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Numero do processo: 13839.905380/2015-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.516
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 80 /2 01 5- 54 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.905380/201554 Acórdão n.º 3402006.516 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.521. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.905380/201554 Acórdão n.º 3402006.516 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.905380/201554 Acórdão n.º 3402006.516 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905380/201554 Acórdão n.º 3402006.516 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905380/201554 Acórdão n.º 3402006.516 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905380/201554 Acórdão n.º 3402006.516 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.000393/00-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 28/02/1996, 01/01/1999 a 31/05/1999
DILIGÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL DO DÉBITO
Exclui-se do lançamento fiscal o débito parcialmente quitado e admitido na diligência realizada nos autos.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. AJUIZAMENTO. COBRANÇA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O débito confessado em DCTF e ajuizado judicialmente não pode ser cobrado posteriormente na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3302-006.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 28/02/1996, 01/01/1999 a 31/05/1999 DILIGÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL DO DÉBITO Excluise do lançamento fiscal o débito parcialmente quitado e admitido na diligência realizada nos autos. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. AJUIZAMENTO. COBRANÇA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O débito confessado em DCTF e ajuizado judicialmente não pode ser cobrado posteriormente na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 03 93 /0 0- 73 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10855.000393/0073 Acórdão n.º 3302006.808 S3C3T2 Fl. 599 2 Relatório Por bem retratar os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.375381: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS dos períodos de janeiro a setembro de 1995, novembro de 1995 a fevereiro de 1996, e janeiro a maio de 1999. 2. Conforme descrição dos fatos de fl. 3, a insuficiência de recolhimento dos períodos de 1995 e 1996 se deveu ao recolhimento da contribuição com base na aplicação da aliquota de 0,65% sobre a receita operacional, quando o correto seria de 0,75% sobre o faturamento. A falta de recolhimento dos períodos de 1999 foi levantada em função do indeferimento de pedido de compensação, que pretendia extinguir tais créditos. 3. Pelos demonstrativos de fls. 5 a 11, o autuante apurou os débitos que resultaram no lançamento de R$ 128.754,62, sendo R$ 62.094,36 de contribuição, R$ 20.089,55 de juros de mora e R$ 46.570,71 de multa proporcional. 4. A base legal do lançamento encontrase As fls. 4 e 11. 5. Devidamente cientificada em 24/03/2000, conforme declaração firmada no próprio corpo do auto de infração A fl. 2, a interessada apresentou em 24/04/2000, representada por Carvalho, Pereira e Advogados Associados, a impugnação de fls. 80 a 115. 6. Nela a impugnante alegou, em sede de preliminar: 6.1. O auto de infração apresenta fundamentação contrária A lei, pois os diplomas legais que vigiam A época dos fatos geradores de janeiro de 1995 a fevereiro de 1996 eram os DecretosLeis ifs 2.445 e 2449, de 1988, e a Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, que determinavam a aplicação da aliquota de 0,65% sobre a receita operacional bruta e o faturamento, respectivamente. 6.2. Os débitos referentes ao período de janeiro a maio de 1999 são objeto de discussão em processo de compensação, configurandose a duplicidade de lançamento. 6.3. Tais preliminares acarretam a nulidade do auto de infração. 7. Quanto ao mérito, argumentou que, no período de janeiro de 1995 a fevereiro de 1996, efetuou os recolhimentos segundo a legislação em vigor, citando Parecer da PGFN e doutrina. Assim, o autuante deixou de agir com a vinculação legal imposta pelo CTN. 8. Com relação aos períodos de 1999, produziu um extenso arrazoado sobre seu direito A compensação de valores recolhidos a maior com base nos decretos leis citados, argumentando que o processo de compensação encontrase em fase recursal no Conselho de Contribuintes, e que os créditos exigidos coincidem com os do "Auto de Infração n° 10855.002944/9810" (sic — fl. 101). 9. Suscitou a litispendência entre o presente processo e o de compensação, por versarem sobre a mesma lide. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10855.000393/0073 Acórdão n.º 3302006.808 S3C3T2 Fl. 600 3 10. Prosseguiu alegando que a apresentação do recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes suspendeu a exigibilidade do crédito, não podendo o mesmo ser objeto da autuação. 11. Disse ainda que os créditos estariam suspensos também em função de liminar e segurança concedidos em Ação de Mandado de Segurança (n° 98.09041675), garantindolhe o direito A compensação dos recolhimentos indevidos. 12. Discorreu longamente sobre a base de calculo da Contribuição para o PIS nos termos da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, defendendo a tese de que ela é o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, citando jurisprudência. 13. Por fim, requereu a declaração de nulidade do auto de infração, ou ao menos sua insubsistência. A DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal para manter apenas a cobrança dos débitos cujo fato gerador ocorreu entre 31.01.1999 a 31.05.1999, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 28/02/1996,01/01/1999 a 31/05/1999 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. SEGURANÇA JURÍDICA. Em respeito ao principio da segurança jurídica, é incabível o lançamento do PIS por insuficiência de recolhimento em relação à LC n° 7, de 1970, quando o contribuinte houver extinto totalmente o crédito tributário de acordo com os diplomas legais então vigentes, mas posteriormente declarados inconstitucionais. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 0 recurso voluntário interposto em processo que aprecia pedido de compensação não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário constituído em processo decorrente do indeferimento de solicitação feita naquele. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. EFEITOS. A menção a débitos, vencidos ou vincendos, no âmbito de processo de pedido de compensação, não tem o efeito de constituir créditos tributários, atividade privativa e vinculada da autoridade administrativa. Cientificada de decisão recorrida em 15.01.2003 (fls.392), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 07.02.2003 (fls. 393417), trazendo em sua peça recursal os seguintes tópicos: (i) nulidade da decisão recorrida; (ii) compensação efetuada com supedâneo da decisão proferida no MS nº 98.09041675; (iii) nulidade da decisão recorrida em decorrência do processo administrativo nº 10855.002944/9810; e (iv) exigência de multa e juros. Às folhas 481484, foi proferido despacho convertendo o feito em diligência nos seguintes termos: Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10855.000393/0073 Acórdão n.º 3302006.808 S3C3T2 Fl. 601 4 A empresa qualificada em epigrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS dos períodos de janeiro a setembro de 1995, novembro de 1995 a fevereiro de 1996, e janeiro a maio de 1999. Conforme descrição dos fatos de fl. 3, a insuficiência de recolhimento dos períodos de 1995 e 1996 se deveu ao recolhimento da contribuição com base na aplicação da aliquota de 0,65% sobre a receita operacional, quando o correto seria de 0,75% sobre o faturamento. A falta de recolhimento dos períodos de 1999 foi levantada em função do indeferimento de pedido de compensação, que pretendia extinguir tais créditos. A DRJ de Ribeirao Preto/SP, em Acórdão de n° 2.786, fl. 357, decidiu pela procedência parcial com cancelamento dos créditos dos meses de janeiro a setembro de 1995 e novembro de 1995 a fevereiro de 1996, mantendo o restante do lançamento. A interessada ingressou na 18 Vara Federal de Sorocaba/SP com Mandato de Segurança pedindo a compensação dos créditos de PIS com PIS, alegando, o que foi concedido. Apresentando dentro do prazo legal Recurso Voluntário a este Colegiado, a interessada pede a insubsistência do auto de infração. Considerando que a decisão da DRJ em Ribeirao Preto/SP foi parcialmente favorável à contribuinte, converto o presente processo em diligência para a DRF em Sorocaba/SP verificar, junto ao estabelecimento da contribuinte, se após a compensação feita ainda existem débitos para com a Fazenda Pública Nacional. Em cumprimento à diligência solicitada por este Colegiado, fiscalização prestou as informações às fls. 577578, com as seguintes conclusões: (...) Conforme se pode verificar, os débitos de PIS dos períodos de apuração compreendidos entre 01/1999 e 04/1999, todos integrantes do presente processo administrativo, foram objetos de compensação no processo nº 10855.002944/9810. De outro lado, diferentemente do quanto alegado pelo contribuinte, o débito de PIS do período de apuração de 05/1999, no valor original de R$ 8.464,94, lançado no auto de infração, não integrou nenhum dos pedidos de compensação tratados no processo nº 10855.002944/9810. De acordo com as DCTF do 2º trimestre apresentadas pelo contribuinte, original e retificadora, fls. 573, foram informados os seguintes débitos de PIS para o período de apuração de 05/1999, com os respectivos créditos vinculados, a saber: (...) A partir das informações prestadas pelo contribuinte na DCTF original, enviada em 13/09/1999, após a realização das verificações sistêmicas, não foram validadas as informações de “Outras Compensações e Deduções”, de forma que o valor de R$ 11.977,07 foi objeto de cobrança administrativa e posterior envio à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em dívida ativa. Conforme relatório “Resultado de Consulta da Inscrição” de fls. 574/576, a parcela de PIS do período de apuração 05/1999 foi inscrita em dívida ativa em 13/02/2004, e encontrase na situação: “ATIVA AJUIZADA”, com o processo Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10855.000393/0073 Acórdão n.º 3302006.808 S3C3T2 Fl. 602 5 tramitando na 2ª Vara de Execuções Fiscais da Justiça Federal de São Paulo – Processo nº 200461820414809. Cientificada das informações fiscais, a Recorrente questionou a cobrança do saldo remanescente, concernente ao período de 05/1999, sem justificar o motivo do não pagamento do débito, afirmando o quanto segue: A intempestividade relativa à compensação do PIS do mês de maio/1999 decorreu por motivos alheios à Requerente, tendo o débito lançado sido inscrito em dívida ativa da União antes mesmo do término ou exaurimento do processo administrativo instaurado por força da impugnação interposta pela ora Requerente. Neste ponto, cumpre observar que o lançamento, no tocante ao objeto da diligência atendida pela Receita Federal, ou seja, no tocante ao débito remanescente, é completamente nulo — seja por que reconhece a inexistência do débito de PIS do período de janeiro a abril de 1999 e, em relação a mês de maio do mesmo ano o débito já se encontrava inscrito em dívida ativa antes mesmo da interposição do presente Recurso Voluntário, ocorrido em 07/fev/2003, fls. Pelo exposto, é a presente para reiterar todos os termos do Recurso Voluntário interposto pela Requerente no sentido de que o mesmo seja integralmente conhecido e provido para o fim de reformar a r. decisão de primeira instância e, por fim, cancelar o lançamento remanescente da r. decisão recorrida — reconhecendose a nulidade do lançamento remanescente (janeiro a maio de 1999), à medida em que resta exaustivamente demonstrada a inexistência de débito relativo ao período de janeiro a abril (por força da extinção operada por regular compensação) e a inexistência de débito relativo a maio em razão da preclusão da matéria por renúncia da jurisdição administrativa (débito objeto da execução fiscal n.° 00418075.2004.4.03.6182, em trâmite perante a 2ª Vara das Execuções Fiscais da Seção Judiciária de São Paulo). É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Salientase que as alegações recursais da Recorrente serão analisadas somente em relação ao período de janeiro a maio de 1999, considerando que para os períodos anteriores a DRJ já reconheceu o pagamento do débito. II Preliminar Nulidade da decisão recorrida Em sede recursal, a Recorrente pede a nulidade da decisão recorrida por erro de capitulação, a saber: Finalmente, relativamente ao período compreendido entre janeiro e maio de 1999, o Ilmo. Agente Fiscal, da Delegacia da Receita Federal, em Sorocaba, houve Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10855.000393/0073 Acórdão n.º 3302006.808 S3C3T2 Fl. 603 6 por bem autuar a RECORRENTE alegando a ausência de recolhimento, em virtude do indeferimento, através do Despacho Decisório n° 895/99 da SASIT/DRF/Sorocaba do "Pedido de Compensação", objeto do Processo Administrativo n° 10855.002944/9810. Ora, como se denota acima, a par das demais irregularidades que serio apontadas na seqüência, o lançamento it débito do PIS, referente ao período compreendido entre janeiro e maio de 1999, é totalmente nulo, pois, como o próprio Ilmo. Agente Fiscal reconheceu, existia como de fato ainda existe um processo administrativo anterior discutindo os supostos débitos da Contribuição ao PIS, deste período, configurandose a duplicidade de lançamento de um mesmo débito. Ao contrário do entendimento explicitado pela Recorrente, o processo administrativo 10855.002944/9810 por não constituir o lançamento de tributos, visando averiguar tão somente a liquidez e certeza do crédito, não impede a lavratura de Auto de Infração. Lá se discute o crédito, aqui o objeto da lide referese ao débito cobrado pela fiscalização. Procedimentos distintos que não se confundem. Além disso, o MS impetrado pela Recorrente para ter seu direito de compensação analisado nos autos daquele processo, também não impede a fiscalização de lavrar o presente Auto de Infração e cobrar os débitos que estavam sendo discutidos administrativamente em outro processo, inexistindo, assim, qualquer irregularidade na lavratura do presente auto. Por fim e não menos descabida é alegação da Recorrente no sentido de que o reconhecimento da inexistência do débito de PIS do período de janeiro a abril de 1999 acarreta nulidade ao auto de infração. Isto porque, o reconhecimento parcial da inexistência de débito não é causa de nenhuma hipótese prevista no artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, acarretando, tão e somente, sua exclusão da cobrança. Neste cenário, rejeito as nulidades arguidas pela Recorrente. III Mérito Meritoriamente, a questão cingese quanto a exigência dos tributos relativos ao período remanescente de janeiro a maio de 1999, considerando que a decisão recorrida afastou a exigência dos períodos anteriores. Em relação aos débitos de janeiro a abril de 1999, constatasse que a fiscalização prestou esclarecimentos admitindo que os débitos desse período foram pagos mediante compensação objeto do processo nº 10855.002944/9810, motivo pelo qual, devem ser excluídos do lançamento fiscal. No que diz respeito do débito de maio de 1999, entendo que as alegações apresentadas pela Recorrente se prestam para afastar a cobrança do período de maio/99, posto que o fato do débito ter sido encaminhado para inscrição em dívida ativa e posterior cobrança judicial implica na inexigibilidade do crédito, considerando que foi declarado de forma expontânea, antes do termo de início e da ciência do Auto de Infração, não devendo, assim, ser lançado nestes autos para cobrança administrativa. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10855.000393/0073 Acórdão n.º 3302006.808 S3C3T2 Fl. 604 7 Com efeito, a DCTF é constituição dívida e o débito declarado à época foi executado diretamente, inexistindo, assim, motivos para cobrálo administrativamente. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.904022/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2000
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas.
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte.
PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior.
VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
Numero da decisão: 2202-005.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2000 IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior. VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.904022/200835 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202005.128 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente SOFT CONSULTORIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazêlo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior. VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 40 22 /2 00 8- 35 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15374.904022/200835 Acórdão n.º 2202005.128 S2C2T2 Fl. 3 2 PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2202005.099 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não homologou o pedido de compensação. Do Pedido de Compensação O pedido de compensação tratase de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual a Soft Consultoria Ltda pretende aproveitar o crédito de IRRF que teria sido recolhido indevidamente. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 15374.904022/200835 Acórdão n.º 2202005.128 S2C2T2 Fl. 4 3 Da Análise do PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório eletrônico, a compensação não foi homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, uma vez que o recolhimento realizado pelo DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos declarados pela contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito requerido no pedido de compensação (PER/DCOMP): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Regularmente intimada do Despacho Decisório com a não homologação da compensação declarada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: Do direito ao crédito de imposto de renda retido na fonte sobre royalties remessa ao exterior. Logo, diante dos fundamentos apresentados, entende a Manifestante que os valores referentes ao IRRF pagos por ela sobre remessas para pagamento de importações de "softwares" de prateleira são passíveis de pedido de indébito e por isso a impossibilidade de se manter o indeferimento em tela. Por fim, outro argumento deve ser realçado pela ora Manifestante, é a necessidade expressa de se realizar perícia a fim de se apurar o tipo de software comercializado pela empresa no presente processo. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou a Manifestação de Inconformidade, proferiu o Acórdão negandolhe provimento, mantendo o Despacho Decisório e não homologando o PER/DCOMP. Do Recurso Voluntário A Soft Consultoria, devidamente intimada da decisão da DRJ, conforme aviso de recebimento, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, alegando que: Concessa maxima venia, cabe ao Contribuinte eleger o meio de prova que julga adequado à demonstração dos fatos. Na espécie, dada a natureza da matéria sub examine, entendeu ser a prova pericial. A própria norma reguladora da matéria é clara ao determinar tal possibilidade. Nos termos postos, a defesa do Contribuinte fica inviabilizada, vez que não carreou aos autos a prova apontada pelo nobre relator, a saber, embalagens dos softwares "de prateleira" e respectivos documentos de importação. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 15374.904022/200835 Acórdão n.º 2202005.128 S2C2T2 Fl. 5 4 Paralelamente, além de indeferir o pedido formulado, o julgador administrativo também não oportunizou ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Alegou também a necessidade de se observar o Princípio da Verdade Material, afirmou que em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material e que a referida verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil, bem como alegou ainda que: Nesse diapasão, a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. É que em nome dos princípios da ampla defesa, legalidade, oficialidade e verdade material, dentre outros, não se pode negar ao Administrado a produção de prova em outra fase. Não poderia ser de outra forma, vez que, o órgão judicante, ao afastar a prova pretendida pelo Contribuinte, não poderia negarlhe a possibilidade de apresentar, em outra oportunidade, a prova que ele mesmo julgou conveniente. Ademais, pelo Princípio da Informalidade Moderada, que é a mais adequado ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta à busca da verdade material (base de todo sistema), poderia, sem qualquer violação, o julgador administrativo ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que seja reformado o acórdão e analisados os documentos acostados junto ao recurso: 1 A reforma do v. acórdão fustigado, com o conseqüente deferimento do pedido de produção de prova pericial; conforme formulado da Manifestação de Inconformidade, ou, caso assim não entendam Vs.Sas., 2 Seja, com base nos princípios apontados e na economia processual, analisada a documentação ora acostada, a qual corresponde aos meios de prova apontados pelos julgadores a quo, com o conseqüente deferimento do PER/DCOMP versado na aludida Manifestação de Inconformidade. É o relatório." Fl. 180DF CARF MF Processo nº 15374.904022/200835 Acórdão n.º 2202005.128 S2C2T2 Fl. 6 5 Voto Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.0992 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Da Apresentação De Provas e Da Verdade Material A Recorrente questionou, invocando a necessidade de observância ao Princípio da Verdade Material, que a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. No mesmo sentido, a Recorrente ainda questionou a decisão de primeira instância alegando que o julgador administrativo poderia ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Além disso, a Recorrente, quando da apresentação do recurso voluntário, solicitou a juntada de diversos documentos com o objetivo de comprovar suas alegações. No que diz respeito ao pedido da recorrente, entendo que não merece acolhimento, uma vez que, a partir da Manifestação de Inconformidade, início da fase litigiosa, era dever da contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas no seu pedido de compensação. Neste contexto, cabe registrar que a fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a contribuinte deveria, sob pena de preclusão, instruir sua Manifestação de Inconformidade apresentando junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, conforme disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 181DF CARF MF Processo nº 15374.904022/200835 Acórdão n.º 2202005.128 S2C2T2 Fl. 7 6 (...) Assim, como não apresentou elementos necessárias para comprovar suas alegações, apenas requereu a realização de perícia, a autoridade julgadora de primeira instância apreciou a Manifestação de Inconformidade, negandolhe provimento, pois verificou a inexistência de elementos probantes, dessa forma indeferiu o pedido de perícia e não homologou a compensação declarada, confirmando as razões do despacho decisório. No tocante as novas provas apresentadas, entendo que, além de extemporâneas, estão ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Do mesmo modo, observo não há fato ou razão renovada trazida aos autos pela DRJ, porquanto o voto proferido pelos julgadores daquela DRJ, apresentou considerações no sentido de que tais provas independem de perícia, pois poderiam ter sido produzidas por meio de documentos. Todavia, ao fazer estas considerações, entendo que a DRJ estava demonstrando que a contribuinte perdeu a oportunidade legal de apresentar os documentos que, em tese, poderiam comprovar o seu pleito. Inclusive, no que diz respeito a apresentação de prova apenas em sede de recurso voluntário, compartilho o entendimento apresentado no Acórdão nº 3201 004.710, sessão de 29 de janeiro de 2019, proferido pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, que em situação semelhante negou provimento ao recurso do contribuinte. Com base no citado Acórdão, observo o entendimento de que a jurisprudência apresenta certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, afastandoa em alguns casos referentes a fatos notórios ou incontroversos que podem permitir o pronto convencimento do julgador. No mesmo sentido, entendo que o direito da parte produzir provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fundamento em seu juízo de valor, acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que no caso é de responsabilidade da contribuinte. No caso dos autos, notase que a Recorrente não produziu oportunamente os documentos que poderiam justificar as suas alegações, responsabilidade esta que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Decreto nº 70.235/72 e, de forma subsidiária, pela Lei nº 13.105/2015 (CPC). Neste contexto, observase que o princípio da verdade material confere ao julgador administrativo maior liberdade na apreciação das provas, podendo coletar provas ou determinar a produção de provas não produzidas pelas partes, se assim for necessário para o seu convencimento diante das provas já apresentadas. Contudo, não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Desse modo, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também, em sede de julgamento se oportunize tais demonstração e comprovação, pois a busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia da contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas Fl. 182DF CARF MF Processo nº 15374.904022/200835 Acórdão n.º 2202005.128 S2C2T2 Fl. 8 7 necessárias a possível comprovação do crédito alegado, bem como não permite a supressão de instância. Isto posto, rejeito, preliminarmente, o pedido para acatar os documentos apresentados após a decisão de primeira instância administrativa. Da Perícia Na peça de defesa inicial, a contribuinte requereu a realização de perícia com o objetivo de comprovar os seus argumentos, todavia, quando apreciou a Manifestação de Inconformidade, a DRJ indeferiu o pedido de realização de perícia, porque entendeu desnecessária, uma vez que a pretensão da contribuinte poderia ser comprovada por meio de prova documental. Dessa forma, percebese que a contribuinte optou por não apresentar documentos que pudessem comprovar suas alegações, pois, no seu entendimento, poderia eleger o meio de prova que julgasse adequado e neste caso, devido a natureza da matéria em exame, a empresa optou pelo pedido de prova pericial, que a seu ver seria a mais adequada. Neste aspecto, observo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados, pois entendo que a Recorrente ao invés de apresentar oportunamente os documentos que, em tese, poderiam comprovar suas alegações, optou por substituir sua incumbência probatória com providências a cargo do Fisco ou do perito técnico, por meio de realização de perícia. Ademais, a prova pericial, além do caráter específico, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. À vista disso, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela contribuinte com a juntada de documentos carreados aos autos no momento oportuno. Esclarecendo ainda que a contribuinte tem a obrigação jurídica de manter os meios probatório de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pela empresa Soft Consultoria Ltda, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Da Defesa Inviabilizada No tocante a alegação da Recorrente de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, também não merece acolhida, pois a recorrente teve oportunidade de apresentar tempestivamente a documentação pertinente relativo aos fatos, mas não o fez. Além do mais, cabe registrar que nos pedidos de compensação/restituição o ônus da prova cabe ao sujeito passivo, como pode ser observado no disposto do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, disciplinando que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto Fl. 183DF CARF MF Processo nº 15374.904022/200835 Acórdão n.º 2202005.128 S2C2T2 Fl. 9 8 que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. No mesmo sentido, dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que as impugnações administrativas já devem trazer os elementos de prova: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Dessa forma, entendo que não caberia ao julgador de primeira instância oportunizar ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, pois as provas já deveriam ser apresentadas no momento da contestação por meio da Manifestação de Inconformidade, conforme disciplina o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que caberia à contribuinte, ao ofertar a sua defesa, produzir a prova em contrário, por meio de documentação hábil e idônea. Como não o fez, o seu pedido de compensação não foi homologado, conforme decisão proferida no Acórdão de primeira instância que manteve o Despacho Decisório. Por tudo aqui exposto, rejeito o argumento da contribuinte de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Da Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito De acordo com os autos, percebese que a Recorrente alegou que houve recolhimento indevido de tributo e por este motivo requereu, mediante apresentação de PER/DCOMP, compensação destes valores. No entanto, quando da análise do seu pedido de compensação, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, pois o crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos, motivo pelo qual se fundamentou a não homologação da compensação declarada, conforme o Despacho Decisório. Além disso, quando apresentou a sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte não apresentou documentos que pudessem comprovar que houve recolhimento indevido bem como se o valor pleiteado estaria disponível, demonstrando a existência da liquidez e certeza do crédito. Isto posto, cabe esclarecer que o ponto chave para atender pedido de compensação diz respeito a necessidade de comprovar que o crédito aludido estivesse disponível para ser utilizado na quitação do débito indicado no PER/DCOMP. Dessa forma, caberia a contribuinte demonstrar a existência da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, para um análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido, o montante e comparálo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 15374.904022/200835 Acórdão n.º 2202005.128 S2C2T2 Fl. 10 9 Por fim, percebese que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito e, dessa forma, entendo como correto o resultado exarado no Despacho Decisório eletrônico bem com na decisão proferida pelo Acórdão de primeira instância administrativa que negou provimento à Manifestação de Inconformidade e não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o crédito indicado na DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos declarados pela contribuinte. Destarte, com base em tudo que foi exposto, entendo que não há espaço para reanálise do despacho decisório e nem qualquer reforma na decisão recorrida. No tocante ao pedido de realização de perícia, entendo desnecessária. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia" Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000144/2007-60
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 01 44 /2 00 7- 60 Fl. 433DF CARF MF 2 Nacional em face da decisão da 1ª Turma Especial da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão n° 2801003.717 que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$ 108.965,75 e cancelar a infração relativa a multa isolada. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Hipótese em que existem elementos a serem considerados nos autos que possibilitam se formar juízo a favor do contribuinte. MULTA PELO NÃO RECOLHIMENTO DO CARNÊ LEÃO. DIFERENÇA VERIFICADA APÓS O AJUSTE ANUAL. DIRPF. Encerrado o ano calendário, não há o que se falar em recolhimento de carnê leão, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnê leão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Nestes casos, a multa devida seria a de ofício, incidente sobre o tributo devido e não pago. Art. 44, I da Lei nº 9.430/1996. A norma do art. 146 do CTN complementa a irrevisibilidade por erro de direito regulada pelos arts. 145 e 149. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer a dedução com pensão alimentícia no valor de R$ 108.965,75 e cancelar a infração relativa a multa isolada. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Tânia Mara Paschoalin. O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 22/10/2014. Cientificada do acórdão trinta dias após o encaminhamento, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 27/11/2014, o Recurso Especial em análise. Argumenta que, apesar da r. decisão de 1ª instância ter mantido o lançamento, o v. acórdão ora recorrido o derrubou valendose de prova documental juntada apenas na fase recursal, mesmo não estando presentes as hipóteses do artigo 16, §4º do Decreto 70235/72. Destaca o seguinte trecho da decisão recorrida: Concordo que o Contribuinte não haja apresentado a documentação correta até o recurso, como entendeu a Decisão recorrida. Contudo, juntamente com o recurso, trouxe a cópia integral do processo judicial de separação consensual e, na já citada folha 291, consta que a MM. Juíza “homologou por Fl. 434DF CARF MF Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 9202007.752 CSRFT2 Fl. 433 3 sentença”, em 05 de agosto de 1997, o acordo apresentado e ratificado. Em tal acordo, aliás como expressa o Recorrente, consta que deveria ser paga a importância de R$ 6.500,00 mensais “atualizada pelo índice geral de preços médias da FGV”. (FL. 267/9) A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. Considera que, nesse ponto, o aresto atacado diverge do Acórdão n.º 108 09.510: (...) PAF. PROVAS PRECLUSÃO A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (...). Observa o despacho de admissibilidade que a divergência jurisprudencial é patente, sendo que a matéria é exatamente a mesma (a possibilidade de juntada ou não de documentos na fase recursal, fora as hipóteses previstas no artigo 16, par. 4º, do PAF) e os entendimentos adotados pelo v. acórdão ora recorrido e pelo paradigma são diametralmente diversos, uma vez que aquele admite tal juntada, em face do princípio da busca da verdade real, e o paradigma, não. Notificado o contribuinte apresenta contrarrazões alegando, em síntese a ausência de pressupostos de admissibilidade pois a Fazenda Nacional teria apresentado apenas 1 decisão como paradigma, ausência de similitude fática e se conhecido, pugna pelo improvimento. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo entretanto, resta perquirir o preenchimento dos demais requisitos. De acordo com o constante do a quo: Contra o contribuinte identificado foi lavrado, em 11/06/2007, Auto de Infração, conforme fl. 123 e seguintes, onde se verifica Fl. 435DF CARF MF 4 lançamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 2003, ano calendário de 2002, no valor de R$ 29.965,58 com multa proporcional de 75 % e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Também, foi lançada Multa Isolada, no percentual de 50% da infração constatada, importado em R$ 19.620,38. Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que constatou as seguintes infrações (fl. 5): 1 – Dedução Indevida de Base de Calculo. Pensão Judicial. Glosa de deduções com pensão judicial, pleiteada indevidamente, tendo em vista o contribuinte não ter apresentado ~4 cópia da da sentença judicial que determinou o pagamento de pensão judicial, não obstante ter sido intimado a fazêlo em cinco ocasiões. Os únicos documentos apresentados em relação a este assunto foram a cópia da petição inicial da ação de Separação Consensual(fls.12 a 14) e a cópia da Carta de Sentença da Ação de Separação Consensual(fls. 52). Tais documentos não substituem a Sentença Judicial,(...) Fato Gerador 31/12/2002. ... Constam dos autos os Termos de Intimação (cinco) que foram enviados pela Fiscalização ao contribuinte, com Avisos de Recebimento e respostas. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 147), onde em suma argumenta que: a) Apensa a sua Impugnação cópia reprográfica das correspondências de atendimento ao Termo de Início de Fiscalização e dos Termos de Intimação seguintes, nas quais teve oportunidade de apresentar os recibos de pagamentos mensais da pensão alimentícia e cópia da sentença que determinou seu pagamento; b) Comprovando o valor de pensão alimentícia pago, não teria que recolher qualquer valor a título de carnê leão. Conhecida a manifestação pela DRJ/RJO II, foi assim tratada, em resumo: 1 De acordo com os documentos juntados aos autos, não está correta a assertiva do impugnante de que teria apresentado, ainda durante o procedimento fiscal, a cópia da sentença que determinou o pagamento da pensão alimentícia. O interessado também não trouxe a sentença judicial quando da impugnação. 2 Uma vez que o interessado foi intimado diversas vezes a apresentar a cópia da sentença judicial que determinou o pagamento da pensão alimentícia e não o fez, nem na impugnação, concluise que a glosa deve ser mantida por falta de comprovação da determinação judicial para prestação de alimentos. 3 Não comprovada a dedução de pensão judicial, devem ser mantidos também os valores lançados a título de multa isolada Fl. 436DF CARF MF Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 9202007.752 CSRFT2 Fl. 434 5 pelo não recolhimento de carnêleão sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas. Foi mantido, portanto, o lançamento fiscal. Cientificado dessa decisão em 22 de fevereiro de 2010, conforme AR na folha 198, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/03/2010, protocolo na folha 201. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: 1 – Esclarece como se deu o processo judicial de separação consensual do Recorrente, passo a passo, anexando cópia integral das 17 folhas do mesmo, para concluir que houve homologação judicial da petição inicial, após vista do Ministério Público, fixandose então o valor de R$ 6.500,00 (seis mil e quinhentos reais) mensais. (item 13 do recurso, fl. 211); 2 – Em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 2002, efetuou pedido de parcelamento junto à repartição competente, relativo ao recolhimento do carnê leão, no valor total de R$ 8.228,84 3 – Discorre sobre a improcedência da aplicação da multa, e na eventualidade de assim não se entender, aduz que o valor aplicado fere princípios constitucionais, falando em confisco. Colaciona doutrina e jurisprudência e anexa novos documentos, como a cópia integral do processo de separação judicial, com a homologação do pedido das partes (fl. 291). A principal controvérsia referese à possibilidade de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 108.965,75, glosada da DIRPF/2003 do contribuinte recorrente (cópia da declaração na folha 09). O valor foi integralmente glosado e o motivo expresso foi a não apresentação da determinação judicial ou acordo homologado judicialmente que comprovasse a obrigatoriedade do pagamento. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, em seu artigo 78, traz que na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, reproduzindo a Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II. Considerando que o artigo 73 do RIR/1999 comanda que todas as deduções pleiteadas na DIRPF estão sujeitas à comprovação e justificação, a juízo da autoridade lançadora, é possível identificar que sejam necessários documentos a comprovar o efetivo pagamento da pensão e que este se deu em virtude de determinação judicial ou acordo homologado judicialmente, e não por mera liberalidade do alimentante. Satisfeita a Autoridade Fiscal no que diz respeito à comprovação do efetivo pagamento, resta verificar se esse se deu em face das Fl. 437DF CARF MF 6 normas do direito de família, por acordo homologado judicialmente. Concordo que o Contribuinte não haja apresentado a documentação correta até o recurso, como entendeu a Decisão recorrida. Contudo, juntamente com o recurso, trouxe a cópia integral do processo judicial de separação consensual e, na já citada folha 291, consta que a MM. Juíza “homologou por sentença”, em 05 de agosto de 1997, o acordo apresentado e ratificado. Em tal acordo, aliás como expressa o Recorrente, consta que deveria ser paga a importância de R$ 6.500,00 mensais “atualizada pelo índice geral de preços médias da FGV”. (FL. 267/9) A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário , MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ e MARCELA CHEFFER BIANCHINI, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Fl. 438DF CARF MF Processo nº 18471.000144/200760 Acórdão n.º 9202007.752 CSRFT2 Fl. 435 7 Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) Entendo que seja o caso de se considerar a documentação trazida juntamente com o recurso, de análise direta e que não prejudica a marcha processual. Entendo que seja o caso de se considerar a documentação trazida juntamente com o recurso, de análise direta e que não prejudica a marcha processual. Na folha 31 consta o recibo referente ao mês de janeiro/02, no valor de R$ 8.828,24 e, nas folhas seguintes, o valor de R$ 9.103,41/mensal, referente aos demais meses daquele ano. O somatório, portanto, importa em R$ 108.965,75. No cálculo que fiz com a ferramenta disponível em http://www.calculador.com.br/tabela/indice/IGPM (data de 24 de julho de 2014) utilizando os índices gerais de preços, encontrei valores compatíveis com os recibos, se corrigido o montante de R$ 6.500,00 a partir de agosto de 1997, data da definição da pensão, até janeiro/fevereiro de 2002, data que aqui interessa. O IGPM tem como base metodológica a estrutura do Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), resultando da média ponderada de três índices de preços: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), o Índice de Preços ao Consumidor (IPCM) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCCM). À semelhança do IGPDI, a escolha desses três componentes do IGPM tem origem no fato de refletirem adequadamente a evolução de preços de atividades produtivas passíveis de serem sistematicamente pesquisadas ... (fonte: http://www1.fazenda.gov.br/spe/publicacoes/metodologia/Metod ologia_IGPM_ FGV.pdf , pesquisa em 24/07/2014, 10:26) Assim, entendo pelo cancelamento da infração relativa à glosa de dedução com pensão alimentícia. Verifica que o acórdão nº 10809.510 utilizado pela Fazenda Nacional trata de exigência de IRPJ decorrente da falta de recolhimento apurado pela fiscalização a partir dos livros diários, em situação fática totalmente diferente. Veja que exigência de IRPJ decorrente da falta de recolhimento apurado pela fiscalização, revestemse de natureza diversa da questão colocada, de apresentação de documentos para comprovar o pagamento de pensão alimentícia. Nesse sentido, voto por negar conhecimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática. Patrícia da Silva Fl. 439DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.904458/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 17/07/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 17/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 58 /2 00 8- 52 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.904458/200852 Acórdão n.º 2201004.878 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro de fato, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.904458/200852 Acórdão n.º 2201004.878 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.904458/200852 Acórdão n.º 2201004.878 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720882/2013-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
Numero da decisão: 2002-000.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de pensão judicial, no valor de R$6.075,00.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de pensão judicial, no valor de R$6.075,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente PAULO CEZAR DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de pensão judicial, no valor de R$6.075,00. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 08 82 /2 01 3- 16 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13433.720882/201316 Acórdão n.º 2002000.942 S2C0T2 Fl. 80 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 3/6), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$17.114,62 para saldo de imposto a pagar de R$22.104,85. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$18.146,28. A autuação consigna que o sujeito passivo informou o pagamento de pensão a três beneficiárias, tendo feito prova quanto ao pagamento parcial da rubrica a duas das beneficiárias (fl.4). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 22/7/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 15/8/2013, às fls. 2/20 dos autos, na qual o contribuinte alegou que faria jus a deduzir o valor declarado, indicando a juntada de documentação comprobatória. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 42/47): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O colegiado de primeira instância restabeleceu parcialmente os valores das pensões pagas a duas das beneficiárias, mantendo as glosas dos valores relativos à pensão incidente sobre o 13º salário, bem como do valor informado com Maria Apolinário. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 29/6/2015 (fl. 51), o contribuinte, em 14/7/2015 (fl. 54), apresentou recurso voluntário, às fls. 54/75, no qual indica a juntada de extratos bancários da senhora Maria do Socorro Apolinário, de forma a demonstrar os depósitos efetuados, que teriam como beneficiária Sanzia Apolinário da Silva. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13433.720882/201316 Acórdão n.º 2002000.942 S2C0T2 Fl. 81 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio foi instaurado no tocante à dedução de valores a título de pensão alimentícia informada pelo sujeito passivo em favor de Maria do Socorro Apolinário, no montante de R$6.075,00 (fl.25). A regra é que valores pagos a título de pensão alimentícia judicial podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. A decisão recorrida consigna que o sujeito passivo juntou documentação comprobatória da existência de acordo judicial acertando o pagamento da pensão a Maria do Socorro, mas que os documentos bancários juntados não permitiam verificar quem foram os beneficiários das transferências efetuadas. Segue a decisão: Por fim, no que tange à Sra. Maria do Socorro Apolinário Silva, as cópias dos extratos bancários apresentadas, pelos seus históricos (transferência para poupança), não são capazes de esclarecer quem foi o(a) destinatário(a) dos créditos realizados, razão pela qual se tem como não atestada a efetiva transferência de recursos àquela alimentanda. Mantida a glosa de R$6.075,00, consequentemente. (destaques acrescidos) No tocante à pensão em litígio, o acordo homologado judicialmente encontra se às fls. 28/31, tendo sido acertado o pagamento, a título de pensão judicial, de um salário mínimo mensal. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13433.720882/201316 Acórdão n.º 2002000.942 S2C0T2 Fl. 82 4 Em seu recurso, o recorrente junta seus extratos bancários (fls.65/75), bem como os extratos bancários da mãe da beneficiária da pensão (fls.61/64), que se revelam hábeis a atestar o efetivo pagamento do valor declarado. Dessa forma, é de se cancelar a glosa do valor de R$6.075,00. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13524.000060/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DE MODELO. Após o
prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.745
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DE MODELO. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Recurso Voluntário Negado.
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RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DE MODELO. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1522.127, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 35), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação à notificação de lançamento referente ao processamento da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2003, em razão da não admissibilidade da troca do modelo simplificado para o modelo completo, efetuada através da declaração retificadora às fls. 24/29, apresentada em 02/05/2003. No modelo simplificado à fl. 32/34, o contribuinte informou rendimento tributável de R$2.425,00, pagos pela empresa MF Revendedora de Gás Ltda, CNPJ nº 05.071.707/000102, havendo o lançamento incluído na base de cálculo rendimentos do trabalho assalariado no montante de R$50.630,39 pagos por outras fontes pagadoras, informados na declaração retificadora, e alterado o desconto simplificado de R$485,00 para R$9.400,00, consoante Demonstrativo de Apuração do IRPF à fl. 04. Ao apreciar o litígio, instaurado com a impugnação à fl. 01 – oportunidade em que o autuado solicitou a anulação da declaração original, em modelo simplificado, com a conseqüente validação da retificadora em modelo completo, mesmo que aceita como declaração entregue fora do prazo – o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DE MODELO. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, à fl. 39, o contribuinte reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. A questão que reclama solução reside em saber se é possível a alteração da Declaração de Ajuste Anual apresentada em modelo simplificado para o modelo completo, após o prazo final para entrega da declaração. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13524.000060/200740 Acórdão n.º 210101.745 S2C1T1 Fl. 2 3 A resposta é bem conhecida deste Colegiado, que já se manifestou sobre o tema, tendo por fundamento a legislação tributária que veda expressamente a alteração do modelo de declaração após o encerramento do prazo para a entrega da declaração, conforme dispõe a Instrução Normativa SRF n° 15, de 6 de fevereiro de 2001: Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificacão que tenha por objetivo a troca de modelo. Com efeito, no modelo simplificado da Declaração de Ajuste Anual todas as deduções admitidas pela legislação do imposto de renda são substituídas pelo desconto simplificado, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie, nos termos do artigo 10 da Lei nº 9.250, de 26 de Dezembro de 1995, in verbis: Art. 10. Independentemente do montante dos rendimentos tributáveis na declaração, recebidos no anocalendário, o contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que consistirá em dedução de 20% (vinte por cento) do valor desses rendimentos, limitada a R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais), na Declaração de Ajuste Anual, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie.(Redação dada pela Lei nº 10.451, de 10.5.2002) (grifos acrescidos) § 1º O desconto simplificado a que se refere este artigo substitui todas as deduções admitidas na legislação. (grifos acrescidos) § 2º O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido. A opção pela tributação dos rendimentos da pessoa física na forma simplificada é faculdade colocada à disposição do contribuinte. Após o prazo legal de entrega, não pode o interessado pleitear a mudança de formulário, nem tampouco a autoridade fiscal alterar a forma de tributação (simplificada) escolhida pelo contribuinte. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do artigo 142 do CTN. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato – é o que dispõe o artigo 136 do CTN. O preenchimento da Declaração de Ajuste Anual é de inteira responsabilidade do contribuinte, mesmo que tal tarefa seja confiada a terceiros. Desta forma, verificase que as alterações procedidas pela fiscalização estão em consonância com a legislação tributária, no que tange à manutenção da tributação pelo modelo simplificado, incluindo na base de cálculo os rendimentos omitidos (R$50.630,39) e aumentando respectivamente o desconto simplificado para o valor máximo permitido (R$9.400,00). Ademais, cumpre ressaltar, que das despesas indicadas pelo contribuinte em sua declaração retificadora, no montante de R$27.397,54, somente à dedução com a previdência oficial (R$3.977,78), inferior ao valor total da dedução considerada no lançamento (fl. 04), Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 encontra suporte em elementos de prova nos autos, às fls. 06 e 07. De fato, não foi apresentado qualquer elemento comprobatório em relação às demais despesas dedutíveis incluídas na declaração retificadora. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003382/2003-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 01/07/2003
COMPETÊNCIA. DECLINAR.
Trata de processo que discute a exclusão da empresa do SIMPLES. Conforme estabelece o inciso V do art 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tal matéria é da competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF, razão pela qual devolvo os autos à Secretaria desta Segunda Câmara, para encaminhamento àquela Seção.
Competência declinada em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Numero da decisão: 3202-001.304
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 01/07/2003 COMPETÊNCIA. DECLINAR. Trata de processo que discute a exclusão da empresa do SIMPLES. Conforme estabelece o inciso V do art 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tal matéria é da competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF, razão pela qual devolvo os autos à Secretaria desta Segunda Câmara, para encaminhamento àquela Seção. Competência declinada em favor da Primeira Seção de Julgamento.
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Numero do processo: 15940.720029/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. A cientificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não acarreta nulidade do lançamento, conforme enunciado n.° 25 do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a Administração Tributária, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Numero da decisão: 2202-005.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. A cientificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não acarreta nulidade do lançamento, conforme enunciado n.° 25 do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a Administração Tributária, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento de controle administrativo. Estes instrumentos não podem obstar o exercício da atividade de lançamento conferida ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, que decorrerem exclusivamente de Lei. A cientificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento, conforme enunciado n.° 25 do extinto Conselho de Recursos da Previdência Social, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a Administração Tributária, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 29 /2 01 2- 19 Fl. 414DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 415 2 A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15940.720029/201219, em face do acórdão nº 0255.582, julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 29 de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Compõem o processo 15940.720029/201219 os seguintes autos de infração lavrados por descumprimento de obrigações principais, período de 01/2007 a 12/2008, consolidados em 27/3/2012: AI 37.353.8820, no valor de R$ 181.869,24, referente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). AI 37.353.8847, no valor de R$ 42.727,57, referente à contribuição social destinada a outras entidades – terceiros (salário educação, Incra, Sesi, Senai e Sebrae). Fl. 415DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 416 3 AI 37.373.1035, no valor de R$ 63.258,80, referente à contribuição devida pelos segurados empregados. Conforme relatório fiscal, fls. 30 a 42, a base de cálculo da contribuição social foi aferida com base na Lei 8.212/1991, artigo 33, §§ 3º e 6º, e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigos 233 e 235, por ter o contribuinte apresentado documento com informação diversa da realidade, omitindo informações verdadeiras, não registrando o movimento real de créditos e despesas em relação às obras e aos empregados. Apurou a fiscalização que: A empresa manteve trabalhadores a seu serviço sem registro formal (itens “d” a “f”); na escrituração das despesas deixou de observar os centros de custo por ela estipulados, descumprindo o disposto na IN SRP 03/2005, artigo 419, e IN RFB 971/2009 artigo 328; omitiu lançamentos contábeis de notas fiscais de compra de mercadoria identificados às fls. 32/33; contabilizou notas fiscais em duplicidade (fl. 33); apresentou comprovantes de recebimento de materiais de construção assinados por pessoas “delegadas” pela empresa como responsáveis pelo recebimento e que não estavam registradas no Livro de Registro de Empregados; apresentou comprovantes de recebimento de materiais assinados por pessoa responsável pela empresa e que não estava registrada na data da assinatura, porém, foi registrada alguns dias depois; apresentou comprovante de recebimento de materiais de construção, assinado por pessoa responsável pela empresa, demitida em mês anterior, portanto, sem registro na data da assinatura que consta na nota fiscal. Relata a fiscalização, citando a obra executada para o Centro de Estudos Britânicos de Presidente Prudente e elaborando quadro demonstrativo, fls. 34/35, que as notas fiscais emitidas pelo contribuinte apresentaram percentuais menores de mãodeobra em relação aos serviços prestados do que os previstos na legislação previdenciária. Diante desses fatos concluiu a fiscalização que a contabilidade da empresa não atende aos princípios da continuidade, oportunidade e competência, não tendo sido considerada como elemento de prova a favor do contribuinte. Assim, o valor da mão de obra foi aferido, tendo sido observados os seguintes critérios: Fl. 416DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 417 4 a) o montante da remuneração foi obtido mediante aplicação do percentual de 40% sobre os valores faturados; b) para a apuração da contribuição devida sobre o faturamento foram deduzidos os valores relativos aos trabalhadores empregados nas obras constantes das folhas de pagamento apresentadas e informados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Foram excluídos os valores pagos aos funcionários exercentes de cargos administrativos, por não integrarem o valor do CUB (Custo Unitário Básico); c) foi aproveitada mãodeobra de subempreiteiro declarada em GFIP d) o excedente apurado entre o valor da folha de pagamento e o valor do faturamento foi aproveitado para abatimento do cálculo da aferição nos meses subsequentes. Esclarece também a fiscalização que as retenções sofridas pela empresa nas notas fiscais a título de retenção para a seguridade social de 11% foram aproveitadas para abater o débito da folha de pagamento das obras. Quanto às sobras das retenções informa que não foram aproveitadas na apuração do débito referente à mãode obra aferida, posto que já vêm sendo compensadas sistematicamente durante os anos seguintes com débito de contribuições previdenciárias da administração da empresa. Na aplicação da multa foi observado o disposto no Código Tributário Nacional – CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c”, (demonstrativo às fls. 182/183) para aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte. Em relação às contribuições previdenciárias (AI 37.353.8820 e 37.373.1035) foi aplicado o percentual de 75% nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/1991, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, nas competências 02/2007, 07/2007 a 05/2008, 07/2008 a 11/2008. Nas demais competências, 01/2007, 03/2007 a 06/2007 e 06/2008, foi aplicada a penalidade do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Para a contribuição destinada a terceiros (AI 37.353.8847), a multa é a do inciso II, alínea “a”, do artigo 35 da Lei 8.212/1991 (24%) até 11/2008. A partir da competência 12/2008 a multa aplicada, tanto para as contribuições previdenciárias como para terceiros, é a prevista na Lei 8.212/1991, artigo 35A, c/c Lei 9.430/1996, artigo 44, inciso I, equivalente ao percentual de 75%. A fiscalização anexou ao processo, cópias de notas fiscais assinadas por pessoas não vinculadas ao contribuinte (fls. 60 a 64), notas fiscais de venda de mercadorias destinadas ao autuado (fls. 65 a 98, 111, 112, 120 a 131, 133, 135, 137, 139 a 143, 146 a 152 e 159 a 166), pedidos de compra com recibo do destinatário (fls. 99 a 110, 113 a 119), ordens de serviço (fls. 132, 134, 136, 138), recibos de restaurantes (fls. 144, 145), anotações relativas a fornecimento de equipamentos (calçados) e Fl. 417DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 418 5 vale transporte a funcionários (fls. 153 a 158) e notas fiscais não contabilizadas (fls 167 a 180). O contribuinte teve ciência das autuações em 5/4/2012 (quinta– feira, véspera de feriado), e apresentou impugnação em 8/5/2012, fls. 255 a 269. Alega que o procedimento (aferição indireta) adotado pela fiscalização, configura velada e pesada penalidade para os contribuintes que não declaram ou apuram contabilmente suas contribuições, o que não é o caso da recorrente e assim, inaplicável na forma apresentada. Diz que a aferição indireta não podia ser utilizada no caso em pauta. Entende que se fosse cabível tal procedimento, esse seria por matrícula (obra) e de acordo com as particularidades e natureza de cada uma (utilização de equipamentos e maquinários; materiais usados na empreitada global; mobília e acessórios agregados e a parte civil das empreitadas), o que não ocorreu, impossibilitando assim as condições de amplo direito de defesa do contribuinte. Aduz que pela alta rotatividade de empregados na empresa, não se pode concluir por fatos isolados de apenas dois casos, que mantinha empregado sem registro. Afirma que suas obras eram regularmente fiscalizadas pelo Ministério do Trabalho sem que houvesse a constatação de "pessoas a serviço da construtora sem o devido registro como empregados". Afirma que em nenhuma das ações movidas por exempregados ficou configurada tal hipótese. Anexa os documentos de nº 23 a 37. Alega que as falhas, porventura, ocorridas nos seus controles administrativos não podem ser consideradas como indício de sonegação de registro de mãodeobra. Argumenta que os valores correspondentes ao período de 2006 e parte de 2007 (janeiro a março), foram atingidos pela decadência e devem ser excluídos dos lançamentos. Justifica a variação de percentuais referente a serviços prestados (3,84% a 42,46%) constante de suas notas fiscais, da seguinte forma: 1) as obras possuem características e diversidades múltiplas. Na realização de coberturas e telhados, terraplenagens, calçamentos, instalação de tubulações subterrâneas instalações de equipamentos refrigeradores a mãodeobra empregada é mínima em relação aos equipamentos/ferramental utilizados. Na contratação para "reformas" em escolas municipais são utilizados estruturas e materiais preexistentes, que além de baratear os custos de materiais, reduzem o tempo, a quantidade da mãodeobra e os custos. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 419 6 2) Os percentuais tomam como "base de cálculo" o faturamento (receita) que podem e sempre estão de acordo com o contratado (após licitação). Cita exemplos às fls. 264/265. Explica que o faturamento de obras contratadas por empreitada global é realizado sem discriminação de seus itens (materiais e mão de obra), sendo atribuídos percentuais desta composição (proporção) apenas para o cumprimento das obrigações quanto à retenção e recolhimento da contribuição previdenciária sobre os serviços faturados. Anexa os documentos 38 a 40. 3) se cometeu equívocos, foi porque interpretou e analisou dados parcialmente. Diz que em anexo listou as obras (centros de custos levantados e discriminados no item 8 do relatório fiscal) com as justificativas de seus custos (proporções na composição da mão de obra e materiais aplicados) e o apontamento dos subempreiteiros, dados esses não considerados pela fiscalização na apuração do salário de contribuição. Anexa os documentos 41 a 49. Argumenta, quanto às obras citadas no item 7 do relatório fiscal, que essas foram encerradas e seus lançamentos homologados, razão da impossibilidade de lançamentos (créditos fiscais) nas mesmas, não havendo que se reabrir lançamentos/registros por suposições infundadas. Ressalta que as construtoras em geral praticam preços (em muitos dos casos) divergentes dos levantados pelo Sinduscon, bem como há de se consignar características econômicas próprias da época da contratação, considerando sua sazonalidade, lei da oferta e procura, além de particularidades próprias, pelos quais os dados contábeis resultaram e por vezes resultam nos percentuais inferiores aos fixados pelo Sindicato. Em relação aos motivos que levaram a fiscalização a não considerar a contabilidade como prova a seu favor apresenta os seguintes razões. a) LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DE DESPESAS EM CENTROS DE CUSTOS NÃO DISCRIMINADOS POR OBRA Alega que houve apenas (se é que houve) divergência na classificação contábil e que para garantir seu direito de defesa deveria a fiscalização apontar quais despesas não obedeceram a qual centro de custo, o que não foi feito. Diz que como prova de sua alegação está anexando demonstração dos centros de custos, valores registrados e apuração do resultado (doc. 01 a 12 e 13 a 22) e que também a seu favor, a título de ilustração, identifica em anexo os “centros de custos” do período analisado (2007 e 2008), com descrição das obras (matrículas), valores (faturamento, serviços, salário de contribuição, percentuais do sal. contribuição) e período das mesmas (abril/2006 a dezembro/2009), contradizendo os argumento da fiscalização nos itens 7 e 8 do relatório fiscal. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 420 7 b) OMISSÃO DE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DE NOTAS FISCAIS DE COMPRA DE MERCADORIA. Aduz que não houve omissão de lançamentos e sim lançamento extemporâneo das notas fiscais relacionadas. Esclarece que notas não registradas e correspondentes ao exercício de 2007, foram, espontaneamente regularizadas no ano seguinte e que nove das quatorze notas levantadas (nº 27074, 27079, 27086, 27102, 27108, 27119, 27306, 27376, 27377) referemse a operação de “remessas” (envio de concreto pelo fornecedor) para entrega e faturamento. As outras cinco notas são de aquisição de concreto, contabilizadas extemporaneamente, porém, jamais omitidas, até porque referem a mercadorias/produtos recebidos/faturados no período de abril a julho/2007, no total de R$ 9.101,55, parte ínfima do total movimentado na empresa. c) CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS EM DUPLICIDADE Argui que se trata de erro escusável e sanável e que em nada se relaciona a “omissão e/ou sonegação” de tributos. d) COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, EM OBRAS, RECEBIDOS POR PESSOAS, “DELEGADAS” PELA EMPRESA COMO RESPONSÁVEL PELO SEU RECEBIMENTO, E QUE NÃO SE ENCONTRAVAM REGISTRADAS EM SEU LIVRO DE REGISTRO DE EMPREGADOS. Alega que não se tratavam de empregados da recorrente. Justifica o ocorrido, no fato de que as obras contratadas são, em sua maioria, de entidades públicas, estatais ou paraestatais, sendo o acesso de pessoas a esses locais controlado rigorosamente, além de possuir sistema máximo de segurança, razão pela qual algumas das tarefas (estafetagem e/ou malotes) eram e foram realizadas através de "pessoas delegadas" para este fim. e) COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DE MATERIAIS EM OBRAS SENDO RECEBIDOS POR PESSOA RESPONSÁVEL PELA EMPRESA E, QUE NÃO ESTAVA REGISTRADA NA DATA DA ASSINATURA, MAS QUE FOI REGISTRADA ALGUNS DIAS DEPOIS Alega que se trata do Sr. Gabriel dos Santos Negrão, trabalhador de outra construtora até ser contratado em 1/11/2007, e que nessa época partilhavam do mesmo canteiro de obras. Afirma que as assinaturas encontradas em documentos de recebimento de mercadorias, foram realizadas nas condições justificadas no item anterior ("d"). f) COMPROVANTE DE RECEBIMENTO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO EM SUAS OBRAS, RECEBIDAS POR PESSOA RESPONSÁVEL PELA EMPRESA E QUE JÁ HAVIA SIDO DEMITIDA DA EMPRESA, EM MÊS ANTERIOR, NÃO ESTANDO REGISTRADA NA DATA DA ASSINATURA QUE CONSTA NA NOTA FISCAL Fl. 420DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 421 8 Diz tratarse de Rodrigo Pereira, seu empregado até 19/9/2008, quando foi contratado por outra construtora que prestava serviços no mesmo canteiro de obras. As assinaturas do ex empregado encontradas em documentos de recebimento de mercadorias, a exemplo da nota fiscal 123380 Bozoli Comércio de Tintas Ltda., de 20/11/2008, foi realizada nas mesmas condições justificadas nos itens anteriores ("d" e "e"). Requer o reconhecimento da decadência/prescrição operada nos termos da legislação vigente, para o levantamentos (obras) do período de 2006 e parte de 2007 (janeiro a março), em razão da caducidade do MPF e TIPF de 1/6/2011, nos termos da legislação vigente (Decreto 70.235/72), bem como a revisão e cancelamento dos autos de infrações em questão, por estarem totalmente dissociados dos fatos, conforme impugnação apresentada, bem como por falta de fundamentação legal.” A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado em parte. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 364/382, reiterando, parcialmente as alegações expostas em impugnação. Da chegada dos autos no CARF, entendeu este colegiado por converter o julgamento em diligência conforme Resolução de n.º 2202000.825, de modo que a unidade de origem apresentasse os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências de janeiro, fevereiro e março de 2007. Em cumprimento ao determinado foi juntado às fls. 308/407 os comprovantes das contribuições previdenciárias do período requerido. O contribuinte foi intimado da decisão pela Intimação SACAT/DRF/PPE n.º 388/2018, tendo sido juntado AR datado de 07/11/2018, sendo que o contribuinte não apresentou manifestação sobre os documentos juntados ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por ter sido notificada e recebido o Termo de Encerramento após o término do prazo previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Entendo que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro a inexistência de prejuízo. Sigo a jurisprudência do CARF, que tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação Fl. 421DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 422 9 fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Compartilho do entendimento exarado no acórdão CARF nº 10423228 (sessão de 29/05/2008), no sentido que o MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Assim, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Rejeito a preliminar, portanto. 2. Decadência Em relação à decadência, o contribuinte em impugnação faz referência aos períodos até 03/2007, inclusive. A DRJ acolheu alegação de decadência do período pleiteado em impugnação. Assim, tendo o contribuinte alegado em recurso voluntário tal questão, sem fundamentar tal pedido ou dizer o período, esta alegação não pode ser conhecida. 3. Mérito O crédito constituído e integrante do processo 15940.720029/201219 refere se à contribuição da empresa para a previdência social, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (AI 37.353.8820), dos segurados (AI 37.373.1035) e destinada a terceiros (AI 37.353.8847), incidentes sobre a remuneração de mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, apurada por aferição indireta. O lançamento fiscal teve por base o que determina a Lei 8.212/1991, artigo 33, §§ 3o e 6o, que dispõe: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração Fl. 422DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 423 10 dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A Instrução Normativa MPS/SRP 03/2005, vigente à data dos fatos geradores, dispõe que: Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: [...] III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; [...] § 1º Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 427, 601 e 605, sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; Nesse mesmo sentido a IN RFB 971/2009, vigente à época da lavratura dispõe: Art. 381. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; II quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 5º do art. 47; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse da RFB; Fl. 423DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 424 11 V quando os documentos ou informações de interesse da RFB forem apresentados de forma deficiente. § 1º Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 336, 451 e 455, sobre o valor da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; [...] Art. 336. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços contidos na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. Para fins de regularização da obra, para a pessoa jurídica, a base de cálculo das contribuições devidas será apurada pela remuneração da mão de obra dos segurados envolvidos na construção, devidamente registrada na escrituração contábil e embasada nos documentos que lhe serviram de suporte. Contudo, quando a contabilidade não espelhar a realidade, ou quando houver recusa, sonegação, ou apresentação deficiente de documentos, a regularização de obra de pessoa jurídica é arbitrada por aferição indireta. A escolha do critério a ser adotado na avaliação do custo da construção civil e apuração da remuneração da mãodeobra, por aferição indireta, compete exclusivamente a RFB, por atribuição que lhe é dada pela Lei 8.212/1991, artigo 33, §§ 4º e 6º, como regulamenta a IN RFB 971/2009. Ainda que a escrituração contábil ou outros documentos apresentados pelo sujeito passivo não contenham irregularidade formal, esses podem ser desconsiderados ou reputados não merecedores de fé quando for possível constatar, por qualquer meio de prova na auditoria da obra, que o movimento real da remuneração de todos os segurados não foi registrado. O procedimento da aferição indireta pode ocorrer quando forem constatadas situações fáticas que efetivamente comprovem que a escrituração contábil não reflete a real situação dos negócios do sujeito passivo, ferindo os princípios fundamentais da contabilidade conforme Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, tais como, a não apresentação ou falta de prova regular e formalizada da remuneração da mão de obra utilizada na execução da obra e da aquisição de material. Apurou a fiscalização que o contribuinte não escriturou em sua contabilidade a remuneração real dos segurados empregados em obras de construção civil de sua responsabilidade, deixando de registrar segurado empregado, de declarar e lançar pagamentos a trabalhadores que lhe prestaram serviços, como ele próprio menciona na resposta ao Termo de Intimação Fiscal – TIF 7, fls. 245/246. O contribuinte justificou os pagamentos efetuados às pessoas físicas mencionadas nesse termo, como “pagto feito em confiança (feriado) o beneficiário não regularizou a documentação”. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 425 12 Quanto aos trabalhadores que assinaram notas fiscais pelo recebimento de mercadoria, em nome do contribuinte, quando não eram seus empregados, justifica dizendo que por se tratarem de pessoas idôneas e por serem as obras de empresas públicas com controle rígido de acesso, era comum delegar a empregados de outras construtoras essa tarefa. Estranho, porém, é que, obviamente, nesses canteiros estariam também trabalhando funcionários do autuado e ele não explica porque não delegou a seus próprios trabalhadores tal tarefa. Verificou também a fiscalização que o contribuinte escriturou despesas em centros de custos diversos dos que ele estipulou em relação às obras realizadas, omitiu lançamentos de notas fiscais, registrou notas fiscais em duplicidade, emitiu notas fiscais com aplicação de percentual de mãodeobra inferior ao previsto na legislação previdenciária, em relação aos serviços prestados. Em relação a isso contrapõe o contribuinte, justificando que houve divergência de entendimento da fiscalização quanto a não observação dos centros de custo por obra. No entanto, com bem refere a DRJ de origem, não se trata de interpretação de descrição de contas contábeis, pois, conforme Lei 8.212/1991, artigo 32, inciso II, c/c Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigo 225, § 13, inciso II, a construtora deve escriturar os lançamentos contábeis em centros de custos distintos para cada obra que executar. Ademais, a omissão de escrituração ou escrituração em duplicidade é confirmada pelo contribuinte quando diz que as notas fiscais citadas como omitidas foram escrituradas no ano seguinte ao de suas emissões e que a escrituração em duplicidade se deu por erro sanável. O voto da DRJ de origem foi no sentido de improcedência do lançamento, quanto ao mérito, pelas razões a seguir expostas, cujo entendimento compartilho e adoto como minhas razões de decidir: "Contudo, é sabido que o princípio contábil da competência exige que as receitas, despesas e custos sejam atribuídos aos períodos de acordo com a real ocorrência dos mesmos. O desatendimento ao referido princípio demonstra o descumprimento de formalidades legais exigidas pela legislação. Quanto à emissão de nota fiscal com utilização de percentual de mãodeobra inferior ao previsto em ato normativo da RFB, o contribuinte justifica através do contrato 001/2006, fls. 307 a 309, processos licitatórios, fls. 313, 315 e 317, do quadro denominado “justificativas técnicas de seus custos com mãoe obra”, fls. 310/311, sem, contudo, apresentar qualquer documento que comprove efetivamente o valor dos serviços prestados. Ademais, como já destacado o motivo da aferição foi o fato da contabilidade do contribuinte ser deficiente e não refletir a realidade. A alegação do impugnante de que fiscalizado pelo Ministério do Trabalho e que nas ações trabalhistas impetradas por ex empregados não foi constatada prestação de serviço por segurado não registrado formalmente não tem o condão de Fl. 425DF CARF MF Processo nº 15940.720029/201219 Acórdão n.º 2202005.048 S2C2T2 Fl. 426 13 invalidar lançamento fiscal efetuado por auditor fiscal da RFB. São órgãos públicos distintos com atribuições, legislação e determinações fiscais próprias. O contribuinte apresentou na defesa os seguintes documentos: Demonstração de Resultados (Doc. 1 a 6), Balanço Patrimonial 2007 (Doc. 7 a 12), Balanço Patrimonial 2008 (Doc. 13 a 21); Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – 2008 (Doc. 22), Termo de Registro de Inspeção – Ministério do Trabalho (Doc. 23 a 25), Acompanhamento Processual – Reclamatória Trabalhista (Doc. 26 a 28), Processos Trabalhistas (Doc. 29 a 37), Termo de Contrato de Trabalho/empreitada (Doc. 38 a 40), Justificativas técnicas de seus custos com mãodeobra (Doc. 41 e 42), Certidão Negativa de débitos previdenciários (Doc. 43 e 45), Instrumento de Contrato – Tomada de Preços – Processo Licitatório (Doc. 44, 46, 47 e 48), Demonstrativo de Custo da Construção Civil (Doc. 49), Rais (Doc. 50 e 51). Citados documentos não são suficientes para elidirem lançamento decorrente de omissão ou incorreção de registros contábeis, como no presente caso, que culminou na aferição indireta da remuneração da mãodeobra empregada na construção civil." Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 426DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.005320/2001-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Ano-calendario: .1996, 1997 e 1999
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
O acréscimo patrimonial somente se justifica com prova firme e extreme de duvidas pelos rendimentos tributáveis, ou não sujeitos a tributação ou ajuste anual.
DEPOSITO BANCÁRIO.
A Lei no 9430/96 inverteu o ônus da 'Nova ao contribuinte quando o fisco comprovai a existência de depósitos e aplicações em conta bancaria do correntista.
GANHO DE CAPITAL.
Na apuração do ganho de capital o valor do alienação corresponde ao montante efetivamente recebido na venda de bens
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS..
As contribuições para as entidades de Previdência Privada recolhidas sob a Lei II° 7,713/88, anterior a Lei nº 9,250/95, devem set comprovadas com a época do recolhimento
TAXA SELIC.
A utili7açáo da taxa Selic decorre de expresso disposição legal e não possui reparo.
Recurso voluntario negado.
Numero da decisão: 2101-000.877
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Odmir Fernandes
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ementa_s : Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano-calendario: .1996, 1997 e 1999 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial somente se justifica com prova firme e extreme de duvidas pelos rendimentos tributáveis, ou não sujeitos a tributação ou ajuste anual. DEPOSITO BANCÁRIO. A Lei no 9430/96 inverteu o ônus da 'Nova ao contribuinte quando o fisco comprovai a existência de depósitos e aplicações em conta bancaria do correntista. GANHO DE CAPITAL. Na apuração do ganho de capital o valor do alienação corresponde ao montante efetivamente recebido na venda de bens OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS.. As contribuições para as entidades de Previdência Privada recolhidas sob a Lei II° 7,713/88, anterior a Lei nº 9,250/95, devem set comprovadas com a época do recolhimento TAXA SELIC. A utili7açáo da taxa Selic decorre de expresso disposição legal e não possui reparo. Recurso voluntario negado.
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DEPOSITO BANCÁRIO. A Lei no 9430/96 inverteu o ônus da 'Nova ao contribuinte quando o fisco comprovai a existência de depósitos e aplicações em conta bancaria do correntista. GAMY) DE CAPITAL. Na apuraçáo do ganho de capital o valor do alienacao corresponde ao ruontaute efetivamente recebido na venda de bens OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS .11 JRÍDICAS.. As contribuições para as entidades de Previdência Privada recolhidas sob a Lei II° 7,713/88, anterior a Lei n" 9,250/95, devem set comprovadas corn a ápoca do recolhi metric). TAXA SELIC, A utili7açáo da taxa Selie decorre de expresso disposiçáo legal e nib ° possui. reparo, RecLITSQ voluntatio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Marcos Cindido Acordam os membros do Colegiado, unanirpidade de votos . On rejeitar as preliminares suscitadas e, no -merino, em negar provimento ao recurso, nos ft .:linos do voto do Relator. Participaram do presente julgamerno Os Conselheiros Caro Marcos ( ..andido, Jose Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka ., Gonçalo 13onet Alliige , Odmir Fernandes e Ana Ncyle Oflnpio Holanda, Relatório Trata-se de Recurso Voluntario da decisão da 4a Turma de Julg,amento da DRf de Sao Paulo que manteve a exigência parcial do IRPF do exercício de 1996, 1997 e 1999 decorrente de omissões de rendimentos, acréscimo patrimonial a descoberto e ganhos de capital (fls. 232 a 236), com as seguintes inflações: 1 - ()plissa° de rendimentos do trabalho sem vinculo empregaticio recebido de pessoas jurídicas no ano calendario de 1999; Omissao de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas 110 resgate da Previdência Privada do exercício de 1999; 3 - Acréscimo patrimonial a descoberto no exercício de 1996 e 1999; 4 - Onrissau de ganhos de capital na alienaçao de bens e Wren:0s no exercício de 1996 e 1997; 5 - Omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancarios no exercício de 1999. A dceisdo recorrida cancelou parte da autuaçao relativa ao ganho de capital, mantendo as demais exigências diante da constatayao fiscal e da ausência de iustiticaçao da origem dos rendimentos omitidos. Nas razões dc recurso sustenta, en) preliminar, injustiça nos valores apunklos na venda do imóvel c dos veículos e pela divisao dos bens em razao da separacao da esposa. No mérito, sustenta que possuiu dois números do CPFs ern razão do extravio, depois cancelado pela Receita .1. ,ederal; teve decretada a fluência da empresa, nao obteve os ganhos de capital. Objeto da autuacao porque vendeu os veículos e os imóveis pot preco inferior para saldar divida. Cita di versas decisões do ST.J sobre previdência privada e taxa Sebe É o breve relatório. 2 ii 13801.3 00532017001-00 52 -Cl T I Acorddo ii 2101-0 11877 II 2 Vo to Conselheiro Odmir Fernandes, Relator 0 recurso jrreeirche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido.. Cuida-se da exigência de on de rendimentos, depósitos bancarios ganhos de capital e acréscimo patrimonial a descoberto Parte da exigência sobre o ganho de:capital foi cancelada pela decisão ecorrida, de Col ma que subiste a autuação ern reação a omissões de rendimentos e acréschno patrimonial a descoberto.. Nas razões de recurs° sustenta apenas, em preliminar, injustiça da exigência em razão de o valor dos bens considerados pela fiscalização, ante a sua separação da esposa.. Injustiça não 6 motivo Orr razão para o julgador rever a decisão recorrida ou autua.ca.o. Saber se a lei 6 .justa ou injusta riao 6 tareia do aplicador, mas do legislador.. Aqui, apreciam-se os fatos sujeitos ao tributo com aplicação da lei ao caso concreto apurado pel a fiscalização.. Se os fatos não estão qualificados de forma correta, com erro de valor, preço, etc , cabe ao interessado demonstrar o desacetto da autuação e trazer a informação correta ao j Li gad or.. Se esses fatos reais, sustentado pelo autuado, não aparecem, é a lei que determiaa o arbitramento da base de calculo do tributo. Foi isso que a fiscalização fez, mas não vedou e nem poderia vedar o exereicio do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal ao acusado Na impugnação e nesta fase reeursal o contribuinte não trouxe nenhum argument() consistente ou prova que pudesse a menos abalar ou colocar em duvida a autuação e da decisão recorrida . Observo quer as diligencias, que deram origem a autuação, se estenderam por longo período e O autuado foi notilicado de todas as fases para explicar e esclarecer os fatos Teve, portanto, todas as oportunidades de comprovar ciao existir a omissão de que é acusado e, mesmo assim, na impugnação ou neste recurso, nada demonstrou para se ex imir da exigência. Mesmo ern relação ao resgate de Previdência Privada, o acusado nada comprovou sobre a existência da aplicação, a época dos depostos e a incidência do imposto na fonte da contribuição. Sem essas informaç6es, sob responsabilidade do contribuinte, presunção tiscal é de se tratar de rendimento tributável.. Agiu assim a fiscal ização com inteiro acerto, diante da inércia do aeusado.. 3 O acréscimo patrimonial somente se .justitica coin prova firme e extreme de duvidas com a comprovacao, pelo contribuinte, de se tratar de rendimentos submetidos a tributacao ou dc rendimentos nao sujeitos a tributacao. Nada foi produzido pelo autuado para infirmar a exigência. Corn relayao T omissao de rendimentos decorrente dos depósitos bancarios a fiscalizacao comprovou a existência da movimcntacao na conta do autuado, com isso bouve inversao d(...) Onus da prova ao contribuinte, na forma do art, 42, da. Lei 9430/96. Corn a prova da fisealizaeao cabia ao autuado comprovar a origem do movimento bancario, mas nenhuma prova veio para os autos para procuram desconstituir a exigência.. A taxa Selic nib o .possui reparo e fica mantida, sendo certo que este Conselho nao possui competência para apreciar a ilegalidade ou a inconstitueionalidade de lei. Ante o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurs() para manter a decisao reeOf ida e a uacao. es - Relator 4
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