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Numero do processo: 13657.000519/2005-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DCTF. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DCTF. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Recurso voluntário negado.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Recorrente LABORATORIO DE ANALISES CLINICAS OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DCTF. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 05 19 /2 00 5- 38 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Relatório Tratase o presente processo de auto de infração para exigência de multa no valor de R$ 1.500,00 por atraso na entrega de DCTF do anocalendário de 2002. Inconformada, a empresa apresentou impugnação, no devido prazo, alegando em síntese que “explora atividade que veda opção pelo Simples, permanecendo na sistemática de apuração do Lucro Presumido; recolheu regularmente seus impostos, entregando as respectivas DCTF e Declaração de Ajuste Anual; por ser microempresa, deverá ter tratamento diferenciado, simplificado e favorecido; e requer os benefícios da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN; e os valores extrapolam sua capacidade de pagamento. Apreciando o pleito da contribuinte, a DRJ julgou improcedente a impugnação, conforme resume a ementa abaixo transcrita (fl. 266 e ss): MULTA POR ATRASO. DCTF É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. È devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 274 e ss), aduzindo que deve ser levado em consideração o principio da capacidade contributiva, pois, falta condições a empresa de arcar com a multa em comento, implora ainda, pelo bom senso dos julgadores no tocante a sua capacidade de pagamento da referida multa. Referente a apresentação da DCTF fora do prazo legal, alega que os documentos foram entregues fora do prazo, porém de forma espontânea, de maneira que estaria isenta da aplicação da penalidade da multa, conforme art. 138 do CTN. Não obstante, a Recorrente assevera que a vergastada multa foi atingida pelo instituto da Decadência, visto que se refere ao ano de 2002, podendo ser lançada a partir do ano seguinte, 01/01/2003, portanto decaído estaria o direito da Fiscalização em cobrar a supracitada penalidade, por ter passado mais de 5 (cinco). É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13657.000519/200538 Acórdão n.º 3202001.311 S3C2T2 Fl. 316 3 O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Tratase o presente processo de multa por atraso na entrega da DCTF, relativa ao ano calendário de 2009, tendo como fundamento legal o art. 7º, da Lei nº 10.246/2002. A empresa recorrente alega que apresentou DCTF de forma espontânea, cumprindo dessa forma os requisitos existentes no art. 138 do CTN. Ocorre que não assiste razão à empresa, levando em consideração julgados do STJ, quanto à aplicação da espontaneidade. Desta feita, a multa por atraso na entrega de DCTF, incide na espécie da Súmula CARF nº 49, de seguinte teor: “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Neste sentido, importa citar jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça (STJ): TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. A Denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de Rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) *** TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. “As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN” (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp 885.259/MG, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 12/04/2007, p. 246) Diante do exposto, voto do sentido de NEGAR provimento ao recurso. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003855/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VENÂNCIO PEREIRA VELLOSO FILHO.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VENÂNCIO PEREIRA VELLOSO FILHO. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 03 85 5/ 20 08 -7 7 Fl. 6636DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, VENÂNCIO PEREIRA VELLOSO FILHO, foi lavrado o presente processo de lançamento de crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF em face do contribuinte acima identificado, efetuado por intermédio de dois Autos de Infração lavrados em 03/12/2008, que aqui serão denominados Auto de Infração n° 1 e Auto de Infração n° 2. Consistiram as infrações apuradas em ambos os Autos de Infração na omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação As quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 0 Auto de Infração n° 01 (fls. 1347/1351), com o montante crédito tributário de R$ 303.262,88, é composto de R$ 96.620,54, de imposto; R$ 61.711,53 de juros de mora calculados até 28/11/2008, e R$ 144.930,81 de multa proporcional calculada sobre o principal. Já o Auto de Infração n°2 (fls. 1327/1337), importando no total de R$ 8.682.021,88, constitui se de R$ 2.978.834,32, de imposto; R$ 1.234.936,10 de juros de mora calculados até 28/11/2008, e R$ 4.468.251,46 de multa proporcional calculada sobre o principal. Identificada nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB a existência de movimentação financeira em nome do Contribuinte junto ao banco Unibanco S/A, foi obtida, em relação A contacorrente n° 110.4773, Agência 318, por intermédio da Requisição de Movimentação Financeira n° 2008.000500 (fl. 43), a transferência do sigilo bancário do Sujeito Passivo à RFB. Notase, portanto, que RMF foi encaminhada a instituição financeira. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 6637DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003855/200877 Resolução nº 2202000.391 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 6638DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003855/200877 Resolução nº 2202000.391 S2C2T2 Fl. 5 4 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 6639DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003855/200877 Resolução nº 2202000.391 S2C2T2 Fl. 6 5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 6640DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.003855/200877 Resolução nº 2202000.391 S2C2T2 Fl. 7 6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 6641DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10166.727103/2011-42
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2009, 2010
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade por cerceamento do direito de defesa no procedimento regularmente conduzido em que foi facultado ao contribuinte exercitar seu direito ao contraditório e ampla defesa, mormente quando a defesa no contencioso administrativo evidencia inexistir qualquer empecilho à defesa.
DIRPF. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. INFRAÇÕES.
O contribuinte é o responsável pelas informações prestadas em sua Declaração de Ajuste Anual. O fato de atribuir a terceiros o preenchimento e transmissão das Declarações não o exime das conseqüências dos ilícitos praticados.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO.
Comprovado nos autos a prática de condutas dolosas com o intuito de obter restituições indevidas é cabível a qualificação da multa de ofício.
IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. MULTA QUALIFICADA. DOLO NÃO COMPROVADO.
A glosa de filha da lista de dependentes amparada exclusivamente no fato de que a mesma é alimentanda do declarante é hipótese que requer outros elementos seguros de que houve evidente intuito de fraude na utilização dessa dedução. Não restando comprovado o dolo, exclui-se a qualificação para que a multa de ofício seja reconduzida ao percentual de 75%
MULTA. CONFISCO.
A alegação de ofensa ao princípio da vedação de confisco diz respeito à inconstitucionalidade da lei. A multa de ofício é prevista em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos reconhecer a inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício, unicamente referente à glosa de dependente, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade por cerceamento do direito de defesa no procedimento regularmente conduzido em que foi facultado ao contribuinte exercitar seu direito ao contraditório e ampla defesa, mormente quando a defesa no contencioso administrativo evidencia inexistir qualquer empecilho à defesa. DIRPF. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. INFRAÇÕES. O contribuinte é o responsável pelas informações prestadas em sua Declaração de Ajuste Anual. O fato de atribuir a terceiros o preenchimento e transmissão das Declarações não o exime das conseqüências dos ilícitos praticados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO. Comprovado nos autos a prática de condutas dolosas com o intuito de obter restituições indevidas é cabível a qualificação da multa de ofício. IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. MULTA QUALIFICADA. DOLO NÃO COMPROVADO. A glosa de filha da lista de dependentes amparada exclusivamente no fato de que a mesma é alimentanda do declarante é hipótese que requer outros elementos seguros de que houve evidente intuito de fraude na utilização dessa dedução. Não restando comprovado o dolo, excluise a qualificação para que a multa de ofício seja reconduzida ao percentual de 75% MULTA. CONFISCO. A alegação de ofensa ao princípio da vedação de confisco diz respeito à inconstitucionalidade da lei. A multa de ofício é prevista em lei, sendo defeso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 71 03 /2 01 1- 42 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 aos órgãos administrativos reconhecer a inconstitucionalidade de lei. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício, unicamente referente à glosa de dependente, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2007, 2009 e 2010, anoscalendário 2006, 2008 e 2009, com imposição de multa qualificada de 150%, bem como juros de mora, em virtude de glosa de deduções de contribuições a previdência privada/FAPI, de dependentes, de despesas médicas e com instrução, tudo decorrente das constatações descritas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 118/128) e adequadamente relatadas em primeira instância nos termos abaixo: No decorrer da ação fiscal foram emitidos Mandado de Procedimento Fiscal, Termo de Início do Procedimento de Fiscalização e Termos de Reintimação Fiscal, todos devidamente notificados ao contribuinte. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 118/128, consta que a presente ação fiscal foi levada a efeito em decorrência de investigação realizada pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 1ª Região Fiscal (ESPEI/1ª RF), quando foram identificadas, mediante diversos cruzamentos de informações nos sistemas da RFB, várias pessoas que se beneficiaram de restituições indevidas, cujas declarações foram transmitidas utilizandose de determinados Protocolos de Internet – IP. O esquema para se beneficiar das restituições indevidas era executado por um grupo comandado por Luis Joubert dos Santos Lima, conhecido por Dr. Santos, o qual cobrava pelos “serviços” de elaborar declarações com deduções fictícias, além de exigir um percentual sobre o valor do imposto restituído indevidamente. A pedido do Ministério Público Federal, foi expedido Mandado de Busca e Apreensão pela juíza Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Martins Alves, da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. No cumprimento do referido mandado, foram apreendidos computadores e documentos em residências e escritórios de pessoas que participaram da fraude tributária efetuada nas declarações de ajuste anual de vários contribuintes. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.727103/201142 Acórdão n.º 2802003.164 S2TE02 Fl. 174 3 A DRF/BrasíliaDF, de posse dos documentos relativos à investigação realizada pelo ESPEI/1ª RF e da documentação oriunda da Busca e Apreensão determinada pela juíza da 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília, expediu diversos Mandados de Procedimento Fiscal, incluindo o que deu origem a esta ação fiscal. A autoridade lançadora anota que o contribuinte, após de várias prorrogações de prazo, apresentou documentos à fiscalização. Referida autoridade, com o propósito de se certificar da veracidade das deduções declaradas pelo contribuinte, realizou circularização junto às pessoas jurídicas Caixa Vida e Previdência S/A e Itaú Vida e Previdência S/A. Com base nas informações constantes das declarações apresentadas (DIRPF e DIRF), depois de apreciar os documentos obtidos, as seguintes infrações foram constatadas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 104/106 e 118/128: 001 – Dedução indevida de Previdência Privada/FAPI Exercício Valor (R$) 2007 9.500,00 2009 16.687,00 2010 22.025,00 002 – Dedução indevida de Dependente Exercício Valor (R$) 2007 1.156,32 2009 1.655,88 2010 1.730,40 003 – Dedução indevida de Despesas Médicas Exercício Valor (R$) 2007 14.725,28 2009 8.067,27 2010 17.350,00 004 – Dedução indevida de despesas com Instrução Exercício Valor (R$) 2007 9.495,36 2009 9.404,66 2010 9.701,00 Multa Qualificada de 150% e da Representação Fiscal Para Fins Penais Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A autoridade lançadora aplicou multa de ofício qualificada e procedeu à lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, por entender que os fatos verificados no curso da fiscalização, como a apresentação reiterada de declarações com deduções fictícias, visando restituições indevidas, demonstram práticas que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Na impugnação, o contribuinte alegou que houve nulidade por cerceamento de seu direito de defesa, uma vez que não foi comprovada sua participação no esquema realizado por Luís Joubert dos Santos Lima, Dr. Santos, e seus comandados conforme relatório do ESPEI/1ª RF; é uma pessoa de boa fé; o art. 136 do CTN dispensa a existência de dolo, mas não a culpa em sentido estrito; violação ao princípio do não confisco e da isonomia tributária. Não foram juntados documentos comprobatórios à impugnação. A impugnação foi indeferida, em síntese, sob os fundamentos abaixo: a) o contribuinte foi intimado do procedimentos fiscal e teve a possibilidade de exercer o direito de defesa com a impugnação, momento em que se instaurou o contencioso administrativo, porém os argumentos apresentados não excluem sua responsabilidade pelas infrações, conforme se concluiu na análise de mérito; b) diante das provas dos autos, coletadas após investigações realizadas pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 1ª Região Fiscal (ESPEI/1ª RF), que contou com ordem judicial de busca e apreensão , bem como quebra de sigilo fiscal e dos dados contidos nos computadores e/ou equipamentos apreendidos, não prospera a alegação de que não participou ou não autorizou de qualquer ação que almejava obter restituição indevida, pois sem sua conivência, como verdadeiro beneficiário dos valores subtraídos do Erário, não haveria fraude; c) se o contribuinte tivesse outra intenção, senão receber indevidamente os valores apurados nas declarações – originais ou retificadora – não teria resgatado todos os valores que lhe foram disponibilizados; d) a multa qualificada decorreu de correta aplicação da lei, porque os fatos verificados no curso da fiscalização demonstram práticas que, em tese, configuram crime contra a ordem tributárias, nos termos dos art. 1º e 2 da Lei 8.137/1990, e nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964; o fato de as declarações terem sido feitas e enviadas por terceiros não exclui a responsabilidade do contribuinte; e e) alegações de inconstitucionalidade não são apreciadas na instância administrativa. A ciência do acórdão ocorreu em 09/08/2012 e recurso voluntário foi interposto no dia 04/09/2012 (fls. 170). A peça recursal, em resumo, amparase nas alegações abaixo: 1. embora a ação fiscal tenha sido iniciada por suspeita de envolvimento do recorrente com o grupo de Luís Joubert dos Santos Lima, que elaborava declarações fictícias para restituição indevida de tributos, a acusação é infundada, tanto que o recorrente sequer foi apontado em Inquérito Policial que apurou os fatos; além disso, toda a documentação exigida foi apresentada, porém ignorada pela instância a quo; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.727103/201142 Acórdão n.º 2802003.164 S2TE02 Fl. 175 5 2. não foi considerada a preliminar de nulidade consistente na falta de comprovação de ligação do recorrente com o dito Dr. Santos; e 3. a aplicação da multa de 150% viola o princípio constitucional do não confisco. Não foram juntados documentos comprobatórios à peça recursal. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. É o Relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Não há qualquer cerceamento do direito de defesa, pois não só foi dado ao contribuinte oportunidade de manifestarse durante a fiscalização como durante o contencioso administrativo. Desde a impugnação o contribuinte vem exercitando seu direito ao contraditório e ampla defesa, sem qualquer empecilho. Ademais, a impugnação não foi instruída com documentos comprobatórios das despesas glosadas, o que é razão suficiente para rejeitar a alegação de que a instância a quo ignorou as provas apresentadas. Preliminar de nulidade rejeitada. A ação fiscal decorreu de investigação conduzida pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal na 1ª Região Fiscal (ESPEI 1ª RF) que identificou um grupo de pessoas especializado em “assessorar” contribuintes que desejavam incrementar os valores de restituição de imposto de renda por meio, basicamente, do aumento de deduções na Declaração de Ajuste Anual. Na referida investigação apurouse que o esquema fraudulento era operado por Luís Joubert dos Santos Lima, vulgo Dr. Santos, e por mais algumas pessoas por ele lideradas, obtendo remuneração de um valor fixo para elaboração da Declaração de Ajuste Anual, bem como percentual sobre o valor restituído indevidamente. Em razão dessa investigação foi expedido mandado de busca e apreensão determinado pelo juízo da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 92/94) no escritório do contabilista Luis Joubert dos Santos Lima e conseqüente apreensão de documentos que comprovam um esquema de “fabricação” de restituições fraudulentas para centenas de contribuintes. A identificação dos contribuinte que se beneficiaram dessa fraude ocorreu por meio de cruzamento de dados dos sistemas da Receita Federal e posteriormente com a constatação de que as Declaração de Ajuste Anual foram transmitidas pelo mesmo Protocolo da Internet (IP). Então foram expedidos mandados de procedimentos fiscais para diversos contribuintes, dentre os quais o recorrente. Na citada busca e apreensão foi encontrado material alusivo ao recorrente. A autoridade fiscal descreve no Termo de Verificação Fiscal que o evidente intuito fraudulento está comprovado com o que foi relatado em cada infração, podendo destacar: a) prática reiterada de cometimento das infrações (vários exercícios); b) não apresentação da documentação comprobatória; c) declaração falsa sobre contribuição para previdência privada; d) procedimento comum ao do esquema fraudulento conhecido como grupo do Dr. Santos e investigado pelo ESPEI da 1ª Região Fiscal. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.727103/201142 Acórdão n.º 2802003.164 S2TE02 Fl. 176 7 Não pode o recorrente eximirse da responsabilidade pelas infrações sob a alegação de que confiou a terceiros a feitura de suas declarações. Ademais, é surreal crer que por anos seguidos vinha se beneficiando de restituições indevidas tão somente na crença de que o denominado Dr. Santos estaria agindo corretamente. O conjunto probatório dos autos é suficientemente consistente para comprovar o evidente intuito fraudulento. Não obstante, são diversas infrações e cada uma delas deve ser apreciada com as devidas peculiaridades. No caso da dedução de dependentes, a descrição no Termo de Verificação Fiscal não indica o uso de dependentes fictícios, mas sim a indevida dedução relativa à filha Jéssica posto que essa é alimentanda. Essa situação não é elemento consistente para a qualificação da multa, exclusivamente em relação a essa parte da autuação. Assim, a multa aplicável sobre a glosa da dedução de dependente deve ser empregada no patamar normal para as multas de ofício, qual seja, de 75%. As demais infrações permanecem sujeitas à multa qualificada, conforme previsto no §1º do art. 44 da Lei 9.430/1996. Não cabe ao CARF manifestarse sobre inconstitucionalidade de lei sob o fundamento de violação ao princípio do nãoconfisco ou quebra de isonomia, tal como enunciado na Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Meu voto é: DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a qualificação da multa de ofício, unicamente referente à glosa de dependente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13016.000717/2008-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2008
REFRESCO DE PÊSSEGO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. REQUISITO NÃO ATENDIDO. INDEFERIMENTO DO PLEITO.
Para se usufruir do benefício de redução de 50% da alíquota do IPI, é necessário, concomitantemente, que o produto (refresco de pêssego) esteja registrado no órgão competente e que atenda aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Numero da decisão: 3803-006.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 REFRESCO DE PÊSSEGO. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA. REQUISITO NÃO ATENDIDO. INDEFERIMENTO DO PLEITO. Para se usufruir do benefício de redução de 50% da alíquota do IPI, é necessário, concomitantemente, que o produto (refresco de pêssego) esteja registrado no órgão competente e que atenda aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 07 17 /2 00 8- 90 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000717/200890 Acórdão n.º 3803006.359 S3TE03 Fl. 199 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo contribuinte supra identificado em face do Parecer DRF/CXL/Seort nº 17 e do Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete nº 664, ambos de 14 de setembro de 2009, em que se indeferiu o pedido de redução de alíquota do IPI para seis produtos fabricados pelo contribuinte, sob a justificativa de “não existirem as condições necessárias para que os mesmos percebam os benefícios de redução de alíquotas de IPI”. O contribuinte havia requerido ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul/RS a redução de alíquota do IPI de que trata a Nota Complementar (NC) 221 da Tabela de Incidência do referido imposto (IPI), segundo a qual ficam reduzidas em 50% as alíquotas relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e estejam registrados no órgão competente do referido Ministério. Remetido o processo ao MAPA, emitiuse o Parecer DBEB/CGVB/DIPOV de 28 de abril de 2009, informando que os produtos atendiam aos padrões de identidade e qualidade estabelecidos pelo Ministério, exceto seis deles, em relação aos quais inexistiam as condições necessárias ao reconhecimento do benefício de redução da alíquota do IPI, por não dispor o Ministério, até aquele momento, dos padrões de identidade e qualidade específicos para as bebidas registradas. Cientificado da decisão da repartição de origem, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu que se tornasse o despacho decisório sem efeitos, alegando que os sucos de pêssego objeto do pedido encontramse devidamente registrados no MAPA, não havendo qualquer ressalva quanto à existência ou não dos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério. Alegou, ainda, que o item 7 do parecer da repartição de origem é contraditório e afronta o princípio da segurança jurídica, devendose observar, no caso, o princípio da aparência. A decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade restou ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 PRODUTOS DO CÓDIGO 2202.10.00 DA TIPI. PEDIDO DE REDUÇÃO DE CINQUENTA POR CENTO DA ALÍQUOTA DO IPI. REFRESCO DE PÊSSEGO. INEXISTÊNCIA DE PADRÃO DE IDENTIDADE E QUALIDADE. INDEFERIMENTO DO PLEITO. A inexistência de padrão de identidade e qualidade para refresco e bebida de pêssego classificados no código 2202.10.00 da TIPI impede o reconhecimento da redução de cinquenta por cento da alíquota IPI, mesmo que os referidos produtos estejam Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000717/200890 Acórdão n.º 3803006.359 S3TE03 Fl. 200 3 registrados no órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Cientificado da decisão em 16 de junho de 2010, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 14 de julho do mesmo ano e requereu o acolhimento do pedido de nulidade da decisão a quo posto em preliminar, com a devolução dos autos à Delegacia de Julgamento para que outra decisão fosse proferida em boa e jurídica forma, com a análise de todas as questões postas na Manifestação de Inconformidade; ou, alternativamente, que se desse provimento ao recurso, considerando as razões que haviam sido apresentadas na primeira instância administrativa. É o Relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, destacase que não assiste razão ao Recorrente quanto à alegada nulidade do acórdão recorrido, pois que exarado em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), precipuamente o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, em que se preveem como hipóteses de nulidade apenas a incompetência do agente ou da autoridade e as decisões e os despachos prolatados com preterição do direito de defesa. Ressaltese que, conforme jurisprudência dos tribunais superiores1, o julgador não se encontra obrigado a rebater todas as alegações e os argumentos postos pelas partes, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Quando os termos da decisão, devidamente fundamentada, indicam que as alegações restaram superadas em decorrência do rumo tomado pelas conclusões finais do julgamento, o julgador não necessita enfrentar todos os argumentos, individualizadamente, pois que suplantados pelo entendimento que os sobrepujou. A DRJ Porto Alegre/RS demonstrou de forma clara e objetiva a razão do não acolhimento do pedido do Recorrente, pautandose na legislação vigente, cuja observância, por parte da autoridade administrativa, é obrigatória e vinculante. O art. 65, inciso I, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI), vigente à época, estabelecia a redução das alíquotas de que trata a Nota Complementar NC 221 da TIPI, com a declaração, 1 STF: RE 585919 AgRED/MG, j. 27/03/2012 e AI 681331 AgRED, j. 24/08/2010; STJ: REsp 1.408.227/SC, j. 22/04/2014 e AgR no AREsp 485.973/SC, j. 10/06/2014. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000717/200890 Acórdão n.º 3803006.359 S3TE03 Fl. 201 4 em cada caso, pela Receita Federal, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do beneficio.2 A Nota Complementar NC 221 assim dispõe: Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativas aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério.(grifei) Do excerto supra, constatase que são duas as condições exigidas para a redução da alíquota, a saber: 1) atendimento aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); e 2) estejam os produtos registrados no órgão competente. Nesse sentido, não basta que o produto esteja registrado – esse requisito não exclui o outro –, mas que ele também atenda aos padrões exigidos pelo MAPA. Desse modo, não se vislumbra possibilidade de acolhimento do pedido do Recorrente, pois o MAPA, que detém a competência para tal, se pronunciou nos seguintes termos: “não existem as condições necessárias para que os [produtos] percebam os benefícios de redução da alíquota de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), uma vez que o MAPA não dispõe, até o momento, dos padrões de identidade e qualidade específicos para as bebidas registradas por meio destes processos” (sublinhei). Como bem esclareceu o julgador de piso, “a Portaria nº 544, de 1998, do Ministro da Agricultura e Abastecimento, aprovou, em seu Anexo I, o Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Refresco, com o objetivo de fixar a identidade e as características mínimas de qualidade a que deverá obedecer o Refresco”, constando do item 4 do regulamento os requisitos exigidos e a identificação de uma série de refrescos, dentre os quais não se inclui o refresco de pêssego, objeto do requerimento do interessado. Nesse sentido, nada há a reformar nos atos precedentes, em razão do quê voto por NEGAR provimento ao recurso. 2 Art. 65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI, que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13016.000717/200890 Acórdão n.º 3803006.359 S3TE03 Fl. 202 5 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 24/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10469.729848/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ADOÇÃO DO REGIME DE CAIXA.
Para utilização do regime de caixa a empresa terá de adotar as regras da IN 104/1998, que determina procedimentos diferenciados na escrituração para apuração por este regime.
MULTA DE OFÍCIO QULIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, da Lei 9430/96, estando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se em tese nas hipóteses tipificadas nos art. 71 a 73 da Lei 4.562/1964.
Numero da decisão: 1301-001.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ADOÇÃO DO REGIME DE CAIXA. Para utilização do regime de caixa a empresa terá de adotar as regras da IN 104/1998, que determina procedimentos diferenciados na escrituração para apuração por este regime. MULTA DE OFÍCIO QULIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, da Lei 9430/96, estando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em tese nas hipóteses tipificadas nos art. 71 a 73 da Lei 4.562/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 98 48 /2 01 1- 31 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Recife/PE. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados os Autos de Infração (fls. 319 – 334), para formalização e exigência de crédito tributário referente aos anoscalendário 2006 e 2007 em relação ao IRPJ e à CSLL. Temse que os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada perante a contribuinte, na qual a Fiscalização constatou infrações à legislação dos impostos e contribuições descritas em cada Auto de Infração e no Relatório Fiscal de folhas 310 a 318. Atestouse no aludido Relatório Fiscal que no curso da fiscalização levada a efeito no contribuinte CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, foram constatados alguns fatos que demonstrariam de maneira clara a tentativa da empresa CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA de ocultar deliberadamente a sua vontade real, qual seja: a alienação onerosa de imóveis de sua propriedade para outras sociedades empresárias, utilizandose da simulação de uma operação de integralização de capital à sociedade CIRNE EMPREENDIMENTOS, para dessa forma, esquivarse da tributação do ganho de capital decorrente dessa alienação. Registrou a Fiscalização que de conformidade com o Aditivo Contratual n° 3, a empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS teria aumentado, em 17/08/2006, o seu capital social de R$ 476.500,00 para R$ 2.276.995,00, com integralização de capital feita pela empresa recorrente, CIRNE IRMÃOS, no valor de R$ 1.800.495,00, sendo R$ 0,71 em moeda corrente nacional, e R$ 1.800.494,29 com 03 bens imóveis assim discriminados: a) R$ 1.400.000,00 Um terreno situado n Av. do Exército, registrado no 7º Ofício de Notas, no Livro n° 2Registro Geral sob. N° Rl, referente à matrícula n° 21.840, em 10.03.2003; b) R$ 227.721,05 – Uma parte de terra, situada na Estrada NatalRedinha, Rua Aracaju; c) R$ 172.773,24 – Uma parte de terra, situada em frente à Estrada de Ferro Sampaio Correa, no lugar denominado Igapó, Natal/RN. OBS: Os terrenos descritos nas alíneas "b" e "c" são o resultado da divisão em duas partes, do terreno registrado no 3o Ofício de Notas sob a matrícula n° 31.361. Atestouse diante disso, que somente em 04/05/2007 a empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS registra o arquivamento do Aditivo Contratual n° 3 na Junta Fl. 432DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.729848/201131 Acórdão n.º 1301001.393 S1C3T1 Fl. 3 3 Comercial do Estado do Rio Grande do Norte – JUCERN, sob o n° de protocolo 07/0177910, produzindo apenas a partir desta data, 04/05/2007, os efeitos legais da suposta integralização de capital, conforme dispõe os Arts. 45 e 1.150 do Código Civil, ocorrendo que o terreno de matrícula 21.840, descrito no item "a" acima, no momento do registro de arquivamento na JUCERN do Aditivo Contratual n° 3, ou seja: em 04/05/2007, já havia sido vendido, desde 15/02/2007, pela empresa CIRNE IRMÃOS à empresa SS EMPREENDIMENTOS CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ 02.557.829/000115, ao valor de R$ 10.000.000,00 e da mesma forma ocorreu com o terreno de matrícula 31.361, que compõe os dois terrenos descritos nas alíneas "b" e "c", pois o mesmo fora vendido em data anterior ao arquivamento na JUCERN do referido Aditivo n° 3, também pela CIRNE IRMÃOS para ATACADÃO DISTRIBUIÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, CNPJ 75.315.333/000109, em 16/11/2006, ao valor de R$ 7.427.000,00, tendo como sinal a quantia de R$ 827.000,00 (oitocentos e vinte e sete mil reais), depositados diretamente na conta da CIRNE IRMÃOS pelo ATACADÃO, no dia 16/11/2006. Registrouse ainda, que baseado nos documentos coletados na empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS, observase que em 19/12/2008, aumentou o seu capital, conforme Aditivo Contratual n° 4, de R$ 2.276.995,00 para R$ 9.494.751,00, utilizandose de lucros acumulados até aquele momento, e que a sócia CIRNE IRMÃOS, retirase da sociedade transferindo suas cotas aos demais sócios, ao valor de R$ 7.507.497,00, ressaltando que os sócios da empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS são da mesma família dos sócios da empresa CIRNE IRMÃOS e que também fazem parte do quadro societário desta empresa. Mencionou a Fiscalização que o registro de venda do terreno de matrícula n° 21.840 foi feito no Ofício de Notas como se fora a CIRNE EMPREENDIMENTOS vendendo para SS Empreendimentos Construções Ltda, em 15.02.2007, porém, nessa data, a CIRNE EMPREENDIMENTOS não era proprietária do terreno, nem de fato nem de direito, logo não poderia vendelo. Em Diligência Fiscal realizada na empresa SS Empreendimentos Construções Ltda, a Fiscalização coletou documentos que comprovariam as transferências eletrônicas bancárias em favor da CIRNE IRMÃOS dos valores relativos aos primeiros pagamentos referentes a compra do terreno de matrícula n° 21.840 (Sinal e princípio de pagamento no valor de R$ 1.500.000,00), observando que os pagamentos acima, realizados pela empresa SS Empreendimentos Construções Ltda em favor da empresa CIRNE IRMÃOS encontramse devidamente registrados nos extratos bancários desta última. Seguiuse dando conta de que em relação às demais parcelas de pagamento deste terreno a SS Empreendimentos apresentou comprovantes de depósitos realizados em favor da empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS, e apresentou uma cópia do Contrato Particular de Compra e Venda do referido imóvel, firmado em 15/02/2007, diretamente com a empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS, quando de fato e de direito efetivou tal transação com a CIRNE IRMÃOS, pois além de realizar os primeiros pagamentos em nome desta, ainda existe o principal argumento jurídico, ou seja, o fato de que na data da compra o único proprietário do imóvel matrícula n° 21.840 registrado no 7o Ofício de Notas era a empresa CIRNE IRMÃOS e não CIRNE EMPREENDIMENTOS. Quanto à venda do terreno de matrícula n° 31.361, segundo a Fiscalização ficaria ainda mais claro, a partir da análise dos assentamentos registrados no 3o Ofício de Notas, que a dita venda ocorreu diretamente da CIRNE IRMÃOS para o ATACADÃO Fl. 433DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 DISTRIBUIÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, em 16/11/2006, ou seja, em data anterior ao arquivamento na JUCERN do Aditivo Contratual n° 3, que somente ocorreu em 04/05/2007. Corroborando estas evidências, a Fiscalização coletou na empresa ATACADÃO, os documentos abaixo relacionados que comprovariam, de forma inequívoca, que a venda do imóvel matrícula n° 31.361 fora efetivada, em 16/11/2006, diretamente pela CIRNE IRMÃOS: • Escritura pública de compra e venda do terreno acima, lavrada em 16/11/2006, às fls. 106 a 107v do Livro 35, no Serviço Único Registrai e Notarial de Tangará RN, confirmando a venda direta de CIRNE IRMÃOS para ATACADÃO, bem como a confirmação, por parte de CIRNE IRMÃOS, do recebimento da quantia de R$ 827.000,00 por intermédio de TED efetuado por ATACADÃO em 16/11/2006 a seu favor, a título de sinal e princípio de pagamento; • Escritura pública de reratificação da compra do terreno acima; • Registro do referido imóvel no Terceiro Ofício de Notas; • 48 Notas Promissórias, no valor de R$ 137.500,00 cada uma, referentes ao restante do pagamento ajustado na escritura pública de compra e venda do imóvel, todas emitidas e assinadas no dia 14/11/2006 por ATACADÃO em favor de CIRNE IRMÃOS. Diante disso, concluiu a Fiscalização que todas as evidências até aqui apresentadas apontam que os referidos terrenos, objeto das matrículas 21.840 e 31.361, foram de fato e de direito vendidos diretamente pela empresa fiscalizada CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA, e que esta, numa tentativa de reduzir a tributação sobre esta operação, adotou uma conduta anormal, ao operacionalizar um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo claro de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de tais imóveis, levando a crer que a suposta integralização de capital registrada pelo Aditivo Contratual n° 3 da empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS no dia 17/08/2006, e somente em 04/05/2007 levada a registro de arquivamento na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte JUCERN, foi simulada, e a operação que realmente ocorreu foi a venda dos referidos imóveis pela empresa fiscalizada CIRNE IRMÃOS com apuração de ganho de capital. Diante disso, considerando que a empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS tem como objeto social o ramo de atividades imobiliárias, concluiu a Fiscalização que a empresa CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA tentou escapar da tributação sobre o ganho de capital nas operações de venda dos referidos terrenos, simulando um negócio jurídico aparentemente perfeito, com intuito de modificar as características essenciais da ocorrência do fato gerador, pois, como a CIRNE EMPREENDIMENTOS é imobiliária e tributa a venda de imóveis como mercadoria, na sistemática do lucro presumido, esta operação resultaria numa tributação muito menor que a do ganho de capital, se não fosse pelo fato de que os terrenos já haviam sido vendidos a terceiros antes do momento da suposta integralização de capital na CIRNE EMPREENDIMENTO, razão pela qual, com base nos dispositivos legais mencionados no item "Enquadramento Legal" do Auto de Infração, a Fiscalização lançou de ofício o crédito tributário em desfavor da empresa CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA referente ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL decorrente da omissão do ganho de capital na venda de imóveis de sua propriedade, no 4º trimestre de 2006 e 1º trimestre de 2007. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.729848/201131 Acórdão n.º 1301001.393 S1C3T1 Fl. 4 5 Ressaltouse que a empresa fiscalizada informa valores nos itens denominados "Demais Receitas e Ganhos de Capital" das fichas "14 A" e "18 A" da DIPJ nos períodos de apuração acima, contudo, em correspondência apresentada em resposta às indagações da Fiscalização (Anexo: "Respostas do Contribuinte às Intimações"), a empresa declara e apresenta cópia de seu livro Razão justificando tratarse exclusivamente de "outras receitas", desta forma, os valores de ganho de capital apurados pela Fiscalização foram integralmente lançados em Auto de Infração, sendo que a fiscalização entendeu estarem configuradas, em tese, na presente fiscalização, as figuras da sonegação e fraude tipificadas nos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/1964. Verificou, por fim, que a fiscalizada realizou um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de bem imóvel, com intuito de modificar as características essenciais da ocorrência do fato gerador, e desta forma, impedir ou retardar o seu conhecimento por parte da Receita Federal do Brasil, de modo a reduzir o valor do tributo devido. Assim, tendo em vista a presença em tese de sonegação e de fraude, aplicandose a multa de ofício qualificada, conforme art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Devidamente notificada, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 342 – 357), na qual questiona integralmente os autos de infração, alegando em síntese o seguinte que de conformidade com o Relatório Fiscal de fls. 310 a 318, a Fiscalização desqualificou as transações de venda dos imóveis descritos no item 20, de fl. 316, contabilizadas e tributadas na empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA e ao mesmo tempo, promoveu o lançamento dessas mesmas vendas, na empresa CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA. mediante Autos de Infração, cobrando o IRPJ e a CSLL sobre os mesmos fatos contábeis, das 2 empresas. Reputou que nos anos de 2006 a 2010, a contabilização do recebimento das prestações dos 2 terrenos foi realizada com registros nas contas de receitas, códigos 3.1.01.01.003 VENDA DE TERRENO e 3.5.01.01.0001 VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, fato comprovado pelas cópias do RAZÃO da empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, anexadas, defendendo que em função dos registros contábeis, podese concluir que foram contabilizadas, em conta de receita, todas as parcelas recebidas, sendo RS 964.500.00 no ano de 2006, RS 5.349.999,98 no ano de 2007, R$ 4.538.888,86, no ano de 2008. RS 4.316.666.64, no ano de 2009 e RS 1.597.222,22 no ano de 2010, totalizando RS 17.427.000,00. Diante disso, concluiu que se o produto da venda dos 2 terrenos já foi objeto de tributação, na empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, tornase ilegal a cobrança sobre idêntico fato, na empresa CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA e que não há lei que autorize cobrança, em duplicidade, sobre o mesmo fato gerador, de 2 empresas. Requereu a realização de Diligência para confirmar os valores e as datas de contabilização da venda dos 2 terrenos, retro mencionados, na empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, bem como seu oferecimento à tributação do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, formulou quesitos às fls. 347/348. Defendeu ainda, que a empresa "CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA" promoveu a contabilização da venda dos 2 terrenos citados, obedecendo ao "regime de Caixa" e que em decorrência da adoção da sistemática de tributação, com base no LUCRO PRESUMIDO, todos os valores recebidos foram lançados às contas de Fl. 435DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 receita, códigos 3.1.01.01.003 VENDA DE TERRENO e 3.5.01.01.0001 VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, e se ambas as empresas CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA e CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA adotaram idêntico procedimento, com relação à tributação de suas operações, com base no Lucro Presumido e no regime de Caixa, é dever da administração seguir esse mesmo critério. Entretanto, esse não foi o critério adotado no Auto de Infração. No mais, insurgiuse contra a multa qualificada, reputando que a acusação de que "realizou um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de bem imóvel", seria totalmente infundada e improcedente, sendo imperioso observar que as vendas dos 2 imóveis foram objeto de tributação, de forma correta, na contabilidade da empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA e, consequentemente, não procederia a acusação do "não oferecimento à tributação" do lucro auferido nessas vendas de imóveis. Por outro lado, também seria improcedente a acusação à empresa de "impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador, por parte da Receita Federal do Brasil, de modo a reduzir o valor do tributo devido", porquanto todos os atos foram celebrados, em documentos públicos, de pleno conhecimento dos órgãos fazendários. Quanto à assertiva da fiscalização de que a empresa "utilizou simulação de operação de integralização de capital, para esquivarse da tributação do ganho de capital", defendeu a contribuinte que tudo foi feito às claras, sem subterfúgios, registrados os atos na Junta Comercial e no Cartório de Imóveis e que o fato de não ter sido aceita a data do aditivo contratual é mero detalhe que não caracteriza, nem "simulação", nem "fraude" e, muito menos, "sonegação", sendo que a prova mais contundente da inexistência de atos delituosos apontados pela Fiscalização reside no fato de que, amparado pelas normas legais, a empresa Cirne Empreendimentos Imobiliários Ltda contabilizou as respectivas receitas e as tributou no âmbito do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Outrossim, a imputação de "simulação para esquivar se da tributação", se revelaria incoerente e infundada, tanto que foram objeto de tributação os lucros decorrentes das citadas vendas. Insistiu que a operação de integralização de capital também obedeceu aos ditames das normas fiscais, que permitem o planejamento tributário, com vistas à redução da carga tributária, mediante operações legais e que não se constituem em "atos simulados", requerendo, outra vez, a descaracterização da multa de 150%. Arrazoou que houve incorreta apuração do custo dos imóveis, eis que a fiscalização consignou o custo de aquisição do imóvel 2, em R$ 1.400.000,00, entretanto, pela escritura do registro de Imóveis da 3ª Zona, acostada aos autos à fl. 236, o custo de aquisição atingiu a R$ 1.546.048,00, assim composto: a) R$ 280.000,00, no ato de assinatura do contrato; b) 24 prestações de R$ 52.752,00, cada uma, totalizando R$ 1.266.048,00, requerendo fosse retificado o custo do imóvel em referência. A 4ª Turma da DRJ em Recife/PE, nos termos do acórdão e voto de folhas 366 a 381, julgou os lançamentos procedentes, assentando para tanto que de acordo com os Autos de Infração, restou comprovado que a contribuinte realizou vendas, em 16/11/2006 e em 15/2/2007, de imóveis de sua propriedade com apuração de ganho de capital, sem, contudo, oferecer tal resultado não operacional à tributação do IRPJ e da CSLL no 4º trimestre de 2006 e no 1º trimestre de 2007, acatando as imputações da Fiscalização. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 391 – 413), reiterando os argumentos e pugnando por provimento. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.729848/201131 Acórdão n.º 1301001.393 S1C3T1 Fl. 5 7 É o relatório. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como descrito no relatório acima minudenciado, a recorrente (CIRNE IRMÃOS E CIA LTDA), teria omitido receita decorrente de ganho de capital oriundo da alienação de imóveis que até então lhes pertencia, eis que a contribuinte realizou as vendas em 16/11/2006 e em 15/2/2007, sem oferecer tal resultado não operacional à tributação do IRPJ e da CSLL no 4º trimestre de 2006 e no 1º trimestre de 2007, valendose para tanto, de expediente de simulação, por meio do qual, pretendeu aportar os tais imóveis em data posterior às vendas, em empresa de empreendimentos imobiliários (CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA), para assim tributar o resultado das alienações naquela pessoa jurídica, como se fosse um resultado operacional. Em seus inconformismos manifestados, tanto em Impugnação quanto em Recurso Voluntário, a contribuinte tem alegado justamente que os referidos imóveis foram transferidos por ela recorrente, à empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, mediante aditivo contratual de integralização de capital, e que as transações de vendas foram contabilizadas e tributadas naquela pessoa jurídica, invocando a partir deste raciocínio diversos preceitos que entende aplicáveis, relativos à alegada cobrança em duplicidade e demais alegações já relatadas. O exame do conteúdo do presente processo administrativo, contido nas peças de acusação contrapostos às alegações da contribuinte revelam a prevalência do conteúdo decisório impugnado. Cuidando da pertinência do que decidido pela 4ª Turma da DRJ em Recife/PE, aliás, me parece suficientemente a elucidar o caso a transcrição dos eventos ocorridos, pois como bem assentou a decisão recorrida, em relação ao terreno objeto da matrícula nº 21.840, observase que foi vendido em 15/02/2007 à empresa SS EMPREENDIMENTOS CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ 02.557.829/000115, pela quantia de R$ 10.000.000,00, e como se atestou no Relatório Fiscal, somente em 04/05/2007 a empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS registra o arquivamento do Aditivo Contratual n° 3 na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte – JUCERN, sob o n° de protocolo 07/0177910, produzindo apenas a partir desta data, 04/05/2007, os efeitos legais da alegada integralização de capital, sendo que pelo singelo cotejo das datas se pode extrair com segurança que o terreno objeto da matrícula 21.840, no momento do registro de arquivamento na JUCERN do Aditivo Contratual n° 3, já havia sido vendido, desde 15/02/2007, pela recorrente à empresa SS EMPREENDIMENTOS CONSTRUÇÕES LTDA. Vejase, a corroborar tais conclusões o destaque dado pela decisão recorrida aos eventos quando citouse que a cópia da matrícula nº 21.840 encaminhada pelo 7º Ofício de Notas (fls. 234 245), evidencia que: i) a empresa CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA adquiriu esse imóvel da PETROBRÁS, conforme escritura pública de promessa de compra e venda de imóvel urbano datada de 27/12/1996 (fls. 236); ii) esse imóvel foi incorporado pela empresa CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA ao patrimônio da empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS Fl. 438DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.729848/201131 Acórdão n.º 1301001.393 S1C3T1 Fl. 6 9 IMOBILIÁRIOS LTDA, conforme Aditivo nº 03 datado de 17/08/2006, mas somente registrado na JUCERN em 04/05/2007 (fls. 237); iii) a empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA vendeu esse imóvel à empresa SS EMPREENDIMENTOS CONSTRUÇÕES LTDA, pelo preço de R$ 10.000.000,00, conforme contrato particular de promessa de compra e venda firmado em 15/02/2007 (fls. 238). Pareceme inegável a simulação. O simples fato de ter efetuado a venda em momento anterior ao registro da alteração social pela qual o imóvel passaria a compor seu patrimônio já seria suficiente a tal conclusão, entretanto, a Fiscalização apurou que as transferências eletrônicas bancárias da empresa SS Empreendimentos Construções Ltda, foram feitas em favor da recorrente, CIRNE IRMÃOS & CIA LTDA, em relação aos primeiros pagamentos, sendo que esses pagamentos encontramse devidamente registrados nos extratos bancários da contribuinte. É irretorquível, portanto, a conclusão de que em 15/02/2007, data da alienação do imóvel objeto da matrícula nº 21.840, para a empresa SS EMPREENDIMENTOS CONSTRUÇÕES LTDA, de fato era de propriedade da empresa recorrente, eis que ainda não tinha ocorrido a incorporação ao patrimônio da empresa CIRNE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Tratandose do imóvel objeto da matrícula nº 31.361, de igual modo não merece reparo o conteúdo decisório impugnado. Com efeito, consta dos autos que o imóvel em questão foi vendido em 16/11/2006, para o ATACADÃO DISTRIBUIÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, CNPJ 75.315.333/000109, pela quantia da R$ 7.427.000,00, a revelar, a fortiori, que na data da ocorrência do fato gerador do IRPJ relativo à tributação do ganho de capital, o proprietário do referido imóvel era de fato e de direito a recorrente. Relembrese que esta conclusão foi obtida pela Fiscalização a partir da análise dos assentamentos registrados no 3º Ofício de Notas, reveladores de que a dita venda ocorreu diretamente da CIRNE IRMÃOS (recorrente) para o ATACADÃO DISTRIBUIÇÃO COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, em 16/11/2006, ou seja, em data anterior ao arquivamento na JUCERN do Aditivo Contratual n° 3, que somente ocorreu em 04/05/2007. Corroborando estas evidências, a Fiscalização coletou na empresa ATACADÃO: i) Escritura pública de compra e venda do terreno acima, lavrada em 16/11/2006, às fls. 106 a 107v do Livro 35, no Serviço Único Registrai e Notarial de Tangará RN, confirmando a venda direta de CIRNE IRMÃOS para ATACADÃO; ii) a confirmação, por parte de CIRNE IRMÃOS, do recebimento da quantia de R$ 827.000,00 por intermédio de TED efetuado por ATACADÃO em 16/11/2006 a seu favor, a título de sinal e princípio de pagamento; iii) Escritura pública de reratificação da compra do terreno acima; iv) registro do referido imóvel no Terceiro Ofício de Notas; v) 48 Notas Promissórias, no valor de R$ 137.500,00 cada uma, referentes ao restante do pagamento ajustado na escritura pública de compra e venda do imóvel, todas emitidas e assinadas no dia 14/11/2006 por ATACADÃO em favor de CIRNE IRMÃOS. Torno a dizer, tais circunstâncias de fato esvaziam os argumentos da contribuinte, fazendo sobressair a intenção em omitir receita oriundo do ganho de capital. Simulação que se evidencia ainda mais ao terse a tentativa de aportar os tais imóveis em Fl. 439DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 empresa voltada ao objeto de empreendimentos imobiliários, para então tributar o dito resultado como se operacional fosse. O expediente da contribuinte, contudo, esbarra na viabilidade de desconsiderarse os efeitos do ato simulado, ante o claro intuito sonegatório, viabilizando, para além da exigência do ganho de capital auferido, a qualificação da multa aplicada, exatamente como contido no auto de infração. Diante de tais fundamentos, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10865.908817/2009-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido para resumir o caso. “Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico (fl. 07), que indeferiu o pedido de restituição e não homologou a compensação declarada na PERDCOMP de fls. 02/06, transmitida em 23/07/2009, porque o valor pleiteado foi inteiramente utilizado na quitação de débitos confessados pela contribuinte. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls. 11/12, na qual requer a revisão do despacho decisório, alegando que tem um crédito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 08 81 7/ 20 09 -5 8 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908817/200958 Resolução nº 3801000.763 S3TE01 Fl. 3 2 aproveitável de R$ 2.135,08, decorrente de pagamentos a maior realizados de 01/2006 a 12/2006, conforme demonstrado na planilha de fl. 13.” A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Data do fato gerador: 23/07/2009 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza, o que traz como conseqüência que o crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente afirma que: “No mês de 01/2006 foi apurado o débito de IPI no valor de R$ 936,44 (DCTF nº 42.90.69.05.9296 anexa), enquanto foi recolhido indevidamente o valor de R$ 4.356,24 (guia anexa), resultando o valor recolhido a maior de R$ 3.419,80, atualizado para R$ 3.622,59, conforme planilha anexa. No mês 04/2006 foi compensado o valor de R$ 1.448,19, referente a IPI conforme PER/DCOMP nº 06144.54987.240409.1.7.042510, restando ainda R$ 2.037,68 a compensar, atualizado para R$ 1.218,32, conforme planilha anexa. No mês 05/2006 foi compensado o valor de R$ 930,33 referente a IPI, conforme PER/DCOMP nº 42728.90359.230709.1.7.041980, restando ainda R$ 1.149,78 a compensar, atualizado para R$ 1.218,32, conforme planilha anexa. No mês 06/2006 foi compensado o valor de R$ 1.149,79 referente a IPI, conforme PER/DCOMP nº 39386.26616.240409.1.040967, restando ainda R$ 64,67 a compensar, conforme planilha anexa. (..)” Para comprovar o alegado, a contribuinte apresentou: i) Cópias da DCTF nº 35.89.99.71.8410, de 6/10/2006, referente ao 1ª semestre de 2006, em cuja página 19 constou incorretamente o débito de IPI de R$ 4.356,24, e do DARF que comprova o pagamento neste valor. ii) Cópia da DCTF retificadora nº 42.90.69.05.9296, na qual corrigiu o valor do débito de IPI para R$ 936,44. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908817/200958 Resolução nº 3801000.763 S3TE01 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. As decisões da Delegacia da Receita Federal e da Delegacia da Receita Federal de Julgamento estão fundamentadas e permitiram à contribuinte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, ainda que tenha ocorrido erro no despacho decisório, como se verá adiante. Para o presente caso, os artigos 165 e 170 do CTN deixam claro a necessidade de que tenha ocorrido pagamento de tributo indevido ou maior que o devido e que o direito de crédito seja líquido e certo. Aquele que alega possuir direito deve proválo, conforme dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente. O pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF, logo, tributo devido, e, por isso, o DARF referente a este pagamento não provava a existência de indébito líquido e certo, uma vez que a DCTF retificadora fora considerada no despacho eletrônico. A falta de apresentação de provas em contrário implica considerar verdadeiros os valores informados na DCTF. Logo, a necessidade de apresentação de provas quanto ao direito de crédito está presente desde o início do processo. Não é algo que surge apenas no acórdão recorrido. Mesmo se não estivesse, em se tratando de processos de PER/DCOMP eletrônico, em que não tenha havido intimação da RFB exigindo documentos antes da expedição do despacho decisório, admitemse provas com o recurso voluntário, quando se prestem a contrapor as decisões de primeira instância administrativa, em obediência ao art. 16, §4º, “c”, do Decreto nº 70.235, de 1972, assegurandose, assim, o direito de defesa. Concluise que não houve cerceamento do direito de defesa. De fato, a contribuinte juntou documentos ao recurso voluntário com a intenção de provar seu direito, em especial, DCTF retificadora que havia sido recebida via internet por agente receptor SERPRO em 9/6/2009, fl. 62 do eprocesso, logo, anterior à emissão do despacho decisório pela DRF de origem, ocorrido em 7/10/2009, fl. 54 do eprocesso. A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da recepção da DCTF retificadora, dispunha: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908817/200958 Resolução nº 3801000.763 S3TE01 Fl. 5 4 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (...) § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.” O comando de que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB nº 903, de 2008. No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria efeitos. Logo, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de crédito, não a original. Para tanto, a RFB poderia efetuar os procedimentos fiscais que entendesse necessários para apurar a idoneidade das informações da DCTF retificadora e a liquidez e certeza do crédito. Por basearse em elementos incorretos, o despacho decisório está incorreto. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908817/200958 Resolução nº 3801000.763 S3TE01 Fl. 6 5 O CARF já se manifestou pela anulação de despacho decisório em circunstâncias semelhantes, conforme ementa do acórdão nº 3403001.288, de 09/11/2011, da 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em que o Conselheiro Ivan Allegretti foi designado para redigir o voto vencedor. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA BASEADA EM DADOS DEFASADOS DE DCTF. INFORMAÇÕES RETIFICADAS POR DCTFRETIFICADORA APRESENTADA EM MOMENTO ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO. Decisão eletrônica que nega homologação à Declaração de Compensação pelo fundamento de que o DARF, do qual teria originado o crédito indicado pelo contribuinte na compensação, teria sido integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF em relação ao mesmo período de apuração. A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já haviam sido alterados por meio de DCTFretificadora transmitida antes da notificação da decisão. Decisão anulada.” Nesta Turma Especial, em julgamentos de casos semelhantes, votei pela anulação do despacho decisório, tendo ficado vencido sozinho. Pelo princípio do colegiado, adoto a posição majoritária desta turma para, com fundamento em que o despacho decisório foi emitido por autoridade competente, está motivado e não causou cerceamento do contraditório e da ampla defesa, propor a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem reaprecie o pleito da contribuinte, à luz da DCTF retificadora, apurando a legitimidade e o quantum do crédito pleiteado e elaborando demonstrativo que permita decidir sobre a homologação das compensações declaradas; cientifique a contribuinte para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias; devolva os autos para julgamento com a manifestação da contribuinte ou declaração da unidade de que esta não foi apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10845.002910/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
NORMA INFRALEGAL NÃO É VEÍCULO LEGÍTIMO PARA LIMITAR DIREITOS.
A Lei n° 10.925/04 se resumiu a assegurar o crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Sendo assim, a IN 606/06 não poderia limitar o presente direito. Isso fica ainda mais evidente com a publicação da Lei nº 12.350/10, que, no mínimo, se aplica retroativamente ao presente caso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira e José Fernandes do Nascimento.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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COMPENSAÇÃO Recorrente ALCOFFEE EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 NORMA INFRALEGAL NÃO É VEÍCULO LEGÍTIMO PARA LIMITAR DIREITOS. A Lei n° 10.925/04 se resumiu a assegurar o crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Sendo assim, a IN 606/06 não poderia limitar o presente direito. Isso fica ainda mais evidente com a publicação da Lei nº 12.350/10, que, no mínimo, se aplica retroativamente ao presente caso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira e José Fernandes do Nascimento. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Nanci Gama, Demes Brito, José Luiz Feistauer de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 29 10 /2 00 5- 61 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Campinas que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que, o eventual crédito presumido apurado com base no art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (com as alterações posteriores), somente pode ser utilizado para dedução da contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação ou o seu ressarcimento. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Tratase de Declaração de Compensação que utiliza créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social. Após procedimento de auditoria contábilfiscal dos créditos utilizados, a autoridade jurisdicionante não homologou a compensação por meio do Despacho Decisório DRF/STS nº 46, com a seguinte fundamentação: “Verificase que a contribuinte calculou seu lucro, nesses exercícios, pelo lucro real anual, tendo, o crédito envolvido na compensação ora analisada, origem de crédito presumido previsto na Lei n 10.925/2004, beneficio fiscal concedido para as pessoas jurídicas que negociam produtos agroindustriais, entre eles o café. O crédito obtido pela aplicação do artigo 3° da Lei n° 10.637/2003 sobre o faturamento obtido na exportação de produtos foi examinado e deferido no processo administrativo n°10845.001746/200575 [...] o crédito detido pela contribuinte com base no artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 foi totalmente absorvido pela compensação requerida no processo administrativo n°10845.001746/200575. Quanto à compensação ora examinada, a contribuinte, que se declara pessoa jurídica agroindustrial, ligada ao comércio de café, classificado no capitulo 09 da TIPI, pretende quitar seus débitos utilizando crédito presumido do Pis, alocado a produtos exportados, cuja legislação somente prevê sua manutenção para dele deduzir a própria contribuição. A previsão do crédito presumido para as agroindústrias, bem como a vedação para compensálo com outros tributos administrados pela RFB e para fins de ressarcimento, encontrase expressamente determinada, no artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 (...). Além dos impeditivos legais acima mencionados, apesar da ação fiscal, realizada pelo Serviço de Fiscalização desta DRF, ter concluído pela procedência d crédito, este, além de ser passível de compensação com outros tributos, fica limitado aos valores expressos nos correspondentes Dacon's Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10845.002910/200561 Acórdão n.º 3102002.232 S3C1T2 Fl. 12 3 Portanto, diante do acima exposto, podese concluir que não subsiste crédito de Pis, no mês de setembro de 2004, passível de compensação com outros tributos administrados pela RFB, que possa ser utilizado na compensação aqui declarada, motivo pelo qual proponho que ela não seja homologada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: A Impugnante é empresa que tem como objetivo social predominante a exportação de café cru, atividade esta que, por força do disposto nos incisos primeiros dos art. 6° da Lei n° 10.833/03 e 5° da Lei 10.637/01, não está sujeita ao recolhimento de PIS e COFINS e, na forma do disposto nas mesmas leis, nos parágrafos primeiros dos referidos incisos, este crédito poderá se aproveitado para liquidação de obrigações tributárias das próprias contribuições e dos demais tributos arrecadados pela Delegacia da Receita Federal. Porém, com base em equivocada interpretação da Lei 10.925/04, em relação ao calendário de setembro de 2004, houve a não homologação dos créditos presumidos, embora, como se verá abaixo, não haja qualquer limitação na citada norma que retire o crédito. Temos objetivamente que, com o advento da LC 70/91, que criou a COFINS e a Lei n°9.715/98, que regulava o PIS, ficou estipulado, como base de cálculo para as referidas contribuições, como sendo o faturamento das empresas a receita bruta operacional (excluídas quaisquer outras não operacionais, até enteio), mas claramente destacado em todas as normas, como sendo as receitas advindas da operação das pessoas jurídicas, previstas como atividades social, conforme seus estatutos e contratos sociais. Fica claro que ha importante ligação entre a atividade exercida, originadora do faturamento, e o valor a se pagar da contribuição. [...] Com a alteração do sistema tributário relativo a tais contribuições sociais, na chamada implementação da não cumulatividade. Em ambos os casos (PIS e COFINS), a norma estabelece como critério para abatimento do valor o que vem estipulado no art. 3° das referidas leis. [...] Assim, desde o advento das normas criadoras do novo sistema de apuração do PIS (Lei n° 10.637/02) e COFINS (Lei n° 10.833/03), o art. 30 das referidas normas autorizavam — nos estritos termos da lei — o desconto de créditos enunciados pela norma, estes presumidos ou reais, não importando a forma, alíquota ou valor efetivamente pago pelo fornecedor da cadeia anterior à do contribuinte. Os créditos acumulados pelos exportadores vem da política fiscal de desoneração das exportações engendrada pelo Governo Brasileiro, que busca afastar da exportação a tributação pelos impostos de consumo. Ainda que não se caracterize como não cumulativo, tanto PIS quanto COFINS são tributos de consumo, Fl. 281DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 4 pois incidem exclusivamente no valor da venda das mercadorias, sendo assim, permitida sua exclusão no prego de exportação dos produtos. Entre estes desníveis do sistema, destaquese que do produtor rural e do cerealista poderiam ser apurados parcialmente créditos, conforme está disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. 0 objetivo da norma, claramente, fora a de igualar os produtores e os cerealistas à Pessoa Jurídica que paga as contribuições, aproveitando créditos de insumos, dando ao exportador direito totalidade de crédito, embora este produtor tenha adquirido os mesmos insumos com o valor das contribuições já incluídas no prego de compra. Porém, com a ausência do café na redação inicial e a impossibilidade de se apurar créditos desta espécie pelo comerciante de café, a este foi alargado o direito ao creditamento parcial, conforme a redação que lhe foi dada àquela lei, pelo art. 29 da Lei n°11.051/04, com vigência após 1° de janeiro de 2005. Quer na redação inicial, quer na dada pela Lei n°11.051/04, não havia na norma limite ao aproveitamento dos créditos, mas, pelo contrário, o sistema de recolhimento com aproveitamento de créditos, tal e qual criado pelas Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833 (COFINS) adotou a redação de creditamento como de aproveitamento de créditos, permitindo a compensação com quaisquer tributos arrecadados pela Receita, ou o ressarcimento do saldo, e o art. 8° da Lei n° 10.925/04, com a redação atualizada pela Lei n° 11.051/04, repete o mesmo padrão para a apuração do crédito — qualquer crédito — a se aproveitar. Finalmente, o entendimento contido no art. 17 da Lei n° 11.033/04, com o direito prescrito no art. 16 da Lei n° 11.116/05, no que diz respeito as exportadoras apenas reassentou o que já havia sido trazido pela norma anterior, quanto ao total e perfeito aproveitamento de créditos, conforme já vinha estampado no § 1°, II,e2° do art. 5 da Lei n° 10.637/02 e no § 1°, II,e2 do art. 6° da Lei n° 10.833/03, não inovando, não alterando o sentido da norma vigente, simplesmente outorgando maior clareza e simplificando o sistema. Assim, sem que haja explicita vedação legal para que os créditos apurado na forma do art. 8° da Lei n° 10.925/04 sejam totalmente utilizados, este poderá ser utilizado em sua totalidade para compensação com os valores devidos de PIS/COFINS, por valores devidos de demais tributos federais, ou ressarcidos, na forma prevista pela legislação vigente. A DRJ em Campinas julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, nos seguintes termos: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. O eventual crédito presumido apurado com base no art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (com as alterações posteriores), somente pode ser utilizado para dedução da contribuição devida em cada Fl. 282DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10845.002910/200561 Acórdão n.º 3102002.232 S3C1T2 Fl. 13 5 período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação ou o seu ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho, basicamente repetindo as razões da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente lide se resume à possibilidade ou não de o contribuinte pleitear a restituição ou compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil o crédito presumido apurado com base no art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (com as alterações posteriores). Isso porque, conforme restou expressamente consignado já no despacho decisório, a ação fiscal, empreendida pelo Serviço de Fiscalização desta DRF, concluiu pela procedência dos créditos. Pois bem. O crédito presumido da agroindústria foi instituído inauguralmente pelo § 10 do artigo 3°, da Lei 10.637/2002, no que se refere à Contribuição ao PIS, e pelo § 5°, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, em relação à Cofins. À época, o legislador assegurava relativamente às receitas de exportação (e sem fazer qualquer ressalva em relação às decorrentes de produtos agroindustriais) a não incidência dessas contribuições, bem como o direito de a pessoa jurídica exportadora utilizar os créditos apropriados em face da aquisição de insumos para a compensação com os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art.5ºA contribuição para o PIS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Iexportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderáutilizarocréditoapuradonaformadoart.3º,parafins de: IIcompensaçãocom débitos próprios, vencidos ouvincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela SecretariadaReceitaFederal,observadaalegislaçãoespecífica aplicávelàmatéria. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 6 Art.6º.ACOFINSnãoincidirásobreasreceitasdecorrentesdas operaçõesde: Iexportaçãodemercadoriasparaoexterior; [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderáutilizarocréditoapuradonaformadoart.3º,parafins de: IIcompensaçãocom débitos próprios, vencidos ouvincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela SecretariadaReceitaFederal,observadaalegislaçãoespecífica aplicávelàmatéria. Como se vê, neste cenário legislativo, o legislador instituiu, de umlado, o crédito presumido da Contribuição ao PIS e da COFINS em favor da agroindústria e, do outro,assegurou expressamente a possibilidade de o contribuinte que realizar exportações compensar referidos créditos com as próprias contribuições ou com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Posteriormente, o legislador entendeu por bem disciplinar inteiramente a matéria do crédito presumido em um único diploma legal. Assim, editou a Lei n° 10.925/2004, a qual, em seu artigo 8°, estabeleceu o seguinte: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4,8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.000702.00.00, 0706.10.00. 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. devidas em cada período de apuração. crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3 das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833. de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física (...) §6° Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar. preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004); § 7° O disposto no § 6º deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. Como é possível perceber, o enunciado normativo acimatranscrito praticamente reproduz as disposições do § 10 do artigo 3°, da Lei 10.637/2002, e do § 5° do artigo 3°, da Lei 10.833/2003. Entretanto, no que diz respeito à forma de utilização desses créditos, em especial pelas empresas exportadoras, que, por força da não incidência na saída, em regra, acumulam esses créditos, se manteve silente. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10845.002910/200561 Acórdão n.º 3102002.232 S3C1T2 Fl. 14 7 E não havendo disposição nova em sentido contrário, a conclusão imediata é que permanecia em vigor a regra geral que trata da forma de utilização desses créditos. De fato, não há Lei nº 10.925/2004 qualquer passagem que possa sugerir que, a partir daquele momento, o saldo acumulado de PIS e COFINS somente poderia ser utilizado para compensação com débitos dessas próprias contribuições. Não foi este, todavia, o entendimento do Fisco. Com efeito, após a edição da Lei n° 10.925/2004, passouse a questionar se o silêncio do legislador na regulamentação desta específica matéria no diploma legal que disciplinava atividade agroindustrial não equivaleria à vedação implícita à restituição e compensação de saldos credores acumulados, mesmo na exportação. Outro ponto suscitado era o de que, como o arts. 5º e 6º das Leis. 10.637/2002 e 10.833/03 se referem aos créditos acumulados nos termos dos arts. 3º dessas mesmas leis e, a partir de então, o crédito presumido passou a ser regulado pela Lei n° 10.925/2004, não mais existiria fundamento para permanecer lhe alcançando tais permissões. Olvidaramse, todavia, que o próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004 faz expressa remissão ao art. 3º dessas leis. e Vale registrar, todavia, que era possível, mesmo à época, identificar manifestações expressas da Secretaria da Receita Federal do Brasil no sentido de que permanecia em vigor o direito de as exportadoras agroindustriais compensar/restituir o saldo acumulado de crédito presumido de PIS/COFINS. É o que fica bem evidente na Solução de Consulta nº 59/05: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep que produzirem mercadorias relacionadas no caput do a/t. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, na nova redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.051, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir de crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § do mencionado artigo. Em quaisquer dessas hipóteses, somente os créditos presumidos vinculados às receitas de exportações auferidas no mesmo período de apuração podem ser utilizados na forma dos §§ 1o e 2o do art. 5o da Lei n° 10.637, de 2002, para fins de compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, ou para ressarcimento em dinheiro, observadas as disposições contidas nos dispositivos legais referidos e na legislação pertinente. Muito provavelmente por conta da consolidação daquele primeiro entendimento na Receita Federal, passados quase dois anos, foi editada a Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006 que, em seu artigo 8º, §3º, determinava o seguinte: §3ºO valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: Fl. 285DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 8 I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ora, não se pode aceitar, sob qualquer color, que uma Instrução Normativa possa limitar comandos legais. Como visto, a Lei n° 10.925/04 se resumiu a assegurar o crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, nada dispondo a respeito da sua forma de utilização nas operações de exportação, que permaneceu regulada pelo art. 5º Leis nºs 10.637/02 e pelo art. 6º da Lei nº 10.833/03. Já a IN SRF nº 660/06 prescreveu que o crédito presumido da agroindústria instituído pelo art. 8º, da Lei n° 10.925/2004 não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ocorre que, como regra, o veículo introdutor de comandos inaugurais e autônomos no sistema de direito positivo há de ser sempre a lei em sentido formal (artigo 5°, II, CF). Essa máxima, conquista do Estado Democrático de Direito, afasta a possibilidade de se cogitar o estabelecimento de direitos e deveres senão em decorrência da manifestação de vontade do povo, concretizada em comandos legais. Ao dispor sobre o princípio da legalidade, nos ensina Paulo de Barros Carvalho: Também explícito em nosso sistema — art. 5.º, II — esse princípio assume o papel de absoluta preponderância. Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Efunde sua influência por todas as províncias do direito positivo brasileiro, não sendo possível pensar no surgimento de direitos subjetivos e de deveres correlatos sem que a lei os estipule. Como o objetivo primordial do direito é normar a conduta, e ele o faz criando direitos e deveres correlativos, a relevância desse cânone transcende qualquer argumentação que pretenda enaltecêlo. A diretriz da legalidade está naquela segunda acepção, isto é, a de norma jurídica de posição privilegiada que estipula limites objetivos. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 199) Neste ponto, é importante esclarecer que para este doutrinador as instruções normativas se amoldam à definição do conceito “legislação tributária”, presente no art. 96, do CTN. A despeito disso, não se lhes autoriza introduzir direitos ou deveres novos no sistema, vez que se tratam de veículos normativos secundários, estando por esta razão, subordinados ao que estabelece a lei. Sua função se resume a complementar as lei , não contrariálas ou substituílas. Esta conclusão pode ser extraída do próprio trecho transcrito na decisão recorrida: Tirante as leis, os decretos e, entre as normas complementares, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas e as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa (art. 100, I e II), que são instrumentos introdutórios, primários ou secundários, no ordenamento positivo brasileiro, todos os outros, tratados e convenções internacionais, bem como as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e os convênios que entre si celebram a União, os Fl. 286DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10845.002910/200561 Acórdão n.º 3102002.232 S3C1T2 Fl. 15 9 Estados, o Distrito Federal e os Municípios, esses últimos, na qualidade de normas complementares, são vazios de força jurídica vinculante, não integrando o complexo normativo. Ademais, ciente das confusões interpretativas que a redação do art. 96 do CTN poderia causar, por colocar lado a lado, instrumentos introdutórios primários e secundários, acrescenta Paulo de Barros Carvalho: Insere o legislador, no mesmo quadro, indiscriminadamente, atos normativos inaugurais, como as leis, ao lado dos tratados e convenções internacionais, que valem na ordem jurídica interna se e somente se acolhidos no conteúdo de decreto legislativo, como tivemos oportunidade de ver. Coloca, ombro a ombro, instrumentos introdutórios primários com entidades que não podem ser tidas sequer como instrumentos primários de introdução de regras tributárias. E, como se não bastasse, faz referência expressa às normas complementares e, dentro delas, às práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e aos convênios que entre si celebram a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. (Curso de direito Tributário, Ed. Saraiva, 22ª edição, 2010, p. 109) A jurisprudência dos Tribunais Superiores também é pacífica no sentido de que as normas regulamentares, como é o caso das Instruções Normativas, não podem inovar: LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESNECESSIDADE DE DECRETO REGULAMENTADOR. AUTOAPLICABILIDADE. VIGÊNCIA. (...) 3. No que concerne à contribuição sobre a folha de salários, a Lei 8.212/91 não tem sua eficácia subordinada à vigência de Decreto Regulamentador, já que trouxe a definição de todos os aspectos do fato gerador. Qualquer inovação trazida pela norma regulamentar, importaria violação ao princípio da legalidade estrita. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido. (REsp 470198 / RS; Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 31.05.04, p. 180 – destacouse) Tecidas essas considerações e tendo em vista que Instrução Normativa não é lei nem pode ser a ela equiparada, não merece prosperar o argumento de que a disposição do art. 8º, § 3º, I, da IN SRF nº 660/06 poderia servir de fundamento jurídico para a não homologação da compensação declarada. Ademais, mesmo que se ultrapasse o presente vício, o que se admite apenas em esforço argumentativo, é importante registrar que, especificamente em relação às operações com exportação não podem prevalecer, com ainda mais vigor, as restrições à utilização do crédito estabelecidas pela Instrução Normativa nº 660/06. E a razão desta assertiva é singela, mas decisiva: os parágrafos do art. 8º da Lei 10.925/04, introduzidos pelas MP 552 e 556 deixaram claro que esta é correta interpretação da lei ao estabeleceram amplo direito à utilização do crédito para o exportador: Fl. 287DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 10 § 8º É vedado às pessoas jurídicas referidas no caput o aproveitamento do crédito presumido de que trata este artigo quando o bem for empregado em produtos sobre os quais não incidam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, ou que estejam sujeitos a isenção, alíquota zero ou suspensão da exigência dessas contribuições. § 9º O disposto no § 8º não se aplica às exportações de mercadorias para o exterior. E nem poderia ser diferente, pois o exportador, como regra geral, não apura PIS e COFINS a pagar tendo em vista a imunidade para as operações de venda para o exterior. Assim vedar a utilização do crédito via compensação ou ressarcimento equivaleria, em muitos casos, a excluir as únicas formas de aproveitado do crédito de PIS e COFINS pelas empresas exportadoras, e4svaziando por completo de sentido a regra que outorga o crédito presumido, o que não se deve admitir. Também foi este o entendimento adotado no Acórdão nº 3402002.187: Esse objetivo legislativo desponta claro, qual seja: buscam as Leis a desoneração tributária das contribuições ao PIS e COFINS, para os produtos nacionais destinados ao exterior. Assim sendo, ao entender que os créditos apurados sobre as aquisições feitas a pessoas físicas ou cooperativas desde que vinculadas às receitas de exportação, só poderiam ser utilizados para fins de compensação com débitos das próprias contribuições sociais, tornariam inócuo o benefício pretendido pelo legislador ordinário. Interpretar o contrário, como pretende a IN nº 660/06 e a decisão recorrida, seria permitir que convivam no ordenamento jurídico duas situações antagônicas: agroindústrias que produzem e exportam um dado produto, terão o direito de compensar e de ressarcir o crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS e COFINS, provenientes das aquisições feitas junto a pessoas físicas e cooperativas, pelo fato de estarem no regime cumulativo dessas contribuições; por outro lado, agroindústrias que exportem produtos iguais, mas que estiverem no regime não cumulativo poderão apenas compensar o crédito presumido com a própria contribuição, em regime de conta gráfica. É de se observar que, no segundo caso, exatamente por ocuparem posição de “preponderantemente exportadoras” jamais conseguirão “gastar” seus créditos diante da, praticamente, inexistência de saldo devedor dessas contribuições, redundando a concessão dos créditos em aumento real dos custos dos produtos exportados. Com efeito, tenho que a função interpretativa das Leis mencionadas (Leis ns. 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.925/2004, em um comparativo com a Lei n. 9.363/96), além de conferir a aplicabilidade de tais normas às relações sociais que lhe deram origem, é de, igualmente, temperar o alcance do preceito normativo, para fazêlo corresponder às necessidades reais e atuais, ou seja, aos seus fins sociais e aos valores que pretende garantir. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10845.002910/200561 Acórdão n.º 3102002.232 S3C1T2 Fl. 16 11 É certo que se deve buscar interpretar a norma de forma atribuir a algum sentido, algum efeito prático e, no caso do crédito em referência, cujo objetivo primordial declarado na“Exposição de Motivos”da Lei que o disciplina),é a desoneração tributária das exportações,não se pode admitir a concessão de um crédito visando ressarcir o exportador pelas incidências de contribuições em etapas anteriores e, ato contínuo, impedir que esse ressarcimento se concretize. Art. 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma do art. 8º, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), destinados à alimentação humana ou animal, podem deduzir da Cofins não cumulativa, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos na alínea "b" do inciso I do caput do art. 8º, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 1º Na apuração do crédito presumido de que trata este artigo aplicase, sobre o valor das mencionadas aquisições, a alíquota de 6,08%. § 2º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (Atenção: art. 10 tornouse inaplicável em função da revogação dos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 pela Lei nº 10.925/04) Art. 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma dos arts. 8º a 10, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, podem deduzir da Cofins não cumulativa devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas mencionadas no art. 10, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota 6,08%, equivalente a 80% da alíquota prevista no art. 7º, sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. § 1º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 2º O disposto neste artigo aplicase ao PIS/Pasep não cumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, a partir de 1º de fevereiro de 2004. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 12 (Atenção: art. 10 tornouse inaplicável em função da revogação dos §§ 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833/03 pela Lei nº 10.925/04) Quanto a este ponto, devese evocar, ainda, que na Coletânea elaborada pela própria Receita Federal do Brasil sobre a regulamentação da incidência não cumulativa dessas contribuições, é realizada, à margem dos dispositivos da legislação, anotações sobre a sua revogação por normas posteriores, inclusive pela Lei 10.925/2006. Ocorre que dentre os dispositivos com a anotação “tornouse inaplicável em função de revogação” da IN SRF 404/04, estão apenas os arts. 10 e 11, os quais tratam apenas dos saldos credores apurados no ordinário regime da não cumulatividade, não, porém, daqueles decorrentes de exportações, que está disciplinado pelo art. 20, no qual não consta qualquer anotação. Art. 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma do art. 8º, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), destinados à alimentação humana ou animal, podem deduzir da Cofins não cumulativa, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos na alínea "b" do inciso I do caput do art. 8º, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 1º Na apuração do crédito presumido de que trata este artigo aplicase, sobre o valor das mencionadas aquisições, a alíquota de 6,08%. § 2º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (Atenção: art. 10 tornouse inaplicável em função da revogação dos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 pela Lei nº 10.925/04) Art. 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma dos arts. 8º a 10, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, podem deduzir da Cofins não cumulativa devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas mencionadas no art. 10, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota 6,08%, equivalente a 80% da alíquota prevista no art. 7º, sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. § 1º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 2º O disposto neste artigo aplicase ao PIS/Pasep não cumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, a partir de 1º de fevereiro de 2004. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10845.002910/200561 Acórdão n.º 3102002.232 S3C1T2 Fl. 17 13 (Atenção: art. 10 tornouse inaplicável em função da revogação dos §§ 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833/03 pela Lei nº 10.925/04) Art. 20. Nas hipóteses dos incisos I, II e III do art. 6º, a pessoa jurídica vendedora pode utilizar os créditos, apurados na forma dos arts. 8º, 10 e 11, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; e II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano calendário, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no caput, pode solicitar o seu ressarcimento, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º O disposto no caput e no § 1º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observados os métodos de apropriação previstos no art. 21. § 3º O direito de utilizar o crédito de acordo com o caput não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. § 4º O aproveitamento de crédito na forma deste artigo deve ser efetuado sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. § 5º O disposto nos §§ 2º a 4º aplicase ao PIS/Pasep não cumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002. Esses argumentos são mais do que suficientes para assegurar o direito de a ora Recorrente pleitear a restituição/compensação do crédito presumido de PIS/COFINS prescrito do art.8º,da Lei nº 10.925/2004, haja vista que mantenho firme a convicção que não há qualquer fundamento legal para sustentar a posição de que esse direito teria sido revogado, seja porque (i) não há qualquer disposição da Lei nº 10.925/2004 em sentido contrário; (ii) seja porque a interpretação sistemática das normas que tratam dos créditos acumulados pela exportadoras sinalizam sempre para a sua plena utilização; (iii) seja ainda porque Instrução Normativa não é veículo idôneo para revogar comandos legais. Mas não é só. Mesmo na remota hipótese de não prevalecer o argumento (iii). o que se admite apenas para argumentar, o que se verifica é que restrição estabelecida pela IN nº 600/06 jamais poderia alcançar especificamente as operações realizadas pela Recorrente, por que lhe são anteriores (setembro de 2004), em face do seu nítido caráter inaugural. Com efeito, como expressão do imperativo da segurança do direito, as normas jurídicas voltamse para frente, para o porvir. Há ocasiões excepcionalíssimas, entretanto, em que se concede ao legislador a possibilidade de atribuir às leis sentido retroativo. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 14 O Código Tributário Nacional discorre sobre o assunto, ao prescrever, no art. 106 e seus incisos, as hipóteses em que a lei se aplica a fato pretérito. Interessanos, nesta oportunidade, o teor do inciso I, que alude às chamadas leis interpretativas. Segundo tal dispositivo, assumindo a lei expressamente esse caráter, pode ser aplicada a fatos passados, excluindose a aplicação de penalidades à infração dos dispositivos interpretados. As leis interpretativas exibem um traço bem peculiar, na medida em que não visam à criação de novas regras de conduta, circunscrevendo seus objetivos ao esclarecimento de dúvidas levantadas em razão da dubiedade dos vocábulos constantes da lei interpretada. Encaradas sob esse ângulo, despemse da natureza inovadora que acompanha a atividade legislativa, retrotraindo ao início da vigência da lei interpretada, explicando com fórmulas elucidativas sua mensagem antes obscura. As leis tributárias ditas interpretativas, assim como qualquer outra lei que pretensamente assuma esse caráter, devem ser examinadas com particular cautela. Não pode o legislador, sob o pretexto de esclarecer pontos obscuros de uma lei ou de revelar seu verdadeiro sentido, utilizarse de outros diplomas, especialmente os instrumentos secundários, supostamente interpretativos, para estabelecer aos destinatários os rigores de uma retroatividade ilimitada. Vale anotar que, ainda que o fato de lei se denominar interpretativa não é suficiente para qualificála como tal. Somente quando se verificar o escopo de elucidar os termos de dispositivo legal cujo conteúdo gere controvérsia, pode falarse em natureza interpretativa da norma. Ainda assim, é preciso ter cuidado com a significação conferida por esse veículo, que não pode se distanciar do foco das dúvidas existentes, quer dizer, élhe vedado alterar entendimentos já consolidados, restringir ou ampliar direitos. Além disso, nos termos do próprio art. 106, I, do CTN, para poder retroagir é necessário que o comando interpretado seja introduzido no sistema via lei: ato normativo primário. Assim, fica evidente a circunstância de que, a despeito do disposto no art. 106, I, do Código Tributário Nacional, não basta que a lei seja expressamente interpretativa: é preciso que esta se caracterize, materialmente, como interpretativa, objetivando tãosomente esclarecer controvérsias existentes, sem que isso implique restrição a direitos e garantias constitucionais ou legais conferidos aos destinatários. Ademais disso, exigese instrumento introdutor primário, lei ou ato legislativo a ela equiparado, para que se possa falar de “lei interpretativa”. São requisitos de ordem formal e material, sem cuja presença simultânea afasta por completo qualquer pretensão de lograr efeitos retroativos. Tecidos estes breves comentários, resta evidente que os comandos da IN SRF nº 600/06 jamais poderiam retroagir, seja por porque não introduzidos por ato legal, seja em face do seu nítido caráter inovador. Afinal, conforme já demonstrado, anteriormente à edição da referida instrução normativa era possível identificar manifestações da própria Secretaria da Receita Federal no sentido de que permanecia em vigor o direito de as exportadoras agroindustriais compensar/restituir o saldo acumulado de crédito presumido de PIS/COFINS. Mais um fundamento que milita em favor do reconhecimento direito da ora Recorrente. Por fim, temse ainda um último argumento: a aplicação retroativa das disposições do art. 56A, da Lei nº 12.350/2010, com a redação dada pela Lei nº 12.431/2011, que assim dispõe: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10845.002910/200561 Acórdão n.º 3102002.232 S3C1T2 Fl. 18 15 Art. 56A.O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2012. § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A simples leitura deste dispositivo legal deixa evidente que o legislador reconheceu expressamente o direito à compensação/restituição do saldo de crédito presumido acumulado de PIS/COFINS pelas exportadoras agroindustriais, estabelecendo apenas procedimento e prazo para o exercício desses direitos, relativamente aos créditos apurados nos anoscalendários seguintes a 2006. Por outro lado, como a Lei nº 12.350/2010 não foi expressa ao regular os créditos acumulados anteriormente a janeiro de 2006 (como por exemplo, setembro de 2004, que é o caso dos autos), devese perquirir se o direito à compensação/restituição desses valores preexistiria à sua edição? E mais, em não preexistindo, poderiam ser aplicados tais efeitos retroativos? Essas dúvidas foram enfrentadas no Acórdão nº 3402002.187, tendo sido alcançadas as seguintes conclusões: Em resposta ao primeiro questionamento, entendo que a referida legislação em nada inovou o ordenamento jurídico naquilo que diga respeito aos saldos credores acumulados decorrentes de operações de exportação, pois que vislumbro que o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, não teve o condão de alterar o direito de ressarcimento e de compensação para os exportadores, diferentemente dos saldos decorrentes do mercado interno, por todos os argumentos já esposados ao longo deste voto. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 16 Quanto ao efeito retroativo, igualmente entendoo plenamente aplicável no caso, e por dois fundamentos. O primeiro é porque, não tendo a novel legislação inovado o Direito Positivo, a interpretação que se extrai do ato formal de promulgação da lei, é no sentido de que está havendo o reconhecimento expresso de um direito préexistente. É dizer: a Lei nº 12.350/10, na redação da Lei nº 12.431/11, revestese de caráter interpretativo, e, como tal, deve retroagir seus efeitos para colher não só as situações anteriores a sua vigência (Dez/2011), mas também aqueles fatos constituídos anteriormente a Janeiro de 2006. No que diz respeito ao efeito retroativo para o período de Ago/2004 a Dez/2005, essa conclusão é também respaldada no princípio segundo o qual não se poderia instituir tratamento diferenciado entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente, de modo a vedar o direito de compensação para aqueles que pleitearem compensação com créditos apurados em Dez/05, e deferilo para aqueles que pleitearem para créditos de Jan/2006, por exemplo. Assim sendo, essa limitação temporal existente no art. 56A, da Lei nº 12.350/2010, visou atingir o período decadencial do direito de crédito, de modo que não se pode negar aplicabilidade retroativa, dado seu caráter interpretativo.[...] Portanto, com a edição das Leis nºs 12.350/10 e 12.431/11, há o reconhecimento legislativo de que a interpretação emprestada ao direito de compensação do crédito presumido da agroindústria pela Administração Tributária estava equivocada, sendo necessária a veiculação de legislação para efetivamente atribuir efeitos interpretativos a questão, e ao mesmo tempo deixar extreme de dúvidas que o direito a efetivação dos créditos deveria ter sido sempre preservado. No entanto, a retroatividade não se sustenta somente neste fundamento. Além disso, até mesmo para os que se posicionarem no sentido de que as Leis nºs. 12.350/10 e 12.431/11 não deveriam retroagir porque não teriam sido expressas nesse sentido, ou porque estariam limitando cronologicamente o direito de pleitear as compensações, entendo que ainda assim devem tais Leis colherem os fatos pretéritos, pois que, a partir do art. 56B, das Leis citadas, deixouse de tratar o direito de compensação como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, a qual estava materializada exatamente no dever do contribuinte absterse de efetuar a compensação dos créditos acumulados. Nesse sentido, invocase novamente o art. 106, do CTN: “Art.106.A lei aplicase a ato ou fato pretérito:(...) IItratandose de ato não definitivamente julgado:(...) b)quandodeixedetratálocomocontrárioaqualquerexigência deaçãoouomissão,desdequenãotenhasidofraudulentoenão tenhaimplicadoemfaltadepagamentodetributo;” Assim,sejapeloincisoI,sejapeloincisoII,alínea“b”,doart.106,doC TN, devem as Leis nº 12.350/10 e 12.431/11, retroagirem os seus efeitos, e, consequentemente, Fl. 294DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10845.002910/200561 Acórdão n.º 3102002.232 S3C1T2 Fl. 19 17 mereceguaridaopleitoderessarcimentoecompensaçãodeclinadope laRecorrente. Postas essas razões jurídicas, verificase que, seja por um argumento, seja por outro, certo é o direito de a Recorrente pleitear a restituição do saldo de credito presumido em questão. Até mesmo porque, como bem destacado no trecho acima transcrito, não se poderia instituir tratamento diferenciado entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente, de modo a vedar o direito de compensação para aqueles que pleitearem compensação com créditos apurados em Dez/05, e deferilo para aqueles que pleitearem para créditos de Jan/2006. Por fim, vale lembrar que esta turma, quando instada a se manifestar sobre o presente tema, já proferiu este mesmo entendimento: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. COFINS Anocalendário: 2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE. O contribuinte que faz jus ao Crédito Presumido da Atividade agroindustrial previsto na Lei 10.925/04 tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. (CARF – 1ª Câmara – 2ª TO – Acórdão nº 3102001.721 – Rel. Cons. Ricardo Paulo Rosa j. 30.01.2013 Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reconhecer o direito de a Recorrente compensar, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil o saldo acumulado de crédito presumido de PIS/COFINS relativo às exportações, devendo a repartição de origem confirmar se todos os créditos objeto do pedido são de fato relativos à exportação. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 295DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA 18 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10315.721382/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
Ementa:
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.447
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento relativo a diferenças de recolhimento de contribuições previdenciárias apuradas nas folhas de pagamento, nas GFIP's e nos registros contábeis do contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento relativo a diferenças de recolhimento de contribuições previdenciárias apuradas nas folhas de pagamento, nas GFIP's e nos registros contábeis do contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 13 82 /2 01 2- 61 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10315.721382/201261 Acórdão n.º 2302003.447 S2C3T2 Fl. 263 3 Relatório O Presente Processo Administrativo Fiscal PAF referese aos seguintes autos de infração lavrados em 23/10/2014 e cientificados ao sujeito passivo em 31/10/2014: * Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.016.6989, relativo às diferenças nas contribuições dos segurados, referentes ao décimo terceiro salário de 12/2009 e 12/2011; *Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.016.6997, relativo às diferenças nas contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 07/2009 a 12/2011; * Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 51.016.7004, relativo à cota patronal das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais; relativo à contribuição para os Riscos Ambientais do Trabalho, sobre a remuneração dos segurados empregados; e relativo às diferenças de tais contribuições (RAT), que foram recolhidas na alíquota de 1%, quando deveria ser 2%, tudo no período de 01/2009 a 12/2011; * Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 51.032.6480, lavrado no Código de Fundamento Legal 77, por ter entregue as GFIP's fora do prazo nas competências de 01/2009, 01/2010, 02/2010, 07/2010, 09/2010, 10/2010 e 13/2010. O Relatório Fiscal de fls.101/104 traz que nos autos de infração acima relacionados foram lançadas as diferenças de contribuições previdenciárias devidas e destinadas à Seguridade Social, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e que os valores foram apurados nas folhas de pagamento e na contabilidade da autuada, em confronto com os valores declarados em GFIP, tendo por base as remunerações pagas, devidas, ou creditadas, aos segurados empregados (efetivos, contratados e comissionados) e aos contribuintes individuais; O Fisco anexa planilhas que demonstram as remunerações pagas e trazem outras informações que deram suporte à ação fiscal: Planilha Folha X GFIP, fls. 146 Planilha Contribuintes Individuais;fls.147/161 Planilha Retenção de Segurados; X Recolhimentos;fls.162 Planilha Diferença de RAT;fls.163 A autuada apresentou impugnação aos autos de infração lavrados, arguindo sucintamente a existência de bis in idem entre os DEBCADs 51.016.6989 e 51.016.6997; que não foram levados em consideração os recolhimentos efetuados; que não foram discriminados os servidores que ficaram fora da folha, nem qual suas atividades, sendo descabida a cobrança por falta de provas e que não entregou as GFIP's fora do prazo, mas apenas procedeu a algumas retificações. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Após a impugnação, Acórdão de fls. 236/242, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a) que o procedimento da RFB foi ininteligível causando estorvo imensurável ao Município que não pode debater o assunto e proceder aos recolhimentos dos valores devidos, pelo embróglio causado pelo Fisco; b) a existência de cerceamento de defesa pela dificuldade causada pelo material apresentado; c) que é necessária uma visita técnica da RFB, in loco, para se aferir junto aos servidores responsáveis o débito existente; d) que não reconhece o valor lançado, porque é muito maior que o devido e desproporcional ao número de servidores existentes no Município; e) que não foi demonstrado como foi efetuado o cálculo do débito e que foi feito unilateralmente inviabilizando a Administração Municipal; f) que não recolheu os valores porque não tem certeza do débito, nem caixa para arcar com o montante; g) que não cabe o lançamento por presunção, nem aferição indireta, porque não foi omisso; h) o desrespeito ao princípio da autonomia municipal e ao princípio da razoabilidade, porque não é sensato comprometer os cofres do Município com o débito e deixar de prestar serviços à população. Requer a reforma do Acórdão recorrido para que se providencie a visita de um técnico in loco para apurar o débito junto aos servidores e que seja parcelado em parcelas compatíveis com as finanças do Município. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10315.721382/201261 Acórdão n.º 2302003.447 S2C3T2 Fl. 264 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Em preliminar não vislumbro o cerceamento de defesa arguido pela recorrente em virtude da peça fiscal ser ininteligível, ou o material apresentado pelo Fisco não ter sido compreendido, porque de acordo com os autos, o contribuinte foi devidamente cientificado do início do procedimento fiscal, foi intimado a apresentar a documentação requerida, com efeito, apresentou os documentos solicitados e na auditoria promovida foi constatado que havia diferenças a serem recolhidas pelo contribuinte. Ou seja, do exame dos documentos apresentados pela própria recorrente, como suas folhas de pagamento, GFIP's e escrituração contábil, o Fisco apurou que nem todos os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais serviram de base para a incidência da contribuição previdenciária, o que originou a lavratura dos pertinentes autos de infração. Ao contrário do que diz a recorrente, o crédito não foi lançado com base em presunções e nem aferido indiretamente. As bases de cálculo da contribuição previdenciária foram apuradas nos documentos elaborados e apresentados pela recorrente, tornando inócua a solicitação de uma nova visita no local onde são confeccionados tais documentos, eis que a responsabilidade pela entrega dos mesmos foi do próprio contribuinte que agora não pode se furtar a reconhecer o débito existente sob a alegação de que não acompanhou a fiscalização e que deve o montante ser apurado novamente. Até porque, o Fisco juntou aos autos cópias dos resumos das folhas de pagamento apresentadas de onde foram retiradas as bases que originaram as diferenças ora lançadas, fls. 107/14, e a recorrente não apontou qualquer erro de fato no lançamento, arguindo genericamente que o valor devido é menor. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Também não merece prosperar a alegação de falta de discriminação clara e precisa do fato gerador, porque o Relatório Fiscal de fls. 101/104, explicita claramente a origem dos débitos lançados e às fls. 146, consta Planilha dos valores escriturados nas folhas de pagamento apresentadas e os valores constantes das GFIPs; às fls. 147/161 consta Planilha dos contribuintes individuais que não estavam nas GFIPs, com a competência, em que o serviço foi prestado, nome, CPF e valor pago, ou seja, estão plenamente identificados; às fls. 162, consta Planilha dos valores retidos dos segurados e dos valores recolhidos, bem como da diferença apurada; e às fls. 163, consta a Planilha das diferenças do Seguro Acidente do Trabalho/Riscos Ambientais do Trabalho. Portanto, não há qualquer lacuna na identificação dos fatos geradores e dos valores lançados. Ademais, não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10315.721382/201261 Acórdão n.º 2302003.447 S2C3T2 Fl. 265 7 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Na peça recursal não há qualquer alegação quanto ao mérito do lançamento, atendose a recorrente a dizer que deve ser efetuada nova visita in loco para se apurar o montante devido e parcelar o débito de forma a não comprometer os cofres municipais. Conforme já mencionei, o procedimento fiscal foi revestido de legalidade, encontrandose válido para surtir seus efeitos, não havendo motivos para o cancelamento ou anulação dos autos de infração lavrados, tampouco de novo levantamento. Quanto ao parcelamento do crédito, não é da alçada deste Colegiado apreciar a matéria, o que deve ser buscado junto ao órgão competente da Receita Federal do Brasil. Portanto, em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 274DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10730.720075/2007-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO EM NOME DO DE CUJUS. VALIDADE.
É válido o lançamento formalizado em nome do de cujus, nos casos em que o falecimento se dá após a ocorrência do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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LANÇAMENTO EM NOME DO DE CUJUS. VALIDADE. É válido o lançamento formalizado em nome do de cujus, nos casos em que o falecimento se dá após a ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 30/09/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 00 75 /2 00 7- 02 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Contra a Contribuinte em epígrafe foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01 a 06, exigindose ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2003, acrescido de multa de ofício e juros de mora, tendo em vista a glosa da APP – Área de Preservação Permanente e arbitramento do VTN – Valor da Terra Nua com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras (extrato às fls. 8). A ciência do lançamento foi efetuada em 19/12/2007 (AR de fls. 235) e a Contribuinte havia falecido em 13/07/2007 (Certidão de Óbito de fls. 243). Impugnado o lançamento, a DRJ em Recife/PE proferiu, em 19/03/2009, o Acórdão nº 1125.703 – lªTurma da DRF/REC (fls. 247 a ), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Restando caracterizado erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarado nulo o lançamento impugnado. Lançamento Nulo” Da decisão da DRJ houve Recurso de Ofício, julgado em sessão plenária de 18/06/2010, prolatandose o Acórdão nº 220100.731 (fls. 274/275), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. ESPÓLIO. É válido o lançamento formalizado em nome do "de cujus", depois da abertura da sucessão, quando esta se deu após a ocorrência do fato gerador. Recurso de oficio provido” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do Colegiado Pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso de oficio, devolvendo o processo à primeira instância para apreciação do mérito. Vencidos os Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.720075/200702 Acórdão n.º 9202003.382 CSRFT2 Fl. 10 3 conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Fará clara • de voto o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.” Cientificado do acórdão em 06/04/2011 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 278), o Representante do Espólio interpôs, em 20/04/2011, o Recurso Especial de fls. 279 a 297, com fundamento no art. 64, inciso II, e 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva. Ao invés de o processo ser encaminhado ao CARF para exame do Recurso Especial da Contribuinte, os autos foram enviados à DRJ em Brasília/DF, que proferiu, em 21/09/2011, o Acórdão nº 0345.182, da 1ª Turma, julgando o mérito da Impugnação. Cientificado da nova decisão da DRJ em 1º/11/2011 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 387), o Representante do Espólio apresentou, em 30/11/2011, o requerimento de fls. 388/389, solicitando a apreciação da admissibilidade do Recurso Especial. Na mesma data, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 407 a 519, contra a segunda decisão da DRJ, que tratou do mérito da Impugnação. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 10/09/2013 (fls. 526 a 528). No apelo, o representante da Contribuinte alega, em síntese: o lançamento tributário é matéria que está rigidamente disciplinada no artigo 142 do Código Tributário Nacional, cuja precisa redação estabelece seus contornos e balizas, os quais são de observância obrigatória por parte da fiscalização; por via de conseqüência, é um imperativo legal que o fato jurídico tributário deve ter sua ocorrência efetivamente verificada no mundo dos fatos, a fim de que se proceda ao lançamento tributário, que pressupõe, necessariamente, a certeza jurídica sobre o nascimento da obrigação tributária; com efeito, o lançamento tributário que se exterioriza por meio de auto de infração deve obedecer ao quanto está disposto no artigo 142, do CTN., segundo o qual a Administração deve: (a) verificar o nascimento da obrigação tributária, confrontado o fato ocorrido à norma, (b) determinar a matéria tributável (sobre o quê ill exigir o tributo base de cálculo oubase imponivel), (c) calcular o montante do tributo devido, (d) identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, (e) propor a aplicação da penalidade cabível; este procedimento administrativo decorre de “atividade vinculada da autoridade fazendária”, ou seja, deve ser exercido, rigorosamente, dentro dos limites impostos pela lei, sem qualquer possibilidade de discricionariedade por parte da Administração; desse modo, para que o resultado da atividade da Administração possa ser tido como um lançamento tributário, é necessária a presença de uma “sucessão de ‘formalidades’ (atos jurídicos, prazos, mera execução material de tarefas burocráticas) que objetivam constituir o crédito tributário (cita doutrina de Edvaldo Brito); assim sendo, o fato jurídico tributário deve ter sua existência comprovada no mundo dos fatos, para que se possa exigir o tributo correlato, identificandose a matéria Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 tributável, procedendose ao cálculo do tributo devido e identificandose o sujeito passivo da obrigação tributária; e a realização de tal investigação, como dito, é dever da autoridade administrativa, que deverá produzir ato administrativo liquido, certo, exigível e expurgado de erros quanto à identificação do sujeito passivo e a quantificação do tributo devido; por via de conseqüência, lançamento fiscal lavrado com erro na identificação do sujeito passivo da obrigação pelo fato de que este já não mais existe e tampouco é dotado de personalidade jurídica é nulo de pleno direito; logo, lançamento fiscal lavrado em face de pessoa física já falecida é nulo de pleno direito por inobservância do disposto no artigo 142 do CTN, eis que se lavrou auto de infração contra pessoa que já não mais existe e que, portanto, não é sujeito de direitos e de deveres; e isso porque, não é demais recordar, a personalidade jurídica da pessoa física desaparece com sua morte, razão pela qual a lavratura e a ciência de auto de infração para pessoa física já falecida torna tal lançamento viciado por patente erro na identificação do sujeito passivo; e nem se diga, como o fez o v. acórdão recorrido, que não é dever da fiscalização apurar se o contribuinte está vivo ou morto, pois se tal dever não é do Agente Fiscal Autuante, então, de quem ele é? tal dever é sim do Agente Fiscal Autuante, pois o artigo 142 é claro ao prever os contornos do lançamento, que é atividade administrativa vinculada e destinada à apuração dos elementos que integram o lançamento fiscal, dentre os quais se destaca a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária; logo, a identificação do sujeito passivo da obrigação tributária deve ser feita de modo correto, devendo também ser corretamente realizada sua intimação para responder aos termos do lançamento fiscal; em reforço dessa constatação está o artigo 145 do CTN, que se refere ao lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo da obrigação tributária; ora, se o sujeito passivo da obrigação tributária deixou de existir e de possuir personalidade jurídica por conta da morte, tanto é fato que o auto de infração não pode ser lavrado contra quem já não existe, quanto que não se pode ter por regular intimação feita a quem não mais existe e que, portanto, não mais é sujeito passivo de qual quer obrigação tributária, eis que falecido e, por via de consequência, desprovido de personalidade jurídica; por isso, independentemente de o auto de infração referirse a fato ocorrido quando o contribuinte ainda estava vivo, o fato é que a lavratura do auto de infração não pode ser feita contra quem deixou de existir por morte e tampouco pode ser aceita como regular suposta intimação feita a quem já não mais possui personalidade jurídica, que se ganha com o nascimento e que se perde com a morte; nesse sentido, confirase relevante trecho do voto vencido do acórdão recorrido “No caso dos autos não se pode falar em lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo, pois o contribuinte faleceu antes da constituição do crédito tributário”; Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.720075/200702 Acórdão n.º 9202003.382 CSRFT2 Fl. 11 5 como se vê, à evidência, não houve a correta constituição do crédito tributário porque ele não foi objeto de notificação regularmente feita ao contribuinte, pois este, à época do recebimento da intimação sobre a lavratura do auto de infração, não mais era dotado de personalidade jurídica; e a ausência de intimação regular redunda na constatação de que se está diante de auto de infração imperfeito e inacabado, e, portanto, desprovido dos requisitos de liquidez e certeza que são essenciais para sua validade; estáse diante, portanto, de lançamento fiscal imperfeito, inacabado e que contém insanável erro de identificação do sujeito passivo, vícios estes que redundam na conclusão pela sua nulidade, por ausência dos requisitos exigidos pelo artigo 142 do CTN para sua validade (cita jurisprudência do CARF e da DRJ). Ao final, o Representante do Espólio pede o acolhimento e provimento do Recurso Especial. Cientificada do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 23/09/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 529), a Fazenda Nacional ofereceu, em 07/10/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 535), as Contrarrazões de fls. 530 a 534, contendo os seguintes argumentos, em resumo: em que pese a notificação ter sido feita em nome da falecida, seu representante legal impugnou o lançamento, tempestivamente, e juntou aos autos os documentos que julgou cabíveis para a instrução do feito; nesta esteira, não há que se falar em nulidade, por não haver prejuízo, uma vez que houve a oportunidade de impugnação e esta foi devidamente exercida por quem detinha as informações e documentos relativos à hipótese (cita doutrina de Marcos Vinícios Neder e Maria Teresa Martinez Lopez); assim, por não haver prejuízo, deve ser mantido o lançamento em consonância com o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nestes termos: Acórdão 920201.052 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/08/2005 De acordo com o principio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Corno no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso especial provido.” (grifo nosso) em outra oportunidade, o CARF já apreciou questão em muito semelhante à hipótese dos autos, concluindo pela manutenção do lançamento, in verbis: Acórdão 10615.703 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL INTIMAÇÃO Para a sua validade, é primordial que o ato de intimação seja capaz de dar total conhecimento ao sujeito passivo do resultado do procedimento fiscal, sendo eficaz no seu objetivo da mais larga defesa do sujeito passivo. A identificação concreta do prejuízo causado à defesa do sujeito passivo seria, por si só, suficiente para a invalidação da intimação, o que não ocorre na espécie, vez que exsurgem dos autos evidências que demarcam não ter ocorrido qualquer dano ao recorrente. NOTIFICAÇÃO EM NOME DO DE CUJUS SEM A IDENTIFICAÇÃO DE ESPÓLIO Os atos processuais têm caráter instrumental, e, se a finalidade da lei for alcançada, embora mediante forma imperfeita, há de se ter a forma ou o ato como válidos. Se a notificação for feita em nome do de cujus, sem o acréscimo da palavra espólio após o nome próprio do falecido, mas o representante legal impugnar o lançamento em nome do espólio e todos os demais atos forem praticados em nome ou contra o espólio, a finalidade da lei foi alcançada, mesmo que a forma adotada no lançamento não tenha sido perfeita (Precedente da CSRF). IRPF ESPÓLIO MULTA DE OFÍCIO Não responde o sucessor pela multa de natureza fiscal que deva ser aplicada em razão de infração cometida pelo ‘de cujus’. Inteligência do artigo 133 do CTN. (Precedentes da CSRF). Recurso parcialmente provido.” (grifo nosso) neste contexto, mostrase necessária a manutenção do entendimento da Primeira Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção acerca da validade do lançamento ora analisado. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja negado provimento ao Recurso Especial. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.720075/200702 Acórdão n.º 9202003.382 CSRFT2 Fl. 12 7 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pelo Representante do Espólio, é tempestivo e atende aos demais pressupostos de Admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Contrarrazões oferecidas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Tratase de Notificação de Lançamento, exigindose ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2003, acrescido de multa de ofício e juros de mora, tendo em vista glosa da APP – Área de Preservação Permanente e arbitramento do VTN – Valor da Terra Nua com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras (de fls. 01 a 06 e extrato de fls. 8). A ciência do lançamento foi efetuada em 19/12/2007 (AR de fls. 235) e a Contribuinte havia falecido em 13/07/2007 (Certidão de Óbito de fls. 243). De plano, esclareçase que não consta dos autos que tenha havido comunicação do falecimento da Contribuinte à Receita Federal, antes do início da ação fiscal. Ademais, o endereço do Espólio é o mesmo da Contribuinte falecida e a documentação referente à sucessão, inclusive a Certidão de Óbito, somente foram trazidos aos autos após a Impugnação, quando requeridos pela DRF em Nova Friburgo/RJ, em 11/04/2008 (Intimação às fls. 238 e documentos seguintes). Registrese que a Impugnação foi apresentada pelo Representante do Espólio em 18/01/2008, portanto tempestivamente, acompanhada de farta documentação comprobatória, portanto não há que se falar em qualquer prejuízo porventura acarretado pela falta de menção, na Notificação de Lançamento, da expressão “Espólio”. Tanto é assim que na Impugnação não há sequer menção a eventual nulidade por ter sido a Notificação de Lançamento emitida em nome da Contribuinte falecida, sem a menção de que tratarseia de Espólio. Nesse contexto, a decisão de Primeira Instância, no sentido de considerar nulo o lançamento, por erro na identificação do sujeito passivo, não merece prosperar, mormente ao argumento de que a autoridade lançadora deveria “proceder às investigações necessárias para a perfeita identificação do sujeito passivo”. Ora, há que ser feita a necessária distinção entre o sujeito passivo que consta no lançamento e o responsável efetivo pelo crédito tributário constituído. O sujeito passivo da obrigação principal dizse contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (parágrafo único, do art. 121, do CTN). O ITR – Imposto Territorial Rural, por sua vez, é tributo que incide sobre o patrimônio e regese pela Lei n.º 9.393, de 1996, tendo como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel localizado fora da zona urbana do município. Assim, o imposto ora tratado é devido por qualquer pessoa que se prenda ao imóvel rural, sem qualquer caráter personalíssimo. Por outro lado, a responsabilidade do crédito tributário é do espólio, conforme disposto do art. 131, III, do CTN. O art. 129 do Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 mesmo código, por sua vez, determina que a responsabilidade dos sucessores “... aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data”. No caso dos autos, a Declaração de ITR, relativa ao exercício de 2003, foi entregue pelo de cujus, já que o óbito somente ocorreu em 13/07/2007 (Certidão de fls. 243). Assim, a responsabilidade pelo crédito tributário é, por determinação legal, do Espólio, ainda que o lançamento tenha sido constituído em nome do de cujus. Destarte, andou bem o acórdão recorrido, ressaltandose os seguintes trechos, que bem caracterizam a situação dos autos: “(...) Portanto, não relevante, para que se concretize a responsabilidade sucessória do espólio pelo crédito tributário que este seja apontado como sujeito passivo no documento que formaliza o lançamento. Cabe ao espólio, através de seu representante, responder pelo crédito tributário, estando este constituído ou não, e se constituído, mesmo que o lançamento esteja formalizado em nome do ‘de cujus’. Não cabe ao fisco investigar, a cada lançamento que vai realizar, se o sujeito passivo faleceu em momento posterior à data do fato gerador. Realiza o lançamento e aponta como sujeito passivo o Contribuinte. Se este veio a falecer após a data do fato gerador e antes do lançamento, o espólio responde pelo crédito tributário. Neste caso, portanto, penso que o fato de o lançamento ter sido formalizado em nome do contribuinte não constitui vicio a ensejar a nulidade do lançamento; que a responsabilidade do espólio resta configurada da mesma forma, pois decorre diretamente da lei e alcança os créditos tributários constituídos ou não.” O entendimento ora esposado encontra amparo na jurisprudência do CARF, conforme a seguir: “RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. ESPÓLIO. É válido o lançamento formalizado em nome do ‘de cujus’, depois da abertura da sucessão, quando esta se deu após da ocorrência do fato gerador. (Acórdão nº 220100.730 de 17/06/2010) Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Representante do Espólio, para considerar válido o lançamento efetuado no nome do de cujus e determinar o retorno dos autos à Primeira Instância, para julgamento das demais questões constantes da Impugnação. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.720075/200702 Acórdão n.º 9202003.382 CSRFT2 Fl. 13 9 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10920.909602/2012-48
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 96 02 /2 01 2- 48 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909602/201248 Acórdão n.º 3801002.753 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909602/201248 Acórdão n.º 3801002.753 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909602/201248 Acórdão n.º 3801002.753 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909602/201248 Acórdão n.º 3801002.753 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909602/201248 Acórdão n.º 3801002.753 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909602/201248 Acórdão n.º 3801002.753 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909602/201248 Acórdão n.º 3801002.753 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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