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Numero do processo: 10380.906793/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.597
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.906793/200945 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.597 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente B. M. CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 06 79 3/ 20 09 -4 5 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, "diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada".. Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º semestre de 2005. Em 28/05/2009, o contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.583, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.900409/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.583): "Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 2º trimestre de 2000, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). No entanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 4 3 e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, mediante a escrituração fiscal e contábil, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado. Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e anexou documentos que comprovariam sua pretensão. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 5 4 endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 6 5 indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996." Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 7 6 anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905924/2008-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-03T23:32:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-03T23:32:38Z; Last-Modified: 2019-02-03T23:32:38Z; dcterms:modified: 2019-02-03T23:32:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:9d0c5e78-8f7e-4623-a65e-3b33abf38aca; Last-Save-Date: 2019-02-03T23:32:38Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-03T23:32:38Z; meta:save-date: 2019-02-03T23:32:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-03T23:32:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-03T23:32:38Z; created: 2019-02-03T23:32:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-02-03T23:32:38Z; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-03T23:32:38Z | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.905924/200848 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.629 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria COFINS. PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 24 /2 00 8- 48 Fl. 82DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11020.905924/200848 Acórdão n.º 3001000.629 S3C0T1 Fl. 3 3 produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte Fl. 84DF CARF MF 4 comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11020.905924/200848 Acórdão n.º 3001000.629 S3C0T1 Fl. 4 5 atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Fl. 86DF CARF MF 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11020.905924/200848 Acórdão n.º 3001000.629 S3C0T1 Fl. 5 7 tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente,. da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.720321/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2010
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2010
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.498
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2010 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2010 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16366.720321/201186 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.498 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2010 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2010 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 03 21 /2 01 1- 86 Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de PIS NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.054, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720677/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003
FATO SUPERVENIENTE. PORTARIA DE HABILITAÇÃO AO INOVAR-AUTO COM EFICÁCIA RETROATIVA.
Restando comprovada a habilitação da empresa adquirente mediante a publicação de Portaria do Ministério de Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior com eficácia retroativa à época do fato gerador, tem-se o regular cumprimento dos requisitos postos em lei para a fruição dos benefícios fiscais previstos no programa INOVAR-Auto.
Numero da decisão: 3401-005.697
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, no que se refere ao crédito decorrente da não habilitação no regime INOVAR-AUTO, revertida com efeito retroativo em Portaria do MDIC.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2003 FATO SUPERVENIENTE. PORTARIA DE HABILITAÇÃO AO INOVAR-AUTO COM EFICÁCIA RETROATIVA. Restando comprovada a habilitação da empresa adquirente mediante a publicação de Portaria do Ministério de Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior com eficácia retroativa à época do fato gerador, tem-se o regular cumprimento dos requisitos postos em lei para a fruição dos benefícios fiscais previstos no programa INOVAR-Auto.
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PORTARIA DE HABILITAÇÃO AO INOVARAUTO COM EFICÁCIA RETROATIVA. Restando comprovada a habilitação da empresa adquirente mediante a publicação de Portaria do Ministério de Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior com eficácia retroativa à época do fato gerador, temse o regular cumprimento dos requisitos postos em lei para a fruição dos benefícios fiscais previstos no programa INOVARAuto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, no que se refere ao crédito decorrente da não habilitação no regime INOVARAUTO, revertida com efeito retroativo em Portaria do MDIC. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 06 77 /2 01 5- 82 Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 727 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 698 e seguintes) contra acórdão dessa Turma, proferido em 26.09.2017, em razão de alegada omissão na análise de fato superveniente à interposição daquele Recurso Voluntário. Da Decisão O acórdão proferido por essa Turma foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 INOVAR AUTO. CANCELAMENTO DE HABILITAÇÃO SUB JUDICE. Cancelada a habilitação do encomendante no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores INOVAR AUTO, deve ser igualmente afastada a redução de alíquota do imposto sobre produtos industrializados vinculada ao programa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 INFORMAÇÃO. OMISSÃO. MULTA. A multa, prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/01, deve ser aplicada ao importador que omitir ou prestar de forma inexata informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 728 3 São obrigados ao pagamento, como contribuinte originário, o importador de produtos de procedência estrangeira, com relação aos produtos tributados que importar (Lei nº 4.502/64, art. 35, inc. I, alínea “b”; e Decreto nº 7.212/10, art. 24, inc. I), solidariamente responsáveis, com o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37/66, art. 32, parágrafo único, alínea “d”; e Decreto nº 7.212/10, art. 27, inc. IV). Por prática de infração, respondem, conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei no 37/66, art. 95, inc. VI, com a redação dada pela Lei no 11.281/06, art. 12; e Decreto nº 6.759/09, art. 674, inc. VI). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 DUPLICIDADE DE INTIMAÇÕES VÁLIDAS. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo, do art. 33, do Decreto nº 70.235/72, para interposição de recurso voluntário é contado a partir da ciência válida da decisão de primeira instância. Eventual renovação de intimação, posteriormente, não tem forças para reabrir o prazo, sendo este peremptório. Recurso Voluntário Negado Dos Embargos Irresignada com o resultado do julgamento, a Contribuinte tomou ciência da decisão em 26/10/2017, vindo a opor Embargos de Declaração com fulcro no artigo 65, do RICARF, em razão de a Turma não haver se manifestado sobre fato relevante e superveniente ao Recurso à época apresentado e que foi levado a conhecimento do relator antes da sessão de julgamento em petição regularmente juntada aos autos. Assim, aproveito, como síntese, o breve resumo extraído do Despacho de Admissibilidade dos presentes: O embargante entende que acórdão foi omisso a respeito da habilitação em definitivo da empresa encomendante no programa INOVARAUTO, por meio de Portaria do Ministério do Desenvolvimento. Indústria e Comércio MDIC n° 244/2016, publicada em 04/10/2016, com efeito retroativo à data dos fatos geradores considerados na autuação. Lembra que noticiou nos autos, em petição protocolada em 17/03/2017, a edição da referida Portaria, que, em art. 2o, estabelece que “A habilitação tem vigência de 1° de agosto de 2013 até 31 de julho de 2014, período em que a empresa habilitada faz jus aos benefícios previstos no Decreto n° 7.819, de 2012". Compulsando o recurso voluntário, fls. 492 a 514, constato que a referida Portaria jamais foi aventada. No entanto, em data de 17 de março de 2017, o patrono da causa fez juntar aos autos a petição de fls. 653 a 657, dirigida ao Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, relator do recurso voluntário, por Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 729 4 meio da qual dá conta da publicação, em 4 de outubro de 2016, da Portaria MDIC n° 244, de 2017, entre outras alegações. Considerandose que o recurso voluntário foi interposto em 17/08/2015, a edição da referida Portaria, em 04/10/2016, é, efetivamente, fato superveniente, e o seu conhecimento está autorizado pela alínea “b” do § 4° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. O Colegiado Recursal, no entanto, não se manifestou sobre ponto sobre o qual deveria se manifestar. Há de fato omissão de julgamento de matéria expressamente posta em debate, o que enseja saneamento pela via dos embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e, restando evidente a omissão no Acórdão recorrido por meio dos presentes Embargos, é de se conhecêlos e sanálos a seguir. Da Flagrante Omissão e sua Relevância para o Resultado do Julgamento A alegada omissão reside no fato de que o julgamento não levou à sua análise o conteúdo da petição de fls. 653 e seguintes, que informa a respeito da habilitação definitiva da empresa encomendante no programa INOVARAUTO, por meio da Portaria MDIC 244/2016, publicada em 04.10.2016, e com previsão de efeito retroativo ao período de 1º.08.2013 até 31.07. 2014, portanto, dentro do período tratado no lançamento. Por todo o exposto, conheço dos Embargos, e os acolho, de forma que, teço, a seguir, os meus comentários sobre o caso considerando a habilitação retroativa ao período compreendido entre 1º.08.2013 até 31.07.2014 da empresa ELECSONIC COMÉRCIO LTDA., o que compreenderia reexaminar a tese levantada pela Recorrente quanto à inexistência de antijuridicidade de sua conduta como importadora porquanto a encomendante detinha, à época dos fatos conforme acima assinalado , o direito de adquirir os produtos de forma incentivada. Como se depreende da análise do lançamento impugnado, o fundamento na qual a D. Fiscalização se baseou foi a de que a decisão judicial que originalmente, em sede liminar, garantiu o desembaraço das mercadorias sob o albergue do programa INOVARAuto, foi posteriormente modificada e finalmente confirmada no sentido de que o Poder Judiciário não poderia apreciar a matéria ventilada pelo contribuinte. Vejamos: Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 730 5 As autuadas nas importações de tratores rodoviários para semireboque, classificados código NCM 8701.20.00, usufruíram da redução da alíquota do IPI em 30 pontos percentuais autorizada no art. 22, inciso II, do Decreto nº 7.819/2012, EXCLUSIVAMENTE para empresas habilitadas no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores INOVAR AUTO. De modo que registraram nas declarações de importação redução à ZERO da alíquota do IPI. Conforme consta no tópico anterior, ao tempo do registro/desembaraço das Declarações de Importação havia Portaria do MDIC que concedia habilitação sub judice à responsável solidária no INOVAR AUTO, em cumprimento à ordem judicial contida na decisão liminar proferida no Mandado de Segurança nº 19.727 DF. Posteriormente, em sede da manifestação em sentença, a sentença a liminar foi declarada insubsistente, retirando do mundo jurídico a ordem judicial que amparava a publicação do ato administrativo de habilitação sub judice (Portaria MDIC nº 260/2013), o qual perdeu seus efeitos desde o dia de seu nascimento no ordenamento jurídico. Com o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 19.727DF, nos termos em que ficou decido na sentença, o que restou foi que à encomendante das mercadorias das declarações de importação aqui em apreço (responsável solidária na presente autuação) faltou a prerrogativa de beneficiária do tratamento tributário diferenciado pleiteado ao tempo dos despachos de importação, havendo a exigibilidade do recolhimento do IPI à luz da regra geral vigente, ou seja, à alíquota de 30 %. Nesse sentido, o lançamento de ofício se baseou na condição originalmente apresentada, na qual a cliente da Recorrente não gozava de qualquer incentivo, situação essa que, desde a entrada em vigor da citada Portaria MDIC 244/2016, modificouse de forma retroativa. Diante disso, restaram insubsistentes as razões para manter o auto de infração ora impugnado, de maneira que, ao serem acolhidos os presentes Embargos, deve o acórdão ser modificado para que seja integralmente apreciado o documento trazido ao conhecimento desse colegiado desde àquela época e que, em razão desses elementos, fica restado comprovado que houve o regular cumprimento dos requisitos postos em lei para a fruição dos benefícios fiscais previstos no programa INOVARAuto. Por todo o exposto, conheço dos Embargos e, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, no que se refere ao crédito decorrente da não habilitação no regime INOVARAUTO, revertida com efeito retroativo em Portaria do MDIC. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 731 6 Fl. 731DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916651/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2000
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96.
ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96.
A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
Numero da decisão: 3201-004.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.916651/201099 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.583 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. Recorrente J. CARDOSO ASSESSORIA TRIBUTÁRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 66 51 /2 01 0- 99 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10880.916651/201099 Acórdão n.º 3201004.583 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP lastreada em recolhimento indevido ou a maior de COFINS. O contribuinte alega, em síntese, que é uma sociedade civil de profissão regulamentada, prevista na Lei Complementar 70/91, podendo gozar do direito ao crédito apontado em virtude de estar isenta da contribuição. Diante de tal fato, foi proferido despacho decisório eletrônico. O pleito foi indeferido sob o fundamento de que, embora tenha sido localizado o pagamento indicado na DCOMP em análise, os créditos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. Inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada pela DRJ/São Paulo. O Acórdão 16042.496 que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação da disponibilidade deve ser efetuada pelo Contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Tendo sido o pagamento constante do DARF, ao qual foi atribuído o crédito utilizado na DCOMP, integralmente alocado para a quitação de débitos confessados pelo Contribuinte, não cabe reforma do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da COFINS que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar no 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10880.916651/201099 Acórdão n.º 3201004.583 S3C2T1 Fl. 4 3 Não se conformando com a decisão de primeira instância apresentou Recurso Voluntário a este Conselho. Em síntese, alega: a) em preliminar, que ocorreu homologação tácita, pois a decisão foi proferida aos 360 (trezentos e sessenta) dias após o seu protocolo, afrontando o art. 24, da Lei 11.457/07; b) no mérito, que o artigo 56 da Lei 9.430/96, ao revogar a isenção das sociedades civis, descumpriu comando constitucional expresso no artigo 146, inciso III, que exige lei complementar para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.574, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.916643/201042, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.574): "O Recurso é tempestivo e o conheço. Inicialmente não se pode aplicar o art. 24, da Lei 11.457/07 no presente caso, pois, tal regramento não se trata de homologação tácita, mas sim, obrigatoriedade de analise de pedidos realizados pelo Contribuinte no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. Contudo, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9430, prescreve que o prazo para homologação tácita é de 5 (cinco) anos, caso que não ocorrido no caso em tela. Assim, deve ser REJEITADA a preliminar de homologação tácita. O mérito não merece ser provido. Pois o Contribuinte sustenta: No que respeita à decisão recorrida, o recorrente ora reafirma os termos da Manifestação de Inconformidade, pois aceitar a decisão contestada seria admitir que a não imposição fiscal da Lei Complementar 70/91, do inciso II do art. 6°, fosse anulada por norma impositiva do artigo 56 da Lei 9.430/96. Se, anteriormente, a Lei Complementar 70 tivesse imposto a cobrança às sociedades civis, seria possível que a lei ordinária eventualmente viesse a isentálas. O contrário, entretanto, como acontece neste caso, não é possível, pois representaria a criação de uma tributação sem que a Lei Complementar a tivesse instituído, isto é, não ocorreu a introdução de uma norma de isenção pela lei ordinária, mas a criação de imposição fiscal pela lei ordinária, por meio de revogação parcial de norma complementar que não a prevê. Tendo em consideração o expendido, reafirma as razões expostas na Manifestação de Inconformidade, no sentido da validade da restituição pleiteada. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.916651/201099 Acórdão n.º 3201004.583 S3C2T1 Fl. 5 4 Contudo, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese em repercussão geral no Recurso Extraordinário no 377.4573, vejamos: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6o, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei no 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Diante do exposto, REJEITO a preliminar de homologação tácita, e no mérito em NEGAR PROVIMENTO Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 50DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.723077/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2012
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFD-CONTRIBUIÇÕES.
A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFD-Contribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.093
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO REAL QUE ALEGA HAVER APRESENTADO EFDCONTRIBUIÇÕES. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação da multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. A apresentação da EFDContribuições, por parte da pessoa jurídica tributada com base no lucro real, não supre a obrigação de entrega do DACON. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do CTN, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 30 77 /2 01 3- 14 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 12076.198. Intimada desta decisão a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: (i) o envio das informações relacionadas ao PIS e a COFINS no SPED Sistema Público de Escrituração Digital, inexistindo qualquer prejuízo para a entrega a destempo da declaração; (ii) a ausência de lesão ao fisco que justifique a aplicação da penalidade, vez que todos os tributos apurados foram pagos; (iii) a aplicação do instituto da retroatividade benigna do art. 106, do CTN, vez que o DACON foi definitivamente extinto com o advento da IN RFB 1.441/2014. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.092, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10665.723076/201370, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.092): "O Recurso Voluntário é tempestivo, e cabe ser conhecido. Inicialmente em seu Recurso, a empresa traz dois argumentos visando afastar a multa aplicada: a prestação das informações no SPED e a ausência de qualquer lesão ao erário, vez que os tributos foram devidamente pagos. Primeiramente, destaquese que, considerando a natureza autônoma da obrigação acessória em relação à obrigação principal, a aplicação de penalidade pelo inadimplemento da obrigação acessória independe do recolhimento do tributo. Com efeito, descumprido o dever instrumental de enviar a declaração prevista na legislação tributária no prazo previsto pela Receita Federal, o contribuinte pode ser penalizado pela multa prevista no art. 7º, da Lei n.º 10.426/2002, que expressa: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 4 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" (grifei) Quanto à duplicidade das informações solicitadas no DACON em relação à EFDContribuições, ainda que as informações efetivamente pudessem ser por vezes duplicadas, observase que a Receita Federal, até 2014, buscou manter a obrigação de transmissão das duas declarações, como obrigações acessórias distintas. Com efeito, como bem pontuado pela r. decisão recorrida, especificamente para as empresas tributadas pelo lucro real, como a Recorrente, foi mantida, concomitantemente, as obrigações de envio tanto da EFD Contribuições, como do DACON: "Quanto à primeira alegação, é verdade que determinadas empresas obrigadas a adotar e escriturar a EFD Contribuições foram dispensadas da entrega da DACON. É o que ocorreu, por exemplo, com as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/2013 (art. 1º, caput, da IN RFB nº 1.305, de 26/12/2012). Esta dispensa, porém, não alcançou as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, que continuaram obrigadas a entregar a DACON em relação aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2013 (IN RFB nº 1.015, de 05/03/2010, c/c IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014). Considerandose que a Interessada, no anocalendário em análise, foi tributada com base no lucro real (cfr. pesquisa, fl. 52), não há como dispensála da entrega da DACON referente ao mês 10/2012." (efl. 55) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 5 Com efeito, a exigência da transmissão do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013 é depreendida da expressão da Instrução Normativa n.º 1.441/2014, que extinguiu a referida declaração: "Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso." Assim, uma vez que a transmissão da EFDContribuições não dispensou a transmissão do DACON, o envio a destempo desta última declaração pode ser penalizada na forma da lei. Sob esta mesma perspectiva que, a meu ver, não se pode falar na hipótese de retroatividade benigna. Com efeito, a previsão do art. 106, II, do CTN é no sentido de garantir a aplicação retroativa da lei "quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo." No presente caso, a omissão do sujeito passivo, de entregar a Declaração a destempo, nunca deixou de ser penalizada pela legislação, mantendose irretocável a previsão do art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, acima transcrita. O que ocorreu foi a extinção de uma obrigação acessória anteriormente prevista (DACON), para a substituição por outra para evitar o envio duplicado de informações (EFD Contribuições), sendo que a partir de 2014 esta última declaração passou a abranger todas as informações anteriormente solicitadas no DACON. E, quando da extinção do DACON, a legislação tributária indicou com clareza a manutenção da exigência da entrega, tempestiva, da declaração, até os fatos geradores ocorridos em 31/12/2013. Assim, a entrega em atraso do DACON para os fatos geradores ocorridos até 31/12/2013 não deixou de ser tratado como contrário à lei, sendo cabível a aplicação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 6 A multa pela apresentação em atraso da DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento." (Número do Processo 10320.722002/201155Data da Sessão 20/08/2014 Nº Acórdão 3802003.535 Relator Solon Sehn Redator designado Francisco José Barroso Rios grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2010 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. As obrigações tributárias acessórias, como o DACON, podem ser instituídas por instrução normativa da Receita Federal. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10665.723077/201314 Acórdão n.º 3402006.093 S3C4T2 Fl. 0 7 encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento" (Número do Processo 10980.002055/201000 Data da Sessão 19/08/2014 Relator Bruno Maurício Macedo Curi Redator designado Francisco José Barroso Rios Nº Acórdão 3802 003.393 grifei) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.724782/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. NECESSIDADE.
A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no art. 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder / dever de lançar as contribuições previdenciárias. Assim, imprescindível a caracterização da relação empregatícia para a constituição do crédito tributário.
GENERALIZAÇÃO NA AÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Tratando-se de exigência fiscal embasada na caracterização de segurados empregados, com constatação expressa, pela autoridade administrativa fiscal, dos pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, quais sejam: serviços prestados por pessoa física, subordinação, habitualidade / não eventualidade e onerosidade, a autuação deve recair sobre as operações efetivamente fiscalizadas.
Numero da decisão: 2402-006.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário no que tange à caracterização do vínculo empregatício, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a autuação recaia, apenas, sobre os médicos efetivamente diligenciados pela Fiscalização, conforme tabelas constantes do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à aferição indireta da base de cálculo e quanto à responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico. Votaram pelas conclusões, em relação à responsabilidade solidária, os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à multa qualificada, reduzindo seu montante ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por manter a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à caracterização do vínculo empregatício, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
Julgamento iniciado na sessão de 3 de outubro de 2018, com início às 14h, e encerrado na sessão de 7 de novembro de 2018, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício de Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Recorrente HOB HOSPITAL OFTALMOLÓGICO DE BRASÍLIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. LIMITES. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. NECESSIDADE. A prestação de serviços pessoais por pessoa jurídica encontra limitação quando presentes os requisitos da relação de emprego. Estando presentes as características previstas no art. 3º da CLT, a Fiscalização tem o poder / dever de lançar as contribuições previdenciárias. Assim, imprescindível a caracterização da relação empregatícia para a constituição do crédito tributário. GENERALIZAÇÃO NA AÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Tratandose de exigência fiscal embasada na caracterização de segurados empregados, com constatação expressa, pela autoridade administrativa fiscal, dos pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, quais sejam: serviços prestados por pessoa física, subordinação, habitualidade / não eventualidade e onerosidade, a autuação deve recair sobre as operações efetivamente fiscalizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 47 82 /2 01 6- 11 Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.143 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário no que tange à caracterização do vínculo empregatício, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que a autuação recaia, apenas, sobre os médicos efetivamente diligenciados pela Fiscalização, conforme tabelas constantes do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à aferição indireta da base de cálculo e quanto à responsabilidade solidária das empresas integrantes do grupo econômico. Votaram pelas conclusões, em relação à responsabilidade solidária, os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à multa qualificada, reduzindo seu montante ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os Conselheiros Maurício Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por manter a multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor, em relação à caracterização do vínculo empregatício, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Julgamento iniciado na sessão de 3 de outubro de 2018, com início às 14h, e encerrado na sessão de 7 de novembro de 2018, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício de Redator Designado. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/RPO, consubstanciada no Acórdão nº 1464.541 (fls. 1.869), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Tratase de processo de constituição de crédito tributário em que foi lavrado auto de infração contra o contribuinte em epígrafe, relativo às contribuições sociais, devidas no período de 01/01/2012 a 31/12/2012, correspondentes às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, denominados "Terceiros" Salário Educação, Incra, Senac, Sesc e Sebrae, no valor total consolidado na emissão de R$ 2.114.696,56, com multa qualificada. Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.144 3 DO RELATÓRIO FISCAL Conforme Relatório fiscal, a auditoria informa que foram apuradas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos profissionais de saúde que prestaram serviços ao Hospital HOB OFTALMOLÓGICO DE BRASILIA LTDA por intermédio de pessoas jurídicas interpostas, na qualidade de segurados empregados. Para referida apuração utilizou as folhas de pagamento e contabilidade digitais, Notas fiscais, e informações prestadas pelo referido hospital ao Ministério da Saúde Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e diligências. A auditoria apurou, em análise da folha de pagamento do Hospital HOB OFTALMOLÓGICO (doravante denominado somente “HOB”), assim como das informações prestadas pelo estabelecimento em GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, que no decorrer do ano de 2012, não obstante se tratar de uma empresa com atuação na área de atendimento à saúde, não havia entre seus segurados empregados nenhum profissional médico. A fiscalização utilizouse também das informações constantes do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), prestadas pelo HOB ao Ministério da Saúde, para verificação e confirmação das informações relativas aos profissionais de saúde que exerceram suas atividades junto ao hospital no ano de 2012. Dessa forma, a auditoria apurou a existência de profissionais médicos informados, cujo vínculo com o hospital é “autonomo intermediado por empresa privada". Verificou que os pagamentos efetuados às pessoas jurídicas pelos serviços prestados pelos médicos, como despesa, estavam registradas na conta analítica 3.2.1.03.01.00 Serviços Médicos. Em atendimento ao TIF Termo de Intimação Fiscal n° 02, a fiscalizada apresentou relação dos médicos que prestaram serviços em cada uma das empresas interpostas e os valores mensais pagos às pessoas jurídicas. Apurou através do site do HOB, a relação nominal dos médicos diretores e chefes de departamento. Com exceção do Sr. Canrobert Oliveira (sócio), todos os demais foram contratados por intermédio de pessoas jurídicas, demonstrando que o hospital terceirizou toda a sua atividade fim. O mesmo ocorrendo com o Corpo Clínico do Hospital, cuja relação nominal das pessoas físicas denota a pessoalidade da relação. Que os contratos de prestação de serviços entre o HOB e as interpostas jurídicas, não foram firmados em documento físico, indício da pessoalidade, pois provavelmente estabelecidas diretamente com o médico, demonstrando a dispensabilidade da intermediação das empresas. Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.145 4 O HOB era responsável por toda a estrutura de atendimento, bem como era quem contabilizava, como próprias, todas as receitas e despesas provenientes dos serviços prestados. A fiscalizada, atendendo à intimação fiscal, informou que as decisões a respeito dos procedimentos para a organização e controle da assistência médica eram tomadas diretamente em reuniões de sócios do hospital. Apesar de o contribuinte afirmar que não há escala de médicos, na prática existe uma tabela que é composta todos os dias, na qual constam horário (manhã ou tarde), número do consultório e médico que vai atender naquele consultório (segundo o HOB BSB, conforme agenda disponibilizada pela pessoa jurídica) e os médicos que vão atender na EMERGÊNCIA (manhã, tarde e noite) e no AMBULATÓRIO (noite). A fiscalização promoveu diligência junto a 7 médicos pessoas físicas que prestaram serviços ao hospital, bem como em 10 pessoas jurídicas. Em síntese o apurado, a partir do depoimento das pessoas físicas, foi: os médicos prestaram serviços por longo período (quadro no Relatório Fiscal); o HOB não propôs a contratação deles como empregados, ou não se lembram de oferecida tal hipótese; entre as condições para contratação, estava a de serem vinculados a uma pessoa jurídica e que esta deveria emitir uma nota fiscal referente aos serviços prestados e disponibilizar uma conta bancária para o pagamento; contrato verbal; pagamento mensal em torno dos dias 20 a 25 de cada mês; pagamento proporcional aos serviços prestados e representava um percentual sobre as consultas, exames complementares e cirurgia, geralmente de 50%, 20% e 100% do honorário médico, respectivamente; que os materiais e equipamentos utilizados nas consultas e cirurgias eram fornecidos pelo HOB BSB, bem como todo o apoio logístico, material, marketing, telefonia, agendamento, papel timbrado etc; que os médicos tinham liberdade para definir a agenda, mas que normalmente eles seguiam um padrão de horário de atendimento. Exemplo: “de segunda a Sexta de 8 às 12:00h e de 14:00 até 18:00h” (Sra. Hanná), “geralmente trabalha segundas e quintas no centro cirúrgico e nos demais dias disponibiliza horários em consultório” (Sr.Eduardo); quando havia um paciente marcado e porventura eles não pudessem atender, que a empresa não apresentava nenhum outro médico substituto; Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.146 5 alguns deles prestavam serviços médicos também no HOB Taguatinga (Exemplo: Sra Hanná, Sr. Rui, Sr Fenelon); muitos médicos mudaram de empresa jurídica intermediadora sem que isto acarretasse interrupção da prestação dos serviços médicos no hospital, o que denota que o importante, neste caso era o MÉDICO e não a empresa (Exemplos: Sr. Fenelon: da TED para a PSMF, Sra. Doroteia: da BSB Oftalmo para VDJ); que houve caso em que apesar de a depoente ser sócia da empresa, não tinha certeza sobre quem eram os outros sócios e nem o endereço exato da empresa (Sra. Doroteia); o HOB, por mais estranho que possa parecer, contratou uma clínica odontológica, a Clínica Odontológica José Rios para prestação de serviços de oftalmologia (Sra. Maria Lúcia); que as pessoas jurídicas interpostas praticamente não tinham estrutura e que algumas funcionavam em endereços residenciais (Exemplos: IMO e Clínica Rocha); o papel da pessoa jurídica nesta relação específica com o HOB BSB era tãosomente o de emitir notas fiscais e disponibilizar uma conta bancária para o recebimento pelos serviços prestados. Quanto às diligências nas pessoas jurídicas, a auditoria concluiu, em síntese, que: nas GFIP’s das pessoas jurídicas interpostas não existe nenhum segurado declarado como MÉDICO – código CBO 2231 (Classificação Brasileira de Ocupação); não possuem bens, endereço sede é para recebimento apenas de documentos e escritório administrativo ou endereço residencial; não existe contrato escrito de prestação de serviços; A fiscalização concluiu pela caracterização como segurados empregados, pela constatação da pessoalidade, subordinação, habitualidade e onerosidade. Como a fiscalizada não apresentou para a auditoria, embora intimada, os valores recebidos pelos médicos, pessoas físicas, o lançamento da contribuição previdenciária foi aferido indiretamente, conforme previsto no §3° do art. 33, da Lei n° 8.212/91. Aplicou multa de ofício qualificada, pois a autuada "adotou procedimentos visando mascarar sua verdadeira intenção de obter o resultado do trabalho dos médicos pessoas físicas vinculados a estas empresas, mas DE FATO, profissionais que prestaram serviços na qualidade de segurados empregados. Dessa forma, no intuito de efetivar os pagamentos das respectivas remunerações dessas pessoas físicas, travestiaos contabilmente como meras quitações de notas fiscais emitidas Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.147 6 pelas pessoas jurídicas interpostas. Tal prática, utilizada por parte do contribuinte, visava impedir ou ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal contribuições previdenciárias, modificando suas características essenciais, de modo a reduzir ou evitar o montante do imposto devido, ficando caracterizada a ocorrência de sonegação e fraude". Elaborou Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, pela ocorrência, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária art. 337A do Código Penal. DA IMPUGNAÇÃO Cientificados do lançamento a autuada e os responsáveis solidários apresentaram impugnações ao lançamento fiscal. A matéria que for específica de determinada impugnação será discriminada. Preliminares Ausência de motivação fática A impugnante alega que a fiscalização fez afirmações genéricas sobre a presença dos requisitos da relação empregatícia, e não apresentou provas. Que diversas empresas prestadoras de serviços, também prestaram serviços para outras empresas além do HOB Hospital, concomitantemente. Alega vício, pois a ausência de motivação factual inviabiliza o exercício do direito de defesa em sua plenitude. Incompetência em razão da Matéria Argumenta que a Receita Federal carece de competência legal para descaracterização de contrato de prestação de serviços de pessoa jurídica com a consequente caracterização de emprego, competência da Justiça do Trabalho, conforme art. 114 da Constituição Federal. Vício na base de cálculo adotada em aferição Que a base de cálculo utilizada pela fiscalização desconsiderou que sobre o valor faturado pela empresa contratada incidiu tributos que não foram deduzidos. Que apesar do Relatório Fiscal e planilha estarem confusas e contraditórias, constatou que há fatos geradores que inexistem. No Mérito Da Remuneração paga/creditada a segurados com utilização de empresas interpostas. A defendente alega que a documentação juntada aos autos demonstra que a notificação do caso em tela, não passa de mera presunção ou ficção. Que antes de descaracterizar a personalidade jurídica desses entes, deveria analisar o Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.148 7 estabelecimento físico, o recolhimento de tributos e cumprimento de obrigações contábeis e fiscais das prestadoras. Argumenta que o fisco ignorou a letra do artigo 129 da Lei 11.196/2005. Requer o afastamento do art. 116 do CTN, do qual a fiscalização se utilizou, pois depende de regulamentação por meio de lei ordinária, portanto de eficácia limitada. Da Dissimulação e Simulação Que não caracteriza a pessoalidade quando prestada por pessoas diversas ou por via indireta. Não há pessoalidade pois os serviços são prestados por diversas empresas constituídas regularmente e prestados por profissionais qualificados de profissão regulamentada. Aduz que no caso em concreto, constatase que não há continuidade, isto é, serviço realizado diariamente ou mais de dois dias por semana. Também não há subordinação pois os serviços são prestados por pessoas jurídicas que em seus quadros possuem profissionais qualificados, cuja execução é de sua exclusiva especialidade e responsabilidade, inclusive quanto ao métodos e metodologia empregada. Tratase de parceria uma vez que a administração do hospital não pratica qualquer ingerência, fiscalização ou controle das atividades desempenhadas pelos médicos. Aduz que apesar da prestação de serviços em atividadefim, verificase que é inegável a especialização desses serviços e a autonomia na forma em que prestado. Que embora se considere toda a estrutura e os equipamentos utilizados na prestação de serviços médicos serem da impugnante e apenas a mão de obra dos médicos, não há como caracterizar intermediação ilegal de mão de obra, por inexistir qualquer manifestação de vontade dos médicos para que a vinculação seja na forma de vínculo de emprego. Não pode ser considerado salário a remuneração paga a pessoa jurídica em decorrência da prestação de serviço, como ocorreu no caso em concreto. Da Desconsideração da personalidade jurídica Que a constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços intelectuais encontra respaldo constitucional, nos incisos XIII e XVII do artigo 5°, o livre exercício profissional e a liberdade de associação. Aduz que a aplicação do art. 50 do Código Civil deve ser afastada pois cabe a lei complementar matéria referente à desconsideração da personalidade jurídica. Argumenta que as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais não podem ser Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.149 8 descaracterizadas pelos agentes fiscais, como se os serviços prestados seriam regidos pela CLT, devendose aplicar o art. 129 da Lei 11.196/2005. Da Simulação e Fraude Multa qualificada A impugnante alega que não ficou comprovada a vontade, o dolo. Que a aplicação seria possível se ficasse comprovada a intenção de fraudar, prejudicar ou retardar o lançamento do tributo. Necessário o enquadramento do evidente intuito de fraude conforme previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Defende que não é entendimento subjetivo do agente fiscal que poderá atribuir o enquadramento em determinada conduta fraudulenta e sim a sua comprovação, o que não ocorreu no presente caso. Que devese observar que a autuação foi fundamentada em presunção, e se não há certeza nem mesmo da existência das supostas relações de emprego, como taxar o comportamento de doloso. Do Pedido Que seja considerada nula ou improcedente a autuação. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos da ementa do Acórdão nº 1464.541 abaixo transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E DE PROVAS. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DE AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. Os fatos ocorridos, com todas as circunstâncias descritas, acompanhados de documentação comprobatória, demonstrativos de cálculo e dos respectivos fundamentos legais do débito, discriminados de forma clara e sistematizada no Relatório Fiscal e demais anexos, propiciando ao contribuinte informações e esclarecimentos acerca da infração cometida, consubstanciam se em pressupostos suficientes para a exigência fiscal e, consequentemente, não ocorre violação da ampla defesa e do contraditório. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA TRIBUTÁRIA. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. É próprio da autoridade administrativa tributária, consignado no CTN, artigos 114, 116, 142 e 149, a possibilidade de buscar a realidade subjacente a quaisquer formalidades jurídicas, a partir da identificação concreta e material da situação legalmente necessária à ocorrência do fato gerador. O procedimento Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.150 9 adotado pela Auditoria atinge tão somente as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal, as quais são desconsideradas pela fiscalização, por não refletirem o que de concreto ocorreu, ou seja, a primazia da realidade sobre a forma. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. CONTRATAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PELOS SÓCIOS EM ATIVIDADE FIM DA CONTRATANTE. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Constatado que a contratação de pessoa jurídica deuse na atividade fim da empresa, e presentes os pressupostos laborais, impõese a configuração do fato gerador atinente à relação de emprego. O auditor poderá desconsiderar o vínculo pactuado com o trabalhador e enquadrar este como segurado empregado, conforme previsto no artigo 229, §2º do Decreto n° 3.048/99. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERCEIROS. A remuneração paga ou creditada a segurados a serviço da empresa, constituem fato gerador das contribuições sociais destinadas às outras entidades e fundos ("Terceiros"). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. PREVISÃO LEGAL. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, é devida a multa de ofício de no mínimo 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa deverá ser duplicado CONFLITO DE COMPETÊNCIA. RECEITA FEDERAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A competência da Justiça do Trabalho, prevista no art. 114 da Constituição Federal, não exclui a competência da RFB para a constituição dos créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias decorrentes da relação de emprego ou trabalhista, pois tratase de relação tributária entre Sujeito Ativo e contribuinte, e não de resolução de conflitos trabalhistas. Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.151 10 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. Cientificada da decisão da DRJ, a Autuada apresenta recurso voluntário (fls. 2.071), reiterando os argumentos defensivos aduzidos nas impugnações apresentadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. O Recorrente aduz, em sede de preliminar, as seguintes razões recursais: I. DISTINÇÃO ENTRE HOSPITAIS COM CORPO CLÍNICO ABERTO E HOSPITAIS COM CORPO CLÍNICO FECHADO; I.I DA ALEGAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NA ATIVIDADE FIM DO RECORRENTE; I.II – DA LEI Nº 13.429, DE 31 DE MARÇO DE 2017; II – DA GENERALIZAÇÃO ARBITRÁRIA NA INVESTIGAÇÃO REALIZADA PELO FISCO. Analisandose o conteúdo de tais alegações, verificase que estas se tratam de fundamentos que irão embasar a análise de mérito, confundindose com este, pelo que serão apreciadas como se razões de mérito fossem. Conforme se depreende dos autos, sumariamente relatado acima, temse que o lançamento tributário decorre da desconsideração, pela Fiscalização, da contratação realizada pela Recorrente da prestação de serviços médicos por meio de pessoa jurídicas, a chamada pejotização. Fazse necessário, assim, uma análise teórica sobre o tema, pelo que se recorre aos escólios do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, então presidente da 1ª TO d 2ª Câmara desta 2ª Seção, consubstanciados no Acórdão 2201004.378, in fine: Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.152 11 Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: [...] Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister. Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.153 12 de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. [...] Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. (destaquei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.154 13 Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. Dito de maneira diversa: para que haja o lançamento tributário por desconsideração da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica é ônus do Fisco a comprovação da existência da relação de emprego entre a pessoa física que prestou os serviços objeto da desconsideração da personalidade jurídica e o contratante desses serviços. A doutrina trabalhista é assente em reconhecer o vínculo de emprego quando presentes, simultaneamente, as características da pessoalidade, da onerosidade, da habitualidade e da subordinação. Confrontemos as disposições da melhor doutrina trabalhista com os ditames específicos da Lei nº 11.196/05, com o objetivo de encontrarmos a exata diferenciação entre a relação de emprego e a prestação de serviços por pessoa jurídica. Em primeiro lugar é necessário observar que a pessoalidade não é relevante no distinção em apreço. Tal afirmação se corrobora com a simples leitura do artigo 129 da Lei nº 11.196, que explicitamente afasta a questão do caráter personalíssimo e da atribuição de obrigações às pessoas que compõe a sociedade prestadora de serviços. Em segundo lugar, forçoso reconhecer que a habitualidade não apresenta relevância como fato distintivo entre a prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, vez que tanto numa como em outra, a habitualidade, ou ausência desta, podem estar presentes. Nesse ponto é necessário recordar que nas relações comerciais também se instaura uma relação de confiança, decorrente do conhecimento da excelência na prestação de serviços do fornecedor habitual. A análise da onerosidade também não ajuda no traço distintivo. Cediço que tanto no emprego quanto na mera relação comercial de prestação de serviços, o pagamento pelos serviços prestados está presente. Logo, o ponto fulcral da distinção é a subordinação. Somente na relação de emprego o contratante, no caso empregador, subordina o prestador de serviços, no caso, o empregado. Porém, não se pode, sob pena de ofensa ao direito, entender que qualquer forma de direção da prestação de serviços é a subordinação típica das normas trabalhistas. Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.155 14 Esta, a subordinação trabalhista, se apresenta em duas situações específicas. A primeira se observa quando o empregador, no nosso caso o contratante da prestação de serviços conduz, ordena, determina a prestação de serviços. É a chamada subordinação subjetiva onde o prestador de serviços, o trabalhador, recebe ordens específicas sobre seu trabalho, assim entendida a determinação de como trabalhar, de como executar as tarefas a ele, trabalhador, atribuídas. É a subordinação típica, aquela presente no modelo fordistataylorista de produção. Modernamente, encontramos o segundo modelo de subordinação, erroneamente chamado por muitos de subordinação jurídica. Não se pode admitir tal denominação, quanto mais a afirmação que esta subordinação decorre do contrato. Ora, qualquer contrato imputa direitos e deveres e por certo, desses decorre subordinação jurídica, posto que derivada de um negócio jurídico que atribui obrigações. Essa moderna subordinação é a chamada subordinação estrutural, nos dizeres de Maurício Godinho Delgado. É a subordinação consubstanciada pela inserção do trabalhador no modelo organizacional do empregador, na relação institucional representada pelo fluxo de informações e de prestação de serviços constante do negócio da empresa contratante desses serviços. Mister realçar que é por meio da subordinação estrutural que o empregador, o tomador de serviços que subordina o prestador, garante seu padrão de qualidade, uma vez que controla todo o fluxo da prestação dos serviços necessários a consecução do mister constante de seu objeto social, ou seja, é por meio de um modelo de organização que há o padrão de qualidade necessário e o controle das atividades e informações imprescindíveis para a prestação final dos serviços, para a elaboração do produto, para a venda da mercadoria que é o fim da atividade econômica pretendida pelo contratante dos serviços, pelo empregador. Com essas considerações, passemos à análise do caso concreto. A DRJ, corroborando o entendimento da fiscalização, concluiu que a contratação de segurados empregados por empresa interposta é ilegal, quando se trata da prestação de serviços em atividadefim, e presentes os requisitos da relação empregatícia, não cabendo a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005. Verificase, pois, que o núcleo da autuação está no binômio “contratação de prestação de serviços em atividade fim” e “requisitos da relação empregatícia”. Da Contratação de Prestação der Serviços em Atividade Fim Depreendese do acórdão da DRJ que: No presente caso, tratase de um hospital, que atua na prestação de serviços médicohospitalares no ramo oftalmológico – Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.156 15 consultas ambulatoriais, exames, cirurgias e internações, contando com uma estrutura física composta de 3 blocos, 36 consultórios, 4 salas de cirurgia, sala de emergência, 4 amplas salas de espera, 4 apartamentos (day clinic) e 7 salas de exames, não sendo crível que não dependa efetivamente, da mãoobra de médicos segurados empregados para a consecução do seu objeto social. Não obstante, a fiscalização demonstrou que não possuía nenhum médico em sua folha de pagamentos, terceirizando a sua atividadefim, mediante utilização de pessoas jurídicas interpostas entre o referido hospital e os médicos que lhe prestavam serviços. Ademais a auditoria em diligência nas pessoas jurídicas constatou, em síntese, que as empresas prestavam serviços exclusivamente pelos sócios, em áreafim da autuada e eram desprovidas de bens patrimoniais e estrutura física própria de empresas para a prestação de serviços a que se propõem, demonstrando que o risco do empreendimento era do HOB, nos termos do art. 15 da Lei 8.212/91. Não resta dúvidas da afronta à legislação previdenciária (notadamente os arts. 12 e 15 da Lei 8.212/91), ao se utilizar de empresas interpostas para uma relação empregatícia, atuando na atividade finalística do empregador. Tal situação encontra eco reiterado na jurisprudência, resultando na Súmula n° 331 do TST. (destaquei) O Recorrente, por seu turno, esclarece inicialmente que: Intuitivamente, pode haver confusão entre o conceito de serviços médicos (serviços intelectuais, de natureza científica, atinente ao exercício da medicina), os quais são prestados por profissionais médicos ou por grupos de profissionais constituídos em pessoas jurídicas, com os serviços hospitalares (consistentes no fornecimento de leitos, apartamentos, estrutura de enfermagem, nutrição, além de materiais, medicamentos e alimentação, especificamente solicitados pelos profissionais médicos), que são prestados pelos Hospitais. A própria Receita Federal utiliza a distinção para fins de tributação no regime do lucro presumido, aplicando percentual reduzido aos prestadores de serviços hospitalares, em razão do maior custo pela manutenção de uma estrutura coordenada e organizada sob a forma de empreendimento hospitalar, aberta 24h, envolvendo gastos com materiais, hotelaria, alimentação, enfermagem e lavanderia. Diante disso, serviços médicos são prestados exclusivamente por médicos, atuando como pessoa física ou constituídos em forma de pessoa jurídica, enquanto os serviços hospitalares são serviços auxiliares à atuação científica dos médicos, um suporte aos serviços médicos propriamente ditos, no qual são utilizados os meios possíveis para o aperfeiçoamento da ciência médica. Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.157 16 [...] Os estabelecimentos podem funcionar como hospitais abertos, que permitem que Operadoras de Planos de Saúde (OPS) e profissionais médicos da comunidade internem e tratem de seus beneficiários/pacientes em sua estrutura física. Esse é exatamente o caso do HOB, conforme, inclusive, deixa claro o médico depoente Leonardo Alan Rocha, ao afirmar que comparecia ao hospital apenas para acompanhar seus pacientes (fl. 45). Lado outro, os hospitais “fechados” possuem corpo clínico permanente e apenas tais profissionais podem exercer a medicina em suas dependências, havendo nítida interação entre os serviços médicos e os serviços hospitalares, uma vez que é o hospital, por meio de corpo clínico próprio, quem oferece os serviços médicos. Neste caso, somente mediante permissão especial, profissionais externos poderão exercer a medicina em seu interior. Como exemplo, podemos mencionar o Sírio Libanês e o Hospital Albert Einstein, localizados na cidade de São Paulo. Tal distinção é regulada pelo próprio Ministério da Saúde, que separa os hospitais em duas categorias distintas, e aceita, excepcionalmente, uma terceira, oriunda da fusão das outras modalidades: HOSPITAL DE CORPO CLÍNICO FECHADO: É o hospital onde não se permitem, em rotina, atividades de outros profissionais, que não os integrantes do próprio Corpo Clínico. HOSPITAL DE CORPO CLÍNICO ABERTO: É o hospital que, mesmo tendo Corpo Clínico estruturado, permite, a qualquer profissional habilitado da comunidade, internar e tratar seus pacientes. HOSPITAL DE CORPO CLÍNICO MISTO: É o hospital que, mesmo tendo Corpo Clínico fechado, faz concessão, por cortesia, a outros profissionais, para internar e assistir seus pacientes. Nesse diapasão, devese firmar desde logo o seguinte: os serviços médicos prestados dentro do estabelecimento hospitalar são prestados em três situações totalmente distintas: a) pessoas jurídicas especializadas que fornecem profissionais de medicina para atuarem no Hospital, sem habitualidade, pessoalidade ou relação de subordinação com o Hospital; b) médicos credenciados por Operadoras de Planos de Saúde em atendimento aos seus beneficiários; e c) médicos em atendimento a pacientes particulares. Não obstante, o Fisco considerou que TODA e QUALQUER prestação de serviço médico realizado por pessoa jurídica no Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.158 17 HOB, em 2012, realizada em atendimento a paciente particular ou a beneficiário de plano de saúde, deveria ser enquadrada como atuação realizada na condição de segurado empregado. [...] Somase a isso o total desconhecimento da realidade dos fatos, com base apenas na noção defeituosa de que todo hospital, obrigatoriamente, deve prestar serviços médicos por intermédio de profissionais na condição de empregados. Neste ponto, registrese inicialmente que os serviços médicos são serviços altamente especializados e os profissionais médicos desenvolvem habilidades próprias e pessoais dentro de cada segmento da medicina, que não podem ser desenvolvidas com a mesma técnica, precisão e competência por outros profissionais e, justamente isso, não é possível impedir que uma atividade com alto grau de especialização, como a medicina, seja enquadrada dentro de conceitos prédefinidos de atividadefim. A medicina, à medida que avança, busca ramos de especialidades cada vez mais precisos e limitados. Assim, vieram as especialidades médicas com suas tradicionais divisões, cardiologia, neurologia, anestesia, oftalmologia entre outras. Em seguida, com os constantes avanços médicos, os profissionais foram se aperfeiçoando em áreas ainda mais limitadas dentro das especialidades médicas e focando sua atuação em procedimentos específicos. No que tange à oftalmologia, ramo da medicina de interesse no caso vertente, esclarece a Autuada que os médicos foram se especializando em tratamento de catarata, retina, glaucoma, etc. E dentro dessas especializações foram se afeiçoando em procedimentos específicos de tratamento de cada uma dessas subespecialidades. Assim, hoje temos a realização da cirurgia refrativa com uso da técnica INTRALASE ou a técnica LASIK. Diante do alto grau de especialização em um determinado seguimento da oftalmologia o profissional que atua em uma área não atua em outra. Tampouco executa um procedimento médico diferente daquele que se especializou. Essa é a realidade dos profissionais que prestam serviços para o HOB. Verificase, sem muito esforço cognitivo, que, pela própria natureza da atividade médica, os profissionais da medicina com alto grau de especialização executam tarefas que são singulares às suas habilidades pessoais e, por esse motivo, não podem ser enquadrados como pertencentes a atividadefim de nenhuma empresa, pois desenvolvem um serviço específico, restrito àqueles profissionais especializados naquela área e/ou procedimento. No presente caso, verificase que a Fiscalização autuou, por exemplo, os serviços prestados por médicos anestesistas, o que evidencia, no mínimo, um equívoco na avaliação das especialidades e subespecialidades médicas diante da verdadeira atividadefim da empresa. No caso dos serviços prestados por médicos anestesistas, temse que a empresa AMO Anestesia e Monitorização em Oftalmologia S/C presta serviços apenas de anestesistas, seus sócios são anestesistas e não oftalmologistas e mesmo assim foi incluída dentro da “atividadefim” do HOB”. Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.159 18 É de se questionar: se a Autuada tem como “atividadefim”, genericamente falando, a prestação de serviços na área da oftalmologia, como enquadrar os serviços de anestesia como “atividadefim” desta? Resposta: não é possível!! Caso contrário, terseia que reconhecer que os serviços dos médicos anestesistas são “atividadefim” de toda e qualquer especialidade médica com suas tradicionais divisões já aqui mencionadas: cardiologia, neurologia, anestesia, oftalmologia entre outras. Não se pode, pois, tratar tal questão de forma tão ampla e generalizada. Diante deste cenário, afigurase imperioso aferir qual é a exata delimitação do objeto social da empresa dentro das especificidades e subespecialidades na prestação de serviços médicos e até mesmo dentro da prestação de serviços como um todo, o que não foi feito nem pela Fiscalização, nem pelo acórdão recorrido. Para o correto enfrentamento de todas as questões referentes aos serviços prestados, devese sempre ter em mente que as atividades desenvolvidas pelos prestadores de serviços detinham alto grau de especialização e que é impossível colocar um divisor claro entre quais tarefas estão dentro da atividadefim da empresa e quais estão fora. Seguindo a análise a respeito da prestação de serviços na atividadefim da empresa, destaca ainda o Recorrente que não existe nem nunca existiu qualquer lei vedando a terceirização da atividadefim da empresa, sendo que qualquer entendimento em sentido contrário ofende o princípio da reserva legal previsto no art. 5º, inciso II, da Constituição Federal, e a liberdade de contratar prevista no art. 421, do Código Civil (“A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato”). Sobre o tema, registrese que o Supremo Tribunal Federal, no recente julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 324, declarou, conforme amplamente noticiado na mídia especializada, a legalidade da terceirização de serviços tanto na atividademeio quanto na atividadefim das empresas. Concluiu, pois, aquela Corte Suprema, no julgamento da ADPF nº 324, que é lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho em pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, revelandose inconstitucionais os incisos I, III, IV e VI da Súmula 331 do TST. Registrese, pela sua importância, que o Enunciado 331 do TST foi expressamente citado tanto pela Fiscalização, quanto pelo acórdão da DRJ, como parte da fundamentação da autuação, in verbis: Relatório Fiscal (fls. 19) A licitude de tais contratações não encontra guarida na legislação reguladora das relações de trabalho brasileira, haja vista o disposto na Súmula 331 do Tribunal Superior do TrabalhoTST, pela qual é vedada a terceirização de serviços referentes à atividadefim da empresa. Se a atividade principal do HOB BSB, como não poderia deixar de ser, é a prestação de serviços médicos, a terceirização desses mesmos serviços é ilícita, de acordo com o teor da referida súmula (grifo original) Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.160 19 Acórdão da DRJ (fls. 1.881) Não resta dúvidas da afronta à legislação previdenciária (notadamente os arts. 12 e 15 da Lei 8.212/91), ao se utilizar de empresas interpostas para uma relação empregatícia, atuando na atividade finalística do empregador. Tal situação encontra eco reiterado na jurisprudência, resultando na Súmula n° 331 do TST. (destaquei) Neste contexto, face ao até aqui exposto, concluise que não prospera o argumento da Fiscalização, corroborado pela DRJ, de que os prestadores de serviços são segurados empregados por terem atuado na atividadefim do Autuado. Dos Requisitos da Relação Empregatícia Da Pessoalidade No que tange à caracterização do vínculo empregatício entre a Autuada e os prestadores de serviços, a DRJ, corroborando o entendimento da Fiscalização, assim se manifestou em relação à pessoalidade, em síntese: Quanto à pessoalidade na relação empregatícias, esta caracterizase pela prestação de serviços pela mesma pessoa física, cujos bens jurídicos que se busca tutelar (saúde, lazer, integridade física, seguridade social) são inerentes à pessoa natural. Portanto, o trabalho que compete ao segurado empregado deve ser realizado por ele próprio. Assim, a pessoalidade se evidencia pela prestação de serviços pelos ‘sócios’ das interpostas, verificandose que o corpo clínico do hospital, o qual é divulgado na internet, é apresentado sempre com os profissionais responsáveis por procedimentos efetuados no hospital, em cada subespecialidade, por seu nome próprio, como pessoa física, e não o da pessoa jurídica interposta, o que denota a pessoalidade da relação, cujo interesse do empregador, no caso o hospital HOB, centralizase nas qualidades das pessoas naturais e suas especialidades na respectiva área médica. Além de que, a então fiscalizada não formalizou em documento físico, os contrato de prestação de serviços com as pessoas jurídicas interpostas, estabelecendo a relação provavelmente diretamente com o médico, demonstrando a dispensabilidade da intermediação das empresas. Houve médicos que trocaram de empresa intermediária, ou pertenciam a empresa de outro ramo, como clínica odontológica, sem que acarretasse interrupção da prestação dos serviços médicos, assim como outros que se quer tinham certeza sobre quem eram os outros sócios, nem o endereço exato da empresa, e ainda, caso não pudessem atender o paciente, não eram substituídos, demonstrando efetivamente a presença da pessoalidade na relação de prestadora de serviço. Por fim, concluindo, ficou demonstrado que as pessoas jurídicas eram desnecessárias à relação empregatícia que havia entre o HOB e as pessoas dos médicos, pois aquelas possuíam tão Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.161 20 somente a função de emitir notas fiscais e disponibilizar conta bancária para recebimento, pois desprovidas de bens patrimoniais próprios que viabilizassem o objetos sociais a que se propunham. E no que se refere à alegação de que não há exclusividade, vale registrar que a impugnante não traz nenhuma comprovação de qual médico estaria prestando serviços concomitantemente ao Hospital Oftalmológico e a outro contratante. Mesmo porquê tal fato não afasta, por si só, a pessoalidade na prestação dos serviços à impugnante, pois poderiam ter ocorrido em horários diversos. Enquanto a pessoalidade é pressuposto de relação empregatícia a exclusividade não é requisito, mas exigência que pode existir, desde que especificada em contrato de trabalho. Sobre o tema, convém esclarecer que a pessoalidade na relação de emprego é caracterizada pela infungibilidade do trabalhador na prestação do trabalho. Portanto, é uma obrigação intuitu personae, vez que não pode o empregado se fazer substituir por outro sem o consentimento do empregador. Ou seja, é uma obrigação personalíssima e, por isso, se não puder ser executada por aquela pessoa, tornase inviável a prestação do serviço por aquela pessoa. Assim, pelos próprios elementos caracterizadores da pessoalidade na relação de emprego, verificase que os elementos indicados na decisão da DRJ não guardam nenhuma relação com os elementos necessários a refletir a pessoalidade na relação de trabalho. Neste ponto, esclareceu a Recorrente que, quando um determinado médico não podia prestar o serviço por um motivo pessoal, exemplo viagem a passeio ou participação em um Congresso, os demais sócios da sua empresa continuavam prestando os serviços normalmente ao HOB sem que a ausência daquela pessoa em específico prejudicasse a relação mantida entre as partes, que, justamente, pela natureza de prestação de serviços do contrato entabulado não era comprometida pela ausência do médico “A” ou “B”. Assim, quando um médico simplesmente informava que não iria cumprir a sua agenda, os demais serviços da sua empresa não eram interrompidos ou prejudicados, pois os demais médicos daquela empresa continuavam a trabalhar regularmente. Ademais, não é o fato de os pacientes de um determinado médico remarcarem as suas consultas que denota a pessoalidade da relação. Os serviços médicos são prestados em sua grande maioria como obrigações personalíssimas, onde o paciente quer ser atendido por aquele médico em específico, por ser a pessoa de sua confiança. Tal relação se dá entre o médico e o seu paciente (obrigação infungível). Assim, não é possível confundir a relação entre o médico e o seu paciente com a relação entre a empresa prestadora de serviços e a contratante – no caso, o HOB, onde não existia nenhuma pessoalidade na relação para fins de comprovação da relação de emprego. Outro elemento que chama a atenção é a estrutura física de grande parte das clínicas contratadas. Os documentos trazidos aos autos demonstram que, ao contrário das premissas contidas no Auto de Infração, as principais clínicas contratadas tinham estrutura própria, com consultórios próprios para atendimento, corpo de funcionários próprios e médicos que atendiam tanto dentro do próprio estabelecimento quanto fora. Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.162 21 Esclarece a Recorrente, neste particular, que os atendimentos aconteciam fora da estrutura da pessoa jurídica contratada por dois motivos: primeiro, porque ante os altos custos dos equipamentos médicos, nem sempre compensa montar uma estrutura com máquinas que custam cifras expressivas e “pulverizar” o atendimento, o que aumentaria sensivelmente o custo dos serviços prestados; e segundo porque alguns médicos aproveitavam para conhecer mercados e tecnologias de outras regiões. Assim, alguns médicos de fora de Brasília/DF vinham para o Distrito Federal prestar serviços no HOB e promover o intercâmbio de conhecimentos, técnicas e procedimentos, em uma relação de simbiose absolutamente saudável para as duas empresas contratadas. Verificase, pois, que as pessoas jurídicas contratadas tinham organização própria e atuavam como um “corpo” para consecução do seu objeto social. Neste ponto, socorrese, mais uma vez, aos escólios do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira consubstanciado no Acórdão nº 2201004.378, in verbis: Ora, qualquer um dos milhares de médicos registrados no CRM são, potencialmente habilitados a prestar serviços médicos, tendo registro, formação e especialização, afastando de forma patente – para se usar a expressão da autoridade fiscal – a pessoalidade exigida para a caracterização do empregado. Assim, diversamente do entendimento da Fiscalização e, por conseguinte da DRJ, concluo que não restou caracterizada a pessoalidade da relação entre os prestadores de serviço e a Autuada, não se podendo, em hipótese nenhuma, confundir a relação existente entre médico / paciente com aquela que existe entre o prestador de serviço médico com o contratante. Da Não Eventualidade No que tange à não eventualidade (continuidade) dos serviços, concluiu a DRJ que: A não eventualidade ou continuidade, também encontrase apurada na presente situação. Considerase não eventual o trabalho necessário à atividade normal do empregador, cuja natureza de não eventual se define pela relação entre o trabalho prestado e a atividade da empresa. A necessidade do empregador pelos serviços médicos prestados são permanentes e correspondem à atividade fim da contratante, cujas atividades se dão de maneira contínua e que, sem atuação de médicos, estaria severamente comprometida. Neste ponto, verificase, mais uma vez que, partindo da premissa da impossibilidade de terceirização dos serviços vinculados à “atividadefim” da Autuada (matéria já examinada linhas acima), concluiu a DRJ que restaria configurada a não eventualidade dos serviços prestados pelos médicos no caso concreto. A indagação que se faz é: não fosse o serviço vinculado à “atividadefim”* da Autuada (*ressalvandose toda a análise já feita neste voto linhas acima), como, por exemplo, serviços gerais e/ou de limpeza, seria a hipótese de uma prestação de serviço eventual, não contínuo?! Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.163 22 Ou, noutras palavras, o fato de o serviço ser, nos termos empregados pela decisão da DRJ, necessário à atividade normal do empregador, é o suficiente para o caracterizar como não eventual, contínuo?! Não me parece ser esta a melhor conclusão, afigurandose tal entendimento deveras superficial, não tendo sido demonstrado, no caso vertente, a efetiva existência de habitualidade na prestação dos serviços por parte das pessoas físicas para demonstrar a presença de um dos elementos necessários ao reconhecimento do vínculo empregatício, mas sim do ponto de vista da necessidade do HOB quanto aos serviços contratados, o que além de não ser o requisito necessário, ainda serve para demonstrar a ausência de pessoalidade na prestação dos serviços. Da Onerosidade Do recorrido acórdão depreendese que: Outro requisito presente e caracterizador da relação empregatícia, é a onerosidade, a qual revelase pelo encargo bilateral, onde o contratante afere a produtividade para a devida e justa contrapartida de remuneração do prestador do serviço. A impugnante lançou despesas próprias com Serviços Médicos, e apurava produção médica, conforme já referenciado neste voto. Neste ponto, não se deve olvidar que tanto na relação de trabalho quanto na prestação de serviços existe o requisito da onerosidade. A onerosidade não é exclusiva, pois, do contrato de trabalho. O fato de o valor dos serviços ser calculado com base na produtividade médica, não caracteriza, por si só, vínculo empregatício entre o prestador de serviço e o contratante. Ressaltese, inclusive, que não existe nenhuma vedação na utilização dessa forma de remuneração nos contratos de prestação de serviços. Aliás, é muito mais comum que os serviços prestados sejam remunerados com base na medição ou produção dos serviços prestados do que por um valor fixo. E isso não guarda nenhuma relação com onerosidade para fins de reconhecimento de vínculo trabalhista. Assim, entendo que o requisito da onerosidade também não se encontra presente. Da Subordinação Eis, aqui, o elemento de maior relevância na caracterização de uma relação de emprego. A subordinação é a demonstração clara de que o trabalhador se submete ao seu empregador, agindo a seu mando, obedecendo às suas ordens e sujeito às suas sanções. A DRJ, neste ponto, concluiu que: Em que pesem tais alegações, entendo presente a subordinação jurídica. Quanto mais intelectual a atividade, maior a autonomia, contrapondose ao trabalho estritamente braçal. No entanto, a prevalecer o entendimento da impugnante, não existiriam no Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.164 23 mercado de trabalho médicos segurados empregados, o que na prática não é o que ocorre. Não obstante o contribuinte tenha informado à fiscalização que não possuía organograma organizacional dos setores médicos, devese considerar que a auditoria verificou na página do Hospital na internet, que havia segmentação de diretorias e gestores de departamento, cujas funções de chefia estão especificadas vide item ‘c’ fls. 39 do Relatório Fiscal. Presente portanto uma estruturação hierárquica. A atividade médica, conquanto possua elevado grau de especialização e tecnicidade, não possui autonomia absoluta, não devendo ser confundida autonomia profissional, com falta de controle dos procedimentos pelas partes ou direcionamento da aplicação da mão de obra envolvida. O próprio sujeito passivo, em resposta ao item 2, do TIF nº 2, relata que as decisões a respeito dos procedimentos para a organização e controle da assistência médica eram tomadas diretamente pelos sócios do HOB em reuniões de sócios. Que cabia ao Dr. Sérgio Luiz Kniggendorf, o atributo de médico responsável do setor de oftalmologia do HOB. Conforme constata a fiscalização, apesar de o contribuinte afirmar que não há escala de médicos, na prática existe uma tabela que é composta todos os dias, na qual constam horário (manhã ou tarde), número do consultório e médico que vai atender naquele consultório e os médicos que vão atender na EMERGÊNCIA (manhã, tarde e noite) e no ambulatório (noite) Anexo VII dos documentos comprobatórios. Por óbvio, não há como se considerar um hospital de tal magnitude, sem estruturação departamental e hierárquica, denotando o poder de organização e de controle. O Hob era responsável por toda a estrutura de atendimento, marcação de consultas, os materiais e equipamentos utilizados nas consultas e cirurgias eram fornecidos pelo HOB BSB, bem como todo o apoio logístico, material marketing, telefonia, agendamento, papel timbrado etc. A autuada quem contabilizava, como próprias todas as receitas e despesas provenientes dos serviços médicos prestados. Consequentemente os prestadores integraram a dinâmica produtiva do Hospital, destinatário dos serviços prestados caracterizando também a chamada subordinação estrutural em que há integração do trabalhador à dinâmica organizativa e operacional do tomador de serviços. No Magistério de Maurício delgado, a subordinação estrutural é a que se manifesta pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, seu processo de organização e funcionamento. Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.165 24 A subordinação deve demonstrar que o empregado está sujeito a ordens e fiscalização de um superior. É uma relação onde não existe autonomia entre as partes e as obrigações devem ser cumpridas pelo empregado contratado, especialmente referente a horário, regras e condutas, sob pena de alguma sanção. No caso em análise, temse que os médicos tinham ampla liberdade para fazer os seus horários, marcar e desmarcar consultas (o que era determinado por eles e operacionalizado pelas atendentes do HOB), conforme registrado inclusive no relatório fiscal (“que os médicos tinham liberdade para definir a agenda”) e reforçado pelos depoimentos pessoais (“que havia autonomia para organizar a agenda”; “que não tem superior hierárquico”). Restou demonstrado, pois, que os médicos contratados tinham ampla e total liberdade para dizer: (1) se iam prestar serviços para o HOB; (2) quando iriam prestar serviços para o HOB; (3) por quanto tempo prestariam serviços para o HOB; e (4) como iriam prestar serviços para o HOB. Também restou comprovado que os médicos não participavam de reuniões, deliberações do HOB, não estavam sujeitos a suas ordens nem tampouco estavam sujeitos a qualquer sanção por parte do HOB. É inquestionável que os médicos não estavam sujeitos a nenhum controle por parte do HOB. Não tinham suas atividades fiscalizadas nem muito menos qualquer sanção imposta caso não cumprissem o horário que tinha se comprometido a fazer. Diante deste cenário, questionase: como é possível falar na existência de subordinação estrutural? A teoria da subordinação estrutural consiste na inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber suas ordens diretas, mas bastando que acolha seu processo de organização e funcionamento. No caso, não há que se falar em inserção dos médicos na dinâmica do tomador de serviços, pois era o médico quem informava se ia, quando e por quanto tempo iria atender. Portanto, não havia a inserção do profissional médico dentro da estrutura de organização do HOB. O Fato de o Autuado indicar, por meio de uma tabela, os horários e os consultórios nos quais os médicos iriam atender os seus pacientes não configura, por si só, subordinação estrutural do prestador de serviço ao tomador. Tratase de organização – e não de subordinação – da rotina de trabalho, conforme as indicações dos próprios médicos de quando estariam presentes no HOB para atender seus pacientes. Assim, não há que se falar em subordinação estrutural no presente caso, pelo que, também por este motivo, deve ser reformada a decisão de piso. Do Entendimento da Justiça do Trabalho Por fim, mas não menos importante, e mesmo considerando ser prescindível para o deslinde do caso em análise, merece destaque as razões recursais referentes ao entendimento da justiça do trabalho nos casos em que médicos, exprestadores de serviços para o HOB, ajuizaram reclamações trabalhistas no intuito de ver reconhecido o vínculo de emprego e tiveram seus pedidos julgados improcedentes. No corpo do seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta o seguinte caso, in verbis: Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.166 25 Este é o caso específico analisado pela Justiça do Trabalho nos autos da Reclamação Trabalhista n.º 00419201302110000, movida por Graziella Rezende Vilela, da Clínica de Olhos Senna Garcez Ltda, CNPJ n.º 03.817.531/000160, uma das empresas que constam da autuação (folha 1.616 dos autos). Vejam que a médica em questão pediu “vínculo de emprego com o reclamado (...) na função de médica oftalmologista, mediante o salário mensal composto de parte fixa no valor de R$ 2.250,00 e comissões de 20% sobre os clientes atendidos pelo reclamado, perfazendo uma remuneração mensal de R$ 6.500,00, salientando que a última percebida foi no importe de R$ 28.000,00.” (relatório da sentença proferida na reclamação trabalhista). E teve o seu pedido negado com base nos seguintes fundamentos, in verbis: In casu, apesar de a reclamante eleger na exordial o preenchimento dos requisitos objetivos e subjetivos do liame de emprego CLT, artigos 2º e 3º , declarou em seu depoimento pessoal, ratificando a narrativa do reclamado, neste aspecto, que integrou pessoa jurídica no veiculado período, juntamente com outros sócios, não havendo valor fixo salarial e sim percepção remuneratória de acordo com a quantidade de pacientes atendidos por ela no mês, cuja média mensal era em torno de R$ 40.000,00 tendo sempre recebido o valor mensal conforme a quantidade de atendimento por ela efetuados, cujo pagamento mensal feito pelo reclamado era em valor global destinado à empresa que era sócia e que nesta empresa havia a divisão e repasse dos valores a cada um dos sócios médicos que prestavam serviços no reclamado, pois todos laboravam para o reclamado [...] [...] Portanto, tenho que a relação jurídica havida entre as partes se amoldou plena e regularmente ao contrato de prestação de serviços autônomos firmado entre o reclamado e a pessoa jurídica de que era sócia a reclamante, ante a ausência de subordinação jurídica e demais condições empregatícias, albergando, inclusive, a forma própria de pagamento global mensal com a divisão pecuniária promovida pelos próprios sócios da empresa prestadora autora sócia como declarado no próprio depoimento pessoal da reclamante, refletindo a mesma diretriz regular da prestação de serviços autônomos os documentos juntados aos autos pelas partes, pois denotam meros direcionamentos administrativos para a respectiva implementação. Nesse compasso, e sendo a subordinação jurídica condição indissociável da relação empregatícia, conjugada com as demais ordenadas pelos artigos 2º e 3º, da CLT, e uma vez inexistindo entre as partes, como Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.167 26 verificado, não há que se falar em relação de emprego e obrigações dela decorrentes. Em sede de Memoriais, o Recorrente apresentou outros dois casos, conforme abaixo demonstrado: Reclamante: Mário Jampaulo de Andrade Processo nº 000052510.2016.5.10.0004 Sentença Tratase a presente de reclamação trabalhista ajuizada por Mário Jampaulo de Andrade contra HOB Hospital Oftalmológico de Brasília Ltda., onde pretende o reclamante a decretação de nulidade da pejotização existente, reconhecimento do vínculo, anotação da CTPS de 02 de junho de 2007 a 04 de janeiro de 2016 (...) Passo a análise das provas. O email de fl. 63 de 22/09/2010 informa o pagamento na conta da pj e não de pessoa física para evitar problemas com fiscalização. O email de fl. 70 comprova que autor fazia sugestões e organizava cursos (anel de Ferrara). O email de fl. 71 informa que autor intermediava descontos em cirurgias. Os emails de fls. 71 e 72 informa que autor organizava a questão dos fellows, inclusive recebia agenda de entrevista de fellows junto com o sócio CANROBERT (email direcionado aos dois). O documento de fl. 89 comprova que autor era quem dava o fellow de cirurgia refrativa. No mesmo sentido email de fl. 142 sobre análise de currículo fellow. O email de fl. 81 comprova que autor representou o Hospital em um caso médico, relativo a um processo. (idêntico ao de fl. 155/156). Os emails de fls. 75, 76 comprovam que o autor solicitava bloqueio de sua agenda para treinamento em Goiânia, Porto Alegre. O email de fl. 79 comprova que autor desmarcou reunião em face de compromisso seu, sem grandes explicações. O email de fl. 82 comprova fechamento de agenda do autor para congresso nos EUAs por 7 e depois 8 dias. Os email de fls. 134 e 135 informam remarcação de paciente por ida do autor ao ortopedista e que solicitação para evitar encaixes, bem como por dores do autor. O email de fl. 140 informa que autor avisou que só atenderá 3 retornos conforme regra do HOB. O email de fl. 84 comprova que autor dava entrevistas, divulgando o hospital e os médicos. No mesmo sentido documentos de fls. 85 a 87, 91, 94 a 133. Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.168 27 O email de fl. 139 informa que autor tinha cartão de visitas, conforme fl. 156. Os documentos juntados pelo autor, ao contrário do alegado, comprovam autonomia do autor no fechamento de sua agenda e desmarcação de reunião segundo interesse do autor. O fato de usar o termo "solicita" não significa subordinação e que poderia haver uma negativa de fechamento e sim que a central de atendimento deveria fazer o bloqueio da agenda. [...] Ora, não vislumbro subordinação jurídica entre o reclamante e o reclamado. A relação entre hospital e médicos geralmente se faz da forma aqui informada. Os médicos parceiros disponibilizam os horários em que podem realizar atendimento, conforme sua própria conveniência, recebendo percentual das consultas, pois o pagamento é divido com hospital para lucro e cobertura de despesas. [...] Ante a inexistência de subordinação jurídica, inexiste o vínculo empregatício, improcedem todos os pedidos do reclamante (destaquei). *** Reclamante: Márcia Moreira Godoy Processo nº 000144721.2016.5.10.0014 – RECURSO ORDINÁRIO EMENTA RELAÇÃO DE EMPREGO. INEXISTÊNCIA. A CLT, em seu art. 3º, considera empregado "toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário". É de se esperar que tais elementos estejam necessariamente presentes em um contrato de trabalho, que, na definição de Orlando Gomes, é "[...] a convenção pela qual um ou vários empregados, mediante certa remuneração e em caráter não eventual, prestam trabalho pessoal em proveito e sob direção de empregador." (Contrato individual de trabalho. Forense, 1994. p. 118). Para a Justiça do Trabalho, o elemento definidor da existência de relação de emprego é a presença de subordinação jurídica entre as partes, o que não se verificou nos presentes autos. In casu, a inexistência de relação de emprego entre os litigantes emergiu, de modo inconteste, do conjunto probatório. Recurso ordinário conhecido e desprovido. MÉRITO Insurgese a reclamante contra a sentença de origem que negou a existência de vínculo empregatício entre as partes. Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.169 28 [...] A própria reclamante admitiu ao depor a constituição de empresa que prestava serviços ao reclamado. Não se desincumbiu, entretanto, do ônus de demonstrar, conforme alegou, que tivesse a constituído por exigência da recorrida. O depoimento também contraria a tese recursal de ausência de instrumento formal de pactuação de prestação de serviço autônomo, pois revelado que referida pactuação deuse verbalmente. Ademais, o fato de não haver contrato escrito da parceria havida entre as partes, denota tão somente o elevado grau de confiança existente, como restou claramente evidenciado na degravação do áudio colacionado aos autos, uma vez que a autora fez sua residência médica no reclamado e, ainda, por seu pai ser amigo de longa data de um dos sócios da parte reclamada (ID. 374b8a7 Pág. 8). Para além disso, a própria reclamante afirma, no início do áudio acima referido, que não tem intenção de formar esse tipo de vínculo (empregatício) com o reclamado (ID. 374b8a7 Pág. 2) e, ato contínuo, assevera que está "levantando voo sozinha" por perceber que não está sendo bem remunerada, mas que tem intenção de sair do hospital, ao passo em que deseja continuar sendo parceira do réu (ID. 374b8a7 Pág. 3). Em verdade, após cuidadosa análise da degravação do áudio registrada sob o ID. 374b8a7, o que se infere é que a relação havida entre as partes é de parceria e que a parte reclamante deseja findar a prestação de serviços para o reclamado, expondo os motivos para tanto e, de outro lado, o sócio do reclamado, preocupado com a sociedade empresária, requer a formalização do distrato. [...] No depoimento supratranscrito (Sr. VICTOR SAQUES NETO, médico oftalmologista, como a reclamante), chama atenção o fato da ausência de subordinação jurídica e pessoalidade na relação havida entre as partes, quando a testemunha assevera que ela, assim como a reclamante, podem fechar a agenda e fazerse substituir por outro profissional qualificado. E nem se diga que a necessidade de comunicação, através de formulário caracteriza a vindicada subordinação jurídica, porquanto pensar o contrário, ou seja, uma ausência de notificação formal ao reclamado, poderia trazer sérias consequências na imagem que o réu detém perante os pacientes. Outro fato importante é a remuneração pelos serviços prestados, que sempre foi objeto de consenso entre os prestadores de serviços e o reclamado, o que revela a paridade existente na relação. [...] Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.170 29 Como se percebe, o depoimento acima transcrito (Senhora JANAINA SALES DE JESUS NASCIMENTO) corrobora o da primeira testemunha, pois esclarece que os médicos prestadores de serviço, como a reclamante, disponibilizam os horários de atendimento, podendo fechar suas agendas, sem qualquer consequência ou punição, bastando informar o reclamado, por meio de um formulário. [...] As testemunhas, tanto da autora como do reclamado, como diligentemente apontado na sentença primária, confirmaram da liberdade de agenda daquela. Isso se torna ainda mais evidente quando da análise das correspondências eletrônicas colacionadas sob o ID. b98cf05, in litteris: [...] O depoimento da reclamante, aliado à prova oral e documental produzida contrariam os termos da inicial. Consoante emerge dessa prova, a autora não exercia suas funções sob a égide da disciplina trabalhista, uma vez que ausentes um dos principais requisitos necessários à caracterização do vínculo empregatício, qual seja: a subordinação. Tanto mais, quando evidenciada a autonomia na marcação e cancelamento de consultas, sem nenhuma penalidade por parte do hospital reclamado. A egrégia 2ª Turma deste Regional, em caso semelhante ao dos presentes autos, em que figurava como parte o reclamado, também entendeu pela existência de parceria entre o réu e o profissional médico que lhe prestava serviços. Peço, pois, vênia para transcrever o referido acórdão naquilo que interessa ao caso sub examine: [...] Valorados os aspectos acima indicados, entendo que não se confirmou nos autos a presença dos elementos do art. 3º da CLT. A r. sentença valorou com precisão o acervo probatório, culminando por concluir pela inexistência do vínculo de emprego entre as partes, conforme se infere da fundamentação. Restou demonstrada nos autos, a contento, a ausência de subordinação jurídica no desenvolvimento do trabalho prestado pela reclamante. Dessa forma, mantenho a sentença quanto à inexistência do vínculo de emprego. Registrese, pela sua importância, que a decisão em destaque da Terceira Turma do TRT da 10ª Região transitou em julgado no dia 27/03/2018, conforme se infere da imagem abaixo, extraída do sítio eletrônico daquela Corte: Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.171 30 Diante de todo o exposto, forçoso reconhecer a procedência das alegações recursais, nos termos acima declinados. Da Generalização na Investigação Realizada pelo Fisco Aduz o Recorrente que ao proceder ao lançamento, caberia ao Fisco comprovar a existência de uma relação de emprego supostamente disfarçada, de forma individualizada, com cada profissional da medicina que compõe cada pessoa jurídica que prestou os serviços para o Recorrente. Prossegue afirmando que a Fiscalização analisou um fato, geral, baseado nas diligências realizadas em 10 (dez) pessoas jurídicas e no depoimento de 7 (sete) médicos, que possuem evidente interesse pessoal nos fatos, e presumiu que todas as pessoas jurídicas estariam em situação de irregularidade, sem promover a devida comprovação fática pormenorizada. Ou seja, a Fiscal identificou uma possível situação de irregularidade em algumas empresas e, presumidamente, estendeu suas conclusões a todas as pessoas jurídicas que prestaram serviços ao hospital. Razão assiste ao Recorrente neste particular. Vejamos!! De fato, extraise do TVF as seguintes informações: 15.18 A fiscalização contava, então, com elementos suficientes para comprovar que o HOB BSB estava utilizando a “pejotização”, visto que sua atividade principal era (e continua sendo) a prestação de serviços médicos hospitalares no ramo oftalmológico – consultas ambulatoriais, exames, cirurgias e internações, constatandose a coincidência entre as atividades contratadas por interposta pessoa e a atividadefim do hospital. 15.19 No entanto ainda havia a necessidade de conhecer quem eram realmente os médicos (pessoas físicas) que prestaram Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.172 31 serviços no HOB BSB e qual era o valor recebido por eles. Foi, então, solicitado ao contribuinte, por meio do TIF no 2, que apresentasse arquivo digital, em formato excell, com as seguintes informações com referência a todos os médicos que prestaram serviços no HOB BSB em 2012: Nome completo do médico / CPF / CRM / especialidade / Nome da empresa intermediadora do serviço / CNPJ / jornada de trabalho mensal / carga horária cumprida no mês / Valor pago a cada médico por competência (mês). 15.20 Em atendimento ao termo, o sujeito passivo apresentou o arquivo “Produção Médica 2012”, no qual a “Plan 1” apresenta os valores mensais pagos às pessoas jurídicas interpostas e a “Plan 2” apresenta os médicos que prestaram serviços em cada uma dessas empresas. E prestou os seguintes esclarecimentos (ANEXO II, do Conjunto de Provas): 15.21 Assim, a auditoria fiscal obteve as informações referentes a quais pessoas jurídicas estavam vinculados os médicos e qual os valores mensais pagos pelo HOB BSB a estas pessoas jurídicas. Segundo o contribuinte eles não tinham como precisar o valor recebido por cada médico. Mais adiante, esclarece a Fiscalização que: DAS DILIGÊNCIAS PESSOAS FÍSICAS MÉDICOS E PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS 15.25 Com o objetivo de aprofundar o conhecimento da relação triangular estabelecida entre o HOB BSB e os médicos pessoas físicas / pessoas jurídicas interpostas e de confrontar as informações até então reunidas, a auditoria fiscal achou por bem realizar diligências junto a 7 médicos, pessoas físicas, dos 77 (setenta e sete) que prestaram seus serviços no HOB BSB (segundo o contribuinte) e junto a 10 (dez), das 47 (quarenta e sete) pessoas jurídicas identificadas na contabilidade, como se segue. DAS DILIGÊNCIAS PESSOAS FÍSICAS MÉDICOS Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.173 32 DAS DILIGÊNCIAS PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS 15.29 Antes de selecionar as pessoas jurídicas interpostas a serem diligenciadas, a auditoria fiscal comparou as informações contábeis do HOB BSB com informações dessas empresas, obtidas nos diversos sistemas internos da RFB, dos quais foram extraídas informações cadastrais e informações prestadas nas seguintes declarações: GFIP, DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) e DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte). Tais informações foram sintetizadas na Tabela 5 Informações das GFIP declaradas pelas pessoas jurídicas interpostas, na Tabela 6 Dados cadastrais (fonte DIPJ) e responsáveis pelas informações GFIP PJ Interpostas e na Planilha 1 Despesa conta 11065 Serviços Médicos HOB BSB x Receita Bruta/DIPJ e Rendimentos – DIRF / TERCEIROS / BENEFICIÁRIA (PJ interpostas) constantes do Anexo V do Conjunto de Provas. 15.31 Depois da análise destas informações, foram selecionadas as pessoas jurídicas a serem diligenciadas: Prosseguindo, a Fiscalização, já avançando para suas conclusões e após manifestarse acerca “Da Caracterização como Segurados Empregados” (fls. 34 do TVF), esclarece que:DA DESCONSIDERAÇÃO DOS CONTRATOS VERBAIS DE SERVIÇOS MÉDICOS COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. 17. Preliminarmente, é importante destacar que 45 (quarenta e cinco) das 47 (quarenta e sete) empresas relacionadas, na PLANILHA 1 do Anexo V deste relatório, tiveram desconsiderados seus contratos de prestação de serviços, ainda que verbais, para fins previdenciários, exceção feita à Clínica de Olhos Santa Paula e Banco de Olhos Sorocaba que não tiveram seus valores considerados no presente lançamento. 18. Tais contratos foram desconsiderados em vista da realidade fática apurada nesta ação fiscal, qual seja, a existência de vínculo Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.174 33 de emprego dos médicos vinculados às empresas interpostas diretamente com o HOB BSB. 19. Constatouse que a contratação de empresas médicas para prestar serviços ao HOB BSB é uma camuflagem jurídica para acobertar, de fato, a contratação direta de médicos, conforme exaustivamente demonstrado neste relatório fiscal. 20. Os médicos identificados na presente auditoria são os informados pelo contribuinte em atendimento ao TIF no 2 – Anexo II do Conjunto de Provas (77 médicos), complementado pelos médicos identificados nas diligências (5 médicos), que não constavam da relação entregue: Como se vê dos excertos supra reproduzidos do TVF, a Fiscalização expressamente afirma que, para fins de incidência da contribuição previdenciária, foram consideradas 45 (quarenta e cinco) empresas e 82 médicos, enquanto que as diligências, conforme consta no próprio TVF, foram realizadas junto a 07 (sete) médicos e 10 (dez) pessoas jurídicas. Neste contexto, tratandose de exigência fiscal embasada na caracterização de segurados empregados, com constatação expressa, pela autoridade administrativa fiscal, dos pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, quais sejam: serviços prestados por pessoa física, subordinação, habitualidade / não eventualidade e onerosidade, questionase: como a fiscalização concluiu que tais pressupostos se aplicam a 82 médicos, tendo diligenciado junto à apenas 07?! Razão assiste à Recorrente quando afirma que o curioso é que a própria Fiscal reconhece que das 10 empresas diligenciadas 2 operavam em conformidade com seu entendimento sobre a matéria, razão pela qual excluiu do auto as receitas pagas às empresas Clínica de Olhos Santa Paula e Banco de Olhos Sorocaba. Assim, impossível não questionar: por que a fiscal não estendeu o entendimento que deve dessas 2 empresas para as 37 demais empresas que não sofreram qualquer ação pela fiscalização? Não existe resposta legal a esse questionamento. E a fragilidade do auto se torna ainda nítida quando constatamos que, se essas duas empresas não tivessem sido convocadas pela Fiscal, seus rendimentos estariam integrando o auto. Portanto, não existe outra conclusão a se chegar a não ser o da ilegalidade da conduta da Fiscal e do auto. Neste contexto, não pode prevalecer o argumento da fiscalização no sentido de que há generalizada terceirização da atividade fim Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.175 34 do hospital autuado, mediante a adoção de "pejotização", considerando que o Fisco, conforme acima exposto, não analisou cada uma das empresas prestadoras de serviços, tampouco cada médico pessoa física considerada segurado – empregado! Assim, caso restem superadas as conclusões alcançadas nos itens precedentes, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para que a autuação recaia sobre os médicos efetivamente diligenciados pela Fiscalização, conforme tabelas abaixo, extraídas do TVF, excluindo o profissional Leonardo Alan Rocha, referente à Clínica de Olhos Santa Paula Ltda, já excluída da autuação pela própria fiscalização: Da Aferição Indireta da Base de Cálculo Neste ponto, aduz a Recorrente que no tocante à apuração da base de cálculo dos tributos lançados mediante aferição indireta, a autoridade fiscal utilizou critério que sequer permite constatar de forma exata o suposto “salário” alegadamente pago pelo HOB. E prossegue afirmando que no caso vertente, o pagamento realizado para uma clínica pessoa jurídica, via de regra constituída por mais de um sócio, foi simplesmente convertido integralmente em pretenso salário das tantas pessoas físicas existentes na clínica. Isso significa que o valor total mensalmente auferido a título de prestação de serviço pela pessoa jurídica como um todo, foi atribuído na íntegra a cada sócio pessoa física! Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.176 35 Razão não assiste ao Recorrente neste particular. Vejamos! Nos termos do TVF, temse que: 37. Cabe ainda ressaltar que, como o HOB BSB não apresentou para a fiscalização os valores recebidos pelos médicos, pessoas físicas (motivo pelo qual foi lavrado o auto de infração acessório CFL 35), o lançamento da contribuição previdenciária devida será realizado por AFERIÇÃO INDIRETA, conforme previsto no §3o do artigo 33, da Lei no 8.212/1991: Lei 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n° 11.94 1, de 2009). § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). [...] § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.177 36 § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifo original) Mais adiante esclarece a Fiscalização que: 53. A base de cálculo utilizada para apuração das contribuições foram os valores repassados a pessoas jurídicas interpostas, consideradas pela fiscalização como remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados. A apuração se deu com base nos valores lançados na contabilidade do HOB BSB, como despesa, na conta analítica 3.2.1.03.01.00 / conta reduzida 11065 SERVIÇOS MÉDICOS – Anexo V do Conjunto de Provas (Ressaltase que foram excluídos os valores destinados à Clínica de Olhos Santa Paula e ao Banco de Olhos Sorocaba). 54. A tabela abaixo apresenta o valor da base de cálculo considerada no presente lançamento, consolidada por competência: Pois bem! Analisandose o Anexo V RAZÃO DA CONTA DE DESPESA 11065 SERVIÇOS MÉDICOS (CUSTOS DE SERVIÇOS / SERVIÇOS DE TERCEIROS / PESSOA JURÍDICA) (fls. 1628 e seguintes), verificase que os valores utilizados pela fiscalização como BC para a apuração das contribuições devidas não correspondem, conforme faz crer a Recorrente, aos pagamentos realizados para uma clínica pessoa jurídica, convertidos integralmente em pretenso salário das tantas pessoas físicas existentes na clínica. Tais valores – extraídos da contabilidade da própria Recorrente, registrese correspondem sim a pagamentos realizados para as clínicas, mas não foram “multiplicados” por tantas pessoas quanto existentes nas clínicas. O que fez a fiscalização foi, identificados na conta contábil em destaque lançamentos referentes àquelas clínicas objeto da autuação – 45 (quarenta e cinco), rememorando – contabilizou os respectivos valores na apuração da base de cálculo. Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.178 37 A título meramente exemplificativo, somandose os valores da Coluna “Valor” do susodito Anexo V (fls. 1628) referentes ao mês de janeiro/2012, excluídos os valores destinados à Clínica de Olhos Santa Paula e ao Banco de Olhos Sorocaba, chegase a um montante de R$ 1.184.075,26 de base de cálculo, conforme se infere da Tabela abaixo: 2.338,06 2.338,06 1.674,04 2.338,06 18.470,11 1.144,28 1.327,19 987,87 2.266,65 2.338,06 2.338,06 2.338,06 2.338,06 2.338,06 3.850,35 2.338,06 2.338,06 2.338,06 2.338,06 12.986,11 57.920,09 177.832,72 1.273,07 26.177,73 34.122,84 90.126,55 5.874,24 17.596,98 10.789,16 37.023,77 152.918,69 96.864,02 87.277,56 4.476,63 9.002,35 2.770,72 1.751,59 12.395,41 168.348,97 2.321,69 1.167,49 1.635,00 Valor de 14.645,68 não considerado, referente à Clínica de Olhos Santa Paula 21.842,96 5.608,26 16.691,84 2.537,88 2.151,73 1.624,47 634,09 1.875,85 3.837,99 Valor de 220,00 não considerado, referente ao Banco de Olhos Sorocaba 2.847,82 1.211,15 10.521,18 2.688,80 1.807,89 29.529,99 2.066,76 2.338,06 3.827,95 1.184.075,26 Neste ponto, em face do quanto acima exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário neste particular. Da Responsabilidade Tributária Neste ponto, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adotase os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: O art. 124 do CTN trata de regra geral de Responsabilidade Solidária, onde são solidários perante o Fisco, os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (inciso I) e os designados expressamente pela lei (inciso II). Vejamos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.179 38 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. No caso do inciso I, a regra é geral, aplicável a qualquer tributo, condicionada ao interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Já para o inciso II, não se exige necessariamente o interesse comum, mas deve ocorrer a previsão de lei (do tributo respectivo) definindo a solidariedade, considerada ex lege, no qual o legislador busca maiores garantias no recebimento do tributo. O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, citado pela Autoridade Fiscal autuante, é aplicável às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, o qual dispõe que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações tributárias, conforme reproduzido abaixo: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifamos) Observese que legislação acima transcrita impõe a utilização do instituto da solidariedade frente a grupo econômico de qualquer natureza, de modo a abarcar tanto aqueles que foram regularmente constituídos, nos moldes do artigo 265 da Lei n° 6.404/76, quanto aos “grupos de empresas” com direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. No âmbito da legislação previdenciária, o conceito de “grupo econômico” está expresso no artigo 494 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, in verbis: Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Por sua vez, o art. 2.º, § 2º da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), estatui que: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.180 39 constituindo grupo industrial, comercial ou de que qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. É visível a similitude de redação entre o dispositivo inserto na CLT e o constante da Instrução Normativa (IN) citada, sendo viável que conceitos doutrinários trabalhistas correlatos sejam utilizados na seara previdenciária, inclusive em face do estreito liame que conecta estes dois ramos do direito. Ao comentar o conceito ínsito na CLT, Délio Maranhão elucida: O parágrafo citado fala em ‘empresa principal’ e ‘empresas subordinadas’. Para que se configure, entretanto, a hipótese nele prevista não é indispensável a existência de uma sociedade controladora (holding company). Vimos que a concentração econômica pode assumir os mais variados aspectos. E, desde que ao juiz se depare esse fenômeno, o dever lhe impõe a aplicação daquele dispositivo legal. O controle sobre diferentes sociedades pode ser exercido por uma pessoa física, detentora da maioria de suas ações e, em tal caso, não há por que deixar de aplicarse o § 2° (SÜSSEKIND, Arnaldo. Instituições de Direito do Trabalho, 14ª ed., São Paulo, LTr, 1993)(g.n.) ; Mas a existência do grupo do qual, por força da lei, decorre a solidariedade, provase, inclusive, por indícios e circunstâncias. Tal existência é um fato, que pode ser provado por todos os meios que o direito admite (in Instituições de Direito do Trabalho, vol. 1 – 15ª ed. – São Paulo: LTr, 1995, p.297). Portanto, a solidariedade, abrange quer os grupos de direito, quer os de fato. Daí se extrai que os grupos econômicos de fato podem se dar de forma horizontal (modalidade de coordenação), ou vertical (subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, a direção ou a administração. Também, o conceito de grupo econômico, formulado pelo Prof. Wladimir Novaes Martinez, está em consonância com os dispositivos legais acima: Grupo econômico pressupõe a existência de duas ou mais pessoas jurídicas de direito privado, pertencentes as mesmas pessoas, não necessariamente em partes iguais ou coincidindo os proprietários, compondo um conjunto de interesses econômicos subordinado ao controle de capital. [...] O importante, na caracterização da reunião dessas empresas, é o comando único, a posse de ações ou quotas capazes de controlar a administração, a convergência e políticas mercantis, a padronização de procedimentos e, se for o caso, mas sem ser exigência, o objetivo Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.181 40 comum.(em Comentários à Lei Básica da Previdência Social – Tomo II, LTR, 1994, pg. 340) Oportuno ainda, como subsídio, trago à colação algumas posições jurisprudenciais, de âmbito trabalhista e tributário previdenciário: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. EMBARGOS DE TERCEIRO. GRUPO ECONÔMICO. PENHORA DE BENS. VALIDADE. A declaração judicial da existência de grupo econômico entre a executada e a terceira embargante, em razão da existência de sócio majoritário em comum e da atuação das empresas no mesmo ramo empresarial, como fundamento para legitimar a penhora realizada em bem da embargante, não atenta contra as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, tampouco ofende o princípio da legalidade estrita, na medida em que o Tribunal recorrido procurou resguardar o crédito trabalhista da ocorrência de fraude de execução. Violação direta e literal do artigo 5º, II, LIV e LV, da Constituição Federal não configurada. Agravo de instrumento a que se nega provimento. (Agravo de Instrumento em Recurso de Revista n° TST AIRR1071/20030290340.0, Rel. Walmir Oliveira da Costa, 5ª Turma,02/08/2006) EMENTA: GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO Para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico, basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente do controle e fiscalização de uma empresalíder. Basta uma relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2º, parágrafo 2º da CLT. EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO. O parágrafo 2° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que o seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma subordinação específica em relação a uma empresa mãe, mas sim uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados, fartamente, o Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.182 41 controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (PROCESSO TRT/15ª REGIÃONº 00902200108315 000RO (22352/2002RO9) RECURSO ORDINÁRIO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS). Acórdão. Origem: TRIBUNAL QUARTA REGIÃO Classe: AG AGRAVO DE INSTRUMENTO Processo: 200304010562371 UF: SC Data da decisão: 03/08/2005 AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. OITIVADA PARTE INTERESSADA. DESNECESSIDADE. PRESCRIÇÃO. 1. Os elementos constantes dos autos evidenciam a ocorrência de grupo econômico entre a devedora principal e as ora agravantes, não havendo motivos para, em sede de agravo de instrumento, modificasse o conteúdo da decisão que deferiu o redirecionamento da execução fiscal, na forma dos artigos 124, inc. II, do CTN e 30, inc. IX, da Lei nº 8.212/91. [...] 6. Agravo de instrumento parcialmente provido, apenas para decretar a prescrição do direito ao redirecionamento, relativamente a uma das quatro execuções que tramitam reunidas, nos termos da fundamentação. Portanto, relativamente às alegações de não caracterização do grupo econômico as mesmas não podem prosperar. Inicialmente trazemos ao contexto os elementos fáticos coligidos pela fiscalização, que demonstram a existência de grupo econômico de fato. O quadro de sócios administradores elaborado pela auditoria em seu Relatório Fiscal item 40 (abaixo reproduzido) demonstra o mesmo grupo de pessoas como administradores das envolvidas, revelando a direção em comum, centralizada e coordenada pelas mesmas pessoas. Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.183 42 Oportuno observar ainda, conforme o relatório da fiscalização, que o referido grupo possuía site mantido na internet (www.hobbr.com.br) cujas informações se apresentam de maneira em comum, tanto do HOB Brasília quanto do HOB Taquatinga. O próprio corpo clínico de ambos os hospitais são apresentados em um mesmo quadro na referida página. Tais fatos demonstram que agiam efetivamente como o mesmo grupo econômico, externando tal condição de maneira pública. Corrobora tal situação pelos depoimentos prestados pelos médicos, onde os hospitais tinham o mesmo padrão de contratação e de relacionamento com as pessoas jurídicas interpostas, onde muitas vezes, mesmo médico prestava serviços em ambos hospitais. Todas as integrantes do grupo atuam na mesma atividade econômica, o setor de Oftalmologia, demonstrando objetos comuns e complementares. Vide quadro: Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.184 43 Outro fato a demonstrar a coesão das empresas em grupo, decorre de que as declarações em GFIP, transmitidas para a Receita Federal, possuem como responsável pelas informações/remessa os endereços eletrônicos do Grupo HOB @hobrbr.com.br. Havia também identidade de endereços entre certas integrantes do grupo, como a Assistência Oftalmológica Multifoccus com a Clínica Foccus, bem como a Contact Gel e HOB Brasília. Tanto HOB Brasília quanto a Hob Taguatinga possuem mesmo número de telefone e endereço eletrônico de SAC, denotando certa confusão operacional e patrimonial, onde mesmo endereço e mesma estrutura física possuem como conseqüência que o relacionamento com clientes e fornecedores tende a ficar centralizado. Por fim, a fiscalização verificou na contabilidade do HOB BSB a ocorrência de várias transações comerciais e financeiras entre as empresas do Grupo Econômico, como operações de empréstimos, pagamentos de aluguéis, água e energia, o que demonstra efetivamente confusão financeira. Quanto à alegação da necessidade de vinculação das envolvidas com o fato gerador das contribuições lançadas, cabe observar que a presente solidariedade decorre de lei, e alcança o Grupo econômico de qualquer natureza, em decorrência do previsto no art. 124, II do CTN. Portanto, para a configuração de grupo econômico, no âmbito do Direito Previdenciário e do Direito do Trabalho, não há a necessidade de as empresas formalizarem juridicamente essa união, nem manterem estrita relação de subordinação, onde, uma relação de coordenação já é suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, hipótese em que não há prevalência formal de uma empresa sobre a outra, mas conjugação de interesses com vistas à ampliação da credibilidade e dos negócios. Na presente situação, a disposição societária, com controle centralizado, empresas atuando no mesmo ramo, em mesmo endereço, confusão financeira entre as envolvidas demonstram um liame inequívoco, com a composição de grupo econômico de fato, combinando recursos e esforços, buscando a projeção no Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.185 44 ramo em que atuam, de maneira que não fosse a participação em grupo, não ganhariam a representatividade alcançada. Correto, portanto, o procedimento fiscal, quanto à imputação de solidariedade às componentes do grupo econômico, Hob Taguatinga, ContactGel Ltda, Assistência Oftalmológica Multifoccus e Clínica de Assistência Ofalmológica Foccus, nos termos do art. 124, I do Código Tributário Nacional e art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91. Da Multa Qualificada A Fiscalização aplicou, no caso em análise, multa de ofício no percentual de 150%, nos termos do § 1º do art.44 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Com vistas a embasar a aplicação da multa no percentual de 150%, a Fiscalização pontuou que: Dos fatos apurados pela fiscalização, relatados mais especificamente nos itens 11 a 38 deste Relatório, concluiuse que o HOB BSB, a partir da contratação de diversas pessoas jurídicas para a prestação de serviços na área de saúde, adotou procedimentos visando mascarar sua verdadeira intenção de obter o resultado do trabalho dos médicos pessoas físicas vinculados a estas empresas, mas DE FATO, profissionais que prestaram serviços na qualidade de segurados empregados. Dessa forma, no intuito de efetivar os pagamentos das respectivas remunerações dessas pessoas físicas, travestiaos contabilmente como meras quitações de notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas interpostas. Tal prática, utilizada por parte do contribuinte, visava impedir ou ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal contribuições previdenciárias, modificando suas características essenciais, de modo a reduzir ou evitar o montante do imposto devido, ficando caracterizada a ocorrência de sonegação e fraude. Neste ponto, cabe esclarecer que, para a constatação de fraude, sonegação ou conluio, deve restar patente a ação ou omissão dolosa, devendo restar provada, sem sombra Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.186 45 de dúvidas, a presença do elemento subjetivo (dolo) na conduta do contribuinte; de forma a demonstrar que o contribuinte quis, de fato, alcançar os resultados capitulados pelo artigo 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64. A autoridade fiscal, ao descrever a aplicação da multa qualificada não descreveu diretamente a existência do dolo específico. Para a aplicação da multa qualificada, há necessidade de caracterização inequívoca do intuito doloso do contribuinte em ludibriar o fisco (prova), pois o dolo integra a figura típica da norma que enseja a penalidade, sendo que a mera omissão (descumprimento de obrigação tributária) não é apta a ensejar a aplicação da multa qualificada. Portanto, a descrição a ser realizada pela autoridade fiscal não deve se limitar à infração tributária ocorrida, mas deve especificar e demonstrar a conduta de fraude, conluio ou sonegação, mediante a presença de dolo. Por estas razões, deve ser afastada a multa qualificada de 150%, reduzindoa ao patamar de 75%. Conclusão Face ao exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Com a maxima venia, divirjo do Ilustre Relator quanto a não caraterização da relação de emprego, quanto à manutenção da autuação apenas em relação aos médicos diligenciados pela Fiscalização e quanto à desqualificação da multa aplicada, porém, considerando que somente a nossa divergência em relação a não caracterização da relação de emprego é que restou vencedora, trataremos, no presente voto, apenas dessa questão. Pois bem, ao tratar da caracterização da relação de emprego, duas questões são abordadas pelo Relator: a terceirização da atividadefim e os requisitos da relação empregatícia. Quanto à terceirização de atividadefim, não vemos qualquer necessidade de retoque, tanto no relatório fiscal quanto na decisão de primeira instância, pois, em que pese o grau de especialização de cada profissional de saúde, se a Recorrente atua na área médica, com foco na oftalmologia, é óbvio que todas as atividades afetas a essa área estarão ligadas à sua atividadefim. Por exemplo, para ser realizado um procedimento cirúrgico oftalmológico, além do médico cirurgião, será necessário um anestesista e, quiçá, outros profissionais da área médica, e todos, efetivamente, atuarão na atividadefim da empresa. O mesmo não ocorrerá, Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.187 46 por exemplo, se a Recorrente terceirizar as atividades de limpeza e segurança, pois tais atividades não dizem respeito à sua atividadefim. De qualquer modo, convém destacar que a Fiscalização não enquadrou os prestadores de serviços “pejotizados” como empregados da Recorrente apenas por terem atuado na atividadefim da empresa, mas, também, pela presença dos elementos caracterizadores da relação empregatícia, os quais trataremos a seguir. Em seu voto, o Relator transcreve parte de um voto do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, consubstanciado no Acórdão 2201004.378, no qual é conferida pouca relevância à pessoalidade, à habitualidade e à onerosidade como elementos caracterizadores da relação de emprego, e destacada a importância da subordinação como elemento caracterizador. De fato, também entendemos dessa forma, pois a subordinação é, realmente, o mais emblemático elemento a demonstrar a presença da relação de emprego. Todavia, em que pese a maior importância da subordinação, os demais elementos caracterizadores da relação empregatícia também estão sendo apreciados no presente julgamento. A pessoalidade restou evidenciada pela prestação pessoal dos serviços médicos pelos sócios das empresas contratadas, e, muitas vezes, sem o efetivo protagonismo das pessoas jurídicas nas tratativas, conforme assim restou consignado na decisão de primeira instância, contra a qual o recurso voluntário foi interposto. Vejase: Quanto à pessoalidade na relação empregatícias, esta caracterizase pela prestação de serviços pela mesma pessoa física, cujos bens jurídicos que se busca tutelar (saúde, lazer, integridade física, seguridade social) são inerentes à pessoa natural. Portanto, o trabalho que compete ao segurado empregado deve ser realizado por ele próprio. Assim, a pessoalidade se evidencia pela prestação de serviços pelos ‘sócios’ das interpostas, verificandose que o corpo clínico do hospital, o qual é divulgado na internet, é apresentado sempre com os profissionais responsáveis por procedimentos efetuados no hospital, em cada subespecialidade, por seu nome próprio, como pessoa física, e não o da pessoa jurídica interposta, o que denota a pessoalidade da relação, cujo interesse do empregador, no caso o hospital HOB, centralizase nas qualidades das pessoas naturais e suas especialidades na respectiva área médica. Além de que, a então fiscalizada não formalizou em documento físico, os contratos de prestação de serviços com as pessoas jurídicas interpostas, estabelecendo a relação provavelmente diretamente com o médico, demonstrando a dispensabilidade da intermediação das empresas. Houve médicos que trocaram de empresa intermediária, ou pertenciam a empresa de outro ramo, como clínica odontológica, sem que acarretasse Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.188 47 interrupção da prestação dos serviços médicos, assim como outros que se quer tinham certeza sobre quem eram os outros sócios, nem o endereço exato da empresa, e ainda, caso não pudessem atender o paciente, não eram substituídos, demonstrando efetivamente a presença da pessoalidade na relação de prestadora de serviço. Quanto à presenta da habitualidade ou nãoeventualidade (continuidade) dos serviços prestados, assim constou no julgado a quo: A não eventualidade ou continuidade, também encontrase apurada na presente situação. Considerase não eventual o trabalho necessário à atividade normal do empregador, cuja natureza de não eventual se define pela relação entre o trabalho prestado e a atividade da empresa. A necessidade do empregador pelos serviços médicos prestados são permanentes e correspondem à atividade fim da contratante, cujas atividades se dão de maneira contínua e que, sem atuação de médicos, estaria severamente comprometida. Em relação à onerosidade, a situação não é diferente, uma vez que também restou evidenciada. Vide o seguinte excerto da decisão recorrida: Outro requisito presente e caracterizador da relação empregatícia, é a onerosidade, a qual revelase pelo encargo bilateral, onde o contratante afere a produtividade para a devida e justa contrapartida de remuneração do prestador do serviço. A impugnante lançou despesas próprias com Serviços Médicos, e apurava produção médica, [...]. Portanto, estando demonstrada a presença da pessoalidade, da habitualidade e da onerosidade, resta, agora, verificarmos se a subordinação também esteve presente. De início, insta trazermos à baila o seguinte esclarecimento constante do relatório fiscal, fl. 49: Subordinação: conforme informado pelo sujeito passivo, em resposta ao item 2, do TIF no 2, as decisões a respeito dos procedimentos para a organização e controle da assistência médica eram tomadas diretamente pelos sócios do HOB BSB em reuniões de sócios, contando, às vezes, com assessoria contábil, jurídica ou administrativa de consultores. No item 1 informa que o médico responsável técnico do setor de oftalmologia do HOB BSB no ano de 2012 era o Dr. Sérgio Luiz Kniggendorf, E no item 3, ainda do mesmo TIF no 2, o contribuinte informa que o Setor de Faturamento do HOB BSB era responsável pela contagem da produção médica das pessoas jurídicas (ANEXO II do Conjunto de Provas e reproduzido no subitem 15.22 do presente relatório). Ressaltase que autonomia profissional, no caso em exame, não deve ser confundida com falta de controle dos procedimentos pelas partes (empregador e empregado), estando configurada a subordinação jurídica, estrutural e hierárquica na relação de trabalho. Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.189 48 (Grifos no original) E complementando essas informações, transcrevemos o seguinte excerto da decisão de primeira instância: Conforme constata a fiscalização, apesar de o contribuinte afirmar que não há escala de médicos, na prática existe uma tabela que é composta todos os dias, na qual constam horário (manhã ou tarde), número do consultório e médico que vai atender naquele consultório e os médicos que vão atender na EMERGÊNCIA (manhã, tarde e noite) e no ambulatório (noite) Anexo VII dos documentos comprobatórios. Por óbvio, não há como se considerar um hospital de tal magnitude, sem estruturação departamental e hierárquica, denotando o poder de organização e de controle. O HOB era responsável por toda a estrutura de atendimento, marcação de consultas, os materiais e equipamentos utilizados nas consultas e cirurgias eram fornecidos pelo HOB BSB, bem como todo o apoio logístico, material marketing, telefonia, agendamento, papel timbrado etc. A autuada quem contabilizava, como próprias todas as receitas e despesas provenientes dos serviços médicos prestados. Consequentemente os prestadores integraram a dinâmica produtiva do Hospital, destinatário dos serviços prestados caracterizando também a chamada subordinação estrutural em que há integração do trabalhador à dinâmica organizativa e operacional do tomador de serviços. No Magistério de Maurício delgado, a subordinação estrutural é a que se manifesta pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, seu processo de organização e funcionamento. Conforme se observa, a Recorrente não se constitui simplesmente num espaço físico onde pessoas jurídicas da área médica atendem seus pacientes. Não se trata de um centro médico, como muitos que existem no Brasil, onde cada prestador de serviço aluga ou compra o seu espaço e gerencia livremente a sua atividade, assumindo, integralmente, os riscos a ela inerentes. Temos, no caso da Recorrente, uma verdadeira subordinação dos médicos à sua rotina de funcionamento e à sua estrutura de atendimento (escalas médicas, definição de consultórios para atendimento, etc.). Além do mais, a Recorrente é a responsável por todos os materiais e equipamentos utilizados nas consultas e cirurgias, e contabiliza como suas as receitas e as despesas provenientes da prestação dos serviços médicos. Tal quadro nos permite concluir que há, sim, uma verdadeira subordinação à estrutura da Recorrente, situação essa que nos leva à lição de Maurício Godinho Delgado1, o qual informa haver uma dimensão estrutural pela qual também se revela a subordinação 1 DELGADO, Maurício Godinho. Direitos fundamentais na relação de trabalho. Revista LTr, São Paulo: LTr, v. 70, n. 06, junho de 2006, p. 667. Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 10166.724782/201611 Acórdão n.º 2402006.778 S2C4T2 Fl. 2.190 49 jurídica e que se expressa “pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização e funcionamento”. Além do mais, em que pese os médicos terem alguma autonomia (“liberdade”), segundo apontado pelo Relator, essa autônoma se mostra mais de cunho profissional, ou seja, no exercício das técnicas médicas próprias de cada especialidade, do que uma autonomia ampla dentro do hospital, e isso é fácil de se constatar. Considerando que a Recorrente não possui nenhum médico em sua folha de pagamento, segundo demonstrado pela Fiscalização, e que atua na prestação de serviços médicohospitalares, no ramo oftalmológico, realizando consultas ambulatoriais, exames, cirurgias e internações, contando, ainda, com uma estrutura física composta de 3 blocos, 36 consultórios, 4 salas de cirurgia, sala de emergência, 4 amplas salas de espera, 4 apartamentos (day clinic) e 7 salas de exames, não é crível que o funcionamento dessa estrutura dependa, exclusivamente, de médicos absolutamente independentes, ou seja, sem que haja um comando estabelecendo diretrizes. Nesse particular, insta transcrevermos o seguinte trecho da decisão de primeira instância: O próprio sujeito passivo, em resposta ao item 2, do TIF nº 2, relata que as decisões a respeito dos procedimentos para a organização e controle da assistência médica eram tomadas diretamente pelos sócios do HOB em reuniões de sócios. Que cabia ao Dr. Sérgio Luiz Kniggendorf, o atributo de médico responsável do setor de oftalmologia do HOB. Ora, se a atuação dos médicos “pejotizados” dependia da sua sujeição às decisões tomadas pelos sócios da Recorrente, quanto ao funcionamento do hospital, e não vemos como ter sido diferente, é inquestionável a existência de subordinação às diretrizes definidas pela Recorrente, bem como à sua estrutura e à sua dinâmica operacional. Sendo assim, temse por demonstrada a presença de todos os elementos caracterizadores da relação de emprego. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 2190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000288/2006-22
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 01/05/2003
PRODUÇÃO DE FILMES E FITAS DE VÍDEO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA.
A produção de filmes não apenas se assemelha à produção de espetáculo,
como constitui-se em uma de suas espécies, a exemplo da produção de peças
teatrais e circenses. A vedação de opção pelo Simples federal encontra
guarida no art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, ao prever que não poderá optar a
pessoa que preste serviços profissionais assemelhados aos ali descritos.
LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
O direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar nº
123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus
dispositivos não tem o condão de afastar restrição contemplada no regime
jurídico da Lei nº 9.317/96. Aplicação da Súmula CARF nº 81 (“É vedada a
aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao
ingresso na sistemática do Simples”).
Numero da decisão: 1103-000.917
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
Nome do relator: ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. A produção de filmes não apenas se assemelha à produção de espetáculo, como constituise em uma de suas espécies, a exemplo da produção de peças teatrais e circenses. A vedação de opção pelo Simples federal encontra guarida no art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, ao prever que não poderá optar a pessoa que preste serviços profissionais assemelhados aos ali descritos. LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. O direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar nº 123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus dispositivos não tem o condão de afastar restrição contemplada no regime jurídico da Lei nº 9.317/96. Aplicação da Súmula CARF nº 81 (“É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples”). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 02 88 /2 00 6- 22 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 85 2 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório O processo trata de exclusão do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/05/03, decorrente do exercício, em tese, de atividade vedada disposta no art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96 (“atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos”), conforme Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 486.424, de 07/08/03 (fl.02). Tal decisão foi mantida pela Primeira Turma da DRJ – São Paulo I (SP), conforme acórdão nº 1621.956, de 26/06/09, que recebeu a seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. PRODUTOR CINEMATOGRÁFICO.. VEDAÇÃO Está impedida de usufruir a sistemática do Simples a pessoa jurídica que presta serviços profissionais de produção de filmes, por vedação na Lei criadora do regime simplificado. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. APLICABILIDADE. O princípio da isonomia tributária tem como finalidade assegurar a igualdade entre os sujeitos passivos da obrigação tributária que se encontrem em situações equivalentes, vedando distinção de qualquer natureza. Não há que se exigir a sua aplicação para empresas que se encontram em situação distinta. Devidamente cientificado do acórdão em 28/01/10 (fl.71), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 24/02/10 (fls.72/81), em que sustenta, em síntese: tal decisão não teria observado os princípios constitucionais que regem o Sistema Tributário Nacional: finalidade, pelo qual a Lei Complementar 123/2006 teria o objetivo de beneficiar a micro e pequena empresa, de maneira que a realização de trabalho diverso do objeto social não resultaria na exclusão do Simples; motivação, ao se pautar apenas na natureza dos filmes produzidos, ressentiria de fundamentação; razoabilidade, por ter se limitado a aspectos formais, divagando sobre a impossibilidade de se fazer filmagens sem a contratação de profissionais especializados; legalidade, pois de acordo com art.108, §1º, do CTN, não poderia a exclusão ter sido fundamentada sob o enfoque de “assemelhado” às atividades não autorizadas; interesse Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 86 3 público, pois não teria realizado justiça, no sentido de se construir uma sociedade livre, justa e solidária; e ampla defesa, pois na data do julgamento estaria em vigor o art.17, XI, da Lei Complementar nº 123/06, que daria mais chance de defesa ao contribuinte; o vocábulo “espetáculo” não poderia ser tratado como “assemelhado”; se o legislador tivesse a intenção de incluir a atividade de produção de vídeos no rol de atividades vedadas, fáloia de forma clara e explícita; a analogia não poderia ser empregada para impor regime mais oneroso ao contribuinte; conforme alterações na Lei Complementar nº 123/06, “...empresas de produção cinematográfica, seja de filmes meramente institucionais ou produções comerciais estão expressamente autorizadas a aderir ao Simples Nacional”, devendo ser aplicadas retroativamente, nos termos do art.106, II, do CTN, e decisões do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 30134.745 e 39300.020); pois cessado o impedimento a Lei do Simples Nacional teria atendido aos anseios do art.170 da Constituição Federal, ao beneficiar as micro e pequenas empresas; negar o direito de adesão ao Simples seria violar o princípio da isonomia. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. De início, afastase a pretensão do Recorrente quanto à aplicação retroativa da Lei Complementar nª 123/2006, que instituiu o Simples Nacional, infirmandose por conseguinte todos os argumentos de defesa relacionados à incidência daquela lei na hipótese. Tal controvérsia já restou pacificada no âmbito do CARF, conforme o seguinte enunciado de sua súmula de jurisprudência, de aplicação cogente por seus membros1: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Os regimes jurídicos do Simples Federal (Lei nº 9.317/96) e do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/06) eram distintos, de maneira que só se poderia falar em isonomia quando em contraste contribuintes que realizassem a mesma atividade, sob idêntico regime jurídico A vedação, pelo legislador, de inclusão ou permanência no Simples federal, com regras específicas, não implicou necessariamente na impossibilidade de opção pelo Simples Nacional. Em outros termos, a permissão de inclusão no Simples Nacional, à luz de regras próprias, não poderia implicar em autorização de enquadramento no regime simplificado anterior, retroativamente. Andou bem este E. Conselho ao vedar o hibridismo normativo, ou 1 Conforme art.72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, "As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF". Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 87 4 seja, ao proibir a extração, como sustentam os contribuintes, apenas de normas que lhes fossem favoráveis em cada um dos sistemas, pois assim estaria agindo como legislador positivo na criação de um terceiro regramento reservado a situações particularizadas. Ao decidir pela exclusão do Simples, a fiscalização não se valeu de analogia. Ao revés, prestigiou o art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, tendo em conta que o contribuinte teria exercido “atividades de produção de filmes e fitas de vídeo, exceto estúdios cinematográficos”: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Tal dispositivo legal autoriza a vedação de opção pelas pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais assemelhados aos ali relacionados, a exemplo dos assemelhados aos de produtor de espetáculos. Quanto ao acórdão da DRJ, vêse que foi motivado, não tendo sido, como defende o Recorrente, lastreado apenas na natureza dos filmes produzidos, tampouco se limitado a aspectos formais. O cerne da questão sob enfoque é saber se o exercício das “atividades de produção de filmes e fitas de vídeo” implicaria na exclusão do Simples federal. A fiscalização identificou tais atividades a partir do Código e Descrição da Atividade Econômica Principal, constante do seu CNPJ (“92.11802 – Ativ prod filmes, fitas vid – exc estud fot”), constando do contrato social o seguinte objeto: “exploração da prestação de serviços em vídeo e filmes em geral”, com possibilidade de “contratar pessoal necessário, inclusive profissionais vinculados a cooperativas e instituições especializadas” (fl.26). Na impugnação, o contribuinte acostou notas fiscais que, no seu entender, demonstrariam a “...prestação de serviços a empresas, com foco em divulgar novas técnicas de produção, novos produtos, nova sistemática etc, para ciência de seus funcionários, através de vídeos coorporativos, sendo um informativo que atinge o grupo, a massa interna, por meio de fitas e vídeos. A atividade, assim, muito embora seja por meio de vídeos, é vem diferente da vedada pela lei, aproximandose mais de uma assessoria de comunicação interna das empresas (v.g. CNAE nº 74160/02), diferindo largamente da produção de vídeos e filmes a qual pretende a lei afastar dos benefícios do SIMPLES”. Das notas fiscais de prestação de serviços apresentadas constam as seguintes descrições: “reproduções em DVD”, “Legendagem vídeo Prêmio Embraco de Ecologia”; “Legendagem/dublagem vídeos 50 anos” e “Transcrição fita K7” (fls.31/35). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 88 5 A DRJ entendeu que o Recorrente dedicarseia à produção cinematográfica, atividade que necessariamente demandaria a participação de profissionais especializados. In verbis: “[...] não há como imaginar que a recorrente não agregue profissionais especializados, que coordenam as diversas etapas de um roteiro previamente preparado, com sincronização de sons e imagens, e que conferem, ao produto final, uma característica própria de um filme, direcionado, como ela própria reconhece, à divulgação de novas técnicas de produção, novos produtos, nova sistemática, etc. 11. Efetuada consulta ao sítio da interessada na internet (www.canvas24p.com.br), no quesito Perfil, observase a seguinte mensagem (fl. 54): “A Canvas 24p é uma produtora de filmes publicitários e conteúdo, baseada em São Paulo e Los Angeles. Seu casting de diretores se diferencia pela experiência em diversos formatos audiovisuais e novas tecnologias.” 12. Constam, ainda, referências acerca dos diretores da empresa (fl.56), atividades no segmento de Cinema, Tv, Corporativo e Web (fl.58), e Comerciais produzidos (fl.57). 13. Constatouse, ainda, em pesquisa efetuada no sítio da internet http://www.portaldapropaganda.com/comunicacao/2004/12/0009, notícia acerca de filme publicitário produzido pela requerente, com referência explícita ao sócio e representante legal da recorrente (Sr. Wiland Pinsdorf Junior fl. 49), nos seguintes e exatos termos (fl. 59): ‘10/1212004 10:23 Captação dos sonhos Estefânia Basso Provocar inquietação nos telespectadores. Foi com este intuito que a Canvas 24p Filmes produziu um comercial para a Diesel, exibido no Resfest — Festival de Cinema Digital, em novembro. O vídeo está sendo utilizado para divulgar o projeto ‘Diesel Dreams’, em que 30 diretores de todas as partes do mundo foram convidados a criar filmes curtos dentro do conceito ‘Dreams’. Com criação livre, em filme, vídeo digital, animação 2D e 3D, o projeto visou a ‘penetrar e explorar as camadas mais profundas do subconsciente’; Para comunicar o trabalho, a Canvas 24p Filmes realizou uma edição desses materiais e elaborou um comercial, que segue a mesma linha ‘Dreams’. ‘Criamos uma abertura e encerramento em computação gráfica e fizemos uma edição com as imagens mais 'perturbadoras’. O objetivo é realmente incomodar, chamar a atenção das pessoas, gerar uma curiosidade em cima do projeto, fugindo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 89 6 completamente do 'realismo’ e 'mimetismo’ a que estamos tão acostumados’, revela Wiland Pinsdorf diretor da Canvas. A partir de janeiro de 2005, um DVD com todos os filmes será distribuído para os clientes da Diesel no Brasil. No País, o comercial já está sendo veiculado e pode ser visto no endereço: (...). A produção é da Canvas 24p Filmes, com direção e montagem de Wiland Pinsdorf, produçãoexecutiva de Simone Esser Pinsdorf, finalização de Gustavo Gonçalves e som de Felipe Vassão.’(grifos acrescidos) 14. Inegável, portanto, que a recorrente se dedica à produção cinematográfica.” Quanto à interpretação do inciso XIII do art.9º da Lei nº 9.317/96, o voto condutor do acórdão recorrido dispôs que encerraria expressa vedação à opção pelo Simples a prestação de serviços de diretor ou produtor de espetáculos: “17. Cabe esclarecer que o óbice inserto no supracitado dispositivo legal não está endereçado unicamente a profissões cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida, conforme comumente se quer entender. Primeiramente o dispositivo prevê uma lista específica de ocupações que impedem a opção pelo Simples. A seguir estabelece que os serviços assemelhados aos dessa lista específica igualmente vedam á opção. Por último, dispõe genericamente que a prestação de serviços inerentes a qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida também implica a vedação à opção. 18. Dessa maneira, no caso dos serviços constantes da lista específica e daqueles assemelhados, sempre haverá restrição ao enquadramento no Sistema, quer o exercício profissional dependa ou não de habilitação legalmente exigida. Já no caso da prestação de serviços vinculados a outras profissões, somente ficará inviabilizada a opção se o exercício profissional depender de habilitação legalmente exigida. 19. Trazendo a questão ao ponto, é indiscutível que a prestação de serviços de diretor ou produtor de espetáculos impede a opção pelo Simples, haja vista estar textualmente listado na Lei criadora do regime simplificado. 20. Nesta linha de raciocínio, vejase o que registra o dicionário Michaeles acerca do vocábulo ‘espetáculo’: ‘espetáculo s. m. 1. Tudo o que atrai a vista ou prende a atenção. 2. Vista grandiosa ou notável. 3. Qualquer representação pública que impressiona ou é destinada a impressionar. 4. Representação teatral, cinematográfica, circense etc. 5. Exibição de trabalhos artísticos. 6. Objeto de escândalo ou desdém.’(grifos acrescido) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 90 7 21. Corroborando este entendimento, transcrevese a descrição das atividades dos Diretores de Espetáculos e Afins e dos Produtores de Espetáculos, constantes da Classificação Brasileira de Ocupações elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego: ‘Diretores de Espetáculos e Afins Os diretores de cinema, teatro, televisão e rádio dirigem, criando, coordenando, supervisionando e avaliando aspectos artísticos, técnicos e financeiros referentes a realização de filmes, peças de teatro, espetáculos de dança, ópera e musicais, programas de televisão e rádio, vídeos, multimídia e peças publicitárias. Produtores de Espetáculos Planejam, coordenam e geram recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros para assegurar a realização de espetáculos cênicos (teatro, dança, ópera e outros) e audiovisuais (cinema, vídeo, televisão e rádio).’(g.a) 22. Assim, há óbice à sua permanência na sistemática simplificada, nos temos do art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996. 23. Neste sentido, assinalese o que expressa o Acórdão n° 301 32.532, prolatado pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 23/02/2006: ‘SIMPLES. EXCLUSÃO. VEDAÇÃO À OPÇÃO. PRODUÇÃO DE FILMES. A pessoa jurídica que se dedica à atividade de produção cinematográfica ou videofonográfica está impedida de optar pelo Simples, por se enquadrar na vedação de prestação de serviços de produção de espetáculos ou assemelhados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO’ 24. Esclareçase que as cópias das Notas Fiscais juntadas aos autos, de n°s 001 (20/05/2003 fl.32), 292 (19/09/2005 fl.34), 300 (27/09/2005 fl.35) e 358 (23/03/2006 fl.31), ainda que revelem simples prestação de serviços de reproduções em DVD e legendagem, não constituem conjunto probatório suficiente para desconstituir o registrado nos autos, porquanto não abarcam período amplo de faturamento, na seqüência correta de numeração.” Poderseia até pensar em conversão do julgamento em diligência para oportunizar ao contribuinte anexar as demais notas fiscais de prestação de serviço, porém, mesmo após a decisão de primeira instância, em que se alertou que a amostragem não seria suficiente, com o recurso voluntário nenhuma outra foi acostada. De fato, o exercício de “atividades de produção de filmes e fitas”, constante do ADE Derat/SPO nº 486.424/03 e do objeto social do contribuinte, não foi mencionado expressamente no art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. Porém, a parte final do dispositivo, ao se Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000288/200622 Acórdão n.º 1103000.917 S1C1T3 Fl. 91 8 referir a “assemelhados”, após uma relação de profissões e antes da expressão “e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida”, permitia o enquadramento de outras profissões na norma proibitiva, ainda que não dependessem de habilitação legal. A produção de filme não apenas se assemelha à produção de espetáculo, mas se constitui em uma de suas espécies, a exemplo da produção de peças teatrais e circenses, como bem posto pela decisão recorrida. Ao concluir pela vedação, o Fisco levou em conta exatamente, à luz do dispositivo legal, tal interpretação. Dado o vasto leque de atividades exercidas na sociedade, não se vislumbra qualquer impropriedade em o legislador valerse da expressão “assemelhados” para ampliar, além daquelas expressamente relacionadas, o rol de pessoas jurídicas impedidas de optar pelo Simples, desde que os serviços prestados tenham pertinência com os constantes do dispositivo legal, o que ocorre no caso concreto. Sendo assim, considerando o disposto no contrato social e a ausência de apresentação das demais notas fiscais ou de contratos de prestação de serviços, que poderiam indicar o exercício apenas de atividades de reproduções em DVD, legendagem, transcrições de fitas cassetes, ou outras similares, como indicam as 5 (cinco) notas fiscais apresentadas em sede de impugnação, não resta outra alternativa, à luz dos autos, senão considerar que o contribuinte, de fato, exerceu atividade que impedia a sua permanência no Simples federal. Por fim, sobre a necessária observância do interesse público, precisamente com a finalidade de se construir uma sociedade livre, justa e solidária, como sustenta o Recorrente, tal valoração já foi realizada pelo legislador ao estipular as hipóteses de vedação. Ainda que se vislumbrasse inconstitucionalidade do art.9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, não poderia no âmbito administrativo ser declarada, conforme enunciado nº 2 da súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10380.906784/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.592
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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M. CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 06 78 4/ 20 09 -5 4 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, "diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada".. Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º semestre de 2005. Em 28/05/2009, o contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.583, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.900409/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.583): "Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 2º trimestre de 2000, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). No entanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 4 3 e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, mediante a escrituração fiscal e contábil, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado. Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e anexou documentos que comprovariam sua pretensão. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 5 4 endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 6 5 indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996." Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 7 6 anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 11686.000380/2008-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 80 /2 00 8- 01 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de Recursos Especiais de Divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3201000.753, de 11 de agosto de 2011 (fls. 130 a 140 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS; e por maioria de votos negou provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany). A discussão dos presentes autos tem origem no Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação da COFINS – Não Cumulativa, em relação a créditos da contribuição referentes ao 2º trimestre de 2007, em decorrência da venda no mercado interno com alíquota zero, com base no disposto no artigo 16 da Lei n° 11.116/2005, no valor de R$ 3.744.920,59. Nos despacho decisório exarado foi reconhecido parcialmente o direito creditório em favor do Contribuinte, no valor de R$ 3.259.361,98, restando indeferido um saldo no valor de R$ 485.558,61. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa. O interessado discorda da glosa parcial, alegando não ter realizado alienação onerosa de créditos de ICMS a terceiros, conforme afirma a fiscalização, a quem incumbiria o Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 4 3 ônus de provar tal alegação. Considera que exigir de sua parte prova em contrário seria inviável, pois se trataria de prova negativa. Esclarece que a empresa seria titular de incentivo fiscal, outorgado pelo estado do Rio Grande do Sul, que consistiria em um desconto dos valores devidos a título de crédito presumido de ICMS na ordem de 75% sobre o valor incidente nas saídas interestaduais de fertilizantes, conforme documento que anexou a sua manifestação. Conclui, então, que a questão aqui seria diferente da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Afirma, ao final, que tal crédito presumido não seria um ativo e nem constituiria receita, renda ou faturamento a ensejar a incidência das contribuições. Não se conforma, também, com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência entre matriz e filiais ou entre filiais, pois entende tratar se de etapa essencial â atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do pais. Para embasar seus argumentos, o manifestante discorre sobre as dimensões continentais do Brasil, cita diversos municípios nos quais possui filiais e comenta sobre a importância que o agronegócio teria para o país, além disso, considera que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes conforme calculado e pensamento diverso esbarraria em inconstitucionalidade. Cita e transcreve soluções de consulta proferidas pela SRFB que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o art. 30 da Lei nº 10.833/03. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso no tocante a não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS; e por maioria de votos negou provimento ao recurso quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany), conforme acórdão assim ementado in verbis: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. O “crédito presumido do ICMS”, mero incentivo fiscal, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, está fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor a sua base de cálculo. Não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). DESPESAS DE FRETES NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. NÃO DÁ DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da COFINS, nãocumulativos, sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF Nº. 02. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 154 a 162) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao reconhecer a não incidência da COFINS sobre as receitas referentes aos os créditos presumidos de ICMS. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma os acórdãos de números 20179.596 e 280300.087. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documento de fls.154 a 162. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 6 5 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme os despachos de fls. 165 a 168, sob o argumento que pelo confronto das ementas do acórdão recorrido e das ementas dos acórdãos paradigmas ficou evidenciada a divergência suscitada pela Fazenda Nacional. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls.216 a 225, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 176 a 196) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte foi em razão da decisão recorrida ter afastado as despesas relativas a fretes intercompany da base de cálculo dos créditos da Cofins. O recorrente sustenta que teria direito aos referidos créditos em qualquer circunstância, seja sobre fretes de produtos acabados, seja de matérias primas. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 330100.424 e 320200.226. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão nº3202 00.226, documento de fls. 201 a 2015, bem como, pela transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 237 a 240. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 242 a 254, em que manifestou pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório em síntese. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Entendo que o Recurso Especial da Fazenda não deve ser conhecido pelos seguintes fatos: Analisando o processo, verificase que a autoridade fiscal concluiu que a Contribuinte teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios. Em manifestação de inconformidade, a Contribuinte alegou não ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. O acordão recorrido assim decidiu: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 8 7 A priori, devemos entender qual é a natureza do crédito presumido do ICMS. O Fisco Estadual concede o crédito presumido sobre operações de comercialização interestadual de produtos (fertilizantes), na forma de um incentivo fiscal, para estimular o setor (vide Termo de Acordo – fls. 57/ss – cláusula primeira: concessão de crédito presumido no montante de 75% o do ICMS sobre o valor do imposto incidente sobre as saídas interestaduais de fertilizantes de produção própria). Este crédito presumido será lançado na escrituração fiscal da empresa para ser compensado com ICMS devido pela empresa. Portanto, neste caso pareceme claro que não há ingresso novo de receita, mas mera redução de custo no pagamento do ICMS devido. Assim, é inequívoco que “incentivo fiscal” não pode ser confundido com ingresso de receita. Destaquese que, efetivamente, não restou comprovado nos autos a transferência dos citados créditos de ICMS a terceiros, como argumentou a Recorrente. A fiscalização afirma que “o contribuinte efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros” (fls. 18) sem, entretanto, apresentar qualquer elemento probante que comprovasse esta afirmação. O ônus da prova cabe às partes, nos termos do que dispõe o artigo 333 do CPC, verbis: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 9 8 As partes devem desincumbirse de provar os fatos que alegam. Ao autor cabe provar os fatos constitutivos de seu direito, no caso, o Fisco alegou que o crédito presumido foi transferido à terceiro, mas não provou; ao réu, cabe provar os fatos modificativos, extintivos e impeditivos do direito que o autor assevera ter, entretanto, não cabe à Recorrente, por sua vez, fazer prova de fato que alega não existir, uma vez que não há como fazer prova de fato inexistente (prova negativa). Contudo, mesmo se a Recorrente houvesse transferido os créditos de ICMS a terceiros, entendo que também não haveria a incidência da COFINS. A legislação do ICMS, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, permite que o contribuinte creditese dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura um saldo de “ICMS a recuperar”, que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem como realizar seu saldo de créditos. Portanto, mesmo no caso de cessão de créditos a terceiros não há que falar receita nova auferida, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizasse dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento para com seus fornecedores, por exemplo. Não há como tratar “créditos de ICMS” como mercadorias. A nãocumulatividade é uma técnica que tem por objeto evitar o "efeito cascata" da incidência de alguns tributos (como é o caso do ICMS), permitindose, em cada uma das etapas do processo produtivo, a dedução do imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias e/ou matériasprimas necessárias a sua industrialização. (...) Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 10 9 Entendo que os “créditos presumidos do ICMS”, por se tratarem de mero incentivo fiscal que servirão de meio de pagamento de ICMS a recolher, não se tratam de receitas auferidas pela empresa, portanto, estão fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor, assim, a sua base de cálculo. Veja que não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não s instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária/ obrigação tributária). Houve uma economia no pagamento de ICMS, uma mera redução de custos de impostos a pagar pela compensação do crédito presumido, e não o auferimento de receitas. Verificase que há dois fundamentos no acordão Recorrido: 1 Ele entente que crédito presumido será lançado na escrituração fiscal da empresa para ser compensado com ICMS devido pela empresa. Portanto, neste caso pareceme claro que não há ingresso novo de receita, mas mera redução de custo no pagamento do ICMS devido. Assim, é inequívoco que “incentivo fiscal” não pode ser confundido com ingresso de receita. 2 Contudo, mesmo se a Recorrente houvesse transferido os créditos de ICMS a terceiros, entendo que também não haveria a incidência da COFINS. A legislação do ICMS, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, permite que o contribuinte creditese dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura um saldo de “ICMS a recuperar”, que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem como realizar seu saldo de créditos. Portanto, mesmo no caso de cessão de créditos a terceiros não há que falar receita nova auferida, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizasse dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 11 10 para com seus fornecedores, por exemplo. Não há como tratar “créditos de ICMS” como mercadorias. Diante disto, a Fazenda deveria juntar paradigma que tratem do mesmo assunto. Mas não o fez. Os acórdãos paradigmas juntados pela Fazenda Nacional, 20179.596 e 280300.087 tiveram os seguintes fatos: No acordão paradigma n.º 20179.596 somente a ementa do processo consta a matéria, senão vejamos: COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. A partir de 01/02/1999, os créditos presumidos do ICMS integram a base de cálculo da Cofins. Trechos do voto: Quanto à alegação de que as diferenças exigidas pela Fiscalização para o ano de 1998 correspondem a valores transferidos à chamada "Divisão Itaipu", seguimento autoral decorrente, a análise da documentação carreada aos autos não socorre a recorrente. De efeito, exame da documentação comprobatória da base de cálculo â contribuição em espécie (planilha de fl. 180) demonstra que os valores apurados estão em consonância com os balancetes mensais comidos nos autos. Ademais disso, como bem registrou a insigne DRJ, a análise das planilhas de fis184 e 185 relativas ao ano de 1998 evidencia que foram deduzidos da base de cálculo da contribuição em espécie valores referentes a "transferências segmentos fonográfico para fonomecânica", que coincidem com os valores de receitas de serviços cód. 3.5.1.03 "arrecadação fonomecânica internacional Odeon" da planilha de fl. 180. De tudo resulta que inexistem nos autos elementos que embasem o alegado pela recorrente, ou seja, que as indigitadas Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 12 11 diferenças decorrem de transferências contábeis e não da omissão de receitas que deveriam integrar a base de cálculo da contribuição em espécie. Ao analisar o inteiro teor do acordão, o voto sequer tratou do credito presumido de ICMS (subvenção governamental), ou seja, crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado ou de cessão de créditos a terceiros e os fatos ali narrados são totalmente diversos do aqui tratado. No acordão paradigma n.º 280300.087 tratam de crédito presumido de IPI e de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, os fatos são totalmente diversos do acordão Recorrido. Nem sequer trata (subvenção governamental), ou seja, crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado ou de cessão de créditos a terceiros. Trechos do voto: “A base de cálculo da contribuição, como demonstrou saber o recorrente, está positivada nos arts. 2° e 3" da Lei n° 9.71 8, de 1998, abaixo transcrito para maior clareza: (...) A partir da edição da Lei n.º 9.718, de 1998, a tributação da contribuição adotou base universal, incidindo, regra geral, sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, "....sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas' . (art. 3 0, § in fine). Ora, se a regra geral é a tributação em bases universais, o rol das exclusões admitidas na base de cálculo, constante do § 2° do art. 3", acima transcrito, deve ser entendido como de numerus clausus. Não constando desse rol, o crédito presumido do IPI deve ser computado na base de cálculo da contribuição, no mês em que a receita a ele correspondente for auferida, ou seja, no mês em que ocorrer a exportação ou a venda para sociedade comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Raciocínio idêntico deve ser feito em relação ao valor da indenização de seguro, que também não se inclui entre as exclusões autorizadas.” Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 13 12 Analisando os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido verificase que estamos tratando de fatos totalmente diversos. Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento. Diante do exposto não conheço o Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 265 a 268. O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da Cofins decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany), sob o fundamento de que se tratam de fretes não vinculados à operações de venda. Por sua vez, o primeiro acórdão paradigma (330100.424) firma entendimento diverso em relação à mesma matéria, decide que as despesas com o transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica gera direito a crédito, desde que estejam estes bens em fase de industrialização, vez que compõe o custo do bem. Ou seja, Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 14 13 entendeu que existe o direito creditório mesmo que se trate de fretes desvinculados das operações de venda. Com essas considerações, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial da Contribuinte. É como Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém discordo de suas conclusões quanto ao conhecimento do recurso especial do contribuinte. O recurso especial é tempestivo, mas não deve ser conhecido por não ter cumprido com o requisito atinente à comprovação do dissídio jurisprudencial. Nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é necessário que o contribuinte demonstre que outras turmas do CARF, analisaram a mesma matéria e deram à legislação tributária interpretações diferentes em relação ao acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) Em seu recurso, o contribuinte apresentou dois acórdãos paradigmas que supostamente teriam dado interpretação divergente da legislação tributária. Ocorre que eles não apresentam semelhanças fáticas com o acórdão recorrido. Para que o recurso especial seja conhecido, necessário se faz, que os acórdãos paradigmas tenham debruçado sobre fatos Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 16 15 semelhantes e tenham aplicado soluções jurídicas distintas em seu desfecho. Portanto, é sabido que o recurso especial de divergência não se presta para reapreciar os elementos de prova trazidos ao processo. Na verdade, nunca se desprezam os elementos de prova, mas eles servem somente para aferir o contexto da divergência interpretativa. Passemos então a analisar o acórdão recorrido em contraponto com os acórdãos paradigmas apresentados. A matéria trazida pelo contribuinte em seu recurso especial referese à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade, sobre fretes no transporte de mercadorias entre estabelecimentos da empresa. O acórdão recorrido negou provimento ao seu recurso voluntário nos seguintes termos: 2. Negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany). O acórdão recorrido entendeu que tais fretes não decorrem da operação de venda, cujo crédito está previsto no inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Portanto, concluiu que não existe previsão legal para a apropriação dos créditos. Por sua vez os acórdãos paradigmas apontados tratam de situação diversa, qual seja, a possibilidade de aproveitamento de créditos sobre fretes no transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos da empresa. O seguinte trecho do voto do acórdão paradigma deixa evidente que os créditos que foram acatados são somente os decorrentes do transporte de insumos e produtos em elaboração entre os estabelecimentos, tendo sido glosados os créditos decorrentes da transferência de produtos acabados. (...) Portanto, hão de ser considerados os créditos oriundos de fretes sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados (criadores de aves e suínos) e as filiais do contribuinte, os quais compõe o custo de produção do produto final, nos termos do art.3°, II, das Leis IV 10.637/02, e n° 10,833/03, o que não se confunde com atividades de transporte do produto acabado entre quaisquer estabelecimentos. (..) Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 17 16 Portanto, os contextos fáticos são totalmente diferentes e não se prestam para comprovar a divergência jurisprudencial. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial impetrado pelo contribuinte. Assinado digitalmente Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 275DF CARF MF
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