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Numero do processo: 16643.000338/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243/02. LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 97, INCISO II, DO CTN.
A Instrução Normativa SRF nº 243/02, ao interpretar o comando legal do art. 18 da Lei nº 9.430/96, traduziu com precisão e sem extrapolar os limites legais a expressão matemática que alcança os objetivos da legislação de preços de transferência. A alegação de ofensa ao art. 97, II, do CTN decorre de interpretação equivocada do art. 18 da Lei n 9.430/96 que, em busca de redução no valor dos ajustes, afasta a aplicação da Instrução Normativa SRF nº 243/02.
MÉTODO PRL 60. PROCEDÊNCIA DA INCLUSÃO DOS FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS NA IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE DO § 4º DO ART. 4º DA IN SRF Nº 243/02.
Os valores de fretes, seguros e tributos devem ser incluídos na apuração do preço praticado nas importações realizadas, em virtude do disposto no § 6º, do art. art. 18 da Lei nº 9.430/96.
O § 4º do art. 4º da IN SRF nº 243/02 limitou-se a interpretar o § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 de forma a permitir a comparação entre grandezas equivalentes, garantindo, assim, a neutralidade das despesas com fretes, seguros e tributos devidos nas importações.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão dos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de prova.
Numero da decisão: 1301-002.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por DAR provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Milene de Araújo Macedo. Declarou-se impedido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MÉTODO PRL 60. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 243/02. LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 97, INCISO II, DO CTN. A Instrução Normativa SRF nº 243/02, ao interpretar o comando legal do art. 18 da Lei nº 9.430/96, traduziu com precisão e sem extrapolar os limites legais a expressão matemática que alcança os objetivos da legislação de preços de transferência. A alegação de ofensa ao art. 97, II, do CTN decorre de interpretação equivocada do art. 18 da Lei n 9.430/96 que, em busca de redução no valor dos ajustes, afasta a aplicação da Instrução Normativa SRF nº 243/02. MÉTODO PRL 60. PROCEDÊNCIA DA INCLUSÃO DOS FRETES, SEGUROS E TRIBUTOS NA IMPORTAÇÃO. LEGALIDADE DO § 4º DO ART. 4º DA IN SRF Nº 243/02. Os valores de fretes, seguros e tributos devem ser incluídos na apuração do preço praticado nas importações realizadas, em virtude do disposto no § 6º, do art. art. 18 da Lei nº 9.430/96. O § 4º do art. 4º da IN SRF nº 243/02 limitouse a interpretar o § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 de forma a permitir a comparação entre grandezas equivalentes, garantindo, assim, a neutralidade das despesas com fretes, seguros e tributos devidos nas importações. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 38 /2 01 0- 16 Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.345 2 Aplicase a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão dos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram por DAR provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Milene de Araújo Macedo. Declarouse impedido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.346 3 Relatório NOVARTIS BIOCIÊNCIAS S.A., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1 (fls. 49/69, vol.9), que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação, mantendose a exigibilidade, para: no IRPJ, o valor original no montante de R$29.409.118,33; e na CSLL, o valor original no montante de R$ 10.587.282,60, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, totalizando o valor de R$85.964.264,50. Passo ao relato da decisão recorrida: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 1220/1227, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, acerca da apuração dos preços de transferência nas importações, relativos ao anocalendário de 2006, constatouse o seguinte: DOS FATOS E DAS VERIFICAÇÕES FISCAIS No anocalendário sob exame, a contribuinte realizou operações de importação com pessoas vinculadas no exterior, estando sujeita ao controle fiscal dos preços de transferência. A fiscalização constatou, analisando as informações e os elementos apresentados pela contribuinte, que ela calculou um ajuste de R$ 269.852,59, usando o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de lucro de 60% (PRL60). Destaca a fiscalização que a contribuinte não lhe forneceu os papéis de trabalho e memórias de cálculo para comprovação dos preços de transferência conforme determina os incisos I e II do artigo 40 da IN SRF n° 243/2002. DO CALCULO DO PREÇO DE TRANSFERÊNCIA PELA FISCALIZAÇÃO A fiscalização relaciona, às fls. 1220verso e 1221, os dados e informações fornecidos pela contribuinte no decorrer do procedimento fiscal, e apresenta, à fl. 1221verso, um fluxograma que demonstra o caminho percorrido pelo insumo, desde a importação até sua efetiva saída (revenda ou consumo interno na produção de produto intermediário ou acabado destinado à venda posterior). De posse dos dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização iniciou o trabalho de análise dos elementos apresentados. Diante do grande volume de dados relativos à importação, a fiscalização selecionou para análise, por amostragem, 80% dos itens importados de pessoas vinculadas. Da análise dos dados selecionados, a fiscalização constatou a ocorrência de importação de medicamento semielaborado na forma de comprimidos a granel, faltando a conclusão do processo de embalagem primária e secundária. Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.347 4 Embalagem é o conjunto de operações, processos, materiais, equipamentos e mãodeobra, utilizado com a finalidade de acondicionar, proteger, informar, facilitar o uso, agregar valores, vender e transportar o produto acabado até os pontos de venda e utilização, atendendo às necessidades da população, proporcionando segurança à mesma. Embalagem primária: deve conter o medicamento, proteger o produto e fornecer inviolabilidade, informar e identificar o produto, o lote, a data de fabricação e validade, facilitar o uso com indicações para abertura. Um tipo de embalagem primária é o blist moldada com cavidades dentro das quais as formas farmacêuticas são armazenadas D ISPI Embalagem secundária: deve conter a embalagem primária. Tratase de uma caixa de apresentação do produto, com a aposição da marca, nome comercial do medicamento, instruções, bula. Embalagem terciária (embarque): é a embalagem que facilita o transporte e tem Por característica a integridade física da embalagem secundária. Destaquese que cada modelo de embalagem de apresentação recebe um código especifico de identificação. Os produtos importados pela contribuinte passam por etapas de produção no Brasil, havendo agregação de valor (embalagem primária e secundária). Por conseguinte, somente podem ser adotados os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), CPL (Custo de Produção mais Lucro) e PRL60. DA INFRAÇÃO APURADA Para o cálculo dos preços de transferência relativos aos produtos supracitados, a fiscalização adotou o método PRL60. Os preços praticados foram calculados com os valores constantes dos documentos de importação (Declaração de Importação — DI), por código de produto. Os valores dos produtos importados de pessoa vinculada foram ponderados com os valores dos estoques iniciais registrados no Livro Registro de Inventário Modelo 7. Os cálculos foram realizados segundo os artigos 3° e 4°, § 40, da IN SRF no 243/2002. A fiscalização procedeu ao cálculo dos preçosparâmetro usando o método PRL60, previsto na alínea "b" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF no 243/2002, pois tratase de bens importados aplicados à produção. A metodologia utilizada foi a prevista no § 11 do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. A contribuinte importou comprimidos a granel, que, pela peculiaridade do negócio farmacêutico, são consumidos na produção de um ou mais medicamentos com embalagem de apresentação. É normal a existência de embalagem de apresentação acondicionando 28 cápsulas (na forma de 4 blisteres x 7 cps) ou embalagem com 30 cápsulas (na forma de 3 blisteres x 10 cps). Para cada embalagem de apresentação, a contribuinte adotou uma codificação distinta, pois para cada embalagem temos um produto acabado diferente. É bastante comum na indústria farmacêutica a importação de produtos (principio ativo e semiacabado) de vinculada e sua aplicação na produção de produtos com Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.348 5 diversas embalagens de apresentação. Desse modo, para um mesmo item importado, devese preçoparâmetro final determinado pela média ponderada em função das quantidades consumidas e vendidas para pessoas nãovinculadas, pois não se admite que um insumo importado tenha mais de um preçoparâmetro. Assim procedendo, a fiscalização apurou, utilizando o método PRL60, ajuste adicional no montante de R$ 117.636.473,39, já considerando os ajustes constantes da Processo 16643.000338/201016 DR /SP1 Acórdão n.° 1630.604 DIPJ/2007 relativos aos produtos objeto de autuação (produto Starlix FCT 1 141.656,32, fl. 106), conforme demonstrativo de fl. 1226verso. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 07/12/2010 (fls. 1207 e 1212), a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída (fl. 1390), apresentou, em 05/01/2011, a impugnação de fls. 1315/1359, alegando, em síntese, o seguinte: DESCABIMENTO DA DESCONSIDERAÇA0 DO MÉTODO PRL20 NOS CASOS DE SIMPLES ACONDICIONAMENTO (EMBALAGEM, BULA E LACRE DE SEGURANÇA) Registrese, de inicio, que a adoção de procedimentos de acondicionamento somente é adotada pela contribuinte em razão de exigências da legislação brasileira, já que em outros países é permitida a venda de produto a granel para as farmácias, que efetuam as vendas exatamente nas quantidades indicadas para cada paciente. A impugnante entende que o procedimento de embalagem do produto no Brasil, sem qualquer processo de transformação ou alteração em suas características, permite a aplicação do método PRL20, pois não há, propriamente, a "produção" a que alude o artigo 18, inciso II, alínea "d", item 1, da Lei n°9.430/96. Os dispositivos que tratam do método PRL não se referem à "industrialização” conceito estabelecido pelo artigo 4° do Regulamento do !PI (Decreto n° 4.544/2002) , e ao termo "produção", sem definilo. De qualquer forma, não há razão para se imaginar o conceito de "produção" tão amplo quanto o de "industrialização". É de se imaginar que a expressão "produção", mencionada pela lei, deva ser entendida como a etapa após a qual o produto importado sofra tamanha mudança, que já não mais é possível dizer que se trata daquele mesmo produto. Nesse sentido, não pode ser considerado "produção" o mero processo de acondicionamento, conquanto este seja um processo industrial. No caso vertente, é evidente a inexistência da alteração dos bens importados pela contribuinte, os quais, após serem alocados em blisteres e em caixa de papelão (no caso de comprimidos a granel), continuam sendo os mesmos. Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.349 6 As embalagens em que a contribuinte alocou os produtos importados – em substituição às embalagens originais, utilizadas pelo exportador — não se destinam a complementar o produto, senão viabilizar a sua comercialização. Com relação ao critério de agregação de valor, todavia, devese têlo por estranho à caracterização da "produção". É que toda atividade desempenhada pela empresa, ainda que exclusivamente revendedora, implica agregação de valor. O trabalho, qualquer que seja, agrega valor ao bem, mesmo quando destinado à revenda. Descabe também a eventual argüição com base na diferença entre os "part number' relativos aos produtos importados antes e depois do acondicionamento. Se a contribuinte escolhe, em busca de melhor organização, classificar sob códigos diferentes os produtos acondicionados na embalagem original e aqueles acondicionados na nova embalagem, disso não decorre qualquer transformação no produto, que justifique a identificação de processo de produção. Cumpre, ainda, observar a Solução de Consulta Cosit n° 22/2008 (ementa às fls. 1326/1327), na qual o próprio Fisco asseverou que o acondicionamento não transforma o bem, não lhe agrega valor e, portanto, permitiria a aplicação do método PRL20. Essa conclusão poderia ser questionada, na linha da solução de consulta supracitada, se houvesse a aposição de marca, esta sim capaz de agregar valor a um produto. Mas, agregação de valor é irrelevante para a caracterização da produção. Ainda que houvesse a aposição de marca, com aumento do valor do bem, a produção não restaria caracterizada, ante a inexistência de transformação do produto. Mas, mesmo se assim não fosse, o acondicionamento realizado pela impugnante não envolve a aposição de merca. Por fim, cumpre observar que o entendimento da contribuinte no sentido de que não há, no acondicionamento, qualquer alteração do produto, mas apenas na forma de sua apresentação ao consumidor, inexistindo agregação de valor — é confirmado pela doutrina (fl. 1329) e pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes (ementa às fls. 1329/1330). ILEGALIDADE DA SISTEMÁTICA DE APLICAÇÃO DO MÉTODO 60 PREVISTA NA IN SRF N° 243/2002 A autoridade fiscal ignorou as memórias de cálculo apresentadas pela impugnante referentes à aplicação do método PRL60, elaborando um novo cálculo, de acordo com a metodologia prevista na IN SRF no 243/2002. O mesmo procedimento foi adotado quando da desconsideração, para alguns produtos, do PRL20 (item anterior). Ocorre que os ajustes com base na sistemática trazida pela IN SRF n° 243/2002 devem ser cancelados de plano, tendo em vista que tal sistemática constitui uma inovação ilegal em relação ao texto da Lei n° 9.430/96. As diferenças entre as sistemáticas da Lei n° 9.430/96 e da IN SRF n° 243/2002 acabam por gerar resultados distintos para o mesmo cálculo de preço de Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.350 7 transferência segundo o método PRL60. Como resultado, despesas que são dedutíveis segundo uma sistemática passam a ser indedutíveis segundo a outra. Diante dessa divergência de sistemáticas, é inconteste a prevalência da sistemática estabelecida pelo texto legal (Lei n° 9.430/96), em razão do principio constitucional da estrita legalidade em matéria tributária. A MP n° 478/2009, que não foi convertida em lei, tentou incluir, no corpo da Lei n° 9.430/96, a sistemática de cálculo prevista na IN SRF n° 243/2002. Para a impugnante é claro que o intuito do legislador, ao editar a referida MP, foi o de criar uma disciplina jurídica nova, cuja vigência abrangeria apenas os fatos posteriores a sua entrada em vigor (ou, melhor dizendo, fatos ocorridos a partir do ano seguinte conversão da MP n° 478/2009 em lei, em atenção ao disposto no artigo 62, §2° da CF/88). Essa também é a conclusão a que se chega a partir da leitura da Exposição de Motivos da MP n° 478/2009, que indica a necessidade de "instituir, em dispositivo legal, essas medidas que hoje constam apenas em Instrução Normativa". Com isso, fica evidente que a sistemática de cálculo do método PRL60 prevista na IN SRF n° 243/2002 somente poderia prevalecer se a MP n° 478/2009 tivesse sido aprovada pelo Congresso Nacional e, ainda assim, para fatos ocorridos após a sua edição. A ilegalidade da referida sistemática já foi, inclusive, reconhecida pelo Poder Judiciário. Ao julgar a apelação cível n° 003404852.2007.4.03.6100/ SP, o TRF da 3° Região afastou a aplicação da IN SRF n°243/2002 para o método PRL60 (fls. 1338/1339). SUBSIDIARIAMENTE: FRETE, SEGURO E IMPOSTOS Na remota hipótese de não se concluir pela ilegalidade da sistemática de cálculo doPRL60 prevista na IN SRF no 243/2002, ao menos os ajustes perpetrados no Auto de Infração deverão ser reduzidos, a fim de que se considere, no preço praticado nas importações da impugnante, o preço FOB, ou seja, sem a inclusão dos custos relativos a tributos, frete e seguro, pois esses custos não estão sujeitos aos limites de dedutibilidade impostos pelo artigo 18 da Lei n° 9.430/96. A interpretação lógica do § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 conduz à convicção de que a expressão "para efeito de dedutibilidade" indica, na verdade, uma confirmação da regra do caput, no seguinte sentido: já que os valores de frete, seguro e tributos sobre importações não estão sujeitos aos limites do caput, eles deverão integrar o custo, de apuração do lucro real. Há que se destacar, ainda, a ilegalidade da IN SRF no 243/2002, ao determinar a inclusão do custo CIF no preço praticado (artigo 4°, § 4°). No referido artigo 4°, § 40, da IN SRF n° 243/2002 omitiuse a expressão "para efeito de dedutibilidade", constante do § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, e, ainda, trocouse a expressão "custo" (conceito contábil) por "preço praticado" (conceito de transação controlada pelos preços de transferência). Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.351 8 Dessa forma, deve ser reconhecida, desde logo, a impossibilidade de se justificar a inclusão dos valores de frete, seguro e impostos no preço praticado, para fins de apuração do método PRL, com base na IN SRF n° 243/2002. Por fim, cumpre definir qual mecanismo deve ser adotado para que a neutralidade dos valores de frete, seguro e tributos seja alcançada. No caso do acórdão n° 10809763 (fls. 1340/1341), a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes optou por adicionar os referidos valores ao preço parâmetro. A elucidação matemática do que determinou o referido acórdão está a seguir demonstrada: Com a adição do custo de frete, seguro e impostos sobre a importação incorridos na importação ao preçoparâmetro, assegurouse a neutralidade, a seguir demonstrada: Vejase que os custos CIF incorridos na importação foram anulados pela adição determinada pelo julgador. E mais, o julgador pouco se importou com o CIFrep, pois ele naturalmente faz parte do preço de revenda. Ainda, considerandose que o § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96 não distingue qualquer método (aplicase igualmente a todos), somente seria possível concluir pela inclusão dos valores de frete, seguro e tributos no preço praticado se essa mostrasse sustentável para os 3 métodos (PIG, CPL e PRL). Mas a inclusão do custo CIF no preço praticado no caso do método CPL geraria situações absurdas, conforme demonstrado As fls. 1355/1356. Nesse caso, a equivalência das grandezas comparadas jamais seria atingida. Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.352 9 Não bastasse isso, a inclusão de frete, seguro e tributos sobre as importações, até mesmo a importação a preço zero teria ajuste, conforme a seguir exemplificado: Por todo o exposto, concluise que devem ser excluídos os valores de frete, seguro e impostos que compuseram os preços praticados considerados pela autoridade fiscal para a aplicação do PRL60. Como conseqüência, a base de cálculo do Auto de Infração deverá ser reduzida, considerando o preçoparâmetro FOB. CONCLUSÕES E PEDIDO A impugnante apresenta suas conclusões 5 fl. 1358, e requer, por todo o exposto, que o Auto de Infração seja cancelado. Requer, ainda, que as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores, bem como enviadas cópias à impugnante, protestando, ainda, por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos. A ora recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresentou recurso voluntário tempestivo, onde reforçou os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Importante ressaltar aqui, que o recurso voluntário já foi objeto de Acórdão, de número 1301000.995 desta 3a Câmara, em sessão de 7 de agosto de 2012 (fls. 2026/2038), cuja decisão do Colegiado foi no sentido de dar provimento ao recurso voluntário por unanimidade. Passo a colacionar a ementa produzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL20. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. EXIGÊNCIAS PARA A COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS. 1 Conforme se verifica da análise dos elementos contidos nos autos, o simples processo de “blisterização” não se caracteriza como específico processo de “produção” a descaracterizar a possibilidade de aplicação do critério do PRL20 de que tratavam as disposições originárias do Art. 18, inciso II, alínea d, item 2 da Lei 9.430/96. Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.353 10 2 Tal procedimento, conforme se verifica, é exigência para a comercialização do produto importado no mercado interno, não compreendendo, dessa forma, qualquer ato de aplicação do produto importado na produção. Deste Acórdão, recorreu a Fazenda Nacional, em sede de Recurso Especial, fls. 2076/2108, que foi admitido, já que apresentou como acórdão paradigma o de número 130200.915, proferido em 10/04/2012, pela 2a Turma da 3a Câmara da 1a Seção do CARF. Suscitou, em suma, a Fazenda Nacional a divergência da interpretação da legislação tributária em razão do acórdão recorrido entender ser aplicável o método PRL20 para o ajuste de preços de transferência no caso de acondicionamento e embalagem de produtos adquiridos a granel. Já o acórdão colacionado como paradigma trazer o entendimento de que em casos tais, ocorre efetivamente uma industrialização sobre o produto, e nesse caso,o método PRL60 deve ser aplicado para a determinação do ajuste. Os membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acordaram, por unanimidade de votos em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito, pelo voto de qualidade, foi dado provimento ao Recurso, com a determinação do retorno dos autos à Câmara a quo para análise das demais questões não apreciadas pelo acórdão recorrido (fls. 2155/2168). Segue abaixo a ementa produzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ADOÇÃO OBRIGATÓRIA. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. PROCESSO DE PRODUÇÃO. O processo de blisterização e a embalagem em caixas de papelão dos medicamentos importados a granel para venda no mercado interno constituise em uma última etapa do processo de produção, agregando valor ao produto e vinculando a apuração do ajuste de preço de transferência ao método PRL60, em detrimento do método PRL20, utilizável apenas e tão somente nos casos de simples revenda da mercadoria importada. Recurso Especial do Procurador Provido. Dessa forma, retornam os autos à esta Câmara para o fim de exclusivo de se manifestar a respeito dos seguintes itens do Recurso Voluntário que deixaram de serem analisadas em razão do cancelamento do lançamento: 1 legalidade e aplicabilidade ao presente caso da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que diz respeito à metodologia de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL60; Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.354 11 2 inclusão ou não dos custos com frete, seguros e impostos incidentes na importação no valor efetivamente pago pela mercadoria importada para efeito de determinar o custo da operação controlada (ou o “preço praticado”); e 3 aplicação de juros sobre a multa de ofício. Por sorteio, recebi estes autos em 26/01/2017. É o relatório. Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.355 12 Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora Tratase o presente caso, de retorno dos autos à esta Câmara para se analisar três aspectos que não foram analisados quando do julgamento do Recurso Voluntário por restarem prejudicados. Nos termos do Acórdão de Recurso Especial, restou reconhecido correto o método utilizado pela Fiscalização do PRL60 e dessa forma houve a necessidade desta Câmara se pronunciar acerca da: 1) legalidade e aplicabilidade ao presente caso da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que diz respeito à metodologia de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL60; Alega a recorrente que procedeu nos cálculos dos preços de transferência, aplicando o método do PRL60, nos termos da IN 243, porém o mesmo foi ignorado pela Fiscalização. De acordo com seu entendimento, tais cálculos, realizados com base na IN 243/02, não merecem permanecer, uma vez que se traduzem em inovação ilegal em relação ao determinado pelo texto da Lei 9.430/96. O método PRL60 foi introduzido no ordenamento jurídico pela Lei 9.959/00, que alterou o art. 18 da Lei 9.430/96 e regulamentado, de início, pelas INs SRF 113/2000 e 32/2001. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.356 13 d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000)” Em novembro de 2002, a IN 32 foi revogada pela dita IN 243, trazendo em seu bojo o art. 12, inciso IV, item b: art. 12 A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do §10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.357 14 apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Dessa forma, na metodologia proposta pela IN, o percentual da margem de lucro de 60% na composição do preço parâmetro será aplicado sobre montante inferior, se comparado ao montante calculado conforme os ditames da Lei 9.430/96. Trouxe a recorrente a seguinte figura: Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.358 15 Verificandose dessa forma, discrepância nos cálculos da IN 243 e da Lei 9.430/96. Já que nesse exemplo, um ajuste de 29,68 seria necessário. O que demonstra, que a IN trouxe um cálculo mais gravoso e extrapolando os conceitos trazidos pela norma legal. A Fazenda Nacional, em sede de Contrarrazões de Recurso Voluntário pugnou pela Legalidade do PRL60 conforme a IN 243/2002, alegando, em síntese, que a metodologia de cálculo da IN 243 simplesmente regulamentou o disposto no art. 18, inciso II, da Lei 9.430/96, em estrita conformidade à intenção do legislador: evitar a transferência indireta de lucros para o exterior nas operações praticadas entre partes vinculadas, através do controle dos preços dos bens importados. Continua ainda, no sentido de que a IN 243 veio a corrigir distorção implementada com a edição da IN 32/2001, não mais determinando a incidência da margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda do produto acabado, mas sobre a parcela desse valor que corresponde ao bem importado, i.e., a chamada “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância com o objetivo do método PRL 60 e a finalidade do controle dos preços de transferência. Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.359 16 Reconhece ainda que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL60, constatação esta que se agrava pela impropriedade de redação apontada, o que denota que não há uma única fórmula " pronta e acabada" no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei 9.430/96 é plurívoca, e dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa, de acordo com a finalidade da Lei. E que as " idas e vidas" da Receita Federal na regulamentação do método PRL60 não podem ser condenadas, e sim tratadas como a melhor aplicação da legislação, sendo que a IN 243 apenas visou preservar os contribuintes do erro cometido nas IN anteriores, ao não terlhe conferido efeito interpretativo e retroativo. Dessa forma, ele pugna pela legalidade do art. 12, § 11, da IN 243/02. A discussão em tela gira em torno dos cálculos trazidos pelas duas legislações, já que trazem diferentes cálculos matemáticos, uma em prol do Fisco e outra em prol do contribuinte. Para decidir, sirvome de excertos do voto do Acórdão Vencedor 1301 001.410, em que: De fato, adequada interpretação das disposições originariamente contidas na lei 9.430/96 levam á necessária conclusão de que a apontada margem de lucro deve incidir, apenas e tão somente, sobre o montante econômico representativo do bem importado, sendo, por isso, necessárias as deduções e exclusões apontadas. Assim, a discussão apontada desbota, então, na construção das seguintes formulações matemáticas: 1) PP = PLV – 60%(PLVVAB) 2) PP = PLV – 60%(PLV) VAB A primeira hipótese, insta destacar, é a hipótese construída pela aplicação direta das disposições contidas na Lei 9.430/96, nos termos antes previstos nas disposições da IN 32/2001, ao passo que a segunda, conforme se verifica, seria aquela construída a partir da aplicação das disposições da IN 243/2002, que, substituindo a primeira, passou, a partir de então, a pretender disciplinar a atuação dos contribuintes e dos agentes da fiscalização, inaugurando, assim, um atormentado período de debates a respeito de sua validade. Da forma como destacado, de fato, a distinção que se faz entre as duas hipóteses apresentadas é verificada pelo fato de que enquanto na primeira a margem de lucro a ser aplicada (60%) incidiria pelo valor líquido da transação (Preço líquido de venda, menos, o valor agregado no país), na segunda, aquela margem seria aplicada sobre o total do preço líquido de venda, sendo apenas posteriormente subtraído o valor agregado no Brasil. A discussão apontada era de tão grave relevância que, conforme antes aqui inclusive destacado, passouse a buscar a alteração das disposições da respectiva legislação de regência, com vistas Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.360 17 a compatibilizar as suas disposições com aquelas constantes na referida IN 243/2002, o que, conforme se verifica, fora atualmente verificado, tendo em vista as disposições inseridas no mencionado art. 18 da Lei 9.430/96 pela MP 563/2012, agora recentemente convertida na Lei 12.715/2012. Eis as novéis disposições da Lei 9.430/96: "Art. 18. ....................................................................... I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda empreendidas pela própria interessada ou por terceiros, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio ponderado de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, acrescido dos impostos e taxas cobrados na exportação no país onde tiverem sido originariamente produzidos, e de margem de lucro de 20% (vinte por cento), calculada sobre o custo apurado. § 1o As médias aritméticas ponderadas dos preços de que tratam os incisos I e II do caput e o custo médio ponderado de produção de que trata o inciso III do caput serão calculados considerandose os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. ............................................................................................. § 6o Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: I não vinculadas; e Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.361 18 II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. § 6oA Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea b do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. ............................................................................................. § 10. Relativamente ao método previsto no inciso I do caput, as operações utilizadas para fins de cálculo devem: I representar, ao menos, 5% (cinco por cento) do valor das operações de importação sujeitas ao controle de preços de transferência, empreendidas pela pessoa jurídica, no período de apuração, quanto ao tipo de bem, direito ou serviço importado, na hipótese em que os dados utilizados para fins de cálculo digam respeito às suas próprias operações; e II corresponder a preços independentes realizados no mesmo anocalendário das respectivas operações de importações sujeitas ao controle de preços de transferência. § 11. Na hipótese do inciso II do § 10, não havendo preço independente no ano calendário da importação, poderá ser utilizado preço independente relativo à operação efetuada no anocalendário imediatamente anterior ao da importação, ajustado pela variação cambial do período. § 12. As margens a que se refere a alínea d do inciso II do caput serão aplicadas de acordo com o setor da atividade econômica da pessoa jurídica brasileira sujeita aos controles de preços de transferência e incidirão, independentemente de submissão a processo produtivo ou não no Brasil, nos seguintes percentuais: I 40% (quarenta por cento), para os setores de: a) produtos farmoquímicos e farmacêuticos; b) produtos do fumo; c) equipamentos e instrumentos ópticos, fotográficos e cinematográficos; d) máquinas, aparelhos e equipamentos para uso odontomédico hospitalar; e) extração de petróleo e gás natural; e f) produtos derivados do petróleo; II 30% (trinta por cento) para os setores de: a) produtos químicos; b) vidros e de produtos do vidro; c) celulose, papel e produtos de papel; e d) metalurgia; e III 20% (vinte por cento) para os demais setores. § 13. Na hipótese em que a pessoa jurídica desenvolva atividades enquadradas em mais de um inciso do § 12, deverá ser adotada para fins de cálculo do PRL a margem correspondente ao setor da atividade para o qual o bem importado tenha sido destinado, observado o disposto no § 14. § 14. Na hipótese de um mesmo bem importado ser revendido e aplicado na produção de um ou mais produtos, ou na hipótese de o bem importado ser submetido a diferentes Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.362 19 processos produtivos no Brasil, o preço parâmetro final será a média ponderada dos valores encontrados mediante a aplicação do método PRL, de acordo com suas respectivas destinações. § 15. No caso de ser utilizado o método PRL, o preço parâmetro deverá ser apurado considerandose os preços de venda no período em que os produtos forem baixados dos estoques para resultado. § 16. Na hipótese de importação de commodities sujeitas à cotação em bolsas de mercadorias e futuros internacionalmente reconhecidas, deverá ser utilizado o Método do Preço sob Cotação na Importação PCI definido no art. 18A. § 17. Na hipótese do inciso I do § 10, não havendo operações que representem 5% (cinco por cento) do valor das importações sujeitas ao controle de preços de transferência no período de apuração, o percentual poderá ser complementado com as importações efetuadas no anocalendário imediatamente anterior, ajustado pela variação cambial do período." (NR) Ora, pela alteração legislativa apontada, verificase, agora sim, a consonância entre os critérios presentes na respectiva norma legal de regência e aquelas aplicadas pela Instrução Normativa apontada, o que, inegavelmente, anteriormente não se verificava. Diante dessas considerações, adotando, no caso, o preceito hermenêutico máximo de que “a lei não possui palavras inúteis”, a inclusão atual das disposições apontadas, inexistentes à época da efetivação do lançamento aqui discutido, simplesmente confirma a previsão de que, de fato, inexistia fundamento legal para as disposições da referida IN 243/2002, estando, por isso, desde antes, fadada de ilegalidade a conduta praticada pela fiscalização na presente vertente. Com base nesses fundamentos entendo, neste particular, pela invalidade/ilegalidade das disposições contidas na IN SRF 243/2002 – especificamente em relação às disposições contidas em seu art. 12 , relativamente ao período anterior às alterações efetivadas pela MP 563/2012 (convertida na Lei 12.715/2012), não se podendo, assim, de forma alguma, admitir como válida a sua aplicação pela fiscalização nos presentes autos, e, por conseguinte, concluo pela adequada regularidade dos procedimentos adotados pela contribuinte quando da quantificação dos valores devidos a título de Preços de Transferência, nos termos por ela então especificamente sustentado. Importante também trazer aqui, ementa da Apelação Cível n. 0028202 25.2005.4.03.6100/SP, do Tribunal Regional Federal da 3a Região, datado de 01/06/2016 e publicado em 14/06/2016, em que o Desembargador Federal André Nabarrete, decide a favor da apelante, também do ramo farmacêutico, como a ora recorrente, em assunto que se trata justamente da legalidade da IN 243/02: No caso dos autos, o objeto central da controvérsia, a Instrução Normativa nº 243, de 11/11/02, foi editada pela Secretaria da Receita Federal. Não bastasse, na inicial o impetrante pede seja "reconhecido o direito líquido e certo de não se sujeitar ao cálculo dos preços de transferência nos moldes da Instrução Normativa 243/02, o qual deverá ser apurado conforme estabelece a legislação pretérita", bem como o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos. [...] Pretende o impetrante impedir suposta majoração do IR e da CSL por força da modificação da forma de cálculo do preço de transferência utilizado em operações com pessoas vinculadas no exterior, consoante determinação da Instrução Normativa da SRF 243/02. Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.363 20 Sustenta que essa regulamentação extrapolou os termos do artigo 18 da Lei nº 9430/96 e, desse modo, é ilegal. A IN/SRF nº 32/2001 e a IN 243/02 mantiveram em comum que o preço de transferência pelo método PRL da Lei nº 9430/96, com a redação da Lei 9.959/2000, é o resultado do preço de revenda menos descontos incondicionais, impostos, comissões e o percentual de sessenta por cento. Porém, são completamente distintas no que se refere à forma de obtenção da margem de lucro de sessenta por cento, que a primeira simplesmente determina que incida sobre o preço líquido de venda menos o valor agregado no país, ao passo que a segunda obriga a apuração do percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, para então aplicálo sobre o preço líquido de venda e, assim, obter a participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido. Não se cuida de um mero detalhamento ou explicitação de conceitos, como alega o fisco, mas em clara modificação da sistemática legal e, mais grave, de modo a indevidamente majorar o tributo, em afronta aos artigos 5º, 150, inciso I, CF e 3º, 97, incisos II e III, §1º, e 114 do CTN, como bem ponderou o impetrante. A edição da Lei nº 12.715, em 17 de setembro de 2012, que deu nova redação ao artigo 18 da Lei 9430/96 e revogou a dada pela Lei 9.959, de 27/01/2000, expõe de modo cabal que a Instrução Normativa nº 243 havia desbordado desta última, porquanto o legislador encampou inteiramente com praticamente texto idêntico o que a regulamentação havia indevidamente antecipado. Não conhecido o agravo retido, acolhida a preliminar arguida nas contrarrazões, a fim de retificar a autoridade coatora para o Delegado da Receita Federal em Osasco, e, nos termos dos 515, § 3º, do CPC de 1973, correspondente ao artigo 1013, § 3º, inciso I, do CPC vigente, provido o apelo e concedida a ordem para que o impetrante não se sujeite à incidência da IN 243/02 e seja mantida a regulamentação da Lei nº 9430/96, com a redação da Lei 9.959/2000, por meio da IN/SRF nº 32/2001, até a edição da Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012. (gn) Dessa forma, tenho que a fórmula de cálculo do PRL60 prevista na IN 243, por determinar um cálculo claramente mais gravoso ao contribuinte. Vez que, para não se subjulgar a este cálculo teria ele que praticar uma margem de lucro bruto de 60% sobre o custo total do bem produzido, o que numa economia atual não seria crível nem praticável. Ademais, por causar uma clara e evidente majoração de tributo, extrapolando os limites da Lei 9.430/96, entendo pela ilegalidade das disposições da IN 243/02, dando provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Em sendo vencido neste ponto, passo à análise do segundo aspecto pelo qual foi determinado o retorno dos autos à esta Câmara. 2) inclusão ou não dos custos com frete, seguros e impostos incidentes na importação no valor efetivamente pago pela mercadoria importada para efeito de determinar o custo da operação controlada (ou o “preço praticado”) A recorrente requer, subsidiariamente, caso não seja concluída pela ilegalidade da sistemática de cálculo do PRL60 prevista na Instrução Normativa SRF nº 243/02, que seja considerado, como preçopraticado das importações o preço FOB, ou seja, sem a inclusão dos custos relativos a tributos, fretes e seguros. Pugna a recorrente, apenas no caso de não ser acolhido a ilegalidade da IN 243, que os custos incorridos com frete, seguro e Imposto de Importação sejam neutros para efeitos de preço de transferência e, por isso, devem ser excluídos do preço parâmetro. Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.364 21 Trouxe aos autos o Acórdão 9101002.420 da 1a Turma da CSRF, em que também é parte, da sessão de 18/08/2016, dos autos do processo 16327.002092/200532, com decisão favorável a respeito de frete, seguros e impostos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2000 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL. FRETE. SEGURO. TRIBUTOS. Nos termos do artigo 18, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, os valores de frete, de seguro, cujo ônus seja do importador, e de tributos não integrarão o cálculo do preço parâmetro (método de ajuste), quando devidos a pessoa não vinculada ao importador. A IN SRF nº 38/1997 não alterou a regra constante da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego (Relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Acompanhou a divergência, pelas conclusões, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Cristiane Silva Costa.” (Destaques) Nos termos do art. 18, §6o, da Lei 9.430/96, temos o seguinte: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação.” Já a Fazenda Nacional entende que o frete, o seguro e os tributos incidentes sobre a importação devem integrar o custo da operação controlada (o "preço praticado"), para efeito de aferição da dedutibilidade. E nessa linha, o §6o estabelece uma exceção ao regime definido pelo caput do art. 18, incluindo na apuração da dedutibilidade valores que não decorrem de operações efetuadas com partes vinculadas, isto é, o frete e o seguro cujo ônus tenha sido da empresa brasileira, e o imposto de importação. Tratandose de verdadeira exceção ao regime delimitado pelo caput do art. 18, no sentido de integrar ao custo da operação controlada os valores do frete, seguro e imposto de importação, ainda que decorrentes de transações com pessoas independentes. Em suma: a interpretação do art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430/96 defendida pela Fazenda Nacional apenas neutraliza a majoração do preço parâmetro decorrente da influência de frete, seguro e imposto de importação no preço de revenda do bem importado, no intuito de viabilizar a comparação entre grandezas equivalentes. Por consequência, não há que se cogitar Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.365 22 em “restrição de dedutibilidade” de despesas pagas a terceiros independentes, uma vez que tais despesas continuam sendo dedutíveis, sem qualquer prejuízo ao contribuinte. Nesse ponto, filiome ao voto vencedor, no sentido de que: Notese que a contratação de seguro e de frete entre pessoas independentes impõe a exclusão no cálculo do preço parâmetro, afinal, a manipulação de preço só poderia ocorrer entre partes relacionadas como explicitado pelo caput do artigo 18 que é sua razão de ser, incorporando o princípio arm 's lenght. No mesmo sentido, os tributos incidentes na importação, que, por óbvio, são devidos a pessoa não vinculada ao importador. Este é o sentido, seja literal, seja teleológico do § 6° do artigo 1 8. Vejase. O § 6° do artigo 18 dispõe que os valores de frete e de seguro integram o custo, desde que o ônus seja do importador assim como prevê que os valores de tributos incidentes na importação integram o custo tout court . Integram o custo para quê? Para dedutibilidade. o §6o do artigo 18 não diz que os valores de frete e de seguro, desde que o ônus seja do importador, integram o custo para efeito do cálculo do preço parâmetro, ou para efeito de aplicação do método do inciso II do caput do artigo 18 (PRL) ou de qualquer outro método previsto nesse artigo. Realmente, não haveria sentido em se reduzir "margem de lucro" calculada sobre os valores de frete e de seguro, cujo ônus tenha sido do importador, nem sobre tributos incidentes na importação. Eis, portanto, o sentido literal como o finalístico do § 6° do artigo 18. Tais valores integram o custo para efeito de dedutibilidade. Ademais, sustenta a Recorrente que a Instrução Normativa n°38/1997 autorizaria tal exclusão, ao utilizar o termo "poderão" no artigo 4°, §4°, verbis: Art. 4° Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § l°, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 4° Na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, poderão. também, ser computados os valores do transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação. Não me parece seja este o fundamento da autorização para a exclusão. de frete, seguro e tributos, na medida em que a própria Lei n° 9.430/1996 já definia esta exclusão. E não me convence o argumento de que a utilização do termo "poderão" na Instrução Normativa citada significaria uma faculdade ao contribuinte, embora reconheça a imprecisão no seu uso. Isto porque é usual a utilização de termos imprecisos pelo legislador, sem que esta imprecisão possa isoladamente justificar a interpretação tributária para identificação de obrigações, permissões e proibições. No contexto das normas que regulam os preços de transferência, entendo que a originária redação do artigo 18, § 6°, da Lei n° 9.430/1996 autorizava a exclusão de Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.366 23 frete, seguro e tributos, do cálculo do preço parâmetro. Portanto, não há qualquer alteração nesta sistemática que tenha sido procedida pela IN SRF n° 38/97. No caso em tela, estamos tratando de regras de preços de transferência, em que se pressupõe a existência de pessoas vinculadas, e nesse âmbito devemos tratar a questão relativa à dedutibilidade dos fretes, seguros e tributos da importação. Assim, os dispêndios com tais despesas, pagos a pessoas não vinculadas não integram o preço parâmetro para fins de preço de transferência. Ou seja, o frete contratado não foi com empresa vinculada, e os seguros, foram contratados no Brasil, não se sujeitando ao preço de transferência, e por óbvio os tributos, devidos à União. Ademais, de se ressaltar que a legislação de preços de transferência passou por relevantes alterações nos últimos anos, o que demonstra que as alterações tiveram por base motivação de que foram essenciais para compreender como deve ser realizado o cálculo do ajuste. Nesse aspecto, trago à colação a exposição de motivos da Medida Provisória 563/2012, que foi convertida na Lei 12.715/2012, especialmente o item 61 e 62: 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: (...) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira;(gn) Por todo o exposto, entendo que os valores de frete, seguro e tributos sobre a importação devem ser neutros quanto ao controle dos preços de transferência e dessa forma devam ser excluídos do preço parâmetro no presente caso. 3 aplicação de juros sobre a multa de ofício. Foi devolvido a esta Câmara, também, a análise acerca da aplicação de juros sobre a multa de ofício. No que se refere ao art. 161 do CTN, em que se determina a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.367 24 A Fazenda Nacional, de outro modo, pugna pela manutenção dessa exigência, no sentido de que a multa integra o crédito tributário. O art. 161 do CTN, cumulado com o art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, constituem os fundamentos sobre os quais se exigem os juros de mora sobre a multa de ofício. Os referidos dispositivos encontramse adiante transcritos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, denotase que a taxa SELIC deve ser aplicada "sobre os débitos a que se refere este artigo". Por seu turno, o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 dispõe sobre "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Não há, portanto, qualquer dispositivo legal que permita a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. Notese que a multa de ofício é uma punição imposta ao contribuinte pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo, isto implica dizer que esta penalidade não é um débito decorrente de tributos e contribuições federais. Desta forma, voto no sentido de não incidência dos juros sobre a multa de ofício decorrente do descumprimento da obrigação principal tributária, devendo ser dado provimento ao recurso voluntário em relação a esta questão. Conclusões Quanto aos itens remetidos a esta Câmara, pela CSRF: Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.368 25 1 legalidade e aplicabilidade ao presente caso da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que diz respeito à metodologia de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL60; 2 inclusão ou não dos custos com frete, seguros e impostos incidentes na importação no valor efetivamente pago pela mercadoria importada para efeito de determinar o custo da operação controlada (ou o “preço praticado”); e 3 aplicação de juros sobre a multa de ofício. Entendo e voto: 1 pela ilegalidade da IN 243; em sendo vencido, voto: 2 pela exclusão dos custos com frete, seguros e impostos incidentes na importação do preço parâmetro; e 3 pela não aplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício. Dessa forma, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.369 26 Voto Vencedor Conselheira Milene de Araújo Macedo, Redatora Designada IRPJ Em que pesem os argumentos efetuados pela I. Conselheiro Relatora, divirjo do seu voto relativamente às matérias devolvidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais a esta Turma Ordinária, pelos motivos a seguir expostos: (i) legalidade e aplicabilidade ao presente caso da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que diz respeito à metodologia de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL60 A recorrente alega que a metodologia proposta pela Instrução Normativa SRF nº 243/02 para o cálculo do preço parâmetro no método PRL 60 é mais gravosa e extrapola os conceitos trazidos pela Lei nº 9.430/96, sendo, portanto, ilegal. A legalidade da Instrução Normativa SRF nº 243/2002 tem sido objeto de diversas discussões neste Colegiado. O objetivo primordial da legislação sobre preços de transferência é evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações e exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no exterior. Nesse sentido, a interpretação dada pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002 ao método PRL60 é a que melhor se coaduna com os objetivos da legislação, uma vez que a margem de lucro é calculada, não sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no país, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final. Por bem fundamentar a legalidade da expressão matemática traduzida pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, transcrevo o voto vencedor do I Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, no Acórdão nº 1301001.056, da sessão de 02/10/2012, o qual adoto como razões de decidir, nos termos do art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/99: "Com efeito, as regras de preços de transferência, introduzidas no ordenamento jurídico pátrio por meio da já citada Lei n° 9.430, de 1996, objetivam impedir que, por meio de artifícios, rendas que deveriam permanecer no país sejam transferidas para o exterior. Tratandose de operações de importação de bens, serviços e direitos, tais transferências poderiam se dar por meio de superfaturamento, em que os custos seriam artificialmente majorados. A diferença entre o custo majorado e o que seria incorrido em uma operação sem artificialismos revela o montante da renda que, indevidamente, está sendo remetido ao exterior. O que, no parágrafo anterior, denominouse CUSTO INCORRIDO SEM ARTIFICIALISMOS, nada mais é que o PREÇO PARÂMETRO almejado pela lei a partir do estabelecimento de métodos matemáticos. O que a legislação de preços de transferência objetiva, portanto, é identificar, por meio de métodos matemáticos, o custo (no caso da importação) efetivo de determinado bem, serviço ou direito, caso a operação não seja realizada com pessoa vinculada ou com pessoa situada em país ou dependência com tributação favorecida Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.370 27 ou cuja legislação interna oponha sigilo à divulgação de informações referentes à sua constituição societária ou titularidade. Observase que, no método em debate (PRL 60), o legislador partiu do preço de revenda para chegar ao custo. Assim, parece razoável que se possa buscar a expressão matemática do preço parâmetro por meio do caminho inverso, isto é, através dos elementos formadores do preço. Em elevada sintetização, a formação de preços consiste em um processo de acumulação de custos, acrescida de uma margem de lucro. Admitida uma liberdade terminológica, isto é, abandonado o rigor dos conceitos próprios da teoria econômica, podese afirmar que o preço praticado por determinado unidade produtiva resulta da soma dos custos totais incorridos no processo produtivo, incluídos aí a remuneração dos fatores de produção (valor agregado), acrescidos de uma margem de lucro. A grosso modo, o preço de venda (PV) de um determinado produto poderia ser assim determinado: PV = custo de importação dos insumos + custo incorrido no processo produtivo (remuneração de fatores = valor agregado) + impostos, descontos incondicionais, comissões, etc. (despesas fixas e variáveis) + margem de lucro. No caso da aplicação do método do Preço de Revenda menos Lucro a insumo importado utilizado no processo produtivo, o preço parâmetro representa o custo de importação livre dos elementos previstos na lei como integrantes do preço de revenda. Daí que se considera esse preço de revenda diminuído dos descontos incondicionais; dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; das comissões e corretagens pagas; da margem de lucro fixada pela lei (60% sobre o preço de revenda após deduzidos os descontos incondicionais, os impostos e contribuições incidentes sobre as vendas e as comissões e corretagens pagas); e do valor agregado do país. Exprimindo matematicamente esta primeira análise, teríamos: PP = PR C/D ML (PR C/D) VA Onde: PP = Preço Parâmetro; C/D = Custos e Despesas previstos na lei; ML = Margem de Lucro VA = Valor Agregado Considerando "PR C/D" como Preço Líquido de Revenda (PLV), teríamos: PP = PLV ML (PLV) VA Vêse, pois, que, na metodologia do PRL, a determinação do preço parâmetro parte do preço de revenda para, excluindo os elementos formadores deste mesmo preço (custos e despesas incorridos; margem de lucro; e valor agregado) chegar ao valor de comparação estipulado pela lei. Noutra vertente, utilizandose a mesma nomenclatura acima, o preço parâmetro também poderia ser expresso da seguinte forma: Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.371 28 PP = PLV ML (PLV VA) ou PP = PLV ML (PLV) + ML (VA) Notese que, neste caso, o preço de comparação (preço parâmetro), que deveria representar o preço de revenda diminuído dos seus elementos formadores, passa a ser o preço de revenda diminuído dos custos e despesas incorridos e da margem de lucro incidente sobre ele, porém, acrescido da margem de lucro incidente sobre o valor agregado, o que, à evidência, revela artificialismo na sua determinação e desvio em relação ao pretendido pela lei. Como reforço à interpretação aqui expendida, segue, abaixo, pronunciamento do Ilustre Conselheiro Leonardo Andrade do Couto (acórdão n° 110200610, de 23 de novembro de 2011), que, escudandose em estudo feito pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, naquilo que importa reproduzir, assinalou: [...] Em recente trabalho sobre o tema, a PGFN justifica o porquê da apuração nos termos supra estipulados em detrimento à sistemática suscitada pelo sujeito passivo, e esclarece que pela leitura do art. 18, da Lei nº 9.430/96 já se poderia chegar a essa conclusão: É importante ressaltar, nesse passo, que a fórmula mencionada pode ser extraída da leitura do art. 18 da Lei nº 9.430/96, considerando a falta de clareza na redação do item 1 do inciso II, in verbis: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (grifos do original) De fato, é possível interpretar o texto legal no sentido de que o parâmetro seria obtido a partir da “média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos (i) dos descontos incondicionais concedidos, (ii) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas, (iii) das comissões e corretagens pagas, (iv) da margem de lucro de sessenta por cento, e (v) do valor agregado no País”. Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.372 29 A margem de lucro de sessenta por cento, por sua vez, seria calculada exclusivamente “sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores”. Nesse sentido, vale transcrever as observações de Ricardo Marozzi Gregório acerca da falta de clareza do texto legal: “Neste ponto, um importante aspecto deve ser observado. Tratase da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d”. Com efeito, afirma se que a margem de lucro de 60% deve ser “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País” Ora, uma primeira leitura deste trecho faz pressupor que houve erro gramatical na utilização da reposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Assim, para que ficasse gramaticalmente correta, ao invés de “do valor agregado” deveria se assumir que a lei quis dizer “o valor agregado”. [...] Quanto à primeira investigação, já se mencionou que uma possível premissa para a interpretação da falta de clareza do texto introduzido no item “1” da nova alínea “d” do artigo 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é a aceitação de que houve um erro gramatical na utilização da preposição “de” juntamente com o artigo “o” antes da expressão “valor agregado”. Pois bem, uma outra possível premissa é a que sustenta que não houve erro gramatical, mas técnica redacional inapropriada. Para melhor esclarecimento, vale a pena reproduzir a íntegra do novo texto do artigo 18, inciso II, depois da alteração introduzida pela Lei nº 9.959/00: [...] A técnica redacional inapropriada, identificada por Victor Polizelli, decorre da percepção de que a expressão “do valor agregado” não se refere à palavra “deduzidos”, presente no mesmo item “1” da alínea “d”, mas sim à palavra “diminuídos”, que consta no “caput” do próprio inciso II. Esta técnica seria justificada pela intenção de se evitar a inserção de uma alínea “e”, pois a exclusão do valor agregado só se aplicaria na hipótese de bens aplicados à produção. [...] Assumindo essa premissa para as hipóteses de produção local, uma outra fórmula de apuração do preço parâmetro pode ser identificada: PP = PL – 0,6 x PL – VA.” (Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PR. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo. Dialética, 2009. p. 170915. Nessa linha de raciocínio, notase que a expressão “do valor agregado” se refere ao termo “diminuídos” (inciso II), e não à palavra “deduzidos” (item 1 da alínea d). Como apontado no trecho citado, cuidase de técnica redacional inapropriada, voltada a evitar a inclusão de mais uma alínea no inciso II do art. 18, hipótese que se visualiza abaixo: II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.373 30 b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. e) e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção. Por outro lado, a tese de que o valor agregado deve ser incluído no cálculo da margem de lucro não está em sintonia à própria dicção do dispositivo legal Para abrigar a interpretação proposta pela contribuinte, o item 1 do inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 deveria ser redigido nos seguintes termos: “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ou “1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após a dedução dos valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção.” ... Em resumo, é necessário deixar claro que a interpretação meramente gramatical do art. 18 da Lei nº 9.430/96 pode resultar em diferentes fórmulas de cálculo do PRL 60, o que denota que não há uma única fórmula “pronta e acabada” no diploma legal. Assim como em qualquer texto, a interpretação da Lei nº 9.430/96 é plurívoca, o que dá margem a dúvidas que devem ser esclarecidas pela regulamentação administrativa. Não resta dúvida de que a Instrução Normativa 243/2002 revela interpretação distinta da que foi feita pela a que lhe antecedeu (Instrução Normativa SRF n° 32, de 2001), mas isso não autoriza a conclusão de que a interpretação anterior estava em conformidade com a lei e a atual representou inovação. Ao contrário, como anteriormente demonstrado, a interpretação trazida pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002, é a que melhor traduz os comandos estampados no art. 18 da Lei n° 9.430/96, vez que revela com maior precisão o objetivo almejado pelo referido diploma legal. No que diz respeito à proporcionalização, a questão é de ordem puramente matemática (e não jurídica), que empresta maior exatidão na determinação do preço parâmetro. Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.374 31 Tratandose de comparação de custos (CUSTO LEGAL/PREÇO PARÂMETRO X CUSTO APROPRIADO), resta evidente que eu não posso confrontar o custo do insumo (PARTE DO PRODUTO) com o custo total do produto. Ademais, a proporcionalização em comento produz a exclusão in totum do valor agregado, permitindo, assim, a explicitação mais adequada do preço parâmetro. A alegada "majoração (indevida) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL", logicamente, é mera decorrência de exercício interpretativo das disposições do art. 18 da Lei n° 9.430/96, que, afastando os preceitos da Instrução Normativa n° 243/2002, revelou alternativa matemática mais favorável para a determinação do ajuste exigido pela legislação de regência. O fato de a exposição de motivos da Medida Provisória n° 478, de 2009, assinalar que grande parte da legislação relativa a preços de transferência encontra se baseada em normas complementares não autoriza concluir que referida Medida pretendeu corrigir ilegalidades da Instrução Normativa SRF n° 243/2002. O objetivo, a bem da verdade, foi, nos exatos termos ali expressos, "reduzir a litigiosidade que a matéria tem suscitado'". Resta evidente que a inclusão da fórmula de determinação do preço parâmetro sob discussão em dispositivo com força de lei, a exemplo do que fez a Medida Provisória n° 563, de 03 de abril de 2012, atual Lei n° 12.715, de 2012, contribui para a redução dos litígios, mas, como dito, isto não significa dizer que a interpretação trazida pela norma complementar editada pela Receita Federal inovou em relação ao comando legal da qual ela emergiu. Em sentido contrário, temse que a contemplação em referência reafirma a procedência da interpretação infralegal, vez que representa absoluta convergência com o objetivo almejado pelas regras de preços de transferência. Cabe destacar que, não obstante a reprodução da metodologia trazida pela Instrução Normativa 243/2002, tanto a Medida Provisória n° 478, como a de n° 563, não trataram exclusivamente desta matéria (metodologia do cálculo do preço parâmetro), eis que promoveram, fundamentalmente, alteração na margem de lucro. Releva notar que os efeitos econômicos decorrentes da aplicação do método PRL 60, residem, essencialmente, na fixação, pela lei, da margem de lucro de 60%, matéria em relação a qual, ao menos em seara administrativa, a autoridade julgadora não pode se desviar do estabelecido em lei. A Medida Provisória n° 563/2012 (Lei n° 12.715, de 2012), ao reproduzir a metodologia estampada na Instrução Normativa 243/2002, joga por terra o argumento de que referida norma complementar viola o princípio "arm's lenght" e reafirma o reverberado por densa doutrina no sentido de que, visto pela ótica econômica, o fator negativo do método PRL 60 repousa na margem de lucro de 60%, considerada excessiva se comparada a aplicável aos casos de importação para revenda (20%). Aqui, não se está negando eventuais efeitos negativos, do ponto de vista econômico, da fórmula estampada na IN 243, mas, apenas, destacando que ela retrata de forma fiel o estabelecido pela lei de regência. Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.375 32 Concluiu, assim, o Colegiado, no sentido de que a expressão matemática extraída das disposições da IN 243 é a que otimiza o pretendido pelas normas de preços de transferência, eis que: i) matematicamente, preserva uma margem de lucro mínima, no patamar fixado pela lei (60%); ii) possibilita o ajuste tomando por base o insumo importado, e não o valor total do produto dele decorrente; iii) exclui integralmente o valor agregado, permitindo a explicitação do preço parâmetro livre de qualquer artificialismo; e iv) em que pese eventuais distorções econômicas no âmbito em que é aplicada (empresas submetidas ao controle), alcança o objetivo pretendido pelas normas de preços de transferência." Dessa forma, considerando que a Instrução Normativa SRF nº 243/02 interpretou o comando legal do art. 18 da Lei nº 9.430/96, em consonância com os objetivos da legislação de preços de transferência, é improcedente a alegação da recorrente de ilegalidade da referida Instrução Normativa sob o argumento de que a metodologia nela prevista extrapola os limites legais. Nesse sentido, os recentes entendimentos jurisprudenciais da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste órgão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A IN SRF nº 243/2002 não viola o princípio da legalidade tributária, estando em consonância com o que preconiza o art. 18 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 9.959/2000. (Acórdão 9101002.417, de 17/08/2016) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. (Acórdão 9101002.446, de 21/09/2016) (ii) inclusão ou não dos custos com frete, seguros e impostos incidentes na importação no valor efetivamente pago pela mercadoria importada para efeito de determinar o custo da operação controlada (ou o “preço praticado”) A recorrente requer, subsidiariamente, caso não seja concluída pela ilegalidade da sistemática de cálculo do PRL60 prevista na Instrução Normativa SRF nº Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.376 33 243/02, que seja considerado, como preço praticado das importações o preço FOB, ou seja, sem a inclusão dos custos relativos a tributos incidentes na importação, fretes e seguros. A fiscalização fundamentou sua autuação no art. 241 do RIR/99, o qual possui como base legal o art. 18 da Lei nº 9.430/96 e, especificamente, na parte relativa à inclusão dos valores de fretes, seguros e tributos incidentes na importação ao preço praticado na importação, para apuração do preço parâmetro, utilizouse do § 4º, do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 243/02. Veja o que dispõem os citados dispositivos legais: Lei nº 9.430/96 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Instrução Normativa SRF nº 243/02 Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. De início, verificase que o pleito da recorrente para utilização do preço FOB na apuração do preço praticado nas importações com empresas vinculadas decorre de interpretação divergente à conferida pelo art. 4º, § 4º da Instrução Normativa SRF nº 243/02, ao disposto no art. 18, § 6º da Lei nº 9.430/96. Enquanto a recorrente requer a exclusão dos valores de fretes, seguros e tributos incidentes na importação, no cálculo do preço praticado, a Instrução Normativa determina, expressamente, que referidos valores integram o preço praticado para apuração do preço parâmetro calculado pelo método PRL. Alega a recorrente que as despesas com fretes, seguros e impostos não se sujeitam aos limites de dedutibilidade estabelecidos pelo art. 18 da Lei nº 9.430/96, pois foram Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.377 34 pagas a terceiros não vinculados e, além disso, no caso dos seguros e impostos, decorrem de aquisições nacionais e pagamentos ao governo brasileiro, não podendo ser caracterizadas como importações. Aduz que por conta da regra geral de dedutibilidade, prevista no art. 47 da Lei nº 4.507/77, referidas despesas são inteiramente dedutíveis na apuração do lucro real. Diversamente do alegado pela recorrente, o fato do caput do art. 18 estabelecer regras para controle das operações de importações realizadas com empresas vinculadas não exclui do controle de preços, para efeito de dedutibilidade, os valores de fretes, seguros e impostos pagos a empresas não vinculadas nas operações controladas. O § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 dispõe, expressamente, que os valores de fretes, seguros e tributos incidentes na importação integram o valor do custo, não fazendo qualquer diferenciação quanto ao fato de terem sido pagos a empresas vinculadas ou não. Aliás, está é também a interpretação conferida pelo § 4º, do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 243/02 ao citado dispositivo legal. De acordo com a recorrente, o § 6º do art. 18 deve ser interpretado não como a necessária inclusão dos valores de fretes, seguros e impostos na apuração do preço praticado, mas sim, que referidas despesas, por não se sujeitarem ao limite de dedutibilidade, devem integrar o custo para fins de apuração do lucro real. A interpretação pleiteada pela recorrente não merece ser acolhida. Como bem ressaltado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em suas contrarrazões ao recurso voluntário, a interpretação dada pela recorrente ao art. 18, § 6º da Lei nº 9.430/96 transformao em regra absolutamente desnecessária ao ordenamento jurídico, pois prestariase a garantir a dedutibilidade de despesas já asseguradas pelo art. 13, do DecretoLei nº 1.598/77. Dessa forma, o fato da expressão "para efeito de dedutibilidade" aparecer logo após a palavra custo, não permite concluir que os valores relativos a fretes, seguros e impostos incidentes na importação devam ser excluídos do preço praticado e computados apenas para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, como pretende a recorrente. Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando que a própria administração tributária, no § 4º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 38/97, reconheceu a possibilidade de se interpretar o § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 de modo a não ver incluído no preço praticado as despesas com fretes, seguros e impostos incidentes na importação. De início, vale lembrar que referida Instrução Normativa encontrase revogada desde abril/2001 e, portanto, não estava mais em vigência à época dos fatos geradores. Apesar disso, a pretendida interpretação somente seria procedente caso restasse comprovado nos autos que as despesas com fretes, seguros e impostos incidentes na importação não foram computadas na determinação dos preços de revenda praticados, isto porque, a aplicação dos métodos de preços de transferência deve ser cautelosa para que não hajam distorções na comparações a serem realizadas. Considerando que os custos relativos a fretes, seguros e tributos devidos na importação são, regra geral, considerados pelas pessoas jurídicas na determinação de seus preços de revenda, influenciando assim a apuração do preço parâmetro, de igual forma, tais valores também devem ser incluídos na apuração dos preços praticados na importação. Alega ainda a recorrente que a Instrução Normativa SRF nº 243/02 é ilegal pois omitiu a expressão "para efeito de dedutibilidade" no seu § 4º do art. 4º, bem assim, incluiu mecanismo de cálculo do preço parâmetro oposto ao objetivo da lei. Diversamente do alegado pela recorrente, o citado dispositivo legal da Instrução Normativa SRF nº 243/02 limitouse a interpretar o § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 de forma a permitir a comparação entre grandezas equivalentes, garantindo, assim, a neutralidade das despesas com fretes, Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.378 35 seguros e impostos devidos nas importações, nas comparações efetuadas entre os preços parâmetros e os preços praticados nas importações. A recorrente aponta solução prática definida pelo Acórdão nº 10809763, em prol da neutralidade, o qual decidiu pela adição das despesas de frete, seguros e impostos ao preço de revenda menos lucro e não simplesmente ao custo de importação do produto. Afirma a recorrente que desse modo assegurase a neutralidade desses valores, chegandose a um resultado idêntico ao por ela proposto inicialmente, ou seja, consideração do preço FOB para controle dos preços de transferência. De início cabe ressaltar que o pleito da recorrente não encontra respaldo legal pois contraria expressamente o disposto no art. 18, inciso II da Lei n 9.430/96, que não prevê a adição das despesas com fretes, seguros e impostos incidentes na importação aos preços parâmetros. Ademais, o procedimento adotado no Acórdão nº 108 09763 é aplicável àquele caso concreto e os julgadores do CARF somente encontramse vinculados às decisões reiteradas e uniformes consubstanciadas em súmula, de observância obrigatória nos termos do art. 72, do Anexo II da Portaria MF nº 343/15 (RICARF). Com relação às alegações da recorrente de que o § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96 aplicase, indistintamente, a todos os métodos e por este motivo somente seria possível concluir pela inclusão dos valores de fretes, seguros e tributos no preço praticado se essa conclusão fosse sustentável a todos os métodos, também não assiste razão à recorrente. De fato, o § 6º do art. 18, vigente á época dos fatos geradores era aplicável, indistintamente, a todos os métodos de apuração previstos no art. 18: PIC Preços Independentes Comparados, PRL Preço de Revenda Menos Lucro e CPL Custo de Produção Mais Lucro, posto que, são dedutíveis as despesas com fretes, seguros e impostos incidentes na importação, cujo ônus tenha sido do importador, bem assim, os tributos incidentes na importação. Entretanto, de acordo com a própria metodologia de cálculo aplicável aos métodos PIC e CPL, os preços parâmetro neles utilizados são os preços FOB, assim, para que não hajam distorções nas comparações e seja assegurada a neutralidade das despesas com fretes, seguros e impostos, na apuração dos preços praticados essas despesas também não devem ser incluídas. Relativamente aos cálculos apresentado pela recorrente no recurso voluntário, objetivando a demonstração dos efeitos nefastos quanto à comparabilidade segundo o PRL, caso ocorra a inclusão das despesas com e fretes, seguros e tributos incidentes na importação, na apuração do preço praticado, exigindo que até mesmo a doação tenha ajuste, tratase de situação hipotética criada, exclusivamente, para demonstrar o resultado pretendido pela recorrente. Tendo em vista que a situação não reflete a realidade dos fatos objeto do processo não se presta para afastar a interpretação dada pela Instrução Normativa nº 243/02 ao § 6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Por fim, cumpre ressaltar que somente a partir do anocalendário de 2013, com as alterações introduzidas ao art. 18, § 6º da Lei nº 9.430/96, é que foi incluída previsão legal de exclusão dos valores de fretes e seguros pagos às pessoas não vinculadas domiciliadas fora de paraísos fiscais, como pleiteia a recorrente: Redação Vigente até 31/12/2012 § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Redação Vigente a partir de 01/01/2013 Fl. 2378DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.379 36 § 6o Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea "b" do inciso II do caput, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, desde que tenham sido contratados com pessoas: I não vinculadas; e II que não sejam residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou que não estejam amparados por regimes fiscais privilegiados. § 6oA. Não integram o custo, para efeito do cálculo disposto na alínea "b" do inciso II do caput, os tributos incidentes na importação e os gastos no desembaraço aduaneiro. Diante do exposto, correta a autuação fiscal que integrou ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis devidos na importação, para apuração do preço parâmetro calculado com base no método PRL. (iii) aplicação de juros sobre a multa de ofício O art. 113 § 1º do Código Tributário Nacional, ao definir o que seria a obrigação tributária principal, assim estabeleceu: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação tributária principal consiste na obrigação de "dar" uma importância em moeda, diferentemente das obrigações acessórias que têm por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer) determinado ato. Do comando legal acima transcrito inferese que a obrigação tributária principal engloba tanto o pagamento do tributo quanto a penalidade pecuniária, no caso, a multa de ofício. Ao afirmar que a obrigação tributária principal extinguese juntamente com o crédito dela decorrente verificase que ambas são faces de uma mesma relação jurídica. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido, o art. 139 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Fl. 2379DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.380 37 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Em seguida, o art. 161 do Código Tributário Nacional determina: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O crédito tributário constituído nos lançamentos de ofício inclui o tributo, bem assim, a multa de ofício e quando não pagos no vencimento sujeitamse aos juros de mora. O parágrafo primeiro estabeleceu ainda que referidos juros são calculados à taxa de 1% ao mês nos casos em que a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu que os débitos com a União, quando decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01/01/1997, estão sujeitos aos juros Selic quando não pagos nos prazos previstos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Os débitos a que se referem a Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário objeto do art. 161 do Código Tributário Nacional, visto sob a ótica do sujeito passivo. Conforme acima demonstrado, o crédito tributário compreende os tributos, bem assim, a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I,da Lei nº 9.430/96. A jurisprudência deste Conselho é majoritária a favor da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício: Fl. 2380DF CARF MF Processo nº 16643.000338/201016 Acórdão n.º 1301002.236 S1C3T1 Fl. 2.381 38 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 1301001.976, Sessão de 05/04/2016) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão n° 1302000.959, Sessão de 07/08/2012) Assim, voto no sentido de manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. CSLL Aplicase a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão dos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de prova. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por (i) reconhecer a legalidade e aplicabilidade da metodologia de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL prevista na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, (ii) admitir como correto o procedimento adotado pela fiscalização de inclusão dos custos com frete, seguros e impostos incidentes na importação no valor efetivamente pago pela mercadoria importada para efeito de determinar o preço praticado no que diz respeito à metodologia de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL60 e (iii) manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Dessa forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 2381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901075/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 75 /2 01 3- 10 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901075/201310 Acórdão n.º 1302002.229 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901075/201310 Acórdão n.º 1302002.229 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901075/201310 Acórdão n.º 1302002.229 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722117/2009-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-005.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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A divergência interpretativa somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 17 /2 00 9- 49 Fl. 141DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 20/06/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2801003.091 (fls. 108 a 120), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não prospera a alegação de nulidade do lançamento por inexistência de fato gerador, quando faltar a comprovação do suscitado cancelamento da matrícula do imóvel objeto da tributação em questão. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal, bem como da existência das áreas com documentação complementar. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer o VTN declarado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar." Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10280.722117/200949 Acórdão n.º 9202005.432 CSRFT2 Fl. 142 3 O processo foi encaminhado à PGFN em 10/07/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 121). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 24/08/2013, o que foi feito em 31/07/2013 (fls. 122 a 127), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 128. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 07/03/2014 (fls. 130 a 132). Cientificada por meio de Edital, a Contribuinte quedouse silente (fls. 134 a 137). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca dos demais pressupostos de admissibilidade. Em seu apelo, a Fazenda Nacional visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigma foi indicado o Acórdão nº 210200.609. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe similitude fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas nos acórdãos recorrido e paradigma, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, a motivação do restabelecimento do VTN declarado pelo Contribuinte foi o fato de a autoridade lançadora ter arbitrado aquele valor com base no VTN médio das DITRs entregues no município, e não na aptidão agrícola. Assim, tal arbitramento não foi aceito, por não ter cumprido as exigências determinadas pela legislação de regência. Confirase a respectiva ementa: “O lançamento de oficio deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não Fl. 143DF CARF MF 4 observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.” Quanto ao paradigma indicado – Acórdão 210200.609 – a Fazenda Nacional colaciona a respectiva ementa, visando demonstrar o alegado dissídio jurisprudencial: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTERIOR AO FATO GERADOR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). ADA APRESENTADO EXTEMPORANEAMENTE. CONDIÇÕES IMPLEMENTADAS PARA EXCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA ÁREA TRIBUTÁVEL PELO ITR. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR, sempre lembrando a relevância extrafiscal de tal imposto, quer para os fins da reforma agrária, quer para a preservação das áreas protegidas ambientalmente, neste Ultimo caso avultando a obrigatoriedade do registro cartorário da área de reserva legal, condição especial para sua proteção ambiental. Havendo tempestiva averbação da área do imóvel rural no cartório de registro de imóveis, a apresentação do ADA extemporâneo não tem o condão de afastar a fruição da benesse legal, notadamente que há laudo técnico corroborando a existência da reserva legal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA EXTEMPORÂNEO. LAUDO TÉCNICO COMPROVANDO A EXISTÊNCIA DA ÁREA DE INTERESSE AMBIENTAL. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Havendo Laudo Técnico a comprovar a existência da área de preservação permanente, o ADA extemporâneo, por si só, não é condição suficiente para arrostar a isenção tributária da área de preservação permanente. ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR O VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido em parte.” A leitura da ementa acima poderia levar à conclusão de que efetivamente teria sido demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, o exame do Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10280.722117/200949 Acórdão n.º 9202005.432 CSRFT2 Fl. 143 5 paradigma, em sua integralidade, permite conhecer o contexto em que ele foi proferido. Nesse passo, verificase que, além de retratar uma situação distinta daquela analisada no recorrido, não se pode afirmar que nesse paradigma estarseia defendendo a tese de que o SIPT, somente com a média das DITR, seria válido. Confirase os principais trechos da ementa e do voto vencedor desse paradigma: “ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA. INFORMAÇÃO EXTRAÍDA DO SISTEMA DE PREÇO DE TERRAS SIPT. HIGIDEZ PROCEDIMENTAL. SOMENTE LAUDO TÉCNICO QUE ANALISA PORMENORIZADAMENTE O IMÓVEL RURAL, SEGUNDO A NORMA DA ABNT VIGENTE NA DATA DA PRODUÇÃO DO LAUDO, PODE CONTRADITAR 0 VALOR DO SIPT. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, pode a autoridade fiscal se valer do preço constante do SIPT, como meio hábil para arbitrar o valor da terra nua que servirá para apurar o ITR devido. Somente laudo técnico que segue a norma vigente da ABNT na data da produção dele, assinado por profissional competente e secundado por Anotação de Responsabilidade Técnica ART, é meio hábil para contraditar o valor arbitrado a partir do SIPT. Recurso provido (...) Agora, passase a apreciar a defesa do item II (no tocante ao valor da terra nua, "os valores indicados no Sistema de Preços de Terra não podem ser adotados, pois não há a "imprescindível publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como, a realização de verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar a incidência do VTN, segundo a classificação adotada para a diversidade de áreas cadastradas " (Recurso n° 135.528, Primeira Câmara, unânime, 07.11.2007)" (fls. 218 e 219). Além disso, o recorrente agora junta Laudo Técnico complementar, no qual se demonstra que o valor do SIPT referese ao preço de terras comercializadas e não da terra nua, como inclusive se pode ver pelos formulários preenchidos pela EmaterMG, atendendo à solicitação da Fundação Getúlio Vargas (fls. 291 a 293), com os mesmos valores do SIPT, os quais tem a mesma fonte de informação, qual seja, a Emater MG. Por fim, caso o valor do SIPT seja considerado hábil para quantificar o valor da terra nua, mister reduzir o valor do exercício 2001 para R$ 1.053,04, o menor dos valores do SIPT.). Como se pode constatar, no caso do paradigma o Contribuinte se insurge contra o arbitramento pelo SIPT, alegando falta de publicidade das fontes e valores que alimentam o sistema, bem como por se referir a preços de terras comercializadas, e não da terra nua. Ao final, pede que, caso seja mantido o arbitramento, que para o exercício de 2001 seja adotado o menor dos valores do SIPT. Assim, no intuito de enfrentar os argumentos de defesa, o Relator assim se manifesta quanto ao SIPT: Fl. 145DF CARF MF 6 “No tocante ao pretenso cerceamento do direito de defesa perpetrado pela autoridade fiscal, com a utilização do valor da terra nua constante no SIPT, não assiste razão ao recorrente, já que a possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei n° 9.393/96, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF n° 44712002, instituiu o Sistema de Preços de Terras — SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. A instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, conforme tela do SIPT de fls. 15 e 16 (valores informados pela Secretaria Estadual de Agricultura), já que o contribuinte havia utilizado o valor da terra nua para o município de Inhaúma — MG de 1996, valor que teria sido aceito pela Secretaria da Receita Federal quando da expedição da notificação de lançamento do ITR respectivo (conforme declaração prestada pelo próprio autuado nestes autos — fl. 27), e não apresentara o laudo técnico de avaliação da área rural. A informação declarada pelo contribuinte era assaz antiga e justificava o procedimento da autoridade fiscal. No ponto, sem razão o recorrente. A decisão recorrida ratificou o arbitramento perpetrado pela autoridade autuante, já que o Laudo Técnico não tinha seguido a atual norma da ABNT reguladora da avaliação de imóveis rurais (NBR 14.6533) e pela discrepância entre o valor declarado pelo contribuinte e aqueles do SIPT. (...) Primeiramente, os valores da terra nua dos municípios mineiros, dos exercícios 2000 a 2004, foram informados pelo Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, a partir de levantamento dos extensionistas da Emater, como se pode ver pelo Oficio n° 1.036/2004/GAB.SEC, de 30 de novembro de 2004 (cópia deste oficio se encontra no recurso voluntário n° 342.587 — fl. 124 , em pauta nesta mesma sessão de julgamento). Tal oficio referese ao valor da terra nua por hectare e não ao valor de venda dos imóveis. Por outro lado, os formulários da FGV preenchidos pela EmaterMG, referentes aos exercícios 2001 e 2002, do município de Inhaúma, não indicam que os valores se referem ao preço de comercialização do imóvel com benfeitorias, como se pode ver em tais formulários de fls. 291 a 293. Dessa forma, aqui não se acata a defesa de que os valores do SIPT se referiam ao valor total do imóvel. Ainda se deve anotar que o contribuinte não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel rural na forma da Norma ABNT 14.6533, vigente desde 30106/2004, data esta anterior à Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10280.722117/200949 Acórdão n.º 9202005.432 CSRFT2 Fl. 144 7 produção dos laudos acostados ao presente processo. Somente o laudo produzido em conformidade com tal Norma seria meio hábil para contraditar o valor do SIPT. Ademais o valor da terra nua declarado estava defasado, já que o próprio contribuinte confessou que utilizara o mesmo valor de 1996 (para os exercícios 2001 e 2002). Mais uma razão para rejeitar a defesa do recorrente. Por fim, quanto ao pedido para reduzir o valor do exercício 2001 para 1.053,04, o menor dos valores do SIPT, entendo que o contribuinte tem razão. Explico. É de conhecimento de todos que, em arbitramento, havendo possibilidades diversas, utilizase a modalidade que mais favorece ao contribuinte . Inclusive , no âmbito da tributação da pessoa fisica, tal regra está positivada no art. 6°, § 6°, da Lei n° 8.021/90, verbis: (...) No caso aqui em debate , para o exercício 2001, tomando por base os valores do SIPT (fl. 15), podese arbitrar o valor da terra nua com base na aptidão agrícola da terra ou com base no valor médio das DITR , sempre lembrando que o SIPT detém uma média global do valor da terra nua do município . Não há uma avaliação específica do imóvel auditado. Considerando a dupla possibilidade de arbitramento , pela aptidão agrícola ou pelo valor médio da DITR, entendo que se deve utilizar esta última, que detém o valor mais benéfico para o recorrente (VIN de R$ 1.053,04 por hectare no exercício 2001).” (grifei) Destarte, verificase que em momento algum o paradigma defende, de forma genérica, que o arbitramento pelo SIPT pode ser efetuado com base apenas no valor médio das DITR. O que fica claro no voto condutor do aresto é que, naquele caso específico, em que estão presentes os dois critérios de arbitramento – pela média das DITR e pela aptidão agrícola – não há óbice ao atendimento do pleito do Contribuinte, no sentido de utilizarse o VTN de menor valor que, nesse caso específico, é o VTN apurado pela média das DITR. Assim, as situações fáticas são distintas, a saber: no acórdão recorrido, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base apenas no valor médio das DITR, sem levar em conta a aptidão agrícola, e é esta a motivação que levou à sua desqualificação; no paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi feito com base nas duas modalidades – média das DITR e aptidão agrícola – e em nenhum momento o Relator defende que ele seja levado a cabo apenas com base na média das DITR; o que ocorre é que existe um pedido do Contribuinte para que se adote, dentre os diversos valores constantes do SIPT, o menor deles, que no caso é o da média das DITR, daí que nos trechos citados pela Recorrente o Relator tão somente fundamenta o atendimento a esse pleito. Fl. 147DF CARF MF 8 Destarte, o paradigma indicado não se presta a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que, diferentemente do que ocorreu no recorrido, o arbitramento não se limitou ao VTN médio das DITR. Tampouco no caso do julgado guerreado houve pedido do Contribuinte, no sentido da adoção de valor específico, até porque, repitase, só havia um valor, qual seja, o da média das DITR. No presente caso, o dissídio interpretativo somente restaria demonstrado, com a colação de acórdão em que, efetuado o arbitramento com base no SIPT, levandose em conta apenas o valor médio das DITR, sem considerarse a aptidão agrícola, dito arbitramento fosse mantido. Com efeito, o paradigma indicado não retrata tal situação fática, portanto não resta demonstrada a alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por não atender aos pressupostos de admissibilidade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.000239/2004-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo Delegado da Receita Federal em Brasília, com a alegação de que houve omissão, contradição e obscuridade no voto condutor do acórdão nº 10196458, proferido no julgamento dos embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao acórdão nº 10195365. Tal é a redação do acórdão ora embargado, de nº 10196458, naquilo que importa, no momento: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 00 23 9/ 20 04 -8 2 Fl. 3958DF CARF MF Processo nº 10166.000239/200482 Resolução nº 1301000.408 S1C3T1 Fl. 3.959 2 "Acordam os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER parcialmente os embargos de declaração para rerratificar o acórdão nº 10195.365, proferido na sessão de 26/01/2006, para...c) quanto à glosa das despesas com ágio, acolher os embargos para esclarecer a respeito da motivação do voto da maioria, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." De acordo com o embargante, no voto condutor do acórdão aqui embargado, consta que, no acórdão nº 10195365, "a Câmara votou de acordo com a sua jurisprudência (mencionese o acórdão 10194.986 de 19 de maio de 2005), no sentido de que nesses casos, o que a sociedade emitente das debêntures paga, a rigor, não são encargos de debêntures, mas sim lucros, que não são tributados. Considerou a Câmara que o lançamento correto seria na emitente das debêntures, mediante glosa da dedução dos encargos pagos." Entretanto, o embargante também menciona que o acórdão nº 10196458 aduz que "o que a Câmara decidiu foi que os encargos pagos pela sociedade emitente das debêntures são indedutíveis, por serem despesas desnecessárias, dado carecerem da característica de usualidade e normalidade." Por último, o embargante ainda se refere a trecho do acórdão ora embargado onde está registrado que "a jurisprudência da Câmara não foi no sentido de considerar inválido o negócio ... mas sim de glosar as despesas relativas à remuneração paga pela emitente, correspondente à quase totalidade dos lucros da empresa, dado seu caráter de despesas desnecessárias (não usuais nem normais)" Assim, o embargante salienta que há afirmações contraditórias, pois ora se diz que a Câmara conferiu a natureza de lucro aos pagamentos feitos pela emitente das debêntures à adquirente dos títulos, e ora se diz que tais pagamentos são despesas desnecessárias (não usuais nem normais), vale dizer, indedutíveis, na determinação do lucro tributável da emitente. Diante disso, requer o esclarecimento de tais pontos, já que as respectivas implicações são diferentes e determinantes de conclusões diversas, para o julgamento que resultou no acórdão nº 10195365. Prosseguindo, o embargante explica que, se os valores anteditos são lucros, logicamente não podem ser deduzidos na apuração do lucro tributável da emitente das debêntures. Por essa trilha, no que respeita à adquirente das debêntures, tais lucros não são tributáveis. Nessa ordem de ideias, a adquirente das debêntures, para concretizar a não tributação, terá anulado esses lucros recebidos do emitente mediante dedução de parte do valor do ágio pago na aquisição dos títulos. Em suma, se a maioria do colegiado adotou o entendimento de que os valores recebidos da emitente pela adquirente das debêntures são lucros, deduzse daí que a maioria terá decidido pela manutenção, na exigência fiscal, do valor de R$ 5.666.666,64, em 1999, correspondente à parcela da despesa com ágio deduzida, uma vez que a adquirente nada recebera a título de lucro da emitente naquele ano; e R$ 11.364.603,92, em 2000, correspondente à diferença entre o valor da parcela da despesa com ágio (R$ 16.999.999,92) e o lucro recebido da emitente, contabilizados naquele ano (R$ 5.635.296,00). Por outro lado, a afirmação de que "os encargos pagos pela sociedade emitente das debêntures são indedutíveis, por serem despesas desnecessárias, dado carecerem da Fl. 3959DF CARF MF Processo nº 10166.000239/200482 Resolução nº 1301000.408 S1C3T1 Fl. 3.960 3 característica de usualidade e normalidade", implica sendo redundante para não perder a clareza que os valores contabilizados nessa rubrica referemse a despesas aptas a reduzir o lucro da emitente, para fins de apuração do IRPJ a da base de cálculo da CSLL, ao passo que a correspectiva receita recebida pela adquirente obrigatoriamente deve integrar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Isso, porém, não conduz a qualquer conclusão quanto à dedutibilidade da despesa com ágio, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do adquirente, uma vez que inexiste qualquer manifestação, no acórdão embargado, a respeito dessa questão. Se a maioria do colegiado considerou que a despesa com ágio, como a despesa de remuneração de debêntures, é desnecessária, por certo terá adotado posição contrária ao relator, que defendia a dedutibilidade da despesa com ágio. Por essa perspectiva, o dispositivo do acórdão nº 10195365 não expressa a decisão realmente adotada pela maioria. Já se o entendimento da maioria foi o de que o valor pago pela emitente à adquirente das debêntures tem natureza de lucro, o provimento deveria ter sido parcial para excluir da exigência o valor de R$ 5.635.296,00 (conforme demonstrado nos embargos da PFN). Contudo, se a maioria do colegiado entendeu que os encargos pagos pela sociedade emitente das debêntures são indedutíveis, por serem despesas desnecessárias, há de se perquirir, obrigatoriamente, a natureza da despesa com aquisição de ágio, isto é, se se trata de despesa dedutível ou indedutível. Se indedutível (não usual e nem normal), deverseia negar provimento ao recurso da recorrente. Assim, o dispositivo do acórdão 10195365 não precisa ser reformado somente na hipótese de a maioria do colegiado ter entendido que os encargos pagos pela emitente são desnecessários, e que é necessária, porque usual e normal, a despesa com a aquisição de ágio, pago pela adquirente. Postas, desse modo, as questões dos presentes embargos, que foram incluídos em pauta para julgamento na sessão do dia 26/08/2014, quando se deliberou, pela Resolução nº 1103000.149, a favor da conversão em diligência com o fito de se intimar a Delegacia da Receita Federal em Brasília a certificar (i) a data formal do ingresso dos autos no aludido órgão e, se houver, a data do conhecimento formal do acórdão embargado pelo Sr. Delegado, bem como (ii) a data formal da saída dos autos da aludida repartição pública. Isso porque tais informações não estão claras o suficiente a assegurar que os embargos tenham sido opostos dentro do prazo regimental. Baixados os autos para realização da diligência mencionada, a ser executada pela DRF/Brasília, que agora os devolve a este Colegiado com a juntada do documento de fl. 3.950/3.951. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Com o retorno dos autos, vieram as informações de fls. 3.950/3.951, as quais revelam que os autos, saindo do CARF, ingressaram na DRF/Brasília no dia 21/07/2008, de lá voltando para o CARF no dia 06/08/2008. No entanto, conforme fl. 3951, servidor público da Fl. 3960DF CARF MF Processo nº 10166.000239/200482 Resolução nº 1301000.408 S1C3T1 Fl. 3.961 4 Dicat/DRF/Brasília relata a impossibilidade de se afirmar a data em que o Delegado tomou ciência do acórdão embargado. O recurso de Embargos ora opostos, por sua vez, está datado do dia 04/08/2008, à fl. 3.867. Na vigência do artigo 57, § 1º, do Anexo I do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, o Delegado da DRF dispunha do prazo de cinco dias, contados da ciência do acórdão, para interpor os embargos de declaração. Nesse sentido, é a própria autoridade legitimada que deve ser intimada a fazer prova da observância aos requisitos impostos pelo Regimento Interno, para a oposição dos embargos de declaração. Pareceme indubitável que outro agente público não pode substituir aquele que está previsto em atos normativos para o exercício de certas atividades, nem mesmo para fazer prova de que os legitimados cumprem os requisitos regimentais, quando estes sequer foram intimados para tanto. O auxílio de terceiros, para fins de comprovação de tais requisitos, só se pode admitir quando o legitimado, devidamente intimado, assim o requerer, desde que inexista proibição em ato normativo. No caso concreto, a própria organização administrativa obstou a chegada dos autos ao conhecimento do Delegado, pois um subordinado tomoulhe a frente para responder que a prova exigida da tempestividade seria impossível ao superior hierárquico, assim assumido a atividade que não lhe competia. Diante do exposto, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência para que o Delegado da DRF/Brasília seja intimado a comprovar a data em que formalmente fora cientificado do acórdão embargado. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 3961DF CARF MF
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Numero do processo: 11042.000275/2004-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 26/09/2000, 18/10/2000, 16/11/2000, 15/12/2000, 10/01/2001, 01/02/2001, 28/02/2001, 19/03/2001, 10/04/2001, 11/05/2001, 07/06/2001, 02/07/2001, 25/07/2001, 14/08/2001, 03/09/2001, 24/09/2001, 15/10/2001, 12/11/2001, 26/12/2001, 17/01/2002, 15/02/2002, 08/03/2002, 02/04/2002, 20/05/2002, 10/06/2002, 02/07/2002, 25/07/2002, 19/08/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PRODUTO DE MARCA COMERCIAL LAVREX 100.
O produto Lavrex 100, caracterizado em DI como ácido dodecilbenzenossulfônico, corresponde a uma mistura de ácidos alquilbenzenosulfônicos, se classifica no código 3402.11.90 da NCM, conforme Ditame de Classificação Tarifária nº 02/03, do Comitê Técnico nº 1 do Mercosul.
PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE EXPRESSAMENTE PREVISTA NA LEGISLAÇÃO.
O art. 30 do Decreto 70.235/72 permite a utilização de laudos técnicos para fins de classificação fiscal de mercadorias, obtidos em outros procedimentos fiscais, atendidos os requisitos lá previstos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2000, 2001, 2002
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA.
O limite de alçada, para fins de admissão de recurso de ofício, é aquele da data do julgamento em segunda instância administrativa. Aplicação da Súmula 103 do Carf.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2000, 2001, 2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. LAUDO TÉCNICO PERICIAL PARA IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
O contribuinte tem acesso pleno ao processo administrativo fiscal e a todas as provas constituídas pelo Fisco, podendo produzir suas próprias provas na forma e prazos previstos no PAF, o que afasta alegações quanto a nulidade por cerceamento de defesa, mormente quando as acusações foram bem compreendidas e defendidas.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
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PRODUTO DE MARCA COMERCIAL LAVREX 100. O produto Lavrex 100, caracterizado em DI como ácido dodecilbenzenossulfônico, corresponde a uma mistura de ácidos alquilbenzenosulfônicos, se classifica no código 3402.11.90 da NCM, conforme Ditame de Classificação Tarifária nº 02/03, do Comitê Técnico nº 1 do Mercosul. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE EXPRESSAMENTE PREVISTA NA LEGISLAÇÃO. O art. 30 do Decreto 70.235/72 permite a utilização de laudos técnicos para fins de classificação fiscal de mercadorias, obtidos em outros procedimentos fiscais, atendidos os requisitos lá previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000, 2001, 2002 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. O limite de alçada, para fins de admissão de recurso de ofício, é aquele da data do julgamento em segunda instância administrativa. Aplicação da Súmula 103 do Carf. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 2. 00 02 75 /2 00 4- 13 Fl. 706DF CARF MF 2 Exercício: 2000, 2001, 2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. LAUDO TÉCNICO PERICIAL PARA IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PARTICIPAÇÃO DO CONTRIBUINTE. O contribuinte tem acesso pleno ao processo administrativo fiscal e a todas as provas constituídas pelo Fisco, podendo produzir suas próprias provas na forma e prazos previstos no PAF, o que afasta alegações quanto a nulidade por cerceamento de defesa, mormente quando as acusações foram bem compreendidas e defendidas. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Relatório Adoto o Relatório do Acórdão de Impugnação: “A empresa acima qualificada importou, por meio das DIs relacionadas às fls. 07 e 08, a mercadoria descrita como "ácido dodecilbenzenossulfônico biodegradável – Lavrex 100" nos documentos que instruíram o despacho, classificandoa no código NCM 2904.10.20 (17% de II — fatos geradores ocorridos em 2000, 16,5% de II — fatos geradores ocorridos em 2001, 15,5% de II — fatos geradores ocorridos em 2002, e 0% de IPI). Por sua vez, Laudo do Laboratório de Análises da Funcamp — Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (n° 1217.01 LAB 0249/JAGUARÃO — fls. 281 a 283), emitido em função de amostra coletada no curso de outro despacho aduaneiro (DI n° 02/07445227), referente a produto descrito de maneira idêntica ao ora analisado, exportado pela mesma empresa (American Fl. 707DF CARF MF Processo nº 11042.000275/200413 Acórdão n.º 3301003.451 S3C3T1 Fl. 707 3 Chemical I.C.S.A., do Uruguai), informou que a mercadoria tratavase de "uma mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos lineares, com predominância do ácido dodecilbenzenossulfônico, na forma líquida", "um agente orgânico de superficie aniônico" composto de 35,2% de ácido dodecilbenzenossulfônico, 29,2% de ácido tridecilbenzenossulfônico, 29,2% de ácido undecilbenzenosulfônico, 4,0% de ácido tetradecilbenzenossulfâncio e 2,4% de ácido decilbenzenossulfônico. Com base nestas informações, a autoridade autuante concluiu que o produto importado deveria ser classificado no código NCM 3402.11.90 (17% de II — fatos geradores ocorridos em 2000, 16,5% de II — fatos geradores ocorridos em 2001, 15,5% de II — fatos geradores ocorridos em 2002, e 5% de IPI), o que gerou a lavratura dos Autos de Infração de fls. 01 a 59 para exigência de R$ 100.526,54 a titulo de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 279.627,73 a titulo de Imposto de Importação (II), acrescidos de multa de oficio (75%) e juros de mora, de R$ 519.271,68 a titulo de multa do controle administrativo das importações (mercadoria importada ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente), e de R$ 10.537,88 a título de multa proporcional ao valor aduaneiro, capitulada no art. 84, inciso I da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24/08/2001 (mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul). Ciente da autuação, a interessada protocolizou a defesa de fls. 300 a 336, argumentando, em síntese, que: após a conferência aduaneira, os produtos constantes das DIs objeto da presente autuação foram desembaraçados, tendo sido recolhidos os tributos devidos em virtude da classificação fiscal adotada; assim, exsurge nítida e clara a aceitação do fisco em relação ao enquadramento tarifário realizado pela importadora, no momento do despacho aduaneiro, estando o crédito Tributário extinto, com o pagamento, nos termos do art. 156, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN); não há, portanto, como se legitimar a revisão efetuada pela autoridade fiscalizadora, segundo os arts. 145 e 149 do mencionado CTN, devendo o lançamento ser anulado; a jurisprudência judicial confirma a sua tese, consoante ementas transcritas às fls. 304 e 305; ainda se fosse válido o exame laboratorial realizado em outras amostras que não a específica de cada produto importado e declarado nas DIs, em hipótese alguma a fiscalização poderia se Fl. 708DF CARF MF 4 valer de tal exame para exigir tributos e cominar penalidades com base na analogia, contrariando o art. 108, § 1º do CTN; o Laudo Técnico em questão não indica quais os procedimentos técnicos, os equipamentos e os métodos empregados para análise, o que atesta a sua insubsistência; consoante jurisprudência citada às fls. 308 e 309, restou caracterizado cerceamento do direito de defesa, uma vez que a impugnante não tomou conhecimento dos quesitos formulados pelo fisco no tocante à elaboração do Laudo Técnico embasador do lançamento, o que ocasiona a nulidade da autuação efetivada; caso assim não entenda a autoridade julgadora, requer a realização de diligência para que a interessada, além de tomar ciência dos quesitos formulados pelo fisco, possa elaborar quesitos aos técnicos responsáveis, bem como para que seja ouvida manifestação do fornecedor do produto; além disso, conforme o § 1° do art. 30 do Decreto n° 70.235/1972, o laudo laboratorial não é peça técnica hábil para atribuir a classificação fiscal de Mercadorias, não havendo, portanto, como se sustentar o pretendido reenquadramento tarifário realizado pelo fisco; não há qualquer razão para que o fisco pretenda classificar o produto em tela no Capitulo 34, pois o artigo importado é um derivado de ácido sulfônico, como o próprio resultado da análise laboratorial destaca; em nenhum momento o exame pericial desabonou a classificação adotada pela impugnante, que apenas manteve o enquadramento utilizado no mundo todo; o principio da seletividade em função da essencialidade dos produtos, previsto no art. 153, § 3°, inciso I da Constituição Federal, deve determinar a classificação, para efeito de tributação pelo IPI; desse modo, considerando que o produto importado é insumo destinado à fabricação de detergente, possuindo classificação específica, ele deve ser enquadrado no Capitulo 29 da TIPI, segundo sua essencialidade e destinação; o código NCM 2904.10.20 é específico e destinado aos derivados, inclusive mistos, do ácido dodecilbenzenossulfemico, como o próprio texto diz, não havendo como prevalecer a classificação proposta pela fiscalização no código NCM 3402.11.90, mais genérico; em defesa de sua tese, reproduz jurisprudência administrativa e judicial às fls. 324 a 328; o produto importado, por ser biodegradável, além de ser instrumento de manutenção de higiene, limpeza, saúde e bem estar da população em geral, preserva o meio ambiente; Fl. 709DF CARF MF Processo nº 11042.000275/200413 Acórdão n.º 3301003.451 S3C3T1 Fl. 708 5 portanto, a sua tributação excessiva afronta as disposições do art. 225 da Constituição Federal; a classificação constante das DIs é utilizada há mais de vinte e cinco anos nas operações no mercado internacional, segundo pode se verificar na Ata n° 7/02 Mercosul/CCM/CT n° 1; quando a empresa efetuou aquisições no mercado interno, como se observa nas notas fiscais apensadas, os fornecedores utilizaram o mesmo enquadramento tarifário ora defendido; assim, ainda que seja considerada procedente a exação vergastada, são indevidos os valores cobrados a título de multa, juros e correção monetária, de acordo com o art. 100, inciso III e parágrafo único do CTN, visto que em importações anteriores o fisco concordou com a classificação fiscal do produto no código NCM 2904.10.20; o simples erro de classificação fiscal não autoriza a aplicação da multa por inexistência de Guia de Importação ou documento equivalente, uma vez que a mercadoria foi corretamente descrita por seu nome comercial.” Cabe acrescentar que o Imposto de Importação foi lançado em vista da desclassificação dos certificados de origem, porque o autuante os considerou não aplicáveis em vista da descrição incorreta da mercadoria nas Declarações de Importação. Desse modo, afastou o regime de preferência tarifária (Acordo de Complementação Econômica ACE 18 – Mercosul), aplicando as alíquotas normais previstas. A DRJ/Florianópolis/SC decidiu pela procedência parcial do lançamento, no Acórdão 079.303, de 26/01/2007, conforme a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 26/09/2000 a 19/08/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Mesmo que o sujeito passivo alegue não ter recebido cópias de todas as peças embasadoras do feito, é facultada a vista ao processo, na repartição competente, durante o prazo legal para a impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa ainda mais se a peça impugnatória demonstrar o conhecimento integral da imputação. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 26/09/2000 a 19/08/2002 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantémse a reclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, no código tarifário determinado pela autoridade lançadora. Fl. 710DF CARF MF 6 PROVA EMPRESTADA. Laudo técnico exarado em outro processo administrativo pode ser utilizado como prova para importações diversas, desde que trate de produto originário do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. CERTIFICADO DE ORIGEM. Uma vez que as Faturas Comerciais embasadoras dos Certificados de Origem fazem referência ao produto efetivamente importado, Lavrex 100, incabível a perda da preferência percentual efetivada pela fiscalização. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/09/2000 a 19/08/2002 REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não se caracteriza como homologação de lançamento, sendo legitima a atividade de reexame do despacho de importação, com a consequente exigência das eventuais diferenças de tributos apuradas, acrescidas das respectivos consectários legais. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 26/09/2000 a 19/08/2002 FALTA DE LICENCIAMENTO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de licenciamento quando o importador, além de classificar erroneamente a mercadoria, descrevea de forma inexata, impedindo a sua correta identificação. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Lançamento Procedente em Parte” A recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 608 a 647, onde apresenta suas razões de defesa, que sintetizo a seguir: Seria nula a Decisão a quo, posto que não apreciou as razões da recorrente quanto às inconstitucionalidades alegadas, se apegando a impedimento legal; a recorrente defende a possibilidade de apreciação administrativa da constitucionalidade das leis; Fl. 711DF CARF MF Processo nº 11042.000275/200413 Acórdão n.º 3301003.451 S3C3T1 Fl. 709 7 A Decisão recorrida deveria ser reformada, porque o lançamento se baseou em prova emprestada, o que entende ser inadmissível. Apresenta precedente do Conselho de Contribuintes onde se determinaram novas diligências quanto ao mesmo produto; Existiriam diversas razões técnicas para que o produto fosse classificado no código 2904.10.20, tecendo diversas considerações quanto à química pertinente; Teria havido cerceamento de defesa, porque a recorrente não participara da construção ou debate sobre o laudo técnico em que se baseou o lançamento; reclama, nesse sentido, pela possibilidade de apresentar questionamentos técnicos relativos ao laudo; que o exame pericial não seria prova de natureza técnica e ainda, que haveria falhas técnicas no laudo; A classificação decidida pelo Fisco estaria em contradição com o laudo técnico; Apresenta os critérios de essencialidade, seletividade e especificidade para defender sua interpretação de classificação fiscal, em relação ao IPI, porque o produto em questão seria utilizado para fabricar produtos de limpeza, e não seria ele próprio produto de limpeza; Entende que se deveria aplicar o disposto no inciso III do art. 100 do CTN, quanto às práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, posto que a classificação adotada pela empresa já o era há mais de 25 anos; e que não caberia alteração do critério jurídico para fins de aplicação de penalidade; Houve também Recurso de Ofício, em razão da exoneração de tributos e multas em valor superior ao limite de alçada então vigente. Em sessão de 17 de junho de 2009, a então 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de julgamento do Carf converteu o julgamento em diligência, para que fosse juntado ao processo a Declaração de Importação que originou o laudo técnico que identificara a mercadoria. Em 07 de fevereiro de 2011 foi juntada ao processo a DI solicitada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. Recurso de Ofício Houve Recurso de Ofício, porque o acórdão de Impugnação exonerou o contribuinte do Imposto de Importação lançado. Por decorrência, reduziu a base de cálculo do IPI lançado. Todavia, o valor exonerado, R$ 716.507,30 na data do lançamento (fl. 41 combinada com Acórdão de Impugnação, fl. 592, equivalente à soma R$ 279.627,73 de II, R$ Fl. 712DF CARF MF 8 140.613,46 de juros de II, R$ 209.720,80 de multa proporcional de II, redução de IPI lançado no valor de R$ 86.545,31), não alcança o limite de alçada, previsto na Portaria MF nº 63/2017, de dois milhões e quinhentos mil reais. Embora essa Portaria seja posterior ao julgamento de primeira instância, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, conforme Súmula Carf nº 103. Desse modo, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. Recurso Voluntário O Recurso Voluntário é tempestivo e veicula matéria de competência desta turma, devendo ser conhecido. Preliminar de Nulidade Requer a recorrente, em preliminar, a nulidade da Decisão a quo, porque declarouse impedida de analisar a constitucionalidade das leis. A recorrente sustenta que tal posição fere seus direitos de defesa, e entende cabível a declaração de inconstitucionalidade por parte da administração tributária. Tal questão resta pacificada em sentido contrário ao pretendido pela recorrente. O Art. 26A do Decreto 70.235/72, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf (Portaria MF 343/2015) e a Súmula Carf nº 2 estabelecem definitivamente a proibição, para os órgãos de julgamento administrativo tributário, de que se afaste a aplicação de dispositivos legais por inconstitucionalidade, exceto nos casos expressamente previstos (§6º do art. 26A do Decr. 70.235/72 e art. 62, §§ 1º e 2º do RICARF), exceções estas que não se configuram no presente caso. Desse modo, rejeito a preliminar. Cerceamento do direito de defesa Alega a contribuinte que teve seu direito de defesa prejudicado por não ter participado do processo de construção do laudo técnico de identificação da mercadoria. Tal alegação não prospera. É que o princípio constitucional do contraditório e amplo direito de defesa é garantido, no PAF, pelo direito de apresentar impugnação e recurso voluntário, isto é, pela existência de duas instâncias administrativas de revisão do lançamento, durante as quais o contribuinte tem acesso ao processo e todas as provas nele contidas, podendo produzir e apresentar as provas que entenda úteis no prazo legal. Portanto, não acato as alegações neste aspecto. Mérito Reclassificação Fiscal da Mercadoria Essa mesma mercadoria desse mesmo fabricante já foi objeto de muitos acórdãos no Carf, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, e pacificouse o entendimento de classificála no código 3402.11.90, utilizado pelo Fisco. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 11042.000275/200413 Acórdão n.º 3301003.451 S3C3T1 Fl. 710 9 Transcrevo trechos do voto da Conselheira Nanci Gama, em sessão de fevereiro de 2013, que adoto como razões de decidir: “A controvérsia consiste em analisar se o produto LAVREX 100 deveria ter sido classificado, à época da DI, ou seja, em 21/09/1999, no código NCM 2904.10.20, como fez o contribuinte, ou no código NCM 3402.11.90, como aduz a fiscalização. A relevância se dá em razão do período em que foi realizada a importação pelo contribuinte, ou seja, em época anterior à Diretriz Mercosul nº 03/2003, a qual teria estabelcido definitivamente que o produto LAVREX 100 consisitiria em uma “mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos”, produto de constituição química não definida que deve ser classificado no Capítulo 34, no código 3402.11.90.00, e não no Capítulo 29 da NCM. Referida Diretriz teria sido emanada em resposta à 'proposta de alteração da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM)1 encaminhada à Coana/Cotac/Dinom por meio do Memorando SRRF09/Diana nº 224, de 26/08/2002 (Protocolo Coana 2002/01145), no qual a SRRF/09 sugere a criação de item específico para o LAVREX 100 e LAVREX 200 dentro da subposição 3402.11. Ao ser analisada referida proposta de alteração da NCM pelo Comitê Técnico nº 01 do Mercosul, foi aprovado o 'Ditame de Classificação Tarifária nº 02/03', o qual dispôs sobre a classificação tarifária de 'misturas de ácidos alquibenzenossulfônicos', atribuída ao código NCM 3402.11.90.00, tendo sido editada a Diretriz 03/2003 nesse sentido. E, em razão do fato de referida diretriz ter sido realizada apenas em 2003, o contribuinte aduziu que a mesma não poderia ser aplicada retroativamente para a importação realizada por meio da DI objeto dos presentes autos, por sua vez registrada em 21/09/1999, tendo em vista que a Diretriz teria introduzido novo critério jurídico para a codificação fiscal da mercadoria. A meu ver, o fato de o Comitê Técnico do Mercosul ter criado um subitem específico, ao adicionar o código/item/subitem '90.00', aos códigos posição (3402) e subposição (11) da NCM/SH, não se resvalam em alteração do critério jurídico para fins da classificação fiscal do produto. A Diretriz em referência, por sua vez incorporada nacionalmente pelo Ato Declaratório Executivo COANA nº 14/2004, teve apenas como finalidade a de eliminar qualquer dúvida acerca da interpretação sobre a classificação do produto LAVREX 100, se tratando de um ato de cunho meramente interpretativo que teve como objeto apenas esclarecer a classificação de produto que vinha sendo descrito e classificado de forma incorreta, com base em entendimento de que se tratava de produto diverso. Além disso, a composição do LAVREX 100 sempre se tratou de uma mistura de ácidos e não de um único ácido com impurezas de composição química definida, como são aqueles incluídos no Fl. 714DF CARF MF 10 Capítulo 29, não podendo, por conseguinte, esse produto ser enquadrado no código 2904.10.20. Vejase que a discussão sequer é dada entre subposições ou itens/subitens do Capítulo 34 do Sistema harmonizado, mas sim, antes disso, a mesma se dá entre Capítulos, ou seja, entre gêneros, não havendo que se falar em alteração de critério jurídico, o qual sempre foi o mesmo, em conformidade ao Sistema Harmonizado já existente. Segundo Paulo de Barros Carvalho, em seu artigo sobre 'IPI – Comentários sobre as Regras Gerais de Interpretação da Tabela NCM/SH (TIPI/TAB)' divulgado na Revista Dialética de Direito Tributário de nº 12, 'o Sistema Harmonizado, tal qual aprovado na Convenção Internacional, opera com seis dígitos, correspondendo a posições e subposições de mercadorias, mas a NBM/SH (TIPI/TAB) sobrepõese àquele sistema para acrescentarlhe matriz de supespécies, mediante a particularização de itens e subitens'. Referido Sistema Harmonizado, segundo o mesmo autor, 'se volta ao objetivo de oferecer um panorama genérico de produtos, considerados na conformidade de critérios técnicos internacionais para atender às exigências de uniformização do comércio entre as nações'. Assim, já sendo existentes, à época da importação, tanto o Capítulo 34 como a posição e subposição 3402.11, não haveria como se afastar a classificação fiscal do LAVREX 100 de referidas posições e subposições como fez o Recorrente, tendo a Diretriz 03/2003 do Mercosul sido editada apenas para esclarecer que a posição e subpsosição 3402.11 seria a correta para a mercadoria. Face ao exposto, conheço do recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento, mantendo o acórdão a quo.” Tal voto aprecia algumas questões não suscitadas no Recurso Voluntário, mas prestase perfeitamente bem para caracterização do litígio quanto à classificação fiscal da mercadoria em foco. Convergem para as mesmas conclusões, quanto à classificação fiscal, os Acórdãos 9303002.319 e 003.003.399. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região tem decisão recente (18/03/2015) no mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. II. IPI. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. TARIFA EXTERNA COMUM TEC. TABELA DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS TIPI. LAVREX. DESCRIÇÕES DIVERSAS. ÁCIDO DODECILBENZENOSSULFÔNICO. MISTURA DE ÁCIDOS ALQUILBENZENOSSULFÔNICOS LINEARES. QUESTÃO SOLUCIONADA PELA COMISSÃO DE COMÉRCIO DO MERCOSUL. DITAME DE CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA N° 02/03. CLASSIFICAÇÃO NO CÓDIGO 3402.11.90 DA NCM. 1. Pedido da autora, que determina os limites da lide, de reclassificação de produto que importa, denominado "Lavrex 100", na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e na Tarifa Externa Comum TEC, com repercussão em diversos processos administrativos. 2. Descrição do produto pela autora como "ácido Fl. 715DF CARF MF Processo nº 11042.000275/200413 Acórdão n.º 3301003.451 S3C3T1 Fl. 711 11 dodecilbenzenossulfônico", diversa da referida em procedimento fiscal juntado, na qual é descrita "mistura de ácidos alquilbenzenossulfônicos lineares". 3. Discussão não restrita às regras de interpretação para o correto enquadramento do produto importado em classificação especifica, mas também envolvendo a efetiva identificação química da mercadoria Lavrex 100. 4. Questão já solucionada pela Comissão de Comércio do Mercosul, do qual o Brasil é país membro, quando da aprovação do Ditame de Classificação Tarifária n° 02/03, elaborado pelo Comitê Técnico n° 1. Segundo a diretriz, o produto Lavrex 100, que corresponde a "mistura de ácidos alquilbenzenosulfônicos", se classifica no código 3402.11.90 da NCM aprovada pela Resolução GMC nº 65/01 e suas modificatórias. 5. Com classificação do produto no âmbito do Mercosul, nada há a se discutir no feito, sobretudo invocando, como paradigmas, consultas administrativas. 6. Decisão administrativa juntada com o apelo que em nada altera a situação dos autos. Eventuais nulidades ou outros detalhes, referentes aos procedimentos administrativos enumerados, refogem aos limites da lide. Portanto, ratifico a decisão do Fisco em classificar a mercadoria LAVREX 100, do fabricante uruguaio American Chemical I.C.S.A., no código 3402.11.90. Utilização de Prova Emprestada A recorrente defende que não é lícita a utilização de prova emprestada. No caso, a base da autuação foi o Laudo de Análise do Laboratório de Análises da Funcamp – Fundação de Desenvolvimento da Unicamp, o qual foi elaborado por solicitação da Inspetoria da Receita Federal em Jaguarão/RS, para compor o conjunto probatório de outro procedimento fiscal, relativo a outro contribuinte importador. Todavia, o laudo em questão analisou o mesmo produto LAVREX 100, do mesmo fabricante uruguaio American Chemical I.C.S.A., de que trata o presente processo. Nestas circunstâncias, o procedimento é adequado, conforme art. 30, §3º, do Decreto 70.235/72: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. (...). § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (…) Fl. 716DF CARF MF 12 O laudo técnico, em cópia autenticada, consta às fls. 360 a 362. Às fls. 699 a 701, como resultado da diligência fiscal solicitada por meio da Resolução 310200.052, consta a DI que originou o pedido para confecção do laudo, e que registra o mesmo fabricante, denominação, marca e especificação da mercadoria objeto do presente processo, embora de importador diferente. Desse modo, despiciendo alongarse em outras considerações jurídicas quanto aos casos e formas de formação probatória a partir de outros feitos, porque no presente caso a Lei é clara e determina a aceitação do laudo. Não há, portanto, reparos ao lançamento nesse aspecto. Normas Complementares A recorrente argumenta pela aplicação do art. 100, inciso III do CTN, por ter utilizado a classificação fiscal rejeitada por 25 anos. Transcrevo o referido dispositivo legal: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Subentendese, embora não expressamente alegado, que se estaria a vulnerar o disposto no art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Todavia, o que se demonstrou no procedimento fiscal foi a descoberta de incorreção na descrição da mercadoria, e não uma interpretação diferente por parte da administração tributária. Com efeito, a mercadoria era caracterizada como “ácido dodecilbenzenossulfônico” nas Declarações de Importação. Porém consta no laudo técnico, expressamente, à fl. 361 do processo: “Não se trata de Ácido Dodecilbenzenossulfônico e seus Sais, de constituição química definida e isolado. Tratase de Mistura de Ácidos Alquibenzenossulfônicos Lineares, com predominância do Ácido Dodecilbenzenossulfônico, um Outro Aniônico, Agente Orgânico de superfície”. Portanto, não há que se falar em alteração de critério jurídico. Pelo exposto, voto por não tomar conhecimento do Recurso de Ofício, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 717DF CARF MF Processo nº 11042.000275/200413 Acórdão n.º 3301003.451 S3C3T1 Fl. 712 13 Fl. 718DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901337/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.489
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 13 37 /2 01 2- 18 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10925.901337/201218 Acórdão n.º 3301003.489 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.888. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.901337/201218 Acórdão n.º 3301003.489 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.901337/201218 Acórdão n.º 3301003.489 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37169.004231/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para, sem atribuir-lhes efeitos infringentes, sanar o vício de omissão apontado no acórdão recorrido.
Com base na avaliação das circunstâncias existentes no caso concreto, a reabertura de prazo e o ato de intimação para apresentação do recurso em trinta dias, sem a exigência do depósito prévio para o seu processamento, conforme despacho emitido pela unidade da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, não produzem efeitos para ultrapassar o juízo de admissibilidade do recurso voluntário no que tange ao requisito da tempestividade.
Numero da decisão: 2401-004.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em conhecer dos embargos declaratórios, e, no mérito, acolhê-los, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhem-se os embargos declaratórios para, sem atribuir-lhes efeitos infringentes, sanar o vício de omissão apontado no acórdão recorrido. Com base na avaliação das circunstâncias existentes no caso concreto, a reabertura de prazo e o ato de intimação para apresentação do recurso em trinta dias, sem a exigência do depósito prévio para o seu processamento, conforme despacho emitido pela unidade da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, não produzem efeitos para ultrapassar o juízo de admissibilidade do recurso voluntário no que tange ao requisito da tempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em conhecer dos embargos declaratórios, e, no mérito, acolhê-los, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
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OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios para, sem atribuirlhes efeitos infringentes, sanar o vício de omissão apontado no acórdão recorrido. Com base na avaliação das circunstâncias existentes no caso concreto, a reabertura de prazo e o ato de intimação para apresentação do recurso em trinta dias, sem a exigência do depósito prévio para o seu processamento, conforme despacho emitido pela unidade da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, não produzem efeitos para ultrapassar o juízo de admissibilidade do recurso voluntário no que tange ao requisito da tempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 16 9. 00 42 31 /2 00 7- 64 Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 37169.004231/200764 Acórdão n.º 2401004.750 S2C4T1 Fl. 1.051 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em conhecer dos embargos declaratórios, e, no mérito, acolhêlos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 37169.004231/200764 Acórdão n.º 2401004.750 S2C4T1 Fl. 1.052 3 Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, às fls. 1.020/1.024 1, contra o Acórdão nº 20601.159 da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, de relatoria da Conselheira Cleusa Vieira de Souza, o qual está juntado às fls. 1.002/1.012. 2. Alega a embargante que o acórdão de fls. incorreu em omissão, ao concluir pela intempestividade do recurso voluntário. 2.1 Para caracterizar o vício, aponta a ausência de manifestação do colegiado a respeito da reabertura do prazo para apresentação de recurso voluntário, evento determinado pela autoridade administrativa no despacho de fls. 960 (fls. 482, processo em papel). 2.2 Com efeito, a unidade local vinculada à extinta Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), concedeu novo prazo de 30 (trinta) dias para a interposição do recurso voluntário, nos termos do Ofício nº 003/2007, tendo em vista a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que afastou a exigência do depósito prévio para processamento do apelo recursal. 2.3 Uma vez reavaliada a questão preliminar, a embargante defende a tempestividade do recurso voluntário, circunstância que justifica o acolhimento dos embargos declaratórios com efeitos modificativos, para o fim de regular processamento e julgamento do mérito do apelo do contribuinte. 3. Em um primeiro momento, os embargos opostos pelo contribuinte não foram admitidos pelo Presidente da Câmara, por considerálos intempestivos (fls. 1.031). 4. Inconformado com o desfecho processual, interpôs também embargos de declaração contra esse último despacho de fls. 1.031, o qual havia deixado de conhecer do seu recurso. 4.1 Em síntese, sustentou a ocorrência de erro de fato na contagem do prazo recursal, porquanto o conselheiro designado para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos não atentou que o termo final recaiu em dia em que não houve expediente normal na unidade de recepção de documentos, dado o feriado nacional da "Paixão de Cristo" (fls. 1.037/1.039). 5. Reexaminada a questão da tempestividade, os aclaratórios foram admitidos, em 4/2/2015, por meio de despacho do presidente em exercício da 1ª Turma da 4ª Câmara, Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, cujo processo foi devolvido, posteriormente, para distribuição e sorteio de novo relator (fls. 1.044/ 1.046). É o relatório. 1 Salvo indicação em contrário, as referências dizem respeito à numeração após a digitalização do processo administrativo. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 37169.004231/200764 Acórdão n.º 2401004.750 S2C4T1 Fl. 1.053 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de Admissibilidade 6. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, §§ 1º, inciso II, 3º e 7º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 'RICARF', aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 6.1 No tocante à tempestividade dos embargos declaratórios, o recorrente tomou ciência do acórdão do recurso voluntário em 3/4/2009, sextafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de 5 (cinco) dias para interposição de recurso. Com isso, a contagem do prazo recursal iniciouse em 6/4, segundafeira, e finalizaria no dia 10/4, sextafeira (fls. 1.016/1.018). 6.2 Todavia, o dia 10/4/2009, foi feriado nacional, alusivo à celebração da paixão e morte de Cristo ("Paixão de Cristo"). 6.3 Em vista do feriado, não houve expediente na unidade da RFB, prorrogandose o prazo de vencimento para o próximo dia útil, dia 13/4/2009, segundafeira, data em que o recorrente protocolou os embargos de declaração (art. 9º do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). Mérito 7. Antes da análise do mérito, saliento que a minha designação como relator, por intermédio de sorteio, foi devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 7.1 À vista disso, incumbeme a emissão de juízo de valor acerca da necessidade de saneamento do Acórdão nº 20601.159, submetendo o entendimento à apreciação da Turma. Tal avaliação do julgado não implica, porém, anuência ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 8. Pois bem. O Acórdão nº 20601.159 não conheceu do recurso voluntário interposto pelo contribuinte em 13/6/2007, acostado às fls. 965/995, sob a conclusão de "manifesta intempestividade". 8.1 Para uma melhor compreensão dos fundamentos que levaram ao não conhecimento do recurso voluntário, reproduzo a íntegra do votocondutor proferido pela relatora, Conselheira Cleusa Vieira de Souza (fls. 1.010/1.012): Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 37169.004231/200764 Acórdão n.º 2401004.750 S2C4T1 Fl. 1.054 5 Voto Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatora Antes proceder análise das razões do presente recurso, mister se faz uma análise preliminar aos requisitos de admissibilidade do recurso interposto pela empresa, cujo reconhecimento poderá significar óbice intransponível para o julgamento a ser proferido por parte deste Colegiado. Com efeito, visando garantir o regular processamento do recurso interposto em face da DecisãoNotificação n° 20.421.4/0427/2006, a empresa impetrou Mandado de Segurança junto a Justiça Federal, cuja finalidade, segundo se constata dos autos, seria a dispensabilidade da garantia de instância como requisito de admissibilidade do seu recurso administrativo, logrando êxito conforme se observa da decisão de fls. 475, de lavra do Eminente Ministro Joaquim Barbosa, que consigna textualmente apenas a dispensabilidade do depósito recursal. Desta feita, a empresa se viu desonerada, por força de decisão judicial, de efetuar o depósito prévio para fins de conhecimento do recurso administrativo interposto contra o AI ora vergastado, de forma que o único requisito de admissibilidade afastado pelo Judiciário, fora a garantia de instância, devendo, portanto, ser verificado as demais exigências legais. Observase dos autos que o contribuinte foi intimado da Decisão de fls. 452 e s., via AR em 19 de setembro de 2006, tendo apresentado recurso apenas em meados junho de 2007, o que torna o seu recurso intempestivo, não cumprindo desta forma outro fundamental requisito de admissibilidade, a tempestividade, cuja inobservância igualmente impossibilita o aprofundamento deste Conselho. Nos termos do artigo 305 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, é de trinta dias o prazo para interposição de recurso, excedendo e muito o contribuinte esse prazo. É bem verdade que a própria extinta SRP, por meio do despacho de fls. 482 reconheceu que teria havido um suposto equivoco na intimação da Decisão recorrida, posto ter sido consignado a exigência de depósito prévio para fins de seguimento do recurso, posteriormente reconhecido como indevido pela decisão judicial já mencionada, o que, inclusive, teria ocasionado cerceamento do direito de defesa. Ocorre que tal fato possui [sic] a força que quer lhe imprimir a própria SRP, conquanto a exigência de depósito prévio não se traduzia em nenhuma arbitrariedade ou ilegalidade, mas ao contrário, tratavase de exigência prevista em Lei, cujo Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 37169.004231/200764 Acórdão n.º 2401004.750 S2C4T1 Fl. 1.055 6 cumprimento, como se disse várias vezes neste Conselho, não pode ser obstado pela própria Administração Pública. Acredito que não se possa falar em cerceamento do direito de defesa quando a atuação estatal estiver respaldada por previsão legal. 0 que creio devese ter sido observado pela Recorrente, e mais comumentemente acontece, seria cumprir o prazo legal, interpondo atempadamente o seu recurso, e questionado nas vias adequadas à exigência da garantia de instância, mas jamais, diante do risco real do transcurso do prazo legal, esperar o pronunciamento judicial para somente depois recorrer da decisão. Desta forma, não vejo condições para se ultrapassar o juizo de admissibilidade do recurso da Recorrente, não devendo o mesmo ser conhecido. Pelo exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por sua manifesta intempestividade. (DESTAQUEI) 9. Tendo em conta os trechos realçados do voto, entendo que o acórdão embargado enfrentou a questão suscitada pela embargante, porém acabou não deixando consignada, de forma expressa, a correlata manifestação. 10. O chamado "juízo de admissibilidade recursal" é constituído pelo exame do conjunto de requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. Se positivo o juízo de admissibilidade, viabiliza ao julgador avançar na análise das questões de fundo controvertidas (juízo de mérito). 11. Segundo a relatora, a dispensabilidade do depósito recursal foi o único requisito de admissibilidade afastado pelo Poder Judiciário. 12. Ao verificar os demais requisitos, entre eles a tempestividade, identificou que o recurso voluntário havia sido interposto após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, em descompasso, portanto, com o estabelecido no art. 305 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999: 2 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. 2 Redação transcrita para o art. 305 do RPS vigente à época da prolatação da decisão no recurso voluntário, em 7/8/2008. Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 37169.004231/200764 Acórdão n.º 2401004.750 S2C4T1 Fl. 1.056 7 § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (...) 13. Salvo hipóteses específicas, é vedada a alteração ou flexibilização do prazo de trinta dias, assim como seu termo inicial de contagem, inclusive por iniciativa do julgador administrativo. 14. Analisando o despacho de fls. 960 (fls. 482, na numeração em papel), a relatora discordou frontalmente dos motivos alegados pela extinta SRP para justificar a existência de equívoco de comunicação com o sujeito passivo e consequente cerceamento do seu direito de defesa. Afirmou a relatora que a exigência de depósito prévio contida na intimação da decisão de primeira instância, com ciência pelo interessado em 19/9/2006, não se traduzia em nenhuma arbitrariedade ou ilegalidade, nos termos da lei. 15. Na visão da relatora, portanto, a qual foi acompanhada por unanimidade de votos, as razões de fato e de direito contidas no despacho da extinta SRP, frente à legislação processual tributária, eram insuficientes para validar a concessão de um novo prazo de trinta dias para a interposição do recurso voluntário. 16. De tudo isso, é possível depreendese que o acórdão recorrido avaliou as circunstâncias do caso concreto e concluiu que a reabertura de prazo e o ato de intimação para apresentação do recurso não tinham o condão de produzir efeitos jurídicos para o fim de ultrapassar a intempestividade do apelo recursal. 17. Conforme registrou o acórdão embargado, caberia à recorrente cumprir o prazo legal de trinta dias e interpor o recurso voluntário, contados da ciência da decisão de primeira instância, sem prejuízo de promover questionamentos, por meio das vias adequadas, a respeito da exigência da garantia de instância. 18. Por outro lado, conquanto se propõe a buscar a correção do vício de omissão, a petição da embargante pretende valerse também dos aclaratórios para atacar o mérito da decisão contestada. De maneira processualmente inadequada, almeja rediscussão de matéria e inversão do resultado do julgamento, pleiteando o acolhimento dos embargos com efeitos infringentes. 19. À época dos fatos, segundo expõe, os recursos dos contribuintes, quando não acompanhados de prova do depósito de 30% (trinta por cento) da exigência fiscal, nem mesmo eram recepcionados pelas unidades locais da SRP. Como se percebe, tal afirmação seria um indicativo do motivo pelo qual não protocolou o recurso voluntário no prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. 19.1 Todavia, cuidase de alegação desprovida de provas dos fatos que invoca como fundamento à sua pretensão. Em verdade, temse notícia que o procedimento da unidade local consistia em negar seguimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo, por falta da comprovação do depósito recursal (art. 2º do Ato Declarativo Interpretativo RFB nº 31, de 15 de junho de 2009). Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 37169.004231/200764 Acórdão n.º 2401004.750 S2C4T1 Fl. 1.057 8 20. A embargante declara também que faltaria competência à instância julgadora administrativa "ad quem" para desconsiderar a reabertura do prazo para interposição do recurso voluntário concedida pela Delegacia da Receita Previdenciária, haja vista a regular expedição do ato administrativo pela SRP. 20.1 Nesse ponto, é evidente a pretensão de um novo pronunciamento sobre matéria já analisada, com nítido propósito de rediscutir a questão decidida pelo colegiado. O inconformismo com os fundamentos adotados no julgamento que inadmitiu o exame do mérito do apelo recursal não significa a existência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão. 20.2 Além do que, cabe recordar, o juízo de admissibilidade, em caráter definitivo, competia ao órgão administrativo a quem a petição do sujeito passivo se destinava. No caso sob apreço, ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme estrutura vigente à época do feito. 21. Logo, cumpre acolher os declaratórios com função integrativa, para preencher o vácuo existente na decisão recorrida, na forma acima mencionada, sem alteração, todavia, das conclusões do votocondutor e da parte dispositiva do julgado, que não conheceu do recurso voluntário, por intempestividade. 22. Em síntese, avaliadas as circunstâncias existentes no caso concreto, a reabertura de prazo e o ato de intimação para apresentação do recurso em trinta dias, sem a exigência do depósito prévio para o seu processamento, conforme despacho da SRP, não têm o condão de produzir efeitos para ultrapassar o juízo de admissibilidade do recurso voluntário quanto ao descumprimento do requisito da tempestividade. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, ACOLHER OS DECLARATÓRIOS, sem efeitos infringentes, para sanar o vício de omissão apontado pelo contribuinte, na forma acima exposta. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 1057DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000563/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2006 a 04/04/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2006 a 04/04/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 05 63 /2 01 0- 85 Fl. 331DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Erro material da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 3402004.157 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não Fl. 333DF CARF MF 4 contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10715.000563/201085 Acórdão n.º 3402004.157 S3C4T2 Fl. 4 5 Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberiav se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Fl. 335DF CARF MF 6 Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720993/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste sobre os pontos constantes do voto da Relatora.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 17/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se manifeste sobre os pontos constantes do voto da Relatora. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 17/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de impugnação em resistência ao Auto de Infração DEBCAD 51.033.8216, no valor de R$ 17.173,58 lavrado em face da Interessada, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 99 3/ 20 13 -7 1 Fl. 16146DF CARF MF Processo nº 16682.720993/201371 Resolução nº 2201000.254 S2C2T1 Fl. 3 2 já qualificada nos autos, em procedimento de verificação de cumprimento de obrigações previdenciárias principais e acessórias. Informa o Relatório Fiscal, fls. 16.003/16.010, em resumo, que: “O contribuinte deixou de apresentar à Fiscalização a memória de cálculo de todas as compensações efetuadas por ele no período de novembro/2008 a dezembro/2009, declaradas em GFIP’s, inclusive aquelas relativas a créditos decorrentes de pagamento ou de recolhimento indevido e a compensação de valores de retenção (cessão de mão de obra). Adotou também uma postura silente e omissa em relação aos pedidos formalizados pela Fiscalização, deixando de justificar a falta de atendimento a estes e não solicitando prazo de dilação para o atendimento aos sucessivos pedidos formulados”. Noticia a Fiscalização que a última resposta da contribuinte à intimação foi em 21/03/2013. A partir daí foram emitidos diversos Termos de Constatação e Intimação Fiscal, sem sucesso na obtenção de respostas. Em sua impugnação, fls. 16.039/16.048, a interessa alega, em síntese, que: A impugnação é tempestiva. A Fiscalização “não considerou a planilha ‘batimento GFIP X LEI 9711 X GPS X DEDUTIBILIDADES DA FOPAG – CRÉDITOS”, “apresentadas à época”, portanto, não procede a afirmação que o contribuinte deixou de apresentar à Fiscalização a memória de cálculo de todas as compensações efetuadas. Aponta como origem do crédito as GPS pagas, Retenções da Lei 9.711/98, saláriofamília e saláriomaternidade de 2006 e 2007, “que somados aos créditos do próprio Calendário amortiza as competências apuradas pela Fiscalização e objeto de Glosa”. “A autoridade Fiscal ao glosar a compensação, não traz prova da inveracidade do crédito utilizado”. A fiscalização não constatou “que os valores lançados nos livros e razões devidamente registrados na Junta Comercial correspondem aos declarados em GFIP”. Lembra que o art. 172, II, do Código Tributário Nacional – CTN, permite a remissão do crédito tributário mediante erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto à matéria de fato. Assevera que não houve motivo para a lavratura da Representação Fiscal para Fins Penais. Para reforçar seus argumentos cita um excerto de julgado administrativo. “Protesta a Recorrente pela produção de provas documentais se necessário for, nos termos do art. 16, Decreto 70.235/72”. Requer a nulidade ou a improcedência total do débito. É o Relatório. Fl. 16147DF CARF MF Processo nº 16682.720993/201371 Resolução nº 2201000.254 S2C2T1 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NÃO ENTREGA TEMPESTIVA DE DOCUMENTOS. PROVAS. Ao não atender a reiteradas intimações fiscais para apresentação de documentos, de acordo com os padrões e normas estabelecidas, o sujeito passivo infringiu uma obrigação acessória prevista em lei, surgindo assim um novo vínculo jurídico entre o Fisco e a contribuinte, expresso no lançamento fiscal. Para romper esse vínculo, por meio de impugnação, a interessada tem o ônus de comprovar que apresentou tempestivamente os documentos solicitados e que esses estão de acordo com as normas de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustentou, em síntese, que: a) o fiscal não considerou a planilha batimento GFIPXLEI9711XGPSXDEDUTIBILIDADES DA FOPAG = CRÉDITOS apresentada à época e fez com que tais glosas culminassem em insuficiência de saldo para quitar o 13º salário do valor devido à Previdência Social, sendo: Apropriações, Empresa e RAT/SAT, ou seja, Campo 06 da GPS Guia de Previdência Social. b) a autoridade fiscal, ao glosar a compensação, não traz prova da inveracidade do crédito utilizado, simplesmente porque não há prova contrária, denotando que a fiscalização não teve zelo e diligência para constatar que os valores lançados nos livros e razões devidamente registrados na junta comercial correspondem aos declarados em GFIP, em total sintonia com o art. 26, caput e parágrafo único, do Decreto 7574/2011; c) há ilegalidade no lançamento, vez que através de simples conta corrente temse que não há sustentação na autuação da fiscalização, sobretudo se concatenarmos os formulários/documentos (doc 05) oriundos das GFIPS enviadas, utilizadas pela própria fiscalização, no período analisado, sendo: Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada, Consulta de Valores Apropriados, Consulta Recolhimentos por código de pagamento detalhes, consulta valores de retenção 11% declarados X recolhidos, este em consonância com a Planilha de Faturamentos (doc. 05); d) o crédito é oriundo de GPS pagas, retenções da Lei 9711/98, verbas de dedutibilidades (saláriofamília e salário maternidade); e) os eventos apontados evidenciam créditos de sobejo oriundos do calendário 2006 e 2007, conforme planilhas anexas (doc 07 e doc 08), que somados aos créditos do próprio calendário amortiza as competências apuradas pela fiscalização e objeto de glosa; Fl. 16148DF CARF MF Processo nº 16682.720993/201371 Resolução nº 2201000.254 S2C2T1 Fl. 5 4 f) o somatório das retenções+GPS pagas+dedutibilidades das FOPAGs geraram os créditos no intervalo de 01/2008 a 13/2008 inclusive, que lastraram a compensação da competência 13/2008, conforme planilha e formulários/documentos extraídos da RFB, que por sua vez refletem os movimentos operacionais e os registros contábeis da impugnante; g) caso os julgadores entendam que apesar de latentes os créditos devessem estar devidamente assentados em GFIP, a fim de levar a efeito seu direito líquido e certo, a recorrente estaciona o direito de revisão face ao art. 172, inciso II, do CTN, que faculta a administração pública rever de ofício quando comprovado ERRO DE FATO; h) mostrase imotivada a representação fiscal para fins penais; i) há nulidade por vício material, pois existe falha no relatório fiscal, tendo em vista que o documento fiscal não trouxe motivação suficiente para declarar que de fato se desobedeceu ao regramento previdenciário; j) o fiscal alega que há diferenças nas bases e não mira as supostas variáveis de forma analítica, talvez por imperícia, o que cerceia as argumentações quanto ao mérito, já que não há como identificar com clareza qual seja a devida motivação da lavratura do auto. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Como narrado, ao não atender a reiteradas intimações fiscais para apresentação de documentos, de acordo com os padrões e normas estabelecidas, o sujeito passivo infringiu uma obrigação acessória prevista em lei. Sobre a questão, a decisão recorrida assim dispôs: A impugnante menciona que foi entregue a Planilha denominada “BATIMENTO: GFIP X FOPAG X GPS X RETENÇÃO X DEDUTIBILIDADE SAL FAM E SAL MAT”, no entanto, não foi comprovado sua protocolizada tempestiva, durante o período da fiscalização. Ademais, como citada acima a obrigação acessória infringida é bem mais ampla, envolve a apresentação de todos documentos solicitados. Em razão desta descrição legal abrangente e da não comprovação da entrega tempestiva de todos os documentos requeridos pela Fiscalização no curso da ação fiscal, mantém o Auto de Infração DEBCAD 51.033.8216. Observase que as outras matérias abordadas pela impugnante, relacionadas às obrigações principais contribuições previdenciárias e Fl. 16149DF CARF MF Processo nº 16682.720993/201371 Resolução nº 2201000.254 S2C2T1 Fl. 6 5 de terceiros foram apreciadas nos processos 16682.720992/201326 e 16682.720989/201311, com decisões mantendo os Autos de Infração e considerando as impugnações improcedentes, vide Acórdãos 01029.132 e 01029.133 ambos desta 5ª Turma de Julgamento – DRJ/Belém. Em seu recurso voluntário, bem como na tribuna, o contribuinte aduziu que os valores lançados nos livros e razões correspondem aos valores declarados em GFIP. Foi apresentada Planilha (Doc 7 e 8) MEMÓRIAS BATIMENTO GFIPXLEI 9711XGPSXDEDUTIBILIDADE DA FOPAG = CRÉDITOS (GPS pagas, retenções da Lei 9711, verbas de dedutibilidades salário família e maternidade). Diante desse contexto, converto o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora faça o cotejamento da planilha apresentada com o CONRET, o FPAS, as GPS, os valores declarados em GFIP e o saldo do conta corrente. Assinando digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 16150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901118/2013-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 18 /2 01 3- 59 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901118/201359 Acórdão n.º 1302002.272 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901118/201359 Acórdão n.º 1302002.272 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901118/201359 Acórdão n.º 1302002.272 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
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