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Numero do processo: 15868.720027/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Acompanhou o julgamento a consultora Judith do Amaral Marcondes Armando.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência. Acompanhou o julgamento a consultora Judith do Amaral Marcondes Armando. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Gilberto de Castro Moreira Junior e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e do Programa de Integração Social PIS, referente a períodos de apuração compreendidos entre 01/04/2006 a 30/06/2006, no valor total de R$ 6.375.083,49. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase da lavratura de autos de infração, contra a empresa qualificada em epígrafe, que constituíram créditos tributários referentes à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 58 68 .7 20 02 7/ 20 11 -5 1 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720027/201151 Resolução nº 3202000.219 S3C2T2 Fl. 264 2 (Cofins), no valor de R$ 5.278.197,47, e da Contribuição para o PIS, no valor de R$ 1.096.886,02, perfazendo o total de crédito tributário em R$ 6.375.083,49, apurados no regime de incidência não cumulativa, referentes ao período de 01/04/2006 a 30/06/2006. Conforme consta do documento de fls.56/58, os Auditoresfiscais lavraram o Termo de Retificação de Auto de Infração para corrigir erro contido no Auto de Infração de Glosa de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que foi lavrado em 29/03/2011 e está consubstanciado no processo administrativo digital n.° 15868.720017/201115, pelas seguintes razões: A razão da retificação é porque estas autoridades lançadoras verificaram que por ocasião da apuração dos valores dos créditos presumidos da atividade agroindustrial informaram valores incorretamente na linha 25 das fichas 6A e 16A dos DACONs elaborados pela fiscalização (de abril, maio e junho de 2006) que foram entregues ao sujeito passivo em 30/03/2011 juntamente com o auto de infração de glosa de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins lavrado em 29/03/2011. Para apuração do valor dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que ali foram informados (linha 25 das fichas 6A e 16A) multiplicouse os valores constantes das Planilhas 12, 17, 18 e 19 por 0,9900% (1,65% x 60%) e 4,56% (7,6 x 60%). Tais multiplicadores foram utilizados incorretamente: Diante do exposto no parágrafo anterior, apuramos novamente os valores dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins – atividades agroindustriais multiplicando os valores constantes das Planilhas 12, 17, 18 e 19 pelos multiplicadores corretos, ou seja, 0,5775 (1,65 x 35%) e 2,6600% (7,6 x 35%). Tais valores devem ser informados na linha 26 das fichas 6A e 16A. Após essa nova apuração elaboramos novos DACONs completos (de abril, maio e junho de 2006) para demonstrar o total de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que o sujeito passivo tem direito, bem como os demais valores que devem constar em todas as demais fichas dos DACONs. Todas as fichas destes novos DACONs elaborados por esta fiscalização (de abril, maio e junho de 2006) acompanham o presente Termo de Retificação de Auto de Infração de Glosa de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Inconformada, a interessada apresentou as impugnações de fls. 80/99, relativa à Cofins e, a relativa ao PIS, foi juntada às fls. 139/158, ambas com o mesmo teor em preliminar e mérito. Nas peças recursais, a interessada inicia com o título “Questão Prejudicial”, na qual defende o cancelamento do auto de infração, pois não poderia ter sido lavrado antes do julgamento final na esfera administrativa da Impugnação interposta pela Impugnante contra o Auto de Infração nº 15868.720017/201115. Continua, em sede preliminar, requerendo a anulação do lançamento, a teor art. 59 do Decreto no 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), porquanto os auditoresfiscais da DRF/Araçatuba não teriam competência para não reconhecer a existência dos direitos Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720027/201151 Resolução nº 3202000.219 S3C2T2 Fl. 265 3 creditórios do PIS e da Cofins, tampouco para lavrar auto de infração contra a impugnante, pois o seu domicílio fiscal é São Paulo, capital. Assim, o lançamento somente poderia ser efetuado pelos servidores da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), em São Paulo, haja vista que o seu recolhimento é centralizado na capital. Ainda segundo a autuada, o lançamento também seria nulo porque não foi observado pela fiscalização o local indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Ressalta também a impugnante que o fato de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contidos. Quanto à transferência de competência “interdelegacias”, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6º da Portaria RFB no 11.371, de 2007. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei no 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Afirma que os próprios auditores reconheceram a entrega dos documentos e arquivos digitais, mas em vez de analisarem o material e solicitarem eventuais esclarecimentos em prazo razoável, simplesmente lavraram os autos de infração. Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Afirma ainda que houve erro e falta de motivação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois isso só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo ela, a negativa ocorreu porque houve falta de razoabilidade por parte dos AFRFB, que consideraram que ela não tinha nenhum direito, o que não pode ser admitido, pois que não poderia exercer sua atividade sem adquirir insumos, já que é uma das maiores empresas do seu ramo de atividade. Assim, a fiscalização deveria ter continuado as diligências no estabelecimento da contribuinte e não ter realizado um levantamento fiscal precário, que não levou em consideração todos os seus documentos. Aduz também que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram apresentados os motivos do lançamento de ofício, haja vista que os auditores contestaram apenas pequenos elementos componentes do seu direito creditório, não contestando os demais, prejudicando a ampla defesa. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720027/201151 Resolução nº 3202000.219 S3C2T2 Fl. 266 4 Argumenta que a fiscalização deveria ter concedido prazos razoáveis para apreciação dos documentos e realizado todos os atos necessários para apurar o direito creditório da postulante, haja vista que ela não teria justificativas para não os apresentar. Desta forma, em cumprimento ao princípio da verdade material o lançamento deve ser cancelado. Entende que ocorreu arbitramento dos valores das contribuições e alega que não foram cumpridos os requisitos contidos no art. 148 do CTN. Alega decadência, tendo em vista que os lançamentos são superiores a cinco anos e cita dispositivo do CTN (artigo 150), além de jurisprudência administrativa. Argumenta que o lançamento deve ser cancelado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos das contribuições reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente “por serem em grande quantidade”, e anexa uma planilha e alguns documentos que demonstrariam as aquisições ocorridas e o direito ao crédito postulado. Argumenta também que o Dacon foi elaborado conforme suas operações geradoras dos créditos e a indicação pelos autuantes de valor zero de crédito seria o mesmo que admitir que a autuada realizaria suas operações sem adquirir insumos. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos. Alega a existência de grande quantidade de documentos e solicita que a perícia seja feita no estabelecimento da contribuinte. Conclui, solicitando o cancelamento dos autos de infração. Por fim, requer que o seu patrono também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente as impugnações, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1443.988, de 22/08/2013 (fls. 204/218), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720027/201151 Resolução nº 3202000.219 S3C2T2 Fl. 267 5 intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃOAPRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 225/245, por meio do qual alega os mesmos argumentos já suscitados na impugnação. Requer Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720027/201151 Resolução nº 3202000.219 S3C2T2 Fl. 268 6 seja concedida a oportunidade de realizar sustentação oral das razões de defesa e que o seu patrono também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo se extrai dos autos, a fiscalização constatou ter cometido um erro no auto de infração que decorreu da glosa de créditos da contribuição para o PIS e para a Cofins (processo administrativo n.° 15868.720017/201115, que atualmente se encontra na DRJ de Ribeirão Preto), daí que promoveu a cobrança de diferenças antes não lançadas. Informa que, por ocasião da apuração dos créditos presumidos da atividade agroindustrial, registrou valores incorretos nos DACONs por ela mesma elaborados, os quais foram entregues à Recorrente juntamente com o auto de infração lavrado em face da glosa dos créditos. O presente lançamento, portanto, destinase apenas cobrar esse plus que não havia sido exigido em face do erro cometido. Elaborouse Termo de Retificação de Auto de Infração, no qual consta em detalhes o equívoco, e reabriuse o prazo para defesa administrativa. Pois bem. Conforme noticia o despacho de fls. 201/202, o presente processo administrativo tem origem nos pedidos de ressarcimento de saldos credores das contribuições, formalizados por meio dos processos de n.º 16349.000219/200792 e 16349.000221/200761, nos quais os pleitos foram indeferidos pela unidade de origem. Em face da glosa de créditos, promoveuse o lançamento ora em análise, daí a necessidade de julgamento conjunto, a fim de evitar decisões contraditórias sobre a mesma matéria, tal como sugerido no despacho antes mencionado. Assim, sem que tenha havido o trânsito em julgado administrativo nos processos de n.º 16349.000219/200792 e 16349.000221/200761 (e isso não ocorreu, conforme consulta ao COMPROT), nos quais se discute a existência, ou não, de direito creditório pretendido pela Recorrente, não há como esta Turma solucionar a lide em relação à exigência neste processo formulada. Em casos tais, a conversão do julgamento em diligência tem sido medida adotada noutras Turmas Julgadoras e até mesmo nesta própria, podendose citar, a título de exemplo, a Resolução nº 3202000.171, de 26/11/2013. Dessa forma, voto por novamente CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora aguarde até que ocorram as decisões administrativas definitivas a serem proferidas nos autos dos processos n.º 16349.000219/2007 92 e 16349.000221/200761. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15868.720027/201151 Resolução nº 3202000.219 S3C2T2 Fl. 269 7 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/07/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001267/2005-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
VARIAÇÕES CAMBIAIS. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Ao deduzir, para fins de apuração do lucro tributável, as variações cambiais passivas apuradas no decorrer de um determinado ano-calendário, a empresa exerce a opção da tributação pelo regime de competência.
Numero da decisão: 1102-000.981
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar os lançamentos relativos ao PIS e à COFINS.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. VARIAÇÕES CAMBIAIS. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Ao deduzir, para fins de apuração do lucro tributável, as variações cambiais passivas apuradas no decorrer de um determinado ano-calendário, a empresa exerce a opção da tributação pelo regime de competência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar os lançamentos relativos ao PIS e à COFINS. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Omissão de variações cambiais ativas. Glosa de variações cambiais passivas. Recorrente BOMBRIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 MPF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A norma instituidora do MPF expressamente considera ampliada a autorização contida no procedimento de fiscalização do IRPJ para a eventual tributação da CSLL, PIS e COFINS, caracterizados como reflexos do lançamento principal porque estão fundamentados nos mesmos elementos de prova. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 VARIAÇÕES CAMBIAIS. MÚTUO SEM UNIDADE MONETÁRIA. É cabível a apuração da variação cambial com base nas moedas utilizadas nas transações que motivaram as entradas e saídas que compuseram os saldos referentes a empréstimos recíprocos efetuados em consonância com contrato de mútuo sem referência expressa à unidade monetária sobre a qual deveria ser aplicada a taxa de correção pactuada. VARIAÇÕES CAMBIAIS. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Ao deduzir, para fins de apuração do lucro tributável, as variações cambiais passivas apuradas no decorrer de um determinado anocalendário, a empresa exerce a opção da tributação pelo regime de competência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002 COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS ACUMULADAS. PROVA DA EXISTÊNCIA DO DIREITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 67 /2 00 5- 94 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 491 2 A compensação de bases negativas acumuladas é um direito do contribuinte. A fiscalização, na época da autuação, promoveu o lançamento com os dados que dispunha em seus sistemas gerados a partir de informações fornecidas pelo próprio contribuinte. Para desconstituir essa situação é necessário um mínimo de prova da existência do direito. Não bastam meras alegações de ofensa à verdade material quando as provas poderiam e deveriam ser produzidas por quem invoca seu direito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002 RECEITA FINANCEIRA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. Exonerase os lançamentos de PIS consubstanciados sobre receita financeira apurada nos períodos em que a base de cálculo dessa contribuição era definida pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por força de sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso representativo de controvérsia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002 RECEITA FINANCEIRA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. Exonerase os lançamentos de COFINS consubstanciados sobre receita financeira apurada nos períodos em que a base de cálculo dessa contribuição era definida pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por força de sua inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso representativo de controvérsia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar os lançamentos relativos ao PIS e à COFINS. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 492 3 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as indicações contidas nos trechos transcritos, as quais referemse à numeração dos autos do processo físico (em papel). Tratase de recurso voluntário interposto por BOMBRIL S/A contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/Brasília que concluiu pela procedência dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2001 e 2002, totalizaram o valor de R$ 33.914.814,84. Tal autuação foi fundamentada na omissão de variações cambiais ativas e na glosa de variações cambiais passivas. Da autuação: Em seu relatório, o voto condutor da decisão recorrida assim transcreveu o feito fiscal: Em síntese, o Relatório Fiscal de fls. 135/141 informa que a contribuinte, Bombril S/A, concedeu empréstimos a pessoa vinculada no exterior, C&P Overseas, por meio de contrato de mútuo, firmado em 19/02/1998 e seus aditivos datados de 03/01/1999, 19/12/2000, 01/10/2001 e 20/12/2001. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 493 4 A operação de mútuo entre a Bombril S/A e a C&P Overseas encontrase disciplinada na legislação de preços de transferências internacionais de juros, conforme artigo 22 da Lei nº 9.430/96. Constatou a Fiscalização que com relação à remuneração do contrato, estava prevista a correção dos saldos dos valores mutuados pelo CDI; em 01/10/2001, o aditivo previu que tal remuneração fosse pela variação cambial do Euro acrescidos de juros de 10,25% ao ano, e em 20/12/2001 um novo aditivo estabeleceu que a correção dos valores mutuados seria segundo a variação ocorrida no CDICETIP. Da análise dos lançamentos contábeis, concluiu a Fiscalização que a contribuinte reconhece como receita financeira correspondente a operação um valor compatível com o determinado por Lei, vez que tanto a variação do CDI quanto a taxa de 10,25% ao ano superaram a taxa Libor para depósito em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescido de três por cento anuais no período analisado. Contudo, o RIR/99, no seu artigo 375 e parágrafo único, disciplina o tratamento concedido as variações monetárias. Da análise dos lançamentos contábeis dos empréstimos referentes ao contrato de mútuo firmado entre a Bombril S/A e a C&P Overseas no dia 19/02/1998, constatou a Fiscalização que durante a vigência do contrato a contribuinte deixou de reconhecer como receita os valores relativos a variação cambial ativa. Ainda, que no período de outubro a dezembro de 2001 a contribuinte reconheceu como despesa a variação cambial passiva decorrente do aditivo firmado em 01/10/2001 que previu apenas para esse período a adoção da variação cambial do Euro como fator de correção do contrato, gerando assim uma perda cambial no valor de R$ 15.309.963,29. Verificou também a Fiscalização que, apesar do aditivo que previa a correção do contrato pela variação cambial do Euro tivesse a vigência até 31/12/2001, continuou a contribuinte a reconhecer como despesa a variação cambial passiva referente ao período de janeiro a março de 2002, gerando uma perda cambial no valor de R$ 2.321.523,66. Indagada a explicar a razão pela qual foi mantida a aplicação da taxa da variação cambial do Euro para os meses de janeiro a março de 2002, alegou a contribuinte que houve um acordo verbal entre as partes prorrogando a utilização do acordo firmado em 01/10/2001 até o mês de março de 2002. Vale observar também que verificou a Fiscalização que a aplicação da taxa da variação cambial do Euro continuou a ser utilizada para os meses de abril a junho de 2002, o que geraria um ganho cambial de R$ 32.842.320,70. Contudo, em junho de 2002 foi realizada uma nova contabilização excluindose esse ganho cambial. Diante dos fatos expostos decidiu a Fiscalização efetuar o lançamento de oficio, apurando (i) omissão de variações cambiais ativas contabilização a menor da variação cambial, gerando redução indevida do lucro tributável, e (ii) dedução a maior de variação cambial passiva contabilização a maior da variação cambial, gerando redução indevida do lucro tributável. Da impugnação: Resumidamente, a empresa autuada apresentou em sua impugnação os seguintes argumentos: (i) vícios do Mandado de Procedimento Fiscal; (ii) inexistência de variação cambial; (iii) equívocos na apuração dos valores exigidos ocasionados pela não observância da existência de saldo de base negativa a compensar; (iv) apuração anual do PIS e Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 494 5 da COFINS; (v) existência de provisões de perda para os valores objeto do contrato de mútuo analisado; (vi) não constituir receita os valores decorrentes da oscilação da moeda estrangeira; (vii) afronta ao principio do nãoconfisco; e (viii) ilegalidade da utilização da taxa SELIC como juros de mora. Da diligência solicitada pela DRJ: A DRJ determinou diligência que esclareceu as seguintes questões: 1. Na impugnação, o contribuinte mencionou a existência de um demonstrativo de cálculo das variações cambiais denominado “Anexo I ao Termo de Verificação Fiscal”, o qual não havia sido juntado aos autos. Em resposta, a fiscalização juntou o citado demonstrativo à fl. 335. 2. O motivo pelo qual, na autuação referente ao PIS e à COFINS, foi considerada a variação cambial pelo seu valor acumulado anual no encerramento do ano calendário, quando, a principio, tal receita financeira deveria ter sido tributada com base no regime de competência, ou seja, mensalmente, consoante legislação que amparou o lançamento. Em resposta (fl. 336), a fiscalização afirmou que a tributação daquelas contribuições foi gerada pelo sistema como reflexo da tributação do IRPJ, motivo pelo qual estariam calculadas apenas nos fatos geradores relativos a 31 de dezembro de 2001 e 2002, e não, mensalmente. Da decisão recorrida: A já mencionada 2ª Turma da DRJ/Brasília, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 0326.272, de 15 de agosto de 2008, por meio do qual decidiu pela procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. REFLEXOS. DESNECESSIDADE DE MENÇÃO EXPRESSA. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, serão estes considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. CONTRATO DE MÚTUO. MOEDA ESTRANGEIRA. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. VARIAÇÃO CAMBIAL. Não obstante ausência de menção expressa da moeda no contrato de mútuo, documentos probatórios evidenciam que as transações entre mutuante e mutuário se Fl. 495DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 495 6 concretizaram em Dólares e Euros, cabendo apuração, portanto, de valores relativos à variação cambial ativa. SALDO DE BASES NEGATIVAS A COMPENSAR. Não cabe a utilização de saldos negativos já compensados em exercícios anteriores. PROVISÃO. PERDA. CRÉDITOS. CONTRATO DE MÚTUO. PESSOA JURÍDICA INTERLIGADA. A provisão de perda no recebimento de créditos, inclusive decorrentes de contrato de mútuo, com pessoa jurídica interligada, não é dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por expressa determinação legal. INEXISTÊNCIA DE CONTRATO DE CONTA CORRENTE. O contrato de mútuo e aditivos, as planilhas demonstrativas apresentando, mensalmente, a posição do mutuo com a C&P Overseas, e demais documentos anexados, formam um conjunto compondo todos os elementos essenciais que integram o contrato de mútuo valor emprestado, obrigação de restituição, remuneração e prazo. Dessa maneira, não há que se falar em celebração de contrato de conta corrente. PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucional de natureza tributária. DOS JUROS DE MORA. Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à Taxa SELIC. CSLL. PIS. COF1NS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação à matéria principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. Lançamento Procedente Do recurso voluntário: A empresa autuada repetiu em seu recurso voluntário os mesmos argumentos que haviam sido apresentados na impugnação. No essencial, alegou que: Preliminarmente, 1. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – original e o que foi posteriormente “reprogramado” somente autorizavam a fiscalização do IRPJ. Por isso, deve ser decretada a nulidade da autuação porque a agente fiscal extrapolou essa autorização ao também fiscalizar o PIS, a COFINS e a CSLL. Quanto à inexistência de variação cambial, Fl. 496DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 496 7 2. Não são verificadas variações cambiais com relação à maioria do período autuado porque as obrigações e direitos decorrentes dos contratos por ela firmados não foram atrelados à moeda estrangeira. Para demonstrar a afirmação de que tais contratos e seus aditivos foram celebrados em moeda nacional, expõe a seguinte análise: 2.1. O Instrumento Particular de Mútuo celebrado em 19/02/1998 (fls. 15/17) teve como partes a C&P Overseas Ltd e a BombrilCirio S/A (sua antiga denominação), as quais constaram como mutantes e mutuárias recíprocas, seu objeto foi o “empréstimo entre as partes, sem limite de valor, fixado em reais, corrigido pelo CDI” e seu prazo foi indeterminado. 2.1.1. O Aditivo ao Instrumento Particular de Mútuo celebrado em 03/01/1999 (fls. 18/19) tornou fixo o prazo em 30/12/2000 e incluiu a Cragnotti & Partners Capital Investment Brasil S/A como fiadora e principal pagadora dos valores emprestados às mutuarias. 2.1.2. O Aditivo ao Instrumento Particular de Mútuo celebrado em 19/12/2000 (fls. 20) alterou o prazo para 31/12/2001. 2.1.3. O Aditivo ao Instrumento Particular de Mútuo celebrado em 01/10/2001 (fls. 21/22) alterou o prazo para 31/12/2002 e alterou o índice de correção para a “variação cambial ocorrida no euro, acrescida de juros de 10,25%”. Afirma que a realização desse aditivo evidenciaria que até este momento as obrigações estavam fixadas em reais, pois não haveria sentido atrelar as obrigações em euros se elas assim já se encontravam. 2.1.4. Muito embora o aditivo a ser analisado no próximo item tenha sido celebrado em 20/12/2001, o acordo verbal entre as partes (conforme declaração de fls. 70) manteve as condições estipuladas no aditivo celebrado em 01/10/2001 para os meses de janeiro a março de 2002. Pugna pela possibilidade de existirem acordos verbais com apoio no artigo 212 do Código Civil e na doutrina de Edmar Oliveira Andrade Filho. 2.1.5. O Aditivo ao Instrumento Particular de Mútuo celebrado em 20/12/2001 (fls. 23/24) voltou a alterar o índice de correção para o “CDICETIP” e possibilitou que o prazo de 31/12/2002 fosse prorrogado por mais dois períodos de seis meses. 2.2. O Contrato de Cessão de Crédito celebrado em 27/05/1999 (fls. 85/86) teve como partes a Surinvest Representações Ltda (cedente) e a Bombril S/A (cessionária), seu objeto foi a cessão de crédito contra à C&P Overseas Ltd no valor de R$ 70.735.129,57. Ou seja, a empresa autuada aumentou seu crédito com a C&P Overseas Ltd exatamente nesse valor. O fato de o contrato prever que esse crédito corresponderia a 39.500.000,00 euros não significa, como entendeu a decisão recorrida, que seu direito sempre esteve atrelado à moeda estrangeira, isso porque o contrato principal (item 2.1 acima) não vinculou os direitos e obrigações àquela moeda. Essa cessão de crédito só resultou em aumento da dívida, sem alteração das cláusulas do contrato original. Não se pode aceitar, como pretendeu a decisão recorrida, que este contrato, o qual apenas traz a equivalência em moeda estrangeira do valor em reais, prevaleça única e exclusivamente como prova cabal da realização, desde o início, de contrato em moeda estrangeira. Não se observa neste contrato a vontade das partes de modificar as condições do contrato de mútuo celebrado entre a empresa autuada e a C&P Overseas Ltd. 2.3. O Instrumento Particular de Cessão de Crédito para Quitação de Dívida celebrado em 01/12/2000 (fls. 95/96) teve como partes a Cragnotti & Partners Capital Investment Fl. 497DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 497 8 Brasil S/A (cedente) e a Bombril S/A (cessionária), seu objeto foi a cessão de crédito contra à C&P Overseas Ltd no valor de R$ 10.427.588,73. Ou seja, a empresa autuada aumentou seu crédito com a C&P Overseas Ltd exatamente nesse valor. Da mesma forma que o contrato acima (item 2.2), toda a movimentação não esteve atrelada à moeda estrangeira, mas apenas à moeda nacional. Não houve alteração das condições pactuadas no contrato principal (item 2.1). 2.4. O Contrato de Cessão de Crédito celebrado em 30/06/2000 (fls. 92/93), o Instrumento Particular de Mútuo celebrado em 31/03/2001 (fls. 97/99) e o Assignment Agreement (fls. 100/101) celebrado em 31/03/2001 podem ser analisados conjuntamente. A empresa autuada detinha um crédito de R$ 150.632.830,21 junto à C&P Brasil, que foi transferido para a C&P Overseas Ltd. Com isso, esta última passou a ser a devedora pelo fato de ter assumido o crédito. A Cragnotti & Partners Capital Investment Brasil S/A transferiu crédito de sua titularidade junto à Bombril Holding S/A para a C&P Overseas Ltd no valor de R$ 156.432.000,00. Então, a C&P Overseas Ltd passou a ser credora da Bombril Holding S/A. Por último, a Bombril Holding S/A assumiu a dívida da C&P Overseas Ltd junto à empresa autuada. As transferências dos créditos: junto à C&P Brasil S/A para a C&P Overseas Ltd; e, após, desta para a Bombril Holding S/A; estão registradas nos razões anexos à impugnação. 2.5. A quitação parcial da dívida (conforme fls. 88/90), no valor de R$ 19.031.604,98, foi feita por pagamento efetuado pela C&P Overseas Ltd diretamente a credores da recorrente (Bozano Simonsen Limited, Mayer Brown & Platt, Agricole Indosuez), em razão do mútuo recíproco (item 2.1 acima). Assim, a C&P Overseas Ltd acabou por reduzir sua dívida, sem, contudo, alterar os termos do contrato inicial. 2.6. Conclui a análise afirmando que, com exceção do período entre dezembro/2001 e março/2002, no qual reconheceu os efeitos da variação cambial em seus ativos, nos demais períodos, os direitos e obrigações foram celebrados em moeda nacional. Por isso, não há que se falar em variação cambial ativa ou passiva. As partes quiseram e realizaram o mútuo em reais e quando entenderam por bem alterar tal condição firmaram aditivo ao contrato. Não pode a fiscalização e a decisão recorrida ignorar a vontade dos contratantes para aplicar as normas tributárias como lhes convêm. Quanto aos equívocos na apuração dos valores devidos, 3. A fiscalização não considerou a existência de saldo negativo quando da apuração da CSLL devida. Tal saldo decorre de uma desistência de ação judicial para fins de adesão ao PAES. A DRJ equivocouse ao entender que esta adesão não estava comprovada nos autos e que não existia saldo declarado na DIPJ, uma vez que foi juntada na impugnação toda a documentação comprobatória. Haveria que se aprofundar na investigação em homenagem ao princípio da verdade material. 4. O STF decidiu pela impossibilidade da incidência do PIS e da COFINS sobre a receita financeira decorrente da variação cambial no RE nº 346084 / PR. Ademais, a decisão recorrida manteve a apuração dessas contribuições em bases anuais quando o correto seria a apuração mensal. 5. Considerando que os valores correspondentes aos mútuos já foram provisionados como perda, não há que se falar em acréscimo patrimonial decorrente da suposta variação cambial, ou seja, a empresa autuada não auferiu renda ou lucro passíveis de tributação. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 498 9 6. Apesar da intitulação contida no contrato (“Instrumento Particular de Mútuo”), há que se considerar a vontade das partes e a primazia da substância sobre a forma para concluir que, na verdade, tratouse de um contrato de contacorrente. A consequência é que este tipo de contrato só gera direitos e obrigações na data fixada para sua liquidação. Como no período fiscalizado não se operou essa liquidação, os valores transacionados não estavam sujeitos à variação monetária tributável. Quanto à variação cambial (caso ela seja admitida), 7. Os valores considerados como variação cambial passiva nada mais são do que variação cambial ativa. Basta analisar os razões contábeis (fls. 74/76), onde os valores de R$ 15.309.963,29 e R$ 2.321.523,66 foram contabilizados na conta 15150071, a qual é uma conta de ativo. 8. A receita, para ser tributada, deve corresponder ao acréscimo bruto de ativos que não seja temporário e que não afronte aos princípios constitucionais tributários. 9. Como a receita não deve ter caráter temporário, apenas ao final do contrato é que seria possível verificar a existência ou não de resultado positivo (receita) pela variação cambial. O Anexo I, que acompanhou os autos de infração, mostra que no mesmo ano base, em períodos subsequentes, a variação cambial ora é positiva, ora é negativa. Há decisão do STJ neste sentido. Quanto à afronta ao princípio do não confisco, 10. A fiscalização interpretou equivocadamente o conceito de receita, gerando um confisco. Mesmo na interpretação da lei há que se respeitar o princípio constitucional da vedação ao confisco. Um exemplo demonstra o efeito da expropriação de seu patrimônio para fins didáticos. Quanto à taxa SELIC como juros de mora, 11. A taxa SELIC tem natureza remuneratória e por isso não pode ser aplicada como sanção por atraso de cumprimento de obrigação. Ademais, não foi criada por lei, conforme determinação do CTN, mas por resoluções do CMN e do BACEN. Ofende ao princípio da legalidade. Neste sentido, cita jurisprudência do STJ. Ao final, requer que seja acolhido o recurso para o fim de que sejam canceladas as autuações. É o relatório. Voto Fl. 499DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 499 10 Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar: A recorrente afirma que o procedimento fiscal extrapolou os limites do que estava estipulado no MPF original e suas alterações, os quais somente autorizavam a fiscalização do IRPJ. Quanto a isso, a decisão recorrida corretamente lembrou que os lançamentos atinentes à CSLL, PIS e COFINS, na presente autuação, são caracterizados como reflexos do lançamento principal porque estão fundamentados nos mesmos elementos de prova. Quando isso ocorre, a norma instituidora do MPF expressamente considera ampliada a autorização contida no procedimento de fiscalização. Confirase, neste sentido, o que dispõe o artigo 9º da Portaria SRF nº 3.007/01, então vigente: Art. 9º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Portanto, a fiscalização agiu perfeitamente dentro do que prevê a norma interna da Receita Federal. Independentemente da polêmica que existe sobre a possibilidade de um procedimento fiscal em dissonância com o estabelecido no MPF macular a validade do crédito tributário constituído, o fato é que aqui não houve essa incompatibilidade. Não há razão para se decretar a nulidade do feito como requer a recorrente. Quanto à alegação de que inexistiu variação cambial: A recorrente afirma que as obrigações e direitos decorrentes dos contratos por ela firmados não foram atrelados à moeda estrangeira, com exceções dos meses de outubro/2001 a março/2002, quando houve uma alteração contratual que previu que o índice de correção dos valores devidos por qualquer das partes passaria a ser o da “variação cambial ocorrida no euro, acrescida de juros de 10,25%”. Antes e depois desse período, havia a previsão contratual de que a correção se desse pela taxa de Certificados de Depósito Fl. 500DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 500 11 Interbancário CDI1. De se registrar que, apesar de a recorrente afirmar que fora daquele período a unidade de valor para aplicação das citadas taxas seria a moeda nacional, tanto o Instrumento Particular de Mútuo de 19/02/1998 (fls. 15/17), quanto seu Aditivo de 20/12/2001 (fls. 23/24), os quais previram a CDI, são absolutamente silentes quanto à unidade de valor. A fiscalização, na ausência de menção expressa sobre a moeda que vigoraria fora do período citado, amparouse na conceituação estabelecida pelo Código Civil para a espécie contratual do mútuo. Confirase: Art. 1.256 O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisas do mesmo gênero, qualidade e quantidade. A partir desse dispositivo legal, a autoridade fiscal concluiu que os saldos da empresa autuada referentes aos empréstimos recíprocos com a C&P Overseas Ltd., os quais se mantiveram credores durante todo o período verificado, deveriam ser restituídos em “coisas do mesmo gênero, qualidade e quantidade”. Neste sentido, na medida em que a documentação apresentada pela empresa autuada indicava a moeda (dólares ou euros) utilizada nas transações que motivaram as entradas e saídas que compuseram aqueles saldos, a fiscalização, a partir dessas informações, apurou a variação cambial que resultou no lançamento efetivado. Para melhor compreensão, vale a pena reproduzir o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: O contrato de mútuo pressupõe que o mutuário devolverá ao mutuante coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Restará inadimplido o contrato caso o mutuário pretenda restituir ao mutuante coisa de gênero e qualidade diversos do objeto material do mútuo, e sim verdadeira troca, compra e venda, ou mesmo doação, caso gratuito. O contrato de mútuo é do tipo real, tornandose perfeito e acabado com a entrega da coisa. SILVIO RODRIGUES, já bem caracteriza tal traço do contrato de mútuo (Direito Civil Dos contratos e das declarações unilaterais da vontade, vol. 3, 26ª ed., São Paulo: Saraiva, 1999, fl. 250): "É contrato real, porque só se aperfeiçoa com a entrega da coisa emprestada, não bastando, para sua ultimação, o mero acordo entre os contratantes. Quando um banqueiro concorda em abrir crédito em conta corrente a um cliente, não se concretizou um contrato de mútuo, mas apenas promessa de leválo a efeito. O mútuo se caracteriza quando, após ser a importância do empréstimo creditada na conta do mutuário, se incorpora ao patrimônio do devedor." Traçadas essas breves considerações, agora iremos aplicálas ao nosso caso. 1 A sigla CETIP, que quer dizer "Câmara de Custódia e Liquidação", referese à companhia de capital aberto que oferece serviços de registro, central depositária, negociação e liquidação de ativos e títulos para o mercado financeiro nacional. Dentre suas atribuições está a publicação das taxas e índices dos CDI para o mercado. (Fonte: www.cetip.com.br). Fl. 501DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 501 12 Primeiramente, cabe observar que o contrato de mútuo inicialmente celebrado estabelecia a concessão de empréstimos sem, contudo expressar o tipo de moeda. Há de se mencionar que os mútuos avençados, a despeito da celebração do instrumento particular, só se aperfeiçoaram A. medida que as transferências eram realizadas, porquanto o mútuo é um contrato real como já destacamos. Desta forma os vínculos obrigacionais entre a Bombril S/A e a C&P Overseas eram fixados conforme cada uma das transferências eram efetuadas. Nesses momentos, os objetos materiais dos negócios jurídicos celebrados eram cabalmente assentados, quais sejam, os montantes em dólares ou em euros conforme documentação entregue pelo contribuinte. Neste sentido, caberia ao mutuário (C&P Overseas) o dever jurídico de devolver ao mutuante (Bombril S/A) a coisa no mesmo gênero, qualidade e quantidade, sob pena de inadimplemento da obrigação. Apesar de intimações no sentido de que o contribuinte nos enviasse a documentação referente a este mútuo na moeda originalmente negociada, o contribuinte insiste em enviar a documentação somente com o saldo dos valores mutuados já convertido em reais. Desta forma vamos recompor abaixo os saldos em dólares e euros conforme as entradas e saídas efetivamente realizadas pelo contribuinte identificadas com a numeração de 1 a 10 (fls.76/101) obtendo os saldos em 31/12/2000 já que esta fiscalização só atinge fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário de 2001: MOVIMENTOS EM EURO Data Entradas/Saidas(R$) Taxa de câmbio Entradas/Saídas Euro 27/05/1999 R$ 70.735.129,57 1,79076 Euro 39.500.000,00 (3) 10/08/1999 (R$ 19.031.604,98) 1,90553 (Euro 9.987.569,44) (5) 10/08/1999 (R$ 782.216,66) 2,00876 (Euro 389.402,75) (10) SALDO em 31/12/2000 1,84173 Euro 29.123.027,81 MOVIMENTOS EM US$ Data Entradas/Saidas(R$) Taxa de câmbio Entradas/Saídas Euro 31/03/1998 R$ 3.171.451,14 1,1310 US$ 2.803.893,00 (1) 30/11/1998 R$ 223.000,00 1,1295 US$ 197.432,50 (2) 30/06/1999 (R$ 1.835.119,64) 1,7695 (US$ 1.037.083,72) (4) 26/06/2000 (R$ 3.670.379,24) 1,8282 (US$ 2.007.646,45) (6) 30/06/2000 R$150.632.830,21 1,8000 US$ 83.684.905,67 (7) 01/12/2000 R$ 10.427.588,73 1,9795 US$ 5.267.789.20 (8) SALDO em 31/12/2000 1,9554 US$ 88.073.990,22 31/03/2001 (R$ 156.432.000,00) 2,1616 (US$ 72.368.615,84) (9) SALDO em 31/03/2001 2,1616 US$ 15.705.374,38 Como a partir do ano de outubro de 2001 o contribuinte assume que todo o saldo dos valores mutuados encontrase em Euros (fl.43 e fls .102/105), faremos a conversão do saldo restante em Dólares para Euros. Assim teremos: Fl. 502DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 502 13 SALDO em 31/10/2001 0,901951 Euro 17.412.669,18 A partir desta data o valor do saldo total em Euros passa a ser de $ 46.535.696,99. Assim por persistirem os objetos materiais das relações obrigacionais do mútuo feneratício, caberia a C&P Overseas (mutuária) devolver a Bombril S/A (mutuante) a coisa em igual gênero (dinheiro) e qualidade (valor convertido em dólares ou euros). Exatamente pelo fato da mutuante (Bombril S/A) ser credora do valor convertido em euros (fl.45), haveria de reconhecer como receitas ou despesas financeiras as variações monetárias de seu direito de crédito em função da taxa de câmbio até o adimplemento do contrato em estrita observância ao artigo 375 do RIR/99. 2.8 Os cálculos dos totais da variação cambial e dos juros mínimos encontramse no ANEXO 1 e os valores relativos a variação cambial não oferecido à tributação no valor de R$ 26.607.852,92 para o ano calendário de 2001 e R$ 76.205.461,32 para o ano calendário de 2002 serão objeto de lançamento tributário alem da glosa da variação cambial passiva no valor de R$ 15.309.963,29 para o ano calendário de 2001 e de R$ 2.321.523,66 para o ano calendário de 2002 já que os valores calculados na variação cambial total referemse ao liquido entre variação cambial ativa e passiva. A DRJ, por sua vez, chancela esse entendimento ao confirmar que os montantes estipulados nos documentos das transações utilizadas pela fiscalização na apuração da variação cambial estavam vinculados à moeda estrangeira (euro ou dólar). Observa, ainda, outras evidências no fato de que os extratos das DIPJ 2002 e 2003 (fls. 103 a 106) registram o euro como moeda de operações de entradas de divisas contratadas com a C&P Overseas Ltd. Ademais, lembra que toda escrituração e respectivos comprovantes devem ser registrados em moeda corrente nacional para afastar a alegação de que os extratos de livros contábeis, de contas bancárias e de transferências entre empresas com sede no Brasil, apresentados com a impugnação, fariam prova de que as transações eram negociadas em reais. A recorrente, contudo, insiste que as partes quiseram e realizaram o mútuo em reais e quando entenderam por bem alterar tal condição firmaram aditivo ao contrato. Este me parece ser o cerne da questão. Ao contrário do que sustenta, a recorrente não fez a contraprova de que a moeda do mútuo era a nacional. E para isso, como já salientado pela autoridade autuante e pela decisão recorrida, foi devidamente intimada já no procedimento de fiscalização. O que há, na verdade, são elementos de prova que permitem concluir que a empresa só entendeu por bem contabilizar a variação cambial quando ela lhe era favorável. Fica claro, pelo demonstrativo de cálculo elaborado pela fiscalização (fl. 335), que, dentro dos anoscalendário apurados, a variação cambial só foi negativa no último trimestre de 2001 e no primeiro trimestre de 2002. Curiosamente, foi justamente este o período em que as partes “entenderam por bem” alterar o índice de correção e definir uma unidade de valor (o euro) para Fl. 503DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 503 14 sua aplicação. E com um agravante: muito embora tenha sido celebrado um aditivo, em 20/12/2001, para retornar o índice de correção à CDI a ser aplicada sem previsão de uma unidade de valor, “verbalmente”, isso foi adiado para depois do primeiro trimestre de 2002. E, pior ainda, apesar de este acordo “verbal” ter sido firmado para a situação anterior vigorar até o fim do primeiro trimestre de 2002, segundo relato da fiscalização, que pode ser comprovado nos documentos de fls. 49 a 51, a recorrente continuou a contabilizar a variação cambial no segundo trimestre de 2002, o que geraria um ganho tributável no valor de R$ 32.842.320,70. Contudo, sem maiores explicações, em junho de 2002 foi realizada uma nova contabilização para excluir esse ganho cambial. De se observar também a facilidade que as partes envolvidas no mútuo tinham para efetuar as alterações contratuais. A despeito do fato de serem empresas vinculadas para efeitos de aplicação das regras de preços de transferência, como referido no relato da fiscalização, a recorrente e a C&P Overseas Ltd. foram representadas em diversas ocasiões pela mesma pessoa física, o Sr. Edoardo Battista. Neste sentido, vejase que no Instrumento Particular de Mútuo, de 19/02/1998 (fls. 15), ele consta como representante da C&P Overseas Ltd., mas em autorizações de emissão de DOC (fls. 82) e de transferência bancária (fls. 83), ele surge como “Diretor Financeiro e de Relações com Mercado” da Bombril S.A. Além disso, aquilo que aparenta ser sua assinatura aparece em diversos outros documentos como representante, ora da C&P Overseas (fls. 16, 19, 88, 90, 93), ora da Bombril S.A. (fls. 16, 19, 86, 89), ora da Cragnotti & Partners Capital Investment Brasil S/A (fls. 19). Ademais, causa estranheza que transações envolvendo valores tão expressivos possam ser formalizadas mediante documentos desprovidos da mínima cautela. Um singelo exame dos contratos (de mútuo, seus aditivos e de cessões de crédito) trazidos aos autos é suficiente para perceber a falta de cuidado com que foram elaborados. Por exemplo: a) em nenhum contrato consta a existência de registro em cartório de títulos e documentos, nem no Brasil, nem no exterior; b) vários contratos não contém a indicação do nome das pessoas físicas que representavam as partes na transação (fls. 14/16, 20, 21/22, 23/24, 85/86, 95/96, 97/99); c) vários contratos contém assinaturas da mesma pessoa representando as partes envolvidas na transação (fls. 18/19, 20, 21/22, 23/24, 95/96, 97/99); d) um desses contratos recebeu a assinatura de apenas uma das partes ((fls. 85/86); e) vários contratos não contém a assinatura de testemunhas (fls. 14/16, 85/86, 92/93, 99/101). Não é de se admirar que empréstimos formalizados em contratos como esses acabem não sendo honrados. Com efeito, conforme comprovam os documentos juntados às fls. 257 a 290, isso foi o que aconteceu com o saldo do crédito no valor de R$ 183.142.443,73 detido pela recorrente perante à C&P Overseas Ltd. em junho de 2003, o qual restou provisionado como perda. Também não é para menos que os acionistas minoritários tenham sido prejudicados por negócios dessa natureza provocados pelo acionista controlador (fls. 291 a 298). Fl. 504DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 504 15 Portanto, cabível a apuração da variação cambial com base nas moedas utilizadas nas transações que motivaram as entradas e saídas que compuseram os saldos referentes a empréstimos recíprocos efetuados em consonância com contrato de mútuo sem referência expressa à unidade monetária sobre a qual deveria ser aplicada a taxa de correção pactuada. Quanto às demais alegações: A recorrente afirma que a fiscalização não considerou a existência de saldo negativo quando da apuração da CSLL devida decorrente de uma desistência de ação judicial para fins de adesão ao PAES. Nesta ação, pretendia evitar o efeito da trava dos 30% na compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL acumulados. Com isso, ao invés da inexistência de base de cálculo negativa acumulada daquela contribuição ao final do ano calendário de 2000, existiria um saldo de R$ 45.856.707,96. A DRJ analisou a questão e verificou que os documentos acostados na impugnação revelavam uma adesão ao PAES para fins de parcelamento de débitos de CPMF. Mas, ainda assim, examinou a argumentação da empresa quanto à eventual existência de base de cálculo negativa acumulada da CSLL e concluiu que, se a empresa possuísse o referido saldo, este teria sido computado nos sistemas de informações do Fisco caso ela tivesse devidamente enviado as DIPJ retificadoras contendo as apurações que o originaram. A recorrente contradisse afirmando que a decisão recorrida havia se equivocado porque “restou comprovado pela documentação acostada junto à Impugnação (Demonstrativo de Débitos Consolidados) a adesão ao PAES para pagamento de débitos sob o código 2973, que representa, no sistema da Receita Federal do Brasil, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido” e porque a falta de informação na DIPJ seria mera exigência formal que não deve prevalecer sobre a verdade material. Ora, dentre toda a documentação juntada com a impugnação (fls. 160 a 317), não se verifica um único documento intitulado “Demonstrativo de Débitos Consolidados”. O mais provável é que a recorrente tenha se confundido com a indicação do código 2973, utilizado para débitos de CSLL lançados de ofício, no extrato de débitos do presente processo denominado “Demonstrativo de Débito”, que foi anexado à fl. 362 pela unidade de origem após a juntada da decisão recorrida. Nada obstante, é fato que a empresa desistiu de uma ação judicial em que pretendia evitar o efeito da trava dos 30% para fins de adesão ao PAES no qual indicou débitos da CPMF. Isso pode ser comprovado nos documentos juntados às fls. 213 a 249. Contudo, não há nenhuma prova nos autos que comprove a existência do aludido saldo de base negativa da CSLL acumulado. A recorrente apenas juntou o demonstrativo de fls. 212, mas não trouxe qualquer evidência concreta de que procedeu às devidas correções em suas apurações anuais das contribuições devidas, tais como, cópias dos lançamentos contábeis, das declarações retificadoras e dos comprovantes de pagamentos das diferenças apuradas. Além disso, não trouxe também provas de que o saldo acumulado deixou de ser aproveitado em períodos futuros. A compensação de bases negativas acumuladas é um direito do contribuinte. Mas, para ter esse direito, ele precisa provar sua existência. A fiscalização, na época da Fl. 505DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 505 16 autuação, promoveu o lançamento com os dados que dispunha em seus sistemas gerados a partir de informações fornecidas pelo próprio contribuinte. Para desconstituir essa situação é necessário um mínimo de prova. Não bastam meras alegações de ofensa à verdade material quando as provas poderiam e deveriam ser produzidas por quem invoca seu direito. Com relação à alegação de que os valores correspondentes aos mútuos já teriam sido provisionados como perdas e que, portanto, não haveria que se falar em renda passível de tributação; bem como à alegação de que o contrato era, na verdade, um contrato de contacorrente e, por isso, não estaria sujeito à variação monetária por só gerar direitos e obrigações na data da liquidação; e, ainda, à alegação de que a receita não deve ter caráter temporário; há que se examinar o que dispunha o artigo 30 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, com a redação vigente à época, verbis2: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. §1º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. §2º A opção prevista no § 1º aplicarseá a todo o ano calendário. §3º No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Por intermédio desse comando legal, a partir do anocalendário de 2000, o regime geral de reconhecimento das variações cambiais passou a ser o de caixa. Contudo, conforme disciplinado nos §§ 1º e 2º, por opção da empresa, esse reconhecimento poderá ser feito pelo regime de competência. Porém, sua opção valerá para todo o anocalendário. Do que se depreende de todo o contexto já analisado, é notável que, quando a empresa deduziu, para fins de apuração do lucro tributável, as variações cambiais passivas por ela apuradas no quarto trimestre de 2001 e no primeiro trimestre de 2002, exerceu a opção da tributação pelo regime de competência. 2 Esse dispositivo é a reedição do artigo 30 da Medida Provisória nº 1.99116/2000. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 506 17 A Receita Federal, em consonância com o que dispõe o § 3º, editou a IN/SRF nº 345 somente em 28/07/2003. Os §§ 3º e 5º do seu artigo 2º continham os seguintes comandos: § 3º Na hipótese de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias previsto no caput para o regime de competência, deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em 31 de dezembro do período de encerramento do ano precedente ao da opção, as variações monetárias incorridas até essa data, inclusive as de períodos anteriores. (...) 5º As variações monetárias relativas a anoscalendário anteriores ainda não computadas em virtude de mudança de critério de reconhecimento em data anterior à da publicação desta Instrução Normativa deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL até 31 de dezembro de 2003. Assim, por determinação legal, as opções exercidas no quarto trimestre de 2001 e no primeiro trimestre de 2002 valeram para todos os anoscalendário de 2001 e 2002. As variações cambiais relativas aos anoscalendário anteriores, no caso presente desde o início da vigência do contrato de mútuo até 2000, segundo o entendimento administrativo, teriam que ser computadas até 31 de dezembro de 2000, mas, considerando que tal entendimento só foi externado com a publicação da citada IN, em agosto de 2003, aceitouse que pudessem ser computados até 31 de dezembro de 2003. Nada obstante, as variações cambiais anteriores relativas aos anoscalendário anteriores a 2001 não são objeto da lide. Portanto, não há, agora, que se falar que os valores correspondentes aos mútuos já teriam sido provisionados como perdas; que o contrato era um contrato de conta corrente e, por isso, a variação cambial deveria ser apurada na data da sua liquidação; ou que a receita não deve ter caráter temporário. A empresa podia continuar no regime de caixa. Mas, como visto, por razões que só se justificam pela economia tributária, “entendeu por bem” alterar as cláusulas contratuais nos meses que a variação cambial lhe era favorável. Ao fazer isso, optou pelo regime de competência. Não há, portanto, como acolher tais razões. No que diz respeito à constatação de que os valores considerados como variação cambial passiva, equivalentes a R$ 15.309.963,29 e R$ 2.321.523,66, nada mais seriam do que variação cambial ativa porque teriam sido contabilizados na conta 15150071, a qual é uma conta de ativo, a DRJ já esclareceu a questão. Na aludida conta, os valores correspondentes a créditos foram registrados com o sinal negativo localizado imediatamente após a transcrição do montante. Tratase, assim, de lançamentos redutores da conta de ativo. Ademais, a documentação juntada às fls. 61 a 65 comprova que tais valores compuseram as variações cambiais passivas na apuração do resultado. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 507 18 No tocante às alegações de que a receita, para ser tributada, não deve afrontar princípios constitucionais e que a interpretação da fiscalização ao conceito de receita ofenderia ao princípio da vedação ao confisco, não há como dar guarida a tais argumentos. É que a atuação administrativa deve ser pautada pelas normas estabelecidas pela lei. A competência desta Casa está circunscrita a verificar os aspectos legais dessa atuação. Quanto a isso, vale a pena transcrever o que dispõem o artigo 62 do Anexo II do RICARF e a Súmula CARF nº 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (grifei) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à impossibilidade de incidência do PIS e da COFINS sobre a receita financeira, assiste razão à recorrente. Os autos de infração atinentes a essas contribuições trataram da variação cambial ativa, reflexa da apurada para o IRPJ, referentes aos anoscalendário de 2001 e 2002. Portanto, anteriores às vigências das alterações veiculadas pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 que introduziram a sistemática da não cumulatividade. Nesta época, as bases de cálculo do PIS e da COFINS tinham sido definidas pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, a qual incluía em sua amplitude as receitas financeiras. Ocorre que o STF declarou sua inconstitucionalidade por violação à redação original do artigo 195, I, da Constituição Federal. Por disposição expressa do artigo 62A do Anexo II do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF, devem ser reproduzidas nos julgamentos desta Casa. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 508 19 Sobre o caráter definitivo da menciona inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais assim já se posicionou: Acórdão nº 9101001.281, de 25/10/2012 REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ – ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, não incide a Contribuição ao PIS e a COFINS sobre receitas não operacionais, dada a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. A relatora do voto condutor do referido acórdão, a ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias, expressou seu entendimento com as seguintes palavras: A despeito da presunção de constitucionalidade das leis, bem como a despeito das decisões acerca da ampliação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS terem sido proferidas em controle difuso, cumpre fazer duas considerações a seguir: (i) a primeira de que é autorizado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a lei por inconstitucionalidade, quando houver decisões definitivas de mérito, proferidas pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelos artigos 543B do Código de Processo Civil; (ii) a segunda, de que, em 10/09/2008, o Supremo Tribunal Federal, resolvendo questão de ordem no Recurso Extraordinário nº 585.235 reconheceu a repercussão geral acerca do tema e reafirmou a jurisprudência anteriormente firmada, no sentido de que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; RE`s nºs. 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão Fl. 509DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 509 20 constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. E não há dúvidas de que as variações cambiais ativas se tratam de receitas financeiras à luz do que dispõe o artigo 375, § 1º, do RIR/99, verbis: Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 18, Lei nº9.249, de 1995, art. 8º). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº9.718, de 1998, art. 9º). (grifei) Alguém poderia invocar que a autuação poderia ser mantida, pelo menos, relativamente ao PIS de dezembro de 2002. Isso porque a Lei 10.637/02 passou a valer a partir daquele mês e suas disposições já estavam em consonância com a nova redação dada ao artigo 195, I, da Constituição Federal pela Emenda Constitucional nº 20. Contudo, novamente tem razão a recorrente porque não se pode admitir que toda a variação cambial ativa do ano de 2002 tenha sido computada no mês de dezembro de 2002 (conforme pode ser verificado no auto de infração às fls. 120/122). A motivação alegada pela autoridade fiscal como resposta à diligência solicitada pela DRJ, segundo a qual teria sido obra do sistema como reflexo da tributação do IRPJ, é completamente descabida e seria suficiente, inclusive, para macular a integralidade do lançamento do PIS e da COFINS por erro na correta identificação do fato gerador. Portanto, há que se cancelar a autuação referente ao PIS e à COFINS. Por fim, no que concerne à taxa SELIC como juros de mora, a matéria já está sumulada pelo CARF. Vejase: Fl. 510DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.001267/200594 Acórdão n.º 1102000.981 S1C1T2 Fl. 510 21 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (grifei) Como é cediço, a matéria sumulada é de observância obrigatória por disposição expressa do que consta no artigo 72 do Anexo II do RICARF: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas para exonerar os créditos tributários referentes ao PIS e à COFINS. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 511DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 15956.000054/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002, 2003
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 54 /2 00 7- 38 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de Belém (PA), que julgou procedente o auto de infração de fls. 06/25, cientificado à contribuinte em 06/03/2007 (fl. 06), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. ILEGITIMIDADE ATIVA. Incabíveis a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, se não àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional(CTN). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. De acordo com a decisão recorrida a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial (CNPJ nº 61.149.589/010303) para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363,de 1996. Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000054/200738 Acórdão n.º 3301001.737 S3C3T1 Fl. 445 3 Cientificada em 31/01/2012 (AR – fl. 417) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 419 e seguintes, em 29/02/2012, aduzindo, em síntese, que na condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/000189), utilizouse de créditos presumidos de IPI, calculados e transferidos por aquela Matriz para a filial, ora Recorrente, creditandose no seu Livro de Registro de Apuração do IPI, pelos créditos transferidos correspondentes aos anoscalendários 2002 e 2003, por meio de Notas Fiscais de Transferência, utilizandoos para compensação com débitos do mesmo IPI. Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. De acordo com seu entendimento, a Cooperativa é quem pode registrar e compensar o crédito presumido do IPI, por conta e ordem de cada cooperado, tendo em vista ser ela a MANDATÁRIA LEGAL das suas afiliadas, para todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, agindo em nome das filiadas nos atos negociais de comercialização dos produtos. Assim, embora a COPERSUCAR não fabrique os produtos exportados, pode realizar todos os cálculos do referido incentivo fiscal, em razão de deter todos os dados necessários para tanto, uma vez que também é responsável, na condição de substituto tributário do IPI devido pelas cooperadas, conforme disposto no art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96, e ainda a responsável pelo recolhimento das contribuições PIS e COFINS de suas cooperadas, de acordo com o art. 66, da Lei nº 9.430/96. Aduz ainda que as vendas efetuadas são dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 457DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; Fl. 458DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000054/200738 Acórdão n.º 3301001.737 S3C3T1 Fl. 446 5 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Fl. 459DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador, entretanto, de acordo com a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº Fl. 460DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000054/200738 Acórdão n.º 3301001.737 S3C3T1 Fl. 447 7 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta Fl. 461DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Fl. 462DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000054/200738 Acórdão n.º 3301001.737 S3C3T1 Fl. 448 9 Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 463DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000054/200738 Acórdão n.º 3301001.737 S3C3T1 Fl. 449 11 Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 465DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 15521.000236/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. FASE INVESTIGATÓRIA. INAPLICABILIDADE. Instaura-se o processo administrativo com a apresentação da impugnação, momento a partir do qual deve ser garantido ao interessado/responsáveis o direito à ampla defesa e ao contraditório. A fase investigativa, ou procedimental, submete-se ao princípio da inquisitoriedade.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade, não tendo havido, portanto, qualquer cerceamento do direito de defesa, uma vez que os autos de infração foram formalizados em estrita observância aos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não tendo havido ofensa ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Tendo-se em vista o disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 que criou presunção legal, depósitos bancários cuja origem não for comprovada são considerados como receita omitida, podendo haver o correspondente lançamento de tributos.
OMISSÃO DE RECEITAS. REVENDA DE MERCADORIAS. Uma vez comprovado que as receitas auferidas com a venda de mercadorias não foram oferecidas à tributação, deve-se manter a autuação.
DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 150%. (CENTO E CINQUENTA POR CENTO) VENDAS NÃO DECLARADAS. DIPJs COM VALORES ZERADOS. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO.A conduta reiterada de não declarar as vendas efetuadas, apresentando DIPJs zeradas, durante anos consecutivos, omitindo informações do Fisco para suprimir tributo, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), de que trata o art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007.
Numero da decisão: 1202-001.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, manter a responsabilidade tributária dos sócios Nivaldo Soares Cirilo e Luciano de Oliveira Ferreira e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, João Bellini Júnior, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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FASE INVESTIGATÓRIA. INAPLICABILIDADE. Instaurase o processo administrativo com a apresentação da impugnação, momento a partir do qual deve ser garantido ao interessado/responsáveis o direito à ampla defesa e ao contraditório. A fase investigativa, ou procedimental, submetese ao princípio da inquisitoriedade. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade, não tendo havido, portanto, qualquer cerceamento do direito de defesa, uma vez que os autos de infração foram formalizados em estrita observância aos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não tendo havido ofensa ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Tendose em vista o disposto no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 que criou presunção legal, depósitos bancários cuja origem não for comprovada são considerados como receita omitida, podendo haver o correspondente lançamento de tributos. OMISSÃO DE RECEITAS. REVENDA DE MERCADORIAS. Uma vez comprovado que as receitas auferidas com a venda de mercadorias não foram oferecidas à tributação, devese manter a autuação. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 02 36 /2 01 0- 14 Fl. 5261DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.127 2 da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 150%. (CENTO E CINQUENTA POR CENTO) VENDAS NÃO DECLARADAS. DIPJs COM VALORES ZERADOS. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO.A conduta reiterada de não declarar as vendas efetuadas, apresentando DIPJs zeradas, durante anos consecutivos, omitindo informações do Fisco para suprimir tributo, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), de que trata o art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, manter a responsabilidade tributária dos sócios Nivaldo Soares Cirilo e Luciano de Oliveira Ferreira e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, João Bellini Júnior, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Relatório Tratase de Recursos Voluntários interpostos pelos Responsáveis, ora Recorrentes, que se insurgem contra Acórdão (fls.5084/5115) que votou procedente em parte as Impugnações apresentadas apenas para excluir a responsabilidade de Sra. Maria Aparecida dos Santos Assis, da Sra. Érika Oliveira Rocha Ferreira e do Sr. José Marcos Salino da Rocha. Os autos originaramse de procedimento fiscal no qual fora constatada omissão de receitas da revenda de mercadorias, que não foram oferecidas à tributação. As DIPJs relativas aos anos calendários de 2007 e 2008 foram entregues com os valores zerados. Fl. 5262DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.128 3 Foram lavrados os seguintes Autos de Infração: · IRPJ, no valor originalde R$ 3.135.644,15 (fls. 791/795); · PIS, no valor original de R$ 862.236,86 (fls. 804/816); · COFINS,no valor original de R$ 3.979.555,19 (fls 817/827); e · CSLL, no valor original de R$ 1.432.639,86 (fls.828/840); Fora aplicada multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) e demaisencargos de juros moratórios. Para melhor compreensão dos fatos transcrevo relatório do acórdão emitido pela DRJ/RJ, acerca do Termo de Verificação Fiscal (fls. 841/943): Em 28/01/2010, foi enviado a sede da empresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA, CNPJ 08.295.781/000109,o Termo de Início do Procedimento Fiscal com o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalizaçâo n° 07.1.04.002010005761,por via postal, pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), com Aviso de Recebimento (AR), tendo a correspondência sido recebida, em 02/02/2010, pela Sra.JULIANA JANNOTTI DA ROCHA, tendo sido exigida a apresentação de diversos livros e documentos, contábeis e fiscais, e de outros comprovantes. Em análise da documentação apresentada pela JUCERJA foi verificadoque foi protocolado, em 28/09/2009, naquela Junta Comercial e devidamente lá registrado e arquivado, o DISTRATO SOCIAL da sociedade empresária SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA, CNPJ 08.295.781/000109,antes, portanto, da abertura ou lavratura de qualquer procedimento fiscal, pois o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalizaçãon° 07.1.04.002010005761é datado de 28/01/2010. Em 05/02/2010 e em 06/04/2010 foram apresentados, na Agência daReceita Federal em Itaperuna/RJ, documentos assinados pelo sócio Sr. Luciano de OliveiraFerreira (Responsável tributário pela empresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ ECEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109."Extinta".), CPF 032.540.07689,onde pleiteoua prorrogação do prazo para apresentação da documentação solicitada, tendo sido deferida. Em 13/05/2010, foi enviado a sede da empresa sob Ação Fiscal o Termode Reintimação Fiscal n° 0147 por via postal pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos(ECT), com Aviso de Recebimento (AR), tendo tal correspondência sido recebida em18/05/2010, pela Sra. JULIANA J. DA ROCHA, tendo sido exigidos todos os livros,documentos e comprovantes solicitados através do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Em 01/06/2010, compareceram na Delegacia da Receita Federal emCampos dos Goytacazes/RJ, o senhor Luciano de Oliveira Ferreira(Responsável tributário pelaempresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109."Extinta".), CPF 032.540.07689,sócio da empresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ ECEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109,acompanhado do senhor Gustavo Tubino deCarvalho, CPF 037.743.11765,CRC RJ 08823/05, e apresentaram alguns documentos(extratos bancários, distrato social e comprovante de residência do sócio), sem, no entanto,conseguir juntar na íntegra os documentos solicitados.Em 04/08/2010, compareceram na Delegacia da Receita Federal emCampos dos Goytacazes/RJ, o senhor Luciano de Oliveira Ferreira(Responsável tributário pelaempresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109.,o senhor Nivaldo Soares Cirilo(Responsáveltributário pela empresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ08.295.781/000109."Extinta".), CPF 012.445.19774,sócio da empresa SUPREMACOMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109,acompanhados dosenhor Gustavo Tubino de Carvalho, CPF Fl. 5263DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.129 4 037.743.11765,CRC RJ 08823/05 e cada qualRESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO tomou CIÊNCIA PESSOAL do TERMO DE INTIMAÇÃOFISCAL, onde se pleiteava a apresentação, dentre outros, dos Livros Caixa ou Diário e Razão,do Livro Registro de Apuração do ICMS, do Talonario de Notas fiscais de compra referentes aconta fornecedoras e do Talonario de Notas Fiscais de venda de mercadorias. Em 16/08/2010, foi recebido na Delegacia da Receita Federal em Camposdos Goytacazes/RJ, documento manuscrito, assinado pelo senhor GUSTAVO TUBINO DECARVALHO, CRC 088230/08RJ, apresentando o Registro de entradas exercício 2007 e2008, o Registro de saídas exercício 2007 e 2008, as Notas Fiscais de saída emitidas de01/01/2007 a 31/12/2008, as Notas Fiscais de entrada recebidas de 01/01/2007 a 31/12/2008.Segundo o representante da empresa, os livros autenticados serão entregues após retirados dosmesmos do secretário de fazenda do estado do Rio de Janeiro. Em 18/08/2010, foram enviados por meio postal por intermédio daEmpresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), com Aviso de Recebimento(AR), osTermos de Intimação Fiscal n° 0220 e 0221, tais Termos de Intimação seguiram em 03(três)VIAS para os seguintes locais: domicílio fiscal da empresa SUPREMA COMÉRCIO DECAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109,sito na Estrada VarreSaiPrata Km 22,VarreSai/RJ, CEP: 28375000,domicílio fiscal do responsável tributário senhor Luciano deOliveira Ferreira (Responsável tributário pela empresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ ECEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109."Extinta".), CPF 032.540.07689,sito na RuaCel Pereira Sobrinho Porto, N° 186, Porto. CEP: 36.880000Muriaé/MG, e domicílio fiscaldo responsável tributário senhor Nivaldo Soares Cirilo (Responsável tributário pela empresaSUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109."Extinta".), CPF 012.445.19774,sito na Rua AngeloRidolphi.n0 20,casa. CEP: 28375000,Santo Antonio,VarreSai/RJ, intimandoosa apresentar todos os livros, documentos ecomprovantes solicitados no Termo de Início de Procedimento Fiscal e ainda não apresentados. Os Termos enviados para a empresa e para o Sr. Nivaldo Soares Ciriloforam recebidos, em 24/08/2010, pela Sra. JULIANA JANNOTTI DA ROCHA.Em 31/08/2010 o Sr. Luciano de Oliveira Ferreira solicita prorrogação deprazo para cumprimento das exigências.Em 16/09/2010, compareceu na Delegacia da Receita Federal em Camposdos Goytacazes a senhora JULIANA JANNOTTI DA ROCHA, CPF 097.096.54780,tendodeclarado que recebeu os Termos de Intimação n° 0220/2010 e 0221/2010 do Sr. NivaldoSoares Cirilo e da empresa, pois o carteiro foi entregar na Rua Balbino Assis Vargas, n° 1; queo carteiro entrega lá outras correspondências não só para essa empresa, como de parentes queresidem ali nas imediações, que é costume local; que recebeu essas correspondências, pois erasócia da Loja Cristal presentes e sua sócia Sra Maria Aparecida era exesposado Nivaldo e sóo fato dela ser exesposado Sr. Nivaldo tinha contato com ele, pois ele sempre estava passandopor ali. Em 16/09/2010, compareceu na Delegacia da Receita Federal em Camposdos Goytacazes a senhora MARIA APARECIDA DOS SANTOS ASSIS, CPF 079.348.42783,tendo declarado, dentre outras coisas, que não sabe de nenhuma empresa dele chamadaSUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS em VarreSai;que é sócia da Juliana naempresa Cristal Presentes e que as correspondências não só do Nivaldo, mas do pessoal dafamília e de alguns vizinhos o carteiro deixa na Rua Balbina de Assis Vargas, n° 1.Em Diligência Fiscal na cidade de VarreSaí/RJ no endereço informadocomo sendo da empresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ08.295.781/000109,sob Ação Fiscal pelo MPFFn° 07.1.04.002010005761,Estrada VarreSaiPrata,Km 22, Santa Rita da Prata em VarreSai,neste trecho da estrada no Quilômetro22, a fiscalização constatou que não havia absolutamente construçãocomercial ou residencialalguma. O local que os responsáveis tributários afirmam que funcionou a empresa éem outro endereço e não o informado em seu Contrato Social e ao Fisco Federal e também nãoestá habitado; lá se encontra um casario antigo com características de abandonado e semnenhuma indicação de ter funcionado empresa comercial, inclusive uma empresa com o portede ter emitido e comercializado café na ordem de R$132.172.645,27(cento e trinta e doismilhões cento e setenta e dois mil seiscentos e quarenta e cinco reais e vinte Fl. 5264DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.130 5 e sete centavos),conforme a apresentação de seu talonario de Notas Fiscais de saída de mercadorias emitidas. Na Diligência Fiscal do dia 09/06/2010 no posto policial da Polícia Militardo Estado do Rio de Janeiro DPO PMERJ,por volta das 11:30, na divisa dos municípios deGuaçuí/ES e VarreSaí/RJ, a Praça que lá estava de plantão/serviço da graduação de CaboPM,disse nada saber de empresa alguma com nome de Suprema naquela redondeza.Em 05/10/2010, em Diligência Fiscal na cidade de VarreSai/RJ, afiscalização se deslocou até o local informado como endereço cadastral do Sr. JOSE MARCOSSALINO DA ROCHA, CPF 077.096.11770,no SITIO RIBEIRA, SN, CASA, CEP: 28.375000,ZONA RURAL.VARRESAI/RJ, mas não foi encontrado, já que outra pessoa reside nestelocal e que nunca ouviu falar em nome do Sr. JOSE MARCOS SALINO DA ROCHA. Posto isso, a fiscalização constatou o seguinte:A fiscalização apurou divergências (diferenças) na escrita fiscal dasociedade empresária SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA, CNPJ08.295.781/000109,já que as receitas com vendas de mercadorias, no montante total de R$132.172.645,27 (cento e trinta e dois milhões cento e setenta e dois mil seiscentos e quarenta ecinco reais e vinte e sete centavos), constatadas a partir das Notas Fiscais de Venda de Saída deMercadorias ORIGINAIS, entregues mediante intimação, não foram oferecidas à tributação(DIPJs e DCTFs dos anoscalendáriode 2007 e 2008 com os valores ZERADOS), refletindoomissão de receitas da atividade, já excluídas as vendas canceladas.A sociedade empresária SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAISLTDA CNPJ 08.295.781/000109não foi localizada no endereço cadastral informado, e emsua suposta sede não havia a indicação de qualquer atividade comercial.Não houve apresentação de LIVRO CAIXA (com a escrituraçãocomercial, inclusive com a movimentação financeira da empresa) e de LIVRO RAZÃO.RJ RIO DE JANEIRO Não houve recolhimento de tributos federais IRPJ, PIS, COFINS e CSLL,em que pese a emissão regular de Notas Fiscais de Venda de saída de mercadorias no montantede R$ 132.172.645,27(cento e trinta e dois milhões cento e setenta edois mil seiscentos equarenta e cinco reais e vinte e sete centavos), no período compreendido entre os anos calendários2007 e 2008 (de 01/01/2007 a 31/12/2008). Dissolução irregular da sociedade empresária SUPREMA COMÉRCIODE CAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109"EXTINTA", já que osadministradores da pessoa jurídica que deixou de funcionar não procederam à liquidação deforma regular, não nomearam administradores e não saldaram suas dívidas com o FiscoFederal, nos termos do art. 207, inciso V, do RIR/99. "RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES (...) Em razão da extinção da sociedade empresária SUPREMA COMÉRCIODE CAFÉ E CEREAIS LTDA, CNPJ 08.295.781/000109,em 28/09/2009, antes, portanto, doinício do procedimento fiscal (28/01/2010), foi encerrado o MPFFN° 07.1.04.002010005761,e lavrado o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalizaçãon° 07.1.04.002010022518emnome das pessoas físicas NIVALDO SOARES CIRILO e LUCIANO DE OLIVEIRAFERREIRA (Responsáveis tributários pela empresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ ECEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109."Extinta").Tais sócios administradores são responsáveis tributários pessoais esolidários para constituição do crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica(IRPJ) e seus reflexos (PIS, COFINS e CSLL) devidos pela extinta sociedade empresária, cujacobrança se fará mediante auto de infração. Em 09/12/2010 foi enviado por meio postal com Aviso deRecebimento(AR), aos senhores NIVALDO SOARES CIRILO (Responsável tributário pelaempresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109."Extinta".), CPF sob o n° 012.445.19774e LUCIANO DE OLIVEIRA FERREIRA(Responsável tributário pela empresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDACNPJ 08.295.781/000109."Extinta".), CPF n° 032.540.07689,o Termo de Início deProcedimento Fiscal, referente ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalizaçãon°07.1.04.002010022518.O Termo de Início de Procedimento Fiscal enviado por meio postal comAviso de Recebimento (AR) foi recebido pelos senhores NIVALDO SOARES CIRILO eLUCIANO DE OLIVEIRA FERREIRA respectivamente em seus domicílios nas datas de14/12/2010 e 15/12/2010. Este descreve minuciosamente Fl. 5265DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.131 6 todo o trabalho de auditoria realizadona empresa SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA, CNPJ 08.295.781/000109."Extinta", intima para apresentação de documentos e atribuirlhesresponsabilidade pessoale solidária pelo crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e seusreflexos (PIS, COFINS e CSLL) devidos pela extinta sociedade empresária. O Termo de Início de Procedimento Fiscal também deu ciência aos sóciosde planilhas de notas fiscais de vendas da empresa que subsidiaram a autuação.Em 20/12/2010, foi protocolado na Delegacia da Receita Federal do Brasilem Campos dos Goytacazes/RJ, documentos do Sr. NIVALDO SOARES CIRILO eLUCIANO DE OLIVEIRA FERREIRA onde pleiteiam a prorrogação do prazo para a entregados documentos, a imediata vista da íntegra do processo administrativo para cópia, em trâmitejunto a essa repartição Federal, no MPFD07.1.04.002010021171,e solicitam que sejainformado se cabe recurso do Termo de Constatação enviado pela fiscalização. A fiscalizaçãoindeferiu tais pedidos.A fiscalização, com base no somatório das Notas Fiscais de Saída deVenda de Mercadorias originais, referentes aos anoscalendáriode 2007 e 2008, apresentadaspelos responsáveis tributários senhores NIVALDO SOARES CIRILO e LUCIANO DEOLIVEIRA FERREIRA, mediante intimação, emitidas pela sociedade empresária SUPREMACOMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA CNPJ 08.295.781/000109,apurou a ReceitaBruta na Revenda de Mercadorias. Como as DIPJs e DCTFs dos anos calendáriode 2007 e de2008 estavam com valores zerados, ficou caracterizada a omissão de receitas, tendo sidolavrado auto de infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL.Em razão da falta de apresentação do LIVRO CAIXA (com a escrituraçãocomercial, inclusive com a movimentação financeira da empresa) e do LIVRO RAZÃO, olucro foi arbitrado, com base no art. 530, inciso III, do RIR/1999.A multa aplicada foi qualificada (150%), pelo fato de a receita operacionalna revenda de mercadoria ter sido omitida (DIPJs e DCTFs com valores zerados), o quecaracteriza omissão de informação e/ou prestação falsa à autoridade fazendária com vistas àsupressão de tributo. Os sujeito passivos arrolados como responsáveis tributários pelo créditotributário, conforme Termo de Verificação Fiscal e descrição no auto de infração, foram: Sr.NIVALDO SOARES CIRILO, Sr. LUCIANO DE OLIVEIRA FERREIRA, Sr. JOSEMARCOS SALINO DA ROCHA, Sra. MARIA APARECIDA DOS SANTOS ASSIS (à épocados fatos casada com o Sr. NIVALDO SOARES CIRILO) e Sra. ERIKA OLIVEIRA ROCHAFERREIRA (à época dos fatos casada com o Sr. LUCIANO DE OLIVEIRA FERREIRA). Não se conformando com a autuação os responsáveis tributários apresentaram Impugnação, a saber, Nivaldo Soares Cirilo (fls. 958/1030), Erika Oliveira Rocha Ferreira (Fls.1031/1101), Maria Aparecida dos Santo Assis (fls.1102/1174), Luciano de Oliveira Ferreira (1175/1247) e José Marcos Salino da Rocha (fls. 1248/1322). Em referidas Impugnações os responsáveis alegaram, em síntese, que: i) Não existe fundamento legal para responsabilização das então esposasdos autuados, Sra. Maria Aparecida dos Santos Assis e Sra. Erika Oliveira Rocha Ferreira, pois as mesmas não exerciam atividade de gestão eadministração na empresa. ii) O auditor fiscal confunde a responsabilidade dos sócios comoadministradores da empresa e dos sócios na qualidade de sucessores da empresa; iii) Houve cerceamento de defesa, em face da ausência do deferimento da prorrogaçãode prazo para os responsáveis tributários apresentarem a documentação, devendo, portanto seranulado o auto de infração; Fl. 5266DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.132 7 iv) O Auditor Fiscal agiu ilegalmente ao expandir o objetivo da fiscalização, já que inicialmente o procedimento se restringia ao IRPJ, mas a fiscalização culminou na exigência do PIS, COFINS e CSL: v) Houve cerceamento do direito de defesa, pois o fiscal não deu acessos e tampouco prorrogou o prazo para apresentação de documentos; vi) O fiscal não agiu de acordo com o principio da impessoalidade; vii) Não há que se falar na inexistência da empresa, posto que quando da fiscalização a mesma já se encontrava fechada há mais de um ano; viii) O Fiscal não notificou o contribuinte de que o prazo do MPF havia sido prorrogado e por esse motivo os autos seriam nulos, alem de invalidar qualquer prova juntada após tal prorrogação; ix) Ofiscal descreve fatos inverídicos e maliciosos sobre a empresa; x) Em novembro de 2007 foi feita uma alteração do contrato social,saindo Marco Salino e entrando Luciano, devendo os sócios responderem pela parte do credito cabível no tempo em que constituíram a sociedade; xi) A responsabilidade dos impugnantes deveria ter sido feita de formaconcorrente entre a empresa e os sócios de forma individualizada, ainda que a primeira estejaextinta, para depois prosseguir sobre os sócios. xii) Não se pode formalizar crédito tributário a partir de depósitos bancários, pois os mesmos, por si só, não caracterizam rendimentos tributáveis; xiii) Não se aplica multa de 150% sobre a movimentação bancária, posto que sua natureza é específica para os casos onde o Fisco não consegue deforma segura prever o faturamento da empresa, o que não se aplica no caso em exame; xiv) Que para se aplicar a multa de 150% deve haver o enquadramento em uma das hipóteses dos artigos 71,72 e 73 do Decreto 4.502/64, mas, em momento algum é descrito nos autos o motivo da multa. A 7ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 julgou parcialmente procedente a Impugnação apenas no que diz respeito à exclusão da responsabilidade da Sra. Maria Aparecida dos Santos Assis, da Sra. Érika Oliveira Rocha Ferreira e do Sr. José Marcos Salino da Rocha. O acórdão teve a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Fl. 5267DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.133 8 A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que seja demonstrada, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PRELIMINAR MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). Não foi comprovada irregularidade nos Mandados de Procedimento Fiscal. Além disso, o Mandado de Procedimento Fiscal é mera formalidade administrativa ligada à autorização e ao controle da execução dos procedimentos de fiscalização e a eventual existência de falhas em seu cumprimento não dá causa à nulidade do lançamento. PRELIMINAR. PRAZO INSUFICIENTE PARA ENTREGA DE DOCUMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO COMPROVADO. As diversas intimações constantes nos autos comprovam cabalmente que os responsáveis tributários da empresa tiverem prazo mais do que suficiente para a entrega dos documentos, não tendo havido cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. FASE INVESTIGATÓRIA. INAPLICABILIDADE. Instaurase o processo administrativo com a apresentação da impugnação, momento a partir do qual deve ser garantido ao interessado/responsáveis o direito à ampla defesa e ao contraditório. A fase investigativa, ou procedimental, submetese ao princípio da inquisitoriedade. PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. EMPRESA EXTINTA. INOCORRÊNCIA. Não ocorreu erro na identificação do sujeito passivo, já que empresa extinta não pode ser sujeito passivo de obrigação tributária. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade, não tendo havido, portanto, qualquer cerceamento do direito de defesa, uma vez que os autos de infração foram formalizados em estrita observância aos requisitos legais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não tendo havido ofensa ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Além disso, as minuciosas e detalhadas impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários contra as imputações que lhe foram feitas provam cabalmente que foram cientificados de todos os atos praticados pela fiscalização no transcurso do procedimento fiscalizatório, seja na qualidade de sócios administradores da empresa, seja na qualidade de responsáveis tributários em razão da extinção da empresa, não tendo havido cerceamento do direito de defesa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE. NÃO COMPROVADO. Além de o interessado não trazer provas de que a fiscalização teria afrontado o princípio da impessoalidade, os princípios constitucionais tributários são endereçados aos legisladores e devem ser observados na elaboração das leis tributárias, não Fl. 5268DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.134 9 comportando apreciação por parte das autoridades administrativas responsáveis pela aplicação destas, seja na constituição, seja no julgamento administrativo do crédito tributário. PRELIMINAR. DOCUMENTAÇÃO OBTIDA POR MEIO ABUSIVO. NÃO COMPROVADO. Os termos constantes dos autos comprovam que a documentação constante dos autos foi obtida válida e licitamente, já que foram entregues espontaneamente pelos responsáveis tributários da empresa. PRELIMINAR. EXCESSO DE PRAZO. CONTAMINAÇÃO DAS PROVAS OBTIDAS. DESCABIMENTO. Não há comprovação de excesso de prazo no procedimento fiscalizatório. Ainda que houvesse, tal fato não tem o condão de contaminar provas obtidas válida e licitamente, já que o Mandado de Procedimento Fiscal é mera formalidade administrativa ligada à autorização e ao controle da execução dos procedimentos de fiscalização. Assunto: Imposto Sobre A Renda De Pessoa Jurídica Irpj Anocalendário: 2007, 2008 ARBITRAMENTO. LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. FALTA DE APRESENTAÇÃO. CABIMENTO. Uma vez que os responsáveis tributários, mesmo intimados, não apresentaram os livros contábeis e fiscais, cabível o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. REVENDA DE MERCADORIAS. Uma vez comprovado que as receitas auferidas com a venda de mercadorias não foram oferecidas à tributação, devese manter a autuação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007, 2008 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Programa de Integração Social Pis Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social COFINS DECORRÊNCIA. Subsistindo o auto de infração matriz (IRPJ), igual sorte colhem os autos de infração lavrados por mera decorrência dos fatos apurados naquele. MULTA DE OFÍCIO.MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. 150%. (CENTO E CINQÜENTAPOR CENTO) VENDAS NÃO DECLARADAS. DIPJs COM VALORESZERADOS. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO. A conduta reiterada de não declarar as vendas efetuadas, apresentando DIPJs zeradas, durante anos consecutivos, omitindo informações do Fisco para suprimir tributo, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), de que trata o art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Fl. 5269DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.135 10 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Deve ser excluída a responsabilidade das pessoas físicas, em relação as quais não ficou comprovado que figuraram no quadro societário da empresa e que não tiveram participação na administração da mesma. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido As intimações da referida decisão se deram via postal, tendo sido Nivaldo Soares Cirilo intimado em 02/08/2011 (Fls.5130) e Luciano de Oliveira Ferreira intimado em 23/08/2011 (fls.5132) Inconformado, em 25/08/2011 Nivaldo Soares Cirilo interpôs Recurso Voluntário (fls.5143/5191), no qual alega em síntese: i) Da confusão – inépcia do auto de infração – houve confusão por parte do Sr. Fiscal acerca da responsabilidade dos sócios da empresa e dos sócios da qualidade de sucessores da empresa. Além disso, em alguns momentos os terceiros indicados como responsáveis no Auto de Infração foram ouvidos como testemunhas e em outros momentos como responsáveis; ademais, houve cerceamento de defesa por parte do Sr, Fiscal ao impedir a vista dos autos do no Mandado de Procedimento Fiscal; ii) Da Mudança dos objetivos da fiscalização – ao contrário do que entenderam os julgadores houve ofensa à Súmula 439 do STF, uma vez que o MPF somente dizia respeito ao IRPJ e a fiscalização também analisou o PIS, a COFINS e a CSLL; iii) Cerceamento de defesa – ao emitir o MPF 07.1.04.002010.022518 o Sr. Fiscal não deu tempo hábil para que os responsáveis tributários pudessem levantar toda a documentação solicitada. Além disso, não foifornecido a vista dos autos do MPF; iv) Alega também nulidade no Auto de Infração por entender que as Sras. Maria Aparecida e Erika deveriam ter sido cientificadas de todo o MPF, na qualidade de responsáveis tributárias; v) Do princípio da impessoalidade –alega o Recorrente que no curso da Fiscalização o Sr. Fiscal a) invadiu estabelecimento do contribuinte, intimidou testemunhas e parentes dos responsáveis tributários, b) exigiu que as testemunhas comparecessem na sede da Receita Federal a mais de 100 Km de seus domicílios, além de exigir documentos com firma reconhecida o que conota uma afronta, pois forçou as testemunhas a desembolsarem uma quantia a fim de produzirem provas que poderiam ter sido produzidas por outro meio, c) violou a intimidade do responsável tributário ao narrar as Sras Maria Aparecida e Juliana Janotti supostos ilícitos tributários praticados por seu exmarido Nivaldo (sic), “rompendo com o pouco laço que restou da família”, d) chamou o contribuinte de sonegador, e) exigiu a entrega de documentos ou outras obrigações com prazo insuficiente para o seu Fl. 5270DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.136 11 cumprimento, f) os documentos que embasam o auto de infração foram obtidos por meios abusivos e estão distorcidos, pois há falsa constatação da existência da empresa já que quando da fiscalização ela já estava encerrada há mais de um ano; vi) Do excesso de prazo e da contaminação das provas obtidas –o Recorrente afirma que a argumentação do acórdão para afastar a nulidade do MPF foi pífia e que o excesso de prazo pode ser constatado pela simples leitura das datas; vii) Que a maneira como feita a fiscalização induziu os Julgadores a erro ao pensar que a empresa era fantasma quando na verdade já havia encerrado suas atividades no momento em que o Fiscal realizou a diligência in loco; viii) Não pode prosperar o argumento de que não houve renovação no contrato de aluguel do local do estabelecimento da empresa, eis que o mesmo se renova automaticamente; ix) Que não há que se falar na responsabilidade pessoal dos sócios da empresa extinta, posto que cabia ao fisco legitimar como sujeito passivo de forma necessária a empresa fiscalizada; x) O Agente Fiscal limitouse a apresentar os depósitos bancários de maneira globalizada sem provar que os mesmos representam acréscimo patrimonial e por consequência fato gerador do imposto de renda; xi) Não se aplica a multa arbitrada de 150% “sobre as Notas Fiscais” porque sua natureza é especifica para quando o fisco não consegue prever de forma segura o faturamento da empresa; xii) Também não se pode aplicar a multa de 150% ante a ausência da descrição de qual dos artigos, 71 72 ou 73, do Decreto 4.502/64 o Recorrente teria infringido. Assim, ante a falta de motivação a multa deveria ser cancelada ou reduzida a 50%; xiii) A fiscalização não teve por objetivo apurar o PIS a COFINS e a CSL, haja vista que foi aberta única e exclusivamente para apuração de IRPJ. Apurar qualquer outro tipo de imposto no mesmo procedimento é ilegal; xiv) No fim, requer que seja aplicada a decisão que possa a vir ser proferida nas ADINs 2386, 2397, 2406, 2389 e 2390. Na seqüência, em 14/09/2011, Luciano de Oliveira Ferreira também interpôs RecursoVoluntário (fls. 5205/5250), no qual apresenta as mesmas razões trazidas por Nivaldo Soares Cirilo. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 5271DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.137 12 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Os Recursos Voluntário são tempestivos e preenchem os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, deles tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas pelos Recorrentes. I Preliminares Da Confusão – Inépcia do Auto de Infração Alegam os Recorrentes que os Autos de Infração seriam nulos, uma vez que houve confusão por parte do Agente Fiscal entre o contribuinte e os sujeitos passivos solidários. Segundo alegado, o agente fiscal ao distinguir a infração em dois Mandados de Procedimento Fiscal não deu oportunidade aos responsáveis solidários de analisarem o processo ou sequerde juntarem documentação probatória. Discorrem em sua defesa que em face dos procedimentos serem diferentes, as provas não poderiam se comunicar, ocorrendo assim, cerceamento de defesa, vez que foi indeferido a prorrogação de prazo para apresentação de documentos, devendo ser anulado o Auto de Infração. Não assiste razão aos Recorrentes. Primeiramente, cumpre mencionar que apesar dos MPFs serem distintos o procedimento fiscalizatório é o mesmo. Ao contrário do que alegam os Recorrentes, as provas obtidas tanto no 1º MPF (em nome da empresa), quanto no 2º MPF (em nome dos responsáveis tributários) se destinam ao mesmo fim, qual seja comprovar as omissões de receitas perpetradas na empresa nos anoscalendário de 2007 e 2008. Sendo assim, há comunicação entre as provas. Ademais, o fato dos Recorrentes não terem vistas dos autos não pode ser considerado hipótese de cerceamento de defesa. Não cabe vista dos autos durante o procedimento fiscal pela razão dos mesmos não estarem formalizados. Não obstante, quando formalizados, os Recorrentes obtiveram vista dos autos, conforme fl. 946. Sendo assim, não há que se falar em nulidade do processo por cerceamento de defesa. Posto isso, voto no sentido de afastar a preliminar mencionada. Da Mudança dos Objetivos da Fiscalização Alegam os Recorrentes que o Auto de Infração também seria nulo, pois o Termo de Início de Fiscalização indica que busca investigar fatos geradores relativos ao Imposto de Renda. Fl. 5272DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.138 13 Os Recorrentes aduzem que o mandamento do artigo 142 do CTN não supera a literalidade da Súmula 439 do STF (“Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação”), de modo que o fiscal não poderia ter fiscalizado nada além do IR, sendo, portanto, ilegal a apuração do PIS da COFINS e da CSL. Todavia, não assiste razão aos Recorrentes. No decorrer da fiscalização foi apurada omissão de receitas decorrentes de venda de mercadorias. Logo, decorre do dever do Fiscal lavrar os Autos de Infração reflexos ao Imposto sobre a Renda. Caso assim não tivesse procedido, o I. fiscal estaria agindo em desacordo com o princípio da legalidade, eis que a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória. Ou seja, estaria desobedecendo aos ditames do artigo 142 do CTN. Este também é o entendimento deste C. Conselho exarado na seguinte ementa: Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMAS PROCESSUAIS AÇAO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES IMPOSSIBILIDADE A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento "exofficio", enseja renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito, por parte da autoridade administrativa, tornandose definitiva a exigência tributária nesta esfera. LANÇAMENTO Salvo disposição judicial em contrário a autoridade administrativa não pode deixar de exercer o poderdever previsto no artigo 142 do CTN sob pena de responsabilidade funcional. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10515135 do Processo 13839003967200211. Data 15/06/2005 – não grifado no original). Concordo, portando, com o acórdão recorrido, afastando a preliminar ora suscitada. Do Cerceamento de Defesa Alegam os Recorrentes que com o encerramento da fiscalização da empresa, através do MPF e início da fiscalização em face dos responsáveis em outra fiscalização o Agente Fiscal teria cerceado o direito de defesa dos postulantes. Isso porque foi dado prazo exíguo para que os sócios prestassem informações e entregassem documentos, e não lhes foi concedido qualquer prorrogação. Ademais, o Agente Fiscal também não deu vista do processo aos autuados e encerrou a fiscalização sumariamente lavrando Auto de Infração de elevada importância. Alegam ainda que houve grande prejuízo aos responsáveis Marco Salino, Maria Aparecida e Erika que foram intimados a depor como testemunhas e ao final do procedimento indicados como contribuintes solidários. Fl. 5273DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.139 14 Não assistem razão aos Recorrentes. Inicialmente destaco que não houve qualquer prejuízo ao Sr. Marco Salino, Sra. Maria Aparecida e Sra. Erika, já que os mesmos foram excluídos do polo passivo da obrigação tributaria e assim não cabe analisar tais argumentos. Já no que diz respeito à alegação de que os Recorrentes foram impedidos de terem vistas dos autos,conforme mencionado acima, o procedimento fiscalizatório é uma fase inquisitória na qual ainda não existe processo formalizado. Portanto, não existem autos a serem compulsados. Assim, a fase litigiosa somente é instaurada com a apresentação da Impugnação. Logo, não houve qualquer direito de defesa dos Recorrentes. Ademais, como muito bem ressaltado pelo Ilmo. Relator Guilherme Henrique da Silva Ribeiro: “(...) apesar de os MPFs serem distintos, oprocedimento fiscalizatório, ao contrário do que alegam os responsáveis tributários, é omesmo, já que objetiva verificar as operações comerciais e fiscais da empresa nos anoscalendáriode 2007 e 2008. Do mesmo modo, o Sr. Nivaldo Soares Cirilo e o Sr. Luciano deOliveira Ferreira, seja na condição de sócios da empresa, seja na condição de responsáveistributários após a extinção da mesma, continuam sendo, independentemente dos MPFs, asmesmas pessoas. Portanto, não causou qualquer cerceamento do direito defesa dosresponsáveis tributários, Sr. Nivaldo Soares Cirilo e o Sr. Luciano de Oliveira Ferreira, o fatode a fiscalização ter indeferido a prorrogação do prazo para que cumprissem as exigências.” mitigação no Evidente, portanto, que os Recorrentes estavam cientes de todo procedimento fiscalizatório e tiveram oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos ao Agente Autuante. Assim, não há que se falar em nulidade dos autos de infração em razão de cerceamento de defesa. Por fim, destaco que, conforme anteriormente mencionado, o Mandado de Procedimento Fiscal é mera formalidade administrativa e eventual existência de falhas em sua execução não acarreta nulidade no lançamento tributário. Desse modo, afasto a preliminar de cerceamento de defesa. Da Pessoalidade do Fiscal Os Recorrentes afirmam que os Autos de Infração também seriam nulos, pois o Agente Autuante teria violado o artigo 5º da CF/88, especificamente o princípio da impessoalidade, na medida em que preconizou diversos comportamentos que a lei trata como proibidos, tais como invadir estabelecimento e tomar posse de bens do contribuinte, exigir do contribuinte o cumprimento de obrigações não previstas em lei, violar a honra imagem ou intimidade do contribuinte, chamar o contribuinte de sonegador, entre outros. Assim, seu julgamento estaria viciado e o mesmo não poderia perpetuado pela fiscalização. Em que pese o esforço dos Recorrentes em narrarem os fatos, não há nos autos qualquer prova de que o Agente Fiscal agiu aquém das suas funções. Pelo contrário, o que restou demonstrado é que sua diligência culminou na lavratura dos Autos de Infração em Fl. 5274DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.140 15 referência após ouvir testemunhas e colher provas, haja vista o descaso dos Recorrentes em liquidarem as obrigações da sociedade da qual eram sócios antes de sua liquidação. Na mesma linha é o meu raciocínio para a “falsa constatação da inexistência da empresa” uma vez que se a empresa já havia encerrado suas atividades tinha dever legal de informar o fisco. Desse modo, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade dos Autos em razão da impessoalidade do Fiscal. Do Excesso de Prazo e da Contaminação das Provas Obtidas Os Recorrentes também pugnam pela nulidade dos Autos de Infração em razão do excesso de prazo dos Mandados de Procedimento Fiscal e pela falta de intimação do contribuinte da continuidade da fiscalização. Este C. Tribunal tem posição predominante de que o MPF consiste em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento, motivo pelo qual voto em manter o teor da decisão da DRJ/SPI neste aspecto. Transcrevo duas decisões da 2ª Turma da CSRF neste sentido: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva – não grifado no original). VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior – não grifado no original) Fl. 5275DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.141 16 Ademais, as hipóteses de nulidade do Processo Administrativo Fiscal estão presentes no art. 59 do Decreto Lei 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Vencidas as preliminares passo a análise do mérito. II Mérito Do Sujeito Passivo – Suprema Comércio de Café e Cereais Os Recorrentes entendem que não há que se falar na responsabilidade pessoal dos sócios da empresa extinta, mas sim que cabia ao Agente Fiscal legitimar como o sujeito passivo de forma necessária a empresa ora fiscalizada (Suprema Comércio de Café e Cereais). Referido argumento não merece prosperar. Como os próprios Recorrentes afirmam, a empresa fiscalizada está com as atividades encerradas e fora liquidada de forma irregular, uma vez que não foi informado o encerramento à Receita Federal do Brasil e tampouco foram liquidadas suas obrigações tributárias. Conforme o artigo 80 da Lei 9.430/1996, alterado pela Lei 11.941/2009: “Art. 80. As pessoas jurídicas que, estando obrigadas, deixarem de apresentar declarações e demonstrativos por 5 (cinco) ou mais exercícios poderão ter sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, se, intimadas por edital, não regularizarem sua situação no prazo de 60 (sessenta) dias, contado da data da publicação da intimação. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Poderão ainda ter a inscrição no CNPJ baixada, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as pessoas jurídicas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que não existam de fato; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que, declaradas inaptas, nos termos do art. 81 desta Lei, não tenham regularizado sua situação nos 5 (cinco) exercícios subsequentes. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º No edital de intimação, que será publicado no Diário Oficial da União, as pessoas jurídicas serão identificadas pelos respectivos números de inscrição no CNPJ. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º Decorridos 90 (noventa) dias da publicação do edital de intimação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil publicará no Diário Oficial da União a relação de CNPJ das pessoas jurídicas que houverem regularizado sua situação, tornandose automaticamente baixadas, nessa data, as inscrições das pessoas jurídicas que não tenham providenciado a regularização. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” (grifouse). Fl. 5276DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.142 17 Conforme a fiscalização, a dissolução da sociedade empresária SUPREMA COMÉRCIO DE CAFÉ E CEREAIS LTDA. foi irregular. Não nomearam administradores e não saldaram suas dividas com o Fisco Federal, nos termos do art. 207, inciso V, do RIR/99. Ademais, consta na clausula quarta do Distrato Social da sociedade (fls. 63/64), que “a responsabilidade pelo ativo e passivo porventura existente fica a cargo de ambos os sócios que se comprometem, também em manter em boa guarda os livros e documentos da sociedade”. Os Recorrentes foram responsabilizados pessoal e solidariamente pelo crédito tributário constituído referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e seus reflexos (PIS, COFINS e CSLL), devidos pela extinta sociedade empresária. “Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (...) VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Logo, os sócios respondem pessoalmente pelas obrigações tributárias da Sociedade irregularmente dissolvida. Neste sentido também é o entendimento deste C. Conselho: Ementa NULIDADE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento, não prospera a argüição de nulidade do procedimento NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Os procedimentos de fiscalização e lançamento não estão regidos pelo princípio do contraditório, prevalecendo o princípio da inquisitoriedade. A fiscalização tem o dever de ofício de verificar o correto cumprimento das obrigações pelo sujeito passivo, dispondo de amplos poderes de investigação, podendo se utilizar, além dos elementos obtidos junto ao investigado, de elementos de que disponha na repartição ou obtidos junto a terceiros. DECADÊNCIA Nos casos de evidente intuito de fraude, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE PESSOAL São pessoalmente responsáveis pelos Fl. 5277DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.143 18 créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. Responsabilidade solidária Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias. INCONSTITUCIONALIDADE O Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária MULTA QUALIFICADA Caracterizado o evidente intuito de fraude que autoriza o lançamento de multa qualificada, como previsto no inciso II, do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, impõese a mantença da multa qualificada. MULTA MAJORADA Não configurada a hipótese de falta de atendimento a intimação para prestação de esclarecimentos, não prospera a majoração da multa de ofício. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10196146 do Processo 13603002862200381. Data 23/05/2007 – não grifado no original). Da Omissão de Receita– Da impossibilidade de formalizar credito tributário do Imposto de Renda a Partir de Depósitos Bancários Os Recorrentes requerem que a autuação seja cancelada por entenderem que cabe à fiscalização a busca de fatos que embasem sua autuação, uma vez que não se pode considerar depósitos bancários pura e simplesmente como acréscimo patrimonial. Alegam que os depósitos bancários não podem servir de base para o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da contribuição para o PIS e da COFINS, por entender que depósitos bancários não se enquadrariam no fato gerador do imposto de renda. Afirmam que não cabe ao Fisco fazer lançamento por "meros indícios". O artigo 42 da lei 9.430 de 1996 estabelece uma presunção legal de omissão de receitas/rendimentos que autoriza o lançamento do tributo correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Cumpre mencionar o referido artigo: “Lei n. 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 5278DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.144 19 § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2 0 Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa _física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a RS 12.000, 00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Art. 42, § 3°, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c art: 4° da Lei n° 9.481, de 13/08/1997).” Fica claro que a própria legislação permite o fisco realizar tal presunção ao efetuar o lançamento na hipótese de depósitos de origem não comprovada. Sendo assim, caberia ao contribuinte o ônus de comprovar a origem de tais depósitos. Como bem nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira "o efeito prático da presunção legal é inverter ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção provar que o fato presumido não existe no caso." (Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas; JUSTEC, RJ, 1979, pág. 806). Cumpre mencionar que as Declarações de Informações da Pessoa Jurídica do Ano Calendário de 2007 e 2008 estavam zeradas e os Recorrentes não trouxeram no curso do processo qualquer justificativa dos motivos que levaram a sociedade a não oferecer a vultosa quantia de aproximadamente cento e trinta e três milhões de reais à tributação, devem ser mantidas as infrações. Ainda que se argumente pelo princípio da verdade material, não há dúvidas de que houve a saída de mercadorias nos valor de R$ 132.172.645,27 (cento e trinta e dois milhões, cento e setenta e dois mil, seiscentos e quarenta e cinco reais, e vinte e sete centavos) e que assim houve a ocorrência do evento no mundo fenomênico. Contudo, com a entrega das DIPJs em branco o contribuinte não promoveu a subsunção do fato à norma, o que somente ocorreu com a lavratura dos Autos de Infração. Desse modo, caberia aos Recorrentes provarem que ou a hipótese de incidência não ocorreu ou os valores relativos à saída das mercadorias tinham sido oferecidos à tributação, elidindo assim a prova apresentado pelo Agente Fiscal, o que não ocorreu. Nessa linha é o entendimento deste C. Conselho: IPI. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO REGISTRADAS. Não elidida a prova quanto à omissão de receitas Fl. 5279DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.145 20 decorrer da venda de produtos, cabível a exigência tributária. Recurso negado. (Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 20177291 do Processo 108750022379679. Data 15/10/2003). Ementa ÔNUS DA PROVA CONTRIBUINTE Tendo a fiscalização apresentado provas do cometimento da infração, a apresentação de contraprova, objetivando desacreditar o suporte probatório juntado aos autos, é do contribuinte. DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas depende da comprovação do efetivo dispêndio do contribuinte. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Título Acórdão nº 10422498 do Processo 10120004177200412. Data 13/06/2007). Assim, voto no sentido de manter a decisão recorrida neste ponto. Da Multa de Ofício Os Recorrentes entendem que não houve no Auto de Infração a descrição de qual foi o motivo da multa, sonegação, fraude ou conluio, não havendo descrição objetiva do que foi violado. Desse modo, referida parte do Auto de Infração é nula e por esse motivo a multa deve ser reduzida a 0%, ou para 50%, posto que é a menor multa a que a empresa estaria enquadrada de fato. Ocorre que referido argumento não merece reparo. Conforme fartamente demonstrado nos autos, houve dissolução irregular da sociedade empresária e esse fato, por si só, já caracteriza a sonegação. Logo, no caso em tela fica evidenciado a conduta do contribuinte em sonegar os tributos ora exigidos, nos moldes do que determina o artigo 71 da Lei 4.502/64. Também alegam que não deveria ser aplicada a multa mais grave, já que o Fisco pautou a tributação nas Notas Fiscais de Saída, assim a multa de 150% deveria ser aplicada somente quando o Agente Fiscal não pode prever o faturamento da empresa. Ainda assim equivocamse os Recorrentes, na medida em que a multa qualificada fora aplicada em razão de ter a sociedade omitido informações do fisco com vistas a suprimir tributo ao omitir as receitas auferidas com venda de mercadorias em sua DIPJ. Referida conduta enseja a aplicação de multa de ofícioqualificada de 150%, de que trata o art. 44, inciso I e § 1º, da Leinº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Nesse sentido, oportuno trazer entendimento deste C. Conselho de que a apresentação das declarações em branco denota intuito de fraude: (...) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco Fl. 5280DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.146 21 associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10808477 do Processo 10670001502200299, Data: 12/09/2005). (não grifado no original) Assim, concordo neste ponto com a decisão recorrida e mantenho a multa de ofício no percentual de 150%. Do PIS Da COFINS e Da CSL Pautandose na Sumula 439 do STF (“Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação”), os Recorrentes pretendem afastar a incidência das contribuições em referência por entenderem que a fiscalização tinha como único escopo o IRPJ. Assim, entendem que a apuração de qualquer outro tipo de tributo no mesmo procedimento é ilegal. Todavia, não assiste razão aos Recorrentes, na medida em que,conforme mencionado, o Agente Fiscal tem o dever legal de apurar e lançar tributos. Dessa maneira, no curso da fiscalização, ao verificar que o contribuinte não ofereceu à tributação do IRPJ as receitas referentes àvenda de café relativas aos anos calendários de 2007 e 2008 era seu dever verificar se havia sido apurado e pago pelo contribuinte os tributos reflexos, no caso PIS, COFINS e CSL. Logo, no caso em tela não há que se falar na aplicação da Súmula 439 do STF que diz respeito apenas à análise de Livros Comerciais. Desse modo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e manter o acórdão recorrido em sua integralidade. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 5281DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15521.000236/201014 Acórdão n.º 1202001.121 S1C2T2 Fl. 5.147 22 Fl. 5282DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13888.904205/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2004
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis.
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN.
As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para a Cofins, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3302-002.493
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Gomes
Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator).
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para a Cofins, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 05 /2 00 9- 16 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 130 2 (assinado digitalmente) Alexandre Gomes Relator (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator). Relatório A controvérsia envolvendo o presente processo foi assim resumida ela DRJ de Ribeirão Preto: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensações declaradas por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração de 31/05/2004, sobre vendas realizadas A Zona Franca de Manaus. A declaração de compensação apresentada baseiase no entendimento da requerente de que as vendas A Zona Franca de Manaus (ZFM) naquele período estavam isentas dessas contribuições e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. A DRF de Piracicaba, SP, por meio de despacho decisório de fl. 20, não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito. A interessada ingressou com manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: I. 0 art. 40 do DecretoLei (DL) n" 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as exportações As vendas A ZFM e que, com o advento da Constituição de 1988, esse decretolei foi recepcionado e incorporado pelo ordenamento jurídico vigente pelo art. 40 e 92 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). II. As normas editadas com o fim de restringir a isenção e, depois, a imunidade do PIS e da Cofins, relativamente As remessas para a Zona Franca de Manaus — qual seja, a Lei 9.004/95, que alterou o art. 5° da Lei n° 7.714/88, o Decreto n° 1030, de 1993, a MP n° 18586, de 1999, a MP n°2.03724, de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 131 3 2000 e a Lei n° 10.996, de 2004 —também padecem de inquestionável ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que, além de contrariarem o art. 4° do DL 288/67 e os artigos 40 e 92 da ADCT, implicam na distorção de um conceito amplo de exportação. Ill. 0 Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn n' 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n" 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, na reedição da MP n" 2.03725, de 21 de dezembro de 2000 a exclusão de isenção foi retirada do texto legal, de modo que as vendas A ZFM tornaramse isentas dessas contribuições, sendo esse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. IV. Ante o exposto, requer o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, isentas de tais exações. Requer também a homologação das compensações de todos os débitos declarados pela empresa, excluindose multa e juros indevidamente considerados no demonstrativo apresentado junto à decisão em análise e a conexão de processos similares da mesma empresa, para evitar decisões divergentes sobre a mesma matéria. A decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Data do fato gerador: 31/05/2004 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO. Sao isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a partir de 18 de dezembro de 2000, exclusivamente as receitas de vendas efetuadas para as empresas comerciais exportadoras de que trata o Decretolei n° 1.248, de 1972, destinadas ao fim especifico de exportação e para as empresas comerciais exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, estabelecidas na Zona Franca de Manaus. As vendas efetuadas as demais pessoas jurídicas, mesmo que localizadas na Zona Franca de Manaus, são tributadas normalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 132 4 Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi interposto Recurso Voluntário que reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade já destacados acima. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de compensação não homologada, cujo crédito seria decorrente de operações de venda para a Zona Franca de Manaus. O Decreto 288/67 define a Zona Franca de Manaus como sendo “uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatôres locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos. Seguindo com o objeto principal da Lei de desenvolver aquela região da Amazônia, entendeuse por bem equiparar à exportação as operações realizadas com a ZFM, como se vê do art. 4º do Decreto Lei nº 288/67: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. O tratamento diferenciado permaneceu em vigor, mesmo com o advento da Constituição Federal de 1988, uma vez que Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, assim estabeleceu: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 133 5 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A Constituição Federal de 1988, por sua vez, determinou que as contribuições sociais não incidem sobre as receitas de exportação, nos seguintes termos: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação Assim, as operações realizadas com empresas sediadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para todos os efeitos legais e, portanto fora da incidência do PIS e da COFINS. Contudo, a legislação infraconstitucional tratou de impor limitações ao disposto no Decreto Lei nº 288/67 e passou a impedir expressamente a exclusão da base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS. Em relação a COFINS, o Decreto 1.030/93 tratou da questão nos seguintes termos: "Art. 1°. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), instituída pelo art. 1° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as recitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas; I — vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Area de Livre Comércio" No âmbito do PIS, observo que a Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, e suas reedições, resultaram na edição da Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, que deu nova redação ao artigo 5º da Lei nº 7.714 de 1988, disciplinando que o direito à Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 134 6 exclusão das receitas de exportações da base de cálculo da contribuição para o PIS não se aplicava às vendas efetuadas “a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus”. Referido tratamento restritivo foi mantido pela Medida Provisória nº 1.212, de 29 de novembro de 1995 e reedições, que restou convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1988. Neste meio tempo houve a edição da Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, alterando a Lei Complementar nº 07, de 1970, assim como a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, mas essas não trataram especificamente da exclusão da base de cálculo ou da isenção do PIS nessas operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Foi então editada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, que determinava em seu artigo 14, inciso II e § 1º, transcritos a seguir, que as receitas das vendas ao exterior estariam isentas das contribuições, mas que a referida isenção não alcançava as operações destinadas à Zona Franca de Manaus: Art. 14 – Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II – de exportação de mercadorias para o exterior; § 1º – São isentas das contribuições para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2 º – As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou área de livre comércio; A mesma redação foi repetida quando da reedição da mesma Medida Provisória nº 2.03723, que dispôs: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II – da exportação de mercadorias para o exterior; III – dos serviços prestados à pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 135 7 VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro – REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) Com base nessas prescrições legislativas podiase chegar à conclusão inicial de que a legislação ordinária específica das contribuições não assegurou, como defende a Recorrente, o direito à exclusão da base de calculo ou à isenção da contribuição do PIS e da COFINS. Pelo contrário, a legislação rechaçou expressamente a pretensão ao considerar que as operações destinadas à Zona Franca de Manaus não seriam agraciadas pelos benefícios concedidos às demais espécies de exportações. Para chegar à conclusão diversa seria indispensável que este julgador administrativo analisasse a constitucionalidade da expressão “estabelecida na Zona Franca de Manaus” diante da regra do artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais e Transitórias e do artigo 4°, do Decreto Lei n° 288/67 e declarasse sua incompatibilidade com o texto maior. Entretanto, considerando as limitações previstas no art. 62 do Regimento Interno do CARF, é vedado ao julgador afastar dispositivo de lei ou decreto em vigor por inconstitucionalidade. Contudo, com o advento da Medida Provisória nº 2.158/01 a expressão “estabelecida na Zona Franca de Manaus” deixou de constar expressamente do art. 14, § 2º, inciso I, tendo recebido a redação que abaixo transcrevo: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 136 8 Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: Ia empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; Não havendo mais a restrição imposta anteriormente às operações realizadas com a ZFM, aplicável ao presente caso a isenção prevista no inciso II, do art. 14 da MP nº 2.15835 de 2001, posto que o pedido de restituição envolve pagamentos posteriores a janeiro de 2001. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 137 9 Também aplicável ao caso o que prescreve Lei nº 7.714/88 com a redação dada pela 9.004/95: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei n.º 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Também a Lei n.º 10.637/2002, normatiza: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Já em relação à COFINS, a Lei Complementar n.º 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar n.º 85/96, determina que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Neste sentido também é a jurisprudência do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro segundo disposto no Decretolei 288/67. Tendo o artigo 40 do ADCT mantido as características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e, ainda, considerando que a receita de exportações de produtos nacionais para o estrangeiro é desonerada do PIS e da COFINS, nos termos do artigo 149, § 2º, I, da Constituição Federal, enquanto não alterado ou revogado o artigo 4º do DL nº 288/67, sobre elas não incide o PIS e a COFINS. (Acórdão 3801002.026. Processo nº 11065.915446/200949. Sessão de 20 de agosto de 2013) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE PIS E COFINS A PARTIR DE DEZEMBRO DE 2000. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 138 10 Nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.03725 de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a isenção do PIS Faturamento e da Cofins, concedida às operações de exportação, abrange as vendas realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, de dezembro de 2000 em diante. (Acórdão nº 3401 002.242.Processo nº 10860.901135/200883.Sessão de 21/05/13) Também no judiciário a posição aqui externada tem prevalecido, como vemos da posição pacificado no âmbito do STJ: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4o. DO DL 288/67). PRECEDENTES DESTA CORTE SUPERIOR. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo exegese do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a COFINS sobre tais receitas. 2. Agravo Regimental da Fazenda Nacional desprovido. ( STJ. 1ª Turma. AgRg no Ag 1420880 / PE. Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. DJe 12/06/2013) E ainda: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 139 11 pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007) 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (STJ. 2ª Turma. REsp 817847 / SC Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Dje 25/10/10) Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a não incidência da COFINS nas operações efetuadas com destino à Zona Franca de Manaus, devendo a autoridade fiscal analisar o crédito alegado, se de fato é relativo a operações com a Zona Franca de Manaus e se são suficientes para a compensação pleiteada, para então homologala até o limite do credito reconhecido. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Voto Vencedor Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à não incidência de PIS/Pasep e de Cofins sobre as vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Preliminarmente, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instancia, sob o fundamento de que o colegiado não teria enfrentado o principal argumento defendido pela recorrente (de que as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus possuem o mesmo tratamento conferido às exportações para o exterior) e que teria mantido a cobrança de supostos débitos de PIS e Cofins, sob o argumento de que no âmbito administrativo não Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 140 12 seria possível a autoridade fiscal analisar a alegação da recorrente acerca da inconstitucionalidade da norma. Entretanto, em sua impugnação, alegou, em diversos trechos, ilegalidade e inconstitucionalidade dos dispositivos legais que vedavam a aplicação da isenção às vendas efetuadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, inclusive da norma que reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins, como no excerto abaixo: “Também vale enfatizar, que as normas editadas com o fim de restringir a isenção aqui defendida e, depois, a imunidade do PIS e da COFINS, relativamente às remessas para a Zona Franca de Manaus, também padecem de inquestionável ilegalidade e inconstitucionalidade, uma vez que, além de contrariarem o artigo 4°, do DL 288/67 e os artigos 40 e agora 92 do ADCT, implicam na distorção de um conceito amplo de exportação (envolvendo remessas para a ZFM), utilizado pela Constituição Federal (art. 40 do ADCT) para limitar a competência tributária da União, dos Estados e do Distrito Federal, isto em afronta ao comando do artigo 110 do Código Tributário Nacional. ... Esta última norma, inclusive, muito embora tenha fixado, a partir de 1°/08/2004, uma alíquota O (zero) da contribuição ao PIS e da COFINS, tem efeitos nefastos para todas as empresas que, como a Manifestante, praticam vendas para a Zona Franca de Manaus, e estão inseridas na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Em primeiro, porque frauda a garantia da imunidade constitucional inserida pela EC n° 33/2001 e possibilita a quem "tem a competência de tributar à alíquota zero" também possa, de uma hora para outra, sem o atendimento ao princípio da anterioridade, elevar a alíquota das contribuições ao PIS e COFINS. Estáse tributando (hoje com alíquota zero) aquilo que nunca poderia ser tributado. ... Destarte, a partir da promulgação da EC 33/2001, por força do artigo 149 da Constituição Federal, que veio determinar que as contribuições sociais não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, não há mais que se falar em isenção, mas sim em imunidade tributária. Logo, qualquer Lei ou ato normativo inferior que venha a dispor sobre base de cálculo ou mesmo cuidar de isenção sobre as receitas oriundas de vendas para Zona Franca de Manaus, está incorrendo em inconstitucionalidade, pois tais receitas estão fora do campo de incidência tributária, nos termos da Constituição Federal de 1988” Não há reparos a fazer na decisão de primeira instância, pois ao julgador administrativo é vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 141 13 inconstitucionalidade, exceto em relação a determinadas hipóteses, a teor do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, reproduzido no art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011 e no próprio Regimento deste Conselho em seus artigos 62 e 62A1, tendo inclusive tal matéria sido objeto de publicação da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à segunda alegação, o voto condutor do acórdão da DRJ consignou expressamente que o argumento da equiparação promovida pelo art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, não deveria prosperar pela própria inteligência do dispositivo e utilizou os fundamentos e conclusão da Solução de Divergência Cosit nº 23, de 2002, para enfrentar tal argumentação. Portanto, afasto as preliminares argüidas. Quanto ao mérito, a recorrente alega, fundamentalmente, que o art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, equiparou as vendas para a Zona Franca de Manaus a uma exportação para o exterior, se aplicando como isenção ao PIS/Pasep e Cofins e, a partir da Emenda Constitucional nº 33, de 2001, como imunidade. Decretolei nº 288, de 1967: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (Vide Decretolei nº 340, de 1967) (Vide Lei Complementar nº 4, de 1969) A redação do artigo 4º, de fato, equipara as vendas para a Zona Franca de Manaus a uma exportação para o estrangeiro. Entretanto, o faz para os efeitos fiscais da legislação em vigor, ou seja, não alcançaria tributos instituídos posteriormente a esta lei, de forma automática. A interpretação da isenção segue os ditames dos artigos 111 e 177 do CTN, que assim dispõem: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 142 14 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ... Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I às taxas e às contribuições de melhoria; II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. A exegese dos dois artigos impede a aplicação extensiva da equiparação trazida pelo Decretolei nº 288, de 1967, a tributos que sequer haviam sido instituídos quando de sua publicação. O objetivo é garantir a isonomia e legalidade tributárias, vez que a regra geral é a tributação de todos os fatos que se subsumem à hipótese de incidência, enquanto a regra de isenção tem sua aplicação restrita ao comando legal de modo a evitar a aplicação extensiva ou analógica a situações de desoneração não expressamente previstas, em razão do caráter de excepcionalidade da norma isentiva. Por sua vez, a Constituição Federal de 1988 determina que as isenções devem ser criadas por lei específica que as regule, ou seja, reafirmando o caráter de excepcionalidade da exclusão do crédito tributário: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias assegurada aos contribuintes, é vedado à União, aos Estado, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6o Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. (Grifouse) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 143 15 Neste sentido, citase Regina Helena Costa2: “Ao determinar, nesse dispositivo, que a interpretação de normas relativas à suspensão ou exclusão do crédito tributário, à outorga de isenção e à dispensa do cumprimento de obrigações acessórias seja “literal”, o legislador provavelmente quis significar “não extensiva”, vale dizer, sem alargamento de seus comandos, uma vez que o padrão em nosso sistema é a generalidade da tributação e, também, das obrigações acessórias, sendo taxativas as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e de anistia. Em outras palavras, quis prestigiar os princípios da isonomia e da legalidade tributárias”. O STJ já se manifestou no mesmo sentido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO FISCAL. EXTENSÃO A CONTRIBUINTE NÃO ALCANÇADO PELA NORMA TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. "É vedado ao Judiciário estender benefício fiscal a terceiro não alcançado pela norma legal que o instituiu." (AgRg no RMS 37.216/RJ,Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, julgado em 19.2.2013, DJe 27.2.2013.) 2. "A concessão de tal vantagem é função atribuída pela Constituição Federal ao legislador, que deve editar lei específica, nos termos do art. 150, § 6. A mesma ratio permeia o art. 111 do CTN, o qual impede que se confira interpretação extensiva em matéria de exoneração fiscal." (AgRg no RMS 35513/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 7.2.2012, DJe 13.4.2012.) Agravo regimental improvido.(AgRg no RMS 37671 / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2012/00744588). Destacase no acórdão acima, reprodução de excerto do voto proferido no AgRg no RMS 35513/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 7.2.2012, DJe 13.4.2012: “A concessão de benefício fiscal é função atribuída pela Constituição Federal ao legislador mediante lei específica, nos termos do art. 150, §6º, in verbis: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a 2 COSTA, Regina Helena, Curso de Direito Tributário, Saraiva, 2009, p. 164, apud PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 14º ed. Livraria do Advogado;ESMAFE, 2012. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 144 16 impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) A norma revela a preocupação do Constituinte em evitar abusos na concessão de benefícios fiscais – afinal, a regra é o exercício positivo da competência tributária , o que poderia comprometer a arrecadação de recursos públicos, frustrando as promessas do próprio constituinte e a concretização de direitos fundamentais, sobretudo os de cunho social. Nessa linha, o art. 111 do CTN impede que se confira interpretação extensiva em matéria de exoneração fiscal. Eis o teor do dispositivo: .... Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A jurisprudência deste Tribunal é firme quanto à impossibilidade de se estender um benefício fiscal a terceiro não alcançado pela norma legal. Confiramse:” Mencionase, ainda, o REsp 1.116.620/BA, Recurso Especial 2009/0006826 7: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ART. 6º DA LEI 7.713/88 COM ALTERAÇÕES POSTERIORES. ROL TAXATIVO. ART. 111 DO CTN. VEDAÇÃO À INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. 1. A concessão de isenções reclama a edição de lei formal, no afã de verificarse o cumprimento de todos os requisitos estabelecidos para o gozo do favor fiscal. 2. O conteúdo normativo do art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88, com as alterações promovidas pela Lei 11.052/2004, é explícito em conceder o benefício fiscal em favor dos aposentados portadores das seguintes moléstias graves: moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte Fl. 144DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 145 17 deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. Por conseguinte, o rol contido no referido dispositivo legal é taxativo (numerus clausus), vale dizer, restringe a concessão de isenção às situações nele enumeradas. 3. Consectariamente, revelase interditada a interpretação das normas concessivas de isenção de forma analógica ou extensiva, restando consolidado entendimento no sentido de ser incabível interpretação extensiva do aludido benefício à situação que não se enquadre no texto expresso da lei, em conformidade com o estatuído pelo art. 111, II, do CTN. (Precedente do STF: RE 233652 / DF Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Segunda Turma, DJ 18102002. Precedentes do STJ: EDcl no AgRg no REsp 957.455/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 09/06/2010; REsp 1187832/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/05/2010, DJe 17/05/2010; REsp 1035266/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 04/06/2009; AR 4.071/CE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2009, DJe 18/05/2009; REsp 1007031/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/02/2008, Dje 04/03/2009; REsp 819.747/CE, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/06/2006, DJ 04/08/2006) 4. In casu, a recorrida é portadora de distonia cervical (patologia neurológica incurável, de causa desconhecida, que se caracteriza por dores e contrações musculares involuntárias fls. 178/179), sendo certo tratarse de moléstia não encartada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a não extensão da isenção a tributos instituídos posteriormente, mencionase o AgRg no REsp 1.434.314/PE, Agravo Regimental no Recurso Especial 2014/00320291: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PISIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. LEI Nº 9317/96. SIMPLES. ISENÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Consoante proclamou esta Segunda Turma do STJ, ao julgar o REsp 1.039.325/PR, sob a relatoria do Ministro Herman Benjamin (Dje 13.3.2009), o fato de as empresas optantes pelo SIMPLES poderem pagar de forma simplificada os tributos listados no art. 3º, § 1º, da Lei 9.317/96 não induz à conclusão de que não se sujeitam a nenhum tributo posteriormente Fl. 145DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 146 18 instituído. As isenções só podem ser concedidas mediante lei específica, que regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo (art. 150, § 6º, da Constituição da República). A interpretação extensiva da lei de isenção, para atingir tributos futuramente criados, não se coaduna com o sistema tributário brasileiro. O art. 3º, § 4º, da Lei 9.317/96 deve ser interpretado de forma sistemática com o disposto no art. 150, § 6º, da Constituição e no art. 111 do CTN. As empresas optantes pelo SIMPLES são isentas apenas das contribuições que já haviam sido instituídas pela União na data da vigência da Lei 9.317/1996. Com efeito, firmouse nesta Corte o entendimento de que não há isenção do PISImportação e da COFINSImportação, na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, porque a Lei 9.317/96 não poderia isentar contribuições que foram criadas por lei posterior, nos termos do artigo 177, II, do CTN, que preceitua que a isenção não é extensiva aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Ademais, pela interpretação teleológica da Lei 9.317/96, verifica se que o legislador não demonstrou interesse em isentar tais pessoas jurídicas do pagamento das contribuições que custeiam a Seguridade Social, e, com o advento da Lei Complementar 123/2006, que revogou a Lei 9.317/96, ficou expressa a intenção legislativa de tributar as empresas de pequeno porte e microempresa, mesmo optantes pelo SIMPLES. (grifos não originais). 2. Agravo regimental não provido. Inferese, assim, que a equiparação promovida pelo Decreto nº 288, de 1967, não pode ser compreendida como irrestrita e automática, sob pena de afronta aos artigos 111 e 177 do CTN, pois que não se referiu ao PIS/Pasep e Cofins, dado que tais exações não existiam no ordenamento jurídico. Ressaltese, ainda, que o legislador ordinário não estendeu a equiparação de forma irrestrita a tributos já instituídos à época do decreto, como pode ser verificado no DecretoLei nº 1.435, de 1975, evitando a cumulação com outros incentivos relativos à exportação. Citemse: Decretolei nº 1.435, de 1975: Art 7º A equiparação de que trata o artigo 4º do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, não compreende os incentivos fiscais previstos nos Decretosleis nºs 491, de 5 de março de 1969; 1.158, de 16 de março de 1971; 1.189, de 24 de setembro de 1971; 1.219, de 15 de maio de 1972, e 1.248, de 29 de novembro de 1972, nem os decorrentes do regime de " draw back ". Assim, verificase que a equiparação não alcançou outros incentivos à exportação, como os acima mencionados, evidenciando o caráter restritivo da expressão “constantes da legislação em vigor” contida no artigo 4º do Decretolei nº 288, de 1967. Pontuese que a partir de 22/12/2000, com a exclusão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I do §2º do artigo 14 da MP nº 2.03725, de 2000, cujas reedições culminaram no texto final da MP nº 2.15835, de 2001, a isenção para o PIS/Pasep e Cofins restou assim delineada: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 147 19 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 148 20 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. A norma isentiva não traz qualquer equiparação das vendas à Zona Franca de Manaus à isenção de exportação para o exterior prevista no inciso II do caput. A interpretação literal do artigo 14 da MP nº 2.15835, de 2001, não permite esta equiparação, vez que esta somente foi efetuada pelo Decretolei nº 288, de 1967, refletindo os efeitos fiscais previstos na legislação então vigente. À vista do art. 177 do CTN, tal equiparação não pode ser estendida a tributos instituídos posteriormente, como foi o caso do PIS/Pasep e da Cofins. Por sua vez, o artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988 manteve a Zona Franca de Manaus e seus incentivos fiscais, nos termos abaixo: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. A redação não cria nova hipótese de isenção nem de imunidade, mas convalida e recepciona o status jurídico da Zona Franca de Manaus e impede que legislação infraconstitucional mitigue a vigência ou a fruição dos incentivos fiscais a ela inerentes. Entretanto, como a equiparação promovida pelo Decretolei não se estende ao PIS/Pasep e Cofins, posto que instituídos após referido decretolei, o artigo 40 do ADCT da Constituição Federal não altera esta condição. Corroborando o exposto, mencionamse acórdãos deste Conselho e do antigo Conselho de Contribuintes: Acórdão nº 20180.247 proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: ... RECEITAS DE VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZFM. ISENÇÃO. É cabível a exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas decorrentes da venda a empresa estabelecida na ZFM a partir de dezembro de 2000, nos termos da Medida Cautelar exarada na ADI nº 2.3489 e da nova redação dada ao art. 14 da Medida Provisória nº 2.03425, de 21 de dezembro de 2000, e suas reedições, nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido art. 14. Acórdão 380300.456 proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2003. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725 de 2000, quando se tratar de vendas à Zona Franca de Manaus, aplicase tão somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do citado artigo. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13888.904205/200916 Acórdão n.º 3303002.493 S3C3T3 Fl. 149 21 Acórdão nº 340200.637 proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2002 a 30/06/2004 VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO, INCABÍVEL, As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, Assunto: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/2002 a 30/06/2004 VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS, ISENÇÃO, INCABÍVEL, As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidos na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a Cofins. Acórdão nº 20400.708 proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes ZONA FRANCA DE MANAUS. Por expressa determinação legal (art. 111 do CTN) as normas que excluem ou suspendem o crédito tributário, ou ainda outorgam isenção, hão de se interpretar literalmente, não podendo o caráter isencional sufragarse em normas genéricas meramente correlatas. Por fim, impõe ressaltar que a partir de 26/07/2004, com vigência da MP nº 202, de 2004, as receitas de vendas destinadas ao consumo e industrialização na Zona Franca de Manaus, por pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus ficaram sujeitas à alíquota zero relativamente à incidência para o PIS/Pasep e Cofins. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assina do digitalmente em 24/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13629.720306/2011-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2008
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. AJUDA DE CUSTO. HABITUALIDADE. VERBA TRIBUTÁVEL.
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo.
Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para a) devem ser excluídos dos lançamentos dos Autos de Infração n. DEBCAD 37.294.282-2, DEBCAD 37.294.283-0 e DEBCAD 37.294.284-9 os créditos tributário oriundos dos pagamentos a funcionário a título de auxílio-educação superior (levantamento Despesas com Educação - DE1) e dos pagamentos por aquisição de produtos rurais de produtores pessoas físicas; b) Também devem ser excluídos dos lançamentos dos Autos de Infração DEBCAD n. 37.344.594-6 e 37.344.595-4 os créditos tributários por descumprimento de obrigações acessórias referentes à pagamento a título de alimentação (lanches, refeições ou cestas básicas) dos levantamentos AL 1 e 2, AR 1 e 2 e CB 1 e 2, despesa com educação (DE1), e contribuições sobre aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2008 AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. AJUDA DE CUSTO. HABITUALIDADE. VERBA TRIBUTÁVEL. O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para a) devem ser excluídos dos lançamentos dos Autos de Infração n. DEBCAD 37.294.282-2, DEBCAD 37.294.283-0 e DEBCAD 37.294.284-9 os créditos tributário oriundos dos pagamentos a funcionário a título de auxílio-educação superior (levantamento Despesas com Educação - DE1) e dos pagamentos por aquisição de produtos rurais de produtores pessoas físicas; b) Também devem ser excluídos dos lançamentos dos Autos de Infração DEBCAD n. 37.344.594-6 e 37.344.595-4 os créditos tributários por descumprimento de obrigações acessórias referentes à pagamento a título de alimentação (lanches, refeições ou cestas básicas) dos levantamentos AL 1 e 2, AR 1 e 2 e CB 1 e 2, despesa com educação (DE1), e contribuições sobre aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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NATUREZA INDENIZATÓRIA. O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. AJUDA DE CUSTO. HABITUALIDADE. VERBA TRIBUTÁVEL. O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 03 06 /2 01 1- 10 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.720306/201110 Acórdão n.º 2803003.054 S2TE03 Fl. 893 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para a) devem ser excluídos dos lançamentos dos Autos de Infração n. DEBCAD 37.294.2822, DEBCAD 37.294.2830 e DEBCAD 37.294.2849 os créditos tributário oriundos dos pagamentos a funcionário a título de auxílioeducação superior (levantamento Despesas com Educação DE1) e dos pagamentos por aquisição de produtos rurais de produtores pessoas físicas; b) Também devem ser excluídos dos lançamentos dos Autos de Infração DEBCAD n. 37.344.5946 e 37.344.5954 os créditos tributários por descumprimento de obrigações acessórias referentes à pagamento a título de alimentação (lanches, refeições ou cestas básicas) dos levantamentos AL 1 e 2, AR 1 e 2 e CB 1 e 2, despesa com educação (DE1), e contribuições sobre aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.720306/201110 Acórdão n.º 2803003.054 S2TE03 Fl. 894 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ, que manteve parcialmente os créditos tributários lançados referentes a fatos geradores do período de 01/2008 a 12/2008 pelos seguintes autos de infração, conforme relatório da mesma decisão: DEBCAD 37.294.2822– Obrigações Principais – contribuições patronais devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e sobre o valor da comercialização de produtos rurais adquiridos diretamente de produtor rural pessoa física; DEBCAD 37.294.2849 – Obrigações Principais – contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados empregados e contribuintes individuais; DEBCAD 37.294.2830– Obrigações Principais contribuições destinadas aos Terceiros ( Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SESC, SENAC, SEST, SENAT e SENAR), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas pela empresa aos segurados empregados e contribuintes individuais, e sobre o valor da comercialização de produtos rurais adquiridos diretamente de produtor rural pessoa física. DEBCAD 37.294.2857 Obrigações Acessórias por deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB; • DEBCAD 37.344.5903 Obrigações Acessórias por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; • DEBCAD 37.344.5911 Obrigações Acessórias por deixar de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; • DEBCAD 37.344.5920 Obrigações Acessórias por deixar de exibir qualquer documento ou livro solicitado ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira; • DEBCAD 37.344.5938 Obrigações Acessórias por deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados contribuintes individuais a seu serviço; Fl. 894DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.720306/201110 Acórdão n.º 2803003.054 S2TE03 Fl. 895 4 • DEBCAD 37.344.5946 – Obrigações Acessórias por apresentar as GFIPs das competências 01 a 07 e 10/2008, com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias; • DEBCAD 37.344.5954 – Obrigações Acessórias por apresentar as GFIPs das competências 08, 09, 11, 12 e 13/2008, com incorreções ou omissões. A ciência do auto de infração inaugural foi em 28/06/2011 (fls. 01). Após a impugnação, pela decisão ora recorrida, foram excluídos dos DEBCAD 37.294.2822, DEBCAD 37.294.2830 e DEBCAD 37.294.2849, os lançamentos referentes alimentação paga in natura (levantamentos AL1/2, AR1/2, CB1/2). Os demais lançamentos foram mantidos. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que repetiu argumentos da impugnação, que passase a apontar: a) quanto aos lançamentos de obrigação principal: não incidência de contribuições sobre verbas de natureza alimentícia e auxílioeducação superior, nulidade do lançamento sobre a glosa de saláriofamília, remuneração a contribuintes individuais, prestadores de serviços pessoas físicas, transportadores autônomos, ilegalidade das contribuições sobre valores pagos a produtores rurais pessoa física; b) quanto aos lançamento referentes a obrigações acessórias, alegou não enfrentamento das alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos que subsidiam as penalidades, e que as multas foram aplicadas de forma superior ao mínimo. Esse é o relatório. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.720306/201110 Acórdão n.º 2803003.054 S2TE03 Fl. 896 5 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Quanto à natureza dos pagamentos a título de alimentação em dinheiro, apurados da contabilidade da recorrente, observase que não foi apresentado contraprova para informar que os mesmos teriam sido pagos mediante tíquete alimentação ou ressarcimento de custos com alimentação. A jurisprudência do STJ e administrativa a respeito denotam que tal prova é necessária para fins de comprovação de que se trata de salário in natura, com natureza não remuneratória (Parecer PGFN n. 2117/2011, Ato Dec. n. 03/2011). Posicionamento esse colacionado pela própria parte às fls. 883 dos autos. Assim, não conseguiu afastar a caracterização de verba remuneratória, sob a qual está incidente a contribuição previdenciária (art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991). Logo, não há como acolher tal pretensão. III – No que tange os Autos de Infração n. DEBCAD 37.294.2822, DEBCAD 37.294.2830 e DEBCAD 37.294.2849, quanto aos créditos tributários constituídos com base no levantamento de valores pagos pela recorrente aos seus empregados a título de auxílio instrução superior, o lançamento simplesmente aplicou a norma de incidência tributária por entender que não se trata de curso de capacitação ou aprimoramento profissional, em sua interpretação do art. 28, §9º, t, da Lei n. 8.212/1991. Em momento algum descaracterizou a finalidade de tais valores. Esta turma especial, bem como o CARF/MF, com base de reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, entende que a natureza desse tipo de auxílio pago pelas empresas aos seus empregados, que possibilite que os mesmos possam cursar o ensino superior é claro em entender que o disposto da norma extraída do art. 28, §9º, t, aplica se excluindose a incidência da norma de exação. Vaise além, o acima entendimento é de que não se trata sequer de verba remuneratória (pagamento pelo trabalho), mas verba indenizatória, ou investimento propriamente dito, pois é um pagamento para melhoria da execução dos trabalhos prestados (pagamento para o trabalho). E qualquer curso superior, mesmo que aparentemente não vinculado à atividade fim da empresa, representa em claro aumento de produtividade do trabalhador e de suas funções cognitivas. Ora, tais verbas estão fora do conceito de remuneração dos arts. 22, I e 28, I, da Lei n. 8.212/1991, logo, entendo que não se trata de aplicação da norma isentiva, mas sim de um caso de não incidência. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.720306/201110 Acórdão n.º 2803003.054 S2TE03 Fl. 897 6 Como já alertado, o entendimento é o mesmo do Superior Tribunal de Justiça de forma pacífica, a ponto da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no o art. 2º, inciso I, da Portaria n. 294/2010, declara que deixará de recorrer das decisões desfavoráveis na matéria, conforme o item 35 e informa as bases de tal decisão: Contribuição Previdenciária. Valores despendidos a título de bolsa de estudo dos empregados. Não incidência. Os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não podem ser considerados como salário 'in natura', pois não retribuem o trabalho efetivo, não integrando a remuneração. Tratase de investimento da empresa na qualificação de seus empregados. Assim, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes: RESP 479056/SC, RESP 1079978/PR, RESP 916208/ES, RESP 729901/MG, RESP 784887/SC, RESP 1079978/PR, RESP 676627/PR. Como esse é o único motivo que fundamenta esse tipo de lançamento, e o mesmo é inválido, o ato de constituição tornase insubsistente. Assim, entendo que os créditos tributários com base nos pagamentos a funcionário de auxílioeducação superior (levantamento Despesas com Educação – DE1) devem ser excluídos. VI – Quanto às alegações de nulidade do lançamento por falta de discriminação da glosa de saláriofamília, remuneração a contribuintes individuais, prestadores de serviços pessoas físicas, transportadores autônomos, não merece acolhimento o recurso. Justamente por terem sido devidamente demonstrados, com inúmeras tabelas discriminativas, fls. 130134 e fls. 166168, bem como grande corpo probatório juntado, com todas as notas fiscais e recibos que lhe deram base. Logo, neste ponto não há qualquer nulidade a ser decretada, pois foram obedecidos os arts. 142, do CTN, respeitando o direito a ampla defesa e contraditório da parte. V – Quanto aos argumentos de que não apreciação dos fundamentos sobre a inconstitucionalidade das sanções levantados pela impugnação, primeiramente, devese atentar que é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do anexo II ,do Regimento Interno do CARFMF. Logo, tal argumento não prospera também em recurso voluntário. Quanto às formalidades estão corretos Autos de Infração que tiveram como objeto descumprimento de obrigações de natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Todas cumpriram o disposto no art. 142, do CTN, oportunizando ciência completa dos motivos do lançamento, bem como descreveu plenamente a subsunção da norma tributária, oportunizando a plena defesa da parte. Ainda, a parte apenas faz impugnação genérica da multa, não informando qual das infrações está com a dosimetria da penalidade equivocada, ou seja, o recurso voluntário, neste ponto encontrase confuso. Em comparação com o lançamento que está plenamente descrito, não há como dar provimento neste ponto da defesa. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13629.720306/201110 Acórdão n.º 2803003.054 S2TE03 Fl. 898 7 VI – Entretanto, devese observar há pontos de toque entre os lançamentos, os quais geram conseqüências cruzadas, em especial, nos Autos de Infração DEBCAD n. 37.344.5946 e 37.344.5954, que aplicaram sanções por apresentar a recorrente, respectivamente, GFIP com informações inexatas/incompletas/omissas e com incorreções/omissões. Assim, de caráter óbvio, as exclusões das rubricas referentes a valores pagos a título de alimentação (lanches, refeições ou cestas básicas) dos levantamentos AL 1 e 2, AR 1 e 2 e CB 1 e 2, despesa com educação, ou contribuições sobre aquisições de produtos rurais, não pode ser motivos para a aplicação das penalidades do art. 32A, da Lei n. 8.212/1991, que fundamentam os dois autos de infração supra mencionados. Isso, porque sobre tais títulos não são objetos de incidência da norma tributária, logo não são fatos geradores passíveis de informação obrigatória. VII Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para reformar a decisão recorrida e os lançamentos no seguinte sentido: a) Também devem ser excluídos dos lançamentos dos Autos de Infração n. DEBCAD 37.294.2822, DEBCAD 37.294.2830 e DEBCAD 37.294.2849 os créditos tributário oriundos dos pagamentos a funcionário a título de auxílioeducação superior (levantamento Despesas com Educação – DE1) e dos pagamentos por aquisição de produtos rurais de produtores pessoas físicas; b) Também devem ser excluídos dos lançamentos dos Autos de Infração DEBCAD n. 37.344.5946 e 37.344.5954 os créditos tributários por descumprimento de obrigações acessórias referentes à pagamento a título de alimentação (lanches, refeições ou cestas básicas) dos levantamentos AL 1 e 2, AR 1 e 2 e CB 1 e 2, despesa com educação (DE1), e contribuições sobre aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas. É como voto. Gustavo Vettorato Relator Fl. 898DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 23/05/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10580.003110/2006-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
EMBARGOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não se conhecem de embargos quando visível a inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Numero da decisão: 1302-001.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Ausente momentaneamente o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se conhecem de embargos quando visível a inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 539 1 538 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.003110/200605 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302001.436 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2014 Matéria IRPJ LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARIANO MARTINS REPRESENTAÇÃO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não se conhecem de embargos quando visível a inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Ausente momentaneamente o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 31 10 /2 00 6- 05 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 1302000.482, proferido por esta turma na sessão de 22/02/2011, no qual este colegiado decidiu, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos proferidos. . Ciência em 27/07/2011. Protocolização dos embargos em 08/08/2011. Alega a embargante existência de omissão. Segundo alega a embargante, o relator aplicou a regra constante do art. 150, §4º, do CTN, mas não esclareceu se houve pagamento parcial de tributos, ponto essencial, no seu entender, para definição do dies a quo do prazo decadencial. Pede, ao final, acolhimento dos embargos para o fim de sanarem as falhas do acórdão. É o relatório. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.003110/200605 Acórdão n.º 1302001.436 S1C3T2 Fl. 540 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Os embargos são tempestivos, mas a alegação de omissão (art. 65, Ricarf) não merece conhecimento e análise, visto ser de pronto indevida. Ocorre que o acórdão proferido pela 2ª turma da DRJ/SDR havia já acatado a preliminar de decadência relativamente aos lançamentos de IRPJ relativos ao anocalendário de 2000 e ao 1º trimestre de 2001 e desta matéria não resultou recurso de ofício ao CARF. Isto porque os lançamentos haviam sido notificados ao sujeito passivo em 18/05/2006. Todavia, naquele decisum, datado de 17/08/2006, não se reconheceu a decadência relativa às contribuições sociais (PIS, Cofins e CSLL), visto ter entendido, à época o relator, que vinculavamse ao art. 41 da Lei nº 8212/91, e portanto, a decadência somente ocorria no decurso de 10 (dez) anos. Já sob a égide da Súmula Vinculante nº 8 do STF, ao reapreciar a matéria, esta turma decidiu tão somente estender a conclusão relativa à decadência às referidas contribuições, tendo em vista os efeitos da Súmula Vinculante nº 8. Sob o tema, assim se manifestou o votocondutor do acórdão: Pelo que dos autos do processo se extrai, tenho por irreparável a decisão da Delegacia de Julgamento, em aplicar a regra do artigo 173, inciso I, do CTN, considerando para os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres do ano calendário de 2000, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de 01/01/2001 onde o Fisco teria até 31/12/2005 para efetuar o lançamento de oficio enquanto que a ciência do Auto de Infração do IRPJ se deu em 18/05/2006, e assim acatar a preliminar de decadência suscitada pela interessada no tocante aos lançamentos do IRPJ, relativos a todos os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2000 e, também, ao lançamento efetuado sem a multa qualificada referente ao fato gerador ocorrido no 4° trimestre do ano calendário de 2000, bem como o ato de oficio, declarando a decadência do crédito tributário correspondente à matéria tributável apurada no primeiro trimestre de 2001, sem a imputação de ocorrência de fraude. Quanto à CSLL, à COFINS e ao PIS, consideradas como contribuições destinadas a financiar a seguridade social, e por isso regidas pelas normas contidas na Lei n.° 8.212, de 1991, Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 não deve prosperar a decisão da autoridade julgadora, na contagem do prazo de 10 anos para a decadência do crédito. É que o prazo prescricional das contribuições sociais, já se encontra devidamente pacificado em 5 anos, a exemplo do fixado para os tributos, tendo a propósito o Supremo Tribunal Federal editado a súmula vinculante nº 8, com o seguinte enunciado: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 52 do Decreto Lei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Desse modo, prejudicado restou o entendimento da Delegacia de Julgamento de Salvador nesse aspecto, em não reconhecer a decadência das contribuições para o PIS, COFINS e CSLL no prazo quinquenal, entendimento este declarado inconstitucional mediante a edição, inclusive, de sumula vinculante, seguida de forma reiterada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF – Conselho Administrativos de Recursos Fiscais. Vêse, assim, que a turma tão somente acatou a Súmula Vinculante nº 8, não tocando nos demais pontos já decididos pela DRJ. Não houve, assim, qualquer apreciação do tema à luz do REsp nº 973.733/SC, e portanto, não há omissão, que teria, sim, ocorrido caso a turma houvesse suscitado e decidido a questão com base nos fundamentos do acórdão do STJ e não tivessem sido devidamente demonstrados os pagamentos antecipados. Como cediço, a omissão hábil para reformar o julgado deve ser relativa e interna ao conjunto da decisão e dos argumentos de fato e de direito por ela tomados como premissa. Assim, voto para não conhecer dos embargos. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/06/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 12466.000917/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório
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Recorrente Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração por meio do qual é feita a exigência de R$ 6.057.665,00, a título de Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro, de que trata o artigo 23, inciso V, (e seus parágrafos) do DecretoLei 1.455 de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (conversão da Medida Provisória n°.66 de 29 de agosto de 2002). Leiase: Conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo (f Is 05/14), o qual passa a fazer parte integrante de forma inseparável deste Auto de Infração, foi detectado que a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda não é a real adquirente das mercadorias importadas em seu nome e que a mesma operava como interposta pessoa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 00 91 7/ 20 08 -8 1 Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000917/200881 Resolução nº 3202000.190 S3C2T2 Fl. 3.002 2 Face ao que determina o art. 23, inciso V, § 30 do DecretoLei n° 1.455 de 07 de abril de 1976, estamos emitindo o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme Demonstrativo das Mercadorias Consumidas ou Não Localizadas em anexo (fls 15/18). Face à interposição detectada, verificouse, conforme Demonstrativo das Notas Fiscais de Saídas e Demonstrativo dos Depósitos Efetuados em anexo (f Is 19/32), que o valor do crédito tributário apurado no presente Auto de Infração referese ao valor aduaneiro das mercadorias cujo real adquirente é a empresa MENTA & MELLOW COMERCIAL LIDA (CNPJ 56.220.841/000169), a qual passa a figurar no pólo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 27 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Ficam a autuada e os respectivos devedores solidários (reais adquirentes das mercadorias importadas) cientificados de que foi promovida REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS por meio do processo administrativo n°12466.000912/200859. Data Valor Aduaneiro (R$) 10/03/2008 6.057.665,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 602, 604, inciso IV, 618 e § 1 do Decreto n° 4.543/02 e art. 73, §§ 10 e 2° da Lei n° 10.833/03 Intimadas, as empresas, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e a MENTA & MELLOW COMERCIAL LIDA, apresentaram impugnações, as quais foram julgadas improcedentes pela DRJ. Contra o acórdão recorrido, a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. interpôs recurso voluntário, defendendo especialmente que: i) a decisão seria nula por ter alterado o critério jurídico do lançamento, que acusou a empresa de ter insuficiência de recursos, e não de ocultação do real adquirente; ii) seria nulo o lançamento por tese se baseado em Relatório tornado insubsistente pelo Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, referendado pelo Inspetor da Alfândega, não tendo havido motivação para contrapor as conclusões deste; iii) não houve interposição fraudulenta. De sua parte, a empresa Menta Melow alega a falta de ocorrência de efetivo dano ao Erário associado à incompetência da Secretaria da Receita Federal do Brasil para perquirir sobre sonegação de ICMS e ISSQN. Que o lançamento foi efetuado exclusivamente com base em presunções que transferem arbitrariamente o ônus probante à recorrente. Que há contrato de compra e venda regularmente assinado entre as partes e que nele foi previsto arras confirmat6rio. Referese à incompetência do Auditor Fiscal para aplicar a pena de perdimento dos bens e a sua ilegitimidade passiva, na medida em que não se configurou a importação por conta e ordem, além de considerar negligenciada a verdade real por ter sido desconsiderada a documentação apresentada atestando tratarse de uma operação de compra e venda. Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000917/200881 Resolução nº 3202000.190 S3C2T2 Fl. 3.003 3 Iniciados os julgamentos do recursos voluntário, a ilustre Turma do CARF decidiu, através da Resolução, converter o julgamento em diligência, pelos seguintes fundamentos: Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM [...] Considerando que a recorrente argumenta que a decisão, a quo, não enfrenta as alegações do Parecer 991/2007. Temse que, a citada decisão, dispõe: "Importante registrar, por oportuno, que a apuração dos fatos e as provas concernentes do presente processo são autônomas em relação àqueles que embasaram o Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória." Ou seja, por todas as alegações acima, solicito que baixe em diligência • Inspetoria de origem para: 1) anexar cópia do processo de n° 12466.000172/200770 referente ao processo de inaptidão (principalmente todo o teor do Parecer n° 991/2007); 2) esclarecer período abrangido do Parecer n° 991/2007 (20/12/2007); e 3) explicar se o Auto de Infração teve como base o relatório conclusivo, conforme alegações da recorrente. Em resposta a citada Resolução, a autoridade preparadora afirmou que, de fato, o Relatório Fiscal que baseou o presente auto de infração é o mesmo que foi julgado insubsistente pela Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória e referendado pelo Inspetor Aduaneiro. Não foi juntada a cópia do processo de n° 12466.000172/200770. Em seguida, depois de intimadas as recorrentes para se manifestarem sobre o resultado da diligência, o processo foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Observo, de logo, que não foi cumprida integralmente as solicitações da Resolução proferida nestes autos, porquanto não foi juntada aos autos a cópia do Processo de n° 12466.000172/200770, no qual foi indeferida a representação de inaptidão do CNPJ da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A cópia integral do Processo de n° 12466.000172/200770 é importante, porque possui provas com base nas quais o Inspetor da Alfândega considerou demonstrada a capacidade econômica da Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., o que, em tese, Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000917/200881 Resolução nº 3202000.190 S3C2T2 Fl. 3.004 4 constitui forte motivo para afastar a interposição fraudulenta presumida, imputada pela fiscalização às recorrentes. Efetivamente, como se lê do Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, o Relatório Fiscal em que se baseou a autuação teria se equivocado, quando considerou irrelevante a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio", na qual se demonstraria expressivos pagamentos, em razão de empréstimos realizados no exterior, demonstrados pela recorrente através de contratos de câmbio, na forma do artigo 46 da IN/RFB n° 748/2007, juntados às fls. fls. 1.287 a 1.680 dos autos do citado Processo n° 12466.000172/200770. Confirase: Não há realmente conta representativa da existência de fornecedores a demonstrar a obtenção de empréstimos, entretanto, a própria fiscalização reconhece a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio" em que se demonstra expressivos pagamentos realizados ao exterior. Resta indagar se esta contabilização se reveste de ilegalidade a demonstrar a falta de comprovação de recursos apontada pela fiscalização. A parte sustenta que esta conta referese a obrigação constituída no exterior decorrente de financiamento externo, que seriam honrados após a negociação das mercadorias no mercado interno. Bastante razoável que a empresa possa se valer empréstimos internos ou externos para custear suas importações, entretanto, necessário se faz que tais operações estejam devidamente registradas em sua contabilidade. No caso, presente pareceme muito mais a existência de possível omissão de receitas, com reflexos na pessoa física dos sócios, do que inexistência de fato da empresa. [...] Nessa esteira, cumpre registrar que o artigo 46 da IN/RFB n° 748/2007, estabelece as condições de prova no que pertine comprovação dos recursos, cujo teor abaixo transcrevemos: [...] A parte comprova que todos os contratos de câmbio foram fechados pela mesma, trazendo agora aos autos os documentos de fls. 1.287 a 1.680 demonstrando o efetivo fechamento de câmbio na forma disciplinada na IN acima mencionada. Ressai, desta forma, ressalvadas as vênias de estilo, atendido ao que prescreve a norma atinente comprovação que se pretende demonstrar. Em que pese as constatações da fiscalização acerca dos lançamentos contábeis da empresa, que repito, deve ser objeto de representação, visando a fiscalização na empresa com reflexos em seus sócios, os autos não demonstram que a empresa tenha sido constituída para sistematicamente fraudar o fisco mediante interposição fraudulenta. [...] Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000917/200881 Resolução nº 3202000.190 S3C2T2 Fl. 3.005 5 Do exame da representação impugnada, obviamente respeitando os posicionamentos divergentes, não ficou caracterizado de forma inequívoca a interposição fraudulenta. Constatase que a recorrente não só recolheu os tributos incidentes na importação, mas repito, também se moveu no sentido de reparar recolhimento feito a menor, no que tange aos tributos internos, mediante retificação de DCTF. A divergência contábil apontada pela fiscalização, a nosso entendimento não causou prejuízo algum a Fazenda Nacional. Em tal contexto, presumese, pois, de boafé a conduta da empresa representada, mesmo porque não restou comprovada nem a inexistência de fato, nem a falta de comprovação da origem dos recursos empregados. Ademais, inexiste comprovação de que o contribuinte tenha utilizado algum meio fraudulento objetivando burlar os encargos tributários, de modo que se afigura exorbitante a decretação de inaptidão do CNPJ da mesma. O principio da segurança jurídica consubstanciase na necessidade e adequação dos meios empregados para que atinja os desideratos que a lei almeja. In casu, não se configurando a interposição fraudulenta, bem como havendo possibilidade da determinação de providência extremamente gravosa ao contribuinte, novamente menciono que se afiguraria demasiada a pena imposta. Desta forma, do quanto foi exposto, ressalvandose as vênias cabíveis, e, considerando que os fatos levantados pela fiscalização não configuraram as irregularidades previstas na legislação para caracterização da declaração de inaptidão, manifesto entendimento de que deva ser acolhido o pleito sobre a insubsistência da representação, tornandoa sem efeito, haja vista as razões expendidas no presente parecer. Forte nessas razões, voto para converter o julgamento em diligência para que seja: a) juntada aos autos a cópia integral do Processo de n° 12466.000172/200770, especialmente a documentação de fls. 1.287 a 1.680 deste, onde consta os contratos de câmbio que comprovariam a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., de acordo com o Parecer n° 991/07; b) intimada a unidade preparadora para analisar se a documentação de fls. 1.287 a 1.680 do Processo de n° 12466.000172/200770, onde consta os contratos de câmbio a que alude a conta contábil "Câmbio Exterior Próprio", comprovariam ou não a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Ao fim da instrução processual, as Recorrentes deverão ser intimadas para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias sobre os documentos juntados aos autos em decorrência da diligência. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000917/200881 Resolução nº 3202000.190 S3C2T2 Fl. 3.006 6 Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10970.000044/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
FISCALIZAÇÃO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. TRIBUTO NÃO PAGO E NÃO DECLARADO.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não está comprovado o dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada.
MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº. 14).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. 135 DO CTN. INOCORRÊNCIA DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODER, INFRAÇÃO A LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS.
O sócio-administrador da autuada agiu dentro dos limites legais, não havendo que se falar em atos praticados com excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatutos, que motivassem a aplicação do art. 135, inciso II do CTN. Ademais, a falta de pagamento de tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN, conforme posicionamento já sedimentado nesta corte e no egrégio Superior Tribunal de Justiça (Resp 1.101.728/SP, 543-C do CPC).
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL
Aplica-se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL os mesmos reflexos da decisão dada ao IRPJ por terem o mesmo suporte fático que os originou.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-001.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75% e excluir a responsabilidade solidária do coobrigado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. TRIBUTO NÃO PAGO E NÃO DECLARADO. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 00 44 /2 00 9- 62 Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 3 2 com esse fim. Na situação versada nos autos não está comprovado o dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº. 14). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF. Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. 135 DO CTN. INOCORRÊNCIA DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODER, INFRAÇÃO A LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. O sócioadministrador da autuada agiu dentro dos limites legais, não havendo que se falar em atos praticados com excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatutos, que motivassem a aplicação do art. 135, inciso II do CTN. Ademais, a falta de pagamento de tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN, conforme posicionamento já sedimentado nesta corte e no egrégio Superior Tribunal de Justiça (Resp 1.101.728/SP, 543C do CPC). LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSLL os mesmos reflexos da decisão dada ao IRPJ por terem o mesmo suporte fático que os originou. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75% e excluir a responsabilidade solidária do coobrigado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 4 3 Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Trata o processo de autos de infração de IRPJ e reflexos (fls. 02/35), cumulados com juros e multa qualificada (150%), referentes ao anocalendário 2005, lavrados em razão da suposta omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada e da suposta omissão de receitas de atividade escriturada e não declarada. Contanos o Termo de Verificação Fiscal (fls. 37/41) que, constatada elevada movimentação financeira no anocalendário de 2005, omissão na entrega da DIPJ 2006 e apresentação das DCTF do 1º e 2º semestre/2005 sem débitos, foi instaurado procedimento fiscal. Intimada em 12/05/2008 e reintimada em 09/06/2008, a Contribuinte apresentou apenas parcialmente os documentos solicitados pela fiscalização, solicitando mais trinta dias para apresentação dos livros contábeis, das declarações e dos extratos bancários. Findo o prazo solicitado pela Contribuinte sem qualquer manifestação de sua parte, a fiscalização solicitou em 05/08/2008 a Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira/RMF. Nada obstante, em 16/01/2009, a Contribuinte apresentou a documentação solicitada, esclarecendo que todos os valores creditados em suas contascorrente e relacionados no Termo de Intimação foram reconhecidos na escrituração contábil da empresa, sendo provenientes das vendas realizadas e ou operações financeiras com os bancos, apresentando cópia das operações financeiras realizadas (Anexo II). Afirma a fiscalização que, de fato, a movimentação financeira da Contribuinte foi escriturada, tendo os depósitos como contrapartida, geralmente, a conta Caixa. Assim, uma vez que a Contribuinte afirmou serem os créditos bancários relacionados no Termo de Intimação provenientes das vendas realizadas e ou operações financeiras com os bancos, estas já excluídas da referida relação, a fiscalização concluiu que a diferença apurada entre créditos bancários e receitas escrituradas seria proveniente de vendas não escrituradas. Excluídos os cheques devolvidos e as receitas escrituradas, constatouse no anocalendário de 2005 uma omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários no montante de R$ 3.799.897,56. Constatouse também, a falta de recolhimento de imposto sobre as receitas escrituradas e declaradas (durante o procedimento fiscal), no montante de RS 4.463.368,86. Os valores foram lançados e sua cobrança foi cumulada com multa de 150% em razão da constatação do evidente intuito de fraude, consoante disposto no artigo 44, inc. II da Lei 9.430/96. Além disso, foi arrolado como sujeito passivo solidário o sócioadministrador Sr. Divino Donizete Rezende da Silva (CPF nº. 365.612.31600), com fundamento no art. 135, inciso III do CTN. Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 5 4 Conforme DIPJ transmitida durante o procedimento fiscal e resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 27/01/2009, a Contribuinte era optante pelo lucro presumido. Vale dizer, ainda, que no curso do procedimento fiscal, a Contribuinte apresentou as DACON’s Retificadoras do 1º, 2º 3º e 4º trimestres/2005, com apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo, mas não transmitiu as declarações retificadoras referentes ao 1º e 2º trimestres. Ademais, retificou as DCTF’s do 1º e do 2º semestre/2005, declarando apenas débitos de PIS e COFINS nãocumulativos, forma de tributação incompatível com as DACON’s apresentadas e com a forma de tributação escolhida (lucro presumido). No mais, telas extraídas do Sistema Sinal demonstram a ausência de pagamentos de IRPJ e CSLL Lucro Presumido (códigos 2089 e 2372, respectivamente), bem como de PIS e COFINS cumulativos (códigos 8109 e 2172, respectivamente), a partir de 01/01/05. Contra a autuação, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 446/465) aduzindo, em resumo: (i) a nulidade dos lançamentos, em razão da quebra do seu sigilo bancário; (ii) relativamente aos depósitos bancários objetos de tributação, como explora o ramo de compra e venda de materiais para construção, recebe seus créditos mediante pagamentos em dinheiro e com cheques de clientes e de terceiros, uns a vista e outros pré e pós datados, desconta e também coloca títulos em cobrança. Dessa forma, a prova requerida pela fiscalização (datas e dados coincidentes com as notas fiscais emitidas) era praticamente impossível de ser produzida; (iii) é a contabilidade mantida pela autuada que resulta em inconcussa prova no que tange à regularidade da escrituração dos depósitos bancários questionados; (iv) tendo a conta caixa recepcionado os lançamentos dos depósitos bancários e não evidenciado, em momento algum saldo credor, mesmo porque nenhuma alusão neste sentido consta de todo o relatório fiscal, resta aclarado que a Contribuinte não pode aceitar, passivamente, o presente lançamento; (v) os depósitos bancários não se prestam ao embasamento de cobrança de IRPJ, devendo ser cancelados os respectivos lançamentos; (vi) a acusação de receita escriturada e não declarada no total de R$ 4.463.368,86 tem a sua origem no mesmo procedimento fiscal, ou seja, na comparação do somatório dos depósitos bancários com as receitas reconhecidas contabilmente; (vii) a penalidade aplicada é confiscatória; (viii) é ilegal e inconstitucional a cobrança de juros de mora à taxa Selic; Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 6 5 (ix) é indevida a inclusão do Sr. Divino como responsável solidário, uma vez que nada há nos autos que comprove excesso na gestão da empresa autuada e tampouco de qualquer participação pessoal. A 2ª Turma da DRJ/JFA considerou o lançamento procedente (fls. 473/489), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. DISCRICIONARIEDADE. O art. 23, incisos I, II e III, do PAF elenca as modalidades de intimação, atribuindo ao Fisco a discricionariedade de escolher qualquer uma delas. Nesse sentido, o § 3º estipula que os meios de intimação previstos nos incisos do caput do art, 23 não estão sujeitos a ordem de preferência, descabendo a intimação no endereço do advogado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. REQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar n.° 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. SOLIDARIEDADE. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 7 6 Condutas do sócioadministrador, desde a não escrituração das operações contábeis, passando pelo não envio declarações obrigatórias de pessoa jurídica, consubstanciaram uma série dc atos ordenados, um por um, visando ocultar as receitas auferidas que deveriam ter sido oferecidas á tributação. Tais ações e omissões, além de infringirem a legislação comercial e tributária vigente, caracterizaram o dolo, restando demonstrada subsunção ao inciso III, art. 135 do CTN. MULTA QUALIFICADA. Demonstrada uma série de condutas, planejadas e ordenadas, uma a uma, visando, deliberadamente, ocultar os rendimentos auferidos sujeitos à tributação federal, resta caracterizada a conduta dolosa praticada pela contribuinte e a conseqüente qualificação da multa de lançamento de ofício. PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação à matéria principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 520/530) alegando que: (i) são nulos os lançamentos e as provas que embasam os autos, haja vista a ilícita quebra do seu sigilo bancário; (ii) é indevida a multa de 150%, vez que ausente a hipótese de dolo, fraude ou simulação; (iii) é indevida a cobrança de juros de mora à taxa Selic; e (iv) é indevida a responsabilização solidária do sr. Divino, já que não está comprovada a prática de atos com excesso de poderes ou a dissolução irregular da sociedade. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade, deve, pois, ser conhecido. I Quebra de sigilo bancário Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 8 7 Antes de mais, é preciso esclarecer que as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº. 256/09, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A aplicação de normas constitucionais somente é possível nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do RICARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse passo, como a matéria não foi definitivamente julgada pelo STF, considerase legítima a requisição de dados e extratos bancários pela Receita Federal do Brasil diretamente às instituições financeiras. No caso concreto, reiteradamente intimada, a Recorrente não apresentou os extratos bancários das contas bancárias que movimentava, conforme solicitado pela fiscalização. Em vista disso e considerando (i) o deferimento da prorrogação de prazo pleiteada pela Recorrente que, ainda assim, não apresentou os extratos bancários; (ii) a elevada movimentação financeira no anocalendário de 2005; (iii) a omissão na entrega da DIPJ 2006 e a apresentação das DCTF do 1º e 2º semestre/2005 sem débitos; a autoridade fiscal não teve alternativa senão emitir a requisição de movimentação financeira diretamente às instituições financeiras. Diante do contexto que se apresentava, a autoridade fiscal julgou ser indispensável o exame da movimentação financeira da Recorrente para a apuração da prática de infração à legislação tributária, entendimento que reputo correto. Logo, não merece reparo o procedimento em comento. II Multa de 150% A Lei nº. 9.430/96 determina a qualificação da multa proporcional de ofício, majorandoa de 75% para 150%, nas hipóteses em que a conduta evasiva do contribuinte tenha Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 9 8 sido imbuída de sonegação e/ou fraude, remetendo às configurações hipotéticas de ambas as figuras definidas na Lei nº 4.502/64. Os respectivos textos são os seguintes: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma. Para sua configuração como qualificadora, é necessário, portanto, que haja sonegação e/ou fraude orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). Destarte, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 10 9 apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja conforme o preceito estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Assim, para fins de qualificação da multa proporcional de ofício, analisando se as características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, temos que a sonegação e a fraude são condutas (ação ou omissão) dolosas. Com isso, para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, ou seja, o ânimo do agente de prejudicar ou fraudar, a conduta (ação ou omissão) intencional perniciosa. Noutra palavras, exigese convicção, por meio de um conjunto probatório suficiente, de que o sujeito passivo agiu de máfé e cometeu a conduta dolosa de sonegação e/ou fraude. Vale notar, que a necessidade de prova cabal do cometimento do ilícito fiscal que envolva sonegação e/ou fraude, como condição para a qualificação da multa de ofício, tem sido reconhecida pela jurisprudência mais atual deste Conselho. Por essa razão, a qualificação da multa de ofício, só tem sido permitida quando efetivamente se verificam procedimentos fraudulentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas, interposição de pessoas (laranjas) etc. No caso presente, não há registros de documentos falsos, inidôneos, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Compulsandose dos autos, é possível verificar, inclusive, que a Recorrente, no decorrer da ação fiscal, apresentou a DIPJ 2006, DACOn’s e DCTF’s do anocalendário 2005, na tentativa de cumprir, ainda que intempestivamente, com suas obrigações acessórias. O que se verifica aqui é a falta de pagamento de IRPJ e reflexos e a não comprovação de depósitos efetuados nas contas bancárias da Recorrente. Dessa forma, o dolo não restou caracterizado. Sobre o tema, vale, ainda, trazer à colação jurisprudência deste Conselho: MULTA QUALIFICADA A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata não autorizam, por si sós, a qualificação da multa de lançamento de oficio, que somente se justifica quando presente o evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo especifico, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei n° 4.502/64. (CARF, 1ª Seção / 1ª Turma da 3ª Câmara / ACÓRDÃO 130100.026 em 12/03/2009.) Sobre o tema também se aplica a Súmula nº. 14 deste Conselho: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 11 10 necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF no. 14). Forçoso concluir, pois, que deve ser reduzida a multa de ofício de 150% para 75%. III Juros de mora Taxa Selic A Recorrente alega que é ilegal a utilização da taxa SELIC como juros de mora. Sobre esse tema, aplicase a Súmula nº. 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IV – Responsabilidade solidária Pelo presente crédito tributário foi responsabilizado solidariamente o sócio administrador da Recorrente, Srs. Divino Donizete Rezende da Silva (CPF nº. 365.612.316 00), com fulcro no art. 135, inciso III do CTN. No entanto, considerando tudo quanto exposto até aqui sobre a ausência de dolo, fraude e sonegação, vêse que o sócioadministrador da Recorrente agiu dentro dos limites legais, não havendo que se falar em atos praticados com excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatutos, que motivassem a aplicação do art. 135, inc. III do CTN. O administrador da Recorrente só poderia ser responsabilizado se restasse caracterizado dolo pessoal, que comprovasse a intenção dele em fraudar e que demonstrasse estar ele agindo com excesso de poder, infração a lei, contrato social ou estatutos, o que não se verifica no presente caso. Sublinhese, ainda, que a falta de pagamento de tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN, conforme posicionamento já sedimentado nesta corte e no Egrégio Superior Tribunal de Justiça (Resp 1.101.728/SP, submetido à sistemática do artigo 543C do CPC). Incorreta, portanto, a solidariedade passiva estendida a tal pessoa. Posto isso, encaminho meu voto no sentido dar parcial provimento ao recurso voluntário, para manter as exigências lançadas, submetendoas, contudo, à multa de 75%, e excluir a responsabilidade solidária do sócioadministrador. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10970.000044/200962 Acórdão n.º 1402001.628 S1C4T2 Fl. 12 11 Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 17546.000503/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
PRELIMINAR - NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Não há nulidade da decisão recorrida quando nos autos encontram-se elementos suficientes para a convicção dos julgadores e a conversão em diligência mostrar-se prescindível.
PRÊMIOS - CARTÃO DE PREMIAÇÃO
Havendo a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias decorrente dos pagamentos efetuados mediante cartão de premiação, cabia à recorrente informá-los em GFIP
MULTA. RETROATIVIDADE DO ARTIGO 106 DO CTN.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Numero da decisão: 2301-003.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 PRELIMINAR - NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Não há nulidade da decisão recorrida quando nos autos encontram-se elementos suficientes para a convicção dos julgadores e a conversão em diligência mostrar-se prescindível. PRÊMIOS - CARTÃO DE PREMIAÇÃO Havendo a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias decorrente dos pagamentos efetuados mediante cartão de premiação, cabia à recorrente informá-los em GFIP MULTA. RETROATIVIDADE DO ARTIGO 106 DO CTN. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
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GFIP Recorrente COMPANHIA MULLER DE BEBIDAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 PRELIMINAR NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Não há nulidade da decisão recorrida quando nos autos encontramse elementos suficientes para a convicção dos julgadores e a conversão em diligência mostrarse prescindível. PRÊMIOS CARTÃO DE PREMIAÇÃO Havendo a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias decorrente dos pagamentos efetuados mediante cartão de premiação, cabia à recorrente informálos em GFIP MULTA. RETROATIVIDADE DO ARTIGO 106 DO CTN. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 05 03 /2 00 7- 03 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração 35.951.9881, o qual exige multa pelo fato de o sujeito passivo não ter declarado em GFIP as contribuições previdenciárias apuradas pela fiscalização na NFLD nº 35.951.9890 decorrentes do pagamentos de prêmios de incentivo (Incentive House) a segurados empregados e contribuintes individuais. O sujeito passivo apresentou sua impugnação sustentando que apresentou defesa tempestiva em face da NFLD que apurou as contribuições previdenciárias e que sendo indevida a exigência dessas sobre o pagamento de prêmios, não merece subsistir o presente lançamento, o qual exige multa por descumprimento de obrigação acessória. Requereu, ademais, o julgamento conjunto e deduziu as razões de defesa apresentadas em face da mencionada NFLD. A DRJ de Ribeirão Preto, antes de analisar o mérito, determinou a intimação do sujeito passivo para corrigir vício em relação à procuração outorgada aos patronos. Após a manifestação do sujeito passivo anexando procuração e atos societários o processo retornou à DRJ de Ribeirão Preto, a qual julgou improcedente a impugnação. O sujeito passivo interpôs recurso voluntário no qual repisou argumentos suscitados em sede de impugnação, pleiteando, ademais, a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 17546.000503/200703 Acórdão n.º 2301003.940 S2C3T1 Fl. 642 3 Primeiramente esclareço que a NFLD nº 35.951.9890 (PAF nº 17546.000777/200794) que exige as contribuições previdenciárias decorrentes do pagamento de prêmios a segurados empregados e contribuintes individuais está em trâmite perante esse CARF com recurso especial pendente de julgamento, o que impede, nessa fase processual, a respectiva reunião para julgamento em conjunto. Preliminar – nulidade da decisão a quo A recorrente sustenta que a decisão recorrida é nula em virtude de ter cometido cerceamento do direito de defesa ao indeferir a conversão dos autos em diligência, como forma de demonstrar que os contribuintes individuais arrolados pela fiscalização não haviam lhe prestado serviços. Aponta a recorrente que, de acordo com a documentação contábil anexada aos autos, verificase que os segurados contribuintes individuais não constavam dos cadastros de prestadores de serviços da empresa. Segundo se depura do recurso apresentado tais segurados são empregados de empresas distribuidoras que adquirem produtos da recorrente. Não se nega que a esses segurados foram pagos prêmios via Incentive House, mas que não teriam prestados serviços à recorrente. A r. decisão a quo ao enfrentar essa questão seguiu a linha de que a despeito de os segurados contribuintes individuais não constarem dos registros da recorrente, em nada altera o contexto fático apurado pela fiscalização. Isto, porque, ao contrário do que fora afirmado, inclusive em sede recursal, não se aplica a essa qualidade de segurados características típicas da relação de emprego, tais como habitualidade ou subordinação. Basta, para a Lei 8.212/91, mais precisamente em seu artigo 22, inciso III, que haja a prestação de serviços e o correspondente pagamento da remuneração devida para que surja a obrigação da empresa de recolher 20% a título de contribuição previdenciária sobre a totalidade desses pagamentos e, consequentemente, informar em GFIP tais fatos geradores. Na prática, em que pese tais segurados serem empregados de outras empresas, houve a prestação de serviços diretamente à recorrente, mediante o acréscimo das vendas com o conseqüente pagamento da remuneração a título de prêmios. Logo, não há que se falar em nulidade do decisum, haja vista que os elementos constantes dos autos foram suficientes para formar a convicção da DRJ, sendo prescindível a busca, mediante conversão dos autos em diligência, de outras provas. Prêmios Como se extrai desses autos a ora recorrente efetuava pagamentos à empresa acima não só a título de prestação de serviços, mas em razão de programa de estímulo de produtividade ou mesmo de desempenho de funcionários. Ora, programas de estímulo a produtividade está inequivocamente ligado à produção da empresa contratante, ou melhor, à atuação dos seus trabalhadores. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Por certo que, pela sistemática envolvida entre a autuada e a empresa citada, cabia a essa última, por meio de cartões de incentivo, premiar os trabalhadores da autuada. É nesse sentido que laborou a presente autuação. Verificando a fiscalização tratarse de remuneração paga, nos termo do artigo 22, incisos I e III, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançou as contribuições previdenciárias devidas. Não há dúvidas, portanto, da incidência do citado artigo cuja redação é a seguinte: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;” Nesse sentido a jurisprudência desse Egrégio Conselho: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/03/1997 A 31/12/2002AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. PRÊMIOS, MULTA.TODA EMPRESA É OBRIGADA A LANÇAR, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, OS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AS VERBAS PAGAS ATRAVÉS DE CARTÕES DE PREMIAÇÕES INTEGRAM O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO POR FORÇA DO ART. 28 DA LEI N° 8.212/91, SENDO CORRETO O AUTO DE INFRAÇÃO QUE CONSIDEROU A OMISSÃO DOS VALORES CORRESPONDENTES AOS BENEFÍCIOS PAGOS AOS SEGURADOS EMPREGADOS. A NÃO CORREÇÃO DA FALTA IMPEDE A CONCESSÃO DO BENEFICIO DE ATENUAÇÃO DA MULTA.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DA 3ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS C, NO MÉRITO, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO(A) RELATOR(A).(Acórdão nº 230101392 do Processo 10980009628200712) Havendo, portanto, a ocorrência dos fatos geradores, competia à recorrente informálos em GFIP. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 17546.000503/200703 Acórdão n.º 2301003.940 S2C3T1 Fl. 643 5 Retroatividade da multa – artigo 106 do CTN. No tocante à GFIP segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ante o exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para aplicar a multa do artigo 32A da Lei 8.212/91, se mais benéfica ao sujeito passivo. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 645DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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