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Numero do processo: 13016.000514/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 25/04/1995
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PEDIDO ANTERIOR AO VACATIO LEGIS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC.
Conforme decisão do STF em Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida, nos pedidos de ressarcimento efetuados antes do vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo para o ressarcimento é de dez anos a contar da data do recolhimento indevido.
IOF. RESSARCIMENTO. DIVERGÊNCIA ENTRE INFORMAÇÃO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E DA RECORRENTE.
A instituição financeira é a responsável pelo recolhimento do IOF, portanto, os documentos por ela apresentados gozam de maior presunção de veracidade.
Numero da decisão: 3401-002.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 25/04/1995 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PEDIDO ANTERIOR AO VACATIO LEGIS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B, DO CPC. Conforme decisão do STF em Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida, nos pedidos de ressarcimento efetuados antes do vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo para o ressarcimento é de dez anos a contar da data do recolhimento indevido. IOF. RESSARCIMENTO. DIVERGÊNCIA ENTRE INFORMAÇÃO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E DA RECORRENTE. A instituição financeira é a responsável pelo recolhimento do IOF, portanto, os documentos por ela apresentados gozam de maior presunção de veracidade.
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PEDIDO ANTERIOR AO VACATIO LEGIS DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B, DO CPC. Conforme decisão do STF em Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida, nos pedidos de ressarcimento efetuados antes do vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005 (09/06/2005), o prazo para o ressarcimento é de dez anos a contar da data do recolhimento indevido. IOF. RESSARCIMENTO. DIVERGÊNCIA ENTRE INFORMAÇÃO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E DA RECORRENTE. A instituição financeira é a responsável pelo recolhimento do IOF, portanto, os documentos por ela apresentados gozam de maior presunção de veracidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 05 14 /2 00 4- 70 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simões Mendonça e Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com suposto crédito do IOF recolhido a maior. A Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul/RS reconheceu parcialmente o valor pleiteado e homologou a compensação somente até o valor reconhecido. A DRJ manteve a decisão da delegacia de origem (fls.446/471). A Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário (fls. 479/498). O recurso já foi analisado uma vez por este Conselho. Na ocasião, debatiase se houve ou não a decadência do direito de pleitear o ressarcimento de suposto recolhimento a maior ocorrido em 25/04/1995, vez que já tinha ultrapassado cinco anos, quando foi protocolada a declaração de compensação. Na análise, decidiuse que o direito da contribuinte não estava decaído, pois o protocolo da declaração foi anterior ao advento da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, quando o prazo decadencial era de dez anos. Desse modo, como o suposto recolhimento a maior é de 1995, a decadência ocorreria somente em 2005, contudo o pedido foi protocolado em 2004. Apesar disso, essa decisão não foi suficiente para por fim ao processo, vez que nos autos não existiam informações se realmente ocorrera ou não recolhimento indevido de 25/04/1995, alegado pela Recorrente. Por essa razão, o julgamento foi convertido em diligência (fls. 501/531), para que os autos retornassem à delegacia de origem, a fim de se intimar a instituição financeira para que ela prestasse as informações necessárias. Em resposta à intimação da autoridade fiscal, a instituição financeira (BNDS) respondeu que a Recorrente “sofreu retenções de IOF, sobre liberações de crédito ocorridas em 25/04/1995, sendo que as mesmas foram devolvidas no dia 26/04/1995”. Na fl. 541, foi juntado o comprovante da devolução. A Contribuinte foi intimada do resultado da diligência, mas respondeu informando que nos autos que lhe foram disponibilizados não estavam presentes a resposta da instituição financeira e a conclusão da diligência, motivo pelo qual pediu que lhe fossem fornecidos tais documentos e lhe fosse dado novo prazo (fls. 544/545). Novamente intimada (fls.575/576), a Recorrente não se manifestou. É o Relatório. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13016.000514/200470 Acórdão n.º 3401002.493 S3C4T1 Fl. 581 3 Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme mais bem detalhado no relatório da resolução que converteu o julgamento do recurso em diligência (fls.501/502), as matérias devolvidas para julgamento por este Conselho são as seguintes: prazo decadencial dos tributos cujo lançamento está sujeito à homologação; prevalência dos documentos apresentados pelas instituições financeiras em detrimentos dos documentos apresentados pela Recorrente; e possibilidade de reconhecimento de ofício dos valores reconhecidos pelos bancos, superiores aos pleiteados pela Recorrente. 1 Da decadência e recolhimento ocorrido em 25/04/1995 Como já explanado na resolução que converteu o julgamento em diligência, decidiuse que não existia decadência em relação ao IOF recolhido em 25/04/1995, pois, o protocolo da declaração de compensação é de 2004, portanto, anterior ao advento da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, quando o prazo decadencial era de dez anos, e não de cinco, como entendeu a autoridade julgado a quo. Apesar disso, na realização de diligência foi constatado que, muito embora tenham ocorrido as retenções indevidas no dia 25/04/1995, no dia seguinte o valor foi devolvido à Recorrente. Logo, não existe crédito a ser ressarcido à Recorrente, concernente ao IOF retido em 25/04/1995. 2 Dos documentos apresentados pela Recorrente e pela Instituições Financeiras Alega a Recorrente que na análise do valor a ser ressarcido, a autoridade fiscal considerou somente os documentos apresentados pelos Bancos. Conforme se verifica no Despacho Decisório, mais precisamente na fl. 373, o delegado competente justifica que houve divergências entre os valores apresentados pela Recorrente e os valores apresentados pela instituição financeira, o que obrigou à elaboração da tabela (fls. 369/371). Fl. 582DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Realmente a Delegacia de origem considerou como verdadeiros os valores apresentados pelo Banco e não pela Recorrente. A decisão da Delegacia de origem foi correta. O período que restou a ser analisado nos anos entre 2000 e 2004, quando a sistemática do recolhimento do IOF foi regulamentada por dois decretos. Até 03/12/2002, vigorava o Decreto nº 2.219, de 02 de maio de 1997, que assim determinava em seu art. 5o: “art 5o São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional as instituições financeiras que efetuarem operações de crédito” A partir de 04 de dezembro de 2002, o recolhimento do IOF passou a ser regulamentado pelo Decreto nº 4.494, de 03 de dezembro de 2002, que em seu art. 4o, inciso I, dispunha da seguinte forma: “Art.5° São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: 1 as instituições financeiras que efetuarem operações de crédito”. Como é possível perceber, em que pese a alteração do decreto, a norma permaneceu a mesma: a instituição financeira é a responsável pelo recolhimento. Por essa razão, os documentos por ela apresentados gozam de maior presunção de veracidade. Além disso, os valores de divergência, conforme planilha elaborada pela fiscalização, já foram reconhecidos em outros processos, logo a divergência de valores perdeu a relevância. Desse modo, o indeferimento dos valores relativos aos meses acima mencionados deve ser mantido. 3 . Dos valores reconhecidos pelo Banco maiores que os valores pleiteados pela Recorrente Alega a Recorrente que em alguns meses os Bancos reconheceram como recolhido um valor maior que o pleiteado por ela, o que deveria ser ressarcido, de ofício, pela Autoridade Fiscal. Mais uma vez observando a tabela elaborada pela autoridade fiscal, notase a veracidade do alegado pela Recorrente. Contudo, como já mencionado no tópico anterior, os valores superiores aos pleiteados, reconhecidos pelos Bancos, já foram aproveitados em outro processo, conforme informação da própria planilha. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13016.000514/200470 Acórdão n.º 3401002.493 S3C4T1 Fl. 582 5 Assim sendo, é correto o indeferimento desses períodos. 4 Da Afronta ao Princípio da Moralidade Administrativa A Recorrente argumenta que a decisão recorrida feriu o Princípio da Moralidade Administrativa por não reconhecer o ressarcimento que supostamente seria seu por direito. Todavia, conforme tudo já exposto acima, não foi vislumbrada nos autos nenhuma afronta aos Princípios Constitucionais que norteiam a Administração Pública ou a qualquer outro Princípio Fundamental do Estado Democrático de Direito. Pelo contrário, tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ foram pautados na legislação em vigor e nos documentos apresentados nos autos, razão que leva este julgador a mantêlos em suas integralidades. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo o voto da DRJ na sua integralidade. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 584DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /02/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13116.902539/2011-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 82 1 81 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.902539/201119 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.358 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente CENTRO OESTE RAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 25 39 /2 01 1- 19 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902539/201119 Acórdão n.º 3803005.358 S3TE03 Fl. 83 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 26 de janeiro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 257,11. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 16/01/2012, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito reclamado decorreria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, inconstitucionalidade essa já reconhecida pela própria Administração tributária. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de planilha por ele elaborada. A Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na falta de comprovação do indébito, (ii) no fato de que o crédito informado já se encontrava vinculado à quitação de outros débitos da titularidade da pessoa jurídica e (iii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre constitucionalidade de leis. Cientificado do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP em 25 de julho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23 de agosto do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Ribeirão Preto/SP. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902539/201119 Acórdão n.º 3803005.358 S3TE03 Fl. 84 3 Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses totalmente insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Em processos da espécie ao ora analisado, a falta de um mínimo de instrução do processo por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por meio de diligência à repartição de origem, dada a inexistência de qualquer indício fático do direito pleiteado, ou seja, um início de prova que pudesse convencer o julgador quanto à possibilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13116.902539/201119 Acórdão n.º 3803005.358 S3TE03 Fl. 85 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10925.905092/2012-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2006
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 92 /2 01 2- 90 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905092/201290 Acórdão n.º 3801002.874 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905092/201290 Acórdão n.º 3801002.874 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905092/201290 Acórdão n.º 3801002.874 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905092/201290 Acórdão n.º 3801002.874 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905092/201290 Acórdão n.º 3801002.874 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905092/201290 Acórdão n.º 3801002.874 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.723773/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
DESISTÊNCIA.
Em qualquer fase processual, ainda que já proferido acórdão pelas turmas do CARF, é facultado ao recorrente desistir do recurso interposto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em homologar a desistência dos recursos.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DESISTÊNCIA. Em qualquer fase processual, ainda que já proferido acórdão pelas turmas do CARF, é facultado ao recorrente desistir do recurso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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score : 1.0
Numero do processo: 10945.900069/2013-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/09/2011
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 23/09/2011 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 00 69 /2 01 3- 51 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900069/201351 Acórdão n.º 3801003.020 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900069/201351 Acórdão n.º 3801003.020 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900069/201351 Acórdão n.º 3801003.020 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900069/201351 Acórdão n.º 3801003.020 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900069/201351 Acórdão n.º 3801003.020 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900069/201351 Acórdão n.º 3801003.020 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.900069/201351 Acórdão n.º 3801003.020 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10320.000211/2002-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
Ementa:
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO.
Faz jus ao benefício instituído pela Lei 9.363/96 a empresa que partilha a produção do produto a ser exportado em estabelecimento formalmente constituído como Consórcio de Sociedades.
IPI - CRÉDITO PRESUMIDO - CONSÓRCIO - DESCONSIDERAÇÃO PARA FINS DE DENEGAÇÃO DO CRÉDITO - IMPOSSIBILIDADE
Embora não se ignore que a autoridade administrativa possa desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a Lei Complementar somente autoriza a desconsideração, desde que observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária (art. 116, § único do CTN), ao meso tempo que ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente (art. 110 do CTN), razões pela quais a descaracterização de um contrato só pode ocorrer quando fique devidamente evidenciada uma das situações previstas em lei, fora dos quais, é impossível ao Fisco tratar um determinado contrato privado como outro de natureza diversa, para fins tributários.
Numero da decisão: 3402-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, que pelo voto de qualidade negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça, Helder Massaaki Kanamaru e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designada a Conselheira para redigir o voto vencedor.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
Redatora designada
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. , Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Helder Massaaki Kanamaru (Splente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. Faz jus ao benefício instituído pela Lei 9.363/96 a empresa que partilha a produção do produto a ser exportado em estabelecimento formalmente constituído como Consórcio de Sociedades. IPI - CRÉDITO PRESUMIDO - CONSÓRCIO - DESCONSIDERAÇÃO PARA FINS DE DENEGAÇÃO DO CRÉDITO - IMPOSSIBILIDADE Embora não se ignore que a autoridade administrativa possa desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a Lei Complementar somente autoriza a desconsideração, desde que observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária (art. 116, § único do CTN), ao meso tempo que ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente (art. 110 do CTN), razões pela quais a descaracterização de um contrato só pode ocorrer quando fique devidamente evidenciada uma das situações previstas em lei, fora dos quais, é impossível ao Fisco tratar um determinado contrato privado como outro de natureza diversa, para fins tributários.
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CRÉDITO PRESUMIDO. Faz jus ao benefício instituído pela Lei 9.363/96 a empresa que partilha a produção do produto a ser exportado em estabelecimento formalmente constituído como Consórcio de Sociedades. IPI CRÉDITO PRESUMIDO CONSÓRCIO DESCONSIDERAÇÃO PARA FINS DE DENEGAÇÃO DO CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Embora não se ignore que a autoridade administrativa possa desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a Lei Complementar somente autoriza a desconsideração, desde que observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária (art. 116, § único do CTN), ao meso tempo que ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente (art. 110 do CTN), razões pela quais a descaracterização de um contrato só pode ocorrer quando fique devidamente evidenciada uma das situações previstas em lei, fora dos quais, é impossível ao Fisco tratar um determinado contrato privado como outro de natureza diversa, para fins tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, que pelo voto de qualidade negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça, Helder AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 02 11 /2 00 2- 53 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 3 2 Massaaki Kanamaru e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designada a Conselheira para redigir o voto vencedor. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Redatora designada Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. , Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Helder Massaaki Kanamaru (Splente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 563/582) contra o Acórdão DRJ/JFA nº 0928.966 de 09/04/10 constante de fls. 550/558 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG que, por maioria de votos, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 152/162, aditada às fls. 345/360 e 523/530, mantendo o Despacho Decisório de fls. 127/134 da DRF do Rio de Janeiro RJ, que por sua vez indeferiu o Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de IPI no valor total de R$ 900.000,00 relativo ao 4° trimestre do ano de 2001, bem como deixou de homologar as compensações aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “RESSARCIMENTO — O incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, instituído pelo art. 12 da Lei nº 9.363, de 16 de dezembro de 1996, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação somente no montante reconhecido como legítimo pela diligência fiscal, valor esse apurado em conformidade com as disposições da referida Lei. Portaria MF nº 38197. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 4 3 EFEITOS DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO — O pedido dl compensação transformado em declaração de compensação somente adquire eficácia e, conseqüentemente, os efeitos que lhe são próprios a partir do momento em que é acompanhado do devido pedido de ressarcimento ou restituição. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO — A retificação do Pedido de Ressarcimento, desde que justificada, poderá ser efetuada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Arts. 55 e 56 da IN SRF nº 460/2004. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO DEFERIDA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.” Por seu turno, a r. decisão de fls. 550/558 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 152/162, aditada às fls. 345/360 e 523/530, mantendo o Despacho Decisório de fls. 127/134 da DRF do Rio de Janeiro RJ, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. A elaboração do parque industrial, a exploração das . atividades de Refino de Bauxita e também de Redução de Alumina, para a obtenção do Alumínio, não pode ser caracterizada como um empreendimento determinado, para fins de respaldar a constituição de um consórcio de empresas nos termos da legislação comercial. É necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. Ademais, da perpetuação do empreendimento, no tempo, e do constante incremento de produção não planejado no empreendimento original, depreendese o ânimo definitivo, inerente às pessoas jurídicas constituídas com o propósito de continuidade e obtenção crescente de lucro. APROVEITAMENTO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o aproveitamento de Crédito Presumido de IPI por empresa que não se enquadra nos pressupostos legais para fruição do benefício fiscal.” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 958/976) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista que a redução no valor de seu crédito presumido seria conseqüência de interpretação restritiva Fl. 699DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 5 4 da legislação (Lei nº 9.363), eis que o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado revestindo a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais e portanto também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado sendo certo que enquanto regularmente integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME, razão pela qual não haveria motivos para não enquadrála como empresa produtora e exportadora; b) que também seriam legítimos os demais créditos relativos a energia elétrica. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade e, no mérito merece provimento. Inicialmente anoto que a matéria foi recentemente julgada por esta C. Turma que, analisando o Recurso nº 137.185 interposto no Processo nº 13656.000083/200325, em nome da empresa ABALCO S/A, também integrante do Consórcio ALUMAR excogitado no presente processo, acolheu o voto do ínclito Relator Cons. Júlio César Alves Ramos, negando provimento ao recurso aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. Não faz jus ao benefício instituído pela Lei 9.363/96 empresa que partilha a produção do produto a ser exportado em estabelecimento formalmente constituído como consórcio de sociedades. Recurso Voluntário Negado” Naquela oportunidade, em face da complexidade da questão e do brilhantismo do voto condutor, acompanhei a conclusão do voto ínclito Relator Cons. Júlio César Alves Ramos, pelo improvimento do recurso Entretanto melhor examinando a controvérsia nestes autos, impetro vênia aos nobres pares, para alterar meu entendimento e me alinhar com o voto vencido da decisão recorrida exarado pela d. Julgadora Mônica Monteiro Garcia de los Rios (relatora), que responde com maestria e vantagem as objeções fiscais ao deferimento do crédito presumido do IPI em tela e que, por amor à brevidade, me permito reproduzir e adotar como razões de decidir: “Voto Vencido Fl. 700DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 6 5 A Manifestação de Inconformidade e as razões adicionais de defesa são tempestivas e atendem aos demais pressupostos para suas admissibilidades. Delas tomo conhecimento. 1. Do direito ao crédito presumido Após o tumulto que envolveu o pedido em exame, e que resultou na retificação, aceita, do pedido de ressarcimento (fl. 92), temos a definição do direito em debate: crédito presumido, apurado de forma centralizada pela matriz, decorrente de exportações, efetuadas pela Billiton, de produtos industrializados no âmbito do consórcio Alumar. Esses são os fatos. Diante deles, no curso do processo foram suscitadas irregularidades na constituição do consórcio Alumar como razão para indeferimento do pleito. Cumpre registrar que a retificação do pedido pela contribuinte foi a única maneira de aproveitar o crédito presumido para a compensação em análise. Isso porque o pleito como originalmente efetuado (ressarcimento/compensação de crédito presumido escriturado pela filial 0009) não encontra respaldo na legislação (art. 11, § 7º , IN SRF 21/97). Inclusive, os valores do crédito presumido escriturados no RAIPI da filial de São Luiz (42.105.890/000901) foram glosados pela fiscalização e resultaram em lançamento de ofício do IPI, processo 10320.001220/200695 (Anexos I e II). Frisese: é fato incontroverso que a industrialização dos produtos exportados pela Billiton, objeto do crédito presumido solicitado nestes autos, ocorreu no âmbito do consórcio Alumar. E nesse ponto, por mais que me esforce, não consigo vislumbrar a relevância, para fins de reconhecimento do crédito presumido em questão, da celeuma criada pela fiscalização ao apontar irregularidades na constituição do consórcio Alumar. No meu entendimento é irrelevante se a Alumar é um consórcio legalmente constituído ou se operou como sociedade de fato. E explico o porquê. Em primeiro lugar, necessário descrever as operações da forma como ocorreram: a) as aquisições de MP, PI e ME foram efetuadas pela Billiton A fiscalização verificou os documentos fiscais da empresa atestando que as aquisições foram efetuadas pela Billiton, no mercado interno. Excetuamse as aquisições de combustíveis, cujas notas fiscais de aquisição estão em nome do Consórcio Alumar (fls. 511/512), sendo os custos apurados por critério de rateio (fls. 503/507). b) as exportações foram efetuadas pela Billiton As notas fiscais de exportação apresentadas, relacionadas à fl. 410, tiveram sua regularidade atestada pela fiscalização (fl. 511/512). c) a industrialização foi efetuada pela ALUMAR. Necessário, agora, analisar as operações do ponto de vista de operação do consórcio e da sociedade de fato, com o objetivo de Fl. 701DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 7 6 verificar a possibilidade, ou não, de aproveitamento do benefício. 1.1 ALUMAR ENQUANTO CONSÓRCIO REGULARMENTE CONSTITUÍDO Ainda que o consórcio Alumar reste caracterizado como legalmente constituído, a Defic/Rio de Janeiro entendeu que não caberia a concessão do benefício à Billiton, pois não haveria como enquadrála (a Billliton) no conceito de "pessoa jurídica produtora e exportadora", segundo disposição da Lei 10.276/2001. Ouso discordar desse entendimento. Se o consórcio, regularmente constituído, não possui personalidade jurídica própria, e se as consorciadas possuem participação nos ativos dos estabelecimentos industriais do consórcio, segundo Seção 7.01 do Contrato do Consórcio Alumar (cópia às fls. 264/272), entendo que todas as consorciadas se encaixam no conceito de pessoa jurídica produtora, pois foram elas (as consorciadas) que industrializaram os produtos por elas exportados. Apenas tal industrialização ocorreu no estabelecimento do consórcio Alumar, que, em última instância, pertence e é operado pelas consorciadas. Quanto à questão da regularidade fiscal, que também tem sido levantada como impedimento para a concessão do beneficio, na hipótese de consórcio regularmente constituído são as consorciadas que devem comprovar a quitação de tributos ou contribuições federais (art. 60 da Lei 9.069/95). Não consta dos autos qualquer menção à existência débitos fiscais, em aberto, da Billiton, que impedissem o reconhecimento do direto ao crédito presumido tratado nestes autos. 1.2 ALUMAR ENQUANTO SOCIEDADE DE FATO Por motivos diversos, que não interessam à minha análise, a fiscalização concluiu que o empreendimento Alumar não poderia ter sido constituído sob a forma de um consórcio, tendo operado, em verdade, como sociedade de fato. E daí concluiu (em outros processos) que a legitimidade para pleitear o benefício seria da Alumar, e não das consorciadas (ou, nessa hipótese, das sócias de fato). Ouso discordar, também, desse entendimento. Se a Alumar é uma sociedade de fato, as operações devem ser analisadas, da forma como ocorreram, sob a perspectiva da sociedade de fato. Como antes mencionado: a) as aquisições de insumos foram efetuadas pela Billiton; b) as exportações foram efetuadas pela Billiton; e, agora, c) a industrialização foi efetuada pela sociedade de fato Alumar. Ora, se as aquisições dos insumos foram efetuadas pela Billiton (sócia de fato), que os remeteu para industrialização pela Alumar (sociedade de fato), e se as exportações também foram efetuadas pela Billiton, à luz da legislação do IPI o que ocorreu, Fl. 702DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 8 7 de fato, foi uma industrialização por encomenda, sendo a Billiton a encomendante e a Alumar a executora (industrializador). Perguntase: a quem caberia o beneficio nessa situação? Ao encomendante ou ao executor? No meu entendimento, a legitimidade para pleitear o beneficio continua sendo da Billiton (estabelecimento industrial encomendante), pois atende à condição de empresa produtora, sendo que a produção (industrialização) foi efetuada na modalidade da industrialização por encomenda (em estabelecimento industrial do qual a Billiton seria sócia). E quanto à regularidade fiscal?. Se considerarmos que as sócias de fato (Billiton e outras)" são pessoas jurídicas distintas da sociedade de fato Alumar, entendo que a comprovação da quitação de tributos e contribuições deva ser efetuada pelas sócias de fato (encomendantes). A entenderse de outra forma, todas as vezes que o crédito presumido de uma determinada empresa envolvesse industrialização por encomenda, efetuada em outros estabelecimentos, necessário seria perquirir a regularidade fiscal de todos os executores das encomendas como requisito para concessão do benefício. Não me parece, essa, a melhor forma de aplicação do dispositivo legal que cuida dessa exigência (art. 60 da Lei 9.069/95). Todavia, considerando o entendimento de que as sócias de fato (Billiton e outras) não , são pessoas jurídicas distintas da Alumar "sociedade de fato" (que não foi regularmente constituída), necessário seria perquirir a regularidade fiscal também da Alumar. Merece transcrição o art. 60 da Lei 9.069/1995, in verbis: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (grifo acrescido) Nesse ponto, necessário indagar: onde estão os débitos dos tributos e contribuições da sociedade de fato Alumar que deixaram de ser recolhidos? A fiscalização apurou e lançou os tributos e contribuições que deixaram de ser pagos pela Alumar (sociedade de fato)? Não se tem notícia de que tenham sido lançados os tributos que, supostamente, deixaram de ser recolhidos pela Alumar (sociedade de fato). Nessas condições, não me parece razoável negar o direito ao crédito presumido às sócias de fato (Billiton e outras), sob o fundamento de existência, em tese, de tributos e contribuições que deixaram de ser recolhidos à União. Portanto, seja considerando a Alumar como consórcio legalmente constituído, seja como sociedade de fato, não vejo como: a) deslocar o beneficiário do crédito presumido das consorciadas, ou sócias de fato, para a Alumar; b) negar o Fl. 703DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 9 8 beneficio por desatendimento às disposições do art. 60 da Lei 9.06/95. Frisese: a irrelevância, para mim, dessa discussão acerca da irregularidade na constituição do consórcio Alumar é apenas quanto à concessão do crédito presumido, considerando a forma como as operações aconteceram. Contudo, se a decisão final na esfera administrativa for pela irregularidade do consórcio, que sejam adotadas as medidas cabíveis para exigir que a Alumar opere como sociedade de empresas, incluindo alteração no cadastro CNPJ, apuração e lançamento de ofício dos impostos e contribuições que porventura deixaram de ser recolhidos, etc. Mas não há como obstar o reconhecimento do direito ora em discussão a medidas que, eventualmente, podem vir a ser tomadas. 2 Da apuração do benefício Uma vez admitida a Billiton Metais enquanto beneficiária do crédito presumido objeto do presente pleito, necessário adentrar nas questões relativas à apuração efetuada pelo auditor fiscal. Segundo planilha de fl. 516, elaborada pela fiscalização, o crédito presumido neste trimestre foi apurado segundo as disposições da Lei n° 10.276/2001, ou seja, pelo regime alternativo. Em decorrência, os custos relativos à energia elétrica e aos combustíveis não foram glosados pela fiscalização (fls. 419 e 516). Desta forma, os argumentos apresentados pela Manifestante defendendo a inclusão da energia elétrica na base de cálculo do beneficio (fls. 523/530) são destituídos de sentido, já que a energia elétrica não foi excluída pela fiscalização. Isso implica a não apreciação desses argumentos neste voto. Oportuno observar que a apuração originalmente efetuada pela Billiton (DCTF, fl. 47/48, R$ 2.451.993,51) resultou em um valor que não se confirmou após o fornecimento, pela própria empresa, dos dados necessários à apuração do beneficio Ou seja, apesar de a fiscalização ter considerado todos os custos e receitas de exportação apresentados pela Billiton (fls. 410, 419 e 516), sem efetuar qualquer glosa, o valor apurado pelo auditor (R$1.683.238,53) é significativamente inferior ao originalmente apurado pela empresa(R$2.451.993,51). Isso demonstra que a apuração original da contribuinte não merece fé. Em virtude da ausência de argumentos, na Manifestação de fls. 523/530, contestando, especificamente, a apuração efetuada pela fiscalização, resta evidenciado não haver se instaurado litígio em relação ao valor apurado pelo auditor fiscal (matéria não contestada art. 17 do Decreto 70.235/72). Como a unidade de origem indeferiu, na sua totalidade, o crédito alegado pela contribuinte, deve ser reconhecido, neste trimestre, a legitimidade do crédito presumido no valor total de R$ 1.683.238,53, segundo apuração de fl. 516. Esse valor Fl. 704DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 10 9 reconhecido deve ser repartido entre os processos que utilizaram o crédito presumido deste 4° trimestre de 2001, da seguinte forma: (...) Portanto, no presente processo (10320.000211/200253), voto pelo reconhecimento do direito ao crédito presumido no valor de R$ 900.000,00. 3. Da compensação Após os inúmeros erros cometidos no preenchimento de seus pedidos, a contribuinte, ao final, retificou. o pedido de compensação (fl. 42) e o pedido de ressarcimento (fl. 92), retificação, essa última, acatada pela unidade de origem (fls. 127/135). Informou, desta feita, que o crédito utilizado como lastro da compensação é o crédito presumido apurado pela matriz (estabelecimento 42.105.890/000146), relativo ao 4° trimestre de 2001. Oportuno observar que apesar do despacho decisório de fls. 127/135 não ter, expressamente, acatado a retificação do pedido de compensação, indiretamente ocorreu o deferimento de tal retificação. Tal conclusão é possível ao verificar o débito objeto da compensação solicitada no presente processo, que corresponde, exatamente, ao valor, período e receita informados no pedido retificador de fl. 42 (vide consulta ao sistema Profisc da Receita Federal — fls. 546/548). Portanto, é de se considerar acatada a retificação do pedido de fl. 02 pelo pedido de fl. 42, restando definido que o débito objeto da compensação declarada é o débito do IRPJ (Código 2362), PA 12/2001, no valor de R$ 900.000,00. Esse débito, segundo consulta ao Profisc de fls. 546/548, foi transferido para o processo de representação n° 15374.001853/200772. Nesse ponto, necessário esclarecer que o presente processo não envolve um "pedido de ressarcimento" propriamente dito (excedente de créditos). Apesar de o formulário ter essa denominação, não há pleito de ressarcimento envolvido, pois o valor do crédito informado corresponde exatamente ao valor do débito cuja compensação foi solicitada. Ou seja, todo o crédito alegado foi destinado, pela contribuinte, à compensação. Na manifestação de inconformidade de fls. 152/162 a contribuinte requereu a nulidade do Despacho Decisório de fls. 127/135 face ao decurso do prazo para homologaçãoda compensação declarada. Não há como dar razão à Manifestante. É certo que o pedido de compensação apresentado à fl. 02 foi convertido em declaração de compensação, por força da disposição do art. 74, § 4°, da Lei 9.430/96. E, ao ser convertido em declaração de compensação, como tal deve ser tratado. Ocorre que a declaração de Fl. 705DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 11 10 compensação difere do pedido de compensação por ser, a primeira, instrumento mediante o qual, em um único documento, devem constar tanto as informações do crédito alegado quanto as relativas aos débitos que se pretende compensar. Explicando melhor: na declaração de compensação é necessário prestar informações relativas aos débitos e ao crédito utilizado na compensação declarada. E qualquer alteração de informação, seja no tocante ao débito ou ao crédito, conformase em uma retificação da declaração de compensação. Com isso, a partir da conversão do pedido de fl. 02 em declaração de compensação, esse pedido (fl. 02, retificado pelo pedido de fl. 42) mais o pedido de ressarcimento (fl. 92) passaram a constituir a declaração de compensação. Portanto, a retificação do pedido de ressarcimento apresentada em 12/09/2005 (alteração de informação do crédito fl. 92) configura, em verdade, retificação da declaração de compensação. Assim, aplicável as disposições do art. 59 da IN SRF 460/2004, in verbis: Art. 59. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. (grifo acrescido) Obs: o prazo do § 2º do art. 29 é o prazo quinquenal para homologação da compensação. Como a retificação foi apresentada em 12/09/2005, e a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 01/10/2007 (fl. 137), não há de se falar em homologação tácita da compensação. Não tivesse ocorrido a retificação do pedido de ressarcimento, ainda assim não teria ocorrido a homologação tácita, em decorrência da retificação, apresentada em 01/02/2005, do próprio pedido de compensação (fl. 42). Não tendo ocorrido a homologação tácita, e em virtude do reconhecimento do direito creditório tratado no item 2 deste voto, a unidade de origem, em princípio, poderia efetuar o encontro de contas para homologar a compensação do débito informado à fl. 42, até o limite do crédito reconhecido. Todavia, importante observar que o crédito presumido aqui em discussão foi, originalmente, lançado a crédito no RAIPI da filial de São Luiz (42.105.890/000901), cuja glosa resultou no lançamento consubstanciado em Auto de Infração, processo 10320.001220/200695. Se a decisão administrativa definitiva do Auto de Infração for pela improcedência do lançamento, será necessário verificar se o valor apurado pela fiscalização, ainda que parcialmente, não foi aproveitado para amortizar débitos do imposto da dita filial. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 12 11 Isso porque o valor apurado pelo auditor fiscal (R$ 1.683.238,53) representa o valor total do crédito presumido relativo ao 4° trimestre de 2001. Como a empresa lançou no RAIPI o montante de R$ 2.471.014,37 (fls. 223 Anexo II), montante esse maior que o apurado pela fiscalização (R$1.683.238,53), e maior que o valor do débito que pretende compensar (R$ 900.000,00 — fl. 42, estornado, à fl. 230 Anexo II), e se o lançamento da glosa dos créditos for julgado improcedente, deverá ser observado, primeiramente, se parte desse montante foi aproveitado para dedução de débitos do IPI na filial. Somente após essa dedução é possível constatar se resta algum valor passível de aproveitamento na compensação do débito discriminado à fl. 42. Esse fato impede utilizar, neste momento, o crédito ora reconhecido na compensação do débito informado à fl. 42. Aplicável, nessa hipótese, a disposição do art. 20 da IN SRF 460/2004, a seguir transcrito: Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Tudo exposto, voto pelo reconhecimento, neste processo, do crédito presumido no montante de R$ 900.000,00, cuja utilização para compensação do débito informado à fl. 42 só será possível após a decisão administrativa definitiva do processo 10320.001220/200695, e após as verificações de seu aproveitamento, ou não, na dedução de débitos do IPI pela filial São Luiz/MA.” Notese que ao caracterizar a figura da operação consorciada ora excogitada o ínclito Relator Cons. Júlio César Alves Ramos em seu brilhante voto acima referido esclarece que: “... o que contrataram as empresas – agora está claro – foi meramente a constituição, em comum, de um estabelecimento produtivo, em que se realizaria a atividade de produção de alumina no Pará. O que há de fato é isso: um estabelecimento (que funciona como filial de cada empresa) em que elas, em conjunto, produzem alumina que é depois entregue a cada uma para o uso que cada uma melhor entender.” Nesse contexto, inicialmente ressaltese que o crédito presumido do IPI, instituído pela Medida Provisória nº 948 de 1995, convertida na Lei nº 9.363/96, foi outorgado exclusivamente às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, respectivos estabelecimentos produtores exportadores, e às empresas comerciais exportadoras (“trading companies” – cf. art. 1º e § único), como um incentivo às exportações, através da desoneração e recuperação do valor do PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de produtos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) agregados no processo produtivo dos bens destinados à exportação. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 13 12 Nesse sentido já assentou o E. STJ que “o motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no R.Esp. 813280SC, Reg. nº 2006/00173989, em sessão de 06/04/06, REl. Min. JOSÉ DELGADO, publ. in DJU de 02/05/06 pág. 271), sendo certo que “o benefício outorgado (...) pela Lei 9.363/96, atinge diretamente as empresas produtoras e exportadoras, consideradas dentro desse contexto também as suas filiais, sob pena de inviabilizar os efeitos pretendidos pelo aludido benefício, na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja igualmente responsável na referida operação” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no R.Esp. nº 499935RS, Reg. nº 2003/00146211, em sessão de 03/03/05, rel. MIn. FRANCISCO FALCÃO, publ. in DJU de 28/03/05 pág. 188). Nessa ordem de idéias, ao estabelecer o conceito de estabelecimento, para efeito de cumprimento de obrigações tributárias, o RIPI/98 expressamente dispunha em seus arts. 23 e 487 que : “Art. 23 – (...) Parágrafo único – Considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento importador, industrial ou comerciante, em relação a cada fato gerador que decorra de ato que praticar (Lei nº 5.172, de 1966, art. 51 parágrafo único).” “Art. 487 – Na interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: (...) II – as expressões ‘fabrica’ e ‘fabricante’são equivalentes a estabelecimento industrial, como definido no art. 8º; III – a expressão ‘estabelecimento’, em sua delimitação, diz respeito ao prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos, unicamente, as dependências internas, galpões e áreas contínuas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas, em que sejam, normalmente, executadas operações industriais, comerciais ou de outra natureza; IV – são considerados autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa física ou jurídica; (...)” Dos mesmos preceitos verificase que, não obstante autorizasse que a apuração dos presumidos pudesse se fazer de forma centralizada (no caso de empresas com mais de um estabelecimento produtor exportador – cf. § 2º do art. 2º da Lei nº 9363/96 e art. 166, § 3º do RIPI/98 Decreto nº 2.637/98), a lei expressamente remete às legislações do IR e do IPI para fins das conceituações de receita bruta e de produção da empresa e seus estabelecimentos produtores exportadores (art. 3º da Lei nº 9363/96), o que comprova irretorquivelmente que na apuração do crédito presumido, ainda que de forma centralizada, a Fl. 708DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 14 13 lei considera autônomos, para efeito de cumprimento da obrigação tributária, os estabelecimentos, ainda que pertencentes a uma mesma pessoa jurídica (cf. art. 51, § único do CTN, art. 3º da Lei nº 9.363/96 e arts. 23, § único e 487, inc. IV do RIPI/98). Da mesma forma é inquestionável a base de cálculo do crédito presumido do IPI, através do qual se efetua o ressarcimento do PIS e da COFINS incidente sobre as operações do ciclo de comercialização dos insumos integrantes dos produtos industrializados destinados à exportação , é o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, integrados no processo de produção do produto final destinado à exportação. Notese que ao definir a forma de cálculo do crédito presumido, a própria Portaria MF nº 38/97, expressamente esclarece que, para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, “o estabelecimento produtor e exportador” deverá “apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito”, o que obviamente pressupõe que, embora centralizados os dados de cada estabelecimento na matriz da empresa, a apuração do crédito deve ser feita individualizadamente por cada “estabelecimento produtor e exportador”, assim excluindo a qualquer possibilidade confusão com dados de outros estabelecimentos da mesma empresa que não sejam produtores exportadores. Nesse sentido a jurisprudência deste E. Conselho, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. As obrigações e os haveres de cada um dos estabelecimentos de uma pessoa jurídica, no que pertine ao IPI, por força da autonomia dos estabelecimentos, prevista na legislação de regência desse tributo, são personalíssimas, isto é, são intransferíveis para outro estabelecimento, ainda que da mesma firma, salvo expressa autorização legal em contrário. (...). Recurso negado”. (cf. ACÓRDÃO 20215593 da 2ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 125902, Proc. nº 11020.000461/200231, em sessão de 12/05/2004, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO Descabe limitação ao benefício, instituído pela Lei nº. 9.363/96, acrescentando, para efeito de cálculo do mesmo, as receitas operacionais de filiais que não sejam produtoras exportadoras (atendimento ao princípio da autonomia dos estabelecimentos). A norma veiculadora do referido incentivo fiscal não fulmina o próprio direito pela inobservância, de forma quanto à afirmação de ser o pedido centralizado ou descentralizado, se restar provado nos autos de que o pedido referese, tãosomente, ao estabelecimento produtor exportador peticionante. Recurso provido.” (cf. ACÓRDÃO 20175819, da 1ª Câm. do 2º CC no Rec. nº 118766, Proc. nº 11065.000195/9954, em sessão de 24/01/2002, Rel. Serafim Fernandes Corrêa) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO 1 Descabe limitação ao benefício instituído pela Lei nº. 9.363/96, acrescentando, para efeito de cálculo do mesmo, as receitas operacionais de filiais que não sejam produtoras exportadoras (atendimento ao princípio da autonomia dos estabelecimentos). 2 A norma Fl. 709DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 15 14 veiculadora do referido incentivo fiscal não fulmina o próprio direito pela inobservância de forma quanto à afirmação de ser o pedido centralizado ou descentralizado, se restar provado nos autos de que o pedido referese, tãosomente, ao estabelecimento produtor exportador peticionante. Recurso voluntário provido.” (cf. ACÓRDÃO 20172587 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 109753 , Proc. nº 11065.000880/9737, em sessão de 06/04/1999 , Rel. Cons. Jorge Freire) Por outro lado, no Recurso oportunamente interposto a ora Recorrente demonstrou, com base na melhor Doutrina (distinção entre Consórcio e Sociedade Comercial) e na Jurisprudência Administrativa uníssona deste Conselho, não só a regularidade do Consórcio ALUMAR, mas a impossibilidade de se descaracterizar um Consórcio regularmente constituído com fundamento no prazo de sua duração. Embora não se ignore que a autoridade administrativa possa desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a Lei Complementar somente autoriza a desconsideração, desde que observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária (art. 116, § único do CTN), sendo certo que em homenagem aos princípios da “livre iniciativa” (CF/88, arts. 1º, IV e 170), da “propriedade privada” (CF/88, art. 5º, XXII e 170, II), da “livre concorrência” (CF/88, art. 170, IV) e do “livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgão públicos” (CF/88, art. 170, § único), a Jurisprudência Judicial tem reiteradamente proclamado que “a norma pedagógica” do artigo 110 do CTN “ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente”. (cf. Ac. do STF Pleno no RE nº 390840MG, em sessão de 09/11/05, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, publ. in DJU de 15/08/06, pág. 25 EMENT VOL0224203 pág. 372 e in RDDT n. 133, 2006, pág. 214215) e que “o contrato só se transmuda em forma dissimulada (...) quando, expressamente, ocorrer violação da própria lei e da regulamentação que o rege” bem como que a “descaracterização do contrato (...) só pode ocorrer quando fique devidamente evidenciada uma das situações previstas em lei” sendo que “fora desse alcance legislativo, impossível ao Fisco” tratar um determinado contrato privado como outro de natureza diversa, para fins tributários (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp 310368RS, Reg. nº 2001/00303196, em sessão de 07/06/01, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, publ. in DJU de 27/08/01 pág. 232; cf. tb. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 174031SC, Reg. nº 1998/00325182, em sessão de 15/10/98, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, publ. in DJU de 01/03/99 p. 236 e in RDDT vol. 44 p. 186; cf. tb. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 184932SP, Reg. nº 1998/00585672, em sessão de 09/02/99, Rel. Min. JOSÉ DELGADO,, pub. In DJU de 29/03/99 p. 96 e in RSTJ vol. 117 p. 198). Isto posto, voto no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto para reformar a r. decisão recorrida e assegurar o direito ao crédito presumido do IPI pleiteado. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2012 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 16 15 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Voto Vencedor Conselheira Sílvia de Brito Oliveira Adoto o relatório elaborado pelo I. Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, entretanto, do seu voto divirjo e passarei a expor as razões dessa divergência. Inicialmente, registro que a designação para formalizar o voto vencedor ofereceme oportunidade de justificar os votos divergentes sobre a matéria, visto que acompanhei o voto do exintegrante desta 2ª Turma Ordinária, atual Presidente da 4ª Câmara, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que negou provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo n° 13656.000083/200325 e, posteriormente, alieime ao voto divergente e vencedor do Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, proferido nos autos do processo n° 13656.000504/200156, para dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para reconhecer a legitimidade da recorrente para pleitear o crédito. Já na ocasião em que foi julgado o processo n° 13656.000083/200325 considerava irrelevantes, para o fim específico do ressarcimento de crédito presumido instituído pela Lei n° 9.363, de 1996, as questões relativas à regularidade da constituição do consórcio ou à caracterização de uma sociedade de fato e, por essa razão, em momento posterior, não poderia deixar de acompanhar o voto do Conselheiro João Carlos Cassuli Junior acima referido, visto que em tal voto apenas é reconhecida a legitimidade da consorciada para pleitear o crédito presumido decorrente da exportação de produto fabricado pelo consórcio. Agora, neste processo, divergi do I. Conselheiro Relator porque, embora comungue o entendimento de que a recorrente atende aos requisitos subjetivos para fazer jus ao ressarcimento do crédito presumido do IPI previsto na Lei n° 9.363, de 1996, ou seja, na linha do voto vencido, caracterizase como produtor e exportador, a apuração desse crédito está inviabilizada por não haver proporcionalidade, no período de apuração, entre o produto recebido do consórcio para exportação pela recorrente e o total das aquisições de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, visto que a produção é distribuida às empresas consorciadas na proporção de sua participação no consórcio. Destarte, uma vez que a base de cálculo desse crédito fiscal é diretamente proporcional ao total das aquisições no mercado interno de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados no processo produtivo no período de apuração e não havendo proporcionalidade entre o total do produto acabado entregue à consorciada e os insumos adquiridos, não se pode afirmar que o crédito presumido apurado em cada uma das consorciadas guarda essa proporcionalidade com os insumos adquiridos por cada uma delas, mas, sim, proporcional à participação no consórcio. Em face disso, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sílvia de Brito Oliveira Fl. 711DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10320.000211/200253 Acórdão n.º 3402001.773 S3C4T2 Fl. 17 16 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/02/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 19679.010412/2003-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprova.
Numero da decisão: 3403-002.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 04 12 /2 00 3- 64 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração Eletrônico (fls. 18 a 24 com ciência em 11/08/2003 fl. 45)1, para exigência de COFINS, no valor de R$ 151.643,62 (a título de principal), em decorrência de auditoria interna em DCTF referente ao segundo trimestre de 1998, na qual se apurou “falta de recolhimento ou pagamento do principal” . No Demonstrativo de fl. 20 informase que para os períodos de apuração de abril e maio/1998, houve compensação referindo processo judicial não comprovado (“Comp c/ DARF c/ Proc. Jud.”/“Proc. jud. não comprova” valores de R$ 49.606,13 e R$ 48.402,99), e, para o mês de junho/1998, houve (“Comp s/ DARFOutrosPJUPagamentos”/“Proc. jud. não comprova” valor de R$ 4.612,91). Na impugnação de fls. 1 a 3, a empresa sustenta que: (a) o débito apontado pela fiscalização não foi recolhido em virtude do ajuizamento da ação ordinária declaratória no 91.074.28740, visando à compensação de FINSOCIAL indevidamente recolhido (com alíquota superior a 0,5%) de setembro/1989 a outubro de 1991, com parcelas de COFINS, tendo a decisão judicial transitado em julgado, sendolhe favorável; e (b) os valores de R$ 49.606,13 (abril/1998) e R$ 48.402,99 (maio/1998) foram integralmente compensados, sendo o valor de R$ 4.612,91 a diferença a pagar do valor total de R$ 53.634,50 (junho/1998). Anexamse à impugnação DCTF (fls. 27, e 64 a 67), DARF (fl. 26) e cópias de peças da ação judicial (fl. 55 a 63). Comprovado na impugnação o pagamento de R$ 49.021,59 (na verdade, havia dois DARF fl. 26, um de R$ 48.975,87 e outro de R$ 45,72, ambos referentes a COFINS de junho/1998, e com data de 10/07/1998), permaneceu exigível em relação a junho/1998 somente o valor de R$ 4.612,91, tendo o valor de R$ 49.021,59 sido cancelado de ofício pela fiscalização (fl. 52). Em 02/06/2011, a DRJ julga a impugnação parcialmente procedente, excluindo da autuação os valores referentes a junho/1998 (R$ 4.612,91), por restar configurada a decadência, na forma do art. 150 § 4o do CTN (ciência da autuação em 11/08/2003, e pagamentos efetuados em 10/07/1998). Em relação aos débitos de abril e maio/1998, a ação judicial citada versou somente sobre o direito creditório, sequer se manifestando sobre o direito de compensar, ainda mais com tributo de espécie diversa (o que não era contemplado pelo art. 66 da Lei no 8.383/199, não havendo prova no processo de que a compensação tenha sido efetuada na forma do art. 12 da Instrução Normativa SRF no 21/1997, que regia a compensação entre tributos de espécies diversas, mediante autorização do fisco). A DRJ afasta ainda a multa de ofício em virtude de retroatividade de norma mais benéfica, a Lei no 10.833/2003 (art. 18), que limita a multa de ofício em razão de nãohomologação de compensação aos casos de falsidade na declaração. Cientificada da decisão da DRJ em 06/01/2012 (AR à fl. 82), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 07/02/2012 (fls. 83 a 93), alegando que: (a) a compensação foi efetuada diretamente em sua escrita fiscal, com amparo no art. 14 da IN SRF no 21/1997; (b) houve homologação tácita das compensações, decorrido o prazo de cinco anos sem que houvesse manifestação das autoridades fiscais, cf. art. 150 § 4o do CTN (não havendo que se falar na aplicação doa rt. 173, I do CTN, pois a compensação equiparase ao pagamento); e (c) FINSOCIAL e COFINS são contribuições de mesma espécie, sendo que a União está inclusive 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19679.010412/200364 Acórdão n.º 3403002.700 S3C4T3 Fl. 116 3 dispensada de interpor recursos em relação à matéria, conforme Ato Declaratório da PGFN no 01/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Restam contenciosos no presente processo somente os montantes compensados na escrita da empresa, referentes a abril/1998 (R$ 49.606,13) e maio/1998 (R$ 48.402,99). Sendo o processo um Auto de Infração eletrônico, e tendo a descrição dos fatos (para a parte ainda em discussão) sido lacônica (“Comp c/ DARF c/ Proc. Jud.”/“Proc. jud. não comprova”), restava difícil à recorrente exercer seu direito de defesa, mas ela o fez a contento ainda em sede de impugnação. Veja que o fato descrito na autuação é o de que não ficou comprovado o processo judicial indicado nas DCTF (fls. 64 a 67 no 94.03.0963247). Isso ocorreu porque tal numeração corresponde à utilizada no TRF 3 para a ação ordinária declaratória no 91.074.2874 0, originalmente impetrada pela empresa. E isso foi esclarecido já no início da impugnação (fl. 2). Afastada assim a motivação da autuação. A partir daí, o que se discute é se a sentença emitida no processo (agora já comprovado), permitia a compensação diretamente na escrita, conforme art. 66 da a Lei no 8.383/1991. Flagrante a alteração da motivação da autuação, incompatível com as atribuições do órgão julgador. Na autuação não se afirma que a sentença judicial proferida no processo silenciava sobre a compensação, ou a permitia somente com créditos de mesma espécie, sendo o FINSOCIAL e a COFINS contribuições de espécies diversas. Ademais, como destacado no Recurso Voluntário, a Fazenda já nem mais discute a matéria (possibilidade de compensação de FINSOCIAL e COFINS com base na Lei no 8.383/1991 mesma espécie), em função de jurisprudência pacífica do STJ, constatada no Parecer PGFN/CRJ no 898/1998, que ensejou a edição de despacho pelo Ministro da Fazenda (30/06/1998) e Ato Declaratório pela PGFN (no 1/2002), tudo na forma do comando que veio a figurar em definitivo no art. 19, II da Lei no 10.522/2002. Assim, descabe a continuidade da análise do recurso voluntário apresentado, visto que já afastada a razão da autuação: “Comp c/ DARF c/ Proc. Jud.”/“Proc. jud. não comprova”. Nesse sentido reiteradas decisões deste CARF, aqui sintetizadas em análise recente de Recurso Especial da PGFN pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso negado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 9303002.326, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20.jun.2013) Esta turma já apreciou caso semelhante (mas no qual havia claro prejuízo à defesa, que sequer compreendeu a matéria em discussão), adotando conclusão pela nulidade: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS LACÔNICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Há nulidade processual ab initio se a descrição dos fatos constante da autuação é lacônica, de forma a cercear o direito de defesa do sujeito passivo, e comprometer a sequência dos atos processuais, que acabam por tomar rumo diverso daquele referente à análise da conduta que se pretendeu imputar na autuação (proc. jud. de outro CNPJ).” (Acórdão n. 3403002.258, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24.abr.2013) Contudo, no presente caso não há propriamente nulidade, pois a defesa foi exercida a contento, afastando exatamente a única conduta imputada na autuação (“Comp c/ DARF c/ Proc. Jud.”/“Proc. jud. não comprova”), pelo que se defende que a autuação deve ser tida como improcedente, e não nula, seguindose a linha do julgamento aqui citado, adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, cancelando a autuação. Rosaldo Trevisan Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 11080.004174/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. CONTRIBUINTE RESIDENTE NO PAÍS.
Comprovado que o contribuinte, residente no país, auferiu rendimentos no exterior, sujeitos à incidência do imposto de renda, que não foram oferecidos à tributação, deve ser mantido o lançamento.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
Numero da decisão: 2201-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia (Relatora), Odmir Fernandes e Guilherme Barranco de Souza, que deram provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 270.000,00. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Assinado digitalmente
WALTER REINALDO FALCÃO LIMA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH, ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado) e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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TRIBUTAÇÃO. CONTRIBUINTE RESIDENTE NO PAÍS. Comprovado que o contribuinte, residente no país, auferiu rendimentos no exterior, sujeitos à incidência do imposto de renda, que não foram oferecidos à tributação, deve ser mantido o lançamento. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia (Relatora), Odmir Fernandes e Guilherme Barranco de Souza, que deram provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 270.000,00. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 41 74 /2 00 7- 08 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 2 Assinado digitalmente WALTER REINALDO FALCÃO LIMA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH, ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado) e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls. 04 e 05) de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF – sobre omissão de rendimentos e ganho de capital em moeda estrangeira, cujo principal é R$ 325.752,21 acrescido de multa de ofício no valor de R$ 244.314,15, juros de mora no montante de R$ 210.444,59 e multa isolada de R$ 126.645,95, calculados até abril de 2007. O Contribuinte foi autuado por omitir rendimentos, com base na movimentação de recursos no exterior, nos montantes de US$ 109.960,00 (cento e nove mil novecentos e sessenta dólares americanos) e US$ 28.562,00 (vinte e oito mil quinhentos e sessenta e dois dólares americanos), totalizando US$ 138.522,00 (cento e trinta e oito mil quinhentos e vinte e dois dólares americanos) nos anoscalendário 2002/2003 e ganho de capital em moeda estrangeira no anocalendário 2002 no valor de US$ 6.744,61 (seis mil setecentos e quarenta e quatro dólares americanos e sessenta e um centavos). Tais rendimentos não foram oferecidos a tributação nas Declarações de Ajustes Anuais, informados como rendimentos isentos e nãotributáveis. A fiscalização aponta que o Contribuinte auferiu rendimentos no exterior que não foram tributados no Brasil. Tais rendimentos têm origem em depósitos e ordens de pagamentos efetuados em instituições no exterior em benefício do Contribuinte. De acordo com o relatório da fiscalização (fls 06 a 20), o Contribuinte não logrou êxito em provar que tais valores não se tratavam de rendimentos não sujeitos à tributação no Brasil. Desta feita, tendo em vista que o Contribuinte não pagou IRPF (carnêleão) no Brasil sobre tais rendimentos, a fiscalização autuou os valores, bem como impôs multa isolada de 50% na forma do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A fiscalização também autuou o Contribuinte por não ter oferecido à tributação no Brasil o ganho de capital auferido na liquidação ou resgate de aplicações financeiras realizadas com rendimentos originariamente auferidos em moeda estrangeira. O Contribuinte atendeu aos pedidos de intimação fiscal efetuado pelo agente autuante durante o processo de fiscalização. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Processo nº 11080.004174/200708 Acórdão n.º 2201002.282 S2C2T1 Fl. 3 3 Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou tempestivamente Impugnação em 02/07/2007 (fls. 211) com pedido de nulidade do auto de infração, alegando em síntese: · quanto a omissão de rendimentos no valor de US$ 69.980,00, alega o impugnante que a remessa que deu origem ao lançamento foi feito pela pessoa jurídica DUNGA EMPREENDIMENTOS, PROMOÇÕES E MARKETING LTDA, CNPJ n° 04.583.566/0001 44, logo, não pode ser atribuída à pessoa física do titular. Anexa Extrato Unificado do Banco do Brasil S/A, relativo ao mês de novembro de 2002, onde consta o resgate de US$ 70.000,00 em 25/11/2002 da conta bancária n°7860000 (pessoa jurídica). · quanto a omissão dos rendimentos decorrentes dos depósitos na conta poupança n° 6147219 mantida pelo impugnante no Banco do Brasil S.A. em Tóquio no Japão, efetuados em 01/07/2002, 30/09/2002 e 30/12/2002, decorrem de reembolso de pagamentos efetuados pelo atleta "Dunga" em 03/06/1998, 30/09/1998 e 30/12/1998 a sociedade IMAGE PROMOTION COMPANY, com sede na cidade de Monte Carlo, no Principado de Mônaco, por exigência da YAMAHA FOOTBALL CLUB CO. LTD, sediada em Iwata, Shizuoka, no Japão. Anexa correspondência do Diretor da sociedade (fl. 215) e conclui que a origem dos depósitos no montante de US$270.000,00 correspondem a devolução das liquidações efetuadas pelo autuado por conta e ordem da YAMAHA FOOTBALL CLUB CO. LTD e, portanto, tratase de reposição patrimonial. Aduz que tais rendimentos não podem ser tipificados como rendimentos sujeitos a tributação pelo IRPF por força do disposto no artigo 43 do CTN c/c artigo 37 do Decreto n° 3.000/99 (RIR). · quanto a omissão de ganho de capital em moeda estrangeira lançado com base nos extratos bancários e da liquidação e resgate de aplicações, ocorrido em 08/07/20002 alega que a operação foi tributada na fonte, conforme legislação tributária aplicável e vigente no Japão, conforme extratos da conta bancária do autuado (fls. 219 a 226) especificando as aplicações, rendimentos e retenções do Imposto de Renda IR e Imposto Local IMP LOC. Aduz, ainda, que os ganhos correspondem ao valor de US$ 6.352,86 e não US$ 6.744,61 de acordo com o disposto no parágrafo único do artigo 15 da Instrução Normativa SRF n° 118/2000, conforme demonstrativo das folhas 198 e 199. Conclui que o valor auferido como Ganho de Capital em Moeda Estrangeira foi de US$ 6.352,86, considerandose os resgates em 04/03/2002, 04/06/2002 e 08/07/2002. Aduz, ainda, que os rendimentos foram tributados na fonte a alíquota de 15%, conforme legislação vigente no Japão e que este país, mantém tratado com o Brasil para evitar a dupla tributação. Conclui que o auto de infração é nulo por conter incorreções no período, no valor do rendimento auferido, na data do fato gerador e por não deduzir o IR. Admite que o correto seria o lançamento da diferença entre o devido e o retido nos termos do parágrafo único do artigo 15 da N/SRF n° 118/2000, conforme demonstra (fl. 202). A 7ª Turma da DRJ/POA julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado sua decisão (fls. 235 a 245) nos seguintes aspectos, conforme destacado da ementa do acórdão: · O beneficiário do pagamento decorrente da exploração do direito de imagem, direito personalíssimo, é a pessoa física, independendo de intermediação feita por pessoa jurídica. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 4 · Mantémse o imposto sobre a omissão de rendimentos quando o contribuinte, intimado a comprovar a origem de recursos depositados em conta poupança, não o faz até o prazo final para impugnação do lançamento fiscal. Cabe ao interessado a prova dos fatos que venha a alegar em sua impugnação, a qual deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. · São tributáveis os ganhos de capital em moeda estrangeira observadas eventuais convenções para evitar dupla tributação. Desta feita, a DRJ cancelou o imposto de renda relativo ao ganho de capital em liquidaçã/resgate de aplicação em moeda estrangeira no valor de R$ 2.903,85 (dois mil novecentos e três reais e oitenta e cinco centavos), por entender que o imposto de renda pago no Japão sobre o referido de ganho de capital é passível de compensação no Brasil em face do Acordo Internacional para evitar a duplatributação da renda firmado entre Brasil e Japão, bem como com base na legislação interna brasileira (art. 19 da IN/SRF nº 118/00), mantendo o lançamento nos demais aspectos. Tomando ciência da decisão de primeira instância em 13/08/2011, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/09/2011 (fls. 259 a 276), reiterando os argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Conheço do recurso, pois é tempestivo e goza dos demais requisitos de admissibilidade. 1. Da remessa efetuada para crédito da LESPAN S/A O Contribuinte alega que o valor de US$ 69.980,00 remetido a empresa LESPAN/SA (Uruguai) por meio da conta do Banco do Brasil – Agência Tóquio foi efetuada pela pessoa jurídica DUNGA EMPREENDIMENTOS, PROMOÇÕES E MARKETING LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 04.583.566/000144 e não pela pessoa física do Contribuinte (CARLOS CAETANO BLEDORN VERRI). Complementa no sentido de que a pessoa jurídica tem personalidade jurídica própria e distina da pessoa física, portanto houve erro de identificação do sujeito passivo pela fiscalização, tendo em vista que o remetente dos valores não foi o Contribuinte, mas sim pessoa jurídica. Alega que ocorreu erro de fato ao ser identificado o nome do Contribuinte como remetente dos valores nos documentos apresentados pela instituição financeira. Também apresenta saída de numerário no montande de US$ 70.000,00 da conta da pessoa jurídica no Banco do Brasil – agência Tóquio que indica se referirem ao montante de US$ 69.980,00 remetido a LESPAN/SA. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Processo nº 11080.004174/200708 Acórdão n.º 2201002.282 S2C2T1 Fl. 4 5 A decisão da DRJ manteve o lançamento nesse aspecto, em suma por entender que o extrato bancário da pessoa jurídica não é documento suficiente para provar que essa fora a remetente do numerário, bem como que o valor apresentado no extrato da pessoa jurídica US$ 70.000,00 difere do valor remetido US$ 69.980,00 e que o ordenante do pagamento a LESPAN/SA foi o Contribuinte (pessoa física) e não a pessoa jurídica. A matéria ora em análise restringese à análise das provas apresentadas pela fiscalização e pelo Contribuinte com vistas a aferir se a remetente do montante de US$ 69.980,00 foi a pessoa jurídica ou o Contribuinte (pessoa física). Em análise da documentação juntada aos autos (fls. 105 a 108) verificase que o Contribuinte (pessoa física) aparece como ordenante do pagamento de US$ 69.980,00 à empresa LESPAN/SA. Tal prova fora obtida no âmbito das investigações promovidas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito CPMI do Banco do Estado do Paraná Banestado, instituída pelo Congresso Nacional para verificar possíveis desvios de recursos praticados pelo banco, através de sua agência em Nova Iorque/EUA. As informações sobre as movimentações efetuadas pelo Contribuinte decorrem da quebra de sigilo das contas MTBCBC Hudson Bank, SAFRA e LESPAN TBL, decretada pelo Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, conforme decisão proferida no processo n° 2004.70000082670 em 29/04/2004. Tal decisão autorizou o compartilhamento do material fornecido pelo governo americano com a Receita Federal do Brasil, BACEN e COAF. A alegação do Contribuinte no sentido de o extrato da pessoa jurídica apresentar na mesma data da remessa a LESPAN/SA uma saída no valor US$ 70.000,00 (fls. 221) não tem o condão de justificar que a origem da remessa partiu da pessoa jurídica. Apesar de restar justificada que a diferença de US$ 20,00 entre o valor debitado no extrato da pessoa jurídica (US$ 70.000,00) e o montante que restou remetido (US$ 69.980,00) referese a tarifas bancárias (fls. 106), não há correlação de que o valor debitado no extrato da pessoa jurídica é o valor remetido a LESPAN/SA. O Contribuinte argumenta que do extrato de sua conta bancária (pessoa física) no Banco do Brasil – agência Tóquio na data da remessa do valor de US$ 69.980,00 a LESPAN/SA não há débito de mesmo valor (ou equivalente). Logo, pondera que apesar de constar seu nome como ordenante do pagamento, não foi ele (pessoa física) que remeteu o valor por não constar débito de igual valor em sua conta corrente no Banco do Brasil – agência Tóquio. Em que pese a argumentação do Contribuinte, o fato de não haver débito em sua conta bancária do Banco do Brasil na agência Tóquio no período da remessa a LESPAN/SA e de igual valor não indica que o Contribuinte não fora o remetente do valor de US$ 69.980,00. Isso porque o numerário pode ter sido transacionado por outra forma que não por meio de sua conta bancária, pode ter havido a remessa em espécie ou o débito da conta Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 6 corrente da pessoa jurídica em benefício da pessoa física, fato que acaba por reforçar a linha de que o remetente dos valores é a pessoa física. A prova documental que indica o ordenante da remessa é bastante robusta, devendo existir fortes e claros indícios de que ocorreu erro de fato na indicação do ordenante para que essa prova seja desconstituída. Se realmente ocorreu um erro de fato quando do preenchimento da ordem de pagamento a LESPAN/SA, o Contribuinte deveria ter solicitado documentação junto a instituição financeira remetente (Banco do Brasil – agência Tóquio) justificando e retificando o erro de fato ocorrido. Ou seja, a instituição financeira remetente deveria afirmar que o real remetente do valor fora a pessoa jurídica e não a pessoa física. Em face do conjunto probatório juntado aos autos, entendo que o Contribuinte não logrou êxito em apresentar prova contundente que elidisse a indicação do mesmo como remetente (ordenante) do pagamento do valor de US$ 69.980,00 a empresa LESPA/SA. Neste sentido, o referido valor deve ser imputado como rendimento tributável da pessoa física, restando acertado o lançamento da fiscalização. 2. Direito de Imagem – Reembolso de Pagamento O Contribuinte alega que os depósitos efetuados em sua conta ourodólar no Banco do Brasil na datas de 01/07/2002, 30/09/2002 e 30/12/2002, respectivamente, cada um no valor de USS 90.000.00 (noventa mil dólares norteamericanos), perfazendo o montante de USS 270.000,00 (duzentos e setenta mil dólares norteamericanos) referemse a devolução de empréstimos de dinheiro, em espécie, moeda estrangeira, por ele, nos dias 30/06/1998, 30/09/1998 e 30/1271998, efetuados à pessoa jurídica denominada como YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD., sociedade estrangeira, com sede e foro na cidade de Iwata, Shizuoka no Japão e, por se tratar de devolução de empréstimo não representariam acréscimo patrimonial, mas sim recomposiçao patrimonial, não consituindo fato gerador do IRPF. Argumenta ainda que no ano de 1998 o Contribuinte era jogador profissional contratado pelo YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD. e seu direito de imagem era cedido a empresa IMAGE PROMOTION COMPANY, com sede e foro na cidade de Monte Carlo no Principado de Mônaco. Com vistas a comprovar a entrega do numerário no ano de 1998 a YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD., o Contribuinte junta três (03) recibos sem número, datados de 30/06/98, 30/09/98 e 30/12/98, respectivamente, no valor de US$ 90.000,00 cada, em nome de IMAGE PROMOTION COMPANY, pessoa jurídica com sede em Mônaco, assinados por Patrizia Pighini, na qualidade de Administradora delegada da citada empresa (fls. 142 a 144). Também apresenta Confissão de Dívida (fls. 222) na qual o Sr. Shizuo Tsuji Diretor Executivo da YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD. autoriza o Contribuinte a liquidar por conta e ordem da YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD., o valor que esse clube deve a IMAGE PROMOTION COMPANY em razão de direito de imagem do Contribuinte. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Processo nº 11080.004174/200708 Acórdão n.º 2201002.282 S2C2T1 Fl. 5 7 A DRJ manteve o lançamento nesse aspecto sob a alegação que por se tratar de direito de imagem (direito personalíssimo) apenas a pessoa física (Contribuinte) pode ser beneficiária de tais rendimentos. Complementa que o Contribuinte pretende comprovar que se os depósitos em questão tratamse de reembolso de valores anteriormente adiantados a YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD., porém não logra êxito em comprovar a origem dos rendimentos e tampouco o adiantamento em si. Mais uma vez a matéria aqui analisada referese ao convencimento do conjunto probatório apresentado pelo Contribuinte e pela fiscalização. Em resumo, a fiscalização alega que os depósitos que totalizam US$ 270.000,00 na conta bancária do Contribuinte referemse a rendimentos auferidos no exterior e, portanto sujeitos à tributação no Brasil. Com vistas a elidir essa tributação, o Contribuinte argumenta que não se trata de acréscimo patrimonial, mas sim de devolução de empréstimo em espécie efetuado em 1998 a YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD., clube com o qual mantinha vínculo empregatício. O Contribuinte não nega a existência dos depósitos. Para comprovar que se trata de devolução de empréstimo apresenta recibos em idioma Português datados de 1998 pela empresa IMAGE PROMOTION COMPANY. Também junta Confissão de Dívida firmada por dirigente da YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD. autorizando o Contribuinte a pagar valores a IMAGE PROMOTION COMPANY por conta e ordem do clube. O Contribuinte alega que não reportou essa dívida na sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física do anocalendário de 1998, porque era nãoresidente fiscal e, portanto, desobrigado a apresentar a referida declaração. Porém, a partir do momento que retornou a condição de residente fiscal e, é certo que em no anocalendário de 2002, o Contribuinte era residente fiscal, pois apresentou declaração, a dívida, se ainda existente e, o era, pois apenas foi quitada no decorre do ano de 2002, deveria ter sido reportada na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física com saldo de abertura na data da reaquisição da condição de residente fiscal. Notese que o Contribuinte assim não procedeu. Apesar de algumas características das provas trazidas pelo Contribuinte poderem causar estranheza, como o fato de: (i) os recibos firmados por uma empresa sediada em Mônaco restarem firmados em idioma português, (ii) o empréstimo, apesar de seu valor elevado ter sido concedido em moeda estrangeira em espécie e (iii) o prazo de pagamento ser de quase 04 (quatro) anos sem correção de juros, tais especificidades não possuem o condão de afastar as provas colacionadas aos autos. Desta forma, considerando as provas juntadas aos autos, verificase que assiste razão ao Contribuinte ao defender que não se trata de acréscimo patrimonial, mas sim de devolução patrimonial. Isso porque resta esclarecido que o valor adiantando (“emprestado”) pelo Contribuinite a empresa IMAGE PROMOTION COMPANY foi efetuado por conta e Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 8 ordem da YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD., conforme disposto na Confissão de Dívida apresentada. Assiste razão e lógica o adiantamento ter sido efetuado por conta e ordem. Isso porque a YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD. era empregadora do Contribuinte à época (1998) e devia pagar o direito de imagem ao Contribuinte (jogador) que restava cedido a empresa IMAGE PROMOTION COMPANY, tendo em vista que o clube usufruía da imagem do Contribuinte. Logo, ao invés da YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD. pagar diretamente em 1998 o direito de imagem do jogador à empresa IMAGE PROMOTION COMPANY, restou acertado que o Contribuinte adiantaria esse valor por conta e ordem da YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD. que posteriormente o ressarciria. Em relação ao argumento da DRJ de que por se tratar de direito de imagem e, por consequência personalíssimo, esse apenas poderia ser rendimento para pessoa física e não de pessoa jurídica, permanece válido. Porém, não em relação à operação descrita na autuação. A partir do momento que o direito de imagem pode ser cedido para um terceiro e explorado economicamente por esse terceiro, a contraprestação deste terceiro para com o titular do direito (pessoa física) com vistas a remunerar a cessão do direito de imagem que resta caracterizada como rendimento para a pessoa física. No caso em questão, tratase de relação entre 02 (duas) pessoas jurídicas distintas. Logo, apesar de se entender que a YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD. esteja pagando a IMAGE PROMOTION COMPANY pelo direito de imagem, na verdade o pagamento é pelo USO do direito de imagem e não pelo direito de imagem em si, pois esse último apenas pode ser remunerado ao seu titular (pessoa física). Logo, diante das provas apresentadas, a quantia de US$ 270.000,00 depositada na conta bancária do Contribuinte se trata de devolução de empréstimo e não de acréscimo patrimonial. Neste sentido, não restam caracterizados os referidos depósitos como renda auferida pelo Contribuinte no exterior, devendo ser excluído o lançamento nesse aspecto. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, com vistas a excluir da base de cálculo o valor de US$ 270.000,00 referente aos depósitos efetuados pela YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD. na conta bancária do Contribuinte. Assinado digitalmente Nathália Mesquita Ceia Voto Vencedor Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Redator designado. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Processo nº 11080.004174/200708 Acórdão n.º 2201002.282 S2C2T1 Fl. 6 9 Em que pese o bem elaborado voto da nobre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à exclusão da tributação do valor de US$ 270.000,00, correspondente a R$ 925.677,00 – conforme Relatório de Ação Fiscal (fls. 16) – lançado como omissão de rendimentos auferidos no exterior. A discussão relativa à matéria restringese à análise das provas apresentadas. Vale lembrar que, conforme disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. O Contribuinte alega que a quantia tributada se refere à devolução de empréstimo em espécie, efetuado em 1998 a YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD, clube com o qual mantinha vínculo empregatício. Intimado a comprovar essa operação, o Contribuinte juntou documentos, que não foram considerados como prova do alegado, pela autoridade lançadora. O Recorrente junta três recibos, cada um no valor de U$ 90.000,00, (fls. 216 a 218), para provar que teria realizado empréstimo no valor de R$ 270.00,00 em 1998 à empresa IMAGE PROMOTION COMPANY, e que, assim, a mesma quantia, recebida em 2002, corresponderia à devolução do empréstimo. Essa empresa seria detentora dos seus direitos de imagem e o valor teria sido emprestado a ela, por conta e ordem da empresa YAMAHA. Cumpre assinalar que o recibo em si é um documento particular, com efeito apenas entre as partes. Não é válido, porém, em si mesmo, contra terceiros, como prova dos fatos que atesta, cabendo ao interessado, se necessário for, comprovar a veracidade do fato por meio de provas materiais. É o que estabelece o art. 368 do Código de Processo Civil: “Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato.” Foi apresentado, também, para comprovar o alegado, um documento expedido por YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD (fls. 215), autorizando o Contribuinte a efetuar a liquidação do montante de U$ 270.000,00, a título de pagamento dos direitos de imagem a que faz jus a sociedade IMAGE PROMOTION COMPANY, que se refere aos recibos citados. Entretanto, esse documento também não faz prova de que a operação em questão se trata de um empréstimo, como sustenta o Recorrente. Por fim, o requerimento de fls. 140 a 143, dirigido à 7a Vara Cível da Comarca de Porto Alegre, com data de 27/05/02, que seria constante do Processo n° 103855889, entre as pessoas jurídicas SPORT CLUB INTERNACIONAL e IMAGE Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA 10 PROMOTION COMPANY, qualificados como autor e ré, respectivamente, não prova que os valores relativos aos três recibos de U$ 90.000,00 seriam relativos a empréstimo realizado entre o Contribuinte e YAMAHA FOOTBALL CLUB CD. LTD. Em relação às mesmas características dos documentos apresentados pelo Contribuinte, que a Relatora considerou que “não possuem o condão de afastar as provas colacionadas aos autos”, entendo de forma contrária, de que tais aspectos constituem indícios veementes da inexistência da operação de empréstimo e, por conseguinte, da sua devolução. Reproduzo a seguir as citadas características: · os recibos firmados por uma empresa sediada em Mônaco restarem firmados em idioma português; · o empréstimo, apesar de seu valor elevado ter sido concedido em moeda estrangeira em espécie; e · o prazo de pagamento ser de quase 04 (quatro) anos sem correção de juros. Diante do exposto, os três (03) recibos sem número, datados de 30/06/98, 30/09/98 e 30/12/98 (fls. 216 a 218), respectivamente, no valor de US$ 90.000,00 cada, em nome de IMAGE PROMOTION COMPANY pessoa jurídica com sede em Mônaco, assinados por Patrizia Pighini, na qualidade de Administradora delegada da citada empresa, que seria detentora dos direitos de imagem do Recorrente não se prestam como prova do empréstimo alegado. Quanto à tributação de tais verbas, foi devidamente demonstrado no Relatório de Ação Fiscal de fls. 05 a 19 que os rendimentos recebidos se tratam de pagamento de direitos de imagem, que são personalíssimos – cujo entendimento compartilho e, portanto, devem ser tributados na pessoa física do beneficiário. Em suma, não havendo provas de que a quantia de U$ 270.000,00 se refere à devolução de empréstimo, ou que não está sujeita à incidência do imposto de renda, e sendo o contribuinte residente no país, correta a sua tributação como rendimentos auferidos do exterior. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, A ssinado digitalmente em 25/03/2014 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002369/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 2201-002.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
EDITADO EM: 24/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe (relator), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcão Lima (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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score : 1.0
Numero do processo: 19515.002189/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
Decadência.
Nos termos da Súmula Vinculante nº 8, o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991 é inconstitucional. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação é a do § 4º do artigo 150, caso o sujeito passivo tenha promovido a antecipação dos recolhimentos e não incorrido em dolo fraude ou simulação. Caso contrário, aplica-se a regra do art. 173, I do Código Tributário.
Ainda que tenha sido capitulada a exigência de multa agravada, restando superado o prazo de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual a exigência poderia ter sido formulada, forçoso é reconhecer a decadência., Aplicação da Súmula CARF nº 72.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3102-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o advogado Joaquim Barongeno, OAB/SP 11.133.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Nos termos da Súmula Vinculante nº 8, o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991 é inconstitucional. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação é a do § 4º do artigo 150, caso o sujeito passivo tenha promovido a antecipação dos recolhimentos e não incorrido em dolo fraude ou simulação. Caso contrário, aplicase a regra do art. 173, I do Código Tributário. Ainda que tenha sido capitulada a exigência de multa agravada, restando superado o prazo de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual a exigência poderia ter sido formulada, forçoso é reconhecer a decadência., Aplicação da Súmula CARF nº 72. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral o advogado Joaquim Barongeno, OAB/SP 11.133. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 89 /2 00 8- 69 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: 4. Trata o presente processo de Autos de Infração de fls. 104 a 106 e de fls. 115 a 117, lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, ciência em 17.06.2008 (fls. 104 e 115), constituindo crédito tributário de: i) COFINS (fls. 104 a 106) no valor total de R$ 32.827.570,94, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até 30.05.2008, referente aos períodos de 01.2000 a 12.2000, com enquadramento legal exposto às fls. 105/106; ii) PIS (fls. 115 a 117) no valor total de R$ 7.545.973,69, incluindose tributo, multa e juros de mora, estes calculados até 30.05.2008, referente aos períodos de 01.2000 a 12.2000, com enquadramento legal exposto às fls. 116/117. 5. Nos Termos de Verificação Fiscal de fls. 98/99 e de fls. 109/110 a autoridade fiscal autuante informa que: 5.1 Confrontando a planilha “Demonstrativo de Faturamento” (fls. 92), na qual consta o valor das exportações realizadas e que serviu para os trabalhos ao pleito relativo à crédito presumido de IPI, com os valores informados na DIPJ/2001 (ano calendário 2000), verificouse haver diferenças com os valores informados no item sobre receitas de exportações, sendo que esses valores foram considerados na composição da base de cálculo pra a apuração da COFINS e PIS devidos; 5.2 A empresa foi intimada e reintimada a apresentar documentos que comprovassem os valores apurados, referente às diferenças mencionadas (exportações), entretanto deixou de apresentar os referidos documentos; 5.3 Foi procedida verificações das demonstrações contábeis e fiscais da empresa e apurado o valor efetivo das exportações realizadas, conforme planilhas de fls. 96 (COFINS) e de fls. 108 (PIS). As diferenças apuradas entre os valores declarados na DIPJ como exportações e os valores efetivamente de exportações realizadas reduziram o valor da COFINS e PIS devidos. 6. Inconformada com os lançamentos, a interessada interpôs em 16.07.2008 a impugnação de fls. 120 a 138, acompanhada de documentos de fls. 139 a 148, onde alega, em síntese, o que se segue: 6.1 Realizado o evento tributável, o contribuinte efetua o lançamento, restando 5 anos para a autoridade administrativa homologálo expressamente, ou, passado esse lapso temporal, ocorre a homologação tácita e a conseqüente extinção do crédito tributário. Noutro giro, se o sujeito passivo não realizar o lançamento, os cinco anos para a constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública serão contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). Os créditos Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.002189/200869 Acórdão n.º 3102001.807 S3C1T2 Fl. 170 3 tributários objeto do lançamento (01.2000 a 12.2000) foram alcançados pela decadência; 6.2 Inaplicável o art. 45 da lei nº 8.212/91 tendo em vista a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal; 6.3 Em atendimento ao princípio da eventualidade, caso não seja acatada as alegações anteriores, requer que seja desconsiderada a multa aplicada com base no inciso II do art. 44 da lei nº 9.430/96; 6.4 Por fim, requer que as intimações sejam efetuadas e encaminhadas para o seu procurador. 7. É o relatório. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pelo afastamento integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 PIS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 INTIMAÇÕES. ENDEREÇO PARA RECEBIMENTO. As intimações e notificações, efetuadas por via postal, devem ser enviadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Lançamento Improcedente Dado que o montante exonerado é superior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, foi apresentado recurso de ofício. É o Relatório Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Penso que a decisão recorrida não merece reparos. Conforme consta do demonstrativo às fls. 100/101, a exigência fiscal litigiosa diz respeito a supostas diferenças entre a Cofins devida e efetivamente recolhida nos meses de 01/2000 a 31/12/2000. A ciência da contribuinte, por sua vez, ocorreu em 17/06/2008., conforme folha de rosto do auto de infração, à fl. 104. Assim sendo, apesar de hígido sob o prisma da lei que vigia à época da sua lavratura (art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991), com o advento da Súmula Vinculante nº 08, do Egrégio Supremo Tribunal Federal1, passou o julgador, administrativo ou judicial, a não mais poder apoiar sua decisão em tal dispositivo. Nessa ordem de consideração, a decadência do lançamento do Cofins passou a ser disciplinada pelo arcabouço normativo que rege os demais tributos: os artigos 150, § 4º2 e 173, I3 do Código Tributário Nacional, conforme tenha havido ou não antecipação do recolhimento ou apontada a presença de dolo fraude ou simulação. À luz de tais dispositivos, resta evidente que, quando da efetivação do lançamento, a possibilidade de se adotar tal medida já se encontrava fulminada pela decadência, ainda que a autoridade fiscal tenha imputado multa de 150%, capitulada no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 19964. Quanto a esse aspecto, há que se relembrar da dicção da Súmula CARF nº 72, assim redigida.. Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. A partir desse norte interpretativo, se considerado que a última competência fiscalizada foi 12/2000, cujo pagamento deveria ocorrer em 15/01/2001, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que se poderia realizar o lançamento seria 01/01/2002 e o termo ad quem do prazo decadencial, 31/12/2006. Se o auto de infração só se aperfeiçoou em 17/06/2008, data em que ocorreu a ciência da contribuinte, forçoso é reconhecer a decadência integral do lançamento. Ante a tais considerações, nego provimento ao recurso de ofício. 1 Súmula vinculante n°8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1 977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. 2 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 3 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 4 Vide demonstrativos às fls. 101 a 102 e 106 (numeração digital) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.002189/200869 Acórdão n.º 3102001.807 S3C1T2 Fl. 171 5 Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 178DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 6/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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