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Numero do processo: 11080.009669/2004-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. A lavratura do auto de infração contra a empresa que realmente auferiu o ganho, ao invés daquela empresa veiculo, onde foram efetuados os aportes financeiros e para qual foi dirigido o resultado econômico, relativo ao ganho de capital na alienação de participação societária, não configura erro na identificação do sujeito passivo.
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9101-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado provimento. Votou pelas conclusões em relação à multa qualificada a Conselheira Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Recorrente EWEM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA e ADROALDO CARLOS AUMONTE (sujeito passivo solidário) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. A lavratura do auto de infração contra a empresa que realmente auferiu o ganho, ao invés daquela empresa veiculo, onde foram efetuados os aportes financeiros e para qual foi dirigido o resultado econômico, relativo ao ganho de capital na alienação de participação societária, não configura erro na identificação do sujeito passivo. Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado provimento. Votou pelas conclusões em relação à multa qualificada a Conselheira Karem Jureidini Dias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 96 69 /2 00 4- 72 Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.009669/200472 Acórdão n.º 9101001.945 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A empresa EWEM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA e Sr. ADROALDO CARLOS AUMONTE (sujeito passivo solidário), cientificados do Acórdão 102 22.822, proferido na sessão de 07/12/2006 da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apresentaram RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 7o, inciso II do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época da aludida decisão. Os Recursos Especiais, protocolado em 20/2/2009 e 12/03/2009, fls. 1022/1064 1291/1339 (respectivamente), obtiveram seguimento conforme Despacho 1200 00.105/2010 (fl. 1456 e seguintes), assim redigido (verbis): “(...) Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. As matérias de "1 a 4", (1 Dolo, Fraude, Simulação ou Dissimulação; 2 Qualificação da Multa de Ofício; 3 Decadência do Crédito Tributário; 4 Erro na identificação do Sujeito Passivo) guardam estreita relação, pois decorrem da caracterização da prática de simulação. O voto do relator do acórdão recorrido conclui pela prática de simulação, evidenciada por indícios e por expressa declaração do contribuinte, de que a vontade real estava em desacordo com a vontade declarada nos atos exteriorizados. Discorre os recorrentes que o acórdão paradigma 10809227 trata de "caso idêntico ao presente, resultando aquele recurso da mesma operação glosada". No referido acórdão concluise que a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes dos atos societários com objetivo de economia de impostos, por meio supostamente elisivos, não evidenciam máfé, inerente aos atos fraudulentos, o que descaracteriza a hipótese de qualificação da multa e altera o prazo de decadência. Conclui, ainda, que configura erro na identificação do sujeito passivo quando o fisco não lavra o auto de infração na empresa onde foram efetuados os aportes financeiros e para qual foi dirigido o ganho econômico, quando ela permanece ativa após os fatos considerados simulados. Destarte, nos dois acórdãos foram tratadas a prática de atos societários publicados nos registros competentes, com objetivo de economia de impostos, utilizandose de empresas "intermediárias" na transação. No acórdão recorrido entendeu Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.009669/200472 Acórdão n.º 9101001.945 CSRFT1 Fl. 4 3 se ser a empresa "intermediária", "interposta pessoa", com a prática de simulação e conseqüente conduta fraudulenta, que ensejou a qualificação da multa de oficio e o deslocamento do prazo de decadência, bem como, correto o lançamento no contribuinte que realmente auferiu o ganho de capital. Ao contrário, no acórdão paradigma concluiuse que o lançamento deveria ter sido efetuado em quem foram efetuados os aportes financeiros, empresa "intermediária", não sendo caracterizada a conduta fraudulenta, pois os atos societários foram publicados nos registros competentes e a empresa "intermediária" permaneceu ativa, motivo que entendeu improcedente a aplicação da multa qualificada e o deslocamento do prazo de decadência. Quanto à matéria "Responsável solidário. Impugnação e Recurso Voluntário Apreciação", o acórdão recorrido conclui, como na decisão de primeira instância, que a indicação de responsáveis tributários não passa de mera informação para subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional, não conferindo aos responsáveis a qualidade de sujeito passivo. Assim, carece o Conselho de competência para apreciar o recurso apresentado pelo indicado como responsável solidário. Ao contrário, o acórdão paradigma conclui que um terceiro arrolado no lançamento de oficio como responsável passa a compor a relação jurídico tributária no seu pólo passivo e, dentro dos princípios do contraditório e ampla defesa, tem direito ao recurso. Desse modo, o julgador administrativo tem competência para apreciar a impugnação e o recurso apresentado por esse terceiro acusado. Ante ao exposto, os acórdãos apresentados pela contribuinte, EWEM ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA e pelo sujeito passivo solidário, Adroaldo Carlos Aumonde, cumprem a exigência de demonstrar, fundamentadamente, a divergência de • interpretação de lei tributária entre Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (...)” Cientificada A PGFN, por meio de Procurador da Fazenda Nacional credenciado junto ao CARF, apresentou contrarrazões ao recurso em 1/8/2010 fls. 14241433. Os autos foram encaminhados à CSRF e o processo distribuído a este Relator. É o breve relatório. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.009669/200472 Acórdão n.º 9101001.945 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva Relator Os Recursos Especiais do Contribuinte e do Sujeito Passivo Solidário atendem aos pressupostos Regimentais, vigentes a época da sua interposição, logo deve ser admitido e apreciado. Insurgemse os recorrentes contra o acórdão proferido pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, em síntese, entendeu cabível a tributação do ganho de capital contra a recorrente, pela venda de ações das empresas Elevadores Sur e Astel à empresa Thyssenkrupp Elevadores S/A, considerando simulada a transferência dessas ações à empresa “5246” por um preço mínimo (que a seguir efetuou a venda a Thyrssenkrupp pelo valor real), bem como a aplicação da multa qualificada e responsabilização do Sr. Adroaldo Aumonte (sóciogerente da empresa). Por sua vez, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho apreciou o mesmo litígio em relação a outra empresa que também possuía ações da Elevadores Sur e ASTEC, igualmente vendidas à empresa Thyssenkrupp Elevadores S/A e, mediante acórdão 10809.227 de 28/02/2007, cancelou a exigência nessa parte. Logo, o dissídio jurisprudencial está absolutamente configurado. À melhor compreensão do litígio, inicialmente transcrevo os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do então conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento: “(...) Suscita a recorrente, em preliminar, a nulidade do auto de infração, apontando duas causas dela ensejadora: (i) a impossibilidade de aplicação da norma geral antielisiva introduzida pela Lei Complementar n° 104/2001, que acrescentou o parágrafo único ao art. 116 do CTN, em face da sua não regulamentação e por conta do princípio da irretroatividade das leis, e (ii) o erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que o ganho de capital, objeto do lançamento, não lhe diz respeito, pois quem realizou a permuta das ações foi a empresa 5246. Argüi, também, como preliminar, a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário, defendendo a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, tendo em vista a inexistência dos motivos ensejadores da sua não aplicação. No tocante à segunda causa de nulidade do lançamento e à decadência, o exame passa pelo enfretamento do mérito, uma vez que ambas perdem o sentido se acolhida a ocorrência de simulação, prosperando se diversa for a conclusão. Na companhia da melhor doutrina, não vejo "ilicitude na escolha de um caminho fiscalmente menos oneroso, mesmo Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.009669/200472 Acórdão n.º 9101001.945 CSRFT1 Fl. 6 5 que a menor onerosidade seja a única razão da escolha desse caminho", sob pena de se ter de admitir "o absurdo de que o contribuinte seria sempre obrigado a escolher o caminho de maior onerosidade fiscal" (...) Por isso, o fisco, a quem incumbe desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos atacados, provando que não passam de mera aparência ou ocultam uma outra relação jurídica de natureza diversa,. escamoteando a ocorrência do fato gerador, há de se valer da prova indireta, indícios, que hão de ser graves, precisos, concordantes entre si, resultantes de uma forte probabilidade e indutores de ligação direta do fato desconhecido com o fato conhecido. Dentre os indícios apontados pela doutrina como capazes de provar a simulação, guardam maior pertinência com o caso em análise os seguintes: a existência de motivo para a simulação, a causa simulandi, o interesse que move as partes para celebrar um ato simulado, para mascarar um negócio sob uma forma diferente; a necessidade de realização do negócio simulado; a interposição de pessoas; a falta de execução material do negócio simulado; o pagamento de preço vil, desproporcional ao bem, objeto do negócio. A recorrente expressamente declara que a vontade real das partes sempre foi uma só, qual seja, a transferência do controle acionário das empresas Elevadores Sür e ASTEL, com o que, implicitamente, confessa que a operação apresentada como sendo uma compra e venda de ações em tesouraria com subseqüente e imediata permuta não corresponde à vontade real das partes. A essa declaração, reveladora da realidade subsistente entre as partes, bastante, por si só, para caracterização da simulação, se soma um conjunto de indícios que reforça a convicção da sua prática. Com efeito, o motivo que levou à simulação é evidente, outro não sendo, senão esconder o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital e criar o ágio; salta aos olhos a desnecessidade dos negócios jurídicos celebrados que, apesar de documentados e registrados formalmente, não retratam uma realidade negocial; a utilização de pessoas jurídicas interpostas está fartamente demonstrada, havendo até mesmo participação recíproca; a não realização material das vontades exteriorizadas fica evidenciada, não só pela velocidade cronológica em que os negócios foram celebrados, mas também pela inexistência de qualquer razão comercial e propósito empresarial que possa justificálos; a subavaliação das ações das empresas Elevadores Sür e ASTEL para efeitos de integralização ao capital subscrito na empresa 5246 caracteriza o preço vil. A esses indícios se acrescente a existência dos vícios e irregularidades nos livros sociais da Elevadores Sür apontados pela fiscalização, que vão, desde a grafia errada do nome de Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.009669/200472 Acórdão n.º 9101001.945 CSRFT1 Fl. 7 6 acionistas, à falta de registro de acionista e de transferências de ações, a demonstrar a artificialidade da estrutura montada. Diante disso, resta evidenciado o desacordo entre a vontade real (realizar a venda do controle acionário) e a vontade declarada nos atos exteriorizados (aumento de capital e formação de reserva de capital na 5246; colocação de ações em tesouraria, aumento de capital da 5246 com a conferência, pela recorrente, das açoe da Elevadores Sür e da ASTEL; compra e venda das ações em tesouraria da Elevadores Sür e da ASTEL pelo valor de mercado; permuta pela 5246 das ações em tesouraria que acabara de alienar, pelas ações da Elevadores Sür e da ASTEC), a maioria dos quais, os últimos, praticados no mesmo dia e por meio do mesmo instrumento de contrato. Desse modo, sob pena de se considerar a simulação eficaz como instrumento de economia de tributo, há de se ter por escorreito o lançamento que do tributou o negócio jurídico realmente realizado, sem considerar os atos simulas os, havidos por ineficazes, tendo a conduta fiscal amparo no art. 149, VII, do CTN que como norma geral de direito tributário, abre para a administração tributária, em havendo suspeita de simulação, a competência para investigar a sua existência e se comprovada, praticar o ato de lançamento de oficio, independentemente de sua decretação ou declaração pelo Poder Judiciário. Dessarte, inexiste erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que, afastados os atos simulados, o ganho de capital objeto do lançamento tem como sujeito passivo a recorrente, juntamente com os demais, alienantes das ações da Elevadores Sür e da ASTEL. De igual modo, comprovada a simulação, o prazo decadencial deixa de ser regido pelo art. 150, § 4°, para se submeter ao regramento do art. 173, 1, do CTN,. pelo que nenhuma parcela do crédito tributário foi atingida pela decadência. Inexiste, por outro lado, erro na base de cálculo dos tributos lançados, uma vez que, na apuração do ganho de capital, o valor da venda foi calculado proporcionalmente ao valor pelo qual as ações de Elevadores Sür e ASTEL foram integralizadas na 5246, enquanto o custo de aquisição relativo ao investimento na Elevadores Sür foi zero porque a recorrente, embora tenha sido intimada, não se manifestou, sequer informou seu valor, não podendo ser considerado o custo registrado na contabilidade porque avaliado indevidamente pelo método de equivalendo patrimonial. No tocante à multa de lançamento de oficio, a sua imposição no percentual de 150% é decorrência imperiosa do reconhecimento da simulação fraudulenta. (...)” Grifei. Pois bem, confrontando as razões de decidir acima transcritas com os fundamentos do voto condutor do acórdão 10809.227, da lavra do Ilustre Conselheiro Nelson Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.009669/200472 Acórdão n.º 9101001.945 CSRFT1 Fl. 8 7 Losso Filho, formei pleno convencimento de que o colegiado da Egrégia Terceira Câmara bem decidiu ao deixar de reconhecer o alegado erro na identificação do sujeito passivo. Isso porque, tal qual no caso presente, a simulação deve ser provada pelo Fisco com base em elementos que identifiquem a intenção do agente de operar, por meio legais, situações jurídicas que levem a resultados tributários diversos daqueles previstos nos tos negociais. Consoante asseverado pelo conselheiro Nelson Losso, o Fisco caracterizou perfeitamente a simulação para a fuga da tributação do ganho de capital na venda da participação societária, tendo sido engendrada uma verdadeira parafernália de situações, de aquisição e venda de participação societária, com intuito de mascarar a realidade dos fatos, operações realizadas em questão de horas, em alguns dias. As situações descritas confirmam a simulação: a proximidade temporal dos atos praticados, todas as operações aconteceram no decorrer de horas ou dias; a ausência de motivação econômica para as operações realizadas, que foi apenas um artifício para a pretendida alienação de participação societária; a conclusão de todos os atos questionados e os efeitos das incorporações realizadas e a permuta das ações. Porem, ao contrário do que conclui o ilustre Relator do voto contudor acórdão paradigma, o lançamento foi corretamente lavrado contra a empresa EWEN, responsabilizando solidariamente seu sócio majoritário, Sr. Audroaldo Aumonde. Isso porque o aludido voto, apegouse apenas ao fato de que a empresa “5246”, utilizada como veículo nas operações, continuou em atividade. Ora, deve aqui prevalecer a verdade material, ou seja, o tributo deve ser exigido da empresa que efetivamente obteve o ganho. Tal qual asseverado pela Douta PFN, o principal elemento denunciador da simulação é a divergência entre a vontade das partes e as declarações externadas no diversos atos societários e demais negócios jurídicos implementados para a consecução do suposto planejamento tributário. No presente caso, a seqüência e a cronologia dos atos celebrados denunciam que a real intenção era a de realizar uma operação de compra e venda do controle societário das empresas ELEVADORES SÚR e ASTEL ASSISTÊNCIA TÉCNICA e não a de adquirir 50% das ações de emissão da empresa de veículo 5246 PARTICIPAÇÕES. A finalidade deve prevalecer sobre a forma. Verificase, até mesmo, que nas notas explicativas das Demonstrações Financeiras da ELEVADORES SÚR ao explicar a origem do ágio pago no investimento, omitem a 5246 PARTICIPAÇÕES cuja aquisição, formalmente, é que deu origem ao ágio. A toda evidência, visando o aproveitamento da isenção de que cogita o art. 442 do RIR/99, os alienantes transferiram suas participações societárias em ELEVADORES SUR e ASTEL para 5246 PARTICIPAÇÕES, conferindoas através de integralização de capital e, a seguir, transferirem o controle das duas empresas para o GRUPO THYSSEN KRUPP, mediante uma venda ficta de ações em tesouraria, com subseqüente e imediato recebimento de volta dessas mesmas ações em tesouraria. O interesse real e vontade das partes foi a viabilização da operação de compra e venda das empresas ELEVADORES SUR e ASTEL para o THYSSEN KRUPP com ganhos tributários para ambas as partes, daí os negócios indiretos, quais sejam: ocultar o fato gerador Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 11080.009669/200472 Acórdão n.º 9101001.945 CSRFT1 Fl. 9 8 do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital e criar o ágio a ser amortizado pela adquirente. É de clareza solar a desnecessidade dos negócios jurídicos celebrados que, apesar de documentados e registrados formalmente, não retratam a realidade negocial. Portanto, inexiste erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que, afastados os atos simulados, o ganho de capital objeto do lançamento tem como sujeito passivo a recorrente, juntamente com os demais alienantes das ações das empresas ELEVADORES SÜR e da ASTEL. Noutro giro, comprovada a simulação, o prazo decadencial deixa de ser regido pelo art. 150, § 4°, para se submeter ao regramento do art. 173, 1, do CTN, pelo que nenhuma parcela do crédito tributário foi atingida pela decadência. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento aos Recursos Especiais de Divergência interposto pela Contribuinte e pelo Sujeito Passivo Solidário. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/ 09/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002453/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Comprovada por diligência a inexistência do recebimento de juros sobre o capital próprio que deu origem ao lançamento de ofício, o auto de infração torna-se insubsistente e o lançamento deve ser cancelado
Numero da decisão: 3401-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Robson José Bayerl - Presidente.
Jean Cleuter Simões Mendonça - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Comprovada por diligência a inexistência do recebimento de juros sobre o capital próprio que deu origem ao lançamento de ofício, o auto de infração tornase insubsistente e o lançamento deve ser cancelado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Robson José Bayerl Presidente. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 53 /2 00 9- 45 Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYER L 2 Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados em 30/06/2009, o primeiro exigindo PIS nãocumulativo não recolhido (fls.142/146) e o segundo exigindo a COFINS nãocumulativa também não recolhida (fls.147/150), ambos relativos aos fatos geradores ocorridos em junho, julho e dezembro de 2004, em razão da suposta falta de recolhimento das aludidas contribuições sobre o recebimento de juros de capital próprio. Apesar da impugnação (fls.154/192), a DRJ manteve o lançamento (fls.599/616). A Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário tempestivamente (fls.626/666), alegando: 1 Nulidade do acórdão da DRJ, em razão do cerceamento de defesa ao não apreciar matérias constitucionais arguidas; 2 Inexistência de recebimento de juros sobre capital próprio; Em 01 de março de 2010 a Recorrente atravessou petição (fls. 679/680) desistindo parcialmente do Recurso Voluntário, afirmando que os lançamentos referentes aos meses de junho e dezembro de 2004 foram calculados sobre a base de cálculo correta e mantendo o recurso somente em relação ao período de julho de 2004, sob alegação de que, nesse período, nada foi recebido a título de juros sobre capital próprio e que a Fazenda encontrou esse valor em razão de erro no preenchimento da DIPJ, a qual já foi retificada. A Fazenda apresentou contrarrazões (fls.1.217/1.229), na qual defendeu a validade do acórdão da DRJ, alegou que o PIS e a COFINS incidem sobre os juros de capital próprio, que está prescrita a alegação da recorrente de erro no preenchimento da DIPJ e que a aplicação da Taxa SELIC aos créditos tributários é legal, pedindo, ao fim, que seja negado provimento ao Recurso Voluntário. Na primeira análise do recurso voluntário (fls. 1.296/1.301), ficou decidido que o acórdão da DRJ não contém nulidade, não existiu preclusão quanto ao argumento de erro material e que a retificação da DIPJ é válida. Todavia, também entendeuse que os documentos juntados aos autos não eram suficientes para comprovar a inexistência de recebimento de juros de capital próprio no mês de julho de 2004, motivo pelo qual o julgamento do mérito foi convertido em diligência para que fosse respondido qual o valor recebido pela Recorrente a título de juros sobre o capital próprio no mês de julho de 2004 e se o cálculo efetuado no auto de infração para o mesmo mês está correto. Conforme relatório fiscal (fls. 1.325/1.326), não houve recebimento de juros sobre capital próprio no mês de julho de 2004. A Recorrente se manifestou às fls.1.328/1329, concordando com o relatório fiscal e ratificando o pedido de provimento do recurso voluntário. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19515.002453/200945 Acórdão n.º 3401002.745 S3C4T1 Fl. 421 3 É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A controvérsia que persistia era se a Recorrente havia recebido juros sobre o capital próprio no mês de julho de 2004. Como em diligência ficou constatada a inexistência da receita apontada no auto de infração, concluise que o fato gerador do lançamento é inexistente e que, consequentemente, os autos de infração são insubsistentes em relação às exigências do PIS e da COFINS do mês de julho de 2004. Em relação aos demais meses, não conheço em razão da desistência do contribuinte. Ex positis, dou provimento ao recurso voluntário interposto para cancelar o lançamento do PIS e da COFINS referente ao mês de julho de 2004. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 2014 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ROBSON JOSE BAYER L
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Numero do processo: 10280.000980/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 11/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 11/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Versam os presentes autos sobre recurso voluntário interposto de decisão a quo que julgou procedente em parte a ação fiscal, derivada de Auto de Infração lavrado em virtude de omissão de rendimentos constatada mediante cruzamento de dados de CPMF . Em apertada síntese, o recorrente: a) Os recursos movimentados em suas contas correntes , não consistiram em renda, nem converteram em patrimônio, pois são recursos de terceiros; b) A presunção lançada pela lei é carente de maiores indícios que justifiquem serem os valores transitados na conta corrente do contribuinte equiparáveis a rendimentos tributáveis c) O emprego da Lei 9.430/96 acaba por atingir o que não é renda nem receita; d) A presunção RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .0 00 98 0/ 20 09 -4 1 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.000980/200941 Resolução nº 2802000.114 S2TE02 Fl. 3 2 legal necessita da demonstração de que os créditos bancários não justificados traduziramse em renda não oferecida à tributação e consumida pelo contribuinte; e) E indispensável que a fiscalização verifique a existência de sinais exteriores de riqueza para que conclua que os rendimentos da pessoa física são incompatíveis com os valores informados ao Fisco e a movimentação na sua conta corrente; As informações em questão foram obtidas pela Receita Federal mediante Requisições de Movimentação Financeira – RMF (fls. 16,17,18 e 19) dirigidas aos Bancos: BRADESCO S/A, ABN AM RO REAL S/A, HSBC BANK BRASIL S/A e BANCO DO BRASIL S/A, para obtenção de dados cadastrais e de movimentação financeira em nome do recorrente. Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral pelo pleno STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa naqueles autos pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que, em tese, impõe o julgamento do feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n.1/2012. Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.000980/200941 Resolução nº 2802000.114 S2TE02 Fl. 4 3 contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.000980/200941 Resolução nº 2802000.114 S2TE02 Fl. 5 4 Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao disposto no art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF( Portaria 256/2009) c/c Portaria CARF Nº 1/2012,, ratificado pelas decisões acima transcritas, de modo a impedir a apreciação do mérito do presente feito. Nesses termos, proponho o sobrestamento do presente feito, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314, pelo STF. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13603.900010/2009-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO.
A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.
Numero da decisão: 3803-006.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 00 10 /2 00 9- 46 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Peço vênia aos pares para inserir a este excertos do relatório, parte integrante do Acórdão nº 0930.408 pela abordagem concisa e precisa acerca dos fatos e valores fiscalizados, que estou certo colaborará para a compreensão do imbróglio que ora se examina. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI, PER/DCOMP nº 12196.55464.241005.1.1.017035, relativamente ao saldo credor de IPI de que trata a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, do 1º trimestre de 2004, no montante de R$ 39.975,32, apurado pelo estabelecimento 01.397.854/000205. Para a verificação da legitimidade do saldo credor foi instaurado procedimento fiscal de que resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 28/30. No referido ato, o auditor fiscal asseverou que: 2 DAS INFRAÇÕES GLOSA DE CRÉDITOS IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Conforme admitido pelo próprio contribuinte, às fls. 05 do arquivo Intimacoes_e_Respostas.pdf,anexo ao SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensações, o estabelecimento não industrializa nenhum produto. Apesar das alterações contratuais afirmarem que entre os objetivos sociais, à parte o comércio atacadista, atividade preponderante, encontrarse a "Indústria de Produtos de Panificação", não se observou a saída de qualquer tipo de pães e assemelhados, bem como não foi anotada, nos livros Registro de IPI, nenhuma saída de produto industrializado DENTRO do estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. Da mesma forma, da análise das notas fiscais de entradas com destaque do IPI relacionadas nas PER/DCOMPs, não se observa a entrada de qualquer insumo: são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalha, adquiridos prontos, diretamente da fábrica, e comercializados por atacado no mesmo estado em que chegaram, conforme se observa nas notas fiscais de saídas. Portanto, estes valores solicitados em ressarcimento, e escriturados no Livro Registro de Apuração de IPI pelo contribuinte, se referem a aquisições de produtos de fabricação nacional que são revendidos sem serem submetidos a qualquer tipo de industrialização pela empresa, não ocorrendo o fato gerador do tributo nas suas saídas do estabelecimento. Não se vislumbra como sua atividade e suas saídas de mercadorias se enquadrariam no caso de ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. [...] Diante do exposto, devese então proceder à glosa de todos os valores solicitados a título de ressarcimento pleiteados pelo Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.900010/200946 Acórdão n.º 3803006.334 S3TE03 Fl. 7 3 contribuinte, uma vez que este não promove qualquer tipo de industrialização neste estabelecimento. Os pleitos formulados pela contribuinte foram indeferidos por meio do Despacho Decisório DRF/CON nº 383, de 21/03/11, com fundamento no art. 59 da IN RFB nº 900/08, como também não homologados nos termos do art. 63 do mesmo normativo. O motivo do indeferimento é que a contribuinte não faz jus ao crédito alegado, consoante o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, no art. 4º da IN SRF nº 33/99 e no caput e § 2º do art. 195 do Dec. 4.544/02 (RIPI/02), uma vez que não promove nenhum tipo de industrialização em seus estabelecimentos, portanto não é contribuinte de IPI, posição esta admitida pela própria interessada, e comprovado por meio de termos de verificação fiscal, documentos que lhe serviram de base e análise dos créditos suscitados nos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação. A exceção foi a DComp nº 37863.76863.100904.1.3.018800, relativamente aos créditos do 4º trimestre/2002, pois transmitida em 10/09/04, que restou homologada por disposição legal, nos termos do § do art. 74 da Lei nº 9.430/96, em razão da ocorrência de decadência, mesmo que a ele não fizesse jus a contribuinte. Manifestando a sua inconformidade a interessada aduziu que, em alguns casos, a própria TIPI equipara estabelecimentos atacadistas a estabelecimentos industriais, o que acarretaria no direito ao crédito de IPI; entretanto que no caso da requerente, a mesma faz jus ao crédito de IPI diante da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade. Aduziu, ainda, que no caso dos PAF nº 10603.903598/200817, 10603.903602/200839 e 10603.903604/200828, houve o reconhecimento parcial do ressarcimento de IPI e, que não poderia ser adotado outro critério neste momento, mesmo porque até os créditos solicitados têm os fundamentos legais. Entendeu que o processo cuja declaração de compensação foi homologada caracteriza o direito da requerente aos créditos de IPI, para requer o cancelamento das glosas efetuadas pela fiscalização e o deferimento dos pedidos de compensação de IPI. Os autos foram conclusos para julgamento pela 3ª Turma da DRJ/JFA que, por meio do Acórdão nº 0946.316, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, se pronunciou pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório apurado pela interessada. O voto condutor entendeu que a TIPI é inservível para definir a equiparação de estabelecimento atacadista com o industrial, que essa tarefa diz respeito ao RIPI; que o RIPI/2010 (Dec. 7.212/10) consolida as normas de equiparação desde a publicação da Lei nº 4.502/64, inclusive aquelas vigentes à época dos creditamentos realizados pelo interessado; que traz em seu art. 9º, I a XV, as determinações legais atinentes à matéria. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Mencionou que a extensa e exaustiva lista de produtos constantes do art. 9º desse mandamus, que poderiam ensejar a referida equiparação, dela não consta nenhum dos produtos comercializados pela interessada; que o estabelecimento, conforme com o relato fiscal, não industrializa produtos e apenas revende aqueles adquiridos, nas mesmas condições, não fazendo jus ao creditamento de IPI, nem ao ressarcimento pleiteado; que a DIPJ relativa ao período em questão informa à fl. 156, que não há apuração e informações de IPI no período para, ao final, manter o entendimento esposado no despacho decisório. A interessada ciente da decisão contida no Acórdão nº em 23/08/2010, contra a mesma insurgindose interpôs recurso voluntário em 09/09/2010, reiterando os argumentos expendidos na exordial. No mais informa que tem cadastro no Siscomex e importava produtos de procedência estrangeira e dava saída a esses produtos, e que por longo tempo procedia à industrialização de produtos para panificação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. Por meio de Termos de Verificação Fiscal constatou a autoridade administrativa no estabelecimento do sujeito passivo, que o mesmo não industrializa nenhum produto, assim não é contribuinte de IPI, nem foi observada nenhuma saída de qualquer tipo de pães ou assemelhados, ou mesmo há registros nos Livros de Registro de IPI, de saída de qualquer produto industrializado nesse estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. O referido Termo informou que a fiscalização ao proceder à análise das notas fiscais de entradas com destaque de IPI relacionadas nos Per/DComps, não verificou a entrada de nenhum insumo. Ao contrário, são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalhas, adquiridos prontos, diretamente da fábrica e comercializados por atacado no mesmo estado em que foram adquiridos, conforme comprovam as notas fiscais de saídas. Concluiu a decisão de piso que sobre tais operações de saída não há incidência de fato gerador de IPI, não se aplicando ao caso o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A premissa ensejadora do fato gerador do IPI é o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo. O direito ao crédito presumido do IPI, originariamente, como forma de ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, de que trata a Lei nº 9.363/1996, está disciplinada na Instrução Normativa SRF nº 419/2004. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.900010/200946 Acórdão n.º 3803006.334 S3TE03 Fl. 8 5 A recorrente não logrou refutar as acusações formuladas pela fiscalização seja com argumentos, nem mesmo pela apresentação de documentos hábeis e idôneos. É certo que o inciso I do art. 333 do CPC estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Neste sentido a fiscalização constatou no estabelecimento do sujeito passivo a inexistência de qualquer processo de industrialização e, pelo exame de documentos fiscais e contábeis que lhe foram apresentados, inclusive nas notas fiscais de entrada e de saída, verificou que a impossibilidade material para o surgimento da incidência do dato gerador do IPI. Da sua parte o recorrente não logrou demonstrar, oportunamente, à a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, que pudesse corroborar para a sua pretensão qual seja, de homologação das declarações de compensação e pedido de ressarcimento apresentados por via eletrônica à repartição fiscal. A própria DIPJ/2003 da recorrente, ano calendário de 2002, no que atine ao período em que se deu a apuração do suposto crédito (01/01/2002 a 31/12/2002), informa que não houve apuração e informações de IPI, seja no período integral, ou de apuração mensal. A bem da verdade o que se percebe dos autos é que a recorrente não trouxe em sua defesa nenhum elemento de convencimento material ou jurídico que demonstrasse e que comprovasse à existência dos créditos por ela informados, da sua liquidez e certeza, e o direito à compensação pretendida, eis que não basta constar do objeto social termos como importação e exportação, para lhe assegurar direito à compensação, nos termos da legislação atinente à matéria. Com isso, nos autos constatase apenas a alegação vazia da recorrente acerca do direito creditório à compensação/ressarcimento, sob os auspícios da Lei nº 9.779/99, pois não há substância em sua narrativa. Isto posto pugno por NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13653.000146/99-35
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam
o processo administrativo, não há que ser cancelada, em razão do pedido de
nulidade que não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
DECISÃO JUDICIAL.
É de se obedecer a sentença em seus exatos termos, quando transitada em julgado.
A IN SRF 33/99 regulamentou o art. 11 da lei 9.779/99, por delegação expressa contida nesta norma, disciplinou condições para que o contribuinte pudesse pedir ressarcimento de saldo credor do IPI.
INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2.
É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de
inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, não há que ser cancelada, em razão do pedido de nulidade que não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI DECISÃO JUDICIAL. É de se obedecer a sentença em seus exatos termos, quando transitada em julgado. A IN SRF 33/99 regulamentou o art. 11 da lei 9.779/99, por delegação expressa contida nesta norma, disciplinou condições para que o contribuinte pudesse pedir ressarcimento de saldo credor do IPI. INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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E COM. LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, não há que ser cancelada, em razão do pedido de nulidade que não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI DECISÃO JUDICIAL. É de se obedecer a sentença em seus exatos termos, quando transitada em julgado. A IN SRF 33/99 regulamentou o art. 11 da lei 9.779/99, por delegação expressa contida nesta norma, disciplinou condições para que o contribuinte pudesse pedir ressarcimento de saldo credor do IPI. INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 00 01 46 /9 9- 35 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de pedido de ressarcimento de IPI (fl. 03), apurado no 3º trimestre/1999, no valor de RS 701.082,55, sendo que o seu direito creditório estaria sendo discutido judicialmente, objeto do Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0137970. Ao ressarcimento, a interessada vinculou os Pedidos de Compensação (fls. 04, 81, 82 e 84), em que visa compensar débitos de PIS e COFINS. Com o propósito de afastar a determinação contida nos artigos 4º e 5º, § 3º, da Instrução Normativa SRF nº. 33, de 04/03/1999, que autorizam o ressarcimento de saldo credor de IPI somente se esgotados os créditos existentes na escrita fiscal em 31/12/1998, a interessada impetrou Mandado de Segurança, sob o nº. 2000.38.00.0137970, tendo apontado como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal em Varginha/MG. No referido processo judicial, o pleito de concessão de medida liminar foi indeferido, mas em sentença com exame de mérito, datada de 05/09/2000, o pedido da impetrante foi considerado procedente em parte. Nessa, o juízo a quo decidiu da seguinte maneira: [...] rejeito a preliminar suscitada e CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à compensação dos saldos credores do IPI (art. 11 da Lei nº 9.779/99), decorrentes dos insumos recebidos a partir de 1º de janeiro de 1999 e que não puderem ser compensados com débitos do IPI na saída de seus produtos, bem como em razão de suspensão do IPI na saída pela Lei nº 9.826/99, com diversos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 9.430/96 e Decreto nº 2.138/97), sem a restrição imposta pelo § 3º do art. 5º da IN/SRF nº 33/99, relativa aoesgotamento dos créditos de IPI existentes em 31/12/98. Ressalto, finalmente, que, ao permitir a compensação – que deverá ser realizada extraautos, não estou homologando o pagamento feito pelo contribuinte, com a extinção do crédito tributário, uma vez que é atividade própria da autoridade administrativa, que deverá a tempo e modo próprios, aferir os valores e períodos a serem compensados, em consonância com o aqui decidido. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000146/9935 Acórdão n.º 3802003.570 S3TE02 Fl. 762 3 Ao examinar a legitimidade do pleito, o auditor fiscal relatou no Termo de Verificação Fiscal: “Dando prosseguimento aos trabalhos de verificação fiscal, constatei que o saldo credor existente em 31 de dezembro de 1998, no Livro Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 1.527.864,48, foi anulado e o mesmo passou a ser controlado à margem da escrita fiscal, conforme determinações do §1° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99. Por outro lado, o aproveitamento dos créditos do IPI acima passou a ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saíram foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. Desta forma, conforme quadro demonstrativo de fls. 100 a 103, os débitos pelas saídas, foram controlados à margem da escrita fiscal e aproveitados como créditos na escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI nos trimestres originadores do pedido de ressarcimento, remanescendo em 30 de setembro de 1999, um saldo de 1998 de R$ 935.710,13. Dando ainda prosseguimento aos trabalhos de verificação fiscal, constatei um saldo credor em 30 de junho de 1999, no Livro de Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 700.932,42 (documento de fls. 43), diferente do valor pleiteado no pedido de ressarcimento de fls.01 no valor de R$ 701.082,55, devendo ser glosado do valor pleiteado de ressarcimento, por via de conseqüência, a importância de R$ 150,13.” De todo o exposto concluise que: 1. CONSIDERANDO o disposto no § 3° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99 no qual deixa claro que o aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo 4º , somente será admitido após esgotados os créditos referidos no citado artigo 5º ; 2. CONSIDERANDO a existência na Justiça Federal de Minas Gerais de um processo de n.° 2000.38.00.0137970, na vigésima vara (documentos de fls. 83 a 94), com sentença prolatada em primeira instância, nos autos do Mandado de Segurança, impetrado pela AFL do Brasil Ltda., na qual fica afastada a restrição contida no citado §3° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99; 3. CONSIDERANDO que o processo acima explicitado, encontrase em fase de apelação em Segunda Instância na Justiça Federal e por via de conseqüência SEM TRÂNSITO E M JULGADO; 4. CONSIDERANDO tudo mais que consta do processo administrativo inerente ao Pedido de Ressarcimento de fls. 01, opino por: • Aguardar o trânsito em julgado do processo judicial acima explicitado e, caso seja mantida nessa sentença as restrições às determinações contidas no Fl. 763DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 §3° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99, proceder, S.M.J., ao ressarcimento do IPI no valor de RS 700.932,42 (...); • E, caso seja afastada nessa sentença a ser transitada em julgado, as restrições às determinações do citado §3° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99, proceder, S.M.J., ao indeferimento do pedido de ressarcimento do IPI de fls. 01, no valor de R$ 701.082,55(...).” Após análise das apelações do sujeito passivo e da Fazenda a ação judicial fez coisa julgada favorável à União. Com base no Parecer nº 317/2013 (fls. 249 a 251) a DRFB em Varginha/MG, através do Despacho Decisório de fls. 252, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas. Do Parecer de fls. 249 a 251, extraímos os excertos abaixo: "O Pedido de Ressarcimento de IPI solicitado pelo interessado às fls. 1, foi objeto de análise através do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06 10600.2001.00054 0, o qual culminou pelo não reconhecimento do direito creditório, porém obstado pela existência na Justiça Federal de Minas Gerais do processo de n° 2000.38.00.0137970, cuja ação mandamental garantia a utilização do crédito reclamado, levando a autoridade fiscal à suspensão da exigência, até o trânsito em julgado, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 208 e 209. Em 10/7/2013, a DRF/VAR/SAÇAT/EAC3 informounos do trânsito em julgado do acórdão em 26/6/2013, o qual denegou a segurança, conforme Informação Fiscal DRF/VAR/SACAT/EAC3 n° 150/2013 (fls. 221v). Na sequência legal, através da Informação Fiscal DRF/V AR/SACAT/EAC3 n° 156/2013 (fls. 223), o setor de controle da ação judicial, informounos da reativação dos créditos tributários, ora desvinculados das pendências de compensações e encaminhounos o processo para indeferimento ao Pedido de Ressarcimento e prosseguimento na cobrança dos créditos tributários, conforme já exarado pela autoridade fiscal às fls. 208 e 209. (...) Da análise dosdocumentos que instruem os autos, especialmente, o Termo de Verificação Fiscal, emitido por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06 10600 2001 00054 0, (fls. 208 e 209), constatase que não existe crédito de IPI passível de ressarcimento e/ou compensação, relativo ao 3º trimestre/1999.” Cientificada do Despacho Decisório, em 02/08/2013 (AR à fl. 257), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 257/272) na qual aduz, em síntese: Preliminarmente, alega que Autoridade Fiscal não pode cobrar débitos sem que tenham sido devidamente constituídos, seja por meio de um Auto de Infração ou por meio de uma Notificação de Lançamento. Acrescenta, resta claro que a presente exigência deve ser cancelada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para exigência de tributo. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000146/9935 Acórdão n.º 3802003.570 S3TE02 Fl. 763 5 No mérito, depois de extensa argumentação, a interessa concluiu sua petição nos seguintes termos: a) em razão de a Requerente se creditar do IPI na aquisição de insumos tributados a alíquotas variáveis entre 5% e 15% e vender produtos com suspensão do imposto a partir da edição da Lei n° 9.826/99, passou a acumular saldos credores de IPI sem a possibilidade de compensação com o próprio IPI; b) o artigo 11 da Lei n° 9.779/1999 passou a permitir que os créditos acumulados de IPI a partir de 1999 fossem ressarcidos (pedido de ressarcimento) ou compensados (PER/DCOMP) com tributos federais; c) apesar dessa permissão legal, no que interessa ao presente processo, o artigo 5º , § 3º , da IN n° 33/99 condicionou o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI apurado a partir de janeiro de 1999 ao esgotamento dos créditos acumulados até dezembro de 1998; d) considerando que os créditos de IPI gerados até 1998 somente poderiam ser compensados com débitos de IPI e que a Requerente vendia seus produtos com suspensão do imposto, a Requerente viuse impossibilitada de utilizar o saldo de IPI em sua integralidade; e) por esse motivo, ingressou com o Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0137970 visando discutir todas as restrições impostas pela IN 33/99 para o aproveitamento do saldo credor de IPI. Não obstante isso, o Acórdão transitado em julgado apenas se manifestou sobre o direito ao crédito de IPI anterior a janeiro de 1999, que não é objeto deste processo administrativo. Por esse motivo, a coisa julgada não deve ser aplicada em desfavor da Requerente; f) por outro lado, a Requerente demonstrou que o referido Acórdão deve ser aplicado a seu favor. Isso, porque o acórdão reconheceu (a) o direito à utilização dos créditos de IPI gerados a partir de janeiro de 1999, para fins de ressarcimento e compensação; e (b) a inexistência de créditos de IPI anteriormente a 1999, pelo fato de a Requerente ter efetuado vendas com suspensão do imposto. Em razão desse entendimento, o Acórdão não analisou a constitucionalidade e legalidade do artigo 5º, § 3º, da IN n° 33/99; g) caso assim não entenda, o que se alega apenas para fins de argumentação, é evidente que o acórdão deixou em aberto a questão relativa à validade do artigo 5º , § 3º , da IN n° 33/99, o que deve ser analisado por essa D. Delegacia de Julgamento. Na hipótese, a Requerente demonstrou que esse dispositivo infralegal não poderia impor condições ao aproveitamento do crédito de IPI, sob pena de violação aos princípios da nãocumulatividade e legalidade, previsto nos artigos 153, inciso IV, e § 3º , inciso II , da CF/88; 5o § 2º, da Lei n° 9.826/99; 11 da Lei n° 9.779/1999; e 5o , inciso II , e 150, inciso I, da CF/88, e 97, incisos I, II e V I , do CTN; e Fl. 765DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 h) por fim, mesmo que se entenda pela validade da condição acima, esta não se aplica à hipótese dos autos uma vez que os créditos de IPI gerados até 1998 encontramse esgotados desde 2003 em razão da ocorrência da decadência tributária, nos termos do artigo 1º do Decreto n° 20.910/32. Ora, considerando que ocorreu o esgotamento dos créditos gerados até 1998, é evidente o direito da Requerente ao ressarcimento/compensação do saldo credor de IPI apurado no 3º trimestre de 1999, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, uma vez que não se aplica mais a restrição contida no artigo 5º , § 3°, da IN n° 33/99. I) Assim, com base nos fundamentos de fato e de direito expostos nestes autos, devidamente suportados pelos documentos comprobatórios de seu direito, a Requerente requer se dignem VV. Sas. julgar INTEGRALMENTE PROCEDENTE a presente Manifestação de Inconformidade, para que, reformandose o r. despacho decisório, seja reconhecida a insubsistência da cobrança formulada ou, sucessivamente, o direito da Requerente à integralidade do crédito de IPI pleiteado, com o consequente deferimento do pedido de ressarcimento e o deferimento/homologação das compensações pleiteadas/ declaradas. J) É importante reiterar que as DD. Autoridades Administrativas não questionaram a existência e suficiência do crédito de IPI, mas somente o fato de que se deveria observar o §3º do artigo 5º da IN n° 33/99 antes de ser pleiteado o ressarcimento/compensação em questão. Afastado esse dispositivo infralegal, todos os créditos da Requerente, devidamente demonstrados nos anexos livros de apuração do IPI, devem ser reconhecidos como válidos, ainda que para isso VV. Sas. eventualmente entendam ser necessária a produção de outras provas em direito admitidos, o que desde já se requer, em respeito ao princípio da verdade real. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BEL no 0128.806, de 18/03/2014, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:1999 Ementa: COBRANÇA DE DÉBITOS. A cobrança em decorrência de compensação frustrada, não comporta manifestação de inconformidade, perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto, mas não impede o recurso, para a segunda instância, contra a não homologação da compensação, com efeito suspensivo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. IMPUGNAÇÃO COM PROVAS. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito Fl. 766DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000146/9935 Acórdão n.º 3802003.570 S3TE02 Fl. 764 7 de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. NORMAS PROCESSUAIS. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário importa em renúncia ou desistência à via administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Invoca a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos arts. 151, inc. III do CTN, bem como o art 74, § 11 da Lei de n° 9.430/96 (§ 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003/Lei 10.833/2003). O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de pedido de ressarcimento do IPI, apurados no 3º trimestre/1999, no valor de RS 701.082,55, sendo que o seu direito creditório foi discutido judicialmente, objeto do Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0137970. Do ressarcimento, a recorrente vinculou o Pedido de Compensação com objetivo de compensar débitos de PIS e COFINS. Preliminares Fl. 767DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Inicialmente, a decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, não há que ser cancelada, em razão do pedido de nulidade que não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pelo transcrito, observase que não é o caso, nem ter sido lavrado por pessoa incompetente, tampouco, acarretou em preterição de direito de defesa. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Portanto, sendo improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, não deve ser acolhida a preliminar com esse fundamento. Assim sendo, o despacho indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas. A descrição no despacho é suficientemente clara e objetiva permitindo defesa dos direitos contrariados. Logo, os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e do devido processo legal foram largamente respeitados, impondo rejeitar essa preliminar. No tocante à emissão de cobrança, formalizando a exigência dos débitos não compensados, nada mais é do que a comunicação da existência de débitos declarados pelo próprio contribuinte, pendentes de pagamento, sem qualquer litígio a ser discutido. Portanto, matéria alheia ao processo administrativo fiscal, logo, não se toma conhecimento. Rejeitase, também, esta preliminar. Mérito A recorrente argumenta que os créditos de IPI gerados até 1998 encontramse esgotados desde 2003 em razão da ocorrência da decadência tributária, nos termos do artigo 1º do Decreto n° 20.910/32, e que é evidente seu direito ao ressarcimento/compensação do saldo credor de IPI apurado no 2º trimestre de 1999, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, uma vez que não se aplica mais a restrição contida no artigo 5º, § 3°, da IN n° 33/99. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000146/9935 Acórdão n.º 3802003.570 S3TE02 Fl. 765 9 Observase, que não obstante o despacho decisório ter sido exarado em 17/07/2013, é na data do pedido, ou seja, 24/11/1999 que se deve verificar a existência ou não de créditos de IPI gerados até 1998, logo, descabem os argumentos de que teria ocorrido a decadência tributária em relação aos créditos de 1998. Da mesma forma, a recorrente contrapõe que o Acórdão transitado em julgado apenas se manifestou sobre o direito ao crédito de IPI anterior a janeiro de 1999, e que segundo afirma não é objeto dos autos; porém, a mesma deveria ter recorrido na esfera judicial para se contrapor à decisão da Quinta Turma Suplementar do TRF da 1ª Região. Quando da análise do pleito, a fiscalização tenha constatado que a recorrente é possuidora de saldo credor em 31 de dezembro de 1999 no valor de R$ 131.018,55 e em 31 de março da existência de um saldo credor no valor de R$ 166.150,90, e que o saldo credor existente em 31/12/1998 é mantido à parte da escrituração fiscal, a propositura da ação judicial enveredou a opinar pelo indeferimento do presente pedido administrativo, caso fosse afastada na sentença a ser transitada em julgado, as restrições às determinações do citado §3° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99, que veio a se concretizar no Despacho Decisório, com a denegação do ressarcimento e a não homologação das compensações declaradas. Portanto, a motivação pelo indeferimento do pleito pela Unidade de Origem foi por conta do teor da decisão judicial, transitada em julgado a favor da Fazenda. Observase que o Poder Judiciário quando chamado a apreciar determinada hipótese de lesão ou ameaça a direito, conforme art. 5º, inc. XXXV da Carta Magna, é ele, o Poder Judiciário que decide sobre o caso. A decisão do Poder Judiciário irá, sempre, prevalecer sobre a eventual decisão administrativa. E isto independentemente do tipo de ação proposta. Verificase, portanto, que a sentença é taxativa quanto aos seus limites. Logo, não cabe ao órgão administrativo da RFB reconhecer tal direito, nem processar qualquer compensação, mesmo que relativamente a outros tributos ou contribuições que não aquele determinado pelo poder provocado, ainda que o poder executivo tenha editado legislação acerca da matéria, visto que a autoridade fiscal deve observar integralmente as determinações emanadas do Poder Judiciário, eis que essa esfera é superior e autônoma em relação à esfera administrativa. Destarte, não vejo como ampliar na esfera administrativa o que já foi objeto de decisão clara e restrita na esfera judicial no tocante ao ressarcimento e devida compensação. Como já comentado, a recorrente deveria ter recorrido no campo judicial para se contrapor a decisão proferida. Pelo exposto acima, a sentença definitiva em ação judicial produz os efeitos nos estritos termos em que foi passada. Concluo, assim, que a coisa julgada no âmbito do Poder Judiciário jamais poderá ser alterada, sendo soberanas as decisões do Poder Judiciário, produzindo os efeitos nos estritos termos em que foi passada. Legislação Trata de pedido de ressarcimento de IPI, cujo suposto crédito foi objeto de discussão nos autos do MS referido, bem como o pedido de compensação com créditos tributários de PIS e COFINS; os quais estavam com a exigibilidade suspensa até o Fl. 769DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 encerramento da via judicial. Como a ação judicial fez coisa julgada favorável à União, conforme informação do PAJ 10660.001579/0045. Por sua vez, a recorrente alega, dentre outras, que não poderia a IN SRF 33/99 modificar ou restringir direito concedido por lei e ferir o principio da não cumulatividade do imposto previsto na CF. A IN não criou nenhum direito, mas tão somente veio regulamentar o artigo 11 da lei n° 9.779/99, por delegação expressa contida nesta norma, estatuiu que a condição para que o contribuinte pudesse pedir ressarcimento de saldo credor do IPI, em períodos posteriores a 01/01/99, era demonstrar que o saldo credor acumulado em 31.12.1998, não tivesse afetado o saldo credor dos períodos subsequentes. A Lei 9.779/99 inovou ao possibilitar que o saldo credor acumulado em um determinado trimestre, decorrente da compra de insumos aplicados na industrialização, inclusive de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, o que inovou em relação a legislação do IPI então vigente, e que não pudessem ser compensados com o IPI devido na saída de outros produtos, fossem ser ressarcidos ou compensados, nos termos dos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/96. Contudo, a mesma matriz legal condicionou o exercício do direito às normas que viessem a ser expedidas pela Receita Federal, que veio a fazêlo com a edição daquele ato administrativo. O art. 11 da Lei 9.779 dispõe: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) A IN SRF 33/99, de 04/03/1999 (DOU 24/03/1999), que em seus artigos 4° e 5°, prescreve: "Art. 4°O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos Fl. 770DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000146/9935 Acórdão n.º 3802003.570 S3TE02 Fl. 766 11 recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999. Art. 5° Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. (grifo nosso) § 1° Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. (grifo nosso) § 2 ° O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1° de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. Logo, resta claro que o aproveitamento do saldo credor existente na escrita fiscal do contribuinte em 31.12.1998, só poderia ser aproveitado para abater do IPI devido, atendidas determinadas condições. Dessa forma, não se dá razão à recorrente, tendo em vista que a mesma não possuía débito do IPI gerado até 31/12/98, conforme exigências da IN SRF n° 33/99. Mesmo entendimento é o espelhado no Acórdão de n° 340200.218, de\14/08/2009 (processo de n° 10875.005397/200261), da empresa Fermix Indústria e Comércio LTDA, de relatoria de Nayra Bastos Manatta, cuja ementa dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO IPI. LEI 9.779/99. A IN SRF 33/99, de 04/03/1999, que regulamentou o artigo 11 da lei 9.779/99, por delegação expressa contida nesta norma, estatuiu que a condição para que o contribuinte pudesse pedir ressarcimento de saldo credor do IPI, em períodos posteriores a 01/01/99, era demonstrar que o saldo credor acumulado em 31.12.1998, não afetou o saldo credor dos períodos subseqüentes.Recurso negado. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Inconstitucionalidade de Norma E, por fim, é vedado ao CARF apreciar alegação de inconstitucionalidade de norma, nos termos sumulado abaixo: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por todo o exposto, rejeito as preliminares e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 772DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13653.000135/00-24
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam
o processo administrativo, não há que ser cancelada, em razão do pedido de
nulidade que não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
DECISÃO JUDICIAL.
É de se obedecer a sentença em seus exatos termos, quando transitada em julgado.
A IN SRF 33/99 regulamentou o art. 11 da lei 9.779/99, por delegação expressa contida nesta norma, disciplinou condições para que o contribuinte pudesse pedir ressarcimento de saldo credor do IPI.
INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2.
É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de
inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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E COM. LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, não há que ser cancelada, em razão do pedido de nulidade que não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI DECISÃO JUDICIAL. É de se obedecer a sentença em seus exatos termos, quando transitada em julgado. A IN SRF 33/99 regulamentou o art. 11 da lei 9.779/99, por delegação expressa contida nesta norma, disciplinou condições para que o contribuinte pudesse pedir ressarcimento de saldo credor do IPI. INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 00 01 35 /0 0- 24 Fl. 817DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência justificada de Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de pedido de ressarcimento de IPI (fl. 03), apurado no 3º trimestre/2000, no valor de RS 686.516,18, sendo que o seu direito creditório estaria sendo discutido judicialmente, objeto do Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0137970. Ao ressarcimento, a interessada vinculou os Pedidos de Compensação (fls. 83, 84, 85 e 109), em que visa compensar débitos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Com o propósito de afastar a determinação contida nos artigos 4º e 5º, § 3º, da Instrução Normativa SRF nº. 33, de 04/03/1999, que autorizam o ressarcimento de saldo credor de IPI somente se esgotados os créditos existentes na escrita fiscal em 31/12/1998, a interessada impetrou Mandado de Segurança, sob o nº. 2000.38.00.0137970, tendo apontado como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal em Varginha/MG. No referido processo judicial, o pleito de concessão de medida liminar foi indeferido, mas em sentença com exame de mérito, datada de 05/09/2000, o pedido da impetrante foi considerado procedente em parte. Nessa, o juízo a quo decidiu da seguinte maneira: [...] rejeito a preliminar suscitada e CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à compensação dos saldos credores do IPI (art. 11 da Lei nº 9.779/99), decorrentes dos insumos recebidos a partir de 1º de janeiro de 1999 e que não puderem ser compensados com débitos do IPI na saída de seus produtos, bem como em razão de suspensão do IPI na saída pela Lei nº 9.826/99, com diversos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 9.430/96 e Decreto nº 2.138/97), sem a restrição imposta pelo § 3º do art. 5º da IN/SRF nº 33/99, relativa ao esgotamento dos créditos de IPI existentes em 31/12/98. Ressalto, finalmente, que, ao permitir a compensação – que deverá ser realizada extraautos, não estou homologando o pagamento feito pelo contribuinte, com a extinção do crédito tributário, uma vez que é atividade própria da autoridade administrativa, que deverá a tempo e modo próprios, Fl. 818DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000135/0024 Acórdão n.º 3802003.569 S3TE02 Fl. 818 3 aferir os valores e períodos a serem compensados, em consonância com o aqui decidido. Ao examinar a legitimidade do pleito, o auditor fiscal relatou no Termo de Verificação Fiscal: “Dando prosseguimento aos trabalhos de verificação fiscal, constatei que o saldo credor existente em 31 de dezembro de 1998, no Livro Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 1.527.864,48 foi anulado e o mesmo passou a ser controlado à margem da escrita fiscal, conforme determinações do § 1° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99. Por outro lado, o aproveitamento dos créditos do IPI acima passou a ser efetuado com débitosdecorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1o de janeiro de 1999, com utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saíram foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. Desta forma, conforme quadro demonstrativo de fls. 88 a 91, os débitos pelas saídas, foram controlados à margem da escrita fiscal e aproveitados como créditos na escrituração do Livro Registro de Apuração do IPI até o 1º trimestre de 2000, remanescendo em 31 de março de 2000 um saldo credor de 1998 no valor de 887.458,32. Esclareçase que nesse 3º trimestre de 2000, o estabelecimento industrial não se utilizou de nenhum crédito de 1998 e, por via de conseqüência, não aplicou, no processo produtivo desse trimestre, qualquer matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, inventariados em 31 de dezembro de 1998. Dando ainda prosseguimento aos trabalhos de verificação fiscal constatei que o saldo credor escriturado em 30 de setembro 2000, no Livro de Registro de Apuração do IPI, no valor de RS 686.516,18 (documento de fls. 61), referente ao 3º trimestre de 2000, confere com o Pedido de Ressarcimento de fls. 01, o qual foi protocolado na Receita Federal em 16 de outubro e 2000. De todo o exposto concluise que: 1. Considerando o disposto no § 3° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99 no qual deixa claro que o aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo 4º, somente será admitido após esgotados os créditos referidos no citado artigo 5º ; 2. Considerando a existência na Justiça Federal de Minas Gerais de um processo de n.° 2000.38.00.0137970, na vigésima vara (documentos de fls. 92 a 103), com sentença prolatada em primeira instância, nos autos do Mandado de Segurança, impetrado pela AFL do Brasil Ltda., na qual fica afastada a restrição contida no citado §3° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99; 3. Considerando que o processo acima explicitado, encontrase em fase de apelação em Segunda Instância na Justiça Federal e por via de conseqüência sem trânsito em julgado; Fl. 819DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 4. Considerando tudo mais que consta do processo administrativo inerente ao Pedido de Ressarcimento de fls. 01, opino por: • Aguardar o trânsito em julgado do processo judicial acima explicitado e, caso seja mantida nessa sentença as restrições às determinações contidas no $3° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99, proceder, S.M.J., ao ressarcimento do IPI no valor de R$ 686.516,18 (seiscentos e oitenta e seis mil, quinhentos e dezesseis reais e dezoito centavos); • E, caso seja afastada nessa sentença a ser transitada em julgado, as restrições às determinações do citado § 3° do artigo 5o da Instrução Normativa SRF n.° 33/99, proceder, S.M.J., ao indeferimento do Pedido de Ressarcimento do IPI de fls. 01, no valor de R$ 686.516,18 (seiscentos e oitenta e seis mil, quinhentos e dezesseis reais e dezoito centavos). Após análise das apelações do sujeito passivo e da Fazenda a ação judicial fez coisa julgada favorável à União. Com base no Parecer nº 316/2013 (fls. 144 a 146) a DRFB em Varginha/MG, através do Despacho Decisório de fls. 147, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas. Do Parecer de fls. 144 a 146, extraímos os excertos abaixo: O Pedido de Ressarcimento de IPI solicitado pelo interessado às fls. 1. foi objeto de análise através do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06 10600.2001.000540, o qual culminou pelo não reconhecimento do direito creditório, porém obstado pela existência na Justiça Federal de Minas Gerais do processo de n° 2000.38.00.0137970.cuja ação mandamental garantia a utilização do crédito reclamado, levando a autoridade fiscal à suspensão da exigência, até o trânsito cm julgado, conforme Termo de Verificação Fiscal às fls. 104 e 105. Em 10/7/2013, a DRF/VAR/SACAT/EAC3 informounos do trânsito em julgado do acórdão em 26/6/2013, o qual denegou a segurança, conforme InformaçãoFiscal DRF/VAR/SACAT/EAC3 n° 150/2013 (fls. 118v). Na sequência legal, através da Informação Fiscal DRF/VAR/SACAT/EAC3 n° 157/2013 (fls. 120), o setor de controle da ação judicial, informounos da reativação dos créditos tributários, ora desvinculados das pendências de compensações e encaminhounos o processo para indeferimento ao Pedido de Ressarcimento e prosseguimento na cobrança dos créditos tributários, conforme já exarado pela autoridade fiscal às fls. 104e 105. (...) Da análise dos documentos que instruem os autos, especialmente, o Termo de Verificação Fiscal, emitido por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal n° 06 10600 2001 00054 0, (fls. 104 e 105), constatase que não existe crédito de IPI passível de ressarcimento e/ou compensação, relativo ao 3º trimestre/2000.” Cientificada do Despacho Decisório, em 02/08/2013 (AR à fl. 151), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 152/168) na qual aduz, em síntese: Fl. 820DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000135/0024 Acórdão n.º 3802003.569 S3TE02 Fl. 819 5 Preliminarmente, alega que Autoridade Fiscal não pode cobrar débitos sem que tenham sido devidamente constituídos, seja por meio de um Auto de Infração ou por meio de uma Notificação de Lançamento. Acrescenta, resta claro que a presente exigência deve ser cancelada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para exigência de tributo. No mérito, depois de extensa argumentação, a interessa concluiu sua petição nos seguintes termos: a) em razão de a Requerente se creditar do IPI na aquisição de insumos tributados a alíquotas variáveis entre 5% e 15% e vender produtos com suspensão do imposto a partir da edição da Lei n° 9.826/99, passou a acumular saldos credores de IPI sem a possibilidade de compensação com o próprio IPI; b) o artigo 11 da Lei n° 9.779/1999 passou a permitir que os créditos acumulados de IPI a partir de 1999 fossem ressarcidos (pedido de ressarcimento) ou compensados (PER/DCOMP) com tributos federais; c) apesar dessa permissão legal, no que interessa ao presente processo, o artigo 5º , § 3º , da IN n° 33/99 condicionou o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI apurado a partir de janeiro de 1999 ao esgotamento dos créditos acumulados até dezembro de 1998; d) considerando que os créditos de IPI gerados até 1998 somente poderiam ser compensados com débitos de IPI e que a Requerente vendia seus produtos com suspensão do imposto, a Requerente viuse impossibilitada de utilizar o saldo de IPI em sua integralidade; e) por esse motivo, ingressou com o Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0137970 visando discutir todas as restrições impostas pela IN 33/99 para o aproveitamento do saldo credor de IPI. Não obstante isso, o Acórdão transitado em julgado apenas se manifestou sobre o direito ao crédito de IPI anterior a janeiro de 1999, que não é objeto deste processo administrativo. Por esse motivo, a coisa julgada não deve ser aplicada em desfavor da Requerente; f) por outro lado, a Requerente demonstrou que o referido Acórdão deve ser aplicado a seu favor. Isso, porque o acórdão reconheceu (a) o direito à utilização dos créditos de IPI gerados a partir de janeiro de 1999, para fins de ressarcimento e compensação; e (b) a inexistência de créditos de IPI anteriormente a 1999, pelo fato de a Requerente ter efetuado vendas com suspensão do imposto. Em razão desse entendimento, o Acórdão não analisou a constitucionalidade e legalidade do artigo 5º, § 3º, da IN n° 33/99; g) caso assim não entenda, o que se alega apenas para fins de argumentação, é evidente que o acórdão deixou em aberto a questão relativa à validade do artigo 5º , § 3º , da IN n° 33/99, o que deve ser analisado por essa D. Delegacia de Julgamento. Fl. 821DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Na hipótese, a Requerente demonstrou que esse dispositivo infralegal não poderia impor condições ao aproveitamento do crédito de IPI, sob pena de violação aos princípios da nãocumulatividade e legalidade, previsto nos artigos 153, inciso IV, e § 3º , inciso II , da CF/88; 5o ,§ 2º, da Lei n° 9.826/99; 11 da Lei n° 9.779/1999; e 5o , inciso II , e 150, inciso I, da CF/88, e 97, incisos I, II e V I , do CTN; e h) por fim, mesmo que se entenda pela validade da condição acima, esta não se aplica à hipótese dos autos uma vez que os créditos de IPI gerados até 1998 encontramse esgotados desde 2003 em razão da ocorrência da decadência tributária, nos termos do artigo 1º do Decreto n° 20.910/32. Ora, considerando que ocorreu o esgotamento dos créditos gerados até 1998, é evidente o direito da Requerente ao ressarcimento/compensação do saldo credor de IPI apurado no 3º trimestre de 2000, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, uma vez que não se aplica mais a restrição contida no artigo 5º , § 3°, da IN n° 33/99. I) Assim, com base nos fundamentos de fato e de direito expostos nestes autos, devidamente suportados pelos documentos comprobatórios de seu direito, a Requerente requer se dignem VV. Sas. julgar INTEGRALMENTE PROCEDENTE a presente Manifestação de Inconformidade, para que, reformandose o r. despacho decisório, seja reconhecida a insubsistência da cobrança formulada ou, sucessivamente, o direito da Requerente à integralidade do crédito de IPI pleiteado, com o consequente deferimento do pedido de ressarcimento e o deferimento/homologação das compensações pleiteadas/ declaradas. J) É importante reiterar que as DD. Autoridades Administrativas não questionaram a existência e suficiência do crédito de IPI, mas somente o fato de que se deveria observar o §3º do artigo 5º da IN n° 33/99 antes de ser pleiteado o ressarcimento/compensação em questão. Afastado esse dispositivo infralegal, todos os créditos da Requerente, devidamente demonstrados nos anexos livros de apuração do IPI, devem ser reconhecidos como válidos, ainda que para isso VV. Sas. eventualmente entendam ser necessária a produção de outras provas em direito admitidos, o que desde já se requer, em respeito ao princípio da verdade real. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BEL no 0128.805, de 18/03/2014, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2000 Ementa: COBRANÇA DE DÉBITOS. A cobrança em decorrência de compensação frustrada, não comporta manifestação de inconformidade, perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de objeto, mas não impede o recurso, para a segunda instância, contra a não homologação da compensação, com efeito suspensivo. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000135/0024 Acórdão n.º 3802003.569 S3TE02 Fl. 820 7 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. IMPUGNAÇÃO COM PROVAS. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. NORMAS PROCESSUAIS. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário importa em renúncia ou desistência à via administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Invoca a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos arts. 151, inc. III do CTN, bem como o art 74, § 11 da Lei de n° 9.430/96 (§ 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Medida Provisória nº 135, de 2003/Lei 10.833/2003). O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de pedido de ressarcimento do IPI, apurados no 3º trimestre/2000, no valor de RS 686.516,18, sendo que o seu direito creditório foi discutido Fl. 823DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 judicialmente, objeto do Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0137970. Do ressarcimento, a recorrente vinculou o Pedido de Compensação com objetivo de compensar débitos de PIS e COFINS. Preliminares Inicialmente, a decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, não há que ser cancelada, em razão do pedido de nulidade que não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pelo transcrito, observase que não é o caso, nem ter sido lavrado por pessoa incompetente, tampouco, acarretou em preterição de direito de defesa. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Portanto, sendo improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, não deve ser acolhida a preliminar com esse fundamento. Assim sendo, o despacho indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas. A descrição no despacho é suficientemente clara e objetiva permitindo defesa dos direitos contrariados. Logo, os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e do devido processo legal foram largamente respeitados, impondo rejeitar essa preliminar. No tocante à emissão de cobrança, formalizando a exigência dos débitos não compensados, nada mais é do que a comunicação da existência de débitos declarados pelo próprio contribuinte, pendentes de pagamento, sem qualquer litígio a ser discutido. Portanto, matéria alheia ao processo administrativo fiscal, logo, não se toma conhecimento. Rejeitase, também, esta preliminar. Mérito Fl. 824DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000135/0024 Acórdão n.º 3802003.569 S3TE02 Fl. 821 9 A recorrente argumenta que os créditos de IPI gerados até 1998 encontramse esgotados desde 2003 em razão da ocorrência da decadência tributária, nos termos do artigo 1º do Decreto n° 20.910/32, e que é evidente seu direito ao ressarcimento/compensação do saldo credor de IPI apurado no 2º trimestre de 1999, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, uma vez que não se aplica mais a restrição contida no artigo 5º, § 3°, da IN n° 33/99. Observase, que não obstante o despacho decisório ter sido exarado em 17/07/2013, é na data do pedido, ou seja, 16/08/2000 que se deve verificar a existência ou não de créditos de IPI gerados até 1998, logo, descabem os argumentos de que teria ocorrido a decadência tributária em relação aos créditos de 1998. Da mesma forma, a recorrente contrapõe que o Acórdão transitado em julgado apenas se manifestou sobre o direito ao crédito de IPI anterior a janeiro de 1999, e que segundo afirma não é objeto dos autos; porém, a mesma deveria ter recorrido na esfera judicial para se contrapor à decisão da Quinta Turma Suplementar do TRF da 1ª Região. Quando da análise do pleito, a fiscalização tenha constatado que a recorrente é possuidora de saldo credor em 31 de dezembro de 1999 no valor de R$ 131.018,55 e em 31 de março da existência de um saldo credor no valor de R$ 166.150,90, e que o saldo credor existente em 31/12/1998 é mantido à parte da escrituração fiscal, a propositura da ação judicial enveredou a opinar pelo indeferimento do presente pedido administrativo, caso fosse afastada na sentença a ser transitada em julgado, as restrições às determinações do citado §3° do artigo 5º da Instrução Normativa SRF n.° 33/99, que veio a se concretizar no Despacho Decisório, com a denegação do ressarcimento e a não homologação das compensações declaradas. Portanto, a motivação pelo indeferimento do pleito pela Unidade de Origem foi por conta do teor da decisão judicial, transitada em julgado a favor da Fazenda. Observase que o Poder Judiciário quando chamado a apreciar determinada hipótese de lesão ou ameaça a direito, conforme art. 5º, inc. XXXV da Carta Magna, é ele, o Poder Judiciário que decide sobre o caso. A decisão do Poder Judiciário irá, sempre, prevalecer sobre a eventual decisão administrativa. E isto independentemente do tipo de ação proposta. Verificase, portanto, que a sentença é taxativa quanto aos seus limites. Logo, não cabe ao órgão administrativo da RFB reconhecer tal direito, nem processar qualquer compensação, mesmo que relativamente a outros tributos ou contribuições que não aquele determinado pelo poder provocado, ainda que o poder executivo tenha editado legislação acerca da matéria, visto que a autoridade fiscal deve observar integralmente as determinações emanadas do Poder Judiciário, eis que essa esfera é superior e autônoma em relação à esfera administrativa. Destarte, não vejo como ampliar na esfera administrativa o que já foi objeto de decisão clara e restrita na esfera judicial no tocante ao ressarcimento e devida compensação. Como já comentado, a recorrente deveria ter recorrido no campo judicial para se contrapor a decisão proferida. Pelo exposto acima, a sentença definitiva em ação judicial produz os efeitos nos estritos termos em que foi passada. Concluo, assim, que a coisa julgada no âmbito do Poder Judiciário jamais poderá ser alterada, sendo soberanas as decisões do Poder Judiciário, produzindo os efeitos nos estritos termos em que foi passada. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Legislação Trata de pedido de ressarcimento de IPI, cujo suposto crédito foi objeto de discussão nos autos do MS referido, bem como o pedido de compensação com créditos tributários de PIS e COFINS; os quais estavam com a exigibilidade suspensa até o encerramento da via judicial. Como a ação judicial fez coisa julgada favorável à União, conforme informação do PAJ 10660.001579/0045. Por sua vez, a recorrente alega, dentre outras, que não poderia a IN SRF 33/99 modificar ou restringir direito concedido por lei e ferir o principio da não cumulatividade do imposto previsto na CF. A IN não criou nenhum direito, mas tão somente veio regulamentar o artigo 11 da lei n° 9.779/99, por delegação expressa contida nesta norma, estatuiu que a condição para que o contribuinte pudesse pedir ressarcimento de saldo credor do IPI, em períodos posteriores a 01/01/99, era demonstrar que o saldo credor acumulado em 31.12.1998, não tivesse afetado o saldo credor dos períodos subsequentes. A Lei 9.779/99 inovou ao possibilitar que o saldo credor acumulado em um determinado trimestre, decorrente da compra de insumos aplicados na industrialização, inclusive de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, o que inovou em relação a legislação do IPI então vigente, e que não pudessem ser compensados com o IPI devido na saída de outros produtos, fossem ser ressarcidos ou compensados, nos termos dos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/96. Contudo, a mesma matriz legal condicionou o exercício do direito às normas que viessem a ser expedidas pela Receita Federal, que veio a fazêlo com a edição daquele ato administrativo. O art. 11 da Lei 9.779 dispõe: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. (grifo nosso) A IN SRF 33/99, de 04/03/1999 (DOU 24/03/1999), que em seus artigos 4° e 5°, prescreve: "Art. 4°O direito ao aproveitamento, nas condições Fl. 826DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13653.000135/0024 Acórdão n.º 3802003.569 S3TE02 Fl. 822 11 estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999. Art. 5° Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. (grifo nosso) § 1° Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. (grifo nosso) § 2 ° O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1° de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. Logo, resta claro que o aproveitamento do saldo credor existente na escrita fiscal do contribuinte em 31.12.1998, só poderia ser aproveitado para abater do IPI devido, atendidas determinadas condições. Dessa forma, não se dá razão à recorrente, tendo em vista que a mesma não possuía débito do IPI gerado até 31/12/98, conforme exigências da IN SRF n° 33/99. Mesmo entendimento é o espelhado no Acórdão de n° 340200.218, de\14/08/2009 (processo de n° 10875.005397/200261), da empresa Fermix Indústria e Comércio LTDA, de relatoria de Nayra Bastos Manatta, cuja ementa dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO IPI. LEI 9.779/99. A IN SRF 33/99, de 04/03/1999, que regulamentou o artigo 11 da lei 9.779/99, por delegação expressa contida nesta norma, estatuiu que a condição para que o contribuinte pudesse pedir ressarcimento de saldo credor do IPI, em períodos posteriores a 01/01/99, era demonstrar que o saldo credor Fl. 827DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 acumulado em 31.12.1998, não afetou o saldo credor dos períodos subseqüentes.Recurso negado. Inconstitucionalidade de Norma E, por fim, é vedado ao CARF apreciar alegação de inconstitucionalidade de norma, nos termos sumulado abaixo: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por todo o exposto, rejeito as preliminares e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 828DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10166.721835/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade.
Numero da decisão: 2301-004.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Pedro Henrique Braz Siqueira. OAB: 37.996/DF
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Recorrente DUILIO PEREIRA MARCOZZI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Pedro Henrique Braz Siqueira. OAB: 37.996/DF Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzales Silvério. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 18 35 /2 00 9- 12 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 O presente Auto de Infração é decorrente do fato de a empresa em epígrafe ter deixado de informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, na competência 13/2007, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da mesma, descumprindo, assim, obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV e §§ 3º e 9º, da Lei nº 8.212/91, acrescentados pela Lei nº 9.528/97, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 2º, 3º e 4º do caput do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Consoante os termos do Relatório Fiscal da Infração, fls. 06/16, os fatos geradores que a empresa deixou de informar referemse à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que, eventualmente, prestaram serviços à empresa, na competência 13/2007 (décimo terceiro salário) O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em apertada síntese o seguinte: i) nulidade do auto de infração; ii) que a empresa é optante do Simples; iii) que não apresentou contrato social por ser empresário individual; iv) que não incide contribuição previdenciária sobre alimentação e transporte; e v) que a multa aplicada é confiscatória. A DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo o Auto de Infração tal como lançado. Inconformado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando os argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso não reúne uma das condições de admissibilidade, qual seja, a tempestividade e, portanto, dele não conheço. Isto porque, conforme se extrai dos autos o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ em 20 de julho de 2010 (AR de fl. 612). Contandose o prazo, nos termos dos artigos 5º e 33 do Decreto nº 70.235/721, verificase que o dies a quo se deu em 19 de agosto de 2010. Ocorre que o recurso somente foi protocolado na repartição competente em 24 de agosto de 2010, conforme fl. 614 dos autos, ou seja, no 35º quarto dia após o início do prazo recursal, em dissonância, portanto, com o já mencionado artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Diante dessas considerações, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.721835/200912 Acórdão n.º 2301004.144 S2C3T1 Fl. 634 3 Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 643DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10183.003265/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001.
ENTREGA DE DOCUMENTOS POSTERIOR A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MANUTENÇÃO DO LUCRO ARBITRADO.
A entrega posteriormente ao lançamento de livros e documentos imprescindíveis à apuração do crédito tributário não desqualifica o arbitramento levado a efeito pela Autoridade Lançadora, em conformidade com a Súmula CARF nº 59: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da penalidade se, embora arbitrado o lucro, há intimações não atendidas que exigiram esclarecimentos e documentos distintos dos livros da escrituração do sujeito passivos. QUALIFICAÇÃO. Demonstrado o intuito de fraude, e constata-se que os fatos tributáveis não decorrem de mera presunção legal de omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, a multa qualificada deve ser mantida.
TAXA SELIC. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Indícios convergentes e coerentes no sentido de que a responsável tributária e a autuada compartilharam das mesmas atividades, de ao mesmo parte de seus estabelecimentos e veículos, apresentando-se aos fornecedores e aos clientes como uma única empresa, são suficientes para afirmar a confusão patrimonial e, por conseqüência, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador das exigências questionadas.
Recurso de Ofício Provido
Recurso Voluntário Improvido.
Numero da decisão: 1101-001.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) relativamente à arguição de nulidade, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 2) relativamente ao agravamento da penalidade, por voto de qualidade, foi DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Marcos Vinícius Barros Ottoni e Joselaine Boeira Zatorre; 3) relativamente à legalidade do lançamento, inclusive no que tange à obtenção de informações financeiras, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à qualificação da penalidade, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 5) relativamente aos juros de mora, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 6) relativamente à responsabilidade tributária imputada a Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator) e a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que também fez declaração de voto. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso Relator
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. ENTREGA DE DOCUMENTOS POSTERIOR A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MANUTENÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. A entrega posteriormente ao lançamento de livros e documentos imprescindíveis à apuração do crédito tributário não desqualifica o arbitramento levado a efeito pela Autoridade Lançadora, em conformidade com a Súmula CARF nº 59: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da penalidade se, embora arbitrado o lucro, há intimações não atendidas que exigiram esclarecimentos e documentos distintos dos livros da escrituração do sujeito passivos. QUALIFICAÇÃO. Demonstrado o intuito de fraude, e constata-se que os fatos tributáveis não decorrem de mera presunção legal de omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, a multa qualificada deve ser mantida. TAXA SELIC. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Indícios convergentes e coerentes no sentido de que a responsável tributária e a autuada compartilharam das mesmas atividades, de ao mesmo parte de seus estabelecimentos e veículos, apresentando-se aos fornecedores e aos clientes como uma única empresa, são suficientes para afirmar a confusão patrimonial e, por conseqüência, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador das exigências questionadas. Recurso de Ofício Provido Recurso Voluntário Improvido.
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APURAÇÃO DO IMPOSTO ATRAVÉS DA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO PROFERIDAS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSOS REPETITIVOS. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (recursos repetitivos), devem ser reproduzidas pelos Conselheiros, conforme art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Reprodução do entendimento firmado no REsp 1134665/SP, representativo da controvérsia, de relatoria do Ministro LUIZ FUX, julgado pela Primeira Seção, em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), sobre a utilização da movimentação bancária pelo Fisco para a apuração da omissão de receita, sem prévia autorização judicial, desde que em sede de procedimento administrativo em curso. Aplicação do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. ENTREGA DE DOCUMENTOS POSTERIOR A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MANUTENÇÃO DO LUCRO ARBITRADO. A entrega posteriormente ao lançamento de livros e documentos imprescindíveis à apuração do crédito tributário não desqualifica o arbitramento levado a efeito pela Autoridade Lançadora, em conformidade com a Súmula CARF nº 59: “Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 32 65 /2 00 7- 05 Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 2 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da penalidade se, embora arbitrado o lucro, há intimações não atendidas que exigiram esclarecimentos e documentos distintos dos livros da escrituração do sujeito passivos. QUALIFICAÇÃO. Demonstrado o intuito de fraude, e constatase que os fatos tributáveis não decorrem de mera presunção legal de omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, a multa qualificada deve ser mantida. TAXA SELIC. Súmula CARFnº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Indícios convergentes e coerentes no sentido de que a responsável tributária e a autuada compartilharam das mesmas atividades, de ao mesmo parte de seus estabelecimentos e veículos, apresentandose aos fornecedores e aos clientes como uma única empresa, são suficientes para afirmar a confusão patrimonial e, por conseqüência, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador das exigências questionadas. Recurso de Ofício Provido Recurso Voluntário Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) relativamente à arguição de nulidade, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 2) relativamente ao agravamento da penalidade, por voto de qualidade, foi DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Marcos Vinícius Barros Ottoni e Joselaine Boeira Zatorre; 3) relativamente à legalidade do lançamento, inclusive no que tange à obtenção de informações financeiras, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à qualificação da penalidade, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso; 5) relativamente aos juros de mora, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; e 6) relativamente à responsabilidade tributária imputada a Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator) e a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que também fez declaração de voto. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.276 3 (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Cuidamse de recursos de ofício e voluntário em face da decisão que manteve parcialmente o auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, dos anos calendários 2002, 2003 e 2004, efetuado no regime do lucro arbitrado, em decorrência da infração de omissão de receitas da atividade detectada a partir da movimentação financeira incompatível com as receitas declaradas. O lançamento resultou em R$ 2.399.682,42 de imposto, R$ 5.399.285,40 de multa proporcional de oficio (qualificada c agravada) e R$ 1.667.802,95 de juros de mora calculados até 31 de agosto de 2007. Foram também lavrados os Autos de Infração reflexos (CSLL, contribuição para o PIS e COFINS — f. 434 a 474), totalizando o valor de R$ 11.097.996,36 (incluídos as multas e os juros moratórias). A discriminação desses valores consta à f. 05. O acórdão da Turma Julgadora rejeitou a preliminar de nulidade, indeferiu os pedidos de diligência e de exclusão da responsabilidade solidária e, no mérito, considerou o lançamento procedente em parte, para desagravar a multa de ofício, passando esta de 225% para 150%. A ciência da decisão de primeira instância aos recorrentes foi dada em 19.05.2008, e o responsável solidário apresentou o recurso voluntário, de fls. 1323/1366, em 26.05.2008, e a empresa Impelco apresentou o recurso voluntário, de fls. 1367/1448, postada por sedex, em 18.06.2008 (fls. 1504/1505). Por descrever o procedimento de maneira bastante detalhada, adoto excertos do Termo de Verificação Fiscal (f. 461 a 472) como parte integrante do presente relatório: Convém ressaltar que até então a fiscalização tinha conto parâmetro, a exemplo do que foi constatado em relação ao anocalendário, 2001, por amostragem, que os créditos em contas bancárias ocorridos entre 2002 e 2004, segundo apurado no Termo de Intimação de 01/08/2007, também se referiam a receitas da atividade. Entretanto, a falta de atendimento da dita intimação, que exigiu a apresentação de documentos, também por amostragens para constatação de que os aludidos créditos se referiam a receitas da atividade como em 2001, levaria à Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 4 mudança de parâmetro para capitulação legal da infração passando para "Omissão de Receitas Depósitos sem Origem Comprovada", havendo, contudo, uma pequena parcela de R$ 3.710.921,32 identificada como vendas com cartões de débito e de crédito que serão tributadas como despesas operacionais. Por outro lado, considerando que foram apresentados livros fiscais, com receitas escrituradas no total de RS 85.174.846,19, além das evidências mercadológicas de que IMPELCO era de fato uma empresa do comércio varejista de móveis e eletrodomésticos sob a marca GR ELETRO, bem assim das constatações documentais relativas a 2001, a fiscalização mantém a tributação do total de créditos como receitas da atividade (Receitas Operacionais — Revenda de Mercadorias). As informações financeiras são a única fonte de informação para que a fiscalização determine a matéria tributável, integralmente, de vez que somente parte dos livros fiscais de 2001 foram apresentados, donde se extraiu uma receita operacional de R$ 32.574.570,52 (II. 332), contra R$ 69.833.088,24 movimentados em 07 (sete) instituições financeiras, sem que IMPELCO tenha demonstrado a conexão dessas receitas com o total de recursos batidos em suas contas bancárias. Recursos estes no montante de R$ 61996592,45, como descrito no Termo de Intimação de 13/11/2006, relativos a 2001. Há que se considerar ainda que o acesso às informações financeiras propiciou mais elementos indicativos da sucessão e solidariedade tributárias pela empresa que lhe sobreveio (VESLE MOVEIS). Já no que tange ao período complementar do procedimento (anoscalendário 2002 a 2004), objeto do presente Termo de Verificação, os livros fiscais indicam receitas operacionais no valor de R$44.997.698,18— 2002. R$ 34.431.095,232003. RS 5.746.052.782004, totalizando R$ 85.174.846,19, ficando abaixo do total das operações verificadas nas contas bancárias – R$ 102.865242,58. Todavia, a apresentação dos livros fiscais também corrobora a constatação por meio dos documentos apresentados para comprovação das operações identificadas nos extratos bancários, que os valores extraídos pela fiscalização se referem mesmo a receitas da atividade, como também foi constatado em relação ao anocalendário de 2001. Dessa forma e em virtude da não apresentação dos livros comerciais a apuração do IRPJ e da CSLL se deu com base no regime do lucro arbitrada Não foram apresentadas DIPJ para os anoscalendário 2002 a 2004, tampouco foram confessados nas DCTF os valores do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, referentes aos períodos acima especificados. Nos casos da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, foram confessados em DCTF valores parciais nos períodos de janeiro a março/2002 e janeiro a dezembro/2003 (Fls. 403 a 410), sendo as diferenças apuradas exigidas em outro processo administrativo como insuficiência de pagamento ou declaração. Assim, os reflexos de CSLL abrangem todo o período ao passo que os reflexos de PIS e COFINS se atêm aos períodos de abril a dezembro/2002 e janeiro a dezembro/2004. Como exposto, não foi apresentado nenhum esclarecimento e não foram apresentados os livros da escrituração comercial. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.277 5 Os livros fiscais apresentados também demonstram receitas aquém das efetivamente auferidas consoante constatado nas informações financeiras. No que concerne à aplicação da multa proporcional ao valor do imposto/contribuições, a mesma foi de 150%, por prática, em tese, de infração qualificada como: 1 — Sonegação (art. 71 da Lei n° 4.502/1964), tendo em vista que a contribuinte agiu e omitiu com dolo para impedir e retardar totalmente em relação ao anocalendário 2001 o conhecimento por parte da autoridade fazendária: À f. 475 encontrase Termo de Sujeição Passiva Solidária pelo qual esta é imputada à Veste Móveis e Eletrodomésticos Ltda. A ciência quanto ao Auto de Infração ocorreu em 4 de outubro de 2007 (Impelco), conforme Edital à f. 481 (afixado em 19 de setembro de 2007) e 18 de setembro de 2007 (Vesle), conforme Aviso de Recebimento acostado à f. 479. O acórdão da Turma Julgadora rejeitou as preliminares de nulidade e decadência, indeferiu pedido de exclusão da responsabilidade solidária e, no mérito, considerou o lançamento procedente em parte, para desagravar a multa de ofício, passando esta de 225% para 150%, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Observados os preceitos do art. 10 do Decreto n. 70.235/72 e tendo sido a contribuinte intimada de todo o procedimento realizado, abrindoselhe prazo para manifestação, bem como à responsável solidaria, não há que se falar em nulidade do lançamento. JUNTADA DE PROVAS, DILIGÊNCIA. As provas devem vir juntamente com a impugnação e no prazo desta. Indeferese a diligência por não preencher os requisitos de admissibilidade. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Demonstrada a sucessão de fato, a sucessora se constitui em responsável solidária pelas obrigações da sucedida. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO ARBITRADO. Identificadas as omissões de receitas pelo confronto entre os valores dos depósitos e os documentos relativos aos fechamentos de caixa dos estabelecimentos, procedese ao arbitramento do lucro em face da impossibilidade da apuração do Lucro Real. UTILIZAÇÃO DE DADOS OBTIDOS DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 6 A LeiComplementar n. 105/2001 e a Lei n. 10.174/2001 concedem à Secretaria da Receita Federal do Brasil a possibilidade de utilização de dados obtidos junto a instituições financeiras para fins de fiscalização. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO, Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva estabelecida em lei. O princípio da vedação ao confisco ê endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. MULTA AGRAVADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DO EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Não caracterizado o embaraço à fiscalização, exonerase o lançamento do percentual da multa agravada. JUROS. TAXA SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento, por expressa determinação legal. AUTUAÇÕES REFLEXAS: CSLL, CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. Havendo omissão de receitas e a apuração do IRPJ e da CSLL pelo Lucro Arbitrado, não há que se falar em substituição tributária ou mesmo em apuração não cumulativa. Lançamento Procedente em Parte Dessa decisão a instância julgadora recorreu de oficio ao Egrégio CARF, de acordo com o artigo 34 do Decreto n. 70.235/1972 (com as alterações da Lei n. 8.748/1993), uma vez que o valor exonerado supera o limite de alçada. O IRPJ foi apurado com base no lucro arbitrado, em razão de impossibilidade da utilização do Lucro Real, em conforme autoriza o art. 530 do RIR/99: Em relação aos reflexos de CSLL abrangem todo o período ao passo que os reflexos de PIS e COFINS se atêm aos períodos de Abril a dezembro/2002 e janeiro a dezembro/2004. Consta, ainda, da decisão recorrida que com relação à apuração não cumulativa da contribuição para o PIS e da COFINS, isso não ê possível uma vez que a Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.278 7 sistemática adotada para a apuração do IRPJ e da CSLL foi o Lucro Arbitrado, conforme explicitado em item pretérito. A legislação de regência da matéria é clara nesse sentido: Lei 10.637/2002: Art. 8° Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o P1S/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos uns. 1°a 6º: [...] II — as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado• Lei 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS vigentes anteriormente a esta Lei, 100 se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8º [...] II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; A ciência da decisão de primeira instância aos recorrentes foi dada em 19.05.2008, e o responsável solidário apresentou o recurso voluntário, de fls. 1323/1366, em 26.05.2008, e a empresa Impelco apresentou o recurso voluntário, de fls. 1367/1448, postada por sedex, em 18.06.2008 (fls. 1504/1505). Recorrem, alegando, em síntese, o seguinte: 1 DAS PRELIMINARES NULIDADE POR SUPOSTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Em relação ao mérito, discorda dos valores apurados através da movimentação bancária, diz que, os depósitos bancários em si mesmo não constituem disponibilidade econômica ou jurídica de renda, não gerando consequentemente o Imposto de Renda, nos precisos termos do Art. 43 do CTN. Deste modo é indispensável que o fisco prove o vínculo do valor depositado com a renda não declarada, não contabilizada, para que possa considerála omitida, sob pena de ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. Quanto à responsabilidade prevista no inciso II, do art. 124 do CTN, alega que a ordem jurídica vigente não abriga a chamada responsabilidade solidária objetiva. Para que isso ocorra é indispensável à configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. Quando se aborda a questão da solidariedade entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico é preciso tomar cuidado para não confundir interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador de que cuida o inciso I, do art. 124 do CTN, com o Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 8 interesse econômico no resultado que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Uma coisa é as empresas coligadas terem interesse econômico comum na exploração da atividade. Seguindo esse entendimento, no acórdão lavrado pelos Nobres Julgadores a quo, os mesmos reconhecem que: "Não há, de fato, nenhum documento que apresente de forma explicita a sucessão da autuada pela Vesle." 2 DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA Afirma que a multa exigida Pelo Auto de Infração é manifestamente ofensiva ao princípio constitucional do nãoconfisco, consagrado implicitamente pela Constituição, em seu Artigo, 5º, XXII. Com efeito, as infrações imputadas à Recorrente, se vierem a ser mantidas, não podem elevar o gravame de 75%, uma vez que elas próprias (as infrações) foram apuradas por presunção, especialmente pelo fato de que não há sequer prova da omissão de receitas (o que há é presunção de omissão), como falar que a omissão foi cometida com dolo? Enfatiza que a multa de 150% pressupõe a existência de embaraço, máfé e dolo, o que restou comprovada quando da impugnação que tais alegações não ocorreram, conforme relatado pelos Nobres Julgadores a quo. Conclui afirmando que a multa aplicada em hipótese alguma poderia ser superior a 75% conforme preceitua o inciso I do art. 44 da Lei n.° 9.430/96, sobre o principio constitucional do nãoconfisco. 3 DA ILEGALIDADE DOS JUROS COBRADOS As taxas, divulgadas pelo Sr. Coordenador Geral do Sistema de Arrecadação, através de Atos Declaratórios mensais, é acumulada mensalmente e é muito superior ao permitido pelo art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional. 4 – DEMAIS ARGUMENTOS DE MÉRITO Requer seja exonerado a totalidade do Crédito Tributário pela falta de Origem de valores a Tributar, uma vez restou devidamente suprida e comprovada a totalidade de disponibilidades correspondente à Receitas Operacionais, Duplicatas e demais Créditos à receber inclusive saldos em Caixa no valor de R$ 82.095.156,59, contra os Depósitos a Comprovar no valor de R$ 69.833.088,24, apurando a sobra de Origem devidamente comprovada a maior de R$12.262.068,35, em não concedendo este; Seja julgada extinta a punibilidade por omissão de receita com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, com base na Lei 10.174/2001, mais Acórdãos e Ementas julgados pela própria DRJ, e Conselho de Contribuintes; Seja desvinculada a Empresa VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, da Sujeição Passiva do Rol de Responsabilidade Solidária, por tratarse de Titularidades distintas e pela inexistência de Vinculo, anteriormente comprovado, nos termos do art. 124 da Lei n.° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional); Por fim, seja exonerada a totalidade do presente Auto de Infração, ou seja, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e seus Reflexos: Multa e Juros. 5 – RECURSO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA (VESLE) Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.279 9 O recurso da empresa responsável solidária (VESLE) consta os mesmos argumentos expendidos pela primeira Recorrente, acrescentando que não é nem nunca foi sucessora da empresa IMPELCO LTDA, porque ausente os requisitos para a sua configuração da sucessão empresarial, que somente se opera em situações de transferência de unidades econômicojurídica, isto é, transferência de universalidades, cuja prova não se desincumbiu a fiscalização, não sendo válidas e suficientes as provas carreadas aos autos. À mingua de documentos de que fato comprovem a existência de forma explica de sucessão da empresa autuada (digase de passagem ativa) pela Recorrente, viola não só a finalidade da norma legal contida nos artigos 132 e 133 do código Tributário Nacional, bem como os princípios que devem reger a ordem econômica nacional, elencados pelo legislador constituinte nos art. 170 e 174, tendo em vista que mantença a qualquer custo e de forma ilegal da Recorrente como sucessora da empresa autuada em questão pode acarrear o encerramento das atividades da empresa, com grande prejuízo para o setor em que atua e aumento significativo da taxa de desemprego no Estado e não se desincumbindo a fiscalização de fazer a prova da sucessão empresarial nos termos do artigo 132 e 133 do Código Tributário Nacional, e nos termos da prova ora produzidas pela Recorrente com a juntada dos contratos sociais e contratos de locação, requerse que seja reconhecida a preliminar de Ilegitimidade passiva da Recorrente, excluindoa do auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Os recursos são tempestivos e encontramse revestidos das demais formalidades legais, devendo serem conhecidos. Passo a analisar o recurso de ofício. A multa inicialmente aplicada é majorada em 50% em face de que nenhum esclarecimento foi prestado pela contribuinte, em nenhuma das intimações processadas, passando o percentual para 225%, nos termos da legislação citada no Auto de Infração. Todavia, de acordo com a decisão recorrida ficou demonstrado que, a despeito de não ter sido apresentada todos os documentos contábeis e fiscais que possibilitassem a apuração do imposto pelo Lucro Real, ante as diferenças encontradas pela Fiscalização no cotejo dos mesmos com a movimentação bancária da Recorrente, não houve qualquer tentativa deliberada em causar embaraço à fiscalização, ou contrário, “prestando os esclarecimentos que lhe eram possíveis”, não caracterizando portanto, as circunstâncias previstas no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Preliminar de nulidade Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 10 A preliminar de nulidade por suposto cerceamento do direito de defesa deve ser rejeitado, porquanto a Recorrente foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos e livros fiscais que pudessem justificar a movimentação bancária sem que tivesse atendido de forma satisfatória. Ademais disto, ambas as Recorrentes impugnaram a autuação, bem como foi possível apresentarem recursos de forma satisfatória, demonstrando terem tomado conhecimento dos fatos a elas imputados. Exigência estribada em extratos bancários (Lei nº 10.174/2001) Reservo meu entendimento pessoal sobre a inconstitucionalidade da utilização de informações bancárias para a constituição de crédito tributário, por entender que o sigilo bancário constitui direito fundamental, o qual certamente será confirmado pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Entretanto, no âmbito deste colendo CARF, e mormente deste colegiado, esse assunto tem sido reiteradamente debatido, sendo que tese majoritária tem sido desfavorável aos contribuintes. No caso concreto a exigência não se deu exclusivamente com base em extratos bancários, tendo sido feita a comparação entre os depósitos bancários e os documentos de Caixa dos estabelecimentos da empresa autuada, constatandose ainda a identificação de “depósitos como liquidação de cobrança, venda com cartão de crédito, recebimento por fornecimento, FEDERALCARD, crédito eletrônico, crédito REDE SHOP e cartão VISA ELECTRON.” Ademais disto, as recorrentes não contestam, em nenhum momento, que o total dos depósitos bancários não se referem às receitas da atividade, pelo contrário, corroboram essa afirmação do Auditor Fiscal. Com efeito, a despeito de ainda não haver decisão definitiva pelo STF, com repercussão geral, o assunto também foi objeto de julgamento definitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos a que se refere o art. 543C do CPC, o que, igualmente, determina a reprodução da decisão nos julgamentos deste colendo CARF. Nesse sentido peço vênia para transcrever o Boletim Informativo nº 0417 Período: 23 a 27 de novembro de 2009, da Primeira Seção do STJ, informando que o assunto foi julgado em sede de recurso repetitivo, inclusive no que se refere à possibilidade de aplicação retroativa dos efeitos da Lei Complementar nº 105/2001, in verbis: RECURSO REPETITIVO. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO. No recurso representativo de controvérsia (art. 543C do CPC e Res. n. 8/2008STJ), a Seção reiterou que a quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei n. 8.021/1990 e pela LC n. 105/2001, normas procedimentais de aplicação imediata. Com efeito, o art. 145, § 1º, da CF/1988 faculta à administração tributária, nos termos da lei, criar instrumentos ou mecanismos que lhe possibilitem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente para conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva. Destarte, o sigilo bancário não tem caráter absoluto, cedendo ao princípio da moralidade, aplicável, de forma absoluta, às relações de direito público e privado e, ainda, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias denotam ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Em que pese o direito adquirido de obstar a fiscalização tributária, ele não subsiste frente ao Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.280 11 dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. No caso, a autoridade fiscal pretende utilizar dados da CPMF para apuração do imposto de renda (1998), tendo instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. Precedentes citados: EREsp 806.753RS, DJe 1º/9/2008; EREsp 726.778PR, DJ 5/3/2007; EREsp 608.053RS, DJ 4/9/2006; AgRg nos EREsp 863.702RN, DJe 27/5/2009; AgRg no Ag 1.087.650SP, DJe 31/8/2009; AgRg no REsp 1.078.878SP, DJe 6/8/2009; AgRg no REsp 1.084.194SP, DJe 26/2/2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223RS, DJe 24/11/2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637MG, DJe 21/5/2008, e AgRg nos EDcl no REsp 970.580RN, DJe 29/9/2008. REsp 1.134.665SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25/11/2009 Transcrevo, abaixo, a ementa do recurso representativo da controvérsia: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringirseiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 12 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.281 13 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1134665/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Logo, enquanto o STF não julgar o mérito do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, nenhum recurso subirá à Egrégia Corte, e consequentemente a questão constitucional envolvida no REsp 1134665/SP (discutida no RE correspondente) ficará sobrestada no STJ, vigorando assim o efeito repetitivo atribuído ao mesmo. Assim sendo, em razão do disposto no art. 62A do RICARF, e considerando que o STJ ao julgar o REsp 1134665/SP, submeteu o v. Acórdão ao regime do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, deve ser reputada plenamente válida a utilização de dados bancários para a apuração da omissão de receita. No âmbito deste colendo CARF, foi aprovada a Súmula nº 35, referindose à utilização de depósitos bancários para a apuração de omissão de receita (ainda que se refiram, Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 14 respectivamente à possibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula Vinculante aprovada pela Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010). Desta forma deve ser mantida a higidez do lançamento mesmo tendo sito utilizada a movimentação bancária do contribuinte para no cotejo da documentação apresentada, incompleta por sinal, ensejando a apuração da CSLL com base nos critérios do lucro arbitrado. Além disso, no caso em apreço grande parte dos documentos solicitados foram entregues posteriormente ao lançamento, ensejando a aplicação da Súmula CARF nº 59, que assim dispõe expressamente: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Assim sendo, deve ser mantida a exigência (na parte não decaída), ainda que a apuração da CSLL tenha ocorrido através da utilização de dados bancários, os quais foram utilizados para o arbitramento do lucro, em conformidade com o art. 530 do RIR/99. Multa de Ofício Agravada (150%) A decisão recorrida fez um relato dos fatos que ensejaram o arbitramento do lucro, que em síntese pode ser expresso através da movimentação bancária incompatível com os registros contábeis e documentais decorrentes da atividade empresarial exercida pela recorrente, tendo verificado, contudo que “... a contribuinte não tentou deliberadamente causar embaraço à fiscalização, prestando os esclarecimentos que lhe eram possíveis.”, tendo conseqüentemente reduzido o agravamento da multa, mantendo o percentual de 150% (“tendose em vista o evidente intuito de fraude conforme bem demonstrado pelo auditor e não refutado pela autuada”). Mantendose, por fim a multa de ofício pelo fato de tratarse de lançamento de ofício (“Desse modo, em se tratando de lançamento de oficio, deve ser mantida a multa de igual natureza prevista expressa e especificamente pela legislação tributária”.). Não vislumbro, todavia, pelas circunstâncias narradas pela Fiscalização, ter ocorrido ação dolosa da Recorrente com a intenção de impedir o conhecimento dos fatos por ela praticados, conforme previsto no art. 71, da Lei nº 4.502/64, in verbis: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.282 15 Ao contrário, a decisão recorrida manteve a multa de ofício em 150%, pelo fato da receita ter sido apurada de forma arbitrada (“de igual natureza”), o que, ao meu ver, contraria entendimento já firmado por este colendo CARF através da Súmula Vinculante nº 25, a qual, nesses casos: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula Vinculante aprovada pela Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010). Igualmente preconizam as Súmulas CARF nº 14 e 96, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Importante registrar a doutrina balizadora de Hiromi Higuchi (in Imposto de Renda das Empresas Interpretação e Prática, 39ª Edição, IR Publicações, São Paulo, 2014, p. 117): O art. 538 do RIR/99 dispõe que o arbitramento do lucro não exclui a aplicação das penalidades cabíveis. Isso significa que o arbitramento de lucro é uma forma ou regime de tributação, não constituindo em penalidade. Desta forma deve ser mantida a multa de ofício, em relação ao crédito tributário não decaído, no percentual de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS SELIC Afasto, por fim, o pleito contra a atualização do crédito tributário pela Taxa Selic, conforme autoriza a Súmula CARF nº 4: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sujeição passiva solidária. Peço vênia para transcrever o seguinte trecho do acórdão recorrido relativamente à constatação de relações espúrias entre a Recorrente (IMPELCO) e a VESLE (responsável solidária): Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 16 Contudo, no sistema CNPJ os estabelecimentos matriz e filiais de IMPELCO continuam ativos, em vários dos mesmos endereços da empresa sucessora/solidária, além de haver movimentação financeira em 2002 no valor de R$ 49.283.060,04, de R$ 42.620.634,83 em 2003, de R$ 11.790.083,53 em 2004 e de R$ 58.836,41 em 2005, não havendo entrega de declarações também para esses anos, confirmando a assertiva de que IMPELCO foi "substituída" paulatinamente por VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA., aberta em 06/06/2000, considerando que a marca GR ELETRO continuou no mercado, inclusive com inserções na mídia televisiva e propaganda contínua em listas telefônicas, sendo mais recentemente substituída pela marca FACILAR, adotada no início de 2007 por VESLE. As informações financeiras são a única fonte de informação para que a fiscalização determine a matéria tributável, integralmente, de vez que somente parte dos livros fiscais de 2001 foram apresentados, donde se extraiu uma receita operacional de R$ 32.574.570,52 (fl. 332), contra R$ 69.833.088,24 movimentados em 07 (sete) instituições financeiras, sem que IMPELCO tenha demonstrado a conexão dessas receitas com o total de recursos havidos em suas contas bancárias. Recursos estes no montante de R$ 63.996.592,45, como descrito no Termo de Intimação de 13/11/2006. Há que se considerar ainda que o acesso às informações financeiras propiciou mais elementos indicativos da sucessão e solidariedade tributárias pela empresa que lhe sobreveio (VESLE MÓVEIS). () As provas do recebimento de receitas da atividade são os valores creditados em contas mantidas junto a instituições financeiras, cujas informações foram consolidadas e entregues à contribuinte em meio magnético e posteriormente em papel atendendo a pedido (fls. 319 a 322). Apesar de constar que o acesso às informações bancárias “propiciou mais elementos indicativos da sucessão e solidariedade tributárias pela empresa que lhe sobreveio (VESLE MÓVEIS)”, contudo, o voto condutor do acórdão é taxativo em afirmar não haver de fato, “...nenhum documento que apresente de forma explícita a sucessão da autuada pela Vesle”. Todos os fatos narrados pela Fiscalização, ligando as duas empresas, como proximidade de endereço ou ainda a utilização simultânea de um mesmo imóvel, constituem indícios que deveriam ter sido melhor investigados e apurados, não justificando a atribuição de responsabilidade solidária só através de indícios. Não vislumbro, no caso, a comprovação das circunstâncias previstas no art. 124, I, do CTN (“I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”), nem tampouco aquelas previstas no art. 133 do mesmo diploma legal, que pressupõe a necessidade de aquisição de fundo de comércio, com o encerramento das atividades da alienante, em havendo a continuidade das atividades haverá atribuição de responsabilidade subsidiaria e não solidária. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.283 17 Logo, ainda que os fatos carreados aos autos permitissem atribuir responsabilidade tributária a terceiros, esta seria de natureza subsidiaria e não solidária, para a qual exigiria requisitos específicos, conforme reiterada jurisprudência do colendo STJ: 8. No que concerne à responsabilidade tributária, o artigo 128, do CTN, preceitua que: "Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." 9. A responsabilidade tributária (cujo principal escopo é facilitar o cumprimento da prestação pecuniária devida ao Fisco) tanto pode advir da prática de atos ilícitos (artigos 134, 135 e 137, do CTN), como também da realização de atos lícitos (artigos 129 ao 133, do CTN), sendo certo, contudo, que a sua instituição reclama o atendimento dos requisitos impostos pelo Codex Tributário, quais sejam: (i) a existência de previsão legal; (ii) a consideração do regime jurídico do contribuinte para fins de aferição da prestação pecuniária devida; e (iii) a existência de "vínculo jurídico entre o contribuinte e o responsável que permita a este cumprir sua função de auxiliar do Fisco no recebimento da dívida do contribuinte, sem ter seu patrimônio comprometido" (Octávio Bulcão Nascimento, in "Curso de Especialização em Direito Tributário: Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, pág. 818). 10. Quanto à extensão do dever jurídico imposto ao terceiro, a responsabilidade tributária distinguese em solidária ou subsidiária (em havendo coobrigados) e pessoal, como bem elucida doutrina abalizada: "Será pessoal se competir exclusivamente ao terceiro adimplir a obrigação, desde o início (responsabilidade de terceiros, por infrações e substituição). Será subsidiária se o terceiro for responsável pelo pagamento da dívida somente se constatada a impossibilidade de pagamento do tributo pelo devedor originário. E, finalmente, será solidária se mais de uma pessoa integrar o pólo passivo da relação permanecendo todos eles responsáveis pelo pagamento da dívida." (Maria Rita Ferragut, in "Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002", 2ª ed., 2009, Ed. Noeses, págs. 34/35). 11. Acerca da obrigação tributária solidária, forçoso ressaltar que é de sua essência a unicidade da relação jurídica tributária em seu pólo passivo, o que autoriza a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer um dos coobrigados (contribuintes entre si, responsáveis entre si, ou contribuinte e responsável), que responderá in totum et totaliter pelo débito fiscal. 12. Destarte, exsurge a necessidade de exame dos diplomas legais que regem (ou regeram) as relações jurídicas tributárias Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 18 sub examine (atinentes a fatos imponíveis ocorridos entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999), a fim de se identificar o(s) sujeito(s) passivo(s) eleito(s) pelo ente tributante legiferante e o grau da responsabilidade instituído entre os coobrigados (contribuinte ou responsável). (REsp 719.350/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe 21/02/2011) Desta forma, encaminho meu voto no sentido de determinar a exclusão da recorrente Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda, como sujeito passivo relativamente ao crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração objeto do presente processo, por ausência de elementos materiais que pudessem comprovar a sua responsabilidade pelo crédito tributário exigido no presente processo. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da primeira Recorrente (Impelco), para redução da multa de ofício para o patamar de 75% e dar provimento ao recurso da segunda Recorrente Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda (responsável solidária). (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.284 19 Voto Vencedor EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada. O recurso de ofício decorre da exoneração do crédito tributário correspondente ao agravamento da penalidade, em 50%, assim motivado pela Fiscalização: A multa inicial aplicada é majorada em 50% em face de que nenhum esclarecimento foi prestado pela contribuinte, em nenhuma das intimações processadas, passando o percentual para 225%, nos termos da legislação citada no Auto de Infração. A autoridade julgadora de 1a instância entendeu que o agravamento não era cabível porque: Em diversos pontos das impugnações, são questionados os procedimentos de fiscalização no tocante às intimações e à possibilidade de entrega de documentos e prestação de esclarecimentos. Transcrevemse abaixo alguns desses trechos, referentes ao Termo de Verificação Fiscal: Também foram exigidos livros da escrituração comercial e fiscal, contratos de locação, contrato social e alterações, declarações de rendimentos da empresa (omissa), extratos bancários e fichas de autógrafos nas instituições financeiras. Acusando o recebimento da intimação inicial, foi protocolado pedido de prorrogação de prazo juntamente com a 60a alteração contratual (fls. 12 a 23). (...) Em 06/04/2006 foi protocolado documento (fls. 27 a 29) asseverando que a empresa havia recentemente recebido os livros da Policia Federal (cujo fato teria sido anotado pela fiscalização) e que não houveram tempo hábil para organizar a documentação contábil em face do prazo exíguo fixado pela fiscalização, terminando por requerer mais 30 (trinta) dias de prazo para cumprir as exigências. (...) Findo o prazo adicional, IMPELCO protocolou novo pedido de prorrogação (fls. 284 e 285), que foi acatado sendo o mesmo fixado para 31/01/2007, conforme Termo de Informação Fiscal de 22/01/2007 (fls. 286 a 288), sendo acompanhado do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar n° 013010020050009022 (fl.03). (...) Em 28/02/2007 a fiscalização compareceu no estabelecimento de IMPELCO para verificar a documentação disponibilizada, com vistas a comprovar as origens dos depósitos e demais créditos listados no Termo de Intimação de 13/11/2006. Pela simples leitura dos excertos acima transcritos e comparandose tal relato com os documentos constantes nos autos, verificase que a contribuinte não tentou deliberadamente causar embaraço à fiscalização, prestando os esclarecimentos que lhe eram possíveis. Dessa forma, deve haver a exoneração do agravamento da multa, pelo que essa deve incidir no percentual de 150%, tendose em vista o evidente intuito de fraude conforme bem demonstrado pelo auditor e não refutado pela autuada. Ocorre que o Termo de Verificação Fiscal relata que não só a escrituração comercial e fiscal, e correspondentes arquivos magnéticos foram objeto de sucessivas intimações não respondidas no prazo, assim como houve atraso nas respostas a intimações para Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 20 esclarecimentos acerca de movimentação financeira incompatível, ensejando reintimações e inclusive caracterizando o embaraço que justificou a expedição de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras diretamente às instituições bancárias. O art. 44, inciso I, §2o da Lei nº 9.430/96 autoriza o agravamento da penalidade nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para, dentre outras hipóteses, prestar esclarecimentos. E como se vê nas intimações juntadas aos autos, além dos livros da escrituração do sujeito passivo, foram exigidos contratos de locação, extratos bancários e, especialmente, esclarecimentos sobre a incompatibilidade entre a movimentação financeira (dados CPMF) e a não declaração de rendimentos, conforme ANEXO 01, de forma a demonstrar as origens das operações de depósitos e demais créditos nas contas de depósitos à vista mantidas nas instituições financeiras indicadas. É certo que este Conselho já pacificou o entendimento de que a falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros (Súmula CARF nº 96). Todavia, outros esclarecimentos exigidos não foram prestados no prazo marcado nas intimações, ensejando reintimações, circunstâncias suficientes para legitimar o agravamento da penalidade. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, restabelecendo o agravamento da multa de ofício. Já no que se refere à multa de ofício mantida no percentual de 150%, cumpre ter em conta que a base de cálculo autuada decorre da constatação de receitas auferidas no período fiscalizado, mediante confronto dos depósitos bancários com os documentos apresentados pela contribuinte durante o procedimento fiscal, a partir dos quais foi possível constatar que apenas parte das operações foram contabilizadas pela autuada, e que nem mesmo em relação a esta parcela foram declarados ou recolhidos os valores devidos. Diante deste contexto, a autoridade lançadora expôs que: No que concerne à aplicação da multa proporcional ao valor do imposto, a mesma foi de 150%, por prática, em tese, de infração qualificada como: 1 – Sonegação (art. 71 da Lei n° 4.502/1964), tendo em vista que a contribuinte agiu e omitiu com dolo para impedir e retardar totalmente em relação ao anocalendário 2001 o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1.1 – Da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (por três anos consecutivos, não entregou a DIPJ, deixando de informar o resultado do exercício, a base de cálculo e o regime de tributação; não informou nenhum valor nas DCTF; não apresentou a escrituração comercial para que houvesse possibilidade de apuração da base de cálculo; não comprovou a origem dos créditos em contas mantidas em instituições financeiras, tendo cabido tal tarefa à fiscalização, tudo evidenciando o intuito de omitir informações, com o fito de eximirse do pagamento do imposto/contribuições); 1.2 – Das suas condições pessoais, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal e o crédito tributário correspondente (na condição de rede de lojas na exploração do comércio varejista de móveis e eletrodomésticos, deixou de informar o total das receitas típicas da atividade, inclusive deixando de apresentar declarações, como se não mais estivesse em atividade, sem se importar em esclarecer se os créditos em suas contas bancárias se referiam a esse tipo de atividade ou a outra, levando a fiscalização a apurar os valores pelo regime de lucro arbitrado; ainda, passou toda a rede de lojas a empresa sucessora que, como demonstrado nos anexos, muitas vezes é solidária, ao passo que ambas operaram nos Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.285 21 mesmos estabelecimentos comercias às mesmas épocas; nesse sentido, a autuada desfezse de todo seu patrimônio comercial, reduzindo a ampla rede a apenas um pequeno estabelecimento no endereço constante do cabeçalho). Acrescentese a esta acusação as referências, também trazidas pela Fiscalização, acerca da reiteração desta conduta omissiva por parte da pessoa jurídica SANTEX que, antes da autuada (IMPELCO), foi constituída para operação da marca GR ELETRO: No ano de 2000 foi requisitado procedimento de fiscalização pelo Ministério Público Federal, onde foi constatada a sucessão de SANTEX por IMPELCO – processos números 10183.004979/0011 (arquivado por decadência) e 10183.002620/200125 (créditos inscritos na Dívida Ativa da União). Em ambas as ocasiões os procedimentos de fiscalização foram precedidos de ações policiais de busca e apreensão nos estabelecimentos da contribuinte, que sempre usa a marca GR ELETRO, mudando apenas o CNPJ dos estabelecimentos e abandonando o anterior, categoria em que se inclui IMPELCO, furtandose ao cumprimento das obrigações tributárias. Contudo, no sistema CNPJ os estabelecimentos matriz e filiais de IMPELCO continuam ativos, em vários dos mesmos endereços da empresa sucessora/solidária, além de haver movimentação financeira em 2002 no valor de R$ 49.283.060,04, de R$ 42.620.634,83 em 2003, de R$ 11.790.083,53 em 2004 e de R$ 58.836,41 em 2005, não havendo entrega de declarações também para esses anos, confirmando a assertiva de que IMPELCO foi "substituída" paulatinamente por VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA (vide fls. 02 a 04 do ANEXO IV – QUATRO)., aberta em 06/06/2000, considerando que a marca GR ELETRO continuou no mercado, inclusive com inserções na mídia televisiva e propaganda contínua em listas telefônicas, sendo mais recentemente substituída pela marca FACILAR, adotada no início de 2007 por VESLE. Considerando a forma de apuração, nestes autos, dos fatos tributáveis, não são aplicáveis as Súmula CARF nº 14 e 25, porque não se trata de presunção legal de omissão de receitas, ou de simples apuração de omissão de receitas, e ainda que tenha havido arbitramento dos lucros, outras evidências foram agregadas para demonstração do intuito de fraude. Observese, ainda, que a recorrente limitase a argumentar que não houve embaraço à fiscalização (aspecto antes apreciado em sede de recurso de ofício), e nega a existência de dolo apenas em razão da autuação de fundar em presunção. No mais, afirma confiscatória a penalidade subsistente, ao final pleiteando sua redução para 75% uma vez que reconhecida pelos Nobres Julgadores a quo que: “a contribuinte não causou embaraço à fiscalização, prestando os esclarecimentos que lhe eram possíveis”. Ocorre que o percentual de 150% está previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 para as exigências de ofício nas quais restar caracterizado o intuito de fraude, aqui presente em razão das evidências reunidas pela Fiscalização acerca da deliberada intenção da contribuinte de, reiteradamente praticando fatos jurídicos tributáveis, deixar de escriturálos adequadamente de modo a subtraílos da incidência tributária. O contexto fático assim compreendido impõe, também, a manutenção da responsabilidade tributária imputada a Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda. As recorrentes argumentam que para caracterização da solidariedade tributária não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, ou a interdependência entre as empresas, Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 22 caracterizada pela composição do capital ou pela identidade de pessoas que compõe as sociedades. E destacam que a própria autoridade julgadora de 1a instância reconheceu que não há, de fato, nenhum documento que apresente de forma explícita a sucessão da autuada pela Vesle. Contudo, na forma da doutrina referida pelas recorrentes, há interesse comum imediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência, e o benefício decorrente do fato gerador é compartilhado pelas pessoas jurídicas quando há confusão patrimonial revelada, no caso, pela atuação conjunta da autuada e de Vesle Móveis e Eletrodomésticos nas atividades verificadas no período fiscalizado. As recorrentes transcrevem ementas de julgados que afastam a solidariedade decorrente da participação relevante de uma pessoa jurídica no capital de outra, ou da caracterização de grupo econômico entre empresa arrendadora e instituição bancária, mas tais circunstâncias são totalmente distintas daquelas presentes nestes autos. Como visto, os fatos jurídicos tributários foram constatados ao longo dos anoscalendário 2001 a 2004, ao passo que Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda iniciou suas atividades em 06/06/2000, como demonstram as recorrentes, e durante o procedimento fiscal a autoridade lançadora constatou que: Verificase que a contribuinte foi instada a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea a origem das operações que deram causa a depósitos e créditos nas contas bancárias da ordem de R$ 63.996.592,45. Na seqüência, a partir das mencionadas cópias de cheques, foram intimados diversos fornecedores (fls. 228 a 277) para esclarecerem as operações advindas dos pagamentos, com quem as operações haviam sido firmadas no estabelecimento da contribuinte ou de outra empresa, onde os objetos das operações haviam sido entregues e se os sócios da contribuinte avalizaram operações de terceiros, sobremaneira de empresa tida como sucessora e devedora solidária (VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA. — adiante denominada VESLE). As respostas formam o ANEXO II (DOIS) deste processo administrativo. No fim do ANEXO (fls. 227 a 230) consta relatório que compila as estreitas ligações entre a contribuinte (de agora em diante denominada IMPELCO) e VESLE, ficando evidente que as duas empresas, por meio de seus sócios, concorrem para os mesmos objetivos até que uma suceda a outra. Já pelos documentos, planilhas e análises do ANEXO III (TRÊS) deste processo administrativo, além das evidências de que as duas empresas trabalharam em conjunto na realização de suas atividades sociais, fica também caracterizada a sucessão de IMPELCO por VESLE, em síntese, como segue: PLANILHA 01 (fls. 21 e 22 do ANEXO): demonstra as coincidências dos endereços constantes dos livros fiscais entregues à fiscalização em 25/04/2006 com os endereços constantes dos cadastros bancários, do CNPJ e do CNPJ de VESLE. PLANILHA 02 (fls. 23 e 24 do ANEXO): compila os endereços constantes dos cadastros bancários e cruzaos com livros fiscais, CNPJ de VESLE e CNPJ de IMPELCO. PLANILHA 03 (fls. 25 a 30 do ANEXO): identifica as coincidências de vários endereços de IMPELCO e VESLE com base nos dados informados pelas mesmas no CNPJ, cujas pesquisas estão ordenadas na seqüência da planilha em questão. PLANILHA 04 (fls. 153 a 155 do ANEXO): indica as coincidências de datas e endereços na utilização de endereços por IMPELCO e VESLE, segundo dados do CNPJ identificando ainda endereços vizinhos e intervalos em que uma supostamente mudouse de um determinado endereço e outra começou a atividade logo depois; Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.286 23 também está demonstrado o envolvimento de mais 05 (cinco) empresas de compõem a cadeia de sucessão até culminar em VESLE. LISTAS TELEFÔNICAS (fls. 156 a 205): de Mato Grosso (2001 a 2006) e obtidas na internet (28/11/2006) confirmam as evidências de sucessão de IMPELCO por VESLE e de solidariedade tributária entre VESLE e IMPELCO; os fatos constam da ANÁLISE DOS DADOS OBTIDOS, item "5". ANÁLISE DOS DADOS (fls. 206 a 214): evidencia de forma inequívoca as estreitas ligações operacionais de IMPELCO e VESLE, abordando os dados compilados nas PLANILHAS e LISTAS TELEFÔNICAS. PROCESSO JUDICIAL (fls. 215 a 284): ao final do ANEXO em comento, consta peça que tramitou na 3ª Vara da Seção Judiciária do Acre, onde se vê que as investigações sobre sucessão e solidariedade entre IMPELCO e VESLE corroboram de forma sólida os fatos levantados pela fiscalização, sobretudo pela riqueza de provas, identificação de novos endereços utilizados pelas duas empresas, identificação de que veículos registrados em nome de IMPELCO eram utilizados por estabelecimentos de VESLE, confirmação da logomarca GR ELETRO por ambas as empresas (já evidenciado no CNPJ, inclusive das cinco outras empresas citadas — PLANILHA 04). As recorrentes reproduzem estas constatações para afirmar que estes fatos além de não caracterizar a solidariedade do artigo 124, como quer o Auditor, não correspondem às provas exigidas pelo artigo 132 e 133 do Código Tributário nacional, para se ter sucessão empresarial. E, sob esta última vertente, reproduzem ementas de julgados contra a caracterização de sucessão sem a prova de uma relação jurídica entre o alienante e o adquirente, ou sem a acusação, anterior à penhora, da ocorrência de sucessão ou confusão entre as empresas. Citam, ainda, julgado proferido em face de embargos à execução opostos por Velse Móveis e Eletrodomésticos Ltda, no qual foi afastada a aplicação do art. 133 do CTN em razão das evidências de que IMPELCO permanecia ativa, embora constatado que a embargante possuía loja com o nome fantasia GR ELETRO. Concluem, assim, que não houve sucessão porque ambas empresas permanecem ativas, não há plena identidade entre os endereços das filiais e não há prova de aquisição do fundo de comércio. Arrematam reportandose aos efeitos danosos que a responsabilidade tributária acarretaria a suas atividades, e indicando ofensa a dispositivos constitucionais. Ocorre que as circunstâncias que ensejam a responsabilidade tributária foram apuradas pela autoridade lançadora no plano fático, e não jurídico, impossibilitando a afirmação de que teria ocorrido uma circunstâncias previstas nos arts. 132 e 133 do CTN. Assim, antes da sucessão, a autoridade lançadora claramente afirma que os elementos juntados ao Anexo III evidenciam que as duas empresas trabalharam em conjunto na realização de suas atividades sociais. E isto porque, junto a fornecedores foram coletadas informações acerca do intermediário das operações firmadas no estabelecimento da contribuinte ou de outra empresa, do local onde os objetos das operações haviam sido entregues e da atuação de sócios da contribuinte avalizando operações de terceiros, sobremaneira de VESLE, em razão das quais concluiuse que as duas empresas, por meio de seus sócios, concorrem para os mesmos objetivos, e trabalharam em conjunto na realização de suas atividades sociais, aspecto inclusive que desmerece a alegação de que as pessoas jurídicas teriam quadros societários distintos. Logo, a Fiscalização não se prendeu apenas à coincidência entre endereços nos quais as pessoas jurídicas exerciam suas atividades, e inclusive constatou que veículos registrados em nome de IMPELCO eram utilizados por estabelecimentos de VESLE e ambas compartilhavam a logomarca GR ELETRO. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 24 As recorrentes, por sua vez, não enfrentam estas acusações. Daí a conclusão da autoridade julgadora de 1a instância no sentido de que, apesar de inexistir documento que apresente de forma explícita a sucessão da autuada pela Vesle, o Anexo III a estes autos reúne evidências suficientes para ensejar a solidariedade prevista no art. 124, I do CTN. Em tais condições, o fato de ambas as empresas estarem em atividade no período autuado somente reforça a solidariedade constatada pela autoridade lançadora. Assim, apesar de a acusação fiscal se basear em indícios, eles são convergentes e coerentes no sentido de que IMPLECO e VESLE compartilharam das mesmas atividades, de ao mesmo parte de seus estabelecimentos e veículos, apresentandose aos fornecedores e aos clientes como uma única empresa, circunstâncias suficientes para afirmar a confusão patrimonial e, por conseqüência, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da presente exigência, hábil a justificar a imputação de responsabilidade solidária na forma do art. 124, I do CTN. Estas as razões para, além de DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntário, mantendo inclusive a multa qualificada de 150% e a imputação de responsabilidade solidária a Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada. Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.287 25 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Registro que, no mérito, acompanho o I. Relator em suas conclusões acerca da validade da prova constituída a partir de extratos bancários requeridos pela autoridade fiscal junto às instituições financeiras, e acrescento a abordagem, contida na decisão recorrida, acerca da acusação fiscal que, no caso, não se limitou a presumir omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, mas sim confrontouos com os documentos que, embora não contabilizados, foram apresentados à Fiscalização, concluindo que os valores computados na acusação correspondiam a receitas da atividade: Relativamente à omissão de receitas, fato motivador do lançamento de ofício, são transcritos abaixo trechos do Termo de Verificação Fiscal, que evidenciam a forma como procedeu o Auditor Fiscal: Em 28/02/2007 a fiscalização compareceu ao estabelecimento de IMPELCO para verificar a documentação disponibilizada, com vistas a comprovar as origens dos depósitos e demais créditos listados no Termo de Intimação de 13/11/2006. Naquela oportunidade, após a análise da documentação, foi emitido o Termo de Intimação de mesma data (fls. 291 a 297 e verso), indicando que: 1 – Não foi prestado nenhum esclarecimento sobre a questão, mas apenas apresentação de parte de livros fiscais e do livro Diário integral, sem demonstrações contábeis e sem plano de contas; 2 – A documentação disponibilizada, de grande volume, estava separada por fechamentos de caixa das lojas, evidenciando que os depósitos listados no supradito Termo de Intimação se referem a receitas da atividade da empresa, sem, contudo, haver um controle efetivo para conciliação com a escrituração comercial; 3 – Para confirmação dessa assertiva foram selecionados os maiores créditos em cada uma das contas bancárias para que os documentos fossem separados, a fim de que a fiscalização os analisasse; 4 – Com base nesses mesmos valores selecionados a fiscalização constatou que muitos deles não constavam do livro Diário apresentado. Por esse histórico, a fiscalização estendeu o procedimento para apuração dos créditos tributários também para os anos de 2002 a 2004, conforme Termos de Intimação 06/03/2007 (fls. 298 a 302), concedendo 20 (vinte) dias para apresentação dos elementos. (...) Em 07/03/2007 os documentos disponibilizados em atendimento ao Termo de 28/02/2007 foram retidos por Termo próprio (fls. 303 e 304), onde se vê que: 1 – Parte dos depósitos e créditos encontrados no Diário têm consonância com os comprovantes; 2 – Parte dos depósitos e créditos não encontrados no Diário tiveram os comprovantes apresentados (indicando que nem todas as operações foram devidamente escrituradas); 3 – Parte dos depósitos e créditos identificados como transferências entre contas bancárias no Diário não tiveram os comprovantes apresentados; 4 – Parte dos depósitos e créditos não foram encontrados no Diário e não tiveram os comprovantes apresentados (indicando novamente que nem todas as operações foram devidamente escrituradas ou que não há controles que certifiquem os dados constantes da escrituração). Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 26 Com base nessa amostragem, ficou evidente que os depósitos e créditos havidos nas contas bancárias de IMPELCO se referem a receitas de sua atividade, sobremaneira nos que são especificamente identificados como tal (liquidação de cobrança, venda com cartão de crédito, recebimento por fornecimento, FEDERALCARD, crédito eletrônico, crédito REDE SHOP e cartão VISA ELECTRON). Dessa forma, elaborouse o Termo de Constatação de 09/03/2007 (fls. 307 a 317) acerca das circunstâncias acima, bem assim das bases de cálculo de tributos e contribuições relativos ao anocalendário 2001, além de abrir prazo para manifestações pertinentes e indicação do regime de tributação (lucro real anual ou lucro real trimestral) no caso de apresentação de escrituração comercial completa dentro do prazo concedido. Logo após a análise dos documentos de caixa os mesmos foram devolvidos em 12/03/2007, de acordo com Termo próprio (fl. 318). Não houve manifestação acerca do Termo de Constatação de 09/03/2007. Todavia, em relação ao Termo de Intimação de 06/03/2007 (abrangendo o período de exame para os anoscalendário de 2002 até 2004), IMPELCO apresentou em 03/04/2007 pedido de prorrogação de prazo (fl. 320), que foi deferido parcialmente pelas razões expostas no Termo de Informação Fiscal de 04/04/2007 (fls. 321 a 324). Ao fim do prazo (04/05/2007), IMPELCO não apresentou quaisquer dos elementos solicitados, sobretudo os livros comerciais e fiscais, que há muito deveriam estar escriturados, valendo ressaltar que nem mesmo em relação a 2001, depois de mais de um ano do início do procedimento, foi apresentada a totalidade de livros daquele período. (...) As informações financeiras são a única fonte de informação para que a fiscalização determine a matéria tributável, integralmente, de vez que somente parte dos livros fiscais de 2001 foram apresentados, donde se extraiu uma receita operacional de R$ 32.574.570,52 (fl. 332), contra R$ 69.833.088,24 movimentados em 07 (sete) instituições financeiras, sem que IMPELCO tenha demonstrado a conexão dessas receitas com o total de recursos havidos em suas contas bancárias. Recursos estes no montante de R$ 63.996.592,45, como descrito no Termo de Intimação de 13/11/2006. Há que se considerar ainda que o acesso às informações financeiras propiciou mais elementos indicativos da sucessão e solidariedade tributárias pela empresa que lhe sobreveio (VESLE MÓVEIS). Já no que tange ao período complementar do procedimento (anoscalendário 2002 a 2004), objeto do presente Termo de Verificação, os livros fiscais indicam receitas operacionais no valor de R$ 44.997.698,18 – 2002, R$ 34.431.095,23 – 2003, R$ 5.746.052,78 – 2004 (fls. 333 a 335), totalizando R$ 85.174.846,19, ficando abaixo do total das operações verificadas nas contas bancárias – R$ 102.865.242,58. Todavia, a apresentação dos livros fiscais também corrobora a constatação por meio dos documentos apresentados para comprovação das operações identificadas nos extratos bancários, que os valores extraídos pela fiscalização se referem mesmo a receitas da atividade, como também foi constatado em relação ao anocalendário de 2001. Dessa forma e em virtude da não apresentação dos livros comerciais a apuração do IRPJ e da CSLL se deu com base no regime do lucro arbitrado. (...) As provas do recebimento de receitas da atividade são os valores creditados em contas mantidas junto a instituições financeiras, cujas informações foram consolidadas e entregues à contribuinte em meio magnético e posteriormente em papel atendendo a pedido (fls. 319 a 322). Nesse ínterim, as informações foram confrontadas, por amostragem, com documentos apresentados mediante intimação, ficando constatado que se tratavam de receitas da atividade. Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.288 27 Verificase que a autuação não está baseada na presunção de omissão de receitas conforme o disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/1996. O que ocorreu foi a comparação entre os depósitos bancários e os documentos de Caixa dos estabelecimentos da empresa autuada, inclusive havendo a identificação de depósitos como liquidação de cobrança, venda com cartão de crédito, recebimento por fornecimento, FEDERALCARD, crédito eletrônico, crédito REDE SHOP e cartão VISA ELECTRON. Tendo em vista esse procedimento para o anocalendário 2001, foi estendido para os de 2002 a 2004, ante a não apresentação da escrita contábil em condições de se proceder às análises pertinentes. Não há que se falar, pois, em presunção de omissão de receitas ou mesmo de lançamento baseado exclusivamente em depósitos bancários. Prejudicadas estão, portanto, as alegações nesse sentido, bem como as baseadas na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, ou mesmo aquelas em que a fundamentação é a de que meros depósitos bancários não se caracterizam como receita. Com relação especificamente a esse tópico, são as seguintes as argumentações expendidas pelas impugnantes: 13 Restando o Auto de Infração sobre as informações financeiras totalmente equivocadas; o Senhor Auditor Fiscal quando diz que lavrou o presente Auto de Infração sobre a movimentação financeira apresentada no valor de R$ 102.865.242,58, relativamente aos anos calendários de 2002, 2003, e 2004. Cabendo ser analisado o que segue: a No valor correspondente as operações financeiras, não foram deduzidas: os valores correspondentes aos cheques devolvidos; empréstimos bancários, ou até mesmo estornos" de créditos; não concordando a Impugnante com o valor apurado com a soma à título de depósitos Bancários, devendo o valor correto ser apurado através de diligência fiscal. b A Impugnante discorda dos valores apurados pelo Senhor Auditor e apresentados como contrapartida dos Depósitos Bancários, pois o mesmo simplesmente apurou somente, o valor correspondente à Receita efetivada no ano base, esquecendose de acrescentar os valores correspondentes as Duplicatas a Receber existentes em 31.12.2001, bem como os valores consignados no mesmo balanço tais como saldo positivo das contas Bancárias e o Saldo representado em Caixa; c Pelo que consta, no relato do Senhor Auditor Fiscal, o mesmo não é digno de fé, pois está completamente equivocado, analisandose: SALDOS ANTERIORES DE DISPONIBILIDADES (+) Saldo Duplicatas a Receber em 31.12.2001...........R$ 45.590.166,66 (+) Saldo de Caixa 31.12.2001..........................................R$253.814,64 () Saldo Negativo de Bancos em 31.12.2001.....................R$152.626,81 (=) TOTAL DISPONIBILIDADES em 31.12.2001 R$ 45.691.354,49 (+) Saldo de disponibilidades em 31.12.2001...........R$ 45.691.354,49 (+) Receita Operacional ano base 2002 ......................R$ 50.070.515,43 () A mov. Bancária DE 2002, apurou um resultado de R$ 49.201.377,56 (=) Valor Total Sobras Disponíveis..............................R$ 46.560.492,36 (+) Saldo de disponibilidades em 31.12.2002...........R$ 46.560.492,36 (+) Receita Operacional ano base 2003 ......................R$ 34.611.065,56 ( ) A movimentação bancária apurou um resultado de R$ 42.373.253,53 (=) Valor Total Sobras Disponíveis..............................R$ 38.798.304,39 Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 28 (+) Saldo de disponibilidades em 31.12.2003 .............R$ 38.798.304,39 (+) Receita Operacional ano base 2004 ........................R$ 6.090.832,38 ( ) A movimentação bancária apurou um resultado de R$ 11.290.611,59 (=) Valor Total Sobras Disponíveis .............................R$ 33.598.525,18 Conforme se pode analisar, o Demonstrativo supra, apresentou um resultado positivo de disponibilidades para todos os exercícios Fiscais, descaracterizando o presente Auto de Infração. Conforme devidamente demonstrado mediante as provas documentais Planilhas resultantes de levantamentos e Balancetes contabilidade (Doc.Fls. 36, a 44a) e mais Balanços Patrimoniais, 80 a 105). Pelo que se pode verificar de toda essa argumentação, a impugnante não contesta, em nenhum momento, que o total dos depósitos bancários não se referem às receitas da atividade, pelo contrário, corrobora essa afirmação do Auditor Fiscal. Quanto a no valor dos depósitos considerados pelo Fisco estarem incluídos os correspondentes a cheques devolvidos; empréstimos bancários e estornos de créditos, como pode ser visto no Termo de Intimação de f. 221, isso não procede. Transcrevese excerto desse termo que comprova a improcedência desse argumento: 4 – DOS VALORES A COMPROVAR foram excluídos todos os valores a créditos que não representam efetivas entradas de recursos nas contas verificadas, especialmente os relativos a: 4.1 – Transferências, DOC e depósitos entre contas, desde que com correspondência de débito e crédito entre duas contas; 4.2 – Empréstimos; 4.3 – Estornos e acertos; 4.4 – Devoluções de cheques depositados; 4.5 – Cheques emitidos e devolvidos; 4.6 – Crédito de CPMF; 4.7 – Redução de Saldo Devedor. Por fim, quanto à apuração de “Sobras de Disponibilidades” levando em conta Duplicatas a Receber e Saldo Negativo de Bancos, com base em provas documentais, Balancetes e Balanço de contabilidade, bem como ainda que não houve pagamentos em face de apuração de prejuízo fiscal, vêse que a impugnante pretende que seja efetuada a apuração do lucro segundo a sistemática “Lucro Real”. Entretanto, diferentemente do que alega a impugnante, a legislação prescreve que, não havendo a possibilidade da apuração do “Lucro Real”, o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado. E, conforme pode ser visto nos documentos constantes nos autos (intimações e respostas, em especial a Solicitação de Autorização para Arbitramento do Lucro de f. 399 e 402), a contribuinte enquadrase em vários dos motivos elencados no referido art. 530: incisos I, II, III e VI. Não merece reparo, nesse ponto, o procedimento efetuado pelo auditorfiscal. A defesa apresentada em recurso voluntário guarda os mesmos contornos daquela veiculada em impugnação. E em ambas constatase a pretensão da contribuinte de enaltecer escrituração comercial que sequer foi apresentada à Fiscalização, confrontando grandezas globais para tentar atribuir outra natureza aos valores identificados pela Fiscalização como decorrentes de receita da atividade. Parte do pressuposto de que suas receitas são apenas aquelas supostamente escrituradas e assim se omite sobre os depósitos bancários que a autoridade fiscal, depois de confrontar com seus fechamentos de caixa, constatou não estar escriturados. Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003265/200705 Acórdão n.º 1101001.144 S1C1T1 Fl. 2.289 29 Eventualmente a Fiscalização pode ter interpretado equivocadamente os documentos que lhe foram apresentados. Mas o fato é que a desídia da contribuinte no cumprimento de suas obrigações acessórias impôs a conclusão fiscal de que as informações financeiras são a única fonte de informação para que a fiscalização determine a matéria tributável, integralmente, de vez que somente parte dos livros fiscais de 2001 foram apresentados, donde se extraiu uma receita operacional de R$ 32.574.570,52 (fl. 332), contra R$ 69.833.088,24 movimentados em 07 (sete) instituições financeiras, sem que IMPELCO tenha demonstrado a conexão dessas receitas com o total de recursos havidos em suas contas bancárias, acrescentando que nos períodos aqui autuados os livros fiscais indicam receitas operacionais no valor de R$ 44.997.698,18 – 2002, R$ 34.431.095,23 – 2003, R$ 5.746.052,78 – 2004 (fls. 333 a 335), totalizando R$ 85.174.846,19, ficando abaixo do total das operações verificadas nas contas bancárias – R$ 102.865.242,58. Frente a tal contexto, a desconstituição das receitas imputadas pela Fiscalização à contribuinte, suportada no confronto de seus extratos bancários com seus documentos de fechamento de caixa, exigiria a apresentação de uma prova documental robusta, consistente na reconstituição da escrituração comercial, para que esta passasse a abranger toda a movimentação financeira do período fiscalizado, e permitisse estabelecer a correspondência dos depósitos bancários com outras origens que não as receitas do período fiscalizado. A mera confrontação de saldos de contas contábeis extraídos de uma escrituração que sequer foi apresentada à Fiscalização, em nada favorece a contribuinte fiscalizada, mormente tendo em conta que a maior parte das origens apontadas decorreriam de saldo de duplicatas a receber desde o final do anocalendário 2000, e já em 2001 verificouse a imprestabilidade de sua escrituração comercial para demonstrar a realidade destes direitos. Idêntica irrelevância se mostra, também, na alegação de que as DCTF teriam sido apresentadas, mas sem informação de débitos de CSLL em razão da apuração de prejuízos nos períodos fiscalizados, com base naquela mesma escrituração precária. Por estas razões também acompanho o I. Relator quanto à validade do arbitramento dos lucros, apenas observando que embora a Súmula CARF nº 59 não autorize a reversão do arbitramento dos lucros em razão da apresentação dos livros e documentos sonegados à fiscalização, a escrituração comercial reconstituída depois do lançamento, acompanhada de sua documentação de suporte, poderia ser admitida, mas apenas como prova de que os depósitos bancários vinculados pela autoridade lançadora a receitas da atividade teriam outra origem, não sujeita a tributação no período autuado, reduzindo, assim, a base de cálculo sobre a qual foi aplicado o coeficiente de arbitramento dos lucros. É como voto, relativamente a estes pontos do litígio. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10675.906303/2009-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 30 3/ 20 09 -0 3 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906303/200903 Resolução nº 9303000.050 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906303/200903 Resolução nº 9303000.050 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906303/200903 Resolução nº 9303000.050 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 303DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10410.722547/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Recurso Voluntário Negado.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO - DO TERÇO DE FÉRIAS - DAS HORAS EXTRAS, HORA INTERVALO E HORA EXTRA REDUZIDA - HORAS EXTRAS PELA NÃO CONCESSÃO DO INTERVALO INTERJORNADA - DO ABONO SALARIAL - FÉRIAS PROPORCIONAIS INDENIZADAS - ADICIONAIS NOTURNO E GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO
Não se cogita considerar recolhimento indevido a compensação de valores sem que a empresa demonstre a efetivamente a origem dos créditos, ou seja, o recolhimento das verbas que entende ter direito a compensar, não servindo como argumento simples decisões dos tribunais.
COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos, que no momento do procedimento fiscal não consegue demonstrar o efetivo recolhimento e por conseguinte seu direito creditório..
Numero da decisão: 2401-003.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, quando realizar o contribuinte compensação de valores cujo direito líquido e certo a compensação não lhe está assegurado. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuar a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento e lançar os valores que tenham sido compensados irregularmente. AVISO PRÉVIO INDENIZADO DO TERÇO DE FÉRIAS DAS HORAS EXTRAS, HORA INTERVALO E HORA EXTRA REDUZIDA HORAS EXTRAS PELA NÃO CONCESSÃO DO INTERVALO INTERJORNADA DO ABONO SALARIAL FÉRIAS PROPORCIONAIS INDENIZADAS ADICIONAIS NOTURNO E GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO Não se cogita considerar recolhimento indevido a compensação de valores sem que a empresa demonstre a efetivamente a origem dos créditos, ou seja, o recolhimento das verbas que entende ter direito a compensar, não servindo como argumento simples decisões dos tribunais. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 25 47 /2 01 2- 33 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos, que no momento do procedimento fiscal não consegue demonstrar o efetivo recolhimento e por conseguinte seu direito creditório.. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Os presentes Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, referentes aos períodos de 01/2010 a 12/2011, inclusive 13 salário, encontramse assim, distribuídos: 1. AI n.º 51.018.3727, para a glosa dos valores indevidamente compensados em contribuições dos segurados; 2. • AI n.º 51.018.3735, para a glosa dos valores indevidamente compensados em contribuições patronais; e 3. • AI n.º 51.018.3743, para aplicação de multa isolada por declaração de compensação com falsidade. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 34 e seguintes a glosa das compensações devese ao fato de não ter sido comprovado o alegado crédito compensado. Em resposta à intimação fiscal para demonstrar as compensações e a origem dos créditos, o Autuado informou que utilizou créditos relativos a contribuições incidentes sobre parcelas consideradas indenizatórias (1/3 constitucional de férias, auxíliodoença, horasextras, abono assiduidade e produtividade) e crédito correspondente a contribuições incidentes sobre a remuneração de exercentes de mandato eletivo, no período declarado inconstitucional. O sujeito passivo esclareceu que os créditos relativos às contribuições incidentes sobre o subsídio dos ocupantes de mandato eletivo foram pautados nos seguintes DEBCAD: 35.000.9201, 35.000.9210, 35.000.9198, 35.000.0951 e 37.121.9809, planilha anexa. No entanto, o Fisco aponta que, não houve comprovação do recolhimento, nem da informação dos fatos geradores em GFIP. Além disso, os valores não coincidem totalmente com aqueles informados nas GFIP. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 22/05/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/05/2012. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 202 a 217.; 224 a 242; 249 a 264 Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, 278 a 287.: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 DECADÊNCIA. PRAZO. SÚMULA VINCULANTE. APLICAÇÃO DO CTN. Por meio da Súmula Vinculante n° 8, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o prazo de dez anos estabelecido no art. 45 da Lei 8.212/91. Conseqüentemente, o lançamento das contribuições sociais previdenciárias está sujeito ao prazo decadencial de cinco anos, estabelecido no art. 173 do Código Tributário Nacional. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DISPONIBILIZAÇÃO PARA PARTE DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. As contribuições efetuadas pela pessoa jurídica a programa de previdência complementar só não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias se o programa for disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a fiscalização deve lançar a importância que reputar devida, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS.PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Incidem contribuições sociais previdenciárias sobre a participação nos lucros ou resultados paga pela empresa em desacordo com a Lei 10.101/2001. Lançamento Procedente em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 301 a 323, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: Discordando dos termos da Decisão a empresa e as solidárias, apresentou recurso, fls. 674 a 712, onde argumenta em síntese: AI n.º 51.018.3735 4. compensação das contribuições incidentes sobre a remuneração de exercentes de mandato eletivo: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 4 5 4.1. compensações cujo crédito é oriundo do recolhimento indevido com fundamento na alínea “h”, do art. 12, da Lei n.º 8.212/91, cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo Senado; 1.2. pautase a fiscalização na ausência do efetivo recolhimento dos valores, esquecendose que os valores indevidos sobre os subsídios dos agentes políticos haviam sido lançados anteriormente nos DEBCAD 35.000.9201, 35.000.9210, 35.000.9198, 35.000.0951 e 37.121.9809. 4.2. Os referidos débitos foram parcelados pelo contribuinte; 4.3. ante a ausência de consolidação dos parcelamentos do contribuinte, impossível verificar se os valores pagos foram alocados ou não aos débitos em questão, não havendo alternativa ao contribuinte a não ser a compensação dos valores nos termos da Portaria MPS n.º 133/2006; 4.4. em 01/2010 ocorreu a primeira compensação e em 12/08/2011, a auditora comunica que reviu de ofício os lançamentos em questão e excluiu os valores recolhidos indevidamente sobre os agentes políticos (justamente os valores utilizados para fins de compensação); 4.5. a auditora tinha conhecimento que o Município estava compensando os valores lançados indevidamente sobre os subsídios dos agentes políticos, tendo em vista que toda compensação é declarada em GFIP, dessa forma não poderia excluir de ofício os referidos débitos sem dar conhecimento ao contribuinte; 4.6. desde 03/05/2006, data da publicação da Portaria MPS n.º 133/2006, a RFB poderia/deveria excluir os valores lançados indevidamente, todavia, somente em 12/08/2011, resolveu rever os lançamentos em questão, prejudicando o contribuinte ao aplicarlhe a multa isolada; 4.7. não é o contribuinte que age de máfé, mas a auditora, que visando impor multa isolada, esquecese da moralidade e impessoalidade; 4.8. o contribuinte não teve outra opção, senão se utilizar do crédito glosado e parcelado (pagamento efetivado) mediante compensação, conforme autoriza o art. 6.º, da Instrução Normativa MPS/SRP n.º 15/2006. 4.9. Erro do contribuinte seria se o mesmo tivesse compensado os valores após a desconstituição, o que não ocorreu; 5. Compensação dos valores recolhidos sobre verbas indenizatórias: 5.1. o Município entende, com fundamento na jurisprudência pacífica dos tribunais superiores, que as rubricas gratificação, produtividade, horasextras e 1/3 de férias não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo o recolhimento sobre essas rubricas considerados indevidos e compensados dentro do prazo prescricional; 5.2. o STF tem posicionamento no sentido de que as horas extras constituemse de natureza indenizatória, por não se incorporarem aos proventos da aposentadoria; Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 5.3. os tribunais são uníssonos em considerar o terço de férias não integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias; 5.4. sobre a gratificação e o abono por produtividade, trilha a jurisprudência sobre a ilegalidade da incidência de contribuição previdenciária; 5.5. Considerando necessárias as GFIP, GPS e folhas de pagamentos, observase que o Município entregou para a Fiscalização todos os documentos necessários para apuração do quantum debeatur, não há outros documentos para fins de apuração dos valores recolhidos indevidamente; 5.6. entende o município que demonstrou e comprovou, mediante documentação idônea, o efetivo recolhimento indevido dos valores que foram objeto de compensação. 6. Ao final, requer que seja declarado improcedente o auto de infração. 7. n.º 51.018.3743, em 27/06/2012, alegando, em síntese: 7.1. a legalidade e regularidade das compensações, pelas mesmas razões apontadas na impugnação ao AI n.º 51.018.3735; 4. impropriedade de aplicação de multa qualificada. Inexistência de falsidade de declaração: 7.2. a compensação é realizada de ofício pelo contribuinte através da GFIP, não havendo, portanto, em se falar em falsidade de declaração, visto que a GFIP apresentada pelo contribuinte não é falsa; 7.3. as compensações foram efetivadas e informadas com base nos documentos contábeis da Prefeitura (folha de pagamento, GRPS, GPS, e lançamentos de ofício) não sendo falseada nenhuma informação; 7.4. caso a fiscalização não concorde com a compensação por eventual prescrição ou ausência de cumprimento de obrigação acessória, deveria simplesmente autuar a Prefeitura, nunca afirmar que os documentos apresentados são falsos; 7.5. a própria fiscalização confirma a existência do direito e dos créditos, alegando, contudo, que os DEBCAD que originaram os créditos compensados foram excluídos de ofício pela fiscalização, após o término das compensações; 7.6. não houve dolo ou máfé do contribuinte; 7.7. perguntase: qual o documento falso apresentado pelo contribuinte? Não houve nenhum documento falso para amparar as compensações; 7.8. ausência de fundamentação para aplicação da multa exasperada: 7.8.1. apesar de aplicar a multa qualificada, nos termos do §10, do art. 89, da Lei n.º 8.212/91, em nenhum momento citou a existência de sonegação, fraude ou conluio, nos termos do art. 44, §1.º, da Lei n.º 9.430/96; 7.8.2. conforme entendimento do Conselho de Contribuinte, para aplicação da multa agravada deve ficar comprovado minuciosamente a descrição e comprovação razoável daqueles fatos; Fl. 353DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 5 7 7.8.3. simplesmente deixar de recolher um tributo não pode ser considerado como um ato fraudulento, até mesmo porque as compensações são mensalmente informadas em GFIP. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 704 Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO DAS COMPENSAÇÕES Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou compensações mediante aproveitamento de tributo pautados nos valores parcelados à título de agentes políticos e parcelas as quais entende o recorrente, possuem natureza indenizatória. Contudo, ressaltese não ter comprovado o recorrente o efetivo recolhimento indevido ou mesmo estar amparado por ação judicial transitada em julgado é que poderia autorizar Notese que não colacionou o recorrente qualquer ação judicial definitiva que amparasse suas compensações, baseando seu direito, segundo tese aventada no recurso, na jurisprudência do STJ e do STF em relação a determinadas verbas e pareceres e doutrina esparsa em relação a verbas que compõem o conceito de remuneração, porém que no seu entender possuem natureza indenizatória. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo julgador, no sentido que como não havia decisão transitada em julgado, considerouse que não havia crédito líquido e certo em favor do contribuinte, portanto, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base nos artigos 170A e 170 do CTN e artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinada com o artigo 70 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 31/12/2008. Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. DOS AGENTES POLÍTICOS A autoridade fiscal em seu relatório descreveu que o recorrente descumpriu a norma, posto que realizou compensações sem ter direito a mesma, já que mesmo intimada durante o procedimento fiscal, não apresentou os documentos que comprovariam os recolhimentos realizados. O primeiro ponto, ao qual entendo não assiste razão ao recorrente, diz respeito a compensação dos valores lançados nas LDC e NFLD em nome do recorrente à título de agentes políticos declarados inconstitucionais. Às fls. 45 do relatório fiscal, bem destacou a autoridade fiscal, que os valores lançados em LDC e NFLD não haviam sido pagos, estando ativos os valores devidos até então. OU seja, promoveu o recorrente ao somatório de todos os valores lançados, mas não comprovou o recorrente o efetivo recolhimento dos mesmos.Pelo contrário, esclarece que foram promovidas as exclusões das contribuições indevidas incidentes sobre a remuneração de exercentes de mandatos eletivo nos respectivos processos. Notese que Fl. 355DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 6 9 por diversas vezes alega o recorrente que não esperaria o vencimento de todo o período para proceder as compensações, tendo em vista os aproximadamente 200 meses, contudo, não entendo que deva ser esse o raciocínio aplicado. Para que proceda a compensação, primeiro compete ao recorrente demonstrar serem indevido os valores recolhidos. No presente caso, a autoridade fiscal descreveu que os valores de agentes políticos já haviam sido excluídos, zazão pela qual compensouse o recorrennte de algo que ele nem mesmo havia recolhido na prática. Assim, entendo correto o procedimento adotado com relação a glosa dessa parcela do crédito. DAS SUPOSTAS VERBAS INDENIZATÓRIAS Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar o direito líquido e certo a realizar as compensações, o que não restou demonstrado, tendo em vista que os valores compensados, referemse a verbas, que não se encontram dentro do rol de exclusão da base de cálculo do § 9º do art. 28da lei 8212/91. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso, posto que as verbas ora descritas encontramse incluídas no conceito de salário de contribuição: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei Fl. 356DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes, não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Só que nem mesmo o argumento de que obedeceu decisão judicial (mesmo ainda não definitiva) poderia servir de argumento para as compensações realizadas pelo recorrente, tendo em vista que o mesmo não demonstrou ter ingressado em juízo antes da realização da mesmas. (HORAS EXTRAS E ABONO, 1/3 DE FÉRIAS E 15 PRIMEIROS DIAS E GRATIFICAÇÃO PRODUTIVIDADE) Notese, que a fundamentação do recorrente é de os tribunais tem entendido que as verbas por ele compensadas, não constituiriam base de cálculo de contribuição, assim, as compensações realizadas são legais e legítimas, seguindo decisões já transitadas em julgado em situação idêntica. Antes de apreciar esse argumento, entendo pertinente transcrever a legislação que define o conceito de salário de contribuição. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 7 11 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 8 13 q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, antes mesmo de apreciarmos pontualmente cada uma das verbas, convém destacar que nenhumas das verbas descritas pelo recorrente, como base para sua compensação, encontramse dentro do rol de exclusão, nem tampouco foram objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF, razão pela qual não pode o recorrente seja por sua interpretação, ou mesmo acompanhando decisões do STJ valerse do direito de realizar as compensações ora objeto de glosa, por serem consideradas indevidas. Considerando a amplitude do conceito de remuneração, e que nenhum dos dispositivos do art. 28, § 9º da lei 821291, foi revogado ou alterado, não pode o recorrente promover compensações consubstanciar seu direito em decisões esparsas, ou cujo alcance, em um primeiro momento, só produz efeitos “interpartes”. Nem mesmo pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as regras descritas na Lei n ° 8.212/1991. Aliás, esse foi o encaminhamento dado pelo julgamento de primeira instância, frente as alegações do recorrente, passando logo a seguir a enfrentar pontualmente a Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 natureza de cada uma das verbas, o que entendo pertinente para esclarecer ao recorrente a natureza das mesmas. Importante salientar, que nem mesmo o parecer elaborado apenas no ano de 2012, ou seja, posterior ao início das compensações seria instrumento hábil a excluir da base de cálculo valores que não constam do rol de exclusão do art. 28 da lei 8212/91. Respeitando o posicionamento adotado, pelo parecerista, não tenho como atribuirlhe razão, tendo em vista os argumentos acima transcritos, bem como as considerações acerca de cada uma das verbas, como passo a discorrer:: DO ADICIONAIS, HORA EXTRAS Pelo que se depreende do recurso interposto, o contribuinte alega que os adicionais pagos em função de condições adversas de trabalho, sejam eles: noturno, horas extras etc, caracterizamse como verbas indenizatórias, uma espécie de compensação por um maior desgaste e, dessa forma, não devem ser inseridos na remuneração do trabalhador como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que nem na esfera previdenciária, muito menos na trabalhista, os adicionais pagos ao empregado estão excluídos do conceito de remuneração. O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. O recorrente efetuou pagamento suplementar, de acordo com a legislação trabalhista vigente, a todos os empregados que exerceram atividades em condições mais gravosas. Dessa forma, de acordo com o tipo de exposição ou desgaste que passaram a sofrer Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 9 15 na empresa, os empregados passaram a receber “tipos especiais de salários”, aqui denominados adicionais.(horas extras, noturno, pela não concessão de intervalos etc) A definição de “adicionais” dada pela doutrina trabalhista não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades mais graves ou mais desgastantes, ou seja, o de contraprestação por um serviço prestado em condições anormais. Tal fundamento pode ser explicitado, quando identificamos as condições que geram o pagamento de diversos adicionais previstos na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, quais sejam: adicional noturno, adicional insalubridade, adicional periculosidade, adicional de transferência, adicional de horas extraordinárias, etc. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, assim referese ao assunto: (...) Os adicionais consistem em parcelas contraprestativas suplementares devidas ao empregado em virtude do exercício do trabalho em circunstâncias tipificadas mais gravosas. (...) O fundamento e objetivo dos adicionais justificam a normatização e efeitos jurídicos peculiares que o direito do trabalho confere a tais parcelas de natureza salarial. Embora sendo salário, os adicionais não se mantêm organicamente vinculados ao contrato, podendo ser suprimidos, caso desaparecida a circunstância tipificada ensejadora de sua percepção durante certo período contratual. (...) A parcela adicional submetese ao mesmo requisito exigido às outras parcelas contraprestativas para fins de sua integração salarial, com o subseqüente efeito expansionista circular: a habitualidade. Recebido com habitualidade, integra no período de sua percepção, o salário obreiro para todos os efeitos legais. Irá refletir, desse modo, no cálculo do 13º salário, férias com 1/3, FGTS (40%, se for o caso), aviso prévio. Contudo, sendo a contribuição previdenciária, parcela paga mensalmente, vislumbrase que o fator determinante é a vinculála como retribuição pelo serviço prestado. No mesmo sentido, posicionase o ilustre mestre Arnaldo Süssekind, na obra “Instituição de Direito do Trabalho”, 21º edição, Vol. 1, editora LTr: (...) Na aplicação da legislação brasileira do trabalho, cumpre distinguir o salário fixo, ajustado por unidade de tempo ou de obra (salário básico ou normal), das prestações que, por sua natureza jurídica, integram o complexo salarial, como complementos do salário básico. Se, em face do que preceitua o §1º do art. 457 da CLT, as gratificações ajustadas, os adicionais de caráter legal ou contratual integram o salário do empregado, isto significa apenas que tais prestações possuem natureza Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 salarial, mas não compõem o salário básico fixado no contrato de trabalho. (...) É inquestionável que os adicionais e gratificações instituídas por lei, convenção coletiva, norma regulamentar da empresa ou, explicitamente, nos próprios contratos de trabalho, têm natureza salarial, sendo devidos nas condições prescritas nos respectivos atos. O que diferencia os adicionais de outras parcelas salariais, por exemplo, comissões, percentagens, gratificações por função (EMBORA AMBAS POSSUEM TAMBÉM NATUREZA SALARIAL), são tanto o fundamento de sua criação, como o objetivo de incidência da figura jurídica. Os adicionais são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades mais gravosas. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do desconforto, do desgaste etc. Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado, por estar este, submetido a um maior desgaste. O posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho – TST, acerca da natureza salarial dos adicionais está evidenciado na súmula 60 em relação ao adicional noturno: Nº 60 ADICIONAL NOTURNO. INTEGRAÇÃO NO SALÁRIO E PRORROGAÇÃO EM HORÁRIO DIURNO. I O adicional noturno, pago com habitualidade, integra o salário do empregado para todos os efeitos. (exSúmula nº 60 RA 105/74, DJ 24.10.1974) grifo nosso. II Cumprida integralmente a jornada no período noturno e prorrogada esta, devido é também o adicional quanto às horas prorrogadas. Exegese do art. 73, § 5º, da CLT. (exOJ nº 6 Inserida em 25.11.1996) Também a súmula 63 do TST descreve o caráter remuneratório dos adicionais, quando determina o seu computo na remuneração do empregado para incidência da contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS. Nº 63 FUNDO DE GARANTIA A contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço incide sobre a remuneração mensal devida ao empregado, inclusive horas extras e adicionais eventuais.(grifo nosso) (RA 105/1974, DJ 24.10.1974) Portanto, nem mesmo mera nomenclatura utilizada “indenização noturno, indenização horas extras, ou banco de horas não gozado etc” lhe afastaria do verdadeiro objetivo de seu pagamento, que é a contraprestação pelo serviço prestado, constituindose remuneração paga ao empregado, e por conseqüência, base de cálculo de contribuições previdenciárias. O mesmo se aplica ao pagamento do banco de horas, quando dentro do limite temporal para compensação (1 ano), ou mesmo quando ocorre rescisão do contrato, a direito a compensar resta extinto. Raciocínio idêntico também será aplicado ao adional de horas extras Fl. 363DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 10 17 pela não concessão de intervalos, recebendo o empregado pelas horas que trabalhou a mais e não teve a oportunidade de compensar, o que demonstra novamente sua nítida característica salarial. Súmula nº 437 do TST INTERVALO INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 71 DA CLT (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 307, 342, 354, 380 e 381 da SBDI1) Res. 185/2012, DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012 I – I Após a edição da Lei nº 8.923/94, a nãoconcessão ou a concessão parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica o pagamento total do período correspondente, e não apenas daquele suprimido, com acréscimo de, no mínimo, 50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho (art. 71 da CLT), sem prejuízo do cômputo da efetiva jornada de labor para efeito de remuneração. II É inválida cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido por norma de ordem pública (art. 71 da CLT e art. 7º, XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva. III Possui natureza salarial a parcela prevista no art. 71, § 4º, da CLT, com redação introduzida pela Lei nº 8.923, de 27 de julho de 1994, quando não concedido ou reduzido pelo empregador o intervalo mínimo intrajornada para repouso e alimentação, repercutindo, assim, no cálculo de outras parcelas salariais. IV Ultrapassada habitualmente a jornada de seis horas de trabalho, é devido o gozo do intervalo intrajornada mínimo de uma hora, obrigando o empregador a remunerar o período para descanso e alimentação não usufruído como extra, acrescido do respectivo adicional, na forma prevista no art. 71, caput e § 4º da CLT. Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os adicionais devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado etc, estando correto o procedimento que glosou as compensações realizadas a totalidade dos rendimentos pagos ao empregado como base de cálculo de contribuições. GRATIFICAÇÕES PRODUTIVIDADE Quanto a verba gratificação, melhor sorte não há para o recorrente. O termo gratificação surge como um agrado dado ao empregado, seja pelas condições adversas de trabalho, seja pelo exercício de uma função de confiança, pago por liberalidade, ou mesmo acordado com o trabalhador. Porem dita verba, encaixase perfeitamente no conceito de Fl. 364DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 remuneração, já que o numerário recebido, ingressa na patrimônio do empregado, que poderá realizar gastos da maneira que lhe aprouver. A gratificação por função não consiste em verba indenizatória, mas simples valor pago em função da maior responsabilidade adquirida pelo empregado no caso de devida pelo ocupante de cargo.. Aliás esse valor, tanto possui natureza salarial com vistas a remunerar o cargo assumido que o art. 62 da CLT, descreve que o exercício de cargo de confiança, com o pagamento de mínimo 40% a mais, tira do empregado direito a jornada de trabalho, remunerando o tempo integral do empregado no cargo. Isto posto, possui nítida natureza salarial, razão pela qual totalmente indevida a compensação realizada. 1/3 de FÉRIAS O mesmo raciocínio das gratificações há de se aplicado ao adicional de férias, tendo em vista que o pagamento das verbas embora seja compulsório, dáse simplesmente consubstanciado na existência de vínculo laboral, o qual o pagamento não se coaduna com verba indenizatório, visto que o valor recebido, nada mais é do que um ganho, não uma despesas com destinação certa e provável. Esse ganho também não apenas será usufruído pelo empregado, como poderá fazer uso da maneira que achar convenientes. Embora a jurisprudência venha se encaminhando por desconstituir a natureza remuneratória da verba, até a realização do lançamento não havia nenhum decisão do STF em sede de recurso extraordinário, ou mesmo recurso repetitivo do STJ que possibilitasse a compensação, razão pela qual correto o posicionamento do auditor fiscal. Conforme descrito anteriormente o alegado afastamento da incidência de contribuição sobre essa parcela com base no disposto na alínea “d” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 não se sustenta. Vejamos o que dispõe a norma: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (...) Assim, consistindo em um ganho para o trabalhador, nítida a sua feição salarial, razão pela qual compõem a base de cálculo de contribuições previdenciárias., sendo novamente descabida a compensação realizada. Notese que o valor em questão sendo computado como salário de contribuição, será incluído no cálculo do salário de benefício do empregado, quando do cálculo dos benefícios a ele devidos. Ressalto apenas, que em relação as férias indenizadas nunca existiu a referida incidência, e acredito que nem mesmo o recorrente tenha feito a compensação, posto que nas Fl. 365DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 11 19 planilhas que compõem o lançamento o campo férias indenizadas encontrase em branco. Assim, não há o que ser apreciado quanto a esse ponto. ABONO SALARIAL Quanto a verba abono, o próprio art. 28, descreve as possibillidades da verba abono estar excluído do conceito: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Ou seja, apenas essas modalidades de abono, estariam excluídas e não o pago por mera liberalidade da empresa. Todo o pagamento, pago por liberalidade que vise complementar, antecipar ou mesmo retribuir o desempenho profissional, ou mesmo o simples fato de estar o empregado à disposição do empregador, seria, no meu entender suficiente para determinar a natureza salarial da verba. O termo abono, não se coaduna com verba indenizatória, aquela recebida pelo empregado, mas cuja destinação vinculada a um gasto específico, impossibilita que o empregado a utilize de forma a complementar o salário recebido pela empresa. Assim, também com relação a verba abono, nenhum dos argumentos apontados, justificam serem indevidos os recolhimentos feitos pela empresa, razão pela qual também mantenho o lançamento em relação a essa verba. DO PRAZO PARA REALIZAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES Outro ponto, que embora tenha sido subsumido pela conclusão de que os supostos créditos, por si só já não sustentam a compensação realizada, merece enfrentamento apenas, a argumentação do recorrente de que o direito a restituição de tributos sujeitos a homologação é de 10 anos. Contudo, entendo que sua interpretação encontrase equivocada: Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, 09/06/2005. NO presente caso, as compensação, além de indevidas foram iniciadas na competência de 12/2007, devendo ser esse o marco para aplicação dos cincos anos, caso existisse direito a compensação. Aliás a questão foi bem enfrentada pelo julgador de primeira instância. Transcreve trecho do voto: Fl. 366DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 A impugnante entende que tem direito a compensar valores recolhidos indevidamente retroativos há 10 anos, sob o argumento de terem sido pagos antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. O artigo 168 do CTN estabelece o prazo de cinco anos para que seja pleiteada a restituição, salientandose, no caso em apreço, seu inciso I, que determina seja considerada como data inicial da contagem para as hipóteses contidas nos incisos I e II do artigo 165, também do CTN, a data da extinção do crédito tributário. O artigo 156, em seus incisos I e VII, aceita como hipóteses de extinção do crédito tributário, respectivamente, “o pagamento” e “o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º”. O artigo 150 assim prescreve: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Com a Lei Complementar nº 118/2005, em seu artigo 3º, a questão restou clarificada, tendo sido determinada a interpretação a ser dada ao inciso I do artigo 168 do CTN, estabelecendo que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 também do CTN. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 89 da Lei nº 8.212/1991 remete as regras da compensação aos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Neste sentido, o art. 253 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, estabelece que o direito de realizar a compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido ou em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 12 21 Dessa forma, apenas para efeitos de esclarecimento, já que o direito a compensação não restou reconhecido, o prazo prescricional seria de 5 anos, após o suposto recolhimento indevido e não 10 anos como argumentou o recorrente. Mais, uma vez, extrapola o recorrente ao seu direito, sem estar amparado em qualquer medida que tornase legítima a compensação realizada. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Por último, quanto a representação Fiscal para fins penais, a mesma acompanha o presente processo, até sua constituição definitiva, considerando, inclusive que o crédito objeto deste lançamento também encontrarse com a exigibilidade suspensa até a decisão definitiva. Lembramos apenas, que o mérito da representação encontrase fora da alçada deste Conselho, considerando inclusive a existência de súmula a qual abaixo transcrevo: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Novamente, a posição e esclarecimentos trazidos pelo julgador foram correto, não tendo o contribuinte apresentado qualquer novo elemento que altere a decisão ali proferida com relação a este item. Transcrevo trecho da citada decisão, no ponto pertinente. No caso presente, a fiscalização apenas informa que as situações descritas nos Autos de Infração configuram, em tese, CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, previsto no art. 337A, inciso I do Código Penal e, portanto, serão objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. A formalização de RFFP está, pois, de acordo com o artigo 1º da Portaria RFB nº 665, de 24/04/2008, publicada no DOU de 28/04/2008, vigente à época: Art. 1º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil deverão formalizar representação fiscal para fins penais, perante o Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativofiscal, sempre que no exercício de suas atribuições identificarem situações que, em tese, configurem crime relacionado com as atividades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A esse respeito, cabe esclarecer que não compete a este órgão julgador apreciar razões pertinentes a essas representações e nem se manifestar quanto ao seu encaminhamento ou não ao Ministério Público pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do domicílio tributário do contribuinte. Vale transcrever a Súmula nº 28 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que possui efeito vinculante em Fl. 368DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 relação à administração tributária federal, nos termos da Portaria nº 383, de 12/07/2010, do Ministério da Fazenda, publicada no DOU de 14/07/2010: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Dessa forma, não cabe a este órgão administrativo proceder qualquer análise nesta seara. Nos termos do artigo 151, III do CTN, o crédito tributário objeto deste processo está, neste momento, com sua exigibilidade suspensa, em razão da interposição da impugnação tempestiva pelo sujeito passivo. DA MULTA ISOLADA Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando, que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo leva sim, a uma falsa declaração, capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 da lei 8212/91, no patamar de 150%. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de jurisprudência que poderia levar ao entendimento do recorrente, não há como afastar o fato que a empresa realizou as compensações ao seu “bel prazer”, sem qualquer amparo, ou seja, não buscou demonstrar o efetivo recolhimento indevido e sue direito creditório, seja tendo ingressado em juízo, ou simplemente demonstrando durante o procedimento fiscal a origem dos créditos. Não falo com isso que a empresa deva sempre buscar seu direito perante o judiciário, pelo contrário a própria lei autoriza a compensação direta do tributo recolhido indevidamente, porém essa definição de recolhimento indevido estará sujeita a posterior homologação, por parte da DRFB. Dessa forma, não podemos acatar que o entendimento do recorrente de quais verbas (no seu entender) estariam excluídas do conceito de salário de contribuição já lhe autorizem, de pronto, promover as compensações em GFIP,, sem que o contribuinte seja penalizado por isso. Devese, analisando pontualmente, cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Notese que aqui, não exigiu o legislador a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como muito argumentado pelo recorrente, mas a indicação de informação falsa na GFIP. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 13 23 nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limiar entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita. Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições de agentes políticos, incluídos em parcelamento e NFLD, sem que o pagamento tivesse se concretizado, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistete, indicando nítida falsidade de declaração. Uma informação que corrobora a falsidade descrita, é que do próprio parcelamento do ente publico municipal, já haviam sido excluídos os fatos geradores dos agentes políticos. Da mesma forma, em relação as verbas que entende terem sido recolhidas indevidamente, por constituírem verbas indenizatórias, o primeiro passo do ente público, seria identificar em suas folhas de pagamento o recolhimento sobre as verbas, a competência e o dia do recolhimento indevido, para então, identificado o recolhimento indevido, fosse promovido a compensação e informada a mesma. Notese que no relatório fiscal, descreve o auditor, que por meio do Termo de intimação, n. 02, 03, 04 e 05, requereu da empresa a origem do crédito, ou seja, requereu a planilha identificando mês a mês, cada um dos pagamentos realizados nas supostas verbas indenizatórias para depois demonstrar as compensações realizadas. Esses documentos devem estar prontos, na verdade, antes mesmo de promover as compensações, sendo apresentados ao auditor no momento em que o este promove a auditoria fiscal. Assim, estaria comprovado a origem do crédito, capaz de afastar a multa por declaração falsa em GFIP. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber, que tratou com muita propriedade a questão: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10410.722547/201233 Acórdão n.º 2401003.703 S2C4T1 Fl. 14 25 Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430, Importante destacarmos, que dois são os fundamentos para imposição da multa aplicada, considerando a falsidade das declarações em GFIP: a) se considerarmos que o recorrente compensou valores, amparado em jurisprudência esparsa, sem demonstrar a origem efetiva dos créditos, estaríamos chancelando que pode o recorrente “de acordo com sua interpretação da lei” a partir de hoje, definir o alcance do conceito de remuneração, mesmo inexistindo qualquer amparo legal para suas exclusões. b) segundo, conforme trazido pelo auditor, não restou demonstrado que os valores compensados haviam efetivamente sido recolhidos pelo ente público, pelo contrário demonstrou a DRFB que os valores já haviam sido excluídos do parcelamento, razão pela qual devida a multa pela falsidade de indicação de valores recolhidos indevidamente, sem que o recorrente demonstrasse o recolhimento efetivo. Observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 (...) Deve se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, como no presente caso. CONCLUSÃO Pelo exposto voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito NEGAR PROVIMENTO em relação aos AI incluídos no presente lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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