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Numero do processo: 13154.000047/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos da Cofins.
Recurso voluntário provido em parte.
Consideram-se isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTO NO ART. 8º DA LEI N.º 10.925/2004. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, é vedado aos cerealistas o ressarcimento do crédito presumido de que trata o caput do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004.
DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS.
As despesas de depreciação que dão direito ao crédito da Cofins são somente aquelas que se refiram a bens integrantes do ativo permanente aplicados na produção ou na prestação de serviços. Entende-se que a produção de bens não se restringe ao conceito estrito de industrialização previsto na legislação do IPI.
Numero da decisão: 3201-002.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schindwein.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 VENDAS REALIZADAS A PESSOAS FÍSICAS. POSTERIOR EXPORTAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO PARA FINS DE CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. As vendas de mercadorias realizadas a pessoas físicas, ainda que, posteriormente, venham a ser exportadas para o exterior não compõem as receitas de exportação para fins de aproveitamento dos créditos vinculados. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTO NO ART. 8º DA LEI N.º 10.925/2004. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedado aos cerealistas o ressarcimento do crédito presumido de que trata o caput do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. As despesas de depreciação que dão direito ao crédito da Cofins são somente aquelas que se refiram a bens integrantes do ativo permanente aplicados na produção ou na prestação de serviços. Entendese que a produção de bens não se restringe ao conceito estrito de industrialização previsto na legislação do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 4. 00 00 47 /2 00 5- 84 Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos da Cofins. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schindwein. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório A interessada apresentou pedido de compensação de débitos próprios com crédito oriundo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins apurada no regime não cumulativo, com origem no primeiro trimestre de 2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: A contribuinte acima identificada apresentou declarações de compensação conforme consta nas tabelas 1 e 2 do relatório do Despacho Decisório n. 1.5 10 — DRFCBA, de 16 de dezembro de 2009 (f. 1.088 a 1.091), consignando como crédito o valor de R$ 4.378.002,35 relativo à Cofins não cumulativa/exportação, primeiro trimestre de 2005. Os débitos se referem a vários tributos, conforme discriminado nas mesmas tabelas. O processo foi encaminhado à Seção de Fiscalização da DRF/Cuiabá para verificação quanto à procedência dos créditos. O relatório e documentos encontramse às f. 591 a 1.084. As compensações foram homologadas parcialmente, tendo em vista o resultado da auditoria que considerou como crédito o valor de R$ 1.253.293,46, conforme despacho decisório. Os fundamentos para o indeferimento parcial dos créditos foram, em resumo, alteração do rateio dos créditos vinculados à exportação em face de vendas a pessoas físicas com o fim exclusivo de exportação, alteração quanto ao valor dos créditos presumidos agroindústria, glosas de despesas de depreciação, Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000047/200584 Acórdão n.º 3201002.051 S3C2T1 Fl. 2.206 3 ajustes relativos às saídas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação e a inclusão indevida de créditos decorrentes de fretes sobre vendas relativos às exportações de terceiros. A ciência quanto ao despacho decisório ocorreu em 4 de janeiro de 2010, conforme Aviso de Recebimento acostado à f. 1.107. Em 2 de fevereiro de 2010, foi protocolada a manifestação de f. 1.108 a 1.152 (anexos às E 1.153 a 1.436), firmada por procurador (cópias de instrumento de mandato e documento de identidade do procurador às f. 1.164 a 1.166), na qual, após relato dos fatos e se discorrer sobre o histórico legal da não cumulatividade da Cofins, foi alegado, em apertada síntese, que: a) para a apuração dos créditos à receita de exportação é facultada a escolha entre a apropriação direta e o rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, este último o adotado pela contribuinte; b) todas as operações de vendas com o fim específico de exportação, inclusive aquelas feitas a pessoas físicas que exportaram as mercadorias adquiridas, geram direito ao crédito; c) são desenvolvidas atividades de produção de mercadorias para a alimentação humana e animal, conforme processo descrito; d) há direito ao crédito presumido calculado sobre o total de aquisições efetuadas de pessoas físicas e jurídicas com suspensão das contribuições, ainda que aplicadas na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, e tais créditos podem ser utilizadas para a compensação com outros tributos e contribuições; e) o cálculo do "crédito presumido agroindústria" foi efetuado pelo auditor de forma descentralizada, o que contraria o disposto no art. 15 da Lei n. 9.779/1999, sendo que deveria ter sido considerado o total da aquisição de insumos originários de pessoas físicas no período e, ainda, que deveriam ser contempladas todas as aquisições utilizadas no processo produtivo das mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM; f) "as Leis 10.637, 10.833 e 10925/2004 não fazem qualquer restrição sobre a realização e manutenção do crédito presumido quando aplicados a mercadorias exportadas, donde se deduz que o aproveitamento por compensação ou ressarcimento não poderá ser objeto de restrições por parte da Receita, conforme consta no artigo 2° do ADI n° 15/2005"; g) há direito em "realizar crédito sobre todos os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção, seja Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 industrialização de óleo e farelo de soja, seja na produção de milho e soja beneficiada"; h) foi alterado pelo auditorfiscal o critério de rateio de custos, despesas e encargos com direito a créditos, na proporcionalidade da receita bruta total auferida, conforme adotado pela contribuinte, em face de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação; i) pode ser mantido o crédito de Cofins sobre a totalidade de fretes suportados pela contribuinte e vinculados às operações de exportação, diretas ou indiretas; j) há créditos decorrentes de aquisições de serviços de transporte não utilizados, sendo requerido seja aceita a apresentação extemporânea de demonstrativos e documentos; k) os créditos devem ser corrigidos pela Selic. Ao final, é requerido: a) o provimento à manifestação para que seja garantido o integral direito de créditos de Cofins da manifestante; b) a correção dos créditos pela taxa Selic; c) a homologação das compensações declaradas; d) a suspensão da exigibilidade dos débitos. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CGE n.º 0420.555, de 21/05/2010 (fls. 2077 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n. 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A análise de normas segundo os princípios constitucionais é atribuição do Poder Judiciário, cabendo aos agentes fazendários o cumprimento da legislação em vigor. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DEMONSTRATIVOS. Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000047/200584 Acórdão n.º 3201002.051 S3C2T1 Fl. 2.207 5 No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação. CRÉDITOS DE COFINS. PRESCRIÇÕES LEGAIS. Os créditos relativos à Cofins só são reconhecidos no caso de as operações estarem balizadas nas estritas raias das prescrições legais. CRÉDITOS. VALORAÇÃO. A valoração dos créditos é efetuada na forma disposta na legislação, não incidindo juros compensatórios no caso de ressarcimento de créditos de Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 2095/2152, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Considerações iniciais A Recorrente pleiteou o ressarcimento de créditos da Cofins apurados no regime não cumulativo, com origem em janeiro de 2005, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. Deferiuse o pleito em parte, especificamente porque glosados créditos relativos a vendas realizadas a pessoas físicas com fim específico de exportação, créditos presumidos de agroindústria, créditos de despesas de depreciação, créditos vinculados à receita de exportação pelas empresas comerciais exportadoras nas hipóteses de aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação e créditos sobre fretes decorrentes de exportações de terceiros. Impugnada a decisão, a instância de piso mantevea na integralidade. Eis, em síntese, o litígio. Das vendas realizadas a pessoas físicas A primeira matéria diz com as vendas realizadas a pessoas físicas com o fim específico de exportação. Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Afirma a fiscalização, no Despacho Decisório, que as vendas assim realizadas não estão previstas no art. 6º da Lei º 10.833, de 2003, de forma que não podem compor as receitas de exportação para fins de aproveitamento dos créditos vinculados. Vejamos. Como cediço, as exportações não se dão apenas através da própria empresa produtoraexportadora da mercadoria, mas, também, por meio das chamadas trading companies – aquelas pessoas jurídicas criadas com a só finalidade de promover a importação e a exportação de produtos fabricados no exterior ou aqui manufaturados –, para as quais o legislador ordinário atribuiu, também às vendas a estas efetuadas e em apreço à imunidade constitucional, isenção das contribuições para o PIS e para a Cofins, desde que os produtos tenham sido adquiridos com o fim específico de exportação. O Decretolei nº 1.248/1972, ao dispor sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, por empresa comercial exportadora, para o fim específico da exportação, deu a seguinte disciplina às operações por ela realizadas: “Art. 1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decretolei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art.2º. O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I – Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II – Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III – Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. § 1º. O registro a que se refere o item I deste artigo poderá ser cancelado, a qualquer tempo, nos casos: a) de inobservância das disposições deste DecretoLei ou de quaisquer outras normas que o complementem; b) de práticas fraudulentas ou inidoneidade manifesta. § 2º. Do ato que determinar o cancelamento a que se refere o parágrafo anterior caberá recurso ao Conselho Monetário Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000047/200584 Acórdão n.º 3201002.051 S3C2T1 Fl. 2.208 7 Nacional, sem efeito suspensivo, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de sua publicação. § 3º. O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer normas relativas à estrutura do capital das empresas de que trata este artigo, tendo em vista o interesse nacional e, especialmente, prevenir práticas monopolísticas no comércio exterior. Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação.” (g.n). Assim também o Decreto nº 4.524, de 2002, que regulamenta as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível, observado o disposto no § 3º; V do transporte internacional de cargas ou passageiro; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (g.n.) Como se vê, o legislador estabeleceu alguns requisitos para que a isenção do PIS e da Cofins se confirmasse: além de as vendas necessariamente terem de ser efetuadas a empresas comerciais exportadoras, devem ser assim realizadas com o fim específico de exportação, finalidade explicitada, embora já constante do Decretolei n.º 1.248, de 1972, por meio da IN SRF nº 247/2002, nos termos seguintes: remessa direta do produtorvendedor para embarque de exportação ou depósito em entreposto aduaneiro, em ambos os casos por conta da empresa comercial exportadora. Ora, como restou consignado na decisão recorrida, as vendas de mercadorias realizadas a pessoas físicas – ainda que, em momento posterior, venham a ser exportadas para o exterior – não podem ser consideradas como destinadas a uma empresa comercial exportadora, pois esta tem a natureza de uma pessoa jurídica, formal, portanto não natural. Tratase, pura e simplesmente, de uma venda no mercado interno, daí que não podem integrar a receita de exportação para o fim desejado. Do crédito presumido da agroindústria Uma outra questão submetida à apreciação deste Colegiado envolve o crédito presumido conferido por lei às agroindústrias. As Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, estabelecem, como regra geral, o não creditamento nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da Cofins (art. 3º, § 2º, das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003). Nada obstante, essa regra geral foi excepcionada por lei especial, qual seja, o art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, que conferiu, apenas para as pessoas jurídicas que menciona, crédito presumido a ser calculado sobre o valor que seria devido fosse a operação tributada nos termos do art. 2º das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (sobre os 1,65% e os 7,6% a título de PIS e de Cofins, respectivamente): Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000047/200584 Acórdão n.º 3201002.051 S3C2T1 Fl. 2.209 9 Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012)” § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007). Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (g.n.). Afirma a fiscalização que, no período de análise, a Recorrente produziu mercadorias classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM, fazendo jus ao crédito presumido previsto pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Apenas reduziu o valor pleiteado, que, segundo sustentou, só pode ser utilizado para deduzir as contribuições devidas. Ressaltou, também, que a Recorrente adquiria de pessoas físicas soja em grãos, posteriormente destinada à comercialização e à industrialização. Quando destinada à industrialização, o produto era transferido pelas filiais às unidades industriais localizadas em CuiabáMT e ItacoatiaraAM, através da emissão de notas fiscais de transferência para industrialização (ver fls. 1140 e ss.). O montante transferido correspondeu aos insumos utilizados na produção sobre o qual é apurado o crédito presumido. Ocorre que, para comprovar o valor das matériasprimas transferidas para as unidades industriais, a fiscalização examinou cópias das GIA Guia de Informação e Apuração de ICMS das duas filiais produtoras que foram apresentadas pela Recorrente. Apenas quanto à unidade de Cuiabá, constatouse que os valores utilizados como base de cálculo do crédito presumido no Dacon e Demonstrativos entregues superavam os valores informados na GIA a título de entradas de transferência para industrialização, uma vez que não consideradas pela Recorrente as devoluções de transferências recebidas CFOP 5152. Intimada, esta apresentou novo relatório que findou por confirmar as diferenças apontadas pela fiscalização (ver fl. 1341). De fato, analisado o demonstrativo, anexado pela fiscalização, ao Termo de Intimação de fl. 1337 (ver fl. seguinte), verificase que a resposta da Recorrente confirmou as diferenças apontadas e os valores das bases de cálculo do crédito presumido pleiteado – que, aliás, foram, por ela própria, informados na Dacon –, de modo que, considerando que o valor glosado decorreu unicamente dessas diferenças (devoluções de transferências recebidas), alegações outras que a esta não expressamente se refiram são absolutamente irrelevantes para o deslinde do litígio. No recurso voluntário, a Recorrente também afirma produzir mercadorias classificadas nos Capítulos 10, 12, 15 e 23 da NCM, não apenas nos Capítulos 15 (óleo de soja) e 23 (farelo de soja). Especificamente, sustenta beneficiar milho e soja, que, posteriormente, são destinados, já beneficiados, à alimentação humana e animal. Com efeito, os valores correspondentes às aquisições empregadas na produção de produtos classificados nos Capítulos 10 e 12 da NCM não foram computados na base de Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000047/200584 Acórdão n.º 3201002.051 S3C2T1 Fl. 2.210 11 cálculo do crédito presumido, uma vez que fiscalização apenas referiuse às aquisições de soja em grãos destinadas às unidades industriais da Recorrente. Contudo, este Conselho Administrativo, depois de intenso debate (no qual, registrese, restei vencido), assim como vem conferindo ao termo "insumos" interpretação mais abrangente que a definição conferida pela legislação do IPI, de molde a abarcar aqueles fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e para a obtenção da receita tributável pelo PIS/Cofins, também tem entendido que a produção de bens não se restringe apenas ao conceito estrito de industrialização. A título de ilustração: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. (g.n.) (3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª TO, Acórdãonº 3401003.001 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 8/12/2015). Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 É o que ocorre a atividade desenvolvida pela Recorrente nas suas filiais não industriais, nas quais são beneficiadas mercadorias, adquiridas de pessoas físicas e cooperativas, posteriormente destinadas à alimentação humana ou animal. Já a impossibilidade de ressarcimento do crédito presumido decorre da própria lei que o instituiu, como previsto no caput do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, que só permite seja utilizado como dedução dos débitos da própria exação. Não por outro motivo, a RFB, por meio do ADI SRF nº 15, de 2005, dispôs que “o valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o P1S/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa” e que “não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento” por falta de previsão legal. Concluindo, a Recorrente também faz jus ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925, de 2004, sobre as aquisições, notadamente milho, de pessoas físicas ou cooperativas empregadas na produção (beneficiamento), em suas filiais não industriais, de mercadorias classificadas nos Capítulos 10 e 12 da NCM. Das despesas de depreciação Segundo informado no Despacho Decisório, a glosa aqui efetuada teve duas razões de existir: a) no confronto Dacon x Demonstrativo, constatouse os valores de depreciação informados para o cálculo do crédito no período de janeiro a outubro de 2005 correspondem a valores acumulados, em desacordo com a Lei n° 10.833, de 2003, art. 3°, § 1°, inciso III, c/c art. 3°, incisos VI e VII (em novembro de 2005, o contribuinte efetuou ajustes negativos do crédito para saneamento das incorreções, porém os créditos dos meses anteriores ficaram maiores que os devidos); b) conforme o art. 3°, inciso VI, c/c art. 3°, § 1°, da Lei nº 10.833, de 2003, os créditos básicos poderão ser calculados sobre a depreciação/amortização de máquinas e equipamentos desde que adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, o que não seria o caso. A parcela do valor glosado decorrente da primeira incorreção não foi objeto de contestação. No caso da segunda irregularidade, verificouse que parte das máquinas e dos equipamentos sobre os quais calculados a depreciação foram destinados a filiais da Recorrente que comercializam soja em grãos, ou seja, não foram destinadas às suas unidades produtoras localizadas em Cuiabá e Itacoatiara, já acima mencionadas, onde se desenvolve o processo de industrialização. A glosa teve como fundamento o art. 3°, inciso VI, c/c art. 3°, § 1°, da Lei nº 10.833, de 2003, cuja redação é a seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000047/200584 Acórdão n.º 3201002.051 S3C2T1 Fl. 2.211 13 venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) Para a fiscalização, portanto, apenas nas unidades industriais haveria a produção de que fala a norma, o que, entretanto, está em descompasso com o sentido lato que aqui se atribuiu ao termo. Assim, também os créditos de depreciação das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados no beneficiamento de mercadorias pelas unidades comerciais da Recorrente (coletores de amostras, medidores de umidade, elevadores de grãos, máquinas de limpeza, secadores, balanças, silos metálicos, etc.), para a produção de bens classificados no Capítulos 10 e 12 da NCM, podem ser excluídos da base de cálculo da Cofins. Das exportações realizadas por terceiros fretes Conforme destacado no Despacho Decisório, a Recorrente exportou mercadorias de terceiros, vale dizer, recebeu mercadorias com o fim específico de exportação. Tais operações, por expressa previsão legal, não geram créditos para a Recorrente, nos termos do art. 6º, § 4º, da Lei n° 10.833, de 2003, mas apenas para aqueles que lhe remeteram as mercadorias. (“Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação”). Além da inclusão indevida das exportações de terceiros, a Recorrente pretende o ressarcimento sobre o frete despendido nestas mesmas operações, o que foi glosado pela fiscalização, ao argumento de que as respectivas despesas de fretes, relativas ao transporte das mercadorias adquiridas até o porto de embarque, não gera o direito a crédito pelos mesmos fundamentos. Ora, uma coisa é a exportação realizada por terceiros, que, como vimos, não pode integrar a receita de exportação da Recorrente. Outra é a despesa de frete, suportado pela própria, no transporte das mercadorias até o porto de embarque. Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 Obviamente, se tal despesa tivesse sido custeada pelos terceiros que realizaram a exportação não poderia ser objeto da pretensão da Recorrente. No entanto, se esta suportou o ônus deste frete, ou seja, se foi a Recorrente quem efetivamente o pagou, tratase, evidentemente, de frete na operação de venda, despesa que pode ser excluída, nos termos do art. 3ª, inciso IX, da Lei nº 10.833, de 2003, da base de cálculo da Cofins. Sustenta, ademais, a Recorrente que, em procedimento próprio de revisão de créditos pleiteados, identificou o não aproveitamento daqueles decorrentes de aquisições de serviços de transporte, cujos pagamentos foram por ela suportados. Diz que, na manifestação de inconformidade, requereu a oportunidade de apresentar, em data oportuna, os demonstrativos e documentos para confirmar esta informação ou, alternativamente, que se procedesse à revisão do tema proposto com a finalidade de identificar os créditos só posteriormente estimados, pedidos que foram indeferidos, ao fundamento de que as provas devem ser apresentadas no momento da impugnação. Embora certa a DRJ, o que a Recorrente pretende, na verdade, é ampliar o valor do crédito pleiteado, quando não podia mais fazêlo, uma vez que já apreciado o pedido de ressarcimento/compensação e prolatada a decisão pela autoridade competente. Nada obstava, porém, que a Recorrente apresentasse novo pedido de ressarcimento, contemplando exclusivamente os valores que, por erro exclusivo seu, não compuseram aquele solicitado, observado, no entanto, o prazo prescricional aplicável. Da distorção no rateio proporcional Sobre o suposto equívoco que teria decorrido da descaracterização de algumas vendas efetuadas para exportação, é evidente que a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, é mero reflexo das glosas efetuadas pela fiscalização e aqui mantidas pelas razões já delineadas. Da taxa Selic sobre os valores ressarcidos No que concerne aos juros à taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos, há norma expressa na Lei nº 10.833, de 2003, vedando, para o ressarcimento da Cofins, a correção monetária e a aplicação dos juros de mora. Confirase: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: a) reconhecer o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925, de 2004, sobre as aquisições, notadamente milho, de pessoas físicas ou cooperativas empregadas na produção (beneficiamento), em suas filiais não industriais, de mercadorias classificadas nos Capítulos 10 e 12 da NCM; b) reconhecer os créditos de depreciação das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados no beneficiamento de mercadorias adquiridas de pessoas físicas ou cooperativas pelas unidades comerciais da Recorrente (coletores de amostras, medidores de umidade, elevadores de grãos, máquinas de limpeza, Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13154.000047/200584 Acórdão n.º 3201002.051 S3C2T1 Fl. 2.212 15 secadores, balanças, silos metálicos, etc.), para a produção de bens classificados no Capítulos 10 e 12 da NCM; c) reconhecer os créditos sobre as despesas de frete, despendidos no transporte das mercadorias exportadas por terceiros, das unidades da Recorrente até o porto de embarque. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 16561.000120/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE.
Constatada a omissão, acolhem-se os embargos para fins sanar a decisão embargada.
Numero da decisão: 1402-001.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, no mérito, uma vez sanada a omissão ratificar o decidido no acórdão 1402-001.808, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE. Constatada a omissão, acolhem-se os embargos para fins sanar a decisão embargada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, no mérito, uma vez sanada a omissão ratificar o decidido no acórdão 1402-001.808, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
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ACOLHIMENTO PARA SANAR OMISSÃO PRESENTE. Constatada a omissão, acolhemse os embargos para fins sanar a decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, no mérito, uma vez sanada a omissão ratificar o decidido no acórdão 1402001.808, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 20 /2 00 7- 76 Fl. 8670DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.966 S1C4T2 Fl. 8.671 2 Relatório Trata o presente da análise dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela FAZENDA NACIONAL (fls. 8.613/8.615) contra o Acórdão 1402001.808, proferido por esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que negou provimento ao recurso de ofício e deu parcial provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA. Ressaltese que tais embargos somente dizem respeito ao recurso de ofício. Designado para pronunciarme sobre a admissibilidade dos embargos, assim o fiz: Em resumo, alega a Fazenda Nacional que há omissão no voto condutor do acórdão no que tange à parte que negou provimento ao recurso de ofício. Argumenta que foi apreciada matéria que não configuraria matéria de ordem pública, ou que não teria sido questionada tempestivamente pelo contribuinte, sem que tenham sido expressamente mencionados quais os pressupostos e os motivos que fundamentaram tal apreciação. Argumenta, nessa esteira, que no acórdão embargado foi mantido o entendimento da DRJ de que a fiscalização se equivocara ao utilizar o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, quando o certo seria utilizar o preço praticado relativo às importações efetuadas no anocalendário de 2002 para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas em 2002, independentemente de haverem sido importadas naquele ano ou em anos anteriores. Como conseqüência, teria sido desconsiderada a segregação efetuada pela fiscalização – em “ajuste do estoque inicial” e “ajuste das importações do ano” e adotado, como preço praticado, o valor calculado pela fiscalização relativo às importações efetuadas no anocalendário de 2002, como quantidade sujeita a ajuste o total consumido no ano de 2002 e como preçoparâmetro os valores calculados pela fiscalização. Aduz que a contribuinte, em sua impugnação, se limitou a trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), e a decisão embargada, assim como a decisão recorrida, considerou que o equívoco da fiscalização teria ocorrido em caráter geral, com relação a todos os itens objeto de ajuste. E, nesse sentido, sustenta que há omissão no voto condutor do acórdão embargado, “pois não foram expressamente mencionados quais os pressupostos e os motivos que fundamentaram a apreciação de tema que não configura matéria de ordem pública e não foi questionado tempestivamente pelo contribuinte”. De fato, constatase da análise do acórdão, na parte embargada, que não há qualquer alusão ao fato de ter sido apreciada, em caráter geral, matéria cujo questionamento por parte da contribuinte teria se limitado aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864. Fl. 8671DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.966 S1C4T2 Fl. 8.672 3 Desse modo, por entender que, em tese, houve omissão sobre ponto que a turma deveria ter se pronunciado, com base no art. 65, § 2°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF manifestome pela admissão dos embargos de declaração opostos e conseqüente retorno dos autos a este Colegiado para correção do julgado. O I. Presidente desta turma aprovou o despacho, admitindo os embargos na forma apresentada acima, retornando os autos para relato e inclusão em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 8672DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.966 S1C4T2 Fl. 8.673 4 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Como relatado, no acórdão embargado foi mantido o entendimento da DRJ de que a fiscalização se equivocara ao utilizar o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, quando o certo seria utilizar o preço praticado relativo às importações efetuadas no anocalendário de 2002 para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas em 2002, independentemente de haverem sido importadas naquele ano ou em anos anteriores. Como conseqüência, teria sido desconsiderada a segregação efetuada pela fiscalização – em “ajuste do estoque inicial” e “ajuste das importações do ano” e adotado, como preço praticado, o valor calculado pela fiscalização relativo às importações efetuadas no anocalendário de 2002, como quantidade sujeita a ajuste o total consumido no ano de 2002 e como preçoparâmetro os valores calculados pela fiscalização. Desse entendimento não discordou a embargante. Entretanto, argumenta a embargante que a contribuinte, em sua impugnação, se limitara a trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), e a decisão embargada, assim como a decisão recorrida, considerou que o equívoco da fiscalização teria ocorrido em caráter geral, com relação a todos os itens objeto de ajuste. Nessa esteira, a questão levantada pela embargante diz respeito à omissão, no voto condutor do acórdão embargado, assim como no acórdão recorrido, quanto à explicitação dos pressupostos e motivos que fundamentaram a apreciação do tema em caráter geral, já que esse não configuraria matéria de ordem pública e tampouco teria sido questionado tempestivamente pelo contribuinte. Com efeito, entendo caber razão à embargante quanto à existência da omissão a ser sanada, pelo que acolho os embargos e passo à análise do seu mérito. Para um melhor entendimento da matéria, transcrevo o trecho do voto condutor do acórdão embargado, na parte de interesse. "DO RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida acertadamente considerou indevido o procedimento da fiscalização que utilizara o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período. O correto, como bem observado na decisão a quo, seria a utilização do preço praticado médio em todo o cálculo (ou seja, durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto a que se referirem os custos, despesas ou encargos, a teor da Lei n º 9.430/96, art. 18, § 1 º) e não apenas para as importações do período. Vejase excerto da decisão recorrida quanto a esse ponto: (...) Fl. 8673DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.966 S1C4T2 Fl. 8.674 5 Assiste razão à impugnante ao afirmar que no ajuste efetuado pela fiscalização (anocalendário de 2002) foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo o cálculo e não apenas para as importações do período. O preço praticado relativo às importações efetuadas no anocalendário de 2002 deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas em 2002, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. Dessa forma, há que se desconsiderar a segregação efetuada pela fiscalização — em "ajuste do estoque inicial" e "ajuste das importações do ano" e se adotar, como preço praticado, o valor calculado pela fiscalização relativo às importações efetuadas no anocalendário de 2002, como quantidade sujeita a ajuste, o total consumido no ano de 2002 e como preçoparâmetro os valores calculados pela fiscalização. Apesar de a impugnante trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), esse equívoco da fiscalização ocorreu com relação ao todos os itens objeto de ajuste, e será considerado nesta decisão. (...) Com efeito, a Lei n º 9.430/96, em seu art. 18, §1º, vigente à época dos fatos analisados assim previa: Art. 18 ... [...] § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. [...](grifei) Dessa forma, entendo por correta a decisão recorrida que considerou a utilização do preço praticado médio em todo o cálculo (ou seja, durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto a que se referirem os custos, despesas ou encargos, a teor da Lei n º 9.430/96, art. 18, § 1 º) e não apenas para as importações do período. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício." (grifei). Considero que o equívoco cometido pelo Fisco, no caso em análise, diz respeito ao procedimento adotado ao utilizar o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período. A defesa, por sua vez, questiona tal procedimento em sua impugnação, veja se o excerto da parte da impugnação. "... Fl. 8674DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.966 S1C4T2 Fl. 8.675 6 Além disso, em relação ao ajuste efetuado pela fiscalização, foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo cálculo e não apenas para as importações do período. ..." Embora o faça apenas no bojo de seus argumentos para os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), não entendo que tal questionamento esteja adstrito tãosomente àqueles itens. Há, no caso, uma regra errada que se expressa em vários itens do lançamento. O fato de a defesa ter detectado, e questionado, tal regra apenas em algumas de suas expressões não elide o fato de que a defesa, efetivamente, questionou tal regra. Assim, ao considerar que houve o questionamento tempestivo, por parte da defesa, do procedimento adotado pelo Fisco, considero sanada a omissão aventada pela embargante. Caracterizada a omissão aventada, Voto no sentido de acolher os embargos de declaração para, no mérito, uma vez sanada a omissão, ratificar os termos do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 8675DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 18050.007957/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE PERÍCIA.
Declara-se nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de manifestar-se sobre o pedido de perícia constante da peça de impugnação.
Decisão anulada
Numero da decisão: 2401-003.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, declarar a nulidade da decisão de primeira instância, com retorno dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão, com vistas à apreciação de todas as questões ventiladas na impugnação do sujeito passivo, incluindo o pedido de perícia.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE PERÍCIA. Declara-se nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de manifestar-se sobre o pedido de perícia constante da peça de impugnação. Decisão anulada
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, declarar a nulidade da decisão de primeira instância, com retorno dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão, com vistas à apreciação de todas as questões ventiladas na impugnação do sujeito passivo, incluindo o pedido de perícia. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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Recorrente WORKTIME ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE PERÍCIA. Declarase nula a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, com retorno à origem dos autos para prolação de novo julgado, quando o acórdão recorrido deixa de manifestarse sobre o pedido de perícia constante da peça de impugnação. Decisão anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, declarar a nulidade da decisão de primeira instância, com retorno dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão, com vistas à apreciação de todas as questões ventiladas na impugnação do sujeito passivo, incluindo o pedido de perícia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 79 57 /2 00 8- 12 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18050.007957/200812 Acórdão n.º 2401003.951 S2C4T1 Fl. 909 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18050.007957/200812 Acórdão n.º 2401003.951 S2C4T1 Fl. 910 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1519.906 (fls. 827/836): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 COTA PATRONAL. SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. É devida contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, na forma do art. 22, inciso III, da Lei n.° 8.212/91. TERCEIROS. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a terceiros, conforme art. 3º, da Lei n.° 11.457/2007. Lançamento Procedente 2. Extraise do relatório fiscal, às fls. 96/140, bem como do seu anexo denominado "Discriminativo Sintético do Débito DSD", às fls. 32/36, que o processo administrativo é composto pelo Auto de Infração (AI) nº 37.153.7320, relativo às competências 01 a 12/2004, inclusive décimo terceiro, nesses termos: i) contribuições devidas a terceiros (FPAS 515), incidentes sobre a remuneração indireta paga a parte dos segurados empregados, a título de assistência médica (Levantamento Fiscal ASM); ii) contribuição social destinada ao salárioeducação, incidente sobre as diferenças de remuneração pagas a segurados empregados, constatadas mediante confronto entre contabilidade e folha de pagamento de salários (Levantamento Fiscal CON); iii) contribuição social destinada ao salárioeducação, incidente sobre as diferenças de remuneração pagas a segurados empregados, constatadas mediante confronto entre folha de pagamento e Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) (Levantamento Fiscal FPN); Fl. 910DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18050.007957/200812 Acórdão n.º 2401003.951 S2C4T1 Fl. 911 4 iv) contribuição previdenciária patronal, incidente sobre remunerações de segurados contribuintes individuais declaradas em GFIP após o início da ação fiscal (Levantamento Fiscal GFA); v) contribuição social destinada ao salárioeducação, incidente sobre as remunerações de segurados empregados declaradas em GFIP após o início da ação fiscal (Levantamento Fiscal GFA); vi) diferenças entre os valores das contribuições devidas a terceiros (FPAS 515) apuradas pela auditoria fiscal em confronto com o montante depositado em juízo pela empresa (Levantamento Fiscal TEF); e vii) contribuições devidas a terceiros (FPAS 515), incidentes sobre a remuneração indireta paga aos segurados empregados, a título de valetransporte em dinheiro (Levantamento Fiscal VTD). 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 23/10/2008, às fls. 2, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 254/316). 4. Intimada em 4/8/2009, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 841, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 3/9/2009 (fls. 843/901). 4.1 Em breve síntese, a peticionante aduz os seguintes argumentos de fato e de direito: i) nulidade processual, visto que a perícia requerida na impugnação não foi deferida/realizada, descabendo justificar a não realização em função do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972; ii) o Fisco recai em "cobranças multiplicadas", uma vez que utiliza dos mesmos fatos para gerar diversos lançamentos tributários; iii) a concessão da assistência médica à parte dos segurados, não se estendendo a todos, decorre exclusivamente do fornecimento de mãodeobra temporária, em que há necessidade de se adequar às exigências específicas de cada contrato firmado com as diversas empresas terceirizantes, sendo certo que todos os segurados vinculados a um mesmo contrato possuem o benefício; iv) há verbas lançadas na contabilidade, inclusive provisões de férias e décimo terceiro, que por sua própria natureza não constituem base de cálculo da contribuição previdenciária; Fl. 911DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18050.007957/200812 Acórdão n.º 2401003.951 S2C4T1 Fl. 912 5 v) o fato de existir diferenças entre o total das remunerações declaradas em GFIP e as folhas de pagamento não autoriza a incidência tributária, visto que determinadas parcelas possuem a natureza de ressarcimento; vi) o crédito tributário exigido no "Levantamento Fiscal GFA" encontrase incluído nos demais levantamentos fiscais; vii) dada a discussão judicial sobre o débito tributário, cuja exigibilidade encontrase suspensa em razão de depósitos judiciais, é indevida a cobrança de diferenças entre as contribuições destinadas a terceiros e o montante depositado em juízo pela empresa; e viii) o pagamento de valetransporte em pecúnia tem natureza indenizatória e, portanto, não comporta a incidência de tributação. É o relatório. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18050.007957/200812 Acórdão n.º 2401003.951 S2C4T1 Fl. 913 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Falta de apreciação do pedido de perícia 6. Alega a recorrente a nulidade do procedimento administrativo a partir do indeferimento (ou não realização) da perícia requerida na peça vestibular. 7. O indeferimento da perícia, por si só, não é motivo de declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Nada obstante, a motivação da recusa em determinar a sua realização deve constar expressamente do ato administrativo. 8. Nesse cenário, para melhor compreensão da situação dos autos, transcrevo os trechos da impugnação do sujeito passivo, em que peticiona pela necessidade da prova pericial para encontrar a verdade material: (...) 3.2. Folha de pagamento não declarada (FPN) (...) Ademais, o fisco previdenciário está recaindo em flagrante "cobranças multiplicadas", uma vez que utiliza dos mesmos fatos para gerar várias lançamentos. [fls. 281] Ao proceder da forma ocorrida, a auditora imputa irregularidades ao contribuinte várias vezes sobre o mesmo fato, vez utilizou integralmente a folha de pagamento com base incidência da contribuição previdenciária, e posteriormente, tributou novamente, mas agora de forma isolada, ou seja primeiro a auditora efetuou o levantamento em loco, e depois repetiu os mesmos atos sobre cada item, "criando" assim "obrigações" sobre o geral e depois aplicando as mesmas penalidades no específico que compõem o mesmo geral já lançado, razão pela qual impugnase tal ponto. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18050.007957/200812 Acórdão n.º 2401003.951 S2C4T1 Fl. 914 7 Portanto, resta evidente a improcedência deste tópico, merecendo, a realização de perícia, o que restará evidente que nem todos os valores integrantes da folha de pagamento constituemse base de cálculo para a contribuição previdenciária, uma vez que os valores foram reembolsados aos empregados a titulo de despesas já efetuadas. [fls. 282] (...) 4. DA CONCLUSÃO E DOS PEDIDOS Devese registrar que extraise dos fundamentos utilizados pelo fisco previdenciário que há constante tributação sobre o mesmo fato, vez que faz incidir a contribuição previdenciária sob o mesmo suposto fato gerador, especialmente nas questões que são generalizas. (fls. 315) (...) Requer a produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a juntada dos documentos em anexo, bem como em outras que vierem a ser necessários, bem como, principalmente, a realização de perícia contábil e "in locu", nos casos pertinentes. [fls. 316] (grifouse) 9. Ao consultar a decisão de piso, verifico que o relator do acórdão, resumindo a impugnação do autuado, não desconhece o pedido de perícia e faz menção sobre ele (fls. 831, "in fine"): " (...) Portanto, resta evidente a improcedência deste tópico, merecendo a realização de perícia, o que restará evidente que nem todos os valores integrantes da folha de pagamento (....) " 9.1 Todavia, tanto o votocondutor quanto a ementa do acórdão recorrido são omissos no tocante ao pedido de perícia formulado pela parte. 10. A fim de ilustrar o raciocínio, mesmo na hipótese de considerarse o pedido de perícia não formulado, nos termos do § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, por deixar de atender aos requisitos formais previstos no inciso IV do mesmo artigo, remanesceria o dever de a autoridade julgadora declarar expressamente os motivos. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18050.007957/200812 Acórdão n.º 2401003.951 S2C4T1 Fl. 915 8 11. Além de ser a motivação dos atos administrativos um princípio constitucional implícito, resultado do inciso X do art. 93 da Constituição da República de 19881, é reconhecidamente aplicável na seara do contencioso administrativo, conforme expressa o art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 19992. 11.1 De tal modo que a ausência da apreciação do pedido de perícia cerceia o próprio direito de defesa do sujeito passivo, na medida em que não lhe é dado qualquer satisfação a respeito das razões pelas quais a prova requerida não será produzida. 12. Daí porque não é lícito ao julgador escusar pronunciarse sobre o pedido de perícia, quer para acolhêlo quer para desacolhêlo com a devida motivação. 12.1 Se as razões para o não acolhimento forem de cunho formal, devem ser apontados os requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que deixaram de ser observados pelo requerente. 12.2 De outra banda, acaso a autoridade julgadora, como destinatária final da perícia, entenda ser prescindível a produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e/ou como instrumento de convicção para a solução da lide, tem o dever de apontar os motivos da desnecessidade ou mesmo da inviabilidade do apoio pericial. 13. Longe de avaliação sobre a pertinência de deferir, indeferir ou considerar não formulado o pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ora recorrente, nosso juízo apenas limitase a preservar a disciplina normativa do processo administrativo tributário, tal como vem disposta no art. 28 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. 14. Dessa feita, tornase inviável apreciar as razões recursais aduzidas pelo recorrente quanto à prova pericial, sem a prévia manifestação expressa da autoridade "a quo". Um pronunciamento no atual estágio dos autos implica afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal. 15. Exposto assim, é mister anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, para que outra seja proferida, apreciando, dessa vez, o pedido de perícia postulado na peça defensória. 1 Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: (...) X as decisões administrativas dos tribunais serão motivadas e em sessão pública, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros; (...) 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) Fl. 915DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 18050.007957/200812 Acórdão n.º 2401003.951 S2C4T1 Fl. 916 9 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO, declarando a nulidade da decisão de primeira instância, com retorno dos autos à instância de origem para prolação de nova decisão, com vistas à apreciação de todas as questões ventiladas na impugnação do sujeito passivo, incluindo o pedido de perícia. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 916DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 10/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10530.721604/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção por moléstia grave se reconhece a partir da data de emissão do laudo pericial oficial, ou da data de diagnóstico da doença, quando identificada no laudo pericial oficial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente LUIZ ALVES GONZAGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção por moléstia grave se reconhece a partir da data de emissão do laudo pericial oficial, ou da data de diagnóstico da doença, quando identificada no laudo pericial oficial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 16 04 /2 01 0- 39 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo espólio de Luiz Alves Gonzaga contra o Acórdão n. 1533.347 exarado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) n. 2009/605415492273121, na qual é exigido o crédito tributário no valor consolidado em 31/03/2010 de R$ 6.511,44, relativo ao anocalendário 2005. Cientificado do lançamento em 24/03/2010, fl. 42, o sujeito passivo apresentou impugnação na qual alegou que é portador de moléstia grave (CID G20), a qual foi constatada desde 26/08/2001, conforme atestado médico juntado. Suscita que ao tomar conhecimento, no ano de 2009, de que era beneficiário da isenção do IRPF em razão de sua doença, promoveu a retificação da declaração do ano calendário de 2005. A DRJ julgou improcedente a impugnação, por entender que o laudo pericial oficial apresentado estipula como data de início da moléstia 14/07/2009. Enfatizase no acórdão recorrido que há nos autos um atestado médico que indica que o contribuinte é portador da doença de Parkinson desde 2003, todavia, tal documento não foi aceito porque, malgrado tenha sido preenchido em receituário da Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana, não apresenta as características legais necessárias ao reconhecimento da isenção, uma vez que mero atestado sem indicar sequer a matrícula do profissional de saúde na instituição oficial não se equipararia ao laudo previsto na lei. No recurso, a inventariante a afirmou que com o objetivo de sanear a inexistência da referência ao início da doença incapacitante, foi acostado laudo emitido por médica perita do INSS, fls. 66/76, o qual esclarece que o contribuinte é portador da moléstia codificada como CID G20 desde 01/10/2003. Suscitou que este documento não foi considerado no julgamento da DRJ, não tendo o órgão a quo justificado a preterição desta prova. Por fim, requer o provimento do seu recurso com o acatamento da retificação da DIRPF do anocalendário de 2005. Posteriormente foi juntada pelo sujeito passivo petição dando conta que a impugnação apresentada no processo n. 10530.721601/201003 foi julgada procedente pela DRJ do Rio de Janeiro, assim, por se basear nos mesmos elementos de prova, o destino do presente feito deve ser idêntico. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10530.721604/201039 Acórdão n.º 2402004.961 S2C4T2 Fl. 126 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 18/09/2013 (fl. 102), tendo a peça recursal sido apresentada em 16/10/2013 (fl. 104), assim, por ter sido interposto no prazo legal, o recurso merece conhecimento. Direito à isenção O documento hábil e exclusivo previsto na Lei para comprovação de moléstia que dá direito a isenção tributária é o laudo pericial emitido por serviço de saúde oficial do governo federal, municipal ou estadual. A data de início da isenção é a data do laudo pericial, ou a data de diagnóstico da doença, quando indicada no laudo, como determina expressamente o §5º art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): "§ 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." (grifei) Não há dúvida que o documento de fl. 67, atende aos requisitos normativos para o reconhecimento da isenção. Tratase de laudo emitido por perito do INSS, o qual atesta a data de início da Doença de Parkinson CID G20. Vale a pena reproduzir os termos do documento: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Sendo esta a prova que faltava para reconhecimento da isenção, forçoso concluir pela sua validade do mesma, de modo que deve ser acatada a retificação da DIRPF relativa ao anocalendário de 2005. Conclusão Voto por conhecer do recurso para darlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11080.008836/2001-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa.
PRÊMIO ASSIDUIDADE RECEBIDO QUANDO DA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES STJ.
O prêmio-assiduidade recebido em pecúnia, no contexto de rescisão de contrato de trabalho, não está sujeito à tributação do imposto de renda, consoante reiterados precedentes do STJ.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, dar provimento ao recurso para excluir da omissão de rendimentos apurada o montante de R$14.514,61 (catorze mil, quinhentos e catorze reais e sessenta e um centavos).
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. PRÊMIO ASSIDUIDADE RECEBIDO QUANDO DA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES STJ. O prêmioassiduidade recebido em pecúnia, no contexto de rescisão de contrato de trabalho, não está sujeito à tributação do imposto de renda, consoante reiterados precedentes do STJ. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 88 36 /2 00 1- 15 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida, dar provimento ao recurso para excluir da omissão de rendimentos apurada o montante de R$14.514,61 (catorze mil, quinhentos e catorze reais e sessenta e um centavos). Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.008836/200115 Acórdão n.º 2402004.931 S2C4T2 Fl. 186 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA, que não conheceu da impugnação vertida pelo contribuinte quanto à Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 16.500,72 relativo ao ano calendário 1998. O lançamento (fls. 37/40) foi decorrente da constatação de omissão de rendimentos no valor de R$ 31.420,58 recebidos da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), CNPJ nº 92.715.812/000131, que informou ter pago R$ 99.493,92 ao contribuinte (fl. 36), enquanto este declarou ter recebido R$ 68.073,34 de rendimentos tributáveis dessa fonte pagadora (fl. 71). Em sua impugnação (fls. 2/31), o autuado alegou, em síntese: que não declarou o valor em questão porque eles foram pagos por ocasião da rescisão de seu contrato de trabalho Programa de Desligamento Incentivado Plano de Aposentadoria Incentivada (fl. 35), sendo então não tributáveis conforme orientação do Fisco; ser igualmente descabida a incidência do IR sobre as verbas indenizadas (fl. 20); sobre esses entendimentos, colaciona diversas decisões judiciais; Ao final, demandou a anulação do auto de infração e a restituição administrativa dos valores retidos na fonte, por ocasião da rescisão incentivada do contrato de trabalho, juntando os documentos de fls. 32/62. Em um primeiro julgamento, a DRJ/POA não conheceu do recurso por entender estar a matéria subtraída da apreciação pelas Delegacias de Julgamento por força dos Atos Declaratórios Interpretativos (ADI) da Secretaria da Receita Federal de nº 008, de 25 de março de 2004 e nº 005, de 27 de abril de 2005. Consequentemente, determinou o retorno dos autos à origem para revisão de ofício, consoante regrado pelos citados atos (fls. 105/109). Por sua vez, a DRF/Porto Alegre, após intimação ao contribuinte, considerou não estar demonstrada a adesão do contribuinte a programa de afastamento voluntário, mas sim à complementação temporária de proventos, afirmando, ainda, que os valores percebidos tratamse de férias indenizadas, e não férias não gozadas por necessidade de serviço. Dessa feita, concluiu não ser o caso de revisão de ofício e devolveu o processo para a instância julgadora. Em ratificação da decisão anteriormente prolatada, a DRJ/POA não conheceu da impugnação (fls. 126/135), dada a verificação da existência de concomitância entre o litígio em apreciação e a ação judicial nº 2000.71.0088345 (fls. 89/92), o que caracteriza a renúncia à esfera administrativa. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Irresignado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 27/5/2010 (fls. 143/169), aduzindo, em resumo, que: não há identidade entre os pedidos formulados judicialmente e aquele que é objeto do presente processo, especialmente quanto ao pedido de não incidência do imposto de renda sobre o prêmioassiduidade; a Receita Federal, mediante o ADI nº 5/2005 admite a não incidência sobre tais verbas; resta transitada em julgado a decisão judicial no pertinente às férias não gozadas. Requer, como fecho, que seja anulado o débito fiscal quanto ao prêmio assiduidade e às férias não gozadas, colacionando documentos. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.008836/200115 Acórdão n.º 2402004.931 S2C4T2 Fl. 187 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser apenas parcialmente conhecido, entretanto. Notese que o próprio contribuinte assevera (fl. 146) haver decisão transitada em julgado no bojo da ação nº 2000.71.0088345, que tramitou perante o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, reconhecendo seu direto à isenção do imposto de renda sobre os valores percebidos a título de férias não gozadas e indenizadas, para o período examinado. De fato, o aresto de fls. 154/162 teve o Recurso Extraordinário contra ele interposto não admitido (fls. 151/152), e o REsp nº 1.268.776/RS, mesmo admitido (fls. 149/150), teve seu seguimento negado pelo STJ, conforme pesquisas nos respectivos sites dos tribunais permitem aferir. Ora, existindo controvérsia já estabelecida no Judiciário que abrange a essa matéria específica, qualquer decisão de fundo a ser emanada por este Colegiado restaria ineficaz frente ao entendimento daquele Poder, prevalente nos termos do inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal, mormente quando tal entendimento já está abrigado sob o manto da coisa julgada, conforme destacado pelo recorrente no particular. Cumpre destacar que a existência de ação judicial versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo atrai a incidência da Súmula CARF nº 1, de observância obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com efeito, a concomitância traduzse em fator externo à relação processual administrativa que impede a eficácia de eventual decisão emanada nesse âmbito, a qual se configura desnecessária e inútil no que contrariar a decisão de mérito do Poder Judiciário. Em votovista exarado no RE nº 233.582/RJ (DJe de 16/5/2008), o qual discutiu a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.380, de 22 de setembro de 1980, o Ministro Gilmar Mendes teceu considerações que ora também se revelam aplicáveis: Destarte, a renúncia a essa faculdade de recorrer no âmbito administrativo e a automática desistência de eventual recurso interposto é decorrência lógica da própria opção do contribuinte de exercitar a sua defesa em conformidade com os meios que se afigurem mais favoráveis aos seus interesses. Temse aqui fórmula legislativa que busca afastar a redundância da proteção, uma vez que, escolhida a ação judicial, a Fl. 196DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Administração estará integralmente submetida ao resultado da prestação jurisdicional que lhe for determinada para a composição da lide. (...) Destarte, muito embora as razões recursais arguidas, o fato é que a decisão do TRF da 4ª Região deverá ser simplesmente cumprida pela administração tributária federal, sendo despicienda eventual manifestação adicional deste Colegiado sobre as férias não gozadas recebidas na rescisão do contrato de trabalho. Em outro giro, deve ser conhecido o recurso no que tange à incidência do imposto de renda sobre os R$ 14.541,61 percebidos a título de prêmioassiduidade especial "PR.ASSID.ES14.500" (fl. 121 e 141). O acórdão exarado na Apelação Cível nº 2000.71.00.0088345 foi expresso ao frisar que não foi ventilada na respectiva exordial demanda para a restituição dos valores retidos indevidamente a título de imposto de renda incidente sobre prêmioassiduidade, o que acarretou o não conhecimento da apelação nesse ponto (fl. 156). Por sua vez, o contribuinte postulou em sua impugnação o reconhecimento da não incidência do imposto de renda sobre as verbas percebidas em razão da adesão do programa de desligamento incentivado, e a restituição dos valores indevidamente retidos na fonte por ocasião dessa decisão, retenção essa que incidiu, dentre outros montantes, sobre a quantia auferida como prêmioassiduidade. Renovado o pedido no tocante ao prêmioassiduidade nesta instância especial, cabe, por conseguinte, conhecer do recurso nesse aspecto. O prêmioassiduidade, cabe explicar, consubstanciase em espécie de salário condição, sendo vantagem pecuniária paga ao funcionário vinculada à satisfação de critérios objetivos, tais como frequência e/ou pontualidade no comparecimento ao trabalho. Sobre o tema, o Parecer PGFN nº 1.643, de 21 de novembro de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, examinando as decisões do Superior Tribunal de Justiça, assim manifestouse na respectiva ementa: Tributário. Não incidência de imposto de renda sobre as verbas recebidas a título de abono assiduidade e ausências permitidas ao trabalho para trato de interesse particular APIP. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Conforme bem apontado na Solução de Consulta Cosit nº 102, de 7 de abril de 2014, dito Parecer baseouse, dentre outras, em decisões do STJ tais como as emanadas no REsp nº 313.017/AL (DJe de 8/10/2001) e no AGREsp nº 463.170 (DJe de 5/5/2003), que reconheceram que os valores pagos a título de assiduidade, quando convertidos em pecúnia, não estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda: O fundamento desenvolvido pelo STJ para considerar os valores recebidos a título de abono assiduidade e ausências permitidas ao trabalho para trato de interesse particular (APIP) como não sujeitos ao imposto de renda, é o seu não exercício na forma natural (como dias de folga) e a sua conversão em pecúnia. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11080.008836/200115 Acórdão n.º 2402004.931 S2C4T2 Fl. 188 7 Nesse sentido, ainda, transcrevase o entendimento do Resp nº 950.220/RJ, cujo relator foi o Ministro José Delgado, na parte que interessa ao presente litígio: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. IMPOSTO DE RENDA. PRÊMIOASSIDUIDADE, FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. PRESCRIÇÃO. VALORES RECOLHIDOS ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DA LC 118/2005. PRONUNCIAMENTO DA CORTE ESPECIAL. APLICAÇÃO DA TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. INVIABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 07/STJ. 1. Tratase de recursos especiais interpostos pela União (Fazenda Nacional) e por Wilson Pereira da Rocha e outros contra acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região versando sobre pedido de repetição de indébito de valores recolhidos a título de imposto de renda sobre indenizações relativas a prêmio assiduidade, férias e licençaprêmio nãogozadas. O Tribunal a quo deu parcial provimento à apelação interposta pela Fazenda Nacional, declarando tributáveis as verbas recebidas a título de licençaprêmio. Em sede de embargos infringentes, excluiramse da exação esses valores de licençaprêmio. Nas razões do recurso especial da Fazenda Nacional, apontase violação dos artigos 20, § 4º, do CPC e 43, 111 e 168 do CTN, sustentando, em síntese, que: a) incide imposto de renda sobre as verbas discutidas na ação, e que os contribuintes deveriam ter comprovado que os benefícios não foram gozados por necessidade de serviço; b) o prazo prescricional para se pleitear a repetição de indébito de imposto de renda é de 5 (cinco) anos contados a partir do efetivo pagamento do tributo; e c) a condenação em honorários advocatícios foi excessiva, dada a natureza da causa. No recurso especial dos contribuintes, alega se violação dos artigos 156, IV, e 168, I, do CTN e divergência jurisprudencial. Defendem, em síntese, que foi indevida a prescrição qüinqüenal determinada no aresto, em razão do imposto de renda ser lançado por homologação e por ter sido a ação proposta anteriormente à edição da LC 118/2005. 2. Os valores percebidos a título de prêmioassiduidade, férias e licençaprêmio nãogozadas, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, têm caráter indenizatório, estando isentos da incidência do imposto de renda. 3. Precedentes: REsp n. 739.467/SP; Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 13.02.2006; REsp n. 763.086/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 03/10/2005; AgRg no AG n. 672.779/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26/09/2005. (...) 7. Recurso especial dos contribuintes provido para reconhecer o lapso prescricional decenal. Recurso especial da União não provido. (grifei) Fl. 198DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Tal entendimento, pacífico no âmbito daquela corte, se aplica ao caso dos presentes autos, pois o prêmioassiduidade sob análise não foi gozado no curso do contrato de trabalho, sendo percebido em pecúnia somente quando da rescisão do contrato de trabalho, de acordo com os documentos de fls. 121/122. Ante o exposto, voto no sentido conhecer em parte do recurso voluntário, para, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO para fins de excluir da omissão de rendimentos apurada o montante de R$ 14.514,61 (catorze mil, quinhentos e catorze reais e sessenta e um centavos). Ronnie Soares Anderson. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10805.722001/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA E POSTERIORMENTE INCLUÍDO EM PROGRAMA DE PARCELAMENTO. REFIS. DEDUTIBILIDADE NO EXERCÍCIO DA CONFISSÃO IRRETRATÁVEL E IRREVOGÁVEL DO PROGRAMA.
O tributo quando em discussão judicial e com exigibilidade suspensa, não é certo e líquido, pois, sujeita a evento futuro incerto, não representando uma despesa real e, menos ainda, necessária. No momento em que o contribuinte confessa de forma irretratável e irrevogável seus débitos, a despesa passa a ser líquida e certa, possibilitando-se a sua dedução pelo regime de competência, no período-base do reconhecimento da dívida.
Numero da decisão: 1201-001.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em INDEFERIR a preliminar de decadência, vencidos o relator e os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Júnior, e, por unanimidade de votos, em AFASTAR a preliminar de nulidade e em DAR provimento ao recurso, considerando correta a dedução no ano-calendário de 2001, dos débitos confessados pela Recorrente em razão de adesão ao Refis, e o aproveitamento do crédito daí decorrente. Designado o redigir o voto vencedor da preliminar o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
(documento assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: Relator
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REFIS. DEDUTIBILIDADE NO EXERCÍCIO DA CONFISSÃO IRRETRATÁVEL E IRREVOGÁVEL DO PROGRAMA. O tributo quando em discussão judicial e com exigibilidade suspensa, não é certo e líquido, pois, sujeita a evento futuro incerto, não representando uma despesa real e, menos ainda, necessária. No momento em que o contribuinte confessa de forma irretratável e irrevogável seus débitos, a despesa passa a ser líquida e certa, possibilitandose a sua dedução pelo regime de competência, no períodobase do reconhecimento da dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em INDEFERIR a preliminar de decadência, vencidos o relator e os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Júnior, e, por unanimidade de votos, em AFASTAR a preliminar de nulidade e em DAR provimento ao recurso, considerando correta a dedução no anocalendário de 2001, dos débitos confessados pela Recorrente em razão de adesão ao Refis, e o aproveitamento do crédito daí decorrente. Designado o redigir o voto vencedor da preliminar o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 20 01 /2 01 2- 49 Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 2 LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata, o presente processo de Autos de Infração relativos ao IRPJ (...) e à CSLL (...) lavrados em 21/06/2012 e cientificados em 25/06/2012 (fls. 1280), abrangendo o anocalendário de 2007, e formalizando crédito tributário no valor de R$ 17.865.192,00, aí incluídos principal, multa de ofício de 75% e juros de mora, em razão da constatação de compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores em montantes superiores ao existente. As irregularidades que fundamentaram a autuação foram assim descritas no TVF: A) ORIGEM DA FISCALIZAÇÃO A presente ação fiscal teve como motivo o fato de terem sido detectadas divergências entre o valor de compensação de prejuízo com o Lucro Real informado pelo contribuinte na DIPJ do anocalendário de 2007, sem existir saldo a compensar, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil, especificamente o registro do acompanhamento dos saldos de prejuízos fiscais compensáveis e das bases de cálculos negativas da CSLL (SAPLI). B) PROCEDIMENTOS ADOTADOS E VERIFICAÇÕES EFETUADAS B1) PROCEDIMENTOS INICIAIS Enviamos via correio o Termo de Intimação Fiscal, cujo AR retornou com ciência em 11/11/2011, onde solicitamos ao contribuinte apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, entre outros elementos/documentos os esclarecimentos abaixo: “Do procedimento de revisão da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica acima identificada, relativa ao anocalendário de 2007, exercício de 2008 – DIPJ/2008, foram constatadas as seguintes ocorrências: 1. Inconsistências na apuração do Lucro Real – Compensação de Prejuízos. 2. Inconsistências na apuração do Lucro Real – Compensação de Base de Cálculo Negativa de CSLL.” Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 3 3 Em 30/11/2011 a empresa solicitou 20 (vinte) dias de prazo suplementar para atendimento à intimação. Em 20/12/2011 a empresa apresentou os livros e documentos, bem como os esclarecimentos solicitados na intimação. B2) DA ANÁLISE DA DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSPOA JURÍDICA (DIPJ) A empresa atua no ramo de Atividade de Transporte de Valores, conforme cadastro no CNPJ e DIPJ. A empresa apresentou a DIPJ 2008 optando pela tributação apurada pelo Lucro Real Anual, informando o valor de Receita Bruta em R$ 480.433.803,45, sendo o total desse valor esse oriundo de prestação de serviços, e R$ 263.920.475,13 de Custos e R$ 111.158.798,56 de Despesas Operacionais, apurando um Lucro Líquido de R$ 44.784.300,21. Na demonstração da apuração do Lucro Real a empresa compensou o valor de R$ 23.877.428,31 de suposto saldo de prejuízos a compensar de períodos de apuração anteriores. O mesmo valor foi compensado na apuração do cálculo da CSLL, a título de Base de Cálculo Negativa de Períodos Anteriores. Em 08/03/2012 intimamos a empresa ora fiscalizada a apresentar os seguintes esclarecimentos: “DOS VALORES DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS NA DIPJ 2008, ANOCALENDÁRIO 2007: 1) Compensação de Prejuízos Fiscais de Períodos Anteriores R$ 23.877.427,59; 2) Compensação de Base de Cálculo Negativa da CSLL de Períodos Anteriores – R$ 23.877.427,59; ELABORAR DEMONSTRATIVO, INFORMANDO E DESDOBRANDO, SE FOR O CASO: a) A quais anoscalendário se referem tais valores; b) Apresentar o(s) livro(s) LALUR correspondentes.” Em 28/03/2012 a empresa solicitou prazo suplementar de 20 dias para atendimento à intimação, sob a alegação de que ocorrera um incêndio nos galpões da empresa em que a fiscalizada arquiva sua documentação. Juntou cópia do Boletim de Ocorrência nº 572/2012, lavrado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo (D.P. Consolação) em 31/01/2012, portanto após o início do procedimento fiscal, e dos BO n ° 2338/2011 e 2340/2011, lavrados pela Delegacia de Polícia de Jandira, sede da empresa Interfile, responsável pela guarda e arquivo dos documentos. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 4 Em 17/04/2012 a empresa apresentou demonstrativo denominado “Controle da Base de Cálculo Negativa e prejuízos Fiscais (Acumulada)”. Apresentou também os Livros de Apuração do Lucro Real (Lalur) referentes aos anoscalendário de 2001 e 2002. Não apresentou os referidos livros dos anos de 2000, 2003, 2004 e 2005. Em 07/05/2012 a empresa pra fiscalizada apresentou petição esclarecendo que “os Livros de Apuração do Lucro Real dos anos de 2000, 2003, 2004 e 2005 não foram encontrados em razão da queima dos documentos em incêndio ocorrido no arquivo externo” (grifamos). Juntou novamente cópia dos BO já referidos, bem como cópia de publicações em jornais dando notícia do incêndio ocorrido em 04/07/2011. Prosseguindo na análise da documentação, verificamos que no demonstrativo apresentado pela empresa em 17/04/2012, a empresa toma como ponto de partida o prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 2000, no valor de R$ 43.081.430,53, e da base de cálculo negativa da CSLL do mesmo anocalendário de 2000, no valor de R$ 48.050.270,48. Realmente estes valores constam da Demonstração do Lucro Real e do Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, informados pela empresa na DIPJ 2001. No mesmo demonstrativo, a empresa aponta os valores de R$ 56.019.793,70 e R$ 56.145.667,93, a título de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, respectivamente, apurados no ano calendário de 2001. Na DIPJ 2002 os valores informados pela empresa são de R$ 48.800,30 de Lucro Real e R$ 104.959,82 de base de cálculo negativa da CSLL, respectivamente, portanto não correspondem ao demonstrativo. Com referência ao valor do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL do A/C 2001, indicados pela empresa no demonstrativo apresentado, consta uma exclusão na parte B do Lalur, a título de provisão, no valor de R$ 56.040.708,11, sob a rubrica “Complem. Provisão Refis de março/2000”. No entanto, segundo o art. 13 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, na determinação da base de cálculo da CSLL é vedada a dedução de quaisquer provisões, exceto aquelas expressamente previstas no citado dispositivo, nas quais não se incluem as despesas diferidas com tributos e contribuições, seja por estarem sujeitas ao regime de caixa, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.541, de 1992, ou por estarem com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 8º da Lei nº 8.541, de 1992, ou art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995. Vejase: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I – de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 4 5 Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; Dando prosseguimento, verificamos que os valores do prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, referentes ao anocalendário de 2000 foram alterados no Sistema de Acompanhamento dos Saldos de prejuízos Fiscais Compensáveis e das Bases de Cálculos Negativas da CSLL (SAPLI). Tais alterações se deram por força do atendimento à demanda da DRJ/Campinas, contida no processo n° 10805.900681/200608, o qual trata de compensação de base e cálculo negativa de CSLL com estimativas do A/C 2001. Há despacho decisório nesse processo, cuja decisão foi desfavorável à contribuinte, e em razão da decisão Transcrevemos abaixo excerto do processo n° 10805.900681/200608, onde demonstrase a recomposição do cálculo do Lucro Real: “Isto posto, realizadas tais alterações nas Fichas 05A 06A e 09A, da DIPJ/2001 da interessada, apuramos o valor de R$ 25.975.596,35 de Lucro Real para o ano calendário 2000, conforme demonstrado a seguir, onde sublinhamos os valores modificados, em função do acima exposto e grifamos os valores alterados em função destas modificações.” Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 6 Assim, dando prosseguimento, elaboramos planilhas demonstrativas, também partes integrantes deste Termo, recompondose o saldo de prejuízo compensável e da base de cálculo negativa da CSLL, a partir do anocalendário de 2000, onde fica demonstrado o total esgotamento dos respectivos saldos compensáveis, da CSLL, já no anocalendário de 2004, e do prejuízo, no anocalendário de 2006 Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 5 7 B3) IRPJ E CSLL – CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Por final, tendo em vista o exposto, procedemos à glosa dos valores excluídos da apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, sendo, por conseguinte, necessário procederse ao lançamento do IRPJ e da CSLL, através da lavratura de Auto de Infração, para a devida constituição do crédito tributário. [...]” Para melhor entendimento, extraemse as seguintes planilhas que instruem a autuação: Impugnação A ora Recorrente apresentou Impugnação de fls. 1323, que sintetizo abaixo. Traz alegação preliminar de decadência, defendendo a tese de que não poderia a autoridade fiscal rever informações, já atingidas pela homologação tácita, quando do lançamento relativo à parcela de prejuízos compensados em 2007 e provenientes dos anos calendário de 2000 e 2001. Sustenta que se o Fisco discordasse do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL dos períodos pretéritos, deveria têlos contestado àquela época, dado que a decadência torna imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo mais ser alterados, quer pelo Fisco quer pelo contribuinte. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 8 Alega ainda que, transcorrido o prazo de que tem direito o Fisco de contestar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa, o contribuinte passa a ter o direito à manutenção dos valores indicados a tais títulos, mesmo que tenham sido formados irregularmente, não podendo mais ser glosados pela fiscalização os valores então apurados há mais de cinco anos, sob pena de desrespeito ao artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. Menciona a Súmula CARF nº 10, pela qual o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais fixou o entendimento que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração. Alega também como preliminar, nulidade por ausência de adequada fundamentação do real motivo, pelo qual a autoridade fiscal entenderia que os valores do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa seriam inferiores aos apurados pela interessada, sustentando que a simples menção a processo de compensação ainda pendente de julgamento, não pode suportar tal decisão. Alega ainda que o processo de restituição/compensação não é meio hábil para alterar valores de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, sendo, tal atitude, somente possível por lançamento de ofício. Defende que referidos processos de restituição/compensação têm suas lides bem delimitadas, restringindo, seus efeitos, tão só, à discussão quanto ao débito que se pretende compensar e ao respectivo crédito. Logo, eventual desfecho nestes processos que fosse desfavorável ao contribuinte, resultaria, apenas, na obrigatoriedade de pagar o débito discutido, não alcançando tal ato administrativo, sob pena de se estar cerceando o direito de defesa da interessada, a questão acerca da redução do prejuízo fiscal ou da base de cálculo negativa da CSLL. Acrescenta que no processo de compensação nº 10805.900681/200608, somente se discutiu a base de cálculo negativa da CSLL, não podendo o mesmo, também por esta razão, ser tido como meio hábil para redução do prejuízo fiscal apurado pela impugnante no anocalendário de 2000. Diz que caberia à autoridade fiscal, demonstrar por provas cabais que o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário de 2000 seriam inferiores aos apurados pela impugnante, não podendo fazêlo, por mera remissão ao processo de compensação, até porque referido processo: (i) ainda não foi definitivamente julgado na esfera administrativa; (ii) não tem o condão de alterar o valor do prejuízo fiscal do contribuinte e, (iii) tem como objeto apenas a base de cálculo negativa da CSLL do período. No mérito, desenvolve o tema intitulado – Inexistência de Simples Provisão – Despesas Efetivamente Incorridas – no qual, sustenta que o Fisco em nenhum momento contestou o valor, a natureza ou a origem das despesas deduzidas, sendo o único fundamento para a glosa efetuada, ter a autoridade fiscal, considerado tais despesas como provisões indedutíveis. Assegura, então, que tal montante não se trata de provisão e, sim, de efetiva despesa com tributos incluídos em programa de parcelamento, REFIS, carecendo o trabalho fiscal, em prol da busca pela verdade material, de maior aprofundamento. Aduz que a Fiscalização, ao lavrar o presente auto de infração, atentouse apenas para o simples equívoco na nomenclatura adotada pela contabilidade da Impugnante, que escriturou efetivas despesas incorridas pela empresa como ‘Complem. Provisão Refis de março/2000’. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 6 9 Deveria, por outro lado, aprofundar a sua análise, de modo que verificaria que os valores em questão referemse a débitos tributários incluídos no Programa de Recuperação Fiscal (“REFIS”), os quais representam despesas dedutíveis. Informa aderiu ao Refis, previsto na Lei nº 9.964, de 2000 e, incluído no referido programa de parcelamento especial, débitos tributários da ordem de R$ 136.612.861,62, conforme planilha a seguir reproduzida: Afirma que, em que pesem os fatos geradores dos débitos federais em questão terem ocorrido entre 1990 e 2000, a Impugnante apenas tomou conhecimento deles quando foi cientificada da lavratura dos respectivos autos de infração e que, contra referidas lavraturas, apresentou as respectivas impugnações, as quais suspenderam a exigibilidade do crédito tributário, com fulcro no artigo 151, inciso III, do CTN. Portanto, a dedutibilidade dos mencionados débitos ficou suspensa durante a suspensão da exigibilidade desses, por força do § 1º do artigo 41 da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 10 Alega que incluiu os mencionados débitos tributários no REFIS, o qual impôs como condições para a adesão a confissão irrevogável e irretratável dos débitos e a desistência das ações e renúncia do direito respectivo nos casos de créditos que estavam com exigibilidade suspensa, requisito esse devidamente cumprido pela Impugnante. Por conseguinte, a desistência das defesas administrativas e das ações judiciais fez com que a causa da suspensão da exigibilidade do tributo se deslocasse dos incisos III e IV do artigo 151 do CTN para o inciso VI (parcelamento) do mesmo artigo. Nesse sentido, temse que não mais se aplicava a vedação contida no art. 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95, pois tal dispositivo não apresenta a suspensão da exigibilidade do tributo em razão de parcelamento como causa para a impossibilidade de sua dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Assim, somente com a inclusão dos mencionados débitos no REFIS, tais despesas passaram a ser dedutíveis. Alega que a própria Receita Federal por meio da Solução de Consulta Interna nº 9, de 18 de junho de 2012, reconhece expressamente que os débitos enquanto objeto de discussão administrativa ou judicial são indedutíveis, passando a serem dedutíveis com inclusão em programa de parcelamento. Decisão da DRJ A 4° Turma da DRJ de Campinas manteve a autuação integralmente em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados nos lançamentos formalizados os requisitos contidos no art. 142 do CTN, bem como no disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido a contribuinte regularmente cientificada das exigências e das infrações que lhe foram imputadas, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, não se cogita de cerceamento de defesa, sobretudo se demonstrado nos autos que os motivos da exigência foram perfeitamente compreendidos, tanto que detalhadamente refutados. PROCESSO ADMINISTRATIVO ANTERIOR. A ausência de decisão definitiva em processo administrativo anterior em que apreciada pela autoridade fiscal a base de cálculo de períodos anteriores àquele objeto da autuação, não obsta a formalização do lançamento nem o torna nulo. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 7 11 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SALDO DE PREJUÍZOS FISCAIS. DECADÊNCIA. Constatadas ocorrências que reduzem os prejuízos fiscais declarados em anos anteriores, cabe ao fisco atualizar o referido saldo, perquirir os efeitos de tais erros nas compensações efetuadas nos períodos subseqüentes e lançar as diferenças encontradas nos períodos ainda não abarcados pelo prazo decadencial. PREJUÍZOS FISCAIS. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. COMPENSAÇÃO. Mantémse a exigência se demonstrada a inexistência de saldo de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL a compensar. Recurso Voluntário Contra a decisão da DRJ, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual traz, em síntese, as seguintes alegações: i) ocorrência da decadência do direito do fisco contestar o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa dos anos de 2000 e 2001; ii) nulidade da autuação por ausência de fundamentação adequada em razão de simples menção a processo de compensação pendente de julgamento; iii) despacho decisório não é meio hábil para alterar valores de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa; iv) incompetência da DIORT para redução do prejuízo fiscal; v) o processo n. 10805.900681/200608 se refere somente à base de cálculo da CSLL; vi) inexistência de simples provisão no valor de R$ 56.040.708,11, configurando tal valor despesa efetiva; vii) possibilidade de dedução de tributos incluídos no Refis; É o Relatório. Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 12 Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator O Recurso é tempestivo e cumpre todos os requisitos legais, merecendo ser conhecido. Em apertada síntese, temos que a autuação decorre da constatação pelo Fisco de que foram compensados prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, considerados inexistentes, culminando na exigência de IRPJ e CSLL. Mencionada autuação decorre da glosa de exclusões no ano calendário de 2001 e de constatações quando da apreciação de declarações de compensação apresentadas pela interessada tendo como crédito Saldo Negativo de CSLL dos anoscalendário 1999 e 2000 (processos 10805.000681/200608 e 10805.000682/200644). As mesmas conclusões foram alcançadas pelo Fiscop por ocasião da análise de compensação de crédito referente a pagamento indevido / saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 (processo nº 10805.900686/200622). Conforme se verificará nos próximos parágrafos, o presente voto deve enfrentar os seguintes pontos: i) decadência do direito do Fisco revisar o cálculo de tributos após a fluência do prazo decadencial de 05 anos, tendose operada a homologação tácita; ii) possibilidade de dedução do montante dos tributos incluídos no Refis, no período de apuração da inclusão do débito no Programa e não no período de competência original, qual seja, período em que ocorrido o respectivo fato gerador do tributo. Preliminarmente Decadência Em matéria preliminar, é necessário avaliar se, no caso em questão, poderia o Fisco, para fins de análise de compensação efetuada pelo Contribuinte, desconsiderar atos e fatos em períodos superiores a 05 anos. No caso em tela, estamos diante de Auto de Infração lavrado em 25/06/2012, que analisou compensação efetuada em 2007, com utilização de crédito de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL do anoscalendário de 2000 e 2001. Tendo o fisco, para fins de glosa da compensação efetuada em 2007, desconsiderado saldo de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL dos anos base de 2000 e 2001, verificase fluência de período superior a 05 anos (cerca de 11 anos) entre a data do Auto de Infração (2012) e dos atos questionados (2000 e 2001). Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 8 13 O cerne da questão pode ser assim resumido: quando se inicia a contagem do prazo decadencial para alteração do saldo de prejuízo fiscal? As respostas podem varia entre: i) no período em que tal saldo foi constituído e ii) no período em que aproveitado em processo de compensação. Tenho firme convicção de que dispõe o fisco do prazo de 05 anos a contar do momento da ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento de crédito tributário, conforme determina o art. 150, § 4° do CTN. Tal racional também se aplica à análise e eventual glosa de parte ou integralidade de Prejuízo Fiscal, Base de Cálculo Negativa de CSLL ou saldo negativo. Isso porque, o eventual recálculo do IRPJ e CSLL, decorrente da glosa de exclusões ou exigência de adições às respectivas bases de cálculo, equiparase, indubitavelmente, a lançar valores nos períodos em questão, ainda que não haja valores a recolher. A própria Recorrente já obteve decisão neste sentido no CARF, conforme julgado nos autos do Processo n. 10805.721977/201202 – Relato Conselheiro Benecdito Celso Benicio Júnior: “ DECADÊNCIA – ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO FISCAL – GLOSA NO APROVEITAMENTO. A contagem do prazo legal de decadêncioa para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquidio.” Neste sentido, trago mais alguns julgados deste Conselho na mesma direção nos quais grifo os trechos mais relevantes: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO – GLOSA NO APROVEITAMENTO – A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. DECADÊNCIA – CONTAGEM DE PRAZO – REALIZAÇÃO MÍNIMA DO LUCRO INFLACIONÁRIO – APLICAÇÃO DA SUMULA N. 10 – O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Na íntegra: (...) Tenho para mim que a razão está com a recorrente. Isso porque, a meu ver, a decadência é algo que atinge todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. O período atingido pela decadência, portanto, toma imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo ser mais alterados, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. (...) Essa questão, aliás, não é nova na jurisprudência administrativa. Vários precedentes já foram apreciados e o entendimento desta Corte é no sentido sustentado pela recorrente. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 14 Assim, é firme a orientação jurisprudencial que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo é apurado A partir dessa data, tem o fisco cinco anos para verificar os critérios utilizados na quantificação do valor do prejuízo e questionar a forma como ele foi apurado. Passado esse prazo, o fisco não pode mais glosar o valor compensado. (Acórdão 10809.621, Relator João Francisco Bianco, DOU em 07.11.2008). RECURSO EX OFFICIO — DECADÊNCIA — EFEITOS — O alcance das regras de decadência previstas no CTN, não só obsta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário de período já precluso, como também, o de alterar informações e valores registrados em livros contábeis e fiscais, já alcançados pela homologação tácita. Homologado o crédito, por já estar extinto o direito de lançar pelo decurso de prazo previsto no CIN; homologada está toda a atividade praticada pelo contribuinte, vale dizer, todo o conjunto de informações contábeis e fiscais que a orientaram. (Acórdão 10196.265, Relator Paulo Roberto Cortez, DOU em 06/03/2008). DECADÊNCIA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA DECADÊNCIA – Glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência. (Acórdão 10707.819, Relator designado Natanael Martins, DOU em 01.04.2005). IRPF – REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente. Preliminar acatada. (Acórdão 10246.305, Relatora Maria Goretti de Bulhões Carvalho, DOU em 10/09/2004). CSLL – BASE NEGATIVA – AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA – DECADÊNCIA Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. (Acórdão 10706.572, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 21/06/2002) DECADÊNCIA — ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO — GLOSA NO APROVEITAMENTO — Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. (Acórdão 10806.921, Relator José Henrique Longo, em 17/04/2002). DECADÊNCIA – IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – GLOSA DE DESPESAS – O direito de a Fazenda Pública constituir exigências tributárias relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A glosa de despesas, ainda que implique apenas em redução de prejuízos fiscais, por comportar juízo de dedutibilidade, não provada a existência de fraude ou Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 9 15 simulação, está impedida pelo decurso do prazo decadencial referido. (Acórdão nº 10706.061, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 28/03/2001) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS EXERCÍCIOS DE 1989 E 1990 – Incabível a glosa da compensação de prejuízo com o lucro real obtido em determinado exercício, quando o referido prejuízo, apurado na demonstração do lucro real, não tiver sido objeto de revisão por parte da autoridade lançadora no prazo decadencial. Recurso provido. (Acórdão 10318.623, Relator Cândido Rodrigues Neuber, em 14/05/1997). Acertada a corrente dominante nos julgados acima e não poderia ser diferente. Isso porque, pensar de forma diversa, seria eternizar a possibilidade do Fisco rever a apuração de tributos dos contribuintes. Imaginese, tomando como exemplo o próprio caso ora em debate, que o Fisco tivesse glosado o saldo negativo de 2000, por este ter sido composto por compensação de saldo negativo de 1996, composto por compensações de créditos de 1991 e assim por diante, até que o Fisco concluísse que não concorda com despesa deduzida pelo contribuinte em 1960. Não me preocupei aqui em avaliar as diferentes sistemáticas e regras de compensação de IRPJ e CSLL vigentes desde 1960. O exemplo pode ser imaginado em relação ao futuro, em que em 2030 o Fisco estivesse avaliando deduções de 2000. O ponto relevante aqui é a segurança jurídica. A decadência e a prescrição servem para dar segurança jurídica às relações na sociedade, o que inclui a relação entre fisco e contribuinte. O ilustre jurista Renato Sobrosa Cordeiro nos ensina (Prescrição administrativa. In: Revista de Direito Administrativo, Rio de Janeiro, nº 207, 1997): “A prescrição, em qualquer área do direito, é princípio de ordem pública e objetiva estabilizar as relações jurídicas. [...] A imprescritibilidade resulta imoral sob qualquer aspecto na vida social, sendo exceção à regra geral do ordenamento jurídico brasileiro. Sem a prescrição tudo seria permanente” (meus grifos) Diante do exposto, considerando o lapso temporal de mais de 10 anos entre a data do Auto de Infração e os períodos objeto de análise pelo fisco (2000 e 2001), acolho a preliminar de decadência suscitada pela ora Recorrente. Nulidade Traz a Recorrente, alegação de nulidade da autuação em razão de aspectos relacionados ao processo 10805.900681/200608, quais sejam: (1) ausência de adequada fundamentação – simples menção a processo de compensação pendente de julgamento, (2) processo de restituição/compensação não é meio hábil para alterar valores de Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 16 prejuízo fiscal e base de cálculo negativa e (3) o mencionado processo nº 10805.900681/2006 08 referese somente a base de cálculo negativa da CSLL. Primeiramente, não vejo no caso em questão, qualquer das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do PAF, que assim dispõe: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A Recorrente fora devidamente cientificada da lavratura do Auto de Infração, sendolhe prazo para impugnação, direito que exerceu mediante apresentação de sua Impugnação, demonstrando, assim, que teve conhecimento das infrações que lhe foram imputadas e dos fatos que as suscitaram. Assim, tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art. 142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não me parece presente a alegada nulidade. Diante do exposto, afasto a preliminar de Nulidade suscitada pela Recorrente. Mérito Não obstante meu entendimento de que não poderia o Fisco rever no ano de 2012, fatos relacionados à apuração do IRPJ e CSLL dos anos de 2000 e 2001, em razão da ocorrência da decadência, devo enfrentar as matérias de mérito, para a eventualidade de ser voto vencido em relação à matéria preliminar. Glosa de Deduções De acordo com a Fiscalização, a Recorrente não teria direito à dedução do valor de R$ 56.040.708,11 no anocalendário de 2001, por se tratar tal valor de mera provisão. Em resposta a tal glosa, aduz a Recorrente tratarse não de provisão, mas de despesa efetiva referente a tributos incluídos no REFIS. A conduta do fisco baseouse apenas em equívoco na nomenclatura utilizada pela Recorrente em sua contabilidade, ao registrar despesas incorridas efetivamente como “Complem. Provisão Refis de março/2000”. Primeiramente, cabe ressaltar que, de fato, a Recorrente demonstrou de forma muito clara nos autos que o valor em questão, de fato, não se refere à uma simples provisão (assim identificada em sua escrita por mero erro), mas sim às despesas com tributos confessados e incluídos no Refis. Contudo, na fundamentação de sua decisão, a DRJ faz menção ao decidido em primeira instância nos autos do processo n. 10805.900686/200622, que conclui Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 10 17 pela impossibilidade de dedução dos tributos incluídos no Refis por suposta desobediência do Regime de Competência. Neste sentido, concluiu a DRJ que “... quer como provisão, quer como dispêndios com parcelamento, referindose os valores a períodos de apuração anteriores, não são dedutíveis no anocalendário autuado.” Assim cabe avaliar questão referente à dedutibilidade do REFIS em períodobase posterior ao fato gerador dos tributos nele incluídos e, subsidiariamente, sobre inexistência de prejuízo ao erário em razão de mera postergação de despesa. O núcleo da discussão aqui travada é a possibilidade de dedução das despesas de tributos pagos por ocasião da adesão ao Refis, o que passo a fazer. Isso porque, procedeu o fisco à glosa da despesa de R$ 56.040.708,11, vez que referida despesa foi formada por tributos e contribuições relativos a outros anoscalendário. Portanto, a pergunta que deve ser respondida por esta Turma é a seguinte: a dedutibilidade das despesas com tributos está restrita ao período do respectivo fato gerador ou se estende também a período posterior, em que tais débitos são incluídos em Programa de Parcelamento, neste caso, o Refis? No caso em tela, a Recorrente não procedeu à dedução de tais despesas com tributos nos respectivos períodos de ocorrência do fato gerador, pois, tais débitos estavam sendo discutidos em ações judiciais e, portanto, o reconhecimento contábil de tais despesas tinham natureza de mera provisão para contingência fiscal, não podendo ser deduzidas na época. A impossibilidade de dedução de tais despesas nos períodos de ocorrência dos fatos geradores, está prevista de forma cristalina no artigo 41 da Lei 8.981/1995: “Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. §1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja a exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II e IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1996, haja ou não depósito judicial.” O dispositivo acima é de todo coerente. Não pode o contribuinte deduzir despesa que ainda está sendo discutida e conta, inclusive, com exigibilidade suspensa. Isso porque, poderiam estar sendo deduzidas despesas que, ao final, sequer seriam pagas. Além disso, como poderia o contribuinte deduzir uma despesa como sendo necessária aos seus negócios se, sequer, reconhece a obrigação correspondente? As normas contábeis brasileiras e internacionais sempre adotaram o chamado Princípio do Conservadorismo, como forma de proteger o patrimônio da empresa e Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 18 dos investidores de eventos inesperados que pudessem colocar em risco a continuidade dos negócios. Neste sentido, o administrador deve reconhecer contabilmente as obrigações reclamadas por terceiros e, consequentemente, afetar o resultado da empresa e seu Patrimônio Líquido, ainda que não concorde com a efetiva existência de tais obrigações. Assim, caso a obrigação, que pode ser cível, trabalhista ou tributária, esteja sendo discutida judicialmente, deve o administrador fazer uma avaliação do risco envolvido e, caso a probabilidade da obrigação ser ao final exigida for maior que a probabilidade de não ser, deve o administrador promover a constituição da provisão para contingência. A análise do risco envolvido é importante, pois, se as provisões forem constituídas de forma indevida, os investidores atuais podem estar sendo prejudicados, bem como, no caso inverso, qual seja, não constituição de provisões de contingências com risco alto, o investidor no futuro poderá ser prejudicado. Atualmente, a regra que conduz a decisão do administrador em constituir ou não uma provisão para contingência é o Pronunciamento Técnico CPC 25, cujo objetivo é “estabelecer que sejam aplicados critérios de reconhecimento e bases de mensuração apropriados a provisões e a passivos e ativos contingentes e que seja divulgada informação suficiente nas notas explicativas para permitir que os usuários entendam a sua natureza, oportunidade e valor”. Tal norma traz algumas definições importantes em seu item 10: “Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos. Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. Passivo contingente é: (a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou (b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque: (i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou (ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade. A norma acima é posterior aos períodos em discussão neste processo, contudo, serve para ajudar a entender o procedimento adotado pela ora Recorrente. Primeiramente, é importante observar que o entendimento de que somente seria possível a dedução das despesas com tributos apenas quando da ocorrência do respectivo fato gerador, nos levaria, obrigatoriamente, à uma das seguintes conclusões: i) seria permitida a dedução da provisão contábil relacionada aos tributos discutidos judicialmente e com exigibilidade suspensa ou Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 11 19 ii) em qualquer hipótese em que o contribuinte decidisse discutir um tributo na via judicial, deveria este, necessariamente, abrir mão da respectiva dedução no caso de insucesso, vez que, indubitavelmente, a discussão judicial ultrapassaria o período do fato gerador do tributo. Nenhuma das hipóteses me parece correta e entendo desnecessária estenderme na explicação. A impossibilidade de dedução dos débitos pagos no REFIS, os quais estavam com a exigibilidade suspensa, traz um cenário favorável à Fazenda Pública, pois, verificase a antecipação do pagamento de IRPJ/CSLL decorrente da postergação da dedução de despesas. Ademais, o processo realizado está amparado pela legislação vigente, conforme expresso no artigo 6º, § 5º do Decreto Lei nº 1.598/77: “Artº 6º Lucro Real é lucro líquido do exercício ajustado pelas adições e exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas (...) § 5º A inexatidão quanto ao período base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) A postergação do pagamento do imposto para o exercício posterior ao que seria devido” Com isso, notase que a legislação é permissiva quanto à postergação da dedução da despesa para períodos subseqüentes. No caso em tela, verificase que a dedutibilidade da despesa ocorreu quando esta foi de fato incorrida, mesmo momento em que tornouse plenamente eficaz e exigível, não havendo possibilidade de condição impeditiva. Logo, o momento em que a despesa se torna plenamente eficaz e exigível é no momento em que ocorreu a adesão do REFIS, deixando o débito sua condição de incerteza e passando a ser líquida e certa, vez que a própria adesão ao Refis configura confissão irrevogável e irretratável do contribuinte em relação ao débito. Considerando que a adesão em questão foi realizada em 1º de março de 2000, sua dedutibilidade enquadrase integralmente no mesmo ano calendário. Neste sentido, trago recente decisão da 1° Turma da 1° Câmara desta 1° Seção nos autos do processo n. 10805.721977/201202 (Relator Conselheiro Benecdito Celso Benício Júnior), em que a ora Recorrente figura como parte: TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA E POSTERIORMENTE INCLUÍDO EM PROGRAMA DE PARCELAMENTO. DEDUTIBILIDADE NO EXERCÍCIO DA CONFISSÃO DA DÍVIDA PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. O tributo, quando suspensa sua exigibilidade, não é certo e Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO 20 líquido, não chegando a representar uma despesa real e, menos ainda, necessária. Contudo, no momento em que o contribuinte confessa de forma irretratável seus débitos, a despesa passa a ser líquida e certa, possibilitandose a sua dedução pelo regime de competência, no período base do reconhecimento da dívida. Diante do exposto, entendo correta a dedução no anocalendário de 2000, dos débitos confessados pela Recorrente em razão de adesão ao Refis no mês de março deste mesmo ano, sendo indevida a glosa pretendida pela fiscalização e, portanto, devendo ser mantida a base de cálculo da CSLL deste período e o aproveitamento do crédito daí decorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do Recurso para RECONHECER a preliminar de DECADÊNCIA, AFASTAR a preliminar de NULIDADE e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, a fim de que seja reconhecido integralmente o crédito utilizado pela Recorrente. É como voto! (Assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, redator designado. Em que pesem os argumentos carreados pelo Relator, peço licença para divergir apenas no tocante à decadência. No caso, a contribuinte compensou, em 2007, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da contribuição apurados na DIPJ/2001. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 2012. A interessada alega que a autoridade fiscal não mais poderia alterar o resultado apurado na DIPJ/2001, haja vista o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Ocorre que o auditor, ao retificar o resultado do ano de 2000, não promoveu lançamento de IRPJ e CSLL referente àquele ano, até porque, aí sim, estaria configurada a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos termos do aludido art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10805.722001/201249 Acórdão n.º 1201001.185 S1C2T1 Fl. 12 21 O que o auditor fez foi, apenas, verificar a veracidade do resultado negativo declarado na DIPJ/2001. Tal procedimento, que não se confunde com lançamento de crédito tributário referente ao ano de 2000, está amparado no a seguir transcrito art. 37 da Lei nº 9.430/96: Art.37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Ora, não há dúvida de que o prejuízo fiscal e a base negativa da contribuição social apurados em um determinado exercício repercutirão em lançamentos contábeis de exercícios futuros acaso venham a ser compensados com o lucro real e a base positiva da contribuição social apurados nesses períodos futuros. Em especial, repercutirão nos lançamento contábeis relativos à apuração do IRPJ e da CSLL desses exercícios futuros. Em sendo assim, se a ora recorrente pretendia aproveitar futuramente o prejuízo fiscal e a base negativa da contribuição social apurados em 2000, deveria, conforme disposto no art. 37 da Lei nº 9.430/96, guardar os documentos que comprovam o referido resultado negativo compensado em 2007. A guarda desses documentos, determinada por uma norma fiscal, tem como objetivo possibilitar sua verificação por parte das autoridades fazendárias e, em caso de não conformidade, autoriza a constituição de crédito tributário referente aos exercício futuros ainda não alcançado pelo prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Tendo em vista o acima exposto voto por afastar a preliminar de decadência e, no mérito, acompanhando o relator, por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 04/08/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/07/2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assi nado digitalmente em 14/07/2015 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720314/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 30/06/2008
LANÇAMENTO.
Ao verificar o descumprimento da legislação o agente fiscal deve elaborar o devido lançamento tributário
Numero da decisão: 2302-003.733
Decisão: Vistos e relatados os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida negar-lhe provimento, mantendo a glosa de compensação efetuada indevidamente e a multa isolada. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que entenderam por excluir do lançamento a multa isolada. O Conselheiro André Luís Marsico Lombardi fará o voto divergente vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relato e redator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os seguintes conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : Vistos e relatados os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida negar-lhe provimento, mantendo a glosa de compensação efetuada indevidamente e a multa isolada. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que entenderam por excluir do lançamento a multa isolada. O Conselheiro André Luís Marsico Lombardi fará o voto divergente vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relato e redator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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Ao verificar o descumprimento da legislação o agente fiscal deve elaborar o devido lançamento tributário Vistos e relatados os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida negarlhe provimento, mantendo a glosa de compensação efetuada indevidamente e a multa isolada. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, que entenderam por excluir do lançamento a multa isolada. O Conselheiro André Luís Marsico Lombardi fará o voto divergente vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 14 /2 01 2- 74 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relato e redator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os seguintes conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRÉ LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.720314/201274 Acórdão n.º 2302003.733 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, de autoria da contribuinte. Esclareço e registro que fui designado, conforme consta nos autos, relator e redator AD HOC, para formalização do acórdão proferido. A designação ocorreu pelo motivo do relator responsável original ter deixado o CARF antes da formalização do acórdão e o redator do voto vencedor não integrar mais a Câmara, não possuindo mais competências para tanto. Ocorre que o relator responsável original pelo processo não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, o relatório, histórico, análise que fez dos autos, que levaram o colegiado a decidir pelo que consta em ata. Conseqüentemente, por não possuir competência para tanto, registro o ocorrido, a fim de que as partes interessadas tenham ciência dos fatos. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro relator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, seu voto, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi por dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir a exigência de multa isolada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.720314/201274 Acórdão n.º 2302003.733 S2C3T2 Fl. 4 5 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro redator não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, seu voto, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado devidamente consignado em ata, que foi, por negar provimento ao recurso, mantendo a multa isolada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização Fl. 312DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001671/2009-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
CIDE. SOLVENTE NÃO DESTINADO A FORMULAR GASOLINA E DIESEL. DISPENSA DE PAGAMENTO. REGIME ESPECIAL NÃO COMPROVADO
Incide a Cide na comercialização no mercado interno de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel. O valor pago pode ser deduzido do PIS/Pasep e da Cofins incidentes na mesma operação.
Não se conseguiu comprovar se os produtos comercializados pela contribuinte estariam sujeitos à alíquota zero, conforme estabelecidos no § 3º do artigo 5º da Lei nº 10.336/2001, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003.
Recurso Voluntário negado
Recurso de Ofício negado
Numero da decisão: 3201-002.031
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CIDE. SOLVENTE NÃO DESTINADO A FORMULAR GASOLINA E DIESEL. DISPENSA DE PAGAMENTO. REGIME ESPECIAL NÃO COMPROVADO Incide a Cide na comercialização no mercado interno de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel. O valor pago pode ser deduzido do PIS/Pasep e da Cofins incidentes na mesma operação. Não se conseguiu comprovar se os produtos comercializados pela contribuinte estariam sujeitos à alíquota zero, conforme estabelecidos no § 3º do artigo 5º da Lei nº 10.336/2001, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003. Recurso Voluntário negado Recurso de Ofício negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
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MULTA Recorrente UNIVEN REFINARIA DE PETRÓLEO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 CIDE. SOLVENTE NÃO DESTINADO A FORMULAR GASOLINA E DIESEL. DISPENSA DE PAGAMENTO. REGIME ESPECIAL NÃO COMPROVADO Incide a Cide na comercialização no mercado interno de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel. O valor pago pode ser deduzido do PIS/Pasep e da Cofins incidentes na mesma operação. Não se conseguiu comprovar se os produtos comercializados pela contribuinte estariam sujeitos à alíquota zero, conforme estabelecidos no § 3º do artigo 5º da Lei nº 10.336/2001, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003. Recurso Voluntário negado Recurso de Ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 71 /2 00 9- 62 Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico – CIDE sobre Combustíveis apurado em maio de 2004, no valor total de R$ 48.997.390,86, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Em 27/05/2009, com os fundamentos legais apontados na fl 123, a empresa tomou ciência de auto de infração da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — CIDE — sobre Combustíveis de maio de 2004, no valor de R$ 20.314.009,48, a qual acrescida de multa e juros resulta em R$ 48.997.390,86 (fl 125 a 131). No Termo de Verificação Fiscal (fls.122/124) a autoridade fiscal autuante informa, em suma: a) em 18.02.2009 o contribuinte encaminhou os arquivos digitais correspondentes as notas fiscais de saída do período de 2004, no formato determinado pela IN SRF n° 86/2001, em atendimento à solicitação constante do Termo Fiscal 03 (fls. 29), de 19.12.2008, e do Termo Fiscal 06 (fls. 72), de 26.02.2009; b) a partir das informações constantes nesses arquivos, foram selecionadas as notas fiscais de saída dos meses de maio de 2004, por classificação fiscal sujeita a incidência da CIDE Combustíveis e unidade de medida, gerando as planilhas de fls. 101 a 120, cujos valores serviram para apuração da CIDE Combustíveis, conforme Demonstrativo de fls. 122; c) a partir desse cálculo da CIDE combustível de maio de 2004, foram confrontados os valores da contribuição apurada com a aquela declarada em DCTF, tendo sido apurado as diferenças apontadas no Demonstrativo de Apuração de CIDE Não Declarada (fls. 123), que fora de lançamento de oficio. Em 24/6/2009, há impugnação (fls.133/144) e juntada de documentos (fls. 145 e 243). Alega, em suma: a) erro nas alíquotas de gasolina (classificação fiscal 27101159) e diesel (classificação fiscal 27101921), pois incide o Decreto 5.060, de 30/4/04, em vez do Decreto 4.565/2003; b) foram tributados, presumidamente, produtos fora do campo de incidência, por não se destinar à formulação de gasolina e diesel (classificação fiscal: 27101149; 27101919; 29024400 e 29029090), no valor de R$ 17.842.210,41 (fl 142); Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001671/200962 Acórdão n.º 3201002.031 S3C2T1 Fl. 1.826 3 c) a Portaria 274/2001 da ANP obriga a marcar os solventes e derivados de petróleo e proíbe marcar a gasolina; d) assim, os solventes sofrem marcação quando não se destinam à produção de gasolina e diesel, o que os retira do campo de incidência (fl 140) a qual abrange os solventes destinados a produção de gasolina e diesel; e) argui cerceamento de defesa, por falta de provas pelo auditor de que todas as saídas são tributadas. Solicita diligência (para compulsar documentação na sede da impugnante) e formula quesitos; pede possível juntada de novos elementos/provas; requer a exclusão de crédito lançado, correção das alíquotas ou crédito da diferença. O rol de notas está nas fls 101120. Há cópias das notas em anexo (seis volumes, 1.056 folhas). A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 1623.227, de 15/10/2009 (fls. 265 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas "a" a "c" do § 40 do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A diligência e/ou a perícia objetivam subsidiar a convicção do julgador e se restringem à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, mas não se justificam quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 DECRETO 5.060/04. GASOLINA. DIESEL. ALÍQUOTAS. REDUÇÃO. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 O Decreto 5.060/2004 reduziu as alíquotas da Cide na comercialização de petróleo e seus derivados, antes fixadas pelo Decreto 4.565/2003. CIDE. SOLVENTE NÃO DESTINADO A FORMULAR GASOLINA E DIESEL. DISPENSA DE PAGAMENTO. REGIME ESPECIAL NÃO COMPROVADO. Na comercialização no mercado interno de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, incide e deve ser paga a Cide, e o valor pago pode ser deduzido do PIS/Pasep e da Cofins incidentes nessa mesma operação. A empresa não comprovou estar amparada na hipótese de dispensa de pagamento prevista no § 3º do artigo 5º da Lei nº 10.336/2001, com a redação dada pela Lei n.º 10.833 (DOU 13/12/2003). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do valor exonerado, a DRJ recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 283/308, por meio do qual, depois de relatar os fatos, reproduzir a legislação aplicável à espécie, basicamente reitera os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. Requer, tal como fez na impugnação, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que se verifique planilha anexada pela Recorrente, na qual diz informar que os produtos tributados sofreram marcação, estando, por isso, fora da base de cálculo da CIDE. Sustenta, também, que o quadro de apuração da contribuição, intitulado no auto de infração “Demonstrativo de Apuração da CIDECombustíveis”, estaria incorreto em relação às quantidades e às alíquotas, bem como que a fiscalização deixou de considerar créditos da CIDECombustíveis surgidos quando da aquisição de matériaprima. À fl. 282, a Recorrente apresentou petição por meio da qual noticiou a desistência parcial da impugnação que fora apresentada em primeira instância, uma vez que parte do crédito foi objeto de parcelamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 679/691). Por meio da Resolução de nº 3202000.272, de 17/8/2014, (fls. 692 e ss.), a 2ª Turma Ordinária desta Câmara baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade de origem diligenciasse junto ao sujeito passivo e informasse se existiam, no presente lançamento fiscal, produtos marcados (correntes de hidrocarbonetos líquidos) que não foram destinados à formulação de gasolinas e diesel (art. 1° do Decreto n° 4.940/2003), ou seja, cuja alíquota da CIDECombustíveis é igual a zero. Em caso positivo, elaborasse planilha contendo os valores lançados, excluídos e mantidos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001671/200962 Acórdão n.º 3201002.031 S3C2T1 Fl. 1.827 5 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio versa sobre a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (CIDECombustíveis) sobre a venda, pela Recorrente, dos seguintes produtos: Classif. Fiscal Descrição Alíquota específica 2710.11.49 Naftas que possam servir à formulação de gasolina ou diesel (não petroquímica) 541,10/metro cúbico 2710.11.59 Gasolinas (não de aviação) 541,10/metro cúbico 2710.19.19 Querosenes (não de aviação) 53,80/metro cúbico 2710.19.21 Óleo Diesel 218,00/metro cúbico 2902.44.00 Xilenos mistos de petróleo que possam servir à formulação de gasolina 541,10/metro cúbico 2902.90.90 Outros Hidrocarbonetos Cíclicos que possam servir à formulação de gasolina ou diesel (exceto ciclânicos, ciclênicos ou cicloterpênicos, benzeno, tolueno, xilenos, estireno, etilbenzeno, cumeno, difenila, naftaleno, antraceno e alfa metilestireno) 541,10/metro cúbico Assevera a fiscalização que as quantidades que são objeto da autuação foram extraídas dos arquivos digitais entregues pela Recorrente, nos quais informadas a classificação fiscal dos produtos e as notas fiscais de saída referentes ao mês de maio de 2004. Como a Recorrente não contestou a incidência da CIDE sobre a gasolina e sobre o óleo diesel, resta apreciar a legitimidade do lançamento quanto aos demais produtos. A CIDE foi instituída pela Lei n.º 10.336, de 19/12/2001, nos termos seguintes: Art. 1o Fica instituída a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (Cide), a que se refere os arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional no 33, de 11 de dezembro de 2001. (...) Art. 2o São contribuintes da Cide o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3o. Parágrafo único. Para efeitos deste artigo, considerase formulador de combustível líquido, derivados de petróleo e derivados de gás natural, a pessoa jurídica, conforme definido Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizada a exercer, em Plantas de Formulação de Combustíveis, as seguintes atividades: I aquisição de correntes de hidrocarbonetos líquidos; II mistura mecânica de correntes de hidrocarbonetos líquidos, com o objetivo de obter gasolinas e diesel; III armazenamento de matériasprimas, de correntes intermediárias e de combustíveis formulados; IV comercialização de gasolinas e de diesel; e V comercialização de sobras de correntes. Art. 3o A Cide tem como fatos geradores as operações, realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2o, de importação e de comercialização no mercado interno de: I – gasolinas e suas correntes; II diesel e suas correntes; III – querosene de aviação e outros querosenes; IV óleos combustíveis (fueloil); V gás liqüefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta; e VI álcool etílico combustível. § 1o Para efeitos dos incisos I e II deste artigo, consideramse correntes os hidrocarbonetos líquidos derivados de petróleo e os hidrocarbonetos líquidos derivados de gás natural utilizados em mistura mecânica para a produção de gasolinas ou de diesel, de conformidade com as normas estabelecidas pela ANP. § 2o A Cide não incidirá sobre as receitas de exportação, para o exterior, dos produtos relacionados no caput deste artigo. § 3o A receita de comercialização dos gases propano, classificado no código 2711.12, butano, classificado no código 2711.13, todos da NCM, e a mistura desses gases, quando destinados à utilização como propelentes em embalagem tipo aerossol, não estão sujeitos à incidência da CIDECombustíveis até o limite quantitativo autorizado pela Agência Nacional do Petróleo e nas condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (g.n.). Notese que a contribuição em tela incide sobre gasolinas e suas correntes, diesel e suas correntes, querosenes de aviação e outros querosenes, óleos combustíveis, gás liquefeito de petróleo e álcool etílico, sendo que o § 1º, ao complementar o disposto no caput do art. 2º, definiu as correntes da gasolina e do diesel como sendo “os hidrocarbonetos líquidos derivados de petróleo e os hidrocarbonetos líquidos derivados de gás natural utilizados em mistura mecânica para a produção de gasolinas ou de diesel, de conformidade com as normas estabelecidas pela ANP”. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001671/200962 Acórdão n.º 3201002.031 S3C2T1 Fl. 1.828 7 Portanto, ao menos em tese, os produtos vendidos pela Recorrente estariam, sim, dentro do campo de incidência da CIDE, fato que contesta, sob a alegação de que a Portaria Agência Nacional de Petróleo ANP n.º 274, de 2001, obrigaria a marcação de solventes e derivados de petróleo e proibiria a marcação de gasolina. Assim, os solventes sofreriam marcação quando não destinados à produção de gasolina e diesel, o que os retiraria do campo de incidência da contribuição. O ato normativo referido pela Recorrente, a Portaria ANP n.º 274, de 2001, estabelece a obrigatoriedade de adição de marcador a solventes e a derivados de petróleo eventualmente indicados pela ANP, bem como a proibição da presença de marcador na gasolina. A sua redação é a seguinte: Art. 1º. Para os fins desta Portaria ficam estabelecidas as seguintes definições: I Solvente produto líquido derivado de frações resultantes do processamento de petróleo, frações de refinarias e de indústrias petroquímicas, capazes de serem utilizados como dissolventes de substâncias sólidas e/ou líquidas, puro ou em mistura, cuja faixa de destilação tenha seu ponto inicial superior a 25ºC e ponto final inferior a 280ºC, com exceção de qualquer tipo de gasolina, GLP, querosene ou diesel especificados pela ANP; II Produtos de Marcação Compulsória (PMC) solventes e eventuais derivados de petróleo a serem indicados pela ANP; III Marcador substância que permita, através dos métodos analíticos estabelecidos pela ANP, a identificação de sua presença na gasolina e que, ao ser adicionada aos PMC, em concentração não superior a 1ppm não altere suas características físicoquímicas, e não interfira no grau de segurança para manuseio e uso desses produtos. Art. 2°. Fica estabelecida a obrigatoriedade de marcação dos PMC, tanto pelos produtores nacionais como pelos importadores. (NR) § 1°. ANP poderá, no ato que indicar produto que venha a ser considerado PMC, atribuir a obrigação de sua marcação aos distribuidores, que receberão o marcador da empresa fornecedora em volume correspondente ao volume de produto pedido ao produtor. (NR) § 2° A marcação de PMC importado deverá ocorrer no local e no momento de sua internação no país. (NR) Art. 3º Os custos de aquisição dos marcadores, que devem incluir os serviços necessários à sua disponibilidade nos pontos de marcação e sua adição aos PMC, inclusive quando esta for de responsabilidade dos distribuidores, são de responsabilidade do produtor e do importador. § 1º Revogado. Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 § 2º. A adição de marcador em PMC, produzidos no país ou importados, será realizada por firma inspetora cadastrada pela ANP, exceto nos casos em que o próprio agente, produtor, importador ou distribuidor for autorizado a fazer a adição de marcador com os procedimentos definidos pela ANP.” § 3º. A ANP, na hipótese do § 1° do Art. 2º, poderá estabelecer forma para que produtores e importadores entreguem ou façam ser entregues aos distribuidores os marcadores adquiridos de acordo com esta Portaria. (NR) Art. 4°. A identificação da presença do marcador na gasolina, pelo método estabelecido pela ANP, em qualquer concentração, caracterizará a utilização indevida do PMC. (g.n.). Os marcadores de combustíveis, cabe ressaltar, são produtos químicos inertes, presentes em pequenas quantidades, que permitem rastrear e identificar a origem e a qualidade dos combustíveis sem alterar as suas propriedades físicoquímicas. (http://www.sbq.org.br/37ra/cdrom/resumos/T07541.pdf, consulta em 15/8/2014). Vêse que a presença de marcadores em nada interfere no tratamento tributário conferido ao produto, uma vez que não há dispositivo legal excepcionando, para o caso, a incidência da CIDE, para a qual há de se verificar apenas se a pessoa física ou jurídica qualificase como produtor, formulador ou importador dos produtos elencados nos seis incisos do art. 3º da Lei n.º 10.336, de 2001. Ademais, o dispositivo citado pela douta PFN – o art. 8ºA da Lei n.º 10.336, de 2001 (foi introduzido pelo art. 88 da Lei n.º 10.833, de 2003) –, ao permitir a dedução da CIDE na forma que especifica, deixa estreme de dúvidas de que a comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel está dentro do campo de incidência da contribuição. Eis a sua redação, à época vigente: Art. 8ºA. O contribuinte da Cide, incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, poderá deduzir o valor da Cide, pago na importação ou na comercialização no mercado interno, dos valores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos na comercialização, no mercado interno, dos produtos referidos neste artigo." (NR) Contudo, exercendo a prerrogativa prevista no § 3º do art. 5º da Lei 10.336, de 2001, introduzido pela Lei n.º 10.833, de 2003, o Poder Executivo resolveu reduzir a zero, por meio do Decreto n.º 4.960, de 29/12/2003 (com vigência a partir de sua publicação em 30/12/2003), a CIDE incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel. Vejase: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no § 3o do art. 5o da Lei no 10.336, de 19 de dezembro de 2001, DECRETA: Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.001671/200962 Acórdão n.º 3201002.031 S3C2T1 Fl. 1.829 9 Art. 1o. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDECombustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação: Entre os relacionados no Decreto n.º 4.960, de 2003, encontramse os seguintes produtos comercializados pela Recorrente: 2710.11.49, 2902.44.00 e 2902.90.90. Assim, considerando as razões de defesa expostas pela Recorrente, bem como o fato de que, nos autos do processo administrativo de n.º 19515.002194/200952 (lançamento contra a mesma empresa, versando sobre o mesmo tema), a DRJ baixouos em diligência, quando se verificou que os produtos correspondentes às classificações fiscais 2710.11.49, 2902.44.00 e 2902.90.90 foram objeto de marcação, a 2ª Turma Ordinária desta Câmara também entendeu necessária a realização de diligência, nos mesmos termos em que formulada naquele processo. Ocorre que, nos presentes autos, não se conseguiu intimar a Recorrente no seu endereço cadastral. Tampouco se conseguiu, via postal, intimar o estabelecimento matriz do contribuinte, a sua filial em Itupeva/SP e o sócio responsável, João Deguirmendjian, CPF n. 529.470.25849. Igualmente não logrou êxito a tentativa de intimação via edital (conforme Termo de Informação Fiscal de fls. 1807 e ss.). Frustrada a diligência, não houve como verificar a procedência da alegação de defesa de que os produtos vendidos pela Recorrente não se destinaram à formulação de gasolinas e diesel (art. 1° do Decreto n° 4.940, de 2003). No que concerne ao recurso de ofício, bem demonstrou a DRJ que, ao elaborar o auto de infração, a fiscalização aplicou alíquotas estabelecidas em diploma regulamentar já revogado: Decreto nº 4.565, de 2003, em vez de Decreto nº 5.060, de 2004, este, sim, vigente no período de apuração da CIDE exigida no lançamento. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO aos recursos de ofício e voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 13888.722881/2013-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário:2009
CSLL.LANÇAMENTO REFLEXO.
Tratando-se de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
MULTA DE OFÍCIO - JUROS DE MORA.
Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1402-002.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados para excluí-los da relação jurídico-tributária.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário:2009 CSLL.LANÇAMENTO REFLEXO. Tratando-se de lançamento tido como reflexo, aplica-se a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) MULTA DE OFÍCIO - JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados para excluí-los da relação jurídico-tributária. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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RECEITAS DECORRENTESDAUTILIZAÇÃODE PREJUÍZOS FISCAISEBASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTASEJUROS. São tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é cabível a imputação da multa de ofício na lavratura de auto de infração, quando inexistente qualquer das hipóteses de suspensão de exigibilidade previstas na legislação MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 28 81 /2 01 3- 50 Fl. 6764DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora à taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2009 CSLL.LANÇAMENTO REFLEXO. Tratandose de lançamento tido como reflexo, aplicase a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados para excluílos da relação jurídicotributária. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 6765DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.765 3 Relatório A autuação decorreu da exclusão no resultado, tida como indevida pelo Fisco, dos valores correspondentes ao montante de saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL utilizados para quitar juros de mora e multa de débitos fiscais com base no § 7º, do art. 1º, da Lei nº 11.941/2009. De acordo com a Fiscalização, a interessada usufruiu simultaneamente de duas regras contidas na norma exonerativa. Ao mesmo tempo em que optou pelo pagamento com redução no percentual de juros e multa nos termos do inciso V, do § 3º, do art. 1º, da Lei nº 11.941/2009 (redução de 60% das multa de mora e de ofício, 20% das isoladas, 25% dos juros de mora e 100% do encargo legal) ; quitou a parcela remanescente desses encargos com saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, sob a égide do § 7º, desse mesmo dispositivo. No entendimento da Fiscalização, tanto os valores correspondentes aos encargos reduzidos como aqueles referentes à parcela do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL utilizados para quitação do remanescente, devem ser tratadas como receita. A diferença, ainda segundo o Fisco, é que a legislação ( Parágrafo único do art. 4º dessa mesma Lei) estabelece a exclusão do resultado tributável apenas no que tange à redução dos encargos, não havendo previsão expressa para que a parcela do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL utilizados para quitação do remanescente sejam também excluídos. No entendimento de que ficou demonstrada durante a ação fiscal a formação de grupo econômico, caracterizado por unidade de controle por conglomerado familiar, unidade de direção, e confusão patrimonial e econômica contínua e por tempo indefinido, a Fiscalização lavrou Termo de Responsabilidade Solidária contra as demais empresas do Grupo Dedini. Impugnando o feito, a interessada sustenta em apertada síntese que o art. 4ª da Lei nº 11.941/09 não excetua a parcela decorrente da compensação prevista no § 7ºdo art. 1ª desse mesmo diploma legal. Acrescenta que, em razão da compensação realizada, inexiste a geração de renda e, consequentemente, de lucro, portanto, estando ausente um dos requisitos da regramatriz de incidência do IR e da CS. Aduz que havia possibilidade de utilização do prejuízo fiscal e base negativa da CSLL por meio de ativo fiscal diferido em razão da expectativa de rentabilidade futura. Sustenta que não houve prejuízo ao erário público, porquanto a compensação teria sido realizada nos termos da legislação. Contesta o percentual da multa de ofício e a incidência dos juros sobre a multa. Os responsáveis solidários sustentaram, em apertada síntese, a inexistência de grupo econômico mas simples grupo de empresas. Mesmo que estivesse caracterizado o grupo Fl. 6766DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 econômico, inexiste lei específica autorizando a responsabilidade solidária nessas circunstâncias. Além disso, não teria sido demonstrado o interesse comum na realização dos fatos geradores conforme estabelece o art. 124, I, do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, prolatou o Acórdão 1449.447 considerando improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA EM MONTANTE SUPERIOR AO SALDO EXISTENTE. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente a matéria não expressamente contestada nas impugnações apresentadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. RECEITAS DECORRENTES DA UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL PARA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS. IRPJ. CSLL. São tributáveis as receitas correspondentes à liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefício fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial definido pela Lei nº 11.941/09. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da penalidade nos lançamentos de ofício é determinada no art.44 da Lei nº 9.430, de 1996. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora se não for paga no vencimento. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. GRUPO EMPRESARIAL. Fl. 6767DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.766 5 Demonstrado que a pessoa jurídica autuada integra grupo empresarial e evidenciado o interesse comum das demais empresas do grupo na redução do passivo que deu causa à exigência, mantémse a inclusão dessas no pólo passivo da obrigação tributária. Devidamente cientificado, o sujeito passivo e os coobrigados recorrem a este colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 6768DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e os recursos apresentados pelos coobrigados são tempestivos e foram interpostos por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual deles conheço. 1) Saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL utilizados para quitação de multa e juros: A autuação decorreu da exclusão no resultado, tida como indevida pelo Fisco, dos valores correspondentes ao montante de saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL utilizados para quitar juros de mora e multa de débitos fiscais com base no § 7º, do art. 1º, da Lei nº 11.941/2009. De acordo com a Fiscalização, a interessada usufruiu simultaneamente de duas regras contidas na norma exonerativa. Ao mesmo tempo em que optou pelo pagamento com redução no percentual de juros e multa nos termos do inciso V, do § 3º, do art. 1º, da Lei nº 11.941/2009 (redução de 60% das multa de mora e de ofício, 20% das isoladas, 25% dos juros de mora e 100% do encargo legal) ; quitou a parcela remanescente desses encargos com saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, sob a égide do § 7º, desse mesmo dispositivo. Tanto os valores correspondentes aos encargos reduzidos como aqueles referentes à parcela do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL utilizados para quitação do remanescente, devem ser tratadas como receita. A diferença, ainda segundo o Fisco, é que a legislação ( Parágrafo único do art. 4º dessa mesma Lei) estabelece a exclusão do resultado tributável apenas no que tange à redução dos encargos, não havendo previsão expressa para que a parcela do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL utilizados para quitação do remanescente sejam também excluídos. O inconformismo da recorrente dirigese justamente contra esse tratamento diferenciado. Cabe preliminarmente analisar se a norma sob exame, no que se refere à exclusão do resultado, é específica em relação à redução dos encargos ou abrangeria, como sustenta a interessada, qualquer redução/amortização da dívida, o que incluiria a parcela do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL utilizados para quitação do remanescente. Transcrevese o dispositivo pertinente da Lei nº 11.941/2009 (o destaque foi acrescido): Art. 4o [....] Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, Fl. 6769DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.767 7 juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1o, 2oe 3odesta Lei. [...] Pela literalidade do texto pareceme que o dispositivo não tem a abrangência suscitada pela defesa. A exclusão do resultado envolve unicamente a parcela correspondente à redução dos encargos (60% das multa de mora e de ofício, 20% das isoladas, 25% dos juros de mora e 100% do encargo legal) mas não o pagamento dos encargos remanescentes, nesse último caso com utilização de saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL. Na alegação quanto à inexistência da regra matriz de incidência tributária a recorrente sustenta a inexistência de acréscimo patrimonial eis que o procedimento envolveria apenas uma compensação de passivos com ativos. Partindo da hipótese de que realmente existe um ativo, tal argumento passa ao largo de mencionar como esse teria sido obtido. Isso porque a "transformação" do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL em crédito tem como contrapartida a apropriação de uma receita no valor correspondente. Não há controvérsia quanto a esse fato, tanto é assim que o sujeito passivo procedeu nesse sentido. A questão crucial consiste no lançamento contábil efetuado no final do anocalendário quando a interessada excluiu essa receita do resultado com um lançamento a débito em contrapartida a uma suposta conta de provisão. Ora se existe o reconhecimento de que o crédito gerou uma receita, a suposta neutralidade deve ser avaliada sob a ótica da natureza jurídica das grandezas envolvidas na operação que gerou a receita. Em outras palavras, a inexistência de acréscimo patrimonial mostrase presente quando se trata de valores de mesma natureza. A utilização do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL de exercícios anteriores reduzindo a base de cálculo do tributo e da contribuição é um caso típico onde se compensa base contra base. A própria lei nesse caso fala em "compensação" de prejuízos ou base de cálculo negativa da CSLL. Presente está a neutralidade arguida. Situação totalmente diversa consiste na quitação de um passivo tributário, como é o caso aqui sob exame. Não há nenhuma compensação, mas um acréscimo patrimonial decorrente da extinção desse passivo. Correta destarte a inclusão da receita no resultado. Cabe aqui uma observação quanto à temática de diferimento do ativo. A meu ver não é fato relevante para o deslinde da questão sob discussão. Não se trata da permissão de converter o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL em ativo diferido mas sim de se tributar ou não a realização desse ativo. Explico melhor: o registro na escrituração da quitação dos encargos remanescentes com saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL poderia ser dar de duas maneiras, considerandose para efeito exemplificativo a inexistência de qualquer restrição por parte da CVM : 1) O valor a ser utilizado na quitação é transferido para uma conta de ativo diferido em contrapartida a crédito de receita. Em seguida, a conta de ativo é creditada em contrapartida a débito no passivo (tributo/encargos a pagar); ou: Fl. 6770DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 2) O valor a ser utilizado na quitação é lançado diretamente a conta de receita em contrapartida a débito no passivo (tributo/encargos a pagar) pela extinção da obrigação. A baixa do valor do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL a ser utilizado ocorre diretamente na parte B do LALUR. Partindo da premissa de que a fiscalizada procedeu de acordo com a primeira opção, como todo o valor ativado foi utilizado caberia simplesmente levar a receita ao resultado. Entretanto, no entendimento de que a receita não seria tributável, a interessada efetuou um lançamento a débito de receita contra uma provisão. Tal exclusão também poderia ser feita na segunda hipótese. Assim fica claro que o cerne da questão não está na formalização ou não do ativo diferido mas sim no tratamento a ser dado à receita correspondente ao saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL. Conforme mencionado pela decisão recorrida, este Colegiado manifestouse em julgado recente quanto à inclusão no resultado dos valores aqui sob discussão: Não há dúvidas de que de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009, passou a haver duas possibilidades para aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL: (1) utilizar o benefício fiscal previsto nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995; (2) utilizar o benefício previsto nos §§ 7º e 8º da Lei nº 11.941/2009; O primeiro desses benefícios trata de uma forma de compensação em que são confrontadas bases de cálculo negativas de períodos anteriores, com bases positivas do período em que o benefício é utilizado; O segundo benefício (da Lei nº 11.941/2009) permite a quitação de dívidas que afetaram o lucro líquido de períodos de apuração anteriores com a utilização de um direito incerto. Isto porque os prejuízos fiscais poderiam ser utilizados se e caso a contribuinte viesse a apurar lucros e se a legislação assim permitisse nesse momento. A opção pela utilização dos prejuízos e bases negativas para quitar juros e multas pressupõe que se abra mão de uma expectativa de direito (dependente da ocorrência de lucros) por um direito líquido e certo (quitação daquelas dívidas). Ora, ciente de que tal benefício constitui receita, a contribuinte reconheceu contabilmente parte do ganho em 30/11/2009, com contrapartida a crédito de conta de resultado. Depois excluiu tais receitas do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Enfim, a exclusão do lucro líquido efetuado pela recorrente não é autorizada pela legislação. E não há previsão legal para exclusão das receitas decorrentes da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL para quitação de multas e juros De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso neste item. 2) Multa de ofício. Relativamente à multa, a inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício nos percentuais ali definidos. Fl. 6771DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.768 9 A arguição quanto à eventual natureza confiscatória da multa envolve matéria constitucional, cuja apreciação foge à alçada deste Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 2, de Enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3) Juros de mora sobre a multa de ofício: A questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida junto com o tributo adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que Fl. 6772DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do Fl. 6773DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.769 11 CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. Fl. 6774DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a Fl. 6775DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.770 13 ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 6776DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até Fl. 6777DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.771 15 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano1 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com 1 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 6778DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Fl. 6779DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.772 17 Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os Fl. 6780DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício2: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 6781DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.773 19 DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Fl. 6782DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. 4) Responsabilidade tributária dos coobrigados: Nesse ponto, é fundamental para o deslinde o fato de que a solidariedade não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 3 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Justamente por não ter sido definida pela lei, a expressão “interesse comum” é imprecisa, questionável, abstrata e mostrase inadequada para expor com exatidão a condição em que se colocam aqueles que participam da realização do fator gerador. Daí a fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I do CTN, é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o 3 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 6783DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.722881/201350 Acórdão n.º 1402002.110 S1C4T2 Fl. 6.774 21 fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse comum em algum fato, para que haja solidariedade tributária é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. 4 Mais ainda, é necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico mas sim jurídico, entendendose como tal aquele derivado de uma relação jurídica de qual o sujeito de direito seja parte integrante, e que interfira em sua esfera de direitos e deveres e o legitima a postular em juízo em defesa do seu interesse. No caso de grupos econômicos definidos pela participação societária, como no presente caso, tal circunstância , por si só, não define juridicamente o interesse comum. O interesse jurídico se caracteriza quando a situação realizada por uma pessoa é capaz de gerar os mesmos direitos e obrigações para a outra. E este tipo de interesse não existe entre sociedades que mantêm a sua independência e distinção, ainda que vinculadas a um objetivo econômico comum. Para que duas sociedades tivessem interesse jurídico comum capaz de imputar a solidariedade, seria necessário que ambas tivessem realizado conjuntamente o fato gerador tributário, como, por exemplo, que ambas fossem proprietárias do mesmo imóvel, ou que tivessem prestado um serviço em conjunto ou que tivessem alienado um produto ao mercado consumidor em parceria. 5 Sob esse prisma, a autoridade fiscal não apontou qualquer circunstância que estabelecesse um liame da coobrigada com a ocorrência do fato gerador, derivado de ações ou omissões praticadas exclusivamente pela autuada. Também não foi identificada qualquer conduta irregular pela qual, como por exemplo, receitas e despesas tenham sido imputadas a empresas distintas daquela que realizou as operações correspondentes, com vistas a manipulação de resultados. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso dos coobrigados e determinar a extinção da sujeição passiva solidária. 5) CSLL – lançamento reflexo: Tratandose de lançamento formalizado no mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, aplicase a ele o resultado do julgamento do processo tido como principal. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator 4 BARCELOS, Soraya Marina. Os Limites da Obrigação Tributária Solidária Prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional e o Princípio da Preservação da Empresa. Disponível em http://www.mcampos.br/posgraduacao/Mestrado/dissertacoes/2011. Acesso em 31/08/2012. 5 idem Fl. 6784DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 Fl. 6785DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10830.006793/2006-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/06/1998, 30/09/1998
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Para o período de apuração em que houve pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 9101-002.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido; 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos, dado provimento parcial ao Recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Prazo. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PACKTEC COMÉRCIO DE PRODUTOS PLÁSTICOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/06/1998, 30/09/1998 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Para o período de apuração em que houve pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido; 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos, dado provimento parcial ao Recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 67 93 /2 00 6- 55 Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.734 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em 04/08/2011 (efls. 1856/1868), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 130200.188, de 11/03/2010, que sanou vício de omissão no Acórdão nº 10517.125, de 13/08/2008, por meio dos quais foi dado provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte e negado provimento a recurso de ofício, para fins de, no conjunto destas decisões, ser reconhecida a decadência dos créditos lançados a título de IRPJ e CSLL para os três primeiros trimestres de 2001, e dos créditos de PIS e COFINS apurados até o mês de novembro de 2001. O Acórdão nº 10517.125 contém a ementa e a parte dispositiva que estão descritas abaixo: Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO PRELIMINAR DE NULIDADE Não é nulo o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada constantes de extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras em atendimento a Requisições de Movimentação Financeira RMFs formuladas com obediência às prescrições da legislação de regência, com a perfeita identificação do fato gerador, a precisa determinação da matéria tributável e a individualização dos créditos cuja origem deve ser comprovada. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.735 3 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, ACOLHER a preliminar de decadência com relação ao PIS e COFINS até novembro de 2001 e em relação à CSLL nos três primeiros trimestres do mesmo ano, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. A decisão de primeira instância administrativa já tinha cancelado por decadência o lançamento de IRPJ para os três primeiros trimestres de 2001. Em razão dos valores exonerados, houve recurso de ofício, mas o acórdão acima referido deixou de apreciar esse recurso, o que ensejou a apresentação de embargos de declaração pela Delegacia de origem, por vício de omissão (não julgamento do recurso de ofício em relação ao IRPJ). Nesse contexto, foi exarado o Acórdão nº 130200.188, que contém a ementa e os fundamentos a seguir descritos: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO SUPRIMENTO Dáse provimento aos Embargos de Declaração, suprindose a omissão, quando demonstrado que a decisão embargada se omitira acerca de ponto sobre o qual devia se pronunciar. [...] Relatório e Voto Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela DRF/LIMEIRASP em face do Acórdão n° 10517.125 de 13 de agosto de 2008, que se omitira acerca do recurso de oficio. Com razão o Embargante. Com efeito, embora o acórdão embargado haja decidido que o prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, deixou de se pronunciar expressamente sobre a exclusão do crédito tributário de IRPJ relativo aos três primeiros trimestres do anocalendário de 2001 feita pela autoridade julgadora de primeira instância ensejadora do recurso de oficio. Datando de 22 de dezembro de 2006 a ciência do lançamento, houvese bem o julgador de primeiro grau ao reconhecer a Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.736 4 aludida decadência e, em conseqüência excluir as exigências correspondentes. Sendo esse o único objeto do recurso de oficio, impõese o seu improvimento. Diante disso, provejo os Embargos de Declaração, re ratificando o Acórdão n° 10517.125, de 13 de agosto de 2008, para fazer constar da sua ementa: "Recurso de oficio improvido. Recurso Voluntário parcialmente provido". A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à definição do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: ao julgar o recurso voluntário, a Câmara a quo concluiu ter havido decadência, sob o entendimento de que a presente hipótese sofre a incidência, não do art. 173, I, mas do art. 150, §4°, ambos do CTN. De acordo com a tese vencedora, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, incide o art. 150, §4°, independentemente da consideração acerca da existência de pagamentos parciais; a conclusão estampada no aresto em foco, quanto à decadência, merece reforma. Ao declarar a decadência do direito ao lançamento da Fazenda Pública, com apoio na aplicação do disposto no art. 150, §4°, do CTN, o acórdão recorrido colide frontalmente com a jurisprudência consolidada no âmbito da Câmara Superior do CARF, notadamente no que tange à aplicabilidade do art. 173, I, do CTN, ante a falta de recolhimento antecipado; o r. acórdão ora recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que lhe deu a Col. Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão n° 9101 00460), consoante a ementa a seguir transcrita: Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. a demonstração da divergência na espécie é cristalina pelo próprio teor das ementas colacionadas; enquanto o acórdão paradigma considerou aplicável o art. 173, inciso I, do CTN, pela ausência de antecipação de pagamento, o acórdão recorrido, ao revés, apenas ponderou que, simplesmente por tratarse de tributo sujeito à lançamento por homologação, deveria ser aplicado o art. 150, § 4°, do CTN, salvo apenas nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, sendo irrelevante a existência ou não de pagamento; Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.737 5 não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerse á pelo contido no art. 173, I, do CTN; no caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. De fato, como afirmado anteriormente, a contribuinte não efetuou qualquer pagamento parcial relativo aos fatos geradores ocorridos em 31/12/1999 e nos 1º e 2° trimestres de 2000; sendo o lançamento de oficio, para fins de contagem de prazo decadencial não se aplica o art. 150, § 4º, mas sim o art. 173, I, do CTN; o Col. Superior Tribunal de Justiça, pela Primeira Seção, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º, e art. 173, I, do CTN, pacificou o entendimento, no julgamento de matéria objeto de recursos repetitivos, entendendo que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN (Recurso Especial nº 973.733SC); a matéria abordada já fora decidida pelo STJ em sede de recurso especial, com o fim de pacificar a tese, de maneira que, realizado o julgamento pelo STF ou STJ, os demais recursos devem ter o mesmo destino daquele que foi destacado para julgamento. É norma que há de ser observada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 543C do CPC; a jurisprudência administrativa não destoa desse entendimento (ementas transcritas); o art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MF 586/2010, impõe aos órgãos julgadores do CARF a aplicação do mesmo entendimento adotado pelo STF e STJ, respectivamente, nos julgamentos sob o regime da repercussão geral e dos recursos repetitivos; no caso em tela, em relação a alguns fatos geradores, o contribuinte não realizou pagamentos antecipados, como identificado pela Fiscalização, verbis: "Em relação ao PIS e a COFINS do período de apuração março/2001, cujos valores apurados constam da DIPJ mas não foram declarados na respectiva DCTF, e que serão lançados por FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, à base de cálculo do Quadro 2 acima será acrescido o Faturamento/ Receita Bruta constante da DIPJ (R$ 651.654,60)" (fl. 393). a leitura do Termo de Verificação (fls. 387/399) indica que para alguns fatos geradores foi lançada apenas a diferença devida, enquanto que para outros o lançamento foi integral, diante da falta de identificação de qualquer recolhimento; portanto, para fins de contagem de prazo decadencial, devese proceder à distinção dos fatos geradores em relação aos quais houve antecipação do pagamento, casos em que se aplica o art. 150, §4°, do CTN, daqueles em relação aos quais não houve qualquer recolhimento, hipótese que atrai a incidência do art. 173, I, do CTN; Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.738 6 ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso, para que se reconheça a aplicação da forma de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, em relação aos fatos geradores dos quais não se identificaram pagamentos parciais. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN (efls. 1873/1877), o Presidente da 3ª Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 132/2011, de 05/08/2011, admitiu parcialmente o seguimento do recurso especial, apenas em relação á matéria decidida pelo Acórdão n° 130200.188, pelas seguintes razões: [...] Antes de adentrar ao exame da sua admissibilidade entendo que seja necessário analisar a questão da abrangência do recurso interposto, tendo em vista que a recorrente pretende que seja discutido no recurso não apenas o conteúdo decisório do Acórdão n° 130200.188, que decidiu os embargos interposto pela unidade da Receita Federal que jurisdiciona o sujeito passivo, acolhendoos para negar provimento ao recurso de oficio, como também o Acórdão n° 10517.125, pelo qual foi proferida originalmente apenas a decisão do recurso voluntário. A recorrente foi cientificada do Acórdão n° 10517.125 em 14/11/2008 (fls. 565), sem apresentar qualquer recurso ou embargos da decisão. O referido acórdão, ao apreciar o recurso voluntário, decidiu excluir do lançamento, por decadência, os créditos tributários relativos a CSLL, PIS e Cofins, relativos aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2001, conforme trecho da ementa que abaixo transcrevo: [...] O acórdão n° 130200.188, de 11/03/2011, acolheu os embargos para examinar as razões do recurso de oficio e negar provimento, mantendo a decisão que havia reconhecido a decadência do lançamento do IRPJ em relação aos três primeiros trimestres do anocalendário de 2001. Entendo que o recurso interposto somente pode ter sua admissibilidade examinada em relação ao decidido no acórdão n° 130200.188, pois ocorreu a preclusão do direito da recorrente ao recurso especial no que tange à matéria decidida pelo acórdão n° 10517.125, que não foi objeto dos embargos de declaração interpostos, nos termos do caput do art. 68 do Regimento Interno do CARF. Deste modo, reconheço a tempestividade do recurso especial apenas no que concerne à matéria decidida pelo acórdão n° 130200.188, pelo que passo a examinar sua admissibilidade. [...] O conteúdo decisório do Acórdão recorrido é o de que o prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.739 7 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, ou seja, a regra a ser aplicada é a prevista no art. 150, § 4°. Já o acórdão paradigma propugna que, na ausência de recolhimento, a regra decadência a ser seguida é a prevista no inc. I do art. 173 do CTN. Portanto, o colegiado da 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF desconsidera a falta de pagamento como um pressuposto para a aplicação do prazo previsto no art. 173, inc. I, do CTN, divergindo assim da tese esposada no acórdão paradigma. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial argüida pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO parcial ao presente recurso, apenas em relação à matéria decidida pelo Acórdão n° 1302 00.188. [...] De acordo. Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO parcial ao presente recurso especial, apenas em relação á matéria decidida pelo Acórdão n° 130200.188. A negativa de seguimento do recurso especial em relação ao Acórdão nº 105 17.125 foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial às efls. 1878/1879. Intimada do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial da PGFN, a contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.740 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo teve por objeto inicial lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001. As autuações fiscais decorreram da constatação de omissão de receitas a partir de depósitos bancários sem comprovação de origem. O lançamento foi realizado em 22/12/2006. A apuração de IRPJ/CSLL se deu pelo regime do lucro arbitrado, por períodos trimestrais, enquanto que as contribuições PIS/COFINS foram apuradas sobre bases de cálculo mensais (receita bruta mensal). Na primeira fase processual, a Delegacia de Julgamento, por meio do Acórdão nº 0517.699, de 25/05/2007, considerou parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo a decadência para o IRPJ dos três primeiros trimestres de 2001, conforme indica a ementa da referida decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2001 DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA [...]. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Tendo em vista que o lançamento foi cientificado à contribuinte em 22 de dezembro de 2006 e que foram efetuados pagamentos, o prazo decadencial tem por início a ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, consumandose a decadência para os três primeiros trimestres do anocalendário de 2001. A Delegacia de Julgamento não reconheceu a decadência para as contribuições CSLL, PIS e COFINS, em razão do prazo decadencial de 10 anos previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Em razão do montante exonerado a título de IRPJ, houve apresentação de recurso de ofício. Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.741 9 Na seqüência, a contribuinte apresentou recurso voluntário em relação à parte que foi mantida do lançamento. Ao examinar o recurso voluntário apresentado pela contribuinte, a antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes ampliou o reconhecimento da decadência para os demais tributos, abarcando a CSLL, também para os três primeiros trimestres de 2001, e o PIS e a COFINS apurados até o mês de novembro/2001 (Acórdão nº 10517.125). Como houve omissão em relação à apreciação do recurso de ofício, a Delegacia de origem apresentou embargos de declaração, o que resultou no segundo acórdão de segunda instância administrativa, proferido desta vez pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 130200.188). Nessa ocasião, foi dado provimento aos embargos de declaração para que ficasse formalmente registrado a negativa em relação ao recurso de ofício: Diante disso, provejo os Embargos de Declaração, re ratificando o Acórdão n° 10517.125, de 13 de agosto de 2008, para fazer constar da sua ementa: "Recurso de oficio improvido. Recurso Voluntário parcialmente provido". Quanto à decadência, o entendimento manifestado nas decisões de segunda instância administrativa aderiu à interpretação de que "nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador". O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende da presença ou ausência de pagamento (ainda que parcial), o que teria sido desconsiderado pelas decisões recorridas. Como já relatado anteriormente, o recurso especial da PGFN foi admitido parcialmente, apenas em relação à matéria decidida pelo Acórdão n° 130200.188, que envolve o IRPJ nos três primeiros trimestres de 2001. Essa é a matéria a ser aqui examinada. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.742 10 contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, ao negar provimento ao recurso de ofício, manteve a decisão de primeira instância administrativa (Acórdão nº 0517.699, de 25/05/2007), que reconheceu a decadência para o IRPJ dos três primeiros trimestres de 2001, registrando em sua própria ementa "que o lançamento foi cientificado à contribuinte em 22 de dezembro de 2006 e que foram efetuados pagamentos". Compulsando os autos, observase que a Fiscalização, para compor a base de cálculo dos tributos a serem lançados, consignou as seguintes observações no Termo de Verificação Fiscal (efls. 1632): Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.743 11 DA BASE DE CÁLCULO DO AUTO DE INFRA CÃO 29) O Auto de Infração lavrado nesta data teve como base de cálculo os Depósitos/Créditos apurados a partir de contas bancárias de titularidade da fiscalizada, que regularmente intimada, deixou de comprovar sua origem e/ou a comprovação da regularidade dos recolhimentos em relação aos tributos devidos. Uma vez que parte das receitas constam da DIPJ e os tributos apurados em decorrência foram declarados nas respectivas DCTF, apurouse, por diferença, a base de cálculo do presente auto de infração, conforme os fatos geradores do quadro 2 abaixo: Quadro 2 Depósitos Bancários não Comprovados () Receita Bruta (R$) Depósitos Receita Bruta Base de Cálculo Bancários não constante da Diferença Mês/2001 comprovados (A) DIPJ (B) (A) (B) Janeiro 4.684.033,69 1.141.605,33 3.542.428,36 Fevereiro 5.594.443,48 1.175.853,49 4.418.589,99 Março 8.818.958,49 651.654,60 8.167.303,89 Abril 8.691.107,33 434.132,00 8.256.975,33 Maio 9.757.318,80 397.613,33 9.359.705,47 Junho 6.289.789,39 589.468,67 5.700.320,72 Julho 12.823.321,67 395.701,70 12.427.619,97 Agosto 5.949.579,23 403.998,72 5.545.580,51 Setembro 9.012.403,16 414.613,67 8.597.789,49 Outubro 5.079.236,61 487.147,67 4.592.088,94 Novembro 8.473.613,70 503.094,50 7.970.519,20 Dezembro 9.725.083,50 416.658,04 9.308.425,46 Total 94.898.889,05 7.011.541,72 87.887.347,33 O referido Quadro 2 indica claramente que houve declaração de receita e confissão dos respectivos tributos em DCTF para todos os períodos de apuração (trimestres ou meses) do anocalendário de 2001. A única exceção, o mesmo Termo de Verificação Fiscal registra, ocorreu "em relação ao PIS e à COFINS do período de apuração março/2001, cujos valores apurados constam da DIPJ mas não foram declarados na respectiva DCTF", período em que a apuração destas contribuições se deu sobre a totalidade da receita bruta, sem deduzir valores já declarados/confessados. As deduções para a composição das bases de cálculo que foram objeto das autuações fiscais, inclusive para o IRPJ dos três primeiros trimestres de 2001, caracterizam o reconhecimento de pagamento/confissão parcial deste tributo, o que implica na contagem da decadência pela regra do art. 150, §4º, do CTN, conforme o referido entendimento pacificado pelo STJ. Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10830.006793/200655 Acórdão n.º 9101002.155 CSRFT1 Fl. 2.744 12 Assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN, mantendo o reconhecimento da decadência para o IRPJ dos três primeiros trimestres de 2001. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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