Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13558.000280/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em falta de motivação do ato. LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAR A REMUNERAÇÃO POR SEGURADO. INEXISTÊNCIA. Desde que comprovada a origem dos valores tomados como salário-de-contribuição, inexiste a necessidade de que na constituição do crédito previdenciário sejam individualizadas as remunerações de cada segurado. SERVIDORES PÚBLICOS NÃO AMPARADOS POR REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. ENCARGO PREVIDENCIÁRIO DE RESPONSABILIDADE DO ÓRGÃO PÚBLICO AO QUAL ESTÃO VINCULADOS. São segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, na condição de empregados, os servidores públicos não amparados por Regime Próprio de Previdência Social, devendo o órgão público empregador recolher as contribuições sócias incidentes sobre a remuneração dos mesmos. TRABALHADORES CONTRATADOS TEMPORARIAMENTE PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA ATENDER A NECESSIDADE EXCEPCIONAL OU SEM CONCURSO PÚBLICO. ENQUADRAMENTO PREVIDENCIÁRIO NA CONDIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Os trabalhadores contratados pela Administração Pública nos moldes do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal, bem como aqueles que ingressaram irregularmente sem concurso público, são segurados obrigatórios do RGPS na condição de segurados empregados. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em falta de motivação do ato. LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAR A REMUNERAÇÃO POR SEGURADO. INEXISTÊNCIA. Desde que comprovada a origem dos valores tomados como salário-de-contribuição, inexiste a necessidade de que na constituição do crédito previdenciário sejam individualizadas as remunerações de cada segurado. SERVIDORES PÚBLICOS NÃO AMPARADOS POR REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. ENCARGO PREVIDENCIÁRIO DE RESPONSABILIDADE DO ÓRGÃO PÚBLICO AO QUAL ESTÃO VINCULADOS. São segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, na condição de empregados, os servidores públicos não amparados por Regime Próprio de Previdência Social, devendo o órgão público empregador recolher as contribuições sócias incidentes sobre a remuneração dos mesmos. TRABALHADORES CONTRATADOS TEMPORARIAMENTE PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA ATENDER A NECESSIDADE EXCEPCIONAL OU SEM CONCURSO PÚBLICO. ENQUADRAMENTO PREVIDENCIÁRIO NA CONDIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Os trabalhadores contratados pela Administração Pública nos moldes do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal, bem como aqueles que ingressaram irregularmente sem concurso público, são segurados obrigatórios do RGPS na condição de segurados empregados. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 13558.000280/2010-81
anomes_publicacao_s : 201208
conteudo_id_s : 5167410
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2401-002.591
nome_arquivo_s : Decisao_13558000280201081.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 13558000280201081_5167410.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4289811
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216062357504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 91 1 90 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.000280/201081 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.591 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ÓRGÃO PÚBLICO Recorrente MUNICÍPIO DE ITAJUÍPE PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em falta de motivação do ato. LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAR A REMUNERAÇÃO POR SEGURADO. INEXISTÊNCIA. Desde que comprovada a origem dos valores tomados como saláriode contribuição, inexiste a necessidade de que na constituição do crédito previdenciário sejam individualizadas as remunerações de cada segurado. SERVIDORES PÚBLICOS NÃO AMPARADOS POR REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. ENCARGO PREVIDENCIÁRIO DE RESPONSABILIDADE DO ÓRGÃO PÚBLICO AO QUAL ESTÃO VINCULADOS. São segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, na condição de empregados, os servidores públicos não amparados por Regime Próprio de Previdência Social, devendo o órgão público empregador recolher as contribuições sócias incidentes sobre a remuneração dos mesmos. TRABALHADORES CONTRATADOS TEMPORARIAMENTE PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA ATENDER A NECESSIDADE EXCEPCIONAL OU SEM CONCURSO PÚBLICO. ENQUADRAMENTO PREVIDENCIÁRIO NA CONDIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 02 80 /2 01 0- 81 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Os trabalhadores contratados pela Administração Pública nos moldes do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal, bem como aqueles que ingressaram irregularmente sem concurso público, são segurados obrigatórios do RGPS na condição de segurados empregados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13558.000280/201081 Acórdão n.º 2401002.591 S2C4T1 Fl. 92 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.233.3958, lavrado contra o contribuinte acima identificado para exigência das contribuições dos segurados. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 27/30, os fatos geradores foram os pagamentos de remuneração pelo ente público aos seus servidores, sendo tributados os valores constantes nas folhas de pagamento e não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, no período compreendido entre 01 e 07/2009. Verificase que os valores constantes nas folhas de pagamento na rubrica “SalárioFamília” foram deduzidos na apuração. A Municipalidade apresentou defesa, fls. 37/47, cujas razões não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Salvador (BA), que manteve integralmente o crédito, fls. 56/58. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 62 e segs., no qual alegou, em síntese, que: a) o lançamento encontrase viciado quanto aos seus objeto e motivo, o que leva a necessidade de nulificação do mesmo; b) a verificação da ocorrência do fato gerador passa obrigatoriamente pela identificação dos segurados, condição indispensável à constituição do crédito tributário. Todavia, esse procedimento não está presente no questionado AI; c) por força do inciso X do art. 37 da Carta Magna, a remuneração dos servidores públicos somente podem ser fixada ou alterada por lei específica, assim os valores constantes em folha de pagamento que não atendam a esse requisito não podem ser considerados remuneração para fins de incidência de contribuições previdenciárias; d) as quantias constantes na folha de pagamento não são base válida de incidência de contribuições sociais, uma vez que ali há parcelas excedentes daquelas fixada em lei, as quais, não sendo remuneração, devem ser tratadas como verbas de caráter indenizatório; além de que há outras parcelas que não poderiam ser incluídas na base de cálculo em razão de possuírem caráter remuneratório; e) não há incidência de contribuição sobre os valores pagos aos prestadores de serviço contratados sem concurso público, posto que a jurisprudência tem entendido que esses trabalhadores fazem jus apenas à contrapartida pelo serviço executado, sendo que o estipêndio utilizado para tal efeito consiste de verba de natureza indenizatória, nos termos do § 2.º do art. 37 da Lei Magna; f) o STF decidiu que a contratação temporária para atender a excepcional interesse público não traduz relação de trabalho, impossibilitando que os prestadores nessas Fl. 93DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 condições possam ser enquadrados como segurados, conforme previsão do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991; g) a possibilidade de incluir os contratados por tempo determinado para atender a interesse público inadiável como empregados vem prevista apenas no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, o que fere o princípio tributário da reserva legal; h) não há de se aplicar aos contratados para prestarem serviços excepcionais o § 13 do art. 40 da Constituição Federal, posto que aí não se trata de cargo temporário, mas de contrato temporário para atender a demanda inadiável; i) a Prefeitura Municipal desenvolve atividade preponderante de ensino, na qual envolve a maioria da mão de obra a seu serviço, que tem grau de risco leve, assim, a alíquota RAT correta é 1%. Por fim, com arrimo nas alegações acima, pede o cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13558.000280/201081 Acórdão n.º 2401002.591 S2C4T1 Fl. 93 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Apuração das contribuições sem individualizar os segurados Alega o sujeito passivo que houve ofensa ao art. 142 do CTN no presente lançamento, haja vista que não se individualizou a remuneração de cada um dos segurados que lhe prestaram serviço. Não lhe devo dar razão. O art. 142 do CTN assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Para mim, os encargos previstos no dispositivo acima foram suficientemente cumpridos pelo fisco. Os fatos geradores foram identificados como os pagamentos constantes nas folhas de salário que não foram declarados na GFIP. As bases de cálculo estão delineadas no Discriminativo do Débito, fls. 04/05, o qual também apresenta as contribuições devidas e os juros e multa incidentes. É improcedente a afirmação de que a falta de individualização da remuneração por segurado inviabilizaria a verificação do fato gerador. Na espécie, não se está tratando de nenhum segurado específico, mas de verbas que constam nas folhas de pagamento, sem que tenham sido declaradas em GFIP e recolhidas as contribuições correspondentes. Observese que a apuração tomou como base os valores registrados nas folhas de pagamento como descontados dos segurados. Portanto, a apuração está em perfeita sintonia com os dados extraídos dos documentos apresentados pela recorrente. Verificase, nessa toada, que o fisco adotou os valores constantes nos demonstrativos da apresentados pela empresa para apurar a base de cálculo, descabendo a alegação de que foram incluídos parcelas indenizatórias, até porque a recorrente não indicou precisamente qual o excesso de saláriodecontribuição foi detectado. Ressaltese que o fisco informou que foram deduzidos na apuração os valores constantes nas folhas de pagamento como saláriofamília. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Nulidade do lançamento Tomando como referência o tópico antecedente, percebese nitidamente que carece de amparo fático o argumento de que o lançamento estaria viciado em razão de ausência de motivo, uma vez que resta demonstrado no Relatório Fiscal e anexos que a Prefeitura autuada deixou de declarar em GFIP e recolher a totalidade das remunerações pagas aos empregados a seu serviço, sendo esta o origem da lavratura. Verbas constantes na folha de pagamento A recorrente apresenta o argumento de que somente poderiam ser tomadas como base de cálculo do lançamento as verbas salariais expressamente previstas em lei específica, posto que as demais não são consideradas remuneração dos servidores públicos, por esse motivo teriam caráter indenizatórios. Os servidores públicos, não amparados por Regime Próprio de Previdência Social, são segurados obrigatórios, conforme interpretação a contrário senso do art. 13 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. Nos termos do art. 15, I, da mesma Lei, os órgãos públicos são equiparados às empresas, como se vê: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...)(grifei) Considerandose que os servidores públicos prestam serviço de natureza não eventual, sob subordinação e mediante o pagamento de remuneração, não há dúvida que o enquadramento previdenciários dos mesmos é na condição de segurados empregados, conforme o inciso I do art, 12 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) Nesse sentido, a Prefeitura de Itajuípe teria, nos termos do art. 30, I, “a”, da Lei n.º 8.212/1991, que reter e recolher as contribuições dos empregados a seu serviço. Eis o dispositivo: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13558.000280/201081 Acórdão n.º 2401002.591 S2C4T1 Fl. 94 7 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Como já visto alhures, a Autoridade Fiscal considerou como base de cálculo os valores que a autuada tratou como “Base do INSS” em sua folha de pagamento. Estranhamente, na defesa e agora no recurso, a Prefeitura advoga que ali estão incluídas verbas não integrantes da remuneração do funcionalismo, todavia, sem indicar expressamente quais verbas estariam fora do conceito de saláriodecontribuição. Diante dessa situação, não devo acatar a tese recursal, posto que carente de maiores esclarecimentos e provas robustas que pudessem alterar o lançamento. Sobre essa questão vale trazer à baila o que dispõe Decreto n. 70.235/1972, ao tratar da questão: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Nítido é o ônus do contribuinte de fazer prova dos fatos que articula. No caso em tela, verifico que poderia ter sido acostada tabela em que a recorrente apresentasse quais valores teriam sido tributados indevidamente. Nesse diapasão, não devo reconhecer a alegada inclusão indevida de rubricas não suscetíveis de tributação na base de cálculo do lançamento. O enquadramento previdenciário dos contratados temporariamente nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal e dos contratados sem concurso público Alega a recorrente que os trabalhadores contratados para atender a interesse excepcional da Administração Pública, bem como os que ingressaram irregularmente por não terem sido aprovados em concurso público, não podem ser considerados segurados do Regime Geral de Previdência Social por falta de fundamento jurídico. Essa tese não merece sucesso. É que, conforme vimos no tópico anterior, todo aquele que presta serviço a empresa – a qual é equiparado o órgão público – em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração, é segurado empregado da Previdência Social. Ora, em razão do princípio da universalidade da participação nos planos previdenciários, previsto na alínea “a” do Parágrafo Único do art. 3.º da Lei n.º 8.212/1991, não se pode negar a cobertura previdenciária a esses trabalhadores. Por outro lado, os mesmos Fl. 97DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 não podem ser filiados a regime próprio de previdência, por força do art. 40, “caput” da Constituição Federal, assim redigido após a Emenda Constitucional n.º 41/2003: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. A única forma, portanto, de garantir aos contratados por tempo determinado ou sem concurso o direito constitucional à filiação à Previdência Social é abrigálos no RGPS, na condição de segurados empregados, posto que preenchem os requisitos da alínea “a” do inciso I do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991, acima transcrito. Portanto, legítimo o procedimento do fisco de incluir a remuneração dos trabalhadores contratados nos termos do inciso IX do art. 37 da Carta Magna e aqueles com ingresso irregular sem concurso, na base de cálculo das contribuições lançadas. Frisese ainda que o sujeito passivo sequer demonstrou que na apuração havia servidores irregulares em razão da falta de aprovação em concurso público após a promulgação da Constituição de 1988. Alíquota RAT A alegação recursal referente a erro na aplicação da alíquota RAT é impertinente no lançamento sob cuidado, haja vista que o mesmo diz respeito exclusivamente á contribuição dos segurados. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 98DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001151/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009
INCONSTITUCIONALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
INFRAÇÃO CONTINUADA - ÂMBITO PREVIDENCIÁRIO - INEXISTÊNCIA
Não há que se reconhecer a aplicação do instituto da infração continuada no âmbito das contribuições previdenciárias uma vez que a legislação específica não trata da matéria
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.168
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais INFRAÇÃO CONTINUADA - ÂMBITO PREVIDENCIÁRIO - INEXISTÊNCIA Não há que se reconhecer a aplicação do instituto da infração continuada no âmbito das contribuições previdenciárias uma vez que a legislação específica não trata da matéria Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11070.001151/2010-58
anomes_publicacao_s : 201211
conteudo_id_s : 5175900
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2402-003.168
nome_arquivo_s : Decisao_11070001151201058.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11070001151201058_5175900.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ana Maria Bandeira- Relatora. Júlio César Vieira Gomes Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues
dt_sessao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4390962
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216065503232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001151/201058 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.168 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2012 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente SÃO FRANCISCO SERV. ADM E AUXILIARES PARA HOSPITAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais INFRAÇÃO CONTINUADA ÂMBITO PREVIDENCIÁRIO INEXISTÊNCIA Não há que se reconhecer a aplicação do instituto da infração continuada no âmbito das contribuições previdenciárias uma vez que a legislação específica não trata da matéria Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 11 51 /2 01 0- 58 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11070.001151/201058 Acórdão n.º 2402003.168 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 41/43), a autuada teria se enquadrado no SIMPLES NACIONAL – Lei Complementar 123 e recolheu apenas os valores descontados dos empregados e contribuintes individuais, Em razão de a empresa realizar atividade econômica vedada à opção, foi emitido Ato Declaratório de Exclusão do referido sistema, com efeitos a partir de 24/01/2008. Os fatos geradores das contribuições são os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais apurados na documentação da empresa. A autuada teve ciência do lançamento em 23/06/2010 e apresentou defesa (fls. 53/90), onde alega a contribuição incidente sobre os valores pagos a contribuintes individuais seria inconstitucional. Apresenta a mesma alegação quanto à contribuição do SAT, bem como do adicional para o financiamento da aposentadoria especial. Solicita que seja aplicado o princípio da retroatividade benigna, no que tange ao cálculo da multa que considera exorbitante. Clama pela aplicação do princípio da infração continuada, ou seja, a aplicação de uma única multa. Menciona o art. 112, inciso IV do Código Tributário nacional, segundo o qual é possível adotar uma interpretação mais favorável ao acusado, em caso de dúvida sobre à natureza da penalidade aplicável ou sua graduação. Protesta pela produção de prova documental e pericial. Pelo Acórdão nº 1236.747 (fls. 100/106) a 14ª turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo, onde repete as alegações de defesa. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente questiona o lançamento das contribuições incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais, como também a contribuição destinada ao SAT. Todas as contribuições mencionadas foram lançada com suporte em dispositivo legal vigente e, em obediência ao princípio da legalidade, não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seria inconstitucional. A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” Fl. 165DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11070.001151/201058 Acórdão n.º 2402003.168 S2C4T2 Fl. 4 5 A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 07/12/2010, por meio da Portaria CARF nº 49, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A recorrente pretende que seja aplicado o princípio da retroatividade benigna da lei previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, no que tange ao cálculo da multa e afirma que os dispositivos trazidos pela Lei nº 11.941/2009 cominariam penalidades menos severas. Foi lançada contra a recorrente a multa de ofício prevista no inciso I, do art. 44, a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Percebese o equívoco da recorrente, uma vez que o período do lançamento é posterior à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Portanto, já foi aplicada a legislação atual e não há que se falar em retroatividade da lei. A recorrente alega que a infração cometida seria continuada e a multa aplicável apenas em relação a uma ocorrência. Cumpre dizer que tal instituto é originário do Código Penal e a menos que a legislação específica que trata das contribuições previdenciárias dispusesse de forma expressa sobre a existência de infração continuada, a tese não pode ser aplicada. E como é sabido, tanto a Lei nº 8.212/1991 como o seu Regulamento nada trazem a respeito do tema. Assim, voto por CONHECER o recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 166DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.919022/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/10/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO
Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp transmitida, homologa-se a compensação do débito fiscal.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
O pagamento a maior da contribuição para o PIS, em decorrência da utilização indevida do regime não cumulativo, devidamente comprovado, é passível de restituição/compensação.
Numero da decisão: 3301-001.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator.
(Assinado Digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jose Adão Vitorino de Morais Redator - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp transmitida, homologa-se a compensação do débito fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO O pagamento a maior da contribuição para o PIS, em decorrência da utilização indevida do regime não cumulativo, devidamente comprovado, é passível de restituição/compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 15374.919022/2009-11
anomes_publicacao_s : 201210
conteudo_id_s : 5174400
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 3301-001.585
nome_arquivo_s : Decisao_15374919022200911.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 15374919022200911_5174400.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais Redator - Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4346780
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:54:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216083329024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 400 1 399 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.919022/200911 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 3301001.585 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2012 Matéria PIS DCOMP Recorrente RASH ADMINISTRAÇÃO DE HOTÉIS E TURISMO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2004 HOSPEDAGEM. DIÁRIAS. RECEITAS. CUMULATIVIDADE. As receitas decorrentes de diárias de hospedagem em hotéis estão sujeitas ao PIS cumulativo. INDÉBITO. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O pagamento a maior da contribuição para o PIS, em decorrência da utilização indevida do regime não cumulativo, devidamente comprovado, é passível de restituição/compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/10/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp transmitida, homologase a compensação do débito fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 90 22 /2 00 9- 11 Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 11 /09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal de PIS, vencido em 14/10/2005, declarado na Dcomp às fls. 03/06, protocolada em 14/10/2005, com saldo credor de PIS não cumulativo, decorrente de pagamento a maior, referente à competência de setembro de 2004, recolhida em 15/10/2004. Por meio do Despacho Decisório às fls. 09, a Derat no Rio de Janeiro não homologou a compensação do débito declarado sob o fundamento de inexistência do crédito financeiro utilizado. Cientificada da não homologação, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “3.1 O art. 1º da Portaria Interministerial nº 33, publicada no D.O.U. de 04/03/2005, estabeleceu que as receitas auferidas por pessoa jurídica, decorrentes da prestação de serviços de hotelaria ficam sujeitas ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; 3.2 O art. 5º da referida Portaria estabeleceu que esta entraria em vigor na data de usa publicação, produzindo efeitos a parir de 1º de maio de 2004; 3.3 O recolhimento da contribuição foi efetuado pelo regime não cumulativo, em relação a todas as receitas; 3.4 Quando o cálculo foi refeito, nos termos da referida Portaria, as diárias de hospedagens, segundo o regime cumulativo, ficaram submetidas à alíquota menor, reduzindo o valor a pagar da contribuição; e 3.5 Com isso, o valor total da contribuição passou de R$ 21.941,73 para R$ 14.895,76, gerando um crédito de R$ 7.045,97.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a não homologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 1332.886, datado de 20/12/2010, às fls. 147/150, sob as seguintes ementas: “CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (156/170) requerendo a sua reforma a fim que se homologue a compensação do débito declarado, Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 11 /09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.919022/200911 Acórdão n.º 3301001.585 S3C3T1 Fl. 401 3 alegando, em síntese, que apurou e pagou a contribuição, referente à competência de setembro de 2004, pelo regime não cumulativo, à alíquota de 1,65 %. Contudo, segundo o art. 1º da Portaria Interministerial nº 33, de 04/03/2005, com produção de efeitos a parir de 1º de maio de 2004 (art. 5º), as receitas decorrentes da prestação de serviços de hotelaria continuavam sujeitas ao regime de incidência cumulativa, à alíquota de 0,65 %. Para aquele mês, apurou contribuição pelo regime não cumulativo, no valor de R$21.941,73, quando o correto, levando se em conta aquela Portaria, seria o valor de R$14.895,76, resultando um indébito de R$7.045,97. Parte deste valor foi utilizada na Dcomp nº 28838.27345.110805.1.3.042752, remanescendo um saldo de R$259,30, utilizado na Dcomp em discussão. O darf, a DCTF e a documentação, ora carreados aos autos, provam os referidos valores. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu a contribuição para o PIS com incidência não cumulativa, assim dispõe: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...). Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III – as pessoas jurídicas optantes pelo Simples; IV – as pessoas jurídicas imunes a impostos; (...); Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 11 /09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 VII – as receitas decorrentes das operações: (...); b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep; c) referidas no art. 5º da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX (VETADO) X as sociedades cooperativas; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XI as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.” De acordo com estes dispositivos legais, a recorrente e todas as suas receitas estariam sujeitas à contribuição com incidência não cumulativa. No entanto, em 03 de março de 2005, foi expedida a Portaria Interministerial nº 33, dando tratamento diferenciado às receitas de hospedagem assim dispondo: “Art. 1º As receitas auferidas por pessoa jurídica, decorrentes da exploração de parques temáticos, da prestação de serviços de hotelaria ou de organização de feiras e eventos, ficam sujeitas ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Art. 2º Para os fins do disposto no art. 1º considerase: (...); II serviço de hotelaria, a oferta de alojamento temporário para hóspedes, por meio de contrato tácito ou expresso de hospedagem, mediante cobrança de diária pela ocupação de unidade habitacional com as características definidas pelo Ministério do Turismo; (...). Art. 4º As receitas decorrentes da prestação de qualquer serviço que não esteja relacionado no art. 2º não estão abrangidas pelo regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata esta Portaria. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de maio de 2004.” Portanto, segundo esta Portaria, as receitas de hospedagem estão sujeitas à contribuição pelo regime cumulativo. As demais receitas, ou sejam, de vendas de mercadorias continuam sujeitas ao PIS não cumulativo, exceto aquelas sujeitas ao regime monofásico, como bebidas. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 11 /09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.919022/200911 Acórdão n.º 3301001.585 S3C3T1 Fl. 402 5 A recorrente alega que apurou e recolheu a contribuição referente à competência de setembro de 2004, pelo regime não cumulativo, à alíquota de 1,65¨%, quando o correto, à alíquota de 0,65%. Para comprovar suas alegações, elaborou o Demonstrativo de Apuração de PIS e Cofins – Setembro de 2004 às fls. 43 (fls. 64), no qual apurou contribuição pelo regime cumulativo sobre receitas de hospedagem, no valor de R$8.083,26. e pelo regime não cumulativo, no valor de R$10.149,62 do qual se deduziu os créditos no valor de R$3.337,12, resultando contribuição devida por este regime, no valor de R$6.812,50 que somada com a devida no regime cumulativo totalizou R$14.895,766. Os valores constantes daquele demonstrativo estão de conformidade com os valores escriturados nas cópias do Comprovante de Arrecadação às fls. 237 (fls. 177), da DCTF às fls. 239 (fls. 179) e do balancete (receitas) de setembro de 2004 às fls. 257/258 (fls. 197/198). Dessa forma, provado que a recorrente recolheu R$21.941,73, comprovados no despacho decisório, resultou indébito tributário de R$7.045,97, passível de restituição/ compensação. Em seu recurso voluntário, informou que parte deste indébito, no valor de R$6.824,40, foi utilizada na Dcomp nº 28838.27345.110805.1.3.042752, e o saldo remanescente, no valor de R$221,57, declarado na Dcomp em discussão. A homologação de compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente faz jus à repetição/compensação do indébito decorrente de pagamento a maior do PIS referente à competência de setembro de 2004, declarado na Dcomp em discussão, cujo valor acrescido de juros moratórios, nos termos da legislação tributária, é suficiente para extinguir o débito compensado. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 11 /09/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002054/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ITR. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. SOBRAS LÍQUIDAS DISTRIBUÍDAS PELAS SOCIEDADES COOPERATIVAS AOS COOPERADOS. Integram a receita da atividade rural dos cooperados as sobras, líquidas da destinação para constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social das Sociedades Cooperativas, quando creditadas, distribuídas ou capitalizadas por estes aos associados produtores rurais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 30/10/2012
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ITR. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. SOBRAS LÍQUIDAS DISTRIBUÍDAS PELAS SOCIEDADES COOPERATIVAS AOS COOPERADOS. Integram a receita da atividade rural dos cooperados as sobras, líquidas da destinação para constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social das Sociedades Cooperativas, quando creditadas, distribuídas ou capitalizadas por estes aos associados produtores rurais. Recurso negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10925.002054/2008-05
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5177591
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 2201-001.864
nome_arquivo_s : Decisao_10925002054200805.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10925002054200805_5177591.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4418586
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216095911936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.002054/200805 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.864 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente LUIZ CARLOS CHIOCCA Recorrida DRJFLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ITR. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. SOBRAS LÍQUIDAS DISTRIBUÍDAS PELAS SOCIEDADES COOPERATIVAS AOS COOPERADOS. Integram a receita da atividade rural dos cooperados as sobras, líquidas da destinação para constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social das Sociedades Cooperativas, quando creditadas, distribuídas ou capitalizadas por estes aos associados produtores rurais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 30/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 20 54 /2 00 8- 05 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório LUIZ CARLOS CHIOCCA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJFLORIANÓPOLIS/SC (fls. 71) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/12, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 144.733,54, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 287.301,42. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos da atividade rural. Segundo o relatório, os rendimentos em questão correspondem a valores recebidos da Cooperativa Regional Agropecuária de Campo Novo – COPERCAMPOS, oriunda de distribuição de sobras apuradas pela mesma, nas datas de 31/02/2004, 31/03/2005 e 31/04/2006. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o lançamento baseouse em dispositivo legal que trata da cobrança de PIS e Cofins das cooperativas agropecuárias, nada dispondo sobre a tributação do Imposto de Renda Pessoa Física — Lei n.° 10.676, de 2003; que a tributação do resultado da atividade rural está disciplinado no art. 63 do Decreto nº 3.000/99 — RIR99; que as sobras líquidas incorporadas em sua conta de capital na Copercampos não lhe foram disponibilizadas, creditadas ou distribuídas; que as sobras de balanço das cooperativas de produção agropecuária somente serão oferecidas à tributação quando distribuídas e não no momento do registro em sua conta capital; que o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou seja, a disponibilidade de renda ou proventos de qualquer natureza, fato este que não se deu. Requer, pois, o cancelamento do Auto de Infração. A DRJFLORIANÓPOLIS/SC julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, ao contrário do que foi alegado, as sobras líquidas distribuídas pela Copercampos, incorporadas à sua conta de capital, integram a receita bruta da atividade rural, sujeitandose à tributação do imposto de renda em suas declarações de rendimentos, nos termos do § 1º do art. 1º da Lei nº 10.676, de 2003; que, no caso, o Contribuinte optou pela tributação do resultado da atividade rural com base na diferença entre o valor da receita bruta auferida e o valor das despesas de custeio e investimentos pagas nos anoscalendário em questão, e apurou saldo positivo, e que, portanto, o valor da receita omitida deve ser integralmente acrescida à base de cálculo do imposto. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 16/08/2011 (fls. 79) e, em 05/09/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 81/92, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, a alegação de que os valores referentes às sobras líquidas não foram disponibilizadas economicamente, mas apenas capitalizadas; que a simples capitalização não significa disponibilização; que os valores em questão foram retidos pela Cooperativa e não foram disponibilizados aos cooperados, sendo utilizados pela cooperativa para a realização de novos investimentos na atividade onde o associado participa. Argumenta também, com base no art. 4º, § 2º e art. 6º da Lei nº 8.023, de 1990, que os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento, e que se considera investimento a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.002054/200805 Acórdão n.º 2201001.864 S2C2T1 Fl. 3 3 aplicação de recursos financeiros para a expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola e que, portanto, o mesmo valor capitalizado teria sido investido na cooperativa “que é a empresa do produtor”, de acordo com a Lei Cooperativista 5.764/71, artigo 4º. Argumenta, ainda, que, se foram omitidos os valores das receitas referentes às sobras líquidas, também teriam sido omitidas as despesas de investimento. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, tratase de omissão de rendimentos da atividade rural, tendo sido considerado como receitas omitidas valores capitalizados em favor do Recorrente, na cooperativa Copercampos, referente a sobras líquidas. O que se discute neste processo, pelos argumentos da defesa, é a incidência do imposto sobre as tais sobras, consideradas as circunstâncias deste caso. Vejamos o que dispõe a legislação a respeito da tributação do resultado da atividade rural, especialmente os artigos. 63, 67, 68 e 71 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 63. Considerase resultado da atividade rural a diferença entre o valor da receita bruta recebida e o das despesas pagas no anocalendário, correspondente a todos os imóveis rurais da pessoa física (Lei n°8.023, de 1990, art. 4°, e Lei n° 8.383, de 1991, art. 14). [...] Art. 67. Constitui resultado tributável da atividade rural o apurado na forma do art. 63, observado o disposto nos arts. 61, 62 e 65 (Lei n°8.023, de 1990, art. 7°). Art. 68. 0 resultado da atividade rural, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto, na declaração de rendimentos e, quando negativo, constituirá prejuízo compensável na forma do art. 65 (Lei n°9.250, de 1995, art. 9°). [...] Art. 71. À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá a vinte por cento da receita bruta do ano calendário, observado, o disposto no art. 66 (Lei 8.023, de 1990, art. 5°). Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Especificamente quanto à matéria objeto deste processo, o § 1.° do art. 1º da Lei n° 10.676, de 22 de maio de 2003, estabelece que as sobras líquidas apuradas pelas cooperativas de produção agropecuárias colocadas à disposição dos cooperados, integram a receita bruta da atividade rural, vejamos: Art. 1° As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n°5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1° As sobras liquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuária. (destaquei) A Instrução Normativa SRF n° 83, de 11 de Outubro de 2001, no seu art. 5º, § 2º, inciso VI, expediu a seguinte orientação: Art. 5º. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 2° exploradas pelo próprio vendedor. § 2° Integram também a receita bruta da atividade rural: VI as sobras líquidas decorrentes da comercialização de produtos agropecuários, apuradas na demonstração do resultado do exercício e distribuídas pelas sociedades cooperativas de produção aos associados produtores rurais. (destaquei) Sobre a alegação que a autuação tomou por base legislação que trata do PIS e CONFIN, tratase de um evidente equívoco. Embora, de fato, o caput do art. 1º da Lei nº 10.676, de 22 de maio de 2003 se refira ao PIS e à COFINS das cooperativas, o § 1º do mesmo artigo se refere à tributação, pelos cooperados, das sobras líquidas, definindo o momento em que estas deverão integrar a receita bruta da atividade rural destes. Notese que sobre a inclusão das tais sobras líquidas decorrentes de comercialização de produtos no resultado da atividade rural, não há controversia, pois se trata, efetivamente, de receitas da comercialização de produtos; o que o dispositivo acima define é apenas o momento em que deve integrar a receita para fins de apuração do resultado da atividade rural. Quanto à alegação de que o Contribuinte não recebeu os rendimentos e que os valores correspondentes foram capitalizados, o art. 61 do RIR/99 que relaciona os itens que integram a receita bruta da atividade rural não deixa margem a dúvidas quanto à caracterização da receita neste caso, senão vejamos: Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor. § 1º Integram também a receita bruta da atividade rural: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.002054/200805 Acórdão n.º 2201001.864 S2C2T1 Fl. 4 5 I os valores recebidos de órgãos públicos, tais como auxílios, subvenções, subsídios, aquisições do Governo Federal AGF e as indenizações recebidas do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária PROAGRO; II o montante ressarcido ao produtor agrícola, pela implantação e manutenção da cultura fumageira; III o valor da alienação de bens utilizados, exclusivamente, na exploração da atividade rural, exceto o valor da terra nua, ainda que adquiridos pelas modalidades de arrendamento mercantil e consórcio; IV o valor dos produtos agrícolas entregues em permuta com outros bens ou pela dação em pagamento; V o valor pelo qual o subscritor transfere os bens utilizados na atividade rural, os produtos e os animais dela decorrentes, a título da integralização do capital. § 2ºOs adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. §3ºNas vendas de produtos com preço final sujeito à cotação da bolsa de mercadorias ou à cotação internacional do produto, a diferença apurada por ocasião do fechamento da operação compõe a receita da atividade rural no mês do seu recebimento. §4º Nas alienações a prazo, deverão ser computadas como receitas as parcelas recebidas, na data do seu recebimento, inclusive a atualização monetária. § 5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais.(destaquei) Como se vê, a entrega de bens em permuta ou como dação em pagamento (inciso IV) integra a receita da atividade rural e é precisamente o que se tem neste caso. O fato de as sobras líquidas a que o Contribuinte fazia jus não lhe terem sido entregues em dinheiro, mas convertias em participação no capital da cooperativa não descaracteriza a receita da atividade rural. E sobre a alegação de que a aplicação em capital da cooperativa caracteriza investimento, da mesma forma, o art. 62 do mesmo RIR/99 esclarece este ponto, a saber: Art. 62. Os investimentos serão considerados despesas no mês do pagamento (Lei nº 8.023, de 1990, art. 4º, §§ 1º e 2º). § 1º As despesas de custeio e os investimentos são aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 fonte produtora, relacionados com a natureza da atividade exercida. § 2º Considerase investimento na atividade rural a aplicação de recursos financeiros, durante o anocalendário, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade e seja realizada com (Lei nº 8.023, de 1990, art. 6º): I benfeitorias resultantes de construção, instalações, melhoramentos e reparos; II culturas permanentes, essências florestais e pastagens artificiais; III aquisição de utensílios e bens, tratores, implementos e equipamentos, máquinas, motores, veículos de carga ou utilitários de emprego exclusivo na exploração da atividade rural; IV animais de trabalho, de produção e de engorda; V serviços técnicos especializados, devidamente contratados, visando elevar a eficiência do uso dos recursos da propriedade ou exploração rural; VI insumos que contribuam destacadamente para a elevação da produtividade, tais como reprodutores e matrizes, girinos e alevinos, sementes e mudas selecionadas, corretivos do solo, fertilizantes, vacinas e defensivos vegetais e animais; VII atividades que visem especificamente a elevação sócio econômica do trabalhador rural, tais como casas de trabalhadores, prédios e galpões para atividades recreativas, educacionais e de saúde; VIII estradas que facilitem o acesso ou a circulação na propriedade; IX instalação de aparelhagem de comunicação e de energia elétrica; X bolsas para formação de técnicos em atividades rurais, inclusive gerentes de estabelecimentos e contabilistas. Como se vê, os itens considerados investimento da atividade rural estão relacionados no dispositivo acima reproduzido e todos eles cuidam de aplicações de capital diretamente na melhoria da produção e da produtividade, o que não inclui a participação em cooperativa. Nestas condições, penso que restou caracterizada a omissão apontada na autuação. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10925.002054/200805 Acórdão n.º 2201001.864 S2C2T1 Fl. 5 7 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 101DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009725/2005-28
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
DCTF. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ENTREGA POR VIA POSTAL.
Demonstrado que a entrega da DCTF deixou de ocorrer tempestivamente em razão de falha no sistema da administração tributária, por culpa exclusiva desta, através do único meio aceito pela legislação, é aplicável à espécie, por analogia, legislação diversa sobre os meios normalmente aceitos para entrega de documentos à RFB, dentre os quais, a via postal.
Numero da decisão: 1801-001.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 DCTF. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ENTREGA POR VIA POSTAL. Demonstrado que a entrega da DCTF deixou de ocorrer tempestivamente em razão de falha no sistema da administração tributária, por culpa exclusiva desta, através do único meio aceito pela legislação, é aplicável à espécie, por analogia, legislação diversa sobre os meios normalmente aceitos para entrega de documentos à RFB, dentre os quais, a via postal.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.009725/2005-28
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5181484
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-001.284
nome_arquivo_s : Decisao_10680009725200528.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10680009725200528_5181484.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
id : 4459323
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216100106240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.009725/200528 Recurso nº 139.147 Voluntário Acórdão nº 1801001.284 – 1ª Turma Especial Sessão de 05 de dezembro de 2012 Matéria DCTF Multa por atraso na entrega Recorrente T&S TEXTO E SISTEMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ENTREGA POR VIA POSTAL. Demonstrado que a entrega da DCTF deixou de ocorrer tempestivamente em razão de falha no sistema da administração tributária, por culpa exclusiva desta, através do único meio aceito pela legislação, é aplicável à espécie, por analogia, legislação diversa sobre os meios normalmente aceitos para entrega de documentos à RFB, dentre os quais, a via postal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 97 25 /2 00 5- 28 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa recorre do Acórdão nº 0212.886 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, fls. 26 a 29, que decidiu julgar procedente o lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência de multa por entrega a destempo de DCTF, no total de R$ 500,00. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Contra o interessado acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fl. 3, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do ano calendário de 2004, no valor de R$ 500,00. [...] Em 22/07/2005, foi apresentada a impugnação de fls. 1 e 2. Nela, alegase que: · Em 15/02/2005, prazo final para entrega das DCTF ;do 4o trimestre de 2004, os computadores do SERPRO não as recepcionavam devido a problema técnico; · Em vista disso, visando ao cumprimento da obrigação no prazo previsto, o escritório de contabilidade encaminhou, por via postal, com AR, a DCTF em meio magnético; · A legislação de regência prevê a entrega dessa declaração apenas via internet; · Entretanto, a Receita Federal adota, em diversos procedimentos, a Portaria n.° 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário da Desburocratização, que veio permitir a remessa de documentos endereçados a órgãos públicos por via postal; · O Ato Declaratório Normativo n.° 19, de 26 de maio de 1997, disciplina que será considerada, como data de entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do AR; · O Ato Declaratório Executivo n.° 24, de 08 de abril de 2005, publicado em 12 de abril de 2005, prorrogou o prazo, devido a problemas da Receita Federal; · A comunicação da prorrogação ocorreu após o ato consumado, imputando ao contribuinte uma penalidade alheia ao seu controle, pois ele não tinha como voltar no tempo, para atender o referido ato declaratório; · Posteriormente, foi recebida comunicação de que a DCTF não fora processada, porque a entrega por via postal não tinha amparo legal; Finalmente, foi recebido o auto de infração, exigindo a multa pela entrega da declaração em atraso. VOTO [...] “Quanto ao mérito, os argumentos da impugnante não podem ser acolhidos. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.009725/200528 Acórdão n.º 1801001.284 S1TE01 Fl. 3 3 A remessa, por via postal, de CD contendo a DCTF não caracteriza o cumprimento da obrigação acessória em questão. Por força de disposição expressa contida no art. 4o da Instrução Normativa SRF n° 255, de 11 de dezembro de 2002 (IN SRF n.° 255, de 2002), a única forma admitida para apresentação da DCTF é via internet. De acordo com o § 5o do art. 7o da mesma Instrução Normativa, considerase não entregue a declaração que não atenda às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. Conseqüentemente, a tentativa da contribuinte não tem proveito. Os dispositivos invocados pela impugnante não autorizam o procedimento adotado.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 17/04/07, fls 32; Recurso – 25/04/07, fls. 33) o Recurso de fls. 33 a 61, reiterando os termos da defesa exordial, amplamente. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A matéria objeto deste processo já foi diversas vezes debatida neste órgão colegiado. A jurisprudência administrativa espelhada nos Acórdãos nºs 30134.899/08, 30240.056/08, 30335.60808 e 310100.084/09, das 1ª, 2ª e 3ª Câmaras do Conselho de Contribuintes e 1ª Câmara da 3ª Seção do Carf – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, respectivamente, tem acolhido as razões da recorrente. Dentre os citados acórdãos, adoto integralmente as razões de decidir do Acórdão nº 310100.084/09, de lavra do Conselheiro Rodrigo Cardoso Miranda, pelo que transcrevo excertos destes para fundamentar o presente voto: “No tocante à controvérsia dos presentes autos, depreendese que a quaestio juris é a seguinte: O contribuinte, na data aprazada para entrega de declaração, via internet, não pôde fazêlo por falha no sistema da Receita Federal; A legislação aplicável à espécie não previa nenhuma forma alternativa para entrega da declaração, apenas a internet; Diante dessa perplexidade, o contribuinte, ao invés de insistir no envio da declaração pela internet no dia seguinte, optou por enviála na data de vencimento da obrigação, mas por via postal; A administração tributária, posteriormente, após a data de entrega da referida declaração, através de Ato Declaratório Executivo, reconheceu os problemas técnicos para envio da declaração e passou a admitir a sua entrega extemporânea, via internet, nos três dias seguintes ao do prazo, como se tempestiva fosse; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Assim, in casu, muito embora a obrigação de envio da declaração tenha sido cumprida na data de vencimento, como não foi utilizado o único meio previsto na legislação para envio, qual seja, a internet, ainda que por falha no sistema da administração pública, entendeuse pela aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação. Ora, não se afigura razoável apenar o contribuinte em decorrência de falha no sistema da própria administração tributária, notadamente quando não é dado a ele uma opção alternativa, ou melhor, sucessiva, para cumprimento da obrigação em situações excepcionais como a da hipótese sub judice. Causa mais espécie, ainda, admitir o cumprimento da obrigação de forma extemporânea, só porque foi feita através da internet nos três dias consecutivos à data de vencimento, e não aceitar o cumprimento tempestivo apenas porque o meio adotado não foi aquele previsto em lei que seria exigível, logicamente, em condições normais e pressupondo o funcionamento perfeito dos sistemas da Receita. Em outras palavras, o meio de cumprimento da obrigação, no caso, está sendo sobreposto à observância plena do aspecto temporal. Ademais, ainda que a administração tributária tenha flexibilizado a entrega da declaração pela internet nos três dias posteriores, isso só se deu posteriormente, quase dois meses depois a data para entrega da DCTF era o dia 15/02/2005 e o Ato Declaratório Executivo n° 24, de 08 de abril de 2005, só foi publicado no dia 12 de abril de 2005. No dia 15/02/2005, portanto, não havia como se saber se a Receita Federal aceitaria o cumprimento até o terceiro, quarto ou quinto dia subseqüente à data do vencimento da obrigação, ou ainda se aceitaria apenas o cumprimento tempestivo pela via postal. O contribuinte, assim, diante dessa perplexidade, fez a opção pela entrega tempestiva, ainda que por meio diverso daquele previsto em lei. Diante da falta de previsão legal, portanto, não poderia ser apenado pela sua opção. [...] Por último, no tocante à documentação acostada aos autos, é forçoso reconhecer que houve a comprovação da remessa da declaração da contribuinte pelo escritório de contabilidade Saulo Claus Contadores Associados Ltda.. Com efeito, isso é o que se depreende da análise conjunta (i) da declaração da contribuinte posteriormente transmitida, onde consta expressamente como responsável pelo preenchimento, verbis, "Saulo Caus Cont AAssociados S/C Ltda"; (ii) da impugnação apresentada pela contribuinte; (iii) da missiva do escritório de contabilidade para a Receita Federal, em que se faz menção a diversas Declarações; (iv) do comprovante de envio por Sedex, com histórico de entrega; e (v) da resposta da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte diretamente para o escritório "Saulo Caus Contadores Associados Ltda.". Três pontos bem colocados são fundamentais nos votos: 1) a falha na entrega da declaração ocorreu não por culpa concorrente do contribuinte, mas sim por culpa exclusiva da administração por falha nos sistemas da RFB – Secretaria da Receita Federal do Brasil; 2) a legislação que regula as entregas das DCTF não previu meio alternativo para a entrega das referidas declarações em caso de panes nos sistemas, ou eventuais problemas; 3) na data da entrega da DCTF prevista na norma tributária pertinente, o recorrente não podia prever com a necessária certeza que a RFB iria reconhecer o problema e editar ato administrativo prorrogando o prazo de entrega (ato futuro); Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.009725/200528 Acórdão n.º 1801001.284 S1TE01 Fl. 4 5 4) a recorrente comprova, nos autos, que enviou o CD com a DCTF no prazo legal estipulado pela Administração Tributária. Com relação a DCTF haver sido enviada por via postal, correta está a recorrente ao invocar dispositivos legais subsidiários para suprir a lacuna deixada na norma que regula a entrega das DCTF. Bem citados, para validar seu procedimento, a Portaria nº 12/82, o Ato Declaratório Normativo nº 19/97. Dispõe, ainda, o artigo 919 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99): Art. 991. É assegurado ao sujeito passivo (CF, art. 5º, inciso XXXIV): [...] § 1º A critério do interessado, poderão ser remetidos, via postal, requerimentos, solicitações, informações, reclamações ou quaisquer outros documentos endereçados aos órgãos e entidades da Administração Federal direta e indireta, bem como às fundações instituídas ou mantidas pela União. O Decreto nº 70.235/72 que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF) também admite como um dos meios válidos de remessa/recebimento de documentos, termos, autos, ou notificações, a via postal, com comprovante do Aviso de Recebimento (AR). Diante do exposto, considerase válida a remessa da DCTF – CD por via postal com AR no prazo legal e exonerase a recorrente da multa imposta. Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 89DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 18159.000315/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira Do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes , Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausência justificadamente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18159.000315/2009-65
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5179941
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2402-002.552
nome_arquivo_s : Decisao_18159000315200965.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 18159000315200965_5179941.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira Do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes , Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausência justificadamente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4432908
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216105349120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 349 1 348 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18159.000315/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402002.552 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria DECADÊNCIA Recorrente RODOVIÁRIO RAMOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira Do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes , Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausência justificadamente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 15 9. 00 03 15 /2 00 9- 65 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por RODOVIÁRIO RAMOS LTDA, em face de Decisão Notificação que manteve a integralidade da multa lançada no Auto de Infração 35.786.3500, por ter a recorrente deixado de incluir em folha de pagamentos remuneração creditada a contribuintes segurados empregados. Consta do relatório fiscal que as verbas pagas foram coletadas de diversos recibos de pagamentos individuais obtidos mediante exame dos autos de diversos processos trabalhistas, nos quais se verificou que a recorrente efetuava pagamento extrafolha. A recorrente foi considerada como reincidente. O lançamento compreende o descumprimento da obrigação no período de 02/1994 a 13/1994, tendo sido o recorrente cientificado do lançamento em 20/12/2004 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 187/198) , o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 165/261, através do qual sustenta, em síntese: 1. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento; 2. a idoneidade dos documentos fiscais da ora Recorrente, uma vez que o I. Agente Fiscal entendeu ser os mesmos imprestáveis e, desta forma, procedeu ao lançamento tributário pelo famigerado método da "aferição indireta"; 3. que a multa aplicada é ilegal, em decorrência de não ter deixado de efetuar os devidos descontos e não efetuar quaisquer pagamentos “por fora”; 4. a ilegalidade da multa aplicada pelo INSS, uma vez que a d. Fiscalização não poderia ter se baseado em alguns processos trabalhistas, para desconsiderar a escrita fiscal da empresa e supor que não houve os devidos lançamentos dos fatos geradores referentes à contribuição previdenciária supostamente devida; 5. que mesmo que assim não o fosse, a recorrente não possui dolo ou intuito de fraudar o erário público pela não prestação das informações; 6. que o lançamento tributário é nulo, por vício material existente na sua motivação, eis que a D. Fiscalização Federal fundamentou a Autuação Fiscal em tela na suposta ausência de elaboração de folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, que de fato não 7. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18159.000315/200965 Acórdão n.º 2402002.552 S2C4T2 Fl. 350 3 ocorreu, uma vez que os recolhimentos pretendidos pelo Fisco, foram efetuados e devidamente lançados na escrita fiscal, assim como nas folhas de pagamento da ora Recorrente; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Quanto a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18159.000315/200965 Acórdão n.º 2402002.552 S2C4T2 Fl. 351 5 inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Por tais motivos, cumpre asseverar que em razão do lançamento da multa compreender o período de 01/1994 a 12/1994, tendo sido o contribuinte cientificado do lançamento em 20/12/2004, outra conclusão não há, senão a de que a totalidade do crédito tributário foi fulminada pela decadência, seja pela regra do art. 173, I do CTN, seja pela regra do art. 150, 4o. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para declarar extinta a totalidade do crédito tributário lançado no Auto de Infração combatido, prejudicada a análise das demais matérias objeto do recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/12/20 12 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.721917/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. EXAME DO CASO CONCRETO. INEXISTÊNCIA. A identificação do autuado, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e o valor do crédito tributário são requisitos essências à validade do auto de infração.
No caso concreto a autoridade fiscal, de forma objetiva, descreveu a matéria tributável, apontou a norma de incidência, apurou o valor do imposto a pagar e identificou o sujeito passivo. Assim, não se pode atribuir falhas e tampouco em nulidade do lançamento.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. REGISTRO CONTÁBIL E TRIBUTAÇÃO DE PARTE DO VALOR DA TRANSAÇÃO. OMISSÃO CARACTERIZADA. O não oferecimento à tributação do valor integral registrado em nota fiscal, recibo ou documento equivalente ou a emissão de documento fiscal com valor inferior caracteriza omissão de receita. (Inteligência do art. 283 do Regulamento do Imposto de Renda).
MULTA QUALIFICADA. PROCEDIMENTO REITERADO DE DECLARAR SOMENTE PEQUENO PERCENTUAL DA RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. A atuação consciente do contribuinte com o objetivo de reduzir o montante do imposto devido, mediante as condutas definidas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, se constitui em elemento que enseja a aplicação da multa qualificada.
SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÃO. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135, do CTN. Nos casos em que o terceiro passa a ser co-responsável pelo crédito tributário tem-se a incidência de duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação.
Os mandatários, administradores, prepostos, diretores, gerentes, sócios, sejam eles de fato ou de direito, só se tornam terceiros responsáveis nos casos em que, por ação ou omissão, praticarem uma das condutas descritas nos artigos 134, 135 e 137, do CTN.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza situação de solidariedade tributária quando dois sujeitos de direito, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, em conjunto, de maneira formal ou informal, praticam conduta que caracteriza fato gerador de obrigação tributária.
Nas situações em que a pessoa física, em conjunto com uma pessoa jurídica, exerce o comércio ou a prestação de serviços, de maneira formal ou informal, tem-se dois sujeitos de direito, com personalidades distintas, praticando a conduta que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal.
Do exame dos elementos existentes nos autos formei convicção de que as pessoas físicas arroladas, em conjunto com a pessoa jurídica indicada, uniram-se para fornecer o material gráfico indicado, com partilha dos resultados. Tal procedimento, à luz da legislação vigente, caracteriza situação de solidariedade tributária.
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. EXAME DO CASO CONCRETO. INEXISTÊNCIA. A identificação do autuado, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e o valor do crédito tributário são requisitos essências à validade do auto de infração. No caso concreto a autoridade fiscal, de forma objetiva, descreveu a matéria tributável, apontou a norma de incidência, apurou o valor do imposto a pagar e identificou o sujeito passivo. Assim, não se pode atribuir falhas e tampouco em nulidade do lançamento. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. REGISTRO CONTÁBIL E TRIBUTAÇÃO DE PARTE DO VALOR DA TRANSAÇÃO. OMISSÃO CARACTERIZADA. O não oferecimento à tributação do valor integral registrado em nota fiscal, recibo ou documento equivalente ou a emissão de documento fiscal com valor inferior caracteriza omissão de receita. (Inteligência do art. 283 do Regulamento do Imposto de Renda). MULTA QUALIFICADA. PROCEDIMENTO REITERADO DE DECLARAR SOMENTE PEQUENO PERCENTUAL DA RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. A atuação consciente do contribuinte com o objetivo de reduzir o montante do imposto devido, mediante as condutas definidas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, se constitui em elemento que enseja a aplicação da multa qualificada. SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÃO. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135, do CTN. Nos casos em que o terceiro passa a ser co-responsável pelo crédito tributário tem-se a incidência de duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação. Os mandatários, administradores, prepostos, diretores, gerentes, sócios, sejam eles de fato ou de direito, só se tornam terceiros responsáveis nos casos em que, por ação ou omissão, praticarem uma das condutas descritas nos artigos 134, 135 e 137, do CTN. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza situação de solidariedade tributária quando dois sujeitos de direito, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, em conjunto, de maneira formal ou informal, praticam conduta que caracteriza fato gerador de obrigação tributária. Nas situações em que a pessoa física, em conjunto com uma pessoa jurídica, exerce o comércio ou a prestação de serviços, de maneira formal ou informal, tem-se dois sujeitos de direito, com personalidades distintas, praticando a conduta que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal. Do exame dos elementos existentes nos autos formei convicção de que as pessoas físicas arroladas, em conjunto com a pessoa jurídica indicada, uniram-se para fornecer o material gráfico indicado, com partilha dos resultados. Tal procedimento, à luz da legislação vigente, caracteriza situação de solidariedade tributária. Recurso voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10980.721917/2010-99
anomes_publicacao_s : 201212
conteudo_id_s : 5176567
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
numero_decisao_s : 1402-001.188
nome_arquivo_s : Decisao_10980721917201099.PDF
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10980721917201099_5176567.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4403608
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216134709248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.567 1 1.566 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.721917/201099 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.188 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2012 Matéria IRPJ E REFLEXOS. OMISSÃO DE RECEITA Recorrente SIMONE REGINA ANTUNES, firma individual; HUGO WESTHHALEN DE BARROS, FÁBIO RICARDO ANTUNES, OLIVEIROS DOMINGOS MARQUES NETO E SIMONE REGINA ANTUNES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. EXAME DO CASO CONCRETO. INEXISTÊNCIA. A identificação do autuado, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e o valor do crédito tributário são requisitos essências à validade do auto de infração. No caso concreto a autoridade fiscal, de forma objetiva, descreveu a matéria tributável, apontou a norma de incidência, apurou o valor do imposto a pagar e identificou o sujeito passivo. Assim, não se pode atribuir falhas e tampouco em nulidade do lançamento. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. REGISTRO CONTÁBIL E TRIBUTAÇÃO DE PARTE DO VALOR DA TRANSAÇÃO. OMISSÃO CARACTERIZADA. O não oferecimento à tributação do valor integral registrado em nota fiscal, recibo ou documento equivalente ou a emissão de documento fiscal com valor inferior caracteriza omissão de receita. (Inteligência do art. 283 do Regulamento do Imposto de Renda). MULTA QUALIFICADA. PROCEDIMENTO REITERADO DE DECLARAR SOMENTE PEQUENO PERCENTUAL DA RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. A atuação consciente do contribuinte com o objetivo de reduzir o montante do imposto devido, mediante as condutas definidas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, se constitui em elemento que enseja a aplicação da multa qualificada. SOLIDARIEDADE E RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DISTINÇÃO. A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135, do CTN. Nos casos em que o terceiro passa a ser coresponsável pelo crédito tributário temse a incidência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 19 17 /2 01 0- 99 Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.568 2 de duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação. Os mandatários, administradores, prepostos, diretores, gerentes, sócios, sejam eles de fato ou de direito, só se tornam terceiros responsáveis nos casos em que, por ação ou omissão, praticarem uma das condutas descritas nos artigos 134, 135 e 137, do CTN. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza situação de solidariedade tributária quando dois sujeitos de direito, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, em conjunto, de maneira formal ou informal, praticam conduta que caracteriza fato gerador de obrigação tributária. Nas situações em que a pessoa física, em conjunto com uma pessoa jurídica, exerce o comércio ou a prestação de serviços, de maneira formal ou informal, temse dois sujeitos de direito, com personalidades distintas, praticando a conduta que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal. Do exame dos elementos existentes nos autos formei convicção de que as pessoas físicas arroladas, em conjunto com a pessoa jurídica indicada, uniramse para fornecer o material gráfico indicado, com partilha dos resultados. Tal procedimento, à luz da legislação vigente, caracteriza situação de solidariedade tributária. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.569 3 Relatório SIMONE REGINA ANTUNES, firma individual; Hugo Westphalen de Barros, Fábio Ricardo Antunes e Oliveiros Domingos Marques Neto, já qualificados nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorrem da decisão de primeira instância, que julgou parcialmente procedente a exigência do crédito tributário objeto de lançamento. O presente recurso tem por objeto infrações imputadas à pessoa jurídica antes nominada e a análise da procedência da responsabilidade tributária imputada às pessoas físicas de Hugo Westphalen de Barros, Fábio Ricardo Antunes, Oliveiros Domingos Marques Neto e Simone Regina Antunes. As omissões imputadas à pessoa jurídica dizem respeito aos seguintes pontos: 001 – omissão de receitas: receitas não escrituradas. 002 – omissão de receitas: depósitos bancários não contabilizados (falta de escrituração). omissão de receitas financeiras. 003 – insuficiência de recolhimento: Insuficiência de valor recolhido entre os valores apurados durante a ação fiscal e aqueles declarados pela pessoa jurídica. Salientese que o item 001 corresponde a mais de 90% da autuação e tratase de omissão direta de receitas. A autoridade fiscal instruiu os autos com as notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo e com os comprovantes de repasse do numerário fornecidos pela Imprensa Oficial do Estado do Paraná e pelo Ministério da Previdência Social, adquirentes dos produtos fornecidos pela recorrente. Quanto às receitas não escrituradas temse o seguinte quadro: Competência Número da nota fiscal Valor R$ Tomador dos serviços Data do pagamento Março 2005 NFPS 061 75.515,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 02/03/2005 Março 2005 NFPS 064 48.400,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 18/03/2005 Março 2005 NFPS 066 48.960,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 21/03/2005 Março 2005 NFPS 069 48.400,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/03/2005 Total do mês 03/2005 221.275,00 Abril 2005 NFPS 072 48.980,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 15/04/2005 Total do mês 04/2005 48.980,00 Maio 2005 NFPS 075 48.980,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 06/05/2005 Maio 2005 NFPS 077 79.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 31/05/2005 Total do mês 05/2005 127.980,00 Junho 2005 NFPS 075 49.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 13/06/2005 Junho 2005 NFPS 116 1.645.600,00 Ministério da Previdência Social 21/06/2005 Total do mês 06/2005 1.694.600,00 Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.570 4 Julho 2005 NFPS 079 49.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 14/07/2005 Julho 2005 NFPS 127 1.494.000,00 Ministério da Previdência Social 21/07/2005 Total do mês 07/2005 1.543.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial Agosto 2005 NFPS 085 49.200,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 01/08/2005 Agosto 2005 NFPS 108 48.700,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/08/2005 Total do mês 08/2005 97.900,00 Setembro 2005 NFPS 114 49.060,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 01/09/2005 Setembro 2005 NFPS 129 47.960,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 27/09/2005 Total do mês 09/2005 97.020,00 Novembro 2005 NFPS 156 78.200,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/11/2005 Total do mês 11/2005 78.200,00 Dezembro 2005 NFPS 161 48.900,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 15/12/2005 Total do mês 12/2005 48.900,00 Total Global 3.957.855,00 Quanto ao item 002 da autuação descrita como omissão de receitas: depósitos bancários não contabilizados (falta de escrituração), omissão de receitas financeiras, a autoridade fiscal indicou que estes têm origem nos valores creditados em contas bancárias da empresa no ano de 2005, no Banco do Brasil e Banco HSBC, sem a devida documentação da origem dos recursos, conforme quadro que segue: Março 2005 18/03/2005 R$ 93.900,00 Transferência on line 551503000013987 BB, ag. 3390, conta 13416 Abril 2005 01/04/2005 R$ 49.400,00 TED.Transf.Eletr.Dispon . 00000000824377 BB, ag. 3390, conta 13416 Maio 2005 12/05/2005 R$ 48.940,00 TED.Transf.Eletr.Dispon 000000002220160 BB, ag. 3390, conta 13416 Nov. 2005 10/11/2005 R$ 5.390,00 Crédito TED sistema TIF 000086473000000 HSBC, ag.356, conta 92767801 Dez. 2005 16/12/2005 R$ 48.900,00 Crédito TED sistema TIF 000027768400000 HSBC, ag.356, conta 92767801 Total R$246.530,00 A insuficiência de recolhimentos, constante no item 03 do auto de infração, decorre do fato de ter sido apurado receita bruta acumulada de R$8.262.590,00, e a empresa autuada ter informado receita global no importe de R$15.002,00. Com a mudança de valores houve alteração na faixa e alíquotas previstas no artigo 5º da Lei nº 9.317, de 1996, vigente à época. A exigência deuse com multa qualificada por entender a autoridade fiscal, conforme fez constar do termo de verificação fiscal, que a recorrente praticou uma série de atos com a finalidade de omitir a exigência dos tributos devidos, destacandose dentre estes a omissão de mais de 99% dos rendimentos brutos. Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.571 5 Dos responsáveis solidários No presente caso, fazendo referência ao disposto no artigo 124, I, do CTN, e fatos especificados nos termos de Sujeição Passiva Solidária, foram arrolados como tal os seguintes contribuintes: 01 – Simone Regina Antunes, CPF 859.278.30978 (fls. 1.0051.010) cientificada pelo Edital/Sefis nº 002/2010, afixado em 27/07/2010 e desafixado em 11/08/2010; 02 – Hugo Westphalen Barros, CPF 027.752.12972 (fls. 1.0111.014), cientificado por AR em 21/06/2010 (fl.1.340); 03 – Fábio Ricardo Antunes, (fls. 1.0151.018), cientificado por AR em 21/06/2010 e; 04 – Oliveiros Domingos Marques Neto (fls. 1.0191.023), cientificado por AR em 03/08/2010 (fl.1.362). Da decisão recorrida transcrevo os seguintes trechos que passam a integrar este relatório: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito, em 14/06/2010, foi lavrado o auto de infração de fls. 917985, para exigir: a) R$60.508,33 a título de Imposto de Renda Pessoa JurídicaSimples (fl.935), R$60.508,33 a título de contribuição ao Programa de Integração SocialSimples (fl.945), R$95.162,43 a título de Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoSimples (fl.955), R$190.324,86 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialSimples (fl.965) e, R$396.316,20 título de Contribuição para Seguridade SocialINSSSimples (fl.975). 2. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; o § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º, art. 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998; art.186, 188 e 199 do RIR/99; b) para o PIS, o art. 3º, “b” da Lei Complementar nº 07, de 07 de julho de 1970, combinado com o art. 1º, parágrafo único da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 2º, inciso I, art. 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições, o § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; o § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998 e; e) para a Contribuição ao INSS, o § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. 7. Às fls. 1.3411.345 consta a Representação Fiscal para exclusão do sujeito passivo ao Simples. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.572 6 Das impugnações 1. Da pessoa Jurídica 10. Alega a nulidade das intimações, por falhas que prejudicaram seu direito de defesa ao longo 11. Sustenta que a autuação tem como sustentação a presunção contida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, contudo a mesma deve ser aplicada com ressalvas, posto que o fisco deve aprofundar seus trabalhos para comprovar os indícios, conforme jurisprudência que transcreve e que resultou na edição da Súmula nº 14 do Conselho de Contribuintes. Transcreve, também a Súmula nº 182 do extinto TRF. 12. ... Afirma que o AI é confuso e contraditório quanto aos valores que o fisco entendeu como omitidos. Elabora uma planilha para alegar que no Auto de Infração e/ou no Termo de Verificação da Ação Fiscal, em CINCO oportunidades, há pelo menos QUATRO valores totalmente divergentes (....) 13. Pergunta, ainda, de que valor deve o contribuinte se defender? E, porque isso aconteceu? Propõe que a autoridade fiscal se manifeste a respeito, para, só então, poder se defender, contudo, entende que uma coisa é certa, que ocorreu erro e que houve duplicidade. 14. Afirma que do Auto de Infração consta que ocorreu omissão de receitas financeiras e que não pode determinar quanto seria, quando ocorreu e qual seria a fonte produtora e qual o valor resultante da autuação. (...) 15. Ainda atacando supostas irregularidades da fiscalização. (...) do auto de infração, sustenta que no item 1 das autuações que relaciona as notas fiscais que não teriam sido registradas, toma como exemplo a nota fiscal nº 161, de dezembro de 2005, no valor de R$48.900,00, emitida contra a Imprensa Oficial do Estado do Paraná, para a qual, haveria, no item 2 depósitos bancários não comprovados um lançamento no mesmo valor, efetivado, também em dezembro, o que levaria a supor que o depósito se refere àquela nota fiscal. (...) 17. Contesta a exigência da multa qualificada Da impugnação apresentada por Fábio Ricardo Antunes 18. Fábio Ricardo Antunes, CPF 021.690.52909, contra quem foi emitido um dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, protocolou a impugnação de fls. 1.1301.141 (....) 20. Ataca a justificativa apresentada pelo fisco que imputou ao ora impugnante a sujeição passiva, transcrevendo parte do que consta do Termo de Verificação da Ação Fiscal e classifica de temerário atribuir a responsabilidade a terceiro utilizando a expressão “única explicação plausível”, por possuir caráter subjetivo. Contesta a imputação de responsabilidade sobre o total da autuação e diz que, caso não prosperem suas alegações, a responsabilidade deveria ser imputada proporcionalmente aos valores sacados pelo reclamante. E mais, ela deveria ser supletiva e nunca total e solidária. Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.573 7 21. Afirma que a tese encontra amparo no artigo 128 do Código Tributário Nacional, que em sua parte final utiliza expressamente o termo “caráter supletivo”.Contesta a menção ao artigo 210 do RIR, de 1999, haja vista o reclamante não ser “diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado e, por fim, afirma que inexiste hipótese de aplicabilidade do disposto no inciso III do artigo 135 do CTN, justamente porque tal dispositivo se aplica unicamente aos sócios e administradores, entre os quais não se incluí. 22. Contesta a exigência da multa qualificada, especialmente para com terceiros, quando a responsabilidade decorreu de entendimento subjetivo e desacompanhado de provas concretas, razão pela qual deve ser aplicada multa menos gravosa, o que requer. Da impugnação apresentada por Hugo Westphalen Barros 24. Hugo Westphalen Barros, CPF 027.752.12972, contra quem também foi emitido Termo de Sujeição Passiva Solidária, protocolou a impugnação de fls. 1.2311.247, acompanhada dos documentos de fls. 1.2481.337, cujas alegações, seguem os mesmos fundamentos contidos na impugnação apresentada por Fábio Ricardo Antunes, destacando ainda: (...) 27. ... que, quando questionado, informou que a origem dos depósitos bancários decorria da devolução de empréstimo, efetuados pelo devedor e que não tinha como saber que a origem do numerário poderia ser duvidosa, tendo sido surpreendido pela interpretação que o fisco deu aos dados. Espera que a instrução do Inquérito Policial possa esclarecer a situação, já que uma simples análise em sua declaração, demonstra não ter havido omissão ou acréscimo patrimonial fundado nos referidos depósitos. 28. Sustenta ser sócio da empresa Exclusiva Gráfica e Editora Ltda, CNPJ 75.962.480/000170, constituída há mais de 30 anos, e que conta com mais de 100 funcionários. Alega que se tivesse havido fraude, não haveria razão para a emissão da nota fiscal em tão vultuoso valor e, efetuado o recolhimento do imposto devido; que tal fato demonstra ter agido com absoluta lisura; que ao final do Inquérito Policial restará comprovado que não conhece, jamais encontrou e nunca viu ou manteve contato com a empresa Simone Regina Antunes, ou com seus prepostos, razão pela qual pede o sobrestamento do presente processo até a conclusão do inquérito. Da impugnação apresentada por Oliveiros Domingos Marques Neto 36. Oliveiros Domingos Marques Neto, CPF 451.861.11015, contra quem também foi emitido Termo de Sujeição Passiva Solidária, protocolou a impugnação de fls. 1.3641.385, onde informa ter sido incluído como solidário no presente processo e, tendo em vista a multiplicidade de partes, muitas das razões de apelação lhes são comuns, razão pela qual reitera que as mesmas sejam consideradas como se suas fossem, bem como toma a liberdade de transcrever parte daquelas. (....) 42. Invoca a decadência em relação aos fatos ocorridos anteriormente a 03/08/2010, posto que a única intimação válida que recebeu, qual seja a recepção do auto de infração, ocorreu àquela data. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.574 8 43. Contesta a exigência da multa qualificada, especialmente para com terceiros, quando a responsabilidade decorreu de entendimento subjetivo e desacompanhado de provas concretas, razão pela qual deve ser aplicada multa menos gravosa, o que requer. O acórdão recorrido decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade e a alegação de que a base de cálculo provém de receitas imunes; rejeitar a alegação de ofensa ao contraditório; afastar a preliminar de decadência; indeferir o pedido de sobrestamento, bem como o pedido de perícia; julgar procedente em parte o lançamento para manter a exigência de R$ 60.126,91 de IRPJ, R$ 60.126,91 de PIS, R$ 94.575,63 de CSL, R$ 189.151,26 de COFINS e R$ 393.792,96 de contribuição ao INSS, acrescidos de multa de ofício qualificada; julgar definitiva a imputação de responsabilidade solidária a Simone Regina Antunes, CPF 859.278.30978, por não ter apresentado impugnação ao termo e; julgar procedente a imputação de responsabilidade solidária a Hugo Westphalen de Barros, CPF 027.752.12972, Fábio Ricardo Antunes, CPF 021.690.52909 e, Oliveiros Domingos Marques Neto, CPF 451.861.11015. Com a finalidade de sintetizar, destaco que o recurso foi parcialmente procedente porque o acórdão recorrido, nos itens 162 e seguintes, acatou a comprovação de origem do depósito bancário de R$ 48.900,00, creditado pela Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná e coincidente com a nota fiscal nº 161. A propósito, a decisão contém a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, observado ainda os trâmites legais previstos no processo administrativo fiscal. IMUNIDADE A imunidade constitucional referente aos livros, jornais, periódicos e ao papel destinado à sua impressão diz respeito aos impostos que incidem diretamente sobre esses bens, não se estendendo aos resultados auferidos pelas pessoas jurídicas que atuem na sua comercialização e/ou industrialização, as quais se sujeitam às normas tributáveis aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. PERÍCIA DESNECESSIDADE. Estando as infrações apuradas de acordo com a legislação e respaldadas em provas documentais e não havendo dúvidas quanto à tributação, não há que se falar em realização de perícia contábil. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração quando restar comprovado que concorreram, de qualquer forma, para a prática da mesma, ou dela se beneficiaram. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.575 9 Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta bancária cuja origem a fiscalização demonstrou ser resultante de receita de vendas não escrituradas/declaradas, mediante a circularização de clientes e obtenção de notas fiscais emitidas pelo interessado. CRÉDITOS BANCÁRIOS. Por presunção de natureza legal, os depósitos/créditos junto a instituições bancárias não comprovados com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores com esses créditos autorizam o lançamento de ofício como omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS. Apurada omissão de receitas, alteramse, por mudança de faixa da receita acumulada, os percentuais utilizados para cálculo dos tributos devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples. Tal mudança de percentuais acarreta insuficiência de recolhimento, sendo devidas as diferenças lançadas. SIMPLES FEDERAL. PIS/PASEP. COFINS. ALÍQUOTA ZERO. A opção pelo Simples é incompatível com a utilização de qualquer outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado ou mais favorecido aplicável aos tributos e contribuições federais, tais como suspensão, isenção ou alíquota zero. Assim, as alíquotas zero da COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep não beneficiam as empresas optantes que ficam impedidas de reduzir ou excluir os percentuais respectivos no cálculo da contribuição para o Simples. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/04/2005, 31/05/2005, 30/06/2005, 31/07/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005, 30/11/2005, 31/12/2005 FASE DE FISCALIZAÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INAPLICABILIDADE. Na fase de fiscalização, por inexistir formalmente imputação de responsabilidade pela prática de ato ilícito, não se cogita de ampla defesa, nem de contraditório, que ficam postergados para o momento da impugnação, quando aos contribuintes se assegura o direito de alegar toda matéria de defesa que lhes parecer cabível. PRELIMINAR. FALTA DE ACESSO AOS DOCUMENTOS QUE EMBASARAM O PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. É facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário o direito à vista do processo junto ao órgão preparador dentro do prazo legal de trinta déias a partir do momento em que o interessado toma ciência do lançamento, nos termos da legislação de regência. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.576 10 Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, tendo a administração pública o dever de impulsionar o processo até sua decisão final. DEPENDÊNCIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO DO INQUÉRITO POLICIAL. Inocorrência. A esfera administrativa tributária apresentase autônoma em relação ao inquérito policial, ainda que em ambos seja apurada a ocorrência do dolo em matéria fiscal. O auditorfiscal é livre para formular seu convencimento no que tange à ocorrência e à extensão da ilicitude tributária. OBTENÇÃO DE CÓPIA DOS DOCUMENTOS QUE INSTRUEM O LANÇAMENTO. A possibilidade de obter cópias de peças dos autos é mais uma faculdade que possui o contribuinte para o exercício do seu direito de defesa, todavia, para exercêla, deve requerer junto ao órgão preparador do processo, por evidentes razões operacionais, em tempo hábil, notadamente em função do elevado número de cópias que se pretende obter. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. O protesto pela juntada de novos documentos aos autos, deve ser fundamentado e concomitante à apresentação da correspondente documentação, ficando prejudicado, destarte, o pedido efetuado no desfecho da peça impugnatória, no sentido de posterior juntada de documentos, frisandose que, até a data do presente julgamento, o suplicante não trouxe qualquer documentação adicional que pudesse justificar o referido pedido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA 182 DO EXTINTO TRF. Inaplicável a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos TRF, visto que inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. MULTA QUALIFICADA (150%). PRÁTICA REITERADA. INTUITO DOLOSO MANIFESTO. CABIMENTO. Justificase a qualificação da multa quando a autoridade fiscal comprova por meios hábeis o intuito doloso do contribuinte de reiteradamente omitir valores à tributação, posto que, no período fiscalizado, do montante das receitas apuradas, informou na DSPJ Simples apenas 0,18%. Cientificados da aludida decisão, os interessados apresentaram recurso voluntário nos quais repisam as alegações das peças impugnatórias e, ao final, requerem provimento. É o relatório. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.577 11 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva Os recursos são tempestivos, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foram interpostos por partes legítimas, estão devidamente fundamentados e preenchem os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoos e passo ao exame da matéria, iniciando pelo recurso da contribuinte. Inicialmente, informo que em 15/01/2012, consultei ao sistema de informações processuais da Justiça Federal do Paraná e identifiquei que o expediente formado a partir do inquérito policial nº 2007.70.00.0111645 (PR), citado no relatório do acórdão recorrido, que tinha por objeto investigação de crime financeiro resultou arquivado sem oferecimento de denúncia. Tal fato, contudo, não afasta as questões inerentes aos aspectos tributários. Pode não haver crime financeiro e nem crime de sonegação fiscal, matérias cuja competência para análise não nos diz respeito, mas ainda assim persistir a obrigação de pagar tributo. Do recurso da contribuinte I Da alegação de nulidade do auto de infração Ao tratar dos requisitos do auto de infração o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A identificação do autuado, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e o valor do crédito tributário são requisitos essências à validade do auto de infração. No que diz respeito à indicação do autuado, só e nulo o auto de infração que não identificar, com precisão, o sujeito passivo a quem se atribui os fatos descritos, em relação aos quais houve incidência de determinada regra de exigência tributária, cuja consequência é a obrigação de pagar tributo, ainda que decorrente do não cumprimento de obrigação acessória. Por sua vez, a data, o local, a hora, a intimação para cumprir a exigência ou apresentar defesa, a indicação do cargo do autuante e o número de sua matrícula são requisitos que, se inexistentes, podem ser repetidos sem que isto se constitua em um novo lançamento. A Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.578 12 falta de assinatura do autuante, por sua vez, é elemento que antecede a existência do próprio ato. Tal defeito é de tamanha proporção que impede que o ato ingresse no mundo jurídico. Em síntese, da análise que faço acerca da natureza dos vícios inerentes ao auto lançamento, entendo que os que dizem respeito a identificação do autuado, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e o valor do crédito tributário se constituem em vícios materiais. Por sua vez, a data, o local, a hora, a intimação para cumprir a exigência ou apresentar defesa, a indicação do cargo do autuante e o número de sua matrícula são elementos relacionados aos vícios formais. A falta de assinatura do auto de lançamento é elemento que diz respeito à existência do próprio ato. Em outras palavras, a assinatura do documento em relação ao qual se pretende atribuir a condição de ato jurídico, com aptidão para criar, extinguir ou modificar obrigações, se constitui em elemento essencial à existência deste. A falta de assinatura se constitui em defeito que impede que o ato se forme e ingresse no mundo do direito com o atributo de ato jurídico. No caso concreto, destacou a autoridade fiscal que a autuação decorre da “insuficiência de recolhimento e de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados.” Prosseguindo na descrição dos fatos, a autoridade fiscal indicou o mês, a diferença que considerou devida e o dispositivo legal incidente. Desta forma, não há o que se falar em nulidade do lançamento por defeito decorrente da descrição dos fatos ou na norma de incidência tributária. No caso concreto a autoridade fiscal, de forma objetiva, descreveu a matéria tributável, apontou a norma de incidência, apurou o valor do imposto a pagar e identificou o sujeito passivo. Assim, não se pode atribuir falhas e tampouco em nulidade do lançamento. II Das questões relacionadas à omissão de receita decorrente de notas fiscais não escrituradas O conceito de omissão de receita encontrase no artigo 2º da Lei nº 8.846, de 1992, repetido no artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, “in verbis”: “Art. 2º. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital para efeito do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais, incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Da norma acima transcrita, extraise os seguintes elementos cuja prova é necessária para que se caracterize a omissão de receita: (i) recebimento de um valor; (ii) não escrituração deste valor; (iii) não tributação deste valor; (iv) não emissão de nota fiscal referente a este valor, ou a sua emissão por um valor inferior. No caso dos autos, em relação à omissão de receita especificada no primeiro item do auto de infração, isto é, aquela que não decorre da presunção de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, as notas fiscais emitidas pela recorrente e os comprovantes de repasse do numerário fornecido pela Imprensa Oficial do Estado do Paraná e pelo Ministério da Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.579 13 Previdência Social, dão conta de que a recorrente vendeu, recebeu, não escriturou, nem declarou e tampouco pagou tributos em relação ao montante de R$ 3.957.855,00, conforme identificações por do mês de competência, número de notas fiscais, valores e datas de pagamento especificados no quadro que segue: Competência Número da nota fiscal Valor R$ Tomador dos serviços Data do pagamento Março 2005 NFPS 061 75.515,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 02/03/2005 Março 2005 NFPS 064 48.400,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 18/03/2005 Março 2005 NFPS 066 48.960,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 21/03/2005 Março 2005 NFPS 069 48.400,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/03/2005 Total do mês 03/2005 221.275,00 Abril 2005 NFPS 072 48.980,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 15/04/2005 Total do mês 04/2005 48.980,00 Maio 2005 NFPS 075 48.980,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 06/05/2005 Maio 2005 NFPS 077 79.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 31/05/2005 Total do mês 05/2005 127.980,00 Junho 2005 NFPS 075 49.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 13/06/2005 Junho 2005 NFPS 116 1.645.600,00 Ministério da Previdência Social 21/06/2005 Total do mês 06/2005 1.694.600,00 Julho 2005 NFPS 079 49.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 14/07/2005 Julho 2005 NFPS 127 1.494.000,00 Ministério da Previdência Social 21/07/2005 Total do mês 07/2005 1.543.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial Agosto 2005 NFPS 085 49.200,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 01/08/2005 Agosto 2005 NFPS 108 48.700,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/08/2005 Total do mês 08/2005 97.900,00 Setembro 2005 NFPS 114 49.060,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 01/09/2005 Setembro 2005 NFPS 129 47.960,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 27/09/2005 Total do mês 09/2005 97.020,00 Novembro 2005 NFPS 156 78.200,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/11/2005 Total do mês 11/2005 78.200,00 Dezembro 2005 NFPS 161 48.900,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 15/12/2005 Total do mês 12/2005 48.900,00 Total Global 3.957.855,00 No caso concreto, apesar da emissão de nota por parte da recorrente, os valores recebidos não foram oferecidos à tributação, razão pela qual tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento de ofício, nos termos do artigo 149, do CTN. Não subsiste o argumento da recorrente de que não há omissão sob o argumento de que foi emitido nota fiscal. A emissão de nota fiscal, acompanhado do valor correspondente, sem o oferecimento dos valores à tributação, é situação fática que caracteriza omissão de receita em relação à qual cabe o lançamento de ofício. III Das questões relacionadas à omissão de receita caracterizada por depósitos bancário de origem não comprovada Em relação à omissão de receita, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, presume que se “caracterizam também omissão de receita ou de rendimento os valores Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.580 14 creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” No caso concreto, a recorrente foi intimada para comprovar a origem de valores creditados em suas contas bancárias que não eram oriundos das transações relacionadas no item anterior. Março 2005 18/03/2005 R$ 93.900,00 Transferência on line 551503000013987 BB, ag. 3390, conta 13416 Abril 2005 01/04/2005 R$ 49.400,00 TED.Transf.Eletr.Dispon. 00000000824377 BB, ag. 3390, conta 13416 Maio 2005 12/05/2005 R$ 48.940,00 TED.Transf.Eletr.Dispon 000000002220160 BB, ag. 3390, conta 13416 Nov. 2005 10/11/2005 R$ 5.390,00 Crédito TED sistema TIF 000086473000000 HSBC, ag.356, conta 92767801 Dez. 2005 16/12/2005 R$ 48.900,00 Crédito TED sistema TIF 000027768400000 HSBC, ag.356, conta 92767801 Total R$246.530,00 Dos aportes acima relacionados só restou comprovado o valor de R$ 48.900.00, resultante do pagamento feito pelo Estado do Paraná, conforme discriminado na nota fiscal nº 161. Dita importância já foi excluída pelo acórdão recorrido. Quanto aos demais valores, nem na impugnação e nem no recurso a recorrente logrou comprovar a origem dos mesmos ou que estes já haviam sido oferecidos à tributação, caracterizandose, assim, a presunção de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Argumenta a recorrente que o auto de infração, neste ponto, contém nulidade por se referir a “omissão de receita caracterizada por depósito bancário: receita financeira.” Na verdade, a omissão é oriunda de depósitos bancários em relação aos quais a recorrente foi intimada para comprovar a origem e não o fez. A inclusão, na identificação da autuação, das expressões “receita financeira”, era desnecessária. Contudo, tais expressões não causam nulidade capaz de macular o lançamento, pois a contribuinte foi intimada, de forma expressa, para comprovar a origem dos mencionados valores creditados em suas contas bancárias e não apresentou nenhuma prova documental que pudesse afastar a presunção de que os referidos valores tenham outra fonte que não a receita decorrente das atividades praticadas pela empresa. IV Das questões relacionadas à insuficiência de recolhimentos, constante no item 03 do auto de infração, decorrente do fato de ter sido apurado receita bruta maior do que aquela declarada pela recorrente. A recorrente, na época dos fatos, era optante pelo Simples. Nos termos do artigo 5º da Lei nº 9.316, de 1996, a alíquota do imposto devido mês a mês era progressiva na proporção em aumentava que a receita no decorrer do ano. Iniciavase o ano com uma alíquota menor e terminavase como alíquota em percentual maior. Nos casos em que o contribuinte não declarava a totalidade de suas receitas a alíquota permanecia em faixa abaixo daquela que efetivamente deveria estar. Assim, constatado omissão de receita, correto o procedimento da autoridade autuante de cobrar o diferencial de alíquota em relação às receitas declaradas, só que tributadas em percentual inferior ao efetivamente devido. Quanto a este item, para evitar tautologia, agrego como fundamento deste voto as razões de decidir do acórdão recorrido, nos seguintes termos: Quanto ao item insuficiência de recolhimento, o mesmo tem origem na diferença entre os valores apurados durante a ação fiscal e aqueles declarados pela pessoa jurídica, na declaração relativa ao ano Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.581 15 em análise. A cópia da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, do ano calendário de 2005, fls. 709726, comprova que para uma receita bruta acumulada de R$8.262.590,00, o sujeito passivo informou uma receita global no importe de R$15.002,00. Ressaltese que o Simples constituí em uma forma de arrecadação privilegiada e engloba os mesmos tributos a que estão sujeitas todas as pessoas jurídicas, que, por uma benesse da lei, devem ser calculados tendo como base da calculo a receita bruta acumulada até o próprio mês. Assim, os optantes pelo Simples aplicam sobre a receita bruta acumulada o percentual correspondente à faixa de receita apurada, os quais se encontram estabelecidos no artigo 5º da Lei nº 9.317, de 1996, que rege o Simples Federal. O inciso II do referido artigo 5º, estabelece os percentuais a serem aplicados às empresas de pequeno porte como o ora impugnante. Uma análise detalhada do demonstrativo de percentuais aplicáveis que instrui o auto de infração (fls. 917918) retrata os dispositivos acima já mencionados. E mais, as outras duas peças que instruem o auto de infração são o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 919925) e o demonstrativo de apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas (fls. 926930), onde consta, para cada um dos valores objeto do lançamento, o percentual aplicado e, o desdobramento deste percentual em relação a cada um dos tributos apurados. V Da multa qualificada No exercício das atividades empresarias podem ocorrer situações que revelam erro ou esquecimento de registro de uma ou outra operação ou, ainda, circunstâncias em que o sujeito passivo entende que determinados rendimentos não estão sujeitos à incidência de tributos. Situações como estas revelam casos de omissão onde se exige o imposto devido com multa de 75%. No entanto, o caso dos autos revela nítida situação que demonstra a intenção da recorrente em não oferecer a tributação os efetivos valores correspondente às operações que realizavam. Isto tanto é verdadeiro que menos de 1% dos rendimentos foram oferecidos à tributação. Das circunstâncias fáticas acima referidas concluise que o caso dos autos revela situação de sonegação e fraude cujos conceitos encontramse definidos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, os quais seguem transcritos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A atuação consciente da recorrente com o objetivo de reduzir o montante reduzir o montante do imposto devido, mediante as condutas definidas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, se constitui em elemento que enseja a aplicação da multa qualificada. Com tais fundamentos, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário da contribuinte, passando a analisar, de forma individualizada, a situação de quem foi arrolado como responsável solidário. Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.582 16 VI Da solidariedade e da responsabilidade de terceiros De imediato, tenho que não se pode confundir solidariedade tributária com responsabilidade de terceiro. São situações distintas. A primeira diz respeito ao sujeito passivo que pratica a conduta caracterizadora da obrigação de pagar tributo. A segunda referese ao terceiro que, sem ser sujeito passivo da obrigação tributária, em face de conduta própria, pode vir a ser chamado a responder pelo crédito tributário. Neste sentido, para efeitos de distinção, segue o seguinte quadro: contribuinte (art. 121, § único, I). Seção I Do sujeito passivo responsável (art. 121, § único, II). Capítulo IV interesse comum situação que constitua o FG. (124, I). Seção II – Solidariedade expressamente designada em lei (art. 124, II). LIVRO II Seção I – Disposição Geral Art. 128 (a lei pode atribuir responsabilidade a terceiro). Capítulo V Seção II – Responsabilidade dos sucessores – Art. 129 a 133. pais; tutores e curadores; adm. de bens de terceiros; Art. 134 inventariante; síndico; tabeliães ... sócios, nos caso de liquidação de sociedade e pessoas. Seção III – Responsabilidade de Terceiros pessoas relacionadas art. 134; Art. 135 mandatários, prepostos... diretores, gerentes ou representantes de PJ. Seção IV – Responsabilidade por infrações. Art. 137 É de responsabilidade do agente quando: I conceituadas como crime; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III – quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente do dolo específico: das pessoas referidas art. 134, contra aqueles a quem respondem; dos mandatários contra seus mandantes. dos diretores, gerentes de PJ de direito privado contra estas. Do quadro acima depreendese que solidariedade tributária e responsabilidade de terceiros são figuras jurídicas distintas e como tais decorrem de situações Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.583 17 fáticas distintas. A solidariedade tributária inserese na Seção II do no Capítulo IV do Livro II do Código Tributário, que trata do sujeito passivo. A responsabilidade tributária de terceiros, incluindo aqui os sócios de direito e de fato, está disciplinada na Seção III, do Capitulo V, do Livro II, do CTN. Necessário distinguir sujeito passivo de responsável tributário. O sujeito passivo de que trata o Capítulo IV pode ser o contribuinte (art. 121, § único I) ou o responsável, quando sem revestir a condição de contribuinte sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Em relação à distinção entre contribuinte e responsável atenhamo nos às normas contidas no parágrafo único do artigo 121, “in verbis”: Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A solidariedade, que não se confunde com responsabilidade de terceiros, decorre das situações previstas no artigo 124, I e II, do CTN, sendo que o interesse comum de que trata o inciso I não se confunde com as situações contidas no inciso II em que a lei pode atribuir a terceiro a condição de sujeito passivo solidário1. As hipóteses previstas no artigo 124, I, do CTN (interesse comum), tratam da solidariedade de quem tem qualidade para ser contribuinte direto ou sujeito passivo da obrigação tributária (devedor originário art. 121, I). Ex. IPTU entre coproprietários; Por sua vez, o artigo 124, II, contempla situação em que a lei pode atribuir responsabilidade solidária a pessoas que não revestem a condição de contribuintes, mas por estarem vinculadas ao fato gerador praticado pelo contribuinte podem vir a ser chamadas a responderem pelo crédito tributário, como ocorre, por exemplo, na importação por conta e ordem de terceiros (o artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pelo artigo 77 da MP nº 2.15835, de 2001), ou nos casos de retenção de imposto de renda na fonte. O interesse comum de que trata o artigo 124, I, não é o interesse econômico, mas sim na questão relacionada à prática do fato gerador. Empresas de um mesmo grupo tem interesse econômico no resultado de suas operações, mas este interesse não serve para atribuir a uma delas a condição de solidária, visto que o interesse apto a qualificar a solidariedade é o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, como ocorre, por exemplo, em caso de copropriedade, com a exigência do IPTU e ITR. A solidariedade de que trata o artigo 124, incisos I e II, não está relacionada a atos ilícitos e se aplica a quem tem a qualidade para ser sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que por responsabilidade decorrente de expressa disposição legal, como é dos exemplos já apontados (situações previstas no artigo 32 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação atribuída pela MP nº 2.11535, de 2001 e Lei nº 11.281, de 2006). 1 Art. 45, do CTN. "Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis." Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.584 18 A situação prevista no artigo 124, I, não pode ser confundida com as situações de que trata o artigo 135 do CTN. Nos casos em que o terceiro passa a ser co responsável pelo crédito tributário temse a incidência de duas normas autônomas, uma aplicável em relação ao contribuinte, aquele que pratica o fato gerador (art. 121, I) e outra em relação ao terceiro que não participa da relação jurídica tributária, mas que, por violação de determinados deveres, pode vir a ser chamado a responder pela obrigação. (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B, do CPC). A responsabilidade de terceiro, por pressupor duas normas autônomas: a regramatriz de incidência tributária e a regramatriz de responsabilidade tributária, cada uma com seu pressuposto de fato e seus sujeitos próprios, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de incidência. Neste sentido, costumo ilustrar a situação com o seguinte quadro: Na solidariedade Na Responsabilidade de terceiro O fato Situação descrita na lei como suporte fático suficiente para exigência do crédito tributário. O fato Situação descrita na lei que impõe conduta omissiva ou comissiva a alguém, sob pena de responder pelo crédito tributário. A autuação Descreve situação que caracteriza a existência do fato gerador, a obrigação de pagar tributo e o quanto a ser pago. A autuação Descreve a situação irregular praticada pelo terceiro da qual decorre a obrigação de, mesmo sem ter praticado o fato gerador, responder pelos tributos devidos. Os limites O valor total do crédito tributário decorrente do fato gerador. Os limites Responsabilidade limitada aos tributos decorrentes dos atos em que intervir com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos. A defesa Salvo nos casos de débito declarado, o autuado deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de nulidade da inscrição do débito em dívida ativa. A defesa Em qualquer situação o terceiro a quem se imputa infração que caracteriza responsabilidade tributária deve ser notificado para apresentar defesa, sob pena de ineficácia, em relação a ele, do ato administrativo ou judicial que lhe imputar a condição de responsável. A punição Decorre do ato de não pagar tributo. A punição Decorre do ato de praticar conduta omissiva ou comissiva contrária ao direito, da qual resulta o não pagamento de tributo pelo contribuinte direto. Outro detalhe que se deve ter presente é que o terceiro ou o sócio é responsável não por ser sócio ou por constar do contrato social que exerce a gerência, mas por praticar ato que caracteriza infração descrita em Lei2. 2 Na sessão de 13062012, quando do julgamento que resultou no acórdão nº 1402001072, em que fui vencido, o ilustre Conselheiro Carlos Pelá destacou que “o simples fato de colocar terceira pessoa no contrato social é o suficiente para atribuir a solidariedade.” Na ocasião destaquei que não me parecia ser o melhor entendimento. Ponderei que a solidariedade não decorre do fato de alguém ser sócio de fato ou de direito, mas sim do ato de praticar o fato gerador. Naquela oportunidade o ilustre Conselheiro Leonardo Couto também me questionou em que situações eu caracterizava a solidariedade. Em atenção à oportuna indagação asseverei que considerava caracterizada a Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.585 19 A solidariedade entre uma pessoa física e uma pessoa jurídica ou entre duas pessoas jurídicas ou duas pessoas físicas somente ocorre quando ambas participam da relação jurídico tributária. Nada impede, por exemplo, que uma empresa regularmente constituída celebre parceria com profissional, pessoa física, para realizarem pesquisa encomendada por terceiro, ou ainda, que uma empresa ligada à construção civil, junto com engenheiro, não sócio, se unam para executar determinado projeto. Nestes casos, em relação à receita advinda dos serviços prestados haverá solidariedade. O mesmo pode ocorrer em relação ao comércio ou à indústria. Por fim, no que diz respeito a responsabilidade de terceiro, em relação ao sócio, seja ele de fato ou de direito, ressalvado os casos de empresa individual para as situações anteriores a 2012, quando entrou em vigor a nova lei que, de forma expressa, prevê a hipótese da pessoa física constituir sociedade individual, sem confusão com o patrimônio particular, registro que o sócio, seja ele de fato ou de direito, não é responsável pelo simples fato de ser sócio, mas sim por praticar conduta comissiva ou omissiva relacionada a fato gerador do qual decorra tributo que resulte inadimplido. Isto se aplica, igualmente, nas situações em que o sócio de fato ou de direito apropriase dos lucros da empresa sem que esta, por primeiro, tenha pago os tributos devidos. Da análise da solidariedade no caso concreto O termo de verificação fiscal noticia os seguintes fatos: “Na análise dos documentos bancários de saque (débitos) verificase a retirada dos valores, quase sempre pelo valor total das notas fiscais, outros com endosso nominal de SIMONE REGINA ANTUNES (física), e um cheque no valor de R$ 48.079,50, em que a cadeia de endosso indica o Sr. FABIO RICARDO ANTUNES; Na análise dos documentos de depósitos (créditos) microfilmados pelo Banco HSBC, concluímos que parte dos depósitos são oriundos do Departamento de Imprensa Oficial do Estado do Paraná – DOE e parte significativa (em valores) são oriundas do CONSÓRCIO OM LODUCCA (R$ 1.494.000,00 e R$ 1.645.600,00). Sobre as transferências de valores entre SIMONE REGINA ANTUNES, e CONSÓRCIO OM LODUCCA (depósitos R$ 1.494.000,00 e R$ 1.645.600,00 ... solicitando explicações sobre as razões do depósito e saque dos valores em sua contacorrente. A intimação foi remetida pelos Correios... A empresa recebedora dos valores, tempestivamente, não atendeu o requisitado. Sobre as transferências de valores de SIMONE REGINA ANTUNES EXKLUSIVA GRAFICA E EDITORA LTDA foi emitida intimação de apresentação de documentos ...solicitando explicações das razoes do depósito do valor em sua contacorrente. .... solidariedade quando mais de sujeito passivo integra a relação jurídicotributária da qual decorre o fato gerador (art. 121, parágrafo único, I, combinado com o artigo 124, I, ambos do CTN) e nas situações a que se refere o artigo 121, parágrafo único, II, combinado com o art. 124, II, ambos do CTN. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.586 20 A empresa recebedora dos valores, tempestivamente.. apresentou as informações solicitadas, juntando cópia autenticada da Nota Fiscal numero 18.404, referente a impressão de mala direta 4x4, coloridos, no idêntico valor do pagamento efetuado. Também junta cópia do Livro Razão, onde consta, a folhas 31, o recebimento dos serviços prestados.... Faz juntada também da 11a. alteração do contrato social, onde verificase o objeto social da empresa, edição e impressão de produtos gráficos e os poderes para agir, individualmente, na administração dos negócios da EXCLUSIVA, como gestores aos sócios HUGO WESTPHALEN BARROS, HUGO MANSUR WESTPHALEN BARROS e BIANCA MANSUR WESTPHALEN BARROS. Sobre as transferências de valores de SIMONE REGINA ANTUNES, para HUGO WESTPHALEN BARROS, o mesmo afirmou que não conhece Simone e, protocolou informação, sem juntada de provas ou documentos, de que os depósitos efetuados em sua conta corrente referemse a empréstimos realizados a um parente próximo. (Carlos Eduardo Mansur, irmão se sua mulher). Em relação às transferências a Fábio Antunes, este afirmou que os cheques tiveram por finalidade pagamentos diversos de responsabilidade da como insumos e despesas diversas. Sobre as transferências de valores de SIMONE REGINA ANTUNES, para SOTAQUE BRASIL PUBLICIDADE E PROPAGANDA LTDA , solicitando explicações das razoes do depósito dos valores em sua conta corrente, percebemos que CONSÓRCIO OM LODUCCA (depósitos R$ 1.494.000,00 e R$ 1.645.600,00) e SOTAQUE BRASIL PUBLICIDADE E PROPAGANDA LTDA são o mesmo grupo econômico. Tanto assim que a intimação feita ao Consórcio foi atendida pela Sotaque (protocolo de entrega). Do atendimento a intimação, estão sendo juntados comprovantes do depósito de R$ 1.494.000,00, referente a 9.225.000 malasdiretas feitas pela Gráfica Royal, de Simone Regina Antunes, NF – Nota Fiscal número 127, cópia dos folders que foram impressos, cópia do depósito do valor citado a débito de CONSÓRCIO OM LODUCCA e a crédito da conta de Simone Regina Antunes, CNPJ 05.645.359/0001 30, via TED Transferência Eletrônica Disponível do Banco do Brasil, ref. ao Documento 120.801, bem como NotaFiscal – Fatura de Serviços, no mesmo valor, tendo como cliente o Ministério da Previdência Social, vinculando na discriminação dos serviços a Gráfica Royal, referente a trabalhos executados nos meses de junho e julho de 2005. Também estão sendo juntados: a NF Nota Fiscal número 116, da Gráfica Royal, no valor de R$ 1.645.600,00, referente a 9.225.000 malasdiretas, 60.000 cartazes e 3.000.000 de panfletos, que foram impressos pela Royal, bem como NotaFiscal – Fatura de Serviços, no mesmo valor, tendo como cliente o Ministério da Previdência Social, vinculando na discriminação dos serviços a Gráfica Royal, referente a trabalhos executados nos meses de junho e honorários da agência. Também é juntado crédito da conta de Simone Regina Antunes, CNPJ 05.645.359/000130, via TED Transferência Eletrônica Disponível do Banco do Brasil, ref. ao Documento 101.701. Em ambos os depósitos consta que o agendamento da transferência de CONSORCIO OM LODUCCA para SIMONE REGINA ANTUNES foi efetuado pelo Sr. Oliveiros Marques. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.587 21 Dos registros acima, pode se elaborar o seguinte quadro: Ministério da Previdência Consórcio OM LODUCA Simone FI “Gráfica Royal” Celebra contrato de R$ 9.100.000,00 com o CONSÓRCIO OM LODUCA para fornecimento de material gráfico. Este consórcio subcontrata SIMONE FI para fornecimento do material impresso. Transfere valores a várias pessoas, a saber: a) EXKLUSIVA GRAFICA E EDITORA LTDA; b) HUGO WESTPHALEN BARROS (R$ 401.394,00 (ch 762852 R$ 128.493,00 e ch. 762879); R$ 246.666,00 (cheque 762878), c) CONSÓRCIO OM LODUCCA (depósitos R$ 1.494.000,00 e R$ 1.645.600,00 e saques de dois cheq1ues de R$ 78.490,00 (ch. 762878) e R$ 78.410,00 (ch 762847); c) FABIO RICARDO ANTUNES (cheques no valor de R$ 367.800,00; d) OLIVEIROS DOMINGOS MARQUES NETO R$ 283.000,00 Empresa Sócios HUGO WESTPHALEN BARROS, HUGO MANSUR WESTPHALEN BARROS EXKLUSIVA GRAFICA E EDITORA LTDA; BIANCA MANSUR WESTPHALEN BARROS Pelo que se extrai do termo de verificação fiscal, as empresas SOTAQUE BRASIL PUBLICIDADE E PROPAGANDA LTDA e CONSÓRCIO OM LODUCCA têm ligação direta ou são empresas do mesmo grupo. O termo de verificação fiscal conclui na seguinte linha: Resta claro, nestas circunstâncias em que terceiros recebem valores da empresa devedora, que a sua ação viola o contrato social do contribuinte, ficando SIMONE REGINA ANTUNES, CNPJ 05.645.359/000130 como uma verdadeira ¨laranja¨ diante dos verdadeiros beneficiários das receitas transferidas para pessoas físicas. Assim, indico como responsáveis indico como responsáveis tributários solidários, por se beneficiarem dos valores que transitaram pelas suas contas de depósitos, as seguintes pessoas físicas: HUGO WESTPHALEN BARROS, CPF 027.752.12972, pelos expressivos valores repassados pela devedora, superiores ao capital social da mesma, a sua conta bancária de depósitos e sem comprovação, ainda que intimado pela Receita Federal a apresentar origem e justificativa dos pagamentos (valores recebidos sem comprovação de R$ 401.394,00 em 20/10/2005, R$ 128.493,00 em 15/12/2005, R$ 246.666,00 em 16/12/2005). Indicado por interesse comum. b) FÁBIO RICARDO ANTUNES – CPF 021.690.52909, pelos expressivos valores repassados pela devedora e pelos endossos efetuados nos saques da mesma, na qualidade de procurador, superiores ao capital social da empresa, sacados na boca de caixa sem Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.588 22 comprovação de origem, ainda que intimado pela Receita Federal a apresentar origem e justificativa dos pagamentos (valores recebidos sem comprovação de R$ 95.000,00 em 20/10/2005; R$ 77.800,00 em 30/11/2005, R$ 50.000,00 em 20/12/2005, R$ 50.000,00 em 21/12/2005). Indicado por interesse comum. c) OLIVEIROS DOMINGOS MARQUES NETO – CPF 451.861.11015, pelos expressivos valores repassados pela devedora, superiores ao capital social da mesma, a sua conta bancária de depósitos e sem comprovação, ainda que intimado pela Receita Federal por duas vezes, não recebeu nossas intimações em seu domicilio fiscal, para apresentar origem e justificativa dos pagamentos (valores recebidos sem comprovação de R$ 40.000,00 em 20/10/2005, R$ 70.000,00 em 20/10/2005, R$ 30.000,00 em 07/11/2005, R$ 25.000,00 em 20/12/2005, R$ 39.000,00 em 22/12/2005, R$ 39.000,00 em 22/12/2005, R$ 39.000,00 em 22/12/2005). Indicado por interesse comum. d) SIMONE REGINA ANTUNES CPF 859.278.30978, pelos expressivos valores repassados pela devedora, superiores ao capital social da mesma, a sua conta bancária de depósitos e sem comprovação, ainda que intimada pela Receita Federal a apresentar origem e justificativa dos pagamentos (valores recebidos sem comprovação, como são exemplos os pagamentos de R$ 30.200,00, em 20/01/2005, R$ 75.100,00 em 04/03/2005, R$ 93.300,00 em 22/03/2005, R$ 97.500,00 em 23/03/2005, R$ 48.079,50 em 28/09/2005, e R$ 80.000,00 em 16/12/2005). Indicada por interesse comum e por infração contratual. Segundo o termo de sujeição passiva, Simone Regina Antunes sacou R$ 2.044.879,50 da conta da pessoa jurídica sua firma individual. A responsabilidade deste foi atribuída com fundamento no artigo 124 e 135, do CTN (prática de excesso de poderes; Para Hugo Welsthalen Barros (fl. 1.011), a solidariedade lhe foi imposta por estar diretamente relacionado à Simone, visto que o mesmo efetuou retiradas na companhia de valor equivalente a setenta e sete vezes seu capital social, que é de apenas dez mil reais. A responsabilidade deste foi atribuída com fundamento nos artigos 124 e 135, do CTN (prática de excesso de poderes; Para Sr. FABIO RICARDO ANTUNES, CPF 021.690.52909 foi atribuído a condição de terceiro responsável por ser irmão da proprietária da Gráfica Royal (SIMONE REGINA ANTUNES firma individual), residir no mesmo endereço da empresa (Documentos 02 e 03), e portarse como procurador da mesma o inclui como responsável, tendo sido beneficiário dos valores especificados nos seguintes cheques: A responsabilidade deste foi atribuída com fundamento nos artigos 124 e 135, do CTN (prática de excesso de poderes). Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.589 23 Para OLIVEIROS DOMINGOS MARQUES NETO lhe é atribuída a responsabilidade por “fazer parte do conjunto de procuradores ou administradores da Gáfica Royal, já que foi beneficiário dos valores especificados nos seguintes cheques: A responsabilidade deste foi atribuída com fundamento no artigo 124 e 135, do CTN (prática de excesso de poderes). Registrados os fatos, passo ao exame do mérito. Conforme destaquei anteriormente, não é possível confundir solidariedade com responsabilidade de terceiros. A regra de incidência da solidariedade é uma e a regra de incidência da responsabilidade de terceiros é outra. O termo de verificação fiscal se reporta tanto ao artigo 124 quanto ao artigo 135. Ou estamos diante da regra de incidência da solidariedade ou da responsabilidade de terceiro. Para que se atribua a condição de excesso de poderes há que existir prova de que o contrato social ou alguém conferiu poderes ao agente que agiu em excesso. Isto, com exceção à Firma Individual de Simone, não há nos autos. Não há procuração em favor das pessoas acima nominadas e tampouco estas constam dos contratos sociais. Não se ignora, conforme dito nas considerações iniciais acerca da solidariedade, que uma pessoa física pode ser solidária com uma pessoa jurídica. Isto é, ambas praticam a conduta que caracteriza o fato gerador. O fato de alguém, sem motivo algum, receber dinheiro de pessoa jurídica é situação que caracteriza fato gerador do pagamento sem causa, de que trata o art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981, de 19953. No caso dos autos resultei convencido de que SIMONE REGINA ANTUNES, pessoa física e HUGO WESTPHALEN BARROS; FÁBIO RICARDO ANTUNES; OLIVEIROS DOMINGOS MARQUES NETO uniramse à Firma Individual de SIMONE REGINA ANTUNES para juntos executarem os serviços contratados junto ao Ministério da Previdência e à Imprensa Oficial do Estado do Paraná. Na verdade, repito, os serviços não foram prestados somente pela empresa de Simone que sequer possuía funcionários, mas sim pelo conjunto de esforços voltados a obterem os meios necessários junto 3 Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do artigo 74 da Lei nº 8.383, de 1991 Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.188 S1C4T2 Fl. 1.590 24 a outras empresas para atenderem o contratado, dividindo o resultado. Assim, o que se tem é uma sociedade de fato entre a firma individual de Simone e as pessoas físicas antes indicada. Observo que não limito a responsabilidade dos envolvidos no valor dos cheques que receberam porque não se tratam de operações individuais entre estes e a Firma Individual de Simone, mas sim de conduta conjunta revelando interesse comum na conduta que caracteriza o fato gerador. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso tanto da pessoa jurídica quando de quem foi arrolado como devedor solidário. É o voto. (assinado digitalmente) Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva – Relator. Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/11/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902088/2008-96
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO ATÉ O ADVENTO DA LEI Nº 11.727, DE 2008.
Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos (STJ - Recurso Repetitivo).
Numero da decisão: 1803-001.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Cristiane Silva Costa. Ausente justificadamente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO ATÉ O ADVENTO DA LEI Nº 11.727, DE 2008. Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos (STJ - Recurso Repetitivo).
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10283.902088/2008-96
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5179907
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1803-001.615
nome_arquivo_s : Decisao_10283902088200896.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 10283902088200896_5179907.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Cristiane Silva Costa. Ausente justificadamente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
id : 4432874
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216146243584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1418; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 86 1 85 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902088/200896 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.615 – 3ª Turma Especial Sessão de 5 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente CIMÉDICA CENTRO DE IMAGENOLOGIA MÉDICA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO ATÉ O ADVENTO DA LEI Nº 11.727, DE 2008. Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ Recurso Repetitivo). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 20 88 /2 00 8- 96 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902088/200896 Acórdão n.º 1803001.615 S1TE03 Fl. 87 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Cristiane Silva Costa. Ausente justificadamente a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902088/200896 Acórdão n.º 1803001.615 S1TE03 Fl. 88 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 38verso e 39): Versa o presente processo sobre PER/DCOMP nº 19002.65755.221004.1.3.044282 (fls.1/5) em que o contribuinte aponta crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, 2089, PA – 2º trim/2003, arrecadação 29/08/2003, R$ 6.315,54 para compensar débitos próprios. Através do Despacho Decisório e anexos de 18/07/2008, nº 775468595 (fl. 6/8), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, não homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “... foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 30/07/2008 (fl. 9), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 22/08/2008 (fls. 10/14), via procuradora (fls.15/19), alegando em síntese que: 1) O Despacho Decisório não possibilita ao contribuinte identificar quais débitos estão sendo considerados para diminuir a totalidade do seu crédito; 2) Isso prejudica a ora requerente no seu sagrado direito de defenderse; 3) Independente disso, vamos demonstrar que o crédito estava à época da compensação integralmente disponível para aproveitamento em razão de ter sido pago “a maior” pelo contribuinte; 4) A empresa requerente tem por objeto social o exercício de procedimentos de apoio diagnóstico e terapia, mediante desenvolvimento das atividades de imagenologia (Ressonância Magnética, Ultrasonografia, Raio X, Tomografia Computadorizada, entre outros); 5) A requerente pagou IRPJ no 2º trim/2003 com base no lucro presumido, utilizandose do percentual de 32% sobre a receita bruta; 6) Posteriormente, em abril/2004, tomada de dúvidas quanto à correta aplicação dos percentuais para definição do lucro presumido para a sua atividade, protocolou consulta à SRF, solicitando esclarecimentos acerca da Lei 9.249/95 e IN SRF306/2003, mais especificamente sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como serviços hospitalares, cuja alíquota para definição da base de cálculo do imposto é 8%, bem como quanto à possibilidade de aplicação retroativa e, ainda, da possibilidade de efetuar a compensação dos valores já pagos a maior; 7) Desta consulta, descrevemos a ementa: “Por ter caráter meramente declaratório, a eficácia da Instrução Normativa nº 306, de 2003, retroage à data de vigência da norma interpretada, qual seja a da Lei nº Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902088/200896 Acórdão n.º 1803001.615 S1TE03 Fl. 89 4 9249/95, respaldando assim, a restituição ou compensação do imposto porventura recolhido a maior, respeitadas as demais normas de direito tributário.” 8) Amparada por esta Solução de Consulta, a requerente recalculou o IRPJ a pagar com base na alíquota de 8% e efetuou a compensação do valor que excedeu este. Esta é a origem do crédito utilizado no PER/DCOMP objeto desta manifestação de inconformidade; (apresenta tabela com os valores apurados utilizando as alíquotas de 32% e 8%) 9) Diante da nova sistemática a que tem direito o contribuinte, externada na solução de consulta já mencionada, com aplicação do percentual de 8% para definição da base de cálculo do IRPJ mais as deduções referentes aos valores retidos na fonte, a requerente nada tinha a pagar a título de IRPJ no 3º trim/2003; 10) Requer seja deferida na íntegra a compensação efetuada. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: cópia de DARF (fl. 33), despacho (fl. 36) e DIRF2003 (fl. 37). 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IRPJ. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO EM FACE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES NÃO COMPROVADOS. ALÍQUOTA PREVISTA PARA AS PRESTADORAS DE SERVIÇOS EM GERAL. Cabe ao contribuinte comprovar que o crédito, declarado na Declaração de Compensação PER/DCOMP, decorreu de pagamento indevido em face de impropriedade na aplicação da legislação tributária. A redução da base de cálculo do lucro presumido, prevista para as receitas oriundas de serviços hospitalares, somente é aplicável às sociedades empresárias que comprovem a prestação de tais serviços, caso contrário, sujeitamse elas à alíquota prevista para as prestadoras de serviços em geral. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 25/10/2011 (fls. 57 – numeração digital ND), a tempo, em 22/11/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 62 (ND) a 72 (ND), instruído com os documentos de fls. 73 (ND) a 82 (ND), nele argumentando, basicamente, que o argumento condutor da decisão recorrida, de que a Recorrente, apesar de prestar serviços hospitalares, não pode beneficiarse da alíquota de 8% para definir a base de cálculo do lucro presumido, porque está constituída sob a forma de Sociedade Simples, não se aplica ao presente caso. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902088/200896 Acórdão n.º 1803001.615 S1TE03 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Anexação do Recurso Voluntário no Eprocesso 5. Observo, de início, que os documentos relativos ao Recurso Voluntário apresentado compuseram o processo/dossiê de atendimento nº 10010.003933/121126, conforme despacho de fls. 59 (ND). 6. Porém, não obstante a existência de despacho de encaminhamento constante daquele processo/dossiê para que fosse anexado a estes autos (fls. 83ND), tal não ocorreu, tendo sido, aquele, apenas vinculado a este e, posteriormente, arquivado (fls. 84ND). 7. Dessa forma, por economia processual, procedeu este Relator à anexação aos autos do processo/dossiê nº 10010.003933/121126, tendo em vista a falta de anexação e a simples vinculação daquele processo/dossiê a este, feita pela DRF de Manaus/AM. Recursos repetitivos (STJ) 8. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 9. Relativamente à questão da definição da expressão “serviços hospitalares”, prevista na Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, na sua redação original, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902088/200896 Acórdão n.º 1803001.615 S1TE03 Fl. 91 6 RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.902088/200896 Acórdão n.º 1803001.615 S1TE03 Fl. 92 7 simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) 10. No presente caso, tratandose de empresa que se dedica à atividade de “imagenologia, serviços médicos de exames de ressonância magnética, ultrassonografia, Raio X, tomografia computadorizada, clínica médica e atividades hospitalares” (fls. 17), a alíquota aplicável, em relação aos serviços prestados, em sua generalidade, é de 8% (oito por cento). Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 06/12/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003944/2008-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR.
É competente para verificação da escrituração contábil o Auditor-Fiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador.
CERCEAMENTO DE DEFESA
O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
CARGO EM COMISSAO. CARGO TEMPORÁRIO SERVIDOR EFETIVO SEM REGIME PRÓPRIO - RGPS.
Os servidores não efetivos, ocupantes de cargo em comissão, cargo temporário ou emprego público devem, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS, assim como o servidor efetivo quando o ente federativo não possuir Regime Próprio de Previdência Social.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o Auditor-Fiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. CERCEAMENTO DE DEFESA O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. CARGO EM COMISSAO. CARGO TEMPORÁRIO SERVIDOR EFETIVO SEM REGIME PRÓPRIO - RGPS. Os servidores não efetivos, ocupantes de cargo em comissão, cargo temporário ou emprego público devem, obrigatoriamente, contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS, assim como o servidor efetivo quando o ente federativo não possuir Regime Próprio de Previdência Social. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18050.003944/2008-74
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5180235
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.240
nome_arquivo_s : Decisao_18050003944200874.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 18050003944200874_5180235.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4433541
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216149389312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2257; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2.535 1 2.534 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.003944/200874 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2302002.240 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrentes MUNICÍPIO DE LAURO DE FREITAS PREFEITURA MUNICIPAL FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o AuditorFiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. CERCEAMENTO DE DEFESA O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. CARGO EM COMISSAO. CARGO TEMPORÁRIO SERVIDOR EFETIVO SEM REGIME PRÓPRIO RGPS. Os servidores não efetivos, ocupantes de cargo em comissão, cargo temporário ou emprego público devem, obrigatoriamente, contribuir para o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 39 44 /2 00 8- 74 Fl. 5124DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Regime Geral de Previdência Social RGPS, assim como o servidor efetivo quando o ente federativo não possuir Regime Próprio de Previdência Social. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos, Adriana Sato. Fl. 5125DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.003944/200874 Acórdão n.º 2302002.240 S2C3T2 Fl. 2.536 3 Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 28/06/2002 e cientificada ao sujeito passivo em 06/08/2002, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, dos exercentes de mandato eletivo, dos servidores efetivos a partir de 11/08/1999, data da extinção do Regime Próprio de Previdência Social do município, dos ocupantes de cargos em comissão e dos ocupantes de cargos temporários ou emprego público, apuradas através das folhas de pagamento apresentadas e das GFIP’s, nas competências de 01/1999 a 12/2001. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para manifestação acerca das alegações do contribuinte e exame dos documentos juntados. Informação Fiscal de fls. 2403/2406 e documentos acostados às fls. 663/2388, se pronuncia pela retificação do débito para excluir os segurados exercentes de mandato eletivo, concluindo assim: Em função do exposto acima, consideramos o débito parcialmente procedente, tendo sido feita sua retificação, registrada no FORCED, anexado a este processo (da fl 2391 a fl 2398), onde retiramos os valores pagos ao Prefeito e Vice Prefeito, conforme demonstra a tabela de cálculo do FORCED, anexada its folhas 2389 e 2390 deste processo. Informamos, nesta oportunidade, que será lavrada a NFLD de n° 35.690.9158, em razão de termos verificado a existência de crédito previdenciário, uma vez que foi constatado que o montante salarial constante nos arquivos Magnéticos entregues pela Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas era superior aos das folhas de pagamento, em meio papel (processos de empenho), apresentadas na ocasião da fiscalização. As guias de recolhimento apresentadas, GPS's, recolhidas no ano de 2005, portanto após a emissão da NFLD 35.079.6122, de 28/06/2002, foram apropriadas pelo sistema, na NFLD 35.690.9158. Abatemos, também, a LDC 35.255.0740, consolidada em 27/03/2001, confessada pela Prefeitura de Lauro de Freitas e não abatida durante a fiscalização no ano de 2002, uma vez que a Prefeitura s6 apresentou este parcelamento durante esta revisão. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e após manifestação DecisãoNotificação de fls.2431/2446, julgou a autuação procedente em parte, recorrendo de ofício a este colegiado. O contribuinte foi informado da decisão e apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: Fl. 5126DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 a) a decadência até a competência 02/2001, pela aplicação do artigo 150§4º do CTN; b) cerceamento de defesa pela deficiência do relatório fiscal e indeferimento de perícia; c) que o levantamento FEF é impreciso, que a rubrica 16GLO, não especifica o que é a sigla, não há informação quanto à parte do segurado; d) que o relatório não distingue as diversas categorias de segurados, não estando evidenciado se foram lançadas contribuições de contribuintes individuais; e) que inexiste a relação nominal dos empregados, nem a descrição de levantamentos e parcelas; f) que os juros percentuais são obscuros; g) que o fiscal não tem habilitação contábil; h) que cargos em comissão estão no conceito de agentes políticos; servidores efetivos não se enquadram no conceitos de trabalhadores e é ilegal a autuação sobre contratos temporários; i) que vinha recolhendo regularmente as contribuições e os valores levantados não guardam relação com a os documentos contábeis. Requer o acolhimento da preliminar de nulidade da notificação e sua baixa, ou, alternativamente,que o mérito seja julgado improcedente. É o relatório. Fl. 5127DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.003944/200874 Acórdão n.º 2302002.240 S2C3T2 Fl. 2.537 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Trata o presente de Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador/BA, cabível quando da emissão da decisão de primeira instância proferida em 24/04/2007, quando o limite fixado para o recurso de ofício pela Portaria n.º 375, de 07/12/2001 era de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Ocorre que em 03 de janeiro de 2008, a Portaria n.º 3, fixou o limite para recorrer em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), revogando a anterior. Assim, entendo que o recurso não deve ser conhecido, pois o valor imposto pela Portaria n.º 03 de 03/01/2008, se aplica aos processos ainda pendentes de julgamento. A retroatividade, neste caso, não fere qualquer direito, uma vez que a própria administração, que seria a interessada na apreciação do recurso de ofício, alterou o limite para maior. Quanto ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, por ter cumprido com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, o mesmo deve ser conhecido e examinado. Da Preliminar A recorrente argúi a decadência qüinqüenal com base no artigo 150§4º do CTN, o que não deve prosperar, posto que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 06/08/2002 e o período do débito é de 01/1999 a 12/2001, não havendo como acolher a tese decadencial. Também não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 5128DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. Fl. 5129DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.003944/200874 Acórdão n.º 2302002.240 S2C3T2 Fl. 2.538 7 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Em razão da natureza do lançamento , dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, eis que constante de suas folhas de pagamento e GFIP’s, é prescindível a perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, está correto o indeferimento da perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. A mera alegação não tem força para ilidir o lançamento. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. As outras alegações da recorrente quanto a falta de nominação dos segurados, a falta de informação sobre as parcelas relativas aos mesmos, que não há descrição das parcelas levantadas, etc não devem ser consideradas porque o Relatório de Fatos Geradores fls.29/44, Fl. 5130DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 traz especificamente por competência os valores que serviram de base para o lançamento e a que se referem. Às fls.46/51 constam todas as Guias de Recolhimento apresentadas . assim como os Lançamentos de Débito Confessados – LDC; às fls. 52/53, constam todas as guias de recolhimento registradas e às fls. 54/57,está a apropriação das guias, não restando configurado o cerceamento de defesa por obscuridade. Ainda, ressalto a inexistência do cerceamento defesa, como alegado, posto que a notificação de débito, seus anexos e o relatório fiscal explicitam claramente a origem e o valor do débito, o procedimento fiscal foi desenvolvido dentro da empresa, à vista de seus administradores e empregados, tanto que foi possível à notificada contestar totalmente o débito, o que demonstra perfeita compreensão do mesmo. O relatório fiscal de fls.77/79, expressa claramente que a base imponível para a cobrança das contribuições previdenciárias, consubstanciadas nesta notificação, foi retirada das folhas de pagamento da notificadadocumentos elaborados pela recorrente, de sua posse e guarda, que nem sequer trouxe provas nas fases de defesa e recurso, para apontar onde os valores lançados estariam incorretos. O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente, são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. É inócuo o argumento de que o Auditor Fiscal não tem competência para efetuar o lançamento em virtude de não estar credenciado junto ao CRC – Conselho Regional Fl. 5131DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.003944/200874 Acórdão n.º 2302002.240 S2C3T2 Fl. 2.539 9 de Contabilidade, porque tal competência é decorrente de lei, não se sujeitando a qualquer habilitação em curso superior específico ou ao requisito de registro junto ao CRC. Nesse sentido já se posicionou o STJ por meio do Agravo Regimental no Recurso Especial n ° 291937, cujo Relator foi o Ministro Francisco Falcão, publicado no DJ em 27 de agosto de 2001, com a seguinte ementa: ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. FISCAL DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – INSCRIÇÃO EM CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DESNECESSIDADE. "O fiscal de contribuições previdenciárias prescinde de inscrição em Conselho Regional de Contabilidade para desempenhar suas funções, dentre as quais a de fiscalização contábil das empresas. Recurso improvido."(REsp 218.406/RS, Relator Ministro Garcia Vieira, D.J.U 25.10.1999, Pág. 63.) Agravo regimental improvido. E, no mesmo sentido firmou entendimento o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nestas palavras: Súmula CARF No 8 O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Do Mérito O levantamento tomou por base os valores de salário de contribuição contidos nas folhas de pagamento da notificada, em confronto com os valores declarados pela mesma em GFIP e os valores recolhidos através de GPS. Todos os documentos foram elaborados pela recorrente, são de sua posse e guarda, não cabendo alegação de desconhecimento. Por ora da decisão de primeira instância já foram excluídos do lançamento os valores relativos aos exercentes de mandato legislativo, permanecendo no lançamento os segurados empregados , os servidores efetivos porque desde 11/08/1999 o Regime Próprio de Previdência Social foi extinto no município, os ocupantes de cargo em comissão e os ocupantes de cargo temporário ou emprego público. Como já mencionado os segurados, cujas remunerações constam desta notificação, são aqueles para os quais se aplica o Regime Geral de Previdência Social – RGPS, consoante o disposto no artigo 13 da Lei n.º 8.212/91, pois o Município não possui Regime Próprio de Previdência para os segurados efetivos: Art.13 O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da união, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Fl. 5132DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Regime Geral da Previdência Social consubstanciado nesta Lei, dedes que amparados por regime próprio de previdência social Após a promulgação da Emenda Constitucional n.º 20 de 16 de dezembro de 1998, somente os servidores titulares de cargo efetivo podem integrar os regimes próprios, conforme o caput do artigo 40 da Constituição Federal: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Redação dada ao artigo pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98: A Emenda Constitucional n° 20, deu nova redação ao art. 195 da Constituição Federal, prevendo na alínea "a" do inciso I, a contribuição a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhes preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Assim, a partir da Emenda Constitucional n° 20, o texto constitucional prevê a contribuição da entidade equiparada à empresa sobre a remuneração de qualquer pessoa física que lhe preste serviço. Por isso, a criação da contribuição previdenciária sobre a remuneração dos agentes políticos passou a ser matéria de lei ordinária, para o que serviu a Lei n.º 10.887 de 18/06/2004, com vigência a partir da competência 09/2004. Todavia, no caso em tela, o recorrente não possui Regime Próprio, estando todos os segurados abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou Fl. 5133DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.003944/200874 Acórdão n.º 2302002.240 S2C3T2 Fl. 2.540 11 na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto por não conhecer o recurso de ofício, por apresentar valor aquém ao limite de alçada para apreciação e por conhecer do recurso voluntário e negar lhe provimento. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 5134DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003315/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.241
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.003315/2010-03
anomes_publicacao_s : 201301
conteudo_id_s : 5179840
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-000.241
nome_arquivo_s : Decisao_11516003315201003.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IGOR ARAUJO SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 11516003315201003_5179840.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
id : 4432807
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:55:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041216155680768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 361 1 360 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.003315/201003 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.241 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de julho de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SESI SERVIÇO NACIONAL DA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Elias Sampaio Freire – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 03 31 5/ 20 10 -0 3 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.003315/201003 Resolução nº 2401000.241 S2C4T1 Fl. 362 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por SERVIÇO SOCIAL DA INDUSTRIA em face do acórdão de fls. 253/264 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.263.2920 lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, descontadas de empregados e contribuintes individuais, cuja informação fora omitida em GFIP. O relatório fiscal apontou que a recorrente foi objeto de verificações Preliminares Obrigatórias sendo que, no cotejo declaração versus escrituração, com o auxilio do sistema Contágil, verificouse a ocorrência de discrepâncias em relação a pagamento efetuados a empregados e a trabalhadores autônomos, conforme abaixo: (i) Verificouse na escrita contábil a ocorrência de pagamentos a contribuintes individuais, a titulo de serviços de terceiros, sem a inclusão desses profissionais em folha de pagamentos de acordo com as normas e padrões estabelecidos pela legislação; (ii) Verificouse, também, que as folhas de pagamento apresentadas continham incorreções quanto ao pagamento de salário família, pagamento de férias, pagamento de rescisões de contrato de trabalho e do décimo terceiro salário. (iii)Verificouse ainda que uma parcela desses pagamentos (segurados empregados e contribuintes individuais) deixou de ser declarada em GFIP. A recorrente foi então intimada a apresentar esclarecimentos sobre as divergências de base de cálculo verificadas no confronto GFIP versus Folha de Pagamentos em relação à remuneração de empregados e de contribuintes individuais, bem como em relação aos descontos de contribuições dos respectivos segurados, bem como para apresentar GFIP com as remunerações não declaradas no período de 10/2005 a 13/2007. Mesmo prestados os esclarecimentos requeridos, a recorrente deixoud e apresentar as GFIP’s retificadoras, motivo pelo qual foram considerados como fatos geradores do lançamento em análise: LEVANTAMENTO D1 — DIFERENÇA DE BC MULTA DE OFICIO refere se as diferenças de contribuições a cargo da empresa relativas aos fatos arrolados nos itens 5 a 9 acima, destinadas à seguridade social e as contribuições para financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos' ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidentes sobre as remunerações devidas ou creditadas a qualquer titulo aos empregados e/ou contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas competências de 10/2005 e 13/2005; 01/2006 a 09/2006; 11/2006 a 02/2007; 04/2007 a10/2007; 12/2007 e 13/2007. LEVANTAMENTO D2 — DIFERENÇA DE BC MULTA DE MORA referese as diferenças de contribuições a cargo da empresa relativas aos fatos Fl. 362DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.003315/201003 Resolução nº 2401000.241 S2C4T1 Fl. 363 3 arrolados nos itens 5 a 9 acima, destinadas a seguridade social e às contribuições para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidentes sobre as remunerações devidas ou creditadas a qualquer titulo aos empregados e/ou contribuintes individuais que lhe prestaram serviços nas competências de 11/2005 e 12/2005; 10/2006; 03/2007 e 11/2007. O período apurado compreende a competência de 10/2005 a 13/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 15/09/2010 (fls. 01). O lançamento foi impugnado, todavia, em sua peça a recorrente, dentre outros fundamentos, reconheceu a procedência do lançamento efetuado, todavia, defendendose no sentido de que as diferenças apontadas no relatório fiscal foram devidamente quitadas, quando o mesmo fora intimado a apresentar esclarecimentos acerca das diferenças apuradas. Em seu recurso, sustenta o cerceamento de seu direito de defesa originado do fato do v. acórdão de primeira instância ter denegado o seu pedido de produção de provas para que os recolhimentos das diferenças por ela efetuados fossem objeto de apropriação, mesmo quando o julgamento de primeira instância veio a reconhecer que esta efetuou recolhimentos a maior. Acrescenta que a presente autuação pretende modificar matéria já discutida no Poder Judiciário, que em todas as instâncias reconheceu o seu direito de não efetuar os pagamentos de contribuições sobre o salárioeducação e INCRA. Que a realização de novo lançamento, quando já existente coisa julgada pelo Judiciário caracteriza o crime de excesso de exação. Defende ser entidade que goza de imunidade tributária, de acordo com o art. 195, 7o da CF/88, além de serem indevidas as contribuições ao INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO. Finaliza argumentando que a multa aplicada possui caráter confiscatório. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.003315/201003 Resolução nº 2401000.241 S2C4T1 Fl. 364 4 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares Relator Verifico dos autos que se trata do lançamento de diferenças de base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, vez que da análise da GFIP e da folha de pagamento restou constatado que a empresa além de omitir parte das remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, efetuou pagamentos a contribuintes individuais, a titulo de serviços de terceiros, sem a inclusão desses profissionais em folha de pagamentos e as folhas de pagamento apresentadas continham incorreções quanto ao pagamento de salário família, pagamento de férias, pagamento de rescisões de contrato de trabalho e do décimo terceiro salário. Sobre tal aspecto, as diferenças apuradas, a recorrente sequer contestou o lançamento, ao contrário com ele concordou, todavia, sustentando ter efetuado o pagamento das mesmas, de sorte que outra não poderia ser a conclusão, senão pela anulação do Auto de Infração em decorrência do pagamento. Ao analisar tais argumentos, o v. acórdão de primeira instância achou por bem afastálos, mesmo quando reconheceu que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte e que constavam no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil eram bem maiores do que os valores que foram declarados em GFIP. Vejamos os seus argumentos; Assim sendo, a autoridade fiscal, tendo em vista que o valor dos recolhimentos efetuados pela empresa, antes do procedimento de ofício, são superiores às contribuições declaradas em GFIP, em época própria, e que os valores constantes da folha de pagamento não foram totalmente informados em GFIP, por meio do Termo de Intimação Fiscal–TIF, nº 010, de 22/04/2010, intimou a empresa para apresentar o referido documento contendo as remunerações não declaradas (total ou parcialmente), no período de 01/2005 a 13/2007. Entretanto, a fiscalizada não apresentou, nos prazos estabelecidos, as GFIP retificadoras contendo as remunerações que deixaram de ser declaradas total ou parcialmente. Deste modo, embora da analise dos recolhimentos vinculados à autuada na base de dados da Receita Federal do Brasil, observarse que em grande parte do período abrangido pela ação fiscal em comento, houve, de fato, recolhimentos, em valor superior aos declarados em GFIP, não tendo a autuada efetuado a correção das informações em GFIP, ante a ausência de qualquer instrumento constitutivo do crédito relativo às diferenças devidas pela empresa, é incabível considerar as contribuições recolhidas antes do inicio da ação fiscal. Isso porque os valores confessados em GFIP são confrontados com os recolhimentos do contribuinte, ensejando apropriação limitada ao valor declarado. Em caso de insuficiência de recolhimento, as diferenças verificadas são encaminhadas para inscrição em dívida Fl. 364DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.003315/201003 Resolução nº 2401000.241 S2C4T1 Fl. 365 5 ativa, ao passo que, nos caso de recolhimento superior, os valores não apropriados ficam, em tese, disponíveis para compensação ou restituição. A eventual apropriação dos recolhimentos efetuados e/ou a retificação do presente lançamento por este órgão julgador proporcionaria ao contribuinte um autêntico bis in idem “às avessas”, isto é, teria ele a exclusão das diferenças lançadas e poderia, concomitantemente, obter a restituição das mesmas quantias, eis que não apropriadas pela conciliação GFIP x GPS. A conclusão, de fato é que o contribuinte possui recolhimentos a maior em seu favor constantes do sistema, todavia, tais pagamentos não poderiam ser considerados, sob pela do bis in idem às avessas. Ora, de fato, o procedimento de compensação possui rito diferenciado das autuações lavradas em decorrência do descumprimento das obrigações previdenciárias, devendo ser objeto de análise em processo próprio. No caso dos autos, entretanto, verificase que a alegação do contribuinte é de que,quando intimado das diferenças, efetuou os seus recolhimentos, nos exatos valores que lhe foram informados pela fiscalização e não que possuía crédito anterior que deveria ser abatido do lançamento. Não há, portanto, pedido de compensação com crédito já existente, mas sim para o reconhecimento de que foram pagas as diferenças devidas e lançadas no Auto de Infração combatido. Não vejo como compartilhar do entendimento constante no v. acórdão de primeira instância, no sentido de que o simples fato de que os pagamentos não vieram a ser declarados em GFIP não poderiam ser considerados, pelo fato de não ter havido retificação do documento por parte da recorrente. Ora, existe um evento a ser considerado, o pagamento, e acaso venha a ser considerado, é certo que tais pagamentos a maior não mais poderão ser considerados pelo contribuinte ou mesmo pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, como crédito que futuramente poderia vir a ser apropriado pelo contribuinte. Ademais, sobre tais pagamentos não constam nos autos quaisquer informações, seja relativamente à data e momento de sua realização, se antes ou após o lançamento, tendo apenas o recorrente ter sustentado que o fez antes do lançamento, sendo que, por este motivo, deveriam ter sido apropriados. O pagamento é causa extintiva do crédito tributário, por força do art. 156 do CTN, de modo que , uma vez existente, deverá, a toda evidência, ser considerado e por conseqüência, será o Auto de Infração anulado. No caso dos autos, até para que se apure o acerto dos fundamentos do v. acórdão de primeira instância, que mesmo reconhecendo a existência de pagamentos a maior em favor da recorrente, não os contabilizou, não vejo outra saída, neste momento processual, diante da fundada dúvida da ocorrência ou não de causa extintiva do crédito tributário, senão a necessidade de analisar de forma mais concreta e acertada, a natureza e a própria ocorrência ou Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.003315/201003 Resolução nº 2401000.241 S2C4T1 Fl. 366 6 não do pagamento efetuado pelo recorrente, além de sua identidade com o lançamento objeto do presente Auto de Infração. Tal assertiva possui fundamento no disposto no art. 29 do Decreto 70.235/72, a seguir: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos baixados à origem, de modo que o fiscal autuante informe a este Colegiado se os valores de recolhimento efetuados a maior pela recorrente e assim reconhecidos pelo v. acórdão de primeira instância (i) foram efetuados antes ou após o lavratura do presente Auto de Infração e em que datas; (ii) se tais recolhimentos se identificam com os valores das diferenças lançadas no presente Auto de Infração e (iii) se foram recolhidos acompanhados de juros e multa, sendo suficientes à quitar totalmente a imposição tributária objeto do presente Auto de Infração. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 13/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
