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Numero do processo: 10880.667937/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2002
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2002 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 79 37 /2 01 1- 16 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10880.667937/201116 Acórdão n.º 3402006.402 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS cumulativo relativo a recolhimento a maior, que restou indeferido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de inconformidade, julgada improcedente, nos termos do Acórdão DRJ nº 14052.639. Intimado desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a necessidade de se reconhecer o crédito decorrente de pagamento indevido valores de COFINS não incluídas no conceito de receita; e (ii) a não incidência de PIS/COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, por não configurarem receita. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.396, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.667929/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.396): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. De pronto, vale consignar que, em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10880.667937/201116 Acórdão n.º 3402006.402 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho2. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que o contribuinte alegou que a origem do crédito decorreria de equívoco cometido no pagamento de processo de parcelamento n.º 10880.014298/200110, no qual teria apurado e recolhido a COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, valores que não correspondem à Receita. Contudo, para demonstrar a existência do seu crédito, a Recorrente não acostou ao seu Recurso Voluntário qualquer documento que poderia respaldar o seu crédito. Com efeito, não constam dos autos sequer a cópia do pedido de parcelamento referenciado na defesa, a planilha com a composição das bases de cálculo que respaldariam o valor do crédito ou mesmo quaisquer documentos fiscais ou contábeis suscetíveis à respaldar o crédito pleiteado. E aqui frisese que a Recorrente pretende a restituição integral do valor recolhido na guia DARF sob a alegação de pagamento indevido da COFINS de forma parcial, vez que recolhido com base no conceito de receita inconstitucionalmente alargado. Contudo, não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de comprovar a origem do parcelamento, quais os valores que teriam sido pagos naquele processo que estariam corretos e quais os valores que teriam sido indevidamente recolhidos a maior naquele processo. 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014 43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10880.667937/201116 Acórdão n.º 3402006.402 S3C4T2 Fl. 5 4 A impossibilidade de verificação da validade do crédito por ausência de respaldo probatório foi indicada na r. decisão recorrida, sendo que a empresa permaneceu trazendo alegações de mérito gerais e sem substrato probatório em seu Recurso Voluntário: "Mesmo que se concorde com o argumento da recorrente, quanto ao entendimento do STF sobre a ampliação da base de cálculo, a verdade é que qualquer juízo de valor, no caso, dependeria da apresentação de provas. Esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse. No presente, a interessada não apresentou qualquer documentação que lastreasse seu pedido, o que impediria a análise da referida liquidez e certeza, além de consumar a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º." (efl. 29 grifei) Assim, considerando que não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de evidenciar, nem mesmo de forma indiciária, o direito creditório apontado pelo sujeito, não é possível confirmar a validade das alegações trazidas pela Recorrente. Ainda que se coadune com as alegações de direito genericamente trazidas em sua peça de defesa, a empresa deixou de juntar aos autos elementos de prova da existência do direito. Com isso, face a ausência de provas, deve ser mantida a conclusão alcançada pela decisão de primeira instância no sentido da inexistência de qualquer direito creditório na hipótese. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10880.667937/201116 Acórdão n.º 3402006.402 S3C4T2 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000112/2001-74
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: LIVRO-CAIXA - GLOSA DE DEDUÇÕES - PAGAMENTOS A PESSOAS
FÍSICAS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO - Na apuração do imposto de
renda, somente deverão ser deduzidas as despesas escrituradas em livro-caixa que sejam necessárias à manutenção da fonte produtora da renda. No caso dos tabeliães, não há como ser admitida a dedução de pagamentos efetuados a consultores e assessores jurídicos, visto que tais atividades não são imprescindíveis ao incremento ou manutenção das receitas auferidas.
Recurso negado
Numero da decisão: 104-19.502
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alberto Zouvi (Suplente convocado) e Remis Almeida Estai que proviam parcialmente o recurso. .
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: João Luis se Souza Pereira
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ementa_s : LIVRO-CAIXA - GLOSA DE DEDUÇÕES - PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO - Na apuração do imposto de renda, somente deverão ser deduzidas as despesas escrituradas em livro-caixa que sejam necessárias à manutenção da fonte produtora da renda. No caso dos tabeliães, não há como ser admitida a dedução de pagamentos efetuados a consultores e assessores jurídicos, visto que tais atividades não são imprescindíveis ao incremento ou manutenção das receitas auferidas. Recurso negado
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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA 10950.000112/2001-74 132.584 IRPF - Ex(s): 1999 ANTÔNIO CARLOS DE MELLO PACHECO FILHO 48 TURMAlDRJ-CURITIBAlPR 14 de agosto de 2003 104-19.502 LIVRO-CAIXA - GLOSA DE DEDUÇÕES - PAGAMENTOS A PESSOAS FíSICAS SEM VíNCULO EMPREGATíCIO - Na apuração do imposto de renda, somente deverão ser deduzidas as despesas escrituradas em Iivro- caixa que sejam necessárias à manutenção da fonte produtora da renda. No caso dos tabeliães, não há como ser admitida a dedução de pagamentos efetuados a consultores e assessores jurídicos, visto que tais atividades não são imprescindíveis ao incremento ou manutenção das receitas auferidas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANTÔNIO CARLOS DE MELLO PACHECO FILHO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alberto Zouvi • (Suplente convocado) e Remis Almeida Estai que proviam parcialmente o recurso . . - I FQ;RMALIZADO : 06 NOV ZeQ3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. 10950.000112/2001-74 Acórdão n°. 104-19.502 fl~~tl'., ( '/":"íi9. f\ --- .""I .,~ L .[(':<:j'y TJRnJARINGA SAC~Tn Fls.~ Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ROBERTO WILLlAM GONÇALVES, MEIGAN SACK RODRIGUES e VERA CEcíLIA MATTOS VIEIRA DE MORAES. Defendeu o contribuinte o Dr. José Miguel de Godoy, OAB/PR n° 07.67~V 2 Processo n°. Acórdão nO. Recurso nO. Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA 10950.000112/2001-74 104-19.502 132.584 ANTÔNIO CARLOS DE MELLO PACHECO FILHO RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Curitiba/PR que manteve parcialmente o lançamento do IRPF levado a efeito contra o sujeito passivo relativo à glosa de deduções escrituradas em livro-caixa, conforme apurado no auto de infração de fls. 70 e seus anexos. Ás fls. 01/10, o sujeito passivo apresentou sua impugnação sustentando, em síntese, que: (a) os pagamentos efetuados a Antônio Carlos de Mello Pacheco são dedutíveis porque o beneficiário tem vasto conhecimento no ramo de cartórios, sendo a respectiva despesa necessária à manutenção dos serviços cartoriais; (b) os pagamentos efetuados a Rafaela Maria Mello Franco são dedutíveis porque a beneficiária exerce as funções de assessoria jurídica ao sujeito passivo, tendo sido contratada para promover a defesa judicial e extrajudicial do recorrente; (c) os pagamentos a Jair Galina são dedutíveis porque o beneficiário exerce as funções de escrevente juramentado; (d) os pagamentos efetuados a José Miguel Godoy são dedutíveis, visto que o beneficiário é responsável pela contabilidade do cartório. Juntou os documentos de fls. 11 a 69. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR manteve parcialmente a exigência através do acórdão DRJ/CTA N° 1.665/2002 (fls. 135/140) que recebeu a seguinte a ement~~ 3 Processo nO. Acórdão n°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA 10950.000112/2001-74 104-19.502 LIVRO CAIXA - GLOSA DE DESPESAS - PAGAMENTOS EFETUA0 A TERCEIROS - Os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, só podem ser deduzidos se necessários à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que comprovada a efetiva prestação dos serviços, mediante documentação hábil e idônea. Lançamento procedente em parte. Devidamente intimado desta decisão em 14/8/2002, o sujeito passivo interpôs, em 12/9/2002, o recurso voluntário de fls. 149/158, acompanhado dos documentos de fls. 159 a 189, através do qual o recorrente basicamente ratifica os termos de sua impugnação. Processado regularmente em primeira instância, o recurso é remetido a este Conselho para apreciação do recurso voluntário interposto. É o Relatório. 4 Processo n°. Acórdão nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA 10950.000112/2001-74 104-19.502 VOTO DRFMARINGA SACAI Fls.~ Conselheiro JOÃO Luís DE SOUZA PEREIRA, Relator O recurso é tempestivo e está de acordo com os demais pressupostos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. ,; A questão dos autos está restrita à questão de saber se são pertinentes as glosas das deduções relativas aos pagamentos efetuados a Antônio Carlos de Mello Pacheco e Rafaela Maria Mello Franco. A autoridade julgadora de primeira instância entende que os estes beneficiários de pagamentos realizados pelo recorrente não exercem atividade necessária á percepção e manutenção da fonte produtora da renda. O recorrente, por sua vez, sustenta que Antônio Carlos de Mello Pacheco exerce função compatível e necessária à produção da renda, tendo em vista seus vastos conhecimentos em atividade notarial e sua representatividade junto a órgãos e entidades de interesse da atividade do cartório. Quanto a Rafaela Maria Mello Franco, alega o recorrente que seus serviços foram devidamente contratados e que sua assessoria jurídica é igualmente necessário à manutenção dos serviços cartoriais. Não assiste razão ao recorrente. v~ 5'1) 10950.000112/2001-74 104-19.502 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA A ementa da decisão recorrida sintetiza a correta interpretação qua dedutibilidade das despesas escrituradas em livro caixa. Na determinação da base de . cálculo do imposto de renda, somente serão dedutíveis as despesas necessárias à percepção da renda e manutenção da respectiva fonte, desde que amparadas em documentação hábil e idônea. Processo nO. Acórdão nO. No caso dos autos, não se pode negar a enorme experiência de Antônio Carlos de Mello Pacheco no ramo de serviços notarias. Trata-se de um verdadeiro expert no assunto. Mas isso não quer dizer que os rendimentos que recebe sejam fundamentais, imprescindíveis às atividades do cartório, cujo titular é o recorrente. As atividades exercidas por Antônio Carlos de Mello Pacheco são periféricas, giram em torno do cartório, mas não são necessárias. Um cartório que pode contar com alguém com esta experiência terá um diferencial, mas subsistirá perfeitamente sem este "apoio". Já em relação aos pagamentos efetuados a Rafaela Maria Mello Franco, além da assessoria jurídica, ser igualmente dispensável, não se encontra nos autos qualquer e prova 'da efetiva prestação dos serviços. Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, e 6 .'
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Numero do processo: 10925.002038/2005-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DO VÍCIO APONTADO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO DO JULGADO. DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Identificada a omissão do julgado quanto à análise de argumento acerca do equívoco da contagem do prazo decadencial, deve ser sanado vício apontado, afastando-se a ocorrência de decadência do direito do fisco de lançar o tributo devido, pois tempestivamente cientificado o Contribuinte acerca do lançamento.
Numero da decisão: 9202-007.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202- 02.359, de 25/09/2012, reconhecer a inexistência de decadência.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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EXISTÊNCIA DO VÍCIO APONTADO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO DO JULGADO. DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Identificada a omissão do julgado quanto à análise de argumento acerca do equívoco da contagem do prazo decadencial, deve ser sanado vício apontado, afastandose a ocorrência de decadência do direito do fisco de lançar o tributo devido, pois tempestivamente cientificado o Contribuinte acerca do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 02.359, de 25/09/2012, reconhecer a inexistência de decadência. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 20 38 /2 00 5- 61 Fl. 1330DF CARF MF 2 Relatório Foi proferido o Acórdão n.º 920202.359 pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 25 de setembro de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 1.276: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência do CARF. A decisão recorrida fundamentouse na aplicação da súmula nº 14 do 1º CC (atual súmula nº 14 do CARF): “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” A Fazenda Nacional clama pela aplicação do art. 173, I do CTN tãosomente como conseqüência da aplicação da multa qualificada decorrente de evidente intuito de fraude. Recurso especial não conhecido. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, ao qual foi dado seguimento, conforme Despacho nº 563 de 25/11/2008, fls. 1222/1223. O contribuinte foi cientificado destas decisões e apresentou embargos de declaração, recurso especial e contrarrazões ao recurso da União, fls. 1239/1261. A Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou intempestivos os embargos de declaração e negou seguimento ao recurso especial apresentado pelo interessado, fls. 1265/1267. O recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 1276/1282, e a União apresentou embargos de declaração, fls. 1285/1287, que foram acolhidos, fls. 1288/1289. Antes que fosse sanada a omissão apontada nos embargos, o contribuinte apresentou pedido de desistência para adesão a parcelamento, conforme documentos juntados às fls. 1273/1275 e 1316/1320, e o processo foi devolvido a esta Seção para providências. Observase que a parcela do crédito tributário relacionada ao recurso do Contribuinte foi transferida ao processo nº 10925.720382/201699. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10925.002038/200561 Acórdão n.º 9202007.823 CSRFT2 Fl. 3 3 Consoante Despacho de fls. 1.328, "considerando o fato de que julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional ainda não foi finalizado, sendo então proposta a devolução do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para continuidade do julgamento". No que se refere ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 1.210 a 1.217, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 1.222 a 1.223, para rediscutir a qualificação da multa aplicada e a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) ainda que provado o ilícito, segundo a e. câmara a quo não caberia o agravamento da multa no caso de lançamento com base em depósitos bancários, porque, a partir da Lei Complementar n.º 105/2001, e do Decreto n.º 4.545/2002, toda a movimentação financeira do contribuinte e automaticamente informada 6 Secretaria da Receita Federal; b) é importante considerar que os fatos geradores do IRPF exigido ao contribuinte ocorreram nos anos de 1999 e 2001, quando ainda não vigorava o Decreto n.º 4.545/2002; c) no caso, em verdade, ocorreu a aplicação da Lei n.g 11457/2001, que permitiu a Receita Federal utilizar as informações da CPMF, prestadas pelas instituições financeiras nos termos da Lei 9.311/96, para instaurar procedimento administrativo visando verificar a existência de crédito tributário, devido pelo contribuinte; d) não se aplica ao caso o Decreto n.º 4.545/2002, mencionado no voto condutor do acórdão como justificativa para afastar a multa agravada; e) o fato apenado pelo art. 44 da Lei n.Q 9430/96 combinado com o art. 71 da Lei n.º 4.502/64 e a sonegação dolosa de tributos; f) e. câmara a quo entendeu que não é possível ao contribuinte sonegar a informação acerca da movimentação bancária, em face de todos os instrumentos colocados 6 disposição dos auditores; g) há clara diferença entre sonegar movimentação bancária e sonegar tributos. A movimentação bancária, por si só, não é fato gerador do imposto de renda. Os valores que transitaram em conta bancária sem explicação da origem é que são reputados fato gerador do imposto de renda; h) fato de a fiscalização ter acesso aos dados bancários do contribuinte não significa que está, automaticamente, ciente do fato gerador do imposto de renda, ou ciente do intuito doloso do contribuinte; Fl. 1332DF CARF MF 4 i) não se pode confundir sonegação de movimentação bancária de sonegação de renda. A movimentação bancária que não está compatível com os rendimentos declarados do contribuinte ainda é indicio de omissão de receita, que dá margem ao aprofundamento das investigações; j) se a fiscalização tem acesso às informações bancárias do contribuinte, isso não torna "impossível" a sonegação de receita ao Fisco; k) no presente caso, o contribuinte, com a sonegação da renda que transitou em sua conta bancária, consumou o não pagamento do IRPF; l) deve ser mantida a multa agravada no presente caso, eis que incidente o art. 44, I, §1° da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007); m) a existência de dolo por parte do contribuinte reflete diretamente na definição do marco inicial da contagem do prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o credito tributário respectivo. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — em que o contribuinte calcula o montante devido e antecipa o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa , o CTN, no art. 150, § 4; n) ainda que não reformada a decisão recorrida quanto à qualificação da multa, não caberá falar em decadência; o) se o fato gerador do IRPF, no caso de omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei nQ 9.430/96, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário, e oportuno dizer que não decaiu o dever de a Fazenda Pública efetuar o lançamento relativo ao anocalendário de 2000, neste processo; p) todos os eventos ensejadores de tributação constantes do auto de infração ocorreram durante o anocalendário de 2000, sendo que o fato gerador do IRPF se perfez em 31 de dezembro desse ano; q) não houve decadência no tocante a esse período, já que a ciência do lançamento se deu, como visto, em 13 de outubro de 2005; r) a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso para reformar o respeitável acórdão recorrido, com a conseqüente manutenção do auto de infração e da decisão de primeira instância. Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 1.248 e seguintes, sustentando, sem síntese: a) consta as fls. 1.139/1.176 o v. acórdão sobre o qual se insurge o recorrente, sendo que em 19.02.2008 a Receita Federal tomou inequívoca ciência da decisão por intermédio de seu agente ATRFB matricula n°. 16.948, conforme consta à fl. 1.180; Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10925.002038/200561 Acórdão n.º 9202007.823 CSRFT2 Fl. 4 5 b) considerando que o recurso foi interposto apenas em 11.06.2008 (fl. 1.183), constatase a intempestividade do reclamo; c) contudo inexiste, no ponto recorrido, contrariedade a evidência de prova, conforme sustenta o recorrente. De igual modo, inexiste contrariedade a qualquer dispositivo legal; d) nos caso dos autos a incidência da multa qualificada não depende das provas propriamente ditas, mas sim da interpretação do texto legal; e) por não servir o Recurso Especial à uniformização de decisões, ou de posicionamentos, tornase incabível o prosseguimento do presente reclamo. Repitase: a divergência de posicionamento sustentnda pelo recorrente não da margem a interposição do Recurso Especial; f) Igual modo se conclui ao verificar qt e não ocorreu decisão contrária a Lei, inexistindo ofensa aos dispositivos citados pelo recorrente; g) que seja o não conhecimento do Recurso Especial por ausência dos requisitos estampados no art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; h) não houve por parte do contribuinte, ora recorrido, qualquer intuito de sonegação, omissão ou fraude já que a; valores que transitaram nas contas bancárias foram devidamente declarados e contabilizados nas respectivas empresas; i) imprescindível que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio capitulados nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, dc 1964. 2, o que de fato não ocorreu no plano fático tampouco restou comprovado nos auto:, conforme reconhecido no acórdão objurgado; j) ante os fundamentos esboçados, requer a improcedência do pleito almejado pelo recorrente, mantendose a decisão por seus próprios fundamentos. Em seguida, conforme o Acórdão n.º 920202.359 proferido pela 2ª Turma da CSRF, em 25 de setembro de 2012, o Colegiado entendeu pelo não conhecimento do Recurso Especial, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência do CARF. A decisão recorrida fundamentouse na aplicação da súmula nº 14 do 1º CC (atual súmula nº 14 do CARF): “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, Fl. 1334DF CARF MF 6 sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” A Fazenda Nacional clama pela aplicação do art. 173, I do CTN tão somente como conseqüência da aplicação da multa qualificada decorrente de evidente intuito de fraude. Recurso especial não conhecido. Foram opostos embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 1.285 e seguintes, que foram admitidos para que fosse sanada a omissão quanto à decadência, pois o acórdão recorrido consignou o entendimento de que a questão da decadência suscitada pela Procuradoria decorreria unicamente da manutenção da qualificação da multa e, não sendo conhecido o recurso quanto ao primeiro tema, não haveria como discutir o segundo. No entanto, aduz a Procuradoria da Fazenda que consta expressamente do seu Recurso Especial, às fls. 1.189, o pedido de declaração de inexistência de decadência referente ao anocalendário de 2000, ainda que ultrapassada a discussão da multa, uma vez que a própria decisão recorrida reconheceu como decaído os fatos geradores anteriores a 31/12/1999. Argumenta, assim, a Fazenda que "o lançamento apenas abarca os anos calendário de 2000, 2001 e 2002, não havendo que se falar em decadência de nenhum dos períodos lançados, já que para o fato gerador mais antigo (31/12/2000), o prazo final seria 31/12/2005, tendo o Contribuinte sido cientificado em 13/10/2005, portanto, tempestivamente". É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conforme narrado, tratamse de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 920202.359, proferido em 25 de setembro de 2012, de relatoria do Conselheiro Elias Sampaio. Em 14 de janeiro de 2013, houve a admissão dos embargos, de acordo com o Despacho de fls. 1.288 a 1.289. Cabe destacar que omissão a ser sanada referese à contagem do prazo decadencial. Não se trata mais da discussão sobre o prazo do art. 150, § 4, do CTN ou do 173, I, do mesmo diploma legal, mas tão somente sobre o suposto equívoco da decisão recorrida na contagem do prazo nos moldes do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Sustenta a Procuradoria da Fazenda Nacional que consta expressamente do seu Recurso Especial, às fls. 1.189, o pedido de declaração de inexistência de decadência referente ao anocalendário de 2000, ainda que ultrapassada a discussão da multa, uma Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10925.002038/200561 Acórdão n.º 9202007.823 CSRFT2 Fl. 5 7 vez que a própria decisão recorrida reconheceu como decaídos os fatos geradores anteriores a 31/12/1999. Argumenta, assim, a Procuradoria que "o lançamento apenas abarca os anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, não havendo que se falar em decadência de nenhum dos períodos lançados, já que para o fato gerador mais antigo (31/12/2000), o prazo final seria 31/12/2005. Tendo o Contribuinte sido cientificado em 13/10/2005, ou seja, tempestivamente". Compulsandose os autos, verificase que assiste razão à Embargante em seus argumentos, pois o Acórdão recorrido não conheceu do Recurso Especial na íntegra, considerando o conhecimento da decadência prejudicado em razão das considerações acerca da inexistência de dolo, diante do afastamento da multa qualificada. Contudo, a qualificação da multa, embora tenha sido um dos argumentos para a Fazenda pleitear a reforma do acórdão de segunda instância no sentido da aplicação do art. 173, I, do CTN, não foi o único, sendo também aduzida a inexistência de decadência inclusive pela regra mais benéfica do art. 150, § 4º do CTN. No relatório do acórdão n.º 10248.326 constou corretamente o período autuado, nos termos abaixo transcritos: Em 22 de março de 2004 o contribuinte foi intimado para apresentar, no prazo de 20 dias, os extratos bancários de todas suas contascorrentes no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2002, comprovando, de forma individualizada, a origem dos respectivos recursos, bem como para comprovar a origem e o destino dado As disponibilidades em moeda estrangeira (dólares) — US$ 82.467.00, registrados na IRF/Dionisio Cerqueira, em 07/11/2002. Na fundamentação do voto, o Relator assim entendeu sobre a decadência: Assim, notificado do lançamento em 13/10/2005, os créditos lançados com base em fatos anteriores a 31 de dezembro de 1999 já haviam sido extintos pela decadência (art. 156, VI, do CTN), o que reconheço e acolho. Contudo, não obstante a fundamentação do voto tenha sido no sentido de reconhecer a decadência relativa ao período anterior à dezembro de 1999, constou do dispositivo o acolhimento da "preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 2000". Notase claro lapso da mencionada decisão, sendo que o Acórdão de recurso especial restou omisso quando ao sustentado pela Procuradoria da Fazenda acerca da decadência. Temse, pois, um lançamento referente aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, e, ocorrido o fato gerador mais antigo em 31/12/2000, o termo final do prazo decadencial seria 31/12/2005. Porém, o Contribuinte foi cientificado em 13/10/2005, ou seja, tempestivamente, não havendo que se falar em decadência de nenhum dos períodos lançados. Fl. 1336DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto por conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 02.359, de 25/09/2012, reconhecer a inexistência de decadência. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Fl. 1337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003086/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA.
Tributam-se como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
Numero da decisão: 2401-006.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Tributamse como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 30 86 /2 00 8- 63 Fl. 1361DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II – SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1732.143 (fls. 973/983): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. PRODUÇÃO DE PROVAS DOCUMENTOS NOVOS. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, salvo nos casos previstos em Lei. Art. 16, §40 do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente. O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 595/601), lavrado contra o Contribuinte em 23/09/2008, relativo ao exercício 2006, decorrente da omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no qual é exigido a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF o valor de R$ 210.125,02, Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 157.593,76 e Juros de Mora, calculados até 08/2008, no valor de R$ 58.204,63, ficando o Crédito Tributário exigido no montante total de R$ 425.923,41. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 583/593): 1. Em 10/03/2008, o procedimento fiscal foi iniciado com o recebimento via postal do Termo de Inicio de Fiscalização, lavrado em 04/03/2008, pelo qual o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos comprobatórios dos rendimentos isentos e não tributáveis, no montante de R$ 590.000,00, informados na Declaração de Ajuste Anual 2006; 2. Uma vez que o contribuinte não protocolizou resposta ao Termo de Inicio, foi lavrado, em 27/03/2008, o Termo de Reintimação Fiscal, solicitando os documentos comprobatórios aos rendimentos isentos e não tributáveis no montante de R$ 590.000,00 e, considerando a Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10882.003086/200863 Acórdão n.º 2401006.161 S2C4T1 Fl. 3 3 retificação efetuada, foi solicitado o livrodiário ou caixa original da empresa TECBEM, referente ao anocalendário de 2005; o contrato social da empresa e suas alterações, bem como os comprovantes da efetiva transferência de recursos referentes aos lucros ou dividendos distribuídos; 3. Da análise dos lançamentos constantes no livro diário da TECBEM pôde ser verificado que a empresa escriturou receita apenas nos meses de junho, setembro e dezembro de 2005; 4. Ainda segundo os lançamentos apostos no livro, esses valores teriam sido recebidos em dinheiro, mantidos em caixa, até 31/12/2005, quando teriam sido entregues sócio Daniel Jose Burd, também em espécie; 5. Em 24/04/2008, o contribuinte compareceu a Delegacia da Receita Federal em Osasco, tendo informado que a empresa TECBEM prestou no anocalendário de 2005, serviços para a empresa FórumAcess Comércio Consultoria e Desenvolvimento de Sistemas Ltda., CNPJ 00.793.304/000153, também de sua propriedade, e que a mesma efetuava os pagamentos devidos à TECBEM, diretamente na conta corrente da pessoa física Daniel e, posteriormente, eram emitidas as notas fiscais da empresa TECBEM contra a empresa FórumAcess, pela somatória dos valores recebidos no mês; 6. Na ocasião apresentou xerox das notas fiscais n°s 002; 003 e 004 emitidas no anocalendário de 2005, todas elas cópias de péssima qualidade; 7. Apresentou, também, seus extratos bancários contendo créditos que alegou serem os recebimentos da empresa FórumAcess em contrapartida dos serviços que lhe foram. Em primeira análise os valores constantes nos extratos não correspondiam aos valores constantes nas três Notas Fiscais. O contribuinte ficou de posse dos extratos para que assinalasse os valores, demonstrando assim as suas alegações; 8. Foi orientado no sentido de demonstrar as operações alegadas com documentação comprobatória inclusive da efetiva transferência de valores, com data e valores coincidentes e coerentes com as sua alegações; 9. Não foram apresentados documentos que pudessem comprovar os fatos alegados; 10. Foi, então, elaborado o Demonstrativo de Evolução Patrimonial — fluxo Financeiro Mensal, anobase de 2005, com base nos documentos apresentados pelo contribuinte e nas informações constantes nos sistemas da RFB, tendo sido apurada a variação patrimonial a descoberto em todos os meses do anobase; Fl. 1363DF CARF MF 4 11. Em 29/07/2008, foi lavrado Termo de Ciência, cientificando o contribuinte acerca dos demonstrativos elaborados e concedendo o prazo de cinco dias para que se manifestasse acerca do mesmo, juntamente com o Termo foram enviados o Demonstrativo de Evolução Patrimonial; o Demonstrativo da Renda Consumida e o Demonstrativo de Movimentação de Aplicações Financeira, sob a forma de anexos, tendo sido recebidos em 04/08/2008, conforme AR; 12. Em carta datada de 27/08/2008 o contribuinte se manifestou; 13. Considerando as alegações do contribuinte, o Demonstrativo de Evolução Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal AnoBase 2005 não foi alterado, uma vez que não foram apresentados quaisquer novos documentos que pudessem modificar os elementos lá inseridos. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, pessoalmente, em 23/09/2008 (conforme assinatura aposta no Auto de Infração fl. 595 a 601) e, em 23/10/2008, apresentou sua Impugnação de fls. 617/629, instruída com os documentos de fls. 631 à 959. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1732.143, em 26/05/2009 a 8ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o lançamento. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio (AR fl. 993), em 18/06/2009 e, inconformado com a decisão prolatada, em 15/07/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 995/1001, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta que: 1. Equivocouse a Turma Julgadora em sua decisão, sobretudo no tocante à alegada confusão patrimonial das pessoas jurídicas e pessoa física do sócio; 2. A Declaração Anual simplificada da empresa TECBEM informa os valores recebidos referentes aos serviços prestados A empresa FórumAccess nos meses de junho, setembro e dezembro de 2005, que geraram tributos(simples nacional), da ordem de R$ 17.820,00 (dezessete mil oitocentos e vinte reais), R$23.017,50 (vinte e três mil dezessete reais e cinqüenta centavos) e R$ 20.212,50 (vinte mil duzentos e doze reais e cinqüenta centavos), nos referidos meses; 3. Referidos tributos, correspondentes às notas fiscais emitidas contra a empresa FórumAccess, consoante se vê dos Demonstrativos de Parcelas — Parcelamento Simples Nacional, foram pagas pela empresa TECBEM, do que se conclui que referida empresa recebeu os pagamentos pelos serviços prestados, pagou os impostos a ele relativos, e por fim pagou ao sócio, ora Recorrente, através da distribuição se lucros; 4. O fato desse pagamento ter ocorrido diretamente da empresa FórumAccess para a conta pessoal do Recorrente não pode levar à conclusão a que chegou a Turma Julgadora, no sentido de ter havido omissão de rendimento, pois referido valor está devidamente declarado tanto na declaração da pessoa jurídica quanto na do sócio; Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10882.003086/200863 Acórdão n.º 2401006.161 S2C4T1 Fl. 4 5 5. A não coincidência de valores e datas de pagamentos também não tem o condão de afastar as alegações do Recorrente, porquanto como bem salientou em sua Impugnação, os pagamentos realizados pela FórumAccess em relação aos serviços prestados pela Tecbem foram realizados ao longo do ano de 2005, a partir de junho, sendo certo que não houve depósito exato do valor, e no mês correspondente e subseqüente à realização dos serviços, mas sim depósitos de diversos valores ao longo dos meses; 6. Resta comprovado que não há qualquer irregularidade na DIRPF/2006, anobase 2005 do Recorrente. Finaliza seu RV requerendo que seja considerado nulo o lançamento cancelandose o débito fiscal, aceitando, em consequência, a referida DIRPF/2006, anobase 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Acréscimo Patrimonial a descoberto O contribuinte fora notificado, por meio de Termo de Início de Fiscalização acerca da existência da fiscalização, bem como para apresentar os documentos relativos à comprovação dos rendimentos isentos e não tributáveis, no montante de R$ 590.000,00, informados em sua Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2006. Ocorreu que em 13/03/2008 (três dias após o recebimento do Termo de Inicio de Ação Fiscal) foi efetuada a transmissão da Declaração Simplificada PJ Simples Retificadora da empresa TECBEM, alterando os valores constantes na Ficha 06, de R$ 18.000,00 para R$ 590.000,00. Ante a ausência de resposta consistente do contribuinte fora àquele enviado, na data de 27/03/2008, Termo de Reintimação Fiscal, solicitando novamente os documentos já referidos, bem como o livrodiário ou caixa original da empresa TECBEM, referente ao ano Fl. 1365DF CARF MF 6 calendário de 2005; o contrato social da empresa e suas alterações, bem como os comprovantes da efetiva transferência de recursos referentes aos lucros ou dividendos distribuídos. Então o contribuinte apenas apresentou o livrodiário da TECBEM (não registrado junto à JUCESP) e o contrato social da mesma e esclareceu que a empresa TECBEM prestou no serviços para a empresa FórumAcess Comércio Consultoria e Desenvolvimento de Sistemas Ltda., também de sua propriedade, e que a mesma efetuava os pagamentos devidos à TECBEM, diretamente na conta corrente da pessoa física Daniel e, posteriormente, eram emitidas as notas fiscais da empresa TECBEM contra a empresa FórumAcess, pela somatória dos valores recebidos no mês. Afim de comprovar suas alegações apresentou três notas fiscais praticamente ilegíveis, bem como seus extratos bancários contendo créditos que atestou serem os recebidos da empresa FórumAcess pelos valores devidos à TECBEM. Verificouse que os valores constantes nos extratos eram incompatíveis com os constantes nas Notas Fiscais. Foi então o contribuinte orientado a demonstrar as operações alegadas com documentação comprobatória inclusive da efetiva transferência de valores, com data e valores coincidentes e coerentes com as sua alegações. Entretanto, o mesmo permaneceu inerte. Diante disto, foi novamente intimado, em 10/06/2008, para apresentar, no prazo de cinco dias, a documentação comprobatória do efetivo recebimento dos recursos, entretanto o contribuinte nada mais apresentou. Assim, a fiscalização elaborou o demonstrativo de Variação Patrimonial – Fluxo Financeiro Mensal o qual foi novamente submetido ao contribuinte, ocasião em que o mesmo prestou novos esclarecimentos sem, no entanto, juntar qualquer documentação capaz de comprar o alegado. Pois bem. A legislação tributária define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) No mesmo sentido temos o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10882.003086/200863 Acórdão n.º 2401006.161 S2C4T1 Fl. 5 7 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei) Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei no 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Grifamos). Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presumese a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Destarte, para que o contribuinte não sofra a tributação do Imposto de Renda após a constatação da variação patrimonial a descoberto, necessário se faz que ele demonstre Fl. 1367DF CARF MF 8 que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Passamos assim à análise da documentação apresentada pelo Recorrente. Em se tratando de acréscimo patrimonial a referida comprovação ocorre por meio da elaboração de planilhas (fluxos de caixa), que são alimentadas com todas as origens de recurso constatadas no curso da ação fiscal e de outro lado todas as disponibilidades e dispêndios verificados no referido período. A partir daí, constatandose que as aplicações superam as origens declaradas sucede a figura do acréscimo patrimonial a descoberto. No caso presente, a fiscalização elaborou o Demonstrativo de Apuração de Variação Patrimonial – Fluxo Financeiro Mensal, submetido à ciência do contribuinte sem que por ele houvesse qualquer manifestação (fls. 563 a 571). Em sede de Recurso Voluntário limitase a argumentar a inexistência de referido acréscimo patrimonial a descoberto, alegando que os documentos apresentados, em especial as notas fiscais, são suficientes para demonstrar a veracidade de suas alegações, uma vez que tanto o Recorrente quanto a empresa TECBEM informaram a transação em suas declarações, bem como que a falta de coincidência entre as datas e valores constantes em seus extratos bancários relativos aos supostos recebimentos não têm o condão de demonstrar a inveracidade de seus argumentos. Ocorre que, por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao então Recorrente a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontrase consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis. Entretanto, através da análise de toda a documentação apresentada pelo mesmo não há qualquer comprovação de sua alegação capaz de ilidir a presunção sobre a qual fundase a autuação fiscal. Isto se diz porque, apesar de intimado para demonstrar ao menos uma convergência coerente de valores e datas ditos recebidos da empresa TECBEM, posto que não coincidentes com as notas fiscais apresentadas, o mesmo não o fez de forma, argumentando no tocante à matéria, em sede recursal, que não houve depósito exato do valor no mês correspondente e subsequente à realização dos serviços, mas sim depósitos de diversos valores ao longo dos meses, reapresentando os extratos bancários, sem neles realizar a comprovação necessária. Não se desincumbindo, pois, do ônus probatório que lhe é atribuído. Ademais, no tocante à escrituração contábil da empresa TECBEM há que se atentar para dois fatos: 1 – da declaração apresentada inicialmente constava apenas o valor de R$18.000,00 repassado ao contribuinte por meio de distribuição de lucro, vindo a ser apresentada declaração retificadora três dias após o recebimento, pelo Recorrente, do termo de início de fiscalização; e 2 – conforme verificado pela fiscalização, o livrodiário da empresa TECBEM não se encontrava registrado perante a Junta Comercial competente, o que atribui lhe reduzido valor probante, na medida em que não existem outros indícios probatórios que levem a inferir a substância dos fatos alegados. Apenas para fins elucidativos, apesar de trazido à tona pela DRJ/SPOII em sede de acórdão a possibilidade de existência de confusão patrimonial entre o Recorrente e as empresas de sua propriedade, quais sejam a TECBEM e FórumAcess não fora referido fato, diferente do que contesta o contribuinte em seu Recurso Voluntário, utilizado como Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10882.003086/200863 Acórdão n.º 2401006.161 S2C4T1 Fl. 6 9 fundamento para a decisão daquele colegiado ou mesmo para a lavratura do auto de infração combatido. Desta feita, provada pelo fisco a aquisição de bens e aplicações de recursos, bem como não logrando êxito o Recorrente em fazer prova do contrário há que ser mantida a autuação. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909159/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DEVER DE COLABORAÇÃO. EXAME DE DOCUMENTOS APRESENTADOS AOS AUTOS.
Na atividade vinculada de lançamento e revisão do crédito tributário, Fisco e Contribuinte devem se pautar pelo dever de colaboração. Os documentos trazidos aos autos em sede de defesa administrativa devem ser devidamente analisados pela autoridade julgadora e eventuais erros de fato identificados podem e devem ser corrigidos.
Numero da decisão: 3201-005.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 29 combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF, e examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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DEVER DE COLABORAÇÃO. EXAME DE DOCUMENTOS APRESENTADOS AOS AUTOS. Na atividade vinculada de lançamento e revisão do crédito tributário, Fisco e Contribuinte devem se pautar pelo dever de colaboração. Os documentos trazidos aos autos em sede de defesa administrativa devem ser devidamente analisados pela autoridade julgadora e eventuais erros de fato identificados podem e devem ser corrigidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 29 combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF, e examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 91 59 /2 01 0- 67 Fl. 186DF CARF MF 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1636.994, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que assim relatou o feito: 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 02/04 a numeração do processo indicada neste documento se refere a da versão digital), em que a interessada pretende compensar débito tributário com suposto crédito decorrente de pagamento de PIS/Pasep do período de apuração de 31/01/2002, efetuado em 09/02/2004, em nome da incorporada INDÚSTRIAS KLABIN S. A., CNPJ 59.368.100/000118. 2. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 10, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Dessa forma, não foi homologada a compensação declarada. 3. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 13/28), na qual alega, em síntese, que: embora a manifestante entenda desnecessário apresentar a composição do valor do crédito pleiteado, de R$ 55.723,12, dado que isso não foi objeto de questionamento, para comprovar a lisura do procedimento adotado, demonstrase memória de cálculo de tal valor à fl. 17. importante informar, para o correto entendimento dos fatos, que há uma diferença de, aproximadamente, R$ 1.000,00 entre o valor do principal indevidamente recolhido (R$ 55. 723,12) e o valor do débito destacado no Quadro 2 (R$ 56.726,04). Conforme se pode verificar da análise da DCTF retificadora, o valor de, aproximadamente, R$ 1.000,00 não deveria ter sido recolhido — como de fato não foi — dado que a sua exigibilidade estava suspensa. a manifestante não sabe qual seria, na realidade, o motivo do indeferimento do direito creditório e, consequentemente, da não homologação da compensação declarada. apenas supõe que o direito creditório tenha sido negado em virtude de não ter sido localizada a DCTF retificadora que corrigiu o valor do débito devido. entretanto, não se pode aceitar que a contribuinte seja obrigada a se defender com base em suposições, sem ter segurança quanto ao motivo que determinou a glosa, pois o Decreto n° Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.909159/201067 Acórdão n.º 3201005.218 S3C2T1 Fl. 187 3 70.235/1972 é claro ao determinar que os atos proferidos por autoridades administrativas que prejudicam ou impossibilitam o direito de defesa do contribuinte são eivados de nulidade. há de se observar que o Despacho Decisório ora combatido não contém uma descrição precisa e congruente dos fatos que ensejaram a sua emissão. Tal omissão e imprecisão impedem o pleno conhecimento das circunstâncias que levaram ao indeferimento do seu direito creditório, implicando grandes dificuldades e embaraços ao direito da ampla defesa e do contraditório. a própria fundamentação legal utilizada como embasamento para o indeferimento do direito creditório ora pleiteado foi indicada de modo apenas genérico, não permitindo a identificação de qual o equivoco teria sido pretensamente cometido. Em síntese, não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. o valor do pagamento ora discutido decorre, inequivocamente, da tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. sobre a tributação das receitas que não se enquadram no conceito de faturamento (base de cálculo prevista pela Lei 9.718/1998), é assente que tal exigência não está de acordo com o direito. Isto porque, o Supremo Tribunal Federal já declarou a sua inconstitucionalidade. Ademais, no caso ora analisado, a manifestante obteve decisão judicial definitiva que a possibilita não observar a base de cálculo prevista na Lei 9.718/1998. independentemente da decisão judicial definitiva favorável à manifestante, o direito creditório deve ser reconhecido, pois, como já mencionado, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. o não reconhecimento da inconstitucionalidade da lei já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal viola princípios consagrados pelo ordenamento jurídico brasileiro, dentre os quais se destacam o "Princípio da Moralidade” e o "Princípio da Eficiência". muito embora a manifestante acredite que o seu direito creditório será reconhecido com a consequente homologação da compensação efetuada, em função do Princípio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na hipótese dos julgadores entenderem que o indeferimento deva prevalecer. no caso em tela, não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a manifestante quitou Fl. 188DF CARF MF 4 tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, o débito compensado. não há que se alegar mora ao quitar o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada não é, por si só, fato caracterizador de mora do contribuinte. a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a manifestante não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. 4. Diante dessas alegações, a interessada solicita: o cancelamento total do Despacho Decisório ora combatido, com a declaração de sua nulidade, pois, em preliminar, é comprovado o cerceamento do direito de defesa. na hipótese de se entenderem que não deve ser declarada a nulidade do Despacho Decisório, a manifestante pede e espera que, no mérito, o seu direito creditório seja deferido e, consequentemente, homologada a compensação declarada. caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser afastada a exigência de multa e juros de mora pelos motivos já expostos. 5. Por fim, a manifestante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, sobretudo a diligência fiscal. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS FATOS. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade por descrição imprecisa dos fatos que ensejaram a não homologação da compensação quando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade evidenciam que a interessada entendeu perfeitamente a motivação do despacho decisório. PRODUÇÃO DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas devem ser apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 57 do Decreto 7.574/2011. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.909159/201067 Acórdão n.º 3201005.218 S3C2T1 Fl. 188 5 Temse por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previstos na legislação de processo administrativo fiscal. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A retificação da DCTF deve obedecer ao prazo e pressupostos legais firmados pela legislação aplicável. A DCTF retificadora apresentada extemporaneamente não produz efeitos legais para alterar crédito tributário que já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. BASE DE CÁLCULO. RECEITA NÃO DECORRENTE DE VENDAS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A alegação de que parte das receitas seria diversa daquelas oriundas do exercício das atividades empresariais deve estar lastreada por provas. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Inexiste pagamento indevido ou a maior quando este já foi utilizado para quitar crédito tributário apurado de acordo com as normas então vigentes. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. O tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente ireito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 190DF CARF MF 6 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de não ter sido identificado no sistema o DARF indicado como crédito. Em sua defesa, o contribuinte alega que o DARF em questão (doc. 5 da Manifestação de Inconformidade) é relativo ao pagamento a maior realizado em 09/02/2004 relativo ao PIS apurado em janeiro de 2002. Esclarece que o fato gerador em questão (janeiro de 2002) foi praticado por empresa sucedida. Informa a Recorrente que o valor a maior decorreu do fato de que a empresa, ao apurar a base de cálculo do PIS, incluiu indevidamente receitas financeiras, sendo que possuía ação judicial transitada em julgado assegurando o direito à sua exclusão. Apresenta memória de cálculo da apuração no período referido. Pois bem. Ao examinar os argumentos do contribuinte, entendeu a DRJ: (i) Quanto à alegação de que o fato gerador do crédito (PA 01/2002) foi realizado por empresa sucedida, que esta foi baixada (sucedida) em 28/12/2001, portanto, não poderia ter sido qualquer pagamento atrelado à ela; (ii) Que embora no DARF conste a informação de que o pagamento estaria relacionado à empresa sucedida, o CNPJ informado é o da Recorrente, sucessora. (iii) Que na própria DCTF original o DARF em questão foi vinculado à débito próprio, e não à eventual débito da empresa sucedida. (iv) Que se o crédito postulado é vinculado a ação judicial, deveria ter feito constar essa informação no PER/DCOMP, o que não fez. (v) Que, ainda que se admitisse a compensação realizada em desacordo com os procedimentos estabelecidos, caberia à Recorrente comprovar "o valor do pagamento em discussão decorre da tributação de receitas oriundas de operações diversas de suas atividades empresariais", o que também não foi feito. Ao final, a DRJ conclui que a contribuinte não fez prova do seu direito creditório e tampouco postulou pela juntada de novos documentos ou mesmo requereu diligência. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reitera os argumentos anteriormente apresentados e esclarece: Sobre a composição da base de cálculo do período correspondente ao crédito, informa que retificou a DCTF do período em 24/05/2006 e que nesta retificação constou o correto valor do PIS apurado (documento 6 do Recurso, fl. 154). Portanto, no momento em que retificou o valor devido, o DARF no valor de R$55.723,12 vinculado na DCTF original se tornou dissociado de qualquer débito. Para comprovar que em janeiro de 2002 a base de cálculo do PIS era exatamente aquela informada na DCTF retificadora, apresenta balancete contábil do período. Sobre toda a questão atinente à empresa sucedida, a Recorrente não apresentou qualquer manifestação em seu Recurso. Contudo, considerando o que concluiu a própria DRJ, conforme itens (i), (ii) e (iii) supra, tenho que se trata de questão superada. O Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.909159/201067 Acórdão n.º 3201005.218 S3C2T1 Fl. 189 7 DARF, as DCTFs e o PER/DCOMP foram transmitidos em nome da Recorrente, sucessora, cabendo a análise desta. O Recurso Voluntário traz, ainda, toda uma irresignação quanto à uma suposta alegação de retificação extemporânea da DCTF que teria sido feita pela DRJ. Ocorre que, em minucioso exame do acórdão recorrido, identifico que este não trouxe qualquer fundamentação acerca de uma eventual decadência / preclusão na retificação da DCTF, muito embora tenha feito constar na ementa do julgado: DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A retificação da DCTF deve obedecer ao prazo e pressupostos legais firmados pela legislação aplicável. A DCTF retificadora apresentada extemporaneamente não produz efeitos legais para alterar crédito tributário que já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Logo, por absoluta ausência de fundamentação, reputo que qualquer manifestação relativa à eventual preclusão deve ser excluída dos autos. Feitos tais esclarecimentos, pontuo os seguintes fatos por mim extraídos dos documentos acostados aos autos: (a) Em 06/10/2005 foi transmitida DCTF pela empresa Recorrente (Klabin S/A, CNPJ 89.637.490/000145), na qual, em janeiro de 2002 foi informado débito de PIS no valor de R$927.593,31. Para a extinção desse débito foram vinculados 3 (três) DARFs, dentre eles o DARF no valor principal de R$55.723,12, CNPJ 89.637.490/000145, código de receita 8109 (fls. 149 e seguintes) Além dos DARFs, constam valores suspensos por decisão judicial. (b) Em 24/05/2006 foi transmitida DCTF retificadora pela empresa Recorrente (Klabin S/A, CNPJ 89.637.490/000145), na qual, em janeiro de 2002 foi informado débito de PIS no valor de R$853.276,58. Para a extinção desse débito foi vinculado um único DARF no valor principal de R$852.273,66, CNPJ 89.637.490/000145, código de receita 8109 (fls. 153 e seguintes) Além do DARFs constam valores suspensos por decisão judicial. (c) Em 13/10/2006, portanto, posteriormente à retificação da DCTF, foi transmitido o PER/DCOMP objeto do presente processo administrativo, pela empresa Recorrente (Klabin S/A, CNPJ 89.637.490/000145), informando que o crédito utilizado corresponde justamente ao DARF no valor principal de R$55.723,12, CNPJ 59.368.100/0001 18, código de receita 8109, que fora desvinculado do débito apurado em janeiro de 2002 por meio da DCTF retificadora. (fls. 2 e seguintes) (d) O Despacho Decisório eletrônico ora questionado, conforme (fls. 7 e seguintes) tem como única descrição dos fatos: O DARF indicado abaixo, não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verifique se todos os dados da Ficha DARF, informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do DARE objeto do crédito. No caso de REDARF, as informag8es devem ser as constantes da retificação. A data de Fl. 192DF CARF MF 8 arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. DARF informado: (e) O DARF em exame foi juntado à fl. 59 do eprocesso: A exposição detalhada dos fatos se fez necessária para que se pudesse ultrapassar tanto as alegações apresentadas pelo Contribuinte, como pela DRJ. A conclusão é bastante simples: A causa de não homologação do PER/DCOMP é única e exclusivamente o fato de o DARF indicado não ter sido localizado no sistema da Receita Federal. A Contribuinte comprovou a existência do DARF quando juntou sua cópia à Impugnação. Ocorre que o CNPJ informado no DARF (CNPJ 89.637.490/000145) é diferente do CNPJ que constou no PER/DCOMP (CNPJ 59.368.100/000118). Então, obviamente, o sistema jamais identificaria um DARF com os parâmetros equivocadamente informados pelo contribuinte em seu PER/DCOMP. Igualmente simples é a resolução do impasse: uma vez apresentado o DARF, bastaria uma conferência visual para se constatar o equívoco. E mais, a Recorrente justificou que se tratam de CNPJs de empresas sucedida e sucessora, o que foi confirmado pela DRJ. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.909159/201067 Acórdão n.º 3201005.218 S3C2T1 Fl. 190 9 Uma vez constatado o equívoco e localizado o DARF correto, bastaria a busca pelo sistema da Receita Federal se este DARF está ou não integralmente vinculado à qualquer débito declarado pelo contribuinte. Nesse momento, se identificam as informações constantes da DCTF retificadora, transmitida muito antes do PER/DCOMP, quando se constata que, de fato, o DARF informado não se encontra lá comprometido, embora estivesse na DCTF original. Nesse momento, de fato, cabe à Fiscalização averiguar a legitimidade da retificação da DCTF, podendo solicitar esclarecimentos e documentos que comprovem a base de cálculo declarada. Contudo, com a devida vênia, entendo que, na hipótese dos autos, seja em sede de manifestação de inconformidade / recurso voluntário, quanto no acórdão proferido pela DRJ, tergiversase acerca de diversas questões tangenciais (ação judicial, composição de base de cálculo, suficiência/ insuficiência de prova, preclusão, débitos de sucedida e sucessora, etc) quando a controvérsia é exclusivamente formal: um erro de preenchimento de informação no PER/DCOMP facilmente compreendido a partir dos documentos anexados à Manifestação de Inconformidade. Nesse ponto, acrescento que, embora não padeça de nulidade, o Despacho Decisório eletrônico deve merecer análise diferenciada por parte da DRJ quando do exame da Manifestação de Inconformidade e dos documentos anexados. Nessa espécie de procedimento, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de esclarecimentos e documentos comprobatórios do seu direito é, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, ou, ainda, limitarse à análise do direito, sem exame da documentação apresentada, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal e da própria vinculação do ato administrativo de lançamento tributário. Ademais, a legislação processual autoriza a realização de diligência por solicitação do próprio julgador. Ainda que a documentação trazida pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade pudesse ser tida por insuficiente pra se esgotar a instrução probatória, deve ser entendida, quando menos, como indício robusto de prova do seu direito. Assim, poderia a DRJ determinar a realização de diligência fiscal inclusive para que seja intimado o contribuinte para apresentar quaisquer outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito da controvérsia. Não se pode perder de vista, ainda, o dever de colaboração que deve instruir Fisco e Contribuinte na verificação do crédito tributário, sempre pautandose na boa fé e na legalidade. A higidez do lançamento tributário deve ser buscado na condição de interesse social maior por todos os envolvidos na atividade administrativa de lançamento e revisão do crédito tributário. Fl. 194DF CARF MF 10 Por fim, encerro a argumentação trazendo à lume o Parecer Cosit 2/2015, que orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 291 combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, e examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003022/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/06/2005
TEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO DO RECURSO
Não deve ser conhecido o recurso voluntário apresentado após o término do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 3301-006.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da intempestividade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da intempestividade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
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CONHECIMENTO DO RECURSO Não deve ser conhecido o recurso voluntário apresentado após o término do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em razão da intempestividade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 30 22 /2 00 7- 31 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 309 2 "Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados em 28/05/2007 para a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins Importação), Contribuição para o Programa de Integração Social (PISImportação), respectivos juros de mora e multas de ofício, no valor total de R$ 39.887,35 (trinta e nove mil, oitocentos e oitenta e sete reais e trinta e cinco centavos). A autoridade autuante relata no Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, fls.02/15, que: o importador, por meio da DI de n° 05/06522304, registrada em 22/06/2005, submeteu a despacho de importação duas máquinas para injeção plástica (modelo HTF300X Série 050503003856 e modelo HTF200X Serie 050702000142) e três conjuntos de secador/alimentador de matériaprima (capacidades de 25, 50 e 100Kg), com classificação na Tarifa Externa Comum, respectivamente, sob os códigos 8477.40.90 e 8477.90.00 e acobertadas pelo conhecimento de carga n° CFIJ304106, bem como pela fatura comercial n° 2005 127; a alíquota ad valorem da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre a importação, vigente para esta mercadoria na data do registro da respectiva DI (momento de ocorrência do fato gerador, para efeito de cálculo, segundo o art. 4 ° , inciso I, da Lei n ° 10.865/2004) era de 7,60%, conforme o disposto no Art. 8°, inciso II da Lei 10.865/2004; o importador deixou de recolher a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins Importação) e a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público(PIS/PASEP Importação), alegando a suspensão desses tributos por se caracterizar como empresa industrial instalada na Zona Franca de Manaus; porém, segundo a fiscalização, tal suspensão só passou a ser aplicável a partir do disposto no Art. 50 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. Ciente do Auto de Infração em 29/05/2007, fls. 02 e 07, a autuada apresentou a impugnação de fls. 26 a 56, onde, em síntese do necessário, alegou: a autuação não poderá prosperar; quando da importação levada a efeito pela impugnante e registrada por meio da DI 05/06522304, estava em curso o Mandado de Segurança n° 2005.32.00.0035888, por meio do qual a autuada questiona judicialmente a cobrança do PISImportação e da COFINSImportação quando das importações de máquinas, acessórios e equipamentos destinados b. Zona Franca de Manaus – ZFM; com o escopo de obter a suspensão da exigibilidade dos valores exigidos, quando do desembaraço aduaneiro de suas máquinas, equipamentos e acessórios, nos autos do aludido Mandado de Segurança, a impugnante passou a depositar judicialmente os valores exigidos a titulo de PIS Importação e de COFINS Importação; os valores apurados como supostamente devidos a titulo de PIS Importação e de COFINSImportação, quando do desembaraço aduaneiro dos bens importados apontados na DI 05/06522304 FORAM DEPOSITADOS JUDICIALMENTE PELA IMPUGNANTE; quando a suspensão da exigibilidade do crédito decorre de depósito judicial, não há que se falar na constituição do crédito tributário para efeito de obstar Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 310 3 decadência, na medida em que, caso vencido o contribuinte, o valor depositado é convertido definitivamente em renda da União Federal; por ter o artigo 3° do DecretoLei n° 288/67 se referido, no aludido artigo, ao imposto de importação e ao imposto sobre produtos industrializados, argumenta o Fisco que os incentivos fiscais concedidos à Zona Franca de Manaus, relativos às importações, se limitariam à isenção do imposto sobre produtos industrializados e do imposto de importação; por fim requer, em vista da suspensão do crédito tributário, nos termos do art. 151, II, do CTN, seja anulada a autuação, haja vista que a lavratura do Auto de Infração afronta o art. 151, II, do CTN; requerse, outrossim, caso mantida a cobrança, que seja afastada a exigência da taxa SELIC, vez que cobrada de forma inconstitucional. O processo foi encaminhado à repartição de origem para que fosse anexado aos autos cópia da ação inicial (Mandado de Segurança n° 2005.32.00.0035888) para apreciação da lide. O que foi feito (fls. 94/111). Consta ao final da referida ação: (...) Do Pedido Ex positis, rogase à Vossa Excelência que se digne de: (i) conceder, initio litis, liminar que garanta o direito líquido e certo da impetrante de: a) importar máquinas, equipamentos e acessórios "a serem empregados na elaboração de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem", com a aplicação do regime de suspensão do PISImportação e da COFINS Importação, com base no § I o do art. 14 da Lei n° 10.865/04, afastandose a exigência do recolhimento de tais tributos como condição à realização do desembaraço aduaneiro dos referidos bens: (negritei) b) não sofrer a aplicação do disposto no art. 12 da Instrução Normativa n° 424/04, por ser flagrantemente ilegal e inconstitucional; (ii) determinar a imediata expedição de ofícios às autoridades impetradas, a fim de que estas sejam comunicadas da concessão da liminar, caso deferida; (iii) determinar o regular processamento do presente "writ", intimandose as autoridades impetradas para prestarem as informações de praxe, ouvindose o douto Ministério Público Federal, para que, ao final, seja concedida integralmente a segurança pleiteada, a fim de que seja declarado o direito da impetrante de promover a importação de máquinas, equipamentos e acessórios, com a aplicação do regime de suspensão do PISImportação e da COFINSImportação previsto no § I o do art. 14 da Lei n° 10.865/04, bem como seu direito de não se submeter ao disposto no art 12 da IN SRF n° 424/04, seja em função da ilegalidade e inconstitucionalidade do dispositivo, seja em razão de sua total inaplicabilidade à importação de máquinas, equipamentos e acessórios, como medida da mais lídima JUSTIÇA !!! É o Relatório." Em 09/10/14, DRJ em São Paulo (SP) não conheceu da impugnação e o Acórdão n° 16062.076 foi assim ementado: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 311 4 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/06/2005 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO . O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. O depósito do montante integral do tributo suspende a sua exigibilidade, sendo eventual lançamento de ofício tomado como medida preventiva à consumação da decadência. JUROS DE MORA. É legítima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, com o objetivo de prevenir a decadência. Os juros de mora são consectários legais da obrigação tributária principal, que incidem independente da vontade das partes. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" Informado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira A recorrente tomou ciência do recurso voluntário no dia 27/05/15 e, por conseguinte, tinha de ter protocolizado o recurso voluntário até o dia 26/06/15, isto é, dentro do prazo de trinta dias, previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Contudo, o recurso foi apresentado no dia 29/06/15, ou seja, intempestivamente. Abaixo, os documentos que comprovam os fatos narrados: Aviso de Recebimento (AR fl. 282) Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 312 5 Carimbo na primeira página do recurso voluntário (fl. 290): Extrato do Processo (fl. 300), emitido pela Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Manaus (AM): Isto posto, não conheço do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10283.003022/200731 Acórdão n.º 3301006.069 S3C3T1 Fl. 313 6 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.935078/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
Numero da decisão: 1302-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ESTIMATIVA. PARADIGMA Recorrente NOVELIS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: INDÉBITO. CARACTERIZAÇÃO. DIREITO À RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.935088/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 50 78 /2 00 9- 89 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.935078/200989 Acórdão n.º 1302003.327 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face a acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, registrandose a seguinte ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRE n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente apresentou Declaração de Compensação, indicando como crédito pagamento indevido ou a maior. A fiscalização concluiu pela improcedência do crédito, por tratarse de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. As decisões foram fundamentadas nas disposições das IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. Apresentouse DARF para demonstrar a origem do crédito. A DCOMP não foi homologada e resultou em lançamento. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, tempestivamente. Defende que, a fiscalização e a DRJ se equivocaram. Pois, o valor compensado no mês subsequente ao do recolhimento, referese a valor que pagou além do valor apurado como sendo o valor devido de estimativa. Alega, assim, que "as antecipações devidas pelo contribuinte e posteriormente transformadas em crédito, por conta do IRPJ e/ou da CSLL apurados a menor, por ocasião do ajuste, somente podem ser compensadas a partir do mês de abril do ano subsequente, ao passo que as antecipações recolhidas indevidamente ou a maior pelo contribuinte, ou seja, aquelas recolhidas em valor maior que o apurado com base na estimativa, como ocorre no presente caso, configurariam créditos que poderiam ser compensados já no mês subsequente ao do recolhimento indevido." Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.935078/200989 Acórdão n.º 1302003.327 S1C3T2 Fl. 4 3 Fundamentou seu entendimento nas disposições dos arts. 2º e 6º, da Lei nº 9.430/96; art. 74 da Lei nº 9.430/96. Também colacionou ementas de julgados do CARF. Sustentou que o regramento contido no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004, replicado na Instrução Normativa n° 600/2005, tratava apenas do recolhimento do que efetivamente devido a título de antecipação de IRPJ e CSLL, não abrangendo recolhimentos a maior ou indevidos. Do contrário, contrariaria o citado art. 74 da Lei n° 9.430/96. No intuito de demonstrar o valor devido estimado para recolhimento antecipado de IRPJ, a Recorrente apresentou a DCOMP, Darfs, DCTFs retificadoras. Não há informação sobre o motivo pelo qual a Recorrente teria apurado, no primeiro momento, o referido valor devido de IRPJ por estimativa e no momento seguinte retificou DCTF e DIPJ para indicar outro valor como sendo correto. A Recorrente não informou o erro ou o equívoco cometido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.319, de 22/01/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.935088/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.319): Conheço do Recurso Voluntário à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento ao demais pressupostos de admissibilidade previstos no Dec. nº 70.235/72. A questão, portanto, reside em verificar se a Recorrente teria crédito de IRPJ e CSLL, relativo a pagamento, indevido ou a maior, além da estimativa, e se estaria autorizada a utilizar o suposto crédito, já no mês subsequente. Como visto, o acórdão recorrido ratificou o entendimento da fiscalização, no sentido de que, no caso (empresa optante pelo lucro real e estimativas mensais, com base em balancete de suspensão ou redução) somente no ajuste anual seria possível apurar pagamento de valor indevido ou a maior de estimativa mensal. Antes do ajuste anual, não haveria pagamento indevido ou a maior, nem mesmo a possibilidade de compensação no mês subsequente. Esse foi o entendimento que a fiscalização e a DRJ extraíram da IN SRF nº 460, de 18/10/2004 e IN SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro modo, a Recorrente refuta tal entendimento, colacionando acórdãos do CARF, que concluíram pela possibilidade de se utilizar, para fins de Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.935078/200989 Acórdão n.º 1302003.327 S1C3T2 Fl. 5 4 compensação, já no mês subsequente, os recolhimentos realizados em valor superior à quantia regularmente apurada, como sendo a estimativa mensal devida. A controvérsia quanto à possibilidade de compensação de pagamentos indevidos ou a maior de estimativas foi solucionada pela Solução de Consulta Interna da Cosit SCI n° 19, de 05/12/2011, de cuja ementa se extrai: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja ela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1° de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n° 460, de 2004, e IN SRF n° 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2° e 74; IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. Este entendimento também foi consolidado na jurisprudência deste conselho por meio da Súmula CARF n° 84, verbis: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Nesse ponto específico, portanto, assiste razão à recorrente. Não obstante, quanto ao mérito do reconhecimento do direito creditório pleiteado e da respectiva compensação, não é possível a este colegiado adentrar no seu exame, posto que a autoridade administrativa competente ainda não se pronunciou sobre tal matéria. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.935078/200989 Acórdão n.º 1302003.327 S1C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à compensação de estimativas mensais e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.000861/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992
DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS.
Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72).
Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do crédito alegado pela contribuinte mencionada na decisão recorrida, quando a própria recorrente sequer especificou ou comprovou os elementos de discordância com os cálculos mantidos nessa decisão.
Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade ou impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador.
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/1991 a 31/03/1992 DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Não é tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do crédito alegado pela contribuinte mencionada na decisão recorrida, quando a própria recorrente sequer especificou ou comprovou os elementos de discordância com os cálculos mantidos nessa decisão. Em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a manifestação de inconformidade ou impugnação, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no processo administrativo fiscal não há qualquer previsão para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador. Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 08 61 /2 00 9- 46 Fl. 308DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Dcomps transmitidas eletronicamente pela contribuinte entre 15/03/2006 e 21/08/2008, de saldos credores de Finsocial oriundos da Ação Ordinária nº 2000.71.02.0001014, na qual foi postulada a devolução de valores da contribuição recolhidos com alíquota excedente a 0,5%, que transitou em julgado em 26/08/2004. Foi proferido despacho decisório com a homologação parcial das compensações, sob os seguintes fundamentos: (...) 05. A ação judicial foi objeto de análise pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT, dessa Delegacia, conforme Despacho de fl. 45, tendo, apurado um crédito a favor do sujeito passivo, calculado conforme determina a decisão judicial, no montante de R$ 678,23 (seiscentos e setenta e oito reais e vinte e três centavos), atualizado até janeiro de 1996. 06. Através do demonstrativo de fls. 58/59 (frente e verso) foram efetuados os cálculos pertinentes visando à homologação das compensações efetuadas pelo sujeito passivo, mediante o confronto do crédito oriundo da ação judicial nº 2000.71.02.0001014 com os débitos compensados. 07. Da análise do demonstrativo constatase que o crédito não é suficiente para liquidar a totalidade dós débitos compensados. (...) A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese, que houve equívoco por parte dos auditores fiscais, ao glosarem quase a totalidade das compensações implementadas, embora o crédito apresentado estivesse em estrita consonância com a decisão judicial transitada em julgado. O julgador a quo devolveu os autos à Unidade de Origem para a verificação das alegações trazidas pela manifestante. Em atendimento, foram anexados documentos e despacho no qual se informou o não atendimento pela contribuinte de intimação para apresentação de demonstrativo/planilha acerca do que a contribuinte entendia serem os créditos utilizados em compensação. Os autos retornaram a DRJ, que decidiu por não acolher as razões de defesa da manifestante, vez que "ante a falta de demonstração/comprovação de eventuais outros valores decorrentes da ação judicial, passíveis de compensação, resta turva a liquidez e certeza deste pretenso direito creditório, donde deve ser mantido o ato decisório inicial". Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11060.000861/200946 Acórdão n.º 3402006.647 S3C4T2 Fl. 309 3 Cientificada dessa decisão em 11/09/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/10/2012, com as seguintes alegações principais: Apesar de desconsideradas pela decisão recorrida, as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade demonstram a existência de crédito em análise, bem como a suficiência do mesmo para suportar o encontro de contas implementado nas Dcomps ao presente feito (fls. 02/39). Inexiste qualquer débito adicional no procedimento fiscal, tratandose exclusivamente das compensações realizadas pela recorrente devidamente chanceladas pelo Poder Judiciário. A recorrente protesta pela oportuna produção de provas que lhe permitam comprovar as suas alegações, especialmente a realização de diligências que os julgadores entendam necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Ao contrário do afirmado pela recorrente, as alegações da manifestação de inconformidade não demonstraram a existência de crédito adicional àquele que já havia sido utilizado na homologação parcial das compensações autorizadas no despacho decisório. Não obstante a então impugnante, na sua peça de defesa, não tenha detalhado qual seria o ponto de discordância específico em relação aos cálculos efetuados pela fiscalização do seu direito creditório, o julgador a quo suspeitou que a divergência no valor do crédito pudesse ser atribuída aos períodos de apuração, razão pela qual converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: (...) Observadas as peças processuais, constatase que quando da apreciação das DCOMPs apresentadas foi considerada a informação de fl. 46 (numeração eproc). Tal informação foi baseada no PAJ nº 11060.000567/0081, no qual foi apurado um valor de crédito de R$ 678,23, atualizado até 01/1996. Segundo o Fisco, somente seriam passíveis de aproveitamento valores credores entre os PAs 11/1991 e 03/1992 (fls. 44 e 45 – numeração eproc), não havendo qualquer informação quanto aos PAs anteriores, observado o critério do prazo decadencial, esmiuçado na decisão judicial. Por sua vez, a contribuinte alega que teria valores credores para PAs entre 05/03/1990 e 22/04/1994. Muito embora se saiba que o FINSOCIAL existiu até 03/1992 (o que, por si só, já derrubaria parte do pretenso crédito), bem como reste inconteste que a contribuinte não apresentou qualquer planilha demonstrando seu crédito, claro está que neste processo não há qualquer referência feita pelo Fisco quanto a PAs Fl. 310DF CARF MF 4 anteriores aos referidos nas fls. 44 e 45 (numeração eproc). E aí parece residir a controvérsia. Diante disto e visando a efetivação de uma criteriosa análise do entendimento constante do Despacho Decisório, comparativamente aos argumentos expendidos pela contribuinte na manifestação de inconformidade, proponho a remessa do presente processo à DRF de origem, para que: I – intime a contribuinte a apresentar demonstrativo/planilha do que entende serem seus créditos, anexandoa ao presente processo, caso haja atendimento; II – verifique, comprove e informe nos autos a situação dos PAs anteriores aos indicados nas planilhas de fls. 44 e 45 (numeração eproc), observando a questão do prazo decadencial, amplamente tratado na Ação Ordinária nº 2000.71.02.000101 4 que transitou em julgado em 26/08/2004; III – caso haja apuração de novo montante de crédito, passível de compensação, verifique e informe quais débitos declarados restariam homologados; IV – produza outras informações que julgar necessárias, dando ciência à contribuinte dos elementos que produzir, permitindo àquela sua manifestação no prazo legal, se assim entender indispensável. No entanto, a interessada não atendeu à intimação para especificar eventuais créditos adicionais a que teria direito em face da decisão judicial transitada em julgado. Além disso, informou a fiscalização que os valores de créditos obtidos pela fiscalização (fls. 44/45) eram compatíveis com os dados de pagamentos constantes no Processo de Acompanhamento Judicial (PAJ) nº 11060.000567/0081, conforme cópia de demonstrativo juntada na fl. 227 deste processo. Nesse demonstrativo observase que a fiscalização desprezou os pagamentos com vencimento em setembro e outubro de 94 (vide cota na fl. 227: "03/92 > COFINS"), o que está em consonância com a incidência da Cofins a partir da produção de efeitos da Lei Complementar nº 70, publicada em 31/12/91, com a consequente revogação do Decretolei nº 1940/82 que havia instituído o Finsocial. Quanto aos períodos de apuração anteriores a novembro/91, verificase que não foram localizados pagamentos a título de Finsocial, vez que a fiscalização pesquisou nos sistemas da Receita Federal o período de data de arrecadação entre 01jan1990 a 01dez2009, como indica a parte superior do demonstrativo da fl. 227. De outra parte, a interessada não acrescentou qualquer documento, na diligência de primeira instância ou no recurso voluntário, que comprovasse eventuais pagamentos de Finsocial relativos a períodos de apuração anteriores a novembro/91. Na Ação Ordinária nº 2000.71.02.0001014 foi declarada, em sentença e mantida no Tribunal, a existência de crédito relativo aos valores recolhidos a maior a título de Finsocial com base nos dispositivos legais declarados inconstitucionais, conforme Darf's acostados aos autos judiciais, a título de Finsocial, para fins de restituição ou compensação. No entanto, a interessada não apresentou, em contraposição ao despacho decisório ou à decisão recorrida, a comprovação de qualquer pagamento indevido ou a maior que o devido a título de Finsocial reconhecido judicialmente que não teria sido aceito pela fiscalização para fins de compensação. Alegar sem comprovar é o mesmo que não alegar. Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11060.000861/200946 Acórdão n.º 3402006.647 S3C4T2 Fl. 310 5 destinasse a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Do julgador do CARF é esperado que ele decida motivadamente em consonância com os argumentos e provas apresentados pela recorrente, cotejandoos com os demais elementos dos autos. Certamente que não seria tarefa do julgador do recurso voluntário diligenciar para buscar a prova faltante do crédito alegado pela contribuinte mencionada na decisão recorrida, quando a própria recorrente não se deu ao trabalho de especificar e comprovar os elementos de discordância com os cálculos mantidos nessa decisão. Assim, o pedido de diligência da recorrente deve ser indeferido. Ademais, conforme se denota na leitura do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 abaixo, em que pese a possibilidade excepcional de apresentação de provas após a impugnação ou a manifestação de inconformidade, não há qualquer previsão para posterior produção de prova pela interessada fora das hipóteses de diligências ou perícias autorizadas pelo julgador nas situações cabíveis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 312DF CARF MF 6 Dessa forma, por ausência de previsão legal, indeferese também o pedido da recorrente de futura produção de prova. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720082/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.677
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 08 2/ 20 16 -0 1 Fl. 7487DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.488 2 RELATÓRIO Tratase de recurso interposto por DAIKIN MCQUAY AR CONDICIONADO BRASIL LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1156.940, da 4ª Turma da DRJ Recife, que deu provimento parcial à impugnação, corrigindo erros de apuração do crédito tributário e inexatidões materiais. A decisão recorrida, entretanto, manteve parcela do crédito lançado. Contra essa parte da decisão a recorrente dirigiu seu inconformismo. A Fiscalização considerou elevado o saldo da conta fornecedores no final do ano de 2013. Solicitou, então, que a recorrente preenchesse um formulário, indicando a composição do passivo, com dados relativos às obrigações contraídas, o nome do credor, o valor da operação, o número do documento que originou a obrigação, a data do pagamento e o registro no livro Diário, colocando à disposição os respectivos documentos. Em relação ao saldo da conta fornecedores internacionais Daikin Japão, o formulário (preenchido pela recorrente) indicava que todas as obrigações que compunham o saldo em 31/12/2013 teriam sido liquidadas no ano de 2014, indicando também que a contabilização poderia ser verificada em consulta ao SPED contábil. A recorrente, entretanto, não teria posto à disposição os documentos que serviram de base ao preenchimento da planilha. A autoridade fiscal, consultando o livro razão, extraído do SPED contábil, em confronto com o formulário "composição do passivo", constatou a falta de coincidência dos valores lançados a débito para dar baixa das dívidas constantes do referido formulário. Essa circunstância teria impossibilitado a apuração "real" da "omissão de receitas", de modo que a apuração se fez verificando a movimentação ocorrida em 2014, como demonstrado no quadro abaixo: PASSIVO FICTÍCIO CONTA FORNECEDORES INTERNACIONAIS DAIKIN JAPÃO CRÉDITOS SALDO DA CONTA EM 31/12/2013 137.762.883,75 CRÉDITOS LANÇADOS EM 2014 212.244.288,08 TOTAL DOS CRÉDITOS 350.007.171,83 DÉBITOS CONTA ESTOQUE EM TRÂNSITO CONSIDERADO COMO LIQUIDAÇÃO 89.983.737,55 PAGAMENTOS CONTA BANCÁRIA 161.804.078,16 TOTAL DOS DÉBITOS 251.787.815,71 SALDO PROVÁVEL DA CONTA FORNECEDORES EM 31/12/2014 98.219.356,12 SALDO DA CONTA DE FORNECEDORES EM 31/12/2014 17.309.162,28 PASSIVO FICTÍCIO APURADO EM RELAÇÃO AO ANO BASE 2013 80.910.193,84 Fl. 7488DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.489 3 Nas demais contas em que a autoridade fiscal constatou passivo fictício, a infração ficou evidenciada a partir de informações inseridas pela própria recorrente no formulário "composição do passivo", o qual indicava que parte das obrigações constantes dos saldos existentes em 31/12/2013 tinha sua origem em 2014, ou seja, no ano posterior. Daí concluiu a Fiscalização tratarse de passivo inexistente em 2013. A situação foi assim demonstrada no Termo de Constatação Fiscal (fls. 392 a 398): PASSIVO FICTÍCIO APURADO DAIKIN JAPÃO 80.910.133,84 FORNECEDORES NACIONAIS 761.539,72 PROV. ESTOQUE IMP. JAPÃO 5.833.679,71 PROV ESTOQ EM TRANS MCQUAY WHUAN 38.306,43 PROV ESTOQ EM TRANS MCQUAY LATIN AMERICA 1.194.953,61 PROV ESTOQ EM TRANS SHENZHEN MCQUAY 87.263,86 PROV ESTOQ EM TRANS MCQUAY ITALIA 18.526,56 PROV ESTOQUE EM TRANSITO 95.467,98 TOTAL 88.939.871,71 O lançamento, além de colher o passivo fictício em 2013, como demonstrado no quadro acima, considerou também como passivo fictício a totalidade do saldo da conta fornecedores no final do ano base 2012, já que não houve baixa de obrigações em 2013. A infração deu ensejo a lançamento de crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, acrescido de multa e juros, sendo que a autuação do ano de 2012 se fez com multa qualificada. Ao lançamento sobreveio impugnação a que a DRJREC deu parcial provimento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. COMPETÊNCIA. A manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada caracterizase como omissão de receita, por presunção legal. A falta de comprovação de parte do saldo das obrigações mantidas em conta do passivo autoriza a presunção de passivo fictício. Incumbe ao contribuinte o dever de comprovar a efetiva existência das obrigações escrituradas em seu passivo, sob pena de caracterizarem omissão de receitas. Do saldo final do período serão subtraídos os valores que já foram objeto de idêntico lançamento no período anterior, em função do regime de competência e sob pena de tributação em duplicidade. PREJUÍZO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O prejuízo fiscal apurado em períodos anteriores pode ser compensado com o lucro fiscal apurado, até o limite de 30% (trinta por cento) deste. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 7489DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.490 4 Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não havendo cerceamento ao direito de defesa e nem incompetência da autoridade que lavrou o auto de infração, não há que se falar em nulidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012,2013 MULTA QUALIFICADA. A qualificação da multa de oficio demanda fundamentação e motivação, sem o que resta prejudicada sua manutenção. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de ofício tem previsão em norma vigente, devendo a mesma ser aplicada. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, que não sejam súmulas vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais que não tenham efeitos erga omnes somente vinculam as partes da mesma. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ corrigiu os seguintes erros e inexatidões materiais na apuração do crédito tributário: a) Erro cometido ao levar o valor apurado a título de passivo fictício do Termo de Constatação Fiscal para o auto de infração, aumentando a omissão de receitas de R$88.939.871,71 para R$88.973.356,31, no ano base 2013 (reflexo nos quatro tributos). b) Inclusão do passivo fictício do ano base 2012 (R$ 39.966.479,03) no montante relativo ao ano seguinte (2013), gerando duplicidade de tributação (reflexo nos quatro tributos). c) Erro na apuração do crédito tributário de CSLL, visto que a incidência recaiu diretamente sobre os valores dos passivos fictícios dos anos de 2012 e 2013, sem considerar os resultados dos períodos e sem realizar a compensação da base de cálculo negativa acumulada (prejuízo fiscal) de períodos anteriores, até o limite de 30% do lucro líquido ajustado. d) Aplicação de multa qualificação para a omissão de 2012, sem qualquer fundamentação para tanto, o que levou o órgão julgador a reduzir o percentual a 75%. Além disso, a DRJ constatou na apuração do Imposto de Renda erro que, ao final, resultou em exigência menor do que a devida. É que, no lançamento, o valor da receita omitida em cada ano foi adicionado ao resultado contábil do período fiscalizado (prejuízo contábil de R$ 30.045.461,87 em 2012 e R$ 52.084.280,96 em 2013), quando o certo seria adicionar a omissão de receita ao resultado fiscal (prejuízo fiscal de R$ 17.200.812,92 para 2012 e R$ 38.347.121,62 para 2013). O erro gerou, em 2012 e 2013, diminuição de tributo. Fl. 7490DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.491 5 Porém, como não se permite à DRJ agravar lançamento, o erro, apesar de ter sido constatado, foi mantido pela decisão a quo. Alertada do fato, a Fiscalização procedeu a lançamento suplementar para exigir a diferença, o qual consta do processo administrativo n° 19311.720365/201725. Posteriormente, o Acórdão nº 1156.940 foi revisto pelo Acórdão nº 1158.245, de 21 de julho de 2017, apenas para corrigir erro relacionado ao saldo de prejuízo fiscal de IRPJ (no sistema SAPLI), sem qualquer impacto no valor do crédito tributário remanescente, objeto de controvérsia neste processo. Inconformada com a decisão, na parte que lhe foi contrária, Daikin Mcquay interpôs recurso. Alegou, preliminarmente, que o lançamento padece de erros de cálculo e de ausência de fundamentação clara e, por essa razão, já deveria ter sido cancelado pela DRJ. A recorrente também arguiu a nulidade da decisão recorrida, que, alegando questões formais e procedimentais, deixou de examinar as provas carreadas aos autos. No mérito, negou a existência de passivo fictício, aduzindo que todos os valores questionados correspondem a importações de equipamentos de ar condicionado e peças, importados majoritariamente de sua controladora no Japão. Explicou que as importações são realizadas sob condição FOB (free on board), e por isso o registro contábil se faz, no primeiro momento, como estoque em trânsito em contrapartida de provisões referentes a estoque em trânsito. Após o efetivo desembaraço aduaneiro, a recorrente contabilizava o ativo estoque e o passivo dívida para com empresa estrangeira. Parte desse passivo teria sido quitada com pagamentos em dinheiro, portanto, com trânsito de numerário e desembolso de caixa. A maior parcela, porém, foi convertida em capital social da própria recorrente em benefício da Daikin Japão, a principal credora. A recorrente alegou ter apresentado uma copiosa quantidade de documentos (mais de seis mil folhas) que não chegou a ser apreciada nem pela Fiscalização, nem pela DRJ. Teria ocorrido apenas uma análise superficial por amostragem, levando a entendimento distorcido. Alegou também, quanto aos fornecedores nacionais, que a equivocada compreensão da autoridade fiscal e da DRJ se deve a um erro na formatação da planilha "composição do passivo". O erro, no entanto, era de fácil percepção. A recorrente afirmou ter apresentado nova planilha, deixando claro que não poderia ter havido registro em 2013 de obrigações assumidas no futuro, em 2014. Questionou a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, que ultrapassaria as fronteiras da razoabilidade e da proporcionalidade; e também a incidência de juros de mora sobre a multa em face da falta de previsão legal. Com esses fundamentos pugnou pela reforma da decisão recorrida na parte que manteve o lançamento. O processo veio ao CARF, onde se encontra não apenas para julgamento do recurso voluntário, mas também para reexame da decisão que exonerou uma parcela do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 7491DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.492 6 VOTO Conselheiro Roberto Silva Junior Relator A infração colhida no lançamento foi a omissão de receitas, provada a partir da constatação de passivo fictício. Nesse sentido, relata o Termo de Constatação Fiscal (fls. 392 a 398): 2.Conforme Termo de Intimação Fiscal (2), a empresa foi devidamente intimada a preencher o formulário "Composição do Passivo", com os dados das obrigações contraídas, indicando o nome do credor; valor da operação; número do documento que originou a dívida contraída, data do vencimento da obrigação, bem como os dados da contabilização: data de pagamento e registro no livro Diário, colocando à disposição os documentos que servirem de base ao seu preenchimento. 3.O formulário foi devidamente preenchido, indicando que todos os valores que compõem o saldo final da conta "FORNECEDORES INTERNACIONAIS DAIKlN JAPÃO, em 31.12.2013, foram pagos no anocalendário de 2014, apontando que a contabilização está disponível no SPED contábil, porém não foram colocados à disposição os documentos que servirem de base ao seu preenchimento, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal datado de 12.04.2016. 4.Verificando o Razão, extraído do SPEDContábil, no anocalendário de 2014, observase que os valores lançados a débitos, considerados pelo contribuinte como pagamentos das dívidas contraídas, e mencionadas no formulário "Composição do Passivo", não guardam coincidências de valores, tornandose impossível a apuração real de "omissão de receitas", de modo que a apuração foi realizada na forma dos subitens a seguir. (g.n.) (fls. 392 e 393) Conforme o Termo de Constatação Fiscal, a Fiscalização solicitou à recorrente o preenchimento de uma planilha com dados relativos ao passivo. A planilha foi denominada de formulário composição do passivo. Embora o aludido formulário tenha sido apresentado pela recorrente, os documentos que lhe serviam de lastro não foram postos à disposição da autoridade fiscal. Além disso, as informações contidas no livro Razão (extraído do SPED Contábil) divergiam dos dados que constavam do formulário. Essa circunstância teria obrigado a Fiscalização a verificar os lançamentos a débito e a crédito da conta Fornecedores Internacionais Daikin Japão. A partir desse exame, a autoridade fiscal concluiu que o "provável saldo" da conta, em 31/12/2014, era de R$ 98.219.296,12. O saldo real, na mesma data, era de R$ 17.309.162,28. Assim, o passivo fictício apurado para o ano base 2013, naquela conta, era de R$ 80.910.133,84. Nas demais contas, o passivo fictício foi apurado com fulcro em informações extraídas do já mencionado formulário composição do passivo, que indicava que algumas obrigações haviam sido constituídas em 2014. Diante disso, a autoridade lançadora concluiu que havia passivo fictício, porquanto os valores das obrigações constituídas em 2014 já estariam contabilizados desde 2013. Fl. 7492DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.493 7 A recorrente, por sua vez, afirmou ter posto à disposição da autoridade fiscal toda a documentação comprobatória das importações, bem como ter esclarecido que os valores registrados a título de passivo estavam respaldados em documentos hábeis e idôneos, os quais tornaram a ser apresentados quando da impugnação. Disse ainda a recorrente: 41, Basicamente, os valores registrados pela Recorrente a título de obrigações com fornecedores nos anoscalendários de 2012 e 2013 foram quitados de duas formas principais: (1) mediante efetivo pagamento, com desembolso de caixa e trânsito de numerário, sendo tais valores devidamente suportados por contratos de câmbio formalizados junto ao Banco do Brasil S.A., devidamente refletidos no extrato conta corrente da empresa (doc. n° 13 da Impugnação); e (2) no caso específico da Daikin Japão controladora da Recorrente , a quitação de passivos se deu mediante conversões de dívida de importação em capital, as quais estão igualmente suportadas por contratos de câmbio, extratos bancários e documentos registrados perante a Junta Comercial {docs. nº 13, 14 e 15 da Impugnação). (g.n.) (fl. 7.170) Ressaltou a recorrente que grande parte das obrigações com a Daikin Japão constituídas nos anos de 2012, 2013 e 2014 foi capitalizada ao longo do ano de 2014. Quanto à planilha composição do passivo, no que tange aos fornecedores nacionais, alegou ter cometido um erro de formatação. Aduziu que a planilha retificadora, apresentada na impugnação, não chegou a ser examinada pela DRJ. A controvérsia, em linhas gerais, gira em torno desses pontos. De início, cabe registrar que no decurso da ação fiscal foram feitas quatro intimações à recorrente, excluído o termo de início de fiscalização. Constam também comunicações por escrito da recorrente, registrando a entrega dos documentos solicitados, sem que nelas haja ressalvas do Fisco, acusando a ausência de qualquer informação ou documento solicitado. Não existe também nenhuma intimação reiterando requisição anterior não atendida, seja no todo ou em parte. Portanto, a presunção é de que os documentos requisitados foram entregues ou, pelo menos, postos à disposição do Fisco. Seja como for, a Fiscalização apurou a existência de passivo fictício na conta Fornecedores Internacionais Daikin Japão a partir de lançamentos a débito e a crédito dessa conta no livro Razão, chegando a um saldo "provável", no final de 2014, do qual foi extraído o saldo real para obterse o suposto passivo fictício em 2013. A recorrente, por sua vez, afirmou que a maior parte das obrigações foi capitalizada. Em tese, a conversão em investimento de obrigações com credores externos não afronta a lei, existindo referência expressa a esse tipo de operação no art. 50 do Decreto nº 55.762/1965 (regulamento da Lei nº 4.131/1962 que disciplina a aplicação de capital estrangeiro e as remessas de valores para o exterior). Confirase: Art 50. A Superintendência da Moeda e do Crédito poderá autorizar: a) a conversação, em investimento, do principal de empréstimos registrados ou de quaisquer quantias, inclusive, juros, remissíveis para o exterior; Fl. 7493DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.494 8 b) o registro como empréstimo, a prazo e com juros aprovados pela Superintendência da Moeda e do Crédito, dos juros de empréstimos registrados, dos lucros remissíveis de capitais registrados e de quaisquer outras quantias remissíveis para o exterior. §1º As conversões de que trata êste artigo poderão ser condicionadas à realização de operações simbólicas de câmbio. §2º Fica a Superintendência da Moeda e do Crédito, sem prejuízo do normal processamento das demais solicitações, autorizada a adotar medidas especiais visando a acelerar o exame dos pedidos de conversão de que trata êste artigo. No caso dos autos, a recorrente trouxe cópias de contratos de operações simbólicas de câmbio e cópia da 13ª alteração e consolidação do contrato social. Alguns desses contratos de câmbio fazem referência a negócios que aparentemente não guardam relação com a matéria examinada nos autos, como por exemplo, o contrato de câmbio de fl. 6.931 que indica como "descrição do fato natureza" "DIR. AUT. CESSÃO OU USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR". Tratase, como se vê, de matéria que requer verificação mais detida no que tange à prova. Notese que, no Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 2 a 3), a Fiscalização havia solicitado "cópia registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP da elevação do Capital Social, passando de R$ 81.901.000,00 para R$ 139.901.000,00, constante da referida Ficha 37E". Posteriormente, voltou a pedir esclarecimentos sobre a alteração do capital social, nos seguintes termos: 3. Apresentar, na forma de arquivo PDF, gravado em mídia eletrônica (CD), o Razão analítico da conta 2401010011 CAPITAL ESTRANGEIRO, do período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2013. 4. Apresentar, na forma de arquivo PDF, gravado em mídia eletrônica (CD), o Razão analítico da conta 2401010012 ADIANTAMENTO FUTURO AUMENTO DE CAPITAL, do período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2013. (...) 6. Demonstrar, através de documentação hábil, junto ao Banco Central do Brasil, o efetivo ingresso de numerário remetido por sócio estrangeiro, para fim de utilização em aumento de capital, no valor de R$ 58.000.000,00. (fl. 5) Não se sabe se a recorrente atendeu à intimação, já que não consta dos autos resposta específica às questões apresentadas pela autoridade fiscal. Não é possível saber se a verificação foi levada a cabo. Já os passivos fictícios encontrados nas demais contas estão baseados em informações contidas no formulário composição do passivo, que foi elaborado pela recorrente, no curso da fiscalização, por determinação da autoridade fiscal. Ocorre que o referido documento, segundo aquele que o elaborou, contém erros exatamente no que concerne à data de constituição de algumas obrigações. Fl. 7494DF CARF MF Processo nº 19311.720082/201601 Resolução nº 1301000.677 S1C3T1 Fl. 7.495 9 Planilhas e quadros apresentados pelo contribuinte, durante o procedimento de fiscalização, se prestam a organizar e sistematizar informações, facilitando o exame de fatos e documentos. As planilhas e os quadros, entretanto, são destituídos de valor probatório. Não são provas documentais do fato gerador do tributo, sobretudo quando o contribuinte, que o elaborou a pedido da Fiscalização, alega ter errado ao inserir determinados dados. A planilha, em si mesma, não tem valor de prova se não estiver lastreada em documentos idôneos, cuja exibição a autoridade fiscal pode exigir. Fazse necessário, pois, aprofundar a verificação. Portanto, tendo em vista a situação acima relatada, proponho a conversão do julgamento em diligência, devolvendo os autos à unidade de origem, para que a autoridade fiscal intime a recorrente a apresentar: a) os contratos de operação simbólica de câmbio relativos às obrigações com a Daikin Japão, supostamente convertidas em quotas do capital social da recorrente; b) as alterações do contrato social relativas ao aumento de capital e à capitalização das obrigação da Daikin Japão; c) os comprovantes de constituição e liquidação das demais obrigações consideradas no lançamento como passivo fictício; d) quaisquer outros documentos ou informações que, a juízo da autoridade responsável pela diligência, sejam importantes para o esclarecimento da situação fática. Cumpre frisar que, dos contratos de câmbio e das obrigações convertidas em capital social, só têm relevância o que tiver sido incluído, no presente processo, como passivo fictício. A autoridade fiscal deverá, com base nos documentos apresentados, elaborar relatório conclusivo, do qual a recorrente será intimada, assegurandolhe o prazo de trinta dias para manifestação, na forma do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Decorrido o prazo regulamentar, com ou sem a manifestação da recorrente, o processo deverá ser devolvido ao CARF, para prosseguir o julgamento. (assinada digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 7495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.903312/2008-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 33311.29224.290306.1.3.028909 em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 33 12 /2 00 8- 12 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 132 2 29.03.2006, fls. 0106, utilizandose do saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$523,88, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2005 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de credito: R$ 523,88 Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 1.389,05 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1 ° do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5 ° da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPI/SP nº 1653.175, de 28.11.2013, efls. 5256: SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 13.12.2013, efl. 58, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.01.2014, efls. 59126, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II O Direito II.1 PRELIMINAR Embora não seja possível a retificação da declaração a partir da notificação do lançamento, em face da vedação contida no art. 147, parágrafo 1.°, do CTN, não há óbice para que o lançamento seja revisto de oficio pela autoridade administrativa quando verifique a ocorrência fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Configura formalismo insustentável, bem como afronta direta ao princípio da razoabilidade, que o contribuinte seja privado do direito de ver seus créditos compensados com base única e exclusivamente em mero erro cometido no preenchimento do PER/DCOMP, mormente quando o art. 58 da IN SRF n° Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 133 3 600/2005 permite tal retificação e o art. 149, VIII, do CTN prevê a possibilidade de revisão de ofício do lançamento pela Administração. Em situação similar a do presente contribuinte, em respeito ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo fiscal, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento manifestouse noutras oportunidades [...] II. 2 MÉRITO Mesmo sem concordar com as afirmações do julgador, de que o contribuinte não apresentou nenhuma documentação comprobatória dos possíveis equívocos cometidos na ocasião do preenchimento das declarações e que o saldo negativo de IRPJ não teve sua origem comprovada, em respeito ao bom senso, ora são apresentadas: • com a finalidade de provar os erros formais de preenchimento das PER/DCOMP, ora apensadas, através do "ANEXO II", as cópias das Declarações de Compensação n° 33311.29224.290306.1.3.028909,26383.85261.110406.1.3.02 1253, 37587.19815.270306.1.7.020850 e 14227.30771.110406.1.3.023208; • o saldo negativo de IRPJ informado na PER/DCOMP e na DIPJ estão explicados pelo demonstrativo seguinte e devidamente validados mediante a apresentação dos comprovantes de pagamento dos DARF e Comprovante de Rendimentos, ora apresentados do "ANEXO IV": Mês/Ano Base de cálculo do Imposto de Renda IRPJ apurado IRPJ devido em meses anteriores IRPJ a pagar Data de arrecadação Nº do pagamento jan/05 3.190,03 478,50 478,50 28/02/2005 17763288311 fev/05 6.530,93 979,64 478,50 501,14 31/03/2005 49623499685 mar/05 9.144,17 1.371,63 979,64 391,99 29/04/2005 3394501807 abr/05 10.813,35 1.622,00 1.371,63 250,37 31/05/2005 3419625806 mai/05 13.660,68 2.049,10 1.622,00 427,10 30/06/2005 3444044200 jun/05 (4.731,00) 2.049,10 (2.049,10) jul/05 (2.271,11) 2.049,10 (2.049,10) ago/05 64,86 9,73 2.049,10 (2.039,37) set/05 3.053,25 457,99 2.049,10 (1.591,11) out/05 4.437,08 665,56 2.049,10 (1.383,54) nov/05 7.162,96 1.074,44 2.049,10 (974,66) dez/05 7.892,88 1.183,93 2.049,10 (865,17) IRPJ apurado do exercício: 1.183,93 () Imp. de Renda Mensal pago por Estimativa 2.049,10 () Imp. de Renda Ret. Na Fonte 523,88 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (1.389,05) • estão também apresentadas as fichas da DIPJ contendo os "Dados Iniciais", "Dados Cadastrais", "Demonstração do Resultado PJ em Geral", "Demonstração do Lucro Real PJ em Geral" e o "Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa"através do "ANEXO V". Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 134 4 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal afirma que incorreu em inexatidão material ao enviar o Per/DComp nº 33311.29224.290306.1.3.028909 em 29.03.2006, fls. 0106, utilizandose do saldo negativo de IRPJ no valor original de R$523,88, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2005, ao invés de indicar o valo correto de R$1.389,05. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 135 5 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. A regra é de que o Per/Dcomp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, o art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, o art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012 e o art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017, todas editadas com fundamento no poder disciplinar da RFB previsto no § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A pretensão de retificação do Per/DComp para fins de constar direito creditório diverso do originalmente identificado, apenas trazida em sede de impugnação, constitui inovação da matéria tratada nos autos, não podendo ser objeto de análise neste processo. Ainda, a manifestação de inconformidade não é meio adequado para retificação dos dados declarados pela incompatibilidade dos instrumentos e pela preclusão da possibilidade de referida retificação após instaurada a fase litigiosa no procedimento. Ademais, como a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, houve a estabilização da lide. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 136 6 O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza1. Em sede de recurso voluntário, referente ao período objeto de litígio, foram anexados como indícios das proposições as cópias dos Per/DComp, da DIPJ, dos DARF's e do Informe de Rendimentos, efls. 105112, que analisados podem ser representados pelo Demonstrativo a seguir: 1 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10920.903312/200812 Acórdão n.º 1003000.649 S1C0T3 Fl. 137 7 AnoCalendário de 2005 Mês do Período de Apuração Valores DARF código 2362 R$ (B) Valores IRRF R$ (D) Janeiro 478,50 0,00 Fevereiro 501,14 0,00 Março 391,99 0,00 Abril 250,37 0,00 Maio 427,10 0,00 Junho 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 Agosto 0,00 0,00 Setembro 0,00 0,00 Outubro 0,00 0,00 Novembro 0,00 523,88 Dezembro 0,00 0,00 Total 2.049,10 523,88 Cálculo do IRPJ Anual Valores Informados na DIPJ R$ Valores Comprovados R$ IRPJ Devido R$1.183,93 R$1.183,93 () IRRF 523,88 523,88 IR Mensal Pg por Estimativa R$2.049,10 R$2.049,10 IRPJ a Pagar (1.389,05) (1.389,05) O alegado engano se subsume no conceito de erro material. Verificase que a informação de que há saldo negativo de IRPJ no valor original de R$1.389,05, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2005 pode ser considerada correta, pois foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciam como acertadas as alegações constantes no recurso voluntário. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 137DF CARF MF
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