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Numero do processo: 13888.003804/2010-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006
CONSTATADA OMISSÃO NA DECISÃO PROFERIDA NO ACÓRDÃO. SANÁVEL PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificada a omissão do dispositivo do acórdão quanto ao encaminhamento dado a demanda cabível sua correção pela via de embargos de declaração
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional
Numero da decisão: 9202-007.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para sanar as omissões apontadas no Acórdão nº 9202-005.977, de 26/09/2017, sem efeitos infringentes, mantida a decisão original.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006 CONSTATADA OMISSÃO NA DECISÃO PROFERIDA NO ACÓRDÃO. SANÁVEL PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a omissão do dispositivo do acórdão quanto ao encaminhamento dado a demanda cabível sua correção pela via de embargos de declaração PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional
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SANÁVEL PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a omissão do dispositivo do acórdão quanto ao encaminhamento dado a demanda cabível sua correção pela via de embargos de declaração PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para sanar as omissões apontadas no Acórdão nº 9202 005.977, de 26/09/2017, sem efeitos infringentes, mantida a decisão original. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 04 /2 01 0- 54 Fl. 455DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratam os presentes de Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional, em relação ao Acórdão nº 9202005.977, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O presente lançamento (DEBCAD nº 37.225.6503) teve origem do descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.225.6503, no montante de R$ 208.609,03. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, destinamse aos Terceiros – SalárioEducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a título de PLR Programa de Participação nos Lucros e Resultados pagos e/ou creditadas em desacordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento das verbas relativas ao Programa de Participação nos Lucros e ou Resultados PLR durante as competências 06/2005 e 06/2006, conforme planilha demonstrativa constante do Anexo I do Relatório Fiscal. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 52/81. A DRJ/SDR, às fls. 282/292, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, reconhecendo a extinção do crédito tributário da competência 06/2005, em função da decadência, mantendo, no entanto, o crédito tributário referente à competência 06/2006. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 299/330. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 335/369, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para se excluir, na competência 06/2006, o Código de levantamento PL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PLR. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DO LANÇAMENTOINOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 10 3 contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO PLR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido Às fls. 370/378, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para empregados (aspecto temporal considerase cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000). Diferentemente do decidido no acórdão recorrido, o julgado paradigma assinalou que não basta o prévio debate das regras e metas, sendo necessária a formalização da negociação em instrumento próprio, anteriormente ao período de apuração. O paradigma considerou descumpridos os requisitos legais para o pagamento a título de PLR diante da inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. Fl. 457DF CARF MF 4 Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 390/392, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para empregados (aspecto temporal considerase cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000). O Contribuinte foi cientificado, conforme fl. 394, apresentando Contrarrazões às fls. 397/404, reiterando, no mérito, as alegações já feitas anteriormente, além de reforçar o Acórdão recorrido. Às fls. 408/418, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, DEU PROVIMENTO ao Recurso Especial da União. Às fls. 425/429, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração por omissão, alegando que a Decisão, em seu dispositivo, não se pronunciou sobre parcela atingida pela decadência. Ao realizar o Exame de Admissibilidade dos Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte, às fls. 448 e ss., a 2ª Câmara do CSRF acolheu os Embargos de Declaração, vindo novamente para julgamento deste colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração apresentados pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratam os presentes de Embargos de Declaração apresentados pelo Contribuinte, em relação ao Acórdão nº 9202005.977, proferido por esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O presente lançamento (DEBCAD nº 37.225.6503) teve origem do descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.225.6503, no montante de R$ 208.609,03. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, destinamse aos Terceiros – SalárioEducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a título de PLR Programa de Participação nos Lucros e Resultados pagos e/ou creditadas em desacordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento das verbas relativas ao Programa de Participação nos Lucros e ou Resultados PLR durante as competências 06/2005 e 06/2006, conforme planilha demonstrativa constante do Anexo I do Relatório Fiscal. A decisão embargada DEU PROVIMENTO ao Recurso Especial da União, que dispunha sobre Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 11 5 empregados (aspecto temporal considerase cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000). O Contribuinte apresentou Embargos de Declaração por omissão, alegando em síntese: a) omissão pela falta de exclusão de parcela atingida pela decadência; b) omissão pela falta de explicitação de fundamento legal (expresso artigo de lei) que determina que a formalização do Acordo de PLR deve preceder o período de vigência; c) omissão por falta de apreciação de argumento apresentado em contrarrazões, no sentido de que o plano de PLR questionado era de conhecimento dos empregados desde os planos de anos anteriores. No tocante a falha de fundamentação legal, de fato assiste razão ao Contribuinte, considerando que foram julgados em conjunto 4 processos do mesmo Contribuinte, houve falha por parte desta relatora ao repetir o voto da acessória na obrigação principal. Isso se deu por que a obrigação acessória estava discutindo a matéria principal, referente a PLR, o que fez com que todos os 4 acórdãos tratassem da matéria salário indireto alterando apenas o fato gerador se era obrigação patronal, segurados ou terceiros. Contudo, tendo esta Conselheira entendido que se tratava de obrigação acessória, restou o acórdão embargado sem as razões do voto vencedor, os quais agora transcrevo retirandoos do voto vencedor do Conselheiro Heitor, designado apara elaborálos a época:. Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei no. 10.101, de 2000. Inicialmente, de se reproduzir a base legal da exclusão do conceito de salário de contribuição da participação nos lucros ou resultados da empresa, contida no art. 28, §9o., caput e alínea "j", da Lei no 8.212, de 1991, verbis: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;(grifei) Fl. 459DF CARF MF 6 Condicionada, assim, a exclusão do conceito de salário de contribuição dos valores pagos a título de PLR à observância dos requisitos previstos em lei específica, mais especificamente, in casu, na Lei no. 10.101, de 2000. De interesse, para o deslinde do presente litígio, os requisitos constantes daquele diploma legal em seu art. 2o., em especial o contido em seu § 1o., expressis verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifei) §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. (...) Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 12 7 A propósito, inicialmente, de se ressaltar que não vislumbro como associar a característica de necessário rendimento de capital à Participação de Lucros e Resultados auferida, uma vez que tal tese implicaria, em meu entendimento, quanto às rubricas em litígio, que se assumisse serem os empregados necessariamente participantes do capital social da empresa, qualidade reservada somente aos sócios do empreendimento. Ou seja, entendo que só se poderia fazer a construção de que há um necessário rendimento de capital (e não de trabalho) disponibilizado, para o caso de empregados que se revestissem da qualidade de acionistas ou quotistas da empresa e que, assim, houvessem subscrito e/ou integralizado capital no empreendimento, recebendo rendimentos decorrentes desta qualidade de sócios e não se confundindo, assim, com outros empregados, quando estes últimos, tal como no caso em questão, não restem caracterizados como detentores de ações ou quotas. Entendo, a propósito, que, neste caso (empregados ou trabalhadores não acionistas ou quotistas), o que os empregados estão, sim, a auferir, é uma remuneração decorrente de seu trabalho, ainda que de natureza variável, dependente de metas e regras vinculadas a critérios capazes de alterar o montante a ser recebido. Ou seja, com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, em meu entendimento reservase o conceito de necessário rendimento de capital auferido àqueles que efetivamente contribuíram com este fator de produção (capital) para fins de realização do ciclo empresarial, normalmente em detrimento da contribuição com o fator trabalho (como no caso dos empregados). Feita tal digressão inicial, entendo que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo (art. 2o. da Lei no 10.101, de 2000) deve ser no sentido de que se busca, a partir do texto legal, um binômio de aumento de produtividade e garantia de participação aos empregados, de forma a que seja atingido, pela empresa, um maior nível de competitividade e, consequentemente, pela economia nacional como um todo, sem que se abra mão, todavia, de que este aumento de competitividade (e consequente rentabilidade empresarial) seja revertido, em parte, aos empregados que colaboraram diretamente para tal aumento. Mais especificamente, em linha com o entendimento majoritário esposado por esta Turma, entendo só ser possível a consecução de tal binômio caso a formalização do instrumento de acordo se dê antes do período de aferição (exercício), de forma a que o empregado, com prévia ciência de metas e/ou regras claras e objetivas, devidamente formalizadas (visto não haver que se falar em obrigatoriedade legal de distribuição/pagamento sem um instrumento legal que a respalde formalmente), possa saber o esforço adicional a ser executado de forma a auferir rendimento financeiro adicional, conforme muito bem resumido no voto prolatado no âmbito do Acórdão 9202005.704, pelo Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos e ao Fl. 461DF CARF MF 8 qual acedi integralmente, daí adotando o seguinte excerto do mesmo como razões de decidir, verbis: (...) Saliento ainda o entendimento expresso pela Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera no voto condutor do acórdão paradigma nº 2401000.545, indicado no recurso especial de divergência da Fazenda: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regas (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o período a que se refere, porquanto a PLR tem por finalidade incentivar o trabalhador a incrementar sua produtividade, situandoa acima do que lhe é usual ou ordinário. Sem que o acordo se dê antes de iniciado o período, não haveria como o trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e qual o possível efeito financeiro que isto lhe acarretaria. Ainda que se possa alegar que os acordos pouco mudaram relativamente a critérios que estavam estabelecidos anteriormente, nada disso seria garantia de que as regras não pudessem ser modificadas. O único instrumento constante da Lei nº 10.101/2000 que assegura ao trabalhador o direito à retribuição é o acordo firmado com a observância dos princípios legais, sobretudo o da não surpresa e da livre negociação com a participação da representação sindical. A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador, e, ao mesmo tempo, que o empregador tenha assegurado o necessário incremento de produtividade para justificar o compartilhamento do seu lucro, o acordo deve ser celebrado antes da vigência do período em que vigorará, de modo a que as partes iniciem esse tempo conhecedoras de todas as regras a cumprirem. (...) Ainda, faço notar que a literalidade do texto legal também suporta integralmente o entendimento acima adotado de necessidade, para fins de cumprimento aos requisitos legais, de formalização prévia do acordo empresatrabalhadores contendo metas e regras claras vinculadas a um aumento de produtividade (futuro), uma vez que estabelece: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 13 9 a) a sugestão de vinculação à índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; b) A condição de quando da utilização de programas de metas, resultados e prazos, estes serem pactuados previamente; c) A necessidade de arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical dos trabalhadores e d) A necessidade de previsão, no instrumento de acordo, de mecanismos de aferição aplicáveis e seu período de vigência (o que levaria a uma necessária aceitação de uma incomum vigência retroativa e aferição aplicável a competências passadas, caso se adotasse a tese de possibilidade de formalização após o início do período de aferição). Entendo que a previsão de tais elementos em conjunto, consoante o referido art. 2o. caput, §§1o. e §§2o. respalda a interpretação aqui adotada de forma integral, em detrimento da tese alternativa de inexistência de vedação legal expressa à formalização após o início do período de aferição (exercício) para fins de manutenção da não incidência. Assim, aplicandose tal entendimento ao caso sob análise, verifico que, na forma relatada, no presente caso (efl 17): "(...) 6.1 A empresa apresentou para a fiscalização dois Acordos para Fins de Participação nos Lucros e Resultados, que foram assinados pela empresa, pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Capivari, Rafard, Elias Fausto, Mombuca, Conchas, Pereiras, Laranjal Paulista e Cesário Lange e pela Comissão de Trabalhadores em 30 de junho de 2006, para justificar o pagamento do P.L.R para os anos de 2005 e 2006, (...). 6.2 Portanto não era possível que os empregados tivessem conhecimento prévio das metas e dos resultados a serem atingidos cujos recebimentos da participação ocorreram em 06/2005, ou seja um ano antes da formalização do acordo e em 06/2006 no mesmo mês da ocorrência do acordo. (..)"Assim, uma vez formalizado somente após ou durante o período de aferição o instrumento de acordo, entendo como violados os requisitos legais estabelecidos pela Lei no. 10.101, de 2000, não havendo, assim, que se falar em possibilidade de exclusão da incidência das contribuições previdenciárias para os valores assim distribuídos a título de Participação nos Lucros e Resultados. Destarte, quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101, de 2000, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose o crédito tributário na forma que lançado, a menos da decadência declarada pela autoridade Fl. 463DF CARF MF 10 julgadora de 1a. instância para a competência de 06/2005 e, agora, já objeto de trânsito em julgado administrativo. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Do mesmo voto verifico a necessidade de se proceder adequação da Ementa, que deve ser substituída para a seguinte redação: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional Quanto a decadência esta não foi discutida nestes autos, (tão somente nos autos 13.888.003829/201058) no presente processo ela não foi admitida pelo exame de admissibilidade do Recurso Especial, motivo pelo qual eventuais declarações de abrangência da decadência quanto aos fatos geradores da AIOP serão oportunamente avaliadas pela Unidade Preparadora. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração, para sanar as omissões apontadas no Acórdão nº 9202005.977, de 26/09/2017, sem efeitos infringentes, mantida a decisão original. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 14 11 Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905274/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 52 74 /2 01 3- 13 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.781. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930852/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
7
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 52 /2 01 1- 68 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11080.930852/201168 Acórdão n.º 3302006.455 S3C3T2 Fl. 3 2 7 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER), em razão do fato de que o pagamento informado já se encontrava alocado a outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, com a anulação do despacho decisório, arguindo o seguinte: a) trata o pedido de restituição de créditos da contribuição (PIS/Cofins) incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, cuja alíquota havia sido reduzida a zero por força do art. 2º da Lei nº 10.312/2001; b)14 tem direito à restituição com base no art. 165 do CTN e na Lei nº 10.312/2001, tratandose de incentivo dado pelo governo, tendo em vista o risco do País em ficar dependente exclusivamente de energia gerada pelo setor hidrelétrico; c) diante do contido no art. 13 da Lei nº 10.438/2002, que criou em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, os valores recebidos a título de reembolso, representando um subsídio ou uma subvenção, não podem ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições (PIS/Cofins), pois, no conceito de receita, incluise apenas o ingresso de recursos constitutivos do patrimônio da empresa; d) a autoridade Fiscal, sem qualquer justificativa fática ou legal, ignorou o disposto na Lei nº 10.312/2001, bem como o art. 165 do CTN, afrontando princípios constitucionais invioláveis, ao deixar de reconhecer o pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10043.340, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a aplicação da redução de alíquota da contribuição prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, ainda não efetivada, tratandose, portanto, de norma de eficácia limitada ou condicionada, não aplicável de imediato por depender de regulamentação. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegações concernentes à redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, previstas nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.312/2001, e à não incidência das contribuições sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção. Ainda pugnou pela ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 58 do Decreto nº 4.524/2002, ao estabelecer requisito condicional para a redução a zero sobre a venda de carvão mineral, não existente na Lei nº 10.312/2001. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11080.930852/201168 Acórdão n.º 3302006.455 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.454, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11080.930902/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.454): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alegou que o crédito seria decorrente das apurações das contribuições para o PIS/Pasep nãocumulativo, decorrente da redução a zero sobre as vendas de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e da não incidência sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção, tendo a decisão de primeira instância analisado a matéria de direito relativa a esta redução, bem como considerando a ausência de prova de que os valores objeto da restituição seriam oriundos do reembolso da referida Conta de Desenvolvimento e, ainda que estivesse comprovado, tal reembolso seria tributável por ausência de previsão legal . Ocorre que toda a discussão travada é estranha ao motivo do indeferimento do pedido de restituição. Observase que o despacho decisório de efl. 27 indeferiu a restituição por ter o crédito pleiteado sido utilizado em outra declaração de compensação de nº 33017.86154.300905.1.7.042407, entregue em 30/09/2005, portanto, anterior à aqui considerada, que foi entregue em 30/03/2006. Constatase que à efl. 33, consta tela do sistema SIEF no qual o valor de R$ 11.693,53 do DARF recolhido em 15/04/2004, relativo ao fato gerador de 31/03/2004, foi bloqueado e vinculado à declaração de compensação nº 33017.86154.300905.1.7.042407, cujo débito era de R$ 13.168,08, que foi totalmente homologada. Assim, a discussão sobre as matérias de direito até agora aqui travadas são completamente estranhas ao motivo de indeferimento do pedido de restituição, que se referiu, tão simplesmente, à já utilização do referido DARF em outra declaração de compensação anteriormente transmitida e homologada. Assim, o crédito relativo ao DARF de R$ 11.693,53 já foi reconhecido pela Administração Tributária e utilizado para compensar débito da declaração de compensação 33017.86154.300905.1.7.042407, já homologada. Destarte, não há qualquer litígio sobre a natureza jurídica do direito creditório, mas apenas Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11080.930852/201168 Acórdão n.º 3302006.455 S3C3T2 Fl. 5 4 o indeferimento de sua duplicidade de utilização, o que sequer foi contestado pela recorrente em sua manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto para conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, para negarlhe provimento. Ressaltese que, também no presente processo, o motivo do indeferimento do pedido de restituição foi a alocação anterior do crédito pleiteado, conforme tela(s) de consulta ao sistema de Arrecadação presente(s) à(s) efl.(s) 33. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902648/2016-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 23/11/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 23/11/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 48 /2 01 6- 19 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13851.902648/201619 Acórdão n.º 3402005.918 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.391. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13851.902648/201619 Acórdão n.º 3402005.918 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13851.902648/201619 Acórdão n.º 3402005.918 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000323/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 01/01/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN.
Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 9202-007.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 01/01/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 23 /2 00 7- 11 Fl. 384DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 325/348, contra o acórdão nº 2403000.861, proferido na sessão do dia 26 de outubro de 2011 pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 01/01/2004 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para a plicar a multa do art. 32A da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, como bem relatado: Tratase de auto de Infração n° 37.096.8964, lavrado por ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, com informações inexatas, ou omissas, em campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, período 12/1999 a 01/2004, infringindo desse modo o disposto na Lei 8.212/91, artigo 32, IV, § 6°, c/c artigo 225, IV e parágrafo 4°, do Regulamento da Previdência social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Em Relatório Fiscal da Infração à fl. 11, o Auditor Fiscal Autuante, em ação fiscal procedida na empresa Dikar Comércio e Serviços Automotivos Ltda., informa ter constatado em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, de 12/1999 a 01/2004, valores de salário família informados em desacordo com os constantes nas folhas de pagamento, conforme explicitado em demonstrativo à parte. No período, o número de segurados da empresa variou de 20 a 40, enquadrandose para fins de aplicação da multa, na faixa correspondente de 16 a 50 segurados. Não constam Autos de Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10932.000323/200711 Acórdão n.º 9202007.353 CSRFT2 Fl. 384 3 Infração lavrados contra a empresa em ações fiscais anteriores, e nem ocorrências de outras circunstâncias agravantes. Em Relatório Fiscal da Aplicação da Multa às fls. 12, o Auditor Fiscal Autuante esclarece que, conforme disposto no artigo 32, parágrafo 5° da Lei n° 8.212/91, e artigo 284, inciso II e artigo 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, o cálculo da multa para infrações desta natureza corresponde à multa prevista de 5% (cinco por cento) do valor mínimo por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos na tabela do artigo 32, parágrafo 4 ° da Lei n° 8.212/91, em função do número de segurados e equivalente, nesta data, ao valor de R$ 1.195,13, atualizado pela portaria MPS/GM n ° 142, de 11 de abril de 2007. Considerando que o valor da multa para cada campo com dados incorretos ou omissos é de R$ 59,76, e que a empresa preencheu 50 (cinqüenta) campos incorretamente, foi aplicada a multa de 50 x R$ 59,76 = R$ 2.988,00. Em seu Recurso Especial a Fazenda Nacional requer: a) seja aplicada a regra do art. 173, I, do CTN para contagem da decadência, tendo em vista tratarse de auto de infração lavrado para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento será sempre de ofício. b) seja aplicada a regra do art. 35A da Lei nº 8.212/91 como parâmetro para recálculo da multa de mora, devendose verificar, na execução do julgado, qual é norma mais benéfica ao contribuinte: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Conforme despacho de efls. 351/354, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial apenas em relação a 1ª divergência, qual seja, questão referente a aplicação do art. 173, I do CTN, confirmado pelo reexame de admissibilidade de efls. 355. Intimado o Contribuinte apresentou Contrarrazões de efls. 360/364, requerendo que seja mantida a decisão ora recorrida, para manter a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. Fl. 386DF CARF MF 4 A matéria que será objeto de análise e em relação a aplicação do prazo decadência para o descumprimento de obrigação: art. 150, § 4 º do CTN ou art. 173, I do CTN. A decisão recorrida apresentou o seguinte fundamento para aplicação do art. 150, § 4º do CTN: O período de apuração compreendeu a competência compreendida entre 12/1999 a 01/2004. A notificação ocorreu em 05/07/2007. A DRJ, de ofício, aplicou a decadência referente às competências compreendidas entre 12/1999 a 11/2001, com base no art. 173, I do CTN. In casu, como se trata de multa isolada, vinculada a contribuições sociais previdenciárias, que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, e partindo do pressuposto de que o acessório segue o principal, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Logo, o prazo decadencial ocorreu, também, em relação ao período compreendido entre: 12/2001 a 06/2002 (nos termos do art. 150, § 4º do CTN), conforme explicado. A decadência é matéria de ordem pública que deve ser declarada a qualquer tempo e até mesmo de oficio. A matéria já foi objeto de vários julgamentos deste E. Colegiado, que firmou o entendimento em que se tratando de Auto de Infração de Obrigação Acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Seguindo o entendimento, destaco o acórdão nº 9202005.229, de relatoria da Ilma. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido na sessão do dia 21 de fevereiro de 2017, conforme ementa transcrita abaixo: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, por se tratar de Auto de Infração de Obrigação Acessória, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, observando o disposto na Súmula CARF nº 101. (assinado digitalmente) Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10932.000323/200711 Acórdão n.º 9202007.353 CSRFT2 Fl. 385 5 Patrícia da Silva Fl. 388DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.001056/2009-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/12/2008
IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA. DELIMITAÇÃO DA LIDE. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
O conhecimento e a apreciação das alegações recursais e provas deve seguir o estabelecido no Decreto nº 70.235/1972, em especial o que consta nos arts. 14 a 16, segundo os quais as razões de defesa devem ser aduzidas na impugnação, peça que instaura e delimita a lide. A exceção aplica-se a argumentos que se destinem reforçar ou aprofundar uma tese já apresentada, a se contrapor a fato superveniente ou a questão de ordem pública.
ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REDAÇÃO DADA PELA IN 899/2008.
Segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País.
A IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único.
Numero da decisão: 3002-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário interposto, não conhecendo do argumento de denúncia espontânea, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que conheceram integralmente do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Larissa Nunes Girard.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2008 IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA. DELIMITAÇÃO DA LIDE. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. O conhecimento e a apreciação das alegações recursais e provas deve seguir o estabelecido no Decreto nº 70.235/1972, em especial o que consta nos arts. 14 a 16, segundo os quais as razões de defesa devem ser aduzidas na impugnação, peça que instaura e delimita a lide. A exceção aplica-se a argumentos que se destinem reforçar ou aprofundar uma tese já apresentada, a se contrapor a fato superveniente ou a questão de ordem pública. ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REDAÇÃO DADA PELA IN 899/2008. Segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. A IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2008 IMPUGNAÇÃO. RAZÕES DE DEFESA. DELIMITAÇÃO DA LIDE. INOVAÇÃO DOS ARGUMENTOS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. O conhecimento e a apreciação das alegações recursais e provas deve seguir o estabelecido no Decreto nº 70.235/1972, em especial o que consta nos arts. 14 a 16, segundo os quais as razões de defesa devem ser aduzidas na impugnação, peça que instaura e delimita a lide. A exceção aplicase a argumentos que se destinem reforçar ou aprofundar uma tese já apresentada, a se contrapor a fato superveniente ou a questão de ordem pública. ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REDAÇÃO DADA PELA IN 899/2008. Segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. A IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário interposto, não conhecendo do argumento de denúncia espontânea, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que conheceram integralmente do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Larissa Nunes Girard. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 10 56 /2 00 9- 30 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 177 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fls. 92/96 dos autos: O presente processo trata de auto de infração por registro extemporâneo de conhecimento de carga. Valor da autuação R$ 10.000,00 Argüi a fiscalização que, por constar como consignatária nos conhecimentos genéricos, a contribuinte autuada é a responsável pela desconsolidação da carga até a atracação do navio. A desconsolidação foi efetuada em 15/12/2008 com a informação do conhecimento agregado, sendo que a embarcação atracara no porto no dia 12/12/2008. Intimada, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 34 43. Por força dos artigos 22 e 50 da IN SRF n° 800/2007, a obrigação somente seria exigível a partir de 01/04/2009. Argüi ausência de máfé, de prejuízo ao Fisco e de embaraço. Argumenta que a autuação fiscal representa ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, principalmente pelo fato de a multa de R$ 5.000,00 ser aplicada a uma operação de frete US$ 3,870. Em caso de manutenção da autuação, deve ser aplicada a pena do artigo 107, VII, d, ou 107, VIII, e, do DecretoLei n°37/1966. Solicita o cancelamento da multa ou a sua substituição. Alternativamente, em razão do principio da eventualidade, requer a aplicação de uma só multa por veiculo de transporte, nos termos do Acórdão 07/14258 da DRJ Florianópolis. A folha 57 e 86, encaminhouse o processo para julgamento. É o relatório. O contribuinte juntou os seguintes documentos: i) procuração e atos constitutivos (fl. 46/56); ii) Acórdão 07/14258 da DRJ Florianópolis (fl. 57). Fl. 177DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 178 3 Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 92/96) consignou que, ao contrário do alegado, o artigo 50 da IN 800/2007 estabelece a obrigatoriedade de informar a carga até a atracação da embarcação. Afirmou que o julgamento na esfera administrativa não pode abordar os argumentos de ofensa aos princípios citados, pois tal competência pertence ao poder judiciário. Em relação à multa, afirmou que a que foi lançada é específica para o caso, não se aplicando à infração apurada aquelas apontadas pelo contribuinte como corretas para a hipótese de penalização. Asseverou que a responsabilidade por infrações contra a aduana independe da intenção do agente, afastando, assim, o argumento de ausência de máfé. Por fim, registrou que não há afastamento de multa por prestação de informação extemporânea de dados de desconsolidação mesmo que as cargas tenham sido transportadas em uma mesma embarcação, pois tal operação se faz a partir de um conhecimento genérico que é desmembrado em vários conhecimentos agregados. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 05/06/14 (vide AR à fl. 105 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 30/06/14, Recurso Voluntário (fls. 132/146). Em seu recurso, o contribuinte iniciou argumentando que não há preclusão para apresentação de novos argumentos em sede de recurso, por força do princípio da verdade material. Alegou que o artigo 50 da IN 800/2007 foi integralmente revogado pela IN 899/2008, e que tal revogação deve ser aplicada aos fatos pretéritos, nos termos do artigo 106, II, “a” e “b” do CTN. Em razão disso, a exigência da penalidade imposta é ilegal, visto que os fatos a que se refere são anteriores a 01/04/2009, quando o recorrente passou a estar obrigado a registrar as operações no prazo do artigo 22 da IN 800/2007. Argumentou que o Decretolei 37/66 contempla o instituto da denúncia espontânea como causa de exclusão da responsabilidade, o que teria ocorrido em consideração ao alegado fato de que efetuou o registro dos dados antes do início de qualquer procedimento da fiscalização. Pugna pelo afastamento do artigo 683, § 3º, que seria apontado pela fiscalização como óbice à caracterização da denúncia espontânea, por duas razões: i) tratarse ia de norma hierarquicamente inferior ao CTN, cujos requisitos da denúncia espontânea teriam sido cumpridos pelo recorrente, e ii) o recorrente é agente de cargas, e o referido § 3º do artigo 683 aplicase ao transportador. Ao final, requereu julgamento no sentido da insubsistência do auto de infração. Juntou cartão de CNPJ (fl. 148), contrato social (fls. 150/164), procuração e documento de identidade (fls. 166/172). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Fl. 178DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 179 4 Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual trouxe os seguintes fundamentos: (i) não há preclusão para apresentação de novos argumentos em sede de recurso, por força dos princípios da formalidade moderada e da verdade material; (ii) o artigo 50 da IN 800/2007 foi integralmente revogado pela IN 899/2008 (incluindo seu parágrafo único), e que tal revogação deve ser aplicada aos fatos pretéritos, nos termos do artigo 106, II, “a” e “b” do CTN; Em razão disso, a exigência da penalidade imposta é ilegal, visto que os fatos a que se refere são anteriores a 01/04/2009, quando o recorrente passou a estar obrigado a registrar as operações no prazo do artigo 22 da IN 800/2007. (iii) o Decretolei 37/66 contempla o instituto da denúncia espontânea como causa de exclusão da responsabilidade, o que teria ocorrido em consideração ao alegado fato de que efetuou o registro dos dados antes do início de qualquer procedimento da fiscalização. Pugna pelo afastamento do artigo 683, § 3º, que seria apontado pela fiscalização como óbice à caracterização da denúncia espontânea, por duas razões: i) tratarseia de norma hierarquicamente inferior ao CTN, cujos requisitos da denúncia espontânea teriam sido cumpridos pelo recorrente, e ii) o recorrente é agente de cargas, e o referido § 3º do artigo 683 aplicase ao transportador. Passo, então, à análise destes argumentos recursais. 1. Da preclusão quanto à apresentação de novos argumentos De início, apresentase relevante analisar o argumento inicial apresentado pelo Recorrente no presente caso, no sentido de que não haveria preclusão quanto à apresentação de novos argumentos em sede de Recurso Voluntário, tendo em vista os princípios da formalidade moderada e da verdade material. Sobre este tema, o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 assim dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Cumprenos, portanto, analisar a extensão deste dispositivo legal. No meu entender, penso que o referido art. 17, ao tratar sobre "a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante" quis se referir à parte do auto de infração não contestada. Em outras palavras, caso o auto de infração tivesse sido lavrado para fins de cobrança de Imposto de Importação e IPI, por exemplo, e o contribuinte tivesse contestado apenas a exigência do Imposto de Importação, restaria não impugnada a parte do auto de infração relativa ao IPI. Ou seja, quando se referiu à matéria não impugnada, quis se referir à matéria objeto do auto de infração, e não ao fundamento jurídico adotado seja pela fiscalização, seja pelo contribuinte, em sua impugnação. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 180 5 Nesse contexto, penso que não há óbice para que o contribuinte apresente em seu Recurso Voluntário outros fundamentos de defesa não apresentados quando da apresentação do seu Recurso Voluntário, desde que este fundamento se refira à matéria do auto de infração que fora refutada na impugnação apresentada, ainda que por fundamento jurídico diverso. Até porque, como é cediço, o julgador administrativo possui autonomia e liberdade na formação da sua convicção sobre a matéria objeto da lide, podendo decidir por razões diversas daquela defendida pela parte Recorrente, ou mesmo daquela sustentada pela fiscalização. E não é incomum que isso aconteça, visto que o processo administrativo fiscal deve se pautar pelo princípio da legalidade, em que a autotutela possui relevante papel, no intuito de refutar atos da fiscalização que não possuam respaldo no ordenamento jurídico pátrio. Como se não bastasse, mencionese, ainda, que o entendimento jurídico sobre as diversas matérias que são objeto dos processos administrativos tributários vivem em constante mutação, em razão de novos argumentos e entendimentos que surgem em decorrência das inúmeras decisões administrativas e judiciais diariamente proferidas. Nesse contexto, não faz sentido exigir que a argumentação apresentada pelo contribuinte permaneça estanque, sem que possam ser incorporados novos argumentos de defesa quando da interposição do Recurso Voluntário. Diante das razões acima expostas, tendo em vista que a impugnação apresentada no presente caso contestou o auto de infração em sua integralidade, entendo que deverão ser conhecidos os argumentos trazidos pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário, ainda que não ventilados na impugnação administrativa apresentada. Feitas essas considerações iniciais, passo à análise dos demais fundamentos. 2. Da revogação do art. 50 da IN 800/2007 pela IN 899/2008 Quanto segundo argumento levantado, é importante se fazer um escorço dos fatos e do histórico das normas relacionados ao presente caso. Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre a imposição de multa em razão do cumprimento a destempo da obrigação de registrar no SISCOMEX os dados pertinentes à desconsolidação de carga atracada. É o que se extrai da descrição dos fatos constantes do auto de infração lavrado, constante de fls. 14/15 dos autos: Dos Fatos A embarcação identificada como Cap Bizerta, em sua viagem n 2 846SN, atracou em terminal portuário sob jurisdição da Alfândega do Porto de Vitória no dia 12/12/2008 is 12:04:00 horas, conforme extrato da escala 08000294921 A fls. 15, sendo este também o primeiro porto nacional de atracação da embarcação na viagem. Como obrigação da prestação de informações sobre o veiculo transportador, conforme estabelecido nos art. 7 2 ao 9 2 da IN RFB n2 800/07, a empresa ALIANÇA NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA LTDA (CNPJ 02.427.026/000146) informou a escala n2 08000294921 (supracitada) no dia 01/12/2008, conforme extrato Fl. 180DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 181 6 da escala a fls. 14, referente h. atracação da embarcação supracitada em porto sob jurisdição da Alfândega do Porto de Vitória. Como informações carga estrangeira carregada em portos chineses e descarregada no porto de Vitória/ES, a mesma empresa ALIANÇA NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA LTDA informou os manifestos 1208502311006 (porto de Shangai China) e 1208502311081 (porto de Chinwangtao _ China), ambos incluídos no dia 03/12/2008, conforme extratos (fls. 16 e 17) e no mesmo dia inclusão vinculou ambos a escala de Vitória (fls. 18 e 19). Esta é a vinculagão estabelecida no Art. 12 da IN RFB n 2 800/07. Ainda como informação sobre carga, a empresa ALIANÇA NAVEGAÇÃO E LOGÍSTICA LTDA informou os dois conhecimentos genéricos (másteres) abaixo, associados aos manifestos supracitados. e incluídos no Sistema Carga do Siscomex no dia 03/12/2008 por volta das 15:00:04 horas, consoante informações nos extratos'dos conhecimentos genéricos as fls. 20 e 22. As informações da escala, do manifesto, da vinculação do manifesto à escala e dos conhecimentos genéricos em questão foram todas prestadas dentro do prazo, e de fato não constam quaisquer bloqueios em seus extratos por motivo de inclusão extemporânea. Consta como consignatária nos conhecimentos genéricos (másteres) citados a empresa EXPEDITORS INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 00.711.083/0001 27 e cadastrada como agente de carga no Sistema Mercante. Pelo fato de ser a consignatária dos conhecimentos genéricos, a empresa é a responsável, no presente caso, pela desconsolidagão da 'carga através da informação dos conhecimentos filhotes (agregados ou houses) respectivos, de acordo com o que determina o artigo 18 da IN RFB 800/07. Entretanto os conhecimentos filhotes relacionados acima foram informados fora do prazo, sendo este prazo a atracação da embarcação no porto de Vitória em 12/12/2008 is 12:04:00 horas. Desde quando os conhecimentos genéricos haviam sido incluídos (03/12/2008), o Sistema Mercante já permitiria a desconsolidação da carga através da informação dos conhecimentos filhotes respectivos. Os dois CEMercantes filhotes (houses hbl) mencionados foram informados no dia 15/12/2008, portanto dias após a atracação do navio, (informações no extrato do conhecimento às fls. 24 e 26), e conseqüentemente fora do prazo estabelecido nos artigos 22 e 50 da IN RFB n 2 800/07. Inclusive em seus extratos consta bloqueio automático feito pelo Sistema Carga por motivo de Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 182 7 "INCLUSÃO DE CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" (f is. 25 e 27). Não foram mencionados quaisquer motivos que justificassem as desconsolidações das cargas feitas fora do prazo, consoante pedidos de desbloqueios dos conhecimentos protocolizados nesta Alfândega do Porto de Vitória pela KUEHNE+NAGEL SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA, cópias As fls. 30 e 31. As informações das vinculações entre os CEMaster e seus filhotes estão nas fls. 28 e 29, telas do Sistema Carga. Todas as informações de escala, manifesto, conhecimento eletrônico são de extratos ou telas que foram extraídas do Sistema Mercante e/ou do Sistema Carga do Siscomex. Destarte, configurase infração punível com multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) com base no art. 107, inciso IV, alínea 'e' do DecretoLei n 2 37 de 18/11/1966, com redação dada pela Lei n 2 10.833 de 29/12/2003. Entendese, pela leitura do dispositivo e em consonância com os artigos 22 e 50 da IN RFB n 2 800/07, que, para cada informação sobre carga que não foi prestada no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou seja, para cada desconsolidação de conhecimento genérico feita fora do prazo através da informação de seu filhote, cabe a penalidade prevista no dispositivo legal. Por esta razão está sendo aplicada a multa cumulativamente pela desconsolidação de cada conhecimento genérico feita intempestivamente. Ou seja, reconheceu a fiscalização que os prazos relacionados às informações da escala, do manifesto, da vinculação do manifesto à escala e dos conhecimentos genéricos em questão foram todas prestadas dentro do prazo. A autuação se embasou, portanto, tão somente na informação a destempo (após a atracação) da informação acerca da desconsolidação das cargas, cuja obrigação encontra previsão no art. 18 da IN RFB 800/07, in verbis: Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. § 1o O agente de carga poderá preparar antecipadamente a informação da desconsolidação, antes da identificação do CE como genérico, mediante a prestação da informação dos respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório. § 2o O CE agregado é composto de dados básicos e itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV. § 3o A alteração ou exclusão de CE agregado será efetuada pelo transportador que o informou no sistema. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 183 8 Até aqui, portanto, verificase que há a obrigação de informar a desconsolidação da carga. Não se sabe, ainda, se a legislação impôs prazo para que esta consolidação seja realizada e qual seria este prazo. Nos termos do auto de infração, a multa de que trata o presente processo encontra previsão no art. 107, inciso IV, "e", do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966 com a redação atribuída pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Para fins de identificação do prazo a ser considerado no caso concreto, o auto de infração trouxe à colação os artigos 22 e 50 da IN nº 800/07, reproduzidos a seguir: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Fl. 183DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 184 9 III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Considerando que a presente demanda versa sobre embarcação cuja atracação ocorreu em dezembro de 2008, ressaltou o fiscal autuante que, por força do disposto no referido art. 50, seria aplicável a norma mais benéfica, disposta no referido art. 50, a qual instituiria que a desconsolidação deveria ser realizada "antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico" (vide fl. 12 do auto de infração). Em outras palavras, o prazo no presente caso estaria respaldado no parágrafo único do art. 50 da IN 800/2007, que determina que o disposto no caput (aplicação dos prazos apenas a partir de 1º de abril de 2009) não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação da embarcação em porto no País. Em sua defesa, o recorrente defende que o referido parágrafo único do art. 50 da IN 800/2007 teria sido revogado pela IN 899/2008, a qual, ao alterar o caput do referido artigo, sem trazer qualquer consideração acerca do referido parágrafo único, teria findado por revogar tacitamente o conteúdo do referido parágrafo único. Discordo da alegação apresentada pela Recorrente. O caput do art. 22 fixou o prazo a partir do qual os prazos dispostos no art. 22 passariam a ser exigidos. E o seu parágrafo único dispôs sobre o regime transitório aplicável até que as empresas consigam se adequar aos novos prazos dispostos no referido art. 22. O fato de a IN 899/2008 ter adiado o início da aplicação dos prazos do art. 22 do dia 1º de janeiro de 2009 para o dia 1º de abril de 2009, no meu entendimento, não possui o condão de revogar tacitamente a regra de transição disposta no seu parágrafo único. Caso fosse esta a pretensão, penso que esta revogação teria sido expressa, e não tácita, como defendido pelo Recorrente. Nesse contexto, segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. E, no caso concreto aqui analisado, é incontroverso que as informações foram prestadas após a atracação do navio. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 185 10 Logo, deverá ser afastado este argumento apresentado pelo contribuinte, visto que não o socorre em sua pretensão. Este Conselho, inclusive, possui decisões neste mesmo sentido, a exemplo dos Acórdãos nº 3802001.643 e 3802000.973. 3. Da exclusão da responsabilidade pelo reconhecimento da denúncia espontânea Por fim, pleiteia o contribuinte que seja excluída a sua responsabilidade no caso concreto, em razão do reconhecimento da denúncia espontânea. Acontece que, a despeito do meu entendimento pessoal sobre o assunto, foi aprovada a súmula CARF nº 126. É o que se infere da transcrição a seguir: Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Como se vê, a referida súmula, cuja aplicação vincula este Colegiado, afasta a possibilidade de reconhecimento da denúncia espontânea no caso concreto aqui analisado. 4. Da conclusão Diante das razões acima apresentadas, voto no sentido de conhecer dos argumentos apresentados pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, contudo, para negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo da conselheira relatora apenas em relação à possibilidade de conhecimento de novo argumento nesta fase recursal. De se ressaltar, preliminarmente, que não há discordância quanto à interpretação preconizada pela conselheira relatora quanto ao art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. Entendo, da mesma forma, que o dispositivo se refere à parte do auto de infração Fl. 185DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 186 11 não contestada. Essa matéria não contestada teria, então, decisão definitiva na esfera administrativa, não podendo ser iniciada a sua discussão no julgamento de segunda instância. Assim, a justificativa para o não conhecimento encontrase alhures, nos arts. 14 a 16, combinado com o art. 31, do referido Decreto. Da interpretação conjunta desses dispositivos, resulta que a impugnação já deve conter as razões de defesa, pois a partir de sua formalização estará não só iniciada, mas delimitada a lide. A ver: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. [...] Art. 31. A decisão [de primeira instância] conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. A apresentação da impugnação é momento crucial no contencioso administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas ou da análise de novo argumento na fase do recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, o que representa, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e em desacordo com o rito processual estabelecido no Decreto. A exceção se faz em relação a argumentos que visem a complementar, reforçar ou aprofundar um raciocínio já iniciado, contraporse a um fato novo ou a argumento aduzido no acórdão recorrido, sem mencionar as questões de ordem pública. Como o caso em tela não se enquadra em nenhuma das hipóteses anteriores, temse por precluso o direito. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 12466.001056/200930 Acórdão n.º 3002000.420 S3C0T2 Fl. 187 12 Pelas razões expostas, não conheço do argumento relativo à denúncia espontânea por configurar inovação recursal. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.901574/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 31/07/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.564
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 15 74 /2 01 3- 84 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10280.901574/201384 Acórdão n.º 3401005.564 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.221. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10280.901574/201384 Acórdão n.º 3401005.564 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10280.901574/201384 Acórdão n.º 3401005.564 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10280.901574/201384 Acórdão n.º 3401005.564 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10280.901574/201384 Acórdão n.º 3401005.564 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10280.901574/201384 Acórdão n.º 3401005.564 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 404DF CARF MF
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Numero do processo: 18490.720178/2015-56
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito.
Numero da decisão: 1003-000.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. SEM NOVOS ARGUMENTOS OU PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. A verificação da liquidez e a certeza do crédito são indispensáveis para a homologação da Declaração de Compensação. A Ausência desses requisitos impede a compensação. Cabe ao contribuinte produzir provas de liquidez e certeza do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 72 01 78 /2 01 5- 56 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 18490.720178/201556 Acórdão n.º 1003000.378 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1152.796, de 29 de abril de 2016, da 4ª Turma da DRJ/REC, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório. A Recorrente apresentou pedido de compensação, PER/DCOMP inicial nº 28543.96232.220910.1.3.042055 e PER/DCOMP nº 18044.37267.251010.1.3.040736, em razão de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior oriundo da CSLL paga por estimativa, código 2484, período de apuração 08/08/1980. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 7.542,93, seria decorrente de pagamento indevido relativo ao DARF de valor R$ 7.773,76, recolhido em 30/10/2009. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 288, de 13/05/2015, às fls. 19 e 20, a Autoridade Competente decidiu não homologar a compensação fundamentando o seguinte: O presente processo trata da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 28543.96232.220910.1.3.042055 (fls. 02/06), que solicita crédito proveniente de Pagamento Indevido ou a Maior, efetuado sob o código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, discriminado à fl. 04; e da DCOMP nº 18044.37267.251010.1.3.040736 (fls. 07/10), vinculada à DCOMP nº 28543.96232.220910.1.3.042055. À fl. 11, constatase que a partir das características do DARF discriminado na DCOMP nº 28543.96232.220910.1.3.04 2055, foi localizado o pagamento, mas integralmente utilizado para amortização de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados nas DCOMPs (...):. Diante do exposto, com base nas informações e documentos constantes deste processo e no uso da competência estabelecida pelo art. 302, inciso VI, da Portaria MF nº 203/2012, DOU de 17/5/2012, c/c a delegação prevista no art. 3°, III da Portaria DRF/BEL nº 107/2012, DOU de 22/8/2012 resolvo: a) NÃO RECONHECER o direito creditório solicitado mediante a DCOMP nº 28543.96232.220910.1.3.042055, correspondente a pagamento indevido ou a maior, código de receita 2484, período de apuração 08/08/1980, no valor original de R$ 7.542,93, por inexistência de crédito; b) NÃO HOMOLOGAR as compensações pretendidas nas DCOMPs nos 28543.96232.220910.1.3.042055 e 18044.37267.251010.1.3.040736; c) DETERMINAR A COBRANÇA do débito confessado na DCOMP acima mencionada, uma vez que a DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para Fl. 85DF CARF MF Processo nº 18490.720178/201556 Acórdão n.º 1003000.378 S1C0T3 Fl. 4 3 cobrança dos débitos nela declarados, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996. A contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade e defendeu o seguinte: (i) que efetuou pagamento indevido CSLLEstimativa (2484), referente ao mês de janeiro de 2006, no valor de R$ 7.542,93, via DARF, através de parcelamento PEPAR (Proc. 10280901210/200837) e posteriormente sendo quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009, sendo esse pagamento indevido compensado através do PER/DCOMP nº 28543.96232.220910.1.3.042055 e 18044.37267.251010.1.3.040736; (ii) pelo exposto, requereu a improcedência da cobrança e a homologação da compensação pleiteada. A DRJ/REC analisou a impugnação e julgou o pedido da Recorrente improcedente, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EXISTENTE Comprovada a existência de direito creditório, referente a pagamento indevido ou a maior, é permitida a sua utilização na extinção de débitos mediante apresentação de Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário que repetiu os argumentos e provas acostados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente fundamenta seu recurso sob a alegação de que o crédito em análise foi gerado em razão de pagamento indevido de parcela relativa a CSLL (2484), referente ao mês de janeiro de 2006, no valor de R$ 7.542,93. Contudo, afirma que teria Fl. 86DF CARF MF Processo nº 18490.720178/201556 Acórdão n.º 1003000.378 S1C0T3 Fl. 5 4 efetuado o pagamento do citado valor indevidamente, via DARF, e que foi posteriormente quitado pela Lei nº 11.941/2009, no dia 30/10/2009. A PER/DCOMP inicial apresentada pela Recorrente de nº 28543.96232.220910.1.3.042055 (fls. 2 a 5), informa ser o crédito originado a partir do DARF, CSLL, código de receita 2484, com vencimento em 30/10/2009, no valor de R$ 7.773,76. A Autoridade administrativa, ao analisar a liquidez e certeza do crédito, identificou, através do Despacho Decisório (fls. 19 e 20), que o DARF informado no PER/DCOMP como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débito do processo nº 10280.901.210/200837, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. A DRJ, ao analisar as informações da manifestação de inconformidade e confrontar com as informações constantes nos sistemas da RFB, verificou o seguinte: a contribuinte apresentou, em 14/06/2008, a Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2007 –, relativa ao anocalendário de 2006, onde consta, no período de Janeiro/2006, na FICHA 16 CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO MENSAL POR ESTIMATIVA , CSLL a pagar no valor apurado de R$ 7.542,93: a contribuinte apresentou, em 25/10/2008, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF Retificadora relativa a Janeiro/2006, onde consta no período CSLL cód. 2484 no valor apurado de R$ 7.542,93, com saldo a pagar de mesmo valor Por essa razão, a contribuinte formalizou o Processo nº 10280.901210/200837 com pedido de parcelamento, por meio do qual quitou o débito de CSLL, cód. 2484, do período de apuração janeiro/2006, no valor originário de R$ 7.542,93 (mesmo valor informado na DCTF),(...): Verificase que tanto a Impugnante quanto a Autoridade Fiscal somente se referiram ao Processo nº 10280.901210/200837, sendo justamente nesse processo onde se encontra vinculado o DARF no valor de R$ 7.773,76, recolhido em 30/10/2009. A Impugnante reconheceu a existência desse processo e não apresentou outros dados que supostamente caracterizassem pagamento em duplicidade de CSLL, cód. 2484, no período de apuração janeiro/2006. Constatase, portanto, que a Autoridade Fiscal procedeu corretamente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado. Assiste razão à DRJ. Não há nos autos informações ou provas que pudessem corroborar as alegações de pagamento em duplicidade realizado pela contribuinte. Pelas informações constantes no processo, o DARF está alocado no processo de nº 10280.901.210/200837 e o parcelamento informado foi realizado para quitar o débito de CSLL do período. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 18490.720178/201556 Acórdão n.º 1003000.378 S1C0T3 Fl. 6 5 Não há outros documentos nos autos que suportem a alegação de pagamento em duplicidade. Ademais, todos os argumentos de defesa e as provas devem ser colacionadas na Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão do direito, nos moldes determinados pelo Decreto nº 70.235/1972, art.16. No presente caso, nem a manifestação de inconformidade nem o recurso voluntário esclarecem como foi realizado o pagamento em duplicidade e nem traz documentos que possam corroborar a tese ventilada nas defesas. A Lei nº 11.941/2009 alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que especificados na citada norma. A Recorrente, contudo, não informou se estava enquadrada nos requisitos da Lei, nem juntou qualquer documento que comprovasse ter havido a remissão no caso concreto, fato que também não foi identificado pelas autoridades administrativas que instruíram o processo. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/REC. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15761.720006/2017-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja sobrestado o julgamento até o retorno da diligência determinada nos autos do processo 15761.720004/2017-20.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja sobrestado o julgamento até o retorno da diligência determinada nos autos do processo 15761.720004/2017-20. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja sobrestado o julgamento até o retorno da diligência determinada nos autos do processo 15761.720004/201720. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão n. 0445.572 da DRJ (fls. 51695), que julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 57 61 .7 20 00 6/ 20 17 -1 9 Fl. 51808DF CARF MF Processo nº 15761.720006/201719 Resolução nº 2301000.747 S2C3T1 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/06/2012 a 31/12/2016 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA A compensação efetuada sem amparo na legislação que cuida do assunto é indevida. É legítima a glosa quando indevida a compensação. MULTA ISOLADA.COMPENSAÇÃO INDEVIDA.FALSIDADE Informação falsa prestada em GFIP acerca de compensação indevida de débitos previdenciários é causa para o lançamento de multa isolada prevista na legislação tributária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de Perícia ou Diligência, quando desnecessário ao convencimento da autoridade julgadora, deve ser indeferido. Vale ressaltar que a impugnação havia sido apresentada em face do Auto de Infração relativo ao lançamento da multa isolada decorrente da não homologação de compensações de contribuições previdenciárias declaradas pela interessada em GFIP, relativamente às competências 07/2012 a 13/2016. Os argumentos trazidos na Impugnação, fls. 73/131, eram, em síntese, os seguintes: 1 É indevida a glosa parcial das compensações realizadas relativamente às competências 07/2012 a 13/2016 e o não reconhecimento do saldo de créditos positivo, sendo injusta e imprópria aplicação de multa isolada de que trata o §10 do art. 89 da Lei Federal n.º 8.212/91 c/c o art. 44, I, da Lei Federal n.º 9.430/96; 2 o seu saldo de retenções acumuladas até o ano 2012, decorrentes de compensações realizadas com base em retenções de períodos anteriores (créditos de 2005 em diante), foi ignorado pela autoridade fiscalizadora; 3 é incabível multa isolada, sem que a Contribuinte tenha realizado qualquer compensação indevida; 4 os saldos de retenção utilizados para as compensações em questão são decorrentes de competências anteriores que, pela sua não utilização no curso do mês de retenção, (bjeto de fiscalização e reconhecimento pela Receita Federal) foram convertidas em créditos à disposição da contribuinte, os quais foram contabilmente escriturados em 2012, declarados e legitimamente usados em competências posteriores; 5 a contribuinte possui créditos de retenção previdenciária de períodos anteriores aptos ao pagamento por compensação, comprovados por diversos documentos e já objeto de certificação pela Receita Federal em 2012; 6 não houve, em nenhum momento, a comunicação, por parte da Receita Federal, sobre a existência da distribuição do procedimento por intermédio de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF, estipulado pela legislação como requisito prévio e necessário à abertura e execução, por parte dos auditores fiscais, de todo e qualquer Fl. 51809DF CARF MF Processo nº 15761.720006/201719 Resolução nº 2301000.747 S2C3T1 Fl. 4 3 procedimento fiscalizatório, conforme inteligência e determinação do art. 2º do Decreto Federal n.º 3.724/01, com redação dada pelo Decreto Federal n.º 8.303/14. 7 o Dossiê/Processo de n.º 10010.020255/041723 e todos os termos assinados pela Autoridade Fiscalizadora, Sr. Eduardo Cerqueira Leite, sejam os termos de intimação ou o Despacho Decisório, são carentes de legitimidade e legalidade, posto que não houve regular distribuição do procedimento fiscal para tal autoridade, o que feriu de nulidade insanável todo o Processo Administrativo 15761.720004/201720; 8 a assinatura do Auto de Infração deuse por auditor sem competência para exercer suas funções no procedimento fiscal de fiscalização, o que somente seria regular se devidamente precedida de TDPF, que lhe atribuísse tal legitimidade para execução da específica fiscalização. Ademais, termo esse expedido com data inexistente (31/04/2017), juntado ao Processo na data de 12 de abril de 2017, o que trouxe legítima e grave dúvida à contribuinte sobre sua real existência e confiabilidade sobre a lisura de sua origem; 9 consta do Despacho Decisório assinatura do relatório fiscal por autoridade não designada e, ainda, afastada do exercício regular de suas funções na data da publicação da notificação de lançamento, em razão da decretação de sua prisão preventiva no âmbito da “Operação Zelotes” e, por força da qual, ainda se encontra recluso; 10 o Despacho Decisório foi concluído na data de 30/08/2017, embora, da assinatura do último auditor fiscal interveniente, o Delegado da Delegacia Regional de Santo André, Sr. Rubens Fernando Ribas, conste a data eletrônica de 38/07/2017 (?). O Sr. Eduardo Cerqueira Leite, autoridade supostamente responsável pela execução da fiscalização da Contribuinte, foi preso preventivamente em 26/07/2017, durante fase da “Operação Zelotes”. Concluise que o Despacho Decisório seria eficaz tão somente no dia 30/08/2017, ocasião na qual a Autoridade responsável pela execução do procedimento fiscal já se encontrava presa, afastada de suas funções, havia mais de um mês. Assim, o despacho decisório foi tingido pela nulidade, por ter sido lavrado por AuditorFiscal fora do exercício de suas atribuições legais; 11 o Despacho Decisório revelouse inócuo, além de nulo, ao lhe atribuir débitos que não lhe cabem; 12 Para fundamentar o Despacho Decisório foi utilizada norma revogada, qual seja, a Instrução Normativa nº 900/08. A motivação eivada de vício determina a nulidade do Despacho Decisório, posto que, para a sua defesa, somente restaria à Contribuinte fazer uso de legislação também revogada, o que não se admite; (“29. Por conseguinte, em respeito ao que estabelece o art. 89, caput, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 48 da Instrução Normativa nº 900/08 e alterações, restaria à autoridade administrativa, em face das glosas indicadas no item 11 e do não) 13 Na fiscalização anterior, finalizada em 11/2012, restou comprovado que os saldos de retenção dos períodos 2010, 2011 e 2012 não foram utilizados, em sua integralidade, na própria competência, haja vista que tais períodos tiveram pagamento por compensação com saldo de retenções de períodos anteriores, igualmente não utilizadas no próprio período; 14 O Fiscal, à época (09/2012 a 11/2012), examinou todos os documentos, que solicitou, e certificou a regularidade das compensações fiscalizadas, da existência do lastro creditório e do saldo de crédito remanescente a ser usado em competências subsequentes pela Contribuinte; Fl. 51810DF CARF MF Processo nº 15761.720006/201719 Resolução nº 2301000.747 S2C3T1 Fl. 5 4 15 não se poderia glosar o crédito alcançado pela homologação e, consequentemente, pela prescrição. Ademais, em razão da homologação de tudo quanto realizado pela contribuinte até 11/2012 ou, em último caso, 09/2012, forçoso reconhecer que o novo auditor glosou as compensações ignorando a coisa julgada administrativa que homologou as compensações realizadas; 16 em razão da certificação havida em 2012, o saldo de crédito de retenções foi devidamente escriturado pela Contribuinte na Conta de Longo Prazo de nº 12100700001, no valor de R$ 9.308.359,30, registrado como débito em 31/12/2012, correspondente a créditos de retenções sobre notas fiscais de acordo com a Lei n.º 9.711/98, pertinentes a períodos anteriores, registro que não podia ter sido desconsiderado pela Autoridade Fiscalizadora, pois, inequívoca e inevitavelmente faz prova em procedimentos fiscais fiscalizatórios; 17 houve dupla fiscalização empreendida pela Receita Federal sobre o ano de 2012 e períodos anteriores já homologados. Quando da primeira fiscalização, restou comprovado que os saldos de retenção dos períodos 2010, 2011 e 2012 não foram utilizados em sua integralidade na própria competência, haja vista que tais períodos tiveram pagamento por compensação com saldo de retenções de períodos anteriores, igualmente não utilizadas no próprio período; 18 A segunda fiscalização adotou critério diferente para análise das compensações, utilizando cada retenção no próprio mês de referência, desconsiderando a planilha de compensações e comprovante de retenções apresentados pela contribuinte, que prova a existência de créditos decorrentes de períodos anteriores não utilizados; 19 os lançamentos de créditos contabilizados na conta de resultado 51300800001 – Recuperação de Despesas Tributárias no montante de R$ 3.384.960,48, foram ignorados pela autoridade fiscalizadora, que no entanto, em nenhum momento, apontou qualquer irregularidade na contabilidade da contribuinte. Portanto, a contabilidade da contribuinte se revelou absolutamente correta, não se entendendo a razão da desconsideração dos lançamentos dos créditos por ela registrados; 20 a falta de motivação consubstanciada na falta de observância de critérios prevalecentes na legislação de regência leva à nulidade do ato; 21 O Sistema de Declaração das Contribuições Previdenciárias – SEFIP obriga que a contribuinte declare como crédito para pagamento da competência (ainda que parcial) o valor de retenção previdenciária do mês, mesmo que tenha crédito de retenções de períodos anteriores suficientes e aptos ao pagamento da integralidade do débito daquela competência; 22 a Autoridade Fiscal ignorou as diferenças recolhidas a maior, assim como falhou ao justificar o intrincado valor a que se refere o crédito tributário de R$ 15.767.109,09; 23 a autoridade fiscalizadora não comprovou a ocorrência de qualquer falsidade de declaração ou fraude por parte da contribuinte, que pudesse ensejar a incidência de multa isolada, a não ser fazer constar suposta “compensação indevida”; 24 não há fraude ou desígnio da contribuinte em praticar qualquer infração, sobretudo, por ter esta sempre se pautado em conduta transparente, clara, linear e colaborativa, com suas práticas todas escrituradas contabilmente, como determina a legislação de regência, e declaradas à Receita Federal, o que se extrai de todo o seu histórico nos processos de Fl. 51811DF CARF MF Processo nº 15761.720006/201719 Resolução nº 2301000.747 S2C3T1 Fl. 6 5 fiscalização havidos. Assim, a multa isolada aplicada padece de razoabilidade e, principalmente, legalidade; Nos termos do Despacho de fls.51.638/51.639, foram os autos baixados em diligência, para manifestação da autoridade lançadora. Em resposta, foi proferido o Despacho de Diligência de fls.51.653/51.664. Ciente do teor do Despacho de Diligência proferido pela autoridade lançadora, o contribuinte manifestouse conforme petição de fls.51.681/51.694. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos trazidos na impugnação, dentre os quais: (i) falta de manifestação no Acórdão recorrido sobre as nulidades apontadas na impugnação; (ii) da regularidade das compensações efetuadas pela Recorrente; (iii) do indevido não reconhecimento do duplo pagamento por meio de retenção em nota fiscal e recolhimento em GPS; (iv) da suposta obrigatoriedade de realização de pedido de restituição do saldo de crédito remanescente; (v) da desconsideração da fiscalização ocorrida no ano de 2012 e da homologação das compensações, com consequente reconhecimento do saldo de crédito; (vi) da indevida aplicação da multa isolada; (vii) necessidade de comprovação de dolo ou fraude; (viii) da necessidade de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele conheço. Tendo em vista que o presente processo trata de multa isolada decorrente do processo n. 15761.720004/201720, no qual decidiuse pela conversão do julgamento em diligência para que sejam analisados os documentos juntados pela Recorrente, não há como julgar o presente processo antes que tenha a conclusão daquele pedido de diligência. Desse modo, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o presente julgamento seja sobrestado até que haja o retorno da diligência solicitada no processo n. 15761.720004/201720. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 51812DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720237/2010-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que conheceu do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 02 37 /2 01 0- 51 Fl. 519DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto peça Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 240201.929, proferido na Sessão de 23 de agosto de 2011, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA FALTA DE CLAREZA. FATO GERADOR E BASE CÁLCULO. NULIDADE. A auditoria fiscal deve lançar a obrigação tributária com a discriminação clara e precisa dos seus valores, sob pena de cerceamento de defesa e consequentemente nulidade. É nulo o lançamento efetuado se a base de cálculo do fato gerador da obrigação principal não for devidamente delineada de forma clara e precisa nos autos. Processo Anulado. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular o lançamento, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Ana Maria Bandeira que não reconheceram a existência de vício, mas que se deve dar provimento parcial para que a alíquota seja reduzida para 11%. Em seguida, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Ana Maria Bandeira e Lourenço Ferreiro do Prado, reconheceu se que se tratava de vício material. Apresentará voto vencedor relativo a essa segunda parte o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Ausência de nulidade do lançamento. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. 509 a 510. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1.972 deve ser interpretado à luz do princípio da instrumentalidade processual, aplicável ao processo administrativo tributário; que somente importarão em nulidade as irregularidades ali apontadas, o que não é a hipótese dos autos; que a anulação do lançamento é desnecessária e ilegal, bastando sua revisão pela autoridade julgadora, excluindo se os valores indevidos. Cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 26/06/2012 (AR, efls. 512) a Contribuinte apresentou as Contrarrazões de efls. 514 a 516 na qual aduz, em síntese, que o recurso não atende ao requisito do prequestionamento; que não houve o confronto analítico entre o acórdão recorrido e o paradigma e, ainda, que o paradigma não atende ao requisito de contemporaneidade, pois é de novembro de 2000. Quanto ao mérito sustenta a nulidade do lançamento, nos termos do Acórdão Recorrido. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10166.720237/201051 Acórdão n.º 9202007.419 CSRFT2 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso foi interposto tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, diante da razões aduzidas pela Contribuinte em sede de contrarrazões, examino detidamente a questão. Sobre a alegada ausência de cotejo analítico, tal não procede. O Recurso indica pontual e claramente onde se localiza a divergência. Notese que fazer o cotejo analítico não significa, necessariamente, a transcrição de excerto dos julgados recorrido e paradigma, bastando para tanto que o recurso indique com clareza onde se situa a divergência entre os julgados, e isso foi feito. Quanto ao prequestionamento não se exige da Fazenda Nacional a observância desse requisito da mesma forma que se exige do Contribuinte, pois quem elege as matérias para o litígio é o sujeito passivo, mediante impugnação, bastando, assim, que a matéria tenha sido discutida no processo, e isso é inequívoco. E quanto à alegação de ausência de contemporaneidade do paradigma, tal alegação não encontra respaldo nas normas regimentais. A data da prolação do acórdão paradigma é irrelevante, salvo se proferido em contexto normativo diverso daquele do paradigma, o que não é o caso. Por fim, quanto à divergência de interpretação, entendo, da mesma forma, que a peça recursal logrou demonstrála. Com a devida vênia dos que pensam de modo diverso, penso que o fato de os acórdão recorrido e paradigma versarem sobre tributos distintos é irrelevante. É que a divergência é em relação a norma processual e não material. O que importa é que, embora em ambos os casos se tenha identificado suposto erro na determinação da matéria tributável, que poderiam, em tese, ser sanados com a supressão dos valores exigidos em excesso, os julgados oferecem soluções distintas: num caso, declarouse a nulidade, noutro, se retirou os valores exigidos a maior. Ante o exposto, conheço do recurso. Vencido quanto ao conhecimento, deixo de apreciar o mérito. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do Ilustre Conselheiro Relator, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 521DF CARF MF 4 No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do lançamento, defendendo que equívoco na determinação da matéria tributável não geraria nulidade. Assim, tratandose de discussão acerca da existência de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por vício material, considerandose que a Fiscalização aplicou uma alíquota equivocada e apurou a base de cálculo sem a observância dos limites legais, o que teria acarretado o cerceamento do direito de defesa do Contribuinte. Confirase os respectivos trechos do acórdão recorrido: "Preliminarmente, em decorrência dos princípios da autotutela administrativa e da legalidade objetiva, verificase que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, eis que os elementos fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a base de cálculo (salário de contribuição) dos valores lançados, nem a alíquota aplicada. Ou melhor, pelos fundamentos a seguir delineados, a alíquota aplicada e base de cálculo do fato gerador não estão em conformidade com a legislação previdenciária. Os motivos para a aplicação da alíquota e base de cálculo foram descritos noRelatório Fiscal da Infração nos seguintes termos: (...) Contudo, entendo que o procedimento de auditoria fiscal, acima descrito (item 6 e subitens 6.1/6.2), não está em conformidade com a legislação previdenciária que disciplina tal conteúdo, pelas seguintes razões: 1. a alíquota aplicada, para os dois levantamentos (“PF1” e “SP”), foi de 20%, mas deveria ser aplicada a alíquota de 11%; 2. a base de cálculo do fato gerador foi estimada sem obedecer os limites mínimo e máximo do salário de contribuição. Tais limites estão estabelecidos pelo art. 28, §§ 3o e 5o, da Lei no 8.212/1991. (...) Diante desse contexto de vícios constatados, seja na aplicação de alíquota equivocada (20% quando deveria ser 11%), seja na apuração de uma base de cálculo sem a observância dos limites legais, isso ensejou um lançamento fiscal com valores que englobou o valor concernente ao fato gerador devido pela Recorrente e o valor não devido pela Recorrente, que são: os valores decorrentes da alíquota de 9% (20% 11%) e do excedente da base de cálculo (100% das receitas obtidas base de cálculo com observância dos limites). Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria fiscal incorreu em um vício de motivo, este consubstanciado na inadequação do fato com o pressuposto jurídico da legislação previdenciária. Essa Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10166.720237/201051 Acórdão n.º 9202007.419 CSRFT2 Fl. 4 5 inadequação do motivo do lançamento fiscal, ocasionada pela falsidade do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. O lançamento fiscal deve ser convincentemente motivado – de forma concisa, clara e congruente –, indicando, com base nos elementos da escrituração contábil ou outros elementos fáticos, a existência da materialidade das contribuições previdenciárias. A auditoria fiscal não deverá se basear em raciocínio jurídico incorreto para realizar o lançamento fiscal, mas resultar de fatos concretos encontrados durante a auditoria fiscal e aplicação da legislação pertinente. O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os motivos da lavratura da exigência tributária. Isso está em consonância com o art. 50 da Lei nº 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem como §1º do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente." (grifei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar aplicação de alíquota equivocada (20%, quando a legislação de regência determinava 11%) e apuração de uma base de cálculo sem a observância dos limites legais a nulidade fosse afastada. Visando demonstrar a alegada divergência, a Fazenda Nacional indica como paradigma o Acórdão nº 10320.451, limitandose a colacionar a respectiva ementa, conforme a seguir: “IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL Comprovado, por meio de diligência fiscal, equívocos na determinação da matéria tributável, sua revisão pela autoridade julgadora é medida que se impõe. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF/ILL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL A decisão proferida no processo relativo ao imposto de renda pessoa jurídica estende seus efeitos aos processos decorrentes, tendo em vista a estreita correlação entre os procedimentos principal e decorrentes. Recurso de ofício negado" (destaques da Recorrente) De plano, a ementa acima permite concluir que o paradigma é um Recurso de Ofício ao qual se negou provimento, tendo em vista a ocorrência de equívocos na determinação da matéria tributável, apurados por meio de diligência, o que não se verificou no caso do acórdão recorrido. Compulsandose o inteiro teor do paradigma, confirmase que a situação nele tratada não guarda similitude com a do recorrido. Já no relatório do paradigma estão descritos Fl. 523DF CARF MF 6 os citados equívocos, que não passaram de erros de fato quando da elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, corrigidos por meio de diligência solicitada pela própria DRJ, abrindose oportunidade para que o Contribuinte apresentasse impugnação complementar. Com efeito, não se tratou de aplicação equivocada da legislação de regência, acarretando majoração de alíquota e fixação de base de cálculo sem respeito aos limites legais, como se verificou no recorrido. Confirase o paradigma: "A decisão recorrida não merece reparos. A diligência requerida pela autoridade a quo foi oportuna e esclarecedora, retificando equívocos ocorridos na elaboração do Demonstrativo de Fluxo Financeiro, como se pode ver no Relatório de fls 180/185. Deve ser rejeitada a alegação de falta de indicação do dispositivo infringido no Auto de Infração, tendo em vista que, às fls. 09, encontrase discriminado os dispositivos legais que fundamentaram o lançamento. O demonstrativo do fluxo financeiro é instrumento legítimo para demonstrar eventual omissão de receitas das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, conforme consagrado na jurisprudência administrativa. A existência de escrituração contábil não impede a reconstituição do fluxo financeiro, para verificar a movimentação de ingressos e saídas de recursos. Tal procedimento, bem como, a indicação dos artigos do RIR/94 que embasaram o lançamento, não ensejaram qualquer óbice à ampla defesa do contribuinte, que em sua impugnação demonstrou perfeito entendimento da infração imputada. Examinadas as alegações da interessada em confronto com as cópias das folhas do Livro Razão n° 7, que foram anexadas ao processo na diligência fiscal e no recurso, bem como, o relatório de diligência de lis. 180/185, verificamos que resta comprovada a ocorrência de equívocos no levantamento fiscal e na confecção do demonstrativo do fluxo financeiro. A autoridade julgadora de primeira instância acatou as conclusões da diligência e, à vista das alegações apresentadas no aditivo à impugnação de fls. 86/87, comprovada pelos lançamentos do Livro Razão, bem como, dos documentos anexados pela contribuinte, concluiu (...) Os documentos e a escrituração anexados pelo contribuinte em sua defesa, bem como, a diligência realizada por solicitação da autoridade julgadora comprovam a ocorrência de erros na apuração de excesso de dispêndios que embasa imputação de omissão de receitas. Retificado o Demonstrativo do Fluxo Financeiro pelas razões e montantes detalhados na fundamentação da r. decisão, reproduzida no relatório deste acórdão restou demonstrado que não ocorreu excesso de dispêndios nos meses de fevereiro, outubro e novembro e nos meses de março, maio, setembro e dezembro tiveram seus valores reduzidos conforme quadros demonstrativos também transcritos no relatório." Com efeito, no caso deste paradigma, o que se verificou foi a ocorrência de erros de fato na elaboração de fluxo financeiro, o que foi corrigido por iniciativa da própria DRJ, que determinou a realização de diligência, oportunizando a apresentação de aditivo à Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10166.720237/201051 Acórdão n.º 9202007.419 CSRFT2 Fl. 5 7 impugnação, sendo que em momento algum se menciona que teria havido a aplicação equivocada da legislação de regência, acarretando majoração indevida de alíquota e base de cálculo. Destarte, ausente a similitude fática entre os julgados em confronto, não há que se falar em divergência jurisprudencial. Diante do exposto, tendo em vista que o paradigma indicado efetivamente não logra caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 525DF CARF MF
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