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Numero do processo: 13811.000639/2001-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/1989 a 30/09/1995
INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A contagem do prazo da prescrição/decadência qüinqüenal do direito à restituição de indébito tributário decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado até a data de 9 de junho de 2005, deve ser feita segundo a tese dos cinco mais cinco, cinco anos para extinção do crédito tributário pela homologação tácita, e mais cinco para exercer o direito, resultando prazo total de dez anos a partir do fato gerador.
Precedentes Superior Tribunal de Justiça - STJ ( REsp nº 1110578/SP)
Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 9303-008.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a prescrição a partir do fato gerador de 04/1991, com retorno dos autos a Unidade de Origem para aferir a existência ou não do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/1989 a 30/09/1995 INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo da prescrição/decadência qüinqüenal do direito à restituição de indébito tributário decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado até a data de 9 de junho de 2005, deve ser feita segundo a tese dos cinco mais cinco, cinco anos para extinção do crédito tributário pela homologação tácita, e mais cinco para exercer o direito, resultando prazo total de dez anos a partir do fato gerador. Precedentes Superior Tribunal de Justiça - STJ ( REsp nº 1110578/SP) Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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PIS Recorrente CARGILL CITRUS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/1989 a 30/09/1995 INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A contagem do prazo da prescrição/decadência qüinqüenal do direito à restituição de indébito tributário decorrente de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pedido foi protocolado até a data de 9 de junho de 2005, deve ser feita segundo a tese “dos cinco mais cinco”, cinco anos para extinção do crédito tributário pela homologação tácita, e mais cinco para exercer o direito, resultando prazo total de dez anos a partir do fato gerador. Precedentes Superior Tribunal de Justiça STJ ( REsp nº 1110578/SP) Nos termos do artigo 62, § 2 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, do antigo código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para afastar a prescrição a partir do fato gerador de 04/1991, com retorno dos autos a Unidade de Origem para aferir a existência ou não do direito creditório. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 06 39 /2 00 1- 81 Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 13811.000639/200181 Acórdão n.º 9303008.217 CSRFT3 Fl. 1.617 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência, interposto pela Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão CARF proferido no processo de número 13811.000639/200181, que possui a seguinte ementa: PIS. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PEDIDO PROTOCOLADO FORA DO PRAZO. O prazo para o sujeito passivo, formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 7/70, reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, é de 5 (cinco) anos, contados da data da intimação da decisão que transitou em julgado. Recurso negado. Do julgamento do acórdão nº 20401529, a Contribuinte opôs embargos de declaração, ás efls. 1449 1453., os quais foram rejeitados pelo Colegiado recorrido, efls. 1.385 1387. No especial obstaculizado, a Contribuinte suscita divergência jurisprudencial no sentido de que o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição paga indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Tendo o reconhecimento do crédito sido pleiteado junto ao Poder Judiciário, o termo final do referido prazo é a data da impetração da respectiva ação judicial. O Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de julgamento, deu seguimento ao Recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás efls. 1576 1577. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 13811.000639/200181 Acórdão n.º 9303008.217 CSRFT3 Fl. 1.618 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, tratase de pedido de restituição protocolizado em 05/04/2001, relativo a valores recolhidos a título de PIS no período de 10/04/89 a 13/10/95, para fatos geradores ocorridos de 04/89 a 09/95, conforme cópias de darf às fls. 216244 e planilha anexa ao pedido de restituição (fls.04), no qual a interessada requer restituição de valores que, segundo alegação constante do pedido, teriam sido recolhidos a maior que o devido confrontandose a base de cálculo estabelecida na LC 07/70 e a base dos Decretoslei n.'s 2.445 e 2.449, de 1988, considerados inconstitucionais pela Suprema Corte. Requer também a compensação deste indébito asseverando estar esse direito garantido, em relação a débitos de PIS, com base no MS 95.002.94060 e na MC Incidental 96.03.0444227; e em relação aos demais tributos de competência da União, administrados pela SRF, vencidos e a vencer, com base no art.73 da Lei 9.430/96, entendimento confirmado em resposta à consulta formulada à SRRF08. Os pedidos de compensação com débitos de PIS (8109) e CPMF (8536) constam às fls. 2228, 949 e 956. Pretendendo que fosse autorizada a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS, corrigidos monetariamente de forma integral e acrescidos de juros de mora, com contribuições vincendas de igual natureza, ou seja, PIS e Cofins, a Contribuinte pleiteou medida liminar no Mandado de Segurança nº 95.002944060, a qual foi indeferida em 09/03/95 às fls.358359. Em 10/04/96 foi denegada a segurança, em sentença constante nas efls. 422428. A Contribuinte apelou da decisão, pugnando pela concessão da ordem Pleiteàda na AMS 97.03.0072224. O TRF deu provimento parcial à apelação, limitando a compensação de PIS com parcelas subseqüentes de PIS, sem incidência de juros moratórios e com atualização dos valores indevidos desde o recolhimento, possibilitando a utilização de índices idênticos usados pela Fazenda Federal para corrigir suas exações tributárias, observandose à frente a aplicação da Ufir como disposto na lei (fls.498516). Ainda inconformada com parte do acórdão, a Contribuinte interpôs recurso especial sustentando a possibilidade de compensação do PIS com a Cofins e pleiteando aplicação dos índices de IPC, INPC e IGPM na correção monetária dos débitos a serem compensados. Em 14/04/2000 foi admitido em parte o recurso, determinada a subida dos autos ao STJ (fls.671). Por sua vez, a União, alegando inadequação da via mandamental para declarar o direito à compensação, interpôs Recurso Especial junto ao TRF, o qual não admitiu o recurso em decisão de 14/04/2000 (fls.672). Em 23/08/2000 a Contribuinte apresentou desistência do recurso especial interposto, a qual foi homologada em despacho de fls.679, transitando em julgado o acórdão em 09/10/2000 (fls.681). Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 13811.000639/200181 Acórdão n.º 9303008.217 CSRFT3 Fl. 1.619 4 Após a interposição em primeira instância do recurso de apelação 97.03.0072224, a Contribuinte ajuizou a Medida Cautelar Incidental 96.03.0444227 postulando autorização para efetuar o depósito judicial dos valores de PIS e Cofins não recolhidos em face da compensação, impedindo assim a autoridade coatora de exigir tais contribuições. A liminar requerida foi deferida para autorizar a requerente a efetuar o depósito da quantia total devida segundo o montante exigido pela autoridade coatora (fls.880881). Ante o julgamento da AMS 97.03.0072224, a medida cautelar foi julgada prejudicada por perda de objeto, conforme decisão de efls.936. A incorporada impetrou o MS 2002.61.00.0098060, com pedido de liminar a fim de determinar a imediata prolação de decisão acerca dos pedidos formulados no presente processo, entre outros. A liminar foi concedida tendo a impetrante, no entanto, formulado desistência do feito. Em despacho de fls. 11841185, a desistência foi homologada e o processo julgado extinto sem julgamento de mérito, cassada a liminar anteriormente concedida. Também foi impetrado o MS 2003.61.00.0156324 no qual a empresa pleiteou medida liminar para a suspensão de qualquer ato tendente à efetivação da cobrança dos valores relativos ao presente processo, entre outros. Em 17/07/03 foi indeferida a liminar pleiteada (12161219). A empresa interpôs o Agravo de Instrumento 2003.03.00.0428369 contra a decisão indeferitória, obtendo o deferimento do pedido (fls.1191) permanecendo os autos aguardando julgamento ás efls 12201221. Em despacho às efls. 10161018, o Grupo Intersistêmico de Medidas Judiciais (GIMJ) constatou que a Contribuinte, além de não ter direito à compensação pleiteada, apresentou débito remanescente no valor de R$ 3.645,65, decorrente de recolhimentos efetuados fora do prazo legal. Já o despacho da EQAMJ, fls.10891093, constatou que, em relação à compensação solicitada, prevaleceu o acórdão do TRF da 3º Região no qual a Contribuinte pleiteou e obteve o direito de compensar os valores recolhidos a maior na forma dos Decretos leis nºs 2.445 e 2.449/88. Conforme relatório do GIMJ de fls.1020, registra que ocorreu insuficiência para os PA 10/91, 01/92 e 06/94. Mediante Despacho Decisório de 11/09/2002 (fls. 10941098), a EQITD da DIORT/DERAT/SP indeferiu a restituição pleiteada ante a constatação de que com a edição da Lei 7.691/88, que alterou os prazos de pagamentos incidindo sobre os fatos geradores a partir de 01/89, a tese da semestralidade não mais se sustenta, entendimento esse assente no Parecer PGFN/CAT n.° 437/98. A EQITD também informou no despacho nada ter vislumbrado na sentença judicial que desse guarida aos cálculos do PIS dentro dos parâmetros defendidos pela requerente em seu pedido de restituição, o qual se posiciona na contramão do entendimento em vigor sobre a matéria, manifestado no já mencionado parecer da PGFN. Assim, de acordo com os cálculos desenvolvidos pelo GIMJ, ao contrário do alegado crédito para eventual compensação, há insuficiência de pagamento para os períodos de apuração 10/91, 01/92 e 06/94, totalizando R$ 3.645,65 de crédito tributário a favor da União, conforme demonstrativo de fls.1088. Com efeito, no julgamento do Recurso Voluntário, a 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, negou provimento ao recurso por entender que o prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, é de 5 anos, contados da data da intimação da decisão da ação inicial que transitou em julgado. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 13811.000639/200181 Acórdão n.º 9303008.217 CSRFT3 Fl. 1.620 5 Prima facie, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Sem embargo, na espécie se aplicase o REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 12/05/2010, pela sistemática dos recursos repetitivos, que decidiu, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional/decadencial para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O precedente tem a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 13811.000639/200181 Acórdão n.º 9303008.217 CSRFT3 Fl. 1.621 6 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204). No que tange os fundamentos da decisão recorrida no sentido de que o prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, é de 5 anos, contados da data da intimação da decisão da ação inicial que transitou em julgado, discordo. O REsp nº 1110578/SP, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, deixa claro que o prazo para repetição do indébito e data do ajuizamento da ação, ou seja, a Contribuinte protocolou pedido de restituição em 05/04/2001, relativo a valores recolhidos a título de PIS no período de 10/04/89 a 13/10/95, para fatos geradores ocorridos de 04/89 a 09/95, conforme cópias de darf às fls. 216244 e planilha anexa ao pedido de restituição (fls.04), como o pedido foi anterior a 09/06/2005, aplicase o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Nada obstante, o Supremo Tribunal Federal STF, por conseguinte, enfrentando a mesma temática , decidiu, nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Senão vejamos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 13811.000639/200181 Acórdão n.º 9303008.217 CSRFT3 Fl. 1.622 7 indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, aeficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como se vê, restou reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. A esse propósito, a Súmula CARF nº 91, assim dispõe: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Destarte, em face do disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº nº1110578/SP, para os pedidos de restituição protocolados até a data de 9 de junho de 2005, a extinção do crédito tributário, de forma tácita, se deu somente depois de decorridos 5 (cinco) anos contados a partir do respectivo fato gerador e, conseqüentemente, o prazo prescricional qüinqüenal para se pedir a restituição de indébito decorrente de pagamento indevido e/ ou maior deve ser contado a partir da data da extinção tácita, resultando prazo total de 10 (dez), tese “dos cinco mais cinco”, até então aplicada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Dispositivo Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 13811.000639/200181 Acórdão n.º 9303008.217 CSRFT3 Fl. 1.623 8 Ex positis, conheço do Recurso interposto pela Contribuinte, dou parcial provimento para afastar a prescrição a partir do fato gerador de 04/1991, com retorno dos autos a Unidade de Origem para aferir a existência ou não do direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1623DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001085/2003-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2003
MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE.
A exigência de multa, inclusive agravada, no lançamento de oficio, para a constituição de crédito tributário, nos termos da legislação então vigente, não constitui matéria de ordem pública.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
A falta de prequestionamento expresso do lançamento da multa de ofício, exigida juntamente com o lançamento da contribuição, ímplicou preclusão consumativa e temporal do direito de o contribuinte fazê-la em segunda instância, ainda que, se considere que se trata de matéria de ordem pública.
Numero da decisão: 9303-008.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2003 MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. A exigência de multa, inclusive agravada, no lançamento de oficio, para a constituição de crédito tributário, nos termos da legislação então vigente, não constitui matéria de ordem pública. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A falta de prequestionamento expresso do lançamento da multa de ofício, exigida juntamente com o lançamento da contribuição, ímplicou preclusão consumativa e temporal do direito de o contribuinte fazê-la em segunda instância, ainda que, se considere que se trata de matéria de ordem pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. A exigência de multa, inclusive agravada, no lançamento de oficio, para a constituição de crédito tributário, nos termos da legislação então vigente, não constitui matéria de ordem pública. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A falta de prequestionamento expresso do lançamento da multa de ofício, exigida juntamente com o lançamento da contribuição, ímplicou preclusão consumativa e temporal do direito de o contribuinte fazêla em segunda instância, ainda que, se considere que se trata de matéria de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 10 85 /2 00 3- 44 Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10907.001085/200344 Acórdão n.º 9303008.206 CSRFT3 Fl. 381 2 Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3301002.555, de 29/01/2015, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.COFINS. PEDIDO ORIGINÁRIO DO CRÉDITO INDEFERIDO. COMPENSAÇÃO IMPROCEDENTE.O DECORRÊNCIA. Atestada, em decisão administrativa irrecorrível, a inexistência do crédito, não subsiste a compensação solicitada por ausência de pagamento indevido ou a maior. MULTA DE 150%. AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. DOLO NÃO DEMONSTRADO. Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.” Intimado desse acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, alegando omissão no julgado. Os embargos foram acolhidos pelo Colegiado da Câmara Baixa. A omissão apontada foi sanada e ratificado o acórdão, sem efeitos infringentes, nos termos do Acórdão nº 3301002.922, de 26/04/2016, às fls. 253e/257e. Inconformada com a manutenção da decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, suscitando divergência, quanto à exclusão ex offício, da multa qualificada, por parte do Colegiado, alegando, em síntese, que tal matéria não foi questionada pelo contribuinte no recurso voluntário. Além disto, não se trata de matéria de ordem pública e, ainda que se tratasse, deveria ter sido impugnada expressamente pelo contribuinte. Citou e transcreveu entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a necessidade de questionamento expresso dessa matéria, por parte do impugnante nos respectivos recursos, conforme prova a decisão no julgamento do AgRg no REsp 1.203.549/ES. Na esfera administrativa, há decisões reconhecendo que esta matéria não é de ordem pública e, quando não for expressamente questionada, no recurso voluntário, não cabe a sua apreciação e julgamento em instância superior, por ter ocorrido a preclusão temporal do direito do contribuinte. Para comprovar a suscitada divergência, apresentou como paradigmas os acórdãos nº 103 23.532 e 2301 003.811. Por meio do despacho às fls. 271e/273e, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou recurso especial contra a parte que lhe desfavorável. Contudo, seu recurso não foi conhecido por ter sido apresentado a destempo, conforme despacho às fls. 354e/355e. Intimado desse despacho, não se manifestou. É o Relatório. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10907.001085/200344 Acórdão n.º 9303008.206 CSRFT3 Fl. 382 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso apresentado pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Do exame dos autos, mais especificamente da impugnação e do recurso voluntário, verificase que, em momento algum, o contribuinte questionou o lançamento e a exigência da multa de ofício. No entanto, o Colegiado da Câmara Baixa, tomou conhecimento, de ofício, do seu lançamento, sob o entendimento de que tal penalidade constitui matéria de ordem pública e, no mérito, decidiu pela sua exclusão do crédito tributário lançado e exigido, sob o fundamento de que "Não há previsão de qualquer multa sobre a compensação não homologada, quando não caracterizados fatos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64". No presente caso, entendo que a aplicação da multa agravada no lançamento de ofício não constitui matéria de ordem pública. O conceito de ordem pública não está previsto em quaisquer diplomas legais. Assim, tratase de um conceito subjetivo. Na esfera administrativa, as decisões sobre os lançamentos de multa de ofício, são no sentido de que tal matéria não constitui questão de ordem pública e deve ser expressamente questionada no respectivo recurso voluntário, conforme provam as ementas dos julgados reproduzidas, a seguir: Acórdão n° 103 23.532: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA AGRAVADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente.(...)." Acórdão nº 2301005.593; "Assunto PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo fiscal instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas,considerandose preclusa a matéria que não tenha sido alegada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Assim, quando a matéria não for contestada, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10907.001085/200344 Acórdão n.º 9303008.206 CSRFT3 Fl. 383 4 consumativa processual. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nessas circunstâncias, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário naquilo que não foi expressamente alegado, que fica limitado à contrariedade dos demais pontos do recurso, salvo casos específicos a exemplo de matérias de ordem pública. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, acolher os embargos com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2803003.906, de 03/12/2014, retificar o seu dispositivo, a fim de que conste o não conhecimento da matéria relativa à multa, não impugnada em sede de primeira instância, em face da preclusão consumativa, nos termos do voto do relator." (destaque não original). O julgamento de lançamento de multa de ofício, inclusive agravada, é rotina nesta fase recursal, conforme provam as ementas transcritas a seguir: Acórdão nº 9303006.930: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2007 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A falta de atendimento, no prazo fixado, das intimações para prestar esclarecimentos e/ ou para apresentar os arquivos solicitados pela autoridade fiscal, sujeita o contribuinte à multa de ofício agravada, no percentual de 112,0% do crédito tributário lançado e exigido." Acórdão nº 9303006.880: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOSIPI Período de apuração:01/01/2005a31/12/2008 MULTA AGRAVADA. 112,5%. ATRASO NO ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES.CABIMENTO. Deve ser mantido o agravamento pela metade da multa de ofício quando constatado que o contribuinte no caso concreto, reiteradamente valese de conduta de procrastinação no cumprimento das intimações para prestação de informações e apresentação de documentos." Também na esfera judicial, a jurisprudência moderna vem decidindo que as matérias, ainda que de ordem pública, para serem apreciadas e analisadas, em Juízo, devem obrigatoriamente serem prequestionadas pelo autor, no respectivo recurso, conforme provam as ementas dos julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF): Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10907.001085/200344 Acórdão n.º 9303008.206 CSRFT3 Fl. 384 5 STJ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL: AgRg no AREsp 95241 PR 2011/02398298: "Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITOS FISCAIS (ISS) JULGADA PROCEDENTE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC . DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OPOSIÇÃO DO RECURSO INTEGRATIVO CONTRA O ACÓRDÃO A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284 DO STF. PRESCRIÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. ALEGAÇÃO DE OFENSA AOS ARTS. 131 E 436 DO CPC . DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO, NO CASO CONCRETO, AFIRMADA PELA CORTE DE ORIGEM LASTREADA NA PROVA DOS AUTOS. SÚMULA 7/STJ. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283 DO STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (...). 2. Não é possível, em Recurso Especial, analisar questões não debatidas pelo Tribunal de origem, por caracterizar inovação de fundamentos; lembrando que mesmo as chamadas questões de ordem pública, apreciáveis de ofício nas instâncias ordinárias, devem estar prequestionadas, a fim de viabilizar sua análise nesta Instância Especial. Precedentes da Corte Especial: AgRg nos EREsp. 1.253.389/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 02.05.2013 e AgRg nos EAg 1.330.346/RJ, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJe 20.02.2013. 6. Agravo Regimental desprovido." Supremo Tribunal Federal STF AG.REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO: AI 601767 SC A invocação de normas de ordem pública ou social não supera deficiência recursal, como a falta de prequestionamento ou a omissão nas razões recursais (art. 317, § 1º do RISTF), EMENTA: REPERCUSSÃO GERAL. VÍCIOS PROCESSUAIS E FORMAIS QUE IMPEDEM A REGULAR FORMAÇÃO E TRAMITAÇÃO DO RECURSO. PREJUÍZO DO EXAME DAS QUESTÕES DE FUNDO. INVOCAÇÃO DO DEVER DE CONHECIMENTO POR OFÍCIO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA E SOCIAL. NÃO CABIMENTO NO EXAME DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRETENSÃO DE ANULAR A COBRANÇA DE CONTA DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. INCONTÁVEIS ARGUMENTOS. ARGUMENTO PARCIAL RELATIVO AO ICMS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. RAZÕES DE AGRAVO QUE NÃO ATACAM FUNDAMENTO SUFICIENTE DA DECISÃO AGRAVADA. INÉPCIA. (...). Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10907.001085/200344 Acórdão n.º 9303008.206 CSRFT3 Fl. 385 6 2. A invocação de normas de ordem pública ou social não supera deficiência recursal, como a falta de prequestionamento ou a omissão do argumento nas razões recursais (art. 317 , § 1º do RISTF ). 3. As razões de agravo regimental não atacam um dos fundamentos suficientes em si para manter a decisão agravada, no sentido de que a relação mantida entre a cooperativa de eletrificação e o município resolviase no plano cível ou no plano administrativo, e não em termos tributários. Insistência na tese tributária da imunidade. Inépcia. Agravo regimental ao qual se nega provimento." Dessa forma, ainda que se considere que o lançamento da multa de oficio constitui matéria de ordem pública, seu julgamento na Câmara Baixa somente poderia ter sido realizado, se tivesse sido expressamente questionada no recurso voluntário. Como essa matéria não foi impugnada, ocorreu a preclusão temporal do direito do contribuinte. Em face do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720041/2012-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
COFINS. CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços submetem-se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06.
A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS/Pasep.
No caso vertente, há laudo técnico elaborado por auditoria independente atestando que o reajuste do contrato se deu em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período - comprovando, por conseguinte, que não houve alteração do critério de preço predeterminado, conforme reza a IN SRF 658/06.
Numero da decisão: 9303-006.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Demes Brito Relator
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito (Relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: Relator
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CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS/Pasep. No caso vertente, há laudo técnico elaborado por auditoria independente atestando que o reajuste do contrato se deu em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período comprovando, por conseguinte, que não houve alteração do critério de preço predeterminado, conforme reza a IN SRF 658/06. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 00 41 /2 01 2- 96 Fl. 4112DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.931 2 Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Demes Brito – Relator (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito (Relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº 3402002.627, que deu parcial provimento ao recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício, para cancelar a exigência fiscal de PIS e COFINS, por entender que permanecem sujeitas ao regime cumulativo de incidência as receitas decorrentes de contratos de longo prazo com preço predeterminado, mesmo com a aplicação do IGPM. Reproduzo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Fl. 4113DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.932 3 "Durante a realização dos trabalhos de auditoria, a autoridade fiscal constatou os seguintes fatos, relativos aos anoscalendário de 2007 a 2010, narrados no Termo de Constatação, de fls. 3.239/3.248: A o contribuinte tributou no regime cumulativo receitas de geração e fornecimento de energia elétrica, amparadas em contratos de fornecimento de energia assinados antes de 31 de outubro de 2003. O fornecimento de energia a que se referem esses valores decorre de "Contrato de Compra e Venda de Energia Elétrica" celebrado entre o contribuinte (vendedor) e a empresa Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo SA (compradora) lavrado em 07 de dezembro de 2000; Bo referido contrato contém cláusulas que determinam reajustes de preços, não se enquadrando, portanto, como contratos a preços prédeterminados. Além disso, o própriocontrato prevê a hipótese de renegociação do preço da energia a ocorrer nos anos 2008 e 2012; Ccom fundamento na legislação vigente concluise que as receitas oriundas de fornecimento de energia elétrica, contabilizadas pelo contribuinte na conta contábil denominada "61101002 Suprimento Contrato Básico" que têm por base contrato de fornecimento de energia elétrica para a empresa Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S/A, não se enquadram no disposto no inc. XI, alínea ' b ' , do art. 10 da Lei 10.833/2003 c/c inc.V do art. 15 da mesma Lei e, portanto, devem ser tributadas pela COFINS e pelo PIS/PASEP nos regimes nãocumulativos; Dforam apurados os créditos de PIS e COFINS aos quais o contribuinte possa fazer jus, notadamente oriundos da compra de energia elétrica para revenda; E observouse insuficiência de declaração das demais receitas, sendo lançados de ofício o PIS e a COFINS não declarados; Fl. 4114DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.933 4 F foi constatada a utilização de crédito não confirmado pelos registros constantes nos balancetes do contribuinte, sendo glosados os créditos indevidamente utilizados e lançados o PIS e a COFINS devidos em decorrência dessas glosas, por meio da limitação, aos valores confirmados, do crédito considerado em favor do contribuinte. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 Recurso de Ofício COFINS. QUITAÇÃO DE TRIBUTOS ATRAVÉS DE PER/DCOMP. EFEITOS DE PAGAMENTO. ABATIMENTO DA EXIGÊNCIA. Deve ser mantida decisão que excluiu do lançamento valores que foram objeto de Declarações de Compensação, eis que as mesmas operam a extinção do crédito tributário sob condição de sua ulterior homologação, além de se constituírem em instrumento de constituição válida e eficaz do crédito tributário, autorizando sejam as compensações não homologadas cobradas diretamente pelos meios próprios. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário COFINS. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BEM CELEBRADO ANTES A 31/10/2003. REGIME CUMULATIVO. PREÇO PREDETERMINADO. ART. 109, DA LEI N° 11.196/2005. REAJUSTE PELO IGPM. PRESERVAÇÃO DO CARÁTER PREDETERMINADO DO PREÇO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. 1.Nos termos das alíneas “b” e “c”, do inciso XI, do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, permanecem sujeitas ao regime cumulativo de incidência da COFINS as receitas decorrentes de contratos celebrados anteriormente a 31/10/2003, ou em se tratando de contratos com a Administração Pública direta ou indireta, que decorram de processo licitatório anterior, em qualquer caso desde sejam a preço predeterminado. Fl. 4115DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.934 5 2.Por força do art. 109, da Lei n° 11.196/2005 (Lei do Bem), ajustes contratuais posteriores a 31/10/2003, que visem o reajuste do contrato pela correção monetária do preço dos bens fornecidos “em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, não importam em descaracterização do que seja preço predeterminado, ainda mais diante de manifestação expressa que o índice aplicado (IGPM) refletiu a variação de índice do setor, para os efeitos da Lei. Recurso Parcialmente Provido. Ciente do referido acórdão, a Fazenda Nacional, interpôs o presente recurso, para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos 3402 002.627, complementado pelo de nº 3402003.313 e nº 9303003373. Nada obstante, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, negou seguimento ao recurso, conforme despacho de fls. 3.761 a 3.763, face à sua intempestividade. Em que pese a leitura equivocada do Presidente da 4º Câmara referente ao fluxo processual, ele deveria ter considerado que os autos foram encaminhados à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição, os quais, sobrevieram embargos de declaração interpostos pelo Delegado daquela unidade, por meio dos quais, sinteticamente, aduzse omissão do julgado acerca de um dos fundamentos da exigência fiscal. No caso, a descaracterização do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) como “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, essencial para a manutenção do regime de incidência do PIS/Cofins almejado pelo sujeito passivo (e afastado pelo Fisco), ex vi do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 (doc. às fls. 3827 a 3.829). Logo não há o que se falar em intempestividade, os embargos têm efeito interruptivo de prazo para a interposição de outros recursos eventualmente cabíveis contra a decisão. Uma vez interpostos, interrompemse os prazos para a interposição dos demais recursos, por qualquer das partes (art. 1.026, caput, segunda parte1). Notese, aqui, que se trata 1 CPC. Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. Tal efeito interruptivo aplicase: a qualquer das partes, e não apenas àquela que interpôs os embargos; a todos os capítulos da decisão, e não apenas àquele(s) objeto dos embargos; mesmo quando os embargos não são conhecidos, por serem reputados inadmissíveis, ressalvada apenas a hipótese de não conhecimento por intempestividade, quando já houver inclusive decorrido o prazo para o(s) outro(s) recurso(s) – hipótese em que não haverá mais nada para interromper. Nos demais casos, quando ainda em curso o prazo para o(s) outro(s) recurso(s), a interposição dos embargos, ainda que intempestiva, deve ter a eficácia interruptiva. Afinal, como ela Fl. 4116DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.935 6 do fenômeno da interrupção: os prazos começam a contar de novo, desde o início, a partir da intimação da decisão dos embargos declaratórios. Em contraponto, o Contribuinte apresentou a petição às fls. 3.840 e 3.841, argumentado que o Acórdão embargado teria explorado a matéria sobre a qual se fundamentariam os embargos, interpostos por quem não teria competência para fazêlo, e pleiteou a sua inadmissão. O Presidente da 4ª Câmara admitiu os embargos, essencialmente, sob os fundamentos que podem ser extraídos do seguinte excerto do despacho colacionado às fls. 3.849 a 3852: Examinando o voto condutor do Acórdão embargado, percebo que o relator assenta, inicialmente que o preço previsto no contrato em questão (R$ 68,73 por megawatt/hora) foi reajustado unicamente pela incidência do IGPM. Prossegue então, tentando demonstrar que os percentuais aplicados nos reajustes dos preços da energia elétrica foram inferiores aos da variação dos custos, para concluir, obliquamente, que o que foi efetivamente repassado ao contrato foi apenas o índice do IGPM, e não a variação real dos preços dos insumos de produção. Todavia, em contorcionismo lógico, concluiu que o critério de reajuste do preço contratado foi o da variação de índice que refletiu a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. E, ainda, em petição de princípio, afirma, dogmaticamente, que essa variação de custos é melhor refletida pelo IGPM. Com essa exercício de interpretação o voto condutor do Acórdão embargado acabou deixando sem refutação hábil o argumento de que o art. 109 da Lei n° 11.196, de 2005, não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional, mas deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou se aplica também à parte contrária da que embargou, essa não poderia ser prejudicada, na hipótese em que, se fiando na interposição dos embargos pelo adversário, aguardasse para recorrer depois de decididos os embargos. Se houver máfé na interposição os embargos intempestivos, devese sancionar o emabargante pela procrastinação (art. 1.026, § 2º), mas não negarse a força interruptiva dos embargos (v. a seguir); mesmo quando os embargos são reputados procrastinatórios, exceto quando se tratar da terceira interposição sucessiva de embargos procrastinatórios contra a mesma decisão (art. 1.026, § 4.º). Fl. 4117DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.936 7 que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. E o IGPM, segundo as contrarrazões da PGFN, não tem esta característica. Sobreveio o Acórdão nº 3402003.313, que rejeitou os embargos de declaração, conforme se extrai da seguinte ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a sua decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pelas partes. Como se observa, não há o que se falar em intempestividade, os embargos têm efeito interruptivo de prazo para a interposição de outro recurso contra decisão. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional interpôs novo recurso especial, aduzindo, em síntese, divergência interpretativa em relação aos efeitos do reajuste com base no IGPM, destacadamente, em relação ao entendimento assentado no Acórdão nº 9303003.373, que decidira que o reajuste em percentual diverso da variação dos custos dos insumos descaracterizaria a predeterminação do preço e, consequentemente, afastaria a manutenção do regime de incidência nos termos defendidos pelo Contribuinte. A Fazenda Nacional, interpôs agravo, ás fls. 3928/3934, em seguida o Presidente do CARF, deu seguimento ao recurso, diante do evidente dissídio interpretativo entre o Acórdão 3402002.627, complementado pelo de nº 3402003.313 e o Acórdão nº 9303 003373, resta claramente demonstrado o cumprimento das condições de admissibilidade, ex vi do art. 67, caput e §§ do RICARF. Cientificada da decisão, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 3955/3970, requer que não seja conhecido Recurso interposto pela Fazenda Nacional, caso não seja este o entendimento, seja negado provimento ao apelo, mantendose na íntegra os termos do acórdão recorrido. No essencial, é o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator Admissibilidade. Fl. 4118DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.937 8 Entendo que o Recurso foi apresentado tempestivamente, atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fundamento Com a devida vênia, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, se equivocou em não conhecer o recurso face à sua intempestividade. Conforme consta no despacho de admissibilidade, os autos foram remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, em 25/02/2015, iniciando o prazo de 30 (trinta) dias para ciência ficta em 26/02/2015 (quintafeira), com encerramento em 27/03/2015 (sextafeira), sendo esta a data considerada como formalizada a ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Ocorre que o recurso especial somente foi interposto, assim considerada a anexação, autenticação e assinatura da peça no sistema “eprocesso”, na data de 27/04/2015, de maneira que se mostra em tese intempestivo. Contudo, à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição, apresentou embargos de declaração interpostos pelo Delegado daquela unidade, por meio dos quais, sinteticamente, aduzse omissão do julgado acerca de um dos fundamentos da exigência fiscal. No caso, a descaracterização do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) como “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, essencial para a manutenção do regime de incidência do PIS/Cofins almejado pelo sujeito passivo (e afastado pelo Fisco), ex vi do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 (doc. às fls. 3827 a 3.829). O Presidente da 4ª Câmara admitiu os embargos, essencialmente, sob os fundamentos que podem ser extraídos do seguinte excerto do despacho colacionado às fls. 3.849 a 3852: Com essa exercício de interpretação o voto condutor do Acórdão embargado acabou deixando sem refutação hábil o argumento de que o art. 109 da Lei n° 11.196, de 2005, não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional, mas deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. E o IGPM, segundo as contrarrazões da PGFN, não tem esta característica. Sobreveio o Acórdão nº 3402003.313, que rejeitou os embargos de declaração, conforme se extrai da seguinte ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Fl. 4119DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.938 9 Desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a sua decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pelas partes. Como se observa, os embargos sendo admitidos ou não, manteve o teor da decisão original, sem nova apreciação de mérito, no sentido de aclarar a decisão obscura, complementar a decisão omissa ou afastar a contradição de que padece a decisão. Neste passo, verificase que apresentação dos embargos pela Unidade de Origem, ás fls. 3827/3829, interrompeu o prazo recursal para Fazenda Nacional, motivo pelo qual pode ser interposto novo Recurso cabível, no caso Recurso Especial. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, é assente no sentido de mesmo os embargos sendo improcedentes, interrompem o prazo para interposição de outros Recursos. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. MANIFESTA IMPROCEDÊNCIA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO RECURSAL. ART. 538 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICABILIDADE. O art. 538 do CPC não contém qualquer ressalva no sentido de que a interrupção do prazo recursal somente ocorrerá nas hipóteses em que os embargos declaratórios obtiverem sucesso. Recurso especial conhecido e provido. RECURSO ESPECIAL Nº 371.273 CE (2001/01586744) Aliás, outro não é o entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça , conforme depreendese dos seguintes arestos, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. MANIFESTA IMPROCEDÊNCIA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO RECURSAL. ART. 538 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICABILIDADE. O art. 538 do CPC não contém qualquer ressalva no sentido de que a interrupção do prazo recursal somente ocorrerá nas hipóteses em que os embargos declaratórios obtiverem sucesso. Recurso especial conhecido e provido. "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS JULGADOS "INCABÍVEIS". EFEITO INTERRUPTIVO DO PRAZO. Fl. 4120DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.939 10 A NORMA INSERTA NO ART. 538, CPC, DETERMINA QUE "OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INTERROMPEM O PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE OUTROS RECURSOS, POR QUALQUER DAS PARTES", NELA NÃO SE CONTENDO RESTRIÇÃO QUE AFASTA DITO EFEITO INTERRUPTIVO NA HIPÓTESE DE OS EMBARGOS SEREM CONSIDERADOS "INCABÍVEIS" PELA AUSÊNCIA DE OMISSÃO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO." (Resp 153.324/RS, Relator Ministro Cesar Asfor Rocha, DJ de 22.06.1998). "PROCESSUAL CIVIL. LOCAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 538 DO CPC. CARÁTER INFRINGENTE. DENEGAÇÃO DO EFEITO INTERRUPTIVO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração previstos no art. 538 do CPC, possuem, por expressa previsão legal, o condão de interromper o prazo para a interposição eventual de outro recurso, não estabelecendo a dita norma qualquer condição para tal efeito. A simples atribuição, pelo julgador, de caráter meramente "infringente" aos embargos declaratórios, não autoriza o afastamento do efeito interruptivo previsto expressamente no estatuto processual. Recurso especial conhecido e provido." (Resp 129.105/SP, Relator Ministro Gilson Dipp, DJ de 06.09.1999). Em sintonia com a jurisprudência, tenho que o exame de admissibilidade não aplicou a melhor exegese jurídica à espécie, devendo incidir de plano a interrupção do prazo recursal inserta no artigo 1026, caput, segunda parte do CPC: Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. § 1 A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação. Fl. 4121DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.940 11 § 2 Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa. § 3 Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a multa será elevada a até dez por cento sobre o valor atualizado da causa, e a interposição de qualquer recurso ficará condicionada ao depósito prévio do valor da multa, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que a recolherão ao final. § 4 Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) anteriores houverem sido considerados protelatórios. Importante notar, que se trata do fenômeno da interrupção: os prazos começam a contar de novo, desde o início, a partir da intimação da decisão dos embargos declaratórios. Tal efeito interruptivo aplicase: i) a qualquer das partes, e não apenas àquela que interpôs os embargos; ii) a todos os capítulos da decisão, e não apenas àqueles objeto dos embargos; iii) mesmo quando os embargos não são conhecidos, por serem reputados inadmissíveis, ressalvada apenas a hipótese de não conhecimento por intempestividade, quando já houver inclusive decorrido o prazo para os outros recursos – hipótese em que não haverá mais nada para interromper. Nos demais casos, quando ainda em curso o prazo para os outros recursos, a interposição dos embargos, ainda que intempestiva, deve ter a eficácia interruptiva. Afinal, como ela se aplica também à parte contrária da que embargou, essa não poderia ser prejudicada, na hipótese em que, se fiando na interposição dos embargos pelo adversário, aguardasse para recorrer depois de decididos os embargos. Se houver máfé na interposição os embargos intempestivos, devese sancionar o embargante pela procrastinação, mas não negar se a força interruptiva dos embargos, mesmo quando os embargos são reputados procrastinatórios, exceto quando se tratar da terceira interposição sucessiva de embargos procrastinatórios contra a mesma decisão. Tocante a legitimidade quanto aos efeitos da apresentação dos embargos pela Unidade de Origem ( Receita Federal) nada modifica os efeitos de interrupção do prazo, a Fazenda Nacional e Receita Federal não estão em litisconsórcio no PAF, representam a mesma parte, ou seja, a União Federal. Neste sentido, o STJ já definiu que os embargos manejados pela outra parte não alteram o prazo para interposição de recurso. Verbis: Fl. 4122DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.941 12 AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXTEMPORANEIDADE DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS OPOSTOS NO TRIBUNAL A QUO. ACLARATÓRIOS MANEJADOS PELA OUTRA PARTE QUE NÃO ALTERAM O PRAZO PARA O AJUIZAMENTO DO REFERIDO RECLAMO PELO OUTRO INTERESSADO. DECISÃO IMPUGNADA MANTIDA. 1. É assente na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e desta Corte de Justiça o entendimento de que a oposição de embargos declaratórios por uma das partes interrompe o prazo para todos os recursos posteriores, salvo para o ajuizamento de aclaratórios pela outra parte em relação à decisão embargada. 2. Não merece alteração decisum que nega seguimento a recurso especial, em razão do não conhecimento dos embargos de declaração opostos pelo recorrente e protocolados a destempo. 3. O nãoconhecimento do apelo excepcional por extemporaneidade obsta o exame das matérias que constituem o seu objeto, ainda que novamente veiculadas no recurso subseqüente, em sede de regimental. 4. Agravo improvido. (AgRg no REsp 776.028/RS, Rel. Min. JORGE MUSSI, DJe 04.08.2008). Em face dessas circunstâncias, como o prazo para interposição de recurso estava interrompido, o novo Recurso Especial apresentado pela Fazenda nacional, o qual aduz divergência interpretativa em relação aos efeitos do reajuste com base no IGPM, destacadamente, em relação ao entendimento assentado no Acórdão nº 9303003.373, que decidira que o reajuste em percentual diverso da variação dos custos dos insumos descaracterizaria a predeterminação do preço e, conseqüentemente, afastaria a manutenção do regime de incidência nos termos defendidos pelo Contribuinte, esta totalmente regular e tempestivo. Concluise, que o suposto desalinhamento entre o IGPM e a variação dos custos, fundamento suscitado em contrarrazões e considerado omitido por ocasião da interposição de embargos, não seria capaz de, isoladamente, alterar as premissas que conduziram o Colegiado a decidir, o aresto atribuiu um peso a uma matéria que não havia sido enfrentada e, como tal, repitase, alterou os fundamentos, ainda que não fizesse reparo decisum. Em outras palavras, embora afirme ter rejeitado os embargos, o acórdão, de fato, retificou o voto condutor e ratificou o acórdão embargado. Fl. 4123DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.942 13 Destarte, desde a prolação do Acórdão 3402002.627, discutese os efeitos da utilização do IGPM sobre a caracterização do indigitado preço predeterminado, mas apenas o acórdão embargado decidiu que os demais fatores considerados como razão de decidir, no caso: i) a manifestação da Aneel favorável a tese do contribuinte e ii) o reajuste em percentual inferior à elevação do custo da geração de energia, seriam suficientes para afastar a pretensão do Fisco, independentemente da discussão acerca do correlação entre o IGPM e a variação do custo dos insumos empregados na produção de energia. Contudo, o desalinhamento entre o IGPM e a variação dos custos, que não foi enfrentado no primeiro acórdão, seria capaz de, em tese, alterar o decisum, não há como deixar de considerar que o segundo aresto contribuiu para a integração do primeiro, pois tratou de fundamento que seria capaz de reformar o entendimento assentado no julgado, como, aliás, decidiu a CSRF em um dos paradigmas colacionados no segundo REsp, apresentado pela Fazenda Nacional. Neste sentido, os acórdãos apontados como paradigma, quando da interposição do novo recurso especial de nº 9303003373 (não colacionado no recurso apresentado anteriormente), que assentou o entendimento no sentido de que a correlação entre o percentual de reajuste contratual e a variação dos custos de produção representariam uma condição sine qua non para a manutenção do regime de incidência de PIS/Cofins pretendido pelo Contribuinte. Finalmente, diante do evidente dissídio interpretativo entre o Acórdão 3402 002.627, integrado de nº 3402003.313 e Acórdão nº 9303003373, fica evidente o cumprimento das condições de admissibilidade do Recurso Interposto, nos termos do art. 67, caput e §§ do RICARF. Mérito Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Fl. 4124DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.943 14 Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Passo ao julgamento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito qual o regime de tributação de incidência do PIS e da Cofins aplicase às receitas decorrentes dos contratos de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, firmados pela Contribuinte. Se permanece no cumulativo, com amparo nas disposições da alínea “b”, inciso XI, do artigo 10, e artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, ou no não cumulativo, enquadrandose na regra do novo regime de tributação dessas contribuições. O âmago dessa controvérsia restringese à definição do que se deve entender por contrato com preço predeterminado, a que se refere a alínea b do inciso XI do art. 10 da Lei 10.833/2003. Com efeito, esta E. Turma Superior, por maioria entende que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. No que tange meu entendimento quanto esta matéria, utilizava dois fundamentos para decidir: i) quanto identificava laudo junto aos autos que demonstrasse a análise comparativa dos custos de geração de energia elétrica com os preços de energia faturada, entendia que os reajustes nos preços da energia foram em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período guerreado, evidenciando a intenção do sujeito passivo de manterse no regime cumulativo (acórdão nº 9303003.470); ii) quando não havia laudo,votava no sentido de que o reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins ( Acórdão nº 9303003.373) Repensando minhas razões de decidir, entendo que estava equivocado, utilizava dois fundamentos distintos para uma solução jurídica, julgo Recurso Especial, ao Fl. 4125DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.944 15 contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, portanto, exclusivamente para esta matéria, desconsidero o laudo contido nos autos para fundamentar minhas razões de decidir. Neste sentido, em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, essa matéria foi enfrentada no Acórdão nº 9303003.373, de 11 de dezembro de 2015, de Relatoria do Ilustre ex. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "A controvérsia, pois, reside na questão de se decidir qual o regime de tributação de incidência do PIS e da Cofins aplicase às receitas decorrentes dos contratos de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, firmados pela ora recorrida. Se permanece no cumulativo, com amparo nas disposições da alínea “b”, inciso XI, do artigo 10, e artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, ou no não cumulativo, enquadrandose na regra do novo regime de tributação dessas contribuições. O âmago dessa controvérsia restringese à definição do que se deve entender por contrato com preço predeterminado, a que se refere a alínea b do inciso XI do art. 10 da Lei 10.833/2003. O Fisco, com arrimo na Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, e no Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, entendeu que o tipo de contratado de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, celebrado pela ora recorrida, não se enquadraria como contrato de preço predeterminado, pois as cláusulas de reajuste de preços, com base no IGPM, não refletiriam apenas a variação de custo de produção ou de insumos, condição necessária para a manutenção da incidência cumulativa do PIS e da Cofins sobre as receitas relativas a esse contrato. Inicialmente, afasto os argumentos da autuada sobre a competência da ANEEL para regulamentar a incidência de tributos, ainda que relativo a atividades do Setor Elétrico. As Notas Técnicas e as Resoluções dessa agência reguladora aplicase às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. A competência dessa agencia reguladora, abrange a seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das Fl. 4126DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.945 16 concessionárias e permissionárias desses serviços públicos, mas não é tão ampla a ponto de alcançar as relações de natureza tributária. Assim, eventuais pronunciamentos da ANEEL sobre regime de tributação aplicáveis a quem quer que seja, é meramente opinativa, despida de qualquer força normativa ou vinculante. Tampouco pode ser incluída no rol da legislação tributária a que alude o art. 96 do CTN. Desta feita, aqui não será debatido eventual opinião da ANEEL sobre o regime de tributação do PIS e da Cofins, a que está sujeita a recorrida. Com esses esclarecimentos, passase à análise da questão trazida debate. O PIS e a Cofins foram instituídas na sistemática de incidência cumulativa, posteriormente, com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, instituise o regime não cumulativo para o PIS/Pasep, com efeitos a partir de 1º de dezembro de 2002. A seu turno, a Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, trouxe para a Cofins o regime não cumulativo. Todavia, algumas pessoas jurídicas permaneceram obrigadas a recolher essas contribuições na sistemática cumulativa. Também permaneceram sujeitas à incidência cumulativa algumas receitas percebidas pela sociedade empresária, independentemente, do regime a que ela estava sujeita. Essas exceções foram explicitadas nos arts. 10 e 15 da Lei nº 10.833/2003, nos termos seguintes: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º I Omissis ........................................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) Omissis b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Fl. 4127DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.946 17 Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I Omissis ......................................................................................................... V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Os dispositivos acima não deixam margem à dúvida de que, para permanecerem na sistemática cumulativa, as receitas objeto deste debate precisariam referirse a contratos que atendessem a quatro requisitos, a saber: a) houvessem sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; b) tivessem prazo de duração superior a um ano; c) tivessem por objeto construção por empreitada ou fornecimento de bens ou serviços; e d) o preço pactuado fosse predeterminado. Quanto aos três primeiros requisitos dos contratos, não há controvérsia, apenas o último – o do preço predeterminado – é que se converteu no pomo da discórdia. A definição de preço predeterminado gerou grande celeuma, levando os interessados a reajustarem seus contratos por índices de inflação, acreditando que, com isso não se descaracterizaria os contratos como por preço predeterminado, inclusive, com a anuência da agência reguladora do setor. Assim, não interessaria quanto tempo durasse o contrato, o preço continuaria o pactuado no início, já que a correção por índice de inflação não alteraria o preço préacordado. Em novembro de 2005, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, trouxe regra de reajuste dos contratos que não desnaturaria a característica de preço predeterminado. Esse reajuste teria de refletir o custo de produção ou a variação de índices que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Com a palavra o legislador: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em Fl. 4128DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.947 18 função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por sua vez, editou a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, para interpretar os dispositivos legais que tratam do preço predeterminado. Segundo a interpretação da Administração Tributária, cláusulas de reajuste, independentemente da periodicidade, como também as regras de reajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, após sua implementação, afastariam o caráter predeterminado do contrato. Para não haver a descaracterização de preço predeterminado, o reajuste não poderia exceder o aumento do custo de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. §1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. §2º Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 4129DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.948 19 A meu sentir, a interpretação dada por essa IN é perfeitamente compatível com norma veiculada no art. 10 da Lei 10.833/2003 e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Na verdade, é uma reprodução literal do texto legal. Ora, dada a similitude da regra trazida na IN com a veiculada na lei, não me parece coerente atacar a interpretação da Administração Tributária. Assim, para que o ajuste ou revisão de preço não descaracterizem o contrato como de preço predeterminado, o acréscimo deve refletir o aumento do custo de produção, ou a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Visitada a legislação, passase ao exame das cláusulas contratuais que têm relevância ao deslinde da Lide. Neste mister, socorrome da análise feita pelo relator do acórdão de primeira instância, a quem, desde já rendo as homenagens de estilo. 36. No caso concreto, analisando as Cláusulas Sexta dos Contratos de Concessão de Transmissão nº 59/2001 (fls. 27342736) e nº 143/2001 (fls. 28112813), verificase que a receita decorrente do serviço de transmissão (Contrato de Prestação de Serviços de Transmissão CPST) consiste de Receita Anual Permitida (RAP), a ser reajustada anualmente conforme as fórmulas lá postas, da qual é integrante o Índice Geral de Preços Mercado – IGPM da Fundação Getúlio Vargas. 37. A Quinta Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 59/2001 prevê que: “No atendimento ao disposto no § 3º, art. 9º, da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a assinatura deste CONTRATO, quando comprovado seu impacto, implicará revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA, para mais ou para menos, conforme o caso.”. Igual previsão consta da Oitava Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 143/2001. 38. Portanto, estes contratos não só são corrigidos pelo IGPM, mas como também pela variação tributária. O fato de tais reajustes estarem expressamente previstos em cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, em princípio, já afastaria o caráter predeterminado das tarifas Fl. 4130DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.949 20 acordadas, a partir da implementação da primeira alteração de preços, após 31 de outubro de 2003. 39. Resta então verificar se tais cláusulas de reajustes (com base no IGPM e em razão da alteração, extinção ou criação de tributos ou encargos setoriais com o objetivo de atender à “manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão”) enquadrase no conceito de “reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, para fins de aplicação do art. 109, da Lei nº 11.196, de 2005. 40. O IGPM, segundo informações constantes do site da Fundação Getúlio Vargas – FGV (www.fgv.br), tem as seguintes características: O IGPM tem como base metodológica a estrutura do Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI),resultando da média ponderada de três índices de preços: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), o Índice de Preços ao Consumidor (IPCM) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCCM). À semelhança do IGPDI, a escolha desses três componentes do IGPM tem origem no fato de refletirem adequadamente a evolução de preços de atividades produtivas passíveis de serem sistematicamente pesquisadas (operações de comercialização em nível de produtor, no varejo e na construção civil). Quanto à adoção dos pesos convencionados, cujos valores representam a importância relativa de cada um desses índices no cômputo da despesa interna bruta, justificase do seguinte modo: a) os 60% representados pelo IPAM equivalem ao valor adicionado pela produção, transportes e comercialização de bens de consumo e de produção nas transações comerciais a grosso; b) os 30% de participação do IPCM equivalem ao valor adicionado pelo setor varejista e pelos serviços de consumo; c) quanto aos 10% complementares, representados pelo INCCM, equivalem ao valor adicionado pela indústria da construção civil. 41. Está claro então que não se trata de índice que reflita especificamente os custos da autuada. Não há como entender que um índice de reajustes com Fl. 4131DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.950 21 base em preços médios de mercado, como o IGPM, seja um índice que reflita o custo dos insumos de transmissão de energia elétrica. 42. Assim, tal tipo de índice de variação não reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelo contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. Estrutura hierárquica do IPAM Segundo Origem (OG) IPAM PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LAVOURAS TEMPORÁRIAS LAVOURAS PERMANENTES PECUÁRIA PRODUTOS INDUSTRIAIS INDÚSTRIA EXTRATIVA CARVÃO MINERAL MINERAIS METÁLICOS MINERAIS NÃO METÁLICOS Fl. 4132DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.951 22 INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO PRODUTOS ALIMENTÍCIOS E BEBIDAS PRODUTOS DO FUMO PRODUTOS TÊXTEIS ARTIGOS DO VESTUÁRIO COUROS E CALÇADOS PRODUTOS DE MADEIRA CELULOSE, PAPEL E PRODUTOS DE PAPEL PRODUTOS DERIVADOS DO PETRÓLEO E ÁLCOOL PRODUTOS QUÍMICOS ARTIGOS DE BORRACHA E DE MATERIAL PLÁSTICO PRODUTOS DE MINERAIS NÃO METÁLICOS METALURGIA BÁSICA PRODUTOS DE META MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA MÁQUINAS, APARELHOS E MATERIAIS ELÉTRICOS MATERIAL ELETRÔNICO, APARELHOS E EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO VEÍCULOS AUTOMOTORES, REBOQUES, CARROCERIAS E AUTOPEÇAS OUTROS EQUIPAMENTOS DE TRANSPORTE MÓVEIS E ARTIGOS DO MOBILIÁRIO Segundo Estágios de Processamento (EP) IPAM BENS FINAIS BENS DE CONSUMO ALIMENTAÇÃO ALIMENTAÇÃO IN NATURA ALIMENTOS PROCESSADOS COMBUSTÍVEIS NÃO DURÁVEIS EXCETO ALIMENTAÇÃO E COMBUSTÍVEIS BEBIDAS E FUMO Fl. 4133DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.952 23 VESTUÁRIO, CALÇADOS E ACESSÓRIOS MEDICAMENTOS E ARTIGOS PARA RESIDÊNCIA, HIGIENE E LIMPEZA BENS DE CONSUMO DURÁVEIS UTILIDADES DOMÉSTICAS AUTOMÓVEIS E ACESSÓRIOS BENS DE INVESTIMENTO VEÍCULOS PESADOS MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS BENS INTERMEDIÁRIOS MATERIAIS E COMPONENTES PARA MANUFATURA MATERIAIS E COMPONENTES PARA CONSTRUÇÃO COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA PRODUÇÃO EMBALAGENS SUPRIMENTOS MATÉRIASPRIMAS BRUTAS AGROPECUÁRIAS COMERCIALIZÁVEIS PROCESSAMENTO INDUSTRIAL PARA FINS ALIMENTARES PROCESSAMENTO INDUSTRIAL PARA FINS NÃO ALIMENTARES MINERAIS 2.1. ESTRUTURA DA AMOSTRA DE PRODUTOS A seleção dos produtos integrantes do IPA se faz em duas etapas. Primeiramente, são escolhidas as classes de produtos a serem representadas e, em seguida, os produtos considerados em cada uma destas classes. Índice Geral de Preços – Mercado De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Fl. 4134DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.953 24 Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Não fossem as razões expendidas acima suficientes para refutar a tese de defesa da autuada, o inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, ao qual remete o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, deixa claro que a correção de preços por variação do Índice de Preços ao Consumidor, ou de índices gerais de preços que o tenham sucedido, é, absolutamente, distinta da fórmula de reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. vejase o dispositivo acima aludido Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá Fl. 4135DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.954 25 ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados;...” Como se pode observar da leitura do dispositivo acima, o legislador diferenciou, nitidamente, os índices de preços gerais daqueles que refletem os custos de produção ou os custos dos insumos. Como bem observou o relator da Primeira instância, enquanto os primeiros refletem a variação de preços ao consumidor, a lei, quando se refere aos custos de insumos, remete a índices que traduzam os preços dos bens, materiais, equipamentos e pessoal utilizado pelas empresas para a consecução de suas finalidades econômicas. 45. Portanto, emerge dos próprios dispositivos legais que tratam da matéria em tela que variações de preço com base em índices gerais de preços descaracterizam os preços contratados pela impugnante como predeterminados. De tudo o que foi dito acima, não há como deixar de reconhecer que os contratos da recorrida, objeto da controvérsia ora em debate, não se caracterizavam como de preço predeterminado, e, por conseguinte, o regime de tributação do PIS e da COFINS, incidentes nas receitas referentes a esses contratos deve ser o não cumulativo, como, acertadamente, decidiu o órgão julgador de primeira instância. Aliás, aqui peço licença para, mais uma vez, transcrever excerto do acórdão primeiro como arrimo desta decisão. 46. Além disso, ressaltese que a exceção contida no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006 diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito. 47. Do exposto, concluise que os contratos em questão não se caracterizam como a preço predeterminado, para fins de enquadramento nas hipóteses prevista na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, razão pela qual as receitas da impugnante deles decorrentes submetemse a tributação pelo regime não cumulativo das contribuições. Fl. 4136DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.955 26 48. Quanto ao reajuste decorrente de criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, notese que está disposto em cláusula contratual que quando comprovado seu impacto, implicará revisão da Receita Anual Permitida RAP. 49. Cabe agora, então, destacar a aplicação da lei para os contratos e licitações efetuados pela União, ante a menção da IN SRF nº 658/2006, art. 3º, inciso II, de que o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Vejamos o que diz o § 5º do art. 65 citado pela lei: § 5º Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou extintos, bem como a superveniência de disposições legais, quando ocorridas após a data da apresentação da proposta, de comprovada repercussão nos preços contratados, implicarão a revisão destes para mais ou para menos, conforme o caso. 51. Ademais, relendo o art. 109 da Lei n° 11.196/2005, salvo nas hipóteses lá expressas, quaisquer reajustes de preços ocasionarão a descaracterização como preço predeterminado. E as duas únicas possibilidades, como já exaustivamente colocado, são: o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Isto quer dizer que para reajustar seus preços e permanecer atendendo ao disposto na regra de exceção da não cumulatividade (ou seja, manterse na cumulatividade), a contratada deve demonstrar que não está aplicando um índice aos seus próprios preços, mas sim, que os preços das etapas econômicas anteriores é que foram modificados: somente neste caso, o incremento do valor do contrato não estaria refletindo o aumento da carga tributária da própria contratada, mas de um aumento de custo de sua produção. 52. O objetivo da exceção posta na lei era evitar o desequilíbrio contratual imprevisto. Entretanto, nos contratos em que há a previsão de que eventuais alterações na carga tributária influenciam diretamente nos preços acordados não há razão para manter a empresa signatária na regra temporária Fl. 4137DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.956 27 (cumulatividade). O que é óbvio porque a revisão de valor do preço da própria contratada, obrigatoriamente leva à modificação legislativa introduzida pela Lei n° 10.833/2003, dando ensejo à sua entrada no campo da nãocumulatividade. 53. Ressaltese que no caso dos contratos em questão, entretanto, essa circunstância é irrelevante, pois neles, como já visto, o reajuste anual é efetuado, essencialmente, com base na variação do IGPM e esse índice, de caráter genérico, não pode ser aceito como reflexo da variação do custo de produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção, nos termos do art. 109 da Lei n° 11.196/2005. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso para restabelecer o decidido na decisão de primeira instância". Por fim, invoco em minhas razões de decidir, a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015. In verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Com essas conclusões dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, com a remessa dos autos para unidade de origem para imediata execução do julgado. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Redatora Designada Fl. 4138DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.957 28 Peço vênia ao ilustre Conselheiro Demes Brito, que tanto estimo, para expor o entendimento vencedor que prevaleceu quando da discussão do mérito da lide. A priori, importante recordar que o mérito da lide envolve a discussão acerca do reajuste estipulado em contrato – se o reajuste descaracterizaria ou não o preço predeterminado. Para melhor elucidar o entendimento que prevaleceu em sessão, importante recordar o art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei 10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; [...]” Posteriormente, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei 11.196/05 – que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Fl. 4139DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.958 29 O que, em respeito à norma legal, que naquele momento dispôs sobre o reajuste de preço para o caso em questão e de forma retroativa – vez que explicitou que o art. 109 da Lei 11.196/05 deve ser aplicado desde 1º de novembro de 2003, passo a apreciar também a IN SRF 658/06 – não entrando no mérito da discussão acerca da produção dos efeitos retroativos estabelecidos no parágrafo único do art. 109 da Lei. Quanto à IN SRF 658/06, publicada posteriormente à Lei 11.196/05 e que revogou a IN 468/04, que trouxe, por sua vez, os arts. 3º e 4º, in verbis (Grifos meus): “Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência nãocumulativa das contribuições.” Fl. 4140DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.959 30 É de se considerar que a IN SRF 658/06, especificamente em seu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Sendo assim, cabe enfatizar que a norma tributária literalmente traz que o reajuste de preços efetivado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção não descaracteriza o preço determinado, podendo o sujeito passivo continuar a observar a sistemática cumulativa das contribuições. Nesse ínterim, vêse que o sujeito passivo acostou aos autos Laudo elaborado por renomada empresa de auditoria independente PricewaterhouseCoopers " PwC" – atestando que o reajuste do contrato foi em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período, atendendo plenamente a norma tributária para a manutenção da sistemática cumulativa das contribuições, vez que não houve efetivamente alteração do critério de preço predeterminado. Depreendendose ainda da análise dos autos, é de se destacar que a própria DRJ trouxe quadro contendo dados relativos à variação dos custos de produção em comparação ao reajuste no preço de venda de energia elétrica: Período Variação nos custos Reajuste obtido no contrato 2003/2004 22,5% 9,6% 2004/2005 9,4% 7,1% 2005/2006 37,7% 0,9% 2006/2007 20,3% 3,9% 2007/2008 57,2% 13,4% Sendo assim, vêse claro que houve uma variação nos custos de produção da ordem de 147,10%, ao passo que o reajuste no preço do bem vendido foi cerca de 34,9%. Fl. 4141DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.960 31 Tais dados também foram vislumbrados pela auditoria independente que, por sua vez, pela própria atividade, deve atestar as informações constantes do laudo com base em documentos comprobatórios apresentados pelo contratante, sob pena de ser responsabilizado e sofrer punições no âmbito regulatório/criminal. Cabe ainda expor que o próprio acórdão de embargos também considerou tais dados ao trazer como fundamento (Grifos meus): “[...] No caso dos autos, como demonstrado no quadro transcrito pela DRJ [extraído do laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers " PwC"], o reajuste do contrato foi em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período, o que, no entender do Relator do Acórdão recorrido, militaria no sentido de que não se alterou o critério de preço predeterminado. [...]” Ademais, frisese tal entendimento o acórdão 9303003.470 – que consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS.” Naquela ocasião, por unanimidade de votos, a 3ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo que, por sua vez, também era a AES Tietê, para considerar o laudo da PWC. Transcrevo parte do voto daquele acórdão: “[...] Fl. 4142DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.961 32 Caso o resultado da aplicação do índice eleito superasse o resultado da aplicação do índice previsto na IN SRF nº 658/2006, deveria deixar de aplicalo e assim se manteria no regime cumulativo. Compulsando os autos, identifiquei a existência do laudo da Pricewaterhouse, fls. 589/594 (numeração eletrônica) que conclui: "...com base na análise comparativa dos custos de geração de energia elétrica com os preços de energia faturada à AES Eletropaulo podemos compreender que os reajustes nos preços da energia foram em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período compreendido entre 04 de julho de 2002 a 04 de julho de 2010". Portanto, entendo que o sujeito passivo demonstrou sua intenção de se manter no regime cumulativo.” Proveitoso elucidar que, no caso vertente, foi considerado o laudo, e não especificamente e de forma isolada a adoção do índice IGPM no contrato – vez que nessa parte a minoria do Colegiado, inclusive essa Conselheira, resta vencida nessa discussão. Tanto é assim que o acórdão 9303003.470 relativo ao julgamento ocorrido em fevereiro/2016, ao ter dado provimento, por unanimidade, ao recurso do sujeito passivo, considerou efetivamente o laudo ao decidir pela incidência cumulativa das contribuições, e não a adoção isolada do IGPM como índice que reflete as variações de custos dos insumos utilizados. Tanto é assim que esse era o entendimento dessa turma que prevaleceu, por maioria de votos, desde dezembro/2015, através do acórdão 9303003.373 ao ser dado provimento ao recurso interposto pela Fazenda em julgamento ocorrido em dezembro/2015. Naquela ocasião, o sujeito passivo nem trouxe laudo comprovando o que determinava a IN para se tributar pela incidência cumulativa. Vêse parte da decisão transcrita pelo nobre ex Conselheiro Henrique Torres (Grifos meus) em seu voto: “[...] 51. Ademais, relendo o art. 109 da Lei n° 11.196/2005, salvo nas hipóteses lá expressas, quaisquer reajustes de preços ocasionarão a descaracterização como preço predeterminado. E as duas únicas possibilidades, como já exaustivamente colocado, são: o reajuste de preços em função do custo de Fl. 4143DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.962 33 produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Isto quer dizer que para reajustar seus preços e permanecer atendendo ao disposto na regra de exceção da não cumulatividade (ou seja, manterse na cumulatividade), a contratada deve demonstrar que não está aplicando um índice aos seus próprios preços, mas sim, que os preços das etapas econômicas anteriores é que foram modificados: somente neste caso, o incremento do valor do contrato não estaria refletindo o aumento da carga tributária da própria contratada, mas de um aumento de custo de sua produção.” Em vista de todo o exposto, entendemos que, no caso vertente, considerando o laudo acostado aos autos, não houve descaracterização do preço predeterminado – o que, por conseguinte, negamos provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Declaração de Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Apresento esta declaração de voto, para registrar meu entendimento quanto ao conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em vista da discussão acerca do tema ocorrida em sessão pública. Para fins de contextualização, cumpre referir que, no caso, discutese a aplicação do regime cumulativo ou não cumulativo de PIS e Cofins, para a atividade de fornecimento de energia elétrica, mediante a utilização de contrato de natureza “a preço predeterminado”, porém com reajuste de preços previsto pelo IGPM. Pois bem, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, por aplicação ao caso do art. 109 da Lei n° 11.196, de 2005, sob o entendimento de que a utilização de um índice de reajuste que reflita variação de custos do serviço mantém natureza do contrato (de preço predeterminado) e que a manifestação da ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica, de que o IGPM reflete a variação de custo do serviço de fornecimento de energia elétrica deveria ser aceita. Em face da decisão acima, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, que não foi conhecido por intempestividade. Importante referir que, nesse recurso, a matéria discutida era a utilização do IGPM e sua consequência na caracterização do contrato como de preço predeterminado. Como paradigmas, foram indicados os acórdãos 210200.001 e 202 19.497. Fl. 4144DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.963 34 Em seguida, o Delegado da Receita Federal do Brasil na jurisdição do contribuinte, embargou a decisão, alegando omissão quanto à natureza do IGPM. Argumentou, o embargante, que a turma não teria enfrentado o argumento de que o IGPM não caracterizaria efetivamente um índice que refletisse a variação de custo do serviço de fornecimento de energia elétrica, por seus componentes medirem itens não relacionados aos custos do setor e que, no caso, de fato, a variação teria sido muito diferente. Os embargos foram admitidos em despacho do Presidente, mas a Turma os rejeitou, entendendo não ter havido a omissão alegada. Importante frisar que o referido acórdão, em que pese formalmente afirmar, conforme ementa e dispositivo, a inocorrência de qualquer omissão, de fato enfrentou a matéria em nove laudas, para fundamentar essa afirmação. Nesse sentido, consta que seria suficiente, para exaurir a análise da matéria, a adoção da manifestação da ANEEL e a verificação de que, no caso, o o IGPM teve variação inferior à variação real dos custos do serviço de fornecimento de energia. Prosseguindo, cientificada da decisão integrativa referida no parágrafo anterior, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o acórdão em embargos, alegando divergência quanto a essa questão nova e apontando, como paradigmas, um dos acórdãos antes apresentados, o de número 201200.001, e um acórdão novo, o de número 9303003.373. Em seu recurso, a Fazenda Nacional defende que a manifestação da ANEEL não seria vinculante e que, por definição, o IGPM não poderia refletir o custo de fornecimento de energia. Em análise de admissibilidade do Recurso Especial, o Presidente da Câmara negoulhe seguimento, por preclusão. Todavia, contra a decisão do Presidente da Câmara, foi interposto o agravo foi provido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para que fosse dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Por fim, o Contribuinte, apresentou contrarrazões, suscitando o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por intempestividade, em face da preclusão consumativa. Feitas as necessárias colocações, para contextualização da quaestio, passo a sua análise. Para análise, parto da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, que entendeu que a oposição de embargos por quaisquer das partes interrompe o prazo para interposição de recurso, para todas as partes. Em que pese concordar com essa jurisprudência do STJ, entendo não ser suficiente sua aplicação direta para conclusão acerca do conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, no caso, porque há dispositivos específicos no Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, com base no Decreto n° 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, que o diferenciam, pelo menos em parte, do Processo Civil. Com efeito, o PAF determina, nos termos dos arts. 69 e 70 do RICARF, uma ordem de intimação das partes, com abertura de prazos diferenciados para interposição de recurso por elas, enquanto o Código de Processo Civil não tem dispositivo semelhante. Portanto, entendo necessário o aprofundamento da análise dessa questão. Pois bem, por um lado, não é possível aceitar que quaisquer das partes, no caso a Fazenda Nacional, após o acórdão integrativo em embargos, reapresente o mesmo Fl. 4145DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.964 35 Recurso Especial, antes interposto intempestivamente contra o acórdão em Recurso Especial, depois de deixar passar in albis o prazo originalmente deferido para tal. Entretanto, é necessário considerar que, após um acórdão em embargos proferido, há decisão integrativa e não se pode proibir que quaisquer das partes, no caso a Fazenda Nacional, venha a se insurgir quanto à decisão integrativa. Portanto, em conclusão, entendo que, caso o novo Recurso Especial seja diferente do Recurso Especial originalmente interposto intempestivamente, mormente se fizer alusão à matéria tratada nos embargos, é possível o conhecimento. Feitas as necessárias considerações teóricas, passo a análise do caso em concreto. No caso, apesar de formalmente ter havido embargos rejeitados, o fato é que o acórdão integrativo, em embargos, em 9 laudas enfrentou o assunto, para afastar sua procedência. Adicionalmente, cabe colocar que o Recurso Especial versou sobre o assunto debatido nos embargos, especialmente no que diz respeito ao segundo paradigma apresentado, 9303003.373. Assim, no caso, entendo ser possível o conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Em vista do exposto, voto por conhecer Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose dos autos do processo, peço vênia ao ilustre conselheiro relator, que tanto, admiro, para expor o meu entendimento acerca do conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Para tanto, importante recordar os acontecimentos: · Em 29.1.2015, o Colegiado a quo – 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção decidiu por afastar o lançamento dos valores decorrentes do reenquadramento das receitas de contrato de compra e venda de energia elétrica com cláusula de preço predeterminado, consignando Fl. 4146DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.965 36 tal resultado através do acórdão 3402002.627. Ou seja, cancelou a exigência de PIS e Cofins por entender que permanecem sujeitas ao regime cumulativo de incidência as receitas decorrentes de contratos de longo prazo com preço predeterminado; · Em 13.4.2015, foi constatado o prazo fatal para a Fazenda Nacional interpor Recurso Especial, considerando a ciência do acórdão; · Em 27.4.2015, ou seja, 14 dias após o prazo fatal, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial extemporaneamente; · Em 21.5.2015, foi emitido despacho pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção, reconhecendo a intempestividade do r. recurso; · Em 25.5.2015, o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ratificou a intempestividade do recurso, determinando o cumprimento do acórdão 3402002.627; · Em 28.5.2015, o Delegado da DRF de Barueri foi cientificado da decisão definitiva. · Em 29.5.2015, o delegado apresentou embargos para rediscussão do mérito; não se trata de lapso manifesto. · Em 5.6.2015, os autos do processo retornam ao CARF através de um despacho de admissibilidade de embargos determinando o julgamento dos embargos opostos pelo delegado; · Em 28.9.2016, os embargos foram rejeitados, por considerar que A QUESTÃO APONTADA PELA EMBARGANTE SE TRATA DE TENTATIVA DE REJULGAMENTO DA LIDE, QUE SE MOSTRA INVIÁVEL PELA VIA ESTREITA DOS EMBARGOS; · Em 6.10.2016, os autos baixaram para a origem para a intimação do delegado; · Em 21.10.2016, os autos retornaram ao CARF para intimação da Fazenda Nacional; · Em 25.10.2016, a Fazenda Nacional interpôs um novo Recurso Especial COM OS MESMOS FUNDAMENTOS DO RECURSO ESPECIAL que havia sido considerado pelo Presidente da 4ª Câmara e pelo Presidente do CARF como INTEMPESTIVO; Fl. 4147DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.966 37 · Em 17.11.2016, o Presidente da 4ª Câmara não admite o 2º Recurso Especial; O que, por conseguinte, a Fazenda Nacional interpõe agravo contra tal decisão; · Em 20.2.2017, o Presidente do CARF acolhe o agravo, determinando o prosseguimento do 2º Recurso Especial da Fazenda que, recordando, trouxe OS MESMOS FUNDAMENTOS DO 1º RECURSO ESPECIAL QUE FORA CONSIDERADO INTEMPESTIVO. Ventilados os acontecimentos, importante trazer os dizeres do 1ª Despacho de admissibilidade que considerou o 1º Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional como intempestivo: “Subsumindo o caso vertente às disposições supra, temse que os autos foram remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, em 25/02/2015, iniciando o prazo de 30 (trinta) dias para ciência ficta em 2602/2015 (quintafeira), com encerramento em 27/03/2015 (sextafeira), sendo esta a data considerada como formalizada a ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Pois bem, tomado o prazo recursal de 15 (quinze) dias, o seu dies a quo, recaiu em 30/03/2015 (segundafeira), com término fixado no dia 13/04/2015 (segundafeira). Ocorre que o recurso especial somente foi interposto, assim considerada a anexação, autenticação e assinatura da peça no sistema “eprocesso”, na data de 27/04/2015, de maneira que se mostra irrefragável sua intempestividade. Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II, do RICARF, e com base nas razões retro expostas, nego seguimento ao recurso interposto.” Nessa linha, trouxe o Despacho de Reexame de Admissibilidade a ratificação da intempestividade pelo nobre exPresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Carlos Alberto Freitas Barreto: “[...] Fl. 4148DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.967 38 Compulsando aos autos, verifico que o recurso especial da Fazenda Nacional foi apresentado extemporaneamente, fato que inviabiliza a análise do mérito. Diante do exposto decido por manter, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, que negou seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. [...]” Inegável, assim, que o 1º Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional se encontra intempestivo. Os Embargos de Declaração opostos pelo Delegado, que requeria a manifestação do CARF sobre a caracterização do IGPM como índice que reflete a “variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, ao serem apreciados pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, foram rejeitados pelo Colegiado por unanimidade de votos, vez que a interpretação contida no acórdão embargada foi expresso no sentido de que o IGPM utilizado para reajuste de preços nos contratos da contribuinte não descaracterizava o preço determinado. Para melhor transparecer, transcrevo parte do voto do acórdão (Grifos meus): “[...] Assim, em resumo, a interpretação contida no Acórdão embargado foi no sentido de que o IGPM, utilizado para reajuste de preços nos contratos da contribuinte, não descaracterizava o preço predeterminado, eis que: a) Havia manifestação expressa da Aneel de que "O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo artigo 27 da Lei n° 9.069/95", razão pela qual seria um índice que refletiria a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do art. 109 da Lei n° 11.196/2005; e b) De outra parte, dispunha o art. 3º, §3º da Instrução Normativa n° 658/06 que não descaracterizava o preço predeterminado o reajuste em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. No caso dos autos, como demonstrado no quadro Fl. 4149DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.968 39 transcrito pela DRJ [extraído do laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers " PwC"], o reajuste do contrato foi em percentual inferior à variação nos custos de geração de energia no período, o que, no entender do Relator do Acórdão recorrido, militaria no sentido de que não se alterou o critério de preço predeterminado. Inclusive releva mencionar que, posteriormente, este último argumento foi também utilizado como fundamento da decisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais para a própria contribuinte relativamente a fatos semelhantes: [...] Assim, pelo exposto mais acima, entendo que os argumentos apresentados pelo Relator do Acórdão embargado são suficientes para embasar sua decisão, não havendo qualquer ponto ou questão sobre o qual o Colegiado deveria se pronunciar e não o fez. Por mais relevante que possa ser a questão levantada pelo embargante de que, o indexador IGPM não caracterizaria, a seu ver, um “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, entendo que os argumentos apresentados no Acórdão embargado são, de certa forma, independentes dessa questão, eis que, de todo modo, prosseguem válidas as afirmações de que: i) a Aneel pronunciouse pela legitimidade de tal indexador e ii) o Colegiado entendeu que o reajuste do contrato foi inferior ao custo de geração de energia, em conformidade com o disposto no art. 3º, §3º da Instrução Normativa n° 658/2006. Conforme entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp nº 902010/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 15/12/2008), desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a sua decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pelas partes.” Vêse claro que o acórdão embargado se pronunciou sobre a questão do IGPM – o que, ainda que o segundo recurso tenha trazido mais enfaticamente a questão do IGPM, não seria possível conhecêlo, em respeito ao acordado pela turma a quo em acórdão de embargos. Fl. 4150DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.969 40 Sendo, portanto, os Embargos de Declaração rejeitados, NÃO HÁ previsão legal, tampouco regimental, de que seria aberta nova possibilidade de a parte apresentar o 2º Recurso Especial, com as mesmas fundamentações e pedido do 1º Recurso Especial que havia sido considerado intempestivo. Digo as mesmas fundamentações, pois somente mencionou enfaticamente a questão do IGPM. Que, repito, para essa discussão e para o acórdão embargado, não mudaria a fundamentação ou decisão dada pelo colegiado a quo. Tanto é assim, que, após a Fazenda Nacional apresentar o 2º Recurso Especial, o Despacho de Admissibilidade transpareceu o evento paradoxal com ratificação do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF: “[...] Verificase assim que no referido Recurso Especial apresentado em 27/04/2015 havia os mesmos fundamentos do Recurso Especial apresentado em 25/10/2016. Na verdade, em seu Recurso Especial a Fazenda Nacional intenta rediscutir a questão do enquadramento das receitas relativas a contratos firmados pelo contribuinte no regime cumulativo da contribuição para o PIS e da Cofins. [...] Destarte, a apresentação de novo Recurso especial da PGFN exatamente com os mesmos fundamentos do Recurso Especial apresentado anteriormente, ao qual foi negado seguimento, estaria atingida pela preclusão consumativa. Ou seja, ocorreu a perda da faculdade de praticar o ato processual em razão de já ter havido a oportunidade para tanto, isto é, de o ato já haver sido praticado e, portanto, não pode tornar a sêlo. Com estas considerações, concluise que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não deve ser admitido.” Entendo como correta essa decisão, ainda que a Fazenda Nacional tenha interposto agravo contra a r. decisão, alegando que o entendimento da preclusão consumativa cerceia o direito de defesa da União e o novo despacho de admissibilidade ao agravo tenha dado seguimento E SEM AO MENOS REFUTAR A QUESTÃO DA PRECLUSÃO CONSUMATIVA E O DISPOSITIVO REGIMENTAL DE TRAZER A POSSIBILIDADE Fl. 4151DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.970 41 DE SER APRESENTADO NOVO RECURSO ESPECIAL COM OS MESMOS FUNDAMENTOS DO PRIMEIRO APRESENTADO QUE, POR SUA VEZ, HAVIA SIDO CONSIDERADO INTEMPESTIVO, apenas trazendo que foram comprovadas as divergências dos entendimentos trazidos nos acórdãos indicados como paradigmas. Ora, não há previsão legal para que as partes apresentem O SEGUNDO RECURSO ESPECIAL. Vêse que o art. 1024 do CPC traz (Grifos meus): “Art. 1.024......................... [...] § 5º Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação.” Tal dispositivo esclarece que se os embargos forem rejeitados – o que OCORREU NO CASO VERTENTE, o recurso APRESENTADO ANTES DA PUBLICAÇAO DO JULGAMENTO DOS EMBARGOS é que deverá ser apreciado. No caso vertente, o recurso especial apresentado antes dos embargos é justamente aquele que foi considerado intempestivo. O que, por consequência, deve ser mantida a decisão da turma ordinária. Esse dispositivo contempla a hipótese do caso vertente. Ademais, cabe trazer que tal dispositivo deve ser considerado no processo administrativo, em respeito ao art. 15 do CPC: “Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” Nesse ínterim, importante esclarecer que não há que se falar em aplicar o art. 1.026 do CPC para dar a possibilidade de a parte interpor o 2º Recurso Especial. Fl. 4152DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.971 42 Eis o caput do art. 1026 do CPC: “Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. [...]” O art. 1026 apenas traz proteção àquela hipótese conhecida por todos, qual seja, de que dada ciência do acórdão, por exemplo, à parte direta do processo, esta parte opõe embargos de declaração, por conter o acórdão obscuridade, contradição ou omissão no prazo de 5 dias após a ciência do acórdão. E, se os embargos forem admitidos e apreciados pelo Colegiado, após ciência do acórdão dos embargos, continua a contagem de 15 dias para a interposição do recurso especial, independentemente do lapso temporal observado ou “gasto” com a interposição dos embargos e sua apreciação. Sendo assim, entendo que não cabe a aplicação do art. 1026 do CPC para dar possibilidade de a Fazenda Nacional interpor o 2º Recurso Especial, argumentando os embargos de declaração interpostos pelo Delegado interrompem o prazo para a interposição do Recurso Especial, vez que na hipótese em que o Recurso Especial havia sido interposto antes dos embargos, após a rejeição dos embargos, o recurso interposto antes deve ser “processado” e julgado. Essa é a hipótese do caso vertente, ao ser processado o referido recurso interposto antes dos embargos, eles foram considerados intempestivos, restando, dessa forma, definitiva a decisão da turma ordinária. Ora, vêse que o próprio RICARF/2015 trouxe, em seu art. 69, § 3º, que “será definitivo o despacho do presidente da câmara recorrida, que decidir pelo não conhecimento de recurso especial interposto intempestivamente [...]”. Sendo definitivo a decisão que não conheceu o recurso especial interposto intempestivamente, em respeito ao RICARF e ao art. 1024 do CPC é de se não conhecer o 2º recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 4153DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.972 43 Proveitoso trazer que não se aplica ao caso vertente o entendimento proferido pelo STJ no REsp 371273/CE – que traduz: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. MANIFESTA IMPROCEDÊNCIA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO RECURSAL. ART. 538 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICABILIDADE. O art. 538 do CPC não contém qualquer ressalva no sentido de que a interrupção do prazo recursal somente ocorrerá nas hipóteses em que os embargos declaratórios obtiverem sucesso. Recurso especial conhecido e provido. Ora, para melhor transparecer a não aplicação ao caso vertente, trago parte do relatório e voto do Ministro Vicente Leal: “Relatório [...] O Plenário do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por maioria, julgou improcedente a ação, ao argumento de que não se verifica a violação de literal disposição de lei quando a decisão rescindenda tiver por fundamento texto de lei de interpretação controvertida nos tribunais, nos termos da Súmula 343 do STF (fls. 122/131). Opostos embargos declaratórios, aos mesmos foi negado seguimento por força de decisão monocrática fulcrada no art. 557 do CPC (fls. 153). Posteriormente, a União opôs embargos infringentes, os quais não chegaram a ser conhecidos pelo Órgão Pleno do Tribunal Regional Federal da 5a Região em virtude de intempestividade. Irresignada, a União interpõe o presente recurso especial, com suporte nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, alegando ter o acórdão em destaque, além de ensejado divergência jurisprudencial, negado vigência às disposições contidas no art. 538 do Código de Processo Civil. Assevera, em síntese, que os embargos declaratórios, ainda que julgados incabíveis, interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, Fl. 4154DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.973 44 devendo ser reconhecida, de conseqüência, a tempestividade dos embargos infringentes (fls. 172/177).” Voto [...] Tribunal a quo declarou intempestivos os embargos infringentes, acolhendo a tese de que na hipótese de manifesta improcedência dos embargos de declaração, não há de se falar em interrupção do prazo recursal. Nos termos do art. 538 do Código de Processo Civil "os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de outros recursos, por qualquer das partes" . Com efeito, o aludido dispositivo não contém ressalva quanto à aplicabilidade do efeito interruptivo tãosomente às hipóteses em que os embargos obtiverem sucesso. De outra parte, tampouco existe qualquer restrição no sentido de que a interrupção do prazo recursal apenas ocorrerá se não houver julgamento monocrático pela improcedência dos embargos declaratórios.” Vêse que nesse caso apreciado pelo STJ, a União opôs embargos de declaração que foram negados seguimento por decisão monocrática. Então, opôs embargos de divergência que não foram conhecidos por ter sido considerado intempestivo, pois se entendeu que os embargos de declaração opostos anteriormente não interrompiam o prazo para a interposição de novo recurso, nesse caso, os embargos de divergência. E o que o STJ fez foi decidir que, ainda que não tenha sido dado seguimento aos embargos de declaração, tais embargos interrompiam o prazo para a interposição de outro recurso. Os embargos de divergência. Constatase, assim, que nada há de errado nessa decisão e que essa decisão do STJ não se pode confundir com o caso vertente. O caso apreciado pelo STJ demonstra aqueles casos em que a parte apresenta embargos de declaração após a ciência do acórdão interrompendo o prazo para a interposição de recurso e após apreciados os embargos e ciência, apresenta novo recurso desconsiderando o período em que os embargos foram opostos e apreciados. Fl. 4155DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.974 45 Observo que todos os casos em que o STJ faz referência ao antigo art. 538 do CPC apreciou essa situação descrita acima, DIFERENTEMENTE DA SITUAÇÃO tratada nesses autos. No caso em questão, estamos diante de outra situação. Situação essa em que o 1º recurso especial foi considerado intempestivo, foram opostos embargos de declaração contra o r. acórdão da turma ordinária, ignorando a intempestividade do recurso, e posteriormente à rejeição dos embargos, foi interposto o 2º recurso. Vêse que essa situação fere o Regimento Interno do CARF e o CPC: 1. Quando foi dado seguimento aos embargos do Delegado – eis que o art. 69, § 3º, do RICARF traz que “será definitivo o despacho do presidente da câmara recorrida, que decidir pelo não conhecimento de recurso especial interposto intempestivamente. 2. E fere o CPC, em seu art. 1024, §5, do CPC, ao ser determinado o processo e apreciação do recurso apresentado antes dos embargos quando estes forem rejeitados. Proveitoso ainda clarificar que não houve “ferimento” ao art. 1026 do CPC, vez que entendemos que os embargos interrompem sim o prazo para a interposição de recurso. MAS NÃO PARA APRESENTAÇÃO DE MESMO RECURSO APRESENTADO ANTERIORMENTE, VEZ QUE NÃO HÁ PROCESSUALMENTE A POSSIBILIDADE DE SE INTERPOR DOIS RECURSOS ESPECIAIS E COM AS MESMAS FUNDAMENTAÇÕES. Ademais, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa, pois, após ciência do acórdão da turma ordinária, a Fazenda poderia ter interposto o 1º recurso especial no tempo previsto no RICARF/2015 e Decreto 70.235/72. O direito não protege quem dorme, independentemente das partes. Em vista de todo o exposto, entendo que não devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 4156DF CARF MF Processo nº 19515.720041/201296 Acórdão n.º 9303006.771 CSRFT3 Fl. 3.975 46 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 4157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902996/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$2.618,16, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$2.618,16, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 29 96 /2 01 3- 27 Fl. 174DF CARF MF 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 19208.53971.280113.1.3.044159, por meio da qual compensou crédito da CSLL, do período de apuração de 30/09/2010, com os débitos relacionados. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 2.618,16, seria decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF no valor de R$ 385.977,34, recolhido em 29/10/2010. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De acordo com a decisão, o valor original total de R$ 385.977,34 já havia sido utilizado para quitar débito do código 2484 (período de apuração 30/09/2010) no mesmo valor, não restando crédito passível de compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: Alega que confessou indevidamente em DCTF o valor de R$ 385.977,34 relativo a CSLL de setembro de 2010. Ressalta que em sua DIPJ consta a apuração correta da CSLL deste período no valor de R$ 383.359,18. Também destaca que retificou a DCTF entregue com equívoco. Nestes termos, requereu que fosse acolhida a sua impugnação para homologar a compensação requerida. Quando da decisão da instância primeva restou decidido conforme ementa abaixo pela inviabilidade do reconhecimento do crédito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. ESPONTANEIDADE O primeiro ato por escrito de servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13896.902996/201327 Acórdão n.º 1401003.088 S1C4T1 Fl. 175 3 implica a perda da espontaneidade para retificar as declarações apresentadas. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Apresentou a contribuinte o competente recurso onde apresentou suas razões e juntou mais provas. Este é o relatório Voto Conselheira Relatora Letícia Domingues Costa Braga O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e, portanto dele conheço. Com relação ao alegado crédito de R$54.573,58, apesar de não ter sido apresentado quando da manifestação de inconformidade toda a DIPJ comprovandose assim o erro na DCTF anteriormente informada, certo é que apresentou a contribuinte quando da interposição do recurso a esse Conselho a documentação capaz de comprovar o seu direito. Quanto à espontaneidade para a retificação da DCTF, observo que a Lei não trata de despacho decisório como prazo para a retificação, sendo certo que o prazo coincide com a homologação da decisão. Assim, dialogando com a decisão, providenciou a recorrente as provas capazes de demonstrar que faz jus ao crédito original de R$2.618,26, relativo ao pagamento a maior em setembro de 2010. Não considerar a prova juntada em sede de recurso seria permitir o enriquecimento ilícito do Estado e, ainda, abarrotar o judiciário com celeumas que podem ser resolvidas administrativamente. Fl. 176DF CARF MF 4 Ademais, apesar de a legislação explicitar que deve o contribuinte demonstrar seu direito liquido e certo, tendo sido retificada a DCTF após a PERDCOMP, deveria ter a contribuinte juntado aos autos quando da manifestação de inconformidade tal comprovação. Contudo, pelo princípio da verdade material e considerando que restou devidamente comprovado o direito, creio que em alguns casos pode ser relativizado o prazo da apresentação das provas. Isso porque, o regramento do instituto da preclusão visa estabelecer uma ordem no sistema processual com a finalidade de atingir um desempenho satisfatoriamente célere e ordenado. Contudo, se generalizado, por puro formalismo, acaba sendo aplicado de forma exagerada. É sabido que, por vezes, a ausência de um ato no limite temporal aprazado pode levar o julgador a proferir uma decisão de forma definitiva, ocasionando a perda de direito a um julgamento justo na esfera administrativa. Assim, para uma correta e adequada decisão no contencioso administrativo fiscal o julgador deve se utilizar de todos os meios de provas disponíveis ou colocadas a disposição, não deixando de recebêlas em razão de não terem sido apresentadas no momento da instrução do processo. A produção probatória que acontece em momento posterior a instrução do processo administrativo pode ser de ordem complementar àquelas provas apresentadas anteriormente , o que ocorreu no caso em análise, ou, ainda, aquelas não oferecidas originalmente no momento próprio, por impossibilidade real na obtenção dos documentos necessários a comprovação dos fatos e das alegações apresentadas. Em qualquer caso, a baliza temporal não deve impedir ou dificultar o exercício do direito no que se refere aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto o sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação do PER/DCOMP nº 19208.53971.280113.1.3.044159 no limite do crédito reconhecido (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35884.005943/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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INTER. DE SAUDE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 88 4. 00 59 43 /2 00 6- 17 Fl. 912DF CARF MF Processo nº 35884.005943/200617 Acórdão n.º 2402007.027 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 913DF CARF MF Processo nº 35884.005943/200617 Acórdão n.º 2402007.027 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 35884.005943/200617 Acórdão n.º 2402007.027 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 915DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727198/2013-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
O valor referente ao décimo terceiro salário não integra o cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que se trata de rendimento tributado exclusivamente na fonte, separado dos demais rendimentos. Por ocasião da tributação exclusiva, os rendimentos pagos de pensão alimentícia serão abatidos da base de cálculo do IRPF, que incide sobre o décimo terceiro. Em função disso, não são levados ao Ajuste Anual nem os rendimentos relacionados ao décimo terceiro salário, tampouco as deduções permitidas na determinação desta tributação em separado.
Numero da decisão: 2002-000.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de pensão judicial no valor parcial de R$41.566,49.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. O valor referente ao décimo terceiro salário não integra o cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que se trata de rendimento tributado exclusivamente na fonte, separado dos demais rendimentos. Por ocasião da tributação exclusiva, os rendimentos pagos de pensão alimentícia serão abatidos da base de cálculo do IRPF, que incide sobre o décimo terceiro. Em função disso, não são levados ao Ajuste Anual nem os rendimentos relacionados ao décimo terceiro salário, tampouco as deduções permitidas na determinação desta tributação em separado.
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DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente JULES ALVES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. O valor referente ao décimo terceiro salário não integra o cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que se trata de rendimento tributado exclusivamente na fonte, separado dos demais rendimentos. Por ocasião da tributação exclusiva, os rendimentos pagos de pensão alimentícia serão abatidos da base de cálculo do IRPF, que incide sobre o décimo terceiro. Em função disso, não são levados ao Ajuste Anual nem os rendimentos relacionados ao décimo terceiro salário, tampouco as deduções permitidas na determinação desta tributação em separado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 71 98 /2 01 3- 66 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10166.727198/201366 Acórdão n.º 2002000.853 S2C0T2 Fl. 77 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de pensão judicial no valor parcial de R$41.566,49. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 27/30), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$374,02 para saldo de imposto a pagar de R$12.008,51. A NL noticia dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública (fl.28). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 30/7/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 23/8/2013, às fls. 2/19 dos autos, na qual o contribuinte defende a dedutibilidade da pensão declarada, uma vez que decorrente de decisão judicial. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 39/42): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10166.727198/201366 Acórdão n.º 2002000.853 S2C0T2 Fl. 78 3 Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 29/6/2015 (fl. 48), o contribuinte apresentou, em 17/7/2015 (fl.51), recurso voluntário (fls. 51/71), no qual alega que não fora solicita a comprovação quanto ao pagamento da pensão. Explica que a pensão é descontada de seus proventos em folha de pagamento, como comprovariam comprovante de rendimentos e contracheques juntados a sua defesa. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão alimentícia judicial informada pelo recorrente. A autuação consignou que seriam dedutíveis apenas as importâncias pagas conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública e, em se tratando de sociedade conjugal, a dedução somente se aplica quando o provimento de alimentos for decorrente da dissolução daquela sociedade (fl.28). Na apreciação do feito, o colegiado de primeira instância considerou comprovada a existência de determinação judicial para pagamento da pensão, mas apontou a inexistência de comprovação quanto ao seu efetivo pagamento, conforme se extrai do trecho a seguir reproduzido: O impugnante sustenta que faz jus à dedução e que paga pensão alimentícia por decisão judicial, sendo 12,5% para cada reclamante, sendo assim dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste essas importâncias. Acrescenta que está juntando a documentação judicial. Compulsando os autos, observase que se limitou o impugnante a apenas acostar os documentos judiciais, onde consta, de fato, a determinação para o pagamento de pensão alimentícia (fls. 0812), contudo, não se dignou a acostar qualquer comprovante que ateste a efetiva transferência dos recursos aos alimentandos. Assim, na ausência de comprovação hábil e idônea do pagamento da pensão alimentícia declarada, requisito essencial exigido pela legislação tributária, subsiste a glosa efetuada. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10166.727198/201366 Acórdão n.º 2002000.853 S2C0T2 Fl. 79 4 (destaques acrescidos) Assim, cabe analisar em grau de recurso apenas a existência de comprovação quanto ao efetivo pagamento da pensão. Nesse sentido, o recorrente junta comprovante de rendimentos de fl.59 e contracheques de fls. 60/71. Do exame desses documentos, resta comprovada a dedutibilidade da pensão no valor de R$41.566,49, consignado na linha 04 do comprovante emitido, sendo este o valor a ser restabelecido. Constatase que o recorrente deduziu o montante de R$47.386,86, computando a pensão incidente sobre o 13º salário. Ocorre que a tributação do 13º salário se distingue dos demais rendimentos, por aquele ser tributado exclusivamente na fonte, conforme preceitua o art. 638 do RIR/99. Ou seja, o 13º salário não é passível de ajuste na DIRPF, não sendo incluído em sua base de cálculo anual. Consequentemente, as retenções ocorridas sobre esse rendimento também não podem ser consideradas dedutíveis nessa mesma base de cálculo. Registrese ainda, que a pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento e a utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a pensão judicial no valor parcial de R$41.566,49. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.720098/2014-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
Acórdão da DRJ. Exame dos Pontos Essenciais. Documentos em Língua Estrangeira. Nulidade.
A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. O órgão julgador também não está obrigado a examinar documentos em língua estrangeira desacompanhados da respectiva tradução juramentada.
Despesas. Usuais e Necessárias. Comprovação. Condição de Dedutibilidade.
São dedutíveis as despesas comprovadas documentalmente, e que sejam usuais e necessárias ao exercício da atividade econômica e à manutenção da fonte produtora.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009, 2010
Pagamento sem Causa ou a Beneficiário não Identificado. Incidência de Imposto de Renda na Fonte.
Incide Imposto de Renda na fonte tanto na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado, quanto nos casos em que, mesmo identificado o beneficiário, não seja conhecida a causa do pagamento.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-003.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Nelso Kichel; II) por unanimidade de votos: (a) rejeitar a preliminar de nulidade; (b) restabelecer a dedução de R$ 289.813,17, relativa às despesas com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda., no ano de 2010; (c) restabelecer a dedução de R$ 1.649.831,00, relativa a material de consumo, no ano de 2010; III) por maioria de votos: (a) afastar a exigência de IRRF sobre os pagamentos realizados a Vetor Consultoria Empresarial Ltda. e Total Gás Consultoria em Energia Ltda. EPP, vencidos a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite e o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto; (b) reverter parcialmente a glosa de despesas com aluguel de equipamentos no ano de 2010, no montante de R$ 2.537.602,00, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Nelso Kichel; IV) por voto de qualidade: (a) restabelecer a dedução de despesa com Chinese Development Bank e cancelar a exigência de IRRF sobre os respectivos pagamentos, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Giovana Pereira Paiva de Leite, que votaram por manter a glosa e a exigência de IRRF sobre esses pagamentos; (b) restabelecer a dedução de despesas com Vetor Consultoria Empresarial Ltda e Total Gás Consultoria em Energia Ltda EPP, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Giovana Pereira Paiva de Leite. Os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão, para restabelecer a dedução de despesas relativas aos pagamentos feitos em favor de Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. e cancelar a exigência de IRRF sobre os respectivos pagamentos, sendo vencidos nessa votação. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto acerca dos pagamentos para Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. e foi também designado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 Acórdão da DRJ. Exame dos Pontos Essenciais. Documentos em Língua Estrangeira. Nulidade. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. O órgão julgador também não está obrigado a examinar documentos em língua estrangeira desacompanhados da respectiva tradução juramentada. Despesas. Usuais e Necessárias. Comprovação. Condição de Dedutibilidade. São dedutíveis as despesas comprovadas documentalmente, e que sejam usuais e necessárias ao exercício da atividade econômica e à manutenção da fonte produtora. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2009, 2010 Pagamento sem Causa ou a Beneficiário não Identificado. Incidência de Imposto de Renda na Fonte. Incide Imposto de Renda na fonte tanto na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado, quanto nos casos em que, mesmo identificado o beneficiário, não seja conhecida a causa do pagamento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010 CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 ACÓRDÃO DA DRJ. EXAME DOS PONTOS ESSENCIAIS. DOCUMENTOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. NULIDADE. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. O órgão julgador também não está obrigado a examinar documentos em língua estrangeira desacompanhados da respectiva tradução juramentada. DESPESAS. USUAIS E NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas comprovadas documentalmente, e que sejam usuais e necessárias ao exercício da atividade econômica e à manutenção da fonte produtora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009, 2010 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Incide Imposto de Renda na fonte tanto na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado, quanto nos casos em que, mesmo identificado o beneficiário, não seja conhecida a causa do pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 00 98 /2 01 4- 59 Fl. 8999DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.000 2 Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Nelso Kichel; II) por unanimidade de votos: (a) rejeitar a preliminar de nulidade; (b) restabelecer a dedução de R$ 289.813,17, relativa às despesas com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda., no ano de 2010; (c) restabelecer a dedução de R$ 1.649.831,00, relativa a material de consumo, no ano de 2010; III) por maioria de votos: (a) afastar a exigência de IRRF sobre os pagamentos realizados a Vetor Consultoria Empresarial Ltda. e Total Gás Consultoria em Energia Ltda. EPP, vencidos a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite e o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto; (b) reverter parcialmente a glosa de despesas com aluguel de equipamentos no ano de 2010, no montante de R$ 2.537.602,00, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Nelso Kichel; IV) por voto de qualidade: (a) restabelecer a dedução de despesa com Chinese Development Bank e cancelar a exigência de IRRF sobre os respectivos pagamentos, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Giovana Pereira Paiva de Leite, que votaram por manter a glosa e a exigência de IRRF sobre esses pagamentos; (b) restabelecer a dedução de despesas com Vetor Consultoria Empresarial Ltda e Total Gás Consultoria em Energia Ltda EPP, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Giovana Pereira Paiva de Leite. Os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão, para restabelecer a dedução de despesas relativas aos pagamentos feitos em favor de Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. e cancelar a exigência de IRRF sobre os respectivos pagamentos, sendo vencidos nessa votação. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto acerca dos pagamentos para Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. e foi também designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Fl. 9000DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.001 3 Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de recurso interposto por SINOPEC PETROLEUM DO BRASIL LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1281.784, da 15ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, que deu provimento parcial à impugnação da recorrente, mantendo contra ela parte do crédito tributário exigido. Os lançamentos têm por objeto IRPJ, CSLL e IR na fonte. A Fiscalização glosou despesas não comprovadas, bem como despesas e custos não necessários à atividade. Também foram glosadas despesas contabilizadas em desacordo com o regime de competência. Pagamentos sem causa motivaram a exigência de IR na fonte. Contra a pretensão do Fisco foi apresentada impugnação, em que se alegou nulidade do lançamento em face de erros de capitulação legal e da aplicação de multa qualificada sem motivação específica para tanto. Questionouse a glosa de despesas por ofensa ao regime de competência. A contribuinte sustentou que as despesas glosadas eram necessárias, usuais e normais. Quanto ao IR na fonte, afirmou que os pagamentos foram feitos a beneficiários identificados e com causa especificada. A DRJ RJO deu parcial provimento à impugnação, afastando a glosa das despesas contabilizadas em desacordo com o regime de competência, pois entendeu que não houve postergação de tributos, mas de despesas. Além disso, restabeleceu parte das deduções glosadas com material de uso e consumo e com aluguel de equipamentos, tendo em vista a comprovação dos respectivos pagamentos. Por fim, afastou a multa qualificada para o IRRF do período de outubro de 2010. Quanto ao restante, manteve o lançamento. A decisão foi sintetizada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. Descritos os fatos que fundamentam a exigência fiscal e estando juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal, não há falar em ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não se caracterizando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte. LUCRO REAL. DESPESA. POSTERGAÇÃO. PREJUÍZO AO ERÁRIO. INEXISTÊNCIA. Em regra, a postergação de despesa na apuração do lucro real é prática insuscetível de causar prejuízo à Fazenda, cabendo à fiscalização a demonstração de efeito diverso. PRODUÇÃO DE EFEITOS LEGAIS. DOCUMENTOS REDIGIDOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. Fl. 9001DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.002 4 Para produzirem efeitos legais no Brasil, os documentos em língua estrangeira devem ser legalizados pelo Serviço Consular no país de emissão, traduzidos para o português por tradutor juramentado e registrados no Registro de Títulos e Documentos. DESPESA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Como corolário geral da teoria das provas do direito processual, em processo fiscal predomina o entendimento segundo o qual as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pela Fazenda, enquanto aquelas que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao sujeito passivo. Nesse mister, para se comprovar uma despesa, de sorte que ela se apresente dedutível em face da base de cálculo de determinado tributo, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve desembolso: é indispensável demonstrar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, que é justamente o fato que torna o pagamento devido. DESPESA. DEDUÇÃO. NECESSIDADE. Somente são dedutíveis da tributação as despesas que se mostram indispensáveis à pessoa jurídica, posto que diretamente ligada à atividade econômica que desenvolve. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. TRIBUTAÇÃO. Pagamento sem causa é aquele indevido, que não guarda adequação com as finalidades sócioeconômicas da sociedade empresarial que o efetuou. Desta feita, recursos entregues a terceiros ou mesmo a sócios da pessoa jurídica fora de tal contexto finalístico estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte com emprego da alíquota de trinta e cinco por cento. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por decorrer dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deve ter o lançamento reflexo de CSLL. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Fazse mister afastar a exigência da multa de ofício em sua forma qualificada quando a fiscalização não apresenta motivação para a imposição da penalidade mais gravosa e nem dos autos se colhem elementos fáticos para tanto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com a decisão que lhe foi contrária, Sinopec Petroleum do Brasil interpôs recurso, arguindo questões preliminares e de mérito. Nulidade Arguiu preliminarmente nulidade da decisão recorrida, por considerar que não foram devidamente apreciados os documentos apresentados e os fundamentos da defesa, em desatenção aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. A DRJ não considerou a vasta documentação trazida aos autos, ao argumento de estar redigida em língua estrangeira. Porém, caberia ao órgão julgador solicitar a respectiva tradução, porque, tanto quanto à recorrente, lhe incube a instrução do processo, na busca da verdade material e em respeito à legalidade. Ademais, novos documentos e provas podem ser apresentados na instância recursal, por força dos mesmos princípios citados. Fl. 9002DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.003 5 Ilegalidade da cobrança do IRRF Acusou a ilegalidade da cobrança do IRRF à alíquota de 35% e negou ter havido pagamento sem causa. A decisão recorrida manteve o crédito tributário relativo ao IRRF por entender que a situação se enquadra no disposto no § 1º do artigo 674 do Regulamento do Imposto (Decreto nº 3.000/1999), já que não estaria comprovada a causa de qualquer um dos pagamentos às empresas Hutton, China Friendship, China Development Bank, Total Gás, Vetor e Contau Contabilidade. No caso em epígrafe não se pode falar de pagamento a beneficiário não identificado, haja vista que as prestadoras de serviços beneficiadas pelos pagamentos foram claramente identificadas na contabilidade e nos documentos apresentados pela recorrente. A autoridade fiscal menciona ter feito diligências junto às pessoas beneficiárias dos pagamentos, o que seria impossível se elas não fossem identificadas. Também não se pode afirmar tratarse de pagamento sem causa, considerando que as despesas encontramse devidamente identificadas e os referidos serviços foram essenciais para as atividades da recorrente. A recorrente iniciou as atividades no Brasil em 2005, no segmento de construção e montagem de dutos terrestres. Assim, contratou serviços de agenciamento e intermediação de negócios e consultoria técnica em dutos terrestres com empresas especializadas, no intuito de demonstrar a aptidão técnica necessária para o desempenho do referido empreendimento e participar em projetos neste segmento. A recorrente foi contratada para executar o Projeto Gasoduto Gasene, composto pelos Gasodutos Gascav (Gasoduto Cabiúnas Vitória, correspondente ao trecho sul do Gasoduto Gasene) e Gascac (Gasoduto Cacimbas Catu, correspondente ao trecho norte do Gasoduto Gasene). Além disso, a recorrente também firmou com a Petrobrás contrato de cooperação estratégica, pelo qual ambas as empresas estabeleceram a cooperação em diversas áreas, incluindo exploração, produção, refino, petroquímicos e o fornecimento de bens e serviços relacionados. Está comprovado que os serviços de agenciamento, intermediação de negócios e consultoria técnica contratados tiveram o resultado esperado. As despesas, portanto, eram necessárias, usuais e normais às atividades da empresa. Afirmou a recorrente que é inconteste que a contratação de serviços de agenciamento, de intermediação de negócios e de consultoria técnica em dutos terrestres foram necessários para o desempenho de sua atividade fim, em especial no que diz respeito à construção do Gasoduto Gasene. Não houve pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Pagamento sem causa é aquele cuja razão não tenha sido divulgada pelo contribuinte, nem identificada pelo Fisco, o que não teria ocorrido no caso concreto. Não obstante, ainda que a autoridade fiscal não compreendesse a causa dos pagamentos, ou entendesse que os pagamentos não seriam necessários, nem intrinsecamente vinculados às atividades da recorrente, o que poderia ter feito, no pior cenário, é ter considerado as despesas não dedutíveis, procedendo à respectiva glosa. Entretanto, jamais poderia ter exigido IR na fonte. Até porque restou comprovado, pelas diligências realizadas, que os beneficiários dos pagamentos ofereceram as receitas à tributação. Fl. 9003DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.004 6 Ressaltou a recorrente que a DRJ afastou a cobrança da multa qualificada (150%). Porém, se o órgão julgador considerasse os pagamentos como "sem causa", "imotivados" ou "simulados", não teria afirmado a ausência dos elementos fáticos caracterizadores de sonegação, fraude ou conluio. Invocou, por fim, o art. 112 do Código Tributário Nacional CTN, segundo o qual, em caso de dúvida, a lei tributária deve ser interpretada de modo mais favorável ao contribuinte. A recorrente não se opôs apenas à exigência de IR na fonte, insurgiuse também contra as glosas das seguintes despesas: provisão de ICMS; material de uso e consumo, serviços prestados por pessoas jurídicas, aluguel de equipamentos, despesas de viagens e estadias, e despesas de alimentação. Provisão de ICMS Disse a recorrente que a despesa de R$ 71.550,67 se refere a provisão de ICMS sobre transferência de material em janeiro de 2009. Teriam sido acostados aos autos o Livro de Apuração de ICMS, pelo qual é possível verificar a escrituração das notas fiscais nº 000551 e 000552, sob o CFOP 6552, relativas à transferência de bens do ativo imobilizado para outro estabelecimento da mesma empresa (filial de Teixeira de Freitas/BA); e a nota fiscal nº 000554, sob o CFOP 6657, referente à transferência de material de uso ou consumo para outro estabelecimento da mesma empresa (filial de Vitória/ES). Portanto, comprovada a transferência de bens entre filiais da recorrente, a despesa com ICMS, reconhecida no resultado do exercício, deve ser considerada como dedutível, nos termos do art. 344 do RIR/9926. Material de uso e consumo Com relação às despesas de material de uso e consumo (ano calendário de 2010), a decisão recorrida insiste em que a recorrente não teria comprovado o efetivo desembolso de R$ 1.649.831,80, glosados pela Fiscalização, não obstante o órgão julgador reconheça que foram apresentados recibos emitidos pela Frecomex Comércio Exterior Ltda. e faturas ("invoices") em idioma estrangeiro as quais seriam imprestáveis para fins de prova. Não procede a alegação de inadmissibilidade ou imprestabilidade de faturas em língua estrangeira, sobretudo quando a lide versa sobre despesas com aquisição de mercadorias importadas. Os documentos em língua estrangeira não prejudicam o perfeito entendimento dos fatos. As faturas, aliadas aos demais papéis apresentados em sede de impugnação, servem para atestar a importação e a nacionalização de mercadorias adquiridas pela recorrente, para o desempenho de suas atividades. Não pode prosperar a alegação de que a recorrente não teria apresentado prova do efetivo desembolso de R$ 1.649.831,80, nem de que os recibos emitidos pela Frecomex não coincidiriam com as datas e os valores das notas fiscais. Os valores relativos às mercadorias importadas e aos custos de desembaraço aduaneiro foram objeto de adiantamentos realizados pela recorrente à Frecomex, conforme demonstram o razão e os extratos bancários já acostados aos autos. Os recibos e notas fiscais, de fato, não possuem os mesmos valores e datas; isso, entretanto, não desqualifica as despesas, nem impede sua dedução. Ademais, ainda que não tivesse havido o efetivo pagamento, esse fato não impediria a importação e a nacionalização dos produtos. É que o desembolso de caixa não é requisito exigido pela legislação tributária para que uma despesa seja dedutível, bastando que a despesa tenha sida incorrida. Fl. 9004DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.005 7 Resta claro, portanto, que a glosa de despesas com material de uso e consumo incorridas pela recorrente nos anos de 2009 e 2010 deve ser cancelada, já que tais despesas revestemse dos requisitos de necessidade, usualidade e habitualidade, além de serem comprovadas por documentação hábil e idônea. Tanto é verdade que a decisão recorrida afastou a glosa de despesas no montante de R$ 871.511,14 face à documentação já apresentada. Despesas com serviços prestados por pessoas jurídicas A recorrente alegou ter trazido notas fiscais, contratos e relatórios, os quais não teriam sido aceitos como prova da efetiva prestação dos serviços. Afirmou que os contratos teriam sido firmados entre partes não vinculadas, em condições de livre mercado. Porém, mesmo que as operações envolvessem partes relacionadas, a legislação que disciplina preço de transferência determina ajustes, e não a total indedutibilidade da despesa. As despesas se reportam a serviços de agenciamento, intermediação de negócios, consultoria técnica em dutos terrestres, contratados pela recorrente para a construção do Gasoduto Gasene. É evidente a necessidade da contratação desses serviços. Insistiu na afirmação de que o pagamento não é requisito legal para a dedutibilidade de despesas, mormente considerando o regime de competência adotado para reconhecimento de receitas e despesas. A decisão recorrida, de forma equivocada, deu ênfase a uma suposta inadequação entre infraestrutura e quadro de pessoal alocados a esses serviços e os valores cobrados pelos respectivos prestadores. Porém, considerando que os serviços referemse, basicamente, a consultoria técnica, agenciamento e intermediação de negócios, não têm relevância a infraestrutura e o quadro de empregados, pois o que importa é a expertise da contratada e a sua capacidade técnica para a prestação dos serviços. Despesas com aluguel de equipamentos Quanto às despesas com aluguel de equipamentos, a Fiscalização teria apontado suposta insuficiência de documentos para comprovar as despesas que totalizariam R$ 3.904.254,33. Já para a DRJ só teria sido comprovado o efetivo pagamento de despesas no montante de R$ 963.000,00 no ano calendário de 2009, não obstante ter sido apresentado contrato de locação de tais equipamentos. A autoridade fiscal glosou as despesas porque a recorrente apresentou as notas fiscais nº 0242 (R$ 1.404.254,33) e nº 0247 (R$ 2.500.000,00), emitidas por Megadrill South America Eng. e Com. Ltda., sem, contudo, ter trazido aos autos o contrato de locação dos equipamentos. Embora o contrato de locação não seja indispensável para comprovar a dedutibilidade das despesas, a recorrente acostou aos autos o contrato, a fim de sanar as dúvidas e afastar a glosa. Ainda assim, a DRJ manteve parcialmente a glosa, alegando que a recorrente só logrou comprovar o efetivo pagamento de R$ 963.000,00. Ocorre que a comprovação do pagamento não é requisito legal para a dedutibilidade de despesas, pois basta que a despesa seja incorrida (art. 299 do RIR/1999). Fl. 9005DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.006 8 Despesas com viagens e "estadias" A glosa se deve, segundo a DRJ, à precariedade da documentação apresentada; além do que as despesas se mostraram desnecessárias. A recorrente admite a indedutibilidade das despesas com passeios da delegação chinesa no Brasil, no valor de R$ 440.426,80 (R$ 114.542,90 em 2009 e R$ 380.170,90 em 2010). Afirmou que o pagamento do crédito tributário respectivo já foi efetuado. Com relação às demais despesas relativas a compras de passagens aéreas e hospedagens de colaboradores e autoridades chinesas, disse a recorrente que é incontestável a presença do requisito necessidade. Tratase de despesas intrinsecamente ligadas à atividade econômica, e à manutenção da fonte produtora. A recorrente frisou que foram apresentados relatórios pertinentes às despesas, com discriminação de nomes, destinos e valores. Despesas com alimentação de funcionários A recorrente ponderou que estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhor PAT, e que, assim, fornecia alimentação, in natura ou mediante entrega de valerefeição, a todos os seus funcionários indistintamente. Disse também que cumpre todos os requisitos previstos no art. 369 do RIR/1999, razão pela qual as despesas incorridas com alimentação de seus funcionários devem ser deduzidas do lucro líquido. No que toca aos gastos com alimentação de funcionários, no curso da jornada de trabalho, é preciso considerar que, durante os anos de 2009 e 2010, os empregados da recorrente viajaram, com frequência, para outras localidades, a fim de participar de reuniões, bem como para construir os gasodutos do Projeto Gasene. Dessa forma, tais despesas seriam gastos com alimentação durante viagens de trabalho. Tais despesas seriam intrinsecamente vinculadas à atividade da recorrente, bem como necessárias à manutenção da fonte produtora. Frisou, por fim, que foram cumpridos os requisitos do art. 299 do RIR/1999. Ilegalidade da glosa de despesas em duplicidade Alegou a recorrente que parte das despesas com viagens e estadias fora glosada em duplicidade. As despesas nos de 2009 e 2010 estão discriminadas nos itens 56 e 64 do Termo de Constatação. Os valores contidos nas faturas 4881 (R$ 4.830,00 "Tour em Brasília") e 4887 (R$ 6.652,64 "jantar") foram glosados em duplicidade. A recorrente já tinha admitido que determinadas despesas haviam de ser adicionadas ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, pois eram relativas a passeios da delegação chinesa no Brasil. Mesmo assim, tais valores foram glosados de forma individualizada no Termo de Constatação, caracterizando a duplicidade da glosa. Fundada nessas razões, a recorrente pediu o cancelamento do auto de infração. Na Resolução nº 1301000.455 (fls. 8.923 a 8.927), determinouse o retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade lançadora se manifestasse sobre os documentos apresentados no recurso. A autoridade administrativa, no relatório de fls. 8.935 a 8.937, ponderou que os documentos não alteravam as conclusões do Termo de Constatação, sobretudo, os referentes Fl. 9006DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.007 9 aos serviços de consultoria, em face das informações genéricas que os documentos continham. No entanto, admitiu que o contrato de prestação de serviços aduaneiros (referente aos itens 46 e 47 do Termo de Constatação) poderia servir como documento hábil a comprovar as respectivas despesas. A recorrente, mais uma vez ouvida no processo, disse que o relatório ignorou a documentação constante dos autos, atendose apenas aos documentos objeto da tradução juramentada, os quais, sendo complementares, não deveriam ser apreciados isoladamente, pois integram o conjunto probatório formado pelos documentos apresentados desde a impugnação. Assim, a fim de que fosse respeitado o devido processo legal em matéria tributária, impunhase à autoridade fiscal manifestarse sobre o conjunto probatório relacionado aos itens em questão. Especificamente quanto aos documentos relativos aos serviços prestados por pessoas jurídicas, aduziu que um exame mais detido das cláusulas contratuais e dos relatórios das atividades vinculadas ao contrato permitiria concluir que não são genéricos nem os serviços, nem a documentação exibida. Contestou também a referência feita pela autoridade administrativa à "Operação Lava Jato". Disse a recorrente: 29. Adicionalmente, o D. Fiscal Autuante traz uma inovação aos autos ao sustentar em seu Relatório que haveria suposta similitude entre o contrato de consultoria firmado entre a SINOPEC e a Hutton e os contratos da Petrobrás no âmbito da Operação LavaJato. Ora, Ilmo. Conselheiro, tratase de verdadeira "teoria da conspiração" criada de forma inconsequente pelo D. Fiscal Autuante em sede de diligência, na frágil tentativa de desqualificar a natureza do pagamento efetuado pela ora Requerente. 30. Isto porque, o D. Fiscal Autuante, que agora realizou a diligência requerida por este Egrégio Conselho, sequer determinou a imposição de multa de ofício qualificada de 150% quando da lavratura do Auto de Infração guerreado nestes autos, nem mesmo alegou eventual existência ou presunção de intuito de dolo, fraude, simulação ou evasão de divisas no caso concreto, seja contra a SINOPEC e, principalmente, contra a Hutton. Portanto, não pode agora, em sede de elaboração de Relatório de Diligência Fiscal, trazer aos autos alegação de que o contrato em comento se enquadraria no âmbito da Operação LavaJato. (fls. 8.948 e 8.949) Insistiu a recorrente na tese de que, na diligência, deveria ter sido examinado o conjunto probatório como um todo, a exemplo do exame das despesas com a empresa Armex. Por outro lado, relativamente à documentação comprobatória da contratação da empresa Armex Logística e Comércio Exterior Ltda. ("Armex"), correspondente aos itens 47 e 48 do Termo de Constatação Anexo ao Auto de Infração, o D. Fiscal Autuante houve por bem examinar a totalidade da documentação apresentada pela SINOPEC nestes autos, tendo afirmado o seguinte: "Foi apresentado um contrato de prestação de serviços de desembaraço aduaneiro onde constam cláusulas bem definidas acerca da obrigação da contratada, especificação clara dos serviços a serem desenvolvidos, bem como as Fl. 9007DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.008 10 atividades a serem exercidas. Ao ver desta Fiscalização, tal documentação pode servir como documentação hábil e idônea para comprovar as despesas incorridas." 43. Assim sendo, verificase, pois, que o D. Fiscal Autuante expressamente reconhece que a documentação apresentada pela SINOPEC é hábil e idônea para a devida comprovação das despesas incorridas com serviços de desembaraço aduaneiro prestados pela Armex. Logo, é incontroverso que a manutenção da glosa de tais despesas no montante de R$ 289.813,17 é totalmente equivocada, e, consequentemente, deve ser excluída do Auto de Infração por este Egrégio Conselho. (grifo da recorrente) (fls. 8.951 e 8.952) No mais, a recorrente reproduziu argumentos da impugnação e do recurso. Com a manifestação da recorrente, os autos retornaram ao CARF, onde se encontram não apenas por força do recurso voluntário, mas também pela necessidade de reexame da parte da decisão que, favorável à recorrente, excluiu parcela do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Quanto ao recurso de ofício, está presente a obrigatoriedade do reexame da decisão da DRJ, na parte contrária à Fazenda Nacional, porquanto o crédito tributário exonerado ultrapassa o limite de alçada fixado na Portaria MF nº 63/2017, que é de R$ 2.500.000,00. Nulidade da decisão recorrida De acordo com a recorrente, a nulidade da decisão da DRJ se deve a dois fatos: não ter apreciado todos os fundamentos da defesa; e não ter examinado os documentos em língua estrangeira, nem ter determinando sua tradução. É entendimento pacífico, no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, que a decisão não precisa abordar todas as teses jurídicas suscitadas pelas partes, desde que seja fundamentada, apresentando motivos suficientes para respaldar o que foi decidido. Confirase: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO CONDENATÓRIO. CONTRADIÇÃO, OMISSÃO E ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DA CAUSA. EMBARGOS REJEITADOS. Fl. 9008DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.009 11 1. Ausência de contradição, omissão e erro material a ser sanado pelos embargos declaratórios. 2. É firme a jurisprudência no sentido de que são incabíveis os embargos de declaração quando a parte, a pretexto de esclarecer uma inexistente situação de obscuridade, omissão ou contradição, vem a utilizálos com o objetivo de infringir o julgado e de, assim, viabilizar um indevido reexame da causa. Precedentes. 3. Não se faz necessária a manifestação do julgador sobre todas as teses jurídicas ventiladas pelas partes. Precedentes. 4. Não se constatam elementos suficientes para afastar a competência deste Supremo Tribunal Federal para o julgamento da presente ação penal, bem como para reconhecer a nulidade da ação penal, absolver o Embargante ou declarar a prescrição punitiva estatal, não cabendo aqui ser cogitada a excepcional ocorrência do efeito modificativo dos embargos declaratórios nem a concessão de habeas corpus de ofício. 5. A interrupção da prescrição da pretensão punitiva estatal nas instâncias colegiadas se dá na data da sessão de julgamento, que torna público o acórdão condenatório. 6. A jurisprudência deste Supremo Tribunal é firme no sentido de que o que se espera de uma decisão judicial é que seja fundamentada, e não que se pronuncie sobre todas as alegações deduzidas pelas partes. 7. Embargos de Declaração rejeitados. (STF Embargos de Declaração na Ação Penal 396 Rondônia, Rel. Min. Cármen Lúcia, em 26/06/2013, DJe 30/09/2013) (g.n.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeuse pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812 80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Fl. 9009DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.010 12 Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (STJ Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315 DF, Rel. Min. Diva Malerbi, em 08/06/2016, DJe 15/06/2016) (g.n.) O acórdão recorrido trata de todos os pontos controversos envolvidos no lançamento. Por sua vez, a recorrente não apontou de forma objetiva a matéria ou a questão controversa que remanesceu sem exame na decisão recorrida. As questões centrais e periféricas foram decididas de forma fundamentada, a despeito da discordância quanto ao conteúdo da decisão. No tocante aos documentos em língua estrangeira, é a própria lei que determina que eles sejam traduzidos. A tradução é ônus de quem apresenta o documento, afirmando que ele faz prova de fatos controversos. Portanto, ao ter deixado de apreciar documentos em língua estrangeira, o órgão julgador não cometeu nenhuma ilegalidade que pudesse invalidar a decisão. Recurso de ofício O acórdão da DRJ exonerou uma parte do crédito tributário. Especificamente foram restabelecidas despesas que a Fiscalização glosou por terem sido contabilizadas em desacordo com o regime de competência. Afastouse a glosa de uma parcela das despesas que o órgão julgador admitiu como comprovadas. E, finalmente, foi afastada a qualificação da multa em relação ao IRRF do mês de outubro de 2010. Quanto às despesas contabilizadas fora do regime de competência, a decisão foi assim fundamentada: No caso dos autos, tratase de postergação de dedução à base de cálculo, o que, ressalvada a ocorrência de casos específicos, acarreta a antecipação de tributo. Assim, para que o lançamento com fulcro na glosa destas despesas prosperasse, seria preciso que a fiscalização demonstrasse que do confronto entre os efeitos da transposição dos respectivos valores, (i) como dedução do lucro real de 2008 e (ii) como adição ao lucro real de 2009, resultasse economia tributária indevida, conclusão que não se pode inferir desses autos. Sendo assim, sou pelo afastamento da glosa das deduções de R$ 721.513,06, referente à conta "custo dos serviços prestados", e R$ 466.372,26, relativos ao "custo com veículos". (fls. 8.439 e 8.440) É correta a decisão da DRJ. As despesas foram contabilizadas no período de apuração seguinte. Em tese, o erro foi em desfavor do contribuinte, que antecipou tributo. A Fiscalização, entretanto, glosou a despesa como se ela fosse inexistente ou não dedutível. Fl. 9010DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.011 13 É certo que a postergação do registro contábil da despesa pode, por exemplo, revelar uma burla ao limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensar prejuízo fiscal. Pode também ser indício de apropriação em duplicidade da mesma despesa. Mas para comprovar tanto a primeira, quanto a segunda hipótese, seria necessário avançar na investigação, o que a autoridade lançadora não fez. Portanto, a glosa pura e simples, como se deu no lançamento, não pode prevalecer. Com relação às outras deduções restabelecidas pela DRJ, estes foram os fundamentos: Ainda com respeito as despesas lançadas sob o signo "material de uso e consumo" em 2009, por meio dos comprovantes bancários de fls. 3832/3833, a interessada logrou comprovar o pagamento quase que integral do valor relacionado à nota fiscal de fls. 3831 de R$ 871.511,20, já que os dois comprovantes somam R$ 871.511,14, sendo este o montante que deve ser afastado da glosa fruto da ação fiscal. (fl. 8.440) (...) Relativamente ao "aluguel de equipamentos" no anocalendário 2009, a fiscalização apontou insuficiência de documentos que comprovassem a efetiva realização da despesa de R$ 3.904.254,33 no período, mormente pela ausência do contrato de locação firmado pelas partes. A falta de tal instrumento foi suprida pela interessada com a apresentação do contrato de fls. 4842/4847. Ocorre que o pacto remete a um demonstrativo anexo, similar a um cronograma de desembolso, pelo qual seriam devidos pela interessada R$ 1.197.000,00 em 2009. Contudo, a defesa só logrou comprovar o efetivo pagamento de R$ 963.000,00, conforme os comprovantes de depósitos/transferências bancárias de fls. 4851/4857, devendo, por conseguinte, ser afastada a glosa equivalente a este montante. (fl. 8.443) Aqui a decisão da DRJ deve ser parcialmente mantida. A comprovação das despesas com material de uso e consumo se fez pela prova de que as obrigações, pelo menos em parte, foram liquidadas por pagamento. O efetivo pagamento, embora não seja uma prova inconteste da existência da despesa, é sem dúvida um forte indício nesse sentido. De resto, a própria autoridade lançadora, no Termo de Constatação, considerou, em alguns casos, a prova de pagamentos como um indicador seguro da existência da despesa. Relativamente às despesas com aluguel de equipamentos, a glosa deve ser restabelecida. A autoridade lançadora glosou a despesa pela falta de apresentação do respectivo contrato de locação, que tardiamente foi trazido aos autos. Ocorre que os valores glosados não correspondem à parcela da despesa que deveria ser apropriada mensalmente, em atenção ao regime de competência, considerados valor e tempo de duração do contrato. A discrepância entre os valores indica que o instrumento contratual apresentado não tem relação com a despesa glosada. Em suma, o contrato não prova a validade das deduções. Por conseguinte, o recurso de ofício, nessa parte, deve ser provido, para restabelecer a glosa de R$ 963.000,00. O último ponto da decisão a quo a merecer reexame é a desqualificação da multa, que foi feita sob os seguintes fundamentos: Por fim, quanto a exigência da multa de ofício qualificada, assiste razão à interessada quando aponta a desarrazoada incidência apenas sobre um lançamento de IRRF e sem qualquer justificativa. O silêncio quanto ao fato, tanto no termo de constatação fiscal, quanto no auto de infração exceto, evidentemente, na parte Fl. 9011DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.012 14 deste em que são calculados os encargos , é revelador da possibilidade de tratarse de mero erro material do lançamento. Seja como for, não se extrai dos autos nenhuma das situações previstas em lei para a imposição da penalidade de 150%: (fl. 8.447) (...) Fica mantida a exigência principal de IRRF e reduzida a multa de ofício do período de apuração de 150% para 75%, do que decorre sua diminuição de R$ 5.424.144,23 para R$ 2.712.072,11 para o período de apuração outubro/2010 e, conseqüentemente, da penalidade total de R$ 17.871.196,04 para R$ 15.159.123,92. (fl. 8.450) A imposição de multa qualificada (150%) requer a presença de dolo, do intuito de fraudar ou da prática de atos simulados visando reduzir ou suprimir tributos. A manutenção da multa depende, portanto, de descrição da conduta dolosa e da respectiva prova. No caso concreto, como bem acentuou a decisão da DRJ, não há qualquer referência expressa aos requisitos necessários à aplicação da multa qualificada, tanto é que o próprio órgão julgador cogitou ter havido inexatidão material. Seja qual for o motivo que levou à aplicação da multa qualificada, a verdade é que ela não resiste à simples leitura do Termo de Constatação e, por isso, deve ser afastada. Pelo exposto, o recurso de ofício deve ser parcialmente provido, restabelecendose a glosa de R$ 963.000,00 referente a locação de equipamentos. Despesas com serviços prestados por pessoa jurídica A Fiscalização, relativamente ao ano de 2009, glosou despesas de serviços relativos a consultoria e assessoria, porquanto não apresentada qualquer comprovação da efetividade dos serviços, apesar dos expressivos valores pagos. O mesmo ocorreu em relação aos serviços prestados por pessoa jurídica em 2010. Tais valores, depois de reajustados, sofreram incidência do IR na fonte. Em relação à empresa Armex Logística e Comércio Exterior, a despesa de R$ 289.813,17 foi glosada por falta de comprovação do efetivo pagamento. Também houve glosa da despesa de R$ 139.391,15 referente a serviço com despacho aduaneiro, visto que restou sem comprovação a despesa feita com a pessoa que teria efetuado o despacho. As duas glosas perfazem o montante de R$ 429.204,32. Em relação a elas não houve exigência de IR na fonte. A recorrente alegou ter apresentado farta documentação, que foi ignorada pela DRJ. Disse também que a jurisprudência do CARF é no sentido de que contratos e notas fiscais são suficientes para comprovar a existência de serviços. A falta de comprovação dos serviços ou de sua efetividade e necessidade, porém, não seriam os verdadeiros motivos para a manutenção da glosa pela decisão recorrida. A glosa foi mantida em razão do valor da despesa, considerado excessivo. Tal valor, entretanto, foi estabelecido em negócio envolvendo partes não relacionadas. Quanto à glosa da despesa com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda., ponderou a recorrente que o pagamento não é requisito legal de dedutibilidade. Antes de examinar o problema, convém chamar a atenção para o detalhe de que a maioria das despesas glosadas pela Fiscalização atinge serviços de consultoria e de Fl. 9012DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.013 15 assessoria prestados por empresas privadas. Estes são os valores correspondentes aos serviços glosados: BENEFICIÁRIO DO PAGAMENTO VALOR R$ DATA HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 4.896.121,35 20/01/2009 HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 4.896.121,35 23/04/2009 HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 4.896.121,35 24/07/2009 HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 4.199.624,12 22/10/2009 HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 6.117.600,00 18/11/2009 CHINA FRIENDSHIP DEVELOPMENT INTERNATIONAL ENGINEERING & CONSULTING CORP 1.710.000,00 15/10/2009 CHINA FRIENDSHIP DEVELOPMENT INTERNATIONAL ENGINEERING & CONSULTING CORP 653.714,50 01/11/2010 CHINA DEVELOPMENT BANK 3.699.940,93 05/11/2009 CHINA DEVELOPMENT BANK 2.284.917,77 09/12/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 02/01/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/02/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/03/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/04/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 03/05/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/06/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/07/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 02/08/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/09/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/10/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 34.420,02 01/11/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 34.420,02 01/12/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.953,40 04/01/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 36.558,60 01/02/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 35.100,00 01/03/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 34.729,50 05/04/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.746,70 03/05/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 35.425,65 02/06/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 35.178,00 01/07/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 34.265,40 02/08/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 34.242,00 01/09/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.036,90 04/10/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.177,30 03/11/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.463,95 02/12/2010 CONTAU CONTABILIDADE EMPRESARIAL LTDA 249.500,00 24/02/2010 CONTAU CONTABILIDADE EMPRESARIAL LTDA 72.353,00 17/06/2010 ARMEX LOGÍSTICA E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA 148.525,47 01/10/2010 ARMEX LOGÍSTICA E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA 83.444,31 01/12/2010 ARMEX LOGÍSTICA E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA 57.843,39 01/12/2010 SERVIÇO DE DESPACHO ADUANEIRO 139.391,15 01/12/2010 Do quadro acima, percebese que Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. recebeu, apenas em 2009, cinco parcelas perfazendo o montante de R$ 25.005.588,17. As empresas Total Gás Consultoria e Vetor Consultoria receberam, em 2010, doze parcelas mensais, que ao final do ano totalizaram, para cada uma delas, aproximadamente R$ 400.000,00. Contau Contabilidade Empresarial auferiu em 2010 R$ 521.853,00, em duas Fl. 9013DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.014 16 parcelas. China Friendship recebeu R$ 2.363.714,50; e China Development, R$ 5.984.858,70. Tudo isso pago a título de consultoria e assessoria. Para a recorrente, a prova da prestação do serviço se faz mediante nota fiscal e contrato. É certo que a prestação de serviços, em tese, se comprova mediante a apresentação desses documentos. A obrigação que tem por objeto uma prestação de serviços se executa mediante comportamento de fazer, que é incorpóreo e, muitas vezes, não deixa nenhum sinal, marca, vestígio ou elemento palpável que possa servir de prova física de que a prestação foi efetivamente cumprida. É o que se dá, por exemplo, com os serviços de consultoria e assessoria. Não é por acaso que eles são usados amiúde para "lavagem de dinheiro" e para mascarar pagamentos de propinas e de outras vantagens ilícitas. Nos dias atuais, fraudes desse tipo vêm sendo com frequência apuradas pelo Ministério Público, pela polícia e pelo Fisco. Sem risco de exagero, podese afirmar que não passa uma semana, sem que a imprensa divulgue alguma notícia dessa natureza. Isso, entretanto, não autoriza a presunção de que todo serviço de consultoria ou de assessoria esconda uma fraude. Mas, sem perder de vista esse contexto, é preciso ponderar cada situação concreta, levando em conta as circunstâncias específicas do caso. Nesse sentido, os montantes pagos são, indiscutivelmente, um elemento que não pode ser desprezado. No caso dos autos e considerando esse aspecto, a autoridade fiscal se deteve na análise do serviço supostamente prestado pela Hutton Equipamentos, para quem foi entregue, só em 2009, quantia superior a vinte e cinco milhões de reais. Eis o que disse a autoridade fiscal no Termo de Constatação: (6) Em relação à empresa HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 08.924.836/000194, doravante HUTTON, verificase que, no ano calendário de 2009 foi efetuado um pagamento total de R$ 25.005.588,17. Em um primeiro momento, a fiscalizada foi intimada a apresentar documentação comprobatória de tais lançamentos. Em atendimento, apresentou apenas as Notas Fiscais de serviços referentes a cada lançamento. (7) As Notas Fiscais apresentadas tem sua numeração sequencial, emitidas manualmente e consignam a natureza do serviço como "agenciamento de novos negócios". Notese que a SINOPEC não angariou novo cliente através do agenciamento de HUTTON, uma vez que já havia construído outra parte do Gasoduto objeto de sua atuação. (8) Causa estranheza também, como comprovado a seguir, o fato de HUTTON não possuir qualquer funcionário, estar localizada em local acanhado (box dentro de distribuidor) situado em município diverso de seu sócio principal (e, conforme demonstraremos a seguir, único executor do contrato) ou do local de atuação de sua cliente SINOPEC, não possuir qualquer outro cliente e não possuir histórico de atuação no mercado que justificasse sua contratação em montantes tão elevados, posto que não realizou qualquer serviço anterior ao prestado à SINOPEC. (9) Intimada, em 14/05/2013, a comprovar a efetividade dos serviços prestados, a fiscalizada não apresentou qualquer contrato ou documento equivalente. Apresentou somente relatórios de serviços teoricamente prestados pela contratada, referentes aos meses de julho de 2007, agosto de 2007, outubro de 2007, novembro de 2007, dezembro de 2007, primeiro trimestre de 2008, segundo Fl. 9014DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.015 17 trimestre de 2008, terceiro trimestre de 2008, primeiro trimestre de 2009, segundo trimestre de 2009, terceiro trimestre de 2009 e quarto trimestre de 2009. Finalmente, um documento denominado "ECONOMIC SURVEY OF BRAZIL 2009". Cumpre ressaltar que cada um desses relatórios possui, contada a folha de rosto, entre duas e cinco páginas, e a documentação referente a todos os relatórios citados alcança 41 páginas. (10) Analisando tais relatórios, em inglês, verificase que as atividades a serem desenvolvidas por HUTTON são genéricas, como por exemplo, na cláusula C, do relatório de julho de 2007, "realizar seus melhores esforços para fazer da SINOPEC a empresa contratada ou pelo menos um candidato" a ganhar a concorrência, (esta tradução e todas as demais efetuadas por este AFRFB). Neste mesmo relatório, são feitas "sugestões" genéricas, tais como a do item 2, orientando a "leitura acerca da Economia Brasileira e Investimento Estrangeiro, para ajudar a SINOPEC a entender a economia brasileira, suas leis e como fazer sucesso no mercado brasileiro sendo uma empresa estrangeira". (11) No relatório de setembro de 2007, consta a informação de que a HUTTON "manteve contato com BNDES, PETROBRÁS e autoridades brasileiras para ajudar com o fluxo de informações durante o processo de negociação das condições do contrato". A dúvida que surge é: como uma empresa do porte da HUTTON tem acesso e consegue interferir na comunicação entre a maior empresa brasileira, as autoridades governamentais e o BNDES? Ademais, a construção do Gasoduto deuse através de negociações entre Governos Brasileiro e Chinês, com a participação de empresas de grande porte dos dois países. Como poderia HUTTON estar discutindo cláusulas do contrato com os contratantes, contrato este que ainda viria a ser firmado? E, tendo a SINOPEC construído a primeira parte do Gasoduto, porque necessitaria do auxilio de HUTTON no acordo entre SINOPEC e a PETROBRÁS? (12) Finalmente, a empresa contratada para construir o trecho GASCAV do Gasoduto foi SINOPEC INTERNATIONAL PETROLEUM SERVICE CORPORATION (companhia organizada e existente de acordo com as leis da República Popular da China e controladora da SINOPEC PETROLEUM DO BRASIL LTDA), a qual subcontratou a fiscalizada. Reforcese: Qual o serviço desenvolvido por HUTTON que possa ser avaliado em 25 milhões de reais? Ainda, sendo o contrato firmado com a SINOPEC chinesa, os serviços de HUTTON seriam dedutíveis em sua controlada no Brasil? Notese que não há qualquer novo negócio gerado por HUTTON para a fiscalizada. (13) No relatório de novembro de 2007, em seu item 6, HUTTON dá sugestões/conselhos à fiscalizada no sentido de "é muito difícil pedir a um empregado para trabalhar fora do horário no Brasil" ou "cada ano necessita de um mês de férias". (14) No ano calendário de 2009, HUTTON emitiu quatro relatórios trimestrais, que, juntos, totalizam oito páginas. No do primeiro trimestre, não há qualquer discriminação de serviços prestados, mas meras análises conjunturais da economia brasileira. (15) No relatório do segundo trimestre de 2009, na sua parte inicial, HUTTON diz ter visitado a China e mantido conversas com o Banco Chinês de Desenvolvimento e SINOPEC, para auxiliar a finalização de MOU (sic) entre PETROBRÁS, SINOPEC e CDB durante a visita do então Presidente do Brasil à China. Considerandose que HUTTON era uma empresa que não tinha tido Fl. 9015DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.016 18 qualquer cliente nem qualquer expressão no mercado, como poderia auxiliar em tais tratativas? (16) Finalmente, identificamse nos relatórios pouquíssimas descrições reais de serviços prestados por HUTTON, com sua área de atuação sendo definida de forma genérica, tais como tratativas, reuniões, contatos e esforços, ações estas ligadas a empresas de grande porte e autoridades públicas de Brasil e China. Considerandose que HUTTON é uma empresa pequena e sem qualquer tradição no mercado, como poderia realizar serviços dessa magnitude? E, ainda, de que forma, HUTTON conseguiria influenciar no resultado final da licitação pública da PETROBRÁS? (17) De posse de tais informações, foi lavrado Termo de Intimação com ciência efetivada em 30/08/2013, questionando diversos aspectos em relação à atuação de HUTTON, cujos principais pontos serão reproduzidos a seguir. (18) Embora, o valor total pago tenha alcançado 25 milhões de reais, SINOPEC informa que não sabe o numero de empregados de HUTTON que prestaram serviço a ela, já que todos os contatos eram feitos com o sócio HERBERT. Informa ainda que não sabe a formação acadêmica de quaisquer empregados e que HERBERT seria engenheiro. Fica evidente, portanto, que os 25 milhões de reais referemse apenas ao trabalho do sócio HERBERT de HUTTON, trabalho este desenvolvido de forma absolutamente genérica. (19) Afirmou ainda, que o que a motivou a contratar HUTTON foram informações dos Governo e Embaixada Chineses no Brasil acerca da expertise da contratada e que "era extremamente necessário e normal para uma empresa que estava iniciando operações e negócios no Brasil". Ocorre que, a SINOPEC chinesa, controladora da fiscalizada, já havia construído o trecho GASCAC do mesmo Gasoduto, de forma que a empresa já tinha não só experiência em tratar com as partes envolvidas no contrato, como de negócios no país. Qual seria a necessidade de se contratar HUTTON (sendo seu único cliente) para intermediar a continuação da obra do Gasoduto? (20) Intimado a esclarecer se tinha dado procuração para HUTTON agir em seu nome ou se HUTTON participou de reuniões com registro em Atas, informou que HUTTON não tinha procuração porque não tinha poder para tomar a decisão final do negócio, bem como que houve reuniões da alta gerência da SINOPEC, CDB, HUTTON, PETROBRÁS, BNDES e representantes dos governos brasileiro e chinês. Finalmente, afirma que "como de costume, em reuniões de alta gerência, não foram assinadas atas de reunião". Em que pese a assertiva da fiscalizada, cumpre ressaltar que é costume em reuniões envolvendo reuniões de empresas visando a contratação de negócios, a lavratura de Atas com as tratativas desenvolvidas. Tanto que, a própria fiscalizada, na continuação desta resposta afirma que "após os ponto chaves terem sido negociados e fechados, a SINOPEC e a PETROBRÁS começaram a discutir os detalhes do CONTRATO, como pode ser visto das Atas de Reunião que foram anexadas ao Contrato do PROJETO GASENE" (grifos nossos). Resumindo, em todas as reuniões em que HUTTON participou, não há qualquer ata lavrada. Finalmente, solicitada a elencar datas e representantes das empresas e autoridades participantes das reuniões em que HUTTON estivesse presente, a fiscalizada limitase a responder que foi a "alta gerência". (21) Finalmente, foi elaborado e enviado Termo de Intimação para os sócios de HUTTON solicitando informações e documentação referente aos serviços por ela desenvolvidos junto à fiscalizada. Tal procedimento foi adotado pelo fato de a HUTTON ter informado como seu domicílio um endereço sem indicação de Fl. 9016DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.017 19 numeração, o que impossibilitaria o recebimento da correspondência. Os principais elementos e esclarecimentos informados pela diligenciada serão expostos a seguir. (22) Intimada a apresentar contrato de prestação de serviços com a fiscalizada, respondeu que "firmou contrato com a SINOPEC INTERNATIONAL PETROLEUM SERVICE CORPORATION durante os anos de 2007, 2008 e 2009". Apresentou contrato, em inglês, firmado com SINOPEC do Brasil. Tal contrato, que envolveu, durante os anos calendário citados, valor próximo a 52 milhões de reais (cláusula 5 do contrato), dedica apenas seis tópicos para indicar as atribuições da contratada, que são: (i) contatar autoridades chinesas e brasileiras e fazer relações publicas, no que diz respeito à obtenção do PROJETO (Gasene); (ii) ser responsável por facilitar o financiamento do PROJETO; (iii) usar seus melhores esforços para que SINOPEC seja contratada para executar o PROJETO; iv) ajudar a dar lances, bem como ajudar na negociação e assinatura do projeto; (v) ajudar a SINOPEC a obter dados, materiais e documentos relevantes e (vi) prover análises da relação entre China e Brasil, bem como sobre o mercado de óleo brasileiro. (23) Apenas a título de comparação, SINOPEC firmou contratos com fornecedores cujos valores envolvidos eram muito menores que os pagos a HUTTON e que previam muito mais obrigações e controles que este. Ainda, verificase que todas as obrigações de HUTTON são genéricas, de difícil mensuração quanto à sua execução. Ressaltese ainda que, embora HUTTON tenha como obrigação participar de reuniões acerca de financiamento, materiais e documentos relevantes, nestas reuniões não são lavradas quaisquer atas. (24) Da análise das DIPJ de HUTTON, dos anos calendário de 2008 e 2009, constatouse que os valores distribuídos aos sócios são praticamente iguais ao valor do faturamento deduzido dos impostos incidentes, caracterizando a ausência de despesas na execução dos serviços prestados. Intimado a apresentar a Demonstração do Resultado no item 4 do Termo, a diligenciada apresentou apenas cópia da DIPJ. (25) Em resposta ao Termo de Intimação, informou que não possuía funcionários e que todos os serviços foram prestados pelo próprio presidente da empresa, HERBERT ANTONIO VON ATZINGEN PASQUINI, que, segundo a diligenciada, possui larga experiência em "atividades de administração de empresas, venda e planejamento de serviços bem como em obras de construção e montagem no setor de óleo e gás". Visando comprovar tal experiência, apresentou meramente um informativo da empresa TSL ENGENHARIA AMBIENTAL (empresa que, segundo a própria diligenciada, os sócios possuem participações) onde está escrito que foi responsável pela "execução de diversos contratos em várias refinarias da PETROBRÁS desde 1987". Tais credenciais justificariam a assinatura de contrato em valor superior a 50 milhões de reais? (26) Afirma ainda a diligenciada que não possuía clientes anteriormente ao contrato firmado com SINOPEC, não teve novos clientes posteriores à SINOPEC, exerce suas atividades no endereço indicado em Alfredo ChavesES e que "a SINOPEC Brasil soube da especialização da HUTTON para prestar os serviços contratados a partir do grande renome dos seus sócios (profissionais reconhecidos no mercado) cujos trabalhos anteriormente prestados revelavam a expertise suficiente para atender ao que foi contratado entre as partes". Finaliza dizendo que o sócio HERBERT é "amigo pessoal do exconsul da China em São Paulo, senhor Zhao Jiaping, que havia retornado para a China e que fez todos os arranjos necessários junto à SINOPEC e o CDB na China". Como fato concreto, surge que a empresa exerce suas atividades em município distante da cliente, do domicílio dos Fl. 9017DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.018 20 sócios e das autoridades com as quais se reúne; não realiza qualquer serviço que possa ter um mínimo de mensuração e não aponta qualquer prova de que tem conhecimento e expertise para justificar a assinatura de tal contrato. (27) Em relação aos relatórios que emitia para SINOPEC, a diligenciada respondeu que estes só existem em inglês; ainda, perguntado como HUTTON teria encontros com SINOPEC desde 2004 tendo sido fundada em 2007, respondeu que "por assim dizer" tais encontros estão se referindo ao sócio da diligenciada que vinha em tratativas anteriores. Ocorre que a própria SINOPEC ainda não havia sido constituída até 02/02/2005 (conforme cadastro do CNPJ). (28) Finalmente, afirmou que não possuía procuração de SINOPEC e que somente elaborava os relatórios apresentados a esta Fiscalização para a contratante. As atas de reunião eram elaboradas "pelos próprios entes". Informou ainda que não possui informações precisas sobre as referidas reuniões e, intimado a esclarecer os participantes da reunião, enumerou diversas autoridades públicas e de notória exposição pública, tal qual o Presidente da PETROBRÁS e o Presidente do Congresso Nacional. Em relação aos técnicos que participavam das reuniões, afirmou que eram "vários técnicos de diferentes áreas". Difícil imaginar que os detalhes financeiros, dados, materiais e demais aspectos do Contrato tenham sido discutidos em reuniões com o Presidente do Congresso, o presidente da PETROBRÁS e o Ministro das Minas e Energia. (29) De todo o exposto, concluise que: (i) não há provas conclusivas de que os serviços de HUTTON à SINOPEC tenham sido prestados; (ii) não ficou caracterizada a necessidade e a usualidade dos serviços supostamente prestados; (iii) se tais serviços existiram, não há prova de que tenham sido prestados à fiscalizada, e sim à sua controlada na China; (...) (32) Em relação à documentação de CHINA DEVELOPMENT BANK CORPORATION, a fiscalizada apresentou, visando comprovar a efetividade dos serviços prestados, documento em inglês denominado "FEASIBILITY STUDY REPORT" (tradução livre RELATÓRIO DE ESTUDO DE VIABILIDADE). Tal documento é, na verdade, um índice, desacompanhado do restante do estudo. (33) Da análise do índice, verificase que os serviços a serem desenvolvidos tem a mesma natureza daqueles prestados por HUTTON, descritos acima, com assuntos do tipo "uma boa oportunidade para SINOPEC ir da superfície ao fundo do mar", "gerenciamento da perfuração", "política brasileira" e similares. Notese que, embora com referências a perfuração marítima, tal documento visava comprovar a execução de serviço para uma empresa que construiu um gasoduto terrestre. (34) Não foram apresentados contrato firmado coma empresa, outros relatórios emitidos (exceto o já citado) ou quaisquer outros documentos que pudessem comprovar que os serviços tenham sido efetivamente prestados. (35) Pela mesma análise efetuada para HUTTON, os valores dos "serviços" prestados, bem como dos valores dos tributos incidentes, serão glosados por esta Fiscalização. Fl. 9018DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.019 21 (36) Em relação à documentação de CHINA FRIENDSHIP DEVELOPMENT INTERNATIONAL ENGINEERING & CONSULTING CORP, a fiscalizada apresentou, visando comprovar a efetividade dos serviços prestados, correspondência em inglês, afirmando entre outras coisas, que "ajudou muito SINOPEC na negociação e execução do GASENE", "manteve conversas com as autoridades chinesas, bancos e administradores relevantes" e similares. (37) Cabe aqui, a mesma análise feita para HUTTON e CHINA DEVELOPMENT BANK, de forma que os valores pagos a esta empresa serão glosados e tributados na forma do art. 674 do RIR/99. (fls. 3.498 a 3.506) Várias afirmações se extraem do trecho acima reproduzido, para as quais não há contestação específica: As notas fiscais emitidas manualmente pela Hutton Equipamentos indicavam como serviço o "agenciamento de novos negócios", mas a Sinopec não angariou nenhum novo cliente a partir das atividades da Hutton Equipamentos. A Hutton Equipamentos não tinha funcionários, nem clientes, além da própria Sinopec. Não tinha histórico de autuação no mercado e estava estabelecida em uma sala minúscula. Os relatórios apresentados davam notícia de atividades descritas de forma vaga e genérica. A Fiscalização pôs em dúvidas a viabilidade de uma empresa com o perfil da Hutton Equipamentos ter acesso aos dirigentes de Petrobrás e BNDES, e às autoridades do Governo do Brasil e da China. Se a Hutton Equipamentos prestou algum serviços, não foi para a recorrente, mas para a Sinopec Internacional estabelecida na China; entretanto, esta já havia construído antes um trecho do mesmo gasoduto (Gascac), o que dá a entender que a intervenção da Hutton Equipamentos, sendo inteiramente desnecessária, não existiu efetivamente. Não foi apresentada nenhuma ata indicando que algum empregado ou administrador da Hutton Equipamentos tenha participado de qualquer reunião visando à construção do gasoduto. E, por fim, os serviços descritos o foram de forma genérica, dificultando qualquer tipo de mensuração. Esses dados seriam suficientes para considerar como não demonstrada a efetiva prestação dos serviços. Não obstante, cabe reiterar que os serviços prestados foram identificados pela própria Hutton Equipamentos, nas notas fiscais de fls. 189 a 191, como "prestação de serviços de agenciamento de negócios".que é uma expressão de sentido vago. Os relatórios emitidos poderiam esclarecer o conteúdo do referido agenciamento. Mas eles não primam pela precisão e, às vezes, lembram textos de publicações especializadas em economia. Confirase: A crise econômica e financeira global não deixou o Brasil ileso. Mas a recuperação está a caminho e deve ganhar impulso na segunda metade de 2009 e em 2010. A consolidação macroeconômica continuada baseada em uma estrutura de política sólida combinada às metas de inflação, a taxa de câmbio flexível e normas baseadas na administração fiscal juntamente com uma posição muito melhor de responsabilidade externa sustentaram a resiliência da economia. Os políticos, no entanto, não devem perder de vista os desafios de longo prazo que terão de continuar a ser dirigidos para reforçar o potencial de crescimento da economia e fechar a lacuna nos padrões de vida em relação à área da OCDE a um ritmo mais rápido. Colher os benefícios da consolidação macroeconômica A resposta política a curto prazo para a crise financeira e econômica global tem sido de uma maneira geral apropriada. Medidas decisivas para reforçar a liquidez desde o início da crise têm sido importante, e pode haver espaço para mais Fl. 9019DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.020 22 alguma flexibilização monetária nos próximos meses. A política fiscal foi relaxada em bases cíclicas e discricionárias, sem comprometer a sustentabilidade da dívida de longo prazo, mas o ativismo adicional seria desaconselhável, a menos que a atividade enfraqueça muito mais. Uma reforma estrutural adicional deve se concentrar na contenção do crescimento das despesas de apoio ao reajuste fiscal contínuo, bem como sobre um maior aprofundamento financeiro, com base em uma eliminação gradual das exigências de reserva compulsórias para os bancos e uma eliminação progressiva das operações de crédito direcionadas existentes. (fl. 8.733) Mesmo correndo o risco da redundância, devese dar destaque ao fato de que o serviço para o qual a Hutton Equipamentos teria sido contratada era o "agenciamento de novos negócios". Entretanto, nenhum novo negócio foi efetivamente celebrado pela recorrente em razão da alegada intermediação da Hutton Equipamentos. O grupo Sinopec já havia construído a primeira parte do gasoduto, o que lança fundadas dúvidas sobre a real existência do serviço pelo qual a Hutton Equipamentos recebera, em 2009, mais de 25 milhões de reais. Além disso, não ficou claro qual o poder ou a influência que a Hutton Equipamentos teria sobre a Petrobrás e as autoridades do Governo brasileiro, para interferir de forma decisiva na escolha da Sinopec para a construção do gasoduto. Acerca desse ponto, a autoridade lançadora chamou a atenção para o fato de que não existe registro em ata da presença de qualquer representante da Hutton Equipamentos em reuniões com diretores da Petrobrás ou com autoridades do Governo brasileiro. Por último, vale registrar que a recorrente exibiu fotos do sócio da Hutton Equipamentos, Herbert Antonio Von Atzingen Pasquini, ao lado de algumas autoridades do Governo chinês. Tais fotos não provam qualquer fato relevante para o processo. Provam apenas que uma pessoa foi fotografada ao lado de outra, como ocorre frequentemente com celebridades, artistas, atletas famosos e políticos. Por essas razões, deve ser mantida a decisão da DRJ, considerando como não comprovada a prestação de serviços pela Hutton Equipamentos. Quanto aos serviços do China Development Bank, o documento apresentado para comprovar a prestação de serviços denominase Relatório de Estudo de Viabilidade (Feasibility Study Report) de fls. 8.740 a 8.743. Ocorre que o teor do documento revela que ele se reporta a serviços de perfuração em águas profundas. O documento apresentado é apenas o sumário do trabalho e indica que seu conteúdo não tem relação alguma com a construção de gasoduto terrestre, como bem frisou a autoridade fiscal. Chama a atenção o fato de que nem impugnação, nem recurso fazem referência à atividade de perfuração de poços de petróleo em 2009 e 2010. Dessa forma, ainda que a despesa existisse, não poderia ser levada, nos anos de 2009 e 2010, imediatamente ao resultado do exercício, sem considerar o princípio do confronto entre receitas e despesas. Portanto, para fins estritamente tributários, a despesa teria de ser diferida. Contudo, remanesce a falta de comprovação de que os serviços tenham sido efetivamente prestados à recorrente, e não a outra empresa do grupo econômico. Assim sendo, deve ser mantido o lançamento nessa parte. A recorrente indicou como prova dos serviços prestados por China Friendship os documentos de fls. 8.736 a 8.739. A leitura do documento revela uma relação de negócios que remonta a 2004. Confirase: Esta carta pretende afirmar que China Friendship Development International Engineering & Consulting Corp (doravante denominada "China Friendship") Fl. 9020DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.021 23 começou sua relação de negócios com a Sinopec em 2004, ajudando a SINOPEC a buscar novas oportunidades de negócios, e conforme nosso caso, no Brasil. De 2004 a 2009, China Friendship ajudou muito durante a negociação da SINOPEC e realização do Projeto GASENE (que foi dividido em GASCAV e GASCAC durante o curso), e trabalhou principalmente nos seguintes aspectos: (fl. 8.736) No final do mesmo documento, existe um quadro cronológico (fl. 8.737), com a sucessão de etapas cumpridas na medida em que o contrato ia sendo executado. A primeira deles é de dezembro de 2004. Ocorre que a recorrente, empresa estabelecida no Brasil, é de 2005, com início de atividades no ano seguinte. Em 2004, portanto, o contrato com a China Friendship só poderia ter sido celebrado com a empresa chinesa, controladora da recorrente. Sendo assim, a esta não poderia ser imputada a despesa de prestação de serviços. Em relação aos pagamentos feitos às empresas Vetor Consultoria e Total Gás, verificamse alguns traços em comum. Foram doze pagamentos mensais, feitos sempre no início do mês, em valores girando em torno de trinta e três mil reais, para remunerar serviço feito por determinada pessoa física: Luiz Antônio Vicentini Jorente no caso da (Total Gás) e Carlos Ricardo Stenders Neto (Vetor Consultoria). Observese que, em reuniões da Sinopec com a Petrobrás, estavam presentes Luiz Antônio Jorente e Carlos Stenders, que assinaram as respectivas atas, representando a recorrente (fls. 8.835 a 8.851). Além disso, existem duas certidões emitidas pelo CREA RJ (fls. 8.830 a 8.833) para a recorrente, relativas aos anos de 2009 e 2010, nas quais figura como representante técnico o engenheiro civil Luiz Antônio Vicentini Jorente. Tudo indica que Luiz Antônio Jorente e Carlos Stenders eram dirigentes da Sinopec e prestavam serviços intuitu personae, com alto grau de fidúcia. A contratação de empresa de consultoria e assessoria era puramente formal, não correspondendo à realidade dos fatos, mas provavelmente servindo para ocultar vantagens pagas a dirigentes. Assim, na esteira desse entendimento, a glosa da despesa deve ser mantida. Mas, diante desse mesmo entendimento sucumbe a pretensão de exigir IR na fonte. É que já não se pode afirmar que os pagamentos tenham sido efetuados sem causa conhecida, ou que os valores tenham sido entregues a beneficiários não identificados. Notese que a exigência do IR na fonte está ancorada nesses dois fundamentos, os quais, como ficou demonstrado, são insubsistentes. Portanto, deve ser afastada a exigência de IR na fonte sobre R$ 804.032,44 (R$ 391.155,04 + R$ 412.877,40). Foram glosadas as despesas com pagamentos feitos à empresa Armex Logística e Comércio Exterior Ltda. Ocorre que, diante de documentos apresentados na impugnação, os autos foram remetidos à unidade de origem, para ouvir a autoridade lançadora, que se manifestou nos seguintes termos: Foi apresentado um contrato de prestação de serviços de desembaraço aduaneiro onde constam cláusulas bem definidas acerca da obrigação da contratada, especificação clara dos serviços a serem desenvolvidos, bem como as Fl. 9021DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.022 24 atividades a serem exercidas. Ao ver desta Fiscalização, tal documentação pode servir como documentação hábil e idônea para comprovar as despesas incorridas. (fl. 8.937) A par da avaliação da autoridade fiscal, reconhecendo a força probante ao documento apresentado, não se pode ignorar que a recorrente executou a construção de um gasoduto, obra de grande envergadura, que demandou seguramente grande volume de importações. Nesse contexto, fazse necessário contratar serviços especializados ligados ao desembaraço aduaneiro e ao atendimento de exigências legais e administrativas inerentes à importação. Portanto, impõese afastar a glosa de R$ 289.813,17 referente às despesas com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda. Quanto aos pagamentos feitos em favor de Contau Contabilidade, os documentos não permitem afastar as conclusões da autoridade lançadora. O contrato de prestação de serviços de fls. 530 a 531 é vago e impreciso quanto à definição do objeto. Confirase: A CONTRADA (sic) prestará serviços de intermediação de negócios, que atendam as necessidades da CONTRATRANTE. (fl. 530) Como se percebe, a cláusula acima transcrita não chega sequer a identificar o serviço objeto da contratação. A mesma falta de clareza se verifica quanto ao preço do serviço: A CONTRATANTE pagará a CONTRATADA pelos serviços prestados de acordo com o volume do negocio a ser intermediado, tendo como base os custos que a CONTRATADA venha a ter com pesquisas profissionais especificas. (fl. 530) O contrato firmado com Contau Contabilidade, mercê da imprecisão de suas cláusulas, se presta a dar respaldo a qualquer pagamento. As notas fiscais emitidas com fulcro no referido contrato (fls. 543, 544, 588 e 590) discriminam os serviços como consultoria em gestão de negócios para novos projetos. Não há, todavia, qualquer referência ou documento indicando de forma específica o negócio que teria sido o objeto da aludida intermediação. Portanto, a glosa da despesa é correta e deve ser mantida. A glosa das despesas com serviços de despacho aduaneiro não foi contestada de forma específica. Em resumo, pelas razões expostas, deve ser restabelecida a dedução de R$ 289.813,17. Imposto de Renda na fonte Como decorrência da falta de comprovação de que serviços foram efetivamente prestados, emerge a figura do pagamento sem causa, a dar ensejo à exigência de Imposto de Renda na fonte, a alíquota de 35%. Fl. 9022DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.023 25 A recorrente afirmou que os beneficiários dos pagamentos são conhecidos. E, exatamente por isso, pode a Fiscalização realizar diligências junto às pessoas que receberam os valores. Cabe, de início, lembrar que o art. 674 do RIR/1999 tem por matriz legal o art. 61 da Lei nº 8.981/1995, assim redigido: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (g.n.) O texto legal não deixa dúvida de que a norma contempla duas hipóteses distintas para a exigência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte. A primeira, contida no caput do artigo, se refere a pagamento a beneficiário não identificado. A segunda, alojada no parágrafo primeiro, aplicase a casos em que se desconheça a causa do pagamento, embora se saiba em favor de quem ele foi feito. Notese que o texto do parágrafo primeiro se refere a sócio, acionista ou titular. Se o pagamento for feito em favor de um sócio, não se pode dizer que o beneficiário seja pessoa não identificada. No entanto, ainda assim, de acordo com o dispositivo legal, a incidência do imposto na fonte ocorrerá se a causa do pagamento for desconhecida. Por fim, o emprego do advérbio também, no texto do parágrafo primeiro, se presta a reforçar a ideia de equivalência ou similaridade, indicando que a norma do parágrafo primeiro "equivale" à do caput. Em outras palavras, a materialização da hipótese descrita no parágrafo primeiro atrai a mesma consequência jurídica definida no caput do artigo. Esse entendimento foi adotado em decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no Acórdão nº 9101002.564, cuja ementa, naquilo que diz respeito à discussão aqui travada, está assim redigida: IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA OU CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Mantémse a exigência de IRRF sobre pagamentos sem causa ou cuja origem não foi comprovada quando o sujeito passivo, intimado, não logra comprovar a existência dos mútuos/empréstimos a que se referiam os lançamentos contábeis, e que foram parcialmente quitados. Fl. 9023DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.024 26 Portanto, mesmo que todos os beneficiários estejam identificados e tenham sido intimados para prestar esclarecimentos ao Fisco, cabe a exigência do Imposto de Renda na fonte se remanescer não comprovado o motivo declinado pelo contribuinte para a realização do pagamento. No caso dos autos, como ficou assinalado no tópico anterior, há de ser afastada a exigência de IR na fonte sobre o valor de R$ 804.032,44 para o ano de 2010, porquanto foram afastados os pressupostos fáticos que dão ensejo a essa exigência. Provisão com ICMS A recorrente contesta a glosa de R$ 71.550,67, alegando tratarse de provisão de ICMS sobre transferência de material de uso e consumo, e transferência de bens do ativo imobilizado, para as filiais de Vitória/ES e Teixeira de Freitas/BA. A explicação não se coaduna com o ICMS, que é imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias, entendida como tal a circulação econômica e não circulação física. Nesse sentido é a Súmula 166 do E. STJ e o Recurso Especial nº 1.125.133/SP (art. 543C do antigo CPC), em cuja ementa se lê: O deslocamento de bens ou mercadorias entre estabelecimentos de uma mesma empresa, por si, não se subsume à hipótese de incidência do ICMS, porquanto, para a ocorrência do fato imponível é imprescindível a circulação jurídica da mercadoria com a transferência da propriedade. O que pode ocorrer, em se tratando de transferência de mercadorias de estabelecimentos da mesma empresa, situados em Estados diferentes, é necessidade de transferir o crédito fiscal do remetente para o destinatário. Esse ajuste, entretanto, não implica reconhecimento de despesa de ICMS, que nasce com a venda da mercadoria. Portanto, se a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa não gera despesa de ICMS, tampouco haverá despesa com esse imposto na transferência de material de uso e consumo ou de bens do ativo imobilizado. Despesas com material de uso e consumo No que toca a esse item, a DRJ já restabeleceu as despesas glosadas relativamente ao ano de 2009, exceto a provisão do ICMS. Quanto às despesas do ano de 2010, a glosa se deve à falta de comprovação de que a recorrente teria assumido o ônus financeiro das aquisições, já que tendo sido intimada a fazer prova dos respectivos pagamentos, não logrou fazêlo. Embora entendendo as razões que levaram a autoridade lançadora a glosar despesas no valor de R$ 1.649.831,80, a glosa, à luz dos documentos de fls. 3.845 a 3.946, é insustentável. As despesas se referem a operações de importação feita por Frecomex Comércio Exterior Ltda., por conta e ordem da recorrente. Referente a tais operações, consta dos autos documentação (notas fiscais, documentos de importação e de câmbio) cuja validade não foi posta em dúvida pela autoridade fiscal. Além disso, os produtos importados são inerentes à atividade econômica exercida pela recorrente. Por outro lado, se o regime de Fl. 9024DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.025 27 reconhecimento de receitas e despesas é o de competência, não se pode exigir que o pagamento coincida em data e valor com a despesa contabilizada. Não há dúvida, entretanto, de que a ausência do pagamento pode indicar a inexistência da despesa ou o cancelamento da operação. Porém, para que subsista a glosa é preciso, pelo menos, reunir indícios que enfraqueçam o valor probante dos documentos apresentados pela recorrente, em especial as notas fiscais nº 430, 394, 417, 455 e 453 (fls. 3.847, 3.867, 3.888, 3.945 e 3.946). Por essas razões, deve ser restabelecida a dedução de R$ 1.649.831. Despesas com aluguel de equipamentos A despesa com aluguel de equipamentos no montante de R$ 3.904.254,33 foi glosada pela Fiscalização em razão da falta de entrega do respectivo contrato. Com a impugnação, entretanto, foi trazido o instrumento contratual. De acordo com os termos do referido contrato (fls. 4.842 a 4.850), o valor da locação era de R$ 4.820.902,39, para o período compreendido entre 1º de novembro de 2009 e 30 de junho de 2010, ou seja, oito meses. Tal despesa, de acordo com o regime de competência, havia de ser apropriada proporcionalmente ao tempo decorrido. Dessa forma, considerando o valor e o tempo da locação, constatase que as despesas glosadas pela autoridade fiscal não guardavam relação com o contrato apresentado, razão pela qual deve ser mantida a glosa. Despesas com alimentação de funcionários A Fiscalização glosou despesas com alimentação ao argumento de que a documentação comprobatória não atendia às formalidades previstas na legislação tributária. Relatou a autoridade lançadora no Termo de Constatação: Intimado o contribuinte a apresentar a documentação comprobatória dos lançamentos nesta conta contábil, apresentou diversos tickets de caixa registradora ou outros documentos que não atendem as formalidades da legislação, tais como Notas Fiscais sem indicação do beneficiário, com descrição genérica "DESPESA"; além disso, nos cupons fiscais de supermercados e lojas de conveniência apresentados, verificavase a compra de chocolates, bebidas alcoólicas, etc. Tais documentos, em alguns casos, estavam desacompanhados de quaisquer relatórios que permitissem a individualização do funcionário que efetuou a despesa. (g.n.) (fl. 3.14) A recorrente alegou estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, e fornecer alimentação, in natura ou mediante vale refeição, a todos os seus funcionários, indistintamente. A par desse fato, existiriam gastos com alimentação feitos diretamente por funcionários em viagens para outras localidades, a fim de participar de reuniões referentes à construção dos gasodutos do Projeto GASENE, de responsabilidade da recorrente. Os gastos seriam intrinsecamente vinculadas à atividade econômica exercida e necessários à manutenção da fonte produtora de receitas. A glosa se deve ao fato de que os documentos nos quais as despesas estavam amparadas não serem hábeis para tanto. Eles não identificavam a coisa objeto da venda ou do Fl. 9025DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.026 28 serviço; não identificavam o destinatário; e em alguns casos se referiam a produtos que não podiam ser admitidos como alimentação do empregado, como chocolates e bebidas alcoólicas. É irrelevante, para o caso em tela, o fato de a recorrente fornecer alimentação a empregados ou estar inscrita no PAT. Portanto, a glosa deve ser mantida. Despesas com viagens e estadias A glosa das despesas com viagens e estadias se fez por dois motivos. Primeiro, pela inexistência de documento fiscal hábil a respaldar o respectivo registro contábil; depois, porque muitas delas não eram necessárias à geração de receitas ou à manutenção da fonte produtora, já que consistiam em visitas a pontos e atrações turísticas. A Fiscalização glosou R$ 775.217,40 para 2009, e R$ 937.021,30 para 2010. A recorrente reconheceu que parte dessas despesas era indedutível: R$ 114.542,90 para 2009 e R$ 380.170,90 para 2010. Quanto ao restante, insistiu na regularidade da dedução. Disse que as despesas eram necessárias, sendo intrinsecamente relacionadas à atividade e à manutenção da fonte produtora. Ressaltou que seus empregados e diretores precisavam realizar viagens nacionais e internacionais, bem como se deslocar até as obras relativas à construção dos gasodutos do Projeto Gasene. Existia a necessidade de viagens para participar de reuniões com autoridades dos governos brasileiro e chinês, além de reuniões com a Petrobrás. Por fim, aduziu que a Fiscalização não questionou o efetivo desembolso dos valores. A Fiscalização glosou despesas que não estavam acobertadas por documento fiscal hábil e aquelas não necessárias à manutenção da fonte produtora ou à obtenção das receitas. No Termo de Constatação existem dois quadros discriminando os valores glosados e os beneficiários dos pagamentos (fls. 3.512 e 3.518), todos empresas ou agências de turismo. Ademais, a Fiscalização juntou aos autos farta documentação relacionada a tal irregularidade (fls. 781 a 2.683) A recorrente admitiu que algumas despesas, embora não tivessem sido adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, não eram efetivamente dedutíveis. Entretanto, não identificou, dentre os documentos constantes dos autos, quais se referiam a despesas inerentes à atividade empresarial. No mais, o exame dos documentos não permite saber se as despesas foram feitas com empregados ou com diretores da recorrente. Portanto é inviável restabelecer as deduções. Glosa de despesas em duplicidade A recorrente alegou que determinadas despesas de viagem e estadia foram glosadas em duplicidade, o mesmo ocorrendo com as despesas relativas a passeios com a delegação chinesa no Brasil, as quais teriam sido adicionados ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. O exame dos quadros do Termo de Constatação anexo ao auto de infração não permite identificar a duplicidade alegada pela recorrente. Além disso, às adições à base de Fl. 9026DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.027 29 cálculo do IRPJ e da CSLL, se efetivamente existiram, são posteriores ao início da ação fiscal, não produzindo, por essa razão, qualquer efeito sobre o lançamento. CSLL Quando o lançamento da CSLL recair sobre a mesma base fática que motivou o lançamento do IRPJ, como ocorre no caso em exame, há de ser dada a mesma solução a ambos, ressalvada a existência de disposições específicas da legislação da CSLL que imponham tratamento distinto. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e do recurso de ofício, para, quanto a este, dar parcial provimento, restabelecendo a glosa da despesa de locação de equipamentos, referente ao ano de 2009, no montante de R$ 963.000,00. No que concerne ao recurso voluntário, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, decidese por: a) restabelecer a dedução de R$ 289.813,17, relativa às despesas com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda., no ano de 2010; b) restabelecer a dedução de R$ 1.649.831,00, relativa a material de consumo, no ano de 2010; e c) excluir R$ 804.032,44 (devidamente reajustado) da base de cálculo do IR na fonte do ano de 2010, referente aos pagamentos em favor de Vetor Consultoria Empresarial Ltda. e Total Gás Consultoria em Energia Ltda. EPP. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado. Peço vênia ao Ilustre relator para apresentar as razões de minha divergência parcial, com vistas a colaborar com a formação do convencimento deste Colegiado. I) Da dedutibilidade das despesas com aluguel de equipamentos O primeiro ponto que gostaria de ressaltar diz respeito à glosa perpetrada pela autoridade fiscalizadora relativa ao contrato de locação de equipamento (fls. 4842/4847). Fl. 9027DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.028 30 Ao analisar esse ponto, aduziu a DRJ, relativamente ao anocalendário de 2009: A falta de tal instrumento foi suprida pela interessada com a apresentação do contrato de fls. 4842/4847. Ocorre que o pacto remete a um demonstrativo anexo, similar a um cronograma de desembolso, pelo qual seriam devidos pela interessada R$ 1.197.000,00 em 2009. Contudo, a defesa só logrou comprovar o efetivo pagamento de R$ 963.000,00, conforme os comprovantes de depósitos/transferências bancárias de fls. 4851/4857, devendo, por conseguinte, ser afastada a glosa equivalente a este montante. O preclaro relator, analisando a matéria, entendeu que os valores glosados não correspondem à parcela da despesa que deveria ser apropriada mensalmente, em atenção ao regime de competência, considerado valor e tempo de duração do contrato. Desse modo, concluiu que o contrato não prova a validade das deduções, dando provimento ao recurso de ofício, nessa parte, para restabelecer a glosa de R$963.000,00. Pois bem, compulsemos o demonstrativo de pagamentos dos valores de aluguel do referido contrato, fl. 4848: Concordamos com a premissa adotada pelo relator, de que a despesa deveria ter sido apropriada ao longo do período que perdurasse a locação (oito meses), entretanto, alocando a despesa ao longo dos meses, chegamos ao valor de aproximadamente R$ 602.613,00, o que corresponderia ao valor de R$ 1.205.225,00 de despesa alocada no exercício de 2009 (01/11/2009 a 31/12/2009), e R$ 3.615.676,00 de despesa alocada no exercício de 2010 (01/01/2010 a 30/06/2010). Nas fls. 4851/4858 o Contribuinte logrou comprovar o pagamento de R$ 963.000,00, relacionado ao contrato de locação de equipamentos, restando comprovada a despesa. Como o valor é inferior ao montante de despesa alocada no exercício de 2009, entendo não haver qualquer vício na dedução, devendo ser mantida a decisão a quo, negandose provimento ao Recurso de Ofício nesse ponto. Quanto à despesa de locação de equipamentos no anocalendário de 2010, matéria objeto de Recurso Voluntário, houve a glosa no montante de R$ 3.904.254,33 em razão Fl. 9028DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.029 31 da falta de entrega do respectivo contrato. Com a impugnação, entretanto, foi trazido o instrumento contratual. Como aduziu o relator, "de acordo com os termos do referido contrato (fls. 4.842 a 4.850), o valor da locação era de R$ 4.820.902,39, para o período compreendido entre 1º de novembro de 2009 e 30 de junho de 2010, ou seja, oito meses. Tal despesa, de acordo com o regime de competência, havia de ser apropriada proporcionalmente ao tempo decorrido". Novamente, concordo com a premissa do relator, mas discordo da conclusão pela negativa do RV nesse ponto. Analisando os comprovantes de pagamentos para a Megadrill de fls. 4858 4865, o contribuinte logrou comprovar o montante de pagamentos de R$ 2.537.602, novamente inferior à parcela de despesas alocadas no exercício de 2010 (R$ 3.615.676,00) a partir do contrato com a Megadrill e a planilha de pagamentos. Desse modo, restando comprovado o contrato e a despesa efetuada, pertinente à atividade empresarial, voto dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nesse ponto, para reverter a glosa no montante de R$ 2.537.602, mantendo a glosa sobre o valor de R$ 1.078.074,00, por ausência de comprovação da despesa. II) Glosas de despesas prestadas por pessoas jurídicas a) Pagamentos ao Chinese Development Bank Corporation Em primeiro lugar, é preciso frisar que o referido banco é uma instituição financeira da República Popular da China, responsável pelo levantamento de fundos para grandes projetos de infraestrututura. Tratase, portanto, de uma estrutura gigantesca, reconhecida internacionalmente, e que não guarda qualquer dependência com a Recorrente. A fiscalização recebeu o "Feasibility Study Report" (Relatório de Estudo de Viabilidade), mas considerou que o serviço não teria sido prestado por dois motivos: i) o referido relatório seria apenas um índice, desacompanhado do restante; e ii) o relatório versa sobre serviços de perfuração marítima, enquanto a Sinopec construiu um gasoduto terrestre. Quanto ao primeiro fundamento, entendo que o mesmo não subsiste. O contribuinte apresentou, em fls. 8.8718.918, cópia integral do relatório, com cerca de 50 páginas. Além disso, a premissa do fiscal está equivocada. O relatório apresentado não se relaciona à operação GASENE ou GASCAC, mas sim à participação da Sinopec na perfuração de cinco poços de petróleo para a DELBA, que possui a concessão para 6 contratos de perfuração em mar profundo ("exploração do présal"), que se encontrava descapitalizada em razão da construção de outras plataformas de perfuração para os Emirados Árabes Unidos (DELBA III). A escolha pela Sinopec se deu em razão da atuação desta no gasoduto GASENE, com bons benefícios sociais e econômicos, e com desempenho reconhecido pela Petrobrás (fls.88748876). O serviço prestado pelo Banco de Desenvolvimento Chinês, portanto, nunca teve nada a ver com os gasodutos terrestres! Pelo contrário, tratase de um extenso e minucioso relatório de viabilidade da atuação da Sinopec na perfuração do présal, por meio das concessões dadas pela Petrobrás à DELBA. Fl. 9029DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.030 32 Desse modo, não subsistindo nenhuma das razões para a manutenção da glosa, voto pela sua reversão integral. b) Glosa de despesas relativas à TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA e VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL. Em relação à TOTAL GÁS, o contribuinte apresentou o contrato às fls. 4527 4541, que reflete como objeto a prestação de serviços de consultoria relacionadas ao Gasoduto GASCAC, incluindo uma série de outras atividades discriminadas em anexo. Além disso, apresentou comprovante da efetiva prestação e pagamento, por meio das Notas Fiscais e comprovantes de pagamento de fls. 44914526. Além disso, consta a participação do representante da empresa na reuniões com a Petrobrás, evidenciando que o serviço foi efetivamente prestado. Na mesma ata (fl. 88358851) consta também a participação do representante da VETOR CONSULTORIA, empresa que foi contratada para operacionalizar as atividades da Recorrente no Brasil, relativos aos contratos GASCAV e GASCAC, conforme contrato de fls. 87458752. Em relação à VETOR, as notas fiscais da prestação de serviço constam às fls. 45494581. Desse modo, nos parece foram de dúvida que os contratos tinham objetos específicos relacionados à atividade da Recorrente, e que o serviço foi efetivamente prestado, razão pela qual a glosa de despesa deve ser revertida. Quanto aos demais pontos relacionados às despesas de serviços prestados por pessoas jurídicas, acompanho o Ilustre Relator, inclusive quanto à manutenção da glosa de despesas da China Friendship e Contau Contabilidade. III) Do Imposto de Renda Retido na Fonte Sob o argumento de falta de comprovação de que serviços foram efetivamente prestados, a fiscalização entendeu configurada o pagamento sem causa, dando ensejo à exigência de Imposto de Renda na fonte, a alíquota de 35%. Com base nos mesmos argumentos que foram apresentados no item anterior, acompanho o entendimento do relator, dando provimento em maior extensão no sentido de afastar a cobrança do IR/Fonte sobre os pagamentos realizados à CHINA DEVELOPMENT BANK (em relação à VETOR e TOTAL GÁS, o IRRF já foi revertido no voto do relator). IV) Conclusão Ante o exposto, voto no seguinte sentido: a) Negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a dedução de R$ 963.000,00, relativa a aluguel de equipamentos. b) Dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: Reverter a glosa de R$ 2.537.602 relativo ao aluguel de equipamentos no ano de 2010. Fl. 9030DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.031 33 Reverter integralmente a glosa de despesas da CHINESE DEVELOPMENT BANK, TOTAL GÁS e VETOR CONSULTORIA; Afastar a cobrança do IRRF sobre as despesas cuja glosa foi revertida; c) Acompanhar o relator nos demais pontos, com exceção aos pagamentos à HUTTON, matéria que será objeto de declaração de voto. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Apresento essa declaração de voto para me manifestar sobre a dedutibilidade de despesas e cobrança do IRRF relativo a pagamentos feitos à HUTTON. A fiscalização apontou diversos óbices ao reconhecimento do serviço prestado pela Hutton, sob diversos fundamentos, entre eles: i) a SINOPEC não angariou novo cliente através do agenciamento da Hutton, uma vez que já havia construído outra parte do Gasoduto; ii) Hutton não possui histórico de atuação no mercado que justificasse sua contratação em montantes tão elevados; iii) os serviços indicados são de natureza genérica; iv) não há provas conclusivas de que os serviços tenham sido prestados (pagamento sem causa) e não ficou caracterizado a necessidade e usualidade deles. As provas dos autos indicam o contrário, devendose fazer justiça aqui à planilha apresentada pelo patrono da recorrente, indicando as páginas de cada um dos documentos relevantes para o deslinde do feito. O contrato de agenciamento entre a SINOPEC e a Hutton (fls. 86468652) estabelece a obrigação desta de agenciar novos negócios para aquela no Brasil, em especial na negociação e contratação do Gasoduto GASCAC. Após essa contratação, a Hutton atuou na intermediação dos seguintes contratos: (i) em 27/12/2007, Contrato EPC GASCAC entre a Transportadora GASENE S.A. e a SINOPEC International Petroleum Service Corporation e a Petrobrás (fls. 39794121) (ii) em 28/12/2007, Termo de Cessão parcial de direitos e obrigações firmado entre a SINOPEC International Petroleum Service Corporation e a SINOPEC Brasil e a Transportadora GASENE S.A. (fls. 41224280) (iii) em 28/12/2007, Subcontratação (Anexo 2 do Termo de Cessão Parcial de Direitos) realizada entre a Sinopec International Petroleum Service Corporation e a Sinopec do Brasil (subcontratada) (fls. 86538715); (iv) contrato de cooperação estratégica. Fl. 9031DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.032 34 A Hutton permaneceu exercendo uma função de intermediação importante para a Sinopec, informando todos os dados relevantes, inclusive informações obtidas diretamente com representantes da Petrobrás (e dotadas de alto valor mercadológico), como na fl. 8718: Atuou também na obtenção de financiamentos através do BNDES (fl. 8719) Os "Relatórios Executivos" da Hutton (fls. 8716 e ss.) demonstram que há uma efetiva atuação no campo de agenciamento, negociação e intermediação praticados em favor da Sinopec, e não apenas manifestações sobre aspectos macroeconômicos. Tão específica foi a atuação que a Hutton inclusive que se manifesta sobre a alteração do Contrato EPC GASCAC, recomendando exclusão ou modificação de cláusulas (fls. 8722 e ss.): Fl. 9032DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.033 35 Não vejo necessidade de prosseguir apontando outros trechos, que estão integrais e traduzidos nos autos, mas me chamou a atenção exatamente a sensação de progressão ao longo das diversas tratativas. Explicome: verifico que a Hutton não chegou para atuar sobre algo pronto, mas sim sobre uma simples expectativa, e ao longo dos diversos relatórios executivos vai registrando o cumprimento de etapas necessárias de intermediação e negociação, até o momento da assinatura do contrato de EPC de GASCAC e o contrato de financiamento com o BNDES: Após o fechamento do contrato GASCAC, a Hutton permaneceu prestando consultoria à Sinopec e prospectando oportunidades de negócio juntos à Petrobrás, bem como negociações com a MKT e GDK, e outras empresas locais. Diferentemente do que o Fisco afirmou, no sentido da Hutton ser uma empresa desconhecida, a ponto de justificar a remuneração paga, devese frisar que o seu diretor, e quem prestava o serviço para Sinopec, o Sr. Herbert Pasquini, é profissional com mais de 30 anos de contratos com refinarias da Petrobrás, além de ser fundador da TSL Engenharia Ambiental, fundada em 1984, e com larga atuação na área de manutenção e engenharia ambiental até os dias de hoje. O currículo resumido do Sr. Herbert Pasquini consta à fl. 408: Fl. 9033DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.034 36 Tratase, portanto, de um profissional com uma larga expertise na área e com sólidos contatos com a Petrobrás, possuindo estofo técnico para a prestação do serviço contratado pela Sinopec. Anuir com o argumento fiscal seria o mesmo que dizer que uma empresa de informática recém criada pelo Bill Gates e outra criada por este conselheiro deveriam ser igualmente remuneradas, o que não faz sentido. Como fica claro nos relatórios executivos, e também pontuamos acima, os serviços prestados pela Hutton não eram genéricos pelo contrário, sempre foram direcionados à consolidação ou prospecção de negócios em favor da Sinopec, envolvendo desde as tratativas iniciais com representantes do Brasil e da China, até aspectos específicos como negociação de cláusulas e orientação acerca de regras trabalhistas locais. Por fim, juntou o patrono as fotos de fls. 8.2898314, que ficaram prejudicadas pela digitalização. Colaciono apenas uma delas, que mostra a cerimônia de abertura do GASCAC, em Pequim, com a presença do Sr. Herbert, da Hutton: Fl. 9034DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.035 37 Somandose a estes elementos fáticos as notas fiscais apresentadas, entendo estar completamente comprovada a prestação de serviço por parte da Hutton, razão pela qual a glosa deverá ser integralmente revertida, e o IRRF afastado. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 9035DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.002741/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Numero da decisão: 2201-005.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de Acórdão da DRJ, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF decorrente de omissão de rendimentos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 27 41 /2 00 9- 88 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 12326.002741/200988 Acórdão n.º 2201005.006 S2C2T1 Fl. 60 2 A decisão de primeira instância de forma objetiva assim sintetizou os fatos: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado, em 13/07/2009, a Notificação de Lançamento de fls. 20/23 dos autos, com ciência do sujeito passivo em 28/07/2009 (fl. 19), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercício 2007, ano calendário 2006, sendo apurado crédito tributário no total de R$ 48.589,74, com juros de mora calculados até 31/07/2009. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 22) motivou o lançamento de ofício a não comprovação dos valores compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 33.422,58, da fonte pagadora PROFABRIL ENGENHARIA LTDA., CNPJ 03.010.567/000137. Apresentou o interessado, no dia 27/08/2009, por intermédio de procurador constituído pelo instrumento de fl. 16, a defesa de folhas 02/14, solicitando a improcedência do lançamento efetuado. Inicialmente aduz os seguintes FATOS, em síntese: afirma que uma vez intimado apresentou o comprovante do seu rendimento e a consolidação do contrato social da Profabril Engenharia Ltda., relativo ao ano calendário em questão; que no entanto foram desconsiderados os documentos apresentados, sem qualquer verificação, via intimação, da fonte pagadora, em desprezo ao princípio da verdade material; não obstante apresenta cópia da DIRF do anocalendário de 2006 emitida pela Profabril Engenharia Ltda. demonstrando de forma cabal a veracidade das informações prestadas no informe de rendimentos do impugnante; que efetivamente a fonte pagadora apresentou a DIRF de 2007 não sendo legítimo, portanto, a glosa dos valores compensados pelo Impugnante, sob pena de se estar exigindo duas vezes o IR sobre o mesmo signo de riqueza; afirma que no presente caso houve a retenção na fonte, conforme o informe de rendimentos da fonte pagadora, a qual é a responsável indicada por lei pelo recolhimento do imposto de renda aos cofres públicos; Quanto ao DIREITO traz o impugnante à colação ementa de julgados administrativos, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e CARF, no sentido de ser a fonte pagadora a responsável pelo recolhimento do tributo. Afirma que assim sendo, não resta dúvida de que a glosa dos valores retidos na sua declaração de ajuste anual é indevida, mormente em vista das informações prestadas no informe de rendimento e DIRF. No tópico seguinte da defesa frisa o interessado que a fonte pagadora tem responsabilidade exclusiva pelo recolhimento do Fl. 60DF CARF MF Processo nº 12326.002741/200988 Acórdão n.º 2201005.006 S2C2T1 Fl. 61 3 imposto de renda, trazendo, sobre a questão, entendimento da doutrina e jurisprudência administrativa. Consoante o exposto afirma que a fonte pagadora é a única responsável pelo pagamento do imposto retido na fonte, “e que, mesmo se não houvesse sido retido o IR do Impugnante, o que se admite só para argumentar, sua responsabilidade subsiste Logo, conclui que o caso em tela está plenamente enquadrado nas definições legais, jurisprudenciais e doutrinárias, expostas na defesa, restando como única responsável pelo recolhimento do imposto retido na fonte a empresa Profabril Engenharia Ltda. Por último, contesta a multa aplicada no lançamento, suscitando aspectos relacionados à ilegalidade e inconstitucionalidade de tal cobrança. Ante ao exposto, requer o impugnante a improcedência do lançamento, ou, na remota hipótese de não restar acolhido seu pedido, a redução da penalidade aplicada. Para instrução do pleito requereu fossem juntados aos autos os seguintes elementos: “cópia da DIRF, o informe de rendimento, contrato social da Profabril Engenharia Ltda. e a declaração de imposto de renda do Impugnante”. Em síntese, é o relatório. Foi prolatado o Acórdão nº 0950.109 6a Turma da DRJ/JFA, que julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. SÓCIO. DIRETOR. GERENTE. Restou mantida a infração de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, face ao fato do contribuinte, sócio, diretor e/ou gerente da pessoa jurídica responsável pela retenção do referido imposto, não ter juntado aos autos prova da retenção e do seu efetivo recolhimento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CARÁTER VINCULADO. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 12326.002741/200988 Acórdão n.º 2201005.006 S2C2T1 Fl. 62 4 JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. IMPOSTO APURADO NA REVISÃO DE DECLARAÇÕES. GLOSA DE COMPENSAÇÕES DO IMPOSTO. MULTA DEVIDA. O imposto apurado na revisão das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas será acrescido de multa de mora, prevista no art. 61, caput, da Lei n° 9.430, de 1996, dentre outros, nos casos de não comprovação do valor do imposto retido na fonte ou pago. A ciência dessa decisão ocorreu em 13/05/2014 (fl. 49) e o recurso voluntário (fls. 53/55) foi intempestivamente protocolizado em 16/06/2014, tendo o contribuinte se limitado a afirmar que “a fonte pagadora apresentou a DIRF 2007, não sendo legitima, porém, foi apresentada a DIRF 2006, emitida pela Profabril Engenharia LTDA, demonstrando a total veracidade da informações prestadas no informe de rendimento do recorrente. Sendo assim, houve a retenção na fonte, conforme a exigência”. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é intempestivo. Conforme Aviso de Recebimento AR que dormita à fl. 49, o sujeito passivo foi cientificado da decisão recorrida em 13/05/2014. Em 16/06/2014 protocolizou o Recurso Voluntário (fls. 53/55), portanto, fora do trintídio legal estabelecido para a sua interposição. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 12326.002741/200988 Acórdão n.º 2201005.006 S2C2T1 Fl. 63 5 Destarte, não paira dúvida acerca da intempestividade do recurso apresentado. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907126/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.816
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp que restou não homologada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório que instrui os autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 12 6/ 20 12 -2 4 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10882.907126/201224 Resolução nº 3402001.816 S3C4T2 Fl. 3 2 retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.797, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.907109/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.797): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10882.907126/201224 Resolução nº 3402001.816 S3C4T2 Fl. 4 3 inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10882.907126/201224 Resolução nº 3402001.816 S3C4T2 Fl. 5 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10882.907126/201224 Resolução nº 3402001.816 S3C4T2 Fl. 6 5 b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.008846/2009-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para determinar a produção de prova técnica pericial nos termos requeridos pela recorrente, com plena participação dos assistentes técnicos indicados, para que o laudo pericial componha o arcabouço probatório dos autos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
Relatório
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para determinar a produção de prova técnica pericial nos termos requeridos pela recorrente, com plena participação dos assistentes técnicos indicados, para que o laudo pericial componha o arcabouço probatório dos autos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para determinar a produção de prova técnica pericial nos termos requeridos pela recorrente, com plena participação dos assistentes técnicos indicados, para que o laudo pericial componha o arcabouço probatório dos autos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 08 84 6/ 20 09 -1 4 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 150 2 Relatório Por bem relatar os fatos reproduzo o relatório do acórdão da DRJ. Tratase de autuação fiscal, através da qual foi exigida multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por classificação incorreta na NCM, prevista no art. 84, inciso I, da MedidaProvisória n° 2.15835/2001; perfazendo, na data da autuação, um total de R$ 1.255,34. Na descrição dos fatos, às fls. 67, consta: “001 MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O importador, por meio da DI de n° 05/07055122, registrada em 06/07/2005, submeteu a despacho pela adição 001, 600 QUILOGRAMA LÍQUIDO da mercadoria descrita como:"OCTOPIROX SAL MONOETANOLAMÍNICO DE 2 HIDROXI4METIL6(2,4,4TRIMETILPENTIL)2(IH) PIRIDINONA BASE QUÍMICA. : PIROCTONE OLAMINA CAS NR.: 68890664 PUREZA.: 100% QUALIDADE.: INDUSTRIAL ESTADO: FÍSICO.: SOLIDO (PO)"; classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.39 "OUT.CUJA ESTR.CONT.FUNÇ.ALC.,ÁC.CARB.N HALOG."; tendo sido declarado e pago, quando devido; imposto de importação à alíquota de 2,00%, imposto sobre produtos industrializados à alíquota de 0,00%, PIS à alíquota de 1,65% e Cofins à alíquota de 7,60%. Em face do pedido de exame laboratorial n° LAB 1899/05EQCOF; foi colhida amostra da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo n° N° 1968.01, que concluiu tratarse de "Sal Monoetanolamínico de 1Hidroxi 4Metil6(2,4,4Trimetilpentil)2 (IH)Piridinona; (Octopirox)"; e, em resposta aos quesitos do pedido, informou: "1. Não se trata de Outro Composto cuja estrutura contém função Álcool, Ácido Carboxilico ou ambas, mas não contém Halogênio em ligação covalente. Tratase de Sal Monoetanolaminico de 1Hidroxi4Metil6(2,4,4 Trimetilpentil)2(IH)Piridinona; (Octopirox), Qualquer Outro Composto cuja estrutura contém um Ciclo Piridina não Condensado, Composto Heterociclico exclusivamente de Heteroátomo de Nitrogênio. 2. Tratase de composto orgânico de constituição química definida. 3. De acordo com Referência Bibliográfica, Octopirox é utilizado, principalmente, na formulação de xampus para tratamento de seborréia. 4. Prejudicada". Portanto, de acordo com o Laudo de Análise elaborado, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC 1; texto da posição "2933 Compostos heterociclicos exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio.", texto da subposição simples "2933.3 Compostos cuja estrutura contém um ciclo piridina (hidrogenado ou não), não condensado"; texto do item "2933.39.9 Outros"; a Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 151 3 mercadoria submetida a despacho, descrita na adição 001; divergente da apurada no exame laboratorial classificase no código NCM 2933.39.99 OUTS. COMP. C/ESTRUT. C/UM CICLO D/PIRID. N COND.; sujeita à incidência de alíquotas de 2,00% para o imposto de importação, 0,00% para o imposto sobre produtos industrializados, 1,65% para PIS e 7,60% para COFINS. Tendo em vista a classificação errônea efetuada pelo contribuinte, propõese a aplicação da multa estipulada pelo artigo 84, inciso I da MP n° 215835/2001." Cientificada do lançamento em 11/12/2009, fls. 7577, pelos correios, com aviso de recebimento, a interessada apresentou, em 12/01/2010, sua impugnação, às fls. 3660, onde, após discorrer sobre os fatos, em resumo, alega que: PRELIMINARES deve ser declarada a nulidade do Lançamento representado pelo Auto de Infração ora Impugnado, vez que, encontra se o mesmo eivado de vício formal insanável; o Laudo Técnico LABANA n° 1968.01, no qual foi embasada a reclassificação tarifária exigida no Auto de Infração, encontrase revestido de flagrantes irregularidades; os quesitos formulados pelos Agentes do fisco, estão incorretos, não guardando qualquer relação com a especificidade do produto importado pela Requerente do exterior; quando da realização do exame laboratorial, a impugnante teve cerceado o seu direito de defesa, na medida em que somente aos agentes do fisco, foi assegurado o direito de formular quesitos; demais disso, como se sabe, quando da edição dos atos administrativos, a administração pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (artigo 2° da Lei n° 9.784/99), o que comprovadamente não foi observado na questão ventilada nos autos; assim, o laudo elaborado pelo LABANA jamais poderia ser utilizado, como ocorreu no caso em tela e, na medida que o Laudo Técnico é nulo, também é, via de consequência, nulo o Auto de Infração lavrado; MÉRITO quanto ao aspecto classificatório, a autuação também não merece prosperar, vez que, em face das disposições contidas nas Notas Complementares ao Capitulo 29 da TECNCM, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias, e ainda, das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, o produto importado pela Requerente do exterior classificase corretamente no Código TEC NCM 2933.39.39, tal como declarado quanto submetido a despacho aduaneiro; o entendimento da fiscalização é equivocado, conforme, em especial, a análise da Literatura Técnica do produto importado. Segundo esse material, anexado, a posição 2933.39.99 não deve ser utilizada para Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 152 4 esse produto, pois é aplicável a misturas e preparações contendo álcoois graxos ou ácidos carboxílicos e derivados destes produtos; de acordo com os esclarecimentos contidos na mencionada literatura, o produto importado não se classifica no código TECNCM 2933.39.99, mas no código 2933.39.39; as RGI 2b e 3a, bem como as NESH, demonstram que o produto importado não se classifica no código 2933.39.99, apontado pela fiscalização; verificase, assim, que sob qualquer ângulo que se analise a questão posta nos autos, não há como prosperar a reclassificação tarifária proposta pela fiscalização. Portanto, na medida em que a reclassificação tarifária proposta no Auto de Infração carece de total respaldo legal, é indevida a exigência do recolhimento da penalidade de multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158/2.001; indevida, também, na hipótese dos autos, a exigência da penalidade de multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158/2.001, combinado com o artigo 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833/2.003, sob a alegação de ter ocorrido erro de classificação fiscal do produto submetido a despacho aduaneiro por meio da Declaração de Importação n° 05/08786953; com efeito, de há muito pacificouse o entendimento sobre tal questão, conforme pode ser constatado pelo teor do Ato Declaratório Normativo n° 29/80, da Coordenação do Sistema de Tributação/Secretaria da Receita Federal, e Parecer CST n º 477/1988, no sentido de que a indicação incorreta do código tarifário pelo importador, na Guia de Importação e Declaração de Importação, não enseja a aplicação das penalidades previstas no Decretolei n° 37/1966, artigos 108 e 169, este último com a redação do artigo 2º da Lei n° 6.562/1978, se verificada a exatidão da especificação da mercadoria; são nesse sentido diversas decisões do Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (ementas transcritas); fazse necessário ressaltar, também, que na questão posta nos autos, tratase de discussão do aspecto classificatório de mercadoria importada, em nível de item/subitem tarifário, sendo que em ambos os Códigos Tarifários, as alíquotas são idênticas, não havendo, assim, qualquer prejuízo ao Fisco e tampouco ao Controle Administrativo das importações; ressalta, ainda, que, a prevalecer a exigência penalidade por suposto erro de classificação tarifária, conforme constou do o Auto de Infração ora impugnado, restarão violados, também, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; indevida, também, na hipótese dos autos, a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário de que trata o Auto de Infração em tela, encargo esse, que somente pode ser computado após a Decisão final Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 153 5 proferida no respectivo processo administrativo, conforme reiteradas Decisões desse órgão colegiado; e a incidência de juros de mora nos casos da espécie revestese ainda mais de flagrante ilegalidade, na medida em que computados pela Taxa SELIC, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Recurso Especial n° 215.881/PR; entende ainda a impugnante que os argumentos apresentados na presente Impugnação, bem como, os documentos que a instruem, e, ainda, as demais provas colacionadas aos autos, são suficientes para decretação da Improcedência/Insubsistência da exigência do recolhimento da penalidade de multa por erro de classificação tarifária formalizada no Auto de Infração; contudo, caso persista, ainda, qualquer dúvida por parte dessa Delegacia de Julgamento, a respeito da questão ventilada nos autos, requer a produção oportuna de todos os meios de prova destinados a comprovação dos fatos questionados na presente Impugnação, especialmente a juntada de novos documentos, perícia técnica, e em especial, a conversão do julgamento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia no Rio de Janeiro. INT, a fim de que o referido órgão manifestese sobre as conclusões contidas no Laudo Técnico n° 1968.01, que embasaram a reclassificação tarifária proposta no Auto de Infração ora impugnado, a fim de que sejam respondidos os quesitos apresentados à fl. 58; protesta pela formalização de quesitos suplementares. Indica como seu Assistente Técnico, o Dr. Luis Aurélio Alonso, com endereço à Praça da República n° 37, 3º andar, SantosSP; no caso do indeferimento da produção de tais provas/diligências, restará caracterizado o cerceamento ao seu direito de defesa, em face da não observância do "Devido Processo Legal", o que ensejará, via de consequência, na decretação da nulidade do processo administrativo em tela, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações; "7. DO PEDIDO. 7.1. Diante de todo o exposto, a Requerente requer a essa Egrégia Delegacia de Julgamentos: a) Sejam acolhidas as preliminares suscitadas no item 2 (dois) da presente Impugnação, declarandose, via de consequência,, a nulidade do Auto de Infração ora impugnado, tendo em vista que anteriormente a lavratura do referido Auto, foram praticados atos administrativos que se encontram eivados de vícios formais insanáveis, com o flagrante cerceamento ao direito de defesa da Requerente e ofensa direta ao "Devido Processo Legal", ensejando, assim, a aplicação da orientação contida no artigo 59. do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 154 6 b) Caso superadas as preliminares, por força da orientação contida no parágrafo 3º do artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97, requer a essa DRFJ/SP, seja a Ação Fiscal julgada IMPROCEDENTE, TORNANDOSE TOTALMENTE INSUBSISTENTE, VIA DE CONSEQUÊNCIA, O AUTO DE INFRAÇÃO ORA IMPUGNADO, RECONHECENDOSE, ASSIM, QUE O PRODUTO DE NOME COMERCIAL "OCTOPIROX", CLASSIFICASE CORRETAMENTE NO CÓDIGO TECNCM 2933.39.39, TAL COMO DECLARADO QUANDO SUBMETIDO A DESPACHO ADUANEIRO POR MEIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO N° 05/07055122, REGISTRADA NO SISCOMEX EM 06.07.2005, COMO MEDIDA DE INTEIRA JUSTIÇA!". A impugnação foi julgada pelo acórdão nº. 0843.146 7ª Turma da DRJ/FOR (efls 80 a 97), que negou provimento ao recurso com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/07/2005 LAUDO TÉCNICO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Estando o Laudo Técnico devidamente elaborado de acordo com os quesitos formulados, contendo a fundamentação de suas conclusões e atendendo aos demais requisitos previstos na legislação, não há falar em nulidade. PRODUÇÃO DE PROVA “A POSTERIORI”. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não produz efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a realização de diligência ou a produção de novo laudo técnico sobre o produto, uma vez que os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/07/2005 ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. MULTA ESPECÍFICA. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/07/2005 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Os créditos da União, decorrentes de multas ou de tributos, que deixarem de ser pagos nos prazos previstos na legislação serão acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 155 7 de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. DESCABIMENTO. A Administração Tributária deve se pautar pelo princípio da estrita legalidade, assim como pela presunção relativa de constitucionalidade das leis e atos normativos, não competindo à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, incumbindo ao Poder Judiciário tal mister. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado o impugnante apresentou Recurso Voluntário (efls 109 a 143) replicando os termos da impugnação . Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. Inicialmente cumpre deixar consignado que o acórdão recorrido abordou as matérias impugnadas, decidindo por não acolher os argumentos da recorrente. Preliminar de prescrição Preliminarmente alega a recorrente que na questão posta nos autos operouse a prescrição e fundamenta essa alegação no artigo 1º1 da lei 9873/99, que estabelece prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, direta e indireta, e dá outras providências. No sentir da recorrente, a demora, por mais de três anos, no julgamento da impugnação resultou na prescrição do dever da administração pública de cobrar a multa estabelecida no auto de infração. Ocorre que o Nobre causídico equivocouse em não ler a legislação até o final, tendo em vista que o artigo 5º da Lei 9873/99 dispõe que: Art.5oO disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. 1 Art. 1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1o Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 156 8 Há de se ressaltar que, no período que medeia entre a constituição do crédito e a preclusão para a impugnação administrativa ao débito (ou até que seja decidida definitivamente), não corre nenhum prazo, seja decadencial, pois o crédito já se encontra constituído, seja o prescricional, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário, artigo 151, III2, do CTN. Logo esse argumento não merece prosperar, assim, rejeitase a preliminar de prescrição suscitada pela recorrente. Nulidade do auto de infração Prosseguindo, alega a recorrente que o auto de infração é nulo, por ter cerceado o seu direito de defesa, bem como esta fundamentado em laudo técnico no qual os quesitos formulados estão incorretos. Além disso, relata que na impugnação fez requerimento de prova pericial, nos moldes do artigo 15 da Lei n.º 70.235 de 1972 que foi rejeitado pela DRJ. Compulsando os autos verifico que de fato houve pedido de produção de prova pericial na impugnação (efls 57 e 58) cumprindo todos os requisitos do artigo 15 da lei n.º70.235/72, contudo, ao tratar do requerimento a DRJ votou nos seguintes termos: PRODUÇÃO DE PROVA “A POSTERIORI”. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não produz efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a realização de diligência ou a produção de novo laudo técnico sobre o produto, uma vez que os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. O artigo 15 da lei n.º 70.235/72 destaca os requisitos necessários para impugnação e dispõe dos termos necessários para que seja formulado pedido de perícia técnica no inciso IV, vejamos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; 2 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 157 9 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Conforme já mencionado o impugnante cumpriu com todas as exigências, não sendo, de forma alguma, os seus pedidos de produção de prova pericial genéricos. Compactuo do entendimento da DRJ quanto a possibilidade da parte recorrente juntar a sua impugnação laudo técnico produzido por ela mesmo, contudo, o artigo 15, IV da lei n.º70.235/72 é um permissivo legal para que a perícia seja realizado em diligência, após apresentada a impugnação pela Receita Federal, respeitando, assim, o direito de defesa do contribuinte. Nesse sentido, entendo por necessário retorno dos autos a origem para: Realização de perícia técnica nos termos solicitado pela Recorrente na impugnação, com a finalidade de contrapor o laudo já produzido (efls 22) com o futuro laudo a ser produzido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 158 10 Dispositivo Diante do exposto, rejeito a preliminar e converto o julgamento em diligência nos termos acima descritos. É o meu entendimento Márcio Robson Costa Relator Fl. 158DF CARF MF
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