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Numero do processo: 19515.721766/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo intime o recorrente para que comprove que a Sra. Adriana Bozon era co-titular da conta bancária Itaú ag. 3758 c/c 25716-0, nos anos calendário de 2007 e 2008.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ACIMA DO LIMITE DO LUCRO PRESUMIDO Recorrentes NELSON ALVARENGA FILHO FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, para que a unidade responsável pela administração do tributo intime o recorrente para que comprove que a Sra. Adriana Bozon era cotitular da conta bancária Itaú ag. 3758 c/c 257160, nos anos calendário de 2007 e 2008. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário de fls. 1065/1111, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 1034/1058, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 785/796, lavrado em 07/11/2011, relativo aos anoscalendário 2007 e 2008, com ciência do RECORRENTE em 8/11/2011 (fl. 797). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 21 76 6/ 20 11 -1 1 Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 19515.721766/201111 Resolução nº 2201000.335 S2C2T1 Fl. 1.197 2 O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por rendimentos excedentes ao lucro presumido pagos a sócio ou acionista, ausência de recolhimento de ganho de capital pela alienação de imóvel e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, no valor de R$ 9.579.065,94, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF acostado às fls. 741/746, constatase que o lançamento decorreu da análise da documentação encaminhada pelo RECORRENTE durante a fiscalização, em especial os extratos bancários relativos às contas mantidas pelo contribuinte junto ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, HSBC Bank Brasil, Banco Múltiplo, Banco BTG Pactual, Banco Itaú e Banco Itaú Unibanco. Omissão de Rendimentos caracterizado por depósito bancário sem origem comprovada Segundo a autoridade fiscalizadora, durante o procedimento fiscal o contribuinte não logrou em comprovar a origem de parte dos valores depositados nas seguintes contas: · Banco do Brasil S/A AG 03859 c/c 5013666 (ano calendário 2007 e 2008) · Banco Itaú S/A AG 3001c/c 52012 (ano calendário 2008) AG 3758 c/c 257160, 474419 e 448009 (anos calendário 2007 e 2008) · HSBC Bank Brasil S/A – Banco Múltiplo extratos de conta corrente nº 19690702354 (2007 e 2008), conta investimento nº 19690702354 (2007) e conta corrente 19401781110 (2007 e 2008) Em razão da ausência de comprovação da origem de parte dos créditos, a fiscalização elaborou os seguintes demonstrativos: Anexo I — Demonstrativo de Depósitos Bancários com comprovação de origem;(fls. 747/762) Anexo II — Demonstrativo Bancários sem comprovação de origem; (fls. 763/777) Anexo III – Depósitos Bancários (total mensal) sem comprovação de origem, (fls.778/779) Rendimentos excedentes ao Lucro Presumido pagos a sócio – anos calendário 2007 e 2008. O RECORRENTE recebeu rendimentos isentos a título de distribuição de lucros da empresa Ellus Propaganda ltda CNPJ nº 55.644.363/000151 (optante pelo lucro presumido). Os rendimentos distribuídos superaram o lucro presumido (menos impostos) declarado pela empresa. Contudo, os Livros Diários dos anos de 2007 e 2008 foram registrados na JUCESP apenas em 03/06/2011; ou seja, em data posterior a de apresentação da Declaração de Informações Econômicas Fiscais da PJ e depois do início da fiscalização, não cumprindo a formalidade obrigatória de prévia autenticação dos Termos de abertura e encerramento em órgão de registro próprio em época própria. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 19515.721766/201111 Resolução nº 2201000.335 S2C2T1 Fl. 1.198 3 Sendo assim, foi elaborada tabela (anexo IV – fls. 780/781) demonstrando que a distribuição de lucros em 2007 e 2008 não poderia ser superior a R$ 858.827,72 e R$ 146.927,29 (lucro presumido menos impostos) em cada ano. Desta forma, a parcela excedente foi considerada rendimento tributável e foi incluída na base de cálculo do imposto de renda. Do Ganho de Capital – ano calendário 2008 Em virtude da alienação do apartamento nº 221, situado na Rua Peixoto Gomide, 1300, Cerqueira César, São Paulo/SP, o RECORRENTE auferiu ganho de capital. Acontece que o custo de aquisição informado pelo RECORRENTE foi de R$ 1.107.149,15 (foi recolhido R$ 18.557,11 de IR na época), ao passo em que a autoridade fiscalizadora entendeu como custo de aquisição o valor de R$ 61.049,24, o que, consequentemente, totalizaria o imposto a recolher no valor de R$ 88.154,55. Assim, o valor da diferença de imposto a recolher foi calculada em R$ 69.597,44 (R$ 88.154,55 – R$ 18.557,11). Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 800/818 em 8/12/2011. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Cientificado do Auto de Infração em 08/11/2011, o Contribuinte apresentou, em 08/12/2011, a impugnação de fls. 800/818, instruída com documentos de fls. 819/1029, na qual traz as alegações a seguir sintetizadas. Quanto aos depósitos bancários, diz que parte das origens não foi comprovada no curso da ação fiscal porque a Autoridade Fiscal desconsiderou documentos e explicações fornecidas, bem como pela sua não compreensão dos exatos termos das intimações recebidas. Reclama que o depósito no valor de R$100.000,00, em 15/08/2007, na conta do HSBC, não existe. Acrescenta que foram incluídos outros depósitos cuja origem restou, no seu entendimento, comprovada. Ressalta que movimentou, nos dois anoscalendários, cerca de setenta milhões de reais e que, ao final da fiscalização, restou sem comprovação menos de 10% desse valor. Com sua impugnação, aduz restar comprovada a origem de 95% dos depósitos lançados. Indica a juntada de planilhas, individualizada por instituição financeira e conta bancária, com a justificativa e documentação correspondente a cada um dos depósitos. Aponta justificativas para alguns depósitos, conforme segue: Ano de 2007 Banco do Brasil, Ag.0385, conta corrente 501.3666 – diversos depósitos se referem a sua participação na venda de terreno, conforme Instrumento Particular de Promessa de Cessão de Direitos de Domínio Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 19515.721766/201111 Resolução nº 2201000.335 S2C2T1 Fl. 1.199 4 Útil, de 19/12/2006, e Contrato de Sociedade em conta de participação em empreendimento imobiliário, celebrado em 01/03/2005; Banco Itaú, ag. 3758, conta 44800 (conjunta) depósito de R$40.000,00, em 12/01, foi efetuado por Américo Bréia, cotitular da conta, conforme extrato da conta Itaú, agência 350, conta 151049. depósito de R$42.000,00, em 10/08, correspondeu à devolução do valor da nota fiscal no 6570, paga em duplicidade. afirma que os demais depósitos correspondem à receita da atividade rural, mas que não logrou procurar os referidos comprovantes; Banco Itaú, ag. 3758, conta 257160 depósito de R$1.200, 00, em 21/03, corresponde a uma transferência de conta poupança; depósito de R$2.638,00, em 10/05, teve origem em sua conta no Banco do Brasil; depósito de R$24.185,00, em 27/08, corresponde a pagamentos de dividendos pela Sociedade Ellus Propag Ltda, conforme consigna razão analítico juntado; quanto aos demais depósitos, não logrou procurar os comprovantes, tendo em vista seu reduzido valor, o que, segundo aduz, é admitido na legislação. Banco Itaú, ag. 3758, conta 474419 (conjunta) depósito de R$43.014,23, em 01/10, corresponde à parte do recebimento da venda de gado a Helio José, conforme nota fiscal no 136, em anexo; Banco HSBC, conta investimento/conta corrente 19690702354 os valores depositados correspondem à transferência de sua conta no Banco do Brasil e da conta do fundo de investimento em ações (FIA) Mistyque, conforme extratos bancários juntados; o depósito de R$100.000,00, em 25/05, corresponde a pagamento de dividendos pela Sociedade Ellus Propag Ltda, conforme analítico; inexiste o depósito de R$100.000,00, em 15/08, apontado na autuação e já tratado em sua defesa; Banco HSBC, conta investimento/conta corrente 19401781110 o valor depositado corresponde à transferência da conta do fundo de investimento em ações (FIA) Mistyque, conforme extratos bancários juntados; Ano 2008 Banco do Brasil, Ag.0385, conta corrente 501.3666 Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 19515.721766/201111 Resolução nº 2201000.335 S2C2T1 Fl. 1.200 5 correspondem, em sua maioria, a transferências da conta do fundo de investimento em ações (FIA) Mistyque, conforme extratos bancários juntados; depósito de R$15.126,00, em 26/05, previdência do Itaú; depósito de R$1.620,00, em 21/05, dividendos distribuídos pela Ceripa; receitas da atividade rural; depósito de R$10.640,00, em 10/07, transferência efetuada por Américo Breia, da conta Itaú, agência 350, conta 151049; depósitos de R$331.877,52, em 05/08, e de R$31.070,00, correspondem a transferências da conta para a conta corrente, dentro desse mesmo banco; Banco Itaú, ag. 3758, conta 44800 (conjunta) depósito de R$50.000,00, em 11/01, foi efetuado por Américo Bréia, cotitular da conta, conforme extrato da conta Itaú, agência 350, conta 151049. depósito de R$177.249,00, em 13/06, correspondeu à venda de gado, conforme nota fiscal no 3656; Banco Itaú, ag. 3758, conta 257160 depósito de R$25.000,00, em 22/01, corresponde a pagamento de dividendos pela sociedade Ellus Propag Ltda, conforme razão analítico em anexo; os demais depósitos são oriundos de sua conta no Banco do Brasil; Banco Itaú, ag.3001, conta 52012 os depósitos são oriundos de sua conta no Banco do Brasil; Banco Itaú, ag. 3758, conta 474419 (conjunta) depósito de R$50.000,00, em 21/01, corresponde a pagamento de dividendos pela sociedade Ellus Indústria (Wishful Boys Adm. De Bens e Partic. Ltda), conforme Diário em anexo; depósito de R$5.310,00, em 10/03, corresponde à nota fiscal 139744, paga em 10/03 e devolvida em 27/03; depósito de R$80.000,00, em 03/11, foi efetuado por Antonio Breia, cotitular da conta; quanto aos demais depósitos, não logrou procurar os comprovantes, tendo em vista seu reduzido valor, o que, segundo aduz, é admitido na legislação. Banco HSBC, conta corrente 19690702354 os valores depositados correspondem a transferências da conta corrente para a conta investimento; Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 19515.721766/201111 Resolução nº 2201000.335 S2C2T1 Fl. 1.201 6 Banco HSBC, conta corrente 19401781110 os valores depositados correspondem a transferências da conta do fundo de investimento em ações (FIA) Mistyque para o impugnante. Reproduz ementas de julgados administrativos para defender a exclusão da tributação dos depósitos identificados. Quanto aos depósitos restantes, defende que devem ser excluídos em observância ao disposto no artigo 42, §3o, da Lei no 9.430, de 1996. Acrescenta que esses depósitos representam menos de 5% de toda sua movimentação bancária, que, segundo defende, estão dentro do limite do razoável, considerando o espírito da lei e a sua situação econômica. Aponta que, à exceção dos depósitos no Banco Itaú, no ano de 2008, os demais depósitos indicados como “não procurados” têm valores individuais inferiores a R$12.000,00 e seu somatório no ano não ultrapassa R$80.000,00. Quanto à tributação dos dividendos distribuídos, reclama que a Autoridade Fiscal fundamenta a autuação no artigo 663 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda (RIR), cuja base legal encontrase revogada. Reproduz o artigo 10 da Lei no 9.249, de 1995, acerca da tributação dos lucros ou dividendos distribuídos por pessoas jurídicas e defende que a lei não traz qualquer limite ou condição para a não tributação desses rendimentos e nem atribui competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil para criar limitações. Também reclama que não consta que a lei tenha condicionado a isenção dos dividendos ao registro dos livros diário até determinada data. Aponta que tal exigência está posta na IN SRF no 11/96, que sequer foi apontada pela Autoridade autuante. Diz que a exigência foi fundamentada na IN SRF no 16/84, que se aplica para fins de apuração do lucro real, não se aplicando ao caso das pessoas optantes pelo regime de lucro presumido e muito menos com a tributação da pessoa física. Ainda que se admita que a distribuição de lucros isentos está condicionada à manutenção de escrituração fiscal regular, isso não quer dizer que exista um prazo fatal para o registro dos livros. Aduz que não há norma comercial ou fiscal nesse sentido. Defende que, se a pessoa jurídica demonstra por meio de documentação hábil e idônea a existência de lucros a distribuir, a fiscalização só poderia contestar tal apuração com provas concretas de que o lucro não foi o apontado. No caso, a exigência está fundamentada tão somente no atraso no registro dos livros. No tocante à apuração de ganho de capital, explica que adquiriu o imóvel em 1993, pelo equivalente a Cr$42.425.000.000,00. Diz que se esse valor for convertido para reais, pura e simplesmente, o custo de aquisição é de R$15.427,27, que, somado ao custo da Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 19515.721766/201111 Resolução nº 2201000.335 S2C2T1 Fl. 1.202 7 construção, resulta no valor de R$61.049,24, apontado pela Autoridade autuante. Reclama que, na autuação, não se considerou a existência de atualização monetária. Defende que, até dezembro de 1995, os valores dos bens na Declaração eram atualizados monetariamente, na forma da IN SRF no 84, de 2001. Com a utilização do índice referente ao mês de junho de 1993, data do “instrumento particular de promessa de cessão de direitos e obrigações de fração ideal de terreno e de contrato de construção por administração”, chegase ao valor de custo de R$1.399.232,20. Diz que o valor é superior ao registrado em sua Declaração de Ajuste, que foi o utilizado para fins de cálculo do ganho de capital. Assim, defende a improcedência da autuação e requer a restituição do valor pago a maior a título de imposto sobre ganho de capital. Ao final, protesta por todas as provas admitidas em direito, sobretudo a realização de diligências, perícias e a juntada de novos documentos. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 1034/1058): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a entrada em vigor da Lei no 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, somente quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. No caso, tendo ocorrido a comprovação da origem de parte dos depósitos considerados no lançamento, a base de cálculo do imposto deve ser alterada para retirar de seu cômputo estes rendimentos. IRPF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A SÓCIO POR PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO DO EXCEDENTE POR ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL REGULAR E TEMPESTIVA. A parcela de lucros que exceder ao cálculo do lucro presumido, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, somente poderá ser distribuída sem a incidência do imposto se efetivamente apurada em escrituração contábil regular e apresentada de forma tempestiva pela empresa. IRPF. GANHO DE CAPITAL. Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 19515.721766/201111 Resolução nº 2201000.335 S2C2T1 Fl. 1.203 8 O documento público emitido pelo competente Cartório de Registro de Imóveis é hábil para a comprovação do efetivo valor decorrente de operação imobiliária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ de origem julgou procedente em parte a impugnação, reconhecendo a origem de parte dos depósitos sem origem comprovada, quais sejam: NO ANOCALENDÁRIO 2007 (total excluído de R$ 1.161.454,25): · Depósito em 10/08, de R$42.000,00 (considerando que a participação do contribuinte na conta é de 50%, foi excluído da base de cálculo o valor de R$ 21.000,00); · Transferência de ContaPoupança de R$ 1.200,00 em 21/03; · Transferência de Conta de sua Titularidade do valor de R$ 2.683,00 em 10/05; · Transferências de ContasCorrentes e de Investimento nos valores de R$ 761.980,00, em 29/05, de R$358,25, em 08/11, e de R$409,72, em 01/02; · Várias transferências do Fundo Mistyque, no total de R$ 210.813,60; · Depósito Inexistente de R$ 100.000,00 apontado pela fiscalização como ocorrido em 15/08; · Exclusão dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, pois eles somam R$ 63.054,68 (valor integral dos depósitos, inclusive nas contas conjuntas); NO ANOCALENDÁRIO 2007 (total excluído de R$ 4.395.046,51): · Várias Transferências de Contas de Mesma Titularidade, no valor total de R$ 2.344.659,77; · Várias Transferências do Fundo Mistyque, no valor total de R$ 1.278,26; · Previdência Itaú, em 06/05, no valor de R$ 15.126,33; · Transferências entre ContaCorrente e Conta de Investimento, relativos aos depósitos de R$45.000,00, em 04/07, R$331.877,52, em 05/08, e de R$31.070,00, em 06/10; · Venda de Gado no valor de R$ 177.249,00, em 13/06 (considerando que a participação do contribuinte na conta é de 50%, foi excluído da base de cálculo o valor de R$ 88.624,50); Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 19515.721766/201111 Resolução nº 2201000.335 S2C2T1 Fl. 1.204 9 · Transferências entre Contas de Mesma Titularidade, no valor total de R$ 1.270.703,41; · Pagamentos de Dividendos por Ellus Indústria, de R$50.000,00, em 21/01 (considerando que a participação do contribuinte na conta é de 50%, foi excluído da base de cálculo o valor de R$ 25.000,00); · Transferência entre ContaCorrente e ContaInvestimento, no valor de R$ 166.783,76, em 04/12; · Exclusão dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, pois eles somam R$ 74.922,96 (valor integral dos depósitos, inclusive nas contas conjuntas). No que diz respeito ao ganho de capital apurado em 04/2008, a DRJ entendeu que deveria ser alterado o custo de aquisição do bem uma vez que que a Autoridade Fiscal não observou a previsão de atualização posta na IN SRF nº 84/2001, que caberia ser aplicada visto que o imóvel foi adquirido em 20/12/1994. Assim, o custo de aquisição inicialmente considerado de R$ 61.049,24 passou para R$ 76.445,33 (ao passo que o custo de aquisição declarado pelo contribuinte foi de R$ 1.107.149,15). Assim, exonerou parte do crédito tributário conforme tabela abaixo: Em razão da exoneração parcial, foi interposto recurso de ofício. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 16/10/2014, conforme AR de fl. 1063, apresentou o recurso voluntário de fls. 1065/1111 em 14/11/2014. Em suas razões, praticamente reiterou os argumentos da Impugnação e apresentou outros documentos reputados como essenciais pela DRJ para comprovação da origem dos depósitos sem suas contas bancárias. As alegações do contribuinte serão tratadas ao longo do voto. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 19515.721766/201111 Resolução nº 2201000.335 S2C2T1 Fl. 1.205 10 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Da Conversão do julgamento em diligência – Alegação de ausência de intimação dos co titulares de conta bancária Em análise ao Termo de Verificação Fiscal – TVF, constatase que a autoridade fiscalizadora tentou intimar o Sr. Américo Fernando R. Breia em 29/8/2011, não tendo sido tal intimação atendida (fls. 743/744). O AR relativo à intimação do Sr. Américo Breia encontrase acostado à fl. 65, e o mesmo atesta que a intimação ocorreu em 02/09/2011. Tendo vista que o Sr. Américo Breia, mesmo após intimado, deixou de se manifestar sobre os valores depositados nas contas que mantém em conjunto com o RECORRENTE, a autoridade fiscal utilizou a presunção de equidade estabelecida no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, imputando a divisão entre o total de rendimentos pela quantidade de titulares da conta. Por outro lado, o Termo de Verificação Fiscal sequer menciona que a conta Itaú 3758, c/c 25716 era mantida em cotitularidade com a Sra. Adriana Bozon. Neste sentido, não há nos autos qualquer comprovação de que a Sra. Adriana foi intimada pela fiscalização, sendo a sua participação fundamental para a persecução do direito constitucional a ampla defesa. Desta forma, a autoridade lançadora deveria ter intimado todos os cotitulares das contas bancárias analisadas. Tal tema encontrase pacificado neste Conselho, razão pela qual invoco o teor da Súmula CARF nº29: “Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Quanto a ausência de intimação da Sra. Adriana Bozon, em que pese o cheque apresentado pelo contribuinte (fl. 1152), o mesmo foi confeccionado em 09/2014, não servindo como prova documental de que a Sra. Adriana era, de fato, cotitular da conta nos anos calendário de 2007 e 2008. Porém, serve como indício da verossimilhança das alegações do RECORRENTE. Conclusão Desta forma, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal intime o RECORRENTE a fim de que ele comprove que a Sra. Adriana Bozon era cotitular da conta bancária Itaú ag. 3758 c/c 257160 nos anos calendário de 2007 e 2008. Em seguida, deve o processo ser devolvido ao CARF para apreciação do caso. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 1205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902643/2016-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 25/02/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.913
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 43 /2 01 6- 96 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13851.902643/201696 Acórdão n.º 3402005.913 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.386. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13851.902643/201696 Acórdão n.º 3402005.913 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13851.902643/201696 Acórdão n.º 3402005.913 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908441/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em discussão, emprego como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Juiz de Fora/MG quando da lavratura do acórdão n. 0936.804 (fls. 34/42), o que passo a fazer nos seguintes termos: Em análise no presente processo a DCOMP n° 01589.32666.150205.1.3.048350, transmitida pela contribuinte retro identificada em 15/02/2005, por meio da qual pretendeu a extinção de débito do IPI sob código 5123 no montante originário de R$2.066,91 do mês de dezembro/2004, tendo como lastro para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 08 44 1/ 20 09 -6 9 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10166.908441/200969 Resolução nº 3402001.750 S3C4T2 Fl. 58 2 crédito decorrente de pagamento indevido/a maior do IPI, no mesmo valor originário do crédito, recolhido por DARE (código 1097) em 10/01/2005. A análise da DCOMP do interessado se deu por via eletrônica, da qual resultou o despacho decisório de fl. 06, que reconheceu o crédito informado na DCOMP, mas homologou em parte a compensação declarada, fundamentando que o crédito reconhecido era insuficiente para quitar a integralidade do débito confessado na DCOMP. (...). O detalhamento relativo ao direito creditório reconhecido no despacho decisório acima se encontra na fl. 27. Cientificado do despacho decisório supra em 18/06/2009 (conforme consulta ao sistema Sucop Imagem — fl. 24), a interessada manifestou em 17/07/2009 sua inconformidade de fls. 01/04 nos termos transcritos abaixo: (...). 2. Devidamente processada, a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, conforme se observa da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 10/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. Os débitos declarados em DCOMP revestemse, nos termos da legislação tributária, do status jurídico de "débitos confessados" pelo sujeito passivo, ficando a parcela não compensada apta à cobrança executiva (§ 6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pelo art. 17 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Tal status jurídico de confissão de divida para os débitos declarados na DCOMP não possui caráter exclusivamente formal, assumido também uma conotação material, já que: 1) o débito declarado/confessado na DCOMP traduzse de imediato em crédito tributário da Unido dotado da presunção legal de certeza, liquidez, validade e eficácia, ficando, assim que transmitida a DCOMP e em razão da compensação nela declarada, extinto sob condição resolutória nos termos do § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 (incluido pelo art. 17 da Lei n° 10.637, de 2002); it) a DCOMP se conforma em titulo executivo extrajudicial relativamente aos débitos nela declarados/confessados e cuja compensação não foi homologada. O crédito tributário da Unido decorrente da confissão de divida declarada em DCOMP regularmente transmitida só tem a presunção legal de veracidade afastada pelo sujeito passivo transmitente se ele realizar a contento os procedimentos determinados na legislação de regência, dentre eles o cancelamento de DCOMP antes de ter tomado ciência do despacho decisório que apreciou a compensação declarada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10166.908441/200969 Resolução nº 3402001.750 S3C4T2 Fl. 59 3 Data do Fato Gerador: 10/01/2005 DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Desconsiderase o pedido de realização de diligência que se revelam prescindíveis ao deslinde e solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 48/52, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 5. Conforme se observa do recurso voluntário interposto, bem como da manifestação de inconformidade e, em especial, dos documentos com ela acostados (fls. 22/27), o presente caso se resume a discussão quanto a erro formal promovido pelo contribuinte quanto ao procedimento para a recuperação de valores supostamente pagos a maior por parte do contribuinte. Tal equívoco, por seu turno, é bem explicitado pela decisão recorrida nas seguintes passagens do voto: (...). No mérito, verificase que a interessada pretende, em síntese, que o débito originário do IPI de codificação 5123, referente ao período de apuração mensal dezembro/2004, cuja data de vencimento foi 14/01/2005 (conforme estabelecido pela agenda tributária indicada no Anexo do Ato Declaratório Normativo n° 97, de 24 de novembro de 20042), assim declarado/confessado na DCOMP n° 589.32666.150205.1.3.048350 transmitida em 15/02/2005, seja extinto integralmente com crédito seu decorrente de pagamento indevido do IPI de codificação 1097 realizado por DARF em 10/01/2005 no mesmo valor originário. A pretensão acima se funda na simples alegação da reclamante de que o IPI de código 1097 recolhido em 10/01/2005 era, na verdade, exatamente aquele de código 5123 que se visava extinguir na DCOMP, tendo ela apenas errado na identificação do tributo quando preenchera o DARF, bem no instrumento utilizado para correção desse erro: transmissão de DCOMP em vez de REDARF. (...). Por pertinente, vale destacar que, se o intento da interessada era corrigir informações constantes do DARF pelo qual recolhera o IPI de código 1097 em 10/01/2005, o procedimento correto que ela deveria ter tomado era protocolar perante a Receita Federal um REDARF com indicação das correções pretendidas no recolhimento efetuado, e, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10166.908441/200969 Resolução nº 3402001.750 S3C4T2 Fl. 60 4 ainda, antes da emissão do despacho decisório de fl. 06, ter cancelado a DCOMP transmitida. Mas nada disso foi efetuado pela interessada, tornandose preclusos os exercícios dos direitos a correções via REDARF ou a cancelamento da DCOMP transmitida. (...). 6. Da análise dos documentos acostados nos autos e, ainda, conforme constatado pela própria decisão recorrida, o que aconteceu aqui foi um erro no preenchimento da sua DCOMP decorrente da inexistência de emissão de um REDARF por parte do contribuinte, o qual teria por escopo ajustar os códigos de recolhimento do IPI pago em 10/01/2005. 7. Diante deste cenário fático e levando em consideração o princípio do formalismo moderado, resolvo baixar o presente caso em diligência para que, diante dos documentos já acostados nos autos e de outros que possam vir a ser solicitados junto ao contribuinte: (i) a unidade preparadora esclareça se o DARF de fls. 22 materialmente se refere ao IPI de código 5123, ou seja, se o preenchimento do código 1097 de fato foi um erro formal indevidamente cometido pelo contribuinte. 8. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, (ii) o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 8. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.003225/2005-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2004
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE.
Às instancias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento a legislação vigente (Súmula CARF nº 02).
DIF-PAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF-Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período.
DIF-PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR.
A não-apresentação, ou a apresentação da DIF-Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.158-35/2001, e não prejudica o eventual cancelamento da inscrição no Registro Especial.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3001-000.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do apelo para REJEITAR as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo, porém, a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIF-PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar, se for o caso, os valores e a condição da empresa recorrente (Pequena empresa/Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente INFORMANET EDITORA DE PUBLICAÇÕES PERÍODICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instancias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento a legislação vigente (Súmula CARF nº 02). DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIFPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte a imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835/2001, e não prejudica o eventual cancelamento da inscrição no Registro Especial. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 32 25 /2 00 5- 06 Fl. 90DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do apelo para REJEITAR as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo, porém, a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFPAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar, se for o caso, os valores e a condição da empresa recorrente (Pequena empresa/Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir a controvérsia posta à exame nestes autos, adoto, por transcrição, o relatório que lastreou o v. acórdão recorrido (fls. 63/64), verbis. Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 36/39, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). 0 crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente ao 1º trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 15.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 505, e parágrafo único, c/c art. 368, ambos do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 4° do DecretoLei n° 1.680/79, c/c art. 10 c/c art. 1°, ambos da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09.1.01.002004 007534 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação à entrega das DIF Papel Imune relativas ao período acima mencionado, ou apresentar o respectivo comprovante de entrega (fl. 05). 0 sujeito passivo foi cientificado do lançamento por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.003225/200506 Acórdão n.º 3001000.685 S3C0T1 Fl. 3 3 recebida em 14/04/2005 (fl. 41), tendo protocolado sua impugnação em 16/05/2005, conforme peça de fls. 42/45 (firmada por procuradora regularmente estabelecida, fls. 46/53), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: a) que a obrigação de entregar a DIFPapel Imune não foi instituída por lei, o que ofende o principio constitucional da legalidade (art. 5°, inciso II), o qual deve nortear a interpretação do artigo 115 do Código Tributário Nacional (CTN). E, para aquele fim, não é suficiente a previsão legal contida no artigo 16 da Lei n°9.779/99; b) que não há que se falar em aquisição de papel por parte da impugnante porquanto é apenas "editora VIRTUAL de periódicos informativos (INFORMANET). Tal fato é facilmente constatável mediante o acesso ao seu portal de serviços na rede mundial de computadores (internet), onde são efetivamente publicados seus periódicos"; c) que agiu com "absoluto excesso de zelo" ao requerer sua inscrição no Registro Especial para utilização de papel imune, "pois seu contrato social é genérico e não especifica que sua atividade dispensa a utilização do produto descrito na referida norma". Também por excesso de zelo vinha entregando normalmente as DIFsPapel Imune, "mas hoje nota que tal obrigação não lhe é exigível". Neste sentido, em nome do principio da verdade material, pleiteia a realização de diligências in loco, para que seja constatado que não se enquadra entre as empresas sujeitas A entrega da declaração; d) que o art. 2° do Ato Declaratório que deferiu sua inscrição no Registro Especial já prevê a punição de cancelamento da inscrição em razão da não entrega das DIFsPapel Imune, o que, aliás, "não surtirá efeito devido a absoluta relação do mesmo (registro) com a atividade da impugnante". Conclui a impugnante requerendo a "anulação" do lançamento, "por ser esta a mais correta aplicação do principio da legalidade e da verdade material". A empresa foi intimada dos termos do Acórdão recorrido em 23.09.2008 (fls. 72/74) e ingressou com Recurso Voluntário em 23.10.2008 (fls. 75/87), para reiterar seus argumentos impugnatórios relativamente aos seguintes tópicos: (i) inconstitucionalidade do estabelecimento de multa por decreto, instrução normativa ou regulamento (fls. 77/80); (ii) inexigibilidade da multa aplicada (fls. 80/86); (iii) competência do Conselho de Contribuintes para análise de constitucionalidade de lei ou ato normativo (fls. 86/87); e, (iv) requerer a "reforma da decisão atacada reconhecendo a ilegalidade/inconstitucionalidade/arbitrariedade da multa aplicada e anulando o lançamento efetuado" (fls. 87, parte final). É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF 4 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Intimada dos termos do acórdão recorrido em 23.09.2008 (fls. 72/74), a empresa ingressou com Recurso voluntário em 23.10.2008 (fls. 75/87), firmado por seu representante legal (fls. 47) e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar Rejeito a preliminar de inconstitucionalidade suscitada pela recorrente, coerente com iterativa jurisprudência do CARF e tendo em vista que a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais já editou a Súmula CARF nº 02 (Vinculante), verbis. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Mérito Como bem resumido pelo v. Acórdão recorrido, quanto ao mérito a recorrente não questiona a situação fática que originou o lançamento combatido que foi a falta de entrega da declaração. E acrescenta: "Ao contrário, assevera que efetivamente não entregou a declaração porquanto não estava sujeita à obrigatoriedade, dado que, por atuar apenas virtualmente, não utiliza papel. Combate, outrossim, a própria legalidade da norma que instituiu a obrigatoriedade" (fls. 64). Entendo que a decisão recorrida analisou detalhadamente a questão posta a exame, à luz da firme e reiterada jurisprudência deste Colegiado, no sentido de que toda pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIPPapel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. A não apresentação, ou apresentação da DIPPapel Imune após os prazos estabelecidos para sua entrega, sujeita o contribuinte à imposição da multa capitulada no art. 57 da MP 2.15834/2001. Este fato, porém, não prejudica o eventual cancelamento da inscrição no Registro Especial. Na hipótese destes autos, comungo da posição defendida pelo v. acórdão guerreado, relativamente à penalidade imposta ao contribuinte, merecendo transcrever a parte final e conclusiva da mencionada decisão (fls. 69), verbis. Como já assinalado alhures, a penalidade pela não entrega da DIFPapel Imune nos prazos normativos está prescrita no artigo 57, inciso I, da MP n° 2.15835/2001, e corresponde ao valor de R$ 5.000,00 por mêscalendário de atraso. No caso em apreço, como efetivamente não houve entrega da declaração, o termo final considerado para a aplicação da multa foi a data do lançamento. Portanto, a aplicação da penalidade decorreu de imperativo legal. Por sua vez, o cancelamento do registro em virtude do descumprimento das normas que regem a matéria, conforme restou prescrito no art. 2° do Ato Declaratório que deferiu a inscrição da impugnante (ADE DRF Curitiba n° 109, fl. 57, acostado pela própria impugnante), é medida meramente Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.003225/200506 Acórdão n.º 3001000.685 S3C0T1 Fl. 4 5 administrativa que não obsta a aplicação da penalidade imposta pela medida fiscal ora impugnada. 0 sujeito passivo foi intimado a regularizar sua situação de omissão, sob pena do cancelamento do registro. A eventual apresentação de declaração omissa, em atenção à intimação fiscal, somente se prestaria a sanear a irregularidade da omissão, evitando o cancelamento do registro, mas não evitaria a aplicação da penalidade em virtude da mora, assim como o eventual cancelamento do registro não se prestaria a eximir o contribuinte da incidência da penalidade pecuniária. Repitase que a matéria é bastante conhecida deste Conselho, com farta e reiterada jurisprudência, merecendo transcrever a ementa do Acórdão nº 9303006.669, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 26 de junho de 2018, na relatoria do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, verbis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2000, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004, 31/10/2004 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada “DIFPapel Imune”, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. .......................................(omissis)........................................ DIFPAPEL IMUNE. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA, INDEPENDENTE DE TER HAVIDO OU NÃO OPERAÇÃO COM PAPEL IMUNE NO PERÍODO. Conforme expressamente disposto no parágrafo único do art. 2º da IN/SRF nº 159/2002 (com força normativa dada pelo art. 16 da Lei nº 9.779/99), que aprovou a versão 1.0 do programa gerador da Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune), a apresentação da declaração é obrigatória, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. Fl. 94DF CARF MF 6 Salientese, de outra parte que, através do Acórdão CSRF/3ª Turma nº 9303 004.953, proferido em 10 de abril de 2017, foi cristalizado também o entendimento de que, em casos que tais, devese aplicar o princípio da retroatividade benígna de que trata a letra "c", inciso II, art. 106, do Código Tributário Nacional, como se extrai do seguinte trecho do voto do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, verbis. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIFPapel Imune no prazo estabelecido. O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) Assim, deve a autoridade recorrida, através da repartição de origem, verificar se a empresa é uma pequena, micro ou empresa individual optante pelo Sistema SIMPLES, para apurar a redução da penalidade aplicada. e, como tal, se ela estaria beneficiada pela retroatividade benigna (CTN, art. 106IIc), seja para ser apenada, como aliás vem decidindo a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Para confirmar o entendimento final da fundamentação deste voto, registre se, ademais e em complemento a tudo que já foi fundamentado que, somente no período de 26 de junho a 16 de novembro do ano passado, foram publicados diversos outros Acórdãos, com o mesmo entendimento esposado no Acórdão CSRF nº 9303006.669 acima referenciado (Acórdãos nºs 3201004.121, 3201004.122, 3402005.378, 3402005.343, 3201003.937, 3201003.938, 3201003.935, 9303006.734 e 3001000.627). Diante do exposto, e coerente com outros entendimentos já esposados nesta 1ª Turma Extraordinária, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares aduzidas e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendo, porém, a retroatividade benigna de que cuida o inciso II, art. 1º, da Lei 11.945/2009, cabendo à unidade preparadora verificar, se for o caso, os valores e a condição da empresa recorrente (Pequena empresa/Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.003225/200506 Acórdão n.º 3001000.685 S3C0T1 Fl. 5 7 Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.951723/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.278
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 17 23 /2 01 0- 44 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.951723/201044 Acórdão n.º 3302006.278 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16031.408, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.951723/201044 Acórdão n.º 3302006.278 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.951723/201044 Acórdão n.º 3302006.278 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.905793/2009-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para determinar à autoridade preparadora que intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para determinar à autoridade preparadora que intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 05 79 3/ 20 09 -2 1 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 132 2 Pedido de Compensação Tratase de Declaração de Compensação no valor de R$ 18.344,77, através do qual o contribuinte compensou débito de IRPJ do 4° trimestre de 2004, valendose de um crédito declarado a título de pagamento a maior de COFINS do período de apuração de 09/2004, no valor de R$ 20.904,68. Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo a restituir. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a manifestante alega que para efeito de compensação do(s) valor(es) de R$ 18.344,77 refere(m) se ao pagamento a maior do COFINS com data de apuração de 30/09/2004 e arrecadado(s) em 15/10/2004 e que esta(ão) relacionado(s) na declaração débitos e créditos tributários federais (DCTF) 3° trimestre de 2004, a qual se encontra retificada e em anexo. DRJ/FOR A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0828.583 – 5ª Turma da DRJ/FOR ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF PARA "ZERAR" O DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO PELO CONTRIBUINTE. Acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Entendeu a DRJ, que contribuinte não articula nenhuma razão ou anexa provas capazes de justificar as causas em que se fundou a retificação redutora do débito original, restando inexistente a ocorrência de pagamento a maior. Conclusão do voto Isso posto, votou pela manutenção do decidido pela DRF jurisdicionante, salientando que não tendo o contribuinte apresentado as justificativas e provas do seu pleiteado direito na manifestação de inconformidade, precluiu o direito de fazêlo em outro momento processual, nos termos do § 40 do art. 16 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Fl. 132DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 133 3 Em setembro de 2004, a Recorrente alega ter apurado um direito creditório de R$ 20.904,68, decorrente de um recolhimento a maior de COFINS, realizado em 15.10.2004, no valor de R$ 24.329,03 (doc. 03), ao passo que o valor efetivamente devido era de R$ 3.424,35. Em manifestação de inconformidade, para corroborar com o alegado, o contribuinte aduz ter apresentado: (i) Extrato Comprobatório do recolhimento do valor de R$ 24.329,03, obtido na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (doc. 03); (ii) DIPJ referente ao anocalendário de 2004, na qual se pode verificar que o valor efetivamente devido no período a título de COFINS foi de R$ 3.424,35 (página 27 doc. 04); e (iii) Livro Razão Analítico (doc. 05), no qual se pode constatar o valor do crédito (R$ 20.904,68) referente ao período de setembro de 2003 (folhas 75 e 132). No entanto, aduz que as autoridades fiscais desconsideraram a retificação da DCTF após a prolação do despacho decisório como meio de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado, que segundo a mesma, encontrase lastreado em sua escrita fiscal. Segundo a recorrente, não existe qualquer disposição na legislação da Secretaria da Receita Federal do Brasil que vede a retificação de DCTF após a prolação do despacho decisório. Alega que o entendimento aduzido pelas d. autoridades fiscais viola frontalmente um dos princípios basilares do processo administrativo fiscal que é o da verdade material. Por fim, requereu pelo provimento de seu Recurso Voluntário para que seja reformado o v. acórdão, no sentido que seja reconhecido o direito creditório e efetuada a devida compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 20.08.2014, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 45, nos termos do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 134 4 Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 17.09.2014, conforme comprova o carimbo da DRF da Barra da Tijuca RJ, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, a ocorrência de pagamento a maior. DOS FATOS Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de COFINS, no valor de R$ 18.344,77, tendo em vista que a recorrente alega ter apurado crédito a maior de R$ 20.904,68, sendo que o valor efetivamente devido era de R$ 3.424,35, relativo ao 4° trimestre de 2004. Da análise feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, proferiu despacho decisório que não homologou a compensação declarada pela Recorrente, em síntese, por entender que o direito creditório em discussão já teria sido utilizado para quitar outros débitos da Recorrente. Com isso, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, demonstrando que o entendimento manifestado no r. despacho decisório foi decorrente de mero erro material de preenchimento de DCTF, a qual foi devidamente retificada pela Recorrente. Em sede de Recurso Voluntário, requer que seja reformado o acórdão de primeira instância administrava, pelos argumentos expostos. Da Conversão em Diligência Foi alegada a ocorrência de erro material que teria motivado a origem do crédito. Por este motivo, ante a alegada alegação de erro com a possibildiade de documentos que comprovem a correta formação da base de cálculo, justificase a conversão em diligência. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 135 5 Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão Fl. 135DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 136 6 somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em Fl. 136DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 137 7 nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Isto porque, o tema de instrução probatória, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios em definição, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, se faz possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito, tal alternativa deve ser posta em prática. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 138 8 Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 139 9 disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Proposta de Conversão em Diligência Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas que, por desapego, até inconsciente, no que tange aos critérios utilizados pelo fisco, a fim de aceitar a legitimidade dos créditos postos pela recorrente, e, por outro lado, a possibilidade de o Estado negar crédito regular, fazse justiça ao pleito em perfazimento à orientação acima exposta, e por entender que este PAF não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência determinar à autoridade preparadora que intime a recorrente para que traga aos autos os documentos que julgar conveniente à comprovação da efetiva ocorrência do Erro material argumentado, e, que aponte, os respectivos lançamentos em seus livros Razão e Diário. Após a autoridade preparadora deverá preparar relatório, minudente e concludente, acerca da formação da base de cálculo da contribuição, apontando os valores incluídos em sua base de cálculo.. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 15374.905793/200921 Resolução nº 3001000.146 S3C0T1 Fl. 140 10 Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.000142/96-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-000.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por saneamento para complementar a admissibilidade do recurso especial especificamente em relação à matéria "nulidade do acórdão recorrido".
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por saneamento para complementar a admissibilidade do recurso especial especificamente em relação à matéria "nulidade do acórdão recorrido". (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por saneamento para complementar a admissibilidade do recurso especial especificamente em relação à matéria "nulidade do acórdão recorrido". (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI efetuado com base na MP nº 948, de 23/03/95, relativo ao anocalendário de 1995, no valor de R$ 591.412,82. Referido pedido foi cumulado com alguns pedidos de compensação, com débitos próprios e de terceiros. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 00 14 2/ 96 -5 9 Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 13807.000142/9659 Resolução nº 9303000.115 CSRFT3 Fl. 3 2 Ao analisar o pedido a Unidade de Origem, deferiuo parcialmente no montante de R$ 2.170,17. Além das glosas de energia elétrica, fretes e óleos combustíveis, excluiu valores da receita de exportação, afetando o coeficiente de exportação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi totalmente indeferida pela DRJ/Ribeirão Preto. Ao apreciar o recurso voluntário, a então 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 20300626, e fls. 804 e seg. Após a realização da diligência, o recurso voluntário foi julgado e resultou no acórdão nº 340101081, de 28/10/2010, o qual possui a seguinte ementa: Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 EMENTA:. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS. Geram crédito presumido de IPI apenas matériaprima, produtos intermediários que são efetivamente consumidos no processo de fabricação, incorporandose ao produto em fabricação ou caso contrário sendo consumidos em decorrência de ação direta sobre o produto. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. Não ha previsão legal para que considere o frete na base de cálculo do credito presumido, uma vez que não se enquadra como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. EXPORTAÇÕES ATRAVÉS DE EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS Mesmo antes da Medida Provisória n° 1.48427/96, que estendeu o credito presumido a essas exportações, tal já se dava, por força do DecretoLei nº 1.248, de 29.11.72, que assegurava ao produtorvendedor, nas remessas para empresa comercial exportadora com fim especifico de exportação, os beneficios concedidos por lei como incentivo à exportação, tal como o crédito presumido em tela. Recurso provido em parte. Referido acórdão reconheceu o crédito presumido proveniente da energia elétrica em razão da comprovação de que era consumida em ação direta com o produto em fabricação, negando provimento quanto ao frete dos insumos e o óleo combustível. Reconheceu ainda como receitas de exportação os valores das vendas às trading companies. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência quanto ao reconhecimento dos créditos advindos da aquisição de energia elétrica e da questão das vendas Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 13807.000142/9659 Resolução nº 9303000.115 CSRFT3 Fl. 4 3 às trading companies, efls. 1044 e segs. Tal recurso não foi admitido, nos termos do despacho de exame de admissibilidade do então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, efls. 1072/1073, e também pelo despacho de reexame de admissibilidade efetuado pelo então presidente do CARF, efl. 1074. Cientificado do referido acórdão, o contribuinte apresentou embargos de declaração, efls. 1086/1096, nas quais alegou em síntese que o acórdão recorrido foi omisso ao não analisar o parecer técnico apresentado no sentido de que o uso do óleo combustível no processo produtivo decorre mais de sua composição química do que à sua capacidade como fonte energética. Alegouse também contradição na análise do direito de crédito relativo aos fretes na aquisição de insumos. Referidos embargos foram rejeitados por meio de despacho do então presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, efls. 1127/1128. Por fim o contribuinte apresentou o recurso especial de divergência, efls. 1134 e segs, no qual suscita a nulidade do acórdão recorrido por ter deixado de apreciar o parecer técnico relativo ao uso do óleo combustível e no mérito defende o direito de crédito presumido nos valores relativos aos fretes nas aquisições dos insumos. O recurso especial foi admitido em sua íntegra, por meio do despacho de exame de admissibilidade de efls. 1289/1293. Porém o despacho foi omisso e nada dispôs sobre a questão posta no recurso especial a respeito da nulidade do acórdão recorrido. Contrarrazões da Fazenda Nacional, defende o improvimento do recurso especial e trata exclusivamente da matéria relativa aos fretes na aquisição de insumos. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Como visto o despacho de exame de admissibilidade do recurso especial do contribuinte deixou de analisar a admissibilidade do recurso em relação à alegação de nulidade do acórdão recorrido. Tal fato já aconteceu em outros processos vindos a julgamento na atual composição desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nas outras oportunidades Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 13807.000142/9659 Resolução nº 9303000.115 CSRFT3 Fl. 5 4 fiquei vencido, pois defendia que este colegiado poderia suprir a omissão e fazer a admissibilidade integral do recurso especial, podendo conhecer ou não a matéria não apreciada no despacho de admissibilidade. Portanto, me rendo ao princípio do colegiado e adoto esta posição neste voto. Assim, a posição adotada, é que nestas circunstâncias o processo deve retornar à Câmara recorrida para que providencie o complemento do exame de admissibilidade do recurso especial em relação à matéria não apreciada, seguindo os trâmites normais da admissibilidade, com ciência ao contribuinte no caso de negativa de seguimento ao recurso nessa parte, e ciência à Fazenda Nacional, no caso de seguimento do recurso, para que esta possa apresentar suas contrarrazões, caso entenda necessário. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Câmara recorrida providencie o complemento do exame de admissibilidade do recurso especial impetrado pelo contribuinte. Após tomadas estas providências, o processo deve ser distribuído ao mesmo relator, para que se prossiga no julgamento. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721064/2015-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/11/2010
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, e que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/11/2010 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente VENTANA SERRA DO BRASIL AGENCIAMENTO DE CARGAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/11/2010 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, e que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. Vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 10 64 /2 01 5- 12 Fl. 177DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 103 dos autos: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese: i) ausência de tipicidade, pois as informações teriam sido efetivamente prestadas, e não teria se verificado dolo de embaraçar a fiscalização nem efetivo embaraço; ii) caráter confiscatório, desproporcional, lesivo e inconstitucional da multa aplicada, a qual feriria, ainda, o princípio da isonomia por tratar de forma mais grave a prestação de informações sobre cargas do que sobre passageiros; iii) desrespeito aos princípios da motivação e da razoabilidade; iv) ocorrência de denúncia espontânea. Requereu, ao fim, julgamento pela insubsistência da autuação e seu consequente cancelamento. Juntou os documentos de fls. 63/96, que são: documentos de constituição e representação da empresa, documentos de identificação da signatária da impugnação e cópia de decisões administrativas. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 101/106) consignou, inicialmente, deixar de acolher preliminares aduzidas pelo contribuinte e quaisquer argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, ou ocorrência de denúncia espontânea. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11128.721064/201512 Acórdão n.º 3002000.474 S3C0T2 Fl. 179 3 procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 15/02/18 (vide Termo de ciência por abertura de mensagem à fl.111 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, tempestivamente (vide registro de solicitação de juntada do recurso em 16/03/18, à fl. 113), Recurso Voluntário (fls.114/135). Em seu recurso, o contribuinte alegou, preliminarmente, nulidade do auto de infração por contrariedade a decisão judicial proferida no processo nº 0005238 86.2015.4.03.6100, em trâmite na 14ª Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo. Argumentou, ainda, pela existência de nulidade relacionada à suposta ausência de individualização das condutas, alegando que deveria ter sido lavrado um auto para cada evento ou aplicada uma única multa de R$ 5.000,00, se lavrado um único auto. Ainda na indicação de nulidades, afirmou que a conduta tipificada se referiria ao armador transportador, figura que não se confundiria com o recorrente. Ademais, repisou os argumentos de sua impugnação, que são: i) ausência de tipicidade, pois as informações teriam sido efetivamente prestadas, e não teria se verificado dolo de embaraçar a fiscalização nem efetivo embaraço; ii) desrespeito ao princípio da motivação; iii) ocorrência de denúncia espontânea. Ao final, pediu a suspensão do crédito tributário até o julgamento final do recurso, a anulação da autuação e seu definitivo cancelamento e arquivamento. Juntou, com seu recurso, cópia da Solução de Consulta Interna nº 8 – Cosit (fls. 136;167). O contribuinte juntou nova petição (fls. 171/172), se insurgindo contra a existência de pendência em seu relatório de situação fiscal, argumentando ter protocolizado tempestivamente seu recurso voluntário. Requereu, assim, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a retirada da referida informação do seu relatório de situação fiscal. Juntou os documentos de fls. 170 e 173/174. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do acórdão recorrido De início, é importante tratar de tema preliminar essencial à solução da presente contenda. Ao analisar o presente caso, foi possível constatar que o acórdão recorrido se Fl. 179DF CARF MF 4 apresenta nulo, visto que não traz em seu conteúdo elementos necessários à motivação do julgamento proferido. Consoante acima narrado, o contribuinte apresentou impugnação no presente caso, por meio da qual argumentou, em síntese: i) ausência de tipicidade, pois as informações teriam sido efetivamente prestadas, e não teria se verificado dolo de embaraçar a fiscalização nem efetivo embaraço; ii) caráter confiscatório, desproporcional, lesivo e inconstitucional da multa aplicada, a qual feriria, ainda, o princípio da isonomia por tratar de forma mais grave a prestação de informações sobre cargas do que sobre passageiros; iii) desrespeito aos princípios da motivação e da razoabilidade; iv) ocorrência de denúncia espontânea. O acórdão recorrido, por seu turno, relata da seguinte forma o conteúdo da impugnação apresentada: Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. Como se vê, há uma certa dissonância entre o efetivo conteúdo da impugnação apresentada e a narração constante do acórdão recorrido. Em decorrência desta dissonância, o acórdão recorrido assim consignou: (i) que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo; (ii) afastou o argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto; (iii) afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Sendo assim, não restam dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda, ao passo que deixou de tratar de fundamentos que constaram da defesa apresentada pelo contribuinte, levando à compreensão de que o caso não fora analisado com o devido cuidado pelos Julgadores naquela oportunidade. Mencionese, por exemplo, o argumento relacionado à ausência de motivação e tipicidade. Sobre estes fundamentos, o acórdão recorrido assim se manifestou: De outra feita, qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva ou mesmo de requerimento de relevação de penalidade, pois em nenhum dos casos há coaduação com o que se verifica dos autos, eis que o controle das importações deve ser feito pela autoridade aduaneira e seus prazos precisam ser cumpridos, até porque as multas nesses casos são aplicadas exatamente pelo fato de não possuir condições de realizar o efetivo controle se os prazos deixarem de ser cumpridos, no que toca, em especial, aos lançamentos extemporâneos dos conhecimentos eletrônicos, seja house, seja mercante ou do próprio manifesto em si. Ou seja, limitouse a DRJ a dispor que “qualquer alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação” deveria “cair por terra” pois não haveria “coadunação com o que se Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11128.721064/201512 Acórdão n.º 3002000.474 S3C0T2 Fl. 180 5 verifica nos autos”. Percebese, portanto, que o acórdão recorrido afastou tais argumentos, contudo, não trouxe motivação suficiente à compreensão das razões que a levaram a esta conclusão. A resumida fundamentação no sentido de que não haveria coadunação com o que se verifica nos autos, sem maiores esclarecimentos, não supre o vício de motivação aqui verificado. É importante destacar que não se está aqui antecipando qualquer juízo de valor acerca da procedência ou não quanto a este argumento apresentado pelo contribuinte, mas apenas destacando que a decisão recorrida não analisou adequadamente os fundamentos de defesa apresentados, tornandoa nula de pleno direito, por cerceamento de direito de defesa do contribuinte. Verificase, portanto, que o acórdão recorrido julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito as devidas considerações acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto. Tanto que foi possível identificar que esta mesma decisão fora proferida para vários processos distintos, sem que tivesse sido realizada a adaptação necessária para cada caso concreto. Sendo assim, no meu entender, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Isso porque, além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso. Em razão da decretação da nulidade do acórdão recorrido, resta prejudicada a análise dos argumentos constantes do Recurso Voluntário interposto. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para fins de decretar, de ofício, a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida Fl. 181DF CARF MF 6 nova decisão, em que sejam analisados, de forma motivada, os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003898/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
IPI. REFLEXO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF.
Compete à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário que verse sobre crédito tributário decorrente do IPI, quando mero reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova (Portaria MF nº 343, de 2015).
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3201-002.222
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 IPI. REFLEXO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. Compete à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário que verse sobre crédito tributário decorrente do IPI, quando mero reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova (Portaria MF nº 343, de 2015). Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário.
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score : 1.0
Numero do processo: 13884.720122/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2010
ACÓRDÃO DE PISO. NULIDADES. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INCOMPETÊNCIA.
É nula a decisão da DRJ na qual se opere preterição do direito de defesa (inciso II do art. 59 do Decreto no 70.235/1972), e/ou que tenha sido exarada quando aquela instância administrativa não mais detinha cognição sobre o contencioso (inciso I do mesmo diploma normativo).
Numero da decisão: 3401-005.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular as três decisões proferidas pela DRJ, a primeira delas por cerceamento do direito de defesa, por ter analisado apenas um dos temas a ela submetidos, e as demais, por não deter a DRJ competência para revisar acórdão após a regular ciência do sujeito passivo, com abertura de prazo recursal.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular as três decisões proferidas pela DRJ, a primeira delas por cerceamento do direito de defesa, por ter analisado apenas um dos temas a ela submetidos, e as demais, por não deter a DRJ competência para revisar acórdão após a regular ciência do sujeito passivo, com abertura de prazo recursal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2010 ACÓRDÃO DE PISO. NULIDADES. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INCOMPETÊNCIA. É nula a decisão da DRJ na qual se opere preterição do direito de defesa (inciso II do art. 59 do Decreto no 70.235/1972), e/ou que tenha sido exarada quando aquela instância administrativa não mais detinha cognição sobre o contencioso (inciso I do mesmo diploma normativo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular as três decisões proferidas pela DRJ, a primeira delas por cerceamento do direito de defesa, por ter analisado apenas um dos temas a ela submetidos, e as demais, por não deter a DRJ competência para revisar acórdão após a regular ciência do sujeito passivo, com abertura de prazo recursal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 01 22 /2 01 4- 73 Fl. 330DF CARF MF 2 Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório da DRJ de Ribeirão Preto/SP (efls. 239 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: “Tratam os autos de impugnação contra o lançamento de multa isolada no montante de R$ 149.091,41, decorrente de indeferimento (total ou parcial) de pedido(s) de ressarcimento efetuado(s) por meio de PER/DCOMP, conforme disciplinado pelo § 15 do art.. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249, de 2010: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) .............................................. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido Regularmente cientificada da autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação, na qual trouxe os argumentos e razões que achou necessários para a sua contestação. (Negrito do Relator).” A DRJ de piso, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, de acordo com a seguinte ementa: “MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada” À efl. 247 consta a seguinte informação: “De acordo com o teor do documento juntado às folhas 235, consta das folhas 207 a 231 Manifestação de Inconformidade Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13884.720122/201473 Acórdão n.º 3401005.420 S3C4T1 Fl. 331 3 apresentada contra o Despacho Decisório proferido no processo 13884.720.079/201446, o qual se encontra apensado ao presente processo. Considerando que procedemos ao encaminhamento do Acórdão 1455.273 8ª Turma da DRJ/POR para ciência da contribuinte, retornese o presente ao SECOJ/DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP para julgamento da Manifestação de Inconformidade” Já à efl. 250 informa o Despacho de Encaminhamento: “Senhor Presidente da 4ª Turma,Considerando o disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, art. 77, § 6º, que prevê o julgamento simultâneo da manifestação de inconformidade e impugnação, em casos como o presente, proponho o encaminhamento deste processo à 8ª Turma desta Delegacia, com proposta de revisão do acórdão de fls. 239/294.Luís Sérgio Borges Fantacini AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (negrito do Relator).” À efl. 252 e ss., sobreveio novo acórdão, no qual, à unanimidade de votos, anulou o anterior acórdão, por meio da seguinte ementa: REVISÃO DE ACÓRDÃO. Este acórdão revisa o Acórdão nº 1455.273 que foi proferido com erro no que diz respeito a legislação aplicável. NULIDADE. A Administração deve anular seus próprios atos quando eivados de vício de legalidade. Esclareceu o voto (efl. 253): No entanto, o relator deixou de verificar que a conduta, na realidade, tratava de compensação e não de ressarcimento, e estava também capitulada no § 17 do mesmo artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e que o documento referiase a Dcomp e não a PER, portanto, apesar da mudança ocorrida no dispositivo legal quanto a sua redação, este ainda estaria em vigor. Nesse passo, as razões de mérito opostas pelo impugnante deveriam ser apreciadas, sob pena de prejuízo à defesa do contribuinte. O Acórdão revisto também deixou de observar o disposto no artigo 77, §6º3, da IN/SRF nº 1.300, de 2012 que determina que a impugnação em referência seja julgada Fl. 332DF CARF MF 4 juntamente/simultaneamente com a manifestação de inconformidade apresentada no processo 13884.720079/201446 (apenso a este processo). Desta forma, o acórdão foi proferido com erro na base legal indicada e com prejuízo à defesa do contribuinte. Com base nisto e fundamentado no artigo 53, da Lei 9.784/99, anulouse o acórdão anterior e encaminhouse o feito à DRJ de origem para novo julgamento, a qual, à unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, no termos da ementa abaixo: PERDCOMP. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A existência de indébito para compensação deve ser evidenciada por meio da apresentação de DCTF retificadora, acompanhada da documentação comprobatória do erro alegado. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA. Aplicase a multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2010 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. DILIGÊNCIA. PROVA. Indeferese o pedido de diligência quando desnecessária para o deslinde do processo, a qual não é hábil para substituir a prova que deve ser constituída pela defesa. Disse o voto que a Postulante apresentou cópias do razão contábil, mas que tais documentos não comprovam os alegados erros de preenchimento da ficha 16A, de Apuração dos Créditos da COFINS em seu DACON (efl. 224), mas que tais erros deveriam ser comprovados por meio de sua escrituração fiscal, notas fiscais de aquisições e despesas, relação dos itens adquiridos e despesas geradoras de crédito, detalhamento da utilização dos bens para enquadramento como insumos. Houve intimação do acórdão por meio de caixa postal em 24/08/2016 (efl. 277) e interposição de recurso voluntário em 23/09/2016 (efl. 278), no qual, em resumo, defendeu a Recorrente: 1) Preliminar. Violação à coisa julgada administrativa em relação ao acórdão 1455.273 que cancelou a multa isolada. Defendeu que os casos de nulidade são os dos incisos I e II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 e que da decisão não houve interposição de recurso de ofício, vez que o valor cancelado não ultrapassava a alçada. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13884.720122/201473 Acórdão n.º 3401005.420 S3C4T1 Fl. 332 5 Como não recorreu, houve preclusão ao direito de recurso. 2) Nulidade do acórdão recorrido, por violar a ampla defesa e o contraditório. Diz a Recorrente que em suas razões da Manifestação de Inconformidade, demonstrou o seu direito de crédito a partir de seus livros contábeis (ECDSPED), informando o erro de preenchimento do DACON e da DCTF, suplicando pela verdade material, protestando, inclusive por diligência a qual foi indeferida, entendida como desnecessária. 3) Nulidade em razão do artigo 76 da IN/RFB 1.300/2012, devendo se ter a busca pela verdade material. Deveria se ter solicitado esclareceimento da contribuinte e análise dos documentos disponíveis em seu sistema, em especial a Escrituração Contábil Digital – ECD, a qual comprova de fato qual o valor apurado da COFINS no mês de dezembro de 2010. Seque analisou o demonstrativo analítico de créditos de COFINS (Anexo 8 da Manifestação de Inconformidade). 4) Nulidade em razão da indevida motivação do cerceamento de defesa. Entende que pagou R$ 822.332,21 de COFINS, sendo R$ 366.762,50, a maior e que tal constatação seria possível pela análise dos arquivos eletrônicos (DCTF x DARF). 5) Mérito, em razão o erro de fato, seja retificada de ofício a obrigação acessória DCTF, e ainda, a retificação de ofício dos dados demonstrados no DACON – Ficha 16A. Diz que juntou na Manifestação de Inconformidade seu Razão contábil “COFINS A RECUPERAR” e “COFINS A PAGAR”, bem como demonstrativo analítico de cada crédito aproveitado e sua respectiva origem (Anexos 08 e 09). Que as notas fiscais não foram juntadas pelo grande volume, e que por isso, requereu diligência. 6) A multa do parág. 17, do artigo 74 da Lei 9.430/96 não existia em si mesmo (este, o fundamento da multa aplicada), pois o referido parágrafo previa uma hipótese de incidência de aplicação de multa, sendo que a multa aplicável era a do parág. 15, do mesmo dispositivo legal. Revogado o parág 15, evidente a revogação do parág. 17, logo, aplicável a retroatividade benigna do artigo 106 do CTN, do contrário haveria inconstitucionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc Fl. 334DF CARF MF 6 O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. O voto foi, no entanto, adaptado em excertos destacados por este redator Ad Hoc, em função de ter o relator original alterado seu posicionamento durante os debates, no colegiado, acolhendo o que foi objeto de consenso entre os demais membros da turma. “O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele toma se conhecimento. Viuse que a DRJ de piso em seu último acórdão, à unanimidade de votos, julgou improcedente manifestação de inconformidade não reconhecendo o direito creditório da Recorrente, dizendo que esta não fizera prova. Diversamente entendeu a Recorrente que a fez, por meio de ECDSPED, demonstrativo analítico de créditos de COFINS e Razão contábil, desde a manifestação de inconformidade. Temse que os elementos contidos em tais documentos, parecem seguir uma lógica, porém, se a origem do crédito existe e se quantum tem a exatidão do postulado é algo impossível de se saber no estágio em que chegou o contencioso a este Tribunal. A fim de se perseguir a justiça tributária, fazendo com que, de um lado, a Administração arrecade exatamente o que lhe é devido, e de outro, o contribuinte pague estritamente o que lhe é imposto, bem como se busque a verdade real, e ainda, evitandose o enriquecimento sem causa, prudente que o julgamento seja convertido em diligência, retornando os autos à Unidade de Origem se manifeste sobre a existência e disponibilidade do crédito alegado pela Recorrente. A fim de se escoimar a dúvida, entendese que o julgamento deve ser convertido em diligência, fazendo com que a Unidade de Origem elabore Relatório Fiscal conclusivo sobre a apuração, dentre outros dados, confrontando os recolhimentos efetuados, as informações prestadas em ECDSPED, bem como no Razão Contábil juntado e no demonstrativo analítico de créditos, e se for o caso, algum outro documento que corrobore a origem dos créditos, frisese, ratificando as informações contidas nos documentos já juntados, como por exemplo, notas fiscais; o quanto possível seguido de tabela, possibilitando que o feito chegue maduro para julgamento, poupandose futura litigiosidade. Após, deverá o sujeito passivo ser cientificado do resultado da realização da diligência, no prazo de 30 (trinta) dias, de acordo com o parágrafo único do artigo 35 do Decreto 7.574/2011.” Nota do redator ad hoc: nesse ponto do julgamento, o colegiado passou a verificar se as sucessivas decisões da DRJ foram proferidas em momento no qual esta detinha competência para se manifestar. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13884.720122/201473 Acórdão n.º 3401005.420 S3C4T1 Fl. 333 7 Conforme Relatório Fiscal (efl. 24), a empresa efetuou compensações que não foram homologadas, no processo n. 13884.720079/201446 (apensado ao presente). Em decorrência, foi exigida, mediante lançamento, a multa prevista no art. 74, §§ 15 e 17 da Lei no 9.430/1996 (auto de infração às e fls. 18 a 23). Em sua impugnação, a empresa questiona a aplicação da multa e informa que há manifestação e inconformidade pendente de julgamento em relação á compensação (efl. 31). A primeira decisão da DRJ (Acórdão de Impugnação n. 1455.273), datada de 25/11/2014 (efls. 239 a 241), que entendeu procedente a impugnação apresentada, com fundamento em retroatividade benigna em relação à multa prevista no art. 74, § 15 da Lei no 9.430/1996, foi cientificada ao sujeito passivo em 05/02/2015 (efl. 248), e não tratou da compensação. Nesse momento, deixou a DRJ de ter cognição sobre o processo, que aguardava eventual recurso voluntário sobre a matéria não analisada, a ser apresentado ao CARF (isso porque não há, na legislação referente ao processo administrativo, previsão para interposição de embargos por omissão em relação a decisões das DRJ). Em 07/06/2016, a DRJ, em novo Acórdão de Impugnação (n. 1461.181 efls. 242 a 254), decide revisar o Acórdão de Impugnação n. 1455.273, por ter deixado o relator de verificar que a conduta não estava inserida no art. 74, § 15 da Lei no 9.430/1996, mas no art. 74, § 17 da referida lei, que não foi objeto de revogação, o que demandaria a apreciação das razões de mérito expostas pela empresa impugnante. Em 28/06/2016, a DRJ profere ainda Acórdão de Manifestação de Inconformidade (n. 1461.637, efls. 256 a 264), em relação à não homologação da compensação, mantendo o entendimento pela impossibilidade de homologação. A empresa tomou ciência destes dois novos acórdãos da DRJ em 24/08/2016 (efl. 277), apresentando recurso voluntário em relação a ambos os temas (efls. 279 a 320), e sustentando, entre outras alegações, que não foi cientificada sobre a decisão da DRJ de revisar o Acórdão de Impugnação n. 1455.273, para que a autuação fosse apreciada em conjunto com a manifestação e inconformidade, e que seria nula a revisão, por ser coisa julgada administrativa o acórdão que cancelou a multa (não tendo havido interposição de recurso de ofício). Ao analisar esse cenário, o colegiado entendeu que a DRJ, ao apreciar, no Acórdão de Impugnação n. 1455.273, apenas parte dos argumentos de defesa, sequer tratando da análise da compensação (detalhada no processo que já estava apenso a este, desde 28/03/2014, cf. efl. 236 ), incorreu em cerceamento do direito de defesa, sendo nula a decisão, por força do art. 59, II do Decreto no 70.235/1972, que regula com estatura legal o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários. E entendeu ainda a turma que as demais decisões da DRJ foram proferidas em momento no qual já não detinha cognição o colegiado para apreciação do tema, incorrendo na nulidade prevista no inciso I do mesmo art. 59 do Decreto no 70.235/1972. Assim, deve a DRJ proferir decisão(ões) que contemplem todo o conteúdo discutido neste processo, de modo a permitir a regular sequência do contencioso, e que cheguem a este CARF os autos maduros para julgamento. Fl. 336DF CARF MF 8 Após tal discussão, no seio do colegiado, o relator abdicou de sua tese pela realização de diligência, perfazendose unanimidade no sentido de que são nulas as três decisões exaradas pela DRJ, pelas razões aqui expostas, devendo os autos retornarem àquela instância de piso, para nova apreciação de ambos os temas a ela originalmente submetidos. Ante o exposto, voto dar provimento ao recurso, para anular as três decisões proferidas pela DRJ, a primeira delas por cerceamento do direito de defesa, por ter analisado apenas um dos temas a ela submetidos, e as demais, por não deter a DRJ competência para revisar acórdão após a regular ciência do sujeito passivo, com abertura de prazo recursal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 337DF CARF MF
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