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Numero do processo: 10983.721008/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. AUSÊNCIA. REJEIÇÃO.
Não havendo omissão, contradição obscuridade, ou excepcionalmente, erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral dr. Luiz Fernando Sachet, OAB/SC n° 18429.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. AUSÊNCIA. REJEIÇÃO. Não havendo omissão, contradição obscuridade, ou excepcionalmente, erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral dr. Luiz Fernando Sachet, OAB/SC n° 18429. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 10 08 /2 01 2- 92 Fl. 3067DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 3068DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10983.721008/201292 Acórdão n.º 3402002.672 S3C4T2 Fl. 3.067 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.3053/3053) opostos pela Fazenda Nacional, por supostas omissão no v. Acórdão nº 3402002.275, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 3017/3047, numeração de páginas em meio eletrônico – “ne.”) de relatoria do Ilustre Conselheiro Winderley Morais Pereira e voto vencedor de minha relatoria, que, em sessão de 28/01/2014, fez constar da súmula do julgamento que, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso, sendo que da respectiva Ementa constou o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 29/11/2007 a 15/06/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NÃO CARACTERIZADA. IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA DE ATO DISSIMULADO E DE SIMULAÇÃO. CANCELAMENTO. A caracterização da interposição fraudulenta se justifica pela ocorrência de fraude ou simulação no ato de importar ou exportar, não bastado, para fins da capitulação de dano ao erário contida no art. 23, V do DL 1.455/76 a acusação de ocultação pura e simples. Restou verificado nos autos que as operações fiscalizadas não se tratam de importação por conta e ordem, cujo ato dissimulado seria a prestação do serviço, mas sim, eram de importação por encomenda, de modo que por não haver ato dissimulado não há simulação, devendo ser cancelado o lançamento fiscal nela lastreado. Recurso Voluntário Provido. Entende a Embargante que a decisão embargada contém omissão no Acórdão quando o julgado afasta a hipótese de importação por conta e ordem, para enquadrar o caso em importação por encomenda, entendendo que não restaria configurada a fraude característica da infração imputada ao contribuinte. Porém, todas as DI’s objeto de fiscalização, foram registradas na modalidade por conta própria pela empresa FIRST. Assim, considerandose que as operações fiscalizadas se referem a importações por encomenda como reconhece o acórdão ora embargado, verifica se falsidade nas informações prestadas pelo contribuinte e, como as declarações não corresponderiam à realidade dos autos, a fraude ficaria caracterizada pelas informações falsas nelas contidas, de modo que a infração restaria plenamente configurada independentemente de tratarse de importação por conta e ordem de terceiro ou encomenda. Em face destes elementos, como não se manifestou expressamente sobre a questão, a Embargante requer que sejam providos os embargos, para o fim de que seja sanada a omissão arguida. Fl. 3069DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 É, em apertada síntese, o relatório. Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Os embargos são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de cabimento, de modo que deles tomo conhecimento, embora, em seu mérito, não merecem guarida. Isto porque, a matéria que está sendo trazida pela Embargante como sendo omitida pelo v. Acórdão embargado, confundese com o próprio mérito, pois que restara expressamente consignado na decisão que o lançamento tributário não está lastreado em fraude (na forma do art. 72, da Lei n° 4.502/64), e sim em simulação. E em se tratando de simulação, necessário que haja ato simulado e ato dissimulado, sendo que a acusação fiscal foi de que o ato simulado seria a importação própria, e o dissimulado, a importação por conta e ordem. Considerando que a acusação fiscal, em matéria de imposição de penalidade, deve seguir a estrita legalidade, e que a imputação feita ao contribuinte não se perfaz à sua conduta, não se pode falar em simulação. O que pretende os embargos ao alegar a existência de fraude, é inovar o lançamento, o que é defeso em sede de contencioso administrativo. Com efeito, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, não são cabíveis os Embargos de Declaração, não se podendo pretender rediscutir o mérito da controvérsia nesta estreita via, e nem tampouco inovar o lançamento a ele acrescentando outros fundamentos. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 3070DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001109/2003-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO.
Improcede o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, no âmbito do qual haveria medida judicial suspensiva da exigibilidade dos créditos, refere-se a outro CNPJ, quando, faticamente, essa circunstância não se verificou.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-001.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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RECOLHIMENTO. RETENÇÃO. Recorrente COPERSUCAR COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. Improcede o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, no âmbito do qual haveria medida judicial suspensiva da exigibilidade dos créditos, referese a outro CNPJ, quando, faticamente, essa circunstância não se verificou. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 11 09 /2 00 3- 07 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Por bem narrar o histórico do caso dos autos até o acórdão recorrido, transcrevo o relatório da DRJ: Tratase de impugnação de lançamento (efls. 2 a 12) apresentada em 26 de agosto de 2003 contra o auto de infração de revisão de DCTF de IPI (efls. 15 a 27) de 07 de agosto de 2003 (efl. 317), relativo aos períodos do 2º ao 4º trimestres de 1998. De acordo com o auto de infração, a Interessada não seria parte autora das ações judiciais que constaram das DCTF como causas de suspensão do crédito tributário, relativamente aos períodos mencionados. O despacho de efl. 293, ignorando o fato de a Interessada haver apresentado impugnação de lançamento, constatou que as ações judiciais foram posteriormente decididas a favor da Fazenda Nacional, razão que justificaria a inscrição da dívida. De acordo com os documentos que se seguiram ao mencionado despacho, a dívida foi inscrita. Posteriormente, foi cancelada a inscrição da dívida ativa, nos termos do despacho decisório de efls. 390 e 391. Na impugnação de lançamento, a Interessada alegou inicialmente a nulidade do auto de infração, por supostamente faltarlhe motivação e descrição específica da das suas razões. Ademais, alegou ter ocorrido decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até julho de 1998, à vista do disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. No mérito, alegou que todo o período autuado encontrarseia “amparado com medida suspensiva”, razão pela qual deveriam ser excluídos os acréscimos punitivos e moratórios. Acrescentou que o estabelecimento autuado fazia parte da ação judicial apresentada, razão por que incidiria o disposto no art. 151, IV, do CTN. Citou ementas de acórdãos judiciais segundo os quais não incidiria também a multa de mora. Na sequência, tratou da suposta ilegitimidade da taxa de juros Selic. Apreciando a impugnação, a DRJ exonerou o crédito tributário, porque o fundamento do auto de infração revelouse improcedente, conforme resume a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTOS ANTECIPADOS. PRAZO. CONTAGEM. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10865.001109/200307 Acórdão n.º 3202001.630 S3C2T2 Fl. 415 3 Não havendo pagamentos antecipados, o termo inicial do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE DCTF. AÇÃO FISCAL DE OUTRO CNPJ. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Ainda que equivocada, a constatação de que o contribuinte não se incluía na ação fiscal vinculada à suspensão de exigibilidade do crédito tributário, é motivação idônea para validar o lançamento sob o ponto de vista formal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF. DÉBITOS DECLARADOS COMO SUSPENSOS POR AÇÃO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. AUTO DE INFRAÇÃO. Improcede o lançamento formalizado sob o fundamento de que o processo judicial, no âmbito do qual haveria medida judicial suspensiva da exigibilidade dos créditos, referese a outro CNPJ, quando, faticamente, essa circunstância não se verificou. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. Diante da exoneração do crédito tributário acima do valor de alçada, recorre se de ofício da decisão acima transcrita. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 416DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: O recurso de ofício é dirigido contra o acórdão que reconheceu a improcedência do lançamento, porque seu fundamento (ausência de ordem judicial informada pela contribuinte) revelouse inverídico. Eis os seus trechos essenciais: A Interessada apresentou DCTFs informando que os débitos estariam suspensos à vista de medida judicial, conforme formalmente previsto na legislação. Como a ação judicial foi impetrada pelo estabelecimento matriz contra o Superintendente da Receita Federal da 8ª Região Fiscal, o CNPJ do estabelecimento impugnante não foi relacionado, pelo sistema eletrônico de revisão de DCTF, com a referida ação. Procedeuse, então, ao lançamento previsto na legislação vigente à época, que o previa, no art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Esse lançamento, que não tem mais previsão legal, foi efetuado regularmente sob o ponto de vista formal à vista do disposto no art. 144 do CTN. Ao contrário do alegado pela Interessada, não houve falta de motivação no auto de infração, que foi bastante específico quanto às razões do lançamento. As demais questões alegadas são, na realidade, matéria de mérito. [...] De acordo com os documentos de efls. 64, 117, 150, 176, em todas as ações judiciais, a autora nomeou expressamente o estabelecimento da Interessada como integrante delas, fato que nunca foi contestado no âmbito dos respectivos processos judiciais. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 417DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10865.001109/200307 Acórdão n.º 3202001.630 S3C2T2 Fl. 416 5 Os mandados de segurança, conforme já esclarecido, foram impetrados contra o Superintendente, relativamente a todos os estabelecimentos da Interessada situados no Estado de São Paulo. Como a razão do lançamento foi exclusivamente a acusação de que o estabelecimento autuado não faria parte da ação judicial, é ele improcedente e, consequentemente, deve ser cancelado. Notese que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem cancelado autos de infração de revisão de DCTF em situações semelhantes à dos autos: [....] No mesmo sentido apontam os Acórdãos n° 3201001.234, de 7 de maio de 2003, 9303001.897, de 04 de setembro de 2012, dentre outros. De fato, como bem destacado pelo acórdão recorrido, “de acordo com os documentos de efls. 64, 117, 150, 176, em todas as ações judiciais, a autora nomeou expressamente o estabelecimento da Interessada como integrante delas, fato que nunca foi contestado no âmbito dos respectivos processos judiciais”. Tal fato torna improcedente a infração apontada no autos de infração. Em casos muitos semelhantes ao presente mutatis mutandi, nossa turma julgou nulas as autuações: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:1997 COFINS. AUDITORIA INTERNA OU ELETRÔNICA. AUTO DE INFRAÇÃO. MUDANÇA DA MOTIVAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA DRJ. Se a autuação torna como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ", e o contribuinte demonstra a existência desta ação, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Precedente do CARF (PAF nº 13863.000134/200292. Acórdão nº 3202000.6922 ªCâmara/2ªTurma Ordinária). Recurso voluntário provido. [PAF nº 13819.002615/200278. 2ªCâmara/2ªTurma Ordinária. Rel. Cons. THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES. Julgado em 12/10/2014] **** Fl. 418DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração:01/07/1997a31/12/1997 COFINS.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. MUDANÇA DA MOTIVAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA DRJ. Se a autuação torna como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD NAO COMPROVADO", e o contribuinte demonstram a existência desta ação, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. A alteração da motivação exige a lavratura de novo auto de infração ou a sua retificação por meio de outro auto de infração. Precedente do CARF (3ª Seção /3a.Turma da 4a.Câmara/ Acórdão340300.565,em29/09/2010). [PAF nº 13863.000134/200292. Acórdãonº 3202000.692– 2ªCâmara/2ªTurma Ordinária. Rel. Cons. THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES. Julgado em 20/03/2013]. Quanto a afirmação, contida no acórdão recorrido, de que o presente auto de infração não impediria a cobrança com base na DCTF, não concordo com tal asserção. Em julgamento ocorrido em janeiro de 2015, decidimos, por unanimidade, em matéria idêntica, que se caracteriza “nulidade, por vício material, do auto de infração, que foi fundamentado no único fato que se revelou improcedente de que o processo judicial informado pela contribuinte não abrangeria seu CNPJ”(Acórdão nº 3202001.463). Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, diante do vício material do lançamento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 419DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 8/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10768.010399/2001-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.117
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: CPMF - proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 07/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório O Contribuinte WILSON CORRÊA e sua esposa ALBERTINA PEREIRA CORRÊA, ingressaram com o pedido de restituição de CPMF incidente sobre Depósitos a Prazo de Reaplicação Automática (de fls. 01), mantido na CEF. Como prova de que a retenção e o recolhimento da CPMF foram indevidos, junta cópia da NOTA COSIT/COTIR/DIMEF/Nº 632, de 03/12/1999, e dos extratos D.A.R. da conta nº 00000102, em nome de Albertina Pereira Corrêa e/ou, CPF nº 081.319.30793, relativa ao período de 08/97 a 03/00 (fls. 06/24 e 36 a 41). Fl. 105DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10768.010399/200116 Resolução n.º 330200.117 S3C3T2 Fl. 102 2 A DRF no Rio de Janeiro RJ indeferiu o pedido da recorrente, alegando que ocorreu o fato gerador da CPMF, conforme Despacho Decisório e Relatório de fls. 26/30. Ciente da decisão, o contribuinte interessado ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 34/35, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ indeferiu a solicitação do recorrente, nos termos do Acórdão DRJ/RJOI no 9.476, de 31/01/2006 – fls. 71/73. O recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 05/05/2006 e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/03/2006, com o recurso voluntário de fl. 79, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na sessão do dia 02/02/2010, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, baixou o processo em diligência à repartição de origem, nos termos da Resolução nº 330200.033, para intimar o recorrente a apresentar o seguinte: 1 procuração ou autorização, com firma reconhecida, da Sra. Albertina Pereira Corrêa, CPF nº 081.319.30793, dando poderes ao recorrente para pleitear a restituição em tela. O reconhecimento da autenticidade da assinatura pode ser feita por servidor da Receita Federal do Brasil, desde que assinado em sua presença. 2 cópia integral dos extratos da conta corrente nº 00000102, da CEF, relativo ao período objeto do pedido de restituição. Intimado pela RFB, o recorrente atendeu integralmente o solicitado no item 1 e, quando ao item 2, juntou correspondência da Caixa Econômica Federal na qual informa que “a conta 0000102 não é uma conta corrente, mas sim uma conta vinculada a uma conta corrente de mesma titularidade” (fl. 96) sem, contudo, informar o número da conta corrente e nem juntar cópia dos extratos. Voltaram os autos para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário foi conhecido na sessão do dia 02/02/2010. Como relatado, o recorrente está pleiteando a restituição de CPMF que julga ter pago indevidamente. Este Colegiado decidiu baixar o processo em diligência para que o recorrente juntasse procuração ou autorização, com firma reconhecida, da Sra. Albertina Pereira Corrêa e os extratos da conta corrente nº 0000102. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10768.010399/200116 Resolução n.º 330200.117 S3C3T2 Fl. 103 3 A primeira solicitação do Colegiado foi atendido integralmente pelo recorrente e, quando aos extratos da conta corrente nº 0000102, o recorrente limitouse a juntar correspondência da Caixa Econômica Federal informando que a conta nº 0000102 não é uma conta corrente, mas sim uma conta vinculada a uma conta corrente de mesma titularidade sem, contudo, juntar cópia dos extratos da referida conta corrente. Observase que a Caixa Econômica Federal não informou o número da conta corrente vinculada a conta DAR nº 0000102 e o recorrente não juntou os extratos dessa conta corrente vinculada à conta DAR nº 0000102. Esclareçase que, pelos extratos juntados aos autos da conta corrente nº 001.009463267, também de titularidade do recorrente, os valores de novas aplicações (crédito autorizado) na conta DAR nº 0000102 não saíram dessa conta corrente (exceto a aplicação de R$ 3.000,00, realizada no dia 22/12/99) e os valores resgatados da conta DAR nº 0000102 também não foram creditados na conta corrente nº 001.009463267. Portanto, a conta corrente nº 001.009463267 não é a conta corrente a que se refere o Ofício nº 123/AGÊNCIA LAGUNA/SC, de 06/07/2010, da Caixa Econômica Federal (fl. 96). Desta forma, não foi atendido a determinação no item 2 da parte dispositiva da Resolução nº 330200.033, devendo os autos retornar à repartição de origem para intimar o recorrente a apresentar os extratos da conta corrente vinculada à conta DAR nº 0000102, no período objeto do pedido de restituição, de tal sorte que fique demonstrado, na conta corrente vinculada, os respectivos lançamentos de novas aplicações e de resgates realizados na conta DAR nº 0000102. Sem os extratos acima referidos, não é possível a este Conselheiro Relator formar sua convicção a respeito do mérito da lide posta em julgamento. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 intimar o recorrente a apresentar os extratos da conta corrente vinculada à conta DAR nº 0000102, no período objeto do pedido de restituição; 2 encaminhar ao recorrente, junto com a intimação acima referida, cópia desta resolução; 3 prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão. 4 atendido a intimação da RFB, ou vencido o prazo para o seu atendimento, devolver o processo para o CARF prosseguir o julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 107DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 16327.000373/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.164
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000373/200470 Resolução n.º 330200.164 S3C3T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 119 a 138) apresentado em 18 de agosto de 2008 contra o Acórdão no 1614.309, da 8ª Turma de Julgamento da DRJ / São Paulo I (fls. 98 a 106) cientificado em 17 de julho de 2008, que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de janeiro de 1999 a dezembro de 2001 considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000, 2001 PIS. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito relativo à Cofins decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não cabe à autoridade administrativa pronunciarse quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Lançamento Procedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Em consequência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 15/03/2004, contra a contribuinte acima identificada, o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 04/14) para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 10.085,89 (dez mil e oitenta e cinco reais e oitenta e nove centavos), incluindo os juros de mora e a multa de ofício (75%), referente aos fatos geradores ocorridos no período de 31/01/1999 a 31/12/2001. A contribuinte tomou ciência da autuação, por via postal, em 26/03/2004, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) de fl. 32. 2. De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 04), o crédito tributário referese à FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS. e o lançamento está fundamentado nos artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 07/70; art. 3º da Lei nº 9.715/1998; arts. 2º, inciso I, 3º, 8º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.718/1998. 2.1. No Termo de Verificação (fl. 20), o autuante, assim descreve os fatos: Nas funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em trabalho de revisão interna dos dados obtidos nos sistemas da SRF relativas ao Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000373/200470 Resolução n.º 330200.164 S3C3T2 Fl. 3 3 contribuinte acima, decorrente da análise e preparo da ação fiscal relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal 0816600 2003.002644, cuja fiscalização baseada em dados bancários encontrase suspensa em virtude de ação judicial, observamos que o contribuinte informou em suas DIPJ/2000, 2001 e 2002 apenas receitas de serviços e outras receitas operacionais. Tratandose de receitas operacionais do contribuinte, ambas estão sujeitas à tributação do PIS e da COFINS. Cotejandose os valores oferecidos à tributação do PIS e da COFINS nas referidas DIPJ, verificase que o contribuinte ofereceu à tributação apenas as receitas decorrentes de prestação de serviços, omitindo à tributação as demais receitas operacionais. O lançamento do crédito tributário se faz necessário tendo em vista o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa do lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, consoante o disposto no artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei 5.172/66, facultado ao contribuinte o direito de ampla defesa administrativa, inclusive com a realização de diligências ou perícias e o acesso ao Judiciário. 3.Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seu sócio gerente (doc. de fls. 58 a 71), apresentou, em 26/04/2004, a impugnação de fls. 33 a 57. 3.1. Na peça de defesa, a contribuinte, em preliminar, argúi a extinção do crédito tributário pela decadência, com base no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos fatos geradores ocorridos em janeiro/1999 e fevereiro/1999. Entende que a Lei nº 8.212/1991 não se aplica à COFINS à luz do que dispõe o artigo 146, inciso III, “b”, da Constituição Federal. 3.2. Defende a impugnante que a exigência a título do PIS, no período de fevereiro/99 a dezembro/01, nos termos da Lei nº 9.718/98, notadamente a inclusão de todas as receitas na base de cálculo da contribuição, é ilegal e inconstitucional, por ofender diversos artigos da CF e do CTN. Contrapõese à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS e afirma que “faturamento” deve ser entendido como receita decorrente da venda de bens e serviços , afastadas quaisquer outras receitas; 3.3. Reportase a julgados do STF (RE nº 150.7551/PE) e do STJ (4a Turma – REsp nº 501.628), afirmando que o STJ já reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/1998; 3.4. Por fim, reclama que a Taxa Selic não pode ser usada como taxa de juros de mora na atualização do suposto débito, dada sua natureza eminentemente remuneratória, , não refletindo, efetivamente, as variações do valor da moeda e reportase ao REsp nº 215.881/PR No recurso, a Interessada, que afirmou tratarse de infração apurada apenas em relação a receitas financeiras, alegou haver ocorrido a decadência em relação a parte do lançamento; alegou ser inconstitucional a exigência da Cofins além do faturamento; afirmou Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000373/200470 Resolução n.º 330200.164 S3C3T2 Fl. 4 4 ser possível o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei na instância administrativa; e contestou a legalidade dos juros exigidos com base na taxa Selic. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000373/200470 Resolução n.º 330200.164 S3C3T2 Fl. 5 5 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Segundo o termo de fl. 20, “o contribuinte ofereceu à tributação apenas as receitas decorrentes de prestação de serviços, omitindo à tributação as demais receitas operacionais.” A apuração foi efetuada nos termos dos demonstrativos de fls. 16 a 19, que se referem, na fl. 16, a “outras receitas” e nas demais folhas a receitas de várias origens contábeis, discriminadas por códigos (3315, 3316 etc.). Entretanto, apenas se sabe que a Interessada não oferecer as “outras receitas” à tributação, mas não há evidência alguma nos autos de que se trata puramente de receitas financeiras. Na impugnação, a Interessada não apresentou documento algum que demonstrasse tratarse somente de receitas financeiras, o que, em princípio, deveria ter efetuado nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto no 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Entretanto, a Fiscalização também não discriminou a origem das “outras receitas” e, sendo extremamente provável que haja receitas financeiras incluídas na base de cálculo apurada no lançamento, não se pode ignorar tal questão. Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização, mediante intimação da Interessada, discrimine as receitas que fizeram parte da base de cálculo, informando especialmente as que se refiram a receitas financeiras e, eventualmente, outras receitas que não representem faturamento. Após lavratura de relatório, dele deverá ser dada ciência à Interessada, para apresentar resposta em trinta dias, caso não se constate a alegação de que a totalidade de receitas é de natureza financeira. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 16327.720916/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
RECURSO DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. PIS E COFINS
A incorporação de ações não se enquadra como atividade desempenhada para cumprimento do objeto social. Assim, sem entrar no mérito de se tratar ou não de alienação, a operação de incorporação de ações não pode ser equiparada a uma alienação de um título ou valor mobiliário detido pela sociedade corretora, pois não se trata de ato de mercancia de ações, com intuito de lucro, realizada com terceiros, em cumprimento do seu objeto social.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO.
A incorporação de ações por envolver uma transferência de titularidade das ações da incorporada, dadas em pagamento em uma conferência de aumento de capital, para a incorporadora, caracteriza-se como uma espécie do gênero alienação. No caso concreto, como houve a valorização à preço de mercado das ações dadas em pagamento, gerou-se um acréscimo patrimonial tributável pelo ganho de capital.
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. VALOR DE MERCADO. VALOR CONTÁBIL. GANHO DE CAPITAL. REAVALIAÇÃO. RESERVA. IMPOSSIBILIDADE
Não havendo nos assentamentos contábeis da autuada a constituição da reserva de reavaliação, não há que se falar em diferimento da tributação do ganho auferido com ações incorporadas por valor superior ao custo contábil para o no momento da realização do respectivo ativo.
AÇÕES. DESEMBOLSO FINANCEIRO INEXISTENTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
O custo de aquisição atribuído a ações adquiridas sem desembolso financeiro e recebidas pelo contribuinte como "torna" a sua maior contribuição ao capital social não é dedutível da base de cálculo do imposto.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam-se à CSLL reflexa, no que cabíveis.
Numero da decisão: 1401-001.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam provimento integral ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Redator Designado
Considerando que o relator à época do Julgamento Alexandre Antonio Alkmim Teixeira não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015, como Presidente e Redator responsável pela formalização do voto vencido.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e André Mendes de Moura (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 RECURSO DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. PIS E COFINS A incorporação de ações não se enquadra como atividade desempenhada para cumprimento do objeto social. Assim, sem entrar no mérito de se tratar ou não de alienação, a operação de incorporação de ações não pode ser equiparada a uma alienação de um título ou valor mobiliário detido pela sociedade corretora, pois não se trata de ato de mercancia de ações, com intuito de lucro, realizada com terceiros, em cumprimento do seu objeto social. RECURSO VOLUNTÁRIO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações por envolver uma transferência de titularidade das ações da incorporada, dadas em pagamento em uma conferência de aumento de capital, para a incorporadora, caracteriza-se como uma espécie do gênero alienação. No caso concreto, como houve a valorização à preço de mercado das ações dadas em pagamento, gerou-se um acréscimo patrimonial tributável pelo ganho de capital. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. VALOR DE MERCADO. VALOR CONTÁBIL. GANHO DE CAPITAL. REAVALIAÇÃO. RESERVA. IMPOSSIBILIDADE Não havendo nos assentamentos contábeis da autuada a constituição da reserva de reavaliação, não há que se falar em diferimento da tributação do ganho auferido com ações incorporadas por valor superior ao custo contábil para o no momento da realização do respectivo ativo. AÇÕES. DESEMBOLSO FINANCEIRO INEXISTENTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. O custo de aquisição atribuído a ações adquiridas sem desembolso financeiro e recebidas pelo contribuinte como "torna" a sua maior contribuição ao capital social não é dedutível da base de cálculo do imposto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam-se à CSLL reflexa, no que cabíveis.
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INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. PIS E COFINS A incorporação de ações não se enquadra como atividade desempenhada para cumprimento do objeto social. Assim, sem entrar no mérito de se tratar ou não de alienação, a operação de incorporação de ações não pode ser equiparada a uma alienação de um título ou valor mobiliário detido pela sociedade corretora, pois não se trata de ato de mercancia de ações, com intuito de lucro, realizada com terceiros, em cumprimento do seu objeto social. RECURSO VOLUNTÁRIO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações por envolver uma transferência de titularidade das ações da incorporada, dadas em pagamento em uma conferência de aumento de capital, para a incorporadora, caracterizase como uma espécie do gênero alienação. No caso concreto, como houve a valorização à preço de mercado das ações dadas em pagamento, gerouse um acréscimo patrimonial tributável pelo ganho de capital. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. VALOR DE MERCADO. VALOR CONTÁBIL. GANHO DE CAPITAL. REAVALIAÇÃO. RESERVA. IMPOSSIBILIDADE Não havendo nos assentamentos contábeis da autuada a constituição da reserva de reavaliação, não há que se falar em diferimento da tributação do ganho auferido com ações incorporadas por valor superior ao custo contábil para o no momento da realização do respectivo ativo. AÇÕES. DESEMBOLSO FINANCEIRO INEXISTENTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. O custo de aquisição atribuído a ações adquiridas sem desembolso financeiro e recebidas pelo contribuinte como "torna" a sua maior contribuição ao capital social não é dedutível da base de cálculo do imposto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 16 /2 01 1- 06 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 532 2 As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam se à CSLL reflexa, no que cabíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (Relator), Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta que davam provimento integral ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencido (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Redator Designado Considerando que o relator à época do Julgamento Alexandre Antonio Alkmim Teixeira não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04/09/2015, como Presidente e Redator responsável pela formalização do voto vencido. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e André Mendes de Moura (Presidente). Fl. 534DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício contra Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: "ALFA CORRETORA DE CÂMBIO E VALORES MOBILIÁRIOS S/A, anteriormente qualificada, foi notificada a recolher ou impugnar créditos tributários lançados conforme autos de infração de fls. 45/84. O autuante descreveu, em seu relatório de fls. 24/44, fatos que fundamentaram os lançamentos formalizados neste e em outros processos administrativos, destacandose os seguintes trechos que descrevem fatos e procedimentos adotados pelo autuante de interesse deste processo: Em 2007, quando do evento da "desmutualização", a Alfa Corretora passou a ser acionista da Bovespa Holding S.A. Ainda em 2007, a Alfa Corretora alienou parte dessas ações. Em maio de 2008 alienou 1.425.000 ações, apurando resultado líquido de R$ 44.168.424,11. A Alfa Corretora porém, excluiu as referidas rendas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Por ser sociedade corretora, sujeitase à tributação do PIS e da COFINS nos moldes dos artigos 2º, 3º e outros da Lei nº 9.718/1999 (art.8º, I, da Lei 10.637/2002 e art. 10, I, da Lei nº 10.833/2003). Desmutualização da Bovespa. Convencionouse chamar de "desmutualização" o conjunto de alterações societárias ocorridas em agosto de 2007, amplamente divulgadas na mídia, em que a Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, então associação civil sem fins lucrativos, transferiu suas atividades para uma companhia aberta (sociedade anônima). Assim, o acervo que pertencia à entidade civil passou a ser acervo de sociedade empresarial. Resumidamente, a operação da desmutualização da Bovespa ocorreu da seguinte forma: 1º) criação da Bovespa Holding S.A e BOVESPA SERVIÇOS E PART. S.A (BVSP)? 2º) cisão parcial da antiga BOVESPA? 3º) incorporação do capital cindido, parte diretamente na Bovespa Holding e parte na BVSP? 4º) incorporação pela Bovespa Holding S.A das ações da BVSP e da CBLC. Com essas operações, o patrimônio que era da associação sem fins lucrativos foi transferido para uma sociedade anônima com fins lucrativos. Em outros termos, a natureza jurídica que era associação civil passou para sociedade anônima. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 534 4 A Alfa Corretora, no momento imediatamente anterior à desmutualização, era detentora de títulos patrimoniais da Bovespa. Com a desmutualização, em 28/08/2007, recebeu como devolução de patrimônio da entidade isenta (Bovespa) a quantia de 12.363.876 ações de emissão da Bovespa Holding S/A. Em 27 de setembro de 2007, a ALFA CORRETORA assinou um instrumento de mandato Procuração dando poderes a Bovespa Holding S.A. para representar a Outorgante perante diversas instituições e, no mesmo instrumento, autorizou a outorgada, desde logo, "a realizar a Oferta de até 6.163.876 ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A. de titularidade da Alfa Corretora, incluídas nesse montante eventuais ações adicionais e de um eventual lote suplementar. Portanto, a intenção de vender essas ações foi formalizada nesse instrumento e, efetivamente realizada em 30/10/2007: a ALFA CORRETORA alienou 6.163.876 ações no IPO da Bovespa Holding S.A. Em maio de 2008 efetuou a venda de 1.425.000 ações e apurou um resultado líquido de R$44.168.424,11. Ocorre que estas rendas foram excluídas quando da determinação das bases de cálculo do PIS e da COFINS, referente ao período de apuração de maio de 2008, conforme planilhas e informações apresentadas pelo próprio contribuinte. Da legislação tributária e aspectos contábeis A ALFA CORRETORA é tributada pelo PIS e pela COFINS, nos termos da Lei 9.718/98. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, são permitidas algumas exclusões da receita bruta, que estão prescritas no parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Entre as exclusões permitidas, encontrase a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente, prevista no inciso IV, do referido dispositivo legal. Verificamos que a ALFA CORRETORA excluiu as receitas da venda destas ações da base de cálculo do PIS e da COFINS, como comprovam os demonstrativos apresentados a esta fiscalização. Examinando os registros contábeis, constatamos que a ALFA CORRETORA, após subscrever e receber as ações da Bovespa Holding S.A, classificouas no ativo permanente, inclusive aquelas vendidas no IPO. Entendemos que a classificação contábil correta das ações alienadas é ativo circulante, mais especificamente nas seguintes contas COSIF (Plano Contábil das Instituições Financeiras definido pelo Banco Central): I ATIVO 1 CIRCULANTE E REALIZÁVEL A LONGO PRAZO Fl. 536DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 535 5 1.3 TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS E INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVATIVOS 1.3.0.00.004 TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS E INSTRUMENTOS FINANCEIROS DERIVATIVOS 1.3.1.00.007Livres 1.3.1.20.001 TÍTULOS DE RENDA VARIÁVEL 1.3.1.20.104 Ações de Companhias Abertas No Brasil, a classificação contábil dos ativos e passivos de uma sociedade empresarial não está ao arbítrio dos agentes econômicos. A matéria tem disciplina normativa na Lei 6.404/76 Lei das Sociedades por Ações. As instituições financeiras ainda estão obrigadas a observar as disposições regulamentares externadas pelas autoridades monetárias competência residual do Banco Central do Brasil para impor normas sobre a contabilidade das instituições financeiras (Circular 1.273) segundo as atividades concretas por elas empreendidas. Nesse sentido, vejamos o que dispõe a Lei 6.404/76 (redação dada pela Lei 11.941): Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. § 1º No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos: I) ativo circulante? e II) ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, Investimentos, imobilizado e intangível. Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte: II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia? III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa: IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens? (Redação dada pela Lein9 11.638,de 2007) V (Revogado pela Lei ns 11.941, de 2009) Fl. 537DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 536 6 VI no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei ns 11.638, de 2007) Parágrafo único. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo.(grifamos) Como se vê, o inciso I, determina que as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente sejam classificados no Ativo Circulante, enquanto que o inciso III determina que as participações permanentes sejam classificadas em investimentos, isto é, no Ativo Permanente. No caso específico das sociedades corretoras, participantes do processo da desmutualização, ao receberem ações como pagamento pela DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ENTIDADE ISENTA, essas sociedades corretoras firmaram acordos com as novas sociedades empresárias BOVESPA HOLDING S.A. no sentido de disponibilizar parte substancial das ações recebidas para a composição do lote disponibilizado na Oferta Pública Inicial de Ações IPO, de modo que com esses acordos manifestaram suas intenções no sentido de alienar parte das ações, pelo que seu registro contábil indicaria a qualidade de INVESTIMENTO TEMPORÁRIO, que quando realizado efetivamente, gerou RECEITA OPERACIONAL. Não há dúvida sobre a intenção de a ALFA CORRETORA alienar parte de suas ações no IPO, ainda no curso do exercício social e no exercício social seguinte. Sua intenção foi manifestada em acordos e instrumentos escritos, conforme mencionado em item anterior. Portanto, no momento da desmutualização a Alfa Corretora já sabia que realizaria esses ativos ainda no curso do exercício em andamento, por conseguinte, deveria classificálo como investimento temporário, ou seja, ATIVO CIRCULANTE Títulos de Renda Variável Ações de Companhias Abertas. Vale lembrar que as ações da Bovespa Holding direcionadas à venda foram registradas e vendidas pela ALFA CORRETORA no mesmo exercício social e no exercício social seguinte (2008), conforme quadro a seguir: No caso, quando da aquisição das ações, a ALFA CORRETORA já tinha a intenção de alienálas e não havia interesse de permanência. Aliás, ela não tinha apenas a intenção, mas muito mais, tinha a certeza que iria vendêlas, uma vez que firmara, inclusive, compromissos nesse sentido, como acima mencionado. As ações que não foram vendidas em 2007 foram vendidas em 2008, até a data do balanço do período base seguinte. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 537 7 Portanto, não resta a menor dúvida de que o correto é classificar tais ações no ATIVO CIRCULANTE. Considerando que as ações em questão não podem ser classificadas no Ativo Permanente, como já comprovado, a venda de tais ações não compõe o Resultado Não Operacional e, portanto, não pode ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim, está comprovado que a receita obtida com a venda das ações da Bovespa no IPO compõe o Resultado Operacional da ALFA CORRETORA. Dessa forma, ficou demonstrado que não há previsão legal para a exclusão do resultado obtido com a venda das ações acima referidas da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. Incorporação das Ações da Bovespa e da BM&F por Nova Bolsa Em maio de 2008 a Bovespa Holding foi transformada em subsidiária integral da Nova Bolsa S/A. Nessa ocasião a Alfa Corretora possuía 4.775.000 ações da Bovespa Holding a um valor contábil de R$9.883.897,13. No processo de incorporação os acionistas da Bovespa Holding receberam ações PN resgatáveis da Nova Bolsa, sem ônus, na proporção de uma ação para cada dez ações da Bovespa Holding. A Alfa Corretora recebeu 520.000 ações. Essas ações foram contabilizadas da seguinte forma: O valor contábil total das ações da Bovespa Holding (4.775.000 ações) era de R$9.883.897,13. Com o recebimento das ações preferenciais o valor total não sofreu alteração mas ficou distribuído da seguinte forma: 4.775.000 ações ordinárias com valor total de R$ 9.182.116,04 520.000 ações preferenciais com valor total de R$ 701.781.09 Saldo das ações antes da incorporação R$ 9.883.897,13 As ações preferenciais têm na realidade custo zero, pois foram recebidas sem ônus. Dessa forma, a contabilização deveria ter sido conforme abaixo: 4.775.000 ações ordinárias com valor total de R$ 9.883.897,13 520.000 ações preferenciais com valor total de R$ 0,00 Saldo das ações antes da incorporação R$ 9.883.897,13 Em maio de 2008 a Alfa Corretora vendeu as ações preferenciais pelo valor de R$8.919.772,40. Reconheceu um lucro na venda de R$8.217.991,31. Na realidade o seu lucro é efetivamente o valor total de resgate. Ou seja, R$8.919.772,40 e não o valor de R$8.217.991,31. A diferença entre R$8.919.772,40 e R$8.217.991,31 será adicionada no resultado tributável em 2008 para fins de apuração de IRPJ e CSLL. A Alfa Corretora não adicionou o resultado da venda dessas ações na base de cálculo do PIS e da COFINS. Por ser Fl. 539DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 538 8 sociedade corretora, sujeitase à tributação do PIS e da COFINS nos moldes dos artigos 2º, 3º e outros da Lei n 9.718/1999 (art.89, I, da Lei 10.637/2002 e art. 10, I, da Lei nº 10.833/2003). Dessa forma, deve ser adicionado na base de cálculo do PIS e da COFINS o valor de R$ 8.919.772,40, que é o resultado auferido no resgate dessas ações. No processo de incorporação das ações da Bovespa pela Nova Bolsa, o valor unitário atribuído a cada ação ordinária da Bovespa Holding S/A foi de R$ 24,82, conforme "Fato Relevante" publicado. Dessa forma o valor total do investimento avaliado a preço de mercado por ocasião da incorporação era de R$118.515.500,00. A incorporação das ações da Bovespa Holding S/A pela Nova Bolsa S/A se caracteriza como alienação de ações. Dessa forma, este valor representa a receita bruta auferida pela Alfa Corretora nesta operação. A composição da carteira de ações da Nova Bolsa passou a ser: 4.775.000 ações da Bovespa Holding: R$118.515.500,00 5.428.000 ações da BM&F S/A: R$ 5.428.000.00 12.231.689 ações da Nova Bolsa R$ 123.943.500,00 O custo médio das ações da Nova Bolsa passou a ser R$10,13 Em outubro de 2008 vendeu 6.668.000 ações da Nova Bolsa pelo valor de R$48.718.220,44. O custo dessas ações na sua contabilidade era de R$7.964.579,04. Dessa forma reconheceu em outubro de 2008 um resultado de R$40.753.641,40. Considerando o custo médio apurado após a incorporação das ações da Bovespa Holding, o custo das ações vendidas seria de R$67.566.732,44. Dessa forma teria um prejuízo de R$18.848.512,00. O resultado líquido auferido na operação, para fins de apuração de base de cálculo de IRPJ e CSLL é: O resultado líquido da incorporação das ações e venda de parte delas em 2008 é de R$48.629.449,47. Esse resultado é objeto de tributação com relação ao IRPJ e CSLL, de acordo com os artigos. 247, 248, 251 e parágrafo único, 277 e 379, § 2Q, do RIR/99. Por ser sociedade corretora, sujeitase à tributação do PIS e da COFINS nos moldes dos artigos 2º, 3º e outros da Lei nº 9.718/1999 (art.8º, I, da Lei 10.637/2002 e art. 10, I, da Lei nº 10.833/2003). Dessa forma, deve ser adicionado na base de cálculo do PIS e da COFINS o valor de R$ 108.631.602,87 que é o resultado auferido na incorporação das ações em maio de 2008. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 539 9 Sobre os resultados obtidos em 2008 com a incorporação dessas ações, discriminados abaixo, serão lavrados na presente data Autos de Infração para a exigência do PIS, COFINS, IRPJ e CSLL Os créditos tributários exigidos foram os seguintes: I – Resultado líquido decorrente da incorporação de ações da Bovespa Holding em maio/2008 e na alienação de ações da Nova Bolsa S/A em outubro/2008: II – Alienação de ações de Nova Bolsa S/A em maio de 2008: Fl. 541DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 540 10 III – Lucro no resgate de ações preferenciais da Nova Bolsa S/A em maio de 2008: IV – Receita no resgate de ações preferenciais da Nova Bolsa S/A em maio de 2008: Fl. 542DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 541 11 Notificada dos lançamentos em 09/08/2011 (fls. 44), a fiscalizada, representada por advogados (fls. 177/183) apresentou impugnação aos feitos em 06/09/2011 (fls. 102/136), oferecendo, em resumo, as seguintes razões: (a) A contribuinte era titular de participações societárias nas instituições Bovespa Holding S/A e Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S/A, ambas consideradas investimentos não relevantes, avaliadas pelo custo de aquisição e contabilizadas no Ativo Não Circulante, tendo origem nos processos de desmutualização das duas entidades auxiliares do mercado de capitais (Bovespa e BM&F); (b) Em 2008 as duas Bolsas integraram suas atividades com a criação da Nova Bolsa S/A, sendo seguidos três passos: primeiramente, ocorreu a constituição da nova companhia com inexpressivo valor de capital social; depois ocorreu a elevação de seu capital social pela via da incorporação da BM&F S/A, ou seja, os acionistas da extinta BM&F S/A tiveram suas ações substituídas pelas ações da Nova Bolsa S/A, numa relação de 1 x 1; o terceiro passo consistiu na incorporação das ações da Bovespa Holding S/A pela Nova Bolsa S/A, nos termos do art. 252 da Lei nº 6.404/1976, passando aquela a ser subsidiária integral desta; (c) Por conta e ordem de seus acionistas, os Administradores da Bovespa Holding S/A, pelo valor de R$1.526.236.963,88, subscreveram a totalidade das ações emitidas pela Nova Bolsa S/A (1.030.012.191 ordinárias + 72.288.840 preferenciais resgatáveis, a serem recompradas pelo preço de R$17,15340847), tendo sido pago um Prêmio de R$16.415.853.198,58, sendo que o custo global da operação foi resolvido pela entrega da totalidade das ações da Bovespa Holding S/A a valor de mercado, estabelecido em razão de cotações médias de pregão dos 30 dias antecedentes, que ficou ajustado em R$24,82 por ação ordinária: Fl. 543DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 542 12 (d) A operação foi multifacetada em razão de ajustes societários que visavam estabelecer equivalência entre os patrimônios já formados juridicamente em cada instituição, e, também, para igualar o percentual de participação no capital social e no poder político administrativo de cada conjunto de acionistas, que ora se uniam; (e) A Reserva de reavaliação foi extinta pela Lei nº 11.638/2007, sendo substituída pelos Ajustes de Avaliação Patrimonial, mas a disciplina tributária do reconhecimento da Reavaliação de Bens do Ativo Não Circulante e seu respectivo tratamento tributário permanece em pleno vigor, pois vivemos hoje sobre o Regime Tributário de Transição – RTT; (f) No caso dos autos, está se tratando do ativo investimentos em participações societárias avaliadas pelo custo de aquisição, sendo que para os negócios jurídicos realizados por valores reavaliados, o fato gerador do IRPJ somente acontece quando houver efetiva disponibilidade jurídica do ganho e não pelo simples registro contábil da reavaliação, salvo os casos excepcionados em lei como no caso da reavaliação de participações societárias avaliadas pelo método de equivalência patrimonial ou no caso de reavaliações espontâneas, unilaterais e desprovidas de qualquer formalismo; (g) A Incorporação de Ações é ato típico de reorganização societária previsto no Direito Privado que não corresponde a nenhuma hipótese de incidência tributária do IRPJ da CSLL do PIS ou do COFINS, pois não gera renda, ganhos de capital ou proventos de qualquer natureza, por princípio; (h) Quando os ajustes privados consagram a versão das ações a serem incorporadas pelo valor do mercado ocorre na seara tributária a figura da Reavaliação na Subscrição de Capital ou Valores Mobiliários tal qual prevista no artigo 439 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 1999? (i) Apesar do instituto da Reavaliação de Bens do Ativo Permanente não ter sido externado na contabilidade da autuada, deve ser observado que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil não faz auditoria contábil e nem tem competência legal para tanto, sendo que a contabilidade se apresenta somente como instrumento de investigação que tem como meta final a identificação dos fatos jurídicos tributários que aconteceram e que redundaram em descumprimento de obrigação tributária principal ou acessória, porquanto erros contábeis não emprestam relevância jurídica tributária a fatos ou atos neutros para incidência tributária; (j) A Alfa Corretora estaria, por Lei, autorizada a contabilizar a Reserva de Reavaliação eis que todos os requisitos formais para tanto estavam atendidos. De forma absolutamente simétrica, a Fl. 544DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 543 13 autuada deixou de registrar Reserva de Reavaliação (em que pese as disposições da Lei n° 11.638 de 2.008) em Registro Fiscal Auxiliar como também deixou de sobrevalorizar sua carteira de ações na escrituração contábil, sendo que, numericamente, este procedimento de registro contábil da operação em nada alterou o Lucro Real como base de cálculo do IRPJ ou ainda a base de cálculo da CSLL (k) No mundo dos fatos, a Incorporação de Ações por valor maior que o contábil ensejará ganho de capital a ser tributado quando da efetiva realização do ativo, tal como disposto no art. 4o da Lei n° 9.959, de 2000, que veda o cômputo das contrapartidas de reavaliação na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL enquanto os ativos reavaliados não forem realizados, lembrando que as ações vertidas tiveram origem em aplicações de capital acontecidas muitos anos antes da incorporação de ações que ora se analisa? (l) Equiparar incorporação de ações a alienação implicaria em autuar os milhares de acionistas minoritários da Bovespa Holding que tiveram suas ações substituídas pelas da Nova Bolsa em suas respectivas contas de custódia, tal como sucedido com a Alfa Corretora (m) A autuada recebeu na operação, ações ordinárias e ações preferenciais resgatáveis da Nova Bolsa e, embora não tenha ocorrido desembolso financeiro na operação, não se pode afirmar que as ações preferenciais resgatáveis foram adquiridas a custo zero, pois seu valor foi estabelecido a partir de documentos idôneos e hábeis à comprovação da operação– Protocolo de Justificação e Atas das Assembléias que aprovaram a reorganização societária em que ficou estabelecida a relação de substituição de Ações (n) O Auditor Fiscal confundiu "ações bonificadas" com ações preferenciais resgatáveis, uma vez que foram invocadas as disposições do art. 381 do RIR/99 que tratam das bonificações, inexistindo possibilidade jurídica de emissão de ações gratuitas, sendo tampouco gratuitas as bonificações em ações, carecendo de amparo legal a atribuição de valor contábil apenas às ações ordinárias (o) Não pode o auditor qualificar o resgate de ações preferenciais como uma operação de capital, segundo o disposto no art. 418 do RIR/1999, para fins de exigência do IRPJ e CSLL e, no mesmo procedimento qualificálo em outros termos para fins de exigir contribuições sociais incidentes sobre o faturamento (p) Os negócios jurídicos lastreados em ações podem ser qualificados como de renda variável – cujo ciclo se inicia com a compra de ações com a finalidade de revenda no mercado de capitais, em ambiente de bolsa de valores ou de balcão, mas com intermediação de instituição financeira autorizada – ou de ganhos ou perdas de capital – no caso das ações preferenciais resgatáveis, por ocasião do resgate, há efetivo desinvestimento, porque a investida deve realizar compulsoriamente a compra, cuidandose de relação jurídica bilateral entre a instituição e seu Fl. 545DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 544 14 acionista que passa ao largo da disciplina tributária da renda variável (q) Não se ajusta ao conceito de Renda Operacional ou de Faturamento eventuais ganhos de capital auferidos na realização de investimentos em participações societárias classificáveis no Ativo Não Circulante em razão de se conformarem ao conceito de Aplicações de Capital (r) Segundo a regra constante do art. 31 do DL n° 1.598/77, os negócios que envolvam direitos e bens do ativo não circulante resultam em ganhos ou perdas de capital, sendo que os Títulos Patrimoniais das Bolsas eram classificados como Investimentos no Ativo Não Circulante por imposição do Banco Central do Brasil, classificação contábil a que também se sujeitam as ações vertidas por ocasião da Incorporação de Ações em foco nestes autos (s) Em se tratando de investimentos com a intenção de permanência não se aplica o disposto no art. 45, § 1o, II da IN RFB n° 1.022 de 2.010, pois as ações vertidas tiveram origem em aplicações de capital ocorridas muitos anos antes da Incorporação de Ações que aqui se analisa (t) É notório que dentre outras atividades típicas de uma corretora de valores mobiliários se incluam as operações de compra e venda de ações por conta própria, não significando que toda venda de participações societárias deva ser tratada como operação de renda variável. Ao final, a Impugnante pede a anulação dos autos de infração e para ser intimada da data e local da realização da audiência de julgamento, na forma do que dispõe o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal e da Lei nº 8.906, de 1994. Distribuídos os autos para a relatoria deste julgador, determinouse realização de diligência para correção do valor da base de cálculo do lançamento, no tocante ao resultado líquido decorrente da incorporação de ações da Bovespa Holding em maio/2008 e na alienação de ações da Nova Bolsa S/A em outubro/2008 (fls. 248/240). Às fls. 247/258, juntouse autos de infração complementares de IRPJ (R$ 206.500,00) e CSLL (R$ 123.900,00), incluídos a multa proporcional e os juros de mora (calculados até 03/2012), dos quais a contribuinte tomou ciência em 23/03/2012. Em 17/04/2012, a contribuinte protocola peça impugnatória aos lançamentos complementares em que alega, resumidamente, o quanto se segue (fls. 265/301): (i) O auto de infração, regularmente lavrado e notificado ao contribuinte, presumese certo e líquido, sendo modificável apenas nas taxativas hipóteses previstas no artigo 145 e 149 do Código Tributário Nacional, sendo certo, ainda, que somente podem ser invocados para promover diminuição do tributo lançado (ii) (ii) O lançamento não pode ser objeto de método de tentativa e erro, e, caso verificado inexatidões, deve ser Fl. 546DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 545 15 anulado e efetuado um novo, dentro do prazo decadencial (iii) Tal como na situação em que um auto de infração lavrado com erro de cálculo, e não impugnado, resta consolidado como legítimo no mundo jurídico, ainda que majorado indevidamente, em situação oposta, o mesmo efeito preclusivo ocorre quando o crédito tributário é constituído em montante inferior ao efetivamente devido (iv) (iv) A Delegacia de Julgamento devia se ater aos limites propostos pela impugnante para a revisão do lançamento e não poderia ter promovido um agravamento de sua situação, caracterizando reformatio in pejus, que não encontra amparo legal em nosso sistema normativo processual (v) (v) Ainda há de se apontar que o artigo 41, caput, do Decreto nº 7.574/2011, não contempla hipótese de o lançamento complementar advir de ordem da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, mas sim por iniciativa do próprio Auditor Fiscal responsável pela apuração do caso, sob pena de desequilibrar o processo administrativo fiscal, comprometendo a segurança jurídica do contribuinte e constrangendolhe a ampla defesa, pois impugnar poderia representar futuro aumento de sua dívida fiscal, motivos pelos quais afigurase ilegal e inconstitucional o ato da DRJ A contribuinte também deduziu em sua impugnação aos lançamentos complementares, razões relativas a ganho de capital decorrente de devolução do patrimônio social de entidade isenta, no âmbito do processo de desmutualização das Bolsas de Valores; a aplicação de multa isolada por falta de pagamento de estimativas; a desconsideração de pagamentos efetuados em condição de espontaneidade em 19 de março de 2008, recepcionados pelo processo administrativo fiscal nº 16327.000429/200810." Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP, esta proferiu o acórdão nº 1647.308 (fls. 396/444), assim ementado: Tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excedeu R$1.000.000,00, a autoridade de primeira instância interpôs recurso de ofício que passa a ser analisado por esta Turma Julgadora juntamente com o recurso voluntário interposto pela contribuinte em relação ao montante não reformado pela Autoridade Julgadora. É o relatório. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 546 16 Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Vencido Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Os recursos preenchem as condições de admissibilidade e deles tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO Inicialmente, cumpre um esclarecimento para fins de delimitação do objeto da lide neste julgamento: o termo de verificação fiscal remonta à evolução das operações realizadas no âmbito da BOVESPA e da BM&F, abordando dois momentos: 1º) desmutualização das associações BOVESPA e BM&F, com sua transformação em sociedades anônimas e 2º)incorporação das ações das sociedades anônimas BOVESPA e BM&F na sociedade anônima Nova Bolsa. A decisão que exonerou a incidência de PIS e COFINS, objeto do presente recurso de ofício, referese exclusivamente à segunda fase, pelo que a discussão que deve ser enfrentada por essa turma neste recurso de ofício está baseada em fatos relacionados à incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. por Nova Bolsa S.A, bem como ao resgate de ações preferenciais da Nova Bolsa S.A. Primeiramente, analisase o tema que ensejou o recurso de ofício: incidência do PIS e da Cofins sobre a considerada alienação das ações da Bovespa Holding S.A. no processo de incorporação de ações. Independente de ao final do presente voto a incorporação de ações ser considerada ou não espécie de alienação das ações, em relação à incidência do PIS e da Cofins, deve ser mantido o posicionamento da decisão de piso. Segundo o entendimento da DRJ (fls. 26 do voto) "Relativamente às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, os artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, estabelecem que: “Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão Fl. 548DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 547 17 calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV – a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.” Consoante analisado anteriormente, em princípio, a receita de venda de ações decorre de uma transação usual e típica de uma sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, constituindose tal ingresso no próprio faturamento dessas instituições, sendo classificada, inclusive, como operacional pelo Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional – Cosif (conta 7.1.5.20.003 Rendas de Títulos de Renda Variável, do grupo 7.1 – Receitas Operacionais). O Cosif também estabelece em seu capítulo 1 – Normas Básicas, Seção 17– Receitas e Despesas, item 3, que tanto as rendas obtidas com operações ativas, como aquelas decorrentes da prestação de serviços, referemse a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, sendo classificadas como operacionais, conforme destacado a seguir: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais.(destacouse) Observese que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 não alterou essas conclusões, uma vez que a Lei nº 11.941/2009 apenas suprimiu o chamado “alargamento” da base de cálculo dessas contribuições introduzida por aquele dispositivo legal, que alcançava a totalidade das receitas da pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida ou da classificação contábil da receita auferida. A definição do conteúdo de “faturamento” para fins de incidência da contribuição para o PIS e da Cofins passa obrigatoriamente pela análise das decisões proferidas nos julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, que declararam a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, motivando o legislador a revogálo em 2009. O entendimento do Supremo Tribunal Federal consolidouse no sentido de identificar receita bruta com faturamento, compreendido como o produto da venda de mercadorias e de Fl. 549DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 548 18 serviços, conforme ementa do acórdão proferido no julgamento do RE 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (destacouse) Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o ventilado RE, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade principal, que corresponde à receita bruta que a Lei Complementar 70/91 e a Lei 9.718/98 elegeram como base de cálculo da Cofins e do PIS. Cumpre observar que dentre os votos vencedores proferidos nos Recursos Extraordinários 346.0846/ PR, 357.9509/ RS, 358.2739/ RS e 390.8405/ MG, está o do Exmo. Sr. Ministro Cezar Peluso, que esclarece: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão "receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço", quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa Fl. 550DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 549 19 expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta igual a faturamento”. Também merece ser trazido a lume trecho de voto do Exmo. Sr. Ministro Carlos Britto: (...) No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total, nem receita abrangente de qualquer ingresso na empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art.22, § 1º, "a”,(...) Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, (...) Portanto, no âmbito dessas contribuições sociais, o faturamento corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, desenvolvidas em conformidade com o objeto social da pessoa jurídica. No caso das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, a venda de ações de carteira própria ou de terceiros constitui uma das receitas decorrentes das operações típicas e usuais da empresa. É certo que as mencionadas decisões da Corte Maior forem proferidas em sede de controle difuso de constitucionalidade e, em princípio, apenas vinculariam as partes litigantes. Também já foi externado pela Receita Federal, há longa data, mediante o Parecer Normativo CST nº 329/1970, o entendimento de que a arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Entretanto, a Lei nº 11.941/2009, ao dar nova redação ao artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972, diploma normativo que disciplina o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União, também introduziu o § 6º, cujo inciso I confere ao julgador administrativo a prerrogativa de afastar a aplicação de ato normativo, ao fundamento de inconstitucionalidade, quando neste sentido já tenha se manifestado o Supremo Tribunal Federal, por decisão definitiva plenária: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 550 20 inconstitucionalidade. (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009) (...) § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Desta feita, acolho o entendimento da Egrégia Corte Constitucional que fixou o conceito de faturamento como aquele corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, desenvolvidas em conformidade com o objeto social da pessoa jurídica, para aplicálo ao caso em debate, cujos fatos geradores ocorreram em 2008. No mesmo sentido, acrescentese que a legislação do imposto de renda fixou, a exemplo dos artigos 40, 41 e 43, da Lei 4.506/64, e artigo 11, do Decretolei 1.598/77, que o lucro operacional da pessoa jurídica é o resultado das atividades normais da empresa, ou seja, as que constituem seu objeto. Assim, o conceito operacional está vinculado ao conceito de atividade normal, típica da empresa, consoante estabelecida em seus estatutos. Portanto, a receita operacional, de onde se extrai o lucro operacional, decorre necessariamente das atividades típicas da empresa. Confiramse os dispositivos citados: Lei 4.506/64 Art. 40. Será classificado como lucro operacional da empresa o resultado auferido em qualquer atividade econômica destinada à venda de bens ou serviços a terceiros tais como: I Extração de recursos minerais ou vegetais, pesca, atividades agrícolas e pecuárias; II Indústrias de qualquer espécie, construção, serviços de transporte, de comunicações, serviços de energia elétrica, fornecimento de gás e água, exploração de serviços públicos concedidos ou de utilidade pública; III Comerciais ou mercantis de compra e venda de quaisquer bens, inclusive imóveis, títulos e valores, distribuição e armazenamento; IV Bancárias, de seguros e outras atividades financeiras de serviços de qualquer natureza, inclusive hotéis e divertimentos públicos. Art. 41. Constituirá lucro operacional o resultado das atividades normais da empresa com personalidade jurídica de direito privado, seja qual for a sua forma ou objeto, e das empresas individuais. (...) Art. 43. O lucro operacional será formado pela diferença entre a receita bruta operacional e os custos, as despesas operativas, os encargos, as provisões e as perdas autorizadas por esta lei. Decretolei 1.598/77 Seção II Lucro Operacional Subseção I Disposições Gerais Conceito e discriminação Art 11 Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 551 21 (...) As vendas realizadas no mercado pouco tempo depois da desmutualização (28/08/2007) – primeiramente, por ocasião da oferta inicial pública (27/09/2007) e a segunda, em maio de 2008 – apontam que as 7.588.876 ações ordinárias da Bovespa Holding S/A envolvidas nessas duas transações foram tratadas como títulos em carteira própria, de natureza temporária e, desta forma, o produto dessas alienações é classificado como receita operacional, observandose que os efeitos tributários das referidas transações não são objeto de discussão deste processo." É de se observar, conforme exposto pela DRJ, “a incorporação pela Nova Bolsa S.A. das 4.775.000 ações da Bovespa Holding S.A. detidas pela fiscalizada, em maio de 2008, não se configurou um ato de mercancia de ações, ou se, a não se tratou de uma operação com finalidade lucrativa realizada com terceiros, típica de sociedade corretora de títulos e valore mobiliários, mas do cumprimento de uma das etapas do processo de consolidação social das Bolsas de Valores”. Não é possível verificar na etapa de incorporação de ações uma operação mercantil típica e inserida nas operações correntes das corretoras de títulos e valores mobiliários. Sendo assim, a incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. não representa uma venda realizada no contexto de sua atividade operacional, o que afasta a incidência do PIS e da Cofins. É importante ressaltar que não se está discutindo se as ações da Bovespa Holding S.A deveriam estar contabilizadas no ativo circulante ou não. A discussão, portanto, não é relativa à classificação dos ativos vendidos, ou seja, pouco importa se as ações estavam contabilizadas no ativo circulante ou não. O fato que impede a tributação pelo PIS e pela Cofins é não ser possível enquadrar a incorporação de ações no conceito constitucional de faturamento desenvolvido pelo STF. É dizer: se o entendimento daquela Corte é no sentido de que o faturamento corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, desenvolvidas em conformidade com o objeto social da pessoa jurídica, não se pode entender que a incorporação de ações seria atividade desenvolvida em conformidade com o objeto social. Observese que as vendas das ações da Bovespa Holding S.A., ocorridas logo após a desmutualização, foram tratadas como faturamento e o produto dessas alienações foi tratado como receita operacional e a referida tributação não é objeto do presente processo. Portanto, o fundamento da improcedência do Recurso de Ofício está ligado ao fato de a incorporação de ações não se enquadrar como atividade desempenhada para cumprimento do objeto social. Assim, sem entrar no mérito de se tratar ou não de alienação, a operação de incorporação de ações não pode ser equiparada a uma alienação de um título ou valor mobiliário detido pela sociedade corretora, pois não se trata de ato de mercancia de ações, com intuito de lucro, realizada com terceiros, em cumprimento do seu objeto social. Sendo assim, nego provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento do Auto de Infração no que se refere à exigência de Pis e de Cofins na suposta alienação de ações ocorrida em decorrência da incorporação de ações. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 552 22 RECURSO VOLUNTÁRIO A controvérsia do Auto de Infração sob análise é representada pela conclusão da Autoridade Fiscal no sentido de ser a operação de incorporação de ações uma hipótese de efetiva alienação de ações, bem como a necessidade de reconhecer como valor da alienação o valor unitário atribuído a cada ação ordinária da Bovespa Holding no processo de incorporação de ações, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal (fls. 33 a 38). Observase que a Recorrente possuía 4.775.000 ações da Bovespa Holding S.A a um valor contábil de R$9.883.897,13, valor este que representava o custo de aquisição original daquelas ações, vez que tal ativo não estava sujeito à mensuração pelo método de equivalência patrimonial. No processo de incorporação de ações, de acordo com o item 4.7 do Fato Relevante publicado (fl. 95), os acionistas da Bovespa Holding receberam 1,42485643 ações ordinárias para cada ação ordinária e 1 ação preferencial resgatável de Nova Bolsa para cada 10 ações ordinárias de Bovespa Holding de sua propriedade, resultando na emissão total, por Nova Bolsa, de 1.030.012.191 ações ordinária e 72.288.840 ações preferenciais resgatáveis. Fazse necessário observar que a incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. simultaneamente à incorporação da BM&F foram etapas da reorganização societária que teve por escopo integrar as atividades da Bovespa Holding S.A. e BM&F, cabendo a cada conjunto dos respectivos acionistas 50% do capital da Nova Bolsa. A intenção divulgada pelos acionistas para a integração desse patrimônio era atingir uma estrutura integrada mais eficiente, com potencial de economia nas despesas combinadas das duas bolsas, além de possibilitar o maior crescimento e rentabilidade dos negócios por elas desenvolvidos. No intuito de definir o montante em que seria aumentado o capital social da Nova Bolsa, procedeuse a avaliação das ações da Bovespa Holding S.A., bem como do patrimônio da BM&F. Assim, adotouse critério de mensuração das ações da Bovespa Holding e da BM&F para que fosse possível estabelecer a relação de substituição, número e espécie das ações a serem atribuídas aos acionistas da BM&F e aos acionistas da Bovespa Holding, direito das ações, aumento do patrimônio líquido e do capital social de Nova Bolsa (informações extraídas da publicação de Fato Relevante, fl. 94). Em relação ao critério de avaliação das ações da Bovespa Holding, observa se que este retratava valor equivalente à média ponderada pelo volume financeiro transacionado das cotações médias, ajustadas pelos proventos distribuídos, observadas nos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo nos últimos 30 dias que antecederam a divulgação do Fato Relevante de 19/02/2008, que corresponde a R$24,82 por ação (fl. 93, item 3.4 do Fato Relevante). Observase no item 6.5 do Fato Relevante (fl. 97) que os acionistas dissidentes de Bovespa Holding que optassem pelo direito de retirada, segundo faculdade atribuída pelo art. 252, §2º, da Lei nº 6.404/76, teriam o direito ao reembolso de suas ações, ao valor de R$2,18893051 por ação, conforme o balanço patrimonial de 31.12.07, aprovado pela AGO de 10.04.08. As relações de substituição foram consideradas justas e equitativas e propiciaram a cada conjunto de acionistas (Bovespa Holding e BM&F) 50% do capital de Nova Bolsa, sendo que a efetiva substituição de ações ocorreu em 19.08.2008, com o efetivo Fl. 554DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 553 23 recebimento das ações da Nova Bolsa e o impedimento de venda das referidas ações (lock up) findouse em 20.10.2008. A Autoridade Fiscal entendeu ter havido ganho de capital em 08.05.2008, data em que ocorreu a Assembleia Geral que determinou a incorporação de ações, equivalente à diferença entre o custo histórico anteriormente contabilizado (R$9.883.897,13) e o valor relativo ao número de ações recebidas vezes R$24,82 (R$118.115.500,00). Expostos os fatos essenciais para a compreensão do contexto, passase a analisar a incidência de IRPJ e CSLL na referida operação de incorporação de ações. Inicialmente, fazse necessário ressaltar que os fatos ocorridos devem ser analisados à luz das antigas normas de contabilidade, tendo em vista que, para fins tributários, deveriam ser aplicados os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Sendo assim, não se pode olvidar que vigorava o princípio contábil do custo original como base de valor, segundo o qual os ativos são incorporados pelo preço pago para adquirilos ou fabricálos, mais todos os gastos necessários para colocálos em condições de gerar benefícios para a empresa (Sérgio de Iudícibus: Teoria da Contabilidade, 2ª Edição, Ed. Altas, p. 56 e 57). Desta forma, a regra era a contabilização dos ativos pelo custo histórico, admitindose a geração de resultados apenas quando ocorresse uma transação envolvendo terceiros (partes independentes e não relacionadas) resultante de um processo de barganha negocial não viciado. Inclusive, é partindo dessa premissa que se defende a impossibilidade de reconhecimento de resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle e, consequentemente, a impossibilidade de reconhecer contabilmente o “ágio interno”. É por isso que Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Júnior afirmam em artigo intitulado “A incorporação reversa com ágio gerado internamente: conseqüências da elisão fiscal sobre a contabilidade” que não faz sentido algum reconhecer, numa boa e sadia contabilidade, o resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade. Isso é geração artificial de resultado. (...) Agora, no caso de ativos não destinados à alienação, mais incorreto ainda é, dentro do Princípio da realização da receita, a inclusão de tais “lucros” nas demonstrações contábeis. Neste cenário, entendo serem aplicáveis as mesmas conclusões. Se na ótica da contabilidade antiga, os ativos deveriam ser registrados pelo custo histórico, carece de lógica entender que neste caso o Recorrente deveria ter reconhecido o ativo pelo valor constante do laudo de avaliação elaborado a pedido dos acionistas da Bovespa Holding e da BM&F para a incorporação de ações na Nova Bolsa cujos acionistas em momento posterior seriam os mesmos acionistas da Bovespa Holding e BM&F e, consequentemente, impor o reconhecimento de receita naquele momento. A esse respeito, Eliseu Martins ensina que nas normas contábeis antigas não havia o reconhecimento de resultado em operação de incorporação de ações, conforme se depreende do prefácio de sua autoria ao livro Incorporação de Ações no Direito Tributário: conferencia de bens, permuta, dação em pagamento e outros negócios jurídicos. (Ricardo Mariz de Oliveira, São Paulo: Quartier latin, 2014, p. 17/18): "Assim, no caso da incorporação de ações, passou a ser compulsório o registro contábil do valor das ações da “incorporada” pelo valor justo das ações da “incorporadora” entregues aos exproprietários da “incorporada”. Já nos Fl. 555DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 554 24 proprietários da “incorporada” vai haver, provavelmente, o reconhecimento de um resultado contábil: trocará suas ações nessa “incorporada” pelas emitidas pela “incorporadora”, reconhecidas estas pelo seu valor justo. Novamente: reconhecimento, esse momento, de valores agregados que não terão surgido nesse momento, mas sim ao longo de um certo tempo antes. O que há agora é um fato (combinação de negócios) que obriga ao reconhecimento contábil desse valor gerado anteriormente, mesmo que não haja qualquer geração de caixa ou “quase caixa”. Novamente o abandono dos antigamente rigorosos princípios do custo como base de valor e da realização financeira para registro de receita. Mas sem geração de qualquer disponibilidade financeira para pagamento de tributo sobre o acréscimo de valor. Antes, aceitavase o registro pelo valor contábil precedente do valor patrimonial da ação da “incorporada”, mas, agora, sabendo se que no mundo dos negócios a essa participação é atribuído um valor, obrigase ao seu registro para incremento informacional." Vejase que a posição do referido autor é no sentido de que, apenas com as novas normas contábeis, passouse a reconhecer o eventual resultado oriundo do processo de incorporação de ações. Já nas normas contábeis antigas, esse reconhecimento de resultado não era possível. Não é, portanto, razoável que na análise de casos de ágio interno entendamos que as normas contábeis antigas não autorizavam o registro daquele resultado, justamente por ser aplicável o princípio do custo histórico e, quando a situação se inverte, queiramos impossibilitar o contribuinte de manter o registro pelo custo histórico. É importante ressaltar que o eventual resultado que deveria ser registrado para fins contábeis e no cenário das normas atuais seria o oriundo da diferença entre o valor contábil das ações incorporadas para o valor justo das ações emitidas pela incorporadora e não a diferença entre o valor contábil das ações incorporadas e o valor utilizado como parâmetro para integralizar ao capital social da incorporadora (critério utilizado pela Autoridade Fiscal). As considerações acima já são suficientes para o cancelamento do presente Auto de Infração. Entretanto, entendo necessário tecer alguns comentários acerca do fato gerador do imposto sobre a renda. Isso porque, mesmo no caso de se entender que os ativos deveriam ser registrados pelo valor constante do laudo de avaliação e, portanto, ter havido geração de resultado, esse não seria tributável. Há nos referidos autos uma divergência do critério temporal da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. A Autoridade Fiscal entende ser este na época da incorporação de ações, quando foram assinadas as Atas de Assembleia Geral. Lado outro, entende a Recorrente que o fato gerador ocorre quando da efetiva venda das referidas ações recebidas, ocasião onde – além de apurar o ganho de capital (valor de venda menos valor contábil do título (custo de aquisição). Traçadas as referidas premissas, fazse uma breve análise do fato gerador do imposto de renda. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 555 25 Dispõe o art. 43 do Código Tributário Nacional ser o fato gerador do imposto sobre a renda a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza in verbis: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1oA incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2oNa hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo." De acordo com Leandro Paulsen1 sendo fato gerador do imposto a “aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza”, não alcança a “mera expectativa de ganho futuro ou em potencial”. No presente caso, evidenciase a ausência de disponibilidade econômica antes da venda dos títulos. Passase, então, a analisar se presente a disponibilidade jurídica. Para Rubens Gomes de Souza2 a disponibilidade jurídica verificase quando o titular do acréscimo patrimonial que configura renda, sem o ter ainda em mãos separadamente da sua fonte produtora e fisicamente disponível, entretanto já possui um título jurídico apto a habilitálo a obter a disponibilidade econômica. Para Gilberto Ulhôa Canto3, coautor do anteprojeto do CTN, não basta, apenas, que seja adquirido o direito de auferir o rendimento (ou a sua titularidade). É necessário que a aquisição desse direito assuma a forma de faculdade de adquirir disponibilidade econômica, mediante a tomada de iniciativa ou a prática de ato, que estejam no âmbito do arbítrio do interessado, a qualquer momento; em outras palavras, a disponibilidade jurídica não ocorre com o aperfeiçoamento do direito à percepção do rendimento, sendo, mais do que isso, configurada somente quando o seu recebimento em moeda ou quase moeda dependa somente do contribuinte. 1 Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 2 Pareceres 1 Imposto de Renda. Resenha Tributária, 1975. 3 Apud OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Oliveira. Fundamentos do Imposto de Renda. Quartier Latin, 2008. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 556 26 Importante, também, observar as conclusões extraídas pelo Recurso Especial nº 320445RJ, em que o relator Ministro Garcia Vieira esclarece: "Partindo de tais pressupostos, sem a necessidade de maiores digressões, de ordem doutrinária, afiguraseme escorreita a decisão ora objurgada, porquanto é certo que a disponibilidade econômica ou jurídica da renda só ocorre quando houver real acréscimo patrimonial, não cabendo a tributação sobre mera expectativa de ganho futuro e em potencial. Nesse aspecto, a razão está com a recorrida, quando invoca, em suas contrarazões, opiniões doutrinárias e precedentes jurisprudenciais em favor da tese defendida, acabando por concluir, in expressis: "Assim, temse que, o efetivo acréscimo patrimonial, disponibilizado para o contribuinte, não pode ser verificado pelos registros contábeis, mas somente pelo ganho determinado no momento em que a Recorrida cumprir a obrigação financeira, pois é somente nesse momento que ela se beneficia (ou não) com a quantidade de reais necessária para a liquidação da obrigação em moeda estrangeira. Antes disso, os registros contábeis significam, tão somente, mera expectativa de ganho, que não constitui hipótese de incidência do imposto de renda. Como viuse acima, a disponibilidade a que se refere o art. 43 do CTN resulta de um fator econômico concreto e atual (dinheiro em caixa por exemplo) ou de um fato reconhecido como tal pelo Direito (um direito reconhecido pela lei, como o direito de crédito). Logo, não há como se falar que meros registros contábeis, que representam tão somente expectativas de resultado positivo (já que não se sabe se quando a obrigação for cumprida, a variação será positiva ou negativa) constituam um acréscimo patrimonial, e que este, por força do regime de competência, esteja disponibilizado para o contribuinte no momento em que registrado; ao contrário, é certo que o contribuinte não dispõe desse ganho, uma vez que ainda não implementado o termo em que deveria cumprir sua obrigação financeira." (fls. 258/259) Vêse, portanto, que a disponibilidade jurídica deve ser entendida como a detenção de título líquido e certo, hábil a proporcionar a disponibilidade econômica, por meio de atitudes que dependa apenas do contribuinte. A disponibilidade que a Recorrente teve ao receber as ações em decorrência da incorporação de ações ainda carecia da concordância de terceiros em realmente adquirilas por aquele valor atribuído. O fato de os laudos de avaliação apontarem para um determinado valor não imputa às ações a liquidez e certeza próprias da disponibilidade jurídica. Por fim, ao tributar aqueles valores, as Autoridades Fiscais acabaram por atribuir efeitos tributários aos laudos de avaliação. Entendo que, ao tributar os valores atribuídos às ações por meio dos laudos de avaliação, acabou por fazer incidir o imposto de renda sobre a expectativa de direito, que se realizou apenas quando da efetiva alienação e pelos valores nesta pactuados. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 557 27 Mesmo que se entende ter havido disponibilidade econômica ou jurídica sobre a renda, não se pode afirmar que houve a aquisição dessa disponibilidade, já que o aspecto material da hipótese de incidência do imposto sobre a rende pressupõe a “aquisição” da disponibilidade. Nesse sentido, para ocorrência de aquisição, há a necessidade de que alguém passe a ser titular de algo do qual não era titular, sendo vedada a tributação de “geração espontânea” de renda. Cotejando as premissas acima traçadas com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, Ricardo Mariz de Oliveira (Incorporação de Ações no Direito Tributário: conferencia de bens, permuta, dação em pagamento e outros negócios jurídicos, São Paulo: Quartier latin, 2014, p. 17/18) afirma que: "a propósito de outras situações em que há renda escritural derivada de lançamentos contábeis, mais de uma vez o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA voltou a asseverar a impossibilidade da tributação de ganhos meramente escriturais, quando ainda não adquiridos em definitivo, e, portanto, por não representarem aquisições de disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Neste sentido, por exemplo, o Recurso Especial n. 320455 RJ, julgado em 7.6.2001 pela Primeira Turma (e também o de n. 640059CE, Segunda Turma, 5.8.2004), quando o tribunal (serão usadas as suas palavras), referindose a outro julgado da mesma corte, declarou que se há de entender que o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial mais a respectiva disponibilidade jurídica ou econômica, tendo acrescentado ser certo que a disponibilidade econômica ou jurídica da renda só ocorre quando houver real acréscimo patrimonial não cabendo a tributação sobre a mera expectativa de ganho futuro e em potencial. Foi mais adiante, declarando que a disponibilidade a que se refere o art. 43 do CTN resulta de um fato econômico reconhecido como tal pelo direito (um direito reconhecido pela lei, como direito de crédito). Em suma, quando se diz que a renda está realizada, porque está concretizada em definitivo, e não mais sujeita a qualquer incerteza quanto à sua aquisição para o patrimônio do contribuinte, assim como quanto á possibilidade de disposição por este, está se chegando à própria definição do fato gerador do imposto de renda, contida no art. 43 do CTN, porque a renda realizada é a renda cuja disponibilidade econômica ou jurídica já tenha sido adquirida, ou seja, não é meramente virtual, mas, sim, concretizada." Salientase, por fim, que o Recorrente tributou a venda das ações recebidas quando da efetiva alienação destas, incluindo na base de cálculo, como acima explanado, os valores que estavam registrados contabilmente como aumento patrimonial à época em que a investida era a associação. Assim, os valores acrescidos ao patrimônio da associação foram adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por fim, a de se ressaltar que a proporcionalização dos custos de aquisição entre as ações ordinárias e preferenciais está correta, não havendo razão para ignorar os preços atribuídos a cada uma dessas ações. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 558 28 Em vista dos argumentos citados, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, cancelando o auto de infração, razão pela qual deixo de analisar as demais alegações. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheiro Antonio Bezerra Neto Redator Designado Ouso divergir do bem fundamentado voto do relator apenas quanto ao mérito do recurso voluntário, pois entendo que na incorporação de ações ocorre uma alienação de ações, valorada a preço de mercado em sua conferência para aumento de capital e que assim enseja a tributação do ganho de capital dessa diferença. Também divergi do relator em relação à valoração das ações preferenciais que ensejou também uma tributação na forma de glosa de custos. Conforme amplamente relatado, a referida autuação lastreiase em fatos relacionados a operações efetuadas com ações detidas pela contribuinte no anocalendário 2008: incorporação de ações da Bovespa Holding S/A por Nova Bolsa S/A e resgate de ações preferenciais da Nova Bolsa S/A, ambas ocorridas em maio, e, alienação de ações da Nova Bolsa S/A, ocorrida em outubro. A incorporação de ações é operação societária prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76 (Lei das S.A). Em apertada síntese, a incorporação de ações tem lugar de ser quanto uma companhia adquire todas as ações do capital social de outra com o fim de converter esta em subsidiária integral. Em última análise, a incorporadora aumenta seu próprio capital social e o integralizou com as ações adquiridas da incorporada, em que os acionistas desta última, ao aprovarem a operação, receberam em troca delas, ações da incorporadora pelo valor de avaliação apurado em laudo exigido pela lei, decorrentes do aumento do capital social referido; e os antigos acionistas da incorporada, passaram assim a ser acionistas da incorporadora. A lide cingese a saber, então, em sendo o caso de o valor daquela avaliação, no momento da incorporação, ser maior que o valor contábil declarado anteriormente, se a referida diferença deve ser atribuído o caráter de ganho de capital tributável. A esse respeito, colocou o relator: Há nos referidos autos uma divergência do critério temporal da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. A Autoridade Fiscal entende ser este na época da incorporação de ações, quando foram assinadas as Atas de Assembléia Geral. Lado outro, entende a Recorrente que o fato gerador ocorre quando da efetiva venda das referidas ações recebidas, ocasião onde – além de apurar o ganho de capital (valor de venda menos valor contábil do título (custo de aquisição). O relator concluiu, então, que não haveria ganho de capital a ser tributável, primeiro porque a contabilização dos ativos deveria se dar pelo custo histórico, admitindose a geração de resultados apenas quando ocorresse uma transação envolvendo terceiros resultante Fl. 560DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 559 29 de um processo de barganha negocial não viciado; e por último, pois a renda não teria sido realizada, não havendo assim disponibilidade econômica ou jurídica. Admito que o tema é controverso. Admitir que a contabilização dos ativos deveria se dar pelo custo histórico, como fez o relator, é encampar implicitamente a corrente que atribui à incorporação de ações como sendo um mero procedimento de substituição de ações, configurando uma subrogação real. Não entendo que estamos a tratar de subrogação real, pois esse instituto pressupõe a substituição jurídica de uma coisa (ações da sociedade A) por outra (ações da sociedade B), mas mantendose a relação base anterior. É que feita essa “substituição”, a essência da relação jurídica anterior não será mais a mesma, uma vez que sendo as ações recebidas pela incorporada pertencentes à pessoa jurídicas diferente, tudo mais se altera: valores patrimoniais, Estatutos sociais etc. Ademais, a subrogação jurídica tem como principal função fazer com que o bem recebido em troca recomponha o novo patrimônio de referência e isso tudo levandose em conta a perfeita identidade de valores entre o bem subrogado e o bem deslocado. O que a evidência não ocorre justamente pela necessidade legal de se valorar as ações dadas e conferidas para aumento de capital, a preço de mercado por intermédio de laudo exigido por lei. Ou seja, a alienação em questão se deu a título de acréscimo patrimonial e não de equivalência, ensejando assim a tributação. Outro argumento que se coloca para defender ainda essa tese é que não haveria declaração de vontade, isso porque na incorporação de ações o acordo se daria entre duas sociedades, sem a participação direta dos acionistas. Então, não poderia haver aqui uma alienação quando há carência de vontade. Ledo engano, em sociedades fechadas a decisão dos seus acionistas seria unânime, não havendo que se falar em carência de vontade, e nas sociedades abertas, como é o caso da Recorrente, pelo princípio majoritário, essa declaração de vontade fica estampada. Afinal, as consequências e o alcance do princípio majoritário é encampado e aceito a priori na medida em que se participa de uma sociedade aberta. Em relação aos minoritários, haveria, sim, uma discussão mais polêmica, pois alguns entendem que essa carência de vontade é patente, porém para outros embora não exista uma declaração (explícita) de vontade, há uma manifistação de vontade, na medida em que existe para eles (minoritários) o direito de recesso. Caso não o exerçam, estão pragmaticamente dando respaldo com essa manifestação de vontade (implícita) à decisão acolhida pelo princípio majoritário. Porém, não estamos aqui a falar de minoritários, mas sim do sócios controladores que dúvidas não há que participaram, diretamente de todo o processo, seja aprovando a incorporação de ações e conferindo poderes de representação à sociedade empresária. Afinal eles foram o protagonista desse cenário: compareceram à assembléia geral, decidiram pela operação e tomaram a decisão de incorporar suas ações à outra empresa, mesmo que tudo isso tenha ocorrido no contexto da reestruturação das bolsas. Assim, não se pode afirmar que o negocio jurídico de incorporação de ações possui apenas uma eficácia externa, atingindo a “terceiros” estranhos ao protocolo (acionistas), apenas pelo fato de que a operação seja aprovada pela maioria das assembléias gerais das sociedades envolvidas. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 560 30 Caráter de Alienação Dado que a alienação é um negócio jurídico de caráter genérico que designa qualquer situação que possua como resultado final a transferência do domínio de uma coisa para outra pessoa, então, como corolário lógico disso, entendo que na incorporação de ações, por justamente ensejar a uma verdadeira transferência de titularidade jurídica e, no caso concreto, com valoração a preço de mercado das ações dadas em conferência de capital, se enquadra no gênero “alienação”, atraindo assim a tributação do ganho de capital. Caráter de aumento de capital mediante “dação em pagamento” Muito embora essa subscrição de capital com bens (ações) seja uma etapa de um procedimento maior, configurando um negócio típico do direito societário, não vejo porque possa descaracterizar a linha de entendimento que também configura uma outra situação jurídica condutora da tributação , qual seja, um aumento de capital da incorporadora mediante uma “dação em pagamento” de bens (próprias ações) pelos antigos acionistas da incorporada, modalidade esta de alienação albergada como campo de incidência do IR, no § 4º do art. 117 do RIR/99, ultrapassando assim quaisquer outras considerações opostas de renda ainda não realizada, afinal a própria lei encampou literalmente tal situação jurídica. Se, ao menos teoricamente, é indiferente a qualificação com base numa tese (a incorporação de ações é um instituto jurídico do direito societário, havendo alienação e aquisição fictas) ou outra (aumento de capital com “dação em pagamento” de bens (ações)), permanece a questão de fundo de todas as discussões em torno da validade da tributação, na discussão subseqüente de que tal renda ainda não teria se realizado ex vi art. 43 do CTN. O que se apregoa é que no nosso ordenamento jurídico, a tributação incide sobre renda realizada por força do disposto no art. 43 do CTN. O problema é que alguns intérpretes tendem de imediato a associar a ideia de renda realizada com a existência de fluxo financeiro. Não havendo a ocorrência do fluxo financeiro haveria apenas uma renda em potencial. Se tal raciocínio fosse válido de forma absoluta em qualquer situação, então como corolário lógico disso teríamos então que admitir que todas as normas que dispõem sobre a tributação com base no regime de competência (para as pessoas jurídicas) seriam inválidas nos casos em que o ganho da receita não coincide com o fluxo financeiro. O que seria um absurdo. Porém, o relator é mais específico nessa questão e sua fundamentação precisa aqui ser confrontada: Vêse, portanto, que a disponibilidade jurídica deve ser entendida como a detenção de título líquido e certo, hábil a proporcionar a disponibilidade econômica, por meio de atitudes que dependa apenas do contribuinte. A disponibilidade que a Recorrente teve ao receber as ações em decorrência da incorporação de ações ainda carecia da concordância de terceiros em realmente adquirilas por aquele valor atribuído. O fato de os laudos de avaliação apontarem para um determinado valor não imputa às ações a liquidez e certeza próprias da disponibilidade jurídica. Por fim, ao tributar aqueles Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 561 31 valores, as Autoridades Fiscais acabaram por atribuir efeitos tributários aos laudos de avaliação. Entendo que, ao tributar os valores atribuídos às ações por meio dos laudos de avaliação, acabou por fazer incidir o imposto de renda sobre a expectativa de direito, que se realizou apenas quando da efetiva alienação e pelos valores nesta pactuados. Mesmo que se entende ter havido disponibilidade econômica ou jurídica sobre a renda, não se pode afirmar que houve a aquisição dessa disponibilidade, já que o aspecto material da hipótese de incidência do imposto sobre a rende pressupõe a “aquisição” da disponibilidade. Nesse sentido, para ocorrência de aquisição, há a necessidade de que alguém passe a ser titular de algo do qual não era titular, sendo vedada a tributação de “geração espontânea” de renda. (destaquei) O primeira premissa do referido voto afirma que “incorporação de ações ainda carecia da concordância de terceiros em realmente adquirilas por aquele valor atribuído”. A tese aqui já levantada por mim de que ocorre uma alienação ficta justaposta a uma aquisição ficta, e isso não antes de valorada a preço de mercado, caracteriza, sim, a meu ver, uma concordância de terceiros. O terceiro no caso é empresa incorporadora que aceitou a conferência de ações da empresa controlada reavaliada a preço de mercado por ocasião da assembléia. É que por determinação dos parágrafos 1º e 3º do art. 252 da Lei da S/A, é obrigatória a avaliação do valor das ações a ser incorporada, sendo relevantíssimo o preço atribuído, pois será ele o preço da avaliação que determinará a relação de troca para saber quantos ações da incorporada equivalem as ações da incorporadora para serem cedidas aos novos sócios como pagamento pela integralização de capital das ações da incorporada dadas em “dação em pagamento”. Essa ênfase aqui dada na importância dessa reavaliação a preço de mercado também serve para se contrapor ao seguinte linha de entendimento do relator: Desta forma, a regra era a contabilização dos ativos pelo custo histórico, admitindose a geração de resultados apenas quando ocorresse uma transação envolvendo terceiros (partes independentes e não relacionadas) resultante de um processo de barganha negocial não viciado. Inclusive, é partindo dessa premissa que se defende a impossibilidade de reconhecimento de resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle e, consequentemente, a impossibilidade de reconhecer contabilmente o “ágio interno”. Como é sabido, presumese a existência de influência significativa da investidora sobre a investida, caracterizando coligação, quando aquela for titular de pelo menos 20% do capital votante desta e, se assim não o for, presumese a inexistência dessa relação. Como bem colocado pela DRJ: “A autuada detinha 12.363.876 ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S/A, cujo capital social era representado por um montante de 722.888.403 ações. Portanto, a participação da Impugnante no capital social da Bovespa Holding S/A era de 1,71%, não caracterizando coligação e, tampouco, controle.” Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 562 32 Assim, não estamos falando de partes relacionadas. Mas mesmo que o fossem, levandose em conta também que o bem aqui considerado serem ações precificadas em mercado aberto regulado, não há que considerar que estaríamos diante de “um preço de barganha negocial viciado”. A última premissa (“há a necessidade de que alguém passe a ser titular de algo do qual não era titular’), também já foi criticada neste voto quando se demonstrou alhures que estaríamos diante de uma verdadeira transferência de domínio econômico de bens (ações) que passaram da incorporada para a incorporadora. Com relação ao judicial trazido a lume pelo relator, cumpre esclarecer que as decisões do STJ, sem ter o caráter de recurso repetitivo, não têm efeito vinculante, ante a inexistência de lei que lhes atribua eficácia normativa. De mais a mais, também convém também advertir que não existe nenhuma decisão do STJ com a aplicação da legislação tributária após o advento da Lei nº 9.249/95, que, no artigo 22, regula a matéria, permitindo adoção do valor de custo ou de mercado para restituição de capital aos sócios.. Por todo o exposto, concluo que a incorporação de ações de fato importa uma alienação que é tributável, pois no caso concreto, com a valorização à preço de mercado gerou uma forma de acréscimo patrimonial, ensejando assim a tributação do ganho de capital. Valoração das ações preferenciais Alega a recorrente que a autuada recebeu na operação, ações ordinárias e ações preferenciais resgatáveis da Nova Bolsa e, embora não tenha ocorrido desembolso financeiro na operação, não se pode afirmar que as ações preferenciais resgatáveis foram adquiridas a custo zero, pois seu valor foi estabelecido a partir de documentos idôneos e hábeis à comprovação da operação Protocolo de Justificação e Atas das Assembléias que aprovaram a reorganização societária em que ficou estabelecida a relação de substituição de Ações. Por fim, reitero em todos os seus termos as razões da decisão de piso que rejeitaram os argumentos da Recorrente: O resgate das ações evidencia um dos componentes da reorganização societária: o pagamento aos acionistas da Bovespa Holding S/A do valor correspondente à diferença a maior do valor de mercado dessa companhia em relação ao da BM&F S/A. Na aplicação da norma tributária, a essência do negócio deve prevalecer sobre a sua forma. Neste aspecto, podese dizer que a Impugnante não despendeu valores para adquirir as ações preferenciais da Nova Bolsa, ou seja, ao recebêlas, não incorreu em um custo de aquisição. Esses títulos foram recebidos, na relação de substituições de ações, como parte do acordo entre os sócios das duas companhias de maneira a buscar o equilíbrio societário da Nova Bolsa, ajustando o pagamento da diferença encontrada aos sócios que estavam aportando um valor de patrimônio maior na formação do capital da nova companhia. Portanto, os acionistas da Bovespa Holding S/A não efetuaram pagamento pela aquisição das ações preferenciais resgatáveis da Nova Bolsa S/A; ao contrário, receberam essas ações como títulos de crédito que lhes permitiram receber o pagamento Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.720916/201106 Acórdão n.º 1401001.416 S1C4T1 Fl. 563 33 correspondente ao ajuste necessário para se atingir uma composição societária equilibrada com os sócios da BM&F S/A. O valor de resgate de R$8.919.772,40 pago pela Nova Bolsa por suas ações preferenciais aos acionistas da Bovespa Holding S/A correspondeu a uma "torna" dos acionistas da BM&F S.A. àqueles, tratandose, portanto, de uma receita tributável para fins do IRPJ e da CSLL, a qual não é oponível um custo de aquisição. Ainda que para fins de registro contábil seja necessário atribuir um custo de aquisição a essas ações preferenciais resgatáveis, sob o ponto de vista tributário, não é possível aceitar sua dedução das bases de cálculo tributárias, razão pela qual devem ser mantidos os lançamentos do IRPJ e CSLL sobre o mencionado valor de R$701.781,09. Reserva de reavaliação Por fim, reitero também em todos os seus termos, como se aqui estivesse transcrito, o entendimento da DRJ (declaração de voto) de que se não houve a constituição da reserva de reavaliação, não há também que se cogitar em diferimento da tributação do ganho auferido com ações incorporadas por valor superior ao custo contábil para o no momento da realização do respectivo ativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam se à CSLL reflexa, no que cabíveis. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13804.003523/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.103
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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(ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13804.003523/200517 Resolução n.º 330200.103 S3C3T2 Fl. 703 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 110 a 136) apresentado em 18 de agosto de 2008 contra o Acórdão no 1617.702, de 04 de julho de 2008, da 9ª Turma da DRJ São Paulo I / SP (fls. 92 a 102), cientificado em 18 de julho de 2008, que, relativamente a pedido de ressarcimento de Cofins dos períodos de abril a junho de 2005, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do Decreto nº 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou invalidação do Despacho Decisório. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. A liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.61.00.0252340 determinou que o que o Delegado da DERAT/SPO apreciasse os pedidos de ressarcimento no prazo de 30 dias, conforme requerido pelo impetrante. Autoridade a quo seguiu a determinação judicial, que não comporta interpretação diversa. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A não comprovação pelo contribuinte do crédito pleiteado enseja o indeferimento do pedido de ressarcimento. Nos termos do art. 36 da lei nº 9.784/99, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Solicitação Indeferida O pedido foi apresentado em 25 de julho de 2005 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fls. fls. 66 a 68. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "12. O contribuinte, inconformado com despacho decisório que indeferiu seu pleito, apresentou sua manifestação de inconformidade em 10.09.2007 (fls. 70 a 79), acompanhada de documentos de fls. 80 a 83, no qual argumenta, em síntese, que: 12.1 No desenvolvimento de seus negócios, o contribuinte aferiu vários créditos tributários federais junto ao fisco, decorrentes de Contribuições para o PIS/PASEP não cumulativo exportação e da COFINS não cumulativa exportação, e, dessa forma, requereu administrativamente o ressarcimento de tais créditos à Secretaria da Receita Federal do Brasil; 12.2 Após significante lapso temporal, a Fiscalização não havia se manifestado sobre o pedido formulado, praticando portando ato omissivo injustificado que violava o direito do contribuinte, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13804.003523/200517 Resolução n.º 330200.103 S3C3T2 Fl. 704 3 acarretando a descapitalização deste e importando prejuízos financeiros, pois, impossibilitado de utilizar seus créditos; 12.3 O contribuinte impetrou Mandado de Segurança nº 2006.61.00.0252340visando obter provimento jurisdicional a fim de determinar que seus pedidos fossem apreciados e julgados em até 30 dias. A liminar foi deferida, determinando à Receita Federal que procedesse a análise dos requerimentos do contribuinte no prazo de 30 dias, nos termos do artigo 49 da Lei 9.784/99 e, ao final, a segurança foi concedida; 12.4 Maliciosamente, a Fiscalização indeferiu o pedido de ressarcimento do contribuinte, sob o viés de que havia requerido documentos necessários para a fiscalização e que estes não foram entregues até o prazo determinado no Mandado de Segurança. Salta aos olhos, a máfé da Fiscalização, pois o indeferimento sob tais alegações evidencia que a fiscalização tenta esquivarse de seu múnus, em detrimento do direito do contribuinte; 12.5 Clarividente que o prazo fixado no Mandado de Segurança, contarseá somente quando a Impetrada estiver munida de todos os documentos que entender necessários à averiguação dos créditos do contribuinte; 12.6 Tal entendimento chega a ser lógico até mesmo para um leigo, no entanto, se assim não entendesse a Fiscalização, poderia meramente protocolizar petição naqueles autos informando o motivo do descumprimento da determinação judicial, que seria plenamente justificável; 12.7 Todavia, contrariamente a todas as possibilidades lógicas e coerentes, contrariando ainda diversos princípios constitucionais e administrativos, em especial o da finalidade, a Fiscalização entendeu pela providência mais cômoda e arbitrária, indeferindo os créditos do contribuinte; 12.8 É bem verdade que a r. sentença proferida nos autos do já mencionado Mandado de Segurança fixou o prazo de trinta dias para a análise dos pedidos de ressarcimento do contribuinte. É certo ainda que o escopo da decisão não é outro senão proteger o contribuinte de arbitrariedades cometidas pela Administração Pública; 12.9 O que se buscou judicialmente foi a plena aplicabilidade dos artigos 48 e 49 da lei nº 9.784/99, vejamos: “Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência. Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada.” 12.10 Extraise do comando supramencionado que somente depois de concluída a instrução do processo administrativo é que iniciarseá o prazo de trinta dias para ser proferida a decisão. Igualmente deve ser interpretada a decisão do writ. In casu, quando da solicitação de documentos pela Fiscalização, clarividente que a instrução do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13804.003523/200517 Resolução n.º 330200.103 S3C3T2 Fl. 705 4 processo administrativo não havia sido concluída, entendimento este estendido quando do requerimento de prazo pelo contribuinte para a entrega destes; 12.11 Por óbvio, somente após a definitiva entrega de todos os documentos necessários à fiscalização é que se iniciará a contagem do prazo estabelecido na lei e confirmado no Mandado de Segurança citado; 12.12 Interpretação contrária seria uma afronta não somente ao artigo 37 da Carta Magna, mas aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público, eficiência, boafé, proporcionalidade, segurança jurídica, e o da interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige (Lei nº 9.784/99); 12.13 À luz de todos os princípios mencionados, vêse que o prazo determinado no Mandado de Segurança, bem como fixado nos artigos 48 e 49 da Lei nº 9.784/99, deve ser considerado como termo inicial a conclusão da instrução do processo administrativo, com a efetiva entrega pelo contribuinte de todos os documentos necessários à Fiscalização; 12.14 Para indeferir o pedido de ressarcimento do contribuinte, a Fiscalização sustentouse na impossibilidade de apreciálos nos trinta dias determinados no Mandado de Segurança. Antevendo a malícia da fiscalização, antes do aludido indeferimento, o contribuinte peticionou naqueles autos requerendo esclarecimentos acerca da contagem do prazo. Em recentíssimo despacho, o Excelentíssimo Juiz daquela Subseção Judiciária proferiu o seguinte despacho: “Vistos etc. A forma de contagem do prazo de cumprimento da medida liminar é aquela prevista na Lei Processual. Se o impetrante e, principalmente, a autoridade apontada como coatora necessitam dilatar o prazo de cumprimento da medida liminar deferida por este Juízo, que façam requerimento expresso neste sentido e adequado à situação de cada um. Intime(m)se."" 12.15 Caso a Fiscalização necessite de prazo maior que o determinado na decisão liminar, para apreciação dos pedidos de ressarcimento do contribuinte, deverá requerer àquele D. Juízo a dilação de prazo. Vêse que não subsistem os argumentos do decisum que ora se debate, devendo ser anulada dita decisão, com a conseqüente continuidade da Fiscalização, colocandose o contribuinte à disposição para a entrega de quaisquer documentos necessários à conclusão dos trabalhos; 12.16 Requer a anulação da decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento, e o retorno dos autos à Fiscalização para manifestação acerca do mérito dos pedidos em trinta dias contandose o prazo a partir da entrega pelo contribuinte de todos os documentos necessários à instrução do processo. 13. Em 19.05.2008 o contribuinte protocolizou petição de fls. 86 a 88, na qual alega que possui em seus arquivos a documentação necessária à dilação probatória da existência de seu crédito, e solicita a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13804.003523/200517 Resolução n.º 330200.103 S3C3T2 Fl. 706 5 conversão do julgamento do presente processo em diligência à Delegacia de origem." No recurso, a Interessada repetiu as alegações da manifestação, fazendo histórico do processo e manifestando sua indignação com o procedimento adotado, que, segundo relatou, feriria os princípios da verdade material, da finalidade, da eficiência. Por fim, alegou que juntaria aos autos, no prazo de quinze dias, toda a documentação comprobatória, o que não faria naquele momento à vista “do grande volume de documentos”. Mencionou o acórdão do 2o Conselho de Contribuintes no RV no 132.865. Posteriormente, a Interessada apresentou a documentação (fls. 153 a 697). Nas fls. 700 e 701, foi juntado ofício que deu prioridade aos processos administrativos, à vista do mandado de segurança impetrado pela Interessada. É o relatório. VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A decisão tomada no âmbito do presente processo pela autoridade de origem não pode ser criticada, uma vez que, conforme ressaltado anteriormente, tratouse de verdadeiro dilema. A própria Interessada, ao requerer a apreciação do pedido no prazo de trinta dias, certamente poderia prever a necessidade de apresentação e instrução do processo. Entretanto, é relevante a tese de que o prazo somente iniciarseia a partir da instrução processual. Além disso, como já foram realizadas diligências em outros processos, apurandose, ao menos em parte, direito de ressarcimento, existem ao menos indícios de que, de fato, a Interessada teria condições de apresentar prova de seu direito. Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que seja apurado o valor de ressarcimento a que a Interessada tem direito, de maneira semelhante ao que ocorreu os processos 16349.000220/200636, 16349.000221/200681, 16349.000223/200670 e 16349.000228/200601. Deverá ser dada prioridade ao processo, à vista da ação judicial apresentada pela Interessada. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 13846.000144/2004-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/02/1995 a 30/11/1999
Ementa:
INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
A despeito de não ter sido impugnado o ponto relativo à decadência, esse Eg. CARF pode, de ofício afastá-la, na medida em que inaplicável ao caso a norma inserta no art. 3º. da LC 118 a pedido de restituição apresentado anteriormente ao início de sua vigência. Precedente do STF RE 566.621 c/c art. 62-A do RICARF.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO.
A sociedade civil isenta da COFINS a teor do que determinado pela LC 70/91 é a sociedade composta de sócios que isolada ou conjuntamente estejam habilitados ao exercício do objeto social da empresa.
SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA - ISENÇÃO REVOGADA POR NORMA SUPERVENIENTE E VÁLIDA
A Lei n. 9.430/96 revogou expressamente a isenção até então concedida às sociedades civis de que trata o art. 1º. do Decreto-Lei n. 2.397/87. Assim, não há que se falar em isenção da COFINS no período posterior a vigência da nova norma.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 3301-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
FÁBIA REGINA FREITAS - Relatora.
EDITADO EM: 26/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Sidney Eduardo Sthall, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A despeito de não ter sido impugnado o ponto relativo à decadência, esse Eg. CARF pode, de ofício afastála, na medida em que inaplicável ao caso a norma inserta no art. 3º. da LC 118 a pedido de restituição apresentado anteriormente ao início de sua vigência. Precedente do STF RE 566.621 c/c art. 62A do RICARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. A sociedade civil isenta da COFINS a teor do que determinado pela LC 70/91 é a sociedade composta de sócios que isolada ou conjuntamente estejam habilitados ao exercício do objeto social da empresa. SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA ISENÇÃO REVOGADA POR NORMA SUPERVENIENTE E VÁLIDA A Lei n. 9.430/96 revogou expressamente a isenção até então concedida às sociedades civis de que trata o art. 1º. do DecretoLei n. 2.397/87. Assim, não há que se falar em isenção da COFINS no período posterior a vigência da nova norma. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 6. 00 01 44 /2 00 4- 06 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS 2 EDITADO EM: 26/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Sidney Eduardo Sthall, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase, na origem, de pedido de Restituição de valores pagos a maior a título de COFINS (fls.4/8), apresentada em 01 de dezembro de 2004, relativa ao período compreendido entre fevereiro de 1995 e fevereiro de 2004, no montante total de R$ 121.497,66 (cento e vinte e um mil, quatrocentos e noventa e sete reais e sessenta e seis centavos), atualizado pela taxa SELIC. Em seu pedido, a contribuinte embasa o seu entendimento no inciso II do artigo 6º da Lei Complementar nº 70/91, de 30 de dezembro de 1991, lei esta que isenta da contribuição de COFINS as sociedades civis de que trata o art. 1º do Decreto – Lei n° 2.397/87, de 22 de dezembro de 1987. Em consequência disso, a contribuinte alega que a supracitada Lei Complementar sobrepõese a legislação ordinária e aduz que encontrase abrangida pela isenção de COFINS por apresentar os seguintes requisitos: “1 – É sociedade constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no Brasil; 2 – Tem por objetivo a prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; 3 – Está regularmente registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas.” Por fim, em seu pedido, a contribuinte alega a inocorrência da decadência do direito à Restituição, bem como a extinção do crédito tributário com base no art. 150 do CTN. Conforme fl. 157, a interessada comunica que efetuou o pedido de restituição da COFINS entre o período de 01/01/2000 a 28/02/2003 pela PER/DCOMP, transmitidas no dia 28/12/2004, a qual solicita seja juntada aos presentes autos. Preliminarmente a DRF de Presidente Prudente, às fls. 341/343, julgou decaído o direito da interessada em reaver valores recolhidos a título de COFINS anteriormente a 01/12/1999, com base no art. 158 do CTN, no entendimento consolidado no Parecer PGFN/CAT n° 1538/99 e no Ato Declaratório n° 96, de 26 de novembro de 1999, bem como da norma interpretativa insculpida no artigo 3° da Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005, observando que tratase de pagamentos efetuados no período de 10/03/1995 a 13/02/2004, e tendo sido protocolado o pedido em 01/12/2004. No mérito, a DRF aduziu que o pedido não merece prosperar, ao fundamento de que o STF já decidiu que, nada obstante a Lei Complementar nº 70 de 30/12/1991 formalmente ser lei complementar, materialmente tratase de lei ordinária, podendo ser alterada por outra lei de mesma hierarquia (Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 11/DF, julgada em 1 de dezembro de 1993), decisão a que se pendeu o STJ no “AgREsp 429.596 /RS”. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 13846.000144/200406 Acórdão n.º 3301002.665 S3C3T1 Fl. 3 3 Nessa medida, em razão da revogação da mencionada isenção por norma válida, indeferiu o pedido de restituição/compensação. Cientificado do despacho decisório em 07 de março de 2005 (fl. 346), a interessada apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 347/351), alegando em síntese: Em sede de preliminar, mais uma vez alega a inocorrência da decadência do direito à restituição dos valores pagos a título de COFINS, citando o art. 165, I, do CTN, bem como citando a seguinte jurisprudência do STJ a respeito da matéria: "Consoante entendimento pacifico do E. STJ, a decadência do direito de pleitear a restituição ou a compensação de tributo lançado por homologação só ocorrerá, após, transcorrido o prazo de cinco anos contados a partir da homologação tácita (Precedentes: REsp. (s). 71.077/DF e 65.7148/RN)" — Resposta. N° 197290, Relator Ministro Peçonha Martins, 2° Turma, DJ. De 21.11.2000. Quanto ao mérito, a contribuinte esclarece que no seu Pedido de Restituição não questionou sobre constitucionalidade de Lei ou sobre a contribuição COFINS e reafirma que a Lei Ordinária n° 9.430/96 não pode revogar isenção concedida pela Lei Complementar n° 70/91. A respeito do tema expõe a seguinte ementa do STJ: "AgRg no RECURSO ESPECIAL N°667.355 — RS (2004/00882002)" RELATOR: MINISTRO FRANCISCO FALCÃO AGRAVANTE: FAZENDA NACIONAL AGRAVADO: LABORATÓRIO CLÍNICO LTDA. EMENTA "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO, AGRAVO REGIMENTAL, RECURSO ESPECIAL, COFINS, ISENÇÃO, SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS (ART. 6°, II, DA LC N° 70/91), SUMULA N° 276/STJ, VIOLAÇÃO A PRECEITOS CONSTITUCIONAIS, ANÁLISE, IMPOSSIBILIDADE. I — A discussão cingese à possibilidade de lei ordinária revogar isenção tributária concedida por lei complementar, situandose, portanto, no plano infraconstitucional. II — A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que as sociedades civis prestadoras de serviços são isentas da COFINS, nos termos do artigo 6°, inciso II, da Lei Complementar n°70/91 (Súmula n° 276/STJ). A revogação do benefício em tela só poderia ter sido veiculada por outra lei complementar, sob pena de violação ao princípio da hierarquia das leis. III — é vedado a esta Corte analisar suposta violação a preceitos Constitucionais, ainda que para fins de préquestionamento. IV — Agravo regimental improvido." A DRJ de Ribeirão Preto (fls. 358/365) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da interessada com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/02/1995 a 30/11/1999 INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS 4 A decadência do direito de se pleitear restituição e/ou compensação de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/01/2004 SOCIEDADE CIVIL. PROFISSÃO. LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO. Para o período de competência janeiro de 1995 a março de 1997, a isenção da Cofins, para as sociedades civis de prestação de serviços relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, estava condicionada ao atendimento, por parte delas, dos requisitos legais para a fruição do benefício. Já para o período de competência de abril de 1997, em diante, a isenção de que gozavam aquelas sociedades foi revogada por norma legal, quando então passaram a serem tributadas com base no faturamento mensal. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário conforme fls.379/381. Em sua peça recursal, a contribuinte pleiteia a reforma do acórdão, trazendo novamente a discussão da decadência, embasando seu fundamento no art. 168 do CTN c/c o art. 3º da Lei nº 118, de 09 de fevereiro de 2005. Aponta, ainda, em relação à isenção da contribuição, que a LC nº 70, de 1991, art. 6º, II, previa expressamente o mencionado benefício. Por fim, pleiteia a restituição/compensação, a qual não se encontra alcançada pela decadência. Ressaltase que o Recurso Voluntário da interessada encontrase sem a devida assinatura de seu procurador. É o relatório. Voto Conselheira FÁBIA REGINA FREITAS Em que pese o fato de não ter sido impugnada pela ora recorrente a aplicação, pela Delegacia de Julgamento a quo, do art. 3º. da LC n. 118/2005 a pedido de restituição apresentado anteriormente ao início da vigência da mencionada norma, por força do art. 62A do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – carf – e em se tratando de matéria de ordem pública (decadência), a decisão deve ser reformada eis que contraria julgado em sede de repercussão geral pelo Eg. STF no RE 566.621. Com efeito, o Supremo, em decisão judicial transitada em julgado e em sede de repercussão geral concluiu que a mencionada norma não tinha conteúdo meramente interpretativo, razão pela qual suas diretrizes só se aplicariam a partir do início da sua vigência. Nesse sentido é a jurisprudência desse CARF. Afastada, portanto, a alegação de decadência dos créditos pleiteados pela contribuinte nesses autos. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 13846.000144/200406 Acórdão n.º 3301002.665 S3C3T1 Fl. 4 5 No mérito, entretanto, entendo não assistir razão à contribuinte. É que o Eg. STJ, analisando questão absolutamente similar ao caso concreto, decidiu, nos autos do REsp nº 837934/DF, o Ministro José Delgado assim se pronunciou: A impetrante, embora sociedade prestadora de serviços odontológicos registrada no 2º Ofício de Registro de Pessoas Jurídicas do Distrito Federal, constituída por 1 (uma) sócia dentista, é também integrada por pessoa física que não é profissional da área afim ao seu objeto social: Gildete Medeiros Casado é do lar (f. 22). O art. 6º, II, da LC nº 70/91 prevê a isenção das sociedades civis de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 21 DEZ 1987, que textualiza:”... sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País.” (grifei) A recente jurisprudência do STJ orienta no sentido da necessidade de observarse se o sócio tem habilitação legal para exercer a atividade do objeto social da empresa, o que, evidentemente, não é o caso, porque a prestação dos serviços de profissão regulamentada é restrita ao profissional da área: (REsp nº 663.370/CE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, T2, ac. un., DJ 03/11/2004, p. 198). Pelo exposto, DOU PROVIMENTO à remessa oficial para, reformando a sentença, DENEGAR a segurança. PREJUDICADA a apelação. Custas pela impetrante. Honorários incabíveis (Súmulas n. 512/STF e n. 105/STJ). Oficiese. Referindose ao supracitado precedente, o próprio Ministro José Delgado, no RESP 901.786, confirmou a jurisprudência do Tribunal ao afastar a isenção em relação à sociedade que era composta por sócio empresário não exercendo profissão relacionada com o objeto social da empresa, não atendendo, assim, aos requisitos do art. 6º, II, da LC nº 70/91 e ao art. 1º do DL nº 2.397/87. No caso concreto, uma das sócias da sociedade ora recorrente, de fato, não se encontra habilitada para o exercício da atividade do seu objeto social. Tal informação, inclusive, não é negada pela Recorrente, que assume essa condição societária. Nesse diapasão, é de rigor a aplicação do entendimento já consagrado pelo Eg. STJ no sentido de afastar a isenção pleiteada pela Recorrente, na linha do que já decidido pelo v. aresto recorrido. Ademais, em relação ao período de competência de abril de 1997, em diante, encontrase acertado o v. aresto recorrido, não merecendo prosperar o pedido da recorrente. Em que pese o argumento da ora recorrente alegar que a revogação da isenção da COFINS pela Lei n° 9.430/96, artigos 56 e 88, inciso XIV, para as sociedades civis de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.397/87, de 22/12/1987 fere, frontalmente, o princípio da hierarquia das leis, visto que tal revogação só poderia ter sido veiculada por outra lei, o STF já possui entendimento consolidado a respeito do tema. De fato, a Suprema Corte entende que a Lei Complementar nº 70, formalmente, é norma complementar, mas materialmente cuidase de lei ordinária, o que torna possível sua alteração por meio de lei ordinária, por ser de mesma hierarquia (Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 11/DF, julgada em 1 de dezembro de 1993). Sendo assim, a Lei n. 9430 ao prever expressamente a revogação do benefício, inseriu no ordenamento jurídico norma geral e abstrata válida. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS 6 Nesse diapasão, o Eg. STJ, no AgREsp 429.596 /RS, concluiu pela viabilidade da revogação do benefício, sendo que tal revogação deve valer a partir da vigência da nova norma. É o que se verifica da seguinte ementa: AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. PRESTADORAS DE SERVIÇO. ISENÇÃO. LC N° 70/91. STATUS DE LEI ORDINÁRIA. ADC N° 01/ DF. LEI N° 9.430/96. REVOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ANÁLISE DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APLICAÇÃO DA LICC. PRINCIPIO DE QUE A LEI POSTERIOR REVOGA A LEI ANTERIOR NAQUILO EM QUE LHE FOR CONTRARIA. (AgREsp 429.596 /RS, Ministro LUIZ FUX) Nesse mesmo sentido, esse egrégio CARF, em outros casos semelhantes, quanto a matéria ora em litígio: EMENTA Processo:13878.000205/200450 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/1999 COFINS. RESTITUIÇÃO. PRAZO. O prazo para solicitar restituição é de cinco anos após o recolhimento ou pagamento do tributo indevido, nos moldes da LC nº 118/2005, consoante entendimento sufragado pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. COFINS. RESTITUIÇÃO. SÚMULA DO STJ. MATÉRIA PACIFICADA NO STF. Súmula do e. Superior Tribunal de Justiça não é supedâneo para pedido de restituição, porquanto aquela representa tão somente a síntese do entendimento do Tribunal, sem efeito normativo ou vinculação para a autoridade administrativa. Demais disso, a revogação da isenção da COFINS sobre as sociedades civis de prestação de serviços de profissão regulamentada por lei ordinária (art. 56 da Lei nº 9.430/96) é matéria pacificada no Supremo Tribunal Federal, como legítima. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sendo assim, resta claro que as alegações da ora recorrente não procedem. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. . FÁBIA REGINA FREITAS – Relatora. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS Processo nº 13846.000144/200406 Acórdão n.º 3301002.665 S3C3T1 Fl. 5 7 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FABIA REGINA FREITAS
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Numero do processo: 10580.724811/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
CARF. JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE.SÚMULA CARF no. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS ATIVIDADES DE ARRECADAÇÃO, COBRANÇA, FISCALIZAÇÃO E TRIBUTAÇÃO
Compete à Secretaria da Receita Federal as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos impostos e contribuições pagos de conformidade com o SIMPLES, aplicando-se aos processos de determinação e exigência dos créditos tributários e de consulta, relativos aos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES, as normas relativas ao imposto de renda.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE.
Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo
e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito
da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se
seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (Acórdão CSRF/0202.543, de 22/01/2007)
NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico
praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Acórdão CSRF/0202.898, de 28/01/2008, Relator Cons. Antônio Carlos Atulim. Na mesma linha o acórdão CSRF/0202.899, de mesma data)
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF
O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do
lançamento. (Acórdão 10515.706, de 24/05/2006, Relator Cons. José Carlos Passuelo).
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF
O lançamento de ofício está vinculado à Lei. Assim, torna-se imperativo concluir que o MPF, ainda que regulado por Decreto
do Chefe do Executivo, não se constitui em elemento indispensável para dar validade ao lançamento tributário.
Portanto, não há como declarar nulidade, quer material quer formal, de lançamento tributário que atende aos requisitos do Art. 142 do Crédito Tributário Nacional (CTN), formalizado porautoridade legalmente competente e nos termos do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem
ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não no âmbito do processo de exigência tributária. (Acórdão
10709.036, de 24/05/2007, Relator Cons. Luiz Martins Valero).
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULARIDADES. NÃO CONTAMINAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 20215.834, de 19/10/2004. Na mesma linha o Acórdão 20215.833).
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 1202-001.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância.
(documento assinado digitalmente)
PLÍNIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (Suplente convocado), Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 CARF. JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE.SÚMULA CARF no. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS ATIVIDADES DE ARRECADAÇÃO, COBRANÇA, FISCALIZAÇÃO E TRIBUTAÇÃO Compete à Secretaria da Receita Federal as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos impostos e contribuições pagos de conformidade com o SIMPLES, aplicando-se aos processos de determinação e exigência dos créditos tributários e de consulta, relativos aos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES, as normas relativas ao imposto de renda. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (Acórdão CSRF/0202.543, de 22/01/2007) NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Acórdão CSRF/0202.898, de 28/01/2008, Relator Cons. Antônio Carlos Atulim. Na mesma linha o acórdão CSRF/0202.899, de mesma data) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento. (Acórdão 10515.706, de 24/05/2006, Relator Cons. José Carlos Passuelo). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O lançamento de ofício está vinculado à Lei. Assim, torna-se imperativo concluir que o MPF, ainda que regulado por Decreto do Chefe do Executivo, não se constitui em elemento indispensável para dar validade ao lançamento tributário. Portanto, não há como declarar nulidade, quer material quer formal, de lançamento tributário que atende aos requisitos do Art. 142 do Crédito Tributário Nacional (CTN), formalizado porautoridade legalmente competente e nos termos do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não no âmbito do processo de exigência tributária. (Acórdão 10709.036, de 24/05/2007, Relator Cons. Luiz Martins Valero). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULARIDADES. NÃO CONTAMINAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 20215.834, de 19/10/2004. Na mesma linha o Acórdão 20215.833). Recurso a que se nega provimento.
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JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE.SÚMULA CARF no. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS ATIVIDADES DE ARRECADAÇÃO, COBRANÇA, FISCALIZAÇÃO E TRIBUTAÇÃO Compete à Secretaria da Receita Federal as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos impostos e contribuições pagos de conformidade com o SIMPLES, aplicandose aos processos de determinação e exigência dos créditos tributários e de consulta, relativos aos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES, as normas relativas ao imposto de renda. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (Acórdão CSRF/0202.543, de 22/01/2007) NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 48 11 /2 01 0- 50 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 21/05 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA 2 (Acórdão CSRF/0202.898, de 28/01/2008, Relator Cons. Antônio Carlos Atulim. Na mesma linha o acórdão CSRF/0202.899, de mesma data) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento. (Acórdão 10515.706, de 24/05/2006, Relator Cons. José Carlos Passuelo). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O lançamento de ofício está vinculado à Lei. Assim, tornase imperativo concluir que o MPF, ainda que regulado por Decreto do Chefe do Executivo, não se constitui em elemento indispensável para dar validade ao lançamento tributário. Portanto, não há como declarar nulidade, quer material quer formal, de lançamento tributário que atende aos requisitos do Art. 142 do Crédito Tributário Nacional (CTN), formalizado porautoridade legalmente competente e nos termos do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não no âmbito do processo de exigência tributária. (Acórdão 10709.036, de 24/05/2007, Relator Cons. Luiz Martins Valero). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULARIDADES. NÃO CONTAMINAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 20215.834, de 19/10/2004. Na mesma linha o Acórdão 20215.833). Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância. (documento assinado digitalmente) PLÍNIO RODRIGUES LIMA Presidente. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Relator. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 21/05 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.724811/201050 Acórdão n.º 1202001.255 S1C2T2 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Valmar Fonsêca de Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito (Suplente convocado), Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Adoto, por bem descrever os fatos, o relatório da decisão recorrida, o qual trasncrevo, a seguir, in verbis: “A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 05.1.01.002009015812, que culminou com a formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2006 a 31/12/2006 na modalidade do Simples. O trabalho de auditoria teve início em 05/01/2010, quando o sujeito passivo foi intimado a apresentar os livros fiscais e documentos contábeis relativos ao período sob ação fiscal. O contribuinte apresenta apenas um quadro comparativo entre a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – PJSI 2007 e as Declarações de Apurações Mensais do ICMS DMA’S apresentadas à Secretaria da Fazenda do Governo do Estado da Bahia, apontando as diferenças mensais existentes entre as mesmas. Reintimado, o contribuinte declara que identificou inconsistência, no ano calendário de 2006, entre as declarações prestadas ao Fisco Federal e ao Estadual. Intimado a esclarecer as divergências detectadas, informa ter sido “o lapso...erro de cibernética, valendose pois o constante nas DMA’s.” De posse destas informações, a fiscalização calculou os tributos abrangidos pelo Simples, relativamente àqueles valores declarados através da PJSI e recolhido a menor que o devido, tendo em vista as alterações ocorridas e conseqüentemente apuradas as diferenças não recolhidas. O lançamento de ofício relativo ao Simples, período de 01/01/2006 a 31/12/2006 está consubstanciado nos autos de infração – Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples (fls. 20), no valor de R$ 83.995,12; Contribuição para o PIS/Pasep – Simples (fls. 29), no valor de R$ 61.595,73, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Simples (fls. 38), no valor de R$ 86.283,92, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 47), no valor de R$ 254.079,37 e Contribuição para Seguridade Social – INSS – Simples (fls. 58), no valor de R$ 728.931,43; apurando o crédito tributário total no valor de R$ 1.214.885,57 (um milhão, duzentos e catorze mil, oitocentos e oitenta e cinco reais e cinqüenta e sete centavos), aí incluído o principal, multa proporcional de 75% e juros de mora calculados até 30/04/2010. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado pessoalmente dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal em 25/05/2010 (fls. 66), e apresenta sua impugnação, de fls. 147/154 em 18/06/2010, alegando, em síntese: 1 do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal/MPF: o MPF foi expedido em 2009 e quando da sua execução (2010), encontravase com sua validade expirada, comprometendo todo o procedimento fiscal, sendo o mesmo nulo; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 21/05 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA 4 2 discorre sobre a COFINS, sua criação, sustenta que a alteração de sua base de cálculo afronta o artigo 195, I, da Constituição Federal; 3 se dedica à intermediação na prestação de serviço de transporte, isto é, serve de ligação entre caminhoneiros autônomos e empresas tomadoras do serviço, limitandose apenas a formalizar esta transação, emitindo os respectivos documentos fiscais, ganhando, para tanto, uma simples comissão; 4 está inscrito no Simples Federal que é um programa de incentivos fiscais que abrange, em uma única etapa de incidência, num sistema de tributação simplificado, os diversos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, donde a tributação é feita mediante a aplicação de uma alíquota incidente sobre a receita bruta mensal, ficando a pessoa jurídica dispensada do pagamento dos demais tributos instituídos pela União. A Auditora Fiscal lavrou cinco Autos de Infração, repartindo a cobrança por cada tributo que compõe o sistema integrado de pagamento, ferindo frontalmente o artigo 5º, inciso II, da Lei nº 9.317/1996; 5 também foi contrariado o princípio da legalidade, bem como o artigo 142, e o Parágrafo Único do Código Tributário Nacional, pois não poderiam ter sido desconsiderados os percentuais previstos no artigo 5º, inciso II, da Lei nº 9.317/1996, submetendoo a uma legislação mais complexa; e 6 a violação frontal à Lei, referida no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, leva à declaração de nulidade dos Autos de Infração. 7 Ao final requer (a) seja declarado nulo o MPF em face do excesso prazal; (b) seja declarado nulo o lançamento haja vista a ilegalidade da autuação. (...)” A Delegacia de Julgamento, apreciando a impugnação apresentada, decidiu por manter a exigência, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui como o instrumento jurídico de outorga administrativa de legitimação à atividade fiscalizatória, permitindo a fiscalização a prática dos atos inerentes a esta atividade. Não se constata dos autos que tenha havido irregularidade apontada pelo contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. NULIDADE. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 21/05 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.724811/201050 Acórdão n.º 1202001.255 S1C2T2 Fl. 4 5 Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Não se vislumbra nos autos as hipóteses de nulidade arguidas na impugnação. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade e ilegalidade de leis ou atos, bem como de afronta a princípios constitucionais. VIOLAÇÃO À REGRA DE RECOLHIMENTO UNIFICADO. INOCORRÊNCIA. O lançamento de créditos tributários do Simples Federal em Autos de Infração distintos, por tributo, está de acordo com o regime de tributação simplificada e com as normas do processo administrativo fiscal federal. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos expendidos na fase impugnatória. È o Relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. DA NULIDADE POR INCORREÇÕES RELATIVAS AO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Adoto, por brilhante, o que dispôs o voto condutor do acórdão de no. 1302001.679, da lavara do eminente Conselheiro Waldir Veiga Rocha, o qual trasncrevo, em excertos: “(...) Assim, não se verifica qualquer irregularidade no que tange ao MPF. Ainda que assim não fosse, o que admito apenas como hipótese argumentativa, é assente que o MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. A matéria tem sido discutida no âmbito dos extintos Conselhos de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fl. 280DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 21/05 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA 6 Fiscais e as decisões, de forma reiterada, apontam nesse sentido. Os acórdãos cujas ementas transcrevo a seguir bem ilustram essa linha de entendimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. (Acórdão CSRF/0202.543, de 22/01/2007) NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Acórdão CSRF/0202.898, de 28/01/2008, Relator Cons. Antônio Carlos Atulim. Na mesma linha o acórdão CSRF/0202.899, de mesma data) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MPF O MPF é instrumento de controle administrativo, sendo que irregularidades nele contidas não podem ensejar a nulidade do lançamento. (Acórdão 10515.706, de 24/05/2006, Relator Cons. José Carlos Passuelo). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O lançamento de ofício está vinculado à Lei. Assim, tornase imperativo concluir que o MPF, ainda que regulado por Decreto do Chefe do Executivo, não se constitui em elemento indispensável para dar validade ao lançamento tributário. Portanto, não há como declarar nulidade, quer material quer formal, de lançamento tributário que atende aos requisitos do Art. 142 do Crédito Tributário Nacional (CTN), formalizado porautoridade legalmente competente e nos termos do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não no âmbito do processo de exigência tributária. (Acórdão 10709.036, de 24/05/2007, Relator Cons. Luiz Martins Valero). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL IRREGULARIDADES. NÃO CONTAMINAÇÃO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 21/05 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.724811/201050 Acórdão n.º 1202001.255 S1C2T2 Fl. 5 7 O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 20215.834, de 19/10/2004. Na mesma linha o Acórdão 20215.833). (...)” Rejeito, assim, a preliminar de nulidade do lançamento por alegadas irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal. DA INCONSTITUCIONALIDADE DOS JUROS E DA MULTA APLICADA, CONSIDERADA ABUSIVA E DA INCONSTICIONALIDADE DA COFINS: Por aplicação direta da Súmula CARF no. 02, tanscrita a seguir, rejeito, de pronto, esta alegação. “SÚMULA CARF no. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Apenas como esclarecimento, ressalto que o Supremo Tribunal Federal , no julgamento do RE 585.235,decidiu que o PIS e a COFINS tributada na forma da Lei nº9.718/98 incide somente sobre as receitas oriundas de venda e de prestação de serviços. Portanto, seguindo a linha do STF, devem ser cancelados os lançamentos referentes ao PIS e à COFINS lançados sobre as receitas que não sejam originadas em vendas, prestação de serviço ou vendas e serviço, de modo que devem ser excluídos os lançamentos sobre os valores recebido a título de sublocação de imóvel, variações cambiais relativas à exportação de serviços, reembolsos a empréstimos estrangeiros, ganhos em aplicações financeiras e recuperação de despesas tarifadas. Não é o caso da recorrente. DO LANÇAMENTO REALIZADO COM SEPARAÇÃO POR TRIBUTO, CONTRARIANDO AS DISPOSIÇÕES DA SISTEMÁTICA DO SIMPLES: Andou muito bem a decisão recorrida, quando decidiu sobre este aspecto: “As normas invocadas pelo interessado, relativas ao pagamento unificado de impostos e contribuições art. 6° da Lei nº 9.317/1996 não se aplicam ao caso sob análise porque se referem ao recolhimento espontâneo do Simples Federal. Para situações em que ocorre o lançamento de ofício, após procedimento de fiscalização, a Lei nº 9.317/1996 apresenta disciplinamento específico, abaixo transcrito: CAPÍTULO VII DAS ATIVIDADES DE ARRECADAÇÃO, COBRANÇA, FISCALIZAÇÃO E TRIBUTAÇÃO Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 21/05 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA 8 Art. 17º Compete à Secretaria da Receita Federal as atividades de arrecadação, cobrança, fiscalização e tributação dos impostos e contribuições pagos de conformidade com o SIMPLES. § 1° Aos processos de determinação e exigência dos créditos tributários e de consulta, relativos aos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES, aplicamse as normas relativas ao imposto de renda. As normas aplicáveis ao processo de determinação e exigência dos créditos tributários relativos ao imposto de renda estão no Decreto 70.235/1972, que assim dispõe: DISPOSIÇÃO PRELIMINAR Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal. (...) Art. 9º [Redação original] A exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificação de lançamento, distinto para cada tributo. Art. 9º [Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993] A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Art. 9° [Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009] A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Logo, a exigência de créditos tributários relativos ao Simples Federal, por meio de Autos de Infração distintos, está de acordo com a legislação que rege a matéria. Como cada Auto de Infração se refere a apenas um tributo, e cada tributo tem código de arrecadação próprio, o autuado deverá fazer o recolhimento por meio de tantos documentos de arrecadação quantos forem os Autos de Infração. Sendo assim, não procede a alegação de que o lançamento é nulo porque viola a regra de recolhimento unificado.” Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 21/05 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10580.724811/201050 Acórdão n.º 1202001.255 S1C2T2 Fl. 6 9 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 21/05 /2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 13984.000688/2004-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO.
A única norma de natureza tributária que determina a averbação da área de utilização limitada à época do fato gerador é o Decreto n° 4.382/02, o qual, se tanto, somente teria validade a partir de sua publicação em 2002, ou seja, a partir do ano de 2003. Dessa feita, considerando que em 2000 sequer havia previsão em decreto para a exigência de averbação da área de utilização limitada, tem-se como válida, para comprovar a existência da área declarada, a apresentação de ADA.
ITR. RETIFICAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. SIPT. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO.
Em face do princípio da estrita legalidade, a fiscalização não está autorizada a arbitrar o valor da terra nua, quando o Sistema de Preços da Terra não tenha sido alimentado com dados confiáveis em relação ao valor ou acerca da fonte das informações.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-000.306
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Mércia Helena Trajano Damorim.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
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MINISTÉRIO DA FAZENDA '11:' `134 :' *e * ./.fr CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO —,,-44.... .4,..!..., Processo n° 13984.000688/2004-85 Recurso n° 137.413 Voluntário Acórdão n° 3102-00.308 — l a Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2009 Matéria ITR Recorrente FLORESTAL BATTISTELLA S/A - FLOBASA Recorrida DRF - CAMPO GRANDE/MG ASSUNTO: IM POSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. A única norma de natureza tributária que determina a averbação da área de utilização limitada à época do fato gerador é o Decreto n° 4.382/02, o qual, se tanto, somente teria validade a partir de sua publicação em 2002, ou seja, a partir do ano de 2003. Dessa feita, considerando que em 2000 sequer havia previsão em decreto para a exigência de averbação da área de utilização limitada, tem-se como válida, para comprovar a existência da área declarada, a apresentação de ADA. ITR. RETIFICAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. SIPT. AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO. Em face do princípio da estrita legalidade, a fiscalização não está autorizada a arbitrar o valor da terra nua, quando o Sistema de Preços da Terra não tenha sido alimentado com dados confiáveis em relação ao valor ou acerca da fonte das informações. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Mércia Helena Traj ano Damorim. M RCIA dErlit4ITA ANO DAMORIM - Presidentei "a, ROSA ARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO — Relatora EDITADO EM: 1 Processo n° 13984.000688/2004-85 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.308 Fl. 138 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora) e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Trata-se de lançamento fiscal pelo qual se exige da contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessada), o pagamento de diferença de Imposto Territorial Rural (ITR), referente ao exercício 2000, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 3.618, 33 (três mil seiscentos e dezoito reais e trinta e três centavos), relativo ao imóvel rural "Fazenda Santa Úrsula", com área total de 711,10 ha., cadastrado na SRF sob o n° 0.982.798-6, localizado no Município de Otacílio Costa/SC. O Fiscal Autuante relata, ao descrever os fatos (fls. 06/08), que a primeira exigência originou-se da falta de recolhimento do ITR, decorrente da glosa da área informada como de utilização limitada, bem como glosa do VTN declarado. A Interessada, quando intimada para apresentação dos documentos comprobatórios dessa área, apenas ofertou o Ato Declaratório Ambiental (ADA), faltante, assim, a averbação à margem da matrícula do imóvel (art. 16, § 2° da Lei 4771/65). Já a segunda exigência diz respeito à diferença entre o Valor da Terra Nua (VTN), apurado junto ao Sistema de Preços de Terras — SIPT, face àquele menor declarado pela contribuinte. A impugnação apresentada pela Interessada (fls. 41/47) teve por base os seguintes argumentos: (i) a averbação, à margem da matrícula do imóvel, da área de reserva legal é mera formalidade, não se constituindo em requisito determinante para o reconhecimento da isenção; (ii) que mantém a área de reserva legal, atendendo o disposto no Código Florestal; (iii)questiona o procedimento adotado para determinação do valor do imóvel, ao argumento de que o SIPT veicula valores genéricos e que a autuação não tratou de individualizar, de maneira correta, o imóvel rural; (iv)junta laudo técnico (fl. 23) a fim de fazer valer seu entendimento acerca do VTN, bem como afirma, ao fim de sua peça, que deve ser considerado in casu o atendimento do fim social a que a lei de tributação se destina. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF, ao apreciar as razões aduzidas pela contribuinte, proferiu decisão na qual afirmou o acerto do lançamento tributário impugnado (fls. 67/72), nos seguintes termos: 2 Processo n° 13984.000688/2004-85 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.308 Fl. 139 (i) quanto ao valor probatório do laudo técnico (fl. 23) para a comprovação do VTN. "É certo que o valor pode ser questionado, mediante Laudo Técnico revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade. No que tange à avaliação, não foi apresentado, nestes Autos, nenhum Laudo Técnico que atenda aos requisitos mínimos exigidos pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, conforme devidamente relatado pela autoridade lançadora. Não há como, em sede de julgamento, acatar- se levantamento precário (f. 23), inapto a alterar o valor atribuído no lançamento." (ii) quanto à área de utilização limitada e sua comprovação. "Como se verifica no relatório, a razão da autuação foi a glosa das áreas de Utilização Limitada, originalmente informadas na DIAT/2000, em função da não comprovação de referidas áreas nos termos da legislação. É de se observar o que dispõe a IN/SRF n° 43/1997, com redação do art. 1 0, II da IN/SRF n° 67/1997: "Art 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. ,sç 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA T, e a distribuição das áreas, à situação existente em 1 0 de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. § 2 0 (..) § 3° São áreas de utilização limitada: III - as áreas de reserva legal, descritas no art. 16 e seus parágrafos e no art. 44, parágrafo único, da Lei n" 4.771, de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, onde não é permitido o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: (grifamos) I - as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declarató rio do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n° 4.771, de 1965; (grifamos) 3 Processo n° 13984.000688/2004-85 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.308 Fl. 140 II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (grifamos) III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (grifamos) Diante desta exigência, conclui-se que, para comprovação das áreas de reserva legal, não se pode prescindir da averbação no registro imobiliário em data anterior à da ocorrência do fato gerador do imposto. A contribuinte estava ciente da necessidade da averbação, haja vista que se trata de orientação constante dos manuais de instruções de preenchimento das DITR. Para melhor ilustrar o entendimento da Secretaria da Receita Federal em relação ao assunto, veja-se, a titulo de exemplo, a Perguntas n° 64 da publicação "Perguntas e Respostas do ITR12002: REQUISITOS 64. Quais as condições exigidas para excluir as áreas não- tributáveis da tributação do ITR? Para exclusão das áreas não-tributáveis da incidência do ITR é necessário que o contribuinte protocolize o ADA no lbama no prazo de até 6 (seis) meses, contado a partir do término do periodo de entrega da declaração. No caso das áreas de Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural e de Servidão Florestal exige-se, também, que estejam averbadas no registro de imóveis competente na data de ocorrência do fato gerador (10 de janeiro de 2002). (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, § 8° e 44-A, § 2°, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001;Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-0, § I °, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000, art. 1 °;Lei n° 9.985, de 2002, art. 21, § 1°)" Constata-se, assim, que os atos normativos, ao estabelecerem a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, por meio de prévia averbação, fixaram condição para fins da não incidência tributária sobre as áreas de utilização limitada, não podendo a autoridade lançadora dispensar os requisitos previstos na legislação tributária." (g.o.) Regularmente intimada da decisão supra, em 08 de agosto de 2006, a Interessada interpôs recurso voluntário (fls. 76/94), em 04 de setembro do mesmo ano. Nesta peça recursal, a Interessada reitera os argumentos apresentados em sua impugnação, além de apresentar novo, relativo ao suposto efeito confiscatório da multa de oficio aplicada. Durante a Sessão de 24 de abril de 2008, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, "para que a autoridade fiscalizadora envie a este Conselho as informações sobre preços de terras recebidas da Secretaria de Agricultura ou entidades 4 Processo n° 13984.000688/2004-85 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.308 Fl. 141 correlatas para o município de Otacílio Costa no Estado de Santa Catarina, dados estes utilizados para alimentar o sistema SIPT, para o ano em debate." Tendo sido realizada a diligência solicitada, os autos retornam para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, Relatora Como visto, trata-se de recurso no qual é requerido o afastamento da exigência fiscal contida no Auto de Infração (fls. 28/34), baseada que foi no descumprimento, pela Interessada, da exigência de averbação da área de utilização limitada, o que impediria sua exclusão da base da tributação, bem como na detectada diferença entre o valor declarado do VTN e aquele constante da tabela do SIPT (Sistema de Preços de Terras). Quanto às áreas de preservação permanente e utilização limitada, entendo que devem ser reconhecidas aquelas áreas que constam do ADA de fls. 12. Com efeito, a única norma de natureza tributária que determina a averbação da área de utilização limitada é um decreto (Decreto n° 4.382/02), o qual, se tanto, somente teria validade a partir de sua publicação em 2002, ou seja, a partir do ano de 2003. Decreto n°4.382, de 19.09.2002 Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindo-se apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei n" 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001). ,s5s I° Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador." Dessa feita, considerando que em 2000 sequer havia previsão em decreto para a exigência de averbação da área de utilização limitada, tenho como válida, para comprovar a existência da área declarada, o ADA apresentado pela Interessada. No que tange à diligência requerida, devo informar que, no termos da Carta Cepa n° 021/08 (fls. 130/131), emitida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola, do Governo do Estado de Santa Catarina, a metodologia utilizada para dar amparo ao SIPT é a seguinte: METODOLOGIA E CONCEITOS Processo n° 13984.000688/2004-85 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.308 Fl. 142 O levantamento é feito pelos técnicos do Epagri-Cepa, nos municípios integrantes das suas respectivas regiões de atuação, junto a instituições predefinidas, como: prefeituras, cartórios, bancos, cooperativas, imobiliárias, sindicatos, além de técnicos da Extensão Rural e agricultores. As informações obtidas são declaratórias, portanto não refletem transações efetivas. A pesquisa contempla o levantamento da terra nua (sem benfeitorias) para uso agrícola, não valendo para terras em área de preservação permanente. (.) Em função do acima transcrito (em especial, dos trechos sublinhados), faço minhas as palavras constantes do voto do i. Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, nos autos do processo n° 10183.004849/2005-28, parcialmente reproduzido abaixo: O SIPT tem como base legal, o disposto no parágrafo primeiro do artigo 14 da Lei n" 9.393, de 19 de dezembro de 1996, cujo texto é o seguinte: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2° As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. (grifos acrescidos) Por sua vez, o referido inciso II do parágrafo primeiro do artigo 12 da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, tinha o seguinte texto: Art. 12. Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1°A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I - valor das benfeitor ias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II - valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: 6 Processo n° 13984.000688/2004-85 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.308 Fl. 143 a2 localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; C) dimensão do imóvel. § 2° Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Ocorre que, o inciso II do parágrafo primeiro acima foi REVOGADO pela MP n°2.183-56, de 24 de agosto de 2001, a qual deu novo texto ao artigo 12, com o seguinte comando: Art.12.Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória n°2.183-56, de 2001) 1-localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória n° 2.183-56, de 2001) II-aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória n° 2.183- 56, de 2001) Ill-dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória n° 2.183-56, de 2001) IV-área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória n°2.183-56, de 2001) V-funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória n° 2.183-56, de 2001) § 1 oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder-se-á à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendo-se o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória n" 2.183- 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória n° 2.183- 56, de 2001) §3o0 Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória n°2.183-56, de 2001) 7 Processo n° 13984.000688/2004-85 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00308 Fl. 144 Observe-se que os critérios que antes eram tratados no inciso II passaram a constar do próprio caput do artigo, entretanto foram modificados (aparentemente para melhor adequar tal comando às necessidades da desapropriação e sua justa indenização). Portanto, não existindo mais na lei os critérios objetivos para a apuração do preço da terra, que vem sendo aplicado como sinônimo de VT'N, não me parece ser possível a utilização do SIPT para contestar o VTN declarado pelo contribuinte. Depois de 2001, não há base legal para o SIP7', pois esta foi revogada pela Medida Provisória n° 2.183-56/2001, conforme visto acima, o que pode inclusive ser conhecido de oficio por este relator. Como o SIPT só foi regulamentado em 2002, através da Portaria SR_F n° 447, de 28 de março de 2002, nunca houve a indispensável base legal que autorizasse a coleta e o armazenamento dos dados que o compõem, sua utilização como critério de seleção de contribuintes para fiscalização ou como base para o questionamento dos valores declarados por estes mesmos contribuintes ou ainda como base para o arbitramento do VTN, como ocorreu no presente caso. Entendo ainda que para o período anterior a agosto de 2001, como é o caso em tela, mesmo que não consideremos os argumentos acima, que considero suficientes para afastar a aplicação do SIPT a este caso, deve ser exigido da fiscalização, elementos suficientes a comprovar que foram atendidos, na valoração dos imóveis e na alimentação dos dados no SIPT, os critérios de (a) localização do imóvel; (b) capacidade potencial da terra; e (c) dimensão do imóvel. Isto porque, como inexiste qualquer norma legal que exija das Unidades da Federação (especialmente não existe qualquer norma que obrigue as Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios a seguirem tais critérios de valoração nos levantamentos de que venham a realizar), cabe à Receita Federal do Brasil a observância destes critérios para a utilização desta, ou melhor, a RFB ao receber tais dados, deve se certificar que os mesmos foram colhidos com o atendimento dos critérios acima mencionados e o ônus da prova é da Fazenda, quanto à observância dos mesmos. Por fim, como no presente caso o SIPT foi alimentado somente com o valor do imóvel médio para aquela localidade entendo que tal procedimento viola critérios legais para a valoração, já que não considera no caso específico, isto é, ao utilizar uma média para avaliar todos os imóveis, a RFB deixou de considerar a localização, o potencial e dimensão de cada imóvel como critérios básicos previstos em lei, o que não pode ser aceito. Pelo exposto e como base nos documentos de fls. 12 (ADA) e fls. 23/24 (laudo técnico acompanhado de ART), voto no sentido de DAR provimento ao Recurso da 8 Processo n° 13984.000688/2004-85 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00308 Fl. 145 Interessada para: (i) excluir da tributação as áreas consideradas como de utilização limitada; e, (ii) manter o VTN declarado pelo contribuinte, qual seja, R$ 202,43 (superior, inclusive, àquele constante do Laudo Técnico). É como voto. 6,Q1 ROSA MARI E JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO 9
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Numero do processo: 13816.000277/00-27
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/06/1990 a 31/03/1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso extraordinário provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Joel Miyazaki - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso extraordinário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 6. 00 02 77 /0 0- 27 Fl. 671DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyazaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso extraordinário fazendário interposto contra decisão da 3a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por unanimidade, negou provimento a recurso especial em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1990 a 31/03/1992 Pedido de Restituição: 04/07/2000 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP no. 1.110 em 31/08/95 p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 301 31.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado. Em breve resumo, o cerne da questão trazida ao debate gira em torno do termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF. A decisão recorrida determinou que a data a partir da qual se inicia a contagem do prazo prescricional é a data da publicação da MP no. 1.110 em 31/08/95, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. Já a Fazenda Nacional pugna pela aplicação dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional, qual seja, a data do pagamento indevido é que deveria ser o marco inicial para a contagem do prazo prescricional, juntando paradigma da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. (efls. 607 a 658) Exame de admissibilidade do recurso extraordinário às efls. 659 a 660. Regularmente intimada a contribuinte deixou de apresentar contrarrazões. (e fls.669) Fl. 672DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13816.000277/0027 Acórdão n.º 9900000.956 CSRFPL Fl. 672 3 É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A matéria aqui trazida ao debate pelo recurso fazendário diz respeito ao prescrição/decadência do direito à repetição de indébito no caso da Contribuição para o Finsocial. Esta matéria se encontra pacificada no STF (RE 566.621 – Relatora Min Ellen Gracie) que definiu que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já nas ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo de 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir). A decisão deixou claro que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziu efeitos a partir de 9 de junho de 2005, desse modo, aqueles que ajuizaram ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozavam do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Tendo sido atribuída repercussão geral à decisão, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar essa decisão. Consultando os autos, verificase que os créditos pleiteados referemse ao período compreendido entre 01/06/1990 a 31/03/1992. Como o pedido foi protocolado em 04 de julho de 2000, aplicase o prazo decenal, logo, encontramse prescritos/decaídos os valores a restituir anteriores a 04 de julho de 1990. Assim, parte dos valores pleiteados foram alcançados pela prescrição. Desse modo, dou parcial provimento ao recurso extraordinário fazendário para declarar prescritos os créditos a restituir cujos fatos geradores sejam anteriores a 04 de julho de 1990, devendo a autoridade preparadora examinar as demais questões referentes à materialidade dos créditos pleiteados. Joel Miyazaki Relator Fl. 673DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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