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Numero do processo: 19647.010792/2006-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
Fez sustentação oral, o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OAB-DF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral, o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OAB-DF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral, o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OABDF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 07 92 /2 00 6- 57 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19647.010792/200657 Acórdão n.º 9101002.678 CSRFT1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.525, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 19647.010792/200657 Acórdão n.º 9101002.678 CSRFT1 Fl. 4 3 O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19647.010792/200657 Acórdão n.º 9101002.678 CSRFT1 Fl. 5 4 Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722873/2014-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 18/12/2009, 19/08/2010, 22/10/2010
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA.
Constitui dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
SOCIEDADE DISSOLVIDA. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Padece de vício o auto de infração que tem no pólo passivo sujeito passivo inexistente.
Numero da decisão: 3401-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso para afastar do polo passivo a pessoa jurídica NEXT BOATS COMÉRCIO DE PRODUTOS NÁUTICOS LTDA. EPP.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: Relator
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INTERPOSIÇÃO. OCULTAÇÃO. Recorrente NEXT BOATS COMÉRCIO DE PRODUTOS NAUTICOS LTDA. EPP E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/12/2009, 19/08/2010, 22/10/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constitui dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SOCIEDADE DISSOLVIDA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Padece de vício o auto de infração que tem no pólo passivo sujeito passivo inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso para afastar do polo passivo a pessoa jurídica NEXT BOATS COMÉRCIO DE PRODUTOS NÁUTICOS LTDA. EPP. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 28 73 /2 01 4- 76Fl. 518DF CARF MF 2 Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório Este processo cuida de auto de infração que constituiu e exige a multa de 100% do valor aduaneiro estabelecida pelo inciso V do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976, relativa as operações de importação realizadas por meio das DI 10/18719921, 10/14413518 e 09/18053115, registradas pela NEXT TRADE LTDA (doravante denominada NEXT TRADE) para as quais a NEXT BOATS COMÉRCIO DE PRODUTOS NAUTICOS LTDA EPP (doravante denominada NEXT BOATS) seria o real adquirente. Segundo o resumo elaborado pelo relator a quo, a fiscalização informa que: durante procedimento fiscal executado na empresa NEXT TRADE LTDA, identificou as operações realizadas com a NEXT BOATS. em entrevista o Sr. Júlio Ivo Albertoni, sócio da NEXT TRADE, este reconheceu que a importação de mercadorias do exterior era "casada" com a venda para a NEXT BOAT . Durante o Procedimento Fiscal executado na empresa NEXT TRADE identificou documentos que ligam esta a NEXT BOATS, entre eles, notas fiscais de saída da NEXT TRADE, tendo como destinatária a NEXT BOATS; transferências bancárias da NEXT BOATS para a NEXT TRADE; e registro na contabilidade da NEXT TRADE de operações de mútuo entre esta e a NEXT BOATS. efetuou análise da composição societária de NEXT TRADE e NEXT BOATS, e identificou parentesco entre os sócios; identificou nos extratos bancários apresentados pela NEXT TRADE, duas transferências bancárias realizadas pela empresa NEXT BOATS. Em 06/01/2009 (R$ 1.390,00) e em 31/03/2010 (R$ 1.500,00). identificou na contabilidade da empresa Next Trade, uma conta de passivo de mútuo, código 221059, com nome de NEXT BOATS. Essa conta apresentava saldo inicial em 01/01/2010 de R$ 24.289,37C, durante o ano de 2010 a movimentação financeira a débito totalizou R$ 89.900,00 e a crédito R$ 92.350,00, aumentando o saldo da conta em 31/12/2010 para R$ 26.739,37. efetuou a análise das três operações objeto deste auto com vistas a demonstrar que a NEXT BOATS atuava como adquirente oculto nas operações da NEXT TRADE. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10880.722873/201476 Acórdão n.º 3401003.276 S3C4T1 Fl. 3 3 A NEXT BOATS impugnou a autuação e, em resumo elaborado pela instância anterior, seria as seguintes as suas alegações: o o procedimento fiscal foi equivocado em relação a conclusão sobre os fatos apresentados pela fiscalização. § as operações realizadas revestem de legalidade, pois tudo foi demonstrada a fiscalização, inclusive que as compras eram realizadas com antecipação de pagamentos, que amparavam o contrato de mútuo existente entre as empresas. o Confirma sua relação comercial com a NEXT TRADE e que as operações nunca foram tão claras e informou todos estes fatos durante a fiscalização, inclusive que há antecipação de pagamentos, por meio do qual são requeridas as compras e finalizados posteriormente as operações de importação com o recebimento dos bens importados. o Questiona a autuação relativa a DI 10/18719921, pois a operação teria ocorrido somente para fins de demonstração dos bens importados, tendo este retornado posteriormente a NEXT TRADE, conforme NF n° 1546. o Questiona a autuação relativa a DI 10/14413518, pois essa teria sido fruto de atendimento de garantia de um produto avariado. o Alega cerceamento do direito ao contraditório e ampla defesa durante o procedimento fiscal realizado. o ilegalidade da atuação, por ausência de fundamentação legal, pois as operações realizadas estavam dentro da mais estrita legalidade. o contesta a lavratura do termo de sujeição passiva solidária. A respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis declarou a revelia da NEXT TRADE, face ela não ter impugnado a autuação, e após apreciar a impugnação da NEXT BOATS e demais documentos que instruem os autos, não acolheram as preliminares e concluíram pela improcedência do recurso e pela manutenção do crédito exigido. O Acórdão n. 0736.723, proferido em 25/02/2015, ficou assim ementado: Acórdão 0736.723 2a Turma da DRJ/FNS Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Processo 10880.722873/201476 Interessado NEXT BOATS COMERCIO DE PRODUTOS NAUTICOS LTDA EPP CNPJ/CPF 07.504.388/000107 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/12/2009, 19/08/2010, 22/10/2010 Fl. 520DF CARF MF 4 INSUBSISTÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica, revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constitui dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A NEXT TRADE ingressou com recurso voluntário atacando a autuação e a decisão de 1º piso. Alega a tempestividade; roga pelo reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito enquanto não proferida a decisão definitiva ao contraditório; que é empresa que atua de boa fé e de acordo com a lei; que atendeu às demandas da autoridade fiscal; que suas operações não ilegais ou ilícitas, e que não praticou fraude; que a multa de 75% sobre os tributos é confiscatória e desproporcional. Em consulta ao sistema CNPJ por meio da função pública e disponível no site da internet Receita Federal do Brasil, em 16/06/2016, consta que: (a) a NEXT BOATS tem seu CNPJ BAIXADO por extinção por encerramento por liquidação voluntária, com data da situação cadastral de 03/12/2012, e que (b) a NEXT TRADE tem o seu CNPJ DECRETADO INAPTO por prática irregular no comércio exterior, com data da situação cadastral 09/01/2009. O Ato Declaratório que decretou a inaptidão foi publicado no Diário Oficial da União em 26/05/2015. (PAF 12448.726549/2014 61) É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Análise dos requisitos para admissibilidade do recurso: Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10880.722873/201476 Acórdão n.º 3401003.276 S3C4T1 Fl. 4 5 Compõe o polo passivo a empresa NEXT BOATS, com sede em São Paulo, SP. O Auto de Infração foi lavrado em 07/08/2014. A empresa NEXT TRADE, com sede no Rio de Janeiro, RJ, foi intimada desse Auto de Infração e do Termo de sua Sujeição Passiva, que a incluiu no polo passivo dessa autuação, em 15/08/2014. A autuação se refere a declarações de importação (DI) registradas em 2009 e 2010. Apenas a NEXT BOATS apresentou impugnação, o que justificou o Colegiado de Julgamento de 1º piso proferir a revelia da empresa NEXT TRADE em 25/02/2015. (fls.458465) Encontramos as Intimações da unidade local (n. 33/2015 e 34/2015), respectivamente para a NEXT BOATS e para a NEXT TRADE, datadas de 30/03/2015. (fls. 469470) A autoridade local informa que, apesar do AR não ter sido devolvido, é possível considerar que as recorrentes tomaram ciência em 15/06/2015 desse Acórdão. (despacho de 22/06/2015, fls. 517) Há pedido de cópia do processo por parte da empresa NEXT TRADE datada de 12/06/2015 (fls.502512). Como podemos ver, senhores Conselheiros, apenas a NEXT TRADE apresentou recurso voluntário. Ocorre que ela havia sido declarada revel na instância anterior. Ao rever os atos processuais, verifiquei que ela havia sido regularmente intimada do auto de infração e do termo de sua sujeição passiva, mas deixou de contraditálos. A sua manifestação ingressada como pedido de recurso voluntário a este Colegiado não traz qualquer contestação contra essa revelia, ou contra o ato que lhe teria dado ciência do auto de infração. COM RELAÇÃO À NEXT TRADE, não há, a meu ver, irregularidades no auto de infração e no termo de sujeição passiva que pudessem ultrapassar a revelia e propor, de ofício, a sua alteração ou seu cancelamento. Com essas considerações, proponho a este Colegiado que seja reconhecida a falta de atendimento de requisito de admissibilidade no caso a legitimidade para recorrer por parte da NEXT TRADE e não seja conhecida a manifestação identificada como recurso voluntário. Análise dos requisitos de autuação: Com relação à autuação contra NEXT BOATS, entretanto, meu entendimento é diverso. Há vício no auto de infração que deve ser tratado por este Colegiado, ultrapassando a ausência de recurso voluntário ou de contestação específica. Fl. 522DF CARF MF 6 O que nos salta aos olhos é ter o auto de infração nominado, em 2014, como sujeito passivo a empresa NEXT BOATS quando ela já estava extinta por encerramento por liquidação voluntária, com CNPJ baixado, desde 2012. Notemos que o procedimento fiscal que resultou nessa autuação foi iniciado em 2014, após a baixa do CNPJ dessa empresa e de seu encerramento como sociedade. A meu ver, essa situação constitui vício fatal, pois afronta o disposto no artigo 9º da lei do processo administrativo (Decreto 70.235, de 1972). Não se estabelece o contraditório quando não há ciência válida do auto de infração, e não há ciência válida para um sujeito inexistente por encerramento voluntário antes do início do procedimento fiscalizatório. Além disso, esse vício, como configurado neste caso, implica em cerceamento do direito de defesa, de um lado por causar incerteza sobre a possibilidade da efetiva comunicação dos atos processuais a um ente juridicamente encerrado e sem sede e endereço próprios, e de outro lado, por prejudicar a identificação de que pessoas poderiam ter ciência da ação fiscal, abrir o contraditório e exercer a contestação. Há, a meu ver, elementos para EXCLUIR DO POLO PASSIVO do auto de infração a NEXT BOATS, e este é o entendimento que proponho a este colegiado para sua decisão, de ofício. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 523DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728352/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO. CONTRIBUIÇÕES A PROJETOS CULTURAIS. COMPROVAÇÃO.
Tendo a contribuinte comprovado ter efetuado a contribuição a projeto cultural, denominado Amigos do Theatro São Pedro", no prazo fixado pelo Ministério da Cultura em portarias publicadas no Diário Oficial, deve ser restabelecida a dedução do imposto apurado na declaração de ajuste do exercício correspondente, obedecido o limite legal.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2401-004.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÃO. CONTRIBUIÇÕES A PROJETOS CULTURAIS. COMPROVAÇÃO. Tendo a contribuinte comprovado ter efetuado a contribuição a projeto cultural, denominado Amigos do Theatro São Pedro", no prazo fixado pelo Ministério da Cultura em portarias publicadas no Diário Oficial, deve ser restabelecida a dedução do imposto apurado na declaração de ajuste do exercício correspondente, obedecido o limite legal. Recurso Provido.
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CONTRIBUIÇÕES A PROJETOS CULTURAIS. COMPROVAÇÃO. Tendo a contribuinte comprovado ter efetuado a contribuição a projeto cultural, denominado Amigos do Theatro São Pedro", no prazo fixado pelo Ministério da Cultura em portarias publicadas no Diário Oficial, deve ser restabelecida a dedução do imposto apurado na declaração de ajuste do exercício correspondente, obedecido o limite legal. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 83 52 /2 01 3- 20 Fl. 92DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Da Notificação de Lançamento: (efls. 6 a 11) O lançamento foi realizado a partir das seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente de ação trabalhista declarado a menor no valor de R$619,80; 2. Glosa ano valor de R$1.000,00 declarado como dedução do imposto decorrente de doação a projeto de e incentivo à cultura devido a comprovação insuficiente ou incompleta. Foram revistos os valores constantes da declaração de ajuste (efls. 37 a 50), exercício 2013, resultando em imposto suplementar de R$1.170,45 que deverão ser acrescidos de multa de 75% e juros de mora. Da Impugnação: (efls. 2 a 14) A Contribuinte não contesta o valor relativo à omissão de rendimentos, entretanto, contesta a glosa do valor de R$1.000,00 doados ao Projeto Amigos do Teatro São Pedro comprovado pelo recibo nº 1008 Comunicado do Mecenato, efl. 12, e o documento de transferência no valor de R$1.000,00, de 21/12/2009, efl. 13. Do Acórdão de Impugnação: (efls. 60 a 63) A 5ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou improcedente a impugnação apresentada, prolatando o acórdão nº 1534.127, de 22/11/2013, assim ementado: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11080.728352/201320 Acórdão n.º 2401004.720 S2C4T1 Fl. 92 3 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2009 DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÕES A PROJETOS CULTURAIS. Apenas são dedutíveis do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) as contribuições efetuadas a projetos culturais dentro do período de captação estabelecido no ato oficial publicado de aprovação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido." O voto condutor do acórdão justifica a decisão pelo fato da doação ter sido efetuada fora do prazo previsto na Portaria MinC nº 4, de 2003. É o que consta do excert do voto condutor a seguir transcrito: (efl.63) "[...]a contribuição efetuada pelo sujeito passivo no anocalendário 2009 foi em período ulterior ao de captação estabelecido na Portaria MinC nº 4, de 07/02/2003, não sendo, pois, passível de dedução do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) anocalendário 2009. Apenas são dedutíveis do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) as contribuições efetuadas a projetos culturais dentro do período de captação estabelecido no ato oficial de aprovação publicado. Por todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido." Do Recurso Voluntário: (efls. 70 a 85) Cientificada do acórdão de impugnação em 04/12/2013, AR Correios efl. 67, a Contribuinte interpôs, em 18/12/2013, alegando à efl. 71 que: Requer o acolhimento do recurso e o cancelamento do crédito tributário lançado. É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Márcio de Lacerda Martins 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: 1.1. TEMPESTIVIDADE A ciência da Contribuinte do acórdão de impugnação ocorreu em 04/12/2013, conforme mostra o Aviso de Recebimento AR dos Correios, e o Recurso Voluntário foi protocolado em 18/12/2013, conforme atesta carimbo da Repartição aposto à efl. 71. Assim o recurso voluntário é tempestivo e dele conheço. 1.2. MÉRITO: A Contribuinte junta aos autos documento emitido pela Associação Amigos do Theatro São Pedro, datado de 09/12/2013, referente a "Prazos de Captação Projeto Multipalco PRONAC 013390", informando que o período de captação de doações para o projeto Amigos do Theatro São Pedro foi estendido pela Portarias MinC nº 3, de 6/01/2009 e 773, de 16/07/2009, finalizando em 31/12/2009. Assim, como a Recorrente comprova ter efetuado a doação do incentivo dentro do prazo fixado pelo Ministério da Cultura, a dedução deve ser restabelecida, na forma como declarada. Nestes termos, voto pela procedência do recurso voluntário. Conclusão: Por todo o exposto, conheço do recurso para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906533/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.534
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente ATLANTA QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 65 33 /2 01 2- 11 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10875.906533/201211 Acórdão n.º 3302003.534 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 02050.778. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10875.906533/201211 Acórdão n.º 3302003.534 S3C3T2 Fl. 4 3 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10875.906533/201211 Acórdão n.º 3302003.534 S3C3T2 Fl. 5 4 IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10875.906533/201211 Acórdão n.º 3302003.534 S3C3T2 Fl. 6 5 DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10875.906533/201211 Acórdão n.º 3302003.534 S3C3T2 Fl. 7 6 Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10875.906533/201211 Acórdão n.º 3302003.534 S3C3T2 Fl. 8 7 pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Por fim, quanto ao pedido de encaminhamento das notificações ao patrono da recorrente, esclareçase que as intimações no processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário são regidas pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, consolidado no artigo 10 do Decreto nº 7.574/2011, o qual prevê as formas pessoal, por via postal, telegráfica ou qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário, ou por meio eletrônico, não sujeitos a ordem de preferência, e, Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10875.906533/201211 Acórdão n.º 3302003.534 S3C3T2 Fl. 9 8 ainda, por edital, caso os meios anteriores sejam improfícuos, nos termos abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10875.906533/201211 Acórdão n.º 3302003.534 S3C3T2 Fl. 10 9 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, o pedido efetuado carece de previsão legal. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900935/2013-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. RELATÓRIO Cuida o presente processo de compensação decorrente de pagamentos de estimativas mensais tratadas nos PER/DCOMP(s) no 31699.04870.040512.1.7.039349, n o 32308.97397.231008.1.3.030692, no 09318.26009.241008.1.3.033558, no 1516.01508.151008.1.3.030957, os quais visam o aproveitamento de saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 00 93 5/ 20 13 -0 0 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10830.900935/201300 Resolução nº 1301000.396 S1C3T1 Fl. 185 2 A Autoridades Fiscal, por meio de Despacho Decisório (fls. 83/86), homologou parcialmente o PER/DCOMP no 31699.04870.040512.1.7.039349 e as demais compensações considerou não homologadas por entender que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP não foram suficientes para comprovar a quitação da contribuição social devida. Em consequência, foi apenas parcialmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº 36098.83966.301210.1.3.035037. Nos termos do documento “Análise do Crédito” (fls 11/12), restaram não confirmadas as estimativas parceladas no valor de R$ 2.865.579,61, de modo que do total do saldo negativo de CSLL pleiteado, no valor de R$ 3.419.442,10, somente foi confirmado o montante de R$ 2.187.203,28 Irresignado, o contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 02/16), a qual foi julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão n° 1266.463. A fundamentação utilizada pela DRJ pode ser sintetizada no trecho adiante transcrito: Devese salientar que as estimativas de CSLL do AC 2007 somente devem compor o saldo negativo de CSLL do AC 2007 se estiverem efetivamente pagas. In casu, se as compensações efetuadas pelo interessado, nos processos em que pleiteia o reconhecimento de créditos de Pis e Cofins, forem homologadas, as estimativas poderão compor o saldo negativo. No entanto, o próprio interessado informa ter recorrido das decisões que não homologaram integralmente as compensações efetuadas (estimativas do AC 2007), estando todos os processos administrativos pendentes de julgamento definitivo no CARF. Portanto, a situação, na atual conjuntura, lhe é desfavorável e, considerando que, como já abordado, não há previsão legal para sobrestamento de processo no âmbito administrativo, as estimativas do AC 2007 não devem compor o saldo negativo do AC 2007. (...) Portanto, o saldo negativo pleiteado no presente processo somente poderá, em tese, ser reconhecido, se o CARF der provimento aos recursos nos processos em que o interessado diz estar pleiteando o reconhecimento de Pis e Cofins e compensando com estimativas do AC 2007. Cabe lembrar que a atual situação dos processos é desfavorável ao interessado. Como estes processos ainda estão pendentes de julgamento no CARF, o crédito pleiteado no presente processo não poderá ser reconhecido, em razão da falta de certeza e liquidez do saldo negativo de CSLL. Contra esta decisão, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 121/141), trazendo, em síntese, as seguintes alegações: Inicialmente, o contribuinte pede que todos os processos referentes à compensação de saldo negativo sejam distribuídos a um único relator, conforme o artigo 47 do Regimento Interno do CARF, a fim de evitar decisões conflitantes sobre a matéria. Ademais, o contribuinte entende ser indevida a homologação parcial da compensação, haja vista que a não homologação do direito creditório discutida no presente processo acarreta na dupla cobrança do débito, pois de um lado há a redução do saldo negativo de CSLL, e, de outro, a cobrança do débito não homologado, sendo que ambos possuem a mesma origem. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10830.900935/201300 Resolução nº 1301000.396 S1C3T1 Fl. 186 3 Aduz que o presente lançamento foi realizado por meio da modalidade por homologação, de modo que os efeitos do pagamento antecipado não são condicionais e que os débitos declarados e pagos nesta sistemática estão extintos, nos termos dos arts. 150 § 1º e 156, VII do CTN, a saber: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4;" Alude que não é lícito à autoridade fiscal reduzir o crédito fiscal que tem como origem o saldo negativo de CSLL sob o argumento de que o mesmo é formado por outras compensações pendentes de análise. Dessa forma, conclui que se a compensação equivale ao pagamento e extingue o crédito tributário deve ser considerada como paga até que seja afastada pelo Fisco e antes de julgados os Recursos. Eis a síntese do necessário. VOTO Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele conheço. Tratase de saldo negativo de CSLL, formado por estimativas compensadas relativas à créditos de PIS e COFINS, objeto de processos administrativos autônomos, os quais foram parcialmente homologados ou não homologados. O contribuinte entende que ao desconsiderar tais compensações, a Receita Federal termina por imputar débitos que ainda não são efetivamente devidos, conquanto inexiste decisão administrativa definitiva em relação tais pendências. Isso porque a estimativa objeto das compensações não homologadas será cobrada pela Receita Federal, por meio de procedimento específico, nos termos do art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, e do entendimento proferido na SCI Cosit nº 18, de 2006. Assim, entende que não haveria prejuízo ao erário em relação a apuração do saldo negativo do período. Pois, caso advenha decisão administrativa definitiva não homologando a compensação, o respectivo crédito tributário seria regularmente exigido por meio de execução fiscal, que quando pago irá recompor o saldo negativo. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10830.900935/201300 Resolução nº 1301000.396 S1C3T1 Fl. 187 4 Ademais, ressalta que caso tais compensações venham ser desconsideras para fins de composição de saldo negativo e o contribuinte venha a ter uma decisão desfavorável em tais processos autônomos, haveria uma cobrança em duplicidade de tais valores. Nesse ponto faço minhas considerações. Entendo que falta certeza e liquidez no crédito pleiteado, haja vista que as estimativas compensadas que compõem o saldo negativo não foram homologadas e o débito correspondente, por sua vez, ainda não foi adimplido. O artigo 170 do Código Tributário Nacional exige dos créditos passíveis de compensação a qualidade de serem líquidos e certos e tais requisitos não são atendidos nas estimativas em comento, uma vez que estão sob discussão administrativa. Desse modo, as estimativas objeto de compensações não se revestem de certeza para integrar o direito creditório utilizado na compensação, meio extintivo do crédito tributário. Sendo assim, a glosa subsiste enquanto não ocorrer a homologação de sua compensação ou o seu pagamento No caso concreto, verificase que a competência de tais processos, indicados na tabela abaixo, são percentes a 3ª Seção do CARF (créditos de PIS e COFINS). No entanto o crédito ora discutido referese a CSLL, cuja competência para análise é desta Seção de julgamento. Desse modo, entendo que se faz necessário aguardar o deslinde desses processos para verificar o direito ao crédito tributário em comento. Assim, a fim de se evitar qualquer prejuízo à Recorrente, os presentes autos deverão ser suspensos até que possa ser reconhecido o crédito tributário nos referidos processos, para que sejam compensadas as estimativas que compõem o direito creditorio aqui pleiteado. Diante do exposto, converto o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde o julgamento definitivo dos processos acima mencionados, retornando os autos para julgamento com a informação das decisões neles proferidas, bem como do resultado da eventual cobrança dos respectivos débitos. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000565/2007-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-005.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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SÚMULA CARF N° 101 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CEBRACE CRISTAL PLANO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 05 65 /2 00 7- 53 Fl. 622DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n° 280300.867, proferido em 27/07/2011 pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, cuja ementa e decisum encontramse a seguir reproduzidos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2001 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. 2. No caso destes autos devese aplicar a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Portanto, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência, observada a regra disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Nos termos da decisão acima, o colegiado, apreciando recurso voluntário contra decisão de primeira instância, referente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, decidiu dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência dos períodos lançados, pelos motivos a seguir apresentados. (a) determinou a aplicação da regra decadencial do art. 173, I, da Lei n° 7.152, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), por entender não ter havido, no caso, recolhimento antecipado da contribuição, nos seguintes termos: O enquadramento da decadência na forma do inciso I do art. 173 do CTN é aplicável, in casu, tendo em vista ter restado evidenciado que o contribuinte não realizou nenhum recolhimento, em decorrência de pagamentos efetuados a empresas prestadoras de serviço, por cessão de mão de obra, do Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13864.000565/200753 Acórdão n.º 9202005.145 CSRFT2 Fl. 5 3 percentual de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas, nas competências de 05/1999 a 12/2001. (b) realizou a contagem do prazo do art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, por entender ser essa a regra vinculante do Recurso Especial n° 973.733/SC, com efeito repetitivo, nos seguintes termos: Nestes autos, o contribuinte tomou ciência da notificação em 20/12/2007. A documentação que embasou o lançamento diz respeito às competências de 01/05/1999 a 31/12/2001. Destarte, não resta dúvida de que a pretensão do fisco está fulminada pela decadência, devendo ser aplicada a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão, no tocante ao critério de contagem do prazo previsto pelo art. 173, I, do CTN. Alega que o prazo deveria ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, em detrimento do critério utilizado pela decisão recorrida, de contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. Pede, assim, que seja afastada a decadência do direito de lançar o crédito tributário referente à competência de 12/2001. Foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional pelo Presidente da Câmara. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho que o admitiu, o contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Fl. 624DF CARF MF 4 Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência da contribuição relativa à competência 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para manifestação acerca das demais questões postas no Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 625DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723557/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE LIMITADA AO VALOR DETERMINADO EM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE.
É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, limitados aos termos e valores definidos em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Havendo complemento do valor da pensão alimentícia por conta do provedor, será cabível sua dedução para fins de imposto de renda desde que comprovada a efetividade do pagamento e sua compatibilidade com o provimento judicial, sendo a simples declaração de recebimento, lavrada pelo alimentado, insuficiente para autorizar o benefício. Ademais, eventuais outros pagamentos, ainda que comprovados, caso decorram de acordo que não tenha sido homologado judicialmente, não gozam do benefício da dedutibilidade.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
É dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física os valores das despesas medidas declaradas e comprovadas nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 2201-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesa médica. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator) e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento parcial em maior extensão e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que dava provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Redator designado.
EDITADO EM: 05/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE LIMITADA AO VALOR DETERMINADO EM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, limitados aos termos e valores definidos em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Havendo complemento do valor da pensão alimentícia por conta do provedor, será cabível sua dedução para fins de imposto de renda desde que comprovada a efetividade do pagamento e sua compatibilidade com o provimento judicial, sendo a simples declaração de recebimento, lavrada pelo alimentado, insuficiente para autorizar o benefício. Ademais, eventuais outros pagamentos, ainda que comprovados, caso decorram de acordo que não tenha sido homologado judicialmente, não gozam do benefício da dedutibilidade. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. É dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física os valores das despesas medidas declaradas e comprovadas nos termos da legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesa médica. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator) e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento parcial em maior extensão e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que dava provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Redator designado. EDITADO EM: 05/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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DEDUTIBILIDADE LIMITADA AO VALOR DETERMINADO EM DECISÃO JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, limitados aos termos e valores definidos em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Havendo complemento do valor da pensão alimentícia por conta do provedor, será cabível sua dedução para fins de imposto de renda desde que comprovada a efetividade do pagamento e sua compatibilidade com o provimento judicial, sendo a simples declaração de recebimento, lavrada pelo alimentado, insuficiente para autorizar o benefício. Ademais, eventuais outros pagamentos, ainda que comprovados, caso decorram de acordo que não tenha sido homologado judicialmente, não gozam do benefício da dedutibilidade. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. É dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física os valores das despesas medidas declaradas e comprovadas nos termos da legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de despesa médica. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso (Relator) e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que dava provimento parcial em maior extensão e o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 35 57 /2 01 3- 74 Fl. 67DF CARF MF 2 convocado) que dava provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso Relator. CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Redator designado. EDITADO EM: 05/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJRJI que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através da Notificação de Lançamento nº 2012/730177460323804 (fls. 12/19) por meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (R$ 2.362,96), multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) – (R$ 1.772,22); e juros de mora (R$ 167,53), no total de R$ 4.302,71, que cancelou a restituição do valor de R$ 2.238,34. O lançamento é fundamentado na dedução indevida de valores pagos a título de pensão alimentícia (R$ 16.380,00) e de despesas médicas (R$ 352,00) no valor tributável total de R$ 16.732,00. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou Impugnação tempestiva (fls. 20/21), requerendo o total afastamento da exigência tributária, a qual foi julgada improcedente pela DRJRJI (fls. 39/43), conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÕES LEGAIS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Assim a dedução é possível até o limite dos alimentos definidos pelo juízo de família. Cabe a quem pretende se aproveitar da dedução de pensão alimentícia a prova da entrega dos recursos ao alimentando. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Só é passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea, que preencha todos os requisitos estabelecidos em lei, restrita aos pagamentos Fl. 68DF CARF MF Processo nº 18470.723557/201374 Acórdão n.º 2201003.469 S2C2T1 Fl. 68 3 efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 06/09/2013 (fls. 44/46), o contribuinte interpôs, em 24/09/2013, Recurso Voluntário (fls. 48/62), esclarecendo que: i) em relação à pensão alimentícia, presta alimentos à sua excônjuge desde 1989, em valor correspondente a 50% dos seus vencimentos, explicando, adicionalmente, que o centro de pagamentos do exército desconta, a título da mencionada pensão, valor menor do que aquele determinado judicialmente, em razão de mudanças havidas na lei de remuneração dos militares, motivo pelo qual complementa mensalmente o valor da pensão, em comum acordo com a beneficiária. Juntou extratos bancários (fls. 56/50) e declaração da excônjuge reconhecendo que recebeu a diferença do valor da pensão não retido automaticamente pela administração do Exército; ii) em relação à despesa com dentista (prótese dentária), junta Recibo apontando o tipo de serviço prestado ao Recorrente, bem como as informações de registro de ambos. Ao final, requer o acolhimento e provimento ao recurso Voto Vencido Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Dedução de Pensão Alimentícia Judicial A Notificação de Lançamento aponta dedução indevida de pensão alimentícia judicial paga o filho do contribuinte no valor tributável de R$ 16.380,00. O Direito de Família estabelece, como modalidade de obrigação alimentar, aquela proveniente da relação de parentesco, devida aos parentes que não possuem condições de prover a sua própria subsistência (CC, Arts. 1.694, 1.695 e 1.701). Conforme os princípios informadores do Direito Tributário, em situações desse tipo, uma solução plausível pode ser verificada pela interpretação sistemática das normas do Direito Civil c/c os artigos 4º, II e 8º, ambos da Lei 9.250/1995, abaixo descritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de Fl. 69DF CARF MF 4 alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Dessa forma, da interpretação conjunta dos dispositivos transcritos com as normas do Direito de Família, temse que são requisitos para a dedutibilidade da pensão alimentícia, que os pagamentos: a) tenham a natureza de alimentos; b) sejam fixados em decorrência das normas do Direito de Família; e c) decorram do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive os alimentos provisórios. Ainda, conforme a conclusão acima, tais alimentos devem observar os requisitos de dependência, para que sejam utilizados como dedução para fins de imposto de renda. No presente caso, o Recorrente esclarece que, por irregularidades havidas no Centro de Pagamentos do Exército, os descontos vêm sendo realizados em valor menor àquele homologado na decisão judicial. Continua explicando que, o complemento da pensão que paga à excônjuge, devido à falha da fonte pagadora, vem sendo deduzido na sua DIRPF. O Recorrente juntou aos autos (fls. 06) cópia do Ofício do Juízo da Vara de Família da Capital do Estado do Rio de Janeiro, expedido em 05/07/1989, dirigido ao Chefe da Pagadoria de Pessoal Militar, determinando, de fato, o desconto de 50% de seu soldo em favor de sua excônjuge e de suas filhas, na proporção de 40% e 10%, respectivamente, sendo que estes últimos deveriam ser revertidos em benefício da excônjuge após o atingimento da maioridade pelas filhas, conforme a sentença judicial homologatória de fls. 07/09. No entanto, embora o Recorrente tenha esclarecido sobre o pagamento complementar feito à sua excônjuge, apresentou uma simples declaração pessoal de lavra desta própria, acusando o recebimento da quantia controversa, que, perante a legislação tributária, se faz insuficiente para fins de dedução do imposto de renda. Mesmo que para corroborar com seu conjunto probatório o contribuinte tenha juntado a DIRPF de sua ex cônjuge às fls. 03/05 (em que ela informa o recebimento de um valor de R$ 31.037,59 no ano de 2011 e recolhido o IR sobre tais valores), o fato é que, para fins de direito à dedução, cabe ao contribuinte se valer de meios para comprovar seu direito com o efetivo pagamento da pensão. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 18470.723557/201374 Acórdão n.º 2201003.469 S2C2T1 Fl. 69 5 Isso porque, as declarações pessoais isoladas, desacompanhadas de documentos outros capazes de demonstrar realmente a transferência financeira havida entre o Recorrente e sua excônjuge, não fazem prova definitiva da efetiva ocorrência dos pagamentos complementares citados por ele. Os dados informados neste tipo de documento não constituem verdade absoluta, ante a sua fragilidade em comprovar a realidade. Temse que considerar, por razoável, a distinção existente da força da declaração pessoal como prova de quitação entre partes, matéria disciplinada pelo Código Civil, da força probatória que tem esse mesmo documento perante o Fisco, questão que se sujeita às normas de Direito Público que regem a relação tributária. No entanto, o Recorrente apresentou cópias de extratos bancários mensais relativos ao anocalendário 2011 (fls. 56/60), que confirmam a transferência bancária de valores da sua conta para a conta da sua excônjuge, conforme o quadro abaixo: Data Descrição Cedente / Favorecido Valor Movimentado 05/01/2011 DOC para Maria de Lourdes Costa Machado Banco 001 Ag 3090 Cta 000003067432 Maria de Lourdes Costa Machado 700,00 01/02/2011 Internet Banking DOC E Banco 001 Ag 3090 Cta 000003067432 Maria de Lourdes Costa Machado 405,00 02/03/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 025198 Maria de Lourdes Costa Machado 440,00 06/04/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 032316 Maria de Lourdes Costa Machado 23,56 03/05/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 011634 Maria de Lourdes Costa Machado 385,10 02/06/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 041673 Maria de Lourdes Costa Machado 486,47 04/07/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 069361 Maria de Lourdes Costa Machado 1.633,68 03/08/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 016130 Maria de Lourdes Costa Machado 495,74 08/09/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 035179 Maria de Lourdes Costa Machado 55,00 05/10/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 029098 Maria de Lourdes Costa Machado 490,00 04/11/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 021481 Maria de Lourdes Costa Machado 300,00 03/12/2011 Emissão de DOC E VIA BCE Maria de Lourdes Costa Machado Documento nº 073714 Maria de Lourdes Costa Machado 1.660,00 Total Comprovado 7.074,55 Assim, o Recorrente conseguiu comprovar a efetividade do desembolso de parte dos pagamentos relativos à complementação da pensão, no valor de R$ 7.074,55. Dessa Fl. 71DF CARF MF 6 forma, neste ponto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reformar a decisão de primeira instância e desconstituir a glosa relativa à complementação da pensão alimentar, no valor tributável de R$ 7.074,55, mantendo a glosa do valor residual não comprovado, de R$ 9.305,45. Dedução de Despesa Médica A Notificação de Lançamento aponta dedução indevida de pensão alimentícia judicial paga o filho do contribuinte no valor tributável de R$ 352,00. Conforme dispõe o inciso III do parágrafo 2º do artigo 8º da Lei nº 9.250/95, as despesas médicas havidas pelos contribuintes são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda desde que seus pagamentos sejam comprovados, a saber: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea "a" do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Neste passo, a legislação do Imposto de Renda, mais especificamente o Regulamento do Imposto de Renda (Dec. nº 3.000/99, Art. 73) e o Decreto nº 5.844/43 (Art. 11, § 3º) – que trata da cobrança e fiscalização do imposto – dispõem que todas as deduções são sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, conforme abaixo: Decreto nº 3.000/99 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Erro! A referência de hyperlink não é válida.). Decreto nº 5.844/43 Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 18470.723557/201374 Acórdão n.º 2201003.469 S2C2T1 Fl. 70 7 (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Temse, assim, que a legislação transcrita confere à autoridade fiscal – que age no intuito de defender o interesse público (“arrecadação tributária”) , o poder de exigir, para análise da dedução de despesas com dentista, outros documentos além de meros recibos, que busquem comprovar a efetiva prestação dos serviços e, principalmente, o efetivo desembolso dos valores correspondentes às despesas declaradas. Isso porque os recibos, isoladamente, não fazem prova única e definitiva da efetiva ocorrência dos pagamentos informados na DIRPF do contribuinte. Os dados informados neste tipo de documento não constituem verdade absoluta, ante a sua fragilidade em comprovar a realidade. Conforme já explanado, devese considerar por ser razoável a discrepância do poder probatório de quitação do Recibo entre particulares, matéria disciplinada pelo Código Civil, do poder probatório que possui esse mesmo documento perante o Fisco, contexto que se sujeita às normas de Direito Público que regem a relação tributária. No caso ora analisado, o Recorrente juntou, unicamente, um Recibo informando seus dados cadastrais, bem como dados do protético emitente. Assim, conforme entendimento exposto, o mero recibo, apresentado de forma isolada, desacompanhado de documento que comprove o efetivo desembolso ou transferência financeira de recurso correspondente à despesa declarada, tornase insuficiente para autorizar sua dedução da base de cálculo do importo de renda. Isto posto, nessa parte, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo a decisão de primeira instância para ratificar a glosa de despesa com dentista (protético), no valor tributável de R$ 352,00. Conclusão Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para desconstituir a glosa de pensão alimentícia“complemento”, no valor de R$ 7.074,55, mantendose a glosa do valor residual tributável de R$ 9.305,45; bem como para manter a glosa lançada a título de despesa com dentista (protético), no valor tributável de R$ 352,00. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Voto Vencedor Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Conselheiro Fl. 73DF CARF MF 8 Em que pese a pertinência das razões e fundamentos legais expressos no voto do Ilustre Relator, ouso discordar de seu conteúdo em dois pontos específicos, os quais seguem abaixo detalhados. Inicialmente, ressalto que os fundamentos legais e normativos elencados pelo Relator são absolutamente adequados ao tema, servindo, da mesma forma, como amparo ao presente voto de divergência, razão pela qual não serão os mesmos textos novamente aqui reproduzidos. Dedução de Pensão Alimentícia Judicial Com maestria, após discorrer sobre a legislação de regência, o Sr. Relator conduziu seu voto à conclusão de que, para que sejam dedutíveis, os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia devem ter natureza de alimentos, devem ser fixados em decorrência das normas do Direito de Família e, ainda, devem decorrer de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. No caso em tela, o recorrente alega que, em razão de equívoco do Centro de Pagamentos do Exército, os valores determinados em sentença judicial estão sendo descontados a menor e que, em acordo com a beneficiária da pensão, vem complementando a diferença há anos, razão pela qual sempre apresenta suas declarações de rendimentos com dois valores pagos a este título, um relativo aos descontos efetuados diretamente pela fonte pagadora e outro relativo a pagamentos efetuados a título de complementação. Simpático a parte dos argumentos do contribuinte, o voto condutor concluiu por dar provimento parcial ao Recurso, para acatar como pensão alimentícia os valores mensais cuja transferência à beneficiária foram confirmados pelos extratos bancários apresentados (fl. 56/60), que totalizaram R$ 7.074,55. Portanto, pelos próprios argumentos do contribuinte, estamos diante de um acordo que, embora alegadamente teriam o condão de corrigir erros cometidos pela fonte pagadora, não foram homologados judicialmente, tampouco foram acompanhados de cálculos mensais que apontassem que estariam efetivamente ajustando o pagamento ao inteiro teor da decisão judicial. Veja que o ofício de fl. 06 indica que o desconto deve alcançar 50% do soldo e demais gratificações mensais a que fizer jus o recorrente. Não obstante, considerando o rendimento tributário declarado, na ordem de R$ 120.000,00, o valor total deduzido a título de pensão ainda estaria muito aquém do percentual então definido. Aceitar a dedução nos termos pretendidos pelo contribuinte, conduzirianos à conclusão de que o Exercício Brasileiro estaria descumprindo uma determinação judicial. E mais, a precariedade do acordo e a irregularidade das transferências mensais efetivadas à beneficiária da pensão a deixaria em condição de vulnerabilidade na sua relação com o responsável pelo pagamento. Assim, correto estaria o recorrente e sua exesposa se retomassem a questão junto ao judiciário para regularizar os valores devidos a serem descontados/pagos mensalmente. Afinal, não faz sentido, por exemplo, que o valor da complementação em um mês ultrapasse R$ 1.600,00 e em outro mês não chegue a R$ 25,00, além do que, em sua totalidade, ainda se mostre em descompasso com os 50% definidos inicialmente. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 18470.723557/201374 Acórdão n.º 2201003.469 S2C2T1 Fl. 71 9 Assim, amparado nos artigos 4º, II e 8º, ambos da Lei 9.250/1995, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que se refere à dedução declarada a título de pensão alimentícia. Dedução de Despesa Médica Como de vê acima, o cerne da manutenção da glosa da despesa médica declarada no valor de R$ 352,00 tem lastro na falta de apresentação de documento que comprovasse o efetivo desembolso ou transferência financeira do recurso correspondente. A legislação citada no voto condutor, sem sombra de dúvidas, ampara o entendimento exposto sobre a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das deduções da base de cálculo do IRPF relacionadas a despesas médicas incorridas. Temos que o recibo apresentado, inicialmente, não foi aceito por não conter detalhes relativos ao prestador do serviço. Em seguida, tal documento foi complementado de forma a não mais apresentar tal deficiência (fl. 2 e 62). Naturalmente, tivesse a autoridade lançadora firmado sua convicção sobre a necessidade da glosa ou a autoridade julgadora de 1ª Instância lastreado sua manutenção na questão da não comprovação do efetivo pagamento da despesa, teria o contribuinte a oportunidade de apresentar a documentação comprobatória. Contudo, em momento algum tal exigência foi exposta, não fazendo sentido que, em sede de julgamento de 2ª instância, novos motivos sejam utilizados para a manutenção da exigência, o que importaria evidente prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa. Não obstante tudo isso, penso que a exigência da comprovação do efetivo pagamento ou da transferência do numerário ao prestador do serviço é instrumento que pode e deve ser utilizado de forma compatível com o Princípio da Razoabilidade, que é uma diretriz de bomsenso aplicada ao Direito. Esse bomsenso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas que o seu espírito. Portanto, entendo que não devemos lançar mão desse instrumento quando diante de valores que, por sua monta, possam tornar a comprovação do efetivo desembolso difícil ou mesmo impossível, em particular por corresponder a numerário que não justifique movimentação financeira documentada ou extraordinária. No caso em comento, o contribuinte declarou rendimentos que ultrapassam os R$ 132.000,00, sendo perfeitamente razoável considerar que ele possa ter efetuado o pagamento da despesa (R$ 352,00) com recursos disponíveis em espécie, sem terem sido necessários saques ou transferências contemporâneas específicas. Ademais, os extratos apresentados pelo recorrente evidenciam saques nos dias anteriores ao apontado no recibo que seriam suficientes ao pagamento em dinheiro da despesa. Assim, voto pelo restabelecimento da dedução da despesa médica declarada no valor de R$ 352,00. Conclusão: Fl. 75DF CARF MF 10 Pelas razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer do Recurso voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento exclusivamente para restabelecer a glosa da despesa médica no valor de R$ 352,00. Em relação à pensão judicial, por entender que a decisão a quo não merece retoques, voto por negar provimento ao pleito recursal. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Redator Designado Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 13655.000028/99-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 05/01/1990 a 31/12/1998
DISSIMILITUDE FÁTICA. ENTENDIMENTOS CONSONANTES. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas, fundamentações e entendimentos considerados nos acórdãos indicados como paradigmas não se prestam a demonstrar a divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-004.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, que conheceu parcialmente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 05/01/1990 a 31/12/1998 DISSIMILITUDE FÁTICA. ENTENDIMENTOS CONSONANTES. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas, fundamentações e entendimentos considerados nos acórdãos indicados como paradigmas não se prestam a demonstrar a divergência jurisprudencial.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/01/1990 a 31/12/1998 DISSIMILITUDE FÁTICA. ENTENDIMENTOS CONSONANTES. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas, fundamentações e entendimentos considerados nos acórdãos indicados como paradigmas não se prestam a demonstrar a divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, que conheceu parcialmente. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 5. 00 00 28 /9 9- 25 Fl. 668DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 20216.439, do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “NORMAS PROCESSUAIS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação não relacionada com norma declarada inconstitucional, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do credito tributário). PIS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO. COOPERATIVA. NÃOINCIDÊNCIA. Não cabe a restituição estimativa de um pretenso indébito na via administrativa. No regime de substituição tributária, a apuração dos efetivos valores recolhidos em nome do substituído deve ser obtido junto ao substituto ou nos sistemas de controle de arrecadação da Secretaria da Receita Federal. Os resultados dos atos cooperativos, por não resultarem de operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, estavam fora do campo de incidência do PIS nas situações em que a materialidade da sua hipótese de incidência era o faturamento. Não se aplica às sociedades cooperativas mistas, em face dos atos cooperativos que pratiquem, o disposto no art. 69 da Lei nº 9.532/97, que estabelece tratamento tributário às sociedades cooperativas de consumo, Fl. 669DF CARF MF Processo nº 13655.000028/9925 Acórdão n.º 9303004.912 CSRFT3 Fl. 669 3 que tenham por objeto a compra e o fornecimento de bens aos consumidores. CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa A Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 8, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que reconheceu o direito à restituição do PIS/Substituição relativo aos pagamentos efetuados à distribuidora no ano de 1998, abatido dos valores concernentes à revenda de derivados de petróleo a não associados, se for o caso, trazendo, entre outros, que em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 10 de novembro de 1999, as cooperativas devem recolher a contribuição para o PIS/PASEP — Faturamento/Receita Bruta com base na receita bruta mensal, de conformidade com a legislação vigente (MP 1.8587, de 1999, e reedições, ADSRF 88, de 1999 e IN 145, de 1999). Em Despacho às fls. 571/572, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para que se julgue a incidência ou não do PIS sobre as operações de consumo realizadas pelo sujeito passivo com seus cooperados. Em Despacho à fl. 413, foi manifestado que após as tentativas de dar ciência à empresa por via postal e por edital, ambas sem sucesso, os autos deverão retornar para julgamento do Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 670DF CARF MF 4 Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. Para melhor elucidar, importante recordar que no acórdão recorrido consta o entendimento pelo reconhecimento do direito à repetição dos valores efetivamente apurados como recolhidos pelo substituto tributário, em face das indigitadas operações realizadas com a recorrente, no período de 02/06/1994 a 31/12/1998, abatido dos valores concernentes à revenda de derivados de petróleo a não associados. Enquanto, nos acórdãos paradigmas, temos o que segue: · Acórdão 20300268, traz que atos praticados com não cooperados sujeitamse a tributação; Vêse que, nessa linha, nada difere do entendimento dado pelo Colegiado do acórdão recorrido, pois do direito à repetição do indébito deve ser abatido os valores referentes à revenda de derivados de petróleo a não associados – da mesma forma que o acórdão paradigma entendeu ao expor que atos para não cooperados seriam tributados; · Acórdão 20309369, que traz que as cooperativas de consumo se sujeitam às mesmas normas das demais pessoas jurídicas, no que concerne à incidência das contribuições, desde março de 1998; Ora no acórdão recorrido restou claro que o sujeito passivo se enquadraria como uma cooperativa mista e sendo ela assim, não estaria a cooperativa mista sujeita às mesmas normas de incidência de impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Sendo assim, vêse que, no presente caso, não se trata de cooperativa de consumo, tal como apreciou o Colegiado do acórdão paradigma, mas sim de efetivamente cooperativa mista – o que resta afastar a possibilidade de se entender Fl. 671DF CARF MF Processo nº 13655.000028/9925 Acórdão n.º 9303004.912 CSRFT3 Fl. 670 5 que há similitude fática para o conhecimento do Recurso Especial; Frisese o contemplado em ementa do acórdão recorrido: “[...] Não se aplica às sociedades cooperativas mistas, em face dos atos cooperativos que pratiquem, o disposto no art. 69 da Lei n º 9.532/97, que estabelece tratamento tributário às sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e o fornecimento de bens aos consumidores. [...]” · Acórdão do processo 10925.03924/9679, que traz que as cooperativas devem recolher o PIS na modalidade sobre o faturamento em relação às operações com não cooperados, inclusive no período anterior à edição da MP 1.212/95, por não estarem estes atos ao abrigo do tratamento especial dado aos atos cooperados. Ora, assim como o primeiro acórdão apontado como paradigma, vêse que não há divergência jurisprudencial, eis que no acórdão recorrido restou claro também que os resultados dos atos cooperativos estão fora do campo de incidência do PIS e no acórdão paradigma contempla o mesmo entendimento, vez explicitar que somente haverá tributação em relação às operações com não cooperados. Considerando, assim, que não foi comprovada a divergência jurisprudencial, é de se não conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Em vista de todo o exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 672DF CARF MF 6 É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 673DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910529/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/07/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.692
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 30/07/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 29 /2 01 2- 83 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.910529/201283 Acórdão n.º 3302003.692 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.561. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10480.910529/201283 Acórdão n.º 3302003.692 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10480.910529/201283 Acórdão n.º 3302003.692 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouléde Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000467/00-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
IRRF. RECEITAS FINANCEIRAS.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80).
Demonstrado que as receitas financeiras efetivamente foram oferecidas à tributação pelo regime de competência, reconhece-se o direito de crédito referente ao imposto de renda retido na fonte incidente sobre tais rendimentos financeiros.
COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. ART. 15 DA IN SRF Nº 21/97. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À DATA DO ENCONTRO DE CONTAS.
Aplica-se à compensação a legislação vigente à data do encontro de contas. Entendimento do STJ firmado no REsp 1.164.452/MG, julgado no rito do art. 543-C do CPC/1973.
Considerando-se que na data do pedido de compensação vigia o art. 15 da IN SRF nº 21/97 que permitia a compensação de débitos com créditos de terceiros, homologam-se as compensações pleiteadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-002.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional de R$ 26.497,85, homologando-se a compensação pleiteada até esse limite. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 IRRF. RECEITAS FINANCEIRAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Demonstrado que as receitas financeiras efetivamente foram oferecidas à tributação pelo regime de competência, reconhece-se o direito de crédito referente ao imposto de renda retido na fonte incidente sobre tais rendimentos financeiros. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. ART. 15 DA IN SRF Nº 21/97. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À DATA DO ENCONTRO DE CONTAS. Aplica-se à compensação a legislação vigente à data do encontro de contas. Entendimento do STJ firmado no REsp 1.164.452/MG, julgado no rito do art. 543-C do CPC/1973. Considerando-se que na data do pedido de compensação vigia o art. 15 da IN SRF nº 21/97 que permitia a compensação de débitos com créditos de terceiros, homologam-se as compensações pleiteadas. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional de R$ 26.497,85, homologando-se a compensação pleiteada até esse limite. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 631 1 630 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11831.000467/0058 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.377 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente OMEGAPARTICIPAÇÕES, REPRESENTAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 IRRF. RECEITAS FINANCEIRAS. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Demonstrado que as receitas financeiras efetivamente foram oferecidas à tributação pelo regime de competência, reconhecese o direito de crédito referente ao imposto de renda retido na fonte incidente sobre tais rendimentos financeiros. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. ART. 15 DA IN SRF Nº 21/97. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À DATA DO ENCONTRO DE CONTAS. Aplicase à compensação a legislação vigente à data do encontro de contas. Entendimento do STJ firmado no REsp 1.164.452/MG, julgado no rito do art. 543C do CPC/1973. Considerandose que na data do pedido de compensação vigia o art. 15 da IN SRF nº 21/97 que permitia a compensação de débitos com créditos de terceiros, homologamse as compensações pleiteadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional de R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 04 67 /0 0- 58 Fl. 631DF CARF MF Processo nº 11831.000467/0058 Acórdão n.º 1402002.377 S1C4T2 Fl. 632 2 26.497,85, homologandose a compensação pleiteada até esse limite. Declarouse impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11831.000467/0058 Acórdão n.º 1402002.377 S1C4T2 Fl. 633 3 Relatório OMEGAPARTICIPAÇÕES, REPRESENTAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1620.074 da 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo/SPOI que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Trata o presente feito de Pedido de Restituição protocolizado pela Omega Participações, Representações e Adm. Ltda. CNPJ 43.939.339/000160 do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, no montante de R$ 79.097,41, cumulado com Pedido de Compensação com Débito de Terceiros (Conibra Comércio de Materiais para Construções Ltda., CNPJ 63.004.030/000196 relativo ao código 2172 (fls. 01 e 02). Por meio do Despacho Decisório de fls. 114/120, proferido pela DERAT/SPO/DIORT, datado de 30/07/2008, foi deferido parcialmente o pedido, nos seguintes termos: CONVALIDO as compensações sem processo do crédito referente ao saldo credor de IRPJ do exercício 1999 (R$ 46.712,55) com os débitos de fls. 106 a 109 (extrato as fls. 110 a 112). DEFIRO PARCIALMENTE o Pedido de Restituição de fl. 01, reconhecendo o direito creditório contra a Fazenda Nacional a Omega – Participações, Representações e Administração Ltda, CNPJ 43.939.339/0001 60, na importância de R$ 40.825,54 (quarenta mil, oitocentos e vinte e cinco reais e cinqüenta e quatro centavos), referentes ao saldo credor de IRPJ do exercício 1999 remanescente (já realizadas as compensações sem processo com os débitos de fls. 106 a 109; extrato às fls. 110 a 112); e HOMOLOGO as compensações vinculadas ao crédito deste processo até o limite do valor deferido (fl. 02). A ciência foi dada em 08/08/2008, por via postal, conforme AR de fls. 121v, e em 08/09/2008, a empresa Omega Participações, Representações e Adm. Ltda. apresentou a impugnação de fls. 135/137, com as alegações abaixo relacionadas: no despacho decisório recorrido, teriam sido examinadas as receitas oferecidas à tributação na DIPJ e teriam sido observadas divergências em Fl. 633DF CARF MF Processo nº 11831.000467/0058 Acórdão n.º 1402002.377 S1C4T2 Fl. 634 4 relação às aplicações financeiras (códigos 3426, 6800 e 6839) e a autoridade fiscal ao comparar os valores lançados na DIPJ, Linha 23, da Ficha 07 (Outras Receitas Financeiras), com os valores existentes em DIRF, teria cometido um equívoco, pois a apropriação contábil das receitas de aplicações financeiras ocorreriam pelo regime de competência e a tributação na fonte ocorreria no regime de caixa (apenas no vencimento ou cessão do título), nos termos do artigo 732 do RIR/99. as compensações espontâneas dos valores de IRPJ apurados nos meses de fevereiro a maio de 1999 teriam sido efetuadas com créditos de IRPJ do ano calendário de 1995, conforme demonstrado no anexo (doc. 17) e não com o saldo de IRPJ do anocalendário de 1998 como afirmado no despacho decisório. cumpre esclarecer que em 16/03/2000 a Recorrente protocolou pedido de restituição nº 11831.000465/0022, no valor de R$ 148.321,95 (doc. 18) que correspondia ao saldo de IRPJ apurado na DIPJ/1996, anocalendário de 1995 de R$ 211.013,67 (doc. 19), subtraídas todas as compensações espontâneas, inclusive os valores de fevereiro/99 (R$ 1.061,31), março/99 (R$ 2.335,26), abril/99 (R$ 1.794,58) e maio/99 (R$ 1.272,76) (doc. 17). Após análise por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil o mencionado pedido de restituição foi integralmente deferido e as compensações espontâneas homologadas, conforme Despacho Decisório de 02/05/2005 (doc. 19). Dessa forma, os valores de IRPJ de fevereiro a maio/99 não poderão ser novamente deduzidos, pois assim haveria compensação em duplicidade, tendo como conseqüência a redução indevida do saldo credor apurado na DIPJ/99, objeto do Pedido de Restituição nº 11831.000467/0058. Requereu, por fim, seja deferido o complemento do pedido de restituição no valor de R$ 38.271,87 (R$ 79.097,41 – R$ 40.825,54) e o restabelecimento do valor lançado na DIPJ/1999, anocalendário de 1998, Linhas 13 e 17, Ficha 13, no montante originalmente declarado de R$ 79.097,41. Adicionalmente, em 20/10/2008, a empresa C&C Casa e Construção Ltda (atual denominação de Conibra Comércio de Materiais para Construções Ltda) apresentou em a manifestação de inconformidade fls. 304/316 alegando em síntese: ter sido surpreendida com a Carta de Cobrança 5295, na qual a DRF/SP exige a quantia de R$ 124.504,49, a título de Cofins do processo 11831.000536/0079, em razão da compensação parcial concedida nos autos do processo 11831.000467/0058; que tal entendimento exarado no referido processo 11831.000467/0058, não poderia prevalecer em razão de ter ocorrido a homologação tácita daquele pedido de compensação. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua procedente em parte, reconhecendo R$ 5.887,01 de crédito tributário adicional referente a compensações de estimativas referentes aos meses de maio a julho de 1998 com créditos reconhecidos no processo nº 11831.000465/0022. Em relação ao IRRF, entendeu não restar comprovado o efetivo oferecimento à tributação dos rendimentos indicados pelas respectivas fontes pagadoras. No que diz respeito à utilização para compensação de débitos de terceiros, entendeuse que não caberia análise da manifestação de Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11831.000467/0058 Acórdão n.º 1402002.377 S1C4T2 Fl. 635 5 inconformidade apresentada por C&C Casa e Construção Ltda, pois os pedidos de compensação de crédito próprio com débitos de terceiros não teriam sido convertidos em declaração de compensação, sendo somente aplicável o rito previsto na Lei nº 9.784/99. Além disso, concluiuse que não caberia a discussão de terceiros nos presentes autos, sendo a relação entre ÔMEGA e C&C Casa e Construção Ltda de índole privada. A Recorrente (ÔMEGA) foi intimada da decisão em 14 de abril de 2009 (fl. 357), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 361372 em 14 de maio de 2009. Não identifiquei qualquer intimação à C&C Casa e Construção Ltda a respeito do não conhecimento de sua manifestação de inconformidade. Em resumo, alega a Recorrente que os rendimentos de aplicações financeiras a que se refere o imposto de renda retido na fonte e que compõe o saldo negativo pleiteado foram oferecidos à tributação com base no regime de competência, tendo anexado escrituração contábil e planilhas que comprovariam suas alegações. Por fim, em relação à compensação com débitos de terceiros, informa que protocolou o pedido na vigência da IN nº 21/97 que possibilitava tal encontro de contas. É o relatório. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 11831.000467/0058 Acórdão n.º 1402002.377 S1C4T2 Fl. 636 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e subscrito por procurador com poderes para tanto. Logo, dele tomo conhecimento. 2 MÉRITO Tratase de pedido de restituição referente a saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 1998, no valor original de R$ 79.097,41. Posteriormente, o contribuinte apresentou “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros”. A unidade de origem deferiu o total de R$ 46.712,55 (glosa de R$ 32.384,86). Apresentada manifestação de inconformidade, a turma julgadora de primeira instância reconheceu o crédito adicional de R$ 5.887,01 (total de crédito já deferido de R$ 52.599,56 e crédito pleiteado ainda glosado de R$ 26.497,85). A DRJ reconheceu crédito tributário de R$ 5.887,01 referente à compensação realizada com saldo negativo apurado no anocalendário de 1995 (processo 11831.000465/00 22). Em relação ao IRRF sobre aplicações financeiras, informou que o contribuinte deveria comprovar que reconheceu as respectivas receitas com base no regime da competência. Por fim, no que atine à compensação de créditos com débitos de terceiros, concluiu que os pedidos de compensação que diziam respeito a débitos de terceiros não foram convertidos em declaração de compensação, implicando a ausência de direito de apresentação de manifestação de inconformidade sobre a matéria e também a figura da homologação tácita, sendo cabível tão somente a apresentação de recurso nos termos da Lei nº 9.784/99. A esse respeito, argumenta ainda que a petição apresentada por C&C Casa e Construção Ltda não deva ser conhecida pois essa não possuiria nenhum direito a ser exercido em face da Receita Federal, sendo de cunho privado sua relação com a detentora do suposto indébito tributário. Foram apensados aos autos o processo nº 11831.000536/0079 que cuida do pedido original de compensação protocolado por C&C Casa e Construção Ltda junto à unidade local da Receita Federal, conforme determinava o art. 15 da IN SRF nº 21/97. Conforme relatado, não identifiquei intimação sobre o teor da decisão recorrida à C&C Casa e Construção Ltda. Passo à análise do recurso voluntário apresentado por ÔMEGA. No que diz respeito ao IRRF incidente sobre aplicações financeiras, o litígio se resume ao oferecimento à tributação, ou não, das respectivas receitas financeiras. É importante ressaltar que, nos termos da Súmula CARF nº 80, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11831.000467/0058 Acórdão n.º 1402002.377 S1C4T2 Fl. 637 7 retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A Recorrente procurou demonstrar em seu recurso voluntário que boa parte dos rendimentos de aplicação financeiras informados em DIRF relativamente ao ano calendário de 1998 já haviam sido oferecidos à tributação, pelo regime de competência, nos anoscalendário de 1996 e 1997. Entendo que os documentos acostados aos autos buscam contrapor os argumentos contidos no voto condutor do aresto recorrido, a teor do que dispõe o § 4º, alínea “c”, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e em homenagem ao princípio da verdade material, entendo que devam ser analisados. Em regra, em situações como esta convertemos o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem proceda à análise da documentação, intimando o contribuinte a apresentar documentos adicionais a fim de verificar se realmente a documentação corrobora os argumentos da Recorrente. No caso concreto, entendo que tal procedimento não seja necessário. Em primeiro lugar porque a documentação apresentada, pelo seu volume, e também pelo baixo valor de crédito em discussão, é sim possível de análise por este colegiado, e, considerandose que o pedido de restituição foi realizado em 1999, há de se buscar o máximo respeito ao princípio da duração razoável do processo, princípio que poderia ser arranhado com a conversão do presente julgamento em diligência. Assim sendo, o presente voto levará em consideração toda a documentação acostada aos autos, incluindo aqueles anexados ao recurso voluntário. Pois bem, compulsando cópia da escrituração contábil e demonstrativos apresentados pela Recorrente às fls. 431610 (fichas do Livro Razão, folhas do Livro Diário, Demonstrativos de Resultado de Exercício cópias assinadas pelo Contador e autenticadas) e cópias das DIPJs (fls. 405430), em conjunto com as planilhas de fls. 395404, concluo que há provas suficientes do oferecimento do total de receitas financeiras informadas em DIRF e o total de receitas financeiras oferecidas ao crivo da tributação nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998. Tal conclusão é retirada do confronto das tabelas com discriminação mensal das receitas auferidas em 1996, 1997 e 1998, por rubrica contábil, com os lançamentos contábeis realizados em cada uma das contas indicadas em tais tabelas. Por fim, o confronto entre as demonstrações de resultados do exercício apresentadas em recursos, em paralelo com as informações contidas em DIRF e DIPJ indicam, sem sombra de dúvida, que em consonância com a Súmula CARF nº 80, o contribuinte faz jus à totalidade do IRRF, uma vez que as respectivas receitas foram oferecidas à tributação. Considerando que do total de IRRF de R$ 79.097,41 foi reconhecido até o momento somente o direito a dedução de R$ 52.599,56 (considerandose decisão da unidade de origem e crédito reconhecida pela decisão de primeira instância), voto por reconhecer o valor adicional de crédito de R$ 26.497,85. Por fim, no que atine à compensação de créditos com débitos de terceiros, em primeiro lugar, há de se ressaltar que Instrução Normativa SRF nº 21/1997 expressamente Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11831.000467/0058 Acórdão n.º 1402002.377 S1C4T2 Fl. 638 8 previa tal possibilidade, sendo somente revogada com a edição da Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000. Vejase a redação consolidada da IN SRF nº 21/1997: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO (REVOGADO(A) PELO(A) INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 41, DE 07 DE ABRIL DE 2000) Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) Segundo decisão recorrida, os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros não foram convolados em declaração de compensação. Em tese concordo com tal conclusão, desde que o pedido de compensação tenha sido apresentado à Receita Federal após a revogação do art. 15 da IN SRF nº 21/97, ou seja, em 10 de abril de 2010, dia de sua publicação. Ocorre que, no caso concreto, o pedido de compensação foi apresentado durante a vigência do art. 15 da IN SRF nº 21/1997, mais precisamente em 16 de março de 2000 (fls. 1 e 206). Nessa hipótese, há de se respeitar a legislação vigente à data da apresentação do encontro de contas, consoante orientação do STJ adotada no julgamento do REsp 1.164.452/MG, no rito do art. 543C do CPC/1973: "A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte". Ressalto que não há que se falar em supressão de instância no presente caso, pois a homologação da compensação, em regra, é mera decorrência do reconhecimento do direito creditório. No caso concreto, o que a decisão de primeira instância fez foi aplicar incorretamente a legislação, matéria objeto de recurso e de reforma no presente julgado, Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11831.000467/0058 Acórdão n.º 1402002.377 S1C4T2 Fl. 639 9 estando apensado aos presentes autos, inclusive, o processo que se refere ao pedido de compensação apresentado por C&C Casa e Construção Ltda. Assim sendo, devem ser adotados os procedimentos cabíveis para homologação da compensação realizada com débitos de terceiros. Por decidir o mérito em favor dos interessados, em homenagem ao disposto no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/721, deixo de determinar o retorno dos autos à unidade de origem para cientificar C&C Casa e Construção Ltda da decisão de primeira instância, oportunizandolhe a apresentação de recurso voluntário. 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 26.497,85, homologando as compensações com débitos de terceiros até esse limite de crédito. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator 1 Art. 59. [...] § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Fl. 639DF CARF MF
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