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Numero do processo: 13975.000246/96-21
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 16 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 202-01943
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C irr c R.alpitc• : ta -23 (I /--fNi A,4‘..<10W...à;di '4440/ MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.. 10.168-002.052/88-59 ITM Sestâo de 08 de juj.h.0 de 19 .8.8.. ACORDA() N.. 202701.943 Recurso n.- 79.766 Recorrente CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA Recorrido) BANCO CENTRAL DO BRASIL IOF - OPERAÇOES DE CAMBIO - NULIDADE - ERRO NA INDENTI F ICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - O contribuinte, comprado-r- de cambio, não integra a relaçáo tributaria entre o es tad:: ( .,re jo: - ) ..: e ...1,,:der .-.!:: iEr..c.F.t.o nun ,; ri inr.titui ção autorizada a operar em cãmbio, como responsável(cor) tribuinte-substituto). Anula-se o processo "ab initior, em virtude de erro na identificação do stijei to passivo. Vistos, relatados e ' discutidos os presentes autos de:: re curso interposto por CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA. ACORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conse lho de Contribuintes, por maioria de votos, preliminarmente, em anu lar o processo, "ab initio", por erro na identificação do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA, AL DE DA COSTA SANTOS JUNIOR e JOSE ALVES DA FONSECA. 7441 Sala das,Se, s3es, em 08 de julho de 1988 7-jcn? "C .çt4--e-vz-s-L_ JOSE ALVES e á , FONSECA - PRESIDENTE MARIA 4 Cid\ nrse"--c._ • . H" Á 'AIME - RELATORA \ tho! f, .11 '.1 SI, ‘ 1 4-11 V. n OS ^ .,:- c. - P PDCUR,^20 2 - PEF'RESENTANTE DA ---_ - - - FAZENDA NACIONAL VISTA EM SESSÃO DE..-t51/4/SE T 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, CARLOS MÁRIO DA SILVA VELLOSO FILHO, JOSE LOPES FERNANDES e SEBASTIAO BORGES TAQUARY.1-W ,23 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.° 10.168-002.052/88-59 Recurso n.8: 79.766 Acordão n.ip: 202-01.943 Recorrente: CASA NUNES MARTINS S.A. IMPORTADORA E EXPORTADORA RELATGRIO Pela notificação de lançamento de fls. 01, a ora recor rente foi intimada a recolher o IOF incidente sobre operaçOes de cãmbio, atualizado monetariamente. O referido imposto não foi pago na liquidação de con iralos de cãmbio, em razão de a empresa haver impetrado mandado de segurança contra a sua cobrança, tendo sido deferida aliminar, mediante depésito judicial ou fiança bancéria. Como foi apresenta c- - da a,fiança exigida, ficou legitimada a não-exigência do tributo na liquidação dos contratos de cãmbio: O Banco Central apelou da sentença, cuja apelação foi provida, com a conseqüente reforma da decisão e cassação da sega rança. Em decorrência, uma vez cancelada a liminar, tornou- se devido o pagamento do tributo, o que, porém, não ocorreu, ra zão pela qual foi instaurada a ação fiscal. Impugnando tempestivamente a exigência fiscal (fls. 11/13 ), a empresa alega, em sua defesa, que: a) por força do Decreto-lei n9 1.783, de 1980, foi compelida ao recolhimento do I0F, incidente sobre as importa çOes verificadas no exercrcio de 1980, ã alfguota de 15%, e, ngs SI s^gU- - 23,13 •SERViÇO PUBLICO FEDERAL . Processo n9 10.168-002.052/88-59 02- Acardão n9 202-01.943 exercícios posteriores, ã base de 20% e 25%, conforme o Pais de origem da mercadoria importada; b) os mais altos tribunais consideram ilegal a cobrança do IOF no mesmo exercício de sua criação (1980), em vir tude do principio da anualidade, sendo considerado devido nos exer cicios seguintes, ainda que pese a ilegalidade de sua instituição através de decreto-lei; c) não deve pagar o I0F, com os acréseimos le gais, como deseja o Banco Central, tendo em vista que a legisla ção instituidora do aludido imposto, bem como a legislação comple mentar, deixou de fazer constar, em artigo especifico, a obriga toriedade de pagamento de acréscimos legais incidentes sobre o va_ lor originãrio do tributo, quando em atraso; d) a lei especifica não pode ser omissa no parti culnr 0 " o foi, nada deve co r cobrado a título de acrésdimos legais; e) impetrou diversos mandados de segurança con tra a cobrança do imposto é, agora, está sendo compelida pelo. Banco, Central a pagã-lo com os acréscimos legais. A autoridade de primeira instância, com base no pare cer de fls.41/48, e manifestações posteriores, não acolheu a im pugnação, mantendo a exigencia em todos os seus termos ( fls. 50 )- 0 parecer de fls.41/48, que fundamenta a decisão sin guiar, ressalta que: a) o aludido imposto não foi pago na liquidação do câmbio, em razão de a empresa haver impetrado mandado de segu rança contra sua cobrança pelo Banco Central, tendo a liminar si do deferida mediante depasito judicial ou fiança bancãria. Como foi apresentada ' a fiança exigida, ficou legitimada a não-exigância do tributo na liquidação do contrato de câmbio; b) o Banco Central apelou da sentença, e, em re -egue c227 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.052/88-59 03- Acórdão n9 202-01.943 sultado, tendo sido dado provimento á apelação, foi a sentença re formada e cassada a segurança pelo Egrégio Tribunal Federal de Recursos. Em decorrência, uma vez cancelada a liminar, tornou-se devido o pagamento do imposto pela empresa, o que, porém, só se verificou pelo depósito judicial levado a efeito; c) a empresa, apesar de contestar a exigência do imposto, mais os acréscimos legais, refuta, em sua defesa, apenas a cobrança dos encargos legais; d) a impugnante labora em erro, uma vez que, pe los artigos 99 e 149 da Lei n9 5.143, de 1966, a regulamentação da matéria ficou atribuída ao Conselho Monetário Nacional, oqual, ao fazer baixar a Resolução n9 619, de 1980, tratou, em seu Titu lo 4, Capitulo 4, Seção 8, especificamente, em seus itens 10/12 e 14/16, da exigência de juros de mora e de correção monetária; e) ao contrário do que pensa a impugnante, um tributo não é regido apenas pelas leis que lhe são especificas, mas, sim, por toda a legislação tributária, conforme dispõe o ar tigo 96 do Código Tributário Nacional; - f) a incidência de correção monetária está pre vista no artigo 79, e seu § 29,da Lei ' n9 4.357, de 1964, ratifica do pelo artigo 59 do Decreto-lei n9 1.704, de 1979, e, ainda, no artigo 59 do Decreto-lei n9 1.736, de 1979; g) quanto aos juros de mora, sua exigência está prevista tanto no artigo 161 do Cógigo Tributário Nacional, como nos artigos 29 e 59 do Decreto-lei n9 1.736, de 1979; h) os juros de mora e a correção monetária são devidos desde o dia seguinte ao do vencimento da obrigação tribu tária, considerando, inclusive, o caráter declaratório do lança mento, retroagindo á data do fato gerador. O aludido parecer cita, também, decisões do Tribunal Federal de Recursos sobre a cobrança de juros e correção monetã ria. Em seguida, a empresa recorre tempestivamente a este sue- ) 2,3t8 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.052/88-59 04- Acórdão n9 202-01.943 Conselho ( fls.52/56 ), oferecendo as seguintes razões de recurso: a) tendo importado mercadorias de procedência es trangeira, tornou-se necessãrio o fechamento de contrato de cãm bio para o respectivo pagamento; b) insurgiu-se, pois, contra a exigencia do IOF sobre operações de cãmbio, nos termos do Decreto-lei n9 1.783, de 1980, o que motivou a impetração do mandado de segurança; c) o artigo 153, §§ 29 e 99, da Constituição Fe dera], prescreve que o tributo, em geral, deve obedecera um prin cinjo fundamental, o da reserva da lei. Em face desse principio, os tributos só podem ser exigidos através de lei, não o podendo por intermédio de decreto-lei, com amparo no artigo 55, inciso II., da Carta Magna. o relatório. VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA, MARIA HELENA JAIME A matéria de que trata o presente recurso não é nova nesta Cãmara, havendo inúmeros precedentes sobre a mesma, a exem plos dos Acórdãos n9s 202-01.534, 202-01.535, 202-01.542, 202-01.543, 202-01.604, 202-01.605, 202-01.612, 202-01.613, 202-01.670 a 202-01.673,-e 202-01.676 a 202-01.679. No Recurso n9 78.710 (Acórdão n9 202-01.604), seu re lator, o ilustre Conselheiro ELIO ROTHE, assim asseverou em seu voto: "Em preliminar ao exame do mérito, enten do ter havido erro na identificação do sujeito passivo que, perante o Fisco, responde pelo reco lhimento do IOF incidente sobre as operações dg cembiio. Com efeito, dispõe o regulamento do im posto, baixado com a Resolução n9 816/83, do BaS. co Central do Brasil, em sei] item 4.4.3, ao tri tar dos contribuintes e responsãveis, que, no Cã so, são contribuintes' "os compradores de moeda estrangeira pa • ra pagamento de importação de bens (4\ eo O - 923 9 SERV;e0 PúBlt0 FEDERAL Processo n9 10.168-002.052/88-59 05- AcardSo n9 202-01.943 1 serviços". (.4.4.3.1) enquanto que "os . responsãveis pela cobrança e recolhi mento ao Banco Central são: h) nns nnerFtções d n cãmhin, (.7.6es autorizadas a operar em cambio." — (4.4.3.3.b). As referidas disposiçOes regulamentares têm sua base nos artigos 29 e 39 do Decreto-lei n9 1.783/80, dos quais sio meras reproduçEes. Como se verifica, a instituição finan ceira autorizada a operar em cãmbio é a responsa vel pela cobrança e recolhimento do imposto. — A legislação criou, na hipatese, a figu ra da substituição tributãria, pela qual o primento da obrigação é atribuido a pessoa que nao o contribuinte natural ou legal. O substituto, que cobra encolhe tributo alheio, passa a ser o devedor perante o Estado,• inexistindo relação tributãria entre este e o substituido, o qual, portanto, não é devedor de nada. No caso dos autos, o contrato de cãmbio foi firmado pela recorrente como compradora da moeda estrangeira e, pelo banco, como vendedor, figurando, assim, na operação, a recorrente como contribuinte e o banco como responsãvel pela co brança e recolhimento do imposto. Cessados os efeitos da medi da judicial que sustara a cobrança do imposto, caberia ao banco proceder ã sua cobrança e recolhimento, co mo responsavél pelo mesmo, todavia, não o faze-ri do. Por isso que, a Notificação de Lançamen to, equivocadamente apontou a recorrente como sU jeito passivo da obrigação tributaria, exigindo lhe o imposto e os acréscimos de correção monet-5 ria e de juros de mora, quando da responsabilicril de do banco vendedor do cambio. Pelo exposto, em preliminar, entendoque não procede a exigência contra a recorrente uma vez que, na operaçao tributada, não participa da relação tributãria, que se verifica entre o esta SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.168-002.052/88-59 06- Ac6rdão n9 202-01.943 do e o banco, como responsável pelo imposto." Por concordar inteiramente com o ponto de vista, ora transcrito, voto no sentido de que, em preliminar, seja anulado o processo, "ab initio", em virtude de erro na identificação do sujeito passivo. Sala das Sessões, em 08 de julho de 1988 ne• tÀ nr"‘" M A RIA :L NeA JAIME 1.• •
score : 1.0
Numero do processo: 35166.000508/2007-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
ENTIDADE ISENTA
A entidade isenta está obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, consoante determinação expressa no art. 175, § único, do CTN.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
MULTA APLICADA
Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequá-la ao artigo 32-A, da Lei n. 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos motivadores da multa até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. ENTIDADE ISENTA A entidade isenta está obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, consoante determinação expressa no art. 175, § único, do CTN. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequá-la ao artigo 32-A, da Lei n. 8.212/91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos motivadores da multa até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete de Oliveira Barros - Relator. Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
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FATOS GERADORES Recorrente VENERÁVEL ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. ENTIDADE ISENTA A entidade isenta está obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, consoante determinação expressa no art. 175, § único, do CTN. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A, da Lei n. 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 05 08 /2 00 7- 84 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos motivadores da multa até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Damião Cordeiro de Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 467 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 23/03/2007, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91 c/c com inciso IV e § 4º, art. 225, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls 02/03), a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, todas as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais a seu serviço, conforme constatado da análise dos diversos documentos apresentados. A autoridade autuante informa que, em razão da grande quantidade de segurados envolvidos e da não disponibilização dos arquivos em meio magnético, não foi possível discriminar cada um dos favorecidos, e que as remunerações apuradas na escrituração contábil estão relacionadas nas planilhas anexas ao AI, bem como os valores não declarados pela empresa, que correspondem à diferença entre os totais das remunerações apuradas e os valores declarados em GFIP. A recorrente impugnou o débito via peça de fls. 109 a 355 e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 019.619, da 4a Turma DRJ/BEL (fls. 362 a 375), julgou o lançamento procedente, indeferindo a realização de perícia requerida na impugnação. Inconformada com a decisão, notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 378 a 411), repetindo basicamente as alegações já apresentadas na impugnação. Preliminarmente, afirma que o julgador de 1a instância, ao considerar procedente o lançamento, não considerou a condição de associação beneficente de natureza filantrópica da recorrente e toda a titularidade da qual é possuidora. Infere que restou demonstrado, na impugnação, que a recorrente está cumprindo regularmente com todas as obrigações exigidas, motivo pelo qual não pode prosperar o argumento da fiscalização de que há excesso na administração da recorrente, bem como que a contabilidade encontrase imprestável. Ainda em preliminar, alega que o indeferimento da perícia pela autoridade julgadora de 1a instância configura cerceamento de defesa ao contribuinte e que a Lei 8.212/91 é inconstitucional em relação ao prazo legal para o fisco efetuar o lançamento, defendendo a aplicação do disposto no artigo 150 do CTN. Entende, que a multa aplicada representa afronta aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, do nãoconfisco e da capacidade contributiva, pois não existe qualquer relação lógica de causa e efeito na penalidade imposta à recorrente Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Sustenta que o auto é nulo por cerceamento de defesa, em razão da incorreta demonstração infracional, pois traz um emaranhado de leis na fundamentação legal que, em momento algum, podem ter sido todas infringidas pela recorrente. Destaca que a fundamentação do Auto é genérica e lacunosa, já que não fornece elementos suficientes para a identificação correta da origem da cobrança realizada, e que na Descrição Sumária da Infração não consta a fundamentação legal que deu origem a lavratura do auto, pois o que há são inúmeras leis que tratam sobre a organização da autarquia. Assevera que o Auto de Infração não permite, ao contribuinte, conhecer exatamente o que lhe está sendo imputado, tornando inviável o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório, motivo pelo qual é necessário admitir a nulidade do AI. No mérito, alega, em apertada síntese, que todas as GFIPs foram entregues, ressaltando que a multa imposta é absolutamente descabida, e questiona o método utilizado pelo Auditor Fiscal, perguntando como foram encontrados os números e onde o agente autuante encontrou um rol tão grande de omissões. Ressalta que caso todos os documentos disponibilizados à fiscalização pela Recorrente tivessem sido realmente analisados, certamente se constataria que todas as GFIPs foram apresentadas e que não há qualquer débito de contribuição previdenciária a recolher. Conclui que o valor indicado no Auto é improcedente, ensejando sua supressão, por ser abusiva e ilegal a sua cobrança, estando o trabalho realizado pelo Auditor Fiscal imprestável para os fins a que se destina, pelo que deve ser julgado insubsistente o Auto. Pergunta quais valores estão corretos, se os do levantamento fiscal ou os constantes da contabilidade, e conclui que certamente são os da recorrente, já que todas as GFIPs e GPS estão de acordo com os seus livros fiscais. Afirma que o Auditor Fiscal não buscou a verdade material e que não se sabe de onde a referida autoridade autuante obteve tais valores, uma vez que todas as informações existentes e disponibilizada não permitem que seja alcançado tal resultado. Argumenta que, para a inscrição na dívida ativa, o débito deve ser liquido e exato, sob pena de tornarse nulo e o procedimento adotado, eivado de falhas, não pode conduzir nem a uma certeza e nem a qualquer liquidez, e traz a jurisprudência e a doutrina para reforçar suas alegações. Reitera o pedido de perícia contábil por entender afigurarse providência fundamental ao deslinde da questão, indicando o perito e informando que os quesitos são os mesmos já especificados na impugnação. Por meio da Resolução nº 230100.029 (fls. 415 a 418), esta 1a Turma, da 3a Câmara, da 2a Seção do CARF, por unanimidade o julgamento em diligência, solicitando ao órgão de origem informações sobre a lavratura de NFLDs correlatas ao presente AI, e para que fosse elaborado um demonstrativo com os resultados dos julgamentos de cada NFLD, contendo informações sobre as contribuições que foram mantidas em cada uma delas e os levantamentos excluídos nos casos de provimento parcial ou total dos recursos. O Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário de Belém baixou os autos em diligência ao Serviço de Fiscalização, nos termos do Despacho de fls. 419 e a autoridade fiscal, entendo que houve um erro de interpretação desta Relatora e que inexiste relação entre os créditos lavrados por descumprimento de obrigações principais e aqueles Fl. 10DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 468 5 lavrados por descumprimento de obrigações acessórias, concluiu pela não elaboração do demonstrativo com resultados dos julgamentos das notificações, conforme Informação Fiscal de fls. 422. Cientificada do resultado da diligência fiscal, a recorrente se manifestou (fls. 444) reiterando e ratificando os termos do recurso apresentado e este CARF, entendendo que a diligência não restou cumprida, decidiu mais uma vez, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução 2301000.128, de 13/05/2011. Em cumprimento à diligência requerida, a autoridade se manifestou, por meio da Informação Fiscal de fls.452, prestando as informações solicitadas por este Conselho. Regularmente cientificada do resultado da diligência fiscal, conforme AR de fls. 456, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. Tratase de processo que retorna de diligência determinada por esta 1a Turma, da 3a Câmara, da 2a Seção do CARF, conforme Resolução nº 2301000.128, de 13/05/2011. O julgamento havia sido convertido em diligência para que fossem trazidas, aos autos, informações quanto à existência de lançamentos de débitos relativos a contribuições cuja omissão em GFIP tenha ensejado a lavratura do presente Auto de Infração. Em Informação Fiscal de fls. 452, a autoridade lançadora informou que, correlata a este AI, foi lavrada apenas a NFLD Debcad nº 37.084.8780, abragendo o período de 04/2003 a 12/2005, referente a contribuições que deveriam ter sido retidas das remunerações pagas aos contribuintes individuais que prestaram serviços à recorrente. Esclareceu, ainda, que não foi lavrada NFLD para o período anterior a 04/2003, tendo em vista tratarse de entidade em gozo de isenção previdenciária, não sendo, portanto, devida a contribuição incidente sobre os pagamentos realizados aos contribuintes individuais, como também não era atribuição da empresa recolher a contribuição devida por tais segurados. Contudo, a empresa estava obrigada a informar, em GFIP, todos os pagamentos realizados aos segurados contribuintes individuais a seu serviço, o que não foi feito, motivo pelo qual foi lavrado o AI em tela, englobando o período anterior a 04/2003. Cumpre observar que a NFLD citada acima, que lançou a contribuição dos contribuintes individuais, foi julgada procedente por este Conselho, por meio do Acórdão 230100549, de 19/08/2009. Dessa forma, diante dos esclarecimentos prestados pela autoridade lançadora, passo à análise do recurso apresentado pela recorrente. Preliminarmente, a autuada alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou o presente AI com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei Fl. 12DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 469 7 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão Fl. 13DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Assim, no caso em tela, tratase de Auto de Infração, ou seja, lançamento de ofício, aplicandose, portanto, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 23/03/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 12/04/2007, conforme documento de fls. 359. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências 01/99 a 11/2001. Para a competência 12/2001, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2002, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2003, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Nesse sentido, reconheço a decadência parcial do débito. Ainda em preliminarmente, a recorrente alega que o julgador de 1a instância, ao considerar procedente o lançamento, não considerou a condição de associação beneficente, de natureza filantrópica da recorrente, e toda a titularidade da qual é possuidora. Porém, em nenhum momento do Acórdão recorrido o Relator desconsiderou a condição de associação beneficente da autuada. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 470 9 Mesmo porque, a sua condição de entidade beneficente isenta e de ser possuidora de todos os títulos listados não a desonera do cumprimento das obrigações acessórias estabelecidas em lei. Cumpre esclarecer que a entidade isenta somente está dispensada do cumprimento da obrigação principal, ou seja, do pagamento das contribuições previdenciárias, e nunca do cumprimento das obrigações acessórias, uma vez que os fatos geradores continuam ocorrendo. O art. 175, § único do CTN, assim dispõe: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias, dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüentes. (grifei) Portanto, ao contrário do que entende a recorrente, a apresentação de GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória. Relativamente ao entendimento de que não pode prosperar o argumento da fiscalização de que há excesso na administração e de que a contabilidade encontrase imprestável, cumpre observar que a fiscalização constatou, da análise da contabilidade e demais documentos, várias irregularidades e inconsistências nos registros contábeis e expôs, nos relatórios que integram o AI, os motivos que a levaram à desconsideração da contabilidade e à conclusão de que houve excesso na administração. Registrese que a recorrente não nega a ocorrência das irregularidades relatadas pela autoridade lançadora no Relatório Fiscal. Ela apenas alega que “todas as obrigações fiscais principais e acessórias foram cumpridas conforme determina a legislação tributária”. No entanto, não comprova o alegado. Não juntou, aos autos, os documentos que pudessem dar amparo aos lançamentos registrados nas contas contábeis apontadas pela fiscalização. O art. 333 do Código de Processo Civil estatuiu que o ônus da prova cabe a quem alega, ou seja, aquele que alega um fato é quem deve provar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Assim, ao deixar de informar, por meio de GFIP, os valores pagos aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, a recorrente descumpriu determinação expressa no art. 32, inciso IV, e § 1o, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, transcrito a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 1° O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações especificas. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Portanto, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A autuada entende, ainda, que o indeferimento da perícia pela autoridade julgadora de 1a instância configura cerceamento de defesa ao contribuinte Todavia, entendo que a perícia foi indeferida com muita propriedade pela primeira instância administrativa, que constatou a desnecessidade de realização de perícia tendo em vista que a recorrente não demonstrou que a elucidação do caso dependeria de conhecimentos técnicos especializados. Ademais, todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ser comprovadas por meio da juntada de prova documental pela notificada, conforme disposto no relatório IPC (fls. 02/03) e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Portanto, rejeito as preliminares apresentadas. No mérito,a autuada afirma que todas as GFIPs foram entregues, ressaltando que a multa imposta é absolutamente descabida, e questiona o método utilizado pelo Auditor Fl. 16DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 471 11 Fiscal, perguntando como foram encontrados os números e onde o agente autuante encontrou um rol tão grande de omissões. No entanto, verificase que as GFIPs entregues não contemplavam todas as remunerações de todos os segurados que prestaram serviços à recorrente. A fiscalização deixou claro, no Relatório Fiscal, que os fatos geradores foram apurados basicamente na escrituração contábil, já que a recorrente não elabora folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais cujas remunerações foram omissas em GFIP. Assim, as GFIPs foram apresentadas, contudo, foram omissas relativamente à remuneração dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. A recorrente protesta, ainda, pela realização de perícia. Todavia, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e a NFLD muito bem fundamentada O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, indeferese o pedido de perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. A recorrente insurgese, ainda, contra a multa aplicada. Entretanto, a fiscalização aplicou a multa em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento, que estabelecia que cada competência em que seja constatado o descumprimento da obrigação é considerada uma ocorrência. Dessa forma, a multa imposta encontra amparo nos normativos legais citados nos Relatórios que integram o Auto de Infração, vigentes à época. No entanto, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) Fl. 17DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja excluído do cálculo da multa aplicada, por decadência, os valores relativos às competências 01/99 a 11/01, inclusive, e para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Damião Cordeiro de Moraes 1. No que tange ao valor da multa aplicada, não posso concordar com o posicionamento adotado pela nobre relatora, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 2. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do Fl. 18DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 472 13 prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 3. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 22. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 23. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de Fl. 19DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 24. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 25. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 26. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 27. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, Fl. 20DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 473 15 devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 28. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 29. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 30. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Fl. 21DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 31. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 22DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35166.000508/200784 Acórdão n.º 2301003.157 S2C3T1 Fl. 474 17 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 32. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 33. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 34. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. 35. Neste ponto, dou provimento parcial ao recurso. CONCLUSAO 36. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, neste ponto específico, DARLHE PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A, da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica da norma em favor do contribuinte. (assinado digitalemente) Damião Cordeiro de Moraes Redator Fl. 23DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 11/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10580.723713/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006
ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO.
Não merecem acolhimento as alegações que não se façam acompanhar das provas que lhe deem embasamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1480; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 217 1 216 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.723713/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.797 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ABRIGO DO SALVADOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. Não merecem acolhimento as alegações que não se façam acompanhar das provas que lhe deem embasamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 37 13 /2 00 9- 61 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.233.9778, lavrado contra o sujeito passivo acima para exigência das contribuições dos segurados. O contribuinte tomou ciência da lavratura em 27/07/2009 e a mesma reportase às competências de 13/2005 (13.º salário), 08, 09, 11 e 13/2006 (13.º salário). Segundo o relatório fiscal, o lançamento contempla apenas contribuições descontadas dos segurados e não recolhidas. É apresentada planilha onde são destacados os valores envolvidos, os quais foram obtidos das folhas de pagamento (meio papel e digital). O Fisco acrescenta que, a exceção da competência 13/2005, a multa foi calculada conforma a legislação vigente na época dos fatos geradores, por ser mais benéfica ao sujeito passivo que aquela prevista na legislação atual. A entidade ofertou impugnação, alegando que o Fisco deixou de verificar as observações constantes das folhas de pagamento e que se reportavam aos dados apresentados, justificando a dedução de valores da remuneração por conta de faltas, férias, suspensões e outros afastamentos. Sustenta que reenviou a GFIP da competência 13/2005, além de folha de pagamento e GPS dos exercícios de 2005 e 2006, os quais servem como prova cabal de que os descontos foram repassados à Seguridade Social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRJ em Salvador julgou improcedente a impugnação, mantendo o integralmente o crédito. No acórdão ficou consignado que a empresa não conseguiu demonstrar que efetuou o recolhimento das contribuições descontadas. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual apresentou as mesmas alegações da defesa, asseverando que os elementos acostados não foram considerados pelo órgão recorrido. Requer que o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.723713/200961 Acórdão n.º 2401002.797 S2C4T1 Fl. 218 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Dos documentos acostados com a defesa e o recurso Analisando a documentação acostada pela empresa na defesa e no recurso, temos que dar razão ao órgão recorrido. Acompanhou a impugnação apenas cópia da ata da Assembleia Geral Extraordinária do Abrigo do Salvador, realizada em 30/06/2006. Com o recurso a empresa trouxe mais documentos, todavia, não foram trazidos elementos que pudessem interferir nas conclusões acerca do lançamento. Foram colacionados o estatuto da entidade; cópia da ata da Assembleia Geral de 31/03/2010; cópia da lei que declarou o Abrigo do Salvador entidade de Utilidade Pública Municipal; Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social; pedidos de renovação do referido certificado; Certidão do Ministério da Justiça de que a entidade possui o título de Utilidade Pública Federal. Esse documentos não têm força para afastar o lançamento, posto que referentes a suposta condição de isenta da recorrente, a qual não interferiria na obrigação de recolher a contribuição dos segurados. Como se vê as alegações apresentadas não estão amparadas em provas que pudessem infirmar os dados constantes da tabela em que o Fisco individualiza as remunerações que foram descontadas e não recolhidas. Se havia incorreções nas folhas de pagamento, deveria a empresa ter apontado esses erros e a influência que os mesmos teriam no demonstrativo apresentado pela Auditoria. Vemos que a recorrente apenas alega, sem, no entanto, apresentar qualquer elemento de prova que pudesse socorrer suas alegações. Sobre essa questão, é bom que se diga, que o art. 333 do Código de Processo Civil (Lei n.º 5.869/1973), utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, é do réu o encargo de provar a existência de fato que possa extinguir o direito do autor. Eis o dispositivo: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, não tendo a recorrente demonstrado a veracidade de suas alegações quanto ao recolhimento das contribuições lançadas, não merece sucesso o seu recurso. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10315.002110/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa.
INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. LITÍGIO NÃO INSTAURADO
É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de trinta dias contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo.
Não apresentada no prazo legal, tal como ocorreu na hipótese, a impugnação é intempestiva e não instaura o litígio.
Numero da decisão: 2101-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. LITÍGIO NÃO INSTAURADO É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de trinta dias contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não apresentada no prazo legal, tal como ocorreu na hipótese, a impugnação é intempestiva e não instaura o litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 21 10 /2 00 8- 81 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi feita glosa do valor de R$ 25.556,57 compensado a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Em 18.11.2008, o contribuinte impugnou parcialmente o lançamento (fls. 1 e 2), esclarecendo que o Município de Barbalha (CE), no exercício de 2004, ano calendário de 2003, deixou de apresentar a DIRF (Declaração Imposto de Renda na Fonte), tendo entregue DIRF retificadora somente em 2008, na qual ficou comprovada a retenção na fonte declarada. Todavia, por ter mudado de endereço a época, não foi regularmente notificado dos problemas provocados por aquele Município, só vindo a tomar conhecimento da pendência existente ao procurar o órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil por outro motivo. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Fortaleza (CE) não conheceu da impugnação, por intempestividade, por meio do Acórdão n.º 0821.756, de 15 de setembro de 2011 (fls. 35 frente a 36 verso), que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. Para fins de intimação, considerase domicilio tributário do sujeito passivo o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DATA DA CIÊNCIA. Considerase cientificado o contribuinte da notificação de lançamento 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Impugnação de lançamento, quando intempestiva, não instaura o contencioso administrativo tributário no âmbito federal. Impugnação Não Conhecida Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10315.002110/200881 Acórdão n.º 2101002.039 S2C1T1 Fl. 3 3 Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual repisa suas razões de impugnação. Reconhece ter mudado de endereço na época mas, no momento em que soube dos fatos ocorridos, tomou a iniciativa de se defender, apresentando a impugnação. Argumenta que cumpriu na época suas obrigações fiscais, declarando o seu imposto de renda de acordo com as regras legais, e que o lançamento feito na pessoa física decorreu de um erro cometido pelo Município de Barbalha (CE), que não apresentou a DIRF correspondente ao anocalendário 2003. No entanto, citado Município entregou DIRF retificadora na qual consta a retenção do imposto na fonte no valor declarado, o que deve extinguir o processo de cobrança por falta de objeto. Reclama que a existência do débito não foi sequer discutida, que a fonte pagadora não foi notificada e argumenta que, como já promoveu à alteração de seu endereço no Cadastro de Pessoas Físicas, deveria ter sido notificado da representação juntada às fls. 22 a 26 dos autos, fato que não ocorreu, ensejando cerceamento do seu direito de defesa. Pede seja declarada a nulidade do lançamento, porque entende que também foi cerceado o seu direito de defesa por não terem sido atendidos os requisitos legais no julgamento da presente demanda. Pede que a cobrança seja declarada nula por ser inexistente. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A Fiscalização apurou ter havido, na declaração de ajuste anual do contribuinte, referente ao exercício 2004, compensação indevida de imposto na fonte supostamente retido quando do recebimento de rendimentos tributáveis das fontes pagadoras Sociedade de Ensino Superior do Ceará Ltda. e da Prefeitura Municipal de Barbalha (CE). O contribuinte apresentou impugnação na qual, em preliminar, alegou que não havia sido regularmente notificado, por ter mudado de endereço e, por essa razão só tomou conhecimento do lançamento perpetrado ao comparecer ao órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil por outro motivo. No mérito, contestou apenas a glosa da compensação do montante de R$ 25.385,79, correspondente ao valor do imposto na fonte supostamente retido pela Prefeitura Municipal de Barbalha (CE). Argumentou que o referido Município deixou de apresentar a DIRF correspondente ao anocalendário 2003, mas regularizou a situação por meio de uma declaração retificadora, na qual ficou comprovada a retenção na fonte do imposto declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Fortaleza (CE) não conheceu da impugnação, por entender que ela havia sido apresentada intempestivamente. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Em sede recursal, o interessado repisa, em preliminar, que, devido a sua mudança de endereço, só tomou conhecimento da Notificação de Lançamento objeto deste processo ao comparecer a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil por outro motivo, e que já promoveu a atualização de seu cadastro junto àquele órgão. Alega o cerceamento do seu direito de defesa e pugna pela nulidade do lançamento. Examinando os autos, verificamos que o lançamento foi decorrente de revisão de declaração, que gerou uma Notificação de Lançamento, anexada aos autos às fls. 12 a 16. Os requisitos de validade da Notificação de Lançamento são aqueles previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, que a seguir transcrevese: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Notificação de Lançamento, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infração estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Também a intimação foi feita nos estritos termos da lei. Sobre o assunto, assim estipula o Decreto n.º 70.235, de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10315.002110/200881 Acórdão n.º 2101002.039 S2C1T1 Fl. 4 5 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1.º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Da leitura dos dispositivos acima transcritos, depreendese que a lei admite diversos meios pelos quais o sujeito passivo pode ser cientificado da intimação feita no âmbito do processo administrativo fiscal. Dentre eles, a intimação por edital afixado em dependência franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, nas hipóteses em que um dos meios previstos no caput do artigo tenha resultado improfícuo. Do exame dos autos, constatase que as tentativas de intimação ao recorrente no endereço postal por ele fornecido ao cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil não obtiveram êxito. O endereço postal informado na sua declaração de ajuste anual do exercício 2004 foi Rua Genário de Oliveira, 820, Lagoa Seca, Juazeiro do Norte (CE), o mesmo que para ele consta no Cadastro de Pessoas Físicas até 21.8.2008, quando foi alterado para Rua Padre Cícero, 1314, Salesianos, Juazeiro do Norte (CE) (vide fls. 33) (em 11.5.2009, o endereço foi novamente alterado, voltando para Rua Genário de Oliveira, 820, Lagoa Seca, Juazeiro do Norte (CE), vide fls. 34). Verificase que tanto o Termo de Intimação Fiscal n.º 2004/603219991801045 (fls. 8) quanto a Notificação de Lançamento nº 2004/603450594894064 (fls. 13) foram enviados para o domicílio tributário escolhido (vide fls. 9 e 17). Em ambos os casos, a correspondência foi devolvida pelos Correios com motivo “mudouse”: a primeira em 10.10.2007 e a segunda em 10.3.2008. Diante dessas ocorrências, a intimação foi feita por meio de Editais (fls. 10 a 12 e 18 a 21), nos termos do § 1.º do artigo 23 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e o interessado foi considerado ciente dos atos administrativos correspondentes quinze dias após cada publicação (artigo 23, § 2.º, inciso IV). Sendo assim, a data da ciência da Notificação de Lançamento ocorreu em 10.6.2008. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Dispõe o Decreto n.º 70.235, de 1972, que o prazo para a apresentação da impugnação é de 30 dias contados a partir da data em que for feita a intimação da exigência. Vejamos o que estipula o seu artigo 15: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, em que o contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento no dia 10.6.2008, a contagem do prazo para a apresentação da impugnação iniciouse em 11.6.2008, quartafeira (dia seguinte ao da ciência), e encerrouse em 10.7.2008, quintafeira. O interessado, contudo, não impugnou o lançamento dentro do prazo legal, vindo manifestar sua inconformidade, neste processo, somente em 18.11.2008, muito depois de esgotado o interstício de 30 dias previsto na lei reguladora do processo administrativo fiscal. Por esse motivo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), ao analisar o pleito, acertadamente considerou sua impugnação intempestiva. No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei sem que ocorra a apresentação da impugnação, não se instaura o litígio, tal como estipulado no artigo 14 do já mencionado Decreto n.º 70.235, de 1972. É na impugnação que ficam estabelecidos os limites da controvérsia e, não apresentada esta no prazo legal, o contencioso não se inicia. Não há, portanto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10315.002110/200881 Acórdão n.º 2101002.039 S2C1T1 Fl. 5 7 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13971.000290/2001-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Samuel Schoenherr, OAB/SC nº 33.181.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Samuel Schoenherr, OAB/SC nº 33.181. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. Samuel Schoenherr, OAB/SC nº 33.181. Antonio Carlos Atulim – Presidente Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim,Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de restituição com arrimo na IN 33/99 e Art. 11 da Lei 9.779/99 no valor de R$ 903.553,25 (novecentos e três mil, quinhentos e cinquenta e três reais e vinte e cinco centavos), indeferido. Extraíse dos autos que a controvérsia reside na questão da escrituração extemporânea dos créditos referentes aos trimestres de 1999 e 2000 e na possibilidade de seu ressarcimento/compensação. Em razão do indeferimento da restituição, as compensações realizadas originadas nos saldo credor de IPI acumuladas decorrente de aquisições de insumos empregados no processo produtivo deixaram de ser homologadas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 00 29 0/ 20 01 -4 5 Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13971.000290/200145 Resolução nº 3403000.373 S3C4T3 Fl. 6 2 Sustenta a Recorrente que os produtos produzidos são tributados a alíquota zero/isento, no entanto, o direito dela encontra amparado no art. 11 da Lei nº 9.779/99. O motivo do indeferimento dos pedidos de ressarcimento contidos nas declarações de compensação apresentadas, sustentado pela Interessada decorre do entendimento equivocado contido no Despacho Decisório que concluiu não estar devidamente escriturados nos livros “RAIPE” os créditos objetos do ressarcimento e das compensações. A decisão de piso manteve na integra o indeferimento sustentando a insuficiência de documentos a amparar apuração de créditos relativos ao período de apuração proveniente da ausência correta escrituração dos créditos nos livros próprios, o que levou a concluir pela incerteza do crédito, como se extraí do voto: “Dos elementos trazidos aos autos, depreendese que a contribuinte é empresa têxtil que adquire insumos onerados pelo IPI e que elabora produtos em sua maioria desonerados desse imposto, resultando em apuração de saldo credor em determinados períodos. A fiscalização apurou que, nos anos de 1999 e 2000, a empresa deixou de escriturar os créditos e débitos de IPI no livro de Registro e Apuração do IPI — RAIPI, conforme determina a legislação, tendo apresentado inicialmente folhas do que seria seu RAIPI com valores do imposto (créditos e débitos) zerados em todos os períodos, contendo apenas os valores das entradas e saídas. Posteriormente, a contribuinte apresentou livros escriturados em períodos mensais, ao invés de decendiais, e ainda com valores de créditos e débitos de IPI zerados. Novamente intimada para regularizar sua escrituração, a empresa apresentou livros escriturados por decêndios, porém ainda com os valores de IPI zerados. Diante dessa situação, a fiscalização propôs o indeferimento do pedido pela ausência de escrituração dos créditos. Em resumo, observase que a contribuinte apresentou, até o momento, quatro versões distintas de sua escrituração fiscal: 1. Escrituração em folhas não condensadas em livros revestidos das formalidades legais (termos de abertura e encerramento) e registro no órgão competente, com as seguintes características: escrituração decendial (correta); valores de crédito e débito de IPI zerados; valor total dos créditos escriturado no 3° decdez/2000 (fl. 581); e apresentado simultaneamente ao pedido de ressarcimento; 2. (Escrituração em livros revestidos das formalidades legais e termos de abertura e encerramento) e registro no órgão competente, com as seguintes características: escrituração mensal (incorreta); valores de crédito e débito de IPI zerados; valor total dos créditos não escriturado; estorno do ressarcimento escriturado no 1° decmar/2001 (fl. 854); Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13971.000290/200145 Resolução nº 3403000.373 S3C4T3 Fl. 7 3 apresentado em 08/03/2005, em resposta à Intimação Fiscal 031/05; 3. Retificação da escrituração de 1999 e 2000 em livros revestidos das formalidades legais (termos de abertura e encerramento) e registro no órgão competente, com as seguintes características: escrituração decendial (correta); valores de crédito e débito de IPI zerados; valor total dos créditos não escriturado; e apresentado em resposta à Intimação Fiscal n° 106/05; 4. Retificação da escrituração de 2001 em folhas não comprovadamente condensadas em livros revestidos das formalidades legais (termos de abertura e encerramento) e registro no órgão competente, com as seguintes características: escrituração decendial (correta); valores de crédito e débito de IPI zerados; valor total dos créditos escriturado no um° dec jan/2001 (fl. 1382); e apresentada em conjunto com a manifestação de inconformidade. Em que pesem todas as oportunidades oferecidas à contribuinte para regularizar a sua escrituração fiscal, materializada nas Intimações Fiscal 031/05, 066/05, 106/05 e 163/05, percebese que não foi produzida, ao final de todo esse processo, uma documentação suficiente para fundamentar a apuração de crédito no período entre 01/0111999 e 31/12/2000. Ao contrário, a própria escrituração formalizada sempre aponta para a inexistência de saldo credor ao final desse período (saldo credor zero no 3°decdez/2000, tanto no Livro 0002, como no Livro 008). Assim, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente. Sendo o caso de pedido de ressarcimento de créditos, este deve conter cópia do Livro Registro de Apuração do IPI devidamente formalizado e que retrate o direito creditório alegado. Entretanto, não é o que se observa no processo em discussão. A interessada incluiu, para o presente pedido, mesmo após diversas oportunidades para retificação, livros de Registro e Apuração do IPI referentes a 1999 e 2000 nos quais não estão lançados os créditos e débitos de IPI e uma única folha, não comprovadamente formalizada, representando eventual escrituração de crédito extemporâneo no 1°dec jan/2001, período de apuração não coberto pelo pedido de ressarcimento (01/01/1999 a 31/12/2000). Destarte, os autos demonstram que a interessada não juntou documentos que permitiriam à autoridade fiscal concluir pela certeza e liquidez do suposto direito o creditório. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13971.000290/200145 Resolução nº 3403000.373 S3C4T3 Fl. 8 4 Sendo o caso de pedido de ressarcimento de créditos, este deve conter cópia do Livro Registro de Apuração do IPI devidamente formalizado e que retrate o direito creditório alegado. Entretanto, não é o que se observa no processo em discussão. A interessada incluiu, para o presente pedido, mesmo após diversas oportunidades para retificação, livros de Registro e Apuração do IPI referentes a 1999 e 2000 nos quais não estão lançados os créditos e débitos de IPI e uma única folha, não comprovadamente formalizada, representando eventual escrituração de crédito extemporâneo no 1°dec jan/2001, período de apuração não coberto pelo pedido de ressarcimento (01/01/1999 a 31/12/2000). Destarte, os autos demonstram que a interessada não juntou documentos que permitiriam à autoridade fiscal concluir pela certeza e liquidez do suposto direito ao creditório”. Diz a recorrente que o direito ao crédito jamais foi questionado, tratase de crédito real e existente, embora não tenha sido escriturado "corretamente", ou não conforme conveniência fiscal. Sustenta que contribuinte em geral não pode suportar prejuízos da monta que se discute nestes autos, basicamente por que a Administração Pública enfrenta a questão de modo formalista, deixando de lado o direito material que é a razão de ser do benefício e da atividade fiscal, para que assim estejam distribuídas igualdades de condições entre os contribuintes que se dediquem ao mesmo ramo. Entende que a possível insuficiência de documento de acordo com o entendimento expressado no voto, poderia ter sido suprida por meio de diligência. Na fase de inicial carrearam cópias dos livros, notas fiscais, e outros pertinentes ao desconcerto estabelecido neste caderno processual administrativo. Com as razões recursais vieram cópias dos Livros Registros de Apuração de forma a demonstrar o saldo credor de IPI nos períodos de 01/01/1999 a 31/12/2000, apelando pelos princípios da oficialidade, instrumentalidade e pela busca da verdade material, que norteiam o Processo Administrativo Fiscal PAF, e, o apelo para que nessa instância sejam considerados os livros que foram refeitos e, que estavam sendo apresentados com intuito de afastar da dúvida em relação aos saldos credores aproveitados em compensações. Concluiu solicitando convertimento do julgamento em diligência para que seja atestada a veracidade das informações contidas nos livros de apuração refeitos, nulidade do acórdão em razão do formalismo exacerbado e perícia, conseqüentemente, o provimento do recurso. É o relatório, que se fazia necessário ao entendimento da questão. Voto A discussão nestes autos gira em torno de prova. A título de complemento probatório foram juntadas cópias dos livros de apuração de IPI demonstrando os saldos relativos ao período de apuração de 01/01/1999 a 31/12/2000. Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13971.000290/200145 Resolução nº 3403000.373 S3C4T3 Fl. 9 5 A decisão recorrida manteve o indeferimento do reconhecimento do direito dos créditos consubstanciada exclusivamente na ausência de demonstração clara da existência dos mesmos em razão de que as cópias trazidas à colação deixaram de apontar os créditos mês a mês. Assim, restou evidente que as provas realizadas foram insuficientes para o deslinde da questão, é o que se extraí da decisão: “Destarte, os autos demonstram que a interessada não juntou documentos que permitiriam à autoridade fiscal concluir pela certeza e liquidez do suposto direito ao creditório”. Diante da farta documentação trazida com as razões recursais, em obediência ao princípio norteador de que no processo administrativo deve privilegiar a verdade quanto aos fatos, condição necessária à justiça da decisão, comina no sentido de que a instrução probatória deve realizarse de modo permitir a busca mais acurada possível. Assim, após exame dos documentos colecionados às fls. 1449/1784, norteio o voto no sentido de transformar o julgamento em diligência com o objetivo de que se examinem as referidas peças conjuntamente com as cópias dos livros anteriormente carreados aos autos, sejam verificados os saldos se foram objetos de ressarcimento/compensação anterior, verificar se os créditos registrados correspondem à matéria prima, material de embalagem e material intermediário, faça as observações que entenderem ser necessárias. Após deise vista a Interessada, querendo manifestar em relação ao resultado da diligência. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10580.728305/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
IRPJ E IR-FONTE EM FACE PAGAMENTOS SEM CAUSA. PAGAMENTO DE SERVIÇOS QUE NÃO FORAM REALIZADOS. PROCEDIMENTO REITERADO. GLOSA MANTIDAS. MULTA QUALIFICADA QUE SE MANTÉM. Do exame dos autos não se identificou uma única prova quanto à prestação dos serviços. Tal fato, aliado à prática reiterada do procedimento, revela o propósito de reduzir o valor dos tributos a pagar da empresa e, concomitantemente, destinar recursos a terceiros sem a pertinente causa. A contabilidade do contribuinte faz prova do pagamento.
Recursos Voluntários Negados.
Numero da decisão: 1402-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos interpostos nos processos 10580.728305/2011-11 e 10580.728306/2011-65. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para cancelar a exigência do IRRF exigida nos autos do processo apensado 10580.728306/2011-65. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012 IRPJ E IR-FONTE EM FACE PAGAMENTOS SEM CAUSA. PAGAMENTO DE SERVIÇOS QUE NÃO FORAM REALIZADOS. PROCEDIMENTO REITERADO. GLOSA MANTIDAS. MULTA QUALIFICADA QUE SE MANTÉM. Do exame dos autos não se identificou uma única prova quanto à prestação dos serviços. Tal fato, aliado à prática reiterada do procedimento, revela o propósito de reduzir o valor dos tributos a pagar da empresa e, concomitantemente, destinar recursos a terceiros sem a pertinente causa. A contabilidade do contribuinte faz prova do pagamento. Recursos Voluntários Negados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos interpostos nos processos 10580.728305/2011-11 e 10580.728306/2011-65. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para cancelar a exigência do IRRF exigida nos autos do processo apensado 10580.728306/2011-65. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 915 1 914 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728305/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.202 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de outubro de 2012 Matéria IRPJ E REFLEXOS. IRFONTE SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA. Recorrente TORRE EMPREENDIMENTOS RURAL E CONSTRUÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 IRPJ E IRFONTE EM FACE PAGAMENTOS SEM CAUSA. PAGAMENTO DE SERVIÇOS QUE NÃO FORAM REALIZADOS. PROCEDIMENTO REITERADO. GLOSA MANTIDAS. MULTA QUALIFICADA QUE SE MANTÉM. Do exame dos autos não se identificou uma única prova quanto à prestação dos serviços. Tal fato, aliado à prática reiterada do procedimento, revela o propósito de reduzir o valor dos tributos a pagar da empresa e, concomitantemente, destinar recursos a terceiros sem a pertinente causa. A contabilidade do contribuinte faz prova do pagamento. Recursos Voluntários Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos recursos interpostos nos processos 10580.728305/201111 e 10580.728306/201165. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que dava provimento parcial para cancelar a exigência do IRRF exigida nos autos do processo apensado 10580.728306/201165. Designado o Conselheiro Antonio José Praga de Souza para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 05 /2 01 1- 11 Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório O presente julgamento envolve dois processos. O primeiro relacionado ao processo nº 10580.728305/201111, interposto pela parte antes nominada, em face de acórdão proferido pela DRJ, cujo objeto do litígio decorre da glosa de despesas e encargos operacionais nos anoscalendário de 2007 e 2008. O segundo recurso diz respeito ao processo nº 10580.728306/201165 que tem por objeto a exigência de IRRF em face das despesas glosadas e que foram objeto de exigência de IRPJ e reflexos. Pelo que se extrai dos autos do processo nº 10580.728305/201111, no ano de 2007, a recorrente não comprovou despesas no valor de R$ 8.399.790,00 e no ano de 2008 apresentou despesas não comprovadas no valor de R$ 1.545.000,00 e despesas comprovadas com documentação idônea no valor de R$ 10.460.307,67, fatos que resultaram na constituição de crédito tributário, exigido com multa de 150%, no valor de R$ 19.231.847,65, sendo R$ 14.105.462,27 a título de IRPJ e R$ 5.126.385,08 a título de CSLL. Além do IRPJ e da CSLL acima referidos, conforme já observado, em virtude das despesas não comprovadas ou comprovadas com documentação inidônea terem sido debitados na contra de custos, em contra partida da conta caixa, nos autos do processo nº 10580.728306/201165 foi exigido IRRF. O processo com exigência do IRRF foi apensado aos presentes autos conforme termo de fls. 848 e, conforme esclarecido por email enviado por este relator aos procuradores da recorrente, com cópia ao Presidente da Turma, será julgado em conjunto. Quanto à exigência do IRRF temse os seguintes datas de fato gerador, valor e multa: Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 3 O relatório do acórdão recorrido relata, de forma detalhada, todas as razões das glosas antes referidas razão pela qual, doravante, o adotamos, “in verbis”: Tratase dos autos de infração de fls. 02 a 12 e 13 a 20, lavrados em 27/07/2011, relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008, que pretendem a cobrança, respectivamente: do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, como segue: Conforme a descrição dos fatos e do termo de verificação fiscal (fls. 21 a 27), durante o procedimento de fiscalização a autoridade autuante efetuou os lançamentos supracitados, isso porque considerou como despesas ou custos não comprovados e escriturados em sua contabilidade, os seguintes totais pagos por serviços prestados por terceiros: Ainda foram considerados como despesas ou custos com escrituração contábil baseada em documentação inidônea, o seguinte total pago por serviços prestados por terceiros: No já citado Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal se refere às glosas supracitadas como “GLOSAS DE CUSTOS NÃO EXISTENTES”. Para melhor entendimento dos fatos relacionados às precitadas autuações, seguem transcritos os seguintes pontos do Termo de Verificação Fiscal: N.B.C. CONSTRUÇÕES E TERRAPLENAGEM LTDA. A suposta empresa NBC não está cadastrada no CNPJ e, em resposta a solicitação desta fiscalização o contribuinte informa que as notas fiscais Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 4 relativas à referida empresa, que acobertavam seus custos, não foram localizadas. Desta maneira está caracterizada a indedutibilidade do custo em razão da falta de comprovação da prestação dos serviços ditos recebidos de terceiros e pela própria inexistência da empresa. Observase ainda que os lançamentos a débito da conta de custos tiveram como contrapartida a conta CAIXA ARACAJU, fato que nos impõe a efetuar o lançamento do imposto de renda retida na fonte, referente a pagamentos sem causa. SISANCOL SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA. Se encontra em situação ATIVA no cadastro CNPJ da RFB, no qual consta o endereço, Ladeira dos Tupys, 60B – MATATU – FUNDOS, sendo que em algumas DIPJ’s, consta o endereço da sócia Edite dos Santos Silva. Apresentou DIPJ’s relativas aos anos calendário de 2000, 2001, 2002, 2004, 2005 e 2006, onde foram informados os valores de receita de R$ 10.000,00, R$ 34.000,00, R$ 5.600,00, R$ 28.700,00 e R$ 1.460,00, respectivamente, tendo informado zero de receita para os anoscalendário de 2007 e 2008. Possui capital social de R$ 10.000,00, tendo seus sócios EDITE DOS SANTOS SILVA (endereço 1 ª Travessa Durval Aguiar nº 15 – casa) e ISAC DOS SANTOS SILVA (endereço – Lgo da Quintandinha do Capim, 11, 2º andar – Salvador), apresentado, sempre, declaração de isentos, não tendo informado à RFB, portanto, nenhum bem em seus nomes. Foi enviada intimação à referida empresa para que os sócios comparecessem a esta DRF, porém a correspondência foi devolvida pelos correios por ser a mesma desconhecida naquele endereço. Além de estar demonstrado que a referida empresa não teria condições de prestar os serviços, quer pela sua localização, quer pela impossibilidade de com um irrisório capital de RS 10.000.00, adquirir ou efetuar contratos de leasing para ter a disponibilidade dos equipamentos que montaram o valor de R$ 3.833.005,00, a Fiscalizada foi intimada no sentido de fornecer notas fiscais da locadora dos equipamentos, bem como as cópias de cheques relativas aos pagamentos, mas não o fez, sob a simples alegação de que não foram os mesmos localizados. Desta forma fica caracterizada a indedutibilidade em razão da falta de comprovação da prestação dos serviços e pela impossibilidade material dos mesmos haverem sido prestados. Observase ainda que os lançamentos a débito da conta de custos tiveram como contrapartida no final as contas caixa ou bancos, sendo que em alguns pagamentos os valores transitaram antes pela conta de fornecedores e, em outras ocasiões os pagamentos já haviam sido pagos como antecipação, conforme demonstram as folhas do razão da empresa, anexas. ECONSERV CONSTRUTORA LTDA. Foi inscrita no CNPJ em 28 de janeiro de 1999, com endereço a R CARLOS GOMES 22 EDF. CASA NOVA Salvador e tendo como atividade CNAE 299599 Outras obras de engenharia civil não especificadas Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 5 anteriormente e como sócios JOCILIA DE OLIVEIRA FRAGA CPF 004.372.12572 e ALAÍDE DOS SANTOS CPF 212.111.16549, não havendo modificação no quadro societário desde então. Vem apresentando regularmente suas DIPJ motivo pelo qual se encontra na situação de ATIVA no cadastro, muito embora sejam informados valores irrisórios nas referidas declarações ou mesmo apresentadas sem receitas. Coincidentemente o contador da ECONSERV é o mesmo contador da Fiscalizada e sócio da empresa IBIT1RAMA cuja descrição faremos a seguir, e que também se encontra como prestadora de serviços não comprovados. A ECONSERV possui um capital social de R$ 150.000,00 e emitiu notas fiscais no valor de R$ 10.460.307,67 somente no anocalendário de 2008, com notas que vão de R$ 50.000,00 a R$ 535.000,00. Intimada a apresentar as notas fiscais e as cópias dos cheques referentes aos pagamentos das mesmas bem como o contrato de prestação de serviços, a fiscalizada apenas apresentou as notas fiscais e o contrato, justificando a não entrega dos demais elementos solicitados pela falta de localização dos mesmos conforme correspondência de 18/07/2011. São 53 (cinqüenta e três) notas fiscais de valores redondos, e impecavelmente conservadas, que descrevem terem sido locados equipamentos sem o fornecimento de mão de obra, conforme medição. Não foi apresentada qualquer medição. Os equipamentos locados o teriam sido, conforme contrato fornecido pela fiscalizada, os seguintes: Ao mesmo tempo, intimamos a ECONSERV (suposta locadora) que nos apresentasse: a) Talonários de notas fiscais; b) Contratos de prestação de serviços; c) Extrato de contas bancárias; d) Livros contábeis que registraram as operações nos anos calendário de 2007 e 2008;e e) Relação de bens do ativo imobilizado, destinados aos alugueis. A intimada ECONSERV, apresentou tão somente o Contrato de Locação e os talonários de notas fiscais, não oferecendo qualquer justificativa para a não apresentação dos demais elementos solicitados. Uma vez que o contrato apresentado pela ECONSERV, igualmente ao apresentado pela Fiscalizada, constavam 10 itens de ativo imobilizado, Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 6 considerados equipamentos de custo de aquisição bastante elevado, mais uma vez, agora em 14/07/2011, intimamos a empresa a comprovar a real existência dos bens supostamente dados em aluguel a fiscalizada. Assim me expressei no termo de intimação que está anexo: “... intimo o contribuinte acima identificado para no prazo de 72 (setenta e duas) horas, contados da data de recebimento deste termo, apresentar a esta fiscalização os elementos a seguir relacionados: a) Notas fiscais de aquisição dos veículos e máquinas, locados a empresa TORRE EMPREENDIMENTOS RURAL E CONSTRUÇÃO LTDA., conforme descrito em contrato de locação que nos foi apresentado pelos senhores, juntamente com o último licenciamento, e/ou, b) Contrato de leasing para posse dos veículos e máquinas, locados a empresa TORRE EMPREENDIMENTOS RURAL E CONSTRUÇÃO LTDA, juntamente com o último licenciamento; c) Em caso de haver vendido referidos apresentar, também, as notas fiscais de venda. d) fica reiterada a necessidade de apresentação dos livros contábeis e fiscais bem como dos extratos de contas corrente bancária, já solicitados anteriormente.” O contribuinte apresentou em 25/07/2011, correspondência anexa, onde informa não ter apresentado as comprovações solicitadas na intimação supra descrita "em virtude dos mesmos não terem sido localizados ou por não possuílos". Procedemos à consulta no sistema RENAVAM e não encontramos o registro de qualquer veículo em nome da suposta empresa denominada ECONSERV. Destarte fica cabalmente comprovado que a ECONSERV não possui, veículos e que, portanto os serviços descritos nas notas fiscais e no contrato não foram efetivamente prestados, motivo pelo qual estamos procedendo à glosa dos mesmos. Observase ainda que os lançamentos a débito da conta de custos tiveram como contrapartida no final as contas de caixa ou bancos, sendo que em alguns pagamentos os valores transitaram antes pela conta de fornecedores e, em outras ocasiões os valores já haviam sido pagos como antecipação conforme demonstram as folhas do razão da empresa, anexas. Ainda quanto à fidelidade das notas fiscais apresentadas como comprovação dos custos verificase que foram elas impressas em dezembro de 2008, conforme autorização 96.089 de 12/12/2008, e já haviam sido emitidas durante todo o ano de 2008. Ou seja: foram emitidas antes de impressas. IBITIRAMA EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. Tem como endereço a Rua Carlos Gomes, 187 Edf. Casa Nova 3o andar: Sala 37, Centro Salvador foi cadastrada no CNPJ em 04/10/2006, tendo como sócios ADILSON FREITAS PRATES CPF 082.971.93500 (contador da Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 7 fiscalizada) e MARIA LUIZA ROCHA GOMES DA FONSECA CPF 070.647.72515, e consta como capital social o valor de R$ 50.000,00. Segundo consta do registro, sua atividade empresarial seria CNAE 7732201 Aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes. Foram entregues DIPJ dos anoscalendário de 2006 e 2007 na situação de inativa. Não foram entregues DIPJ dos anos subseqüentes. Foi postada intimação para o endereço informado e devolvida como desconhecida no endereço. O sócio ADILSON FREITAS PRATES tem como endereço residencial à Rua Carlos Gomes, 22 apto. 75, São Pedro. Observese que o endereço da empresa é o mesmo do sócio Adilson Prates, uma vez que na Rua Carlos Gomes existem duas numerações, uma em que o prédio denominado Edifício Asa Branca leva o número 22, onde o contribuinte apresentou em 25/07/2011, correspondência anexa, onde informa não ter apresentado as comprovações solicitadas na intimação supra descrita "em virtude dos mesmos não terem sido localizados ou por não possuílos". Procedemos à consulta no sistema RENAVAM e não encontramos o registro de qualquer veículo em nome da suposta empresa denominada ECONSERV. Destarte fica cabalmente comprovado que a ECONSERV não possui, veículos e que, portanto os serviços descritos nas notas fiscais e no contrato não foram efetivamente prestados, motivo pelo qual estamos procedendo à glosa dos mesmos. Observase ainda que os lançamentos a débito da conta de custos tiveram como contrapartida no final as contas de caixa ou bancos, sendo que em alguns pagamentos os valores transitaram antes pela conta de fornecedores e, em outras ocasiões os valores já haviam sido pagos como antecipação conforme demonstram as folhas do razão da empresa, anexas. Ainda quanto à fidelidade das notas fiscais apresentadas como comprovação dos custos verificase que foram elas impressas em dezembro de 2008, conforme autorização 96.089 de 12/12/2008, e já haviam sido emitidas durante todo o ano de 2008. Ou seja: foram emitidas antes de impressas. IBITIRAMA EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. Tem como endereço a Rua Carlos Gomes, 187 Edf. Casa Nova 3o andar: Sala 37, Centro Salvador foi cadastrada no CNPJ em 04/10/2006, tendo como sócios ADILSON FREITAS PRATES CPF 082.971.93500 (contador da fiscalizada) e MARIA LUIZA ROCHA GOMES DA FONSECA CPF 070.647.72515, e consta como capital social o valor de R$ 50.000,00. Segundo consta do registro, sua atividade empresarial seria CNAE 7732201 Aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 8 Foram entregues DIPJ dos anoscalendário de 2006 e 2007 na situação de inativa. Não foram entregues DIPJ dos anos subseqüentes. Foi postada intimação para o endereço informado e devolvida como desconhecida no endereço. O sócio ADILSON FREITAS PRATES tem como endereço residencial à Rua Carlos Gomes, 22 apto.75, São Pedro. Observese que o endereço da empresa é o mesmo do sócio Adilson Prates, uma vez que na rua Carlos Gomes existem duas numerações, uma em que o prédio denominado Edifício asa Branca leva o número 22, onde estão cadastrados os endereços do sócio Adilson Prates no apartamento 75 e o endereço da empresa ECONSERV Construtora Ltda, da qual Adilson Prates sempre foi contador, cuja sala é de n° 36, cujos fatos foram acima descritos. Em outra numeração o Edifício Casa Nova leva o número 187, sendo que a sala 37 seria a ocupada pela empresa IBITIRAMA. Em resumo, habitam o mesmo prédio Adilson Freitas Prates no ap. 75, a empresa ECONSERV na sala 36 e a empresa IBITIRAMA na sala 37, não sendo razoável uma correspondência ser devolvida como empresa desconhecida no prédio. A empresa em análise teria alugado equipamentos para a fiscalizada no ano calendário de 2008 no valor de R$ 1.545.000,00, tendo emitido notas fiscais que variam de R$ 19.000,00 a RS 250.000,00, fato que se torna fictício levandose em consideração o capital da suposta empresa. Consulta ao sistema RENAVAM não logra encontrar qualquer veículo em nome da empresa em apreço. A Fiscalizada foi intimada no sentido de nos fornecer as notas fiscais da locadora dos equipamentos, bem como as cópias de cheques relativas aos pagamentos, mas não o fez, sob a simples alegação de que não foram os mesmos localizados. Observase ainda que os lançamentos a débito da conta de custos tiveram como contrapartida no final as contas de caixa ou bancos, sendo que em alguns pagamentos os valores transitaram antes pela conta de fornecedores e, em outras ocasiões os valores os pagamentos já haviam sido pagos como antecipação conforme demonstram as folhas do razão da empresa, anexas. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE Por outro lado, os valores debitados a conta de custos, o foram, na maioria das vezes, em contra partida da conta caixa, o que quer significar um efetivo pagamento sem, contudo, haver uma causa justificável já que em alguns casos não existe a comprovação da prestação de serviços e, em outros casos, apesar de haver notas fiscais da suposta prestadora bem como contrato de locação de equipamentos restou evidenciado que a suposta locadora não Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 9 possuía os equipamentos supostamente locados, e por esta razão está caracterizado o PAGAMENTO SEM CAUSA. Outros pagamentos somente foram feitos após o valor do suposto serviço haver transitado nela conta de fornecedores e em muitos outros casos, está envolvida nos pagamentos a conta de Adiantamento a Fornecedores e Adiantamentos a Terceiros, quer dizer: a fiscalizada entregou um valor financeiro à suposta prestadora de serviço antes mesmo que ela, supostamente, prestasse o serviço e, quando da emissão da nota fiscal, que foi creditada a conta de fornecedores, e que aqui estamos glosando pela incapacidade material da prestação do serviço, fezse um encontro de contas. Este fato também se constitui em pagamento sem causa. Planilhas em anexo, demonstram os valores pagos às empresas individualmente e por dia de pagamento assim como o reajuste sobre eles calculados, e ainda o imposto de renda na fonte de cada pagamento efetuado diariamente, na forma do artigo 674 do RIR/99, verbis: ... MULTA QUALIFICADA DE 150% Os lançamentos, tanto de IRPJ e CSLL, como do de IRRF, estão sendo efetuados com a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) na forma do artigo 957 do RIR/99, verbis: Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n° 9.430. de 1996, art. 44): II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Tal qualificação aplicase pelo fato do sujeito passivo haver contabilizado documentos eivados de falsidade ideológica, conforme acima descrito, o qual reduziu o lucro real do sujeito passivo, base de cálculo do imposto de renda, bem como a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido além de proporcionar a saída de numerário sem causa. O contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 28/07/2011 (fls. 04 e 13) e apresentou a impugnação, de fls. 215 a 246, em 24/08/2011, alegando, em síntese, que: .... b) os dispositivos legais infringidos e citados no Auto de Infração e que motivaram a glosa de custos foram os seguintes artigos do RIR/99: 247, 248, 249, 251, 277, 278, 299 e 300. Na espécie, o único fundamento legal expressamente utilizado pelo Ilustre Auditor que trata da indedutibilidade de custos e despesas, que acarretariam na adição dos valores glosados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, foi o artigo 299 do RIR/99, que assim prevê: Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 10 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1° São necessárias às despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Entretanto, inexiste em todo auto de infração relato sobre a eventual não necessidade dos custos glosados. Isto, inclusive, porque a contratação de locação de equipamentos e prestação de serviços é de tal forma essencial às atividades da Impugnante que descaberia qualquer argumento contrário a essa afirmação. Assim sendo, a Impugnante se viu diante do cerceamento do amplo direito de defesa, em virtude de não ter identificado enquadramento legal objetivo, ou que estivesse nitidamente relacionado aos argumentos de indedutibilidade trazidos pelo auto de infração. c) as conclusões atingidas ao final do procedimento fiscal ignoraram a impossibilidade de se penalizar o contribuinte com cobrança de IRRF à alíquota de 35% e, ao mesmo tempo, glosar os custos aplicarlhes as alíquotas legais de IRPJ e CSLL. Ou seja, o presente processo administrativo (de n° 10580.728305/201111) não pode subsistir conjuntamente ao PAF n° 10580.728306/201165, já que a coexistência dos dois autos de infração acarretam na dupla cobrança dos mesmos tributos sobre a mesma base de cálculo. d) as Notas Fiscais e documentos acessórios relativos aos contratos celebrados com as empresas fornecedoras foram Objeto de furto qualificado, ocorrido na data de 11 de maio de 2009. Comprova este fato o Boletim de Ocorrência (Anexo 03) oriundo de comunicação registrada em 12 de maio de 2009, relatando que o furto ocorrido nas dependências da Impugnante abrangeu "diversos documentos contábeis dos anos de 2007/2008" e "Notas Fiscais de fornecedores". Assim sendo, as Notas Fiscais relativas ao ano de 2007 não foram simplesmente "não apresentadas", mas sim este fato se deve ao furto qualificado relatado em Boletim de Ocorrência. Em decorrência da presente defesa, a Impugnante acosta aos autos os documentos comprobatórios dos serviços prestados pelas empresas ECONSERV e IBITIRAMA, sendo eles as Notas Fiscais (Anexos 04 e 05), contratos (Anexos 04 e 05), detalhes e fotos das obras em que os equipamentos foram locados e os serviços prestados (Anexo 06). Dentre os documentos comprobatórios acostados aos autos, encontrase o detalhamento dos serviços e obras, que foram objeto de contratos da Impugnante (Anexo 02). Como se percebe, para o atingimento dos propósitos contratuais a que se propõe, a Impugnante realiza uma série de obras de construção e terraplanagem, que demandam a contratação de prestadores de serviço e a locação de equipamentos pesados. Vale lembrar que a atividade empresarial dos fornecedores elencados pelo auto de infração Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 11 foi informada pela própria Autoridade Fiscal, sendo que todas se vinculam a execução de obras de instalação e construção. ... A DRJ, por meio do acórdão de fls. 849 e seguintes, julgou procedente o lançamento, sendo que desta decisão a parte interessada foi intimada em 25112011 (fl. 961) e em 21122011 protocolizou o recurso de fls. 883 e seguintes, repisando as alegações articuladas quando da impugnação, destacando, ainda: a) que a glosa das despesas não comprovadas que originaram a exigência do IRPJ e da CSLL também resultaram na exigência de IRRF, assim, necessário a reunião dos dois processos, observando o disposto no artigo 1º, I, alínea “a”, da Portaria RFB nº 666, de 2008; b) que a glosa de custos e cobrança de IRRF por beneficiário sem causa apresenta incongruência intrínseca, incompatível com a jurisprudência do próprio CARF, A seguir transcrita: IRRF – PAGAMENTO SEM CAUSA – ART. 61 DA LEI Nº 8981/95 – LUCRO REAL – REDUÇÃO DE LUCRO LÍQUIDO – MESMA BASE DE CÁLCULO – INCOMPATIBILIDADE. A aplicação do artigo 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizado por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Recurso Provido (Ac. 04.01.094. CSRF. J. 0311 2008. Rel. Ivete Malaquias). c) Além das questões postas na impugnação, sustenta a recorrente que a exigência do IRRF sobre despesas glosadas que resultam em exigência do IRPJ e da CSLL importa em carga tributária de 102%, conforme cálculos que apresenta. d) Sustenta a recorrente que o auto de infração é nulo na medida em que se fundamenta em situações de irregularidade dos fornecedores dos serviços, situação que não pode lhe ser imposta, pois sequer tem acesso à DIPJ daqueles e) No mérito, argumenta a recorrente que todos os valores glosados foram suportados por ela e que só não apresentou a documentação correspondente em virtude de furto em sua documentação, evento este ocorrido em 11 de maio de 2009, conforme comunicação feita à autoridade policial e que não pode a recorrente responder por situação decorrente de força maior e caso fortuito. f) Em relação aos serviços prestados pela empresa ECONSERV, sustenta a recorrente que juntou cópia das notas fiscais e contratos (anexos 04 e 05 à impugnação) detalhes e fotografias das obras em que os equipamentos foram locados e os serviços prestados (anexo 06 da impugnação). g) Ainda em relação à efetividade dos serviços, à fl. 900, a recorrente destaca, “in verbis”: Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 12 h) que o fato das empresas ECONSERY e IBITIRAMA não possuírem registro de máquinas ou caminhões junto ao RENAVAN em nada modifica a situação da recorrente, pois é perfeitamente possível que estas tenham locado tais equipamentos. i) Argumenta a recorrente que a fiscalização ao afirmar que as empresas Econserv e Ibitirama não apresentaram DIPJ no ano de 2008, não se ateve que tais empresas estavam no SIMPLES e que apresentaram Declaração Anual do Simples Nacional, e de recebimento “a seguinte tributação das receitas: É o relatório. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 13 Voto Vencido Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. Os recursos são tempestivos, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foram interpostos por parte legítima, estão devidamente fundamentado e preenchem os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria pela exigência do IRPJ e reflexos. Diante dos extensos fundamentos articulados pela recorrente há que se identificar os que são essenciais ao julgamento do litígio. Tratase de glosa de despesas e, em assim sendo, o que é relevante para o julgamento do litígio são os seguintes fatores: a) se os serviços efetivamente foram prestados e, caso positivo, se eram necessários; e b) se houve pagamento. Além dos dois elementos acima analisados, examino a alegação de nulidade, sob o argumento de que a autuação se fundamenta em situações de irregularidade dos fornecedores dos serviços, situação que, segundo a recorrente, não pode lhe ser imposta, pois sequer tem acesso à DIPJ daqueles. Tem razão a recorrente quando diz que não cabe ao adquirente de bens, direito e mercadorias, ou o tomador de serviços, investigar a idoneidade dos fornecedores. Neste sentido, basta aterse ao disposto no artigo 82 e seu parágrafo único, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. À luz do parágrafo único do artigo 82 da Lei nº 9.430, de 1996, mesmo nos casos de empresa inidônea, se o adquirente dos bens, direitos e mercadorias, ou o tomador dos serviços, comprovar o recebimento destes e a efetivação do pagamento, não se glosam as despesas. No caso concreto, tendo a recorrente registrado em sua contabilidade pagamentos a empresas aparentemente de fachadas, indicando por vezes sede no mesmo prédio ou valendose dos serviços do mesmo contador, sem que ninguém as conhecesse, a autoridade fiscal dirigiuse à recorrente e solicitou uma única prova, qual seja, a do pagamento, fosse este por cópia de cheques, transferências bancárias ou ordens de pagamento. A recorrente informou não possuir tal prova e não possui tal prova porque materialmente não houve o pagamento. No Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 14 diligente trabalho realizado, em relação às empresas localizadas1, a autoridade fiscal tomou o cuidado de dirigirse a estas e solicitar que demonstrassem, por algum meio, em especial extrato bancário, o efetivo recebimento dos recursos supostamente pagos pela recorrente. Estas informaram não possuir. Não se trata aqui de transferir para a autuada o ônus de atestar a idoneidade das empresas que supostamente teriam lhes prestados serviços, mas sim a obrigação de comprovar a efetiva prestação dos serviços e o respectivo pagamento. Não houve prova nem da efetiva prestação dos serviços e tampouco dos pagamentos registrados como despesas na contabilidade. Com tais fundamentos, rejeito a preliminar de nulidade que, em parte, confundese com o mérito. II – Do exame da glosa das despesas Sem razão a recorrente quando sustenta que os serviços foram prestados, que eram necessários às suas atividades e que houve o respectivo pagamento. O argumento da recorrente de que houve furto de sua documentação fiscal, em que pese o registro da ocorrência policial, não subsiste para efeitos de afastar a exigência do crédito tributário. Por hipótese, vamos considerar verdadeira a alegação de furto da documentação contábil. Contudo, sendo a nota fiscal expedida em mais de uma via, tratandose de suposto prestador de serviço habitual, nada impedia que a recorrente se dirigisse a ele solicitando cópia do citado documento. Esta prova a recorrente não trouxe aos autos. E mais, a própria autoridade fiscal, em busca da verdade material, efetuou diligência que, se exitosa, iria ao encontro dos interesses da recorrente. Em relação à empresa N.B.C. CONSTRUÇÕES E TERRAPLENAGEM LTDA, para quem a recorrente teria pago quase cinco milhões de reais no ano de 2007, contribuinte que sequer possui cadastro no CNPJ, bastava a recorrente indicar o endereço da mesma para que a autoridade fiscal realizasse diligência no local. A indicação de que os supostos pagamentos saíram da conta caixa, razão pela qual não se teria prova, para este relator se constitui em indicativo que, congregado com as demais provas dos autos, nos leva à convicção de que a referida empresa não existe e, por consequência, não prestou serviços e tampouco lhe foram pagos os quase cinco milhões de reais, valores estes lançados na contabilidade apenas para dedução de custos. No que diz respeito à empresa SISANCOL SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA, que teria prestados serviços à recorrente no ano de 2007, no valor de R$ 366.785,00, da análise de todas as circunstâncias dos autos, resulto convencido de que também não houve despesa suportada em razão de serviços prestados por esta empresa. Em primeiro lugar, se serviço tivesse sido prestado, diante da acusação de que a referida empresa sequer possui equipamentos para prestar os supostos serviços e, tampouco, declarou receita que justificasse a existência de contratos de leasing tendo por 1 Digo empresas localizadas em virtude do fato de que algumas sequer foram localizadas. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 15 objeto as máquinas necessárias à prestação dos serviços, não teria a recorrente dificuldade em auxiliar a fiscalização em relação a tais levantamentos. Mais, a Fiscalizada foi intimada a fornecer notas fiscais da locadora dos equipamentos, bem como as cópias de cheques relativas aos pagamentos e não apresentou qualquer prova, limitandose a alegar que “não foram os mesmos localizados”. Aqui, volto a repetir o que disse em relação à empresa NBC, pois ainda se admitisse como crível a tese do furto da documentação, não teria a recorrente dificuldade de obter tais documentos junto à fornecedora dos serviços. Antes de finalizar a questão relacionada ao IRPJ e tributos reflexos, observo que o fato da empresa SISANCOL SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO LTDA apresentar receita zero nos anos de 2007 e de 2008, sem a localização de quaisquer notas fiscais emitidas por esta ou de movimentação financeira, somado aos demais elementos já apontados pela autoridade fiscal, tais como não constar nas declarações de seus supostos sócios, se constitui em elemento de prova que me conduz à convicção de que a referida empresa não prestou serviços à recorrente e tampouco recebeu valor por parte desta, tendo os registros contábeis por finalidade exclusiva a dedução de despesa inexistente. No ano de 2008 foram glosadas despesas no valor de R$ 10.460.307,67 de supostos serviços prestados pela empresa ECONSERV CONSTRUTORA LTDA. Tratase de empresa que, segundo a autoridade fiscal, vinha apresentando valores irrisórios em suas declarações e possuía como contador o Sr. Adilson Freitas Prates. Suspeitando dos pagamentos realizados, em valores exatos que vão de R$ 50.000,00 a R$ 535.000,00, a autoridade fiscal intimou a fiscalizada a apresentar as notas fiscais e as cópias dos cheques referentes aos pagamentos, bem como o contrato de prestação de serviços. A fiscalizada apresentou apenas as notas fiscais e o contrato, justificando a não entrega dos demais elementos solicitados pela falta de localização dos mesmos. Em busca da verdade, a fiscalização dirigiuse à ECONSERV, a quem se refere como suposta locadora, solicitando que apresentasse os talonários de notas fiscais, os contratos de prestação de serviços, extratos de contas bancárias; livros contábeis que registraram as operações nos anoscalendário de 2007 e 2008 e relação de bens do ativo imobilizado, destinados aos alugueis. Diante do fato da ECONSERV ter apresentado somente o contrato de locação e os talonários de notas fiscais, a autoridade fiscal intimou a citada contribuinte a apresentar: e) Notas fiscais de aquisição dos veículos e máquinas, locados a empresa TORRE EMPREENDIMENTOS RURAL E CONSTRUÇÃO LTDA., conforme descrito em contrato de locação que nos foi apresentado pelos senhores, juntamente com o último licenciamento, e/ou, f) Contrato de leasing para posse dos veículos e máquinas, locados a empresa TORRE EMPREENDIMENTOS RURAL E CONSTRUÇÃO LTDA, juntamente com o último licenciamento; g) Em caso de haver vendido referidos apresentar, também, as notas fiscais de venda. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 16 d) fica reiterada a necessidade de apresentação dos livros contábeis e fiscais bem como dos extratos de contas corrente bancária, já solicitados anteriormente.” Em 25/07/2011 a citada empresa e enviou correspondência informando não ter apresentado as comprovações solicitadas na intimação supra descrita "em virtude dos mesmos não terem sido localizados ou por não possuílos". Não satisfeita, a fiscalização diligenciou no RENAVAN não localizando quaisquer veículos, máquinas ou caminhões em nome da suposta prestadora de serviços. Das diligências realizadas pela autoridade fiscal formei convicção de que a empresa ECOSERV não possuía veículos aptos a prestar os supostos serviços, não locou veículos para esta finalidade e, em que pese os lançamentos na contabilidade da recorrente, não recebeu valores a título de prestação de serviços à recorrente. Por fim, para coroar a gravidade dos fatos, observase que as supostas notas fiscais lançadas como despesas da recorrente, no ano de 2008, só foram impressas em 12/12/2008, ou seja, se materialmente verdadeiras, teriam sido emitidas antes de serem impressas. Finalizando, para que não se alegue omissão deste relator, registro que constatei a existência de declaração retificadora apresentada no curso da fiscalização pela empresa ECOSEV. Contudo, tal procedimento, ao meu sentir, não altera a situação dos fatos. Observo que a citada empresa apresenta declaração retificadora indicando valores que não existiam declaração anterior, mas não traz provas do efetivo recebimento dos valores ou dos serviços prestados. Ademais, à luz do artigo 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972, “o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” Assim, a declaração retificadora apresentada pela suposta prestadora de serviços não altera a circunstância dos fatos. Quanto à glosa das despesas em face de supostas custos incorridos junto à empresa IBITIRAMA EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA, no valor de R$ 1.545.000,00, no ano de 2008, observo que ela guarda íntima relação com a fiscalizada e a empresa ECOSERV. O sócio da empresa IBITIRAMA é contador da fiscalizada. Por sua vez , a empresa ECONSERV tem sede na sala 36 e a empresa IBITIRAMA na sala 37, ambas no mesmo prédio e, segundo a fiscalização, mesmo assim, a correspondência enviada para a empresa IBITIRAMA retornou como sendo desconhecida. A Fiscalizada foi intimada no sentido de fornecer as notas fiscais da locadora dos equipamentos, bem como as cópias de cheques relativas aos pagamentos, mas não o fez, sob a simples alegação de que não foram os mesmos localizados. Ainda que se admita, por hipótese, o suposto furto de documentos, considerando que o sócio da empresa IBITIRAMA é o contador da empresa fiscalizada, não tinha esta qualquer dificuldade em obter a segunda via das notas fiscais ou extrato bancário indicando os valores recebidos da fiscalizada. Em resumo, para o deslinde da questão, além da alegação de nulidade, já rechaçada, a essência do litígio diz respeito a dois elementos: a prova da prestação dos serviços pelas empresas antes nominadas e a prova dos pagamentos. Do exame dos autos não se Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 17 identificou uma única prova quanto à prestação dos serviços e nem qualquer elemento de prova material do pagamento. Por mais que a fiscalização tivesse diligenciado não encontrou cheque, transferência bancária, ordem de pagamento ou extrato que pudesse ser indicativo dos supostos pagamentos lançados como despesas na contabilidade da recorrente. Resto convencido que o caso dos autos revela situação engendrada pela recorrente com a finalidade de simular despesa com o nítido propósito de reduzir o valor do imposto a pagar, o que caracteriza situação que justifica, inclusive, a qualificadora da multa, a qual mantenho junto com a exigência do IRPJ e da CSLL e passo ao exame da exigência do IRRF. Da exigência do IRRF – Processo 10580.728306/201165 Nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1996, “fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.” Do dispositivo acima transcrito depreendese que o critério material da exigência é “o pagamento”. Neste sentido há que se distinguir pagamento de “registro contábil”. Pagamento é o ato material de transferir recursos a outrem. Para que se faça exigência do IRRF com base em pagamento sem causa é necessário que se comprove a materialidade do ato e esta não se dá pelo simples registro contábil, mas sim pela efetiva transferência de recursos. Conforme já consignei em julgamentos anteriores, determinadas empresas tributadas com base no lucro real, com a finalidade de reduzirem a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contabilizam despesas não suportadas. Em tais situações estas despesas devem ser glosadas, aumentandose a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Todavia, não se pode exigir, de forma concomitante, IRRF como se ditos registros contábeis caracterizassem pagamento sem causa. O registro contábil, assim como não é prova material de despesa incorrida, também não é prova material de pagamento realizado. Em outras palavras, pagamento é ato concreto que decorre da efetiva entrega dos recursos. O registro contábil é ato formal que não prova pagamento e nem serve de critério material à exigência prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995. No caso concreto, se o registro contábil fosse prova material dos alegados pagamentos, em relação ao IRPJ e à CSLL terseia que afirmar que a empresa pagou os valores glosados. Contudo, tal afirmação haveria de resultar comprovada, fato este que não existe. Assim como os registros contábeis não servem para comprovar a efetiva existência das despesas, igualmente não se mostram hábeis para comprovarem pagamento para que se exija IRRF. Em não havendo prova material do pagamento não se pode exigir IRRF, sob pena de alterarmos o critério material da exigência do IRRF que deixaria de ser o efetivo pagamento, passando a ser o mero registro contábil. A propósito do tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em composições totalmente diferentes, em pelo menos duas ocasiões que tenho conhecimento, decidiu na seguinte linha: IR FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI Nº. 8.981, de 1995 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LÍQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE A aplicação do art. 61 está reservada Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 18 para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real (Precedente da CSRF. Ac. 0401.094. Sessão de 03/11/2008. Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Na mesma esateira das decisão anterior encontrase o acórdão proferido nos autos do processo nº 19515.000085/200496, do qual fui relator. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso referente ao processo nº 10580.728305/201111, inclusive com multa qualificada e dar provimento ao recurso do processo nº 10580.728306/201165, para cancelar a exigência do IRFonte. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 19 Voto Vencedor Conselheiro Antonio José Praga de Souza, Redator Designado. O presente voto vencedor abrange a questão referente ao IRRF, de que trata o processo nº 10580.728306/201165, em que o ilustre conselheiro relator Moises Giacomelli restou vencido. De inicio, assevero que, consoante Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 21 a 27 do Processo 10580.728306/201165, bem como o TVF do PAF de nº 10580.728305/201111, concluise que os autos de infração dos ambos se fundamentam em infrações distintas, isso porque os autos de infração relativos ao IRPJ e a CSLL, se fundamentam na glosa de despesas consideradas não existentes (com fundamento nos arts. 299 e 300, do RIR/99) pela autoridade fiscal e o auto de infração relativo ao IRFonte, se fundamenta na existência de pagamentos sem causa, conforme determina o § 1º, do art. 674, do RIR/99, ou seja, cobrase também do contribuinte o imposto devido pelos beneficiários desses pagamentos. Logo, não há que se falar em bitributação, muito menos em duplicidade de exigência. Conforme asseverado na decisão recorrida, “o fato dos dois fornecedores, ECONSERV e IBITIRAMA, terem informado receitas em suas Declarações Anuais do Simples Nacional (DASN), conforme planilhas, de fls. 290 e 291, trazidas aos autos juntamente com a impugnação, por si só, não implica na ocorrência de fato gerador do IRRF, do IRPJ ou da CSLL. Da mesma forma não comprovam a existência da operação (locação de equipamentos), ou seja, a causa dos pagamentos ora em lide, isso porque os fornecedores e a Contribuinte não lograram comprovar a vinculação entre a receitas informadas (DASN’s) e tais operações. Na verdade, por meio das referidas DASN, comprovase, sim, a existência dos referidos pagamentos às fornecedoras supracitadas. ... Utilizandome das palavras da própria Contribuinte, o suposto reconhecimento das receitas pela locação dos equipamentos à Requerente pelos fornecedores, faria com que estes restassem obrigados a submetêlas à tributação em obediência à determinação da legislação tributária, sendo estes optantes pelo SIMPLES NACIONAL ou não.” Compulsando os autos, principalmente o Termo de verificação fiscal (fls. 11 a 17), das páginas do livro razão (fls. 97 a 132) e a propria impugnação do contribuinte(fls. 270 a 301), constatase que nem a autoridade fiscal e nem a Requerente, questionam a ocorrência dos referidos pagamentos. Frisese que própria Requerente, assim, afirma na sua impugnação: “(...) Diante dos argumentos aqui esposados, como pedido sucessivo à nulidade do auto de infração, a Impugnante requer que O auto de infração seja declarado improcedente por esta douta corte administrativa, em respeito à inaplicabilidade do artigo 61, Lei n°. 8.981/95 aos pagamentos efetuados pela Impugnante, por apresentarem beneficiários identificados, constituidores de pessoas jurídicas, a efetiva realização dos serviços e locação de equipamentos, bem como por restar comprovada a comprovação do efetivo pagamento. (...)” Grifei. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 20 Pois bem, inobstante isso o ilustre Relator propugnou pelo cancelamento da exigência do IRFonte pelos seguintes fundamentos: “(...) Nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1996, “fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.” Do dispositivo acima transcrito depreendese que o critério material da exigência é “o pagamento”. Neste sentido há que se distinguir pagamento de “registro contábil”. Pagamento é o ato material de transferir recursos a outrem. Para que se faça exigência do IRRF com base em pagamento sem causa é necessário que se comprove a materialidade do ato e esta não se dá pelo simples registro contábil, mas sim pela efetiva transferência de recursos. Conforme já consignei em julgamentos anteriores, determinadas empresas tributadas com base no lucro real, com a finalidade de reduzirem a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contabilizam despesas não suportadas. Em tais situações estas despesas devem ser glosadas, aumentandose a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em outras palavras, pagamento é ato concreto que decorre da efetiva entrega dos recursos. O registro contábil é ato formal que não prova pagamento e nem serve de critério material à exigência prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995. No caso concreto, se o registro contábil fosse prova material dos alegados pagamentos, em relação ao IRPJ e à CSLL terseia que afirmar que a empresa pagou os valores glosados. Contudo, tal afirmação haveria de resultar comprovada, fato este que não existe. Assim como os registros contábeis não servem para comprovar a efetiva existência das despesas, igualmente não se mostram hábeis para comprovarem pagamento para que se exija IRRF. Em não havendo prova material do pagamento não se pode exigir IRRF, sob pena de alterarmos o critério material da exigência do IRRF que deixaria de ser o efetivo pagamento, passando a ser o mero registro contábil. (...)” Grifei. A meu ver, com a devida vênia, equivocase o douto Relator em suas razões, isso porque, inexiste controvérsia quanto ao efetivo ingresso de recursos na empresa oriundo de receitas de suas atividades operacionais; logo, a empresa possuía capacidade financeira para realizar esses pagamentos, tal qual foi contabilizado. Os artigos 923 a 925 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 3º).” Grifei. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10580.728305/201111 Acórdão n.º 1402001.202 S1C4T2 Fl. 0 21 No caso presente, a escrita contábil do contribuinte não foi desclassificada, por isso, coube ao Fisco fazer prova de que as empresas ECONSERV e IBITIRAMA não tinham condições de prestar os serviços tal qual consta nas notas fiscais, que efetivamente não foi prestado. Isso autoriza a conclusão de que os pagamentos tiveram outra causa ou outro beneficiário, daí, repito, a incidência do IRFonte, sendo que para isso a contabilidade faz prova sim a favor do Fisco. Nesse sentido já decidiu outros colegiados desse Conselho, a exemplo dos seguintes acórdãos: “APURAÇÃO CONTÁBIL A ciência contábil é formada por uma estrutura única composta de postulados e orientada por princípios. Sua produção deve ser a correta apresentação do patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas de suas variações. A apuração contábil observará as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir: comercial a Lei 6404/1976; contábil Resolução 750/1992 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo a critérios constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica originária de registro contábil tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil sob forma legal e um fato jurídico imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil, como determina a lei, tornase norma jurídica individual e concreta, observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo. Caso contrário, faz prova contra.” 1º Conselho de Contribuintes / Acórdão 10807.816 de 13/05/2004. Grifei PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. Subsiste a exigência do imposto exclusivamente na fonte quando o contribuinte não comprova a existência das operações que justificariam os pagamentos contabilizados.” CARF/ Acórdão 1302000.457 de 26/01/2011. Grifei. PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. A falta de comprovação da existência das operações que justificariam os pagamentos contabilizados enseja a cobrança de imposto de renda retido na fonte. CARF/ Acórdão 1202000.656 de 23/11/2011. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido negar provimento aos recursos interpostos nos processos 10580.728305/201111 e 10580.728306/201165. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 12/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 14041.000170/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete de Oliveira Barros- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
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Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 17 0/ 20 08 -8 8 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000170/200888 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.273 S2C3T1 Fl. 460 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/12/2007, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 05), a empresa deixou de incluir, nas GFIPs, pagamentos realizados aos segurados empregados, a título de PLR e comissões, considerados pela fiscalização como sendo remuneração indireta. A autoridade autuante informa que os pagamentos de comissões foram feitos por meio de depósitos nas contas correntes dos empregados e por meio de cartões operados pela Empresa Incentive House AS, e os PLR foram pagos em desacordo com a legislação específica que trata da matéria. A empresa autuada apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0332.220, da 7a Turma da DRJ/BSB, (fls. 423), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 150), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, sustenta o entendimento de que, na medida em que o principal encontrase em discussão, naturalmente o acessório se mostra injustificável, e que a mera circunstância de que não foram acolhidas as impugnações originárias quanto ao substrato das pretendidas exações, por si só, não têm o condão de imputar ao Contribuinte a pretendida sanção pecuniária. Argumenta que tratase de obrigação materialmente impossível, eis que na ausência da obrigação principal não há que se falar em cumprimento de medida acessória. No mérito, tenta demonstrar que os valores pagos a título de comissão e de PLR não possuem natureza remuneratória e, dessa forma, não integram o salário de contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000170/200888 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.273 S2C3T1 Fl. 461 3 VOTO Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise dos autos, constatase que as contribuições incidentes sobre as verbas omissas em GFIP foram lançadas por intermédio das NFLDs 37.135.1170 e 37.135.1162, que ainda estão sendo discutidas administrativamente. A recorrente alega que inexiste a obrigação principal, e que, portanto, o AI ora discutido tratase de obrigação materialmente impossível, eis que na ausência da obrigação principal não há que se falar em cumprimento de medida acessória. De fato, verificase que existe uma nítida conexão entre esses lançamentos, uma vez que, estabelecida a obrigação tributária principal, por força do levantamento dos fatos geradores e lançamento das respectivas contribuições previdenciárias, deparouse a fiscalização com a obrigação acessória descumprida, caracterizada por deixar de declarar os respectivos valores em GFIP. Assim, entendo que o julgamento do auto em questão depende da procedência das NFLDs que lançaram as contribuições omissas em GFIP, e tanto o AI discutido por meio do presente processo administrativo fiscal, quanto os que são objeto dos processos que discutem os lançamentos acima indicados, detêm a mesma causa de pedir, pois os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são praticamente idênticos e sucessórios. Nesse caso, resta inexoravelmente configurada a conexão entre os todos esses processos e, para evitar que se tenham decisões contraditórias, devese reunir os autos em uma mesma câmara, para que se aplique a todos eles a mesma decisão. Cumpre registrar que este Conselho vem decidindo no sentido de se admitir a possibilidade da aplicação da conexão em matéria de processo administrativo fiscal, conforme se denota das ementas abaixo transcritas: “NORMAS PROCESSUAIS. CONEXÃO. Dáse a conexão quando os fundamentos de fato e direito dos pedidos de um e de outro processo são idênticos. Neste caso, devese reunir os processos em uma mesma câmara para que se aplique a ambos a mesma decisão. Recurso não conhecido.” (Acórdão nº 20400694 do Processo Administrativo nº 10980013136200217; Órgão julgador: Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 08/11/2005) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 Ementa: CONEXÃO DE MATÉRIAS ANÁLISE CONJUNTA NECESSIDADE Identificadaconexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser reunidos para que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. (Acórdão nº 10517246 do Processo 19740000426200389; Órgão Julgador: Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária; Data de Julgamento 15/10/2008) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14041.000170/200888 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.273 S2C3T1 Fl. 462 4 Dessa forma, entendo que os referidos processos administrativos fiscais devam ser reunidos, a fim de afastar a hipótese de decisões contraditórias, nos termos do artigo 6º do Regimento Interno do CARF, que estabelece: “Art. 6º Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo.” Portanto, tendo em vista que restou configurada a existência da conexão entre os citados processos, devem ser os mesmos apensados e reunidos para que sejam julgados pela C. Câmara para a qual foi distribuído o primeiro processo. Portanto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que sejam os autos dos processos administrativos que discutem as NFLDs 37.135.1170 e 37.135.1162, apensados ao presente processo, a fim de que sejam julgados simultaneamente pela Câmara para a qual foi distribuído o primeiro deles. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 205DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 14486.000262/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DO DECRETO 70.235/72 O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo de 30 dias não merece ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2202-001.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 85 1 84 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14486.000262/200758 Recurso nº 907.394 Voluntário Acórdão nº 2202001.864 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria Omissão de rendimentos Recorrente INACIO BERNARDINO DE CARVALHO NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 INTEMPESTIVIDADE. ART. 33 DO DECRETO 70.235/72 O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo de 30 dias não merece ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 6. 00 02 62 /2 00 7- 58 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Relatório 1 Notificação de Lançamento Em revisão da Declaração de Ajuste Anual (fls. 1317), a autoridade administrativa lançou Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, com vínculo empregatício no anocalendário de 2004, e glosa de dedução a título de incentivo. O montante omitido seria de R$ 23.062,23, decorrente de rendimentos de diversas fontes pagadoras: Fundação Escola do Ministério Público do Estado do Paraná, Editora Atlas S.A., Associação dos Magistrados do Paraná, Associação Paranaense de Cultura – APC, Jurua Editora LTDA, Universidade Estadual de Londrina e União Educacional de Cascavel. A glosa de dedução de incentivo foi no montante de R$ 320,00, em decorrência de descompasso entre a declaração do notificado e a DBF da beneficiária do pagamento. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 7.034,58, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de ofício de 75% e juros moratórios. O contribuinte protocolou SRL – Solicitação de Retificação de Lançamento, que restou indeferida. O indeferimento da SRL foi informado ao requerente em 16/10/07. 2 Impugnação Indignado com a autuação o recorrente apresentou impugnação (fls.16) tempestiva esgrimindo os seguintes argumentos: a) os recibos da instituição beneficiária não possuíam nenhuma observação de que os valores doados não eram dedutíveis, motivo pelo qual declarou como dedutível o valor doado; b) os rendimentos não foram declarados pelo fato de as fontes pagadoras não terem lhe enviado os informes de rendimentos até a data da declaração; c) o valor recebido da Fundação Escola do Ministério Público do Estado do Parana é de R$ 1.040,00, e não de R$ 2.990,00, conforme consta no lançamento; d) o valor declarado como recebido da Juruá Editora Ltda. foi pago na forma de livros de autoria do próprio contribuinte, usados apenas para divulgação, sem qualquer retorno financeiro; e) parte da culpa por ter declarado erroneamente as deduções é da própria Receita Federal, que não deixa claro quais as doações podem e quais não podem ser deduzidas; f) a culpa pela omissão é das fontes pagadoras, pois o impugnante não possui vínculo empregatício, dando apenas aulas esporádicas em instituições de ensino, não tendo como recordar todos os pagamentos recebidos no ano anterior para fins de declaração se as fontes pagadoras não lhe entregarem o informe de rendimentos; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 14486.000262/200758 Acórdão n.º 2202001.864 S2C2T2 Fl. 86 3 g) mesmo que considerado devido o tributo, as multas de mora deveriam ser excluídas pelo fato de a culpa da omissão ser das fontes pagadoras. 3 Acórdão de Impugnação A impugnação (fls. 3235) foi julgada pela 4ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade, pela rejeição das preliminares, e pela procedência do auto de infração, sendo mantido o lançamento. Os fundamentos foram os seguintes: a) o fato de o contribuinte não ter sido intimado antes da lavratura da notificação de lançamento não anula o ato, vez que a participação do contribuinte na etapa inquisitória somente é devida quando a administração tributária considera necessário; b) o aproveitamento da dedução deve ser acostado por entrega de DBF (Declaração de Benefícios Fiscais) pela beneficiária; c) acerca do valor pretensamente errado no lançamento, não foi acostada prova alguma para modificar a presunção gerada pela declaração da fonte pagadora; d) quanto aos valores recebidos na forma de livros, tal recebimento não foi confirmado, e, mesmo que tivesse sido comprovado o pagamento in natura das prestações, o art. 3º, §4º, da Lei nº 7.713/88 estipula que a tributação independe da forma da percepção das rendas e proventos, bastando o benefício do contribuinte a qualquer título; e) correta a multa de ofício aplicada de 75%, pois é multa objetiva, indiferente a imputação de culpa subjetiva para sua configuração; 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 15/10/10, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 4247) em 12/01/11, ou seja, após o prazo legalmente concedido Em anexo foi juntado Comprovante de Rendimentos Pagos pela FEMPAR Fundação Escola do Ministério Público do Paraná, demonstrando que o valore recebido fora efetivamente de R$ 1.040,00. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso é intempestivo, pois apresentado após o prazo legal de 30 dias, conforme disposto no Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual o recurso não merece conhecimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. [...] Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Sendo assim, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 88DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904803/2009-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2004
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
Recurso Voluntário Negado.
A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
Numero da decisão: 3801-001.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
EDITADO EM: 08/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a legitimidade do crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 03 /2 00 9- 79 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904803/200979 Acórdão n.º 3801001.551 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 08/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904803/200979 Acórdão n.º 3801001.551 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 00601.11911.130106.1.3.041020, transmitida eletronicamente em 13/1/2006, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/4/2004 5856 19.422,57 14/5/2004 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito e PER/DComp, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 1602770491 19.422,57 DB: cód 5856 – PA 30/4/2004 19.422,57 0,00 Assim, em 20/4/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 877,06. Cientificado, via postal, dessa decisão em 29/4/2011 (fl. 26), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 29/5/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que na data do envio do PER/DCOMP ainda não teria transmitida DCTF retificadora, pertinente ao crédito do pagamento a maior. Informa que esta providência Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904803/200979 Acórdão n.º 3801001.551 S3TE01 Fl. 13 4 teria sido tomada em 27 de maio de 2009. Anexa as vias referentes aos créditos, juntamente com o recibo de entrega. A DRJ em Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato do processo, discorre sobre o instituto da compensação tributária. Enfatiza que a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e exige a existência de crédito líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Sustenta que pelos documentos que foram juntados, restou cabalmente comprovado que, por meio de DCTF retificadora, há a existência de pagamento indevido ou a maior. Argumenta que as provas juntadas no recurso voluntário, planilhas discriminando os valores a serem compensados e o Livro Diário da empresa, consubstanciam provas robustas da existência dos créditos que deverão ser compensados. Defende a tese de que não há qualquer óbice que impeça ao recorrente de trazer novas provas, ainda que em âmbito recursal, dada a prevalência do princípio da verdade material ou liberdade da prova. Colaciona doutrina sobre o princípio da verdade material. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904803/200979 Acórdão n.º 3801001.551 S3TE01 Fl. 14 5 Insiste na tese de que pelo princípio da verdade material, que além do contribuinte poder trazer novas provas, a todo o momento, inclusive na fase recursal, a Fazenda não deve ficar adstrita às provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, inclusive realizando perícias e diligências. Por fim, requereu que fosse acolhido e provido seu recurso para reformar o acórdão da Turma e julgar procedente o pedido de direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904803/200979 Acórdão n.º 3801001.551 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTFs, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, tais como: demonstrativo da base de cálculo do suposto pagamento a maior, notas fiscais de venda, escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, etc. A requerente teve a oportunidade de comprovar o seu direito creditório, todavia limitouse a apresentar um demonstrativo da compensação, uma demonstração de resultado para efeito de suspensão/ redução de IRPJ/CSLL, período base de 01/01/2005 a 31/10/2005, e o Livro Diário do período de apuração de outubro de 2005. Destaco que os lançamentos colacionados no Livro Diário não fazem quaisquer referências à composição da base de cálculo do período de apuração do suposto pagamento a maior. Os lançamentos referemse à apropriação dos créditos no mês outubro de 2005. Destarte, verificase que a recorrente não apresentou qualquer documento fiscal ou contábil referente ao fato gerador (auferimento de receita) do seu pretenso crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito créditório. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Pertinente é a colocação de Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart sobre o ônus da prova in Manual do processo de conhecimento. 5 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p. 271: A produção de prova não é um comportamento necessário para o julgamento favorável. Na verdade, o ônus da prova indica que Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904803/200979 Acórdão n.º 3801001.551 S3TE01 Fl. 16 7 a parte que não produzir prova se sujeitará ao risco de um julgamento desfavorável. Ou seja, o descumprimento desse ônus não implica, necessariamente, um resultado desfavorável, mas no aumento do risco de um julgamento contrário [...](grifo do original) Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis, em especial, demonstração da base de cálculo do período de apuração em que se apurou, em tese, um pagamento a maior. É preciso insistir no fato de que a simples retificação de DCTFs é insuficiente para se comprovar o direito creditório. Quanto ao princípio da verdade material, é importante salientar que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.904803/200979 Acórdão n.º 3801001.551 S3TE01 Fl. 17 8 solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Em remate, o direito creditório não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, não homologando a compensação. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 16/11/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.001614/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o lançamento veiculado por Notificação de Lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, na qual os fatos enquadrados como infrações estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa.
PRAZO ADICIONAL PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
O prazo para a interposição de recurso voluntário é estabelecido em lei, que não prevê a concessão de período adicional.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como deduções na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, o contribuinte não comprovou as despesas declaradas.
PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Aplicação da Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Aplicação da Súmula CARF n.° 4.
Numero da decisão: 2101-001.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento veiculado por Notificação de Lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, na qual os fatos enquadrados como infrações estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. PRAZO ADICIONAL PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O prazo para a interposição de recurso voluntário é estabelecido em lei, que não prevê a concessão de período adicional. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como deduções na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Na hipótese, o contribuinte não comprovou as despesas declaradas. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 16 14 /2 00 8- 31 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Aplicação da Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF n.° 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, a qual veicula glosa de deduções com despesas médicas no valor total de R$ 34.840,00, sendo R$ 25.000,00 supostamente pagos a Fernando Consolin Scaff e R$ 9.840,00, a Fernando Ress Barbosa. Segundo relato da Fiscalização (fls. 25), o contribuinte, intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas declaradas, alegou que os valores foram pagos em dinheiro e que, devido ao tempo transcorrido, não havia mais documentos que comprovassem os tratamentos. Em 11.2.2008, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 18), requerendo, em preliminar, a concessão de prazo adicional para a complementação da defesa. No mérito, alega que as despesas, realizadas no anocalendário 2003, são passíveis de dedução, vez que relacionadas a pagamentos por serviços prestados, sem limitação legal de valor. Além disso, os pagamentos foram todos feitos em dinheiro e a comprovação das despesas pode ser feita por meio de documento que, além de identificar o valor gasto, ainda descreve o tratamento realizado e confirma o atendimento. Sustenta que a capitulação da infração não condiz com os fatos verdadeiros, a multa é confiscatória e a aplicação dos juros com base na taxa Selic é inadmissível. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.001614/200831 Acórdão n.º 2101001.871 S2C1T1 Fl. 170 3 Além do prazo adicional para a complementação da defesa, requer, ao fim, que se declare nulo o auto de infração, em face da impropriedade do lançamento de oficio, tendo em vista a correção da declaração de imposto de renda, notadamente em relação às despesas informadas, bem como pelos demais fundamentos suscitados. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0629.447, de 30 de novembro de 2010, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PRAZO DE IMPUGNAÇÃO ADICIONAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O prazo de impugnação é estabelecido pela norma legal, descabendo a concessão de período adicional, sobretudo quando o interessado alega mas não logra comprovar suposto embaraço ao exercício de seu direito de defesa. DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PERCENTUAIS. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse multa de oficio e juros de mora nos percentuais legalmente determinados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi anexada Certidão de Óbito do contribuinte, na qual consta que ele veio a falecer em 24.11.2010. A viúva, Tânia Mara Ravedutti, interpôs recurso voluntário em seu nome, às fls. 65 a 83, no qual reitera as razões de impugnação. Mais uma vez, o interessado pede, em preliminar, a concessão de prazo adicional para a complementação da defesa. Requer seja reformada a decisão a quo, declarando nulo o auto de infração, em face da impropriedade do lançamento de oficio, tendo em vista a correção da sua declaração de imposto sobre a renda, notadamente em relação às despesas informadas, bem como pelos demais fundamentos suscitados. É o Relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Ficou comprovado nos autos, às fls. 84, por meio de Certidão de Óbito emitida pelo Oficial do Registro Civil do Serviço Distrital de Jardim Paulista em Campina Grande do Sul (PR), que o contribuinte faleceu naquele Município no dia 24 de novembro de 2010. Representao, no Recurso Voluntário, a cônjuge sobrevivente, Tânia Mara Reis Cestari Ravedutti, informando que, na data da interposição do referido recurso, ainda não tinha ocorrido a abertura de inventário e a consequente nomeação de inventariante (fls. 65). Faz juntar aos autos petição, por ela assinada, com firma reconhecida pelo Tabelionato Santa Quitéria – Curitiba – PR (fls. 65) e razões do recurso. O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Da nulidade do lançamento O recorrente sustenta que, no lançamento, a capitulação da infração não condiz com os fatos verdadeiros, verificandose imprecisão e falta de clareza quanto aos dispositivos legais que o embasam, causando a nulidade do lançamento. Alega que, além disso, o Fisco Federal, ao lavrar o “Auto de Infração”, não se preocupou em motiválo corretamente. Argumenta que a leitura do “Auto de Infração”, combinada com o exame do Termo de Intimação que antecedeu a sua lavratura, traduz ofensa ao seu direito de defesa, assim como não permite identificar onde reside a falha no preenchimento de sua declaração de IRPF. Compulsando os autos, verifiquei que o lançamento constante deste processo foi decorrente de revisão de declaração, que gerou uma Notificação de Lançamento, anexada aos autos às fls. 24 a 26, e foi dada ciência ao contribuinte do seu teor em 15.1.2008 (fls. 54). São requisitos da Notificação de Lançamento aqueles previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, que a seguir transcrevese: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.001614/200831 Acórdão n.º 2101001.871 S2C1T1 Fl. 171 5 A Notificação de Lançamento constante dos autos, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na função de Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR) (agente competente), preenche todos os requisitos exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infrações estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Mencionada Notificação de Lançamento contém, em seu bojo, a informação que o lançamento nela veiculado originouse de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, e ainda, especificamente, que o imposto suplementar lançado resultou da glosa de despesas médicas, eis que o contribuinte, intimado a comprovar o efetivo desembolso e a efetiva realização dos serviços, alegou que os valores foram pagos em dinheiro e que, devido ao tempo transcorrido, não havia mais documentos que comprovassem os tratamentos. A Notificação de Lançamento contém ainda a discriminação das despesas médicas glosadas, a identificação de cada despesa, o destinatário do suposto pagamento e o valor glosado, individual e total, tudo acompanhado do respectivo enquadramento legal. A motivação da glosa está descrita em detalhes na Complementação da Descrição dos Fatos, às fls. 25. Sendo assim, do exame dos autos, não só não verifiquei a existência de imprecisão ou falta de clareza, conforme alegado, como também não constatei qualquer outra irregularidade no lançamento que pudesse ensejar sua nulidade. 2. Do prazo adicional para a apresentação de defesa O recorrente alega ter havido cerceamento do seu direito de defesa, vez que, quando da fase de fiscalização que antecedeu à lavratura do auto de infração, apresentou todos os documentos (recibos) que comprovavam os valores despendidos com despesas médicas, o que certamente ocorreu, como a leitura do “AI” deixa patente. Desta feita, requer a concessão de prazo adicional para a complementação da defesa, após a devida entrega pelo agente fazendário de toda a documentação apresentada. Depreendese, do argumento expendido, que o recorrente quer dizer que necessita de um prazo maior para a sua defesa porque não está de posse dos recibos das despesas médicas incorridas, em razão de o agente da Fiscalização, no procedimento que antecede o lançamento, têlos retido sem que os tivesse devolvido. A alegação não merece prosperar. Contrariamente ao que afirma o recorrente, constatase, na Complementação da Descrição dos Fatos (fls. 25) integrante da Notificação de Lançamento, que o contribuinte, intimado a comprovar o efetivo desembolso e a efetiva realização do serviço médico, alegou que os valores foram pagos em dinheiro e que, devido ao tempo transcorrido, não havia mais documentos que comprovassem os tratamentos. Ademais, nos casos em que ocorre a retenção de documentos originais do contribuinte pela Fiscalização, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavra um “Termo de Retenção”, com fornecimento de uma via do Termo ao contribuinte, acompanhada de cópias autenticadas dos documentos retidos. O Relator do voto condutor da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, ao apreciar o argumento, assim se manifestou: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 “Não obstante a alegação, o interessado não traz comprovação de que houve retenção de seus documentos, sendo de se ressaltar que tal espécie de procedimento se faz acompanhar da correspondente emissão de ‘termo’, para documentar o fato, com fornecimento ao contribuinte, não só de uma via do ato administrativo, como também, usualmente, da cópia autenticada dos próprios documentos retidos. Nesse sentido, se verdadeira a alegação de que os documentos teriam permanecido em poder da fiscalização, deveria o impugnante, no mínimo, trazer aos autos do processo o ‘Termo de Retenção’”. O recorrente foi, por meio dessa colocação, informado que a comprovação de sua alegação deveria ser realizada, mas, mesmo assim, não carreou aos autos documentos que comprovassem a efetiva retenção dos recibos médicos, nem por meio da apresentação da sua via do Termo de Retenção, nem por qualquer outro meio. Não comprovou, portanto, sua alegação. Poderia têlo feito em sede de recurso voluntário, já que, em circunstâncias específicas, o fiscalizado pode apresentar provas mesmo após a apresentação da Impugnação, tal como prescreve o parágrafo 4.º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Como se vê, excepcionalmente, o próprio Decreto n.º 70.235, de 1972, admite a apresentação de provas em momento posterior ao da Impugnação, desde que ocorridas determinadas circunstâncias, que são aquelas previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo 4.º do artigo 16 do referido diploma legal, na forma estipulada em seu parágrafo 5.º. Isto significa dizer que é possível a juntada de provas após a Impugnação em circunstâncias excepcionais, nele previstas, e desde que requerida à autoridade julgadora mediante petição na qual se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas Fl. 102DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.001614/200831 Acórdão n.º 2101001.871 S2C1T1 Fl. 172 7 do parágrafo 4.º. Todavia, conforme constatado nos autos, o contribuinte não apresentou qualquer documento apto a comprovar que ficou impossibilitado de produzir a prova, tal como alegado. Por outro lado, a legislação que regula o processo administrativo fiscal não prevê dilatação do prazo para a apresentação de recursos. Pelo contrário, no processo administrativo fiscal, os prazos recursais são peremptórios e preclusivos. Mesmo que haja impossibilidade de obter documentos a serem anexados ao recurso voluntário, se é a vontade do contribuinte pleitear a reforma da decisão administrativa de primeira instância, o recurso deve ser apresentado no prazo, haja vista que, decorrendo o lapso temporal previsto em lei sem que ele seja entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, extinguese o direito do interessado de deduzilo. Sendo assim, o pedido do recorrente não pode ser deferido, por falta de previsão legal. 3. Da glosa de despesas médicas O recorrente alega que as despesas declaradas, realizadas no anocalendário 2003, são passíveis de dedução, vez que relacionadas a pagamentos realizados em contrapartida de serviços prestados, e que a lei não limita valor para as referidas deduções. Sustenta que a ausência de endereço nos recibos não pode ser motivo suficiente para a exclusão pretendida da sua declaração anual de ajuste; além disso, as despesas declaradas claramente podem ter sido suportadas pelo contribuinte em função de sua renda. Inicialmente, cumpre ressaltar que lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Fl. 103DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Os dispositivos acima transcritos autorizam a autoridade fiscalizadora a exigir esclarecimentos sobre o conteúdo da declaração de ajuste do contribuinte. Além disso, mais especificamente, o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, autorizaa a exigir comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). [...]. Sobre a forma como devem ser comprovadas as deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física de ajuste, com despesas médicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.001614/200831 Acórdão n.º 2101001.871 S2C1T1 Fl. 173 9 As despesas médicas, por constituírem deduções da base de cálculo do imposto sobre a renda, devem ser especificamente comprovadas, conforme se depreende da análise dos dispositivos legais que regem o tema. Os comprovantes das despesas incorridas não precisam ser anexados à Declaração Anual de Ajuste; no entanto, uma vez exigidos pela autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, devem ser exibidos pelo contribuinte. Para deduzir despesas médicas, não é suficiente comprovar que o contribuinte tinha possibilidade financeira de suportar a despesa declarada; é necessário que o serviço de saúde tenha sido efetivamente prestado para ele próprio ou seus dependentes e que tenha ocorrido o pagamento correspondente. No caso sob análise, os únicos documentos trazidos aos autos para o fim de comprovar as despesas médicas declaradas são as declarações às fls. 28 e 29, emitidas, respectivamente, por Fernando Consolin Scaff e Fernando Ress Barboza. Nelas, limitamse, ambos os emitentes, a informar que não mais dispõem de qualquer documento comprobatório dos atendimentos, dado o tempo decorrido desde a sua realização. No entanto, confirmam ter recebido, “em espécie”, determinados valores precisamente especificados. Tais declarações, genéricas e inconclusivas no tocante ao tratamento realizado, não cumprem nem mesmo os requisitos mínimos exigidos pelo artigo 8.° da Lei n.° 9.250, de 1995, acima transcrito. Por outro lado, nenhum outro documento foi anexado aos autos que pudesse complementar o conjunto probatório a fim de confirmar a efetiva prestação dos serviços de saúde. O contribuinte, que também foi intimado a comprovar o efetivo pagamento pelos serviços médicos declarados, não o fez, limitandose a informar que os pagamentos foram todos feitos em dinheiro. Diante disso, tendo em vista não ter ficado comprovada nem a efetiva prestação dos serviços médicos nem o efetivo pagamento a esse título, conforme declarado pelo autuado, não podem ser restabelecidas as deduções com despesas médicas. 4. Do caráter confiscatório da multa lançada Em sua peça recursal, o interessado argumenta que a multa aplicada é ilegal e abusiva, porque não se aplica ao caso vertente, além de ferir o principio do não confisco, eis que muito superior ao valor do tributo. Em primeiro lugar, não corresponde à verdade a afirmação de que a multa aplicada supera o valor do tributo. Nos casos em que a Fiscalização não constata a existência de dolo, fraude ou sonegação, a multa de lançamento de ofício é de 75% sobre o valor do tributo lançado. Foi o que ocorreu na hipótese. Verificase, no Demonstrativo de Apuração da Multa de Ofício e dos Juros de Mora (fls. 26), ter sido de 75% o percentual da multa de ofício, tal como previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 O contribuinte insurgese, portanto, contra o percentual da multa previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, entendendo que há, na hipótese, violação ao princípio da vedação ao confisco. Ocorre que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não podendo o agente da fiscalização proceder de forma diferente daquela prevista em lei. É o que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Uma vez constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, tal como ocorreu na hipótese (dedução indevida de despesas médicas, vide fls. 25), deve ser lançada a multa de oficio nos percentuais previstos em lei, sob pena de responsabilidade funcional. Determinar os percentuais de multa a serem aplicados no caso de infração à legislação tributária é atribuição do legislador. Não cabe à autoridade fiscal analisar se os percentuais de multa que a lei estipula são ou não são confiscatórios, afastando a sua aplicação quando entender pertinente. Os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos ao princípio da vedação ao confisco, por envolverem necessariamente a análise da constitucionalidade da lei que os fixou. E já está consolidado, no âmbito administrativo, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, tal como prevê a Súmula CARF nº 2, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tendo ficado assim decidido, é de se aplicar, ao presente caso, a Súmula CARF n.° 2. 4. Da Taxa Selic O recorrente argumenta que a Taxa Selic tem por finalidade premiar o capital investido pelo tomador de títulos da divida pública federal, refletindo um pagamento pelo uso do dinheiro alheio, ou seja, um meio de remunerar o capital, não havendo nada que lhe confira caráter moratório. Desse modo, impossível não se reconhecer que a taxa de juros em comento seja inconstitucional. Ocorre que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou sobre a aplicabilidade da taxa Selic no cômputo dos juros cobrados nos casos de recolhimento de tributo em atraso, por meio da Súmula CARF n.º 4, que assim prevê: Súmula CARF n.° 4: A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.001614/200831 Acórdão n.º 2101001.871 S2C1T1 Fl. 174 11 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Estando o assunto pacificado na esfera administrativa, não cabem mais debates a respeito da aplicabilidade ou não da taxa Selic sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no período de inadimplência. É de se aplicar a Súmula CARF n.° 4. Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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