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Numero do processo: 11080.905682/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 3201-004.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972).
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RESTITUIÇÃO Recorrente CELULAR CRT SOCIEDADE ANONIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 56 82 /2 00 8- 88 Fl. 193DF CARF MF 2 Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no período de apuração de março de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre que não homologou a Declaração de Compensação (Dcomp) 03969.87086.111104.1.7.046043 (em destaque a data de transmissão – fls. 37 a 411). Na Dcomp, a empresa informa crédito, no valor de R$ 115.035,35, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS cumulativo referente ao período de apuração 03/2003, arrecadado no valor total de R$ 604.713,87. O despacho decisório (fl. 42) aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado já teria sido integralmente utilizado para quitar débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF. Em 28/08/2008, a interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls. 02 a 41). Alega que ocorreu erro nos valores informados em DCTF e Dcomp. Esclarece que o período de apuração do crédito seria 02/2003, tendo equivocadamente informado o mês pela data de vencimento, em março. Indica que a base de cálculo e o correto valor apurado encontramse na DIPJ, apresentando como comprovação a declaração retificadora entregue em 2006 (fls. 20 e 21). Na DIPJ, é informado o valor devido de PIS cumulativo para 02/2003 de R$ 565.772,85. Explica que o indébito advém de dois pagamentos efetuados para o período, de R$ 658.671,26 e R$ 22.136,96. Argumenta que a declaração de compensação não pode prevalecer em relação às informações contidas na contabilidade da empresa. Cabe ao Fisco verificar o substrato fático que ampara o crédito, sendo insuficiente a verificação exclusiva por processamento eletrônico. Considera comprovada a legitimidade do indébito, requerendo ser reformado o despacho para reconhecimento do crédito e homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina (DRF/LON, fl. 44) atesta a tempestividade da manifestação de inconformidade e encaminha para apreciação de DRJ. Contudo, em face da divergência entre declarações prestadas e da insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em Dcomp, a DRJ/POA decidiu encaminhar o processo em diligência à DRF jurisdicionante (fl. 47) para providenciar a análise envolvendo a demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS cumulativo referente ao período de apuração 02/2003, com a sua comprovação junto à empresa por Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11080.905682/200888 Acórdão n.º 3201004.615 S3C2T1 Fl. 194 3 meio de documentos contábeis e/ou fiscais, devendo a DRF pronunciarse a respeito da apuração realizada. Na então unidade da jurisdição da empresa, DRF em Porto Alegre (DRF/POA), a empresa foi intimada por auditorfiscal da RFB para apresentar a documentação (fl. 48). Em resposta, a empresa apresentou a manifestação de fls. 58 a 104, indicando que os livros contábeis encontramse à disposição da fiscalização e que não localizou o balancete analítico requisitado, tendo em vista tratarse de documento muito antigo (mais de 10 anos), solicitado quando já não mais estava obrigada a conservar os documentos de comprovação fiscal, conforme art. 37 da Lei 9.430/96. Através da Informação Fiscal DRF/POA/SEORT/PJ (fls. 105 a 107), são prestadas as informações à DRJ, concluindose que não foi possível a comprovação do direito creditório, uma vez que o contribuinte não apresentou o solicitado. O processo retornou à DRJ. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POA n.º 1056.896, de 01/06/2016 (fls. 112 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereuse a entrega do balancete de março de 2003 e orientouse a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. A empresa respondeu a intimação, afirmando não possuir mais o balancete, em face do transcurso do tempo, mas que localizou os Livros Diário e Razão. Fl. 195DF CARF MF 4 A DRJ orientou a unidade preparadora que reabrisse o prazo para apresentação de manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Em face do que se passa a expor, as demais razões de defesa não serão aqui relatadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Em litígio, o direito à restituição/compensação de PIS pago a maior. O pedido eletrônico foi indeferido, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente afirma que cometeu um erro no preenchimento dos valores informados em DCTF. Diz que a base de cálculo e o valor correto da contribuição encontravamse na DIPJ, apresentando, como comprovação, a declaração retificadora entregue em 2006. Em consequência dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, para que se promovesse a análise da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a sua comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Daí emitido o Termo de Intimação de fl. 48, com o seguinte teor: Em relação ao crédito apresentado na DComp nº 03969.87086.111104.1.7.046043, alegase que houve erro quanto ao período de apuração desse crédito, devendo ser 02/2003 e não 03/2003 como constou na DComp. A Delegacia de Julgamento constatou que há "insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DComp" e que o contribuinte deve comprovar "por meio de documentos contábeis e/ou fiscais" a "demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS cumulativo referente ao período de apuração 02/2003". Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de fevereiro/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso sejam requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA CUMULATIVA, no valor de R$ 87.094.917,27 (linha 29 da Ficha 21 da DIPJ), a partir do valor de R$ 93.627.876,76 (Receita da Revenda de Mercadorias, linha 03 da mesma Ficha).Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de março/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11080.905682/200888 Acórdão n.º 3201004.615 S3C2T1 Fl. 195 5 Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso venham a ser requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA, no valor de R$ 463.222,00 a da base de cálculo do "CRÉDITO TOTAL APURADO NO MÊS" linha 23 da Ficha 20 da DIPJ ativa (ND 1332073), "Apuração dos Créditos do PIS/PASEP Regime NãoCumulativo", no valor de R$ 324.226,42. Após requerer prorrogação de prazo, a Recorrente nada apresentou. Segundo a Informação Fiscal de fls. 105/107, informou que "não conseguiu localizar o balancete analítico requerido, tendo em vista se tratar de documento muito antigo (mais de 10 anos) referente ao mês de março de 2003. A ausência de apresentação desse documento, entretanto, não infirma a existência do direito creditório que pleiteia, mormente, levandose em consideração que a intimação ocorreu após transcorridos mais de 5 (cinco) anos da constituição do mesmo, quando já não estava obrigada a conservar os documentos que comprovam suas informações fiscais, nos termos do artigo 37 da Lei nº 9.430/96", grifouse. Afirmou, por fim, que, "dessa maneira, cabe ao fisco comprovar a suposta inexistência do direito creditório...e não o contrário". Com efeito, depois do pedido inicial de prorrogação do prazo, essa foi, de fato, a resposta da Recorrente, mas, no mesmo documento, ela também informou à fiscalização que os Livros Diário e Razão estavam à disposição do Fisco (fl. 59). Embora seja esse o contexto, vimos que a DRJ orientou a unidade preparadora a reabrir o prazo para manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Não houve, porém, a intimação requerida, tampouco intimação anterior para solicitar os Livros antes referidos. Após prestadas as informações, os autos retornaram à DRJ, sem que a Recorrente pudesse, inclusive, promover a sua entrega, os quais, por orientação daquela, deveriam estar a sua disposição. A nosso juízo, a falta desta intimação – previamente determinada pela DRJ – e, mais importante, a não requisição dos Livros Diário e Razão – aos quais a própria unidade preparadora havia exigido que ficassem a sua disposição – comprometeu a higidez do procedimento. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 197DF CARF MF 6 Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.005086/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/08/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA PROVA
É dever da fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, apresentar acervo probatório com razoável robustez, por meio do qual reste demonstrada a efetiva ocorrência da infração, não se prestando a tal fim laudo desacompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele.
Numero da decisão: 3302-006.139
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/08/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA PROVA É dever da fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, apresentar acervo probatório com razoável robustez, por meio do qual reste demonstrada a efetiva ocorrência da infração, não se prestando a tal fim laudo desacompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.005086/200517 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.139 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria IPI, IMPORTAÇÃO, PROCESSO ADMINISTRATIVO, ÔNUS DA PROVA Recorrente PERNOD RICARD BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/08/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA PROVA É dever da fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, apresentar acervo probatório com razoável robustez, por meio do qual reste demonstrada a efetiva ocorrência da infração, não se prestando a tal fim laudo desacompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 50 86 /2 00 5- 17 Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo no bojo do qual discutese a classificação fiscal de mercadoria importada, especificamente se é um "UISQUE DE MALTE" e que portanto se amoldase à descrição do EX.01 da posição 2208.30, qual seja "Destilado Alcoólico chamado de uísque de malte ("malt whisky") com teor alcoólico em volume de 59,5% GayLussac +/ 1,5% vol (59,5º +/), obtido de cevada maltada." sobre o qual se exige o IPI à alíquota de 20% ou se a mercadoria seria classificada como "outras preparações próprias para elaboração de uísque" sobre as quais o IPI incide à alíquota de 70%. Em razão da precisão com que tratou os fatos até então ocorridos no presente processo, adoto parcialmente o Relatório redigido quando da prolação da Resolução n. 3302 000.668, que por sua vez utilizouse de trechos da Resolução n. 3102000.304. "Trata o presente processo de AI lavrado para a exigência de credito tributário no valor de 668.614,00 referente a Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, multa de ofício e juros de mora em função deenquadramento em “ex” tarifário de mercadoria importada. Depreendese da descrição dos fatos do AI que a empresa em epígrafe submeteu a despacho de importação, por meio de DI n.º 01/03436936 mercadorias descritas como “63189 Bulk litros de destilado alcoólico chamado de malte uísque (MALT WHISKY) com graduação alcoólico de 59,5% Gay Lussac obtido de cevada maltada com mínimo de 3 anos de envelhecimento”, e classificoua no código NCM 2208.30.10, enquadrando as mesmas em seu “ex” tarifário 001. Durante o procedimento de verificação física, a autoridade preparadora retirou amostra do produto e encaminhou ao LABOR, que emitiu o Laudo nº 2372/01, bem como a informação técnica 040/05. Tal Laudo e informação técnica foram conclusivos no sentido de que a mercadoria se referia a “MATÉRIA PRIMA OBTIDA DE CEREAL DESTINADA À PRODUÇÃO DE UÍSQUE”, não se tratando de MALT WHISKY ou GRAIN WHISKY, tampouco de cereal não maltado, Acrescentou ainda que a graduação alcoólica era igual a 63,9%,. Em conseqüência, as mercadorias foram reenquadradas no “ex” tarifário 003 da mesma NCM 2208.30.10, sendo lavrado auto de infração para cobrança da diferença do IPI, bem como da multa prevista no art. 80, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da Lei n.º 9.430/96 e juros moratórios. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, anexado os documentos de fls. 53 a 104. Alega Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 4 3 que, embora resultado do laudo técnico que embasou a autuação tenha constatado uma graduação alcoólica superior à que foi efetivamente utilizada na mercadoria importada, é de ser considerado que tal mercadoria constitui produto controlado pelo Ministério da Agricultura que aprovou a sua importação através da LI n.º 01/08332095. Aduz que o resultado de análise laboratorial da mercadoria em questão indica que a graduação alcoólica do produto corresponde a 59,5% GayLussac, com no mínimo 3 anos de envelhecimento, o que levou o Ministério da Agricultura a autorizar a importação e a expedir o certificado de inspeção vegetal n.º 258/2001, relativo à DI sob apreço. Neste passo, argumenta que referido certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e a comercialização da mercadoria, após ter realizado a análise de seu conteúdo, comprova que a graduação alcoólica utilizada foi aquela declarada pelo importador, razão pela qual faz jus à aplicação da alíquota de IPI prevista no “ex” tarifário 001. Reclama que a fiscalização inobservou o princípio da verdade material ao desconsiderar a existência de certificado que, expedido por ente público, autorizou a importação sob apreço, presumindo, sem a devida comprovação, que o produto importado possuía graduação alcoólica superior a 59,5%. Em outra vertente, aduz que no caso em comento não houve prejuízo ao Erário, haja vista que, em razão do princípio da não cumulatividade que rege o IPI e acaso houvesse pago o imposto à alíquota de 70%, teria direito ao crédito consistente do valor do imposto recolhido, quando da saída da mercadoria de seu estabelecimento. Reclama também que, uma vez apurada a legalidade das importações em causa, a multa lançada de ofício é totalmente indevida e configura excesso de exação, nos termos do art. 316, § 1º, do Código Penal. Finalmente, em face do que foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração ora hostilizado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: EX TARIFÁRIO. ENQUADRAMENTO. O enquadramento de mercadoria em ex tarifário exige que a mesma possua todas as características previstas no mesmo. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, basicamente reafirmando os argumentos da Impugnação ao Lançamento. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 5 4 Alegou que “o certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e comercialização da mercadoria, após a análise de seu respectivo conteúdo, comprova o teor de graduação alcoólica do mesmo, cuja classificação corresponde à utilizada pela RECORRENTE, não incorrendo em qualquer utilização indevida como sustentado no lançamento tributário”. Que “todos os Certificados acostados aos autos (de origem, inspeção vegetal e de análise) comprovam que a graduação alcoólica corresponde à que fora utilizada pela RECORRENTE”. Que a decisão de primeira instância desconsiderou “o CERTIFICADO DE INSPEÇÃO VEGETAL que somente foi expedido, considerando as informações constantes no CERTIFICADO DE ANALISE, onde está comprovado que o produto tratase de malte uísque, com graduação alcoólica de 59,5% (...)”. Citou decisão tomada no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil em outro Processo Administrativo Fiscal. Referiuse, mais uma vez, à verdade material. Requereu a realização de diligência para esclarecimento dos fatos. Relembrou tratarse de tributo não cumulativo, razão pela qual não haveria prejuízo ao Erário. Ao final, asseverou “que a aplicação de qualquer tipo de multa é totalmente indevida, e por isso mesmo, passível de excesso de exação”. De uma primeira análise, considerouse que os elementos constantes no processo não eram suficientes para o julgamento da lide. Naquela oportunidade esta E. Turma determinou a CONVERSÃO DO JULGAMENTO em diligência, para que a Unidade de Origem providenciasse a confecção de laudo complementar a ser elaborado pelo INT ou por congênere para esclarecer os seguintes quesitos: 1) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado Malt Whisky? 2) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado de uísque de cereais (Grain Whisky)? 3) se o produto tratase de preparação própria para elaboração de uísque? 4) qual o teor alcoólico em volume de produto. Intimado do resultado do julgamento, o contribuinte apresentou quesitos complementares. O INT, por sua vez, manifestase por meio do ofício nº 019/INT informando que não é acreditado para realizar a presente diligencia e, por conta disso, procedeu a devolução Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 6 5 da amostra das contraprovas. Diante disso, elas foram encaminhadas para o Labor. Posteriormente, a SECAD entendeu em manter a diligencia, reenviando as amostras ao INT, o qual solicitou o pagamento de custas para a elaboração do Parecer Técnico no importe de R$ 2.000,00, o que foi feito pelo contribuinte. O INT apresenta seu parecer técnico de fls. 354/359. Intimado do resultado da diligencia, o contribuinte se manifesta alegando que, de acordo com o LAQAM, o produto (‘malt whisky’) então examinado (i) tinha graduação alcoólica de 54,87% vol. e que (ii) não se tratava de produto acabado, assim entendido como aquele que esteja pronto para consumo. Acrescenta que o que se pode extrair do quanto está sendo verificado nos autos da presente disputa é que, até o momento, o MAPA, a d. fiscalização e o INT apresentaram conclusões divergentes sobre a graduação alcoólica do mesmo “malt whisky” importado pela Recorrente, pois: para o MAPA, referido produto teria graduação alcoólica de 59,50% vol; para a d. fiscalização, referido produto teria graduação alcoólica de 63,5% vol; para o LAQAM, o mesmo produto teria graduação de 54,87% vol. Considera que a dúvida é, por si só, razão suficiente para o cancelamento do Auto de Infração. Por fim, acrescenta que “não há divergência quanto ao fato de que o ‘malt whisky’ importado pela Recorrente tratase de matéria prima para produção da bebida ‘whisky de malte’”, que a própria legislação confirma que a bebida pronta para consumo não pode ter graduação alcoólica acima de 54% vol. Na Sessão de 23 de abril de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.304 (fls. 471/476), os integrantes da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho, converteram novamente o julgamento em diligência, para que o INT complementasse o Laudo anteriormente emitido com as respostas aos seguintes quesitos: 1 A mercadoria importada pode ser identificada como matéria prima para elaboração do chamado uísque de malte (“malt whisky”)? 2 A mercadoria importada pode ser identificada como matéria prima para elaboração do chamado uísque de cereais (“grain whisky”)? 3 Outras considerações que julgar pertinentes. Cientificada do teor da referida Resolução, por meio da petição de fls. 485/489, a recorrente apresentou quesitos complementares. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 7 6 Em atendimento ao que solicitado na referida diligência, por meio do Relatório Técnico nº 000.122/15, de 1/3/2015 (fls. 503/508), o INT apresentou as respostas aos quesitos formulados na referida Resolução, bem como os quesitos complementares apresentados pela recorrente. Em 16/11/2015, os autos retornaram a este Conselho que, mediante sorteio, foram regularmente distribuído a este Relator. Por meio da petição de fls. 526/529, no dia 19/10/2017, a recorrente comunicou que não fora cientificada do resultado da diligência, consequentemente, sob pena de afronta ao seu direito de defesa, pleiteou a retirada do processo de pauta ou a conversão do julgamento em diligência, para saneamento feito, mediante intimação da recorrente, para, no prazo de 30 dias, manifestar se sobre o resultado da diligência. Em razão do fato do processo haver retornado de diligência sem que à Recorrente houvesse sido permitido manifestarse acerca do seu resultado, a Resolução n. 3302000.668 determinou o retorno dos autos à unidade da RFB de origem para que a contribuinte fosse cientificada do inteiro teor do Relatório Técnico nº 000.122/15, de 1/3/2015, da lavra do INT, bem como lhe seja aberto prazo para manifestarse acerca das respostas do referido Relatório Técnico. (efls. 534) Contudo, não obstante a Recorrente haver sido cientificada da abertura do prazo em fevereiro de 2018 (efls. 542), ter aberto os arquivos digitais (efls. 547), passados mais de oito meses não apresentou qualquer manifestação acerca do Relatório Técnico, tendo retornado o processo para julgamento por este colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva, a matéria é de competência deste colegiado e restam presentes os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gravita em torno da classificação fiscal da mercadoria importada, especificamente se é um "uísque de malte", como declarado, ou uma "preparação para elaboração de uísque.", com consequências tributárias diversas: Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 8 7 Vale destacar que existe uma polissemia na palavra "UISQUE DE MALTE (MALT WISKY)", significante que na forma do Decreto 2.314/97 se presta para representar tanto o "Malt Wisky" produto final, que deve ter graduação alcoólica entre 38 e 54%, como o "Malt Wisky" matéria prima para outros produtos, cuja concentração varia entre 58 e 61%, na forma da NCM acima transcrita. Para ilustrar esta diferença merece transcrição fragmento do voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Jorge Lima Abud na ocasião do julgamento do processo 10711.001012/200692, que resultou no acórdão 3302005.819 em sessão no dia 24/09/2018. A legislação regulatória, nos termos do Decreto n° 2.314, de 04 de setembro de 1997, vigente à época da importação, distingue em7 duas seções separadas o que é matéria prima ("destilados alcoólicos") e o que é produto final ("bebidas alcoólicas destiladas"). Por disposição expressa do Decreto n° 2.314/97, não é possível classificarem um mesmo gênero a bebida alcoólica e o destilado alcoólico. Essa distinção tem por fundamento o artigo 10° do próprio Decreto, segundo o qual bebida alcoólica (produto final) é a "bebida com graduação alcoólica acima de meio e até cinqüenta e quatro por cento em volume, a vinte graus Celsius", in verbis: Art. 10. As bebidas serão classificadas em bebida não alcoólica e bebida alcoólica. §1° Bebida não alcoólica é a bebida com graduação alcoólica até meio por cento em volume, a vinte graus Celsius. §2° Bebida alcoólica é a bebida com graduação alcoólica acima de meio e até cinqüenta e quatro por cento em volume, a vinte graus Celsius. Por disposição expressa do artigo 88 do Decreto n° 2.314/97, o destilado alcoólico possui graduação alcoólica acima de 54% e abaixo de 95%, não sendo possível, portanto, classificarem um Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 9 8 mesmo gênero a bebida alcoólica e o destilado alcoólico, in verbis: Art. 88. Destilado alcoólico simples de origem agrícola é o produto com graduação alcoólica superior a cinqUenta e quatro e inferior a noventa e cinco por cento em volume, a vinte graus Celsius, destinado à elaboração de bebidas alcoólicas, e obtido pela destilação simples ou por destiloretificação parcial seletiva de mosto, ou subprodutos provenientes unicamente de matériaprima de origem agrícola, de natureza açucarada ou amilácea, resultante da fermentação alcoólica. Por este motivo, o Decreto n° 2.314/97 trata de dois tipos de Malt Whisky: o Malt Whisky produto final; e o Malt Whisky matéria prima em artigos diversos, Um na seção separada para produto final e outro na de matérias primas." Assim, para o deslinde do presente caso é necessário classificar o produto importado em uma das duas categorias possíveis: · "uisque de malte" que se amolda à descrição do EX.01 da posição 2208.30, qual seja "Destilado Alcoólico chamado de uísque de malte ("malt whisky") com teor alcoólico em volume de 59,5% +/1,5% vol (59,5º +/ GayLussac), obtido de cevada maltada." sobre o qual se exige o IPI à alíquota de 20% ou · "outras preparações próprias para elaboração de uísque" sobre as quais o IPI incide à alíquota de 70%. Para que seja considerado um "uisque de malte", e seja enquadrado no Ex. 01 da NCM 2208.30.10, como afirma a Recorrente, é necessário que o produto possua concomitantemente as seguintes características: · Ser um uísque de malte. · Possuir teor alcoólico de 59,5% com variação de 1,5% para mais ou para menos. · Ser obtido de cevada maltada. Com o objetivo de chegar a estas conclusões este colegiado deve buscar arrimo em laudos técnicos que, com o auxílio de modernas tecnologias e expertos, estabeleça balizadas e precisas informações acerca do produto sob análise. No caso concreto há informações conflitantes: Em 06.04.2001 a importadora Seagram do Brasil Ind. e Com. Ltda registrou a Declaração de Importação n. 01/03463636 (efls. 18) descrita como "Malte Uisque (Malt Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 10 9 Wiskey) com graduação alcoólico 59,5 GayLussac obtido de cevada maltada com no mínimo 3 anos de envelhecimento, o que corresponderia ao conceito o Ex 01. Contudo, ao ser retirada amostra física do produto e submetida à análise do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda LABOR, foi emitido o Laudo n. 2372/01, de 23.03.2004, acompanhado da Informação Técnica n. 040/05, no sentido de que não se tratava de "Malt Whisk", mas sim de "matéria prima obtida de cereal maltado destinada à produção de uísque", com teor alcoólico de 63,9%, e não de 59,5, como teria afirmado a Recorrente. (efls. 11) Acerca deste laudo merece destaque o fato de que foi redigido em uma folha e menciona a fonte de consulta apenas como "métodos analíticos do Ministério da Agricultura". Tendo sido determinada a realização de novo laudo, onde foi facultada a elaboração de quesitos tanto por parte da Fazenda Nacional como da Recorrente, o Relatório Técnico n. 000.122/15, acostado às efls. 503 e seguintes, de lavra do Instituto Nacional de Tecnologia INT afirma, em síntese, que a amostra apresentada é um destilado com concentração alcoólica de 54.87%. Ao final do referido relatório técnico a química industrial signatária afirma que "... existem variáveis envolvidas, tais quais, tempo decorrido, armazenamento, transporte entre outros fatores que poderiam influenciar na quantificação de componentes." (efls. 354 e seguintes e 507 e seguintes) Em outras palavras, enquanto o primeiro laudo apontou para um produto de concentração alcoólica de 63,9%, superior à maxima permitida para a classificação como Uisque, o segundo laudo apontou para uma concentração de 54,87%, inferior à mínima permitida para a classificação como Uisque, que varia entre 58 e 61%, segundo a metodologia de GayLussac. Assim, em relação aos requisitos para a classificação das mercadorias, não se sabe se é um destilado alcoólico preparado a partir de cereais maltados, como atesta o próprio laudo de efls. 11 e 12 ou se é impossível afirmar tal fato, eis que o laudo do INT afirmou que não há literatura científica que oriente uma investigação acerca da origem do destilado, se proveniente de cevada maltada ou de outros cereais. Neste sentido as informações são conflitantes. Há controvérsias também acerca da sua concentração alcoólica, uma vez que a tributação é mais gravosa se o teor alcoólico do produto for superior a 59,5% com variação de 1,5% para mais ou para menos. É de se admitir uma enorme discrepância existente entre a informação apresentada pelo Contribuinte, os dados constantes no primeiro laudo realizado pelo LABOR (que aponta graduação alcoólica muito superior à máxima permitida para o enquadramento no Ex 01 da NCM), e pelo segundo laudo, realizado pelo INT, (que aponta em sentido diametralmente oposto ao primeiro laudo, ou seja graduação alcoólica muito inferior). Efetivamente, constatase que o laudo de fls. 11, que embasou a autuação, não veio acompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 11 10 Por sua vez, o laudo de fls. 503 afirma que não é possível afirmar se o produto é produzido a partir de malte ou de cereais não maltados, mas possui concentração alcoólica de 54,87%, abaixo do mínimo admitido para a classificação na Ex 01 da NCM. Assim, em razão da precariedade das provas utilizadas para demonstrar o equívoco na classificação fiscal das mercadorias, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator Fl. 557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007570/2004-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/01/1999 a 20/12/1999
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
O IPI por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, trata-se de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário.
Numero da decisão: 1402-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/01/1999 a 20/12/1999 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. O IPI por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, trata-se de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/01/1999 a 20/12/1999 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. O IPI por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, trata se de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 75 70 /2 00 4- 43 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.107 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso de Impugnação nº 1428.665 2ª Turma da DRJ/RPO, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. " Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/98), aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998; consoante capitulação legal consignada às fls. 21 e 24, foi lavrado o auto de infração de fl. 15, em 27/12/2004, pela Auditora Fiscal da Receita Federal Maria Hermínia do Nascimento, para exigir R$ 1.360.286,62 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 927.494,11 de juros de mora calculados até 30/11/2004 e R$ 1.020.214,50 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 3.307.995,23. O lançamento de ofício de IPI é parcialmente decorrente do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), sendo o processo principal de nº 10830.007571/200498, em cuja ação fiscal foi constatada omissão de receitas referente a depósitos bancários sem origem comprovada, nos anos de 1999 a 2003, nos montantes especificados nos autos, além da falta de recolhimento do IPI caracterizado pelo indeferimento de pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, de 1999 a 2002, conforme a descrição dos fatos de fls. 16/24 e o termo de verificação de fls. 04/14 e os demonstrativos de fls. 56/69 e 164/167 (apuração efetuada com base em produto com classificação fiscal 3923.21.90 e alíquota de 15%). O representante legal da pessoa jurídica tomou ciência da peça acusativa em 28/12/2004. Em 26/01/2005, insubmissa, a empresa apresentou a impugnação de fls. 476/503, subscrita pelo mesmo representante legal, em que, em síntese, sustenta que: a) Preliminarmente: a.1) o auto de infração deve ser cancelado em razão da inexistência de MPF específico de IPI; a.2) as respostas da contribuinte teriam sido dificultadas porque os livros em que se encontram registradas as operações permaneceram em poder da fiscalização desde o atendimento à intimação de 24/08/2004, sendo eivado de ilegalidade o trabalho fiscal caracterizado pela concessão de prazos exíguos; Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.109 4 a.3) o lançamento é nulo pois teria havido a requisição e análise da movimentação bancária sem determinação expressa no MPF; a.4) parte do crédito tributário exigido teria sido atingido pela decadência, em virtude do decurso de prazo (5 anos), previsto no CTN, art. 150, § 4º, a partir da ocorrência do fato gerador, sendo o IPI um imposto que se caracteriza pelo lançamento por homologação, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ; b) No mérito: b.1) não há caracterização de obtenção de receita com o simples depósito ou crédito bancário; b.2) irregularidades foram cometidas na apuração da suposta receita omitida, o que revela a impertinência da alegação fiscal de que “todos” os depósitos/créditos na conta bancária da Caixa Econômica Federal, sendo que, no caso do IPI, não houve intimação específica, já que este imposto não é mera decorrência do Imposto de Renda e depende de levantamento da produção; b.3) há inconsistências na apuração: quanto ao mês de janeiro de 1999, foi considerado como receita omitida o valor de R$ 250.341,52, sendo que o total de depósitos do mês seria de R$ 121.485,54; quanto à receita declarada, houve a exclusão da alíquota de 0,50% da base de cálculo, mas não houve exclusão da mesma alíquota na base de cálculo do IPI utilizada no auto de infração; b.4) como a fiscalização foi realizada sem o comparecimento da autoridade fiscal no estabelecimento industrial, sem uma auditoria da produção para a comprovação de que a diferença encontrada decorreria da efetiva saída de produtos industrializados, não houve o levantamento e demonstração dos créditos admitidos a que faria jus a fiscalizada, ou seja, sem a observância do princípio da nãocumulatividade; b.5) não houve a devida compensação no lançamento de ofício dos pagamentos efetuados sob o sistema simplificado, tendo a autoridade fiscal se limitado a afirmar no termo de verificação que os recolhimentos na forma do SIMPLES devem ser objeto de restituição/compensação na forma da lei; ora, se a autoridade fiscal tem a competência para formular a exigência do crédito tributário, deveria, também, providenciar a compensação dos valores recolhidos indevidamente. Por fim, requer, diante da total improcedência da acusação fiscal, o acolhimento da impugnação para o cancelamento do auto de infração, a extinção do crédito tributário e o arquivamento do processo." Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.110 5 O Acórdão de Impugnação nº 1428.665 2ª Turma da DRJ/RPO, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme a seguinte ementa: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS DE SIMPLES. CÓDIGOS DE RECEITA DISTINTOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de códigos de receita distintos, são insuscetíveis de compensação no âmbito do lançamento de ofício do IPI do regime comum os recolhimentos efetuados no regime do SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários sem comprovação faz presumir a ocorrência de omissão de receitas; caracterizada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais, mas com o expurgo de parcelas indevidas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA OU DA ÚNICA PRATICADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, ou a única existente, para a quantificação do imposto devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria tributável não especificamente contestada na impugnação é reputada como incontroversa, insuscetível de posterior invocação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.111 6 for o caso de falta de execução de atos de iniciativa do sujeito passivo tendentes ao lançamento por homologação, incluída a antecipação de pagamento do imposto segundo o código de receita correspondente. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. O MPF representa mero instrumento de controle da Administração Tributária, sendo disciplinado por ato administrativo. Eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam ou evitam o procedimento do lançamento tributário, que é vinculado por lei, sob pena de responsabilidade funcional." Recurso Voluntário Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário no qual reproduz os argumentos apresentados em sua Impugnação ao Lançamento, por fim, requerendo preliminarmente o reconhecimento da decadência dos débito, bem como sua improcedência. É o relatório. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.112 7 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a recorrente apresentou desistência parcial impugnação aos lançamento de IPI, referentes aos fatos geradores de 31/12/1999 a 31/12/2003, no âmbito do parcelamento PAEX, instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (fls. 917 a 919). Portanto a presente lide diz respeito somente aos lançamentos de IPI referentes aos fatos geradores de 10/01/99 a 20/12/99. Da Preliminar de decadência A recorrente reitera a inexigibilidade do crédito tributário remanescente por parte do fisco, com referência aos fatos geradores de 10/01/1999 a 20/12/1999, sob a alegação que tais períodos de apuração foram atingidos pelo prazo de decadência, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Destacase que nos pagamentos efetuados no âmbito do SIMPLES, a pessoa jurídica recolhe, mensalmente, todos os tributos devidos nessa sistemática, já incluídos no código de arrecadação de receita 6106 o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS, e COFINS, dentre outros (IPI e INSS), englobando percentuais destinados a cada um dos tributos e contribuições. Verificase que a recorrente recolhimento pelo SIMPLES durante todo o período fiscalizado, conforme documentos acostados ao processo (fls. 887 a 906). Observase que a ciência do auto de infração ocorreu em 28/12/2004. Logo, assiste razão à impugnante no que concerne à decadência dos períodos de apuração de janeiro a novembro de 1999, visto que a empresa efetuou mensalmente a apuração e recolhimento dos tributos na sistemática do SIMPLES, devendo, pois, ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial prevista no artigo 150 §4° do CTN, que admite ao fisco o direito de exigir qualquer diferença de tributo no prazo de 5 (cinco) anos a contar do fato gerador mensal de cada um deles. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.113 8 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de acatar a preliminar de decadência para os fatos geradores de 10/01/1999 a 20/12/1999. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1113DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.908020/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
Numero da decisão: 3201-004.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente SATURNIA SISTEMAS DE ENERGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garantese, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. “A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral.” (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01 062018 PUBLIC 04062018) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 80 20 /2 00 9- 70 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de pedido de compensação lastreado em crédito de COFINS paga a maior, em razão de o ICMS ter sido incluído na base de cálculo da contribuição. Por bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da instância a quo: (...) Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Cofins, código de arrecadação 5856), (...). Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: “II. DO DIREITO A. PRELIMINARMENTE A. 1. 1a PRELIMINAR DO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DO CONTRADITÓRIO Dispõe o artigo 5o, LV da Constituição Federal o seguinte: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e amola defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Ora, no caso em tela, em decorrência de obrigação legal, a Defendente efetuou a sua declaração de crédito e de compensação via PER/DCOMP com base na internet, instrumento ágil e eficiente, que, entretanto, deveria ser apreciado com mais atenção por parte do fisco, o que não aconteceu no caso em tela. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 4 3 Antes de indeferir de imediato, sem qualquer contraditório, o pedido da Defendente alegando a inexistência de crédito, deveria o fisco intimar a empresa a explicar a origem do crédito, quando então tudo seria provado através de documentos, uma vez que é impossível enviar qualquer informação quando a compensação é feita via internet. Tivesse a Receita Federal intimado a Defendente certamente ter seia iniciado o contraditório, a Receita Federal saberia exatamente como o crédito nasceu e o direito à ampla defesa ficaria assegurado, o que não ocorreu. A fim de combater a r. decisão, no mérito, a Defendente apresenta todos os documentos que justificam a origem do crédito e os respectivos fundamentos de ordem jurídica. Merece assim a preliminar merece ser acatada para julgar nulo o decisório e determinar que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, a fim de que todos os documentos sejam apreciados e nova decisão seja proferida. A. 2. 2ª PRELIMINAR DA SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NOS TERMOS DO ARTIGO 265. IV. "a" DO CPC ATÉ JULGAMENTO DA ADC 18 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O crédito utilizado pela ora Defendente referese ao PIS/COFINS pago indevidamente sobre o ICMS e a matéria já se encontra em fase de julgamento perante o STF, nos autos da ADC 18, que terá efeito "erga omnes", em que inclusive foi concedida liminar objetivando paralisar todos os processos em andamento, nos seguintes termos: "EMENTA: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3o,§ 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal". Vêse, portanto, que o STF determinou a suspensão de todos os processos, uma vez que se tratando ação direta de constitucionalidade, o resultado do seu julgamento terá efeito "erga omnes". Assim, requer a ora Defendente que o presente processo também permaneça em suspenso, nos termos do artigo 265, IV, "a" até julgamento final da ADC 18 por parte do STF, quando então a mencionada decisão favorável ou desfavorável será aplicada no caso em tela. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 5 4 A. 3. 3ª PRELIMINAR DA UNIÃO DOS PROCESSOS De forma indevida, ou seja, antes que tivesse ocorrido o trânsito em julgado pela via administrativa, a Receita Federal do Brasil em Sorocaba abriu outro Processo Administrativo de número 10855908.304/200966, relacionado com o débito para iniciar de imediato a cobrança, uma vez que até o DARF já foi emitido. Entretanto, tal procedimento não tem amparo legal, uma vez que não se pode separar o débito em um processo e o crédito em outro, pois o processo administrativo é único e tal procedimento só poderia ser feito após decisão final do processo administrativo. Tal procedimento além de ilegal, ainda prejudicou a Defendente que foi obrigada a apresentar duas defesas praticamente idênticas, ou seja, uma para o processo relacionado com o débito e outra relacionada com o crédito, havendo necessidade, portanto, que ambos os Processos sejam juntados, a fim de que as decisões sejam proferidas simultaneamente. B.QUANTO AO MÉRITO Entende a ora Defendente que os autos retornarão á Delegacia de origem, sem apreciação do mérito, a fim de que nova decisão seja proferida, agora com a apreciação dos documentos juntados e que nunca foram pedidos pelo fisco. Caso, entretanto, os dignos julgadores entenderem de forma diferente, no mérito razão também assiste à Defendente, uma vez que o crédito utilizado é legítimo e por conseqüência, legítima também é a compensação efetuada, como a seguir exposto: B.l. O CRÉDITO UTILIZADO PELA DEPENDENTE É LEGÍTIMO. UMA VEZ QUE SE TRATA DO TRIBUTO COFINS/PIS PAGO INDEVIDAMENTE SOBRE O ICMS QUE SE ENCONTRA EM JULGAMENTO PERANTE O STF O Artigo 195, § 45 assim dispõe: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 4o A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154,1." Por sua vez, o Artigo 154, I da Carta Magna assim dispõe: "A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no Artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;". Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 6 5 Ora, apesar de todas as fontes de custeio previstas na Constituição Federal, mesmo assim o legislador constituinte ainda deixou um cheque em branco para a União criar a qualquer momento uma nova fonte de custeio, condicionando, entretanto, sua criação, apenas mediante lei complementar, o que não aconteceu no caso em tela, pois a incidência do PIS/COFINS a partir da Carta de 1988 foi introduzida pela Lei ordinária 9.718/99 e sucessivas alterações sempre através de Medidas Provisórias e Leis Ordinárias, havendo assim patente ofensa ao Artigo 195, § 4o, cominado com o Artigo 154, I da Constituição Federal. B. 2. DOS MOTIVOS PELOS QUAIS O ICMS IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO FAZ PARTE DO FATURAMENTO. SOB PENA DE OFENSA DIRETA AO ARTIGO 195.1. ALÍNEA "h" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL O Artigo 195 da Constituição Federal, assim ensina: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, deforma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Seguindo a ordem processual, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14041.427, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins não cumulativa. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma da decisão a quo por entender que: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 7 6 a) houve cerceamento do direito de defesa – ausência do contraditório; b) deve ser suspenso o processo administrativo até o julgamento da ADC 18, pelo Supremo Tribunal Federal; c) o ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS; d) o valor pleiteado para utilização do crédito seria a diferença paga a maior por conta do ICMS estar na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.717, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10855.908014/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.717): O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente não há de se falar em cerceamento de defesa e ausência ao contraditório, uma vez, que tratase de regra, que previamente ao despacho decisório devese intimar o contribuinte para apresentar qualquer defesa. Ao ser intimado, podendo o Contribuinte apresentar sua defesa, não há qualquer supressão ao seu direito, sendo que o crédito apontado pelo contribuinte é decorrente da exclusão do ICMS. Ademais, a matéria ventilada é meramente de direito em sua primeira fase, pois, o Contribuinte alega ter direito ao crédito COFINS, diante da inclusão do ICMS na base de cálculo. Pois bem! O Supremo Tribunal Federal em repercussão geral, firmou o seguinte entendimento: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 8 7 contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2o, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3o, § 2o, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Ressaltase que o Pretório Excelso tem aplicado o entendimento em que não é necessário aguardar o julgamento dos Embargos de Declaração do RE 574706, vejamos: COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01062018 PUBLIC 04062018) Finalmente, essa Turma tem adotado o posicionamento de que deve ser excluído o ICMS da base de Cálculo do PIS/COFINS, vejamos: Acórdão: 3201004.124 Número do Processo: 10880.674237/201188 Data de Publicação: 12/09/2018 Contribuinte: RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES SA Relator(a): LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exc Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andr Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante disso, resta prejudicado o pleito de sobrestamento do feito, concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15971.000162/2007-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
JUROS SELIC.
Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes.
MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO.
No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2001-000.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. JUROS SELIC. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicála, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicálas, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 1. 00 01 62 /2 00 7- 12 Fl. 391DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 43.821,00, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar acrescido de juros e multa de oficio. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 01 e ss, juntando documentos para tentar comprovar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. Questiona aplicação da taxa Selic e Multa supostamente confiscatória. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não comprovam o pagamento de despesas médicas. Ratifica a DRJ que o notificado informou em sua Declaração de Ajuste, que no ano de 2003 despendeu, apenas com despesas médicas, o importe de R$ 47.690,51, representando 74% (setenta e quatro por cento) dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Solicitou comprovação de pagamento e o contribuinte apenas alega que foram pagos em espécie e nem extrato bancário junta para tentar comprovar as suas alegações. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte mesmos argumentos e fundamentos para tentar comprovar seu guerreado direito, no entanto não junta nenhuma prova documental que demonstre seu esforço em comprovar o efetivo pagamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 392DF CARF MF Processo nº 15971.000162/200712 Acórdão n.º 2001000.961 S2C0T1 Fl. 3 3 Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física os desembolsos a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos médicos diversos para comprovar as despesas médicas incorridas. No entanto, a decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] O notificado informou em sua Declaração de Ajuste, que no ano de 2003 despendeu, apenas com despesas médicas, o importe de R$ 47.690,51, representando 74% (setenta e quatro por cento) dos rendimentos declarados pelo contribuinte, dos quais foram comprovados à autoridade lançadora, apenas o valor de R$ 3.869,51, sendo glosando o valor de R$ 43.821,00 por falta de comprovação do pagamento. Depreendese das legislações transcritas, principalmente as que se grifou, que todas as deduções estão sujeitas ao crivo do Fisco, Fl. 393DF CARF MF 4 e conforme consta da descrição dos fatos do Auto de Infração, fls. 159, o contribuinte foi intimado pela autoridade fiscal a comprovar a efetividade dos pagamentos , e não o fez. Com a impugnação traz a Impugnante as mesmas cópias de recibos já apresentados ao Auditor Fiscal, das quais se verifica que a maioria dos recibos nem preenchem todos os requisitos da lei, eis que sem endereço do prestador do serviço. Salientamos que a legislação tributária não dá aos comprovantes, ainda que revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto. Não há dúvidas de que a efetividade do pagamento a titulo de despesa médica não se comprova com a mera exibição de recibos, mormente quando os valores pleiteados, com deduções de despesas médicas, são expressivos em relação aos rendimentos.declarados. (§ 1°, art. 73 do RIR/99). A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Registrese que em defesa do interesse público, é entendimento no âmbito da Receita Federal do Brasil que para gozar as deduções com despesas médicas não basta o contribuinte ter a disponibilidade de simples recibos, cabendo a este, comprovar, de forma objetiva a efetiva prestação do serviço médico e o pagamento realizado. 0 contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde (prestador de serviços), mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos. Por isso, este deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço, ainda mais quando o valor do pagamento é alto e contumaz. A emissão de recibo de pagamento serve muito bem para quitar um débito e fazer prova contra o credor, mas não para comproválo junto a terceiros interessados. A comprovação da efetivação dos pagamentos já havia sido solicitada pela autoridade fiscal, poderia o impugnante, se assim quisesse, ter juntado aos autos documentos que reforçassem a convicção de que de fato houve o pagamento como cópia de cheques, extratos bancários, transferências bancárias (TED's, DOC's), etc.. O Impugnante, em que pesem os esforços expendidos, não logrou demonstrar a efetiva transferência dos valores, e, em sua impugnação questiona qual a legislação que proíbe pagamento em dinheiro. Tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade administrativa e que estas não foram realizada Fl. 394DF CARF MF Processo nº 15971.000162/200712 Acórdão n.º 2001000.961 S2C0T1 Fl. 4 5 [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Fl. 395DF CARF MF 6 Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se no quanto exposto de DRJ, entendo que negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa das despesas médicas por falta de comprovação de pagamento. SELIC Juros e multa aplicada No que se refere aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa SELIC passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da Lei9.250/95. Assim, para os tributos federais iremos aplicar a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95) e não mais o regramento previsto no Código Tributário Nacional, haja vista que ele próprio abre espaço para que cada ente da federação legisle de forma distinta quanto aos seus tributos. Repetindo: o termo inicial da fluência tanto da correção monetária quanto dos juros de mora, nos tributos federais, após 1º de janeiro de 1996, será a data do recolhimento indevido. Os demais tributos estaduais e municipais, salvo disposição em lei em sentido contrário dos respectivos entes da federação, se submetem ao regramento supramencionado contido no CTN. Nesta senda, resta claro que no caso de repetição de indébito de tributos federais, tendo que considerar como termo inicial para contagem da SELIC a data do recolhimento indevido, que no caso em comento, ocorreu em abril de 2003. Não há que se falar em outro período de termo inicial da fluência da correção monetária. No entanto, como muito bem colocado na decisão a quo, deve ser observado o pagamento já efetuado pelo contribuinte no Darf juntado aos autos do processo (fls.2) Por fim, a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. CONCLUSÃO: Fl. 396DF CARF MF Processo nº 15971.000162/200712 Acórdão n.º 2001000.961 S2C0T1 Fl. 5 7 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, redator designado Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa 8 Fl. 397DF CARF MF 8 que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para o ordenamento jurídico atual. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902655/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 25/09/2015
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 55 /2 01 6- 11 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13851.902655/201611 Acórdão n.º 3402005.924 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.398. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13851.902655/201611 Acórdão n.º 3402005.924 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13851.902655/201611 Acórdão n.º 3402005.924 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720099/2012-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS. LIBERALIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. INDEDUTIBILIDADE.
À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas decorrentes de financiamentos obtidos, quando contraídos para serem repassados, por mera liberalidade, à pessoa jurídica vinculada.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. ARTIGO 13 DA LEI Nº 9.249/1995.
As despesas desnecessárias, nos termos do artigo 47 da Lei nº 4.506/1964, são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, por força do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995.
Numero da decisão: 9101-003.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à glosa de despesas financeiras, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que não conheceram do recurso. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto à CSLL, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (suplente convocada) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento e (ii) quanto ao IRPJ, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões quanto ao IRPJ a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS. LIBERALIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. INDEDUTIBILIDADE. À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas decorrentes de financiamentos obtidos, quando contraídos para serem repassados, por mera liberalidade, à pessoa jurídica vinculada. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. ARTIGO 13 DA LEI Nº 9.249/1995. As despesas desnecessárias, nos termos do artigo 47 da Lei nº 4.506/1964, são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, por força do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-12-27T12:41:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-12-27T12:41:36Z; Last-Modified: 2018-12-27T12:41:36Z; dcterms:modified: 2018-12-27T12:41:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:541b2ff4-eb2e-4d81-9635-bf7190ef2dc3; Last-Save-Date: 2018-12-27T12:41:36Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-12-27T12:41:36Z; meta:save-date: 2018-12-27T12:41:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-12-27T12:41:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-12-27T12:41:36Z; created: 2018-12-27T12:41:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2018-12-27T12:41:36Z; pdf:charsPerPage: 2150; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-12-27T12:41:36Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.426 1 1.425 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.720099/201296 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.931 – 1ª Turma Sessão de 5 de dezembro de 2018 Matéria DESPESAS FINANCEIRAS DEDUTIBILIDADE Recorrente LATAM (BRASIL) REPRESENTAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS. LIBERALIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. INDEDUTIBILIDADE. À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas decorrentes de financiamentos obtidos, quando contraídos para serem repassados, por mera liberalidade, à pessoa jurídica vinculada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. ARTIGO 13 DA LEI Nº 9.249/1995. As despesas desnecessárias, nos termos do artigo 47 da Lei nº 4.506/1964, são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, por força do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à glosa de despesas financeiras, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que não conheceram do recurso. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto à CSLL, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (suplente convocada) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento e (ii) quanto ao IRPJ, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões quanto ao IRPJ a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 99 /2 01 2- 96 Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.427 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte, em face do acórdão nº 1301002.005, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas que não estejam estreitamente vinculada as atividades da empresa e a manutenção de sua fonte produtiva, sendo admitidas somente aquelas usuais ou normais aos tipos de transações, operações ou atividades da pessoa jurídica. A redução do lucro operacional com despesas decorrentes de empréstimos, por liberalidade das partes envolvidas, em detrimento da capitalização não se justifica, por se tratar de despesas não necessárias. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. A indedutibilidade de despesas consideradas desnecessárias também da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Se a despesa não é necessária, não pode ser considerada como despesa operacional quando da apuração do resultado do exercício. Caso tenha reduzido o resultado indevidamente, deve ser adicionada, tanto para a apuração do IRPJ quanto da CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” Por meio de Despacho, a então Presidente da 3º Câmara da 1ª Seção admitiu o Recurso Especial do contribuinte em relação às seguintes matérias: Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.428 3 a) dedutibilidade de despesas financeiras decorrentes de captação de recursos junto a empresa ligada no exterior mediante instrumento de dívida – divergência carcterizada apenas quanto ao acórdão nº 1402001.470; b) inaplicabilidade do requisito da necessidade à base de cálculo da CSLL; c) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Por bem refletir os fatos relevantes, reproduzse, a seguir, o relatório de acórdão recorrido: “Quanto à descrição dos fatos, contextualiza que a LATAM BRASIL (antes sob a denominação de CREDIT SUISSE FIRST BOSTON (BRASIL) REPRESENTAÇÕES LTDA. atual nome fantasia da empresa fiscalizada) controla a LATAM BRAZIL INVESTIMENTS (BAHAMAS) LTD (LATAM BAHAMAS), localizada nas Bahamas. A propósito disso, a entidade confirmou sua posição de controle societário apenas sobre esta subsidiária no exterior. O quadro societário da LATAM BRASIL compõese da participação da Latam Brasil Investimentos (LATAM INVESTIMENTOS), CNPJ Nº 03.118.062/000190 (99,99%) e da Credit Suisse International Holding AG (localizada na Suíça). A [controladora direta da] fiscalizada, a seu turno, é controlada pela Credit Suisse First Boston Brazil Holding Bahamas Ltd (localizada nas Bahamas) com participação de 99,99% e a Credit Suisse, CNPJ nº 05.529.445/000187 (localizada em Zurique, Suíça) com 0,01%. Passando a tecer maiores comentários sobre os valores apurados nas demonstrações financeiras atinentes aos anos de 2007 e 2008, sintetiza: a) De acordo com as informações prestadas nas linhas integrantes das Fichas 09A da Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ), houve o oferecimento à tributação de lucros disponibilizados no exterior conforme abaixo: Anocalendário 2007: R$ 28.879.476,17 Anocalendário 2008: R$ 445.203.386,08 Enfatiza ainda que a comparação dos valores declarados revelou um significativo incremento na adição destes valores no segundo períodobase. b) Outro ponto comunicado pela LATAM BRASIL no intróito da ação fiscal diz respeito à mudança do critério de reconhecimento das variações cambiais passivas no anobase de 2008, saindo da metodologia exercida com base no regime de caixa para o regime de competência. Acerca disto, noticiou que a fiscalizada promovia a mensuração das variações cambiais pelo regime de caixa até 31 de dezembro de 2008, conforme autorizado pelo art. 30 da MP 2.15835/2001. A partir de 1º de janeiro de 2009, passou a efetuar o reconhecimento das variações cambiais com base no regime de competência consoante preceituado no § 3º do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 345/2003, computandose no ano precedente (AC 2008) as despesas financeiras incorridas até o encerramento daquele períodobase. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.429 4 Sob este aspecto, os AuditoresFiscais certificaram que a referida mudança do regime contábil implicou no [sic] ajustamento dos valores computados na determinação do resultado do exercício, consoante demonstrado no quadro abaixo: Salientase que alteração do procedimento de reconhecimento da variação cambial correlacionase com lucro apurado em 31 de dezembro de 2008 pela controlada no exterior, domiciliada nas Bahamas. Acrescenta que, simultaneamente, a fiscalizada ofereceu à tributação o aludido lucro da sua controlada (R$ 445.203.386,08) e promoveu significativo reconhecimento da variação cambial passiva mensurada no mesmo exercício financeiro (R$ 722.973.074,65) em decorrência do ajuste fundamentado na alteração da metodologia contábil (de regime de caixa para regime de competência). Ressaltase ainda que as importâncias correspondentes a R$ 139.576.404,08 (variações cambiais ativas – operação liquidada) e R$ 22.148.765,53 (juros passivos – Eurobônus) refletem os ajustes de variações apuradas até 31 de dezembro de 2007, todavia, não atrelados à mudança do critério de reconhecimento contábil das despesas. Salientase que alteração do procedimento de reconhecimento da variação cambial correlacionase com lucro apurado em 31 de dezembro de 2008 pela controlada no exterior, domiciliada nas Bahamas. Acrescenta que, simultaneamente, a fiscalizada ofereceu à tributação o aludido lucro da sua controlada (R$ 445.203.386,08) e promoveu significativo reconhecimento da variação cambial passiva mensurada no mesmo exercício financeiro (R$ 722.973.074,65) em decorrência do ajuste fundamentado na alteração da metodologia contábil (de regime de caixa para regime de competência). Outrossim, os dados constantes do Balancete levantado em 31/12/2008 evidenciaram que o saldo das contas “8.1.1.15.00.0120 – Eurobônus – Variação Cambial não Realizada” e “8.1.1.15.00.0140 – “Eurobônus – Despesas de Juros” foram computados nas linhas das Fichas 6A e 9A DIPJ/2009 (anocalendário 2008), respectivamente, valores estes conexos à emissão de Eurobônus pela fiscalizada. Encerrado os comentários desenvolvidos acerca do conteúdo das demonstrações financeiras levantadas pela fiscalizada e suas repercussões provenientes da mudança do critério de reconhecimento das aludidas despesas financeiras ante a emissão os aludidos Eurobônus, inaugurouse a descrição dos atributos inerentes aos respectivos títulos creditícios. No tocante a este aspecto, assentase que as variações cambiais e outras despesas financeiras computadas no resultado fiscal provêm da operação de captação de recursos efetuada mediante emissão de Eurobônus no período de Agosto/1997 a Março/1998, consoante detalhado no TVF, totalizando aproximadamente 72,5 bilhões de Ienes: Destacam que o fiscalizado remeteu contratos intitulados de “NOTAS DEFINITIVAS”, certificado nº 6 e 7, apresentando as seguintes características: Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.430 5 a) Emitente: Latam (Brasil) Representações, atual denominação de Credit Suisse First Boston (Brasil) Representações; Agente de pagamento principal: J. P. Morgan Trust Bank, Ltd. (atual denominação de Chase Trust Bank); Agente de registro: J. P. Morgan Bank Luxembourg S/A (atual denominação do Chase Manhattan Bank Luxembourg S/A); Agente Fiscal e Agente de Transferência: J. P. Morgan Chase Bank, National Association (atual denominação de The Chase Manhattan Bank). b) Especificação: Programa de notas de médio prazo em Euros de JPY 75.000.000.000,00, sendo primeira “tranche” JPY 30.714.285.714,00, segunda “tranche” JPY 26.000.000.000,00 e terceira “tranche” de JPY 15.869.387.756,00, todas com vencimento em 13/setembro/2015 e taxas de remuneração de 1,80% ao ano; c) Não obstante as afirmações do contribuinte que alegavam seu desconhecimento em relação à qualificação dos adquirentes dos títulos creditícios em referência, as “Notas Definitivas” traziam informação expressa de que a CREDIT SUISSE INVESTMENT BANK (BAHAMAS), antes denominada de CREDIT SUISSE FIRST BOSTON (BAHAMAS) LIMITED (sociedade estrangeira integrante do mesmo conglomerado) mostravase como portador registrado de uma das notas emitidas e, por conseguinte, tinha direito ao reembolso principal dos valores principais acrescidos de juros calculados a partir da data de emissão; d) De acordo com o item 1.3 dos Termos e Condições da Nota Definitiva tornavam expresso que o portador do título seria tratado pelo emitente (fiscalizada) e pelo Agente de Registro como seu proprietário absoluto do direito creditício para todos os fins de direito, independentemente de aviso de propriedade, depósito fiduciário ou qualquer documento. A partir do exame [do] conteúdo das notas definitivas certificouse que o adquirente ou proprietário absoluto dos aludidos títulos de crédito era, de fato, a CREDIT SUISSE INVESTMENT BANK (BAHAMAS), atual CREDIT SUISSE FIRST BOSTON CSFB (BAHAMAS) LIMITED., ou seja companhia integrante do conglomerado. Sendo assim, compreenderam esvaziadas as assertivas trazidas em resposta ao Termo de Intimação nº 3, de 1º/08/2012, visto que constatado que o teor das cláusulas das Notas Definitivas revelou nitidamente aqueles que detinham a titularidade do direito em face do emitente dos Eurobônus (fiscalizada). Noutra perspectiva, passaram a tratar sobre o trâmite da aplicação dos recursos obtidos por intermédio da aludida operação. Baseado nas assertivas conduzidas pelo fiscalizado, os recursos financeiros ingressados no Brasil foram registradas via operação de fechamento de câmbio e, inicialmente, investidos no país. Os valores recebidos em decorrência das emissões de Eurobônus sujeitaram se à incidência dos juros e variações cambiais durante o período, bem assim escriturados no patrimônio da sociedade em conta do passivo intitulada de “Obrigações por Títulos e Valores Mobiliários – Exterior”, cuja contrapartida, inicialmente, transitou pela conta “Caixa” e, posteriormente, em “Aplicações em Títulos e Valores Mobiliários”. Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.431 6 No entanto, meses após a entrada das divisas, o fiscalizado promoveu a remessa dos recursos a título de operação de empréstimo à pessoa jurídica sediada no exterior pertencente ao grupo econômico, formulada via Transferência Internacional de Reais – TIR registrada no Banco Central do Brasil: a (LATAM HOLDINGS) LLC, localizada nas Ilhas Cayman (fls. 140/147), no total de R$ 655.186.844,66. Por ocasião da liquidação do mútuo pactuado pela CSFB (LATAM HOLDINGS) LLC, os aludidos recursos financeiros de titularidade da interligada no Brasil, ainda mesmo no exterior, foram redestinados para capitalização da LATAM (BAHAMAS), sociedade controlada pela entidade fiscalizada, portanto, convertidos em investimentos permanentes em sua subsidiária domiciliada nas Bahamas, segundo conteúdo demonstrado em Ata de Reunião do Conselho de Diretoria da subsidiária nos anos de 1998 e 1999. Noticiouse também que a importância capitalizada na subsidiária no exterior foi, na seqüência, por ela reinvestida, gerando resultados positivos que viabilizaram o pagamento de dividendos em favor da controladora no Brasil nos anos de 2007 e 2008. Pontua ainda que a fiscalizada argumentou que os ativos integrantes do patrimônio da subsidiária estrangeira decorreram especificamente de operação de aporte de Capital acrescido do resultado positivo derivado de novas aplicações de recursos levados a efeito no exterior. Sob este aspecto em particular, afirmou que os valores que ingressaram na subsidiária no exterior foram segregados no patrimônio líquido da investida através das contas de “Capital Social (Commom Shares)” e “Ágio (Aditional Paid in Capital)”. No tocante à conta “Capital (Commom Shares)” escriturouse a importância consignada no Contrato Social da subsidiária estrangeira; os valores controlados na rubrica controlada, foram mantidos no patrimônio líquido da entidade por se referirem a aporte proveniente ao desembolso do ágio na subscrição de ações, no total de R$ 529.269.316,33. Encerrada a demonstração da composição dos recursos destinados para a capitalização da subsidiária no exterior, passa a comentar sobre a operação de empréstimo pactuado entre a própria LATAM (BAHAMAS) e a CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED, controladora indireta da empresa fiscalizada. Indagado acerca da composição do saldo da conta “EMPRÉSTIMOS A RECEBER – (LOAN – TIE NO BANK)” no valor de US$ 601.726.446,39, equivalente a R$ 1.406.234.705,21, constante do Balanço da LATAM (BAHAMAS) levantado em 31/12/2008, o fiscalizado relatou que se tratava de empréstimo concedido em 25/08/2008, à CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED. Defronte as respostas trazidas pelo fiscalizado, ratificouse que a emissão dos Eurobônus tinha como finalidade precípua a capitalização da subsidiária no exterior. Concluíram que entre o período de 1998 a 2008, o aporte de capital repassado à subsidiária mantevese, desde o início, investido no mercado, gerando resultados positivos que viabilizaram o pagamentos de dividendos à controladora domiciliada no Brasil; operavase, assim, a situação em que a fiscalizada incorria no desembolso Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.432 7 de juros oriundos da emissão dos Eurobônus; noutra perspectiva, computava os valores correspondentes aos dividendos percebidos de sua controlada em Bahamas. Exatamente em março/2008, os recursos mantidos no patrimônio da controlada foram redestinados, via empréstimo, para a CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED, ou seja, consoante mostrado no Organograma 1, a sócia majoritária da LATAM INVESTIMENTOS que, a seu turno, exerce controle quase que absoluto sobre a empresa fiscalizada. Observandose o fluxo de recursos financeiros provenientes da emissão dos Eurobônus pelo fiscalizado, os AuditoresFiscais afirmaram que a leitura dos termos das “Notas Definitivas” indicavam que: 1) No período de 29/08/1997 a 18/03/1998 os Eurobônus foram adquiridos pela empresa do grupo: a CREDIT SUISSE INVESTIMENT BANK (BAHAMAS), atual CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED (quadro 3); 2) De 31/08/1998 a 12/01/1999 os recursos foram transferidos, via operação de empréstimo à CSFB (LATAM HOLDINGS) LLC, igualmente, pertencente ao grupo e sediada no exterior (quadro 4); 3) De 05/10/1998 a 26/08/1999, por ocasião da liquidação das operações de empréstimo, os recursos foram enviados para capitalização da subsidiária no exterior LATAM (BAHAMAS) (quadro 5); 4) Em 25/03/2008, os recursos voltam como empréstimo para a controladora indireta do fiscalizado, a empresa CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED. Em síntese, (1) houve o ingresso de valores no Brasil nos anos de 1997 e 1998 em face da negociação das denominadas “Notas Definitivas” (Eurobônus) através da aquisição dos títulos por empresa integrante do conglomerado; (2) entre os anos de 1998 e 1999, as importâncias foram remetidas ao exterior, via operação de empréstimo, destinada para outra companhia integrante do mesmo grupo econômico CSFB (LATAM HOLDINGS) LLC; (3) Ainda no mesmo período supracitado, as importâncias foram capitalizadas na subsidiária no exterior LATAM (BAHAMAS). O investimento destinouse à integralização de capital e pagamento de ágio na aquisição da participação societária. A subsidiária reinveste os valores ingressados em seu patrimônio e efetivam a remessa de dividendos à controlada no Brasil; (4) No anocalendário de 2008, a subsidiária no exterior promove a remessa desses recursos financeiros, novamente via empréstimo, à CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED (controladora indireta da fiscalizada). Nesse sentido, observouse a realização de um verdadeiro looping com os mesmos recursos no âmbito interno do conglomerado derivados da emissão dos Eurobônus pela fiscalizada. A partir das análises supracitadas compreendeuse que as sucessivas operações de captação mostram que os mesmos recursos financeiros tramitaram entre empresas pertencentes do mesmo Grupo Econômico, bem assim que os lucros auferidos no exterior com base na sistemática da equivalência patrimonial não foram efetivamente tributados no Brasil, porquanto neutralizados na apuração com base no Lucro Real. Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.433 8 Retirouse desse contexto que se a entrada de divisas do exterior não fosse intermediada através de empréstimos convencionados entre partes relacionadas, via aquisição de Eurobônus, mas sim ingressado mediante capitalização da LATAM (BRASIL) REPRESENTAÇÕES (fiscalizado), inexistiria a figura da variação cambial, tampouco das despesas de juros passivos. De acordo com as constatações das autoridades lançadoras, tais encargos financeiros, até mesmo, influenciaram na determinação do resultado tributável, porquanto com a alteração do critério de reconhecimento das variações cambiais passivas do regime de caixa para de competência, ensejou a neutralização dos efeitos da adição das importâncias inerentes ao lucro auferido no exterior proveniente de controlada sediada em Bahamas. Abstraiuse ainda a ocorrência de um planejamento intencional na alteração do critério de reconhecimento das aludidas despesas financeiras do regime de caixa para o regime de competência, objetivandose o cômputo integral da variação cambial passiva incorrida no ano de 2008, consoante disciplinado no § 3º da Instrução Normativa SRF nº 345/2003. A composição do patrimônio do fiscalizado indicava um Ativo composto da conta de Dividendos a Receber e, paralelamente, um Passivo representado por Empréstimos a Pagar decorrente da operação de emissão de Eurobônus; noutra ponta, a controlada sediada nas Bahamas possuía aplicações diversas no Ativo e, em contrapartida, Capital e Ágio na subscrição de ações no Patrimônio Líquido. Concluiuse a partir daí que, as despesas eram assumidas pelo fiscalizado; as receitas, por sua vez, eram concentradas em favor da controlada. Ao contrário das assertivas trazidas durante a fiscalização, as emissões de Eurobônus não proporcionaram investimentos no Brasil; Na verdade, a documentação apresentada mostra apenas que os recursos foram investidos diretamente na controlada instalada nas Bahamas, transitando no país apenas as despesas financeiras com juros e, ainda assim, de caráter meramente especulativo, visto que nada gerou de acréscimo à produção nacional. Aliás, o próprio representante da empresa fiscalizada não soube esclarecer as razões para execução de um mecanismo de operações pactuadas intragrupo. Restou evidente, no entanto, que a prática visou tão somente dirimir a apuração de base tributável decorrente da adição dos lucros auferidos de controlada situada no paraíso fiscal das Bahamas, neutralizandose seus efeitos por intermédio de variações cambiais incorridas à luz de operações firmadas com empresa do grupo que adquiriu os Eurobônus. Resumindo a situação pormenorizada nos parágrafos anteriores, os Auditores Fiscais demonstraram a composição dos Balanços da subsidiária no exterior e da fiscalizada atinentes aos anoscalendário de 2007 e 2008 (Quadro 6 do TVF). Baseado na consolidação dos dados reportados no Quadro 6, teceram os seguintes comentários finais: a) A escrituração dos Eurobônus no patrimônio da LATAM (BRASIL) REPRESENTAÇÕES (fiscalizado) efetuouse em rubrica intitulada de “Obrigações por TVM no exterior”. Os saldos em 31/12/2007 e 31/12/2008 eram de R$ R$ 1.149.652.804,09 e R$ 1.872.658.775,53, respectivamente. A diferença apresentada entre os saldos finais no encerramento dos respectivos exercícios em tela correspondem às importâncias computadas a título de variação cambial passiva resultante da operação creditícia; Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.434 9 b) Dos valores escriturados no passivo da controlada no AC 2007, parcela significativa dos valores recebidos foi qualificada como ágio na subscrição de ações. No período seguinte, este montante foi transferido para a conta intitulada de “Dividendos a Pagar”, sem qualquer justificativa plausível, não apresentando nenhuma razão lógica para tanto. No seu bojo, apenas se explicaria a mutação patrimonial se a escrituração representasse um compromisso na devolução do ágio; c) O aporte de capital no patrimônio da controlada (AC 2007) foi convertido para “Empréstimos a Receber” no ano subsequente em face de operação efetuada com a controladora indireta do fiscalizado (CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDINGS (BAHAMAS) LTD.), mostrando que os recursos vinculados à emissão de Eurobônus retornaram a sua origem; d) Examinando a conta de investimentos da fiscalizada, constatouse que foi transferido um valor expressivo para a conta de “Dividendos a Receber de Ligadas” no curso do anocalendário de 2008, circunstância que tornou evidente a tese de devolução do ágio; e) Não obstante a escrituração levada a efeito na conta de Dividendos, observouse que não ocorreu a liquidação das notas de Eurobônus. A fiscalizada permaneceu computando valores substanciais de juros e variações cambiais incorridos em conta do passivo denominada de “Obrigações com TVM exterior juros”. Ao final do exercício financeiro de 2008, apurouse um saldo de despesas de captação de títulos e valores mobiliários no exterior – Eurobônus (despesas operacionais) composto de: R$ 722.973.074,65, a título de variação cambial não realizada e R$ 25.160.136,63 a título de juros; f) Encerra a questão, deduzindo que, se a capitalização na controlad a não fosse realizada via empréstimos, mas sim diretamente pelo Grupo, mantendose a moeda original em dólares e sem a cobrança de juros entre as partes, não ocasionaria mutações de qualquer espécie, visto que as divisas apenas circulariam entre as empresas integrantes do mesmo conglomerado. No entanto, ao tramitar essas divisas conjugandose com essas operações de mútuo passíveis de incidência de juros entre partes relacionadas houve também uma transferência significativa de valores desta natureza entre os países. Demonstraramse, assim, os mecanismos levados a efeito pelo conglomerado, Revelandose que a alternância da aplicação dos critérios de reconhecimento da variação cambial do regime de caixa para o regime de competência tornou viável a neutralização dos efeitos dos lucros auferidos pela controlada. De acordo com a análise das autoridades fiscais esse planejamento ocorreu no intervalo entre o encerramento do anobase e o prazo legal de entrega da declaração de ajuste anual do imposto de renda, visto que, neste período, projetouse os efeitos tributários a serem obtidos a partir da comparação do lucro auferido pela controlada e o montante de despesas financeiras a ser apurado diante de cada regime de reconhecimento da variação cambial. Passando a descrever a fundamentação da tributação em face da caracterização da infração tipificada no procedimento de fiscalização, assentase que entre os requisitos de admissibilidade de dedução de despesas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL demandase a qualificação como necessárias ao exercício da atividade da empresa, consoante disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964 e no art. 299 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.435 10 Segundo seus termos retirase que as despesas operacionais são aquelas usuais ou normais ao exercício de suas operações e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso concreto, a usualidade e normalidade das despesas operacionais da entidade demandam uma interpretação conjugada das operações promovidas no âmbito do conglomerado. Nesse sentido, inferese que a captação dos recursos do fiscalizado integrante do mesmo grupo econômico e o investimento da subsidiária no exterior sediada nas Bahamas, bem assim a posterior alocação superveniente deste recurso no exterior, caracterizam um mecanismo anormal e não usual da gestão empresarial. Sob este prisma, demonstra os fatores que mostram a ocorrência de atos anormais de gestão; Objetivando o cumprimento dos propósitos do conglomerado, os recursos enviados como empréstimos poderiam ser integralizados no capital da fiscalizada para posterior capitalização na subsidiária no exterior, circunstâncias que evidenciam a inexistência da necessidade da emissão dos Eurobônus, bem assim da operação creditícia e a conseqüente contabilização de juros e variações cambiais; A sucessão de operações realizadas dentro do conglomerado, a começar pela obtenção dos recursos pelo fiscalizado a partir de emissão dos eurobônus e a sua aquisição por meio de empresa do mesmo grupo no período de 08/1997 a 03/1998, conjugado com o repasse posterior para outra empresa do conglomerado, via empréstimo de 31/08/1998 a 12/01/1999 e, finalmente, a capitalização da subsidiária no exterior sediada nas Bahamas em 05/10/1998 a 26/08/1999, corroboraram para as inferências de que o objetivo intragrupo era a capitalização da LATAM (BAHAMAS) e evidenciam que as transações intermediárias eram igualmente desnecessárias; A fiscalizada não detinha capacidade econômica para a efetivação do aporte de capital na subsidiária no exterior; A empresa adquirente dos Eurobônus, bem assim a qualidade de partes beneficiárias entre as credoras e devedores das operações de mútuo demonstra que as transações intermediárias de emissão de Eurobônus e os empréstimos constituíramse em mera liberalidade. Diante do todo o exposto, depreendeuse que as despesas incorridas com juros e variações cambiais mostraramse totalmente desnecessárias e não essenciais exigindo a glosa de seus valores (Quadro 7). Reforça suas inferências enfatizando o teor da ementa de decisão proferida no Acórdão nº 0910100.287, em sessão de 24 de agosto de 2009, que versou sobre matéria análoga julgada pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” A fiscalizada, ora recorrente, opôs Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados. Ciência do Despacho de rejeição dos Embargos no dia 07/11/2017, à efl. 1.051. Recurso Especial interposto no dia 22/11/207, à efls. 1.052. Despacho de encaminhamento à PGFN no dia 07/05/2018, para cientificála da interposição do Recurso Especial do contribuinte, à efl. 1.375. Contrarrazões da PGFN apresentadas no dia 16/05/20018, conforme efls. 1.399. Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.436 11 É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. A PGFN não contesta a admissibilidade do apelo do contribuinte. O presente Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de recorribilidade, com exceção da questão alusiva à incidência dos juros moratórios sobre a multa proporcional, que já está consolidada na Súmula CARF nº 108: “Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” Em face do artigo 67, § 3º, do vigente RICARF – Anexo II, não se pode conhecer de recurso contra decisão que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Portanto, conheço parcialmente do apelo. Mérito 1) Dedutibilidade de despesas financeiras decorrentes de captação de recursos junto a empresa ligada no exterior mediante instrumento de dívida. A recorrente emitiu eurobônus, que foram adquiridos pela pessoa jurídica Credit Suisse Investment Bank (Bahamas), atual denominação de Credit Suisse First Boston (Bahamas) Ltd. Houve três emissões de eurobônus, totalizando 72,5 bilhões de ienes, ocorridas entre agosto de 1997 e março de 1998. A citada adquirente dos eurobônus emitidos integra o grupo econômico da recorrente, Latam (Brasil) Representações Ltda, atual denominação de Credit Suisse First Boston (Brasil) Representações Ltda. A recorrente efetuou empréstimos de valores captados mediante a emissão de eurobônus a CSFB (Latam Holdings) LLC, pessoa jurídica sediada no exterior e também integrante do grupo econômico da recorrente. Esses empréstimos foram realizados entre 31/08/1998 e 12/01/1999. Entre outubro de 1998 e agosto de 1999, a referida mutuária estrangeira liquidou empréstimos que lhe foram concedidos pela recorrente, transferindo recursos para capitalizar Latam (Bahamas), subsidiária no exterior da fiscalizada. Posteriormente, em 2008, essa subsidiária, por empréstimo, transferiu recursos recebidos na capitalização a Credit Suisse France Boston Brazil Holding (Bahamas) Ltda, controladora indireta da recorrente. Até 31/12/2008, a recorrente reconhecera a variação cambial pelo regime de caixa, em consonância com o artigo 30 da MP nº 2.15835. A partir de 1º de janeiro de 2009, passou a adotar o regime de competência para o reconhecimento das variações cambiais, seguindo o previsto no artigo 2º, § 1º, da IN SRF nº 243/2003. Ao passar a adotar o regime de Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.437 12 competência, tornouse obrigada a retroagir a aplicação desse regime até 31/12/2008, como prevê o artigo 2º, § 3º, da IN SRF nº 243/2003. Ao cabo do anocalendário de 2008, uma vez refeita a apuração do lucro líquido com a retroação do regime de competência, a recorrente considerou que incorrera em variação cambial passiva e juros passivos, referentes à captação de valores com a emissão de eurobônus, respectivamente nas importâncias de R$ 722.973.074,65 e R$ 25.160.136,63. Os autos revelam que os valores glosados decorreram de negócios realizados dentro do conglomerado Credit Suisse, isto é, entre partes relacionadas, submetidas a interesses comuns. Em outras palavras, são negócios “consigo mesmo”. Percebase, a propósito, que não há dinheiro novo proveniente da “captação” de recursos, pois estes já estavam dentro do próprio grupo, que decidia quando queria movimentálos internamente, usálos para obter quaisquer utilidades práticas ou aplicálos para o auferimento de renda. Aqui, os autos retratam uma movimentação intragrupo de recursos. A causa formal do impulso inicial dessa movimentação interna foi a aquisição de eurobônus emitidos pela fiscalizada. E quem deu o impulso inicial para essa movimentação de recursos, pertencentes ao próprio grupo, foi a pessoa jurídica Credit Suisse Investment Bank (Bahamas), atual denominação de Credit Suisse First Boston (Bahamas) Ltd. Essa pessoa jurídica, localizada no exterior, é a beneficiária dos juros pagos pela recorrente. Ocorre que, em 2008, a recorrente repassou recursos à pessoa jurídica estrangeira, sua controladora indireta, também mediante empréstimo. Importa considerar que esses recursos já estavam no exterior, na posse de Latam Brazil Investments (Bahamas) Ltd, controlada da recorrente. De igual modo, devese dar relevância ao fato de que esses recursos eram originários da emissão de eurobônus, adquiridos por Credit Suisse Investment Bank (Bahamas). O centro de gravidade da questão a ser decidida, sobre a necessidade das despesas glosadas, reside na aferição da necessidade da dívida contraída. O exame dessa questão duvidosa deve firmarse à luz dos parâmetros existentes no ordenamento pátrio ao tempo da ocorrência dos fatos constantes da acusação. Assim, em consonância com o artigo 299 do RIR/1999, é preciso averiguar a necessidade da despesa pela perspectiva da atividade explorada, isto é, para a consecução do objeto social da recorrente. Despesa necessária é aquela que tem intrínseca relação com as atividades corriqueiras da pessoa jurídica. Nos estatutos sociais acostados às efls. 152/162, constatase que o objeto social da recorrente não lhe caracteriza como holding do grupo econômico. Em outras palavras, não era sua função administrar o “caixa” desse grupo (isto é, as disponibilidades do grupo). Isso significa que não era de sua incumbência contrair dívidas, com a obtenção de financiamento, para solucionar dificuldades financeiras de outras pessoas jurídicas do grupo. Portanto, não se trata de despesa necessária, mas de despesa assumida por mera liberalidade. A recorrente entende que a dedução de juros contraídos por meio de empréstimos concedidos por residentes no exterior sujeitase exclusivamente à regra do artigo 22 e §§ da Lei nº 9.430/1999. Não procede essa afirmação. O disposto no artigo 299 e §§ do RIR/99 é regra geral de dedutibilidade. Por esse viés, a necessidade da despesa é questão que sempre emerge para ser decidida em conformidade com os parâmetros fixados nesse dispositivo, não obstante a eventual incidência de outras regras específicas que regulam a dedutibilidade de certas despesas, para fins de apuração do lucro tributável. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.438 13 Por essa ordem de ideias, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte, quanto ao tema. 2) Inaplicabilidade do requisito da necessidade à base de cálculo da CSLL: A recorrente manifesta que não se aplica o artigo 13 da Lei nº 9.249/1999, na medida em que o artigo 47 da Lei nº 4.502/1964 referese especificamente ao lucro real. Anote se a redação do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995 vigente ao tempo dos fatos: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; VII das despesas com brindes. § 1º Admitirseão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.439 14 em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União. Podese ver que o caput do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995 é aplicável à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esse dispositivo legal fixou a vedação de algumas deduções, independentemente da vedação estabelecida pelo artigo 47 da Lei nº 4.506/1964, que está assim redigido: “Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. [...]” Está patente que o artigo 47 da Lei nº 9.249/1995 é a matriz legal do artigo 299 do RIR/99. Essa matriz legal regula as despesas operacionais, estabelecendo seus contornos normativos. Calha ter em conta que, na época da edição da Lei nº 4.506/1964, a CSLL sequer existia. No entanto, o artigo 13 da Lei nº 9.249/1995 importou para a CSLL os contornos normativos de dedutitibilidade das despesas operacionais, antes aplicáveis apenas ao imposto de renda. Nesse seguir, quando não se aprova a dedutibilidade de despesa, na apuração do IRPJ, por julgála desnecessária, nos termos do artigo 47 da Lei nº 9.249/1995, também não se admite que a mesma despesa seja dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL. Diante disso, já tendo negado provimento à dedutibilidade das despesas financeiras e da variação cambial passiva, na determinação do lucro real, cabe também negar provimento ao pleito, no tocante à dedutibilidade dessas despesas, na apuração da base de cálculo da CSLL. CONCLUSÃO: conheço parcialmente do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.440 15 Fl. 1440DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.900631/2011-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.541
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 06 31 /2 01 1- 18 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 125 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 83) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 76/79), proferida em sessão de 20 de janeiro de 2014, consubstanciada no Acórdão n.º 1448.166, da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 03/04) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 01/04/2011 (efl. 02), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 24566.88913.040506.1.3.042820 (efls. 60/73), transmitido em 04/05/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO INTEIRAMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Despacho Decisório que homologou parcialmente Declaração de Compensação – DCOMP eletrônica, n.º 24566.88913.040506.1.3.042820, transmitida em 04/05/2006. Na fundamentação do ato, consta: (...). [transcreve despacho decisório efl. 02] Cientificada em 12/04/2011, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 29/04/2011, alegando, que de 08/2004 a 02/2005 efetuou pagamentos a maior de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, e que a partir de 03/2005 iniciou a compensação dos créditos gerados. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 126 3 Apresenta relação dos valores devidos no período e dos valores pagos a maior e cita um REDARF que não teria sido analisado. Junta cópia da DIPJ e do Redarf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 1.063,58, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do crédito indicado no PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito objeto da irresignação e, por conseguinte, não homologando a compensação no limite do crédito objeto do inconformismo, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: De início, é importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica: comparandose o pagamento indicado na DCOMP como origem do crédito com as confissões de débitos constantes de declarações da contribuinte, constatandose que o DARF de recolhimento informado na DCOMP estava integralmente utilizado para quitação de débitos declarados em DCTF e em outras Dcomps, não restando créditos suficientes para a compensação pleiteada. Cabe lembrar que os débitos, apresentados em DCTF e/ou em DCOMP, por expressa disposição legal (§§ 1.º e 2.º do art. 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13/06/1984 c/c § 1.º do art. 8.º da Instrução Normativa SRF n.º 255, de 11/12/2002 e art. 74, § 6.º da Lei n.º 9.430/1996, respectivamente), constituem confissão de dívida. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informa dispor de créditos gerados pelo pagamento a maior de vários tributos e vários períodos de apuração. Entretanto, na presente Dcomp, discutese apenas o crédito nela informado, no valor de R$ 1.125,14, que teria sido informado em Dcomp inicial, de n.º 15801.05562.030506.1.3.04 4509. Todavia, conforme consta dos sistemas da Receita Federal, telas de consulta abaixo, a Dcomp inicial de n.º 15801.05562.030506.1.3.044509 foi homologada com direito Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 127 4 creditório reconhecido no valor de R$ 334,88, totalmente utilizado na compensação nela pleiteada, nada restando de saldo para utilização em outras Dcomps. Em face do exposto voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecido o direito creditório pleiteado na Dcomp n.º 24566.88913.040506.1.3.042820. No recurso voluntário (efl. 83), em síntese, o contribuinte apresentou os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, inclusive denominou a petição de "manifestação de inconformidade". Em seguida, a Unidade de Origem notificou o contribuinte para sanar divergências contidas na petição recursal, pois a peça de defesa continha o nome de "manifestação de inconformidade" ao invés de "recurso voluntário" e não haviam sido Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 128 5 anexados documentos de identificação pessoal que identifiquem o assinante, nem da procuração que o habilite a praticar atos extrajudiciais em nome da empresa (efl. 97). O contribuinte, atendendo a notificação, reapresentou o recurso com o nome de "recurso voluntário" (efl. 99) e juntou documentos. Em resumo, a tese de defesa, reiterada no recurso voluntário, é que o pagamento datado de 14/01/2005, no valor de R$ 133,02, "foi feito por engano em outro CNPJ, anexo xérox do Pedido de Retificação de DarfREDARF". Por fim, argumenta que no período de "08/2005 a 02/2006 foi feito a compensação, porque se apurar o débito da competência 08/2004 a 02/2006 irão verificar que os débitos fecham com os pagamento efetuados". Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 1.063,58. Observo, ainda, que, pelo princípio do informalismo, o Recurso Voluntário (efl. 83) atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 129 6 admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 21/05/2014, efls. 80/81, e protocolo recursal em 17/06/2014, efl. 83), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário (efl. 83). Por fim, quanto a petição do efl. 99, que sobreveio após notificação da Unidade de Origem para regularização processual, entendo que não deve ser conhecida por força da preclusão, uma vez que apresentada após o trintídio legal e já tendo sido apresentada a petição do efl. 83, com natureza jurídica de recurso voluntário. De toda sorte, o conteúdo da petição do efl. 99 é basicamente o mesmo da petição do efl. 83, sendo esta recebida tempestivamente e como recurso voluntário. Por conseguinte, o mérito do objeto destes autos será apreciado a seguir. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 130 7 confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, caracterizado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. Verificase que o suposto crédito de pagamento indevido ou a maior indicado no PER/DCOMP objeto desta lide já havia sido informado em outro PER/DCOMP, qual seja, n.º 15801.05562.030506.1.3.044509. Aqui nestes autos discute se apenas o crédito vindicado nos limites pleiteados (efls. 60/73). A questão é que o crédito não se comprovou como líquido e certo, aliás o PER/DCOMP n.º 15801.05562.030506.1.3.044509 foi objeto de análise sendo informada a sua alocação, não restando saldo. A decisão da DRJ bem demonstrou a situação do referido PER/DCOMP, não lhe restando saldo para utilização no PER/DCOMP em litígio neste processo, vejase: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 131 8 O fato é que o contribuinte não demonstra a comprovação do referido crédito vindicado. Os autos apontam que o crédito já foi alocado, pois já havia sido utilizado em outro PER/DCOMP e em débito próprio do contribuinte. Desta forma, o PER/DCOMP objeto da lide não possui saldo disponível, por isso não se homologou a compensação. Temse, ainda, que pontuar que não consta nos autos cópia de decisão administrativa sobre o pedido de REDARF e, além disso, o REDARF foi protocolizado após a data de transmissão do PER/DCOMP, o que retira a liquidez e certeza do crédito vindicado. Noutro prisma, o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório de provar a existência do direito creditório, não infirma o argumento da alocação do crédito, isto é, não desconstitui a afirmativa de que o crédito já foi utilizado. O que se observa de concreto é a plena ausência de certeza e liquidez. Não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da recorrente. Em realidade, o sujeito passivo não infirma as razões da decisão recorrida. Não comprova qualquer erro in iudicando ou erro in procedendo. Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. A despeito dos argumentos postos no recurso, inexiste provas, mínimas que sejam, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. No que se refere aos argumentos da primeira instância, o contribuinte não os refuta adequadamente, inexiste base probatória nas razões recursais, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Da forma como foi vindicado o direito creditório apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez, este é o fato comprovado. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 132 9 Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração e, consequente, comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Em suma, não há como comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito. A prova dos autos aponta a já utilização do crédito, tendo sido demonstrada a sua alocação, que não é refutado pelo recorrente a contento. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 133 10 É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 133DF CARF MF
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Numero do processo: 13983.000127/2005-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
INSUMOS. AQUISIÇÕES. PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os custos com aquisições de insumos e/ ou mercadorias para revenda de pessoas jurídicas domiciliadas no exterior geram créditos da Cofins passível de dedução do valor da contribuição apurada mensalmente sobre o faturamento.
INSUMOS. AQUISIÇÕES PARA ENTREGA FUTURA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Os custos incorridos com aquisições de insumos para entrega futura não geram créditos da contribuição na data de emissão da nota fiscal de simples faturamento e sim no mês da emissão da nota fiscal da efetiva entrega dos produtos no estabelecimento do contribuinte, quando, de fato, ocorre o fato gerador da contribuição.
Numero da decisão: 9303-007.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer seu direito de aproveitar créditos do Cofins-Importação somente sobre os custos dos insumos (bens) importados e utilizados na produção dos produtos fabricados e vendidos, cabendo à autoridade administrativa apurar seu valor e homologar a Dcomp até o limite apurado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INSUMOS. AQUISIÇÕES. PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de insumos e/ ou mercadorias para revenda de pessoas jurídicas domiciliadas no exterior geram créditos da Cofins passível de dedução do valor da contribuição apurada mensalmente sobre o faturamento. INSUMOS. AQUISIÇÕES PARA ENTREGA FUTURA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com aquisições de insumos para entrega futura não geram créditos da contribuição na data de emissão da nota fiscal de simples faturamento e sim no mês da emissão da nota fiscal da efetiva entrega dos produtos no estabelecimento do contribuinte, quando, de fato, ocorre o fato gerador da contribuição.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INSUMOS. AQUISIÇÕES. PESSOAS JURÍDICAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de insumos e/ ou mercadorias para revenda de pessoas jurídicas domiciliadas no exterior geram créditos da Cofins passível de dedução do valor da contribuição apurada mensalmente sobre o faturamento. INSUMOS. AQUISIÇÕES PARA ENTREGA FUTURA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os custos incorridos com aquisições de insumos para entrega futura não geram créditos da contribuição na data de emissão da nota fiscal de simples faturamento e sim no mês da emissão da nota fiscal da efetiva entrega dos produtos no estabelecimento do contribuinte, quando, de fato, ocorre o fato gerador da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para reconhecer seu direito de aproveitar créditos do CofinsImportação somente sobre os custos dos insumos (bens) importados e utilizados na produção dos produtos fabricados e vendidos, cabendo à autoridade administrativa apurar seu valor e homologar a Dcomp até o limite apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 00 01 27 /2 00 5- 77 Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 13983.000127/200577 Acórdão n.º 9303007.629 CSRFT3 Fl. 2.025 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdãos nº 330100.819, de 28/02/2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da seguinte ementa, transcrita: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/200: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO DE CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. A condição imposta para o aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativos, gerados pela aquisição de insumos com incidência da contribuição, é a efetiva utilização do insumo no processo produtivo, não podendo o termo "insumo" ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tão somente, aqueles bens/serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, sejam efetivamente aplicados na produção ou fabricação do produto. AQUISIÇÕES DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. As aquisições de pessoas não contribuintes da Cofins, inclusive pessoas físicas, não dão direito ao crédito, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS COM ALÍQUOTA REDUZIDA A ZERO. Somente as aquisições processadas junto à pessoas jurídicas, com efetiva incidência da contribuição, é capaz de ensejar direito ao respectivo crédito. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS NÃO DOMICILIADAS NO PAÍS. As aquisições de produtos de pessoas jurídicas não domiciliadas no País, nos termos do art. art. 3º, § 3°, da Lei n° 10.833/2003, não são capazes de gerar crédito de Cofins." Intimado do acórdão, o contribuinte interpôs embargos de declaração, alegando omissão no julgado. Contudo, analisados os embargos, estes foram rejeitados pelo Presidente da 3ª Câmara, nos termos do despacho às fls. 1878e/1880e. Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 13983.000127/200577 Acórdão n.º 9303007.629 CSRFT3 Fl. 2.026 3 Inconformado com aquele despacho, apresentou recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de se aproveitar créditos da contribuição sobre aquisições de insumos: 1) adquiridos de pessoas jurídicas não domiciliados no Brasil; 2) adquiridos de pessoas físicas; 3) adquiridos para entrega futura. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 1983e/1987e, o Presidente da 3ª Câmara admitiu o recurso, em parte, dando seguimento somente em relação às matérias dos itens 1 e 3. Notificado da admissão parcial, apresentou Agravo insistindo na admissão integral de seu recurso. O agravo foi analisado e rejeitado pelo Presidente da CSRF, nos termos do despacho às fls. 1988e/1989e. Em relação às matérias admitidas no recurso especial, o contribuinte defendeu o aproveitamento de créditos sobre os custos com aquisições de insumos de pessoas jurídicas domiciliados no exterior sob o fundamento de que a Lei nº 10.865/2004, art. 15, c/c o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 prevê o direito aos créditos; já, em relação aos custos com aquisições para entrega futura, alegou que o aproveitamento do crédito ocorre no momento de realização da compra, independentemente, da entrega dos bens (insumos). Intimada do acórdão da Câmara Baixa, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissão parcial, a Fazenda Nacional apresentou sua contrarrazões, pugnando pela manutenção da decisão da Câmara Baixa. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. As matérias em discussão nesta fase recursal se restringem ao direito de se aproveitar créditos sobre insumos: a) adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no exterior; e, b) para entrega futura. a) custos incorridos com a aquisição de insumos de pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. A Lei nº 10.865, de 30/04/2004, que instituiu o PISImportação e a Cofins Importação, com vigência a partir de 1º de maio de 2004, assim dispõe: "Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 13983.000127/200577 Acórdão n.º 9303007.629 CSRFT3 Fl. 2.027 4 IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. (...). Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...). § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (..). § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicamse, no que couber, as disposições dos§§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...)." Consoante estes dispositivos legais, os custos com a importação de insumos importados geram créditos da contribuição passível de descontos da contribuição calculada sobre o faturamento. b) custos incorridos com aquisições de insumos para entrega futura. A Lei nº 10.833/2003 que trata da Cofins cumulativa, assim dispõe: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 13983.000127/200577 Acórdão n.º 9303007.629 CSRFT3 Fl. 2.028 5 classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1º do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)(Vide Lei nº 10.925, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...)." Segundo, o inciso I do § 1º do art. 3º, citados e transcritos, o crédito deve ser calculado e aproveitado sobre os insumos (bens) adquiridos no mês, ou seja, quando são faturados e recebidos no estabelecimento industrial do contribuinte. A Solução de Consulta nº 50 de 2004, assim dispõe sobre o crédito na operação de compra futura: "Ementa: OPERAÇÕES COMPRA FUTURA. MOMENTO DO CRÉDITO. Nas operações de compra futura, o crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep apurada mensalmente, calculado em relação ao valor de aquisição da matériaprima utilizada na produção, deve ser efetivado quando da entrega dessa matéria prima no estabelecimento da adquirente, momento em que se dá a transferência da propriedade e, conseqüentemente, quando ocorre a efetiva aquisição de tal mercadoria. (grifo não original) Esse entendimento teve como fundamento o art. 1.267 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. novo Código Civil, segundo o qual, a transferência de propriedade da mercadoria adquirida dáse somente no momento da tradição, ou seja, no momento em que a mercadoria é entregue ao adquirente. O art. 410 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 1.212/2010, ao tratar da nota fiscal, assim dispõe: "Art. 410. É facultado emitir nota fiscal nas vendas à ordem ou para entrega futura, salvo se houver destaque do imposto, o que tornará obrigatória a sua emissão. Art. 411. Fora dos casos previstos neste Regulamento e na legislação estadual, é vedada a emissão de nota fiscal que não corresponda a uma efetiva saída de mercadoria. Na operação de venda para entrega futura, o vendedor comercializa uma dada mercadoria, mas não a entrega no momento da emissão da nota fiscal, ou seja, da realização do negócio, produzindoa ou ficando com ela para entrega futura, no prazo acertado com o adquirente. Nessa operação, a entrega não ocorre de imediato e sim em momento posterior. Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 13983.000127/200577 Acórdão n.º 9303007.629 CSRFT3 Fl. 2.029 6 Registrase que a emissão de Nota Fiscal, Modelos 1, 1A ou 55 (NFe) para documentar o faturamento da venda realizada antes da entrega física da mercadoria ao comprador é opcional, tanto pela legislação do ICMS como pela do IPI. Assim, a emissão desse documento e/ ou do pagamento antecipado não caracterizam, por si só, fato gerador de ambos os impostos. O mesmo ocorre, em relação à Cofins. Assim, o crédito sobre as aquisições de insumos (bens) para entrega futura, somente deve ser apropriado, na data de suas entradas efetivas no estabelecimento do contribuinte, mediante a nota fiscal de compra. À luz do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial do contribuinte para reconhecer seu direito de aproveitar créditos do CofinsImportação somente sobre os custos dos insumos (bens) importados e utilizados na produção dos produtos fabricados e vendidos, cabendo à autoridade administrativa apurar seu valor e homologar a Dcomp até o limite apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 13983.000127/200577 Acórdão n.º 9303007.629 CSRFT3 Fl. 2.030 7 Fl. 2030DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.000536/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS EXPIRADO O PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO.
É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável a quo, no prazo de trinta dias a partir da data de sua ciência, ex vi do artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Não se conhece do recurso interposto, apresentado após transcorrido o lapso temporal fixado pela legislação processual de regência citada, por ser perempto.
Numero da decisão: 1301-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO APÓS EXPIRADO O PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável a quo, no prazo de trinta dias a partir da data de sua ciência, ex vi do artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não se conhece do recurso interposto, apresentado após transcorrido o lapso temporal fixado pela legislação processual de regência citada, por ser perempto.
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INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável a quo, no prazo de trinta dias a partir da data de sua ciência, ex vi do artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não se conhece do recurso interposto, apresentado após transcorrido o lapso temporal fixado pela legislação processual de regência citada, por ser perempto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 05 36 /2 01 0- 13 Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.968 2 (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.969 3 Relatório Cuidase do Recurso Voluntário (efls. 2870/2860) em face da decisão da DRJ/Belém (2ª Turma) que, em 23/03/2011, julgou a impugnação improcedente, mantendo os Autos de Infração do Simples Federal do anocalendário 2005 e, ainda, manteve a sujeição passiva solidária dos responsáveis (efls. 923/940). Quantos aos fatos, consta dos autos: que, em 24/11/2010, a Fiscalização da DRF/Marabá lavrou Autos de Infração do Simples Federal (IRPJ, PIS, CSLL, Confins e Contribuição Seguridade Social INSS), anocalendário 2005, imputando as seguintes infrações (efls. 356/436), in verbis: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS/ ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2º , § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5º, Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96.; Art. 3º da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Verificação Fiscal, o qual é parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 5° da Lei n°9. 317/96 c/c art. 3º da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. (...) que, ainda, integra o lançamento fiscal, o Termo de Verificação Fiscal que trata da narrativa, descrição, apuração dos fatos, que transcrevo, no que pertinente (efls. 437/544), in verbis: Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.970 4 (...) 2 DA EMPRESA FISCALIZADA 2.1 De acordo com o cadastro CNPJ (conforme pesquisa de fls. 337), a empresa fiscalizada tem como atividade econômica principal "serrarias com desdobramento de madeira" (CNAE 1610201). 2.2) Segundo cópias do Contrato Social (com data de 21/07/2000) e das suas duas alterações (com datas de 07/06/2001 e 07/03/2005) fornecidas pela empresa fiscalizada: a sociedade foi inicialmente constituída por Joyce Anne Ramalho (CPF n° 423.611.17215) e Reinaldo Paulo Pereira Júnior (CPF n° 659.310.92234), e cada um possuía metade do capital social, que no total era de R$20.000,00 (vinte mil reais). em 07/06/2001 Reinaldo Paulo Pereira Júnior transferiu suas quotas para Ross Cléia Moreira Costa (CPF n° 289.374.652 72), e o capital social total continuou o mesmo. em 07/03/2005 o capital social da empresa foi aumentado para R$80.000,00 (oitenta mil reais) através da integralização de lucros de exercícios anteriores, e Joyce Anne Ramalho saiu da sociedade, transferindo para Ross Cléia Moreira Costa R$ 30.000,00 (trinta mil reais) de participação no capital social da empresa, e para Ross Mary Moreira Costa (CPF n° 377.244.36215) R$10.000,00 (dez mil reais) de participação no capital social da empresa. 2.2.1) Neste ponto também é oportuno destacar que no CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) de Joyce Anne Ramalho (fl. 15 a 15 do Anexo VI) consta que ela foi empregada da Madeireira Urubu Ltda de 01/10/1999 a 04/2001, e da Madeireira Barroso Ltda de 01/10/1999 a 04/2003. E no mesmo cadastro CNIS, consta que Reinaldo Paulo Pereira Júnior (fls. 12 a 12 do Anexo VI) ele foi empregado da empresa Indústria e Comércio de Madeiras Ararandeua Ltda de 01/02/2000 a 29/05/2001. 2.3) DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DA FISCALIZADA 2.3.1) De acordo com dados da Base CPMF, a fiscalizada teve movimentação financeira em 2005 conforme abaixo demonstrado. Frisese que a movimentação abaixo apontada indica as saídas de recursos das contas da fiscalizada, pois, à época, a declaração de CPMF indicava apenas as saídas de recursos, podendo acontecer que os recursos ingressados nas contas fossem em montante bastante superior. Com isso, entendese que a empresa teve movimentação financeira de pelo menos o valor indicado abaixo. Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.971 5 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (R$) BANCO DO BRASIL S/A R$ 8.525.502,57 BANCO BRADESCO S/A R$ 6.874.506,53 TOTAL R$ 15.400.009,10 (...) 2.3.2) No mesmo período, anobase 2005, a mesma apresentou DSPJSIMPLES (Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica SIMPLES) que apresenta valor de Receita Bruta de R$ 259.889,04 (duzentos de cinqüenta e nove mil oitocentos e oitenta e nove reais e quatro centavos). De plano podemos notar que os valores declarados como receita bruta em muito divergem da movimentação financeira experimentada. (...) OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 3 DESCRIÇÃO DOS FATOS: (...) 3.2) No dia 28/03/2008, através do "Ofício SAFIS/DRF/MBA n° 23/2008", foram solicitados os seguintes documentos à "Coordenação Executiva Regional de Administração Tributária em Marabá SEFA/PA": Declaração de Informações EconômicoFiscais; Livros Fiscais de Registro de ICMS, de Registro de Entradas e de Registro de Saídas (na ausência destes, todos os dados de posse da Secretaria Estadual); e eventuais lançamentos constantes no sistema Fronteiras, todos relativos ao anocalendário 2005. 3.2.1) A "Coordenação Executiva Regional de Administração Tributária em Marabá" respondeu ao "Ofício SAFIS/DRF/MBA n° 23/2008" informando que o contribuinte estava em situação "ativo não regular" e encaminhando relatórios das Declarações de Informações Econômico Fiscais DIEF e Projeto Fronteiras relativos ao período de 2005. 3.2.2) Uma informação peculiar constante no CADASTRO DE CONTRIBUINTES ICMS que despertou a curiosidade do Fisco Federal foi o fato de que nos campos referentes à localização do estabelecimento e ao domicílio fiscal, consta o seguinte email: madeirabarroso@uol.com.br Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.972 6 (...) 3.5.1) Neste ponto é importante observar que dentre as Notas Fiscais apresentadas pela fiscalizada, a Nota Fiscal de Saída n° 3006 da empresa Acex Timber Ind. Com. e Exp. de Madeiras Ltda está acompanhada de uma cópia do Romaneio n° 12578, em que está escrito que o emitente é MAD. BARROSO LTDA, e nele está escrito em destaque GRUPO BARROSO e os telefones: (0XX94) 33261250 e (0XX94) 33261594. (...) 3.8) No dia 07/08/2008 o Banco Bradesco S/A enviou resposta à Requisição de Movimentação Financeira n° 02.1.03.002008 0005610. Logo na análise do cadastro dessas contas o Fisco Federal ficou perplexo com o fato de que no cadastro da conta corrente n° 161.4894 , da agência n° 0327, do Banco Bradesco S/A, consta que a ocupação de ROSS CLEIA MOREIRA DA COSTA É AUXILIAR DE ESCRITÓRIO OU ASSEMELHADO, e o mesmo ocorre na contacorrente n° 14.4649, da agência 0594, do Banco Bradesco S/A. Fatos que são extremamente incompatíveis com a movimentação financeira apresentada pela fiscalizada, OU seja, como uma simples auxiliar de escritório poderia capitanear uma empresa com movimentação financeira de mais de R$ 15 milhões?????????? E o porquê a mesma afirmou perante a instituição financeira como auxiliar de escritório, e não como empresária?????? 3.8.1) Outro "Termo de Intimação Fiscal" (acompanhado de três planilhas, de fls. 126/136) foi lavrado no dia 31/10/2008, para a empresa fiscalizada: "Informar e Comprovar a origem dos lançamentos a crédito (depósitos, TED, Transferências entre contas, etc...), um a um, verificados em suas contas 161.4894 e 162.1823 na agência 0327 e conta 14.4649 na agência 0594, estas no banco Bradesco S/A e conta 10.8480, agência 13420 no Banco do Brasil, no anocalendário 2005, apresentando documentação hábil e idônea que sustente a percepção de tais valores. Os lançamentos objeto do questionamento encontramse listados em 3 (três) planilhas, uma para cada conta, para o Banco Bradesco e de 1 (uma) planilha para o Banco do Brasil, todas anexas a este termo. Os valores foram originados a partir de seus extratos bancários fornecidos por vossa senhoria após regular intimação para o Banco do Brasil e, mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, para o Banco Bradesco ". 3.8.2) Assim, os valores constantes nas referidas planilhas constam nos extratos bancários das mencionadas contas correntes. No que diz respeito à conta corrente n° 10.8480, agência 1342 0, do Banco do Brasil S/A, os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte, após regular intimação. Quanto às contas correntes n° 161.4894 e 162.1823, da agência 0327 e n° 14.4649, da agência 0594, todas do Banco Bradesco S.A., os extratos foram fornecidos pelo referido banco, após regular Requisição de Informações sobre Movimentação Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.973 7 Financeira. E os extratos bancários da fiscalizada referentes ao período de 01/01/2005 a 31/12/2005, e relativos à conta corrente n° 10.8480, agência 13420, do Banco do Brasil S/A e às contas correntes n° 161.4894 e 162.1823, da agência 0327 e n° 14.4649, da agência 0594, todas do Banco Bradesco S.A., estão reunidos no Anexo VII. (...) 3.9.2) No dia 17/12/2008 foi recebido pela Fiscalização pedido de dilação de prazo, com fundamento no fato de haver: "441 itens a serem confrontados em diversos setores da empresa, devido estarmos solicitando algumas informações de clientes e fornecedores, e por se encontrar em final de ano a dificuldade se torna maior" . 3.9.3) O contribuinte fez novo pedido de prorrogação de prazo no dia 14/01/2009, com o seguinte fundamento: "por motivos de se tratar de levantamentos e confrontamentos diversos a serem feitos em diversos setores, e por motivos de paralisações acontecidas no dia 20 de dezembro de 2.008 com posterior retorno em 05/12/2.009". (...) 3.10) O contribuinte foi novamente intimado através de "Termo de Intimação Fiscal" do dia 04/05/2009; onde foi reiterado o pedido do "Termo de Intimação Fiscal" de 31/10/2008 solicitando que o contribuinte justificasse os ingressos de recursos em suas contas bancárias. 3.10.1) A fiscalizada solicitou dilação de prazo, e no dia 03/07/2009 enviou "69 "CÓPIAS DE CONTRATOS DE EMPRÉSTIMOS" (Anexo IV). 3.10.2) Com os referidos contratos o contribuinte tentou justificar a origem de recursos depositados em suas contas correntes. Segundo referidos documentos os depósitos teriam sido feitos por DÉCIO JOSÉ BARROSO NUNES, pela MADEIREIRA BARROSO LTDA, pela IND. COM. DE MADEIRAS ARARANDEUA LTDA, pela MADEIREIRA JACARÉ IND. COM. TRANSP, e pela MADEIREIRA URUBU LTDA a favor da MADEIREIRA PARICÁ LTDA. que teria "dado em garantia" diversas espécies e quantidades de madeiras. Registrese que DÉCIO JOSÉ BARROSO NUNES é empresário conhecido na região, o qual atende pela alcunha de "DELSÃO". (...) 3.15) No dia 19/08/2010 foi exarado "Termo de Intimação Fiscal Diligência Vinculada", por meio do qual intimamos o CARTÓRIO ELCÍRIA OLIVEIRA 1° OFÍCIO DE NOTAS DA COMARCA DE RONDON DO PARÁ a informar se os 66 (sessenta e seis) contratos de "CONFISSÃO DE DÍVIDA COM Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.974 8 ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA", cujas cópias fornecemos, estão arquivados, por cópia ou microfilme no cartório, e confirmar a autenticidade desses contratos, informando se realizou os reconhecimentos de firma neles constantes. 3.16) Conforme "Termo de Constatação" lavrado no dia 19/08/2010, os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil Leandro Okada Xavier da Silva e Fabrício Botelho Menna de Oliveira intimaram pessoalmente o representante legal do CARTÓRIO ELCÍRIA OLIVEIRA 1º OFÍCIO DE NOTAS DA COMARCA DE RONDON DO PARÁ, a senhora LINDAUREA OLIVEIRA DIAS. (...) 3.18) No dia 24/08/2010 foi recebida resposta do CARTÓRIO ELCÍRIA OLIVEIRA 1° OFÍCIO DE NOTAS DA COMARCA DE RONDON DO PARÁ ao "Termo de Intimação Fiscal Diligência Vinculada" lavrado no dia 19/08/2010. 3.18.1) Na resposta do Cartório há as seguintes afirmações (o negrito e os sublinhados foram feitos pela Fiscalização Federal): "... somos categóricos em afirmar que não se encontra qualquer cópia, tampouco microfilme de tais documentos neste Cartório, uma vez que os mesmos não foram registrados nestas notas." "...é bastante evidente que as assinaturas de nossas Serventuárias foram objeto de uma "grosseira" tentativa de fraude, conforme se evidencia ao comparálas com as contidas nas fichas de sinal público deste Cartório...." "....quanto a ausência dos respectivos selos de segurança, eis que, pelo que consta dos préfalados contratos, os mesmos foram supostamente reconhecidos, não sabemos por quem, no ano de 2.005, época em que já era OBRIGATÓRIO o uso dos mesmos..." "... quanto a suposta assinatura da Sra. Sueli Santos Oliveira, a qual fora colocada em carimbos constantes de alguns contratos, mais especificamente em seis contratos. Quanto a matéria, não bastasse a grosseira diferença entre a que consta dos mesmos, confrontandose com a que consta de nossa ficha de sinal público, temos ainda o fato de que a referida Serventuária, apenas começou a fazer parte do quadro de Escreventes deste Cartório a partir do dia 17 de junho de 2.009...". (...) 3.19) No dia 25/08/2010 foram lavrados os seguintes ofícios: Ofício SAFIS/DRF/MBA N° 005/2010 (destinado à 1ª Vara do Trabalho de Marabá) e Ofício SAFIS/DRF/MBA N° 006/2010 (destinado à 2ª Vara do Trabalho de Marabá). O objeto desses ofícios foi a solicitação de vista de diversos processos em nome da Madeireira Paricá LTda, e de Ross Cléia Moreira Costa Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.975 9 (conforme MPF Vinculado). Esclarecemos que a motivação da lavratura dos desses dois Ofícios foi explanada no Tópico 8. (...) 4 DOS LIVROS CONTÁBEIS E NOTAS FISCAIS APRESENTADOS PELA FISCALIZADA (...) 4.3.1) E no Livro Diário não há nenhum sinal ou carimbo indicativo de registro no Registro do Comércio ou Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, e os termos de abertura e encerramento não estão autenticados. 4.4) As Notas Fiscais de Saídas, do anocalendário 2005, são de n° 1.028 a n° 1.125. Há Notas Fiscais de Entradas de Terceiros referentes ao ano calendário 2005. E há Notas Fiscais de Entradas Próprias, do anocalendário 2005, de n° 551 a n° 579 e de n° 701 a n° 709. A ordem numérica dessas Notas Fiscais não respeita a ordem cronológica, e todas se referem a DÉCIO JOSÉ BARROSO NUNES, ou seja, o senhor DÉCIO foi o único fornecedor do insumo MADEIRA à fiscalizada. (...) (...) 8 CONCLUSÕES GERAIS DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO: 8.1) Findas as análises sobre a contabilidade e documentos fornecidos pela fiscalizada chegamos às seguintes conclusões gerais: 8.1.1) DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA PELA FISCALIZADA: 8.1.1.1) No TÓPICO 3 mostramos que a fiscalização concedeu à fiscalizada inúmeras oportunidades para esclarecer a origem dos recursos que adentraram suas contascorrentes bancárias. 8.1.1.2) Na TENTATIVA de justificar a origem de GRANDE QUANTIDADE de recursos a fiscalizada apresentou para diversos CONTRATOS DE EMPRÉSTIMO (e muitas cópias desses contratos) e muitos RECIBOS DE PAGAMENTOS DESSES EMPRÉSTIMOS, (...). 8.1.1.3) No TÓPICO 6 expusemos os GRAVES INDÍCIOS DE QUE OS CONTRATOS DE EMPRÉSTIMO SÃO FRAUDULENTOS. (...) Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.976 10 8.1.1.6) Com relação aos RECIBOS, apesar de se referirem à saída de recursos, também foram analisados pela Fiscalização porque fazem parte do conjunto probatório. 8.1.1.7) No TÓPICO 6 demonstramos que também há GRAVES INDÍCIOS de que PARTE CONSIDERÁVEL deles também É FRAUDULENTA. 8.1.1.8) E como os recibos têm por objeto comprovar o pagamento dos empréstimos, sobre cujos contratos recaem gravíssimos indícios de fraude, por consequência também podemos afirmar categoricamente que HÁ GRAVÍSSIMOS INDÍCIOS DE QUE TODOS OS RECIBOS SÃO FRAUDULENTOS. 8.1.1.9) Por fim, observamos que apesar das inúmeras chances de prestar esclarecimentos, a fiscalizada optou por empregar diversos artifícios que paralisassem ou induzissem a Fiscalização em erros, tais como: apresentou desnecessariamente diversas copias de documentos cujas cópias já havia apresentado; demorou quase um ano para apresentar LIVROS CONTÁVEIS; e APRESENTOU INÚMEROS DOCUMENTOS COM RELEVANTES INDÍCIOS DE FRAUDE. Sobre este último ponto é importante destacar que a fiscalizada persistiu até o final na atitude de apresentar documentos com relevantes indícios de fraude, como mostra a resposta ao "Termo de Intimação" do dia 23/08/2010, que teve como principal objetivo municiar o Fisco Federal com mais provas e confirmar a CONDUTA DOLOSA DA FISCALIZADA na apresentação de tais documentos ao Fisco Federal. 8.1.2) DA INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS 8.1.2.1) Durante os procedimentos de fiscalização chamou muito a atenção do Fisco Federal o nome DÉCIO JOSÉ BARROSO NUNES, em razão de diversas ocorrências supracitadas que se relacionam com este nome, tais como: ele ser a única pessoa física com contratos de empréstimo com a fiscalizada; ele ser registrado nos livros contábeis da fiscalizada como sendo o único fornecedor de matériaprima da fiscalizada; o fato de ele ser o representante legal da Madeireira Barroso Ltda (empresa que também despertou a atenção do Fisco Federal em razão dos seguintes fatos: é mencionada como parte credora em muitos dos contratos de empréstimo apresentados pela fiscalizada; (...); o fato de a fiscalizada haver apenas apresentado originais de recibos assinados por ele; o fato de que no PLANO DE CONTAS GERAL do Livro Diário da fiscalizada está escrito em destaque GRUPO BARROSO (que remete a um dos sobrenomes de Décio José BARROSO Nunes, e à MADEIREIRA BARROSO LTDA, empresa da qual Décio José Barroso Nunes é representante legal); enfim, todas as ocorrência relacionadas a este nome expostas no Tópicos 5, 6 e 7. Assim, há diversas ocorrências ligando a empresa fiscalizada à empresa MADEIREIRA BARROSO LTDA e a DÉCIO JOSÉ BARROSO NUNES, e há documentos que mostram que em algumas ocasiões a empresa Fl. 2976DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.977 11 fiscalizada agiu como se fosse apenas uma extensão da MADEIREIRA BARROSO LTDA. E mais adiante serão apresentados relevantes indícios de que o "GRUPO BARROSO" é um grupo de empresas (composto pela fiscalizada e por todas as empresas que constam nos contratos de empréstimo apresentados pela empresa fiscalizada, como emprestadoras de recursos), que na realidade se confundem em uma só empresa, a MADEIREIRA BARROSO LTDA, e que o verdadeiro dono de todas elas é DÉCIO JOSÉ BARROSO NUNES. 8.1.2.2) Como havia gravíssimos indícios de fraude e de interposição de pessoas, conforme apresentado nos Tópicos 1 a 7, a Fiscalização resolveu fazer pesquisas nos sítios de internet dos Tribunais Federais e Trabalhistas, com o objetivo de verificar se em processos em que fosse parte a empresa fiscalizada aparecia algum indício interposição de pessoas. 8.1.2.3) Durante pesquisas no sítio do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região diversos processos trabalhistas, com data compreendida no período fiscalizado, ou próxima a esse período, deixaram a Fiscalização alerta, uma vez que em vários desses processos afirmam que o verdadeiro proprietário da empresa fiscalizada é DÉCIO JOSÉ BARROSO NUNES. 8.1.2.4) Diante dos novos e perturbadores indícios de interposição de pessoas relatados no item anterior resolvemos aprofundar nossas pesquisas no sítio da internet do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região. Assim, com base em MPF Vinculado, pesquisamos os processos em que constava como reclamada Ross Cléia Moreira Costa, e chamaram a atenção dois processos em que também apareceu o nome DÉCIO JOSÉ BARROSO NUNES. Em razão do exposto foram expedidos Ofícios solicitando vista de vários processos à 1ª e à 2ª Vara do Trabalho de Marabá/PA. 8.1.2.5) Dos processos vistos da Justiça do Trabalho encontramos indícios de interposição de pessoas nos processos enumerados na tabela a seguir: (...) 8.1.2.6.1.1) Nos Processos de n.. 1 a 6 (cópias nas fls. 02 a 182 do Anexo V) os seguintes fatos chamaram a atenção do Fisco Federal: nos seis processos há Avisos de Recebimento da Madeireira Barroso Ltda, da Madeireira Jrubu Ltda, e da Madeireira Paricá Ltda assinados pela mesma pessoa (Núbia Ribeiro de Carvalho) e com mesmo endereço de destino: Av.Marechal Rondon S/N, Centro, Rondon do Pará/PA. Citese que segundo os sistemas da RFB, a referida pessoa teve os vínculos empregatícios abaixo citados. Vêse abaixo que ela foi funcionária de diversas empresas que serão indicadas como integrantes do GRUPO BARROSO. Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.978 12 (...) nos seis processos a Madeireira Paricá Ltda, a Madeireira Urubu Ltda e a Madeireira Barroso Ltda constituíram o(s) mesmo(s) advogado(s) para defendêlas. E nos processos n° 1, 2, 4, 5 e 6 é extremamente importante observar que na parte de baixo da "Procuração" da Madeireira Barroso Ltda, da Madeireira Urubu Ltda, e da Madeireira Paricá Ltda constam não apenas o mesmo endereço (Est. Da Fazenda Lacy s/n — Interior, CEP 68.638 100, Rondon do Pará Pará), como também o mesmo número de telefone (91) 32612501, o mesmo número de fax (91) 3261594, e a mesma caixa postal (de número 39). E quatro procurações da Madeireira Barroso Ltda aparentemente foram assinadas por Maria Neuza B. da Silva. (...) 8.1.2.6.1.2) A partir da análise dos 6 (seis) processos trabalhistas acima já podemos chegar a algumas conclusões: há substanciais indícios de que a Madeireira Paricá Ltda, a Madeireira Urubu Ltda e a Madeireira Barroso Ltda são três pessoas jurídicas que se interpenetram a tal ponto, que podese afirmar que elas constituem um grupo econômico. Neste sentido, há provas de que: elas estão no mesmo espaço físico; elas têm o mesmo número de telefone e fax; elas recebem correspondências em uma mesma caixa postal; a mesma pessoa assinou os "Avisos de Recebimento" das correspondências delas; elas constituem sempre os mesmos advogados; elas são sempre representadas pelo mesmo preposto; os reclamantes afirmam que somente diferenciavam para qual das três empresas estavam trabalhando se observassem a CTPS ou os recibos de pagamentos; em um processo em que todos os documentos trabalhistas do reclamante tinham o nome da Madeireira Paricá Ltda, foi a Madeireira Urubu Ltda quem devolveu a CTPS do reclamante; em um processo em que todos os documentos trabalhistas do reclamante tinham o nome da Madeireira Paricá Ltda, foi a Madeireira Urubu Ltda quem recolheu os valores devidos em DARF e apresentou GPS; Maria Neuza B. da Silva é Encarregada do Departamento Pessoal da Madeireira Paricá Ltda e aparentemente da Madeireira Urubu Ltda também; Maria Neuza B. da Silva ao menos aparentemente assinou "Procuração" em nome da Madeireira Barroso Ltda; e em diversos desses processos até os Juízes do Trabalho reconheceram que as empresas em muito se confundem uma na outra, uma vez que condenaram essas três empresas solidariamente. Assim, nos Processos de n° 1 a 6 exteriorizouse o que os reclamantes afirmaram na Petição Inicial, ou seja, ficou exposta a ausência de "individualidade" entre a Madeireira Paricá Ltda, a Madeireira Urubu Ltda, e a Madeireira Barroso Ltda, que são um grupo de empresas com personalidade jurídica distintas, mas que agem como se fossem uma só empresa. E com isso começa a se descortinar o GUPO BARROSO. Fl. 2978DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.979 13 (...) 8.1.2.6.1.6) Os Processos n° 7, 8 e 9 fortalecem as conclusões do item 8.1.2.6.1.2, reiterando que a empresa fiscalizada e a Madeireira Urubu Ltda têm individualidade apenas no mundo jurídico, sendo de fato partes indissociáveis de um GRUPO ECONÔMICO, e juntamente com a Madeireira Barroso Ltda constituem o GRUPO BARROSO. E aumentaram exponencialmente os indícios de que quem está por trás não apenas da empresa fiscalizada, como também do "GRUPO BARROSO", é DÉCIO JOSÉ BARROSO NUNES, (...). (...) 8.1.2.6.1.7) No Processo N° 10 (...). verificase que no dia 12 de julho de 2006 houve alteração do Contrato Social da Madeireira Urubu Ltda, e Silvano Souza dos Santos e Nilda Martins dos Santos transferiram todas as quotas da empresa Madeireira Urubu Ltda para Décio José Barroso Nunes e Ross Cléia Moreira Costa. (...) 8.1.2.6.1.8) Assim, o Processo n° 10 reforça os indícios de que a Madeireira Urubu Ltda é membro do GRUPO ECONÔMICO denominado GRUPO BARROSO, e indica que o "GRUPO BARROSO" é constituído não somente pela Madeireira Paricá Ltda, pela Madeireira Barroso Ltda, e pela Madeireira Urubu Ltda, como também pela Madeireira Jacaré Ind. Com. de Transporte Ltda, uma vez que ficou exposto que a Madeireira Urubu Ltda e a Madeireira Jacaré Ind. Com. de Transporte Ltda agem como se fossem uma empresa só. Além disso, cada vez mais aumentam os indicativos de que Décio José Barroso Nunes está por trás do "GRUPO BARROSO", uma vez que além de ser representante legal da Madeireira Barroso Ltda, e haver demonstrado que tem grandes poderes e participação nas decisões importantes da empresa fiscalizada (uma vez que aparentemente até assinou "Carta de Preposição" da Madeireira Paricá Ltda no Processo n° 9), ele também tem estreito relacionamento com a Madeireira Urubu Ltda, chegando a fazer parte do quadro de sócios da Madeireira Urubu Ltda. (...) 8.1.2.6.1.10) A partir da análise do Processo n° 11 chegase à aterradora conclusão de que há graves sinais de que o "GRUPO BARROSO" também é constituído pela Madeireira Lacy Ind. Com. e Transportes Ltda. Fato que ficará ainda mais notório nos processos trabalhistas à seguir analisados. 8.1.2.6.1.11) No Processo n° 12 (...). (...) Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.980 14 Neste ponto é importante mencionar que há fortes indícios de que a supracitada companheira de Décio Jose Barroso Nunes é Ross Cléia Moreira da Costa, uma vez que Ross Cléia Moreira Costa teve um filho de Décio José Barroso Nunes em 2004 e outro em 2005 (...). (...) 8.1.2.6.1.18) Assim, os Processos trabalhistas de n° 13 a 17 robustecem os já gravíssimos indícios de que a Madeireira Paricá Ltda, a Madeireira Urubu Ltda, a Madeireira Lacy Ind. Com. e Transportes Ltda, e a Madeireira Jacaré Ind. Com. de Transporte Ltda na realidade são parte de um GRUPO ECONÔMICO, chamado de GRUPO BARROSO, que teve por objeto a criação jurídica de diversas empresas com o fito de ludibriar a Administração Pública e permitir evasão fiscal. Além disso, o responsável pelo GRUPO BARROSO cada vez mais se consolida como sendo Décio José Barroso Nunes, uma vez que sobre ele vão pesando mais e mais indícios de que ele é o real dono das empresas acima indicadas como pertencentes ao "GRUPO BARROSO", haja vista que há documentos que sinalizam que ele tem grandes poderes e participação direta em importantes decisões de diversas empresas do "GRUPO BARROSO", quais sejam, a empresa Madeireira Paricá Ltda, a Madeireira Urubu Ltda e a Madeireira Barroso Ltda; e foi demonstrado que as outras empresas mencionadas como pertencentes ao GRUPO BARROSO atuam juntamente com as empresas supracitadas (Madeireira Paricá Ltda, a Madeireira Urubu Ltda e a Madeireira Barroso Ltda) como se fossem uma mesma pessoa jurídica. Além disso, há robustos indícios de que Maria Neuza Barbosa da Silva e João Carlos Rincon são duas importantíssimas engrenagens no esquema de funcionamento do "GRUPO BARROSO", (...). 8.1.2.6.1.21) Assim, restou configurado um quadro de espantosos e gravíssimos indícios de que a Madeireira Paricá Ltda, a Madeireira Urubu Ltda, a Madeireira Barroso Ltda, a Ind. e Com, de Madeiras Ararandeua Ltda, a Madeireira Lacy Ind. Com, e Transportes Ltda, e a Madeireira Jacaré Ind. Com, de Transporte Ltda na verdade são parte de um GRUPO ECONÔMICO (GRUPO BARROSO), constituído por diversas empresas que agem como se fossem uma mesma empresa, e que foram criadas com o objetivo de ludibriar não apenas o Fisco Federal, mas sim a Administração Pública em Geral. E há gravíssimos indícios de que Décio José Barroso Nunes é quem está por trás do "GRUPO BARROSO", e é o verdadeiro dono não somente da empresa fiscalizada, como também das demais empresas supracitadas como pertencentes ao "GRUPO BARROSO", uma vez que conforme acima exposto, ele demonstrou ter grandes poderes e participação em decisões importantes da Madeireira Paricá Ltda, da Madeireira Urubu Ltda, da Madeireira Barroso, e da Ind. e Com, de Madeiras Ararandeua Ltda. Fl. 2980DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.981 15 (...) 8.1.3.3.1) Com relação à Madeireira Paricá Ltda: Reinaldo Paulo Pereira Júnior e Joyce Anne Ramalho foram os primeiros sócios da empresa fiscalizada. Reinaldo Paulo Pereira Júnior foi sócio da fiscalizada de 21/07/2000 a 07/06/2001, e de 01/02/2000 a 29/05/2001 foi empregado (faturista) da Industria e Comercio de Madeiras Ararandeua Ltda. Aqui é importante observar que quando Reinaldo Paulo Pereira Júnior se tornou sócio da fiscalizada ele era empregado da Industria e Comercio de Madeiras Ararandeua Ltda, e que no mês de julho de 2000 recebeu remuneração de R$ 258,00 (duzentos e cinquenta e oito reais) da Industria e Comercio de Madeiras Ararandeua Ltda. Joyce Anne Ramalho foi sócia da empresa fiscalizada de 21/07/2000 a 14/09/2005, e desde 01/10/1999 é empregada da Madeireira Urubu Ltda EPP e da Madeireira Barroso Ltda, como auxiliar de contabilidade. Aqui é relevante destacar que no ano 2000 a remuneração de Joyce Anne Ramalhona Madeireira Urubu Ltda e na Madeireira Barroso Ltda era de em média R$ 300,00 (trezentos reais). Ross Cléia Moreira Costa foi incluída como sócia da fiscalizada em 07/06/2001, e desde 13/07/1990 é empregada da Madeireira Barroso Ltda, exercendo ocupação 04110 (agentes, assistentes e auxiliares administrativos) do CBO (Código Brasileiro de Ocupações). Em 2001 a remuneração mensal que Ross Cléia Moreira Costa recebeu da Madeireira Barroso Ltda variou de R$ 295,52 (duzentos e noventa e cinco reais e cinquenta e dois centavos) a R$ 335,49 (trezentos e trinta e cinco reais e quarenta e nove centavos). Por fim, cabe destacar que no cadastro CNPJ de Ross Cléia Moreira Costa consta que ela é sócia de várias empresas. Ross Mary Moreira Costa é irmã de Ross Cléia Moreira Costa, conforme se pode concluir a partir do cadastro CNPJ das duas. E assim como Ross Cléia Moreira Costa, Ross Mary Moreira Costa também é sócia de várias empresas. (...) 8.1.3.5) Assim, a partir dos documentos juntados no Anexo VI podemos chegar às seguintes conclusões: as conclusões acerca da existência do GRUPO ECONÔMICO chamado GRUPO BARROSO foram novamente confirmadas, assim como a conclusão de que as empresas do GRUPO BARROSO agem como se fossem uma extensão (um setor) da Madeireira Barroso Ltda. Além disso, no Anexo VI foram juntados documentos que apontam que há relevantes indícios de interposição de pessoas na constituição de todas as empresas do GRUPO BARROSO, com exceção da própria Madeireira Barroso Ltda, que desde o início foi constituída por Décio José Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.982 16 Barroso Nunes. Neste sentido foram juntadas provas de que um dos sócios fundadores da Madeireira Paricá Ltda, da Madeireira Urubu Ltda, da Madeireira Jacaré Industria Comercio e Transportes Ltda, e da Indústria e Comércio de Madeiras Ararandeua Ltda eram empregados da Madeireira Barroso Ltda na época de constituição dessas empresas, e que muitas vezes exerciam atividades braçais e recebiam remunerações modestas. dos sócios das empresas do GRUPO BARROSO a pessoa física Décio José Barroso Nunes é a que mais chamou a atenção do Fisco Federal, em razão das diversas empresas em que tem participação, e das diversas fontes pagadoras dele constantes no cadastro CNPJ. Em segundo lugar chamaram a atenção da Fiscalização Federal as pessoas físicas Ross Cléia Moreira Costa e Ross Mary Moreira Costa, em razão de também participarem de algumas empresas além das apontadas como pertencentes ao GRUPO BARROSO, e especificamente em relação a Ross Cléia Moreira Costa, em razão de participar de mais de uma das empresas indicadas como pertencentes ao GRUPO BARROSO. (...) 9.13) DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA 9.13.1) Como se depreende da leitura do presente relatório, não se trata de fraude isolada, como calçar nota ou emitir nota fria, ou mesmo deixar de emitila, mas sim de todo um contexto fraudatório entabulado pela organização encabeçada por Décio José Barroso Nunes, que largamente lançou mão do uso de "testas de ferro" e de documentos ideologicamente falsos com o fito de escapar da ação do Fisco Federal, para que não se soubesse quem era o verdadeiro proprietário do estabelecimento industrial onde "funciona" a Madeireira Paricá Ltda, empresa que declarava e recolhia valores muito aquém dos realmente devidos. Com isso, o lançamento que porventura fosse feito, isoladamente considerado, o seria em cima de uma empresa sem nenhum patrimônio e de "testas de ferro" também sem expressiva capacidade econômica.Como ficou bem demonstrado alhures, o grupo de Décio José Barroso Nunes vem se utilizando de empresas de fachada e sócios "testas de ferro" para operar seus negócios, com isso, blindando o patrimônio operacional que porventura viesse a ser afetado pelos tributos que seriam cobrados caso a atividade empresarial fosse regularmente efetuada. 9.13.2) Em face disso, por todos os fatos mencionados nos itens acima aplicamos a multa prevista no art. 44, inciso I, § I o da Lei n ° 9.430/96, denominada multa qualificada (150%), conforme abaixo descrito, que é a que se amolda ao caso em tela. (...) 9.13.4) Perguntase, será que uma empresa constituída por pessoa que não é seu titular de fato; que declara receita bruta Fl. 2982DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.983 17 menor que 2% de seu movimento bancário; que possui diversas empresas irmãs no mesmo local, com mesma atividades; e que apresenta documentos fraudulentos teve ou não o evidente intuito de fraudar o Fisco???? O intuito de esconder suas rendas do Fisco??????? 9.13.5) A nosso ver está mais que configurado esse evidente intuito, que salta aos olhos, por todos os fatos e números aqui catalogados, e pelo histórico da mesma ao longo do tempo. Por isso, aplicamos a multa qualificada e efetuamos a Representação Fiscal para Fins Penais contra os responsáveis. 9.13.6) É bom que se observe que o uso de depósitos bancários de origem não comprovada para fins de lançamento tributário é mero método matemático de apuração indireta do tributo devido, pois com os fatos assim catalogados a "presunção legal" aqui se afasta desse sentido semântico, ganhando ares de certeza pelo descalabro mostrado pela situação fática. (...) 9.14) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 9.14.1) No curso da presente ação fiscal, restou devidamente comprovado que os atuais sócios da fiscalizada (ROSS CLÉIA e ROSS MARY) se apresentam como meros "figurantes qualificados" ("TESTAS DE FERRO") da trama delituosa, servindo somente de "enfeites" nas referidas operações comerciais. A fiscalizada, na condição de pessoa jurídica, foi ardilosamente invocada como escudo para afastar do pólo passivo de obrigação tributária, o agente (Décio José Barroso Nunes) que, em fraude a lei, criou situação jurídica com o fim de ocultar sua identidade e redimir sua responsabilidade fiscal, civil e criminal. 9.14.2) In casu, optando pela autuação formal, o crédito tributário seria constituído em nome da fiscalizada e seu quadro societário viciado, já que os documentos fiscais eram supostamente emitidos por ela e, assim, o valor constituído jamais seria recuperado. Ficando prejudicada também, a responsabilização criminal. 9.14.3) O processo administrativo tributário deve garantir que o devido processo legal e o contraditório, princípios primários e basilares do Estado de Direito, sejam respeitados na constituição do crédito tributário, por tal razão a eleição do sujeito passivo, via SOLIDARIEDADE, deve ter como alicerce, provas materiais produzidas e detalhadamente apresentadas, possibilitando a ampla defesa do sujeito passivo. 9.14.4) A responsabilidade tributária deve ser atribuída ao agente que praticou efetivamente o fato imponível e obteve ganho econômico. O legislador positivo optou pela doutrina extensiva da sujeição passiva ao dispor sobre a SOLIDARIEDADE no artigo 124, I, do CTN, (...). Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.984 18 9.14.5) Como bem se demonstrou as pessoas físicas e a empresa que abaixo serão mencionados têm interesse comum com o proveito econômico que foi auferido pela fiscalizada no ano calendário 2005. (...) 9.14.12) Assim, a alta movimentação financeira realizada pelo contribuinte, combinada com o fato de os contratos de empréstimos apresentados para justificar os depósitos bancários ostentarem gravíssimos indícios de fraude, combinada ainda com os fortes indícios de interposição de pessoas dos itens 5 a 8, põem em evidência que os sócios da empresa fiscalizada, ROSS CLÉIA MOREIRA COSTA E ROSS MARY MOREIRA COSTA, SÃO "TESTAS DE FERRO" do titular de fato das contas correntes e das empresas citadas no presente termo. Neste caso, DÉCIO JÓSÉ BÃRROSO NUNES É O VERDADEIRO BENEFICIÁRIO DOS RECURSOS FINANCEIROS DEPOSITADOS nas contas correntes da fiscalizada (n° 10.8480, agência 13420, do Banco do Brasil S/A e n° 161.4894 e 162.182 3, da agência 0327 e n° 14.4649, da agência 0594, todas do Banco Bradesco S.A), bem como dos resultados positivos (lucros) auferidos nas empresas componentes do esquema que aqui está esquadrinhado, E É CHAMADO a responder pelos tributos devidos COMO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO. nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Sobre Décio José Barroso Nunes é interessante destacar que ele é proprietário de vultoso patrimônio imobiliário na área de Rondon do Pará, (...). 9.14.13) Além disso, por tudo que foi exaustivamente produzido, como não há dúvidas da participação efetiva da empresa MADEIREIRA BARROSO LTDA (CNPJ 14.133.516/0001 191, de Ross Cléia Moreira Costa (CPF 289.374.65272), e de Ross Marv Moreira Costa (CPF 377.244.36215), no referido esquema fraudulento, eles também serão chamados como sujeitos passivos solidários. 9.14.14) As duas sócias atuais da fiscalizada estão sendo chamadas como responsáveis solidárias em razão do fato de que, diversamente dos demais sócios e exsócios das empresas do GRUPO BARROSO (com exceção de Décio José Barroso Nunes) constantes nos cadastros da RFB, elas demonstram possuir considerável capacidade econômica, e demonstram que usufruíram e usufruem de uma parte dos recursos financeiros ilegalmente apropriados pelo GRUPO BARROSO. Fato que ao que tudo indica, decorre da "extrema familiaridade" que têm com Décio José Barroso Nunes, uma vez que ao que tudo indica Ross Cléia Moreira Costa é a companheira de Décio José Barroso Nunes anteriormente mencionada. Assim, as duas estão sendo chamadas como responsáveis solidárias em razão de que efetivamente representam núcleos formais ou prolongamentos do patrimônio pessoal de Décio José Barroso Nunes. (...) Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.985 19 Valor tributável das infrações imputadas: Mêsnsal/Ano Receita Bruta Mensal (Decl.) Difer. Apurada (R$) Receta Bruta Acumulada (R$) % Total Simples 01/2005 27.899,32 523.796,54 551.695,86 7,10 02/2005 61.600,00 586.704,14 9,10 02/2005 0,00 200.547,41 10,92 1.400 547,41 03/2005 26.688,97 881.867,11 2 309 203,49 10,92 04/2005 14.716,25 1.138.219,61 3 462 139,35 10,92 05/2005 18.576,96 1.066.739,18 4 547 455,49 10,92 06/2005 19.451,25 697.159,71 5 264 066,45 10,92 07/2005 2.421,25 567.596,40 5 834 084,10 10,92 08/2005 19.170,74 1.086..934,37 6 939 189,21 10,92 09/2005 30.303,40 2.017.311,26 8 986 803,87 10,92 10/2005 38.960,90 1.633.462,33 10 659 227,10 10,92 11/2005 0,00 2.382.725,82 13 041 952,92 10,92 12/2005 00,00 1.990.325,14 15 032 278,06 10,92 Obs: (i) Quanto à Coluna Receita Bruta Mensal (Declarada), foi lançada a diferença de recolhimento de tributos do Simples (infração reflexa), com multa de ofício de 150% (qualificada); (ii) Já a "Coluna Diferença Apurada" referese à infração Omissão de Receitas Depósitos Bancários de Origem não comprovada, com imputação de multa de ofício de 150% (qualificada). O valor do crédito tributário lançado de ofício (Tributos do Simples), ano calendário 2005, perfaz o montantes de R$ 4.924.154,86, na data de lavratura dos Autos de Infração: AC 2005 Autos Infração SIMPLES Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 24/11/2010) Multa de ofício 150% Total (R$) IRPJ 113.958,29 67 047,45 170.937,38 351.943,12 PIS 113.958,29 67.047,45 170.937,38 351.943,12 Cofins 176.381,40 103.885,07 264.572,04 544.838,51 INSS 352.762,74 207.770,16 529.144,05 1.089.676,95 IPI 88.190,69 51.942,50 132.285,98 272.419,17 Total 4.924.154,86 Ciente de lançamento fiscal, o sujeito passivo e os responsáveis solidários apresentaram impugnação na primeira instância de julgamento, cujas razões estão assim resumidas no relatório da decisão recorrida que, nessa parte, transcrevo (efls. 1024/1041), in verbis: (...) 3. Impugnações: Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.986 20 a) O sujeito passivo Madeireira Paricá, CNPJ 03.974.931/0001 52, apresentou impugnação (fls. 779/838) em 27/01/2011, conforme carimbo aposto no envelope de fl. 839. b) O sujeito passivo responsável solidário Ross Cléia Moreira Costa, CPF 289.374.65272 apresentou impugnação (fls. 841/853) em 27/01/2011, conforme carimbo aposto no envelope de fl. 854. c) O sujeito passivo responsável solidário Madeireira Barroso, CNPJ 14.133.516/000119, apresentou impugnação (fls. 856/868) em 27/01/2011, conforme carimbo aposto no envelope de fl. 869. d) O sujeito passivo responsável solidário Ross Mary Moreira Costa, CPF 377.244.36215 apresentou impugnação (fls. 871/883) em 27/01/2011, conforme carimbo aposto no envelope de fl. 884. e) O sujeito passivo responsável solidário Décio José Barroso Nunes; CPF 219.817:52668 apresentou impugnação (fls. 886/897) em 27/01/2011, conforme carimbo aposto no envelope defl. 898. 3.1. Os sujeitos passivo solidários apresentaram impugnações de teor similares, motivo pela qual resumimos aquela apresentada por Ross Cléia Moreira Costa, CPF 289.374.65272, fls. 841/853: "2. A autoridade fiscal busca enquadrar a situação do impugnante na conduta tipificada no art. 124 do Código Tributário Nacional. 3. Par a tanto recorre à suposta existência de um "contexto fraudatório entabulado pela organização encabeçada por Décio José Barroso Nunes que largamente lançou mão do uso de 'testas de ferro' e de documentos ideologicamente falsos, com o fito de escapar da ação do Fisco Federal, para que não se soubesse quem era o verdadeiro proprietário do estabelecimento industrial onde funciona a Madeireira Paricá ". 4. Ora, em toda o trabalho fiscal, a despeito de lançar mão, como já dissemos alhures, de uma quebra de sigilo fiscal ilegal, a fiscalização NÃO ENCONTROU SEQUER UM DOCUMENTO QUE LIGASSE A EMPRESA IMPUGNANTE COM O CITADO SR DÉCIO BARROSO ALÉM DAS RELAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA PARA COM ESTE, RELAÇÕES ESTAS JÁ DECLARADAS PELA MESMA. E meios isso não lhe faltaram, uma vez que dispunha de toda a movimentação financeira existente no período, teve acesso a todos os depósitos, saques, cheques e demais documentos bancários e não logrou comprovar qualquer relação promiscua que pudesse fazer crer que o citado senhor fosse, de fato, o proprietário da empresa e que vinha fazendo uso de testas de ferro para movimentála. Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.987 21 5.Nos casos envolvendo testas de ferro é comum, por exemplo, a ocorrência de procurações públicas, de assinatura de cheques pelo real beneficiário dos recursos, ou quaisquer outros documentos que comprovem que a administração da empresa é, de fato, exercida por pessoa que não aquelas indicadas no Contrato Social. 6. Mas nenhum documento dessa espécie é citado no trabalho fiscal, nenhuma ordem emitida por Décio Barroso, nenhum pagamento ordenado pelo mesmo, nenhum negócio praticado pelo mesmo usando a estrutura da empresa impugnante. 7. Curioso, também, que em nenhum momento foram exigidas as presenças das pessoas físicas envolvidas para uma oitiva, no sentido de esclarecer a situação. Não. A fiscalização tomou como verdade sua ilações e passou a trilhar um caminho errado que a levou ao cometimento de ilegalidades ao atribuir responsabilidade a quem não as tem e, ao mesmo tempo, agravar a multa imposta à impugnante, numa atitude diametralmente oposta à justiça fiscal que, no entendimento da impugnante, teve, como único fito, o pretenso deslocamento da decadência para o inicio de 2011 .No citado Termo de Verificação Fiscal foram feitas acusações acerca de um pretensa utilização da mesma como testas de ferro por parte do Sr. Décio José Barroso Nunes, fatos esses já contestados na impugnação apresentada pela empresa à Receita Federal. 8.É fato que empresa MADEIREIRA PARICÁ estava regularmente constituída. Nenhuma irregularidade foi apontada pela fiscalização a esse respeito. 9.É fato sim, e fato relevante, que as únicas relações da empresa com o Sr. Décio foram comerciais, ou seja, o mesmo era fornecedor de madeira para a mesma e, por vezes, fazia adiantamentos para financiar as atividades da mesma, fato exposto pela própria empresa durante a ação fiscal. E fato também que a impugnante vive em união estável com o Sr. Décio Barroso, fato também sabido pela fiscalização. No mais, o ora impugnante vem informar que NÃO AUFERIU NENHUM BENEFÍCIO IRREGULAR DESSES NEGÓCIOS COM A EMPRESA. Fosse diferente, a fiscalização, que teve acesso a todos os cheques e depósitos ocorridos no período de 2005, teria apontado UM ÚNICO CHEQUE, OU ALGO QUE O VALHA, QUE TIVESSE SIDO DESVIADO DOS NEGÓCIOS DA EMPRESA PARA BENEFÍCIO PARTICULAR DOS SÓCIOS OU DE TERCEIROS A ELE LIGADOS QUE NÃO FOSSEM DE RELAÇÕES COMERCIAS DA EMPRESA. 10. NÃO FOSSE ASSIM TERIA A FISCALIZAÇÃO APONTADO PAGAMENTOS QUE FOSSEM AUTORIZADOS PELO Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.988 22 IMPUGNANTE EM BENEFICIO PRÓPRIO E ISTO NÃO OCORREU'. 11 Enfim, digase que, mesmo não tendo constatado qualquer irregularidade financeira, a despeito de terse debruçado sobre os documentos bancários da empresa por vários anos, busca agora, a fiscalização, SEM NENHUM ELEMENTO DE PROVA, impingir ao impugnante uma responsabilidade que esta, em absoluto, não tem. 12 Outro fato que vale destacar diz respeito ao desenvolvimento dos trabalhos fiscais Se, e dizemos isto apenas para argumentar de fato, estivesse configurada a responsabilidade solidária do impugnante, este deveria ter sido informado de todos os movimentos da fiscalização, e, assim, ter tido acesso aos termos e demonstrativos por ela produzidos de forma que tivesse condições se contrapor aos mesmos, exercendo, dessa forma seu direito de defesa. 13 Mas não foi isto que ocorreu. O impugnante somente foi notificado de um valor apurado por uma fiscalização que o mesmo nem sabia que estava sendo desenvolvida. Por esse motivo, e por não ter tido acesso aos dados da movimentação financeira da empresa autuada nem acompanhado os trabalhos da fiscalização de tal empresa, o impugnante acusa, preliminarmente, a preterição de seu direito de defesa. (...) 20. Vemos que o legislador ao construir as disposições do artigo, literalmente fez constar a expressão "interesse comum na situação que constitua o fato gerador " O dispositivo não esta designando pessoas que tenham interesse no fato gerador como quis determinar o Auditor. A isso se da o nome de discricionariedade, instituto que não tem amparo em nossos Diplomas Legais. 21 O interesse que o artigo contempla como passível de conduzir alguém a ser submetido ao instituto da solidariedade é aquele voltado não ao fato gerador propriamente dito, mas as circunstâncias e fenômenos que concorrem para a sua produção. 22 O fato gerador e o conseqüente da situação essa, movida pelo interesse comum, que torna maculado aquele fato. Logo, tem a fiscalização o dever legal de determinar essa situação e os interesses comuns que a solidificaram e que vieram conduzir à realização de uma hipótese de incidência tributaria e não se prender a elementos que não figuram sequer como provas circunstanciais, incapazes de dar credibilidade e sustentação a qualquer ato administrativo de constituição de credito tributário ou de atribuição de responsabilidade de terceiros pelo credito lançado. 23 Sem uma definição clara, precisa, objetiva e materialmente comprovada, a imputabilidade de qualquer responsabilidade representa ofensa grave a garantia estabelecida no Art 5º, Inciso Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.989 23 II, ou até mesmo no Inciso XXXIX, todos da Constituição Federal. 24 O que caracteriza a responsabilidade solidária e uma extensão da subjetividade passiva. Entretanto, o evento que pode concorrer para a definição da solidariedade não integra o fato gerador, conforme antes explicado. A situação que pode ser vista como comunhão de interesses pode matizar o fato gerador, pode até mesmo colaborar para que ele aconteça, mas nunca constituílo, integrálo Logo, é preciso que fique estabelecido, desde o principio, e materialmente provado que, por alguma circunstância, as Pessoas Físicas mencionadas nos Lançamentos estavam vinculadas aos acontecimentos ou situações, que elas, inquestionavelmente, tinham interesses comuns na composição daquela situação em que se traduziu o fato gerador. 25 A descrição sumária feita pelo fiscal em comparação com o clamoroso estrago que provocou na vida das pessoas apontadas como responsáveis solidários e de uma desproporcionalidade irresponsável. O fato de alguém possuir uma procuração para gerir os negócios de uma empresa não significa que esse alguém possa tomar todas as decisões. 26. Decisões negociais ou mercantis são tomadas a todo instante e a toda hora pelos gerentes e diretores de qualquer empresa, sejam eles empregados ou não. Mas isso não quer dizer que eles definam os seus negócios, decidam os rumos a tomar, determinem o fluxo de numerário, destinação de recursos de qualquer espécie, pagamentos e recebimentos. Tudo isso tem de ser provado, com documentos, onde se possa destacar o que cada um praticou, os atos de que participou e se esses atos concorreram para lesar o fisco ou ate mesmo a própria empresa. Se assim não for, não poderá jamais prosperar uma imputação totalmente subjetiva do porte dessa que ora nos deparamos, completamente alienada do Direito e totalmente desprovida de provas. 27. Ora, apenar uma pessoa ou indiciála sem provas é uma ofensa a uma Garantia Constitucional, o que nos conduz a refletir cuidadosamente sobre o presente caso, pois se vê que o Direito Tributário, em especial o CTN, não foi devidamente observado, percebendose que as pessoas físicas foram compulsiva e apressadamente acusadas pela prática de atos dos quais, efetivamente, não participaram e, possivelmente, nem tinham conhecimento. E se tinham, fatalmente não dispunham de meios ou instrumentos legais para intervir ou modificar a direção ou rumo dos acontecimentos. 28. Portanto, o que conduz ao estabelecimento da responsabilidade solidária não é a ocorrência do fato gerador com estas ou aquelas características, mas a situação em que ele foi produzido e se na sua produção, na situação em que foi gerado, surgiram interesses obscuros e comuns entre os interessados em que o fato fosse assim produzido, capazes de lhe Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.990 24 dar uma conotação diferente do que normalmente teria. O que não ficou em nenhum momento constatado no presente caso. 29. Assim, não se pode aceitar uma responsabilização solidária, nem tampouco subsidiária a esta sufragada responsabilidade, sem a comprovação de conduta consciente, pessoal, ilícita e desautorizada do administrador de bem alheio, aliás, no tocante a este aspecto, a jurisprudência do superior Tribunal de Justiça se demonstra apaziguada no seguinte entendimento: (...) "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de deposito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. " 33 Pelo teor do dispositivo temos demonstrada a real intenção do Fiscal. Ele utilizouse de um dispositivo estabelecedor de uma presunção. E ao que sabemos as presunções legais de omissão de receita fazem com que se inverta o ônus da prova, passando ao contribuinte a tarefa de provar que o fato gerador do tributo, nas condições em que o legislador apontou, não aconteceu. 34 Entretanto, o mesmo legislador não atribuiu outra carga probante ao contribuinte. A lei não estabeleceu que uma presunção legal de omissão de receita traga internamente e seja produto de uma pesada carga de dolo, fraude ou simulação. Uma intencionalidade de fraudar, de enganar ou mesmo de falsear a verdade. Se tem, quem é o responsável'? A lei que criou a presunção'? Para que haja responsabilidade solidária deve necessariamente ter havido a ocorrência de dolo especifico, a intenção do agente em produzir o resultado. 35. Ora, se não ficou estabelecido e inequivocamente provado que houve participação intencional das pessoas físicas indiciadas no processo no sentido de ocultar fato gerado ou de reduzir ilegalmente carga tributaria supostamente devida, torna se ilegal, arbitrária e fere de morte os Mandamentos Constitucionais do art 5º, incisos II e XXXIX, da Carta Magna, o arrolamento de pessoas inocentes como devedoras de um tributo obtido a partir de um cálculo realizado sobre um fato gerador criado por presunção legal. 36. Nesse sentido, perguntase, onde estaria a participação das pessoas físicas nesse falo gerador criado por lei? Qual foi a infração que elas cometeram em relação ao fato gerador criado por presunção legal? As respostas seriam apenas estas — não há participação, nem infração e nem poderia haver, devendose isso à impossibilidade real, física e jurídica em função das características e natureza do fato gerador. Ou seja, O fato gerador ao qual se referem a lei e o Auditor não comporta a participação de terceiros. Ele decorre de uma circunstância descrita na norma legal e por si só satisfaz a sua conformação. Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.991 25 Inclusive nem poderia criar uma tipicidade específica uma vez que o fato decorre da lei e não da participação humana. 37. Tornase muito cômodo, na ânsia arrecadatória e desmedida, tentar fazer terceiros responsáveis por algo que não lhes diz respeito. O próprio art. 42 acima diz que a pessoa a ser intimada é o titular da conta e ao que nos consta as pessoas físicas, ora impugnantes, não são titulares da conta que pertenceria a empresa fiscalizada. Além do mais, não conseguimos observar no dispositivo nenhuma referência a punição, aplicação de penalidade ou algo parecido ao próprio titular da conta, seja pessoa física ou jurídica, quando este não conseguir provar a origem dos recursos utilizados nas operações. A única medida regularmente descrita na lei nos diz que, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira serão considerados omissão de receita ou de rendimentos quando o titular comprovar a origem dos recursos. Somente isso e nada mais. 38. Assim, Senhor julgador, analisandose friamente todos os fatos e as disposições legais aplicáveis ao caso concreto, temse, sem nenhuma dúvida, que laborou de forma totalmente equivocada e arbitrária o Fiscal ao agir contra dispositivo do CTN e agiu discricionariamente ao colocar no pólo passivo da relação jurídica as pessoas físicas não indiciadas pela própria lei. Errou mais ainda ao interpretar de forma distorcida um dispositivo legal que cuida unicamente de presunção legal e não estabelece qualquer punibilidade ao titular da conta e muito menos a dirigentes e a terceiros, não podendo prosperar nenhuma referência de caráter qualificativo ou de exigibilidade por tributos e contribuições que não lhes dizem respeito e cujos fatos geradores são produtos da própria Legislação Tributaria Federal. 39 Por fim, protesta contra quebra ilegal de seu sigilo fiscal atestada no Termo de Verificação Fiscal, matéria sobre o qual a mesma tomara as medidas legais cabíveis. 40 Por todo o exposto e pelas razões de fato e de direito que embasam a presente impugnação, solicito que todos os autos de infração e todas as exigências neles expressas, tributos e contribuições, sejam considerados insubsistentes e declarados extintos todos os processos registrados em nome do requerente, refugando as irregularidades apontadas, e afastando a pretensa responsabilidade solidária imputadas ao requerente e demais gravames legais, tudo em conformidade com o direito e os critérios de justiça fiscal. " (...) Em 23/03/2011, a 2ª Turma da DRJ/Belém, conforme voto condutor do acórdão recorrido, não conheceu da impugnação do sujeito passivo MADEIREIRA PARICÁ LTDA por intempestividade; também não conheceu, por intempestividade, a impugnação de Ross Mary Moreira Costa (responsável solidária); conheceu as impugnações tempestivas dos Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.992 26 devedores solidários (Madeireira Barroso, Ross Cléia Moreira Costa e Décio José Barroso Nunes), conforme voto condutor do a acórdão recorrido que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) 4. Como a ciência à fiscalizada deuse através de Edital (fl. 762), em 27/12/2010, depois de frustradas as tentativas de ciência via postal e pessoal (Relatório de Diligência de fls. 545/549 e AR de fl. 763) e a ciência do sujeito passivo responsável solidário Ross Mary Moreira Costa, CPF 377.244.36215 deuse em 10/12/2010, conforme AR de fl. 777, inferese que são intempestivas as impugnações apresentadas em 27/01/2011 por estes sujeitos passivos, conforme o prescrito no art. 23 do Decreto 70235/72. 5. Já as impugnações apresentadas em 27/01/2011 pelos sujeitos passivos responsáveis solidários Madeireira Barroso, CNPJ 14.133.516/000119; Ross Cléia Moreira Costa, CPF 289.374.65272 e Décio José Barroso Nunes; CPF 219.817.52668, são tempestivas, tendose em vista que as ciências à autuação deramse em 29/12/2010, conforme Editais de fls. 769, 770 e 671. Observamos que em seu teor impugnase exclusivamente a responsabilidade solidária pela obrigação tributária, não havendo naquelas recurso expresso à autuação, ressalvandose a impugnação indireta ao agravamento da multa resultante de tributação sobre depósitos bancários de origem não comprovada. (...) A ementa do acórdão recorrido, que manteve o lançamento fiscal e a sujeição passiva solidária dos imputados, tem a seguinte ementa e parte dispositiva, in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EMENTA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2992DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.993 27 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por UNANIMIDADE de votos, em julgar a impugnação improcedente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, mantendo o crédito tributário. Facultase aos contribuintes solidários que apresentaram impugnações tempestivas o direito de interpor RECURSO VOLUNTÁRIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência, conforme disposto no art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pela Lei n.° 8.748, de 1993. (...) Foi dada ciência desse decisum: a) ao sujeito passivo MADEIREIRA PARICÁ LTDA em 17/05/2011 (terça feira), por via postal, Aviso de Recebimento AR (efl. 946); b) aos devedores solidários Ross Cléia Moreira Costa, por Edital em 21/11/2018 (efls. 2956/2961); Madeireira Barroso Ltda, em 27/09/2018, por AR (efls. 2954); Ross Mary Moreira Costa, por Edital em 21/11/2018 (efls. 2956/2961); Décio José Barroso Nunes, em 28/09/2018, por AR (efls. 2955);. Os responsáveis solidários não apresentaram Recurso Voluntário. O sujeito passivo MADEIREIRA PARICÁ LTDA apresentou Recurso Voluntário em 17/06/2011 (sextafeira), (efls. 2871/2860), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Mandado de Procedimento Fiscal MPF: que os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil AFRFB e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal MPF; que não houve autorização por parte de seus superiores para a auditoria de outras empresas, já que as pessoas físicas e jurídicas objeto de investigação não receberam qualquer MPFD que pudessem respaldar o procedimento. As provas coletadas, ainda que. fossem verdadeiras, o que se admite apenas para argumentar, padecem do vício da ilegalidade: foram obtidas por meio ilícitos, não possuindo validade no mundo do Direito. Por conseguinte, deve decretada a nulidade do lançamento fiscal. Produção de provas de forma ilegal sem autorização do MPF. Preterição do direito de defesa. Multa qualificada: fraude, sonegação, dolo. Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.994 28 que foi aplicada a multa qualificada de 150% com base nas observações constantes do Termo de Verificação Fiscal, que, como se verificará, não obedecem aos requisitos exigidos pela legislação e pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes para a sua aplicação, pois não descreve minuciosamente os atos dolosos que comprovariam o evidente intuito de fraude; que na fase de investigação procedimento de fiscalização em nenhum momento houve oportunidade para qualquer dos responsabilizados solidariamente se manifestar a respeito das elucubrações fantasiosas do audito. Houve a aplicação da multa de 150%, sem que o contribuinte soubesse que estava, no entender do fisco, fraudando o Erário; que para a aplicação da multa qualificada, deve ser comprovado o evidente intuito de fraude. Não basta a constatação da falta de recolhimento de valores, apurada através de procedimento de ofício, que não haviam sido declarados ou confessados pela contribuinte; que somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; que a suposição do fiscal.de que havia intenção de não se pagar imposto por parte da empresa deve ser demonstrada, comprovada. As simples conjecturas são insuficientes para demonstrar o evidente intuito de fraude. Com efeito, devese ter sempre em mente o princípio de direito no sentido de que "fraude não se presume"; que a contribuinte foi autuada sob a acusação de omissão de rendimentos. O auto de infração noticia a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada de 150%, sob o frágil argumento de que a contribuinte fora intimada várias vezes para justificar os créditos bancários constantes em conta bancária de sua titularidade e não apresentou os comprovantes da origem.dos recursos utilizados para os depósitos efetuados,, agravado pela falta de apresentação da Declaração de Rendimentos; que, conforme o Auto de Infração, as parcelas tributadas constituem omissão de rendimentos tendo por base valores lançados com base em extratos bancários na vigência da Lei n° 9.430/96 (art. 42), sem a justificação da devida origem; que "fraude não se"presume". Há de ter no processo provas sobre o evidente intuito de fraude; que o processo não oferece provas sobre evidente intuito de fraude. O que ficou evidenciado foi o fato da omissão de rendimentos. Essa omissão foi provada através dos créditos bancários sem origem justificada; que a tributação, no presente caso, resulta de presunção legal de rendimentos auferidos pela autuada. Sendo que estes valores não foram declarados pela suplicante, ou seja, deixou de submeter à tributação tais rendimentos; quea manutenção de.contas bancarias à margem da declaração de rendimentos, sem a devida comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de rendimentos, porém, por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada; Fl. 2994DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.995 29 que, com o devido respeito e acatamento, aos que pensam em contrário, examinandose a aplicação da penalidade de 150% vislumbrase um lamentável equivoco da autuação fiscal. Acumularamse duas premissas: a primeira que foi da presunção de omissão de rendimentos; a segunda, que foi a falta de declaração destes supostos rendimentos e que estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar o imposto de renda. Assim agindo aplicou, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, prevalecendo a imposição, a toda evidência não há, nos autos, provas de que tenha tal infração o evidente intuito de fraudar. A prova neste aspecto deve ser material, evidente como diz a lei; que a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar. É evidente que o caso, em questão, é semelhante, já que a presunção legal que a recorrente recebeu um rendimento e deixou de declarálo. Sendo irrelevante, o caso de que somente o fez em virtude da presença da fiscalização. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos; que, tendo em vista o disposto na legislação e nos precedentes jurisprudenciais do CARF, deve ser aplicada a multa de ofício normal de 75%, estabelecida no art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430, de 1996. Decadência do direito de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício: que, pela aplicação do art. 150,§ 4º, do CTN, parte do crédito tributário do Simples do anocalendário 2005 quando do lançamento já estaria decaído: que o auto de infração .foi lavrado em 29/11/2010. Como não ficou demonstrado o evidente intuito de fraude, o prazo para lançamento era de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador; que, ante ao exposto, é indubitável: os tributos referentes aos fatos geradores do período de 01/01/2005 a 30/10/2005 já decaíram. Nada há nada a lançar desse período. Sigilo bancário: que houve quebra ilegal do sigilo bancário; que, de acordo com o art. 11, §3°, da Lei n° 9.311, de 26 de outubro de 1996 (redação original), vedavase a utilização de informações referentes à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF, em poder da Receita Federal, para a fiscalização de outros tributos e contribuições administradas pela Receita.Federal; que somente após a edição da Lei n° 10.174/2001 a legislação infraconstitucional voltaria a possibilitar a seleção de contribuintes com base em cruzamento de dados da CPMF. Mas, como veremos adiante, esta norma está sendo rechaçada pelo judiciário pátrio; que não cabe à autoridade administrativa quebrar o sigilo bancário; que incabível a utilização de dados da CPM para lançamento de ofício do IRPJ; Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.996 30 Responsabilidade solidária dos sócios e terceiros: que refutou, por fim, a responsabilidade solidária dos sócios e de terceiros. Por fim, o sujeito passivo pediu sejam acolhidas as preliminares suscitadas e, caso não acolhidas, no mérito seja julgado improcedente o lançamento fiscal. Ainda protestou pela produção de todos os meios de provas admitidas em direito, especialmente perícias, diligências e apresentação de novos documentos. É o relatório. Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.997 31 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário do sujeito passivo MADEIREIRA PARICÁ LTDA é intempestivo. Os responsáveis solidários não apresentaram recurso. A recorrente não suscitou preliminar de tempestividade nas razões de seu recurso. Ainda que apresentado intempestivamente, o recurso subiu ao CARF para julgamento da perempção, por força do Decreto nº 70.235/72 (art. 35), in verbis: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Quanto ao prazo recursal, o já citado Decreto n° 70.23/72, diploma legal que regula o Processo Administrativo Tributário Federal, no seu art. 33 dispõe que da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância, quando contrária ao contribuinte, caberá Recurso Voluntário, dentro do prazo de trinta dias contado a partir da sua ciência, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. A propósito, transcrevo o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art.33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso em tela, como já mencionado, restou caracterizada a inobservância do prazo legal para interposição do recurso. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 17/05/2011 (terçafeira), por via postal, conforme Aviso de Recebimento AR (efl. 946), tendo todavia protocolizado o encaminhamento de suas razões do Recurso Voluntário a este Colegiado somente no dia 17/06/2011, sextafeira (efls. 2871/2860), tudo conforme registro ou carimbo de protocolo aposto na peça recursal (efl. 2871). A contagem do prazo aponta o dia 16/06/2011 (quintafeira) como data fatal para apresentação da peça recursal, o que, no caso, não foi observado, pois foi protolada a peça de defesa somente em 17/06/2008 (sextafeira), ou seja, com 01 (um) dia de atraso. Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 10218.000536/201013 Acórdão n.º 1301003.666 S1C3T1 Fl. 2.998 32 Portanto, tratase de recurso serôdio (apresentado a destempo). A não observância do prazo legal para interposição do recurso voluntário impede o seu conhecimento, na medida em que a tempestividade constitui um dos pressupostos objetivos de admissibilidade. Por tudo que foi exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. É como voto. ( assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 2998DF CARF MF
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