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Numero do processo: 10283.001425/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício:2008
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
Numero da decisão: 1402-000.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Fl. 58DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 53 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 54 3 Relatório SC Transporte e Construções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 13) expedida para aplicação de multa pelo atraso na entrega do Dacon referente a abril de 2008, no valor de R$ 14.698,80, com redução para R$ 7.349,40 em virtude da entrega espontânea. Inexistindo no processo comprovante da ciência da Notificação, considerase tempestiva a impugnação de fls. 01/12, na qual a empresa traz, em síntese, os seguintes argumentos: a) Inexistem motivos para a aplicação da multa e da multa de mora, uma vez que a denúncia espontânea é o reconhecimento do erro, cabendo apenas o recolhimento do valor devido com juros; b) Reclama da falta de oportunidade do contribuinte valerse do contraditório e da ampla defesa, sugerindo a utilização de um "processo administrativo sancionador", citando como exemplo o que ocorreria na Espanha; c) Aponta ilegalidade na multa fixada, por caracterizar confisco, além de ferir uma série de outros princípios constitucionais; d) Defende que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 19.322 (fls. 2426) de 28/09/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DACON. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa pelo atraso na entrega do Dacon objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de descumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo Fl. 60DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 55 4 alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/01/2011 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/02/2011 (fls. 3040) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade De início, no que tange às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade apresentadas, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que não cabe a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) apreciar questões de ordem constitucional ou de legalidade de leis vigentes em nosso ordenamento jurídico. Tal entendimento é, inclusive, objeto da súmula nº 2 deste Conselho, publicada no DOU de 22/12/2009, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Deixase, pois, de se pronunciar quanto ao argumento trazido nesse ponto. Da denúncia espontânea Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que o pressuposto lógico da denúncia espontânea é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não ocorre na entrega intempestiva do Dacon, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a seu entrega. Ademais, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está explicitamente prevista no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, pelo que não há que se questionar a sua validade. Por fim, ressaltese ser essa, tal qual a anterior, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Descabido, pois, o recurso quanto a esse tópico. Do direito ao contraditório e à ampla defesa Por bem representar o entendimento sobre esse ponto, peço vênia para transcrever a decisão de primeira instância, no que atine ao direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente. “Cabe esclarecer que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação tempestiva , conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 61DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 56 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo, quanto no judicial. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase de atuação exclusiva as autoridade tributária, na qual os agentes da Administração Tributária. Imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias e obtém elementos que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Assim, a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária. Nesta fase, de caráter inquisitorial, o contribuinte tem uma participação de natureza passiva. Devendo cooperar e atender à fiscalização quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Logo, antes da impugnação. não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de oficio, pelo Fisco. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. A partir da lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, na hipótese de discordar da exigência, é que o contribuinte, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando sua impugnação. o que, in casu, assim procedeu o litigante ao impugnar com os documentos de fls. 1/12.” Mérito Conforme já mencionado, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconómicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 62DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 57 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação ,d a lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I RS 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifouse) Ex positis, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) foi entregue após o prazo previsto pela legislação tributária, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001425/201041 Acórdão n.º 140200.637 S1C4T2 Fl. 58 7 Fl. 64DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16349.000265/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral a patrona Anali Caroline Castro Sanches Menna Barreto, OAB/SP 273.768, escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral a patrona Anali Caroline Castro Sanches Menna Barreto, OAB/SP 273.768, escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 599 1 598 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000265/200953 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.157 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2018 Assunto PERDCOMPS PIS/COFINS Recorrente WHIRLPOOL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral a patrona Anali Caroline Castro Sanches Menna Barreto, OAB/SP 273.768, escritório Cescon, Barrieu, Flesch & Barreto Advogados. Relatório Tratase de Pedidos de Ressarcimento de Cofins, vinculada a exportação, relativa ao 1º trimestre de 2006, com fundamento no artigo 6º da Lei 10.833/2003, cumulada com Declarações de Compensação. O Despacho Decisório decidiu por não homologar as compensações, em vista da glosa dos créditos, conforme os seguintes motivos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 26 5/ 20 09 -5 3 Fl. 599DF CARF MF Processo nº 16349.000265/200953 Resolução nº 3201001.157 S3C2T1 Fl. 600 2 equívocos no rateio de créditos vinculados à exportação; glosa sobre aquisições de ferramentas, paletes, carretéis, materiais de limpeza, vestuário e embalagens destinadas à movimentação de material reciclável; glosa de valores das notas fiscais 231.795, por crédito apurado em duplicidade, e 1.473, que se trata de retorno de mercadoria remetida para industrialização; glosa de despesas de frete: de transporte de container vazio; devolução de caixas de coleta de recicláveis “Top Verde”; envio de amostras; reposição em garantia; outras devoluções; glosa de valores relativos à tomada de crédito sobre encargos de depreciação sobre móveis, utensílios e equipamentos de informática, os quais, segundo o Fisco, não estavam relacionados à produção; Como resultado das glosas, a homologação foi homologada parcialmente. Cientificada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando: que o Despacho Decisório seria nulo, porque não fundamentou a glosa relativa a ferramentas, carretéis e pallets e caixas top verde; que houve equívoco no apuração do rateio entre receita tributadas no mercado interno, receita não tributadas no mercado interno e receitas exportadas; que a data de embarque não pode ser considerada para fins de apuração da receita exportada, mas sim a data da nota fiscal, em vista do conceito de faturamento como base de cálculo das contribuições; legitimidade dos créditos tomados em relação a ferramentas, carretéis e pallets; a regra de não cumulatividade de Pis e Cofins, segundo princípios constitucionais, seria muito mais ampla que a adotada pelo Fisco; a nota fiscal 1.473 existe e apenas conteria erro no CFOP; quanto à glosa de frete de caixas “Top Verde” seria indevida, porque são embalagens utilizadas para recolher mercadorias para reciclagem, se tratando, desse modo, em gasto necessário para aquisição de insumos; o mesmo para a movimentação de conteineres vazios; e que os fretes na remessa de peças para substituição em garantia estarima no mesmo conceito de frete na venda, cf. inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003; Fl. 600DF CARF MF Processo nº 16349.000265/200953 Resolução nº 3201001.157 S3C2T1 Fl. 601 3 A impugnante expressamente deixa de recorrer quanto às glosas relativas a material de limpeza, de segurança, à notas fiscal aproveitada em duplicidade, e depreciação de bens do ativo imobilizado. A DRJ/Porto Alegre/RS – 2ª Turma decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo integralmente o teor do Despacho Decisório. Transcrevo a ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Deve ser afastada a preliminar de nulidade por ausência de fundamentação ou motivação, quando o Despacho Decisório indica todos os pressupostos de fato e de direito que embasaram a sua decisão, inclusive com planilhas e demonstrativos como suporte. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA, E NÃO O LUCRO. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. EXPORTAÇÃO. MOMENTO DO RECONHECIMENTO DA RECEITA. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Somente os dispêndios com fretes vinculados à venda de produtos, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica. A empresa então interpôs o Recurso Voluntário, reforçando os argumento da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto O processo ainda não está maduro para julgamento. Os créditos de Pis e Cofins, relativos a insumos e outros dispêndios vinculados a vendas tributadas no mercado interno podem ser objeto de compensação com os respectivos débitos, inclusive de meses subsequentes, em vista do art. 3º, caput, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e §4º1. No caso de créditos de Pis e Cofins, relativos a insumos e outros dispêndios vinculados a exportação, eventual saldo credor pode ser objeto de pedido de compensação com outros débitos, e inclusive ressarcidos, nos termos do artigo 5º das mesmas 1 § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 16349.000265/200953 Resolução nº 3201001.157 S3C2T1 Fl. 602 4 Leis. 2 Para esse fim, calculase o rateio proporcional entre receita de exportação e receita bruta. Não há acusação, por parte do Fisco, de exportações fictícias. Não obstante, constatase que as exportações mensais consideradas pelo Fisco são sistematicamente menores que as exportações informadas em Dacon. O total trimestral difere em dezenas de mihões de reais. A mera diferença de metodologia de apuração, pela data de embarque, não ensejaria essa diferença, em valores agregados. Aparentemente, as notas fiscais de saída para exportação, cujo embarque tenha ocorrido no mês seguinte, não foram computadas nas receitas de exportação em nenhum mês. Mas não há, nos autos, elementos suficientes para dirimir a dúvida. Desse modo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Receita Federal providencie os seguintes esclarecimentos: qual a composição das receitas exportadas em cada mês consideradas no Despacho Decisório ? Todos os embarques de exportação em cada mês foram considerados, ou somente os embarques relativos a notas fiscais do próprio mês ? caso todas as notas fiscais de exportação, tanto do próprio mês, quanto de meses anteriores, tiverem sido consideradas no cálculo do valor exportado de cada mês, qual a origem da diferença substancial dos valores agregados de exportação ? Após relatório conclusivo, com as considerações que entender pertinentes, a Delegacia da Receita Federal deve providenciar a cientificação da recorrente para manifestar se, se desejar, no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, e devolver o processo a este Carf. Marcelo Giovani Vieira, Relator. 2 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 602DF CARF MF
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Numero do processo: 16151.000205/2006-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA.
Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços vedados.
Numero da decisão: 9101-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços vedados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços vedados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 02 05 /2 00 6- 03 Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 9101003.391 CSRFT1 Fl. 304 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN contra o acórdão nº 1103 001.019, da 3ª Turma Ordinária da 1º Câmara, assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, reunir os elementos de prova da ocorrência da infração à legislação tributária.” De acordo com o voto condutor do aresto recorrido, “a Fiscalização não reuniu os elementos necessários para descaracterizar a opção da recorrida, o que lhe caberia fazer.” Ciência da decisão recorrida no dia 17/12/2014, à efl. 228. Recurso Especial da PGFN interposto no dia 17/12/2014. Nessa oportunidade, apresenta o acórdão ofertado como paradigma nº 30132532, segundo o qual “a pessoa jurídica que se dedica à atividade de produção cinematográfica ou videofonográfica está impedida de optar pelo Simples, por se enquadrar na vedação de prestação de serviços de produção de espetáculos ou assemelhados.” Segundo a recorrente, as atividades de prestação de serviços de produção de vídeos e filmes, previstas no contrato social da recorrida, são incompatíveis com o regime do Simples da Lei nº 9.317/1996, como afirma o acórdão ofertado como paradigma, contrariamente ao que restou decidido no acórdão ora contestado. Isso porque a decisão hostilizada considerou que as atividades realizadas pela recorrida independem de habilitação profissional legalmente exigida e não se assemelham à de produtor de espetáculos, ao passo que o acórdão trazido ao confronto interpretativo descreve que “a existência de semelhança com a produção de espetáculos não guarda dependência com o nível da produção ou com seu grau de grandeza, sendo irrelevante, assim, que a produção envolva custos expressivos aspecto em relação ao qual a lei não se deteve , bastando que ocorra a produção de filmes ou de vídeos.” No mérito, a recorrente manifesta que, ao fazer alusão ao termo “assemelhados”, o inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1998 “deixa bastante evidente que lista ali contida não é exaustiva, sendo alcançada pela vedação toda prestação de serviços que tenha similaridade ou semelhança com as atividades arroladas em tal inciso. Noutro giro, salienta que o critério relevante para determinar a validade da opção pelo Simples é a natureza da atividade desempenhada pela pessoa jurídica, e não a habilitação profissional dos sócios. No caso em julgamento, o contrato social da pessoa jurídica, juntado aos autos, comprova que esta realiza, entre outros, serviços auxiliares à produção de cine e vídeo, que são assemelhados à prestação de espetáculos. Nessa linha, adverte que a recorrida não trouxe aos autos documentos aptos a comprovar que não desenvolveu atividades vedadas para fins de ingresso no regime simplificado, nos termos do artigo 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972, a patentear que não assumira o ônus de provar suas alegações, no momento processual oportuno. A recorrente também destaca que não se deve definir a possibilidade de opção pelo Simples com base apenas em circunstâncias, pois tal critério implicaria exigir do Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 9101003.391 CSRFT1 Fl. 305 3 Fisco uma vigilância contínua para averiguar se eventualmente o contribuinte não estaria desenvolvendo atividades vedadas. Ao final, requer seja o presente Recurso Especial conhecido e, no mérito, provido, reformandose a decisão ora atacada, restabelecendose a decisão de primeira instância. Ciência da recorrida no dia 25/05/2016, à efl. 267. Contrarrazões apresentadas em 13/06/2016. Nessa oportunidade, aduz o seguinte: a) a vedação do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996 só pode ser aplicada a profissionais autônomos e não a pessoas jurídicas; b) o acórdão apontado como paradigma não pode ser empregado como fundamento da reforma; c) o texto legal traz a expressão “espetáculos”, o que sinaliza na direção de atividades que geram maior repercussão e complexidade no cenário artístico (e não comercial); d) o termo “assemelhados” não pode ser considerado para fins de interpretação da restrição legal, pois não se pode considerar válida a norma que imponha penalidade de modo tão aberto. Ao término, suplica a denegação ao provimento do Recurso Especial da PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Consta no Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 485.886, 7 de agosto de 2003, que a recorrida foi excluída do Simples, a partir de 01/01/2002, em razão da exploração da atividade de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos (código de atividade econômica: 92118/02). Tal ato menciona que a irregularidade data de 27/08/1986. Na apreciação da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples, à efl.03, a autoridade fiscal estribouse no argumento de que os documentos que instruíram o pedido “são insuficientes para demonstrar que a CNAE informada no Cadastro não correspondia à atividade Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 9101003.391 CSRFT1 Fl. 306 4 mencionada nos estatutos sociais”. Registrese que até aqui não se vê qualquer alusão à suposta semelhança com a atividade de produtor de espetáculos. Uma vez indeferido o pedido de revisão formulado pela recorrida na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, coubelhe apresentar manifestação de inconformidade à DRJ/São Paulo I, que também negoulhe o pleito, dessa feita escorandose na justificativa de que a impugnante se dedicava à produção cinematográfica, a teor das provas acostadas às fls. 107, 116 e 102/129, motivo por que se mostrava correto considerar tal atividade assemelhada à de diretor ou produtor de espetáculos. Para corroborar o entendimento então esposado, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu à descrição das atividades dos Diretores de Espetáculos e Afins e dos Produtores de Espetáculos, constantes da Classificação Brasileira de Ocupações, elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos seguintes termos: "Diretores de Espetáculos e Afins Os diretores de cinema, teatro, televisão e rádio dirigem, criando, coordenando, supervisionando e avaliando aspectos artísticos, técnicos e financeiros referentes a realização de filmes, peças de teatro, espetáculos de dança, ópera e musicais, programas de televisão e rádio, vídeos, multimídia e peças publicitárias. Produtores de Espetáculos Planejam, coordenam e geram recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros para assegurar a realização de espetáculos.” De início, consignese que a Lei nº 9.317/1996 não estava em vigor na data da irregularidade apontada (27/08/1986). Na ocasião, vigia o Estatuto da Microempresa instituído pela Lei nº 7.256/1984, que não impedia a adesão às produtoras de filmes e fitas de vídeo. É preciso considerar, ainda, que a atividade de produção de espetáculos implica organização complexa, no âmbito da qual é necessária a atuação de outros profissionais voltados à execução de diversas tarefas que contribuem para a realização do fim almejado, que é o espetáculo. Para tal resultado, a produção frequentemente compreende o aluguel de espaços físicos e equipamentos, ou mesmo a aquisição de apetrechos e instrumentos. As notas fiscais reunidas nos autos traduzem a realização da atividade de produção de vídeos voltados à veiculação interna e de cunho institucional, contratados por instituições financeiras, restaurante corporativo, indústrias químicas, editoras, institutos assistenciais e o Metrô de São Paulo. Segundo Classificação Brasileira de Ocupações, aprovada pela Portaria MTE nº 397, de 9 de outubro de 2002, os produtores artísticos e culturais “implementam projetos de produção de espetáculos artísticos e culturais (teatro, dança, ópera, exposições e outros), audiovisuais (cinema, vídeo, televisão, rádio e produção musical) e multimídia. Para tanto, criam propostas, realizam a préprodução e a finalização dos projetos, gerindo os recursos financeiros disponíveis.”1 Diante das provas produzidas nos autos, é impossível sustentar a realização da atividade de diretor ou produtor de espetáculos, pois não há a menor evidência da contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Reparese que a autoridade fiscal, 1 vide: <http://www.ocupacoes.com.br/cbomte/2621produtoresartisticoseculturais>. Acesso em 10/01/2018 Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16151.000205/200603 Acórdão n.º 9101003.391 CSRFT1 Fl. 307 5 ao editar o Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 485.886/2003 não proclamou que a atividade exercida pela recorrida se assemelhava à de produtor ou diretor de espetáculos. Nesse ato, simplesmente averbouse a exclusão em razão da exploração da atividade de produção de filmes e fitas de vídeo, sem qualquer referência a outra atividade que se lhe assemelhasse. Aliás, cabe sublinhar que o Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 485.886/2003 bem distingue a atividade realizada pela recorrida (produção de filmes e fitas de vídeo), ressaltando a exceção dos estúdios cinematográficos, isto é, estava claro para a autoridade fiscal que a recorrida não se assumia como produtora de filmes cinematográficos. Portanto, a autoridade fiscal, em momento algum, imputou à recorrida a prática de produção cinematográfica. Ora, só se pode conceber um paralelismo com a atividade de produtor de espetáculos caso existente a prévia imputação de produtor cinematográfico, o que não ocorreu. Mas, se tal imputação houvesse, ainda assim não há prova nos autos da efetiva produção cinematográfica, o que, de outro modo, impede que se cogite de eventual semelhança com a produção de espetáculos. Ademais, é preciso fixar a atenção no verbo “prestar”, ao qual se associa o objeto "serviços profissionais", ambos inscritos no tipo legal do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, os quais deslocam o ônus da prova para a Fiscalização. Ou seja, só a efetiva prestação de serviços vedados dá causa à exclusão do Simples com base no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Nesses termos, devese insistir no fato de que a autoridade julgadora de primeira instância não produziu prova da efetiva realização da atividade de produtor cinematográfico. Por sua vez, a autoridade fiscal limitouse à mera descrição das atividades relacionadas no contrato social, sem traçar qualquer comentário sobre a realização da atividade de produtor de espetáculos. Assim, à luz dos argumentos ora colacionados, conheço do Recurso Especial para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679805/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 29/07/2005
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 05 /2 00 9- 12 Fl. 115DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico (nº de rastreamento 849902342) de 23/10/2009, emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP (fls. 07/08), que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE, código de arrecadação 8741, recolhido em 29/07/2005. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão recorrida, vazada nos seguintes termos (fls. 74/80): "(...) Cientificada, a contribuinte apresentou, manifestação de inconformidade de fls. 09 a 23, apresentando suas razoes, em síntese a seguir: 3.1 Faz breve relato dos fatos. 3.2 Alega possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a titulo de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINS exportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. 3.3 Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. 3.4 Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINS exportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. 3.5 Alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 116 3 3.6 Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. 3.7 Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao principio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. 3.8 Discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria credito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta." (sic). 3.9 Alega que qualquer agente fiscal que" ... "analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada." (sic). Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. 3.11 Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributarias. 3.12 Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobat6ria de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. 3.13 Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. 4 Em 24/09/2010, enviou o que chama de complemento a manifestação de inconformidade (fls. 35 a 37), informando ter enviado DCTF retificadora e, por conseqüência, entende ter direito a homologação da compensação declarada. 5 E o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº 1630.209 de 16/03/2011, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP), à fl. 71: Fl. 117DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Em 18/05/2011 a Recorrente foi devidamente cientificado por meio do AR Correios (fl. 82) e não resignada com a decisão, em 14/06/2011 (fl. 83), interpôs o presente recurso voluntário (fls. 83/99), reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 117 5 pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso Fl. 119DF CARF MF 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 118 7 Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 121DF CARF MF 8 § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 119 9 Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor Fl. 123DF CARF MF 10 de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679805/200912 Acórdão n.º 3402004.849 S3C4T2 Fl. 120 11 processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o incípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se Fl. 125DF CARF MF 12 juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Vejase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.721051/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Shappo, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano Damorim.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
(assinatura digital)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D´MORIM - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: Relator
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Data do fato gerador: 03/04/2012 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há nulidade do processo em razão do julgamento ter sido proferido em DRJ de local diferente do domicílio fiscal do contribuinte em razão do disposto na Súmula 102 deste Conselho. Assim como não há nulidade da decisão de primeira instância unicamente em razão da não apreciação de todos os fatos, pormenorizadamente, da exata forma desejada pelo contribuinte. Assim, se os fatos foram apreciados e a decisão de primeira instância devidamente motivada e fundamentada, não há como decretar sua nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. DILIGÊNCIA. Rejeitase a alegação de preterição do direito de defesa fundada em negação da diligência por parte do órgão julgador de primeira instância uma vez que este tenha apresentado, motivado e fundamentado sua decisão de acordo com os fatos, legislação e informações que considerou suficientes para a solução da controvérsia. ASSUNTO: MULTACONVERSÃO DE PENA DE PERDIMENTO. Data do fato gerador: 03/04/2012 OCULTAÇÃO NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Ocorrida ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, na importação de mercadorias, considerase dano ao Erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, a qual se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 10 51 /2 01 2- 61 Fl. 5379DF CARF MF 2 daquelas que não sejam localizadas ou que tenham sido transferidas a terceiro ou consumidas. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCARACTERIZAÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. FRAUDE Nos casos de fraude, sonegação e conluio, quando o preço real praticado não puder ser identificado, a fiscalização deverá arbitrar o preço da mercadoria importada, seguindo os critérios apontados nos incisos I e II do artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01. MULTA QUALIFICADA. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, razão pela manutenção no polo passivo a empresa BS Colway Pneus LTDA. A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art.135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de infração a legislação, fato que restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios não devem ser afastados do polo passivo da autuação. Recurso voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Shappo, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mércia Helena Trajano Damorim. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. (assinatura digital) Fl. 5380DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.379 3 MÉRCIA HELENA TRAJANO D´MORIM Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários de fls. 5093 e 5159 do contribuinte e dos responsáveis solidários diante de Acórdão da DRJ/SP, fls 4913, de 29 de janeiro de 2014, que julgou o lançamento procedente. Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância para acompanhamento dos fatos, do mérito e do trâmite dos autos: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado na data de 22/11/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição PIS e COFINS, acrescidos de multa majorada de ofício e juros de mora, além da multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 292.818,08, em virtude dos fatos a seguir descritos. As mercadorias objeto da Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184 relacionada abaixo, as quais apresentavam o sujeito passivo como importador por conta própria, foram submetidas a Procedimento Especial de Controle Aduaneiro que, entre outras ações, buscou verificar a origem dos recursos utilizados para sua efetivação, conforme documentos e esclarecimentos constantes do Auto de Infração formalizado no processo administrativo nº 10907.720989/201263 (íntegra anexada à presente autuação). Todavia, ao final de tais ações, ficou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, sancionável com a aplicação da pena de perdimento das respectivas mercadorias. Somase o fato de que o Sujeito Passivo, apresentado como importador e adquirente na Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184, classificou as respectivas mercadorias empregando códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) para os quais a incidência vigente do Imposto de Importação à época dos registros era de 16%. Como resultado de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, aplicado sobre referidas mercadorias, restou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante Fl. 5381DF CARF MF 4 simulação, fato que, além de sancionável com a aplicação da pena de perdimento, também impede apuração do preço efetivamente praticado nas operações, motivando seu arbitramento para fins de determinação da base de cálculo dos tributos (valor tributável). Decorrente da diferença de tal valor em relação ao declarado na DI, verificouse valor recolhido a menor para o Imposto de Importação. Sendo assim, além das demais conseqüências inerentes ao caso, cobrase o imposto complementar. A empresa ATILA PNEUS LTDA foi cientificada do auto de infração, pessoalmente, em 19/07/2012 (fls. 3.243). A empresa ATILA PNEUS LTDA, protocolizou impugnação, tempestivamente em 03/08/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 4.323 à 4.386, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES AUSÊNCIA DE RELAÇÃO ENTRE A IMPUGNANTE ATILA PNEUS LTDA. E BS COLWAY PNEUS LTDA. Aprioristicamente, mister se faz traçar um breve relato sobre a origem da empresa Átila Pneus Ltda., eis que o auto de infração, de forma infeliz, lançou mão de presunções a respeito de “ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação como se fosse tal empresa, pasmem, autora de prática de descaminho. A missão da BS Colway sempre foi a de fabricar e comercializar pneus com excelência, para satisfação e segurança de seus clientes, mantendo seus compromissos sociais, de ética e cidadania. Continuamente investiu na melhoria da qualidade dos seus produtos e serviços, visando superar as expectativas dos clientes consumidores. A missão da BS Colway sempre foi a de fabricar e comercializar pneus com excelência, para satisfação e segurança de seus clientes, mantendo seus compromissos sociais, de ética e cidadania. Continuamente investiu na melhoria da qualidade dos seus produtos e serviços, visando superar as expectativas dos clientes consumidores. A BS Colway foi reconhecida em todo o Brasil e no mundo pelo seu modelo de modernidade fabril, pela qualidade dos pneus que fabricava e pela mais avançada aplicação da tecnologia de remoldagem, além de ser uma referência em cuidados com meio ambiente e programas de responsabilidade social. Não obstante tudo isso, para proteger o mercado das indústrias multinacionais do Brasil, que temiam o crescimento continuado da BS Colway em razão da falta de matériaprima, mesmo na Europa, que Fl. 5382DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.380 5 jamais ocorreria, o Governo brasileiro decidiu encaminhar ao STF a ADPF 101/96 (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental), argumentando lesão ao meio ambiente. Sem a sua matériaprima de boa qualidade, inexistente no Brasil, a BS Colway, maior fábrica de pneus remoldados da história, foi obrigada a fechar suas portas, encerrando a fabricação de pneus remoldados e a demitir sua excepcional equipe de 1.200 trabalhadores à véspera do Natal de 2007. Diante da decisão do Supremo Tribunal Federal não havia mais o que fazer a não ser acatar a derrota imposta. Os sócios da empresa trataram então de ajudar seus 1.200 trabalhadores a se recolocar em outras empresas, onde os avalizaram a respeito de seu comportamento e qualidade de trabalho. Pelo motivo exposto, DESDE 2007 NUNCA MAIS SE IMPORTOU UM ÚNICO PNEU USADO. Diante de tais acontecimentos, os sócios Francisco Simeão Rodrigues Neto e Luiz Bonacin Filho ficaram desestimulados a prosseguir no negócio de pneus. r... tar .0, os seus seis herdeiros (três filhos de cada sócio), todos maiores e 'rm dos em nível universitário, decidiram prosseguir no negócio de pneus, porém não rric.s na industrialização de pneus remoldados, mas sim na importação de pneus ovos, em especial da marca MAXXIS, hoje a 10a. maior empresa fabricante de pneus novos do mundo. Com sua decisão, optaram em março de 2009 por criar uma empresa nova, aportando recursos próprios, devidamente declarados ao Imposto de Renda, no montante de R$12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais), que foram totalmente integralizados antes mesmo de a empresa Átila Pneus Ltda. ser submetida ao crivo da Receita Federal para a obtenção do seu RADAR, condição essa exigida para que pudesse importar pneus novos ou outros bens. Logo em seguida do preenchimento de todas as formalidades junto a Receita Federal esta concedeu à Átila Pneus um limite inicial de US$14 milhões (quatorze milhões de dólares) para o início de suas atividades de importação. As cópias das declarações de Imposto de Renda do Ano base de 2009, Exercício 2010, dos seis sócios fundadores da Átila Pneus, já juntadas no processo administrativo, fazem prova cabal e insofismável da capacidade financeira dos mesmos na data da constituição da empresa Átila Pneus (ano de 2009), nas quais ficaram comprovados seus patrimônios líquidos e rendimentos. Posteriormente, sucederamse aumentos no capital social, todos com recursos lícitos e devidamente noticiados à Receita Federal. Fl. 5383DF CARF MF 6 Isto tudo demonstra que a orientação de seriedade nas importações da Átila Pneus é matéria pacífica. Atualmente, a Átila Pneus promove a importação de algumas marcas de pneumáticos (MAXXIS, SUNNY e ROSAVA), todos regularmente aprovados pelo INMETRO, IBAMA e demais órgãos regulamentadores. Essa a origem da Átila Pneus. Nada, absolutamente nada a liga empresa BS Colway, salvo os laços familiares entre os respectivos sócios. Suas quotas de capital foram devidamente integralizadas em moeda corrente e suas instalações pertencem à outra de suas empresas 'Portal dos Mananciais Logística Ltda.), que possui os mesmos sócios das controladoras do seu capital social, bem como NUNCA importou pneus usados. É incrível a intenção do senhor auditor fiscal, demonstrando seu preconceito contra pneus usados, tentar alcançar e PUNIR os sócios da Átila Pneus apenas porque são ligadas por laços de DNA aos sócios da BS Colway. Não é justo que venha promover ilações sobre a idoneidade da empresa Átila Pneus, apenas porque seus seis sócios são filhos dos sócios da empresa BS Colway. Por outro lado, não há como se destacar a improcedência dos ataques à honra do Sr. Francisco Simeão Rodrigues Neto praticadas ao longo da autuação lavrada pela fiscalização. O auditor fiscal, in casu, extrapolou completamente a linha que divide seu poder discricionário dos limites ao exercício de suas prerrogativas. As ilações injuriosas e caluniosas nada conduzem para o bom julgamento do feito, servindo apenas para demonstrar o caráter subjetivo da autuação. Tão inoportunas que são, devem ser desentranhadas dos presentes autos todas as acusações levianas, eis que estranhas à correta compreensão do processo instaurado, tratandose de “prova” ilícita, que contamina in totum o “trabalho” realizado pela fiscalização. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (TRF 4a R.; AC 477125; Proc. 200072040030186; SC; Primeira Turma; Rela Juíza Maria Lúcia Luz Leiria; Julg. 21/03/2002; DJU 10/04/2002). A CONSTITUIÇÃO SOCIAL DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA ÁTILA PNEUS LTDA. A impugnante Átila Pneus é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, conforme se pode compulsar pela documentação societária em anexo, tendo por objeto social a importação e comércio de pneus e acessórios para veículos automotores, produtos automotivos e equipamentos para centros automotivos em geral. O capital social, no montante de R$12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais), foi totalmente integralizados EM DINHEIRO (depósitos foram anexados no processo administrativo) antes mesmo da empresa Átila Pneus ser submetida ao crivo da Receita Federal para a obtenção do seu RADAR, condição essa exigida para que pudesse importar pneus ou outros bens. Fl. 5384DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.381 7 Conforme podemos observar, os sócios efetivaram a integralização do capital em dinheiro, mediante depósito na conta da própria sociedade empresária em questão, não existem dúvidas sobre referida integralização. O fato de constar no recibo de depósito do Bradesco como depositante “o próprio favorecido” em nada tira o mérito e a comprovação do ingresso de recursos financeiros na empresa, como integralização de capital. O equívoco do funcionário que efetuou na época os depósitos dos cheques em questão (ele deveria ter listado um a um o nome dos sócios) não pode demonstrar ter havido qualquer fraude nos depósitos, uma vez que na contabilidade da empresa e em suas declarações de Imposto de Renda à Receita Federal tal integralização de capital ficou muito bem formalizada, bem como foi plenamente aceita pela própria Receita Federal, que em razão disso outorgou à Átila Pneus Ltda. o LIMITE RADAR de US$14.300.000,00 ainda no ano de 2009, a partir de quando iniciou suas importações. Outrossim, é inconcebível que o senhor AuditorFiscal se dê o direito de simplesmente afirmar “que não ficou bem claro quem efetuou os depósitos relativos à integralização do capital da empresa”. Afinal, ele acusa a empresa, ou não? Aceita a integralização ou “quer dizer o que?”. Até para que a empresa possa exercer seu direito de defesa, como estabelece a lei e a Constituição brasileira, precisa saber exatamente à que tipo de acusação deve responder! Para provar a origem dos recursos destinados à integralização do capital social da impugnante, os sócios anexaram no processo administrativo suas Declarações de Imposto de Renda do Ano base 2009 (cópias anexas), ano da constituição da Átila Pneus Ltda., bem como as atuais, do Ano base 2011 (cópias anexas), onde estão lavrados em nome de cada sócio os respectivos rendimentos. Portanto, desde logo se afirma que não há como a RF de Paranaguá “supor” que os sócios quotistas da Átila Pneus Ltda. não tinham condições financeiras de constituir a Átila Pneus e nela integralizar, no mês de março de 2009, de R$ 12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais). E ainda, nos dias 03.05.2012 e 28.05.12, as quotistas da Átila Pneus Ltda. decidiram aumentar em mais de 300% (trezentos por cento) o capital da empresa Átila Pneus Ltda., nela aportando, em dinheiro, através da 7a. e 8a. Alteração Contratual, os montantes de R$ 12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais) em 03.05.12, e mais R$ 25.800.000,00 (vinte e cinco milhões e oitocentos mil reais), conforme cópias de depósitos bancários e documento da JUCEPAR que são anexados, elevando o capital integralizado da impugnante para R$ 51.000.000,00 (cinqüenta e um milhões de reais). Por oportuno, tais aumentos de capital foram informados à Receita Federal em Curitiba e Fl. 5385DF CARF MF 8 ao senhor AuditorFiscal Rockenbach / Aduana de Paranaguá, através de ofícios, ANTES DA LAVRATURA DESTE AUTO COMINANDO PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM PECUNIÁRIA. Tudo foi feito em consonância com o disposto no artigo 1081 do Código Civil. Em razão desse fato, podemos chegar a primeira conclusão, qual seja, desde a sua constituição a impugnante Átila Pneus comprovou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil estar apta a operar na importação de pneus, sendo que, para tanto, teve que provar a idoneidade dos sócios, bem como a real integralização do seu capital social e a origem dos recursos. Equivoco da fiscalização em afirmar que Alessandra, Luiz e Priscilla Bonacin possuem duas empresas distintas com o nome de Ventura e Orion INc, uma sediada nas Seychelles e outra na Suíça, o que não é verdade. O que ocorreu foi a constituição, pelos três sócios, em 29.07.2011, da empresa Ventura & Orion Inc. / Seychelles no valor de US$ 03,00, sendo cada um tular de uma ação de US$ 01,00 ( vide página 09, código 32 da DIRPF de cada um deles). Igualmente no decorrer de 2011, constituíram na Suíça uma conta bancária no banco DEME: 93507002 HSBCBANK USA e cada um dos acionistas transferiu para essa conta US$ 8.500.000,00. Há que se observar que os Lucros e Dividendos (Rendimentos Isentos / página 02 da DIRF) recebidos por cada um dos sócios Luiz, Priscilla e Alessandra eram mais do que suficientes para cobrir as remessas atrás referidas. Equivocadamente o fiscal confundiu a conta bancária da Ventura & Orion Inc. na Suíça como nova empresa constituída. Ademais, conforme pode ser observado na folha 09 da DIRF de cada um dos sócios, a totalidade das remessas enviadas à Suíça (US$ 8.500.000,00 cada um) serviram para integralização do Capital Acionário da Ventura & Orion Inc. nas Seychelles, razão porque essa conta se apresenta com um mínimo saldo residual (vide código 62 da DIRF de cada um deles). Tais importâncias, insta salientar, encontramse devidamente investidas no mercado financeiro. Embora nenhuma empresa no Exterior seja obrigada a prestar informações e provas da movimentação de seus recursos financeiros, os sócios da Átila Pneus Ltda., também sócios de empresas no Exterior, decidiram, em nome da transparência absoluta, a pedir ao HSBC a formalização das aplicações financeiras celebradas, que se encontram vigentes. A impugnante atendeu ao comando do artigo 333, I, do CPC, ao acostar ao processo administrativo os documentos citados acima (extrato, depósito e declaração de IRPF), comprovando efetivamente a origem e destino dos recursos utilizados. Fl. 5386DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.382 9 Ora, não tinha a impugnante a obrigação de juntar quaisquer outros documentos além dos citados, notadamente face a ausência de qualquer irregularidade no procedimento adotado. Contudo, em suas manifestações o auditor fiscal limitase a apontar dúvidas, suspeições, numa espécie de negativa geral, exatamente pela falta de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da impugnante, nos termos do artigo 333, II, do CPC. A OBTENÇÃO DO RADAR PELA SOCIEDADE EMPRESARIA ATILA PNEUS LTDA. A atividade de importação da impugnante teve início em 2009, após devidamente autorizada pela Receita Federal, que aprovou seu limite operacional e atestou sua capacidade financeira e idoneidade para operar no comércio internacional. Em 17/11/2010, de forma espontânea, foi protocolado na Receita Federal um requerimento de aumento de limite RADAR, apoiado por farta documentação comprobatória das condições financeiras da impugnante, resultando, pouco mais de dezessete meses depois, em 27/04/2012, no deferimento e implantação no sistema da Receita Federal do novo limite operacional de US$ 41.460.000,00 (quarenta e um milhões e quatrocentos e sessenta mil de dólares). O volume de importações da Átila Pneus somente foi supostamente ultrapassado em "127%” ante a inércia da RF, que não analisou um pedido feito em 2010. Cabe ressaltar que a impugnante somente conseguiu a implantação do antigo pedido no sistema de comércio exterior por grande insistência presencial no órgão, eis que o Auditor da Receita Federal Sr. Lenisio Navarro Carrion, alegou ter instruções para não proceder à análise de revisões de limites, enquanto não fosse ultrapassado 5 vezes o “limite” inicialmente aprovado (praxe da Receita Federal). Não obstante já ter havido a atualização do RADAR da Atila Pneus Ltda., mister se faz observar que o auditor fiscal, ao citar os parâmetros para monitoramento das operações da Atila, utilizouse da previsão da IN 650 e do que efetivamente ocorreu em termos de volume de importações. Porém, “esqueceuse” de informar que esta mesma IN, em seu Artigo 21, V,§ 1º, determina que quando se ultrapassar o limite o importador receberá uma intimação, tendo um prazo de 30 dias para comprovar sua capacidade, o que em nenhum momento ocorreu. Isso demonstra, sem dúvidas, que o modus operandi do senhor Auditor Fiscal foi extremamente equivocado, devendo, pois, ser afastada qualquer dúvida quanto à capacidade financeira da impugnante para realizar suas operações de comércio internacional. Fl. 5387DF CARF MF 10 Ao longo dos anos de 2009, 2010 e 2011, a impugnante importou milhares de pneus, sem nunca ter sido registrado a menor irregularidade em seus processos de importação. Desta forma, novamente as provas são cristalinas, pois não existe qualquer irregularidade no RADAR da impugnante. Muito pelo contrário, a impugnante, espontaneamente, sempre procurou a Receita Federal visando sua atualização. SOBRE AS MARCAS DE PNEUS IMPORTADAS No que se refere à necessidade da importadora em efetuar o registro das marcas dos pneus importados junto ao INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial, sem dúvida há novo equívoco, uma vez que não há qualquer exigência, por parte da Receita Federal, ou seja de quem for, de que as empresas importadoras sejam detentoras das marcas dos produtos que importam. Sobre isso, seria absurdo e até um crime que importadoras de produtos como MERCEDES, BMW e outros, requeressem registros de tais marcas em nome delas (importadoras). Portanto, a impugnante promove a importação de algumas marcas de pneumáticos (MAXXIS, SUNNY e ROSAVA), todos regularmente aprovados pelo INMETRO, IBAMA e demais órgãos regulamentadores, sem que isso implique na necessidade de registro dessas marcas em seu nome nos órgãos competentes. Por outro lado, em nenhum momento o auditor demonstra a obrigatoriedade de tais medidas, mas apenas faz afirmações despropositadas e sem nenhum alcance prático, a não ser a visível intenção de promover “ilações”, razão pela qual referido argumento deve ser afastado de plano. Há, sem dúvidas, um critério extremamente subjetivo do auditor fiscal, o qual, por certo, não pode ser adotado como fundamento mínimo para tão nefasta ação fiscal. SOBRE O ENDEREÇO DA IMPUGNANTE A impugnante está localizada no Condomínio de Armazéns Portal dos Mananciais. A comprovação de que o imóvel é de empresa que possui os mesmos sócios da Atila demonstra, à míngua de qualquer tergiversação, que não estamos diante de terceiros ocultos. Nesse sentido, chama a atenção o fato do auditor fiscal questionar o contrato de comodato existente entre a impugnante e o Portal dos Mananciais Logística Ltda., sociedade empresária cujas cotas de capital, reiterese, pertencem ao mesmo grupo empresarial composto pelos sócios da empresa Átila Pneus Ltda. Não existe qualquer irregularidade no caso em tela, muito pelo 'ntr rio, foi demonstrada efetivamente a realidade fática existente e a conjugação db interesses existente entre duas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico e que, por terem identidades de sócios, não causam qualguer espécie de prejuízo a terceiros. Fl. 5388DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.383 11 Há que se ressaltar que o comodato é um contrato devidamente regulamentado pela legislação civil brasileira. A existência ou não de funcionários é fato irrelevante, notadamente se considerarmos que há no Direito positivado a possibilidade de terceirizações, lembrandose sempre a incompetência funcional da Receita Federal para esse tipo de fiscalização, afeta à Delegacia Regional do Trabalho. No caso específico não houve formalização de “contrato de terceirização" de mão de obra, em razão do Grupo empresarial denominado BSMax, composto pela Átila Pneus Ltda. e as Distribuidoras de Pneus localizadas na esmagadora maioria dos Estados brasileiros, entender não ser necessário ou obrigatório. Assim, com base na atividade principal da impugnante é possível verificar que todas as demais atividades que a complementam, mas não se sobrepõem a ponto de haver prestação de serviço relacionada à atividade fim, caracterizam terceirização legal, ao contrário do que pretende atribuir de forma presuntiva o i. auditor. Não há na lei, no decreto regulamentador e nas portarias do Ministério do Trabalho qualquer proibição no sentido de que para as demais atividades a impugnante possa beneficiarse do contrato de trabalho especializado, mediante terceirização. AUSÊNCIA DOS EXTRATOS DO BANCO BRADESCO No cumprimento do Termo de Fiscalização, optou a impugnante por enviar inicialmente o extrato do BB, já que é este o banco que demonstra todas as operações tributárias aduaneiras e por ser ainda o Banco Oficial, onde são debitados o II, IPI, PIS, Cofins, Siscomex e AntiDumping. Em seguida, para sanar qualquer (e infundada) suspeita da fiscalização, a impugnante juntou seus extratos do BRADESCO, subdivididos em dois arquivos. No primeiro deles, separou a movimentação nos dias em que houve contratos de câmbio, visando facilitar a análise pelos auditores fiscais e, no segundo, toda a movimentação de rotina. Não obstante tal fato ser de conhecimento da fiscalização, o auto de infração deixa a impressão de que a impugnante escondeu os extratos do BRADESCO. Sempre que lhe foi solicitada alguma informação a impugnante prontamente prestou à fiscalização, acreditando que estava diante de um trabalho fiscal rotineiro e principalmente, imparcial. É de se questionar por que razão o senhor Auditor Fiscal Rockenbach, que lavrou a informação da falta de entrega dos Extratos bancários do Bradesco, deixou de mencionar que para sanar qualquer (e infundada) suspeita da fiscalização, a Átila anexou aos autos do processo Fl. 5389DF CARF MF 12 administrativo seus extratos do BRADESCO, subdivididos em dois arquivos para facilitar o trabalho. Repetimos, no primeiro deles, separou a movimentação nos dias em que houve contratos de câmbio, visando facilitar a análise pelos auditores fiscais. No segundo, toda a movimentação de rotina. Enfim, nada foi omitido ao auditor fiscal, razão pela qual não se pode imputar qualquer espécie de falta à impugnante. DA REGULARIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADES EMPRESARIAS ADMINISTRADORAS DE VALORES Exatamente por possuir uma estrutura operacional pequena e movimentar valores elevados, a impugnante celebrou contratos de administração de recebíveis e contas a pagar, com o intuito de minimizar seus custos e poder exercer seu objeto social com uma “estrutura” interna pequena, ou melhor, “enxuta”! Nestas condições, é plenamente justificável que os recursos transitassem nas contas correntes das referidas pessoas jurídicas, sendo que todas as obrigações legais / contratuais e fiscais da impugnante foram devidamente honradas. A Mississipi possuía contrato firmado com a impugnante. E atípico, nem por isso ilegal. A remuneração da empresa foi convencionada contratualmente. Importante destacar que existe uma separação clara das receitas, sendo que a prestadora de serviços recebe apenas o contratualmente previsto pelos serviços prestados e não um percentual sobre o total de vendas da Átila, por exemplo. Ora, ela administra apenas contas a pagar e receber, recebendo um valor contratualmente definido por isso, que pode variar de acordo com o volume de trabalho desenvolvido. Enfim, podemos constatar que não existe qualquer irregularidade no contrato firmado entre a impugnante e a Mississipi. Desta forma, não existem razões para se questionar as operações de importação da impugnante, bem como a existência dos recursos. DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA A doutrina pátria consagra que, além do princípio da reserva legal, que sujeita o ato administrativo à lei e não a vontade do agente público. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de EDUARDO GUALAZZI. Com efeito, a não jurisdicização significa a desqualificação de fato ou ato fenomênicos para a esfera jurídica: não estão no mundo jurídico, pois não foram selecionados pela valorização ética positivada, "NON SUNT IN HOC MUNDO." Fl. 5390DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.384 13 Referida afirmação aplicase ao caso em comento, pois o auditor fiscal descumpriu com as regras básicas legalmente previstas, calcando seu raciocínio com base em meras suposições. Não consta nos autos as justificativas pelo ato, muito menos provas cabais de que os representantes legais da impugnante estivessem se eximindo de suas responsabilidades, utilizandose de subterfúgios ilegais para promover o comércio internacional de pneumáticos. NULIDADE DA IMPOSIÇÃO FISCAL POR INCORRETA E IMPRECISA DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO AVERIGUADA E POR AUSÊNCIA DE ADEQUADA CAPITULACÃO LEGAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A ilustrada Fiscalização, ao descrever a suposta infração cometida pela impugnante, omitiu a fundamentação legal em que baseou a imposição tributária, resultando totalmente nula tal exigência, não passando de um juízo temerário caracterizador de cerceamento de defesa, impeditiva do direito de discutir a legalidade da exação. Não se alegue que os “termos, demonstrativos, anexos e documentos” justificam os autos de infração, pois os mesmos deveriam descrever em detalhes a composição do débito constituído pelo lançamento tributário e não pretender que, de certa forma, o contribuinte pudesse “adivinhar” os termos e montante calculado. A quantificação dos valores, para fins de apuração da base de cálculo das multas, deveria ser devidamente provada, o que não o foi. Preferiu o auditor, por motivos inexplicáveis, quantificar cada pneu em flagrante ofensa a todo e qualquer princípio em direito admitido, sem comprovar que os preços praticados pelas exportadoras estariam distantes da realidade. A relação anexa mostra os preços de todas as importações brasileiras de pneus novos realizadas por empresas do Brasil. Avaliandose os valores FOB dessa relação se percebe que os preços da maior parte dos pneus importados guarda semelhança com os preços pagos pela Átila Pneus Ltda. Além do mais, é sabido no mundo dos negócios que a empresa que compra volumes expressivos é aquela que consegue negociar melhores preços (mais baixos). E a Átila Pneus, atualmente, é uma das empresas de maior porte entre importadoras brasileiras de pneus. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Seabra Fagundes. Inexiste, portanto, na imposição fiscal impugnada, a demonstração analítica da composição de preço das mercadorias para fins de base de cálculo dos tributos e multa decorrente da pena de perdimento c/c a indicação expressa e necessária da legislação que teria sido violada em eventual subfaturamento. Não pode o senhor Auditor Fiscal se estribar no argumento “tendo em Fl. 5391DF CARF MF 14 vista a ocultação do verdadeiro importador para justificar inserir qualquer preço como sendo o correto preço FOB da mercadoria. Pois bem, se a increpação fiscal é falha ou omissa, tal comportamento da autoridade administrativa influenciará certamente na qualidade da defesa apresentada pelo administrado. Por conseguinte, havendo uma defesa parcial, o julgador do processo, seja no âmbito administrativo, seja no judicial, não irá dispor de elementos suficientes para julgar com equidade o feito que lhe é submetido. Seguese que a tutela jurisdicional será incompleta, tendendo ser até parcial, inclinandose, por falta de maiores informações, em favor do Fisco e em detrimento do Contribuinte. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto: (Acórdão n° 103.08.175 Primeiro Conselho de Contribuintes Terceira Câmara). O ABUSO DO DIREITO COMO LIMITE AO EXERCÍCIO DOS PODERES DISCRICIONÁRIOS Não obstante a costumeira correção nos procedimentos adotados pela impugnante, houve por bem a zelosa fiscalização em impor pena de perdimento convertida em pecuniária, alegando, dentre outros disparates, que a mesma não possui estrutura condizente com suas operações, estando a serviço de terceiros. A teoria do abuso de direito é uma decorrência da relatividade dos direitos subjetivos em face do conceito de justiça, que deve dominar a ordem social, ínsita na norma, formalmente disposta, que objetiva resguardar o bem jurídico de outrem, contra qualquer dano, previsto por ação ou omissão de titular de direito, ou decorrente de imprudência ou negligência na sua apreciação, o que se pode dar até por erro ou imprecisa interpretação efetivandoo, destarte, de maneira anormal. Por conseguinte, o exercício abusivo de direito se inclui entre uma das muitas variedades de atos ilícitos, como ato antissocial, com a ruptura, por um desses fundamentos, do equilíbrio dos interesses estabelecidos pela ordem jurídica, no condicionamento da harmonia social. Daí se impor a obrigação de reparar as conseqüências danosas de dito ato, seja na decretação, em sendo o caso, da nulidade do ato jurídico, com o desconhecimento dos seus efeitos, ou da composição econômica do prejuízo, com o restabelecimento do “status quo ante", isto é, o retorno à situação anterior, em sendo possível. Por vezes há, concomitantemente, a decretação da nulidade do ato e da composição econômica dos danos. Fica o exercício dos poderes discricionários limitado pelo exercício normal, regular, desses poderes. Transbordando esses limites verificar seá o abuso do direito, o exercício abusivo desses poderes. Tal se Fl. 5392DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.385 15 apura, na prática, quando se verifica que o titular do poder discricionário o exerceu com desnaturamento do instituto jurídico, a que correspondia o ato realizado, de maneira a desconhecer a sua categoria, os princípios que a informam, como figura jurídica, ante o mal uso do seu direito. Sob a aparência de legalidade se pratica ato arbitrário, consequentemente nulo, por desrespeito subreptício, indireto, ao texto legal, tornando ilícito ou impossível juridicamente o objeto do ato administrativo. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de JOSÉ CRETELLA JÚNIOR. Reiterese, estamos tratando de pessoa jurídica ativa, com sócios que detém lastro financeiro, intelectual e legal (RADAR) para perfeitamente transacionar na importação de pneumáticos. A IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PENA DE PERDIMENTO COM BASE EM MERA PRESUNÇÃO Os fundamentos que embasam o inquinado Auto de Infração, objeto da presente impugnação, têm suporte em meras presunções extraídas de conclusões vagas e hipotéticas, não se podendo admitir possa prevalecer a autuação, bem como seus drásticos efeitos, com fundamentos superficiais e desprovidos de substância. A autuação é totalmente presuntiva. Portanto, nula. Inexistem efeitos, inexistiu fato gerador e por conseqüência não há obrigação principal e nem acessória, capaz de gerar crédito tributário. Isto está no Código Tributário Nacional, na doutrina mais autorizada e na jurisprudência, não pode, portanto, ser desconsiderado pelo Fisco Federal, não obstante a reconhecida necessidade de aumento de arrecadação. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de EDUARDO BOTELHO GUALAZZI. Mister que a ilustre Autoridade Administrativa, reexamine a ilegalidade do ato, e na insubsistência jurídica dele, declareo nulo. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de IVES GANDRA DA SILVA MARTINS Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (6a Câmara do Tribunal de Alçada de São Paulo, ap. 119.173 RT 410/249); (AGRAVO EM MANDADO DE SEGURANÇA N° 75.333 SP TFR DJU 291075 Ia Turma) e (AMS 76.335 DJU 291075 pág. 7845). Destarte, qualquer autuação com fundamento apenas em dúvida, em suspeição, é ilegal, pois não se pode presumir simulação, que necessariamente deverá ser demonstrada. É que ocorre no caso em questão, pois a Átila comprovou robustamente sua capacidade para perfeitamente transacionar, recolhendo a integralidade dos tributos por ela devidos. Fl. 5393DF CARF MF 16 A legislação explicita os casos de aplicação de pena de perdimento e, nem por ficção ou presunção, o legislador ordinário pode ultrapassar esses limites como no caso presente. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de GILBERTO DE ULHOA CANTO Nesse desiderato, é importante observar, mutatis mutandis, que em matéria de lançamento tributário não se aplica a presunção de legitimidade, cabendo sempre a administração fiscal demonstrar e comprovar os motivos de sua exigência. Em face ao artigo 142 do Código Tributário Nacional o ônus da prova pertence exclusivamente à Autoridade Administrativa encarregada de declarar a obrigação de constituir o crédita tributário. IRREGULARIDADE NA VALORACÃO ADUANEIRA PRA FINS DE BASE DE CALCULO DA MULTA IMPOSTA. BEM COMO DOS TRIBUTOS COBRADOS Na remota hipótese de se admitir como válida a pena de perdimento convertida em multa que foi imposta à impugnante, há que se reconhecer que a valoração aduaneira realizada pela autoridade fiscal é desprovida de mínimos fundamentos, devendo ser corrigida a multa imposta e afastadas as diferenças tributárias (PIS, COFINS, II e IPI) cobradas no auto de infração hostilizado. Com efeito, não há mínimos fundamentos para se realizar a valoração aduaneira dos bens importados (pneus), eis que o preço praticado em todas as operações foi o real, não havendo que se falar em subfaturamento. Para provar o alegado, a impugnante junta aos autos tabelas de preços praticadas pelas exportadoras de quem vem adquirindo os pneus que importa, comprovando que os preços cobrados são idênticos ao montante efetivamente pago. Ora, não há como se aceitar, mais uma vez, sobre preço com base em presunção do senhor fiscal. Junta textos da Jurisprudência Administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a respeito do assunto: Acórdão 30236503. Os acórdãos citados se amoldam ao caso presente, onde o agente fiscal, ao valorar as mercadorias importadas em montante superior àquele constante nas Dl(s), o fez com base em meras presunções, “interpretando” que estaria diante de um subfaturamento. Sem dúvidas, a “interpretação” do auditor fiscal beira o absurdo, posto que não estamos diante de subfaturamento, ex vi tabelas de preços dos produtos (pneus) importados. Ora, onde está o acesso ao contraditório na aplicação da valoração aduaneira feita pela autoridade administrativa? Onde está o processo regular previsto na legislação complementar? A documentação em anexo, devidamente consularizada, demonstra o preço efetivamente praticado nas importações, não fazendo sentido algum a majoração levada a efeito pela fiscalização. Fl. 5394DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.386 17 Para que se respeite o disposto no artigo 148 do CTN, mister se faz a realização de prova pericial, por meio da qual demonstrarseá a correção dos preços praticados. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (STJ; AgRgREsp 765.292; Proc. 2005/01115857; SC; Segunda Turma; Rei. Min. Mauro Campbell Marques; Julg. 04/03/2010; DJE 24/03/2010) e (TRF 3a R.; AC 001056964.2006.4.03.6100; SP; Sexta Turma; Rei. Des. Fed. Mairan Gonçalves Maia Júnior; Julg. 16/02/2012; DEJF 24/02/2012; Pág. 906). Analisandose os termos de arbitramento confeccionados, verificamos que o auditor fiscal utilizou o seguinte parâmetro: colacionou uma única DI de outro importador e. candidamente, majorou o preço praticado pela impugnante como se subfaturamento fosse. Ou seja, é de se imaginar que “escolheu” a importação de maior preço (provavelmente de um pequeno importador) para eleger o diferencial a ser aplicado em todos os preços da impugnante. Evidentemente, que existem preços muito menores de pneus importados do que os adquiridos pela impugnante. Nobre julgador, isso é um absurdo. A ação fiscal, se não corrigida ainda no âmbito administrativo, certamente trará prejuízos aos cofres públicos, posto que nosso judiciário certamente não comungará com uma valoração tão desleixadamente feita. Mister, pois, também sob esse fundamento, a correção da autuação, reconhecendose como ilegal a valoração aduaneira, fato que, per si, afastará as sanções tributárias impostas à impugnante. O ONUS DA PROVA A impugnante provou, desde sua primeira manifestação no processo que selecionou suas operações para procedimento especial, que atua perfeitamente, sendo totalmente descabível eventual sanção com pena de perdimento em relação aos seus processos de importação. Faz um breve relato de todos os tópicos até aqui mencionados. DA INEXISTENCIA DE MULTA OU SUA REDUÇÃO No Auto de Infração a zelosa fiscalização cominou multa absolutamente abusiva para o caso presente. Foi imposta uma multa de 150%, completamente desproporcional e desprovida de qualquer fundamento lógico, assumindo caráter Fl. 5395DF CARF MF 18 nitidamente confiscatório. Ora, a aplicação da referida multa é característico ato de excessiva penalização, haja vista que a multa imposta é superior ao dobro do valor do imposto supostamente devido. Tal situação chega a ser esdrúxula. A sanção tributária, assim como qualquer sanção jurídica, tem por escopo desestimular o possível devedor do descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, estimulandose assim o adimplemento correto, pontual e necessário dos tributos, pactuados este entre a sociedade e o Estado, que os administra. Tem, pois, a sanção tributária, essa finalidade, mas só essa. A multa fiscal não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarçado. O princípio do não confisco revelase corolário do princípio da capacidade contributiva, motivo pelo qual as penalidades pecuniárias devem ter limites, não podendo ser superiores ao valor do próprio tributo. O percentual imposto a título de multa no presente caso (150%) é evidentemente abusivo, configurando um verdadeiro confisco do patrimônio do contribuinte. Tal percentual não encontra característica qualquer de razoabilidade, de proporcionalidade ou legalidade. Junta textos da Jurisprudência Judicial do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL a respeito do assunto. o DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL. No caso vertente, impende seja realizada prova pericial. Os objetivos, em suma, são dois: a) comprovar que a Átila Pneus Ltda. efetivamente é uma empresa regularmente constituída, não “prestando serviços” a terceiros e, b) comprovar que a valoração aduaneira feita pela fiscalização é desprovida de mínimos fundamentos, caso se mantenha a pena de perdimento convertida em multa. Desta forma, para evitarmos maiores transtornos, devese analisar toda a documentação fiscal e contábil da impugnante, bem como as tabelas de preços praticadas. Ao se realizar a perícia, chegaremos à conclusão que a citada empresa nada mais fez do regularmente transacionar, ato previsto inclusive no artigo 170 da Constituição Federal. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Calmon de Passos. Apresenta quesitos e indica assistente. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DAS PESSOAS FÍSICAS Em sua ânsia, responsabilizou o agente fiscal a pessoa física dos administradores da impugnante Átila Pneus pela suposta infração. Com isso, fazem parte do polo passivo do processo administrativo fiscal as pessoas de Luiz Bonacin Netto e Gabriela Boneto Rodrigues. A ação, contudo, é temerária, não passando uma vez mais de medida subjetiva do agente fiscal. Conforme podemos compulsar, o art. 134 Fl. 5396DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.387 19 cuida da responsabilidade solidária pessoal no direito tributário. Já o art. 135 cuida da responsabilidade em decorrência dos atos praticados com exceção de poderes ou infração de lei, contrato social e estatutos. Ora, nosso sistema jurídico não agasalha a teoria da responsabilidade sem culpa subjetiva, pelo que algumas disposições esparsas, em sentido contrário, são, na verdade, ineficazes. O preceito examinando, regula a responsabilidade por substituição; imputa a responsabilidade pessoal ao gerente, ao diretor ou ao administrador nas hipóteses e condições aí especificadas. Pois bem, somente o fato das duas pessoas físicas serem administradores da Átila Pneus não caracteriza que tenham recebido valores indevidamente ou que tenham se aproveitado de qualquer valor em benefício próprio. Ademais, caso houvesse alguma imputação a ser feita por responsabilidade tributária deveriam os auditores fiscais ter afirmado e demonstrado. Não existe qualquer indício, que dirá prova, que o Sr. Luiz Bonacin Netto ou a Sra. Gabriela Boneto Rodrigues auferiram qualquer benefício financeiro ilegal pelo fato de serem administradores da Átila Pneus. Houve “premiação” pela importação de pneus? Bônus em razão de aumento expressivo de faturamento? Distribuição de Lucros? Por certo que não. Como pode a fiscalização fazendária afirmar que as pessoas físicas foram beneficiárias das importações (sequer realizadas com lucro ante os custos para efetivo desembaraço) se não foi demonstrada ou apontada a prova cabal e idônea de que os valores tivessem beneficiado os mesmos? Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (STJ Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 260.107/RS Relator Min. José Delgado Ia Seção Julgado em 10/03/2004 Publicado no DJ de 19/04/2004.); (STJ Recurso Especial n° 652.858/PR Relator Min. Castro Meira 2a Turma 28/ 09/2004 Publicado no DJ de 16/11/2004, p. 258.) e (TRF 5a R.; APELREEX 4; Proc. 2007.80.00.0066679; AL; Segunda Turma; Rei. Des. Fed. Barros Dias; DJETRF5 28/05/2010). REQUERIMENTO FINAL Há do exposto, requerse, preliminarmente, seja conhecida a presente impugnação suspendendose a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Ainda em sede de preliminar, requer que seja desentranhados os documentos que não guardam relação com o caso, justamente aqueles que de forma subjetiva procuraram denegrir a imagem do Sr. Francisco Simeão Rodrigues Neto, cuja defesa que será apresentada resta ratificada ,elas ora impugnantes. Fl. 5397DF CARF MF 20 Instaurado o contencioso administrativo, requerse sejam providas as preliminares formuladas, reconhecendose a nulidade total do auto de infração ora impugnado, admitindose a procedência das razões postas ao longo da presente peça. Em não sendo provido o pedido anterior, requerse, sucessivamente, no mérito, seja julgada improcedente a ação fiscal, por qualquer uma das razões discorridas na presente peça de impugnação, afastandose a pena de perdimento convertida em pecuniária. Caso seja mantida a pena de perdimento convertida em sanção pecuniária, que seja afastada a valoração aduaneira realizada pela fiscalização, afastandose, por conseguinte, as diferenças fiscais a título de PIS, COFINS, IPI e II. Finalmente, se houver entendimento diverso quanto à insubsistência total ou parcial do auto de infração, que seja desconsiderada a pesada multa imposta, eis que demonstrouse o seu caráter confiscatório. Igualmente, que seja reconhecida a ilegitimidade passiva das pessoas físicas dos administradores para responder pela presente autuação. Por derradeiro, requerse seja deferida a prova pericial, sob pena de nulidade do julgado. A empresa COLWAY PNEUS LTDA foi cientificada do auto de infração, pessoalmente, em 18/07/2012 (fls. 3.286). A empresa BS COLWAY PNEUS LTDA, protocolizou impugnação, tempestivamente em 06/08/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 4.834 à 4.883, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: INTROITO Antes de iniciar sua defesa, pedem vênia os impugnantes para informar que ratificam expressamente a defesa apresentada pela Átila Pneus, Luiz Bonacin Netto e Gabriela Boneto Rodrigues. Aprioristicamente, mister se faz traçar um breve relato sobre a origem da empresa Atila Pneus Ltda., eis que o auto de infração, de forma infeliz, lançou mão de presunção a respeito de “ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação”, como se fosse tal empresa, pasmem, autora de prática de descaminho. Os Srs. Francisco Simeão Rodrigues Neto e Luiz Bonacin Filho, conceituados no processo como pessoas com vinculação estreita com Sócio Administrador da empresa Átila Pneus Ltda., criaram, há mais de uma década, a BS Colway Remoldagem de Pneus Ltda., empresa idônea e cumpridora de suas contratações, sempre primando pela qualidade de seus produtos e satisfação do cliente consumidor, tendo, ainda, como lema ser “número 1 em Ecologia”. Fl. 5398DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.388 21 Os sócios Francisco Simeão Rodrigues Neto e Luiz Bonacin Filho , optaram em março de 2009 por criar uma empresa nova, aportando recursos próprios, devidamente declarados ao Imposto de Renda, no montante de R$12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais), que foram totalmente integralizados antes mesmo de a empresa Átila Pneus Ltda. ser submetida ao crivo da Receita Federal para a obtenção do seu RADAR, condição essa exigida para que pudesse importar pneus novos ou outros bens. Ressaltese que em nenhum momento a BS Colway ou seus dois sócios participaram da Átila Pneus, ainda que de forma oficiosa. O que houve, sim, foi a decisão de pessoas maiores, inteligentíssimas, de iniciar uma empresa importadora de pneus. Perdoem a colocação esdrúxula, mas o único detalhe que une a BS Colway à Átila Pneus é que ambas, na “ponta do iceberg”, acabam por vender pneus. A primeira possuía uma fábrica de remoldados. A segunda limitase a efetuar importações. De tal sorte que não há como se fazer a ligação entre as duas empresas, sociedades distintas, com sócios distintos e, importante salientar, objeto distinto. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA ARTIGO 124. I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO. O auditor fiscal, para fins de arrolar os impugnantes como sujeitos passivos solidários, descrevem um suposto “interesse comum” entre as sociedades empresárias BS Colway e Átila Pneus. Contudo, suas conclusões estão absolutamente dissociadas de qualquer fundamento legal, eis que “laços de DNA” não os qualificam como responsáveis solidários. A existência de solidariedade tributária, para fins do Art. 124, I do CTN, é aquela considera, não o interesse econômico (efetivação do negócio), mas sim o interesse jurídico. O interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica em que consiste o fato gerador do tributo. A pessoa estranha à relação jurídica não possui interesse jurídico, porque não possui direito ou deverem controvérsia. A contrário senso, as pessoas que não possuem correlação com o fato gerador do tributo, não podem ser responsabilizadas solidariamente. A necessidade de vinculação da responsabilidade tributária ao fato gerador, no caso do art. 124, I do CTN, é norma cogente, ou seja, de aplicação obrigatória. Fl. 5399DF CARF MF 22 Assim, o interesse comum previsto no Art. 124, I do CTN é o interesse que une mais de uma pessoa no mesmo polo de uma relação jurídica. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de PAULO DE BARROS CARVALHO, MISABEL DERZI e de LUIZ ANTÔNIO CALDEIRA MIRETTI. Conforme podemos observar pelas lições acima, o art. 124, I do CTN só se aplica aos casos em que o mesmo fato gerador é realizado conjuntamente por mais de uma pessoa, ou seja, havendo mais de uma pessoa enquadrada na definição legal de contribuinte (art. 121, parágrafo único, I), determina o art. 124, I que sejam eles solidariamente obrigados pela dívida tributária, independentemente de disposição expressa de lei. Junta textos da Jurisprudência Judicial do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp 834044/RS, Rei. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008); (REsp 834044/RS, Rei. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010). Mister que se afaste a irresponsável solidariedade entre os impugnantes e a Átila Pneus Ltda. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SRS. LUIZ BONACIN FILHO E FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO ARTIGO 135. I E III De modo temerário, além de chamar à responsabilidade a BS Colway, optou o agente fiscal pela responsabilização dos seus sócios, Francisco Simeão Rodrigues Neto e Luiz Bonacin Filho. Ora, as condutas e circunstâncias elencadas nos artigos 134 e 135 do CTN não possuem nenhum liame com a solidariedade baseada no interesse comum (Art. 124, I do CTN), sendo que a previsão legal não pode ser estendida para abarcar situações que não se referiam ao interesse coincidente das partes em relação ao suposto ilícito. Conforme podemos compulsar, o art. 134 cuida da responsabilidade solidária peculiar ao direito tributário. O certo é que a própria norma condiciona a responsabilidade solidária de terceiros aí referidos a dois requisitos impostergáveis: a impossibilidade de o contribuinte satisfazer a obrigação principal e o fato de o responsável ter uma vinculação indireta, através de ato comissivo ou omissivo, com a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Não bastasse isso, o parágrafo único prescreve que a responsabilidade solidária, em matéria de penalidades, só tem aplicação em relação às de caráter moratório, ou seja, de acordo com o princípio de que a pena não pode passar da pessoa do infrator. Fl. 5400DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.389 23 Se o caput do art. 134 do CTN introduziu dois requisitos expressos para a caracterização da responsabilidade solidária de terceiro, não há como, em nome da doutrina e da jurisprudência aplicáveis a espécie, desprezar esses requisitos e imputar a responsabilização a terceira pessoa, Srs. Luiz Bonacin Filho e Francisco Simeão Rodrigues Neto, que são tão somente sócios de outra empresa e que não possuem qualquer vínculo jurídico com a Átila Pneus. O art. 135, incisos I e III do CTN cuida da responsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O preceito examinando, regula a responsabilidade por substituição; imputa a responsabilidade pessoal ao gerente, ao diretor ou ao administrador nas hipóteses e condições aí especificadas. A disposição legal é bem clara no sentido de separar a responsabilidade normal do contribuinte pelos créditos tributários oriundos de operações regulares, da responsabilidade pessoal dos diretores ou gerentes pelos créditos tributários oriundos de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Caso houvesse alguma imputação a ser feita por responsabilidade tributária deveria ter o auditor fiscal afirmado e demonstrado. Não existe qualquer indício, que dirá prova, que os Srs. Luiz Bonacin Filho Francisco Simeão Rodrigues Neto auferiram qualquer benefício financeiro ilegal. DA PRESUNÇÃO DE BENEFÍCIO ECONÔMICO ILEGALIDADE TERMO DE RESPONSABILIDADE NULO Os fundamentos que embasam a SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, objeto da presente impugnação, têm suporte em meras presunções extraídas de conclusões vagas e hipotéticas, não se podendo admitir possa prevalecer a responsabilização solidária, bem como seus drásticos efeitos, com fundamentos superficiais e desprovidos de substância. A simples lavratura do TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA contra os impugnantes é acintosa e reprovável, eis que eventual benefício econômico obtido pelos mesmos sequer teve a sua materialidade provada, mas simplesmente presumida, resultante de circunstâncias indiciárias, que jamais poderiam confirmar qualquer irregularidade. Ressaltese que em nenhum momento os auditores fiscais comprovaram ou demonstraram que os impugnantes auferiram receita/renda indevida em decorrência dos fatos narrados no “trabalho” fiscal, ou seja, não há indício, sequer provas de algo que possa imputar essa responsabilidade aos impugnantes. Fl. 5401DF CARF MF 24 A lavratura do termo de responsabilidade solidária é totalmente presuntiva. Não há relação entre a Átila Pneus e a BS Colway. Onde estão as provas? Junta textos da doutrina a respeito do assunto de EDUARDO BOTELHO GUALAZZl. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: (T.F.R., AMS 65.641, DJU 210978, pág. 1335). Portanto, o termo de responsabilidade solidária lavrado, com fundamento apenas em dúvida, em suspeição. é ilegal. Nesse desiderato, em face do contido no artigo 142 do Código Tributário Nacional, o ônus da prova pertence exclusivamente à Autoridade Administrativa encarregada de declarar a obrigação de constituir o crédito tributário. DA INEXISTÊNCIA DE MULTA OU SUA REDUÇÃO Foi imposta uma multa de 150%, completamente desproporcional e desprovida de qualquer fundamento lógico, assumindo caráter nitidamente confiscatório. Ora, a aplicação da referida multa é característico ato de excessiva penalização, haja vista que a multa imposta é superior ao dobro do valor do imposto supostamente devido. Tal situação chega a ser esdrúxula. A sanção tributária, assim como qualquer sanção jurídica, tem por escopo desestimular o possível devedor do descumprimento da obrigação a que estiver sujeito, estimulandose assim o adimplemento correto, pontual e necessário dos tributos, pactuados este entre a sociedade e o Estado, que os administra. Tem, pois, a sanção tributária, essa finalidade, mas só essa. A multa fiscal não pode ser utilizada com intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarçado. O princípio do não confisco revelase corolário do princípio da capacidade contributiva, motivo pelo qual as penalidades pecuniárias devem ter limites, não podendo ser superiores ao valor do próprio tributo. Eventual pena de perdimento do bem, para hipóteses de infração altamente grave, até seria admissível, mas não no caso em comento, onde a atividade do contribuinte é lícita e não envolve operações estranhas ao seu objeto social. Junta textos da Jurisprudência Judicial do STF a respeito do assunto. DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PROVA PERICIAL No caso vertente, impende seja realizada prova pericial. O objetivo é, em suma, comprovar que a Átila Pneus Ltda. efetivamente é uma empresa regularmente constituída, não “prestando serviços” e não mantendo relação alguma com a BS Colway e seus sócios. Fl. 5402DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.390 25 Desta forma, para evitarmos maiores transtornos, devese analisar toda a documentação fiscal e contábil das empresas. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Calmon de Passos. Desta forma, tornase imperioso reconhecer a indispensabilidade da realização da requerida prova pericial. Com base no artigo 425 da Lei 5.869/73, requerse o direito à formulação de quesitos suplementares em momento oportuno. Indicam os impugnantes como seu perito o Dr. Aderbal Muller, com escritório profissional na Rua Marechal Deodoro, 869, conjunto 904, Centro, CEP 80060010, na cidade de Curitiba/PR. REQUERIMENTO FINAL Diante do exposto, requerse, preliminarmente, seja conhecida a presente impugnação, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário nos termos do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. Ainda em sede de preliminar, requer sejam desentranhados os documentos que não guardam relação com o caso, notadamente aqueles que de forma subjetiva procuraram denegrir a imagem do Sr. Francisco Simeão Rodrigues Neto. Instaurado o contencioso administrativo, requerse sejam providas as preliminares formuladas, reconhecendose a nulidade total do auto de infração ora impugnado ou a solidariedade levada a efeito, admitindo se a procedência das razões postas ao longo da presente peça. Em não sendo provido o pedido anterior, requerse, sucessivamente, no mérito, seja julgada improcedente a ação fiscal, por qualquer uma das razões discorridas na presente peça de impugnação, afastandose a pena de perdimento convertida em pecuniária. Caso seja mantida a pena de perdimento convertida em sanção pecuniária, que seja afastada a valoração aduaneira realizada pela fiscalização, afastandose, por conseguinte, as diferenças fiscais a título de PIS, COFINS, IPI e II, conforme muito b ,n sustentado pela empresa Átila Pneus em sua defesa, cuja ratificação é ora declarada. Finalmente, se houver entendimento diverso quanto à insubsistência total ou parcial do auto de infração, que seja desconsiderada a pesada multa imposta, eis que demonstrouse o seu caráter confiscatório. Por derradeiro, requerse seja deferida a prova pericial, sob pena de nulidade do julgado. É o relatório." Fl. 5403DF CARF MF 26 A decisão de primeira instância administrativa dessa DRJ/SP de fls 4913, foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/04/2012 Dano ao erário por infração de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindo ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser conhecidos os tempestivos Recursos Voluntários. Os Autos de Infração (fls. 3 a 45) foram lavrados em face do contribuinte e dos responsáveis solidários, com aplicação de multa de 100% do valor aduaneiro arbitrado, multa de 150% e juros de mora, do valores das operações de mercadorias importadas em suposta operação fraudulenta no período de 03/04/2012, no total de R$ 292.818,08, não atualizado, referente à DI 12/06129184. O A.I. foi lavrado principalmente com fundamento no Art 23, V, § 1. e § 2 do Decreto 1.455/76, que estabelece a ocorrência do Dano ao Erário por presunção de interposição fraudulenta para ocultação de terceiros em eventual não comprovação da origem de recursos, transferências e recursos próprios para realização das operações. Fl. 5404DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.391 27 Os Recursos Voluntários em face do acórdão proferido pela DRJ/SP, redistribuídos por sorteio eletrônico para esta Turma e sob esta relatoria, sustentam em síntese, com relação ao mérito, que não houve interposição de terceiros, que havia independência nas decisões administrativas das empresas, que não houve fraude, que as empresas firmaram de forma pública e legal os contratos de comodato e administração financeira, que não há responsabilidade solidária, que houve ofensa à honra e ao princípio da legalidade tributária, que o valor aduaneiro foi arbitrado sem fundamentos válidos e que as multas são confiscatórias. DA NULIDADE DO PROCESSO, DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E DO INDEFERIMENTO DA DILIGÊNCIA SOLICITADA: Não há nulidade do processo em razão do julgamento ter sido proferido em DRJ de local diferente do domicilio fiscal do contribuinte em razão do disposto na Súmula 102 deste Conselho. “Súmula CARF nº 102 É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo.” Assim como não há nulidade da decisão de primeira instância unicamente em razão da não apreciação de todos os fatos, pormenorizadamente, da exata forma desejada pelo contribuinte. Assim, se os fatos foram apreciados e a decisão de primeira instância devidamente motivada e fundamentada, não há como decretar sua nulidade. Diante do exposto, deve ser rejeitada a alegação de preterição do direito de defesa fundada em negação da diligência por parte da DRJ uma vez que esta tenha apresentado, motivado e fundamentado sua decisão de acordo com os fatos, legislação e informações que considerou suficientes nos autos. DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO, DA PRESUNÇÃO DE FRAUDE, COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS PRÓPRIOS E DO GRUPO ECONÔMICO: A burocracia, a alta carga tributária, as exigências e requisitos, as responsabilidades e as conseqüências tributárias e criminais atribuídas solidariamente a todos os envolvidos nas operações legais de importação por conta e ordem de terceiro, conforme DL 37/96, IN SRF 225/02 e 247/02 e 650/06, levaram muitas empresas a ocultar o sujeito passivo real adquirente das mercadorias. A fraude no setor é uma realidade, principalmente porque a legislação, ou não corresponde aos formatos comerciais de negócios internacionais, ou propositadamente, foram criadas para determinar suas limitações. Fl. 5405DF CARF MF 28 Esquemas fraudulentos de interposição de terceiros atingiram diversos países e se tornaram operações nocivas ao erário público uma vez que menos tributos são recolhidos, além de interferir e criar competitividade desleal com os produtos internos (nacionais). Por muitos motivos se justifica a atuação da fiscalização, mas é importante lembrar que a livre iniciativa é direito consagrado e pilar de um Estado Democrático de Direito, sob o regime Capitalista e, em observação a esta regra, assim como em preservação da segurança jurídica do contribuinte, toda situação apresentada como fraude ou crime tributário deve ser analisada de forma concreta e individualizada. Portanto, este voto pretende traçar pontos fundamentados nos fatos e na estrita legalidade, de forma que tanto o crédito da União quanto o direito à livre iniciativa sejam prestigiados. O Art. 23 do DL 1.455/76, capitulação principal deste procedimento, tem como núcleo do tipo a conduta dolosa de ocultar o real adquirente de mercadorias importadas, que promove a entrada de mercadoria por meio de fraude. Conforme previsto, diante da expressa determinação, a não comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior poderia caracterizar a presunção prevista nos tipos legais elencados (AI, Relatório Fiscal), em especial o §2.º do Art. 23 do DL 1455/76 (Lei 10637/02). Mas por raciocínio lógico diretamente inverso, a comprovação de recursos próprios é suficiente para descaracterizar a presunção de interposição fraudulenta de terceiros para ocultar sujeito passivo (real adquirente). Ficou comprovado nos autos, tanto pelo contribuinte quanto pela própria autoridade fiscal, a origem e a suficiência dos recursos próprios da Átila para operar no comércio exterior em comparação com a DI em questão, objeto do lançamento, com importações no valor exato de R$ 108.700,88 (fls 26 e seguintes) em 03/04/2012. Seguem as comprovações: integralização do capital social de R$ 12.600.000,00 e suficiência deste conforme fls 5159, 60, 61, 113 e 4323 e documentos anexos; limite do radar compatível conforme fls 5159, 52, ainda que por um período excedido; capacidade econômica dos sócios conforme DIRPF de fls 115, 5159 e 4323 e anexos; Patrimônio Líquido do Grupo Econômico, conforme fls 5159 do Recurso Voluntário e tabela juntada pelo fiscal em fls. 116. E diferentemente do alegado pela autoridade fiscal em fls 117, não há um documento formal ou oficial que por si só caracterize e proteja um grupo econômico para fins de comprovação de Patrimônio Líquido ou capacidade econômica. Qualquer avaliação doutrinária considera os elementos “economia” e "relação de coordenação", na caracterização de grupos econômicos. A exemplo, citase o Acórdão 230201.038 deste Conselho, que afirma o seguinte: “Para a caracterização de grupo econômico para fins previdenciários, mostrase despicienda a formalização jurídica dessa congregação de empresas, tampouco a existência formal de relação de subordinação, revelandose bastante e suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, a constatação fática de uma relação de coordenação, situação na qual não existe prevalência formal de uma empresa sobre a outra, mas simples conjugação de interesses com vistas à ampliação da credibilidade e dos negócios”. Fl. 5406DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.392 29 Da mesma forma que determinou o Acórdão CARF n.º 1102001.320: “Pessoas jurídicas que partilham da mesma posição jurídica passiva, visto realizarem negócios entre si, terem os mesmos sócios efetivos, explorarem o mesmo patrimônio, coexistirem no mesmo local, e valeremse do mesmo fundo de comércio, respondem solidariamente pelo crédito tributário lançado.” Assim, em se tratando de grupo econômico entre as empresas Atila e Ventura e Orion, por exemplo, conforme apresentado pela própria autoridade fiscal em seu relatório de fls 46 e pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, a capacidade econômica do Grupo Econômico (mais de 1 bilhão de reais) é fato incontroverso e, para fins de comprovação de origem de recursos próprios, são também adequados os recursos originados do Grupo Econômico. Ainda que a presente lide esteja limitada à DI de 03/04/2012, no valor de R$ 108.700,88 (fls 26 e seguintes), é importante considerar que o grupo possui capacidade econômica para arcar com os custos de todas as operações mencionadas, ainda que crescentes e volumosas. São adequados e suficientes os recursos porque são próprios da Atila (contribuinte) e do Grupo Econômico que integra. Para fins econômicos, o patrimônio financeiro é um só. A legislação admite inclusive que despesas sejam compartilhadas e o rateio de receitas, desde que haja critérios razoáveis do rateio como valor da hora de trabalho e posição hierárquica na empresa. Os recursos próprios têm origem no próprio capital social da empresa, que têm origem nos comprovados recursos dos próprios sócios, que têm origem dos comprovados volumes de vendas das mercadorias e participações em demais empresas do Grupo Econômico. Não valeriam para comprovar a origem de recursos próprios somente os recursos que não fossem próprios ou que fossem comprovadamente ilícitos. Não há sequer uma prova nos autos que retire a legitimidade dos recursos. Não há sequer um recurso ou transferência que tenha financiado inteiramente as operações de importação, questionado pela fiscalização. Logo, não há como aplicar a presunção neste caso em concreto. Ponto inicial da lógica deste voto parte do seguinte fato: a comprovação da origem de recursos próprios empregados nas operações de comércio exterior foi juntada aos autos, mas não foi aceita pela autoridade fiscal e pelo julgamento de primeira instância, em razão de entenderem pela possível ilicitude dos recursos próprios, oportunidade em que a autoridade de origem trata dos temas "lavagem de dinheiro" e "falsidade ideológica" sem juntar uma prova a respeito. Fl. 5407DF CARF MF 30 Ora, possível ilicitude de recursos comprovados não têm o poder de desconfigurar a origem dos recursos. Assim, se comprovada a origem dos recursos, como foi, a capitulação do lançamento somente poderia ser analisada sem que se considerasse o instrumento da “presunção”, poderia prosseguir somente na oportunidade dos fatos realmente subsumirem às normas, conforme previsto no Artigos 112, 113 e 142 do Código Tributário. A partir desta exclusão da presunção na avaliação da ocorrência ou não da interposição fraudulenta, é necessário que esteja presente o elemento subjetivo do tipo e os demais requisitos para que a conclusão pela ocorrência da interposição fraudulenta tenha validade. Este elemento subjetivo, em resumo, se concretiza na vontade consciente e na intenção de reduzir tributo e causar prejuízo ao fisco para auferir ganho econômico, conforme Art. 72 da Lei 4502/64. Neste contexto, a operação comercial e a estrutura societária teria de causar ilusão e ter exagerada distinção entre a realidade e a aparência, ou seja, o interposto (Atila) não teria real interesse nas importações e o reais adquirentes não poderiam "aparecer" nas operações. Aos reais adquirentes são destinadas as mercadorias e o interposto nada mais faz do que ser interposto, uma proteção aos reais adquirentes, uma empresa ou pessoa que suportaria todas as persecuções patrimoniais e penais. Os principais fatos que motivam a fraude, além do ganho econômico, costumam ser a proteção do patrimônio e da integridade do real adquirente de possível execução fiscal, a proteção contra eventuais processos criminais decorrentes das importações e da venda de produtos importados sem nota fiscal, sem recolhimento do tributo ou lavagem de dinheiro. No presente processo, todos estes encargos estariam apontados aos sócios da Atila, os possíveis laranjas da operação, que seriam os interpostos entre a União e os reais adquirentes. Segue exemplo de operação fraudulenta publicada pela própria Receita Federal1 (internet): Conforme publicado: "Este modelo permite ocultar o real adquirente("E") das mercadorias importadas, adquiridas por este junto ao seu fornecedor no exterior ("A"), bem como ocultar os elementos da própria transação comercial. A negociação de fato ocorre sempre 1 http://www.fazenda.gov.br/noticias/2006/r160806b Fl. 5408DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.393 31 entre "A" e "E", os quais definem preços, condições de pagamentos, mercadorias, quantidades e demais providências." Não há nos autos comprovação de que os sócios da BS Colway negociaram com as exportadoras ou mesmo escolhiam os produtos a serem importados, não comprovado o repasse de mercadorias ou subfaturamento de preços, não comprovada a quebra da cadeia do IPI e, principalmente, não estão comprovados nos autos os elementos subjetivos do tipo. Assim, com base nesta informações juntadas aos autos, a Atila não pode ser caracterizada como empresa de fachada, como concluiu a fiscalização. A própria relação familiar entre Francisco Simeao e Luiz Bonacin (BS Colway) com seus filhos, sócios da Atila, levanta dúvidas de que esta empresa fosse a "laranja" de toda a operação, que fosse o alvo de toda e quaisquer penas criminais que poderiam advir de operação fraudulenta. Cabe informar que a grande maioria das empresas no Brasil são familiares, em torno de 90% ou mais, informação que pode ser confirmada por qualquer cidadão em consulta ao SEBRAE, por exemplo. Levantou o contribuinte também que os tributos foram regularmente adimplidos e nesse ponto, não houve qualquer contestação da fiscalização ou da DRJ. Não é possível constatar fraude e dano ao erário sem que ao menos tenham sido juntadas provas de quebra da cadeia de recolhimento do IPI, falta de destaque do tributo e consequente ausência do recolhimento do tributo nas demais etapas de comercialização da mercadoria importada. É o que poderia justificar possível ocultação do sujeito passivo na importação. O que leva a crer que a Atila operou de forma direta nas importações (operação legalizada conforme IN SRF 680/06, 650/06 por exemplo), acertando as compras, as condições de pagamentos, frete e seguro, por sua conta (seus recursos) e por seu risco (ordem). Não há qualquer dúvida trazida no lançamento sobre a legalidade de sua habilitação ou legalidade dos despachos ou recolhimento dos tributos com a regular emissão de notas fiscais de entrada e devida escrituração. Operação tipicamente bilateral entre exportador e importador. Afirmase novamente: o crédito provado tem o condão de firmar o convencimento de que os fatos não subsumem ao tipo elencado, de forma que se a não comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior poderia caracterizar a presunção previstas nos tipos legais elencados (AI, Relatório Fiscal),em especial o Art. 23 do DL 1455/76 (Lei 10637/02), por raciocínio lógico diretamente inverso, a comprovação de recursos próprios é suficiente para descaracterizar a presunção de interposição fraudulenta de terceiros para ocultar sujeito passivo (real adquirente). O Auditor Fiscal descreve “Conversão do Perdimento em Multa Impossibilidade de Apreensão de Mercadoria”, mas não existem sequer fatos que possam subsumir às disposições legais que poderiam fundamentar a lavratura do Auto de Infração. Não há fundamento, objeto ou razão para o Auto de Infração prosperar, pois a falta de recolhimento não está configurada e foi arbitrada de forma insustentável. Fl. 5409DF CARF MF 32 Feita esta introdução geral do caso, cabe ao relator expor os demais fatos que necessitam de análise específica. DA SIMULAÇÃO, DOS CONTRATOS DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA, DA BS COLWAY, DO CONTRATO DE COMODATO, DOS EXTRATOS BANCÁRIOS DO BANCO BRADESCO (FLS 2600 – DOC. 07 PARTE 02) E DO PAGAMENTO DOS FRETES (FLS. 71): A autoridade de origem juntou o Contrato de Comodato e o de Administração financeira (fls 62 e 127 e seguintes) que prevê a utilização de imóvel e a administração financeira. O contrato aparenta ser fruto de tratativas confusas do grupo empresarial. Mas não é possível concluir que o Contrato foi elaborado exclusivamente para simular a interposição fraudulenta de terceiro com o objetivo de ocultar reais adquirentes das mercadorias importadas e causar dano ao erário. Gera dúvida quanto à legalidade das operações o ponto levantado pelo Fiscal em fls. 131, sobre o trecho do contrato de Administração Financeira, em que consta o repasse de valores líquidos ao “IBS”, como se “IBS” fosse a sigla para representar o Instituto BS Colway. Mas não há nos autos nenhuma prova de que a sigla IBS seja o Instituto BS Colway e não há no lançamento, prova de que houveram repasses de valores líquidos ao Instituto BS Colway. O contrato de comodato e de administração financeira são instrumentos legais, conforme previsto no Art. 579 e seguintes e Art. 593 e seguintes do Código Civil. Contudo, certa confusão pode ser verificada na união das empresas. Os fatos causaram certa dúvida sobre a formatação desta união entre as empresas Atila e Bs Colway. Mas a correta ou incorreta forma de união dos negócios não pode caracterizar a fraude ou a simulação por si só, visto que as principais motivos que levariam à fraude não estão nos autos até o momento. Como já afirmado, a legislação admite inclusive que despesas sejam compartilhadas e rateio de receitas desde que haja critérios razoáveis do rateio como valor da hora de trabalho e posição hierárquica na empresa. Contudo, agora um indício da ocorrência da interposição fraudulenta, verificase nos autos que há relação entre a BS Colways e a Atila, de modo que existem débitos e créditos conforme extratos bancários do Banco Bradesco de fls. 2600 e seguintes. O que realmente pode ser considerado como uma prova de que a BS Colways realmente não era totalmente independente como fez crer o contribuinte em suas peças de defesa. Mas, de acordo com um dos principais requisitos que configuram a interposição fraudulenta, concluir que o controle financeiro e administrativo da empresa Atila era exercido pelos sócios da BS Colway, é desconsiderar a relação da Atila com a Fl. 5410DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.394 33 exportadora Goldstein e outras exportadoras, seus Presidentes estrangeiros e políticas dessas empresas. O efetivo controle financeiro que poderia caracterizar a fraude no presente caso, seria aquele que permitiria aos sócios da BS Colway toda a negociação com os exportadores, a definição dos produtos, das condições de pagamento e todas aquelas típicas de quem importa o produto. Não há uma prova a favor do fisco nos autos nesse sentido e há provas a favor do contribuinte, conforme correspondências de fls 4713, que demonstra a negociação por parte da própria Atila de forma direta nas operações. Concluir que houve interposição fraudulenta de terceiros por existirem débitos e créditos entre a Atila e a BS Colways, seria ignorar os outros fatos que deveriam ter sido comprovados no lançamento e não foram, para que os fatos possam subsumir ao tipo legal, sejam estes a incapacidade econômica do interposto (Atila), o controle financeiro do real adquirente (BS Colway), que as tratativas tenham sido realizadas pelo real adquirente, a quebra da cadeia do IPI, o repasse das mercadorias ao real adquirente e o aferimento de benefícios pessoais. Importante ressaltar que os extratos do banco Bradesco que comprovam existir relação econômica entre as empresas Atila e BS Colway não foram objeto do lançamento, razão pela qual não se pode inovar o lançamento no âmbito do processo fiscal administrativo por possível violação ao Art. 146 do CTN. Inclusive tais extratos foram descartados do lançamento conforme fls do Relatório Fiscal, oportunidade em que o fiscal atesta que os mencionados extratos não foram juntados, no sentido de afirmar que se fossem juntados poderiam provar que o contribuinte não realizou interposição fraudulenta (veja que o raciocínio foi inclusive inverso). O próprio contribuinte juntou os extratos em fls. 2600 e, de forma prejudicial à linha apresentada no Recurso Voluntário, tais extratos apontam que havia relação financeira entre a Atila e a BS Colway em valores expressivos. Importante mencionar, por exemplo, o pagamento do frete da Atila por parte da BS Colway conforme fls 64 e 71. O fiscal comprova com documentos que a BS Colway pagou frete de mercadoria do porto até a empresa Atila, para a empresa Transcap. Contudo, para fins de utilização destes documentos como prova de que realmente ocorreu uma interposição fraudulenta, ainda que pese no quadro de informações a confusão patrimonial e financeira, não é possível considerar estes documentos, porque sozinhos, provam somente a ocorrência da confusão patrimonial e não a ocorrência da interposição fraudulenta no molde capitulado. Este critério da similitude fática encontra respaldo nos limites legais determinados pela análise sistêmica dos seguintes dispositivos: Art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99 em confronto com os Arts. 112, 113, 142 e 146 do CTN. Fl. 5411DF CARF MF 34 Desta forma, neste lançamento em específico, não podem ser considerados como provas conclusivas em prejuízo ao contribuinte os documentos que comprovam o pagamento de fretes e a existência de débitos e créditos entre Atila e Bs Colway. Se mesmo assim, ao analisar os autos, dúvidas sejam levantadas a respeito da ocorrência ou não da interposição fraudulenta, por virtude do Art. 112 do CTN, o contribuinte tem a garantia da interpretação mais favorável, de modo que, não existindo um conjunto probatório robusto do tipo elencado, a conclusão pela procedência ou não dos autos seja, primeiramente, favorável ao contribuinte. Pelo que se conclui dos autos, na visão deste Relator, o contexto aponta, na verdade, que existe relação entre dois Grupos Econômicos, diferentemente do levantado no lançamento ou do alegado pelo contribuinte. Situação aparentemente atípica, o que leva a crer pela possibilidade de existência de um só grande Grupo Empresarial. Ficou evidente que os autos apontam que existe o Grupo dos Pais, de Francisco Simeao e Luiz Bonacin, com as empresas BS Colway Ltda e Instituto BS Colway e, o outro grupo, que seria composto pelos filhos, Fernando Francisco Simeão Rodrigues, Gabriela Boneto Rodrigues, Manuela Boneto Rodrigues, Alessandra Bonacin Buttchewits, Luiz Bonacin Netto e Priscilla Bonacin, com as principais empresas sendo a Atila, a Ventura e a Orion. Assim, mesmo existindo uma confusão de recursos entre dois grupos econômicos (Grupo da BS Colway e Grupo da Ventura, Orion e Atila), não há dolo comprovado nos autos e não há informações e provas suficientes que contestem ou desconfigurem a relação comercial estabelecida, como sugeriu a autoridade ao constar no lançamento a possível ocorrência de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Se assim fosse, todo grupo industrial familiar poderia ser considerado fraudulento e as importações diretas perderiam segurança jurídica, assim como o país poderia perder ainda mais a atratividade aos investidores internacionais, novas tecnologias deixariam de ser acessíveis aos Brasileiros e, consequentemente, a economia certamente poderá continuar a desaquecer e mais vagas de empregos deixariam de existir. DA OFENSA À HONRA E DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA: O lançamento cita a lavagem de dinheiro, a falsidade ideológica, a ilicitude dos valores comprovados e não fundamenta ou comprova, de nenhuma forma, suas graves alegações. Ainda mais grave, junta aos autos decisões parciais de processos criminais do contribuinte, dando grave publicidade à fatos constrangedores e irreais, na medida em que claramente deixa a entender que estariase tratando de criminosos, quando ao analisar as decisões judiciais parciais, nenhuma é conclusiva e nenhuma condena os sujeitos passivos. Ao contrário, verificase haver decisões que concluem pela inépcia de denúncia, o que demonstra exatamente ao contrário do que cogitou a autoridade lançadora, demonstra a inocência dos sujeitos passivos. Fl. 5412DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.395 35 É de conhecimento que tanto o Direito Tributário quanto o Direito Penal possuem caráter disciplinar e sancionatório, com arcabouço legislativo proveniente de princípios em comum. Contudo, de forma pragmática, verificase que o procedimento administrativo não possui o mesmo rigor do processo penal, talvez em razão de não haver um Código de Processo Administrativo como existe no Direito Penal o Código de Processo Penal. Logo, desta constatação surge a preocupação de que, em processo penais, os Juízes de Direito possam se utilizar unicamente da constituição definitiva do crédito para concluir que há materialidade e autoria. Em se tratando de justiça, não há nada mais perigoso e injusto para a sociedade e para o contribuinte do que a condenação “automática” de cidadãos e contribuintes. É sobre o tema em litígio que o nobre doutrinador, Juiz Federal aposentado, Doutor Hugo de Brito Machado, lançou o livre “Crime Contra a Ordem Tributária”. Verifica se inclusive na contra capa de seu livro que o autor identificou uma lacuna no conhecimento jurídico, o fato de que “... os penalistas geralmente pouco conhecem do Direito Tributário, e os tributaristas quase nada sabem do Direito Penal”. Com algumas ressalvas às generalizações feitas pelo autor em desfavor às autoridades fiscais, porque muitas autoridades realizam seu trabalho com ética e qualidade, cito a preocupação do nobre autor em fls. 21 desta mencionada obra, no sub capitulo “O Direito Penal e o combate ao crime”, conforme segue: “O melhor instrumento para o combate ao crime, no que concerne especificamente aos crimes contra a ordem tributária, é o respeito ao contribuinte. Respeito que começa pela redução da enorme carga tributária a ele imposta. Passa pelo atendimento desatencioso e absolutamente inadequado e insuficiente a ele dispensado nas repartições da Administração Tributária. Vai até mesmo às interpretações inteiramente inadmissíveis, visivelmente distorcidas, das normas da legislação tributária, tendentes a lhes negar os direitos mais elementares. Enfim, a total falta de respeito na relação tributária, que induz no contribuinte o sentimento de que a lei só existe contra ele, ou pelo menos só é aplicada contra ele, posto que as disposições a ele favoráveis são sempre ignoradas pelas autoridades da Administração tributária. A pretensão de arrecadar tributos indevidos somada às emaças levianas do uso da lei penal contra contribuintes somente degradam a relação tributária e terminam por banalizar o Direito Penal. E não obstante seja o Direito Penal de grande importância como elemento de controle social, realmente a sua utilização não poder ser banalizada. Na medida em que ilícitos de menor importância social, e sobretudo aqueles que menos afetam os sentimentos éticos das pessoas, e por isto mesmo despertam menor censura da opinião pública, são definidos como crime, o Direito Penal se banaliza e perde a eficácia.” A autoridade de origem teria de ter instruído o processo de forma não existisse dúvida se o contribuinte e os responsáveis solidários teriam participado das diversas Fl. 5413DF CARF MF 36 aquisições fraudulentas e de quais, não sendo possível a presunção de que o contribuinte e os responsáveis solidários tinham conhecimento de que em todas as operações havia fraude ou ilegalidade. São inúmeras operações de importação e não se pode generalizar ao contribuinte que o lançamento seria procedente em todas e quaisquer operações, inclusive porque o lançamento ocorreu com base somente na DI em questão, de forma que, se em determinada operação não se constatou informações que solucionem a lide a favor ou contra o contribuinte e os responsáveis solidários, não há como inovar o lançamento no âmbito do processo administrativo fiscal. Em observação ao disposto no Art. 124, inciso I do CTN, poder ser concluído que há interesse em comum, porque todos os empreendedores desejam prosperar e desenvolver o negócio, gerar emprego, aquecer a economia, ter mais lucro e aquecer o mercado, este é o objetivo de toda empresa. Mas tal interesse é comum não só para os empreendedores envolvidos nos trabalhos da Atila, é comum para todos em um regime capitalista e, portanto, licito e legal. Vêse que apesar de haver interesse em comum, do interesse ter indícios de ser ilícito em razão dos extratos do Banco Bradesco que comprovam a existência de débitos e créditos entre a Atila e a BS Colway, existe a dúvida com relação à atuação de cada um dos responsáveis solidários e não se tem prova de que a intenção de todos era de fraudar conscientemente o recolhimento de tributos ou de atuar de forma interposta, porque se concluirse o contrário, logicamente estarseia aceitando a hipótese de que Francisco Simeão e Luiz Bonacin conscientemente correram o risco de expor seus filhos ao perigo de responsabilidades penais e fiscais, como possíveis “laranjas” interpostos da operação. Diante da atitude da fiscalização e das alegações do contribuinte, citase o professor e conselheiro Diego Diniz, conforme trecho do Acórdão 3402003.005 deste conselho: “Em outros termos, ao se analisar tais expressões no bojo da integralidade do denso trabalho fiscal, percebesse que não houve uma predisposição, por parte da fiscalização, de arrecadar a qualquer custo, o que poderia ser ofensivo aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa, mas houve sim excesso retórico, o qual pode ser devidamente apurado e sancionado perante as instâncias correcionais da Receita Federal do Brasil, o que repitase, é insuficiente para macular de nulidade a presente autuação.” Dessa forma, com fundamento no Art. 112, 113 e 142 do CTN, os responsáveis solidários também devem ser excluídos do lançamento. SOBRE A VALORAÇÃO ADUANEIRA E MULTA: Não há como arbitrar valor aduaneiro diferente do declarado sem que os requisitos e métodos da valoração aduaneira tenha sido suficientemente motivados e fundamentados. Ao analisar os autos nas fls. 118, 99, e Doc. 11 do lançamento, é possível verificar ser insuficiente a utilização dos métodos da valoração aduaneira nos termos do Fl. 5414DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.396 37 Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT, de modo que a autoridade somente fundamenta com a legislação correspondente mas não motiva ou descreve de forma clara quais valores e ou critérios foram utilizados nos cálculos. Neste tópico, assiste razão ao contribuinte e, ainda que houvesse sentido em concluir pela ocorrência da interposição fraudulenta, os valores aplicados não mereceriam prosperar. Em paralelo, utilizase das sábias palavras do nobre Conselheiro Fabio Piovesan como referência temática, ao tratar da aplicação de caráter excessivo da multa de 150% no julgamento do Acórdão 2301004.797, conforme transcrito a seguir: "Do Caráter Excessivo da Multa Qualificada de 150% Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a multa de ofício de 75% será duplicada sempre nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Referidos dispositivos tratam das figuras da sonegação, fraude e conluio, nos seguintes termos: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A caracterização das figuras de agravamento da multa demanda a comprovação (e não a mera alegação) de que o contribuinte agiu propositalmente com o objetivo de impedir o conhecimento do fato gerador por parte da fiscalização (sonegação); ou de modificar as características essenciais do fato gerador – o que pressupõe a ocorrência do fato gerador seguida de modificações naquelas características – introduzidas pelo contribuinte para se evadir da obrigação já existente (fraude); ou que duas ou mais pessoas ajustaram a realização de atos visado a qualquer um desses efeitos (conluio). Nessas situações, o contribuinte utilizasse de meios ilícitos, como a falsidade consubstanciada na rasura de documentos fiscais ou no Fl. 5415DF CARF MF 38 registro de fatos inverídicos, para criar uma aparência não verdadeira perante o Fisco. A qualificação da multa não se contenta apenas com o ilícito tributário, ainda que realizado de forma reiterada. É preciso demonstrar que, no caso concreto, o contribuinte erigiu dolosa e indevidamente um obstáculo, um anteparo à adequada aplicação da norma tributária, a exigir da fiscalização um esforço adicional para desarmálo, sem o qual não seria possível alcançar o fato gerador da obrigação tributária. É esse comportamento reprovável do contribuinte com o fito de ludibriar os órgãos de controle, ofensivo a todo ordenamento jurídico, que autoriza a aplicação da multa qualificada. E tal comportamento deve ser provado pela fiscalização, com a apresentação da respectiva materialidade, sob pena de banalizar o instituto. Nesse contexto, é possível invocar a Súmula CARF nº 25, não pela matéria tributável tratada (imposto de renda incidente sobre omissão de rendimentos), mas pela obrigatória demonstração do contexto fraudulento pela fiscalização: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No caso ora analisado, reputo não haver justificativa plausível para o lançamento da multa qualificada de 150%, devendo esta ser reduzida ao patamar comum das autuações de ofício, isto é, 75%, uma vez que: (a) a responsabilidade solidária restou insubsistente, em razão da ausência de conduta dolosa, fraudulenta ou simulada dos sócios Lúcio e Francélio, a partir do período de apuração janeiro/2010; e (...).” Também diante da impossibilidade de concluir pela ocorrência da interposição fraudulenta, não há razão para a aplicação da multa correspondente ao valor aduaneiro e, principalmente, não há razão para a aplicação da multa de ofício de 150% ou qualquer multa. CONCLUSÃO Em face do exposto, votase por conhecer e acolher os Recursos Voluntários e com fundamento no Art. 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 112, 113, 142 e 145 do Código Tributário Nacional e Art. 4.º, I, Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, restando improcedente o lançamento, exonerados todos os créditos tributários e canceladas as multas. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 5416DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.397 39 Voto Vencedor Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim, Redatora Designada Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos voluntários. O litígio versa sobre o auto de infração, para exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição PIS e COFINS, acrescidos de multa majorada de ofício e juros de mora, além da multa proporcional ao valor aduaneiro, conforme demonstrativo do crédito tributário, a seguir, à efl. 02: Imposto de Importação Valor Imposto R$ 10.426,52 Juros de Mora R$ 143,88 Multa R$ 15.639,78 Valor do Crédito Apurado R$ 26.210,18 Imposto sobre Produtos Industrializados Valor Imposto R$ 1.511,84 Juros de Mora R$ 20,86 Multa R$ 2.267,76 Valor do Crédito Apurado R$ 3.800,46 Multa/Juros Diversos Independentes – Imposto de Importação Valor Multa (100% V. Aduaneiro) R$ 173.866,68 Multa (100% dif. V. Aduaneiro – V. Arbitrado) R$ 65.163,25 Valor do Crédito Apurado R$ 239.029,93 Programa Integração Social Valor Contribuição R$ 1.645,01 Juros de Mora R$ 22,70 Multa R$ 2.467,52 Valor do Crédito Apurado R$ 4.135,23 Fl. 5417DF CARF MF 40 Contribuição p/ financiamento S. Social Valor Contribuição R$ 7.813,78 Juros de Mora R$ 107,83 Multa R$ 11.720,67 Valor do Crédito Apurado R$ 19.642,28 Total Valor Crédito Tributário R$ 292.818,08 De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do AI, verifica se, o seguinte:: 001 – MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO – NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face a sua entrega a consumo. As mercadorias objeto da Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184 relacionada abaixo, as quais apresentavam o sujeito passivo como importador por conta própria, foram submetidas a Procedimento Especial de Controle Aduaneiro que, entre outras ações, buscou verificar a origem dos recursos utilizados para sua efetivação, conforme documentos e esclarecimentos constantes do Auto de Infração formalizado no processo administrativo nº 10907.720989/201263 (íntegra anexada à presente autuação). Todavia, ao final de tais ações, ficou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, sancionável com a aplicação da pena de perdimento das respectivas mercadorias. ...... 002 – DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DA MERCADORIA (VALOR DE TRANSAÇÃO INCORRETO) O Sujeito Passivo, apresentado como importador e adquirente na Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184 relacionada abaixo, classificou as respectivas mercadorias empregando códigos(s) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) para o(s) qual(is) a(s) alíquota(s) vigente(s) do Imposto de Importação (II) à época dos registros era(m) de: (1) 16%. Como resultado de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, aplicado sobre referidas mercadorias, restou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, fato que, além de sancionável com a aplicação da pena de perdimento, também impede apuração do preço Fl. 5418DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.398 41 efetivamente praticado nas operações, motivando seu arbitramento para fins de determinação da base de cálculo dos tributos (valor tributável). Decorrente da diferença de tal valor em relação ao declarado na DI, verificouse valor recolhido a menor para o Imposto de Importação. Sendo assim, além das demais conseqüências inerentes ao caso, cobrase o imposto complementar daí decorrente, somado aos acréscimos legais devidos e conforme demonstrativos e Relatório Fiscal anexos. .... 003 – DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO Aplicação da multa administrativa por ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, conforme o que consta do Relatório Fiscal em anexo. Como resultado de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, aplicado sobre as mercadorias da Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184 abaixo, restou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, fato que, além de sancionável com a aplicação da pena de perdimento, também impede apuração do preço efetivamente praticado nas operações, motivando seu arbitramento para fins de determinação da base de cálculo dos tributos. Nos termos da legislação, a ocorrência de diferença entre tal valor e aquele declarado nas DI é objeto de multa. Sendo assim, além das demais conseqüências inerentes ao caso, é efetuado o lançamento de tal penalidade. ....... Temse que a empresa ÁTILA PNEUS registrou a Declaração de Importação (DI) nº 12/06129184, de 03/04/2012, (cópia a partir das folhas 702). A empresa ÁTILA apresentase como IMPORTADOR DIRETO ou POR CONTA PRÓPRIA. A referida DI teve por unidade de despacho aduaneiro a Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de PARANAGUÁ, importando 19.335,73 kg de pneumáticos de borracha classificados no código NCM 4011.20.90 (OUTROS PNEUMÁTICOS NOVOS DE BORRACHA), originários de Taiwan, de marca comercial MAXXIS, no valor aduaneiro de US$ 59.656,92. Fl. 5419DF CARF MF 42 É de se esclarecer inicialmente que, conforme quadro à efl. 5255 (abaixo), todos apresentaram recursos voluntários: ÁTILA PNEUS, LUIZ BONACIN NETTO e GABRIELA BONETO RODRIGUES, apresentaram em conjunto o recurso voluntário. Da mesma forma, BS COLWAY LTDA, LUIZ BONACIN FILHO e FRANCISCO S. R. NETO. De acordo, com o relator original do processo, de forma sucinta: Os Recursos Voluntários em face do acórdão proferido pela DRJ/SP, redistribuídos por sorteio eletrônico para esta Turma e sob esta relatoria, sustentam em síntese, com relação ao mérito, que não houve interposição de terceiros, que havia independência nas decisões administrativas das empresas, que não houve fraude, que as empresas firmaram de forma pública e legal os contratos de comodato e administração financeira, que não há responsabilidade solidária, que houve ofensa à honra e ao princípio da legalidade tributária, que o valor aduaneiro foi arbitrado sem fundamentos válidos e que as multas são confiscatórias. Inicialmente, sobre as preliminares arguidas, acerca das nulidades no julgamento da DRJ/SP, ou seja, da remessa da impugnação administrativa para julgamento pela 23ª Turma da DRJ/SP, da ausência de apreciação de documentos e informações relevantes e cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, bem como da imprescindível produção de prova pericial para se alcançar a verdade material, entendo que já foram objeto de análise, bem como rejeitadas essas preliminares. Passo ao mérito, no que me coube o voto vencedor. Registrese que no julgamento comentouse muito que o fundamento legal da interposição era a presunção, mas a descrição dos fatos levoua à simulação, que é a situação descrita no dispositivo legal que dispõe a penalidade aplicada na interposição fraudulenta de terceiros. Observese, inicialmente, que, conforme entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp n° 902010/DF, 2a Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 15/12/2008), desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pelas partes. Fl. 5420DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.399 43 Não há como deixar de apontar diversos relatos, elementos e fatos de provas trazidos pela fiscalização, a seguir comentados (oriundos do relatório fiscal do Auto de Infração). Os fatos são importantes para entender o modus operandi da empresa, conforme Relatório da Fiscalização e transcritos, inclusive, pela decisão a quo. O emprego de interposta pessoa é artifício utilizado em operações de comércio exterior, logo, foram editadas normas que dão suporte à Fiscalização para seu enfrentamento. O DecretoLei nº 1.455/76, de 07/04/1976, com as alterações da Lei nº 10.637/02, de 30/12/2002, definiu como Dano ao Erário a ocultação do Sujeito Passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, infração punida com o perdimento das mercadorias. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 1° O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 . (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) Pois bem, a DI foi direcionada, inicialmente para o canal vermelho de conferência e incluída no procedimento especial de controle aduaneiro. Então, a fiscalização utilizouse dos procedimentos especiais de controle aduaneiro e verificou que restou caracterizada a ocorrência de conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias, mediante simulação, previstos pela IN SRF nº 228/2002, a qual dispõe sobre procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas Então, a exigência promovida por meio do auto de infração do presente processo decorre de infração considerada como dano ao Erário, capitulada no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Fl. 5421DF CARF MF 44 A pena prevista para a infração antes descrita é o perdimento das mercadorias importadas, conforme parágrafo 1º do mesmo artigo. Em razão de as mercadorias importadas não terem sido localizadas, por terem sido consumidas ou revendidas, a fiscalização lavrou auto de infração para exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme determinado no parágrafo 3º do mesmo artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, nos seguintes termos, in verbis: § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. No caso, restou caracterizado o dano ao Erário causado pela comprovada ocultação do real adquirente, Átila através da interposição perante o Fisco da empresa BS Colway, figurandose esta de forma indevida e ostensiva como empresa importadora e adquirente. Argumenta a empresa sobre a habilitação no sistema RADAR, no entanto, quando do momento da habilitação da empresa importadora/exportadora no Sistema RADAR, não há como verificar se aquela empresa terá um comportamento adequado frente aos critérios de compatibilidade entre sua capacidade contributiva e o seu volume transacionados bem como as demais práticas ilícitas referentes ao uso de empresa interposta em operações de comércio exterior. Ocorre que, embora, para a concessão dessa habilitação, todo importador seja submetido à análise fiscal sob um aspecto preventivo e à estimativa da capacidade financeira semestral para operar no comércio exterior, tratase meramente de uma análise preliminar para que seja autorizada a operar no comércio exterior, não havendo qualquer óbice a que seja fiscalizado o seu despacho de importação ou efetuada a revisão aduaneira das suas importações. Pelo contrário, para que uma empresa seja selecionada qualquer ação fiscal relativa à importação é pressuposto necessário que a empresa esteja previamente habilitada a atuar no comércio exterior e tenha efetivamente realizado operações de importação, o que exatamente aconteceu. Verificase que a estimativa de volume para operar semestralmente no comércio exterior é efetuada com base na capacidade financeira potencial da pessoa jurídica com base em recolhimentos de tributos efetuados pela requerente nos 5 anoscalendário anteriores ao pedido de habilitação, enquanto a verificação da origem do recursos aplicados nas operações de comércio exterior é realizada em relação às concretas operações efetuadas no período fiscalizado. Enfim, mesmo com a habilitação da empresa no Sistema RADAR nada impede que a mesma desempenhe a função de empresa interposta em operação de comércio exterior à margem do que é previsto na legislação aplicável. No caso, no momento da habilitação para operar no comércio exterior, não foi apresentado qualquer instrumento, público ou particular, informando o Contrato de Comodato de uso do imóvel sede da empresa ÁTILA PNEUS a título gratuito com a empresa PORTAL DOS MANANCIAIS LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 13.790.661/000100, cujos sócios são quase coincidentes com os da empresa ÁTILA. Isso evidencia, pelo menos, uma confusão patrimonial, indício de uso da empresa ÁTILA PNEUS como interposta pessoa em operações de comércio exterior. Fl. 5422DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.400 45 No curso do procedimento especial de controle aduaneiro que redundou na presente autuação, a empresa, a título de comprovação de seu efetivo funcionamento é que a empresa ÁTILA PNEUS apresentou o contrato de comodato, desta feita firmado com outra das empresas do chamado “ JOVEM GRUPO BS PNEUS”. É de se considerar ainda que, na cláusula segunda do Capítulo I, do Contrato de Comodato de uso do imóvel, expressamente se afirma que: “ a presente cessão restringese apenas ao uso da área operacional dos bens identificados na cláusula anterior, para as atividades de estocagem de pneus novos da COMODATÁRIA...”, deixando claro que não se trata de cessão de escritórios ou salas. Assim fica patente que a pessoa jurídica ÁTILA PNEUS LTDA. não dispõe, de forma estável e regular, de qualquer espaço físico para desempenho de sua atividade econômica principal, qual seja o Comércio por atacado de pneumáticos e câmarasdear. A informação acima indica que se está tratando unicamente de disponibilização de espaço para estocagem de pneus novos, e que, por consequência, a empresa formalmente não dispõe de escritório, espaço físico especialmente destinado à prática de atividades de cunho administrativo e/ou comercial, informação não disponibilizada, quando da sua habilitação. Quanto à integralização, percebese que se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. Notase que a empresa ÁTILA PNEUS alega à efl. 4.333: Outrossim, é inconcebível que o senhor AuditorFiscal se dê o direito de simplesmente afirmar "que não ficou bem claro quem efetuou os depósitos relativos à integralização do capital da empresa". Afinal, ele acusa a empresa, ou não? Aceita a integratizaçâo ou "quer dizer o que?". Até para que a empresa possa exercer seu direito de defesa, como estabelece a lei e a Constituição brasileira, precisa saber exatamente à que tipo de acusação deve responder! Para provar a origem dos recursos destinados à integralização do capital social da impugnante, os sócios anexaram no processo administrativo suas Declarações de Imposto de Renda do Ano base 2009 (cópias anexas), ano da constituição da Atila Pneus Ltda., bem como as atuais, do Ano base 2011 (cópias anexas), onde estão lavrados em nome de cada sócio os seguintes rendimentos: Fl. 5423DF CARF MF 46 E à efl. 4.334: Portanto. desde logo se afirma que não há como a RF de Paranaguá "supor” que os sócios das quotistas da Átila Pneus Ltda. não tinham condições financeiras de constituir a Átila Pneus e nela integralizar, no mês de março de 2009, o capital de R$ 12.600.000,00 (doze milhões e seiscentos mil reais), valor este que representava na época apenas 25% do patrimônio dos mesmos, conforme acima discriminado (números extraídos das declarações ao I.R. anexadas). Aliás, somente no ano base de 2009 estes sócios auferiram o montante de R$15.041.708,30 a título de rendimentos pessoais. O ponto não se cinge à capacidade econômica, de nada vale exibir a DIRPF, os rendimentos, o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se a empresa não demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: a origem do recurso, sua disponibilidade no momento da integralização do capital social, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada depósito praticado. Concluise que na fase do procedimento especial que visava o combate à interposição fraudulenta do qual resultou este AI e que também seus elementos coligidos foram utilizados na autuação, foi constatado o que segue: Habilitação: Valor estimado de US 14 milhões operou US 29 milhões (fl. 52) Procedimento Especial: Não haviam sido entregues os extratos bancários da conta corrente do banco BRADESCO, na qual foram debitados os contratos de câmbio, cujas cópias haviam sido apresentadas (vide tabela, resumo de tais informações (fl. 59). Integralização No que dizia respeito à comprovação da integralização do capital social da empresa, as cópias dos depósitos apresentados para tal fim não permitiam identificar a origem dos recursos: a única constatação que tais cópias permitiam era a de que a própria havia sido o depositante dos valores, o que se mostrava insuficiente, ao menos de forma preliminar, para se comprovar sua verdadeira origem bem como sua consistência com o que consta no contrato social (fl. 60). Fl. 5424DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.401 47 Integralização Do Capital Demonstração Da Capacidade Financeira A exigência de demonstração da capacidade financeira para iniciar as operações no comércio exterior está fundada no tripé: origem, disponibilidade e efetiva transferência no nascimento efetivo da empresa: a captação dos recursos próprios. Óbvio que a origem deve ser lícita pois o objeto de qualquer sociedade há de ser lícito. Por comprovação, entendese insuficiente a existência e transferência do recurso; exigese também sua disponibilidade no momento ou anterior da integralização, em especial quando o valor total de R$ 12 milhões, mantidos em espécie, são depositados no banco em 15 operações, no intervalo de cerca de 1 mês. Não é crível que sócios de empresa localizados em uma grande região metropolitana (Curitiba) dirijamse sistematicamente, no período de 1 mês, à agência bancária portanto grande volume de dinheiro em espécie (valores que chegam a R$ 1.200.000,00) com fins à integralização do capital de uma nova sociedade, quando aparentados de pessoas notoriamente conhecidas no meio empresarial do ramo de pneumáticos. O que se retrata e se comprova é só e simplesmente que a relevante quantia de R$ 12.600.000,00 foi depositada, ao longo dos meses de 04 e 05/2009 em conta corrente da empresa (à época ainda denominada como MAXXIS IMPORTADORA DE PNEUS LTDA), e que o depositante foi a própria empresa. Ressaltese, ainda, que no extrato bancário figure a própria empresa (e não seus sócios) como depositante dos valores em espécie para a integralização do capital social (fl. 113). Conclusão lógica é que não foram os sócios que integralizaram o capital (fl. 114) E mais, a capacidade financeira dos sócios não foram comprovadas, vez que as DIRPF (anos 2011 e 2012) apresentadas retratam situação posterior à integralização do capital, que se deu em 2009 (fl. 115) Sem essa comprovação, implica em prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros, na forma do inc. V, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76. O que se depreende da leitura do inciso V é que o importador interposto é aquele que deliberadamente oculta o responsável pela importação, independentemente da sua capacidade econômica e da efetiva transferência de recursos. O fato é que o inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76 traz a seguinte disposição: Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. O citado dispositivo define a priori como ilícita a prática de interposição de pessoas no comércio exterior. O responsável pela importação COMPRADOR no mercado interno tinha o dever de se identificar para os órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros e assim não o fez. Se isso ocorre, estáse diante da prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 5425DF CARF MF 48 Alega a empresa à efl. 4.340: No que se refere à necessidade da importadora em efetuar o registro das marcas dos pneus importados junto ao INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial, sem dúvida há novo equivoco, uma vez que não há qualquer exigência, por parte da Receita Federal, ou seja de quem for, de que as empresas importadoras sejam detentoras das marcas dos produtos que importam. Sobre isso, seria absurdo e até um crime que importadoras de produtos como MERCEDES, BMW e outros, requeressem registros de tais marcas em nome delas (importadoras). Portanto, a impugnante promove a importação de algumas marcas de pneumáticos (MAXXIS. SUNNY e ROSAVA), todos regularmente aprovados pelo INMETRO, IBAMA e demais órgãos regulamentadores, sem que isso implique na necessidade de registro dessas marcas em seu nome nos órgãos competentes. Por outro lado, em nenhum momento o auditor demonstra a obrigatoriedade de tais medidas, mas apenas faz afirmações despropositadas e sem nenhum alcance prático, a não ser a visível intenção de promover "ilações", razão pela qual referido argumento deve ser afastado de plano. Há, sem dúvidas, um critério extremamente subjetivo do auditor fiscal, o qual, por certo, não pode ser adotado como fundamento mínimo para tão nefasta ação fiscal. No caso em análise, a DI nº 12/06129184, de 03/04/2012, refere a importação de 19.335,73 kg de pneumáticos de borracha classificados no código NCM 4011.20.90 (OUTROS PNEUMÁTICOS NOVOS DE BORRACHA), originários de Taiwan, de marca comercial MAXXIS. Em verificação aos registros públicos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a fiscalização aduaneira constatou que a marca adotada pelas mercadoria sob análise (MAXXIS) não pertencia à empresa apresentada como importadora e adquirente, mas a outra empresa, no caso a BS COLWAY PNEUS LTDA. Em sendo assim, o produto importado tinha por destinatário predeterminado a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA – que surge na condição de sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR) – para posterior revenda do produto no mercado interno. Assim, quem de fato comercializa esse produto no mercado interno é a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Nada impede que a empresa ÁTILA PNEUS possa importar produtos da marca MAXXIS, contudo, na medida que sua comercialização no mercado interno será feita necessariamente pela empresa BS COLWAY PNEUS LTDA, é nítido que a empresa ÁTILA PNEUS importa para esta. Portanto, assume a condição de interposta pessoa em operação de comércio exterior. Observase uma afirmação da empresa BS COLWAY PNEUS LTDA, à efl. 4.838: Perdoem a colocação esdrúxula, mas o único detalhe que une a BS Colway à Átila Pneus é que ambas, na "ponta do iceberg", Fl. 5426DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.402 49 acabam por vender pneus. A primeira possuía uma fábrica de remoldados. A segunda limitase a efetuar importações. De tal sorte que não há como se fazer a ligação entre as duas empresas, sociedades distintas, com sócios distintos e, importante salientar, objeto distinto. Em suma, a empresa ÁTILA PNEUS importa pneus que são vendidos no mercado interno com o Certificado de Conformidade às normas do INMETRO, cuja a detentora é a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Portanto, empresa ÁTILA PNEUS efetua importações para a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Esse procedimento é irregular na medida em que a empresa ÁTILA PNEUS se declara aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros como importadora e adquirente. O procedimento correto seria a empresa ÁTILA PNEUS adotasse a modalidade de Importação por “conta e ordem” ou modalidade de Importação por “encomenda”, a depender do modo de financiamento da importação, e assim informar aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros quem é a responsável pela comercialização do o do produto importado no mercado interno, no caso a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Em não procedendo assim, ocultando o responsável pela importação – sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR ) essa transação configura prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, conduta tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Tecendo mais alguns comentários sobre o quadro social da empresa Átila, a mesma foi formalmente constituída em 20/03/2009, tem domicílio fiscal em Piraquara, Estado do Paraná, apresentando outros dados cadastrais. A empresa ÁTILA PNEUS apresenta, como um de seus administradores, LUIZ BONACIN NETTO, pessoa que tem vinculação familiar estreita com Sócio Administrador de outras empresas que atuam ou atuaram de forma intensa no ramo de importação e comércio de pneumáticos e câmaras de ar. Fl. 5427DF CARF MF 50 Quanto ao imóvel, sede da Empresa ÁTILA PNEUS é de propriedade da empresa BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A. A empresa admite que as empresas formam um grupo econômico e portanto possuem interesses convergentes. De fato, quando tomado isoladamente, não existe qualquer irregularidade. No entanto, ao constatar que a empresa ÁTILA PNEUS atua como empresa importadora e usa instalações do grupo econômico – como denominado pela própria empresa – e repassa o produto para outra empresa do mesmo grupo econômico – empresa BS COLWAY PNEUS LTDA que é a detentora da marca MAXXIS no Brasil – fica evidente o uso da empresa ÁTILA PNEUS como interposta pessoa em operações de comércio exterior e da empresa BS COLWAY PNEUS LTDA como REAL COMPRADOR (sujeito passivo oculto), conduta tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Do que foi apresentado a título de comprovação do funcionamento efetivo da empresa ÁTILA PNEUS consta cópia de conta de telefone praticamente sem consumo e Contrato de Comodato de uso do imóvel sede da empresa a título gratuito com a empresa PORTAL DOS MANANCIAIS LOGÍSTICA LTDA., CNPJ 13.790.661/000100, cujos sócios são quase coincidentes com os da ÁTILA Em que pese o porte da empresa, não há consumo de serviço de telefonia uma incompatibilidade com o ramo, porte e recursos financeiros que declaram possuir (fl. 62). Além do mais, demonstrase a ausência de capacidade operacional, vez que o imóvel cedido tratase unicamente de espaço para armazenagem de pneus novos, não há sala de escritório para prática de atividades comerciais e administrativas, não houve consumo de energia elétrica (fl. 103). A própria declarou que a operacionalização das atividades é efetuada pelo grupo BS COLWAY (fl. 107), não há registro de veículos em nome da empresa (fl. 108). Apesar do grande fluxo de mercadorias que teriam sido por si importadas e negociadas, a empresa ÁTILA PNEUS, tendo em vista não apresentar imóvel próprio ou formalmente locado para desenvolvimento das suas atividades comerciais e/ou administrativas, sequer consta como unidade consumidora de energia elétrica no local onde estaria localizada, conforme consulta ao cadastro da empresa distribuidora de energia elétrica do estado do Paraná. Ainda, em consulta a sistema que agrega as informações prestadas pelas empresas com base na GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social relativamente a ÁTILA PNEUS LTDA., verificouse a total ausência, desde sempre, de funcionários com vínculo empregatício com a empresa. Dado esse significativo para se aferir a capacidade operacional própria de uma empresa, é relevante citar que, em atendimento a exigência contida no primeiro TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO (Documento Comprobatório nº 2), na qual se buscava justamente verificar a existência de contratos/acordos de utilização de capacidade operacional de terceiras empresas, apresentouse resposta, conforme tela C16. Com relação ao item mão de obra da recorrente, o que causou estranhamento à fiscalização foi a incompatibilidade da quantidade de empregados com o volume de operações efetuadas pela ÁTILA PNEUS, além do fato de existir vários funcionários vinculados a outras empresas do grupo de fato. Esse elemento, não por si só, mas aliado aos outros já existentes, como, por exemplo, a falta de comprovação de integralização do capital social da pessoa jurídica, conduz também no sentido da criação de uma empresa simulada para atender aos interesses do grupo. Bem como, a quase completa ausência de consumo registrado Fl. 5428DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.403 51 na conta de telefone apresentada que confirma o papel meramente figurativo da empresa ÁTILA PNEUS em todo o processo que efetivamente se desenrola Ainda, junto à documentação apresentada, especialmente cópias de comprovantes de pagamentos dos fretes das mercadorias anteriormente desembaraçadas, havia documentos indicando que despesas a cargo do interessado (fretes de mercadorias vendidas ou desembaraçadas) teriam sido pagas por empresas do que pode ser denominado mesmo grupo empresarial familiar, tendo em vista as ligações societárias e de parentesco. Concluise que as despesas de frete no transporte da mercadoria importada (nacionalizada) foram suportadas por empresa diferente, porém com grau de parentesco e sócios comuns. (fl. 64). Constam os documentos (fls. 65/72) referidos acima. Notase, o volume de importações praticado pela empresa ÁTILA PNEUS: Então, o que foi apresentado à Fiscalização não se mostra compatível com os volumes de importação declarados como próprios pela empresa, sendo absolutamente certo que se trata de mais um artifício irregular utilizado com o fim de se ocultar as reais negociações e os seus reais participantes, enfim os responsáveis pela importação. Resta claro que a empresa ÁTILA PNEUS LTDA., não detém capacidade operacional própria, assim entendida como a reunião de recursos humanos, materiais, logísticos, bens de capital, imóveis, tecnologia, dentre outros, para a realização de seu objeto societário. A empresa ÁTILA PNEUS, dada sua ausência de capacidade operacional, age como importadora para as empresas sob o controle dos sócios LUIZ BONACIN FILHO e LUIZ BONACIN NETTO, denominado de " JOVEM GRUPO BS PNEUS", na medida em que é financiada e amparada estruturalmente e funcionalmente pelas mesmas e sequer possui quadro próprio para proceder as negociações com seus fornecedores internacionais. Verificase que no momento da habilitação no Sicomex/RADAR, a estimativa do volume total de importações, considerada compatível com sua situação, foi de US$ 14.300.000,00 para cada período de seis meses. Para o período anual de 03/2011 a 03/2012, sua média semestral de importações havia sido de US$ 29.410.402,20, sendo que entre 09/2011 a 03/2012 tal valor superou os US$ 39.000.000,00. Por esse motivo, o procedimento de habilitação (IN SRF nº 650/06), estabelece que a estimativa semestral, quando ultrapassada, servirá como parâmetro para a seleção para procedimento especial com base na IN RFB n. 1.169/11. Como pode uma empresa que não possui imóvel próprio (O imóvel não comporta realização de atividades comerciais e administrativas), não paga aluguel, não tem funcionário, não tem gastos com telefonia, não consumiu energia elétrica, comercializa Fl. 5429DF CARF MF 52 mercadoria cuja registro de propriedade é de outra empresa, mas operou cerca de U$ 29 milhões. Não há registros, tampouco, de empregados com vínculos com a empresa (fls. 73). Dessa maneira, verificouse, portanto, que: Os registros públicos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), constatou que a marca das mercadorias sob análise (MAXXIS) NÃO PERTENCE à empresa apresentada como importadora e adquirente (empresa ÁTILA PNEUS); Os registros públicos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), constatou que a marca ostentada pelas mercadorias sob análise (MAXXIS) PERTENCEM à Empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Evidencia o uso da empresa ÁTILA PNEUS como interposta pessoa em operações de comércio exterior e a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA como sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR). Em relação à comprovação da integralização do capital social da empresa, as cópias dos depósitos apresentados NÃO PERMITEM IDENTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS. A única constatação que essa documentação permite apurar é que o próprio favorecido havia sido o depositante dos valores, o que se revela insuficiente para atender o trinômio origem, disponibilidade e transferência. Ressaltese, ainda, que os meios utilizados revelam artifícios de simulação, em especial quanto aos lançamentos contábeis (MISSISSIPI X ÁTILA) contratos que tentaram dar aparência de negócios realizados entre empresas. Há caso que a empresa não existia à época das transações (ORION X ÁTILA) Por exemplo, a considerar a única atividade econômica declarada da empresa MISSISSIPI SOCIEDADES DE FOMENTO MERCANTIL – FACTORING, temse a venda de títulos de crédito que, a teor dos balancetes apresentados e daquele momento da vida formal da empresa, eram inexistentes. Assim sendo, há a figura de simulação, adotada com o fim de tentar encobrir, sob o manto de operação de venda de créditos inexistentes mero trânsito de valores significativos pela contacorrente da empresa, cuja origem, de fato, não foi esclarecida mas que, sob a justificativa de integralização de capital social, afinal foram imediatamente redirecionados para outra pessoa jurídica. Da mesma forma, ao que ocorreu em relação à MISSISSIPI FOMENTO DE NEGÓCIOS S/A, a empresa ÁTILA PNEUS apresentou impresso denominado de CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GESTÃO FINANCEIRA (Documento Comprobatório nº 9) que teria sido firmado com a VENTURA & ORION em 01/06/2011, menos de 01 mês após a constituição formal desta. O quadro de irregularidades contábeis verificado em relação à VENTURA & ORION – GESTÃO EMPRESARIAL S/A é ainda mais grave que aquele detalhado em relação à MISSISSIPI FOMENTO DE NEGÓCIOS S/A, tendo em vista que, verificandose os primeiros lançamentos presentes na conta contábil de ativo ADTO. VENTURA & ORION S/A, constatamse lançamentos em tal conta no mês de 04/2011, QUANDO A PESSOA JURÍDICA SEQUER EXISTIA LEGALMENTE; além disso, o primeiro lançamento que poderia ser tomado como regular, dado que efetuado após a data de existência formal da pessoa jurídica VENTURA & ORION, representa novo fato completamente estranho ao que, em tese, teria sido pactuado no dito contrato firmado com tal entidade: quantia de grande valor (R$ Fl. 5430DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.404 53 4.500.000,00), debitada de contacorrente da empresa, foi simplesmente repassada à VENTURA & ORION sob o nada esclarecedor histórico de TRANSFERÊNCIA ATILA X VENTURA / BD, sem deixar, explícita ou implícitamente, identificação do motivo e/ou documento que comprovasse/justificasse tal operação, obviamente relevante para o patrimônio da empresa Ainda, da afirmação que constava do site www.bspneus.com.br, até 31/05/2012, cotejada com os elementos probantes, depreendese que a atividade de importação de pneus desempenhada pela empresa Átila pneus nada mais é que a continuidade dos negócios da empresa BS Colway Pneus LTDA, após o impedimento judicial de sua anterior atividade de importação e remoldagem , A continuidade da pessoa jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA., bem como sua ocultação indevida nas operações de importação surge ainda evidente quando se analisam os certificados de adequação dos pneumáticos importados às normas brasileiras de qualidade, registrados junto ao INMETRO e que inclusive foram informados na DI, objeto da presente análise. Assim sendo, ressaltese que a escrituração contábil regular, mantida com a observância das disposições legais e com base em contratos e documentos apropriados, é um importante meio de prova de que dispõe a contribuinte para comprovar, em relação aos recursos empregados nas operações de comércio exterior, a origem (de onde e quando veio o numerário), a disponibilidade (posse do numerário no momento de pagar a operação) e a transferência (efetiva migração do numerário para o pagamento da operação). Com efeito, ao final do procedimento fiscal, diante da análise da documentação apresentada pela fiscalizada e de outros elementos, concluiu a fiscalização que, além das "flagrantes irregularidades na própria constituição das pessoas jurídicas fornecedoras primárias dos vultosos recursos financeiros depositados nas contas correntes da empresa, empregados diretamente na efetivação das operações de comércio exterior analisadas", a contabilidade da contribuinte revelouse imprestável para fins de comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados nas operações de importação realizadas no período fiscalizado. Com relação à confusão patrimonial, embora, como alega a recorrente, não seja ilícito o fato de compartilhar funcionários, atenta contra a autonomia da pessoa jurídica declarar como parte de seu patrimônio, inclusive para fins de integralização de capital social, bens que pertencem a outra pessoa jurídica. Ademais, não foi comprovado nos autos o rateio entre as empresas dos custos e despesas relativamente aos funcionários e bens e serviços utilizados conjuntamente. Diante da falta de comprovação de integralização do capital social, apurada na ação fiscal anterior e confirmada no atual procedimento fiscal, da ilegitimidade da justificativa de suprimentos de recursos por empresas do grupo de fato, bem como das inconsistências e artifícios encontrados na contabilidade da ÁTILA PNEUS com intuito de dificultar o rastreamento de recursos, entendeu a fiscalização pela ocorrência da simulação como a ocultação por interposição de pessoas de forma fraudulenta, nos termos do inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, o uso de artifícios fraudulentos ou simulatórios para ocultar, esconder ou encobrir o real sujeito passivo. Portanto, a simulação como a ocultação são caracterizados como fraude, conforme o que dispõe a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964: Fl. 5431DF CARF MF 54 "Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento." Por todo o exposto, entendo que não foi comprovada a integralização do capital, a capacidade financeira, econômica e operacional, mediante a simulação engendrada que envolveu sócios comuns à empresa do grupo BS Colway, que é a situação descrita no dispositivo legal que dispõe sobre a penalidade aplicada na interposição. DA VALORAÇÃO ADUANEIRA Relativamente à valoração aduaneira, concluiu a fiscalização que as Faturas Comerciais apresentadas não mereciam fé quanto aos valores declarados, tendo em vista os fatos apurados que também motivaram a interposição fraudulenta. Como se observa, à efl.184: Os fatos acima apontados, a omissão evidente da autuada em esclarecer minimamente os envolvidos na negociação das mercadorias, e ainda levando em conta tudo o mais que já foi relatado até o presente momento, não permitem outra conclusão que não a de que os impressos apresentados como Faturas Comerciais emitidos pelas entidades GOLDSTEIN TRADING LLC. e GEBADIL S/A, NÃO PODEM SER TOMADOS COMO PROVAS DA OCORRÊNCIA EFETIVA DE UMA VENDA ENTRE OS ALI INDICADOS COMO COMPRADOR E VENDEDOR; da mesma forma, o preço da mercadoria lá constante seguramente não representa o acerto livre de vontades entre as partes indicadas, conclusão que se estende, por consequência, também aos impressos relativos ao outro exportador constante da Tabela C.5, denominado como ROSAVA30. A conclusão anterior leva à outra, necessária e consequente: o valor aduaneiro, assim considerado aquele que serve de base para fins de se determinar os direitos aduaneiros, não pode ser tomado com base em tais documentos. Para determinálo, recorrese então à legislação relacionada. Assim entendeu a fiscalização pela necessidade de arbitramento dos valores aduaneiros das mercadorias importadas. Pois bem, o arbitramento previsto no artigo 88 da Medida Provisória n° 2.15835/01 caracterizase como uma exceção à apuração da base de cálculo do Imposto de Importação (e consequentemente dos demais tributos incidentes na importação): nos casos regulares, a base de cálculo do Imposto de Importação, de acordo com o artigo 2º do Decreto Lei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 1º do DecretoLei no 2.472/88, é o Valor Aduaneiro definido no Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT); já nos casos de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria. Fl. 5432DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.405 55 Desta forma, os novos valores de transação atribuídos para as mercadorias valoradas foi processado conforme a legislação de regência, na medida que aplicouse ao caso o disposto no art. 88 da Medida Provisória n°.2.15835, de 24 de agosto de 2001, em consonância com a Interpretação Consultiva 10.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira acerca da aplicação do art. 17 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT), haja vista a apuração de fraude de valor na importação. Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Por sua vez, a Opinião Consultiva 10.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, interpretando o disposto no Artigo 17 e demais princípios do AVA/GATT, afirma que as Administrações Aduaneiras não são obrigadas pelo Acordo a levar em conta os documentos fraudulentos. Para o Comitê, o Acordo de Valoração Aduaneira baseiase nos elementos de fato reais, não fraudulentos, e “qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo.” Nas operações fraudulentas, quando um ou mais elementos da operação real de importação estiverem em desacordo com os elementos reproduzidos na Declaração de Importação e nos documentos instrutivos da importação, como por exemplo o real exportador, o importador, o adquirente de fato, a quantidade de mercadoria importada, além obviamente do valor aduaneiro, aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira ficará prejudicada. Pelo exposto, entendo correto o arbitramento dos valores das mercadorias e a correspondente exigência das diferenças de tributos, bem como a utilização desses valores para a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (em face da ocultação de Fl. 5433DF CARF MF 56 interposição fraudulenta), bem como da multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o arbitrado. Registrese que o detalhamento do critério adotado para a valoração das mercadorias em cada importação e a notificação à autuada de tal arbitramento, inclusive antes da autuação, entendo não estar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Também, relativamente à aplicação sequencial dos métodos de valoração aduaneira, alegada pela recorrente, o arbitramento de preço em conformidade com o art. 88 da Medida Provisória n° 2.158 exclui a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira, o qual somente é aplicável a operações comerciais nas quais não configuradas fraude, sonegação ou conluio que comprometam a confiabilidade dos documentos comprobatórios das negociações. MULTA QUALIFICADA A recorrente insurge contra a aplicação da multa qualificada de 150%, que diz ser confiscatória e injustificada. No entanto, o dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Logo, a multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 150 % o legalmente previsto para a situação descrita no Termo de Verificação Fiscal. Por fim, quanto à arguição sobre ser uma multa confiscatória. alegação de inconstitucionalidade, aplicase ao caso SÚMULA CARF Nº 2, in verbis: Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) RESPONSABILIDADE TIBUTÁRIA SOLIDÁRIA Consta na autuação Relatório Fiscal e nos Termos de Responsabilização que a pessoa jurídica foi responsabilizada solidariamente com a autuada/importadora ostensiva com fundamento no art. 95, I do Decretolei n° 37/66, e as pessoas físicas, também com base no art. 135, III do CTN (efls. 3250,3258,3267,3275 e 3286). Os fatos e condutas já abordados, praticados com o fim de dar aparência de regulares a operações que, conforme demonstrado, foram efetivadas mediante uso de diversos Fl. 5434DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.406 57 artifícios simulatórios e objetivando manter ocultas a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. e a continuidade de seus negócios, e que ao fim possibilitaram o resultado almejado pelas infrações apontadas na presente autuação, além das demais consequências inerentes ao caso, torna obrigatória a inclusão desta pessoa jurídica na qualidade de responsável solidária do crédito tributário ora constituído, conforme as razões especificadas nos tópicos anteriores e nos termos da legislação. Em se tratando de infração aduaneira o inciso I, do artigo 95, do DecretoLei nº 37/66 é taxativo: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; A situação tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76 constitui uma infração aduaneira. Configurada a infração, por determinação expressa do inciso I, do artigo 95, do DecretoLei nº 37/66, a responsabilidade decorrente da aplicação da pena de perdimento em função da prática de interposição fraudulenta de terceiros, atinge a pessoa dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Além do mais, enquanto pessoas físicas, não efetuaram a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a integralização do CAPITAL SOCIAL da empresa ÁTILA PNEUS o que configura infração de Lei, na forma do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76. Ou seja, a ação fiscal se apoia na seguinte constatação: os sócios se valiam da empresa ÁTILA PNEUS para a prática de interposição fraudulenta de terceiros, conduta infracional. Configurada a infração de Lei, por determinação expressa do caput do artigo 135 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade pela exação tributária atinge a pessoa dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se observa o art.135, inciso III do CTN, que, com o aqui já apontado, prevê a possibilidade de responsabilização pessoal aos “diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica”. A grande questão sempre presente nos debates, de fato, é a configuração da hipótese específica que autoriza a sua aplicação, uma vez que, tratandose, como de fato o é, de norma de caráter excepcional (responsabilidade tributária de terceiros), a sua utilização somente se mostra possível quando presentes, então, todas as respectivas circunstâncias autorizativas expressamente previstas no dispositivo em análise. Em face dos longos debates práticos e doutrinários então desenvolvidos, é relevante destacar que, a jurisprudência nacional já a ela especificamente se debruçou, sendo importante destacar, a esse respeito, a existência de precedente específico do Superior Tribunal de Justiça–STJ, que, sob a sistemática própria dos chamados “Recursos Repetitivos” (Art. 543C do CPC), assim então já se pronunciou: Fl. 5435DF CARF MF 58 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. SÓCIOGERENTE. ART. 135, III, DO CTN. RESPONSABILIDADE SUBJETIVA. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICOPROBATÓRIO DA LIDE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO POR ESTE TRIBUNAL SUPERIOR. SÚMULA 7/STJ. RECURSO DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte firmouse no sentido de condicionar a responsabilidade pessoal do sóciogerente à comprovação da atuação dolosa ou culposa na administração dos negócios, em decorrência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, excepcionandose a hipótese de dissolução irregular da sociedade devedora. 2. A análise da atuação do sócio, para efeito de enquadramento nas hipóteses de redirecionamento previstas no art. 135 do CTN, ou, até mesmo, para constatar a ocorrência de encerramento irregular da sociedade, encontra óbice na Súmula 7 desta Corte: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." 3. Recurso desprovido (grifo nosso). (AgRg no REsp 596.134/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 10/08/2006, p. 193. g.n.). Pelo que aqui se verifica, o julgamento paradigma fundamental editado pelo STJ a respeito aos específicos contornos da aplicação das disposições do art.135, inciso III do CTN, e, no caso, a responsabilização tributária do sócio, é evidente no sentido que não se mostra suficiente a simples demonstração ou identificação da ocorrência do inadimplemento do montante devido. É fundamental que, em cada caso, reste devida e especificamente comprovada a atuação com excesso de poder e/ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa, sem a qual, definitivamente, não se pode admitir a responsabilização do referido dirigentes. No caso dos autos, verificase a devida configuração das hipóteses autorizativas da referida previsão legal da responsabilidade pessoal do dirigente da pessoa jurídica, contida nas disposições do art. 135, inciso III do CTN, sendo, portanto, completamente devida, assim, a sua imputação, nos termos e fundamentos devidamente apresentados, uma vez que foram reunidos nos autos elementos capazes de aferir, nos termos do art.135 do Código Tributário Nacional, que o integrante do quadro societário da empresa à época da ocorrência dos fatos agiu com infração de legislação. Com essas considerações, divirjo do ilustre relator e voto no sentido de rejeitar as preliminares e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto nas matérias acima, determinando a manutenção da responsabilidade tributária solidária da pessoa jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA e pessoas físicas, pessoa dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado . CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por afastar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Bem como, manter no polo passivo, os responsáveis solidários. Fl. 5436DF CARF MF Processo nº 10907.721051/201261 Acórdão n.º 3201002.434 S3C2T1 Fl. 5.407 59 (assinado digitalmente) Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim, Redatora Designada Fl. 5437DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.946352/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE.
Na vigência da redação dada ao art. 23, III do Decreto nº 70.235, de 1972, pela Lei nº 11.196, de 2005, o recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta dias) a partir da ciência dada por meio eletrônico, reconhecida por decurso do prazo de 15 (quinze) dias a contar da disponibilização do documento no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e-CAC) do sítio da Receita Federal, após o que, torna-se intempestivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. RECURSO NÃO CONHECIDO.O recurso voluntário apresentado fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo e não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 1201-001.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Na vigência da redação dada ao art. 23, III do Decreto nº 70.235, de 1972, pela Lei nº 11.196, de 2005, o recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta dias) a partir da ciência dada por meio eletrônico, reconhecida por decurso do prazo de 15 (quinze) dias a contar da disponibilização do documento no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e-CAC) do sítio da Receita Federal, após o que, torna-se intempestivo. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. RECURSO NÃO CONHECIDO.O recurso voluntário apresentado fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo e não pode ser conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Na vigência da redação dada ao art. 23, III do Decreto nº 70.235, de 1972, pela Lei nº 11.196, de 2005, o recurso voluntário deve ser apresentado no prazo de 30 (trinta dias) a partir da ciência dada por meio eletrônico, reconhecida por decurso do prazo de 15 (quinze) dias a contar da disponibilização do documento no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) do sítio da Receita Federal, após o que, tornase intempestivo. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. RECURSO NÃO CONHECIDO.O recurso voluntário apresentado fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo e não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 63 52 /2 00 9- 45 Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10880.946352/200945 Acórdão n.º 1201001.985 S1C2T1 Fl. 3 2 Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o processo de Declarações de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer o crédito de R$11.250.625,44 de Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica SN IRPJ do período de apuração encerrado em 31/12/2004, para compensação de débitos; a composição do crédito requerido está demonstrada na PER/DComp nº 25219.69573.111208.1.7.023251, retificadora da nº 08771.11570.150705.1.3.029429, de 15/07/2005, págs. 378/388. 2. O Despacho Decisório págs. 34 e 44 não reconheceu o crédito de SN IRPJ requerido, devido ser divergente daquele informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, e não homologou as compensações declaradas; e exige o total de débitos não compensados de R$12.129.376,67, com juros e multa de mora. 3. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de págs. 37/43 (e 607/613), e posteriormente, em 05/05/2010, a de págs. 558/561; a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP DRJ/SP1 emitiu o Despacho 7, de 16 de julho de 2010, requerendo a diligência: É necessária uma análise mais pormenorizada do direito creditório, razão pela qual encaminhase o presente processo à DERAT/SP/DIORT, para que sejam verificadas as seguintes questões (afora outras que aquela autoridade julgar necessárias): • mediante a análise dos livros fiscais e comprovantes de retenção na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc.), informar qual o IRRF dedutível (passível de ser informado na linha 13 da Ficha 12A, da DIPJ/2005), após verificar se os montantes dos rendimentos correspondentes foram oferecidos à tributação; e, • elaborar relatório conclusivo, dando ciência à Recorrente, concedendolhe o prazo de dez dias para manifestação, conforme art. 44 da Lei n° 9.784/99. 4. Às págs. 616/648 consta a documentação atinente à diligência e às págs. 649/652, Informação Fiscal, que concluiu pelo SN IRPJ 31/12/2004, no valor de R$5.970.123,84; o contribuinte, cientificado, manifestouse sobre o mesmo às págs. 654/665, em 19/12/2012 e anexou os documentos de págs. 683/868. 5. Porém, a DRJ/SP1 emitiu o Acórdão nº 16.45.283 de 28 de março de 2013, reconhecendo o valor de direito creditório de SN IRPJ 31/12/2004 de R$1.203.634,41: 14. Em face do exposto, VOTO no sentido de DEFERIR EM PARTE a Manifestação de Inconformidade: RECONHECER o direito creditório de R$1.203.634,41 relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no AC 2004; e HOMOLOGAR a compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP sob análise, até o Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10880.946352/200945 Acórdão n.º 1201001.985 S1C2T1 Fl. 4 3 limite do direito creditório reconhecido, na forma da legislação. Caso, após essas compensações, reste direito creditório em favor da Recorrente, este valor deve ser a ela restituído, até o limite do solicitado no PER de n° 15019.86223.221209.1.2.020093 (referido no item 4.). 6. Cientificado, o contribuinte apresentou, em 11/06/2013, o recurso voluntário de págs. 918/936, com os documentos de págs. 937/1.247. 7. Qualifica de tempestivo o recurso: Inicialmente, cumpre ressaltar a tempestividade do presente recurso, já que a primeira leitura da intimação da decisão ora recorrida, enviada via eCAC, deuse em 25/04/2013. Contados os 15 dias regulamentares a partir da data da primeira leitura, teremos a data da intimação da decisão em 10/05/2013, sexta feira. Considerandose que a contagem do prazo recursal de 30 dias iniciase no primeiro dia útil após a intimação, teremos que a data final para interposição do presente Recurso Voluntário findaria em 12/06/2013 sendo, portanto tempestivo o recurso ora interposto. 8. Historia os fatos e argumenta contra o não reconhecimento pelo Acórdão DRJ/SP1, das demonstrações e documentação da Recorrente, bem como os cálculos e análise do DERAT, não reconhecendo integralmente o tributo incidente sobre as operações de SWAP (5273) e os Mútuos Intercompany (3426), por entender que não houve a comprovação de que tais valores compuseram a base de cálculo de IRPJ para o exercício de 2003, o que legitimaria o aproveitamento do IRRF retido no exercício de 2004; assevera que tais valores transitaram pelo resultado e que compuseram a base de cálculo sobre a qual foi apurado o IRPJ 2003. 9. Discorre sobre a tributação sobre os juros auferidos em contratos de mútuo intercompany, apresentado quadros demonstrativos; e sobre a tributação sobre as operações de swap; reitera a necessidade de realização de perícia contábil; requer sustentação oral, por ocasião do julgamento no CARF. 10. Às págs. 1.248/1.263, extratos demonstrando os valores cuja compensação foi homologada e os valores dos débitos que restaram não compensados, conforme calculados pela Derat SPO, pág. 1.267. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 11. À pág. 916, consta: TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 25/04/2013 6:54h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10880.946352/200945 Acórdão n.º 1201001.985 S1C2T1 Fl. 5 4 12. À pág. 917: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 24/04/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 09/05/2013 13. Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10880.946352/200945 Acórdão n.º 1201001.985 S1C2T1 Fl. 6 5 III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Grifouse.) 14. O art. 33 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013 (conversão da Medida Provisória nº 610, de 2 de abril de 2013, onde tal alteração não constou), inseriu o inciso III no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, e este passou a viger a partir da data da sua publicação, que foi em 19/07/2013. 15. Do exposto verificase que a data da ciência do Acórdão DRJ/SP1 pelo Recorrente deve ser considerada de acordo com o definido no inciso III, do art. 23, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação anterior à da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, isto é, em 09/05/2013. 16. O prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir de 10/05/2013 9dia seguinte ao da ciência por decurso de prazo, em 09/05/2013), encerrouse em 10/06/2013 (segundafeira), e o recurso apresentado em 11/06/2013 é intempestivo. 1 Conclusão. Voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, apresentado intempestivamente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10880.946352/200945 Acórdão n.º 1201001.985 S1C2T1 Fl. 7 6 Fl. 1273DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.000707/2009-93
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 13/04/2004 a 29/04/2004
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.
MULTA. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Simões, que lhe deu provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. MULTA. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Simões, que lhe deu provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 07 07 /2 00 9- 93 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 437 2 Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 0721.878 da DRJ/FNS, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. No caso concreto, foi impingida a referida multa, referente a apuração da falta de informação, no prazo legal, dos dados de embarque de mercadorias em três navios entre os dias 05 e 21 de abril de 2004, tendo sido a multa aplicada por viagem do transportador. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação, tecendo os seguintes argumentos: a) imprevistos no procedimento de exportação, que não são de sua responsabilidade; b) ausência de tipicidade, vez que não deixou de prestar informações, bem como não é uma empresa de transporte internacional, tampouco um agente de carga, não havendo hipótese para seu enquadramento como responsável; c) ilegitimidade passiva, não podendo figurar no pólo passivo da autuação, posto que é mera agência de navegação marítima, age em nome do Armador e com este não se confunde, logo, não pode responder pessoalmente por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias; d) denúncia espontânea, sendo descabida a multa, pois as informações foram prestadas antes que o procedimento fiscal fosse instaurado, não podendo se falar em embaraço ou empecilho à fiscalização; e) retroatividade benigna, tendo em vista que os embarques ocorreram antes da vigência da IN SRF 510/2005, que estipulou prazo para a prestação de informações de embarque; Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 438 3 f) nulidade absoluta do AI, por este apresentar diversas irregularidades; g) ilegalidade e falta de motivação do AI, uma vez que os fatos não trouxeram prejuízo algum para a movimentação da carga no navio, sendo o Auto de Infração, por isso, desnecessário e abusivo. A DRJ/FLN, apreciando todos os argumentos da contribuinte, manteve, por unanimidade, o Crédito Tributário exigido. Irresignada com a referida decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário basicamente repisando os argumentos da ilegitimidade passiva (preliminar) e da denúncia espontânea, acrescentando a tese do caráter confiscatório da multa e da desproporcionalidade do seu quantum. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão se restringe na autuação fiscal, por ter a recorrente, supostamente, infringido o art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010, ou seja, a recorrente teria prestado informações no Siscomex, referente aos dados de embarque em prazo superior a 7 (sete) dias, conforme exige o ordenamento jurídico. Desta forma, ficando sujeita a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 439 4 ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: Preliminar 1) Ilegitimidade passiva O sujeito passivo alega que, como agente marítimo, não é parte legítima para figurar no pólo passivo, não tendo responsabilidade tributária sobre o crédito discutido. A fim de comprovar a justeza de seu entendimento, colaciona doutrina e jurisprudência que, em tese, o corroboram. Quanto à legitimidade, entendo que os arts. 94 e 95, I do DecretoLei nº 37/66 c/c o art. 135, II, do CTN, resolvem a questão, respectivamente: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;(...)" Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados;(...)" Deste modo, na condição de agência marítima e mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex, e assim não procedendo, cometeu a infração contida na alínea "e" do inciso IV do Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 440 5 artigo 107 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, respondendo, pessoalmente pela infração em comento. A recorrente cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966. Esta Súmula restou superada ao longo do tempo, mormente pela redação do artigo 32, I do DecretoLei nº 37/66, dada pelo DecretoLei nº 2.472/1988 e do inciso II, do parágrafo único do mesmo artigo, dada pela Medida Provisória nº 215835/2001: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Ademais, a solidariedade tributária passiva está contida nos arts. 121, parágrafo único, II, 124, I e II e 128, todos do CTN, respectivamente, a saber: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 441 6 tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. A referida Súmula 192 do TFR também restou superada pela decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJE de 14/12/2010, julgado em sede de recurso repetitivo. Tal decisão também foi citada pela recorrente em suas argumentações, contudo, diferentemente do alegado, a referida decisão judicial assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do DecretoLei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Todavia, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figure como responsável tributário. Vejamos excerto esclarecedor: 14. No que concerne ao período posterior à vigência do Decreto Lei 2.472/88, sobreveio hipótese legal de responsabilidade tributária solidária (a qual não comporta benefício de ordem, à luz inclusive do parágrafo único, do artigo 124, do CTN) do "representante, no país, do transportador estrangeiro". Desta forma, entendo que por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no país, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no pólo passivo do Auto de Infração. Assim, rejeito a preliminar argüida. Mérito 1) Denúncia espontânea A recorrente alega que, no caso concreto, embora de forma extemporânea, as informações de embarque de mercadorias foram prestadas no SISCOMEX após o despacho aduaneiro e antes do procedimento administrativo, que culminou com o lançamento, assim, estando a situação fática se subsumindo às hipóteses legais para a aplicação do benefício da denúncia espontânea. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 442 7 O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 443 8 qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, esclareçase que a recorrente alega que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Contudo, creio que a legislação supra não alterou o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinho Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 444 9 me ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Pelo exposto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. 2) Violação dos Princípios Constitucionais da Capacidade Contributiva e do Não Confisco A recorrente alega que foi autuada pelo registro tardio de dados referentes ao embarque de mercadorias no SÍSCOMEX., que os fatos ocorreram no ano de 2004, sendo que somente em 2009 ocorreu a autuação; que não foi aventada pelo Fisco qualquer hipótese de prejuízo, empecilho ou embaraço às suas atividades; que os valores impostos a titulo de multa, considerados em sua plenitude e na relação entre com a remuneração pelos serviços de agenciamento, inviabilizam a atividade profissional da Recorrente e que, resta caracterizado o caráter confiscatório e desproporcional da multa e, em conseqüência, a sua inconstitucionalidade. De pronto, esclareçase que, ao contrário do que afirma a recorrente, a simples mora no cumprimento da obrigação acessória de prestar as devidas informações sobre o embarque de mercadorias infringe o disposto em lei e, ademais, prejudica o controle aduaneiro e, por conseqüência, os interesses nacionais, conforme o disposto no art. 237 da Constituição Federal: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Quanto às demais considerações, impõese relembrar que o julgamento administrativo trata da aplicação da legislação tributária como apresentada no sistema jurídico. Assim, a norma válida e eficaz, assim entendida a promulgada e publicada, dotada de Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 445 10 presunção de correção formal e material, não pode ser desconsiderada pelo julgador. Nesse sentido, dispõe o art.62, do Anexo II, do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo ao Poder Judiciário. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois o julgador não pode delas tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco ou de desproporcionalidade seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Em consonância com esse ditame, vejamos o teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, não tomo conhecimento das alegações de afronta aos Princípios Constitucionais do não confisco e da capacidade contributiva. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 446 11 Declaração de Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Concordo com o voto proferido pelo eminente Relator no que concerne à inocorrência de ilegitimidade passiva do agente marítimo, bem como à incompetência deste Conselho para afastar a aplicação da multa sob o fundamento de ofensa a princípios constitucionais, em razão do disposto na súmula nº 02 do CARF. Quanto ao mérito, contudo, dada a devida vênia, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, conforme fundamentos a seguir indicados. 1. Da análise da aplicação no tempo das IN SRF nº 28/94 e alterações posteriores. De início, há um tema que entendo relevante à solução da presente contenda, qual seja, a análise da aplicação no tempo da IN SRF nº 28/94 e alterações posteriores. Ainda que o contribuinte não tenha reproduzido este fundamento em seu Recurso Voluntário, penso que não há óbice à apreciação desta matéria nesta oportunidade, visto que o convencimento do Julgador não se limita ao acolhimento ou não dos argumentos apresentados pela Recorrente. Além disso, verificase dos autos que este tema foi abordado pelo contribuinte em sede de impugnação e foi objeto de apreciação por parte da DRJ, sendo cabível, portanto, a análise dos fundamentos ali apresentados nesta fase recursal. Feitas essas considerações preliminares, passo à análise do tema em si. A presente demanda versa sobre a imposição de multa em razão do cumprimento a destempo da obrigação de registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque. Os fatos geradores ocorreram em 2004. A multa de que trata o presente processo encontrase disposta no art. 107, inciso IV, "e", do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966 com a redação atribuída pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 447 12 serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; O prazo, por seu turno, encontrava previsão no art. 37 da IN SRF nº 28/94, cujo teor, vigente à época dos fatos, transcrevo a seguir: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (Grifos apostos) A referida norma foi posteriormente alterada pela IN SRF nº 510/2005, bem como pela IN 1.096/2010, que fixaram prazo certo de 2 (dois) e 7 (sete) dias, respectivamente. O auto de infração, ao tratar sobre o prazo em questão, apesar de descrever que o prazo seria de 7 (sete) dias, fundamentou a autuação na IN SRF nº 510/2005, que previa prazo de 2 (dois) dias para o registro das informações no SISCOMEX. Houve, portanto, uma falha na fundamentação do dispositivo legal aplicável. De toda sorte, entendo que tal vício não foi capaz de cercear o direito de defesa do contribuinte, que, em sua defesa, demonstrou ter pleno conhecimento das razões que levaram à lavratura do auto de infração em comento. Ademais, a análise do mérito que será a seguir realizada dispensaria o reconhecimento de eventual nulidade do auto de infração, em razão do disposto no parágrafo 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/2013, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Quanto à análise de mérito, é válido mencionar que os embarques objeto da presente contenda ocorreram em 2004, ou seja, quando ainda não se encontrava em vigor a redação original do IN SRF nº 28/94 que continha o termo "imediatamente após". Ainda não Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 448 13 estava em vigor, portanto, nem o prazo certo de dois dias determinado pela IN RFB nº 510 de 14 de fevereiro de 2005, nem o prazo certo de sete dias disposto na IN 1.096/2010. Sobre o tema, entendo que a imposição de multa realizada com base na IN RFB nº 510/2005, ou mesma da IN nº 1.096/2010, no caso de fatos geradores anteriores à sua vigência não se sustenta. Isso porque, conforme acima relatado, em sua redação original, a IN nº 28/94 dispunha que os dados pertinentes deveriam ser registrados no SISCOMEX "imediatamente após" o embarque da mercadoria. Penso, contudo, que o termo "imediatamente após", constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994 não possui delimitação objetiva apta a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Até porque, diante da imprecisão deste termo, a sua delimitação dependeria do entendimento pessoal de cada autoridade fiscal, em prejuízo da segurança jurídica que deveria, ao menos em tese, reger as relações entre Fisco e contribuinte. Ademais, no meu entendimento, a Notícia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, que, em razão da indeterminação da expressão “imediatamente após”, veiculou a informação no sentido de que o prazo para prestação das informações na legislação vigente à época seria de 24 horas, não possui força normativa, razão pela qual não logra suprir a ausência de determinação de prazo certo constante da IN SRF nº 28/1994. Para os efeitos dessa obrigação, portanto, entendo que a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir da fixação de prazo certo, cuja primeira previsão foi instituída pela IN SRF nº 510, de 2005, que determinou prazo certo de dois dias para o registro das informações. Nesse mesmo sentido, já se pronunciou este Conselho, a exemplo dos Acórdão nº 3302002.721, cuja ementa colacionase a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 24/12/2004, 12/09/2008 a 21/09/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN SRF 28, de 1994, IN SRF 510, de 2005 e IN SRF nº 1.096, de 2.010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. NOTÍCIA SISCOMEX. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, traduz subjetividade e não possui delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510, de 2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 449 14 Sendo assim, tratandose o caso concreto aqui analisado de fatos geradores de 2004, ou seja, anteriores à entrada em vigor da IN nº 510/2005, entendo que deverá ser afastada a penalidade aplicada, em razão inexistência de previsão legal à época dos fatos geradores capaz de exigir o cumprimento da obrigação em tela. 2. Da denúncia espontânea. Em sua defesa, o contribuinte alega, ainda, a caracterização da denúncia espontânea, visto que todos os registros teriam sido realizados após o despacho aduaneiro e antes de qualquer ação da fiscalização. Pede, portanto, o afastamento da penalidade a ele imposta. A denúncia espontânea em matéria aduaneira encontra respaldo no artigo 102, § 2º, do DL 37/66, que, em decorrência da alteração introduzida pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), estendeu a aplicação do instituto às penalidades administrativas, in verbis: Art.102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Neste ponto, penso que também assiste razão ao contribuinte. Apesar de reconhecer que este tema é bastante controvertido no âmbito deste Conselho, entendo que o instituto da denúncia espontânea é plenamente aplicável no caso vertente. Isso porque, com a previsão inserida pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010) no referido parágrafo 2º do art. 102 do DL 37/66, que trata especificamente sobre imposto de importação e serviços aduaneiros, previsão esta reproduzida no art. 683, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), houve expressa ampliação da aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades de natureza administrativa. Logo, a sua não admissão em casos como o presente representaria, no meu entender, descumprimento de previsão legal expressa, o que não seria possível, sob pena de se incorrer em afronta ao disposto na súmula nº 02 do CARF, bem como do art. 62 do Anexo II do RICARF, a seguir transcritos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 450 15 *** Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ora, é inquestionável que a multa aqui analisada possui natureza administrativa. De outro lado, também é inquestionável que o referido parágrafo 2º admite a denúncia espontânea para penalidades de natureza administrativa. O que faz, portanto, alguns julgadores, no intuito de defender a inaplicabilidade da denúncia espontânea em casos como o presente é alegar que a sua admissão tornaria inócua a norma que estipula prazos para cumprimento de obrigação acessória. Entendo, contudo, que tal interpretação/conclusão vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. A norma não deixa dúvidas ao estender às penalidades administrativas o instituto da denúncia espontânea, trazendo como exceção tão somente as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita à pena de perdimento, o que não é o caso dos autos. Afora tal exceção, não trouxe o legislador qualquer restrição adicional à aplicação da denúncia espontânea nos casos de penalidades administrativas, não havendo qualquer impedimento para que o fizesse, caso assim pretendesse. Entendo, portanto, que a restrição defendida em algumas decisões deste Conselho invade a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Ademais, entendo que a súmula nº 49 do CARF, que determina que a denúncia espontânea disposta no art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração, não se aplica ao caso vertente, visto que embasada em precedentes que tratam sobre o envio a destempo de DCTF, matéria diversa da aqui analisada, além de se embasar em casos anteriores à edição da MP 497/2010. Ocorre que a presente contenda versa sobre a denúncia espontânea em Direito Aduaneiro, considerado autônomo e que possui regramento próprio sobre a matéria (art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro), cuja redação sofreu alteração com base no conteúdo da MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), norma esta que não fora objeto dos julgados que culminaram com a edição da referida súmula nº 49. Logo, penso inadequada a indicação de dita súmula como óbice à concessão da denúncia espontânea em casos que versem sobre direito aduaneiro. Em observância ao princípio da especialidade lex specialis derogat legi generali , apresentase, pois, imperativa, no meu entender, a aplicação da literalidade do art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro, com a redação dada pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), admitindose, por conseqüência, a denúncia espontânea para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Este tema encontrase muito bem abordado no voto proferido pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama no Acórdão 9303005.869. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 451 16 Uma vez constatada a possibilidade de aplicação, em tese, da denúncia espontânea à multa objeto da presente contenda, há de se verificar, então, a sua efetiva existência no caso concreto analisado. Além da exceção expressamente prevista no parágrafo 2º do referido art. 102 (mercadoria sujeita à pena de perdimento), a denúncia espontânea não deverá ser admitida nos casos previstos no parágrafo 1º, seja porque realizada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, seja porque realizada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Assim, há de se perquirir se a denúncia se enquadra em alguma das situações acima descritas, caso em que restaria afastada a sua espontaneidade. Conforme já fora relatado, os embarques em análise através do presente recurso foram realizados em 2004, tendo as respectivas informações sido inseridas voluntariamente pelo contribuinte no SISCOMEX. embora com alguns dias de atraso, inclusive considerando a legislação mais benéfica que dispunha que o prazo para inclusão no sistema desta informação seria de 7 dias. Para que reste configurada a denúncia espontânea, portanto, deverá ser verificado se as informações foram incluídas no SISCOMEX no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. Para tanto, é importante que se tenha em mente que se está diante no caso concreto aqui analisado de operações de exportação, conforme DDEs descritos na planilha constante do auto de infração combatido. Logo, em tais operações, temse que o desembaraço aduaneiro da mercadoria se dava nos termos previstos no art. 530 do Decreto 4.543/2002, abaixo transcrito, vigente à época dos fatos, cujo teor é o mesmo descrito no art. 591 do Decreto 6.759/2009, atualmente em vigor: Art. 530. Desembaraço aduaneiro na exportação é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira, e autorizado o embarque ou a transposição de fronteira da mercadoria. Ou seja, extraise deste dispositivo legal que o desembaraço aduaneiro ocorre anteriormente ao embarque, pois é com base neste registro que o embarque é autorizado. Logo, não resta dúvida que, após o embarque (que se dá necessariamente após o desembaraço aduaneiro), não está mais o contribuinte "no curso do despacho aduaneiro", cujo termo final, segundo a legislação, é justamente o desembaraço aduaneiro da mercadoria. Nesse contexto, uma vez reconhecido pela própria fiscalização que as informações foram incluídas voluntariamente pelo contribuinte no SISCOMEX posteriormente aos embarques das mercadorias, quando não mais se encontrava o contribuinte "no curso do despacho aduaneiro", há de se afastar o disposto na alínea a do parágrafo 1º do art. 102 DL 37/66. Ademais, considerando que o primeiro ato formal realizado pela fiscalização sobre este descumprimento foi a lavratura do presente auto de infração, em que já constou a informação da data em que a informação foi incluída no sistema, ainda que com atraso, afasta se, portanto, o disposto na alínea b do parágrafo 1º do art. 102 DL 37/66. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11050.000707/200993 Acórdão n.º 3002000.007 S3C0T2 Fl. 452 17 Logo, uma vez verificado que a denúncia não fora realizada "no curso do despacho aduaneiro" e que a informação foi incluída no sistema antes de qualquer procedimento fiscalizatório, há de ser reconhecida a aplicação da denúncia espontânea no caso aqui analisado. Nesse mesmo sentido, vide Acórdão nº 3302002.721, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e proferido em caso análogo ao presente: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 24/12/2004, 12/09/2008 a 21/09/2008 (...) REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, inciso IV, alínea “E” DO DECRETOLEI 37, DE 1966. DENÚNCIA ESPONTÂNEA PREVISTA NO ARTIGO 102 DO DECRETO LEI Nº 37, DE 1966, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 12.350, DE 2.010. Aplicase o instituto da denúncia espontânea à infração por registro extemporâneo dos dados de embarque de exportação, de que trata o artigo 37 da IN SRF nº 28, de 1994, conforme comando do artigo 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350, de 2.010. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins cancelar a multa exigida no auto de infração combatido em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 452DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.676164/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2006
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2006 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 61 64 /2 00 9- 44 Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10880.676164/200944 Acórdão n.º 3401004.101 S3C4T1 Fl. 3 2 Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de COFINS. Tendo sido localizado o pagamento nos sistemas da RFB, mas utilizado para saldar débitos outros da empresa, não restando saldo, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, basicamente, que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime nãocumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) a empresa acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos. A empresa promoveu a retificação de DACON, alterando o valor devido, à época, a título de COFINS, ainda restando recolhimento a maior, em montante diverso do demandado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; (b) a existência de erro no preenchimento das obrigações acessórias DACON e DCTF, não foi acompanhada de qualquer documento retificador até a data da ciência do Despacho Decisório, e nem de documentos de amparo, posteriormente; e (c) não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando que: (a) foi descumprindo o prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, havendo perda de direito por parte da Fazenda; (b) houve mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, devendo prevalecer a verdade material, e serem os autos baixados em diligência; e (c) o artigo 147 do CTN se refere apenas a lançamento por declaração. Juntou, posteriormente, peça de defesa colacionando cópias de livros que se prestariam a demonstrar o valor declarado no DACON retificador. É o relatório. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10880.676164/200944 Acórdão n.º 3401004.101 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.084, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.676139/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.084): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após a interposição de recurso voluntário, restam contenciosos no presente processo os seguintes temas: (a) descumprimento do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007; (b) existência de mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, em face da verdade material, com demanda por diligência; e (c) aplicação do artigo 147 do CTN. Do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 Na peça recursal, alega a empresa que a decisão da DRJ foi proferida depois de mais de 360 dias da interposição da manifestação de inconformidade, havendo perda de direito por parte da Fazenda, com fulcro no artigo 24 da Lei no 11.457/2007. O citado artigo 24 (texto transcrito abaixo) se aplica ao processo administrativo tributário, conforme decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS): “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como parece demandar a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10880.676164/200944 Acórdão n.º 3401004.101 S3C4T1 Fl. 5 4 Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10880.676164/200944 Acórdão n.º 3401004.101 S3C4T1 Fl. 6 5 obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma, inclusive recentemente, com sete dos oito conselheiros que atualmente compõem o colegiado: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10880.676164/200944 Acórdão n.º 3401004.101 S3C4T1 Fl. 7 6 002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. (Acórdão no 3401003.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 abr. 2017) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Da existência de erro de preenchimento e da verdade material A recorrente alega que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime não cumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos, e que promoveu a retificação de DACON, sendo o valor correto devido, à época, a título de COFINS, diverso do pleiteado. Apresentou a empresa, então, indiscutivelmente, demanda de crédito em montante incorreto (a maior do que o que ela mesma reconhece como devido). E como prova de que teria incorrido em erro, não acrescentou nenhuma justificativa pormenorizada, limitandose, inicialmente, a informar que os documentos pertinentes estavam à disposição do fisco, e, posteriormente, após dois anos do decurso de prazo para interposição de recurso voluntário, a juntar cópias de livros e demandar, em adição, diligência, em caso de dúvida, para “apuração dos documentos que lastrearam os créditos”. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10880.676164/200944 Acórdão n.º 3401004.101 S3C4T1 Fl. 8 7 Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive na atual composição do colegiado (com sete dos oito componentes atuais): “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10880.676164/200944 Acórdão n.º 3401004.101 S3C4T1 Fl. 9 8 dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.” (Acórdãos n. 3401003.784 a 787, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unanimidade – no que se refere à matéria) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Cabe destacar que no último julgado transcrito, seis dos atuais oito conselheiros que compõem a turma expressamente concordaram com tal observação, dela dissentindo, em tese, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Temos que, nos processos do gênero, três cenários podem surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda ao segundo cenário (‘b”), visto que nada de substancial se agregou na manifestação de inconformidade, havendo juntada de cópias de documentos – que, digase, sempre estiveram em poder da empresa – apenas dois anos após a interposição da peça recursal, documentos esses que sequer são suficientes para suscitar dúvida neste julgador, visto que não apontam, objetivamente, como se chegou nem aos valores originalmente demandados, nem àqueles que durante o contencioso a empresa sustentou estarem corretos. A ausência de dúvida torna impertinente invocar a verdade material, que não se apresenta como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. A verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10880.676164/200944 Acórdão n.º 3401004.101 S3C4T1 Fl. 10 9 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, pouco contribuiu a recorrente para a identificação objetiva da incorreção que ela mesmo reconhece ter perpetrado, prejudicando a liquidez e a certeza do pedido. Não merece, assim, acolhida o pleito de diligência, nem a argumentação de defesa no sentido de que haveria sido comprovado o erro ou o direito de crédito. Do artigo 147 do CTN Alega a empresa, derradeiramente, em sede recursal, que o artigo 147 do CTN (abaixo transcrito) se refere apenas a lançamento por declaração. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” (grifo nosso) É preciso esclarecer, inicialmente, que não se está aqui a tratar, propriamente, de lançamento, mas de demanda de crédito, de modo que o comando indicado não fundamenta exigência, mas é usado pela DRJ de modo acessório a seus argumentos pelo indeferimento do direito de crédito. No entanto, não se tem dúvidas da obviedade da parte inicial do comando do § 1o, que abstrai de considerações sobre eventual modalidade de lançamento: por certo que aquele que retifica sua declaração (qualquer que seja) ou as informações que presta ao fisco, deve justificar a retificação, fundandoa em elementos probatórios. Se a empresa deve, como qualquer postulante a crédito, provar a liquidez e a certeza de tais créditos, como aqui exposto, deve, ainda mais, provar eventuais retificações em seu pedido de crédito. Mas, no caso em análise, não prova a contento a empresa nem uma coisa nem outra, pelo que deve ser mantido o indeferimento do direito de crédito. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10880.676164/200944 Acórdão n.º 3401004.101 S3C4T1 Fl. 11 10 Considerações Finais Diante do exposto, e restando ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 922DF CARF MF
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Numero do processo: 15943.000103/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996.
A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu.
DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, A, DA LEI NO 10.637/2002.
O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-004.252
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/2009-32. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS. FORNECEDORES INIDÔNEOS. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS OBTIDOS. Recorrente VITAPELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS. GLOSA. FORNECEDORES INIDÔNEOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. REQUISITOS. ARTIGO 82 DA LEI Nº 9.430/1996. A declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito das contribuições para o PIS/COFINS. Todavia, esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. DESCONTO OBTIDOS APÓS A REALIZAÇÃO DA COMPRA E VENDA. DESCONTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO PELO CONTRIBUINTE. ARTIGO 1º, PARÁGRAFO 3º, INCISO V, “A”, DA LEI NO 10.637/2002. O abatimento ou desconto obtido pelo contribuinte após a realização da compra e venda, em razão da verificação de inconsistências nos produtos entregues, depende de evento futuro e incerto e não possui a natureza jurídica de desconto incondicional, não podendo ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo as razões e os critérios externados no julgamento do processo 15943.000105/200932. Sustentou pela recorrente o advogado Anderson Seiji Tanabe, OAB n. 342.881/SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 3. 00 01 03 /2 00 9- 43 Fl. 36136DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de PIS não cumulativa. Esse pedido foi indeferido e as compensações transmitidas não homologadas, sob a justificativa de que a apuração de PIS, calculado sobre o faturamento mensal, não estaria correta, pois o contribuinte teria deixado de incluir determinadas receitas e considerado determinados créditos, de forma indevida. De acordo com a Fiscalização, os itens questionados e que acabaram por gerar o indeferimento do pedido de ressarcimento de saldo credor podem ser agrupados da seguinte forma pela: (i) receitas de insubsistência de passivo; (ii) receitas de descontos obtidos; e (iii) utilização de créditos sobre operações comerciais irregulares . Após ter sido cientificada da decisão de indeferimento de seu pedido, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, conforme Acórdão nº 1460.620. Cientificado desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o presente Recurso Voluntário, no qual requer a reforma da decisão recorrida, para que seja reconhecido integralmente o crédito objeto de pedido de ressarcimento, pelas seguintes alegações: (i) a Recorrente defende a regularidade das operações de aquisições de insumos que foram glosadas e a necessidade de aplicação do entendimento firmado no Acórdão proferido pela Primeira Seção nos autos do processo nº 10835.721527/201254, por ser o processo em questão, segundo a Recorrente, reflexo do processo que já foi julgado; (ii) com relação aos descontos obtidos, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que adquire de fornecedores sua principal matéria prima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim; constatado algum problema relacionado a matériaprima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005; (iii) com relação à acusação de omissão de receita por insubsistência de passivo, a Recorrente explica a formação do passivo, que vem do ano de 2000, e defende a inocorrência de fato gerador; e (iv) por último, a Recorrente pede a aplicação da Taxa Selic sobre os valores objeto do pedido de ressarcimento. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e, em 07/11/2017, a Recorrente apresentou petição informando que Fl. 36137DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 4 3 havia ingressado com medida judicial e obtido decisão que deu provimento ao Agravo de Instrumento nº 500048412.2017.4.03.0000, para determinar à parte agravada, a União, que "aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como o faça com observância do decidido pelo E. STJ no Resp repetitivo nº 1.148.444/MG". É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.248, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 15943.000105/200932, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.248): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, o Recorrente ingressou com medida judicial e obteve decisão a ele favorável, com duas determinações: (i) a primeira para que os pedidos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolizados pelo Recorrente há mais de 360 (trezentos e sessenta) dias fossem julgados imediatamente; e (ii) para que o Colegiado observasse o decidido pelo STJ no julgamento do Recurso Especial, sob a sistemática dos recursos repetitivos, de nº 1.148.444/MG. Quanto à primeira determinação, observase seu cumprimento com a colocação em pauta do Recurso Voluntário na primeira oportunidade e o seu julgamento nesta sessão. Quanto à segunda determinação, o entendimento firmado no STJ é relativo à legitimidade do direito de crédito do adquirente de boa fé nas operações em que os seus fornecedores são posteriormente declarados inidôneos. No julgamento em questão, sob a Relatoria do Ministro Luiz Fux, o e. STJ afirmou que "o comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação" e que "a boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS". Fl. 36138DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 5 4 Este Colegiado já está vinculado ao entendimento em referência, assim como outros expressos em decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal e em decisões do próprio Superior Tribunal de Justiça, em outros julgados realizados sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força de dispositivo regimental (artigo 62, inciso II, alínea "b", do Regimento Interno do CARF), de modo que, seja por observação ao Regimento Interno deste orgão, sob pena, inclusive de perda de mandato, conforme artigo 45, inciso VI, do Regimento Interno, seja por observação à determinação judicial, o julgamento aqui ora realizado seguirá o entendimento firmado pelo STJ no Recurso Especial nº 1.148.444/MG. De toda sorte, essa afirmação não significa que a questão está totalmente decidida, pois, há que se verificar, no caso concreto e em relação a cada fornecedor, se a Recorrente pode ser enquadrada como adquirente de boa fé e se há comprovação da veracidade da compra e venda efetuada, o que não foi levado à apreciação do Poder Judiciário, pois, se assim o fosse, nada haveria que se decidir aqui, aplicandose tão somente a Súmula CARF nº 01, que prevê: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Glosas relativas às aquisições de fornecedores Sobre essa primeira matéria, a Fiscalização glosou o direito de crédito utilizado pela Recorrente, por aquisições realizadas de nove fornecedores, quais sejam: (1) Curtama Indústria e Comércio Ltda.; (2) Frigorífico Altamira Ltda.; (3) Henriques Comércio de Couros Ltda.; (4) J A Comércio de Couros Ltda.; (5) José de Carvalho Lima Junior; (6) Lacerda Couros Ltda., (7) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; (8) Vanderlei João de Oliveira; e (9) Volmir Sofiatti ME, pelos seguintes motivos: situação cadastral irregular, inativas, inexistentes de fato, omissas nas entregas de declarações tributárias e, ainda, a inocorrência das operações. Na decisão recorrida, a totalidade das glosas foi mantida após exame dos fundamentos de cada glosa e da constatação de que o Recorrente não teria apresentado documentação "comprovando que as referidas pessoas jurídicas (empresas) realmente realizaram atividades econômicas e financeiras, nos períodos de competência objetos do ressarcimento pleiteado. Também não apresentaram as respectivas DIPJs, DCTFs e Dacons, comprovando que operaram regularmente e de conformidade com a legislação tributária vigente, que dispunham de capacidade econômica e financeira e de instalações capazes de suportar as operações de armazenagem e comercialização de couro cru, no volume de operações representadas pelas notas fiscais emitidas no período, objeto do ressarcimento pleiteado". Entretanto, o conjunto probatório exigido na decisão recorrida parece ser além do razóavel para que a Recorrente pudesse fazer jus ao direito de crédito, pois demandaria da Recorrente a obtenção de um conjunto de informações que está sob o domínio do seu fornecedor e não da Fl. 36139DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 6 5 Recorrente, sendo certo que cabe ao Fisco e não à Recorrente a fiscalização de toda a situação econômica e fiscal da fornecedora. Diante disso, sobre a matéria, o parâmetro que deve ser observado é o parâmetro legal, disposto no artigo 82 da Lei nº 9.430/1996, segundo o qual: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços". Logo, em regra, a declaração de inaptidão tem como efeito impedir que as notas fiscais da empresas inaptas produzam efeitos tributários, dentre eles, a geração de direito de crédito, mas esse efeito é ressalvado quando o adquirente comprova dois requisitos: (i) o pagamento do preço; e (ii) recebimento dos bens, direitos e mercadorias e/ou a fruição dos serviços, ou seja, que a operação de compra e venda ou de prestação de serviços, de fato, ocorreu. Em decorrência, a jurisprudência das Turmas de Direito Público do STJ se firmou no sentido de que "o comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação"1. Fixadas essas idéias, examinamse os fundamentos apresentados pela Fiscalização para não aceitar o direito de crédito e os argumentos do contribuinte para defender esse direito. Com relação a um grupo de 5 (cinco) fornecedores, composto por Curtama Indústria e Comércio Ltda., J A Comércio de Couros Ltda.; Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida, amparada nas conclusões da Fiscalização, apresenta os seguintes fundamentos para a manutenção da glosa. Em relação a Curtama Indústria e Comércio Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, considerando a omissão na entrega a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do ano calendário de 2008, ausência de registro contábil e fiscal de pagamentos aos transportadores autônomos, transporte este que teria sido suportado pelo fornecedor, e incompatibilidade entre veículo utilizado, mini van Asia Topic, com a carga e peso transportados. Em relação a J A Comércio de Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, por ter a empresa apresentado para o anocalendário 1 AgRg no AREsp 260.278/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2014, DJe 18/06/2014. Fl. 36140DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 7 6 de 2008 a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) na situação inativa, ausência de comprovação de pagamento por parte do Recorrente e incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Lacerda Couros Ltda., a decisão recorrida manteve a glosa, pois a DIPJ do ano calendário de 2008 informava que não teria sido realizada nenhuma operação e por incompatibilidade de veículo e carga e peso transportados. Em relação a Vanderlei João de Oliveira, a decisão recorrida manteve a glosa apenas com base na incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados. Por último, em relação a Volmir Sofiatti ME, a decisão recorrida aponta omissão na entrega de DIPJ do ano calendário de 2008, que o pagamento pelas aquisições teria sido feito por cessão de crédito bancário e que a empresa foi inabilitada a partir de 21/07/2010, portanto, quase dois anos depois do período das aquisições tratadas nos autos deste processo. Em sua defesa, a Recorrente afirma que não há acusação de que as notas fiscais seriam inidôneas e que esses mesmos fornecedores foram examinados em outro processo de interesse da Recorrente, em período que inclui o período do pedido de ressarcimento ora em análise, o processo administrativo nº 10835.721527/201254 e, no julgamento daquele processo a conclusão teria sido no sentido de que a fiscalização foi superficial, não houve acusação de inidoneidade e as cessões de crédito foram entendidas como regulares. Em que pese o processo indicado pelo Recorrente tratar de uma lançamento decorrente de Auto de Infração e o presente processo tratar de uma demanda por crédito por parte da Recorrente, procedimentos em que a distribuição do ônus da prova opera de forma diferente, cabendo, no primeiro, à Fiscalização demonstrar a ocorrência do fato gerador e, no segundo, ao contribuinte demonstrar o seu direito de crédito, entendo que as conclusões a que chegou a Primeira Seção de Julgamento do CARF podem ser aqui consideradas, pois, se o fundamento para indeferir o direito de crédito não guardar respaldo do ordenamento jurídico, há que se considerar idônea a documentação fiscal do fornecedor da Recorrente e legítimo o crédito do Recorrente. Naquele processo, um conjunto maior de fornecedores foi analisado, reportandose o julgador para análise dos 5 (cinco) fornecedores aqui examinados as conclusões a que já havia chegado em relação aos fornecedores "11. A.M. da Silva Teixeira & Cia Ltda" e "13. Aracouro Comercial Ltda". Nesse sentido, os julgadores da Primeira Seção entenderam que os elementos colhidos pela Fiscalização, que deram origem ao lançamento lá discutido e ao indeferimento do direito de crédito aqui discutido, não eram suficientes para se chegar à conclusão de que as operações de compra e venda de couro não existiram. A incompatibilidade entre veículo e carga e peso, por exemplo, é explicada pela colocação de forma equivocada de informações na nota fiscal, como lá demonstrado. Já a cessão de crédito foi encarada como uma operação comercial Fl. 36141DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 8 7 regular, ante a inexistência de demais elementos que comprovassem eventual falsidade. Além disso, apesar de indícios levantados, não há informação de que o Fisco tenha declarado a inaptidão dos fornecedores em referência. Apenas um deles, Volmir Sofiatti ME, teve a inaptidão declarada, mas em período posterior ao ano de 2008. Diante disso, naquele processo, os julgadores afirmaram que: "Ora, se o próprio fisco, a despeito dos indícios coletados, deixa de aprofundar as suas investigações com relação a determinado fornecedor, e de efetivamente considerar inidôneos os documentos emitidos (o que necessariamente conduziria à aplicação da penalidade de 150%), então não há como deixar de reconhecer que, smj, o próprio fisco não está convicto da não realização daquelas operações. Tanto mais no caso dos presentes autos, em que se verifica que a fiscalização, quando efetivamente empreendeu as necessárias diligências, e reuniu um conjunto mais robusto de provas indiciárias, aplicou a multa de 150%". Para o presente processo, as informações levantadas pelo Fisco e que foram acolhidas pela decisão recorrida não me parecem suficientes para afastar a idoneidade das notas fiscais emitidas e a regularidade das operações em relação a todos os fornecedores, com exceção do fornecedor "J A Comércio de Couros Ltda." em relação ao qual a Fiscalização solicitou a apresentação dos comprovantes de pagamentos, que não foram oferecidos pela Recorrente. Diante disso, proponho ao Colegiado afastar todos as glosas do primeiro grupo, com exceção da relativa ao fornecedor a "J A Comércio de Couros Ltda.". Com relação ao fornecedor "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.", a acusação é dividida em dois motivos: com relação às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, embora intimada, a Recorrente não teria apresentado a comprovação do pagamento; e, com relação às notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055, haveria incompatibilidade entre veículo utilizado e carga e peso transportados. Com relação a esse fornecedor, a Recorrente defende que a única acusação é a questão da incompatibilidade entre veículo e carga e peso transportados, trazendo entendimento da Primeira Seção no processo já referenciado, no sentido de que não poderia haver lançamento em relação a esse fornecedor, conforme a seguir: "De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 419420) restringese ao fato de que, com relação a algumas notas fiscais, o suposto transporte das mercadorias teria sido efetuado em veículo incompatível para o transporte de cargas, e, com relação a outras, que o contribuinte teria deixado de apresentar o comprovante de pagamento. Estas questões já foram anteriormente abordadas, pelo que pedese vênia para não repetir os argumentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Fl. 36142DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 9 8 Realmente, como já afirmado, a acusação de incompatibilidade de veículo e carga/peso transportados não importa concluir, no caso, pela inidoneidade das operações, tendo em vista a possibilidade de colocação errônea de dados nas notas fiscais, como narra a decisão da Primeira Seção. Todavia, de forma diferente do que fora lá decidido, entendo que em processo que decorre de indeferimento de pedido de ressarcimento, no qual há intimação para comprovação de pagamento, para fins de demonstração da idoneidade e regularidade da operação, caberia à Recorrente fazer essa prova. Como não há prova do pagamento nas operações relativas às notas fiscais 52973, 52988, 1984 e 1988, proponho ao Colegiado manter a sua glosa, afastando em relação às demais operações desse fornecedor. Com relação ao fornecedor "Henriques Comércio de Couros Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pela acusação de ausência de pagamento por transporte e incompatibilidade entre veículo e carga/peso transportados, elemento que já se afirmou acima não é suficiente para a conclusão pela inidoneidade. Especificamente em relação às notas fiscais 367 e 369, a decisão recorrida manteve a glosa pois os cheques foram sustados, em razão de desacordo comercial entre as partes. Já as notas fiscais 310; 311; 416; 417; 418; e 419 os pagamentos foram efetuados por terceiros, mediante cessão de crédito bancário. A Recorrente, no que se refere a esse fornecedor, defende a superficialidade da Fiscalização, ausência de acusação de inidoneidade e que as cessões de crédito são operações regulares, citando a decisão da Primeira Seção que assim afirmou: 44. Henriques Comércio de Couros Ltda. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal relativo ao período que vai do 2o trimestre de 2008 ao 1o trimestre de 2009, a acusação fiscal (fls. 402404) é, em linhas gerais, muito semelhante aos itens 11 a 13 acima analisados. Com relação a duas notas fiscais (367, no valor de R$ 5.400,00, e 369, no valor de R$ 14.850,00), destacara o fisco que o cheque 151871 do Banco do Brasil S/A fora, por ordem do emitente, “sustado” em 17/03/2009, em face de “desacordo comercial”. Entretanto, já em sede de impugnação, o contribuinte trouxera aos autos o comprovante da transferência bancária posteriormente efetuada, em 01/04/2009, pelo valor total de R$ 20.250,00, em nome do citado fornecedor (fls. 25510). Com relação aos demais argumentos, em linhas gerais, peço vênia para reportarme aos itens 11 a 13, que contém, em síntese, os fundamentos pelos quais não pode prosperar a glosa com relação a este fornecedor". Como se verifica, a matéria foi tratada na sua integralidade naquela decisão e, diante dos fatos e análises ali colocados, proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Fl. 36143DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 10 9 Com relação ao fornecedor "José de Carvalho Lima Junior", a decisão recorrida manteve a glosa, por inabilitação do fornecedor junto a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, por incompatibilidade de veículo com carga/peso transportados, ausência de registros de pagamentos aos transportadores e ausência de declaração de receitas na DIPJ pelo fornecedor do ano de 2008. A Recorrente defende que esse fornecedor só foi declarado não habilitado a partir de 26/03/2010, data posterior às operações realizadas pela Recorrente, afirmando que, mesmo após o falecimento do Sr. José de Carvalho Lima Junior, a empresa continuou funcionando, sendo administrada pelo Sr. Reginaldo de Carvalho Siqueira, amparandose novamente no que restou decidido no Processo Administrativo nº 10835.721527/201254. Naquele processo, restou decidido que a Recorrente era um típico adquirente de boafé tratado pela doutrina e jurisprudência, pelos motivos a seguir: "De todo o exposto, dúvidas não restam quanto à inidoneidade dos documentos emitidos em nome de José de Carvalho Lima Júnior após o seu falecimento. Contudo, as diligências efetuadas não demonstraram que não houvesse comercialização de couro, antes ao contrário. O Sr. Reginaldo declarou que fazia a administração da empresa de José de Carvalho Lima Júnior, comprando e vendendo couros, e administrando o pessoal. Perguntado sobre seus clientes em 2009, respondeu que “quase 100% Vitapelli”, e que as vendas eram todas a prazo, de até 120 dias. E que, com relação à forma de recebimento pelas vendas, os pagamentos, pela Vitapelli, eram feitos em cheque ou por meio de duplicata descontada em banco. Nos autos há fotos do couro na salgadeira do Sr. Reginaldo, tiradas pelo fisco. A empresa pode até não ter registrado seus funcionários, mas o fisco constatou que havia funcionários no local. Nos documentos anexados pelo fisco relativos ao fornecedor José de Carvalho Lima Júnior (fls. 67697993) e ao fornecedor Reginaldo de Carvalho Siqueira (fls. 1475914871), constam cópias de diversos cheques emitidos nominalmente a ambos (muitos com a aposição da expressão “bom para ...”, indicando uma data bem posterior à de sua emissão), bem como de documentos de cobrança bancária em favor de ambos fornecedores, a confirmar as alegações do Sr. Reginaldo quanto à forma de pagamento. Ademais, não consta nos autos nenhum indício de que a recorrente tivesse, ou devesse ter, conhecimento da irregular interposição de pessoa / sucessão fraudulenta. Aliás, nem mesmo o contador, que estava mais próximo dos fatos, tinha conhecimento, de acordo com as declarações que prestou ao fisco. Do ponto de vista da recorrente, portanto, entendo que o quanto trazido aos autos a coloca, em relação aos dois citados fornecedores, na condição do adquirente de boafé a que alude a doutrina e a jurisprudência, pelo que não pode ser ela responsabilizada, neste caso, pelas irregularidades praticadas por seus fornecedores. Fl. 36144DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 11 10 Sem procedência, portanto, o lançamento fiscal relativo a este fornecedor". Portanto, por já ter sido demonstrada a regularidade das operações realizadas por esse fornecedor com a Recorrente, devem ser afastadas as acusações que amparam a glosa do direito de crédito da Recorrente, motivo pelo qual proponho ao Colegiado afastar a glosa relativa a esse fornecedor. Por último, com relação ao fornecedor "Frigorífico Altamira Ltda.", a decisão recorrida manteve a glosa, pelo seguinte motivo: "Intimado a comprovar os pagamentos das notas fiscais referentes as suposta aquisições dos insumos (couro cru), recebida a intimação, o interessado não a atendeu. Também, intimado, não apresentou a planilha de movimentação das mercadorias discriminadas nas notas fiscais". A Recorrente faz referência à decisão da Primeira Seção e que teria juntado no Recurso Voluntário documentação comprobatória dos pagamentos, com a juntada de razão mensal. Embora o conjunto dos elementos não tenha sido suficiente para sustentar o lançamento, no presente processo, entendo que caberia à Recorrente fazer prova do pagamento, que continuou sem amparo. Às fls. 7.339 dos autos, no parecer da fiscalização, há a informação de que foi glosado em relação ao 4ª Trimestre de 2008 a quantia de R$270.000,00. Contudo, não há na documentação contábil oferecida pela Recorrente o registro de pagamentos realizados em favor desse fornecedor. Há, na realidade, pagamentos em favor de outro fornecedor, "Frial Frigorífico Industrial Altamira Ltda.". Além disso, mesmo que existissem pagamentos em favor do fornecedor correto, seria oportuno e necessário, para fins de demonstração do direito pleiteado, que o Recorrente fizesse o cotejo entre valores glosados, notas fiscais e transferências realizadas, a fim de evidenciar e atestar a regularidade do direito de crédito pleiteado. Dessa forma, por carência probatória nesse item, proponho ao Colegiado manter a glosa realizada. Glosas relativas a descontos Nesse ponto, a decisão recorrida manteve a glosa, pois "os descontos (abatimentos), segundo consta do Parecer às fls. 7.377/7.400, parte integrante do despacho decisório recorrido, não decorreram de antecipações de pagamentos, mas de ato liberatório dos fornecedores a favor do interessado". Assim, a decisão recorrida entendeu que tais abatimentos constituiriam outras receitas operacionais sujeitas à contribuição para o PIS sob o regime não cumulativo, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Em sua defesa, a Recorrente argumenta que a decisão recorrida não atentou para as peculiaridades de sua atividade empresarial; que adquire de fornecedores sua principal matériaprima, o couro verde, salgado ou salmorado, e as inconformidades relativas a qualidade, conservação ou peso só aparecem depois de iniciado o processo industrial; assim, constatado algum problema relacionado a matéria Fl. 36145DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 12 11 prima, obtém junto ao fornecedor um desconto sobre o preço, que é tratado pela Recorrente como receita financeira, cuja alíquota estava reduzida a zero à época da apuração, por força do Decreto nº 5.442/2005. Com razão a decisão recorrida, pois o abatimento ou desconto obtido pela Recorrente não possui natureza jurídica de desconto incondicional, passível de exclusão da base de cálculo das contribuições nos termos do artigo 1o, parágrafo 3o, inciso V, “a”, da Lei no 10.637/2002, portanto, não é mero redutor do preço pago pelos seus insumos. Além disso, não possui natureza de receita financeira. Primeiro, pela própria narrativa da Recorrente fica clara a natureza de desconto condicional dos valores por ela recebidos, pois o gatilho para que a Recorrente receba tais valores é justamente evento futuro e incerto a verificação de que existem inconsistências nos produtos entregues , o que configura uma condição, nos termos do artigo 121 do Código Civil. Assim, tais valores não podem ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Isso porque a condição superveniente à realização da compra e venda ou prestação de serviços não é capaz de alterar o valor da operação ou preço do serviço já ajustado pelas partes para o negócio jurídico já ocorrido, quando já incidiu a norma de tributação, estabelecendo a relação entre o sujeito passivo e o Estado credor. Segundo, não se verifica a natureza de receita financeira, para fins de reconhecimento de aplicação de alíquota zero, pois os valores recebidos não se qualificam como nenhuma das formas de receita financeira prevista no artigo 373 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda, não havendo qualquer elemento de aproximação que pudesse permitir uma equiparação. Ante o exposto, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Glosas relativas ao passivo insubsistente Na decisão recorrida, a glosa relativa a esse item foi mantida, pelos seguintes motivos: "A insubsistência do passivo configura omissão de receitas, mediante simulação de uma suposta aquisição de quotas ou ações do interessado, por parte da Siro Invest S.A., e com isto lograr transferir para o patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado, valores que estavam registrados no seu passivo contábil. Este mesmo interessado (impugnante) foi autuado, em relação ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), sobre esta mesma matéria, ou seja, por omissão de receita decorrente da insubsistência do passivo. Os lançamentos do IRPJ e da CSLL foram formalizados por meio do processo administrativo nº 10835.721527/201254. No julgamento da impugnação interposta pelo interessado contra estes tributos, a Fl. 36146DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 13 12 1ª Turma de Julgamento desta DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo suas exigências. Assim, levandose em conta que esta matéria (insubsistência de passivo) já foi objeto de julgamento por parte desta DRJ e, ainda, por economia processual e celeridade do processo, adoto o mesmo voto proferido, naquele processo, pelo Ilustre Julgador Antônio Carlos Trevisan, transcrito a seguir: (...)" Como se verifica, a matéria já havia sido julgada de forma contrária à Recorrente naquele mesmo processo, da Primeira Seção, por ela citado, para afastar as glosas deste processo. Em sua defesa, a Recorrente explica a operação societária por ela realizada, informando que acumulou dívidas com uma sociedade denominada Rebel Import and Export Company que, por sua vez, celebrou uma cessão desse crédito com a sociedade denominada Siro Invest S/A. Após, a Recorrente e a Siro Invest S/A decidiram transformar esse passivo em participação societária, mediante a transformação da Recorrente em sociedade por ações e a subscrição, pela Siro Invest S/A, de 1.500.000 (um milhão e quinhentas mil ações) pelo valor de R$ 35.240.000,00. Em seguida, a Recorrente argumenta que em nenhum momento os valores da operação transitaram pelo resultado em 2008, "pois ainda que prevalecesse o entendimento de que o referido montante não tem subsidio para ser registrado como ágio, o valor deveria recompor o passivo originário, nos anos de 2000 a 2007, uma vez que o passivo de fato existe". Com isso, a Recorrente afirma que a liquidação desse passivo no ano de 2008 não constituiu base de cálculo da contribuição e não é fato gerador da contribuição. Contudo, a matéria já foi decidida pelo CARF, tendo efeitos meramente reflexos no pedido de ressarcimento. Naquela oportunidade, a Primeira Seção entendeu que: "Ora, tudo o quanto acima relatado dá pleno respaldo à acusação fiscal de omissão de receitas. Demonstrou o fisco de forma contundente que toda a operação de suposta aquisição de quotas ou ações da fiscalizada pela Siro Invest não passou de mera simulação, bem como que a suposta dívida para com a Siro Invest também não era real, tratandose, portanto, de passivo inexistente. A alegação da recorrente no sentido de que os fatos narrados não se enquadrariam em nenhuma das situações previstas pelo art. 281 do RIR/99, que trata dos casos de “Passivo Fictício” e “Insubsistência do Passivo”, porque não seria possível presumir a existência de obrigações já pagas ou inexistentes, não pode prosperar. O fisco não presumiu a inexistência do passivo, senão antes reuniu um forte conjunto de indícios sérios, graves e convergentes, que apontam para a conclusão quanto à inexistência do alegado passivo. Incumbia à recorrente trazer elementos igualmente fortes e suficientes para infirmar a acusação fiscal, o que não fez". Fl. 36147DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 14 13 Dessa forma, considerando que a Seção competente para julgar a omissão de receitas de IRPJ e CSLL já apreciou a matéria e os efeitos daquela decisão são reflexos ao pedido de ressarcimento que deu origem ao processo ora em julgamento tendo em vista que uma vez decidido que houve simulação e omissão de receitas, a conseqüência é o lançamento das quantias a título de IRPJ e CSLL e a não aceitação da base de cálculo considerada pela Recorrente para fins de PIS/COFINS diante do reconhecimento da omissão de receitas no processo administrativo nº 10835.721527/201254, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Por último, com relação à aplicação da taxa SELIC ao pedido de ressarcimento, entendo pela sua impossibilidade, tendo em vista a expressa vedação legal, prevista nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcritos: "Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15 . Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei." Conclusão Por todo o exposto, proponho ao Colegiado dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar as glosas relativas aos seguintes fornecedores: Curtama Indústria e Comércio Ltda., Lacerda Couros Ltda., Vanderlei João de Oliveira; Volmir Sofiatti ME; "Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda." (apenas notas fiscais 21934, 42109, 12334, 38997, 42974,28470, e 11055); "Henriques Comércio de Couros Ltda."; e "José de Carvalho Lima Junior". " Importante observar que, na solução do presente litígio, serão aplicados os mesmos critérios adotados na decisão do paradigma, que acatou as conclusões a que chegou a Primeira Seção do CARF no julgamento do processo 10835.721527/201254 (Acórdão 1102 001.075), para: afastar as glosas que tiveram por fundamento a realização de pagamentos mediante cessão de créditos; afastar as glosas que tiveram por fundamento a incompatibilidade entre veículo, carga e peso transportado. Todavia, no caso do paradigma, por tratarse de pleito de ressarcimento/compensação, o colegiado decidiu manter as glosas motivadas pela falta de comprovação dos pagamentos. No presente processo as glosas relativas às aquisições de fornecedores englobaram as seguintes empresas: (1) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda.; (2) Comercial de Couros Nobre Ltda.; (3) Comercial ZML Ltda.; (4) Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda.; (5) Frisbbel de Itap Frig. de Suínos e Bovinos Boa Esperança Ltda. ME; (6) José Maria da Cruz; (7) Lacerda Couros Ltda., (8) Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda.; (9) M. M. Comércio Atacadista de Couros Ltda.; (10) Manos Couro Ltda ME; (11) Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda.; e, (12) Souza Jesus Com. de Carnes e Couros Ltda. ME; conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (TVeCF) às fls. 7.249/7.331, Parecer às fls. 7.336/7.356, e Despacho Decisório às fls. 7.357, de cujas ciências o interessado foi intimado em 10/11/2010. Fl. 36148DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 15 14 O presente pleito é relativo ao 3º trimestre de 2008 (01/07/2008 a 30/09/2008). Observandose as planilhas das glosas efetuadas pelo Fisco para cada um dos fornecedores, com as respectivas motivações indicadas em cada uma das planilhas (fls. 11420 a 11510 do processo digital), constatase que, para os fornecedores relacionados a seguir, não houve glosa motivada por falta de comprovação de pagamento. Frisese: não houve glosa, sob essa motivação, de notas fiscais escrituradas no período de apuração do presente pleito. Desta forma, no presente processo, devem ser afastadas as glosas das aquisições efetuadas em relação aos seguintes fornecedores: Alves & Matos Comércio de Couros Ltda Comercial de Couros Nobre Ltda Comercial ZML Ltda.; 2 Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda; Frisbbel de Itap Frig. de Suínos e Bovinos Boa Esperança Ltda José Maria da Cruz Lacerda Couros Ltda. ME; Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda M. M. Comércio Atacadista de Couros Ltda.; Manos Couro Ltda ME Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda Souza Jesus Com. de Carnes e Couros Ltda. ME Por outro lado, da mesma forma que no julgamento do paradigma, serão mantidas as glosas motivadas pela falta de comprovação de pagamento em relação às notas fiscais listadas a seguir (escrituradas no período de apuração deste processo): a) Alves & Matos Comércio de Couros Ltda Nota Fiscal nº 212 (fl. 11421 do processo digital) b) Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda Nota Fiscal nº 7 (fl. 11464 do processo digital) Em resumo, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário nas matérias dos descontos obtidos após a realização da operação comercial, do passivo insubsistente, e da aplicação da taxa Selic sobre o pedido de ressarcimento, e dar parcial provimento quanto às glosas relativas às aquisições de fornecedores, nos seguintes termos: 1) afastar as glosas relativas aos fornecedores: Alves & Matos Comércio de Couros Ltda, Comercial de Couros Nobre Ltda, Comercial ZML Ltda, Frigocouro Comércio e Repres. de Couros Ltda, Frisbbel de Itap Frig. de Suínos e Bovinos Boa Esperança Ltda, José Maria da Cruz, Lacerda Couros Ltda. ME, Leatherpar Comércio e Representações de Couros, M. M. Comércio Atacadista de Couros Ltda Ltda, Manos Couro Ltda ME, Navi Carnes Indústria e Comércio Ltda, Souza Jesus Com. de Carnes e Couros Ltda. ME. 2 Com relação ao fornecedor Comercial ZML Ltda, também foi afastada a "Glosa Majoração de Preço" ( planilha de fl. 7078), pelas razões expostas no item 15 do Acórdão 1102001.075 (páginas 38 a 40 do acórdão). Fl. 36149DF CARF MF Processo nº 15943.000103/200943 Acórdão n.º 3401004.252 S3C4T1 Fl. 16 15 2) manter as glosas, apenas, em relação às notas fiscais nº 212 (de Alves & Matos Comércio de Couros Ltda.), e nº 7 (de Leatherpar Comércio e Representações de Couros Ltda). assinado digitalmente Rosaldo Trevisan Fl. 36150DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.903159/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1229.151, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 03 15 9/ 20 08 -3 7 Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 378 2 Versa o presente processo sobre a DCOMP eletrônica de n° final 3686 (fls.21/26), transmitida em 16/12/2004, através da qual a interessada declara a compensação de débito de estimativa mensal de Contribuição Social (periodo de apuraçãoset/2004, vencimento em 31/10/2004 e valor principal de R$ 4.030,12), com a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. O referido pagamento teria sido efetuado em 30/07/2004, sob o código 2484 (CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal), no total de R$ 179.471,87 (fi.24). Através de Despacho Decisório (fl.180), a DRF Vitória não reconheceu a existência do crédito pleiteado, não homologando, em conseqüência, a compensação declarada, por ter sido verificado que o valor recolhido através do DARF indicado já fora integralmente utilizado. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 21/08/2008 (fl.185), a interessada apresenta, em 22/09/2008, manifestação de inconformidade (fls.01/04), invocando, preliminarmente, a anulação do despacho decisório, em face das seguintes razões: a) o despacho decisório de que se trata é extremamente sucinto, carecendo de informações elementares para sua procedência, não atendendo as condições do art.9° do Decreto n° 70.23 5/1972; e b) a ausência de informações relevantes para a elaboração da manifestação de inconformidade restringe o direito à ampla defesa, consagrado na Lei n° 9.784/1999, art.2°. Quanto ao mérito, a interessada aduz que o despacho decisório em causa deve ser reformado, com a expressa homologação integral da compensação correspondente, em face das seguintes razões: a) a afirmação do auditor fiscal de que o crédito utilizado era de valor insuficiente para fazer frente ao débito compensado, devese exclusivamente a um erro material que a interessada cometeu no preenchimento da DCTF referente ao 2° trimestre de 2004; b) conforme pág.13 da DIPJ/2005 (anocalendário 2004) o valor original do débito de CSLL era de R$ 175.441,74 (fi.104); c) contudo, realizou a quitação do tributo mencionado por meio de um DARF no valor de R$ 179.471,87 (fl.165), apurando um crédito referente ao pagamento a maior da CSLL no valor de R$ 4.030,13; e d) no entanto, ao preencher a DCTF referente ao 2° trim/2004 (fl.69), em patente erro material, indicou, no campo onde deveria constar o valor do débito apurado de CSLL do mês de junho/2004 (R$ 175.441,74), o valor referente ao DARF recolhido a maior, qual seja, R$ 179.471,87. É o relatório Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 379 3 Uma vez atendidos os princípios do contraditório, do amplo direito de defesa e do devido processo legal, com obediência a todos os passos determinados pela legislação de regência, fica afastada a hipótese de ocorrência de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. CONDIÇÕES DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente pode ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela pessoa jurídica junto à Fazenda Nacional, quando sejam atendidos os requisitos de liquidez e certeza. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. A partir da edição da INSRF n° 460/2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houvesse o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 380 4 a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Por outro lado, ainda que não se aceite a aplicação da regra estatuída no inciso "c", do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 ao caso presente, entendo que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa. Aceitandoas, privilegiase tanto o princípio da verdade material, como o princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, pois os documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do crédito pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 381 5 A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 382 6 Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados e colacionados juntamente com o recurso voluntário devem ser admitidos e apreciados, de forma a verificar se eles se prestam a comprovar o direito creditório alegado. Da Conversão do Julgamento em Diligência Consoante relatado, por meio de DCOMP eletrônica, o contribuinte informou a existência de crédito no valor de R$ 4.030,13, correspondente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL, correspondente ao mês junho/2004, em face de ter efetuado o recolhimento do tributo devido via DARF no valor de R$ 179.471,87, quando o correto deveria ser R$ 175.441,74. Da análise da decisão recorrida, verificase que a DRJ não homologou a compensação pleiteada sob dois fundamentos. O Primeiro: Na sua manifestação, a interessada afirma que a conclusão a que chegou a fiscalização deveuse a um erro material que ela, a interessada, cometera no preenchimento da DCTF referente ao 2° trimestre de 2004. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 383 7 Ocorre que a fiscalização efetua a análise e a validação dos créditos informados em PER/DCOMP, mediante o confronto dos dados desse PER/DCOMP com as informações constantes nos sistemas da RFB. Esses sistemas são alimentados pelas diversas declarações apresentadas pelos próprios contribuintes, que constituem obrigações acessórias, como DCTF, DIPJ, DIRF, etc, e pelos recolhimentos efetuados através dos documentos de arrecadação pertinentes, com o preenchimento de diversos dados, também pelos contribuintes, para a sua perfeita identificação. Tratandose de pagamentos declarados como indevidos ou a maior, pleiteados em restituição ou utilizados em declaração de compensação, a análise é realizada considerando~se os saldos disponíveis dos pagamentos nos sistemas de cobrança. No presente caso, a interessada pleiteia, como crédito, o saldo remanescente de RS 4.030,13, relativo ao recolhimento efetuado em 30/07/2004, a título de estimativa mensal de CSLL, correspondente a junho/2004, código 2484, no valor de RS 179.471,87, uma vez que o valor do débito seria de somente R$ 175.441,74. Acontece que não há saldo disponível relativamente ao pagamento informado, conforme pesquisa no sistema SIEF (t1.209), uma vez que o valor recolhido está totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF pela própria interessada, relativamente à estimativa mensal de CSLL ( código: 2484, PA: junho/2004, débito apurado: R$ 179.471,87), fls.l96/ 197. O fato de ter sido declarado, posteriormente, o valor de RS 175.441,74, na DIPJ/2005 AC 2004 (fl.193) não é suficiente para retificar a DCTF, uma vez que o procedimento correto para tal fim teria sido a apresentação oportuna de uma DCTF retificadora. (...) Dessa forma, entendo que o crédito pleiteado de CSLL sob análise não atende os requisitos de liquidez e certeza de que trata o art.. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: (...) O Segundo: Além do mais, é relevante observar que o assunto de que se trata pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal e sua utilização em compensação pode ser, também, analisado sob outro aspecto, como se verá a seguir. A declaração de compensação foi instituída por intermédio da Medida Provisória n° 66/2002, posteriormente convertida na Lei 10.637/2002, a qual alterou o artigo 74 da Lei 9.430/96. No plano infralegal, foi publicada a INSRF210/2002, a qual lançou as sementes para o sistema de restituição, ressarcimento e compensação que se conhece atualmente. Após algumas mudanças ocorridas em matéria de restituição, ressarcimento e compensação, fezse necessária a aprovação de uma nova Instrução Normativa, que Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 384 8 passou a consolidar a matéria, além de introduzir algumas novidades a esse cenário. Assim, em 29/10/2004, a INSRF n° 210/2002 foi revogada pela INSRF n° 460/2004. O artigo 10 da INSRF n° 460/2004 estabeleceu: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaque no original) Portanto, a partir de 29/10/2004, por força do dispositivo acima reproduzido, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que tivesse ocorrido o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, à época da transmissão da DCOMP de que se trata 16/12/2004 era vedada a compensação na forma como foi efetuada pela interessada, sendo esta mais uma razão para que a compensação em foco não possa ser homologada. Ou seja, o não reconhecimento do direito creditório pleiteado teve como fundamento: i) não haver saldo disponível relativamente ao pagamento informado, uma vez que o valor recolhido foi totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF, relativamente à estimativa mensal de CSLL, PA: junho/2004 e, por isso, o crédito pleiteado não atendeu aos requisitos de liquidez e certeza de que trata o art. 170 do CTN; ii) a impossibilidade do pleito, em face do dever de observar a vedação estabelecida no art. 10 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004, que estabelecia que qualquer recolhimento a título de estimativa, fosse utilizado apenas para redução do CSLL devido no final do período, ou para composição do eventual saldo negativo. O contribuinte, por sua vez, se insurge quanto ao primeiro fundamento, sustentando ter ocorrido equívoco no preenchimento da DComp e divergência desta última com as informações contidas em DIPJ, além de entender que os documentos juntados comprova a ocorrência de recolhimento indevido aos cofres públicos, no valor de R$ 4.030,13, Analisando as provas dos autos, verifico que a fiscalização desprezou completamente a DIPJ apresentada pelo contribuinte. Penso não ser possível negar validade a informações originadas de envio de DIPJ por mera divergência com as informações colhidas em DCTF, mesmo porque aquelas informações poderiam ter sido verificadas perante o sistema da RFB. A Fiscalização não pode se limitar, em sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp. e DCTF, já que existiam informações provenientes de outra declaração nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado, cabendo à Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 385 9 Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações transmitidas e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma delas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de ter sido intimado o contribuinte para proceder a retificação de quaisquer das declarações. Por conseqüência lógica, também não existe prova nos autos que o contribuinte quedouse inerte, em face de eventual intimação para correção da divergência existente entre suas declarações. À propósito, o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp rejeitadas pelo sistema, tem causado vários transtornos. De um lado, indeferese o pedido de restituição porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram em DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias, contados do recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Acrescentese ainda que no caso de erro de fato no preenchimento de declarações, a própria Receita Federal tem se manifestado no sentido de que é possível rever de ofício lançamento ou despacho decisório na hipótese de ocorrência de erro de fato no preenchimento de declaração. Nesse sentido, transcrevo parcialmente ementa do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DEDÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam:quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 386 10 efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato nopreenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOUCOMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais– DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. [...] Assim, se a própria Administração Pública revisa de ofício atos que se basearam em declarações com erros de fato no preenchimento, não há porque se negar a adoção do mesmo critério em sede de julgamento do litígio administrativofiscal. Por outro lado, para negar reconhecimento ao crédito pleiteado, a DRJ utilizase de um outro fundamento consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (estimativa), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude desse entendimento, hoje superado em face do que prevê a Súmula CARF nº 84, e aquele outro, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, pagamento a maior ou indevido. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na receita bruta. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na receita bruta ou com suporte em balanços ou balancetes de suspensão ou redução, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a estimativa era devida Obviamente, se o contribuinte recolhe a estimativa com base na receita bruta e, em momento posterior, levanta um balanço de suspensão e redução que aponta para prejuízo fiscal no período acumulado, descabe falar em Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 387 11 pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de balanço de suspensão/redução). No caso vertente, embora o contribuinte tenha alegado recolhimento a maior, ele não informa qual teria sido esse erro ou equívoco. Por outro lado, as instâncias administrativas precedentes rejeitaram o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada, utilizandose de fundamentos, já apreciados, sem, portanto, examinarem a existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Assim, restando, entendo razoável oportunizar à interessada trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar que tratase de erro de fato na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Conclusão Ante ao exposto, conduzo meu voto, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Administrativa da Unidade de Origem: a) Intimar a recorrente a esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa mensal de CSLL, PA: junho/2004, facultando a oportunidade de apresentar outros documentos, conforme o caso. b) Elabore relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, seja quando da apresentação de sua impugnação, seja quando do seu recurso ou quando intimado em sede de diligências, manifestando ao final sobre a existência, ou não, de recolhimento em valor maior do que o devido de estimativa mensal de CSLL, PA: junho/2004; c) Informar se eventualmente o total de estimativa declarada foi utilizado no saldo de ajuste; d) Informar se o crédito pleiteado se encontra disponível, além de apresentar outras considerações relevantes para o deslinde da questão. Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10783.903159/200837 Resolução nº 1301000.478 S1C3T1 Fl. 388 12 Fl. 388DF CARF MF
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