Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10850.722583/2012-18
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10850.722583/2012-18
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366264
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-001.577
nome_arquivo_s : Decisao_10850722583201218.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10850722583201218_5366264.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
id : 5557597
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813178593280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1639; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.722583/201218 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.577 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de agosto de 2013 Matéria Multa Recorrente ALUSHOP ALUMÍNIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 25 83 /2 01 2- 18 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: “Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 13.01.46.37.63.5249, no valor de R$ 5013,18, lavrada em decorrência da entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF de fevereiro de 2010. A interessada foi cientificada da exigência fiscal em 08/08/2012 e apresentou recurso, em 23/08/2012, impugnação cujo conteúdo é resumido a seguir. Inicialmente, após um breve relato dos fatos, a interessada alega nulidade da exigência por ter havido cerceamento de direito de defesa. Diz que o auto de infração não foi devidamente instruído com os documentos que o motivaram e nem mesmo com a DCTF que originou o ilícito tributário. Alega que sem o documento fiscal que motivou a presente multa não pode se defender da autuação. Argumenta que houve cerceamento do seu direito de defesa e pugna pela anulação da multa aplicada. No mérito reclama pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172/66). Sustenta que apresentou a declaração de IRPJ referente ao ano de 2007 e que recolheu todos os tributos devidos que foram declarados na DCTF. No tópico seguinte a contribuinte sustenta a ilegalidade da multa por atraso da DCTF. Diz que somente a Lei pode criar obrigações acessórias e que a exigência de apresentação da DCTF, bem como a imposição de multas, não têm fundamento em lei. Na seqüência a interessada discursa sobre a natureza jurídica das obrigações acessórias, combate a delegação de competência procedida por meio do DecretoLei nº 2.124/84, dizendo que a mesma afronta os princípios da legalidade, da separação dos poderes e da indelegabilidade da competência tributária, e sustenta que as Instruções Normativas que instituem e obrigam a apresentação da DCTF não encontram amparo no ordenamento jurídico. Por fim, no último tópico, a interessada transcreve jurisprudências que, em seu entendimento, sustentam os posicionamentos por ela defendidos. Diante do exposto requer o acolhimento da impugnação, o reconhecimento da nulidade do lançamento e a suspensão da exigibilidade tributária, nos termos do inciso III, art. 151. do CTN.” A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento de que a denúncia espontânea, a teor do artigo 138 do CTN, não se presta ao afastamento de multa decorrente de não cumprimento ou cumprimento em atraso de obrigação acessória. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10850.722583/201218 Acórdão n.º 1801001.577 S1TE01 Fl. 3 3 Regularmente intimada a Recorrente apresenta Recurso Voluntário repetindo os mesmos argumentos lançados em sua impugnação, requerendo ainda subsidiariamente a aplicação de penalidade mínima por não haver imposto a pagar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo. Afasto a preliminar de nulidade por suposto cerceamento de defesa. O Auto de Infração está devidamente fundamentado tendo possibilitado à Recorrente o oferecimento de ampla defesa. O fato de a DCTF apresentada em atraso, objeto da multa, não ter sido anexada ao auto de infração não compromete em nada a defesa da Recorrente, por tratarse de documento do qual possui pleno conhecimento. No mérito a matéria tratada nos autos já foi pacificada nesta turma, assim como sumulada nesta 1º seção, conforme transcrição do voto da Ilustre Relatora, Ana de Barros Fernandes, lançado no acórdão 1801001.523. “O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade de multa, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. “ Quanto à aplicação da penalidade mínima por suposta ausência de valor a pagar na DCTF observase que a multa foi corretamente aplicada tendo por base o valor declarado na respectiva declaração, ainda que integralmente pago. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 Este é o disposto no artigo 10 da IN 695/2006: Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I – de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3 º ; . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001643/2007-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos.
EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo.
Numero da decisão: 3803-005.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins não-cumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E, por unanimidade, em dar provimento quanto ao creditamento de aluguéis pagos ao IPLEMG e em negar provimento quanto aos demais pedidos.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13603.001643/2007-16
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351445
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.249
nome_arquivo_s : Decisao_13603001643200716.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13603001643200716_5351445.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins não-cumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E, por unanimidade, em dar provimento quanto ao creditamento de aluguéis pagos ao IPLEMG e em negar provimento quanto aos demais pedidos. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5475658
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813196419072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1.046 1 1.045 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.001643/200716 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.249 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente ALESAT COMBUSTÍVEIS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins nãocumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 16 43 /2 00 7- 16 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E, por unanimidade, em dar provimento quanto ao creditamento de aluguéis pagos ao IPLEMG e em negar provimento quanto aos demais pedidos. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/ DCOMP onde o contribuinte busca compensar com crédito de COFINS, referente ao último trimestre de 2005, no valor de R$ 437.260,72 com débitos de IRPJ que totalizam o mesmo valor. O contribuinte é empresa que se dedica a atividade de comércio atacadista de combustíveis, como, tais como, gasolina, óleo diesel e gás natural veicular (GNV). Em razão da alteração do domicílio fiscal do sujeito passivo, o presente processo, que foi protocolizado na DRF/Contagem/MG para exame do PER/DCOMP acima, foi encaminhado a Seção de Fiscalização SAFIS da DRF/NATAL/RN, que elaborou o Termo de Informação Fiscal, cujo teor antecipou entendimento contrário ao direito creditório requerido. Após proferir entendimento preliminar, a SAFIS/DRF/NATAL, ao final do Termo de Informação Fiscal, remeteu os autos ao SAORT/DRF/NATAL para apreciação, ainda que preliminar, do direito creditório levando em conta a atividade da empresa e os produtos que comercializa, de conformidade com rol apresentado pelo sujeito passivo, conclui que, para verificação dos créditos seria necessária a análise da escrituração da empresa para identificar as receitas vinculadas a cada um dos regimes de apuração da contribuição para a COFINS. Concluída a diligência requerida veio o Relatório Fiscal que serviu de fundamento para o Despacho decisório que, em síntese, glosou os valores referentes a: I) revenda dos derivados de petróleo em foco, devido a tributação monofásica, onde os tributos são concentrados nas refinarias. Consequentemente, o critério de rateio proporcional, adotado pela contribuinte a partir de outubro de 2005, estaria equivocado. II) armazenagem e frete de operação de venda dos combustíveis derivados do petróleo, ou de álcool para fins carburantes, fundamentando na lei n° 10.833/2003. III) despesas de aluguel e pagamentos a maior que os estipulados em contratos, não comprovados. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.047 3 IV) despesas de arrendamento mercantil. Reconheceu direito creditório em relação a: I) GNV. II) Óleo LCI. III) Querosene. IV) Alugueis, demonstrados por documentação suporte. V) energia elétrica. Dispõe que, relativamente ao 4° trimestre de 2005, não restou qualquer crédito, a título de contribuição de COFINS. Conclui, portanto, em não reconhecer direito creditório no valor de R$ 437.260,72 e indeferir o PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade a DRJ/REC. renunciando o direito de se defender em relação: a) a parte dos créditos sobre despesas com aluguel; b) aos créditos sobre despesas com arrendamento mercantil; c) aos créditos sobre as despesas de depreciação. Quanto à parte ainda em lide referente a aluguéis o manifestante apresenta contratos com o propósito de comprovar um valor total de R$ 341.038,76. Em relação ao pleito de créditos de COFINS sobre armazenagem e frete, constrói sua tese, alegando, em síntese: I) que o direito creditório pleiteado não se vincula aos combustíveis adquiridos (com tributação concentrada na fase anterior, "monofásica") e sim aos gastos com fretes e armazenamento decorrentes de tais receitas. II) discorre sobre a nãocumulatividade de COFINS em relação a gasolina e óleo diesel. III) que o fato de as receitas se sujeitarem ao regime monofásico não significa que tais receitas não se sujeitam à sistemática da nãocumulatividade. IV) que os percentuais de rateio proporcionais adotados pela recorrente a partir de outubro de 2005 estão corretos, pois tanto as receitas de óleo diesel quanto as de gasolina são computadas na sistemática nãocumulativa. V) que pratica atividade de beneficiamento da gasolina, ao misturar gasolina, tipo A, a álcool anidro, tendo como resultado gasolina tipo C. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 VI) que todo o processo produtivo acima qualifica a recorrente não como mera comerciante revendedora de combustíveis, mas como uma empresa que desenvolve verdadeiro e típico processo de beneficiamento de gasolina. Requer ao final que seja reconhecido o pagamento efetuado em relação a despesas de aluguel apresentadas. Pede o reconhecimento da totalidade dos créditos da contribuição para o COFINS apropriados sobre despesas de armazenagem e frete. A Delegacia de Julgamento não reconheceu o direito ao creditamento relativo às despesas com aluguéis pagos ao Instituto de Previdência do Estado de Minas Gerais IPLEMG, assim argumentou: É cediço que aluguel não é aquisição de bens ou de serviços, mas o dispositivo que interessa é o que trata especificamente dos aluguéis (inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) e quando o legislador fala em pessoa jurídica, com muito mais propriedade, quer se referir a quem é contribuinte e não se está, com esta interpretação, ferindo o princípio da nãocumulatividade, pois não há sentido em se falar em cumulação quando o tributo não incidiu na etapa anterior. Por fim deu provimento parcial a Manifestação de Inconformidade. Ementou como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INDEFERIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório, o Pedido de Ressarcimento será indeferido e as Declarações de Compensação a ele vinculadas não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão das refinarias e dos importadores de combustíveis derivados de petróleo na sistemática não cumulativa da Cofins pela Lei nº 10.865/2004 em nada Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.048 5 alterou a situação dos distribuidores e varejistas, que continuaram tributados à alíquota zero, na condição de nãocontribuintes, sem direito a crédito, seja relativo aos custos nas aquisições dos produtos revendidos, seja referente às despesas e encargos de comercialização. A incidência monofásica é incompatível com a técnica do creditamento nas etapas desoneradas do tributo, nas quais não há cumulatividade a ser evitada, razão pela qual as receitas com a revenda de produtos cuja cadeia de produção e comercialização tem tributação concentrada em etapa anterior devem ser consideradas fora da não cumulatividade no cálculo do rateio proporcional de que trata o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. MISTURA DE ÁLCOOL ANIDRO À GASOLINA. DISTRIBUIDOR. COMERCIANTE. O fato de os distribuidores de combustíveis misturarem a gasolina “Tipo A” com o álcool anidro, para a obtenção da gasolina Tipo “C”, não os caracterizam como estabelecimentos industriais, mas como simples comerciantes, tanto à luz da legislação do IPI como da Cofins. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, por meio do qual afirma seu direito à apuração dos créditos de COFINS referentes às despesas com o pagamento de aluguéis ao IPLEMG, uma vez que: a) o art. 3º, inciso IV, das leis 10.637/02 e 10.833/03 se refere apenas a “pessoa jurídica” de modo genérico, excluindo apenas as pessoas físicas; b) aluguel não se enquadra no conceito de “aquisição de bens e serviços”, dessa forma o direito ao crédito não é limitado pelo art. 3º, §2º, inciso II das leis 10.637/02 e 10.833/03 c)o hermeneuta não pode interpretar a lei extensivamente de modo a incluir aluguel pago a autarquia pública como despesa não passível de creditamento. Alega que, diferentemente do que ocorre no caso do IPI, há regra expressa permitindo o creditamento mesmo quando as saídas/vendas são desoneradas, no art. 3º, §2º, II, das Leis nº10.637/2002 e nº10.833/2003. Reitera que o crédito pleiteado não é apurado em função das aquisições desses produtos para venda, que busca ver reconhecido o crédito de outras despesas e ônus suportados pela recorrente. Com isso, versa sobre o direito de creditarse de gastos referentes a fretes e armazenagem de mercadorias, por entender, serem insumos próprios da sua atividade. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido para: Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 a) reconhecer o direito ao crédito de COFINS vinculados aos gastos com aluguéis pagos ao Instituto de Previdência do Estado de Minas Gerais; b) reconhecer que o direito ao crédito de COFINS, à exceção dos créditos decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica, está assegurado sempre que houver a incidência dessas contribuições sobre as receitas auferidas por terceiros correspondentes aos respetivos custos (que geram crédito) incorridos pela Recorrente; c) declarar que as receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível pelas distribuidoras de combustíveis, como a Recorrente, passaram, desde 01/08/2004, a se submeter ao regime da não cumulatividade da COFINS, determinandose, por conseguinte, a revisão da Tabela elaborada pelo auditor fiscal para fins de cálculo dos créditos comuns, de modo a incluir as aludidas receitas (inseridas na Coluna “Demais Receitas”) entre as chamadas receitas nãocumulativas, com o consequente recálculo dos créditos comuns homologados pela fiscalização; d) reconhecer o direito da empresa ao aproveitamento dos créditos de COFINS de frete e armazenagem vinculados às vendas de gasolina e óleo diesel; e) reconhecer em sua integralidade o crédito representado pelo PER referente ao 4º Trimestre de 2005, para reconhecer a regularidade das compensações efetuadas, homologandoas em sua totalidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente é empresa que se dedica à atividade de comércio atacadista de produtos combustíveis, como gasolina, óleo diesel e gás natural veicular. Analisando as contribuição para o PIS e para a COFINS vemos que passaram a ser regidas a partir do anocalendário de 1999, pela Lei n° 9.718, de 27/11/1998 cujo art. 4° impôs regime de substituição tributária por meio do qual a contribuição para o PIS e a COFINS devida pelas distribuidoras e pelos comerciantes varejistas sobre as receitas de derivados de petróleo eram recolhidas antecipadamente pelas refinarias. O instituto da "Substituição Tributária" destinava às refinarias a função legal de recolher antecipadamente o valor das contribuições devidas pelos distribuidores e Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.049 7 comerciantes varejistas, isto é, antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, no que diz respeito aos demais participantes da cadeia de comercialização. Posteriormente, o art. 3° da Lei n° 9.990, de 21/07/2000 c/c o art. 42, I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001 instituíram regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses derivados por parte dos revendedores, ou seja, dos distribuidores e comerciantes varejistas. As lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003 criaram, nas situações ali especificadas, tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS/COFINS. Quando inicialmente instituídas foram excluídas da sistemática nãocumulativa da contribuição para o PIS as operações de venda de combustíveis derivados de petróleo nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°, I e II e §§7° e 8°; e art. 8°, VII, “a” da Lei n° 10.637/2002, da mesma forma para a COFINS nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°; I e II e §§7° e 8°; e art. 10°, VII, “a” da Lei n° 10.833/2003. Em 1° de agosto de 2004, entraram em vigor novas alterações na incidência da contribuição para PIS/Cofins no que se refere aos derivados de petróleo, desta vez, trazidas pela Lei 10.865/2004. As mudanças trouxeram a sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS e para a COFINS, por meio dos artigos 37 e 21, respectivamente, da Lei n° 10.865/2004. Reforçando este entendimento o artigo 15 da Lei nº 10.833/03 determina expressamente que a aplicação da nãocumulatividade do PIS para o caso dos incisos I e II do parágrafo 3º do artigo 1º da mesma norma. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; Os dispositivos legais transcritos a seguir, da Lei n° 10.637/2002, com a nova redação, são de suma importância para o pleno entendimento da questão: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária;[...] Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I – nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) no § 1o do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;[...] Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o:[...] VII— as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1º;” Com a nova redação, a restrição do art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10, VII, “a” da Lei nº 10.833/2003 passou a não mais abranger os derivados de petróleo de que trata a Lei 9.990/2000. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.050 9 O que se discute agora, visto não se tratar de um sistema cumulativo, é a possibilidade das distribuidoras se creditarem dos custos de distribuição dos combustíveis, em especial, os custos com fretes e armazenagem deste produtos. Percebese que a lei não instituiu que as distribuidoras e varejistas não possam se creditar dos custos de distribuição, mas vedaram (à época dos fatos), expressamente, o creditamento em relação a bens adquiridos para revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e de venda de álcool para fins carburantes. O crédito pedido pela Recorrente diz respeito ao art. 3º, IX da Lei nº 10.833/03, que, no seu entendimento, permiti o desconto de créditos de frete e armazenagem sobre os produtos que comercializa. O inciso IX do art. 3º da lei 10.833/03 dispõe que o crédito se aplica nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. Por sua vez, a Fazenda Nacional afirma que o contribuinte não é regulado pelos dois primeiros incisos desse artigo, uma vez que não se trata de um produtor ou prestador de serviços (inciso II) e que a alínea “b” do inciso I exclui as mercadorias e produtos referidos nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º da mesma lei, onde se encontra a gasolina e o óleo diesel. O Recorrente afirma não ser meramente um comerciante, mas sim uma empresa que desenvolve verdadeiro processo de beneficiamento da gasolina. Afirma então ser a gasolina tipo ”C” obtida após mistura de álcool anidro e gasolina tipo “A”, um típico produto industrializado. Nesta duvidosa interpretação, quer a empresa provar que o frete e armazenagem são insumos em sua atividade industrial, de forma a se enquadrar no inciso II do art. 3º da lei 10.833/03, uma vez que tal inciso referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. A simples mistura de dois produtos, para a adequação do combustível à legislação, não caracteriza atividade industrial. Menciono parte do voto preferido pelo relator Gilson Macedo Rosenburg Filho, por ocasião do recurso nº 504.580, processo administrativo 10865.002267/200881, julgado pela 1a turma da 4a Câmara da 3a seção: “Por outro lado, com a devida vênia, e a exemplo da Recorrente, não compartilho com a primeira parte dos argumentos utilizados pela instância de piso, qual seja, a de apoiarse na regra do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, pois, a meu ver, e na linha do que defendera a Unidade de origem, e, agora, diferentemente do que entende a Recorrente, o correto, ou a motivação para o indeferimento é encontrada, dentre outros, na regra do inciso I, letra “a”, do mesmo dispositivo. Ou seja, uma distribuidora de combustíveis que adquire o álcool anidro com o fim exclusivo de adicionálo à gasolina “A” para obter a gasolina “C” que vende ao mercado, e isso, essa mistura, por conta de uma determinação expressa do órgão Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 governamental regulador desse mercado1, não pode ser equiparada ou considerada como um “fabricante” ou “produtor” de bens ou produtos de que trata o inciso II acima reproduzido; bem diferente disso, tratase de um mero comerciante que, como tal, adquire bens para revenda de que trata o inciso I. Como se sabe, não há nenhuma ciência no procedimento de obtenção da gasolina “C”, visto que a mesma decorre da mera adição de determinado percentual do álcool anidro à gasolina “A”, tarefa essa que é feita mediante o simples despejo da primeira no tanque reservatório da segunda. Daí, portanto, a análise do pleito da Recorrente depender da interpretação que se faz da regra contida no inciso I, do artigo 3º e não no inciso II do mesmo artigo.”Grifamos. Não resta dúvida de que o contribuinte não realiza produção ou fabricação. Por outro lado, o contribuinte defende que a referência que o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 faz aos incisos I e II do mesmo artigo é apenas para deixar livre de dúvidas que o frete geraria o crédito tanto nas hipóteses de revenda do produto acabado como nas hipóteses de venda do produto fabricado. Nesse ponto tem razão o contribuinte tendo em vista que a hipótese de creditamento de armazenagem e frete é expressamente prevista no inciso IX disposto da seguinte forma: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Perceba que o dispositivo remete ao caos dos incisos I e II, quais sejam, resumidamente, às hipóteses de revenda ou produção de bens ou produtos. Entendemos que a menção aos incisos I e II é tão somente para especificar as atividades desenvolvidas para o creditamento, necessitando que o ônus da armazenagem e frete sejam suportados pelo vendedor. Importa ressaltar que os produtos descritos nos incisos I e II da Lei nº 10.833/03, que por si só não tem direito a creditamento, são irrelevantes para a finalidade de gerar crédito sobre sua armazenagem e frete. Veja que são situações distintas reguladas por dispositivos distintos, uma concede armazenagem e frete e a outra impossibilita o creditamento sobre os produtos especificados (exemplo, álcool, gasolina e diesel). Em nenhuma hipótese a vedação estabelecida para o creditamento sobre tais produtos (principais) são limitativos do aproveitamento do créditos dos custos com armazenagem e frete, que, no nosso entendimento, é expressamente permitido. 1 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.051 11 Caso não fosse a intenção do legislador atribuir creditamento sobre armazenagem e frete em relação aos mesmos produtos excetuados nas alíneas do inciso I do art. 3º da Lei 10.833/03, tal exceção deveria constar expressamente no próprio inciso IX que regula tal hipótese. Por fim, claro se mostra que as exceções sobre o creditamento dos produtos referidos no incisos I e II do art. 3º da Lei 10.833/03 não são exceções de creditamento de armazenagem e frete. Ponto incontroverso é a aplicação do inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 da COFINS para o PIS, conforme a DRJ/REC assim expresso “De toda forma, ainda que a interpretação da manifestante fosse plausível, a própria lógica da tributação concentrada, por si só, já faz a exclusão que o diligenciante viu na remissão do inciso IX da Lei nº 10.833/2003, também aplicável à Contribuição para o PIS. (G.N.)” pelo que não me oponho neste ponto específico. Dos aluguéis pagos a Pessoa Jurídica de direito público. Quanto as alegações da recorrente a respeito dos créditos vinculados aos custos com aluguéis pagos ao Instituto de Previdência do Estado de Minas Gerais – IPLEMG, pacificado está o entendimento que aluguel não se enquadra no conceito de “aquisição de bens e serviços”, o âmago da questão se encontra na interpretação do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. A DRJ sustenta que a referida norma se refere a quem é contribuinte, preservando o princípio da nãocumulatividade, pois alega não haver sentido em se falar em cumulação quando o tributo não incidiu na etapa anterior. O contribuinte alega que o mesmo dispositivo se refere apenas a “pessoa jurídica” de modo genérico, excluindo apenas as pessoas físicas; e que não se pode interpretar a lei extensivamente de modo a incluir aluguel pago a autarquia pública como despesa não passível de creditamento. Delimitada a controvérsia, assiste razão ao contribuinte uma vez que a lei, em sua literalidade, permite o creditamento sobre aluguéis pagos a pessoa jurídica, não há qualquer empecilho legal em decorrência do não recolhimento de COFINS por parte do locador. A lei estabelece apenas um requisito para o creditamento do aluguel, que ele seja pago a pessoa jurídica e nada mais. O artigo 41 da Lei 10.406/2002 (Código Civil), em seu artigo 41 define as pessoas jurídicas de direito público interno: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III os Municípios; IV as autarquias; Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei.” Sendo o IPLEMG uma pessoa jurídica enquadrada entre o rol do artigo 41 do Código Civil há que se permitir o creditamento em relação aos aluguéis pagos e devidamente comprovados por documentação hábil. Caso a intenção do legislador fosse creditar apenas pagamentos realizados a contribuintes, tal condição seria positivada, o que não ocorre. Portanto, em relação aos pedidos finais da recorrente expressamos o seguinte entendimento: a) Reconhecemos o direito ao crédito de COFINS vinculados aos gastos com aluguéis pagos ao IPLEMG. b) Em relação ao pedido de reconhecimento do direito ao crédito de PIS/COFINS sobre os custos relacionados a produtos com incidência monofásica, entendo que há direito ao crédito mesmo quando sobre a operação incida a alíquota “zero”. c) No que diz respeito ao regime de apuração e cálculo da contribuição para o PIS decorrente das vendas de gasolina e óleo combustível, entendemos que a partir das alterações introduzidas pela Lei 10.865/04 no artigo 1º, § 3º, inciso IV da Lei nº 10.637/02 as refinarias, importadores, distribuidoras e varejistas passaram e ser submetidas ao regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS quanto às receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível. Desta forma, revisese a tabela de cálculo efetuada pela auditoria fiscal. d) Por tudo o que foi dito, entendemos que os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, podem creditarse dos custos e despesas com frete e armazenagem decorrentes da revenda de bens ou produtos, ainda que estes bens ou produtos estejam vedados para o creditamento sobre suas próprias aquisições (alíneas “a” e “b”, incisos I, art.3º da Lei 10.833/03), as exceções previstas para o creditamento do produto principal não se aplicam ao creditamento sobre o creditamento de armazenagem e frete previstos no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para que se revise a tabela elaborada pelo auditor fiscal para que SE CONSIDERE as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina como receitas nãocumulativas, RECONHECER os créditos sobre aluguéis pagos ao IPLEMG observada a proporcionalidade das receitas nãocumulativas sobre as receitas totais e por RECONHECER o creditamento PIS/COFINS sobre custos e despesas de armazenagem e frete. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Voto Vencedor Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.052 13 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O presente voto vencedor é para consignar a divergência levantada em relação ao do entendimento do eminente Relator que sustentou o voto pelo parcial provimento ao recurso voluntário, reformando a decisão recorrida. Seu encaminhamento culminou em considerar nãocumulativas as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina inclusas no regime monofásico, e, consequentemente, em alterar a composição da tabela de receitas elaborada pelo Auditor Fiscal, e em determinar: (i) a revisão dos valores dos créditos concedidos tomando como base a nova proporção (para fins de rateio das despesas e custos comuns) e (ii) a inclusão entre esses créditos os relativos às despesas de armazenagem e frete vinculados à revenda dos produtos. A divergência amparase na interpretação da norma do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, que, ao dispor sobre a aferição do quantum devido na sistemática não cumulativa, excepciona a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores da regra geral contida na cabeça do artigo, à alíquota de 1,65%, incluindoa no regime monofásico, com alíquotas diferenciadas em função de cada tipo de produto derivado de petróleo. Reza o dito dispositivo legal: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1ª, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:[grifo aqui] I – nos incisos I a III do art. 4º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...][grifei] Ao excepcionar a receita auferida pelos produtores e importadores da regra geral, a norma está a dizer, no antecedente, que as bases de cálculo apuradas por esses agentes com os citados produtos, “conforme o disposto no art. 1º”, passaram a estar enquadradas na sistemática não cumulativa, aplicandose a estas alíquotas distintas. Não se está aqui a patrocinar interpretação literal do conteúdo da norma. Todavia, é elementar que o sentido de uma norma é edificado a partir da apreensão tópica do significado, do alcance ou da delimitação de vocábulos expressos e claros de que o texto se serve, e que somente podem ser mitigados ou estendidos se a construção da norma é justificada de forma consistente mediante a integração com outro(s) texto(s) do sistema. No caso presente, a norma do art. 2º, acima, é o substrato por meio do qual se visualizam os agentes da monofasia que ingressaram na não cumulatividade, uma vez ali identificados os destinatários da norma – os produtores e importadores à qual compreensão subordinamse as regras de creditamento na sistemática da não cumulatividade das aludidas contribuições, neste segmento econômico. Não há no ordenamento outro texto que a este se Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 conjugue cuja possível norma que resulte ofereça um olhar amplo e extensivo acerca de outros destinatários submetidos à monofasia dos derivados de petróleo abarcados na sistemática da não cumulatividade. Assento que a norma contida no art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, é a que migra a arrecadação concentrada dos produtos derivados de petróleo para o campo de apuração da sistemática não cumulativa, ao tempo em que desenha a coexistência parcial de ambos os regimes. A parcialidade reside na eleição dos sujeitos destinatários da norma, já referidos, na exclusão dos créditos sobre os ditos produtos submetidos à arrecadação concentrada e na inclusão de demais custos e despesas vinculados ao auferimento das respectivas receitas, inclusive armazenagem e frete na operação de venda. Este fundamento conjugase com o art. 1º, § 3º, I, da mesma lei, que estipula que as receitas decorrentes de saídas sujeitas à alíquota zero não integram a base de cálculo mencionada na cabeça do artigo, vale dizer, as receitas dos distribuidores e comerciantes varejistas de derivados de petróleo (sujeitas à alíquota zero) não integram a base de cálculo na sistemática da não cumulatividade, verbis: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.[...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] Assim: a) identificados os destinatários, segundo o disposto no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 10.637/02, acima – estes, os produtores ou importadores; b) inexistente outro texto legal que permita dar a este, acima, uma significação extensiva, relativamente aos sujeitos; e c) excluídas da não cumulatividade as receitas submetidas à alíquota zero, segundo o disposto no § 1º, do art. 1º, acima, não há como se afirmar que as receitas auferidas por cada um dos demais agentes intervenientes na cadeia de circulação dos produtos derivados de petróleo submetidos ao regime monofásico (à exceção das receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes) – estes, os distribuidores e os comerciantes varejistas passaram a se sujeitar, concomitantemente, à sistemática da não cumulatividade. No olhar da Recorrente o fato juridicizado pela norma trazida pela redação da Lei nº 10.865/04 são as receitas obtidas com os produtos submetidos ao regime monofásico, sendo a mensagem por ela veiculada restrita a este objeto genérico. Enxergar por esta lente é um mote para interpretar que todas as receitas com tais produtos desembarcaram na sistemática não cumulativa abarcando assim os distribuidores e os comerciantes varejistas de tais produtos, indistintamente, como destinatários da norma. Vejo que essa perspectiva de observação e apreensão é notoriamente enviesada e parcial, na medida em que, de modo deliberado, a Interessada irreleva a referência, Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.053 15 no texto, aos produtores e importadores e, via de consequência, desconsidera o fato de que é exatamente a presença desses atores no ventre do art. 2º (que se reporta ao art. 1º, ambos da Lei nº 10.637/02) que revela a circunstância de estes sujeitos passivos operarem a apuração das contribuições na sistemática não cumulativa. Estes, e só estes operam na não cumulatividade. Construída a norma nos termos acima, desfiguramse os argumentos na defesa do suposto direito, com fulcro: a) no art. 21, II, da IN SRF 600/05, reproduzido no art. 27, II, da IN SRF 900/2008, eis que elas regram para situações fáticas abrangidas pela sistemática da não cumulatividade; b) no art. 17 da Lei nº 11.033/04, pela observação de que este artigo inscreve se na sequência de outros (art. 13 ao art. 17) que têm um destinatário específico, os beneficiários do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO, constituindose, por isso, em norma especial a compor a política de benefício fiscal a este setor. Não há na norma do art. 17 parâmetro algum (vocábulo ou expressão) que a conecte com as normas gerais de creditamento previstas nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ou até na Lei nº 10.865/04. A conexão com estas, pela técnica legislativa usual, haveria de se dar por meio de nova redação dada ao respectivo artigo de lei, com a introdução de parágrafo inscrevendo a norma permissiva. Nada obstante a técnica legislativa adotada, numa interpretação um pouco mais ampla, podese ter que a aplicação do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 a par de não estar criando novas possibilidades de créditos destinase a manter o creditamento sobre determinados insumos aplicados em produtos e mercadorias cujas receitas de vendas sofrem normalmente a incidência das contribuições, que poderiam ser utilizados caso não houvesse a adoção de alíquota zero na saída destes. c) nas disposições das medidas provisórias nºs 413/08 e 415/08, pelo fato de que elas não vieram excluir direito preexistente aos créditos pleiteados. A conclusão a se alcançar das ditas medidas provisórias é que elas vieram apenas destacar expressamente o entendimento de que não se aplica o disposto no art. 17 da Lei 11.033∕04 aos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias, consoante o que já previsto no art. 2º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. A força deste entendimento está em convergir com o que já se disse no art. 17, citado. Os dispositivos das medidas provisórias interpretaram a lógica da incompatibilidade do regime monofásico dos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das ditas mercadorias com o sistema de apuração de créditos da não cumulatividade. Tal incompatibilidade não existe, como já manifestado, em relação aos produtores e importadores, que suportam a carga do tributo. Para os demais da cadeia de comercialização o que se dá é repercussão econômica do tributo. Que lógica haveria no sistema, para o âmbito das finanças públicas, que anda pari passu com o Direito Tributário, este como tributário daquelas , com a instituição de regime monofásico para diversos setores, se a Fazenda tem que permitir o creditamento a todos ao agentes da cadeia de circulação, com enorme possibilidade de sempre gerar ressarcimento aos que não apuram a contribuição, por influxo da alíquota zero? Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Qual a lógica, no plano da Administração Tributária, de instituir o regime concentrado de arrecadação e ocupar um arsenal de fatores de atuação para administrar ressarcimentos às pessoas jurídicas distribuidores e comerciantes varejistas, nos moldes da presente disputa? Acaso as receitas com a revenda dos referidos produtos sujeitos à tributação monofásica estivessem realmente incluídas na sistemática da não cumulatividade, gerando direito aos créditos pleiteados, não seria mais pragmático, já que concentrada, operar com alíquotas menores incidentes sobre as receitas dos produtores e importadores e com isso otimizar o uso da máquina fazendária Ambas as reflexões acima não são postas aqui como fundamento da decisão, porquanto, nada obstante ser idéias subsidiárias que auxiliam a compreender o sistema, não são argumentos jurídicos. Qual a lógica (jurídica) dentro do próprio regime da não cumulatividade “ressarcir” créditos sem a contrapartida de débitos que esses outros sujeitos não apuram, quando o princípio convertido em regra da Lei nº 10.637/02 é: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação:...”? Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728351/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/2000. ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MULTA NATUREZA CONFISCATÓRIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR.
A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária.
A autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF.
Os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicá-la obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade.
A perícia tem como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/2000. ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MULTA NATUREZA CONFISCATÓRIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. A autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. Os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicá-la obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade. A perícia tem como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.728351/2009-03
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366353
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.378
nome_arquivo_s : Decisao_10580728351200903.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10580728351200903_5366353.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior e Eduardo de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5558050
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813215293440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 175 1 174 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728351/200903 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.378 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente RÁDIO FM IEMANJÁ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/2000. ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MULTA NATUREZA CONFISCATÓRIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Considerandose o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. A autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. Os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade. A perícia tem como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 51 /2 00 9- 03 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 176 2 As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior e Eduardo de Oliveira. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 177 3 Relatório 1. Tratase de lançamento (Auto de Infração DEBCAD nº 37.261.1818 – R$ 8.894,73) de contribuições previdenciárias, lavrado contra a sociedade empresarial RADIO FM IEMANJÁ LTDA., em decorrência do não recolhimento das exações incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, referentes à Participação nos Lucros e Resultados PLR, correspondentes ao período de 02/2006 a 08/2007. 2. Consoante o Relatório Fiscal de fls. 30 a 37, entendeu a autoridade fiscal pelo cabimento do Auto de Infração por tratarse de valores pagos a empregados a título de PLR da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 e com a Constituição Federal. 3. As contribuições sociais previdenciárias lançadas se referem “exclusivamente a contribuição a cargo da empresa referente a outras entidades e fundos (Terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a legislação.” (fl.30). 4. De acordo com a autoridade fiscal, “o contribuinte apresentou o Regulamento para o Pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos aos anos de 2003, 2004 e 2005, um datado de 12/03/2003, outro sem aposição de data, ambos, porém, protocolados no SINTERP/BA, a destempo em relação à exigência legal, em 04/03/2009, ou seja, somente após o inicio desta ação fiscal, conforme TIPF anexo. Além disso, estes acordos não estabeleceram, consoante legislação específica, nem os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, nem possíveis metas a serem atingidas, nem muito menos as regras de aferição destas variáveis. Há, em verdade, um vazio jurídico sobre a exigência legal. Exigência, aliás, intimamente ligada à natureza jurídica da parcela em questão. Desta forma, é forçoso concluir que a empresa descumpriu "in totum" a legislação sobre a matéria e, por conseqüência, o referido pagamento, embora intitulado "PLR", passou à condição de mera parcela de natureza remuneratória e, como tal, integra o saláriode contribuição para todos os fins legais.” 5. Em síntese, entendeu a fiscalização que os pagamentos feitos no período de 02/2006 a 08/2007, a título de PLR, tem natureza remuneratória, razão pela qual se constituem em base de cálculo da contribuição social previdenciária, uma vez que foram efetuados em desacordo com a legislação de regência. 6. De acordo com o item 6.2, do relatório fiscal (fl. 33), “as contribuições sociais devidas pelo contribuinte, incluídas neste Auto de Infração, serão acrescidos de multa e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n°. 9.430/96, com redação alterada pela MP n° 449, de 03/12/08, convertida na Lei n° 11.941/09.” 7. A empresa foi regularmente cientificada do lançamento fiscal em 17/12/2009, por via postal, conforme Aviso de Recebimento do Serviço dos Correios, nº AR 520809983RL (fl. 56), tendo a autuada, tempestivamente, apresentado impugnação às folhas 57/75, a qual foi encaminhada a Receita Federal do Brasil, por via postal, conforme SEDEX SK229803038BR (fls. 162/63). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 178 4 8. Ao analisar os argumentos apresentados pela empresa, o julgador a quo não acolheu as alegações feitas pela impugnante, mantendo a exigibilidade do débito, do que resultou o acórdão, cuja ementa a seguir transcrevo (fl. 164): “PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição previdenciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 9. Da decisão supra a recorrente foi regularmente notificada em 17/12/2012, conforme AR 0976636668DH, do serviço postal (fl. 174), bem como de outras decisões relativas aos PAF’s de nºs. 10580.728350/200951, 10580.728349/200926 e 10580.72835/22009. Os demais AI’s são os seguintes: DEBCAD/PAF TIPO DE CONTRIBUIÇÕES DATA DE EMISSÃO PERÍODO DO DÉBITO TOTAL CONSOLIDA DO EM 07/12/2009 – R$ MOTIVAÇÃO DO AI 37.212.9528 (10580.728350/200951) Contribuição dos segurados empregados 14/12/2009 02/2006 a 08/2007 5.315,26 Diferenças dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas a título de PLR paga em desacordo com a legislação. 37.212.9510 (10580.728349/200926) Contribuição patronal (EMPRESA e GILRAT) 14/12/2009 02/2006 a 08/2007 45.214,45 Contribuições sociais previdenciárias lançadas se referem “exclusivamente às diferenças patronais (EMPRESA e GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados, em desacordo com a legislação que rege a matéria 37.212.9501 (10580.72835/2200940) Multa por descumprimento de obrigação acessória 14/12/2009 02/2006 a 08/2007 5.316,72 Apresentar a empresa o documento a que se refere à Lei n. 6.212, de 24.07.91, art. 32, Inciso IV e parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9, 523, de 10.12,97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5º, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. 10. Em peça única, acostada ao processo principal, PAF 10580.728349/2009 26, a contribuinte, demonstrando seu inconformismo, apresentou recurso voluntário, fls. 185 a 205, do referido PAF, em 16/01/2013, tendo a autoridade de origem informado, por despacho de 18/01/2013, fl. 205 daqueles autos, que nesta data foi juntado o recurso. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 179 5 11. Com vistas à anulação de todos os AI’s anteriormente mencionados, em peça única, a contribuinte em seu recurso voluntário, basicamente, traz os mesmos argumentos apresentados na impugnação, onde, em síntese, alega que: a) em relação aos presentes autos, os valores pagos aos empregados são relativos à Participação nos Lucros e Resultados, e por isso mesmo desvinculados dos salários, não sendo passíveis de incidência de contribuições sociais porque foram pagos com observância ao art 7º, XI, da Constituição Federal de 1988, assim como o art. 28, § 9°, "j", da Lei n° 8.212/1991. b) com relação ao suposto atraso no registro dos documentos perante o Sindicato, a ora Recorrente salienta que de fato tal atraso ocorreu. No entanto, ressaltase que o fato do registro ter sido tardio junto ao Sindicato não pode acarretar de sobremaneira, a descaracterização da natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR. c) o pagamento da PLR, por si só, não acarreta a obrigação tributária do recolhimento de contribuição previdenciária e, consequentemente, não gera obrigação de declaração em GFIP. d) por não ter se verificado inadimplemento de obrigação tributária é completamente absurda a cobrança, pela Receita Federal, de qualquer multa, seja ela de caráter moratório ou punitivo. Assim, a multa ora aplicada torna se inexigível porque deixouse de observar os princípios constitucionais da Razoabilidade, da Proporcionalidade e do Nãoconfisco. e) por fim, requer reforma do Acórdão recorrido, e, por conseguinte, a improcedência do Auto de Infração (DEBCAD nº 37.261.1818). Alternativamente, caso necessário, requer diligência para a verificação do alegado. 12. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 180 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO MÉRITO – PAGAMENTO DE PLR 2. Tratase de autuação fiscal (DEBCAD nº 37.261.1818) por meio da qual se exige da recorrente contribuições sociais previdenciárias correspondentes “exclusivamente à contribuição a cargo da empresa referentes a outras entidades e fundos (Terceiros , incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a legislação”, tendo, portanto, deixado de atender aos requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000, conferindolhes a natureza salarial, exigindo o pagamento da importância de R$ 8.984,73 referente às competências de 02/2006 a 08/2007 (fl. 30). 3. Notese que, a defesa da contribuinte, além da autuação fiscal (DEBCAD nº 37.261.1818), abrange também os AI’s nº 37.212.9528 (10580.728350/200951), 37.212.9510 (10580.728349/200926) e 37.325.9344 (10580.72835/2200940). 4. A respeito do pagamento da PLR aos trabalhadores a Constituição Federal de 1988, no inciso XI, do artigo 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados da empresa, enfatizando a sua desvinculação da remuneração. Eis o teor do dispositivo constitucional: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei (grifei).” 5. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Rel. Min. Menezes Direito, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei nº 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 25/11/2008). 6. A Lei nº 10.101/00 determina os termos essenciais para que o pagamento da PLR não sofra a incidência de contribuição previdenciária, são eles, nos termos do que determina a legislação. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 181 7 7. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social, em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 8. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância da legislação especial, in casu, Lei nº 10.101/2000. E, uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 9. Do dispositivo exonerativo anteriormente colacionado, verificase que tal previsão legislativa alcança ou se aplica a PLR paga de acordo com os contornos estabelecidos pela lei que regule a participação, e, no caso a Lei nº 10.101/2000. Isto significa que uma PLR paga, a qual de uma forma ou outra não atenda os requisitos da referida lei, entrará no cômputo do salário de contribuição do segurado empregado. 10. Para que uma empresa, portanto, possa efetuar pagamentos aos seus empregados do referido benefício, sem que o mesmo integre o salário de contribuição do segurado, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos, em especial os de natureza material, conforme o dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 182 8 II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” (Grifei). 11. Observese que, ao se falar de requisitos materiais, estes se relacionam ao direito substantivo do trabalhador, bastando a ausência ou inobservância de um deles para que a PLR deixe de ostentar essa natureza, passando a integrar o salário de contribuição do beneficiário. Por outro lado, não terá natureza remuneratória e não será tributada pela Contribuição Previdenciária a PLR, para a qual exista instrumento de negociação, elaborado com a participação obrigatória do sindicato, com regras claras e objetivas, com mecanismo de aferição dos resultados, assim entendido, por exemplo, o mecanismo que comprove como e se foi o objetivo atingido, periodicidade do pagamento, etc., tudo como determina a lei nº 10.101/2000. 12. Posta a norma, passo a analisar o procedimento adotado pela empresa na concessão do benefício. 13. No presente caso, reiterese que o ponto principal da controvérsia instaurado entre o Fisco e a contribuinte concentrase na desconsideração da isenção do pagamento da participação nos Lucros e Resultados (PLR) da empresa. 14. O principal fundamento do Fisco para a lavratura do auto de infração é o fato de que a autuada efetuou pagamentos a título de PLR com inobservância de requisitos legais, portanto, em desacordo com a legislação de regência, a respeito do que trago a colação o constatado pela autoridade fiscal, conforme apontado no item 2.6 do Relatório Fiscal (fl. 32), como segue: “(...). 2.6. O contribuinte apresentou o Regulamento para o Pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos aos anos de 2003, 2004 e 2005, um datado de 12/03/2003, outro sem aposição de data, ambos, porém, protocolados no SINTERP/BA, a destempo em relação a exigência legal, em 04/03/2009, ou seja, somente após o inicio desta ação fiscal, conforme TIPF anexo. Além disso, estes acordos não estabeleceram, consoante legislação específica, nem os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, nem possíveis metas a serem atingidas, nem muito menos as regras de aferição destas variáveis. Há, em verdade, um vazio jurídico sobre a exigência legal. Exigência, aliás, intimamente ligada à natureza jurídica da parcela em questão. Desta forma, é forçoso concluir que a empresa descumpriu "in totum" a legislação sobre a matéria e, por conseqüência, o referido pagamento, embora intitulado "PLR", passou à condição de mera parcela de natureza remuneratória e, como tal, integra o saláriodecontribuição para todos os fins legais”. 15. Vejase que, o acordo para pagamento da participação nos lucros e resultados (PLR) aos trabalhadores foi a destempo remetido ao sindicato para arquivamento, inclusive nos mesmos não constam regras claras e objetivas que fixem o direito à participação e os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado (parágrafos 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000), ficando assim patente a impossibilidade da aferição do direito substantivo conferido pela legislação ao trabalhador. Em idêntica direção Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 183 9 foi a correta análise feita pelo julgador a quo, onde no acórdão recorrido (fls. 169/170) assim se expressa: “Analisandose os Acordos de Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados anexados pela fiscalização e pelo contribuinte, notase que não há a discriminação das regras para aferição da produtividade, nem houve o registro na entidade sindical dos trabalhadores em época própria, descumprindo o quanto foi preceituado no art. 2° da Lei 10.101, de 2000: Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; convenção ou acordo coletivo. §1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifos nossos). Alega a impugnante que apesar da fiscalização considerar que o termo de negociação não evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público. Ocorre que não basta existir as regras, estas devem estar claras no instrumento de negociação, no presente caso: no acordo para participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, conforme determina a Lei 10.101/2000. Reconhece o contribuinte que houve o registro tardio junto ao sindicato, mas que tal fato não pode descaracterizar a natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR. Ocorre que na época em que as verbas foram pagas a título de PLR, a empresa a fez descumprindo a legislação ao não registrar o acordo no sindicato, e somente as verbas pagas em acordo com as Leis 8.212/91 e 10.101/2000 não integram o salário de contribuição. Ademais, somente após o início da presente ação fiscal que a empresa providenciou o devido registro. Por último, junta a impugnante planilha no intuito de comprovar que tais verbas foram pagas respeitando o prazo mínimo de 6 meses. Apesar da fiscalização fazer menção a tal requisito no Relatório Fiscal, ela Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 184 10 não demonstrou claramente seu descumprimento. Ocorre que basta o descumprimento dos outros requisitos aqui demonstrados para caracterizar tais verbas como de natureza remuneratória. Assim, houve motivo suficiente para descaracterizála como parcela não integrante do salário de contribuição. Em conclusão, não tendo sido atendido o conjunto normativo de regência, restaram improfícuas as alegações da Impugnante quanto à natureza não salarial dos valores pagos a título de participação nos lucros, especialmente sob o aspecto tributário, vez que o § 10 do artigo 214 do Decreto nº 3.048/99, que regulamenta o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, determina que as parcelas referidas no § 9º do mesmo artigo legal, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos.” 16. Aliás, a recorrente, em seu recurso voluntário, ela mesma admite que em relação ao atraso no registro do acordo da PLR perante o Sindicato, ocorreu realmente, conforme aventado no item precedente, caracterizado assim o descumprimento desse requisito estabelecido na legislação, uma vez que a entidade referida constituise em elemento basilar das discussões pertinentes, de forma que as regras traçadas no acordo não se destoem dos objetivos da lei e do direito ali tutelado. 17. Compulsando os autos, entretanto, o que de fato se verifica é que, não só em relação a requisitos formais, mas também no que tange aos requisitos materiais, como é o caso de regras de aferibilidade da PLR, a contribuinte não comprovou perante a fiscalização ter atendido os requisitos legais para pagamento dessa participação aos segurados empregados. Assim, este relator, além de concordar com as ponderações feitas pelo julgador de primeira instância, entende como estando correto o enquadramento da rubrica PLR como salário de contribuição paga a empregado em desacordo com as exigências legais, nesse caso, consideradas parcelas de natureza remuneratória para a Seguridade Social. 18. Neste contexto, é importante esclarecer que a fixação de regras objetivas e claras constituemse em elemento essencial para conceder validade ao instrumento da PLR. Dessa forma, reiterese que descumprido esse requisito, inviabilizada estará a aferibilidade do quantum se constitui o benefício e com isto o pagamento da verba perde a sua isenção e consequentemente é incluída na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. 19. Desse modo, e, tendo em conta o exposto no texto da norma, peço vênia para discordar da recorrente, no ponto em que insiste alegar como fez na impugnação de que se trata de pagamento de PLR conforme a legislação, informando, inclusive, que “Ao contrário do quanto alegado no Acórdão recorrido, cabe esclarecer que o termo de negociação evidencia as regras de forma clara, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público desde que a empresa começou a apagar a PLR, antes mesmo da conversão das Medidas Provisórias que culminaram na Lei n° 10.101, razão pela qual não deve prosperar não deve persistir a incidência das contribuições previdenciárias sobre a participação de lucros paga pela empresa a seus funcionários.” 20. Tal afirmativa da recorrente carece de fundamentação e não deve ser acolhida, pois a legislação não contempla como sendo requisito ou condição de clareza o lapso Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 185 11 temporal de existência do acordo da PLR na empresa, tampouco que as regras estabelecidas nesse instrumento sejam de domínio público. 21. Feitos esses esclarecimentos, é necessário apontar que a legislação previdenciária, que delimita a base de cálculo das contribuições sociais, qual seja a Lei nº 8.212/91, prevê que somente estarão excluídas as verbas expressamente discriminadas no § 9º do artigo 28 da referida norma. 22. No tocante ao pagamento de PLR aos trabalhadores, o texto legal é claro: somente quando paga ou creditada de acordo com a lei específica a PLR deixará de compor o salário de contribuição. 23. Quanto à alegação da recorrente de que a obrigação tributária previdenciária teria surgido a partir da ciência do auto de infração não cabe acolhida, uma vez que o seu nascimento ocorre no exato momento em que no mundo real ou dos fatos se verifica como ocorrido a situação hipoteticamente defina na lei como hipótese de incidência, estabelecendose nesse mesmo instante o vínculo jurídico entre credor e devedor, tendo por objeto uma prestação em dinheiro nos moldes previstos no art. 3º do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. 24. Nesse sentido, é o que estabelece o art. 113 do CTN, o qual define como sendo a obrigação tributária de duas espécies, a saber, principal ou acessória. Quanto à principal, esta, conforme o §1° do referido dispositivo, surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. No presente caso o fato gerador se verifica no momento em que a recorrente remunera seus empregados. 25. Da análise dos autos, especialmente dos acordos apresentados para o período fiscalizado, verifico que estes não estão aptos a concederem a isenção previdenciária sobre os pagamentos feitos a título de PLR pela contribuinte, inclusive, importante registrar que a recorrente não trouxe argumentos ou elementos capaz de reverter o lançamento, o qual entendo como regular, haja vista que foi realizado pela fiscalização com observância aos ditames do art. 142 do CTN. 26. Do até aqui exposto, afasto o defendido pela recorrente, no sentido de que efetivamente tenha ela pago PLR nos moldes preconizados na Lei nº 10.101/00, isto porque requisitos de naturezas material e formal deixaram de ser observados, como já apontado anteriormente, de sorte que deve ser mantido o lançamento. DA MULTA APLICADA E DA IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA ALEGAÇÃO DE SEU CARÁTER CONFISCATÓRIO 27. Igualmente fez na impugnação, alega a recorrente que a multa lançada é excessiva, confiscatória, portanto, e afronta os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e o do não confisco, razões pelas quais deve ser afastada. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 186 12 28. Apenas a título de argumentação, é imperioso apontar que esta alegação não deve prosperar, pois o caráter confiscatório da multa somente resta configurado quando o valor agredir violentamente o patrimônio do contribuinte, o que não ocorre na hipótese analisada. 29. Quantos aos princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, utilizados pela recorrente para se contrapor a penalidade, entendo que tais princípios são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade aspectos meritórios de validade de norma posta. 30. Nesse diapasão já é possível sinalizar que o exame da matéria, como articulado no recurso voluntário interposto pela recorrente, inevitavelmente passaria pela análise da constitucionalidade dos dispositivos que fundamentaram a aplicação da penalidade em face do inadimplemento da obrigação tributária pela empresa. 31. No entanto, os fundamentos tomados pela recorrente para sua irresignação, reiterese, não deve ser apreciada por este Conselho, em respeito à competência privativa do Poder Judiciário, já que o afastamento da aplicação da Legislação referente à exigibilidade da multa, no caso ora analisado, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, “a” e III, “b” da Constituição Federal, o que é vedado a este Conselho. Ou seja, a autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tratarse de atividade estranha constitucionalmente as suas atribuições. 32. Sobre a questão, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 33 Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a inconstitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal que atribui ao poder judiciário tal competência, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 34. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 35. Não há que se falar em caráter confiscatório, portanto, da multa prevista, respectivamente, no art. 239, III, "a”, “b” e “c”, parágrafos 2º. ao 6º. e 11, e art. 242, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 187 13 parágrafos 1º. e 2º. (com a redação dada pelo Decreto nº. 3.265, de 29.11.99). do Regulamento da Previdência Social, e, art. 35, da Lei nº 8.212/91 (com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), posto que a atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação, portanto, perfeitamente válido o lançamento em relação a esses aspectos. No presente caso, a multa aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. 36. Do anteriormente apontado, deixo de apreciar eventuais aspectos relacionados à exorbitância da multa imposta ao presente caso, haja vista que não compete a autoridade lançadora ou julgadora dispensar ou reduzir valores de multas, sob o argumento de inconstitucionalidade, aí compreendida abusividade ou ilegalidade. 37. Por outro lado, no caso destes autos o período fiscalizado é 02/2006 a 08/2007 que foi o lançamento consolidado em 07/12/2009, fl. 2, ou seja, a multa foi lançada aplicada variaria de 24% a 100%, a depender da fase do processo administrativo. 38. No caso destes autos a multa aplicada é 75%, como isso pode ser mais benéfico ao contribuinte? Este patamar de 75% só será mais benéfico quando a multa do artigo 35, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, chegasse a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento. 39. Feitos estes esclarecimentos necessários entendo que deve ser aplicado ao lançamento a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, devendo esta ser limitada a 75%, em respeito ao artigo 35A, da Lei nº 8.212/91 na redação da Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. 40. Cumpre ressaltar que, a Lei n.º 11.941/2009 trouxe alterações ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, assim, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao sujeito passivo. 41. Aplicando a situação acima, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. 42. Notese, no caso, não se pode aplicar a multa do artigo 61, § 2º, “a”, pois o presente auto cuida de lançamento de ofício, isto é, aquele realizado pelo fisco. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA 43. Quanto à diligência ventilada pela recorrente, cabe esclarecer que se trata de procedimento, do qual a prova ou informações dela extraída tem como destinatária a autoridade julgadora que fará juízo de valor quanto a ser ela imprescindível ou não para a solução da controvérsia objeto do litígio. 44. Acrescente a isto que, a diligência ou a prova pericial não são buscadas ou obtidas ao sabor do julgador, mas elas sempre serão necessárias nas hipóteses em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 188 14 45. No presente caso, entendo que estão presentes todas as informações suficientes para compreensão dos fatos e solução do litígio, razões pelas quais não vejo como necessária a realização da diligência, aventada de forma vaga e imprecisa pela recorrente, eis que em nenhum momento o fez com observância ao que dispõe o inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235/72, in verbis: “IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).” 46. Assim, tendo em conta que a recorrente, em seu recurso voluntário apenas, de forma alternativa faz ilações da necessidade de diligência sem observar os requisitos estabelecidos no dispositivo acima transcrito, implica em considerar como não tendo sido feito tal pedido, nos termos do §1º, do mesmo artigo, o qual determina que “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” 47. Assim, do até aqui arrazoado, resta patente a impossibilidade de invalidar ou ter como improcedente os procedimentos adotados pelo Agente Fiscal, bem como o deferimento de diligência feito pela recorrente. CONCLUSÃO 48. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe parcial provimento, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914930/2012-75
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
NULIDADE.
As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.914930/2012-75
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5353003
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.244
nome_arquivo_s : Decisao_10830914930201275.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830914930201275_5353003.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5490329
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813237313536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 66 1 65 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.914930/201275 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.244 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente INDASEG CORRETORA DE SEGUROS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 49 30 /2 01 2- 75 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 67 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 10499.93942.160812.1.3.047140, em 16.08.2012, fls. 2327, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$1.202,15 contido no DARF no valor de R$1.212,06 recolhido em 30.05.2008, apurado pelo lucro presumido para fins de compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.202,15 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 68 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0211, suscitando: II Do Mérito II. a Das nulidades O despacho decisório, em que pese o esforço da autoridade administrativa em cumprir os prazos a que está submetida, para não se ver compelida a acatar o ato praticado pelo sujeito passivo, em razão de sua inércia, está totalmente eivado de nulidades. [...] A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta ir existência. A autoridade quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado, sendo que esta deve total obediência à legalidade, nos termos em que preconiza [o art. 37 da] Carta Magna [,...]. Assim sendo, o processo administrativo no âmbito federal, tal como é o caso, tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade administrativa julgadora. Dispõe a Lei n.° 9.784/99: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" [...]. Resta claro que, tendo a administração pública o dever de obediência à legalidade e dispondo a lei que em seus atos tem de ser motivados, logo se conclui facilmente que há o dever de motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tanto é assim que a própria Lei n.° 9.784/99 prevê [...]: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou Interesses; (...) § lº A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato" [...]. Devese entender por motivação, os fundamentos fatídicos e legais que formaram a convicção da autoridade administrativa no caso concreto.Deveras, a autoridade administrativa simplesmente não homologou a compensação realizada pela empresa, por supostamente o crédito não existir. Não se deu sequer ao trabalho de motivar sua decisão, de tal como que a empresa está impedida de promover a sua defesa, na medida em que sequer sabe o motivo pelo qual o crédito inexiste. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 69 4 Nem se diga ao fato de se tratar de um despacho decisório eletrônico, que sequer passou pelo crivo de um auditor fiscal. É evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado.Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Todavia, para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de "inexistência do crédito" a que afirma a autoridade administrativa. Como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento. Diversas são as situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação. [...] O fato é que a autoridade administrativa furtouse em analisar, efetivamente, qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Denotamse facilmente esses fatos, por se tratar de um despacho eletrônico, que não é submetido ao crivo de um auditor fiscal para analisar essas situações. A ausência de motivação das decisões, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado, consoante preleciona o artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72 que, digase, é aplicado subsidiariamente ao processo de compensação. [...] É cediço que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta inexistência do crédito em que se funda, torna a decisão NULA, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito. [...] Deve, pois, ser julgado NULO o despacho decisório, por ausência de motivação, devendo o crédito postulado ser totalmente reconhecido, bem como a compensação totalmente homologada. II.b Do cerceamento do direito de defesa Reza a Constituição Federal que: "Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". A ampla defesa e o contraditório devem ser entendidos em seu sentido amplo, de utilizarse de todos os meios admitidos em direito para promover a defesa de seus interesses. [...] Primeiramente, porque a autoridade administrativa simplesmente não analisou o mérito do pedido de restituição/compensação postulado peia empresa. Da mesma forma, sequer intimou a empresa a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, quando poderia têlo feito, conforme dispõe a IN 1.300/2012: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 70 5 Apesar de que a previsão normativa se utilize da expressão "poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito", há um dever previsto na Constituição Federal de Eficiência. Em observância a este princípio, a administração deve intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e a comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas. Isto porque, a ampla defesa como garantia constitucional, deve ser entendida em seu sentido amplo, como o direito de produzir todas as provas necessárias à defesa do interesse postulado. Desta forma, não há que se dizer que este direito somente restaria violado em sede de recurso, principalmente à vista do dever de Eficiência, como dito alhures. Restou violado, além do direito de ampla defesa, este dever de eficiência dos atos administrativos. Além de não analisar o mérito da questão, a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram o seu entendimento. Essa fundamentação é essencial e extremamente necessária para preservar a garantia de ampla defesa e contraditório, inerente ao processo administrativo. A não observância deste dever de motivar suas decisões, como se observa no caso destes autos, obsta o exercício dessas garantias constitucionais. Ora, não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido. A falta de motivação/fundamentação da decisão proferida pela Autoridade Administrativa obsta até mesmo a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Portanto, TOTALMENTE NULO o despacho decisório, devendo estes autos retornarem à origem para efetiva apreciação e total homologação da compensação postulada. II.c Da produção de provas Determina o Decreto n.° 70.235/72, lei que regula o processo administrativo de exigência de créditos tributários e é aplicado subsidiariamente ao processo de restituição/compensação: "Art. 16. (...) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; [...]. Como amplamente defendido nesta peça processual, a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas. Aliado a essa omissão, há também o fato de a empresa não ter tido oportunidade de esclarecer as razões pelas quais é detentora do crédito postulado. Logo, não há como promover uma defesa, com a apresentação de documentos comprobatórios do direito alegado, já que, nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a requerente. Neste diapasão, a empresa está impedida de exercer plenamente o seu direito de defesa, como já dito alhures e de forma exaustiva. Desta feita, ao caso em tela, há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior das provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 71 6 Conclui que: Diante do exposto, requer: • seja o presente recurso recebido e processado, bem como encaminhado à autoridade competente para o seu julgamento; • seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; • seja acatada as preliminares arguidas neste manifesto, a fim de declarar NULO DE PLENO DIREITO o despacho decisório, pois eivado de vício insanável decorrente da ausência da exposição dos fundamentos que culminaram a não homologação da compensação. • sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que, enfim, sejam promovidas todas as diligências necessárias à comprovação do crédito. • caso o entendimento dos Nobres Julgadores seja pelo não reconhecimento das nulidades arguidas, requer seja o presente manifesto julgado TOTALMENTE PROCEDENTE, reformando o despacho decisório, reconhecendose o direito creditório em sua integralidade, assim como, homologando toda a compensação realizada. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 46.815, de 26.09.2013, fls. 4043: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. Se o pagamento utilizado como crédito encontrase alocado a débito declarado pela empresa, não existe o crédito pretendido. DISCUSSÃO DE MÉRITO. Se a manifestante não discute o mérito da lide, ou seja, não traz aos autos documentação hábil e idônea que demonstre o certeza e liquidez do crédito pretendido, a decisão administrativa deve ser mantida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 06.11.2013, fl. 62, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.12.2013, fls. 4760, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Tratase de RECURSO VOLUNTÁRIO interposto contra decisão que manteve o despacho decisório que não homologa a compensação realizada, utilizandose como fundamentação a simples menção de que inexiste crédito. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 72 7 Em que pese às razões, de fato e de direito, apresentadas pela ora Recorrente, na Manifestação de Inconformidade apresentada, o nobre julgador a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, afirmando que este havia sido fundamentado. Pelo que se percebe, a r. decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito. O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância alegado que esta estava fundamentada, com a menção de artigos genéricos da legislação tributária. Ora, como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada? Logo, inexistindo fundamentação que sustenta decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitai o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta. Além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Ante o exposto, a Recorrente requer seja o RECURSO VOLUNTÁRIO conhecido e provido, reformandose a r. decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação, sendo acolhido o presente recurso para homologar a compensação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 73 8 Em conformidade com o processo administrativo fiscal, a manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa no procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos, incluindo necessariamente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça de defesa por ter sido alcançada pela preclusão1. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrado por servidor competente, na forma prescrita e com a observância completa das formalidades indispensáveis à existência do ato. O objeto está previsto em ato normativo, contendo expressamente os motivos referentes à matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, sendo materialmente existente e juridicamente adequado ao resultado obtido. Ainda o ato foi exarado com a finalidade, pois o agente pratica o ato visando o fim previsto explicitamente na regra de competência, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal2. A decisão de primeira instância e o Despacho Decisório Eletrônico estão motivados de forma explícita, clara e congruente e dos quais a Recorrente foi regularmente cientificada para se defender. Ademais, o procedimento de ofício foi realizado sem prévia intimação à Recorrente, uma vez que a Administração Tributária dispunha de elementos suficientes à análise do direito creditório 3. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.202,15 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmula CARF 46. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 74 9 NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0946.815, de 26.09.2013, fls. 4043, está registrado: O Despacho Decisório em questão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, competente para tal, e não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois, pelo fato de ter sido dado à contribuinte o direito de apresentar sua manifestação de inconformidade, instaurando a fase litigiosa do procedimento, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, e não tendo havido qualquer ato que a impedisse de apresentar na manifestação, todos os seus argumentos e comprovantes contrários a não homologação, verificase que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. Quaisquer defeitos porventura presentes no despacho decisório não ensejam sua nulidade e serão sanados se comprovadamente resultarem em prejuízo para a empresa (art. 60). A empresa afirma que “a alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta inexistência”, pois segundo ela “para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de ‘inexistência do crédito’ a que afirma a autoridade administrativa” e “como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento”. Tais alegações mostram que a manifestante não leu com atenção ou não entendeu os termos despacho decisório, tendo em vista que esse é claro ao afirmar que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (grifei). Como se vê, está explicado com clareza o motivo da inexistência de crédito: a utilização do pagamento relacionado pela empresa na Dcomp em análise, para quitar débito dela própria. Ora, que débito seria esse para o qual o pagamento foi integralmente utilizado? O despacho decisório esclarece informando o código do tributo e o período de apuração a que se refere, quais sejam, Db: código 2089 PA 30/06/2008. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 75 10 Mas como teria surgido esse débito? Obviamente que da DCTF apresentada pela empresa em 07/10/2008, referente ao 2º trimestre de 2008. Nessa DCTF ela declara débito de IRPJ para o 2º trim/2008 no valor de R$2.649,97 e vincula a ele o pagamento efetuado em 30/05/2008 no valor de R$ 1.212,06 (o mesmo que usa como crédito na Dcomp em análise). O saldo de R$ 1.437,91, ela transfere para o parcelamento concedido pela Lei 11.941/2011, por meio do processo administrativo nº 18208.079223/201108 [que se encontra no Setor Proc Eletrônico REFIS DRF/CPS/SP4. [...] Posteriormente, essa mesma empresa, entendendo o débito era menor que o declarado, e que portanto, segundo ela, o pagamento teria sido efetuado a maior apresenta uma declaração de compensação utilizando o valor supostamente pago a maior como crédito. No entanto, ela não retifica a DCTF apresentada anteriormente e conseqüentemente o sistema mantém o pagamento alocado ao débito que ela declarou e não retificou. Daí a informação esclarecedora constante do despacho decisório que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte”. A manifestante poderia trazer nessa fase do processo as explicações (acompanhada da documentação hábil e idônea para comprovar a afirmação) sobre o motivo do débito real ser menor do que o que ela declarou. Considerando que ela não fez isso, ou seja, ela não discutiu o mérito da lide, a decisão administrativa deve ser mantida. Assim, estes atos estão motivados e contêm todos os requisitos legais, que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, inclusive a partir da informações prestadas pela própria Recorrente à`RFB, O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. 4 Diaponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=18208079223201108>. Acesso em: 22 mai.2014. 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 76 11 Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 77 12 legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Nos presentes autos não há como aferir e corroborar o valor inequivocamente do direito creditório pleiteado, uma vez que a Recorrente apenas argumenta e efetivamente não apresenta seus assentos contábeis e os documentos correspondentes para essa finalidade. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 78 13 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.725763/2011-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB.
O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP.
Numero da decisão: 3403-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.725763/2011-70
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354503
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-002.806
nome_arquivo_s : Decisao_10680725763201170.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10680725763201170_5354503.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5496468
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813243604992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 620 1 619 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.725763/201170 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.806 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria AIPASEP Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE RIO ACIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 57 63 /2 01 1- 70 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração (fls. 2 a 14)1, lavrado em 27/09/2011 (com ciência em 29/09/2011) para exigência de Contribuição Social para o PASEP, instituída pela Lei Complementar no 08/1970, referente aos períodos de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, no total de R$ 130.577,88 (a título de principal). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 15 a 19, narrase que a fiscalização, com base no relatório de despesas e receitas dos municípios (FINBRA), e em documentos apresentados pela prefeitura, verificou insuficiência de recolhimentos da contribuição para o PASEP no período fiscalizado, pelo fato de o Município ter deixado de apurar e recolher a contribuição sobre as receitas correntes arrecadadas e sobre as transferências correntes e de capital recebidas. Integram a base de cálculo da contribuição inclusive os valores recebidos pelo Município destacados do FPM e direcionados ao FUNDEB por força do disposto na parte final do art. 7o da Lei no 9.715/1998 e do § 2o do art. 70 do Decreto no 4.524/2002. Lavrouse assim a autuação, com juros de mora e multa de ofício de 75% (Lei no 9.430/1996, art. 44), bem assim representação fiscal para fins penais. Em sua impugnação (fls. 344 a 348), a prefeitura alega que (a) as “receitas recebidas” objeto de tributação pela contribuição devem considerar a dedução de transferência, especialmente a retenção para o FUNDEF/FUNDEB impostas pela Constituição; e (b) o FUNDEF/FUNDEB é um fundo público constituído no âmbito estadual, de natureza meramente contábil (“uma conta bancária”); (c) a União e o Estado de Minas Gerais, ao repassarem FPM, IPI e ICMS, v.g., deslocam parte do repasse ao fundo, diminuindo (na fonte, em torno de 20%) o valor da transferência ao município; (d) o fundo, para o qual contribuem todos os municípios brasileiros, divide novamente os recursos, enviando a cada município a parcela correspondente, segundo critérios definidos; (e) tal parcela, evidentemente, é efetivamente “recebida” e oferecida à tributação da Contribuição para o PASEP; e, (f) portanto, o valor a ser tributado é o líquido (parcela efetivamente repassada, total menos valor retido).e não o bruto, sob pena de bitributação, e desobediência ao comando do art. 2o, III, § 3o, e dos arts. 7o e 15 da Lei no 9.715/1998, que tratam de tributação de “receitas e transferências” devidamente recebidas. Em 19/12/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 604 a 608), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que os recursos recebidos pelos Municípios e destinados ao FUNDEB (antigo FUNDEF) não podem ser excluídos da base de cálculo do PASEP do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal, não estando tal medida assegurada no art. 7o da Lei no 9.715/1998. Sustenta ainda o julgador que podem ser descontados (e foram, na autuação) as retenções efetuadas pelos agentes pagadores e os pagamentos (DARF) informados (ou não) em DCTF. Cientificada do acórdão da DRJ em 16/01/2012 (AR à fl. 616), a prefeitura apresenta Recurso Voluntário em 15/02/2012 (fls. 618 a 623), no qual basicamente reproduz o teor da impugnação. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 639DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 621 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O tema central é o cabimento da exigência da Contribuição para o PASEP, instituída pela Lei Complementar no 08/1970, disciplinada pela Lei no 9.715/1998, e regulamentada no Decreto no 4.542/2002, sobre o valor correspondente ao FUNDEB. O FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) foi criado pela Emenda Constitucional no 53/2006 (que alterou o art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da CF/1988), e está regulamentado pela Lei no 11.494/2007 e pelo Decreto no 6.253/2007, tendo substituído o FUNDEF, que vigorou de 1998 a 2006. O FUNDEB corresponde basicamente a 20% dos recursos distribuídos entre Estados e Município, rateados proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de educação básica, sendo prevista ainda complementação por parte da União. Na autuação, esclarecese que os valores autuados correspondem às receitas correntes arrecadadas e às transferências correntes e de capital recebidas, cf. art. 2o, III da Lei no 9.715/1998, incluindo os valores recebidos pelo Município destacados do FPM e direcionados ao FUNDEB por força do disposto na parte final do art. 7o da Lei no 9.715/1998 e no do § 2o do art. 70 do Decreto no 4.524/2002. Sobre a base de cálculo incide a alíquota de 1% prevista no art. 8o, III da mesma Lei no 9.715/1998, chegandose ao valor devido, do qual são deduzidos os valores correspondentes às retenções para o PASEP (cf. § 6o do art. 2o da Lei no 9.715/1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001) e os valores declarados (ou não) em DCTF recolhidos mediante DARF. Assim estabelece a Lei no 9.715/1998, que rege a Contribuição para o PASEP: “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 215835, de 2001) Fl. 640DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 (...) Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” Assim, o que o fisco fez foi adicionar às receitas correntes arrecadadas as transferências correntes e de capital recebidas. Obtendose a base de cálculo e aplicandose a alíquota legalmente prevista, o valor resultante foi subtraído dos pagamentos e das retenções efetuados. Apurada diferença, é exatamente a ela que se reporta o lançamento. Sobre as receitas arrecadadas parece não pairar dúvida. Contudo, é controversa a expressão “recebidas”, referente a transferências correntes e de capital. O Município sustenta que não “recebe” integralmente os valores transferidos, pois parte deles é destinada compulsoriamente ao FUNDEB e rateada. Assim, defende que deveria constituir base de cálculo da contribuição somente seu quinhão no rateio. Primordial ao deslinde do contencioso, assim, o texto do art. 7o da Lei no 9.715/1998, que esclarece o que são receitas correntes: “quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas”. E, como esclarece a própria recorrente, o FUNDEB é um fundo contábil, e não uma entidade pública. Carente de amparo legal, assim, a exclusão da base de cálculo da contribuição em relação aos valores transferidos compulsoriamente ao FUNDEB. Nesse sentido o posicionamento já assentado em Soluções de Consulta (v.g. as de no 101, de 26/11/2009, e no 86, de 03/11/2011) e de Divergência (v.g. a de no 02, de 10/02/2009) da RFB e decisões recentes deste CARF: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, tendo que os valores recebidos com destaque para o FPE, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Fl. 641DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 622 5 Educação) devem integrar a base de cálculo da contribuição.”2 (grifo nosso) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 PARCELA DOS REPASSES DESTINADAS AO FUNDEB. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o Pasep. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. DESCABIMENTO. Não havendo norma infralegal vinculante e não sendo pacífica a interpretação e a aplicação da norma tributária no âmbito da Administração, é inaplicável o parágrafo único do art. 100 do CTN, que diz que a observância das normas complementares dentre as quais os atos normativos e as práticas reiteradas exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28)” 3 (grifo nosso) O art. 13 da Lei no 12.810, de 15/05/2013, em vigor desde 16/05/2013 (data de publicação do texto em diário oficial), veio a trazer nova hipótese de exclusão da base de cálculo da contribuição, acrescentando um § 7o ao art. 2o da Lei no 9.715/1998. Contudo, tal alteração não afeta a substância do presente processo, por não contemplar a questão referente ao FUNDEB. Assim, faz parte da base de cálculo da Contribuição para o PASEP o valor compulsoriamente transferido ao FUNDEB. Não há então, nulidade na autuação, por carência de base legal, como alega a recorrente, mas improcedência do recurso voluntário apresentado, por igual argumento (carência de fundamento legal a excluir os valores transferidos ao FUNDEB das receitas de que trata o art. 7o da Lei no 9.715/1998). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado. Rosaldo Trevisan 2 Acórdão n. 3201001.192, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D'amorim, unânime, sessão de 31.jan.2013. 3 Acórdão n. 3801001.870, Rel. Cons. Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, unânime, sessão de 21.mai.2013. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 623 7 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, A Lei no 9.715/1998 dispõe o seguinte: “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Os dois dispositivos deixam transparecer a lógica da apuração da contribuição: computamse as receitas correntes e as transferências recebidas (sejam correntes sejam de capital) e deduzemse as transferências realizadas. A questão está em que, em relação às receitas recebidas, nem se cogita em distinguir de quem são recebidas, de maneira que tanto faz se são originárias diretamente de outra pessoa jurídica de direito público interno ou de um fundo, tampouco se questiona quanto à natureza do fundo de onde tenha sido originada a transferência. Em suma: todas as transferências recebidas são computadas na base de cálculo. Quanto às transferências realizadas, por sua vez, parece claro que a intenção do legislador foi a de permitir a sua dedução com a mesma amplitude, seguindo a mesma lógica. No entanto, a interpretação da Fiscalização e de alguns julgados deste Conselho tem sido tem sido no sentido de restringir a dedução do art. 7o da Lei no 9.715/98 exclusivamente às transferências realizadas para outras pessoas jurídicas de direito público interno, recusando o mesmo efeito em relação às transferências realizadas para fundos, sob o argumento objetivo de que os fundos não possuem personalidade jurídica. Entendo que a Lei não ampara este entendimento. Para ser mais preciso, tal entendimento apenas se legitimaria nas situações específicas em que a transferência fosse destinada a um fundo integrante do orçamento da mesma pessoa jurídica de direito público. Mas nesta situação não se configuraria a hipótese de dedução prevista no art. 7o da Lei. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 8 Em linhas gerais, os fundos são instrumentos de administração financeira, utilizados para vincular determinados recursos para a aplicação em finalidades específicas. Segundo a doutrina, “tratase de um conjunto de bens e recursos, de titularidade de um certo sujeito. Portanto, o fundo é objeto de direito, não sujeito” (JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. 11. ed. Dialética, São Paulo: 2005, p. 30). Pode significar apenas a segregação de valores dentro do orçamento da pessoa jurídica de direito público. Mas pode tratarse, diferentemente, de um conjunto de recursos destacado do orçamento, ou seja, que não componha o orçamento, embora vinculado e submetido à administração de uma pessoa jurídica de direito público. No caso do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), de que trata o presente caso, tratase de fundo vinculado à União. As transferências realizadas dos Municípios para o Fundeb, portanto, significam uma subtração da receita corrente do Município e configuram transferência intergovernamental. Nada obstante não se trate de uma transferência intergovernamental típica – que tenha nas duas pontas o orçamento de duas pessoas jurídicas de direito público –, não pode haver dúvida de que há uma transferência, que deixam de pertencer ao Município e, embora passem a compor um fundo que não tem personalidade jurídica, isto não significa que passem a “ não pertencer a ninguém”, pois o referido fundo é vinculado à União. Por isso, a transferência de recursos realizada para um fundo vinculado a outra pessoa de direito público deve ter o mesmo tratamento de uma transferência realizada para outra pessoa de direito público, estando igualmente categorizadas como “transferências efetuadas a outras entidades públicas” para o efeito da dedução do art. 7o da Lei no 9.715/98. Em reforço, devese atentar ao fato de que a mesma Lei faz diferença entre “pessoa jurídica de direito público interno” e “entidades públicas”, ficando claro que este último conceito não é tão restrito quanto o primeiro, abarcando “outras entidades públicas”. Como visto, embora o Fundeb não tenham personalidade jurídica, tratase de fundo vinculado à União, de maneira que os recursos remetidos do Município para compor este fundo são operações que configuram transferências, as quais, se não são destinadas especificamente e diretamente para uma pessoa jurídica de direito público, são destinadas a “outras entidades públicas”, no caso, um fundo vinculado a outra pessoa jurídica de direito público. Tratase, outrossim, de uma questão de justiça e neutralidade, visto que os recursos acumulados no Fundeb retornarão ao Município – então finalmente como transferência corrente –, quando sofrerão a incidência da Contribuição ao Pasep na forma do art. 2o da Lei no 9.715/98. Entendo, enfim, que as transferências realizadas dos Municípios para o Fundeb, que é fundo vinculado à União, enquadramse na hipótese de dedução prevista no art. 7o da Lei no 9.715/98. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 624 9 É como voto. Ivan Allegretti Fl. 646DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001158/2001-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.101
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 11516.001158/2001-01
conteudo_id_s : 5355025
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2802-000.101
nome_arquivo_s : Decisao_11516001158200101.pdf
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 11516001158200101_5355025.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
id : 5500066
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813246750720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 102 1 101 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001158/200101 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.101 – 2ª Turma Especial Data 19 de setembro de 2012 Assunto Sobrestamento de julgamento Rendimentos recebidos de forma acumulada Recorrente JOAO LUIZ ALKAIM Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2000 e 1999 , anocalendário1999 e 1998, em virtude de apuração de omissão de rendimentos recebidos da Eletrosul em razão de ação trabalhista. Na impugnação o contribuinte alegou que os rendimentos eram indenizatórios e que juros de mora são não tributáveis, se alguma omissão houve deve ser imputada à fonte pagadora. O acórdão recorrido considerou que, de acordo com os cálculos do processo trabalhista nº 930/94 (fls. 95) os rendimentos referemse a adicional de periculosidade e seus reflexos, diferença da ajuda de custa instalação e FGTS, sendo que a autoridade fiscal excluiu os rendimentos de ajuda de custo e FGTS, tributando exclusivamente o adicional de periculosidade e seus reflexos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001158/200101 Error! Reference source not found. n.º 2802000.101 S2TE02 Fl. 103 2 Como fundamento da decisão recorrida constou que o adicional de periculosidade e o juros de mora são tributáveis (art. 45 RIR1994) porque não há dispositivo legal que determine a isenção e que, por se tratar de retenção na fonte como forme da antecipação, a responsabilidade do contribuinte existe. Ciência da decisão em 06/08/2007. Recurso interposto em 15/08/2007 assentado são seguintes alegações, em síntese: a) a responsabilidade por eventual omissão deve ser atribuída á fonte pagadora encarregada da retenção na fonte; b) o auto de infração não descreve adequadamente os fatos “Rendimentos do trabalho assalariado, prestados a empresa Centrais Elétricas do Sul do Brasil — Eletrosul, recebidos acumuladamente, em parcelas, por decisão judicial, processo RT 930/1994 da 6' Subsecretaria da JT em Curitiba, nos anos calendários de 1998 e 1999, sem retenção do Imposto de Renda” cerceando o direito de defesa por não descrever quais os fatos que deram margem à autuação c) os adicionais de periculosidade referentes aos anos de 1989 a 1996 têm caráter indenizatório; d) do valor recebido foi descontado cerca de R$80.000,00 para pagamento de honorários de advogado e, se devido fosse, o IRRF; e) se o Juiz do Trabalho não efetuou a retenção é porque não é tributável; e f) transcreve decisões deste Conselho sobre rendimentos de natureza indenizatória. Submetido o processo a apreciação verificase, notadamente pela análise da planilha de fls. 28 e seguintes, que os rendimentos em litígio referemse a rendimentos recebidos acumuladamente que se referem ao período de 1989 a 1996. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001158/200101 Error! Reference source not found. n.º 2802000.101 S2TE02 Fl. 104 3 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10384.720165/2011-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PROVAS. SIGILO BANCÁRIO.
A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras está autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, sendo lícita a utilização dessas informações na fundamentação de exigência tributária.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa, que votou pela exoneração dos juros sobre a multa de ofício.
Maria De Lourdes Ramirez Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras está autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, sendo lícita a utilização dessas informações na fundamentação de exigência tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10384.720165/2011-59
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352110
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-001.954
nome_arquivo_s : Decisao_10384720165201159.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
nome_arquivo_pdf_s : 10384720165201159_5352110.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa, que votou pela exoneração dos juros sobre a multa de ofício. Maria De Lourdes Ramirez Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques.
dt_sessao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5482401
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813249896448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2155; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 1.119 1 1.118 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.720165/201159 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.954 – 1ª Turma Especial Sessão de 6 de maio de 2014 Matéria IRPJ E REFLEXOS OMISSÃO Recorrente MOANA PREMOLDADOS E CONSTRUCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada a omissão de receita com base em presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação, não decorreu da empresa ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito decorrente de um tributo ou contribuição, sujeitandose à incidência de juros moratórios calculados pela taxa SELIC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras está autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, sendo lícita a utilização dessas informações na fundamentação de exigência tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 01 65 /2 01 1- 59 Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.120 2 A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa, que votou pela exoneração dos juros sobre a multa de ofício. Maria De Lourdes Ramirez – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques. Relatório MOANA PREMOLDADOS E CONSTRUÇÕES LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Fortaleza, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2008, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (150%) TOTAL FLS. IRPJ 27.127,39 6.200,55 25.527,17 58.855,11 3 CSLL 15.976,90 3.732,38 14.780,75 34.490,03 30 COFINS 44.380,31 10.892,63 41.057,67 96.330,61 21 PIS/PASEP 9.615,68 2.359,99 8.895,73 20.871,40 12 Total 210.547,15 O lançamento foi realizado em virtude da constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada, dando ensejo a presunção de omissão de receitas, conforme consta do quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" dos Autos de Infração: Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.121 3 001 OMISSÃO DE RECEITAS Valor referente a depósitos e Transferências eletrônicas recebidas, realizados junto a instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O valor foi apurado de acordo com o Termo de Verificação Fiscal anexado ao presente auto de infração. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 41/45), a autoridade fazendária assim descreveu o procedimento de auditoria: 19. As contas correntes mantidas pelo fiscalizado, em nome próprio, junto ao BNB, não se encontram escrituradas no Livro Diário. E, da mesma forma, as contas mantidas em nome da empresa MEDICAL CENTER junto ao Banco do Brasil e ao BANCO REAL também não se encontram escrituradas. Isso pode ser comprovado pelo confronto dos lançamentos constantes do anexo 2 deste termo com as cópias das folhas do livro Diário, também anexadas ao presente termo. Ao elaborarmos a relação de créditos bancários a serem justificados pelo fiscalizado (Termo de Solicitação de Esclarecimentos n° 1), excluímos as transferências entre contas de sua titularidade e os lançamentos que inicialmente pudemos identificar como relacionados às notas fiscais emitidas. E, após analisar a resposta do fiscalizado a esse Termo, excluímos, também, os valores justificados e os valores que pudemos identificar como constantes da demonstração analítica dos valores das receitas lançadas de forma sintética no Diário. Desta forma, os valores remanescentes são aqueles que não foram incluídos como receitas auferidas na apuração dos tributos devidos feita pelo fiscalizado. Em conclusão: após regularmente intimado, o fiscalizado não logrou justificar a origem de alguns ingressos em suas contas correntes (§ 14, acima); o quê, de acordo com a legislação vigente, importa em presunção de omissão de receita desses valores. Esses valores, para efeito de lançamento de ofício, foram divididos em dois grupos, em razão da incidência da multa agravada sobre os tributos apurados com base nos valores mantidos em contascorrentes não escrituradas (art. 71 da Lei 4.502/64). Os valores das receitas sujeitas ao lançamento de ofício são os constantes dos anexos 1 e 2 deste Termo de Verificação Fiscal. O autuado tomou ciência dos lançamentos tributários em 21/03/2011 (fl. 695) e apresentou a impugnação de fls. 697/751, em 20/04/2011, com base na argumentação a seguir sintetizada. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE A APURAÇÃO DIRETA E INDIRETA DE OMISSÃO DE Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.122 4 RECEITAS TOMANDO POR BASE A MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL NO MESMO ANO CALENDÁRIO JÁ FISCALIZADO ANTERIORMENTE: O impugnante foi autuado, neste processo, pelo suposto fato de não ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea a origem de alguns depósitos bancários efetuados no decorrer do anocalendário de 2008; Todavia, o impugnante já havia sido autuado em 17 de dezembro de 2010 (vide cópia dos autos de infração em anexo, doc. 01), pela suposta divergência entre os valores escriturados e declarados no anocalendário de 2008, isto é, apuração direta de omissão de receita; no levantamento da omissão de receita não podem ser consideradas, concomitantemente, matérias tributáveis obtidas mediante apuração direta (diferença entre valores escriturados e declarados) e indireta (presunções legais); assim procedendo, a fiscalização está tributando duplamente a omissão de receitas da recorrente, incorrendo num verdadeiro bis in idem; VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO (CF, ART. 5°, X). o auto de infração também deve ser declarado nulo, porque foi ferido o sigilo bancário, insculpido no art. 5° inciso X da Constituição Federal, que é uma garantia de proteção às movimentações bancárias e às aplicações financeiras dos indivíduos, sendo uma extensão do direito à intimidade e à privacidade; somente o poder judiciário teria competência para determinar o afastamento do direito em pauta; assim, a fiscalização não poderia aplicar o art. 6° da LC 105/2001, por que ele é incompatível com a Constituição Federal. INVALIDADE DA LEI N° 10.174/2001. a autorização atribuída à Receita Federal para utilizar dados da CPMF com a finalidade de constituir crédito tributário, trazida pela Lei n° 10.174/2001, ingressou no sistema legal antes da entrada no ordenamento jurídico da Lei Complementar n° 105/2001, que autorizava o fisco federal a quebrar o sigilo bancário dos contribuintes, o que acarreta a sua invalidade; o posterior advento da LC nº 105/2001 não pode convalidar exigências fiscais anteriores, contrárias aos termos da Constituição e das leis então vigentes; assim, o crédito tributário constituído pela fiscalização deve ser declarado nulo, pois tomou por base uma norma inválida no sistema, não podendo os auditores fiscais terem acesso aos dados da CPMF do contribuinte para dar ensejo a abertura de procedimento fiscal, muito menos para constituir crédito tributário. ERRO NO LEVANTAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.123 5 o levantamento realizado para apurar o crédito tributário está equivocado, pois é errôneo tributar os valores depositados somando uns aos outros, mês a mês, como se os valores sacados em cada mês fossem valores consumidos e o depósito efetuado a cada mês significasse renda nova; é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados em conta corrente como renda presumida, evidenciado sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não caracterizam fato gerador de nenhum tributo; em virtude dos motivos acima aduzidos, devem ser abatidos os valores declarados pelo presente sujeito passivo, bem como aqueles valores que já foram tributados e, portanto, considerados como origens dos meses anteriores. COMPROVAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. para comprovar a origem dos recursos, o impugnante elaborou duas planilhas (fls. 713/715), apontando os depósitos bancários relacionados pela fiscalização e indicando, para justificar a origem desses depósitos, as informações inseridas nas colunas "Doc. Comprob" e "Esclarecimentos adicionais''", as quais estariam comprovadas por documentos anexados à peça de defesa; agindo assim, acredita ter comprovado a origem dos valores referentes aos depósitos bancários realizados, devendo ser considerados improcedentes os lançamentos. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA NO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96, APÓS A LC Nº 105/2001 a caracterização da matéria tributável é mister da autoridade administrativa; os valores informados na declaração de ajuste anual devem ser admitidos como de origem comprovada, para efeito de determinar o valor a ser tributado; a presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996 e a correspondente inversão do ônus da prova justificavamse pelo fato de o Fisco não ter acesso amplo e irrestrito às movimentações financeiras dos contribuintes; mas essa presunção caiu por terra a partir do momento em que a Receita Federal, passou a ter o direito de examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras (art. 2º do Dec. 3.724/2001); assim, de posse de extratos, arrimada em requisição de informações sobre movimentação financeira de que trata a Portaria SRF 180/2001, na presença de indícios de omissão de rendimentos e/ou receitas, deverá o fisco provar a que título jurídico esses rendimentos e/ou receitas foram adquiridos; Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.124 6 no presente caso, isso não ocorreu, ensejando a anulação dos lançamentos realizados. MULTA QUALIFICADA. os auditores impuseram multa qualificada (150%) à recorrente pelo fato de ter deixado de informar em suas declarações uma parcela da sua receita; as multas pecuniárias, especialmente as decorrentes de lançamento de ofício, estão regulamentadas pelo artigo 957 do RIR/99, cujo inciso II delimita a aplicação da multa qualificada de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64; a falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contacorrente bancária caracteriza falta simples de presunção de omissão de receitas, porém, não demonstra o evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de ofício prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. o impugnante defende a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a ele imputada, tenda em vista a ausência de base legal; a Lei n° 9.430/1996 (art. 61), ao tratar da multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu que sobre os débitos para com a união, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC: com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento; todavia, a multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata; assim, é inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio. A DRJ Fortaleza considerou o lançamento procedente em parte, reduzindo a multa de ofício ao patamar de 75% e retirando da base de cálculo alguns depósitos bancários incluídos por erro manifesto, conforme o Acórdão nº 0822.273 (fl. 897). A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.125 7 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas, os valores creditados em conta de depósito, em relação aos quais a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprova a origem dos recursos utilizadas nas operações bancárias. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MESES SUBSEQUENTES. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO NA FASE DA IMPUGNAÇÃO. Após a fase da autuação (na impugnação), a presunção de omissão de receitas somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO NÃO COMPROVADO. A qualificação da multa somente pode ocorrer quando restar comprovado nos autos o dolo imputado ao contribuinte. A presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a prova da conduta dolosa. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. No caso de presunção legal, compete ao fisco demonstrar o fato presuntivo, no caso, os depósitos bancários, cuja origem o contribuinte não comprovou. Para desconstituir a presunção legal, o sujeito passivo tem o ônus de provar que o seu caso particular não se amolda à hipótese legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.126 8 A apreciação de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. É válido o auto de infração lançado com observância dos requisitos exigidos pelo art. 10 do PAF, em relação ao qual o contribuinte exerce normalmente os direitos ao contraditório e à ampla defesa ERROS MATERIAIS NO LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO EXOFFICIO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de cálculos existentes no lançamento devem ser corrigidos de ofício. Cientificado dessa decisão em 04/04/2012 (fl. 949), o contribuinte ingressou com o presente Recurso Voluntário (fls. 950/1011) em 04/05/2012, em que reforça os mesmos argumentos apresentados na impugnação, a menos do que tange à qualificação da multa de ofício, que foi exonerada pela decisão recorrida. Também deixou de questionar o procedimento adotado de apuração da base de cálculo, pelo qual os depositados bancários foram somados mês a mês. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. I. SIGILO BANCÁRIO O recorrente propugna pela anulação dos lançamentos por terem sido realizados com fundamento em sua movimentação financeira. Acredita que a forma pela qual o Fisco obteve essas informações violou o sigilo bancário, uma vez que foram viabilizadas por meio de requisição administrativa, enquanto apenas o Poder Judiciário pode determinar a Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.127 9 colheita de tais informações. Reforça seu argumento citando a decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que decidiu pela anulação de lançamento tributário em situação similar ao do recorrente. Embora essa decisão seja importante referência jurisprudencial, a Suprema Corte não deu a ela o efeito de repercussão geral, prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, razão pela qual ela somente tem efeitos para as partes daquele processo, não vinculando o presente julgamento. A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras foi efetuada por meio de RMF. Tal procedimento está autorizado pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, que regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a eventual inconstitucionalidade de lei tributária, conforme a Súmula CARF nº 21. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial nº 1134665/SP, entendeu ser legal a requisição e utilização de informações da movimentação financeira de contribuintes por parte da Administração Tributária Federal sem a autorização judicial. Para isso, adotou a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Essa decisão foi tomada conforme a sistemática de recursos repetitivos, prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, e, como tal, vincula a presente corte administrativa, por força do artigo 62A do seu Regimento Interno2, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Portanto, afastase essa preliminar de nulidade. 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.128 10 II. INVALIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. O recorrente afirma que a autorização atribuída à Receita Federal para utilizar dados da CPMF com a finalidade de constituir crédito tributário, trazida pela Lei n° 10.174/2001, ingressou no sistema legal antes da entrada no ordenamento jurídico da Lei Complementar n° 105/2001, que autorizava o fisco federal a quebrar o sigilo bancário dos contribuintes, o que acarreta a sua invalidade e a conseqüente anulação do auto de infração. A Lei nº 9.311, de 1996, instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). A Lei nº 10.174, de 2001, alterou o §3º do art. 11 dessa Lei, permitindo que as informações relativas à CPMF, prestadas pelas instituições financeiras, fossem utilizadas para instaurar procedimento de fiscalização. Por outro lado, a Lei Complementar nº 105, de 2001, autoriza a Receita Federal a requisitar a movimentação financeira de contribuinte junto às instituições financeiras (art. 5º). Embora os dois dispositivos estejam relacionados com o sigilo bancário frente à Administração Tributária, não é correto afirmar que o §3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, alterado pela Lei nº 10.174, de 2001, teria como fundamento jurídico a Lei Complementar nº 105, de 2001. A validade do dispositivo atacado já foi muitas vezes apreciada por esta Corte Administrativa, ao ponto de ser emitida a Súmula nº 35, consolidando o entendimento de que o procedimento lá previsto poderia ser adotado inclusive sobre dados registrados anteriormente à publicação da Lei: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o Recurso Especial nº 1134665/SP, já na sistemática dos recursos repetitivos, entendeu que a Lei Complementar nº 105, de 2001, também tem eficácia sobre os fatos imponíveis anteriores à sua edição. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Com isso, cai por terra o argumento do recorrente de que os dias que separam a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, e a Lei nº 10.174, de 2001, acarretaria a invalidade desta. III. CONCOMITÂNCIA DE APURAÇÕES. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.129 11 O recorrente afirma que já foi realizado lançamento de ofício para exigir os mesmos tributos, do mesmo período, por alegada omissão de receitas, verificada em suposta divergência entre os valores escriturados e declarados. Assim, entende que os presentes lançamentos caracterizam bis in idem. Compulsando os documentos juntados aos autos pelo recorrente (fls. 763/794), verificase que os lançamentos apontados no recurso são, na verdade, decorrentes do fato de terem sido consideradas não declaradas algumas declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte, conforme se verifica pela descrição dos fatos contidas no auto de infração do IRPJ (fl. 776): Débitos de IRPJ dos períodos de apuração 3o Trim/2008, 4o Trim/2008 e Io Trim/2009, compensados pelo contribuinte, através dos processos: 10384.002274/200976, 10384. 000607/200922 e 10384.007396/200878, considerados não declarados em despachos contidos nos referidos processos, cópias anexas às fls......., em virtude de utilizarem créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, ações judiciais 2004.40.00.00003028 e 2008.40.0C.0070616, lançados com suspensão, sem multa de ofício, para prevenir a Decadência. Tal fato está assinalado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 43), em que a autoridade tributária afirma que os referidos créditos tributários, incidentes sobre receitas escrituradas, não foram objeto dos presentes lançamentos. A autoridade julgadora de primeira instância comparou os créditos tributários lançados nos dois procedimentos e verificou que não há sobreposição entre eles (fl. 911). O recorrente, por outro lado, não aponta quais créditos tributários teriam sido exigidos em duplicidade e, muito menos, comprova a duplicidade alegada. Portanto, afastase a presente alegação. IV. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O recorrente afirma ser indevido o ônus que lhe foi atribuído pela autoridade fiscal, exigindolhe que comprovasse a origem dos depósitos bancários apontados. Entende que: a caracterização da matéria tributável é mister da autoridade administrativa; os valores informados na declaração de ajuste anual devem ser admitidos como de origem comprovada; a presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996 e a correspondente inversão do ônus da prova não são mais justificáveis desde que o Fisco passou a ter o direito de examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras (art. 2º do Dec. 3.724/2001). O argumento do recorrente não tem fundamento jurídico, uma vez que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, está em vigor e não teve sua eficácia afetada pelo referido Decreto 3.724, de 2001. Assim, a presunção legal prevista naquele dispositivo continua sendo um instrumento válido da Administração Tributária, obrigando os contribuintes, quando devidamente intimados, a demonstrarem a origem dos seus depósitos bancários, mesmo quando hajam apresentado declaração de apuração dos tributos correspondentes. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.130 12 V. COMPROVAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O contribuinte elaborou duas planilhas (fls. 713/715), apontando os depósitos bancários relacionados pela fiscalização e indicando, para justificar a origem desses depósitos, as informações inseridas nas colunas "Doc. Comprob" e "Esclarecimentos adicionais''", as quais estariam comprovadas por documentos anexados à peça de defesa. Agindo assim, acredita ter comprovado a origem dos valores referentes aos depósitos bancários realizados, devendo ser considerados improcedentes os lançamentos. A autoridade julgadora de primeira instância analisou os dados dessas planilhas Os 56 depósitos relacionados pelo fisco no anexo nº 1 (fls. 46) foram todos contestados pela defesa com base nos elementos de prova carreados sob a denominação DOC 2 (fls. 795/865), resumidos pela planilha de fls. 796/797. Por outro lado, dos 35 depósitos relacionados pelo fisco no anexo nº 2 (fls. 47), apenas 8 (oito) foram contestados pela defesa por meio das provas apresentadas sob a denominação DOC 3 (fls. 866/880), resumidos pela planilha de fls. 867. ... Iniciei pelas provas designadas sob o título “DOC 3” (fls. 866/880), resumidas na planilha de fls. 867, pelas quais a defesa contesta apenas 8 dos 35 depósitos relacionados pelo fisco no anexo nº 2 (fls. 47). Não há naqueles documentos motivo para afastar a omissão de receitas. Existe mera referência de que os depósitos originaramse de recursos provenientes de clientes, do próprio caixa da empresa, de empréstimos de coligada etc. Entretanto, a natureza dos ingressos não está suficientemente demonstrada para afastar a presunção de omissão de receitas. Não foi apresentada a escrituração dos valores depositados, que deveria estar acompanhada de documentos hábeis a comprovar o caráter dos respectivos fatos, condição imprescindível para que se produza a prova em favor do contribuinte. Além disso, encontramse naquela lista as contas bancárias mantidas à margem da escrituração do contribuinte, segundo informado pelo autuante – e não contestado pela defesa – no item 19 do Termo de Verificação Fiscal. Com relação às provas designadas de “DOC 2” (fls. 795/865), resumidas na planilha de fls. 796/797, onde foram impugnados os 56 depósitos identificados pela fiscalização no anexo nº 1 (fls. 46), localizei 11 ingressos (abaixo relacionados) que devem ser eliminados do lançamento, porque alguns se referem a valores oriundos de contas bancárias da própria autuada (itens 5, 19, 24, 26, 35, 42 e 49) e de estorno (item 20) na contacorrente, enquanto outros (itens 22, 27 e 34) provêm de receitas já tributadas. Os documentos probatórios podem ser conferidos de acordo com a indicação aposta na coluna “Prova (Fls.)”. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.131 13 Assim, houve exoneração parcial da exigência original. Dentre os depósitos bancários mantidos na base de cálculo, o recorrente traz novos elementos apenas para cinco, conforme o seguinte excerto (fls. 971/972): De acordo com as fls. 926 dos autos restou afirmado que a recorrente conseguiu comprovar apenas um depósito de RS 14.986,50. ficando um valor sem comprovação no montante de RS 357.921,53. Ocorre que o depósito efetuado na conta do Banco do Brasil no montante liquido de RS 87.205.43 (o valor bruto escriturado na contabilidade foi de RS 96.359,59 (vide documento em anexo, doc. 01)) encontrase escriturado na contabilidade conforme faz provar cópia do livro diário em anexo; Da mesma forma ocorreu em julho de 2008, onde o acórdão recorrido entendeu que o contribuinte comprovou R$ 31.914.98 dos R$ 39.437,00, restando RS 7.522,02 a serem comprovados pelo contribuinte, do valor a ser comprovado cabe destacar a quantia de RS 2.407,53 é decorrente de uma parcela paga pela ECT ao Medical Center (empresa incorporada pela recorrente), sendo que o valor da Receita foi contabilizada pelo valor global de RS 71.948,74, na conformidade de cópia do livro diário e mapa demonstrativo de formação da receita que segue em anexo; A mesma situação ocorreu em relação aos meses de agosto e outubro de 2008; O depósito de RS 5.114.98 feito no Banco do Brasil no dia 30/07/2008 foi estornado na mesma data e não foi retirado da base de cálculo do IRPJ e reflexos pelo acórdão recorrido. Assiste razão ao contribuinte em relação ao depósito efetuado em conta do Banco do Brasil em 18/02/2008 no valor de RS 87.205.43. Este foi registrado no livro diário em 11/02/2008, no valor de RS 96.359,59 (fl. 1017). A diferença justificase pelo fato de o depositante ser órgão público e, por isso, estar obrigado a reter na fonte os tributos devidos (fl. 1016). Também assiste razão ao recorrente quanto ao depósito de RS 5.114.98 feito no Banco do Brasil no dia 30/07/2008. O extrato bancário de fl. 656 prova que houve o estorno desse depósito na mesma data em que foi realizado. O mesmo não se pode dizer dos depósitos atribuídos pelo contribuinte à ECT, uma vez que não há nos autos qualquer documento que comprove a adoção da forma parcelada de pagamento, o valor das parcelas e o fluxo de pagamentos. Assim, deve ser retirada da base de cálculo de fevereiro de 2008 o valor de RS 87.205.43 e retirado da base de cálculo de julho de 2008 o valor de RS 5.114.98. VII. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.132 14 O recorrente defende a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a ele imputada, tendo em vista a ausência de base legal. Acredita que a multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições, que ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização. Partindose do texto legal, é certo dizer que todos “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” são, necessariamente, créditos tributários. Nos termos do artigo 139 do CTN, “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”. Prosseguindo na leitura do CTN, artigo 113, “a obrigação tributária é principal ou acessória” e “a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ...”. Por fim, a multa de ofício vinculada, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é seguramente uma penalidade pecuniária. Fazendo o caminho inverso na leitura dos textos legais, é correto afirmar que a multa de ofício vinculada é uma penalidade pecuniária, objeto de uma obrigação tributária principal, da qual decorre um crédito tributário que, no ponto de vista do sujeito passivo, é um débito para com a União e, acrescento, não tem outra origem que não seja um tributo ou contribuição. Portanto, concluise que o artigo 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício vinculada. Essa conclusão é necessária sob o aspecto da racionalidade da norma, uma vez que o artigo 43, parágrafo único, da mesma Lei, determina a incidência de juros de mora sobre a multa isolada, ou seja, se a mesma norma determina, explicitamente, a incidência de juros sobre a multa isolada, a nãoincidência de juros sobre a multa vinculada seria, no mínimo, irrazoável, quando não constituísse grave quebra de isonomia. Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No mesmo sentido caminha a jurisprudência, judicial e administrativa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.133 15 a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (Superior Tribunal de Justiça, REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Assim, não assiste razão ao contribuinte quanto a essa alegação. VIII. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de retirar da base de cálculo dos tributos exigidos o valor de RS 87.205.43, referente a fevereiro de 2008, e o valor de RS 5.114.98, referente a julho de 2008. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.134 16 Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ
score : 1.0
Numero do processo: 10073.902050/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3802-003.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : null null
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10073.902050/2009-70
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358509
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.108
nome_arquivo_s : Decisao_10073902050200970.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10073902050200970_5358509.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5515200
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813256187904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1716; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 126 1 125 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.902050/200970 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802003.108 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria Compensação Recorrente Samer Serviços de Assistência Médica de Resende S/C Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 50 /2 00 9- 70 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902050/200970 Acórdão n.º 3802003.108 S3TE02 Fl. 127 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902050/200970 Acórdão n.º 3802003.108 S3TE02 Fl. 128 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900823/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA.
A denúncia espontânea também se configura com a quitação do tributo formalizada por meio de compensação, pleiteada anterior ou contemporaneamente à declaração do débito, devendo ser afastada a imposição da multa de mora.
Numero da decisão: 1801-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca que deu provimento ao recurso, por entender ser necessário lançamento de ofício para exigência de multa moratória.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. A denúncia espontânea também se configura com a quitação do tributo formalizada por meio de compensação, pleiteada anterior ou contemporaneamente à declaração do débito, devendo ser afastada a imposição da multa de mora.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10675.900823/2008-13
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366644
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-002.053
nome_arquivo_s : Decisao_10675900823200813.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LEONARDO MENDONCA MARQUES
nome_arquivo_pdf_s : 10675900823200813_5366644.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca que deu provimento ao recurso, por entender ser necessário lançamento de ofício para exigência de multa moratória. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5559866
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813271916544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 130 1 129 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.900823/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.053 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente PEIXOTO COMÉRCIO INDÚSTRIA SERVIÇOS E TRANSPORTES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. A denúncia espontânea também se configura com a quitação do tributo formalizada por meio de compensação, pleiteada anterior ou contemporaneamente à declaração do débito, devendo ser afastada a imposição da multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca que deu provimento ao recurso, por entender ser necessário lançamento de ofício para exigência de multa moratória. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 08 23 /2 00 8- 13 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Relatório Nos presentes autos, a contribuinte insurgese contra o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP. Segue transcrição do relato produzido na DRJ recorrida, quanto aos atos processuais que lhe antecederam: A interessada transmitiu o PERDCOMP nº 40348.32199.160604.1.3.040068, visando compensar o débito nela declarado (CSLL – código 2484 – PA janeiro/2004 –vencimento 27/02/2004 – valor original R$ 20.803,85), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita 2484 PA 29/02/2004 – vencimento 31/03/2004 data de arrecadação 13/05/2004 – valor principal R$ 20.803,85); A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, valor original total R$ 21.257,38, código 2484, PA 31/01/2004, não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade com o teor a seguir: “1. Conforme consta do relatório da decisão recorrida, tratase de Declaração de Compensação DCOMP apresentada em 16/06/2004, de débito relativo a tributo administrado pela Receita Federal do Brasil, com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. 2. É de ser esclarecido que, a recorrente identificou em sua Declaração de Débitos e Créditos Tributos Federais (DCTF), a ocorrência de um erro na disposição das informações relativas ao crédito originário da DCOMP: 40348.32199.160604.1.3.040068. 3. Fundamentase que a Declaração (DCTF) já foi retificada conforme anexo cópia do recibo de entrega e parte da declaração com informação do DARF pago a maior bem como da compensação do débito, o que torna necessária nova análise do PER/DCOMP para comprovação de que o crédito utilizado na compensação do débito de R$ 20.803,85 realmente existe. No início do voto, o d. Relator na DRJ detalha um pouco mais o contexto das retificações de DCTF’s que delimitam o pedido de compensação, como segue: A contribuinte juntou DARF, valor do principal R$ 20.803,85, vencimento 31/03/2004, PA 29/02/2004, código de receita 2484. Em 13/05/2004, apresentou DCTF original, com informação de débito de CSLL (2484), no valor de R$ 124.904,04 para o PA jan/2004 e no valor de R$ 20.803,85 para o PA fev/2004. Em 09/06/2008, apresentou DCTF retificadora, 1º trimestre 2004, acusando débito de CSLL, PA/janeiro, no importe de R$ 139.013,31, com compensação de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 20.803,85 e pagamento no montante de R$ 118.209,46. Essa DCTF retifica a declaração entregue em 18/04/2008, onde constava o débito, anteriormente discriminado, totalmente alocado a pagamentos realizados. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10675.900823/200813 Acórdão n.º 1801002.053 S1TE01 Fl. 131 3 Registrese que, somente para o 1º trimestre de 2004, a contribuinte apresentou, até 19/09/2009, 12 DCTFs, sendo que, até a declaração apresentada nessa última data, manteve o débito de CSLL do PA jan/2004 no valor de R$ 139.013,31. Observase do aqui exposto que a empresa não reduziu o total de CSLL, relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 2004, mas sim reduziu a zero o valor inicialmente apurado em fevereiro, aumentando em valor até maior o débito de janeiro. Apreciando o motivo indicado pela autoridade de 1ª Instância para indeferir o pleito, a Turma ora recorrida assim discorreu: No despacho decisório está registrado que o pagamento, no valor original total de R$ 21.257,38 (PA 29/02/2004 – data de arrecadação 13/05/2004) foi utilizado para quitação do débito código 2484 PA 31/01/2004. Entretanto, no sistema SIEF, referido pagamento se encontra disponível (tela anexa). Estando disponível, o crédito informado existe e deve ser utilizado na compensação declarada. Ocorre que, analisando a PERDCOMP em discussão, transmitida em 16/06/2004, observase que o crédito original, no importe de R$ 20.803,85, recolhido em 13/05/2004, foi atualizado até a data da transmissão; entretanto o débito vencido nela informado (PA Jan/2004), foi calculado somente com a inclusão dos juros de mora, portanto, sem o acréscimo legal devido da multa de mora. Portanto, a DRJ verificou a subsistência do indébito gerador do crédito postulado pela contribuinte, mas apontou débito excedente, relativo ao “acréscimo legal devido da multa de mora.” Assim, o julgamento recorrido foi pela “procedência parcial da manifestação de inconformidade, reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação da compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido, realizada valoração nos termos da legislação pertinente, acrescendose aos débitos informados os acréscimos moratórios”. Em razões recursais, a empresa aduz: Não incidência de multa de mora sobre o débito informado, pois o débito foi adicionado dos juros de mora, no valor de R$ 996,50, totalizando R$ 21.800,35. Que é indevida a incidência da multa de mora, já que o pagamento foi feito antes de qualquer procedimento fiscalizatório. Sustenta que o artigo 138 do CTN abarca a hipótese de compensação, pois esta configura uma das hipóteses de extinção do crédito tributário. Que não se trata de favor fiscal (a denúncia espontânea), mas direito incontestável do contribuinte, dentro de política tributária que objetiva premiar o infrator que espontaneamente corrige a irregularidade anterior, purgandoa com a quitação da dívida. Transcreve doutrina sobre o tema e faz considerações quanto às sanções punitivas e moratórias. Cita diversas decisões administrativas e judiciais no sentido da amplitude da proteção do artigo 138, devendo afastar a multa de mora nos casos em que incida. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 4 A decadência, já que a multa de mora também dependeria de ato de lançamento, sujeito ao prazo legal. Cita precedentes do STJ, e conclui: “sendo necessário o prévio lançamento da multa de mora e em linha com o entendimento jurisprudencial uníssono, é inexigível a multa de mora face a consumada decadência do direito a constituição do crédito tributário (sic), cujos fatos geradores revolvem o período de janeiro de 2004 (data do PA), ou no máximo 16/06/2004 (data da transmissão da PERDCOMP).” Impossibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa, pois: “considerando que a multa se caracteriza como uma penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de uma obrigação e os juros de mora como uma indenização, face a determinado atraso no cumprimento de uma obrigação, não restam dúvidas sobre a total impossibilidade da incidência dos juros sobre o valor da multa de revalidação cobrada”. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. Na manifestação de inconformidade a empresa não arguiu a configuração da denúncia espontânea, já que o despacho decisório encaminhou o indeferimento com base na alegação de que o crédito era inexistente. Porém, diante da decisão ora recorrida, que, embora reconhecendo o indébito, decretou a não quitação total da dívida, pela não adição da multa moratória, vem como razão recursal central a ocorrência de denúncia espontânea. De modo que não vislumbro preclusão, nem risco de supressão de instância, já que as alegações ulteriores vieram para confrontar os termos utilizados apenas na decisão recorrida para rejeitar, parcialmente, o pleito de compensação. No caso sob análise, em maio de 2004, a recorrente apresentou DCTF com valor para a CSLL de janeiro de 2004 em R$ 124.904,04. A PERDCOMP foi apresentada em 16 de junho de 2004, com o valor majorado para R$ 139.013,31. O crédito tem origem no recolhimento indevido feito em 13 de maio de 2004. Portanto, a diferença ainda não confessada em DCTF, e inserida na DCOMP, foi de R$ 14.109,27 (DCOMP – DCTF). Como esse valor só foi confessado quando do pleito pela compensação, os marcos temporais exigidos pelo STJ, em definição posta em recurso repetitivo (RESP 1.149.022/SP) estão atendidos quanto à antecipação ou concomitância do pagamento do débito declarado e confessado. Resta definir se a compensação seria equiparada ao “pagamento” disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, para os fins de caracterização da espontaneidade da conduta do sujeito passivo. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10675.900823/200813 Acórdão n.º 1801002.053 S1TE01 Fl. 132 5 Vale ressaltar, que essa questão específica do enquadramento da compensação nos termos da norma do artigo 138, não foi definida na sistemática do artigo 543 C, do Código de Processo Civil. Há, na Corte Superior, julgados favoráveis (AgRg Resp 1.136.372/RS) e contrários (AgRg Resp 1.277.545/RS) à compreensão defendida pela ora recorrente. Nesta e. Corte Administrativa também há precedentes nos dois sentidos, sinalizando que a matéria permite e demanda pronunciamento do colegiado. O artigo 138 em comento tem a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A Seção em que está inserida a norma supra trata da “Responsabilidade por Infrações”, tendo evidente foco na conduta do sujeito passivo. No artigo 138, o legislador concluiu a Seção com a exclusão da responsabilidade ocasionada por uma certa conduta do contribuinte, tendente a estabilizar e pacificar a relação com o fisco, preservando a efetivação do crédito tributário, com sua arrecadação atrelada aos juros pela mora. Dentre as causas eleitas pela norma complementar para extinguir o crédito tributário, está a compensação, arrolada logo abaixo do pagamento: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; Tenho que a literalidade do artigo 138 não afasta a compensação de sua dinâmica de incidência. Tem razão a recorrente quando afirma que o artigo 138 não revela benefício fiscal. Tratase de regramento geral consignado na norma complementar, de delimitação da responsabilidade por infrações. Avaliando o propósito da norma, o que se enuncia é a relevância da conduta do sujeito passivo de anteciparse a qualquer ação do fisco, quitando a dívida. Prestigiase o ato deliberado do contribuinte de regularizar seu débito, mesmo que ainda não submetido à ação coercitiva do ente estatal. Cabe verificar os efeitos definidos pelo legislador ordinário para as compensações: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 6 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, os efeitos do pagamento e da compensação, e o poder liberatório de ambos, são absolutamente associados em seus termos, e atuam com plena identidade na incidência do artigo 138. No dois casos, a efetiva quitação dependerá da ulterior verificação por parte do sujeito ativo (ou da homologação tácita). Portanto, o defeito que, por vezes, se opõe à compensação para afastála da seara da denúncia espontânea (sobre não revelar quitação imediata), não se afigura válido, pois também é assim que se dá com o pagamento. Ademais, nos termos vistos no caso dos autos, o pleito de compensação está a pressupor um pagamento anterior, que se apresentou indevido, a maior. Então, já houve pagamento, que apenas precisa ser alocado a outro débito. Nesse sentido pedese vênia para colacionar trecho da fundamentação adotada pelo i. Conselheiro Neudson Albuquerque, no Acórdão 1803002.091: No âmbito da jurisprudência administrativa do CARF, a questão também não está pacificada, existindo decisões contrárias à equivalência entre pagamento e compensação (por exemplo,o Acórdão nº1101000.945, de 12 de setembro de 2013) e decisões favoráveis à referida equivalência (por exemplo, Acórdão nº1402001.424, de 6 de agosto de 2013). A presente Turma de Julgamento, ao apreciar o processo nº 19515.002401/200464,entendeu que a compensação equivale ao pagamento para fins de atrair a regra de decadência insculpida no artigo 150, §4º, do CTN (homologação tácita de tributo sujeito a lançamento por homologação). Naquela ocasião, acompanhando o relator, manifesteime pela equivalência em tela, considerando que a compensação é apenas a afetação de um pagamento anterior, que foi realizado indevidamente e está disponível para ser utilizado. Pela mesma razão, entendo que a equivalência em tela deve ser reconhecida para fins de verificação da denúncia espontânea, conforme dizia a agora cancelada Nota Técnica Cosit nº1, de 2012. (destaque não está no original) Em outro julgado do CARF (Acórdão 1302001.237), em que o recurso voluntário foi negado pelo voto de qualidade, o i. Conselheiro Marcio Frizzo fez declaração de voto, do qual extraio o seguinte excerto: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10675.900823/200813 Acórdão n.º 1801002.053 S1TE01 Fl. 133 7 ...pareceme que a denúncia espontânea tem duas finalidades. A primeira é fazer com que o contribuinte pague todos os tributos decorrentes dos atos que pratica, colocandose em situação regular perante a Administração. A consequência é o reestabelecimento do equilíbrio jurídico na relação entre Fisco e contribuinte. A segunda finalidade é carrear aos cofres públicos importâncias juridicamente devidas, embora o agente arrecadador desconhecesse o ato que deu causa à imposição tributária. A conseqüência é o recebimento de receita tributária inadimplida sem a mobilização dos recursos humanos das Administrações Fazendárias (pois a confissão deve preceder as medidas fiscalizatórias). Notese que os servidores públicos são custeados pela Administração, de modo que quanto mais denúncias espontâneas ocorrerem, menor a necessidade de servidores fiscalizando os contribuintes e,também,menor o custo financeiro dessa atividade. O benefício para o contribuinte é o afastamento de sua responsabilidade tributária, especificamente no que tange às multas moratórias e de ofício; para o Fisco, o benefício é o recebimento de valores que, possivelmente, jamais seriam entregues sem a mobilização de seus servidores em procedimentos fiscalizatórios e com baixíssima possibilidade de a exigência tributária tornarse litigiosa, seja na esfera administrativa ou judicial. Do que se expôs até o presente momento, fica claro que o instituto é interessante a ambos os sujeitos da relação jurídicotributária. Por isso, devese ter em mente que impor obstáculos à plena eficácia da denúncia espontânea traz prejuízos também para a Fazenda Pública. O mais grave, contudo, é que óbices têm surgido após a confissão do contribuinte, fato que lança insegurança jurídica sobre o art. 138doCTN. Por todos esses aspectos, assento a procedência parcial da argumentação da recorrente quanto à desnecessidade, pela configuração da denúncia espontânea, de adição da multa de mora ao débito compensado, limitando a espontaneidade aos R$ 14.109,27 (que somente foram confessados com a DCOMP). Os demais argumentos veiculados no recurso voluntário ficam prejudicados, pelo acolhimento do tema central de mérito, que conduz à homologação total da compensação pleiteada nos autos. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para homologar parcialmente a compensação, afastando da base de cálculo da multa de mora o valor de R$ 14.109,27. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 8 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720477/2008-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL.
No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoa-se apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996.
IRPJ. REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. LUCRO DE EXPLORAÇÃO. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Caracterizada situação no qual os presentes autos e ações judiciais propostas pela contribuinte compartilham do mesmo objeto, que consiste em avaliar se excedentes de produtos fabricados encontram-se albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração, resta demonstrada a concomitância que, nos termos da Súmula nº 01 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
TAXA SELIC. JUROS DE MORA. TRIBUTOS FEDERAIS.
Predica a Súmula nº 04 do CARF que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1103-000.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoa-se apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. IRPJ. REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. LUCRO DE EXPLORAÇÃO. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Caracterizada situação no qual os presentes autos e ações judiciais propostas pela contribuinte compartilham do mesmo objeto, que consiste em avaliar se excedentes de produtos fabricados encontram-se albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração, resta demonstrada a concomitância que, nos termos da Súmula nº 01 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. TRIBUTOS FEDERAIS. Predica a Súmula nº 04 do CARF que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10283.720477/2008-03
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358740
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.991
nome_arquivo_s : Decisao_10283720477200803.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANDRE MENDES DE MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10283720477200803_5358740.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5517383
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046813276110848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 466 1 465 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720477/200803 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.991 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria IRPJ REDUÇÃO SUDAM LUCRO DE EXPLORAÇÃO Recorrente BIC DA AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. IRPJ. REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. LUCRO DE EXPLORAÇÃO. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Caracterizada situação no qual os presentes autos e ações judiciais propostas pela contribuinte compartilham do mesmo objeto, que consiste em avaliar se excedentes de produtos fabricados encontramse albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração, resta demonstrada a concomitância que, nos termos da Súmula nº 01 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. TRIBUTOS FEDERAIS. Predica a Súmula nº 04 do CARF que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 77 /2 00 8- 03 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 467 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 391/451 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (fls. 383/386), que apresentou a seguinte ementa: TRIBUTO.REDUÇÃO.PROVA.DEVER DO CONTRIBUINTE. Contribuinte deve provar aquilo que alega em sua declaração DIPJ, quando demonstra a tributação que entende devida. Dos Fatos. A contribuinte é indústria que atua no ramo de produção de canetas esferográficas, barbeadores, isqueiros, dentre outros, e encontrase situada na Amazônia. Nesse contexto, desfruta de benefícios fiscais referentes à redução de IRPJ de empreendimentos na área da SUDAM – Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, que garantem, dentre outros, isenções e reduções em percentuais variados sobre vendas de produtos manufaturados, benefícios que são limitados por quantidades de itens fabricados (ex.: redução de 50% de IRPJ para produção adicional/ano de 6.919.200 de isqueiros à gás) e condicionados à instalação, ampliação, modernização ou diversificação do parque industrial. Na DIPJ/2004 informou que teria direito às reduções de IRPJ de 37,5% e 50%, amparada pelos Atos Concessórios da SUDAM DCI/DAI nº 16, de 1998, e nº 22, de 1997, respectivamente. Contudo, a redução de IRPJ de 75% informada na declaração, referente à fabricação de produtos adicionais, em quantidades não contempladas nos atos concessórios anteriores, não teria respaldo em nenhum ato administrativo da SUDAM, mas sim, em Fl. 467DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 468 3 processo judicial, nº 2002.34000.150400/50369, ainda em tramitação e sem trânsito em julgado. Nesse contexto, foi intimada a contribuinte a apresentar documentação apta (ato, laudo, parecer técnico ou projeto de reconhecimento do beneficio fiscal) a comprovar o gozo de redução de 75% (setenta e cinco por cento) do IRPJ, calculado sobre o Lucro de Exploração, do anocalendário de 2003, informado na DIPJ, referente ao art. 1º da MP nº 2.199, de 2001, e regulamentado pelo Decreto nº 4.212, de 2002: MP 2.199, de 2001 Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. Decreto 4.212, de 2002 Art. 1º Este Decreto define os empreendimentos prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, para fins dos benefícios de redução do imposto de renda, inclusive de reinvestimento, de que tratam os arts. 1º, 2º e 3º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001. Art. 2º São considerados prioritários para fins dos benefícios de que trata o art. 1º, os empreendimentos nos seguintes setores: VI da indústria de transformação, compreendendo os seguintes grupos: (...) e) químicos (exclusive de explosivos) e petroquímico, materiais plásticos, inclusive produção de petróleo e seus derivados; (grifei) Diante do silêncio da fiscalizada, a autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração de IRPJ, fls. 04/07, conforme descrição de fatos a seguir. 001 EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDAM REDUÇÃO INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS Empresa tributada pelo Lucro Real, situada no distrito industrial da Zona Franca de Manaus, área de atuação da SUDAM, que intimada não apresentou o ato, laudo, parecer técnico ou projeto de reconhecimento do beneficio fiscal da redução de 75% Fl. 468DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 469 4 (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e Adicional incidente sobre o Lucro da Exploração. Pelas análises realizadas no decorrer do procedimento de fiscalização, constatouse que a empresa não atende aos requisitos legais necessários ao gozo do incentivo, procedendo se a glosa da redução do imposto irregularmente utilizada, apurada conforme seus livros contábeis/fiscais e informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica,DIPJ 2004, anocalendário 2003, mais especificamente na ficha 10, linha 10. O lançamento de ofício de IRPJ, com a multa proporcional de 75%, foi cientificado à contribuinte em 09/06/2008. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 96/41, que foi apreciada pela 1ª Turma da DRJ/Belém, em sessão realizada no dia 21/12/2011. O Acórdão nº 0123.905, às fls. 383/386, julgou a impugnação improcedente, decisão do qual tomou ciência a contribuinte em 16/04/2012 (“AR” de fl. 390). Foi interposto o Recurso Voluntário de fls. 391/451 em 14/05/2012, no qual discorre sobre pontos descritos a seguir. Nulidade do Acórdão da DRJ. Reclama a recorrente que a decisão de primeira instância não foi motivada, ferindo os princípios do contraditório e da ampla defesa, vez que não teria analisado a documentação probatória do gozo do benefício fiscal de redução do IRPJ acostada junto à impugnação, além de não ter apreciados os argumentos da defesa. Nulidade da Autuação. Não teriam sido atendidos os requisitos expressos nos arts. 9º e 10º do PAF, além de afronta ao art. 142 do CTN, vez que o trabalho realizado pela Fiscalização teria se pautado em simples análise da DIPJ e na suposta falta de laudos comprobatórios do benefício fiscal. Os produtos sobre os quais a recorrente calculou o Lucro de Exploração e aplicou a redução de 75% do IRPJ são os mesmos do que tratam os atos concessivos exarados pela SUDAM (Declarações DCI/DAÍ nº 22/97 e 16/98). Da Decadência. Teria se consumado a decadência, vez que foram efetuados recolhimentos de IRPJ estimativa no decorrer do anocalendário de 2003. Assim, como o auto de infração foi lavrado apenas em 03/06/2008, os créditos tributários relativos aos meses de janeiro até maio estariam fulminados pelo prazo decadencial, em obediência ao prazo de contagem estabelecido pelo § 4º, do art. 150 do CTN. Excedente de Produção. Aplicação do Benefício Fiscal Calculado com Base no Lucro de Exploração. Da Ação Declaratória. Aduz a recorrente que o excedente de produção, em debate no caso concreto, também faria jus ao benefício fiscal de 75% de redução do IRPJ, consequência dos benefícios já autorizados pelos atos concessivos Declaração DCI/DAÍ nº 22, de 1997 e 16, de 1998. No caso da redução de 75%, foi apresentado Projeto Industrial de Ampliação e Diversificação da Produção, em 20/02/2002, cujo pleito, apesar de ter sido várias vezes renovado, só foi apreciado pela ADA – Agência de Desenvolvimento da Amazônia em razão de ordem judicial obtida por meio de mandado de segurança. Contudo, mostrouse ilegal o indeferimento prolatado na decisão por meio do Ofício nº 038, de 2007 – Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 470 5 GEPIN/ADA, vez que, ao contrário do que aduz o ato administrativo, a recorrente atende aos requisitos estabelecidos pelo Decreto nº 4.212, de 2002, quais sejam, a empresa deve estar situada na Amazônia, e desenvolver atividades industriais de transformação de materiais plásticos, mesmas condições exigidas pelos atos concessórios anteriores cujos pleitos da pessoa jurídica foram deferidos. Nesse contexto, encontrase a recorrente discutindo, por meio da Ação Declaratória com Pedido de Tutela Antecipada nº 2007.34.00.0409455, a ilegalidade da decisão proferida no Ofício nº 038, de 2007 – GEPIN/ADA. Destaca que a prova pericial produzida nos autos da Ação Declaratória foi conclusiva no sentido de a recorrente atender ás condições para usufruir da redução de 75% do IRPJ. Enfim, registra que o STJ já se posicionou ao estabelecer que sendo o benefício fiscal concedido onerosamente, como no caso concreto, sob o cumprimento de determinadas condições, não poderá ser revogado nem mesmo por lei. Ilegalidade de Juros SELIC sobre Débitos Tributários. Entende a recorrente que o STJ já decidiu que a aplicação da SELIC é inconstitucional por falta de base legal. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Preliminares. Nulidade da Autuação. Nulidade do Acórdão. Inocorrência. Reclama a recorrente que o trabalho da Fiscalização teria se pautado apenas na análise da DIPJ e em suposta falta de comprovação do benefício fiscal, e que não teriam sido atendidos os requisitos estabelecidos pelos artigos 9º e 10º do PAF e art. 142 do CTN. Da análise do contexto da autuação, constatase que a autoridade autuante, ao apreciar a DIPJ referente ao anocalendário de 2003, verificou que a contribuinte informava ter direito à redução de IRPJ nos percentuais de 37,5%, 50% e 75% incidente sobre o Lucro de Exploração. Há que se registrar que os benefícios fiscais relativos aos percentuais de redução de IRPJ de 37,5% e 50%, amparados pelos atos concessórios da SUDAM DCI/DAT nº 16/98 e 22/97, respectivamente, não foram objeto da autuação. Contudo, a Fiscalização, ao depararse com a redução de 75%, valeuse da informação da DIPJ, no sentido de que se encontrava respaldada por processo judicial sem trânsito em julgado. Nesse sentido, não restou alternativa à autoridade fiscal, senão em intimar a fiscalizada, para que pudesse apresentar documentação probatória apta a comprovar o gozo do benefício fiscal, conforme fls. 03 dos autos, no qual consta também a ciência da contribuinte. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 471 6 Diante da opção da fiscalizada em não apresentar resposta, foi lavrado o Auto de Infração, para efetuar o lançamento de ofício do IRPJ correspondente à redução de 75% incidente sobre o Lucro de Exploração. Ao contrário do que aduz a recorrente, não se observa nenhuma irregularidade no procedimento fiscal. A base de cálculo encontrase devidamente demonstrada, amparada pelos demonstrativos elaborados pela própria empresa e informações prestadas na DIPJ, no qual se encontra segregado, precisamente, o IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração submetido à redução de 75%. Tampouco há que se falar em nulidade na decisão proferida pela DRJ, que motivou a manutenção do lançamento fiscal exatamente pelo fato de que a contribuinte, sobre o qual recai o ônus da prova do gozo do benefício, não comprovou o direito à redução do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração. Registrese que os documentos acostados pela defesa, na primeira instância administrativa, dizem respeito aos benefícios fiscais de 37,5% e 50%, limitados por quantidades de produtos fabricados, sem alcançar o excedente de produtos sobre o qual se aplicaria a redução de 75% pretendida pela contribuinte. Portanto, resta superada a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. Prejudicial de Mérito. Decadência. Lucro Real Anual. Aperfeiçoamento do Fato Gerador. 31 de Dezembro. Aduz a recorrente que foi cientificada do lançamento de ofício em 09/06/2008, e, por ter efetuado recolhimentos de IRPJ estimativa no decorrer do anocalendário de 2003, estariam protegidos pela decadência os créditos tributários apurados entre os meses de janeiro a maio. Ocorre que, na opção de regime de tributação adotada pela recorrente, o lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, no caso concreto, o lançamento referese ao fato gerador de 31/12/2003. Tendo a ciência sido dada em 09/06/2008, não há que se falar em decadência. Mérito. Contexto da Autuação. Ação Declaratória. Para a devida apreciação do mérito, peço vênia para transcrever fragmento do relatório do processo 10283.720241/201083, que trata precisamente da mesma matéria dos presentes autos, apenas com a diferença de que os lançamentos naquela autuação referemse aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, cuja decisão foi proferida pela 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF em 11/09/2013, no Acórdão 1101000.941. Em relação a tais excedentes aqui discutidos – que foram propriamente divisados pela autoridade autuante, que propriamente fez a identificação inequívoca da matéria tributável aqui analisada, desprezando as receitas concernentes aos outros benefícios –, verificase que a empresa, em 20 de fevereiro de 2002, apresentou novo Projeto Industrial de Ampliação e Diversificação da Produção (Processo n. 000.288) à Agência de Desenvolvimento da Amazônia, no qual requereu a Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 472 7 redução de 75% do Imposto de Renda de que trata a mencionada MP 2.199/2001. A Agência de Desenvolvimento da Amazônia passou anos sem se pronunciar sobre o pleito da ora Recorrente – que foi renovado algumas vezes –, sendo que apenas procedeu à análise dos pedidos do contribuinte após ordem judicial obtida pela sociedade empresária em Mandado de Segurança, ocasião em que foi prolatado o Ofício n. 038/2007, no qual se lê, litteris: Dando cumprimento a Decisão Judicial do Juiz Federal da 1ª Vara, datada de 14 de dezembro de 2006, determinando a esta Agência que aprecie os pleitos do benefício da Redução de Imposto de Renda para Ampliação e Diversificação do empreendimento industrial de interesse dessa Empresa, esta Agência concluiu, após análise dos referidos pleitos, que as linhas de produção relativas ao projeto de Ampliação e as linhas de produção de Demarcador com Ponta de Feltro de Nylon e Lápis de Resinas referentes ao de Diversificação não encontram amparo legal no que estabelece o Decreto n. 4.212/2002. Nesse sentido, comunicamos o indeferimento dos pleitos do benefício para as linhas de produção acima mencionadas. (fl. 337; sem grifos no original) Importantíssimo asseverar que a ora Recorrente atacou judicialmente esse ato da DiretoraGeral da Agência de Desenvolvimento da Amazônia – autarquia ligada ao Ministério da Integração Nacional/MI –, sendo que aforou, na Seção Judiciária de Brasília/DF, a ação ordinária n. 2007.34.00.0409455, cujos pedidos foram assim deduzidos, litteris: Requer, outrossim, seja julgada procedente a presente Ação, para: a) declarar nula de pleno direito a decisão da extinta AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA – ADA de 17 de janeiro de 2007, que expediu o Ofício n. 038/2007 – GEPIN/ADA que indeferiu os pleitos relativos às linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, com a imotivada alegação de que não encontram amparo legal no que estabelece o Decreto n. 4.212, de 26.04.2002, e; b) caso a SUDAM mantenha o indeferimento dos projetos objeto desta ação, declarar que os produtos objeto dos Projetos de Diversificação e Ampliação ora em debate, que são industrializados nas linhas de produção da Autora, se enquadram na atividade de transformação de materiais plásticos, coadunandose com o disposto no artigo 2o, inciso VI, alínea “e” do Decreto n. 4.212, de 26/04/2002, e Medida Provisória n. 2.19914, de forma a terem direito ao benefício de redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis de que a Autora faz jus; e determinar que a SUDAM expeça os competentes laudos constitutivos referentes aos Projetos de Diversificação e de Ampliação, e; c) declarar o direito da AUTORA beneficiarse da redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, calculados sobre o lucro da exploração das linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, Processo n. 000.288, de 20 de fevereiro de Fl. 472DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 473 8 2002 (59430/04225/200271 (Inventariança) e 59431/1296/200491 (ADA), nos termos do §7º do artigo primeiro da Medida Provisória n. 2.19914, que ratificou disposição contida no artigo 3º, da Lei n. 9.532/97, desde o ano calendário subseqüente ao de entrada em operação dos projetos objeto desta ação, e; d) condenar as Rés no pagamento das custas processuais, honorários advocatícios e demais consectários legais e despesas incorridas. (fls. 221222; sem grifos no original) Não se concedeu liminar para a suspensão dos créditos tributários discutidos nessa ação judicial, sendo que, em fins de 2012, foi proferida sentença que acolheu integralmente os pedidos deduzidos pela ora Recorrente, decisum esse que se pautou em perícia judicial que atestou que as linhas de produção da sociedade empresária em questão envolvem a transformação de materiais plásticos. Ao sentenciar, o juiz federal prolator antecipou os efeitos da tutela para suspender os créditos tributários discutidos no processo. Atualmente, aguardase o julgamento das Apelações interpostas pela SUDAM e pela União, que estão sob a relatoria do Desembargador Luciano Tolentino Amaral do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1a Região. Mister salientar, ainda, que o benefício fiscal em questão também é discutido em outros feitos judiciais que tocam a contribuinte, feitos esses instalados pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas – CIEAM, associação de que participa a ora Recorrente, e nos quais se busca a concessão da redução de 75% (setenta e cinco por cento) em questão àqueles associados, dentre os quais a Recorrente, que não tiveram seus pleitos administrativos apreciados no prazo legal. Tratase dos Processos n. 2002.34.00.0150369 (fl. 131 e ss.) e 2002.34.00.0150400 (fl. 100 e ss.) – nos quais não se concedeu provimentos antecipatórios em favor do CIEAM –, sendo que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região acabou de negar provimento à Apelação interposta pelo CIEAM (decisão de 26 de agosto de 2013, acórdão publicado em 4 de setembro de 2013), ao passo que o segundo processo transitou em julgado em desfavor da associação no primeiro semestre do corrente ano. Observase que para a fabricação dos produtos em quantidades excedentes, não contemplada nos atos concessórios SUDAM DCI/DAT nº 16/98 (redução de IRPJ de 37,5%) e 22/97 (redução de IRPJ de 50%), a recorrente encaminhou pedido para a ADA em 2002 (redução de IRPJ de 75%), que por meio do Ofício nº 038/2007 indeferiu a solicitação. Ocorre que, primeiro, em razão da demora da resposta ao pleito por parte da ADA (cinco anos), e, segundo, diante da negativa do pleito para a ADA, recorreu a contribuinte ao Poder Judiciário, visando satisfazer sua pretensão. Ora, diante de tal cenário, entendo que para a devida análise da matéria dos presentes autos, há que se apreciar, inicialmente, os processos judiciais sobre os quais aparece como parte a recorrente e o contexto em que se inserem. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 474 9 Primeiro, os processos judiciais nº 2002.34.00.0150400 e 2002.34.00.0150369 movidos durante o intervalo de tempo em que o pedido de redução de IRPJ de 75% encaminhado para a ADA não havia sido analisado. No que concerne ao processo judicial nº 2002.34.00.0150400, informado pela recorrente na DIPJ/2004 como amparo ao benefício fiscal de 75%, foi apresentado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas – CIEAM (associação do qual faz parte a contribuinte), sendo que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região recentemente negou provimento à Apelação interposta pelo CIEAM, nos termos da ementa a seguir. CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE AD CAUSAM ART. 5º, XXI, DA CF/88. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DOS ASSOCIADOS. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. 1. "As associações civis em geral têm legitimação na modalidade "representação processual" (RE n.º 182.543/SP), para propor ação coletiva, desde que com autorização expressa dos filiados, de modo individual ou por assembléia geral (art. 5º, XXI, da CF/88)". (AC 2001.34.00.0262409/DF, Rel. Juiz Federal Mark Yshida Brandão, 1ª Turma Suplementar, e DJF1 p.239 de 23/05/2012). 2. Para que a entidade associativa represente os seus associados, é necessária autorização individualmente concedida pelos interessados ou aprovação de proposta formulada em Assembléia Geral reunida para deliberar sobre a questão específica. 3. Mesmo que tenha sido realizada Assembléia Geral com o único propósito de autorizar a Entidade Associativa a representar os seus associados, a não formulação de proposta de autorização específica na referida Assembléia, com a consequente aprovação dos associados, impede que estes sejam representados em Juízo por sua Entidade Associativa. 4. Apelação a que se nega provimento. (Diário de Justiça Federal da Primeira Região, Edição Eletrônica, Publicação 15/03/2013) Em consulta ao sítio do TRF da 1ª Região, consta que o acórdão referente ao processo nº 2002.34.00.0150400 transitou em julgado. Da mesma maneira, o outro processo judicial de nº 2002.34.00.0150369 também foi movido pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas – CIEAM, tendo sido negado provimento à Apelação interposta pela CIEAM, conforme ementa que segue. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CAUTELAR. INICIAL INDEFERIDA. VIA PROCESSUAL INADEQUADA. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, V, CTN. VIA PROCESSUAL ADEQUADA. OBJETO SATISFEITO PELA ATUAÇÁO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA SUPERVENIENTE DE INTERESSE. APELAÇÃO IMPROVIDA. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 475 10 1. Tratase de apelação interposta em face de sentença que indeferiu a petição inicial de ação cautelar, coletiva, requerida para a finalidade de suspensão da exigibilidade de créditos tributários, sem os benefícios fiscais próprios do regime jurídico vigente no âmbito da Zona Franca de Manaus, até que fosse apreciado requerimento formulado junto à Ré, para esta finalidade e ainda não apreciado. 2. A ação cautelar é, em tese, cabível para a finalidade de suspensão da exigibilidade de créditos tributários, consoante preceitua o art. 151, V, do Código Tributário Nacional. No caso, não se poderia confundir a ausência de requisitos para a concessão da liminar, com a impropriedade da ação cautelar proposta, e somente por isto, afirmar pela ausência de interesse processual face à inadequação da via processual eleita. 3. Contudo, o objeto da presente ação cautelar era a suspensão da exigibilidade de crédito tributário, relativamente à não incidência de benefício fiscal cabível no âmbito da Zona Franca de Manaus, no caso a redução de 75% do imposto de renda sobre exportações, até que se aguardasse informação sobre requerimento de prorrogação do benefício fiscal em tela, formulado à SUDAM, autarquia que foi extinta e sucedida pela ADA. O requerimento de prorrogação do incentivo fiscal ainda não havia sido apreciado, razão pela qual a medida cautelar para que o imposto de renda não fosse exigido em sua integralidade, enquanto não decido o pleito das empresas associadas à autora. 4. Ainda que sob outro fundamento, não se verifica interesse processual no julgamento da ação cautelar em questão. Consoante as informações de fls. 410, e que aliás vêm corroborar fato processual já trazido aos autos por diversas empresas, associadas da autora ao pedirem a desistência do pleito, a providência requerida administrativamente já foi atendida pelas rés. Destaquese que o atendimento do requerimento administrativo, embora ocorrido após o ajuizamento desta ação cautelar, com ela não guarda qualquer relação. Primeiro por se tratar de pleito administrativo já previamente formulado. Segundo, porque no âmbito desta ação cautelar não houve qualquer provimento judicial que impusesse a prática de ato por parte das rés. Aliás, a sentença extintiva do processo foi proferida antes que a relação processual se integralizasse, com a citação das rés. Assim, nem sob a perspectiva de eventual sucumbência se poderia cogitar de interesse processual na apreciação do mérito da cautelar em exame. 5. Apelação improvida. (Diário de Justiça Federal da Primeira Região, Edição Eletrônica, Publicação 04/09/2013) Em consulta ao sítio do TRF da 1ª Região, consta que foram interpostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional em face do acórdão prolatado relativo ao processo nº 2002.34.00.0150369. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 476 11 Enfim, em um segundo momento, em razão do indeferimento do seu pleito pela ADA por meio do Ofício nº 038/2007, a recorrente resolveu discutir a questão por meio da Ação Declaratória com Pedido de Tutela Antecipada nº 2007.34.00.0409455. Ocorre que a matéria tratada na ação judicial é precisamente a mesma matéria a ser apreciada nos presentes autos. Vale transcrever, novamente, os pedidos da ação ordinária: Requer, outrossim, seja julgada procedente a presente Ação, para: a) declarar nula de pleno direito a decisão da extinta AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA – ADA de 17 de janeiro de 2007, que expediu o Ofício n. 038/2007 – GEPIN/ADA que indeferiu os pleitos relativos às linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, com a imotivada alegação de que não encontram amparo legal no que estabelece o Decreto n. 4.212, de 26.04.2002, e; b) caso a SUDAM mantenha o indeferimento dos projetos objeto desta ação, declarar que os produtos objeto dos Projetos de Diversificação e Ampliação ora em debate, que são industrializados nas linhas de produção da Autora, se enquadram na atividade de transformação de materiais plásticos, coadunandose com o disposto no artigo 2o, inciso VI, alínea “e” do Decreto n. 4.212, de 26/04/2002, e Medida Provisória n. 2.19914, de forma a terem direito ao benefício de redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis de que a Autora faz jus; e determinar que a SUDAM expeça os competentes laudos constitutivos referentes aos Projetos de Diversificação e de Ampliação, e; c) declarar o direito da AUTORA beneficiarse da redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, calculados sobre o lucro da exploração das linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, Processo n. 000.288, de 20 de fevereiro de 2002 (59430/04225/200271 (Inventariança) e 59431/1296/200491 (ADA), nos termos do §7º do artigo primeiro da Medida Provisória n. 2.19914, que ratificou disposição contida no artigo 3º, da Lei n. 9.532/97, desde o ano calendário subseqüente ao de entrada em operação dos projetos objeto desta ação, e; d) condenar as Rés no pagamento das custas processuais, honorários advocatícios e demais consectários legais e despesas incorridas. (fls. 221/222; sem grifos no original) Não obstante inicialmente a liminar para a suspensão dos créditos tributários não ter sido concedida, no final de 2012 foi proferida sentença que acolheu os pedidos da recorrente. O juiz relator antecipou os efeitos da tutela para suspender os créditos tributários discutidos no processo. Foram interpostas apelações pela SUDAM e pela União, a serem apreciadas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 477 12 Portanto, diante do que já foi exposto, constatase que, em relação à redução do IRPJ de 75% incidente sobre o Lucro de Exploração, relativa à receita de vendas de produtos excedentes não contemplados nos atos concessórios SUDAM DCI/DAT nº 16/98 (redução de IRPJ de 37,5%) e 22/97 (redução de IRPJ de 50%): 1) apesar de não terem adentrado no mérito, as decisões proferidas nos processos judiciais nº 2002.34.00.0150400 e 2002.34.00.0150369 negaram provimento às apelações interpostas pela CIEAM, do qual é associada a recorrente, sendo que no primeiro caso há trânsito em julgado; 2) a ação ordinária, apesar de provida na primeira instância, teve a decisão contestada no TRF da 1ª Região pela SUDAM e pela União. Entendo que a concomitância entre os presentes autos e os processos judiciais que se encontram em andamento é evidente, situação que implica em renúncia da esfera administrativa. Como já dito, os casos tratam precisamente da mesma situação, qual seja, se os excedentes de produtos fabricados encontramse albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração. A Súmula nº 01 do CARF é esclarecedora: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não há reparos a fazer na autuação fiscal, vez que o processo judicial nº 2007.34.00.0409455 encontrase em discussão. O lançamento de ofício discutido nos presentes autos deve ser mantido para prevenir a decadência, vez que não se consumou o trânsito em julgado do processo judicial até o momento. Quanto á multa de 75%, tampouco deve ser afastada, já que a autoridade autuante, quando efetuou a lavratura do auto de infração, em 2008, não se deparou com nenhuma causa suspensiva de exigibilidade dos créditos tributários, até porque a decisão de primeira instância do processo judicial nº 2007.34.00.0409455, ao suspender a exigibilidade dos créditos tributários, foi proferida apenas ao final de 2012. Tratase de entendimento em consonância com o que foi decidido no mencionado Acórdão 1101000.941, proferido pela 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF em 11/09/2013, cuja ementa é transcrita a seguir. IRPJ. REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.199/2001. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Deve ser mantido o lançamento fiscal que glosa redução de IRPJ atinente a benefício fiscal discutido judicialmente pelo contribuinte. O lançamento foi feito a partir da verdadeira premissa de que inexistia qualquer ato administrativo ou decisão judicial a autorizar o gozo do benefício, sendo que o sujeito passivo aforou ação de rito ordinário com vistas ao Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 478 13 reconhecimento judicial de que faz jus à isenção parcial de que se cuida. Ao ajuizar essa ação, o contribuinte inequivocamente renunciou ao direito de discutir o direito a esse benefício em sede administrativa. Quanto à utilização da taxa SELIC para os juros moratórios, tratase de assunto também já pacificado no CARF, tanto que a Súmula nº 4 discorre precisamente sobre a matéria: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pelo exposto, voto no sentido de: 1) não conhecer da parte do recurso voluntário que trata se os excedentes de produtos fabricados estariam albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração, em razão da concomitância; 2) afastar as preliminares de nulidade e a decadência; 3) negar provimento à parte do recurso voluntário referente à matéria distinta da constante dos processos judiciais. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
score : 1.0
