósitos para o FGTS, com relação ao período anterior ao da implantação da GFIP; os livros de imposto sobre serviços, de medida de produção, de entrada e de saída de mercadorias; as notas fiscais, faturas, os recibos ou contratos; a grade curricular obtida junto à Superintendência ou Delegacia de Ensino; o montante de mãodeobra fornecido pelos sindicatos ou pelos órgãos gestores de mãodeobra (OGMO); outros elementos que, pela natureza da atividade da empresa, proporcionem base para a aferição indireta.. Como visto alhures, a Autoridade aututante entendeu que a contabilidade da autuada era imprestável . Entretanto no caso em comento, no item 2.2.6.10, subitem 2.3.2 da Resposta da Diligência, às fls. 830, a autoridade autuante reitera que utilizou os registros contábeis como base de cálculo , verbis: “2.2.6.10, Finalizando, a omissão documental: No item 03 do Termo de Intimação Final Complementar, a fiscalização INTIMA o sujeito passivo a justificar documentalmente todas as despesas. A não apresentação dos elementos é mencionada no relatório fiscal. Encerrando este item e repisando o já afirmado: Fl. 648DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 não há de se falar em contabilidade regular se inexistem documentos que suportem à escrita. (...) 2.3.2 Ademais, a fiscalização, como critério para arbitramento, não lançou mão de nenhum procedimento aleatório, mais sim daquilo que foi disponibilizado pela própria empresa: sua escrita contábil. Nesse sentido, foram consideradas como bases de cálculo das contribuições previdenciárias as despesas lançadas na contabilidade que não possuem os beneficiários identificados, bem como custos não justificados documentalmente, nos termos exarados no relatório fiscal. Repisando: a empresa não apresentou a comprovação documental daquilo que foi contabilizado como despesas/custos. A adoção do arbitramento está amparada pelo art. 33 da Lei 8212/91 e alteração.” DA INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO E DA RESPOSTA DA EMPRESA Às fls. 118 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – FINAL recebido pelo contribuinte em 31/05/2010 (AR de fls, 165) , com prazo para apresentação em 7 dias , entre outros documentos, solicitava que o contribuinte apresentasse comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02 : “Prazo: 07 dias Período de apuração: 03/2005 a 12/2007 (...) Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02, em anexo.” Às fls 187, datado de 07/06/2010, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. Final consta colacionada pela Autoridade autuante, correspondência da empresa dando conta de que teriam sido atendidas todas as intimações e apresentado toda documentação requerida, inclusive os comprovantes das despesas e custos : (..) Em anexo, a Fiscalizada apresenta os seguintes documentos: Acordos, convenções e dissídios coletivos; Apólices de seguro de vida Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, inclusive para abate de bovinos; Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivo Digital da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores; Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminado nas planilhas 01 e 02 que acompanharam o Termo de Intimação Fiscal n°.Final. Ao ensejo, a Fiscalizada também apresenta as Notas Fiscais de Entrada, o Livro de Registro de ICMS, e os Livros de Registro de Fl. 649DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 18 33 Entrada e Saída, relativos à filial de CNPJ/MF n°. 06.128.996/000282. A Fiscalizada esclarece que, na resposta protocolizada perante esta Delegacia Fiscal no dia 19/04/2010, já apresentou os seguintes documentos: Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais, e avulsos); Regulamento dos benefícios concedidos ao trabalhador; Relação Anual de Informações Sociais RAIS; Documentação dos salários família e maternidade; Rescisões de Contrato de Trabalho; Ao final , a fiscalizada informa que não possui contratos e faturas de cooperativas de trabalho e que não possui comprovantes de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, pois a mesma nunca utilizou do benefício do abatimento no IRPJ. Entendendo terem sido prestadas todas as informações e apresentados todos os documentos solicitados, mantemonos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos.” DA MANIFESTAÇÃO DA AUTORIDADE AUTUANTE Colacionado às fls.172, em resposta à correspondência da empresa , sem efetivamente negar que recebera os documentos, datado de 09/06/2010, dois dias depois, consta o Termo de Constatação Fiscal – SN, emitido pela Autoridade autuante com a manifestação abaixo transcrita: 1 Refirome à correspondência dessa empresa datada de 07/06/2010, para informar o seguinte: Toda documentação disponibilizada por esse Contribuinte está sendo analisada pela fiscalização, inclusive a última remessa, dia 07/06/2010. A afirmativa que a empresa faz que todos os documentos foram entregues só poderá ser comprovada após o encerramento do procedimento fiscal, haja vista que são milhares de comprovantes sob análise. Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram Fl. 650DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 34 entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura. Consta, na última correspondência, que foram entregues os regulamentos dos benefícios concedidos aos trabalhadores e rescisões. Essa documentação não foi recepcionada em momento algum pela fiscalização. 2.Desse modo, fica a empresa cientificada, conforme mencionado, que a documentação entregue encontrase sob análise, inclusive que a correspondência datada de 07 de junho foi recebida condicionalmente, não significando que todos os elementos ali mencionados foram realmente entregues e, como citado, apenas no encerramento do procedimento fiscal será possível afirmarse que não houve sonegação de elementos. A documentação relacionada deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELÉM” Em 18/06/2010 próximo do encerramento da ação fiscal, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. Final, a empresa afirma que teria entregue o solicitado. Conforme documento de fls. 486, em 25/06/2010 emitiramse o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF , notificado na forma do AR de 29/07/2010, fls 487. Em razão de que o arbitramento fora efetuado com valores de despesas e custos extraídos da contabilidade da empresa cujos lançamentos foram colocados em dúvidas pela Autoridade autuante, do confronto das sobreditas correspondências duas questões, determinísticas, saltam à luz: A autoridade autuante requereu que fossem apresentados “ Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02, em anexo”; e A autuada enviou correspondência confirmando que entregara, junto com as demais solicitações, os comprovantes requeridos. É compulsório destacar que na forma de sua correspondência a Autoridade autuante não nega ter recebido a documentação em comento fazendo apenas ressalva de que : “A afirmativa que a empresa faz que todos os documentos foram entregues só poderá ser comprovada após o encerramento do procedimento fiscal, haja vista que são milhares de comprovantes sob análise”. No Relatório de Diligência Fiscal, fls 818, em resposta a indagação sobre se a empresa teria entregue toda a documentação conforme afirmara, a Autoridade autuante, não responde diretamente a questão e alegando que a documentação fora entregue, mas não em suas mãos , manifestouse na forma abaixo transcrita: “2.4. Quanto aos questionamentos sobre apresentação de documentos, a solicitação é transcrita abaixo: Fl. 651DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 19 35 2.4.1 Quando são feitas intimações a contribuintes sob ação fiscal – fato ocorrido no caso aqui analisado é observado no termo fiscal que a documentação deverá ser entregue ao requisitante. O afirmado pode ser observado no Termo de Início e demais intimações feitas à recorrente . 2.4.2 Quando o contribuinte comparece ao Serviço de Fiscalização para atendimento de chamamento fiscal, quesito entrega de documentos, e estando ausente o requisitante, ele é orientado a retornar em outra oportunidade, pois – como mencionado a pessoa hábil para recebimento dos elementos solicitados não se encontra. Em algumas oportunidades, a empresa apenas solicita a dilação do prazo estabelecido no termo fiscal e, nessa situação, o pedido é protocolado na Secretaria do Serviço de Fiscalização – Sefis (..) 2.4.7 Sendo objetivo: a documentação solicitada não foi apresentada em sua totalidade no curso da ação fiscal e os documentos omitidos foram devidamente identificados no Relatório de Lançamentos do Auto de Infração Obrigação Principal (campo observações), pelo fato que eles foram considerados como bases de cálculo das contribuições que integram o processo. A fiscalizada, salvo prova em contrário, não exibe tais documentos na fase do contencioso (impugnação ou recurso.)” Embora no item 2.4.7 acima se registre que a documentação não fora recebida na totalidade, num dos itens da multicitada correspondência a afirmativa é contraditada na medida em que a afirmação de que os documentos não foram entregues tem assento em mera avaliação visual, verbis: “ Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura” Como se nota, não se comentou sobre o conteúdo das caixas e até mesmo o total recebido foi impreciso posto que avaliado em cerca de 10 pastas, sendo certo que foram entregues no serviço de fiscalização. Chegando neste ponto, não é precipitado afirmar que em razão das intimações para apresentação de documentos terem sido enviadas por Aviso de Recebimento – AR para entrega dos documentos na Receita Federal, é lícito concluir que a ação fiscal, muita embora complexa, não foi presencial. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 36 Atuando em duas operações concomitantes a Autoridade autuante iniciou a ação fiscal em 29/03/2010, com encerramento em 25/06/2010. Relevante notar que, sem descontar os dias que foram disponibilizados para apresentação de documentos via correios, em torno de 40 , a hercúlea tarefa foi concluída em 3 meses. Tenho entendimento que processar milhares de documentos em exíguo prazo como alhures afirmara a Autoridade autuante, e ainda prescindindo da presença do contribuinte para eventuais e tempestivos esclarecimentos , tal conjuntura contribuiu de certo modo para comprometer a eficácia da ação fiscal. DA DISCRIMINAÇÃO CLARA E PRECISA DA INFRAÇÃO Na forma do comando do art. 293 do Decreto 3048 de 06 de maio de 1.999, “ constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada verbis: “Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. ( Redação dada pelo Decreto n 6.103, de 2007).” Também art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN impõe à autoridade administrativa cumprimento sob o mesmo diapasão, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” ( grifos de minha autoria) De tudo que foi exposto não vislumbro conceber o lançamento insculpido no preceituado nos sobreditos artigos cuja observação é imperiosa. DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil, onde o juiz deve julgar a causa tão somente com base nas alegações trazidas pelas partes. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fator gerador e a constituição do crédito tributário. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 20 37 Deve, portanto, o julgador, exaustivamente, pesquisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado. Dessa forma o administrador é obrigado a buscar não só a verdade posta no processo como também a verdade de todas as formas possíveis. A própria administração produz provas a favor do contribuinte, não podendo ficar restrito somente ao que consta no processo. Neste sentido, em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. A recorrente argüiu nulidade. Ainda que não o fizesse, a nulidade é matéria de ordem pública. É cediço que , a teor dos arts. 267 , § 3º , e 301 , § 4º , do CPC , as matérias de ordem pública podem e devem ser conhecidas ex officio pelo órgão jurisdicional. DA NULIDADE A inteligência do § 1º, II do artigo 59 do decreto 70.235/72 define que se diretamente dependente do ato anterior, prejudicado o posterior, a nulidade se aperfeiçoa: “ O Decreto 70.235/72 : Art. 59. São nulos: § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.” Vício instalado na produção do auto, em sua dinâmica, é defeito de composição insanável que prejudica atos posteriores. Em acontecendo a nulidade tal como descrita, o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito em razão de sua motivação . De tudo que foi exposto, por economia processual, deixo de enfrentar demais alegações bem como recurso interposto pelo contribuinte solidário. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para EM PRELIMINAR determinar a NULIDADE DO LANÇAMENTO em razão de inquinado de VÍCIO MATERIAL. " Fl. 654DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 38 DO MÉRITO Discutese no processo em comento a obrigação acessória derivada do processo principal n° 14337.000211/201035 ao qual este é apenso. No referido processo enfrentando as razões do mérito argumentei o abaixo transcrito concluindo por dar provimento ao Recurso do contribuinte. Em face disto, entendo que descabe a obrigação acessória ora em apreço. " Em razão do laborioso Relatório Fiscal constituído de 48 páginas ( fls 59/107), cumpre ressaltar que a questão de fundo, a efetiva razão da autuação só se alcança definida às fls. no item , 55 quando se registram os fatos geradores do lançamento. Daí é que se conclui que tratase do Auto de Infração referente às contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados (segurados, empresa e riscos ambientais do trabalho), lavrado por aferição indireta considerando como base de cálculo das contribuições previdenciárias valores lançados na contabilidade que, segundo a Autoridade autuante não têm seus beneficiários identificados bem como as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente. No sobredito Relatório Fiscal abriramse muitas frentes. Para ser efetivo há que se enfrentar o que ficou traduzido como razão do lançamento na forma dos fundamentos legais trazidos nas fls.22 referendado pelo registro no item 55 do Relatório Fiscal, verbis: " FATOS GERADORES 55. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárías lançadas neste AIOP as remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados empregados. 56. As bases de cálculos apropriadas neste crédito previdenciário foram obtidas por arbitramento. A utilização do arbitramento esta condizente com o Art 33 da Lei 8212 e alterações posteriores, pois a empresa não apresentou todos os elementos solicitados nos termos fiscais, além de manifestar explicitamente que os abates não são contabilizados em sua totalidade, conforme se verifica nos subitens seguintes." DOS FUNDAMENTOS LEGAIS O relatório de Fundamentação Legal do Débito – FLD colacionado às fls. 22 registra o abaixo: “062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 07/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007, 08/2007 a 09/2007 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 21 39 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Do encimado os núcleos a se verificar para comprovar ou não a pertinência do lançamento são valores lançados na contabilidade que, segundo a Autoridade autuante não têm seus beneficiários identificados bem como se as importâncias apropriadas como outros custos foram ou nãojustificadas documentalmente. De passagem, posto que não se motivara com fundamentos legais, verificar a questão dos abates.Neste diapasão , abaixo seguem as seguintes observações: DA DECISÃO A QUO A condução do voto de primeira instância, embora os 75 itens com alegações interpostas pela então impugnante, transcritos e relatados pela própria instância a quo, não se fundamentou a partir do enfrentamento daquelas arguições. Parte do que ora se afirma se observa na ementa parcialmente abaixo disposta . A ementa, apesar de sugerir que em sede de impugnação teria sido analisada a questão da dissimulação trazida no Relatório fiscal, traduz matéria não enfrentada. A falta de fundamentação legal da desconsideração dos atos na motivação do lançamento talvez tenha influenciado para tal desfecho: " DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO Diante da situação fática constatada em que a empresa tem como propósito criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias devidas, aplicase o disposto no parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário NacionalCTN." Embora toda a complexidade do processo em análise, baseandose tãosomente no que fora relatado pela Autoridade autuante sem indicar os elementos probantes que sustentassem a decisão, após sumária reflexão, o i. Julgador destaca que “ Os elementos descritos no Relatório Fiscal foram suficientes para a formação da convicção ”. Com grifos de minha autoria, transcrevo a íntegra dos argumentos que motivaram a decisão de primeira instância para concluir inexistirem máculas no lançamento: Fl. 656DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 40 “Conforme Relatório Fiscal, fls. 59/107, as bases de cáculo foram obtidas por arbitramento em razão da empresa não ter apresentado todos os elementos solicitados pela fiscalização. Informa o mencionado relatório que a fiscalização analisou documentos apreendida na Operação Arroba, tendo extraído elementos que comprovam a dissimulação da ocorrência do fato gerador do tributo em questão. Extraise, ainda, do aludido Relatório Fiscal, conforme relatos detalhados ali contidos, que a empresa, além de não ter apresentado todos os elementos solicitados nos termos fiscais, não contabilizou todos os fatos geradores das contribuições em questão. Como conseqüência, a fiscalização utilizouse do arbitramento autorizado pelo artigo 33 da Lei 8212, §§ 3º e 6º, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009).(...) Os elementos descritos no Relatório Fiscal são suficientes para a formação da convicção de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. A título de exemplificação, mencionase aqui o fato, descrito no relatório, da empresa possuir apenas um empregado até o mês de dezembro/2006 (período fiscalizado 01/07/2005 a 31/12/2007), enquanto movimentava recursos na ordem de mais de R$ 500.000.000,00 apenas na aquisição de bovinos para industrialização, nos anos 2005 a 2007. Portanto, à vista do detalhamento das informações constantes do Relatório Fiscal de fls. 59/107, temse que resta sem máculas o lançamento em apreço oriundo de levantamento realizado pelo método da aferição indireta.” DAS AÇÕES FISCAIS Às fls 63, no item 10 do Relatório Fiscal, ainda que sob ações distintas, arrolaramse as duas empresas nos argumentos desenvolvidos no sobredito relatório : “10. A auditoria fiscal realizada abrange as três unidades frigoríficas operadas por ATIVO ALIMENTOS LTDA e MAFRINORTE MATADOURO FRIFORÍFICO DO NORTE LTDA.” Destaquese que a empresa autuada, motivo de análise do presente, é a ATIVO ALIMENTOSLTDA. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 22 41 A segunda empresa informada, MAFRINORTE MATADOURO FRIFORÍFICO DO NORTE LTDA, consta relacionada no Relatório de Vínculos de fls 24 que passou a integrar o Grupo Econômico a partir de 29/04/2009. Ressaltese, depois da ocorrência dos fatos geradores que motivar a autuação, 07/2005 a 09/2007: “CNPJ 0 5 . 0 4 7 . 1 2 1 / 0 0 0 1 0 2 Período d e A t u a ç ã o : 29/04/2009 a Q u a l i f i c a ç ã o : GRUPO ECONÔMICO Nome: MAFRINORTE MATADOURO E FRIG. DO NORTE LTDA Endereço: ROD INHANGAPI CASTANHAL S/N KM 4 Bairro: INTERIOR Município: CASTANHAL UF: PA CEP: 68742005” DAS INFORMAÇÕES SOBRE AS EMPRESAS O item 11 do Relatório Fiscal trás que : “11. Como forma da correta identificação das unidades fabris geridas pelos sujeitos passivos destacados, foram solicitadas informações ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal Serviço de Inspeção Federal nos Estados do Pará e Maranhão, ofícios 433501/2010 (anexo 12) e 085 01/2010 (anexo 13). As respostas emitidas pelos Órgãos seguem a mesma numeração de anexos. 12. O número SIF, Serviço de Inspeção Federal, é a identificação dos estabelecimentos que promovem a industrialização de produtos de origem animal, fornecido pelo Ministério da Agricultura, sendo necessário para comercialização da produção, sendo que o Órgão ministerial faz intensivo acompanhamento dos abates realizados nas unidades frigoríficas certificadas com controle sanitário e estatístico dos animais abatidos.” DOS REQUERIMENTOS JUNTO AO SERVIÇO DE INSPEÇÃO FEDERAL NO ESTADO DO PARÁ Também não enfrentado em sede de impugnação, sobre o pedido de informações no Relatório Fiscal se faz remissão aos anexos 12 , 13 e 29.Tais anexos constam colacionados pela Autoridade Fl. 658DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 42 autuante às fls. 209/279. Tratase de requerimento/respostas que , em 22/03/2010, a Autoridade autuante promoveu junto ao Serviço de Inspeção Federal no Estado do Pará : “56.4. Alem desse fato, constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários. 56.5. As notas fiscais de entrada e do produtor referente ao estabelecimento localizado no município de Água Azul do Norte (PA) também foram apresentadas de forma incompleta, fato confirmado quando se comparam os totais mensais dos abates constantes nas notas analisadas pela fiscalização e as totalizações obtidas a partir dos mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura (anexos 12 e 13);” DO PLANEJAMENTO DA AÇÃO FISCAL A correspondência abaixo transcrita datada de 22 de março de 2010, demonstra que o planejamento andou bem e fora proativo na obtenção de informações posto que a ação fiscal só iria ter início em 29/03/2010. Entretanto, adiante se verá que a resposta não registra elementos motivadores do lançamento: “Ofício DRF/BEL n 4.33501/2010 Belém, 22 de março de 2010 AO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, DEPARTAMENTO DE INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL Serviço de Inspeção Federal no Estado do Pará REFERENTE: MAPAS DE ABATES DOS ANOS 2005 A 2008 Cumprimentandoo, e com a finalidade de dar continuidade a procedimentos fiscais em andamento nas empresas Ativo Alimentos e Matadouro e Frigorífico do Norte Mafrinorte nesta Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, solicitamos seus bons ofícios no sentido de disponibilizar os seguintes dados referente às unidades frigoríficas situadas no estado do Pará e Maranhão: a) Frigoríficos localizados nos município de Água Azul do Norte (PA), Castanhal (PA), Xinguara (PA), Ananindeua (PA), Tucumã (PA) e Bacabal (MA) com respectivos SIF. b) Dados das empresas proprietárias de cada um desses SIF. c) As empresas autorizadas a operarem nesses estabelecimentos de abate no período destacado. d) Os mapas mensais de abate, informandose separadamente bovinos e bubalinos machos e fêmeas. As informações de abate deverão indicar as empresas responsáveis.” Fl. 659DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 23 43 Relevante ressaltar fora requerido no item “d” indicar as empresas responsáveis: “d) Os mapas mensais de abate, informandose separadamente bovinos e bubalinos machos e fêmeas. As informações de abate deverão indicar as empresas responsáveis.” O destaque acima se justifica em razão de que em 13/04/2010, em resposta ao solicitado disponibilizaramse os mapas de abate requeridos conforme documentos colacionados pela Autoridade autuante às fls.211/266 e, todos os Mapas se referem a uma terceira empresa não autuada e sequer investigada em diligência. Tratase da filial da sociedade anônima FRIGOL S.A CNPJ 68.067.446/001068. DAS RESPOSTAS AO SOLICITADO Referindose a um certo processo de número 21022.000579/201011, em 04/05/2010, às fls. 267(parte do anexo 13), requereramse novos Mapas de Abate em cuja resposta abaixo transcrita , a respeito da autuada se informa que “ A firma Ativo Alimentos nunca esteve sob registro deste Serviço no estado do Maranhão até a presente data : “ Em atenção à solicitação que dá origem ao processo em lide informamos o que segue : Conforme ficha do estabelecimento em anexo, a empresa Mafrinorte – Matadouro o e Frigorífico do Norte Ltda funcionou sob o SiF 4600 de 18/04/2002 a 26/06/2008, quando foi alterada a razão social para Frigorífico Margen Ltda; O estabelecimento funciona desde 13/10/2008 até a presente data sob responsabilidade da firma Frigorífico Eldorado S/A; A firma Ativo Alimentos nunca esteve sob registro deste Serviço no estado do Maranhão até a presente data; Os mapas mensais de abate da empresa Mafrinorte Matadouro e Frigorífico do Norte Ltda no período solicitado estão no documento Movimento de Abate (Mapa 1), em anexo; Esclarecemos que, por falha do nosso sistema de informações e gerenciamento de dados, o cabeçalho dos mapas estatísticos sempre é gerado com a identificação da empresa que opera atualmente sob um determinado SlF. Porém, os dados fornecidos são referentes à empresa que operou sob aquele SlF no período solicitado; Até o ano de 2005 a data de inserção dos dados estatísticos não era informada de maneira uniforme. Só a partir de 2006 foi determinado que a data dos mapas, independente dos dias que Fl. 660DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 44 dados foram digitados, deveria ser o último dia do mês de referência; Informamos também que todos os dados originalmente repassados pela empresa ao SlF 4600 do ano de 2003 até o presente data estão devidamente guardados no arquivo morto da IF local.” Em resumo, os mapas colacionados não se referem a empresa autuada mas sim aos FRIGORÍFICO ELDORADO S/A e FRIGOL S/A conforme Anexo 13 colacionado pela Autoridade autuante. Reiterando o alhures registrado, efetivamente a empresa foi autuada utilizandose o método de aferição indireta em razão de a Autoridade autuante entender que os valores lançados na contabilidade não têm seus beneficiários identificados bem como as importâncias apropriadas como outros custos não teriam sido justificadas documentalmente. DOS CRÉDITOS CONSTITUÍDOS No item 58 do Relatório Fiscal a fiscalização informa que as bases de cálculo utilizadas para proceder a aferição indireta foram os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados, bem como outros custos verbis: "58. Desse modo, a fiscalização aferiu as salários de contribuições, considerando como bases de cálculos das contribuições previdenciárias os valores lançados na contabilidade e que não tem seus beneficiários identificados e as importâncias apropriadas como outros custos que não foram justificados documentalmente.” Embora a Autoridade autuante não aponte em que folhas estariam colacionados os documentos que registram os créditos referidos no item 58 acima, na forma da planilha de fls, 36/58, estes foram constituídos pelos valores obtidos nas competências 07/2005 a 09/2007, onde o Auditor deixa claro que tomou como base de cálculos BC os lançamentos da contabilidade referentes a custos, matéria prima e saldos de caixa. No Relatório da Diligência às fls. 808, este ponto foi questionado: "Nos relatórios Discriminativos do Débito – DD de fls. 06 a 010 constam as bases de cálculo arbitradas pela Autoridade autuante conforme abaixo se transcreve: (...) Como se observa, os valores atribuídos como mensalmente pagos aos empregados e até mesmo a falta de pagamentos na competência 07/2007 denotam variações bruscas , expressivas e aleatórias para mais e para menos de um mês para outro na forma determinada como remunerações aos segurados. A busca da verdade material estabelecida na exegese do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, exige esclarecimentos." Fl. 661DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 24 45 Ressaltese que no registro do item 56.3 do Relatório Fiscal quando a Autoridade autuante informa que no anexo 5 estariam os valores de outros custos para ano de 2007 não justificados, está se referindo às planilhas 01 e 02 : “56.3. O contribuinte deixou de justificar lançamentos verificados na sua escrita contábil, mesmo regularmente intimada, como ocorre com os valores referentes a outros custos, ano de 2007 que integram planilha do termo intimação fiscal final (anexo 05).” Aduz que colacionados às fls. 119/164 os valores a que se refere o anexo 5, em resumo, traduzem inúmeros lançamentos contábeis das contas de despesas( 119/121) e de custos (122/164) da empresa que foram utilizados como base de cálculo para o arbitramento. Na seqüência, sem apontar quais das dezenas de lançamentos do citado Anexo 29, a autoridade autuante motivando a autuação, de forma genérica, registrou que existiam diversos sem identificação dos beneficiários. Aduz que nas 102 páginas colacionadas chanceladas como anexo 29, a leitura aponta o contrário do que afirma o Relatório Fiscal. Os registros informam beneficiários: “56.4. Alem desse fato, constam diversos lançamentos conforme se verifica nos razões (anexo 29) sem a identificação dos beneficiários.” Ressaltando que o crédito fora constituído até as competências 001/07/2005 a 30/09/2007, aduz que o sobredito Anexo 29 consta colacionado nas renumeradas fls.359/462, verificandose tratar de cópias do livro Razão número 5, onde se registram as despesas e custos da autuada tãosomente até 31/12/2006. Aqui peca pela falta. Disponibilizaramse, também, todas as páginas do razão anteriores à constituição do crédito de 01/05 até 06/05 que por desnecessárias , peca pelo excesso : Às fls.802, conforme a Resolução 2403000.168, este Colegiado converteu o julgamento em diligência. Na oportunidade, entre outras solicitações foi requerido: " Que se esclareça quais foram os empregados que receberam os pagamentos e as razões das bruscas variações das bases de cálculos arbitradas como remuneração dos segurados empregados;" Em resposta a Autoridade autuante revela que não há vínculos das bases com pagamentos a segurados em razão do arbitramento e sem responder ao questionamento das bruscas e expressivas oscilações afirmou que não procedeu de forma aleatória posto que teria obtido as informações dos registros contábeis, verbis : "2.3.1 As justificativas prestadas nos itens anteriores já deixaram clarificadas que não há possibilidade em enumerar os Fl. 662DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 46 segurados que receberam as remunerações consideradas pela fiscalização, pelo fato que as bases de cálculo foram arbitradas.(...) 2.3.2 Ademais, a fiscalização, como critério para arbitramento, não lançou mão de nenhum procedimento aleatório, mais sim daquilo que foi disponibilizado pela própria empresa: sua escrita contábil. Nesse sentido, foram consideradas como bases de cálculo das contribuições previdenciárias as despesas lançadas na contabilidade que não possuem os beneficiários identificados, bem como custos não justificados documentalmente, nos termos exarados no relatório fiscal. Repisando: a empresa não apresentou a comprovação documental daquilo que foi contabilizado como despesas/custos. A adoção do arbitramento está amparada pelo art. 33 da Lei 8212/91 e alterações"70 DOS FUNDAMENTOS LEGAIS O relatório de Fundamentação Legal do Débito – FLD colacionado às fls. 22 registra o abaixo: “062 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA EMPRESAS EM GERAL 062.05 Competências : 07/2005 a 12/2005, 01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007, 08/2007 a 09/2007 MP n. 222, de 04.10.2004, artigos 1. e 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18,1; Lei n. 5.172, de 25.10.66 (CTN), art. 148; Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos 3. e 6.; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235.” Analisando a legislação apontada no item 062 que motivou a fundamentação legal para o procedimento de aferição indireta, temse que o fizeram sob o comando da Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 33 (com a redação posterior da Lei n. 10.256, de 09.07.2001), parágrafos §§3° e 6°, Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 231, 234 e 235. Cumpre destacar que o Legislador não determina lançar de ofício qualquer importância, mas sim a importância devida havendo pois que as bases escolhidas sejam estabelecidas mediante patamares lógicos e consistentes, verbis: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos (...) Fl. 663DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 25 47 § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) (..) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” No que concerne ao art. 235 do Decreto 3.048/91, o legislador concebe que a aferição indireta será implementada após a constatação, leiase comprovação, da imprestabilidade da contabilidade "e" de qualquer outro documento da empresa da empresa. Ressaltese que o Legislador remetendose ao movimento real da remuneração do segurado , não faculta uma coisa " ou" outra mas determina uma " e " outra seguido de desconsideração , que presumese formal, da contabilidade, verbis: “Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Por ocasião da ação fiscal encerrada em, 25/06/2010, conforme o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF às fls 485, notificada por Aviso de RecebimentoAR colacionado às fls, 487, em 29/07/2010, vigia a INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971, de 13 de novembro de 2009 cuja previsão de se aferir indiretamente as bases de cálculo, método extremo de apuração, se verifica incluída, não por acaso, no sugestivo título VI das atividades fiscais e dos procedimentos especiais. Com destaque para o comando do art. 447, aduz que a aferição indireta tem nos art. 446 / 449 o amparo que legitima sua utilização, verbis: “ Art. 446. Aferição indireta é o procedimento de que dispõe a RFB para apuração indireta da base de cálculo das contribuições sociais. Art. 447. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a Fl. 664DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 48 contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, ou em outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para fins do disposto no inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme disposto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 47 desta Instrução Normativa. § 3º No caso de apuração, por aferição indireta, das contribuições efetivamente devidas, caberá à empresa, ao segurado, proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. § 4º Aplicamse às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007, as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ” Do sobredito, embora no curso da ação fiscal não tenha sido emitido documento formal de desconsideração da contabilidade, implicitamente restou caracterizado que a escrituração contábil da empresa é imprestável e seu conteúdo não tem valor algum. Assim, não se alcança válido constituir o crédito sobre aqueles dados desconsiderados. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 26 49 DA AFERIÇÃO INDIRETA E DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE Fábio Zambitte Hibrahim, na página 390, da 16ª Edição de sua consagrada obra Curso de Direito Previdenciário, dissertando sobre Aferição Indireta exorta o Princípio da Proporcionalidade e nos traz que : " Como a contribuição não tem efeito de penalidade , não poderá a SRFB estipular valor irreal como sanção ", verbis: " há regra elementar de direito no sentido de que a ninguém é lícito tirar vantagem da própria ilicitude e, portanto, será obtido um meio de quantificar o valor devido à Previdência Social. Daí surge a idéia de aferição que é a obtenção do valor devido por outros meios previstos em lei. Naturalmente , tratase de regra excepcional , somente aplicável na impossibilidade de identificação da base de cálculo real. Ainda deverá atender ao Princípio da Proporcionalidade , porque não poderá a SFRB, aferir valor irreal , evidentemente acima do devido, As aferições deverão seguir critérios , que , dentro do possível, se aproximem ao máximo do real devido.Como a contribuição não tem efeito de penalidade , não poderá a SRFB estipular valor irreal como sanção, já que esta somente poderá ser feita pela multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória a ser cobrada mediante auto de infração " DOS PARÂMETROS PARA AFERIÇÃO INDIRETA Nas empresas em geral, podese ter como bons parâmetros para a base de cálculo da contribuição previdenciária a ser aferida indiretamente os fatores abaixo descritos tomados em conjuntamente ou não : o porte da empresa, o número de segurados a serviço da empresa e o valor médio das últimas contribuições apuradas ou recolhidas, em período anterior ou posterior ao período da base de cálculo aferida indiretamente, devidamente atualizadas com os mesmos índices de reajustamento salarial da respectiva categoria ou do salário mínimo nacional; o piso salarial da categoria, fornecido pelo sindicato ou órgão de classe ou, na falta deles, os valores médios de salários publicados em jornais ou revistas de grande circulação; o resultado de subsídio à fiscalização (SF); Fl. 666DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 50 os fatos constatados mediante verificação física; a existência de Auto de Infração emitido pela fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); o livro de inspeção do trabalho; as reclamatórias trabalhistas; o número de empregados registrados, apurado em fiscalização anterior; o histórico dos recolhimentos previdenciários efetuados anteriormente pela empresa e as guias de contribuição sindical; a massa salarial obtida junto ao banco de dados do INSS; a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ), a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF); I o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) e o extrato dos depósitos para o FGTS, com relação ao período anterior ao da implantação da GFIP; os livros de imposto sobre serviços, de medida de produção, de entrada e de saída de mercadorias; as notas fiscais, faturas, os recibos ou contratos; Fl. 667DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 27 51 a grade curricular obtida junto à Superintendência ou Delegacia de Ensino; o montante de mãodeobra fornecido pelos sindicatos ou pelos órgãos gestores de mãodeobra (OGMO); outros elementos que, pela natureza da atividade da empresa, proporcionem base para a aferição indireta.. Como visto alhures, a Autoridade aututante entendeu que a contabilidade da autuada era imprestável . Entretanto no caso em comento, no item 2.2.6.10, subitem 2.3.2 da Resposta da Diligência, às fls. 830, a autoridade autuante reitera que utilizou os registros contábeis como base de cálculo , verbis: “2.2.6.10, Finalizando, a omissão documental: No item 03 do Termo de Intimação Final Complementar, a fiscalização INTIMA o sujeito passivo a justificar documentalmente todas as despesas. A não apresentação dos elementos é mencionada no relatório fiscal. Encerrando este item e repisando o já afirmado: não há de se falar em contabilidade regular se inexistem documentos que suportem à escrita. (...) 2.3.2 Ademais, a fiscalização, como critério para arbitramento, não lançou mão de nenhum procedimento aleatório, mais sim daquilo que foi disponibilizado pela própria empresa: sua escrita contábil. Nesse sentido, foram consideradas como bases de cálculo das contribuições previdenciárias as despesas lançadas na contabilidade que não possuem os beneficiários identificados, bem como custos não justificados documentalmente, nos termos exarados no relatório fiscal. Repisando: a empresa não apresentou a comprovação documental daquilo que foi contabilizado como despesas/custos. A adoção do arbitramento está amparada pelo art. 33 da Lei 8212/91 e alteração.” DA INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO E DA RESPOSTA DA EMPRESA Às fls. 118 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – FINAL recebido pelo contribuinte em 31/05/2010 (AR de fls, 165) , com prazo para apresentação em 7 dias , entre outros documentos, solicitava que o contribuinte apresentasse comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02 : “Prazo: 07 dias Período de apuração: 03/2005 a 12/2007 (...) Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02, em anexo.” Fl. 668DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 52 Às fls 187, datado de 07/06/2010, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. Final consta colacionada pela Autoridade autuante, correspondência da empresa dando conta de que teriam sido atendidas todas as intimações e apresentado toda documentação requerida, inclusive os comprovantes das despesas e custos : (..) Em anexo, a Fiscalizada apresenta os seguintes documentos: Acordos, convenções e dissídios coletivos; Apólices de seguro de vida Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, inclusive para abate de bovinos; Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivo Digital da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores; Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminado nas planilhas 01 e 02 que acompanharam o Termo de Intimação Fiscal n°.Final. Ao ensejo, a Fiscalizada também apresenta as Notas Fiscais de Entrada, o Livro de Registro de ICMS, e os Livros de Registro de Entrada e Saída, relativos à filial de CNPJ/MF n°. 06.128.996/000282. A Fiscalizada esclarece que, na resposta protocolizada perante esta Delegacia Fiscal no dia 19/04/2010, já apresentou os seguintes documentos: Folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais, e avulsos); Regulamento dos benefícios concedidos ao trabalhador; Relação Anual de Informações Sociais RAIS; Documentação dos salários família e maternidade; Rescisões de Contrato de Trabalho; Ao final , a fiscalizada informa que não possui contratos e faturas de cooperativas de trabalho e que não possui comprovantes de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, pois a mesma nunca utilizou do benefício do abatimento no IRPJ. Entendendo terem sido prestadas todas as informações e apresentados todos os documentos solicitados, mantemonos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos.” DA MANIFESTAÇÃO DA AUTORIDADE AUTUANTE Fl. 669DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 28 53 Colacionado às fls.172, em resposta à correspondência da empresa , sem efetivamente negar que recebera os documentos, datado de 09/06/2010, dois dias depois, consta o Termo de Constatação Fiscal – SN, emitido pela Autoridade autuante com a manifestação abaixo transcrita: 1 Refirome à correspondência dessa empresa datada de 07/06/2010, para informar o seguinte: Toda documentação disponibilizada por esse Contribuinte está sendo analisada pela fiscalização, inclusive a última remessa, dia 07/06/2010. A afirmativa que a empresa faz que todos os documentos foram entregues só poderá ser comprovada após o encerramento do procedimento fiscal, haja vista que são milhares de comprovantes sob análise. Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura. Consta, na última correspondência, que foram entregues os regulamentos dos benefícios concedidos aos trabalhadores e rescisões. Essa documentação não foi recepcionada em momento algum pela fiscalização. 2.Desse modo, fica a empresa cientificada, conforme mencionado, que a documentação entregue encontrase sob análise, inclusive que a correspondência datada de 07 de junho foi recebida condicionalmente, não significando que todos os elementos ali mencionados foram realmente entregues e, como citado, apenas no encerramento do procedimento fiscal será possível afirmarse que não houve sonegação de elementos. A documentação relacionada deverá ficar à disposição desta fiscalização, no endereço: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELÉM” Em 18/06/2010 próximo do encerramento da ação fiscal, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n°. Final, a empresa afirma que teria entregue o solicitado. Conforme documento de fls. 486, em 25/06/2010 emitiramse o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF , notificado na forma do AR de 29/07/2010, fls 487. Em razão de que o arbitramento fora efetuado com valores de despesas e custos extraídos da contabilidade da empresa cujos Fl. 670DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 54 lançamentos fora colocado em dúvidas pela Autoridade autuante, do confronto das sobreditas correspondências duas questões, determinísticas, saltam à luz: A autoridade autuante requereu que fossem apresentados “ Comprovantes das despesas e custos, conforme discriminados nas planilhas 01 e 02, em anexo”; e A autuada enviou correspondência confirmando que entregara, junto com as demais solicitações, os comprovantes requeridos. É compulsório destacar que na forma de sua correspondência a Autoridade autuante não nega ter recebido a documentação em comento fazendo apenas ressalva de que : “A afirmativa que a empresa faz que todos os documentos foram entregues só poderá ser comprovada após o encerramento do procedimento fiscal, haja vista que são milhares de comprovantes sob análise”. No Relatório de Diligência Fiscal, fls 818, em resposta a indagação sobre se a empresa teria entregue toda a documentação conforme afirmara, a Autoridade autuante, não responde diretamente a questão e alegando que a documentação fora entregue, mas não em suas mãos , manifestouse na forma abaixo trnscrita: “2.4. Quanto aos questionamentos sobre apresentação de documentos, a solicitação é transcrita abaixo: 2.4.1 Quando são feitas intimações a contribuintes sob ação fiscal – fato ocorrido no caso aqui analisado é observado no termo fiscal que a documentação deverá ser entregue ao requisitante. O afirmado pode ser observado no Termo de Início e demais intimações feitas à recorrente . 2.4.2 Quando o contribuinte comparece ao Serviço de Fiscalização para atendimento de chamamento fiscal, quesito entrega de documentos, e estando ausente o requisitante, ele é orientado a retornar em outra oportunidade, pois – como mencionado a pessoa hábil para recebimento dos elementos solicitados não se encontra. Em algumas oportunidades, a empresa apenas solicita a dilação do prazo estabelecido no termo fiscal e, nessa situação, o pedido é protocolado na Secretaria do Serviço de Fiscalização – Sefis (..) 2.4.7 Sendo objetivo: a documentação solicitada não foi apresentada em sua totalidade no curso da ação fiscal e os documentos omitidos foram devidamente identificados no Relatório de Lançamentos do Auto de Infração Obrigação Principal (campo observações), pelo fato que eles foram considerados como bases de cálculo das contribuições que integram o processo. A fiscalizada, salvo prova em contrário, não exibe tais documentos na fase do contencioso (impugnação ou recurso.)” Embora no item 2.4.7 acima se registre que a documentação não fora recebida na totalidade, num dos itens da multicitada Fl. 671DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 29 55 correspondência a afirmativa é contraditada na medida em que a afirmação de que os documentos não foram entregues tem assento em mera avaliação visual, verbis: “ Em nenhum momento essa empresa enumera a documentação entregue no serviço de fiscalização, apenas fazendo citação genérica, como ocorreu no último ofício, constando que são anexadas, por exemplo, as notas fiscais do estabelecimento 0002 e comprovantes de custos e despesas. Numa análise visual, as notas não foram disponibilizadas em sua totalidade, pois foram entregues cerca de 10 pastas, quantidade incompatível com o volume de abate do referido estabelecimento quando comparado com os mapas de abate fornecidos pelo Ministério da Agricultura” Como se nota, não se comentou sobre o conteúdo das caixas e até mesmo o total recebido foi impreciso posto que avaliado em cerca de 10 pastas, sendo certo que foram entregues no serviço de fiscalização. Chegando neste ponto, não é precipitado afirmar que em razão das intimações para apresentação de documentos terem sido enviadas por Aviso de Recebimento – AR para entrega dos documentos na Receita Federal, é lícito concluir que a ação fiscal, muita embora complexa, não foi presencial. Atuando em duas operações concomitantes a Autoridade autuante iniciou a ação fiscal em 29/03/2010, com encerramento em 25/06/2010. Relevante notar que, sem descontar os dias que foram disponibilizados para apresentação de documentos via correios, em torno de 40 , a hercúlea tarefa foi concluída em 3 meses. Tenho entendimento que processar milhares de documentos em exíguo prazo como alhures afirmara a Autoridade autuante, e ainda prescindindo da presença do contribuinte para eventuais e tempestivos esclarecimentos , tal conjuntura contribuiu de certo modo para comprometer a eficácia da ação fiscal. 07DA SIMULAÇÃO E DA PENALIDADE Nos itens 24/27 e 41 do Relatório Fiscal a Autoridade autuante afirma que os procedimentos da empresa caracterizam SIMULAÇÃO : “24. Verificase que as empresas possuem uma relação com objetivo bem delineado, conforme demonstrado nos itens anteriores: a sonegação de tributos, consubstanciado em contratos de prestação de serviço totalmente inexeqüível e lavrados apenas para ludibriar os órgãos arrecadadores, pois, na realidade as empresas se confundem, são de propriedade de uma mesma pessoa Sr. PAULO AFONSO COSTA que é sócio majoritário das empresas destacadas. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 56 25. Verificase que Ativo e Mafrinorte são administrados por um mesmo grupo de pessoas, Sr. Paulo, Sr. Adelvan, Sr. Carlos Peixoto, Sr. Waldemur,. 26. Em outras palavras: uma empresa é constituída com capital irrisório para a área que atua, firma contrato de prestação de serviço com empresa dirigida por seus próprios idealizadores e com objetivo claramente definido: a constituição de um passivo tributário considerável. Com a situação/relacionamento posto em prática pelas empresas, temos que os passivos acumulados pelo Ativo Alimentos afastariam do alcance da Fazenda Nacional o patrimônio da principal interessada na situação aqui constatada: MAFRINORTE. 27. Ocorre, que a legislação tributária tem mecanismo para pôr fim a essa engenharia idealizada pelo Sr. Paulo Costa e auxiliares, pois a organização societária aqui descrita caracteriza a formação de um grupo econômico, fato declarado, nos termos do anexo 22 .” O acima afirmado de que a autuada praticara crime tributário, é reiterado no item 41 do citado relatório: “41. Duas são, portanto, as situações autorizadas pelo CTN, para que se possa fazer incidir a solidariedade: a) Inciso I do art. 124 do CTN (as pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal): os "grupos econômicos", justamente por constituírem um conjunto de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, têm interesses comuns no fato gerador, na medida em que o resultado de uma interessa às demais, notadamente em se tratando de grupos econômicos de fato, nos quais são identificadas irregularidades administrativas e fiscais, e, justamente em face de tais irregularidades (dissimulação, simulação ou omissão), podese considerar até mesmo que esteja estabelecida a confusão patrimonial entre os integrantes desses grupos, além do fato de que, a prática de ilegalidades, como se verá adiante, determina, por si só, a solidariedade dos contribuintes envolvidos.” De tudo o que acima fora descrito, é relevante notar que a Autoridade fiscal , embora tenha se convencido de ter havido SIMULAÇÃO, não autuou de ofício aplicando as penalidades previstas. Na forma do alhures destacado, a irregularidade descrita no Relatório Fiscal se insere na redação do § 1° do art. 44, dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007: “ Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ( Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007) Fl. 673DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 30 57 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ( Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15.06.2007) DA LEI NO 4.502, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964 De acordo com o previsto nos artigos 71, 72 e 73, a ocorrência de crime estariam definidas conforme abaixo : “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. ” DO ART. 142 DO CTN Conforme determina o comando do Parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional ” DA FALTA DE IMPUTAÇÃO LEGAL Na forma da ementa do Acórdão aquo, exortaramse o art. 116 do CTN e decidiramse que houvera simulação: Fl. 674DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 58 “DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO Diante da situação fática constatada em que a empresa tem como propósito criar uma situação jurídica com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias devidas, aplicase o disposto no parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário NacionalCTN.” Na previsão do art. 116, supra, salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. ( Incluído pela Lcp n 104, de 10.1.2001) O brocado “nullum crimen, nulla poena sine lege”, em livre tradução, significa “não pode haver crime, nem pena que não resultem de uma lei prévia, escrita, estrita e certa”. De modo transverso, não tendo sido caracterizado o crime pela não fundamentação legal e ausência de imputação de pena , embora preexista a lei que o defina e as conseqüentes penalidades no caso em comento, tributárias não há que se falar em dissimulação do fato gerador se isto não restar formal, material e legalmente fundamentado. Do que fora encimado, entendo que ementa a quo traduziu decisão em branco posto que não se aperfeiçoou com a penalidade vinculada até porque, não estiveram em questão créditos exigíveis constituídos em razão da natureza jurídica do fato gerador em comento. Cumpre destacar, ainda, que Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001, o parágrafo único do sobredito art. 116 admite que autoridade administrativa desconsidere atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, entretanto determina que sejam observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Desse modo, embora à meu juízo considere descabida a remissão, a inclusão do parágrafo único ao artigo 116 do CTN, indiferente se provada ou não a infração, restringe a autuação posto que impõe à Autoridade lançadora observar norma específica que permita desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com finalidade de elisão. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 31 59 No caso em comento, no trato das situações de fato e jurídica, a falta de argumentos que culminassem com a devida fundamentação legal bem como a ausência de penalidades vinculadas às hipóteses levantadas, implica perda de toda a eventual essência de imputação criminosa. Assim, sem fundamentação legal e penalidade a ser imputada não há que se falar em dar ou negar provimento ainda que a matéria tenha sido discutida e decidida em sede de impugnação. Pelas mesmas sobreditas razões, tal conclusão não se presta para sustentar que por este motivo também a contabilidade deva ser desconsiderada. DA CONFISSÃO DE NÃO CONTABILIZAÇÃO Não se pode olvidar o que a autoridade autuante registrou às fls.102, no item 56.7 do seu Relatório o Fiscal que : “ Além da sonegação documental, a empresa confessa literalmente que seu movimento contábil não registra toda sua movimentação, haja vista o diálogo contido no anexo 24, citado em item anterior ” Colacionado pela Autoridade autuante, o referido anexo 24, datado de 16/11/2006, encontrase às fls.349/350 e com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo na íntegra. Cumpre notar que o diálogo ali contido se processa em torno da documentação enviada para a contabilidade que conclui por eventuais retificações de DIEF’S posto que estariam vulneráveis à legislação ESTADUAL nos aspectos de ICM e ainda sobre FUNRURAL, PIS COFTNS, CSLL E IR. Isto posto, de plano, caberia ter sido verificado junto à empresa, à luz de elementos probantes, mediante intimação informar se teriam realizado as retificações aventadas.Da forma como ficou não se tem notícias se providências foram tomadas e quais. Da atenta leitura do suprareferido documento, faço juízo de que não se vislumbra conluio e tampouco confissão literal de falta de registro na contabilidade. Ressaltese que contribuições previdenciárias não foram motivo do que ali se tratou. Na parte final da correspondência fica claro que se trata de uma resposta a uma proposta de auditoria que a autuada fizera para proceder eventuais correções praticadas: “ Vale ressaltar que aceito a proposta desse extra trabalho, para completálo necessariamente precisamos dos valores pagos através dos DAE's referente aos recolhimento do ICMS referente ao período de setembro 2004 a março/2006, para definir se há ou não diferença de ICMS À RECOLHER, bem como para possíveis REFITIFICAÇÃO de DIEF's referente ao mesmo período ” “Meu Prezado José Antônio, conforme combinamos já tenho em mãos extraído da documentação enviada à contabilidade o levantamento fiscal, detalhado tanto das entradas quanto de saídas, da Ativo Alimentos Ltda, filial de Água Azul do Norte, correspondente ao período de 3 setembro de 2004 a outubro de Fl. 676DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 60 2006 Neste levantamento em planilhas é possível visualizar com clareza a situação da empresa no que tange os seus encargos no aspecto tributário, tal como: ICMS à razão de 1,8%; bem como o ICMS 3%, sobre as entradas de gado em pé ao valor de pauta fiscal agregado com 30%, conforme estabelece a legislação Estadual para as empresas que não possui a extensão ou não gozam de beneficio fiscal, pelo uso do controle de abate, fílax. Pode ser visto também a real situação do FUNRURAL, PIS COFTNS, CSLL E IR. Esses quatro últimos claro, em caso do regime de tributação presumida. Outro fator que chama muito a atenção e está nessa planilha de levantamento é a disparidade existente comparando as quantias de entradas constantes em notas fiscais série 2, de bovinos CEOP 1101 e a quantidade de bovinos enviados para ser industrializado através das notas fiscais série 1 CFOP 5924, podemos estar na mira da Receita Estadual . Pois é um alvo fácil e estamos sujeito em caso de fiscalização por parte do Estado se ainda não haja nenhuma Fiscalização em Profundidade realizada pela SEFA. Vale ressaltar que aceito a proposta desse extra trabalho, para completálo necessariamente precisamos dos valores pagos através dos DAE's referente aos recolhimento do ICMS referente ao período de setembro 2004 a março/2006, para definir se há ou não diferença de ICMS À RECOLHER, bem como para possíveis REFITIFICAÇÃO de DIEF's referente ao mesmo período., lembrando que o período de abril/2006, em diante faz parte dos honorários devidamente pagos,conforme nosso contrato de trabalho verbal firmado com a Ativo Alimentos Ltda, filial Água Azul do Norte. Para o período em questão, ou seja, setembro/2004 a março/2006, correspondente 19(dezenove) meses à razão de l(um) salário mínimo/mês.” DA DISCRIMINAÇÃO CLARA E PRECISA DA INFRAÇÃO Na forma do comando do art. 293 do Decreto 3048 de 06 de maio de 1.999, “ constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada verbis: “Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. ( Redação dada pelo Decreto n 6.103, de 2007).” Também art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN impõe à autoridade administrativa cumprimento sob o mesmo diapasão, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 677DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 32 61 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” ( grifos de minha autoria) de tudo que foi exposto, cabe dar provimento ao Recurso do contribuinte Na hipótese desta Turma não anuir minhas conclusões , no que diz respeito às multas cabe observar o Princípio da Retroatividade Benígna. DA MULTA Verificase, conforme se extrai da folha de rosto do Auto de Infração, fl.1, que o dispositivo legal da multa aplicada teve fulcro na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5., acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso I I (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373, e que a gradação da multa se louvou no que dispunha o art. 292, inciso I, do RPS resultando no valor de R$181.991,82. Encerrada em 20/06/2010, nesta data, incluído pela redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, para as irregularidades do gênero em apreço, para o cálculo das multas vigia o comando do art. 32A : " Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; " Muito embora a clareza do comando legal, a Autoridade autuante , alegando ter feito comparação de multa mais benéfica , fazendo alusão à multa de ofício,espécie estranha ao lançamento em comento , sustentou o cálculo efetuado nos argumentos abaixo descritos: "MULTA MAIS BENÉFICA LEI 11.941/2009 A fiscalização fez a comparação da multa mais benéfica para o contribuinte, haja vista que a Lei 11941/2009 alterou a multa de ofício para as contribuições previdenciárias não declaradas e não recolhidas pela empresa . Para o período fiscalizado, a legislação prevê a lavratura do Auto de Infração Obrigação Acessória AIOA pela empresa apresentar o documento a que se refere o art. 32, inc. IV, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, além da lavratura do Auto de Infração Obrigação Principal AIOP por falta de recolhimento das contribuições previdenciárias Fl. 678DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 62 devidas com multa de ofício de até 24% (vinte e quatro por cento), ou seja, lavramse dois AI: obrigação acessória (não informar na GFIP todos os fatos geradores e contribuições devidas à previdência social) e obrigação principal (deixar de recolher contribuiçõesdevidas à previdência social). Com a edição da legislação citada, a não declaração e o não recolhimento de contribuições são passíveis de lavratura de AIOP, sem cumular com multa por obrigação acessória (AIOA), aplicandose multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre as contribuições previdenciárias, exceto outras entidades ou fundos. Resta saber, então, qual a multa mais benéfica incidente sobre as contribuições previdenciárias (sem considerara outras entidades ou fundos) para o contribuinte em cada uma das competências fiscalizadas: a atual ou a vigente na época da ocorrência do fato gerador, adotandose, mês a mês, o valor mais benéfico, tendo em vista o previsto no Código Tributário Nacional, Art. 106, inc. I I , c (retroatividade benigna). A confrontação citada consta na planilha anexa, sendo que a multa anterior corresponde a multa de ofício para cada competência fiscalizada (24% sobre as contribuições previdenciárias, exceto terceiros) e o Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, código de fundamentação legal 68 (sessenta e oito). A somatória corresponde ao total anterior (multa de ofício vigente na data da ocorrência do fato gerador e AIOA); sendo que a multa atual implementada pela lei corresponde à aplicação do percentual de 75% sobre o valor total das contribuições previdenciárias não declaradas e não recolhidas, sem cumular com qualquer AIOA. As multas mais benéficas serão as de menor valor, consideradas cada uma das competências fiscalizadas. Desse modo, para as competências em que a multa anterior é a mais favorável ao contribuinte, o AIOP cobra a multa de ofício de 24% e é lavrado este AIOA. De modo contrário, quando a multa atual foi mais benéfica, não se lavra AIOA" DA PENALIDADE MENOS SEVERA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, o cálculo da multa com base no artigo 32A da Lei n ° 8.212/91 para em seguida confrontar com o resultado obtido com base no derrogado art. 32 do mesmo diploma legal para determinação e prevalência da multa mais benéfica.: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 679DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000218/201057 Acórdão n.º 2403002.744 S2C4T3 Fl. 33 63 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” CONCLUSÃO Conheço do Recurso para EM PRELIMINAR DAR PROVIMENTO AO RECURSO DO SUJEITO SOLIDÁRIO no sentido de afastar o contribuinte Paulo Afonso Costa da sujeição passiva solidária em razão de o cumprimento de obrigação acessória ser da responsabilidade da pessoa jurídica.E, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL PARA A AUTUADA determinando o recálculo da multa conforme o art. 32A da lei 8.212/91,prevalecendo olor mais benéfico ao contribuinte. È como voto, Ivacir Julio de Souza Relator Fl. 680DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.015126/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para averiguar se fora realizada a intimação da decisão de primeira instância à Sra. Marisa de Fatima Cobbe Bonkoski ou para realização dessa intimação, com abertura de prazo para manifestação..
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da turma), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO..
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para averiguar se fora realizada a intimação da decisão de primeira instância à Sra. Marisa de Fatima Cobbe Bonkoski ou para realização dessa intimação, com abertura de prazo para manifestação.. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente da turma), MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EWAN TELES AGUIAR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 15 12 6/ 20 07 -2 1 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.015126/200721 Resolução nº 2101000.194 S2C1T1 Fl. 3 2 No caso, segundo disposto no Termo de Verificação Fiscal de fls. 433/439, consubstanciando o lançamento trazido no Auto de Infração de fls. 447/453, o Contribuinte acima em destaque teria omitido rendimentos tendo em vista a constatação de uma variação patrimonial a descoberto nos meses de janeiro e fevereiro de 2002. Importa destacar que, do lançamento fiscal foram intimados o Contribuinte/Autuado e sua exesposa, a Sra. Marisa de Fátima Cobbe Bonkoski, a título de responsável solidária na forma do art. 124 do Código Tributário Nacional, uma vez que era casada sob regime de comunhão parcial de bens com o mesmo no período fiscalizado. Deste modo, tanto o referido Contribuinte apresentou Impugnação (fls.475/607), quanto a Sra. Marisa de Fatima Cobbe Bonkoski (fls. 653/685), questionando a exigência tributária. Atentando aos argumentos de defesa, a 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Curitiba (PR), promoveu decisão através do Acórdão de nº 0617.977 (fls. 805/849), em que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de cancelamento do termo de sujeição passiva solidária, afastou as outras preliminares e, no mérito, considerou procedente o lançamento, mantendo as exigências de R$ 46.072,13 de imposto, R$34.554,09 de multa de oficio de 75% e os acréscimos legais Apenas em face de Petição de fls. 857/861 o feito foi encaminhado para o CARF, sendo distribuído para nossa Relatoria. Nesses termos, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Registro inicialmente que, mesmo diante das providências tomadas na Delegacia da Receita Federal em Curitiba – PR, o feito pende de saneamento, impedindo a sua devida apreciação. É que, apesar de ter sido intimada do lançamento fiscal como responsável solidária e ter apresentado Defesa em separado, inexistem nos autos comprovação de que a Sra.Marisa de Fatima Cobbe Bonkoski tenha sido devidamente intimada da decisão proferida na Corte de Origem, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972. Assim, até mesmo em atenção ao art. 5º, inc. LV da Constituição Federal, visando evitar futuras alegações de nulidade do procedimento fiscal por violação ao amplo direito de defesa, voto por converter o presente feito em diligência a ser realizada na instância de origem, no sentido de averiguar se houve intimação da Sra. Marisa de Fatima Cobbe Bonkoski, juntando aos autos a respectiva comprovação por documento hábil, ou então, em caso contrário, que seja efetivamente providenciada a imprescindível intimação. É como voto. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003470/2007-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/05/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) Negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo-se o reconhecimento da decadência até a competência 09/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) Dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a tributação incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2001 a 31/05/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) Negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo-se o reconhecimento da decadência até a competência 09/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) Dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a tributação incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO RETENÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 34 70 /2 00 7- 99 Fl. 2320DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) Negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendose o reconhecimento da decadência até a competência 09/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) Dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a tributação incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 2321DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11543.003470/200799 Acórdão n.º 2403002.982 S2C4T3 Fl. 1.224 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício, remetido ao CARF para reexame necessário em função da desoneração ter superado o montante definido na Portaria MF nº. 03 de 03.01.2008, contra Acórdão nº 1321.732 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II RJ II, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD nº. 37.097.4310. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contra Acórdão nº 1321.732 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II RJ II que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.097.4310. Segundo o Relatório Fiscal, o lançamento referese às contribuições destinadas à Seguridade Social, parte devida pela Empresa, no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV, referente ao período 03/2000 a 05/2007. O Relatório Fiscal aponta que a UNIMED VITÓRIA é uma Cooperativa de Trabalho Médico cujo objetivo fundamental é a congregação dos integrantes da profissão médica, proporcionandolhes condições para o exercício de suas atividades e aprimoramento dos serviços de assistência médica. Os serviços médicos são oferecidos aos usuários sob forma de Planos de Saúde , na qual o usuário contratando uma das modalidades de planos oferecidas passa a ter direito a assistência médico — hospitalar oferecida ou intermediada pela cooperativa: 4.1. As Cooperativas de Trabalho UNIMED's associadas à UNIMED BRASIL e CENTRAL NACIONAL UNIMED fazem parte de um Sistema de Cooperativismo. Dentre os objetivos desta associação , destacamos além da consolidação da marca UNIMED , a possibilidade que cada uma delas tem de oferecer à população um plano de saúde de abrangência nacional. 4.2. A UNIMED VITÓRIA também faz parte deste sistema de cooperativismo , assim, os usuários que contratarem junto a ela um plano de saúde de cobertura nacional, poderão ser atendidos em qualquer cidade onde exista outra Cooperativa UNIMED pertencente ao sistema. 0 Sistema de Cooperativismo UNIMED é formado por várias Cooperativas de Trabalho UNIMEDs distintas , cada uma com personalidade jurídica própria, com seus cooperados que prestam serviços entre si , de modo que cada uma delas emite Nota Fiscal / Fatura relativa aos serviços prestados por seus cooperados esta prestação de serviços entre cooperativas dáse o nome de " INTERCÂMBIO " . Aponta o Relatório Fiscal, às fls. 81, os fatos geradores: Fl. 2322DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 5.1. Os fatos geradores das contribuições lançadas ocorreram no mês da emissão das faturas de prestação de servços , referente aos serviços prestados pelos cooperados intermediados por cooperativas de trabalho. 5.2 A empresa não informou em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social , as bases de cálculo dos valores pagos a titulo de INTERCÂMBIO ENTRE UNIMEDs, originando , juntamente com fatos geradores constantes das NFLDs 37.097.4298 e 37.097.4301 , a lavratura do Auto de Infração n° 37.097.4280. A Recorrente teve ciência da NFLD em 03.10.2007, conforme Aviso de Recebimento AR registrado no sistema MF/RFB/CCADPRO às fls. 906. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD é de 03/2000 a 05/2007. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, em apertada síntese conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 5. Cientificada da autuação em 03/10/2007 (conforme fls. 905 e 933), a interessada apresentou impugnação ao lançamento às fls. 773/797, por intermédio de sua representante legal (cópia do mandato às fls. 798/799), em 05/11/2007, conforme atestado pelo despacho de fl. 902, acompanhada de cópias dos documentos de fls. 798/901, trazendo os argumentos a seguir sintetizados: 5.1. Sustenta que o crédito jamais poderia alcançar períodos anteriores a outubro de 2002, eis que atingidos pela "prescrição qüinqüenal", apontando excesso de exação no ato praticado. Que a questão já se encontra pacificada no âmbito do STJ, conforme decisão na Argüição de Inconstitucionalidade no Resp n° 616.348MG (2003/02290040). 5.2. Relata haver precedente recente idêntico em relação à Unimed Vale do Rio Doce Cooperativa de Trabalho Médico, que, em razão de se encontrar sob ação fiscal e da possibilidade de levantamento de suposta exigência sobre os valores decorrentes de intercâmbio entre as cooperativas integrantes do sistema Unimed (com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.87f/99), ajuizou ação ordinária com pedido de antecipação de tutela, pretendendo impedir autuação iminente, nos autos do processo n° 2007.50.05.0005226, onde obteve liminar favorável, no sentido de que o INSS "não proceda à autuação fiscal da requerente, quanto às contribuições sociais em razão de atos cooperados, até o julgamento final da presente lide" (fls. 805/807). 5.3. Argumenta que, como outras cooperativas integrantes do Sistema Nacional Unimed, já havia sofrido autuação em 09/2003, por meio da NFLD Debcad n° 35.491.5584, sob a alegação de ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas no período de 03/2000 a 09/2003. Afirma que enquanto a referida autuação encontrase no Segundo Conselho de Contribuintes, aguardando julgamento Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11543.003470/200799 Acórdão n.º 2403002.982 S2C4T3 Fl. 1.225 5 final, a fiscalização torna a exigir' da empresa não só as contribuições sociais incidentes sobre os pagamentos feitos a cooperativas de trabalho não associadas, mas também sobre a "câmara de compensação de intercâmbio" entre as cooperativas associadas ao Sistema Nacional Unimed, fato que, além de fundamentarse em lei flagrantemente inconstitucional, viola o sistema infraconstitucional ao ignorar o ato cooperativo puro praticado entre as cooperativas associadas. 5.4. Defende que o art. 22, IV, da Lei de Custeio padece de inconstitucionalidade, ao instituir uma nova base de cálculo para a contribuição social não expressa no art. 195, inciso I, "a" da Constituição Federal de 1998, que estabeleceu como base tributável dessa contribuição social a folha de salários ou rendimentos pagos à pessoa fisica. Desse modo, resta evidente a impossibilidade de incidência de contribuição social sobre serviços prestados por pessoas jurídicas, mormente as cooperativas, de acordo com a fundamentação da ADI 2594DF, que contém parecer favorável emitido pelo ProcuradorGeral da República. 5.5. Nesse contexto, alega que, não obstante a possibilidade de instituição de novas fontes de custeio para a seguridade social, a contribuição do art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 só poderia ser criada mediante a competência residual do §4 0 do artigo 195, que exige lei complementar e observância à nãocumulatividade, o que viola a Constituição Federal. 5.6. Assevera que a criação de tributos exclusivos que só alcançam as cooperativas vulnera o princípio da isonomia, onerandoas de modo a dificultar as contratações, além de não traduzir o tratamento tributário adequado a que as cooperativas devem ser submetidas, como determina o art. 146, III, "c" da CRFB/88, que exige lei complementar para tal. 5.7. Nessa linha sustenta que a própria Constituição Federal determina tratamento tributário diferenciado mais benéfico aos atos cooperativos puros, que não podem ser tributáveis, uma vez que não se equiparam a atos empresariais. Colaciona ementa de julgado dó STJ. Complementa mencionando que em casos semelhantes, de recursos extraordinários, em que se discute a inconstitucionalidade do art. 22, IV, da Lei 8.212/91, o STF tem concedido as medidas cautelares requeridas, atribuindo efeito suspensivo até o julgamento final dos recursos. 5.8. Alega ainda que "a 2' CAJ Segunda Câmara de Julgamento da Previdência Social confirmou tal entendimento no julgamento de recurso interposto pela Unimed Joinville Cooperativa de Trabalho Médico, pacificando, também na esfera administrativa o posicionamento sobre a matéria" (fls. 820/825). 5.9. Afirma estar amparada por resposta de consulta formulada pela Central Nacional Unimed — Cooperativa Central acerca da interpretação dos dispositivos da Lei 8.212/91 com as alterações promovidas pela Lei 9.876/99 junto ao INSS, em que a Autarquia Previdenciária entendeu como correto o procedimento adotado Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 pela Unimed Origem em não recolher a contribuição em relação aos serviços médicos prestados pelos cooperados da Unimed Destino (o que representa a operação denominada "intercâmbio entre cooperativas"), sob pena de dupla incidência da mesma contribuição social sobre os mesmos serviços, de acordo com documentos de fls. 826/835, motivo que impediria a autuação da impugnante. Transcreve trechos de julgados dos TRF da 2 8 e 3' Região, sustentando que a jurisprudência lhe é favorável nesse sentido. 5.10. Por fim, informa que não só as cooperativas integrantes do sistema Unimed do estado do Espírito Santo, mas todas as cooperativas do país filiadas ao Sistema Nacional Unimed submetemse às regras do Manual de Intercâmbio aprovadas pela Norma Derivada n° 06 (fls. 836/892), em consonância com o disposto no art. 6° da Lei 5.764/71. Houve solicitação de Diligência Fiscal, conforme o relatório da decisão de primeira instância, às fls. 949: Por meio do despacho de fls. 903/905, de 15/01/2008, foram os autos encaminhados ao AFRFB Notificante, em Diligência Fiscal, para que pronunciamento acerca das circunstâncias que o levaram a enquadrar os levantamentos relativos ao intercâmbio entre as UNIMED no percentual reduzido de. 30%, para apuração da base de cálculo das contribuições lançadas e aferidas indiretamente, assim como, para que fosse emitido Relatório Fiscal Complementar, a fim de informar ao sujeito passivo dos fatos que ensejaram o arbitramento, os procedimentos para apuração da base de cálculo, e a fundamentação legal utilizada. Em resposta, a Autoridade Lançadora elaborou o Relatório Fiscal Complementar de fls. 911/915, contemplando as informações necessárias. Após ser cientificado do Relatório Fiscal Complementar, o contribuinte apresentou nova Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 950: 7. Após ter sido cientificada do Relatório Fiscal Complementar de fls.911/915, em 26/05/2008, por meio de comunicado de fl. 918, conforme AR de fl. 919, a notificada apresentou nova impugnação, em 05/06/2008, às fls. 920/926, reiterando os argumentos da impugnação, além das seguintes alegações: 7.1. Expõe que em atendimento à diligência solicitada, o agente fiscal manifestouse no sentido de que todos os arquivos analisados foram disponibilizados por meio magnético, entretanto, o que o Auditor Fiscal deixou de informar e que a Notificada não dispõe de arquivos em meio magnético das cooperativas contratadas, razão pela qual este tipo de arquivo Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11543.003470/200799 Acórdão n.º 2403002.982 S2C4T3 Fl. 1.226 7 não foi apresentado à fiscalização, não tendo, pois, ocorrido qualquer recusa em apresentálos, mas efetiva impossibilidade em disponibilizar o que não possuía. 7.2. Efetivamente, não houve qualquer recusa na apresentação dos documentos ou detalhes relacionados à operação de "Intercâmbio", mas ao contrário, durante todo o procedimento fiscal, a impugnante disponibilizou seu arquivo físico, único que possui. No entanto, em razão da grande quantidade de documentos e faturas a serem, a fiscalização não só preferiu arbitrar a base de cálculo das contribuições, como também deixou de observar as regras específicas e vigentes sobre a matéria. 7.3. Sustenta haver flagrante bitributação no presente lançamento, por se trata de uma sistemática (Intercâmbio) em que uma cooperativa reembolsa a outra que já pagou aos seus médicos cooperados e à rede credenciada, de modo que se há tributação, esta já ocorreu na • origem, ou seja, na cooperativa associada que atendeu o paciente vinculado à cooperativa associada. 7.4. Esclarece ainda que jamais cometeu o crime de sonegação fiscal, como lhe fora imputado, não havendo omissão proposital, com intenção de sonegar tributos, no que se refere à apresentação e preenchimento da GFIP. 7.5. Por derradeiro, requer, outrossim, a insubsistência e improcedência, por inconstitucionalidade, do lançamento, o qual deve ser cancelado, julgado extinto e arquivado. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 1321.732 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II RJ II, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/05/2007 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário deve seguir as regras previstas no Código Tributário Nacional, em face da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF n° 08. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. Nos termos do art. 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99, há incidência de contribuição previdenciária, a cargo da empresa ou equiparada, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativa a serviços que Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 lhe sejam prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. BASEDECÁLCULO. ARBITRAMENTO. É lícito o lançamento por arbitramento, e a apuração por aferição indireta do saláriodecontribuição, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. EXAME DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo. . COMUNICAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO. RFFP. O não recolhimento, em época própria, de contribuições descontadas de segurados configura, em tese, crime contra a Seguridade Social, devendo tal fato ser objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os membros da 6' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II (RJ), por unanimidade de votos, julgar PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento, nos termos do relatório e voto e anexo DADR que passam a integrar este decisum. RECORRESE DE OFÍCIO ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, com alterações. introduzidas pela Lei n° 10.522/02 combinado com o artigo 366, parágrafo 2% do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com a redação dada pelo Decreto n 6.032/2007 combinados com o art. 29, da Lei 11.457/07, e de acordo com o art. 1° da Portaria MF n° 03/2008, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado (tributo e encargos de multa) excede a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). À Delegacia da Receita Federal do Brasil competente, para cientificar o contribuinte deste Acórdão, fornecendolhe cópia acompanhada do Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR, facultandolhe interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, conforme o artigo 126 da Lei n.' 8.213, de 24/07/1991, e alterações posteriores, combinado com o parágrafo 1° do artigo 305 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11543.003470/200799 Acórdão n.º 2403002.982 S2C4T3 Fl. 1.227 9 Decreto n.° 4.729, de 09/06/2003, com o art. 33 do Decreto 70235/72 e com o artigo 21 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, 'aprovado pela Portaria MF n.° 147, de 25/06/2007. Independente de interposição de recurso voluntário, os autos deverão ser remetidos ao 2° Conselho de Contribuintes para apreciação do recurso de ofício. A decisão de primeira instância, às fls. 953, reconheceu a decadência até a competência 09/2002, inclusive, com base no art. 150, §4° do CTN: 19. Destarte, com base no acima exposto, necessário determinar o dies a quo para contagem do prazo de decadência. No caso em análise, como o presente lançamento se refere às competências de 03/2000 a 05/2007 e o crédito foi constituído em 03/10/2007, data da ciência do lançamento, o período de 03/2000 a 09/2002 encontrase fulminado pela decadência, nos termos do artigo 150, §4° e art. 156, V, do CTN, vez que só poderiam ser lançadas as diferenças de contribuições posteriores a 09/2002 (10/2002 em diante), devendo ser mantido somente o crédito exigível na presente NFLD relativo ao período de 10/2002 a 05/2007. 20. Por via de conseqüência, resta prejudicada a apreciação de outros argumentos relativos a estas competências atingidas pela decadência. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) Da nulidade da Notificação e afronta às prerrogativas do advogado. (ii) Da decadência concordância com a decisão de primeira instância (iii) Precedentes para não tributação (iv) Impossibilidade de incidência de contribuições sociais sobre serviços prestados por Cooperativas e violação expressa ao art. 195, I, alínea "a" da CRFB/1988 Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 (v) Inconstitucionalidade do art. 22, IV, Lei 8.212/1991. (vi) Da não incidência tributária sobre atos cooperativos. (vii) Contribuição social incidente sobre o intercâmbio entre Cooperativas associadas não é devida. (ix) Da associação entre as Cooperativas do sistema UNIMED Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11543.003470/200799 Acórdão n.º 2403002.982 S2C4T3 Fl. 1.228 11 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. O Recurso de Ofício foi remetido ao CARF para reexame necessário em função da desoneração ter superado o montante definido na Portaria MF nº. 03 de 03.01.2008. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da decadência A decisão de primeira instância, às fls. 953, reconheceu a decadência até a competência 09/2002, inclusive, com base no art. 150, §4° do CTN Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11543.003470/200799 Acórdão n.º 2403002.982 S2C4T3 Fl. 1.229 13 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, no Relatório de Documentos Apresentados RDA, às fls. 37 a 53, a Fiscalização relaciona diversas GPS pertinentes ao período objeto, onde se constata a presença de recolhimentos feitos pelo sujeito passivo de 10/2002 a 05/2007. Portanto, estes recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS entre as competências 10/2002 a 05/2007, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. A Recorrente teve ciência da NFLD em 03.10.2007, conforme Aviso de Recebimento AR registrado no sistema MF/RFB/CCADPRO às fls. 906. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD é de 03/2000 a 05/2007. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 09/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 (iv) Impossibilidade de incidência de contribuições sociais sobre serviços prestados por Cooperativas e violação expressa ao art. 195, I, alínea "a" da CRFB/1988 (v) Inconstitucionalidade do art. 22, IV, Lei 8.212/1991. Analisemos os itens (iv) e (v). Segundo o Relatório Fiscal, o lançamento referese às contribuições destinadas à Seguridade Social, parte devida pela Empresa, no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV, referente ao período 03/2000 a 05/2007. Quanto às cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, em sede de Recurso Extraordinário RE 595.838/SP com Repercussão Geral, art. 543B, CPC, impetrado por Etel Estudos Técnicos Ltda., em face da União, cuja inconstitucionalidade fora declarada pela unanimidade de votos, conforme se percebe de seu trecho abaixo, verbis: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Observase que esta decisão foi publicada na Ata nº 10, de 23/04/2014. DJE nº 85, divulgado em 06/05/2014. Em consulta ao sítio do Supremo Tribunal Federal em 11.02.2015 (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2651722) temse a movimentação processual indicando a rejeição por unanimidade dos Embargos de Declaração: Em 08/01/2015 Conclusos ao(à) Relator(a) Em 08/01/2015Juntada a petição nº58621/2014.58621/2014 Em 19/12/2014 Juntada da certidão de julgamento referente à sessão Plenária de 18/12/2014. Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11543.003470/200799 Acórdão n.º 2403002.982 S2C4T3 Fl. 1.230 15 Em 18/12/2014Embargos rejeitados TRIBUNAL PLENO Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.12.2014. Ainda assim, segue trecho do voto do Ministro Relator (http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/RE595838.pdf), cuja redação a seguir: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Enquanto que o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, dispõe que ass decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à tributação no percentual de 15%, incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto na Lei 8.212/91, artigo 22, inciso IV. Demais argumentos. Em função do decidido nos tópicos acima (iv) e (v), pelo provimento total ao recurso, por falta de objeto, não iremos apreciar os demais argumentos do recurso Voluntário. Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11543.003470/200799 Acórdão n.º 2403002.982 S2C4T3 Fl. 1.231 17 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER dos Recursos de Ofício e Voluntário para: (i) Negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendose o reconhecimento da decadência até a competência 09/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) Dar provimento ao Recurso Voluntário para afastar a tributação incidente sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 31/03/2015 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13839.909811/2012-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO.
Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1801-002.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 121 1 120 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.909811/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.298 – 1ª Turma Especial Sessão de 04 de março de 2015 Matéria IPI Compensação Recorrente NOVA INJEÇÃO SOB PRESSÃO E COMÉRCIO DE PEÇAS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 98 11 /2 01 2- 17 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Tratase de recurso voluntário interposto por Nova Injeção Sob Pressão e Comércio de Peças Industriais Ltda contra o acórdão de nº 1144049, prolatado pela 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, que manteve integralmente o despacho decisório objeto de discussão nestes autos. Neste processo, discutese a não homologação da PER/DCOMP de nº 33652.35530.121112.1.3.043835 (fls. 2529), transmitida pela Recorrente e por meio da qual se pretendia compensar crédito de IRPJ com débito de IPI. A Receita Federal, através do despacho decisório de fl. 88, deixou de homologar a compensação, alegando que o valor recolhido através do DARF (R$56.409,68) havia sido integralmente consumido para quitação do débito de IRPJ apurado em 30/12/2007, declarado na DCTF da Recorrente. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 0312), a Recorrente alegou nulidade do despacho decisório, que a seu ver teria cerceado o seu direito de defesa ao não fundamentar a contento a não homologação da compensação. Ao conhecer das razões da Recorrente, a 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, através do acórdão ora recorrido (fls. 9296), manteve o despacho decisório, nos seguintes termos: “O texto constante do Despacho Decisório em lide, é claro ao expor que a não homologação da compensação se deu em razão do fato de que o DARF indicado como origem do crédito estar totalmente vinculado a débito declarado como devido em DCTF. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, 016, de 14 de fevereiro de 2000, e posteriores), a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados”. (fl. 9394) Sustentou ainda a DRJ que a Receita Federal não poderia ter reconhecido crédito algum em favor da contribuinte, já que, ao tempo do despacho decisório, o pagamento que supostamente geraria o crédito estava integralmente alocado ao pagamento de débito regularmente declarado pela empresa. Irresignada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário ora analisado (fls. 101107), sustentando que o ato administrativo que analisa a compensação tem natureza vinculada e, por isso, deveria ter indicado os pressupostos de fato e de direito que justificaram a não homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente sustenta que a Receita Federal, ao deixar de homologar a compensação pretendida, não fundamentou a contento sua decisão, deixando de expor os fundamentos de fato e de direito que justificariam a não homologação. É ver as palavras da Recorrente: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 13839.909811/201217 Acórdão n.º 1801002.298 S1TE01 Fl. 122 3 “08. Muito bem, ao indeferir o pedido ao direito de compensação da recorrente, é necessário que aponte os pressupostos do ato administrativo, pois estamos diante de um ato vinculado. 09. A indicação dos pressupostos de fato e dos pressupostos de direito, a compatibilidade entre ambos e a correção da medida encetada compõem obrigatiedades decorrentes do princípio da legalidade. 10. O detalhamento, ou justificativa, será maior ou menor conforme o ato seja vinculado ou discricionário. A motivação mostra se imprescindível para a efetivação de eficaz controle sobre a atuação administrativa. (...) 12. Dessa forma, estamos diante de um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos por lei, isto é, não houvera a fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente noticia por meio da margem da discricionariedade que foram localizados um ou mais pagamentos.” (fl. 67) Com a devida vênia ao entendimento da contribuinte, o seu recurso parte da premissa equivocada de que o despacho decisório não teria sido fundamentado suficientemente. No entanto, pela mera leitura da decisão (que está acostada nestes autos à fl. 88) é possível depreender claramente as razões que levaram a Receita Federal a negar a homologação pretendida pela empresa: o DARF que supostamente geraria o crédito já estava integralmente alocado para pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. É ver a redação do despacho, que é clara nesse sentido: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP.” Ou seja, a despeito do que sustenta o recurso voluntário ora analisado, a Receita Federal, ao analisar a declaração de compensação da empresa, foi clara em apontar o pressuposto de fato da não homologação: inexistência de recolhimento a maior, pois o recolhimento no valor de R$56.409,68 foi integralmente consumido pelo débito de IRPJ declarado pela própria contribuinte. E como se sabe, o art. 165, I, do CTN apenas autoriza a restituição de tributos pagos quando eles forem indevidos ou tiverem sido pagos a maior. Portanto, apenas nessas duas hipóteses podese falar em créditos passíveis de compensação. E, no presente caso, a Recorrente sequer invocou qualquer dessas hipóteses em seu favor. A partir do momento em que o despacho decisório consignou nestes autos que não havia crédito em nome da Recorrente a ser compensado, competia a esta instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que comprovassem que o DARF gerador do crédito foi pago indevidamente ou a maior. Afinal, o ônus de comprovar a existência do crédito é do contribuinte. Como isso não foi feito nestes autos, a conclusão a que se chega é que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a presença de uma das hipóteses Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 autorizadoras da restituição/compensação de tributos (art. 165, I, do CTN). E sem essa comprovação, impossível é a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos. Por estas razões, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho incólume a decisão ora recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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