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Numero do processo: 15504.722336/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. A comprovação do alegado pelo contribuinte, nos termos do Regulamento do Imposto sobre a Renda, deve ser considerada pelo julgador administrativo em sua decisão, em face de sua vinculação com o princípio da legalidade do lançamento tributário, consubstanciado pelo princípio da verdade material que vige no processo administrativo tributário.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2101-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins, que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado eletronicamente)
MARIA CLECI COTI MARTINS - Presidente em exercício e Relatora
(assinado eletronicamente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente em exercício), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA(Redator), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EDUARDO DE SOUZA LEÃO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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COMPROVAÇÃO. A comprovação do alegado pelo contribuinte, nos termos do Regulamento do Imposto sobre a Renda, deve ser considerada pelo julgador administrativo em sua decisão, em face de sua vinculação com o princípio da legalidade do lançamento tributário, consubstanciado pelo princípio da verdade material que vige no processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins, que votou por negar provimento ao recurso. (assinado eletronicamente) MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente em exercício e Relatora (assinado eletronicamente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente em exercício), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA(Redator), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EDUARDO DE SOUZA LEÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 23 36 /2 01 1- 94 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA 2 Relatório O recurso voluntário sob análise visa a reforma do Acórdão 0237.226 – 9a. Turma da DRJ/BHE que manteve a glosa de despesas médicas conforme o Auto de Infração, por falta de comprovação hábil e idônea da efetiva prestação do serviço e do seu pagamento. Em suas razões, o contribuinte manifestou não concordância especificamente com a glosa dos valores pagos a título de despesa médica de sua titularidade e de sua esposa, constantes da tabela a seguir. Argumenta que a esposa é sua dependente informada na declaração e que, inicialmente, entendia que somente os recibos eram meios bastantes para comprovação das despesas dedutíveis. Apresentou junto com o recurso voluntário cópias de documentos –cheques nominais – que acredita sejam suficientes para a comprovação das despesas da tabela a seguir. Também apresentou pedido de análise prioritária do recurso e de suspensão da exigibilidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade conforme Decreto 70235/1972(PAF). Assim, deve ser conhecido. A discussão no recurso voluntário está limitada à possibilidade de análise dos documentos comprobatórios da dedutibilidade das despesas supra nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte nos exercícios 2009 e 2010. O recorrente anexou, extemporaneamente, documentação composta de cópias de cheques e extratos bancários, à fls. 175 a 230. Os documentos apresentados estão analisados a seguir. Cheque 850921 – (número do cheque completamente ilegível), que teria sido emitido em outubro de 2009 (dia ilegível), com assinatura pouco legível, por Silvia Bellote Delgado (em valor de R$ 32.850,00, inferior ao declarado ao fisco, R$ 33.240,00), nominal ao Dr. Alberto (restante do nome está ilegível). Observandose o extrato bancário (BANCO DO BRASIL) anexado ao processo, no mês outubro/2009 existe primeiramente um crédito de R$32.000,00 e, alguns Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 15504.722336/201194 Acórdão n.º 2101002.485 S2C1T1 Fl. 3 3 lançamentos após, o débito relativo ao cheque 850921, no valor de R$ 32.850,00. Demais cópias de cheques estão com informações importantes como a identificação do cheque, data da emissão e valor do cheque completamente ilegíveis, impossibilitando qualquer análise. Não se pode inferir que as cópias ilegíveis dos cheques apresentadas sejam os constantes dos extratos bancários anexados ao processo. Diante do exposto, não se pode afirmar que as cópias (ilegíveis) dos cheques apresentados (extemporaneamente) se refiram às despesas relacionadas nas declarações do contribuinte. Mais ainda, a maior despesa declarada, no valor de R$ 33.240,00 não coincide com o valor da cópia (quase ilegível) do cheque apresentado (R$ 32.850,00), sem considerar a particularidade de que um crédito de valor parecido (32.000,00) teria sido feito anteriormente, o que poderia configurar um empréstimo. Mais ainda, os documentos comprobatórios foram anexados aos autos do processo, após a impugnação. Conforme art. 16 do Decreto 70235/72, a juntada de provas após a impugnação somente poderá ser efetuada desde que atenda às condições dos incisos a), b) e c) do parágrafo 4o. do mesmo dispositivo legal, a seguir transcrito. DEC. 70235/72, ART. 16 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Diante da situação configurada nos autos deste processo, desconsiderase, na presente análise, o documento juntado à fls. 175230, por não ter ficado comprovada a ocorrência de pelo menos uma das situações de excepcionalidade previstas nas alíneas “a”, “b” ou “c” do § 4.º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Na hipótese, o direito do contribuinte de apresentar provas no Processo Administrativo Fiscal precluiu com a entrega da Impugnação. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA 4 Esse é também o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tal como manifestada no Acórdão cuja ementa a seguir transcrevese: QUESTÃO PROCESSUAL – MOMENTO DEAPRESENTAÇÃO DE PROVAS – PRECLUSÃO –PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL A apresentação de prova documental, após o decurso do prazo para interposição de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, nos termos do artigo 16, do Decreto nº. 70.235/72, com redação dada pela Lei nº. 9.532/97, a fim de que a decisão proferida se coadune com os princípios da legalidade e da verdade material. (Acórdão CSRF/0305.210, de 12/02/2007) Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Maria Cleci Coti Martins Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Tratase de recurso voluntário proposto em face de acórdão que manteve a glosa de despesa média, por falta de comprovação da prestação de serviços e de seu pagamento, da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física referente aos exercícios de 2009 e 2010, consoante o relatório e o voto da ilustre Conselheira Maria Cleci Coti Martins. Em apertada síntese, o voto da eminente Conselheira Relatora, não acolhe, em primeiro lugar por apresentação intempestiva, a comprovação do pagamento das despesas do contribuinte. Acrescenta, às suas razões de decidir, que as cópias dos cheques anexados não são legíveis, ou não se comprova que os cheques apresentados constam do extrato bancário anexado. Com o devido respeito e escusa, ouso discordar da ilustre relatora. Passo a fundamentar minha opinião. Em primeiro lugar, me convenço, pela observação das cópias dos cheques apresentados (fls de 1 a 8, numeradas no processo digitalizado, como do anexo “documentos diversos’ do Recurso Voluntário), que foram obtidos do sítio da instituição financeira, Banco do Brasil, e que as páginas da internet, cujas cópias se anexou, contêm dados que reproduzem as informações constantes dos cheques, permitindo a comprovação dos valores, datas e favorecidos indicados pelo recorrente. Devo acrescentar que esses dados são novamente verificáveis ao se analisar o extrato bancário anexado (fls 9 e 10 do mesmo anexo do Recurso Voluntário). Assim, me sinto convencido no sentido da comprovação do pagamento e da efetiva prestação dos serviços deduzidos a título de despesa médica. Enfrento agora a questão do tempo de apresentação da prova. “O Direito não socorre a quem dorme” é uma máxima jurídica cujo conhecimento, podese dizer, é público graças a sua imensa aplicabilidade. A decadência, a Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 15504.722336/201194 Acórdão n.º 2101002.485 S2C1T1 Fl. 4 5 prescrição e a preclusão são institutos jurídicos fundados na falta de agir daqueles que possuem um direito, visando a estabilidade das relações jurídicas pela punição, em face da omissão, dos que não buscam a realização desse seu direito. Examinemos o que nos interessa para a decisão do caso em apreço: a preclusão. Sabemos que se trata da perda de um ato processual pela inércia ou intempestividade de sua prática. Como nos recorda De Plácido e Silva, “indica propriamente a perda de determinada faculdade processual...” (Vocabulário Jurídico, 27ª ed, Editora Forense, 2008, p. 1076). Tal instituto visa garantir agilidade processual por meio da impulsão, pelas próprias partes, do processo administrativo ou judicial, impedindo que a demora de determinada parte no dever de se desincumbir de determinado ônus, cause uma demora exagerada no tempo do processo administrativo ou judicial. Nesse sentido, a lei determina que tal mora seja penalizada com a própria perda do ato processual, “acarretando a superação daquele estágio do processo...”, conforme ensina Celso Antonio Bandeira de Mello (Curso de Direito Administrativo Brasileiro, 24ª ed., Malheiros Editores, 2007, p. 1016). Exatamente essa a inferência que se obtém da leitura do artigo 16, parágrafo 4º do Decreto nº 70.235/71: “Art. 16. A impugnação mencionará: ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.” (negritamos) Não obstante todo o exposto, não podemos, no caso em apreço, adotar o entendimento acima explicitado. Nossa decisão deve ser tomada no âmbito do processo administrativo tributário, procedimento pelo qual a Administração Pública visa controlar a legalidade de seus atos. Importante, nesse ponto, explicitar a função do processo administrativo dentro do ordenamento jurídico pátrio recordando que, para tanto, é necessário abordarmos a função do Estado dentro da sociedade moderna. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA 6 Em apertada síntese, podemos dizer, comungando a visão de Celso Antonio Bandeira de Melo (ob. cit., p. 29), que o Estado moderno desempenha três funções primordiais: legislativa, administrativa (ou executiva) e jurisdicional. Essas três funções se encontram distribuídas pelos Três Poderes, como se sabe, Legislativo, Executivo e Judiciário. Muito embora se reconheça que nenhum dos Poderes exerça somente sua função precípua, é, inegavelmente, essa que o consagra e determina seu regramento e modelo de atuação. Essa ressalva é importante para se analisar a função do processo administrativo dentro do Poder Executivo, pois é justamente nesse poder que se encontra uma função importantíssima para sua atuação e que pode parecer, para um leigo, verdadeiro desvio de função. A Administração Pública, exteriorização do Poder Executivo, tem a função precípua de realizar o interesse público, dando concretude aos comandos emanados dos Poderes Legislativo e Judiciário. Nesse sentido que se afirma serem princípios fundantes da Administração Pública a supremacia do interesse público sobre o privado e a indisponibilidade do interesse público. (Celso Bandeira de Melo suporta essa afirmação in ob. cit, p.53). Decorre desses princípios enfeixadores do sistema jurídico que embasa a Administração Pública Brasileira, princípios fundantes do Direito Administrativo pátrio, a primazia do princípio da legalidade nesse ramo do Direito Público, pois ao submeter à Administração à lei, o ordenamento jurídico “explicita a subordinação da atividade administrativa à lei e surge como decorrência natural da indisponibilidade do interesse público, noção esta que, conforme foi visto, informa o caráter da relação de administração”. (Celso Bandeira de Melo, ob. cit., p. 72). Nos dizeres de Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 32ª ed., Malheiros Editores, p. 87): “A legalidade como princípio de administração (CF, art 37, caput), significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso” (grifamos) É essa vinculação absoluta ao império da lei que exige que a Administração Pública controle a legalidade de seus próprios atos, independentemente de manifestação do particular, por meio do que se chama, princípio do controle administrativo ou tutela, ou ainda autotutela. Por isso, dizse com razão que, o processo administrativo resguarda os interesses dos administrados. Como todos os ramos do Direito Administrativo, também o ramo processual encontra seus limites interpretativos em seus princípios específicos. Muitos desses princípios se encontram positivados, embora denominados como “critérios” na Lei 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, especificamente no parágrafo único do artigo 2º, que preceitua: “Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 15504.722336/201194 Acórdão n.º 2101002.485 S2C1T1 Fl. 5 7 Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação.” (grifamos) Além desses princípios positivados, a doutrina elenca outros, não menos importantes, como por exemplo, o princípio da verdade material que nos interessa para o caso em concreto. Lucas Rocha Furtado (Curso de Direito Administrativo, Ed. Fórum, 2007, p. 1209), com clareza que merece reprodução, assegura: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA 8 “Nos processos administrativos, diversamente do que ocorre com os processos judiciais, especialmente no âmbito do processo civil, os responsáveis pela condução dos autos não devem se ater às informações constantes dos autos para a formação das suas convicções e para a construção das decisões a serem proferidas.” (negritamos) Continua o doutrinador: “Evidentemente que se espera que a denominada verdade formal, aquela que se extrai exclusivamente das informações constantes dos autos, corresponda a realidade dos fatos e a correta aplicação do direito. Ou seja, é de se esperar que a denominada verdade formal esteja em perfeita harmonia com a verdade material. Caso se constate eventual descompasso entre uma e outra, no entanto, os responsáveis pela condução do processo administrativo devem decidir com base na verdade material. A realização do principio da verdade material mantém forte relação com o do formalismo moderado. Assim, exigências ou limitações formais não devem impedir que a Administração Pública decida com base na verdade material caso esta contrarie a verdade formal”. (os grifos não constam do original) Tal princípio, como sobredito, decorre do dever da Administração em buscar o interesse público que se atinge com a observância dos preceitos estabelecidos em lei. Nesse ponto nossa vinculação à observância do princípio da verdade material se torna majorada, em face de nossa atuação como Administração Tributária. Essa atuação, que tem por função precípua prover de recursos o Estado Democrático e Social de Direito, como se diz do Estado Brasileiro, para que este possa realizar os ditames constitucionais. Porém, não se pode exigir a transferência de recursos do contribuinte para o Estado, além daqueles definidos e quantificados pela lei. Ao analisar a questão sob a ótica da tributação como forma de manutenção do Estado de Direito e das liberdades individuais, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ª ed., Ed. Saraiva, 2013, p. 31), reconheceu que: “O tributo surge, nessa perspectiva, como o preço dessa liberdade. Ele não se justifica como tal, mas somente na medida em que seja indispensável e na extensão em que se espera uma atuação estatal na construção de uma liberdade coletiva, de inclusão social.” Por isso as receitas derivadas do Estado, consoante expressa determinação do Constituinte, são controladas exclusivamente pela lei. Explicita a imposição constitucional o princípio da legalidade expresso no artigo 150, inciso I, da Carta Magna. Ao tratar do tema, Schoueri (ob cit., p. 279), recorda que: “Em matéria tributária, o Princípio da Legalidade é anterior mesmo ao Estado de Direito. É o direito de concordar com a tributação e controlar o modo como os recursos arrecadados, são empregados.” Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA Processo nº 15504.722336/201194 Acórdão n.º 2101002.485 S2C1T1 Fl. 6 9 Verdadeira limitação constitucional ao poder de tributar, o Princípio da Legalidade é consubstanciado, segundo o artigo 146, II e III, por meio de lei complementar a quem cabe regular as limitações constitucionais ao poder de tributar e estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre o lançamento tributário, entre outros institutos. Coube ao Código Tributário Nacional, CTN, esse papel. Não nos desviemos de nosso objetivo. Não podemos nos esquecer que estamos diante do controle de legalidade do ato administrativo do lançamento tributário. Logo, devemos observar a disposição do CTN sobre a questão: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” (grifamos) Cristalina a disposição codicista sobre o lançamento tributário, em especial quanto à necessidade do mesmo em quantificar o tributo devido. Como nos recorda Luis Eduardo Schoueri (ob. cit., p. 585), “a atividade do lançamento tem uma finalidade: apurar o “an" e o “quantum debeatur”: se é devido e o quanto é devido”. Indiscutível o comando legal: o lançamento tributário, assim entendida também a notificação de lançamento, deve observar a ocorrência do fato gerador e apurar a base de cálculo do tributo devido. No caso em apreço, evidenciouse a ocorrência do fato gerador, pois o contribuinte declarou a renda auferida no ano calendário 2004. Quando da determinação da base de cálculo do tributo, a Administração Tributária glosou uma despesa dedutível por falta de comprovação dessa dedutibilidade. Em defesa, o sujeito passivo se livra desse ônus, porém de forma intempestiva. O princípio da verdade material, verdadeira materialização da observância da legalidade tributária, impõe ao julgador administrativo o dever de analisar a prova que tem o condão de impedir o lançamento tributário advindo da glosa da despesa médica. Por todo o acima exposto e restando incontroverso que os documentos, de pronto, evidenciam o direito à dedução da despesa médica, podemos concluir que, no caso em destaque, a forma (apresentação posterior à impugnação, em desatenção ao art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72) não deve se sobrepor ao conteúdo (decorrência direta do princípio da legalidade), de sorte que voto por dar provimento ao recurso. Em conclusão, conheço do recurso voluntário, para darlhe provimento nos termos do voto. Carlos Henrique de Oliveira Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA 10 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEI RA
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Numero do processo: 10920.911133/2012-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 33 /2 01 2- 27 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911133/201227 Acórdão n.º 3801003.330 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911133/201227 Acórdão n.º 3801003.330 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911133/201227 Acórdão n.º 3801003.330 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911133/201227 Acórdão n.º 3801003.330 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911133/201227 Acórdão n.º 3801003.330 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911133/201227 Acórdão n.º 3801003.330 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911133/201227 Acórdão n.º 3801003.330 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911133/201227 Acórdão n.º 3801003.330 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907375/2011-44
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 75 /2 01 1- 44 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 67 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 75), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 67). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907375/201144 Acórdão n.º 3802002.896 S3TE02 Fl. 79 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723447/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o processo 10980.724879/2010-26.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1383; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 934 1 933 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.723447/200964 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.252 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 7 de maio de 2014 Assunto Recorrente OLIVEIROS PAZ KING Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o processo 10980.724879/201026. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 44 7/ 20 09 -6 4 Fl. 934DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723447/200964 Resolução nº 1402000.252 S1C4T2 Fl. 935 2 Oliveiros Paz King recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Por meio do Auto de Infração de fls. 795/801, exigemse da contribuinte R$ 338.489,81 de imposto sobre a renda de pessoa física e R$ 507.734,71 de multa de ofício de 150%, além dos acréscimos legais. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, referese à apuração de: (a) rendimentos excedentes ao lucro presumido/arbitrado pagos a sócio ou acionista no anocalendário 2004; e, (b) omissão de rendimentos, em face de variação patrimonial a descoberto, nos meses de dezembro de 2003, junho, agosto e dezembro de 2004, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 777/794, parte integrante do auto de infração, consta o detalhamento do procedimento fiscal e dos fatos. Cientificado do lançamento, em 11/11/2009 (fl. 799), o interessado, por intermédio de procurador (fl. 856), apresentou, tempestivamente, em 11/12/2009, a impugnação de fls. 805/824, acompanhada dos documentos de fls. 825/850, a seguir sintetizada. Preliminarmente, referindose aos fatos geradores que teriam ocorrido em 31/12/2003, 30/06/2004 e 31/08/2004, suscita "prescrição" (sic), fundamentandose nos arts. 150, § 4°, 156 e 168 do CTN, citando jurisprudência administrativa e ponderando que, nos termos do art. 2° da Lei n° 7.713, de 1988, e art. 55, XIII, do RIR/1999, o fato gerador do IRPF, para fins de "prescrição", deve ser considerado mensalmente. No mérito, ressalta que "a totalidade dos valores imputados à impugnante, como excedente ou a descoberto, foram efetivamente declarados por si ou por seu cônjuge, porém em sua grande maioria, na qualidade de isentos", conforme documentação que aventa ter sido apresentada, os quais, uma vez considerados, redundariam na desconstituição do auto de infração. Alega que o repasse dos valores encontrase demonstrado nos autos, destacando que o cônjuge, na qualidade de sócio de empresas, apresentou os comprovantes de rendimentos, ao passo que a fonte pagadora procedeu ao registro dos efetivos repasses de lucros, em sua contabilidade e na DIPJ, havendo incremento de patrimônio compatível com a demanda de recursos declarados. Diz estar, assim, evidenciada a entrega e utilização dos recursos, suscitando a impossibilidade de acréscimo patrimonial sem a existência daqueles. Acrescenta que haveria bitributação, uma vez que advindos da pessoa jurídica, que os teria tributado. Pondera que a autoridade fiscal parafraseia relatório emitido por outra fiscalização, junto às empresas REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA e REFLORESTADORA OVE LTDA, sem ter conhecimento dos fatos apurados e comprometendose apenas com as conclusões lá expostas, omitindo detalhes Fl. 935DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723447/200964 Resolução nº 1402000.252 S1C4T2 Fl. 936 3 importantes e mencionando apenas aquilo que é favorável à sua tese. Destaca, em contrapartida, trechos daquele relatório, a partir dos quais argumenta que não há como determinar que os valores declarados não existiram. Argúi que, assim, a "complexidade da operação de distribuição de lucros, perpetrada pela empresa, será alvo de chancela e crivo dos órgão internos, na análise do processo próprio'" e que "ao contribuinte beneficiado, qualquer que seja o resultado, deve ser considerada a nãoincidência sobre esses rendimentos". Cita jurisprudência administrativa, uma acerca de acréscimo patrimonial a descoberto e, outra, em referência ao art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, destacando que não caberia à pessoa física comprovar a origem e eventual tributação dos recursos na pessoa jurídica. Aduz que a fiscalização não comprovou a inexistência dos lucros declarados, tendo se baseado em relatório de ação fiscal na pessoa jurídica, que sequer teria apresentado conclusão nesse sentido. Acrescenta que os erros contábeis, pela pessoa jurídica, não impediriam a apuração dos lucros, descabendo desconsiderálos. Discute a consideração de que teria transferido de forma fictícia a empresa para interpostas pessoas e questiona a "substituição", pela fiscalização, da declaração de rendimentos isentos pela omissão de rendimentos tributáveis, sem demonstrar a origem desses, ressaltando que os recursos são provenientes de empresa da qual seu cônjuge é sócio. Descreve, ainda, que a fiscalização na pessoa jurídica REFLORESTADORA OVE LTDA teria se restringido, no tocante à exatidão dos lucros distribuídos, aos anos de 2004 e 2005, permanecendo incólume o ano de 2003; que, em relação à REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA, apesar de a fiscalização correlata abranger o ano de 2003, o direito ao lançamento correspondente foi considerado, em julgamento de primeira instância (DRJ), decaído. Conclui, nesse contexto, que devem ser aceitos, como origem de recursos, os rendimentos declarados pelo cônjuge como auferidos daquelas pessoas jurídicas, no montante de R$ 792.876,26 (R$ 182.419,73 e R$ 610.456,53), corroborados pelas DIPJs e pelas contabilizações correspondentes, que alega serem imutáveis. Aventa incorreções na apuração de recursos e dispêndios ("partes deles não foram consideradas, e alguns dos que o foram, acabaram por ser em período diferente do efetivamente havido"), acrescentando, com base no art. 845 do RIR/1999, que "A cerca dos esclarecimentos prestados pela impugnante, durante o curso da fiscalização realizada, muitas delas não foram efetivamente consideradas, bem como não restou comprovada falsidade ou inexatidão" (sic). A respeito, no tocante ao ano de 2003, manifesta as seguintes discordâncias: (a) dispêndio correspondente ao item "Área de Terra no Município de Piraí do Sul com 80 Alqueires", de R$ 480.000,00, adquirido em 2002 e não em 2003, o que diz implicar a necessidade de novo lançamento; (b) dispêndio dos itens "Uma Colheitadeira SLC, com uma Plataforma de Corte John Deere ano 2000, financiado", de R$ 32.000,00, e "Banco Bradesco Financiamento", no valor de R$ 15.998,00, que estariam em duplicidade, uma vez considerados tanto os valores incorporados ao patrimônio como os referentes à redução da dívida do financiamento (atribui as diferenças aos juros e encargos inerentes ao empréstimo); e (c) recursos recusados, em 2003, de R$ 377.259,00, referentes à cessão de cotas do cônjuge na REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA, operação que ressalta ter sido, inclusive, imputada como dispêndio aos adquirentes. Conclui que no ano de 2003 seria "praticamente nula o APD"" e que, ainda que desconsiderados os "lucros demonstrados'", o patrimônio existente suportaria a variação no ano. Pugna pela realocação e recálculo dos valores. Quanto ao ano de 2004, apresenta os questionamentos a seguir: (a) desconsideração dos recursos advindos da alienação de imóvel denominado Fl. 936DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723447/200964 Resolução nº 1402000.252 S1C4T2 Fl. 937 4 "Apartamento à Rua Euclides da Cunha, Financiado, com 165 m2, vendido em 2004", no montante de R$ 100.000,00, conforme escritura (fls. 367/368), não havendo nos autos quaisquer óbices à aceitação dos mesmos; (b) disponibilidade de R$ 55.000,00 declarada, em espécie, em vista dos rendimentos havidos durante o ano, da venda do imóvel citado, destinados às "situações de emergência" e ue "ficam guardados por habita", que alega ser "quase impossível" comprovar, exceto pela declaração firmada; defende que caberia à fiscalização comprovar a inexistência de tais recursos, não podendo desconsideralos; (c) alienação pelo cônjuge, em 19/11/2004, do "Veículo Modelo Sportage Turbo placas BCV 2001"", valorado em R$ 57.000,00, por R$ 35.000,00, apontando, como comprovação, esclarecimentos prestados à fiscalização, baseados em email da revenda WEST CAR COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA, que poderiam ter sido confirmados por diligência; (d) disponibilidade de R$ 680.000,00, pelo cônjuge, oriundos da "necessidade do mercado operado pelo mesmo, que contempla negociação direto com produtores e agricultores"" para "promover a compra e venda de reflorestamentos, de terras e afins"", esclarecendo que "os vendedores não aceitam cheques, TED ou outro forma de transação"" e argumentando que a fiscalização não comprovou a sua inexistência; (e) a aquisição de "20 Alqueires de Terra em Piraí do Sul Campo do Meio", valorado em R$ 200.000,00, ocorreu efetivamente em 02/06/1989, conforme matrícula do imóvel (fls. 512 e ss), bem como esclarecimentos (fls. 739/740); (f) a aquisição de "Terreno 100 Alqueires em Tijucas do Sul, adquirido de Sergio Ataviu Maia matrícula 39942"", no valor de R$ 150.000,00, ocorreu em 2004, porém em 12/03/2004, e não em dezembro, segundo resposta de fl. 500 e documentos de fls. 538 e ss (contrato de compra e venda e cessão parcial relativamente ao imóvel); e (g) a aquisição de "30.000 Arvores Pinus Teda, Fazenda Itupava Rio Branco do Sul, com 30 anos"", por R$ 540.000,00, ocorrida efetivamente em 13/04/2004, e não em dezembro. Em relação à multa qualificada, reprisa a alegação de que a autoridade lançadora parafraseia fiscalização realizada na empresa da qual o cônjuge é sócio, não conduzindo a uma lógica precisa de convencimento, a fim de esclarecer os motivos que ensejam sua aplicação. Suscita falta de motivação, clareza e objetividade, acrescentando que o dispositivo legal utilizado o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996 disciplina multa de 50%. Questiona a imputação de multa qualificada sob a consideração de fraude "em tese", aduzindo se tratar de "achismo". Destaca, em contrapartida, que, assim como seu cônjuge, não omitiu de informações, tendo declarado os recursos recebidos e que proporcionaram incremento patrimonial, aduzindo se tratar de prática legal, que não pode ser tida como fraudulenta. Reitera que a fiscalização na pessoa jurídica não foi conclusiva ao descaracterizar a existência dos valores declarados, tendo apenas desconstituído a contabilidade e aventado a possibilidade de os lucros não terem os montantes registrados. Reclama a necessidade de a fraude ou o conluio serem exaustivamente comprovados pela fiscalização, assim como de as informações disponibilizadas em outra fiscalização serem evidentes e completas, o que não se opera no caso em questão. Transcreve jurisprudência administrativa acerca da aplicação da multa qualificada. Ao final, requer, ainda, o reconhecimento de "mero erro de lançamento passível de glosa". Às fls. 852/853, foi o processo encaminhado em diligência, para confirmação da representatividade do subscritor da impugnação, o que foi atendido mediante a juntada dos documentos de fls. 854/856.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 3625.441 (fls. 858884) de 10/02/2010, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723447/200964 Resolução nº 1402000.252 S1C4T2 Fl. 938 5 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, notadamente quando o lançamento é efetuado com a constatação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação. RENDIMENTOS EXCEDENTES AOS LUCROS PRESUMIDOS/ARBITRADOS. MANUTENÇÃO. Apurados rendimentos excedentes aos lucros presumidos/arbitrados pagos por participação societária e não tendo o impugnante apresentado argumentos que os descaracterize, deve ser mantido o lançamento correspondente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE RECURSOS. À míngua de comprovação hábil de origem de recursos que dê suporte ao acréscimo patrimonial a descoberto, mantémse inalterado o lançamento efetuado, por presunção de omissão de rendimentos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Demonstrada a intenção deliberada em inserir informações inverídicas em declaração de ajuste anual, com o objetivo de impedir o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, além de ação dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, aplicável a multa qualificada.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 03/03/2010 (termo de fl. 887) o interessado interpôs recurso voluntário em 05/04/2010 (fls. 888911) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723447/200964 Resolução nº 1402000.252 S1C4T2 Fl. 939 6 Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Do relato vêse que a infração aqui veiculada decorre de omissão de rendimentos apurada em face da constatação de variação patrimonial a descoberto, encontrandose no presente processo a tributação referente à proporção de 50%, sendo que ao cônjuge (TAISA BERNADETE BAUER), em processo próprio (PAF nº 10980.723579/2009 96), foram atribuídos os outros 50% dos rendimentos omitidos. Alega o Recorrente que a totalidade dos valores imputados como omitidos teria sido declarada, seja pela contribuinte, seja pelo cônjuge e que parte desses rendimentos seria, na realidade, constituída de valores isentos que teriam sido auferidos, pelo cônjuge, da REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA e da REFLORESTADORA OVE LTDA, em decorrência de supostos lucros e dividendos recebidos, fato que estaria amparado, segundo a interessada, em comprovantes de rendimentos pagos, escrituração contábil e DIPJ, documentos esses que seriam provenientes daquelas pessoas jurídicas. Nesse sentido, vejase o excerto da decisão recorrida. “[...]A impugnante apresenta, à fl. 826, cópia do livro Diário Geral da REFLORESTADORA OVE LTDA, que registraria, em 31/12/2003, distribuição de lucros de R$ 182.419,93, em contrapartida da conta "CAIXA MATRIZ", operação também estampada, à fl. 830, no Razão Analítico; às fls. 834/835, encontramse lançamentos no Razão Analítico de 2004, em datas diversas, contabilizando a distribuição de lucros ao cônjuge da autuada, ao longo do ano; à fl. 837, no Diário Geral, constam os lançamentos de 31/12/2004, efetuados a crédito da conta "CAIXA MATRIZ". Em relação à REFLORESTADORA BOM SUCESSO, constam, à fl. 842, registros do Diário Geral, em dezembro de 2003, de distribuição de lucros, à conta "CAIXA MATRIZ", estando, à fl. 845, o Razão Analítico correspondente. Ocorre que a impugnante não traz, em contrapartida, prova, primeiro, de que os recursos foram efetivamente pagos na forma como a contabilidade pretendeu caracterizar (os repasses de valores que a fiscalização considerou não comprovados) e, segundo, de que houve apuração de lucros passíveis de serem distribuídos com o benefício de isenção na pessoa física. A escrituração, por si só, como exposto, não supre a prova de materialidade dos fatos. No caso, inclusive, contrariamente ao intento da impugnante, verificase, às fls. 21/50, cópia integral do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal lavrado em face da REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA, no qual constam as conclusões a que chegou a fiscalização correspondente, notadamente nos itens “11.1. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA" e "11.2 INSUFICIÊNCIA DE CAIXA E LUCRO INFERIOR AO APURADO NA ESCRITA" (fls. 45/47). Já às fls. 51/71, encontrase a cópia integral do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal lavrado em face da REFLORESTADORA OVE LTDA, do qual se destacam os itens "10. IMPOSSIBILIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SEM TRIBUTAÇÃO ANTE A NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS" e "11. DA INEXISTÊNCIA DE RECURSOS PARA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS" (fls. 62/64). Dos documentos citados, extraise que, naquelas ações fiscais, no que tange aos Fl. 939DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723447/200964 Resolução nº 1402000.252 S1C4T2 Fl. 940 7 supostos lucros e dividendos que teriam sido atribuídos aos sócios, as conclusões foram aquelas mesmas destacadas pela autoridade fiscal no presente processo, não tendo ocorrido a tentativa de distorcer os fatos, tal como sugere a impugnante, que diz que a fiscalização teria citado trechos que lhe eram favoráveis e omitido os desfavoráveis. Por elucidarem os fatos, transcrevemse trechos do relato fiscal relativo à REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA, às fls. 45/47: "11. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS 11.1. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITA A empresa, por ser tributada com base no lucro presumido, utilizava como base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, 8% de suas receitas, e 12% para fins de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. As pessoas jurídicas, optantes pelo lucro presumido, regra geral, podem distribuir, com isenção do imposto, o valor da base de cálculo do IRPJ, diminuída de todos os impostos e contribuições que estiver sujeita. Pode ser distribuído, sem tributação, valor superior ao citado no parágrafo acima, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido (Instrução Normativa SRF n°93/97, art. 48, parágrafo 2°). Para que os livros comerciais possam fazer prova a favor do contribuinte a respeito do lucro efetivo apurado, há necessidade de eles possuírem todas as formalidades exigidas pela legislação. Conforme narrado neste termo, a empresa não obedeceu a legislação comercial no tocante aos seus livros contábeis, já que em sua escrita deixou de registrar diversas operações, tais como receitas, despesas, pagamentos, recebimentos, compra de imobilizado, etc. A fiscalizada deixou ainda de manter em boa guarda documentos de suas operações, assentados na escrita, conforme detalhado no capítulo 5. Face a imprestabilidade da escrita, e a falta de apresentação de documentos, restou comprovada a impossibilidade de apuração dos lucros efetivamente auferidos. 11.2 INSUFICIÊNCIA DE CAIXA E LUCRO INFERIOR AO APURADO NA ESCRITA Restou ainda comprovado que os lucros registrados como distribuídos são fictícios, pois para registrar lucros desta monta, a empresa deixou de contabilizar diversas despesas, conforme descrito no item 6.1. Se houvesse registrado todas as despesas, os lucros auferidos seriam muito inferiores aos contabilizados, e também não haveria saldo de caixa para distribuir os lucros que a empresa alega ter distribuído. Do exame da planilha às fls. 213 a 257 anexo II, em confronto com a escrita contábil, comprovase que a empresa deixou de escriturar, nos anos fiscalizados, despesas, custos e outros pagamentos, que se tivessem sido escriturados deduziriam o saldo de caixa e de lucros a distribuir. Da análise do descrito no presente termo, restou demonstrado que é impraticável determinar os valores efetivos dos lucros, visto que não foi possível obter toda a documentação de receitas e despesas, pois a empresa não a apresentou e também não localizamos todos os fornecedores e clientes. Além disso, a empresa se negou a refazer a escrita contábil com registro de todas as operações. Como a empresa não manteve escrita contábil, nos termos da legislaçãocomercial, e foi optante do lucro presumido, só poderia ter sido distribuído aos sócios, a título de lucros, o valor do próprio lucro presumido deduzido do imposto Fl. 940DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723447/200964 Resolução nº 1402000.252 S1C4T2 Fl. 941 8 de renda correspondente, inclusive adicional, da Contribuição Social sobre o Lucro, da COFINS e das contribuições ao PIS/PASEP. Do exame dos documentos bancários, constatase que não houve distribuição de lucros, nos valores informados na DIPJ e registrados na contabilidade, através de cheques e transferências. Outra irregularidade que citamos no tocante a distribuição de lucro, é que no intuito de tentar provar que os sócios receberam os lucros que declararam em suas declarações de rendimentos (DIRPF), no decorrer da ação fiscal a empresa tentou ludibriar a fiscalização, já que informou que recursos que comprovadamente foram destinados a pagamentos de despesas e custos tais como compras de arvores e toras, eram destinados a pagamento de lucros (vide resposta ao Termo de Intimação n° 12). Por exemplo: Pagamentos a Luciano Zenival Castro, Clinio Leandro Lira, e Arnoldo Klas Junior. Constatada a inveracidade das informações prestadas, a empresa foi reintimada a reapresentalas, através do Termo de Intimação n° 15. Mais uma vez são apresentadas informações falsas, desta vez relativas ao pagamento de florestas adquiridas da empresa THK. Por exemplo: pagamentos a Florida Importação de Veículos, José Antônio Neuwald, Transportadora Rota Norte Ltda. A empresa pela segunda vez informou que eram oriundos de distribuição de lucros. As informações só foram corrigidas, quando esta fiscalização, através do Termo de Intimação n° 19, questionou a empresa sobre os pagamentos de florestas adquiridas da THK. Do exame do Demonstrativo das Despesas/Pagamentos não Contabilizados e Demonstrativo dos Pagamentos a Beneficiário não Identificado ou Operação não Comprovada, onde estão relacionadas as saídas de recurso da empresa, constatase que não houve distribuição nos valores que os sócios declaram ter recebido. Após consideradas as despesas não contabilizadas e demais pagamentos, não restaria lucro e tampouco recursos para distribuir, no montante que foram informados como distribuídos. Mesmo que houvesse recursos, estes não poderiam ter sido distribuídos sem tributação, já que a escrituração mostrouse imprestável." E do relato fiscal referente à REFLORESTADORA OVE LTDA, às fls. 62/64: "10. IMPOSSIBILIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SEM TRIBUTAÇÃO ANTE A NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS (...) Pode ser distribuído, sem tributação, valor superior ao citado no parágrafo acima, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido (Instrução Normativa SRF n°97/97, art. 48, parágrafo 2°). Ocorre que os livros contábeis não foram entregues a fiscalização, mesmo tendo sido a empresa intimada a apresentalos. Os sócios que teriam interesse em demonstrar a efetividade lucro distribuído, já que foram os beneficiários, Oliveiros Paz King, Marcos Evaldo Pavanato e Maria Cristina Mourão Veloso, apesar de intimados, não apresentaram os livros. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723447/200964 Resolução nº 1402000.252 S1C4T2 Fl. 942 9 Como já descrito, houve uma simulação de venda da empresa, e atribuiuse aos novos sócios, que comprovadamente são interpostas pessoas, a guarda dos livros. Os fatos evidenciam que a simulação na venda das quotas também teve como objetivo justificar a não apresentação dos livros, pois os mesmos demonstrariam que o lucro distribuído é inexistente, conforme relataremos no capítulo 11 que trata do destino dos recursos movimentados na contacorrente bancária da empresa. 11. DA INEXISTÊNCIA DE RECURSOS PARA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS (.) De todo o exposto no presente termo, concluise que não haveria lucros no montante que os sócios declararam haver recebido, cujo quantun é impossível mensurar, em decorrência do exposto nos cinco primeiros itens acima. Do exame da planilha dos beneficiários dos cheques, TED, DOC, etc (fls. 114 a 199) em confronto com os valores creditados em contacorrente bancária, constatase que não sobrariam recursos para a distribuição dos lucros que os sócios declaram ter obtido. Constatase ainda que não houve retiradas pelos sócios, nos montantes que estes declaram ter recebido como lucro. Todos os documentos de débitos, encaminhados pelo banco onde era movimentada a contacorrente de titularidade da empresa, são anexados ao processo administrativo do auto de infração do IRPJ, pois constituem prova que não foram entregue aos sócios os montantes que os mesmos declaram ter recebido a título de lucro, e também que todos os cheques foram assinados pelos sócios de fato da empresa, Oliveiros Paz King e Marcos Evaldo Pavanato, e não pelos sócios constantes na 6a alteração contratual. Mesmo que tivessem sido auferidos os lucros que os sócios declaram ter recebido, estes só seriam isentos se tivesse sido apresentada a escrituração contábil, conforme detalhado." (Grifos do original) Esclareçase que a "impossibilidade" suscitada nas fiscalizações das pessoas jurídicas, de verificar a regularidade na apuração e distribuição de efetivos valores de lucros, não supre, por si só, o ônus da autuada e seu cônjuge de comprovar que teriam recebido tais recursos das pessoas jurídicas. Vale dizer, ao contrário do pretendido, o fato de as pessoas jurídicas produzirem contabilidade sem confiabilidade ou não a fornecerem à fiscalização não lhe serve de argumento, por inversão de ônus, para se eximir de comprovar os fatos, eis que os interessados pretenderam se valer daquelas pessoas jurídicas para justificar as variações patrimoniais constatadas. Ressaltese, também, que a presente lide, no tocante ao acréscimo patrimonial a descoberto, é relativa às pessoas físicas, às quais incumbiria comprovar, em face da presunção de omissão de rendimentos, a existência efetiva dos recursos isentos que aventa terem sido recebidos. Essa é a discussão existente, em primeiro plano, no presente processo. Nesse sentido, temse que a menção à fiscalização levada a efeito junto às pessoas jurídicas assume caráter supletivo, destinandose à contextualização fática correlata à falta da prova que os interessados deixaram de produzir. Ou seja, não são exclusivamente as informações advindas das fiscalizações ocorridas nas pessoas jurídicas que dão suporte ao presente lançamento, mas a falta de comprovação de recursos para a variação patrimonial acréscimo a descoberto que, como já exposto, caracteriza omissão de rendimentos, por presunção legal. As Fl. 942DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723447/200964 Resolução nº 1402000.252 S1C4T2 Fl. 943 10 conclusões das ações fiscais nas empresas tornamse relevantes quando se verifica que a contribuinte e seu cônjuge pretenderam, por meio das declarações de ajuste anual, caracterizar recebimentos de recursos isentos que, ao final, não lograram comprovar. [...]” (Grifei). Pelo relato, vêse claramente que a matéria aqui discutida é conexa àquela levantada pela Fiscalização, referente às pessoas jurídicas citadas acima. Em pesquisa nos sistemas de controle de processo administrativos fiscais (e processo, em 06/05/2014) constatei que a matéria relativa às pessoas jurídicas está sendo discutida nos PAF 10980.006088/200987 e 10980.006084/200907 (REFLORESTADORA BOM SUCESSO LTDA) e 10980.007918/200993 (REFLORESTADORA OVE LTDA). Sendo que todos se encontram neste CARF, em diversos setores, a saber: o PAF 10980.006088/200987 encontrase SECOJ/SECEX; o 10980.006084/200907 no SECAM/1a CÂMARA/2a SEJUL e o 10980.007918/200993 no SECAM/4a CÂMARA/1a SEJUL. Mais ainda. O PAF 10980.724879/201026, cuja interessada é a empresa Royal Empreendimentos Comerciais Ltda, do mesmo grupo econômico e resultante da mesma ação fiscal que originou os processos acima citados, sendo desses conexos, encontrase na 1a TO/4a CÂMARA/1a SEJUL, Conselheiro Maurício Pereira Faro, na atividade “para relatar”, movimentado em 10/10/2011. Considerando que o art. 49, § 7° do Anexo II do Regimento Interno do CARF dispõe que os processos conexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, e sendo a apreciação do presente recurso voluntário dependente do julgamento dos processos administrativos n° 10980.006088/200987, 10980.006084/200907, 10980.007918/200993 e 10980.724879/201026, resta evidente que, identificada conexão entre as matérias contidas em processos administrativos distintos, os autos devem ser julgados conjuntamente no sentido de que as decisões prolatadas sejam fundadas na totalidade dos elementos trazidos à consideração da autoridade julgadora. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para as providências de redistribuição do presente processo ao Conselheiro Maurício Pereira Faro, integrante da 1a Turma Ordinária, 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento para julgamento conjunto com os processos administrativos já citados. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 943DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 35464.002126/2006-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/12/2004
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
No que tange ao recurso especial do contribuinte, que versa sobre a regra aplicável a decadência, não merece ser conhecido, uma vez que o acórdão recorrido não prolatou decisão acerca da decadência.
Recurso especial do contribuinte não conhecido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE FORMAL NÃO DECLARADA. NÃO CONFIGURADO BINÔMIO DEFEITO-PREJUÍZO.
De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo.
Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal.
Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeito-prejuízo.
Recurso especial da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: 9202-003.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gustavo Lian Haddad.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. No que tange ao recurso especial do contribuinte, que versa sobre a regra aplicável a decadência, não merece ser conhecido, uma vez que o acórdão recorrido não prolatou decisão acerca da decadência. Recurso especial do contribuinte não conhecido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE FORMAL NÃO DECLARADA. NÃO CONFIGURADO BINÔMIO DEFEITOPREJUÍZO. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 21 26 /2 00 6- 40 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gustavo Lian Haddad. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório A Fazenda Nacional e o contribuinte, inconformados com o decidido no Acórdão nº 230100.020, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF em 03/03/2009, interpuseram, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade (PGFN) e recurso especial de divergência (contribuinte) à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido, por maioria de votos, anulou o auto de infração/lançamento. Segue abaixo sua ementa: “SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIOS CRECHE E BABÁ. Integra o SaláriodeContribuição (SC) o ressarcimento de reembolso creche pago em desconformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamento legal é vício formal insanável que toma nulo o lançamento. Processo Anulado.” Recurso especial de contrariedade (PGFN) Fl. 477DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35464.002126/200640 Acórdão n.º 9202003.228 CSRFT2 Fl. 10 3 Em seu recurso, a Fazenda Nacional entende que o acórdão contrariou a legislação tributária de regência da matéria, precisamente os arts. 11, 59 e 60 do Decreto 70235/72 e art. 33, §§ 1º, 3º e 6º, art. 37, caput da Lei n.º 8212/91, além de estar em confronto com o conjunto probatório dos autos do processo. Explica que o aresto atacado anulou o processo por entender que faltou a indicação do dispositivo legal que fundamentou a aferição indireta do débito, qual seja, o §3º do art. 33 da Lei 8212/91, o que teria implicado cerceamento de defesa do contribuinte. Considera que não houve ausência de fundamentação legal no presente caso, uma vez que o parágrafo é parte integrante do artigo e, na hipótese dos presentes autos, o artigo 33 da Lei 8.212/91 consta, expressamente, como fundamento legal para justificar o lançamento do débito. Ademais, ressalta que, de acordo com a jurisprudência da CSRF, não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Frisa que não há nulidade sem prejuízo. Destaca que a descrição pormenorizada dos fatos, bem assim a metodologia utilizada para cálculo e constituição do crédito, encontramse satisfatoriamente postas no auto de infração e nos demais atos administrativos posteriores. Assevera que todos os elementos essenciais à notificação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Diz que a falta ou erro na indicação de um dispositivo legal não invalida o lançamento, se os fatos estão adequadamente descritos. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho de fls. 318, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarrazões. Entende que, por se tratar de lançamento por aferição indireta, imperioso que conste no auto de infração, especificamente, a fundamentação legal autorizadora da adoção de tal procedimento. Considera que, em função da ausência de fundamentação legal que embase o auto de infração, resta patente a nulidade contida em todo o processo de lançamento, sendo correto o seu cancelamento. Afirma que a ausência de fundamentação legal, além de cercear o direito de defesa do contribuinte, afronta o princípio da estrita legalidade. Ao final, requer seja negado seguimento ao recurso da PGFN. Recurso especial de divergência (contribuinte) Em seu recurso, o contribuinte se insurge contra a aplicação do art. 173, I do CTN, ao invés do art. 150, §4º do mesmo Diploma Legal, por considerar certo que a autoridade Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 julgadora deveria ter reconhecido a decadência do direito do Fisco em exigir o crédito tributário apurado até o mês de novembro de 2000. Afirma que a decisão recorrida contraria os paradigmas descritos a seguir: “PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldamse à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Mesmo a completa ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não em pagamento de tributo. Recurso provido.” (AC 202 16.026) “IRPJ DECADÊNCIA AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A classificação do lançamento, se por homologação e, portanto com 0 prazo de decadência fixado pelo art. 150, parágrafo 4°, do CTN, não depende do recolhimento do tributo. Tributo sujeito por homologação é aquele em que a lei estabelece ao contribuinte o dever de apurar e recolher o tributo independentemente de ato administrativo prévio. Recurso especial negado.” (AC CSRF/01 05.464) Considera ter havido pagamento antecipado das contribuições, razão pela qual a contagem do prazo decadencial iniciase a partir da ocorrência dos fatos geradores dos tributos. Frisa que o CARF pacificou o entendimento segundo o qual, ainda que não tenha havido recolhimento do tributo, deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN para a contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 2300478/2013, foi dado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Inicialmente, considera que o recurso do contribuinte não merece sequer ser conhecido, pois não há interesse de agir. Explica que, apesar de o Colegiado a quo ter se manifestado sobre a decadência, ao final deu provimento ao recurso voluntário para anular todo o auto de infração, ou seja, não houve sucumbência do sujeito passivo. Consequentemente, não há interesse recursal. Ademais, verifica que, ao contrário do argumentado pela autuada, não se verificou a existência de qualquer antecipação de pagamento das contribuições relativas às rubricas objeto da autuação, razão pela qual a regra a ser utilizada para a contagem do prazo decadencial é a constante do artigo 173, I, do CTN, e não a do artigo 150, §4º, do mesmo diploma legal. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35464.002126/200640 Acórdão n.º 9202003.228 CSRFT2 Fl. 11 5 Destaca que, no caso em apreço, os valores inseridos no lançamento fiscal não foram reconhecidos pelo contribuinte, e tampouco adimplidos parcialmente, sendo forçoso concluir que inexiste pagamento antecipado quanto às contribuições previdenciárias exigidas. Ao final, requer o não conhecimento do recurso do contribuinte ou, alternativamente, que seja negado provimento ao pedido em tela. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator No que tange ao recurso especial do contribuinte, que versa sobre a regra aplicável a decadência, não merece ser conhecido, uma vez que o acórdão recorrido não prolatou decisão acerca da decadência. Entendo que o recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão controvertida posta à apreciação diz respeito à declaração de nulidade do lançamento em decorrência da ausência da expressa fundamentação legal do arbitramento procedido e, ainda, não ter mencionado o fato de ter sido adotado o procedimento de arbitramento para a apuração do crédito tributário. No passado, por diversas vezes me manifestei pela nulidade de lançamentos fiscais que não apresentassem a expressa menção ao arbitramento. Aliás, este entendimento encontravase consolidado no âmbito das câmaras com competência para julgar os processos administrativos fiscais referentes às contribuições previdenciárias, desde que esta competência era exercida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que aprovou o enunciado nº 29: “Nos casos de levantamento por arbitramento, a existência do fundamento legal que ampara tal procedimento, seja no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD ou no Relatório Fiscal REFISC garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gerando a nulidade do lançamento” Entretanto, a jurisprudência firmada no âmbito do CARF, no sentido de que não há nulidade sem prejuízo me fez reavaliar a questão. O seguinte precedente ilustra o entendimento dominante no CARF: NULIDADE ENQUADRAMENTO LEGAL Deve ser rejeitado o pedido de nulidade do auto de infração fundado na deficiência de enquadramento legal, quando os elementos contidos em termo, expressamente referido como parte integrante e indissociável da peça acusatória, e utilizado pela própria Impugnante em sua defesa, supre suficientemente falha porventura ocorrida. Se não há prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade, o enquadramento legal da exigência, ainda que incompleto, não enseja a decretação de sua nulidade. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da motivação do lançamento.(Acórdão 10807651 da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Relatora: conselheira Karem Jureidini Dias de Mello Peixoto) Modernamente, o direito processual, inclusive o administrativo fiscal, tem como primado a efetividade da tutela dos direitos assegurados, adotando a vertente de instrumentalidade do processo à persecução do direito material deduzido. As formalidades desmotivadas foram substituídas pela instrumentalidade e busca da eficiência na prestação jurisdicional. Ada Pellegrini Grinover sustenta que “a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação.”1 Afirma, ainda, a referida autora que “o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tãosomente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida”.2 As formas do processo são meios para alcance da tutela jurisdicional. Caso a tutela jurisdicional pretendida seja alcançada, mesmo em detrimento das formas legalmente exigidas, não há nulidade. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Ou seja, podemos, então, estar diante a uma violação à prescrição legal sem que disso, necessariamente, decorra a nulidade. Como no presente caso, em que o art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal. Assim sendo, em atendimento ao princípio do pas de nullité sans grief, a invalidade processual há de ser entendida como uma sanção que somente será aplicada caso se constate a presença do binômio defeito e prejuízo, devendo o último ser entendido como obstáculo ao alcance da finalidade do ato processual. Isto é, não há de ser declarada a nulidade de ato processual se este não causa prejuízo a alguém, já que o processo, como meio de pacificação dos conflitos sociais, nada mais é do que o instrumento para efetivação do direito. Marcos Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, citando Ada Pellegrini Grinover lecionam: “Assim, antes de se anular o ato processual, é preciso examinar a possibilidade de se aproveitar o ato realizado, eliminandose ou superandose o vício que, sobre ele, pesa. Para Ada 1 Ada Pellegrini Grinover e outros; As Nulidades no Processo Penal; São Paulo, p. 26. 2 Idem, p. 27. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 35464.002126/200640 Acórdão n.º 9202003.228 CSRFT2 Fl. 12 7 Pellegrini Grinover, “a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável, dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação”. Com efeito, é inútil, do ponto de vista prático, anularse ou se decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. Afirma, ainda, a renomada autora que “o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema das nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida. Com efeito, a atipicidade do ato não conduz necessariamente ao pronunciamento de sua nulidade. Se o ato defeituoso alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo às partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer válido. São atos meramente irregulares que não sofreram a sanção de ineficácia. Nessa linha, a nulidade não deve ser declarada em todos os casos em que o julgador se defronta com vício formal no ato de lançamento, só nos casos em que está configurado prejuízo às partes ou ao sistema processual.” No presente caso, o contribuinte sequer argüiu a nulidade do lançamento, o que nos faz inferir que este não se sentiu prejudicado em sua defesa ante a ausência da expressa fundamentação legal do arbitramento procedido. Tendo a nulidade por vício formal sido declarada de ofício pela câmara a quo. Destarte, não obstante a existência de vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Isto posto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE E CONHECER E DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para afastar a nulidade por vício formal declarada no acórdão recorrido, em decorrência da ausência de fundamentação legal do arbitramento, devendo o colegiado a quo apreciar as demais matérias pertinentes ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10670.720021/2005-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
Ao procedimento de compensação aplica-se a legislação vigente à época em que se efetua o confronto dos créditos e débitos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1102-001.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que afastavam a exigência de reconhecimento do benefício pela Receita Federal, e prosseguiam no julgamento de mérito para avaliar a procedência do direito creditório.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Crédito oriundo de saldo negativo apurado em razão da dedução de benefícios fiscais no âmbito da SUDENE. Recorrente COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTEMINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA. Inexiste ofensa ao instituto da coisa julgada quando as alegações deduzidas pela parte vão além da matéria definitivamente decidida em outro processo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 BENEFÍCIOS FISCAIS. SUDENE. RECONHECIMENTO. A retrospectiva histórica da legislação sobre os benefícios fiscais calculados sobre o lucro da exploração e concedidos no âmbito da SUDENE permite concluir que os benefícios originalmente instituídos pelo artigo 13 da Lei nº 4.239/63 carecem de reconhecimento formal, pela Receita Federal, para que a empresa beneficiária possa fruir seu direito. Por outro lado, os benefícios originalmente instituídos pelo artigo 14 da mesma Lei, mantém essa necessidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Ao procedimento de compensação aplicase a legislação vigente à época em que se efetua o confronto dos créditos e débitos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 21 /2 00 5- 29 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.031 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que afastavam a exigência de reconhecimento do benefício pela Receita Federal, e prosseguiam no julgamento de mérito para avaliar a procedência do direito creditório. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase recurso voluntário interposto por COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS – COTEMINAS contra acórdão proferido pela DRJ/Juiz de Fora que concluiu pela procedência parcial de pedido de compensação (PER/DCOMP anexada de fls. 14 a 24) de oito débitos de tributos federais referentes a períodos de apuração ocorridos entre 2002 e 2003 com o crédito de R$ 2.375.137,57 decorrente do saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2001. A DRF/Montes ClarosMG, mediante o Despacho Decisório nº 294/2005 (fls. 336 a 391), não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão, motivada pelo questionamento de aspectos relacionados a benefícios fiscais calculados sobre o lucro da exploração e concedidos no âmbito da SUDENE, concluiu pela indevida dedução do valor de R$ 24.974.114,57, a título de isenção e redução, na apuração do imposto devido no anocalendário de 2001. Com a glosa dessa dedução, o saldo negativo seria revertido para um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 22.598.977,00. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.032 3 Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade (fls. 400 a 435) na qual reuniu diversos argumentos para demonstrar que fazia jus a todos os benefícios fiscais questionados. As circunstâncias evidenciadas pelos argumentos apresentados fizeram com que a já mencionada DRJ/Juiz de Fora, através dos despachos de fls. 865/866 e 897, convertesse o julgamento em diligência para que a unidade de origem elaborasse nova apuração do imposto devido no anocalendário de 2001. Essa diligência (fls. 939 a 948) restabeleceu a maioria das deduções a título de isenção, o que redundou numa nova apuração de saldo negativo, desta vez, no valor de R$ 2.242.570,77. Ainda assim, a empresa interpôs manifestação de inconformidade complementar (fls. 951 a 970) por não se conformar com o não restabelecimento total das deduções a título de isenção e redução. A 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora proferiu, então, o Acórdão nº 0932.488 (fls. 984 a 993), de 24 de novembro de 2010, por meio do qual reconheceu o direito creditório referente (i) ao saldo negativo apurado na diligência efetuada pela unidade de origem e (ii) ao acréscimo no referido saldo negativo correspondente à parcela remanescente da dedução a título de isenção que ainda não tinha sido admitida (referente à filial de CNPJ nº 22.677.520/001652). A compensação declarada foi, nesta conformidade, homologada até o limite do direito creditório reconhecido. Com isso, do total do crédito originalmente pleiteado, restou uma pequena parcela correspondente ao saldo negativo que seria apurado se também fosse admitida a dedução a título de redução do imposto devido que, segundo a empresa, teria direito o seu estabelecimento matriz. Mais especificamente, o citado direito é o benefício fiscal de redução do imposto, no percentual de 37,5% aplicado sobre o imposto de renda e adicionais não restituíveis, conforme estabelecido pelo § 2º, I, do artigo 3º da Lei 9.532/97. Apesar dos argumentos invocados pela empresa, essa parcela não foi admitida pela instância a quo pelo fato de a matéria ter sido anteriormente apreciada pela mesma 2ª Turma daquela Delegacia de Julgamento em acórdão proferido nos autos de outro processo administrativo, o de nº 10670.000473/200591. Na ocasião, conforme trechos transcritos às fls. 881 e 882, decidiuse que a empresa só tinha direito ao citado benefício fiscal a partir de 26/12/2002. Isso porque o § 1º do artigo 80 da IN/SRF nº 267/02 fixou como termo inicial para fruição do benefício a data em que a pessoa jurídica apresentasse declaração de que satisfaz as condições preestabelecidas no órgão competente do Ministério da Integração Nacional. Ainda, segundo a DRJ, não seria possível a reapreciação da matéria porque o § 4º do artigo 3º do Decreto nº 4.213/02, bem como o § 4º do artigo 60 da mesma IN/SRF nº 267/02, expressamente determinaram que seriam irrecorríveis as decisões proferidas pelas delegacias de julgamento que denegassem pedidos de reconhecimento do direito à redução do imposto na área de atuação da, então, extinta SUDENE. Com o não reconhecimento do total do crédito originalmente pleiteado, a DRJ teve que enfrentar também um outro argumento suscitado na manifestação de inconformidade, qual seja, a inaplicabilidade dos acréscimos moratórios previstos no artigo 28 Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.033 4 da IN/SRF nº 210/02, com a redação dada pela IN/SRF nº 323/03. Para a empresa, tais acréscimos não são aplicáveis ao caso porque os fatos geradores do crédito e dos débitos indicados na compensação são anteriores à vigência da nova regulamentação dada por esta última IN. A instância a quo, contudo, rechaçou esse entendimento frisando que a alteração legislativa deve ser aplicada a todas as compensações pleiteadas após a sua vigência, independentemente dos períodos a que se referem os créditos e débitos indicados, tal como na situação que ocorreu no presente caso. Na parte que interessa, assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 MATÉRIA DEFINITIVAMENTE JULGADA. NOVO JULGAMENTO. Não cabe, por impedimento legal, reanalisar quaisquer dos argumentos apresentados pelo interessado quanto ao não reconhecimento, já definitivamente julgado na esfera administrativa, de seu direito à redução de 37,5% do IRPJ calculado com base no lucro de exploração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO DÉBITOS VENCIDOS A partir de 28/05/2003. os débitos objeto de compensação sofrerão a incidência de acréscimos moratórios. na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde requer a reforma da decisão na parte que ainda lhe foi desfavorável, de modo a reconhecer a totalidade do crédito originalmente pleiteado e homologar a totalidade das compensações declaradas. Para isso, deduz os seguintes argumentos: a) Inexiste coisa julgada a ser imponível ao presente processo. O processo nº 10670.000473/200591 foi instaurado apenas para homologação de benefício já reconhecido pelo Ministério da Integração Nacional. Tratou, portanto, de pedido de natureza diferente daquela que aqui se trata, no caso, o pedido de compensação. Os efeitos de uma decisão que reconheça o direito creditório deste processo consistiria tão somente na homologação das compensações declaradas. b) A recorrente faz jus, para seu estabelecimento matriz, à redução da alíquota do IR incidente sobre o lucro de exploração avindo da comercialização de fios, tecidos e subprodutos de algodão e sintéticos, desde 12/03/92, benefício que foi outorgado pela SUDENE através da Declaração DAÍ/PTE 190/92. Com as alterações promovidas no regime de benefício fiscal de redução do imposto e adicionais não restituíveis pela MP nº 2.058/00, reeditada pela MP nº 2.19914/01, a recorrente mantevese beneficiária Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.034 5 pelo fato de estar incluída dentre os setores prioritários previstos no artigo 2º do Decreto nº 4.213/02 (têxtil). Portanto, seu benefício fiscal nunca foi extinto. c) A decisão proferida no processo nº 10670.000473/200591 fundamentou seu posicionamento acerca do termo inicial para a fruição do benefício fiscal (26/12/2002) através do Laudo Constitutivo nº 0060/2005 expedido pelo Ministério da Integração Nacional. O fato de este Laudo ter sido editado após longo transcurso de tempo desde a emissão da Declaração DAÍ/PTE 190/92 não afasta o direito preexistente da empresa. A homologação do benefício junto à Receita Federal tem a virtude de apenas reconhecer seu direito, já concedido por lei, pendente apenas de verificação acerca da implementação dos requisitos apontados na norma e a indicação precisa do objeto da redução. d) O § 1º do artigo 80 da IN/SRF nº 267/02 deve ser analisado conjuntamente com a redação do seu caput. O sentido que se extrai dessa análise é que o termo de início só se aplicaria para as empresas que tiveram o benefício cessado e, após um reenquadramento de suas atividades como prioritárias, passaram a fazer jus ao gozo do benefício de redução. Contudo, a redação do artigo 2º da MP nº 2.19914/01 é clara e determina que o benefício fiscal jamais cessou para as empresas consideradas relevantes para o desenvolvimento da região abrangida pela SUDENE, independentemente da edição de qualquer ato normativo. É inequívoca, portanto, a inaplicabilidade do artigo 80 da IN/SRF nº 267/02. Ademais, ainda que se entenda que o requisito da homologação pela Receita Federal seria necessário, ele só foi instituído em 23/12/2002 (data da edição da IN), assim, o benefício há de ser reconhecido para o período anterior conforme as normas até então vigentes. e) São inaplicáveis os acréscimos moratórios previstos no artigo 28 da IN/SRF nº 210/02, com a redação dada pela IN/SRF nº 323/03. Isso porque os fatos geradores do crédito e dos débitos indicados na compensação são anteriores à vigência da nova regulamentação dada por esta última IN. A redação anterior previa que se o pagamento a maior fosse anterior ao vencimento do débito, a compensação seria considerada efetuada na data da realização daquele pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.035 6 Inicialmente, há que se enfrentar a alegação de coisa julgada. Isso porque ao se entender, como a DRJ, que não cabe mais discutir o direito creditório atinente à parcela do saldo negativo que seria apurado se fosse admitida a dedução a título de redução do imposto devido referente ao estabelecimento matriz da recorrente, o mérito do recurso residiria unicamente na análise do pedido de inaplicabilidade dos acréscimos moratórios. A recorrente afirma que o processo nº 10670.000473/200591 foi instaurado para obter a homologação do citado benefício. Tratou, portanto, de pedido de natureza diferente daquela que aqui se trata, no caso, o pedido de compensação. Na argumentação desenvolvida em seu recurso, sustenta que o instituto da coisa julgada só pode ser oponível a outro processo se houver plena identidade de partes, pedido e causa de pedir. Realmente, não se pode falar em coisa julgada quando os dois processos possuem pedidos diferentes. Neste sentido, aliás, já lecionava o Professor Humberto Theodoro Júnior (Cf. Curso de Direito Processual Civil, 1 v., 38ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 478.): “para ser acolhida a exceção de res iudicata, haverá de concorrer, entre as duas causas, a tríplice identidade de partes, pedido e causa de pedir (art. 301, §2º)”. No entanto, é de se notar que o voto condutor da decisão recorrida não se socorreu do instituto da coisa julgada, mas, do fato de que a matéria estaria definitivamente julgada por força que dispõem o § 4º do artigo 3º do Decreto nº 4.213/02 e o § 4º do artigo 60 da IN/SRF nº 267/02. Confirase: Decreto nº 4.213/02: Art.3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. (...) §4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. (grifei) IN/SRF nº 267/02: Art. 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. (...) § 4º Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da DRJ que denegar o pedido. (grifei) Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.036 7 Ou seja, o raciocínio da autoridade julgadora foi no sentido de que a matéria discutida no processo nº 10670.000473/200591, qual seja, o reconhecimento do direito ao benefício de redução, não sendo recorrível por determinação regulamentar (Decreto e Instrução Normativa), já possuía um entendimento definitivo no âmbito administrativo. Por isso, aplicou a decisão contida naquele processo como razão de decidir a causa contida neste processo. Nada obstante, verifico que as alegações sobre o mérito do direito ao benefício da redução deduzidas pela recorrente vão além da decisão proferida no outro processo. Isso porque ela questiona a própria necessidade de existir um ato da Receita Federal para que seu direito seja reconhecido. Com efeito, seu recurso é claro ao argumentar que a homologação do benefício junto à Receita Federal tem a virtude de apenas reconhecer seu direito, já concedido por lei, pendente apenas de verificação acerca da implementação dos requisitos apontados na norma e a indicação precisa do objeto da redução. Diante disso, considero indispensável a análise da necessidade da homologação, pela Receita Federal, do benefício que já estava previsto em lei. Sobre o assunto, esta Turma se manifestou no recente Acórdão nº 1102 000.873. Na ocasião, o relator do caso, o ilustre Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, apresentou em seu voto uma breve retrospectiva da legislação a respeito do tema que, apesar da maior amplitude em relação à situação do presente processo, por ser demais esclarecedora, peço vênia para reproduzila: Inicialmente, assim dispôs a Lei no 4.239/1963 a respeito (grifos acrescidos): “Art 13. Os empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE, até o exercício de 1982, inclusive, ficarão isentos do imposto de renda e adicionais não restituíveis incidentes sobre seus resultados operacionais, pelo prazo de 10 anos, a contar do exercício financeiro seguinte ao ano em que o empreendimento entrar em fase de operação ou, quando for o caso, ao ano em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em operação, segundo laudo constitutivo expedido pela SUDAM ou SUDENE. Art 14. Até o exercício de 1973 inclusive, os empreendimentos industriais e agrícolas que estiverem operando na área de atuação da SUDENE à data da publicação desta lei, pagarão com a redução de 50% (cinqüenta por cento) o impôsto de renda e adicionais não restituíveis. Art 16. A SUDENE, mediante as cautelas que instituir, fornecerá, as emprêsas interessadas, declaração de que satisfazem as condições exigidas para o benefício da isenção a que se refere o artigo 13, ou da redução prevista no artigo 14, documento que instruirá o processo de reconhecimento pelo Diretor da Divisão do Impôsto de Renda, do direito das emprêsas ao favor tributário.” Portanto, a Lei no 4.239/1963 previa inicialmente que tanto o benefício de isenção (art. 13) quanto o de redução (art. 14) deveriam ser objeto de um processo de reconhecimento do direito pelo então Diretor da Divisão do Imposto de Renda (art. 16). Notese que somente com relação ao benefício de isenção (art. 13) havia menção a laudo constitutivo expedido pela Sudene. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.037 8 Regulamentando o art. 16, determinou o Decreto no 55.334, de 31 de dezembro de 1964, ora já revogado, que o Diretor da Divisão do Imposto de Renda decidiria sobre cada pedido de reconhecimento de direito à isenção ou redução dentro de 180 dias da respectiva apresentação à competente repartição fiscal, findos os quais, se não fosse a empresa notificada de decisão contrária ao pedido, e tendo o favor fiscal sido recomendado pela SUDENE, considerarseia a interessada automaticamente em pleno gozo da isenção ou da redução pretendida. Posteriormente, a Lei no 5.508/1968 determinou o seguinte (grifos acrescidos): “Art 37. Os benefícios previstos no art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, modificado pelo art. 34 desta Lei, uma vez reconhecidos pela SUDENE, serão comunicados às Delegacias Regionais e Seccionais do Impôsto de Renda para tomarem conhecimento da concessão.” Esta mesma lei havia promovido alterações tanto ao art. 13 (isenção) quanto ao art. 14 (redução) da lei anterior. Contudo, somente com relação ao art. 13 (isenção) é que observou que as Delegacias Regionais e Seccionais do Imposto de Renda seriam apenas “comunicadas” da concessão do benefício pela Sudene. Portanto, com relação aos benefícios de isenção, a lei retirou da Receita Federal o poder de reconhecimento do direito. A esta nova disposição legal teve de adaptarse a regulamentação. Foi então editado o Decreto no 64.214, de 18 de março de 1969, que, nos seus artigos 1o e 3o tratou do benefício de redução, no seu artigo 2o tratou do benefício de isenção, e no seu artigo 8o assim dispôs (grifos acrescidos): “Art. 8º A Secretaria Executiva da SUDENE, analisando a documentação a que se refere o artigo anterior e procedendo às investigações que julgar necessárias, emitirá parecer fundamentado para apreciação do Conselho Deliberativo, propondo, quando fôr o caso, a expedição da declaração a que alude o artigo 7º, ou o reconhecimento, pelo mesmo Conselho Deliberativo, do direito à isenção prevista no artigo 2º dêste Decreto, nos têrmos do artigo 37, da Lei nº 5.508, de 11 de outubro de 1968. § 1º As pessoas jurídicas ou firmas individuais, em favor das quais a SUDENE expedir a declaração a que alude o artigo anterior, instruirão, com o referido documento, o processo de reconhecimento, pelo órgão próprio da Secretaria da Receita Federal, do direito ao gôzo do beneficio previsto nos artigos 1º e 3º dêste Decreto, devendo o pedido formulado ser encaminhado àquela repartição, através da Delegacia da Receita Federal a que estiver jurisdicionado o requerente. § 2º O órgão próprio da Secretaria da Receita Federal decidirá sôbre cada pedido de reconhecimento do direito à redução prevista nos artigos 1º e 3º dêste Decreto, dentro de 180 (cento e oitenta) dias da respectiva apresentação à competente repartição fiscal.” Mais adiante, a Lei no 9.532/97 trouxe novas alterações relativas a esses benefícios no seu artigo 3o, verbis: “Art. 3º Os benefícios fiscais de isenção, de que tratam o art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, o art. 23 do DecretoLei nº 756, de 11 de agosto de 1969, com a redação do art. 1º do DecretoLei nº 1.564, de 29 de julho de 1977, e o inciso VIII do art. 1º da Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, para os projetos de Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.038 9 instalação, modernização, ampliação ou diversificação, aprovados pelo órgão competente, a partir de 1º de janeiro de 1998, observadas as demais normas em vigor, aplicáveis à matéria, passam a ser de redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis, observados os seguintes percentuais: (Vide Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) I 75% (setenta e cinco por cento), a partir de 1º de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II 50% (cinqüenta por cento), a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III 25% (vinte e cinco por cento), a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. § 1º O disposto no caput não se aplica a projetos aprovados ou protocolizados até 14 de novembro de 1997, no órgão competente, para os quais prevalece o benefício de isenção até o término do prazo de concessão do benefício. § 2º Os benefícios fiscais de redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis, de que tratam o art. 14 da Lei nº 4.239, de 1963, e o art. 22 do Decreto Lei nº 756, de 11 de agosto de 1969, observadas as demais normas em vigor, aplicáveis à matéria, passam a ser calculados segundo os seguintes percentuais: I 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento), a partir de 1º de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II 25% (vinte e cinco por cento), a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III 12,5% (doze inteiros e cinco décimos por cento), a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. § 3º Ficam extintos, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2014, os benefícios fiscais de que trata este artigo.” Em síntese, portanto, a Lei no 9.532/97: transformou o benefício de isenção, previsto no art. 13 da Lei no 4.239/63, em benefício de redução, com percentuais decrescentes ao longo do tempo, ressalvados apenas os projetos já aprovados ou protocolizados até 14 de novembro de 1997; alterou o benefício de redução, previsto no art. 14 da Lei no 4.239/63, estabelecendo percentuais menores e decrescentes ao longo do tempo; determinou a extinção de ambos os benefícios a partir de 1º de janeiro de 2014. Entretanto, esta lei em nada alterou a forma como se deveria dar o reconhecimento da concessão. Ao contrário, expressamente determinou que, para ambos os benefícios, fossem “observadas as demais normas em vigor, aplicáveis à matéria”. Tanto é assim que o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (atual Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), continua a fazer a distinção entre as formas de reconhecimento do benefício de redução e do de isenção (vide, neste Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.039 10 sentido, o art. 550, que trata da isenção – e da isenção transformada em redução – e faz referência ao art. 37 da Lei no 5.508/68, e o art. 553, que trata da redução, e faz referência ao art. 16 da Lei no 4.239/63). Posteriormente, a Medida Provisória no 219914, de 2001 (oriunda de sucessivas reedições desde a MP no 2.058/2000, original) trouxe novas alterações relativas a esses benefícios em seus artigos 1o e 2o, verbis: “Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2018 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) § 1o A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1oA. As pessoas jurídicas fabricantes de máquinas, equipamentos, instrumentos e dispositivos, baseados em tecnologia digital, voltados para o programa de inclusão digital com projeto aprovado nos termos do caput terão direito à isenção do imposto sobre a renda e do adicional, calculados com base no lucro da exploração. (Incluído pela Lei nº 12.546, de 2011) § 2o Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1o, a fruição do benefício darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo. § 3o O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3oA. No caso de projeto de que trata o § 1oA que já esteja sendo utilizado para o benefício fiscal nos termos do caput, o prazo de fruição passa a ser de 10 (dez) anos contado a partir da data de publicação da Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011. (Incluído pela Lei nº 12.546, de 2011) § 4o Para os fins deste artigo, a diversificação e a modernização total de empreendimento existente serão consideradas implantação de nova unidade produtora, segundo critérios estabelecidos em regulamento. § 5o Nas hipóteses de ampliação e de modernização parcial do empreendimento, o benefício previsto neste artigo fica condicionado ao aumento da capacidade real instalada na linha de produção ampliada ou modernizada em, no mínimo: I vinte por cento, nos casos de empreendimentos de infraestrutura (Lei nº 9.808, de 20 de julho de 1999) ou estruturadores, nos termos e nas condições estabelecidos pelo Poder Executivo; e Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.040 11 II cinqüenta por cento, nos casos dos demais empreendimentos prioritários. § 6o O disposto no caput não se aplica aos pleitos aprovados ou protocolizados no órgão competente e na forma da legislação anterior, até 24 de agosto de 2000, para os quais continuará a prevalecer a disciplina introduzida pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. § 7o As pessoas jurídicas titulares de projetos de implantação, modernização, ampliação ou diversificação protocolizados no órgão competente e na forma da legislação anterior a 24 de agosto de 2000, que venham a ser aprovados com base na disciplina introduzida pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.532, de 1997, e cuja atividade se enquadre em setor econômico considerado prioritário, em ato do Poder Executivo, poderão pleitear a redução prevista neste artigo pelo prazo que remanescer para completar o período de dez anos. § 8o O laudo a que se referem os §§ 1o e 2o será expedido em conformidade com normas estabelecidas pelo Ministério da Integração Nacional. § 9o O laudo de que trata o § 1o poderá, exclusivamente no ano de 2001, ser expedido até o último dia útil do mês de outubro. Art. 2o Fica extinto, relativamente ao período de apuração iniciado a partir de 1o de janeiro de 2001, o benefício fiscal de redução do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, de que trata o art. 14 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, e o art. 22 do DecretoLei nº 756, de 11 de agosto de 1969, exceto para aqueles empreendimentos dos setores da economia que venham a ser considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, e para os que têm sede na área de jurisdição da Zona Franca de Manaus.” O artigo 1o, portanto, trata dos projetos aos quais aplicase a isenção do imposto (transformada em redução), e estabelece que os novos projetos que venham a ser aprovados fazem jus à redução de 75%, pelo prazo de 10 anos (sem a redução escalonada decrescente, portanto), contudo, desde que tais projetos se enquadrem em setores da economia que venham a ser considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional. O § 7o deste artigo confere a possibilidade de os projetos, enquadrados em setores considerados prioritários, porém já protocolizados com base na legislação anterior, e que venham a ser aprovados com base na disciplina introduzida pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.532, de 1997 (i.e, referente aos benefícios fiscais de isenção, convertida em redução escalonada, de que trata o art. 13 da Lei nº 4.239/63), pleitearem a redução prevista no caput, de 75%, pelo prazo que remanescer para completar o período de dez anos. Já os projetos não enquadrados em setores considerados prioritários, continuam a observar a disciplina introduzida pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.532/97, ou seja, a redução escalonada decrescente. Além de não ter havido qualquer revogação expressa do art. 13 da Lei nº 4.239/63, verificase, pelo exposto, a ligação ontológica do art. 1o da Medida Provisória no 219914, de 2001, com o art. 13 da Lei nº 4.239/63. Ressaltese ainda a expressa menção que faz o referido art. 1o ao laudo constitutivo, a ser expedido pelo Ministério da Integração Nacional, bem como a ressalva quanto às “demais normas em vigor aplicáveis à matéria”. O artigo 2o da MP no 219914/2001, por sua vez, trata dos empreendimentos que fazem jus ao benefício de redução do imposto, originalmente instituído pelo art. 14 da Lei nº 4.239/63, e estabelece que o referido benefício (com a redução escalonada decrescente estabelecida pela Lei no 9.532/97) permanece mantido para Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.041 12 os empreendimentos em setores considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional (a redação do dispositivo fala em extinção do benefício, porém ressalva, por exceção, os empreendimentos em setores considerados prioritários – o efeito é rigorosamente o mesmo). Contrariamente ao arguido no recurso, portanto, é fácil perceber que tampouco houve revogação, quer expressa, quer tácita, do art. 14 da Lei nº 4.239/63. Em síntese, temse que os benefícios instituídos pelos artigos 13 e 14 da Lei nº 4.239/63 não foram revogados pela Medida Provisória no 219914, de 2001, mas tão somente foram por ela substancialmente alterados. Por outro lado, a forma de reconhecimento desses benefícios não foi alterada, exceto pelo fato de que, por força de outra Medida Provisória (MP no 21565/2001, oriunda de sucessivas reedições da MP no 2145, de 2 de maio de 2001, e que determinou a extinção da Sudene), o laudo constitutivo, a ser expedido no caso do benefício de que trata o art. 13 da Lei nº 4.239/63 (isenção transformada em redução) passou a ser emitido pela ADENE – Agência de Desenvolvimento do Nordeste, vinculada ao Ministério da Integração Nacional. Este fato é confirmado pela alteração na redação do § 1o do art. 1o da Medida Provisória no 219914, de 2001: na redação original, da MP no 2.058/2000, constava que o laudo constitutivo seria emitido pela Sudene; posteriormente, a redação passou a determinar que o laudo seria emitido pelo Ministério da Integração Nacional. (...) Ocorre que, para regulamentar as alterações promovidas pela Medida Provisória no 219914/2001, no tocante aos benefícios afetos à Sudene, foi editado o Decreto nº 4.213/2002, abaixo parcialmente transcrito (grifos acrescidos): “Art. 1º Este Decreto define os empreendimentos prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da extinta Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, para fins dos benefícios de redução do imposto de renda, inclusive de reinvestimento, de que tratam os arts. 1º, 2º e 3º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001. (...) Art. 3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. § 1o O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2o Expirado o prazo indicado no § 1o, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.042 13 § 3o Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. § 5o Na hipótese do § 4o, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6o A cobrança prevista no § 5o não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2o.” Este novo decreto, portanto, intentou submeter ambos os incentivos, originariamente instituídos pelos artigos 13 e 14 da Lei nº 4.239/63, ao crivo da Secretaria da Receita Federal, para fins de reconhecimento do direito à redução do imposto. A Instrução Normativa SRF nº 267, de 2002, trilha o mesmo caminho. Estes, aliás, foram os dois normativos citados pela autoridade fiscal para considerar indevidas as deduções do imposto feitas pela recorrente, uma vez que não haviam sido apresentados os pedidos de reconhecimento do direito ao titular da unidade da SRF da sua jurisdição. Para concluir, conforme restou exposto na breve digressão histórica acima feita, o argumento recursal, de que a exigência de reconhecimento do direito pela Secretaria da Receita Federal teria suporte em dispositivos meramente regulamentares, é apenas parcialmente verdadeiro. De fato, no caso do benefício originalmente instituído pelo art. 13 da Lei nº 4.239/63 (isenção, posteriormente convertida em redução) isto tornouse verdade a partir da alteração introduzida pelo art. 37 da Lei no 5.508/68, dispositivo este em nenhum momento revogado. Contudo, no caso do benefício de redução, originalmente instituído pelo art. 14 da Lei nº 4.239/63, a exigência de reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal sempre esteve assente em lei. Portanto, a conclusão daquele ilustre Conselheiro, com a qual estou plenamente de acordo, é a de que, no caso dos benefícios originalmente instituídos pelo artigo 13 da Lei nº 4.239/63, não há necessidade do reconhecimento formal, pela Receita Federal, para que a empresa beneficiária possa fruir seu direito. Por outro lado, no caso dos benefícios originalmente instituídos pelo artigo 14 da mesma Lei, há essa necessidade. O benefício que aqui se apresenta é o de redução do imposto, no percentual de 37,5% aplicado sobre o imposto de renda e adicionais não restituíveis, conforme estabelecido pelo § 2º, I, do artigo 3º da Lei 9.532/97. Tratase, consequentemente, da modalidade originalmente instituída pelo artigo 14 da Lei nº 4.239/63. Assim, havia, de fato, a necessidade de reconhecimento do benefício pela Receita Federal. E, como bem ressaltado no trecho do voto acima transcrito, tal exigência nunca perdeu sua fundamentação legal. Diversamente do que reclama a recorrente, o ato de reconhecimento é, sim, condição necessária para a fruição do benefício. Além disso, seguindo as orientações normativas, a decisão contida no processo nº 10670.000473/200591 fixou como termo inicial para fruição do benefício a data Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.043 14 de 26/12/2002. Quanto a isso, nada mais há a discutir. Isso porque, uma vez que se entenda necessário o ato da Receita Federal, está correta a decisão recorrida ao considerar a matéria definitivamente julgada. Afinal, a norma segundo a qual é irrecorrível a decisão da DRJ que denega o pedido de reconhecimento do benefício foi veiculada por decreto presidencial. Por conseguinte, quanto a essa determinação, este Colegiado também está vinculado. Resta, então, a análise do pedido de inaplicabilidade dos acréscimos moratórios. A recorrente pretende que a compensação seja considerada efetuada na data da realização do pagamento a maior em consonância com a redação original do artigo 28 da IN/SRF nº 210/02. No seu entender, a regra estabelecida com a nova redação dada ao dispositivo pela IN/SRF nº 323/03 não poderia ser aplicada ao caso porque os fatos geradores do crédito e dos débitos indicados na compensação são anteriores à sua vigência. Quanto a isso, importa perceber que, na essência, a compensação nada mais é do que um encontro de contas no qual um determinado crédito pode ser utilizado para solver tantos débitos quantos forem capazes de ser absorvidos por sua dimensão quantitativa. Usando da competência que lhe foi atribuída pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que consolida o instituto da compensação dos tributos federais, bem como considerando a previsão do artigo 61 da mesma Lei, segundo a qual sobre os débitos de tributos federais deve incidir acréscimos moratórios, a Receita Federal, em 28/04/2003, publicou a IN/SRF nº 323/03, que determinou nova regulamentação para a matéria ao alterar a redação do artigo 28 da IN/SRF nº 210/02. Confirase: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Parágrafo único. Na compensação de ofício, os juros compensatórios e acréscimos moratórios de que trata o caput serão calculados considerandose as seguintes datas: I do consentimento, expresso ou tácito, da compensação; ou II da efetivação da compensação, quando se tratar de débito inscrito em Dívida Ativa da União." Assim, a Receita Federal, no regular exercício de sua competência legislativa, editou nova norma para regulamentar a incidência dos acréscimos moratórios nas compensações efetuadas pelo sujeito passivo e nas compensações efetuadas de ofício. Não fez qualquer ressalva para situações em que os fatos geradores do crédito e dos débitos indicados na compensação fossem anteriores à sua vigência. Nesse sentido, foi precisa a decisão recorrida quando frisou que ao procedimento de compensação aplicase a legislação vigente à época em que se efetua o Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.044 15 confronto dos créditos e débitos. No caso presente, o pedido foi originalmente apresentado em 17/07/2003 (fls. 3 e 14), portanto, quando já vigia a nova redação do artigo 28 da IN/SRF nº 210/02. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 13805.010650/96-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1992 a 28/02/1993, 01/06/1993 a 30/06/1993, 01/08/1993 a 30/09/1993, 01/03/1994 a 31/12/1995
FALTA DE RECOLHIMENTO.
É devida a exigência da contribuição apurada no confronto dos valores escriturados e os declarados/pagos, com os encargos legais correspondentes.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Karina Machado, OAB/SP nº 242.615.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1992 a 28/02/1993, 01/06/1993 a 30/06/1993, 01/08/1993 a 30/09/1993, 01/03/1994 a 31/12/1995 FALTA DE RECOLHIMENTO. É devida a exigência da contribuição apurada no confronto dos valores escriturados e os declarados/pagos, com os encargos legais correspondentes. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Karina Machado, OAB/SP nº 242.615. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 01 06 50 /9 6- 10 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescido de juros e multa proporcional, referente a períodos de apuração compreendidos entre setembro de 1992 a dezembro de 1995. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Em ação fiscal no domicilio da empresa, lançouse de oficio a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, por falta de recolhimento resultante de diferenças entre valores declarados e escriturados nos períodos acima, perfazendo, época, créditos nos valores totais de UFIR 34.457,57 (fatos geradores até 31/12/94) e R$ 572,03 (fatos geradores a partir de 01/01/95), conforme Auto de Infração (fl. 1 a 14). 2. A base legal do lançamento da contribuição foi a Lei Complementar (LC) n° 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 1 0, 2°, 30, 40 e 5'; quanto aos juros de mora: a Lei n° 8.383, de dezembro de 1991, art. 59, § 2°, a Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 38 e § 1°, a Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 84 e seu § 5°, a Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, art. 13; quanto à multa proporcional: a MP 298/91, art. 4°, I (convertida na Lei n°8.218, de 29 de agosto de 1991). As conversões para UFIR decorrem da Lei n° 8.383/91, art. 54, § 1°. A data da ciência é 11/09/1996. 3. A empresa impugnou em 11/10/1996 (fls. 69/70) e requer acolhimento da impugnação para julgar improcedente o auto e arquivar o processo, alegando, em síntese: a) os valores autuados foram recolhidos ou parcelados (PEPAR 10.880.008216/9599); b) a multa de 100% é indevida em razão do art. 10 da Lei 8.696/93, cabendo multa de mora de 20% e juros de mora de 1% ao mêscalendário ou fração. 4. Em 13/12/99, com fundamento no fato da interessada alegar recolhimento ou parcelamento e não ter atacado o auto em sua essência, o processo foi enviado EQCOB/DISAR para: certificar recolhimentos (fls 81/90 e 92/103); auditar cálculos dos períodos março a dezembro de 1994 e janeiro a dezembro de 1995 e anexar demonstrativo caso houver débito remanescente (fl 110). 5. A EQCOB certificou os recolhimentos em DARF referentes aos meses de 03 a 12/94 (fls. 81/90) e 01 a 12/95 (fls. 92/103), após pesquisar o sistema SINAL08, e concluiu estar liquidada a parte relativa aos períodos autuados entre 03/94 e 12/95, pois a diferença constituída fora recolhida antes do lançamento (fl 132 e 134). 6. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 1616.091, de 15/01/2008 (fls. 277/289), assim ementado: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13805.010650/9610 Acórdão n.º 3202001.108 S3C2T2 Fl. 379 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1992 a 28/02/1993, 01/06/1993 a 30/06/1993, 01/08/1993 a 30/09/1993, 01/03/1994 a 31/12/1995 FALTA DE RECOLHIMENTO. É devida a exigência da contribuição apurada no confronto dos valores escriturados e os declarados/pagos, com os encargos legais correspondentes. JUROS DE MORA.TAXA SELIC. Cabimento dos juros pela taxa Selic (Lei n° 9.065/95, art. 13). MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Em lançamento decorrente de infração a dispositivo legal detectada em ação fiscalizadora é legitimo aplicar a multa de oficio. A multa superior a 75 % deve ser reduzida a este percentual. Retroação benigna do art. 44 da Lei n° 9.430/96 (ADN n° 1/1997). Lançamento Procedente em Parte Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 325/335, por meio do qual alega: Na impugnação apresentada, além de se insurgir contra a aplicação da multa de oficio de 100%, ainda demonstrou que os valores exigidos ou estavam pagos ou parcelados (PEPAR 10880.008216/9599). Após a apresentação da impugnação, foi proferido o r. despacho de fls. 110, onde se determinou a realização de análise para fins de se comprovar os recolhimentos cujas guias foram juntadas aos autos, o que motivou as imputações de fls. 120 e seguintes do feito, que disseram respeito, única e exclusivamente, às guias pagas que foram carreadas aos autos. Em que pese a constatação de que houve o abatimento de uma pequena parte das guias apresentadas, o fato é que a diligência determinada nada dispôs com relação ao parcelamento. Entretanto, em que pese a omissão em que incorreu o d. julgador a quo, o fato é que efetivou o parcelamento e adimpliu com os valores exigidos no presente feito, de modo que não poderia subsistir a exigência fiscal, eis que os débitos estão extintos por pagamento. Nesse passo, não é demais ressaltar que o próprio v. acórdão recorrido também se omitiu em tecer uma única palavra sobre o parcelamento. Consta nos autos a comprovação da sua realização e o il. órgão preparador do julgamento possuía plenas condições de realizar as verificações necessárias à constatação de que o débito exigido já está integralmente recolhido aos cofres públicos, cancelandose a integralidade do auto de infração com base no inciso I do art. 156 do Código Tributário Nacional. Ao final, requer seja acolhido e provido o Recurso Voluntário, de sorte que, previamente ao exame do seu mérito, seja o presente feito baixado para a DRJ, com a Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 determinação de que esta analise e emita manifestação expressa sobre o resultado da análise do parcelamento efetivado e adimplido. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A questão tratada nos autos não reclama deste Colegiado maior detença. O lançamento decorreu da falta de recolhimento da Cofins resultante de diferenças estimadas entre os valores declarados e os escriturados nos períodos de apuração a que se referem os autos. Como a Recorrente alegou, na impugnação, que as importâncias exigidas corresponderiam a valores já recolhidos ou parcelados, a instância de piso determinou à unidade administrativa de origem que esta se certificasse dos recolhimentos, efetuasse auditoria de cálculos através da imputação proporcional, aplicandose a multa de mora vigente à época dos fatos geradores, e informasse se havia crédito tributário remanescente (fl. 223). Em despacho anexado às fls. 267/271, a unidade de origem atestou, em relação ao período de 09/92 a 09/93, que houve, antes da autuação, recolhimentos iguais a cada uma das diferenças lançadas, daí a exoneração, pela DRJ, de parte do crédito tributário exigido. Todavia, quanto aos demais períodos, constatouse que a fiscalização deduziu, no cálculo de cada uma das diferenças estimadas, tanto os valores parcelados quanto os recolhidos, de modo que concluiu, como de outra forma não poderia deixar de concluir, que as bases de cálculo mensais da Cofins apuradas pela fiscalização excederam as bases apuradas pela Recorrente para parcelar ou para recolher (vide fl. 267). Eis claríssima passagem da decisão recorrida, no qual o assunto é abordado: “Nada disso foi contestado na peça recursal. Continuou a Recorrente a alegar o parcelamento, sem atentar, contudo, o que expressamente expôs o relator da decisão recorrida (Como as autuações de setembro/92 a fevereiro/93 e de junho, agosto e setembro/93 decorrem de diferenças a maior entre os valores escriturados e os declarados/pagos, já excluídas as quantias parceladas e recolhidas, subsiste cada um destes lançamentos”). (g.n.) Essa conclusão é especialmente corroborada com a análise da tela do extrato do processo de n.º 10880.008216/9599 (fls. 225/231), que consubstanciou parcelamento da Cofins devida em vários dos períodos de apuração, alguns dos quais coincidentes com os que foram lançados, no qual se vê que os valores parcelados não foram objeto do lançamento, pois iguais aos já apurados pela Recorrente. Nesse contexto, absolutamente equivocado alegar o parcelamento, para fins de redução dos valores devidos. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de voluntário. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13805.010650/9610 Acórdão n.º 3202001.108 S3C2T2 Fl. 380 5 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 382DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 12883.007203/2009-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1997
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 2403-002.491
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art.150 § 4º do CTN
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art.150 § 4º do CTN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 88 3. 00 72 03 /2 00 9- 64 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12883.007203/200964 Acórdão n.º 2403002.491 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Recife, DecisãoNotificação nº 15.401.4/0244/2006, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: 1. De acordo com o relatório fiscal, fls. 87/92, os discriminativos de fls. 4/36, e o anexo de fundamentos legais do débito, fls. 37/42, esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD apura contribuições devidas à seguridade social (parte dos segurados e patronal, incluindo SAT) e terceiros (INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 03/1996 a 13/1997. 2. As bases de cálculo foram obtidas nas guias de . Recolhimento do SalárioEducação em virtude de ter havido recusa a apresentação de documentos, e, ainda, a contabilidade do contribuinte autuado não demonstrar sua real movimentação, pois que: a) não se conseguiu identificar na contabilidade, no período indicado no relatório fiscal: processos trabalhistas; rescisões de contrato de trabalho; férias gozadas; pagamentos de prólabore aos sóciosgerentes; pagamentos a titulo de honorários do contador; documentos e arrecadação do salárioeducação; salário de José Gestosa Ferreira; pagamento ao jardineiro; b) não comprovação dos seguintes lançamentos contábeis: pagamento realizado, em 31/12/1996, a crédito da conta "caixa", no valor de R$ 295.066,00 (duzentos e noventa e cinco mil e sessenta e seis reais); pagamento efetuado, em 31/12/1996 a débito da conta "adiantamentos funcionários", no valor de R$ 113.260,00 (cento e treze mil, duzentos e sessenta reais), sem a identificação do beneficiário; pagamento efetuado na conta "contas a receber", no valor de R$ 154.600,00 (cento e cinqüenta e quatro mil e seiscentos reais); c) constatação de saldo credor na conta "caixa", nos meses de 04/1999 a 11/1999, e na conta "Banco Sudameris Brasil", nos meses de 02/1999 a 08/1999. 3. Diante destes fatos, o auditor notificante concluiu que, estando os balanços encerrados, com igualdade de valores a débito e a crédito e havendo comprovação de que os pagamentos (item 2, "a") foram realmente efetuados, não transitaram pela contabilidade regular os numerários necessários a fazer frente aos mesmos. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 4. O notificado apresentou, a fls. 130/145, tempestivamente, defesa, na qual, em síntese, argüiu: a) que o prazo decadencial para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias é o previsto no art. 173, do CTN, e não o do art. 45, da Lei 8.212/91, conforme mandamentos constitucionais; b) que o prazo previsto no art. 32, § 11, da Lei 8.212/91, tem de corresponder ao decadencial para a constituição do crédito respectivo, que é de 5 (cinco) anos; c) que seria necessário a identificação da relação de empregados cujo salário serviu de base para o lançamento, implicando.em cerceamento.de defesa essa omissão; d) que anexou parte da documentação supostamente não apresentada aos autos do Autode Infração 35.861.4074, bem como foram exíguos os prazos para a total apresentação dos documentos; e) que ao mesmo tempo em que tenta desqualificar a contabilidade, utiliza dados extraídos da mesma; f) que o pagamento de salário está devidamente registrado na conta "ordenados e salários"; g) que as hipóteses constantes do art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91, fogem às particularidades do caso concreto; tiTque, tomando o valor do SalárioEducação registrado na conta 4.1.1.01.0065, resulta em bases inferiores às utilizadas na NFLD; i) que, na competência 11/1997, as contribuições exigidas no campo diferença, não correspondem As alíquotas aplicadas ao saláriodecontribuição de R$ 35.444,47 (trinta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e quarenta e sete centavos); j) que a taxa SELIC fere a norma constitucional do art. 192, § 3°, bem como utiliza metodologia incompatível com a matéria tributária, pois que deveriam ser regulados, os juros, por lei complementar. 5. In fine, requereu a improcedência da NFLD. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese, o mesmo que apresentou na impugnação. O recurso apresentado não foi encaminhado para o CRPS por falta do depósito recursal. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12883.007203/200964 Acórdão n.º 2403002.491 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário e com a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, deste CARF. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial Fl. 347DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12883.007203/200964 Acórdão n.º 2403002.491 S2C4T3 Fl. 5 7 para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido ao regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.( Recurso 140.076, Acórdão 9101 da 1ª Turma da CSRF) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. Os relatórios RDA – Relatório de Documentos Apresentados e RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados registram a existência de recolhimentos. Aplico a regra do § 4°, art. 150. O período do lançamento é de 03/1996 a 12/1997. A ciência do lançamento ocorreu em 14/02/2006. Entendo atingido pela decadência todo o lançamento. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.000908/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
PER/DCOMP. CONDIÇÃO.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. PER/DCOMP. CONDIÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. PER/DCOMP. CONDIÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 08 /2 00 7- 31 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 381 2 MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 135141, com a exigência do crédito tributário no valor de R$68.173,92 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos quatro trimestres do ano calendário de 2003. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 0540, no Livro Caixa, fls. 66103, no Livro de Apuração de ICMS, fls. 104129 e nos recolhimentos efetuados, fls. 4449, bem como pela não confissão de dívida desses valores em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 4449, já que houve opção pelo regime de tributação com base no lucro Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 382 3 presumido, em conformidade com o Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130 134. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: Lei nº 9779, de 19 de janeiro de 1999, art. 224 e art. 518 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 142149 com a exigência do crédito tributário no valor de R$37.200,38 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970 e alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 150157 com a exigência do crédito tributário no valor de R$171.694,93 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 158164 a exigência do crédito tributário no valor de R$61.356,50 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 168175, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: O presente Auto de Infração em análise, em hipótese alguma poderá prosperar contra a impugnante, assim vejamos, a Contribuição Social s/ Lucro Liquido (do item 1), referese ao 1º trimestre 03/2003 no valor de R$ 6.467,68; 2º trimestre 06/2003 no valor de R$ 6.073,80; 3º trimestre 09/2003 no valor de R$ 6.501,15 e do 4º trimestre 12/2003 no valor de R$ 6.846,23 , portanto, faz prova neste ato, que todos os valores foram pagos, conforme DARF's em anexos. Quanto ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (do item 2), referese ao 1º trimestre 03/2003 no valor de R$ 7.186,31; 2º trimestre 06/2003 no valor de R$ 6.748,67; 3º trimestre 09/2003 no valor de R$ 7.223,50 e do 4º trimestre 12/2003 no valor de R$ 7.606,93, todos foram quitados, conforme DARF's em anexos. Em se tratando da Contribuição PIS/PASEP (do item 3), referese ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, sendo que foram pagos parte dos valores, conforme DARF's, e o restante compensado, através de créditos tributários (planilha em anexo), conforme processo judicial n.° 2001.50.02.0014818 (decisão em Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 383 4 anexo), transitado em julgado em 17/11/2005, e retificado na DCTF, conforme documentos em anexos. Da mesma forma, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (do item referese ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, sendo parte pagos conforme DARF's, e o restante compensado, através de créditos tributários (planilha em anexos), conforme processo judicial n.° 2001.50.02.0014818, transitado em julgado em 17/11/2005, e retificado na DCTF, conforme documentos em anexos. Todavia, se outro for o entendimento de V. Exa., o que se admite apenas a título de argumentação, também quanto ao mérito não merece melhor sorte a pretensão fiscal. Apresenta argumentos em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e requer a realização de diligência. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante das razões expostas, REQUER de V.Sa, se digne determinar que seja realizada diligência fiscal com o objetivo de ser sanada todas as dúvidas que por ventura existirem, quanto ao AUTO DE INFRAÇÃO em análise, para que o contribuinte não venha a ser penalizado de forma inteiramente absurda. Por fim, REQUER também, que o AUTO DE INFRAÇÃO seja julgado insubsistente, em face da improcedência do lançamento fiscal, quanto à multa aplicada pela ilustre autuante, agindo desta forma V. S.a, pode estar certa de que estará contribuindo, para que uma empresa continue no mercado, trabalhando, gerando riquezas e mais empregos para o País, ser medida da mais lídima JUSTIÇA. Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1226.844, de 23.10.2009, fls. 314328: “Impugnação Procedente em Parte” para: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto: Não conhecer da Impugnação no que se refere aos valores já recolhidos, conforme parágrafos 7 a 11 do voto, mas cancelar a multa de ofício a eles relacionados (ver alínea seguinte), tornando definitivamente constituído o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$27.687,50, de CSLL, no valor de R$23.012,34, de PIS, no valor de R$1.558,14, e de Cofins, no valor de R$7.191,36, sem acréscimo da multa de ofício e dos juros moratórios; Considerar procedente em parte a Impugnação, para exonerar apenas a multa de ofício relacionada aos valores já pagos (ver alínea anterior), conforme parágrafos 15, 22 e 28 do voto, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722,17 e de CSLL, no valor de R$2.876,52, acrescidos de multa de ofício e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento ; e Indeferir o pedido de diligência. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 384 5 Intimese a Interessada para, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência deste acórdão, recolher o Crédito Tributário Mantido, sob pena de cobrança executiva, ressalvada, para as matérias impugnadas e conhecidas, a interposição de recurso voluntário, em igual prazo, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. À unidade competente para cientificar a interessada e demais providências de estilo, principalmente quanto à alocação dos pagamentos existentes aos créditos tributários correspondentes. Restou ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 DILIGÊNCIA Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelase prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 VALORES PAGOS ESPONTANEAMENTE E NÃO DECLARADOS. Os valores pagos, espontaneamente, relativos a débitos não declarados em DCTF nem informados em outro instrumento de confissão de dívida devem ser objeto de auto de infração, podendo, em sede de julgamento, ser cancelada a multa de ofício quando espontâneos os pagamentos, mantendose os valores principais lançados para que neles sejam alocados, vinculados ou aproveitados os pagamentos existentes. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003 REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO. A compensação de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, efetuase nos termos do art.74 da Lei n° 9.430/96. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO DE IRPJ: CSLL, PIS E COFINS. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos decorrentes colhem a sorte daquele que lhe deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Notificada em 30.04.2012, fls. 346 e 376, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.05.2012, fls. 347350, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 385 6 admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal, que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente e acrescenta que: Em que pese os argumentos dos eméritos julgadores, no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, para exonerar apenas a multa de oficio relacionada aos valore já pagos, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722, 17 e de CSLL, no valor de R$87,52, acrescidos de multa de oficio e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento, conforme consta do Acórdão, no caso onde fala no acórdão em manter o crédito tributário, não podem prosperar, pelos seguintes motivos: Conforme já demonstrado na impugnação de fls. 03, a impugnante pagou a contribuição social s/lucro liquido, referente ao 1º trimestre 03/2003 no valor de R$6.4 67,68, 2º trimestre 06/2003, no valor de R$6.073,80; 3º trimestre 09/2003, no valor de R$6.501,15 e do 4º trimestre 12/2003, no valor de R$6.846,23, como já fez prova através dos Darfs juntados em sua impugnação. Quanto à cobrança do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referente ao 1º trimestre 03/2003, no valor de R$7.186,31; 2º trimestre 06/2003, no valor de R$6.748,67; 3º trimestre 09/2003, no valor de R$7.223,50 e do 4º trimestre 12/2003, no valor de R$7.606,93, sendo todos quitados, conforme Darfs já juntados a impugnação. Com relação à Contribuição para o PIS/PASEP, referente ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, foram pagos parte dos valores através de Darfs e o restante compensado com créditos tributários, conforme processo judicial n° 2001.50.02.0014818, transitado em julgado em 17/11/2005 e retificado na DCTF, como consta dos documentos já mencionados as fls. 03 da impugnação. Em se tratando da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, foram pagos parte dos valores através de Darf’s, e o restante compensado com créditos tributários, conforme processo judicial n° 2001.50.02.0014818, transitado em julgado em 17/11/2005 e retificado na DCTF, conforme consta dos documentos juntados as fls. 4 da impugnação (cópia anexa). Portanto, não há que se falar em ausência de apresentação de declaração de Compensação, como tenta justificar a Receita Federal para ver seus créditos constituídos, pois, a recorrente compensou seus créditos com débitos, com respaldo em Sentença Judicial. Conclui que: Isto posto, a recorrente requer: a) seja os créditos da autora reconhecidos, por estarem amparados por decisão judicial transitada em julgado, bem como, aceitos para compensação de débitos junto a Receita Federal do Brasil. b) seja, finalmente, dado provimento ao recurso, com o deferimento da IMPUGNAÇÃO, em todos os seus termos, concedendo a compensação efetuada na Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 386 7 forma com foi feita, requerendo, ainda, pela produção de todas as provas em direito admitidas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Por essa razão não restaram caracterizas o abuso de autoridade tampouco excesso de exação. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 387 8 Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 0540, no Livro Caixa, fls. 66103, no Livro de Apuração de ICMS, fls. 104129 e nos recolhimentos efetuados, fls. 4449, bem como pela não confissão de dívida desses valores em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 4449, já que houve opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, em conformidade com o Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130134. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Ainda sobre os pagamentos, tendo em vista que a Recorrente efetuou recolhimentos os mesmos foram considerados pela autoridade julgadora de primeira instância. Não constam nos registros internos na RFB quaisquer outros pagamentos a serem considerados. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 388 9 que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente3. No que se refere à DCTF, o Ministro da Fazenda, podendo eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, delegou esta competência ao Secretário da Receita Federal. O documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência da referida exigência4. A Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) foi instituída por atos administrativos emitidos pelo Secretário da Receita Federal que vigoraram até 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 389 10 1º.11.19985, de cujos teores podese inferir que o débito ali informado e não pago nos prazos legais deve ser objeto de comunicação à Procuradoria da Fazenda Nacional pois este documento formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União e posterior cobrança executiva. Neste sentido, a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício representa ônus desnecessário para o sujeito passivo e para a Administração Pública6. Posteriormente foi instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) a partir de 02.11.1998, disciplinada por atos normativos supervenientes, em que o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício7. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 8, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF9. Ademais, o art. 47 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fixa com condição para que a pessoa jurídica submetida a ação fiscal possa pagar, até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo somente se estivessem já declarados com o efeito de confissão de dívida. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 0540, no Livro Caixa, fls. 66103, no Livro de 5 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, Instrução Normativa SRF nº 89, de 28 de agosto de 1984 e a na Instrução Normativa SRF nº 79, de 27 de junho de 1986. 6 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 9 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 390 11 Apuração de ICMS, fls. 104129 e nos recolhimentos efetuados, fls. 4449, bem como pela não confissão de dívida desses valores em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 4449, já que houve opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, em conformidade com o Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130 134, e com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2003 Períodos (A) Valores Informados nas DIPJ R$ (B) Valores Não Informados nas DCTF Omissão de Receita R$ (C) 1º Trimestre de 2003 598.860,00 598.860,00 2º Trimestre de 2003 569.389,73 569.389,73 3º Trimestre de 2003 601.958,45 601.958,45 4º Trimestre de 2003 633.911,09 633.911,09 Está registrado no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130 134, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em 25 de setembro de 2007 a fiscalizada tomou ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal (doc. de fls. 48 a 50) por via postal AR (aviso de recebimento), através do qual foi intimada a apresentar dentre outros elementos, os livros fiscais e contábeis do anocalendário 2003 e posteriormente, os cupons fiscais e mapas resumo ECF MRE de alguns meses, para amostragem. Para o anocalendário 2003, foi apresentada a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) n° 1173589 (doc. de fls. 03 a 38), com opção pelo LUCRO PRESUMIDO, na qual constam como faturamento mensal os valores expressos na tabela abaixo, conforme fichas 14A (Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido), 18 A ( Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, 19A (Cálculo do PIS), e 20A (Cálculo da COFINS):[...] Os valores contabilizados mensalmente; em seu Livro Caixa a título de "Vendas de Mercadorias" (doc. de fls. 62 a 99), são iguais aos valores declarados na DIPJ do anocalendário de 2003 (doc. de fls. 03 a 38). O mesmo se verificou no Livro Fiscal de Registro de Apuração de ICMS (doc. de fls. 100 a 125), quando os valores contábeis registrados nas saldas do período são exatamente iguais aos contabilizados no Livro Caixa e os declarados na DIPJ do respectivo período. Constatei, no entanto, que a fiscalizada encontravase omissa de apresentação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente ao ano calendário de 2003. Procedi então à lavratura do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (doc. de fls. 51 a 53), datado de 24 de outubro de 2007, intimando a fiscalizada a se manifestar em relação ao fato. Em 26 de outubro de 2007, em carta resposta (doc. de fls. 61), a fiscalizada informa que: "...consulta a agência da Receita Federal do Brasil em Cachoeiro de IrapemerimES , não localizada o recebimento da DCTF ano calendário 2003, outrossim a empresa estava dispensada pois seus impostos, eram de valores inferiores, conforme legislação em vigor.. e continua . . o faturamento anual apresentado, estaria enquadrada como ME/EPP ...". Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 391 12 O teor da cartaresposta (doc. de fls. 61), acima transcrito, não procede, tendo em vista que o disposto na Instrução Normativa SRF 255/02, vigente para 2003, no seu artigo 3º, I, estabelece: "estão" dispensadas da , apresentação da Declaração de Débitos e Créditos .Tributários Federais DCTF as microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) enquadradas no SIMPLES" e a empresa fiscalizada, CALVI Produtos Alimentícios Ltda, não atende ao dispositivo aqui.expresso,conforme relato a seguir: Das condições de enquadramento como ME e EPP para efeito do SIMPLES: De acordo com a Lei 9.317/96" 'e suas"., alterações, aplicáveis ao ano calendário em questão, o valor da receita bruta anual deveria ser igual ou inferior a R$120.000,00 para enquadrar a empresa como ME e, o valor da receita bruta anual superior a R$ 120.000,00 e igual ou inferior a R$1.200.000,00 para enquadrar a empresa como EPP. No entanto, a empresa fiscalizada apresenta em sua DIPJ 2004/anocalendário 2003, corroborada com seus Livros Fiscais e Contábeis do mesmo período, receita bruta anual no valor de R$2.397.119,27 (dois milhões trezentos e noventa e sete mil cento e dezenove reais e vinte e sete centavos). Depreendese, portanto, que a fiscalizada não atende as exigências legais vigentes à época. Da opção pela forma de tributação: A fiscalizada apresentou sua DIPJ 2004/anocalendário 2003 (doc. de fls. 03), tempestivamente e optou pela forma de tributação com base no Lucro Presumido.Portanto, não está enquadrada como empresa do SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). Diante do exposto, constatei que a fiscalizada estava obrigada à apresentação da DCTF e procedi à lavratura do Termo de Intimação Fiscal (doe. de fls. 54 e 55), intimandoa a apresentar a DCTF Declaração dos Débitos e Créditos Tributários Federais, do período de 2003 (período omisso), por meio da Internet, conforme determina a Nota Conjunta Cofis/Cosar n° 2001/00003, de 30 de Julho de 2001. Com a publicação da IN SRF 126/88 que instituiu a DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, a partir do anocalendário de 1999, esta declaração deve conter informações que sejam a expressão da verdade, pois a DCTF se constitui em CONFISSÃO de dívida o que equivale a um titulo executivo extrajudicial, passível de inscrição na Divida Ativa da União. A partir de então, a DIPJ (Declaração de, Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) deixa de ser instrumento de confissão de dívida. Assim, apesar dos recolhimentos efetuados pela fiscalizada, os débitos de impostos e contribuições apurados pela mesma em seus registros contábeis, não foram declarados em DCTF, sendo esta obrigatória, o que ensejará a formalização da exigência do crédito tributário abrangendo todos os tributos devidos, inclusive quanto aos valores constantes da DCTF entregue sob procedimento fiscal. Tendo em vista o exposto, procedi à apuração da receita bruta com base nos registros contábeis, ratificada pela fiscalizada, através da DIPJ 2004/anocalendário 2003 [...]. As diferenças apuradas na tabela acima correspondem ao faturamento mensal, base de cálculo do PIS e da COFINS e, trimestralmente correspondem à receita Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 392 13 bruta auferida, sobre a qual incidirá o percentual de presunção de Lucro e o percentual para a apuração da base de cálculo da CSLL PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO Diante dos fatos acima apresentados, procedi ao lançamento do Crédito Tributário, mantendo para tanto a opção da fiscalizada pela tributação com base no Lucro Presumido. A infração apurada enquadrarseá como ."Receita da Atividade", gerando tributação reflexa para a CSLL, PIS e COFINS, por falta de recolhimento, conforme discriminado no Auto de Infração de fls. 131 a 160. Em relação aos valores então pagos, está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1226.844, de 23.10.2009, fls. 314328: “Impugnação Procedente em Parte” para: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto: Não conhecer da Impugnação no que se refere aos valores já recolhidos, conforme parágrafos 7 a 11 do voto, mas cancelar a multa de ofício a eles relacionados (ver alínea seguinte), tornando definitivamente constituído o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$27.687,50, de CSLL, no valor de R$23.012,34, de PIS, no valor de R$1.558,14, e de Cofins, no valor de R$7.191,36, sem acréscimo da multa de ofício e dos juros moratórios; Considerar procedente em parte a Impugnação, para exonerar apenas a multa de ofício relacionada aos valores já pagos (ver alínea anterior), conforme parágrafos 15, 22 e 28 do voto, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722,17 e de CSLL, no valor de R$2.876,52, acrescidos de multa de ofício e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento; Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente diz que tem em seu favor provimento jurisdicional com trânsito em julgado sobre a exigência de PIS com fundamento no DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e no DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o Fl. 392DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 393 14 procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 10. A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício111213. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 14, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF15 Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial a apresentação do Per/DComp e a verificação da precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O Acórdão proferido pelo TRF da 2a Região na Apelação Civil nº 2001.50.02.0014818, já transitada em julgado, reconhece a inconstitucionalidade DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e no DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988 e a possibilidade de compensação do PIS recolhido até 17.12.1991 com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, fls. 210219: Tratase de apelações cíveis interpostas por ENCOPEL COMERCIO DE EMBALAGENS LTDA (fls. 117/122) e CALVI PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA (fls. 142/151), contra a sentença de fls. 106/114, que julgou extinto o processo sem julgamento do mérito, por ausência de interesse de agir, em relação ao pedido de declaração de inexistência de relação jurídica tributária tendo por objeto a exigibilidade do PIS nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 com fundamento no art.267 VI CPC e extinguiu o processo com julgamento de mérito por ocorrência da prescrição, em relação ao pedido de compensação com 10 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 11 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. 12 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 13 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 14 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 15 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 394 15 fundamento no art. 269 — IV CPC. Honorários fixados em 10% sobre o valor da causa. Custas ex lege. Nas suas razões recursais, ENCOPEL COMÉRCIO de EMBALAGENS LTDA sustenta a adequação da ação declaratória, pois, sua pretensão é a declaração de inexistência jurídica da cobrança do PIS, nos termos dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.445/88, face a inconstitucionalidade dos mesmos, bem como, o reconhecimento do direito da autora à compensação das importâncias pagas indevidamente, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91. Alega, que a prescrição ainda não ocorreu, por se tratar de contribuição sujeita a homologação e, inexistindo esta, o prazo decadencial começa a fluir após o decurso de cinco anos dá ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Nas suas razões recursais, CALVI PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA sustenta que ainda não ocorreu a prescrição do direito de compensar as parcelas indevidamente recolhidas a título de PIS, nos termos do art. 168 do CTN, pois, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a prescrição do direito de repetir ou compensar o indébito só ocorre em 10 anos. Argumenta ainda, que as ações declaratórias são imprescritíveis, razão pela qual, mesmo se já estivesse prescrito o direito da apelante em proceder à compensação dos valores pagos indevidamente à título de PIS, ainda assim, não poderia ser declarada a prescrição da ação. Contrarazões da União Federal às fls.156/170 e fls. 172/186. Parecer do Ministério Público Federal às fls.190/194, entendendo ser desnecessária, sua intervenção. E o relatório. Passo a decidir. O eg. Supremo Tribunal Federal decidiu que a contribuição destinada ao custeio do Programa de Integração Social (PIS) foi recepcionada pela Constituição de 1988 nos termos da Lei Complementar n° 7/70, sendo, porém, inconstitucionais os DecretosLeis n°s. 2.445/88 e 2.449/88 Cegamente do RE 148.7542/RJ DJ de 04/03/94). O Senado Federal, por sua vez, suspendeu a execução dos DecretosLeis em questão, através da resolução n° 49/95, pub,:caaa no DJ de 10/10/95. No que se refere à prescrição, o eg. Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do EREsp 435.835/SC, pela Primeira Seção, em 24.03.2004, onde foi Relator o Exmo. Ministro José Delgado, adotou novamente o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para haver a restituição e/ou compensação é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação expressa ou tácita, não mais acolhendo a tese da prescrição contada da data da declaração de inconstitucionalidade da exação em controle difuso (Resolução do Senado suspendendo a execução da norma) ou concentrado (ADIN) de constitucionalidade. Verifico, portanto que, de acordo com o novo entendimento da eg. Corte Superior, ao qual me inclino, no que se refere aos indébitos decorrentes da sistemática dos DecretosLeis n°s. 2.445/88 e 2.449/88, a prescrição atingiu apenas os valores referentes ao decênio anterior à propositura da ação, que foi ajuizada em 17 de dezembro de 2001. Não há que se falar em ausência de interesse de agir, uma vez que a inconstitucionalidade dos referidos decretos foi reconhecida, não estando prescrito o direito do autor em pleitear o ressarcimento de possível indébito fiscal. Ainda, em Fl. 394DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 395 16 face do princípio constitucional do amplo acesso à justiça, no processo sub judice fazse necessária a intervenção do Poder Judiciário para resolver o conflito de interesses existente entre as partes processuais e que transparece de modo inconteste nos autos, como também para compor a pretensão resistida. Instituise, por instrução normativa, a livre compensação entre quaisquer tributos OU contribuições, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Contudo, não garantiu, como aliás não se poderia fazer, o direito a essa compensação. No tocante à compensação, em que pese o entendimento anteriormente firmado no sentido de que somente poderiam ser compensáveis entre si tributos que fossem da mesma espécie e que possuíssem a mesma destinação constitucional, com a nova redação do art. 74, da Lei n° 9.430/96 (alterada pela Lei n° 10.637/2000), esse entendimento foi alterado, uma vez que, o referido artigo permite a compensação de tributos cuja arrecadação esteja a cargo da Secretaria da Receita Federal, independentemente de serem de espécies diferentes ou de destinação diversa. Disciplinado o citado dispositivo, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 210/2002, em que o artigo 21 deixa claro esse entendimento. Portanto, não há mais que se impor limites à compensação, uma vez que a legislação que rege a matéria permite a compensação entre quaisquer tributos que sejam administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os valores a serem compensados deverão ser corrigidos monetariamente, aplicandose os mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional para a correção de seus débitos fiscais. [...] Em face do exposto, dou provimento à apelação, com fundamento no art.557, § Io A do CPC c/c art. 43, § Io, VII do RI desta corte. Publiquese. Intimese. Decorrido o prazo legal, baixem os autos à Vara de Origem. Rio de Janeiro, 01 de abril de 2005. Nesse sentido a compensação no âmbito dos tributos administrados pela RFB têm rito próprio previsto no art. 170 e no art. 170A do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esse procedimento não se confunde com a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, a Recorrente deve apresentar o Per/Dcomp como condição essencial para o exercício do direito previsto no provimento jurisdicional, nos termos da legislação que rege a matéria. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada nos presentes autos. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 396 17 recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos16. Vale reiterar que sobre a multa incidente sobre os valores então pagos, está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1226.844, de 23.10.2009, fls. 314328: “Impugnação Procedente em Parte” para: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto: Não conhecer da Impugnação no que se refere aos valores já recolhidos, conforme parágrafos 7 a 11 do voto, mas cancelar a multa de ofício a eles relacionados (ver alínea seguinte), tornando definitivamente constituído o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$27.687,50, de CSLL, no valor de R$23.012,34, de PIS, no valor de R$1.558,14, e de Cofins, no valor de R$7.191,36, sem acréscimo da multa de ofício e dos juros moratórios; Considerar procedente em parte a Impugnação, para exonerar apenas a multa de ofício relacionada aos valores já pagos (ver alínea anterior), conforme parágrafos 15, 22 e 28 do voto, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722,17 e de CSLL, no valor de R$2.876,52, acrescidos de multa de ofício e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento ; No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso17. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade18. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da 16 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 17 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 18 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 397 18 Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 19. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 19 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720060/2013-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-005.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2013 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
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