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Numero do processo: 11020.912426/2016-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-007.006
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 26 /2 01 6- 61 Fl. 188DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.006 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912426/2016-61 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 189DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.006 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912426/2016-61 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 190DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.006 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912426/2016-61 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 191DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.006 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912426/2016-61 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 192DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.006 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912426/2016-61 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.920327/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/12/2004
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.126
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 27 /2 01 2- 17 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.126 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920327/2012-17 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.126 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920327/2012-17 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 80DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.126 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920327/2012-17 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 81DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906545/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.082
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 06 54 5/ 20 12 -0 9 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13819.906545/201209 Resolução nº 3402002.082 S3C4T2 Fl. 3 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário afirmando que a razão pela qual procedeu com a redução do valor da COFINS a pagar no período decorre: (i) da isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas; (ii) do direito de aproveitar 100% (cem por cento) dos créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e, por fim: (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas. Afirma que traz a documentação fiscal e contábil suporte do crédito pleiteado. Caso não entenda pela suficiência da documentação, requer a conversão do processo em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.050, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906514/201240. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.050): "Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e da DCTF antes da transmissão do PER para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes destes documentos fiscais, em conformidade com o art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional CTN. Buscando respaldar o seu crédito, o contribuinte anexou aos autos balancete analítico, razão analítico de algumas contas contábeis e planilhas elaboradas pelo sujeito passivo que demonstrariam o crédito. Contudo, observese primeiramente que as planilhas elaboradas pelo sujeito passivo não fazem uma clara diferenciação entre as informações que foram declaradas originariamente na DCTF e no DACON, comparativamente com as informações que foram retificadas. O contribuinte apenas apresentou quais informações estariam respaldando sua declaração retificadora, sem deixar claro o que foi modificado. No Recurso Voluntário, a empresa afirma que a modificação se refere (i) a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13819.906545/201209 Resolução nº 3402002.082 S3C4T2 Fl. 4 3 internacional de cargas; (ii) créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; e (iii) do aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas seca e automóveis. Contudo, o balancete analítico e o razão não detalham estas operações que foram postas em discussão no Recurso Voluntário. Com efeito, a única conta contábil relevante para a presente discussão que foi discriminada no razão contábil é a conta 3121009 (seguros transp. carga seca efl. 204), inexistindo detalhamento semelhante para a conta de seguros de transporte de automóveis. Quanto às receitas de prestação de serviço de transporte internacional, observase que o balancete analítico não segrega o valor correspondente à receita de prestação de serviço de transporte internacional. Os valores de receita de prestação de serviços estão todos agrupados em uma única conta contábil (4111002 efl. 127): Para demonstrar que a empresa auferiu receitas desta natureza, essencial que sejam apresentados documentos que confirmem a prestação de serviço internacional, dentre os quais o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário (CRT), o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio. Quanto ao crédito de empresas do SIMPLES Nacional, os valores dos fretes estão todos englobados em contas de "Fretes e Carretos Pessoa Física" e "Fretes e Carretos Pessoas Jurídicas", sem uma segregação específica das empresas que seriam optantes pelo SIMPLES. O razão analítico igualmente não faz qualquer distinção específica (efls. 192): Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13819.906545/201209 Resolução nº 3402002.082 S3C4T2 Fl. 5 4 Para ao menos respaldar as suas alegações, importante que o contribuinte comprove que as operações de frete se relacionam ao SIMPLES Nacional, evidenciando que efetivamente foram concretizadas operações com estas empresas no mês em questão. Seria relevante que o contribuinte apresentasse um levantamento exemplificativo de prestadores, evidenciando que seriam optantes pelo SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar n.º 126/2006. Assim, uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), acompanhado de documentos contábeis que confirmariam ao menos em parte suas alegações (em especial quanto às despesas de seguro de carga seca), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que possam confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13819.906545/201209 Resolução nº 3402002.082 S3C4T2 Fl. 6 5 (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON e DCTF retificadores (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal detalhadas, o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário CRT, o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio, razão analítico da conta de seguro e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON/DCTF originais e o DACON/DCTF retificadores). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON/DCTF retificadores estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917085/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Recurso Voluntário Não conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: Wesley Rocha
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por falecer competência ao CARF para conhecer da matéria. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 85 /2 00 9- 32 Fl. 1733DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Acórdão n.º 2301005.389 S2C3T1 Fl. 3 3 v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de Fl. 1735DF CARF MF 4 agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 15374.917085/200932 Acórdão n.º 2301005.389 S2C3T1 Fl. 4 5 estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, a análise do referido direito creditório contido na declaração deve ser feita de ofício pela autoridade administrativa a que competir a sua revisão. Portanto, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1737DF CARF MF 6 Fl. 1738DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001392/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA.
No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão.
O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida.
Assim, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada.
A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto-lei n° 70.235/72, que não é o caso.
DIREITO INTERTEMPORAL. LEI POSTERIOR AO FATO ABOLIU A MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITO DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE FRAUDE. FATO NÃO PUNÍVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A compensação indevida ou considerada não declarada, sem a ocorrência de fraude, somente comporta a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.8333/03, em face da redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051/04, a partir da produção de efeitos da alteração promovida pelo art. 117 da Lei nº 11.196/05, em 14/10/2005.
No caso de compensação indevida ou considerada não declarada, faz-se necessária a aplicação da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, "a", do CTN, para submeter às alterações promovidas pelos dispositivo de Lei que deixou de prever a incidência da multa isolada de 75%.
Numero da decisão: 1301-003.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto-lei n° 70.235/72, que não é o caso. DIREITO INTERTEMPORAL. LEI POSTERIOR AO FATO ABOLIU A MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITO DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE FRAUDE. FATO NÃO PUNÍVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. A compensação indevida ou considerada não declarada, sem a ocorrência de fraude, somente comporta a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.8333/03, em face da redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051/04, a partir da produção de efeitos da alteração promovida pelo art. 117 da Lei nº 11.196/05, em 14/10/2005. No caso de compensação indevida ou considerada não declarada, faz-se necessária a aplicação da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, "a", do CTN, para submeter às alterações promovidas pelos dispositivo de Lei que deixou de prever a incidência da multa isolada de 75%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado).
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA Recorrente MEPEL MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decretolei n° 70.235/72, que não é o caso. DIREITO INTERTEMPORAL. LEI POSTERIOR AO FATO ABOLIU A MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITO DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE FRAUDE. FATO NÃO PUNÍVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. A compensação indevida ou considerada não declarada, sem a ocorrência de fraude, somente comporta a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.8333/03, em face da redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051/04, a partir da produção de efeitos da alteração promovida pelo art. 117 da Lei nº 11.196/05, em 14/10/2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 13 92 /2 00 6- 97 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 142 2 No caso de compensação indevida ou considerada não declarada, fazse necessária a aplicação da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, "a", do CTN, para submeter às alterações promovidas pelos dispositivo de Lei que deixou de prever a incidência da multa isolada de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 143 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 102/138) em face do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Santa Maria (efls. 85/96) que julgou improcedente a Impugnação, ao manter os Autos de Infração Multas Isoladas do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Quanto aos fatos consta dos autos: que, em 24/10/2016, a Fiscalização da DRF/Passo Fundo lavrou Autos de Infração Multas Isoladas de 75% do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, por compensação tributária indevida nos autos do Processo nº 11030.002647/200477 (efls.03/15): Multa Isolada de 75% do IRPJ: Data Valor da Multa Regulamentar (R$) 31/03/2004 19.974,41 Multa Isolada de 75% da CSLL: Data Valor da Multa Regulamentar (R$) 31/03/2004 14.243,48 Multa de 75% do PIS: Data Valor da Multa Regulamentar (R$) 31/03/2004 3.653,52 30/04/2004 2.291,61 Multa Isolada de 75% da Cofins: Data Valor da Multa Regulamentar (R$) 31/03/2004 16.862,43 30/04/2004 10.576,69 Enquadramento Legal: Art. 18 da Lei n° 10.833/03. Art. 44 da Lei n° 9.430/96, alterado pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303/2006. O crédito tributário relativo às multas isoladas do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins perfaz o montante de R$ 67.602,04 , conforme demonstrativo resumo (efl. 03) dos autos. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 144 4 Quanto aos fatos, que implicaram a aplicação das multas isoladas acima, consta dos autos: que a contribuinte, mediante programa PER/DCOMP transmitiu eletronicamente em 11/05/2004, as DCOMP nºs 23143.08552.l10504.1.3.573471 e 28879.53539.110504.1.3.575091, informando compensação tributária, sob condição resolutória (efls. 17/24): 1 Débitos confessados: a) PIS, código de receita 8109, PA abril/2004, vencimento 15/04/2004, principal R$ 3.055,49; b) PIS/PASEP, código de receita 8408 PIS Multa de Mora, PA 31º dia/março/2004, total R$ 466,67 (principal 0,00, multa R$ 417,96 e juros de mora R$ 48,71), data de vencimento 31/03/2004; c) CSLL, código de receita 1409 CSLL Multa de Mora, PA 31º/março/2004, da vencimento de 31/03/2004, total R$ 753,95 (principal 0,00, multa R$ 564,04 + juros de mora R$ 189,91); d) Cofins, código de receita 2172, PA 30º dia/ abril/2004, data de vencimento 14/05/2004, principal R$ 14.102,26; e) PIS/PASEP, código de receita 8109, PA 31º dia/março/2004, vencimento dia 31/03/2004, Principal R$ 4.871,37; f) IRPJ, código de receita 3252 IRPJ Multa de Mora, PA 31º dia/março;/2004, data de vencimento 31/03/2004, valor total R$ 1.057,30 (principal 0,00 + multa R$ 790,98 + juros R$ 266,32); g) Cofins, código de receita 6138 Cofins Multa de Mora, PA 31º dia/março/2004, data de vencimento 31/03/2004, valor total R$ 2.153,89 (principal 0,00 + multa R$ 1929,06 + juros R$ 224,83); h) CSLL, código de receita 2372, PA 1º trimestre/2004, data de vencimento 31/03/2004, principal R$ 18.991,31; i) IRPJ, código de receita 2089, PA 1º trimestre/2004, data de vencimento 31/03/2004, principal R$ 26.632,55; j) Cofins, código de receita 2172, PA março/2004, data vencimento 31/03/2004, principal R$ 22.483,25; 2 Crédito utilizado: Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 145 5 (...) Número do Processo Judicial: RESP 37056 Seção Judiciária: SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ Vara: 03 Descrição Tipo de Crédito: OBRIGAÇÕES DA UNIÃO FEDERAL RESP37056 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ Valor Atualizado do Crédito Inicial: 1.090.000,00 Crédito Atualizado na Data da Transmissão: 1.090.000,00 Valor Utilizado nesta Declaração de Compensação: 3.055,49 Valor Utilizado nesta Declaração de Compensação: 91.512,55 (...) A DRF/Passo Fundo, em 14/07/2005, nos autos do Processo nº 11030.002647I200477, indeferiu pedido de cancelamento das DCOMP e não homologou as compensações, conforme Despacho Decisório (efls. 31/35), cuja ementa, fundamentação e conclusão transcrevo, in verbis: (...) DCOMP CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA CRÉDITO DE TERCEIROS PEDIDO DE CANCELAMENTO Pedido de cancelamento INDEFERIDO. Compensações não homologadas. (...) 7. Quanto ao mérito, a interessada propugna a compensação de tributos e contribuições federais com suposto crédito advindo de ação judicial (“incidente de atentado" instituto previsto no art. 713 do Código de Processo Civil CPC vigente à época) proposta pelo espólio do Sr. José Teixeira Palhares e outros, relacionada à posse de terras do imóvel denominado “Apertados". A sentença inerente a tal processo julgou procedente o pedido de "atentado", para “ordenar volte a lide ao estado anterior à inovação, desocupando o Estado do Paraná as terras dos quinhões números três e quatro do imóvel Apertados, ficandolhe interdita a audiência na causa principal, até a purgaçäo do atentado". 8. Tal crédito tem como titulares originários os sucessores de José Teixeira Palhares e de Rodolpho de Macedo Ribas e teria migrado, pela utilização do instituto civil da cessão de créditos, das pessoas físicas antes identificadas para a contribuinte, conforme suas alegações. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 146 6 9. Referido crédito seria, ainda, contra a Fazenda Pública do Estado do Paraná. 10. De se notar, portanto, que a compensação postulada ocorreria entre créditos de natureza distinta do tributário, bem como, com créditos de terceiros, não podendo, neste caso, a administração pública, por falta de previsão legal, acolher a pretensão do requerente. (...) 13. Créditos desta natureza, ligados á posse de terras, não são créditos de natureza tributária; (...) 14. Ora, não tendo norma legal que autorize a compensação de créditos de natureza não tributária com tributos e contribuições administrados pela SRF, não há como na esfera administrativa deferirse solicitação neste sentido. (...) 21. Deste modo, constatandose que é vedada a compensação de tributos e contribuições administrados pela SRF com a utilização de créditos de natureza não tributária, bem como, com créditos de terceiros, é de não se reconhecer à declarante o direito ao crédito indicado, tampouco se admitir a compensação deste com débitos relativos a tributos e contribuições federais. 22. Diante disso, e considerando o que estabelece o art. 74, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei n.° 10.833/03, com base na competência estabelecida no art. 250, inciso XXI, do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF n.° 030/2005, RESOLVO, 22.1.1. INDEFERIR o pedido de cancelamento das DCOMP's n.°s 23143.08552.110504.1.3.573471 e 28879.53539.110504.1.3.575091, haja visto a carência de espontaneidade para os pedidos; e, 22.1.2. NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas pela empresa MEPEL MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA., pessoa jurídica inscrita no CNPJ sob o n.° 90.157.108/000185, objeto das DCOMP's n.°s 23143.08552.110504.1.3.57 3471 e 28879.53539.110504.1.3.575091, haja visto a utilização de crédito não passível de compensação. (...) 24. Ao mesmo tempo, cientifiquese a Seção de Fiscalização SAFIS, desta Delegacia, para as providências necessárias quanto à efetivação dos lançamentos de oficio de que tratam o art. 90 da Medida Provisória 2.15835/2001, o art. 49 da Lei n.° 10.637/02 e o art. 18 da Lei 10.833/2003. (...) Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 147 7 Lavrado o auto de infração para exigência das multas isoladas por compensação indevida, conforme já explicitado anteriormente, e tendo tomado ciência, a contribuinte apresentou Impugnação (efls. 44/76), tecendo suas razões, em suma, a improcedência/nulidade da exigência das multa isoladas, pois a Lei nº 11.051/2004 (art. 25), ao dar nova redação ao art. 18 da Lei 10.833/03 extinguiu a multa de isolada de 75% (compensação indevida, não declarada, sem fraude), sendo restabelecida a cominação legal da multa de 75% apenas pela Lei nº 11.196/2005 (art. 117). Ou seja: (...) 2. A INOPONIBILIDADE DAS “MULTAS ISOLADAS” EX OFFICIO NO CASO VERTENTE (...) 2.1. Da boafé do contribuinte, do pedido de cancelamento dos PER/DCOMP e do pagamento espontâneo dos débitos pretensamente compensados (...) 2.2. A AUSÊNCIA DE SUPORTE MATERIAL DO “DESPACHO DECISÓRIO" COMPROVASE NA “EXPRESSA VEDAÇÃO" ADVINDA SOMENTE COM A LEI N° 11.051/2004. (...) 2.3. A ATIPICIDADE DA CONDUTA “COMPENSAÇÃO INDEVIDA" SEM A EXPRESSA RESERVA DE LEI RESTRITIVA. (...) 2.4. A “DERROGAÇÃO" DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA NORMA PUNITIVA COM O ADVENTQ DE NOVO “COMANDO SANCIONATÓRIO" (LEI N° 11.051/2004) (...) 2.4.1. A NOVEL HIPÓTESE NUCLEAR IMPOSITIVA VISA REPRIMIR SOMENTE CRIMES TRIBUTÁRIOS". (...) 2.4.2. A RETROATIVIDADE BENÉFICA DA LEI TRIBUTÁRIA EXCLUDENTE DA INFRAÇÃO CAPITULADA NA LEI PRETÉRITA. (...) Afinal, possuindo o direito positivo o caráter constitutivo dos estados de fato, tornase injurídico cobrarlhe as sanções objurgadas, seja com base na norma antecedente (redação original do art. 18 da Lei n° 10.833/03), eis que derrogada pela Lei n° 11.051/04 e o período em que vigente, válida e eficaz no Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 148 8 sistema jurídico subsumiu os fatos geradores por dito ato “revogador parcial", seja com fulcro na derradeira norma a atacar o mesmo comando com o escancarado intento “reparatório" (Lei n° 11.196/05), eis que sua validade, vigência e eficácia somente se verifica a partir de sua publicação, afetando fatos jurídicotributários apenas daí por diante, sendo lhe vedada a retrooperância ao anobase 2004. Realmente, como é consabido, excetuada disposição expressa em contrario, é juridicamente impossível o efeito repnstinatórío da norma sob a qual alicerçouse as “multas isoladas" guerreadas (i.e., na redação "original" do art. 18 da Lei n° 10.833/03), máxime porque "derrogada" a posteriorí (ou “parcialmente revogada”) pela Lei n° 11.05l/04 deixandose de considerar a compensação despida do “evidente intuito de fraude” como passível de punição , e cujos efeitos de lex mitior desta última regra já se abateram sobre os fatos aqui julgados por força do art. 106 do CTN, pouco importando, dessarte, a malsinada adulteração cogitada na Lei n° 11 .l9ó/05. (...) 2.4.3. A IRRETROATIVIDADE DO ART. 117 DA LEI N° 11.196/95 E A “IRREPRI$TINAÇÃO" DA REDAÇÃO ORIGINAL DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/03 (...) 2.5. DA INEXISTÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (...) Na sessão de 11/12/2008, a 2ª Turma da DRJ/Santa Maria, infensa aos argumentos do sujeito passivo, julgou Impugnação improcedente, mantendo a exigência fiscal, conforme Acórdão (efls. 85/96), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/O3/2004 a 30/04/2004 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Considerada não homologada a pretendida compensação. cabível a exigência da multa isolada sobre o valor total dos débitos indevidamente Compensados. Lançamento Procedente Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 149 9 (...) Ciente desse decisum em 06/01/2009 terçafeira por via postal Aviso de Recebimento AR (efl. 101), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 04/02/2009 quartafeira (efls.102/138), cujas razões, em síntese, são seguintes, in verbis: (...) 5. QUESTÕES DE ORDEM (...) 5.1.DAS INJURICIDADES DO v. ACÓRDÃO QUANTO AO NÃO (RE) CONHECIMENTO (E JULGAMENTO) DE ILEGALIDADES E/OU INCONSTITUCIONALIDADES REFLEXAS NOS PROCEDIMENTOS DESENCADEADOS PELA DRFPFO RS. (...) 6. MÉRITO: As inconsistências e irregularidades do Despacho Decisório e dos autos de infração que sucedem. (...) 6.1. INOPONIBILIDADE DAS “MULTAS ISOLADAS” NO CASO VERTENTE: DA BOAFÉ DA RECORRENTE, DO CANCELAMENTO DAS PERD/COMP's E DO PAGAMENTO ESPONTÂNEO DO(S) DÉBITO (S) PRETENSAMENTE COMPENSADO (S). (...) 6.2. A AUSÊNCIA DE SUPORTE MATERIAL DO “DESPACHO DECISÓRIO" QUE ARRIMA OS AUTOS DE INFRAÇÃO COMPROVASE NA EXPRESSA VEDAÇÃO ADVINDA SOMENTE COM A LEI N° 11.051 /2004. (...) 6.3. A ATIPICIDADE DA CONDUTA "COMPENSAÇÃO INDEVIDA" SEM A "EXPRESSA" LEI RESTRITIVA. (...) 6.4. A “DERROGAÇÃO" DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA NORMA PUNITIVA COM O ADVENTO DE NOVO "COMANDO SANCIONATÓRIO" PLASMADO NA LEI Nº 11.051 /2004 (...) 6.4.1. A NOVEL HIPÓTESE NUCLEAR VISA REPRIMIR SOMENTE "CRIMES TRIBUTÁRIOS". (...) Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 150 10 6.4.2. A retroatividade benéfica da lei tributária excludente da infração capitulada na lei pretérita. (...) 6.4.3. A irretroatividade do art. 117 da Lei nº N° 11.196/05 e a "irrepristinação" da redação original do ART. 18 DA Lei n°. 10.833/03. (...) 6.5. Da inexistência do descumprimento de obrigação acessória. (...) Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida: a) preliminar de nulidade da decisão recorrida; e/ou, b) improcedência lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 151 11 Voto Conselheiro Nelso Kichel Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, o Fisco exige multas isoladas de 75% por compensações indevidas por utilização de crédito de terceiros e de origem não tributária. A decisão recorrida, infensa aos argumentos apresentados na Impugnação (primeira instância), manteve o lançamento fiscal. Nesta instância recursal, o sujeito passivo pediu a reforma da decisão recorrida, ou seja: a) suscitou preliminar de nulidade da decisão a quo, argumentando que a NOBRE TURMA JULGADORA no acórdão recorrido se esquivou de fazer o efetivo controle de legalidade dos atos administrativos em contenda: despacho decisório e auto de infração multas isoladas; e, b) no mérito, pugnou pela improcedência do lançamento fiscal. Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentálos. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. PRELIMINAR REJEITADA. Como já dito, a recorrente alegou que a NOBRE TURMA JULGADORA no acórdão recorrido se esquivou de fazer o efetivo controle de legalidade dos atos administrativos em contenda: despacho decisório e auto de infração multas isoladas Rejeito, peremptoriamente, a preliminar suscitada. Apenas a falta de fundamentação tem condão de macular a decisão de nulidade, que não é caso. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 152 12 A decisão a quo tratou das matérias suscitadas pela recorrente, fundamentou, não se vislumbrando vício algum que a pudesse inquinar ou macular de nulidade. A decisão recorrida não acolheu o entendimento da contribuinte de que o fato passou a ser impunível, pois consignou a existência de legislação que embasou a penalidade aplicada. A propósito, transcrevo, no que pertinente, a fundamentação do voto condutor (efls. 85/96), in verbis: (...) DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ORIGINÁRIO (PROCESSO Nº 11030.002647/200477). DO DESPACHO PROFERIDO PELA AUTORIDADE FISCAL DE ORIGEM. DA DELIMITAÇÃO DA CONTROVÉRSIA. (...) b) nada será referido neste Voto quanto aos questionamentos relativos ao Despacho Decisório› proferido no processo nº ll030.002647/200477, porquanto as questões que foram ali tratadas devem ter prosseguimento naquele processo administrativo. Conforme se infere do extrato de fl. 83, não houve apresentação de manifestação de inconformidade, apesar da ressalva feita no item 23 da decisão proferida naquele processo. (...) DA EXISTÊNCIA DE ILEGALIDADE OU AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Muito embora a contribuinte não manifeste de forma clara e direta, é de ver que questões relativas à ilegalidade de leis. normas ou atos, bem como aquelas referentes a desrespeito a princípios constitucionais, têm apreciação com competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme se infere dos arts. 97 e l02 da CF. (...) DA NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO (...) Por pertinente, é de ser destacado que, nos termos do art. 60 (...), (PAF), se porventura existissem irregularidades, incorreções e omissões diferentes daquelas referidas no art. 59, e que resultassem em prejuízo para o sujeito passivo. mesmo assim os lançamentos não seriam nulos (ou anuláveis), pois elas poderiam ser sanadas. (...) DA APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO MULTA ISOLADAS Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 153 13 (...) Portanto, face à existência de legislação embasadora para a aplicação da multa de ofício, entendese correto o procedimento da Fiscalização aplicação da multa de oficio isolada sobre compensação indevida eis que comprovada a intencionalidade de utilização de créditos em desacordo com o que expressamente determinado na legislação de regência (art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. com suas alterações). (...) Ainda, apenas para argumentar, a contribuinte perdeu a espontaneidade para efeito de exclusão de sua responsabilidade por infração tributária, quando tomou ciência da intimação para comprovar os créditos utilizados nas DCOMP (Decreto nº 70.235/72, art. 7º, I, § 1º). Nesse sentido, consta dos autos que antes da emissão do despacho decisório pelo Delegado da DRF/Passo Fundo, a Fiscalização intimou a contribuinte a comprovar o direito creditório utilizado nas DCOMP, porém a contribuinte, argumentando que não teria condições de comprovar o crédito, pediu o cancelamento das compensações, informando, ainda, que pagara os débitos informados nas DCOMP (efl. 28), in verbis: (...) 1. No dia 17/11/2004, foi cientificada do Termo de Intimação originado do Processo n° 11030.002ó47/200477, através do qual se solicitou a apresentação de alguns documentos, atinentes ao processo judicial “no qual se fundamentou o direito creditórío alegado", elencados nos intens “a” ao “f". 2. Com a finalidade de atender a solicitação fiscal, a Intimada tem a ponderar o seguinte: 3. O crédito em analise, oriundo do processo judicial com transito em julgado no Superior tribunal de Justiça, de n° 37.056 (RESP), foi adquirido através de “Escritura Pública Declaratória de Cessão de Crédito", lavrada no “Cartório do 2° Distrito de São Gonçalo", em 11.05.2004, bem como, de "Contrato Particular" celebrado entre a adquirente "Mepel" ora intimado e a cedente “Cia Capital de Finanças e Investimentos Ltda.", sob a perspectiva (condição) de que lhe fossem entregues todos os documentários legais necessários ao aperfeiçoamento de procedimento compensatório e, mais que isso, que a negociação particular entre as pactuantes só surtiria efeitos se tais créditos fossem efetivamente aceitos pelo Órgão Fazendário. 4. Ao proceder o pedido compensatório, a Intimada o fez, de boafé, fazendo uso dos documentos que até então lhe haviam sido entregues, isto é: I) decisum da Superior Instância Judicial (RESP 37.056); Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 154 14 II) a certidão expedida pelo STJ da situação processual, dando conta de que os autos já haviam sido “baixados em definitivo" ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (trânsito em julgado): e. finalmente, III) um parecer da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional, datado de 20 de setembro de 2002, admitindo o processo compensatório de parte dos créditos da ação judicial em comento, no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais), a favor de outrem. 5. Entretanto, ao receber a aludida "intimação fiscal", exarada por V. .Sra., verificou não possuir toda a documentação exigida (itens "a" ao “f"), notadamente o pedido de habilitação judicial da “Mepel", nos autos daquele processo, que a “cessionária" encarregouse de providenciar e que, até a presente data, está pendente de despacho autorizador do juiz competente. 6. A vista disso, resolveu, respaldada no que preceituam os arts. 61 e 62 da Instrução Normativa n° 460, de 18 de outubro de 2004, promover o cancelamento dos procedimentos compensatórios ora objetos do processo fiscal em exame , lançando mão das “PER/DCOMP" cujos “tipos de documento", denominados "Pedido de Cancelamento", seguem juntados(as) à presente (vide ANEXO). 7. Nesse passo, ressalta que decidiu efetuar o pagamento dos “débitos” declarados e providenciar a retificação das respectivas "DCTF's", conforme cópias dos DARF e comprovantes de retificação, anexos. (...) Entretanto, constatada a perda pela contribuinte da espontaneidade para afastar a responsabilidade por infração tributária, o Delegado da DRF/Passo Fundo Processo nº 11030.002647I200477 considerou as compensações indevidas, conforme Despacho Decisório, de 14/07/2005 (efls. 31/35), in verbis: (...) DCOMP CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTARIA CRÉDITO DE TERCEIROS PEDIDO DE CANCELAMENTO Pedido de cancelamento INDEFERIDO. Compensações não homologadas. (...) 6. Conforme dispõe o art. 138, parágrafo único, da Lei 5.17266 (Código Tributário Nacional CTN) o sujeito passivo perde a espontaneidade após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim, no caso em comento, a Intimação de fl. 13, que solicita da interessada esclarecimentos sobre as compensações objeto das DCOMP's aqui tratadas, excluiu a sua espontaneidade relativamente a essas DCOMP's, Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 155 15 impossibilitando que as mesmas sejam canceladas. Por isso, improcedente o pleito quanto a essa matéria, devendo o mesmo, ser indeferido. 7. Quanto ao mérito, a interessada propugna a compensação de tributos e contribuições federais com suposto crédito advindo de ação judicial (“incidente de atentado" instituto previsto no art. 713 do Código de Processo Civil CPC vigente à época) proposta pelo espólio do Sr. José Teixeira Palhares e outros, relacionada à posse de terras do imóvel denominado “Apertados". A sentença inerente a tal processo julgou procedente o pedido de "atentado", para “ordenar volte a lide ao estado anterior à inovação, desocupando o Estado do Paraná as terras dos quinhões números três e quatro do imóvel Apertados, ficandolhe interdita a audiência na causa principal, até a purgação do atentado". 8. Tal crédito tem como titulares originários os sucessores de José Teixeira Palhares e de Rodolpho de Macedo Ribas e teria migrado, pela utilização do instituto civil da cessão de créditos, das pessoas físicas antes identificadas para a contribuinte, conforme suas alegações. (...) 18. Como se vê, a interessada não é parte no processo judicial em que se reconheceu à autora o direito ao crédito em questão, tampouco comprovou haver autorização judicial que lhe permitisse o aproveitamento desse crédito mediante a cessão para terceiros. 19. Então, a aquisição pela interessada do crédito de terceiros, ainda que revestida das formalidades comerciais, não encontra amparo legal para a finalidade aqui manifestada (compensação de tributos administrados pela SRF), de modo que a empresa adquirente, ao celebrar o pacto com o cedente e não adotar as cautelas necessárias, assumiu o risco inerente ao negócio jurídico, seja quanto à sua validade, seja quanto à efetiva existência e ao valor dos possíveis créditos, e mesmo quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de terceiros. (...) 21. Deste modo, constatandose que é vedada a compensação de tributos e contribuições administrados pela SRF com a utilização de créditos de natureza não tributária, bem como, com créditos de terceiros, é de não se reconhecer à declarante o direito ao crédito indicado, tampouco se admitir a compensação deste com débitos relativos a tributos e contribuições federais. 22. Diante disso, e considerando o que estabelece o art. 74, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei n.° 10.833/03, com base na competência estabelecida no art. 250, inciso XXI, do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF n.° 030/2005, RESOLVO, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 156 16 22.1.1. INDEFERIR o pedido de cancelamento das DCOMP's n.°s 23143.08552.110504.1.3.573471 e 28879.53539.110504.1.3.575091, haja visto a carência de espontaneidade para os pedidos; e, 22.1.2. NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas pela empresa MEPEL MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA., pessoa jurídica inscrita no CNPJ sob o n.° 90.157.108/000185, objeto das DCOMP's n.°s 23143.08552.110504.1.3.57 3471 e 28879.53539.110504.1.3.575091, haja vista a utilização de crédito não passível de compensação. (...) 24. Ao mesmo tempo, cientifiquese a Seção de Fiscalização SAFIS, desta Delegacia, para as providências necessárias quanto à efetivação dos lançamentos de oficio de que tratam o art. 90 da Medida Provisória 2.15835/2001, o art. 49 da Lei n.° 10.637/02 e o art. 18 da Lei 10.833/2003. (...) Portanto, a perda da espontaneidade e a invocação de existência de pagamentos dos débitos informados nas DCOMP não possuem o condão de afastar a infração compensação indevida, por utilização de crédito vedado (crédito de terceiros e de natureza não tributária). Ademais, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decretolei n° 70.235/72, que não é o caso. Nesse sentido ainda transcrevo precedentes do CARF, in verbis: DECISÃO RECORRIDA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. NULIDADE. INAPLICABILIDADE.No caso de o enfrentamento das questões suscitadas na peça de defesa com perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 157 17 hipóteses do artigo 59 do Decretolei n° 70.235/72, que não é o caso (Acórdão nº 1301003.468–3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 16/10/2018, Relator Nelso Kichel). ASSUNTO:PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2011, 2012, 2013 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.NÃO ENFRENTAMENTO DE TODAS AS TESES DE DEFESA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. INOCORRÊNCIA.O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Mesmo após a vigência do CPC/2015, não há que se falar em nulidade de decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. Inteligência da 1ª Seção do STJ no julgamento dos EDCL no MS 21.315DF.(Acórdão nº 1301003.360–3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 19/09/2018, Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE. A mera discordância dos fundamentos da decisão recorrida pelo contribuinte não é causa de nulidade, que apenas ocorre se demonstrada qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decretolei n° 70.235/72. (Acórdão nº 120200.076— 2ª Câmara 2ª Turma Ordinária, sessão de 17/06/2009, Karem Jureidini Dias, Relatora). Portanto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. DIREITO INTERTEMPORAL. LEI POSTERIOR AO FATO ABOLIU A MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITO DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE FRAUDE. FATO IMPUNÍVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nas razões do recurso, no mérito a recorrente argumentou que a Lei nº 11.051/2004 (art. 25), que alterou a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, aboliu a multa isolada de 75% para compensações não homologadas, indevidas ou não declaradas (sem fraude). No caso, a Fiscalização não caracterizou compensação fraudulenta, quando imputou as multas isoladas. Aqui, procede a irresignação da recorrente. As multas aplicadas não merecem prosperar, pois o fato deixou de ser punível. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 158 18 As compensações tributárias DCOMP tidas como indevidas que geraram as penalidades aplicadas, objeto deste autos, foram transmitidas na seguinte data, conforme demonstrativo a seguir: DCOMP DATA DE TRANSMISSÃO DÉBITOS CONFESSADOS (R$) MULTA ISOLADA 75% (R$) 23143.08552.110504.1.3.573471 11/05/2004 PIS: 3.055,49 2.291,61 28879.53539.110504.1.3.575091 11/05/2004 Cofins: 14.102,26 PIS: 4.871,37 CSLL: 18.991,31 IRPJ: 26.632,55 Cofins: 22.483,25 10.576,69 3.653,52 14.243,48 19.974,41 16.862,43 TOTAL 67.602,04 Crédito utilizado: R$ 3.055,49 + R$ 91.512,55. Crédito de terceiros e de natureza não tributária. Crédito de ação judicial: espólio do Sr. José Teixeira Palhares e outros, relacionada à posse de terras do imóvel denominado “Apertados". Ou seja: tal crédito teria migrado, pela utilização do instituto civil da cessão de créditos, das pessoas físicas dos sucessores, para a contribuinte. A compensação tributária, sob condição resolutória, dáse na data da transmissão das DCOMP. Então, se as infrações imputadas existiram, elas ocorrerem na data constantes do demonstrativo acima (data de transmissão das DCOMP). Nessa data estava em vigor o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Porém, o citado dispositivo foi alterado pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004 (publicada no DOE em 30/12/2004). A Lei nº 11.051/2004 (art. 25) passou a cominar multa isolada apenas para compensação fraudulenta, ou seja, multa de 150% e aboliu a multa de 75% para as demais compensações sem fraude (compensações indevidas e não declaradas), in verbis: Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: ....................................................................................................... "Art. 18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 2oA multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 159 19 do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................ § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) A multa isolada de 75% para compensações indevida e não declaradas (sem fraude) voltou a ser cominada pelo art. 117 da Lei nº 11.196, de 21/11/2005, in verbis: Art. 117. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação:(Vigência) "Art. 18. ........................................................................................ ........................................................................................ § 4oSerá também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5oAplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4odeste artigo." (NR) Assim, a compensação tributária considerada indevida, não declarada, sem a ocorrência de fraude, somente comporta a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833/03, em face da redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051/04, a partir da produção de efeitos da alteração promovida pelo art. 117 da Lei nº 11.196/05, em 14/10/2005. Nesse sentido precedente do CARF: MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE. A compensação considerada não declarada, sem a ocorrência de fraude, somente comporta a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833/03 a partir da produção de efeitos da alteração promovida pela Lei nº 11.196/05, em 14/10/2005. (Acórdão nº 3201004.340 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 3º Seção, sessão de 24/10/2018, Relator Paulo Roberto Duarte Moreira). Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11030.001392/200697 Acórdão n.º 1301003.900 S1C3T1 Fl. 160 20 No caso, a Fiscalização imputou a infração "compensações indevidas" (sem conduta fraudulenta da contribuinte). E todas as compensações tributárias foram informadas, transmitidas, em 11/05/2004. No caso, a partir da publicação da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 (DOE 30/12/2004), art. 25, as compensações indevidas deixaram ser puníveis. Aplicação retroativa da citada Lei, em face do art. 106, II, "a", do CTN. O art. 117 da Lei nº 1996/2005 aplicase apenas a compensações indevidas e não declaradas, a partir de sua publicação. Nesse sentido, cabe citar precedente do CARF: COMPENSAÇÃO INDEVIDA OU CONSIDERADA NÃO DECLARADA. INFRAÇÕES. E PENALIDADES. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de compensação indevida ou considerada não declarada, fazse necessária a aplicação da retroatividade benigna prevista pelo art. 106 do CTN, para submeter às alterações promovidas pelos dispositivos de Lei que deixaram de prever a incidência da multa isolada de 75%. (Acórdão nº 3201 004.340 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 24/10/2018, Relator Paulo Roberto Duarte Moreira). Portanto, incabível a exigência de multa isolada de 75% para compensações indevidas, objeto dos presentes autos. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, dar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720156/2015-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
OPERAÇÃO CAMBIAL. FRAUDE. IMPORTAÇÕES INEXISTENTES. INCIDÊNCIA.
Incide o IOF sobre remessas ao exterior de valores decorrentes de operações cambiais sobre remessas de divisas ao exterior, realizadas para supostamente realizar pagamentos de operações de importação inexistentes. Afastada a importação fraudulenta, sobressai uma operação de câmbio, não se aplicando a isenção prevista em lei.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, nos termos do art. 173, I, CTN, para os casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como, em situações normais, quando não há declaração nem pagamento antecipado do imposto.
SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. FRAUDE. INTERESSE COMUM. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a contratação de operações de câmbio fraudulentas, objetivando a remessa irregular de recursos ao exterior.
Apesar de não constar como gestor ou diretor nos estatutos ou contrato social da pessoa jurídica, aquele que de fato dirige e gerencia a empresa, coordenando e ordenando todas as suas operações, responde pessoalmente pelo crédito tributário decorrente destes fatos por ele praticados, nos termos do art. 135, III, CTN.
SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. INTEMPESTIVIDADE
A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem é objeto de decisão, não sendo possível, portanto, apresentar recurso voluntário.
Numero da decisão: 3301-006.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários apresentados por PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO LTDA. Em relação ao recurso apresentado por ALBERTO YOUSSEF, conhecer e negar provimento.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 OPERAÇÃO CAMBIAL. FRAUDE. IMPORTAÇÕES INEXISTENTES. INCIDÊNCIA. Incide o IOF sobre remessas ao exterior de valores decorrentes de operações cambiais sobre remessas de divisas ao exterior, realizadas para supostamente realizar pagamentos de operações de importação inexistentes. Afastada a importação fraudulenta, sobressai uma operação de câmbio, não se aplicando a isenção prevista em lei. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, nos termos do art. 173, I, CTN, para os casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como, em situações normais, quando não há declaração nem pagamento antecipado do imposto. SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. FRAUDE. INTERESSE COMUM. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a contratação de operações de câmbio fraudulentas, objetivando a remessa irregular de recursos ao exterior. Apesar de não constar como gestor ou diretor nos estatutos ou contrato social da pessoa jurídica, aquele que de fato dirige e gerencia a empresa, coordenando e ordenando todas as suas operações, responde pessoalmente pelo crédito tributário decorrente destes fatos por ele praticados, nos termos do art. 135, III, CTN. SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. INTEMPESTIVIDADE A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem é objeto de decisão, não sendo possível, portanto, apresentar recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários apresentados por PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO LTDA. Em relação ao recurso apresentado por ALBERTO YOUSSEF, conhecer e negar provimento. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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FRAUDE. IMPORTAÇÕES INEXISTENTES. INCIDÊNCIA. Incide o IOF sobre remessas ao exterior de valores decorrentes de operações cambiais sobre remessas de divisas ao exterior, realizadas para supostamente realizar pagamentos de operações de importação inexistentes. Afastada a importação fraudulenta, sobressai uma operação de câmbio, não se aplicando a isenção prevista em lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, nos termos do art. 173, I, CTN, para os casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como, em situações normais, quando não há declaração nem pagamento antecipado do imposto. SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. FRAUDE. INTERESSE COMUM. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 56 /2 01 5- 80 Fl. 2133DF CARF MF 2 Caracteriza interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a contratação de operações de câmbio fraudulentas, objetivando a remessa irregular de recursos ao exterior. Apesar de não constar como gestor ou diretor nos estatutos ou contrato social da pessoa jurídica, aquele que de fato dirige e gerencia a empresa, coordenando e ordenando todas as suas operações, responde pessoalmente pelo crédito tributário decorrente destes fatos por ele praticados, nos termos do art. 135, III, CTN. SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. INTEMPESTIVIDADE A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem é objeto de decisão, não sendo possível, portanto, apresentar recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos voluntários apresentados por PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO LTDA. Em relação ao recurso apresentado por ALBERTO YOUSSEF, conhecer e negar provimento. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de auto de infração, fls. 1.2071.220, lavrado para constituir crédito tributário relativo ao Imposto sobre Operações De Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários, referente ao período de apuração compreendido entre 11/01/2010 24/11/2010, acrescido de multa de ofício qualificada e agravada de 225% e juros de mora, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 2.382.801,22 (dois milhões, trezentos e oitenta e dois mil, oitocentos e um reais e vinte e dois centavos). Conforme relatório de análise fiscal de fls. 0304, a fiscalização que culminou no presente auto de infração está baseada em documentos coletados por autoridade policial federal, em sede do inquérito policial (IPL) nº 1.041/2013, constante dos autos do processo judicial nº 504.9557.14.2013.404.7000, e em fatos expostos na denúncia formulada pelo Ministério Público Federal em desfavor de Alberto Youssef e outros, constante do processo judicial nº 502.5699.17.2014.404.7000, ambos em curso na Subseção Judiciária de Curitiba/PR da Justiça Federal, no contexto das OPERAÇÕES LAVAJATO e BIDONE. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.134 3 Os processos judiciais mencionados relatam a atuação de organização criminosa constituída para, dentre outros objetivos, remeter ilicitamente valores ao exterior mediante a contratação de câmbio para pagamento de importações fictícias de mercadorias, realizada por empresas supostamente controladas pela organização criminosa. “... os doleiros têm se valido de uma nova forma de evasão de divisas, por meio de contratos de câmbio, supostamente realizados para o pagamento de importações. Os doleiros se valem de uma falha nos sistemas de controle, pois as Instituições Financeiras e as Corretoras de Valores não precisam mais pesquisar junto ao SISCOMEX, ao realizar um contrato de câmbio, se realmente existiu aquela importação que justificaria a realização de um contrato de câmbio. Assim, os doleiros criam empresas de fachada, que supostamente realizam importações de mercadorias no Brasil. Criam, também, empresas offshore, que supostamente enviariam mercadorias ao Brasil, abrindo contas no exterior, em nome destas empresas offshore, para receber os valores das supostas transações internacionais. Com isto, as empresas brasileiras de fachada simulam uma importação das empresas offshore, fabricando invoices e conhecimentos de transporte para dar aparência de legalidade, assim como contratos simulados entre a suposta importadora e a exportadora. Como não há padronização nas normas de controle, atualmente sequer necessitam apresentar a Declaração de Importação. Com base em tais documentos falsos, apresentam informações falsas à Instituição Financeira e realizam contrato de câmbio sob a falsa rubrica de importações, quando, em verdade, tratase de mera simulação com o fim de enviar valores ao estrangeiro. O dinheiro é, então, remetido para a conta no exterior, como se fosse um contrato de câmbio vinculado a uma importação realizada." Constatase do termo de verificação fiscal, situado às fls. 10961205, a acusação de falta de recolhimento de IOFCâmbio, referentes a remessas de recursos para o exterior, efetuadas no anocalendário 2010, representando, portanto, operações de câmbio, ocultadas por operações de importação inexistentes, uma vez que não houve a aquisição de mercadorias de origem estrangeira por parte da autuada, e cuja finalidade teria sido unicamente a de evasão de divisas, apuradas em investigações realizadas no âmbito da força tarefa da OPERAÇÃO LAVA JATO e OPERAÇÃO BIDONE. Ainda se extrai do TVF, especificamente em fls. 1.1631.164, teriam sido fechados, ao longo de 2010, a INDUSTRIA E COMERCIO DE MEDICAMENTOS LABOGEN S/A realizou 32 remessas financeiras ao exterior no anocalendário 2010, todas com natureza “15806 Importação – Câmbio Simplificado”, totalizando de USD 1.432.420,00 e R$ 2.521.559,81. Os beneficiários das remessas estão localizados em Hong Kong e China. Todos os contratos de câmbio foram fechados com a Pioneer Corretora de Câmbio Ltda., CNPJ 69.251.239/000130. Nos dados recebidos do Banco Central do Brasil, verificouse que nos anos calendário 2010 a 2014, a corretora Pioneer fechou com as três empresas aproximadamente 2.150 contratos de câmbio, para pagamento de importações, totalizando USD 113.115.313,27 Fl. 2135DF CARF MF 4 ou R$ 207.255.634,84. Dos 2.150 contratos, 545 foram fechados pela Indústria e Comércio Labogen. Além da aplicação da multa de ofício qualificada, a multa de ofício foi agravada de 50%, ante a ausência de atendimento do contribuinte aos elementos solicitados pela fiscalização, conforme o disposto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em decorrência da participação em organização criminosa, responsável por operações financeiras com evasão de divisas, utilizandose da autuada, foram nomeados sujeitos passivos solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, incisos I e II, 125, inciso I e art 135, inciso III, todos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: ALBERTO YOUSSEF, considerado como o líder da organização criminosa, pois coordenava as atividades dos outros denunciados e era o responsável por todas as decisões, LEONARDO MEIRELLES; ESDRA DE ARANTES FERREIRA; LEANDRO MEIRELLES; PEDRO ARGESE JUNIOR; RAPHAEL FLORES RODRIGUEZ; CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA; e WALDOMIRO DE OLIVEIRA. Foi, ainda, nomeado sujeito passivo solidário a pessoa jurídica PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO LTDA. EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL decretada pelo Banco Central do Brasil, no Ato nº 1.304, de 07/10/2015, instituição financeira responsável por operar o câmbio sem a vinculação/apresentação das devidas Declarações por parte da Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia., com fundamento no art. 124, inciso II, do CTN. A autuada, doravante LABOGEN. foi cientificada em 21/12/2015, conforme Edital de fl. 1.354, a autuada não apresentou impugnação, sendo considerada revel pela r. decisão de piso. Os sujeitos passivos solidários Carlos Alberto Pereira da Costa, Leandro Meirelles e Esdra de Arantes Ferreira foram cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva solidária respectivamente em 22/12/2015, 21/12/2015 e 25/12/2015, por meio dos Editais de fls. 1.365, 1.364 e 1.359 e não apresentaram impugnação, sendo considerados revéis pela r. decisão de piso. Os responsáveis Pedro Argese Junior, Raphael Flores Rodriguez e Waldomiro de Oliveira foram cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva solidária respectivamente em 30/11/2015, 28/11/2015 e 04/12/2015, conforme ARs de fls. 1.896, 1.350 e 1.366, mas também não apresentaram impugnação, sendo considerados revéis pela r. decisão de piso. Já a PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO LTDA. Em Liquidação Extrajudicial, cientificada da autuação e dos termos de sujeição passiva solidária por meio eletrônico em 18/12/2015 apresentou em 23/05/2016, consoante Recibo de entrega de arquivos digitais de fls 1.614 e 1.615, a impugnação de fls. 1.616 a 1.679, na qual questiona, entre outras coisas, a nulidade da intimação eletrônica, por suposta impossibilidade de acesso à integra do processo administrativo por meio do portal eCac, defendendo a não contagem do prazo para impugnação, com reflexos no exame da tempestividade. Cientificado pessoalmente da autuação e dos termos de sujeição passiva solidária em 02/12/2015, Alberto Youssef, por meio de advogada regularmente constituída, postou em 04/01/2016, a impugnação de fls. 15101557, protocolada em 07/01/2016, para argumentar, em apertada síntese: Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.135 5 (i) nulidade por preterimento do direito de defesa, por não ser sido disponibilizado a íntegra do processo administrativo fiscal por ocasião da ciência do lançamento de ofício, a qual teve acesso apenas em 23/12/2015; (ii) violação do art. 10, II do Decreto nº 70.235/72, ante a ausência de descrição da conduta específica que levasse a conclusão que ALBERTO YOUSSEF seria administrador de fato ou devedor solidário da autuada; (iii) violação do art. 142 do CTN e art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista que teria havido descrição equivocada do evento tributário, não havendo adequação do fato a norma e via de conseqüência erro na capitulação legal da exigência fiscal e do vinculo apontado; (iv) a decadência dos lançamentos compreendidos no período de 01/01/2010 a 24/11/2010, tendo em vista ter sido cientificado da exigência em 02/12/2015, ante a falta de comprovação do dolo do impugnante, uma vez que as faturas comerciais que deram suporte as operações de câmbio tidas como fraudulentas, teriam sido elaboradas por LEANDRO MEIRELLES, a comando de LEONARDO MEIRELLES, conforme depoimento deste último; (v) a impossibilidade do agravamento de multa, uma vez que o impugnante sequer foi intimado para cumprir as determinações da fiscalização; (vi) a ausência de decisão autorizativa para o compartilhamento de dados, impossibilitando o uso da prova emprestada do processo penal; (vii) nega participação nas infrações apuradas, afirmando a administração da autuada estava a cargo de seus sócios, sendo o impugnante apenas um dos seus clientes; (viii) a ausência de solidariedade, havendo flagrante nulidade ante a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal dirigido ao contribuinte. Requer o acolhimento de sua impugnação a fim de reconhecer preliminarmente a nulidade por preterimento do direito de defesa, ausência da descrição dos fatos, inaplicabilidade da multa qualificada e decadência, ausência de parte integrante do auto de infração ilegitimidade; a bem de extinguir a presente ação fiscal, reconhecendo a inexistência do vínculo e débito tributário, no mérito o reconhecimento da insubsistência e improcedência da ação fiscal, a fim de declarar a inexistência de solidariedade e responsabilidade e de qualquer vinculo do impugnante e do débito fiscal, a ele correspondente. Por fim, requereu seja oportunizada ao impugnante a restituição do prazo, para fim de complementar a impugnação, juntada de documentos necessários ao contraditório e deslinde da verdade material. Por meio do despacho de fl. 1.849, foi convertido o julgamento em diligência para juntada de documentos comprobatórios da data da postagem da impugnação de Alberto Youssef, a fim de verificar a tempestividade da mesma. A referida diligência foi cumprida, com a juntada dos documentos de fls 1.858 a 1.861, os quais comprovam a postagem da impugnação em 04/01/2016. Fl. 2137DF CARF MF 6 Novamente convertido o julgamento em diligência, conforme despacho de fl. 1.862, para que fosse efetuada a juntada da decisão judicial que tivesse efetuado a quebra do sigilo, revogado o segredo de justiça, ou autorizado o compartilhamento de informações coletadas no bojo dos inquéritos policiais e processos criminais das denominadas Operações LavaJato e Bidone, aos quais a fiscalização colheu subsídios para o lançamento e atribuição de responsabilidade passiva solidária, os autos retornaram com a juntada das decisões judiciais constantes das fls. 1.873 a 1.875, 1.877 a 1.880 e 1.881 a 1.882, as quais autorizam o compartilhamento das informações mencionadas com a Receita Federal, para fins de instrução probatória em procedimentos fiscais, autorização concedida não apenas do juízo de primeira instância em relação a todos os envolvidos, mas também pelo STF especificamente para o compartilhamento da colaboração premiada de Alberto Youssef. Por fim, foi feita nova conversão do julgamento em diligência para que fosse juntada a prova da ciência da autuação e do termo de sujeição passiva para Pedro Arguese Júnior, conforme despacho de fl. 1.893, o que foi cumprida com a juntada do A R de fl. 1.896, comprovando a ciência mencionada em 30/11/2015. Em 26/10/2017, a 05ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1292.792, situado às fls. 19001918, para julgar improcedente a impugnação apresentada e: (i) declarar revéis, por ausência de impugnação, a autuada e interessados listados a seguir, mantendo a imputação de responsabilidade solidária atribuída pela autoridade fiscal a: LEONARDO MEIRELLES; ESDRA DE ARANTES FERREIRA; LEANDRO MEIRELLES; PEDRO ARGESE JUNIOR; RAPHAEL FLORES RODRIGUEZ; CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA; e WALDOMIRO DE OLIVEIRA; (ii) não conhecer da impugnação da PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO, sendo intempestiva, pois apresentada cerca de 05 meses após a intimação do auto de infração; (iii) conhecer a impugnação apresentada por ALBERTO YOUSSEF, mas julgando improcedente para manter os créditos tributários lançados de imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros ou relativas a títulos ou valores mobiliários IOF, cód. 2958, com multa de ofício qualificada e agravada para o percentual de 225%, e juros de mora, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO. INTIMAÇÃO. DOMÍCILIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO. VALIDADE. Considerase feita a intimação, efetuada por meio eletrônico, na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, previamente autorizado pelo contribuinte. TEMPESTIVIDADE. DATA DA ENTREGA DA IMPUGNAÇÃO. REMESSA POSTAL. ÔNUS DA PROVA. Considerase como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada pela apresentação pelo interessado do Aviso de Recebimento fornecido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.136 7 A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem é objeto de decisão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE. OPERAÇÕES DE CÂMBIO. FRAUDE. INTERESSE COMUM. FATO GERADOR. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a contratação de operações de câmbio fraudulentas, objetivando a remessa irregular de recursos ao exterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2010 OPERAÇÃO CAMBIAL FRAUDULENTA. IMPORTAÇÕES INEXISTENTES. INCIDÊNCIA. Incide o IOF sobre remessas ao exterior de valores decorrentes de operações cambiais fraudulentas baseadas em operações de importação inexistentes, não se aplicando a isenção prevista em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte autuada, LABOGEN, intimada via edital eletrônico e cientificada em 11/12/2017, conforme documento de fl. 2.070, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. O responsável solidário ALBERTO YOUSSEF, intimado via postal em 13/11/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2.062, interpôs, mediante envio postal realizado em 09/08/2017 conforme documento situado à fl. 3.614, o recurso voluntário, situado às fls. 3.6453.682, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Fl. 2139DF CARF MF 8 O responsável solidário PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO, atual denominação PIONNER PARTICIPAÇÕES LTDA., intimada via postal em 11/12/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2.084, Recurso Voluntário de fls. 2.0852.122 para insurgirse contra o não conhecimento de sua impugnação e repisar o quanto combatido em sua defesa inicial para fins de afastar sua responsabilidade. O responsável solidário CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA, foi intimado via edital eletrônico e cientificado em 06/12/2017, conforme documento de fl. 2.061, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário.. O responsável solidário LEANDRO MEIRELLES foi intimado via edital em 28/12/2017, conforme edital eletrônico de fl. 2.083, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. O responsável solidário LEONARDO MEIRELLES foi intimado via postal em 14/11/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2.072, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. O responsável solidário PEDRO ARGESE JUNIOR foi intimado via postal em 14/11/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2.074, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. O responsável solidário RAPHAEL FLORES RODRIGUEZ foi intimado via postal em 13/11/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2.124, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. O responsável solidário WALDOMIRO DE OLIVEIRA foi intimado via edital em 21/11/2017, conforme aviso de recebimento situado à fl. 2.076, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. O responsável solidário ESDRA DE ARANTES FERREIRA foi intimado via edital em 11/12/2017, conforme documento situado à fl. 2.071, não havendo notícia nos autos de ter interposto recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior O caso em análise decorre de cobrança de IOFCâmbio pela remessa de divisas ao exterior, ocultadas por operações de importação inexistentes, conforme constatado pela Polícia Federal e Ministério Público Federal no contexto das operações LAVA JATO e BIDONE. Esta terceira Seção deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem recebendo e julgando estas autuações, todas decorrentes das mesmas operações, como se vê do acórdão 3401005.363, de relatoria do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco da 1ª Turma da 4ª Câmara, bem como do Acórdão 3301005.353, de relatoria da Conselheira Liziane Angelotti Meira, desta 1ª Turma da 3ª Câmara, ambos com o mesmo resultado e que também será o resultado deste julgamento, com apenas uma ressalva em relação à corretora de câmbio, que apresentou impugnação a destempo. Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.137 9 O Recurso Voluntário apresentado por PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO LTDA., com liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil, conforme fls. 561566 e 1.095, não merece ser conhecido. Isso porque, intimada do auto de infração em 18/12/2015 apresentou a impugnação de fls. 1.616 a 1.679 apenas em 23/05/2016, cinco meses depois, consoante recibo de entrega de arquivos digitais de fls 1.614 e 1.615. Para justificar o atraso, afirma que não lhe foi franqueado o acesso integral do processo eletrônico e, também, não foi devidamente notificada do prazo para apresentação de defesa. No entanto, a própria Recorrente afirma em sua impugnação e em seu recurso que recebeu com a intimação eletrônica o auto de infração e o TVF. Tanto é verdade que em sua impugnação contesta diversos pontos e fatos narrados no TVF. Ainda, sustenta a Recorrente que no seu perfil do eCAC, não lhe era informado prazo para impugnação, ao contrário, fez constar na coluna "Situação Manifestação" a informação "NÃO SE APLICA". No entanto, não merece prosperar as alegações trazidas pelo sujeito passivo, a uma porque o prazo para impugnação decorre de lei, a duas porque, conforme consta da própria r. decisão de piso, a Recorrente exerceu seu direito de defesa, porém, intempestivametne: O ato administrativo ao qual a administração tributária pretendia cientificar a interessada é o lançamento, assim definido pelo caput do art. 142 do Código Tributário Nacional como o “procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”, consubstanciado no auto de infração, que tem como requisitos formais de validade aqueles previstos no art. 10, do Decreto nº 70.235/72 (PAF), (...) Não restam dúvidas que a interessada obteve acesso integral do auto de infração, e dos termos que o acompanham, e que os mesmos apresentam todos os requisitos formais de validade previstos no art. 142 do CTN, e art. 10 do PAF, de modo que não há como concluir pela invalidade da intimação. Cientificada eletronicamente da autuação e da sujeição passiva solidária, a interessada aguardou quase um semestre para apresentar sua impugnação, alegando não ter tido acesso ao inteiro teor do processo. A inação ou a demora em agir da interessada não pode ser oponível ao Fisco. Nos termos do art. 14, do PAF, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, momento a partir do qual a autoridade julgadora está autorizada ao exame das alegações da impugnante, até mesmo no tocante a apreciação da suposta nulidade por cerceamento do direito de defesa, pela recusa por parte da administração tributária em fornecer o acesso integral do processo administrativo. No entanto, tal impugnação deve ser apresentada no prazo legal, não o sendo, impõese considerar a impugnação intempestiva. Fl. 2141DF CARF MF 10 Insta lembrar que a suposta recusa de acesso integral do processo não ficou evidenciada, posto que não há nos autos nenhuma solicitação formulada pela interessada nesse sentido, nem a comprovação de recusa por parte da Administração Tributária em disponibilizar o acesso integral aos autos eventualmente requerido. Outrossim, também não é possível afastar de ofício a responsabilidade solidária da corretora de câmbio, em que pese em outros julgados do CARF, como os citados no início do voto, instituições financeiras como corretoras de câmbio tenham sido consideradas meras intermediadoras financeiras. Reconhecese que este CARF tem afastado a responsabilidade nestes casos, quando não comprovada a participação da instituição financeira com o esquema fraudulento, haja vista a inexistência de exigência normativa para exigir da corretora a tarefa de se calçar de toda a documentação desejada pelo agente fiscal neste auto de infração. No entanto, além de sua impugnação ser intempestiva, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial desta corretora, justamente por ter intermediado remessas ao exterior, fundada em contratos de câmbio, para as empresas Indústria e Comércio de Medicamentos abogen S/A (CNPJ 65.495.087/000160), Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia (CNPJ 8.092.297/000142), e Piroquímica Comercial Ltda — EPP (CNPJ 00.297.704/000178, conforme informativo de abertura de procedimento de investigação enviado pelo Banco Central do Brasil de fls. 561566. Consultando este processo de liquidação, nº 1401602415, no website do Conselho do Banco Central do Brasil (https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/consultaprocessoadm e http://fazenda.gov.br/orgaos/colegiados/crsfn), constatase que o processo foi encerrado em 24/04/2019 em razão do Acórdão CRSFN 63/2017, de 18.4.2017, tendo sido condenada, inclusive, ao pagamento de multa na monta de R$87.487.521,10 (oitenta e sete milhões, quatrocentos e oitenta e sete mil, quinhentos e vinte e um reais e dez centavos). Também é preciso destacar que, diante da sua liquidação pelo envolvimento com as empresas Indústria e Comércio de Medicamentos abogen S/A (CNPJ 65.495.087/0001 60), Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia (CNPJ 8.092.297/000142), e Piroquímica Comercial Ltda — EPP (CNPJ 00.297.704/000178 nas intermediações de câmbio para subsidiar importações inexistentes, a PIONEER CORRETORA, não se encontra mais listada como corretora habilitada pelo Banco Central do Brasil e, em consulta ao CNPJ no website da Receita Federal do Brasil, seu status está como "INAPTA" desde 21/03/2019 em razão de "OMISSÃO DE DECLARAÇÕES" Desta feita, é de se manter a r. decisão recorrida neste ponto, reconhecendo se a intempestividade da impugnação apresentada pela Pioneer Corretora de Câmbio, não sendo possível conhecer de seu recurso voluntário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DE ALBERTO YOUSSEF O recurso voluntário interposto pelo responsável solidário ALBERTO YOUSSEF, por fim, é tempestivo e preenche os requisitos formais e, portanto, será o único recurso a merecer conhecimento na presente assentada. Alega o recorrente, em primeiro lugar, ter sido intimado na carceragem da Polícia Federal de Curitiba/PR referente a 10 termos de verificação e encerramento parcial de fiscalização contra a contribuinte LABOGEN S/A QUÍMICA FINA E BIOTECNOLOGIA e Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.138 11 INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MEDICAMENTOS LABOGEN, tendo a ele sido imputado solidariedade da sujeição passiva com fundamento no inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135 do Código Tributário nacional, sem que lhe tenha sido oportunizado o acesso à íntegra do processo administrativo fiscal por ocasião da ciência do lançamento de ofício, que veio a conhecer apenas em 23/12/2015, o que ensejaria preterição do direito de defesa ou, ao menos, implicaria a devolução de prazo para complementar a defesa. Contudo, o responsável solidário em apreço foi cientificado pessoalmente do auto de infração, lavrado por autoridade competente, e do relatório fiscal que o acompanha, tomando conhecimento de todas as condutas atribuídas pela fiscalização que resultariam em infrações a legislação tributária, possibilitando, como de fato o fez, a apresentar sua defesa e exercer o contraditório de forma plena, tendo tido acesso ao inteiro teor da acusação, como bem aponta a decisão recorrida nos seguintes termos: Além disso, comprovadamente teve acesso ao inteiro teor do processo ainda dentro do prazo de impugnação, caindo por terra qualquer dúvida quanto a inexistência de cerceamento de seu direito de defesa. Sustenta o impugnante a ausência de descrição da conduta específica que levasse a conclusão que seria administrador de fato ou devedor solidário da autuada, bem como a descrição equivocada do evento tributário, não havendo adequação do fato a norma e via de conseqüência erro na capitulação legal da exigência fiscal e do vinculo apontado. Tal alegação é insubsistente, a autuação descreve de forma clara e pormenorizada os motivos pelos quais a autoridade autuante considerou o impugnante como responsável solidário de fato, apresentando provas dos vínculos entre este a autuada, com base em depoimentos, e delações prestadas no bojo de procedimentos criminais, permitindo o impugnante o exercício pleno de sua defesa, o que de fato o fez com a apresentação de sua impugnação, permitindo ainda a este julgador apreciar o mérito de todas as questões aduzidas pelo impugnante, não havendo, por isso, que se falar em cerceamento do seu direito de defesa. Afasto, também, a alegada nulidade por ausência de autorização judicial para utilização dos documentos apreendidos, uma vez que a foi deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário, e autorizado o compartilhamento de informações coletadas nos inquéritos policiais, bem como nos processos criminais com a Receita Federal pela autoridade judiciária competente. Também não há nulidade na utilização pela fiscalização de provas obtidas por empréstimo em procedimento criminal, uma vez que o procedimento de fiscalização, tal qual o inquérito policial, possui natureza inquisitorial, na medida que o contraditório em sede fiscal só tem início a partir da apresentação da impugnação, conforme previsão expressa contida no art. 14, do Decreto nº 70.235/72, momento a partir do qual a impugnante começa a exercer plenamente o seu direito de defesa. Fl. 2143DF CARF MF 12 O julgamento na esfera administrativa é independente da apuração criminal, e a análise das provas obtidas e compartilhadas com autorização judicial deve se dar sob a perspectiva do princípio do livre convencimento do julgador, não havendo que se falar em nulidade na apreciação dos documentos acostados aos autos, mesmo raciocínio deve ser aplicado a apreciação de provas emprestadas obtidas em outros processos administrativos, estejam eles encerrados pelo trânsito e julgado ou não. Além do mais, o auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 10, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, do PAF. Ademais, da análise do Recurso Voluntário apresentado mais de um ano após a impugnação, percebese que o Recorrente limitouse a reafirmar tudo o quanto trazido em sede de impugnação, sem nada a acrescentar, apenas tentando imputar a responsabilidade para a PIONEER CORRETORA, o que evidencia a inexistência de ofensa ao contraditório e ampla defesa, pois, se houvesse algo a "complementar" em sua defesa, teria feito nesta oportunidade. Ante o exposto, afasto a alegada nulidade da autuação neste particular. DECADÊNCIA Ressaltese que nas razões de recurso não há argumentos sobre a decadência, mas o pedido foi formulado ao final. Assim, quanto à alegação de decadência dos lançamentos compreendidos no período autuado, pois cientificado da exigência em 02/12/2015, tendo em vista, que em tempo algum a autoridade fiscal demonstrou que Alberto Youssef realizou operações de câmbio no referido período fiscalizado, quem dirá então, imputarlhe o dolo especifico de fraudar documentos, para remessa de recursos ao exterior, uma vez que as faturas comerciais que deram suporte as operações de câmbio tidas como fraudulentas, teriam sido elaboradas por LEANDRO MEIRELLES, a comando de LEONARDO MEIRELLES. Entretanto, diante de tudo que consta dos autos, há de se objetar o argumento, na medida em que o lançamento foi efetuado em razão da apuração da existência de 32 contratos de câmbio, celebrados em 2010, com a respectiva remessa de recursos para o exterior, lastreados em operações de importação jamais realizadas, efetuados entre a autuada e empresas sediadas no exterior controladas pelo mesmo sócio administrador. Afastadas as operações de importação, posto que inexistente, revelase que as remessas de divisas ao exterior são operações de câmbio, conforme se apurou no curso da "OPERAÇÃO LAVA JATO", o que implicou a cobrança do imposto à alíquota de 25%, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150% e agravada em 50%, totalizando, assim, 225%, com fundamento nos arts. 63 e 64 do Código Tributário Nacional, dos arts. 5º a 7º da Lei nº 8.894/1994, arts. 2º, 11 a 13 do Decreto nº 6.306/2007, e §§ 1º e 2º, inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Conforme relatado acima, a fiscalização que culminou no presente auto de infração está baseada em documentos coletados por autoridade policial federal, em sede do inquérito policial (IPL) nº 1.041/2013, constante dos autos do processo judicial nº 504.9557.14.2013.404.7000, e em fatos expostos na denúncia formulada pelo Ministério Público Federal em desfavor de Alberto Youssef e outros, constante do processo judicial nº Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.139 13 502.5699.17.2014.404.7000, ambos em curso na Subseção Judiciária de Curitiba/PR da Justiça Federal, no contexto das OPERAÇÕES LAVAJATO e BIDONE. Os processos judiciais mencionados relatam a atuação de organização criminosa constituída para, dentre outros objetivos, remeter ilicitamente valores ao exterior mediante a contratação de câmbio para pagamento de importações fictícias de mercadorias, realizada por empresas supostamente controladas pela organização criminosa. “... os doleiros têm se valido de uma nova forma de evasão de divisas, por meio de contratos de câmbio, supostamente realizados para o pagamento de importações. Os doleiros se valem de uma falha nos sistemas de controle, pois as Instituições Financeiras e as Corretoras de Valores não precisam mais pesquisar junto ao SISCOMEX, ao realizar um contrato de câmbio, se realmente existiu aquela importação que justificaria a realização de um contrato de câmbio. Assim, os doleiros criam empresas de fachada, que supostamente realizam importações de mercadorias no Brasil. Criam, também, empresas offshore, que supostamente enviariam mercadorias ao Brasil, abrindo contas no exterior, em nome destas empresas offshore, para receber os valores das supostas transações internacionais. Com isto, as empresas brasileiras de fachada simulam uma importação das empresas offshore, fabricando invoices e conhecimentos de transporte para dar aparência de legalidade, assim como contratos simulados entre a suposta importadora e a exportadora. Como não há padronização nas normas de controle, atualmente sequer necessitam apresentar a Declaração de Importação. Com base em tais documentos falsos, apresentam informações falsas à Instituição Financeira e realizam contrato de câmbio sob a falsa rubrica de importações, quando, em verdade, tratase de mera simulação com o fim de enviar valores ao estrangeiro. O dinheiro é, então, remetido para a conta no exterior, como se fosse um contrato de câmbio vinculado a uma importação realizada." Constatase do termo de verificação fiscal, situado às fls. 1.0961.206, a acusação de falta de recolhimento de IOFCâmbio, referentes a remessas de recursos para o exterior, efetuadas no anocalendário 2010, representando, portanto, operações de câmbio, ocultadas por operações de importação inexistentes, uma vez que não houve a aquisição de mercadorias de origem estrangeira por parte da autuada, e cuja finalidade teria sido unicamente a de evasão de divisas, apuradas em investigações realizadas no âmbito da força tarefa da OPERAÇÃO LAVA JATO e OPERAÇÃO BIDONE. Ainda se extrai do TVF, especificamente em fls. 1.1631.164, teriam sido fechados, ao longo de 2010, a INDUSTRIA E COMERCIO DE MEDICAMENTOS LABOGEN S/A realizou 32 remessas financeiras ao exterior no anocalendário 2010, todas com natureza “15806 Importação – Câmbio Simplificado”, totalizando de USD 1.432.420,00 e R$ 2.521.559,81. Os beneficiários das remessas estão localizados em Hong Kong e China. Todos os contratos de câmbio foram fechados com a Pioneer Corretora de Câmbio Ltda., CNPJ 69.251.239/000130. Fl. 2145DF CARF MF 14 Segundo consta do depoimento de LEONARDO MEIRELLES, que será transcrito mais abaixo, sócio da contribuinte autuada, ALBERTO YOUSSEF utilizava as contas da empresa para movimentação dos valores recebidos em operações irregulares de câmbio e evasão de divisas, pagando 1% de comissão sobre os valores movimentados aos sócios da empresa. Tais operações de câmbio estão exaustivamente comprovadas por meio dos respectivos contratos celebrados com instituições financeiras, inexistindo, ademais, qualquer registro das importações mencionadas nos contratos. Assim, resta comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, decorrente da prática dolosa de sonegação, fraude e conluio, de modo a afastar a aplicação da fórmula de contagem do prazo de homologação tácita do lançamento, prevista no § 4º, do art. 150, devendo ser aplicada a regra geral prevista no inciso I, do art. 173 do Código Tributário Nacional: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Não bastasse o comprovado esquema fraudulento para evasão de divisas, a aplicação do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º, contandose de cada fato gerador, requer do contribuinte a entrega de declarações dos fatos praticados, bem como o pagamento antecipado, tudo nos termos do art. 150 e seu § 1º também do CTN. Em um levantamento realizado no âmbito da Receita Federal do Brasil verificouse que após o anocalendário 2008, a Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen não apresentou DIPJ à Receita Federal do Brasil. Na verdade, a empresa Indústria Labogen não existe de fato e está inativa desde 2008. Não há nenhuma informação sobre envios de DCTF, muito menos de recolhimento antecipado. Assim, não há possibilidade se reconhecer a decadência, negandose provimento ao recurso voluntário neste ponto. DA RESPONSABILIDADE Quanto às demais alegações, em especial aquela concernente à responsabilidade solidária de ALBERTO YOUSSEF, observase, como acima demonstrado, que a autuação tem como motivação a remessa ao exterior de recursos efetuados pela autuada, respaldados por contratos de câmbio para pagamentos de mercadorias supostamente importadas, com isenção de IOF, cujas importações jamais se efetivaram, mediante a apresentação de faturas comerciais fraudulentas. Como bem aponta a decisão recorrida "(...) tal fato não foi em momento algum negado pelo impugnante, ao contrário, foi confirmado, limitandose ALBERTO YOUSSEF a questionar a sua responsabilidade pelas operações financeiras efetuadas, atribuindo esta ao sócio administrador da autuada, seu irmão e seus empregados", o que limita o espectro de cognição da matéria devolvida a este colegiado, tornando "(...) incontroversa a ocorrência dos fatos motivadores da autuação, inclusive no tocante a apuração da fraude, descaracterizando a hipótese de isenção do IOF, tendo em vista que as importações de fato não ocorreram, bem como caracterizando a hipótese de incidência do imposto de renda retido na fonte aos valores remetidos ao exterior". Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.140 15 Em sua defesa, o recorrente nega autoria e participação nas infrações, atribuindo a responsabilidade a LEONARDO MEIRELLES e LEANDRO MEIRELLES, com base na confissão daquele, prestada nos autos da ação penal nº 502569917.2014.404.7000/PR, pelas contratações de câmbio fraudulentas, tendo sido apenas um dos clientes da autuada, sem poder de mando sobre a empresa ou seus sócios, e tendo utilizado seus serviços na maioria das vezes para obter valores em espécies relacionados aos contratos de prestação de serviço de empreiteiras e, logo, o fato de ter sido mais um dos clientes de LEONARDO MEIRELLES, não o tornaria sócio de fato ou de direito da LABOGEN SA ou INDÚSTRIA LABOGEN, ou qualquer outra controlada por LEONARDO MEIRELLES. Não merece guarida as argumentações do Recorrente, vejamos: Conforme denúncia do MPF, fls. 0581, Alberto Youssef se utilizou de empresas que dominava, no território nacional, em nome também de seus subordinados, sobretudo as empresas (i) BOSRED SERVICOS DE INFORMATICA LTDA — ME, (li) HMAR CONSULTORIA EM IN FORMATICA LTDA— ME, (iii) INDUSTRIA E COMERCIO DE MEDICAMENTOS LABOGEN S/A, (iv) LABOGEN S/A QUIMICA FINA E BIOTECNOLOGIA; (v) INDUSTRIA E COMERCIO DE MEDICAMENTOS LABOGEN S/A; e (iv) PIROQUIMICA COMERCIAL LTDA — EPP. O próprio denunciado LEONARDO MEIRELLES confirmou que o Recorrente se valia das contas das empresas Labogen Química, Indústria Labogen, Piroquímica, Hmar e RMV CCV para evasão de divisas por meio de importações fictícias, mediante pagamento de comissão de 1%. Estas empresas simulavam contratos de importação com as empresas offshore de fachada acima mencionadas (DGX IMP.AND EXP.LIMITED e RFY IMP.EXP.LTD.), além de outras empresas utilizadas pela organização criminosa, emitindo, quando necessário, invoices e conhecimentos de transportes falsos. Algumas vezes, visando dar aparência de legalidade, os denunciados simulavam contratos entre empresas brasileiras e estrangeiras, visando justificar, sobretudo para as instituições financeiras estrangeiras, a realização das transferências internacionais. Assim, por exemplo, o contrato entre a empresa nacional KFC Hidromessemadura Ltda. e a estrangeira Asia Wide Engineering Limited, no valor de US$ 8,32 milhões'', a Malga Engenharia Ltda. e a Legend Win Enterprises Limited, no valor de US$ 11 milhões T20 e a Piroquímica Comercial Ltda.(nacional) e a RFY Import & Export Ltda. (estrangeira), no valor de US$ 2,05 milhões. Vale destacar que o denunciado LEONARDO assina como presidente de todas as empresas estrangeiras, com exceção da RFY, em nome do denunciado LEANDRO (...) Em apertada síntese, a participação dos denunciados pode ser descrita da seguinte forma: YOUSSEF controlava todas as operações, gerenciando as atividades dos demais e indicando as contas no exterior em que deveriam realizar os depósitos. Por sua vez, o denunciado LEONARDO era responsável por fechar os contratos de câmbio, com o auxílio de seu irmão LEANDRO. Os denunciados PEDRO, RAFAEL e ESDRA cediam as contas e as empresas para Fl. 2147DF CARF MF 16 (...) as importações fraudulentas, tendo plena consciência de que seriam utilizadas para tal fim. Para tanto, recebiam comissões que variavam entre 0,5% a 1% do valor movimentado. Remete se ao quanto já foi dito, quando da descrição da participação de cada um dos denunciados na organização criminosa. (...) Por intermédio da empresa Indústria Labogen S.A, entre 04/06/2009 e 03/10/2013, o denunciado YOUSSEF e os denunciados LEONARDO, LEANDRO, PEDRO, ESDRA, RAPHAEL e CARLOS ALBERTO, agindo em concurso e com unidade de desígnios, efetuaram 651 operacão de câmbio não autorizados, sonegando informações que deveriam prestar e prestando informações falsas, com o fim de promover evasão de divisas do País, tendo, assim, promovido, sem autorização legal, a saída de divisas para o exterior (mais especificamente para a China, Coreia, Canadá, Formosa/Taiwan, Taiwan, Índia, Uruguai, EUA, Itália, Hong Kong, Ucrânia, Bélgica, Liechtenstein e Costa Rica) no montante de US$ 38.071.673,17, por meio de 651 contratos de câmbio fraudulentos. Referidos contratos estão descritos, de maneira pormenorizada, na Tabela D (com a data do evento, natureza do fato, número do contrato, instituição que realizou o contrato de câmbio, a empresa que supostamente recebeu os valores no exterior, o país em que o dinheiro foi enviado e o valor da importação, em dólares) anexa à presente denúncia, que passa a fazer parte integrante desta. (grifei) Ainda, no próprio TVF, especificamente em fls. 1.1251.141, a fiscalização tomou o cuidado de descrever o depoimento de Leonardo Meirelles, sócio formal da Labogen S.A., na transcrição de declaração extraída do site da Justiça Federal/PR, (https://eproc.jfpr.jus.br/eprocV2/controlador.php?acao=acessar_docum...), onde resumidamente declarou que: Juiz Federal: Então, nesse Processo 5026212, depoimento do senhor Leonardo Meirelles. Senhor Leonardo, o senhor já foi ouvido na verdade numa ação penal conexa, mas essa é uma outra ação penal, então, o senhor vai ser ouvido de novo. Na verdade, nós vamos aproveitar também o que o senhor declarou naquele ato anterior. Interrogado: Perfeito. Juiz Federal: Então vão ser feitas aí algumas questões específicas ao senhor. Certo? Interrogado: Perfeito. Juiz Federal: Na condição de acusado, o senhor está sendo acusado pelo Ministério Público Federal, o senhor tem o direito de permanecer em silêncio, se o senhor fizer uso desse direito, isso não lhe traz prejuízo, segundo nossa Lei. Mas também é a oportunidade que o senhor tem de falar no processo, tudo o que o senhor falar vai ser considerado para o julgamento. O senhor prefere falar ou o senhor prefere ficar em silêncio? Interrogado: Prefiro falar. Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.141 17 Juiz Federal: Senhor Leonardo, o seu relacionamento com o senhor Alberto Youssef, o senhor pode esclarecer, especialmente, esses depósitos nessa empresa Labogen? Interrogado: É Juiz Federal: E Piroquímica. Interrogado: Perfeito. Excelência, isso ocorreu em .... fui apresentado a Alberto Youssef, em meados de 2009 para 2010, apresentado por senhor Waldomiro de Oliveira, uma vez que eram prestados alguns serviços contábeis, na ocasião, e onde iniciouse contatos, no princípio mais espaçados e com o decorrer do tempo mais frequentes, no ano de 2011 e 12. Esses contatos foram feitos para pagamentos de eventuais importações que eram realizadas, através da minha empresa, onde do qual eu tinha algumas possibilidades de pagamento e envio de recursos ao exterior, como anteriormente já havia declarado, tanto na Polícia Federal, como no outro processo. Juiz Federal: Mas essas remessas para fora, nem todas estavam amparadas por importações reais, é isso? Interrogado: Perfeito. Nem todas estavam amparadas devidamente pelas suas devidas importações. Juiz Federal: O senhor fazia esse serviço só para o senhor Alberto Youssef ou para outras pessoas também? Interrogado: A princípio, a grande maioria, por questões de dificuldades financeiras, naquela ocasião, naquele momento, eu efetuava, a grande maioria, vamos dizer, 80%, 70 a 80%, era para o seu Alberto. E algumas outras para terceiros, e onde advinha o resultado deste, deste ato, algo em torno de... um percentual de comissão, algo em torno de 1%. É o resultado que eu tinha dessa operação. Juiz Federal: Esses... e para isso o senhor utilizava a Labogen e a Piroquímica? Interrogado: Sim. Sim, Excelência. (...) Juiz Federal: Mas daí como é que o senhor fazia para disponibilizar, então, dinheiro para ele, em espécie? Interrogado: Então, disponibilização... vamos voltar um pouquinho. Então, a gente tem um contrato originário de prestação de serviço ou consultoria, que seja, para uma construtora ou... que seja, advinda de algum acerto de agentes públicos, né? Esse contrato é transformado em uma emissão de uma nota fiscal que creditou numa empresa terceira, no caso, na MO. E essa empresa passou o TED para minha conta da Labogen. Aí a Labogen faz o fechamento de câmbio do pagamento de importações que não existiram, perfeito? Para beneficiários, esses terceiros, e esses terceiros que pagam em Fl. 2149DF CARF MF 18 reais aqui. Onde, a princípio, configura a prática do dólar cabo, vamos dizer assim. Basicamente esse é o desenho, o caminho por onde a coisa acontecia. Juiz Federal: Tá, mas eu não entendi onde que entra o saque em espécie, feito pela Labogen? Interrogado: Não tem saque. Não tem nenhum saque da Labogen. Juiz Federal: Hã. Interrogado: A Labogen, quando faz importação, e direciona esse pagamento a um canal de um estrangeiro, esse estrangeiro que paga aqui os reais aqui, em espécie, que entregava para o senhor Alberto. Juiz Federal: Então era o dinheiro vindo de fora que o senhor disponibilizava para ele, então? É isso? Interrogado: Quando ia o dinheiro para fora, a pessoa disponibilizava aqui em reais, aqui no Brasil. Então, não tem saque. Na verdade, eu te entrego uma posição no exterior e você me entrega uma posição em reais aqui. Juiz Federal: E esses reais iam para o Alberto Youssef? Interrogado: Pro Alberto. Lógico. Sempre. (...) Juiz Federal: O senhor também fez essas operações para o senhor Waldomiro? Interrogado: Não. Waldomiro, nunca. Waldomiro só era como se fosse um despachante, só. Fazia a tramitação de emissão e fazia a TED, na verdade, fazia o pagamento para minha empresa. Juiz Federal: O senhor declarou lá no Inquérito, tem um depoimento seu de 25 de março de 2014, o senhor diz lá 'Que conheceu o Alberto Youssef através de Waldomiro, proprietário das empresas (incompreensível) para quem o declarante já prestava o mesmo serviço, a movimentação de contas bancárias, controladas pelo próprio declarante, contrapartida em recebimento de comissão. Que Waldomiro não utilizava as empresas dele para efetuar os contratos de câmbio porque elas não eram importadoras. Que Waldomiro solicitou que fossem depositados valores nas contas do declarante, que posteriormente indicava contas bancárias no exterior para que fossem feitos contratos de câmbio. Interrogado: Ok, então... Juiz Federal: 'Isso acontecia desde 2009, mas que conhece o Waldomiro... Que movimentou valores para Waldomiro no período de 2009 a 2012. Que a partir de 2012, quando conheceu Alberto Youssef, deixou de operar valores para Waldomiro, passando a operar apenas para Youssef'. Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.142 19 Interrogado: Assim, Excelência, na ocasião, 25 de março, eu estava no... eu estava recluso, estava numa situação, tava... na verdade, eu me equivoquei em relação às datas. O Waldomiro foi de 2009 para 2010. Logo, na sequência, seis meses, oito meses depois, ele me apresentou a Youssef. Movimentei, sim, para o Waldomiro, mas era a mando de Youssef, porque até então eu não o conhecia diretamente. Ano de 2010 e 2011, o maior contato era com o Waldomiro pela ação dos pagamentos e operacional do dia a dia. Mas todos eram a mando de Youssef. Juiz Federal: Esses valores que o senhor... Era só do Alberto Youssef, não tinha valores autônomos do senhor Waldomiro? Interrogado: Não. Não tinha. Não tinha. Não tinha porque o recurso nunca foi dele, né. Sempre quando entrava um recurso na conta dele, ele repassava 24 horas, ou 48 horas após, logo na sequência. Juiz Federal: No processo aqui, tem uma perícia feita em cima da conta da MO. Interrogado: Perfeito. Juiz Federal: Consta aqui transferência de 10 milhões, cerca de 10 milhões para Labogen Química Fina, depois 6 milhões para Labogen Indústria e Comércio, mais 4 milhões para Piroquímica. Esses valores eram tudo do Alberto Youssef? Interrogado: Que advinha do Waldomiro, correto, Excelência. Juiz Federal: E esses valores eram todos para remessa no exterior, ou para outra finalidade? Interrogado: Todos eles, praticamente, de compara de posição de importação. (...) Juiz Federal: E essas transferências que o senhor fazia para o senhor Alberto Youssef, essas transações, qual que era o seu ganho? Interrogado: 1%, Excelência. (grifei) Em outro trecho do TVF fls. 1.1231.125, a fiscalização trouxe mais declarações de Leonardo Meirelles, extraídas do termo de Declaração de 25/03//2014, onde resumidamente declarou que: exercia atividades comerciais nas empresas Labogen S.A. e Piroquímica. A Piroquímica é uma empresa de sua propriedade com Pedro Argese desde 2009/2010. Exerce a função de diretor presidente e acionista majoritário da Labogen. Pedro Argese exerce a função comercial; Esdra tem participação acionária de 10% na Labogen e 20% na Piroquímica; Fl. 2151DF CARF MF 20 Leandro Meirelles não faz parte do quadro acionista da empresa Labogen, mas exerce atividades de desenvolvimento e pesquisa; a Labogen S.A. está inativa desde 2008, quando foi adquirida por ele; adquiriu 66% das cotas da Piroquímica sem pagar nada por estar assumindo o passivo da empresa. Esdra adquiriu, por sua vez, 20% referente aos 66% adquiridos por ele, representando assim 12% das cotas totais da Piroquímica; os 66% das cotas, por ele adquiridas, foram colocados no nome de Eliana Botura, esposa de Esdra, porque ele e Esdra já eram sócios de uma empresa com um grande passivo que era a Labogen. Eliana nunca exerceu qualquer função na Piroquímica; Alberto Youssef fazia uso das contas bancárias das empresas Labogen S.A., Indústria de Medicamentos Labogen, Piroquímica, HMAR Consultoria e RMV & CVV Consultoria para indicar o depósito e transferências financeiras para essas contas. A maioria do dinheiro era utilizado para aquisição de contratos de câmbio para pagamento de importações fictícias na modalidade de Câmbio Simplificado de Importação; não tinha conhecimento da origem do dinheiro que Youssef movimentava em suas contas; todos os contratos de câmbio celebrados a mando de Youssef não possuem Declarações de Importação e não foram objeto de qualquer tributo; em decorrência da grande movimentação financeira envolvida nos contratos de câmbio em nomes das empresas, a Labogen está sendo fiscalizada pela Receita Federal; Alberto Youssef sempre pagou uma comissão de 1% sobre cada movimentação feita nas contas de suas empresas; conheceu Youssef por intermédio de Waldomiro de Oliveira proprietário das empresas M. O. Consultoria, Empreiteira Rigidez e RCI Software. Waldomiro não utilizava suas empresas para celebrar os contratos de câmbio porque suas empresas não eram importadoras. Assim, Waldomiro o contratava quando precisava fazer remessas ao exterior; (grifei) De acordo com as denúncias do Ministério Público Federal e os depoimentos apresentados, restou comprovado que a Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia foi utilizada pelos envolvidos: Leonardo Meirelles, Esdra de Arantes Ferreira, Leandro Meirelles, Pedro Argese Júnior e Waldomiro Oliveira, sob o comando de Alberto Youssef, para o envio de remessas irregulares de divisas ao exterior, se valendo de importações fictícias e inexistentes com o intuito de lavagem de dinheiro de terceiros e evasão de divisas. No TVF ainda consta a informação de que o Ministério Público Federal fez constar na denúncia, entre outras informações, que: a empresa Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen formalmente está em nome do denunciado Leonardo Meirelles e Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.143 21 de Esdra de Arantes Ferreira, sendo que essas mesmas pessoas administravam a Labogen S.A.; Esdra era frentista de posto de gasolina, tendo qualificação e renda totalmente incompatíveis com o cargo de diretor de empresas com as movimentações financeiras apresentadas pela Indústria de Medicamentos Labogen e Labogen S.A.; o denunciado Leandro Meirelles, irmão de Leonardo Meirelles, trabalhava nas empresas Labogen na simulação das operações de importação por meio de contratos de câmbio. Também foi sócio da Piroquímica; as empresas não tinham atividade comercial compatível com a renda movimentada; segundo depoimentos de Leonardo Meirelles e de Pedro Argese Junior (diretor comercial), a empresa Labogen S.A. não comercializava qualquer produto desde, pelo menos, 12/05/2008, não tinha sede física e era "um monte de papéis". Esdra de Arantes Ferreira afirmou que a Labogen S.A. não tem atividade; o proprietário de fato dessas empresas é Alberto Youssef. Leonardo Meirelles afirma que Youssef fazia uso das contas bancárias da Labogen S.A., da Indústria de Medicamentos Labogen, da Piroquímica, da HMAR Consultoria e da RMV & CVV Consultoria; os denunciados Waldomiro Oliveira, Leonardo Meirelles, Leandro Meirelles, Esdra de Arantes Ferreira e Pedro Argese Junior não figuravam como simples "laranjas", pois emprestavam o nome de suas empresas para atividades ilícitas, mas tinham conhecimento e participavam ativamente de toda a atividade criminosa; em relato, Leandro Meirelles explicou que, inicialmente, a pedido de Waldomiro Oliveira disponibilizava a conta da Labogen para saques em espécie e que, posteriormente, passou também a realizar contratos de câmbio para remeter dinheiro para o exterior. Recebia pagamento de comissão pela disponibilização das contas bancárias da empresa; em depoimento, Leonardo Meirelles informou que Esdra Arantes e Pedro Argese Junior sempre tiveram conhecimento da utilização das contas por terceiros e do recebimento de comissão de 1% por parte da Labogen e da Piroquímica; o dinheiro que chegava nas empresas Labogen S.A., Indústria de Medicamentos Labogen e Piroquímica era remetido ao exterior por intermédio de contratos de câmbio a título de pagamento de importações inexistentes; segundo informações do Banco Central, só no período em que receberam os depósitos da M. O. Consultoria, foram identificados 2.074 contratos de câmbio no montante de US$ 111.960.984,43. Os remetentes foram as empresas: 1) Labogen Fl. 2153DF CARF MF 22 S.A.: 1.125 contratos no montante de US$ 64.210.057,56; 2) Indústria de Medicamentos Labogen: 483 contratos no montante de US$ 22.713.141,31; 3) Piroquímica: 462 contratos no montante de US$ 25.037.785,56; ao todo, as empresas mencionadas receberam R$ 21.461.461,00 da M. O. Consultoria. Enviaram para o exterior 162 milhões de dólares. Percebese que receberam recursos de diversas outras fontes para efetuarem remessas para o exterior; eram operações de importação simuladas porque as empresas no exterior eram de fachada, consequentemente, nunca houve a entrada de mercadorias no Brasil. Leandro Meirelles em depoimento afirmou expressamente que se tratavam de importações simuladas; a empresa Indústria de Medicamentos Labogen não tinha habilitação no Siscomex entre 01/2009 e 12/2013, mesmo assim realizou centenas de contratos de câmbio; Labogen S.A., embora possuísse habilitação para operar no comércio exterior, registrou no período de 01/2009 a 12/2013, apenas 24 Declarações de Importação, mas celebrou 1.294 contratos de câmbio. A empresa nunca existiu de fato e nenhuma das operações de importação amparadas pelos mencionados contratos de câmbio foram reconhecidas pela Receita Federal do Brasil; a empresa Piroquímica, embora tenha registro no Siscomex, registrou apenas 4 Declarações de Importação no ano calendário de 2013, no valor total de US$ 15.517,23. Mas, nenhuma dessas importações constam na tabela dos contratos de câmbio celebrados para pagamento de importações inexistentes, elaborada com base nas informações do Banco Central do Brasil; para dar aparência de legalidade às operações de câmbio efetuadas, todas sem Declarações de Importação, foi celebrado um contrato simulado entre a Piroquímica e a RFY Import & Export Ltd., situada em Hong Kong, no valor de US$ 2,05 milhões. Tal contrato foi firmado para uma suposta venda de glicerina. O denunciado Leonardo é quem assina como presidente da RFY e como presidente da Piroquímica é o denunciado Pedro quem assina; há emails que tratam da criação da offshore DGX Imp. Exp. Ltda., outra empresa utilizada nas operações de importação fraudulentas. O denunciado Leandro aparece com o responsável pela empresa; todas as operações de câmbio mencionadas na denúncia ocorreram por intermédio de contratos de câmbio ideologicamente falsos e importação simulada de produtos; parte do dinheiro remetido ao exterior, por meio de contratos de câmbio celebrados pelas empresas Labogen S.A., Indústria de Medicamentos Labogen e Piroquímica, se referiu a valores provenientes da M. O. Consultoria; Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 16561.720156/201580 Acórdão n.º 3301006.119 S3C3T1 Fl. 2.144 23 os denunciados Leonardo Meirelles, Esdra de Arantes Ferreira, Pedro Argese Junior e Leandro Meirelles tinham total conhecimento das operações de câmbio irregulares das empresa, conforme depoimento de Leandro. Ainda no TVF, fls. 1.164, destacase ainda o seguinte trecho: A empresa Indústria Labogen não existia de fato. Segundo as declarações dos sócios, a empresa está inativa desde 2008. Ademais, o sócio e ora denunciado LEONARDO confirmou, perante a Autoridade Policial, que YOUSSEF usava as contas da Indústria Labogen S.A. para a prática dos crimes de operação não autorizada de instituição financeira, lavagem de dinheiro de terceiros e evasão de divisas, e inclusive pagava 1% de comissão sobre os valores movimentados nas contas. Isso quer dizer que a empresa simulou importações, fazendo declarações falsas nos contratos de câmbio de que estes se destinavam a pagar fornecedores estrangeiros, para enviar divisas para empresas no exterior. (grifei) Assim, ainda que a administração da contribuinte autuada não estivesse formalmente a cargo de ALBERTO YOUSSEF, as remessas ao exterior a que se referem a acusação fiscal foram realizadas a partir de comandos efetuados pela recorrente, remunerando a “prestação do serviço” a 1% do valor das operações, com pleno conhecimento da ilicitude e da fraude perpetradas, evidenciando o dolo, a sonegação, a fraude e o conluio, o que permite concluir, ainda, que a LABOGEN tenha operado como mera interposta pessoa, uma vez que as remessas ao exterior, de fato, foram efetuadas por ALBERTO YOUSSEF, incidindo, in casu, a regra de responsabilização de terceiros, prevista no inciso III, do art. 135, do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual deve ser mantida a qualificação da multa infligida, no percentual de 225%, sujeitando o responsável solidário a esta obrigação. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado por PIONEER CORRETORA DE CÂMBIO LTDA. Em relação ao recurso apresentado por ALBERTO YOUSSEF, este é conhecido, porém, negase provimento. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 2155DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.909185/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases - RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Numero da decisão: 3201-005.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatando-se a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 85 /2 01 1- 23 Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10850.909185/201123 Acórdão n.º 3201005.326 S3C2T1 Fl. 362 2 (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 94, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls. 49, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: "O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fls. 039/040, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Pedido de Restituição eletrônico nº 13643.57562.140606.1.2.04 0273 (fls. 002/004), protocolado em 14/06/2006, e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 1.088,92. Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 03/01/2012, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10850.909185/201123 Acórdão n.º 3201005.326 S3C2T1 Fl. 363 3 Pedido de Restituição, com base no seguinte fundamento: o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Cientificada do Despacho Decisório, em 17/01/2012 (fl. 006), a contribuinte ingressou, em 15/02/2012, com a manifestação de inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Solicita a reunião dos processos administrativos nº 10850.909184/201189, nº 10850.909185/201123, nº 10850.909186/201178 e nº 10850.909187/201112, sob o argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuição social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998. Invoca para tanto os princípios da economia processual e os dele decorrentes. Cita doutrina que respalda a reunião de processos com mesmo fundamento fático e define a conexão entre ações e aponta que os processos teriam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz decisão administrativa. 2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da higidez de seu crédito, contrariando o disposto no art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o art. 142, do Código Tributário Nacional, o que teria permitido à requerente demonstrar seu direito ao crédito. 3. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Reforça apontando que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria reconhecido a inconstitucionalidade já pacificada na jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa, traz exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10850.909185/201123 Acórdão n.º 3201005.326 S3C2T1 Fl. 364 4 ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Reforça sua posição invocando o art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61A e 62, §1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, disposição que já constava no regimento do órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, seria indevido o valor de R$ 1.088,92, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas que não integram o faturamento, conforme comprovado por documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito pleiteado, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório." A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 PAF. REUNIÃO DE PROCESSOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO NORMATIVA. A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem a consolidação de matérias em um único processo e o apensamento de processos, conforme a hipótese, inexistindo previsão de julgamento conjunto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXPRESSA EM ATO NORMATIVO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10850.909185/201123 Acórdão n.º 3201005.326 S3C2T1 Fl. 365 5 A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade e o afastamento de normas sob fundamento dessa natureza depende da correspondente declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de vinculação obrigatória expressamente previsto no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Ao analisar a presente lide administrativa fiscal, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência (fls 246) para que a autoridade de origem considerasse a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo. A diligência foi atendida, conforme pode ser verificado nas fls. 335 (informação fiscal) e fls. 345 (manifestação do contribuinte à informação fiscal). Em resumo, após a diligência, a fiscalização considerou as receitas financeiras e concordou com sua exclusão da base de cálculo da contribuições e reconheceu parcialmente o crédito solicitado. O contribuinte se manifestou sobre as linhas contábeis que não foram reconhecidas pela fiscalização: ressarcimento de despesas legais judiciais, multas, recuperação de despesas e outros resultados financeiros. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10850.909185/201123 Acórdão n.º 3201005.326 S3C2T1 Fl. 366 6 Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em fls. 335, a fiscalização reconheceu a maioria do crédito solicitado pelo contribuinte, conforme trecho reproduzido a seguir: "Conclusão 18. Por conseguinte, devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins do contribuinte as receitas operacionais registras nas seguintes contas do plano de contas do contribuinte no periodo em análise: 7193000602 RESSARCIMENTO DESP LEGAIS JUDICIAIS 7193000605 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS 7193000606 RECUPERAÇÃO DE MULTAS 19. Refazendo a apuração do PIS e da COFINS dos períodos de apuração de nov/2000 a abr/2001 e de jun/2001 a set/2001, com base nos demonstrativos e registros contábeis que constam dos autos, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, temos a seguinte apuração: 20. Comparando a COFINS apurada na diligência com o valor do DARF apontado no PER nº 13643.57562.140606.1.2.04 0273, aqui em análise, e tendo em vista que o reconhecimento do crédito se limita ao valor pedido pelo contribuinte, concluo pelo RECONHECIMENTO PARCIAL do direito creditório no valor de R$ 880,53, referente à COFINS do período de apuração de Jul/01." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo das contribuições, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10850.909185/201123 Acórdão n.º 3201005.326 S3C2T1 Fl. 367 7 Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), o conceito de receita bruta não tem mais valia., foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Portanto, receitas financeiras realmente não configuram faturamento e todos os pagamentos indevidos sobre tais receitas devem ser reconhecidos como tais. A presente lide, contudo, permaneceu sobre algumas linhas contábeis, conforme trecho da Informação Fiscal reproduzido acima. Em Manifestação à Informação Fiscal o contribuinte alegou que as linhas contábeis, objeto de resolução (ressarcimento de despesas legais judiciais, multas, recuperação de despesas), não configuram faturamento. O contribuinte juntou documentos e registros contábeis de fls 329 e seguintes (memória de cálculo, balancete, contrato de consórcios e apuração), o que é suficiente para concluir que não são receitas operacionais. Como já mencionado, a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Como registrado nos leading cases, "faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços". Faturamento tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. Desse modo, o recurso merece provimento parcial, nos moldes da informação fiscal de fls, assim como merece provimento nas demais linhas contábeis, exceto as seguintes: "7173500501 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO 7173500502 TAXA DE INSCRIÇÃO 7173500502 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.8337173500505 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.833." Em observação ao princípio da verdade material, que tem aplicação no processo administrativo fiscal, é igualmente importante observar que estas taxas de administração e inscrição devem ser cobradas inclusive se estiverem incluídas dentro da conta 7399900705 “outras resultados financeiros”. Tais taxas representam receitas operacionais e, além disto, não foram suficientemente rebatidas pelo contribuinte em suas argumentações. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para: Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10850.909185/201123 Acórdão n.º 3201005.326 S3C2T1 Fl. 368 8 a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.903370/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2009
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 3401-006.328
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 33 70 /2 01 2- 73 Fl. 58DF CARF MF 2 A matéria não especificamente contestada na manifestação de inconformidade é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita da interessada, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subsequente. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário repisando os exatos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.326, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.903368/201202. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.326): "Tratase de recurso contra acórdão que manteve a decisão que deixou de homologar a compensação declarada pela Recorrente, pois reconheceu inexistir matéria impugnada na manifestação de inconformidade, posto que a impugnante trouxe alegações completamente estranhas ao teor do processo, como se depreende do excerto do voto condutor abaixo transcrito: As alegações da interessada não dizem respeito ao despacho decisório, pois, ao contrário do que argumentou, não existem nos autos: exigência de “multa e juros de mora de 40%”; discussão sobre omissão de receitas; discussão relativa a créditos sobre aquisição de embalagens; auto de infração a ser modificado; multa e juros a serem afastados. Em síntese, na ausência da apresentação de argumentos contrários ao despacho decisório, reputamse incontroversos os motivos pelos quais a DRF não homologou a compensação, razão pela qual VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. De fato, em se tratando de Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação sob o argumento de que o crédito a ser aproveitado já teria sido integralmente utilizado, há que se Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13851.903370/201273 Acórdão n.º 3401006.328 S3C4T1 Fl. 3 3 reconhecer a impertinência das alegações trazidas pela então impugnante e ora reproduzidas no Recurso Voluntário. Ademais, não procede a alegação genérica de ausência de fundamentação do despacho decisório, posto que o mesmo trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível, e indicou especificamente o pagamento ao qual fora alocado o crédito que a Recorrente pretendia levar à compensação, matéria sobre a qual silenciou a Recorrente, de modo que tenho por incontroversos os fatos apontados pela fiscalização. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720121/2007-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DO IMPOSTO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR. Aplicação do art. 17-0 da Lei n° 6.938/81, com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000. Este documento, porém, pode ser substituído por declaração do Instituto Estadual Ambiental, por meio da qual é confirmada a existência das referidas áreas na propriedade do Recorrente (ainda que em menor extensão do que aquelas declaradas na DITR).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-000.664
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer as áreas de preservação permanente de 1.507,50 há e de reserva legal de 1.765,0 há. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento .ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO PARA FINS DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao rbama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de 1TR. Aplicação do art. 17-0 da Lei n° 6.9.38/81, com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000. Este documento, porém, pode ser substituído por declaração do Instituto Estadual Ambiental, por meio da qual é confirmada a existência das referidas áreas na propriedade do Recorrente (ainda que em menor extensão do que aquelas declaradas na DITR). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os mem provimento PARCIAL ao recurso, 1.507,50 há e de reserva legal de . 65 negava provimento ao recurso. GIOVA OBE TA DE AZ I CHRIST1 r6s do ) a reconh 65,0 ,há, Vs 1 I P i I Cl/ fil" 1 , I 415 G/FERREIRA PA" ( ' .TTI — Relatora olegiado, por maioria de votos, em DAR cer as áreas de preservação permanente de ncida a Conselheira Ntábia Matos Moura que 11, ; ,. ES C ,t POS - PresidenteES CÁPOS - Presidente EDITADO EM: It ofic MI 2 0 ARI 2n Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Ewan Teles Aguiar. Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01106 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2004. De acordo com a descrição dos fatos lá constantes, o lançamento decorreu da glosa das áreas declaradas como sendo de reserva legal e preservação permanente, além da revisão do valor declarado do imóvel. Foram alteradas as áreas declaradas pelo contribuinte da seguinte founa: 2004 Declarado Considerado no lançamento Área de preservação permanente 2.378,5 0,00 Área de Reserva Legal 1.797,5 0,00 Valor total do imóvel R$275.432,00 R$ 1.515.489,55 Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a impugnação de fls, 24/25, por meio da qual alegou que as áreas glosadas por meio da Notificação estariam devidamente comprovadas através da documentação acostada aos autos. Requereu o cancelamento e a extinção da Notificação. Na análise de tais alegações e dos documentos trazidos aos autos, os membros da DRJ em Brasília decidiram pela integral manutenção do lançamento, ao entendimento de que, apesar de a maior parte da área de reserva legal ter sido averbada no registro de imóveis, para o reconhecimento de sua existência (e também da área de preservação permanente) seria essencial a apresentação de ADA ao lbama, requisito que não foi cumprido pelo contribuinte. Consideraram como não impugnada a parcela do lançamento relativa à revisão do valor da terra nua, Inconformado com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 64/75, por meio do qual, após um breve relato dos fatos, alega que: - apenas uma pequena parte da propriedade (579 hectares) seriam aproveitáveis, razão pela qual a mesma teria sido adquirida por um custo baixo e teria baixo valor (em razão de suas características); todas as demais áreas do imóvel seriam de preservação permanente e reserva legal, e por isso não podiam ser por ele utilizadas; 2 Processo n° 13609.72012112007-59 S2-C1T2 Acórdão n 2102-00:664 . . Fl. 2 - o próprio Poder Público reconheceu a existência de 4,219,30 hectares desta propriedade corno área de proteção ambiental da Serra do Cabral, transformada através do Decreto 44A21/2005 no Parque Estadual da Sena do Cabral; - a existência destas áreas foi reconhecida até mesmo durante a ação fiscal, já que em nenhum momento ela foi questionada, sendo que tais áreas somente deixaram de ser reconhecidas em razão da falta de apresentação do ADA ao Ibarna; - para ratificar a existência destas áreas, estavam sendo anexados ao Recurso os seguintes documentos: a) declaração do gerente do Parque Estadual da Serra do Cabral, b) declaração do Instituto Estadual de Florestas, c) termo de responsabilidade de preservação de florestas, e d) certidão do registro de imóveis, da qual consta a averbação da área de reserva legal; - se fosse o caso, deveria ser determinada a realização de diligência para a confirmação da existência de tais áreas, e ainda para apuração do valor do imóvel; e - a apresentação do ADA seria urna obrigação acessória, e por isso não poderia ser impedimento à exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal na apuração do ITR devido. Em seguida, discorreu sobre a legislação aplicável e alegou que as áreas de preservação permanente existentes em seu imóvel eram decorrentes de lei, e por isso não precisariam ser ratificadas pelo Poder Público, Discorreu sobre a primazia da lei, afirmando que Instrução Normativa não poderia impor aos contribuintes obrigação não prevista em lei, Quanto ao valor da terra nua, afirmou ser despropositado o valor arbitrado pela fiscalização, baseado no valor de propriedades normais do município de Buenópolis, pois estas não seriam comparáveis à sua propriedade, que está localizada em terreno serrano. Afirmou que ele mesmo seria o maior interessado em declarar o real valor de sua terra, pois em caso de desapropriação este seria o valor a ser recebido, Esclareceu, ainda, que o valor pago em 1991 pelo propriedade corresponderia hoje a R$ 88.403,03, Reiterou o pedido de realização de diligência. Por fim, discorreu sobre a apresentação do ADA e o que o justificaria, e alegou que o valor total dele exigido (considerando que foram efetuados lançamentos para três exercícios distintos) seria muito superior ao valor da propriedade, representando verdadeiro confisco. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. 1 3 Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 12.12.2008, como atesta o AR de lis, 62. O Recurso Voluntário foi interposto em 12.01.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais - por isso dele conheço. Delimitação da lide Antes de entrar no mérito da matéria a ser apreciada em sede de julgamento deste Recurso Voluntário, é preciso delimitar as matérias objeto do litígio. Isto porque a decisão recorrida considerou como não impugnada a parcela do lançamento relativa à alteração no valor da terra nua (valor atribuído ao imóvel), já que o Recorrente não trouxe nenhum questionamento sobre a matéria em sede de Impugnação. De fato, em sua peça impugnatória o Recorrente não questionou esta parte do lançamento, o que implica na preclusão do direito de fazê-lo, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70235/72, verbis: At, 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por isso mesmo, a matéria não pode ser conhecida por este Colegiado, devendo ser mantida a decisão recorrida e o lançamento neste particular, Do Recurso Com relação à matéria impugnada, deverá ser examinada aqui a glosa de duas áreas declaradas pelo Recorrente em sua DITR, e que não foram aceitas pelas autoridades fiscais. Trata-se de áreas de reserva legal e de preservação permanente, conforme relatado anteriormente. A glosa se deveu, em um brevíssimo resumo, à falta de apresentação do ADA ao Ibama. A existência efetiva destas áreas não fbi, de fato, questionada, mas somente a falta do preenchimento, pelo Recorrente, deste requisito previsto em lei. Uma das alegações trazidas pelo Recorrente no intuito de comprovar a existência destas áreas foi a de que as mesmas estão situadas em APA (área de proteção ambiental) e por isso estaria comprovada a necessidade de sua exclusão da área total do imóvel para fins de apuração do ITR, pois a área total da APA seria de 4219,30 hectares, Tal alegação, porém, não merece acolhida. Isto porque, nos termos do art. 15 da Lei 9.985/2000, as áreas de proteção ambiental podem sofrer ou não restrição em sua utilização. Por isso, o simples fato da área em questão ser uma APA não implica em reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Releva notar que no documento de fls. 38/39 dos autos (cópia da lei por meio da qual foi criada a APA da Serra do Cabral), consta em seu art. 3 0 que: Art. 3" - Á Área de Proteção Ambiental APA da Serra do Cabral tem por finalidade assegurar o bem-estar das populações humanas ali existentes, conservar e melhorar as condições 4 Processo n" 13609 720121/2007-59 82-C112 Acórdão n,° 2102-00,664 FL 3 ecológicas e locais, assegurando, principalmente a riqueza hídrica local e propiciar o desenvolvimento sustentável das comunidades ali existentes. Como se vê, a existência da APA não guarda nenhuma relação com a existência das áreas de preservação permanente e reserva legal, razão pela qual a pretensão do Recorrente (quanto a este aspecto) não merece acolhida. Aliás, como bem ressaltado na decisão recorrida, a existência destas áreas não foi questionada, mas somente a falta de preenchimento do requisito de apresentação do ADA ao Ibama, requisito este que é imprescindível à dedução das áreas em questão no cômputo do ITR devido, Por isso também não há que se falar no deferimento de diligência no local, a fim de aferir a efetiva existência das mesmas. Ainda de acordo com a defesa do Recorrente, a exigência de apresentação do ADA como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente para fins de apuração do ITR não encontra amparo em lei, mas somente em Instruções Normativas, e por isso não poderia impedir a exclusão das mesmas em sua DITR, Trouxe também diversos documentos que, segundo ele, atestariam a existência das referidas áreas. A decisão recorrida, por outro lado, justifica a exigência do referido Ato em razão do disposto no art. 17-0 da Lei 6.938/81 (cf: redação dada pela Lei 10.165/00), sustentando ainda que o mesmo deveria ser apresentado no prazo de 6 meses a partir da entrega da DITR. Há que se analisar então se é efetivamente necessária a apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da tributação pelo ITR. De fato, desde a edição da Lei n° 10,165/2000 — que acrescentou o art. 17-0 à Lei n° 6.938/81 - a obrigação de apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas referidas do cálculo do 1TR passou a ser veiculada em lei, e por isso mesmo exigível de todos os contribuintes, verbis: "Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n" 9_960, de 29 de ,janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria," (NR) "§ 1"-A, A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (1VR) ) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de 1TR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Daí porque a partir do exercício 2001 5 a apresentação do ADA é, de fato, um requisito para tal. Sem a sua apresentação, não é permitida a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente para fins de apuração do ITR. No caso em exame, o Recorrente deixou de apresentar o ADA ao lbama, como se depreende dos autos. Entretanto, trouxe aos autos, no intuito de comprovar a existência das áreas de reserva legal os seguintes documentos: Averbação no registro de imóveis (cf. fls. 18/21) Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas Declaração expedida pelo Instituto Estadual de Florestas (cf. fls. (cf. fls. 76) 78/79) Área de preservação permanente 0,00 0,00 1.507,50 Área de reserva legai 1765,00 L765,00 1.765,00 Decorre daí que — conforme reconhecido pela decisão recorrida — o requisito de averbação da área de reserva legal junto ao registro de imóveis foi devidamente cumprido pelo Recorrente no que diz respeito à área de 1,765,00 hectares, Esta mesma área consta de Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas (firmado com o próprio 'barna), Além disso, o documento de fi,s 78/79 é uma declaração prestada por órgão ambiental estadual que atesta a existência da referida área de reserva legal (1.765,00 hectares) e também a existência de uma área de 1.507,50 relativa à preservação permanente. Este último documento merece especial atenção no caso em exame. Isto porque o objetivo da lei ao obrigar o contribuinte a apresentar o ADA ao 'barna para fins de redução do ITR é o de viabilizar que aquele Instituto possa fiscalizar suas terras e verificar se as informações prestadas são condizentes com a realidade. No caso vertente, a despeito de não ter apresentado o ADA ao lhama, o Recorrente trouxe aos autos uma declaração expedida pelo órgão ambiental estadual (o Instituto Estadual de Florestas), por meio da qual são corroboradas, em parte, as informações constantes de sua DITR Este documento atesta que existem, na propriedade do Recorrente, as áreas de reserva legal e de preservação permanente, nos valores acima demonstrados. Ressalte-se, ainda, que o Instituto Estadual de Florestas é órgão ambiental estadual, que também integra — juntamente com o 'barna — o Sistema Nacional do Meio Ambiente, Sendo assim, esta declaração atende a exigência contida no art, 17-0 acima transcrito, de forma que deve ser considerada dispensável a apresentação do ADA na hipótese em exame, pois o requisito da lei é de ser considerado cumprido. O Recurso Voluntário, porém, merece ser apenas parcialmente provido, uma vez que o Recorrente pleiteou em sua DITR o reconhecimento de áreas de reserva legal e preservação permanente em maior extensão do que aquelas reconhecidas pela referida declaração (expedida pelo IEF). 6 Ferreirade AZer Ferreira Pagetti Processo n° 13609.720121/2007-59 S2-C1T2 Acórdão n o 2102-00.664 Fl 4 Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer a existência das áreas de preservação permanente de 1.507,50 hectares, bem como de reserva legal de 1.765,00 hectares Sala das Sessões, em 17 de junho de 2010
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Numero do processo: 16349.000323/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.845
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo cancelamento do despacho decisório face a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 que lhe serviu de fundamento, mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidas as Conselheiras Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que entendiam pelo cancelamento do despacho decisório face a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 que lhe serviu de fundamento, mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. Ausente o conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que por unanimidade de votos, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição, conforme Ementa abaixo: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 32 3/ 20 10 -8 2 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16349.000323/201082 Resolução nº 3402001.845 S3C4T2 Fl. 3 2 PIS/PASEP. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Consoante manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, proferida nos termos do § 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002, as contribuições devidas ao PIS e à Cofins devem incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência as receitas não operacionais. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo a reforma parcial da decisão de primeira instância, com o reconhecimento do direito integral à restituição da contribuição PIS/COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718, bem como diante de alegada liquidez e certeza do direito creditório. Em síntese, o Recurso Voluntário está fundamentado nos seguintes argumentos: i) Os montantes que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou a maior, efetuado com base no art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998; ii) Ao analisar o montante pleiteado, o v. acórdão manteve parcialmente o indeferimento do despacho decisório, sob a alegação de que as "receitas diversas", as "receitas de comissões" e as "receitas com indenizações" não podem ser excluídas da tributação da contribuição ao PIS e da COFINS; iii) Não há controvérsia acerca do mérito do direito creditório pleiteado relativo inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718, restando controvertido somente o cálculo apresentado, única parcela cuja reforma se pretende. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.829, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 16349.000306/201045. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.829): "1. Pressupostos legais de admissibilidade Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16349.000323/201082 Resolução nº 3402001.845 S3C4T2 Fl. 4 3 Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Da necessidade de diligência para julgamento do litígio 2.1. Conforme relatado, a decisão recorrida aplicou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, afastando o fundamento do despacho decisório, reconhecendo o direito postulado e quantificando o valor que teria sido recolhido a maior com base na documentação acostada aos autos até aquele momento. Para tanto, considerou a planilha de fls. 76/79, pela qual foi demonstrado que o valor recolhido a maior é decorrente do cálculo do PIS/COFINS sobre as seguintes receitas: Todavia, a Autoridade Julgadora a quo não aceitou a totalidade dos valores apresentados pela Contribuinte por concluir como receitas não operacionais as “Receitas Diversas”, “Receitas de Comissões” e “Receitas com Indenizações”, as quais foram excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS. Não obstante as demais receitas contestadas pela Contribuinte, com relação às "Receitas Diversas", o ilustre Julgador de Primeira Instância concluiu que "pela análise do Livro Razão Acumulado, não é possível se saber, em específico, a que tipo de receita elas se referem, razão pela qual não é possível avaliar se são operacionais ou não." Para demonstrar seu direito creditório, a Recorrente argumenta em defesa que os valores em referência são decorrentes de contratos de fornecimentos pactuados com as empresas Mineração Serra de Fortaleza ("MSF") e Celpav Celulose e Papel Ltda. ("Celpav"), os quais detém a cláusula de demanda obrigatória, pela qual a contratante deve pagar um valor mínimo a título de compensação da pessoa jurídica responsável pelo fornecimento do produto por ocasião da dispensabilidade parcial da quantidade previamente estabelecida pela contratante, como forma de suprir os investimentos necessários. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16349.000323/201082 Resolução nº 3402001.845 S3C4T2 Fl. 5 4 Alega que tais valores não se revestem da natureza operacional inerente às receitas passíveis de oferecimento à tributação pela contribuição ao PIS e COFINS, visto que não advém de prestação de serviços ou venda de mercadorias. Da análise do processo, em especial dos documentos de fls. 285 a 360, constatase que foram trazidos aos autos em sede recursal os Contratos de Fornecimento dos Gases Industriais informados pela defesa, os quais têm por previsão a cláusula de demanda obrigatória, denominadas de "Cláusulas Taky or Pay". Cabe observar pela possibilidade de recepção de tais documentos, uma vez configurar a previsão do artigo 16, § 4º, alínea "c" e § 6º do Decreto nº 70.235/721, bem como em razão da necessária busca pela verdade material diante do indício do direito invocado. O princípio da verdade material determina que as decisões tenham por base os fatos tais como se apresentam na realidade, devendo ser carreados para o processo todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, sem limitação às provas colacionadas pelos sujeitos. Para tanto, o Decreto 70.235/72 prevê a liberdade na busca das provas necessárias à formação da convicção do julgador no processo administrativo, conforme prescrevem os artigos 18 e 29. Vejamos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por sua vez, impera reiterar que o único fundamento utilizado em despacho decisório para indeferir o pedido de restituição foi sobre a ausência de competência do Auditor Fiscal para apreciar a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/1998, sem qualquer menção sobre as receitas que deram origem ao crédito pleiteado pela Contribuinte. 2.2. Considerando que o despacho decisório não analisou a origem dos respectivos créditos, bem como em razão dos documentos trazidos pela Recorrente em fase recursal para comprovar as receitas não acatadas pela DRJ e, para possibilitar melhor conclusão deste Colegiado acerca do direito creditório pleiteado neste processo, proponho a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 29 do Decreto nº 1 Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16349.000323/201082 Resolução nº 3402001.845 S3C4T2 Fl. 6 5 70.235/72 e artigo 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analisar os documentos trazidos aos autos, bem como intimar a Recorrente para apresentar esclarecimentos e outros documentos que se fizerem necessários para comprovação do direito pleiteado através do Pedido de Restituição (PER) de nº 40920.38117.130606.1.2.04 2078; b) Proceder à análise da natureza das receitas informadas pela Recorrente, em especial quanto às “Receitas Diversas”, as “Receitas de Comissões” e as “Receitas com Indenizações”, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos moldes definidos pelo Supremo Tribunal Federal; c) Apurar o valor de eventual direito creditório da Contribuinte. Observo que devem ser mantidas as parcelas reconhecidas através do Acórdão nº 0657.011, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR; d) Elaborar Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca dos fatos, provas e fundamentos trazidos ao processo na diligência, acrescentando eventuais observações que entenda pertinentes; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analisar os documentos trazidos aos autos, bem como intimar a Recorrente para apresentar esclarecimentos e outros documentos que se fizerem necessários para comprovação do direito pleiteado através do presente Pedido de Restituição (PER); b) Proceder à análise da natureza das receitas informadas pela Recorrente, em especial quanto às “Receitas Diversas”, as “Receitas de Comissões” e as “Receitas com Indenizações”, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, nos moldes definidos pelo Supremo Tribunal Federal; Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16349.000323/201082 Resolução nº 3402001.845 S3C4T2 Fl. 7 6 c) Apurar o valor de eventual direito creditório da Contribuinte. Observo que devem ser mantidas as parcelas reconhecidas pela DRJ; d) Elaborar Relatório Conclusivo com a manifestação da fiscalização acerca dos fatos, provas e fundamentos trazidos ao processo na diligência, acrescentando eventuais observações que entenda pertinentes; e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas a providência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 376DF CARF MF
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