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Numero do processo: 10283.720756/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
NORMA INTERPRETATIVA SUPERVENIENTE. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não deve ser acolhida preliminar de nulidade baseada na suposta interferência nos fundamentos do lançamento de norma interpretativa superveniente, posto que tal questão está contida no próprio mérito da contenda.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
INOVAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DOS LANÇAMENTOS PELO ÓRGÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não se verificou na espécie inovação pela Delegacia de Julgamento nos critérios adotados pelo fisco para fundamentar os lançamentos.
ARBITRAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA.
Não houve o alegado arbitramento indevido, posto que a base de cálculo foi a mesma utilizada pelo sujeito passivo para cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte, sendo esta individualizada por segurado, conforme demonstrativo acostado.
CARACTERIZAÇÃO DE RELIGIOSOS COMO SEGURADOS EMPREGADOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE NÃO EXERCIAM FUNÇÕES ECLESIÁSTICAS.
O fisco somente pode caracterizar os religiosos como segurados empregados quando previamente demonstra que tais pessoas não exerciam o mister religioso, salvo para os que constavam na documentação apresentada pela empresa como exercentes de funções administrativas.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RECOLHIMENTOS EFETUADOS.
Os recolhimentos efetuados na condição de contribuintes individuais não fazem parte da presente lide, posto que os lançamentos questionados incluem apenas as contribuições patronais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso, para afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para que sejam mantidos nos lançamentos apenas os trabalhadores exercentes de funções administrativas, conforme explicitado no desenvolvimento do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Recorrente UNIÃO NOROESTE BRASILEIRA DA IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 NORMA INTERPRETATIVA SUPERVENIENTE. INTERFERÊNCIA NO LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não deve ser acolhida preliminar de nulidade baseada na suposta interferência nos fundamentos do lançamento de norma interpretativa superveniente, posto que tal questão está contida no próprio mérito da contenda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 INOVAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DOS LANÇAMENTOS PELO ÓRGÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não se verificou na espécie inovação pela Delegacia de Julgamento nos critérios adotados pelo fisco para fundamentar os lançamentos. ARBITRAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA. Não houve o alegado arbitramento indevido, posto que a base de cálculo foi a mesma utilizada pelo sujeito passivo para cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte, sendo esta individualizada por segurado, conforme demonstrativo acostado. CARACTERIZAÇÃO DE RELIGIOSOS COMO SEGURADOS EMPREGADOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE NÃO EXERCIAM FUNÇÕES ECLESIÁSTICAS. O fisco somente pode caracterizar os religiosos como segurados empregados quando previamente demonstra que tais pessoas não exerciam o mister religioso, salvo para os que constavam na documentação apresentada pela empresa como exercentes de funções administrativas. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RECOLHIMENTOS EFETUADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 07 56 /2 01 4- 15 Fl. 499DF CARF MF 2 Os recolhimentos efetuados na condição de contribuintes individuais não fazem parte da presente lide, posto que os lançamentos questionados incluem apenas as contribuições patronais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso, para afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, darlhe provimento parcial para que sejam mantidos nos lançamentos apenas os trabalhadores exercentes de funções administrativas, conforme explicitado no desenvolvimento do voto do Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10283.720756/201415 Acórdão n.º 2402005.665 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração AI que integram o presente processo, quais sejam: a) AI n.º 51.041.1991: exigência de contribuições previdenciárias para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho – GILRAT; b) AI n.º 51.041.2009: exigência das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Nos termos do relatório fiscal (fls. 151/157), verificouse mediante a análise da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF pagamento a diversas pessoas físicas sem vínculo de emprego. A entidade foi então intimada a justificar a não inclusão de tais pagamentos na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e a apresentar os documentos que serviram de base para preparação da DIRF. Em resposta a intimação, a fiscalizada informou (fls. 61/64) que os pagamentos foram efetuados a pastores, religiosos da confissão adventista, os quais recebem apenas auxílio manutenção, valor que independe da prestação dos serviços. Novamente intimada, a entidade informou (fls. 119/120) que os pagamentos aos religiosos eram fixados com base em percentual do "FPE", determinado em função: a) preparação acadêmica; b) compromisso com a missão da Igreja; c) participação em curso de complementação denominacional; d) tempo de serviço; e) responsabilidade atribuída e f) dedicação e eficiência. Com base nos dados e esclarecimentos prestados durante a auditoria, o fisco concluiu que os pagamentos se tratavam de verbas salariais, posto que não eram uniformes para pessoas que exerciam a mesma função. Em adição a isso houve a constatação de que havia o pagamento de verbas existentes exclusivamente em relação de emprego, como é o caso do décimo terceiro salário e de verbas rescisórias trabalhistas. A autoridade lançadora afirma que, de acordo com a lei previdenciária (§ 13 do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991), há duas espécies de valores que não se enquadram como remuneração, a saber: os pagamentos em função do mister religioso e as despesas com subsistência. Continuando, afirma que a lei isentiva exige que tais valores não tenham dependência com a natureza e a quantidade do trabalho executado. Cientificada das lavraturas, a entidade ofertou defesa, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância que manteve integralmente o lançamento. Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário de fls. 422/488, no qual apresentou, em apertada síntese as alegações abaixo. Fl. 501DF CARF MF 4 Norma interpretativa superveniente Alega a recorrente que as recentes alterações promovidas na lei previdenciária, que trazem regras de cunho interpretativo, portanto aplicáveis retroativamente, nos termos do inciso I do art. 106 do CTN, põe por terra os fundamentos utilizados para embasar os lançamentos. Nesse sentido, os AI seriam nulos por lhes faltar sustentação legal. Premissas equivocadas do acórdão recorrido A recorrente afirma que possui milhares de empregados celetistas no Brasil, os quais são regularmente contratados. Por outro lado, também conta com a atuação de milhares de religiosos, não havendo qualquer dúvida quanto à diferenciação jurídica entre ambas as categorias de colaboradores. A exigência da decisão recorrida no sentido de que o valor despendido seja estritamente para a subsistência do religioso viola o texto legal invocado, pois a lei não traz essa limitação, mas abrange todos os valores relacionados com a atividade religiosa. Também não há na lei nenhum balizamento limitando os gastos com subsistência ao padrão de vida da comunidade em que está inserido o religioso. Se houve dúvida acerca da divergência de valores entre os religiosos, o próprio art. 3.º da CLT combinado com os §§ 13 e 14 do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 não permite que se qualifique estes como empregados da Igreja. O simples fato de três dos religiosos serem tratados na sua estrutura administrativa nas funções de "secretaria", "tesouraria" e "vendas" não é suficiente para descaracterizar todos os religiosos vinculados à Igreja. A caracterização do religioso não exige pagamento uniforme e em valores idênticos entre todos eles, conforme disposto no § 14 do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991. É equivocado o entendimento da DRJ de que o ônus de provar que o religioso não cumpria as condições da norma isentiva era do sujeito passivo. Na verdade, é o fisco quem tem a obrigação de comprovar o desvio da regra legal que acarretaria na exigência dos tributos. A decisão recorrida também pecou ao afirmar que os critérios de tempo de serviço, preparação acadêmica e responsabilidade estariam vinculados à natureza e quantidade do trabalho, posto que deixou propositadamente de observar outros critérios informados, como a distância da localidade atendida pelos pastores, a existência de filhos, o custo de vida local, os quais são aferidos individualmente para cada beneficiário dos pagamentos. É erro grosseiro se apegar a nomenclatura utilizada pela Igreja para distribuir as funções entre os religiosos. Isto se pode ver dos pastores que recebem a denominação de "tesoureiro" por ser encarregado de distribuir as doações recebidas entre os outros religiosos, atendendo ao estatuto da entidade. Ou mesmo o simples fato da recorrente fornecer ajuda extra ao Pastor, no final do ano, para este descansar com sua família, após um ano de dedicação à comunidade, não transmuda esta verba em remuneração e o vínculo com o religioso em empregatício, mesmo que a parcela seja denominada na documentação da entidade como gratificação natalina. Vício insanável na verificação do fato gerador Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10283.720756/201415 Acórdão n.º 2402005.665 S2C4T2 Fl. 4 5 O lançamento tributário é nulo, uma vez que ocorreu por mera presunção, sustentando a sua conclusão na dúvida do fisco se determinados pagamentos aos religiosos eram de fato verbas trabalhistas ou meros auxílios nomeados indevidamente pela entidade como se fossem remuneração. A autuação realizada nesses moldes viola frontalmente o princípio constitucional da legalidade e o art. 97, III, e art, 142, ambos do CTN. Jamais poderia a autoridade fiscal efetuar as lavraturas para exigir tributos que a lei isentou, principalmente por haver dúvida sobre a situação de fato. Alteração pela decisão da DRJ dos critérios jurídicos que fundamentaram o relatório fiscal Segundo o fisco, o entendimento da DRJ de que o estabelecimento de critérios como "preparação acadêmica, compromisso e responsabilidade" ou mesmo "dedicação, eficiência e tempo de serviço" implicaram em pagamento de remuneração vinculada à natureza e quantidade de trabalho, representa inovação, posto que o fisco não utilizou tais critérios para formar a sua convicção, mas apenas colocou em dúvida os pagamentos efetuados. Arbitramento indevido e sem base legal Assevera a recorrente que o fisco lançou mão de arbitramento indevido da base de cálculo, selecionando parte dos religiosos por amostragem e extrapolando as conclusões para o todo, sem fazer a individualização de cada um dos beneficiários dos pagamentos. Interpretação das regras de isenção O texto do § 13 do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 não retira do campo de incidência apenas o valor de subsistência do religioso, mas também em razão da atividade desenvolvida pelo eclesiástico, a exemplo de pagamento de combustível, internet, dentre outras. A decisão recorrida quando trata o conceito de subsistência como valor apenas suficiente para evitar a indigência, apresenta conclusão que viola frontalmente o texto legal. É inadmissível que o fisco estabeleça como critério para isenção que os religiosos recebam valores compatíveis com os membros da comunidade. Tal interpretação levaria ao entendimento absurdo de que a entidade religiosa somente gozaria da isenção se comprovasse individualmente que cada um dos seus pastores recebe valores que não destoem dos membros de sua comunidade. Vinculação do religioso com a entidade O clérigo, o pastor, o rabino, etc, não possuem vínculo laborativo com as igrejas, por serem vocacionados para o santo ministério da pregação do evangelho e da fé que abraçam. Fl. 503DF CARF MF 6 Não sendo empregado da Igreja, pelos serviços eclesiásticos dedicados à entidade religiosa e à comunidade, o religioso recebe não remuneração, mas auxílio financeiro em dinheiro e in natura, imprescindíveis à manutenção de suas atividades habituais e para o sustento de sua família. Por outro lado, nem todo eclesiástico está ocupado na catequese ou dirigido para os ministérios da fé, podendo dedicarse a atividades administrativas da Igreja. Para reforçar o seu entendimento cita Parecer CJ/MPS n.º 440/72 e diversos julgados de tribunais trabalhistas que manifestam o entendimento de que inexiste vínculo empregatício entre igreja e pastor. Manutenção dos religiosos Não há que se confundir manutenção com remuneração. O religioso realiza atividade não profissional, vocacionada, ou seja, ele se sente espiritualmente chamado por Deus para o exercício desse mister, não recebendo contraprestação por esse serviço, mas uma manutenção da Igreja, a qual independe da quantidade e da qualidade do trabalho realizado em prol da comunidade. Enquadramento previdenciário dos religiosos Os eclesiásticos já fazem sua contribuição para a Previdência Social, não havendo o que se falar em nova contribuição previdenciária tendo como fato gerador a atividade religiosa desenvolvida. Sem contrarrazões os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10283.720756/201415 Acórdão n.º 2402005.665 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 28/08/2015 (sextafeira), fl. 419, e o recurso foi interposto em 28/09/2015, portanto, dentro do prazo legal. Por estarem presentes os demais requisitos de admissibilidade, devese conhecêlo. Nulidade existência de regra superveniente expressamente interpretativa Segundo o sujeito passivo, as alterações promovidas no § 14 do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, norma expressamente interpretativa, retiraram o fundamento dos lançamentos. Uma consulta a legislação mostra que na data da ocorrência dos fatos geradores a redação dos §§ 13 e 14 do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 eram: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 13. Não se considera como remuneração direta ou indireta, para os efeitos desta Lei, os valores despendidos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional com ministro de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa em face do seu mister religioso ou para sua subsistência desde que fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado. (Incluído pela Lei nº 10.170, de 2000). §14.Para os fins do disposto no inciso II do caput e no art. 10 da Lei no 10.666, de 8 de maio de 2003, aplicarseá um único grau de risco para todos os estabelecimentos da empresa, na forma do regulamento. (Incluído pela Medida Provisória nº 316, de 2006). A Lei n.º 13.137/2015 alterou a redação do § 14, que passou a se reportar expressamente à aplicação do § 13. Eis a redação atualmente em vigor: § 14. Para efeito de interpretação do § 13 deste artigo: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) I os critérios informadores dos valores despendidos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional aos Fl. 505DF CARF MF 8 ministros de confissão religiosa, membros de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa não são taxativos e sim exemplificativos; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) II os valores despendidos, ainda que pagos de forma e montante diferenciados, em pecúnia ou a título de ajuda de custo de moradia, transporte, formação educacional, vinculados exclusivamente à atividade religiosa não configuram remuneração direta ou indireta. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Não há dúvida de que essa nova norma tem cunho interpretativo e, em razão do que dispõe o inciso I do art. 106 do CTN, pode ser aplicada a fato pretérito. Pois bem, cabenos levar adiante uma investigação hermenêutica de qual o alcance das normas interpretativas inseridas na lei previdenciária frente ao caso concreto. O § 13 veicula uma norma de isenção, que exclui do conceito de saláriode contribuição os valores pagos pelas entidades religiosas àquelas pessoas que se dedicam à vida sacerdotal, desde que os valores repassados destinemse ao cumprimento do mister religioso ou para sua subsistência do membro dedicado a difundir os ensinamentos teológicos, observando se que tais parcelas não sejam quantificadas em razão da natureza do trabalho executado e nem a quantidade de horas trabalhadas. A norma inovadora, o § 14 e seus dois incisos, trazem norma de interpretação autêntica, no sentido de guiar o aplicador da lei na exegese do parágrafo precedente. Ali temse no inciso I que os pagamentos aos sacerdotes podem se dar para outras finalidades além daquelas listadas no § 13. O inciso II, por sua vez, estipula que os valores pagos em pecúnia ou a título de ajuda de custo, desde que vinculados à atividade religiosa, não configuram remuneração direta ou indireta, ainda que pagos de forma e montante diferenciados. No meu entender, tal alteração legislativa ainda que venha a alcançar os fatos geradores apontados nos lançamentos não têm o condão de tornálo nulo, posto que foram confeccionados, a princípio, em atendimento às normas vigentes quando da ocorrência dos pagamentos que o fisco entendeu se subsumirem ao conceito de saláriodecontribuição. Não há norma processual tributária que possibilite que se declare nulo um lançamento em razão de que norma superveniente em tese venha a atingir os seus fundamentos. A questão da interferência da norma interpretativa editada posteriormente aos fatos geradores no embasamento das lavraturas é por demais pertinente, mas deve ser enfrentada quando da análise meritória da demanda, jamais como preliminar. Nesse sentido, encaminho por afastar esse suscitada causa de nulidade dos lançamentos. Vício insanável na verificação do fato gerador Também não acolherei o pedido de reconhecimento de nulidade decorrente de suposta identificação do fato gerador por presunção. O fisco identificou claramente o fato gerador das contribuições lançadas como sendo os pagamentos efetuados aos religiosos em desobediência ao que dispõe a lei isentiva, ou seja, concluiu motivadamente que os valores repassados a título de prebendas aos eclesiásticos não eram efetuados para desenvolvimento do seu mister religioso ou para sua subsistência. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10283.720756/201415 Acórdão n.º 2402005.665 S2C4T2 Fl. 6 9 Não nos cabe em sede de preliminares avaliar se as conclusões da autoridade lançadora estão em consonância com a melhor interpretação das regras jurídicas, o que será feito quando da análise do mérito. Alteração pela decisão da DRJ dos critérios jurídicos que fundamentaram o relatório fiscal Afirma a recorrente que, em razão das fragilidades verificadas no lançamento, o acórdão recorrido tentou corrigir os seus critérios jurídicos, buscando validar as presunções indevidas, mediante reformulação dos elementos de convicção. Para a DRJ, o estabelecimento de critérios como "preparação acadêmica, compromisso e responsabilidade" ou mesmo "dedicação, eficiência e tempo de serviço" implicaram em pagamento de remuneração vinculada à natureza e quantidade de trabalho, todavia, o fisco não utilizou tais critérios para formar a sua convicção, mas apenas pôs dúvida sobre os pagamentos efetuados. Para a recorrente a DRJ inovou nos critérios jurídicos utilizados para fundamentar o lançamento, uma vez que teria tirado suas conclusões sobre a procedência do lançamento com base na informação prestada pela entidade acerca dos critérios adotados para pagamento da prebenda aos religiosos, ao passo que o fisco não teria se valido de tal documento para embasar os seus lançamentos. Entendo que a recorrente carece de razão quanto a este ponto. Uma leitura atenta do relatório fiscal não deixa dúvida de que um dos argumentos cruciais para a formação da convicção da autoridade julgadora sobre a ocorrência do fato gerador foi a informação prestada pela entidade em 02/06/2014, conforme se pode ver do seguinte excerto: O órgão de primeira instância, possivelmente dando mais ênfase, utilizouse para fundamentar o seu entendimento pela procedência das lavraturas dos mesmos argumentos do fisco no sentido de que os critérios estabelecidos para pagamento dos valores aos religiosos levavam à conclusão que se tratava de remuneração vinculada à natureza e quantidade do serviço prestado. Afasto, portanto, a suposta inovação pela DRJ dos critérios adotados nos lançamentos. Fl. 507DF CARF MF 10 Arbitramento indevido e sem base legal Assevera a recorrente que o fisco lançou mão de arbitramento indevido da base de cálculo, selecionando parte dos religiosos por amostragem e extrapolando as conclusões para o todo, sem fazer a individualização de cada um dos beneficiários dos pagamentos. No caso sob análise não há o que se falar em arbitramento, posto que a base de cálculo foi a mesma utilizada pela entidade para cálculo do IRRF, com exclusão apenas do valor correspondente ao décimo terceiro salário e sua antecipação, conforme relatado no item 20 do relatório fiscal. A amostragem a que se refere a recorrente ocorreu no sentido de verificar a natureza da verba paga, tendo o fisco concluído ser de caráter remuneratório para o grupo analisado e, por esse motivo, fazendo a extrapolação para os demais religiosos que ostentavam a mesma condição. A quantificação do saláriodecontribuição foi efetuada individualmente, não se justificando o inconformismo da Igreja quanto a esse aspecto. Caracterização de segurados contribuintes individuais como empregados O principal aspecto do lançamento é o que diz respeito ao enquadramento previdenciário dos segurados. O fisco, diante dos fatos narrados em seu relatório de trabalho, caracterizou todos os religiosos como segurados empregados. Nos termos da alínea "c" do inciso V do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, os religiosos são enquadrados na categoria de contribuintes individuais. Vejamos: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa; (Redação dada pela Lei nº 10.403, de 2002). (...) Vêse, portanto, que o legislador optou por dar tratamento aos eclesiásticos não de empregados, mas de prestadores de serviço sem vínculo de emprego. É cediço que o fisco detém a prerrogativa de caracterizar como empregado aquele trabalhador, em cuja prestação de serviço se encontrem os requisitos fáticojurídicos da relação de emprego, quais sejam: pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. Esta autorização encontrase expressa no § 2.º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, verbis: Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10283.720756/201415 Acórdão n.º 2402005.665 S2C4T2 Fl. 7 11 Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2ºSe o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) A leitura desse dispositivo permitenos inferir que para que haja a caracterização como segurado empregado é necessário que o fisco demonstre que o trabalhador labora nas condições mencionadas no inciso I do caput do art. 9.º do RPS. A meu sentir esta demonstração não foi feita no presente caso. O fisco centrou seu esforço em demonstrar que os pagamentos efetuados não se enquadravam na regra de isenção prevista no § 13 do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, não fez a demonstração exigida pela lei no sentido de enquadrar os religiosos, contribuintes individuais, como empregados. Não tenho dúvida que o fato dos pagamentos não se enquadrarem na regra isentiva por possuírem, segundo o fisco, vinculação com a natureza e quantidade do trabalho executado, não torna os segurados contribuintes individuais em empregados. Para mim, a narrativa do fisco poderia até prescindir da demonstração dos requisitos da relação de emprego, mas teria que objetivamente demonstrar que as pessoas listadas como segurados empregados não ostentavam a condição de religiosos. Não tendo havido essa demonstração, todas as verbas por esses recebidas, mesmo que não se enquadrem na regra de isenção, teriam que ser tratadas como remuneração de contribuintes individuais. Ao deixar de efetuar a caracterização, a autoridade lançadora deixa de identificar corretamente o fato gerador, posto que o enquadramento previdenciário dos trabalhadores envolvidos é aspecto essencial da relação jurídicotributária que dá ensejo à obrigação de recolher as contribuições previdenciárias. É esse o entendimento que tem prevalecido na jurisprudência do CARF, como se pode ver dos seguintes julgados: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. REQUISITOS DO SEGURADO EMPREGADO, AUSÊNCIA. São segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do art. 12, I, “a”, da Lei 8.212/1991. Fl. 509DF CARF MF 12 Pode o Auditor Fiscal desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando preenchidas as condições necessárias. Art. 33, caput da Lei 8.212/1991 c/c o art. 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Como o Fisco não comprovou todos os requisitos que caracterizam o segurado como empregado, o lançamento não deve prosperar. CONTRIBUIÇÕES GILRAT. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados. (grifei) Acórdão n.º 2803.004.169 de 11/03/2015 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipalNa hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL CLARA E PRECISA VÍCIO MATERIAL Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa a fundamentação legal que suportam os fatos que originaram o lançamento, ou seja a descaracterização de estagiário para se efetivar a caracterização de segurado empregado, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10283.720756/201415 Acórdão n.º 2402005.665 S2C4T2 Fl. 8 13 legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se declarar a nulidade do lançamento por vício material. Recurso Voluntário Provido (grifei) Acórdão n.º 2403002.934 de 11/02/2015 Podese até argumentar que houve pagamentos de verbas que se assemelhariam a pagamentos a empregados, a exemplo de gratificação natalina e férias, todavia entendo que, um segurado tratado pela legislação como contribuinte individual, mesmo recebendo verbas típicas de empregado, não altera a seu enquadramento previdenciário, a menos que o fisco demonstre que o trabalhador não se enquadra na categoria adotada pela empresa. Tentando explicar melhor: um pastor, que é enquadrado legalmente como contribuinte individual nos termos da alínea "c" do inciso V do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, somente pode ser enquadrado como empregado se restar demonstrado que ele não exerce a função de ministro de confissão religiosa. Não havendo esta demonstração cabal, todas as verbas que ele receba que não seja para sua subsistência ou para o exercício do mister religioso, independentemente da denominação, devem ser tributadas como pagamentos a contribuinte individual. Diferentemente devem ser tratadas aquelas pessoas que figuravam nos documentos apresentados pela empresa como detentores de atribuições não relacionadas como o mister religioso, a exemplo de secretaria, tesoureiro, etc. Para estes não há necessidade de demonstrar que não exerciam funções religiosas, pois os próprios documentos da recorrente já trazem esta convicção. O argumento recursal de que estas funções são necessárias ao funcionamento da Igreja e que por esse motivo também devem ser tratadas como trabalho religioso não me convence. Na verdade, são funções meio que de fato são essenciais para o dia a dia administrativo da entidade, todavia, seus titulares não podem ser tratados como eclesiásticos, mas como empregados em funções administrativas não relacionadas com o mister religioso. Não fosse assim, todos os trabalhadores a serviços das Igrejas, seriam considerados eclesiásticos, não havendo nenhum trabalhador que pudesse ser tratado como celetista, o que na prática abriria margem para o descumprimento da legislação trabalhista e previdenciária. Diante dessas considerações, entendo que o recurso deva ser provido parcialmente, de modo que sejam mantidos no lançamento aqueles trabalhadores cuja função exercida na Igreja não se relacione à típica função religiosa, a exemplo dos ocupantes das funções de "Tesouraria", "Folha", "Presidência" e "Secretaria". Recolhimentos efetuados Acerca dos recolhimentos efetuados pelos segurados na condição de contribuintes individuais, não são objetos do presente processo, uma vez que os lançamentos em discussão abarcam apenas a contribuição patronal. Fl. 511DF CARF MF 14 Conclusão Voto por conhecer do recurso, para afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, darlhe provimento parcial para que sejam mantidos nos lançamentos apenas os trabalhadores exercentes de funções administrativas, conforme explicitado no desenvolvimento do voto. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 512DF CARF MF
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Numero do processo: 18108.000975/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2005
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO.
É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição e das contribuições dos segurados empregados, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
JUROS. MULTA.
As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas a juros e multa, ambos de caráter irrelevável.
TAXA SELIC.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic para títulos federais.
PARCELAMENTO
O pedido de parcelamento é efetuado na unidade da RFB e para parcelar os valores devidos, deve-se renunciar aos recursos administrativos apresentados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.666
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2005 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição e das contribuições dos segurados empregados, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. JUROS. MULTA. As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas a juros e multa, ambos de caráter irrelevável. TAXA SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa Selic para títulos federais. PARCELAMENTO O pedido de parcelamento é efetuado na unidade da RFB e para parcelar os valores devidos, devese renunciar aos recursos administrativos apresentados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 09 75 /2 00 7- 80 Fl. 190DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 18108.000975/200780 Acórdão n.º 2401004.666 S2C4T1 Fl. 191 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, referente a contribuição social previdenciária correspondente à contribuição dos segurados e da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre valores pagos a segurados empregados, não declarados em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 46/58) foi aferida a remuneração contida nas notas fiscais/faturas emitidas pela Pluriserv para a empresa Lotus Serviços Técnicos Ltda., por conta de cessão de mãodeobra no período de 01/02 a 12/05. Cientificado dos Autos de Infração AIs, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/05/2005 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO (NFLD). FORMALIDADES LEGAIS. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigida nos termos da Lei. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO EMPREGADO. ARBITRAMENTO. É lícita a apuração por aferição indireta do salário de contribuição e das contribuições dos segurados empregados, na ocorrência de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA. JUROS TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, de caráter irrelevável, conforme legislação vigente à época dos fatos geradores. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no parágrafo 1º do artigo 161. Fl. 192DF CARF MF 4 MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática O cálculo para aplicação da multa mais benéfica ao Contribuinte deverá ser efetuado no momento do pagamento, parcelamento ou execução do crédito, comparandose a legislação vigente à época dos fatos geradores com os termos da Lei n.º 11.941/2009, considerando todos os processos conexos nesta comparação. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 12/11/12 (Aviso de Recebimento AR de fl. 161), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/11/12, fls. 163/184, que contém, em síntese: Preliminarmente, alega que o período do lançamento integra o período do parcelamento previsto na Lei 11.941/09, parcelamento em que se encontra inserida. Ocorre que até o momento da consolidação, não tinha como prever o conteúdo da cobrança que ora lhe foi imputada. Assim, requer a possibilidade de inclusão desse débito em referido processo de parcelamento, que se encontra em fase de consolidação perante os órgãos responsáveis. Afirma que há iliquidez e incerteza do valor da multa aplicada, pois o Auditor Fiscal aplicou a alíquota de 26%, em desacordo com a Lei 8.212/91, art. 35, I, 'c', o que implica em não ter o contribuinte possibilidade de verificar a correção dos valores que lhe são imputados. Entende que há iliquidez e incerteza do débito por ter sido feito o cálculo por arbitramento, aplicandose a alíquota de 40% dos montantes lançados nas notas fiscais, apurou 20% de contribuição da empresa, 8% de contribuição de empregado e % do SAT. Tal cobrança não traduz o valor da prestação de serviços. Assim, não tem como o contribuinte verificar os cálculos efetuados, nem a origem da base de cálculo eleita. Aduz que a administração pública deve agir em conformidade com a lei e seu poder discricionário é apenas para garantir e atuar de conformidade com as disposições legais. Cita doutrina. Lembra que a notificação de lançamento tem erro latente, em vista da imputação incorreta da multa. No mérito, afirma que deve ser excluído o montante a maior da multa, visto que era para ser calculado a 10% de acordo com a Lei 8.212/91, art. 35. Cita jurisprudência e afirma que a multa cobrada é excessiva e confiscatória. Acrescenta que o Código de Defesa do Consumidor determinou que a multa não pode ultrapassar o percentual de 2%. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 18108.000975/200780 Acórdão n.º 2401004.666 S2C4T1 Fl. 192 5 Diz haver bis in idem, pois estão sendo cobrados concomitantemente multa e juros de mora. Cita doutrina e jurisprudência. Entende ser inaplicável a taxa Selic como taxa de juros moratórios e que tal cobrança afronta ao princípio da legalidade. Requer seja declarada nula a autuação, e caso assim não se entenda, seja declarada improcedente a cobrança incorreta do valor da multa e a exclusão da taxa Selic. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINARES Observase, inicialmente, que da leitura do recurso voluntário, verificase que o sujeito passivo apresenta os mesmos argumentos da impugnação, que já foram apreciados pela DRJ. Parcelamento Quanto ao pedido de inclusão em parcelamento, o contribuinte deverá se dirigir à unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não sendo possível apreciar tal pedido, no CARF, em sede de recurso voluntário. Acrescentese que para parcelar os valores devidos, deve o contribuinte desistir do recurso administrativo apresentado, e tal renúncia não consta dos autos. A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 15, de 15/12/09, que dispõe sobre o parcelamento de débitos para com a Fazenda Nacional, determina que: Art. 1º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional poderão ser parcelados em até 60 (sessenta) prestações mensais e sucessivas, observadas as disposições constantes desta Portaria. § 1º Às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, aplicase ao disposto no caput. [...] § 4º Em se tratando de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), o pedido parcelamento condicionase à prévia renúncia ao direito em que se funda a ação ou o recurso administrativo. Art. 5º O requerimento de parcelamento será apresentado, conforme o caso, perante a unidade: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 18108.000975/200780 Acórdão n.º 2401004.666 S2C4T1 Fl. 193 7 I da RFB com jurisdiçaõ sobre o domicílio tributário do devedor; ou [...] Multa aplicada Não foi aplicada multa de 26% como alega a recorrente, e nem a Lei 8.212/91, art. 35, I, 'c'. Para o levantamento PR3, foi aplicada multa de 15%, e para o levantamento PR 6, de 30%. Em resposta à diligência fiscal solicitada pela DRJ, a fiscalização informou que a multa aplicada no levantamento PR3, está equivocada e deveria ser sido de 30%. Para tais levantamentos, conforme se verifica no relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, a multa foi apurada com base na Lei 8.212/91, art. 35, incisos II e III, vigentes à época do lançamento, conforme já explicitado no acórdão de impugnação. Cálculo por arbitramento Não há que se falar que o valor apurado não é líquido e certo. Conforme suficientemente explicado no Relatório Fiscal e esclarecido no acórdão de impugnação, por não ter o contribuinte apresentado folhas de pagamento da mão deobra alocada para a execução dos serviços prestados à tomadora LOTUS, apurouse a base de cálculo considerando 40% dos valores constantes das notas fiscais/faturas de prestação de serviços. Apurada a base de cálculo, aplicouse as alíquotas, calculandose a contribuição devida. Todo o procedimento está de acordo com a lei e foi devidamente explicitado para o sujeito passivo. O contribuinte, inclusive, foi autuado por não cumprir as obrigações acessórias relacionadas à prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra e optou por pagar referidos autos de infração. Citese trecho do acórdão de impugnação que corretamente abordou a questão: Constatada a ocorrência do fato gerador, surge o dever de efetuar o lançamento. No caso em tela, a Fiscalização constatou o fato gerador através do contrato de prestação de serviços de limpeza e conservação com cessão de mão de obra, no qual a PLURISERV encontrase na condição de contratada, e da contabilidade da empresa, que forneceu os dados que permitiram a constituição do crédito. Portanto, o arbitramento e a aferição indireta conforme praticados pela fiscalização no presente caso estão completamente amparados na legislação vigente. Já o Código Tributário Nacional prevê o procedimento: Fl. 196DF CARF MF 8 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim é que o parágrafo 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, que é corolário do referido artigo 148 do CTN, estabelece: Art. 33: (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Foi então constituído o crédito previdenciário, pela não comprovação do pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário de contribuição dos empregados da Notificada, que prestaram serviço, com cessão de mão de obra, na tomadora LOTUS. E, tendo em vista que não foram apresentados documentos que demonstrassem a efetiva remuneração dos segurados empregados da Defendente, que prestaram os serviços em epígrafe, foi arbitrado o salário de contribuição a partir dos valores das notas fiscais/faturas: O fundamento legal que autoriza o arbitramento /aferição encontrase no anexo FLD e no Relatório Fiscal: artigo 33, parágrafo 3º da Lei nº 8212/91; [...] O inciso I, artigo 600, da IN SRP nº 03/2005, determina que, no caso em espécie, o valor da mão de obra utilizada, base de cálculo das contribuições previdenciárias, seja calculado como sendo, no mínimo, 40% do valor dos serviços constantes da nota fiscal/fatura; E, nos termos dos itens 18 e 19 do Relatório Fiscal, foi solicitado à PLURISERV que apresentasse planilhas, ou outros documentos auxiliares, que identificassem os gastos necessários para a formação do serviço prestado, mas não houve discriminação dos itens componentes do custo dos serviços prestados, somente o valor bruto da prestação de serviços. A autoridade lançadora atingiu o objetivo da auditoria fiscal realizada, através dos meios legalmente previstos, cumprindo exatamente o princípio da razoabilidade. Como já exposto, o Relatório Fiscal demonstra, de forma detalhada, os documentos apresentados, e os motivos, legais e de Fl. 197DF CARF MF Processo nº 18108.000975/200780 Acórdão n.º 2401004.666 S2C4T1 Fl. 194 9 fato, para os procedimentos adotados na apuração da base de cálculo e das contribuições lançadas. Assim, não merece nenhum reparo o procedimento fiscal, não havendo que se falar em iliquidez e incerteza. Foram cumpridas, estritamente, as disposições legais vigentes, e cabe ressaltar que se trata de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Cabe observar, ainda, que, no presente caso: (i) os procedimentos fiscais, realizados junto à Impugnante, seguiram rigorosamente a legislação em vigor; (ii) a empresa teve ciência da NFLD e da Informação Fiscal de Diligência, as quais foram efetuadas de modo que o Contribuinte tivesse pleno conhecimento dos fundamentos de fato e de direito que as motivaram; (iii) a Notificada manifestouse com a apresentação de Impugnação; iv) foi aberto prazo de manifestação após a diligência fiscal, mas o Contribuinte não se manifestou. MÉRITO Sobre a multa aplicada, já foi explicado que não se aplica ao caso o dispositivo legal apontado pelo sujeito passivo (Lei 8.212/91, art. 35, I), mas sim a Lei 8.212/91, art. 35, incisos II e III, vigentes à época do lançamento. Também não se aplica o Código de Defesa do Consumidor, pois não se trata de relação de consumo. Não há que se falar em bis in idem pela cobrança de juros e multa. Não cabe à fiscalização da RFB o direito de questionar a lei, tão somente, zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade fiscal está vinculada, nos termos do CTN, art. 142. Os valores cobrados atendem à disposições legais vigentes à época dos fatos geradores, Lei 8.212/91, artigos 34 e 35, que determinavam: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] Fl. 198DF CARF MF 10 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; [...] Atualmente, para apurar os juros e a multa, aplicase a Lei 9.430/96, artigos 44 e 61: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, diante da alteração da lei que modificou a forma de apuração da multa (Medida Provisória 449/08, convertida na Lei 11.941/09), será considerada a multa mais benéfica ao contribuinte, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09, no momento do pagamento, parcelamento ou execução do crédito. Quanto à utilização da taxa Selic, a matéria encontrase sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 18108.000975/200780 Acórdão n.º 2401004.666 S2C4T1 Fl. 195 11 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, NEGANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002624/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO
A autoridade fiscal autuante fundamentou o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 razão porque não há que se cogitar de nulidade do lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Caracterizam-se rendimentos omitidos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA.
Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
PRESUNÇÃO DE RENDA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Restando comprovada pelo contribuinte a origem de parte dos valores depositados em conta bancária, deve ser excluído da base de cálculo do lançamento.
Numero da decisão: 2401-004.627
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 6.911.785,07 no ano-calendário 2003 e R$ 9.269.032,17 no ano-calendário 2004, conforme indicado no relatório da diligência fiscal. Vencida a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez- Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: Relator
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NÃO CONFIGURAÇÃO A autoridade fiscal autuante fundamentou o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 razão porque não há que se cogitar de nulidade do lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizamse rendimentos omitidos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. PRESUNÇÃO DE RENDA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Restando comprovada pelo contribuinte a origem de parte dos valores depositados em conta bancária, deve ser excluído da base de cálculo do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 24 /2 00 7- 74 Fl. 2228DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 6.911.785,07 no anocalendário 2003 e R$ 9.269.032,17 no anocalendário 2004, conforme indicado no relatório da diligência fiscal. Vencida a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 19515.002624/200774 Acórdão n.º 2401004.627 S2C4T1 Fl. 2.229 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP) DRJ/SPOII, que por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 1723.909 (fls. 1845/1862): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os valores Creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ONUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. São indispensáveis, para a aceitação do empréstimo, a comprovação da efetiva transferência do numerário emprestado, da capacidade financeira do mutuante e da quitação da dívida pelo mutuário, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente nas respectivas datas e valores. A simples apresentação de contrato de mútuo, não registrado, é insuficiente para comprovar a efetiva realização do negócio. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALIENAÇÃO DE VEÍCULO. COMPROVAÇÃO. A alienação de veículo não pode ser acatada como prova de origem de depósito bancário em face da inexistência de documentos hábeis que comprovem a efetividade da venda e a correspondente transferência de recursos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DISPONIBILIDADE FINANCEIRA DO MÊS ANTERIOR. A sistemática de apuração de omissão de rendimentos por meio de depósitos bancários prevê a análise individualizada dos mesmos, não podendo a receita tributada em um mês ser considerada como disponibilidade financeira do mês seguinte. Lançamento Procedente. Fl. 2230DF CARF MF 4 O presente processo teve sua origem no MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF nº 08.1.90.002005029871 (fl. 04) emitido em 01/12/2005, que determinou a fiscalização do Contribuinte, com base nas movimentações financeiras, informadas pelas instituições financeiras, relativas aos anoscalendário 2003 e 2004. O Contribuinte foi intimado (AR fl. 29) em 04/01/2006 através do TERMO DE INÍCIO E INTIMAÇÃO FISCAL (fl. 27/28), lavrado em 02/01/2006, para apresentar documentação referente à sua movimentação financeira nos anoscalendário sob fiscalização. Em 20/01/2006 protocolou junto à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo pedido de dilação do prazo para apresentação dos documentos solicitados (fls. 30/31). A partir de 07/03/2006, o contribuinte encaminhou para a Receita Federal os documentos de folhas 35 a 932, dentre os quais constam pedidos de prorrogação de prazo para entrega dos documentos. Em 31/01/2007 foi emitida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira nº 08.1.90.002007.000986, seguida da juntada dos documentos de fls. 935/1083; RMF nº 08.1.90.002007.000994, seguida dos documentos de fls. 1086/1279; RMF nº 08.1.90.002007.001001, seguida dos documentos de fls. 1282/1494; RMF nº 08.1.90.002007.001010, seguida dos documentos de fls. 1498/1541; RMF nº 08.1.90.00 2007.001028, seguida dos documentos de fls. 1544/1585; RMF´s nºs 08.1.90.002007.00103 6 e 08.1.90.002007.001044, seguidas dos documentos de fls. 1591/1673; RMF nº 08.1.90.00 2007.001052, seguida dos documentos de fls. 1676/1753. Posteriormente, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal para que o contribuinte informasse/comprovasse a origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionadas no demonstrativo de valores adunado ao respectivo termo (fls. 1755/1771). Em 11/09/2007 foi lavrado o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fls. 1796/1804), o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO (fls. 1805/1806), o DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA (fl. 1807), o AUTO DE INFRAÇÃO (fls. 1808/1811) e o TERMO DE ENCERRAMENTO da ação fiscal (fls. 1812/1813), enviados ao Contribuinte pelos correios (AR fl. 1814) e recebidos em 20/09/2007. Foi imputado ao contribuinte uma omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos montantes de R$ 34.006.578,73 (ano calendário de 2003) e R$ 15.181.785,90 (anocalendário de 2004), com a cobrança do Imposto de Renda no valor de R$ 13.526.800,27, acrescido dos juros de R$ 6.072.539,71 e multa proporcional no valor total de R$ 10.145.100,20 (fl. 1808). Em 16/10/2007, o Contribuinte apresentou sua Impugnação (fls. 1815/1835), onde, em síntese, alega que: 1. É corretor de valores mobiliários e por suas contas bancárias transitaram valores de clientes e que muitas vezes acontecia de um mesmo valor ser reaplicado sucessivamente; 2. Após intimado pela fiscalização, relacionou todos os depósitos realizados em suas contas, e que, como pessoa física, não está sujeito à contabilização de sua vida econômica, motivo porque teve Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 19515.002624/200774 Acórdão n.º 2401004.627 S2C4T1 Fl. 2.230 5 dificuldade para identificar a origem de cada depósito bancário, bem como os documentos de comprovação da sua origem; 3. Comprovou perante a Fiscalização que o valor de R$ 796.948,97, questionado pela Receita Federal referiase a um empréstimo feito junto ao Banco Banrisul, em 17/12/2003, e que o valor de R$ 1.827.749,10 correspondia a outro empréstimo realizado junto ao Banco Cruzeiro do Sul, em 29/12/2004; 4. Apesar de comprovadas por documentos hábeis as movimentações bancárias no valor de R$ 170.000,00, correspondente à venda de um veículo, e no valor de R$ 100.000,00, referente ao contrato de mútuo com a empresa Cingular Fomento Mercantil, as explicações não foram aceitas pela fiscalização que entendeu não haver comprovação da origem de todos os recursos; 5. Durante o trabalho da fiscalização, em momento algum se negou a apresentar qualquer informação solicitada; 6. Nas Operadoras também existem controles das operações devido ao IRRF que elas são obrigadas a reter em cada operação; 7. Mesmo diante de toda a documentação apresentada, a fiscalização limitouse apenas a somar todos os depósitos realizados nas suas diferentes contas bancárias sem, contudo, verificar que muitas vezes um mesmo numerário era replicado e voltava às contas bancárias, razão pela qual não seria lícito tributar duas vezes a mesma base de cálculo; 8. De acordo com a legislação, o Contribuinte que atua em bolsa de valores pode, em cada período de apuração, apresentar perdas ou ganhos, sendo que o prejuízo sofrido em um determinado período pode ser compensado no período subsequente; 9. Com relação aos rendimentos que deram origem ao ganho de capital, foram declarados e já tiveram a competente retenção de Imposto de Renda na Fonte por parte das corretoras; 10. Valores tributados em um mês devem ser considerados como renda já tributada no mês seguinte, mormente no caso do contribuinte que atua como corretor de valores e trabalha com o mercado de capitais; 11. É extensa a jurisprudência que se manifesta no sentido de ser ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; 12. Não existe uma correlação lógica, direta e segura entre os depósitos bancários e a omissão de rendimento, tornando inadequada a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, pois nem sempre o volume de depósitos injustificados leva a um rendimento omitido correlato, principalmente no tocante às pessoas físicas; Fl. 2232DF CARF MF 6 13. Pleiteia que seja decretada a improcedência do Auto de Infração lavrado, cancelandose os créditos tributários nele constantes. Alternativamente, requer sejam descontados dos valores lançados as comprovações efetuadas e os ingressos que representam reaplicação do mesmo numerário, considerando a receita tributada em um mês, como disponibilidade financeira do mês seguinte. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 3ª Turma da DRJ/SPOII considerou procedente o lançamento constante do Auto de Infração, mantendo integralmente o crédito tributário lançado. O contribuinte foi notificado do Acórdão de nº 1723.909 em 22/04/2008 (fls. 1863/1864) e em 08/05/2008, não conformado com o teor da decisão proferida pela DRJ/SPOII, apresentou Recurso Voluntário (fls. 1867/1885), onde repete os argumentos da impugnação, acrescentado que: 1. A decisão da DRJ/SPOII não observou que o Recorrente já possuía em sua declaração de bens, anocalendário 2003 e 2004, vários títulos de capitalização aplicados no mercado financeiro que foram resgatados nos anos fiscalizados, e cujo valor depositado em conta bancária não poderia ser tributado, já que eram oriundos de aplicações realizadas em anos anteriores e já tributados; 2. Foram desconsiderados rendimentos isentos e não tributáveis constantes da declaração de IRPF, tais como: lucro de alienação de bens de pequeno valor, lucros e dividendos recebidos de pessoas jurídicas das quais o Contribuinte é sócio. Referidos valores também foram depositados em suas contas bancárias e não são tributáveis. Cita como exemplo o montante de R$ 389.033,00 de lucro recebido em 2003, constante de sua declaração de IR, e de fácil aferição pela base de dados da Receita Federal; 3. Quanto ao ganho de capital, a DRJ/SPOII deixou de considerar que estes foram declarados e se sujeitaram à tributação exclusiva na fonte, não cabendo uma nova tributação quando do seu depósito na conta bancária do Contribuinte; 4. Na falta de normais legais que especifique o que deva ser objeto de uma “contabilidade” e quais os tipos de documentos podem ser considerados “hábil e Idôneo” para serem usados como prova, o Contribuinte fica refém do arbítrio da fiscalização. Para exemplificar cita a não aceitação por parte do Fiscal e da DRJ dos documentos relativos à venda do Veículo Audi. Neste caso, o valor da venda foi de R$ 170.000,00, a operação consta da declaração de IR de 2003, foi dada a respectiva baixa do veículo na declaração de bens e há um depósito na conta corrente do Contribuinte nesse mesmo valor; 5. O outro exemplo de comprovação da origem de depósito não aceita pelo Fiscal e pela DRJ foi o pagamento de um empréstimo feito pelo Contribuinte à empresa Cingular Fomentos Mercantil, através de contrato apresentado à fiscalização. O empréstimo, no montante de R$ 100.000,00, foi pago em 17/09/2003 através de depósito na conta do Contribuinte, mas a fiscalização não aceitou a explicação, pois Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 19515.002624/200774 Acórdão n.º 2401004.627 S2C4T1 Fl. 2.231 7 queria uma prova de que o depósito havia sido feito pela Cingular. O recebedor do empréstimo não tem como investigar a forma em que é feito o depósito pelo devedor; 6. Com relação ao ganho de capital alega que estes foram declarados e tributados na fonte, e que a nova tributação caracteriza uma bitributação; 7. Requer seja decretada a improcedência do Auto de Infração lavrado, cancelandose os créditos tributários nele constantes. Alternativamente, roga que sejam descontados dos valores lançados, as comprovações efetuadas e os ingressos que representam reaplicação do mesmo numerário, considerando a receita tributada em um mês, como disponibilidade financeira do mês seguinte. Em 11/03/2009, antes do julgamento do Recurso Voluntário, o Contribuinte protocolou Petição (fls. 1892/2092) onde junta relatório elaborado pelo contador Paulo Mathias Baptista (fl. 1898), trazendo fatos supervenientes de relevância jurídica. Em 28/09/2009 o Presidente da Segunda Turma Ordinária encaminhou os documentos à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a fim de que esta se manifestasse acerca dos documentos e de sua tempestividade (fl. 2094). Em 05/10/2009 a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou sua manifestação (fls. 2097/2108) onde requereu a desconsideração dos documentos de folhas 1892 a 2092, em face da manifesta intempestividade ou, afastada a preclusão, que os mesmos fossem considerados inidôneos para atestar o pretendido pelo contribuinte. Alternativamente, requereu que os autos fossem baixados em diligência, a fim de que a fiscalização pudesse confrontar os valores constantes no demonstrativo de fls. 1757 a 1771 com os documentos anexados às fls. 1892 a 2092, atestando se estes últimos comprovam a origem dos valores que fazem parte da autuação. Em 09/05/2010 os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, através da Resolução nº 20120.018 (fls. 2116/2120), resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, a fim de que fossem apreciados os documentos de fls. 1892 a 2092, por entender que é ônus da autoridade fiscalizadora excluir da base tributável as transferências entre contas de mesma titularidade. Por ocasião do relatório de diligência circunstanciado (fls. 2193/2199) foi proposta a exclusão dos valores de R$ 6.911.785,07 e R$ 9.269.032,17, da base de cálculo tributável dos anos calendário 2003 e 2004, respectivamente. Em 30/05/2012, via AR (fl. 2200), o Contribuinte teve ciência do RELATÓRIO FISCAL (fls. 2125/2199) e, em 11/06/2012, enviou à Delegacia da Receita Federal sua Manifestação (fls. 2201/2206) onde requereu que fossem acatadas as alegações e as provas produzidas às fls. 1892 a 2092, para reexame da matéria tributária, face ao julgamento equivocado em primeira instância, pleiteando a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do art. 142 do CTN. Alternativamente, requereu a retificação da base de cálculo do imposto lançado, excluindo os valores representativos de “transferências entre contas”, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, bem como a exclusão dos valores cuja origem dos recursos restaram devidamente comprovadas. Fl. 2234DF CARF MF 8 Em 20/11/2012 a 2ª Turma da 1ª Câmara do CARF, através do Acórdão nº 2012000.102, resolveram, por unanimidade, sobrestar o julgamento, por se tratar de debate sobre transferência compulsória do sigilo bancário do Contribuinte para o fisco, matéria em debate no STF sob o rito de repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). É o relatório. Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 19515.002624/200774 Acórdão n.º 2401004.627 S2C4T1 Fl. 2.232 9 Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da Preliminar de nulidade do lançamento por vício material Entendo que não assiste razão ao recorrente quanto à nulidade por vício material. A autoridade fiscal autuante fundamentou o lançamento com base no art. 42, da Lei nº 9.430/96, razão porque não há que se cogitar de nulidade do lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. Ademais, por ocasião da diligência fiscal, o Auditor Fiscal, de forma pormenorizada, analisou individualizadamente os dados e documentos apresentados pelo contribuinte, sempre procurando verificar a comprovação da origem dos créditos dos depósitos bancários sem qualquer alteração na motivação da acusação fiscal originária de omissão de receita em virtude da não comprovação da origem do crédito, ratificando assim o cumprimento da Lei nº 9.430/96 que permite a comprovação dos recursos, mediante documentação hábil e idônea. Rejeito, portanto, a nulidade suscitada. Da Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Segundo o Recorrente, não deve proceder o lançamento fundamentado em depósitos bancários, uma vez que a infração não restou suficientemente demonstrada. A despeito dos depósitos bancários de origem não comprovada, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em Fl. 2236DF CARF MF 10 relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça verificase que foi reconhecida a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo a corte assentado entendimento de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). Esta matéria também se encontra pacificada no âmbito do CARF através da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como se vê, para a caracterização da omissão necessária se faz a intimação do contribuinte objetivando a comprovação da origem dos depósitos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. No caso em tela, o contribuinte foi devidamente intimado para comprovar a origem dos depósitos bancários, tendo, em mais de uma oportunidade, apresentado documentos que, após analisados pela fiscalização, comprovaram a origem de parte dos depósitos. Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 19515.002624/200774 Acórdão n.º 2401004.627 S2C4T1 Fl. 2.233 11 Da Comprovação da origem dos valores depositados Conforme se verifica do Relatório, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do Auto de Infração com vista à constituição de crédito de IRPF relativo aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004. Ao contribuinte foi imputada a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. Em face da manutenção do lançamento pela DRJ São Paulo II (SP), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1867/1885) e, posteriormente, apresentou petição requerendo a juntada de documentos comprobatórios da origem dos créditos, bem como a realização de diligência (fls. 1892/2092). Assim, através da Resolução nº 21020.018 (fls. 2116/2120) a 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção converteu o julgamento em diligência objetivando a análise, por parte da autoridade lançadora, de toda a documentação apresentada às folhas 1892 a 2092. A autoridade lançadora, após a análise da documentação, apresentou Relatório Fiscal (fls. 2125/2199) manifestandose, em cada item específico, sobre o que foi solicitado e concluiu pela exclusão dos valores de R$ 6.911.785,07 e R$ 9.269.032,17, da base de cálculo tributável dos anos calendário 2003 e 2004, respectivamente. Esses valores excluídos correspondem àqueles: · cuja origem estava na transferência entre contas de mesma titularidade (1. RECURSOS ORIUNDOS DE TRANSFERÊNCIAS MESMA TITULARIDADE – fls. 2193/2194); · cuja origem envolveram a participação de corretoras de valores onde ocorreram aplicações em bolsas de valores e futuro (2. RECURSOS ORIUNDOS DE CORRETORAS DE VALORES/RESGATE DE PAPÉIS – fl. 2194); · cuja origem foram comprovadas através de documentação hábil e idônea (4. RECURSOS ORIUNDOS DE OUTRAS FONTES – fls. 2196/2197). Diante da comprovação da origem dos depósitos relativos aos itens 1, 2 e 4 do Relatório Fiscal, após a apreciação individualizada perfectibilizada por ocasião da diligência, entendo correta a exclusão destes valores da base de cálculo tributável. No entanto, com relação aos RECURSOS ORIUNDOS DE PESSOAS JURÍDICAS COM VÍNCULO SOCIETÁRIO – Item 3 (fls. 2194/2196), em que o Recorrente alega que não restou aprofundada as investigações com o fito de comprovar a origem de créditos depositados pelas empresas em que o recorrente é sócio, importante tecer algumas considerações. Afirma o Recorrente em peça complementar ao Recurso Voluntário (fls. 2201/2206), que é sócio majoritário das empresas Stockolos Avendis EB Empreendimentos Intermediações e Participações S/C Ltda e Royster Serviços S/A, e que referidas empresas fizeram diversos depósitos em contas correntes do recorrente, cujos valores eram transferidos para suas contas de investimento. Assevera ser indevida a tributação desses valores por presunção legal considerando que os recursos têm origem comprovada, e que, por se tratar de Fl. 2238DF CARF MF 12 recursos movimentados com registro de empresas, é certa a contabilização e o respectivo registro fiscal dos valores para fins de consideração na determinação do lucro das pessoas jurídicas. De fato, a diligência constatou a origem desses depósitos como sendo de pessoas jurídicas às quais o recorrente detém participação societária, senão vejamos: 3.4. Durante o ano calendário de 2003 a Erste Banking Empreendimentos, Intermediações e Participações S/C Ltda. – CNPJ 05.170.070/000101, efetuou depósitos/creditos no montante de R$ 1.091.556,00; 3.5. Durante o ano calendário de 2004 a Erste Banking Empreendimentos, Intermediações e Participações S/C Ltda. / Stocklos Avendis EB Empreendimentos, Intermediações e Participações Ltda. – CNPJ 05.170.070/000101, efetuou depósitos/creditos no montante de R$ 827.000,00; 3.6. Durante o ano calendário de 2004 a Royster Serviços S/A – CNPJ 05.944.502/000194, efetuou depósitos/creditos no montante de R$ 1.221.500,00; Entretanto, o fiscal não excluiu esses valores da base tributável, justificando tal fato conforme abaixo transcrito: [...] foi verificado que os documentos apresentados pelo fiscalizado, no sentido de comprovar a origem de depósitos/créditos bancários apresentados durante o procedimento fiscal, nunca mencionaram a possibilidade de haver relação com pessoas jurídicas com as quais o contribuinte mantinha/mantém vínculo societário, cabe ao mesmo apresentar documentação demonstrando a que título estes valores circularam nas contas correntes da pessoa física. Esse cuidado se torna maior devido a possibilidade de circular nas contas corrente da pessoa física valores representados por rendimentos tributáveis, rendimentos isentos e não tributáveis, como também recursos pertencentes a própria pessoa jurídica que por conveniência da mesma, passaram pelas contas da pessoa física. Nestes casos fazse necessário apresentar documentos que demonstre cabalmente que os mesmos apenas circularam nas contas corrente da pessoa física, e que posteriormente os recursos foram devolvidos a empresa, através do correspondente débito na conta de onde o mesmo foi creditado e a efetiva entrada na pessoa jurídica. Outro fato que deve ser levado em consideração é a possibilidade do recurso ser depositado/creditado na conta corrente da pessoa física e serem utilizados nas atividades fins da pessoa jurídica, saindo diretamente da conta da pessoa física. Nestes casos deve ficar demonstrado documentalmente todas as transações envolvidas e que as mesmas estavam diretamente vinculadas a pessoa jurídica; [...] Diante do exposto acima, cabe ressaltar que os documentos além de terem sidos apresentados somente neste estágio do processo, ficaram resumidos ao Relatório de Estornos de Levantamento Fiscal; nas cópias de: petição dirigida ao cartório, contrato Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 19515.002624/200774 Acórdão n.º 2401004.627 S2C4T1 Fl. 2.234 13 social, alteração de contrato social, atas de assembleias; conforme relacionados acima e cópias de algumas folhas de extratos bancários das pessoas jurídicas envolvidas; [...] Esta documentação mostrouse insuficiente para comprovar a origem dos recursos reclamados neste item, pois não permite a identificação de forma individualizada a que título esses valores foram depositados/creditados nas contas corrente da pessoa física. Observase que o fato dos documentos terem sido apresentados nesse estágio recursal, não justifica a desconsideração dos mesmos na análise efetuada na Diligência, na medida em que a apresentação dos documentos foi acatada através da Resolução nº 20120.018 (fls. 2116/2120), restando superada esta questão. Igualmente, não há que se falar que caberia ao contribuinte apresentar documentação demonstrando a que título estes valores circularam nas suas contas correntes, tendo em vista que, a simples constatação da origem dos depósitos já afasta a aplicação da presunção legal estabelecida no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/96, cabendo nesse caso a aplicação do § 2º do mesmo dispositivo legal que dispõe sobre o tratamento a ser dado aos valores cuja origem houver sido comprovada. Segundo se depreende deste dispositivo, os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Portanto, reconhecida pela autoridade lançadora a origem dos depósitos, resta afastada a presunção legal que inverte o ônus da prova, cabendo ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas, havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. Logo, neste particular, entendo que restou comprovada a origem dos valores mencionados nos itens 3.4, 3.5 e 3.6 da diligência (fl. 2196), razão porque devem ser excluídos da base de cálculo os montantes de R$ 1.091.556,00, R$ 827.000,00 e R$ 1.221.500,00. Da Origem dos valores do ano calendário de 2003 (venda de veículo e contrato de mútuo) Em seu Recurso Voluntário, o recorrente se insurge contra a decisão de piso que manteve na base de cálculo os créditos de R$ 170.000,00, correspondente à venda de um veículo Audi para a empresa Sorana Comercial Importadora Ltda., e de R$ 100.000,00, referente ao pagamento de um empréstimo relativo ao contrato de mútuo com a empresa Cingular Fomento Mercantil Ltda., por entender que a documentação carreada pelo contribuinte não logrou comprovar suas origens. (Itens 3 e 4 do Termo de Verificação Fiscal fl. 1803). Os documentos indicativos da origem desses recursos não foram objeto de análise da diligência, porém, foram objeto do Recurso Voluntário, através do qual o Recorrente reitera o argumento de que os documentos adunados aos autos comprovam de forma clara os Fl. 2240DF CARF MF 14 negócios jurídicos originários dos valores depositados e entende indevida a manutenção dos valores na base de cálculo tributável. Compulsando os autos, no que tange à venda do veículo Audi para a empresa Sorana Comercial Importadora Ltda., verifico que consta na Declaração de Ajuste Anual relativa ao anobase de 2003 (fl. 12), a aquisição de um veículo Audi pelo valor de R$ 210.000,00 e a venda para a empresa Sorana (empresa que comercializa veículos) pela importância de R$ 170.000,00; somados a essa informação, consta o documento do carro com a transferência assinada (fl. 1789), além do depósito no valor de R$ 170.000,00 (fl. 1285). Entendo comprovada a origem do recurso creditado na conta bancária do contribuinte. Com relação à comprovação da origem do valor de R$ 100.000,00, referente ao pagamento de um empréstimo, verifico a existência de contrato de mútuo com a empresa Cingular Fomento Mercantil Ltda (fls. 1791/1793), depósito efetuado (fls. 537), além desta informação constar na Declaração de Rendimentos do Recorrente (fl. 13). Assim entendo que se encontra comprovada a origem do referido crédito. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 6.911.785,07 no anocalendário 2003 e R$ 9.269.032,17 no anocalendário 2004, conforme indicado no relatório da diligência fiscal, além dos valores constantes dos itens 3.4 (R$ 1.091.556,00), 3.5 (R$ 827.000,00) e 3.6 (R$ 1.221.500,00) do relatório de diligência, e os valores de R$ 170.000,00 e R$ 100.000,00, que tiveram suas origens comprovadas. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 19515.002624/200774 Acórdão n.º 2401004.627 S2C4T1 Fl. 2.235 15 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo da ilustre Conselheira Relatora, no tocante à exclusão dos valores dos depósitos oriundos de pessoas jurídicas com vínculo societário e das alegadas operações de venda de veículo e de contrato de mútuo. Tratase no caso de lançamento efetuado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, na forma do artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996. Ainda que não haja dúvida de que o depósito bancário não representa necessariamente renda ou proventos, o dispositivo acima transcrito criou uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente na hipótese de o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. De fato, a presunção legal transfere ao contribuinte o ônus de desconstituir a acusação de omissão de rendimentos, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, evidentemente, de presunção relativa, passível de ser refutada mediante prova em contrário. Assim, incumbe ao contribuinte, intimado a comprovar a origem dos depósitos, demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem do recurso. A comprovação da origem a que aduz o legislador deve ser de modo a revelar a natureza dos valores depositados, possibilitando à autoridade fiscal auditar o cumprimento das obrigações tributárias pelo beneficiário dos depósitos, averiguando se eles foram submetidos às normas de tributação específicas vigentes à época em que os rendimentos foram auferidos. Deste modo, é necessário que a comprovação da origem possibilite determinar, com certeza, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física, uma vez que a norma legal determina que, na hipótese de comprovação da origem, o agente do Fisco deve verificar se os valores são tributáveis, e sendo tributáveis, se foram submetidos à tributação pelo contribuinte. Deste modo, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes devem ser considerados como rendimentos omitidos. No caso em questão, quanto aos valores oriundos de pessoas jurídicas com vínculo societário, da leitura do item 3 do Relatório Fiscal (fls. 2194/2196), constatase que, no caso dessas operações, o contribuinte logrou comprovar os depositantes, mas não a natureza de cada uma dessas operações, de forma a permitir a verificação pela autoridade fiscal se os valores em questão já teriam sido tributados ou não estariam sujeitos à tributação. Ou seja, os Fl. 2242DF CARF MF 16 documentos juntados confirmam as fontes dos créditos, mas não se prestam a demonstrar as naturezas das operações que os geraram, se tributável ou não. Dessa feita, quanto a esses valores, persiste na fase recursal a situação descrita no auto de infração, uma vez que o contribuinte permanece sem comprovar com documentação hábil tal origem, sendo de manter a tributação dos depósitos de que tratam os itens 3.4, 3.5 e 3.6 do Relatório Fiscal. Quanto à venda de veículo, o contribuinte apresenta o documento de venda à fl. 1789 e o comprovante de depósito em dinheiro à fl. 1285. Ressalta ainda que a venda está consignada em sua DIRPF (fl.12). No tocante à indicação na sua DIRPF, tal fato não o socorre se não lograr juntar comprovação dos fatos declarados à RFB. Como apontado pela decisão a quo, o documento de venda está assinado somente pelo contribuinte, não se prestando a fazer prova a seu favor. Por seu turno, o depósito em questão, no valor de R$170.000,00 em 17/06/2003, foi efetuado em dinheiro, não havendo provas quanto à identificação do depositante. Quanto à operação de mútuo, no valor de R$100.000,00, em 17/09/2003, o contribuinte juntou o contrato de mútuo de fls. 1791/1793 e a indicação de depósito (fl.537). Registra que a operação constou da sua DIRPF (fl.13). Como já mencionado, o fato de estar consignado em sua Declaração de Ajuste, sem a documentação hábil a comprovar a operação, não o socorre. Constatase que o contrato apresentado não foi registrado, tratandose de instrumento particular, podendo ter sido elaborado a qualquer tempo, de acordo com o interesse do contribuinte. Também não é possível identificar o depositante da quantia em tela. Por fim, é de se registrar que o contribuinte também não junta comprovação da quitação do empréstimo. Assim, para essas duas operações, venda de veículo e contrato de mútuo, os documentos apresentados são frágeis e não podem ser opostos ao Fisco. Também não restou comprovada a movimentação dos numerários das contas do comprador do veículo e do credor, respectivamente, para a conta do contribuinte. Nos dois casos, nos extratos bancários, não é possível identificar os depositantes. Assim, para essas duas operações, também deve ser mantida a tributação dos depósitos, uma vez não comprovada suas origens nos termos da legislação de regência. Pelo exposto, voto pela manutenção da tributação dos depósitos oriundos de pessoas jurídicas com vínculo societário e os vinculados às alegadas operações de venda de veículo e de contrato de mútuo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 2243DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.720485/2010-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 85 /2 01 0- 91 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10140.720485/201091 Acórdão n.º 9202004.799 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10140.720485/201091 Acórdão n.º 9202004.799 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10140.720485/201091 Acórdão n.º 9202004.799 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10140.720485/201091 Acórdão n.º 9202004.799 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10140.720485/201091 Acórdão n.º 9202004.799 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10140.720485/201091 Acórdão n.º 9202004.799 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10140.720485/201091 Acórdão n.º 9202004.799 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10140.720485/201091 Acórdão n.º 9202004.799 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10140.720485/201091 Acórdão n.º 9202004.799 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 292DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.720554/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002,2003,2004
DECISÃO PROFERIDA COM PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO MATERIAL. NULIDADE.
A decisão de primeira instância foi proferida com preterição do direito de defesa, na medida em deixou de manifestar-se acerca da negativa de responsabilidade solidária suscitada pela recorrente. Entre as competências previstas de julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRJ) está a exigência do crédito tributário. Julgar a exigência engloba decidir sobre de quem o crédito tributário será exigido, restando clara a competência da DRJ para proferir decisão acerca da solidariedade.
Caracterizada a preterição ao direito de defesa, deve ser anulada a decisão de piso, para que outra seja proferida enfrentando todas as questões suscitadas na peça impugnatória.
Numero da decisão: 2201-003.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o acórdão recorrido e determinar à DRJ o proferimento de nova decisão enfrentando todos os argumentos suscitados.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: Relator
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S. S. LOCACAO DE MAO DE OBRA LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002,2003,2004 DECISÃO PROFERIDA COM PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO MATERIAL. NULIDADE. A decisão de primeira instância foi proferida com preterição do direito de defesa, na medida em deixou de manifestarse acerca da negativa de responsabilidade solidária suscitada pela recorrente. Entre as competências previstas de julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRJ) está a exigência do crédito tributário. Julgar a exigência engloba decidir sobre de quem o crédito tributário será exigido, restando clara a competência da DRJ para proferir decisão acerca da solidariedade. Caracterizada a preterição ao direito de defesa, deve ser anulada a decisão de piso, para que outra seja proferida enfrentando todas as questões suscitadas na peça impugnatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular o acórdão recorrido e determinar à DRJ o proferimento de nova decisão enfrentando todos os argumentos suscitados. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 05 54 /2 00 7- 68 Fl. 3210DF CARF MF Processo nº 10469.720554/200768 Acórdão n.º 2201003.439 S2C2T1 Fl. 3.231 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 1123.294 3 a Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a sua impugnação. O lançamento em questão referese à exigência do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF incidente sobre pagamentos efetuados ou recursos entregues pela autuada a terceiros, não contabilizados e sem comprovação da operação ou a sua causa. As infrações constatadas na ação fiscal e que deram ensejo à lavratura em tela foram minuciosamente descritas no Termo de Verificação Fiscal e podem, conforme excerto do relatório da decisão a quo, ser assim sintetizadas: Contra a empresa acima qualificada foi lavrado, com fundamento no §1° do art. 61 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auto de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte, às fls. 07 a 14, para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 9.274.204,72 (valores principais, multas e juros). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 34 a 49, ela não teria comprovado as operações que deram causa aos pagamentos relacionados às fis. 372/380. A multa de oficio foi agravada nos termos do § 1° do inciso I do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007). Foram lavrados Termos de Responsabilidade Solidária contra Emvipol Empresa de Vigilância Potiguar Ltda, Herbert Florentino Gabriel, Francisco Roberto Maia, Marino Eugênio de Almeida, ADS Segurança Privada Ltda, Cactus Locação de Mão de Obra, Jeane Alves de Oliveira, José Lino da Silva, A & G Locação de Mão de Obra Ltda, Anderson Miguel da Silva e Gilberto Clementino da Silva. Os demais detalhes da ação fiscal estão descritos no sobredito Termo. O auto de infração foi cientificado à contribuinte e aos sujeitos passivos solidários (fls. 542 a 552). Foram apresentadas as impugnações de fls. 564 a 581, 592 a 602, 628 a 656, 663 a 694 e 731 a 762, por meio das quais foi argumentado, em síntese, que: Impugnação das fls. 564 a 581, apresentada por C.S.S. Locação de Mão de Obra Ltda: Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 10469.720554/200768 Acórdão n.º 2201003.439 S2C2T1 Fl. 3.232 3 4.1 terseia operado a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até o dia 14/11/2002; 4.2 o lançamento não se afiguraria legal ou razoável, sob pena de ofensa aos princípios do non bis in idem, do confisco e da capacidade contributiva; 4.3 não teria sido provada a ocorrência de fraude, conluio ou sonegação, de modo que o agravamento da multa seria indevido; Impugnação das fls. 592 a 602, apresentada por A & G Locação de Mão de Obra Ltda: 4.4 seria indevido o arrolamento da empresa A & G Locação de Mão de Obra Ltda como sujeito passivo solidário, dado que não teria sido provada a sua ligação com o caso em questão; Impugnações às fls. 628 a 656, 663 a 694 e 731 a 762, apresentadas por Cactus Locação de Mão de Obra Ltda, ADS Segurança Privada Ltda e Jane Alves de Oliveira. 4.5 terseia operado a decadência do IRRF quanto aos fatos geradores ocorridos nos meses de maio a novembro de 2002; 4.6 seria indevido o arrolamento das empresas Cactus Locação de Mão de obra Ltda., ADS Segurança Privada Ltda. e Jane Alves de Oliveira como sujeitos passivos solidários, dado que não teria sido provada a sua ligação com o caso em questão; 4.7 a multa aplicada teria caráter confiscatório, além do que não poderia ser aplicada contra a Cactus Locação de Mãode obra Ltda e ADS Segurança Privada Ltda e Jane Alves de Oliveira, vez que não lhe teriam dado causa. Demais, o seu agravamento teria sido indevido, vez que não teria restado provada a ocorrência de fraude. Fraude que, inclusive, não poderia ser praticada por pessoa jurídica, dado que se trataria de ato volitivo, que escaparia da seara dos seus atos; Também foram contrapostas alegações aos lançamentos do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins decorrentes da mesma ação fiscal. Cientificados do acórdão, o sujeito passivo e responsáveis solidários apresentaram recursos voluntários tempestivos, alegando, em síntese, que: A decisão recorrida é nula por deixar de apreciar a sujeição passiva. É ilegítima a sujeição passiva conforme apuração da Polícia Federal. Decadência parcial dos créditos exigidos. Houve a comprovação por parte da autuada do motivo dos pagamentos. É o relatório. Fl. 3212DF CARF MF Processo nº 10469.720554/200768 Acórdão n.º 2201003.439 S2C2T1 Fl. 3.233 4 Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Nulidade do acórdão recorrido De início, cumpre tecer algumas considerações sobre o contraditório e a sua incidência no processo administrativo fiscal. O contraditório, previsto na Constituição Federal está intimamente ligado a ampla defesa, nos termos do artigo 5º, LV: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; O conceito de contraditório engloba duas versões complementares, quais sejam: contraditório formal e contraditório material. Contraditório formal é a possibilidade do acusado, no caso o contribuinte, de manifestarse acerca dos fatos que lhe estão sendo imputados. No caso em tela o contraditório formal foi respeitado através da impugnação e do presente recurso. Contraditório material é a garantia de que os argumentos aduzidos pelo réu serão utilizados para a formação do entendimento do julgador. No caso, o contraditório material foi violado pelo acórdão da DRJ ao não julgar os argumentos acerca da solidariedade dos recorrentes. O decisão de piso, ao decidir sobre a incompetência para julgar acerca da solidariedade, aduziu: Fl. 3213DF CARF MF Processo nº 10469.720554/200768 Acórdão n.º 2201003.439 S2C2T1 Fl. 3.234 5 43. Penso que o arrolamento, pela fiscalização, de responsáveis tributários constitui apenas uma informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para a inscrição e execução do débito. Observese que, em procedimento análogo, a Receita Federal também identifica os responsáveis quando do encaminhamento à PFN, para fins de inscrição e execução, de créditos tributários de pessoas jruídicas inaptas, consoante prevê o art. 50 da Instrução Normativa SRF n° 568, de 8 de setembro de 2005: (destaquei) Com a máxima vênia, o entendimento encontrase equivocado. O processo administrativo fiscal tem como fim a constituição definitiva do crédito e não apenas um mero informativo, como fez crer a decisão recorrida. Sobre a sistemática da constituição do crédito, preceitua o CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (destaquei) Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; (destaquei) Notese que o referido sistema trata a impugnação e o lançamento como partes integrantes do procedimento de constituição do crédito tributário. O artigo 142 do CTN é claro quanto a necessidade de identificação do sujeito passivo para a regular constituição do crédito. As tenazes do artigo 145, que são derivadas da garantia do contraditório previsto no art. 5º, LV da Constituição Federal, garantem a impugnação (contraditório formal) e a apreciação (contraditório material) dos fatos e direitos rebatidos nela constante. O Decreto 70.235 trata da impugnação em seu artigo 16, III: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (destaquei). Como visto, a decisão recorrida viola frontalmente a Constituição Federal, o Código Tributário Nacional e o Decreto 70.235/72 por não garantir o contraditório material ao sujeito passivo. Fl. 3214DF CARF MF Processo nº 10469.720554/200768 Acórdão n.º 2201003.439 S2C2T1 Fl. 3.235 6 O art. 224 do Regimento Interno da RFB vigente à época foi outro argumento utilizado pela DRJ para defender o não pronunciamento sobre a solidariedade: Art. 224. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ compete: I julgar, em primeira instância, conforme Anexo V, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, os relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos, à restituição, compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; O próprio argumento expendido DRJ não guarda harmonia com a decisão proferida ao final. Entre as competências previstas no artigo supramencionado está a exigência do crédito tributário. Julgar a exigência engloba decidir sobre de quem o crédito tributário será exigido, restando clara a competência da DRJ para proferir decisão acerca da solidariedade. Assim, entendo que o acórdão recorrido encontrase viciado por mácula que gera sua nulidade, nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.(grifou-se). Conforme visto na descrição e enquadramento legal dos fatos, houve cerceamento do direito de defesa por parte do julgado recorrido, não restando saída diversa da decretação de sua nulidade, conforme competência prevista no artigo 61 do Decreto 70.235/72: Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o acórdão recorrido, determinando à DRJ o proferimento de nova decisão enfrentando todos os argumentos suscitados. Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 10469.720554/200768 Acórdão n.º 2201003.439 S2C2T1 Fl. 3.236 7 Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 3216DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.100256/2002-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para aplicação dos juros Selic.
Numero da decisão: 9303-004.891
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para aplicação dos juros Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 02 56 /2 00 2- 78 Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 3 2 (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 20218.969, da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que deu provimento parcial ao recurso da seguinte forma: · Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à inclusão dos valores de energia elétrica e combustíveis no cálculo do crédito presumido; · Por maioria de votos, em dar provimento para incluir o valor dos insumos aplicados na fabricação de produtos NT no cálculo do crédito presumido; · Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. O Colegiado da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, então, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL PELO IPI. A norma do art. 1º da Lei nº 9.363/96, instituidora do crédito presumido do IPI, reportase ao conceito de produção e não de produto ou estabelecimento industrial. O conceito de produção é o contido no art. 3 2 do RIPI/82. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. IMPOSSIBILIDADE. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 inseriu no seu comando a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo presumidamente calculado. Recurso provido em parte.” Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 5 4 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o acordão 20218.969 que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer em favor do contribuinte o direito a gozo de crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na fabricação de produtos não tributados – NT pelo IPI. Alega, em síntese, que o sujeito passivo, de acordo com o art. 3º da Lei 4.502/64, não pode ser considerado estabelecimento produtor porque esta condição legal é apenas para os produtos sujeitos ao pagamento do imposto (IPI), que o art. 13 da Lei 9.493/1997, excluiu expressamente do campo de incidência do IPI. Em Despacho à fl. 757, o Recurso Especial de Divergência foi admitido. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo que trouxe, entre outros, que: · O crédito presumido de IPI instituído teve a finalidade única e exclusiva de desonerar as exportações das contribuições cumulativas PIS & COFINS, não se condicionando o benefício à condição de produtora e contribuinte do IPI, como consta o recurso especial aviado pela Fazenda Nacional; · A Lei 9.363/96 ao instituir o crédito presumido para ressarcimento das contribuições relativas ao PIS e à COFINS se referiu tão somente a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais; · É inegável que o sujeito passivo é empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, caracterizando a sua produção como industrialização, como apurado no trabalho de verificação fiscal que antecedeu ao julgamento; · É fácil apreender que o fato da mercadoria exportada pelo sujeito passivo estar classificada na TIPI como NT não a impede do exercício do direito em questão, porque a intenção da lei não foi beneficiar somente os produtos tributados pela legislação do IPI, mas toda e qualquer mercadoria produzida no país destinada ao exterior. Por fim, o sujeito passivo, requer que, caso o Recurso Especial da Fazenda Nacional seja conhecido, se negue provimento para confirmar o dispositivo do acórdão Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 6 5 recorrido – que deu provimento parcial ao recurso voluntário para autorizar o crédito presumido da Lei 8.363/96 para produtos exportados classificados na TIPI como NT. Insatisfeito também com o acórdão 20218.969, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial para reforma em parte do r. acórdão no que tange à negativa da correção do ressarcimento pela taxa Selic. Em Despacho às fls. 894/896 foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, pugnando para que seja negado seguimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora. Depreendendose da análise dos recursos interpostos, tenho que, comprovadas as divergências entre os arestos indicados: · Há que se conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, vez que: ü O acórdão recorrido traz o entendimento pelo reconhecimento de se aproveitar créditospresumido de IPI decorrentes de insumos aplicados em produtos NT exportados. ü Enquanto os acórdãos indicados como paradigmas reconheceu que a produção e exportação de produtos NT não dão direito ao créditopresumido do IPI por estarem fora da incidência desse imposto. · Há que se conhecer do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, pois o acórdão recorrido entendeu que não incide atualização pela taxa Selic sobre valores oriundos de ressarcimento de tributos, enquanto que no acórdão paradigma decidiuse que incide atualização pela Selic sobre valores oriundos de ressarcimento de tributos. Contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer, primeiramente, sobre a discussão acerca da possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado). A priori, importante trazer que se trata de exportação de minério de ferro e outros minérios e seus concentrados de classificação fiscal 2601.11.00 – NT – decorrentes de Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 8 7 processo industrial/de beneficiamento. O minério de ferro é encontrado na natureza na forma de rochas, misturado a outros elementos. E, por meio de diversos processos industriais com tecnologia de ponta, o minério é beneficiado para, posteriormente, ser vendido/exportado. Proveitoso trazer que a própria autoridade fazendária em trabalho realizado no setor de mineração Processo no. 10.680.021.822/9915, cuja titularidade pertencia a Ferteco Mineração S/A, incorporada ao sujeito passivo considerou que a obtenção do produto à exportação decorre de processo industrial. A Câmara Superior do Eg. Conselho de Contribuintes ao analisar questão idêntica concluiu que, verbis: " Os produtos fabricados pela Recorrida são minério de ferro tipo sínter feed (2601.11.00) e pelotas aglomeradas de minério de ferro ( 2601.12.00), classificados na TIPI com N/T porém, materializados em processo de industrialização, satisfazendo assim as exigências do art. 1°. da Lei no. 9363/96." (Acórlão no.CSRF/0201.396)[grifos nossos].” Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial/de beneficiamento, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 9 8 Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados/beneficiados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo produtivo ou seja, a industrialização/beneficiamento desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a titulo de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam/beneficiam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, nota se que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. Para a fabricação desse produto NT, resta claro que o sujeito passivo com a disposição de várias matérias primas (minérios) obtém com a industrialização/beneficiamento o produto a ser exportado. Em vista do exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. Passo, então, a analisar a matéria trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo – qual seja, sobre a incidência dos juros Selic nos valores do ressarcimento de crédito presumido de IPI. Tal previsão consta do §4º do art. 39 da Lei 9.250/95, que estabelece: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 10 9 efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997)” Ora, vêse que a Administração Pública tem como interesse a adoção da referida taxa para cobrar um valor através da aplicação de um percentual de um número real e concreto sendo referencial para as demais taxas de juros aplicáveis na economia brasileira. Tal índice possui aplicação cumulada, seja como correção monetária, seja como juros, visando a penalização do pagamento em mora, ou aplicado com conotação indenizatória, tendo em vista possíveis danos patrimoniais. Frisese que a jurisprudência da E. 3ª Turma da CSRF do CARF, aplicando, inclusive, o art. 62 do RICARF, pacífica quanto a supramencionada incidência da Selic para restituição/compensação do montante de tributo pago indevidamente, em face de mora imputável à administração pública, senão vejamos: "Acórdão 9303002.392 Ementa: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. " Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 11 10 E, salientase ainda que a incidência dessa taxa é critério utilizado pelo Fisco para correção dos débitos cobrados do contribuinte em mora, estando assim, por analogia, demonstrado o direito de o mesmo ao proceder a compensação do montante pago indevidamente, embasado, principalmente, no princípio da isonomia. Eis que o mínimo esperado é que o indébito, quando devolvido ou compensado, seja acrescido também de taxa devidamente aplicável para correção do prejuízo sofrido. Portanto, cabe a incidência da taxa Selic para correção do quantum referente ao crédito que tem direito a recorrente. Tal como ocorre, no caso presente, o que entendo que os créditos da recorrente devem, sim, ser corrigidos pela Selic. Caso contrário, representaria enriquecimento ilícito do fisco. Suporta ainda tal entendimento o julgado do processo 16366.000228/2009 37, pela 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF ao proferir em 25/10/2012 o acordão 3802001.418, assim ementado (grifos e destaques meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA PRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADO S À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/P asep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compras de matériaprima, utilizada destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetár ia e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso provido em Parte.” Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 12 11 Em vista do exposto, admito o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Independentemente desse entendimento, importante recordar que o procedimento fiscal de Diligência foi iniciado com a lavratura de Termo de Intimação lavrado pela fiscalização em 3.12.06, cuja cópia e ciência do se deu em 7.12.2006 através dos Correios, mediante Aviso de Recebimento AR, para apresentação dentre outros elementos, do Demonstrativo da apuração da base de cálculo e do benefício fiscal objeto do processo n° 10768.100.256/200278 protocolizado em 26.12.2002, nos moldes do disposto na Lei 9.363/96, conforme solicitação do sujeito passivo. Sendo assim, resta claro a mora da autoridade fazendária em analisar a veracidade do crédito objeto de pedido de ressarcimento. O que resta ainda observar aos que aplicam dessa forma – pela observância do decidido o STJ no REsp 1.150.188 – SP: “TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – IPI – AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIAS PRIMAS ISENTOS – INCIDÊNCIA – PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos a operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Orientação ratificada no julgamento do Recurso Especial representativo de controvérsia 1.035.847/RS, examinado sob o rito do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008. 2. É qüinqüenal a prescrição da ação que pretende reconhecer o direito ao creditamento escritural do IPI. 3. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.” (REsp 1.150.188 SP, Rel. Ministro ELIANA CALMON, julgado em 20/04/2010)” Considerando todo o exposto, voto por conhecer os Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte: Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 13 12 · Negandolhe provimento ao Recurso da Fazenda Nacional; · Dandolhe provimento ao Recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões a respeito das matérias postas em julgamento. Crédito Presumido de IPI Produtos NT Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 15 14 cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 16 15 do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 17 16 (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 18 17 Diante de tudo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação a esta matéria. Taxa Selic no ressarcimento No voto vencido da ilustre relatora ela entende que há permissivo legal para admitir a aplicação da Taxa Selic com base no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95, in verbis: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Ocorre que esse dispositivo legal prevê a incidência da aplicação da Taxa Selic nas compensações decorrentes de restituições de pagamentos a maior ou indevido e não nas hipóteses de ressarcimento de IPI. Isso tornase cristalino da leitura do próprio art. 66 da Lei nº 8.383/91: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) (...) Portanto, a legislação citada não serve de amparo jurídico para a aplicação da Taxa Selic nos ressarcimentos decorrentes de crédito presumido de IPI, pois não se tratam de valores pagos a maior ou indevido. Como vimos tratase de um benefício fiscal previsto em lei. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 19 18 Da mesma forma as jurisprudências da CSRF citadas pela relatora não são aplicáveis ao presente caso, pois decorrem de reconhecimento da incidência da taxa Selic nas situações em que houve oposição indevida do fisco para o aproveitamento do crédito. Mesma observação em relação à jurisprudência citada do STJ, na qual se destaca que, em regra, não é admissível a correção monetária de créditos escriturais do IPI, a não ser nos casos de resistência ilegítima oposta pelo Fisco. Aliás, acaso existisse no presente processo a suposta oposição ilegítima do fisco, teríamos que aplicar o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, abaixo transcrito: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10768.100256/200278 Acórdão n.º 9303004.891 CSRFT3 Fl. 20 19 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Da leitura do referido julgado, podese concluir que de fato não há previsão legal para a aplicação de índices de correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI, sendo certo que o crédito presumido do IPI é um crédito escritural. Porém, abrese uma exceção da incidência da correção monetária nas hipóteses em que há comprovada oposição ilegítima do Fisco no pagamento devido do ressarcimento. O CARF e também esta CSRF tem aplicado referida decisão nas situações em que as Delegacias da Receita Federal indeferem o ressarcimento por alguma razão de direito que posteriormente venha a ser modificada no decorrer do trâmite do processo administrativo fiscal. Situação não existente no presente processo. No presente processo, houve o indeferimento do ressarcimento de crédito presumido do IPI desde o início, tendo em vista que a empresa requerente não tem direito em face da exportação de produtos notados na TIPI como NT (NÃO TRIBUTADOS). Ora, não tendo crédito a ser ressarcido inexistem valores a serem aplicados juros moratórios. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 938DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.916045/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 60 45 /2 00 9- 38 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10783.916045/200938 Acórdão n.º 3402003.910 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10783.916045/200938 Acórdão n.º 3402003.910 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10783.916045/200938 Acórdão n.º 3402003.910 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12266.720886/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/04/2008
EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT.
A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.
RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016.
As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.639
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 10/04/2008 EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado.
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A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente Substituto), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Hélcio Lafetá e Lenisa Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 08 86 /2 01 3- 01 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 12266.720886/201301 Acórdão n.º 3302003.639 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente que formaliza a exigência de multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada (multa regulamentar). Os fatos que ensejaram a cominação da pena foi a desídia da contribuinte agente de navegação, representando empresa operadora de embarcação em viagem internacional que prestou, fora do prazo estabelecido na legislação aduaneira, informação sobre veículo ou carga por ela transportada. Cientificada sobre o teor do auto de infração, a Contribuinte apresentou suas razões de defesa em impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por intermédio do Acórdão 16070.492, cuja ementa se transcreve na parte de interesse: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 10/04/2008 A empresa de transporte internacional deixou de prestar informações sobre carga transportada. Por expressa disposição legal, quaisquer pessoas, físicas ou jurídicas, que, de qualquer forma, contribuam para a prática do ilícito devem responder solidariamente. A retificação ocorreu após intimação da fiscalização, o que inibe a denúncia espontânea. Em momento algum a exigência ora discutida viola os princípios da legalidade e hierarquia de normas, pois não está calcada em Ato Declaratório Executivo, mas sim em artigo de Lei. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário. (...) Irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouledè, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.624, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10280.721580/201198, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 12266.720886/201301 Acórdão n.º 3302003.639 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.624): "Tendo em vista se tratar de recurso voluntário tempestivo1 e que apresenta todos os requisitos formais para seu conhecimento, submetoo a julgamento por este colegiado. A ação fiscal sob julgamento referese à prestação extemporânea de informações retificadoras referentes ao Conhecimento Eletrônico n. 021105089493067 (importação, em 13/06/2011) vinculado à escala n. 11000182350 cuja atracação ocorreu em 30/05/2011 e desatracação em 31/05/2011. A autoridade fiscal considerou que a retificação foi extemporânea porque não ocorreu dentro das 48 horas antes da chegada da embarcação, que é o limite estabelecido pela legislação pertinente2, mais especificamente os arts. 22, II, "d" e art. 45 da Instrução Normativa n. 800/2007. A recorrente define suas funções da seguinte maneira: "(...) é uma reconhecida empresa que exerce a atividade de agenciamento marítimo para diversos armadores estrangeiros que necessitam de representantes no país para auxiliálos nas operações de carga e descarga; emissão de documentos; suporte técnico aos navios; abastecimento em geral; etc". E, por esse motivo, defende que o entendimento acolhido pelo colegiado que julgou improcedente a impugnação não merece prosperar, já que: "(...) não se confunde a figura do agente marítimo, que opera na modalidade 'NVOCC', na consolidação/desconsolidação documental, responsável pela unitização/desunitização de cargas, com a figura de transportador. (...) 13. Sendo a Recorrente mera mandatária do transportador no momento do registro das informações junto ao SISCOMEX, não é possível sua responsabilização por eventuais erros cometidos pelo transportador, tampouco a ele se equipara para fins de responsabilidade tributária para os efeitos do DecretoLei n. 37/66, o que demonstra que o entendimento mantido no acórdão ora recorrido resta equivocado". A recorrente destaca, ainda, que não há no auto de infração provas que a identifique como empresa transportadora ou responsável por prestar as informações ao Siscomex. 1 A contribuinte foi considerada intimada sobre o teor do acórdão recorrido em 28/12/2015, conforme certifica o Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Posta DTE à folha 97 dos autos eletrônicos. Por sua vez, o recurso voluntário foi protocolizado em 22/01/2016, conforme registrado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada à folha 149 dos autos eletrônicos. 2 Art. 37 do DL 37/1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27/12/2007, e; art. 673 do Decreto n. 6.759, de 05/02/2009. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 12266.720886/201301 Acórdão n.º 3302003.639 S3C3T2 Fl. 5 4 Defende que a hipótese dos autos amoldase a denúncia espontânea prevista no art. 102 do DL 37/663, com a redação conferida pela Lei n. 12.350/2010, já que as informações mencionadas na autuação foram prestadas muito antes da lavratura do auto de infração e do início de qualquer procedimento fiscal. Afirma que o procedimento fiscal só ocorreu porque a própria recorrente retificou as informações já consignadas. Em 22/04/2016 a recorrente acosta petição aos autos, informando a superveniência de fato relevante, que foi a edição da Solução de Consulta COSIT n. 02, de 04/02/2016, que foi assim resumida: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto Lei n. 37/1966, com a redação dada pela Lei n. 10.833/2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB n.800, de 27/12/2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos legais: DecretoLei n.37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB n. 800, de 27 de dezembro de 2007. Ressalta, ainda, que as Soluções de Consulta COSIT, por força do disposto no art. 9º da Instrução Normativa n. 1.396/2013, possuem efeito vinculante perante a Administração Tributária, razão pela qual o entendimento nelas consagrado deve ser observados pelas autoridades fiscais, e respaldo o sujeito passivo que o aplicar, independentemente de ser o consulente. Razão assiste a recorrente. Se depreende do precedente abaixo que a determinação consagrada pela COSIT vincula a todos no âmbito administrativo, inclusive os julgadores: Com efeito, a Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. (Acórdão n. 3301002.880, proferido em 15/03/2016 pela 1ª Turma da 3ª Seção de Julgamentos). Tendo em vista que a autuação fiscal ocorreu não pela extemporaneidade na apresentação de informações, mas sim pelo atraso na 3 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 2º. A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 12266.720886/201301 Acórdão n.º 3302003.639 S3C3T2 Fl. 6 5 retificação das informações já prestadas, é de rigor a exoneração da multa imposta, em conformidade com o que dita a Solução de Consulta COSIT n. 2, de 4 de fevereiro de 2016. Assim, pelas razões já esclarecidas, dou provimento ao recurso voluntário apresentado por CMA CGM do Brasil Agência Marítima Ltda." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência do acórdão da DRJ em 17/12/2015, apresentação do RV em 15/01/2016). E, da mesma forma que no caso do paradigma, o motivo da exigência da penalidade nestes autos foi a retificação de informações prestadas anteriormente, retificação/alteração que o Fisco considerou como efetuada fora do prazo. Portanto, aplicável ao presente litígio, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, a Solução de Consulta COSIT nº 2, de 4 de fevereiro de 2016. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dérouledè Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720033/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
ALÍQUOTA GILRAT. FAP.
A alíquota GILRAT é determinada de acordo com a atividade preponderante da empresa e respectivo grau de risco, e a partir de janeiro de 2010 deve ser multiplicada pelo FAP.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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FAP. Recorrente SUPERMERCADOS VIANENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ALÍQUOTA GILRAT. FAP. A alíquota GILRAT é determinada de acordo com a atividade preponderante da empresa e respectivo grau de risco, e a partir de janeiro de 2010 deve ser multiplicada pelo FAP. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 33 /2 01 4- 85 Fl. 3526DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, referente a diferença de contribuição social previdenciária da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), no período de 01/10 a 12/12, inclusive 13º. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 83/88) o contribuinte declarou, em GFIP, o código CNAE correto, qual seja, Cód. 4711302, correspondente à atividade preponderante da empresa. Contudo, informou a alíquota GILRAT de 2%, quando o correto seria de 3%, pois foi majorada pelo Decreto 6.957/09, que alterou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Além disso, o contribuinte informou, para todo o período, de forma incorreta, o Fator Acidentário de Prevenção FAP igual a um, desconsiderando os valores FAP definidos anualmente pelo MPS. As bases de cálculo da contribuição lançada foram declaradas pela empresa em GFIP. Também consta no Relatório Fiscal que a empresa foi intimada, Termo de Intimação Fiscal 001, a prestar esclarecimentos sobre as informações prestadas em GFIP a respeito do CNAE, alíquota GILRAT e FAP. Em resposta a empresa afirmou que as alíquotas GILRAT e FAP estavam corretas. Intimada a retificar a GFIP, a empresa não o fez. Em documento de fl. 113 consta declaração da empresa na qual afirma que utilizou 2% para RAT nos anos 2009, 2010, 2011 e 2012, e o multiplicador FAP 1. Cientificado do lançamento em 18/3/14 (assinatura à fl. 3), o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 0367.338, fls. 3.477/3.482, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS Toda empresa está obrigada a recolher a contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a totalidade da remuneração paga a todos os segurados que lhe prestam serviços. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 16/4/15 (Aviso de Recebimento AR de fl. 3.487), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/5/15, fls. 3.490/3.496, que contém, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação, em síntese: Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 15563.720033/201485 Acórdão n.º 2401004.756 S2C4T1 Fl. 3.527 3 Aponta o conceito de atividade preponderante, cita o RPS, art. 202, e diz que é competência da empresa realizar seu próprio enquadramento. Argumenta que para a fiscalização da RFB revisar o auto enquadramento, deve observar as atividades desenvolvidas pela empresa no período em análise. Descreve as atividades desenvolvidas no período de 01/10 a 12/12 (comércio varejista em lojas especializadas, comércio varejista de produtos alimentícios em geral, comércio varejista de produtos alimentícios industrializados além de outros produtos não alimentícios e comércio varejista de produtos alimentícios variados) e afirma que se enquadra no CNAE 47296/99, cuja alíquota GILRAT, segundo o anexo V do RPS, é de 2%. Explica que não ocorreu o erro indicado pelo auditor, mas sim a declaração errônea do CNAE 47113/02, o qual deveria ter sido 47296/99. Entende que o erro de declaração do CNAE na GFIP não é suficiente para mudar a realidade fática das atividades preponderantes no período e que a autuação carece de motivo, devendo o lançamento ser declarado improcedente. É o relatório. Fl. 3528DF CARF MF 4 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. CNAE, GILRAT e FAP O lançamento teve por base o que determina a Lei 8.212/91, art. 22, II: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. [...] § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. O RPS, ao regular o disposto na Lei 8.212/91, art. 22, dispõe que: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 15563.720033/201485 Acórdão n.º 2401004.756 S2C4T1 Fl. 3.528 5 I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. [...] § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (grifo nosso) § 6o Verificado erro no autoenquadramento, a Secretaria da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias à sua correção, orientará o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. [...] § 13. A empresa informará mensalmente, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, a alíquota correspondente ao seu grau de risco, a respectiva atividade preponderante e a atividade do estabelecimento, apuradas de acordo com o disposto nos §§ 3o e 5o. Art. 202A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinqüenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção FAP. [...] § 5o O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de freqüência, gravidade, Fl. 3530DF CARF MF 6 custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAESubclasse. O CNAE informado pela empresa em GFIP, verificado pela fiscalização, foi o 47113/02 Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios supermercados. A alíquota GILRAT atribuída a esse CNAE era de 2%, sendo alterada para 3% pelo Decreto 6.057, de 9/9/09, no qual consta que: Art. 4o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo seus efeitos, quanto à nova redação dada ao Anexo V do Regulamento da Previdência Social, a partir do primeiro dia do mês de janeiro de 2010, mantidas até essa data as contribuições devidas na forma da legislação precedente. A empresa alega que informou CNAE errado e que o correto seria 47296/99 Comércio varejista de produtos alimentícios em geral ou especializado em produtos alimentícios não especificados anteriormente, para o qual a alíquota GILRAT é de 2% (antes da alteração promovida pelo Decreto 6.057/09 a alíquota para esse CNAE era 1%). O objetivo social da empresa, conforme contrato social, fls. 233/238, item II, é a distribuição e o comércio atacadista e varejista de mercadorias em geral com predominância de produtos alimentícios supermercados [...]. Da análise dos autos, especialmente a declaração da empresa de fl. 113, na qual alega que em 2009 declarou em GFIP alíquota GILRAT de 2%, e o entendimento de que declarou a alíquota correta para o período de 2009 a 2012, acrescido do objeto social da empresa e as atividades que ela mesma descreve no recurso, verificase que o CNAE correto para sua atividade é o que ela mesma informou em GFIP, 47113/02, considerado como correto pela fiscalização, por ser sua atividade preponderante. Acrescentese que a empresa também não declarou em GFIP o multiplicador FAP correto (informou FAP 1), o qual foi considerado no lançamento e ela sequer se defende disso. Vêse que a empresa sempre declarou o CNAE adequado à sua atividade preponderante 47113/02, para o qual, até 2009, era atribuído alíquota GILRAT de 2%. Contudo, não acompanhou a mudança na legislação e continuou a informar a alíquota GILRAT de 2% (que passou a ser de 3% a partir de 2010) e colocou 1 no campo da GFIP destinado ao FAP. Após a autuação, na tentativa de desconstituir o crédito tributário apurado, a autuada tentou alegar que seu CNAE era outro, mas sem sequer comprovar sua alegação ou promover qualquer alteração nas GFIPs, apesar de intimada para tal. Acrescentese que de acordo com o RPS, art. 225, § 1º, as informações prestadas nas GFIPs constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento. E ainda o disposto no § 4º desse mesmo artigo, que determina: “O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa”. Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 15563.720033/201485 Acórdão n.º 2401004.756 S2C4T1 Fl. 3.529 7 Assim, correto o procedimento fiscal que constatou o correto enquadramento no CNAE, atribuiu a alíquota GILRAT correspondente a ele e ainda aplicou o índice correto do FAP, constituindo o crédito tributário relativo à diferença de GILRAT. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, NEGANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 3532DF CARF MF
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Numero do processo: 15922.000271/2008-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 30/04/2000
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. DECADÊNCIA
Existindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 150, §4o. do CTN. Para fins de caracterização de existência ou não de recolhimento antecipado, deve-se considerar o total da remuneração dos empregados, considerando-se, assim, como antecipação os recolhimentos efetuados para os segurados cujo vínculo empregatício já havia sido reconhecido pela autuada.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites, é necessário que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade e aplicação da retroatividade benigna deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para aplicar a retroatividade benigna de acordo com a Portaria PGFN/RFB n° 14/2009 e afastar a decadência da contribuição relativa à competência 12/1999, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. DECADÊNCIA Existindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 150, §4o. do CTN. Para fins de caracterização de existência ou não de recolhimento antecipado, devese considerar o total da remuneração dos empregados, considerandose, assim, como antecipação os recolhimentos efetuados para os segurados cujo vínculo empregatício já havia sido reconhecido pela autuada. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites, é necessário que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade e aplicação da retroatividade benigna deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 02 71 /2 00 8- 04 Fl. 458DF CARF MF 2 provimento parcial para aplicar a retroatividade benigna de acordo com a Portaria PGFN/RFB n° 14/2009 e afastar a decadência da contribuição relativa à competência 12/1999, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 9202005.222 CSRFT2 Fl. 459 3 Relatório Tratase de lançamento de crédito previdenciário contra o notificado em referência o qual tem por objeto contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados que executaram obras diversas e que não constavam na folha de pagamento do notificado, correspondentes a parcela dos segurados, não descontada, bem como contribuição patronal e a destinada a terceiros. Conforme consta do relatório fiscal. fls. 65 e seguintes 3Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a) PAPEL DE TRABALHO "CPF" — CONSTRUÇÃO CIVIL PESSOA FÍSICA ATÉ 12/98; b) PAPEL DE TRABALHO "CPS" CONSTRUÇÃO CIVIL PESSOA FÍSICA — PERÍODO GFIP — 01/99 A ... 3.1Estes papéis de trabalho (ou levantamentos) contêm as remunerações pagas aos segurados caracterizados como empregados (Papel de Trabalho "CPF" até 12/98) e Papel de Trabalho "CPS" (a partir de 01/99 — período GFIP), por serviços prestados ao clube, conforme constatado. Tratase de profissionais pedreiros, serventes, empreiteiros carpinteiros e pintores que mediante contrato executaram obras diversas, tais como edificação da Portaria e Secretaria, Sala para atendimento de primeiros socorros, muros e canaletas, pisos, azulejos, peças sanitárias e granitos no prédio da sauna, assoalho, forro e pintura do prédio da sauna. Consta a matricula CEI 21.076.0151272, na qual o contribuinte vem efetuando sistematicamente desde 11/95 recolhimentos relativos a três ou quatro empregados constantes de sua folha de pagamento, elaborada até 07/2002 sem separação dos demais funcionários. Esta irregularidade consta, juntamente com outras, no Auto de Infração n°35.707.2243. 40 contribuinte não apresentou parte dos documentos contabilizados, Folhas de Pagamento de Autônomos ou relação na qual constem as remunerações que serviram de base de cálculo para os recolhimentos efetuados. Por esse motivo, não foi possível deduzir a contribuição patronal relativa a esses profissionais, uma vez que não há como identificar se integraram os recolhimentos realizados pelo contribuinte. De qualquer forma, os recolhimentos foram alocados em sua totalidade para o papel de trabalho "FP", constante da NFLD 35.654.3811, sem sobras de recolhimento. Justificase assim a integralidade deste lançamento. Anexamos a este Relatório Fiscal a planilha "PAGAMENTOS A PESSOAS FISICAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL — CARACTERIZAÇÃO COMO EMPREGADOS", a qual contém a competência, o nome do prestador, o número, a página e ainda a Conta do Livro Diário, onde esse lançamento está registrado. Fl. 460DF CARF MF 4 A autuada apresentou impugnação, tendo o Ministério da Previdência Social/Secretaria da Receita Previdenciária julgado o lançamento procedente (fls. 128/143). Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 30/09/20121, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403000.805, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 12/1999, com base no art. 150, §4º do CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 30/04/2000 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA PARCIAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N. 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 150, §4º CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam da prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150. º4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N. 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art. 62A, esse Conselho deve produzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça preferidas em conformidade com o art. 543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n. 973.733/SC decidiu que o art. 150, §4º do Código Tributário Nacional só será aplicado quando for constatada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, será aplicado o art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 9202005.222 CSRFT2 Fl. 460 5 CORRESPONSÁVEIS. SÓCIOS. NOTIFICAÇÃO FISCAL. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO, A indicação de sócios na Notificação Fiscal não pode ser interpretada como conduta prejudicial ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sóciosgerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SEBRAE. Submetemse à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta como incentivo. SAT. Contribuição adicional para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, para empresas cuja atividade preponderante ofereça risco de acidente do trabalho considerado leve, médio ou grave. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 17/11/2011 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 05/12/2011, Embargos de Declaração alegando omissão do acórdão embargado, quando não indicou em quais elementos probatórios lastreou sua conclusão para fundamentar sua convicção sobre a existência de recolhimentos antecipados, e quando não se pronunciou expressamente quanto à tese adotada para o reconhecimento da decadência. Alegou, também, contradição do acórdão quando invoca a tese da decadência adotada no STJ, o qual entende que as competências/rubricas que não forem objeto de recolhimento estarão sob o manto do art. 173, I, do CTN. Os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional foram conhecidos restando o Acórdão 2403001190, que conheceu dos Embargos de Declaração para negarlhe provimento, mantendo a decisão do acórdão 2403000.805 em todos os seus termos. Novamente intimada em 10/04/2012, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 11/04/2012, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) decadência, e b) retroatividade benigna Obrigação Acessória. Fl. 462DF CARF MF 6 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 788/2012, da 4ª Câmara, de 05/11/2012. O recorrente traz como alegações, em relação ao item “a” – decadência, que: · os discriminativos de fls. 12/14 apresentados pela fiscalização demonstram que a antecipação do recolhimento dos tributos não ocorreu em todas as competências descritas no lançamento, motivo pelo qual tornase necessária para estas, a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. · no presente feito, não se operou lançamento por homologação algum, afinal, o contribuinte não antecipou o pagamento das contribuições lançadas e, por conta disso, procedeuse ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN, que assim dispõe: · o STJ, ao interpretar a combinação entre os dispositivos dos arts. 150, §4º e 173, I, ambos do CTN, já pacificou o entendimento, no julgamento de matéria objeto de recursos repetitivos, entendendo que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN. · o acórdão recorrido, a despeito dessas ponderações e da dicção do art. 173 do CTN, aplicou o prazo de decadência quinquenal, a contar da data de ocorrência do fato gerador, concedendo ao contribuinte uma decisão muito mais favorável do que ela obteria junto ao próprio Poder Judiciário. · Em relação ao item “b” retroatividade benigna obrigação acessória, o recorrente requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403000.805, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 23/01/2013, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 9202005.222 CSRFT2 Fl. 461 7 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 386. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito As questão objeto do recurso referemse, resumidamente, a regra para aferição da decadência quinquenal, bem como, a retroatividade benigna quanto à natureza das multas aplicadas nos autos de infração de contribuições previdenciárias após a MP 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Da decadência Quanto ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD/AIOP, antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 464DF CARF MF 8 Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para Fl. 465DF CARF MF Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 9202005.222 CSRFT2 Fl. 462 9 que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito no relatório deste voto, tratase de lavratura de NFLD com o objetivo de apurar e constituir as contribuições previdenciárias, face a caracterização da condição de segurado empregado de pessoa física contratada para executar serviços de construção civil, contudo, não foram efetivados os devidos registros. Dessa forma, embora a base do recurso é pela aplicabilidade do art. 173, I do CTN, face a ausência de demonstração de recolhimento antecipado para todas as competências, entendo que nunca se poderia considerar recolhimento antecipado em relação a segurados que nem mesmo o recorrente considerava como segurados da previdência social. Essa constatação pode ser extraída do próprio relatório fiscal, senão vejamos: 40 contribuinte não apresentou parte dos documentos contabilizados, Folhas de Pagamento de Autônomos ou relação na qual constem as remunerações que serviram de base de cálculo para os recolhimentos efetuados. Por esse motivo, não foi possível deduzir a contribuição patronal relativa a esses profissionais, uma vez que não há como identificar se integraram os recolhimentos realizados pelo contribuinte. De qualquer forma, os recolhimentos foram alocados em sua totalidade para o papel de trabalho "FP", constante da NFLD 35.654.3811, sem sobras de recolhimento. Justificase assim a integralidade deste lançamento. Anexamos a este Relatório Fiscal a planilha "PAGAMENTOS A PESSOAS FISICAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL — CARACTERIZAÇÃO COMO EMPREGADOS", a qual contém a competência, o nome do prestador, o número, a página e ainda a Conta do Livro Diário, onde esse lançamento está registrado. No caso, entendo que os argumentos do acórdão recorrido de que existem recolhimentos antecipados: "No presente caso, foi verificada a ocorrência de recolhimento antecipado em razão das diferenças constatadas nos Discriminativos de Débito", o que ensejaria a aplicação da regra decadencial vertida no art. 150, §4º do CTN, não se mostra a mais adequada ao caso concreto. Realmente, quando apuradas diferenças de contribuições sobre um mesmo fato gerador para um mesmo segurado, ou mesmo, lançamento de contribuições previdenciárias sobre rubricas de pagamentos realizadas a segurados da previdência social, em que promoveu o sujeito passivo o recolhimento sobre a remuneração básica do segurado, podemos entender pela existência de antecipação de pagamento, todavia, não é o que encontramos no presente lançamento. O lançamento em questão, conforme descrito anteriormente, referese: "PAGAMENTOS A PESSOAS FISICAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL — CARACTERIZAÇÃO COMO EMPREGADOS", ou seja, inexistia recolhimento de contribuições previdenciárias para esse segurado, sob qualquer forma, razão pela qual entendo correta a aplicação do art. 173, I do CTN. Fl. 466DF CARF MF 10 No caso, o recolhimento efetivado pelo contribuinte, inclusive descrito nos relatórios de apresentação de documentos, não se prestam a conferir guarida a tese do art. 150, §4º do CTN, justamente porque o contribuinte não descrevia o segurado como integrante do sistema da previdência social, nem mesmo figurou em sua folha de pagamento, seja na condição de empregado ou contribuinte individual, o que pode ser ratificado pela ausência de informação em GFIP desse segurado, o que demonstra não ter, em momento algum, composto a base de cálculo das contribuições recolhidas pelo sujeito passivo. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 20/12/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 23/12/2004. Os fatos geradores sob reapreciação envolvem as competência 11/1998 a 11/1999. Dessa forma, a luz do art. 173, I do CTN, considerando a inexistência de recolhimentos, deve ser afasta a decadência as competências 12/1998 a 11/1999. Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou o " recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91,com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: Fl. 467DF CARF MF Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 9202005.222 CSRFT2 Fl. 463 11 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no Fl. 468DF CARF MF 12 caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e Fl. 469DF CARF MF Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 9202005.222 CSRFT2 Fl. 464 13 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da Fl. 470DF CARF MF 14 contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 9202005.222 CSRFT2 Fl. 465 15 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 472DF CARF MF 16 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para: (1) seja afastada a decadência das competências 12/1998 a 12/1999 (2) que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso discordar de seu posicionamento quanto à necessidade de existência de antecipação de pagamento específica para os segurados aqui caracterizados como empregados, para fins de adoção da contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4o. do Código Tributário Nacional. Explico. A propósito, noto que o instituto da decadência referese à perda do direito de constituição do crédito tributário, decorrente da fluência do prazo assim denominado decadencial, remetendose assim, tal instituto, necessariamente, à ocorrência, no mundo dos Fl. 473DF CARF MF Processo nº 15922.000271/200804 Acórdão n.º 9202005.222 CSRFT2 Fl. 466 17 fatos, do descrito na hipótese de incidência (ou seja, à ocorrência do fato gerador). Assim, entendo que também a adoção de uma ou outra forma de contagem do prazo decadencial deve se remeter à hipótese de incidência, assim, devendose caracterizar se houve ou não recolhimento antecipado, para fins de aplicação da regra decadencial, para cada um dos fatos geradores que pode ensejar a constituição do crédito tributário de ofício através do lançamento. Feita tal digressão, entendo que, na seara de contribuições previdenciárias, e, destarte, também mais especificamente no que diz respeito as hipóteses de incidência objeto da presente autuação, sempre se está a remeter, nas hipóteses de incidência, ao total das remunerações pagas aos segurados empregados, sendo, assim, de se reconhecer como antecipação de pagamento o recolhimento realizado sobre a folha de pagamento dos empregados cujo vínculo se reconheceu, mesmo quando se está a lançar contribuições devidas referentes à posterior caracterização de vínculo de empregados inicialmente não pertencentes à referida folha. No caso em questão, verifico ter havido, na forma de efls. 30 e 38 (estabelecimento 21.076.01512/72) e efls. 36 e 41 (estabelecimento: 44.711.166/000191) recolhimento sobre a folha de pagamento de empregados para as contribuições sob análise nas competências objeto de litígio (12/98 a 12/99), devendose assim, considerandose ter o lançamento sido cientificado ao contribuinte somente em 23/12/2004, afastar a decadência somente para a competência de 12/1999, com fulcro na contagem estabelecida pelo art. 150, §4o. do CTN. Assim, quanto à matéria decadencial, divergindo da nobre Relatora, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda, a fim de que, uma vez constatada a existência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial seja contado na forma do art. 150, §4o. do CTN, afastandose, desta forma, a decadência somente para a competência de 12/99. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 474DF CARF MF
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