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Numero do processo: 10380.732877/2012-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9101-000.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa se manifeste sobre a questão relacionada à suspensão da imunidade tributária.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa se manifeste sobre a questão relacionada à suspensão da imunidade tributária. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa se manifeste sobre a questão relacionada à suspensão da imunidade tributária. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que se decidiu sobre a necessidade de arbitramento dos lucros para fins de apuração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 32 87 7/ 20 12 -3 1 Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 3 2 IRPJ/CSLL, e sobre a possibilidade de exigência das contribuições PIS/COFINS com base no faturamento. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1401001.712, de 13/09/2016, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, manter o lançamento de IRPJ/CSLL com base no lucro real (entendendo que não era caso de arbitramento), e também manter a incidência de PIS e COFINS sobre o faturamento. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de perícias desde que entendida como necessária ao deslinde da situação posta em consideração, indeferindo motivadamente a que for considerada prescindível ou impraticável. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DOS FATOS QUE MOTIVARAM A AUTUAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. MATÉRIA PRECLUSA. Descabe a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando a questão relacionada à suspensão da imunidade, que implicou no lançamento de ofício, foi devidamente apreciada e deliberada em processo administrativo fiscal específico, tratandose de matéria preclusa, pelo que não cabe nova apreciação. IRPJ. APURAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DO LALUR. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. A alegada obediência aos preceitos das Leis n° 8.212, de 1991, e n° 12.101, de 2009, não ampara a pretensão da litigante, tendo em vista o artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, haver sido expressamente revogado pela Lei n° 12.101, de 2009, que Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 4 3 estabelece a necessidade de a entidade dita imune obter uma certificação, documento que não foi apresentado pela Recorrente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/PASEP. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, deve a tributação da COFINS se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER de matéria ligada aos juros por ser considerada matéria preclusa, Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Lívia De Carli Germano e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento mantendo integralmente os lançamentos do IRPJ/CSLL; e II) Pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento em relação PIS e COFINS. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano que davam provimento parcial para considerar o recolhimento pelo Pis pela folha de salário e a isenção da Cofins sobre receitas próprias para a Fundação. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Em relação às divergências jurisprudenciais suscitadas, a contribuinte desenvolve os seguintes argumentos: tratase de recurso especial interposto face ao Acórdão que não conheceu de matéria de ordem pública por equivocadamente considerar matéria preclusa e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário ao argumento de que: (a) Em razão de supostas particularidades da demanda, o IRPJ seria apurado pelo “lucro real” mesmo inexistindo LALUR, não cabendo arbitramento; possibilidade de apuração do o PIS/Pasep e COFINS – supostamente reflexos – sob o “regime nãocumulativo; e Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 5 4 (b) Possibilidade de tributação reflexiva de PIS/Pasep e COFINS, com base no IRPJ. em relação ao tópico (a), embora o Acórdão recorrido não mencione expressamente a violação ao inciso III, do art. 14, do CTN (sobretudo por tal matéria equivocadamente constar no outro PAF, autos nº 10380.729113/201269, conforme mencionado), percebese claramente, tanto na ementa quanto nas razões de decidir, os fundamentos da decisão pela ‘validade da apuração por “lucro real”, inobstante não tenha sido apresentado LALUR ou livros revestidos de formalidades capazes de auferir receitas e despesas contabilizadas’, em enfrentamento ao argumento suscitado pela obrigatoriedade de apuração via “lucro arbitrado”; não obstante a notória incoerência, com o devido acatamento, a conclusão adotada pelo Acórdão ora desafiado pelo presente Recurso Especial findou por inequivocamente divergir de julgados desse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, especificamente quanto ao fato de que é absolutamente ilegítima e ilegal a fixação do regime de apuração do lucro, em desfavor desta recorrente, a par da modalidade “lucro real”, posto aplicável/impositivo ao caso dos autos a modalidade “lucro arbitrado”; a propósito, eis os trechos seccionados das ementas dos acórdãos que apontam e corroboram a divergência ora suscitada para fins de admissibilidade do presente Recurso Especial (acórdãos na íntegra seguem anexos): “PRIMEIRO PARADIGMA” Acórdão nº 1202001.201 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. Caracterizado o descumprimento de requisito previsto no CTN, art. 14, inciso III, suspendese a imunidade ao IRPJ, prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal. [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ E CSLL. LUCRO REAL. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO DO LALUR. Não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO LUCRO REAL. REGIME NÃO CUMULATIVO. INAPLICABILIDADE. A aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionada à apuração do IRPJ com base no lucro real. “SEGUNDO PARADIGMA” Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 6 5 Acórdão nº 1201001010 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação do livro registro de inventário e do LALUR à fiscalização, quando regularmente intimado o sujeito passivo, dá ensejo à apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social segundo as regras do lucro arbitrado. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. A distribuição, a qualquer título, de parte do patrimônio ou da renda da pessoa jurídica imune dá ensejo à suspensão do benefício. em relação ao tópico (b), é flagrantemente nulo, por absoluta inexistência de verificação dos motivos determinantes e respectiva motivação, o lançamento pertinente ao PIS e COFINS a título de “efeito reflexo” da suspensão da imunidade tributária, perpetrada em relação ao IRPJ; eis os Acórdãos paradigmáticos: “TERCEIRO PARADIGMA Acórdão nº 3401001.945 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2003 a 31/05/2008 INSTITUIÇÃO RECREATIVA E CULTURAL, SEM FINS LUCRATIVOS. AUTUAÇÃO FUNDAMENTADA NA LEGISLAÇÃO DO IRPJ E CSLL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. É nulo, por ausência de motivação, o auto de infração da Cofins que desconsiderou alegada isenção de entidade sem fins lucrativos com base na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por aplicar àquela normas jurídicas próprias destes dois tributos, quando ambas são inconfundíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2003 a 31/12/2005 INSTITUIÇÕES DE CARÁTER RECREATIVO E CULTURAL, SEM FINALIDADE LUCRATIVA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A isenção preconizada pelo artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, para as instituições de caráter recreativo e cultural, sem fins lucrativos, aplicase, consoante expressamente determinado no seu § 1º, exclusivamente em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 7 6 o lucro líquido. Em relação ao PIS/Pasep, referidas instituições não estão isentas e devem submeterse à regra do inciso IV, do art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, isto é, recolher a contribuição mediante a aplicação da alíquota de 1% sobre a sua folha de salários. No caso, de se cancelar a autuação para a exigência da contribuição com base no faturamento sob a alegação de que a “isenção” fora suspensa. “QUARTO PARADIGMA” Acórdão nº 310201.333 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. ATIVIDADES PRÓPRIAS. DEFINIÇÃO. ESTATUTO. Consideramse atividades próprias da entidade aquelas para as quais as mesmas foram criadas e que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. A contribuição para o PIS/PASEP das entidades educacionais é determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento. neste panorama e a par das considerações que se seguem, resta plenamente demonstrado o cumprimento dos requisitos formais para a interposição do presente Recurso Especial, haja vista que a decisão da 1ª Turma Ordinária dessa 4ª Câmara, ora recorrida, deu à lei tributária interpretação divergente das que foram dadas por outras Turmas desse CARF, conforme trechos de acórdãos supradescritos (na íntegra em arquivos anexos), razão pela qual resta evidente o cumprimento do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; DAS RAZÕES DE REFORMA DO JULGADO A QUO. DA IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO POR “LUCRO REAL”. no presente caso, um dos motivos que deram ensejo à suspensão da imunidade da recorrente foi a violação ao inciso III, do art. 14, do CTN, que expressamente dispõe: “a falta de manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”; Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 8 7 isto é, para a Fiscalização, a contabilidade apresentada pela Fundação Edson Queiroz foi imprestável a auferir as receitas e despesas contabilizadas; em ululante contradição, a apuração dos tributos se deu pela modalidade “lucro real” utilizandose a própria contabilidade apresentada (tida como imprestável), preterindose a impositiva apuração na modalidade “lucro arbitrado”; é absolutamente ilegítima e ilegal a fixação do regime de apuração do lucro, em desfavor desta recorrente, pela modalidade “lucro real”, posto aplicável/impositivo ao caso dos autos a modalidade “lucro arbitrado”, uma vez que os seus livros contábeis foram declaradamente tidos como imprestáveis aos fins de aferição de receita e despesa, o que enseja inexoravelmente a apuração via lucro arbitrado; ora, por decorrência lógica, se os livros contábeis são imprestáveis ao seu fim (ao ensejo do afastamento da imunidade – inc. III, art. 14, CTN), aqueles livros não podem, em hipótese alguma, servir de base para apuração de tributos, a se impor apuração via “lucro arbitrado”, conforme constam nos acórdãos apontados; portanto, o lançamento de origem é nulo/improcedente de pleno direito; importa consignar que a aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionado à apuração do IRPJ com base no lucro real, devendo assim consequentemente ser anulada; DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO REFLEXIVA DE PIS/PASEP E COFINS, COM BASE NA APURAÇÃO DO IRPJ DECORRENTE DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. o Ato Declaratório Executivo nº 80, de 26 de outubro de 2012, que suspendeu a imunidade tributária da recorrente, anoscalendário 2008, 2009 e 2010, tratou de afastar a imunidade acerca do IRPJ e CSLL; o PIS/Pasep e a Cofins não podem ser tributados reflexamente. A suspensão da imunidade feita por conta de supostas irregularidades e desvios de finalidade não podem afetar a situação da Fundação em relação às suas obrigações com o PIS/Pasep e com a Cofins; o art. 13, da Medida Provisória 215835, de 2001, é claro neste sentido: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; não consta na norma que define a forma de pagamento do PIS/Pasep pelas fundações que elas devem atender ou deixar de atender outros requisitos, por exemplo aqueles da Lei 9.532/97, conforme insinuado pelo Acórdão recorrido. Quem deve obedecer aquelas disposição são instituições isentas de IRPJ e CSLL; Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 9 8 portanto, a tributação com base na suspensão da imunidade para fins de IRPJ não pode ser invocado para modificar a forma de sujeição de uma Fundação ao recolhimento do PIS/Pasep; a Fundação não estava imune ao recolhimento de PIS/Pasep, mas estava submetida a uma forma de recolhimento que a diferenciava. Ou seja, em vez de recolher tal contribuição sobre o faturamento, o faz com base na folha de salários; igualmente se dá em relação a Cofins; os fundamentos tratados no Acórdão recorrido cuidam da imunidade específica dos impostos prevista no art. 150, V, “c”, da CF/88, que não se confunde com a imunidade para contribuições vide a Cofins; descartada a imunidade de impostos, conforme aduzido no Acórdão, com efeitos para IRPJ, caberia averiguar as circunstâncias acerca da isenção própria das contribuições para seguridade social. A imunidade própria das contribuições para a seguridade social está no §7º, do art. 195, da CF/88; na situação dos autos, o Acórdão ratifica a fiscalização, que em vez de se guiar pela legislação própria da Cofins, buscou amparo na legislação do IRPJ e da CSLL, como se fosse possível aplicar as normas atinentes a estes dois tributos; portanto, deve ser cancelada a exigência de PIS em relação aos lançamentos efetuados com base no faturamento da recorrente, bem como cancelado o lançamento acerca da COFINS ante a isenção sobre receitas próprias da Fundação, conforme dispõe a legislação aplicável à espécie; desta forma, imperiosa se faz a conclusão de que o lançamento originário mostrase flagrantemente nulo, porquanto levado a efeito em contrariedade às normas aplicáveis. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 19/04/2017, deu seguimento ao recurso para as divergências suscitadas, nos seguintes termos: a) Regime de Tributação com Base no Lucro Arbitrado Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. Ademais, a falta de apresentação do livro registro de inventário e do LALUR à fiscalização, quando regularmente intimado o sujeito passivo, dá ensejo à apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social segundo as regras do lucro arbitrado. [...] O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 10 9 camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, demonstrando qual a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente, qual seja, art. 530 do RIR, de 1999, referente aos critérios do regime de tributação do lucro arbitrado. b) Bases de Cálculo do Pis e da Cofins Folha de Pagamento Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que a isenção preconizada pelo artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, para as instituições de caráter recreativo e cultural, sem fins lucrativos, aplicase, consoante expressamente determinado no seu § 1º, exclusivamente em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido. Em relação ao PIS/Pasep, referidas instituições não estão isentas e devem submeterse à regra do inciso IV, do art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001, isto é, recolher a contribuição mediante a aplicação da alíquota de 1% sobre a sua folha de salários. No caso, de se cancelar a autuação para a exigência da contribuição com base no faturamento sob a alegação de que a “isenção” fora suspensa. De se manter o lançamento realizado para constituir valores do PIS/Pasep na modalidade “folha de salários”, recolhidos a menor. Ademais, são isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. Consideramse atividades próprias da entidade aquelas para as quais as mesmas foram criadas e que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento. A contribuição para o PIS/PASEP das entidades educacionais é determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento. [...] O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP e da COFINS tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, demonstrando qual a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente, quais sejam, a Leis n° 8.212, de 1991, e a Lei n° 12.101, de 2009, que tratam da base de cálculo do PIS e da Cofins sobre a folha de pagamento. Vale registrar que a contribuinte, no contexto do recurso especial, trouxe também questionamentos sobre a fixação do termo inicial para incidência dos juros de mora, Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 11 10 defendendo a ideia de que esta matéria deveria ser examinada, ainda que inexistente expresso préquestionamento, por se tratar de questão de ordem pública. Todavia, tanto a questão sobre a obrigatoriedade de apreciação de matéria de ordem pública quanto a questão relativa ao seu próprio conteúdo (forma de incidência dos juros) não foram admitidas em razão da absoluta falta de indicação de acórdão paradigma. Na verdade, não houve alegação de divergência jurisprudencial em relação a essas matérias no âmbito do CARF, e a negativa de seguimento no despacho de exame de admissibilidade foi proferida em caráter definitivo. A contribuinte ainda apresentou agravo contra o exame de admissibilidade, mas esse recurso não foi conhecido pelo Presidente da CSRF, porque "nos termos do art. 69, §3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, é definitivo o despacho que negar seguimento ao recurso especial por absoluta falta de indicação de acórdão paradigma proferido pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF". No mesmo despacho, o Presidente da CSRF também indeferiu o pedido da contribuinte para que o agravo fosse ao menos recepcionado e acolhido com amparo legal no seu constitucional direito de petição, com supedâneo legal no artigo 5º, inciso XXXIV, alínea "a", da Constituição Federal de 1988. De acordo com o Presidente da CSRF, "inexiste qualquer erro no despacho questionado, ou mesmo inexatidão material devida a lapso manifesto ou erros de escrita ou de cálculo existentes no despacho, cujo saneamento se imporia em razão do art. 60 do Decreto nº 70.235/72". Desse modo, o seguimento do recurso abrangeu apenas as matérias para as quais houve alegação e comprovação de divergência jurisprudencial no âmbito do CARF. Em 08/05/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que deu seguimento ao recurso especial da contribuinte, relativamente às divergências suscitadas, e em 17/05/2017, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. como visto, o acórdão recorrido entendeu como correta a apuração de resultados com base no lucro real, mesmo quando o contribuinte não apresenta o Lalur; sobre a inaplicabilidade do arbitramento do lucro apenas por falta de apresentação do Lalur, vale destacar o didático voto do Conselheiro Paulo Roberto Cortez, aprovado por unanimidade pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, e consolidado na Ementa do Acórdão n° 10196.469, de Sessão em 05/12/2007: "O sistema contábil de uma empresa deve ser constituído de uma estrutura que atenda a todos os requisitos inseridos nas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade, cujo resultado deve ser a correta demonstração do patrimônio da entidade, com o registro de todas as suas transformações e apuração das causas que Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 12 11 resultem em modificações no resultado do período e que possibilite o exame de todos os registros nele inseridos, bem como a aferição do resultado tributável. (...) Como é cediço, a desclassificação de escrita com o consequente arbitramento de lucros é uma salvaguarda do crédito tributário cujo exercício somente se justifica em caso extremo quando a contaminação seja de tal monta que inviabilize a apuração do lucro real da pessoa jurídica. (...) A jurisprudência administrativa e a judicial é pacífica no sentido de somente aceitar a desclassificação da escrita quando as deficiências apresentadas na escrituração sejam de tal monta que as tornam insanáveis, apesar dos esforços envidados pela fiscalização para o seu aproveitamento. Aos acórdãos citados e transcritos pela defesa inúmeros outros podem ser acrescentados, sempre nessa direção. O arbitramento somente pode ser acolhido quando as falhas e vícios encontrados e devidamente demonstrado pela fiscalização, levam à imprestabilidade do conjunto da escrituração é que podem determinar desclassificação da escrita. (. ..) Destarte, resta claro e cristalino que a escrituração contábil da interessada está revestida de todas as formalidades legais, a qual comprova a real margem de lucro da empresa, deverá prevalecer como prova, mesmo que no momento da fiscalização tenha ocorrido a falta de apresentação do LALUR, posto que, por se tratar de um livro cujo preenchimento depende dos dados inseridos na escrituração regular, nada impede que a qualquer momento o mesmo seja regularizado e apurado o lucro real com os elementos extraídos da própria escrituração." no caso presente, a falta de apresentação do Lalur, assim como as inexatidões contábeis detectadas pela fiscalização, consideradas pontuais e perfeitamente sanáveis, não justificaram o arbitramento do lucro, bem como foi informado que o arbitramento do lucro da entidade no período abrangido pela suspensão da imunidade tributária seria cabível apenas nos casos da contabilidade conter deficiências que pudessem caracterizála como imprestável para a apuração do lucro real; neste sentido, o CARF tem reiteradamente decidido que a modalidade de arbitramento é excepcional e deve ser aplicada apenas quando esgotadas, de fato, as possibilidades de apuração do lucro real da pessoa jurídica, como mostram as ementas abaixo: [...]; o fato do recorrente manter escrituração regular, com a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFCs), onde seu resultado, tido inicialmente como Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 13 12 SUPERAVIT, passa a ser considerado LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO, impôs a necessidade dessa fiscalização apurar o IRPJ e a CSLL com base lucro real; salientamos que o Item 10.19.1.3 da Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) no. T 10.19, aprovada pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) n2. 877, de 18/04/2000, dispõe que as entidades sem finalidade de lucros são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido, e o LUCRO ou prejuízo é denominado, respectivamente, de superávit ou déficit; além disso, os Itens 10.19.1.6 e 10.19.3.1 dispõem que aplicamse às entidades sem finalidade de lucros os Princípios Fundamentais de Contabilidade válidos para todas as pessoas jurídicas, e que a metodologia de apuração das demonstrações contábeis consiste em utilizar a norma contábil geral divulgada pela NBC T 3, a qual foi aprovada pela Resolução CFC n9 686, de 14/12/1990, e que vigorou até a edição da Resolução CFC IV 1.283, de 28/5/2010, com a adoção de pequenas alterações de denominação para adaptála â finalidade nãolucrativa, tais como "Lucros ou Prejuízos Acumulados" para "Superávits ou Déficits Acumulados", "Demonstração do Resultado" para "Demonstração do Superávit ou Déficit", e "Resultado" para "Superávit ou Déficit"; assim, é cabível a apuração de ofício do IRPJ com base no lucro real, quando a entidade que teve a imunidade suspensa mantém escrituração regular, com a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs) e suas Interpretações Técnicas e Comunicados Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), onde o resultado da mesma, tido inicialmente como superávit, passa a ser considerado lucro líquido do período e apto a servir de elemento para a composição do lucro real; ademais, suspensa a imunidade da entidade e não ocorrendo uma das situações autorizadoras do arbitramento, a forma de tributação a ser aplicada e o lucro real, uma vez que não foi feita a opção pelo lucro presumido; o entendimento utilizado pela fiscalização, de que a falta de apresentação do Lalur não impede que o lucro real seja apurado a partir de elementos extraídos da própria escrituração contábil, uma vez que o Lalur e livro fiscal que depende dos dados inseridos na escrituração regular, a qual deve ser revestida de todas as formalidades legais, foi compartilhado por procedimentos de fiscalização que resultaram em diversos Acórdãos do CARF, cujas Ementas foram colacionadas alhures; por todas essas razões, concluise que a simples não apresentação do Lalur não é suficiente para se utilizar o arbitramento do lucro, que, de acordo com a legislação tributária, só deve ser aplicado em casos extremos de imprestabilidade da contabilidade da empresa; BASES DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS FOLHA DE PAGAMENTO. também no que concerne a este tópico, o acórdão ora recorrido não merece quaisquer reparos; o contribuinte sustenta que não pode ser tributado pelo PIS e a COFINS de forma reflexa pois a suspensão da sua imunidade se deu unicamente com base nos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III do CTN, que seriam aplicáveis apenas ao IRPJ e à CSLL. Entende que a Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 14 13 imunidade própria das contribuições para a seguridade social está no §7º, do art. 195, da CF/88 e que cumpriu os requisitos estabelecidos nas Leis n° 8.212, de 1991, e Lei n° 12.101, de 2009; o processo de n° 10380.729113/201269, que tratou da suspensão da imunidade da autuada, onde a fiscalização descreveu uma série de irregularidades praticadas pela interessada a implicar na subsunção dos fatos às hipóteses estabelecidas pelos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III do CTN, e que teve por consequência a suspensão da imunidade do sujeito passivo concretizada através da edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, foi julgado recentemente pelo CARF, tendo o colegiado mantido a suspensão da imunidade para o IRPJ e seus reflexos. É a ementa do julgado: Acórdão nº 1401001.713 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. FISCALIZAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Representa desatendimento aos requisitos necessários ao gozo da imunidade destinada às instituições de educação e de assistência social a constatação de que a beneficiária adotou as condutas a seguir elencadas: o oferecimento de publicidade em equipe esportiva da entidade para empresa do mesmo grupo econômico, sem a devida cobrança pelo serviço prestado; a concessão pela entidade de bolsas de estudo a empregados das empresas que compõem o grupo econômico em que se encontra inserida, sem qualquer contrapartida por parte das empregadoras; o pagamento de anúncios publicitários em empresas pertencentes ao grupo econômico de seus dirigentes em valores superiores aos preços praticados para os demais anunciantes; e a participação da interessada em grupo econômico com fins lucrativos. importante consignar que o argumento de que a suspensão da imunidade seria válida apenas em relação ao IRPJ e a CSLL não foi suscitado no processo que julgava a referida suspensão; assim, o acórdão proferido naqueles autos julgou procedente a suspensão da imunidade em relação ao IRPJ e também em relação aos seus reflexos, que no caso são a CSLL, o PIS e a COFINS; a despeito de tais argumentos terem sido trazidos somente no processo que versa sobre os autos de infração, tratemos deles mesmo assim; como muito bem salientado pela decisão proferida em primeira instância e reiterado pelo colegiado a quo, o artigo 55 da Lei n° 8.212/91 estabelecia os requisitos para o gozo da isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da mesma norma para a entidade de assistência social que atendesse os requisitos ali estipulados; acontece que, no processo n° 10380.729113/201269, reconhecese expressamente que houve frontal infringência do inc. V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, que determina que a entidade aplique integralmente o eventual resultado operacional positivo obtido na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 15 14 também naqueles autos, ficou claro que a contribuinte não é detentora do CEBAS Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social e que a mesma aplica em bolsas de estudos valores muito aquém daquele determinado pela norma e do que seria esperado para uma instituição sem fins lucrativos (aplica 2,55% quando a lei exige 20%). Portanto, como restou consignado no acórdão proferido nos autos do processo nº 10380.729113/201269, a autuada não cumpre os requisitos estabelecidos nas Leis n° 8.212/91 e Lei n° 12.101/2009; a sua insurgência tem como pretensão rediscutir a suspensão da imunidade tributária já julgada nos autos do processo n° 10380.729113/201269; alega, ainda, a autuada que a base de cálculo do PIS e da COFINS estaria incorreta, haja vista que, para a referida apuração, deve ser aplicado o art. 13, III, da MP n° 2.15835/2001, aplicável às instituições de educação e de assistência social, ou seja, com base na folha de salários à alíquota de 1% e não sobre o faturamento; a autoridade fiscal entendeu, com total propriedade, que o inciso III do artigo 13 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, não se aplica à Fundação em decorrência do desvio de finalidade da entidade que restou evidenciado no processo n° 10380.729113/2012 69; como muito bem salientado pelo colegiado a quo, estando “a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral”. Constatado desvio de finalidade, que imponha a apuração de lucro tributável pelo imposto de renda, em determinado período, incidirá o PIS sobre o faturamento; portanto, não merece quaisquer reparos a decisão ora recorrida; DO PEDIDO. ante todo o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja negado provimento ao recurso especial interposto, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. Finalmente, cabe registrar que a contribuinte desistiu do litígio em relação aos débitos de IRPJ, e que esses débitos foram transferidos para o processo nº 10380 727.472/201796. É o relatório. Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 16 15 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010. A autuação fiscal é decorrente da edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, fl. 607, que suspendeu a imunidade tributária da Fundação Edson Queiroz nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, com repercussão no Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e nas contribuições sociais reflexas (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins). As questões referentes à suspensão da imunidade tributária foram objeto do processo nº 10380.729113/201269, enquanto que as questões sobre a forma de constituição dos créditos tributários são objeto do presente processo. As exigências fiscais foram mantidas no julgamento de primeira instância administrativa. O lançamento também foi mantido pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). E nesta fase de recurso especial, a contribuinte suscita divergência jurisprudencial em relação à manutenção do lançamento de CSLL com base no lucro real, e também à manutenção da incidência de PIS e COFINS sobre o faturamento. Conforme já esclarecido no relatório, a contribuinte desistiu do litígio em relação aos débitos de IRPJ, e esses débitos foram transferidos para o processo nº 10380 727.472/201796. É importante mencionar que a contribuinte também interpôs recurso especial no processo nº 10380.729113/201269 (que trata das questões referentes à suspensão da imunidade tributária), e que esse recurso especial não foi admitido. Considerando que teria sido confirmada a suspensão da imunidade naquele outro processo (questão da qual o presente processo é dependente), caberia, via de regra, apenas prosseguir no julgamento do recuso especial sob exame, dirimindo as divergências que tratam de questões sobre o lançamento em si, sem espaço para novos questionamentos ou considerações a respeito do ato de suspensão da imunidade. Entretanto, em razão da petição apresentada pela contribuinte, juntada às efls. 2068/2086 dos presentes autos, surgiram dúvidas durante a sessão de julgamento, sobre a definitividade ou não da decisão proferida no processo de suspensão de imunidade. O colegiado entendeu, então, que este processo deveria ser enviado à Delegacia de origem, para que ela: se pronuncie sobre a existência ou não de Agravo no processo principal (processo nº 10380.729113/201269); explique a razão pela qual a efl. 1025 não Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 17 16 aparece no eprocesso do processo principal; e forneça ou se pronuncie sobre a tela do Ecac mencionada na fl. 3 da referida petição da contribuinte, que está ilegível. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que sejam prestadas as informações acima solicitas. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005812/2001-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO
O prazo legal para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias. O Recurso apresentado após o prazo não pode ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-004.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em vista de sua intempestividade.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO O prazo legal para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias. O Recurso apresentado após o prazo não pode ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em vista de sua intempestividade. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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score : 1.0
Numero do processo: 10783.916367/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 63 67 /2 00 9- 87 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10783.916367/200987 Acórdão n.º 3302006.162 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que, considerando a alteração do regime constitucional das contribuições (PIS/Cofins) por meio da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, eram inconstitucionais as Medidas Provisórias n° 66/2002 e nº 135/2003 que alteraram as suas base de cálculo e alíquota, carecendo de validade, por conseguinte, as Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003 delas decorrentes. Arguiu, também, o então Manifestante a inexigência da multa moratória, em razão da denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1331.920, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de não comprovação do indébito fiscal e da incompetência da autoridade administrativa para apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.147, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10783.912698/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.147): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10783.916367/200987 Acórdão n.º 3302006.162 S3C3T2 Fl. 4 3 Conforme exposto anteriormente, as alegações da Recorrente se restringem a inconstitucionalidade da MP 135/2003, a saber: l. Considerando que o regime constitucional da COFINS foi alterado pela Emenda Constitucional n” 20, de 15 de dezembro de 1998, concluise ser inconstitucional a Medida Provisória n° 135/2003 que alterou a base de cálculo e alíquota da COFINS; 2. Nesse sentido, carece de validade a Lei n° 10.833/2003, pois decorre de medida provisória inconstitucionalmente editada; 3. Sendo assim, restam indevidos recolhimentos efetuados pela contribuinte com à alíquota majorada de 7,6%, pois deveria ter sido aplicada à alíquota de 3,0%. Neste cenário, impõese observar e aplicar a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, à Medida Provisória nº 135/2003 e à Lei nº 10.833/2003, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, à Medida Provisória nº 66/2002 e à Lei nº 10.637/2002. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000375/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE. PRAZO PARA DECISÃO ADMINISTRATIVA PREVISTO NA LEI Nº 9.784/99. INAPLICABILIDADE
O processo administrativo tributário encontra-se regulado pelo Decreto 70.235/72 - Lei do Processo Administrativo Fiscal -, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte.
REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. ASSUNÇÃO DE ÔNUS.
Na vigência da IN SRF nº 210/02, na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios.
Numero da decisão: 1402-003.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 NULIDADE. PRAZO PARA DECISÃO ADMINISTRATIVA PREVISTO NA LEI Nº 9.784/99. INAPLICABILIDADE O processo administrativo tributário encontra-se regulado pelo Decreto 70.235/72 - Lei do Processo Administrativo Fiscal -, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. ASSUNÇÃO DE ÔNUS. Na vigência da IN SRF nº 210/02, na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
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PRAZO PARA DECISÃO ADMINISTRATIVA PREVISTO NA LEI Nº 9.784/99. INAPLICABILIDADE O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. ASSUNÇÃO DE ÔNUS. Na vigência da IN SRF nº 210/02, na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 03 75 /2 00 8- 32 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (fls. 47/) contra o Despacho Decisório (fls. 47/48 ) que não homologou a compensação formalizada por meio dos PER/DCOMP´s nº 40937.88179.051004.1.543483 e 41936.94901.121103.1.3.54 5186 com base nos seguintes fundamentos: a) A ação judicial que originou o direito a crédito transitou em julgado em 27/11/1991, já tendo caducado o direito à restituição na data da entrega das DCOMPs. b) O contribuinte promoveu a execução do julgado e, concomitantemente ao deslinde do processo, transmitiu as DCOMPs em 12/11/2003 e 05/10/2004, por meio das quais, utilizouse do crédito reconhecido na ação judicial. Conforme legislação vigente à época (art. 37, §2º, da IN SRF nº 210/02) caberia ao contribuinte desistir da execução na esfera judicial antes de lançar mão dos procedimentos administrativos necessários a sua pretensão de compensação. Cientificado em 16/05/2008 (AR fls. 49), o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls.50/52 na qual alegou o seguinte a) A afirmação de que sentença teria transitado em julgado em 27/11/1991 é incorreta porque referese apenas à primeira sentença prolatada no processo original nº 00.01.054732 (PR). Ocorre que esse processo tem vários desdobramentos, a saber: Apelação Cível nos Autos 89.04.010098; Apelação Cível Autos 93.04.415535; Embargos à Execução Autos 97.00165311 e Precatória Autos 2003.04.02.0084354, nos quais foram prolatados váris despachos, sentenças e acórdãos. Após o ganho de causa da compensação, interpôs ação declaratória incidental da diferença de correção monetária/IPC que também teve ganho de causa, sendo que sentença embasadora dos valores compensados foi prolatada em 15 de janeiro de 2001; Em 22 de junho de 2011, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) negou provimento à Manifestação de Inconformidade com base nos seguintes fundamentos: a) Decadência do direito à compensação uma vez que o transito em julgado da ação relativa ao crédito e as DECOMP´s foram transmitidas em 12/11/2003 e 05/10/2004; b) Descumprimento na norma do art. 37, §2º, da IN SRF nº 210/02, vigente à época em que foram apresentadas as DCOMP´s Cientificado do teor da referida decisão (AR fls. 199), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 112/122, no qual alega o seguinte: a) Quanto à decadência, repete ipisis litteris as alegações constantes da manifestação de inconformidade; Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16403.000375/200832 Acórdão n.º 1402003.710 S1C4T2 Fl. 126 3 b) Nulidade do processo administrativo, uma vez que não teria sido observado o prazo de 60 (sessenta) dias previsto no artigo 49 da Lei nº 9.784/99 para a prolação do Acórdão recorrido. c) em relação a exigência prevista no artigo 37, §2º, da IN SRF nº 210/02 alegou que "Como os créditos compensáveis advieram de créditos de expurgos inflacionários não admitidos "ex officio" pela RFB e decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, a renúncia ao Processo equivaleria a renúncia ao Direito, destarte esta condição foi e é impossível de ser atendida. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1) PRELIMINAR NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO POR EXTRAPOLAÇÃO LEGAL DO PRAZO PARA DECISÃO. Preliminarmente, alega o Recorrente que o presente processo é nulo, uma vez que "como o interstício entre o protocolo da Impugnação, que deuse em 03/06/2008 e a prolação do Acórdão em 22/06/2011, transcorreu (sic) mais de 720 dias, qual seja, NÃO foi observado o prazo de 60 (sessenta) dias expressamente previsto no art. 49 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999." O processo administrativo fiscal é disciplinado por lei específica Decreto nº 70.325/72, o qual prevê em seu art. 59 as seguintes hipóteses de nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não há, portanto, que se falar em nulidade na hipótese dos autos, uma vez que todos atos foram proferidos pelas autoridades competentes e sem qualquer preterição de direito de defesa. O máximo que a Recorrente poderia alegar é a mora da administração pública em decidir e, assim, peticionar (em sede administrativa ou judicial) requerendo a decisão em tempo hábil. De todo modo, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou quanto à inaplicabilidade do prazo previsto no artigo 49 da Lei nº 9.784/99 aos processos administrativos fiscais. Tal decisão foi proferida no julgamento do RESP nº 1.138.206/RS submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973: Fl. 127DF CARF MF 4 TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. (...) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. Em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) DA DECADÊNCIA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Quanto à alegação de decadência constante do despacho decisório, o contribuinte reproduz as alegações já suscitadas quando da manifestação de inconformidade e rejeitadas pela DRJ de origem com base nos seguintes fundamentos: 14. As apelações cíveis nº 89.04.01.0098 e 93.04.4155535 referemse, respectivamente: 15. Apelação Cível nº 89.04.010098: à apelação contra a decisão de primeira instância, versando sobre a exigibilidade de correção monetária do IR/PIS, conforme fls. 24, à qual foi negado provimento por unanimidade. Após, foi inadmitido recurso especial interposto pela União, fls. 26, vindo, então, a transitar em julgado a decisão em 27/11/1991, conforme fls. 27 16. Apelação Cível nº 93.04.0415535: apelação contra a decisão de primeiro grau em sede de liquidação de sentença, promovida pela União Federal, em que esta resultou vencedora, após a subida do Recurso Especial ao STJ (nº 85.715), logrando reduzir o percentual da correção monetária de 70,28%, originalmente fixado, para 42,72%. O acórdão do STJ data de 23/05/1996, conforme fls. 44. 17. Já com relação ao que o contribuinte designou de "Ação Declaratória Incidental", conforme pesquisa feita no site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a ação foi recebida como Ação Ordinária, o que se pode subentender que tenha acontecido em razão de a ação declaratória incidental ser procedimento necessariamente incidental a outra ação, principal, com o objetivo de conferir a qualidade de coisa Fl. 128DF CARF MF Processo nº 16403.000375/200832 Acórdão n.º 1402003.710 S1C4T2 Fl. 127 5 julgada à questão meramente prejudicial ao mérito da ação principal e que, não fosse a ação declaratória incidental, manterseia forma do dispositivo da sentença, compondo apenas sua fundamentação. 18. Finalmente, o contribuinte alega que o termo a quo do prazo decadencial seria 15/01/01, data da prolação da sentença que junta às fls. 775/85. Tratase de sentença proferida em outro procedimento de conhecimento Embargos à Execução de sentença ação essa que foi promovida pela União Federal para questionar a execução. Nesta ação, a autora obteve provimento parcial do seu pedido, reduzindo o valor objeto da execução. 19. Ora, o prazo para que o contribuinte exerça administrativamente o direito de compensar, de cinco anos, contase a partir do trânsito em julgado da ação de conhecimento que reconheceu o direito creditório. Quando muito, poderseia cogitar da hipótese de deslocar o momento inicial da contagem do quinquídio para o trânsito em julgado da fase de liquidação de sentença, que, no caso da espécie, aconteceu em 1996. O prazo não pode ser contado a partir da data da decisão em sede de Embargos à Execução, que é ação de conhecimento interposta pela Fazenda Nacional objetivando reduzir o valor que já está sendo objeto de uma Ação de Execução em curso, proposta pelo contribuinte. E, além de tudo, resta claríssimo que o contribuinte não satisfez os requisitos do art. 37, §2º, IN SRF nº 210/02. Além do mais, conforme sentença prolatada em 24/08/2006, fls. 45, houve a extinção da execução promovida pelo contribuinte, tendo a União efetuado o depósito dos valores em favor dos credores. Em face do exposto, decaído o direito à compensação tendo em vista o disposto no artigo 57, § 3º do RICARF. 2.2) DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 37, §2º, IN SRF Nº 210/02 Por fim, alega o contribuinte que a condição estabelecida no artigo 37, §2º da IN SRF nº 210/02 era impossível de ser atendida, uma vez que os créditos compensáveis decorreram de expurgos inflacionários não admitidos "ex officio" pela RFB. Dessa forma, a renúncia ao processo equivaleria renúncia ao seu direito. Conforme disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional a compensação, em matéria tributária, não é um direito do contribuinte. Está sujeita a expressa previsão legal e aos condicionantes estabelecidos pelas autoridades administrativas: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifamos) Na época em que foi realizado o presente pedido de compensação esta era disciplinada pela IN 210/02, a qual estabeleceu, em seu artigo 37, §2º as seguintes condições: Fl. 129DF CARF MF 6 Art. 37 (...) §2º Na hipóteses de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive honorários advocatícios. Não faz sentido a alegação do contribuinte no sentido de que estaria renunciando o seu direito ao crédito, uma vez que este foi reconhecido em ação de conhecimento. Uma vez definido o direito, o contribuinte tem o direito de requerer a restituição dos valores indevidamente recolhidos pela via judicial ou administrativa. Todavia, ao optar pela compensação deve se submeter as condicionantes impostas pela administração pública. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.901201/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS.
Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas
Numero da decisão: 3302-006.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 12 01 /2 00 8- 61 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 367 2 Relatório Por bem descrever os fatos do contencioso, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012: No dia 10/08/2004 a empresa TELEDATA SOLUÇÕES INTEGRADAS DE COMUNICAÇÃO LTDA. apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de Cofins pago a maior no dia 14/11/2003 (PA 10/2003) por erro de apuração. A RFB indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou as compensações declaradas, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP, conforme Despacho Decisório emitido no dia 24/04/2008 (fl. 68). Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que errou no cálculo da Cofins, conforme DIPJ/2004 e livro Razão. A DRJ em Salvador BA indeferiu a manifestação de inconformidade sob a alegação de que a DIPJ não tem caráter de confissão de dívida, não modificando os efeitos advindos da DCTF, nos termos do Acórdão nº 1525.249, de 28/10/2010 fls. 83/84. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 15/02/2011 e, não se conformando, apresentou recurso voluntário no dia 16/03/2011 (fls. 86/87), no qual reitera as razões da manifestação de inconformidade, demonstra a base de cálculo da Cofins de 10/03 e a necessidade de retificar a DCTF para sanar a razão do indeferimento do seu pleito. No dia 15/06/2011, a empresa recorrente solicita a “juntada do pedido da DCTF período 2003 juntamente com o pedido de retificação de ofício em virtude da impossibilidade de envio pelo programa disponibilizado pela Receita da DCTF do período de 2003”. A Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012 foi para que a d. autoridade administradora executora da decisão intimasse a contribuinte, concedendolhe o prazo de 30 dias. para que apresentasse as provas necessárias para comprovar a existência do crédito tributário pleiteado. Nesse sentido, o dispositivo contou com mais detalhes: (...) Neste aspecto, apenas o livro razão não é suficiente, sendo necessário que se comprove a diferença da base de cálculo do tributo que transformou o valor recolhido em indébito. A título de exemplificação deverão ser apresentados os elementos que compuseram o faturamento, os contratos Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 368 3 referentes às operações canceladas (se o caso); os estornos financeiros respectivos; planilha demonstrativa e relatório circunstanciado das diferenças, etc, etc. A autoridade administrativa deverá analisar as informações apresentadas e elaborar parecer conclusivo sobre a existência (ou não) do crédito tributário, indicando valores e esclarecimentos. Deste parecer, a Recorrente deverá ser intimada para apresentar manifestação em 30 dias. Após, os autos deverão ser encaminhados a este E. Conselho para julgamento. A i. relatora assim fundamentou a necessidade de diligência: (...) Conforme relatado, tratase de restituição de pagamento indevido de valores que não constam como crédito na DCTF. Em virtude deste fato não são reconhecidos como crédito pela Receita Federal e, consequentemente, não podem ser restituídos. O contribuinte esclareceu que tentou fazer a retificação da DCTF, mas não teve sucesso em virtude de já haver transcorrido o prazo decadencial de 5 anos. Para comprovar seu direito traz documento contábil com claro indício de existência do crédito pleiteado. Conforme tenho me manifestado em outros julgamentos, entendo que mais relevante do que o acerto do instrumento acessório (DCTF) é a substância do ato praticado, a realidade dos fatos. Neste sentido, se o contribuinte comprovar a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, o valor restituível não pode lhe ser negado. Registro que com isso não estou validando o comportamento de não apresentar DCTF (ou DCTF Retificadora), esta obrigação é do Contribuinte e deve ser cumprida com o costumeiro zelo. Todavia, excepcionalmente, entendo que a análise deve ser realizada in casu, principalmente em situações nas quais o contribuinte é impedido de apresentar a retificação do instrumento. Após intimação e reintimação da recorrente, veio aos autos a Informação fiscal em atendimento à Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012, com o seguinte conteúdo, em síntese: (...) Objetivando acatar ao referido Despacho, e com fundamento no artigo 23 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) c/c o artigo 835, § 3º do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), foram emitidos documentos de intimação e reintimação, a fim de que fosse apresentada comprovação da existência do crédito pleiteado, ressaltando não Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 369 4 ser suficiente somente o Livro Razão, sendo necessária a elucidação da diferença da base de cálculo do tributo que teria transformado o valor recolhido em indébito. Os avisos de Recepção AR encontramse anexos aos autos, com datas de ciência em 13/07/2017 e 26/10/2017, respectivamente – fls.348/355. O Contribuinte, contudo, não atendeu às intimações. (...) Em razão do não atendimento, inviabilizamse as condições para elaboração de relatório circunstanciado acerca do assunto, motivo pelo qual determinamos pela ciência da presente Informação ao Interessado, com posterior retorno dos Autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF Terceira Seção de Julgamento. Cientificada da informação acima, para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, a recorrente deixou fluir o prazo in albis, e retornou o processo. Após, o expediente retornou a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase de plano à questão de fundo da lide. Como se viu, o contribuinte teve mais uma chance para comprovar a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, todavia, o que se observou foi o silêncio às intimações para tanto. Corolário disso, é possível pronunciarse, conclusiva e fundamentadamente, pelo indeferimento do pleito de restituição da recorrente, e bem assim pela não homologação das compensações declaradas. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 370 5 Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901865/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS
Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-004.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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OMISSÃO. Embargante SAMARCO MINERAÇÃO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para sanála. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 65 /2 01 2- 89 Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração opostos por Samarco Mineração S/A, em face do Acórdão nº 3201003.321, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 31/01/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PRELIMINARES. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pelo ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório, devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 4 3 Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003." Alega a Embargante a ocorrência de omissão parcial pela não apreciação, em sua íntegra, quanto ao item da glosa "BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO", aduzindo ser necessária a análise dos demais produtos atingidos além dos combustíveis. A Embargante anexa aos autos as planilhas da fiscalização relativa a este tópico da glosa (doc. 04) onde está assinalada a listagem completa de produtos envolvidos na glosa fiscal, o que comprova que: a) além dos combustíveis, muitos outros produtos foram atingidos neste tópico e; b) o critério adotado pela fiscalização é, em todos os casos, exatamente o mesmo: produto sem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, deve ter seu crédito inadmitido. Defende a Embargante que tais produtos são absolutamente essenciais ao seu processo produtivo e todo o item deve ser excluído. Um dos itens mais evidentes são os lubrificantes, pois seguem os mesmos fundamentos e, portanto, deve seguir o mesmo caminho dos combustíveis. Prossegue, afirmando que tal fato é admitido pela própria Fiscalização (relatório fiscal), mas de forma contraditória, negou o direito ao crédito dos lubrificantes que não entram em contato direto com o produto. Entende a Embargante que merece ser reestabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência da decisão embargada. Continua a Embargante, asseverando que a fiscalização glosou óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada” na Unidade de Germano. De novo, no âmbito do ICMS já se reconhece tais créditos há muito, inclusive é o entendimento da Receita Federal do Brasil, consubstanciado por meio das Soluções de Consulta 85/12 e 91/12, emitida pela SRRF da 10ª Região, devendo a decisão embargada reconhecer expressamente o direito ao creditamento. Traz a Embargante, alguns exemplos da planilha anexa, para clamar que a decisão recorrida abarque todos os produtos encartados em referido documento. Que devidamente abordou e comprovou a existência de diversos outros produtos glosados sob o tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, os quais infelizmente não podem ser destrinchados itemaitem no recurso, pois tratamse de milhares de produtos glosados. A premissa da fiscalização para o tópico indicado é uma só em quaisquer dos casos a serem analisados: glosar todos os produtos em que não verificado contato direto com o minério sob produção. Requer a Embargante o provimento dos Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, atribuindo o efeito modificativo necessário, para esclarecer que o mesmo tratamento conferido aos Combustíveis e aos Serviços analisados no acórdão recorrido Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 5 4 (afastamento do critério restritivo de IPI e adoção da essencialidade), deverá ser empregado aos demais bens glosados no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”. Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, conforme a seguir: "A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.590, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.590): Assiste razão ao pleito da Embargante. Realmente, a decisão embargada deixou de apreciar a íntegra dos produtos constantes no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”, tendo sido induzido ao lapso em razão do contido nas manifestações da Fiscalização e na decisão proferida em 1ª Instância. No caso, deve ser adotado, como defendido pela Embargante, o mesmo critério adotado na decisão embargada para os combustíveis. O anexo juntado pela Embargante, realmente, contém uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 6 5 Ao caso chamo atenção aos produtos especificamente mencionados pela Embargante, quais sejam, (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada”. Em relação a tais itens, é pacífica a jurisprudência da CARF. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. (...) COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11516.724153/201385; Acórdão nº 3301005.016; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 28/08/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo nº 10768.004787/201041; Acórdão nº 3302 005.927; Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 25/09/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofin Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 7 6 desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool." (Processo nº 10880.953116/201361; Acórdão nº 3201004.161; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 28/08/2018) Com relação aos demais produtos elencados no Anexo (doc. 4 Embargos de Declaração) juntado pela Embargante, entendo que lhe assiste razão, devendo a glosa ser revertida. A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por esse Colegiado. Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim se posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 8 7 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) No caso, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida proferida pela DRJ foram, de certo modo, genéricas e não adentraram com minúcias ao caso concreto. Aqui importante trazer as ponderações proferidas pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão nº 3201004.279, in verbis: "Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins." (nosso destaque) Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos tem se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). A título ilustrativo transcrevo: Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 9 8 Dos embargos declaratórios, reproduzo os itens exemplificativos colacionados pela Embargante: Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 10 9 Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201004.595 S3C2T1 Fl. 11 10 Denotase, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração interpostos e voto por acolhêlos, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado conheceu e acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2501DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.675378/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 53 78 /2 00 9- 01 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.675378/200901 Acórdão n.º 3302006.251 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1630.453, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.675378/200901 Acórdão n.º 3302006.251 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.675378/200901 Acórdão n.º 3302006.251 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002300/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. EMBARGOS DA PROCURADORIA. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não há contradição no julgado por conta de ser citado um Recurso Extraordinário sem julgamento de mérito, ao passo que outros o foram.
Numero da decisão: 3401-005.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. EMBARGOS DA PROCURADORIA. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há contradição no julgado por conta de ser citado um Recurso Extraordinário sem julgamento de mérito, ao passo que outros o foram.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. EMBARGOS DA PROCURADORIA. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há contradição no julgado por conta de ser citado um Recurso Extraordinário sem julgamento de mérito, ao passo que outros o foram. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 00 /2 00 6- 39 Fl. 536DF CARF MF 2 Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, entendendo que houve contradição no julgado, o qual afastou a incidência de PIS/COFINS sobre o ato cooperativo, sem decisão definitiva de mérito sobre a questão pelo STF em sede de repercussão geral no RE 672.215/CE e por tal razão merecendo que o referido julgamento seja integrado nos embargos que opôs, pugnando, ao final, sejam recebidos e providos seus declaratórios para sanar o vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O julgado colacionou os RE 598.085/RJ e 599.362/RJ, ambos com votação unânime, afetados à repercussão geral (temas 177 e 323, respectivamente), e como ficou consignado no acórdão ora embargado: .... entenderam de maneira pacificada que os atos praticados por cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos, revelandose uma atividade empresarial típica (escusas pela repetição desta expressão, também usada para ato cooperativo, porém, de toda proposital, convencido que são atividades típicas, contudo, diversas, cada qual para seus respectivos segmentos), cuja receita auferida está no campo de incidência do PIS e da COFINS. Logo, por exclusão, não há incidência das contribuições nos atos cooperativos. Ambos precedentes também foram colacionados, como se disse acima, inclusive por força do artigo 62, § 2° do RICARF, diante de decisões de definitivas de mérito em repercussão geral proferidas pelo STF. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401005.422 S3C4T1 Fl. 537 3 O mesmo procedimento adotado aos aludidos RE, também foram feitos nos casos dos REsp. 1.141.667/RS e 1.164.716/MG, ambos unânimes e afetados ao rito de recursos representativos de controvérsia (recursos repetitivos). Fixouse que a prestação de serviços da cooperativa para terceiros não associados não é ato cooperativo, é uma atividade empresarial, portanto, receita tributável para fins das citadas contribuições. Por outra viseira, ato cooperativo é aquele prestado pela cooperativa em prol de seus associados, por conseguinte, não mercancia, logo, nãoincidência de PIS e da COFINS. Pelo Estatuto Social, Balencete e DIPJ apresentados, ficou claro se tratar de atos praticados em prol de seus associados, típico ato cooperativo, logo, em consonância com os julgados citados. Não há contradição no julgado pelo fato de não ter sido citado o RE 672.215/CE, vez que todos os demais o foram. Ademais, a CSRF, corrobora o entendimento fixado no acórdão embargado (9303 005.043, v. u. em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Com essas considerações, rejeito os embargos apresentados.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 538DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.982890/2011-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2000
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTO LEGAL APROPRIADO.
Não configura cerceamento de defesa o procedimento de auditoria interna efetivado pela autoridade fazendária. A uma por ter sido efetivado sobre as informações prestadas pela própria recorrente. A duas porque a recorrente poderia ter juntado documentação para desfigurar a glosa. A três por ter sido correta a utilização do fundamento no despacho decisório.
GLOSA DE CRÉDITO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3001-000.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, tendo em vista que não houve argumentos específicos sobre a glosa na manifestação de inconformidade. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2000 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTO LEGAL APROPRIADO. Não configura cerceamento de defesa o procedimento de auditoria interna efetivado pela autoridade fazendária. A uma por ter sido efetivado sobre as informações prestadas pela própria recorrente. A duas porque a recorrente poderia ter juntado documentação para desfigurar a glosa. A três por ter sido correta a utilização do fundamento no despacho decisório. GLOSA DE CRÉDITO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, tendo em vista que não houve argumentos específicos sobre a glosa na manifestação de inconformidade. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. FUNDAMENTO LEGAL APROPRIADO. Não configura cerceamento de defesa o procedimento de auditoria interna efetivado pela autoridade fazendária. A uma por ter sido efetivado sobre as informações prestadas pela própria recorrente. A duas porque a recorrente poderia ter juntado documentação para desfigurar a glosa. A três por ter sido correta a utilização do fundamento no despacho decisório. GLOSA DE CRÉDITO. EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, tendo em vista que não houve argumentos específicos sobre a glosa na manifestação de inconformidade. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 28 90 /2 01 1- 18 Fl. 111DF CARF MF 2 Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de Declaração de Compensação n. 17289.96963.141009.1.1.01 5794, no valor de R$ 40.739,42 (quarenta mil e setecentos e trinta e nove reais e quarenta e dois centavos), referente a ressarcimento de IPI do 3º trimestre de 2009. Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, homologar parcialmente a compensação sob as seguintes justificativas: Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos. Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Dessa forma, o valor do crédito reconhecido foi na monta de R$ 34.907,58. Manifestação de Inconformidade Em sede de manifestação de inconformidade, a manifestante alega, em suma, que o Despacho Decisório deve ser considerado nulo, tendo em vista a falta de fundamentação, resultando no cerceamento de sua defesa. Alega também que a apuração aconteceu por “Auditoria Interna”, não baseada em fatos concretos, isso porque o Auditor Fiscal não foi à empresa manusear seus livros, notas e demais informações, deixando de oportunizar ao mesmo a fornecer informações, bem como acompanhar a fiscalização. Por fim, destacou que a Receita Federal não poderia embasar seu despacho decisório no artigo 164, inciso J do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), que fora revogado pelo Decreto n° 7.212 de Junho de 2010 (RIPI). Requereu, assim, o reconhecimento integral do direito creditório e consequente homologação das compensações. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.982890/201118 Acórdão n.º 3001000.719 S3C0T1 Fl. 112 3 DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1449.716 2ª Turma da DRJ/RPO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS NAS SITUAÇÕES DE CANCELADO OU NÃOCADASTRADO NO CADASTRO DO CNPJ. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresa na situação CANCELADO ou NÃOCADASTRADO no cadastro do CNPJ. NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente contestada na manifestação de inconformidade é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A autoridade da primeira instância administrativa esclareceu que é possível acessar pelo sítio da Receita Federal, conforme comprovada pela mesma, RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO e RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS, onde consta que os créditos glosados advieram de optantes pelo SIMPLES, ou seja, não podem destacar o IPI. Não obstante, que não há fundamento na afirmação de cerceamento de defesa, pois as notas ficais glosadas foram informadas pela manifestante. Fl. 113DF CARF MF 4 Ademais, que a capitulação legal do Despacho está perfeita, nos termos do art. 144 do CTN, tendo em vista que o período de apuração é do ano de 2009 e o decreto que revogou o artigo 164, inciso J do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI) é de 2010. Ressaltou que a manifestante deixou de impugnar especificamente o motivo da não homologação, ignorando a RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO, restando incontroversa a matéria nos termos do art 17 do PAF. Conclusão do voto Isso posto, votou pela manutenção do decidido pela DRF jurisdicionante. Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário, busca a recorrente a reforma da decisão do julgador de primeira instância administrativa com base nos seguintes argumentos, em suma: Tendo em vista que a aquisição da matéria prima já sofreu tributação de IPI antes da industrialização, a inserção de destaque do imposto na venda do produto industrializado seria uma bi tributação. Diante disso, acredita poder utilizarse do crédito através de COMP. Alega que o artigo que embasou o Despacho Decisório está revogado (art. 14, J do Decreto n° 4.544/02 – RIPI), sendo que a data de lançamento é 30/01/2012 e esta seria a data de constituição de crédito tributário, de acordo com o art. 142 do CTN. Não obstante, repisa os argumentos de sua manifestação de inconformidade: Alega também que a apuração aconteceu por “Auditoria Interna”, não baseada em fatos concretos, isso porque o Auditor Fiscal não foi à empresa manusear seus livros, notas e demais informações, deixando de oportunizar ao mesmo a fornecer informações, bem como acompanhar a fiscalização. Por fim, destacou que a Receita Federal não poderia embasar seu despacho decisório no artigo 164, inciso J do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), que fora revogado pelo Decreto n° 7.212 de Junho de 2010 (RIPI). Com isso, requereu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, bem como a homologação de compensação declarada. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.982890/201118 Acórdão n.º 3001000.719 S3C0T1 Fl. 113 5 Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 01.12.2015, conforme AR, fl. 89, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 09.12.2015, conforme comprova o carimbo da CAC / TATUAPÉ, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Compensação de créditos no valor de R$ 40.739,42, objetivando compensar créditos, com crédito decorrente de pagamento a maior de IPI. Da análise feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, proferiu despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada pela Recorrente, em síntese, pelo fato de que o saldo credor passível de compensação seria inferior do pleiteado. Com isso, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/RPO. Fl. 115DF CARF MF 6 Em sede de Recurso Voluntário, requer que seja reformado o acórdão de primeira instância administrava, pelos argumentos expostos. PRELIMINAR DE NULIDADE Cerceamento de defesa A argumentação empreendida pela recorrente, a respeito da utilização de Auditoria Interna, não merece prosperar. Segundo o recorrente, a auditoria não foi baseada em fatos concretos, pelo motivo de o Auditor Fiscal não ter ido à empresa manusear seus livros, notas e demais informações, e, além do mais, haveria deixado de oportunizar ao ora recorrente, fornecer informações e acompanhar a fiscalização. A auditoria interna a que se refere o recorrente foi realizada em cima das próprias informações enviadas pela recorrente, e, merece destaque, que toda a documentação a que se refere a contribuinte poderia ter sido trazida aos autos quando da manifestação de inconformidade, ônus que não se desincumbiu de realizar. Fundamentação errada Existe a alegação pela impossibilidade de utilização, como fundamento do Despacho Decisório, do artigo art. 14, J do Decreto n° 4.544/02 – RIPI), uma vez ter sido revogado pelo Decreto n° 7.212 de Junho de 2010 (RIPI). Ocorre, que tal entendimento não pode prosperar, vez que os Períodos de apuração do tributo em questão ocorreu em 01/07/2009 a 30/09/2009, fora, portanto, da incidência temporal do Decreto 7.212 de 2010, sendo, por isso, correto o procedimento fiscal ao utilizar como fundamento o decreto 4.544/02. MÉRITO Ao enfrentar o mérito, deparase com a seguinte situação. O motivo da glosa, consoante exposto na decisão recorrida, foi a impossibilidade de a recorrente utilizar créditos de empresas com a situação cadastral com a opção pelo regime do Simples, vez que há vedacao legal para tanto. A autoridade da primeira instância administrativa esclareceu que é possível acessar pelo sítio da Receita Federal, conforme comprovada pela mesma, RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS POR ENTRADAS NO PERÍODO e RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS COM CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS, onde consta que os créditos glosados advieram de optantes pelo SIMPLES, ou seja, não podem destacar o IPI. Lei Complementar 123 Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional1. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.982890/201118 Acórdão n.º 3001000.719 S3C0T1 Fl. 114 7 Acórdão: 3302002.882 INCUMULATIVIDADE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, não pode ser admitida a apropriação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos de pessoa jurídica optante pelo Simples. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Contudo, ainda, agravar a situação da recorrente, permaneceu inerte quanto à glosa, não se manifestando a respeito do assunto, desde sua primeira manisfestação, o que tornou o assunto precluso para esta instância recursal, consoante Acórdão nº 3401004.446 DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente o recurso voluntário, não conhecendo as matérias não propostas na manifestação de inconformidade, por preclusão processual, e, na parte conhecida, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.725601/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
NULIDADE DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA.
Os documentos e alegações trazidos pela empresa em sua Impugnação foram expressamente enfrentados pela decisão recorrida, não cabendo se falar em nulidade.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). COMERCIAL.
Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificam-se no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1.
Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificam-se no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1.
Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificam-se no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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AUSÊNCIA. Os documentos e alegações trazidos pela empresa em sua Impugnação foram expressamente enfrentados pela decisão recorrida, não cabendo se falar em nulidade. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). COMERCIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 56 01 /2 01 5- 11 Fl. 1934DF CARF MF 2 Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificamse no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificamse no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificamse no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Por trazer uma síntese da autuação até a interposição da Impugnação Administrativa nos presentes autos, peço vênia para adotar o relatório do Acórdão 1461.167 da 2ª Turma da DRJ/RPO: "Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 02/17, lavrado em 28/05/2015, com ciência Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.935 3 da contribuinte em 02/06/2015, totalizando o crédito tributário de R$ 25.256.535,85. Segundo a descrição dos fatos de fls. 04/06 e o relatório fiscal de fls. 19/56, foram constatadas as seguintes irregularidades: falta de lançamento de IPI, no período de janeiro a dezembro de 2013, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e erro de alíquota; o estabelecimento deu saída a freezers não domésticos, horizontais, produtos classificados no código 8418.30.00 da TIPI, equivocadamente classificados no código 8418.50.90, alíquota de 0%; falta de lançamento de IPI, no período de janeiro a dezembro de 2013, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e erro de alíquota; o estabelecimento deu saída a freezers não domésticos, horizontais, de capacidade não superior a 400 litros, produtos classificados no código 8418.30.00, Ex 01 da TIPI, equivocadamente classificados no código 8418.50.90, alíquota de 0%; falta de lançamento de IPI, no período de janeiro a dezembro de 2013, por ter o estabelecimento promovido a saída de produtos tributados com erro de classificação fiscal e erro de alíquota; o estabelecimento deu saída a freezers não domésticos, verticais, produtos classificados no código 8418.40.00 da TIPI, equivocadamente classificados no código 8418.50.90, alíquota de 0%. Em virtude da existência de saldos credores de IPI nos períodos objeto do lançamento, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal (fls. 14/16). Com base na nova reconstituição da escrita fiscal, foi também exigido que a contribuinte promova o estorno do crédito existente em seu Livro Registro de Apuração de IPI, em 31/12/2013 (vide fl. 1058), no valor de R$ 14.140.250,24. Conforme citado no Relatório Fiscal, a presente fiscalização abrangendo os períodos de apuração de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, foi parcialmente encerrada em abril de 2015 e a exigência tributária correspondente formalizada no processo nº 10480.723765/201512, de 09/04/2015. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1206/1262 alegando, em síntese, que: a autuação foi decorrente de premissa incorreta da autoridade fiscal de que a impugnante não poderia ter reclassificado suas mercadorias; tal reclassificação foi embasada em testes e análises técnicas realizadas por profissionais com expertise na área; a classificação fiscal de máquinas e equipamentos deve ser realizada de acordo com a principal função por eles desempenhada; embora não tenha recorrido à consulta fiscal, a reclassificação foi respaldada em Laudo Técnico (fls. 1357/1369), em Norma internacional IEC62522 e portarias do INMETRO; classificar deve ser uma operação de análise técnica, não podendo se basear em dados singelos como fez o autuante; a autoridade fiscal não pode reclassificar mercadorias cujo mote de classificação é a identificação da principal função por elas exercida, sem realizar um teste científico; a autoridade fiscal subverteu as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, ao adotar como base o Parecer da OMA, e ignorar todas as demais regras de interpretação do Sistema Harmonizado; embora o Parecer da OMA trate especificamente de congeladores, a autoridade fiscal desconsidera esta informação, como se ela fosse irrelevante, e passa a se preocupar meramente com as características operacionais Fl. 1936DF CARF MF 4 secundárias descritas no texto da OMA, características estas que em momento algum foram eleitas como critério classificatório do sistema; os pareceres da OMA só se aplicam quando percorrido todo o caminho natural para a classificação fiscal das mercadorias; o fato de o parecer da OMA não fazer a diferenciação entre conservadores e congeladores não implica que tais aparelhos sejam idênticos ou que devam ser classificados na mesma NCM; ao contrário, o Parecer da OMA pressupõe que a aludida diferenciação, atrelada à função principal do equipamento, já tenha sido realizado em momento anterior, a partir da análise das descrições e das notas explicativas de seção e de capítulo; quando a OMA se reuniu para discutir as características secundárias presentes nas mercadorias enquadráveis na NCM 8418.30, em 25/03/2000, ainda não existia um estudo técnico, realizado a nível internacional, diferenciando os diversos tipos de aparelhos para geração de frio (refrigeradores); a diferenciação somente ocorreu em 2007; a OMA não é uma organização com expertise específica em tecnologia, e não tinha substrato suficiente para diferenciar conservadores e congeladores; por se tratar de uma tecnologia nova é que os conservadores devem se enquadrar na NCM residual 8418.50.90; apresenta justificativas técnicas para comprovar que os produtos vendidos são conservadores de alimento e não congeladores, em especial o fato de que congeladores são feitos para rebaixar a temperatura dos alimentos, enquanto que os conservadores são feitos para conservar as temperaturas; tanto a Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC) como o INMETRO fazem a diferenciação entre congeladores e conservadores; diversos elementos dos produtos que fabrica não se amoldam ao Parecer da OMA conforme demonstrado às fls. 1250/1253; transcreve diversas soluções de consulta para demonstrar que a Secretaria da Receita Federal já sedimentou o entendimento de que os conservadores se enquadram no NCM 8418.50.90; requer a realização de perícia técnica. Por fim, requereu que seja julgada a insubsistência do auto de infração." (efls. 1.808/1.810 grifei) Referido acórdão julgou improcedente a Impugnação, sendo ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CONGELADORES/CONSERVADORES (FREEZERS). Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros, classificamse no código 8418.3000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade inferior a 400 litros, classificamse no código 8418.3000, Ex 01 da TIPI, , pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. Congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros, classificamse no código 8418.4000 da TIPI, pela aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia. Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.936 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 1.807) Intimada desta decisão em 29/06/2016 (efl. 1.827), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 06/07/2016 (efls. 1.828/1.887) alegando, em síntese: (i) nulidade do acórdão por preterição ao direito de defesa da empresa, vez que deixou de analisar os laudos elaborados por empresa independente e indeferiu o pedido de perícia; (ii) a improcedência da autuação fiscal, em razão da ausência de erro de classificação fiscal das mercadorias por ela fabricadas (conservadores), que foram corretamente enquadradas na NCM 8418.50.90 com alíquota zero de IPI, sendo descabida a pretensão da fiscalização de reclassificação para as NCMs 8418.30.00, 84108.30.00 Ex01 e 8418.40.00. Em fevereiro/2018 a empresa anexou Laudo Técnico produzido pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco IFPE (efls. 1.900/1.922) sobre as mercadorias por ela produzidas. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. A classificação fiscal das mercadorias é uma atividade jurídica de avaliar a subsunção do fato à norma pautada em dados técnicos concernentes à mercadoria. Assim, para avaliar o enquadramento do produto no código correto da NCM, necessário se atentar para suas particularidades técnicas e seu correspondente enquadramento dentro da Convenção do Sistema Harmonizado (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição). Esse caminho interpretativo, que deve ser observado pelos auditores fiscais quando da revisão da NCM adotada pelos contribuintes, foi muito bem elucidado em julgamento neste E. CARF de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, que consignou em sua ementa: "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/10/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. Fl. 1938DF CARF MF 6 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA. Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria. (...)" (Processo n.º 11128.006876/200309. Data da Sessão 26/09/2016. Relator Rosaldo Trevisan Acórdão n.º 3401003.229. Unânime grifei). No presente processo, entende a fiscalização que os produtos comercializados pela empresa foram equivocadamente classificados na NCM 8418.50.901, com alíquota 0 de IPI, devendo ser reclassificados, a depender do modelo do produto, nas NCMs 8418.30.002, 8418.40.003 e 8418.40.00 Ex 014.Um breve histórico das diferentes classificações adotadas pela empresa a partir de 2009 foi traçado pela fiscalização: "Para os congeladores (freezers) em questão (produtos das linhas HCE, HDE, IHB, THG e THGI) a Mercofricon adotava o código NCM 8418.30.00 Congeladores (freezers) horizontais tipo arca, de capacidade não superior a 800 litros, com a respectiva EX 01, para os equipamentos de capacidade não superior a 400 litros, da Tabela de Incidência do IPITIPI. Para os congeladores (freezers) da linha VCV1C a empresa adotava o código NCM 8418.40.00 Congeladores (freezers) verticais tipo armário, de capacidade não superior a 900 Iitros, com a respectiva EX 01, para os equipamentos de capacidade não superior a 400 litros, da Tabela de Incidência do IPITIPI. A partir do mês de junho/2009 começa a adotar para estes produtos a classificação fiscal do código NCM 8418.50.90. No período de 17/04/2009 até 31/10/2009 a Mercofricon foi beneficiada com a desoneração do IPI para os congeladores (freezers) enquadrados nos códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00, tendo havido a redução de sua alíquota de 15% para 5%. Tal desoneração foi feita por meio do Decreto nº 6.825 de 17 de abril de 2009, que criou a exceção (Ex 01 De capacidade não superior a 400 litros) para os códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00 da TIPI. A partir de 01/11/2009, com o fim da exceção (Ex 01) para os códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00, a alíquota de IPI retornou para 15%, conforme art. 7º, inciso I, do Decreto nº 6.890 de 29 de junho de 2009 No ano de 2009, durante estas alterações da alíquota de IPI dos congeladores (freezers) para 15%, a Mercofricon promoveu uma brusca mudança na classificação fiscal anteriormente adotada, reenquadrandoos no código NCM 8418.50.90 Outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis 1 Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes Refrigeradores, congeladores (“freezers”) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415 Outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio Outros 2 Congeladores ("freezers") horizontais tipo arca, de capacidade não superior a 800 litros 3 Congeladores ("freezers") verticais tipo armário, de capacidade não superior a 900 litros 4 De capacidade não superior a 400 litros Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.937 7 semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio, sujeito à alíquota de IPI de 0%. Com o Decreto nº 7.631 de 1º de dezembro de 2011, art. 1º, a partir de 01/12/2011 o destaque (Ex 01 De capacidade não superior a 400 litros) para os códigos NCM 8418.30.00 e 8418.40.00 da TIPI voltou a vigorar, com alíquotas prevista de 15%. Informese, ainda, que a Nota Complementar da TIPI, NC (855), fixa a alíquota incidente para os produtos classificados no código TIPI 8418.30.00 “Ex” 01 que apresentem índice de eficiência energética A, nos termos da legislação pertinente. Entretanto, a empresa permaneceu enquadrando seus freezers no código NCM 8418.50.90. Durante as verificações iniciais, além das mudanças de classificação fiscal citada acima, encontramos mais divergências relacionadas com a classificação fiscal dos produtos industrializados pela Mercofricon, das quais podemos citar as seguintes observações: a) Foi informado na DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA – DIPJ 2008, 2009 e 2010, para os produtos das linhas HCE, IHB, THG e THGSGI a classificação fiscal “8418.30.00”; Sendo declarada na DIPJ 2010 para o produto da linha HDE a classificação fiscal “8418.30.00”; Para os produtos da linha VCV1C nas DIPJ 2008, 2009 e 2010 a classificação fiscal adotada foi a “8418.40.00”; Para o período fiscalizado (2010 a 2012) a Mercofricon mudou para todos estes produtos (HCE, HDE, IHB, THG, THGI e VCV1C) para a classificação fiscal “8418.50.90; b) No período desta fiscalização (2010 a 2012), na “Relação de Produtos Industrializados no Estabelecimento”, (anexa), e em todas as notas fiscais de saídas os produtos das linhas HCE, HDE, IHB, SMR, THG, THGSGI e VCV1C a empresa está utilizando a classificação fiscal “8418.50.90”, com alíquota “0” do IPI;" (efls. 27/28) A fiscalização sintetizou as características dos produtos que ensejaram a sua reclassificação fiscal (variação de temperatura e capacidade) nas Tabelas 4 a 7 do Relatório Fiscal, abaixo reproduzidas em conformidade, respectivamente, com as efls. 42, 44, 46/48 dos autos: Fl. 1940DF CARF MF 8 Segundo consta do relato fiscal, a autuação se baseou nas informações prestadas pela empresa à época da fiscalização, dentre as quais o catálogo de produtos apresentado (efls. 801/828). Por sua vez, sustenta o contribuinte que a análise de seus produtos foi feita de forma equivocada pela fiscalização, vez que as mercadorias que possuem variação de temperatura abaixo de 30ºC não necessariamente são congeladores, podendo ser admitidos como conservadores, conforme identificado na NBR 9.525/1986. Na Impugnação, a empresa acostou aos autos normas técnicas internacionais (IEC 62552 às efls. 1.390/1.474 e tradução às efls. 1.665/1.689, norma ISO 5155 às efls. 1.690/1.732), normas técnicas nacionais (Portarias INMETRO às efls. 1.476/1.507 e efls. 1.647/1.663 e IN RFB 873/2008 e Parecer OMA às efls. 1.514/1.645) e manual dos produtos identificados como "Freezers/Conservadores Horizontal e Inclinados Uso Comercial" (efls. 1.509/1.512). Apresentou, ainda, laudo técnico elaborado por professores do Curso de Refrigeração e Climatização do Instituto Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco IFPE quanto ao produto HCE411, único utilizado como exemplo no laudo e com as características técnicas analisadas (efls. 1.358/1.369) e Relatórios de Ensaio em seus produtos elaborados pelos Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica Calibração e Ensaios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul LABELO quanto aos produtos SMR 2200 (efls. 1.736/1.750), VCF 565 (efls. 1.752/1.767), HCE 411 (efls. 1.769/1.783) e HDE 411 (efls. 1.785/1.799). Estes relatórios identificavam inconformidades na temperatura de congelamento, em desconformidade com a norma técnica ISO 5155/1995. Frisese que somente os dois últimos produtos mencionados foram objeto de reclassificação fiscal e autuação. Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.938 9 Neste ponto, importante afastar a alegação de nulidade da decisão aventada pela Recorrente. Com efeito, as provas apresentadas foram expressamente enfrentadas na r. decisão, que assim expressou: "Cabe ressaltar que a impugnante juntou aos autos, às fls. 1357/1369, Laudo Técnico para comprovar que fabricou e vendeu conservadores e não congeladores. No entanto, as conclusões do Laudo (vide item 6 à fl. 1363) referemse somente aos produtos da linha HCE. De qualquer forma, todo o esforço da impugnante, inclusive o que motivou o pedido de perícia, é demonstrar que produz conservadores, que se diferenciam dos congeladores, e como tal teriam uma classificação fiscal distinta. Porém, como será visto à frente, na análise da classificação fiscal, a distinção entre conservadores e congeladores é irrelevante para a correta classificação dos produtos, motivo pelo qual a perícia requerida é desnecessária." (efl. 1.810/1.811) Com isso, descabido se falar em nulidade da r. decisão. Em fevereiro/2018, a Recorrente apresentou laudo técnico elaborado pela Coordenação do Curso de Refrigeração e Climatização do IFPE, com fulcro nos ensaios realizados pelos Laboratórios LABELO, buscando evidenciar que seus produtos não são congeladores, mas sim, conservadores (efls. 1.900/1.922). Este laudo traz considerações quanto a cada um dos produtos envolvidos na autuação fazendo referência aos ensaios do LABELO. Afirmase neste laudo: "Os ensaios foram realizados em conformidade com a seguinte norma técnica: · International Organization for Standardization. ISO5155/1995 – Household Cefrigerating appliances – Frozen food storage cabinets and food freezers – Characteristics and test methods. Genève, Switzerland, 1995; Além disso, o laboratório de análise foi homologado pelo INMETRO, conforme norma técnica: · Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica. Procedimento de Ensaios PE 0.00.01. Rev. 01.Porto Alegre, RS, Brasil, 2012. Laboratório de ensaio acreditado pela ABNT NBR ISO/IEC 17025 sob o número CRL0075. Os ensaios utilizaram o método previsto nas normas técnicas acima, apto a medir a temperatura de armazenamento, consumo de energia e capacidade de congelamento de cada equipamento. O método, descrito no item 17 da ISO5155/1995, consiste em medir a capacidade de congelamento por meio de utilização de cargas térmicas que deverão atingir a temperatura 18°C no prazo de 24 horas. Foram realizados os ensaios para cada equipamento de modo a testar a eficácia de cada um, entretanto aqueles que não atenderam aos requisitos mínimos exigidos no item 13 da referida norma não foram submetidos aos ensaios do item 17, por estarem automaticamente excluídos, ou seja, não atendem a condição de congelador. Os testes foram realizados em todas as famílias de produtos impedindo uma análise isolada de uma única máquina." (efl. 1.915 grifei) Fl. 1942DF CARF MF 10 "Com base nos resultados dos ensaios realizados pelo LABELO Laboratórios Especializados em Eletroeletrônica Calibração e Ensaios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, nos equipamentos fabricados pela Mercofricon S/A, foi confirmado que todos os produtos testados não possuem capacidade de congelamento e não atendem ao item 17 da norma ISO 5155/1995." (efl. 1.922) Importante evidenciar que não obstante o laudo técnico trazido pela empresa faça referência às distintos Relatórios da LABELO, eles não constam dos presentes autos. De fato, considerando os produtos que foram objeto de autuação, constam dos presentes autos apenas os relatórios n.º 101 e 102 referentes, respectivamente, aos produtos HCE 411 (efls. 1.769/1.783) e HDE 411 (efls. 1.785/1.799). Por sua vez, esses dois produtos e esses dois relatórios não foram mencionados no laudo técnico. Para melhor visualização, vejamos os argumentos veiculados pelas duas partes: Modelo Características identificadas pela empresa no laudo técnico do IFPE Características identificadas pela fiscalização HCE580 HCE216 HCE297 HCE311 "(...) resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família HCE não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 1.917) HCE392 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. HCE411 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, mas o resultado trazido no laudo é o mesmo que consta do relatório do LABELO, quanto aos itens da norma ISO 5155/1995 (efls. 1.769/1.783) HCE503 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, indicando que para esse produto o estudo está "EM EXECUÇÃO" (efl. 1.916) THG6 THG7 "(...) o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família THG não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 1.918) THG8 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, indicando que para esse produto o estudo está "EM EXECUÇÃO" (efl. 1.918) THG 4I THG 5I THG 6I THG 7I THG 8I "(...) o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família THG não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 1.918) Freezer horizontal com tampa de vidro e com formato de arca, destinado a conservação e exposição de produtos, com sistema de produção de frio e com variação de temperatura de 18°C a 22°C (efls. 40/41). Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas para sorvetes (efls. 809/813). IHB 568 IHB722 "O resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos das famílias IHB e SMR não possuem capacidade de Freezer horizontal com tampa de vidro e com formato de arca, destinado a conservação e exposição de produtos em Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.939 11 SMR1900 congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (e fl. 1.919) SMR1940 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. supermercados, com sistema de produção de frio e com variação de temperatura de 18°C a 20 °C ou 16 °C a 30 °C (efls. 43) Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas para supermercados (efl. 821). HDE216 HDE220 HDE265 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esses produtos, bem como não trouxe relatório do LABELO. HDE311 Apesar de constar do laudo técnico esse produto, a conclusão não se refere a esse produto, constando no item que "o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família VCV não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (efl. 1.921) HDE324 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. HDE411 Não consta considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, mas o resultado trazido no laudo é o mesmo que consta do relatório do LABELO, quanto aos itens da norma ISO 5155/1995 (efls. 1.785/1.799) HDE427 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. HDE503 Apesar de constar do laudo técnico esse produto, a conclusão não se refere a esse produto, constando no item que "o resultado do estudo foi conclusivo no sentido de que os equipamentos da família VCV não possuem capacidade de congelamento nos moldes exigidos pelas regras internacionais de refrigeração." (efl. 1.921) HDE521 O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. Congelador (freezer) horizontal podendo, alternativamente, ser utilizado como refrigerador, (temperatura ajustável dupla ação), com variação de temperatura de +5°C a 22 °C (efls. 44) Entre as duas funções que o produto é capaz de executar: congelamento e refrigeração, a função principal é a de congelamento, pois esta exige do equipamento maior poder de resfriamento. (efl. 45) Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas duplaação (efls. 824/826) VCV1C O contribuinte não apresentou considerações específicas no laudo técnico quanto a esse produto, bem como não trouxe relatório do LABELO. Consta do laudo técnico considerações quanto ao modelo VCV4B (efl. 1.920) Congelador (freezer) vertical, com variação de temperatura de 18 C° a 23 °C com porta de vidro com formato tipo armário (carregamento de gêneros é efetuado pela frente) (efl. 47). Segundo o catálogo de produtos da empresa, tratamse de produtos das linhas exclusivas para sorvetes (efl. 814) É pacífico, portanto, que as mercadorias são enquadradas na posição 8418 (Refrigeradores, congeladores “freezers” e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 8415). Fl. 1944DF CARF MF 12 Considerando os documentos e alegações trazidas pela Recorrente nestes autos, observase que ela sustenta que todos os seus produtos não atingem a temperatura 18°C no prazo de 24 horas não possuindo, com isso, a capacidade de congelamento na forma da ISO 5155/1995. Por sua vez, para a fiscalização, o fato dos produtos atingirem temperaturas abaixo de 18°C seria suficiente para enquadrála como congeladores destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais para fins de classificação fiscal. Contudo, a ampla documentação acostada aos autos pela Recorrente não consegue afastar a premissa fiscal: os produtos por ela comercializados são congeladores destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, ainda que não atendam as especificações técnicas exigidas pelo INMETRO para congeladores domésticos. O laudo técnico apresentado pela empresa em nenhum momento afirma que os produtos não possuem capacidade de congelamento, apenas buscam firmar que eles possuem capacidade de congelamento em desconformidade com a norma técnica do ISO 5155/1997. Essa norma técnica, entretanto, se aplica somente para refrigeradores e congeladores de uso doméstico, e não os comerciais como aqueles vendidos pela Recorrente. É o que se depreende da Portaria Inmetro n.º 20/2006, a qual se refere a própria Recorrente: "1. DEFINIÇÕES 1.1. Refrigeradores: Móvel termicamente isolado, dotado de máquina frigorífica que mantém o seu interior com temperatura adequada a conservar, resfriar ou refrigerar alimentos. (Fonte – Dicionário Aurélio). 2. REFERÊNCIAS 2.1. Lei 10.295/2001 Lei de Eficiência Energética. Estabelece a Política Nacional de Conservação de Energia. 2.2. Decreto nº 4.059/2001 Regulamenta a Lei de Eficiência Energética. 2.3. Portaria Inmetro nº 20/2006 Instituí, no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade, a etiquetagem compulsória de Refrigeradores e seus Assemelhados, de uso doméstico. 2.4. Normas Aplicáveis • ISO 7371 Household refrigerating appliances Refrigerators with or without lowtemperature compartment Characteristics and tests methods (Refrigeradores de 01 porta, compactos e "All refrigerator") • ISO 8187 Household refrigerating appliances Refrigeratorfreezers Characteristics and tests methods (Combinados) • ISO 5155 Household refrigerating appliances Frozen food storage cabinets and food freezers Characteristics and tests methods (Congeladores e Conservadores de alimentos congelados verticais e horizontais) • ISO 8561 Household refrigerating appliances Refrigerators, refrigerators freezers, frozen food storage cabinets and food freezers cooled by internal forced air circulation 3. CONDIÇÕES GERAIS 3.1 Nos distribuidores, produtores/importadores que comercializem exposição ou venda Condicionadores de Ar (artigo 6º da Lei 9933). Atenção: Não estão contemplados neste procedimento, os seguintes produtos: Refrigeradores e frigobares/compactos com porta de vidro; Climatizadores ou adegas de vinho/bebidas; Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.940 13 Congeladores/conservadores comerciais com porta cega ou porta de vidro (condensador/evaporadora com ventilação forçada desde que caracterizados como comerciais) e; Refrigeradores com sistema por absorção e termoelétricos." (grifei) Nesse sentido, os documentos e laudos apresentados pela Recorrente não afastam a premissa delineada pela fiscalização no Auto de Infração, de que seus produtos são congeladores, cuja classificação fiscal mais adequada, por mais específica, é aquela identificada pela fiscalização. As provas produzidas pela Recorrente não possuem pertinência com o presente caso. Mesmo reconhecendo a natureza comercial de seus produtos, todas as normas e considerações técnicas trazidas pela Recorrente nos autos se referem aos aparelhos de refrigeração de uso doméstico. Com isso, as provas trazidas aos autos pela Recorrente não trazem quaisquer elementos técnicos relevantes para a reclassificação fiscal, que merece ser mantida. Observase que quaisquer dos documentos técnicos trazidos pela Recorrente negam a existência de função de congelamento dos produtos, não trazendo diferenças relevantes para fins de classificação fiscal entre os produtos comercializados pela Recorrente e os congeladores. A indiferença entre os termos congeladores e conservadores, cuja ênfase é dada em todo momento pela Recorrente em sua defesa, foi bem apontada pela r. decisão recorrida com fulcro no Parecer da OMA, cujas razões se adota a seguir nos termos do art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99: "A OMA (Organização Mundial das Alfândegas) publica periodicamente, em francês e inglês, uma coletânea oficial contendo todos os pareceres aprovados pelo Comitê do Sistema Harmonizado (CSH). A tradução para os diferentes idiomas nacionais e a sua posterior internalização é de competência de cada parte contratante à Convenção, no nosso caso, do Secretário da Receita Federal do Brasil. Destaquese que os pareceres de classificação são de cumprimento obrigatório por parte do Brasil e dos demais intervenientes no comércio internacional. Neste contexto, a Receita Federal expediu a IN RFB nº 873/2008 (vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação) e posteriormente a IN RFB nº 1.459/2014, ambas aprovando o texto dos Pareceres de Classificação do Comitê: “IN RFB nº 873/2008 A SECRETÁRIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e de acordo com o disposto no item 2 do artigo 3º, combinado com o item 2 do artigo 8º da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988, resolve: Art. 1º Aprovar, na forma do Anexo Único a esta Instrução Normativa, que se encontra disponível no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a tradução para a língua portuguesa dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), atualizados até julho de 2008, e adotar como vinculativas as classificações das mercadorias neles contidas. Fl. 1946DF CARF MF 14 Art. 2º Adotar os mesmos pareceres de classificação como elemento subsidiário fundamental para a classificação de mercadorias com características similares às neles contidas. Art. 3º Fica revogada a Instrução Normativa SRF nº 615, de 31 de janeiro de 2006. Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.”(grifouse) Analisandose os Pareceres de Classificação contidos no Anexo Único da IN RFB nº 873/2008 (disponíveis no site da Receita Federal), destacase, para a solução da presente controvérsia, o Parecer relativo à posição 8418.30: “8418.30 1. Congelador (freezer) do tipo cofre, com uma tampa de vidro curvo, destinado a conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais. O aparelho oferece uma capacidade de conservação de 365 litros ou de 550 litros, segundo o modelo; um sistema de produção de frio incorporado permite manter uma temperatura compreendida entre 20 °C e 24 °C, para uma temperatura ambiente de 30 °C.” A impugnante fundamenta sua defesa na suposta distinção entre conservadores e congeladores, qual seja, a de que os congeladores destinariamse ao congelamento de alimentos enquanto que os conservadores destinariamse somente à conservação dos alimentos. Entretanto, conforme se pode notar no Parecer transcrito acima, o produto descrito é destinado à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, e é equivalente aos produtos fabricados pela autuada, com as mesmas características, funções e finalidades, e como se pode verificar também, é definido como “Congelador (freezer)”. Em sua impugnação, a autuada faz diversas críticas ao Parecer da OMA. Alega que os pareceres da OMA só se aplicam quando percorrido todo o caminho natural para a classificação fiscal das mercadorias. Equivocase a recorrente. Conforme o art. 1º da IN SRF nº 873/2008 são “vinculativas as classificações das mercadorias neles contidas”. Além disto, os Pareceres tem caráter “subsidiário fundamental”, e não residual, ou seja, auxiliam na interpretação das Regras de Classificação e dos Textos de Posição e Notas de Seção e Capítulos. Também não procede a alegação de que o Parecer da OMA trata de características operacionais secundárias do produto. Isto não faz sentido algum. Obviamente o que se descreve em um parecer é o produto em si, pela sua característica principal, e como a própria impugnante sustenta em sua defesa, é a função principal que determina a classificação fiscal do produto. Conforme está claro no Parecer transcrito, o produto é “destinado a conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais. O aparelho oferece uma capacidade de conservação de 365 litros ou de 550 litros, ...”. Assim como os conservadores fabricados pela contribuinte, o Parecer transcrito tem por objeto congeladores (freezers) destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios. Sustenta a impugnante que quando a OMA se reuniu para discutir as características secundárias presentes nas mercadorias enquadráveis na NCM 8418.30, em 25/03/2000, ainda não existia um estudo técnico, realizado a nível internacional, diferenciando os diversos tipos de aparelhos para geração de frio (refrigeradores), já que a diferenciação somente ocorreu em 2007; e por se tratar de uma tecnologia nova os conservadores deveriam se enquadrar na NCM residual 8418.50.90. A tese não tem amparo legal, já que o Parecer transcrito está vigente até a presente data. O entendimento e classificação fiscal adotados não foram alterados, o que demonstra que apesar da diferenciação ocorrida entre os diversos tipos de aparelhos, a OMA mantém o entendimento de que os conservadores pertencem ao grupo dos congeladores. Cabe refutar também, a alegação da autuada de que a OMA não é uma organização com expertise específica em tecnologia, e não tinha substrato suficiente para Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10480.725601/201511 Acórdão n.º 3402006.053 S3C4T2 Fl. 1.941 15 diferenciar conservadores e congeladores. Como já discorrido, a classificação fiscal não é uma matéria eminentemente técnica, e ainda que fosse, não caberia questionar os critérios da OMA, que, como já discorrido, é o órgão internacional competente para classificar os produtos. Devese ressaltar ainda, que o quadro comparativo de fls. 1250/1253 elaborado pela impugnante, “DIFERENÇAS ENTRE AS CARACTERÍSTICAS SECUNDÁRIA LISTADAS NO PARECER DA OMA E AS PRESENTES NOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIALIZADOS PELA IMPUGNANTE”, não tem nenhum valor porque, como já mencionado, o Parecer da OMA não trata de características secundárias, e porque o produto utilizado como paradigma é um freezer com função principal de congelamento, enquanto que o produto objeto do Parecer é um freezer com função principal de conservação de alimentos, igual ao dos produtos fabricados pela autuada. Também em sua defesa, a impugnante transcreve, às fls. 1254/1255, algumas soluções de consulta proferidas pela Receita Federal. Entretanto, a maioria das soluções referemse a refrigeradores, e não a conservadores/congeladores. (...) Assim, pela aplicação obrigatória do Parecer da OMA, os conservadores de alimentos, tais como os fabricados pela contribuinte, fazem parte do grupo de congeladores, devendo ser classificados, conforme o modelo (horizontal ou vertical) e volume (capacidade abaixo de 800 litros para os horizontais e abaixo dos 900 litros para os verticais), nas posições 8418.3000 (horizontais) e 84184000 (verticais). Dessa forma, pela aplicação da Regra Geral de Interpretação nº 1, temos que: produtos da Linha HCE congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha HCE congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 400 litros – TIPI 8418.3000, Ex 01, alíquota 15%; produtos da Linha THG – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha THG – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 400 litros – TIPI 8418.3000, Ex 01, alíquota 15%; produtos da Linha IHB – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha SMR – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha HDE – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 800 litros – TIPI 8418.3000, alíquota 15%; produtos da Linha HDE – congeladores/conservadores (freezers) horizontais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos Fl. 1948DF CARF MF 16 comerciais, de capacidade não superior a 400 litros – TIPI 8418.3000, Ex 01, alíquota 15%; produtos da Linha VDF – congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros – TIPI 8418.4000, alíquota 15%; produtos da Linha VCV1C – congeladores/conservadores (freezers) verticais, destinados à conservação e exposição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais, de capacidade não superior a 900 litros – TIPI 8418.4000, alíquota 15%. Portanto, mantémse o lançamento efetuado pela fiscalização em função da saída de produtos com erro de classificação fiscal e erro de alíquota." (efls 1.817/1.820) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 1949DF CARF MF
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