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Numero do processo: 10980.728833/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a declaração, em DIPJ, de IRPJ e CSLL a pagar, ou de saldo negativo formado por retenções na fonte, se a autoridade fiscal não faz qualquer ressalva aos valores assim informados pelo sujeito passivo.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Somente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador podem ser arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apurado. DIRETORES. Reconhecida a inexistência de prática caracterizada como crime contra a ordem tributária, bem como diante do cancelamento da qualificação da multa, não subsiste a imputação de responsabilidade tributária aos diretores da autuada.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Impossível a reversão da glosa de compensação de prejuízos quando subsiste infração que infirma os valores utilizados pelo sujeito passivo. DEDUÇÃO. IRRF. Provado que o sujeito passivo desistiu da compensação de saldos negativos apurados nos períodos fiscalizados, parcelando os correspondentes débitos, admite-se, na determinação do tributo lançado de ofício, a dedução do IRRF confirmado em DIPJ e não utilizado para reduzir o imposto devido no período.
Numero da decisão: 1101-001.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento, bem como DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 2) relativamente às glosas de amortização de ágio: 2.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento; 2.2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso; 2.3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni; 2.4) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à argüição de decadência, divergindo o Conselheiro José Sérgio Gomes e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 2.5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso; 3) relativamente à glosa de compensação de prejuízos, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à dedução de retenções na fonte, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; e 5) relativamente à responsabilidade tributária, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada nas conclusões pelo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
(documento assinado digitalmente)
MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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BENEFICIÁRIOS. USUFRUTO DE AÇÕES. Correta a decisão que reverte a glosa considerando que o usufruto, é instituto de direito civil que constitui direito real que tem por efeito dividir as faculdades inerentes ao direito de propriedade (usar, gozar e dispor da coisa) entre o proprietário do bem (denominado nuproprietário) e o usufrutuário, a quem são atribuídos os direitos de posse, uso, administração e percepção dos frutos; a possibilidade da instituição de usufruto sobre ações decorre das expressa disposição da Lei nº 6.404, de 1976, cujo artigo 205 determina que a pessoa inscrita como usufrutuária tem direito ao recebimento dos dividendos. JUROS PAGOS SOB A ALEGAÇÃO DE CONTRATO DE MÚTUO. Correta a reversão da glosa correspondente a parcelas que a autoridade fiscal não logrou demonstrar, durante o procedimento fiscal, que corresponderiam a juros sobre o capital próprio. RECÁLCULO DOS JUROS. CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. A recomposição da exigência deve observar os parâmetros da acusação fiscal, sob pena de imputar ao sujeito passivo infração que não integrava o lançamento. ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. MULTA DE OFÍCIO. 150%. DESQUALIFICAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JURISPRUDÊNCIA DIVERGENTE SOBRE O TEMA À ÉPOCA DA EFETIVAÇÃO DOS NEGÓCIOS SUCESSIVOS. AUSÊNCIA DE POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE DO FATO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. Não se pode qualificar a multa para 150%, se não restar configurado, nos autos, evidente intuito de fraude. Este não se revela presente, pois que, à época da efetivação dos atos e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 88 33 /2 01 2- 48 Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 3 2 negócios jurídicos, a jurisprudência oscilava relativamente ao tema de planejamento tributário. O intuito fraudulento resta por isso afastado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Impossível a reversão da glosa de compensação de prejuízos quando subsiste infração que infirma os valores utilizados pelo sujeito passivo. DEDUÇÃO. IRRF. Provado que o sujeito passivo desistiu da compensação de saldos negativos apurados nos períodos fiscalizados, parcelando os correspondentes débitos, admitese, na determinação do tributo lançado de ofício, a dedução do IRRF confirmado em DIPJ e não utilizado para reduzir o imposto devido no período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeitase à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a declaração, em DIPJ, de IRPJ e CSLL a pagar, ou de saldo negativo formado por retenções na fonte, se a autoridade fiscal não faz qualquer ressalva aos valores assim informados pelo sujeito passivo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Somente as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador podem ser arroladas como responsáveis pelo crédito tributário apurado. DIRETORES. Reconhecida a inexistência de prática caracterizada como crime contra a ordem tributária, bem como diante do cancelamento da qualificação da multa, não subsiste a imputação de responsabilidade tributária aos diretores da autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, por unanimidade de votos, REJEITAR as argüições de nulidade da decisão recorrida e do lançamento, bem como DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 2) relativamente às glosas de amortização de ágio: 2.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento; 2.2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 4 3 principal exigido, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso; 2.3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni; 2.4) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à argüição de decadência, divergindo o Conselheiro José Sérgio Gomes e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 2.5) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso; 3) relativamente à glosa de compensação de prejuízos, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à dedução de retenções na fonte, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário; e 5) relativamente à responsabilidade tributária, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada nas conclusões pelo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora (documento assinado digitalmente) MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório MAGIUS METALÚRGICA INDUSTRIAL S/A, Adilton Boff Cardoso e Adalberto Boff Cardoso, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 07/12/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 19.169.087,16. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 785/812, a autoridade lançadora inicialmente descreve as alterações do quadro social da autuada; reportase a laudo de sua avaliação em 23/12/2004, atribuindolhe o valor econômico de R$ 37 milhões (aí considerados terrenos, benfeitorias, máquinas e equipamentos no valor total de R$ 17.827.000,00); registra a constituição de Boff Cardoso Participações S/A em 23/12/2004, tendo como acionistas Magius Participações Ltda, Adilton Boff Cardoso e Adalberto Boff Cardoso (seus diretores presidentes), bem como sua extinção em 31/03/2005 mediante incorporação pela autuada; e demonstra a constituição de Magius Participações Ltda em 22/12/2004 mediante conferência da totalidade das ações que os sócios detinham na autuada. A Fiscalização demonstra que o único lançamento contábil nos registros de Boff Cardoso Participações S/A, em 2004, foi a abertura da empresa, resultando na ativação de investimento em Magius Participações Ltda no valor de R$ 5.799.998,00 e correspondente ágio de R$ 25.519.002,00. Já em 2005, houve apenas um único lançamento de equivalência patrimonial, em 31/03/2005, no valor de R$ 1.975.901,73. Questionada acerca destas operações, a contribuinte alegou tratarse de uma operação onerosa com a conferência das ações a valor de mercado, acarretando um ônus para a Boff Cardoso Participações S/A, mediante entrega de ações de seu próprio capital. Enfatizou que a forma de integralização do capital se deu mediante a conferência de ações que os sócios possuem no capital social da Magius Metalúrgica Industrial S/A, conforme consta no Contrato Social de Constituição. A autoridade fiscal constata, assim, que em 20/12/2004 a autuada foi transformada de sociedade limitada para sociedade anônima de capital fechado e, na seqüência, em 22/12/2004, suas ações foram transferidas por seus acionistas para a recém constituída Magius Participações Ltda, mediante integralização de seu capital social. Em 23/12/2004 é constituída Boff Cardoso Participações S/A e seu capital é integralizado por Magius Participações Ltda, mas no valor de R$ 31.319.000,00, em razão do valor atribuído aos bens da autuada, surgindo neste momento o ágio questionado, na medida em que o custo do investimento seria de R$ 5.799.998,00. Em 31/03/2005 a autuada incorporou Boff Cardoso Participações S/A, e diante deste contexto a autoridade lançadora concluiu que a empresa BOFF CARDOSO PARTICIPAÇÕES S/A foi constituída basicamente para dissimular a ocorrência de operações de compra e venda de participação societária, simulando a ocorrência de eventos societários consecutivos, com a contabilização de um ágio interno que supostamente seria pela compra da MAGIUS METALÚRGICA S/A, contabilizado em 23/12/2004 e retornando em forma de INCORPORAÇÃO para o sujeito passivo em 31/03/2005, operações realizadas em curto período a menos de 100 dias, sem a ocorrência de qualquer pagamento. Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 6 5 Reproduzindo o quadro social das empresas envolvidas, a autoridade fiscal demonstra que elas são compostas, direta ou indiretamente, pelos mesmos sócios ou acionistas (Adilton Boff Cardoso, Adalberto Boff Cardoso, Aldo Boff Cardoso, Márcia de Souza Cardoso, Marlene Souza Cardoso e Tânia Mara de Souza Cardoso). Acrescenta que as empresas envolvidas no planejamento tributário apresentam em comum o endereço, os sócios e os diretores, sendo no cargo de Diretor Presidente ADILTON BOFF CARDOSO e Diretor VicePresidente ADALBERTO BOFF CARDOSO. Demonstra, por fim, que em cada anocalendário, de 2007 a 2009, foi amortizado o montante de R$ 5.104.000,44, passível de glosa por se tratar de ágio constituído sem fundamento econômico, realizado no mesmo grupo empresarial, composto pelos mesmos sócios/acionistas. Enunciando novamente os eventos societários ocorridos, reportase a pronunciamento da Comissão de Valores Mobiliários no sentido de que o ágio somente surge quando há pagamento, ou seja, dispêndio para se obter algo de terceiros, inexistindo, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Assim, ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, tais transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Ainda, tendo em conta os valores pagos a título de juros sobre o capital próprio entre o 4o trimestre/2007 e o 4o trimestre/2009, a autoridade fiscal apura que dentre as pessoas físicas beneficiadas com os pagamentos apenas Adilton Boff Carsoso e Adalberto Boff Cardoso figuraram como sócios da autuada a partir de 23/12/2004, e com percentuais de participação inferiores aos considerados pela contribuinte. Promove, assim, a glosa entre os juros recalculados e aqueles contabilizados pela contribuinte, apurando bases de cálculo equivalentes a R$ 537.250,32 em 2007, R$ 5.314.215,98 em 2008 e R$ 2.724.299,66 em 2009. Uma vez revertidos para lucro os prejuízos fiscais e bases negativas apurados no 1o e 2o trimestres do anocalendário 2008, a autoridade fiscal também glosa a compensações destas parcelas na apuração do 3o trimestre de 2008. Aos valores apurados em razão das amortizações de ágio foi aplicada multa qualificada em razão do que assim exposto: No tocante à penalidade, diante da cristalina presença do elemento subjetivo do dolo, não restando dúvida quanto à intenção do contribuinte em reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, manobras que tiveram a finalidade de mascarar o resultado, causando prejuízo aos cofres públicos mediante a falta e/ou redução do pagamento dos tributos devidos, é de aplicarse a todas as infrações aqui apontadas, nos termos da legislação de regência, a qualificação da multa de ofício de 150%. A multa de ofício qualificada, aplicável ao caso em tela, está prevista conforme dispõe o artigo 44, inciso I e §1o da Lei nº 9.430/96 com a redação data pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007, sem prejuízo da aplicação de outras sanções, conforme dispõe a Lei 8.137/90, artigos 1o e 2o, e tem como pressuposto para sua aplicação a existência de “evidente intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº.4502, de 30 de novembro de 1964”. No âmbito da representação fiscal pra fins penais acrescenta que foram constatados fatos que, em tese, configuram crime contra ordem tributária pela prática de não oferecer à tributação do IRPJ e CSLL, pela simulação da operação de alienação societária Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 7 6 com ágio, impedindo ou retardando, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos administrados pela RFB. Por fim, constatando que a empresa apresentou para arrolamento apenas veículos de valor inexpressivo, que após a criação do ágio, os bens imóveis, que foram objeto de reavaliação constando do Laudo de Avaliação, passou a não constar do Ativo Imobilizado da Pessoa Jurídica, e que as decisões foram tomadas pelos diretores Adilton Boff Cardoso e Adalbaerto Boff Cardoso, a autoridade fiscal imputoulhes responsabilidade solidária pelo crédito tributário nos termos do art. 124, I c/c art. 135, ambos do CTN. Impugnando a exigência, a pessoa jurídica discorreu sobre as justificativas econômicas da reestruturação societária promovida no grupo, reportouse à avaliação do investimento e ao reconhecimento de ganho de capital por Magius Participações Ltda, com tributação diferida na forma do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, de modo que o ágio seria dedutível e que a riqueza a ser tributada pertenceria aos antigos controladores, evidenciando a nulidade do lançamento. Argüiu a decadência de parte do crédito tributário, e apontou vício material por desconsideração do IRRF passível de dedução na apuração do IRPJ. Defendeu a inexistência de óbices legais à amortização promovida, porque observados os requisitos do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, afirmando a regularidade do custo de aquisição reconhecido contabilmente, à semelhança do que decidido pelo CARF no Caso Gerdau. Invocou também manifestações do CARF acerca da evidenciação do propósito negocial em tais operações, mediante análise do “filme” e não apenas das “fotos”, e argumentou que a incorporação de Boff Cardoso Participações autorizou a dedução do ágio na forma dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97. Com referência à glosa de juros sobre o capital próprio, argumentou que a Fiscalização computou em seus cálculos juros pagos em decorrência de contratos de mútuo e ignorou contratos de usufruto firmados entre as pessoas físicas e Magius Participações Ltda. Discordou da qualificação da penalidade em razão de interpretações diferentes adotadas pelo Fisco e pelo contribuinte, bem como da imputação de juros de mora sobre a multa de ofício. Os responsáveis tributários alegaram imprecisão na imputação dos fatos que ensejaram a atribuição de responsabilidade solidária, negaram a existência de interesse comum, e argumentaram que a imputação de responsabilidade com base no art. 135 do CTN seria pessoal e excluiriam a responsabilidade da pessoa jurídica. Ademais, a divergência de interpretação entre o Fisco e o contribuinte não é motivo suficiente para atribuição de culpa exclusiva dos diretores por infração à lei. A autoridade julgadora de 1a instância requereu esclarecimentos acerca dos contratos de mútuo juntados aos autos pela defesa, os quais foram prestados às fls. 1694/1896. Por fim, a Turma julgadora acolheu parcialmente os argumentos da defesa, admitindo que as parcelas contabilizadas na conta nº 3.5.2.0006 – “Juros s/Vlrs. a Distribuir a Sócios” corresponderiam a encargos de mútuo e deveriam ser desconsiderados na apuração excesso de juros sobre o capital próprio, bem como que o Instrumento Particular de Usufruto firmado em 10/06/2005 seria hábil a autorizar a dedutibilidade dos juros pagos aos usufrutuários das ações da autuada detidas por Magius Participações Ltda. Promoveu, assim, o recálculo das parcelas dedutíveis, excluindo do patrimônio líquido da autuada o valor correspondente ao ágio ficticiamente integralizado por Boff Cardoso Participações, e apurando excessos apenas no 4o trimestre/2007 (R$ 252.544,29) e nos trimestres do anocalendário 2008 (R$ 691.191,12), excluindo integralmente as exigências do anocalendário 2009. A exoneração assim procedida foi submetida a reexame necessário. Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 8 7 No mais, a exigência foi mantida pelas razões assim sintetizadas na ementa do acórdão recorrido e sob reexame: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos; ainda que do ponto de vista formal os atos societários atendam à legislação aplicável, do ponto de vista econômico tais transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. ÁGIO INTERNO. REJEIÇÃO PELA CIÊNCIA CONTÁBIL, LEGISLAÇÃO COMERCIAL E LEI TRIBUTÁRIA. A contribuinte é obrigada, pela lei tributária, a apurar o lucro líquido de acordo com a lei societária que, por seu turno, determina que este lucro seja obtido através da observância da escrituração e dos preceitos da Ciência Contábil; logo, se a contabilidade não aceita o ágio interno gerado na aquisição de participação societária, este também será rejeitado pela legislação comercial e pela lei tributária, na medida que ele trará reflexos indevidos na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica. ÁGIO COM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. SOMENTE O ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO PODE SER AMORTIZADO. RECUPERAÇÃO DO CAPITAL APLICADO. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; somente o ágio efetivamente pago, com expectativa de rentabilidade futura, pode ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou pelos lucros futuros da investida, cujos valores não representam um ganho efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, mas uma recuperação do capital aplicado. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. VARIAÇÃO PRO RATA DIA DA TJLP. CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. A pessoa jurídica pode deduzir, na determinação do lucro real, o valor dos juros pagos ou creditados individualmente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido com base na variação pro rata dia da TJLP; o encargo dedutível com juros remuneratórios do capital fica limitado ao maior entre os seguintes valores: (i) 50% do lucro líquido do período de apuração a que corresponder o pagamento ou crédito dos juros, após a dedução da CSLL e antes da provisão para o imposto de Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 9 8 renda e da dedução dos referidos juros; (ii) 50% da soma dos saldos das contas de lucros acumulados e de reserva de lucros de períodos anteriores. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. USUFRUTO DE AÇÕES. O usufruto, é instituto de direito civil que constitui direito real que tem por efeito dividir as faculdades inerentes ao direito de propriedade (usar, gozar e dispor da coisa) entre o proprietário do bem (denominado nuproprietário) e o usufrutuário, a quem são atribuídos os direitos de posse, uso, administração e percepção dos frutos; a possibilidade da instituição de usufruto sobre ações decorre das expressa disposição da Lei nº 6.404, de 1976, cujo artigo 205 determina que a pessoa inscrita como usufrutuária tem direito ao recebimento dos dividendos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de terem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, além de as obrigações tributárias resultarem de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, porquanto participaram diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, tendo sido beneficiados, mediante remuneração e distribuição de lucros e dividendos, com os ganhos indevidos de natureza tributária decorrentes da amortização desse ágio interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado o intuito de fraude para possibilitar à contribuinte a amortização de ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, pois os sócios administradores estavam perfeitamente conscientes da falta de propósito negocial do ágio gerado em operações realizadas intragupo, em transações que não se revestem de substância econômica, sem efetivo pagamento e da indispensável independência entre as partes. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. A pessoa jurídica autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 26/08/2013 (fl. 1998) e interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 25/09/2013 (fls. 2088/2170), bem como apresentou contrarrazões ao recurso de ofício (fls. 2230/2246). No recurso voluntário discorre, inicialmente, acerca da reestruturação societária, mencionando a constituição de Magius Participações, na condição de holding, e da nova empresa Boff Cardoso Participações S/A, que passou a ser controladora da autuada, em Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 10 9 operação que teria o objetivo precípuo de fortalecer a estrutura do Grupo Econômico e, especialmente, atrair novos parceiros para obter numerário e possibilitar crescimento sustentável da Empresa. Reportase à avaliação a valor de mercado pelo método de rentabilidade futura da autuada e observa que a Fiscalização não questionou referido laudo. E enfatiza que Magius Participações pagou a integralização de capital de Boff Cardoso Participações, no valor de R$ 31.319.000,00, em subscrição onerosa de suas ações, mediante conferência das quotas que possuía na autuada, ensejando o surgimento do ágio de R$ 25.520.002,00. Acrescenta que Magius Participações reconheceu o correspondente ganho de capital, cujo tratamento tributário é regido pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Contudo, no curso do ano de 2005, o Grupo Econômico constatou que os objetivos pretendidos com a criação da BOFF PARTICIPAÇÕES não foram alcançados, já que NÃO houve a entrada de novos parceiros comerciais, bem como não houve a obtenção de novos recursos financeiros junto ao mercado, aprovouse a incorporação de Boff Cardoso Participações pela autuada, para fortalecer, ainda mais, a estrutura operacional da Empresa. Destaca que no protocolo e justificação de incorporação consignouse que a operação tem como justificativa, a redução dos custos e incentivo da geração de caixa futuro da INCORPORADA. Conclui, assim, que ao final da reestruturação societária, realizada dentro da mais estrita legalidade, a recorrente passou a ter estrutura mais enxuta e operacional; o que auxiliou, inclusive, no restabelecimento de suas operações com o conseqüente aumento da receita líquida dos anos posteriores. E entende demonstrada a veracidade e validade das operações de reestruturação societária que culminaram na alienação da Recorrente para outro Grupo Econômico, bem como o fortalecimento da estrutura e crescimento sustentável da Companhia, justificando todo o propósito negocial das operações. Na seqüência, em preliminar, argúi a nulidade do lançamento por erro intencional na identificação do sujeito passivo, pois a riqueza gerada com a operação questionada favoreceu o antigo controlador da recorrente (Magius Participações), que no momento da integralização de capital de Boff Cardoso Participações com ações da autuada com ágio auferiu, inegavelmente, ganho de capital. Acrescenta que a decisão recorrida não analisou, efetivamente, a questão, cerceando seu direito de defesa, e cita julgado deste Conselho em favor da tributação do ganho de capital em operação de incorporação de ações, ali estando, inclusive, exposta a desnecessidade de pagamento para a existência de ágio e o direito à sua amortização. Diz que a renda auferida por Magius Participações foi tributada de maneira disfarçada na recorrente, mediante a glosa da amortização do ágio, e destaca que o diferimento da tributação do ganho de capital em nada altera o raciocínio por ela exposto. Acrescenta que o ganho de capital se verifica mesmo em operações entre partes relacionadas, e daí decorre o dever de tributálo, no mais tardar quando da alienação/realização do investimento (que de fato ocorreu). Cita doutrina em favor da tributação do ganho de capital e jurisprudência acerca da nulidade do lançamento. Argúi, também, a decadência dos créditos tributários lançados do 1o ao 3o trimestres de 2007, na medida que em 07/12/2002, quando cientificada do lançamento, já havia transcorrido o prazo previsto no art. 150, §4o do CTN. Afirma a ausência de dolo, e invoca as manifestações do Superior Tribunal de Justiça no rito do art. 543C do Código de Processo Civil, visto que demonstrada a existência de pagamentos nas DIPJ acostadas aos autos. Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 11 10 Ainda em preliminar afirma nula a decisão recorrida em razão de inovação quanto à apuração dos JCP, pois, embora a documentação da Recorrente já tivesse sido devidamente analisada na fiscalização, e os JCP calculados e validados, o acórdão recorrido, ao considerar que os Juros sobre Capital Próprio foram calculados sobre parcela do ágio (julgada fictícia pela DRJ) registrado no patrimônio líquido, recalculou em seu item 138 o valor contabilizado na conta 3.5.2.0007 – Juros s/ Capital Social, reduzindo indevidamente o montante dos JCP calculados pela Recorrente e excedendo a competência do órgão julgador, bem como violando seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Acrescenta que para ser válida, a alteração do lançamento deveria ter sido promovida na forma do art. 18, §3o do Decreto nº 70.235/72, consoante já se manifestou este Conselho na jurisprudência que cita. Sob outra ótica, aduz que o recálculo do lançamento pela autoridade julgadora de 1a instância evidencia sua insubsistência, porque além de fundamentar adequadamente a exigência, a autoridade fiscal deve refletir em seu quantum exatamente o eventual descumprimento da obrigação principal ou de eventual sanção, sob pena de restar prejudicado o direito de defesa do sujeito passivo, por impedir o conhecimento de todas as razões do lançamento que lhe foi imputado, evidenciando sua nulidade. Cita doutrina e invoca o disposto no art. 10, inciso V do Decreto nº 70.235/72, ressaltando o reconhecimento, na decisão recorrida e sob reexame, da incorreção da determinação da exigência. Transcreve ementas de julgados administrativos que declaram a nulidade do lançamento em tais circunstâncias. No mérito, defende a dedutibilidade do ágio gerado na operação de subscrição de quotas/ações da autuada, questionando a exigência fiscal de fluxo de riqueza entre as partes envolvidas, observando que o art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 confere o mesmo tratamento ao ágio e ao deságio e que o desdobramento do custo de aquisição era obrigatório no momento da referida subscrição. Aduz que a autoridade fiscal não questionou a veracidade do ágio ou do laudo apresentado, que a lei não traz qualquer referência a um negócio jurídico específico para que esta aquisição seja realizada e que o direito privado admite diversas formas jurídicas de aquisição. Cita doutrina acerca do conceito de aquisição, destaca que a legislação tributária não faz restrição à operação de subscrição de ações/quotas para aquisição de participação societária, e que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 estimula a possibilidade de conferências de capital em bens a valor de mercado mediante diferimento do correspondente ganho de capital, e destas operações decorre a geração de um ágio na aquisição de investimentos, por estrita previsão legal. Afirma que a diferença entre o valor contábil e de mercado era real e prevista em lei e que não cabia ao contribuinte lançar essa diferença em outra rubrica contábil que não ágio na aquisição de investimentos. A Fiscalização e a autoridade julgadora afirmam a necessidade de pagamento, mas a operação realizada foi onerosa, não prevalecendo o argumento de ausência de fluxo de riqueza. Reportase a julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais em favor da subscrição como forma de aquisição, e defende que o reconhecimento do ganho de capital pelos antigos controladores não pode ser dissociado do reconhecimento do ágio na adquirente. Ressalta que o ágio está fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, reafirma a lisura do laudo de avaliação e destaca que a rentabilidade foi confirmada no presente. Insiste que o pagamento não é essencial, cita doutrina, reportase à manifestação Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 12 11 desta Turma Ordinária no Caso Gerdau, e argumenta que as autoridades lançadora e julgadora confundem “pagamento” com “custo”, e este resta demonstrado por ter havido efetiva aquisição, bem como está respaldado em laudo de avaliação, confirmando que está correta a apuração do ágio. Acrescenta que a acusação fiscal só faria sentido se a lei limitasse a aquisição a operação de venda e compra. Aduz que a legislação permite a escolha de um dos fundamentos previsto em lei para o ágio, reafirma válida a fundamentação em rentabilidade futura, novamente justifica as operações realizadas, e invoca as disposições do art. 36 da Lei nº 10.637/2002, vigente à época, para desmerecer os argumentos da autoridade julgadora com base na teoria contábil, em normas da CVM (inaplicáveis à recorrente) e outros dispositivos legais. Enfatiza que os critérios contábeis não podem afetar os efeitos tributários previstos na legislação editada especificamente para disciplinar a tributação do ágio, e observa que a Resolução CFC nº 1110/2007, citada na decisão recorrida e sob reexame, é posterior à operação em questão, e expressamente alcança, apenas, os exercícios encerrados a partir de dezembro de 2008. Ademais, as operações foram realizadas totalmente conforme os parâmetros de mercado e, reconhecido o ganho de capital, também deve ser reconhecido o ágio. Assevera que não existe na legislação fiscal conceito de “dentro de casa”, e se opõe à referência ao entendimento do doutrinador Eliseu Martins citando o voto condutor do julgado que apreciou o Caso Gerdau, bem como invoca o art. 109 do CTN para discordar da utilização de conceitos extraídos de normativos contábeis. Por estas razões também discorda da aplicação do Ofício nº 01/2007 e cita doutrina em reforço aos seus argumentos, reiterando que vários atos invocados pelas autoridades são posteriores às operações questionadas. Argumenta que o tratamento do ágio tem disciplina específica no âmbito fiscal, opõe à exigência de capital externo na operação os argumentos expostos no voto condutor do julgado que apreciou o Caso Gerdau e conclui que o ágio em questão possuía substrato econômico e amparo na legislação fiscal. Prossegue abordando o propósito negocial das operações societárias, invocando os princípios constitucionais na livre iniciativa e da livre concorrência e reafirmando a finalidade das operações realizadas, para concluir que todos os atos societários praticados inseriramse, congruentemente, nas atividades desenvolvidas pela Recorrente, ao passo que a autoridade fiscal analisou as operações societárias isoladamente, e não como um todo, na forma da doutrina que transcreve. Defende que deveriam ser verificados os efeitos posteriores das operações, seus benefícios futuros, mas ressalva que a legislação tributária também não condicionou o aproveitamento do ágio à demonstração do propósito negocial, consoante doutrina que cita. Diz que deve ser afastado o argumento de utilização de empresa veículo, e se opõe aos questionamentos da autoridade julgadora acerca da impossibilidade de reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de transações dos acionistas com eles próprios. Reitera a motivação da reestruturação societária, diz que a expressão “empresaveículo” é pejorativa e observa que não há vedação legal a tal prática, citando julgados administrativos que admitem seu uso. Enfatiza que a dedução da despesa de ágio passou a ser possível a partir da incorporação de Boff Cardoso Participações, na forma dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97, e Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 13 12 que o mesmo efeito fiscal se verificaria se a autuada tivesse sido incorporada por Boff Cardoso Participações, assim não se procedendo apenas porque não seria condizente com o objetivo da reestruturação societária do Grupo, pois extinguiria a recorrente, que possui nome reconhecido no mercado, exigindo todo um processo de aprovação com fornecedores em relação à nova empresa. Finaliza a discussão desta infração destacando que o referido ágio também iria existir integralmente no momento em que Magius Metalúrgica fosse alienada para outro Grupo Econômico por valor superior ao valor do patrimônio líquido. Passando à glosa de excesso de juros sobre o capital próprio, reportase à exoneração parcial promovida pela autoridade julgadora de 1a instância, mas afirma que cumpriu os requisitos legais de dedução, e que a decisão recorrida fundamentase em premissas equivocadas, porque a parcela do ágio constante no patrimônio líquido da recorrente decorreu de regulares movimentações societárias, de caráter oneroso e com o cumprimento de todas as formalidades legais. Reitera seus argumentos acerca das exigências legais para registro do ágio, acrescenta que seu valor se encontra devidamente subscrito no patrimônio líquido da recorrente, e que os registros contábeis observaram o item 33 do CPC 15. Conclui que a eventual indedutibilidade do ágio não tem o condão de tornálo inexistente, tampouco afeta o Patrimônio Líquido da Recorrente, pois a legislação somente exclui deste montante o valor decorrente de reserva de reavaliação. Quanto à glosa de compensação de prejuízos fiscais, afirma ter observado a legislação de regência, e sendo regulares as amortizações de ágio procedidas, não se verifica a alegada absorção dos prejuízos fiscais. Discorda, também, na inadmissibilidade das pretendidas deduções de IRRF, pois as compensações opostas pela autoridade julgadora de 1a instância restaram não homologadas, sem manifestação de inconformidade e concomitante parcelamento dos débitos compensados. Afirma absurda, imoral e desarrazoada a qualificação da penalidade, bem como a sua manutenção na decisão recorrida em razão de suposto descumprimento de princípios contábeis (que não guardam correlação com a legislação fiscal). Invoca o posicionamento favorável deste Conselho no caso Gerdau para questionar como se consideraria como dolosa uma prática que já foi validade por este Conselho? Entende que se trata, aqui, de interpretações diferentes sobre a mesma legislação, não se verificando qualquer adulteração de documentos fiscais ou contábeis, ausência de atendimento ás intimações no curso da fiscalização ou qualquer outro ato tendente a omitir ou ocultar qualquer ato praticado pela empresa. A decisão recorrida, inclusive, corroboraria a regularidade dos atos praticados, os quais seriam públicos e submetidos a registro. Complementa que o dolo deve ser provado, e restar inconteste na instrução processual, ao passo que a autoridade fiscal insiste equivocadamente em presumilo para aplicação da sanção de 150%. Reportase a excertos da decisão recorrida e ressalta que não houve utilização de qualquer empresa fictícia, falsificação ou adulteração de livros, guias ou documentos exigidos pela legislação tributária, nem qualquer inserção de elementos falsos ou utilização dolosa de documentos, estando sua escrituração integralmente regular. Ademais, a Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 14 13 amortização do ágio é admitida na legislação tributária e as deduções foram declaradas em DIPJ, porque a contribuinte fez o que entendia correto. Entende indispensável a análise integral da operação, e assim não teria procedido a autoridade julgadora de 1a instância, por deixar de analisar a necessidade e os propósitos da reestruturação societária. Reitera que os argumentos da acusação não estão presentes na legislação, mas sim em princípios contábeis, e invoca julgados administrativos contrário à caracterização de fraude por mero erro de interpretação da lei, ou nos casos em que a operação já tenha sido aprovada pelo próprio CARF. Cita outros julgados administrativos frente situações de ágio interno, nos quais foi aplicada multa de 75%, confirmando o CARF que, na pior das hipóteses, haveria abuso de direito, caso em que não seria aplicável a multa agravada. Finaliza opondose à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, defendendo a possibilidade de discussão desta matéria no contencioso administrativo, e discordando da fundamentação no art. 61 da Lei nº 9.430/96, na forma de ementas de julgados deste Conselho, que transcreve. Em contrarrazões ao recurso de ofício, a pessoa jurídica autuada reitera os argumentos apresentados em impugnação acerca da existência de juros pagos em razão de contratos de mútuo firmados com seus antigos acionistas, bem como de contratos de usufruto firmado entre Magius Participações e seus acionistas, autorizando o pagamento a estes dos juros sobre o capital próprio, mas desconsiderados pela Fiscalização, apesar de apresentar efeito nulo caso o pagamento dos juros fosse feito à Magius Participações para transferência a seus sócios. Os responsáveis tributários forma cientificados da decisão de primeira instância em 26/08/2013 (fl. 1999) e 27/08/2013 (fl. 2000), e interpuseram recurso voluntário conjunto, tempestivamente, em 25/09/2013 (fls. 2002/2085). Transcrevendo a acusação fiscal, asseveram que não foram indicados com precisão os fatos que ensejariam a atribuição de responsabilidade solidária aos Recorrentes, ofendendo o contraditório e a ampla defesa. Entende, assim, que a ausência de fundamentação da sujeição passiva solidária e da produção de provas que comprovem as alegações da autoridade fiscal, implicam na inaplicabilidade do instituto da responsabilidade solidária. Quanto à imputação com base no art. 124, I do CTN, aduzem que o critério “interesse comum”, utilizado pela DRJ, além de subjetivo, não restou comprovado, muito menos tinha característica fraudulenta. Houve presunção de fraude, não foi especificado o que se entende por interesse comum, e nos termos da doutrina e jurisprudência que transcrevem, não se caracterizou o interesse comum, ainda que possa caracterizarse o interesse econômico. Afirma que não eram sujeitos da relação jurídica, tampouco possuíam o interesse jurídico decorrente dos atos praticados, e a autoridade julgadora de 1a instância não identificou qual o interesse verificado. Com referência à responsabilidade fundamentada no art. 135 do CTN, afirmam que atuaram em consonância com a legislação de regência para a concretização de cada ato societário, e demais disso a responsabilidade prevista naquele dispositivo é pessoal, excluindose a responsabilidade do contribuinte, no caso, a Magius Metalúrgica Industrial S/A, consoante excertos doutrinários que transcreve. Assim, a Fiscalização deveria ter lavrado Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 15 14 auto de infração exclusivamente contra a pessoa física e demonstrado os atos praticados com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou estatuto e que teriam culminado na autuação em tratativa. Contudo, a autoridade fiscal assim não procedeu, bem como não demonstrou o suposto abuso de poderes que teria gerado o crédito tributário. Acrescentam que a prática de atos fundamentada em interpretação da legislação divergente dos entendimentos das autoridades fazendárias não há de ser motivo justo e aceitável para a atribuição de culpa exclusiva dos Diretores por infração à lei, especialmente quando não há veto legal à dedução do ágio da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Asseveram que as operações foram transparentes e públicas, sendo improcedente a indicação de que, sob as orientações de seus diretores, a Magius Metalúrgica operou com o intuito de omitir e ludibriar a fiscalização. A legislação não veda a prática implementada e a Fiscalização não comprovou a intenção da pessoa jurídica e de seus diretores de fraudar, ao passo que não houve utilização de qualquer empresa fictícia, falsificação ou adulteração de livros, guias ou documentos exigidos pela legislação tributária, nem qualquer inserção de elementos falsos ou utilização dolosa de documentos. Na medida em que as operações realizadas pela pessoa jurídica foram regidas pela interpretação das normas legais, o art. 135, III do CTN foi utilizado inadequadamente e equivocadamente para fundamentar a responsabilização dos recorrentes. De toda sorte, os responsáveis reproduzem os argumentos deduzidos no recurso voluntário da pessoa jurídica para afirmar a insubsistência do acórdão recorrido, caso não seja acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva dos recorrentes. Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 16 15 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Em preliminar a recorrente afirma nula a decisão recorrida em razão de inovação quanto à apuração dos JCP, pois, embora a documentação da Recorrente já tivesse sido devidamente analisada na fiscalização, e os JCP calculados e validados, o acórdão recorrido, ao considerar que os Juros sobre Capital Próprio foram calculados sobre parcela do ágio (julgada fictícia pela DRJ) registrado no patrimônio líquido. Observase no Termo de Verificação Fiscal que, frente às planilhas de fls. 218/221 apresentadas pela contribuinte expondo as taxas de juros de longo prazo e a composição do patrimônio líquido em cada período de apuração, bem como os juros sobre o capital próprio mensalmente calculados, as retenções devidas e a distribuição entre sócios dos valores pagos, a autoridade lançadora centrou sua análise nos beneficiários dos juros, que à época dos créditos não seriam mais acionistas da autuada, ou o seriam com participação inferior àquela adotada para distribuição dos juros. Em conseqüência, o recálculo dos juros admitidos pela Fiscalização limitouse a reduzir os percentuais de participação de cada beneficiário, e determinar as parcelas que poderiam ter sido pagas a título de juros sobre o capital próprio: R$ 107,48 no 4o trimestre/2007; R$ 447,84 no anocalendário 2008 e R$ 489,68 no anocalendário 2009. Além disso, apesar de os demonstrativos da contribuinte indicarem que somente foram calculados juros sobre capital próprio no valor bruto total de R$ 2.239.155,46, no anocalendário 2008, e de R$ 2.081.107,18 no anocalendário 2009, a autoridade fiscal identificou o pagamento de outras parcelas de juros escrituradas na conta 3.5.2.02.00006. No anocalendário 2008 aquela parcela foi somada ao valor reconhecido pela contribuinte para submeter a despesa total de R$ 5.314.663,82 ao limite de dedutibilidade antes calculado. No anocalendário 2009, somente os valores escriturados na conta 3.5.02.0006, no total de R$ 2.724.789,34, foram identificados como despesa sujeita ao mencionado limite. No ano calendário 2007 apenas os juros sobre capital próprio informados pela contribuinte para o 4o trimestre foram confrontados com tal limite. O quadro produzido pela autoridade julgadora de 1a instância bem sintetiza as constatações fiscais: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO – LANÇAMENTO FISCAL (R$) Despesa contabilizada Período Apuração Juros s/Vrs.a Distrib.Sócios Juros s/Capital Social Soma JCP Adilton e Adalberto Boff Cardoso (0,02%) Excesso JCP AnoCal.2007: . 1º trimestre 0,00 558.853,15 558.853,15 Período decaído . 2º trimestre 0,00 537.358,80 537.358,80 Período decaído . 3º trimestre 0,00 524.721,07 524.721,07 Período decaído . 4º trimestre 0,00 537.358,80 537.358,80 107,48 537.251,32 Subtotal 0,00 2.158.291,82 2.158.291,82 107,48 537.251,32 Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 17 16 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO – LANÇAMENTO FISCAL (R$) Despesa contabilizada Período Apuração Juros s/Vrs.a Distrib.Sócios Juros s/Capital Social Soma JCP Adilton e Adalberto Boff Cardoso (0,02%) Excesso JCP AnoCal.2008: . 1º trimestre 734.723,46 559.788,87 1.294.512,33 111,96 1.294.400,37 . 2º trimestre 757.089,36 559.788,87 1.316.878,23 111,96 1.316.766,27 . 3º trimestre 780.029,92 559.788,87 1.339.818,79 111,96 1.339.706,83 . 4º trimestre 803.665,60 559.788,87 1.363.454,47 111,96 1.363.342,51 Subtotal 3.075.508,34 2.239.155,48 5.314.663,82 447,84 5.314.215,98 AnoCal.2009: . 1º trimestre 651.005,89 0,00 651.005,89 124,92 650.880,97 . 2º trimestre 670.732,02 0,00 670.732,02 124,92 670.607,10 . 3º trimestre 691.055,87 0,00 691.055,87 119,92 690.935,95 . 4º trimestre 711.995,56 0,00 711.995,56 119,92 711.875,64 Subtotal 2.724.789,34 0,00 2.724.789,34 489,68 2.724.299,66 A autoridade lançadora glosou os valores indevidamente deduzidos ressaltando que a maior acionista, Magius Participações Ltda, que possui 99,98% das ações, não foi beneficiária dos valores, sendo diretamente distribuídos às pessoas físicas, que são quotistas da empresa Magius Participações, não sendo diretamente acionista da Magius Metalúrgica S/A. Quanto aos valores escriturados na conta 3.5.2.02.0006, indicou que ela seria denominada “Juros s/ Vlrs a Distribuir a Sócios” e que os lançamentos de despesas teriam por contrapartida a conta 2.2.2.02.0001 (Lucros a Distribuir aos Sócios até Dez/2004), título este que, à primeira vista, induz que os lucros fariam referência ao ano de 2004, entretanto os históricos dos lançamentos fazem menção ao trimestre do lançamento, bem como informam o beneficiário. Em impugnação, a contribuinte alegou a existência de contrato de usufruto autorizando o pagamento dos juros sobre capital próprio aos quotistas de Magius Participações, bem como que os valores escriturados na conta 3.5.2.02.0006 não seriam juros sobre o capital próprio, mas sim juros pagos em razão de contratos de mútuo. A autoridade julgadora de 1a instância exonerou parcialmente a exigência, submetendo tal decisão a reexame necessário, com base nos seguintes argumentos, inicialmente com referência a alegação de que parte dos juros decorreriam de contratos de mútuo: 122. No presente caso, a autoridade fiscal também considerou como sendo encargo de JCP os juros pagos em decorrência dos contratos de mútuo firmados pela Magius Metalúrgica Industrial, em 31/12/2004, com os antigos sócios pessoas físicas (fls. 16641681), a seguir relacionados, em cuja cláusula 1.2 consta que o valor mutuado referese ao montante total dos lucros acumulados até 2004 que não foram à época distribuídos pela interessada (mutuária) aos antigos sócios (mutuantes): Instrumento Particular de Contrato de Mútuo Mutuante Data Valor (R$) Juros Prazo Adilton Boff Cardoso 31/12/2004 3.717.554,86 1,9% a.m. 24 meses Aldo Boff Cardoso 31/12/2004 2.787.817,67 1,9% a.m. 24 meses Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 18 17 Instrumento Particular de Contrato de Mútuo Mutuante Data Valor (R$) Juros Prazo Adalberto Boff Cardoso 31/12/2004 3.717.554,86 1,9% a.m. 24 meses Márcia de Souza Cardoso 31/12/2004 928.343,28 1,9% a.m. 24 meses Marlene de Souza Cardoso 31/12/2004 1.859.474,38 1,9% a.m. 24 meses Tânia Mara de Souza Cardoso 31/12/2004 928.343,28 1,9% a.m. 24 meses Total 13.939.088,33 123. É certo que em 31/12/2004 essas pessoas físicas, com exceção da participação de 0,02% do capital social pertencente a Adilton Boff Cardoso e Adalberto Boff Cardoso, não eram mais sócios da interessada, pois entregaram as ações da Magius Metalúrgica Industrial, em 22/12/2004, para integralização do capital social da Magius Participações Ltda. 124. É também certo que os contratos firmados pelos contribuintes necessitam de certas formalidades para que tenham eficácia perante terceiros, sendo uma dessas exigências o registro público, conforme determina o artigo 127, I, da Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, e o artigo 221 do Código Civil, a seguir transcritos: “Art. 127. No Registro de Títulos e Documentos será feita a transcrição: I – dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor. (...)” “Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (Grifouse) 125. Contudo, a efetividade das operações de mútuo é irrelevante para solução do litígio em face de não constituir matéria objeto de autuação nos presente autos. Além do mais, mesmo a falta de registro público, como no presente caso, não é, por si só, apto a descaracterizar as operações previstas nos referidos contratos de mútuo, já que elas poderiam ser comprovadas pela demonstração, com documentação hábil e idônea, do efetivo cumprimento do objeto contratual, mediante demonstração inequívoca de que foi executado nos moldes convencionados. 126. Considerando que os juros sobre o capital próprio são calculados sobre o valor do patrimônio líquido, cabe reconstituir a movimentação registrada nesse grupo de contas entre os anoscalendário de 2004 a 2009 – conforme constam das demonstrações financeiras (fls. 17081833) e da planilha Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (fls. 1772, 1781, 1791 e 784) – para verificar se os valores mutuados estão computados ou não na base de cálculo desses juros: Movimentação nas Contas do Patrimônio Líquido (R$) Discriminação Saldo Anterior Lucro Líquido e Val.Patr.Incorp. Transf.entre Contas do PL Lucros Distribuídos Saldo Atual AnoCal.2004: . Capital Social 5.800.000,00 0,00 0,00 0,00 5.800.000,00 . Lucro L.Exerc. 1.963.250,66 11.710.809,58 0,00 13.674.060,24 0,00 . Lucros Acum. 1.328.961,27 0,00 0,00 1.328.961,27 0,00 Total PL 9.092.211,93 11.710.809,58 0,00 15.003.021,51 5.800.000,00 AnoCal.2005: . Capital Social 5.800.000,00 25.520.002,00 0,00 0,00 31.320.002,00 . Res.de Capital 0,00 0,00 117.335,81 0,00 117.335,81 Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 19 18 Movimentação nas Contas do Patrimônio Líquido (R$) Discriminação Saldo Anterior Lucro Líquido e Val.Patr.Incorp. Transf.entre Contas do PL Lucros Distribuídos Saldo Atual . Lucro L.Exerc. 0,00 2.248.630,40 1.858.630,40 390.000,00 0,00 . Lucros Acum. 0,00 0,00 1.741.294,59 0,00 1.741.294,59 Total PL 5.800.000,00 27.768.632,40 0,00 390.000,00 33.178.632,40 AnoCal.2006: . Capital Social 31.320.002,00 0,00 0,00 0,00 31.320.002,00 . Res.de Capital 117.335,81 0,00 0,00 0,00 117.335,81 . Lucro L.Exerc. 0,00 1.212.330,98 0,00 0,00 1.212.330,98 . Lucros Acum. 1.741.294,59 0,00 0,00 0,00 1.741.294,59 Total PL 33.178.632,40 1.212.330,98 0,00 0,00 34.390.963,38 AnoCal.2007: . Capital Social 31.320.002,00 0,00 0,00 0,00 31.320.002,00 . Res.de Capital 117.335,81 0,00 0,00 0,00 117.335,81 . Lucro L.Exerc. 1.212.330,98 1.435.719,04 1.212.330,98 0,00 1.435.719,04 . Lucros Acum. 1.741.294,59 0,00 1.212.330,98 0,00 2.953.625,57 Total PL 34.390.963,38 1.435.719,04 0,00 0,00 35.826.682,42 AnoCal.2008: . Capital Social 31.320.002,00 0,00 0,00 0,00 31.320.002,00 . Res.de Capital 117.335,81 0,00 385.258,82 0,00 502.594,63 . Res.de Lucros 0,00 0,00 9.061.212,20 0,00 9.061.212,20 . Lucro L.Exerc. 1.435.719,04 5.057.126,41 6.492.845,45 0,00 0,00 . Lucros Acum. 2.953.625,57 0,00 2.953.625,57 0,00 0,00 Total PL 35.826.682,42 5.057.126,41 0,00 0,00 40.883.808,83 AnoCal.2009: . Capital Social 31.320.002,00 0,00 0,00 0,00 31.320.002,00 . Res.de Capital 502.594,63 0,00 0,00 0,00 502.594,63 . Res.de Lucros 9.061.212,20 0,00 0,00 0,00 9.061.212,20 . Prej.Per.Apur. 0,00 1.359.611,99 1.359.611,99 0,00 0,00 . Prej.Acum. 0,00 0,00 1.359.611,99 0,00 1.359.611,99 Total PL 40.883.808,83 1.359.611,99 0,00 0,00 39.524.196,84 127. Verificase, portanto, que a interessada apurou um lucro líquido de R$ 11.710.809,58 em 31/12/2004 (fls. 17961803), que somado ao lucro líquido de R$ 1.963.250,66 do anocalendário de 2003 (fl. 1795) e ao saldo de R$ 1.328.961,27 da conta Lucros Acumulados (fl. 1795) perfez o montante de R$ 15.003.021,51. Desse montante foram deduzidos os lucros distribuídos no ano calendário de 2004, no valor total de R$ 793.350,34, tendo o saldo de R$ 14.209.671,17 sido transferido para a conta de passivo nº 2.2.1.5.00001 – Provisão p/Distribuição de Lucros (fl. 1793) em 30/11/2004 e 31/12/2004. 128. Para solução da lide importa que o montante de R$ 15.003.021,51 dos lucros acumulados até 31/12/2002 e lucros líquidos dos anoscalendário de 2003 e 2004 não está compondo o valor do patrimônio líquido da fiscalizada desde 01/01/2005, ou seja, não foi computado na base de cálculo dos juros sobre o capital próprio dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 20 19 129. Dessa forma, os encargos contabilizados na conta nºs 3.5.2.0006Juros s/Vlrs. A Distribuir a Sócios (fls. 767 e 772) devem ser desconsiderados na apuração do excesso de juros sobre o capital próprio. Notese que a Turma Julgadora previamente requereu diligência à autoridade lançadora, que prestou a informação fiscal de fls. 1694/1699 esclarecendo que não houve distribuição de lucros a partir do anocalendário 2005, bem como o registro de mútuo ou empréstimo nos livros contábeis, mas apenas de contas representativas de lucros a distribuir até dezembro/2004 e de juros sobre valores a distribuir a sócios. Observou, contudo, que as contas de disponibilidades não apresentavam saldo para distribuição dos valores que teriam sido mutuados (R$ 13.939.088,33), e ressalvou que o mútuo pressupõe a entrega da coisa emprestada. Em atendimento ao requerido, a autoridade fiscal relacionou os registros, em 2004, de lucros acumulados pagos aos sócios, juntou cópias do Livro Razão e Balancetes de Verificação, destacou que a conta representativa de empréstimos a sócios foi zerada em 31/12/2004 e que a conta “Provisão p/ Distribuição de Lucros” apresentava saldo de R$ 14.141.960,71 em 31/12/2004. Afirmou, ainda, ser incabível o recálculo do patrimônio líquido para fins de determinação dos juros sobre o capital próprio e destacou que o instrumento de mútuo somente foi autenticado em 19/12/2012, tinha vigência até 31/12/2006, e apresentava endereço de um dos sócios divergente do apontado em outros documentos formalizados em 2004 e 2005, indício de que o contrato de mútuo poderia ter sido formalizado posteriormente. Finalizou reproduzindo o art. 123 do CTN, o art. 221 do Código Civil e o art. 370 do Código de Processo Civil para enfatizar a inoponibilidade do contrato de mútuo ao Fisco. Apesar disso, não há reparos à conclusão da autoridade julgadora, na medida em que a contribuinte havia informado à Fiscalização os valores pagos a título de juros sobre o capital próprio, e a agregação àquele montante de outros valores contabilizados a título de juros foi motivada apenas pelo título contábil das contas identificadas, e do histórico indicativo de pagamento a sócios, sem se perquirir, oportunamente, da motivação dos correspondentes registros contábeis. Em conseqüência, a glosa foi promovida por inobservância do limite legal para dedução de juros sobre o capital próprio, e não por falta de comprovação de despesas de juros. Assim, uma vez demonstrado que os juros não possuem aquela natureza, a exigência correspondente deve ser cancelada. Prosseguindo, a autoridade julgadora assim se manifestou acerca dos juros que teriam sido creditados em atenção a Instrumento Particular de Usufruto de Ações: 130. Também cabe razão à impugnante em relação aos juros sobre o capital próprio contabilizados na conta nº 3.5.2.02.0007Juros s/Capital Social (fls. 764 e 768), relativos a pagamentos de juros efetuados aos sócios pessoas físicas da Magius Participações com amparo no Instrumento Particular de Usufruto das ações da impugnante (fls. 16831688). 131. Referido Instrumento Particular de Usufruto foi firmado, em 10/06/2005, entre a Magius Participações Ltda. (PARTICIPAÇÕES) e seus sócios Adilton Boff Cardoso, Adalberto Boff Cardoso, Aldo Boff Cardoso, Marlene de Souza Cardoso, Tânia Mara de Souza Cardoso e Márcia de Souza Cardoso (USUFRUTUÁRIOS) com as seguintes condições: “DO OBJETO DO INSTRUMENTO Cláusula 1ª. A PARTICIPAÇÕES cede, neste ato, aos USUFRUTUÁRIOS de forma onerosa, o usufruto da totalidade das AÇÕES de que é titular, juntamente e proporcionalmente, cede o direito à posse, uso, administração e percepção dos frutos decorrentes das mesmas. Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 21 20 (...) DO DIREITO DE VOTO NAS ASSEMBLEIAS GERAIS Cláusula 3ª. As partes acordam que o direito de voto nas assembleias gerais da MAGIUS será exercido, exclusivamente, pela PARTICIPAÇÕES. DO DIREITO AOS FRUTOS Cláusula 4ª. Caberá aos USUFRUTUÁRIOS o recebimento dos dividendos distribuídos conforme determinado em balanço levantado e/ou juros sobre o capital próprio, calculados nos termos da lei. DA VIGÊNCIA Cláusula 5ª. O prazo de vigência deste Instrumento é de 15 (quinze) anos, iniciandose em 10/06/2005 e terminando em 09/06/2020, sendo que sua eventual renovação, prorrogação ou alteração de condições, tanto por parte da PARTICIPAÇÕES, como dos USUFRUTUÁRIOS, dependerá de termo ativo expresso assinado pelas partes, bem como averbação no Livro de Registro de Ações Normativas da MAGIUS. (...)” (Grifouse) 132. O usufruto, é instituto de direito civil que constitui direito real que tem por efeito dividir as faculdades inerentes ao direito de propriedade (usar, gozar e dispor da coisa) entre o proprietário do bem (denominado nuproprietário) e o usufrutuário, a quem são atribuídos os direitos de posse, uso, administração e percepção dos frutos (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil –, arts. 1225, inciso IV, 1.228 e 1.390 a 1.411). A constituição do usufruto conduz à alteração do beneficiário do rendimento produzido pela coisa, que deixa de ser do proprietário e passa a ser do usufrutuário. 133. A possibilidade de instituição do usufruto sobre ações encontrase prevista nos seguintes dispositivos da Lei nº 6.404, de 1976, in verbis: “Art. 40. O usufruto, o fideicomisso, a alienação fiduciária em garantia e quaisquer cláusulas ou ônus que gravarem a ação deverão ser averbados: I se nominativa, no livro de ‘Registro de Ações Nominativas’; II se escritural, nos livros da instituição financeira, que os anotará no extrato da conta de depósito fornecida ao acionista. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) Parágrafo único. Mediante averbação nos termos deste artigo, a promessa de venda da ação e o direito de preferência à sua aquisição são oponíveis a terceiros. (...) Art. 100. A companhia deve ter, além dos livros obrigatórios para qualquer comerciante, os seguintes, revestidos das mesmas formalidades legais: I o livro de Registro de Ações Nominativas, para inscrição, anotação ou averbação: (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) a) do nome do acionista e do número das suas ações; b) das entradas ou prestações de capital realizado; a) das conversões de ações, de uma em outra espécie ou classe; (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) b) do resgate, reembolso e amortização das ações, ou de sua aquisição pela companhia; c) das mutações operadas pela alienação ou transferência de ações; d) do penhor, usufruto, fideicomisso, da alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. (...) Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 22 21 Art. 114. O direito de voto da ação gravada com usufruto, se não for regulado no ato de constituição do gravame, somente poderá ser exercido mediante prévio acordo entre o proprietário e o usufrutuário. (...) Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. § 1º. Na companhia com ações sem valor nominal, a capitalização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem modificação do número de ações. § 2º. Às ações distribuídas de acordo com este artigo se estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a inalienabilidade e a incomunicabilidade que porventura gravarem as ações de que elas forem derivadas. § 3º. As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindose o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não inferior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão transferir as frações de ação. (...) Art. 171. Na proporção do número de ações que possuírem, os acionistas terão preferência para a subscrição do aumento de capital. §§ 1º a 4º. (...) § 5º. No usufruto e no fideicomisso, o direito de preferência, quando não exercido pelo acionista até 10 (dez) dias antes do vencimento do prazo, poderá sêlo pelo usufrutuário ou fideicomissário. §§ 6º a 8º. (...) (...) Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. §§ 1º a 3º. (...) (...)” (Grifouse) 134. Portanto, a possibilidade da instituição de usufruto sobre ações decorre das expressa disposição da Lei nº 6.404, de 1976, cujo artigo 205 determina que a pessoa inscrita como usufrutuária tem direito ao recebimento dos dividendos. Note se que não poderia a legislação societária fazer referência aos juros sobre o capital próprio em face de tratase de dedução na apuração do resultado tributável a ser disciplinada apenas pela legislação tributária. 135. Apesar de constituir despesa financeira, a correlação entre os juros sobre o capital próprio e os dividendos fica clara quando § 7º do artigo 9º da Lei nº 9.249, de 1995, dispõe que o valor daqueles pode ser imputado ao valor dos dividendos obrigatórios de que trata o artigo 202 da Lei nº 6.404, de 1976 (metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido das importâncias destinadas à constituição da reserva legal e à formação da reserva de contingência). 136. Assim, não cabe qualquer interpretação restritiva das disposições do artigo 9º da Lei nº 9.249, de 1995, para sustentar que apenas o acionista – e não o usufrutuário – poderia ser o beneficiário dos juros a título de remuneração do capital próprio, porquanto no usufruto a propriedade da ação permanece com o nu proprietário, mas o gozo dos seus frutos – juros e dividendos – é atribuído ao usufrutuário. Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 23 22 137. Dessa forma, entendo que deve ser admitida a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio pagos/creditados ao amparo do Instrumento Particular de Usufruto firmado em 10/06/2005. Destaquese que a autoridade lançadora, em informação fiscal prestada em razão da diligência requerida pela autoridade julgadora de 1a instância, observou que o instrumento de usufruto, apesar de ter vigência até 09/06/2020, não fora registrado quando de sua constituição, dele constando apenas autenticação em 19/12/2012. Ainda, citou o art. 123 do CTN e o art. 1.144 do Código Civil, e observou que a empresa Magius Participações é que teria direito a juros sobre o capital próprio, de conformidade com sua participação 99,98%, para tanto estando obrigada a registrar tal valor como receita própria e apurar o lucro, fazendo a sua destinação devida. A autoridade julgadora, porém, validamente demonstrou que o usufruto atribui, dentre outros, o direito de percepção dos frutos ao usufrutuário, assim afastando a exigência de registro e redistribuição dos juros por Magius Participações Ltda, aventada pela Fiscalização. Evidenciou, ainda, que o usufruto sobre ações é constituído mediante averbação em livros da sociedade (art. 40 da Lei nº 6.404/76), sendo certo que o art. 1.144 do Código Civil, invocado pela Fiscalização, cogita da averbação do usufruto no Registro Público de Empresas Mercantis apenas quando ele recai sobre o estabelecimento, o que não é o caso. Assim, não subsistiu motivo para a redução dos percentuais adotados para distribuição de juros sobre o capital próprio aos percentuais indicados pela contribuinte. Ocorre que ao reconstituir os cálculos da exigência, a autoridade julgadora de 1a instância promoveu reparos na composição do patrimônio líquido, nos termos a seguir transcritos: 138. Cabe correção do valor contabilizado na conta 3.5.2.02.0007Juros s/Capital Social (fls. 764 e 768), porquanto o ágio constituído sobre o patrimônio líquido da Magius Metalúrgica Industrial pela Boff Cardoso Participações é fictício, conforme já exaustivamente analisado nos tópicos anteriores do presente voto. O alegado aumento de R$ 25.520.002,00 do patrimônio líquido da interessada, recebido no acervo vertido na incorporação da Boff Cardoso Participações em 31/03/2005, não pode compor a base de cálculo dos juros sobre o capital próprio, pois apenas a parcela de R$ 1.000,00 daquele valor foi integralizada em moeda corrente nacional pelos sócios Adilton Boff Cardoso e Adalberto Boff Cardoso. 139. Logo, o valor do patrimônio líquido da Magius Metalúrgica Industrial deve ser ajustado para desconsiderar tanto o ágio de R$ 25.519.002,00 registrado na conta Capital Social, como a redução do lucro líquido desde março/2005 ocasionada pela contabilização do encargo mensal (1/60) de R$ 425.333,37 com sua amortização: AJUSTE NO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (R$) Estorno Desp.Amort.Ágio Discriminação Saldo Contábil do Patrimônio Líquido Estorno Ágio Incorporado Cta.Cap.Social Encargo do Período Acum.Encargos Períodos Anter. Saldo Ajustado do Patrimônio Líquido Patrim.Líquido: . 31/12/2006 34.390.963,38 25.519.002,00 5.104.000,44 4.253.333,70 18.229.295,52 . 31/12/2007 35.826.682,42 25.519.002,00 5.104.000,44 9.357.334,14 24.769.015,00 . 31/12/2008 40.883.808,83 25.519.002,00 5.104.000,44 14.461.334,58 34.930.141,85 . 31/12/2009 39.524.196,84 25.519.002,00 5.104.000,44 19.565.335,02 38.674.530,30 Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 24 23 140. Dessa forma, é de se manter a exigência de excesso de juros sobre o capital de R$ 252.544,29 no 4º trimestre/2007 e R$ 172.797,78 em cada um dos trimestres do anocalendário de 2008: Juros Sobre o Capital Próprio Devido Período Apuração PL 31/dez ano anterior TJLP pro rata trimestre JCP Devido JCP Pago ou creditado Excesso JCP AnoCal.2007: . 1º trimestre 18.229.295,52 1,6251% 296.244,28 558.853,15 Período decaído . 2º trimestre 18.229.295,52 1,6251% 296.244,28 537.358,80 Período decaído . 3º trimestre 18.229.295,52 1,5624% 284.814,51 524.721,07 Período decaído . 4º trimestre 18.229.295,52 1,5624% 284.814,51 537.358,80 252.544,29 Subtotal 1.162.117,58 2.158.291,82 252.544,29 AnoCal.2008: . 1º trimestre 24.769.015,00 1,5624% 386.991,09 559.788,87 172.797,78 . 2º trimestre 24.769.015,00 1,5624% 386.991,09 559.788,87 172.797,78 . 3º trimestre 24.769.015,00 1,5624% 386.991,09 559.788,87 172.797,78 . 4º trimestre 24.769.015,00 1,5624% 386.991,09 559.788,87 172.797,78 Subtotal 1.547.964,36 2.239.155,48 691.191,12 AnoCal.2009: . 1º trimestre 34.930.141,85 1,5624% 545.748,54 0,00 0,00 . 2º trimestre 34.930.141,85 1,5624% 545.748,54 0,00 0,00 . 3º trimestre 34.930.141,85 1,5000% 523.952,13 0,00 0,00 . 4º trimestre 34.930.141,85 1,5000% 523.952,13 0,00 0,00 Subtotal 2.139.401,34 0,00 0,00 141. Observese que tais valores não excederam o limite corresponde ao maior valor entre: (i) 50% do lucro líquido do período de apuração antes da dedução da provisão para o imposto de renda e dos referidos juros (limite de R$ 2.050.952,75, R$ 4.397.142,89 e R$ 0,00 nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009); (ii) 50% da soma dos saldos das contas de lucros acumulados e de reserva de lucros de períodos anteriores (limite de R$ 870.647,30, R$ 1.476.812,79 e R$ 4.530.606,10). Contudo, como demonstrado no início deste voto, a autoridade lançadora não havia questionado a composição do patrimônio líquido, e promoveu as glosas apenas em razão dos beneficiários aos quais foram atribuídos os juros sobre o capital próprio, bem como por submeter ao limite legal outros juros pagos aos sócios, identificados na escrituração da contribuinte. Os demonstrativos de fls. 218/221, apresentados à Fiscalização, indicavam a composição do patrimônio líquido sobre o qual fora aplicada a taxa de juros de longo prazo para determinação dos juros sobre o capital próprio, e o capital social ali indicado apresentava os valores que a autoridade julgadora entendeu majorados em razão da reorganização societária promovida pela contribuinte. Assim, mesmo sem discutir a pertinência das operações que resultaram em tal majoração, resta evidente que a autoridade lançadora não apontou esta irregularidade nos cálculos da contribuinte, de modo que a glosa de juros sobre capital próprio a este título deveria ser formalizada em novo lançamento, ou lançamento complementar nestes mesmos autos, a teor do que dispõe o art. 18, §3o do Decreto nº 70.235/72, invocado pela recorrente. Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 25 24 Porém, a inovação assim promovida em sede de julgamento não enseja a nulidade da decisão recorrida, dado que não acarreta o cerceamento ao direito de defesa que demanda a edição de nova decisão dentro dos limites fixados pelo lançamento. A autoridade julgadora entendeu que deveria promover a redução da exigência até o limite que a legislação autoriza, e apresentou as justificativas para tanto. A inconformidade do sujeito passivo com estes cálculos foi validamente manifestada a este Colegiado ao qual incumbe, pelas razões antes expostas, reduzir a exigência segundo os contornos previamente delimitados no lançamento, como demonstrado no Termo de Verificação Fiscal: ANO ACIONISTAS REFERÊNCIA PARTICIPAÇÃO VALOR 2007 4º TRIM ADILTON BOFF CARDOSO 537.358,80 0,01% 53,74 2007 4º TRIM ADALBERTO BOFF CARDOSO 537.358,80 0,01% 53,74 2007 4º TRIM MARLENE DE SOUZA CARDOSO 537.358,80 0,00% 2007 4º TRIM MARCIA DE SOUZA CARDOSO 537.358,80 0,00% SOMA 107,47 2008 ADILTON BOFF CARDOSO 2.239.155,46 0,01% 223,92 2008 ADALBERTO BOFF CARDOSO 2.239.155,46 0,01% 223,92 2008 MARLENE DE SOUZA CARDOSO 2.239.155,46 0,00% 2008 MARCIA DE SOUZA CARDOSO 2.239.155,46 0,00% SOMA 447,83 2009 ADILTON BOFF CARDOSO 2.448.361,38 0,01% 244,84 2009 ADALBERTO BOFF CARDOSO 2.448.361,38 0,01% 244,84 2009 MARLENE DE SOUZA CARDOSO 2.448.361,38 0,00% 2009 MARCIA DE SOUZA CARDOSO 2.448.361,38 0,00% SOMA 489,67 Desta forma, tendo por referência os juros sobre o capital próprio apurados pela contribuinte a partir do Patrimônio Líquido demonstrado às fls. 218/221, a autoridade fiscal apenas reduziu o percentual de participação de cada sócio. Considerando o contrato social da Magius Participações Ltda e sua alteração às fls. 258/268, Adilton Boff Cardoso e Adalbaerto Boff Cardoso detinham, cada um, 1.933.333 quotas de Magius Participações Ltda, ao passo que Marlene de Souza Cardoso e Márcia de Souza Cardoso, cada uma, possuíam 483.333 quotas, do total de 5.799.998, ao final de 2005, de modo que as participações dos dois primeiros representavam 33,33% do total e das duas últimas 8,33% do total. Não há outras alterações contratuais nos autos, mas as DIPJ de Magius Participações Ltda juntadas às fls. 673/698, 699/727 e 725/757, indicam que de 2007 a 2009 Tânia Mara de Souza Cardoso não mais integrava o quadro social, os dois primeiros sócios detinham, cada um, 36,36% de seu capital social, a terceira sócia 18,18% e a última 9,10%, percentuais estes que, considerando a participação de 99,98% de Magius Participações Ltda no capital da autuada, resultam nos percentuais adotados nas planilhas de cálculo da contribuinte para distribuição das parcelas de juros sobre capital próprio, tomadas pela Fiscalização como referência para seus cálculos. Assim, considerando os efeitos do contrato de usufruto de ações, não subsistem evidências de irregularidade nos percentuais declarados, motivo pelo qual o quadro de apuração elaborado pela Fiscalização deve ser assim reconstituído: Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 26 25 ANO ACIONISTAS REFERÊNCIA PARTICIP. VALOR 2007 4º TRIM ADILTON BOFF CARDOSO 537.358,80 36,36% 195.383,66 2007 4º TRIM ADALBERTO BOFF CARDOSO 537.358,80 36,36% 195.383,66 2007 4º TRIM MARLENE DE SOUZA CARDOSO 537.358,80 18,19% 97.745,57 2007 4º TRIM MARCIA DE SOUZA CARDOSO 537.358,80 9,09% 48.845,91 SOMA 537.358,80 2008 ADILTON BOFF CARDOSO 2.239.155,46 36,36% 814.156,93 2008 ADALBERTO BOFF CARDOSO 2.239.155,46 36,36% 814.156,93 2008 MARLENE DE SOUZA CARDOSO 2.239.155,46 18,19% 407.302,38 2008 MARCIA DE SOUZA CARDOSO 2.239.155,46 9,09% 203.539,23 SOMA 2.239.155,46 2009 ADILTON BOFF CARDOSO 2.448.361,38 36,36% 890.224,20 2009 ADALBERTO BOFF CARDOSO 2.448.361,38 36,36% 890.224,20 2009 MARLENE DE SOUZA CARDOSO 2.448.361,38 18,19% 445.356,94 2009 MARCIA DE SOUZA CARDOSO 2.448.361,38 9,09% 222.556,05 SOMA 2.448.361,38 Considerando que os valores recalculados no 4o trimestre/2007 e no ano calendário 2008 são equivalentes aos valores contabilizados pela contribuinte, e que no ano calendário 2009 não houve pagamento de juros sobre o capital próprio, não subsistem, neste contexto, despesas passíveis de glosa. Frisese, ainda, que erros de cálculo no lançamento não ensejam sua nulidade se a inexatidão material pode ser corrigida mediante retificação na forma do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, como no presente caso. Assim não fosse e os julgamentos administrativos jamais poderiam resultar em procedência parcial da exigência. Desta forma, as irregularidades aqui identificadas ensejam apenas a exoneração do crédito tributário correspondente, e não inquinam de nulidade todo o lançamento tributário, como pretende a recorrente, mormente tendo em conta a outra infração erigida de forma autônoma pela autoridade fiscal. Por todo o exposto, apesar de REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida e do lançamento, o presente voto é no sentido, relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, para afastar integralmente os valores exigidos. A infração seguinte corresponde à glosa dos valores correspondentes a amortização de ágio nos anoscalendário de 2007 a 2009, por se tratar de ágio constituído sem fundamento econômico, realizado no mesmo grupo empresarial, composto pelos mesmos sócios/acionistas. Em síntese, sem a intervenção de terceiros, mediante operações realizadas no interregno de 100 (cem) dias, surgiu no patrimônio da autuada parcela classificada como ágio, que veio a reduzir seu lucro tributável nos períodos fiscalizados. A recorrente defende que seria legítima a operação, porque destinada a fortalecer a estrutura do Grupo Econômico e, especialmente, atrair novos parceiros para obter numerário e possibilitar crescimento sustentável da Empresa, muito embora no curso do ano de 2005, o Grupo Econômico tenha constatado que os objetivos pretendidos com a criação da BOFF PARTICIPAÇÕES não foram alcançados, já que NÃO houve a entrada de novos Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 27 26 parceiros comerciais, bem como não houve a obtenção de novos recursos financeiros junto ao mercado, sendo aprovada a incorporação de Boff Cardoso Participações pela autuada, para fortalecer, ainda mais, a estrutura operacional da Empresa. Destacando que no protocolo e justificação de incorporação consignouse que a operação tem como justificativa, a redução dos custos e incentivo da geração de caixa futuro da INCORPORADA, a contribuinte acredita ser seu direito reconhecer contabilmente lucros ainda não auferidos, majorando artificialmente seu patrimônio para construir uma realidade que somente se verificaria dali a cinco ou mais anos, desde que efetivadas as premissas expostas em laudo elaborado por consultoria contratada. Não tem razão a recorrente em seus argumentos. O art. 7o da Lei nº 9.532/97 é expresso quanto à possibilidade de redução do lucro tributável por amortização de ágio, apenas, quando uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, como abaixo transcrito: Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei 9.718, de 27/11/98) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 28 27 § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Decretolei nº 1.598, de 30 de dezembro de 1977 Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio líquido aplicamse às sociedades que, de acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada. Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 29 28 [...] Art. 23. ............................................................ [...] § 5º Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização de ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País. (negrejouse) Os dispositivos transcritos somente se referem ao ágio formado na aquisição de investimentos e, ainda, o art. 7o da Lei nº 9.532/97 frisa que deve ser ele apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, o qual, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. E somente há aquisição quando há intervenção de terceiro e efetiva transmissão de propriedade do direito. Neste sentido, inclusive, é a interpretação veiculada no OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007: "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial supera o valor patrimonial desse investimento. E mais preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim não há do ponto de vista econômico geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para que seja passível Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 30 29 de registro. mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Os grifos constam do original). Este ato limitase a reforçar o que consta da lei desde sua edição: é necessário que haja preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, superior ao valor patrimonial desse investimento. E somente há preço e, por conseqüência, aquisição, quando a operação se realiza entre partes independentes. E, não bastasse esta evidência para sua caracterização como ato interpretativo, aplicável a qualquer tempo, cabe também destacar o que expresso em sua introdução: A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACOM, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), José Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szuster (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, recentemente instalado. Isto porque o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, elaborado pela referida FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) afirma o mesmo entendimento no âmbito doutrinário, expondo com clareza o conceito contábil de ágio nos termos a seguir transcritos: 11.7.1 — Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Vejase, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de uma empresa já existente, pode surgir esse problema. O conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e, o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta(..) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio a) GERAL Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 31 30 Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na database da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, preferencialmente na mesma data base da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATABASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, às vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A data base da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens patrimoniais.(..) 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio (...) c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta especifica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO I Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio.O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(...) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (...). 11.7.6 Ágio na Subscrição (...) Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 32 31 b) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou deságio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor papo a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não, pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreva aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa. a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor, patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma maisvalia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso, o valor pago a mais tem substância econômica bem fundamentada e deveria ser registrado como um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B." (negrejouse) Observese que não se diz, aqui, que a alienação de uma participação societária somente se dá mediante pagamento, em sentido estrito. O que se exige é uma alteração substancial no patrimônio do alienante, a qual somente se verifica se ele passar a dispor de algo que antes não possuía, condição ausente neste caso, em que a participação societária detida pela controladora da autuada, contemporaneamente constituída mediante conferência da totalidade de ações que os sócios originais nela detinham, circula e retorna ao seu patrimônio no curto espaço de tempo em que a “reestruturação societária” é promovida. O Julgador Ney Kazuo Kusakariba, no voto condutor da decisão recorrida, também expõe sólida interpretação para afirmar a prevalência dos conceitos contábeis na formação do ágio: 57. Evidente, portanto, que todas as definições conceituam o ágio como a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento, ou seja, o ágio é meramente a grandeza resultante de uma simples subtração, razão pela qual inexistente discrepância entre o conceito contábil e o conceito tributário de ágio. 58. Logo, a divergência somente poderá existir na definição de um dos outros dois fatores da subtração: o custo de aquisição do investimento (minuendo) ou o valor patrimonial do investimento (subtraendo). Não sendo possível existir controvérsia a respeito do que se entende por valor patrimonial do investimento (subtraendo), concluise que o foco da discórdia recai sobre o que se deve considerar o minuendo da subtração da qual resulta o ágio. 59. Estão sendo esposados dois entendimentos semânticos antagônicos a respeito do significado da grandeza “custo de aquisição do investimento”. Por um lado, o Fisco entende que deve prevalecer o significado que lhe atribuem a língua portuguesa e a Ciência Contábil, ou seja, o custo de aquisição no valor de R$ 5.799,998,00; por outro lado, a impugnante afirma que deveria prevalecer significado distinto, Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 33 32 supostamente instituído/autorizado pela lei tributária, com custo de aquisição no valor de R$ 31.319.000,00. 60. Calha o magistério de Hugo de Brito Machado (Em Curso de Direito Tributário, Malheiros Editores, 12ª Edição, fls. 7980): “Relevante é notar que o art. 109 do Código Tributário Nacional referese aos princípios gerais do Direito Privado e não às leis de Direito privado. Assim, os conceitos, os institutos, as formas, prevalecentes no Direito Civil, ou no Direito Comercial, em virtude de elaboração legislativa, prevalecem igualmente no Direito Tributário. Só os princípios do Direito privado é que não se aplicam para a determinação dos efeitos tributários dos institutos, conceitos e formas do Direito Civil, ou Comercial. Se determinado conceito legal de Direito Privado não for adequado aos fins do Direito Tributário, o legislador pode adaptálo. Dirá que, para os efeitos tributários, ou para os efeitos deste ou daquele tributo, tal conceito deve ser entendido desta ou daquela forma, com esta ou aquela modificação. Essa interpretação é obra do legislador e não do intérprete, pois este não pode, a qualquer pretexto, modificar a lei. Se o conceito não é legal, mas apenas doutrinário, pode o intérprete adaptálo aos fins do Direito Tributário.” (Grifouse) 61. É incontroverso que, para a Ciência Contábil, a locução “custo de aquisição do investimento” adota o conceito consignado no, já aludido, Manual de Contabilidade da FIPECAFI (item 10.3.2, a), in verbis: “a) CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição é o valor efetivamente despendido na transação por subscrição relativa a aumento de capital, ou ainda pela compra de ações de terceiros, quando a base do custo é o preço total pago. Vale lembrar que esse valor pago é reduzido dos valores recebidos a título de distribuição de lucros (dividendos), dentro do período de seis meses após a aquisição das cotas ou ações da investida.” (Grifouse) 62. No mesmo sentido são as ponderações de Jorge Vieira da Costa Júnior e Eliseu Martins, no parecer “A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade”, in verbis: “Dentro do Arcabouço Conceitual em vigor, considerando a mensuração a valores de entrada, não se admite o reconhecimento de um ativo que não seja por seu custo de aquisição. Um intangível gerado internamente, como no caso em comento, embora gere benefícios econômicos inquestionáveis para uma dada entidade, tem o seu reconhecimento contábil obstado por uma simples razão: a ausência de custo para ser confrontado com benefícios gerados e permitir, com isso, a apuração de lucros consentâneos com a realidade econômica da entidade. A Estrutura Conceitual adotada atualmente no Brasil, tanto na versão do IBRACON – Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes, acolhida pela CVM – Comissão de Valores Mobiliários em sua Deliberação nº 29/86, como na versão do CFC – Conselho Federal de Contabilidade, pela Resolução nº 750/93, adota a versão do valor de entrada e, especificamente, o custo histórico.” (Grifouse). 63. Por seu turno, a Resolução CFC nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, que promoveu atualização substantiva e adjetiva dos Princípios Fundamentais de Contabilidade, estatuiu que a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais e que a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes: “Art. 1º. Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. § 1º. A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 34 33 § 2º. Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. (...) Art. 7º. Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único. Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindose, tãosomente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos.” (Grifouse). 64. A necessidade de a essência das transações prevalecer sobre os aspectos formais, em última análise, corresponde aos seguintes preceitos do Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), in verbis: “Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé e os usos do lugar de sua celebração.” (Grifouse). 65. É incontroverso, portanto, que o conceito de custo adotado pelas normas contábeis corresponde ao valor dos ativos entregues (ou a entregar) – despendidos (ou a despender) em transação com agentes externos, resultante de precificação com eles pactuada ou por eles imposta – para a obtenção do investimento. Esse, aliás, é o significado que consta dos dicionários da língua portuguesa, como define o Dicionário Aurélio: “CUSTO (Dev. de custar.) Substantivo masculino. O que deve ser despendido (em dinheiro, tempo, esforço, etc.) para se obter algo. Econ. Preço pago pela aquisição ou produção de um bem. (...)” (Grifouse). 66. Cabe enfatizar que inexiste conceito de custo de investimento distinto e autônomo dado pela legislação tributária. Conforme consignado no já transcrito excerto da exposição de motivos do Decretolei nº 1.598, de 1977, o objetivo do legislador foi apenas adaptar a legislação tributária à lei contábil – e não o contrário. Tratandose de norma tendente a adaptar a legislação tributária à lei contábil e disciplinar relações tributárias específicas, regrando situações concretas e sem a criação de problemas de interpretação, não há no Decretolei nº 1.598, de 1977, qualquer ressalva quanto a eventual ampliação ou restrição do seu significado técnico (adotado na Lei nº 6.404, de 1976) ou linguístico usual, inclusive no mencionado inciso II do artigo 20. 67. Como a Lei nº 6.404, de 1976, ao estabelecer as regras contábeis relativas a avaliação de participações societárias relevantes reconhece a existência de um Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 35 34 “princípio geral do custo de aquisição”, conforme consta de sua exposição de motivos, já transcrito, não há como se considerar como custo de aquisição algo que não represente um sacrifício econômico, e que tenha sido simplesmente estipulado em ato unilateral de vontade dos sócios das pessoas jurídicas envolvidas. 68. O Decretolei nº 1.598, de 1977, fala explicitamente em custo de aquisição do investimento, e não em valor justo de mercado do investimento. Toda e qualquer grandeza somente poderá ser classificada de ágio, em face da legislação tributária (Decretolei nº 1.598, de 1977), se assim também puder ser classificada em face da contabilidade, em consonância com as normas veiculadas na Lei nº 6.404, de 1976. 69. O conceito de ágio é unívoco e é dado exclusivamente pela contabilidade. Logo, somente é ágio apto a desfrutar do amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1977, aquele constituído em obediência aos cânones contábeis. Nessa categoria, por óbvio, não se incluem grandezas criadas artificialmente, mesmo que assim se encontrem indevidamente contabilizadas, com inobservância dos princípios contábeis. 70. Como demonstrado, a palavra final a respeito de ser ou não regular a escrituração de determinado ágio caberá à Ciência Contábil, verbalizada pelas Normas Brasileiras de Contabilidade emanadas do Conselho Federal de Contabilidade, cuja inobservância constitui infração disciplinar. 71. Cabe registrar que o Conselho Federal de Contabilidade editou a Resolução CFC nº 1.110/2007 para aprovar a Norma Brasileiro de Contabilidade NBC T 19.10 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos, aplicável aos exercícios encerrados a partir de dezembro de 2008, cujo item 120 determina expressamente: “120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado.” (Grifouse) 72. Mais recentemente, por meio da NBC TG 04 – Ativo Intangível, aprovada pela Resolução CFC nº 1.303/2010, no qual foi definido o tratamento contábil de ativos intangíveis (no subgrupo Ativo Intangível, introduzido pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007), o Conselho Federal de Contabilidade repudiou expressamente o reconhecimento de ágio derivado de expectativa de rentabilidade futura gerado internamente, in verbis: “Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. 50. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade.” (Grifouse) 73. Portanto, a contribuinte é obrigada, pela lei tributária, a apurar o lucro líquido de acordo com a lei societária que, por seu turno, determina que este lucro é obtido através da observância da escrituração e dos preceitos da Ciência Contábil. Se a contabilidade não aceita o ágio interno gerado na aquisição de participação societária, esse registro, em princípio, também será rejeitado pela legislação Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 36 35 comercial e pela lei tributária, na medida que ele trará reflexos indevidos na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica. 74. O Direito não se vale da Ciência Contábil apenas para dela “emprestar conceitos que serão transformados em normas jurídicas”, pois o Direito Positivo determina, também, que a Ciência Contábil seja elemento a ser considerado na interpretação de normas comerciais e tributárias. Daí porque o reconhecimento do ágio para fins tributários e societários passa, obrigatoriamente, pela investigação e aplicação dos conceitos e princípios da Ciência Contábil. 75. Dessa forma, quando a autoridade fiscal desconsidera a amortização pela interessada do ágio constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido, em transações dos sócios com os próprios sócios, está corretamente aplicando o Direito Positivo ao verificar, inicialmente, se a apuração do lucro líquido foi efetuada de acordo com as regras do direito que determinam a aplicação dos instrumentos e princípios da Ciência Contábil e, depois, se o procedimento extracontábil de apuração do lucro real foi efetuado de acordo com os preceitos da legislação tributária. Acrescentese que no mencionado artigo publicado por Jorge Vieira da Costa Júnior e Eliseu Martins (“A incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade, in “http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004”) vislumbrase que a lei fiscal admite que o ágio surja em outras circunstâncias, em razão do que dispunha o art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Referido trabalho acadêmico, no que importa à área de especialização de seus autores, conclui que definitivamente, à luz da teoria da contabilidade é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. Não é permitido contabilmente o reconhecimento de ágio gerado internamente, tampouco o lucro resultante. E, para assim arrematarem, argumentam que: Em síntese, o ágio (ou, por vezes, o deságio) surge do confronto entre o valor justo (fair value) de uma dada entidade (valor de saída), precificado por intermédio de uma transação envolvendo terceiros independentes, e o valor contábil (valor de entrada) do patrimônio líquido dessa mesma entidade (considerando, é claro, a participação acionária adquirida). Logo, em termos de Teoria da Contabilidade, a rigor, em uma transação admitese tão só a figura do ágio, que vem a ser um resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assest), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas. Enfim, quando o ágio for resultado de um processo de barganha negocial não viciado, que concorra para a formação de um preço justo dos ativos líquidos em apreço. [...] Não faz sentido algum reconhecer, numa boa e sadia contabilidade, o resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade. Isso é, na realidade, geração artificial de resultado. Contudo, adentrando à seara tributária, referidos autores limitamse a concluir que o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferido do Estado para o grupo via renúncia fiscal. Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 37 36 Analisando exclusivamente um dos efeitos da operação interna, concernente ao diferimento da tributação do ganho de capital reconhecido pela parte que aliena a participação societária, tratado no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, os autores expõem que: Elucidando o caput do artigo 36, temse que caso uma dada companhia “A” possua participação societária em outra companhia “B”, e resolva constituir uma terceira companhia “C”, integralizando ações subscritas de “C” com a participação societária em “B” avaliada economicamente, o lucro apurado por “A” na integralização das ações subscritas de “C” não será tributado de imediato, para fins de IRPJ e CSLL. Mais à frente, ao mencionar que o ágio carreado de “C” para “B” será dedutível tanto na apuração do lucro real quanto na base de cálculo da CSLL a ser apurado em “B”, os autores não explicitam qual dispositivo legal autorizaria a classificação daquela parcela como ágio. Diz a Lei nº 10.637/2002, nesta parte já revogada, desde a edição da Lei nº 11.196/2005: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o. Ocorre que a lei apenas difere a tributação do ganho de capital verificado no momento em que o direito da pessoa jurídica convertese em outro de maior valor, por ação única e exclusiva do titular deste direito, e sem que tal direito deixe, efetivamente, seu patrimônio. Na prática, a lei apenas equivale a situação fiscal do sujeito passivo que assim age àquela na qual permanece o sujeito passivo que não promove qualquer transferência de seu investimento para outra pessoa jurídica sob seu controle. E, somente por esta razão, já seria possível afastar o outro efeito aventado para esta operação, qual seja, a formação do ágio. Isto porque inexiste ganho real por parte da pessoa jurídica que transfere seus investimentos para outra pessoa jurídica, mas continua a deter sua titularidade de forma indireta. O diferimento da tributação, assim, não representa qualquer benefício, mas apenas a anulação de uma incidência que se materializaria por ato exclusivo do titular do direito. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 38 37 De outro lado, em momento algum o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 admite que na nova investida este direito reavaliado tenha a sua maisvalia reconhecida contabilmente como ágio, nem cogita que esta maisvalia seja amortizável. Os autores também não se reportam a qualquer ato normativo, solução de consulta ou julgamento administrativo que assim tenha concluído. Interpretação naquele sentido somente é possível olvidandose dos elementos conceituais de uma aquisição, quais sejam, partes independentes e preço. Vejase que estes elementos integram um conceito uniforme tanto na esfera contábil (na redação da Lei nº 6.404/76, ao menos até sua alteração pela Lei nº 11.638/2007) como na esfera tributária (art. 20 do Decretolei nº 1.598/77), determinante do que representa o custo de aquisição de um investimento. De outro lado, o ágio nada mais é do que a diferença entre o custo de aquisição e a equivalência patrimonial da participação societária, e no presente caso o primeiro restou majorado por conta do valor que lhe foi atribuído pelo seu titular ao subscrever capital na sociedade intermediária que passou temporariamente a deter o controle direto da investida. Assim, somente olvidando que custo de aquisição é o valor efetivamente despendido em transações com o mundo exterior (art. 7o da Resolução CFC nº 750/93), é possível construir o ágio amortizado pela recorrente. Do disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um mecanismo para evitar a tributação do ganho escriturado em razão da transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir e o ganho se tornasse real. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 29a edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: O art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contra partida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial não poderá diferir a tributação da contrapartida. O diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP nº 66, de 2908 2002, convertido no art. 36 da Lei nº 10.637, de 30122002, dispondo: [...] A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio líquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 39 38 determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio líquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio líquido sem tributação. A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei específica não foi revogado. Mas, também relevante neste caso, é atentar para o fato de que a controladora não apenas integraliza capital em uma recém criada empresa do mesmo grupo societário, nela aportando ações de empresa controlada por valor maior que o patrimonial, fazendo surgir o que se denominou ágio, o qual passou a ser amortizado depois de a controlada incorporar a pessoa jurídica intermediária, cuja existência se prolongou por pouco mais de 3 (três) meses. Mais que isso, o resultado final desta operação é que, em razão da mencionada incorporação, a controladora restabelece o controle direto sobre aquela controlada, de modo que tudo volta a ser como era antes, embora com uma “novidade”: o surgimento, no patrimônio da investida, de um item classificado como ágio, no valor de R$ 25.519.002,00 que se presta a reduzir seu lucro tributável nos cinco anos subsequentes, tendo como fundamento, justamente, a expectativa da controladora de que este lucro fosse auferido. A operação, nestes termos, busca atribuir à participação societária um valor futuro, que não reúne qualquer materialidade como justificativa para o incremento patrimonial. Distinguese, assim, essencialmente do que se verifica nos verdadeiros casos de aquisição, quando um terceiro paga pela expectativa de rentabilidade futura e antecipa no patrimônio da investidora esta realidade. No mesmo sentido são as conclusões da autoridade julgadora de 1a instância: 106. Considerando que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o valor efetivamente despendido para aquisição de um investimento – o sacrifício econômico suportado pela sociedade investidora – supera o valor patrimonial desse investimento, não há como se admitir que as ações de capital da interessada tenham sido incorporadas pela Boff Cardoso Participações por um preço que contém uma maisvalia de si próprio, em transação dos sócios da Família Cardoso com eles mesmos, por intermédio das pessoas jurídicas por eles controladas. 107. E somente há preço e, por consequência, aquisição, quando a operação se realiza entre partes independentes. São várias as formas pelas quais um bem ou direito muda de titularidade, assim como diferentes são os meios utilizados para cumprimento das condições necessárias para que o negócio jurídico se aperfeiçoe. Contudo, há sempre a presença do terceiro como contraparte, ou seja, as pessoas jurídicas adquirente e alienante do controle societário devem ser distintas. 108. Sem a participação de terceiros, os sócios membros da Família Cardoso deliberaram pela utilização das empresas Magius Participações e Boff Cardoso Participações (empresa veículo) para atribuírem à participação societária na Magius Metalúrgica Industrial (a interessada, a empresa operacional do grupo) um valor muito superior ao seu valor patrimonial, com base no laudo de avaliação encomendado pela própria empresa avaliada (a interessada). 109. Contudo, para que essa expectativa de rentabilidade futura se materializasse seria necessário que um terceiro se dispusesse a adquirir a interessada mediante pagamento do valor de avaliação apurado pela KRUK Consultoria, Avaliações e Perícias do Patrimônio Ltda., ou que suportasse algum outro sacrifício econômico Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 40 39 de mesmo valor em benefício dos acionistas da Família Cardoso. Outra forma seria mediante realização de lucros, em cada ano, durante o período decorrido entre os anos de 2005 e 2009 (período alcançado pela projeção). 110. Somente esse eventual adquirente poderia constituir, em sua escrituração contábil, o ágio de R$ 25.519.002,00 sobre o patrimônio líquido da interessada, por expectativa de rentabilidade futura, e passar a amortizálo dentro do período pelo qual pagou pelos lucros futuros, observado o prazo mínimo de 60 meses previsto no artigo 386, III, do RIR de 1999. A realização dessa riqueza pela sociedade investida não configura um ganho efetivo para a investidora, pois esta pagou antecipadamente pelos lucros futuros, mas uma recuperação do capital aplicado na aquisição da participação. 111. Ainda que o valor de mercado da investida pudesse eventualmente corresponder à avaliação efetuada pela KRUK Consultoria, não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de transação dos acionistas com eles próprios, pois as transações entre empresas do mesmo grupo não gera efetivas mutações patrimoniais econômicas no consolidado desse grupo. 112. Logo, como o ágio foi gerado internamente no grupo econômico, sem a participação de terceiros e sem a realização de qualquer pagamento, restou evidenciada a utilização de artifício contábil sem suporte econômico para a geração e posterior aproveitamento do ágio, ou seja, operações societárias engendradas formalmente sem conexão com o mundo fático. É possível concluir, assim, que a integralização de capital com participação societária por valor maior que o patrimonial somente é possível quando existam razões passadas que justifiquem esta diferença. Neste sentido, inclusive, é o texto de autoria de Edison Carlos Fernandes (Imposto sobre a renda, planejamento tributário, o revogado artigo 36 da Lei nº 10.637/02 e a extinta correção monetária de balanço. In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 129 (jun/2006), p. 27): À luz do exposto, entendemos que o artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, revogado pela Lei nº 11.196, de 2005, veio corrigir a legislação tributária no sentido de adequar as oportunidades de atualização dos bens, direitos e do patrimônio líquido, incluindo, nesse rol, os investimentos permanentes relevantes. Dessa forma, resgatavase, após o artigo 4o da Lei nº 9.249, de 1995, "uma certa correção monetária de balanço", porque estaria garantindo o diferimento da tributação incidente sobre o ganho gerado pela avaliação de investimento relevante, sujeito ao método de equivalência patrimonial (assim como já ocorre no caso dos bens do ativo imobilizado e do investimento não relevante, avaliado pelo método do custo de aquisição). Sendo assim, estaria plenamente justificada a conduta de contribuintes pessoas jurídicas que criaram, previamente, as condições necessárias para aproveitamento dos benefícios concedidos pelo referido artigo revogado. Não se configura, dessa forma, o abuso de direito, porque o procedimento do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, foi o único meio previsto pelo legislador, seja por qual motivo for, para a reavaliação de investimento relevante, com a tributação sobre o ganho gerado diferida." Por meio desta reavaliação a pessoa jurídica atribui valor atualizado a itens de seu patrimônio que não mais se sujeitam a correção monetária de balanço, e o resultado positivo daí decorrente não tem tributação imediata, sendo diferido para o momento em que esta riqueza se materializar com a efetiva alienação daquele direito a terceiros. De outro lado, Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 41 40 esta operação não gera o tão almejado “ágio fundamentado em rentabilidade futura”, realidade que somente pode ser antecipada no patrimônio de uma pessoa jurídica quando um terceiro, parte independente, reconhece sua viabilidade e por ela remunera o titular do investimento. Notese, aliás, que no presente caso o laudo de avaliação do investimento atribuiulhe não só o valor de R$ 31.320.000,00, motivador do ágio aqui em debate, como também a maisvalia de R$ 5.680.000,00, em razão de terrenos e benfeitorias, parcela desconsiderada na conferência de ações promovida por Magius Participações Ltda para aumento de capital de Boff Cardoso Participações S/A (fls. 44/129), possivelmente porque não autorizaria depreciações com efeitos redutores do lucro tributável. Resta, assim, patente a simulação praticada pelo sujeito passivo com o objetivo de reduzir suas bases tributáveis. Nenhum óbice legal existiria, à época, em o grupo societário buscar meios para atribuir ao patrimônio da empresa operacional seu valor real, presente. Inadmissível é falsear a realidade, antecipando resultados com base em meras projeções estatísticas, sem a chancela de um terceiro/parte independente, e ainda, no âmbito tributário, denominar esta maisvalia de ágio apenas para construir o cenário que, na presença de verdadeiro ágio, permitiria a amortização com efeitos na apuração do lucro tributável. Concluída, assim, esta abordagem geral acerca da operação que a contribuinte busca ver legitimada, cumpre refutar os demais pontos específicos da defesa: · Ausência de questionamento do laudo de avaliação pela Fiscalização: a autoridade lançadora validamente negou qualquer efeito à operação realizada intragrupo, evidenciando inócua a avaliação ali estampada; · Reconhecimento do ganho de capital por Magius Participações Ltda: o diferimento da tributação decorria, justamente, do fato de a participação alienada continuar pertencendo indiretamente ao mesmo titular, aspecto determinante para impedir a formação de ágio amortizável; · Efeitos positivos da reorganização societária: irrelevante se o resultado obtido auxiliou, inclusive, no restabelecimento de suas operações com o conseqüente aumento da receita líquida dos anos posteriores, pois, considerando que estruturalmente nada mudou, somente subsistindo o ganho ilegítimo com a redução da carga tributária, não se pode admitir justificado todo o propósito negocial das operações; · Nulidade do lançamento por erro de identificação do sujeito passivo: o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 difere a tributação do ganho de capital registrado em razão da operação realizada por Magius Participações Ltda, mas dela não decorre a formação de ágio como antes demonstrado, restando indevida a amortização com efeitos fiscais e, portanto, válido o lançamento como aqui formatado; · Reconhecimento, pela CSRF, da tributação do ganho de capital auferido em operação de incorporação de ações (Acórdão nº 9202 00.662): a matéria apreciada naquele julgado dizia respeito a ganho de capital auferido por pessoa física em operação de incorporação de Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 42 41 ações, hipótese sobre a qual não incide o art. 36 da Lei nº 10.637/2002, que estabelecia o diferimento da tributação do ganho de capital apenas no âmbito da apuração do lucro real e da base de calculo da CSLL; · Tributação disfarçada do ganho de capital auferido por Magius Participações Ltda: a glosa das amortizações não dispensa a controladora de realizar o ganho de capital diferido quando efetivamente alienar/realizar o investimento, pois, ao promover a reavaliação do investimento por meio da reorganização societária aqui questionada, o custo contábil da participação societária em seu patrimônio estará majorado e, confrontado com o valor da alienação, resultará em um ganho de capital inferior ao efetivamente auferido. Por sua vez, o terceiro que efetivamente adquirir o investimento passará a ter o direito de amortizar o ágio pago, inclusive com efeitos fiscais caso atenda aos requisitos dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97; · Desnecessidade de fluxo de riqueza entre as partes envolvidas e ausência de restrição legal ao negócio jurídico que resulta em aquisição: a argumentação desenvolvida no início deste voto demonstra que a aquisição cogitada na lei somente pode efetiva na presença de partes independentes e preço; · Geração de ágio na aquisição de investimentos por estrita previsão legal contida no art. 36 da Lei nº 10.637/2002: como antes explicitado, o diferimento estipulado no mencionado dispositivo decorre, justamente, do fato de a participação societária continuar pertencendo ao mesmo titular, embora de forma indireta, infirmando a existência de aquisição de investimento; · Real existência de diferença entre o valor contábil e o de mercado: irrelevante se o investimento é avaliado por valor superior ao contábil porque, como dito, o valor de mercado somente se materializa quando um terceiro o reconhece e paga por ele; · Subscrição como forma de aquisição e operação onerosa: não há dúvida de que a subscrição pode ser meio de aquisição de participação societária, porém no caso ela não se revelou onerosa simplesmente porque a controladora não aportou qualquer riqueza na investida, mas apenas fez circular as ações por ela desde antes detidas, as quais retornaram ao seu controle, como antes demonstrado. Ao final, a investidora alega ter reconhecido um ganho de capital, mas cuja tributação é diferida pelos motivos antes expostos, justificando a desconsideração do ágio amortizado pela investida. · Lisura da avaliação e rentabilidade confirmada: irrelevantes estes aspectos ante a demonstração de que a operação interna não gera ágio amoritzável; Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 43 42 · Desnecessidade de pagamento ante efetiva aquisição respaldada em laudo de avaliação – referências ao caso Gerdau: a argumentação inicialmente desenvolvida demonstra a relevância do conceito contábil de custo de aquisição para formação do ágio amortizável, e nega a ocorrência de aquisição no presente caso; · Inaplicabilidade das normas da CVM ao sujeito passivo e referências a legislação editada depois da formação do ágio: as disposições invocadas na decisão recorrida, bem como neste voto, prestamse a sedimentar o entendimento desde antes presente na doutrina contábil, e a referência a atos posteriores aos fatos gerados apenas se confirmam a permanência da interpretação defendida; · Utilização indevida de conceitos extraídos de normativos contábeis: a decisão recorrida, no excerto antes transcrito, demonstra a submissão do Direito Tributário aos conceitos de Direito Privado e a adoção, pela lei tributária, do conceito contábil de custo de aquisição. Assim, sem intervenção de terceiros o ágio não tem substrato econômico e amparo na legislação fiscal; · Propósito negocial, livre iniciativa e livre concorrência: o lucro não pode ser reduzido sem amparo na legislação tributária; · Análise isolada das operações: é precisamente a análise global das operações que demonstra a ausência de substância econômica na reestruturação procedida, na medida em que as ações da investida, ao final, retornam às mãos de sua controladora original, que não experimenta qualquer redução em seu patrimônio para passar a deter o mesmo investimento, agora reavaliado. Por certo, a legislação tributária não exige explicitamente a presença de propósito negocial nas operações, mas limita a formação de ágio às operações de aquisição de investimento, não verificada no presente caso; · Possibilidade de amortização se a autuada fosse incorporada por Boff Cardoso Participações: na medida em que esta sociedade intermediária somente se prestou como veículo para a reorganização societária e não possuía outras atividades, caso Boff Cardoso Participações incorporasse a autuada os mesmos questionamentos seriam dirigidos à amortização do ágio, porque Magius Participações Ltda continuaria detendo a mesma participação societária que antes possuía, apenas que agora sob o CNPJ de Boff Cardoso Participações, sob o qual operaria a atividade empresária da autuada; · Subsistência do ágio em caso de alienação da autuada a terceiros: se um terceiro pagasse o valor pelo qual a autuada fosse avaliada o ágio certamente se formaria, mas no patrimônio do adquirente, que somente poderia deduzilo com efeitos fiscais caso atendesse aos requisitos dos arts. 7o e 8o da Lei nº 9.532/97; Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 44 43 · Qualificação da penalidade: correta a conclusão da autoridade lançadora se, para além do abuso de direito, demonstrase a ausência de substância econômica e a artificialidade das operações que ensejaram a redução do lucro tributável. O contexto demonstrado pelo fiscal autuante deixa clara a intenção da contribuinte de não recolher tributo mediante a majoração artificial de seu patrimônio. A prova, neste caso, não se extrai da forma expressa nos atos jurídicos examinados, mas sim da forma como eles se desenvolvem e do resultado que alcançam, evidenciando que o sujeito passivo buscou criar uma realidade para dela se beneficiar ilicitamente nos moldes aqui já extensamente abordados. O descumprimento de princípios contábeis, em verdade, revela como a matéria sempre foi rechaçada pela doutrina contábil e reforça o intuito doloso de obter benefício fiscal por meios indevidos. E a validação da prática pelo Conselho, em verdade, é invocada com base em uma decisão ainda não definitiva, proferida posteriormente à prática questionada e que não poderia, assim, ter influenciado a decisão de implementála. Por fim, a presunção é meio de prova e prestase, como qualquer outra, a fundamentar a acusação de dolo, e no presente caso está sustentada por sólidos indícios, inclusive mediante a utilização de pessoa jurídica que se equipara a uma empresa fictícia, visto que a Boff Cardoso Participações existiu por apenas 3 (três) meses e não teve outra finalidade senão permitir a formação do ágio amortizado, sem a intervenção de terceiros. Irrelevante, assim, se os atos são públicos e submetidos a registro, porque faltalhes substância econômica. Por fim, em oposição aos julgados referidos pela recorrente nos quais não houve imposição de multa qualificada pela Fiscalização ou a exigência foi integralmente desconstituída, importa registrar que esta Turma Ordinária já manteve a qualificação da penalidade em casos semelhantes ao presente (Acórdão nº 110100.913), afastandoa nas hipóteses em que o ágio se formou em efetiva aquisição com intervenção de terceiros, muito embora não tenham sido atendidos outros requisitos legais para sua amortização (110100.936, 1101 00.961 e 110100.962). · Decadência: confirmado o dolo na prática de operações societárias com vistas a criar uma maisvalia fictícia e deduzila na apuração do lucro tributável, o prazo decadencial é regido pelo art. 173 do CTN, e não se verifica a pretendida homologação tácita dos créditos tributários lançados 07/12/2012, relativamente a fatos geradores ocorridos do 1o ao 3o trimestres de 2007. Contudo, uma vez prevalecendo o entendimento da maioria do Colegiado contrariamente à aplicação da multa qualificada, deve ser acolhida a argüição de decadência das exigências pertinentes ao 1o, 2o e 3o trimestres/2007. Isto porque tal matéria tem seu julgamento afetado pelas novas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 45 44 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 46 45 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. E, no presente caso, como verifico nos autos, há informação na DIPJ de que a contribuinte apurou IRPJ e CSLL a pagar nos 1o e 3o trimestres de 2007, assim como valeuse de retenções na fonte para converter em saldo negativo o IRPJ devido no 2o trimestre de 2007, e apurou CSLL a pagar no 2o trimestre/2007 (fls. 416/461). De outro lado, a Fiscalização nada apontou acerca da inexistência destes recolhimentos. Ao contrário, implicitamente admitiu a aplicação do art. 150, §4o do CTN, deixando de lançar o crédito tributário relativamente à glosa de juros sobre o capital próprio, embora identificados excessos também do 1o ao 3o trimestre/2007. Estas as razões, portanto, para, uma vez afastada a qualificação da penalidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para acolher a argüição de decadência e afastar as exigências do 1o ao 3o trimestre/2007. A recorrente também discorda da aplicação de juros sobre a multa de ofício, mas sua manutenção se impõe nos termos das razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 47 46 Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 48 47 A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 49 48 corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 50 49 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Por todo o exposto, relativamente às glosas de amortização de ágio, o presente voto é no sentido de: 1) REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para manter o valor lançado, inclusive com o acréscimo da multa qualificada, e a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício; e 3) uma vez prevalecendo o entendimento em desfavor da qualificação da penalidade, ACOLHER argüição de decadência parcial do crédito tributário exigido A recorrente pretende, ainda, que lhe seja reconhecido o direito à compensação de prejuízos fiscais no 3o trimestre/2008, na medida em que observou o limite legal imposto para este ajuste ao lucro real. Todavia, como já disse a autoridade julgadora de 1a instância, a contribuinte não mais dispõe de prejuízos para sustentar tal compensação, em razão da recomposição da apuração nos períodos de origem: Compensação indevida de prejuízos fiscais Tendo em vista que os prejuízos fiscais declarados nos 1º e 2º trimestres/2008, nos valores de R$ 47.227,39 (fl. 526) e R$ 128.904,98 (fl. 528), respectivamente, foram integralmente absorvidos pelas infrações lançadas pela autoridade fiscal e mantidas, parcialmente no presente julgamento, é de se manter a exigência relativa à compensação indevida de tais valores no 3º trimestre/2008 (fl. 530). Mantida a glosa de amortizações de ágio nestes períodos e, por conseqüência, a recomposição do lucro real, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário também neste ponto. Por fim, a recorrente reitera seu pedido de dedução das retenções computadas nas apurações trimestrais de 2007, argumentando que as compensações apontadas pela autoridade julgadora de 1a instância foram nãohomologadas em razão de erro no preenchimento da DIPJ, razão pela qual os débitos compensados teriam sido incluídos no parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009. O erro cometido na DIPJ foi posteriormente retificado, de modo a evidenciar a disponibilidade dos créditos de IRRF. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 51 50 Disse a autoridade julgadora de 1a instância: IRRF do período desconsiderado pela autoridade fiscal Alega a impugnante que os cálculos da autoridade fiscal estão incorretos, porquanto desconsideram os créditos de IRRF a que tem direito no 2º e 4º trimestres/2007 (R$ 81.892,63 e R$ 209.254,22, respectivamente), 1º e 2º trimestres/2008 (R$ 81.739,95 e R$ 71.706,12) e no anocalendário de 2009 (R$ 519.736,30). Verificase que a interessada realmente informou tais antecipações de IRRF nas Fichas 12A (Cálculo do Imposto de Renda Sobre o Lucro Real) das DIPJ’s dos exercícios de 2008, 2009 e 2010: FICHA 12ACÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL DAS DIPJ’S 2008, 2009 E 2010 (R$) IR Devido Deduções Discriminação Alíquota 15% Adicional PAT IRRF Imposto de Renda a Pagar 1º trim/2007 49.253,17 26.835,45 1.970,13 0,00 74.118,49 2º trim/2007 44.504,83 23.669,88 0,00 81.892,63 13.717,92 3º trim/2007 135.768,74 84.512,49 5.430,75 83.239,64 131.610,84 4º trim/2007 90.892,46 54.594,97 0,00 209.254,22 63.766,79 1º trim/2008 0,00 0,00 0,00 81.739,95 81.739,95 2º trim/2008 0,00 0,00 0,00 71.706,12 71.706,12 3º trim/2008 446.427,80 291.618,53 17.857,11 137.127,80 583.061,42 4º trim/2008 481.853,28 315.235,52 19.274,13 346.163,14 431.651,53 Anocal.2009 0,00 0,00 0,00 519.736,30 519.736,30 Contudo, as antecipações de IRRF pleiteadas pela impugnante compuseram os saldos negativos de IRPJ dos respectivos períodos de apuração e foram utilizadas nas seguintes declarações de compensação: . PER/DCOMP nº 12808.75243.311008.1.3.026601: utilização do direito creditório oriundo do saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre/2007, tratado no processo nº 10980.941536/200991 R$ 81.892,63 . PER/DCOMP nº 35816.14043.311008.1.3.025188: utilização do direito creditório oriundo do saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre/2007, tratado no processo nº 10980.941538/200980 R$ 209.254,22 . PER/DCOMP nº 16345.31215.300109.1.3.024063: utilização do direito creditório oriundo do saldo negativo de IRPJ do 1º trimestre/2008 R$ 81.739,95 . PER/DCOMP nº 36573.76950.300109.1.3.021939: utilização do direito creditório oriundo do saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre/2008 R$ 71.706,12 . PER/DCOMP nº 38415.90758241110.1.3.026824: utilização do direito creditório oriundo do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2009 R$ 519.735,14 Observese apenas que os PER/DCOMP’ nºs 12808.75243.311008.1.3.026601 e 35816.14043.311008.1.3.025188 deveriam ter indicado o direito creditório correspondente aos saldos negativos de IRPJ dos 2º e 4º trimestres/2007 (R$ 13.717,92 e R$ 63.766,79, respectivamente), mas indicaram os valores das Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 52 51 antecipações de IRRF dos respectivos períodos de apuração (R$ 81.892,63 e R$ 209.254,22). Dessa forma, não há como se deduzir tais antecipações de IRRF na exigência em análise, sob pena de duplo aproveitamento. A recorrente junta às fls. 2209/2227 a mencionada DIPJ retificadora referente ao anocalendário 2007, bem como recibo de consolidação de parcelamento de dívidas não parceladas anteriormente – art. 1o – demais débitos no âmbito da RFB, no qual estão indicados os débitos compensados por meio das DCOMP nº 12808.75243.311008.1.3.026601 (IRPJ, código 0220, 3o trimestre/2008, vencimento 31/10/2008, valor R$ 94.070,06, conforme fls. 2194/2202) e na DCOMP nº 35816.14043.311008.1.3.025188 (IRPJ, código 0220, 3o trimestre/2008, vencimento 31/10/2008, valor R$ 229.133,37, conforme fls. 2184/2187 e 2203/2205). Além destas, a contribuinte também apresenta a DCOMP nº 17115.11878.311008.3.028322, não mencionada pela autoridade julgadora de 1a instância, na qual valeuse de crédito formado no 3o trimestre de 2007, no valor original de R$ 93.319,96, para liquidação de outra parcela do débito de IRPJ, código 0220, referente ao 3o trimestre/3008, com vencimento em 31/10/2008, no valor de R$ 93.319,96. Esta DCOMP, tratada no processo administrativo nº 10980.941537/200935, também foi não homologada porque no período a contribuinte indicara a existência de saldo a pagar na DIPJ, mas o débito por meio dela compensado também consta da consolidação de parcelamento antes indicada. Observese, ainda, que os processos administrativos nº 10980.941536/2009 91, 10980.941538/200980 e 10980.941537/200935, nos quais foram tratadas as DCOMP não homologadas, não constam do Eprocesso, o que permite inferir que não foi instaurado contencioso em razão das nãohomologação. De outro lado, consta no Eprocesso o processo administrativo nº 10980.722832/201028, constituído a partir de formulário elaborado pela contribuinte discriminando os débitos a parcelar – Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, dentre os quais estão indicadas as três parcelas de débito de IRPJ (código 0220) apurado no 3o trimestre/2008 e vencido em 31/10/2008, nos valores de R$ 94.070,06, R$ 93.319,96 e R$ 229.133,37, vinculados aos processos administrativos que controlariam tais cobranças, também indicados nos despachos decisórios de nãohomologação das DCOMP, e não localizados no E processo. Registrese, por fim, que o processo administrativo nº 10980.722832/201028 foi arquivado depois de consignarse em 13/09/2011 que: Trata o presente processo de apresentação pelo interessado do Anexo III, instituido pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 29 de Abril de 2010.O presente processo deverá ser consultado, eventualmente, caso se constate que algum dos débitos relacionados no Anexo III não foi incluido no parcelamento especial insituido pela Lei nº 11941/2009. Não havendo outras medidas a serem adotadas, PROPONHO seu arquivamento pelo prazo de 5 (cinco) anos, com base nos arts. 156, 173 e 174 da Lei nº 5.172/66. Considerando que o recibo de fl. 2224 evidencia consolidação em 27/11/2009 e confirma que as parcelas do débito de IRPJ apurado no 3o trimestre/2008 foram consolidadas sem reduções, é possível admitir que a contribuinte, de fato, desistiu das compensações promovidas com as retenções de IRPJ verificadas no 2o, 3o e 4o trimestres/2007. A DIPJ apreciada pela autoridade lançadora (fl. 416/461) indicava que (fls. 416/461): Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 53 52 Discriminação 2º Trimestre Valor IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.À Alíquota de 15% 44.504,83 02.Adicional 23.669,88 DEDUÇÕES [...] 13.()Imp. de Renda Ret. na Fonte 81.892,63 [...] 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 13.717,92 [...] Discriminação 3º Trimestre Valor IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.À Alíquota de 15% 135.768,74 02.Adicional 84.512,49 DEDUÇÕES [...] 13.()Imp. de Renda Ret. na Fonte 83.239,64 [...] 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 131.610,84 [...] Discriminação 4º Trimestre Valor IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.À Alíquota de 15% 90.892,46 02.Adicional 54.594,97 DEDUÇÕES [...] 13.()Imp. de Renda Ret. na Fonte 209.254,22 [...] 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 63.766,79 Na Ficha 54 da mesma declaração estão discriminadas as fontes pagadoras e os rendimentos que ensejaram retenções, basicamente em razão de aplicações financeiras em fundos de investimentos de renda fixa. Os rendimentos são compatíveis com aqueles informados a título de Outras Receitas Financeiras, nas linhas 22 das Demonstrações de Resultados, transcritas na ficha 06A de cada trimestre. As retenções totais indicadas na Ficha 54 também são compatíveis com os montantes deduzidos trimestralmente. A DIPJ retificadora apresentada com o recurso voluntário corresponde ao anocalendário 2008 e indica débito de IRPJ apurado no 3o trimestre/2008 no valor de R$ 583.061,42 (fl. 2215/2221), mesmo valor informado na DIPJ apreciada pela autoridade fiscal Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 54 53 (fl. 511/568). A recorrente assevera que retificou a DIPJ do anocalendário 2007 para evidenciar a disponibilidade das retenções da fonte, mas o documento juntado ao recurso voluntário (fl. 2209/2214) é idêntico ao apreciado pela Fiscalização, e já apontava a dedução das retenções, embora consumindoas parcialmente com os débitos originalmente apurados pela contribuinte no 2o e no 4o trimestres/2007. De plano observase que no 3o trimestre/2007 a contribuinte consumiu integralmente as retenções verificadas naquele período, razão pela qual a desistência da compensação, antes demonstrada, não opera qualquer efeito em relação à pretensão da recorrente de deduzir a retenção de R$ 83.239,64 também em face do tributo exigido nestes autos. E isto também porque o trabalho fiscal relativamente aos trimestres de 2007, resultou na adição das glosas promovidas ao lucro real originalmente apurado pelo sujeito passivo, apurandose novas bases tributáveis, que deduzidas do lucro real declarado, foram submetidas à incidência do IRPJ. Ou seja, exigiuse apenas o IRPJ devido sobre as infrações apuradas, apesar de não terem sido deduzidas as parcelas de IRRF não utilizadas para anulação do imposto originalmente apurado pela contribuinte. As parcelas indicadas ao final da tabela abaixo são aquelas submetidas a multa de ofício e juros de mora no demonstrativo de fl. 845: TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre Lucro antes do IRPJ 298.678,71 269.661,94 823.663,73 551.414,23 (+) Adições 29.675,74 27.036,90 81.461,20 54.535,47 () Exclusões = Lucro antes das compensações 328.354,45 296.698,84 905.124,93 605.949,70 Glosa de Ágio 1.276.000,11 1.276.000,11 1.276.000,11 1.276.000,11 Glosa de JCP 537.251,32 =Ajustes apurados 1.276.000,11 1.276.000,11 1.276.000,11 1.813.251,43 =Lucro Ajustado antes das compensações 1.604.354,56 1.572.698,95 2.181.125,04 2.419.201,13 () Compensação de Prejuízo = Lucro Líquido Ajustado 1.604.354,56 1.572.698,95 2.181.125,04 2.419.201,13 AUTO DE INFRAÇÃO 1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre IRPJ Valor Tributável 1.276.000,11 1.276.000,11 1.276.000,11 1.813.251,43 Imposto Apurado (multa 150%) 191.400,02 191.400,02 191.400,02 191.400,02 Imposto Apurado (multa 75%) 80.587,70 ADICIONAL Lucro Real Declarado 328.354,45 296.698,84 905.124,93 605.949,70 (+) Valor Apurado 1.276.000,11 1.276.000,11 1.276.000,11 1.813.251,43 () Parcela não sujeita a adicional 60.000,00 60.000,00 60.000,00 60.000,00 (=) Base de cálculo do adicional 1.544.354,56 1.512.698,95 2.121.125,04 2.359.201,13 (x) Alíquota 10,0% 10,0% 10,0% 10,0% (=) Adicional total 154.435,46 151.269,90 212.112,50 235.920,11 () Adicional Declarado 26.835,45 23.669,88 84.512,49 54.594,97 (=) Imposto Adicional Devido 127.600,01 127.600,01 127.600,01 181.325,14 IMPOSTO TOTAL DEVIDO (150%) 319.000,03 319.000,03 319.000,03 319.000,03 IMPOSTO TOTAL DEVIDO (75%) 134.312,83 Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 55 54 Assim, excluídos os efeitos das retenções verificadas no 3o trimestre/2007 já integralmente consumidas na apuração original da contribuinte, considerando que a contribuinte desistiu das compensações promovidas com as retenções verificadas no 2o e no 4o trimestres/2007 parcelando os débitos correspondentes, bem como que a origem das retenções e os correspondentes rendimentos já constavam da DIPJ originalmente apreciada pela autoridade lançadora e correspondiam aos valores deduzidos e oferecidos à tributação pela contribuinte, deveria ser admitida a dedução, na presente exigência, das retenções não consumidas na apuração original daqueles períodos, nos valores de R$ 13.717,92 no 2o trimestre/2007 e de R$ 63.766,79 no 4o trimestre/2007. Todavia, prevalecendo no Colegiado o entendimento em desfavor da qualificação da penalidade, e declarada a decadência dos créditos tributários exigidos do 1o ao 3o trimestres/2007, não há porque reconhecer o direito à dedução pretendida pelo sujeito passivo. Em conseqüência, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário neste ponto, para admitir apenas a dedução de R$ 63.766,79, no 4o trimestre/2007. Passando ao recurso voluntário interposto pelos responsáveis tributários. Como relatado, ao constatar que a empresa apresentou para arrolamento apenas veículos de valor inexpressivo, bem como que, após a criação do ágio, os bens imóveis, que foram objeto de reavaliação constando do Laudo de Avaliação, passou a não constar do Ativo Imobilizado da Pessoa Jurídica, e que as decisões foram tomadas pelos diretores Adilton Boff Cardoso e Adalbaerto Boff Cardoso, a autoridade fiscal imputoulhes responsabilidade solidária pelo crédito tributário nos termos do art. 124, I c/c art. 135, ambos do CTN. Além das referências contidas no Termo de Verificação Fiscal, foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária juntados às fls. 775/778. Os recorrentes asseveram que a acusação carece de fundamentação, não indica com precisão os fatos que ensejam a atribuição de responsabilidade, ofendem o contraditório e a ampla defesa. De toda sorte, não pleiteiam a declaração de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, mas apenas o reconhecimento da ilegitimidade passiva dos recorrentes. Inicialmente no que tange à acusação com fundamento no art. 124, I do CTN, têm razão os recorrentes. Referido dispositivo permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E esta condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram no quadro social da pessoa jurídica, e assim não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Referido dispositivo legal pode ser utilizado como forma de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas desde que presente prova de sua atuação ao lado da pessoa jurídica, e fora de seu quadro social, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Neste sentido, inclusive, é o entendimento expresso por Marcos Vinícius Neder, no artigo Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito (in FERRAGUT, Maria Rita e NEDER, Marcos Vinícius (coords.). Responsabilidade Tributária, Dialética, São Paulo: 2007, p. 46). Depois de abordar a hipótese de interposição de pessoas na prática de fatos jurídicos tributários, e ressaltar que a simulação dos atos constitutivos impõe o Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 56 55 afastamento do sujeito passivo aparente para alcançar os reais titulares da renda, o autor observa: Outra situação completamente distinta é quando o ilícito é promovido por pessoa jurídica ativa e operacional, que, comprovadamente, tenha ocultado ou registrado indevidamente negócios jurídicos realizados em parcela com terceiros (sócios ocultos) para benefício comum. Nessa hipótese, não há falar em fictícia interposição de pessoas, mas em sociedade comum de fato, pois não é possível distinguir a sociedade de fato de seus integrantes (pessoas físicas e jurídicas). Diante dessas condições, é perfeitamente possível evidenciar solidariedade entre as pessoas que compõem a sociedade de fato, eis que, além do patrimônio comum amealhado em razão do ilícito, há interesse comum nos negócios jurídicos realizados em benefício dos envolvidos. Todavia, a autoridade lançadora também fundamentou a responsabilidade tributária no art. 135 do CTN, por vislumbrar que as tomadas de decisão que conduziram à infração caracterizada como crime contra a ordem tributária e submetida à aplicação de multa qualificada, foram efetuadas por diretores: Adilton Boff Cardoso, Adalberto Boff Cardoso (DOC 1 – fls. 17 a 21). E, ao contrário do que defendem os recorrentes, o art. 135, III do CTN não estabelece a responsabilidade exclusiva dos administradores, mas sim firma a responsabilidade pessoal de tais administradores pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos por eles praticados, no caso, com infração de lei, assim afastando a proteção patrimonial conferida aos mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes e representantes legais que atuam dentro dos limites da lei e dos contratos. Significa dizer, portanto, que o indivíduo, em tais circunstâncias, responde com seu patrimônio pessoal pelas dívidas daí decorrentes, de forma ilimitada. Por sua vez, a prática de infração de lei cogitada em referido dispositivo, como amplamente fixado na jurisprudência, deve corresponder a uma prática para além da falta de recolhimento do tributo devido. E, no presente caso, restou demonstrada a fraude perpetrada para constituição de um ativo cuja amortização reduziu significativamente os resultados tributáveis nos períodos fiscalizados, para qual os referidos administradores evidentemente concorreram, na medida em que, na condição de sóciosdiretores com participação majoritária em todas as empresas do grupo, certamente orientaram as operações constatadas pela Fiscalização. Inadmissível, assim, a alegação dos recorrentes de que atuaram em consonância com a legislação de regência para a concretização de cada ato societário, ou de que os fatos presentes nestes autos correspondam, apenas, à prática de atos fundamentada em interpretação da legislação divergente dos entendimentos das autoridades fazendárias. Como exposto na apreciação da multa qualificada, a fraude foi caracterizada pelo Fisco e esta circunstância é suficiente para caracterizar a infração de lei que o art. 135 do CTN cogita para atribuir responsabilidade pessoal aos diretores que atuam na sua prática. Desnecessária, também, a prova de que os diretores agiram com abuso de poderes, pois a infração de lei, caracterizada pela fraude tributária, é suficiente para determinar sua responsabilização pelo crédito tributário daí decorrente. Por sua vez, como já dito no exame do recurso voluntário interposto pela autuada, em nada favorece os interessados o fato de as operações serem transparentes e públicas, uma vez constatado que elas não possuem Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 57 56 substância econômica e resultaram, apenas, na redução dos tributos devidos pela pessoa jurídica. Assim, confirmada a supressão do recolhimento de tributos mediante fraude, resultante de atos sob a direção dos responsáveis indicados pela Fiscalização, correta a imputação de responsabilidade solidária a estes com fundamento no art. 135 do CTN. Quanto ao mérito da exigência, pelas mesmas razões antes expostas merecem provimento os idênticos argumentos reproduzidos pelos responsáveis em seu recurso. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário dos responsáveis tributários para manter a responsabilidade que lhes foi imputada com base no art. 135 do CTN. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 58 57 Voto Vencedor Conselheiro MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI Em que pese o brilhantismo, zelo e acuidade característicos dos votos da Conselheira Relatora, data maxima venia, no que pertine à qualificação da multa ora aplicada, ouso divergir de suas conclusões. Isto porque a qualificação da multa, prevista no artigo 44, Parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, pressupõe a existência inequívoca do evidente intuito de fraude, cuja caracterização está definida nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, a saber: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." X X X "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 59 58 tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Assim, para a qualificação da multa, a Autoridade lançadora deve identificar, na conduta do contribuinte, a prática de sonegação, fraude ou conluio, e que estas tenham sido praticadas através de uma ação ou omissão inequívocamente dolosa. No presente caso, segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora concluiu que a empresa BOFF CARDOSO PARTICIPAÇÕES S/A "foi constituída basicamente para dissimular a ocorrência de operações de compra e venda de participação societária, simulando a ocorrência de eventos societários consecutivos, com a contabilização de um ágio interno que supostamente seria pela compra da MAGIUS METALÚRGICA S/A, contabilizado em 23/12/2004 e retornando em forma de INCORPORAÇÃO para o sujeito passivo em 31/03/2005, operações realizadas em curto período a menos de 100 dias, sem a ocorrência de qualquer pagamento." Ato contínuo, para justificar a qualificação da multa, asseverou a Autoridade Fiscal: No tocante à penalidade, diante da cristalina presença do elemento subjetivo do dolo, não restando dúvida quanto à intenção do contribuinte em reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro, manobras que tiveram a finalidade de mascarar o resultado, causando prejuízo aos cofres públicos mediante a falta e/ou redução do pagamento dos tributos devidos, é de aplicarse a todas as infrações aqui apontadas, nos termos da legislação de regência, a qualificação da multa de ofício de 150%. A multa de ofício qualificada, aplicável ao caso em tela, está prevista conforme dispõe o artigo 44, inciso I e §1o da Lei nº 9.430/96 com a redação data pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007, sem prejuízo da aplicação de outras sanções, conforme dispõe a Lei 8.137/90, artigos 1o e 2o, e tem como pressuposto para sua aplicação a existência de “evidente intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº.4502, de 30 de novembro de 1964”. No âmbito da representação fiscal pra fins penais acrescentou, ainda, que foram constatados fatos que, em tese, configuram crime contra ordem tributária pela prática de não oferecer à tributação do IRPJ e CSLL, pela simulação da operação de alienação societária com ágio, impedindo ou retardando, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos administrados pela RFB. Ou seja, na visão da autoridade fiscal, o dolo consistiria na "intenção do contribuinte em reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro," mediante a utilização de "manobras que tiveram a finalidade de mascarar o resultado", Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 60 59 Ocorre que a intenção pura e simples do contribuinte em reduzir sua carga tributária é legítima, desde que pautada pela estrita observancia dos preceitos legais. No presente caso, a autuação sustenta a existência de "manobras que tiveram a finalidade de mascarar o resultado". Contudo, conforme se verifica dos autos, a conduta do contribuinte não foi pautada por "manobras" artificiais ou ilegais que buscavam mascarar o resultado. Não há nos autos qualquer alegação de falsidade de documentos, vícios de forma, ou mesmo de vontade, nos atos jurídicos apresentados. Na verdade, seguindo uma interpretação que entendeu legítima acerca da legislação à época, a autuada promoveu uma reestruturação societária em seu grupo economico (fato este que, per se, nada tem de ilegal), promoveu a avaliação do investimento e reconheceu o ganho de capital pela Magius Participações Ltda, diferindo sua tributação nos termos do artigo 36, da Lei nº 10.637/2002. Todos os atos tiveram por fundamento dispositivos legais, foram devidamente registrados e acabaram por permitir a apreciação plena dos mesmos pelo Fisco. Se, após a análise de todos os elementos apresentados, a Autoridade Fiscal concluiu pela imposibilidade de reconhecimento e dedução do ágio apurado, tal constatação não acarreta, automaticamente, a consideração de que os atos analisados foram praticados de forma obscura, escusa ou simulada. Deveria o agente fiscal, neste ponto, demonstrar quais "manobras" foram perpetradas com o intuito de mascarar o resultado, como por exemplo o uso de documentos falsos, empresas fictícias ou adulteração de livros (fraude), conluio ou mesmo a simulação. Neste ponto, a palavra simulação, que tem origem no latim simulatio, que significa fingimento, artifício; e na definição vernacular, ato ou efeito de fingir o que não é; disfarce; fingimento, necessita da demonstração de que o ato jurídico é contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão no público, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se aparenta. No presente caso, o negócio jurídico existiu de fato, os atos jurídicos praticados foram materialmente verdadeiros, mas a consequencia jurídica almejada (criação e amortização do ágio) é que não foi alcançada, face o entendimento contrário da administração tributária. Destarte, a evidencia da intenção dolosa, exigida na lei para a qualificação da penalidade a ser aplicada, deve aflorar na instrução processual de modo inconteste e cabal, sob pena de se confundir conduta praticada com a conclusão almejada pelo contribuinte. Por outro lado, a própria divergência de entendimentos legais, doutrinários e jurisprudenciais atinentes ao ágio e sua formação permitem suprimir a potencial consciência da ilicitude do ato do contribuinte. Neste ponto, devem ser aplicados ao presente caso, por analogia, os mesmos precedentes referentes às autuações por planejamentos tributários realizados durante a oscilação da jurisprudência acerca da matéria, os quais serviram para suprimir o intuito fraudulento do contribuinte. Senão vejamos: Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 61 60 “MULTA DE OFÍCIO. 150%. DESQUALIFICAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JURISPRUDÊNCIA DIVERGENTE SOBRE O TEMA À ÉPOCA DA EFETIVAÇÃO DOS NEGÓCIOS SUCESSIVOS. AUSÊNCIA DE POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE DO FATO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. Não se pode qualificar a multa para 150%, se não restar configurado, nos autos, evidente intuito de fraude. Este não se revela presente, pois que, à época da efetivação dos atos e negócios jurídicos, a jurisprudência oscilava relativamente ao tema de planejamento tributário. O intuito fraudulento resta por isso afastado.” (2ª Turma da CSRF, Acórdão nº 9202002.063) Neste diapasão, o que se deve evitar é que o lançamento, sem fazer prova contundente e cabal da suposta conduta fraudulenta, imponha sanções qualificadas em desacordo com o disposto no artigo 112, do CTN, o qual assevera que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Assim, uma vez reconhecido, após minuciosa apreciação jurídica por parte do Fisco, de que o procedimento realizado pelo contribuinte não foi apto a gerar o ágio, tampouco a dedução almejada, a consequencia/penalidade para o contribuinte será a aplicação da já pesada multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o tributo não recolhido. Por outro lado, diante da ausência de comprovação cabal da conduta dolosa, descabida a qualificação da multa aplicada. Outrossim, conforme muito bem ressaltado pela ilustre Relatora do presente recurso, uma vez prevalecendo o entendimento contrário à aplicação da multa qualificada, deve ser acolhida a argüição de decadência das exigências pertinentes ao 1o, 2o e 3o trimestres/2007, pelas razões já expostas em seu robusto voto. Por fim, uma vez reconhecida a improcedência da qualificação da multa aplicada, como corolário lógico, não deve persistir o lançamento quanto aos diretores da autuada, pela imputação de responsabilidade solidária pelo crédito tributário, nos termos do art. art. 135, do CTN. Inicialmente, digno de destaque que o lançamento quanto aos responsáveis tributários se lastreou nos artigos 124, I e 135, do CTN. No entanto, a própria Relatora do presente voluntário entendeu que não se aplica, ao caso, os ditames do artigo 124, I, do CTN, posto que tal artigo serve apenas para incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, que não seja do quadro social da pessoa jurídica. No entanto, ainda persiste o lançamento em face dos diretores da autuada, forte no art. 135 do CTN, por vislumbrar que as tomadas de decisão que conduziram à infração caracterizada como crime contra a ordem tributária, e submetida à aplicação de multa qualificada, foram perpetradas pelos mesmos. Ocorre que, com o reconhecimento da inexistência de prática caracterizada como crime contra a ordem tributária, bem como diante do cancelamento da qualificação da multa, como corolário lógico, deve o presente lançamento, no que pertine à responsabilidade solidária, ser reformado, excluindose os diretores da autuada do presente lançamento. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI Processo nº 10980.728833/201248 Acórdão n.º 1101001.100 S1C1T1 Fl. 62 61 Forte em tais considerações, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da contribuinte para excluir a qualificação da multa ora aplicada, bem como reconhecer a decadência das exigências pertinentes ao 1o, 2o e 3o trimestres/2007. Outrossim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário dos responsáveis tributários para excluir a responsabilidade que lhes foi imputada com base no artigo 135, do CTN. (documento assinado digitalmente) MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI
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Numero do processo: 35409.002018/2005-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGROINDÚSTRIA. CONCEITUAÇÃO.
Não se define como agroindústria quando o produtor rural pessoa jurídica, além da atividade rural, exercer outra atividade econômica autônoma, seja comercial, industrial ou de serviços, em relação à remuneração de todos os empregados e trabalhadores avulsos.
No presente caso, o produtor rural pessoa jurídica exerce, além da atividade rural, outra atividade econômica autônoma, motivo impeditivo de sua conceituação como agroindústria e de seus conseqüentes reflexos.
Numero da decisão: 9202-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Acompanhou o julgamento a Dra. Judith do Amaral Marcondes Armando, RG nº 632.035/DF.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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AGROINDÚSTRIA. CONCEITUAÇÃO. Não se define como agroindústria quando o produtor rural pessoa jurídica, além da atividade rural, exercer outra atividade econômica autônoma, seja comercial, industrial ou de serviços, em relação à remuneração de todos os empregados e trabalhadores avulsos. No presente caso, o produtor rural pessoa jurídica exerce, além da atividade rural, outra atividade econômica autônoma, motivo impeditivo de sua conceituação como agroindústria e de seus conseqüentes reflexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento a Dra. Judith do Amaral Marcondes Armando, RG nº 632.035/DF. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 40 9. 00 20 18 /2 00 5- 51 Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35409.002018/200551 Acórdão n.º 9202003.188 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade, fls. 01627, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 01601, que deu provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. DESCABIMENTO Não representa qualquer irregularidade o fato de terem sido emitidos mais de um MPF no decurso do procedimento fiscal. Tal possibilidade está prevista no art. 16 do Decreto n? 3.969/2001. AUDITORIA FISCAL. COMPETÊNCIA. A atuação do auditor fiscal não se restringe à circunscrição da Delegacia na qual esteja lotado. A mesma pode se dar em qualquer parte do território nacional, bastando haver interesse da Administração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2005 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. O fisco pode alterar de oficio o domicílio tributário eleito pelo contribuinte quanto este impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalizálo do tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 10.256/2001, abrange a agroindústria, que por definição legal tratase de produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 A industrialização de produção própria da empresa é insignificante se comparada com a adquirida de terceiros. Não caracterizada a condição de agroindústria. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os s da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria e votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina 'TO e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elias Sampaio Freire. Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre o enquadramento previdenciário do sujeito passivo, para fins de tributação, definidor da base de cálculo, folha de pagamentos de segurados ou faturamento. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. A fiscalização enquadrou, no lançamento, o sujeito passivo como agroindústria, o que acarreta a tributação sobre a folha de pagamentos dos segurados no processo de produção própria; 2. A decisão a quo, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do sujeito passivo, contrariando o Art. 22A, da Lei 8.212/1991, razão para admissibilidade do recurso especial por contrariedade à lei, já que a decisão foi proferida antes da entrada em vigor do novo Regimento Interno do CARF (RICARF); 3. A decisão recorrida chegou á sua conclusão ante o caráter "ínfimo" da produção própria da empresa, se comparada à adquirida de terceiros, impedindo, portanto, seu enquadramento como agroindústria; 4. No entender do acórdão recorrido, o sujeito passivo deveria ser enquadrado como "uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial (abatedouro), cuja produção própria industrializada é insignificante", fls. 01623; 5. Equivocada a decisão, pois conforme se extrai de forma clara do Art. 22A, da Lei 8.212/1991, para que seja considerado agroindústria, o produtor rural pessoa jurídica deverá ter como atividade econômica a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros; 6. A determinação legal, ao contrário do que definiu a decisão recorrida, sob o pretexto de dar aplicação à chamada verdade material, não traz quaisquer ressalvas quanto a percentuais mínimos de industrialização da Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35409.002018/200551 Acórdão n.º 9202003.188 CSRFT2 Fl. 4 5 produção própria, sendo suficiente, para fins de enquadramento como agroindústria a existência de industrialização de produção própria; 7. A decisão recorrida, em última instância, criou um requisito para a incidência da norma expressa no Art. 22A da Lei n° 8.212/91 (existência de uma produção própria mínima), em franca contrariedade ao principio da legalidade estrita em matéria tributária (Arts. 150, I, da CF/88 e 97 do CTN); e 8. Em face do exposto, a PGFN requer seja conhecido e provido o presente recurso. Por despacho, fls. 01635, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 01676, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Por ser relevante, informo que o sujeito passivo anexou aos autos decisão deste colegiado que – por unanimidade de votos – negou provimento a recurso especial da PGFN, em autuação com fatos alegados como idênticos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e contrariedade demonstrada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A presente autuação exige contribuições para Terceiros e, como já destacado, o litígio em questão versa sobre o enquadramento do sujeito passivo. Para a fiscalização e para a recorrente o sujeito passivo é uma agroindústria, com os conseqüentes enquadramentos nos códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS). Para o sujeito passivo seu enquadramento é como empresa em geral, com os conseqüentes enquadramentos nos códigos de Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS). O código FPAS identifica a atividade econômica da empresa e que define quais são os Terceiros que ela deve contribuir. Para o acórdão recorrido, como a produção própria do sujeito passivo é ínfima ele não poderia ser caracterizado como agroindústria. Para a PGFN, a questão da diminuta produção própria não interfere no enquadramento das empresas, devendo ser corrigido o acórdão recorrido. A legislação define agroindústria. Lei 8.212/1991: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:/ Em leitura rápida, parece claro que toda empresa que industrializa sua produção rural – seja ela qual for – é uma agroindústria. Ocorre que a legislação possui definição contrária, em caso específico, para quem exerce atividade rural. Decreto 3.48/1999: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35409.002018/200551 Acórdão n.º 9202003.188 CSRFT2 Fl. 5 7 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregado e trabalhador avulso, além das contribuições previstas nos arts. 202 e 204; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) III quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhes são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, observado, no que couber, as disposições dos §§ 7º e 8º do art. 219; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) ... § 22. A pessoa jurídica, exceto a agroindústria, que, além da atividade rural, explorar também outra atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, no mesmo ou em estabelecimento distinto, independentemente de qual seja a atividade preponderante, contribuirá de acordo com os incisos I, II e III do art. 201 e art. 202. A Instrução Normativa (IN) nº 3/2005, da Secretaria da Receita Previdenciária esclarece a diferença acima. IN 3/2005: Art. 250. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, industrializada ou não, substituem as contribuições sociais incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, sendo devidas por: I produtores rurais pessoa física e jurídica; II agroindústrias, exceto as de piscicultura, de carcinicultura, de suinocultura e de avicultura; (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 20, de 11/01/2007) (...) § 2º Não se aplica a substituição prevista no caput, hipótese em que são devidas as contribuições previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991: III quando o produtor rural pessoa jurídica, além da atividade rural: (...) Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 b) exercer outra atividade econômica autônoma, definida no inciso XXII do art. 240, seja comercial, industrial ou de serviços, em relação à remuneração de todos os empregados e trabalhadores avulsos; ... Art 240 (.....) XXII atividade econômica autônoma, quer seja comercial, industrial ou de serviços, aquela exercida mediante estrutura operacional definida, em estabelecimento específico ou não, com a utilização de mãodeobra distinta daquela utilizada na atividade de produção rural ou agroindustrial, independentemente da atividade preponderante do produtor rural ou da agroindústria. Devido ao sujeito passivo exercer atividade econômica autônoma à rural – abatedouro, conforme atestado pela fiscalização – ela não pode ser conceituada e, conseqüentemente, definido seu FPAS, como agroindústria. Ressaltese que, como bem destacado no acórdão recorrido, a fiscalização pode e deve buscar informações, avaliar e definir sobre o enquadramento das empresas – conforme decisões transcritas das DRJ´s, pois podem ocorrer desvirtuamentos, conforme esclarecido, fls. 01614: “Por certo, a legislação previdenciária tem clara intenção de fazer incidir a contribuição substitutiva prevista para as agroindústrias sobre as que possuam efetivamente esta característica, ou seja, um produtor rural que também industrialize sua produção. Nesse sentido a legislação busca incentivar ao produtor rural que realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comercial. Não fosse assim, poderia uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legal, praticando, assim, uma evasão fiscal.” Ressaltese, também, pois muito importante, que essa turma já se posicionou sobre a matéria, em processo do mesmo sujeito ´passivo, com discussão idêntica (35409.000971/200645), em que se debatia o enquadramento efetuado pela fiscalização, decidindo, por unanimidade de votos, que a empresa não se enquadrava como agroindústria. Cabe ressaltar ponto de destaque no acórdão 920201.546, referente ao processo citado acima, de relatoria do nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira, na sessão de 10/05/2011: “É forçoso concluir que o próprio órgão encarregado de coordenar e fiscalizar a aplicação da legislação tributária, já havia antecipado a eventual dificuldade no que concerne a definir objetivamente o que seria uma empresa que explora também a atividade rural e o que seria uma agroindústria que Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35409.002018/200551 Acórdão n.º 9202003.188 CSRFT2 Fl. 6 9 explora outras atividades. Nesse sentido, definiu que não caberia a substituição das contribuições sobre a folha de pagamento nos casos em que o produtor rural pessoa jurídica, além da atividade rural exercesse outra atividade econômica autônoma, seja comercial, industrial ou de serviços, abrangendo a totalidade dos empregados e trabalhadores avulsos. De fato, entendo que a Secretaria da Receita Previdenciária não poderia agir de outro modo, tendo em vista a decisão que afeta o enquadramento de uma empresa neste ou naquele regime jurídico não pode estar dissociada da essência no tocante à sua atividade econômica.” Conseqüentemente, fica claro o equívoco na conceituação do sujeito passivo como agroindústria, motivo da manutenção da decisão recorrida. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10768.005218/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A comprovação, em sede de impugnação ao lançamento, da existência do processo judicial informado na DCTF cuja não localização motivou a constituição do crédito tributário em procedimento de revisão interna da Declaração, importa em que se considere improcedente a exigência sob esse fundamento constituída.
Incabível que a Administração, muito tempo depois, proceda à revisão do lançamento original em face de decisão judicial desfavorável ao contribuinte, ainda mais quando realizada fora do prazo determinado na legislação de regência.
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO PARCIAL DO CRÉDITO CONSTITUÍDO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DA PARTE EXCLUÍDA NA REVISÃO. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO EM PARTE.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício na parte correspondente ao crédito tributário que não mais integra a lide por ter sido excluído do auto de infração pela Unidade Preparadora por ocasião da revisão do lançamento original.
Recurso de Ofício Parcialmente Conhecido e na Parte Conhecida Negado
Numero da decisão: 3102-001.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pelas conclusões.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 23/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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REVISÃO INTERNA DE DCTF. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A comprovação, em sede de impugnação ao lançamento, da existência do processo judicial informado na DCTF cuja não localização motivou a constituição do crédito tributário em procedimento de revisão interna da Declaração, importa em que se considere improcedente a exigência sob esse fundamento constituída. Incabível que a Administração, muito tempo depois, proceda à revisão do lançamento original em face de decisão judicial desfavorável ao contribuinte, ainda mais quando realizada fora do prazo determinado na legislação de regência. AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO PARCIAL DO CRÉDITO CONSTITUÍDO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DA PARTE EXCLUÍDA NA REVISÃO. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO EM PARTE. Não deve ser conhecido o recurso de ofício na parte correspondente ao crédito tributário que não mais integra a lide por ter sido excluído do auto de infração pela Unidade Preparadora por ocasião da revisão do lançamento original. Recurso de Ofício Parcialmente Conhecido e na Parte Conhecida Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 52 18 /2 00 2- 11 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro votaram pelas conclusões. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 23/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo a falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, dos períodos de apuração de abril a junho de 1997 (fls. 17 a 20), em decorrência de auditoria interna efetuada pela DEFIC/RJO. Na Descrição dos Fatos (fls. 18), consta que a presente exigência originou sede auditoria interna na DCTF apresentada pelo sujeito passivo referente ao segundo trimestre de 1997, tendo sido verificada a falta de recolhimento do valor nela informado, em razão de inexatidão, por não ter sido comprovado o processo judicial informado com vinculação ao débito declarado na condição de compensação sem DARF e por não ter sido confirmada a inclusão do CNPJ do contribuinte no processo judicial informado com vinculação aos débitos na condição de suspensão da exigibilidade. O enquadramento legal da presente autuação encontras especificado as fls. 18 e 20. A empresa autuada apresentou a impugnação de fls. 01 a 04 em 10/04/2002, alegando que a) O processo n° 95.4422546 referese a Mandado de Segurança impetrado pela Impugnante objetivando compensar indébitos da Cofins com CSL. Em 26/06/1995 foi concedida liminar, posteriormente confirmada através de sentença de 12/09/1995. Junta aos autos cópias das folhas do citado processo judicial; b) O processo n° 9100110566 se refere a Mandado de Segurança impetrado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais do Estado do Paraná, objetivando afastar a retenção antecipada do PIS por parte das empresas distribuidoras de combustíveis. Em obediência à ordem do MM. Juiz Federal, a defendente passou a depositar judicialmente o PIS retido dos Postos; c) Cabe ressaltar que além do Mandado supracitado, existiam outros com idêntica ordem judicial, mudando tão somente de impetrante. Como na DCTF não havia espaço suficiente, foi informado o número do Mandado de Segurança mais Fl. 391DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10768.005218/200211 Acórdão n.º 3102001.932 S3C1T2 Fl. 3 3 significativo, pois envolvia vários Postos. No entanto, o valor informado na DCTF corresponde ao somatório de todos os depósitos, conforme planilha e guias de depósitos em anexo; d) a autuação perdeu seu objeto, eis que provada a existência dos processos judiciais e dos documentos em referência. As fls. 112/114, encontrase o Despacho Derat/RJO DIMCO n° 61, em que se relata que, em face do acórdão do TRF da 2a Região, publicado em 07/07/2005, que deu provimento a Unido na questão objeto do processo n° 95.00442256, "não subsiste mais 472 qualquer amparo judicial para as compensações efetuadas pelo contribuinte. Portando, impi5ese a cobrança imediata dos débitos indevidamente compensados". Em 13/07/2009, com fundamento no citado Despacho Dimco n° 61, foi elaborado o documento de fl. 121, intitulado Revisão de Lançamento n° 357/2009 — PIS/1997, em que se reviu de oficio o lançamento consubstanciado no auto de infração no 0006747. Esse documento manteve, sem alteração, os valores e a fundamentação do lançamento revisado, sendo então a interessada instada a pagar o débito ou impugnar o lançamento, no prazo regulamentar de 30 dias. Cientificada em 17 de julho de 2009, a interessada apresentou nova impugnação, em 14 de agosto de 2009, onde alega, em síntese: a) A Impugnante comprovou a existência do processo judicial n° 95.0044225 6. Em 07/07/2005 foi publicado o Acórdão do TRF 2a regido que deu provimento h. apelação interposta pela Unido, cassando os efeitos da liminar e da sentença. Em decorrência, a Impugnante realizou depósito judicial vinculado ao referido processo; b) A fiscalização não mais poderia efetuar a revisão de oficio do lançamento, em razão do decurso do prazo decadencial; c) Ante a decadência da revisão de oficio do auto primitivo, este ainda subsistiria, mas seria nulo por falta de amparo fático (motivo); d) Ainda que se entendesse não ter havido decadência para revisão de oficio, ela seria improcedente por erro de direito, ou seja, aplicação equivocada da legislação tributária de regência; e e) Por fim, ainda que se admitisse não ter havido erro de direito, a revisão de oficio deveria ter excluído o montante então depositado judicialmente pela impugnante, sob pena de locupletamento indevido da Fazenda Nacional. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 LANÇAMENTO FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não se confirmando os fundamentos de fato que deram origem A. autuação, elemento obrigatório do auto de infração, nos termos do artigo 10III do Decreto n° 70.235/72, é incabível a manutenção do lançamento. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Tendo exonerado crédito tributário em valor superior ao limite de alçada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro submete a decisão à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em Recurso de Ofício, nos termos do artigo 34 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Depreendese dos autos que a Fiscalização Federal, em procedimento de revisão interna das DCTF apresentadas pelo contribuinte, concluiu pela inexistência dos processos judiciais informados nas Declarações, ou porque o contribuinte não figurava como proponente da ação indicada (CNPJ distinto), ou por não ter encontrado o processo judicial indicado. Realizada a autuação fiscal, o contribuinte compareceu perante o Órgão Fiscalizador, impugnando o lançamento. Apresentou o processo judicial não localizado pelo Fisco e, em relação àquele no qual o CNPJ era divergente, esclareceu tratarse de ação impetrada pelos postos de combustível, determinando que ele, distribuidor, depositasse, sob suspensão, o valor do PIS devido a título de substituto tributário. Por não ter proposto a ação, embora sujeito à ordem dela emanada, não constava como proponente, razão pela qual foi identificada a divergência do CNPJ informado na DCTF em comparação com o que constava nas ações judiciais declaradas. Resolvida a questão, o processo foi encaminhado1 à Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário (Dicat) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro. Baseada no Despacho Derat/RJO/Dimco nº 61, de 18 de junho de 2009, expedido pela Divisão dos Maiores Contribuintes, que acompanhava as medidas judiciais impetradas pela parte, a Dicat procedeu à revisão do lançamento consignado no Auto de Infração original, sob fundamento de que “...não subsiste mais qualquer amparo judicial para as compensações efetuadas pelo contribuinte. Portanto, impõese a cobrança imediata dos débitos indevidamente compensados”. Revisado o lançamento, o processo seguiu para julgamento em primeira instância, que considerou indevida a cobrança, recorrendo de ofício a este Conselho. Agiu corretamente a Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Com efeito, peço licença aos que divergem do meu entendimento para dizer que, pessoalmente, não vejo como autuação desta forma conduzida pudesse prosperar. Como se sabe, muito se discute quando, por conta de intercorrências próprias do processo dialético do julgamento, as razões de decidir do julgador não guardam perfeita identidade com a fundamentação encontrada no auto de infração sub judice. Quanto a isso, não vejo razão para protesto. De fato, nem mesmo consigo imaginar como se poderia evitar que certos desalinhamentos apareçam no curso do litígio, muitas vezes como resultado da leitura 1 ao que tudo indica, pois não logrei êxito em encontrar o despacho de encaminhamento. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10768.005218/200211 Acórdão n.º 3102001.932 S3C1T2 Fl. 4 5 pessoal que cada um faz dos fatos apresentados e das normas legais que lhes sejam aplicáveis, outras motivados por novos elementos trazidos aos autos. Contudo, não me parece que tenha sido isso o que aconteceu no vertente caso. Em lugar disso, viuse que, uma vez que a empresa tivesse sido autuada pela falta de comprovação dos processos judiciais informados na DCTF, impugnou a exigência e comprovou a sua existência, sanando o problema. Não há nenhuma indicação no Processo de que os documentos apresentados na impugnação ao lançamento (me refiro à primeira) fossem insuficientes para regularização da situação fiscal que ensejou a constituição do crédito no Auto de Infração. Inobstante, em lugar de tomar uma decisão definitiva sobre a procedência da autuação, a Secretaria da Receita Federal determinou que seu encaminhamento a um setor específico para aguardar a solução do litígio judicial. Não tenho dúvida, a situação fiscal que deu azo à autuação foi resolvida no momento da apresentação da impugnação (primeira) ao lançamento, com a comprovação dos processos judiciais até então considerados não comprovados. O encaminhamento do processo para controle deveuse exclusivamente à pendência de decisão judicial final e à possibilidade de que ela modificasse a situação válida para aquele momento. Quando finalmente a empresa deixou de contar com o respaldo jurisdicional, tentouse aproveitar o lançamento já realizado. No entanto, a sua motivação original não guardava nenhuma relação com a situação nova. É fato que não se pode ignorar que houve um ato de revisão do lançamento, o que, aparentemente, só ocorreu justamente para que tais obstáculos não frustrassem a efetivação do ingresso dos valores consignados no Auto de Infração. Apesar disso, além de todos os aspectos acima suscitados em relação à pertinência do procedimento adotado, a ciência do contribuinte da revisão do lançamento data de 17 de julho de 2009 (fls. 122) e corresponde a fatos geradores do ano de 1997 e um Auto de Infração emitido no ano de 2002 (fls.17). Determina o Código Tributário Nacional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não existindo o direito da Fazenda Pública. Salvo melhor juízo, por qualquer leitura que se faça da delimitação contida no parágrafo único do artigo 149 do Código, o direito da Fazenda Pública revisar o lançamento original, em 17 de julho de 2009, já estava ou prescrito ou decaído. Melhor que, segundo informa a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há depósitos judiciais suficientes para satisfação do crédito tributário devido pela empresa autuada. Isto tudo posto, importa reproduzir alguns arestos extraídos de julgamentos processados em outras Turmas deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que seguem na mesma direção aqui proposta. Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20181364 do Processo 10935001775200366 08/08/2008 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998 PIS. REVISÃO DE DCTF. ACUSAÇÃO INICIAL. SUPERAÇÃO. EFEITOS. É improcedente o lançamento efetuado em revisão de DCTF, cuja acusação inicial de "processo judicial não comprovado" tenha sido afastada pela demonstração da existência da ação judicial. LANÇAMENTO. REVISÃO DE DCTF. ACUSAÇÃO INCONSISTENTE. REVISÃO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. COMPETÃSNCIA E FALTA DE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE DO PROCESSO. SUPERAÇÃO PELA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Sendo improcedente parcialmente o lançamento original, não é admissível como forma de saneamento processual em sede de "revisão de lançamento" que a projeção da Administração Tributária da Delegacia de origem altere a sua fundamentação com desatenção aos requisitos formais da revisão de lançamento. A alteração da fundamentação legal representa materialmente a revisão de lançamento definida no art. 149 do CTN e deve ser praticada por servidor competente, com obediência ao disposto no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 11 do Decreto no 70.235, de 1972. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Recurso voluntário provido em parte. 3ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial Acórdão nº 380300478 do Processo 13005000662200332 28/06/2010 Ementa ASSUNTO: COFINS AUTO DE INFRAÇÃO DCTF.PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/98 A 05/98. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO EMITIDO PELO SISTEMA SIEF FISCALIZAÇÃO ELETRÔNICA EM DECORRÊNCIA DE REVISÃO INTERNA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO DECORRENTE DE AUDITORIA INTERNA NA DCTF, POR CONTA DE PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL O LANÇAMENTO DEVER SER CANCELADO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DAREM PROVIMENTO AO RECURSO, PARA CANCELAR O LANÇAMENTO. 3ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Acórdão nº 330200801 do Processo 10480009446200278 02/02/2011 Ementa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 A 31/12/1998COFINS. LANÇAMENTO. REVISÃO DE DCTF. VINCULAÇÕES. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. FUNDAMENTAÇÃO SUPERADA. NO CASO DE LANÇAMENTO EFETUADO A PARTIR DA REVISÃO DAS DECLARAÇÕES DE CRÉDITOS E DÉBITOS FEDERAIS DCTF, A PROVA DA EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL CUJA NÃO COMPROVAÇÃO TENHA FUNDAMENTADO O AUTO DE INFRAÇÃO IMPLICA A IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO VISTOS, Fl. 395DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10768.005218/200211 Acórdão n.º 3102001.932 S3C1T2 Fl. 5 7 RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS,ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR. Finalmente, devese acrescentar que, conforme informa o Ato de Revisão do Lançamento, o crédito tributário exigido do contribuinte e impugnado foi apenas aquele fundamentado na inexistência dos processos judiciais informados nas DCTF (abaixo referenciado como primeiro caso). Por essa razão o Recurso de Ofício não deve ser conhecido na parte em que se refere aos casos de falta de confirmação de inclusão do CNPJ do contribuinte no processo judicial informado. Ressaltamos o fato de que os débitos do PA 04 a 06, tiveram dois tipos de vinculação, conforme Anexo I do Auto de Infração, em fls. 11: > Compensação sem DARF (Processo n°95.4422546, objeto da referida cobrança) > Exigibilidade Suspensa (Processo n° 91.00110566) Para que a cobrança ficasse limitada ao primeiro caso, efetuamos a “Validação Total" no segundo caso que, após a emissão do DARF, voltará a condição de Suspensão até a decisão final da respectiva Ação Judicial. VOTO NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício em relação ao crédito tributário constituído no Auto de Infração sob o fundamento “Proc. Jud. Não comprovado” (nº processo 95.4422546) e POR NÃO CONHECER do Recurso em relação aos demais valores objeto da Decisão. Sala de Sessões, 23 de julho de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 396DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900475/2012-43
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 75 /2 01 2- 43 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900475/201243 Acórdão n.º 3803006.183 S3TE03 Fl. 78 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.015478/2005-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2000, 2001
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS.
A entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins sobre a receita relativa a sua atividade própria (aquela compatível com o seu objeto social), ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moreira Junior votaram pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ISENÇÃO. ATIVIDADE PRÓPRIA. ABRANGÊNCIA DO TERMO. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. A entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins sobre a receita relativa a sua atividade própria (aquela compatível com o seu objeto social), ainda que tenha origem em contraprestação direta dos beneficiários dos serviços prestados. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso de voluntário. Os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Thiago Moreira Junior votaram pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 54 78 /2 00 5- 07 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescido de juros e multa proporcional, no valor total de R$ 676.663,22, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2000 e 2001. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 03/11, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 676.663,22, incluindo juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 04/05. A autuação ocorreu em virtude de falta de recolhimento da Cofins referentes às receitas não próprias, decorrentes de mensalidades escolares e taxas escolares por corresponderem à contraprestação dos serviços prestados pela entidade. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 05. • Cientificado em 10/11/05 (fls. 03), o interessado apresentou, em 07/12/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 108/137, acompanhado dos documentos de fls. 138/163, com as suas razões de defesa, assim resumidas: Conforme assevera a própria autoridade autuante no termo de verificação fiscal, o contribuinte fiscalizado é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, detentora de Declaração de Utilidade Pública Federal, de caráter beneficente, filantrópico, educativo, cultural e de assistência social, que tem por finalidade principal a proteção à infância, à adolescência, à velhice e a seus familiares. Em virtude disso, a autora faz juz ao beneficio fiscal da imunidade previsto no art. 195, § 7° da Constituição Federal. A interpretação que fundamentou a autuação fiscal em epígrafe não se coaduna com os ditames constitucionais e com a legislação em voga, devendo ser, pois, considerada insubsistente a exigência fiscal. • O conceito de imunidade, na acepção restrita, é aplicado às normas constitucionais que vedam a tributação de determinadas pessoas, fatos ou bens, através da delimitação expressa da competência tributária. A Constituição Federal vigente, em seu artigo 150, inciso VI, "C", desenhou os contornos para delimitar a imunidade a impostos das entidades sem fins lucrativos, em relação ao património, renda ou serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades imunes. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.015478/200507 Acórdão n.º 3202001.121 S3C2T2 Fl. 210 3 Além desta hipótese, a Constituição de 1988 previu outra hipótese de imunidade tributária, essa restrita às entidades beneficentes de assistência social. Esta hipótese é prevista no § 7° do art. 195 do texto Constitucional pátrio e tem como objeto as contribuições sociais para a seguridade social. Numa interpretação lógicosistemática, e imperioso concluir que, por força do art. 146, II da CF, o ato normativo a que se referiu o comando constitucional disposto no art. 195, § 7° trata se de uma lei complementar. Sendo assim, o art. 6% III da LC n° 70/91 regulou a proibição constitucional de incidência da Cofins sobre as receitas auferidas pelas entidades beneficentes e de assistência social, que deu o status de imunidade a esses entes. Além disso, apesar de não fazer expressamente menção às entidades que prestam serviços educacionais, é pacífico tanto na doutrina, quanto na jurisprudência que o Constituinte estendeu a imunidade prevista no art. 195, § 7° àqueles entes. Sendo assim, a expressão "entidade beneficente e assistência social" posta no art. 195, § 7° do texto constitucional, está disposta de forma genérica, alcançando as entidades educacionais sem fins lucrativos. Vale ressaltar, ainda, que, como já foi dito acima, cabe à lei complementar regulamentar as limitações constitucionais ao poder de tributar. Sendo assim, como ainda não foi editada nenhuma norma desse tipo para dispor sobre o assunto, é o CTN que regula essas • exigências. No mesmo sentido da regulamentação da imunidade tributária a impostos, destinada a instituições de educação e de assistência social, é o art. 14 do CTN que prevê os requisitos para a fruição da imunidade tributária a contribuições para a seguridade social deferida às entidades beneficentes de assistência social. Os requisitos para a fruição da imunidade tributária à Cofins são os mesmos pra a fruição da imunidade tributária a impostos, ou seja: a) serem entidades beneficentes de assistência social; b) não apresentarem fins lucrativos; c) não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; d) aplicarem integralmente no país os seus recursos; e) que os recursos sejam utilizados exclusivamente na manutenção dos seus objetivos institucionais; f) manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Todos estes requisitos foram e estão sendo rigorosamente cumpridos pelo impugnante. Além de todos estes o impugnante Fl. 210DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 ainda cumpre as exigências previstas no art. 55 • da Lei 8.212/91. Não há espaço para a cobrança da Cofins, tanto no mundo fático, em razão do cumprimento de todas as exigências legais, quanto no mundo jurídico. Acontece que, contrariando os ditames constitucionais, a atual Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2002, em seu art. 93, II, "a", revogou a isenção disposta na Lei Complementar n° 70/91. Não seria razoável a equiparação de uma lei ordinária à uma lei complementar, tendo aquela poderes de anular dispositivos desta que engloba, em sua criação, uma esfera política bem mais abrangente e específica. Cabe registrar que salta aos olhos a revogação dos dispositivos da Lei Complementar 70/91 por medida provisória (lei ordinária), introduzindo modificações significativas na Cofins, em desrespeito à hierarquia das leis, caracterizando a inconstitucionalidade da Medida Provisória 2158/2001, bem como a violação do princípio da segurança jurídica dos cidadãos. Quando a Medida Provisória n° 215835, de 24 de agosto de 2001, promove alterações no campo de incidência da Cofins, está ela, em conseqüência, alterando uma limitação ao poder de tributar, em confronto direto com o texto constitucional. Sendo assim, continua plenamente aplicável o art. 6°, IIl da LC 70/91, ou seja, as entidades beneficentes de assistência social, incluídas aí as prestadoras de serviços educacionais sem fins lucrativos, continuam tendo todas as suas receitas protegidas pela imunidade à incidência da Cofins. Quando a entidade beneficente de assistência social pratica operações de venda de mercadorias e prestação de serviços, ou quando cobra determinada quantia pelas matriculas e mensalidades dos seus cursos, ou, ainda, quando cobra determinado valor pela utilização de seus salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade e receitas de aplicações financeiras, ela não visa concorrer com os demais agentes econômicos, que foram criados exclusivamente para o exercício de atividades empresariais. O objetivo da entidade é auferir receitas extras que possam lhe ajudar, ou até mesmo garantir sua existência, para cobrir todas as suas despesas. Vale ressaltar que a impugnante, ou qualquer outra entidade beneficente de assistência social não teria condições de funcionar e cumprir suas finalidades específicas, se não tivesse patrimônio e outras fontes de recursos. A obtenção das referidas receitas sem que haja o desvio dessa renda para o custeio de despesas que não guardem compatibilidade com os fins para os quais foi constituída a Fl. 211DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.015478/200507 Acórdão n.º 3202001.121 S3C2T2 Fl. 211 5 impugnante, não pode ser invocada pelo fisco como circunstância impeditiva do reconhecimento do direito que ela se arroga, mesmo porque o próprio inciso II do art. 14 do CTN, ao admitir a aplicação de recursos derivados da atividade imune, não deixa dúvida de que está abrindo espaço à contraprestação derivada do patrimônio e de seus serviços, e pouco importa ao montante da contraprestação obtida, porque, na verdade, o que se veda é a distribuição de lucros ou benefícios, o que efetivamente não ocorre e nunca ocorreu. Requer a anulação do auto de infração. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/BHE n.º 0218.849, de 25/08/2008 (fls. 166/175), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Lançamento Procedente Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 179/200, por meio do qual basicamente repete os argumentos já apresentados na impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento decorreu da falta de recolhimento da Cofins sobre receitas que a fiscalização denominou de “não próprias”, oriundas do recebimento de mensalidades escolares Fl. 212DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 e taxas escolares, as quais, no seu entender, por corresponderem à contraprestação dos serviços prestados pela Recorrente, deveriam ter sido oferecidas à tributação. Vale destacar que a fiscalização constatou que a Recorrente é sociedade civil sem fins lucrativos, detentora de Declaração de Utilidade Pública Federal, conforme Decreto n° 91.108, de 12 de março de 1985, e certidão com validade até 30 de abril de 2006, bem como que figura como beneficiária de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, CNAS, nos termos do inciso II do artigo 55, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 (fls. 46/47). Pois bem. Em 29/06/1999, foi editada a Medida Provisória MP n.° 1.8586, de 1999, que, no inciso X do art. 14, isentou da Cofins as receitas decorrentes das atividades próprias das entidades relacionadas no art. 13 do mesmo diploma, entre as quais se incluem as instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n.º 9.532, de 1997. Depois de várias reedições, a referida MP foi revogada. Atualmente, o dispositivo, com a mesma redação, encontrase encartado no art. 14 da MP n.º 2.152835, de 2001: Art.13.A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: [...] III – instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...) Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (g.n.). Visando regulamentála, o Poder Executivo editou, em 17/12/2002, o Decreto n.º 4.524, de 2002, que dispôs, em seu art. 46: Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Parágrafo único. Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três Fl. 213DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.015478/200507 Acórdão n.º 3202001.121 S3C2T2 Fl. 212 7 anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. (g.n.). O conceito de atividade própria – que, como se vê, não estava definido na lei, tampouco no diploma regulamentar – só foi explicitado na Instrução Normativa – RFB n.º 247, de 21/11/2002, e nos termos seguintes: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9 º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1 º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei n º 8.212, de 1991. § 2 º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (g.n.). Portanto, ao menos para a RFB, havendo contraprestação direta (como no caso: recebimento de mensalidades escolares e taxas escolares), não há falar em receita decorrente de atividade própria, pelo que o valor daí originado deveria integrar a base de cálculo da Cofins. Não é o nosso entendimento. Isso porque o legislador ordinário não conferiu à Administração Pública o poderdever de regulamentar o dispositivo. Simplesmente instituiu a isenção (tratase, na verdade, de imunidade tributária, prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal), e na hipótese prevista: receita decorrente de atividade própria, sem estabelecer qualquer outro requisito, como a inexistência de contraprestação direta pela atividade realizada. Ao tentar disciplinála, a RFB restringiu inadvertidamente a isenção, estatuindo requisito não previsto na lei que criou o benefício. Afinal, como ato infralegal que é, a IN RFB n.º 247, de 2002, apenas se destinava a explicitar os comandos legais, de molde a permitir a sua execução pela própria Administração Pública. Assim, não podem vincular os contribuintes, mas apenas somente ela própria. Já quanto ao conceito de atividade própria, ela não pode ser outra – até o senso comum autoriza essa conclusão – que não aquela exercida em conformidade com o objeto social da entidade. Com efeito, o conceito dessa atividade não pode ir tão longe, como defendem alguns, a ponto de abranger as receitas derivadas de qualquer outra atividade, ainda que Fl. 214DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 posteriormente venham a ser aplicadas na realização do objeto social da entidade. Não é a aplicação da receita que condiciona a isenção, mas a sua origem. Exemplifiquemos. Imaginese uma entidade de assistência social que, entre outros bens, possua um imóvel que fora alugado para uma empresa de estacionamento de veículos. Essa receita de aluguel, porque não derivada da atividade fim da entidade, não pode vir a ser excluída da base de cálculo da Cofins, mesmo que integralmente aplicada na realização de seu objeto social. Isso seria absolutamente incompatível com a expressão “relativas às atividades próprias”, prevista no art. 14, X, da MP n.º 2.152835, de 2001. A aplicação desses recursos, reafirmamos aqui, não condiciona a isenção. O que importa é saber de que atividade eles se originam – se própria, porque condizente com aquilo que a entidade se propõe a fazer, ou se imprópria, se a atividade exercida for qualquer outra. Condicionar, como se fez, que a receita decorrente de atividade própria não corresponda a uma contraprestação direta do beneficiário do serviço prestado invade a esfera de competência do legislador ordinário, que apenas previu, como condição para a isenção, a origem da receita (da atividade própria), nada mais que isso. Outro seria o voto se a condição (a contraprestação) fosse estabelecida pelo decreto regulamentar, em vista da impossibilidade de este Colegiado afastar a sua aplicação (art. 62 da Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009). Não é o caso, porém. Comungando com o entendimento que adotamos, vejamse as seguintes ementas de decisões do CARF: ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. ABRANGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. (Acórdão nº 3201001457, Rel. designado Cons. Daniel Mariz Gudiño, Sessão de 22/10/2013) ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. ABRANGÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. (Acórdão nº 3401002.233, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Sessão de 25/04/2013). IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. Em conformidade com a constituição federal, e, tratando de Instituição de educação e de assistência social, sem fins Fl. 215DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10680.015478/200507 Acórdão n.º 3202001.121 S3C2T2 Fl. 213 9 lucrativos, atendidos os requisitos da imunidade, na linha da melhor doutrina e de acordo com a jurisprudência do STF e STJ, a imunidade da entidade deve ser reconhecida como um todo, capaz de abranger toda e qualquer receita proveniente de sua atividade. (Acórdão nº 3403001.918, Rel. Cons. Domingos de Sá Filho, Sessão de 27/02/2013). ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL IMUNIDADE. ABRANGÊNCIA. SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI N°8.212/91. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei n° 8.212/91, a entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. (Acórdão nº 930301521, Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda, Sessão de 04/07/2011). ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades. (Acórdão nº 330201.563, Rel. Cons. José Antônio Francisco, Sessão de 25/04/2012). Com relação às ementas acima que se referem ao art. 55 da Lei n.º 8.212, de 1991 (instituiu o plano de custeio da Seguridade Social), sabese que o Supremo Tribunal Federal, nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI n.º 20285, já havia suspendido a eficácia dos dispositivos legais que descaracterizavam, como sem fins lucrativos, as entidades que prestavam serviço remunerado. Hoje, o art. 55 da Lei n.º 8.212, de 1991, encontrase revogado pelo art. 44 da Lei n.º 12.101, de 27/11/2009. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 216DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017590/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. Art. 30, inciso I, alínea a, da Lei n.( 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
O descumprimento dos requisitos fixados na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa estágio.
O pagamento irregular de bolsas a alunos de graduação e pós-graduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerar-se-á o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 59, por não proceder ao desconto da contribuição previdenciária na remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. Art. 30, inciso I, alínea a, da Lei n.( 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O descumprimento dos requisitos fixados na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa estágio. O pagamento irregular de bolsas a alunos de graduação e pós-graduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerar-se-á o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego. Recurso Voluntário Negado
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Art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei n.° 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. ESTAGIÁRIO. SEGURADO EMPREGADO. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. O descumprimento dos requisitos fixados na Lei n° 6.494/77 e a presença dos elementos caracterizadores da condição de segurado empregado impõem a desconsideração do vínculo pactuado sob o título de estágio e a incidência de contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de bolsa estágio. O pagamento irregular de bolsas a alunos de graduação e pósgraduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerarseá o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, Código de Fundamento Legal 59, por não proceder ao desconto da contribuição previdenciária na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 75 90 /2 00 9- 52 Fl. 644DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.017590/200952 Acórdão n.º 2302003.189 S2C3T2 Fl. 645 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 590 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de auto de infração lavrado contra a FUNDAÇÃO CHRISTIANO OTTONI, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212, de 24/7/1991, artigo 30, inciso I, alínea “a” e Lei nº 10.666, de 8/5/2003, artigo 4º, caput combinado com o disposto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 216, inciso I, alínea “a” (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 59). Conforme relatório fiscal da infração (fl. 5), o sujeito passivo deixou de descontar contribuições previdenciárias devidas pelos segurados tendo em vista têlos considerados como estagiários bolsistas com contratos firmados em desacordo com a legislação de regência. Deixou ainda de efetuar a arrecadação incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e sobre despesas com educação de alguns empregados custeadas em desacordo com a legislação previdenciária (para fins de não incidência). Consta, ainda no relatório fiscal do auto de infração que não ficaram configuradas circunstâncias agravantes previstas no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 290. De acordo com as informações do relatório fiscal da multa aplicada (fl. 6) e, em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa de R$ 1.329,18, calculada da forma prevista pela Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102 e pelo Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 283, inciso I, alínea “g” e artigo 373. O valor foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 48, de 12/2/2009, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 13/2/2009. O auditor elaborou quadro discriminando nome, CPF, remuneração e contribuição devida (pelo segurado) e não descontada pelo sujeito passivo (fls. 33/118). A ação fiscal foi precedida do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF (fls. 8/9), do qual foi dada ciência ao contribuinte no dia 30/3/2009 (conforme assinatura à fl. 9). A documentação para realização do procedimento fiscal foi solicitada por meio Fl. 646DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 do mencionado TIPF e por meio dos Termos de Intimação Fiscal – TIF (fls. 10/15). Cientificada do presente AI em 15/12/2009, conforme assinatura à fl. 2, a autuada apresentou defesa (fls. 142/165) em 11/01/2010 (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 609 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: a) nulidade da decisão, em razão do cerceamento do direito de defesa, por não ter sido dada oportunidade à recorrente para a produção de prova testemunhal; b) afirma que a decisão colegiada não enfrentou todos os vícios apontados pela recorrente; c) incompetência da autoridade para o reconhecimento de vínculo empregatício; d) as supostas irregularidades constatadas pelo autuante, na verdade, não eram obrigatórias na vigência da Lei 6.944/77 e do Decreto 87.497/82, motivo pelo qual a autuada não pode ser punida por fato pretérito ocorrido antes da vigência da nova lei; e) para que haja a caracterização de vínculo empregatício, nos termos da Lei 6.494/77, não são meras irregularidades que automaticamente ocasionam a existência de vínculo, mas sim o desvirtuamento do seu objetivo, o que não é o caso dos autos; f) as bolsas estavam vinculadas a um projeto, ao contrário do asseverado na decisão, constando tais projetos do termo de requerimento de bolsa, bem como das portarias expedidas, não havendo que se falar em reconhecimento de vínculo empregatício; g) as atividades desenvolvidas pelos bolsistas não são atividades fins da autuada; h) inexistência de subordinação, existindo apenas coordenação e acompanhamento; i) bolsa não deve ser confundida com remuneração, pois possui natureza fomentadora e não de contraprestação; j) os valores destinados ao ensino superior não são considerados salários de contribuição, não incidindo qualquer recolhimento previdenciário. É o relatório. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.017590/200952 Acórdão n.º 2302003.189 S2C3T2 Fl. 646 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi DA INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Aduz a recorrente que o lançamento deve ser anulado por não ter sido dada oportunidade ao contribuinte para a apresentação de prova testemunhal. Compulsando os autos verificase que, conforme os documentos discriminados no relatório fiscal, foram analisados diversos documentos que deram ensejo à lavratura do auto de infração em questão. Assim, cumpre salientar que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material. Segundo esse princípio, a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligências que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos ao processo. Dessa forma, esvaziam as argumentações trazidas pelo contribuinte no sentido de defender a existência de nulidade do processo administrativo, pois o julgador pode analisar as provas necessárias à formação de sua convicção, não estando vinculado a análise deprovas que não sejam pertinentes ou sejam desnecessárias ao esclarecimento dos fatos. Além disso, não consta nos autos nenhum incidente processual que comprove a dificuldade recorrente em se defender, o que demonstra o acerto do agente fiscal. Cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A recorrente, em suas alegações, não afastou a existência do descumprimento da obrigação acessória de não proceder o desconto da contribuição previdenciária da remuneração dos segurados a recorrente infringiu o disposto no artigo 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 8.212/91. Desse modo, passo a enfrentar os argumentos trazidos pelo contribuinte, com os fundamentos também delineados na análise da exigência da obrigação principal. DAS BOLSAS DE ESTÁGIO, MONITORIA, INICIAÇÃO CIENTÍFICA, APERFEIÇOAMENTO, MESTRADO E DOUTORADO. A fiscalização considerou os contratos de concessão como irregulares, pois não tinham a intermediação Fl. 648DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 obrigatória da instituição de ensino, e nem qualquer vinculação ao convênio celebrado entre a Universidade Federal de Minas Gerais e a recorrente. Também afirmou que não restou comprovado que o estágio estava na programação pedagógica da UFMG. Em seus argumentos, a recorrente dispõe que as irregularidades constatadas pelo autuante, na verdade, não eram obrigatórias na vigência da Lei 6.944/77. Entretanto, cabe salientar que o relatório fiscal do auto de infração, relativo à obrigação principal (processo nº 15504.017584/200903) tomou como base a lei vigente à época do período fiscalizado, como segue (fl. 60): 7. A legislação determina que para a caracterização e realização efetiva do Estágio existe a obrigatoriedade deste estar inserido na programação didáticopedagógica da Instituição de Ensino que o estudante frequenta e fazer parte do currículo escolar, constituindose em complementação de aprendizado e, ainda, são exigíveis os seguintes instrumentos jurídicos: CONVÊNIO DE ESTÁGIO, que é um acordo de parceria entre a Unidade Concedente e a instituição de ensino; TERMO DE COMPROMISSO DE ESTÁGIO, documento celebrado entre o estudante e a empresa concedente, com interveniência obrigatória da Instituição de Ensino de origem do estudante, que se constitui como documento exigível para comprovação de inexistência de vínculo empregatício, devendo mencionar em seu conteúdo o convênio de estágio a que se vincula (art. 3º da Lei 6.494/77 – artigos 5º e 6º §§1º e 2º do Decreto 87.497/82). Acrescentese que os documentos analisados foram: folhas de pagamento, Guias de Recolhimento constantes da conta corrente da empresa, Contratos de Concessão de Bolsas dos Estagiários e Bolsistas servidores da UFMG, Projetos de Pesquisa, legislação pertinente, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), telas de vínculo empregatício do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) para confirmação de vínculos dos bolsistas da UFMG, documentação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), documentação de salário maternidade, fichas de registro de empregados, livros razão, livros diários n.º 73 a 78 registrados no Cartório de Pessoas Jurídicas José Neri sob o n.º 66.455 – Livro A em 05/09/2006, averbados, respectivamente, sob números 522 a 527, foi apresentado também os dados em arquivos digitais. Desse modo, observase que a constatação da infração teve como base inúmeros documentos que identificaram o descumprimento do previsto na legislação aplicável à concessão de bolsas. Pelo que se extrai dos autos, não restou demonstrado o cumprimento de todos os requisitos da Lei n.º 6.494/77, bem como do seu regulamento (Decreto 87.497/82), portanto, encontramse presentes os elementos caracterizadores do segurado empregado, sendo que as importâncias pagas a título de bolsa estágio integram o saláriodecontribuição, conforme art. 28, § 9º, alínea “i”, da Lei 8.212/91, impondose o enquadramento dos trabalhadores como segurados obrigatórios na qualidade de empregados, desconsiderandose o vínculo tacitamente pactuado sob o título de estágio, pois estão presentes todos os pressupostos da relação de emprego, quais sejam: não eventualidade; subordinação; pessoalidade e onerosidade. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.017590/200952 Acórdão n.º 2302003.189 S2C3T2 Fl. 647 7 DAS BOLSAS DE ENSINO E EXTENSÃO. A concessão de bolsas de ensino e extensão está prevista na Lei n.º 8.958/94 e no Decreto n.º 5.205/2004. Assim, verificase que é necessário o cumprimento de alguns requisitos previstos em lei, dentre eles o de que as bolsas de ensino, pesquisa ou extensão devem estar necessariamente vinculadas a um projeto de pesquisa, ensino ou extensão, ou para o desenvolvimento institucional, científico ou tecnológico de interesse das instituições federais contratantes, elaborado previamente, conforme metodologia científica aplicável à espécie, para fins de não incidência de contribuições sociais. Salientese que a recorrente não apresentou nenhuma comprovação de que os projetos tenham sido consignados em plano institucional aprovado pelo órgão superior da instituição. Ao final, destacase que a multa pela infração em destaque é fixa, independentemente do número de transgressões, de sorte que basta um único caso de descumprimento do preceito legal para que o Auto de Infração prospere. Assim, não tendo a recorrente desconstituído a totalidade das infrações, cumpre manter o Auto de Infração, na forma como lavrado. Desse modo, descumprido requisito legal, considerase saláriode contribuição o pagamento das referidas bolsas, sendo, portanto, passível de incidência tributária. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 650DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 11080.005261/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL NA EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO. CONSTATAÇÃO DA AUSÊNCIA, NO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO, DA EXPRESSÃO SEM O RESTABELECIMENTO DA MULTA DE MORA.
Verificada a ausência no dispositivo do acórdão da expressão sem o restabelecimento da multa de mora, é de se complementar os fundamentos do acórdão recorrido, para corrigir a omissão contida no acórdão neste particular.
CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA.
Evidenciado que a citação de fonte pagadora diferente daquela emitente do documento no qual se baseou a decisão proferida no acórdão embargado constitui mera inexatidão material, por lapso manifesto, a alegada contradição fica superada diante do contexto descrito no referido acórdão.
Embargos acolhidos em parte, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração para complementar os fundamentos e também sanar os erros materiais contidos no Acórdão nº 2802-002.588, de 19 de novembro de 2013, passando o dispositivo da decisão nele expresso a figurar nos seguintes termos: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator".
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL NA EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO. CONSTATAÇÃO DA AUSÊNCIA, NO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO, DA EXPRESSÃO “SEM O RESTABELECIMENTO DA MULTA DE MORA”. Verificada a ausência no dispositivo do acórdão da expressão “sem o restabelecimento da multa de mora”, é de se complementar os fundamentos do acórdão recorrido, para corrigir a omissão contida no acórdão neste particular. CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. Evidenciado que a citação de fonte pagadora diferente daquela emitente do documento no qual se baseou a decisão proferida no acórdão embargado constitui mera inexatidão material, por lapso manifesto, a alegada contradição fica superada diante do contexto descrito no referido acórdão. Embargos acolhidos em parte, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração para complementar os fundamentos e também sanar os erros materiais contidos no Acórdão nº 2802002.588, de 19 de novembro de 2013, passando o dispositivo da decisão nele expresso a figurar nos seguintes termos: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator". (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 52 61 /2 00 9- 36 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Ciente do Acórdão 2802002.588, proferido em 19 de novembro de 2013 pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF (fls. 464/479), em 15/03/2014, sábado, fls. 508/509, o contribuinte opôs Embargos de Declaração, fls. 511 a 518, em 21/03/2014, sustentando, em síntese, que houve: a) erro material em face da aplicação da multa no DARF anexo à intimação do acórdão; b) omissão em relação à prova anexa aos autos (Acórdão do TCU), e; c) contradição no acórdão, eis que teria apontado a Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS como fonte pagadora, baseandose em documento que comprova informação diversa. O acórdão embargado teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE EXTENSÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo, pesquisa e extensão caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a seus fins e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. (Súmula CARF nº 73). Recurso Provido em Parte. Em relação ao primeiro ponto, a embargante alega que “a Autoridade Administrativa incorreu em erro material, eis que ao invés de apenas excluir a multa de ofício como dito no acórdão, inseriu outra penalidade na DARF anexa à intimação.” Nesse aspecto, aduz que, apesar de o acórdão haver claramente excluída a multa de ofício, sem substituíla por qualquer outra, bem como haver sido corretamente Fl. 536DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.005261/200936 Acórdão n.º 2802002.928 S2TE02 Fl. 525 3 executada essa decisão no sistema SIEF, fls. 493, o DARF emitido para o pagamento do crédito tributário remanescente discrimina parcela relativa à multa de mora no montante de 20% (vinte por cento). No tocante ao segundo ponto, a embargante alega omissão em relação à prova anexa aos autos, uma vez que entende que não houve manifestação quanto ao conteúdo do acórdão do Tribunal de Contas da União – TCU, no que tange à isenção. Aduz que a decisão embargada apenas transcreveu a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ quanto a esse ponto, a qual também entende que não teria adentrado na questão. Nesse contexto, explica a embargante que: “Isso porque, no acórdão do TCU, há expressa afirmação de que as bolsas de extensão obedecem ao disposto no art. 6º, do Decreto nº 5.205/94, ou seja: que não se caracterizam como prestação de serviços e nem se revestem economicamente para o doador, cumprindo, portanto, os requisitos para fruir a isenção do IRPF.” Quanto ao terceiro ponto tratado nos embargos, destaca a embargante que “o acórdão embargado afirma como sendo a UFRGS a pessoa doadora, embasando sua conclusão no documento de fls. 42”. Em seguida, aduz a embargante: “Entretanto, as fls. 42 (e seguintes) comprova(m) que a fonte pagadora é a FMRS e não a UFRGS, incorrendo em clara contradição”. Para a embargante, “É forçoso o esclarecimento de tal contradição, eis que um dos principais argumentos utilizados pela Turma julgadora para negar a isenção foi a prestação de serviços em favor da UFRGS, suposta doadora (omitindo, assim, uma alegada relação de trabalho)”. Requer o conhecimento e o acolhimento dos embargos de declaração para corrigir erro material constante na execução do acórdão e para que sejam sanadas a omissão e a contradição apontadas, sob pena de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Tendo em vista que a relatora do acórdão recorrido não mais integra esta turma de julgamento, este Conselheiro foi designado como Relator ad hoc, nos termos do §7º do art. 49, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. O exame de admissibilidade dos embargos em referência foi realizado em consonância com o disposto no § 2º do art. 65 do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 2009, com redação dada pela Portaria MF nº 586, de 2009 – RICARF), tendo este Relator pronunciado pela admissibilidade do primeiro e terceiro pontos dos embargos. A rejeição do segundo ponto dos embargados foi pronunciada nos seguintes termos: “Cabe salientar que, conforme jurisprudência pacífica do STJ, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada. Nesse aspecto, a relatora do voto condutor do acórdão embargado, após transcrever a legislação citada pelo próprio embargante, deixou claro que, na situação sob análise, concordava com a conclusão do lançamento do acórdão a quo no sentido de que os pagamentos decorreram da contraprestação Fl. 537DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 de serviços e que “A simples descrição das atividades realizadas pela recorrente, demonstra seu nítido caráter de contraprestação de serviços”. Fundamentando esse entendimento, assim manifestou a relatora, especificamente em relação ao ponto embargado: Como bem destacado no acórdão de primeira instância: ‘(...) No que diz respeito ao documento emitido pelo TCU, relativo ao processo 001.622/20102, juntado aos autos pelo interessado, constatase que o mesmo informa que os pagamentos efetuados pela Fundação Médica a seus associados, em forma de bolsas de extensão e pesquisa, referente aos convênios ou contratos celebrados, caracterizamse como bolsas, não criando vínculo empregatício de qualquer natureza. Destarte, o fato de inexistir vínculo empregatício entre a Fundação Medica e os professores bolsistas não tem o condão de classificar as referidas bolsas como rendimentos isentos, não sujeitos à incidência do imposto de renda. Acrescentese, mais uma vez, que a isenção depende de lei específica, conforme estabelece o § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 17/03/93.’ Nesse aspecto, sobressai do conteúdo expresso nos embargos apresentados pelo contribuinte que, na verdade, sua intenção é provocar a rediscussão do mérito da questão já devidamente enfrentada pelo acórdão recorrido, o que é defeso em sede de embargos de declaração, razão pela qual os embargos devem ser rejeitados em relação e esse ponto.” Considerando tal pronunciamento, o Presidente desta 2ª Turma Especial admitiu os embargos submetendoo à apreciação deste Colegiado tão somente em relação erro material que teria causado a emissão do DARF com exigência da multa de mora, tratado no primeiro ponto dos embargos, e à inexatidão material por lapso manifesto (relacionada ao terceiro ponto dos embargos). É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Os embargos de declaração foram opostos tempestivamente. Contudo, conforme relatado, nos termos do Despacho do Presidente desta 2ª Turma Especial, fls. 524 a 528, estes somente foram admitidos em relação à omissão que resultou em erro material na geração do DARF com acréscimo da multa de mora (primeiro ponto dos embargos) e à inexatidão material por lapso manifesto (relacionado ao terceiro ponto dos embargos). Em relação ao primeiro ponto, entendo que a falta da indicação da expressão “sem o restabelecimento da multa de mora”, tanto na conclusão do voto como no corpo do Fl. 538DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.005261/200936 Acórdão n.º 2802002.928 S2TE02 Fl. 526 5 dispositivo do acórdão, possa ter provocado, por parte da autoridade preparadora, a emissão dos DARF de fls. 494, com o acréscimo da multa de mora. Esse procedimento se deve ao fato de, tal como tem entendido esse Colegiado, a exemplo do Acórdão nº 2802001.028, julgado em 27 de setembro de 2011, a exclusão da multa de ofício não implica em aplicação da multa de mora, pois exigir a multa de mora nessa circunstância seria inovar o lançamento, procedimento este vedado nessa fase recursal. Sendo assim, em relação a esse primeiro ponto, os embargos de declaração devem se acolhidos para complementar os fundamentos expressos no voto do Acórdão nº 2802001.028, passando seu dispositivo a figurar nos seguintes termos: “Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator.” Em relação ao terceiro ponto dos embargos, entende o contribuinte que há contradição no acórdão, eis que teria apontado a Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS como fonte pagadora, baseandose em documento, fls. 42, que comprova que a fonte pagadora seria a Fundação Médica do Rio Grande do Sul – FMRS. Em relação ao assunto, inicialmente, seria bom observar que, conforme mencionado logo no início do voto condutor do acórdão embargado, o lançamento fiscal se baseou exclusivamente na constatação de que as bolsas de estudo recebidas pelo contribuinte “constituem rendimento tributável, por consistirem em retribuição à contraprestação de serviços”. Diferente, pois, da questão suscitada pela defesa que, desde a apresentação da impugnação, pretende demonstrar que referidas bolsas constituem doações, para fins de aplicação da regra de isenção prevista no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995. Ocorre que, conforme mencionado pelo acórdão embargado “para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços.” Nesse sentido, concluiu a decisão embargada que o atendimento cumulativo desses requisitos se torna indispensável para que verbas em discussão sejam consideradas isentas. Asseverou, ainda, a decisão embargada que: “Basta que um deles não ocorra no caso concreto, para que prevaleça a regra geral de tributação”. Diante disso, a meu ver, fica prejudicada a tese apresentada pela defesa desde o início da instauração do litígio fiscal, haja vista que, conforme destacado pela decisão embargada, quando do exame do projeto firmado entre a universidade e sua fundação de apoio, Fl. 539DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 a FUNDAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL: “A simples descrição das atividades realizadas pela recorrente, demonstra seu nítido caráter de contraprestação de serviços”. A despeito de, em nenhum momento dos autos, o contribuinte ter apresentado argumentos robustos que pudessem contrapor a tal entendimento, do exame dos trechos do voto destacado pelos embargos de declaração verificase que a hipótese de contradição também não se configurou no caso concreto, senão vejamos: Foram esses os seguintes trechos do acórdão destacado pelos embargos de declaração: Desta forma, entendo que os valores pagos na forma de bolsa de estudos e pesquisa à contribuinte constituem pagamento pelos serviços técnicos prestados em favor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, de sua fundação de apoio, a Fundação Médica do RGS. (...) “Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a Fundação Médica do RGS, entidade que concedeu a bolsa, mas sim a UFSM, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. (...) Conforme se verifica dos autos, o pagamento das referidas verbas foi feito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sem retenção do imposto de renda na fonte, fls. 42, que partindo do entendimento de que as referidas verbas eram referentes a bolsas de estudos, e assim tinham caráter indenizatório.” O primeiro trecho foi extraído da conclusão proferida pela relatora do acórdão embargado, diante do contexto trazido pela transcrição do seguinte excerto da decisão da DRJ: “Os documentos sob exame, não obstante denominados de "Termo de Compromisso", tratam, na verdade, de acordos de vontades contratos estipulados entre a Fundação e o impugnante, determinando direitos e deveres para ambas as partes. A prestação das atividades de preceptoria e coordenadoria, obrigação do contribuinte, corresponde a obrigação da Fundação de pagamento da "bolsa de extensão", durante a vigência do contrato, obrigação essa que possui o nítido caráter de contraprestação. Os projetos realizados, de acordo com o contrato, propiciam ao professor da UFRGS, instituição à qual o HCPA está vinculado, o desempenho de atividades complementares à docência, sob a forma de educação e/ou produção intelectual. Essas atividades se consubstanciam, na realidade, em efetiva prestação de serviços educacionais de enfermagem. Destaquese que o HCPA é diretamente beneficiado com o pagamento das "bolsas de extensão" pela Fundação, pois a atividade da recorrente contribui tanto para que o Hospital realize a prestação de serviços de enfermagem quanto para que o HCPA atue como hospital escola da UFRGS. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.005261/200936 Acórdão n.º 2802002.928 S2TE02 Fl. 527 7 Tais benefícios à pessoa doadora (HCPA) têm, indubitavelmente, clara faceta econômica, desnaturando, conjuntamente com o caráter de prestação de serviços das atividades desenvolvidas sob o programa, a pretensão à isenção com relação às "bolsas de extensão" concedidas pela Fundação à contribuinte. (...)” Portanto, ao contrário do que afirma a embargante, o acórdão recorrido não menciona a UFRGS como entidade doadora. Do segundo trecho transcrito nos embargos, percebese que ele se refere à parte do voto na qual foram examinadas as decisões administrativas e judiciais transcritas pelo embargante em seu recurso voluntário, conforme a seguir se transcreve do voto proferido pela relatora do acórdão embargado: “Quanto à esfera judicial, de fato o recorrente demonstra a existência de diversas decisões da Justiça Federal de Santa Maria/RS que consideraram bolsas de estudo semelhantes como isentas. Salvo melhor juízo, um dos principais fundamentos desses julgados é que não houve produção de vantagens para a fundação que concedeu as bolsas, a não ser pela consecução de seus objetivos estatutários. Em outras palavras, o beneficiário dos serviços não seria a Fundação Médica do RGS, entidade que concedeu a bolsa, mas sim a UFSM, e logo o resultado não se daria em proveito o doador. Com todo respeito que o argumento merece, penso que não se sustenta a uma análise mais aprofundada. A uma, porque os recursos que financiaram as bolsas derivam das entidades que se beneficiaram diretamente com os serviços. E a duas, porque o art. 6º do Decreto n° 5.204, de 2004, determina que os resultados das bolsas de ensino, pesquisa e extensão não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta. Se o argumento fosse correto, estaria aberta uma verdadeira avenida para a supressão de tributos sobre verbas remuneratórias, bastando repassar os valores a serem pagos.” Percebese, pois, que a relatora do voto ao mencionar a UFSM o faz no contexto da analise das decisões judiciais proferidas pela Justiça Federal de Santa Maria/RS, que haviam sido mencionadas pelo próprio contribuinte em seu recurso voluntário. Daí, mais uma vez, nenhuma razão ao embargante em dizer que o acórdão embargado teria mencionado que a UFRGS constituiuse em entidade doadora. O terceiro e último trecho do voto do acórdão embargado, que foi transcrito nos embargos, está relacionado aos argumentos expostos pela relatora em razão da contestação apresentada pelo recorrente quanto à aplicação da multa de ofício. Nesse contexto, embora se constate pelo documento de fls. 42 que a fonte pagadora foi a Fundação Médica do Rio Grande do Sul – FMRS, mencionada nos embargos, o Fl. 541DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 fato de a decisão embargada haver citado a Universidade Federal do Rio Grande do Sul não autoriza a conclusão dada pela embargante no sentido de que “o acórdão embargado afirma como sendo a UFRGS a pessoa doadora, embasando sua conclusão no documento de fls. 42”. Fica evidente, pois, que do contexto no qual citou o documento de fls. 42, o acórdão embargado, na verdade, incorrera em mera inexatidão material por lapso manifesto, e não contradição conforme pretendeu a embargante. Diante dessa evidência, o terceiro trecho do acórdão destacado pelos embargos deverá figurar com a seguinte redação: Conforme se verifica dos autos, o pagamento das referidas verbas foi feito pela Fundação Médica do Rio Grande do Sul, sem retenção do imposto de renda na fonte, fls. 42, que partindo do entendimento de que as referidas verbas eram referentes a bolsas de estudos, e assim tinham caráter indenizatório. Diante do exposto, entendo que os embargos de declaração devam ser acolhidos em parte para sanar os erros materiais consistentes na omissão da expressão “sem o restabelecimento da multa” na conclusão e no corpo do dispositivo do acórdão embargado, e na substituição da expressão “Universidade Federal do Rio Grande do Sul” pela fonte pagadora “Fundação Médica do Rio Grande do Sul” do trecho do voto no qual menciona o documento de fls. 42. Voto por acolher em parte os embargos de declaração para complementar os fundamentos e também sanar os erros materiais contidos no Acórdão nº 2802002.588, de 19 de novembro de 2013, passando o dispositivo da decisão nele expresso a figurar nos seguintes termos: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, nos termos do voto do relator”. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 542DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720061/2007-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10920.007785/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Jonathan Barros Vita.
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E COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Jonathan Barros Vita. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 07 78 5/ 20 08 -8 9 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10920.007785/200889 Resolução nº 3302000.424 S3C3T2 Fl. 971 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de Recurso contra decisão proferida pela DRJ de Florianópolis que reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento de créditos de COFINS relativos ao quarto trimestre de 2006. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA APLICADA DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO DE BENS. Desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência, geram direito a créditos no regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins os valores pagos a outra pessoa jurídica em decorrência da locação de mãodeobra diretamente aplicada na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MERCADORIA IMPORTADA. DRAWBACK. Mercadoria importada sob o regime aduaneiro de drawback não gera direito a créditos no regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A glosa efetuada pela autoridade que proferiu o despacho decisório no âmbito da DRF de Joinvile foi assim resumido pelo acórdão recorrido: Linha 02 do Dacon (Mercado Interno) Bens Utilizados como Insumos. Foram glosadas as notas fiscais do fornecedor de CNPJ 00.457.089/000110, pois as mesmas também foram lançadas na linha 06 do Dacon como Despesas de Aluguel de Máquinas e Equipamentos. Linha 03 do Dacon Serviços Utilizados como Insumos. Foi glosada a diferença entre a base de calculo declarada pelo contribuinte e os valores de reembolso de salários e encargos constantes das rubricas fiscais. Valores 'Corno Por exemplo vale . transporte, refei4o, taxa administrativa; etc. não dão direito a crédito. Linha 02 do Dacon (Importação) Bens Utilizados como Insumos. Foram glosados os valores de crédito de Pis/Pasep lançados nos arquivos digitais com o CFOP 3.127 (art 3°, § 2°, inciso H, da Lei 10.637/2002). Fl. 971DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10920.007785/200889 Resolução nº 3302000.424 S3C3T2 Fl. 972 3 A decisão exarada pela DRJ de Florianópolis reconheceu o direito ao crédito em relação as notas fiscais do fornecedor Leo Serviçe Ltda. e ao valor total das notas fiscais de serviços de locação de mão de obra. Contudo, manteve a glosa relativa ao terceiro tópico (créditos relativos a insumos adquiridos no mercado externo) pelos seguintes motivos: Em análise as notas fiscais apresentadas pela contribuinte, quais sejam as notas fiscais cujos créditos foram glosados e os extratos das declarações de importação, verificase que todas as notas fiscais correspondem a operações de drawback. Observase ainda que os registros das Declarações de Importação são explícitos ao informar que as aquisições referidas nas notas fiscais não foram objeto de tributação pela Contribuição ao PIS ou pela Cofins. Desta forma, tendo em vista que as glosas correspondem a importações que não foram objeto de tributação, concluise que a contribuinte não possui direito a crédito em relação a estas operações, estando correta a glosa procedida pela autoridade fiscal. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente alega que: a) existe nulidade na decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a autoridade julgadora não analisou todos os documentos trazidos aos autos; b) nem todas as notas fiscais juntadas aos autos está vinculada a operações de Drawback, e que os créditos utilizados dizem respeito a operações de compras para industrialização. c) juntou documentos e informações com a manifestação de inconformidade seria possível observar o direito ao credito pleiteado; d) que o arquivo digital apresentado à fiscalização continha erros materiais e que o novo arquivo juntado com a manifestação de inconformidade corrigiu estes equívocos. Cita diversos exemplos; Por fim, pugna realização de perícia contábil nos documentos juntados na manifestação de inconformidade e replicados no Recurso e pela exclusão da multa e dos juros aplicados. É o relatório. Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito o presente recurso trata apenas das glosas relativas a aquisição de insumos no mercado externo que a fiscalização entendeu esteram vinculados a operações de drawback e, por conseqüência, estarem com a incidência de PIS e COFINS suspensas. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10920.007785/200889 Resolução nº 3302000.424 S3C3T2 Fl. 973 4 Assim, entendeu a autoridade fiscal que não havendo recolhimento da COFINS na importação seria indevido o credito respectivo. A Recorrente alega que os documentos juntados com a manifestação de inconformidade e replicados no Recurso Voluntário não foram analisados pela autoridade julgador. Pugnou pela realização de diligência a fim de verificar a procedência do alegado. De fato, analisandose as Declarações de Importação e respectivas notas fiscais juntadas aos autos é possível vislumbrar que alguns insumos foram tributados pelo PIS e pela COFINS. Cito como exemplo as notas fiscais 1011 e 1012 (fls) vinculadas a DI nº 06/13138230. Em relação a primeira nota fiscal aparentemente houve oferecimento a tributação do PIS e da COFINS. Já a nota Fiscal 1012, estava realmente vinculada a uma operação de Drawback. A Contribuinte explicou em sua defesa que o primeiro arquivo digital apresentado à fiscalização acabou imputando créditos proporcionalmente a cada uma das notas fiscais citadas. Como tenho me manifestado reiteradamente neste colegiado, entendo que o processo administrativo esta vinculado de maneira indissociável do principio da verdade material, o que implica na necessidade de apuração da real da situação posta sob análise, motivo pelo qual, entendo ser necessário baixar o presente processo em diligência para que a autoridade preparadora análise as notas fiscais apresentadas e as respectivas Declarações de Inconformidade e verifique a existência de créditos passíveis de creditamento. Caso seja necessário, deverão ser solicitados novos documentos e informações ao Recorrente, que ao final deverá ser intimado para manifestarse sobre o resultado dos trabalhos. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 973DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11070.900246/2008-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/10/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei.
DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.
DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/10/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. À exceção do Relator os demais Conselheiros e Suplentes votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 02 46 /2 00 8- 31 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 2 Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 13/08/2004 que buscou compensar créditos de PIS/Pasep alegadamente pago indevidamente ou a maior, de período de apuração setembrod de 2003, com débitos de COFINS, de competência de julho de 2004, no valor total de R$ 3.186,02. Através de Despacho Decisório eletrônico, recebido em 24/04/2008, a DRF em Santo Ângelo/RS não homologou o pedido do contribuinte indicando que, a partir das informações do DARF indicado foram localizados pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do sujeito passivo. Irresignado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que transcreveremos, em sua integralidade, abaixo: Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008. A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou sua decisão na falta de provas para se comprovar o direito. Discorre acerca da falta de espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em consequência, a falta do caráter probatório destas. Ementou como se segue: Inconformada o contribuinte protocolou Recurso Voluntario sucinto que transcreverei a seguir na sua íntegra: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900246/200831 Acórdão n.º 3803004.164 S3TE03 Fl. 42 3 Anexa “planilha de calculo contábil de PIS”, extratos de balancete de verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Das retificações da DCTF e da DACON posteriores ao Despacho Decisório. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindoas integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida como prova suficiente para redução do valor do tributo devido. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543, de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos: “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 4 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos” “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Grifamos” O contribuinte retificou a DCTF e DACON do período, após a ciência do despacho decisório, com isso as declarações retificadoras, não produzem os efeitos modificativos dos débitos originalmente confessados. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900246/200831 Acórdão n.º 3803004.164 S3TE03 Fl. 43 5 Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/Pasep, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos, em sede de manifestação de inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Da apresentação das provas. O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade. A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 6 Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não trazendo documentos fiscais de compras das mercadorias de pessoas físicas nem mesmo a escrita fiscal que registrou tais entradas. Conclusão A retificação da DCTF e da DACON após o conhecimento do despacho decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar seu direito creditório em manifestação de inconformidade, não o fez. Somente em recurso voluntario anexa escrituração contábil, porém nesse momento processual as provas só são admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso da contribuinte. Mesmo que fossem admitidas as provas anexadas em sede de Recurso Voluntario, estas se mostram insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do direito perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO e não reconhecer o direito creditório. É como voto. Sala das sessões, 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA
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