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Numero do processo: 10242.000142/00-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Declinada a Competência para Julgamento do Recurso.
Numero da decisão: 2801-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do voto da Relatora
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido. Declinada a Competência para Julgamento do Recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do voto da Relatora Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância que versa sobre pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido. Declinada a Competência para Julgamento do Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do voto da Relatora Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 01 42 /0 0- 70 Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 2801002.665 S2TE01 Fl. 496 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma de julgamento da DRJ/Belém/PA. Por bem descrever os fatos, reproduzse a seguir o relatório da decisão recorrida: “Tratase de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fl. 420, proferido pelo Chefe da Sorac da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ji Paraná, pelo qual foi reconhecido o direito credit6rio, porém, indeferida a respectiva restituição e as compensações pleiteadas. A origem do crédito pleiteado é o saldo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) ao longo do ano de 1999, exercício em que o sujeito passivo apurou prejuízo. Segundo o Parecer que deu base ao despacho (fls. 410 a 419), embora o interessado faça jus ao direito creditório informado de R$27.928,65, tal valor não está disponível para restituição ou para compensação com os débitos confessados nas Declarações de Compensação (Dcomp) n° 34119.65332 e 03403.97118, fls. 232 a 246. Isso em razão de que o sujeito passivo já se utilizou do referido crédito para se compensar com os débitos de antecipação de IRPJ e de CSLL referente ao ano de 2001. Em 7.11.2007, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 424) e, em 6.12.2007, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 425 a 429, com o seguinte teor: a) que a unidade de origem não atualizou o direito creditório com a taxa de juros Selic; b) que o direito creditório reconhecido em 31.12.1999 (R$27.928,65) foi utilizado para compensar os débitos de CSLL de abril a setembro/2001 e os débitos de IRPJ de maio a setembro/2001, conforme demonstrativo de fl.427; c) que, consideradas as compensações e recolhimentos efetuados ao longo de 2000, 2001 e 2002, demonstrase a regularidade dos registros do livro Razão, conta "Provisão para Imposto de Renda", que apontou um saldo de IRRF a compensar em 31.12.2002 de R$63.745,82; d) que, no período entre 1999 a 2002, em momento algum o IRRF foi utilizado em duplicidade na compensação de débitos de IRPJ ou de CSLL; e) que, diante do exposto, solicita a modificação do Parecer de fls. 410 a 419. A solicitação foi indeferida, conforme Acórdão de fls. 474/475, que restou assim ementado: Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 2801002.665 S2TE01 Fl. 497 3 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRI0 INSUBSISTENTE. IMPOSSIBILIDADE. Comprovado nos autos que o interessado não dispõe de saldo de direito creditório suficiente para a compensação pleiteada, impõese o indeferimento do pedido. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 07/05/2008 (fl. 479), a interessada, representada por seu advogado (fl. 490), interpôs recurso voluntário de fls. 498/503, em 04/06/2008, no qual pretende seja reformada a decisão recorrida, que se limitou a manter um trabalho fiscal eivado de falhas técnicas sem, no entanto, apresentar qualquer fundamentação que declinasse pela não aplicabilidade dos juros Selic. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O presente Recurso Voluntário versa sobre Pedido Restituição (fl.1), de créditos oriundos de retenção de IRRF incidente sobre aplicações financeiras no anocalendário de 1999, cumulado com pedidos de compensação (fls 68 e 116). Observase que o presente Pedido de Restituição/Compensação não tem como objeto Imposto de Renda Retido na Fonte de incidência instantânea e autônoma, mas de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, cujo julgamento do litígio não é competência desta Turma. Nesse sentido, os arts. 2° e 3°, ambos constantes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Portaria n° 256, de 22 de Junho de 2009), assim estabelecem: “Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (...) Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10242.000142/0070 Acórdão n.º 2801002.665 S2TE01 Fl. 498 4 Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; (...)” Deste modo, em consonância com o disposto no artigo 2°, inciso III, do Regimento Interno deste Egrégio Conselho, acima citado, concluise ser da Primeira Seção de Julgamento a competência para julgamento do recurso voluntário formalizado no presente processo. Isto posto, VOTO por não conhecer do recurso, e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. . Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.908995/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 89 95 /2 00 9- 67 Fl. 154DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (CSLL). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2004 e 2005 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.908995/200967 Acórdão n.º 1402003.650 S1C4T2 Fl. 3 3 a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls9097); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao Fl. 156DF CARF MF 4 final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls.139/144, em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.630, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.630): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.908995/200967 Acórdão n.º 1402003.650 S1C4T2 Fl. 4 5 Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 18186.726714/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
LENHA. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004.
As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM e utiliza lenha, adquirida de pessoas físicas, como combustível na produção tem direito ao presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
Numero da decisão: 3201-005.108
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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LENHA. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Recorrente GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 LENHA. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM e utiliza lenha, adquirida de pessoas físicas, como combustível na produção tem direito ao presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de PIS, cumulado com compensação de débitos próprios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 67 14 /2 01 3- 17 Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 3 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever trechos do Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Pedido de Ressarcimento de crédito presumido da contribuição para o Programa de Integração Social, Crédito Presumido – Mercado Interno, que foi parcialmente deferido pela autoridade jurisdicionante. Conseqüentemente, as compensações relacionadas foram parcialmente homologadas. No Despacho Decisório que indeferiu o Pedido, a autoridade, após relatar os procedimentos de auditoria do crédito e a legislação aplicável, assim fundamentou sua decisão: As únicas hipóteses legais de utilização do saldo credor da contribuição para o PIS e para a Cofins na compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB ou no ressarcimento desses créditos relacionamse às seguintes situações: 21.1. Créditos vinculados a receitas decorrentes de operações de exportação de mercadorias para o exterior, nos termos do art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n° 10.833/2003, desde que não seja uma operação realizada como comercial exportadora; 21.2. Saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário nos termos do art. 16, inciso II, da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, em razão do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que assegura a manutenção de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para a Cofins e para o PIS não cumulativos. 22. No caso, consoante Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) do período analisado (...), o interessado possui receitas tributadas e não tributadas no mercado interno e receitas da exportação de mercadorias. ... 25. O conceito de insumos é delimitado, em linhas gerais, pela afirmação de que só se caracterizam como tal as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem que sejam utilizados em "ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação". (...) 26. As leis, ao utilizarem a expressão "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", criaram uma delimitação estrita, vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta no processo produtivo (estarseia, aqui, diante de um conceito jurídico de insumos). 27. A formalização do conceito de insumo já foi firmada por meio da Instrução Normativa SRF no 247/2002 e da Instrução Normativa SRF no 404/2004, de caráter vinculante para os agentes públicos que compõem a Administração Tributária Federal. Tais atos Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 4 3 administrativos, ao explicitarem o que se deve ter por insumo para os fins colimados pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (...). ... 29. Assim, as hipóteses autorizativas para a apropriação de créditos no âmbito do PIS e da Cofins são apenas aquelas expressamente previstas na legislação, sem ser necessariamente vinculadas à essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo. Dessa forma, o legislador adotou o critério de enumerar os bens e serviços capazes de gerar crédito, vinculandoos a determinadas atividades e usos. ... 31. Delimitado o conceito de insumo estabelecido na legislação, que obriga a presente fiscalização, passase à análise do crédito. Utilizando a descrição da mercadoria adquirida, o código fiscal de operações e prestações (CFOP) e a descrição da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constantes da planilha apresentada, analisamos a base de cálculo de bens utilizados como insumos demonstrada. Passemos à descrição das glosas realizadas. Sebo Bovino (NCM 1502.10.11) 32. O contribuinte demonstrou, erroneamente, na planilha de bens utilizados como insumos as aquisições de sebo bovino, tendo em vista que tais aquisições permitem apenas a apuração de crédito presumido de PIS e Cofins não cumulativos. Inclusive, esses valores também foram demonstrados em planilha especifica em que o contribuinte demonstra as aquisições de sebo bovino sujeitas a apuração de crédito presumido da contribuição. 33. Dessa forma, o contribuinte demonstrou tais operações em duplicidade, o que, se não fosse constatado por essa fiscalização, acarretaria na apuração de crédito a maior em favor do contribuinte. 34. Tendo em vista que essas operações estavam demonstradas nos dois memoriais de cálculo, excluímos todas as aquisições de sebo bovino da base de cálculo de bens utilizados como insumos. Analisaremos essas aquisições por meio da planilha especifica apresentada em tópico próprio. Aquisições realizadas sem incidência da contribuição 35. Consultando as notas fiscais eletrônicas emitidas para o interessado, constatamos que diversas aquisições foram feitas com isenção, suspensão ou eram sujeitas à alíquota zero das contribuições, como pudemos conferir pelo código de situação tributária em relação ao PIS e a Cofins constante das notas. 36. Como previsto no § 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (redação idêntica), as aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições para o PIS e a Cofins não cumulativos não dão direito a crédito (...). Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 5 4 37. Sendo assim essas operações foram excluídas da base de cálculo do crédito. Compra de pessoa física 38. Nessa mesma linha constatamos que o interessado listou diversas aquisições de canola em grãos, jumento macho/fêmea e lenha de eucalipto realizadas de pessoa física. Tendo em vista que sobre essas aquisições não incide PIS e Cofins não cumulativos, essas operações também foram glosadas da base de cálculo do crédito. Crédito extemporâneos 39. O interessado tentou apurar crédito sobre diversas operações ocorridas durante o ano de 2012 o que não encontra respaldo na legislação. Sobre a apuração extemporânea de créditos, é essencial relembrar as normas contidas no § 1º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003 (...). 40. Notase que as normas supra determinam que os créditos serão calculados com base nas operações ocorridas no mês, sem pairar dúvida ao eleger o regime de competência como aquele aplicável à apuração de créditos da nãocumulatividade. 41. Sobre essa questão, salientase a norma contida no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, c/c o entendimento previsto no inciso I do § 2º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012, abaixo transcritos, que determinam que cada pedido de ressarcimento se refira a um único trimestrecalendário. 42. Nesse sentido, a IN RFB nº 1.015/2010, que dispõe sobre o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), trata, em seu art. 10, da retificação do DACON e das hipóteses em que a mesma é admitida. 43. Do caput do art. 10 acima transcrito, depreendese que a alteração das informações prestadas em DACON, o que engloba a apuração de créditos extemporâneos (§ 1º), deve ser efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador e não com a simples escrituração em demonstrativo posterior, como pretende o interessado. 44. Temse, assim, que a apropriação extemporânea de créditos, ainda que admitida, se limita às hipóteses e aos procedimentos previstos pela legislação tributária, não podendo ser efetuada pelo sujeito passivo sem observância das formalidades existentes. Sendo assim, essas operações foram glosadas. Material de promoção e benefício social 45. Material de promoção e benefício social não se enquadram no conceito de insumo explanado acima e por isso todas as operações que contêm essa descrição foram excluídas da base de cálculo do crédito. Insumos importados em duplicidade Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 6 5 46. O interessado demonstrou em duplicidade os créditos decorrentes de operações de importação tanto na planilha de bens utilizados como insumos adquiridos no mercado interno quanto na planilha demonstrativa de bens importados. 47. Dessa forma, excluímos os bens importados da planilha de bens utilizados como insumos adquiridos no mercado interno e vamos analisar essas operações com base nas informações prestadas na planilha correta. Conclusão 48. Após as glosas relatadas acima elaboramos o arquivo de Excel “Bens utilizados como insumos 2013” com o demonstrativo da base de cálculo considerada e das glosas realizadas (anexo da fl. 1960). Os motivos das glosas foram discriminados na coluna “Fiscalização” da planilha de glosas. (...) Serviços utilizados como insumos 49. Para analisarmos os serviços utilizados como insumos solicitamos à empresa memorial descritivo em que discriminasse todas as operações que compuseram a base de cálculo dessa rubrica no Dacon. 50. Posteriormente, solicitamos ao contribuinte que apresentasse a listagem de todos os serviços que ele utilizava no processo produtivo da empresa (...). Em sua resposta, ao invés de relacionar apenas os serviços utilizados no processo produtivo da empresa, o contribuinte apresentou listagem com todos os serviços prestados por terceiros utilizados pela empresa (...), sem fazer distinção se são aplicados no processo produtivo ou não. 51. Utilizando a descrição do serviço constatamos que o contribuinte tentou se aproveitar de crédito decorrente de vários tipos de serviços que não são diretamente utilizados no processo produtivo da empresa, em desacordo com a legislação transcrita acima. Dentre esses serviços podemos citar: serviço de obras ou manutenções, capatazia, transbordo, serviços portuários, transporte de funcionário, vale transporte, comissão de despachos, análise de qualidade, serviços de telecomunicação, vale alimentação, serviços de advogados, dentre outros que não são utilizados diretamente no processo produtivo. 52. Com base nessa planilha constatamos também que o interessado havia incluído erroneamente nessa rubrica aluguéis de máquinas e equipamentos e despesas de armazenagem. Tendo em vista que são operações que efetivamente podem gerar direito a crédito, passamos a analisálas. 53. Apenas as despesas de armazenagem na operação de venda permitem a apuração de crédito, segundo o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 citado acima, que também se aplica ao PIS por força do seu art. 15, II: Fl. 3367DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 7 6 54. Por isso, intimamos o contribuinte a discriminar quais eram os prestadores de serviço de armazenagem nas operações de venda e quais prestavam esse serviço nas demais atividades da empresa (...). Em resposta a essa intimação o contribuinte apresentou planilha denominada “Notificação Serviços Armazenagem x Outros” em que discriminava quais empresas faziam a armazenagem na sua operação de venda e as que prestavam esse serviço nas demais atividades da empresa (...). Com base nessa informação mantivemos na base de cálculo do crédito apenas as empresas que prestavam o serviço de armazenagem na operação de venda da empresa. 55. Glosamos também os serviços de “recepção” prestados pela empresa Gransol Granéis Sólidos Ltda – CNPJ 79.628.111/0002 88, tendo em vista que esse serviço não se enquadra no conceito de serviço utilizado como insumo, e tampouco pode ser classificado como serviço de armazenagem. 56. Após as glosas relatadas acima elaboramos o arquivo de Excel “Serviços utilizados como insumos 2013” com o demonstrativo da base de cálculo considerada e das glosas realizadas (anexo da fl. 1960). Os motivos das glosas foram discriminados na coluna “Fiscalização” da planilha de glosas. (...). Bens utilizados como insumos – Importação 57. Para analisarmos os bens utilizados como insumos advindos do mercado externo, solicitamos à empresa memorial descritivo em que discriminasse todas as operações que compuseram a base de cálculo dessa rubrica no Dacon. 58. Comparamos as operações constantes dessa planilha com as informações contidas nos sistemas de controle de importações da RFB. Com base nessa análise, apuramos a base de cálculo de bens utilizados como insumos decorrente das importações. Os valores considerados foram os constantes dos sistemas internos da RFB que foram comparados com aqueles declarados pelo contribuinte e efetivamente aceitos pela fiscalização. 59. Assim, elaboramos o arquivo de Excel “Bens utilizados como insumos Importação 2013” em que demonstramos todas as operações consideradas na base de cálculo do crédito (...). 60. Com relação a possibilidade de ressarcimento desses créditos, cabe ainda algumas considerações sobre a legislação tributária que dispôs sobre o regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Os itens que geram direito a crédito da contribuição constam dos incisos do caput dos artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 transcritos acima. 61. A regra geral da sistemática da nãocumulatividade é a de que o contribuinte, ao apurar os valores devidos da contribuição, pode descontar créditos relativos a essa mesma contribuição paga em operação anterior. Assim, os créditos ali mencionados somente poderiam, a princípio, ser utilizados para reduzir o valor devido da própria contribuição. Entretanto, a Lei 10.833/2003 trouxe, em seu Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 8 7 art. 6º, uma exceção à utilização desses créditos, permitindo ao contribuinte, nas hipóteses mencionadas, o direito de pedir o ressarcimento em espécie ou de utilizar os créditos para compensação com outros tributos ou contribuições, (...). 62. Posteriormente, a Medida Provisória no 164, de 29 de janeiro de 2004, convertida na Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, instituiu a incidência do PIS e da Cofins na importação de bens e serviços (...). 63. Pelo dispositivo legal acima reproduzido, os créditos provenientes da contribuição efetivamente paga na importação de bens e serviços pelas pessoas jurídicas sujeitas à sistemática da nãocumulatividade podem ser descontados das contribuições devidas apuradas. Além disso autoriza, em seu § 2º, que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. 64. Ora, nenhuma manifestação houve em relação à compensação ou ressarcimento, apenas autorizou o desconto das contribuições devidas. Vejase que, inobstante a Lei nº 10.865/2004, tenha alterado diversos dispositivos das Leis nºs 10.637/2002, e 10.833/2003, relativamente ao sistema de nãocumulatividade, não trouxe qualquer modificação ao art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003, entendendose, por isso, que fica mantida a determinação para compensação e ressarcimento tãosomente daqueles créditos básicos apurados de acordo com o art. 3º, quando decorrentes de operações de exportação de mercadorias e serviços. Assim, por falta de amparo legal, não há como estender a possibilidade de compensação dos créditos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 também para os créditos apurados nos termos do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004 vinculados às receitas de exportação. ... 66. É de se notar que a Lei nº 11.116/2005, dispôs textualmente que, em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 que trata da manutenção do crédito pelo vendedor em relação a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição para o PIS e a Cofins o saldo credor acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, poderá ser objeto de compensação ou pedido de ressarcimento, tanto em relação aos créditos apurados na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, quanto aos créditos apurados de acordo com o art. 15 da Lei nº 10.865, nos estritos limites dos dispositivos acima transcritos. ... 68. Percebese, pelo acima exposto, que os créditos do PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação, apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, somente poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência. Fl. 3369DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 9 8 69. Portanto, os créditos da contribuição para o PIS/Pasep – Importação e da Cofins – Importação que não puderem ser descontados de débitos das respectivas contribuições, por excederem estes, somente serão passíveis de compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando as respectivas importações forem vinculadas a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência dessas contribuições. Crédito presumido das atividades agroindustriais 70. Para a análise do crédito presumido, em vista dos diferentes tipos de produtos vendidos e das aquisições de insumos realizadas, será necessário que observemos cinco regras diferentes para o cálculo do crédito, que seguem abaixo: 70.1. Aquisições de soja (NCM 12.01) destinada a industrialização de produtos destinados à alimentação humana ou animal. O crédito deverá ser calculado aplicandose o percentual de 50% da alíquota original do PIS e da Cofins. Nesse caso, o crédito só poderá ser ressarcido, se o produto for destinado à exportação. (art. 8º, § 3º, II, da Lei nº 10.925/2004 e art. 56B, da Lei nº 12.350/2010); 70.2. Aquisições de soja destinada a produção de farelo de soja (NCM 23.04).O crédito deverá ser calculado aplicandose o percentual de 50% da alíquota original do PIS e da Cofins e poderá ser ressarcido mesmo nas vendas realizadas no mercado interno (art. 8º, § 3º, II, da Lei nº 10.925/2004 e art. 56B, parágrafo único da Lei nº 12.350/2010); 70.3. Aquisições de soja (NCM 12.01) destinada à produção de biodiesel (artigos 47 e 47b da Lei nº 12.546/2011); 70.4. Aquisição de sebo bovino (NCM 1502.00.12) – Cálculo do crédito presumido com base no art. 34º da Lei 12.058/2009, com as alterações previstas nas Leis nº 12.350/2010 e 12.839/2013, aplicandose o percentual de 40% da alíquota original do PIS e da Cofins sobre o valor das aquisições; e 70.5. Aquisições de soja ocorridas após 10/10/2013. A partir dessa data, o crédito presumido passou a ser calculado com base na Lei nº 12.865/2013. 71. Passemos à análise detalhada do cálculo do crédito presumido de acordo com a legislação citada acima. Lei 12.058/2009 72. Com o advento do art. 32, da Lei nº 12.058/2009, com a redação dada pela Lei nº 12.431/2011, as receitas decorrentes da venda ou revenda de sebo bovino (NCM 15.02.0012) passaram a ter a tributação de PIS e de Cofins não cumulativos suspensa (...). 73. Como previsto no § 2º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (redação idêntica), as aquisições de bens realizadas Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 10 9 sem a incidência das contribuições para o PIS e a Cofins não cumulativos não dão direito a crédito (...). 74. Contudo, a Lei nº 12.058/2009 permitiu que, nas aquisições de sebo bovino, mesmo que desoneradas, fosse apurado crédito presumido, calculado aplicandose um percentual de 40% das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre o valor das aquisições (...). 75. Essa lei, em seu § 3º do mesmo art. 34, definiu ainda a forma de aproveitamento desse crédito, determinando que se até o final de cada trimestre calendário o contribuinte não conseguir utilizar esse crédito para dedução das contribuições devidas no período, ele poderá utilizálo para compensar débitos próprios de tributos administrados pela RFB, ou solicitar seu ressarcimento em dinheiro (...). 76. É importante salientar que em 08/03/2013 a MP 609/2013, posteriormente convertida na Lei nº 12.839/2013, alterou o art. 1º da Lei nº 10.925/2004 e reduziu a zero as alíquotas da contribuição para o PIS e a Cofins incidentes sobre a aquisição de sebo bovino (...). 77. A Lei nº 12.058/2009 também foi alterada pela Lei nº 12.839/2013, contudo, continuou sendo possível a apuração de crédito presumido sobre a aquisição de sebo bovino, mesmo sendo um produto tributado à alíquota zero (...). 78. Apesar das alterações na legislação, o tratamento do crédito gerado pelas aquisições de sebo bovino permaneceu o mesmo, sendo possível inclusive o ressarcimento previsto no § 3º do art. 34 supracitado. 79. Conforme lista de insumos utilizados no processo produtivo (fl. 636 a 641), o contribuinte utiliza sebo bovino como matéria prima para a produção de biodiesel, e, sendo assim, pode aproveitar o crédito presumido decorrente desse insumo. 80. O crédito foi calculado com base em 40% das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que deverá ser de 0,66% (sessenta e seis centésimos por cento) para o PIS e de 3,04% (três inteiros e quatro centésimos por cento) para a Cofins. ... 82. Frisese que esse crédito não será submetido ao rateio, tendo em vista que a totalidade das aquisições desse insumo é exclusivamente destinada à obtenção de receitas originadas da venda no mercado interno de biodiesel. Lei 10.925/2004 83. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial está previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (...). 84. Assim, como se depreende da leitura do art. 8º supracitado, as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real que industrializam as Fl. 3371DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 11 10 mercadorias relacionadas no caput do art. 8º, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão apurar créditos presumidos apenas para fins de dedução do valor devido das próprias contribuições na sistemática não cumulativa em cada período de apuração, de acordo com a aplicação das alíquotas prescritas. ... 87. Posteriormente, a Lei nº 12.350/2010 em seu art. 56B passou a permitir que os créditos apurados com base na Lei nº 10.925/2004 vinculados às receitas de exportação pudessem ser utilizados para compensação com outros tributos devidos ou ressarcidos (...). 88. Por fim, temos que levar em conta a previsão do parágrafo único do art.56B transcrito acima, que permite que o crédito presumido vinculado a venda de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM pode ser utilizado para compensação ou ser ressarcido mesmo no caso de estar vinculado às receitas auferidas no mercado interno. 89. A empresa é produtora de mercadorias classificadas em diversos capítulos da NCM, inclusive nos capítulos 15 e 23 como previsto na legislação. Dentre os produtos classificados no capítulo 15, não consideraremos para o cálculo do crédito os insumos vinculados aos produtos classificados nas NCM 15200010 (“Glicerina em bruto”) e 15220000 (“dégras, resíduos proven.d/mat.graxas, cera”) pois estes não se destinam a alimentação humana ou animal. 90. Constatamos também, por meio de consulta às NFe de venda, que a Granol revendeu parte da soja adquirida. O art. Lei 8º da Lei nº 10.925/2004 só permite apuração de crédito presumido no caso de utilização da soja para industrialização, e não no caso de revenda de mercadoria. Assim, feito o rateio, a base de cálculo que apurarmos vinculada às receitas de revenda será excluída do cálculo do crédito. Apenas consideramos os créditos vinculados aos demais produtos que segundo a legislação permitem a apuração do crédito. 91. Para calcularmos o percentual de insumos vinculado a cada produto utilizaremos o rateio proporcional às receitas, como previsto no parágrafo único do art. 56B combinado com os parágrafos 8º e 9º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 (redação idêntica). 92. Como os créditos descritos acima tem possibilidades de utilização diferentes, eles serão distribuídos em 4 linhas diferentes do Dacon, da seguinte forma: 92.1. Lei 10.925/2004 c/c Lei 12.350/2011– Mercado Externo (ME) – Ressarcível; 92.2. Lei 10.925/2004 c/c Lei 12.350/2011 – Farelo de Soja Ressarcível Mercado Interno (MI); Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 12 11 92.3. Lei 10.925/2004 – Mercado Interno (MI) – Não ressarcível; 92.4. Lei 12.546/2011 – Biodiesel – Não ressarcível. Lei 12.546/2011 – Insumos vinculados às receitas de biodiesel 93. O art. 47 da Lei nº 12.546/2011 trouxe a possibilidade de apuração de crédito presumido decorrente da aquisição de matériasprimas adquiridas com suspensão ou não incidência das contribuições quando vinculadas a produção de biodiesel (...). 94. Como previsto em seu § 6º, a eficácia dessa lei ficou condicionada à regulamentação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) da sua forma de apuração. Ocorre que a RFB não editou nenhum ato que regulamentasse a apuração desse crédito, e dessa forma esse crédito não poderia ter sido apurado pelo contribuinte. 95. Contudo, em 18/06/2014 foi publicada a Lei nº 12.995/2014 que incluiu o art. 47b a Lei nº 12.546/2011 e autorizou a apuração desse crédito de forma retroativa, ainda que há época ela não tenha sido regulamentada pela Secretaria da Receita Federal (...). 96. Sendo assim, por meio do rateio proporcional às receitas auferidas com a venda de biodiesel, apuramos o valor correspondente às aquisições de soja, que são vinculadas a ela. 97. Também localizamos no memorial de cálculo de crédito presumido aquisições de nabo forrageiro em grãos e crambe em grãos, que, como se pode ver na planilha descritiva dos insumos do contribuinte (fls. 636 a 641), são exclusivamente utilizados na produção de biodiesel. Dessa forma os créditos gerados por essas aquisições não serão submetidos ao rateio (...). Rateio 98. Para alocarmos corretamente os diferentes tipos de crédito presumido que descrevemos acima vinculados às diferentes utilizações da soja, procedemos ao rateio proporcional às receitas, como previsto no parágrafo único do art. 56 B combinado com os parágrafos 8º e 9º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 (redação idêntica). Como podemos ver nos Dacon do contribuinte, o rateio proporcional às receitas foi o método eleito pelo contribuinte para fazer a apropriação dos créditos. 99. Utilizando o método eleito pelo contribuinte, faremos as alocações corretas da soja adquirida às seguintes situações: 99.1. Exportação de produtos cujo crédito seja calculado com base na Lei nº 10.925/2004 – Crédito ressarcível; 99.2. Venda no mercado interno de farelo de soja (NCM 23.04) Crédito ressarcível; 99.3. Venda no mercado interno de produtos cujo crédito seja calculado com base na Lei nº 10.925/2004 Crédito não ressarcível; Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 13 12 99.4. Venda de biodiesel – Crédito não ressarcível; 99.5. Demais receitas que não permitem apuração de crédito presumido, tais como produtos que não se destinam a alimentação humana ou animal e revenda de soja classificada na NCM 12.01 no mercado interno e exportação; 101. O crédito presumido calculado sobre as aquisições de sebo bovino, nabo forrageiro em grãos e crambe em grãos não será submetido ao rateio, tendo em vista que a totalidade das aquisições desses insumos é destinada a produção do biodiesel, sendo portanto identificável a sua utilização. ... Conclusão 106. Com base nas considerações acima, elaboramos o arquivo em Excel “Crédito Presumido 2013” em que demonstramos todas as aquisições de soja consideradas e as glosas que efetuamos (...). Demonstramos nessa planilha também as aquisições de nabo forrageiro em grãos e de crambe em grãos vinculadas diretamente a produção de biodiesel consideradas. ... 108. Por fim aplicamos os percentuais calculados no item “rateio” acima sobre a base de cálculo de aquisições de soja consideradas. (...). 109. Considerando as bases de cálculo já rateadas demonstradas acima, calculamos o valor do crédito que deverá ser apropriado no Dacon (...). Lei 12.865/2013 – Crédito presumido da Soja a partir de 10/10/2013 110. A Lei nº 12.865/2013 em seus artigos 29 a 32, alterou a forma de apuração do crédito presumido decorrente das aquisições de soja (NCM 12.01). A partir dessa data o crédito passou a ser calculado não mais pelo valor das aquisições, e sim pelo valor da receita referente aos diversos produtos obtidos a partir da soja (...). 111. O contribuinte demonstrou esses créditos na linha “Ajustes positivos de créditos” do Dacon. Conferimos a planilha demonstrativa desse crédito comparando os valores das receitas declaradas na planilha com os NCM constantes das NFe emitidas pelo contribuinte. Comparamos também as NFe de aquisição de óleo de soja de terceiros que deveriam gerar um abatimento do crédito presumido, como previsto no § 3º do art. 31 da Lei nº 12.865/2013. Os valores apurados coadunam os demonstrados pelo contribuinte. Sendo assim, o valor demonstrado pelo contribuinte na planilha apresentada foi aceito pela fiscalização. 112. Frisese que no mês de outubro o valor informado na planilha do contribuinte (anexo da fl. 1547) é menor do que o demonstrado no Dacon, sendo assim utilizaremos o valor constante do memorial de cálculo entregue, (...). Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 14 13 Bens para revenda 113. Utilizando a descrição da mercadoria adquirida, o código fiscal de operações e prestações (CFOP) e a descrição da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), comparamos a base de cálculo de bens para revenda informada no DACON, com as compras de bens para revenda que localizamos na planilha de entradas apresentada. 114. Com base nessa análise, glosamos a aquisição de calcário agrícola classificado no capítulo 25 da NCM, tendo em vista que de acordo com o inciso IV do art. 1º da Lei nº 10.925/2004, e confirmado pelo CST constante da nota fiscal eletrônica do fornecedor, é um produto sujeitos à alíquota zero das contribuições para o PIS e a Cofins não cumulativos (...). 115. Além disso, glosamos os valores de bens para revenda dos meses de setembro e dezembro de 2013, tendo em vista que no memorial de cálculo apresentado não constava nenhuma aquisição de bens para revenda nesses meses. 116. Após as glosas relatadas acima elaboramos o arquivo de Excel “Bens para revenda 2013” com o demonstrativo da base de cálculo considerada e das glosas realizadas (anexo da fl. 1960). Os motivos das glosas foram discriminados na coluna “Fiscalização” da planilha de glosas. (...). Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda 117. Para apurarmos o valor correto da base de cálculo, intimamos o contribuinte a apresentar memorial de cálculo do crédito de frete e armazenagem (fls. 607 a 610). No caso das despesas com fretes, deveria ser informado o destinatário e o remetente da mercadoria, para sabermos que tipo de operação compunha a base de cálculo informada (frete na compra, na venda ou entre estabelecimentos). 118. As despesas de frete só geram direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo, quando vinculadas as operações de venda, conforme art. 3, IX da Lei nº 10.833/2003, que também se aplica ao PIS por força do seu art. 15, II. 119. O contribuinte não adicionou à planilha as colunas de destinatário e remetente da mercadoria, contudo, na coluna “descrição material” o interessado discriminava se o frete ali descrito era na operação de venda ou se era nas compras de insumo. Com base nessa informação, glosamos as operações que estavam classificadas como “frete entradas – PJ” ou “frete entradas – PF”, pois tratavamse de despesa de frete na compra de insumo. 120. Além disso, glosamos também as operações que não continham nenhuma descrição na coluna “descrição material”, pois nesse caso não era possível apurarmos a que tipo de operação esse frete estaria vinculado. Fl. 3375DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 15 14 121. Glosamos ainda os valores de fretes pagos a pessoa física, tendo em vista que tais operações não estão sujeitas a incidência de PIS e de Cofins não cumulativos e, nesses casos, as Leis nºs10.634/2002 e 10.833/2003 em seus artigos 3º, §2º, vedam a apuração de crédito. 122. Posteriormente intimamos o interessado a apresentar diversos conhecimentos de transporte para comprovarmos as informações constantes da listagem apresentada. Os documentos foram apresentados e as informações constantes do memorial de cálculo foram confirmadas. 123. Após as glosas relatadas acima elaboramos o arquivo de Excel “Despesas de frete 2013” com o demonstrativo da base de cálculo considerada e das glosas realizadas (anexo da fl. 1960). Os motivos das glosas foram discriminados na coluna “Fiscalização” da planilha de glosas. (...). Crédito com base no valor da aquisição dos bens do ativo imobilizado. 124. No que concerne ao crédito decorrente da aquisição de máquinas e equipamentos, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado, o art. 1º da Lei nº 11.774/2008 assim dispõe (...). 125. A legislação é clara ao determinar o aproveitamento de créditos calculados em relação ao valor de aquisição de bens do ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda e não a todos os bens registrados pela pessoa jurídica e que sejam necessários ao desenvolvimento e manutenção de suas atividades. Assim aqueles bens que não estejam diretamente ligados à produção de bens e serviços não podem ser considerados no cálculo dos créditos a serem aproveitados no sistema de não cumulatividade. ... 127. Com base no memorial de cálculo apresentado, glosamos os materiais de construção listados, tais como areia, argamassa, cimento, ferro de construção, dentre outros, tendo em vista que a lei só permite a apuração de crédito pelo valor de aquisição de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Glosamos também as operações em que na coluna material encontramos a descrição “Inutilizado...”, pois essa descrição implica na conclusão de que esses bens não foram incorporados ao ativo. 128. Após as glosas relatadas acima elaboramos o arquivo de Excel “Bens do ativo imobilizado 2013” com o demonstrativo da base de cálculo considerada e das glosas realizadas (anexo da fl. 1960). Os motivos das glosas foram discriminados na coluna “Fiscalização” da planilha de glosas. (...). Devoluções de vendas Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 16 15 129. Apenas as devoluções de vendas sujeitas a incidência das contribuições para o PIS e a Cofins não cumulativos permitem a apuração de crédito, como previsto no inciso VIII, do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 (redação idêntica). 130. Dessa forma, glosamos os valores de devoluções de vendas discriminados nas colunas “vinculado a receita não tributada no mercado interno” e “vinculado a receita de exportação” demonstrados no Dacon, tendo em vista que tais valores não foram tributados quando vendidos, e, dessa forma, não podem ser incluídos na base de cálculo desse crédito quando da sua devolução. 131. Consideramos como base de cálculo desse crédito apenas os valores constantes da coluna “vinculados à receita tributada no mercado interno”. Rateio 132. A empresa optou por calcular o crédito com base no método do rateio proporcional, como previsto no art. 3º, §8º, II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 (redação idêntica): (...). 133. Usaremos os percentuais calculados pelo contribuinte para fazer o rateio das novas bases de cálculo do crédito apuradas em conformidade com o descrito nos itens acima. 3 – Da apuração do crédito 134. Não há saldo inicial de crédito de períodos anteriores a ser considerado para o cálculo no mês de janeiro de 2013 como demonstrado na análise dos pedidos de ressarcimento do 4º trimestre de 2012, realizada nos processos administrativos nº 16692.720057/201421 e 16692.720058/201476. 135. Com base nos ajustes acima relatados, refizemos o cálculo do crédito da contribuição para o Pis e a Cofins no regime não cumulativo do ano de 2013, que está demonstrado no DACON refeito por essa Fiscalização às fls. 1961 a 2030, e constatamos que o interessado tem os seguintes saldos de crédito a serem ressarcidos: (...). A partir dessas constatações, a autoridade jurisdicionante deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento controlado no presente processo e homologou as compensações relacionadas até o limite do crédito admitido. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade combatendo a glosa aplicada aos créditos presumidos decorrentes da aquisição de Canola, Crambe e Lenha adquirida de pessoa física. Noutra vertente, contesta a glosa de créditos presumidos apurados sobre a aquisição de soja em grãos por conta de erro na alocação proporcional feita pela fiscalização. O detalhamento dos argumentos da interessada será feito no corpo do Voto que vai a seguir desse Relatório. Fl. 3377DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 17 16 A contribuinte socorreuse do Poder Judiciário para requerer prazo para o julgamento do processo, tendo o Juízo competente determinado que este ocorresse cento e vinte dias a partir da ciência da intimação. A 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.783, de 16/01/2017, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. Em se tratando de hipótese de apuração vinculada ao atendimento de determinadas condições, os créditos presumidos somente podem ser acatados se observados os parâmetros legais. Não observadas as disposições legais, correta a imposição de glosa. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual repete os mesmos argumentos já declinados em sua primeira peça de defesa, mas apenas com relação às seguintes matérias: a) glosas sobre a aquisição de lenha de pessoas físicas e b) glosa de crédito presumido sobre a aquisição de soja em grãos (equívoco no cálculo do rateio: receitas do mercado interno tributado, mercado interno não tributado e mercado externo). É o relatório. Fl. 3378DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.104, de 27/02/2019, proferido no julgamento do processo 18186.722459/201414, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201005.104): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de PIS Crédito Presumido Mercado interno, referente ao 3º trimestre 2013. Deferido em parte, apresentou manifestação de inconformidade, ao final considerada improcedente pela DRJ. No seu recurso voluntário, repete os mesmos argumentos já encartados na sua primeira peça de defesa, mas com relação a apenas duas matérias: glosas sobre a aquisição de lenha de pessoas físicas e glosa de crédito presumido sobre a aquisição de soja em grãos (equívoco no cálculo do rateio: receitas do mercado interno tributado, mercado interno não tributado e mercado externo). Diferentemente do que adotado no acórdão recorrido, entendemos que a Recorrente faz jus, sim, ao crédito presumido na aquisição de lenha. Observese a redação conferida ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A Recorrente produz mercadorias classificadas nos capítulos 15 e 23 da NCM e utiliza a lenha, adquirida de pessoas físicas, como combustível na produção. Portanto, embora não faça jus ao crédito básico, porquanto a aquisição se deu desonerada das contribuições, tem direito ao presumido. A segunda matéria controvertida referese à glosa de crédito presumido sobre a aquisição de soja em grãos. Teria havido um equívoco no cálculo do rateio entre as receitas do mercado interno tributado, mercado interno não tributado e mercado externo. Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 19 18 Notese, inicialmente, que os créditos básicos e os créditos presumidos podem ser compensados com os débitos das próprias contribuições. Eventuais saldos não utilizados podem ser ressarcidos, nas seguintes condições: a) Crédito básico: Pode ser ressarcido, se vinculado a exportação (Lei nº 10.865, de 2004) ou venda no mercado interno não tributado (art. 17 da Lei nº 11.033, de 2003 e art. 16 da Lei 11.116, de 2004); b) Crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004): Pode ser ressarcido somente se vinculado a exportação (art. 56A, §2º, Lei nº 12.350, de 2011); e farelo de soja em qualquer caso (parágrafo único do art. 56B da Lei nº 12.350, de 2011). Segundo a fiscalização (fls. 2.048 e 2.053, respectivamente), 70.1. Aquisições de soja (NCM 12.01) destinada a industrialização de produtos destinados à alimentação humana ou animal. O crédito deverá ser calculado aplicandose o percentual de 50% da alíquota original do PIS e da Cofins. Nesse caso, o crédito só poderá ser ressarcido, se o produto for destinado à exportação. (art. 8º, § 3º, II, da Lei nº 10.925/2004 e art. 56B, da Lei nº 12.350/2010); (...) 88. Por fim, temos que levar em conta a previsão do parágrafo único do art. 56B transcrito acima, que permite que o crédito presumido vinculado a venda de farelo de soja, classificado na posição 23.04 da NCM, pode ser utilizado para compensação ou ser ressarcido mesmo no caso de estar vinculado às receitas auferidas no mercado interno. Portanto, a fiscalização não permitiu o ressarcimento de crédito presumido vinculado a receitas de vendas de óleo de soja, porque entendeu que o art. 56A trata de exportação e o art. 56B trataria somente de farelo de soja. Eis a redação dos dispositivos mencionados: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 20 19 § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). O fundamento da fiscalização para negar o ressarcimento de óleo de soja (permitindo a compensação com débitos da própria contribuição) não foi o fato de esse produto ser tributado à alíquota zero, mas, sim, que os créditos presumidos seriam ressarcíveis somente se vinculados à exportação (56A), uma vez que o art. 56B aplicarseia somente ao farelo de soja. Com isso concorda a própria Recorrente, conforme se extrai do seguinte excerto do seu Recurso Voluntário (fl. 2.175): “As receitas de “óleo de soja”, classificado na NCM 15.07, tem suas operações tributadas pela alíquota zero desde 09/03/2013, conforme art. 1º inciso XXIII da MP 609/2013, convertida na Lei 12.839/2013. Essas receitas realmente não são passíveis de ressarcimento, pois somente os créditos originários das receitas de Farelo de Soja no mercado interno – não tributado, são passíveis de ressarcimento.” Na questão do ajuste do rateio, correta a fiscalização. Tanto os créditos presumidos vinculados à receita de venda de óleo de soja, quanto as respectivas glosas, devem pertencer ao grupo “Tributado”, para fins de cálculo do valor ressarcível, porque, tanto os créditos básicos vinculados a produtos tributados, quanto os créditos presumidos vinculados a produtos não tributados, não são ressarcíveis. Quanto ao estorno relativo ao crédito presumido calculado sobre a venda de óleo de soja, deve também ser alocado no grupo “tributado”, pois o respectivo crédito presumido foi lá computado. Assim, o estorno relativo ao crédito presumido calculado sobre a venda de óleo de soja deve ser alocado no grupo “tributado”. Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 18186.726714/201317 Acórdão n.º 3201005.108 S3C2T1 Fl. 21 20 Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que à Recorrente seja conferido o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e para que o estorno relativo ao crédito presumido calculado sobre a venda de óleo de soja deve ser alocado no grupo “tributado”." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário, para que à Recorrente seja conferido o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e para que o estorno relativo ao crédito presumido calculado sobre a venda de óleo de soja deve ser alocado no grupo “tributado”. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720108/2013-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/10/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à DRJ/SPO, para apreciação da matéria relacionada ao mérito.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à DRJ/SPO, para apreciação da matéria relacionada ao mérito. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 01 08 /2 01 3- 40 Fl. 5118DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, em face do Acórdão n° 3402004.678, de 28 de setembro de 2017, efls. 4.790 4.803, assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 10/10/2008 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Consta do respectivo acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja integrada a decisão recorrida para que ela aprecie o mérito apenas quanto à discussão objeto do mandado de segurança coletivo, nos termos do voto do Relator. No especial obstaculizado, a Procuradoria da Fazenda Nacional aponta divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento da concomitância entre o processo administrativo e o mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação da Autuada. O apelo recebeu juízo positivo de admissibilidade, (efls. 4812/4814), ao entendimento de que a impetração de mandado de segurança coletivo não tem o condão de implicar o reconhecimento da concomitância com processo administrativo. O Acórdão paradigma nº 910100.105, em sentido contrário, defendeu que o mandado de segurança coletivo, impetrado por associação da qual faça parte o autuado, faz concomitância e importa renúncia às instâncias administrativas, como indicado na Súmula 1º do Primeiro Conselho de Contribuintes. A Contribuinte apresentou Contrarrazões (efls.4963/4976 ) É o relatório. Fl. 5119DF CARF MF Processo nº 11762.720108/201340 Acórdão n.º 9303007.977 CSRFT3 Fl. 5.119 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, tratase de Auto de Infração que tem por objetivo a cobrança de crédito tributário referente a Imposto de Importação, IPIimportação, PISImportação e COFINSImportação, devidamente acrescido dos consectários legais. Segundo a acusação fiscal o II e o IPIimportação estariam sujeitos à isenção, enquanto que o PISImportação e o COFINSImportação estariam submetidos à alíquota zero, o que decorreria de regime tributário favorecido no caso de importações de partes e peças destinadas às embarcações registradas ou préregistradas no Registro Especial Brasileiro – REB. Em sede de manifestação de inconformidade, a DRJ deixou de analisar parte do mérito da manifestação de inconformidade, sob o argumento de que há mandado de segurança com o mesmo objeto, proposto pela Associação Comercial e Industrial de Araçatuba, do qual a contribuinte é associada. Ao apreciar o Recurso Voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF decidiu dar parcial provimento recurso para reformar o acórdão recorrido, remetendose os autos à instância julgadora a quo para que ela aprecie o mérito, apenas da discussão indevidamente suprimida em razão de equivocado reconhecimento de concomitância de instâncias. Com efeito, esta matéria encontrase pacificada no CARF, inclusive nesta E. Câmara Superior, o que retrato utilizando como razões de decidir o acórdão nº 9303006.526, de 15 de março de 2018, da lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que passa fazer parte integrante do presente voto. Confirase: "Acórdão nº: 3402004.614, de 26/09/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão nº: 9303005.189, de 18/05/2017 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2007 Fl. 5120DF CARF MF 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão nº: 9303005.472, de 27/07/2017 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Utilizome do voto condutor do douto Conselheiro Relator do acórdão cuja ementa foi por último transcrita, para consignar aqui não só a jurisprudência, mas também os argumentos com os quais comungo: ... a impetração de mandado de segurança coletivo não induz litispendência, de modo que, além de não obstar a entidade sindicalizada a ajuizar uma ação individual, também não a transforma em parte autora da ação coletiva. Hoje, esse entendimento, que era jurisprudencial, encontrase encartado na própria Lei nº 12.016, de 7/8/2009, que disciplina o Mandado de Segurança Individual e Coletivo. Confirase: Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1º O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva". Neste sentido, afasto aplicação da Súmula nº 01 do CARF, por não retratar a discussão travada nos autos. Dispositivo. Ante o exposto, conheço do Recurso interposto, negolhe provimento, com retorno dos autos a DRJ/SPO, para julgamento da discussão suprimida. Fl. 5121DF CARF MF Processo nº 11762.720108/201340 Acórdão n.º 9303007.977 CSRFT3 Fl. 5.120 5 É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 5122DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.902872/2009-01
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, bem como apreciação da informação trazida aos autos de que é inexistente o débitos então confessado no Per/DComp objeto de análise.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, bem como apreciação da informação trazida aos autos de que é inexistente o débitos então confessado no Per/DComp objeto de análise. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, bem como apreciação da informação trazida aos autos de que é inexistente o débitos então confessado no Per/DComp objeto de análise. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 28 72 /2 00 9- 01 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10850.902872/200901 Acórdão n.º 1003000.515 S1C0T3 Fl. 127 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 34804.04609.290506.1.3.045012, em 29.05.2006, fls. 2630, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 5993, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês do abril do anocalendário de 2005 no valor de R$23,97 contido no DARF de R$528,11 arrecadado em 30.05.2005 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 04, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 23,97. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1434.698, de 27.07.2011, fls. 3338: DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese a sua nãohomologação. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10850.902872/200901 Acórdão n.º 1003000.515 S1C0T3 Fl. 128 3 A glosa do indébito não impugnada expressamente é reputada como incontroversa e insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. A desistência da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP, o qual somente será deferido caso a declaração de compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do requerimento. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e, sem prova em contrário, instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 26.01.2012, efl. 44, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.02.2012, efls. 4647, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: I Estamos sendo cobrados por um débito declarado na PER/DCOMP [...] e estamos cientes de que o crédito apontado na mesma não poderia ser objeto de compensação por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real e também estamos cientes de que o débito declarado em PER/DCOMP é uma confissão de dívida. Por outro lado não podemos pagar o mesmo imposto duas vezes, já que houve um equivoco de nossa parte ao transmitir a referida PER/DCOMP. E não requeremos o cancelamento da mesma, pois só percebemos o equívoco após recebermos e analisarmos o Despacho Decisório em que a PER/DCOMP foi apreciada. II A entrega da PER/DCOMP como já foi dito anteriormente, foi um equívoco, pois conforme pode ser verificado pelo demonstrativo abaixo, os débitos de IRPJ referente ao ano de 2005 foram integralmente pagos, não existindo portanto o débito declarado na PER/DCOMP. Em anexo estão as cópias dos DRE Demonstrativo do Resultado do Exercício referente aos meses de janeiro a dezembro de 2005 extraídos dos Livros Diário n° 24 e 25, cópia das páginas do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), e do razão contábil da conta de Imposto de Renda Retido na Fonte, através dos quais pode ser confirmado o valor a pagar referente a cada mês do ano de 2005 que confere com o demonstrativo abaixo e com a DIPJ deste mesmo ano, e finalmente cópias dos comprovantes de arrecadação que comprovam os pagamentos relacionados no demonstrativo abaixo. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10850.902872/200901 Acórdão n.º 1003000.515 S1C0T3 Fl. 129 4 Período Valor IRPJ Valor Pago Data Pagto [...] Mês/Ano a pagar 31/01/2005 395,31 478,94 28/02/2005 28/02/2005 693,25 693,25 31/03/2005 31/03/2005 538,28 538,28 29/04/2005 30/04/2005 505,11 529,11 31/05/2005 31/05/2005 586,41 579,67 30/06/2005 30/06/2005 557,82 557,82 29/07/2005 31/07/2005 594,06 598,31 31/08/2005 31/08/2005 427,20 599,51 30/09/2005 30/09/2005 582,55 405,99 31/10/2005 31/10/2005 474,92 550,70 30/11/2005 30/11/2005 0,00 555,51 29/12/2005 31/12/2005 1.273,49 491,31 30/01/2006 [...] Doação estatuto da criança e adolescente 50,00 Total 6.628,40 6.628,40 Concernente ao pedido expõe que: III À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal, porque é inexistente o débito então confessado no Per/DComp objeto de análise. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10850.902872/200901 Acórdão n.º 1003000.515 S1C0T3 Fl. 130 5 procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10850.902872/200901 Acórdão n.º 1003000.515 S1C0T3 Fl. 131 6 digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. No Despacho Decisório e na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que o pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal ( art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10850.902872/200901 Acórdão n.º 1003000.515 S1C0T3 Fl. 132 7 comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, bem como apreciação da informação trazida aos autos de que é inexistente o débitos então confessado no Per/DComp objeto de análise. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18490.000069/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão-somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
Numero da decisão: 3402-006.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro (relator), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz que davam provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão-somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tãosomente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro (relator), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz que davam provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 0. 00 00 69 /2 01 0- 12 Fl. 353DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego o relatório desenvolvido no acórdão n. 0133.653 (fls. 41/43), desenvolvido pela DRJ de Belém/PA, o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de pedido de restituição de pagamento a maior de IPI no período acima identificado, no valor de R$ 57.836,09. 2. A DRF/Limeira indeferiu o pleito por inexistência do crédito e considerou não homologadas as compensações vinculadas ao crédito. 3. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que a decisão da Unidade foi imotivada, não tendo sido apreciado o crédito, limitandose a autoridade a verificar se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ou seja, não haveria esclarecimento do significado de “inexistência de crédito”, caracterizando cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual requer a nulidade da decisão. 2. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 52/54, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação, ou Fl. 354DF CARF MF Processo nº 18490.000069/201012 Acórdão n.º 3402006.286 S3C4T2 Fl. 67 3 seja, continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria em cerceamento de defesa por parte do recorrente. 4. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso Voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. O instituto da compensação e a figura da denúncia espontânea 6. Conforme relatado, o recorrente insurgese contra o acréscimo da multa de mora sobre débitos compensados por meio de DComp, o que tornou insuficiente o crédito, nada obstante o seu reconhecimento integral. Em suma, alega o contribuinte que o débito pago mediante compensação não deve ser acrescido da correlata multa de mora na hipótese de denúncia espontânea. 7. Já tive a oportunidade de me manifestar acerca deste tema, quando do julgamento do caso retratado no acórdão 3402003.486, oportunidade em que acompanhei o voto vencedor da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, no seguinte teor: No âmbito da legislação infralegal, o assunto fora tratado pela Nota Técnica osit n. 1 de 18 de janeiro 2012, 1 a qual reconhecia que a declaração de compensação, se tendidos os demais requisitos, poderia configurar denúncia espontânea. Tal entendimento pautavase no fato de a compensação ou quaisquer outras formas de adimplemento de obrigação serem formas de pagamento que acarretam a extinção da obrigação tributária. Sobreveio então a Nota Técnica 19 Cosit, datada de 12 de junho de 2012, cujo conteúdo, além de cancelar a Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012, estipulou que não se considera ocorrida denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de Dcomp. Entretanto, esse novo entendimento da Administração Tributária não parece refletir o melhor tratamento a ser dado ao tema, à luz da legislação bem como da mais recente jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Vejamos. O artigo 138 do Código Tributário Nacional ("CTN") estabelece que: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 355DF CARF MF 4 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Percebemos, pelo teor do texto, que a denúncia espontânea tem como intuito redimir o sujeito passivo da responsabilidade pela infração cometida, pois esta é reparada espontaneamente. Ou seja, frente ao arrependimento eficaz (em paralelo ao direito penal artigos 15 e 16 do Código Penal), não lhe será imputada penalidade alguma2. Para o aperfeiçoamento da espontaneidade o CTN estabeleceu dois requisitos. O primeiro diz respeito ao tempo do ato, que deve ser anterior à qualquer procedimento de fiscalização (artigo 138, parágrafo único). Esse requisito nem mesmo é controvertido no presente processo. Já o segundo requisito relacionase com o cumprimento da obrigação principal, determinando que a denúncia espontânea deve vir acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, caso sejam devidos. Daí a problemática que deu origem a presente divergência: ao impor que haja "pagamento", o CTN impede que compensações efetuadas pelos contribuintes (através de PER/DCOMP, no caso dos presentes autos) também sejam enquadradas como denúncia espontânea, para fins de eximir o sujeito passivo do pagamento da multa moratória, haja vista que o artigo 156 do mesmo Codex, ao tratar das formas pelas quais há extinção do crédito tributário, separou o "pagamento" (inciso I) da "compensação" (inciso II)?3 Entendo que não. Em primeiro lugar em razão do próprio conceito de compensação tributária, qual seja, sistemática que acarreta num encontro de contas, tendo como resultado a extinção de suas obrigações contrapostas: relação jurídica tributária, em que o contribuinte tem débito perante o Fisco; e relação jurídica de restituição de indébito ou ressarcimento, na qual o contribuinte tem direito a crédito a ser pago pelo Fisco, até o limite que se equivalerem (artigo 170, CTN e artigo 74 da Lei n. 9.430/96). Há, portanto, concomitante pagamento de tributo e restituição do indébito ou ressarcimento do tributo. Ou seja, na compensação tributária há sim pagamento, com o único diferencial de que tal pagamento ocorre simultaneamente com a restituição ou ressarcimento de tributos, de modo que tal encontro de contas se anulam mutuamente. Na recente data de 24 de maio de 2016, o Superior Tribunal de Justiça apreciou o REsp 1.122.131 / SC, no qual o entendimento supra destacado resta hialino. Destaco abaixo a ementa do caso julgado, com especial destaque para seu último parágrafo, que demonstra a preocupação do Órgão em "evitar ilogismo jurídico" na interpretação da Legislação Tributária, racionalidade essa efetivamente digna de aplausos, haja vista a incontestável insegurança jurídica assombra o direito tributário brasileiro. Vejamos: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 18490.000069/201012 Acórdão n.º 3402006.286 S3C4T2 Fl. 68 5 TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DE NORMA LEGAL. ART. 9o. DA MP 303/06, CUJA ABRANGÊNCIA NÃO PODE RESTRINGIRSE AO PAGAMENTO PURO E SIMPLES, EM ESPÉCIE E À VISTA, DO TRIBUTO DEVIDO. INCLUSÃO DA HIPÓTESE DE COMPENSAÇÃO, COMO ESPÉCIE DO GÊNERO PAGAMENTO, INCLUSIVE PORQUE O VALOR DEVIDO JÁ SE ACHA EM PODER DO PRÓPRIO CREDOR. PLETORA DE PRECEDENTES DO STJ QUE COMPARTILHAM DESSA ABORDAGEM INTELECTIVA. NECESSIDADE DA ATUAÇÃO JUDICIAL MODERADORA, PARA DISTENCIONAR AS RELAÇÕES ENTRE O PODER TRIBUTANTE E OS SEUS CONTRIBUINTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 1.Tratase de extinção do crédito tributário mediante compensação de ofício; circunstância que o Recorrente afirma comportar a incidência do art. 9o., caput da MP 303/06, o qual prevê hipóteses de desconto nos débitos tributários. 2.O art. 9o. da MP 303/2006 criou, alternativamente ao benefício do parcelamento excepcional previsto nos arts. 1o. e 8o., a possibilidade de pagamento à vista ou parcelado no âmbito de cada órgão, com a redução de 30% do valor dos juros de mora e 80% da multa de mora e de ofício; o conceito da expressão pagamento, em matéria tributária, deve abranger, também, a hipótese de compensação de tributos, porquanto tal expressão (compensação) deve ser entendida como uma modalidade, dentre outras, de pagamento da obrigação fiscal. 3.É usual tratarse a compensação como uma espécie do gênero pagamento, colhendose da jurisprudência do STJ uma pletora de precedentes que compartilham dessa abordagem intelectiva da espécie jurídica em debate: AgRg no REsp. 1.556.446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 13.11.2015; REsp. 1.189.926/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 1.10.2013; REsp. 1.245.347/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Rel. p/acórdão Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 11.10.2013; AgRg no Ag. 1.423.063/DF, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 29.6.2012; AgRg no Ag. 569.075/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, Rel. p/acórdão Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 18.4.2005. 4.Considerandose a compensação uma modalidade que pressupõe credores e devedores recíprocos, ela, ontologicamente, não se distingue de um pagamento no qual, imediatamente depois de pagar determinados valores (e extinguir um débito), o sujeito os recebe de volta (e assim tem extinto um crédito). Por essa razão, mesmo a interpretação positivista e normativista do art. 9o. da MP 303/06, deve conduzir o intérprete a albergar, no sentido da expressão pagamento, a extinção da obrigação pela via compensatória, especialmente na modalidade ex officio, como se deu neste caso. Fl. 357DF CARF MF 6 5.Ainda que não se considerasse que a compensação configura, na hipótese específica destes autos, uma modalidade de pagamento da dívida tributária, ganha relevo o fato de a compensação ter sido realizada de ofício, pois demonstra que o Fisco suprimiu até mesmo a possibilidade de o contribuinte, depois de receber o valor que lhe era devido, resolver aderir à forma favorecida de pagamento, prevista no art. 9o. da MP 303/06. 6. A interpretação das normas tributárias não deve conduzir ao ilogismo jurídico de afirmar a preponderância irrefreável do interesse do fiscal na arrecadação de tributos, por legítima que seja essa pretensão, porquanto os dispositivos que integram a Legislação Tributária têm por escopo harmonizar as relações entre o poder tributante e os seus contribuintes, tradicional e historicamente tensas, sendo essencial, para o propósito pacificador, a atuação judicial de feitio moderador. 7.Recurso Especial da empresa BUSSCAR ÔNIBUS S/A provido. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.122.131 SC (2009/00232472) RELATOR:MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO). Pois bem. Além do fato de conceitualmente a compensação tributária implicar no pagamento de tributo, ressalto que para a interpretação dos dispositivos do Código Tributário Nacional, que já completou seus 50 anos, é imprescindível observar a evolução pela qual passou esse instituto desde a sua criação no âmbito federal. Sobre esse assunto, já tive a oportunidade de me manifestar no seguinte sentido: 4 Atualmente, a compensação em sede tributária é instituto importantíssimo em termos pragmáticos (...) é possível traçar uma classificação das modalidades de compensação presentes no sistema jurídico vigente: i) compensação de ofício, que ocorre por ato da Administração Tributária (art. 170, do CTN; art. 7º do DecretoLei n. 2.287, de 23 de julho de 1986; art. 73 da Lei n. 9.430/96); ii) compensações de iniciativa do sujeito passivo da obrigação tributária, efetuada pelo próprio contribuinte (170 e 170A do CTN e autorizada pelo art. 74, da Lei n. 9.430/96). Essa última hipótese, por sua vez, subdividese em: ii.a) autocompensação; e ii.b) compensação decorrente de sentença transitada em julgado. Dando seguimento ao tema, constamos que, no atinente às compensações de iniciativa do sujeito passivo: (...) tal forma de extinção da relação de indébito tributário é fruto de clara evolução experimentada na legislação federal. De fato, o artigo 66 da Lei n. 8.383, de 31 de dezembro de 1991, incumbiuse de estabelecer as regras gerais sobre a compensação tributária, o que, consequentemente, passou a impedir que atos infralegais expedidos pela Administração pudessem afastar ou dirimir esse direito do contribuinte. Assim, determinou ser válida a compensação de valores indevidamente pagos a título de tributos federais, porém somente entre “tributos, contribuições e Fl. 358DF CARF MF Processo nº 18490.000069/201012 Acórdão n.º 3402006.286 S3C4T2 Fl. 69 7 receitas da mesma espécie.” Este ato normativo federal, contudo, foi sucedido por diversas alterações legislativas. Em primeiro lugar, a Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995 com seu artigo 39 deu nova redação ao dispositivo supracitado, trazendo como principal inovação o alargamento do requisito da existência de mesma espécie tributária para que seja regular a compensação. Para tanto, foi acrescentada a expressão 'destinação constitucional' ao dispositivo, adotandose a interpretação que vinha sendo atribuída pela Secretaria da Receita Federal e pelo Instituto Nacional do Seguro Social sobre a questão, no seguinte sentido: é permitida a compensação desde que os créditos e débitos tributários tenham o mesmo destino constitucional, vale dizer, aqueles tributos que, em consonância com as normas de direito financeiro, observem equivalente partilha de recursos dos produtos da arrecadação tributária.2 Posteriormente, a Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mais uma vez inovou a matéria. De acordo com seus artigos 73 e 74, ficou delegada à Administração Tributária a prerrogativa de 16 autorizar a compensação, a requerimento do contribuinte. Ademais, a Lei retirou o critério de mesma espécie tributária e destinação constitucional, concedendo a possibilidade de compensação entre quaisquer tributos, desde que mediante a dita autorização fazendária. Todavia, logo a Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e a Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, vieram trazer novos contornos à questão. De acordo com as novas disposições, especialmente as alterações do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, James Marins assegura que '[…] refazse o sistema da autocompensação tributária através da mera Declaração de Compensação que havia sido abruptamente interrompido, e, ademais disso, uma vez que o parágrafo 2º prescreve que a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, passa a haver clara atribuição legal de eficácia extintiva, ainda que 'sob conditio', à autocompensação promovida pelo contribuinte.' A evolução do instituto acarreta na seguinte conclusão: a legislação, desde o nascedouro da compensação tributária, vem se preocupando em tornar tal instituto o mais efetivo e lógico possível dentro do quadro da tributação federal. Nesse sentido, a lei procurou tornálo forma eficaz de adimplemento das obrigações tributárias, permitindo que quaisquer tributos sejam compensáveis entre si e dando sempre mais realce aos atos a serem praticados pelo contribuinte: apurar débitos e créditos, declarálos, sempre prestando as devidas informações ao fisco, culminando ao fim na compensação tributária. Isto porque, como é consabido, a compensação tributária tornouse efetiva moeda para as empresas, sem a qual seria impossível arcar com a carga tributária que lhes é imposta. Em poucas palavras, a Fl. 359DF CARF MF 8 compensação tributária foi desenhada pela lei para permitir o efetivo pagamento de tributos e isto não pode ser descartado na interpretação do artigo 138 do CTN quando fala em "pagamento" como requisito para a denúncia espontânea. Assim, o contexto da legislação ordinária atual deve ser levado em conta na leitura de nossa lei complementar tributária. Saliento que a presente discussão impõe o afastamento da Súmula n. 360 do STJ ("o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo"). Afinal, a compensação tributária não constitui simples declaração de dívida desacompanhada do respectivo pagamento, representando, isto sim, efetivo pagamento de dívida tributária. Tal pagamento é sujeito condição resolutória de ulterior homologação pelo Fisco, todavia, essa condição não descaracteriza o pagamento. Nesse ponto, é importante lembrar que o artigo 138 estabelece o "pagamento", e não a final "extinção do crédito tributário", condição para a configurar a espontaneidade da denúncia. Desse modo, mesmo que se entenda que a extinção do crédito tributário não é ainda perfeita quando da compensação (como fazem Cleide Previtalli Cais5 e Marcelo Fortes de Cerqueira),6 ainda assim concluímos pelo preenchimento do requisito em questão. Confirmando todo o raciocínio exposto, destaco a seguinte ementa do precedente firmando pelo STJ no AgRg no REsp 1.136.372: EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.136.372 RS (2009/00759399) RELATOR : MINISTRO HAMILTON CARVALHIDO) É válido registrar trecho da decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, citado pelo Ministro Relator Hamilson Carvalhido, que foi objeto do supradestacado AgRg no REsp 1.136.372: 5. A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. A declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, Fl. 360DF CARF MF Processo nº 18490.000069/201012 Acórdão n.º 3402006.286 S3C4T2 Fl. 70 9 extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. Na sistemática dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a compensação equivale ao pagamento antecipado, visto que o sujeito passivo, ao invés de recolher o valor do tributo em pecúnia, registra na escrita fiscal o crédito oponível ao Fisco e o informa na PER/DCOMP. Em outras palavras, até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. Este entendimento coadunase com a jurisprudência deste Tribunal e do STJ, consoante os acórdãos a seguir transcritos:(...) Cumpre ainda salientar que este Conselho já proferiu decisão no sentido de que as compensações efetuadas pelo contribuinte são capazes de caracterizar a denúncia espontânea: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO APLICÁVEL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição ou ressarcimento no prazo de 5 anos. O Art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN, dispõe sobre o prazo decadencial para a homologação do lançamento; o art. 173 do CTN trata de prazo para constituição de crédito tributário; o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação. Nenhum destes prazos se aplica à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. MANUTENÇÃO PEDIAL. CRÉDITO DA COFINS. IMPROCEDÊNCIA. A manutenção predial corretiva ou preventiva, não preenche a condição de insumo, aplicado direta ou indiretamente à produção de bem ou a prestação de serviço. FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 361DF CARF MF 10 A denúncia espontânea resta configurada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o contribuinte ao efetuar a compensação, concomitantemente ou em ato posterior o declara, anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Art. 138 do CTN. (Súmula 360/STJ e RESP nº 1.149.022/SP). EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL ESTIMATIVA. Passíveis de sanções pelo inadimplemento da obrigação. Recurso Voluntário Provido em Parte (10830.000529/200616 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.225/) Imperioso, portanto, reconhecer o direito do contribuinte a se valer do benefício da denúncia espontânea in casu. Qualquer julgamento em sentido contrário, ao meu sentir, representaria afronta à finalidade do artigo 138 do CTN. Afinal, o contribuinte que apura créditos e débitos, apresentando PER/DCOMP está se adiantando à qualquer fiscalização no que diz respeito àquele determinado débito tributário, efetuando seu pagamento por meio da compensação, exatamente como apregoa a disciplina da denúncia espontânea e merecendo, por isso, não sofrer as penalidades impostas pela lei pelo não pagamento de tributo. Por fim, mais uma vez peço vênia para discordar da Ilustre Relatora, agora no que diz respeito à extensão do benefício da denúncia espontânea para a exoneração da multa moratória. Isto porque, lembremos, a infração tributária é definida como qualquer ação ou omissão que represente o descumprimento dos deveres impostos pela legislação fiscal.7 Como consequência pelo cometimento da infração, a legislação estipula ser devida uma penalidade (ou sanção ou punição) ao sujeito passivo da obrigação tributária. Dessarte, o objetivo das sanções é desestimular práticas indesejadas. No juízo aqui seguido, as multas fiscais tem índole punitiva simplesmente, não sendo cabível falar em multas indenizatórias. Efetivamente, segundo a doutrina de Sacha Calmon Navarro Coêlho, a multa e a indenização não se confundem, sendo aquela de natureza unicamente sancionatória. É essa a linha traçada pelo Supremo Tribunal Federal (RE n. 79.625), como se depreende das seguintes palavras do Min. Moreira Alves: “toda vez que, pelo simples inadimplemento, e não mais com o caráter de indenização, se cobrar alguma coisa do credor, se algo que se cobra a mais dele, e que não se capitula estritamente como indenização, isso será uma pena... e as multas ditas moratórias... não se impõe para indenizar a mora do devedor, e sim para apenálo.” Em síntese, no direito tributário são os juros moratórios que cumprem o papel de indenização pela falta de pagamento do tributo no momento devido, tendo a multa moratória caráter estritamente punitivo. 8 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 18490.000069/201012 Acórdão n.º 3402006.286 S3C4T2 Fl. 71 11 Pois bem. Na concepção já pacificada pela jurisprudência, a denúncia espontânea exclui todas as penalidades que incidiriam sobre o montante devido a título de imposto. Assim, nenhuma multa pode ser cobrada do sujeito passivo, quando preenchidos os requisitos do artigo 138 do CTN. Esse entendimento aplicase às multas moratórias, que, como visto, são espécie de multa punitiva, não sendo cabível a sua separação, e muito menos sua cobrança diante do instituto da denúncia espontânea. Nesse sentido, destaco a ementa abaixo colacionada: PROCESSUAL CIVIL. MEDIDA CAUTELAR. EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. SÚMULA 360/STJ. 4. 5. Em caso análogo ao dos presentes autos, a Primeira Seção decidiu que: "In casu, contudo, o contribuinte, ao verificar a existência de recolhimento a menor (não conjugado de entrega de qualquer declaração ao Fisco), efetuou o pagamento da diferença apurada acrescida de juros legais, acompanhada de confissão do débito tributário, antes de qualquer procedimento da Administração Tributária, o que, em conformidade com a jurisprudência sedimentada nesta Corte Superior, impõe a aplicação do benefício da denúncia espontânea, com a conseqüente possibilidade de exclusão da multa moratória." (REsp 805.753/RJ, Rel. Ministra Eliana Calmon, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 12.09.2007, DJe 01.09.2008). (...) 9. Ação cautelar julgada procedente para suspender os efeitos do acórdão recorrido até o julgamento do recurso especial admitido na origem. (MC 200901165405, STJ, Primeira Turma, Min. Rel. Luiz Fux, DJE DATA:16/10/2009). Não poderia ser outro o entendimento, pois, além do fato de a multa de mora ser espécie de multa punitiva, o artigo 138 do CTN não fez distinção alguma sobre qual tipo de penalidade deveria ser excluída pela denúncia espontânea. Destarte, pelo cediço princípio hermenêutico de que não cabe ao intérprete fazer distinções onde a lei não o fez, não é devida multa alguma no presente caso, no qual houve denúncia espontânea. Inclusive, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional já reconheceu esse entendimento, como podemos verificar pelo conteúdo do Ato Declaratório PGFN nº 4, de 20/12/2011 DOU 1 de 22/12/2011: A ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro Fl. 363DF CARF MF 12 de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15.12.2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional". JURISPRUDÊNCIA: REsp 922.206, rel. min. Mauro Campbell Marques; REsp 1062139, rel. min. Benedito Gonçalves; REsp 922842, rel. min. Eliana Calmon; REsp 774058, rel. min. Teori Albino Zavascki e AGRESP 200700164263, rel. min. Humberto Martins. (...). 8. Destaco, ainda, que em recente julgado (07/08/2018) a 1a Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu no mesmo sentido aqui defendido, conforme se observa da ementa do acórdão n. 9101003.687: Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 COMPENSACÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSACÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. 9. Em preciso voto, assim se manifesta o Relator do sobredito caso: (...). O núcleo da presente discussão consiste em saber se o termo “pagamento”, adotado pelo art. 138 do CTN (acima sublinhado), tem o sentido restritíssimo de “quitação em dinheiro” ou se contempla acepção mais ampla de adimplemento, abarcando, no caso, a compensação tributária. De início, é necessário observar que o legislador nem sempre utiliza o vocábulo "pagamento" no sentido de quitação em dinheiro, valendose deste em sua acepção mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis ordinárias como de leis complementares, conforme se passa a analisar antes de adentrar ao mérito em si do art. 138 do CTN. Primeiramente, notese a redação do art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 364DF CARF MF Processo nº 18490.000069/201012 Acórdão n.º 3402006.286 S3C4T2 Fl. 72 13 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Notese que o CTN utilizou a dicção “antecipar o pagamento” no sentido de antecipar o adimplemento sem prévio exame da autoridade administrativa. Não há dúvidas que o contribuinte, mediante declaração e compensacã̧o regularmente levadas a termo, irá consumar o típico “lanca̧mento por homologação” tutelado pelo art. 150 do CTN. (...). Prosseguindo a análise ora empreendida, verificase que o mesmo se verifica, por exemplo, em relação ao art. 9o, § 2º, da Lei n. 9.532/97. Esse enunciado prescritivo estabelece, em seu caput, que, “à opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento". Para que essa opção fosse exercida, o legislador requereu a sua manifestação mediante o adimplemento do tributo correspondente, em quota única. Não há sinais de que o legislador procurou se referir a quitação em dinheiro, mas sim às hipóteses que legitimamente conduzam ao adimplemento da obrigação, como é o caso da compensação. (...). Adentrando no mérito do presente recurso, verificase que, tal como se dá com os outros dispositivos citados, incluindo o art. 150 do CTN, embora o art. 138 do CT textualmente adote o termo “pagamento”, não procura restringir o instituto da denúncia espontânea às hipóteses de quitação em dinheiro, requerendo o adimplemento em sentido amplo, o que inclui a compensação tributária. (...). 10. Assim, com base nas razões de decidir alhures transcrita e com fundamento no art. 50, § 1o da lei 9.784/99, encaminho o presente voto para reconhecer a denúncia espontânea realizada pelo contribuinte o que, por conseguinte, implica afastar a exigência da multa moratória apontada pela fiscalização. 11. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. 12. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 365DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Redator designado Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto do Ilustre Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, relator deste processo, ressalto minha discordância em reconhecer a denúncia espontânea realizada pelo contribuinte o que, por conseguinte, afastaria a exigência da multa moratória apontada pela Fiscalização. Destaco que, durante a análise do recurso, a maioria qualificada do Colegiado discordou do entendimento da relatora, decidindo para manter a citada exigência e negar provimento ao Recurso Voluntário. Então fui designado para redigir o presente voto vencedor. Conforme relatado, a Recorrente insurgese contra o acréscimo da multa de mora sobre débitos compensados por meio de DCCOMP, o que tornou insuficiente o crédito, nada obstante o seu reconhecimento integral. Em suma, alega o contribuinte que o débito pago mediante compensação não deve ser acrescido da correlata multa de mora na hipótese de denúncia espontânea. Pois bem. A discussão que chega a este Colegiado está centrada no cabimento da multa de mora quando se aplica a denúncia espontânea, mas entendo que para a correta solução deste litígio devemos recuar para um primeiro momento, que concerne à própria existência da denúncia espontânea no caso presente. Dos autos se extrai que, ao se aperceber do recolhimento a menor de parcelas de diversos períodos de apuração, a Recorrente providenciou a sua quitação por meio de compensação, transmitindo um Pedido de Restituição de pagamento a maior de IPI no período acima identificado, no valor de R$ 57.836,09. A DRF/Limeira/SP indeferiu o pleito por inexistência do crédito e considerou não homologadas as compensações vinculadas ao crédito. Incontestável nos autos, que a providência saneadora foi efetuada em atraso, situação em que cabe a aplicação da multa de mora, conforme dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 in verbis: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifei) Entretanto o contribuinte alega poder excluir a multa de mora de seus cálculos com fundamento no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (Grifei) Há de se ter em mente que o CTN foi preciso ao elencar quais dentre as formas de extinção do crédito tributário previstas em seu art. 156 estão aptas a serem consideradas para fins de aplicação do Instituto: pagamento ou depósito administrativo, somente. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 18490.000069/201012 Acórdão n.º 3402006.286 S3C4T2 Fl. 73 15 Essa matéria foi bem analisada por este Colegiado no voto da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula no Acórdão nº 3402005.981, de 21/12/2018, que adoto alguns trechos como fundamentos para decidir essa questão. Vejase que nos termos do art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e a compensação (inciso II), são modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que, no caso da compensação, nos termos do art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, a extinção se dá sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação declarada. Na hipótese de não ocorrer a homologação (tácita ou expressa) da compensação declarada, não há que se falar mais em extinção do crédito tributário, sendo cabível a cobrança dos débitos confessados. Na hipótese de lançamento por homologação, tratada separadamente no inciso VII do art. 156 do CTN, o pagamento antecipado somente extinguirá o crédito tributário se for acompanhado da homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte. Nesse sentido, o Professor Paulo de Barros Carvalho1 bem diferencia o "pagamento" a que se refere o inciso I do art. 156 do CTN do "pagamento antecipado" de que trata o inciso VII, nos seguintes termos: "(...) Não obstante o pagamento antecipado seja uma forma de pagamento, a legislação aplicável requer que ele se conjugue ao ato homologatório a ser realizado (comissiva ou omissivamente) pela Administração Pública. Apenas dessa maneira darseá por dissolvido o vínculo, diferentemente do que ocorre nos casos de pagamento de débito tributário constituído por lançamento, em que a conduta prestacional do devedor tem o condão de por fim, desde logo, à obrigação tributária". No denominado "lançamento por homologação", quando ainda não ocorrida a homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte, constatando o Fisco a inexatidão da atividade prévia por ele exercida, deverá apurar o montante suplementar do tributo devido e constituir o crédito tributário por lançamento de ofício supletivo, nos termos do art. 149 do CTN. Nessa hipótese, obviamente, a parcela do crédito tributário objeto do pagamento antecipado é considerada extinta por pagamento (parcial), vez que excluída do lançamento de ofício supletivo. Dessa maneira, nos incisos I, II e VII do art. 156 do CTN, são descritas três formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, conferir eventualmente o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" está a dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. Nessa mesma linha, no voto vencedor do Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão nº 1402002.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de setembro de 2016, restou esclarecido que às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN): 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 490. Fl. 367DF CARF MF 16 "(...) Portanto, embora pagamento e compensação extingam o crédito tributário, cada um o faz com suas características e consequências peculiares: enquanto no pagamento não mais se discute a extinção do crédito tributário, na compensação extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), ou seja, a declaração de compensação pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. O art. 138 do CTN, ao dispor que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a meu ver, limitou a possibilidade de sua aplicação a uma das modalidades de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento. Quisesse o legislador que outras hipóteses de extinção fossem aplicáveis para fins de denúncia espontânea, assim o teria feito expressamente". Conforme abordado pelo Conselheiro Relator, a posição do STJ sobre o tema não é unânime. Tanto assim que, posteriormente ao entendimento firmado no julgamento nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, sessão de 20/08/2015, citado no voto do Conselheiro Relator, a mesma Segunda Turma julgadora do STJ julgadora decidiu de modo divergente na apreciação do AgRg no REsp 1.461.757/RS em sessão realizada no mês seguinte, dia 03/09/2015. Vejase sua ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01481347 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/09/2015 Data da Publicação/Fonte DJe 17/09/2015 Ementa: (...) 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido". No âmbito administrativo, pronunciouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no Acórdão nº 9303006.011– 3ª Turma, de 29 de novembro de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, nestes termos: Acórdão nº 9303006.011 conselheiro Rodrigo Possas ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31032/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 18490.000069/201012 Acórdão n.º 3402006.286 S3C4T2 Fl. 74 17 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu –ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) , cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. (grifado) De se ressaltar que o entendimento que se adota tem prevalecido em outros julgamentos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Acórdão nº 9303006.010, conselheiro Demes Brito ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Por se tratar de matéria sumulada (Súmula nº 208/TRF), no presente caso, a Contribuinte deveria ter recolhido em pecúnia os valores guerreados, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, a jurisprudência do STJ está pacificada no sentido de que os valores devem ser recolhidos integralmente, caso contrário, será exigido o valor integral do crédito tributário acrescido de juros e multas punitivas. Precedentes STJ. (Grifei) Dessa forma, no caso sob exame, não tendo sido os débitos pagos no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerados extintos antes do vencimento do tributo pela transmissão da Declaração de Compensação tempestiva, estão sujeitos à multa de mora, nos termos do art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004. Dispositivo Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 369DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920375/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.973
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 37 5/ 20 12 -0 5 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.920375/201205 Resolução nº 3302000.973 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.920375/201205 Resolução nº 3302000.973 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.920375/201205 Resolução nº 3302000.973 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.920375/201205 Resolução nº 3302000.973 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.920375/201205 Resolução nº 3302000.973 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920375/201205 Resolução nº 3302000.973 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920375/201205 Resolução nº 3302000.973 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.001364/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/12/2009
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Constatado o lapso manifesto apontado pelos embargos, deve-se promover sua imediata correção.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissões ou contendo informações inexatas ou incompletas relativas a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2401-006.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material apontado, mantendo o resultado do julgamento proferido no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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LAPSO MANIFESTO. Constatado o lapso manifesto apontado pelos embargos, devese promover sua imediata correção. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 69. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissões ou contendo informações inexatas ou incompletas relativas a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material apontado, mantendo o resultado do julgamento proferido no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 13 64 /2 00 9- 97 Fl. 955DF CARF MF Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401006.054 S2C4T1 Fl. 956 2 Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Especial, recebido como Embargos Inominados, nos termos do art. 66, do RICARF, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial de fls. 949/950, eis que constatado lapso manifesto no Acórdão de Recurso Voluntário de fls. 808/821. Segundo consta no mencionado despacho, ao proceder à análise do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, verificouse equívoco no acórdão recorrido, que tratou de autuação por descumprimento de obrigação acessória, por ter o sujeito passivo descumprido o disposto na Lei 8.212/91, art. 32, IV e § 5º. Tal equívoco confundiu o sujeito passivo, pois este afirma em seu recurso especial que por se tratar de lançamento reflexo dos autos de infração 37.230.1681, 37.230.1690, 37.230.1703 e 37.230.1711, para atestar a improcedência da autuação combatida, demonstra que nenhum dos referidos pagamentos objeto dessas autuações originárias configurou fato gerador das contribuições previdenciárias, estando a recorrente desobrigada de informálos em GFIP. Acontece que o presente processo cuida de autuação por descumprimento de obrigação acessória, por ter o sujeito passivo descumprido o disposto na Lei 8.212/91, art. 32, IV e § 6º, com multa aplicada nos termos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, art. 284, III, pois a empresa apresentou GFIP com informações inexatas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Inclusive consta do acórdão recorrido que a empresa declarou as GFIP contendo informações dos Dirigentes com o código de FPAS 833, quando o correto seria informar as GFIP com o código 507 e a empresa declarou as GFIP contendo informações dos Dirigentes com o código de Outras entidades 0002, quando o correto seria informar as GFIP com o código 0078. Assim, os presentes autos foram encaminhados à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção para a realização de novo julgamento do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo. Em seguida, os autos foram redistribuídos e sorteados a este Conselheiro para apreciação e julgamento dos Embargos Inominados. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator Fl. 956DF CARF MF Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401006.054 S2C4T1 Fl. 957 3 1. Juízo de Admissibilidade. Considerando que se trata de Embargos Inominados, recebido nos termos do art. 66, da Portaria MF n° 343/2015 (RICARF), não há que se apreciar a questão da tempestividade, pois não há prazo para a correção de erro manifesto. Dessa forma, CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Ademais, não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. Por fim, cumpre assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. 3. Mérito. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401006.054 S2C4T1 Fl. 958 4 Nos presentes embargos, o erro manifesto consiste na apreciação da divergência posta, pelo Acórdão recorrido, que tratou de autuação por descumprimento de obrigação acessória, por ter o sujeito passivo descumprido o disposto na Lei n° 8.212/91, art. 32, IV e § 5°, quando, na verdade, o presente processo cuida de autuação por descumprimento de obrigação acessória, por ter o sujeito passivo descumprido o disposto na Lei n° 8.212/91, art. 32, IV e § 6°, com multa aplicada nos termos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, art. 284, III, pois a empresa apresentou GFIP com informações inexatas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Assim, conforme despacho de fls. 949/950, farseá novo julgamento do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, com o enfrentamento das questões suscitadas. De início, cabe relatar a discussão posta no presente processo. Pois bem. Tratase de Auto de Infração (DEBCAD N° 37.230.1665), por ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social — GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme relacionado no anexo I de fls. 44, descumprindo o previsto no art. 32, IV, §§ 3° e 6° da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, IV e § 4° do Decreto n° 3.048/99. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 88 (anexo I) da obrigação principal e seguintes, os fatos geradores encontramse assim descritos: A Empresa declarou as GFIPs contendo informações dos Dirigentes com o código de FPAS 833, quando o correto seria informar as GFIPs com o código 507; A Empresa declarou as GFIPs contendo informações dos Dirigentes com o código de Outras Entidades 0002, quando o correto seria informar as GFIP's com o código 0078. Consultando os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (DIVIDA e SICOB), constatouse a existência de Auto de Infração lavrado contra a Aracruz em fiscalização anterior, por descumprimento de obrigação acessória, com decisão administrativa definitiva em 13/10/2005. Configurando assim circunstância agravante da infração, pelo fato da empresa ter incorrido em reincidência, conforme previsto no artigo 290, V, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. No entanto, por força do artigo 655, § 4° da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, a ocorrência de circunstâncias agravantes não produz efeito para gradação do valor da multa deste Al. O valor da multa aplicada foi de R$ 1.595,04, calculada conforme demonstrado no anexo II, à fl. 90. Para aplicação da multa, foram comparadas as penalidades vigentes quando da ocorrência dos fatos jurídicos, com as previstas na legislação, redação dada pela MP n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, aplicando a penalidade mais benéfica ao contribuinte. O demonstrativo contendo os cálculos para aplicação da Multa mais benéfica estão expressos no anexo III, à fl. 92. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401006.054 S2C4T1 Fl. 959 5 Importante, destacar que a lavratura do AI se deu em 10/12/2009, tendo a ciência do sujeito passivo ocorrida no dia 14/12/2009. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 120 a 190, alegando a improcedência de todos os fatos geradores descritos no AIOP. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJI), por meio do Acórdão nº 12219.526 (fls. 641/661), de 29/03/2010, cujo dispositivo considerou a impugnação improcedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 10/12/2009 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FÉRIAS. ESCRITURAÇÃO CONTABIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS. SEGURO DE VIDA EM GRUPO:' PREVISÃO EM. ACORDO COLETIVO. BOLSA AUXÍLIO EDUCAÇÃO. ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA PARA DEPENDENTES * DE EMPREGADOS E DIRIGENTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Salvo prova em contrário, os valores escriturados em cintas contábeis de natureza remuneratória, serão considerados como tal para efeito de incidência da contribuição previdenciária devida, uma vez que o sujeito passivo tem o dever de escriturar seus fatos geradores em títulos próprios. O seguro de vida em grupo, para ser excluído do saláriode contribuição, deve estar previsto em acordo ou convenção coletiva. A bolsa auxílio educação, para ser excluída do saláriode contribuição, deve ser fornecida para custear ensino básico ou profissionalizante e abranger a totalidade dos empregados da empresa. A assistência médica e odontológica dos dependentes dos empregados e dirigentes integra o saláriodecontribuição por expressa falta de previsão legal para sua exclusão, dado que a interpretação para outorga de isenção deve ser literal. A participação nos lucros e resultados, para ser excluída do saláriodecontribuição, deve ser prevista em instrumento de negociação com a participação do sindicato, deve possuir regas claras e não pode ser pago mais do que duas vezes no mesmo ano civil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão exarada, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 677/759, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podem ser descritos de forma sucinta: Fl. 959DF CARF MF Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401006.054 S2C4T1 Fl. 960 6 1. Para fins de cobrança do SAT, devese considerar a atividade desempenhada pelo contribuinte através de cada estabelecimento, individualizado através de seu CNPJ, o que, em razão de reiteradas manifestações do STJ, culminou com a edição da súmula n°351. 2. A contribuição ao INCRA foi extinta pela Lei n° 7.787/89 e não há previsão da contribuição ao INCRA nas Leis 8.212/91 e 8.213/91. 3. A discriminação dos débitos exigidos por meio da autuação mostrase sobejamente confusa, não sendo possível ao recorrente verificar individualmente quais eventos específicos geraram tais autuações, que poderiam ser separadas por assuntos, mas que tratam de assuntos em comum, variando tão somente quanto a referências em que se mostra ser praticamente impossível identificar o período, a forma como o cálculo foi encontrado e os empregados relacionados a determinado valor cobrado. 4. Verificouse que significativa parte, sendo a integralidade, das verbas relativas a férias, se referem a pagamentos efetuados a título de terço constitucional de férias e outros adicionais de caráter indenizatório e não integram o saláriodecontribuição, nos termos do art. 28, § 9°, "d" da Lei n° 8.212/91. 5. Os valores pagos a título de seguro de vida em grupo estão expressamente desvinculados dos salários dos segurados, na forma do disposto no art. 458, § 2°, V da CLT, não podendo o Regulamento da Previdência Social dispor de forma diferente, dado que haveria grave lesão h. hierarquia entre as normas. As verbas pagas quanto aos seguros de vida sequer podem ser individualizadas por empregado, o que, naturalmente, impede que possam integrar o salário de contribuição. 6. O valor da bolsa de educação pago pelo recorrente não possui natureza jurídica de remuneração pelos serviços prestados, tendo em vista que, no período em que está estudando, o trabalhador sequer está à disposição da empresa. 7. O art. 28, § 9°, alínea "t", da Lei n° 8.212/91, ao excluir do salário de contribuição os valores destinados a "cursos de capacitação e qualificação profissionais", se conclui com nítida tranquilidade que os cursos superiores também estariam compreendidos por tal categoria, especialmente porque os mesmos possuem intima ligação com a capacitação e qualificação profissional de qualquer funcionário. 8. No que tange ao fato de que os benefícios seriam concedidos apenas a funcionários da filial de Guaiba da recorrente, impõese registrar que tal estabelecimento foi incorporado pela mesma pouco antes do advento do exercício objeto da autuação. Todos os valores autuados se resumem a bolsas concedidas anteriormente à tal incorporação, de modo que o acesso da integralidade dos funcionários e dirigentes da empresa incorporada a esses benefícios era fielmente observado, não podendo as referidas bolsas serem simplesmente cassadas, pois os funcionários agraciados não poderiam arcar com o pagamento dos respectivos cursos, sob pena de Fl. 960DF CARF MF Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401006.054 S2C4T1 Fl. 961 7 terem que desistir de continualos, o que revela com clareza a correção da opção do recorrente em manter os benefícios anteriores, caracterizando o conceito de ato jurídico perfeito. 9. A assistência médica e odontológica não possui natureza remuneratória, por tratarse de benefício concedido para o trabalho e não pelo trabalho, posto que objetiva a manutenção da plena saúde dos seus funcionários, a qual resultará no incremento da sua produção. 10. A assistência médica não possui as características de gratuidade, habitualidade e contraprestação dos serviços do empregado. O fato de tal benefício ser estendido a dependentes não tem o condão de alterar a sua natureza indenizatória. A concessão de tal beneficio aos dependentes é uma liberalidade da recorrente para dar maior saúde e tranquilidade à família de seu empregado para que este possa produzir de forma mais eficiente. Houve a plena concordância do sindicato com o auxílio promovido, nos termos das respectivas convenções coletivas aprovadas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, conforme documentos 05 e 06 em anexo. 11. A Lei n° 10.243/04, ao alterar o art. 458 da CLT, tornou inaplicáveis as disposições que condicionavam a não incidência da contribuição previdenciária sobre o valor relativo ao fornecimento de assistência médica ou odontológica. 12. O constituinte originário optou por deixar expressa no texto constitucional a impossibilidade de integração da participação nos lucros ao salário do trabalhador, não delegando qualquer espaço para o legislador dispor de forma diferente. 13. No que tange à participação nos lucros, optou o constituinte originário por prever que a mesma seria desvinculada da remuneração dos trabalhadores, deixando de impor qualquer tipo de restrição, valendo dizer que a expressão "conforme definido em lei", presente no dispositivo constitucional supracitado, somente se aplica participação dos trabalhadores na gestão da empresa e não à participação nos lucros, tendo o art. 7°, XI da Constituição Federal, desde a sua promulgação, plena eficácia em relação à participação nos lucros, especialmente quanto a impossibilidade de tal parcela ser integrada ao salário dos trabalhadores. 14. Ainda que se entenda que a expressão "conforme definido em lei" também se aplica à participação nos lucros, não poderia o legislador, sob pretexto de regulamentar o texto constitucional, alterar o seu conteúdo, como o fez o art. 28, § 9°, "j" da Lei 8.212/91. 15. O § 40 do art. 218 da Constituição Federal estabelece que cabe a lei apoiar e incentivar a distribuição dos lucros pelas empresas, sendo impossível tal comando atingir o seu objetivo se for imposta às empresas pesada carga previdenciária em razão do descumprimento de pequenas formalidades, como no caso em tela, sendo que a legislação infraconstitucional não pode ignorar o referido dispositivo constitucional, Fl. 961DF CARF MF Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401006.054 S2C4T1 Fl. 962 8 sendo esta a posição dos Tribunais Superiores e dos Tribunais Regionais Federais, transcrevendo jurisprudência. 16. No que tange a não comprovação de que o programa de metas dos funcionários executivos foi objeto de negociação sindical, as próprias convenções emitidas quanto aos biênios 2004/2005 e 2005/2006, As fls. 1.153 a 1.178, corroboraram o tratamento em separado da participação dos gerentes e executivos através do GPR, cujo instrumento às fls. 1.180 a 1.197, ao contrário do alegado pela fiscalização, constou efetivamente da análise por parte do Sindicato, tendo em vista que o mesmo foi anexado aos acordos de participação nos lucros, às fls. 1.199 a 1.221. 17. No que se refere à pretensa inexistência de regras claras quanto aos valores a serem pagos aos empregados na hipótese de as metas não serem atingidas ou serem atingidas parcialmente, importa recordar que, ao revés, tal argumentação é demasiadamente clara, pois os percentuais e pesos traçados pelas tabelas apostas no instrumento que regulamentou o GPR e, sem prejuízo, as diretrizes especificas de cada área, delimitam com precisão a aludida remuneração em quaisquer casos, exemplificando através de casos concretos de cálculo, conforme fls. 1.223 a 1.274. 18. Quanto à suposta usurpação do limite estabelecido no GPR e o alegado desrespeito à periodicidade de dois pagamentos anuais; insta observar que tais conclusões da fiscalização foram estrita e diretamente influenciadas por remunerações vinculadas ao "Projeto Veracel", as quais não podem ser equiparadas As participações nos lucros, uma vez que, dotadas de caráter eminentemente eventual e extraordinário, são alheias incidência de contribuições previdenciárias, conforme documentos juntados às fls. 1.276 a 1.321. 19. Além disso, os valores foram distribuídos unicamente em razão de determinados funcionários terem atingido especificamente a meta de construção da unidade VERACEL, recebendo, em contrapartida, bônus de caráter excepcional, tendo sido concedida em caráter eventual, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias por força do disposto no art. 28, § 9 0, V, "j" da Lei n° 8.212/91, assim como no § 11 do art. 201 da Constituição Federal. Conforme visto, a presente autuação é decorrente do descumprimento de obrigação acessória, uma vez que o contribuinte apresentou suas GFIPs com omissões e incorreções em campos não relacionados aos fatos geradores das contribuições, eis que, conforme descrito no relatório fiscal, fl. 88 (anexo I): (i) a empresa declarou as GFIPs contendo informações dos Dirigentes com o código de FPAS 833, quando o correto seria informar as GFIPs com o código 507; (ii) a empresa declarou as GFIPs contendo informações dos Dirigentes com o código de Outras Entidades 0002, quando o correto seria informar as GFIP's com o código 0078. É ver o seguinte quadro elucidativo: FPAS: a empresa declarou as GFIPs contendo informações dos Dirigentes com o código de FPAS 833, quando o correto seria informar as GFIPs com o código 507. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401006.054 S2C4T1 Fl. 963 9 Estabelecimento Competência FPAS Declarado FPAS Correto 42.157.511/000242 01/2005 a 08/2005 833 507 42.157.511/004159 09/2005 a 12/2005 833 507 Outras Entidades: a empresa declarou as GFIPs contendo informações dos Dirigentes com o código de Outras Entidades 0002, quando o correto seria informar as GFIP's com o código 0078. Estabelecimento Competência Outras Entidades Declarado Outras Entidades Correto 42.157.511/000242 01/2005 a 08/2005 0002 0078 42.157.511/004159 09/2005 a 12/2005 0002 0078 Cabe esclarecer que, não se discute, no presente caso, multa por descumprimento de obrigação acessória relacionada a fatos geradores de contribuições previdenciárias, mas, ao contrário, omissões e incorreções nas GFIPs, em campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Dessa forma, ao contrário do que afirmado pela recorrente, não basta afirmar que o lançamento em questão é reflexo dos Autos de Infração n°s 37.230.1681, 37.230.1690, 37.230.1703 e 37.230.1711, não sendo possível, portanto, concluir que, para atestar a sua total improcedência, seria suficiente demonstrar que nenhum dos referidos pagamentos objeto dessas autuações originárias configurou fato geradores das contribuições previdenciárias, estando a recorrente desobrigada, portanto, de informalos em GFIP. Nessa senda, os argumentos tecidos pela recorrente, escapam da presente acusação fiscal, e não são capazes de afastar a higidez do presente lançamento, eis que direcionados a combater a incidência das contribuições previdenciárias sobre determinadas rubricas, como se observa dos seguintes questionamentos: (i) da exigência sobre valores cobrados a títulos de férias; (ii) não incidência das contribuições previdenciárias sobre seguros de vida em grupo; (iii) da exclusão dos valores pagos a título de auxílio à graduação e pós graduação do salário de contribuição; (iv) da impossibilidade de incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de assistência médica e odontológica; (v) da gestão por resultados dos empregados ocupantes de cargos executivos. Nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a acusação, eis que, comprovada a correção do enquadramento promovido pela Fiscalização, correta a imputação de multa por omissões e incorreções na GFIP. Para além do exposto, entendo que o auto de infração em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação do montante mínimo aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório fiscal, tudo conforme a legislção. Em suma, o relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. Fl. 963DF CARF MF Processo nº 15586.001364/200997 Acórdão n.º 2401006.054 S2C4T1 Fl. 964 10 A propósito, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, se o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e a legislação pertinente, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. A multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais, além de falecer competência à instância administrativa para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da arguição de sua inconstitucionalidade, ilegalidade ou de violação aos princípios constitucionais. Ademais, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, argumentando que a ausência de incidência se deu em função da interpretação de que o pagamento de PLR não consistiria em salário de contribuição, também não afasta a multa imposta, face que a sua aplicação independe da intenção do agente, além de que, no caso em questão, cabe reforçar que a multa teve origem em omissões e incorreções nas GFIPs, em campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. E, ainda, a multa aplicada obedeceu ao princípio da retroatividade benigna, conforme previsto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, tendo o agente autuante comparado as penalidades vigentes quando da ocorrência dos fatos jurídicos, com as previstas na legislação atual na redação dada pela MP n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, aplicando a penalidade mais benéfica ao contribuinte (c.f. anexo III). Ante a fundamentação posta, entendo que, não assiste razão à recorrente, motivo pelo qual, nego provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer e acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, para sanar o erro material apontado, mantendo o resultado do julgamento proferido no acórdão embargado. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 964DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.735489/2011-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
DECISÃO ADMINISTRATIVA. FUNDAMENTAÇÃO. ARGUMENTOS DE DEFESA. ENFRENTAMENTO DETIDO. DESNECESSIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há necessidade de que a decisão administrativa rebata um a um os argumentos declinados pela defesa, desde que esteja baseada em fundamentos claros, sólidos, suficientes e que possam ser compreendidos pelo contribuinte e que, no seu bojo, demonstrem a incompatibilidade entre o entendimento que prevaleceu no julgamento e o entendimento defendido pelo contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
BASE DE CÁLCULO. VALOR DA TRANSAÇÃO. AJUSTES DO ARTIGO 8º. ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA. INCLUSÃO.
Devem ser acrescido ao valor da transação os pagamentos feitos a título de royalties relacionados às mercadorias importadas e que se constituam em uma condição de venda, independentemente desses valores estarem também associados à outorga de outros direitos, desde que seja possível determinar sua segregação com base em dados objetivos e quantificáveis.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende o tributo e a multa de ofício proporcional. Por consequência, sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-008.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Na reunião de 01/2019 a conselheira Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada) em substituição a conselheira Tatiana Midori Migiyama, a qual declarou-se impedida de participar do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 DECISÃO ADMINISTRATIVA. FUNDAMENTAÇÃO. ARGUMENTOS DE DEFESA. ENFRENTAMENTO DETIDO. DESNECESSIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há necessidade de que a decisão administrativa rebata um a um os argumentos declinados pela defesa, desde que esteja baseada em fundamentos claros, sólidos, suficientes e que possam ser compreendidos pelo contribuinte e que, no seu bojo, demonstrem a incompatibilidade entre o entendimento que prevaleceu no julgamento e o entendimento defendido pelo contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 BASE DE CÁLCULO. VALOR DA TRANSAÇÃO. AJUSTES DO ARTIGO 8º. ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA. INCLUSÃO. Devem ser acrescido ao valor da transação os pagamentos feitos a título de royalties relacionados às mercadorias importadas e que se constituam em uma condição de venda, independentemente desses valores estarem também associados à outorga de outros direitos, desde que seja possível determinar sua segregação com base em dados objetivos e quantificáveis. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende o tributo e a multa de ofício proporcional. Por consequência, sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Na reunião de 01/2019 a conselheira Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada) em substituição a conselheira Tatiana Midori Migiyama, a qual declarou-se impedida de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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FUNDAMENTAÇÃO. ARGUMENTOS DE DEFESA. ENFRENTAMENTO DETIDO. DESNECESSIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há necessidade de que a decisão administrativa rebata um a um os argumentos declinados pela defesa, desde que esteja baseada em fundamentos claros, sólidos, suficientes e que possam ser compreendidos pelo contribuinte e que, no seu bojo, demonstrem a incompatibilidade entre o entendimento que prevaleceu no julgamento e o entendimento defendido pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 BASE DE CÁLCULO. VALOR DA TRANSAÇÃO. AJUSTES DO ARTIGO 8º. ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA. INCLUSÃO. Devem ser acrescido ao valor da transação os pagamentos feitos a título de royalties relacionados às mercadorias importadas e que se constituam em uma condição de venda, independentemente desses valores estarem também associados à outorga de outros direitos, desde que seja possível determinar sua segregação com base em dados objetivos e quantificáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende o tributo e a multa de ofício proporcional. Por consequência, sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 54 89 /2 01 1- 91 Fl. 2994DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Na reunião de 01/2019 a conselheira Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada) em substituição a conselheira Tatiana Midori Migiyama, a qual declarouse impedida de participar do julgamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados para exigir da contribuinte o Imposto de Importação (II), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a contribuição ao Programa de Integração Social (PIS – Importação) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS – Importação), referentes a fatos geradores ocorridos durante os anos de 2007 a 2010 (fls. 1636/1644). Segundo o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 613), a contribuinte obrigouse, em decorrência de contratos firmados com as empresas estrangeiras The Timberland Company e Mizuno USA, Inc., ao pagamento de royalties e direitos de licença condicionados à venda contratualmente estabelecida e, por esta razão, deveriam ter sido acrescidos ao valor aduaneiro declarado por causa da importação de mercadorias efetivada. Assim, os lançamentos ocorreram pela suposta omissão da contribuinte, em declarações de importação durante os anos de 2007 a 2010, acerca do valor aduaneiro de royalties e direitos de licença referentes aos produtos por ela importados, infringindo o Acordo sobre Valoração Aduaneira (AVA), em seu artigo 8.1 (c), constante do anexo ao Decreto n. 1.355/1994. Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 4 3 As autuações ocasionaram créditos tributários com os seguintes valores principais: (i) quanto ao II, R$ 23.211,34 (fl. 1637); (ii) quanto ao IPI, R$ 468,91 (fl. 1639); (iii) quanto ao PIS – Importação, R$ 1.601,11 (fl. 1641); e (iv) quanto à COFINS – Importação, R$ 7.378,36 (fl. 1643). Ademais, os valores principais foram acrescidos, cada qual, de multa de ofício de 75% e juros de mora, resultando num débito da contribuinte no total de R$ 68.101,55 (fl. 5). A ciência da contribuinte acerca dos Autos de Infração deuse em 21/11/2011 (fls. 1638, 1640, 1642 e 1644). Após o julgamento do recurso voluntário, tanto a Fazenda Nacional, quanto o contribuinte, impetraram recurso especial de divergência em face da decisão tomada no acórdão nº 3401003.194, de 19 de julho de 2016 (efolhas 2.530 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010 VALOR ADUANEIRO. "ROYALTIES" E DIREITOS DE LICENÇA. "CONDIÇÃO DE VENDA". INTERPRETAÇÃO DO AVA/GATT. AMPLITUDE DA EXPRESSÃO. O AVA/GATT deve ser entendido à luz da legislação internacional, e não da acepção unilateral que a legislação nacional dá à terminologia empregada no acordo. Na interpretação da expressão "condição de venda", no AVA/GATT (Artigo 8o, 1, "c"), devese buscar identificar se seria possível a venda sem o cumprimento do contrato referente aos royalties e direitos de licença. VALOR ADUANEIRO. "ROYALTIES" E DIREITOS DE LICENÇA. MERCADORIAS IMPORTADAS E MERCADORIAS NACIONAIS CONTEMPLADAS EM UM MESMO INSTRUMENTO JURÍDICO/CONTRATO. POSSIBILIDADE DE DISCERNIMENTO. DADOS OBJETIVOS E QUANTIFICÁVEIS. Na hipótese de o instrumento jurídico/contrato referente a "royalties" e direitos de licença, qualquer que seja a denominação adotada, abranger tanto a importação de mercadorias quanto a venda de produtos nacionais, não afronta o AVA/GATT o discernimento, pela fiscalização, com base em dados objetivos e quantificáveis, como as efetivas vendas das mercadorias estrangeiras e de produtos nacionais, de cada uma dessas operações, expurgando do valor aduaneiro as rubricas referentes a vendas de produtos nacionais. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 5 4 Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre o montante referente a multas, em lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. COFINS – IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. RE 559.607/SCRG. Devem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP importação e da COFINS importação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 559.607/SC, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62, § 2o de seu Regimento Interno. Recurso voluntário provido em parte. A divergência suscitada no recurso especial da Fazenda Nacional (efolhas 2.575 e segs) diz respeito à incidência de juros sobre o valor da multa de ofício. A divergência suscitada no recurso especial do contribuinte (efolhas 2.779 e segs) referese à inclusão do valor pago a título de royalties, pelo importador ao exportador estrangeiro, na base de cálculo dos tributos aduaneiros. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de admissibilidade de efolhas 2.587 e segs. O recurso especial do contribuinte também foi admitido, conforme despacho de admissibilidade de efolhas 2.955 e segs. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 2.698 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida na parte em que proveu a recurso voluntário. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 2.962 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida na parte em que desproveu o recurso voluntário do contribuinte. É o Relatório. Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional e do recurso especial do contribuinte. Mérito Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Incidência de juros de mora sobre multa de ofício O recurso especial da Fazenda Nacional defende a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, sendo que acórdão recorrido afastou a sua aplicação. O contribuinte, por sua vez, defende e reforça o mesmo entendimento do acórdão recorrido de que não existe previsão legal para a pretendida incidência. Essa matéria não é nova e no meu entendimento existe previsão legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 7 6 O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, em decisão de 04/12/2012, assim ementada: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Para encerrar de uma vez por todas esta polêmica foi editada a Súmula CARF nº 108 no seguinte sentido: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 8 7 Diante do acima exposto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Do Recurso Especial do Contribuinte Preliminar de nulidade da decisão recorrida Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida por suposta falta de exame dos argumentos de defesa e das cláusulas dos contratos firmados entre a recorrente e os proprietários das marcas por ela negociadas. Em primeiro lugar, não há necessidade que a decisão proferida se detenha em cada um dos argumentos trazidos pela defesa. É suficiente que os fundamentos alcancem todos aspectos abordados e declinem com clareza o entendimento do Colegiado sobre o assunto, denotando incompatibilidade entre o entendimento sugerido pela defesa e as razões de decidir da Turma. Se a autoridade julgadora pronunciase de forma não exaustiva, mas clara e suficiente sobre a matéria objeto dos autos, não há que se falar em omissão. A jurisprudência dos Tribunais superiores não destoa desse entendimento. É pacífico que o julgador não está obrigado a rebater todas as alegações do recurso. É o que se depreende da manifestação do eminente então Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº 779.680. Inexiste ofensa ao art. 535, CPC, quando o Tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, cujo decisum revelase devidamente fundamentado. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Precedente desta Corte: RESP 658.859/RS, publicado no DJ de 09.05.2005. [...] É pacífico o entendimento jurisprudencial de que o juiz não está obrigado a analisar e rebater todas as alegações da parte, bem como todos os argumentos sobre os quais suporta a pretensão deduzida em juízo, bastando apenas que indique os fundamentos suficientes à compreensão de suas razões de decidir, cumprindo, assim, o mandamento constitucional insculpido no art. 93, inc. IX, da Lei Fundamental. Nesse sentido: STJ: EDRESP 581.682/SC, 2ª. Turma, Rel. Min. Castro Meira, in DJU, I, Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 9 8 1º.3.2004, p. 176; e EEERSP 332.663/SC, 1a. Turma, Rel. Min. José Delgado, in DJU, I, 16.2.2004, p. 204. Com efeito, não é de se esperar que cada um dos apontamentos feitos pela defesa sejam contraditados. É suficiente que as razões de decidir expostas pelo julgador demonstrem, no seu todo, a impossibilidade de acolhimento da tese ou dos argumentos expendidos pelo contribuinte. No mesmo sentido trilhou a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, inclusive, por meio de julgamento proferido em regime de repercussão geral, ex vi AIRGQO 791.292/PE1. Nessa decisão, o plenário do Pretório Excelso reafirmou a tese de que o “art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão”. E nem se diga que a jurisprudência retrocitada foi superada pelas disposições do novo Código do Processo Civil. Em recente decisão proferida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, reafirmouse a desnecessidade de o Colegiado examinar a totalidade dos apontamentos feitos pela defesa, desde que, no seu todo, a decisão enfrente a matéria posta, afastando qualquer possibilidade de que outras abordagens pudessem alterar o curso da decisão. "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)".D 1 BRASIL. STF. AI 791292 QORG, Rel. Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 10 9 E também não é verdade que o i. Relator do acórdão recorrido não tenha analisado os contratos firmados pela autuada. Ora, todo o convencimento do Colegiado foi formado com base nas obrigações contratuais assumidas. É certo, portanto, que os contratos foram examinados. Provavelmente, não da forma como a recorrente gostaria e muito menos com as conclusões imaginadas pela defesa. Contudo, isso não significa que o acórdão tenha se omitido a esse respeito e nem que tenha havido em preterição ao direito de defesa. Mérito O contribuinte sustenta, reiteradamente, a necessidade de que sejam observadas duas condições cumulativas para que os valores pagos a título de royalties sejam acrescentados à base de cálculos dos tributos incidentes na importação das mercadorias: (i) a de que os royalties ou direitos de licença estejam relacionados com as mercadorias importadas objeto da valoração aduaneira e (ii) a de que o pagamento dos referidos valores, realizados direta ou indiretamente ao exportador, seja uma condição de venda destas mercadorias. Caso contrário, sempre segundo entende, na falta de um desses requisitos, o valor pago a esse título não deverá ser incluído na base imponível. À luz dessas premissas procura demonstrar que nenhum dos dois requisitos foram atendidos no caso concreto. O primeiro, em apertada síntese, porque firmou contratos com as empresas Timberland e Mizuno que englobam uma série de atividades, direitos garantias e deveres, que converteramna “na própria ‘titular’ das marcas. Assim “os royalties remuneram muito mais do que a simples compra e venda (importação) de mercadorias”. Em consequência, não estariam relacionados com as mercadorias importadas. O segundo, também resumidamente, porque o não pagamento dos royalties traria uma repercussão de maior amplitude, ensejando “a quebra da relação contratual firmada relacionada ao direito de uso das marcas” e não apenas a impossibilidade de efetivar a importação das mercadorias. Sobre isso, acrescenta, inclusive, que “a única coisa que a Recorrente poderia continuar fazendo é justamente importar as mercadorias com as TIMBERLAND E MIZUNO, até mesmo porque não há qualquer proibição nesse sentido”. Ou seja, segundo alega, os royalties também não eram condição de venda. Para maior clareza, analisase preambularmente a legislação aplicável. Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 11 10 Como já foi sobejamente comentado nos autos, a base de cálculo dos tributos aduaneiros é o valor da transação, tal como definido no art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira, com seguinte teor. 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: Por seu turno, o art. 8º especifica os ajustes que devem ser feitos ao valor efetivamente pago (ou a pagar) pelas mercadorias. É nele que encontrase a previsão de que sejam incluídos os royalties objeto do vertente processo. Segue texto com grifos acrescidos. Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias: (i) comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; (ii) o custo de embalagens e recipientes considerados, para fins aduaneiros, como formando um todo com as mercadorias em questão; (iii) o custo de embalar, compreendendo os gastos com mãode obra e com materiais; (b) o valor, devidamente atribuído, dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas, e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar: (i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes, incorporados às mercadorias importadas; (ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes, empregados na produção das mercadorias importadas; (iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; (iv) projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de "design", e planos e esboços, necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação; Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 12 11 (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar; (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor. 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (c) o custo do seguro. 3. Os acréscimos ao preço efetivamente pago ou a pagar, previstos neste Artigo, serão baseados exclusivamente em dados objetivos e quantificáveis. 4. Na determinação do valor aduaneiro, nenhum acréscimo será feito ao preço efetivamente pago ou a pagar, se não estiver previsto neste Artigo. Sobressai incontroverso da narrativa dos fatos apurados pelo Fisco o efetivo pagamento de royalties ao detentor dos direitos de marca no exterior. Controvertese, contudo, se os valores pagos a esse título se enquadram ou não na hipótese contemplada pelo Acordo, conforme disposto na letra “c” do item 1 do art. 8º acima transcrito. De plano, deve ser afastada a hipótese de que, por serem pagos em momento posterior à importação, os valores de que ora se trata não poderiam ser incluídos na base de cálculo dos tributos incidentes na importação. Ora, é de amplo conhecimento que esse tipo de transação é extremamente usual. Menos comum seria o pagamento dos royalties já por ocasião da importação das mercadorias. E, de fato, são fartas as evidências de que o Acordo previu claramente essa hipótese. Basta que se leia o teor da letra “d” também acima reproduzida. Ela referese textualmente ao valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor”. Por óbvio, dito resultado de revenda, cessão ou utilização subsequente somente ocorrerá em data posterior à importação das mercadorias. Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 13 12 Por isso mesmo, devem ser veementemente rejeitados os argumentos veiculados na parte final do recurso especial interposto pelo contribuinte, afirmando não existirem normas legais e infralegais que amparem os procedimentos adotados pela Fiscalização Federal. Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, como acima pretendo tenha ficado claro, o Acordo é explícito quanto à possibilidade de que sejam incluídos na base imponível valores pagos depois de processada a operação de importação. Não fosse isso suficiente, revelase também integralmente equivocada a assertiva de que não existem disposições normativas infralegais sobre o tema. O art. 22 da Instrução Normativa nº 327/2003 disciplina especificamente o procedimento que deve ser adotado pelo importador nas situações em que não puder ser informado o valor da base de cálculo na data do registro da declaração de importação das mercadorias. Observese. Art. 22. Quando o valor aduaneiro não for definitivo na data do registro da Declaração de Importação (DI), em virtude de o preço a pagar ou das informações necessárias à utilização do método do valor de transação dependerem de fatores a serem implementados após a importação, devidamente comprovados, o importador deverá informar essa situação no campo Informações Complementares da DI e declarar valor estimado. § 1º O valor estimado deverá ser retificado pelo importador no prazo de até noventa dias, salvo quando o importador comprovar que a implementação dos fatores referidos no caput deste artigo se dará em prazo superior, declarado por ocasião do registro da DI. § 2º O valor estimado será considerado como definitivamente declarado se, findo o prazo estabelecido conforme o § 1º deste artigo, não tiver sido procedida a retificação da DI. § 3º O pagamento da diferença de impostos, devida em razão da retificação de que trata o § 1º deste artigo, será efetuado com os acréscimos legais previstos para recolhimento espontâneo. § 4º No caso de apuração pela autoridade aduaneira, em procedimento de fiscalização, de diferença de impostos devida, decorrente do descumprimento do disposto neste artigo, serão aplicadas as penalidades previstas na legislação. Isso posto, passo à análise do preenchimento ou não dos requisitos especificados no AVA para inclusão do valor correspondente aos royalties e às taxas na base de cálculo dos tributos aduaneiros, partindose, agora, de uma análise mais detida dos fundamentos do recurso interposto pela parte. Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 14 13 O contribuinte transcreve no corpo do recurso especial as cláusulas contratuais que, no seu entender, retratam com precisão os termos do negócio. Elas tem o seguinte teor: . Contrato com a The Timberland Company “1.3 Pagamentos de Royalties pela Franqueada à Timberland. Conforme descrito e definido adicionalmente na Cláusula 6.2.1 abaixo, a Franqueada deverá pagar um Royalty (conforme definido na Cláusula 6.2.1) para os canais e nos valores previstos abaixo (todas as porcentagens apresentadas na tabela abaixo são uma porcentagem das Vendas Líquidas da Franqueada) (...) 2. DEFINIÇÕES. Conforme usados no presente Contrato: (...) 2.12. ‘Vendas Líquidas’ significam o valor total da fatura de todos os Produtos vendidos direta ou indiretamente pela Franqueada ou por uma Afiliada da Franqueada para um Cliente.” (grifos nossos) Contrato com a Mizuno USA, Inc. “4.11 Pagamento e Contabilidade a) Royalty (1) Calculo de ‘Venda Líquidas’ A cada ano do Contrato, o Distribuidor deverá pagar à Companhia royalties sobre todos os Produtos conforme calculado de acordo com as taxas especificadas no Anexo E com relação as Vendas Liquidas (conforme definidas a seguir) dos Produtos. ‘Vendas Liquidas’ significarão vendas brutas no atacado dos Produtos pelo Distribuidor ou quaisquer de suas afiliadas, associadas ou empresas subsidiárias baseadas sobre o faturamento usual por itens vendidos no curso normal dos negócios conforme refletido em todos os balanços financeiros publicados do Distribuidor (...) Depreendese do teor normativo do art. 8º do AVA, fato que, como já mencionado, não passou despercebido à defesa, que os royalties e direitos de licença devem ser acrescidos ao valor da transação (art. 1º) quando estiverem (i) relacionados com as mercadorias objeto de valoração e (ii) sejam condição de venda dessas mercadorias. Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 15 14 No entender da recorrente, nenhuma dessas duas condições é observada no caso em apreço. Segundo assevera, celebrou contratos com as empresas Timberland e Mizuno que lhe garantiu o direito de fabricar, manter, propagandear, comercializar etc produtos dessas marcas. Em contrapartida assumiu a obrigação de pagar royalties e outras taxas às duas empresas. Com base nisso, entende que o acórdão recorrido partiu de uma premissa equivocada, “segundo a qual a questão neste caso se resumiria à possibilidade de se segregar, ou não, as mercadorias vendidas pela Recorrente entre nacionais e importadas, estas vinculadas aos royalties (p. 39 do Acórdão). Conclui em elevado tom que NÃO É DISSO QUE SE TRATA!! Não se está aqui a discutir apenas o fato de as mercadorias poderem ser divididas entre nacionais e importadas (e mistas, digase), mas sim o fato inconteste de que os royalties remuneram muito mais do que a simples compra e venda (importação) de mercadorias! Ao que tudo indica, na lógica defendida pelo empresa, o fato de os royalties remunerarem diversos direitos outorgados pelos titulares da marca ao importador, não estando, por conseguinte, vinculado única e exclusivamente ao direito de importação das mercadorias, afastaria, de plano, a agregação desses valores ao valor da transação. Com o devido respeito à opinião manifesta e à extensa argumentação expendida em sede de recurso, não me parece que esse raciocínio possa prevalecer. A toda evidência, o que o Acordo exige é a quantificação do valor pago a título de royalties que tenham uma relação com as mercadorias importadas. Em momento algum o legislador referiuse a royalties que estivessem exclusivamente relacionados ao direito de importar mercadorias. Ora, chega a ser ingênuo cogitar da possibilidade de que, pelo fato de os royalties estarem associados a uma gama de direitos outros concedidos, não possam eles ser incluídos na base de cálculo, mesmo que, indiscutivelmente, parte desse valor esteja relacionado às mercadorias importadas. Como dito acima, é incontroverso que, pelo menos em parte, os royalties pagos pelo importador estão relacionados às mercadorias importadas. Nem mesmo a recorrente contesta isso. Assim, ao contrário do que alega a defesa, a questão é, sim, a possibilidade de determinar a fração desses royalties que estão associados às mercadorias importadas, demonstrandose irrelevante que outra parte esteja associado à concessão de outros direitos, até Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 16 15 mesmo porque esses outros direitos estão, no todo ou em parte, também relacionados às mercadorias. Segundo a autuada, a Fiscalização Federal também incorreu em equívocos por ocasião da apuração do valor que deveria ser acrescido à base de cálculo dos tributos aduaneiros. Explica que 109. Da leitura do Relatório de auditoria fiscal anexo aos AIIM, verificase que, para obter o valor dos royalties e taxas supostamente não adicionados pela Recorrente ao valor aduaneiro, as Autoridades Fiscais (i) apuraram a totalidade dos valores pagos a título de royalties pela Recorrente às empresas estrangeiras em determinado período; (ii) buscaram, dentre as receitas auferidas com as vendas de mercadorias nesse mesmo período, identificar a proporção (percentual) que corresponderia às receitas obtidas com a venda das mercadorias importadas; (iii) aplicaram o percentual obtido no passo anterior sobre a totalidade dos royalties pagos pela Recorrente em determinado período (valor identificado no passo “1”), com o intuito de determinar os royalties supostamente relativos às importações; e (iv) adicionaram o resultado obtido ao valor aduaneiro das mercadorias importadas nesse período. Esclarece, contudo, que diversos custos incorridos dentro do país (armazenagem, publicidade, distribuição e transporte) associados às mercadorias importadas teriam sido indevidamente acrescidos ao valor da transação. Por outro lado, que “está sujeita ao pagamento de royalties mínimos que independem de qualquer operação, seja de importação ou de venda no mercado interno”. E que, “a esse respeito, ambos os CONTRATOS são bastante similares, indicando que os “royalties mínimos” estão absolutamente desvinculados de qualquer operação de importação”. Em primeiro lugar, é necessário que se diga que tais ponderações nem de perto demonstram ausência de vinculação entre os valores pagos e as mercadorias importadas. A questão, aqui, é precisar qual valor, relacionado a essas mercadorias, foi efetivamente transferido a título de royalties. A agregação de dispêndios incorridos dentro do país decorre da metodologia de cálculo adotada pelo Fisco, com vistas à segregação do valor relacionado às importações. Foi desta forma que chegouse a um percentual do valor transferido ao detentor da marca que poderia ser considerado relacionado às mercadorias importadas e não às mercadorias adquiridas no mercado interno, com base nas Vendas Líquidas apuradas no período, tal como determinam os contratos. As dificuldades levantadas pela defesa decorrem da própria conformação contratual da transação levada a efeito. No caso concreto, o Fisco não Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 17 16 dispunha de outra alternativa, se não apartar o valor que estava associado às importações, com base em elementos concretos, objetivos e quantificáveis, tal como reza o Acordo. E, ao contrário do que sustenta a recorrente, parece estar bastante claro que há, sim, previsão legal para inclusão desse valor ao valor da transação . Outrossim, as vendas efetivadas ao longo do período autuado superaram sempre o valor estimado, razão pela qual, no caso em apreço, a estipulação dos ditos royalties mínimos não comprometeu em nada a determinação do quantum associado à importação das mercadorias. Ainda a respeito desse tema (vinculação do royalties às mercadorias importadas), fazse um destaque à inusitada sugestão de que, pelo fato de os royalties estarem associados à concessão de inúmeros direitos, não só ao direito de importar mercadorias, o importador estivesse dispensado de agregálos ao valor da transação. Ora, é claro que não são os termos dos contratos firmados pelas partes que vão determinar se há ou não incidência da exação sobre a operação. Por óbvio, o que determina a exigência é a conformação do ato à norma geral e abstrata identificada nas leis que regulamentam a matéria. Em termos concretos, se houve pagamento de royalties associado ao direito de importar mercadorias, há incidência de imposto sobre esse valor. Os termos do contrato pactuado entre importador e exportador não afetam essa condição. Caso contrário, bastaria que o importador optasse por determinada forma contratual, na qual, como no caso, os roylaties estivessem associados indistintamente a inúmeros direitos e obrigações, para que se visse dispensado do pagamento dos tributos que seriam normalmente devidos. E não assiste melhor sorte à Recorrente no que diz respeito à qualificação dos royalties como condição de venda das mercadorias. Ora, é claro que, no bojo da transação conduzida pelas partes, o valor dos royalties e taxas estipulado nos contratos é uma condição para que as operações sejam praticadas nos termos em que pactuadas. Aliás, a própria Recorrente reconhece que, acaso deixasse de pagar os royalties, haveria uma quebra contratual, com sérios prejuízos. Assim, não há como admitir a tese de que os royalties não eram uma condição de venda das mercadorias importadas. Aceitar essa leitura dos fatos seria o mesmo que dizer que o próprio valor pago pelas mercadorias também não era uma condição de venda. Afinal, no caso de inadimplência do importador, por certo também haveria uma ruptura bastante séria nas relações Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 18 17 comerciais firmadas entre as partes. É claro que todos os termos e condições contratuais acertados são condições para realização do negócio da forma como foi avençado. Por isso mesmo, também demonstrase falho o argumento de que “a única coisa que a Recorrente poderia continuar fazendo é justamente importar as mercadorias com as TIMBERLAND E MIZUNO”. Por certo, essa transação se daria em outras bases; certamente, inclusive, por outro preço. Com efeito, para que a transação praticada nos termos em que avençada fosse consumada, os royalties associados ao direito de importar mercadorias obrigatoriamente deveriam ser pagos ao titular da marca. A recorrente também não foi feliz na escolha da Opinião Consultiva nº 4.5 para demonstrar o acerto do procedimento que adotou. A toda evidência, o tipo de transação a que faz alusão a Opinião Consultiva nº 4.5 é substancialmente diferente da operação aqui examinada. Naquela, o Comitê de Valoração Aduaneira opina acerca de uma operação de venda realizada por uma empresa nacional, de mercadorias de uma marca de propriedade de um fabricante estrangeiro. Na maior parte dos casos, como se lê nos esclarecimentos prestados na própria Opinião, as mercadorias são fabricadas com ingredientes obtidos no país de importação (!), sendo devidos royalties não pela importação das mercadorias, mas pelo uso da marca, senão vejamos. OPINIÃO CONSULTIVA 4.5 ROYALTIES E DIREITOS DE LICENÇA SEGUNDO O ARTIGO 8.1 c) DO ACORDO 1. O fabricante estrangeiro M é proprietário de uma marca registrada protegida no país de importação. O importador I fabrica e vende seis tipos de cosméticos sob a marca registrada de M. I deve pagar a M um royalty que representa 5 % de seu volume de venda anual bruto relativo de cosméticos com a referida marca. Todos os cosméticos são fabricados segundo a fórmula de M, a base de ingredientes obtidos no país de importação, com exceção de um para o qual M vende, normalmente, os ingredientes essenciais. Que tratamento deve ser aplicado ao royalty, tendo em conta os ingredientes importados? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O royalty deve ser pago a M independentemente de I utilizar os ingredientes de M ou de fornecedores locais; portanto, o royalty não constitui uma condição de venda das mercadorias e, para fins de valoração, não pode ser acrescido ao preço efetivamente pago ou a pagar, de conformidade com o Artigo 8.1 c) Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 19 18 Muito mais pertinente e útil ao exame da questão posta é a Opinião Consultiva nº 4.4, a seguir reproduzida. Opinião Consultiva 4.4 ROYALTIES e direitos de licença segundo o Artigo 8.1 c) do Acordo Um concentrado patenteado é adquirido pelo importador I do fabricante M que também é o detentor da patente; o concentrado importado é simplesmente diluído em água corrente e envasado para consumo antes de ser vendido no país de importação. Além do preço das mercadorias, o adquirente deve pagar ao fabricante M, como condição da venda, um royalty pelo direito de incorporar ou utilizar o concentrado patenteado em produtos destinados à revenda. O montante do royalty é calculado em função do preço de venda dos produtos acabados. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: O royalty é um pagamento relacionado com as mercadorias importadas que o comprador tem que pagar como condição de venda dessas mercadorias e, por conseguinte, deve ser incluído no preço efetivamente pago ou a pagar, de conformidade com o disposto no Artigo 8.1 c). Esta opinião referese ao royalty pago pela patente incorporada às mercadorias importadas e não se aplica a situações diferentes. Muito menos razão ainda assiste à recorrente quando afirma que “a possibilidade em si de compra de determinada mercadoria de um fornecedor internacional diferente do detentor da marca demonstra cabalmente que, no presente caso, não há como se falar em ‘condição de venda’”. Ora, não há nenhuma importância no fato de os produtos serem exportados pelas ditas “fontes autorizadas” (lembrese, sempre sob o controle da Timberland). Sejam as exportações realizadas por essas ou pelo detentor da marca, haverá sempre, indistintamente, a incidência de royalties por ocasião da venda dessas mercadorias no mercado interno. Sendo o fornecimento realizado pelas fontes autorizadas, incidirá, ainda, uma Taxa de Usuário ou Taxa de Terceirização, estas calculadas sobre o valor faturado da mercadoria importada, também pagas à detentora da marca. Ou seja, se a importação for realizada pelas fontes autorizadas pela Timbeland, o importador pagará a esta, além dos royalties, as Taxas, que têm a mesma natureza daqueles e demonstramse, também, condição contratual de venda das mercadorias; por conseguinte, devem, da mesma forma, ser incluídas na base imponível. Por fim, também não há que se falar em tratamento desigual entre produtos estrangeiros e nacionais. Foi a própria empresa que optou pela aquisição das mercadorias nos termos e condições pactuados no negócio. Aplicase à operação o disposto na legislação Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 10880.735489/201191 Acórdão n.º 9303008.188 CSRFT3 Fl. 20 19 tributária. O fato de serem devidos royalties ao exportador estrangeiro e sobre eles incidir tributação nos termos da lei, não denota tratamento desigual sob qualquer forma, mas uma opção negocial para a qual a legislação pátria e, no caso específico, a legislação internacional, prevêm incidência de impostos e/ou contribuições. Conclusão. Por todo exposto: i) quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, voto por conhecêlo e darlhe provimento, assentando ser cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; ii) quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, voto por conhecêlo e por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 3012DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720061/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. NÃO CABIMENTO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial.
Não restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o não reconhecimento da isenção no caso concreto.
Numero da decisão: 2402-007.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente IRANI APARECIDA DINIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. NÃO CABIMENTO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois prérequisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Não restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõese o não reconhecimento da isenção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 00 61 /2 01 2- 39 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10073.720061/201239 Acórdão n.º 2402007.110 S2C4T2 Fl. 81 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 11ª Tuma da DRJ/SPO, consubstanciada no Acórdão nº 1675.189 (fls. 59), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2008, anocalendário 2007, da contribuinte acima identificada, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 06/12/2011, de fls. 25/29. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Em decorrência do contribuinte regularmente intimado, não ter atendido à intimação até a presente data, procedeuse ao lançamento de ofício, conforme a seguir descrito. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 169.428,85, conforme relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimada das alterações processadas em sua declaração, a contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fl. 02, alegando, em breve síntese, que: Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10073.720061/201239 Acórdão n.º 2402007.110 S2C4T2 Fl. 82 3 foi diagnosticada em 2006 com doença crônica, câncer, e a fonte pagadora Prefeitura Municipal de Volta Redonda não descontou o Imposto de Renda na Fonte nos anos seguintes; houve engano da fonte pagadora informando rendimentos tributáveis e não rendimentos isentos e não tributáveis; anexou contracheques do ano de 2007, comprovante de rendimentos retificado pela Prefeitura Municipal de Volta Redonda, resultado de exame de procedimento diagnóstico histopatológico e atestado médico emitido pelo Dr. Simões Cará; solicita análise da Notificação de Lançamento. Termo Circunstanciado e Despacho Decisório Nas folhas 36/37 há Termo Circunstanciado lavrado em 16/07/2014 pela Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda/RJ, em que se verifica: a impugnante informa que sofre de moléstia grave (câncer) e que houve erro na informação da fonte pagadora por meio da DIRF. Alega que tal fonte pagadora não reteve o Imposto de Renda, no anocalendário 2007. Informa que apresentou documentos que atestam a veracidade de suas alegações e solicita o cancelamento da Notificação de Lançamento; constatase que, ao contrário do que afirma a impugnante, a DIRF não foi alterada e houve, sim, recebimento de rendimentos tributáveis pela contribuinte. Constatase, ainda, que os contracheques apresentados não tratam dos únicos rendimentos dessa mesma fonte, pois a soma dos vencimentos monta valor significativamente inferior ao do comprovante de rendimentos e da DIRF; ademais, a contribuinte não logrou demonstrar a existência da moléstia alegada, nos termos do art. 30, da Lei no. 9.250/95 e do art. 39, § 4o. do Decreto 3.000/99, uma vez que o laudo pericial não foi emitido por serviço médico oficial de um dos entes federativos; assim, restou mantida a presente Notificação de Lançamento. Na folha 38 há Despacho Decisório lavrado em 16/07/2014 em que restou deferida a proposta de manutenção total da exigência. A contribuinte foi cientificada do Termo Circunstanciado e Despacho Decisório em 24/10/2014, fl. 41, apresentou contestação, fls. 43/45, e anexou documentos. A contribuinte alega que: é funcionária aposentada do município de Volta Redonda e no ano de 2006 foi acometida por doença grave câncer de mama – conforme comprovante da Junta Médica do Município assinada pelo seu presidente, datada de 05/07/2006. Anexa, também, outros documentos médicos de 13/03/2007 e 25/03/2007, Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10073.720061/201239 Acórdão n.º 2402007.110 S2C4T2 Fl. 83 4 informando sobre a submissão da contribuinte a tratamento médico relativo à doença acima mencionada; em razão da doença, deu entrada no documento emitido pela Junta Médica do Município perante o Departamento de Recursos Humanos com a finalidade de que fosse anotado seu direito à isenção do Imposto sobre a Renda. A partir de então, o município deixou de descontar na fonte o referido imposto; no anocalendário de 2007 o Departamento de Recursos Humanos do Município informou em DIRF que o valor recebido por ela era tributado, apesar de não ter efetuado desconto em seus pagamentos no decorrer de 2007, pelo fato de que estava amparada em lei pela isenção em razão da doença da qual foi acometida; ao ser cientificada da revisão de ofício procedida indaga a razão pela qual se concluiu que o laudo pericial não foi emitido por serviço médico oficial do município se tal documento é originário da Junta Médica do próprio Município, conforme documento 1. Além disso, está demonstrado no documento 2 o exame laboratorial de análise clínica que atestou sua doença; no que concerne à divergência entre os valores dos contracheques e os informados em DIRF, o auditor não se deu ao trabalho de analisar melhor tais valores, limitandose a dizer que os contracheques apresentados não contemplam os únicos rendimentos recebidos; ao fazer sua Declaração de Ajuste Anual informou o total recebido do Município exatamente igual ao valor que o Departamento de Recursos Humanos lhe passou. O erro é do Município que prestou uma informação para a contribuinte e outra para a Receita Federal, por meio de DIRF; não pode pagar uma dívida tão expressiva e decorrente de um erro que não foi seu. A Receita Federal poderia oficiar o Município indagando sobre a razão de haver informado uma situação na DIRF e outra à contribuinte. Em anexo o documento 4 que é a Declaração de Rendimentos de 2007 fornecida pelo Município à requerente com a informação de que os valores recebidos são isentos e nãotributáveis; anexa documentos e solicita análise de sua impugnação. A DRJ julgou procedente improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 1675.189 (fls. 59), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10073.720061/201239 Acórdão n.º 2402007.110 S2C4T2 Fl. 84 5 São isentos proventos de aposentadoria ou reforma de portador de moléstia grave quando a doença for comprovada mediante laudo pericial oficial emitido de acordo com as exigências legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 74, reiterando o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, a Fiscalização apurou Imposto de Renda Suplementar em decorrência da constatação da seguinte infração à legislação tributária: A Contribuinte sustenta, em síntese, fazer jus à isenção do IR, por ser portadora de moléstia grave. A DRJ, sobre a matéria, concluiu que: (...) para que o contribuinte tenha direito à isenção pleiteada são necessárias duas condições concomitantes: uma a de que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, e outra a de que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. O Ofício no. 015/2006, folha 46, foi expedido por médico ocupante de cargo na Secretaria Municipal de Administração de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10073.720061/201239 Acórdão n.º 2402007.110 S2C4T2 Fl. 85 6 Volta Redonda, traz informação sobre a doença da contribuinte CID 10 – C50: Neoplasia maligna da mama (disposta no rol das doenças passíveis de isenção do Imposto de Renda), indica a data de início da doença e traz o prazo de validade da isenção. Entretanto, não consta no referido ofício o número de registro no órgão público e a qualificação do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial, de modo a se saber se ele é servidor dos quadros da administração pública, de acordo com os requisitos estabelecidos na Solução de Consulta Interna no. 11 – Cosit, de 28/06/2012. Ainda, conforme visto, os comprovantes de pagamentos trazem valor inferior àqueles informados em DIRF e no Comprovante de Rendimentos, fl. 20, revelando que a contribuinte auferiu outros rendimentos, além destes, da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Volta Redonda. Assim, parte dos rendimentos recebidos pela contribuinte da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Volta Redonda referem se a proventos de aposentadoria, mas não se sabe a natureza do restante dos rendimentos auferidos por ela. Como se vê, a conclusão alcançada pelo órgão julgador de piso está embasada em duas assertivas distintas: a primeira, no sentido de que não é possível confirmar se o signatário do Ofício nº 015/2006 (fls. 46) é servidor dos quadros da administração pública, em face da ausência, no referido Ofício, do número de registro no órgão público e a qualificação do profissional do serviço médico oficial responsável pela sua emissão; e a segunda de que os comprovantes de pagamentos acostados aos autos trazem valor inferior àqueles informados em DIRF e no Comprovante de Rendimentos, fl. 20, revelando que a contribuinte auferiu outros rendimentos, cuja natureza se desconhece. Pois bem!! Da Moléstia Grave Quanto à alegação de que o Interessado faria jus a isenção do imposto de renda em razão de ser portador de moléstia grave, fazse mister salientar que a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei nº 7.713, de 1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: “Art.6 (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10073.720061/201239 Acórdão n.º 2402007.110 S2C4T2 Fl. 86 7 A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei nº 9.250, de 26/12/1995. Vejamos, in verbis, o teor do artigo 30 da referida lei: Art. 30 – A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal, sendo certo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção em análise se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. No caso em análise, a DRJ desconsiderou o documento de fls. 46 – Ofício emitido pelo então presidente da junta médica pública do Município de Volta Redonda, que, no caso concreto, faria o papel do “laudo oficial” de que trata a legislação – aduzindo que não consta no referido ofício o número de registro no órgão público e a qualificação do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial, de modo a se saber se ele é servidor dos quadros da administração pública, de acordo com os requisitos estabelecidos na Solução de Consulta Interna no. 11 – Cosit, de 28/06/2012. Neste ponto, entendo que o entendimento perfilhado pela DRJ não é o mais correto. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10073.720061/201239 Acórdão n.º 2402007.110 S2C4T2 Fl. 87 8 Isto porque, não tendo sido apontados, de forma clara e objetiva, eventuais vícios constantes no referido Ofício, não se pode concluir, por presunção, que o mesmo é inidôneo. Tratase de Ofício com o nome, brasão e símbolo da Prefeitura Municipal de Volta Redonda, carimbado e assinado pelo então presidente da junta médica pública, Dr. Getúlio Francisco de Vasconcellos, cuja assinatura, inclusive, foi reconhecida por autenticação pelo Serviço Notarial e Registral do 1º Ofício. Assim, não tendo sido apontados, de forma específica, vícios hábeis a invalidar o referido documento para o fim ao qual se destina, concluo pela idoneidade do mesmo, o qual, ressaltese, está devidamente acompanhado de laudos e exames particulares que confirmam que a Recorrente era portadora de moléstia grave no período em análise. No que tange ao segundo embasamento utilizado pela DRJ para manter incólume a Notificação Fiscal, melhor sorte não assiste à Recorrente. De fato, conforme exposto linhas acima, a DRJ destacou que os comprovantes de pagamentos trazem valor inferior àqueles informados em DIRF e no Comprovante de Rendimentos, fl. 20, revelando que a contribuinte auferiu outros rendimentos, além destes, da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Volta Redonda. Assim, parte dos rendimentos recebidos pela contribuinte da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Volta Redonda referemse a proventos de aposentadoria, mas não se sabe a natureza do restante dos rendimentos auferidos por ela. Em sua peça recursal, a Contribuinte informa que, em 2007, a Requerente recebeu do Município o pagamento de um precatório resultante de uma ação judicial, em 8 parcelas de R$16.525,28 cada, totalizando R$132.202,24, referente já ao período em que a Requerente era portadora de doença grave, recebido em 2008, ano em que já estava devidamente comprovado seu direito à isenção, tanto que assim informou a Prefeitura em Declaração de Rendimentos, ou seja, Rendimento Isento. Ocorre que, apesar de esclarecer a origem e, teoricamente, a natureza do restante dos rendimentos auferidos, a Recorrente não apresentou qualquer documento com vistas a comprovar o quanto aduzido no seu recurso voluntário neste particular. Neste espeque, não tendo sido apresentados documentos hábeis a comprovar a origem e natureza de grande parte dos rendimentos auferidos, não há reparos a serem feitos na decisão de piso neste particular, a qual concluiu que não cumpridos os requisitos legais exigidos pela norma isentiva, temse que os rendimentos recebidos pela contribuinte sofrem incidência do Imposto de Renda, no anocalendário fiscalizado, cabendo falarse, no presente caso, em omissão de rendimentos, devendo ser mantido o lançamento. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 87DF CARF MF
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