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Numero do processo: 10830.721981/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR. NULIDADE.
Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado.
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. COTAS ADQUIRIDAS ATÉ 31.12.1983. DL 1.510/1976.
E isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das participações societárias adquiridas sob a égide do DL n° 1510 /76, que foram mantidas por cinco anos ou mais, no patrimônio do investidor durante a sua vigência, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei n° 7.713/88.
O mesmo entendimento não se aplica às participações bonificadas e subscrições particulares de novas quotas emitidas, após 31.12.83, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL n°1.510/76.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO
Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei. cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária.
JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL.
Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal.
INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO.
O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores.
Numero da decisão: 2202-005.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que acatava a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação das cotas adquiridas até 31.12.83, não extensivo as subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83, reduzindo a base de cálculo do ganho de capital de R$ 7.984.050,00 para R$ 7.648.488,15; vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e José Alfredo Duarte Filho, que deram provimento integral ao recurso. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Martin da Silva Gesto. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7°, do art. 63, do anexo II, da Portaria MF n° 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PRELIMINAR. NULIDADE. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. COTAS ADQUIRIDAS ATÉ 31.12.1983. DL 1.510/1976. E isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das participações societárias adquiridas sob a égide do DL n° 1510 /76, que foram mantidas por cinco anos ou mais, no patrimônio do investidor durante a sua vigência, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei n° 7.713/88. O mesmo entendimento não se aplica às participações bonificadas e subscrições particulares de novas quotas emitidas, após 31.12.83, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL n°1.510/76. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei. cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores.
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NULIDADE. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. COTAS ADQUIRIDAS ATÉ 31.12.1983. DL 1.510/1976. E isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das participações societárias adquiridas sob a égide do DL n° 1510 /76, que foram mantidas por cinco anos ou mais, no patrimônio do investidor durante a sua vigência, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei n° 7.713/88. O mesmo entendimento não se aplica às participações bonificadas e subscrições particulares de novas quotas emitidas, após 31.12.83, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL n°1.510/76. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 19 81 /2 01 1- 74 Fl. 1484DF CARF MF 2 Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei. cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que acatava a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação das cotas adquiridas até 31.12.83, não extensivo as subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83, reduzindo a base de cálculo do ganho de capital de R$ 7.984.050,00 para R$ 7.648.488,15; vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e José Alfredo Duarte Filho, que deram provimento integral ao recurso. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Martin da Silva Gesto. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7°, do art. 63, do anexo II, da Portaria MF n° 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.479 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0264.315 proferido pela 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou improcedente a impugnação, mantendo a cobrança do crédito tributário. Foi lançado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, decorrente de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo ao ano calendário 2008, no montante de R$ 2.400.723,98, incluídos multa de ofício e juros de mora. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte relativa ao procedimento fiscal: Do Procedimento Fiscal De acordo com o TVF a ação fiscal teve origem depois de analisada a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2009, na qual a contribuinte informou ter recebido no anocalendário 2008 como rendimentos isentos e não tributáveis a importância de R$8.925.000,00. Procedeuse então à intimação da contribuinte em 28/01/2010, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, fls. 26 e 27, para apresentar diversos documentos relacionados aos rendimentos declarados. Em 19/2/2010 a interessada protocolou na DRF/Campinas o documento de fls. 28 a 41no qual esclarece que os rendimentos declarados como isentos na DAA/2009 são originários da venda de participações societárias nas sociedades Comercial Guilherme Mamprim Ltda (posteriormente denominada Comercial Frango Assado), Centro de Serviços Frango Assado Norte Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Suleste Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Sudoeste Ltda e Carvalho Pinto Automotivos e Conveniências Ltda. Para fins de melhor entendimento as referidas empresas serão aqui tratadas respectivamente como: "COMERCIAL", "FRANGO ASSADO NORTE", "FRANGO ASSADO SUDOESTE", "FRANGO ASSADO SULESTE" e "CARVALHO PINTO". Na resposta discorreu sobre o histórico da participação na COMERCIAL e sua cisão parcial, com reversão de parte do capital social para criação da Frango Assado Empreendimentos e Participações S/A (FASPAR), do ingresso nas outras quatro sociedades e da alienação das participações nas empresas. Juntou contratos, alterações contratuais e asseverou que o ganho de capital obtido na alienação está protegido pelo manto da isenção prevista no artigo 4o, alínea "d" do DecretoLei 1510/76 e nem mesmo com a revogação do dispositivo pela Lei 7.713/88 ele teria perdido o direito alegado. Nos itens 10 a 40 do TVF a autoridade lançadora tece considerações acerca da inexistência de direito adquirido e conclui que o ganho de capital auferido corresponde a rendimento que deveria ter sido oferecido à tributação. Fl. 1486DF CARF MF 4 Ainda que fosse possível cogitar que a contribuinte fizesse jus ao benefício fiscal, a fiscalização, valendose das mutações havidas na participação societária, demonstrou que somente pequena parcela das quotas alienadas, admitida a tese do direito adquirido, estaria isenta da tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital. Registra o TVF que a fiscalizada ingressou na COMERCIAL em 8/8/1983 e que não se considerou a existência de transferência de titularidade de quotas em virtude de cisões ocorridas, conforme entendimento administrativo expresso no Parecer Normativo CST n° 39/1981. Conforme o exame das alterações contratuais da COMERCIAL firmadas entre 1/1/1966 a 11/8/2008 informa a autoridade lançadora que a pessoa jurídica procedia à correção monetária de seu capital social Até 31/12/1995, a fim de se reconhecer a inflação do período, havia correção monetária das demonstrações contábeis e, assim, a atualização monetária do capital social era contabilizada numa conta de reserva de capital. A partir de 1/1/1996 vedouse a utilização social de qualquer sistema de correção monetária, nos termos do artigo 4o da Lei 9.245/1995. As reservas de capital de correção monetária, por refletirem apenas os efeitos da inflação, não representam subscrições/aquisições de novas quotas de capital social. Prossegue a autoridade autuante afirmando que de acordo com a 26a alteração contratual, firmada em 25/9/1996, o capital social da COMERCIAL, passou de R$17.454,56 para R$3.480.000,00. A elevação de R$3.822.545,45 compunhase de reversão de Reserva de Capital Correção Monetária do Capital Social, no montante de R$1.693.619,33 e pela reversão de lucros acumulados, de R$2.128.926,12, sendo que esta última reversão representa subscrição/aquisição de novas quotas. Em benefício da contribuinte foi considerado que o valor de R$17.545,55 referese a quotas subscritas até 1/1/1984. Tal valor, acrescido da reserva de correção monetária perfaz R$1.711.073,88 e, corresponde, portanto, à totalidade do capital social subscrito na COMERCIAL em 1/1/1984, atualizado até 1/1/1996. De acordo com o anexo I, fls. 22 e 23, a fiscalização demonstrou o histórico das quotas da COMERCIAL, com as respectivas datas de subscrição/aquisição de novas quotas. Às fls. 17 e 18 apresentou um resumo do referido anexo e demonstra que da leitura do referido quadro é possível concluir que apenas 0,6186% ou 94.708 das quotas/participação social da COMERCIAL de um total de 15.310.000 alienadas em 2008 foram subscritas/adquiridas antes de 1/1/84 e estariam, se fosse o caso, sujeitas à isenção prevista no DecretoLei 1.510/76. Por considerar que a contribuinte ingressou na COMERCIAL em 8/8/1983 e que sempre deteve o mesmo percentual de 5% do total do capital social, temse que, de sua participação societária alienada em 2008 apenas 4.735 quotas do total que detinha Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.480 5 (765.500) estiveram em sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do decreto. Cita o artigo 16, § 2o da Instrução Normativa SRF n° 84/2001 para informar que no tocante à integralização de capital mediante incorporação de lucros ou suas reservas, afora a subscrição particular de novas quotas, verificase que foram distribuídas à contribuinte novas quotas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros (quotas recebidas em bonificação). A partir do item 58 do TVF a fiscalização relata que em 09/10/98 o capital social da COMERCIAL foi reduzido de R$848.000,00 para R$400.000,00 (32a alteração vide anexo I). Houve então uma cisão parcial da COMERCIAL e o capital de R$448.000,00 foi simultaneamente transferido para a constituição de três novas sociedades: FRANGO ASSADO NORTE. FRANGO ASSADO SULESTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE. Conforme quadro integrante do item 59 do TVF, o capital de R$448.000,00 foi vertido proporcionalmente às três novas empresas, sendo consideradas três oportunidades: até 1/1/84, em 25/9/96 e em 5/10/98, sendo certo que apenas 20,1778% da totalidade da participação nestas empresas teria sido subscrita/adquirida antes de 1/1/84 e estaria, se fosse o caso, amparada pela isenção. Considerando que a fiscalizada ingressou na COMERCIAL em 8/8/1983 com participação de 5% do capital social, que em 9/10/98 houve uma cisão parcial do capital desta empresa, verificouse que da participação societária alienada em 2008 apenas 4.520 quotas do total que detinha naquelas três empresas (22.400) estiveram em sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do decreto. Do exame do contrato de constituição da CARVALHO PINTO, firmado em 1/2/99 a autoridade lançadora constatou que empresa foi constituída em 01/02/1999. Os sócios fundadores da pessoa jurídica foram Gabriel Alfio Tomaselli, CPF 365.992.55868, e Márcia Galucci Tomaselli, CPF 258.301.718 26, e seu capital social, de R$12.000,00, foi integralizado em moeda corrente por tais sócios. Apenas em 29/11/2005 a empresa foi adquirida pela FASPAR, não havendo alteração do capital social até a data da alienação. Neste contexto, considerou não se poder cogitar que a alienação de qualquer participação societária nesta empresa esteja amparada pelo benefício fiscal previsto no DecretoLei 1.510/76. O quadro abaixo demonstra as quotas que permaneceram sob a titularidade da contribuinte pelo período de cinco anos contados anteriormente a 1/1/1989. Pessoa Jurídica Quotas alienadas pela contribuinte Quotas que estiveram sob titularidade da contribuinte entre 1/1/84 Fl. 1488DF CARF MF 6 e 1/1/89 COMERCIAL 765.500 4.735 FRANGO ASSADO SULESTE 8.100 1.634 FRANGO ASSADO NORTE 8.350 1.685 FRANGO ASSADO SUDOESTE 5.950 1.201 CARVALHO PINTO 600 TOTAL 788.500 9.255 Conforme Contrato de Compra e Venda de Quotas e outras Avenças, firmado em 23 de setembro de 2008 entre a contribuinte e os demais sócios, de um lado, e Yami Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 07.757.091/000153, de outro, onde constam os valores da operação, a corretagem paga pela intermediação do negócio e o montante recebido pela fiscalizada, na proporção de sua participação societária, foi apurado o ganho de capital obtido na operação. Cientificada da autuação, IZILDINHA ROVERE CHIQUETTO apresentou impugnação (efls. 1219/1297 e Anexos), que foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, cuja decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade. PRAZO PARA CONCLUSÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Não há na legislação tributária qualquer norma que fixe prazo para a conclusão do procedimento fiscal tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, bastando que a constituição do crédito tributário se dê antes do decurso do prazo decadencial. Pessoa Quotas Preço de Custo de Comissão Ganho de Jurídica Alienadas Alienação (R$) Aquisição (R$) (R$) Capital (R$) Comercial Frango Assado 765.500 6.967.000,00 765.500,00 119.004,95 6.082.495,05 Frango Assado Norte 8.350 596.500,00 8.350,00 10.186,96 577.961,04 Frango Assado Sudoeste 5.950 586.000,00 5.950,00 10.009,60 570.040,40 Frango Assado Suleste 8.100 342.500,00 8.100,00 5.850,32 205.343,05 Carvalho Pinto 600 433.000,00 600,00 7.396,17 425.003,83 Total 788.500 8.925.000,00 788.500,00 152.450,00 7.984.050,00 Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.481 7 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NECESSIDADE DE SER ACOMPANHADA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO. O instituto da denúncia espontânea está previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional e exige que esta seja acompanhada, se for o caso, do pagamento devido e dos juros de mora. Na ausência do pagamento do tributo devido fica descaracterizada a denúncia espontânea. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1o de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo 4o do Decreto lei n° 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada CUSTO DE AQUISIÇÃO. QUOTAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. No caso de quotas distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1490DF CARF MF 8 Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade de leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/04/2015 (fls. 1379/1425), repisando em grande parte os termos da impugnação, em apertada síntese: 1 DAS PRELIMINARES 1.1 Cerceamento do direito de defesa impossibilidade de conferência e reconstituição dos cálculos 1.1.1 Dos confusos, equivocados e fantasiosos quadros/demonstrativos constantes do termo de verificação fiscal · desde de agosto de 1983, não ocorreram quaisquer alienações ou aquisições de novas quotas por parte do Contribuinte, mantendose a todo tempo, sob sua exclusiva titularidade, o mesmo quinhão societário recebido de sua genitora, no montante equivalente a 5% do capital social das sociedades integrantes do Grupo "Frango Assado", o que perdurou por mais de 20 (vinte) anos, inexistindo mutações patrimoniais que justificassem a produção de planilhas ou quadros demonstrativos; · restou claramente evidenciado que as 788.500 quotas alienadas pelo Contribuinte em setembro de 2008 ("quotas alienadas") referemse às mesmas 192.000 quotas por ele detidas em 25 de setembro de 1996 e que, por sua vez, estão referenciadas legalmente às 1.500.000 quotas por ele detidas em Agosto de 1983, afigurando desnecessária a produção de planilhas ou quadros para demonstrar tal constatação óbvia; · a COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA nunca foi incorporada pela FASPAR S/A, tanto que a COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA denominase atualmente "COMERCIAL FRANGO ASSADO LTDA", inscrita no CNPJ (MF) sob n° 72.908.353/000103; Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.482 9 · por sua vez, a FASPAR S/A nunca foi incorporada pela COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, tanto que subsiste até hoje, sendo portadora do CNPJ (MF) sob n° 01.590.442/000106. · ao contrário do afirmado pelo Ilustre Julgador a quo, às fls. 1.369/1370 dos Autos, em momento algum, o Contribuinte conseguiu entender o que o Ilustre Auditor Fiscal fez para se chegar à conclusão de que apenas 4.735 quotas do total de 765.500 quotas da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM alienadas pelo Contribuinte estariam sujeitas à isenção tributária prevista no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei n° 1.510, de 1976. · De igual forma, em momento algum, o Contribuinte conseguiu entender o que o Ilustre Auditor Fiscal fez para se chegar à conclusão de que apenas 4.520 quotas do total de 22.400 quotas das sociedades empresárias FRANGO ASSADO SULESTE, FRANGO ASSADO NORTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE alienadas pelo Contribuinte estariam sujeitas à isenção tributária prevista no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei n° 1.510, de 1976. · As alegações apresentadas pelo Ilustre Julgador de primeira instância, às fls. 1.369/1.370 dos Autos, mormente relacionadas aos quadros/demonstrativos, e respectivos Anexos I e II, produzidos pela fiscalização, em nada explicam ou esclarecem; · Não é possível entender de onde o Auditor Fiscal extraiu a conclusão de que, até 01/01/1984, o Capital Social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA era de R$ 79.312.04 (capital subscrito valores em Reais), representados por 79.312 quotas. · Alega a Recorrente que fica ainda mais difícil entender o procedimento, quando se constata que, o valor de R$ 79.312,04, considerado às fls. 10/11 do TVR como sendo o Capital Social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, em 01/01/1984, não coincide com o valor mencionado no Anexo I. Com efeito, no referido Anexo I, o capital social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA até 01/01/1984, ou seja, antes da cisão, é de R$ 1.711.073,88 (valor em Reais). · Como pôde afirmar que os lucros acumulados em 25/9/1996, no valor de R$ 2.128.926,12, devidamente corrigido e atualizado até setembro de 2008 (data de alienação das quotas), na proporção do número de quotas do Contribuinte, teriam sido computados no cálculo do valor do custo de aquisição das participações/quotas alienadas. · Como pôde considerar corretos os referidos quadros/demonstrativos se, a partir de 30/09/1996, o Contribuinte retirouse da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, não realizando, a partir desta data, qualquer subscrição/aquisição de novas quotas. Fl. 1492DF CARF MF 10 · o Auditor Fiscal considerou valores em reais como representativos de quantitativos de quotas, o que é inadmissível. Ou seja, para cada um real de capital o Auditor Fiscal atribuiu uma quota o que não coincide com o número de quotas detido pelos sócios das sociedades empresárias. · não bastasse isso, o Auditor Fiscal fez uma verdadeira miscelânea entre quotas/participações societárias de propriedade da pessoa física do Contribuinte com quotas/participações societárias de propriedade da pessoa Jurídica FASPAR S/A, emergentes da subscrição/aquisição de quotas e capitalização de lucros/créditos; · a fiscalização atribuiu ao contribuinte participações societárias/quotas e bonificações decorrentes de lucros e créditos detidos exclusivamente pela pessoa jurídica da FASPAR S/A, e capitalizados quando o contribuinte já não era mais sócio da Comercial Guilherme Mamprim; · não se consegue reconstituir ou revisar os cálculos feitos pelo Auditor Fiscal, haja vista que o valor das participações societárias/quotas havidas originariamente pelo Contribuinte se fundiu com os valores das participações societárias/quotas emergentes de subscrições/aquisições e bonificações feitas ou recebidas recentemente pela pessoa jurídica FASPAR S/A, ou seja, quando o Contribuinte já não era mais sócio da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM; · em razão do princípio da autonomia patrimonial, ou seja, da personalização da sociedade anônima FASPAR, as quotas/participações societárias subscritas/adquiridas ou as bonificações recebidas pela pessoa jurídica FASPAR S/A não se confundem e não se comunicam com as participações societárias/quotas subscritas/adquiridas ou as bonificações recebidas pela pessoa física de seus acionistas, aqui designados Contribuintes. 1.1.2. Da Preterição do direito de defesa · os quadros/demonstrativos de fls. 10, 11 e 12 do Termo de Verificação Fiscal e respectivos Anexos I e II, acabaram por deixar o Contribuinte sem saber as razões pela qual as únicas quotas por ele subscritas ou adquiridas desde Agosto de 1983 até Setembro de 2008 data da alienação), havidas por doação de sua genitora, D. LUIZA MAMPRIM ROVERE, a título de adiantamento de legítimas, não estariam enquadradas na condição prevista no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei 1.510/76, para não pagamento do imposto de renda; · a forma como foram elaborados e apresentados pelo Auditor Fiscal os quadros/demonstrativos de evolução patrimonial das quotas detidas pelo Contribuinte, tornam inviável a conferência dos cálculos elaborados, afigurandose impossível ao Contribuinte entender qual o motivo da autuação e, muito menos, entender qual a razão de apenas uma insignificante parcela das participações societárias/quotas alienadas em 2008 terem sido enquadradas na isenção prevista no art. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.483 11 4o, "d", do Decretolei n° 1.510, de 1976, prejudicando de maneira irremediável o exercício ao contraditório e à ampla defesa por parte do Contribuinte; · restou patente que, a matéria fática que ensejou a autuação, consubstanciada na conclusão de que, do total de quotas alienadas pelo Contribuinte, apenas 4.735 quotas da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM e apenas 4.520 quotas das empresas FRANGO ASSADO NORTE, FRANGO ASSADO SULESTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE, estariam enquadradas na condição prevista no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei 1.510/76, incompreensível e equivocada, impedindo ao Contribuinte de conferir a regularidade dos cálculos e de formular com precisão suas razões de inconformismo, restando claro o cerceamento de defesa, devendo o Auto de Infração ser anulado por evidente prejuízo ao Contribuinte. 1.2 Da preliminar que versa sobre o instituto jurídico da denúncia espontânea e da exclusão da responsabilidade do contribuinte por infrações eventualmente praticadas · sem qualquer máfé não efetuou o recolhimento do IRPF sobre o ganho de capital obtido por entender tratarse de direito adquirido à isenção com embasamento legal na norma contida no DecretoLei n° 1.510/76; · não pode ser severamente penalizado com a aplicação de multas confiscatória e juros de mora, simplesmente porque optou pelo não pagamento de imposto que entende indevido e que espontaneamente denunciou e declarou à autoridade fazendária, antes do início de qualquer procedimento fiscal. Aduz não ser possível a punição pelo exercício do direito de não pagar imposto; · não se admite a não aplicação dos efeitos da denúncia espontânea, pois procedida a declaração e não recolhido o tributo com base em benefício fiscal contido em expressa disposição legal. Por mais que o não pagamento do tributo possa representar mora ou atraso, a denúncia espontânea realizada antes do início de qualquer procedimento fiscal afasta a responsabilidade decorrente da infração, porque o fato de a declaração vir desacompanhada do pagamento do tributo não desnatura o instituto previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN; · o fato da declaração vir desacompanhada do pagamento correspondente do tributo não possui o condão de desnaturar o instituto da denúncia espontânea a ponto de retirarlhe os efeitos legais imputados pelo artigo 138 do CTN. 1.3 Da Preliminar que versa sobre a anulação integral do lançamento fiscal em caso de reconhecimento do "direito adquirido" ao não pagamento do IRPF, afastando qualquer possibilidade de nulidade parcial Fl. 1494DF CARF MF 12 · entende que caso haja o reconhecimento do direito adquirido todo o lançamento deve ser anulado devendo ser afastada qualquer possibilidade de nulidade parcial e prejudicada a análise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados; · baseado na premissa de descabimento do "direito adquirido", o Auditor Fiscal tributou o ganho de capital auferido na alienação da totalidade das 788.500 quotas, à alíquota de 15%, independentemente de tais participações societárias estarem ou não albergadas pela isenção; · mesmo considerando a existência de uma pequena parcela de quotas albergadas pela isenção, o Auditor Fiscal realizou o lançamento tributando todo o ganho de capital auferido na alienação da totalidade das quotas de titularidade do Contribuinte; · no cálculo do imposto objeto do lançamento tributário, o Auditor Fiscal considerou também as referidas participações societárias/quotas que, no seu dizer, teriam direito ao benefício fiscal instituído pelo art. 4o, "d", do DL 1.510/76, de sorte que, caso seja reconhecida a isenção, ainda que parcial, estará comprometido todo o lançamento tributário realizado pelo Auditor Fiscal, tornandoo nulo de pleno direito. 2 DO MÉRITO 2.1 Do Direito Adquirido à Isenção · quanto ao direito adquirido à isenção (ou não pagamento) do IRPF sobre o ganho de capital auferido na alienação das participações societárias, restando claramente evidenciado tratarse "in casu" de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, a qual não pode ser revogada, tendo em vista o disposto no Art. 178 do CTN, além da incidência do enunciado na Súmula 544 do STF; · para reforçar posição de que a discussão gira em torno de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, cita diversas jurisprudências do STJ e de Tribunais Federais, além de julgados do CARF. 2.2 Das bonificações e filhotes adquiridas a custo zero, e que se referem às aquisições · Quanto a este tópico, não procede a alegação do D. Julgador "a quo" de que as disposições do Parecer Normativo CST n° 68/77 não se aplicam às bonificações emergentes das aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983, mesmo que se tratem de bonificações decorrentes de aumento de capital ocorrido após a vigência da Lei revogadora, ou seja, após a vigência da Lei n° 7.713/88. Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.484 13 · Com efeito, se o recebimento das bonificações relativas às aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 está isento do imposto nada mais racional tenha o DecretoLei n° 1.510/76 disposto que elas só podem ser computadas a custo zero, ou seja, tais bonificações não podem ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. 2.2.1 Dos aumentos de capital e das aquisições e subscrições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 · não há que se falar em aquisições e/ou subscrições de novas quotas a partir de 25/09/1996; · a partir de 30/12/1996, a Recorrente retirouse da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM; · a partir de 30/12/1996, a Recorrente não recebeu qualquer bonificação nos aumentos de capital realizados pela COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM, e sequer realizou qualquer subscrição/aquisição de novas quotas, a qual nunca promoveu qualquer aporte ou injeção de recursos na COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM e, muito menos, possuiu créditos ou Adiantamentos para aumento de capital junto à referida sociedade empresária COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM; · os aumentos de capital ocorridos na COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM, a partir de 30/12/1996, seja por incorporação de lucros ou reservas, seja em decorrência de emissão e subscrição particular de novas quotas, representam subscrições/aquisições e bonificações de exclusiva titularidade da sócia controladora FASPAR S/A, os quais não se confundem com as mutações acorridas no patrimônio da pessoa física da Recorrente; · entre o período de 25/09/1996 até 11/08/2008, as únicas quotas recebidas em bonificações, oriundas de lucros acumulados, foram decorrentes do aumento de capital social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM; · afirma que o valor de R$2.128.926,12 oriundo da capitalização de lucros acumulados não representa em hipótese alguma quaisquer outras subscrições ou aquisições de novas quotas, tratandose de filhotes ou bonificações adquiridas a custo zero; · caso prevaleça a tese da fiscalização de que as quotas recebidas em bonificação decorrentes de aumento de capital por incorporação ou de reservas constituídas com esses lucros, constituem subscrição de novas quotas, então, esse mesmo valor deve ser computado no custo de aquisição das participações alienadas de modo que o aumento do valor das quotas subscritas seja anulado pelo correspondente aumento no valor do custo de aquisição. Fl. 1496DF CARF MF 14 2.2.2 Das mutações ocorridas no quinhão societário do contribuinte no período de 25/09/1996 a 11/08/2008 · não ocorreram quaisquer atos ou eventos que implicassem aquisição ou subscrição de novas quotas, pois manteve sua posição de detentora das participações por mais de vinte anos, preservando o seu percentual de 5% na participação das sociedades integrantes do grupo FRANGO ASSADO. Também ressalta que não ocorreram quaisquer atos considerados cessão ou transferência de dinheiro ou bens para fins de integralização ou subscrição de capital, ou de novas quotas, nas sociedades; · as quotas alienadas em 2008, em sua totalidade, teriam cumprido todos os requisitos necessários para o cabal enquadramento nas condições exigidas pelo Decretolei n° 1.510/1976, de forma a usufruir do benefício instituído pelo referido diploma legal, uma vez que, já compunham seu patrimônio desde dezembro de 1975; · a partir de 30/12/1996, a Recorrente retirouse da Comercial Guilherme Mamprim Ltda; · os aumentos de capital ocorridos na COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM, a partir de 30/12/1996, seja por incorporação de lucros ou reservas, seja em decorrência de emissão e subscrição particular de novas quotas, representam subscrições/aquisições e bonificações de exclusiva titularidade da sócia controladora FASPAR S/A, as quais não se confundem com as mutações ocorridas no patrimônio da pessoa física da Recorrente. · as 788.500 quotas alienadas pelo Contribuinte em setembro de 2008 referemse às mesmas 192.000 quotas por ele detidas em 25 de setembro de 1996 e que, por sua vez, estão referenciadas legalmente às 1.500.000 quotas por ele detidas em agosto de 1983. 2.2.3 Das bonificações adquiridas a custo zero, e que são decorrentes das mesmas aquisições e subscrições originariamente havidas em dezembro de 1975 · cita o artigo 5o do DecretoLei 1.510/76, os Pareceres Normativos CST n° 68 de 23/9/77 e n° 39, de 19/10/81, cujo conteúdo objetivou o esclarecimento de consultas sobre a exegese do disposto nos artigos 4o e 5o do referido Decreto para afirmar a inexistência de tributação em virtude do recebimento de bonificações ou filhotes emergentes do aumento de capital com o aproveitamento de lucros e reservas e que tais bonificações não podem ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas; · o aumento de capital mediante incorporação de lucros ou reservas constitui mero remanejamento dos valores já existentes no balanço, não havendo mudança no volume financeiro nem entrada de novos valores no patrimônio da sociedade, e, consequentemente, não são considerados novas aquisições ou novas subscrições de quotas; Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.485 15 · o lucro não saiu do patrimônio da sociedade, os aumentos de capital ocorreram por mera transferência de contas de lucros e reservas à conta de capital, não havendo subscrição, nem em dinheiro, nem em bens; · conclui que o recebimento de bonificações em quotas não importa rendimento porque integra o patrimônio do beneficiário, sem custo. E se de rendimento não se trata, não ocorre em relação a tais valores a subscrição ou aquisição de novas quotas para efeito de enquadramento na regra do artigo 4o , alínea "d" do DecretoLei 1.510/76; · a fim de evitar repetições, requer que sejam consideradas em seu inteiro teor, os argumentos fáticojurídicos esposados no item 3.1, subitem 3.1.2 de sua impugnação, as quais demonstram a aquisição das bonificações a custo zero. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Preliminares. Nulidade. Inocorrência Cerceamento do direito de defesa. Alega a Recorrente que, desde agosto de 1983, não ocorreram quaisquer alienações ou aquisições de novas quotas por parte do contribuinte, mantendose a todo tempo, sob sua exclusiva titularidade, o mesmo quinhão societário recebido por doação de sua genitora, no montante equivalente a 5% do capital social das sociedades integrantes do Grupo "Frango Assado", inexistindo mutações patrimoniais que justificassem a produção de planilhas ou quadros demonstrativos. A Recorrente alega que a forma como foram elaborados e apresentados pelo Auditor Fiscal os quadros/demonstrativos de evolução patrimonial das quotas detidas pelo Contribuinte, tornam inviável a conferência dos cálculos elaborados, afigurandose impossível ao Contribuinte entender qual o motivo da autuação e, muito menos, entender qual a razão de apenas uma insignificante parcela das participações societárias/quotas alienadas em 2008 terem sido enquadradas na isenção prevista no art. 4o, "d", do Decretolei n° 1.510, de 1976, prejudicando de maneira irremediável o exercício ao contraditório e à ampla defesa por parte do Contribuinte. Prevendo a possibilidade de prevalecer a tese do contribuinte de direito adquirido à isenção do DecretoLei n° 1.510/76, a auditoria fiscal no intuito de demonstrar as Fl. 1498DF CARF MF 16 quotas do capital social que o contribuinte possuiu por mais de cinco anos na vigência do DecretoLei n. 1.510/1976, desenvolveu um tópico especifico no Termo de Verificação Fiscal (TVF), qual seja:" III DAS QUOTAS QUE O CONTRIBUINTE POSSUIU POR MAIS DE CINCO ANOS NA VIGÊNCIA DO DECRETOLEI N. 1.510, DE 1976" (efls. 15/20). E é exatamente nesse tópico específico que a auditoria elabora os quadros/demonstrativos no intuito de esclarecer que a participação societária do Recorrente sofreu mutações ao longo do período de agosto de 1983 a 11/08/2008. Ressaltese que diferente do entendimento do Recorrente, a fiscalização considerou que, tanto no caso de subscrição de novas quotas, como na situação de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros (quotas recebidas em bonificação), ocasionaram mutações ao longo do período na participação societária do contribuinte na empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda, conforme constatase no Anexo I. Por se tratar de questão de mérito, as questões relacionadas às bonificações, serão tratadas em tópico específico, e não como preliminar de nulidade. Por outro lado, esclarece o Termo de Verificação Fiscal que em razão de cisões comercias ocorridas na empresa Comercial Guilherme Mamprim, no período entre 08/08/1983 a 11/08/2008, não são consideradas como transferência de titularidade de quotas, conforme entendimento administrativo no Parecer Normativo CST n. 39/1981. Desta feita, o percentual do capital social adquirido até 01/01/1984 após as cisões ocorridas ao longo do tempo não se alteraram, conforme se constata no Anexo I do TVF (efls. 22/23), vide como exemplo a 27ª Alteração Contratual, onde ocorreu uma cisão parcial no valor total de R$ 3.456.000,00, sendo que o percentual do capital social subscrito até 01/01/1984 permaneceu de 44,5592%, mesmo percentual constante do item anterior da tabela, referente à 26ª Alteração Contratual. Portanto, o primeiro ponto relevante que destacamos é que o percentual de participação societária da contribuinte é que se manteve inalterado em 5% desde que ingressou nas sociedades até a alienação sob exame, o que não significa, que ela não tenha adquirido novas quotas e o valor do capital social por ela detido não tenha se modificado ao longo do período analisado. O Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (TVF efls. 22/23) demonstra o histórico das quotas da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, com as respectivas datas de subscrição/aquisição de novas quotas de capital social e cisões comerciais, conforme consta das alterações dos contratos sociais n°s 26 a 44. Ao contrário do que alega o Recorrente, a tabela integrante do anexo I não é confusa, e nem de difícil entendimento, pois todos os percentuais apurados inicialmente foram reproduzidos nos eventos seguintes, logicamente guardadas as proporções em relação ao capital subscrito até 01/01/1984 com as devidas considerações no que se refere as parcelas cindidas. Com a subscrição de novas quotas, como na situação de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros, as quais foram consideradas quotas novas, obviamente que se não integram aquelas originalmente adquiridas não podem contribuir para o aumento no percentual dessas mesmas quotas. Daí porque o percentual de quotas adquiridas no período de cinco anos contados regressivamente desde 01/01/1989 corresponde a uma pequena parcela do valor das quotas alienadas. Passemos a analisar alguns pontos específicos das colocações postas pela Recorrente, quanto à dificuldade de entendimento dos quadros/demonstrativos de evolução patrimonial das quotas detidas por ela: Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.486 17 · Não se consegue entender de onde o Auditor Fiscal extraiu a conclusão de que, até 01/01/1984, o Capital Social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA era de R$ 79.312.04 (capital subscrito valores em Reais), representados por dividido 79.312 quotas. Não existe nenhuma dificuldade de entendimento é só acompanhar toda evolução histórica da quotas da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, constante do Anexo I do TVF (efls. 22/23), que reproduzem os termos do Contrato e Alterações Contratuais. O que existe, na verdade, conforme já relatado anteriormente é uma divergência de entendimento entre a fiscalização e o contribuinte, no que tange à subscrição/aquisição de novas quotas recebidas em bonificação, a qual será analisada no mérito desta decisão. · Alega a Recorrente que fica ainda mais difícil entender o procedimento, quando se constata que, o valor de R$ 79.312,04, considerado às fls. 10/11 do TVR como sendo o Capital Social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, em 01/01/1984, não coincide com o valor mencionado no Anexo I. Com efeito, no referido Anexo I, o capital social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA até 01/01/1984, ou seja, antes da cisão, é de R$ 1.711.073,88 (valor em Reais). Conforme a 26a alteração contratual (efls. 844/862), firmada em 25/09/1996, o capital social da Comercial Guilherme Mamprim passou de R$ 17.454,55 para R$3.840.000,00. A elevação de R$3.822.545,45 foi composta pela reversão "Reserva de Capital Correção Monetária do Capital Social", no montante de R$1.693.619,33, e pela reversão de lucros acumulados, de R$ 2.128.926,12, sendo que esta última reversão representa subscrição/aquisição de novas quotas. A fiscalização demonstrou o capital subscrito até 01/01/1984 e sua atualização até 01/01/1996 com a utilização da reserva de correção monetária no valor de R$1.693.619,33, por refletirem apenas os efeitos da inflação, não representam subscrições/aquisições de novas quotas do capital social. Ressaltese que a reserva de correção monetária foi admitida pela autoridade fiscal apenas hipoteticamente, já que em 1996 ela já estava extinta e o objetivo era explicar a quantidade de quotas antes e após 01/01/1984. Com isso, em benefício do contribuinte, que o valor de R$17.454,55 foi acrescido da reversão "Reserva de Capital Correção Monetária do Capital Social", de R$ 1.693.619,33, perfazendo um total de R$ 1.711.073,88, corrigidos monetariamente até 01/01/1996. E é exatamente a partir dessa 26ª alteração contratual, por meio do Anexo I do TVF, que a fiscalização demonstra a evolução histórica das quotas da Comercial Guilherme Ltda, sendo que em 25/09/1996, o valor de R$ 1.711.073,88, reapresentava o capital social subscrito até 01/01/1984. Fl. 1500DF CARF MF 18 Contudo, o mesmo Anexo I demonstra que devido a diversas alterações do contrato social da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda, por meio de subscrição/aquisição de novas quotas e cisões ocorridas, o capital subscrito até 01/01/1984 foi sendo alterado ao longo do tempo, chegando então na 44ª Alteração do Contrato Social, no qual o capital social subscrito até 01/01/1984 é de R$ 79.312,04 (79.312 quotas). Nesse sentido, não existe nenhuma incongruência/equivoco constar inicialmente um valor de R$ 1.711.073,88 de capital social subscrito até 01/01/1984, 26ª Alteração do Contrato Social, sendo alterado durante o decorrer do tempo, chegandose a um valor de R$ 79.312,04, em 11/08/2008 (44ª Alteração do Contrato Social). · Como pôde afirmar que os lucros acumulados em 25/9/1996, no valor de R$ 2.128.926,12, devidamente corrigido e atualizado até setembro de 2008 (data de alienação das quotas), na proporção do número de quotas do Contribuinte, teriam sido computados no cálculo do valor do custo de aquisição das participações/quotas alienadas. Neste ponto, cabe esclarecer que o custo de aquisição foi informado pelo próprio sujeito passivo (efls. 37), no valor de R$ 765.500,00, relativa à 765.500 quotas da empresa Comercial Guilherme Mamprim, sendo que tal valor está totalmente de acordo com a Alteração do Contrato Social da empresa (efls. 458/473), de 23 de setembro de 2008, documento pelo qual a contribuinte transferiu suas quotas para empresa compradora Yami Comércio de Alimentos, in verbis: (...) XIII A sócia IZILDINHA ROVERE CHIQUETTO, proprietária de 765.500 (setecentas e sessenta e cinco mil e quinhentas) quotas da Sociedade, no valor nominal de R$ 765.500,00 (setecentos e sessenta c cinco mil e quinhentos reais), neste ato» com expressa anuência dos demais sócios, os quais neste ato renunciam expressamente ao direito de preferência que eventualmente lhes assista, cede e transfere, nos termos de instrumento em apartado, 765.500 (setecentas e sessenta e cinco mil e quinhentas) quotas, a YAMI COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA.(efls. 462/463) (...) O aumento de capital de R$ 2.128.926,12 já está incluso no custo de aquisição apurado por Izildinha Rovere Chiquetto, pois, conforme se verifica às fls. 848/850, pela 26a Alteração Contratual da Comercial Guilherme (25/09/1996), houve um aumento no capital social para R$ 3.840.000,00, sendo que tal informação consta do Anexo I do TVF. Ocorre que, conforme se verifica do Anexo I do TVF em diversas oportunidades aconteceram novas subscrições/aquisições de capital social, tendo reflexo no custo de aquisição do contribuinte. Todavia, a última Alteração do Contrato Social ocorreu em 11/08/2008, quando houve um aumento de capital de 14.740.000,00 para 15.310.000,00 (fls. 1079), sendo que desse valor, R$ 765.500,00 (765.500 quotas) é o valor das quotas Izildinha Rovere Chiquetto, que foi utilizado por ela para apuração do custo de aquisição, e também da fiscalização, valor que está totalmente de acordo com o Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, tendo como uma das partes vendedora a contribuinte e como compradora empresa Yami Comércio de Alimentos (efls. 411/456) Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.487 19 Portanto, o custo de aquisição está de acordo com o declarado pelo sujeito passivo e de acordo com os contratos sociais e alterações contratuais. · Como pôde considerar corretos os referidos quadros/demonstrativos se, a partir de 30/12/1996, o Contribuinte retirouse da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, não realizando, a partir desta data, qualquer subscrição/aquisição de novas quotas. · Alega então o Recorrente que o Auditor Fiscal fez uma verdadeira miscelânea entre quotas/participações societárias de propriedade da pessoa física do Contribuinte com quotas/participações societárias de propriedade da pessoa jurídica FASPAR S/A, emergentes da subscrição/aquisição de quotas e capitalização de lucros/créditos. Primeiro, cabe esclarecer que Anexo I do TVF levou em conta os diversos eventos examinados durante as alterações contratuais de n°s 26 a 44, tais como as incorporações das reservas já mencionadas, subscrição particular de novas quotas, três cisões parciais da COMERCIAL, sendo relevantes para o contexto dos autos a primeira com o objetivo de criar a FASPAR e a segunda com a criação das empresas FRANGO ASSADO NORTE, FRANGO ASSADO SULESTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE e nova cisão parcial, desta vez da FASPAR, em operação inversa na qual foram vertidas as ações em quotas da COMERCIAL e juntamente com as outras três empresas e a CARVALHO PINTO, passaram à condição de controladoras da FASPAR, ocasião em que ocorreu a alienação das participações societárias. Sendo que no caso de cisões ou incorporações realizadas, ocorridas substituição de ações, na proporção das anteriormente possuídas, pela transferência de parcelas de um patrimônio para o de outro, não foi caracteriza pela fiscalização como alienação para efeito de incidência do imposto sobre a renda. Nestes casos, a data de aquisição é a compra ou subscrição originária, não tendo havido emissão ou entrega de novos títulos representativos da participação societária, conforme entendimento administrativo no Parecer Normativo CST n. 39/1981. Por isso, não se considera que nesses casos, tenha ocorrido a transferência da titularidade das quotas. E foi exatamente seguindo tal procedimento que a fiscalização pode apurar um quantitativo 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4.520 quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.6510/76. Caso assim não fosse, não poderíamos nem vir a discutir a tese do direito adquirido à isenção do imposto de renda concedido pelo DecretoLei n. 1.510/76, no presente caso, tendo em vista que ocorreram diversas cisões e incorporações ao longo do tempo, sendo que a alienação das participações societárias foi considerada ocorrida apenas em setembro de 2008, onde então foi apurado o ganho de capital. Analisando 29ª Alteração do Contrato Social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda (efls. 884/910), de 30/12/1996, constatase que houve um aumento do capital social da Frango Assado Empreendimentos e Participações (FASPAR), mediante 384.000 quotas, no valor de R$ 1,00 (um real), sendo que os sóciosquotistas da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, dentre as quais Izildinha Rovere Chiquetto , cederam e transferiam, para fins Fl. 1502DF CARF MF 20 exclusivos de integralização e aumento de Capital Social, a totalidade de sua quotas à Cessionária FASPAR. Contudo, apesar da Recorrente ter se retirado da empresa Comercial Guilherme Ltda, em 30 de dezembro de 1996, na verdade, ela cedeu e transferiu todas as suas quotas para empresa FASPAR, na mesma proporção das ações anteriormente possuídas por ela na Comercial Guilherme Mamprim Ltda, sendo que a FASPAR passou a ser a sócia controladora da Comercial Guilherme, com 383.996 quotas, sendo que a Comercial Guilherme permaneceu com o mesmo capital social de R$ 384.000,00 (384.000 quotas). Por isso, foi possível na situação em questão a fiscalização não considerar como alienação de quotas para efeito de incidência do imposto de renda, nas substituições de ações ocorridas, considerando então que não houve transferência das quotas, uma vez que as quotas foram mantidas na mesma proporção anteriormente possuídas pelos sócios na empresa FASPAR S/A, a qual passou a ser a sócia controladora da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, sendo que esta não alterou seu capital social. Caso foi considerada correta, a tese da Recorrente de que a mesma teria se retirado da empresa Comercial Guilherme Ltda, em 30 de dezembro de 1996, nesta data teria que ter sido apurado o ganho de capital devido, por consequencia, em 2008, na nova apuração de ganho capital não restaria nenhuma quota do capital social isento, com fundamento no DecretoLei n. 1.510, DE 1976. Por outro lado, analisando o Anexo I do TVF, constatase em diversos períodos posteriores a 30/09/2006, ocorreram novas subscrições/aquisições de quotas na empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda, sendo que destacamos apenas dois exemplos a título ilustrativo: 37ª Alteração do Contrato Social (31/03/2003, efs. 1010/1014), no valor de R$ 3.100.000,00 (3.100.000 quotas) e 41ª Alteração do Contrato Social (14/11/2007, efls. 1060/1064), no valor de R$ 8.470.000,00 (8.470.000 quotas). Cabe aqui esclarecer que ao contrário do alegado pelo Recorrente não está ocorrendo uma confusão patrimonial entre a pessoa física da contribuinte com quotas/participações societárias de propriedade da pessoa jurídica FASPAR, mas quando ocorre um aumento de capital social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, mediante subscrição particular de novas quotas, subscritas única e exclusivamente pela sócia controladora FASPAR S/A, como por exemplo o ocorrido com a 37ª Alteração Contratual, aumenta também o patrimônio pessoal de cada sócio, apesar de não alterar a participação dos sócios na sociedade. · O Auditor Fiscal considerou valores em reais como representativos de quantitativos de quotas, o que é inadmissível. Ou seja, para cada um real de capital o Auditor Fiscal atribuiu uma quota o que não coincide com o número de quotas detido pelos sócios das sociedades empresárias. Compulsando os autos, constatase que ficou estipulado para cada quota o valor nominal de R$ 1,00 (um real), desde da 26ª Alteração Contratual da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda até a transferências de suas quotas para empresa compradora Yami Comércio de Alimentos, portanto, a fiscalização não cometeu nenhum equívoco. · Alega ainda o Recorrente que ficouse sem saber como o Auditor Fiscal chegou à conclusão de que apenas 4.520 quotas do total de 22.400 quotas das sociedades empresárias FRANGO ASSADO Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.488 21 SULESTE, FRANGO ASSADO NORTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE alienadas pelo Contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do Decreto Lei n° 1.510, de 1976. Em 09/10/1998, o capital social Guilherme Mamprim foi reduzido de R$ 848.000,00 para R$ 400.000,00 (32ª Alteração Contratual). Houve uma cisão societária parcial da empresa e o capital social de R$ 448.000,00 foi simultaneamente transferido para constituição de três novas sociedades, Frango Assado Norte (R$ 167.000,00), Frango Assado Suleste (R$ 162.000,00) e Frango Assado Sudoeste (R$ 119.000,00), sendo que do valor total cindido (R$ 448.000,00), apenas 20,1778% (R$ 90.396,36) são oriundos de capital subscrito na empresa Guilherme Mamprim até 01/01/1984, conforme consta do Anexo I do TVF (vide 31ª e 32ª Alterações Contratuais) Tendo em vista que o contribuinte detinha um percentual 5% das quotas das empresas Frango Assado Norte, Frango Assado Suleste e Frango Assado Sudoeste, por consequência, apenas 4520 quotas, de um total de 90.396,36, são oriundas de um capital subscrito até 01/01/1984. Diante do exposto, concluo não haver dificuldade de entendimento quanto à metodologia utilizada pela fiscalização, a qual demonstrou que apenas 4735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4520 quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.6510/76, conforme informações constantes do Termo de Verificação Fiscal e seus anexos. Percebese, portanto, que não há espaço fático para se falar em vícios no lançamento fiscal, já que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 02/1214) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN1 e o art. 10 do Decreto 70.235/19722, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante do imposto de renda devido; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros, não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. Impossibilidade de nulidade parcial em face do reconhecimento do "direito adquirido". 1 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 2 Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1504DF CARF MF 22 Entende a Recorrente que caso haja o reconhecimento do "direito adquirido" todo o lançamento deve ser anulado devendo ser afastada qualquer possibilidade de nulidade parcial e prejudicada a análise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados. Ressalto que, o processo administrativofiscal de exigência de crédito tributário referente ao imposto sobre a renda de pessoa física é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a nulidade dos atos nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse aspecto, o Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172/66, não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. A questão do direito adquirido, por se referir ao próprio mérito, será analisada, em momento oportuno, não sendo portanto uma questão preliminar, não se sujeitando nem a nulidade parcial bem como total. Denúncia espontânea. Multa de ofício. Juros à taxa Selic No que se refere às alegações da Recorrente quanto à denúncia espontânea e a não aplicação da multa de oficio e juros de mora, por se tratar de questão de mérito, deverá ser analisado no momento oportuno. 2. MÉRITO Do Direito Adquirido da Isenção conferida pelo DecretoLei n. 1.510/76 A Recorrente argumenta que quando da publicação da Lei nº 7.713/88, Izildinha Rovere Chiqueto já possuía as participações societárias por mais de 5 anos, tendo direito adquirido ao benefício fiscal conferido pelo Decretolei nº 1.510/76, independente da data de alienação das participações societárias. Alega que restando claramente evidenciado tratarse "in casu" de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, ela não pode ser revogada, tendo em vista o disposto no Art. 178 do CTN, além da incidência do enunciado na Súmula 544 do STF; Assevera que se implementada a condição à isenção antes da revogação da lei, a isenção se mantém mesmo se a alienação ocorrer na vigência da lei revogadora, pois no caso se trata de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições., a qual não pode ser revogada, tendo em vista o disposto no Art. 178 do CTN, além da incidência do enunciado na Súmula 544 do STF No intuito de reforçar posição de que a discussão gira em torno de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, cita diversas jurisprudências do STJ e de Tribunais Federais, além de julgados do CARF. Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.489 23 No que toca à discussão acerca do aproveitamento da isenção à luz do DL 1.510/76, com relação às cotas adquiridas até 1983 e que permaneceram no patrimônio do contribuinte por, no mínimo, cinco anos até a entrada em vigor da Lei 7.713/88, curvome ao posicionamento dos nossos tribunais superiores, já reconhecido, inclusive, pela representação judicial da Fazenda Nacional, segundo dispõe o Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho, in verbis: (...)nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, (...) Transcrevo a seguir excerto do voto vencedor da Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardoso, no Acórdão nº 9202007.261, em 22/10/2018, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca desse tema, a qual reconhece a isenção à luz do DL 1.510/76, e que permaneceram no patrimônio do contribuinte por, no mínimo, cinco anos até a entrada em vigor da Lei 7.713/88, no essencial: Ressalvado o posicionamento pessoal desta Conselheira, que sempre foi no sentido da inexistência de direito adquirido à isenção do Imposto de Renda, a Fazenda Nacional, parte neste processo, exarou o Parecer SEI n° 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, que ensejou a publicação do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 25/06/2018, que assim determina: 'O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso lido art 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5o do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI N° 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).' JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1.164.768/RS, AgRg no REsp 1.231.645/RS, REsp 1.659.265/RJ, REsp 1.632.483/SP, AgRg no AgRg no AREsp 732.773/RS, REsp Fl. 1506DF CARF MF 24 1.241.131/RJ, EDcI no AgRg no REsp 1.146.142/RS e AgRg no REsp 1.243.855/PR.' Relativamente a essa modalidade de parecer, o RICARF. em seu Anexo II, assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1o O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) IIque fundamente crédito tributário objeto de: (...) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Destarte, considerando que, no presente caso, as ações alienadas já eram de propriedade do Contribuinte em 1983, e conforme o parecer acima, em que a própria parte abriu mão do litígio, forçoso concluir pelo não provimento do recurso. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. Esse é inclusive o posicionamento que constou da Solução de Consulta n° 505 Cosit/RFB, de 17.10.2017, a seguir ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI N° 1510, DE 1976. ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A hipótese desonerativa prevista na alinea "d" do art. 4o do DecretoLei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas após 1o de Janeiro de 1989, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. A isenção é condicionada à aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983 e ao alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do Decretolei n° 1.510, de 1976, revogado pelo art. 58 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Por sua vez, observado o posicionamento acima, não quer dizer, com isso, que entenda pela extensão do benefício fiscal às ações bonificadas e subscrições particulares de novas quotas que ingressaram no patrimônio do sujeito passivo após o ano de 1983, por Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.490 25 vislumbrar, se assim fosse, flagrante afronta ao artigo 111 do CTN, quando estabelece que deve ser interpretada literalmente a legislação que disponha sobre outorga de isenção. As ações bonificadas correspondem a aumento do capital social decorrentes da incorporação de reservas de lucros ou lucros acumulados pela sociedade, e são distribuídas pelos acionistas, na proporção das ações que eles já possuíam, não alterando a participação dos sócios na sociedade, mas aumentando o patrimônio individual de cada sócio. Tratase portanto de aquisição de novas ações pelo acionista, que deixa de receber dividendos em dinheiro para receber ações em bonificação. Logo, para fazer jus à isenção do imposto na sua alienação, estas ações também devem se submeter à mesma regra das demais aquisições. Já as ações que correspondam a meros desdobramentos ou agrupamentos de ações que, por sua vez, já integravam o patrimônio do investidor há mais de cinco anos quando da revogação da isenção, fazem jus ao benefício, pois não há neste caso aquisição de novas ações, mas mera adaptação das quantidades de ações de cada acionista ao novo critério de divisão do capital da sociedade. Vejase, a leitura conjunta dos artigos 1o, 4o e 5o daquele decretolei não autoriza, penso eu, a concluir que tal isenção possa ser estendida indiscriminadamente às ações bonificadas. Confirase: Art 1o O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos (...) Art 4oNão incidirá o imposto de que trata o artigo 1o: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Art 5o Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1° deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. Percebase, todo o fundamento para que se entenda pelo reconhecimento da isenção conferida por aquele DL 1.510/76, revogado desde a edição da Lei 7.713/88, nas alienações efetuadas após a sua revogação, reside na tese de que aqueles que mantiveram participações societárias em seu patrimônio, na vigência do DL, por cinco anos ou mais passaram a ter o direito adquirido à isenção. Em outras palavras, para que haja subsunção do caso à tese do direito adquirido, temse por necessário que as participações já estivem, à data da revogação do DL, incorporadas ao patrimônio do alienante por no mínimo cinco anos. Fl. 1508DF CARF MF 26 Com efeito, considerando a conjugação da legislação tributária aplicada ao tempo da alienação com a tese encampada pelos tribunais, penso que a melhor interpretação daquele artigo 5o é no sentido de que a isenção é estendida às ações bonificadas desde que, quando da revogação citada acima, já estivessem incorporadas ao patrimônio do investidor há no mínimo cinco anos. Nesse mesmo sentido, o acórdão proferido na apelação cível n° CNJ: 000339023.2011.4.02.5101 (2011.51.01.0033903), no TRF2, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DECRETOLEI N° 1.510 /1976. ALIENAÇÃO DE AÇÕES: SOCIETÁRIAS E BONIFICADAS ISENÇÃO. RECURSO E REMESSA NECESSÁRIA, CONSIDERADA COMO EXISTENTE, DESPROVIDOS 1. O Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de apreciar a matéria em diversas ocasiões e, por último, acabou firmando o entendimento no sentido de que é isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das ações societárias adquiridas sob a égide do DL n° 1510 /76, após cinco anos da respectiva aquisição, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei n° 7.713 /88 (REsp n° 1.133.032). 2. O mesmo entendimento não se aplica às ações bonificadas emitidas após 31.12.1983, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL n° 1.510 /76. 3. REsp n° 1.470.768 (2014/01830514): "O art. 4o, d, do Decretolei n° 1.510 /76 previa isenção de imposto de renda de alienações de quotas sociais efetivadas após o decurso do prazo de cinco anos da data da subscrição ou da aquisição das quotas societárias, de modo que, ainda que recebidas em caráter de bonificação, às mesmas não se estende a isenção do Decreto lei, porquanto não se enquadram na hipótese do dispositivo aludido". 4. O artigo 111 do CTN estabelece que legislação tributária que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, não se admitindo interpretação extensiva, ampliativa ou analógica. 5. Recurso e remessa necessária, considerada como existente, desprovidos. (grifos nosso) No mesmo sentido é o já citado Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho, in verbis: 'nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).' Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.491 27 Acrescento, parte do voto da Ilustre Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, no Acórdão nº 2202004.351, em 14/05/2018, desta turma, sobre o tema em questão, referente à outra acionista do mesmo grupo empresarial em questão, que passo a adotar como razões de decidir, e a seguir reproduzo: (...) O recorrente arrazoa não proceder o argumento do julgador a quo "que as disposições do Parecer Normativo CST nº 68/77 não se aplicam às bonificações emergentes das aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983, mesmo que se tratem de bonificações decorrentes de aumento de capital ocorrido após a vigência da Lei revogadora, ou seja, após a vigência da Lei nº 7.713/88". Diz que o parecer teve por objetivo esclarecer as questões sobre as bonificações decorrentes das participações societárias enquadradas na isenção aqui discutida, acrescentando que o parecer: é absolutamente claro quanto à definição para efeitos da tributação do Art. 1º do referido DecretoLei, que as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem, estendendose tal definição para todas e quaisquer bonificações emergentes das participações societárias originariamente havidas a partir de 1983, mesmo aquelas havidas após a sua revogação, mas originárias das participações societárias mantidas pelo Contribuinte desde 1983. Com efeito, se o recebimento das bonificações relativas às aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 está isento do imposto nada mais racional tenha o DecretoLei nº 1.510/76 disposto que elas só podem ser computadas a custo zero, ou seja, tais bonificações não podem ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. Por sua vez, não se aplica ao presente caso, a alegação do D. Julgador "a quo" de que, em face do disposto no parágrafo único, do Art. 10 da Lei nº 9.249/95, no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Sem, razão o recorrente. A meu ver correto o entendimento do julgador a quo, o Parecer Normativo CST nº 68/77, que tinha caráter interpretativo, considerou as regras vigentes à época de sua emissão. Não se pode esquecer que a cada alteração da legislação há necessidade de nova interpretação à luz dos dispositivos então vigentes. E nesse aspecto, estou de acordo com os argumentos esboçados no acórdão recorrido, por isso, adotoos como razões de decidir: Verificase que a autuada considerou que as bonificações, mesmo que distribuídas posteriormente a 31/12/1983, estariam Fl. 1510DF CARF MF 28 isentas por terem origem daquelas que supostamente gozavam de isenção. De fato, o artigo 5o do Decretolei nº 1.510/1976 trazia regramento para apuração do ganho de capital, especialmente sobre o rateio das bonificações, tanto que remetia ao artigo 1o, ambos revogados pela Lei nº 7.713/1988. Já o Parecer Normativo CST nº 68/1977, ato normativo de caráter interpretativo, tinha o propósito de esclarecer o tratamento a ser dado às bonificações recebidas e a forma de cômputo delas na apuração de eventuais ganhos de capital. Referido artigo definia que para efeitos da tributação do artigo 1o do mesmo DecretoLei, as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem, mas a validade do dispositivo perdurou até a vigência da lei revogadora, Lei nº 7.713/1988. Portanto, desde 1º de janeiro de 1989 o tratamento tributário a ser considerado em relação às bonificações possui regramento nos §§ 3o e 4o do artigo 16 da Lei nº 7.713/1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: (...) § 3o No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Por sua vez, o parágrafo único do artigo 10 da Lei nº 9.249/1995 estabelecia a forma de cálculo do custo de aquisição das ações distribuídas em decorrência do aumento do capital por incorporação do lucro e de reservas, como segue: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.492 29 Disto depreendese que não há qualquer razão legal para ratear as bonificações adquiridas posteriormente a 31/12/1983 na forma estabelecida pelo Decretolei nº 1.510/1976 visto que no regramento tributário atual as bonificações/quotas distribuídas pela empresa mediante incorporação de lucros ou reservas são consideradas ações novas cujo custo de aquisição é dado em função da origem das reservas que resultaram na distribuição das ações a titulo de bonificação. (grifei) Acrescento que, se compararmos os trechos do revogado art. 5º do Decretolei nº 1.510/76, e os parágrafos 3º e 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/1988, iremos ver que a troca da palavra "bonificações" por "participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação", nos dará a certeza de que esses aumentos de capital originam novas participações, e não são filhotes, como entende o recorrente. Decretolei nº 1.510/76 Lei nº 7.713/1988 Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1º deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art. 16 [...] § 3o No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. O argumento do recorrente, de que as bonificações emergentes das participações societárias originariamente havidas a partir de 1983, eram computadas a custo zero, e que isso se estenderia às bonificações decorrentes daquelas participações, mesmo após a revogação do DecretoLei de isenção, fazme relembrar o histórico da legislação sobre a tributação dos lucros distribuídos, brilhantemente narrado pelo ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Processo 12448.736152/201135, Acórdão nº 9202003.700, julgado em 27 de janeiro de 2016, e que aqui é trazido para esclarecer ao recorrente da razão de àquela época as bonificações serem computadas a custo zero, e porque, posteriormente, passaram a compor o custo das participações pelo valor da capitalização decorrente dos lucros acumulados: Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e Fl. 1512DF CARF MF 30 consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 — lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de periodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no Pais, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1o, 2.065/83, art. 1o, 1, a, e 2.303/86, art. 7oparágrafo único): ... (b) Art. 810 — o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital... § 2o O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, §4e): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei nº 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. [...] Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.493 31 Reparase. da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Como se percebe, as bonificações tinham um motivo para serem computadas a custo zero, que era permitir a tributação dos lucros quando as participações societárias fossem alienadas; posteriormente quando o lucro distribuído passou a ser isento, o custo de aquisição das participações decorrentes dos aumentos de capital por incorporação de lucros passou a ser a parcela do lucro capitalizado, ou seja elas deixaram de ser computadas a custo zero. Essa disposição também constava nos revogados arts. 1º e 5º do DecretoLei nº 1.510/76: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1º deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Veja que, o custo zero a que se refere o art. 5º é aplicável para os efeitos do art. 1º, que tratava da tributação do lucro auferido pelas pessoas físicas, e não à alínea "d" do art. 4º desse Decreto lei. Portanto, não vejo fundamento na afirmação do recorrente de que o DecretoLei tenha estabelecido que as bonificações decorrentes de aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 devem ser computadas com custo zero e por isso não poderiam ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. O que entendo é que, a lei revogadora trouxe uma nova sistemática para a apuração do custo de aquisição das participações societárias e respectivo ganho de capital quando da alienação dessas participações, e foi justamente a legislação vigente à época dos fatos geradores que o Auditor Fiscal corretamente aplicou, qual seja, o § 3º do Art. 16 da Lei nº 7.713/1988, que também está disposto no parágrafo único, do Art. 10 da Lei nº 9.249/95. Cabe aqui esclarecer, conforme se verifica do Anexo I do TVF (efls. 22/23), que nem todas as novas subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83 consideradas Fl. 1514DF CARF MF 32 pela fiscalização são unicamente oriundas de ações bonificadas, qual seja: participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. Verificase, como exemplos, nas alterações contratuais 37ª Alteração do Contrato Social (31/03/2003, efs. 1018/1023), no valor de R$ 3.100.000,00 e 41ª Alteração do Contrato Social (14/11/2007, efls. 1068/1072), no valor de R$ 8.367.160,95, um aumento do capital social, por meio de uma subscrição particular de novas quotas. Conforme já esclarecido, em sede de preliminar, quando ocorre um aumento de capital social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, mediante subscrição particular de novas quotas, subscritas única e exclusivamente pela sócia controladora FASPAR S/A, como por exemplo o ocorrido com a 37ª Alteração Contratual e 41ª Alteração do Contrato Social, aumenta também o patrimônio pessoal de cada sócio, apesar de não alterar a participação dos sócios na sociedade. Quanto à tese da defesa de que a Recorrente havia se retirado da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda., em 30/12/1996, tal tema já foi amplamente debatido em sede preliminar. Assim sendo, entendo no sentido de reconhecer a isenção do IR sobre o ganho de capital na alienação das cotas adquiridas até 31.12.83, contudo não extensivo às subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83 (seja por meio de ações bonificadas ou subscrição particular de novas quotas), tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL n°1.510/76. Prevendo a possibilidade de prevalecer a tese do contribuinte de direito adquirido à isenção do DecretoLei n° 1.510/76, a auditoria fiscal de forma zelosa demonstrou as quotas do capital social que o contribuinte possuiu por mais de cinco anos na vigência do DecretoLei n. 1.510/1976, qual seja: · 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim; · 4.520 quotas das empresas Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste As questões postas pelo Recorrente quanto à conclusão da fiscalização de que apenas 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4.520 quotas do quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.6510/76, já foram amplamente debatidas na preliminar de nulidade, portanto, não serão objeto de reanálise. Ressaltese que os quadros/demonstrativos de evolução patrimonial das quotas detidas pelo Contribuinte no Termo de Verificação Fiscal e seus Anexos, estão em total consonância com as questões de mérito ora decidas. Diante do exposto, concluo que apenas 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4.520 quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.6510/76, conforme quadro abaixo: Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.494 33 Da Apuração do Ganho de Capital Tendo em vista que a fiscalização não considerou como válida a tese jurídica do direito adquirido à isenção do DecretoLei n. 1.510/76, com advento da Lei 7.713/88, logo não considerou como isenta do imposto de renda pessoa física nenhuma quota das empresas em questão no cálculo do ganho de capital, conforme se verifica do quadro abaixo: Esclareçase que tal procedimento foi realizado dentro da estrita legalidade, uma vez que a tese jurídica do direito adquirido à isenção do DecretoLei n. 1.510/76 há muito vem sendo motivo de discussões tanto na esfera judicial como administrativa, sendo que, apenas em junho/2018, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Ato Declaratório PGFN n. 12/2018, encampou tal tese. Isto posto, o reconhecimento desta decisão de que apenas 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4.520 quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste (1.634), Frango Assado Norte (1.685) e Frango Assado Sudoeste (1.201 quotas) alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.510/76, não gera nenhuma nulidade, seja parcial ou total, segundo já posto na preliminar de nulidade. Por outro lado, deverá ser reduzido percentualmente no ganho de capital calculado pela fiscalização, o quantitativo de ações consideradas isentas do imposto de renda, por esta decisão, conforme quadro abaixo: Pessoa Quotas Quotas subscritas/adquiridas até 31/12/1983 Jurídica Alienadas Comercial 765.500 4.735 Frango Norte 8.350 1.685 Frango Sudoeste 5.950 1.201 Frango Suleste 8.100 1.634 Fl. 1516DF CARF MF 34 Denúncia espontânea. Multa de ofício. Juros à taxa Selic A Recorrente arrazoa que, antes do início do procedimento fiscal, Izildinha Rovere Chiquetto declarou expressamente a alienação da totalidade das quotas e participações societárias que detinha nas sociedades do Grupo “Frango Assado”, e a comissão paga à “IGC Partners”, tendo apurado e informado corretamente o ganho de capital decorrente da operação, que foi lançado como rendimentos isentos e não tributáveis, conforme Declaração de Ajuste Anual do AnoCalendário de 2008, e não agiu com máfé, por entender que tinha direito adquirido à isenção do imposto de renda, nos termos do art. 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 27/12/1976, e ainda com a existência de decisões administrativas e judiciais reconhecendo seu direito adquirido ao benefício fiscal decorrente desse dispositivo legal, não podendo ser penalizada com aplicação de multas confiscatórias e juros de mora. Cita o art. 138 do CTN, e interpreta que não há obrigatoriedade de pagar o tributo declarado para que reste caracterizada a denúncia espontânea, e a expressão "se for o caso", não tem o significado dado pelo julgador a quo, nem concorda com a afirmação deste de que teria efetuado a classificação indevida de rendimentos, e diz não se aplicar ao caso a norma do art. 841 do RIR, porque não fez declaração inexata, nem omitiu qualquer elemento sobre a alienação de quotas e participações societárias, e deixou de efetuar o recolhimento porque baseado em dispositivo legal, doutrina e jurisprudência. Cita jurisprudência e doutrina sobre denúncia espontânea e inexigibilidade de multa punitiva, e sobre o entendimento de que a multa moratória tem natureza punitiva. Arrazoa ser ilegítima a aplicação da multa de ofício de 75% e aos juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC. Não assiste razão à defendente, a perda da espontaneidade se deu em 02/02/2010 (efls. 42), data em que o recorrente tomou ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal, nos termos do parágrafo único do art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972: Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Pessoa Juridica Quotas Alienadas Quotas Isentas Percentual das Quotas Isentas Ganho de Capital Calculado Fiscalização (R$) Parcela Isenta (R$) Ganho de Capital após dedução das quotas isentas (R$) Comercial Frango 765.500 4.735 0,6186% 6.082.495,05 37.626,31 6.044.868,74 Frango Norte 8.350 1.685 20,1778% 577.961,04 116.619,82 461.341,22 Frango Sudoeste 5.950 1.201 20,1778% 570.040,40 115.021,61 455.018,79 Frango Suleste 8.100 1.634 20,1778% 328.549,68 66.294,09 262.255,59 Carvalho Pinto 600 0,00 0,00 425.003,83 0,00 425.003,83 Total 788.500 9.255 7.984.050,00 7.648.488,15 Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.495 35 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (Grifouse) Decreto nº 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:(Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (Grifouse) Portanto, conforme dispositivos acima transcritos, enquanto estiver abrigado sob o manto da espontaneidade, o sujeito passivo poderá confessar débitos não declarados, retificar declarações e formular consultas, ficando a salvo da imposição de multa de ofício desde que efetue o recolhimento dos tributos devidos com os acréscimos moratórios cabíveis. Excluída, por outro lado, a espontaneidade do interessado, ele ficará sujeito à imposição de multa de ofício, ainda que reconheça a procedência do lançamento. Da mesma forma, não serão acolhidas como eficazes as declarações entregues após o início da ação fiscal, conforme art. 147, § 1º do CTN: “A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento”. Portanto, o início do procedimento de fiscalização, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize, retira do sujeito passivo a espontaneidade em denunciar irregularidades para os fins de declarar e retificar declarações referentes aos tributos objeto do procedimento fiscal a que está submetido. Izildinha Rovere Chiquetto ao informar em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) como isento rendimento que não estava alcançado pelo instituto da isenção, deixou de oferecêlo à tributação, e, consequentemente, não houve o recolhimento do imposto devido, portanto, não se trata de caso de denúncia espontânea. Esclarecese ainda à impugnante que, a responsabilidade por infrações fiscais independe da intenção do agente, conforme art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 1518DF CARF MF 36 Em relação ao argumento do recorrente de que é ilegal a multa de ofício, lembro que a este Conselho não é dado se pronunciar sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicála, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegação sobre juros à taxa Selic, a questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Da Intimação do Procurador Em relação ao pedido para que as intimações relativas ao presente processo sejam encaminhadas ao representante legal do Contribuinte, ressaltese que o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 determina que a ciência dos atos praticados no curso do processo administrativo fiscal seja efetivada no domicílio eleito pelo sujeito passivo, correspondente ao endereço fornecido à administração tributária para fins cadastrais. Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifo nosso) Nesse sentido, o Decreto nº 70.235/1972 não contempla a intimação no endereço do advogado do contribuinte, tema que já é objeto de súmula por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF n°110 Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.496 37 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Da mesma forma, não existe previsão legal para que possíveis publicações no Diário Oficial referentes ao presente Processo Administrativo Fiscal, caso ocorram, sejam feitas em nome da representante legal da Contribuinte. Deste modo, deve ser indeferido o pleito do Contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares, e no mérito, darlhe parcial provimento, no sentido de reconhecer a isenção do IR sobre o ganho de capital na alienação das cotas adquiridas até 31.12.83, não extensivo as subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83, reduzindo a base de cálculo do ganho de capital de R$ 7.984.050,00 para R$ 7.648.488,15. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 1520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722878/2011-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente RENATO DE ABREU MAUTONI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 28 78 /2 01 1- 89 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10640.722878/201189 Acórdão n.º 2002000.867 S2C0T2 Fl. 82 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 24/27), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.468,01 para saldo de imposto a pagar de R$6.005,25. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no montante de R$9.226,35, consignando: De acordo com a DIRF extraída do Sistema Informatizado da Receita Federaldo do Brasil, e comprovante de rendimento apresentado, o valor da pensão descontada foi de R$41.735,67, e 13º salário de R$1.722,80, cuja tributação é exclusiva, e como o contribuinte declarou o valor de R$50.735,67, a diferença de R$8.826,35 será glosada, sendo a DIRPF, anocalendário 2009, será alterada. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 28/7/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 3/8/2011, às fls. 2/16 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: [...]Para se defender da cobrança considerada indevida, anexa na presente impugnação uma cópia do desconto feito em seu salário de aposentado durante o ano de 2009dois mil e nove, exatamente do valor glosado, isto é, R$9.226,35 Nove mil duzentos e vinte e seis reais e trinta e cinco centavos), feito pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, a favor dos s/assistidos na Pensão Alimentícia Judicial, e como diz o doc.anexo (OS ASSISTIDOS QUE PAGAM PENSÃO ALIMENTÍCIA SOBRE O BENFÍCIO DO INSS FORA DO CONVÊNIO, ATRAVÉS DA REDE BANCÁRIA, TÊM O DIREITO A DEDUÇÃO DESTE MONTANTE EM SUA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O MONTANTE DA VERBA C409INSS PAGA FORA DO CONVÊNIO, TRANSITADO EM SUA FOLHA DE PAGAMENTO DURANTE O ANO DE 2009 FOI DE R$9.226,35NOVE MIL DUZENTOS E VINTE E SEIS REAIS E TRINTA E CINCO CENTAVOS), ESTE VALOR NÃO CONSTA NO QUADRO 3 DA LINHA 04 DO FORMULÁRIO ENCAMINHADO PELA PREVI.) A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 33/36): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10640.722878/201189 Acórdão n.º 2002000.867 S2C0T2 Fl. 83 3 Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução a título de pensão alimentícia está condicionada a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de seu efetivo pagamento. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 13/3/2015 (fl. 40), o contribuinte, em 26/3/2015 (fl. 42), apresentou recurso voluntário, às fls. 42/78, no qual explica que seria aposentado do Banco do Brasil e, a partir de 2009, teria passado a receber benefício do INSS fora do convênio, sobre o qual também teria incidido pensão judicial. Indica a juntada de suas folhas de pagamento, que comprovariam suas alegações. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão judicial declarada pelo recorrente, em favor de Joana Darc Mautoni, no montante de R$50.962,02 (fl.21), parcialmente glosada na autuação por falta de comprovação. A decisão recorrida manteve a glosa, consignando: 8. A fim de alicerçar sua defesa, o contribuinte anexou o documento apócrifo, carreado à fl. 8 dos autos, que se constitui em uma declaração que teria sido emitida pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), no qual consta a informação de que o valor glosado pela fiscalização seria, na realidade, o desconto da pensão alimentícia sobre o benefício pago pelo INSS. 9. Pois bem, cabe ressaltar, inicialmente, que o referido documento possui reduzido valor probatório, eis que sequer foi assinado. 10. Ademais, como se verifica na DAA entregue pelo impugnante (fl. 19), foram declarados rendimentos auferidos tão somente da Previ, nos valores constante do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte apresentado (fl. 12), nada sendo informado quanto a recebimento de benefício do INSS. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10640.722878/201189 Acórdão n.º 2002000.867 S2C0T2 Fl. 84 4 11. Cabe ainda destacar que o CPF do impugnante não foi incluído na Dirf apresentada pelo INSS no ano em questão (2009)1 e o contribuinte não apresentou nenhum documento emitido pelo INSS que possa comprovar sua alegação, tais como a Carta de Concessão do Benefício ou o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Em sua defesa, o recorrente junta suas folhas de pagamento, que ratificam o valor da pensão judicial declarado por ele (fls.51/77, rubricas "INSS P.A. PAGA FORA CONVÊNIO" e "PENSÃO ALIMENTÍCIA S/ PREVI"). Dessa feita, é de se cancelar a glosa. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720985/2014-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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DESPESAS MÉDICAS. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 09 85 /2 01 4- 87 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10660.720985/201487 Acórdão n.º 2002000.902 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 152/153) contra decisão de primeira instância (fls. 143/145), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: O interessado impugna lançamento do anocalendário 2012, que resultou em imposto suplementar de R$ 1.377,64, decorrente da glosa das seguintes despesas médicas: CPF Profissional Especialidade R$ 376.613.45668 Elizabeth Maria Barsi Colombo dentista 3.420,00 698.333.97620 Luis Antônio de Araújo médico 4.000,00 067.807.19692 Flora Tahan nutricionista 150,00 818.442.71668 Andréia Nogueira dentista 4.000,00 De acordo com o relatório fiscal, a despesa paga a Flora Tahan foi glosada por falta de previsão legal para dedução despesas pagas a nutricionistas. As demais deduções foram glosadas porque o contribuinte não comprovou a efetividade dos pagamentos com documentos bancários. O impugnante argumenta, em síntese, que apresentara extratos de suas contas bancárias e recibos que cumprem as condições legais para comprovação das despesas, e que é ilegítima a exigência de comprovação do efetivo pagamento com documentos bancários, pois inexiste impedimento para pagamentos em espécie. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. As deduções devem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 03/05/2016 (fl. 150); Recurso Voluntário protocolado em 12/05/2016 (fl. 152), assinado pelo próprio contribuinte. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10660.720985/201487 Acórdão n.º 2002000.902 S2C0T2 Fl. 4 3 Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. A r. decisão revisanda, entendeu que: “Para comprovar a efetividade dos pagamentos deveria apresentar documentos bancários, cópias de cheques, recibos de depósitos, etc. Apresenta os extratos bancários, mas não se verifica qualquer relação com os pagamentos em questão. As alegações de pagamentos em espécie, desacompanhadas de qualquer prova, não substituem as indispensáveis provas do fato alegado”. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, alegando as seguintes razões: a) que não tem interesse em qualquer tipo de sonegação; b) que não são todos os profissionais de saúde que emitem comprovante fiscal; c) que não tem como provar os pagamentos efetuados, em sua conta bancária; d) que todos os comprovantes (recibos) glosados são de profissionais que prestam serviço à sua família há vários anos; e) que os profissionais de saúde receberam, e que o Fisco deveria averiguar; f) que seus colegas procedem da mesma forma, em relação às deduções com despesas médicas. Pois bem, estamos diante de um caso onde a solução recai sobre o ônus da prova. Ônus da prova – Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência de fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar do fisco, cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegalos, comproválos efetivamente nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Nesta quadra, não ocorreu qualquer tipo de comprovação da efetividade dos serviços prestados ou seu pagamento. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10660.720985/201487 Acórdão n.º 2002000.902 S2C0T2 Fl. 5 4 Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000122/2005-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 2005
SIMPLES FEDERAL. INGRESSO. DÉBITO INSCRITO. VEDAÇÃO.
A existência de débitos inscritos em divida ativa da Unido impede o ingresso
no Simples.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA JULGADORES.
INSCRIÇÃO DE DIVIDA NA PGFN.
Os julgadores de processo administrativo, no rito do Decreto n° 70.235, de
1972, não têm competência legal para se manifestar sobre a exatidão ou não
da inscrição em divida ativa de débito tributário.
Numero da decisão: 1101-000.618
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntario.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO
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INGRESSO. DÉBITO INSCRITO. VEDAÇÃO. A existência de débitos inscritos em divida ativa da Unido impede o ingresso no Simples. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA JULGADORES. INSCRIÇÃO DE DIVIDA NA PGFN. Os julgadores de processo administrativo, no rito do Decreto n° 70.235, de 1972, não têm competência legal para se manifestar sobre a exatidão ou não da inscrição em divida ativa de débito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso volun VALMAR FONS i C DE MENEZES - Presidente. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator. Processo n° 10640.000122/2005-37 SI-CITI AcOrdao n.° 1101-00.618 Fl. 152 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de não inclusão no Simples. Em 05/01/2005, o contribuinte solicita adesão ao Simple (proc. fia. 1 a 3). Explica que está solicitando via processo, por ser impossível fazer a solicitação por via eletrônica. Argumenta que, de acordo com os processos administrativos n° 10640.501133/2004-59 e n° 10640.501134/2004-01, existem 6 lançamentos de PIS incluídos em divida ativa. Adiciona que tais valores não são devidos, pois liquidou esses débitos via compensação judicial no processo n° 95.0103646-4, com decisão transitada em julgado, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991. Com base nestes argumentos e com fundamento na Lei n° 9.317, de 1996, solicita adesão ao Simples. Em 01/03/2006, despacho indefere o pedido (proc. fl. 33). Informação fiscal que antecede o despacho explica que trata-se de pedido de inclusão no Simples, retroativo a 01/01/2005. Informa que, de acordo com pesquisa (proc. fls. 12 a 32), a empresa tern dividas de PIS, do período de 01/01/1999 a 01/06/1999, inscritas em divida ativa. Conta que a empresa argumento ter extinto tal débito por compensação, mas que na verdade o débito está pendente. Conforme a informação, ocorreu o seguinte: A interessada afirma em seu requerimento que os débitos de PIS inscritos em Divida Ativa da Una), não são devidos, pois foram liquidados pela via de compensação utilizando créditos reconhecidos judicialmente nos autos sob n° 95.0103646-4. As fls. 07 a 09 juntamos cópia do despacho decisório exarado no processo administrativo fiscal de n° 10640.002932/2002-85 cujo objeto é a compensação, corn base na decisão judicial proferida no processo de n° 95.0103646-4, a conclusão da autoridade julgadora foi pela não homologação da compensação pleiteada, contrariando a alegação do contribuinte em sua petição no presente processo ãs fls 01 a 03. Em razão da existência do débito e por existir vedação legal de adesão ao Simples de contribuinte nestas circunstâncias, se propõe o indeferimento da solicitação. A proposição é acolhida e a solicitação é, indeferida (proc. fl. 33). Em 09/03/2006, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 35). Em 0604/2006, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 36 a 45). Na sua defesa, o contribuinte alega que a inscrição foi arbitrária. Diz que tinha ação, por meio da qual pedia a restituição do que havia pago em razão dos Decretos-Lei no 2.445 e n°2.449, de 1988. Informa que teve sucesso na ação e que esta transitou em julgado em 16/04/2002. Explica que, em razão da ação, efetuou compensação nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, dos débitos de PIS de janeiro a junho de 1999, conforme processo 2 Processo TV 10640.000122/2005-37 SI-CIT1 Acórcldo n.° 1101-00.618 Fl. 153 administrativo n° 10640.002932/2002-85. Afirma que a compensação foi informada em DCTF, mas que por desorganização interna da Receita Federal e da Procudoria da Fazenda Nacional, o débito foi inscrito em divida ativa. Adiciona que por isso entrou com mandado de segurança n°2004.38.01.002101-9. Também, alega que feita a compensação, o crédito está extinto sob condição resolutória. Informa que declarou na DCTF a compensação que fez. Diz que o débito foi inscrito sem que a Receita tivesse apreciado sua declaração de compensação feita em 2004. Adiciona que apenas em 2006 foi declarada a não homologação e que recorrer deste ato, estando a questão ainda sem uma decisão administrativa definitiva. Informa que a inscrição foi feita com base exclusivamente na DCTF do 1° e 2° trimestre de 1999, mas que não havia débito aberto na sua declaração, pois as dividas de PIS foram informada como extintas por compensação. Em 24/07/2008, a 2a Turma da DRJ de Juiz de Fora indefere a solicitação do contribuinte (proc. fls. 132 e 133). Conforme a turma julgadora, a decisão de não admitir a inclusão no Simples decorre de lei, já que a Lei n° 9.317, de 1996, apresenta como cláusula impeditiva de adesão a existência de débito inscrito em divida ativa da Unido. Alega não caber no presente processo discussão sobre se está ou não correta a inscrição, já que tal matéria só pode ser tratada na PGFN. Em 08/08/2008, o contribuinte é cientificado da decisão (proc. fl. 35). Em 02/09/2008, apresenta seu recurso voluntário, onde repete seus argumentos (proc. fls. 136 a 147). Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A lei n°9.317, de 1996, em algumas circunstâncias, veda a opção ao Simples. Uma destas situações é o caso de empresa com débito inscrito em divida ativa da Unido, conforme abaixo: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XV - que ten/ia débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 0 caso em julgamento trata exatamente desta situação. A empresa solicitou sua inclusão no Simples, mas seu pedido foi denegado porque foi constatado que havia débitos inscritos na divida ativa da Unido. Na sua defesa, o contribuinte argumenta que a inscrição é indevida e que decorre de "desorganização interna" da Receita e da PFN. Também, apresenta diversos argumentos pelos quais pretende demonstrar que a inscrição seria indevida, pois já teria extinto tais débitos por compensação. 3 Processo n° 10640.000122/2005-37 SI-CITI Acórdão n° 1101-00.618 Fl. 154 Não obstante a argumentação do contribuinte, o fato é que restou demonstrado que a empresa estava com débito inscrito em divida ativa. 0 próprio contribuinte admite esta circunstância, embora alegue que a inscrição é indevida. No que tange a esta situação, o contribuinte não informa no seu recurso ter havido qualquer alteração. Portanto, cabe julgar a presente lide considerando que o contribuinte continua com débito inscrito em divida ativa da Unido. Nessas circunstancias, não há corno o CARF dar provimento ao recurso. Isso porque, de um lado é fato inconteste a inscrição e de outro é notória a vedação legal. E importante destacar que o CARF não tem competência legal para afastar o fato da PFN ter inscrito débito do contribuinte. Ou seja, mesmo que se admita por hipótese que a inscrição decorra de erro da Receita e da PFN, o CARF não pode deixar de reconhecer que o contribuinte tem débito inscrito. Como explicou a turma julgadora da DRJ, o contribuinte deveria ter resolvido a questão (do alegado erro na inscrição) com a PFN, que é o único órgão da Administração apto para rever seu ato. No julgamento administrativo da negativa de inclusão, só cabe examinar o ato da DRF. Não cabe ao julgador administrativo (do ato da DRF) rever o ato da PFN. Por estas razões, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a não inclusão no Simples. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2011. Carlos Eduardo .d Almeida Guerreiro - Relator 4
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Numero do processo: 11080.722155/2015-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
AÇÃO RESCISÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder-dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação.
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE.
A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados.
Numero da decisão: 3302-006.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 AÇÃO RESCISÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder-dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE. A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados.
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DE SEGUROS PREVIDÊNCIA DO SUL FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 AÇÃO RESCISÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DEFERIDA PARA SUSPENDER OS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO OBJETO DE DISCUSSÃO NA ESFERA JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poder dever de proceder o lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes, concomitante ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AÇÃO CAUTELAR. DEFERIDA A SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS JÁ INICIADAS. POSSIBILIDADE. A medida liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória também alcança a cobrança dos créditos tributários já lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 55 /2 01 5- 69 Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão da DRJ/FOR0 nº 0841.152, da 4ª Turma, proferido na sessão de 28 de novembro de 2017: Em desfavor da pessoa jurídica em epígrafe qualificada, Companhia de Seguros, foi lavrado, em 16/03/2015, auto de infração constitutivo de créditos tributários relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, apurada pelo regime cumulativo, considerados devidos para os períodos de apuração de 01/2012 a 12/2012, cujos valores, incluídas as multas e os juros, na data da lavratura, estão a seguir reproduzidos. 2. O AuditorFiscal responsável pelo procedimento imputou ao sujeito passivo a responsabilidade por falta de recolhimentos das referidas contribuições, haja vista a inexistência de débitos apurados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, bem como não confessados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, nem pagos em DARF, a título das referidas contribuições, relativas aos períodos de apuração auditados e autuados e, portanto, em Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 4 3 desconformidade com os valores apurados e considerados devidos na ação fiscal. 3. No Relatório Fiscal (fls 1.504 a 1.510) o AuditorFiscal relata que, lastreada no Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal — TDPF n° 10.1.01.00.2015 000385, a ação fiscal teve início em 30/01/2015, tendo sido verificadas infrações à legislação tributária no tocante à Empresa fiscalizada, cujo objeto social é a exploração de operações de seguro e resseguros sobre a vida e a previdência privada aberta nas modalidades de pecúlio e renda em qualquer de suas modalidades ou formas. 4. Especificamente no que interessa ao presente processo administrativofiscal, a Empresa discutiu nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.71.00.0126706 impetrado em 18/06/1999 contra o titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, no qual teve por objeto a concessão de segurança para fins de desobrigar a impetrante do recolhimento da Cofins nos termos pretendidos pela Lei n° 9.718, de 1998, retornando se à hipótese do artigo 11, parágrafo único da Lei Complementar n° 70, de 1991, ou, se descabido pedido anterior, a concessão da segurança para que a impetrante possa compensar 1/3 da Cofins efetivamente paga com a CSLL devida nos períodos de apuração subseqüentes, independentemente das limitações contidas nos §§ 2° e 3° do artigo 8° da Lei n° 9.718, de 1998, informando que passaria a recolher a exação mediante depósito judicial, nos moldes da Lei n° 9.703, de 1998. Nesta ação mandamental restou decidido, após passar por todas as instâncias, o trânsito em julgado em 01/12/2008, com decisão favorável à impugnante, proferido pela Egrégia Segunda Turma do STJ, reconhecendo a isenção da Cofins das companhias seguradoras. 5. O processo judicial da ação de Mandado de Segurança Preventivo n° 999.71.00.0126706 (sic) pode ser sintetizado nos termos a seguir. 5.1 Questionamentos abordados no mandado de segurança: a) deve ser adotada a redação primitiva do artigo 195 da CF, sobre a qual se verificaria a constitucionalidade da exigência da Cofins sobre os ingressos a título de prêmio de seguros (não enquadrado no conceito de faturamento não decorre de venda de mercadorias ou de serviços); b) tratandose a Lei n° 9.718, de 1998 de lei ordinária, hierarquicamente inferior à lei complementar, aquela não poderia derrogar isenção concedida pelo artigo 11, parágrafo único da Lei Complementar nº 70, de 1991; c) que a compensação de 1/3 da Cofins com a CSLL devida no mesmo período fere o princípio da isonomia, onerando mais as empresas deficitárias em prol das mais lucrativas; e d) que a impetrante possa compensar 1/3 da Cofins efetivamente paga com a CSLL devida nos períodos de apuração subseqüentes, independentemente das limitações contidas nos §§ 2° e 3° do artigo 8° da Lei n° 9.718, de 1998; Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 5 4 5.2 Concedida parcialmente a segurança pleiteada, para fins de desobrigar a parte impetrante de recolher a Cofins sobre outras receitas que não as relativas às vendas de seus produtos ou serviços, conforme disposto na Lei Complementar n° 70, de 1991, advertindo, contudo, que a alíquota de recolhimento da Cofins é aquela apontada no art. 8° da Lei n° 9.718, de 1998; 5.3 O Tribunal Regional Federal da 4a Região, por maioria de votos, deu provimento à apelação da União, julgando constitucional o alargamento da base de cálculo da Cofins, e negou provimento à apelação da impetrante; 5.4 Foram interpostos Recursos Especial e Extraordinário, os quais foram admitidos pelo TRF da 4a Região. No primeiro, alegando que o acórdão violou o art. 11 da Lei Complementar nº 70, de 1991, porquanto a Lei nº 9.718, de 1998, não poderia ter revogado a isenção concedida às empresas seguradoras prevista em lei complementar sem ofender o princípio da hierarquia das leis; no segundo, alegando: subversão do processo legislativo (a norma reguladora insculpida na Lei n° 9.718, de 1998, não encontrava suporte constitucional na data de sua criação); inexistência de prévia lei complementar para revogação da isenção concedida pela Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 11, às empresas seguradoras; e afronta aos princípios constitucionais da legalidade tributária, da capacidade contributiva, da isonomia e da segurança jurídica, além de pretender o reconhecimento da inconstitucionalidade das alterações introduzidas pela Lei n° 9.718, de 1998; 5.5 O STJ, na apreciação do Recurso Especial n° 336.280/RS, em julgamento realizado na sessão de 09/03/2004, deu provimento, por maioria de votos, ao recurso da impetrante, para fins de determinar que a isenção concedida no parágrafo único do artigo 11 da Lei Complementar n° 70, de 1991, não pode ser revogada por lei ordinária (Lei 9.718, de 1998, art. 3°, § 5°), dado que esta é hierarquicamente inferior àquela, vencido o voto do Sr. Ministro João Otávio de Noronha (publicado no Diário de Justiça em 05/09/2005); 5.6 Apresentado Recurso Extraordinário pela PGFN em 07/08/2006, o qual não foi admitido em decisão do Ministro Francisco Peçanha Martins em razão da dissociação entre o decidido pelo STJ e o recurso trazido; 5.7 Trânsito em julgado no STF em 01/12/2008. 6. Contudo, em 2010, a União Federal/Fazenda Nacional ingressou com a Ação Rescisória n° 4.596/RS perante o Egrégio STJ, objetivando desconstituir a decisão judicial favorável obtida nos autos do Mandado de Segurança, tendo sido deferido o pedido de antecipação de tutela, para suspender os efeitos do acórdão rescindendo até o julgamento da ação rescisória. 7. Por sua vez, buscando evitar cobranças indevidas, em decorrência da decisão provisória obtida na Ação Rescisória, a impugnante interpôs Medida Cautelar n° 20.749/RS em Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 6 5 20/03/2013. Em decisão proferida pelo Ministro Arnaldo Lima na referida Medida Cautelar, em 15/04/2013, concedeuse medida liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário em discussão, conforme o artigo 156, inciso X, do CTN. 8. Independentemente deste fato, a DRF/POA realizou o lançamento de créditos tributários da Cofins referentes aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2012, por meio da lavratura do auto de infração em comento, em 16/03/2015. Conforme o Relatório Fiscal a fl. 1.508, na apuração dos valores devidos, foram examinadas as DIPJ's, DACON's, DCTF's, sendo que não foram apurados pagamentos nem depósitos judiciais para os períodos abrangidos pelo lançamento. 9. Ante a situação exposta, tempestivamente, em 04/05/2015, a Empresa apresentou impugnação (fls. 1.516 a 1.527) contra a exigência, por parte da DRF de Porto Alegre, de créditos tributários supostamente extintos com a decisão transitada em julgado, com fundamento na decisão provisória que suspendeu os efeitos do acórdão transitado em julgado proferido pelo Mandado de Segurança. Alega que não se pode cogitar, ante o artigo 156, inciso X, do CTN e os princípios tributários básicos, que uma decisão em Ação Rescisória faça ressurgir os créditos tributários extintos, conforme afirma o Ministro Eros Grau: "A Ação Rescisória não tem condão de fazer renascer crédito tributário extinto. Não se pode restaurar o que não existe, a obrigação tributária pela lei declarada inexistente ". 10. Afirma que todo o crédito tributário de Cofins exigido no auto de infração impugnado encontrase extinto pelo acórdão julgado no Mandado de Segurança e pela liminar concedida nos autos da Medida Cautelar (artigo 156, inciso X, do CTN). Que a impugnante não poderia referirse na Medida Cautelar nº 20.749/RS, ajuizada em 20/03/2013, ao crédito tributário lançado no presente auto de infração, cuja lavratura só veio a ocorrer em 16/03/2015, portanto, estariam albergadas pela suspensão da exigibilidade não apenas os débitos inscritos na Dívida Ativa da União (CDA nºs. 00.6.13.0043580 e 00.6.13.0032627), citados na petição inicial, mas todo o débito de Cofins, até o trânsito em julgado da Ação Rescisória nº 4.596/RS, proposta pela Fazenda Nacional. 11. Argumenta também que, caso assim não se entenda, o auto de infração deveria ser lavrado, devido à suspensão da exigibilidade (artigo 151, inciso V, do CTN), sem imposição de multa (artigo 63 da Lei n° 9.430, de 1996). Relata que as autoridades administrativas lançaram multa de ofício de 75% (artigo 44, I da Lei n° 9.430, de 1996), violando a decisão proferida na Ação Cautelar n° 20.749/RS e o princípio da segurança jurídica, pelo fato de os valores não se encontrarem exigíveis. Desta forma, diante das irregularidades cometidas pelas autoridades administrativas quando da lavratura do auto de infração impugnado em desconformidade com as decisões judiciais, impõese que seja declarado nulo o auto de infração, Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 7 6 conforme decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como a exclusão da multa de ofício (artigo 44, I da Lei n° 9.430, de 1996) do auto de infração ora impugnado. 12. Em síntese, conforme sua argumentação, com a decisão transitada em julgado favorável à impugnante obtida no Mandado de segurança n° 1999.71.00.0126706, o crédito tributário ora discutido já estaria extinto. Ainda que julgado procedente o pedido da Ação Rescisória, o crédito tributário não pode ser restaurado ou ressuscitado, sendo possível a cobrança somente de Cofins relativa a fatos geradores posteriores ao trânsito em julgado. Sendo assim, impõese o acolhimento da presente impugnação para declarar insubsistente o auto de infração. Defende que, mesmo que este não seja o entendimento desta Delegacia de Julgamento, a constituição do crédito tributário, por meio da lavratura do auto de infração impugnado, nunca poderia vir acompanhada de multa de ofício de 75%, haja vista a impossibilidade da exigência imediata dos valores. A decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação da recorrente, por unanimidade de votos, sendo seus fundamentos resumidos na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 LANÇAMENTO. CRÉDITO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DOS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. Se os efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos por antecipação de tutela deferida em ação rescisória, a autoridade fiscal pode exercer o poderdever de proceder ao lançamento do crédito tributário em discussão no âmbito da referida ação, nos termos do art. 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. Descabe a aplicação da multa de ofício no lançamento realizado para prevenir a decadência do crédito tributário objeto de discussão no âmbito de ação rescisória, nos termos do art. 151, inc. V do CTN. AÇÃO CAUTELAR. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO DEFERIDA. EXTENSÃO DOS EFEITOS PARA AS AÇÕES FISCAIS INICIADAS A PARTIR DA CONCESSÃO DA LIMINAR, PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS COM FATOS GERADORES ANTERIORES OU POSTERIORES À SUA CONCESSÃO. Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 8 7 A medida cautelar, que suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão no âmbito de ação rescisória, também alcança a cobrança dos créditos tributários lançados decorrentes de ações fiscais iniciadas após a concessão da liminar para constituição de créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à concessão da referida liminar, nos estritos limites desta. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. É válido o lançamento quando praticado por autoridade competente e preencha os requisitos formais exigidos nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Lei do Processo Administrativo Fiscal) e contra o qual pode o contribuinte exercer o contraditório e a ampla defesa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. Tendo em vista a exoneração de parte do crédito tributário, nos termos do art. 34, do DecretoLei nº 70.235/72, foi interposto recurso de ofício. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os recursos voluntário e de ofício são tempestivos, tratam de matéria de competência dessa Turma, razões pela qual passase à apreciálos. As razões de análise e julgamento do recurso de ofício, exceto a concomitância observada em parte da defesa da recorrente com a matéria discutida em ação judicial, são as mesmas utilizadas para a solução da controvérsia apresentada no recurso voluntário, motivo pelo qual serão julgados em conjunto. I Preliminares I.1 Alegação de nulidade por vício de motivação do auto de infração Segundo a recorrente o fato de a decisão de 1ª instância ter reconhecido que o lançamento deveria ter ocorrido somente para a prevenção da decadência do crédito tributário Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 9 8 e, consequentemente, ter exonerado a multa de ofício, demonstraria a existência de vício de motivação do auto de infração, havendo, por conseguinte, a necessidade de decretação de sua nulidade. Entretanto, entendo que não há razão para o atendimento do pleito da recorrente. Em primeiro lugar a exoneração da multa de ofício no presente caso se deu em virtude da revisão de ofício do lançamento tributário, legalmente garantida à Administração, não importando em nulidade do ato prolatado anteriormente. Ademais, é permitido à Administração a revisão de seus atos. Ressaltase que no presente caso a revisão se deu de forma a beneficiar a contribuinte recorrente, e ainda, não restarem demonstradas as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72. Desta forma, afastase a alegação de nulidade do auto de infração por suposto vício de motivação. I.2 Concomitância Identidade de objeto de matéria discutida em ação judicial e defesa administrativa A recorrente no mandado de segurança nº 1999.71.00.0126706, pleiteou e obteve provimento judicial no sentido de ser desobrigada do recolhimento da COFINS nos termos trazidos pela Lei nº 9.718/19, requerendo a retomada da sistemática de recolhimento prevista na Lei Complementar 70/91. Em seu recurso voluntário a recorrente discute novamente a matéria já debatida na ação judicial, o que não é possível, pois, uma vez levado ao judiciário a discussão, seja ela anterior, concomitante ou posterior ao procedimento administrativo, abre mão o contribuinte do contencioso administrativo. Tal fato é tratado em Súmula editada pelo E. CARF, vejamos: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Destarte, não se toma conhecimento dessa parte do recurso impetrado pela recorrente. II Mérito A matéria colocada para análise e decisão no presente processo já foi objeto de decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, em sessão realizada em 17 de setembro de 2014, acórdão nº 3102002.283, de lavra do I. Conselheiro José Fernandez do Nascimento. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 10 9 A diferença da presente demanda consiste, exclusivamente, no período de apuração, 01/07/2008 a 31/12/2011, no processo acima mencionado e, no nesse 01/01/2012 a 31/12/2012. Desta forma, uma vez tratar de matéria idêntica e por comungar do mesmo entendimento, peço vênia para adotar como minhas as razões de decidir esposadas no acórdão 3102002.283, colacionada abaixo: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese a duas questões: a) extinção do crédito tributário lançado, nos termos do art. 156, X, do CTN, em face da decisão transitada em julgado, proferida no âmbito do Mandado de Segurança n° 1999.71.00.0126706 (REsp n° 336.280/RS); e b) impossibilidade de aplicação da multa de ofício, por força do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, prevista no art. 151, V, do CTN, que fora determinada pela decisão judicial proferida na Ação Cautelar nº 20.749/RS, promovida pela recorrente. Da extinção do crédito tributário lançado. A recorrente alegou a improcedência da autuação, com base no argumento de que, por força do disposto no art. 156, X, do CTN, o crédito tributário lançado fora extinto pela referida decisão judicial, com trânsito em julgado em 1/12/2008, que não poderia ser restabecidos com fundamento em mera decisão antecipatória de tutela concedida na Ação Rescisória nº 4.596/RS. A alegação da recorrente não procede, haja vista que, com a finalidade de desconstituir a citada decisão judicial favorável a autuada, por meio da Ação Rescisória nº 4.596/RS, ajuizada perante o STJ, a União Federal/Fazenda Nacional obteve o deferimento do pedido de antecipação de tutela, para suspender os efeitos do acórdão rescindendo até o julgamento da ação rescisória. Dessa forma, se o efeitos do acórdão rescindendo foram suspensos pela citada medida de antecipação de tutela, por força do disposto no art. 142 do CTN, e sob pena de responsabilidade funcional, a autoridade fiscal deveria exercer o poderdever de proceder o lançamento do crédito tributário. Aliás, nesse sentido, a autoridade fiscal lançadora, expressamente, consignou o Relatório de Ação Fiscal (fls. ...), integrante do questionado Auto de Infração, que lançamento visava “resguardar os interesses da Fazenda Nacional com relação aos fatos escritos, não impedindo a realização de novas fiscalizações dentro do prazo decadencial”. Logo, a autuação em questão foi realizada em consonância com o que determina o referido preceito legal, não havendo qualquer mácula que possa conspurcar a sua legitimidade. Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 11 10 No que tange à alegação da recorrente de que houve afronta ao princípio da segurança jurídica, uma vez que se tratava de um direito advindo de pronunciamento jurisdicional já transitado em julgado, a meu ver, tratase de questão que não cabe a este Colegiado se manifestar a respeito, posto que se trata de matéria relativa aos efeitos da coisa julgada, ponto que, certamente, será dirimido no âmbito do julgamento da referida Ação Recissória (sic), não tendo qualquer efeito prático ou jurídico o pronunciamento deste Colegiado sobre a questão, ante prepoderância da decisão proferida na esfera do Poder Judiciário. Por essas razões, rejeitase a alegação de improcedência do lançamento do crédito tributário objeto da autuação em questão. Da impossibilidade de aplicação da multa de ofício e da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. A recorrente alegou a impossibilidade de aplicação da multa de ofício, por força do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, prevista no art. 151, V, do CTN, que fora determinada pela decisão judicial proferida na Ação Cautelar nº 20.749/RS. Assiste razão à recorrente. Com efeito, de acordo com extrato de fls. 4713/4715, em 20/3/2013, a autuada ingressou com a Medida Cautelar nº 20.749, perante o STJ, tendo sido deferida a medida liminar, em 11/4/2013, para fim de suspender “a exigibilidade do crédito tributário em discussão até ulterior deliberação desta Corte”. Em 15/4/2013, a referida decisão foi publicada no Diário de Justiça. No corpo da referida decisão (fls. ......), há autorização expressa para a autoridade fiscal realizar o lançamento do crédito tributário em questão, nos termos do art. 142 do CTN e 63 da Lei 9.430/1996, com vista a prevenir a decadência, enquanto não sobrevier o trânsito em julgado da sentença, conforme explicitado no excerto a seguir reproduzido: É certo que, com a suspensão dos efeitos do acórdão rescindendo, cabe à autoridade administrativa proceder ao lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN e 63 da Lei 9.430/99. O Superior Tribunal de Justiça já assentou que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por ordem judicial não determina a impossibilidade de a Fazenda Pública proceder ao lançamento tributário, de modo a prevenir a decadência, enquanto não sobrevier, naturalmente, o trânsito em julgado da sentença. (grifos não originais) De acordo com subitem 3.1 do referido Relatório de Ação Fiscal (fls. .....), verificase que a autuação em questão foi realizada com respaldo na decisão de antecipação tutela deferida em favor da Fazenda Nacional, no âmbito da citada Ação Rescisória, que suspendeu os efeitos do acórdão rescindendo, proferido pelo STJ Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 12 11 no julgamento do REsp n° 336.280/RS. Da leitura da referida decisão (fls. 3226/3228), verificase que não havia qualquer determinação acerca da suspensão da exigibilidade de eventual crédito tributário lançado. Entretanto, no dispositivo da decisão proferida no âmbito da referida Medida Cautelar nº 20.749 foi esclarecido que o lançamento era para prevenir a decadência. Dessa forma, ainda que o procedimento fiscal tenha se iniciado antes da referida decisão liminar, dada a sua natureza interpretativa, inequivocamente, ela deve retroagir, inclusive, para alcançar os lançamentos anteriormente realizados. Dessa forma, em consonância com o disposto no art. 63 da Lei 9.430/1996, deve ser afasta a exigência da multa de ofício aplicada. Pela mesma razão, impõese a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até porque consta da referida decisão expressa menção neste sentido, conforme se infere do teor do trecho que segue reproduzido: De outra parte, todavia, enquanto não julgada definitivamente a ação rescisória, impõese assegurar ao contribuinte, igualmente, o direito de não se submeter, desde logo, à míngua de urgência, às exigências tributárias decorrentes da possível rescisão do acórdão. Com efeito, se por um lado há urgência em conferir à Fazenda Nacional o direito de não pagar imediatamente o que fora reconhecido ao contribuinte no acórdão rescindendo, por outro não se pode olvidar que a coisa julgada ainda não foi desconstituída. Tão somente seus efeitos foram suspensos, por força da decisão que proferi nos autos da AR 4.596/RS. (grifos não originais) Com base no exposto, em consonância com disposto no art. 151, V, do CTN, e no que determina o art. 63 da Lei 9.430/1996, deve ser afastada a multa de ofício aplicada e suspensão da exigibilidade do crédito objeto do auto de infração em apreço, até que seja proferida a decisão definitiva no âmbito da Ação Rescisória nº 4.596/RS. Da conclusão. Por todo o exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para afastar a aplicação da multa de ofício e determinar suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado, até que seja proferida a decisão definitiva no âmbito da Ação Rescisória nº 4.596/RS. Ressaltase que em pesquisa realizada no sítio eletrônico do STJ, os processos judiciais acima mencionados continuam em andamento, não havendo decisão definitiva em nenhum deles, sendo certo que a decisão obtida pela recorrente na ação cautelar que suspende a exigibilidade dos créditos tributários continua vigente, observese: Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 13 12 III Conclusão Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 11080.722155/201569 Acórdão n.º 3302006.548 S3C3T2 Fl. 14 13 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e, por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 1666DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.906134/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96.
PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-005.047
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 61 34 /2 01 2- 96 Fl. 536DF CARF MF Processo nº 16682.906134/201296 Acórdão n.º 3201005.047 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente, de Declarações de Compensação transmitidas pelo Sistema PER/DCOMP, que não foram integralmente homologadas em face da glosa de créditos realizada pela RFB, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Inconformado com o não reconhecimento integral do crédito pleiteado, o Interessado apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14059.009. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde alega, em síntese que: (i) o presente processo administrativo tem por objeto a declaração de compensação de crédito de PIS, relativo a pagamento indevido ou a maior, com débitos de outros tributos; (ii) reavaliou os critérios por ela adotados para apuração de seus créditos de PIS, tendo constatado que, por um lapso, havia deixado de aproveitar determinados créditos, mais especificamente, relacionados às despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (iii) efetuou a reapuração da contribuição por ela devida com o aproveitamento dos referidos créditos, o que resultou na ausência de débito dessa contribuição na competência; (iv) procedeu à retificação do DACON e da DCTF, de modo que, em tais declarações, para a competência, passou a constar a inexistência de qualquer débito de PIS; (v) tendo havido a redução do débito de PIS na competência, o pagamento realizado pela Recorrente tornouse indevido ou a maior, correspondendo a crédito a ser por ela utilizado na quitação de outros tributos; (vi) apresentou, então, Declarações de Compensação (DCOMP), nas quais pretendia a utilização do crédito de PIS relativo a pagamento indevido ou a maior, para quitação de tributos; Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16682.906134/201296 Acórdão n.º 3201005.047 S3C2T1 Fl. 4 3 (vii) as autoridades administrativas passaram a analisar os créditos apurados pela Recorrente, os quais foram deduzidos na apuração dessa contribuição e concluíram que a recorrente não faria jus a uma parcela dos créditos; (viii) por essa razão, as autoridades administrativas refizeram a apuração da contribuição, tendo apurado um suposto débito, enquanto a Recorrente não declarou qualquer débito dessa contribuição em tal competência em DCTF; (ix) sem que houvesse a constituição desse débito, as autoridades administrativas pretenderam alocar uma parte do valor pago, por meio de DARF, para quitação do débito por elas apurado. (x) realizouse um "encontro de contas" entre o débito apurado pelas autoridades administrativas e não constituído pela recorrente com o valor por ela pago através de DARF; (xi) como consequência do aproveitamento dessa parcela do montante indevidamente pago por meio do DARF, as autoridades administrativas entenderam que a Recorrente não faria jus à integralidade do direito creditório pleiteado como pagamento indevido ou a maior nas DCOMP's, resultando no reconhecimento de apenas uma parte desse crédito e na homologação parcial das DCOMP's apresentadas; (xii) não se pode admitir que a autoridade administrativa possa efetuar revisão no âmbito de um processo de compensação e pretenda, por meio de um "encontro de contas" utilizar o crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior) para quitação de um débito que não foi sequer constituído, seja pela Recorrente, que não o declarou, seja pela autoridade administrativa, que não lavrou o auto de infração; (xiii) havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devida no mês, é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não lhe sendo permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação; (xiv) caso as autoridades administrativas, em processos de compensação, verifiquem a existência de eventuais débitos de PIS/COFINS, devem proceder a formalização de eventual exigência tributária, por meio de lançamento formal, não cabendo a mera glosa de créditos pleiteados pelo contribuinte por meio de "encontro de contas"; (xv) tendo sido incorreto o procedimento adotado, o qual resultou em indevido não reconhecimento da integralidade do direito creditório pleiteado, é evidente que deve ser reformada a decisão, para que tal crédito seja totalmente reconhecido e como consequência haja a homologação integral das DCOMP's; (xvi) o mérito da discussão referese à possibilidade ou não de aproveitamento dos créditos em questão, na medida em que, caso esses créditos tivessem sido aceitos, a apuração de tal competência, conforme realizada, estaria correta e, consequentemente, o crédito relativo a pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido integralmente; Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16682.906134/201296 Acórdão n.º 3201005.047 S3C2T1 Fl. 5 4 (xvii) não merece prevalecer o entendimento acerca da impossibilidade de apuração de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (xviii) a Solução de Consulta COSIT nº 64, de 19 de maio de 2016 já reconheceu que as receitas de venda de produtos sujeitos à tributação concentrada incluemse no regime de apuração nãocumulativa e, consequentemente, há a possibilidade de apuração de créditos sobre os custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora dos produtos; (xix) que possui precedente do CARF em seu favor, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; e (xx) não há dúvida de que o art. 3º, inc. IX das Leis nº's 10.637/2002 e 10.833/2003, permite o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete relativo à operação de venda dos produtos adquiridos para revenda, sujeitos ao regime monofásico. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.031, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.906116/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.031): "Para melhor compreensão do caso, passase a análise individual das matérias, conforme posto na peça recursal. (i) Da insubsistência do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal e da necessidade de constituição do débito apurado e da impossibilidade de confissão de dívida de débitos apurados pela Autoridade Fiscal e não declarados pela Recorrente No presente tópico entendo que não assiste razão aos argumentos tecidos pela Recorrente. Preceitua o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, in verbis: Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16682.906134/201296 Acórdão n.º 3201005.047 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). (....) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)." As declarações de compensação em análise foram transmitidas após 31/10/2003, constituindo, portanto, confissão de dívida, conforme texto legal antes reproduzido. Nessa situação, é dispensada a constituição do crédito tributário confessado por meio de lançamento de ofício. Este tem sido o entendimento uníssono deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 (...) DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado." (Processo nº 10120.911740/201121; Acórdão nº 3402004.318; Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz; sessão de 25/07/2017) "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16682.906134/201296 Acórdão n.º 3201005.047 S3C2T1 Fl. 7 6 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento." (Processo nº 12448.726715/201268; Acórdão nº 3302004.908; Relatora Lenisa Rodrigues Prado; sessão de 26/10/2017) "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003 DCOMP. CONFISSÃO. INEXISTENCIA DECADÊNCIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, portanto, incabível a alegação de decadência do valor cobrado." (Processo nº 10730.008171/200851; Acórdão nº 3402 006.001; Relator Conselheiro Rodrigo MIneiro Fernandes; sessão de 29/11/2018) No mesmo sentido tem trilhado o Poder Judiciário: "Embargos à execução fiscal. declaração de compensação. PRESCRIÇÃO. honorários de sucumbência. 1. A entrega da DCOMP constitui definitivamente o crédito tributário, dispensado o lançamento dos créditos não compensados. (...)" (TRF4, AC 500113637.2016.4.04.7016, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, juntado aos autos em 05/12/2017) Salientese, ainda, que o CARF tem o posicionamento de que o lançamento é indevido quando o débito é declarado em DCOMP, conforme decisões a seguir transcritas: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16682.906134/201296 Acórdão n.º 3201005.047 S3C2T1 Fl. 8 7 lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio.A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco." (Processo nº 19515.007790/200848; Acórdão nº 9303 003.897; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 19/05/2016) Diante do exposto, não é de se prover o recurso por tais argumentos. (ii) Do aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre fretes relativos à operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico Tem razão a Recorrente. Com relação ao tema, é de se consignar que a Recorrente no processo nº 16682.720005/201393, obteve decisões favoráveis no âmbito do CARF, tanto em sede de Recurso Voluntário, quanto em Recurso Especial, cuja transcrição das ementas é necessária, in verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão nº 3402002.520; Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior; sessão de 15/10/2014) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 542DF CARF MF Processo nº 16682.906134/201296 Acórdão n.º 3201005.047 S3C2T1 Fl. 9 8 Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003." (Acórdão nº 9303 004.311; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 15/09/2016) A matéria possui outros precedentes no CARF, conforme a seguir consignados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há Fl. 543DF CARF MF Processo nº 16682.906134/201296 Acórdão n.º 3201005.047 S3C2T1 Fl. 10 9 o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003." (Processo nº 10480.725293/201109; Acórdão nº Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; 9303006.219; sessão de 24/01/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 10882.720554/201082; Acórdão nº 3302004.605; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator designado Conselheiro Walker Araújo; sessão de 26/07/2017) Assim, em relação a tal tópico em razão de a própria Recorrente possuir precedentes em seu favor e este ser o entendimento prevalente do CARF é de se prover o Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16682.906134/201296 Acórdão n.º 3201005.047 S3C2T1 Fl. 11 10 Fl. 545DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907915/2016-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.922
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 91 5/ 20 16 -2 8 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 13896.907915/201628 Resolução nº 3201001.922 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 436DF CARF MF Processo nº 13896.907915/201628 Resolução nº 3201001.922 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 437DF CARF MF Processo nº 13896.907915/201628 Resolução nº 3201001.922 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 13896.907915/201628 Resolução nº 3201001.922 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 439DF CARF MF Processo nº 13896.907915/201628 Resolução nº 3201001.922 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13896.907915/201628 Resolução nº 3201001.922 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 441DF CARF MF
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Numero do processo: 13308.000151/2001-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. RESTITUIÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 51 /2 00 1- 44 Fl. 931DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. A interessada acima qualificada formulou, em 20/08/2001, pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor original de R$ 692.894,73 (fl. 01), referente ao 2° trimestre de 2001, com fundamento no art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996. Também constam do presente processo declarações de compensação de fls. 112, 120, 121 e 130, além daquelas que integram os processos n's 13308.000224/200289 e 13308.000240/200271, As suas folhas 01/09 e 01/03, respectivamente. 2. O Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, após procedimento fiscal que visou A comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, opinou pelo indeferimento total do crédito, sob os seguintes fundamentos, constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 136/164: a) o estabelecimento produz calçados, sendo que todo o processo de industrialização é feito sob encomenda, somando 19 o número de estabelecimentos industrializadores" (fl. 137), de acordo com informação prestada pela interessada. b) Em demonstrativo intitulado "Vendas Referentes Remessas p/ Depósito", apresentado pela requerente, encontramse listadas, por exemplo, saídas de produtos (Remessa para depósito em estabelecimento de terceiros — CFOP 5.99) ocorridas em 5/5/1999, sendo que tais produtos somente teriam sido devolvidos ao estabelecimento (nele reingressado), por meio de notas fiscais de entrada do próprio contribuinte (NF de Remessa n° 6744 e NF de Entrada n° 20000), em 19/12/2001, portanto, mais de dois anos e sete meses após a saída declarada (fl. 138). c) "O Interessado, ainda, dá saída a mercadorias como 'remessa de amostra" ou "remessa para teste de amostra", classificadas nos CFOP 699 ou 799, que até a data da informação prestada não haviam retornado, chegando a somar, estas saídas, no mês de junho/2000, R$ 309.151,76; até a data da informação prestada também não foram estornados os créditos respectivos, que possivelmente foram lançados na entrada destas mercadorias" (fl. 139). "Da mesma forma, o Interessado dá Fl. 932DF CARF MF Processo nº 13308.000151/200144 Acórdão n.º 3301005.693 S3C3T1 Fl. 3 3 saída a mercadorias nos CFOP 5.12 e 6.12 —Venda de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros, sem o devido estorno de possíveis créditos lançados nas respectivas entradas" (fl. 139). d) "O interessado declara que todos os seus produtos são industrializados por terceiros e que ocorrem, até o desenvolvimento do produto final, várias etapas no processo de industrialização, realizada por vários estabelecimentos industrializadores, com várias entradas, portanto, destes produtos semiacabados em seu estabelecimento e, por outra, deixou de apresentar justamente as informações relativas a estas industrializações (..), necessárias e imprescindíveis ao devido esclarecimento da questão em pauta: os procedimentos do estabelecimento quanto à emissão e registro de documentos e livros fiscais, os necessários e suficientes ao cálculo dos créditos pleiteados..." (fl. 154). e) A própria contribuinte declara que "a partir de janeiro de 2002 deuse o inicio da implantação de um novo programa (..) ficando pronto agora em dezembro de 2003 a parte do controle da produção que vai alimentar o livro modelo 3 referente ao movimento dos produtos prontos e intermediários", o que indicaria a inexistência de quaisquer controles quanto a MatériasPrimas (MP), Produtos Intermediários (PI) e Materiais de Embalagem (ME) utilizados diretamente no processo industrial. Aduz a fiscalização que, de fato, "o Interessado nada apresentou sobre quaisquer movimentações de matériasprimas, material de embalagem etc", ressaltando que "ainda que não dispusesse mesmo do que seria devido, o livro modelo 3 Registro de Controle da Produção e do Estoque (ou fichas substitutivas ou outro controle equivalente) (..) não apresentou quaisquer controles que sejam, algum controle que valha como tal sobre alguma parte do seu processo produtivo" (fl. 155, grifouse). f) Por último, consignouse que os "procedimentos de emissão e registro de documentos e livros fiscais, pelo estabelecimento industrial (.) impossibilitam a aplicação das legislações do Crédito Presumido IPI (Lei n° 9.363/96 e Portaria ME 38/97) ..., o cálculo dos valores de créditos pleiteados (..)" (fls. 163/164). 3. Em 21/02/2006, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 305, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza indeferiu o pedido de ressarcimento em tela e não homologou as compensações correlatas, em face de que a interessada, não mantendo qualquer Controle da Produção e Estoque, haveria inviabilizado a verificação dos valores a serem ressarcidos. 4. A interessada tomou ciência do referido Despacho Decisório em 11/05/2006 (AR de fl. 316) e apresentou, em 8/06/2006 (fl. 322), a manifestação de inconformidade de fls. 324/350, na qual alega, em síntese, que: a) vários fatos ocorridos no curso do procedimento fiscal e, ainda, por ocasião da emissão do Aviso de Cobrança decorrente do indeferimento do seu pleito, pela Delegacia de origem, demonstram a total falta de respeito para consigo, induzindo ofensa ao seu direito de defesa. Aponta que a fiscalização, com o Fl. 933DF CARF MF 4 mero propósito de prejudicála, relacionou no Termo de Verificação Fiscal processos que não constavam do respectivo Termo de Inicio. b) A matéria referente ao crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS/Cofins, instituído pela Lei n° 9.363, de 1996, é de simples compreensão e aplicação, sendo que foram disponibilizados à fiscalização, a partir de dados retirados dos controles de estoque e livros fiscais existentes, quadros demonstrativos de exportação e movimentação contábil dos insumos. Com base na legislação pertinente e nos quadros demonstrativos apresentados, o que a fiscalização deveria ter verificado era: se as MP, PI e ME foram adquiridas no mercado nacional; se tais aquisições amparavamse em documentos fiscais hábeis, idôneos e se estavam devidamente registradas nos livros fiscais; se as exportações informadas foram efetivamente realizadas; se as receitas totais correspondem àquelas informadas em outras declarações decorrentes de obrigações acessórias; se o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais encontravase correta; e se o cálculo do crédito presumido encontravase correto. Ressalta que, "com um pouco de boa vontade", poderseia facilmente constatar "onde e para que finalidade foram utilizados todos os insumos adquiridos pela contribuinte", que é empresa "quase que exclusivamente exportadora". c) Tomando em conta sua premissa de que a legislação pertinente é de fácil aplicação, sustenta não haver qualquer razoabilidade nas solicitações emanadas da fiscalização, que envolveriam milhares de documentos fiscais, cujo atendimento se fazia quase impossível no prazo concedido, pelo que sustenta que "o agente fiscal tinha certeza que a empresa não teria condições de atender ás solicitações, no formato pedido", sendo que "sua intenção era alegar improcedentes os pedidos da contribuinte, mesmo antes de iniciarse a verificação fiscal" (fl. 345). d) Acresce que "disponibilizou todas as notas fiscais de compras e de vendas; os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias; os livros de inventários; os documentos de exportação; os livros razões e diários; bem como as fichas técnicas de produção que serviriam de base para a confecção das fichas de custos dos materiais utilizados, em cada modelo fabricado", documentos os quais seriam "mais que suficientes para confirmar as exportações realizadas, bem como a aquisição dos insumos utilizados na sua produção" (fl. 345). Observa, ainda, que mesmo que tivesse condições de atender as informações requeridas, a fiscalização "levaria décadas para analisálas" (fl. 345), indicando que, em caso de dúvida quanto aos insumos e respectivas quantidades utilizadas na fabricação dos calçados exportados, bastaria haverse "multiplicado a quantidade de calçados exportados de èada modelo, pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo" (fl. 346). e) Invoca o art. 90, IV, do Decreto n° 2.637, de 1998 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI11998), para asseverar que a hipótese normativa diz respeito exatamente as operações que realiza, quais sejam: idealiza os produtos finais, define os processos de industrialização, define a quantidade e qualidade dos materiais Fl. 934DF CARF MF Processo nº 13308.000151/200144 Acórdão n.º 3301005.693 S3C3T1 Fl. 4 5 a serem utilizados na produção, adquire todos os insumos e os remete a outras empresas para industrialização. Desta forma, afirma que "nas vendas para o mercado interno dos produtos finais, se tributáveis, a responsável pelo pagamento do IPI é a contribuinte, não as empresas que realizaram o beneficiamento do couro ou de qualquer outra industrialização. Assim, os créditos sobre os insumos, também, pertencem a contribuinte, inclusive o crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e Cofins" (fl. 347). f) Registra, por ultimo, que o não reconhecimento do direito liquido e certo ao crédito presumido causará um total desequilíbrio em seu fluxo de caixa, uma vez que na formação do preço final de venda dos seus produtos foram deduzidos os valores relativos ao ressarcimento pleiteado. 5. Em face de tais alegações, a requerente peticiona no sentido de que: a) a decisão recorrida seja reformada; b) sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao presente processo; c) o ressarcimento do crédito presumido de IPI seja atualizado, dentre a data do protocolo do pedido e a data do efetivo ressarcimento, pela taxa Selic; d) seja deferida perícia "para constatar a veracidade dos documentos e cálculos relativos às aquisições de insumos, exportações e tudo o mais necessário, para comprovar o direito ao crédito presumido de IPI solicitado" (fl. 349), indicando quesitos relacionados as exportações que realizou, a comprovação da idoneidade ou não dos documentos de aquisição de MP, PI e ME, bem como quanto a devida escrituração fiscal e contábil de tais documentos, além da possibilidade de se estabelecer correlação entre os insumos adquiridos e os produtos exportados. 6. Em 24/05/2007, a interessada apresenta requerimento para que seja juntada aos autos cópia simples de acórdão proferido, em seu favor, pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, o qual se encontra as folhas 371/386 e exibe ementa no sentido de que "o estabelecimento exportador, equiparado a produtor (..) faz jus ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96, seja por se enquadrar no conceito de exportador, seja porque este conceito não pode alterar o objetivo da norma, de garantir o ressarcimento das exações ao PIS e Cofins incidentes no ciclo de produção de produtos exportados (..)" (fl. 371). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 935DF CARF MF 6 O ressarcimento autorizado pelo art. 1° da Lei no 9.363, de 1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs recurso voluntário, onde repisa as alegações já apresentadas na impugnação Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: (i) intimar o contribuinte no endereço constante nos autos para que, no prazo improrrogável de 90 (noventa) dias, apresente os documentos faltantes para viabilizar a constatação numérica do crédito aqui debatido; (ii) ato contínuo, que a fiscalização apure, de forma detalhada, qual o montante do referido crédito (inclusive, se possível, com base apenas nos documentos já constantes nos autos) ou fundamente, de forma analítica, a impossibilidade de fazêlo; e, por fim (iii) concluída a diligência, que o contribuinte seja novamente intimado para, querendo, possa se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias. A Unidade de Origem procedeu a diligência, entretanto, não conseguiu realizar os procedimentos determinados pelo CARF em razão da falta de apresentação dos documentos e informações fiscais necessários a apuração do direito creditório alegado pela Recorrente. Cientificada do resultado da diligência, a Recorrente não se manifestou. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF e a este Relator para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Preliminarmente a Recorrente alega cerceamento do direito de defesa e pede a nulidade do despacho decisório por não atender as determinações legais de motivação e fundamentação. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O despacho decisório teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, detalhada em relatório Fl. 936DF CARF MF Processo nº 13308.000151/200144 Acórdão n.º 3301005.693 S3C3T1 Fl. 5 7 fiscal, onde consta a motivação para o despacho decisório que negou o aproveitamento do crédito pleiteado. A Recorrente foi cientificadas da decisão fiscal e apresentou manifestação de inconformidade que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância, irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, interpôs recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao trabalho fiscal, bem como, o devido processo administrativo fiscal. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou a existência do direito líquido e certo dos créditos pleiteados, entretanto, a decisão de piso entendeu por não confirmar os créditos por ausência de documentos e informações fiscais que comprovassem o seu direito creditório. Ao apreciar o recurso voluntário a turma julgadora resolveu converter o julgamento em diligência para que fossem realizados novos procedimentos de auditoria para verificação do direito creditório alegado pela Recorrente, entretanto, a diligência se revelou infrutifera, pois, apesar de conhecer da decisão deste conselho em janeiro de 2017 e ainda das intimações realizadas, os documentos necessários para auditoria fiscal não foram apresentadas, conforme consta das conclusões do relatório de diligência, transcrito abaixo. Sendo o interessado optante do DTE – Domicílio Tributário Eletrônico, a fiscalização intimou o mesmo, através de Termo de Início de Diligência Fiscal, pela modalidade eletrônica, nos termos do art. 23, III, “a”, do Decreto 70.235/72, ficando o contribuinte bem ciente de todo o conteúdo da demanda do Fisco no dia 13/03/2018, mediante ciência também eletrônica. Nessa intimação, restou plenamente evidenciado o prazo improrrogável de 90 dias para apresentação dos documentos/informações solicitados. Vencido o prazo improrrogável de 90 dias, a empresa juntou aos autos apenas parte da documentação solicitada, tendo disponibilizado, também, apenas parte dos livros contábeis/fiscais requeridos. Alegou uma série de dificuldades para o cumprimento in totum da intimação e requereu prazo adicional de 90 dias para apresentação dos documentos/informações faltantes. A IN SRF n.º 23/97, vigente à época dos fatos, estabelecia em seu art. 6º que “A empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, ... ”. Como se depreende da resposta ao Termo de Início de Diligência Fiscal, fls. 905/908, o contribuinte não mais dispõe das memórias de cálculo. É possível até que nem disponha mais de toda a documentação necessária à apuração do montante do crédito, visto a situação da empresa descrita na resposta. Ademais, o Fl. 937DF CARF MF 8 prazo estabelecido de 90 dias para cumprimento da intimação é improrrogável, como restou bem claro. Diante do acima exposto, em face da ausência de parte das informações e documentos solicitados, vez que não apresentados pelo interessado, a fiscalização encontra óbice intransponível para cumprir a Resolução nº 3201000.765 antes referida, que resta prejudicada em razão da inércia do contribuinte. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 13308.000151/200144 Acórdão n.º 3301005.693 S3C3T1 Fl. 6 9 Fl. 939DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.001866/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Não se verifica cerceamento de direito de defesa quando os fatos descritos na autuação fiscal foram suficientes para a autuada defender-se da acusação fiscal.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
LUCRO PRESUMIDO. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS ENVOLVENDO FORNECIMENTO DE VEÍCULOS COM MOTORISTAS
Classificam-se no Lucro Presumido como serviços em geral, e não como serviços de transporte, o fornecimento de veículos com motoristas em contratos envolvendo terceirizações.
LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS EQUIPARADOS A HOSPITALARES
Não se equiparam a serviços hospitalares o fornecimento de ambulâncias com motoristas, porém sem médicos, para fins de aplicação do percentual de presunção de 8% do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1201-002.771
Decisão:
Vistos, discutidos e relatados os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade.
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não se verifica cerceamento de direito de defesa quando os fatos descritos na autuação fiscal foram suficientes para a autuada defender-se da acusação fiscal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 LUCRO PRESUMIDO. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS ENVOLVENDO FORNECIMENTO DE VEÍCULOS COM MOTORISTAS Classificam-se no Lucro Presumido como serviços em geral, e não como serviços de transporte, o fornecimento de veículos com motoristas em contratos envolvendo terceirizações. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS EQUIPARADOS A HOSPITALARES Não se equiparam a serviços hospitalares o fornecimento de ambulâncias com motoristas, porém sem médicos, para fins de aplicação do percentual de presunção de 8% do Lucro Presumido.
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decisao_txt : Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 862 1 861 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.001866/200967 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.771 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria Lucro Presumido Recorrente TRADE SERVIÇOS ADMINISTRAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não se verifica cerceamento de direito de defesa quando os fatos descritos na autuação fiscal foram suficientes para a autuada defenderse da acusação fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 LUCRO PRESUMIDO. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS ENVOLVENDO FORNECIMENTO DE VEÍCULOS COM MOTORISTAS Classificamse no Lucro Presumido como serviços em geral, e não como serviços de transporte, o fornecimento de veículos com motoristas em contratos envolvendo terceirizações. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS EQUIPARADOS A HOSPITALARES Não se equiparam a serviços hospitalares o fornecimento de ambulâncias com motoristas, porém sem médicos, para fins de aplicação do percentual de presunção de 8% do Lucro Presumido. Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário, por unanimidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 18 66 /2 00 9- 67 Fl. 862DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 863 2 (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de 1a. Instância que manteve integralmente o lançamento efetuado no Lucro Presumido. A decisão de piso rejeitou as preliminares de nulidade, o pedido de perícia e deu por comprovada a atividade da Recorrente como de locação de veículos e serviços em geral, confirmando assim o percentual de presunção do lucro de 32%, como se observa na ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo, administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. PEDIDOS DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 863DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 864 3 Anocalendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DE 32%. Comprovado nos autos que a receita da atividade do sujeito passivo adveio da prestação de serviços de locação de veículos, correta a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre a receita bruta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No mais, adoto o relatório da decisão de piso sobre o caso: Contra a empresa acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração a seguir especificados, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, CSLL: De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal is fls. 04 e 09, e Termo de Encerramento, fls. 13 e 14, foi constatado, na apuração das vendas do contribuinte, que os valores das notas fiscais foram declarados a menor, resultando em insuficiência do recolhimento dos tributos. A apuração do montante da receita de serviços da empresa teve como base os registros no Livro de Apuração do ISS da matriz e da filial, fls. 345 a 372. A base de cálculo foi determinada pela aplicação do percentual de presunção de 32 % tendo em vista a atividade de prestação de serviços em geral 'prestação de serviços de operacionalização de sistemas, de administração, de transportes com motoristas e outros, locação de bens, etc.', com base no art. 15, inciso III da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, tudo conforme as notas fiscais emitidas pela empresa e os contratos de prestação de serviços, fls. 78 a 137. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 865 4 Devidamente intimada, a autuada apresentou impugnações as fls. 381 a 435, para a CSLL e fls. 409 a 435, para o IRPJ, fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas os valores parcelados do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário 2005 não foram considerados quando do lançamento da exigência o que dá causa a bitributação e imotivada aplicação da multa de oficio sobre valores já declarados; com base no art. 37 da Lei n° 9.784/1999 requer seja acostado aos autos o parcelamento referido para que sejam deduzidos os valores já oferecidos à tributação; cerceamento do direito de defesa uma vez que solicitou cópia do processo em questão e até a data de protocolização da defesa ainda não havia sido atendido assim, requer lhe seja permitida juntada posterior de documentos e esclarecimentos adicionais na forma do art. 38, da Lei n° 9.784/1999c/c § 5 0, do art. 16, do Decreto n° 70.235/1972; descreve sobre princípios constitucionais da legalidade, da moralidade, da verdade formal e material, com base na doutrina e em dispositivos legais transcritos, para concluir que a tributação sobre o lucro com o percentual de presunção de 32% fere frontalmente a legislação tributária de regência da matéria; se trata de prestação de serviço de transporte e para essa atividade o percentual de presunção,legalmente previsto, é de 16%, sendo inoportuna e ilegal a aplicação do percentual de 32%,ainda mais com a inclusão de valores já declarados e confessados; o ônus da prova do erro na imputação do percentual utilizado é da autoridade lançadora, se há o reconhecimento da atividade referida, como consta do Termo de Encerramento, cabia a apuração da base de cálculo na forma do § 2° do art. 15 da lei de regência (atividades diversificadas) ; pede seja reconhecido que os serviços de transporte prestados devem ter base de calculo apurada com o percentual de 16% das receitas recebidas, estando a base de cálculo apurada pela fiscalização contaminada pela não observação do § 2° do art. 15 da Lei n° 9.249/1995; presta aos municípios de Belo Horizonte e Natal, conforme documentos apresentados, serviços de emergência médica ambulâncias (prestação de serviços de transporte de pacientes préhospitalar, interhospitalar e pronto atendimento, os quais à luz da IN 480/2004, são equiparados a serviços hospitalares, merecendo a aplicação do percentual de presunção de 8%, a autoridade lançadora preferiu classificar os serviços como inerentes à locação de bens, operacionalização de sistemas, administração etc.; Fl. 865DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 866 5 requer sejam reconhecidos os serviços de emergência médica prestados pela contribuinte para aplicação do percentual de presunção de 8% das suas receitas, caso contrario, seja considerado como serviço de transporte de pacientes, para aplicação do percentual de 16%; houve desconsideração do regime de caixa tendo em vista que a autoridade fiscal afirmou que foram oferecidos A. tributação valores menores que os constantes das notas fiscais, sem mencionar quais as notas fiscais, datas e quando a dita receita havia entrado nos cofres da empresa, e ainda, cerceamento do direito de defesa; resta comprovada a nulidade do Auto de Infração diante da afronta ao principio da legalidade e da verdade material e cerceamento do direito de defesa, ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes as fls. 430 a 432; ilegalidade da multa de oficio de 75%; No Recurso Voluntário, em preliminares, alega a Recorrente a nulidade do lançamento pelas seguintes razões: · A decisão de piso não fundamentou expressamente a desconsideração promovida no lançamento, de serviço de transporte para locação de veículos, tendo ocasionado, assim, cerceamento do direito de defesa; · O Termo de Encerramento não apurou o percentual de presunção por atividade, como o disposto na legislação aplicável; · que, na apuração da insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL, a autuação fiscal deixou de detalhar quais notas fiscais teriam tido seus valores reduzidos, incorrendo, assim, em erro no critério jurídico da apuração da base de cálculo; e · A autoridade autuante deixou de quantificar a base de cálculo do Auto de Infração conforme o regime de caixa, escolhido pela autuante, incorrendo, assim, erro no critério jurídico de apuração da base de cálculo. No mérito, alega a Recorrente que: · os serviços prestados às municipalidades de Belo Horizonte/MG e Natal/RN compreendemse em equiparados a atividades hospitalares, conforme inteligência da IN/480/04, pois consistiam em serviços de emergências médicas contratados pelas prefeituras para complementar a cobertura do SAMU Sistema de Atendimento de Urgência; que as ambulâncias seriam equipadas com todo suporte conforme determina a regulamentação competente; Fl. 866DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 867 6 · Consistindo assim sua atividade em fornecer veículos com motoristas, não poderia ser a sua atividade reclassificada para o percentual de presunção de 32%, mas, sim, observado o percentual de 16%; · Que o ônus de provar que a atividade da Recorrente se enquadraria em serviços em geral, e não em serviços de transporte, para efeito de estabelecer o percentual de presunção do lucro, seria da autoridade autuante. Por fim, pede que ou seja anulado o lançamento, ou seja reconhecida a sua atividade de fornecimento de ambulâncias às prefeituras como equiparada a serviços hospitales e, portanto, sujeita ao percentual de 8% ou, alternativamente, sejam reconhecidas tais atividades como serviços de transporte, sujeitas ao percentual de 16%. Conversão do feito em Diligência Conforme Resolução de fls. 785 e ss, resolveu o Colegiado converter o julgamento em diligência com o propósito de: (i) verificar se as receitas referentes às notas fiscais que serviram de base para o trabalho da fiscalização foram, de fato, apropriadas segundo o regime de caixa; (ii) identificar, com base nos contratos e notas fiscais, a receita correspondente a cada tipo de atividade, a saber: (ii.1) serviços hospitalares; (ii.2) locação sem motorista; (ii.3) locação de veículos com motorista e (ii.4) demais serviços. Concluída a diligência, conforme relatório de fls. 799 e ss., foram prestadas as informações solicitadas, as quais destaco o trecho a seguir: 6. Vale ressaltar que o pacto celebrado com o SESC/RJ também contempla motoristas para os correspondentes veículos. 7. Cabe ainda aclarar que algumas notas fiscais emitidas em decorrência da prestação de serviços para o BACEN incluem demais serviços. 8. Diante do exposto, podemos enquadrar referidos contratos, por órgão e de acordo com a natureza do serviço prestado, da seguinte forma: Fl. 867DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 868 7 9. No que diz respeito aos serviços prestados para a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte PMBH e do NatalPMN, cabe uma análise mais acurada, posto que o Contribuinte alega que tais serviços seriam hospitalares. 10. O conceito de serviços hospitalares, conforme inicialmente previsto na IN SRF 306/03 e posteriormente disciplinado pela IN SRF 480/04, considera como tais aqueles “prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestadas por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos”. 11. Em 2007, através da ADI n° 19/2007, a Secretaria da Receita Federal SRF entendeu que também são serviços hospitalares os préhospitalares prestados por pessoas jurídicas na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”). 12. Desta feita, podemos concluir que, para se enquadrarem como serviços hospitalares, a empresa deverá realizar o atendimento global ao paciente, seja na unidade de saúde fixa (eg. Hospitais) ou móveis (eg. UTI móveis), eis que não basta, para tanto, que sejam dispostos parte dos serviços, ou seja, é necessário ter arcado com o custo do material e todos os profissionais envolvidos no atendimento. 13. Logicamente, o mero fornecimento de ambulância para transporte de pacientes não ensejaria o enquadramento como serviços hospitalares. 14. Sendo assim, passamos à análise dos contratos com as prefeituras de Belo Horizonte e do Natal. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 869 8 15. Com relação à prefeitura de Belo Horizonte, "Faz parte do objeto: a) Recursos humanos (motoristas de ambulâncias e pessoal administrativo); b) Prestação de serviços de manutenção completa dos veículos; c) Materiais e acessórios necessários ao atendimento; e d) Fornecimento de veículos. ” 16. No contrato anexado aos autos do processo não se faz menção a qualquer tipo de UTI móvel nas ambulâncias que serão disponibilizadas ao Ente. 17. Nesse caso, considerando seu objeto ser de transporte de pacientes, diante da falta de previsão contratual das ambulâncias serem equipadas com UTI, assim como da falta de previsão de médicos e enfermeiros, tal contrato se reveste do caráter de LOCAÇÃO DE VEÍCULOS COM MOTORISTA. 18. No que diz respeito à prefeitura do Natal, a situação é um pouco mais complexa, eis que o contrato prevê o fornecimento de ambulâncias com 02 UTI’s móveis, 07 ambulâncias de suporte básico(B) da SMS, incluindo recursos humanos, sendo estes telefonistas/auxiliares de regulação médica, motoristas – socorristas, farmacêutico e vigia, em número suficiente para o desempenho das atividades 24 horas por dia, além de materiais, equipamentos, medicamentos e insumos necessários para operacionalização do serviço de atendimento médico às urgências. Porém, a subcláusula primeira estatui que “os profissionais médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem necessários ao bom funcionamento do SAMU serão de responsabilidade da Secretaria Municipal de Saúde, na forma preceituada pela Lei Complementar n° 054/2004”. 19. Sendo assim, indagase: o contrato ora ventilado permite o atendimento, por si só, aos pacientes ou necessita de outros profissionais como médicos, enfermeiros e etc? O serviço hospitalar é prestado pela Prefeitura ou pela empresa? 20. Como é cediço, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência SAMU realiza o atendimento de urgência e emergência e transporta o paciente para o estabelecimento de saúde que irá realizar o de maior complexidade. Para tanto, é equipado 21. O contrato com a prefeitura do Natal não comporta médicos e enfermeiros, posto que, conforme previsto no pacto, serão fornecidos pelo Município. 22. Tais profissionais (médicos e enfermeiros) representam elevados custos para qualquer instituição, por se tratar de profissionais especializados. Ora, se é justamente o alto custo que justifica um percentual menor de presunção de lucro, a falta de tais elementos nos induz enquadrar o serviço em um patamar maior. 23. Desta feita, o contrato com a prefeitura do Natal foi enquadrado como LOCAÇÃO DE VEÍCULOS COM MOTORISTAS. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 870 9 24. Para uma melhor visualização, elaboramos planilha anexa ao presente relatório com a individuação das notas fiscais dentro da classificação de cada tipo de serviço. 25. No que tange ao segundo quesito, ou seja, se as notas fiscais que serviram de base para a auditoria foram apropriadas segundo o regime de caixa, podemos constatar que, para fins de lançamento, as notas fiscais foram apropriadas respeitando o mês da data da emissão e que, de acordo com o controle de clientes anexado pelo Contribuinte, houve parte considerável das notas pagas no mesmo mês de emissão ou, no máximo, no segundo mês seguinte. 26. O lançamento seguiu a lógica da apropriação constante do Livro de Apuração do ISS, que contempla o mês da emissão da nota. 27. Para atender ao quesito com certeza cabal, fazse necessário colacionar aos autos a escrita do Contribuinte, ou seja, os livros diário e razão ou caixa, a depender do regime adotado. 28. Para tanto, o Contribuinte foi intimado, através de Termo de Intimação Fiscal, em 01/06/2016, e reintimado, em 14/07/2016, para que apresentasse a contabilidade, a fim de verificar o regime de apuração das receitas. 29. Porém, diante da falta de apresentação do livro pertinente e ante a inexistência de opção formal à época, o presente quesito restou prejudicado. Recebido o resultado da diligência, o colegiado determinou a realização de nova diligência, desta vez para sanar a falta de ciência da Recorrente e da intimação para que se manifestasse, no prazo de 30 (trinta) dias, acerca do relatado pela fiscalização. Sanada a falta de ciência do resultado da primeira diligência, a Recorrente não mais se manifestou no processo. É o relatório. Voto Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Fl. 870DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 871 10 Questões Preliminares e Prejudiciais Como melhor detalhado no relatório, a controvérsia trata de qual a correta classificação fiscal das atividades econômicas da contribuinte para fins de aplicação do percentual de presunção sobre receitas no Lucro Presumido para a apuração do IRPJ e da CSLL. A primeira questão preliminar a ser enfrentada diz respeito à alegação de cerceamento do direito de defesa em razão de falta de fundamentação, na autuação fiscal, que respaldasse a reclassificação das atividades para o percentual de 32%, relativo a serviços em geral. Contra tal alegação, tenho a dizer que a descrição dos fatos no auto de infração não precisa ser perfeita, mas apenas suficiente para que o contribuinte se defenda de forma efetiva. No caso dos autos, observase que a acusação fiscal é clara, qual seja, as atividades econômicas desempenhadas pela Recorrente no anocalendário de 2005 classificam se integralmente como serviços em geral, e não como serviços de transporte ou como serviços hospitalares, sendo, portanto, o contrário do por ela adotado em sua DIPJ. Contra esta acusação, a Recorrente revelou conhecer o seu teor e as rebateu de forma meticulosa, para isto suscitando tanto questões preliminares quanto de mérito pertinentes. Assim, inexistiu, concretamente falando, cerceamento de direito de defesa, devendose concluir, portanto, que a autuação fiscal descreveu suficientemente os fatos nos quais se baseou no lançamento. A segunda acusação fiscal diz respeito à insuficiência de recolhimento causada pela diferença entre as receitas declaradas e aquelas apuradas com base nas notas fiscais examinadas pela fiscalização. Muito embora a Recorrente aponte desconhecer o porquê desta diferença, o Termo de Encerramento, às efls. 14, informa que foram apuradas conforme Termo de Constatação Fiscal, de efls. 59, cujos anexos de folhas seguintes demonstram a apuração das receitas mensais por notas fiscais apresentadas à fiscalização, inclusive já considerando as notas canceladas. Logo, decorrem da simples totalização das notas fiscais em comparação com as receitas mensais declaradas. Assim, rejeito as preliminares de nulidade por cerceamento de direito de defesa. Quanto à alegação de nulidade do lançamento por este não ter apurado o percentual de presunção por atividade, entendo que esta questão se confunde com o mérito, qual seja, se realmente há, entre as atividades da Recorrente, alguma passível de ser classificada em outros percentuais de presunção do Lucro Presumido. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 872 11 Assim, rejeito, ao menos enquanto preliminar, a alegação de que a autoridade autuante deveria ter aplicado percentual de presunção por atividade econômica. Quanto à alegação de erro no critério jurídico de apuração da base de cálculo, ao não supostamente respeitar a fiscalização o regime de caixa em tese adotado pela Recorrente, há algumas considerações a serem feitas. Primeiramente, os extratos bancários apresentados no Recurso Voluntário não são hábeis para comprovar cabalmente qual regime de reconhecimento das receitas no Lucro Presumido é o adotado pela Recorrente, se de Caixa ou de Competência, mas, sim, o Livro Caixa ou Contabilidade e a DIPJ. Em segundo lugar, foi determinada diligência, por esta Turma, com o propósito se esclarecer tal ponto. Intimada pela fiscalização a se pronunciar, a Recorrente nada informou, mesmo depois de cientificada do resultado da diligência. Em terceiro lugar, a DIPJ AC 2005 que consta dos autos aponta que a Recorrente, no ano fiscalizado, era optante do regime de competência (efls. 153) e não de caixa, como alega. Assim, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade por erro no regime de reconhecimento das receitas aplicado na autuação. Rejeitadas as preliminares e prejudiciais suscitadas no Recurso Voluntário, passo à análise do mérito. Mérito A questão de mérito suscitada no recurso importa saber se as atividades econômicas desempenhadas pela Recorrente se classificariam, em sua totalidade, em serviços em geral, para fins de aplicação do percentual de presunção 32% no Lucro Presumido, ou se ao menos uma parte delas deveria ser classificada como serviços de transporte ou hospitalares, implicando assim redução na base da autuação fiscal. Conforme Termo de Encerramento, a Recorrente fora intimada, no curso do procedimento fiscal, a justificar o porquê de ter aplicado o percentual de 16% em parte de suas receitas (efls 58). Respondeu a Recorrente à fiscalização reiterando tal resposta como alegação na fase processual que suas atividades, ao menos em parte, classificarseiam como serviços hospitalares ou de transporte, porque não locavam apenas veículos, mas forneciam também motoristas e, às vezes, outros funcionários, sobretudo no caso dos contratos envolvendo o apoio a prefeituras com ambulâncias. O Relatório de Diligência esclareceu, a pedido da Resolução aprovada neste Colegiado, quais receitas envolviam locação de veículos com e sem motorista e concluiu não haver serviços passíveis de serem classificados como hospitalares. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 873 12 Bem, quanto a isto, os serviços prestados pela Recorrente, de fornecimento de ambulância com motoristas e outros elementos de apoio, não podem ser classificados como equiparados a hospitalares porque os contratos expressamente prevêem que médicos e enfermeiros deveriam ser fornecidos pelas próprias prefeituras, e não pela Recorrente. O ADI/RFB nº19/2007 que interpreta o conceito de serviços médicos, de modo a nele incluir também os serviços de UTI móvel chama a atenção para o óbvio de fato de, no caso de fornecimento de ambulâncias ser considerado serviço hospitalar, ser imprescindível estas estarem acompanhadas de médicos e equipamentos de modo a oferecerem aos pacientes suporte avançado de vida: Artigo único. Para efeito de enquadramento no conceito de serviços hospitalares, a que se refere o art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares os serviços préhospitalares, prestados na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"), bem como os serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Assim, como em nenhum dos contratos celebrados pela Recorrente foi verificado, no curso da diligência, o fornecimento de ambulâncias com médicos sendo tal mister ficado a cargo das próprias prefeituras entendo que não há, entre as atividades da Recorrente, nenhuma passível de ser equiparada à hospitalar. A diligência trouxe ainda como resultado, a pedido da Resolução, quais atividades desempenhadas pela Recorrente envolveram locação de veículos com motoristas. É apontado no relatório de diligência que os serviços prestados ao BACEN, ao SESC/RJ e as Prefeituras, no caso das ambulâncias, envolveram fornecimento de veículos com motorista. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 874 13 Cumpre saber se os contratos da Recorrente envolvendo fornecimento de veículos com motorista são ou não classificáveis como serviço de transporte para fins de aplicação do percentual de presunção do lucro de 16%. Vejo o caso como uma lacuna na legislação, dado que uma interpretação puramente literal do que vem a ser serviço de transporte de pessoas pode conduzir a um igual tratamento tributário de contribuintes de perfis econômicos e de capacidade contributiva absolutamente diversos. Neste ponto, peço vênia para abrir divergência em relação ao caminho traçado pelo Colegiado nas Resoluções já emitidas, no sentido de ter cogitado como passível de classificação em serviço de transporte de pessoas, para fins do Lucro Presumido, os serviços de fornecimento de veículos com motorista promovidos pela Recorrente. Entendo que serviços de locação de veículos com motoristas, prestados pelas chamadas "empresas terceirizadas" como é o caso da Recorrente1 a entes públicos, não podem ser considerados de transporte de pessoas para fins do Lucro Presumido, mas apenas o que de fato são, isto é, um contrato de prestação de serviços terceirizados, os quais envolvem fornecimento de veículos com mão de obra e apoio administrativo. Isto porque serviços desta natureza demandados como fruto de terceirizações não têm como serem prestados por empresas de transporte em geral, mas apenas por aquelas que se especializam em suprir as necessidades mais específicas destes entes públicos, mediante um contrato detalhado com muito mais cláusulas. Com uma concorrência mais limitada por prestarem um serviço a rigor mais diferenciado do que um simples serviço de transporte de pessoas , as margens de lucro de tais empresas terceirizadas, na contratação com os entes públicos, são certamente muito maiores do que os 16% fixados no Lucro Presumido para as empresas do ramo de transporte, que concorrem entre si no oferecimento de um serviço comum, isto é, de baixo grau de diferenciação, a particulares em geral. Embora o Lucro Presumido acomode um certo grau de ficção em seus critérios, a sua espinha dorsal ainda é no sentido de presumir o lucro com base numa realidade econômica de cada setor, em termos da efetiva lucratividade de cada um. E a lucratividade está diretamente relacionada à concorrência, a qual, no caso das empresas terceirizadas que fornecem veículos e motoristas, não pode ser comparada a de empresas de transporte, por ser, a entre estas últimas, muito mais exacerbada. Assim, na essência, não há como considerar fornecimento de veículos com motoristas, sobretudo em contratos envolvendo terceirizações, como serviços de transporte de pessoas para fins do Lucro Presumido, dada a drástica diferença existente entre estas atividades econômicas quando comparadas entre si. 1 Observase ser a Recorrente empresa terceirizada não apenas pelos contratos e notas fiscais apresentadas no curso da fiscalização, como também pela variada gama de objetos descritos em seu contrato social, a saber: de prestação de serviços de administração de frotas de veículos a fornecimento de ambulâncias; locação de equipamentos, caminhões e aviões; limpeza urbana, despoluição e limpeza de áreas verdes; cessão de mão de obra; assessoria e consultoria em administração, além de, expressamente, falar que explora a própria terceirização de serviços de transporte. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16707.001866/200967 Acórdão n.º 1201002.771 S1C2T1 Fl. 875 14 Vale ressaltar ainda, a autoridade autuante subclassificou os serviços em geral da Recorrente, sujeitos a alíquota de 32%, como locações, e não como locações com motorista, estas últimas, tecnicamente serviços, considerando a jurisprudência relativa ao ISS. Contudo, tal imprecisão, que em nada prejudicou a autuação, decorreu dos próprios contratos apresentados pela Recorrente, que se intitulavam "locação de veículos". A este respeito, ao ser intimada no curso da fiscalização a prestar esclarecimentos, a Recorrente não deu maiores detalhes sobre a sua atividade, sendo esta sua omissão a causa da imprecisão na descrição dos fatos do Auto de Infração. Assim, a pequena divergência entre a descrição do Termo de Verificação e a que se confirmou durante este processo teve causa dada pela própria Recorrente e, além disso, não prejudicou a classificação fiscal adotada no lançamento, de serviços em geral, razão pela qual faço de ofício esta ressalva apenas para clarificar não existir inovação neste meu raciocínio. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Fl. 875DF CARF MF
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Numero do processo: 13657.001043/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO.
Comprovada retenção de imposto de renda, ainda quando ausente DIRF, há de se reconhecer dedução do IRRF do imposto devido no ajuste anual.
Numero da decisão: 2402-007.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO AJUSTE ANUAL. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO. Comprovada retenção de imposto de renda, ainda quando ausente DIRF, há de se reconhecer dedução do IRRF do imposto devido no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 46/56) em face do Acórdão n. 09 42.879 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA (efls. 35/37), que julgou improcedente a impugnação (efl. 02), mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física IRPF n. 2007/606451032544125 AnoCalendário 2006 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 10 43 /2 01 0- 10 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13657.001043/201010 Acórdão n.º 2402007.129 S2C4T2 Fl. 100 2 no montante de R$ 27.685,06 (efls. 06/09) constituído em 25/05/2010 (efl. 13) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (efl. 02) em 24/06/2010, alegando, em linhas gerais, a glosa indevida do IRRF, pelos motivos e documentos que apresenta. A impugnação (efl. 02) foi julgada improcedente pela instância de piso, nos termos do Acórdão n. 0942.879 (efls. 35/37), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo reproduzida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Mantémse a glosa efetuada pelo Fisco quando, na fase impugnatória, não ficar demonstrada a retenção questionada pela autoridade revisora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O impugnante, agora Recorrente, tomou ciência do teor do Acórdão n. 09 42.879 (efls. 35/37) em 21/05/2013 (efls. 40) e, inconformado, interpôs Recurso Voluntário em 19/06/2013 (efls. 45 e 98), repisando, em linhas gerais, a glosa indevida do IRRF. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O Recurso Voluntário (efls. 46/56) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Passo à análise. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), relacionado a recibos de pagamento de autônomos (RPA) emitidos em face da empresa Phihong PWM Brasil Ltda. CNPJ 03.727.705/000101 (efls. 66/74), vez que não comprovado o IRRF no valor total de R$ 18.386,07 neles informado e declarado pelo Recorrente na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 ND 06/11.142.403 (efls. 10/12). Muito bem. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13657.001043/201010 Acórdão n.º 2402007.129 S2C4T2 Fl. 101 3 Ao apreciar a impugnação (efl. 02), a instância de piso concluiu que não restou comprovada retenção de imposto de renda no valor total de R$ 18.386,07, e concluiu pela improcedência da impugnação: [...] Contudo, o impugnante trouxe ao presente processo, para apreciação da autoridade julgadora, somente os Recibos de Pagamento à Autônomo RPA anexados às fls.26/32, documentos emitidos pelo próprio beneficiário dos pagamentos, no caso o notificado. Vale ressaltar que documentos particulares, no contorno jurídico, dão notícias apenas dos fatos e da forma como esses possivelmente teriam ocorrido, mas não fazem prova da efetividade de sua ocorrência (CPC, art.368); quando enunciam o recebimento de um crédito fazem prova tãosomente contra quem os escreveu (CPC, art. 376) e valem entre as partes neles consignadas, não em relação a terceiros, estranhos ao ato (Código Civil, art. 221). E, após consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, notadamente o Sistema DIRF, observo que não constam, para o contribuinte, no rol das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) relativas ao anoretenção 2006 entregues por suas fontes pagadoras, as DIRF das empresas mencionadas pelo interessado em sua peça contestatória de fls.02. Entendo que o contribuinte, por se considerar prejudicado pela incúria das referidas pessoas jurídicas, deveria procurar a via judicial no intuito de fazer valer seus direitos porventura desrespeitados. Em face de todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação apresentada. [...] Em sede de recurso voluntário, o Recorrente reforça os argumentos já aduzidos na impugnação (efl. 02) e reclama por conexão deste processo em relação a outros processos de matéria correlata, referentes a outros exercícios, nos quais é interessado. Ocorre que os referidos processos foram distribuídos a este Relator, razão pela qual encontrase atendida a conexão solicitada pelo Recorrente. Da análise dos autos, verificase o fundamento da autuação em apreço se deu por ausência de DIRF/AC 2006 a lastrear o IRRF informado pelo Recorrente na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2007 ND 06/11.142.403 (efls. 21/24) no valor de R$ 18.386,07. Todavia, o Recorrente acostou aos autos robusto conjunto probatório do qual se deduzse pela efetiva ocorrência da retenção em litígio. Com efeito, dos documentos de efls. 25/32; 53 e 61/96, consubstanciados em recibos de pagamento de autônomos (RPA), contrato particular de locação jurídica empresarial sem vínculo empregatício, declarações, cópias de emails e extratos bancários, constatase a Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13657.001043/201010 Acórdão n.º 2402007.129 S2C4T2 Fl. 102 4 verossimilhança das alegações do Recorrente, vez que as informações consignadas naqueles documentos guardam significativa coerência com o valor de IRRF de R$ 18.386,07. Conspira a favor do Recorrente a diligência solicitada à autoridade lançadora mediante despacho da 6ª. Turma da DRJ/JFA, de 16/12/2009 (efl. 59), com o fito de intimar as fontes pagadoras a confirmar o valor dos rendimentos brutos pagos ao interessado e a respectiva retenção do Imposto de Renda na Fonte, que, todavia, não se concretizou por não autorização do deslocamento da Fiscalização até a pessoa jurídica (fonte pagadora) em razão de restrições orçamentárias, conforme denuncia a autoridade fiscal (efl. 60). É dizer, a diligência não se realizou por alegada falta de recursos da Administração Tributária. De se observar ainda que, dada a impossibilidade de realizar diligência in loco, a autoridade lançadora limitouse a emitir termos de intimação, que foram devolvidas pelos Correios devido a não localização dos destinatários. A autoridade lançadora também informa que já é do conhecimento da área de fiscalização que a empresa em questão está com suas atividades paralisadas e que já há tempos não se encontram sediadas nos seus endereços cadastrais, propondose assim a devolução do processo. Em consulta ao sistema CNPJ disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) www.receita.fazenda.gov.br constatase que a pessoa jurídica Phihong PWM Brasil Ltda. CNPJ 03.727.705/000101 encontrase na situação cadastral inapta, por motivo de omissão de declarações, desde 23/01/2019. Deduzse, assim, que se já era do conhecimento da autoridade lançadora que a pessoa jurídica Phihong PWM Brasil Ltda. CNPJ 03.727.705/000101 não era mais sediada no domicílio fiscal registrado na RFB, caberiam outras providências que não a simples intimação por via postal, de forma a efetivar a diligência solicitada pela autoridade julgadora. Nesse contexto, para evitarse lesão irreparável ao Recorrente, vez que foge à sua governança as providências para comprovar a retenção em tela, considerandose que é obrigação da fonte pagadora de apresentar a DIRF escorreita de vícios, conforme expressamente previsto na legislação tributária, entendo que devem ser aceitos para fins de comprovação de retenção de imposto de renda os documentos de efls. 25/32; 53 e 61/96. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 46/56) e DARLHE PROVIMENTO para cancelar integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 102DF CARF MF
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