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Numero do processo: 10880.914882/2009-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado.
Numero da decisão: 2402-006.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta) e Gregório Rechmann Junior, e, também por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior que deu provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, por meio do documentação hábil e idônea, de seu direito creditório reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de conversão do julgamento em diligência, sendo vencidos os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima (autor da proposta) e Gregório Rechmann Junior, e, também por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Gregório Rechmann Junior que deu provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 48 82 /2 00 9- 24 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 201 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, contra o Despacho Decisório Eletrônico nº 849871755 proferido pela DERAT/SP, que não reconheceu o direito creditório do recorrente e, por conseguinte, não homologou as compensações promovidas e controladas nestes autos. O contribuinte transmitiu, em 24.3.09, Declaração de Compensação (DCOMP) com as seguintes características: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO nº data valor CÓD REC pa vencimento dt recolhimento 04444.68173.240309.1.3.043439 24.03.2009 833.793,54 0473 30.04.2004 30.04.2004 30.04.2004 Em 3.12.09, o sujeito passivo apresentou sua Manifestação de Inconformidade sustentando, em suma (11/13), que seu crédito derivaria de um recolhimento a maior de IRRF (IRRF Renda e Proventos de Qualquer Natureza Residentes no Exterior). Como já dito, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 69/71). Em seu Recurso Voluntário de fls 74/91, a recorrente aduz: Que a natureza de "Confissão de Dívida" atribuída à DCTF deve ser relativizada em prestígio à verdade material, notadamente quando se verifica erro em seu preenchimento. Que teria havido erro de fato no preenchimento de sua DCTF. Subsidiariamente, que deve haver a relevação da multa, com base no artigo 4º, incisos I e II do DL 1.042/69. É, em síntese, o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 20.1.11, consoante se denota de fls. 76 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 21.2.11 (fls. 77). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. A fundamentação para a não homologação do crédito foi no sentido de que a integralidade do DARF no valor de R$ 833.793,54 havia sido utilizada no respectivo débito. Já em sua Manifestação de Inconformidade, o sujeito passivo procurou esclarecer o intento em utilizar desse mesmo crédito em compensação anterior, sem, todavia, ter sido objetivo quanto à efetiva existência desse crédito. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 202 3 Explico: começou explicando que havia compensado débito de CIDE de 03/2005 com referido crédito e que, após revisão interna de sua contabilidade, chegouse à conclusão que tal compensação seria desnecessária e, assim sendo, esse crédito estaria disponível para a compensação em questão. Ato contínuo, informou que teria apresentado um Pedido de Restituição relacionado a esse mesmo crédito, sendo que sua não análise pela Administração Tributária fizera com que apresentasse referida DCOMP. Em função dessas razões de defesa, a DRJ centrou sua análise na questão atinente à natureza de instrumento de Confissão de Dívida da DCTF, bem como no fato de não ter sido comprovado o porque teria havido pagamento a maior do IRRF. Confirase: O cerne da questão reside na demonstração da real existência do direito creditório consubstanciado em parte do DARF no valor de R$ 833.793,54. É dizer, sustenta a recorrente que apenas R$ 500.276,12 deveria ter sido apropriado ao respectivo débito, restandolhe, a seu turno, R$ 333.517,42 como crédito, consoante procurou demonstrar por meio de sua DCTF de fls. 43. A DCTF acostada às fls 43/44, por meio da qual se pretende demonstrar a sobra do valor de R$ 333.517,42 na apropriação do DARF, teria sido, supostamente, apresentada em 13.1.09, consoante quis fazer crer a recorrente às fls. 46. Logo, anteriormente ao Despacho Decisório emitido em 23.10.09. Ocorre que a julgar pelo espelho dos débitos na folha de seu recibo, sou levado a concluir que referido protocolo não se refere ao débito de IRRF da monta de R$ 12.381.986,67, no qual teria sido alocado apenas parte daquele DARF de R$ 833.793,54. Vejase: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 203 4 Nesse contexto, penso que à época da emissão do Despacho Decisório, o débito apurado de IRRF 0473 apresentava valor significativamente superior ao que constou naquela DCTF de fls. 42/43, o que se coaduna com os excertos a seguir, extraídos do Recurso voluntário, no sentido de que teria havido uma redução no valor declarado após uma revisão interna. Pois bem. O que pretende a recorrente é que seja promovida a retificação e aceitação de sua DCTF retificadora, com vistas a evidenciar a sobra que pretende utilizar nesta compensação. Não há impedimento na legislação para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 482/2004. 1 Todavia, há de ser demonstrado o erro que dera azo à pretendida retificação. 1 PARECER NORMATIVO COSIT Nº 2, DE 28 DE AGOSTO DE 2015 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 204 5 No caso em tela, a recorrente não é objetiva a demonstrar tal erro de fato, mas tão somente uma memória de cálculo que me faz crer que sobre algumas remessas aos exterior teria recolhido IRRF sob a alíquota de 25%, quando, em verdade, segundo noticia, o correto seria IRRF à alíquota de 15% e CIDE de 10%. Vale destacar que não houve a apresentação de sua escrita fiscal/contábil com a apuração levada a efeito à época dos fatos geradores, tão pouco dos contratos de prestação de serviços que teriam dado azo às remessas ao exterior, bem como o regular recolhimento da correspondente CIDE. Cumpre destacar que o artigo 8 da IN 900/2008, vigente à época da transmissão da DCOMP, assim dispunha acerca das condições para se pleitear a restituição de retenções indevidas: Art. 8º O sujeito passivo que promoveu retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB no pagamento ou crédito a pessoa física ou jurídica, efetuou o recolhimento do valor retido e devolveu ao beneficiário a quantia retida indevidamente ou a maior, poderá pleitear sua restituição na forma do § 1º ou do § 2º do art. 3º, ressalvadas as retenções das contribuições previdenciárias de que trata o art. 18. § 1º A devolução a que se refere o caput deverá ser acompanhada: I do estorno, pela fonte pagadora e pelo beneficiário do pagamento ou crédito, dos lançamentos contábeis relativos à retenção indevida ou a maior; II da retificação, pela fonte pagadora, das declarações já apresentadas à RFB e dos demonstrativos já entregues à pessoa física ou jurídica que sofreu a retenção, nos quais referida retenção tenha sido informada; III da retificação, pelo beneficiário do pagamento ou crédito, das declarações já apresentadas à RFB nas quais a referida retenção tenha sido informada ou utilizada na dedução de tributo. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 205 6 § 2º O sujeito passivo poderá utilizar o crédito correspondente à quantia devolvida na compensação de débitos relativos aos tributos administrados pela RFB na forma do art. 34. Percebase que além de outras exigências, há de se demonstrar que o contribuinte, que retivera valor a maior, devolvera esse excedente ao beneficiário dos rendimentos, caracterizando ter arcado, assim sendo, com o ônus dessa retenção a maior a legitimálo ao pleito de restituição, o que não foi demonstrado nestes autos. Para que se comprove a existência do crédito líquido e certo não basta, necessariamente, que se evidencie matematicamente valor recolhido maior do que aquele declarado em DCTF, máxime nos casos em que tal circunstância passa a se mostrar aparente somente após a retificação da DCTF na qual houvera a redução e/ou o cancelamento do débito anteriormente declarado/confessado. Como já dito, trata o caso de compensação promovida pelo recorrente valendose de direito creditório que alega possuir. Por sua vez, o artigo 170 do CTN é textual ao prescreve que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública." Em outras palavras, o crédito oferecido em compensação precisa ostentar indubitavelmente os prérequisitos de liquidez e certeza, cabendo ao titular desse direito, o ônus de sua comprovação, 2 o que, digase, não foi feito. No que toca à temática da multa aplicada no Despacho Decisório, cumpre destacar que a mesma decorreu de expressa disposição legal (art. 61 da lei 9.430/96 3), de observância obrigatória pelos Conselheiros deste Colegiado. Ademais, a relevação requerida, ao suposto amparo do artigo 4º do DL 1.042/69, foge ao âmbito da competência deste Colegiado, consoante se observa da literalidade do dispositivo invocado. Verbis. Art 4º O Ministro da Fazenda, em despacho fundamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais atendendo: I A êrro ou ignorância escusável do infrator, quanto a matéria de fato; Il A eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. 2 Art 333 do CPC/73 Art 373 do NCPC 3 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.914882/200924 Acórdão n.º 2402006.924 S2C4T2 Fl. 206 7 § 1º A relevação da penalidade pode ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. § 2º O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que êste artigo lhe atribui. Quanto ao pleito de conversão do julgamento em diligência com vistas a realização de fiscalização específica para análise do presente caso concreto, em prol da observância do princípio da verdade material, tenhoo por inoportuno, na medida em que caberia ao recorrente a apresentação, ainda em sua impugnação, de toda a documentação que tendesse a demonstrar indevido o recolhimento de R$ R$ 333.517,42, por supostamente relacionarse a pagamento fundado em erro de fato no preenchimento de sua DCTF. Indefiro o, pois. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso apresentado, INDEFERIR o pleito de diligência e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003389/2002-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1996
MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO
Não deve ser conhecido o recurso, na parte que traz discussões estranhas ao objeto da lide.
CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA
Não deve ser admitida a compensação, uma vez que não foram reconhecidos os créditos correspondentes, em sede de processo administrativo específico, já transitado em julgado.
Numero da decisão: 3301-005.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1996 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso, na parte que traz discussões estranhas ao objeto da lide. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não deve ser admitida a compensação, uma vez que não foram reconhecidos os créditos correspondentes, em sede de processo administrativo específico, já transitado em julgado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 194 1 193 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.003389/200212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.569 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria COFINS Recorrente SIGMA EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1996 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso, na parte que traz discussões estranhas ao objeto da lide. CRÉDITOS NÃO RECONHECIDOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não deve ser admitida a compensação, uma vez que não foram reconhecidos os créditos correspondentes, em sede de processo administrativo específico, já transitado em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 33 89 /2 00 2- 12 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13839.003389/200212 Acórdão n.º 3301005.569 S3C3T1 Fl. 195 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instãncia: "Tratase de Declaração de Compensação, fl.01, datada de 18/10/2002 e atrelada a Pedido de Restituição formalizado no Processo Administrativo Fiscal n° 13839.001036/2002 70. Outras declarações, vinculadas ao mesmo processo, foram apresentadas e encontramse juntadas às fls. 04, 06, 40, 42, 44, 46, 48. Examinado o pedido, a autoridade jurisdicionante emitiu o Despacho Decisório de fls. 63/65, em cujo relatório a autoridade administrativa narra a transferência de débitos compensados em outros processos cujos créditos têm como origem o mesmo Pedido de Restituição. Prossegue o relatório: À fl. 50 foi anexada tela do sistema DecisõesW, com registro do Acórdão DRJ/CPS n° 054003 de 2003, que ratificou o Despacho Decisório da DRF Jundiaí, que indeferiu o pedido de restituição no processo administrativo 13839.001036/200270, que encontrase atualmente na Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, conf tela anexada àfl. 61. Por conta do nãoreconhecimento do direito creditório pleiteado, a autoridade jurisdicionante não homologou as compensações declaradas. Cientificada em 31/07/2007, a interessada apresentou em 22/08/2007, Manifestação de Inconformidade, fls. 69/90, alegando, em síntese, que: a) a autoridade fiscal não homologou tais compensações, alegando que o crédito utilizado decorreria de pedido de restituição já indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, estando o processo ainda pendente de decisão na Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Em que pese o respeitado entendimento do Órgão Fiscal, não merece o mesmo prosperar, uma vez que o pedido de restituição não foi julgado em última instância administrativa, estando pendente de análise de recurso perante a Delegacia de Julgamento. b) Data máxima vênia, a decisão emanada da Seção de Orientação e Análise Tributária — SAORT encontrase em perfeita contramão legal, pois não cabia a este órgão decidir em primeira instância, cujo órgão competente para decidir é desta delegacia especializada em julgamento, conforme prescreve a legislação vigente. Outra estranheza referese ao artigo 126, da Portaria n° 259, de 24.08.2001 — Regime Interno da Secretaria da Receita Federal, a qual jamais concebeu competência à Divisão de Orientação e Análise Tributária de julgar qualquer processo administrativo tributário, muito pelo contrário, o inciso III apenas lhe confere—o dever de manifestase em processos administrativos referentes à restituição, à compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF, executar os procedimentos e controlar os valores a eles relativos; c) as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada foram isentadas da COFINS pelo art. 6° da Lei Complementar n° 70, de 1991. A Lei n° 9.430, de 1996, pretendeu revogar tal isenção, pretensão que não pode prosperar por ofensa ao princípio da hierarquia das leis; d) também o regime de tributação adotado pela sociedade é indiferente para o gozo da isenção, nos termos da Súmula 276 do Superior Tribunal de Justiça; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13839.003389/200212 Acórdão n.º 3301005.569 S3C3T1 Fl. 196 3 e) o prazo para repetição de indébito nos casos dos tributos lançados por homologação, como é o caso da COFINS, é de dez anos. A aplicação retroativa do disposto no art. 30 da Lei Complementar n° 118, de 2005, a pretexto de ter natureza de norma interpretativa, é ilegal e inconstitucional. f) a interposição da Manifestação de Inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos compensados. Ao fim, a interessada requer o deferimento da restituição e a homologação das compensações efetuadas com fundamento no Pedido de Restituição n°13839.001036/200270." Em 08/10/07, a DRJ em Campinas (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0519.629 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARAOFINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1992 a 30/11/1996 ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar 70/1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei 9.430/1996. A norma revogada embora inserida em lei formalmente complementar concedia isenção de tributo federal e, portanto, submetiase à disposição de lei federal ordinária, que outra lei ordinária da União, validamente, poderia revogar, como efetivamente revogou. COMPENSAÇÃO.CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. AUSÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Constatado que os créditos que servem de suporte para as compensações declaradas não foram reconhecidos administrativamente, não se homologam as compensações pela ausência de crédito líquido e certo. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. DCOMP VINCULADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologam as compensações formalizadas em DCOMPs vinculadas a direito creditório já indeferido pela administração tributária, ainda que pendente de decisão definitiva. Compensação não Homologada" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, contendo as seguintes alegações: i) Está suspensa a exigibilidade dos débitos liquidados por meio das compensações em discussão, nos termos do art. 17 da Lei n° 9.430/96 c/c 151 do CTN. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13839.003389/200212 Acórdão n.º 3301005.569 S3C3T1 Fl. 197 4 ii) O Conselho de Contribuintes entende que as sociedades civis são isentas da COFINS. Cita o Acórdão n° 20308206, 20307281, 20373849, 20175051, 20213928, demonstrando que o órgão administrativo não deve furtarse de julgar questões relativas à constitucionalidade e legalidade. iii) O STJ editou a Súmula 276, dispondo que as sociedades civis são isentas da COFINS, o que confirmou o entendimento de que o art. 56 da Lei n° 9.430/96 não podia revogar a isenção prevista no inciso II do art. 6° da LC n° 70/91 (princípio da hierarquia das leis). iv) A opção pela tributação pelo IRPJ com base no lucro presumido não faz com que a sociedade civil perca o direito de gozar da isenção da COFINS. Cita o AgRg no REsp n° 253.984/RS. v) Menciona decisões judiciais que corroboram com os posicionamentos descritos nos itens "ii" ao "iv". vi) O prazo para pleitear restituição de tributos pagos a maior é de dez anos, conforme entendimento pacificado no âmbito do STJ. vii) Tem o direito de compensar os indébitos com outros tributos e contribuições federais, nos termos dos artigos 165 do CTN, 66 da Lei n° 8.383/91e 49 da Lei n° 10.637/02. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de Despacho Decisório (fls. 68 a 70) que não homologou compensações de supostos créditos de COFINS com débitos tributários federais, porque os créditos não foram acatados, em sede do processo administrativo n° 13839.001036/200270. Este processo administrativo já foi concluído e de forma desfavorável ao contribuinte. No recurso voluntário, há argumentos cujos objetivos são os de sustentar estarem suspensas as exigibilidades dos débitos liquidados por meio das compensações em discussão e a legitimidade e o direito à compensação dos supostos pagamentos a maior de COFINS. A única alegação pertinente à presente lide é a que diz respeito ao direito à compensação. Contudo, tornouse inócua, em razão da conclusão desfavorável do citado processo administrativo. Sendo assim, conheço parcialmente do recurso e, em relação à parte conhecida, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13839.003389/200212 Acórdão n.º 3301005.569 S3C3T1 Fl. 198 5 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002359/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL.
A pessoa jurídica sujeita à cobrança não-cumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas - isenção, alíquota zero e não incidência - e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-007.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA TRITÍCOLA REGIONAL SANTO ÂNGELO LTDA EM LIQUIDAÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A pessoa jurídica sujeita à cobrança nãocumulativa do PIS que aufira receitas submetidas a diversas fontes (vinculadas a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e não incidência e exportação), no caso de custos, despesas e encargos vinculados a todas as espécies de receitas, calculará os créditos correspondentes a cada espécie de receita pelo método de apropriação direta ou de rateio proporcional, a seu critério. No método de rateio proporcional, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, considerados todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 59 /2 00 9- 51 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos do PIS oriundos da incidência não cumulativa em operações do mercado interno não tributada (isenção alíquota zero e não incidência). Despacho Decisório do SEORT/DRF/CPS reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado. Intimada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Em resumo, apresentou os seguintes argumentos: · o método de rateio para a apropriação dos créditos está legalmente previsto, enquanto a metodologia híbrida adotada agente fiscal neste processo foi realizada sem embasamento legal. · não tendo resultado base de cálculo tributável, o crédito apurado não pode ser rateado com a receita do mercado interno tributada, devendo, portanto, ser mantido o rateio dos créditos de acordo com a proporcionalidade apurada pela cooperativa. · o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da Cofins. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados; · a cooperativa tem direito ao crédito presumido, eis que: desempenha atividades agroindustriais na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural, insumos utilizados no processo produtivo, em conformidade com o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 7º da IN SRF 660; bem como realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial; · o estoque de abertura é formado pelo custo de aquisição nos bens relacionados no art. 3º daquelas Leis, cuja possibilidade de ressarcimento do crédito apurado é reconhecida pela própria RFB, conforme disciplinado nos arts. 27 e 29 da IN SRF nº 900/2008, razão pela qual a cooperativa requer o ressarcimento integral do crédito presumido sobre o estoque de abertura na proporção das receitas de exportação, suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. · devem ser consideradas as exclusões da base de cálculo referente aos valores repassados aos associados, às vendas Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 4 3 efetuadas a associados, à receita da industrialização da produção do associado e ao custo agregado ao produto agropecuário do associado; · a autoridade fiscal violou o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, não observando os princípios que devem nortear a administração pública; · os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. A DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo mais uma parcela do direito creditório. Intimada do acórdão de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde retomou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas; 2) Das vendas com suspensão do PIS e Cofins Ilegítima restrição ao aproveitamento de créditos; 3) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; 4) Da apuração da base tributável do PIS e Cofins Exclusões permitidas às sociedades cooperativas; e 5) Previsão legal para incidência da Selic O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 29/03/2017, resultando no acórdão nº 3402003.983, que, na parte de interesse ao presente julgamento, tem a seguinte ementa: RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. Intimada para ciência do acórdão a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. O acórdão paradigma nº 330201.184 afirma que somente os custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às receitas do mercado interno podem compor o método do rateio proporcional utilizado para o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3, da Lei nº 10.833/2003. O acórdão a quo, por sua vez, autoriza que custos, despesas e encargos vinculados exclusivamente ao mercado interno componham o cálculo dos créditos previstos no art. 6º, § 3º da mesma lei. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 5 4 O Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade deste recurso, a contribuinte não apresentou contrarrazões no prazo regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.631, de 20/11/2018, proferido no julgamento do processo 11070.002343/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.631): "O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. Restou o litígio apenas em relação ao critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas do mercado interno tributadas e receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência). Interessante salientar que tanto o acórdão recorrido, quanto a decisão da DRJ que manteve o critério de rateio utilizado pela fiscalização se estribaram na mesma legislação e instruções da RFB para a chegar a conclusões opostas. O acórdão a quo afirma que se deveria adotar exclusivamente o método de rateio proporcional, independentemente de haverem custos identificáveis como vinculados tanto às receitas de exportação (por não incidir a Cofins sobre elas) como às do mercado interno. Entendeu que haveria uma distinção pela fiscalização que a lei não autorizaria. A situação discutida no recorrido se vincula às receitas do mercado interno não tributadas (alíquota zero, isenção ou não incidência), que geravam direito a crédito, tendo estas o rateio pelo mesmo tratamento das receitas de exportação. Por outro lado, o acórdão paradigma é expresso em restringir o rateio aos custos comuns, não havendo falar em rateio de custos específicos. Esse tema foi recentemente enfrentado pela Solução de Consulta Cosit n° 293, de 2017, que é expressa em seu item 2.1, restringindo o rateio aos custos comuns, nos seguintes termos: Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 6 5 21. Como já mencionado, a interessada opta pelo método de rateio proporcional para calcular seus créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vinculados à exportação. 21.1. O método de rateio proporcional, na literalidade do inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser aplicado naquelas hipóteses em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados de forma comum a receitas brutas sujeitas a incidência cumulativa e não cumulativa dessas contribuições. 21.2. E sobre o valor daqueles custos, despesas e encargos comuns, a pessoa jurídica sujeita à incidência parcial da não cumulatividade das contribuições em epígrafe, deve aplicar o seguinte percentual para obter os montantes dos créditos de tais contribuições relativos àqueles dispêndios: Receita Bruta Sujeita à Não Cumulatividade Receita Bruta Total (grifos na transcrição) Para exemplificar numericamente a linha de raciocínio aqui traçada, peço vênia para apresentar didaticamente uma situação muito simples, de: receitas de exportação, no mercado internas tributadas e no mercado interno não tributadas, cada uma delas no valor de R$ 1.000,00 e custos totais de R$ 1.400,00, distribuídos conforme tabela abaixo: Custos Valor Vinculados à Exportação 200,00 Vinculados a operações no mercado interno tributadas 800,00 Vinculados a operações no mercado interno não tributadas 200,00 Comuns 200,00 Total 1.400,00 A memória de Cálculo a seguir ilustra a diferença entre o rateio dos custos comuns e do total de custos. Receitas Custos Valor % Valor Rateio ‐ Total Rateio ‐ Custos Comuns Exportação 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Internas tributadas 1.000,00 0,33 800,00 466,67 866,67 Internas não tributadas 1.000,00 0,33 200,00 466,67 266,67 Custos comuns n/a n/a 200,00 n/a n/a Total 3.000,00 1.400,00 Repare que, em se considerando o rateio do total de custos, os custos atribuídos à exportação passariam a ser de R$ 466,00, ou seja, superiores ao somatório dos custos próprios e dos custos comuns (R$ 200,00 + R$ 200,00), que somente alcançariam o valor de R$ 400,00. Em outras palavras, créditos inequivocamente relativos a operações internas tributadas seriam tratados como vinculados à exportação. Penso que esse seja o ponto que remanesce sob questão no aresto ora contestado e entendo que a lógica da apuração da decisão de primeira instância esteja escorreita. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 9303007.641 CSRFT3 Fl. 7 6 Dessarte, deve ser provido o recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 621DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.902365/2009-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. O ônus probatório no pedido de indébito compete ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.598
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. O ônus probatório no pedido de indébito compete ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 23 65 /2 00 9- 61 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 54 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 37/38) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo, apenso ao Processo n.º 13116.002668200982 ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 29/32), proferida em sessão de 09 de junho de 2016, consubstanciada no Acórdão n.º , da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido 23/10/2009 (efl. 05), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 18548.14499.270409.1.3.047080 (efls. 23/27), transmitido em 27/04/2009, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2008 PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo sido trazida na manifestação de inconformidade nenhuma prova documental que dê suporte à alegada ocorrência de pagamento a maior, não há reparos a fazer no despacho decisório recorrido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 02, emitido eletronicamente em 23/10/2009, a autoridade competente não homologou a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP n.º 18548.14499.270409.1.3.047080, transmitido em 27/04/2009, tendo em vista que não foi confirmado o crédito utilizado, no valor original de R$ 23.805,63, atribuído a pagamento a maior relativo ao período de apuração de 30/06/2008, efetuado através de DARF no importe de R$ 49.562,27, recolhido em 15/08/2008, sob o código de receita 2089 (IRPJ Lucro Presumido), cujo valor foi utilizado para extinguir débito confessado em DCTF. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 55 3 Cientificada do despacho denegatório por via postal em 10/11/2009 (fl. 19), a interessada apresentou em 04/12/2009 a manifestação de inconformidade acostada à fl. 01, alegando, em síntese, que efetuou o recolhimento a maior identificado no PER/DCOMP, em razão de ter tomado como base de cálculo de IRPJ/CSLL o valor do faturamento, e não a receita recebida, que é a forma de tributação adotada pela empresa. Como prova de sua afirmação anexa planilha de cálculo, e informa que apresentou DCTF retificadora. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 23.805,63, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2008 2089 R$ 49.562,27 15/08/2008 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 4929709841 R$ 49.562,27 DB: Cód. 2089 PA 30/06/2008 R$ 49.562,27 Valor Total R$ 49.562,27 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/10/2009 Principal: R$ 25.781,50 Multa: R$ 5.156,30 Juros: R$ 1.211,73 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a decisão quanto a parte não reconhecida do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação até referido montante, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Quanto à possibilidade de retificação da DCTF, quando cabível, tal procedimento deveria ter sido adotado, por iniciativa da interessada, antes de ser cientificado o despacho decisório. No caso concreto, o despacho decisório foi cientificado em 10/11/2009 (fl. 19) e a DCTF retificadora transmitida posteriormente, em 01/12/2009. Após a ciência, discordando o sujeito passivo da decisão proferida, não é ocioso lembrar que, de acordo com o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, os parágrafos que regulam o contraditório ao despacho decisório que não homologar a compensação, incluídos pela Lei n.º 10.833, de 2003, determinam que: Art. 74. (...) Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 56 4 § 9.º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7.º apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9.º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Em outras palavras, à manifestação de inconformidade interposta à DRJ, são aplicáveis, mutadis mutandis, as mesmas condicionantes legais estabelecidas pelo precitado Dec. n.º 70.235, de 1972, em relação à impugnação interposta contra a formalização de exigência de crédito tributário, disciplinadas no art. 16 do mencionado diploma, a saber: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso sob enfoque, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF primitiva, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada ao julgador pela interessada, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o que não aconteceu em concreto, pois a simples planilha de cálculo apresentada às fls. 07/08, de lavra da interessada, não é suficiente para dar suporte à afirmação. A partir da redação da peça da reclamante, depreendese que esta alega que apurou e recolheu o valor do débito pelo regime de competência, quando deveria têlo feito adotando o regime de caixa, o que, em princípio, é admitido na sistemática de tributação pelo lucro presumido, desde que observados pelo contribuinte os procedimentos determinados pela Instrução Normativa SRF n.º 247, de 2002, cujo art. 85 tem a seguinte dicção: Art. 85. A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido, que tenha adotado o regime de caixa na forma do disposto no art. 14, deverá: I emitir documento fiscal idôneo, quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; e II indicar, no livro Caixa, em registro individualizado, o documento fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1.º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 57 5 lançamento, será indicado o documento fiscal a que corresponder o recebimento. . § 2.º Os valores recebidos antecipadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3.º Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até 0 seu limite. Neste caso, para comprovar a exatidão dos elementos contidos na planilha de cálculo anexada à manifestação de inconformidade, a interessada deveria carrear para os autos a sua escrituração contábil, ou, pelo menos, o livro Caixa, contendo os registros efetuados em consonância com os ditames da precitada Instrução Normativa, com a respectiva documentação fiscal de suporte. Apenas para esclarecer, do mesmo modo que na constituição do crédito tributário mediante lançamento de oficio, o ônus da prova é da administração tributária, a contrario sensu, no pedido de restituição de indébito, o ônus da prova do crédito pleiteado é do administrado. Ex positis, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade interposta pela interessada. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte reitera os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade e junta documentos (efls. 39/40) relativos as receitas de serviços, sendo o objetivo demonstrar as receitas do período de abril a junho de 2008. Sustenta o contribuinte: O contribuinte apresentou PER/DCOMP referente ao período de ABR/MAI/JUN de 2008 objetivando compensar pagamento efetivado em valor superior ao devido referente ao IRPJ e CSLL, vez que, por engano, se valeu dos valores do faturamento do período e não do recebimento para o cálculo dos tributos devidos, insta salientar que o contribuinte optou pelo regime de caixa para a incidência dos tributos devidos. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho, sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando o juízo de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 58 6 haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 23.805,63. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 28/03/2012, efls. 34/35, protocolo recursal em 27/04/2012, e fl. 37), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 59 7 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, bem como confessando débito próprio, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado, não restando saldo a ser aproveitado. O débito cujo DARF teria dado baixa, estando extinto, estaria lastreado e confessado em DCTF. Pois bem. Para impugnar a decisão de piso e em última análise o despacho decisório denegatório da homologação do PER/DCOMP o contribuinte afirma que retificou as DACON de abril, de maio e de junho de 2008 (efls. 06/08) e a DCTF do primeiro semestre de 2008 (efl. 09), reduzindo o débito, de modo a gerar, inclusive, o crédito. Entretanto, a decisão vergastada é correra ao fundamentar falta de comprovação do motivo da retificação e falta de provas da efetiva demonstração do direito creditório. Deveras, é fato concreto que não consta dos autos elementos probantes capazes de atestarem o direito creditório vindicado de forma líquida e certa, especialmente por falta de instrução diligente do contribuinte, a quem compete o ônus probatório do pedido de indébito. Destaco, por exemplo, que a íntegra das referidas declarações (DACON e DCTF) e os documentos de suporte da escrita contábil e mesmo da fiscal que dariam base a retificação não constam dos autos. O que consta dos autos é apenas o recibo de protocolo das retificadoras. Também, não consta nos autos a DIPJ, tampouco a cópia do livro razão e do livro diário, inclusive com autenticações da Junta Comercial, para conferência das alegações. No recurso o contribuinte reafirma a sua tese inicial de defesa e junta a conta analítica do razão que traz as receitas registradas para o segundo trimestre, isto é, de abril, de maio e de junho de 2008 (efls. 39/40). Nele vêse um valor total de receitas para o trimestre referido na ordem de R$ 7.316.838,15 (valor próximo ao apontado na planilha do efl. 10, cujo somatório indicado é de R$ 7.316.841,15), mas não consta dos autos os efetivos recebimentos destas receitas reconhecidas na escrita contábilfiscal, não consta uma prova contábil, por exemplo, do que efetivamente entrou no disponível, no caixa da empresa, lembrandose que a tese de defesa é ponderar que não teria que recolher a tributação pelo faturamento, mas sim pelo regime de caixa. Não consta dos autos sequer a comprovação de que efetivamente estivesse enquadrada no regime de caixa. Desta forma, não há como comprovar de modo incontroverso, de forma líquida e certa, o direito creditório vindicado. Aliás, as planilhas que foram elaboradas unilateralmente (efls. 10/11) estão sem suporte em documentação contábil e fiscal que lhe respaldem, inclusive há divergência nos números, ainda que aproximados. Por todo este contexto, não vislumbro sequer verossimilhança nas alegações. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13116.902365/200961 Acórdão n.º 1002000.598 S1C0T2 Fl. 60 8 Logo, não há crédito líquido e certo comprovado, então assiste razão ao indeferimento da compensação, eis que não se reconhece o direito creditório, não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Não existe error in procedendo ou erro in iudicando no julgamento de primeira instância, de modo que não se pode falar em reforma do julgado. Importante frisar que o julgamento destes autos se limita ao controle de legalidade do ato administrativo de não homologação da compensação por não reconhecimento nestes autos com as provas que nele se contém do vindicado direito creditório. Por conseguinte, como não ocorreu erro de julgamento, tampouco erro de procedimento, inexiste reforma a ser efetivada no acórdão vergastado. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação por não reconhecer o crédito nestes autos, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de supostos erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos e não comprovado o crédito. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902633/2016-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 30/09/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.908
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 33 /2 01 6- 51 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13851.902633/201651 Acórdão n.º 3402005.908 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.377. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13851.902633/201651 Acórdão n.º 3402005.908 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13851.902633/201651 Acórdão n.º 3402005.908 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16098.000064/2009-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles.
Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
Numero da decisão: 9303-007.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS. AUSENTE COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para manutenção do acórdão recorrido e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. Além disso, igualmente não se pode conhecer do recurso especial quando, com relação ao fundamento atacado, a Recorrente não traz acórdão paradigma apto a comprovar a divergência jurisprudencial em razão da ausência de similitude fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 8. 00 00 64 /2 00 9- 55 Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.490 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VISTEON SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.897 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 08 de dezembro de 2015, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A Turma a quo entendeu por negar provimento ao recurso voluntário da Contribuinte pois, em síntese, não teria ela se desincumbido do ônus de comprovar o seu direito creditório, bem como em razão da impossibilidade de apreciação dos argumentos trazidos pela Recorrente somente na via recursal e cujo litígio não foi instaurado desde a primeira instância. Além disso, no acórdão recorrido, foi consignado ter ocorrido a juntada de documentos pelo Sujeito Passivo em data posterior ao próprio julgamento do recurso voluntário, corroborando a afirmação contida no decisum de não insurgência da Contribuinte, Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.491 3 por meio de manifestação de inconformidade, quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, deixando transcorrer in albis o prazo para a sua defesa. Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados conforme despacho s/n.º, por inexistir quaisquer vícios de omissão, obscuridade ou contradição no julgado. Não resignada, a empresa interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) apreciação de provas trazidas em sede recursal, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72; e (b) aplicação da regra da preclusão, consoante art. 17 do Decreto n.º 70.235/72, com relação à possibilidade de apreciação dos argumentos suscitados apenas em sede de recurso voluntário e cuja controvérsia não foi instaurada em primeira instância administrativa. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 9303001.842 e 910100.514, respectivamente. Inicialmente, foi negado seguimento ao recurso especial, por se entender como não comprovada a divergência jurisprudencial. O despacho foi reformado em sede de exame de agravo interposto pela Contribuinte, que entendeu por dar seguimento ao apelo especial com relação aos dois pontos atacados (efls. 1456 a 1460). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, por ausência de cotejo analítico e de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09). Depreendese da análise do acórdão recorrido ter o mesmo fundamento em dois pontos: (a) não ter a Contribuinte se desincumbido do seu ônus probatório com relação ao crédito pleiteado, bem como (b) ausência de apresentação de defesa com relação ao segundo Termo de Constatação Fiscal no prazo legal estabelecido, o que foi corroborado pela juntada de documentos após o julgamento do recurso voluntário, impossibilitando a sua apreciação. Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.492 4 Para elucidar a assertiva, pertinente a transcrição de trechos do acórdão recorrido, in verbis: [...] No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. [...] Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: ∙ Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 536/2009, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a nãohomologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 273/554. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.961, de 14/06/2010. [...] Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.493 5 Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório de fls. n° 536/2009 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: [...] Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.494 6 [...] Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: [...] Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. [...] A Contribuinte, ao apresentar o seu recurso especial, insurgiuse tão somente quanto ao argumento da análise de provas apresentadas posteriormente à manifestação de inconformidade e à preclusão, não tendo realizado a comprovação da divergência com relação à atribuição do ônus probatório. Assentandose a decisão em mais de um fundamento, sendo eles autônomos entre si para a manutenção do julgado, é necessário que a parte se insurja quanto a todos eles para que tenha prosseguimento o recurso especial. Nesse sentido é a Súmula do STF n.º 283: " É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Além disso, com relação ao tema de insurgência análise de provas juntadas aos autos após a manifestação de inconformidade e preclusão não houve a devida comprovação da divergência jurisprudencial por meio dos paradigmas apresentados, conforme despacho de exame de admissibilidade originalmente exarado neste processo pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, reformado em sede de agravo, tendo se dado a negativa de seguimento ao apelo especial em razão da ausência de comprovação do dissenso interpretativo, com base nos seguintes argumentos, que passam a integrar o presente julgado: [...] 1 – COFINS – PROVA – APRECIAÇÃO DE PROVAS APRESENTADAS EXTEMPORANEAMENTE – ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72 Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.495 7 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/9303001.842. Vejamos sua ementa: [...] Inicialmente importa ressaltar que o recurso especial é remédio para solução de divergências na interpretação da legislação tributária. Não cabe à Instância Especial a reapreciação do conjunto probatório. A recorrente parte da premissa equivocada de que o acórdão recorrido teria rechaçado a possibilidade de apreciar provas apresentadas extemporaneamente. Tal não se deu. Não há decisão, no acórdão recorrido, que negue a apreciação das provas apresentadas a destempo, em tese. A rejeição às provas juntadas extemporaneamente, no presente caso, fundamentase no fato material de terem sido apresentadas, conforme a exposição da relatora, depois da data julgamento do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que o acórdão recorrido teria cometido equívoco, ao considerar a data da apresentação das provas em 15/12/2015, quando, alega, foram apresentadas em 01/12/2015. Alega ainda que tal circunstância foi objeto de sustentação oral, porém não acatada pela Turma (folha 1.177 e 1.178). Tais alegações foram rebatidas, em despacho de admissibilidade de embargos, em outros processos da empresa julgados na mesma sessão pela Turma. Neste presente processo os embargos foram rejeitados porque intempestivos. De qualquer modo, o que resta é que o fundamento do acórdão recorrido, neste aspecto, é a ausência das provas quando do julgamento, portanto, decorre a incomparabilidade com o paradigma apresentado. Assim, sendo diversos os fundamentos dos arestos comparados, não há demonstração de divergência jurisprudencial quanto a esta matéria. 2 – COFINS – MATÉRIA PRECLUSA ART. 17 DO DECRETO Nº 70.235/72 Para comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/910100.514. Vejamos sua ementa, transcrita na parte de interesse ao presente exame: [...] O paradigma expressa a tese de que, no contexto da apreciação do instituto da preclusão, previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese diferenciar a “defesa” dos “fundamentos de defesa”. A primeira não poderia ser inovada, enquanto os segundos, sim. Em outras palavras, a preclusão incidiria sobre as infrações cometidas e não defendidas, isto é, se todas as infrações tiverem sido contestadas em recurso inicial, eventual recurso a instância superior poderia apresentar novas teses jurídicas. Porém, o acórdão recorrido considerou que o contribuinte não apresentou nenhuma defesa nem defesa, nem fundamentos de defesa perante as infrações apontadas no resultado da diligência fiscal, resultado da diligência fiscal que restou convalidado pela DRJ. Com efeito, o acórdão recorrido relata que o contribuinte foi intimado a manifestarse acerca dos resultados da diligência fiscal que calculou o crédito afinal acatado pela instância Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 16098.000064/200955 Acórdão n.º 9303007.810 CSRFT3 Fl. 1.496 8 julgadora a quo e não o tendo feito, não remanesceu qualquer litígio. Confirase trecho (folha 966): [...] Ressalto que fato de o cálculo ter sido feito apenas em sede de diligência fiscal solicitada pela DRJ foi responsabilidade do contribuinte, posto que não apresentou, na fase anterior, os documentos solicitados. Portanto, a responsabilidade para que a oportunidade de defesa sobre as infrações apontadas tenha se dado após a manifestação de inconformidade também é do contribuinte. [...] Portanto, nenhuma das infrações e diferenças de cálculo apontadas na referida diligência fiscal final foi objeto de “defesa” ou “fundamentos de defesa” por parte do contribuinte, na primeira instância administrativa. Desse modo, a distinção vazada pelo paradigma se revela inócua no presente caso, razão pela qual concluise que não foi demonstrada a divergência quanto a esta matéria. [...] Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1496DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.721307/2013-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2011
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbir-se de demonstrar o efetivo recolhimento.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-007.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MALHARIA DIANA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 13 07 /2 01 3- 35 Fl. 1228DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201003.570, proferido na sessão de 05/04/2017, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2012 NULIDADE. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não procedem as argüições de nulidade do lançamento, quando a Autoridade Lançadora procedeu a Auditoria Fiscal, consoante o procedimento previsto na legislação tributária. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Havendo fundamentos judiciais e pagamentos indevidos, as compensações são devidas nas GFIP’s Guias de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social, mas a origem dos pagamentos indevidos devem ser comprovados por documentos hábeis. MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Ausência de comprovação da falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a aplicação da multa isolada; e excluir da responsabilidade pessoal de Romilda Blaese e Marcelo Mauro Blaese. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: multa isolada por compensação indevida. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF, deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional, nos termos do Despacho de efls. 1.212 a 1.219. Em suas razões recursais, a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que a aplicação da penalidade em questão tem amparo no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I da Lei nº. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 13971.721307/201335 Acórdão n.º 9202007.361 CSRFT2 Fl. 3 3 9.430/96; que, da análise desses dispositivos, nos casos de compensação indevida, impõese a aplicação da multa isolada de 150%; que, no caso, o contribuinte compensou créditos que, dada sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza; que a compensação em apreço fundamentouse em declaração falsa; que, uma vez configurada a falsidade, temse configurada a hipótese do § 10 do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991; que tal incidência não exige a comprovação de fraude. A contribuinte foi cientificada do Acórdão de Recuso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 28/07/2017 (efls. 1224) e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Quanto ao mérito, como se depreende do próprio acórdão recorrido, a contribuinte fez compensações de valores alegadamente indevidos de verbas indenizatórias e de direitos creditórios de retenção de Fundo de Participação dos Municípios. O acórdão recorrido considerou indevidas as compensações e manteve as glosas dos valores compensados. Quanto à multa isolada, todavia, o acórdão recorrido considerou indevida a exação sob o fundamento de que o art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 prevê duas possibilidades de penalidades, a multa de mora, limitada a 20%, no caso de ausência de dolo, e a multa isolada, no percentual de 150%, no caso de declaração falsa, caracterizado o dolo, e que, no caso, não se identificou elementos caracterizadores do dolo, conforme o seguinte fragmento do voto condutor do julgado: Verificase que o citado art. 89 carreia dois tratamentos diversos para os casos de compensação indevida, (a) quando não se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa de mora, o qual é limitado ao percentual de 20% pelo art. 61 da Lei 9.430, de 1996, por expressa remissão do art. 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009, e (b) quando se comprove falsidade na declaração, a incidência de multa isolada, no percentual de 150%, face ao disposto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro. Uma vez que ambos os casos tratam de compensação indevida e, não havendo previsão para a aplicação conjunta das duas multas, é evidente que deve existir um critério diferenciador para a aplicação das aludidas multas; a meu juízo, tal critério é a existência, ou não, do dolo de praticar uma declaração falsa. [...] Fl. 1230DF CARF MF 4 No caso concreto, face à análise do conjunto probatório, não me convenci da existência do dolo; as justificativas apresentadas pela recorrente foram por mim rechaçadas, manteve as glosa das compensações mas penso que a compensação indevida em análise mais provavelmente se deve à falta de assessoramento capacitado do que ao dolo de apresentar declaração falsa. Cumpre, portanto, mediante a interpretação do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, a seguir reproduzido, decidir sobre a(s) multa(s) aplicável(eis) no caso de redução do pagamento de contribuições em GFIP mediante compensação indevida. Reza o art. 89, da lei nº 8.212, de 1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. [...] § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 11. Aplicase aos processos de restituição das contribuições de que trata este artigo e de reembolso de saláriofamília e salário maternidade o rito previsto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. § 12. O disposto no § 10 deste artigo não se aplica à compensação efetuada nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se vê, o art. 89, caput, da Lei n° 8.212/1991, prevê que as contribuições somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já o § 9º prevê que sobre o valor da compensação indevida deve incidir os acréscimos moratórios previstos no art. 35 da mesma lei, e que tem a seguinte redação: Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 13971.721307/201335 Acórdão n.º 9202007.361 CSRFT2 Fl. 4 5 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Já o § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 prevê a incidência da multa prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430, aplicada em dobro, no caso de declaração falsa. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Pois bem, antes de examinar o caso concreto, convém analisar a possibilidade jurídica da incidência cumulativa das multas previstas no § 9º, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 e no § 10 da Lei nº 8.212, de 1991 c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.320, de 1.996. Da leitura dos §§ 9º e 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, constatase facilmente que o primeiro cuida de acréscimos legais pela mora em relação às contribuições que deixaram de ser pagas tempestivamente em decorrência da compensação indevida. Tais acréscimos seriam os mesmos devidos em qualquer circunstância em que houvesse pagamento de tributo com atraso. Já o § 10º referese a uma multa punitiva em razão da prática de apresentar declaração falsa. São duas penalidades distintas para duas infrações distintas: multa Fl. 1232DF CARF MF 6 de mora pelo pagamento do tributo a destempo e multa punitiva pela apresentação de declaração falsa. Notese que essa situação não se compara à da aplicação da multa moratória em razão do pagamento espontâneo fora do prazo versus a multa de ofício no caso de lançamento de ofício. Tratase aqui de lançamento de ofício, mas não do tributo que deixou de ser pago, posto que este já fora declarado, mas das penalidades. Fique claro também que não se trata no caso de aplicação da penalidade prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. O § 10, do art. 89, da Lei 8.212, de 1991 referese a esse dispositivo apenas para determinar o percentual da multa aplicável, vale dizer, apenas diz que a multa deverá ser aplicada no percentual ali mencionado. Poderia, inclusive, apenas ter se referido ao percentual de 75%, sem referirse à Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, diferentemente do que concluiu o acórdão recorrido, não é o caso de aplicação de uma ou de outra penalidade, da multa de mora ou da multa isolada, mas de, verificadose que, além da falta de pagamento da contribuição no prazo em razão de compensação indevida situação que enseja a incidência da multa e dos juros de mora – houve a prática de apresentação de declaração falsa, exigir, em razão desta conduta, também da multa isolada. Superada essa questão cumpre, então, verificar o cabimento, no caso, da multa prevista no § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991. O relatório Fiscal (fls. 18 a 22) assim justifica as glosas das compensações: 3. Da análise da documentação solicitada, verificouse que o contribuinte apresenta divergências entre os valores das remunerações declaradas em GFIP e os constantes das Folhas de Pagamento (competências 10/2010, 12/2010 e 13/2010). 4. Verificouse também que o contribuinte efetuou INDEVIDAMENTE compensação de contribuições previdenciárias, informando em GFIP valores os quais o mesmo não tem o direito previsto em lei, tampouco obteve autorização judicial para tal, uma vez que não houve propositura de ação judicial com este objetivo. 5. Intimado a prestar esclarecimentos quanto às compensações efetuadas, o contribuinte apresentou o Ofício nº 2127/2010, o qual é o mesmo documento apresentado em 25/11/2010 em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 06/2010 (ambos em anexo), no qual esclarece que o fez com base, simplesmente, em decisões judiciais que favorecem terceiros interessados, as quais definiam a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos a título de 1/3 constitucional de férias e sobre horas extras. 6. Verificase que as decisões referentes ao 1/3 de férias não são para o Regime Geral de Previdência Social. 7. Registrese que não consta nas Folhas de Pagamento da Prefeitura pagamento na rubrica Horas Extras. 8. Observese que a legislação em vigor reza que incide contribuição previdenciária tanto sobre 1/3 de férias quanto sobre as horas extras. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 13971.721307/201335 Acórdão n.º 9202007.361 CSRFT2 Fl. 5 7 9. Portanto, por falta total de respaldo legal e/ou judicial, a compensação efetivada é, incontestavelmente, indevida, sendo a mesma GLOSADA integralmente. 10. Tais fatos acima descritos caracterizam a falsidade nas declarações apresentadas por meio das GFIPs. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos, trazia as seguintes orientações sobre a compensação: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: a) seja de terceiros; b) se refira a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) se refira a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade, nem tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; [...] XI o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; Fl. 1234DF CARF MF 8 Como se vê, a Instrução Normativa vedava expressamente a compensação de créditos que não fossem passíveis de restituição ou de ressarcimento, e, no caso, os créditos pleiteados não eram passíveis de restituição ou ressarcimento. Isso não significa que o contribuinte não poderia pleitear a restituição desses créditos. O que não poderia era, sem ter pleiteado a restituição e sem ter o direito reconhecido, lançar mão dos valores para reduzir o valor das contribuições a pagar. Assim, ao pleitear a compensação desses créditos, que, repitase, a Contribuinte sabia indevidas, incorreu sim em prestação de declaração falsa. Declaração falsa é aquela que, conscientemente, não corresponde à verdade. É diferente do erro, do mero engano, em que o agente insere informação inverídica, porém, pensando estar inserindo informação verdadeira. Informar em declaração entregue ao Fisco que detém um crédito passivo de restituição ou ressarcimento quando não tem o reconhecimento de que esse crédito é passível de restituição, configura efetivamente falsidade da declaração. E não cabe, em sede de simples pedido de compensação, analisar o mérito quanto a eventuais questionamentos sobre a incidência dos tributos anteriormente pagos com os quais se pretende subtrair valores a pagar. No pedido de compensação devem ser informados créditos restituíveis, portanto, com direito creditório reconhecido. Se o contribuinte entendia indevidos certos pagamentos, poderia pleitear a restituição mediante procedimento próprio. Nesse ponto é importante distinguir a condição de prestar declaração falsa, prevista no § 10 , do art. 89, da lei nº 8.212, de 1991 da exigência de demonstração do evidente intuito de fraude, prevista no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. Conforme referido acima, a Lei nº 8.212, de 1991 reportase ao inciso I, do art. 44 da lei nº 9.430, de 1996 apenas para indicar o percentual da multa, logo, também não atrai a aplicação do § 1º do mesmo artigo. Aliás, quisesse o legislador que a multa fosse devida apenas nos casos de evidente intuito de fraude, teria dito isso, ou apenas invocado o § 1º do artigo 44, como vez em relação ao inciso I do mesmo artigo. Portanto, não se cogita aqui de demonstração de evidente intuito de fraude, mas apenas de falsidade de declaração, conforme referido linhas acima. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso e, no mérito, doulhe provimento, para restabelecer a multa isolada. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 13971.721307/201335 Acórdão n.º 9202007.361 CSRFT2 Fl. 6 9 Fl. 1236DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.720025/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE PARCIAL.
A ausência de apreciação, pela autoridade julgadora de primeira instância, de Impugnação apresentada pelo responsável solidário configura cerceamento do direito de defesa e implica a nulidade da decisão proferida.
Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre as matérias não apreciadas.
Numero da decisão: 1302-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar sobre a Impugnação apresentada pelo responsável solidário Eustáquio Soares Maia, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE PARCIAL. A ausência de apreciação, pela autoridade julgadora de primeira instância, de Impugnação apresentada pelo responsável solidário configura cerceamento do direito de defesa e implica a nulidade da decisão proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre as matérias não apreciadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar sobre a Impugnação apresentada pelo responsável solidário Eustáquio Soares Maia, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 72 00 25 /2 01 4- 63 Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.492 2 Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício em relação ao Acórdão nº 03 69.586, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 3.213 a 3.242), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Os cheques liquidados por compensação bancária, por não constituírem ingresso efetivo de recursos, somente podem ser registrados a débito da conta caixa se esta conta, na mesma data ou em dia próximo, registrar as saídas a que se destinaram os cheques emitidos. A emissão de cheques lançados a débito da conta caixa, ainda que destinados a pagamento de encargos da empresa, mas não lançados a crédito desta, configura a hipótese de omissão de receitas, precisamente porque tais pagamentos foram feitos com recursos ficticiamente acrescidos ao caixa. Não comprovadas as saídas, o caixa deve ser reconstituído e ajustado, tributandose, como omissão de receita, os eventuais saldos credores. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO DE SÓCIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A não comprovação da origem e da efetividade dos recursos de caixa fornecidos à empresa pelo sócio, caracterizase como omissão de receita, não bastando para ilidir a presunção fiscal a capacidade financeira do supridor. Os suprimentos de caixa efetuados pelo sócio da empresa devem ser comprovados com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, de forma tal que comprovem a transferência dos numerários das contas dos sócios para as contas das empresas. À falta destes documentos é lícito ao fisco tributar referidos ingressos como receitas omitidas. PASSIVO FICTÍCIO. OMISSÃO DE RECEITAS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A manutenção no passivo de obrigações já pagas caracterizase como omissão no registro de receita, presumindose que o pagamento foi feito com recursos à margem da escrituração contábil, cabendo ao contribuinte comprovar a improcedência do mecanismo presuntivo, mediante apresentação de documentação idônea e hábil. Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.493 3 OMISSÃO DE RECEITAS. FORMA DE APURAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. O arbitramento somente será cabível se a escrituração da interessada apresentar vícios e deficiências que impliquem na imprestabilidade da escrituração para as necessárias apurações QUALIFICAÇÃO DA MULTA. DOLO. A simples apuração de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Para a qualificação da multa é necessário que o procedimento do contribuinte ultrapasse a conduta objetiva descrita no tipo tributário e caracterize o dolo, situação demonstrada em relação à omissão de receita capitulada como suprimento de caixa. No caso dos autos, a “negociata” perpetrada entre a Impugnante e a SCP (constituída artificialmente) criou instrumentos utilizados para encobrir o negócio efetivamente realizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido o decidido em relação ao IRPJ lançado a partir da mesma matéria fática. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO E PRORROGAÇÕES. CIÊNCIA. Nos termos do ato administrativo que rege a matéria, a notificação do MPF e suas alterações considerase feita com a disponibilização desses instrumentos na internet, na página da RFB. ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MENOR. MULTA ISOLADA. Em função das infrações apuradas, a autoridade fiscal, considerando a opção do contribuinte pela apuração do lucro real anual, deve proceder à recomposição dos balancetes mensais de suspensão/redução elaborados pela empresa fiscalizada, para fins de apuração dos valores que seriam devidos a título de diferenças de estimativas mensais de IRPJ, que resultarão nas bases de cálculo das multas isoladas, devidas com fundamento no art. 44, inciso II, letra “b”, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.494 4 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA VINCULADA. No que se refere ao Auto de Infração não cabe avaliação quanto à conveniência e à oportunidade da prática do ato, pois, identificado o ilícito, é obrigatória a autuação, que deve seguir os estritos limites das normas que disciplinam as etapas do procedimento fiscal." A decisão recorrida, assim, resumiu os autos: "Tratase de autos de infração (fls. 03/68) lavrados contra a pessoa jurídica DHF PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, referentes ao ano de 2010, para a exigência de IRPJ, CSLL, Cofins, contribuição para o PIS e multa isolada, no valor total de R$ 19.374.406,58 (dezenove milhões trezentos e setenta e quatro mil quatrocentos e seis reais e cinquenta e oito centavos), em razão de a Fiscalização ter apurado omissão de receitas. Nos referidos lançamentos, a autoridade fiscal imputou à contribuinte a prática de omissão de receitas, por presunção legal, em razão de a sua escrituração ter evidenciado: (1) saldo credor de caixa; (2) manutenção, no passivo, de obrigação já paga e/ou não comprovada (passivo fictício); e pela não comprovação da origem e da efetividade da entrega do numerário (suprimento de caixa). A auditoria fiscal resultou também no lançamento de multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 70/134 e anexos) foram efetuados 4 infrações, a saber: 1. Suprimento de Numerário: Ausência de comprovação, quer da origem dos recursos utilizados na transferência de valores financeiros do sócio quotista, Sr. Eustáquio Soares Maia, para o Caixa da empresa fiscalizada, quer da efetividade da entrega desses valores à empresa; 2. Saldo Credor de Caixa: Da análise da conta caixa constatou se a existência de saldo credor de caixa, para o qual, mesmo intimada, a fiscalizada não logrou êxito em justificar o porque de tais saldos; 3. Passivo Fictício: Identificouse omissão de receita ao confrontarse as informações prestadas pela fiscalizada (razão conta fornecedor Cossisa, livro registro de entrada fls. 06/07) com as informações prestadas pelo fornecedor Cossisa (NF, comprovante de pagamento e etc). Algumas Notas Fiscais permaneciam em aberto em 31/12/2010, mesmo tendo sido liquidadas anteriormente conforme informação prestada pelo fornecedor; e; Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.495 5 4. Multa Isolada – Falta de Recolhimento da Estimativa: Tendo em vista a existência de receitas omitidas verificouse a ausência de recolhimentos de estimativas nos meses 01, 03 e 09. Informa a fiscalização que foram deduzidos os valores já declarados pela fiscalizada em DCTF a título de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. No caso do PIS e da Cofins foi aproveitado o crédito remanescente de dezembro de 2009, bem como os valores de crédito apurados pelo contribuinte no decorrer do ano de 2010 e após aproveitamento dos aludidos créditos não restou valor de PIS e Cofins a ser lançado. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Para a fiscalização os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal evidenciam a prática, por parte do mandatário da empresa fiscalizada, de crime contra a ordem tributária, previsto nos artigos 1º, incisos I, II e III e 2º, inciso I da Lei no 8.137 de 27 de dezembro de 1990, pela prestação de informações falsas à autoridade fazendária e por fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos e omitindo operações em documento e livro exigido pela lei fiscal, saldo credor de caixa, passivo fictício, criação fictícia de Sociedade em Conta de Participação, suprimento de numerário pelo sócio, manipulação de valores e datas dos registros contábeis revelando a total desorganização bem como a falta de credibilidade da contabilidade apresentada, tais fatos que caracterizam, também, a sonegação e a fraude, previstos nos artigos 71 e 72 da Lei no. 4.502 de 30 de novembro de 1964, razão porque se qualificou a multa de ofício lançada (150%), conforme artigo 44, da Lei nº. 9.430/96 e artigo 957 do RIR/99. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A fiscalização imputou a responsabilidade ao Eustáquio Soares Maia, CPF 134.376.74668,CI M624.955, sócio administrador e quotista majoritário, conforme prevista no art. 124 do CTN, inciso I, bem como pela aplicação do art. 135, III, do mesmo CTN. Reitera o entendimento de que houve a prática de fraude, configurandose, inclusive, a ativa participação do sócio nos fatos que deram origem ao surgimento dos fatos geradores que redundaram na constituição do crédito tributário. Sendo o objetivo maior das operações relatadas a sonegação de tributos. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA Cientificado das exigências, conforme assinatura oposta às fl. 241, em 28/11/2014, a empresa autuada apresentou, em 30/12/2014, a petição impugnativa, acostada às fls. 3120/3205, contrapondose ao procedimento fiscal com os seguintes argumentos. Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.496 6 DAS PRELIMINARES DAS NULIDADES a) Falta de confecção de Mandado de Procedimento Fiscal A empresa alega que não identificou a presença do MPF ao longo de todo o PTA; e, sendo o mesmo requisito indispensável para o inicio da fiscalização, sua ausência leva à nulidade absoluta do feito fiscal. b) Prazo para conclusão dos trabalhos – dilação Neste ponto aduz a empresa que os prazos precisam ser observados, assim, a fiscalização deve ser finalizada no prazo de 60 dias, que poderá ser renovado por igual período, desde que haja ato administrativo justificante, isto é, vinculado e motivado, de modo a trazer as razões que amparam a necessidade de sua prorrogação, que, no caso em tela, inexiste. Assim, a fiscalização teria perdurado injustificadamente por período superior ao previsto em lei, sem que houvesse plausibilidade para tanto. Não houve apresentação de nenhum ato formal, de acordo com os documentos digitais disponibilizados pela fiscalização, salientando a necessidade de dilação de prazo e, muito menos, justificativa motivada para tanto. c) Falta de motivação Aduz a empresa que a fiscalização entendeu por bem concluir que houve omissão de receita, nos termos dos arts. 281 e ss. do RIR/99, e, por conseguinte, efetuou o lançamento tributário sob a sistemática do lucro real, contudo a fiscalização equivocouse ao concluir o lançamento tributário que neste caso deveria ser o lançamento por arbitramento. Ou seja, se a fiscalização sustenta que a contabilidade é (i) desorganizada, (ii) faltalhe credibilidade contábil, (iii) há divergências de informações etc, o art. 47 da Lei nº 8.981/95 é imperativo asseverando que “o lucro da pessoa jurídica será arbitrado”. Logo, em sendo assim, considerando que a fiscalização não fez a correta adequação da situação fática ao dispositivo normativo compatível, não se pode olvidar que existe vício de motivação do ato administrativo, razão pela qual o Auto de Infração deverá ser anulado. Outro ponto defendido pela empresa reside no fato de que caso o fiscal entenda que houve omissão de receita, deverá, por mandamento legal expresso, proceder ao arbitramento na forma e modo consubstanciado no art. 284 do RIR. Assim, entende a Impugnante que, no caso de estar presente o instituto da omissão de receita no lucro real, conforme arts. 281 e ss. do RIR/99, o cálculo/base de cálculo a ser aferida será de duas, uma: (i) nos termos do art. 284 do RIR ou (ii) de acordo com art. 532 do RIR. Segundo a Impugnante ausente a caracterização e comprovação da ocorrência do fato gerador demonstradas pela autoridade administrativa, seria nulo o lançamento tributário. Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.497 7 No caso em tela, o Fisco não teria observado a estrita legalidade para formatação do ato administrativo e/ou composição da base de cálculo dos tributos (IRPJ e CSLL), tendo em vista que o lançamento não se deu por arbitramento e/ou o critério para aferir suposta omissão de receita não possui correspondente sustentáculo legal. Portanto, restaria evidente a violação ao art. 142 do CTN, posto que, no processo tributarioadministrativo, o ônus da prova é exclusivamente do Fisco quando do exercício da fiscalização. Ademais, segundo a empresa, o entendimento adotado pelo fiscal é totalmente contrário à “Teoria dos Motivos Determinantes”. Assim, o lançamento tributário ora combatido está vinculado, tão somente, a ilações e presunções, sem qualquer outra comprovação e em contradição com todas as provas carreadas nos autos que demonstram a inocorrência do suposto fato gerador tributário, sendo certo a fiscalização tem o dever de proceder a uma efetiva investigação fiscal e observar a legalidade estrita, para a apuração e comprovação dos fatos tributáveis a ensejar a sua intervenção. Ao final, pugna pela decretação da nulidade do AI indevidamente lavrado pelo Fisco, em razão de seu patente vício/falta de motivação. d) Falta de fundamentação legal para o lançamento da multa isolada Segundo a defendente, nos termos do relatório fiscal, os pontos que fundaram a autuação tiveram indicação dos correspondentes dispositivos legais, com exceção da multa isolada (falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL), violando o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN, ensejando a sua nulidade. DO MÉRITO a) Da Existência de fato e de direito da Sociedade de Conta de Participação O primeiro argumento da fiscalização cai por terra, pois, inexiste impedimento legal para que a SCP seja formada entre a DHF e Eustáquio Maia, ainda que a primeira tenha como sócios o próprio Eustáquio Maia e a empresa RPL (que tem Eustáquio Maia como sócio também). Tendo em vista que a DHF estava em situação financeira complicada no ano de 2010 e precisava de recursos, os quais teriam sido supridos via SCP. A Impugnante imagina que seja de prévio conhecimento da RFB de que o Sr. Eustáquio tinha patrimônio suficiente para fazer o referido investimento. Para tanto, basta fazer simples análise comparativa da DIRPF 09/10 (doc. 05) para DIRPF 10/11 (doc. 06), que inclusive já sofreu homologação, ainda que tácita. Considerando a variação patrimonial entre 2008 a 2010, é inconteste que, de acordo com as operações praticadas no Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.498 8 período, resta evidenciado que Eustáquio Maia teve disponível, até 31/12/2010, a importância de R$ 4.518.712.43 gado, valores em espécie, retornos de SCPs, Empréstimo. Isso sem levar em conta a riqueza nova (rendimentos tributáveis) nos anos de 2009 e 2010, respectivamente, R$ 114.747.04 e R$ 1.062.678.17. Houve aplicação de recursos em bens e direitos no total de R$ 3.845.228,10, sendo certo que R$ 3.200.000,00 foram destinados à SCP DHF. Assim, não pode a fiscalização alegar a falta de demonstração patrimonial do sócio oculto da SCP a partir tão somente das operações de compra e venda de gado em 2009. É importante visualizar a questão narrada num contexto macro, isto é, além dos documentos inerentes às operações de gado apresentados durante o procedimento, verificar as demais informações inerentes à formação de patrimônio entre 2008 e 2010, sendo certo que tal informação já era e sempre foi de conhecimento do fisco. Ademais, é totalmente desarrazoado alegar que os documentos de 2009 não servem de indício ou prova de parte da operação sob o fundamento de que a SCP foi formatada em 2010. Isso porque, em nenhum momento, a Impugnante ou o sócio Eustáquio Maia assinalou que vendeu gado para inserir numa SCP a ser criada. O propósito não era vender gado para investir na DHF; o propósito era investir na DHF, tendo em vista a necessidade evidenciada. Enfim, a venda de gado um ano antes é demonstrativo de parte da riqueza PREexistente que subsidiou a concretização de tal possibilidade. A tese sustentada pela abre margem para alto grau de subjetivismo, que não tem espaço na legalidade tributária. É claro e evidente que o objeto societário pretendido era de investir recursos na DHF. Como toda e qualquer operação da espécie, a vantagem deve ser para os dois lados. Em sendo assim, a DHF, com a percepção de recursos, poderia dar continuidade às suas atividades; a SCP, por outro lado, receberia os valores investidos/repassados com juros de 1%, o que evidentemente É um ótimo negócio, considerando a situação atual de mercado financeiro. Com ênfase, registrese que a legislação societária restou totalmente omissa quanto ao objeto que deve ter uma SCP, o que, por conseguinte, abre espaço para que toda e qualquer finalidade seja adotada, desde que legal. Houve o ingresso de recursos não tributáveis no ano de 2010 na DHF a partir da SPC, que foi devidamente registrado Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.499 9 contabilmente. Além disso, o lastro do recurso foi devidamente provado acima. As duas parcelas de recurso foram aplicadas em 26/09/2010 e 27/12/2010, sendo certo que, até mesmo por estar próximo ao término do ano fiscal, o retorno de recursos com os juros previstos não ocorreu no período fiscalizado (2010), mas tão somente nos anos subsequentes (2012 e 2013). Logo, não há que se falar em cálculo e demonstrativo segregados da SCP e DHF, pelo simples fato de não se ter nada a ser contabilizado e aferição de resultado. Em adição, nos termos visualizados pela própria Receita Federal do Brasil, o retorno parcial da quantia aplicada via SCP somente ocorreu nos anos posteriores, tendo em vista a grande dificuldade financeira vivenciada pela Autuada. b) Do fechamento de contas na conta caixa e inexistência de passivo fictício Neste ponto a empresa entende perfeitamente o que a fiscalização desejaria que fosse escriturado. Contudo, tal procedimento aumentaria sobremaneira a complexidade da operacionalização contábil, sendo certo que a mera inserção de informações na conta caixa seria suficiente para dar lastro completo às operações praticadas. Ou seja, em vez de abrir contas e subcontas contábeis, tornase suficiente, para alcançar a verdade material, ter ampla visualização da conta caixa. Assim, uma vez tendo saída de recursos na conta banco (C/Conta Banco), a sua contrapartida é vista na conta caixa (D/Conta Caixa). E, passo seguinte existe um novo lançamento quando do pagamento de despesas gerais e fornecedores (C/Conta Caixa). Eventual devolução de cheques era registrada como débito na conta caixa em vez de ser lançado como débito na conta banco, demonstrando o real interesse de os lançamentos contábeis serem efetivados quase que exclusivamente na conta caixa, o que, digase de passagem, também demonstra a realidade e verdade, inexistindo qualquer prejuízo ao fisco. Por seu turno, os cheques emitidos não estão vinculados necessariamente ao pagamento de despesas individualizadas. Pelo contrário, em muitas das vezes, um cheque emitido pode ser utilizado para honrar várias obrigações do período. Propõese que, em vez de análise individualizada, fosse adotada análise em grupos de períodos. Por essa razão, o ideal seria uma visualização restritiva da conta caixa, posto que a partir dela poderá se identificar: (i) a entrada de recursos oriundos da conta banco, (ii) pagamentos efetuados saídas e (iii) outras entradas, como estorno, devoluções etc. E, caso tal situação fosse visualizada, restaria Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.500 10 plenamente factível que os recursos da conta caixa (D) foram utilizados para honrar obrigações (C), sendo certo que, em determinadas situações seria possível identificar um só débito na conta caixa que seria suficiente para honrar alguns créditos na conta caixa. Ressalta ser no mínimo precipitada a conclusão da fiscalização de que a Autuada teria passivo fictício. Tendo em vista milhares de notas fiscais emitidas durante o exercício de 2010, identificar eventual equívoco o que não existe em menos de 10 (dez) operações/notas fiscais, é quase insignificante e, portanto, não pode servir de parâmetro para arrematar a existência de passivo fictício. É impossível sustentar a presença de passivo fictício por mera amostragem que não chega a 1% do movimento. Mais uma vez, reportase à sistemática adotada no que se refere à movimentação financeira, ocasião em que se observando restritivamente Contas Banco e Caixa, o fluxo financeiro e a operação contábil a conclusão é de que estão corretas. DA MULTA QUALIFICADA A multa de 150% foi aplicada sob o fundamento de que teria ocorrido sonegação, fraude ou conluio, ocorre que, conforme relatório da fiscalização, a autuação teve fundamento no art. 281 e ss. do RIR/99, ou seja, a partir do instituto da presunção de omissão de receita. Nesta seara, os institutos da sonegação, fraude, e conluio precisam ser necessariamente provados, e jamais serão presumidos. É indispensável a presença de dolo específico. Ora, o indispensável passo para dar sustentáculo à aplicação da multa qualificada seria a fiscalização ser firme e contundente ao afirmar que houve fraude. Não foi o que ocorreu. A fiscalização, legalmente, se valeu do instituto da presunção da omissão de receita, o que gera, como consequência, o dever de pagar tributo, com juros, correção e multa de ofício. A multa qualificada somente terá vez quando a fiscalização afirmar e não presumir que houve fraude e provar individualmente e não de forma genérica , os motivos que a levaram a chegar a tal conclusão, acompanhada da indispensável prova. Cita sumulas do CARF. A rigor, é assente, na doutrina e na jurisprudência deste eg. Conselho, que se afigura indispensável a demonstração exaustiva de que o autuado agiu com fraude de sorte a lhe imputar a qualificação da multa. DA IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.501 11 A empresa na sua impugnação expressamente manifeste que a defesa do Responsável Solidário, Sr. Eustáquio Maia, seria apresentada em peça apartada (fl. 3129), tal petição não foi trazida aos autos." Os julgadores a quo rejeitaram as preliminares de nulidade relativas à ausência de ciência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do excesso de prazo para conclusão do procedimento fiscal, a partir da própria regulamentação do MPF. Refutaram, ainda, a alegação de que o lançamento deveria ter sido realizado por arbitramento, já que, apesar de equívoco e imperfeições na escrituração da pessoa jurídica, esta não se encontra eivada de irregularidades materiais insanáveis que impliquem sua imprestabilidade. Por fim, rejeitaram as alegações de vício na imputação da multa isolada pelo nãorecolhimento das estimativas. No mérito, a decisão referendou a constatação de que a sociedade em conta de participação (SCP) foi artificialmente constituída, para justificar transferências de recursos do Sr. Eustáquio Maia para a Impugnante; e entendeu integralmente correto o lançamento com base no art. 282 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Manteve, ainda, o lançamento sobre o saldo credor da conta Caixa e passivo fictício apurados pela Fiscalização e de passivo, mas reduziu a multa de ofício para o patamar de 75%, por ausência de comprovação de dolo específico. A decisão declarou, por fim, definitivamente o crédito tributário em relação ao responsável Eustáquio Soares Maia, por ausência de apresentação de Impugnação. Após a ciência, o sujeito passivo principal apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3.260 a 3.328, por meio do qual repetiu, basicamente, o teor da Impugnação apresentada, acrescentando a alegação de que a multa de ofício relativa à infrações de saldo credor da conta Caixa e passivo fictício deveria ser anulada, e não reduzida. Requereu, ainda, a juntada de Parecer Técnico Contábil. Mesmo sem comprovação, nos autos, de intimação, o responsável Eustáquio Soares Maia apresentou Recurso Voluntário (fls. 3.385 a 3.470), no qual sustentou que, apesar de haver apresentado Impugnação ao lançamento, o referido documento não foi juntado ao processo e as suas alegações não foram apreciadas pela autoridade julgadora de primeira instância. Juntou cópia da peça impugnatória e requereu a devolução do processo, para apreciação, pelos julgadores a quo, ou, subsidiariamente, a apreciação pelo CARF, com o afastamento da responsabilidade solidária, em relação a todo o lançamento, ou, subsidiariamente, às multas impostas. Por meio do Despacho de fls. 3.474/3.475, o processo foi remetido à autoridade preparadora, para fins de pronunciamento acerca da autenticidade do carimbo e assinatura apostos na Impugnação apresentada pelo responsável solidário, bem como para que informasse as razões pelas quais o referido documento (caso autêntico) não foi juntado aos autos. Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.502 12 A resposta da autoridade preparadora foi juntada à fl. 3.484, concluindo pela autenticidade do carimbo e assinatura em questão, e imputando a ausência de juntada a equívoco no procedimento de recepção/digitalização da Unidade. O sujeito passivo principal foi cientificado da citada manifestação, mas não se pronunciou (fls. 3.485/3.486). O processo retornou para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS I.1. Do conhecimento dos Recursos O sujeito passivo principal foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 26 de junho de 2017 (fl. 3.257), tendo apresentado o seu Recurso em 21/07/2017, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O responsável Eustáquio Soares Maia, por sua vez, apresentou Recurso Voluntário, em 25/07/2017. Apesar de não constar do processo qualquer comprovação de intimação do referido responsável tributário, o próprio se considera cientificado por meio do documento enviado à pessoa jurídica, razão pela qual se conclui pela tempestividade do Recurso. Ambos recursos são assinados por Procuradores, devidamente constituídos nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. À primeira vista, o Recurso apresentado pelo responsável solidário não mereceria ser conhecido, uma vez que ele não teria apresentado Impugnação, de modo que o lançamento teria se tornado definitivo em relação a ele, como, inclusive, chegou a declarar o julgador de primeira instância. Conforme relatado, porém, ficou esclarecido que o responsável havia, sim, apresentado Impugnação, mas que esta não havia sido juntada ao processo. Isto posto, os Recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. I.2. Da nulidade da decisão de primeira instância Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.503 13 Antes de iniciar a apreciação do Recurso apresentado pelo sujeito passivo principal, cabe acatar a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido, suscitada pelo responsável solidário, uma vez que a falha processual cometida pela autoridade preparadora ao não apensar ao processo a Impugnação apresentada pelo Sr. Eustáquio Soares Maia (fls. 3.423 a 3.464), resultou na ausência de apreciação pelo julgador de primeira instância das alegações contidas na referida peça impugnatória. Tal fato, obviamente, configura a hipótese de nulidade de que trata o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" (Destacouse) Observase, contudo, que a referida nulidade não alcança toda a decisão, uma vez que, em primeiro lugar, parte da Impugnação apresentada pelo responsável tributário já foi objeto de deliberação pela instância a quo, quando da apreciação da Impugnação referente ao sujeito passivo principal. Todo o item 4.1 das Impugnações repete as mesmas alegações referente a nulidades do processo administrativo tributário. Tendo a matéria já sido apreciada pela decisão recorrida, não há sentido em obrigar os julgadores a reapreciarem as alegações. No mesmo sentido, todas as demais alegações da Impugnação apresentada pelo responsável tributário se restringem à questão da responsabilidade a ele atribuída; enquanto as demais matérias trazidas na Impugnação da pessoa jurídica se referem ao mérito da autuação e multa de ofício qualificada. Não há vício, portanto, na decisão de primeira instância em relação ao julgamento proferido quanto a tais matérias trazidas exclusivamente pelo sujeito passivo principal. Deste modo, constatase que a nulidade da decisão proferida se limita à ausência de apreciação das questões relacionadas à responsabilidade do Sr. Eustáquio Maia (item 4.2 da Impugnação). Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.504 14 Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma tem recorrentemente decidido, em casos semelhantes, e com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal, pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É o que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017), Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016), Acórdão nº 1302002.562 (de relatoria deste Conselheiro, sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2018) e Acórdão nº 1302002.267 (também de relatoria deste Conselheiro, sessão de 13 de março de 2018). Transcrevo trecho do voto do Relator Alberto Pinto no citado Acórdão de sua relatoria: "Em situações processuais parecidas com a ora posta em julgamento, o Supremo Tribunal Federal tem decidido pela nulidade parcial da sentença, se não vejamos o seguinte Acórdão: “Processo: HC 94888 SP Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Órgão Julgador: Segunda Turma PENAL. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA DA PENA. NULIDADE PARCIAL DA SENTENÇA. PRECEDENTES STF. ORDEM DENEGADA. 1. A presente impetração visa ao reconhecimento de nulidade da sentença condenatória prolatada em desfavor do paciente, sob o fundamento de ausência de fundamentação na dosimetria da pena aplicada. 2. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento de que nulidade quanto à dosimetria da pena "não vicia inteiramente a sentença e o acórdão das instâncias inferiores, mas diz respeito, apenas ao critério adotado para a fixação da pena. Tudo o mais neles decidido é válido, em face do princípio utile per inutile non vitiatur." (HC 59.950/RJ, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 01.11.1982). 3. Habeas corpus denegado.”. Mutatis mutandi, por mais que me cause espécie a declaração parcial de nulidade de sentença, sustento que seja essa a melhor solução processual para o presente caso. Destarte, há que se obstar o julgamento deste litígio e devolvêlo para a complementação da sentença a quo com a devida apreciação da matéria suscitada pela impugnante." Isto posto, voto por declarar a nulidade parcial da decisão de primeira instância, determinando, então, o retorno dos autos à DRJ/Brasília, para que aprecie a Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 10976.720025/201463 Acórdão n.º 1302003.383 S1C3T2 Fl. 3.505 15 Impugnação apresentada pelo responsável Eustáquio Soares Maia, em relação às alegações concernentes à responsabilidade tributária. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3505DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909357/2006-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3102-000.208
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra Castro
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. O Conselheiro Leonardo Mussi declarouse impedido. Fez sustentação oral a advogada a Ana Paula Schincariol Lui Barreto, OAB/SP 157.658. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de Declaração de Compensação no valor de R$ 8.791.664,83, cujo suposto crédito é oriundo de ressarcimento de IPI, relativo ao 4º trimestre de 2002. A autoridade da Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo prolatou o Despacho Decisório de fls. 19/20, no qual não homologa as compensações declaradas por falta de direito creditório. O alegado crédito, conforme a cópia do Anexo nº 06 do Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária nº 592/2006 (fls. 17/18) relacionado ao processo nº 16408.001063/2006 34, teve origem em exportação fictícia, não podendo ser reconhecido. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.909357/200644 Resolução n.º 3102000.208 S3C1T2 Fl. 2 2 Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 53/77, alegando, em resumo, o seguinte: 1. A não homologação da compensação carece de motivação, pois foi fundamentada em meras notícias da internet, e em simples relato constante de processo administrativo formalizado em face de outro contribuinte; 2. A prática fraudulenta atribuída à empresa CANORP é mera suposição, tendo em vista que ainda não há decisão administrativa definitiva; 3. Não existe nos autos qualquer prova da inexistência das operações que geraram o crédito de IPI, sendo que o Despacho Decisório combatido foi proferido com base em simples presunções; 4. Para que as notas fiscais, que deram origem aos créditos, fossem declaradas falsas (clones de notas fiscais, como precipitadamente o foram pela DIORT), deveria ter sido formalizado, necessariamente, processo administrativo prévio e específico; 5. As operações praticadas pela requerente são regulares e legais, de modo que as exportações efetivamente existiram; 6. A requerente agiu com boafé em todas as operações por ela praticadas Por fim, requer a reforma do Despacho Decisório, com o reconhecimento integral do crédito presumido de IPI, apurado pela requerente no 4º trimestre de 2002, e a conseqüente homologação da Declaração de Compensação objeto do presente processo. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não são passíveis de homologação as declarações de compensação amparadas em suposto direito creditório que já foi indeferido em processo administrativo específico de pedido de ressarcimento do crédito. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. REQUISITOS. Não demonstrado pela contribuinte haver remetido as mercadorias, diretamente para embarque de exportação, ou efetuado o depósito em entreposto, sob regime aduaneiro de exportação, há que se desconsiderar o crédito presumido correspondente. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.909357/200644 Resolução n.º 3102000.208 S3C1T2 Fl. 3 3 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO Inexistente o crédito que lastreia a compensação, deixase de homologar a compensação declarada. Devidamente intimado, comparece a pessoa jurídica mais uma vez ao processo para, por meio da petição juntada à fl. 163 (fl. 380, se considerada a numeração automática do sistema eprocesso), essencialmente, reiterar as alegações consignadas na manifestação de inconformidade. Acrescenta, em sede de recurso, pleito no sentido de que o presente processo seja julgado em conjunto com o de nº 19515.000982/200661, pendente de julgamento ou, alternativamente, sobrestamento deste recurso até o encerramento daquele. Segundo argumenta o processo em questão encerraria toda a discussão acerca da legalidade e da efetividade da operação que deu origem ao crédito de IPI alvo das compensações que se discute no presente litígio. Portanto, deveriam ser evitadas decisões conflitantes. Cita doutrina. Defende, ademais, que o órgão a quo incorrera em equívoco quando relatara que o crédito presumido de IPI relativo ao 4º trimestre de 2002 fora objeto de pedido de ressarcimento no processo nº 11610.000398/200373 e totalmente indeferido, nos termos do Acórdão nº 1414.597, de 12/01/2007. Ao contrário do informado, a discussão acerca da existência ou não do crédito do IPI ainda não teria sido alvo de decisão definitiva, uma vez que, em 28/08/2008, ajuizara embargos à execução em que se busca desconstituir o crédito tributário inscrito em dívida ativa originária daquele processo. Anexa documentos que comprovariam tais alegações. É o Relatório VOTO Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Em nome da clareza, analiso separadamente cada um dos pontos sobre os quais deve este Colegiado de manifestar. 1 Nulidade por Vício de Motivação Antes de adentrar na análise dos demais aspectos inerentes ao presente litígio, há que se enfrentar questão preliminar que, se acatada, prejudicaria as demais questões suscitadas: a nulidade do procedimento. Pois bem. Com a devida vênia, entendo que não há fundamento para anular o despacho decisório que indeferiu a compensação, nem, consequentemente, os atos que lhe Fl. 390DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.909357/200644 Resolução n.º 3102000.208 S3C1T2 Fl. 4 4 sucedem. A meu ver, a decisão encontrase suficientemente fundamentada. Confirase trecho em que se expõem os motivos que a respaldariam1: 6.Tendo o alegado crédito origem em exportação fictícia, conforme relato feito no Anexo nº 06 do Termo de Verificação Fiscal e de Ciência de Sujeição Passiva Solidária n° 592/2006 (cópia as fls. 17/18), relacionado ao MPF 010400.2004.00114 (Processo 16408.001063/200634). a compensação não pode ser homologada. O termo de verificação fiscal, por sua vez, descreve os elementos que, na opinião daquela autoridade fiscal, maculariam as operações de exportação declaradas pela recorrente, alegadamente apuradas no bojo de operação desenvolvida para investigar irregularidades apelidadas de “Soja Papel”. Podese extrair das alegações da recorrente que há um questionamento direto acerca do poder probante desses elementos, mas isso, com a devida vênia, diz respeito à analise do mérito e determinará, conforme o caso, improvimento ou o provimento do recurso. 2 Sobrestamento ou Reunião dos Processos Superada a preliminar de nulidade, penso que, no que se refere ao pedido de julgamento conjunto do presente recurso e do que tramita nos autos do processo 19515.000982/200661, parcial razão assiste ao sujeito passivo: seria temerário, tanto para o Fisco quanto para a recorrente, que o presente processo fosse julgado sem que se levasse em consideração o resultado daquele outro. Com efeito, conforme mencionado, a autoridade preparadora, em um primeiro momento, julgou que os débitos estariam confessados. Consequentemente, não haveria motivo para a lavratura de auto de infração com vistas à cobrança de tributos que alega indevidamente compensados. Em um segundo momento, julgouse que a DCTF apresentada consignava a ausência de débitos e que, na data da transmissão da Dcomp analisada no presente processo, (12/06/2003), esta declaração não representaria confissão de dívida, motivo pelo qual caberia promover o lançamento de ofício, levado a efeito nos autos do processo nº 19515.000982/200661. Estas afirmações, esclareçase, foram referendadas pela 6ª Turma da DRJ São Paulo I, por meio do Acórdão 1622.780, de 10 de setembro de 2009, por meio do qual foi julgada impugnação à exigência fiscal formulada nos autos do processo nº 19515.000982/200661. Confirase excerto do seu voto condutor (original não destacado): 19.1 Neste sentido, a fiscalização desconsiderou todos os créditos presumidos do IPI utilizados pelo interessado o que resultou na constatação da ocorrência de compensações indevidas, de débitos de COFINS com crédito presumido do IPI, nos seguintes valores: 1 Trecho à fl. 20. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.909357/200644 Resolução n.º 3102000.208 S3C1T2 Fl. 5 5 Nº do recibo da DCP/Processo nº Crédito IPI, em R$ Débito COFINS, mês Débito COFINS, em R$ 34.32.98.35.20 20.879.384,29 05/03 8.791.664,83 12/03 5.981.142,06 11610.000398/200373 12/03 6.106.577,40 25.44.02.11.17 10.352.866,71 09/03 7.301.201,04 10/03 3.051.665,67 04.92.43.40.49 19.107.979,67 12/03 310.000,00 12/03 16.628.857,94 (...) 19.3Compulsando as DCTF apresentadas (fls. 2541/2.599, 2.602/2.692) observase que os saldos a pagar da COFINS, Períodos de apuração (05/03 (fl. 2.616), 09/03 (fl. 2.653v), 10/03 (fl. 2.687) e 12/03 (fl. 2.692) indicam saldo zero, o que impossibilita eventual cobrança, por intermédio das DCTF. (...) 19..7A Declaração de Compensação passou a ser considerada instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, a partir de 31/10/03 com a publicação da MP nº 135/03 que acresceu o § 6º ao artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Ora, se o presente processo vier a ser julgado sem levar em consideração o julgamento daquele que o antecedeu, correse o risco de, por exemplo, considerarse, aqui, que a confissão de débito está perfeitamente caracterizada e lá, que o auto de infração estaria formalmente perfeito, o que geraria, de fato, uma cobrança em duplicidade. De outra banda, poderseia decidir que a presente análise estaria prejudicada pela lavratura de auto de infração e o órgão julgador responsável pelo julgamento do processo nº 19515.000982/200661, a seu turno, decidir que o auto de infração estaria prejudicado pela confissão, o que conduziria ao afastamento integral do crédito. Ora, ou o crédito objeto do presente processo deve ser lançado, ou a informação prestada na declaração representa confissão, não haveria como, imagino, se chegar a decisões contraditórias, salvo, como se viu, se os julgamentos ocorressem em descompasso. Ademais, não há como ignorar que, afora as questões formais, há evidente relação de prejudicialidade com o mérito do recurso nº 19515.000982/200661, onde se discute a efetividade das operações que teriam gerado os créditos glosados pela autoridade de jurisdição. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.909357/200644 Resolução n.º 3102000.208 S3C1T2 Fl. 6 6 Outrossim, esclareço que, na medida em que há particularidades inerentes aos objetos dos dois litígios que afastam a aplicação do conceito de conexão extraído do art. 103 do Código de Processo Civil2 (lá discutese lançamento e aqui, compensação), não vejo como aplicar o § 7º do art. 49 do Regimento do CARF3 e redistribuir o presente processo ao relator do processo nº 19515.000982/200661. 3 Conclusão Ante ao exposto, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência, a fim de que o processo seja encaminhado à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Jurisdição e que lá permaneça até o julgamento do recurso relativo ao processo nº 19515.000982/200661. Após tal julgamento, deverá ser extraída cópia do acórdão correspondente, quantificado o crédito eventualmente a acatado e, a seguir, providenciada juntada do decisum ao presente processo. O resultado de tal apuração deve ser cientificado ao Sujeito Passivo, sendolhe conferido o prazo de 30 dias para manifestação. Em seguida, devem os autos retornar a este Colegiado. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 2 Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando Ihes for comum o objeto ou a causa de pedir. 3 § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10650.900801/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. RECONHECIMENTO PARCIAL DO INDÉBITO
Nos termos da Súmula CARF nº 80, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Tendo havido comprovação parcial do oferecimento à tributação das receitas financeiras, reconhece-se o IRFonte atrelado a tais rendimentos na mesma proporção dos rendimentos levados ao crivo da tributação.
Numero da decisão: 1301-003.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em indeferir o pedido de complementação do Termo de Diligência Fiscal e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito adicional, em valores originais, de R$ 688.893,25, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS CORRESPONDENTES. RECONHECIMENTO PARCIAL DO INDÉBITO Nos termos da Súmula CARF nº 80, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Tendo havido comprovação parcial do oferecimento à tributação das receitas financeiras, reconhecese o IRFonte atrelado a tais rendimentos na mesma proporção dos rendimentos levados ao crivo da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em indeferir o pedido de complementação do Termo de Diligência Fiscal e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito adicional, em valores originais, de R$ 688.893,25, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 08 01 /2 01 0- 56 Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.328 2 Relatório O presente processo foi alvo das Resoluções 1402000.235 e 1301000.474. Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 0942.267 da 1ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida: A requerente transmitiu a Declaração de Compensação Dcomp de nº 13877.85292.310106.1.3.029240 utilizando parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2005, composto por IRRF no valor de R$7.200.000,00. Posteriormente apresentou a Dcomp 12711.53465.300606.1.3.029120, informando as demais antecipações, representadas por recolhimentos/compensações e retenções, que contribuíram para a formação do saldo negativo do ano calendário de 2005, perfazendo o montante compensado de R$19.384.740,22. A requerente, ainda utilizando o crédito acima referido, transmitiu as seguintes declarações de compensação: 13114.75121.220206.1.3.026930, 26190.00143.300306.1.3.027825, 37079.37262.280406.1.3.022707, 24830.98820.300606.1.3.027257, 06442.11163.271206.1.3.026907, 41967.08034.29010.1.7.020807, 23041.51497.290607.1.3.027183, 12462.42250.070807.1.7.020307, 38722.19923.100907.1.3.020950, 22521.22508.140907.1.3.023850, 31401.06261.280907.1.3.025333 e 40390.10582.240108.1.7.027715. A DRF/UBERABA/MG, em 01/03/2011, emitiu o Despacho Decisório Eletrônico de fl. 4, posteriormente revisto de ofício por intermédio do Despacho Decisório de fls. 248 a 258, que assim concluiu: Com base nos fatos e fundamentos acima expendidos, decido: 1) Anular a decisão veiculada pelo despacho decisório emitido em 1/3/2011, rastreamento n° 913279257; 2) Reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado pela VALE FERTILIZANTES S/A, CNPJ 19.443.985/000158, no valor originário de R$ 16.753.034,96 (dezesseis milhões, setecentos e cinquenta e três mil, trinta e quatro reais e noventa e seis centavos), relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2005, exercício 2006; e 3) Homologar as compensações realizadas pelo contribuinte com utilização do referido crédito até o limite em que as contas se encontrarem. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.329 3 A contribuinte teve ciência do acima decidido em 26/12/2012, fl. 312, e apresentou, em 26/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 314 a 323, na qual: A despeito de as receitas de aplicações financeiras serem apropriadas segundo o regime de competência, o IRRF é aproveitado segundo o regime de caixa, ou seja, seu aproveitamento só ocorre no momento da disponibilidade econômica, quer dizer, de seu resgate. Sendo a obrigação fiscal é ex lege, e não decorrente da vontade das partes, não pode o Fisco amparar suas conclusões exclusivamente no cruzamento eletrônico de informações, eivadas de erro ou não, mas na verificação das circunstâncias de fato que a configura (ou que ensejam o crédito fiscal, na hipótese dos autos), sob pena de manifesta ofensa aos artigos 150,1, da CR/88, 3o e 142 do Código Tributário Nacional. É dizer, o que importa é a materialidade do crédito, e não a sua representação formal (declarações do contribuinte). Conforme explanado, a turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A interessada foi cientificada da decisão em 31 de janeiro de 2013 (fl. 364), apresentando recurso voluntário de fls. 367373 em 04 de março de 2013. Em resumo, aduz que as receitas financeiras que deram origem à retenção de imposto de renda na fonte foram todas oferecidas à tributação. A diferença apontada tanto pela delegacia de origem, quanto pela decisão recorrida, como sendo valores não oferecidos à tributação teria origem na diferença de tratamento contábil entre as receitas financeiras e a retenção de imposto: enquanto as receitas são reconhecidas pelo regime de competências, a retenção do imposto se dá pelo regime de caixa. Conclui, assim, que o montante de receitas financeiras apontada pelas decisões de fato não foi oferecido à tributação no anocalendário de 2005, mas sim em períodos de apuração anteriores, haja vista trataremse de investimentos de longo prazo. Anexou às fl. 376396 planilha contendo o que seriam os lançamentos realizados nas contas em que foram registrados os valores de impostos retidos e as receitas financeiras em questão. Na assentada de 11 de fevereiro de 2014, ainda compondo a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferi voto no seguinte sentido: O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se conhece. A controvérsia é relativamente simples: alega a Recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.330 4 aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. A decisão recorrida, por sua vez, concluiu que nem toda receita financeira foi oferecida à tributação. Em tese, as argumentações da Recorrente soam coerentes e, em princípio, compatíveis com a situação fática apresentada. Contudo, não é possível concluir com precisão se toda a receita financeira foi, de fato, incluída no resultado de exercício sob exame (2005) e anteriores. Desse modo, proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que seja analisado se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no ano calendário de 2005 e as constantes em DIRF foram, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Após elaborar relatório circunstanciado com suas conclusões, a autoridade fiscal deverá cientificar o contribuinte a fim de que, se houver interesse, manifestese sobre seu teor no prazo de 30 (trinta) dias. Ao final, retornemse os autos para julgamento. A autoridade fiscal incumbida dos trabalhos se manifestou por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 848852. Destaco excertos do referido termo: O contribuinte juntou ao processo, em 29/04/2016, os elementos listados abaixo para atender parcialmente a intimação e solicitou dilação de prazo de 20 (vinte) dias para atendimento integral (fls. 555567): planilhas contendo justificativas para os lançamentos a débito realizados em 2005 nas contas contábeis: 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações, 3503002 – Receita Financeira – Mútuo e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações; controles internos da empresa que embasam os lançamentos contábeis realizados nas contas 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações; e arquivos digitais de registros contábeis dos anos de 2004 e 2005. Transcorrida a prorrogação de prazo concedida ao interessado e sem apresentação de resposta ou qualquer justificativa, foi lavrado o Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal em 12/07/2016, com ciência por via postal em 18/07/2016, contendo solicitação de apresentação dos elementos faltantes (fls. 577581). [...] Da análise, realizada por amostragem, dos registros contábeis e dos documentos apresentados verificouse que o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 – Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.331 5 do lançamento. Na conta 3503003 – Receita Financeira – Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo. Quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade. Verificouse, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. Em relação ao ano de 2004, foi apresentado apenas os arquivos de registros contábeis desacompanhado da documentação que os respalda. Da análise, realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, concluise que o contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005. Intimada a se manifestar, em resumo, assim discorreu a interessada: [...] 9. Pois bem, a partir da leitura do “Termo de Encerramento de Diligência”, depreendese que os argumentos explanados pela ora Suplicante em seu Recurso Voluntário estão inequivocamente comprovados, o que torna forçoso concluir pela insubsistência do insubsistência do v. acórdão recorrido. Vejamos. 10. O argumento adotado pela RFB para negar, parcialmente, o direito creditório e confirmado pela r. decisão recorrida consiste no fato de que a Recorrente, supostamente, não ter oferecido à tributação parte da receita decorrente de aplicações financeiras (que, ao serem posteriormente resgatadas, ensejaram o IRRF que compôs o saldo negativo pleiteado). Esta constatação derivaria da simples constatação, pela auditoria fiscal, de estornos realizados pela Suplicante na conta contábil pertinente às aplicações financeiras em tela, de tal sorte que o saldo respectivo fora reduzido a 33,95% do valor total da receita. Em complemento, a DRJF afirmou, ainda, que, deveria a Recorrente ter comprovado que, de fato, os rendimentos oriundos de aplicação financeira foram oferecidos à tributação. 11. Por seu turno, a síntese dos argumentos de defesa é de que os rendimentos produzidos por aplicações em longo prazo, realizados em determinado anocalendário e resgatados em anos seguintes, não são reconhecidos integralmente no mesmo período em que ocorre a retenção do imposto de renda na fonte, visto que o reconhecimento da receita se dá em função e à tempo da disponibilidade jurídica da quantia, enquanto o IRRF só é utilizável no momento da disponibilidade financeira da receita, ou seja, quando do resgate da aplicação. Em conclusão, mesmo antes do resgate do montante da aplicação, aquela receita já teria sido oferecida à tributação. 12. Pois bem. No “Termo de Encerramento de Diligência”, a i. Autoridade consignou que, em que pese a “falta de parte dos documentos bancários”, teve em mãos elementos suficientes para confirmar que: (i) “... o contribuinte registrou, em observância ao regime de competência, as receitas das aplicações financeiras, pelo valor total, nas contas de resultado 3503001 – Receitas Financeiras de Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.332 6 Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, e realizou, sistematicamente, o estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado no mês subsequente ao do lançamento. Na conta 3503003 Receita Financeira Mútuo, foi possível verificar os lançamentos das receitas de juros nas operações de mútuo.”; (ii) “Quando do efetivo regime das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da DIRF/2005 foram registrados na contabilidade.”. 13. Prosseguindo em suas constatações, também em relação ao exercício de 2004, confirmou a i. Autoridade a premissa de que as receitas financeiras da ora Suplicante restaram devidamente submetidas à tributação indicando que “da análise realizada por amostragem, exclusivamente dos registros contábeis e das informações constantes da Dirf/2004, concluise que o Contribuinte utilizou a mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira utilizada em 2005”. 14. É de ver, pois, o Fisco, ao proferir o Despacho Decisório, sequer se ocupou em examinar a contabilidade da ora Suplicante para sustentar sua alegação de que não fora a receita financeira submetida à tributação, razão pela qual é de se reconhecer a patente insubsistência do v. acórdão recorrido. 15. Noutro giro, a par da certificação da i. Autoridade quanto à utilização da “mesma sistemática de registro e reconhecimento de receitas de aplicação financeira” em exercícios distintos, para que seja atendido ao princípio da verdade real, que deve nortear os processos administrativos, bem como para oferecer à Autoridade Julgadora todos os elementos necessários para a apreciação da questão posta nos autos, a Suplicante requer a juntada da anexa documentação de registro contábil de ano de 2003, requerendo, desde já, seja essa, também, objeto de análise pela i. auditoria fiscal. Na Resolução 1301000.474, assim encaminhei meu voto: Conforme descrito no voto condutor da resolução citada, a controvérsia é relativamente simples: alega a recorrente que por ter que reconhecer receitas financeiras relativa a aplicações de longo prazo pelo regime de competência (regra geral), os valores registrados de receitas financeiras no ano de resgate das aplicações diverge do valor da receita financeira informado pelas instituições financeiras em DIRF. Aduz ainda que, se fosse analisada a contabilidade dos períodos anteriores teria a autoridade fiscal concluído que toda a receita financeira a que se refere o imposto retido na fonte foi oferecida à tributação, sendo que boa parte dela em períodos anteriores ao do resgate. A resolução determinou à unidade de origem que analisasse se a diferença entre as receitas financeiras oferecidas à tributação no anocalendário de 2005 e as constantes em DIRF teriam sido, de fato, oferecidas à tributação em períodos pretéritos em razão de seu reconhecimento pelo regime de competência. Ao final, requereuse que fosse elaborado relatório circunstanciado com as conclusões da autoridade fiscal, cientificandose o contribuinte de seu teor e fosse aberto prazo de 30 dias para que, se houvesse interesse, se manifestasse sobre o seu teor. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.333 7 Contudo, compulsando o resultado da diligência, com a devida vênia, entendo não ser possível prosseguir com o julgamento de mérito. Vejamos. Em determinada passagem, em relação às contas de resultado 3503001 Receitas Financeiras de Aplicações e 3503005 Receitas Financeiras de Outras Aplicações, a autoridade fiscal responsável pela diligência diz que as receitas financeiras foram registradas contabilmente pelo regime de competência, mas, de forma sistemática, o contribuinte teria realizado “estorno dos lançamentos de receitas realizados nessas contas de resultado, no mês subsequente ao do lançamento”. S.m.j., nessa hipótese, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, não haveria que se falar em oferecimento à tributação das receitas financeiras, pois o valor computado como receita em um mês, teria sido estornado no mês seguinte. A seguir, conclui que “quando do efetivo resgate das aplicações, registrou na contabilidade os rendimentos e o imposto retido na fonte, de forma individualizada para cada operação, de forma que todos os rendimentos constantes da Dirf/2005 foram registrados na contabilidade”. Pelo que se extrai do Termo de Encerramento de Diligência, o contribuinte teria registrado as receitas pelo regime de competência, depois as estornado, e, por fim, registrado as receitas novamente quando do resgate das aplicações. Ora, se isso realmente tivesse ocorrido, certamente o litígio não teria chegado a esse ponto, pois foi justamente a divergência entre receitas oferecidas à tributação no anocalendário de 2005 e o valor das receitas financeiras informado em DIRF (leiase: “o valor das receitas financeiras no período de resgate das aplicações”) que redundou no não reconhecimento ao direito de deduzir parte do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRFonte pleiteado pelo contribuinte. É bom ressaltar que a conclusão da autoridade fiscal, embora aparentemente decida a favor da recorrente, contradiz a própria tese da defesa de que os rendimentos teriam sido oferecidos à tributação com base no regime de competência. Salientese mais uma vez que a conclusão de que todas as receitas foram registradas na contabilidade não esclarece se todas compuseram efetivamente o resultado auferido, até mesmo porque a autoridade fiscal alega que, embora as receitas financeiras tenham registradas com base no regime de competência, posteriormente teriam sido estornadas. Mais adiante, a autoridade fiscal alega que: Verificouse, também, que parte das aplicações financeiras cujos resgates ocorreram durante o ano de 2005, remontam a outubro/2003. Em razão da não apresentação dos arquivos de registros contábeis do ano de 2003 não foi possível aferir se foram realizados os lançamentos dos rendimentos de aplicação pelo regime de competência nesse ano. É importante frisar que a própria recorrente já afirmara em seu recurso voluntário que teria reconhecido as receitas financeiras pelo regime de competência, anexando fichas do Livro Razão que entendeu como suficientes para comprovar suas alegações (fls. 376396). No dia 11/04/2016 (fls. 575576) o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativos com indicação individualizada do lançamento contábil para registrar Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.334 8 cada uma das receitas de aplicação de renda fixa no momento do reconhecimento pelo regime de competência, anteriores a 2005, bem como os arquivos digitais (referentes a lançamentos contábeis) de todos os anoscalendário anteriores a 2005 (fl. 570). O contribuinte atendeu à intimação parcialmente, solicitando prorrogação de prazo, prontamente concedida (fls. 555567). Somente quatro meses adiante (05/08/2016 – fl. 582), o contribuinte alcançou os documentos solicitados, sem, contudo, anexar as fichas da escrituração contábil que comprovariam o oferecimento à tributação, no anocalendário de 2003, de parte das receitas financeiras informadas na DIRF de 2005. Conforme já dito, somente após o encerramento da diligência é que a recorrente anexou aos autos os supostos comprovantes referentes à escrituração do anocalendário de 2003. É importante ressaltar que a Resolução que converteu o julgamento em diligência foi proferida na sessão de 11 de fevereiro de 2014, ou seja, dois anos e meio após o contribuinte já saber da conversão em diligência ainda não foi capaz de atender a contento à intimação da unidade de origem para cumprimento do determinado pelo colegiado. Em que pese a flexibilização que possa se dar ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, no que diz respeito ao momento em que se considera precluso o direito do contribuinte a anexar aos autos documentos comprobatórios de seus argumentos, entendo que não se pode mitigar a questão da preclusão a situações como as tratadas nos presentes autos: converteuse o julgamento em diligência para que a unidade de origem pudesse intimar o contribuinte e analisar a documentação comprobatória apresentada justamente pela impossibilidade de realizar isso a contento, inclusive com direito ao contraditório, diretamente no colegiado, e o contribuinte não aproveitou, mais uma vez, sua oportunidade de fazêlo tempestivamente. Por essas razões, entendo que não se deva reconhecer o direito ao IRFonte proporcional às receitas financeiras que o contribuinte deixou de comprovar que foram efetivamente oferecidas à tributação. Ademais, ainda que se superasse a dúvida sobre a efetiva comprovação de reconhecimento e o oferecimento à tributação das receitas financeiras nos anos calendário de 2004 e de 2005 (informadas na DIRF de 2005), não foi informado pela autoridade fiscal responsável pela diligência qual o valor das receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação (no caso, o montante que o contribuinte alega ter oferecido à tributação no anocalendário de 2003, mas não apresentou a documentação comprobatória pertinente). CONCLUSÃO Desse modo, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência1, nos seguintes termos: proponho que os autos retornem à unidade de origem a fim de que: 1 Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 36. [...] § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.335 9 a) seja esclarecido se as receitas financeiras foram reconhecidas pelo regime de competência e efetivamente oferecidas à tributação do IRPJ; b) em caso afirmativo, do montante informado em DIRF (2005), quanto foi oferecido à tributação no anocalendário de 2004 e quanto no anocalendário de 2005; c) qual o montante de receita financeira que o contribuinte alega ter oferecido à tributação no anocalendário de 2003, mas não apresentou a documentação comprobatória quando da realização da primeira diligência. Ao final da realização da diligência, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado com as respostas aos quesitos formulados, cientificando o contribuinte sobre tais conclusões, e informandoo que, se houver interesse, poderá se manifestar sobre o conteúdo do relatório no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Cumprido esse rito, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Os autos retornaram à unidade de origem e a autoridade fiscal incumbida dos trabalhos elaborou o Termo de Diligência Fiscal de fls. 12421245, assim concluindo: Intimado a se manifestar sobre o resultado da diligência, o contribuinte apresentou o expediente de fls. 12511255, concluindo e requerendo o que segue: 1. Remontam os autos a diversas Declarações de Compensação, vinculadas ao Processo de Crédito em epígrafe, transmitidas pela ora Suplicante no decorrer dos anos de 2006, 2007 e 2008 visando a compensação de débitos diversos com crédito decorrente de saldo negativo de R$ 19.385.740,22, declarado na DIPJ do exercício de 2006 (ano calendário 2005). Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.336 10 Tal montante decorre da diferença entre os valores antecipados no decorrer daquele ano calendário de 2005 (R$ 11.997.519,26 a título de estimativas + R$ 9.128.210,57 a título de IRRF sobre aplicações financeiras) e o valor do IRPJ efetivamente devido (R$ 1.740.989,61). 2. A Delegacia da Receita Federal concluiu pelo reconhecimento do direito creditório no valor originário de R$ 16.753.034,96, conforme quadro demonstrativo a seguir, homologando as compensações realizadas até esse limite: 3. Como se nota, a diferença entre o montante declarado/considerado pela contribuinte e a Fiscalização reside em R$ 2.631.705,26, referente, sobretudo e em suma, ao descredenciamento do total declarado para o IRRF sob o código 3426, acolhendose apenas o montante de R$ 1.329.509,74 (Relatório do Ofício 077/2012): 4. Assim, foi apresentada Manifestação de Inconformidade relativo à parcela não acolhida, envolvendo o presente feito, portanto, a confirmação da diferença do saldo negativo no montante de R$ 2.631.705,26. Julgada improcedente a defesa, foi interposto Recurso Voluntário, culminando em despachos destinados a diligências pela autoridade visando, em última análise, sanar o trabalho fiscal, à míngua de informação concreta do “valor das receitas financeiras que não teriam sido oferecidas à tributação”. 5. Pois bem, a partir da leitura do último “Termo de Diligência Fiscal”, notase que não foram ratificadas as meras premissas adotadas pelo Despacho Decisório para se contrapor à totalidade do saldo negativo que a contribuinte considerou como crédito para as compensações transmitidas. A Srª. Auditora assegurou a adoção, pelo contribuinte, do regime de competência quanto ao registro das receitas financeiras, decorrentes de rendimentos de aplicações financeiras de longo prazo, apropriandose como receitas, periodicamente, os ganhos verificados em tais aplicações, com registro e aproveitamento do IRRF quando do efetivo resgate, o que corrobora a justificação de períodos anteriores na composição do saldo negativo. Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.337 11 Apresentando no “Quadro 1 – Demonstrativo de Tributação das Receitas Financeiras”o “Total Levado à Tributação no Período” para os anos calendários de 2004 e 2005, bem como a comutatividade entre eles em virtude da natureza das receitas e do regime adotado, restou descartado o menor valor considerado pelo Despacho Decisório questionado de apenas R$ 1.329.509,74 para a receita de código 3426. Em contraposição aos R$ 1.329.509,74 para a receita de código 3426 acolhidos pelo Fisco, concluiu que “foi efetivamente levado à tributação em 2004 o valor de R$ 3.331.558,90 e, em 2005, o valor de R$ 6.514.779,49, perfazendo o montante de R$ 9.846.338,39 de receitas tributadas.” Ratificou, ainda, que “Pela sistemática de contabilização adotada, pode se deduzir que a diferença “a maior” apurada no anocalendário 2004 pode ser imputada ao montante de receitas constantes da Dirf do ano calendário 2005”. Ou seja, considerando os regimes de apropriação das receitas de aplicações financeiras e do IRRF, constatou que a tributação em tela repercute em anos distintos, não podendo sua aferição ficar restrita ao registro das receitas. 6. Ao responder ao Quesito “c”, contudo, em que pese tenha a Auditora confirmado o adimplemento de IRRF sobre as receitas financeiras sob o código 3426 no valor de R$ 3.958.295,15 conforme Dirf/2005. Contudo, esse montante não foi considerado no “Quadro 4 – Demonstrativo do IRRF sobre Receitas Tributadas” logo após elaborado, inferindose desse quadro aludido, a princípio, que a conclusão quanto ao “valor das receitas tributadas” e “IRRF Proporcional às Receitas Tributadas” foi adotada a partir da imputação das premissas pré constituídas dos percentuais de tributação, sem justificálos ou explicitálos. Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.338 12 Em outras palavras, a ordem de aferição não foi a definição de percentuais à vista da identificação dos valores tributados, mas a identificação dos valores mediante imputação de percentuais indicados em outras oportunidades, mas sem validação. Assim, em que pese não se tenha infirmado a efetiva retenção na fonte sobre o montante de R$ 19.396.187,54, de receitas financeiras, é a presente para requerer sejam esclarecidos os dados considerados para resposta ao quesito “c”, conciliando com as conclusões exaradas na resposta ao quesito “a”, atendendose ao fim colimado com a Resolução do CARF e em respeito aos primados da verdade material e contraditório/ampla defesa. 6. Ante o exposto, ratificando, desde já, integralmente, o Recurso Voluntário interposto, diante da materialmente da totalidade do saldo negativo utilizado como crédito, requerse seja a i. Auditora instada a esclarecer questão acima posta, colocandose a Recorrente à disposição para apresentação dos documentos e informações que julgar necessários. Pleiteia, ainda, após a complementação do Termo seja concedida oportunidade para manifestação pela ora Suplicante. É o relatório. Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.339 13 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso já foi conhecido quando das conversões do julgamento em diligência. Ratifico, pois, o seu conhecimento. Os autos dizem respeito a Declarações de Compensação atreladas ao pedido de reconhecimento de crédito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2005. O valor de saldo negativo declarado na DIPJ 2006 foi de R$ 19.385.740,22, exatamente o valor do crédito requerido. A composição desse saldo negativo se a partir da comparação entre o valor de IRPJ declarado como devido (R$ 1.740.989,61) e os valores antecipados ao longo do ano de 2005, a saber, R$ 11.997.519,26 a título de estimativas e R$ 9.128.210,57 a título de IRRF sobre aplicações financeiras. A unidade local da Receita Federal reconheceu o direito creditório no valor originário de R$ 16.753.034,96. Em relação ao IRFonte não foram reconhecidas as seguintes parcelas: R$2.919,85, correspondente à diferença apurada no código de retenção 3426 que se refere à fonte pagadora Banco Safra S/A, CNPJ 58.160.789/000128, tendo em vista que o contribuinte informou retenção no valor total de R$ 132.791,70 e o valor informado na Dirf pela fonte pagadora foi de R$ 129.871,85, e; R$2.628.785,41, relativamente a IRRF sobre aplicações financeiras, código 3426, cujos rendimentos não teriam sido oferecidos à tributação. Em relação ao valor de R$ 2.919, 85, o contribuinte não se insurgiu quanto à glosa. No que atine aos rendimentos não oferecidos à tributação, a autoridade fiscal, a partir da DIRF, concluiu que as receitas financeiras decorrentes de aplicações de renda fixa (código 3426) totalizaram, no ano de 2005, R$ 19.396.187,54 e o IRRF, R$ 3.958.295,15. No entanto, em análise da contabilidade do contribuinte constatou que do total dessas receitas financeiras foram efetivamente levados à tributação 33,59%, ou seja, R$ 6.514.779,49. Em razão disso, considerou confirmado o IRRF correspondente ao citado percentual (R$ 1.329.509,74). Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ confirmou a decisão da unidade local. O contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando que os rendimentos haviam sido oferecidos à tributação com base no regime de competência, e, que, portanto, Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.340 14 haveria divergência entre os valores informados em DIRF (com base no resgate ou vencimento dos investimento) e aqueles registrados em sua escrituração contábil. O limite de crédito ainda requerido pelo contribuinte, em valores originais, é de R$ 2.628.785,41. No que atine à incidência do IRRF sobre aplicações financeiras e seu aproveitamento na determinação do saldo do imposto a pagar ou a compensar, o Decreto nº 3.000/1999 – RIR/99, vigente à época dos fatos geradores, assim dispõe: Art.231.Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, §4º): I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; [grifos nossos] IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Art.770.Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitam se à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). §1ºA retenção na fonte de que trata este artigo não se aplica no caso de beneficiário referido no inciso I do art. 774 (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º, parágrafo único). §2ºOs rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; II serão tributados de forma definitiva no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no SIMPLES ou isenta. §3º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado: Ios ganhos líquidos auferidos no mês de encerramento do período de apuração serão incorporados automaticamente ao lucro presumido ou arbitrado; II os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.341 15 ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); III as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 761, 764, 765 e 766 somente podem ser compensadas com ganhos auferidos nas mesmas operações. [grifos nossos] Convém relembrar que a matéria é objeto de súmula no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Pois bem, após duas resoluções, a autoridade fiscal responsável por seu cumprimento concluiu que os rendimentos informados na DIRF relativa aos anoscalendário de 2004 e 2005, código de receita 3426, respectivamente nos valores de R$ 41.936.317,30 e R$ 19.396.187,54, não foram totalmente oferecidos à tributação, pois, no anocalendário de 2004 foi oferecido à tributação o total de R$ 41.936.317,30 e, em, 2005 no total de R$ 6.514.779,49. Ressaltase que a verificação da autoridade fiscal não retroagiu ao ano calendário de 2003 em razão de o contribuinte não ter apresentado a documentação necessária, observação, inclusive, que fiz questão de ressaltar na última resolução proferida2. Os quadros 1 a 4 elaborados pela autoridade fiscal (fl. 12431244) deixam muito claro o raciocínio levado a cabo na quantificação do IRFonte que deveria compor o saldo negativo de IRPJ. 2 É importante frisar que a própria recorrente já afirmara em seu recurso voluntário que teria reconhecido as receitas financeiras pelo regime de competência, anexando fichas do Livro Razão que entendeu como suficientes para comprovar suas alegações (fls. 376396). No dia 11/04/2016 (fls. 575576) o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativos com indicação individualizada do lançamento contábil para registrar cada uma das receitas de aplicação de renda fixa no momento do reconhecimento pelo regime de competência, anteriores a 2005, bem como os arquivos digitais (referentes a lançamentos contábeis) de todos os anoscalendário anteriores a 2005 (fl. 570). O contribuinte atendeu à intimação parcialmente, solicitando prorrogação de prazo, prontamente concedida (fls. 555567). Somente quatro meses adiante (05/08/2016 – fl. 582), o contribuinte alcançou os documentos solicitados, sem, contudo, anexar as fichas da escrituração contábil que comprovariam o oferecimento à tributação, no ano calendário de 2003, de parte das receitas financeiras informadas na DIRF de 2005. Conforme já dito, somente após o encerramento da diligência é que a recorrente anexou aos autos os supostos comprovantes referentes à escrituração do anocalendário de 2003. É importante ressaltar que a Resolução que converteu o julgamento em diligência foi proferida na sessão de 11 de fevereiro de 2014, ou seja, dois anos e meio após o contribuinte já saber da conversão em diligência ainda não foi capaz de atender a contento à intimação da unidade de origem para cumprimento do determinado pelo colegiado. Em que pese a flexibilização que possa se dar ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, no que diz respeito ao momento em que se considera precluso o direito do contribuinte a anexar aos autos documentos comprobatórios de seus argumentos, entendo que não se pode mitigar a questão da preclusão a situações como as tratadas nos presentes autos: converteuse o julgamento em diligência para que a unidade de origem pudesse intimar o contribuinte e analisar a documentação comprobatória apresentada justamente pela impossibilidade de realizar isso a contento, inclusive com direito ao contraditório, diretamente no colegiado, e o contribuinte não aproveitou, mais uma vez, sua oportunidade de fazêlo tempestivamente. Por essas razões, entendo que não se deva reconhecer o direito ao IRFonte proporcional às receitas financeiras que o contribuinte deixou de comprovar que foram efetivamente oferecidas à tributação. Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.342 16 Para aferir o total de receitas financeiras informadas na DIRF do ano calendário de 2005 e já oferecidas à tributação no anocalendário de 2004, a autoridade fiscal comparou as receitas financeiras contidas na DIRF 2004 com o oferecido à tributação naquele anocalendário, concluindo haver excesso de receitas à tributação, em comparação com a DIRF do mesmo período, no total de R$ 3.331.558,90. Em relação ao anocalendário de 2005, corroborando as conclusões anteriores da unidade local, foram tributados R$ 6.514.779,49, enquanto na DIRF havia informação de receitas de R$ 19.396.187,54. Vejase a demonstração realizada no Quadro 2 (fl. 1243): Ou seja, no ano de 2004, o excesso de receitas financeiras oferecidas à tributação foi considerado pela autoridade fiscal que se referiam a rendimentos reconhecidos pelo regime de competência e que constavam somente na DIRF de 2005. A seguir, e considerando que não foram apresentados os documentos referentes ao anocalendário de 2003, a autoridade fiscal distribuiu o percentual de rendimentos informados na DIRF 2005 mas oferecidos à tributação tanto em 2005 quanto em 2004, bem como as receitas supostamente tributadas no anocalendário de 2003. Esse raciocínio é refletido no Quadro 3 (fl. 1244): A seguir, partindose do percentual de receitas financeiras constantes na DIRF de 2005 que foram oferecidas à tributação nos anos de 2004 e 2005 (em relação aos quais o contribuinte comprovou seus argumentos mediante apresentação de documentação hábil e idônea), e partindose do total de imposto de renda retido na fonte informado na DIRF 2005, utilizouse esses mesmos percentuais para determinar o IRFonte que deveria compor o saldo negativo pleiteado, conforme demonstrado no Quadro 4 (fl. 1244): Como consequência, constatouse que o contribuinte demonstrou o oferecimento à tributação de 50,77% das receitas financeiras (código 3426) informadas na DIRF 2005 e, por consequência, segundo a autoridade fiscal, faz jus à utilização de R$ 2.009.626,45 de IRFonte na composição do saldo negativo de IRPJ requerido. Diante de tal raciocínio, não há como discordar do método utilizado pelo Fisco, com exceção de um pequeno erro na quantificação do IRFonte que deve compor o saldo Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 10650.900801/201056 Acórdão n.º 1301003.633 S1C3T1 Fl. 1.343 17 negativo: como o total de IRFonte informado na DIRF foi de R$ 3.975.582,01, aplicandose o percentual de 50,77%, chegase a R$ 2.018.402,99. Com efeito, considerandose que no despacho da unidade de origem já se deferiu o total de R$ 1.329.509,74 de IRFonte referente às receitas financeiras em tela, voto por reconhecer o valor de crédito adicional de R$ 688.893,25. No que diz respeito à alegação da Recorrente de que embora a autoridade fiscal tenha reconhecido que o IRFonte informado em DIRF foi de R$ 3.958.295,15 mas não utilizado esse montante na elaboração do Quadro 4, bem como o questionamento de que não haveria validação nos dados utilizados e que necessitaria de esclarecimentos para compreender as respostas ao quesito “c” da última resolução, em especial conciliandose com as conclusões referentes ao quesito “a”, não lhe assiste razão. O fato de a autoridade fiscal não ter utilizado o IRFonte total informado em DIRF decorreu justamente da ausência de comprovação, por parte da própria Recorrente nas inúmeras oportunidades que lhe foram dadas, de que a totalidade das receitas financeiras auferidas foram efetivamente oferecidas à tributação, conforme já explanado alhures. Portanto, indeferese o pedido da Recorrente no sentido de que o Termo de Diligência Fiscal de fls. 12421244 fosse complementado para que pudesse se manifestar novamente, uma vez que os critérios nele utilizados não só estão claros como também congruentes com toda a discussão trazida pela própria Recorrente de que teria oferecido os rendimentos financeiros à tributação com base no regime de competência, fato somente parcialmente comprovado e que deu ensejo ao deferimento parcial de seu pleito. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por indeferir o pedido de complementação do Termo de Diligência Fiscal e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de crédito adicional, em valores originais, de R$ 688.893,25. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1343DF CARF MF
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