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Numero do processo: 13609.720221/2015-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ALEGAÇÃO DE ATIVIDADES DE DESCONTO DE CHEQUES E DE PAGAMENTOS DE VALORES QUE SERIAM POSTERIORMENTE REEMBOLSADOS POR OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS (SIDERÚRGICAS).
Tratando-se de prova documental, incumbe ao interessado demonstrar que os valores depositados em suas contas bancárias decorrem de valores por ele já oferecidos à tributação ou a valores não tributáveis. A alegação de realização de atividades próprias de instituições financeiras, de maneira informal, sem remuneração específica, mas apenas para ampliar atividade formal de venda de combustíveis, não exime o contribuinte de demonstrar a origem de cada depósito questionado e dos recursos utilizados nas operações alegadas de desconto de cheque e de pagamentos de valores devidos por outras pessoas jurídicas e que lhe seriam posteriormente reembolsados, sobretudo se movimentou valor bastante superior ao faturamento informado em sua declaração prestada ao Fisco Federal. A presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos de origem não comprovada não é afastada pela alegação de existência de recursos do Caixa da própria Pessoa Jurídica se não ocorrer a demonstração da origem destes recursos. Recursos creditados em períodos anteriores não se prestam a comprovar origem de recursos de períodos subsequentes.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Caracterizada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, da Contribuição ao PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1402-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Ausência momentânea: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE ATIVIDADES DE DESCONTO DE CHEQUES E DE PAGAMENTOS DE VALORES QUE SERIAM POSTERIORMENTE REEMBOLSADOS POR OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS (SIDERÚRGICAS). Tratandose de prova documental, incumbe ao interessado demonstrar que os valores depositados em suas contas bancárias decorrem de valores por ele já oferecidos à tributação ou a valores não tributáveis. A alegação de realização de atividades próprias de instituições financeiras, de maneira informal, sem remuneração específica, mas apenas para ampliar atividade formal de venda de combustíveis, não exime o contribuinte de demonstrar a origem de cada depósito questionado e dos recursos utilizados nas operações alegadas de desconto de cheque e de pagamentos de valores devidos por outras pessoas jurídicas e que lhe seriam posteriormente reembolsados, sobretudo se movimentou valor bastante superior ao faturamento informado em sua declaração prestada ao Fisco Federal. A presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos de origem não comprovada não é afastada pela alegação de existência de recursos do Caixa da própria Pessoa Jurídica se não ocorrer a demonstração da origem destes recursos. Recursos creditados em períodos anteriores não se prestam a comprovar origem de recursos de períodos subsequentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 02 21 /2 01 5- 95 Fl. 3898DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.899 2 Caracterizada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, da Contribuição ao PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Ausência momentânea: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.900 3 Relatório Tratase o presente de Recurso Voluntário interposto pela empresa autuada, face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que julgou improcedente as exigências perpetradas nos Autos de Infração. A fundamentação da infração tributária está descritas nos Autos de Infração (fls.520/569), motivadas no Relatório de Auditoria Fiscal (fls.44/158). A acusação trata de omissão de receita constatada por meio de depósitos bancários, verificados em extratos obtidos junto a Recorrente. Constatouse existência de lançamentos diários, de grande monta, entre Conta Caixa e Conta Bancos, sem relação com a atividade operacional da empresa. Para detalhar as ocorrências dos autos, peço licença para utilizar a parte do relatório do segundo v. acórdão recorrido que nos interessa. Trata o presente processo dos Autos de Infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), abrangendo o anocalendário de 2010, lavrados no âmbito da DRF Sete Lagoas – MG, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 86.490.626,48, aí incluídos principal, multa de 75% e juros de mora (estes últimos calculados até março/2015), [...] As exigências decorrem da imputação fiscal de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, constatada em razão dos fatos contextualizados no Relatório de fls. 44/61, do qual se extrai: 1. Tratase de procedimento fiscal relativo ao IRPJ (e eventuais tributos reflexos) referente ao sujeito passivo em epígrafe, para o anocalendário 2010, instaurado com base no Mandado de Procedimento Fiscal supracitado. 2. O procedimento foi iniciado em 07/05/2014, com a lavratura de “Termo de Início do Procedimento Fiscal”, do qual o sujeito passivo teve ciência em 09/05/2014, por meio postal, conforme Aviso de Recebimento AR dos Correios. 3. Neste “Termo de Início” foram solicitados ao contribuinte cópias dos documentos constitutivos da empresa e dos documentos de identificação de seu representante legal. Além disso, foi requerido que fossem deixados à disposição do Fisco, na sede da empresa, o LALUR relativo a 2010 (já que é optante pelo Lucro Real, no período fiscalizado) e a documentação comprobatória dos lançamentos efetuados em sua escrita contábil. Fl. 3900DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.901 4 4. Ainda no “Termo de Início”, foi informado expressamente ao contribuinte que sua escrituração contábil seria obtida no Sistema Público de Escrituração Digital – SPED. A mesma foi obtida em 06/05/2014, possuindo a identificação do arquivo (HASH) conforme o código: “9D04FE0A8014DC0A4FF22252DFEB31C733D6460B”. PROCEDIMENTO FISCAL 5. Em resposta ao solicitado no “Termo de Início”, o sujeito passivo apresentou as cópias requeridas em 30/05/2014. 6. Analisandose a escrita contábil do contribuinte (item 4), verificouse a existência de três contascorrentes de titularidade da empresa escrituradas, nos seguintes bancos: Banco do Brasil, Bradesco e SICOOB Credisete. 7. Chamou atenção a expressiva movimentação bancária ocorrida nas contascorrentes no Banco do Brasil e Bradesco, da ordem de mais de R$ 66.000.000,00, sendo que a receita operacional da empresa (informada em sua escrita e na DIPJ apresentada à RFB) gira em torno de R$ 7.500.000,00. A movimentação na conta do SICOOB era irrelevante. 8. Constatouse a existência de lançamentos diários, de grande monta, entre a Conta Caixa e as Contas dos referidos bancos, sem relação, em princípio, com as atividades operacionais da empresa. Por exemplo, no dia 04/01/2010: 9. Ou, como mais um exemplo, no dia 29/03/2010: 10. Ou, ainda, como em 06/09/2010: Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.902 5 11. Constatados esses fatos, o contribuinte foi intimado, pelo Termo de Intimação Fiscal n. 01, de 21/07/2014, a apresentar os extratos bancários de TODAS as contascorrentes da Pessoa Jurídica nos bancos supracitados. 12. O contribuinte tomou ciência da Intimação em 23/07/2014, por via postal, e a atendeu em 12/08/2014, apresentando os extratos em formato PDF. 13. Os extratos foram transportados para planilhas eletrônicas e trabalhados com o auxílio do sistema Contágil, da RFB. Neste ponto, cabe observar que, com a ajuda das ferramentas estatísticas do Contágil, foi definido um valor de corte para os depósitos, que eliminou 25% (1º quartil) do quantitativo de depósitos efetuados, que equivalem a menos de 2% do valor total. Este valor foi definido em R$ 6.000,00. Seguindo este critério, os depósitos/créditos bancários que não puderam ter sua origem identificada, por meio dos extratos e/ou da contabilidade, foram listados individualmente, alcançando a marca de 1.122 depósitos, no valor total de R$ 65.242.574,12. 14. A Pessoa Jurídica, então, foi intimada, pelo Termo de Intimação Fiscal n. 02, de 22/09/2014, a comprovar a origem dos recursos referentes aos depósitos, com base no art. 42 da Lei n. 9430/96, nos seguintes termos: 1. Considerando a expressiva diferença constatada entre a Receita Operacional escriturada pela Pessoa Jurídica e sua movimentação financeira, COMPROVAR, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos aos créditos/depósitos relacionados na listagem anexa à esta Intimação , realizados nas contas bancárias da Pessoa Jurídica no Banco Bradesco S.A. (Agência 3440, CC 00105430) e no Banco do Brasil S.A. (Agência 395, CC 576484). Observase que a não comprovação da origem dos recursos em questão implicará no enquadramento da Pessoa Jurídica no art. 42 da Lei n. 9.430/96, qual seja: Após ciência e deferimento de pedido de prorrogação de prazo, o atendimento da Intimação ocorreu em 20/11/2014. Fl. 3902DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.903 6 16. Em sua argumentação, o contribuinte dividiu os depósitos supracitados em dez planilhas diferentes, apresentando uma suposta origem para cada conjunto de depósitos listados nestas dez planilhas. Segue a argumentação esposada pelo sujeito passivo, in verbis: Informa, inicialmente, que visando incrementar o seu movimento comercial, operou com diversas empresas do Ramo Siderúrgico, praticando operações que passa a detalhar: 1 – Pagamento de “Vale” Fornecedor de Carvão com a empresa Cosimat Siderúrgica de Matozinhos Ltda., foi firmado contrato, documento anexo, para pagamento de VALE FORNECEDOR CARVÃO, conforme definido na cláusula contratual (primeira). A COSIMAT, conforme cláusula contratual (segunda) e mediante acerto, reembolsava os valores pagos dos VALES pelo Posto Jardim, e estes eram depositados na conta do Contratado (Posto Jardim) pelo Contratante (COSIMAT). Vide anexo 1. (…) 2 – Cheques de Siderúrgicas pagos na “Boca do Caixa” Com o mesmo intuito e objetivo, antes indicado, o Posto Jardim pagava cheques de siderúrgicas na “boca do caixa” a diversos motoristas/fornecedores de carvão destas siderúrgicas, contra o abastecimento dos seus veículos, ou seja, o Posto Jardim trocava o cheque, de emissão das siderúrgicas, o motorista/fornecedor abastecia o veículo, o Posto Jardim emitia o cupom fiscal deste abastecimento, e voltava o troco ao portador do cheque, cheques estes posteriormente depositados, comprovando, consequentemente, a origem dos depósitos na referida conta. Acresçase, neste item, que o Contribuinte intimado, mantém controle relativamente a estas operações, controle este indicando: emissor do cheque, dados do cheque, placa veículo, etc. Vide anexo 2 (…) 3 – Cheques da “SIMAR” pagos na “boca do caixa” Relativamente a estas operações com a SIMAR SIDERÚRGICA MARAVILHAS LTDA., cumprindo cláusula do contrato em anexo, foram efetuados pagamentos na “Boca do Caixa” de cheques emitidos pelo contratante (SIMAR) a fornecedores/motoristas de carvão vegetal, contra o abastecimento dos seus veículos, ou seja, o Posto Jardim trocava o cheque, de emissão da SIMAR, o motorista/fornecedor abastecia o veículo, o Posto Jardim emitia o cupom fiscal deste abastecimento, e voltava o troco ao portador do cheque, cheques estes posteriormente depositados, comprovando, consequentemente, a origem dos depósitos na referida conta. Vide anexo 3. (…) Fl. 3903DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.904 7 4 – Transferência entre contas do mesmo titular Relativamente a estas operações, tratase de transferências bancárias entre contas do mesmo titular (CNPJ). Vide anexo 4. (…) 5 – Créditos oriundos das carteiras de cobrança bancária/depósito de clientes. Relativamente a estas operações, referemse a créditos oriundos de Cobrança Bancária, conforme borderô em anexo, e Depósitos efetuados por Clientes relativamente a vendas realizadas de combustíveis e lubrificantes, com a emissão dos respectivos documentos fiscais (segue em anexo, alguns documentos fiscais), sendo que o mesmo está demonstrado no Livro Razão e Diário. Vide anexo 5. (…) 6 – Créditos oriundos de resgate de aplicações financeiras Relativamente a estas operações, referemse a créditos oriundos de resgate de aplicações financeiras, conforme extratos bancários. Vide anexo 6 (…) 7 – Trocas de Cheques – GPR Relativamente a estas operações, referem a troca de cheques entre a GPR Apoio Administrativo Ltda. e Posto Jardim, considerando sempre para efeito de operação, que o estabelecimento bancário detinha numerário em espécie, ou seja, quando o estabelecimento bancário do Posto Jardim não possuía numerário em espécie suficiente para o saque, este utilizava do estabelecimento bancário da GPR, para o saque do numerário em espécie, e viceversa. Estas operações eram creditadas e debitadas no mesmo dia. A GPR tem na administração o mesmo administrador do Posto Jardim. Vide anexo 7 (…) 8 – Estorno cheque compensado indevidamente Relativamente a estas operações, referemse a estorno lançamento indevido, pois o banco compensou cheques, indevidamente, e fez o crédito no mesmo dia. Vide anexo 8. (...) 9 – Depósitos de cheques – saldo Conta Caixa Relativamente a estas operações, referemse a cheques recebidos de clientes, que compunham o saldo da Conta Caixa, e posteriormente eram depositados em conta bancária do Posto. Vide anexo 9. (…) Fl. 3904DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.905 8 10 – Créditos de saldo de cheque Relativamente a estas operações, referemse a créditos (Depósitos) efetuados pelo próprio banco. Isto acontecia quando o Posto Jardim emitia cheque para suprimento de caixa e dirigia a agência bancária para o saque, em diversas oportunidades, a agência bancária não tinha a totalidade do numerário em espécie para o saque do determinado cheque. Diante disto, o Banco compensava o cheque emitido pelo Posto Jardim, repassava o numerário disponível na sua tesouraria e depositava a diferença na contacorrente do Posto Jardim.Vide anexo 10 (...) 17. Aduziu, ainda, o sujeito passivo, que solicitou junto aos bancos em tela cópias dos cheques citados em sua argumentação e que os depósitos/créditos bancários questionados estariam “comprovados com documentação hábil, compatíveis com a movimentação financeira e operacional da empresa, bem como demonstrado no Livro Diário n. 09 e Livro Razão n. 09, em anexo”. 18. Como documentação que sustentaria sua argumentação, o sujeito passivo apresentou os seguintes documentos: a) Solicitação das cópias dos cheques enviadas aos bancos retro mencionados; b) Cópia da Nota Fiscal n. 000628, de 30/09/2010, e de um Relatório informatizado emitido pela empresa que relaciona alguns cupons fiscais emitidos; c) “Extrato de Movimentação de Carteira de Cobrança” emitido pelo banco Bradesco; d) Dois “Termos de Acordo e Parceria” assinados com as empresas Cosimat Siderúrgica de Matozinhos Ltda. e Simar Siderúrgica Maravilhas Ltda., versando sobre as operações de troca de cheques no abastecimento de combustíveis citadas no item 16; e) Livros Diário e Razão, em papel, referentes ao ano de 2010. 19. No tocante à escrita contábil, como citado no item 04, já havia sido obtida no SPED, com a identificação do arquivo (HASH) conforme o código “9D04FE0A8014DC0A4FF22252DFEB31C733D6460B”. Essa contabilidade foi apresentada eletronicamente à Junta Comercial do Estado de Minas Gerais JUCEMG em 02/06/2011, estando registrada e autenticada, sob o “Termo de Autenticação” n. 99205233. 20. Por isso, não havia sido solicitada ao contribuinte, que apresentou os Livros citados no item 18 por vontade própria. Observese que o Livro Diário está registrado no “Cartório de Registro de Títulos e Documentos e Registro das Pessoas Fl. 3905DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.906 9 Jurídicas” de Sete Lagoas/MG, e não na JUCEMG, como seria esperado. 21. Ao se analisar o arrazoado elaborado pelo contribuinte, a documentação que o corroboraria e o Livro Razão juntado, constatouse a existência de outras quatro contascorrentes de titularidade da empresa, que não constam da escrita registrada na JUCEMG (item 19), com expressiva movimentação financeira, nos bancos Itaú, SICOOB Credisete, Bradesco e Mercantil do Brasil. 22. Assim, o contribuinte foi intimado, pelo Termo de Intimação Fiscal n. 03, de 13/01/2015, a apresentar os extratos bancários das contascorrentes da Pessoa Jurídica nos bancos supracitados, nos seguintes termos: 1. Apresentar os extratos bancários (em meio digital) de todas as contas correntes, poupanças e investimentos, mantidos em nome da Pessoa Jurídica nas instituições BANCO ITAÚ UNIBANCO S/A, BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A e COOPERATIVA DE CRÉDITO DE SETE LAGOAS LTDA., para o período fiscalizado (anocalendário 2010). 2. Apresentar, ainda, os extratos bancários (em meio digital) da conta corrente n. 15.857, do BANCO BRADESCO S/A, para o período fiscalizado (anocalendário 2010). Sobre essa conta corrente, observese que, no Termo de Intimação Fiscal n. 01, de 21/07/2014, foram solicitados os extratos de TODAS as contas correntes da Pessoa Jurídica no citado Banco, e as informações relativas a essa conta não foram apresentadas. Observese, ainda, que as informações relativas às contas correntes citadas nos itens 01 e 02 (como lançamentos contábeis, valores de depósitos, cheques emitidos, etc.) NÃO constam na escrituração contábil registrada e autenticada no Sistema Público de Escrituração Digital – SPED pela Pessoa Jurídica, em 02/06/2011, sob o número de identificação do arquivo (HASH) “9D.04.FE.0A.80.14.DC.0A.4F.F2.22.52.DF.EB.31.C7.33.D6.46 .0B”, conforme o Termo de Autenticação n. 99205233, emitido eletronicamente pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais. A propósito, como informado para o sujeito passivo no Termo de Início do presente procedimento fiscal, a sua escrituração contábil, relativa ao período fiscalizado, seria obtida no SPED. Desse modo, para todos os efeitos, as informações contábeis que embasam o presente procedimento são as constantes do SPED, a despeito de o contribuinte ter entregue (sem terem sido solicitados) os Livros Diário (este registrado no “Registro de Títulos e Documentos e Registro Civil das Pessoas Jurídicas” de Sete Lagoas/MG) e Razão, em papel, no dia 20/11/2014. Notese que nestes Livros constam os registros contábeis referentes às contascorrentes listadas nos itens 01 e 02. Fl. 3906DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.907 10 23. O contribuinte tomou ciência da Intimação em 15/01/2015, por via postal, e a atendeu em 20/01/2015, apresentando os extratos em formato PDF. 24. Os extratos foram transportados para planilhas eletrônicas e trabalhados com o auxílio do sistema Contágil, da RFB. Os depósitos/créditos bancários que não puderam ter sua origem identificada, por meio dos extratos e/ou da contabilidade, foram listados individualmente, alcançando a marca de 632 depósitos, no valor total de R$ 52.430.538,81. 25. A Pessoa Jurídica, então, foi intimada, pelo Termo de Intimação Fiscal n. 04, de 23/01/2015, a comprovar a origem dos recursos referentes aos depósitos , com base no art. 42 da Lei n. 9430/96, nos seguintes termos: Considerando que o contribuinte apresentou os extratos bancários (ano 2010) das contascorrentes das quais é titular, nas instituições BANCO ITAÚ UNIBANCO S/A, BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A, COOPERATIVA DE CRÉDITO DE SETE LAGOAS LTDA. e BRADESCO S/A (conta 15.857), em 20/01/2015, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n. 03, e considerando a expressiva movimentação financeira constatada nessas contas, COMPROVAR, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos aos créditos/depósitos relacionados na listagem anexa à esta Intimação, realizados em tais contas. Observese que a não comprovação da origem dos recursos em questão, mediante DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, implicará no enquadramento da Pessoa Jurídica no art. 42 da Lei n. 9.430/96, qual seja: ... Ressaltese que os extratos bancários em tela, juntamente com os extratos recebidos anteriormente (contas do sujeito passivo no Banco do Brasil S/A e Bradesco S/A, conta 10.5430) foram cotejados entre si, e os depósitos/créditos bancários relativos a estornos, resgates de aplicação financeira, transferências eletrônicas (TEDs) entre contascorrentes do contribuinte e recebimentos referentes a Cartão de Débito/Crédito, que puderam ser identificados e comprovados, foram considerados justificados, não sendo incluídos na listagem que segue anexa. Ressaltese, ainda, que as contascorrentes citadas no item 01 não constam na escrituração contábil registrada e autenticada no Sistema Público de Escrituração Digital – SPED pela Pessoa Jurídica, em 02/06/2011, sob o número de identificação do arquivo (HASH) “9D.04.FE.0A.80.14.DC.0A.4F.F2.22.52.DF.EB.31.C7.33.D6.46 .0B”, conforme o Termo de Autenticação n. 99205233, emitido eletronicamente pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais. Fl. 3907DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.908 11 26. O contribuinte teve ciência da Intimação em 27/01/2015, por via postal. O atendimento da Intimação ocorreu em 19/02/2015. 27. Da mesma forma como havia respondido ao Termo de Intimação Fiscal n. 02 (item 14), em sua argumentação o contribuinte dividiu os depósitos supracitados em seis planilhas diferentes, apresentando uma suposta origem para cada conjunto de depósitos listados nestas planilhas (e apresentou mais duas planilhas, a de número 7, que é uma compilação de todas as outras, e a de número 8, que é uma listagem de cheques do Banco Bradesco). Segue a argumentação esposada pelo sujeito passivo, in verbis: Informa, inicialmente, que visando incrementar o seu movimento comercial, operou com diversas empresas do Ramo Siderúrgico, praticando operações que passa a detalhar: 1 – Pagamento de “Vale” Fornecedor de Carvão de Siderúrgicas Com as empresas TECNOSIDER e COSIMAT foram firmados contratos, documentos anexos, para pagamento de VALE FORNECEDOR DE CARVÃO, conforme definido em cláusulas contratuais. As referidas empresas e mediante acerto, reembolsavam os valores pagos dos VALES pelo Posto Jardim, e estes eram reembolsados, através de depósitos na conta do Posto Jardim pelos Contratantes. Os pagamentos dos “VALES FORNECEDOR CARVÃO” foram pagos pelo Posto Jardim, através de numerário que se encontrava no Caixa e/ou emissão de cheques do Posto Jardim. Esta movimentação esta descriminada (sic) no Diário, registrado no Cartório de Títulos e Documentos, que já se encontra em poder de V. Sa. Vide anexo 1/Anexo 1.1 – Vale Carvão Tecnosider/1.2 – Vale Carvão Cosimat. (…) 2 Trocas de Cheques – GPR Relativamente a estas operações, referem a troca de cheques entre a GPR Apoio Administrativo e Posto Jardim, considerando sempre para efeito de operação, que o estabelecimento bancário detinha numerário em espécie, ou seja, quando o estabelecimento bancário do Posto Jardim não possuía numerário em espécie suficiente para o saque, este utilizava do estabelecimento bancário da GPR, para o saque do numerário em espécie, e viceversa. Estas operações eram reembolsadas no mesmo dia. A GPR tem na administração o mesmo administrador do Posto Jardim. Fl. 3908DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.909 12 Esta movimentação esta descriminado (sic) no Diário, registrado no Cartório de Títulos e Documentos, que já se encontra em poder de V. Sa. Vide anexo 2. (...) 3 – Transferência entre contas do mesmo titular Relativamente a estas operações, tratase de transferências bancárias entre contas do mesmo titular (CNPJ), através de emissão de TED´s do Posto Jardim de uma determinada conta corrente, para depósito no Posto Jardim de outra conta corrente. Vide anexo 3. (...) 4 – Depósitos de valores que se encontravam em conta caixa Relativamente a estas operações, tratase de depósitos em dinheiro ou cheque oriundos de mesmo Banco do titular (Bradesco para Bradesco) que encontrava no Caixa e consequentemente depositados junto ao Banco. Esta movimentação esta descriminada (sic) no Diário, registrado no Cartório de Títulos e Documentos, que já se encontra em poder de V. Sa. Resumindo: A Empresa depositava os numerários em espécie que se encontravam no Caixa e cheques (do próprio banco onde seria depositado) recebidos, que também se encontravam no Caixa. Vide anexo 4. (...) 5 – Cheques emitidos pelo Posto Jardim p/ Depósito em outra conta corrente do Posto Jardim Relativamente a estas operações, tratase de autorizações de transferências/depósitos/transferências via cheques oriundos do mesmo titular (Posto Jardim). Esta movimentação esta descriminada (sic) no Diário, registrado no Cartório de Títulos e Documentos, que já se encontra em poder de V. Sa. Vide anexo 5 (…) 6 – Cheques de Siderúrgicas pagos na “Boca do Caixa” Com o mesmo intuito e objetivo, antes indicado, o Posto Jardim pagava cheques de siderúrgicas na “boca do caixa” a diversos motoristas/fornecedores de carvão destas siderúrgicas, contra o abastecimento dos seus veículos, ou seja, o Posto Jardim trocava o cheque, de emissão das siderúrgicas, o motorista/fornecedor abastecia o veículo, o Posto Jardim emitia o cupom fiscal deste abastecimento, e voltava o troco ao portador do cheque, cheques estes posteriormente depositados, comprovando, consequentemente, a origem dos depósitos na referida conta. Fl. 3909DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.910 13 Acresçase, neste item, que o Contribuinte intimado, mantém controle relativamente a estas operações, controle este indicando: emissor do cheque, dados do cheque, placa veículo, etc. Vide anexo 6. Seguem em anexo, as Planilhas conforme Termo de Intimação em referência, dos valores da origem dos recursos relativos aos créditos/depósito, justificados e comprovados, para melhor visualização e entendimento de V. Sa. (vide anexo 7) 8 (sic) – Cheques de emissão de mesma titularidade entre contas 10543 0 para 158577 Banco Bradesco S.A. Neste anexo evidenciamos os cheques que foram emitidos da mesma titularidade tendo como objetivo transferência entre contas da mesma instituição bancária, debitando a C/C 105430 e creditando a C/C 15857 7, ambas do Banco Bradesco S.A. Tal prática se deu devido à liberação do saldo bloqueado em 1 dia pela Gerência da referida instituição financeira. Vide anexo 8. 28. Aduziu, ainda, em seu arrazoado, que “pode ser comprovado, junto as Siderúrgicas a qual mantivemos estas operações, a documentação da emissão de cheques e os respectivos documentos fiscais da compra do carvão vegetal, efetuados pelas mesmas”. Ademais, arguiu “a necessidade da demonstração de cópias de todos os cheques depositados nas referidas contas do Posto Jardim, sendo que requeremos os mesmos ao Banco Bradesco S.A., Banco Itaú Unibanco S.A. e Banco do Brasil S.A., sendo recusado pelo Banco do Brasil, alegando sigilo bancário, e ainda não obtivemos resposta do Itaú e do Bradesco”. 29. Como documentação comprobatória de suas alegações, desta feita o contribuinte junto apenas dois "Termos de Acordo e Parceria" firmados por ele com a Tecnosider Siderfurgia Ltda. e com a Cosimat Siderúrgica de Matozinhos Ltda. (este Termo, a propósito, já havia sido entregue quando do atendimento à Intimação n. 02), relativos aos denominados “vales de carvão vegetal”, citados no seu arrazoado. 30. Com todo o respeito à argumentação do contribuinte, e ressaltando sua colaboração com o procedimento fiscal em tela, já que não se furtou em nenhum momento a atender as intimações, não é crível que a extremamente expressiva movimentação financeira que realizou teve como objetivo tão somente “incrementar seu movimento comercial”, como alega. 31. Na realidade, o contribuinte atuou como verdadeira instituição financeira informal para as empresas (Siderúrgicas) com as quais transacionou, movimentando, em seis contas bancárias diferentes (quatro das quais não devidamente contabilizadas), mais de R$ 140.000.000,00 em um ano. Isso, para um faturamento total, contabilizado e informado para a RFB (por meio da DIPJ), da ordem de R$ 7.500.000,00. Isto é, sua movimentação financeira foi quase 20 vezes maior do que suas receitas operacionais. Fl. 3910DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.911 14 32. E é muito fácil perceber o alto custo envolvido em tais operações, dos quais apontamos alguns exemplos: • custos administrativos: horas de trabalho de funcionários para administrar essas transações, deslocamentos até os bancos, tarifas bancárias, etc. • custos financeiros: custo de manter os cheques em caixa, risco de inadimplência por parte das siderúrgicas, necessidade de pegar empréstimo com outra empresa (administrada pelo mesmo administrador da fiscalizada) para cobrir o caixa, etc.; • custos e riscos relativos à segurança, pois movimentava altos valores em espécie (que muitas vezes nem os próprios bancos possuíam na tesouraria, como o próprio contribuinte afirma), o que supõese que envolvia o trabalho de segurança privada contratada, que acarretava risco pessoal dos funcionários da fiscalizada, eventualmente implicava em gastos com seguros, etc. 33. Portanto, logo se nota que é bastante inverossímil a sustentação preconizada pelo sujeito passivo, de que todo o esforço e custo dispendidos para girar mais de R$ 140.000.000,00, para diversas empresas, visa apenas a chamada fidelização de clientes, ainda mais em um tipo de atividade em que a margem de lucro é notoriamente baixa. Nesse caso, em particular, segundo a DIPJ protocolizada pelo contribuinte, é menor do que três por cento do faturamento. 34. Portanto, o fato concreto é que se tem dezenas de milhões de reais transitando entre o fiscalizado e outras pessoas jurídicas, sem que se conheça a verdadeira origem e natureza das atividades que justifiquem essa caudalosa movimentação financeira. 35. Acrescentese, ainda, que a documentação trazida pelo fiscalizado, em atendimento às Intimações n.02 e n. 04, listadas nos itens 18 e 29, nem de longecomprova a sua exposição dos fatos. 36. Afinal, as transações entre o fiscalizado e as siderúrgicas, que são o cerne da movimentação financeira, são supostamente justificadas por: (i) três “Termos de Acordo e Parceria” bastante sucintos, e que envolvem apenas três das empresas mencionadas; (ii) pelo fato de os bancos não fornecerem as cópias dos cheques relativos às operações e (iii) pela novel contabilidade, apresentada ao arrepio daquela devidamente registrada na JUCEMG. 37. Aliás, esta novel contabilidade, além de introduzir contas bancárias que não aparecem na contabilidade registrada na Junta Comercial (como citado no item 21), apenas procura detalhar cada depósito/crédito bancário realizado, associando os às Siderúrgicas, mas sem esclarecer satisfatoriamente qual a verdadeira natureza da relação entre o fiscalizado e a empresa depositante. Fl. 3911DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.912 15 38. Ou seja, ainda que se levasse em consideração esses novos registros contábeis, a situação em comento permaneceria nebulosa. 39. O mesmo se aplica às cópias dos cheques. Ainda que os bancos as fornecessem (e de acordo com a narrativa do fiscalizado), seriam centenas (ou mesmo milhares) de cheques emitidos pelas siderúrgicas para dezenas de motoristas, que, devido à venda de combustível, foram em parte “trocados” por dinheiro em espécie, e depois depositados diretamente na conta do fiscalizado, ou novamente trocados nas siderúrgicas emitentes dos cheques (já que há dezenas de transferências bancárias entre as siderúrgicas e o Posto, supostamente vinculadas a este tipo de operação). Têmse, ainda, os inúmeros casos que envolvem os chamados “valescarvão” que, segundo o fiscalizado, não utilizaram cheques. 40. Em suma, para a s dezenas de milhões de reais que transitaram entre o Posto e as siderúrgicas, não há um só documento com valor fiscal que corrobore as transações. Ademais , tampouco os registros contábeis (seja na contabilidade registrada na JUCEMG, seja na apresentada posteriormente) sustentam o alegado pelo contribuinte. 41. Além disso, conforme visto, chamado a se manifestar, por duas vezes, no intervalo de quatro meses, o contribuinte trouxe ao procedimento um conjunto fraquíssimo de documentos, que nem tangencialmente esclarecem a sua portentosa movimentação financeira. Não apresentou cópias dos cupons fiscais da venda de combustíveis, ou dos chamados “valescarvão”, ou dos cheques supostamente trocados, ou mesmo um mero controle interno que vinculasse a venda do combustível a essa abundante e heterodoxa troca de cheques. 42. Ainda que se admita, apenas por hipótese, que suas alegações correspondam literalmente à verdade dos fatos, o mínimo que se esperaria era que possuísse um controle rigoroso e fidedigno destas supostas operações e, principalmente, que sua escrita contábil, devidamente registrada na JUCEMG, retratasse essas atividades anômalas. Não foi isso o que ocorreu, muito antes pelo contrário, em uma gestão, aparentemente, bastante temerária. 43. Repisamos o que já foi dito: o que se pode inferir, dos extratos bancários juntados aos autos e da escrita contábil do sujeito passivo, é que ele se converteu em verdadeira e informal instituição bancária para diversas empresas (supostamente a custo zero), totalmente à revelia de suas atividades operacionais e, aparentemente, sem o devido controle e a devida documentação atinentes a esta atividade estranha ao seu contrato social. 44. Portanto, por tudo o exposto, a situação fática aqui tratada subsumese integralmente ao disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/96, qual seja: Fl. 3912DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.913 16 Art. 42 ... 45. Não por outro motivo, em situação muito similar à aqui tratada, relativa aos mesmos modus operandi, ramo de atividade e circunscrição fiscal, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE) e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF não acolheram os argumentos esposados pelo contribuinte então fiscalizado. 46. Assim se expressou a DRJ/BHE, no Acórdão n. 0222392, prolatado em 26/05/2009: OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores não contabilizados, creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A opção do contribuinte por movimentar expressivas somas de numerário, em supostas operações de "descontos de cheques", por sua inteira responsabilidade, não o exime de comprovar a origem de cada um dos depósitos nos limites e na forma determinados pela legislação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. (grifou se) 47. Ao analisar recurso apresentado ao Acórdão supracitado, o CARF se manifestou sobre o tema, por meio do Acórdão n. 1201 000.883, exarado em 08/10/2013. 48. O Relator do Acórdão foi ao centro da questão, conforme excertos do voto colacionados abaixo: A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova, normalmente a cargo do Fisco, nas hipóteses em que o Contribuinte omite os valores depositados em conta de sua titularidade. Nesses casos, a lei determina que compete ao interessado fazer prova da origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou transferências. A não comprovação pelo interessado ou a apresentação de documentos frágeis ou insuficientes materializa, no campo jurídico, a presunção, e torna de rigor o lançamento do montante detectado. (destacou se) Fl. 3913DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.914 17 (...) O que me parece cabal, incontroverso e determinante para o deslinde das questões discutidas nos autos é o fato de que a Recorrente não apresentou, em todo o processo, um documento fiscal sequer de sua emissão, ou seja, em nenhum momento – e não faltaram oportunidades – produziu provas adequadas sobre as origens do numerário depositado ou, alternativamente, dos negócios jurídicos que as ensejaram. (em negrito no original) 49. Prossegue o Relator do Acórdão em foco: No que tange à atividade financeira que deu ensejo ao lançamento, ao aceitar os argumentos da Recorrente seríamos forçados a reconhecer que a empresa, embora vendedora de combustíveis (atividade de posto de gasolina) atuava como verdadeiro“Banco 24 Horas”, realizando o desconto de inúmeros cheques entregues por seus clientes, que tanto serviam como pagamento de mercadorias adquiridas como também possibilitavam a entrega de “troco” pela diferença, conforme textualmente afirma. Todavia, ao contrário das instituições financeiras tradicionais, o contribuinte realizava tais operações, segundo declara, sem qualquer fim lucrativo (...) Ainda que o Contribuinte quisesse realizar operações estranhas à sua atividade, de modo informal e no intuito de alavancar seus negócios, jamais poderia fazêlo sem o atendimento dos requisitos legais. Como bem observa a decisão de primeira instância: (...) Ou seja, um posto de combustíveis, como é o caso do impugnante, pode até pretender funcionar como uma espécie de instituição financeira sem fins lucrativos, mas não pode por isso deixar de observar as normas vigentes, em especial aquelas que tratam da movimentação bancária, que exigem do contribuinte, em relação aos depósitos realizados em suas contas correntes, um rígido controle, necessário para fazer face a eventuais questionamentos da autoridade fiscal. Nesse particular, cumpre salientar que a opção do contribuinte por movimentar expressivas somas de numerário (…) em supostas operações de "descontos de cheques", por sua conta e risco, não o exime de comprovar a origem de cada um dos depósitos nos limites e na forma determinados pelo art. 42 da Lei n. 9430/96. 50. Portanto, por tudo o até aqui exaustivamente exposto, corroborado pela jurisprudência administrativa colacionada acima, as alegações do sujeito passivo, no tocante aos créditos/depósitos bancários oriundos de empresas siderúrgicas, não merecem prosperar, devendo a situação ser enquadrada no artigo 42 da Lei n. 9.430/96. 51. Lado outro, outras alegações merecem guarida. Em relação à primeira listagem de depósitos a confirmar (item 14, que Fl. 3914DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.915 18 contemplava apenas as contas bancárias contabilizadas na escrita registrada na JUCEMG), o sujeito passivo apresentou as justificativas elencadas no item 16. 52. E, de posse dos extratos de TODAS as contas bancárias de titularidade do contribuinte (que só foram obtidos após a Intimação n. 03, item 22) foi possível constatar que, realmente, os depósitos/créditos bancários listados em planilha anexa se referem a transferências entre contas correntes de mesma titularidade, se adequando, pois, ao inciso I do § 3º do art. 42 da Lei n. 9.430/96. São 57 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 11.042.005,99. 53. Da mesma forma, ainda em relação à primeira listagem de depósitos, aqueles que o contribuinte alega que se trata de liquidação de cobrança de clientes e que, nos extratos analisados, apresentam a rubrica “Liquidação de cobrança valor disponível” foram considerados justificados. Cabem duas observações: nem todos os depósitos com essa rubrica aparecem no relatório “Extrato de Movimentação de Carteira de Cobrança” apresentado pelo fiscalizado, mas mesmo assim foram considerados; lado outro, depósitos que não apresentam tal rubrica, e que o sujeito passivo alega que se trata, do mesmo modo, de liquidação de cobrança, NÃO foram aceitos, por falta de comprovação. Assim, foram considerados justificados, pelos motivos expostos neste item 26 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 458.993,78 (conforme listagem anexa a este Relatório). 54. Na mesma linha, os depósitos/créditos bancários relativos a estornos e aplicações financeiras, que puderam ser confirmados nos extratos bancários, foram considerados justificados. No tocante às aplicações financeiras, foram 7 depósitos, no valor total de R$ 589.340,99. Quanto aos estornos, foram 3 lançamentos, totalizando R$ 200.000,00. 55. Por outro lado, as justificativas constantes dos campos 9 e 10 do arrazoado do sujeito passivo, transcritas literalmente no item 16, não puderam ser comprovadas pelos extratos ou pela (pouca) documentação carreada ao processo. Aliás, isso é um efeito da frenética movimentação financeira perpetrada pelo contribuinte. Eventual depósito de cheques de clientes comuns (não as siderúrgicas), como alegado pelo fiscalizado no campo 9, fica perdido no meio de tantos depósitos e saques realizados diariamente, ainda mais se não se identifica a quais notas/ cupons fiscais se referem, como foi o caso. Além disso, o fato de nem os próprios bancos possuírem dinheiro suficiente para acobertar as operações diárias de “trocas de cheques” do fiscalizado (como alegado no campo 10) é mais um sinal do absurdo da situação. Porém, ainda que se creia no informado, não há qualquer documentação comprobatória e a rubrica existente no extrato bancário (“510 – Depósito Cheque BB Liquidado”) não permite que se conclua a favor do contribuinte. Fl. 3915DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.916 19 56. Por fim, há 14 créditos bancários (relativos à primeira listagem de depósitos a comprovar) para os quais o contribuinte apresenta a justificativa de terem origem em outra empresa da qual é sócioadministrador, a GPR Apoio Administrativo Ltda., CNPJ 10.965.426/000133. Seriam empréstimos de apenas um dia de duração, para, eventualmente, cobrir as famigeradas operações de “trocas de cheques” feitas pela empresa (outra consequência da absurda movimentação financeira realizada), conforme item 7 da sua argumentação (transcrito no item 16 desse relatório). 57. Com a análise de todos os extratos das seis contascorrentes bancárias de titularidade do fiscalizado (repisamos, duas contas na contabilidade original, registrada na JUCEMG, outras quatro que só aparecem em escrita apresentada após o início da fiscalização), realmente constatase a existência de várias transferências entre a GPR Apoio Administrativo Ltda. e o sujeito passivo, em operações de um dia, em especial no banco SICOOB, mas também no Itaú e no Bradesco. 58. Assim, procede a informação de que haviam empréstimos de curtíssima duração entre as duas empresas, ainda que feitos de maneira informal e sem a devida documentação, o que pode ser objeto de procedimento fiscal posterior. Contudo, a origem destes depósitos nas contas do contribuinte resta comprovada, para os efeitos da aplicação do art. 42 da Lei n. 9.430/96. 59. Portanto, os 14 créditos bancários citados no item 54, que totalizam R$ 2.924.150,33, foram considerados devidamente justificados. 60. Neste ponto, resumese o até aqui feito, para melhor compreensão: o sujeito passivo foi intimado a comprovar a origem dos créditos existentes em apenas duas contascorrentes (aquelas existentes na escrita registrada na JUCEMG), conforme item 14; apresentou suas justificativas, item 16; conforme acima explanado, itens 49/57, foram considerados justificados os créditos/depósitos bancários (relacionados em planilha anexa a este relatório) referentes aos seguintes motivos: a) Transferência entre contas de mesma titularidade: 57 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 11.042.005,99; b) Liquidação de cobrança de clientes: 26 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 458.993,78; c) Aplicações financeiras: 7 depósitos, no valor total de R$ 589.340,99; d) Estornos, 3 depósitos, totalizando R$ 200.000,00; Fl. 3916DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.917 20 e) Empréstimos da GPR: 14 créditos bancários, com total de R$ 2.924.150,33. Todos os demais depósitos/créditos foram considerados como NÃO justificados, à luz dos ditames do art. 42 da Lei n. 9.430/96. 61. No tocante à 2ª listagem de depósitos a justificar, conforme já esclarecido acima (itens 21/25), foi elaborada a partir de TODOS os extratos bancários de contascorrentes de titularidade da Pessoa Jurídica, para o ano de 2010. Esse fato, combinado com as informações constantes do LivroRazão em papel apresentado pelo contribuinte permitiu que se fizesse uma ampla e prévia triagem nos depósitos. 62. Desse modo, conforme consignado na Intimação n. 04 (item 25), já foram considerados previamente justificados os créditos/depósitos bancários que puderam ser identificados como: estornos, resgates de aplicação financeira, transferências eletrônicas (TEDs) entre contascorrentes de titularidade do contribuinte e recebimentos referentes a Cartão de Débito/Crédito. 63. Neste sentido, conforme planilha anexa, foram considerados justificados previamente, ou seja, sem consulta ao contribuinte, 171 créditos/depósitos bancários, totalizando a quantia de R$ 26.794.655,60, referente a transferências de contas de mesma titularidade. 64. Da mesma forma, foram identificados, na contacorrente no Banco ITAÚ, 170 créditos relativos a recebimentos de “Cartão de Crédito/Débito”, totalizando R$ 345.665,43 e 54 créditos referentes a resgates de aplicação financeira, com o total de R$ 1.203.543,34. Todos esses lançamentos também foram considerados previamente justificados, não sendo questionados ao fiscalizado. Estes itens não estão listados na planilha anexa ao presente relatório, por serem mais de 220 lançamentos de valores individuais baixos. 65. Por fim, passase a análise das informações prestadas pelo contribuinte em 19/02/2015 (itens 26/29). 66. No tocante à espantosa movimentação financeira relativa às Siderúrgicas, tudo já foi explanado anteriormente, cabendo o mesmo entendimento, não havendo qualquer fato ou documento novo trazido pelo fiscalizado na sua resposta ao Termo de Intimação n. 04. 67. Portanto, a argumentação atinente aos Anexos 1 (e 1.1 e 1.2) e 6 de seu arrazoado, em relação aos créditos oriundos das Siderúrgicas, não pode receber amparo. 68. Entretanto, no citado Anexo 1 se observa que alguns depósitos são justificados como em parte vindos da conta do sujeito passivo do Bradesco de n. 105430 e em parte vindos de “Adto Tecnosider”. Por exemplo, para o depósito efetuado em 22/04/2010, no valor de R$ 190.207,92, a justificativa Fl. 3917DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.918 21 apresentada é “122.000,00 n/emissão cheque 1285/1286 Bradesco + 68.207, 92 ch 7643 Tecnosider”. 69. Como puderam ser confirmados esses valores parciais no extrato da contacorrente n. 105430, do Bradesco, como saídas de recursos, os valores de entrada na contacorrente n. 158577 devem ser considerados justificados, por transferência entre contas do mesmo titular. 70. Neste sentido, foram considerados parcialmente justificados 16 depósitos na contacorrente n. 158577 do Bradesco, no valor total de R$ 2.294.640,98. 71. Da mesma forma ocorre com o esposado no Anexo 5 do arrazoado do contribuinte. Segundo ele informa, também em alguns casos listados neste Anexo, uma parte do depósito é vinda da conta do sujeito passivo do Bradesco de n. 105430. Os valores informados no indigitado Anexo que puderam ser confirmados no extrato bancário foram considerados justificados. 72. Desse modo, foram considerados parcialmente justificados mais 3 depósitos na contacorrente n. 158577 do Bradesco, no valor total de R$ 616.119,29. 73. Por outro lado, todos os outros registros listados no chamado Anexo 5 não puderam ser confirmados, por falta de comprovação documental. Por exemplo, o depósito no valor de R$ 357.993,65 teria origem, segundo o fiscalizado, nos cheques “1415/1416/1417 Banco Bradesco Ag 3440 C/C 10543 0”. Todavia, ao se conferir o extrato bancário da contacorrente 105430, se verifica que os cheques citados têm o seguinte valor: R$ 92.000,00, R$ 265.000,00 e R$ 61.000,00, respectivamente, totalizando R$ 418.000,00. 74. Do mesmo modo, ainda como outro exemplo, os créditos de R$ 25.480,89 e R$ 79.249, 85 teriam como origem “parte n/emissão de cheque 1497 Banco Bradesco”. Consultando o extrato, se vê que esse cheque possui o valor de R$ 190.000,00. Ou seja, é impossível estabelecer uma relação inequívoca entre a saída de dinheiro de uma conta e a entrada na outra conta. Ademais, como já observado anteriormente, as alegações do contribuinte têm uma carência absoluta de documentos hábeis e idôneos para sustentálas. 75. Melhor sorte não socorre o contribuinte no tocante ao Anexo 4 de suas alegações. Ele informa, de modo algo confuso, que, neste caso, “a Empresa depositava os numerários em espécie que se encontravam no Caixa e cheques (do próprio banco onde seria depositado) recebidos, que também se encontravam no Caixa”. Entretanto, novamente não consegue demonstrar a origem desses valores depositados. São relativos a vendas? Ou a empréstimos? Ou a “adiantamentos” das Siderúrgicas? Ou possuem outra origem? Impossível acatar a argumentação do Fl. 3918DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.919 22 contribuinte, dada a escassez de documentos apresentados e a heterodoxa movimentação financeira efetuada pela empresa. Cabe lembrar o que já foi dito no item 55: isto é um efeito da frenética movimentação financeira perpetrada pelo contribuinte. Eventual depósito de cheques de clientes comuns (não as Siderúrgicas), como alegado pelo fiscalizado, fica perdido no meio de tantos depósitos e saques realizados diariamente, ainda mais se não se identifica a quais notas/ cupons fiscais se referem, como foi o caso. 76. Entretanto, outros argumentos merecem prosperar. Por exemplo, o que tange aos depósitos vindos da GPR Apoio Administrativo Ltda. Em que pese tais empréstimos, entre empresas de mesmo sócioadministrador, carecerem de formalidade, conforme já explanado no item 58, é inegável que a origem destes depósitos nas contas do contribuinte resta comprovada, para os efeitos da aplicação do art. 42 da Lei n. 9.430/96. 77. Assim, são considerados justificados 38 depósitos/créditos bancários, no valor de R$ 7.087.121,23, conforme o Anexo 2 da resposta do contribuinte ao Termo de Intimação n. 04 (item 27). 78. Na mesma linha, as alegações referentes ao Anexo 3 da resposta (item 27) foram confirmadas nos extratos bancários. Portanto, dois depósitos, no valor total de R$ 547.570,00, são justificados. 79. Assim, no tocante à segunda listagem de depósitos a justificar, objeto do Termo de Intimação Fiscal n. 04 (item 25), foram considerados justificados os créditos/depósitos bancários (relacionados em planilha anexa a este relatório) referentes aos seguintes motivos: a) Transferência entre contas de mesma titularidade aceitas totalmente (Anexo 3): 2 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 547.570,00; b) Transferência entre contas de mesma titularidade aceitas parcialmente (Anexo 1): 16 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 2.294.640,98; c) Transferência entre contas de mesma titularidade aceitas parcialmente (Anexo 5): 3 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 616.119,29; d) Empréstimos da GPR: 38 depósitos/créditos bancários, no valor de R$ 7.087.121,23. Todos os demais depósitos/créditos foram considerados como NÃO justificados, à luz dos ditames do art. 42 da Lei n. 9.430/96. CONCLUSÃO 80. Por tudo o exaustivamente exposto e esclarecido, devido à sua portentosa movimentação financeira, o contribuinte em tela Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.920 23 foi objeto de procedimento fiscal e devidamente intimado a justificar, mediante documentação hábil e idônea, 1.754 depósitos/créditos bancários, realizados em seis contas correntes diferentes (das quais apenas duas regularmente contabilizadas), de cinco instituições bancárias, no ano de 2010, no valor total de R$ 117.673.112,93. 81. Logrou êxito em comprovar totalmente 147 depósitos/créditos bancários e parcialmente 19 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 25.759.942,59. 82. Assim, por força do art. 42 da Lei n. 9.430/96, transcrito abaixo, os 1.607 depósitos/créditos bancários não comprovados (total ou parcialmente), que totalizam o valor de R$ 91.913.170,34, serão considerados OMISSÃO DE RECEITA, para efeitos de tributação do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Vejase o diploma legal: Art. 42 .... 83. Em atenção ao parágrafo 1º do artigo supracitado, os depósitos/créditos bancários não comprovados foram divididos por mês, atingindo os seguintes valores: 84. No caso em comento, cabe também a aplicação da multa de 75% preconizada pelo inciso I do art. 44 da já citada Lei n. 9430/96. 85. É parte integrante do presente Relatório planilha contendo os depósitos/créditos bancários previamente justificados (que não foram questionados ao contribuinte), de que trata o item 63, os depósitos/créditos bancários considerados totalmente justificados após a análise das alegações do contribuinte (de que cuidam os itens 52, 53, 54, 59, 73 e 74), os depósitos/créditos justificados parcialmente (itens 68/72) e, especialmente, os depósitos NÃO justificados, que ensejam a lavratura do Auto de Infração em questão. De fls. 62/158 constam planilhas elaboradas pela Fiscalização assim intituladas: fls. 63/67 planilhas Depósitos Previamente Justificados (sem justificativa por parte do contribuinte). Fl. 3920DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.921 24 fls. 67/71 planilhas Depósitos Justificados Totalmente Após Alegações do Contribuinte. fls. 71/111 planilhas Depósitos Não Justificados (total anual de R$ 91.913.170,34). fls.111/157 planilhas Depósitos Não Justificados – por mês – para lançamento (total anual de R$ R$ 91.913.170,34). A Recorrente tomou ciência dos lançamentos por via postal em 02/03/2015, conforme comprovam os documentos de fls. 1046/1049, tendo o interessado solicitado, recebido cópia dos autos (fl. 1.053) e apresentado, em 30/03/2015, Impugnação fls. 1057/1124, acompanhada dos documentos de fls.1125/3635, que são em sua maioria os já apresentados na auditoria fiscal, tais como, Livros Diários dos meses de janeiro a dezembro de 2010, Termos de Acordo e Parcerias, Planilhas detalhadas dos depósitos de autoria unilateral da Recorrente, Controle Gerencial também de elaboração unilateral da contribuinte, Autorização de Pagamentos de Vale Carvão emitidos pela Tecnosider, cópia do Multiextrato da Siderurgica Bandeirantes de junho à dezembro de 2010 e cópias simples de cheques que seriam emitidos pelas Siderúrgicas, onde posteriormente serão analisados separadamente por cada Siderurgica. Em seguida a DRJ profere v. acórdão, afastando as preliminares de cerceamento do direito de defesa, devido a falta de análise de provas e ao indeferimento da diligência. Resumidamente no mérito: Afastou as alegações da Recorrente de que o lançamento deveria ter sido feito com base na conta Caixa, o que alteraria a fundamentação da acusação. Aduz que não restou comprovado a entrada da receita na conta Caixa para que a Recorrente procedesse os empréstimos, e mesmo que assim fosse, não dispensaria a Recorrente de comprovar a origem e a natureza dos valores constantes nos depósitos e a margem da fiscalização. E que ao analisar os documentos, entendeu que o conteúdo probatório carreados aos autos pela contribuinte não era suficiente para afastar a presunção de omissão de receita nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96. Por tal motivo, decidiu pela improcedência da impugnação e registrar as seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o Fl. 3921DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.922 25 contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE ATIVIDADES DE DESCONTO DE CHEQUES E DE PAGAMENTOS DE VALORES QUE SERIAM POSTERIORMENTE REEMBOLSADOS POR OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS (SIDERÚRGICAS). Tratandose de prova documental, incumbe ao interessado demonstrar que os valores depositados em suas contas bancárias decorrem de valores por ele já oferecidos à tributação ou a valores não tributáveis. A alegação de realização de atividades próprias de instituições financeiras, de maneira informal, sem remuneração específica, mas apenas para ampliar atividade formal de venda de combustíveis, não exime o contribuinte de demonstrar a origem de cada depósito questionado e dos recursos utilizados nas operações alegadas de desconto de cheque e de pagamentos de valores devidos por outras pessoas jurídicas e que lhe seriam posteriormente reembolsados, sobretudo se movimentou valor bastante superior ao faturamento informado em sua declaração prestada ao Fisco Federal. A presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos de origem não comprovada não é afastada pela alegação de existência de recursos do Caixa da própria Pessoa Jurídica se não ocorrer a demonstração da origem destes recursos. Recursos creditados em períodos anteriores não se prestam a comprovar origem de recursos de períodos subsequentes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Caracterizada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, da Contribuição ao PIS e da Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformados com a r. decisão "a quo", a empresa interpôs Recurso Voluntário, repisando as mesma alegações da impugnação, requerendo a reforma do julgado. Fl. 3922DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.923 26 Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 3923DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.924 27 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos legais, motivo pelo qual deve ser admitido. No recurso, a Recorrente começa repetindo suas alegações produzidas na impugnação, em seguida alega preliminar relativa a necessidade de diligência junto as Siderúrgicas e acrescenta cerceamento do direito de defesa, pois entende que a Fiscalização e o v.acórdão recorrido não analisaram adequadamente as provas apresentadas por ela para elidir a acusação de omissão de receita, constatada por meio de depósitos bancários sem comprovação da natureza das operações e sua origem. Tais alegações preliminares não devem prosperar. Em primeiro lugar, se pode constatar que tanto o Agente Fiscal, como o v. acórdão recorrido analisaram de forma minuciosa as provas carreadas pela Recorrente, tanto na auditoria fiscal, como no julgamento da impugnação. O fato da Recorrente não concordar com a motivação (princípio do livre convencimento das provas pelo juiz) não quer dizer que as provas não foram devidamente analisadas ou que o julgamento foi omisso a ponto de se caracterizar cerceamento do direito de defesa. Quanto a alegação de cerceamento de defesa devido a negativa do pedido de diligência junto as siderúrgicas, entendo que também não deve ser acatada. A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que o v. acórdão negou o pedido de diligência e deixou de analisar os quesitos apontados as fls. 1119/1121 dos autos/impugnação. O ponto principal da diligência se refere a Fiscalização questionar junto as siderúrgicas a remessa do numerário/cheques/dinheiro para a Recorrente. Para deixar mais claro, a autuada requer seja feito relatório circunstanciado para perguntar para as Siderúrgicas se as operações realmente ocorreram e para verificar a disponibilidade da conta caixa. Neste sentido, em contrapartida, importante ressaltar que a fiscalização não questiona que as operações ocorreram, ela apenas questionou a falta de origem e natureza dos depósitos que encontrou nos extratos bancários, que não foram declarados à Receita Federal. Fl. 3924DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.925 28 A Recorrente juntou as provas que entendia que poderiam comprovar a origem e a natureza destes depósitos, entretanto não foram suficiente. Quem alegou que estes depósitos bancários eram referentes a receitas de terceiros foi a Recorrente e, por tal motivo, deveria comprovar por meio de documentos seu argumento de defesa. A diligência não serve para complementar as provas que a Recorrente deveria trazer aos autos. A utilidade da diligência é faculdade do julgador quando não se encontra satisfeitos com o conteúdo probatório carreados aos autos, permanecendo dúvida para produzir seu convencimento sobre determinado documento, fato ou quando entende ser necessário que se explique algum ponto confuso ou contraditório. Resumidamente, meu entendimento vai no sentido de que a diligência é faculdade do Julgador quando entender necessário esclarecimentos de pontos controvertidos nos autos e não serve para complementar provas que a Recorrente deveria ter feito nos autos. Novamente, o fato de o Julgador entender que o conteúdo probatório dos autos esta maduro para seu convencimento, dispensando a diligência, não quer dizer que tal negativa acarrete cerceamento do direito de defesa. Nesta linha, após o indeferimento do pedido de diligência, se a analisa destes documentos for contrária ao que o contribuinte pretendia, também não quer dizer que o direito de defesa da Recorrente foi cercado. Sendo assim, entendo que as alegações de que o direito de defesa da Recorrente foi cercado não devem ser acolhidas, eis que tanto a fiscalização, como o v. acórdão recorrido analisaram minuciosamente os argumentos de defesa e as provas constantes nos autos, entendendo ser desnecessário diligência suplementar. Mérito: A Recorrente alega que a presunção de omissão de receita é relativa e como apresentou provas para refutar a acusação, não poderia ter sido elaborado lançamento de ofício imputando infração de omissão de receita nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/99. Sendo assim, o Auto de Infração é nulo. Alega que como a contabilidade não foi desfeita/desconsiderada, prevalecem as regras dos artigos 923 e 924 do RIR/99, onde prescrevem que os fatos nela registrados e comprovados por meio de documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabe a autoridade fiscal comprovar a inveracidade dos documentos. Vejamos um trecho que sintetiza esta alegação da Recorrente: Fl. 3925DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.926 29 Tal alegação também não deve ser provida. De fato, a escrituração contábil não foi desprezada pela fiscalização, tanto foi assim que não foi obrigada a arbitrar o lucro e conseguiu constatar que existiam depósitos com possíveis receitas a margem da fiscalização. Ademais, de fato, nos termos dos artigos 923 e 924 a contabilidade faz prova a favor da contribuinte, desde que esteja lastreada em documentos hábeis. No caso dos autos, a fiscalização e o v. acórdão entenderam que os provas dos autos não eram hábeis ou suficientes para dar suporte contábil a favor do contribuinte. Sendo assim, a inversão do ônus da prova alegado pela Recorrente conforme acima colacionada, não se encaixa no caso dos autos. Seguindo seu raciocínio, a Recorrente alega que como a origem dos depósitos questionados no presente lançamento é a "conta caixa" creditada e debitada com fulcro em documentos hábeis, fica totalmente desfeita a presunção consubstanciada no artigo 42 da Lei 9.430/96. Com base neste argumento, alega que a posição adotada pela Fiscalização e pelo v. acórdão recorrido foi equivocada, sendo que deveria ter sido analisada a conta caixa e não a conta bancos, como foi feito. A Fiscalização e o v. acórdão se posicionaram com o entendimento contrario de que a contabilização de ingresso de recursos na conta banco tendo por contrapartida conta caixa não é, por si só, possível de identificar qual a origem dos recursos movimentados. A Recorrente contrapõe aduzindo que a presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos de origem não comprovada deve ser afastada pela existência de recursos do Caixa da própria Pessoa Jurídica e, por tal motivo, alega que deveria ser feito o cotejo na conta caixa da empresa e não na conta bancos, sendo que neste caso a tipificação da infração seria outra, diferente da omissão de receitas pelo artigo 42 da Lei 9.430/96. Fl. 3926DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.927 30 A Recorrente alega por sua vez, que tais recursos são devido as operações com as Siderúrgicas para incrementar seu faturamento, onde pode se verificar que a origem dos recursos são destas operações de empréstimos. Desta forma, alega a recorrente que ocorreu inovação do lançamento pela DRJ, pois se está exigindo a prova da origem dos recursos da entrada na conta caixa e não os recursos que deram origem aos depósitos. A fiscalização e o v. acórdão entenderam que a presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos de origem não comprovada não é afastada pela alegação de existência de recursos do Caixa da própria Pessoa Jurídica se não ocorrer a demonstração da origem destes recursos por meio de documentos. De fato, entendo que a fiscalização e o v. acórdão recorrido estão corretos. Vejamos. A Fiscalização, no curso do procedimento, identificou recursos creditados em contas bancárias de titularidade do contribuinte e formalizou intimações para comprovação da origem desses recursos. Em função da análise pormenorizada dos créditos, das respostas do contribuinte e do documentos apresentados, que foram analisados individualmente no curso da auditoria, a Fiscalização considerou identificada a origem de parte dos recursos questionados (fls. 63/67 e 67/71), remanescendo valores sem comprovação de origem (fls. 71/111 e 111/157), conforme discriminado no Relatório Fiscal e nas planilhas que o acompanham. Para deixar mais claro, cumpre ressaltar que, nos itens 60 e 79 do Relatório Fiscal, restou indicado as causas que permitiram não incluir na autuação alguns dos créditos questionados: 60. Neste ponto, resumese o até aqui feito, para melhor compreensão: o sujeito passivo foi intimado a comprovar a origem dos créditos existentes em apenas duas contascorrentes (aquelas existentes na escrita registrada na JUCEMG), conforme item 14; apresentou suas justificativas, item 16; conforme acima explanado, itens 49/57, foram considerados justificados os créditos/depósitos bancários (relacionados em planilha anexa a este relatório) referentes aos seguintes motivos: a) Transferência entre contas de mesma titularidade: 57 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 11.042.005,99; b) Liquidação de cobrança de clientes: 26 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 458.993,78; c) Aplicações financeiras: 7 depósitos, no valor total de R$ 589.340,99; d) Estornos, 3 depósitos, totalizando R$ 200.000,00; e) Empréstimos da GPR: 14 créditos bancários, com total de R$ 2.924.150,33. Todos os demais depósitos/créditos foram considerados como NÃO justificados, à luz dos ditames do art. 42 da Lei n. 9.430/96. Fl. 3927DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.928 31 ... 79. Assim, no tocante à segunda listagem de depósitos a justificar, objeto do Termo de Intimação Fiscal n. 04 (item 25), foram considerados justificados os créditos/depósitos bancários (relacionados em planilha anexa a este relatório) referentes aos seguintes motivos: a) Transferência entre contas de mesma titularidade aceitas totalmente (Anexo3): 2 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 547.570,00; b) Transferência entre contas de mesma titularidade aceitas parcialmente (Anexo 1): 16 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 2.294.640,98; c) Transferência entre contas de mesma titularidade aceitas parcialmente (Anexo 5): 3 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 616.119,29; d) Empréstimos da GPR: 38 depósitos/créditos bancários, no valor de R$ 7.087.121,23. Todos os demais depósitos/créditos foram considerados como NÃO justificados, à luz dos ditames do art. 42 da Lei n. 9.430/96. Importante ressaltar, que o fato de a Fiscalização ter admitido como comprovada a origem dos recursos nas situações acima discriminadas em nada prejudica a presunção da acusação nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 para o restante não comprovado. Ao contrário, reflete que todos os documentos e alegações de defesa constantes nas respostas forma minuciosamente observadas pelo Agente Fiscal. A Fiscalização já havia analisado a contabilidade apresentada pela Recorrente, tanto aquela constante do SPED, como aquela refeita com inclusão de outras contas bancárias que não estavam declaradas e detectou contabilização que não permite identificar a origem do recurso, o que desaguou na constatação de existência de lançamentos diários de grande monta entre a conta Caixa e a Conta Bancos, sem relação com as atividades da empresa de posto de gasolina. A Recorrente alega que é possível verificar que creditou a conta “Caixa” pelo valor dos depósitos, debitando o Banco; e debitouse pelo mesmo valor, ao escriturar os suprimento em decorrência dos cheques emitidos com tal finalidade, creditando o Banco. Em que pese a liberdade de escolha da contribuinte da forma da escrituração, tal opção não à exime de identificar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias, para que se possa confirmar que tais rendimentos/montantes não são receitas tributáveis ou que já foram tributados pela pessoa jurídica que os movimentou em sua conta. Assim para afastar a presunção de receita do artigo 42 da Lei 9.430/96, a Recorrente deveria ter comprovado por meio de documentos suas alegações de que a receita era referente a destinatários originais (motoristas) ou a reembolsos feitos pelas siderúrgicas, de pagamentos anteriores de vales feitos pelo Posto Jardim, obrigação esta que no meu entender não se desincumbiu de fazer. Fl. 3928DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.929 32 Com muito bem apontado pela fiscalização e pelo v. acórdão recorrido, a Recorrente não conseguiu comprovar a origem dos recursos originais utilizados nestas transações acima indicas. As provas juntadas aos autos e minuciosamente analisadas pela Fiscalização e pelo v. acórdão não permite constatar a origem dos recursos para a Recorrente fazer tais pagamentos, já que seu faturamento declarado é muito inferior aos valores movimentados em suas contas bancárias. Se os créditos questionados na auditoria fiscal correspondem a “reembolsos” pela siderúrgica de valores antes pagos pelo Posto como alega a Recorrente, é necessário saber qual a origem dos recursos disponíveis no Caixa que possibilitaram os pagamentos. Os Termos de Acordo e Parceria elaborados entre a Recorrente as Siderúrgicas além de não prever pagamento pela Recorrente dos cheques carvão e vales de carvão, também não permitem saber a origem dos recursos. O v. acórdão recorrido, analisou e expressou muito bem seu entendimento sobre tais pontos quando faz o cotejo das provas relativas as operações com a Cosimet: Registrese que, nos termos da Súmula CARF nº 30, na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Aplicando tal entendimento ao presente caso, temse que os recursos alegadamente recebidos em restituição a pagamentos de vales e descontos de cheques em períodos anteriores não servem para comprovar a origem dos recursos utilizados para que se efetuassem dispêndios seguintes (na hipótese em tela, para que fossem descontados cheques e pagos vales carvão em 2010), os quais, por sua vez, teriam ensejado os alegados reembolsos representados pelos créditos questionados pela Fiscalização. Apesar da previsão contida no Termo de Acordo supra de que a pessoa jurídica autuada receberia da siderúrgica valores que antes teria pago a fornecedores de carvão ou motoristas, a origem de cada crédito questionado em sua conta bancária só estaria identificada se, além de ser associada a determinados vales/cheques pagos, ainda fosse justificada documentalmente a origem dos recursos utilizados para o prévio pagamento efetuado pelo Impugnante para, posteriormente, vir a ser “reembolsado” pela siderúrgica que teria emitido os vales e cheques . Mas não é isso que se vê na planilha apresentada a seguir referida. Fls. 1609/1624 planilha de cujo título consta "Pagamento de Vale Fornecedor de Carvão." Da referida planilha extraemse os seguintes excertos: Fl. 3929DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.930 33 fls. 1624 A planilha aponta créditos questionados pela Fiscalização associados a crédito de terceiros Cosimat e a comprovação por extratos bancários, livros e contratos, mas, a origem dos recursos não se encontra nos documentos citados. Fls. 1625/1657 Planilha denominada Controle Gerencial Posto Jardim Resumo Operações Cosimat. Fl. 3930DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.931 34 ..... fl. 1647 ... Vejase que, para os dois exemplos supra (crédito de R$ 102.861,46 em 12/2/2010 e de R$ 20.129,41 em 16/7/2010, os depósitos questionados foram assim identificados pela Fiscalização conforme por ela extraído dos extratos bancários: fls. 115 fl. 139 Neste ponto é de se questionar: quais seriam os documentos representativos de pagamento anterior efetuado pelo Posto Jardim no valor de R$ 102.861,46 e que teriam ensejado o alegado reembolso pela Cosimat mediante depósitos sob histórico “TEDPagamento de Fornecedores” ? E qual a origem dos recursos utilizados para tal pagamento? Não se encontram nos autos esclarecimentos acerca dessas questões. Quanto ao valor de R$ 20.129,41, encontrase contemplado dentre os documentos apresentados às fls. 1.658/1679, denominados comprovantes de pagamento, como se vê a seguir; Fl. 3931DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.932 35 Fl. 3932DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.933 36 Observese que os documentos de fls. 1.658/1.679, além de não contemplarem todos os valores questionados pela Fiscalização, compõemse de uma relação que teria sido emitida pela Cosimat contendo cheques que se depreende teriam sido pagos pelo Impugnante e de cópias parciais desses cheques. Todavia, permanece sem identificação a origem dos recursos que teriam possibilitado ao Impugnante arcar com os ônus das antecipações de valores movimentados da ordem de R$ 140 milhões, apesar de seu faturamento declarado no montante de R$ 7 milhões. Relembrese que crédito decorrente de reembolsos anteriores não poderiam ser apontados como origem dos recursos, como se infere da Súmula CARF 30, já citada acima. Na sequencia, o v. acórdão faz o cotejo com a mesma qualidade de observação das operações com as outras siderúrgicas, Tecnosider, Simar, Bandeirantes e as declarações dos motoristas, onde registrou que a documentação acostada aos autos pela Recorrente, além de estar totalmente desorganizada, não coincide com as datas e valores contabilizados sendo que em algumas hipóteses os cheques não foram encontrados nas planilhas dos depósitos apresentados por ela mesma. Os outros documentos apresentados pela Recorrente, tais como “depósitos efetuados referente a disponibilidade na conta “caixa” (fl. 3342), arquivos e declarações concernentes ao ICMS (fls. 3.343/3.354 e 3.465/3.512) e Livros de Registro de Entradas, de Saídas, de Inventário e de Apuração de ICMS (fls. 3.355 a 3.464) sem, contudo, associar dados neles refletidos aos créditos questionados. Toda a argumentação desenvolvida pela Recorrente, reprisando alegações apresentadas no curso do procedimento fiscal, é no sentido de que os créditos bancários questionados decorrem de atividades distintas daquelas inerentes a um Posto de abastecimento de combustíveis e que a receita é pertencente a terceiros, entretanto, face a documentação constante nos autos, não conseguiu comprovar sua alegação. Quanto as alegações relacionadas a exclusões admitidas no procedimento fiscal, observese que a Fiscalização consignou ter excluído da relação de créditos autuados valores decorrentes de transferências entre contas de mesma titularidade, Liquidação de Cobrança de Clientes, empréstimos/mútuos admitidos e de resgates de operações financeiras e Estornos. E se, dentre os depósitos/créditos que integram os valores tributáveis existissem outras ocorrências dessa natureza, caberia a Recorrente identificar e comprovar documentalmente. Fl. 3933DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.934 37 Alega que a fiscalização, seguida do v. acórdão recorrido, exige que se comprove os depósitos separadamente e para isso se apega a Súmula 30 do CARF. Fala que tal exigência não é jurídica, pois o que o artigo 42 da Lei 9.430/96 exige é a comprovação da origem do recurso em período mensal. Não foi isso que foi dito no v. acórdão. A Sumula 30 foi utilizada para deixar claro o entendimento de que créditos/depósitos de determinado período (por exemplo valores creditados na conta do Impugnante em janeiro/2010) objeto de questionamentos da Fiscalização não podem ser apontados como origem dos recursos utilizados nas operações alegadas de descontos de cheques e pagamentos de vales ocorridas em períodos seguintes e que teriam ensejado os ingressos de recursos nos períodos seguintes (créditos em fev/2010 e períodos mensais posteriores). Por tal motivo, não deve ser acolhida tal alegação. Alega que a fiscalização considerou o montante de 25 milhões aproximadamente comprovados como transferências entre contas da mesma titularidade, o que por si só comprova que o faturamento de 2010 é superior ao declarado no DIPJ. Os 25 milhões não forma apenas relativos a operações entre contas da própria contribuinte, mas também a outras operações. E mesmo que fossem depósitos da mesma titularidade, serviram apenas para evitar a duplicação de depósitos a ser justificado. Não impedindo em nada a presunção em relação aos demais não comprovados. Primeira listagem de depósitos a comprovar: 60. Neste ponto, resumese o até aqui feito, para melhor compreensão: o sujeito passivo foi intimado a comprovar a origem dos créditos existentes em apenas duas contascorrentes (aquelas existentes na escrita registrada na JUCEMG), conforme item 14; apresentou suas justificativas, item 16; conforme acima explanado, itens 49/57, foram considerados justificados os créditos/depósitos bancários (relacionados em planilha anexa a este relatório) referentes aos seguintes motivos: a) Transferência entre contas de mesma titularidade: 57 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 11.042.005,99; b) Liquidação de cobrança de clientes: 26 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 458.993,78; c) Aplicações financeiras: 7 depósitos, no valor total de R$ 589.340,99; d) Estornos, 3 depósitos, totalizando R$ 200.000,00; e) Empréstimos da GPR: 14 créditos bancários, com total de R$ 2.924.150,33. Fl. 3934DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.935 38 Todos os demais depósitos/créditos foram considerados como NÃO justificados, à luz dos ditames do art. 42 da Lei n. 9.430/96. Em relação a segunda listagem, foram considerados justificadas as seguintes operações: a) Transferência entre contas de mesma titularidade aceitas totalmente (Anexo 3): 2 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 547.570,00; b) Transferência entre contas de mesma titularidade aceitas parcialmente (Anexo 1): 16 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 2.294.640,98; c) Transferência entre contas de mesma titularidade aceitas parcialmente (Anexo 5): 3 depósitos/créditos bancários, no valor total de R$ 616.119,29; d) Empréstimos da GPR: 38 depósitos/créditos bancários, no valor de R$ 7.087.121,23. Todos os demais depósitos/créditos foram considerados como NÃO justificados, à luz dos ditames do art. 42 da Lei n. 9.430/96. Lembrando que a GPR é empresa do mesmo grupo, com o mesmo sócio diretor, conforme apontado no item 76 do TVF. 76. Entretanto, outros argumentos merecem prosperar. Por exemplo, o que tange aos depósitos vindos da GPR Apoio Administrativo Ltda. Em que pese tais empréstimos, entre empresas de mesmo sócio administrador, carecerem de formalidade, conforme já explanado no item 58, é inegável que a origem destes depósitos nas contas do contribuinte resta comprovada, para os efeitos da aplicação do art. 42 da Lei n. 9.430/96. Sendo assim, tal alegação não deve ser provida. De resto, aproveito a fundamentação do v. acórdão, para motivar meu voto. Do exposto, vêse que o contribuinte pretende novamente desconstituir os fatos que lhe foram imputados com a alegação de que os valores questionados não lhe pertenceriam, reprisando argumentos no sentido de que as contas bancárias apenas registravam valores que seriam transitórios, alegadamente recebidos: em devolução feita pelas empresas siderúrgicas, por pagamento efetuado pela autuada de vales carvão a motoristas; Fl. 3935DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.936 39 em decorrência de descontos de cheques emitidos por tais empresas em favor de motoristas. Todavia, se estes valores correspondem a reposição de recursos antes despendidos, caberia ao contribuinte apresentar, no período que teve disponível no curso do procedimento fiscal somado ao prazo para impugnação da exigência, os documentos que provassem a: (i) vinculação entre cada crédito questionado e os alegados cheques descontados ou aos alegados adiantamentos de recursos aos motoristas para posterior recebimento das siderúrgicas (mediante os citados vales) e (ii) a origem dos recursos utilizados para fazer frente aos descontos dos cheques e aos pagamentos de vales a motoristas/vendedores ou transportadores de carvão vegetal. Mas, além de a tentativa de o Impugnante demonstrar a vinculação referida no item (i) acima não se estender a todos os créditos questionados, nada esclareceu acerca do item (ii). Ainda que se admitisse a atividade de instituição bancária alegada pelo Impugnante é de se questionar qual seria a origem dos recursos utilizados para arcar com os ônus de (i) descontar cheques emitidos pelas siderúrgicas (ainda que esses cheques fossem apresentados para pagar combustível em valor menor e o portador receber a diferença em espécie); (ii) efetuar pagamentos mediante apresentação de vales carvão que somente posteriormente seriam ressarcidos ao Impugnante pelas siderúrgicas. A alegação de que os recursos eram depositados e redepositados em decorrência da troca de cheques e depósitos desses mesmos cheques, não supre a necessária identificação dos recursos originais que teriam propiciado esse alegado movimento circular. Reprisese que, como se extrai do item 31 do Relatório Fiscal, no ano calendário de 2010, o contribuinte contabilizou e informou em DIPJ um faturamento total da ordem de R$ 7.500.000,00, mas movimentou em seis contas bancárias diferentes (quatro das quais não devidamente contabilizadas), mais de R$ 140.000.000,00 em um ano – constatação não refutada pelo Impugnante. Além disso, como já mencionado, se infere da Súmula CARF nº 30, créditos/depósitos de determinado período (por exemplo valores creditados na conta do Impugnante em janeiro/2010) objeto de questionamentos da Fiscalização não podem ser apontados como origem dos recursos utilizados nas operações alegadas de descontos de cheques e pagamentos de vales ocorridas em períodos seguintes e que teriam ensejado os ingressos de recursos nos períodos seguintes (créditos em fev/2010 e períodos mensais posteriores). Por outro lado, também na Impugnação, não foi apresentado um só documento com valor fiscal (como notas fiscais ou cupons fiscais) refletindo os alegados serviços prestados às siderúrgicas pela pessoa jurídica autuada, ainda que sem remuneração. Fl. 3936DF CARF MF Processo nº 13609.720221/201595 Acórdão n.º 1402002.525 S1C4T2 Fl. 3.937 40 Da tributação reflexa: Caracterizada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, da Contribuição ao PIS e da Cofins. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do recurso e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 3937DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000386/99-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO RICARF
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido.
Recurso Especial da Procuradoria negado
Numero da decisão: 9303-004.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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RESSARCIMENTO. SELIC. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HELFONT PRODUTOS ELÉTRICOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO RICARF Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Recurso Especial da Procuradoria negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 03 86 /9 9- 14 Fl. 6373DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 20312.490, de 17/10/2007, proferido pela 3ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 AUTONOMIA DOS PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS. Descabese discutir, em processo de ressarcimento, eventual crédito tributário fruto de lançamento tributário que instaura contencioso autônomo. IPI. CRÉDITO INCENTIVADO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. E cabível a incidência da correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do Direito de Propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. Recurso Voluntário conhecido e parcialmente provido. Recurso provido em parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente, referindose ao § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, alega contrariedade à legislação tributária. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 1678/1679. Cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 1686/1696). Também apresentou recurso especial, o qual, todavia, restou não admitido (fls. 1773/1778). É o Relatório. Fl. 6374DF CARF MF Processo nº 13811.000386/9914 Acórdão n.º 9303004.936 CSRFT3 Fl. 6.374 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Alega a Recorrente que o acórdão recorrido – prolatado, quanto ao tema proposto no recurso, por maioria de votos – contrariou a legislação tributária. Embasouo no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A controvérsia diz com a atualização, pela taxa Selic, dos valores ressarcidos de IPI. Negado o pedido pela autoridade administrativa competente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ anulou, por vício de motivação, o respectivo Despacho Decisório (fls. 1209/1211 e 1379/1383). Em nova decisão, agora mantida pela DRJ (fls. 1532/1535), o crédito foi quase todo reconhecido: dos R$ 144.097,49 reclamados, foram ressarcidos R$ 143.453,07 (fl. 1391/1394). Apresentado o recurso voluntário, a Câmara baixa reconheceu a incidência da taxa Selic sobre a totalidade dos valores só no segundo Despacho Decisório reconhecidos, daí o recurso especial interposto pela PFN, com o argumento que a legislação tributária não prevê a correção dos valores ressarcidos de IPI, hipótese distinta de restituição. Depois de longos debates e alguma tergiversação nossa na Câmara baixa, passamos a adotar, quanto à matéria ora em análise, o entendimento dos demais membros desta CSRF que coincidem com o exposto no voto vencedor do il. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido no Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 9303004.163, sessão de 05/07/2016, motivo por que o adotamos como razão de decidir do litígio ora em exame. Eilo: O colegiado dissentiu do voto da i. relatora apenas quanto à base para incidência dos juros Selic, tendo sido eu designado para redigir o acórdão quanto a isso. Em seu voto, a relatora propôs que a incidência se desse sobre todo o montante do crédito presumido, citando, inclusive, decisão do STF que a considera devida em caso de demora por parte da Administração tributária. Já a maioria a entendeu aplicável apenas sobre a parcela que não havia sido deferida até o julgamento do recurso. O argumento basilar para aqueles que assim pensaram é que o deferimento aqui reiterado se dá exclusivamente por força do disposto no art. 62 do RICARF, isto é, em face da decisão proferida pelo STJ no Resp 993.164, aliás, citado pela relatora e, este sim, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Lá, como se sabe, a justificativa adotada não foi a mera demora por parte da Administração tributária demora que muitas vezes sequer ocorre e em muitos casos decorre de procedimentos da própria interessada mas a existência de ato estatal que impede o Fl. 6375DF CARF MF 4 deferimento pelas instâncias competentes. Concretamente, aquele julgamento enfrentou a restrição existente na IN SRF 23/97, vinculante, como se sabe, tanto da DRF quanto da DRJ. Não tem guarida, nesta casa, por outro lado, a tese segundo a qual a incidência da selic se daria como mera atualização ou correção monetária, para a qual os tribunais superiores têm entendido dispensável previsão em lei. A taxa selic não é índice de correção monetária, mas juros, e, como tal, sua aplicação sobre qualquer parcela requer, sim, comando legal expresso. E como se sabe, ele só existe no tocante a restituições de tributos recolhidos indevidamente ou a maior, situação que difere dos ressarcimentos previstos em lei, pois neste últimos nenhum tributo foi indevidamente recolhido. Atento a isso e examinando cuidadosamente a decisão do STJ por aplicar, percebese facilmente que sua motivação não permite que se estenda a incidência da taxa Selic aos valores que não foram controvertidos. Com efeito, sobre eles inexiste qualquer ato estatal impeditivo e, por isso mesmo, nada foi mesmo impedido. Ademais, a parcela que é desde o início deferida, isto é, sobre a qual não se instaura divergência entre a Administração e o administrado fica, desde logo, disponível a este último. Destarte, só se justifica mesmo a incidência da Selic sobre a parcela que o contribuinte precisou continuar discutindo administrativamente, visto que as instâncias vinculadas à IN não a poderiam conceder. Com essas considerações, votou a maioria por dar parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional, de modo que, embora deferida a Selic, ela se aplique apenas sobre a parcela do crédito cujo ressarcimento foi obstado pelo ato estatal de que fala o ministro Fux em seu voto, in casu, aquela atinente às aquisições efetuadas junto a não contribuintes. No caso em análise, a decisão administrativa originária indeferiu, na totalidade, o crédito de IPI pleiteado, o qual só foi reconhecido, pela mesma autoridade, após a sua anulação pela DRJ. Sendo esse o contexto, e em conformidade com o entendimento aqui adotado, concluímos haver o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos desde o protocolo de pedido. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 6376DF CARF MF Processo nº 13811.000386/9914 Acórdão n.º 9303004.936 CSRFT3 Fl. 6.375 5 Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Considerei necessário declinar minhas razões pelo provimento do recurso da Fazenda especialmente por que o n. relator deume a honra de citar como sua fundamentação voto de minha lavra. Pretendo apenas deixar claro que não mudei de entendimento. Ocorre que, no presente caso, disseo bem o relator, cuidamos de crédito que foi deferido pela unidade que o examina inauguralmente e que não veio a ser revisto nem pela DRJ nem pelo CARF. Ou seja, a pequena parcela que não foi aceita pela Administração no despacho decisório foi mantida nos julgamentos posteriores. Entendo que, em tais casos, não se configura a necessária resistência injustificada da Administração motivadora da decisão do ministro Fux que temos aplicado por força do art. 62 do RICARF. Viua o dr. Charles na anulação do primeiro despacho decisório, sendo que o despacho substituto apenas foi emitido algum tempo depois. Ocorre que, para nós que dele divergimos, essa circunstância não se enquadra naquela estabelecida pelo ministro Fux por ao menos dois motivos: em primeiro lugar, como se disse, ela não foi revista em segunda instância administrativa; em segundo, a anulação praticada restaurou o valor apurado em diligência fiscal realizada para embasar o primeiro despacho decisório, que não a acolhera, porém, e fora anulado pela DRJ por falta de análise do pedido. Esses os motivos que me levaram a dar provimento ao recurso da Fazenda. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 6377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901056/2013-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 56 /2 01 3- 85 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901056/201385 Acórdão n.º 1302002.210 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901056/201385 Acórdão n.º 1302002.210 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901056/201385 Acórdão n.º 1302002.210 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900621/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 21 /2 01 2- 14 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900621/201214 Acórdão n.º 1302002.152 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900621/201214 Acórdão n.º 1302002.152 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900621/201214 Acórdão n.º 1302002.152 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900636/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 36 /2 01 2- 74 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900636/201274 Acórdão n.º 1302002.167 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900636/201274 Acórdão n.º 1302002.167 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900636/201274 Acórdão n.º 1302002.167 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. 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Numero do processo: 10945.001240/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAR GFIP COM INCORREÇÕES ACERCA DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA MULTA.
Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas improcedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela anulação da multa aplicada.
Numero da decisão: 2401-004.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAR GFIP COM INCORREÇÕES ACERCA DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas improcedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela anulação da multa aplicada.
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APRESENTAR GFIP COM INCORREÇÕES ACERCA DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas improcedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela anulação da multa aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 12 40 /2 01 0- 03 Fl. 330DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10945.001240/201003 Acórdão n.º 2401004.865 S2C4T1 Fl. 331 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 290/295) interposto em face do Acórdão nº. 0236.438 (fls. 272/279), que julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, cuja ementa restou assim redigida: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com erros ou omissões constitui infração à legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES RELATIVAS AO GILRAT. As contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho são apuradas de acordo o grau de risco da atividade preponderante da empresa. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Tratase de lançamento por infringência ao art. 32, IV, ad Lei nº. 8.212/91, por ter a recorrente informado incorretamente nas GFIPs os campos relativos ao CNAE e ao CNAE preponderante, durante todo o período considerado pela ação fiscal de 06/2007 a 13/2009, segundo o relatório fiscal de fl. 5. O auditor fiscal elaborou: um demonstrativo no qual constam os campos da GFIP, não relacionados com a declaração de contribuições previdenciárias, informados de forma inexata ou omissa (Anexo I de fl. 36), dele se depreende que no campo relativo ao código CNAE não foi informado o código correto que seria “65.502/00”. Também se depreende que no campo relativo ao CNAE Preponderante também não foi informado o código correto que seria “86.101/11”. Além disso, o sujeito passivo declarou, a menor, de 06/2007 a 13/2009, contribuições devidas pela cooperativa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) por meio de Guias de Recolhimento de FGTS e Informação à Previdência Social – GFIP. Especificamente, o sujeito passivo informou o percentual de “1%”no campo das GFIP destinado à declaração da alíquota da GILRAT (Aliq RAT) quando o correto seria informar “2%”. De acordo com as informações do relatório fiscal da aplicação da multa (fl. 6) e da capa do Auto de Infração (fl.2), em decorrência da infração cometida foram aplicadas multas calculadas de acordo com a Lei nº 8.212/1991, artigo 32A, caput, inciso I e §§ 2º e 3º, na redação dada pela Medida Provisória – MP nº 449 de 3/12/2009, convertida na Lei nº 11.941, de 27/5/2009. Fl. 332DF CARF MF 4 Consta ainda do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa que em atenção ao que dispõe o Código Tributário Nacional – CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c”, foi realizada a comparação entre a multa calculada conforme a legislação vigente na data da lavratura (após edição da Medida Provisória MP nº 449, de 3/12/2008) e a multa aplicável conforme o que previa a legislação quando da ocorrência das infrações, com vistas a aplicar aquela mais favorável ao contribuinte. A fiscalização elaborou, ainda, uma tabela (Anexo II de fl. 37) na qual consta a apuração da multa, que seria aplicável por competência, em razão da incorreção nos campos da GFIP mencionados. O auditor fiscal juntou cópias de documentos, dentre os quais, cópias de GFIP enviadas pelo sujeito passivo nas quais podese observar: que de fato não foi informado nos campos da GFIP relativos ao CNAE e CNAE preponderante os códigos apontados como corretos pela fiscalização no relatório fiscal; e que a alíquota de contribuições relativas à GILRAT declarada pela empresa é de 1% (fls. 38/193). Intimado do referido acórdão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 290/295, alegando, em síntese: 1. Que a UNIMED de Foz do Iguaçu – Sede nada mais é do que uma sociedade de pessoas constituída para prestar serviços a associados, ou seja, prestação recíproca de um auxílio que vai substituir uma atividade; 2. Que para alcançar seu objeto social, a Unimed de Foz do Iguaçu conta com uma sede administrativa onde são realizados serviços de venda e administração do plano de Saúde e o Hospital Unimed, o qual desempenha atividades de natureza hospitalar; 3. Que a unidade autuada apenas desenvolve atividades administrativas relativas ao gerenciamento e comercialização de planos de saúde, e tendo em vista que não desenvolve atividades com grau de risco médio ou grave, não há que se falar em recolhimento superior a 1%; 4. Que a unidade autuada desenvolve tão somente a atividade de administração e comercialização de plano de saúde, não havendo que se falar em “atividade preponderante”, razão pela qual a Unimed não declarou serviços hospitalares como “atividade preponderante”. Incluído em pauta de julgamento do dia 11 de março de 2015, o julgamento do presente recurso voluntário foi convertido em diligência, por meio da resolução nº. 2401 000.456 (fls. 301/305), nos seguintes termos: Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10945.001240/201003 Acórdão n.º 2401004.865 S2C4T1 Fl. 332 5 Em atendimento à diligência requerida, foi proferido o Despacho Secat de fls. 327/328, prestando as seguintes informações: Assim, retornaram os autos a este e. Conselho e foram a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Mérito Tratase de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, vinculada ao lançamento de obrigação principal constituído por meio do AI 37.277.0878, no bojo do PAF nº. 10945.001117/201084, cujo acórdão foi juntado ao presente às fls. 321/324. Conforme se depreende daquele julgado, foi afastado o lançamento de obrigação principal ante o reconhecimento da correção do procedimento adotado pela contribuinte, qual seja, enquadramento da alíquota GILRAT da empresa, em razão da ativiadde preponderante em cada estabelecimento. Dessa forma, ante o reconhecimento da licitude e correção do procedimento adotado pela ora recorrente e o afastamento do lançamento da obrigação principal, não há como subsistir o presente lançamento por descumprimento de obrigação acessória, ao passo que não houve informação incorreta da alíquota GILRAT, sendo incabível a aplicação de multa por infringência ao disposto no art. 32, IV, ad Lei nº. 8.212/91. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725150/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Devem ser afastadas as arguições de inconstitucionalidade no que tange aos pressupostos jurídicos do lançamento, face ao enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FAP. QUESTIONAMENTO. COMPETÊNCIA.
Questionamentos relativos ao FAP devem ser formulados perante o órgão competente do Ministério da Previdência Social, não perante o CARF, que não possui tal atribuição.
COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte comprovar, mediante a apresentação de elementos de prova hábeis para tanto, a correção da compensação declarada.
Numero da decisão: 2402-005.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Devem ser afastadas as arguições de inconstitucionalidade no que tange aos pressupostos jurídicos do lançamento, face ao enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FAP. QUESTIONAMENTO. COMPETÊNCIA. Questionamentos relativos ao FAP devem ser formulados perante o órgão competente do Ministério da Previdência Social, não perante o CARF, que não possui tal atribuição. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar, mediante a apresentação de elementos de prova hábeis para tanto, a correção da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 51 50 /2 01 4- 63 Fl. 835DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 12448.725150/201463 Acórdão n.º 2402005.870 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, que julgou procedente o auto de infração DEBCAD nº 51.051.2569, cabendo transcrever, por bem resumir os fatos atinentes ao lançamento e impugnação, o relatório da decisão de primeira instância: 2. Conforme informado no Relatório Fiscal, fls. 31 a 40, a partir da competência 01/2010, além do RAT (SAT ou GILRAT) as empresas passaram a ser obrigadas a informar o FAP (Fator Acidentário Previdenciário), “que afere o desempenho da empresa dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período. O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000) e que será aplicado com quatro casas decimais sobre a alíquota RAT, conforme dispõe o art. 202A e seus parágrafos do Decreto nº 3.048/99.” Desse procedimento, temse o RAT ajustado, que consiste no resultado da multiplicação da alíquota RAT pelo FAP da empresa, ou seja, “alíquota RAT x alíquota FAP”. 3. Segundo apurado, o contribuinte informou como fator multiplicador do FAP, em todas as GFIPS do período fiscalizado, o valor 1,00, quando o correto seriam os valores discriminados na tabela a seguir: 4. O Relatório Fiscal também informa que o contribuinte não teria observado a alteração do enquadramento de risco da alíquota RAT, trazida pelo Anexo V do Decreto nº 6.957, de 9 de setembro de 2009, que alterou o Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com aplicabilidade a partir de janeiro de 2010, e que majorou a alíquota RAT do contribuinte de 2% para 3%. 5. Diante desse quadro, foi efetuado o lançamento da diferença do RAT sobre as remunerações dos segurados empregados constantes nas GFIP’s. 6. No procedimento fiscal também foi efetuada a glosa de compensação informada em GFIP, pois a empresa não apresentou comprovação dos valores compensados, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 001, fl. 315. 7. A fiscalização também informa a emissão de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos (TAB), que segue no processo 12448.725152/201452. 8. Cientificado do lançamento em 30/06/14, segundo Aviso de Recebimento (AR) de fl. 347, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 354 a 384, alegando, em síntese, que: Fl. 837DF CARF MF 4 a) a contribuição do RAT (SAT/GILRAT) “prevista no art. 22, inciso II da Lei 8.212/91, está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que a norma em análise deixou de observar o princípio da tipicidade, indispensável para a válida instituição de tributos”, pois não especifica quais atividades são de risco leve, médio e grave, deixando por conta de atos infralegais tal especificação; b) “o FAP também se encontra maculado por inconstitucionalidades insanáveis” O art. 10 da Lei nº 10.666, de 08/05/03, determinou que as alíquotas de 1%, 2% e 3% do GILRAT poderiam ser reduzidas em 50% ou aumentadas em 100%, mediante regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo, o que possibilitou a instituição do Fator Acidentário de Prevenção por meio do Decreto nº 6.957/09, porém, esse decreto ultrapassou “em muito a mera função regulamentar” e estabeleceu critérios que podem majorar as alíquotas do GILRAT através de um multiplicador variável, ou seja, aumentar tributo sem lei. Tal situação afronta o art. 150 da Constituição Federal e o art. 97 do Código Tributário Nacional; c) como o índice de desempenho comparativo das empresas, para cálculo do FAP, não é publicado, temse um caso de ofensa ao art. 37 da Constituição Federal, além de mitigar o “próprio direito de defesa da empresa, assim como os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa”; d) “com efeito, as Resoluções CNPS nº 1.308/09, 1.309/09 e 1.316/10, que previam a forma de cálculo FAP, também extrapolaram a função meramente regulamentadora, na medida em que contém carga normativa atinente à definição da alíquota de tributo, representando grave ofensa ao princípio da legalidade”; e) nos termos do art. 22A da Lei 8.213, de 1991, toda vez que ocorre um acidente de trabalho, a CAT (Comunicação de Acidentes de Trabalho) deve ser emitida pela empresa, a qual vai repercutir no FAP. Acontece que essa Lei nº 8.213, de 1991, traz um conceito bastante amplo de acidente e trabalho e, dessa forma, “nem sempre a emissão de uma CAT decorre de um risco ambiental inerente ao trabalho do empregado (fator que efetivamente importa para o FAP, como visto). Isto quer dizer, consequentemente, que na relação de CATs vinculadas a uma empresa haverão acidentes que não possuem qualquer relação com os riscos decorrentes do ambiente de trabalho.” Dessa forma, as CATs “não podem servir de parâmetro para o cálculo do FAP. Isto porque o art. 10 da Lei nº 10.666/2003 estabeleceu como parâmetro mínimo a incapacidade laborativa ocasionada pelos riscos ambientais do trabalho e assim, a inclusão de acidentes que não possuem qualquer relação com o ambiente de trabalho extrapolam os limites legais. Não há dúvida, portanto, que as Resoluções CNPS nº 1.308/09, 1.309/08 e 1.316/10, ao determinarem que sejam consideradas no FAP, indiscriminadamente, todas as CATs emitidas pela empresa, bem como os benefícios previdenciários concedidos a seus empregados, sem aferir daquelas CATs e/ou benefícios fundaramse no risco ambiental do trabalho do empregado, extrapola o limite mínimo da tributação estabelecido na Lei nº 10.666/2003”, razão pela qual concluise pela ilegalidade dessas resoluções; f) “outro ponto que merece destaque é o fato do art. 21a da Lei nº 8.213/91 ter possibilitado à Junta Médica do INSS caracterizar uma incapacidade como doença profissional, atribuindo natureza acidentária, sempre que verificar nexo epidemiológico entre o trabalho e o agravo.” Ora, o simples fato de o ‘agravo’ se ligar a determinado ‘trabalho’, já deveria o excluir do cálculo do FAP, já que, para este cálculo buscase não o risco da atividade, mas o risco do ambiente em que o trabalho é desenvolvido. Não há dúvidas, assim, que as Resoluções CNPS nº 1.308/09, 1.309/08 e 1.316/10 extrapolam (e muito) os limites da lei regulamentadora, fazendo com que sejam considerados, no cálculo FAP, eventos que não decorrem do risco ambiental. Por esta razão, deve também ser afastada a aplicação do FAP até que as ditas distorções sejam corrigidas”; Fl. 838DF CARF MF Processo nº 12448.725150/201463 Acórdão n.º 2402005.870 S2C4T2 Fl. 109 5 g) “a terceira infração imputada à Impugnante pela Fiscalização diz respeito à ausência de comprovação, por meio de documentos, da origem dos créditos compensados no período em referência. No entanto, cumpre esclarecer que tais créditos são oriundos de retenções na fonte realizadas pelos clientes da impugnante, tomadores dos serviços de cessão de mãodeobra prestados por ela (conforme contratos em anexo a esta impugnação), em estrito cumprimento ao disposto no art. 31 da Lei nº 8.212/91.” Dessa forma, “não há dúvida acerca da legitimidade dos créditos compensados, motivo pelo qual o auto de infração deve ser cancelado também quanto a este tópico”; h) a multa aplicada de 75% tem natureza nitidamente confiscatória, violando o Princípio do NãoConfisco, eis que grava sobremaneira o patrimônio da Recorrente”. Dessa forma, por flagrante inconstitucionalidade, deve ser anulada. 9. Diante dessas considerações, requer o Impugnante o cancelamento das contribuições para o GILRAT no importe de 3%, assim como o FAP majorado e, na remota hipótese de assim não se entender, que seja reduzida a multa aplicada. 10. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, foi distribuído o presente processo a esta DRJ de Curitiba/PR, para julgamento da impugnação. 11. Ao se cotejar as informações constantes das GFIPs transmitidas pela empresa (em consulta ao GFIPWeb) com os valores lançados no Discriminativo do Débito (DD) de fls. 4 a 14, constatouse a existência de divergência, para o ano de 20101, entre os valores lançados no discriminativo e os valores de compensação que aparecem nas GFIPs. Dessa forma, foram os autos baixados em diligência para que a fiscalização fizesse os devidos esclarecimentos (vide Despacho nº 788, de 15/09/14, fls. 739 e 740). 12. Em resposta à diligência, a fiscalização emitiu o despacho de fls. 743 e 744, no qual informa que, de fato, houve um equívoco em relação ao ano de 2010, sendo lançados na competência 01/2010 os valores referentes à competência 02/2010, na competência 02/2010 os valores da competência 03/2010 e assim por diante. Em razão disso, concluiu a fiscalização pela retificação do lançamento em relação ao ano de 2010, conforme a seguinte planilha (...) A exigência foi mantida pela instância recorrida (fls. 767/775), havendo sido realizadas no lançamento apenas as alterações correspondentes à revisão de ofício promovida pela DRF de origem. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 6/3/2015 (fls. 788/823), repisando os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mister destacar, de plano, que a ampla maioria dos questionamentos do contribuinte atémse a alegações de inconstitucionalidade do embasamento das exigências constantes no lançamento, em particular SAT/GILRAT, alíquota FAP e multa de ofício confiscatória. Diante de quadro e a despeito das ilações contidas na peça recursal, no sentido da possibilidade de conhecimento de matéria dessa natureza no contencioso administrativo tributário federal impõese a aplicação da Súmula CARF nº 2, forte no art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também os argumentos acerca da ilegalidade do FAP não prosperam, visto que eventual inconformidade quanto à alíquota determinada pelo Ministério da Previdência Social deveria ter ser vertida frente a órgão competente desse ministério, consoante já alertava o art. 72, § 5º da IN RFB nº 971/09: "O FAP atribuído à empresa poderá ser contestado perante o órgão competente no Ministério da Previdência Social, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de sua divulgação oficial", não sendo então competência do CARF dirimir controvérsias acerca do tema. Na espécie, registrese que não há notícia alguma de que o contribuinte tenha formulado contestação perante a administração previdenciária no tocante ao FAP, do que decorre restar preclusa no âmbito administrativo tal possibilidade, não se configurando o contencioso fiscal, repitase, em veículo hábil para tanto. Por fim, quanto às compensações glosadas, oportuno dizer que a autoridade tributária já considerou no lançamento as retenções devidamente comprovadas por documentos e notas fiscais apresentados, salientando, inclusive, que "os valores retidos nas notas fiscais foram totalmente aproveitados pela fiscalização no cotejamento com os valores devido a previdência social" (ver despacho às fls. 743/744). De sua parte, as compensações declaradas em GFIP não puderam ser acatadas, pois, como bem salientado no acórdão recorrido: (...) faltou o Impugnante apresentar informação sobre a competência em que os valores retidos foram utilizados e memória de cálculo das compensações efetuadas, informações essas que tinham sido solicitadas pela fiscalização, porém, o Impugnante limitouse a dizer que as compensações estão em estrito cumprimento com o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991 [na impugnação], bem como que não encontrou as caixas de arquivo com toda a documentação de Sefip do período solicitado e que os funcionários que tratavam da compensação não estão mais na empresa [na resposta ao Termo de Intimação]. Dessa forma, não há como se acatar a defesa pretendida. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 12448.725150/201463 Acórdão n.º 2402005.870 S2C4T2 Fl. 110 7 Cumpre esclarecer que não há ilegalidade alguma na requisição das memórias de cálculo e planilhas por parte da fiscalização, pois a compensação tem como pressuposto a demonstração, por parte do interessado, da existência de créditos líquidos e certos, bem como de sua escorreita vinculação aos débitos alegadamente adimplidos. Tal feito resta impossibilitado se o recorrente não traz memória de cálculo que possibilite à administração tributária, no exercício de suas prerrogativas explicitadas no art. 170 do CTN, aferir a correção da procedimento levado a efeito pelo sujeito passivo. Não é demasiado anotar que, tratandose de fato constitutivo de seu pretenso direito, ao referido incumbe tal ônus de prova, face ao disposto no art. 373, inciso I, do CPC. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 841DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720200/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.954
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 00 /2 01 2- 31 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.601. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905585/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.806
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 85 /2 01 2- 10 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.339, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000184/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 01 84 /2 01 0- 95 Fl. 322DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 2 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3402004.156 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. Tampouco cabe deliberar aqui a respeito da preliminar apreciada no acórdão recorrido, a respeito da existência de erro material na decisão da DRJ, no momento de cálculo do crédito tributário remanescente. Isso se dá em razão de tanto a preliminar quanto ao mérito terem sido apreciados, a despeito de apenas em relação a este último ter versado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que implica na definitividade do provimento em relação ao erro material apontado pelo Contribuinte. Nessa mesma linha, o provimento da decisão da 3ª CSRF foi exatamente no sentido de que se apreciasse os demais argumentos relativos ao mérito, que deixaram de ser deliberados em razão do provimento meritório. Apenas por razão de cautela, visando evitar omissões ou dificuldades de execução do acórdão, frisase esse ponto para esclarecer o motivo pelo qual tal preliminar não será enfrentada aqui, visto que não é possível nos manifestarmos sobre matéria que já foi julgada e, inclusive, transitou em julgado administrativo por ausência de manifestação. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 324DF CARF MF 4 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3402004.156 S3C4T2 Fl. 4 5 Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Fl. 326DF CARF MF 6 Tampouco caberia se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 327DF CARF MF
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