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Numero do processo: 10670.720021/2005-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL.
Ao procedimento de compensação aplica-se a legislação vigente à época em que se efetua o confronto dos créditos e débitos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1102-001.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que afastavam a exigência de reconhecimento do benefício pela Receita Federal, e prosseguiam no julgamento de mérito para avaliar a procedência do direito creditório.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Crédito oriundo de saldo negativo apurado em razão da dedução de benefícios fiscais no âmbito da SUDENE. Recorrente COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS COTEMINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA. Inexiste ofensa ao instituto da coisa julgada quando as alegações deduzidas pela parte vão além da matéria definitivamente decidida em outro processo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 BENEFÍCIOS FISCAIS. SUDENE. RECONHECIMENTO. A retrospectiva histórica da legislação sobre os benefícios fiscais calculados sobre o lucro da exploração e concedidos no âmbito da SUDENE permite concluir que os benefícios originalmente instituídos pelo artigo 13 da Lei nº 4.239/63 carecem de reconhecimento formal, pela Receita Federal, para que a empresa beneficiária possa fruir seu direito. Por outro lado, os benefícios originalmente instituídos pelo artigo 14 da mesma Lei, mantém essa necessidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. Ao procedimento de compensação aplicase a legislação vigente à época em que se efetua o confronto dos créditos e débitos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 21 /2 00 5- 29 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.031 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que afastavam a exigência de reconhecimento do benefício pela Receita Federal, e prosseguiam no julgamento de mérito para avaliar a procedência do direito creditório. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase recurso voluntário interposto por COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS – COTEMINAS contra acórdão proferido pela DRJ/Juiz de Fora que concluiu pela procedência parcial de pedido de compensação (PER/DCOMP anexada de fls. 14 a 24) de oito débitos de tributos federais referentes a períodos de apuração ocorridos entre 2002 e 2003 com o crédito de R$ 2.375.137,57 decorrente do saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2001. A DRF/Montes ClarosMG, mediante o Despacho Decisório nº 294/2005 (fls. 336 a 391), não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão, motivada pelo questionamento de aspectos relacionados a benefícios fiscais calculados sobre o lucro da exploração e concedidos no âmbito da SUDENE, concluiu pela indevida dedução do valor de R$ 24.974.114,57, a título de isenção e redução, na apuração do imposto devido no anocalendário de 2001. Com a glosa dessa dedução, o saldo negativo seria revertido para um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 22.598.977,00. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.032 3 Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade (fls. 400 a 435) na qual reuniu diversos argumentos para demonstrar que fazia jus a todos os benefícios fiscais questionados. As circunstâncias evidenciadas pelos argumentos apresentados fizeram com que a já mencionada DRJ/Juiz de Fora, através dos despachos de fls. 865/866 e 897, convertesse o julgamento em diligência para que a unidade de origem elaborasse nova apuração do imposto devido no anocalendário de 2001. Essa diligência (fls. 939 a 948) restabeleceu a maioria das deduções a título de isenção, o que redundou numa nova apuração de saldo negativo, desta vez, no valor de R$ 2.242.570,77. Ainda assim, a empresa interpôs manifestação de inconformidade complementar (fls. 951 a 970) por não se conformar com o não restabelecimento total das deduções a título de isenção e redução. A 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora proferiu, então, o Acórdão nº 0932.488 (fls. 984 a 993), de 24 de novembro de 2010, por meio do qual reconheceu o direito creditório referente (i) ao saldo negativo apurado na diligência efetuada pela unidade de origem e (ii) ao acréscimo no referido saldo negativo correspondente à parcela remanescente da dedução a título de isenção que ainda não tinha sido admitida (referente à filial de CNPJ nº 22.677.520/001652). A compensação declarada foi, nesta conformidade, homologada até o limite do direito creditório reconhecido. Com isso, do total do crédito originalmente pleiteado, restou uma pequena parcela correspondente ao saldo negativo que seria apurado se também fosse admitida a dedução a título de redução do imposto devido que, segundo a empresa, teria direito o seu estabelecimento matriz. Mais especificamente, o citado direito é o benefício fiscal de redução do imposto, no percentual de 37,5% aplicado sobre o imposto de renda e adicionais não restituíveis, conforme estabelecido pelo § 2º, I, do artigo 3º da Lei 9.532/97. Apesar dos argumentos invocados pela empresa, essa parcela não foi admitida pela instância a quo pelo fato de a matéria ter sido anteriormente apreciada pela mesma 2ª Turma daquela Delegacia de Julgamento em acórdão proferido nos autos de outro processo administrativo, o de nº 10670.000473/200591. Na ocasião, conforme trechos transcritos às fls. 881 e 882, decidiuse que a empresa só tinha direito ao citado benefício fiscal a partir de 26/12/2002. Isso porque o § 1º do artigo 80 da IN/SRF nº 267/02 fixou como termo inicial para fruição do benefício a data em que a pessoa jurídica apresentasse declaração de que satisfaz as condições preestabelecidas no órgão competente do Ministério da Integração Nacional. Ainda, segundo a DRJ, não seria possível a reapreciação da matéria porque o § 4º do artigo 3º do Decreto nº 4.213/02, bem como o § 4º do artigo 60 da mesma IN/SRF nº 267/02, expressamente determinaram que seriam irrecorríveis as decisões proferidas pelas delegacias de julgamento que denegassem pedidos de reconhecimento do direito à redução do imposto na área de atuação da, então, extinta SUDENE. Com o não reconhecimento do total do crédito originalmente pleiteado, a DRJ teve que enfrentar também um outro argumento suscitado na manifestação de inconformidade, qual seja, a inaplicabilidade dos acréscimos moratórios previstos no artigo 28 Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.033 4 da IN/SRF nº 210/02, com a redação dada pela IN/SRF nº 323/03. Para a empresa, tais acréscimos não são aplicáveis ao caso porque os fatos geradores do crédito e dos débitos indicados na compensação são anteriores à vigência da nova regulamentação dada por esta última IN. A instância a quo, contudo, rechaçou esse entendimento frisando que a alteração legislativa deve ser aplicada a todas as compensações pleiteadas após a sua vigência, independentemente dos períodos a que se referem os créditos e débitos indicados, tal como na situação que ocorreu no presente caso. Na parte que interessa, assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 MATÉRIA DEFINITIVAMENTE JULGADA. NOVO JULGAMENTO. Não cabe, por impedimento legal, reanalisar quaisquer dos argumentos apresentados pelo interessado quanto ao não reconhecimento, já definitivamente julgado na esfera administrativa, de seu direito à redução de 37,5% do IRPJ calculado com base no lucro de exploração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO DÉBITOS VENCIDOS A partir de 28/05/2003. os débitos objeto de compensação sofrerão a incidência de acréscimos moratórios. na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário onde requer a reforma da decisão na parte que ainda lhe foi desfavorável, de modo a reconhecer a totalidade do crédito originalmente pleiteado e homologar a totalidade das compensações declaradas. Para isso, deduz os seguintes argumentos: a) Inexiste coisa julgada a ser imponível ao presente processo. O processo nº 10670.000473/200591 foi instaurado apenas para homologação de benefício já reconhecido pelo Ministério da Integração Nacional. Tratou, portanto, de pedido de natureza diferente daquela que aqui se trata, no caso, o pedido de compensação. Os efeitos de uma decisão que reconheça o direito creditório deste processo consistiria tão somente na homologação das compensações declaradas. b) A recorrente faz jus, para seu estabelecimento matriz, à redução da alíquota do IR incidente sobre o lucro de exploração avindo da comercialização de fios, tecidos e subprodutos de algodão e sintéticos, desde 12/03/92, benefício que foi outorgado pela SUDENE através da Declaração DAÍ/PTE 190/92. Com as alterações promovidas no regime de benefício fiscal de redução do imposto e adicionais não restituíveis pela MP nº 2.058/00, reeditada pela MP nº 2.19914/01, a recorrente mantevese beneficiária Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.034 5 pelo fato de estar incluída dentre os setores prioritários previstos no artigo 2º do Decreto nº 4.213/02 (têxtil). Portanto, seu benefício fiscal nunca foi extinto. c) A decisão proferida no processo nº 10670.000473/200591 fundamentou seu posicionamento acerca do termo inicial para a fruição do benefício fiscal (26/12/2002) através do Laudo Constitutivo nº 0060/2005 expedido pelo Ministério da Integração Nacional. O fato de este Laudo ter sido editado após longo transcurso de tempo desde a emissão da Declaração DAÍ/PTE 190/92 não afasta o direito preexistente da empresa. A homologação do benefício junto à Receita Federal tem a virtude de apenas reconhecer seu direito, já concedido por lei, pendente apenas de verificação acerca da implementação dos requisitos apontados na norma e a indicação precisa do objeto da redução. d) O § 1º do artigo 80 da IN/SRF nº 267/02 deve ser analisado conjuntamente com a redação do seu caput. O sentido que se extrai dessa análise é que o termo de início só se aplicaria para as empresas que tiveram o benefício cessado e, após um reenquadramento de suas atividades como prioritárias, passaram a fazer jus ao gozo do benefício de redução. Contudo, a redação do artigo 2º da MP nº 2.19914/01 é clara e determina que o benefício fiscal jamais cessou para as empresas consideradas relevantes para o desenvolvimento da região abrangida pela SUDENE, independentemente da edição de qualquer ato normativo. É inequívoca, portanto, a inaplicabilidade do artigo 80 da IN/SRF nº 267/02. Ademais, ainda que se entenda que o requisito da homologação pela Receita Federal seria necessário, ele só foi instituído em 23/12/2002 (data da edição da IN), assim, o benefício há de ser reconhecido para o período anterior conforme as normas até então vigentes. e) São inaplicáveis os acréscimos moratórios previstos no artigo 28 da IN/SRF nº 210/02, com a redação dada pela IN/SRF nº 323/03. Isso porque os fatos geradores do crédito e dos débitos indicados na compensação são anteriores à vigência da nova regulamentação dada por esta última IN. A redação anterior previa que se o pagamento a maior fosse anterior ao vencimento do débito, a compensação seria considerada efetuada na data da realização daquele pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.035 6 Inicialmente, há que se enfrentar a alegação de coisa julgada. Isso porque ao se entender, como a DRJ, que não cabe mais discutir o direito creditório atinente à parcela do saldo negativo que seria apurado se fosse admitida a dedução a título de redução do imposto devido referente ao estabelecimento matriz da recorrente, o mérito do recurso residiria unicamente na análise do pedido de inaplicabilidade dos acréscimos moratórios. A recorrente afirma que o processo nº 10670.000473/200591 foi instaurado para obter a homologação do citado benefício. Tratou, portanto, de pedido de natureza diferente daquela que aqui se trata, no caso, o pedido de compensação. Na argumentação desenvolvida em seu recurso, sustenta que o instituto da coisa julgada só pode ser oponível a outro processo se houver plena identidade de partes, pedido e causa de pedir. Realmente, não se pode falar em coisa julgada quando os dois processos possuem pedidos diferentes. Neste sentido, aliás, já lecionava o Professor Humberto Theodoro Júnior (Cf. Curso de Direito Processual Civil, 1 v., 38ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 478.): “para ser acolhida a exceção de res iudicata, haverá de concorrer, entre as duas causas, a tríplice identidade de partes, pedido e causa de pedir (art. 301, §2º)”. No entanto, é de se notar que o voto condutor da decisão recorrida não se socorreu do instituto da coisa julgada, mas, do fato de que a matéria estaria definitivamente julgada por força que dispõem o § 4º do artigo 3º do Decreto nº 4.213/02 e o § 4º do artigo 60 da IN/SRF nº 267/02. Confirase: Decreto nº 4.213/02: Art.3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. (...) §4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. (grifei) IN/SRF nº 267/02: Art. 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. (...) § 4º Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da DRJ que denegar o pedido. (grifei) Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.036 7 Ou seja, o raciocínio da autoridade julgadora foi no sentido de que a matéria discutida no processo nº 10670.000473/200591, qual seja, o reconhecimento do direito ao benefício de redução, não sendo recorrível por determinação regulamentar (Decreto e Instrução Normativa), já possuía um entendimento definitivo no âmbito administrativo. Por isso, aplicou a decisão contida naquele processo como razão de decidir a causa contida neste processo. Nada obstante, verifico que as alegações sobre o mérito do direito ao benefício da redução deduzidas pela recorrente vão além da decisão proferida no outro processo. Isso porque ela questiona a própria necessidade de existir um ato da Receita Federal para que seu direito seja reconhecido. Com efeito, seu recurso é claro ao argumentar que a homologação do benefício junto à Receita Federal tem a virtude de apenas reconhecer seu direito, já concedido por lei, pendente apenas de verificação acerca da implementação dos requisitos apontados na norma e a indicação precisa do objeto da redução. Diante disso, considero indispensável a análise da necessidade da homologação, pela Receita Federal, do benefício que já estava previsto em lei. Sobre o assunto, esta Turma se manifestou no recente Acórdão nº 1102 000.873. Na ocasião, o relator do caso, o ilustre Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, apresentou em seu voto uma breve retrospectiva da legislação a respeito do tema que, apesar da maior amplitude em relação à situação do presente processo, por ser demais esclarecedora, peço vênia para reproduzila: Inicialmente, assim dispôs a Lei no 4.239/1963 a respeito (grifos acrescidos): “Art 13. Os empreendimentos industriais ou agrícolas que se instalarem, modernizarem, ampliarem ou diversificarem, nas áreas de atuação da SUDAM ou da SUDENE, até o exercício de 1982, inclusive, ficarão isentos do imposto de renda e adicionais não restituíveis incidentes sobre seus resultados operacionais, pelo prazo de 10 anos, a contar do exercício financeiro seguinte ao ano em que o empreendimento entrar em fase de operação ou, quando for o caso, ao ano em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em operação, segundo laudo constitutivo expedido pela SUDAM ou SUDENE. Art 14. Até o exercício de 1973 inclusive, os empreendimentos industriais e agrícolas que estiverem operando na área de atuação da SUDENE à data da publicação desta lei, pagarão com a redução de 50% (cinqüenta por cento) o impôsto de renda e adicionais não restituíveis. Art 16. A SUDENE, mediante as cautelas que instituir, fornecerá, as emprêsas interessadas, declaração de que satisfazem as condições exigidas para o benefício da isenção a que se refere o artigo 13, ou da redução prevista no artigo 14, documento que instruirá o processo de reconhecimento pelo Diretor da Divisão do Impôsto de Renda, do direito das emprêsas ao favor tributário.” Portanto, a Lei no 4.239/1963 previa inicialmente que tanto o benefício de isenção (art. 13) quanto o de redução (art. 14) deveriam ser objeto de um processo de reconhecimento do direito pelo então Diretor da Divisão do Imposto de Renda (art. 16). Notese que somente com relação ao benefício de isenção (art. 13) havia menção a laudo constitutivo expedido pela Sudene. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.037 8 Regulamentando o art. 16, determinou o Decreto no 55.334, de 31 de dezembro de 1964, ora já revogado, que o Diretor da Divisão do Imposto de Renda decidiria sobre cada pedido de reconhecimento de direito à isenção ou redução dentro de 180 dias da respectiva apresentação à competente repartição fiscal, findos os quais, se não fosse a empresa notificada de decisão contrária ao pedido, e tendo o favor fiscal sido recomendado pela SUDENE, considerarseia a interessada automaticamente em pleno gozo da isenção ou da redução pretendida. Posteriormente, a Lei no 5.508/1968 determinou o seguinte (grifos acrescidos): “Art 37. Os benefícios previstos no art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, modificado pelo art. 34 desta Lei, uma vez reconhecidos pela SUDENE, serão comunicados às Delegacias Regionais e Seccionais do Impôsto de Renda para tomarem conhecimento da concessão.” Esta mesma lei havia promovido alterações tanto ao art. 13 (isenção) quanto ao art. 14 (redução) da lei anterior. Contudo, somente com relação ao art. 13 (isenção) é que observou que as Delegacias Regionais e Seccionais do Imposto de Renda seriam apenas “comunicadas” da concessão do benefício pela Sudene. Portanto, com relação aos benefícios de isenção, a lei retirou da Receita Federal o poder de reconhecimento do direito. A esta nova disposição legal teve de adaptarse a regulamentação. Foi então editado o Decreto no 64.214, de 18 de março de 1969, que, nos seus artigos 1o e 3o tratou do benefício de redução, no seu artigo 2o tratou do benefício de isenção, e no seu artigo 8o assim dispôs (grifos acrescidos): “Art. 8º A Secretaria Executiva da SUDENE, analisando a documentação a que se refere o artigo anterior e procedendo às investigações que julgar necessárias, emitirá parecer fundamentado para apreciação do Conselho Deliberativo, propondo, quando fôr o caso, a expedição da declaração a que alude o artigo 7º, ou o reconhecimento, pelo mesmo Conselho Deliberativo, do direito à isenção prevista no artigo 2º dêste Decreto, nos têrmos do artigo 37, da Lei nº 5.508, de 11 de outubro de 1968. § 1º As pessoas jurídicas ou firmas individuais, em favor das quais a SUDENE expedir a declaração a que alude o artigo anterior, instruirão, com o referido documento, o processo de reconhecimento, pelo órgão próprio da Secretaria da Receita Federal, do direito ao gôzo do beneficio previsto nos artigos 1º e 3º dêste Decreto, devendo o pedido formulado ser encaminhado àquela repartição, através da Delegacia da Receita Federal a que estiver jurisdicionado o requerente. § 2º O órgão próprio da Secretaria da Receita Federal decidirá sôbre cada pedido de reconhecimento do direito à redução prevista nos artigos 1º e 3º dêste Decreto, dentro de 180 (cento e oitenta) dias da respectiva apresentação à competente repartição fiscal.” Mais adiante, a Lei no 9.532/97 trouxe novas alterações relativas a esses benefícios no seu artigo 3o, verbis: “Art. 3º Os benefícios fiscais de isenção, de que tratam o art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, o art. 23 do DecretoLei nº 756, de 11 de agosto de 1969, com a redação do art. 1º do DecretoLei nº 1.564, de 29 de julho de 1977, e o inciso VIII do art. 1º da Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, para os projetos de Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.038 9 instalação, modernização, ampliação ou diversificação, aprovados pelo órgão competente, a partir de 1º de janeiro de 1998, observadas as demais normas em vigor, aplicáveis à matéria, passam a ser de redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis, observados os seguintes percentuais: (Vide Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) I 75% (setenta e cinco por cento), a partir de 1º de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II 50% (cinqüenta por cento), a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III 25% (vinte e cinco por cento), a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. § 1º O disposto no caput não se aplica a projetos aprovados ou protocolizados até 14 de novembro de 1997, no órgão competente, para os quais prevalece o benefício de isenção até o término do prazo de concessão do benefício. § 2º Os benefícios fiscais de redução do imposto de renda e adicionais não restituíveis, de que tratam o art. 14 da Lei nº 4.239, de 1963, e o art. 22 do Decreto Lei nº 756, de 11 de agosto de 1969, observadas as demais normas em vigor, aplicáveis à matéria, passam a ser calculados segundo os seguintes percentuais: I 37,5% (trinta e sete inteiros e cinco décimos por cento), a partir de 1º de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; II 25% (vinte e cinco por cento), a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III 12,5% (doze inteiros e cinco décimos por cento), a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. § 3º Ficam extintos, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2014, os benefícios fiscais de que trata este artigo.” Em síntese, portanto, a Lei no 9.532/97: transformou o benefício de isenção, previsto no art. 13 da Lei no 4.239/63, em benefício de redução, com percentuais decrescentes ao longo do tempo, ressalvados apenas os projetos já aprovados ou protocolizados até 14 de novembro de 1997; alterou o benefício de redução, previsto no art. 14 da Lei no 4.239/63, estabelecendo percentuais menores e decrescentes ao longo do tempo; determinou a extinção de ambos os benefícios a partir de 1º de janeiro de 2014. Entretanto, esta lei em nada alterou a forma como se deveria dar o reconhecimento da concessão. Ao contrário, expressamente determinou que, para ambos os benefícios, fossem “observadas as demais normas em vigor, aplicáveis à matéria”. Tanto é assim que o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (atual Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), continua a fazer a distinção entre as formas de reconhecimento do benefício de redução e do de isenção (vide, neste Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.039 10 sentido, o art. 550, que trata da isenção – e da isenção transformada em redução – e faz referência ao art. 37 da Lei no 5.508/68, e o art. 553, que trata da redução, e faz referência ao art. 16 da Lei no 4.239/63). Posteriormente, a Medida Provisória no 219914, de 2001 (oriunda de sucessivas reedições desde a MP no 2.058/2000, original) trouxe novas alterações relativas a esses benefícios em seus artigos 1o e 2o, verbis: “Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2018 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) § 1o A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do anocalendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1oA. As pessoas jurídicas fabricantes de máquinas, equipamentos, instrumentos e dispositivos, baseados em tecnologia digital, voltados para o programa de inclusão digital com projeto aprovado nos termos do caput terão direito à isenção do imposto sobre a renda e do adicional, calculados com base no lucro da exploração. (Incluído pela Lei nº 12.546, de 2011) § 2o Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1o, a fruição do benefício darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo. § 3o O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3oA. No caso de projeto de que trata o § 1oA que já esteja sendo utilizado para o benefício fiscal nos termos do caput, o prazo de fruição passa a ser de 10 (dez) anos contado a partir da data de publicação da Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011. (Incluído pela Lei nº 12.546, de 2011) § 4o Para os fins deste artigo, a diversificação e a modernização total de empreendimento existente serão consideradas implantação de nova unidade produtora, segundo critérios estabelecidos em regulamento. § 5o Nas hipóteses de ampliação e de modernização parcial do empreendimento, o benefício previsto neste artigo fica condicionado ao aumento da capacidade real instalada na linha de produção ampliada ou modernizada em, no mínimo: I vinte por cento, nos casos de empreendimentos de infraestrutura (Lei nº 9.808, de 20 de julho de 1999) ou estruturadores, nos termos e nas condições estabelecidos pelo Poder Executivo; e Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.040 11 II cinqüenta por cento, nos casos dos demais empreendimentos prioritários. § 6o O disposto no caput não se aplica aos pleitos aprovados ou protocolizados no órgão competente e na forma da legislação anterior, até 24 de agosto de 2000, para os quais continuará a prevalecer a disciplina introduzida pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. § 7o As pessoas jurídicas titulares de projetos de implantação, modernização, ampliação ou diversificação protocolizados no órgão competente e na forma da legislação anterior a 24 de agosto de 2000, que venham a ser aprovados com base na disciplina introduzida pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.532, de 1997, e cuja atividade se enquadre em setor econômico considerado prioritário, em ato do Poder Executivo, poderão pleitear a redução prevista neste artigo pelo prazo que remanescer para completar o período de dez anos. § 8o O laudo a que se referem os §§ 1o e 2o será expedido em conformidade com normas estabelecidas pelo Ministério da Integração Nacional. § 9o O laudo de que trata o § 1o poderá, exclusivamente no ano de 2001, ser expedido até o último dia útil do mês de outubro. Art. 2o Fica extinto, relativamente ao período de apuração iniciado a partir de 1o de janeiro de 2001, o benefício fiscal de redução do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, de que trata o art. 14 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, e o art. 22 do DecretoLei nº 756, de 11 de agosto de 1969, exceto para aqueles empreendimentos dos setores da economia que venham a ser considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, e para os que têm sede na área de jurisdição da Zona Franca de Manaus.” O artigo 1o, portanto, trata dos projetos aos quais aplicase a isenção do imposto (transformada em redução), e estabelece que os novos projetos que venham a ser aprovados fazem jus à redução de 75%, pelo prazo de 10 anos (sem a redução escalonada decrescente, portanto), contudo, desde que tais projetos se enquadrem em setores da economia que venham a ser considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional. O § 7o deste artigo confere a possibilidade de os projetos, enquadrados em setores considerados prioritários, porém já protocolizados com base na legislação anterior, e que venham a ser aprovados com base na disciplina introduzida pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.532, de 1997 (i.e, referente aos benefícios fiscais de isenção, convertida em redução escalonada, de que trata o art. 13 da Lei nº 4.239/63), pleitearem a redução prevista no caput, de 75%, pelo prazo que remanescer para completar o período de dez anos. Já os projetos não enquadrados em setores considerados prioritários, continuam a observar a disciplina introduzida pelo caput do art. 3o da Lei nº 9.532/97, ou seja, a redução escalonada decrescente. Além de não ter havido qualquer revogação expressa do art. 13 da Lei nº 4.239/63, verificase, pelo exposto, a ligação ontológica do art. 1o da Medida Provisória no 219914, de 2001, com o art. 13 da Lei nº 4.239/63. Ressaltese ainda a expressa menção que faz o referido art. 1o ao laudo constitutivo, a ser expedido pelo Ministério da Integração Nacional, bem como a ressalva quanto às “demais normas em vigor aplicáveis à matéria”. O artigo 2o da MP no 219914/2001, por sua vez, trata dos empreendimentos que fazem jus ao benefício de redução do imposto, originalmente instituído pelo art. 14 da Lei nº 4.239/63, e estabelece que o referido benefício (com a redução escalonada decrescente estabelecida pela Lei no 9.532/97) permanece mantido para Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.041 12 os empreendimentos em setores considerados, pelo Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional (a redação do dispositivo fala em extinção do benefício, porém ressalva, por exceção, os empreendimentos em setores considerados prioritários – o efeito é rigorosamente o mesmo). Contrariamente ao arguido no recurso, portanto, é fácil perceber que tampouco houve revogação, quer expressa, quer tácita, do art. 14 da Lei nº 4.239/63. Em síntese, temse que os benefícios instituídos pelos artigos 13 e 14 da Lei nº 4.239/63 não foram revogados pela Medida Provisória no 219914, de 2001, mas tão somente foram por ela substancialmente alterados. Por outro lado, a forma de reconhecimento desses benefícios não foi alterada, exceto pelo fato de que, por força de outra Medida Provisória (MP no 21565/2001, oriunda de sucessivas reedições da MP no 2145, de 2 de maio de 2001, e que determinou a extinção da Sudene), o laudo constitutivo, a ser expedido no caso do benefício de que trata o art. 13 da Lei nº 4.239/63 (isenção transformada em redução) passou a ser emitido pela ADENE – Agência de Desenvolvimento do Nordeste, vinculada ao Ministério da Integração Nacional. Este fato é confirmado pela alteração na redação do § 1o do art. 1o da Medida Provisória no 219914, de 2001: na redação original, da MP no 2.058/2000, constava que o laudo constitutivo seria emitido pela Sudene; posteriormente, a redação passou a determinar que o laudo seria emitido pelo Ministério da Integração Nacional. (...) Ocorre que, para regulamentar as alterações promovidas pela Medida Provisória no 219914/2001, no tocante aos benefícios afetos à Sudene, foi editado o Decreto nº 4.213/2002, abaixo parcialmente transcrito (grifos acrescidos): “Art. 1º Este Decreto define os empreendimentos prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da extinta Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE, para fins dos benefícios de redução do imposto de renda, inclusive de reinvestimento, de que tratam os arts. 1º, 2º e 3º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001. (...) Art. 3o O direito à redução do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis incidentes sobre o lucro da exploração, na área de atuação da extinta SUDENE será reconhecido pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, instruído com o laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. § 1o O chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da respectiva apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2o Expirado o prazo indicado no § 1o, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.042 13 § 3o Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá impugnação para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4o Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que denegar o pedido. § 5o Na hipótese do § 4o, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6o A cobrança prevista no § 5o não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2o.” Este novo decreto, portanto, intentou submeter ambos os incentivos, originariamente instituídos pelos artigos 13 e 14 da Lei nº 4.239/63, ao crivo da Secretaria da Receita Federal, para fins de reconhecimento do direito à redução do imposto. A Instrução Normativa SRF nº 267, de 2002, trilha o mesmo caminho. Estes, aliás, foram os dois normativos citados pela autoridade fiscal para considerar indevidas as deduções do imposto feitas pela recorrente, uma vez que não haviam sido apresentados os pedidos de reconhecimento do direito ao titular da unidade da SRF da sua jurisdição. Para concluir, conforme restou exposto na breve digressão histórica acima feita, o argumento recursal, de que a exigência de reconhecimento do direito pela Secretaria da Receita Federal teria suporte em dispositivos meramente regulamentares, é apenas parcialmente verdadeiro. De fato, no caso do benefício originalmente instituído pelo art. 13 da Lei nº 4.239/63 (isenção, posteriormente convertida em redução) isto tornouse verdade a partir da alteração introduzida pelo art. 37 da Lei no 5.508/68, dispositivo este em nenhum momento revogado. Contudo, no caso do benefício de redução, originalmente instituído pelo art. 14 da Lei nº 4.239/63, a exigência de reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal sempre esteve assente em lei. Portanto, a conclusão daquele ilustre Conselheiro, com a qual estou plenamente de acordo, é a de que, no caso dos benefícios originalmente instituídos pelo artigo 13 da Lei nº 4.239/63, não há necessidade do reconhecimento formal, pela Receita Federal, para que a empresa beneficiária possa fruir seu direito. Por outro lado, no caso dos benefícios originalmente instituídos pelo artigo 14 da mesma Lei, há essa necessidade. O benefício que aqui se apresenta é o de redução do imposto, no percentual de 37,5% aplicado sobre o imposto de renda e adicionais não restituíveis, conforme estabelecido pelo § 2º, I, do artigo 3º da Lei 9.532/97. Tratase, consequentemente, da modalidade originalmente instituída pelo artigo 14 da Lei nº 4.239/63. Assim, havia, de fato, a necessidade de reconhecimento do benefício pela Receita Federal. E, como bem ressaltado no trecho do voto acima transcrito, tal exigência nunca perdeu sua fundamentação legal. Diversamente do que reclama a recorrente, o ato de reconhecimento é, sim, condição necessária para a fruição do benefício. Além disso, seguindo as orientações normativas, a decisão contida no processo nº 10670.000473/200591 fixou como termo inicial para fruição do benefício a data Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.043 14 de 26/12/2002. Quanto a isso, nada mais há a discutir. Isso porque, uma vez que se entenda necessário o ato da Receita Federal, está correta a decisão recorrida ao considerar a matéria definitivamente julgada. Afinal, a norma segundo a qual é irrecorrível a decisão da DRJ que denega o pedido de reconhecimento do benefício foi veiculada por decreto presidencial. Por conseguinte, quanto a essa determinação, este Colegiado também está vinculado. Resta, então, a análise do pedido de inaplicabilidade dos acréscimos moratórios. A recorrente pretende que a compensação seja considerada efetuada na data da realização do pagamento a maior em consonância com a redação original do artigo 28 da IN/SRF nº 210/02. No seu entender, a regra estabelecida com a nova redação dada ao dispositivo pela IN/SRF nº 323/03 não poderia ser aplicada ao caso porque os fatos geradores do crédito e dos débitos indicados na compensação são anteriores à sua vigência. Quanto a isso, importa perceber que, na essência, a compensação nada mais é do que um encontro de contas no qual um determinado crédito pode ser utilizado para solver tantos débitos quantos forem capazes de ser absorvidos por sua dimensão quantitativa. Usando da competência que lhe foi atribuída pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que consolida o instituto da compensação dos tributos federais, bem como considerando a previsão do artigo 61 da mesma Lei, segundo a qual sobre os débitos de tributos federais deve incidir acréscimos moratórios, a Receita Federal, em 28/04/2003, publicou a IN/SRF nº 323/03, que determinou nova regulamentação para a matéria ao alterar a redação do artigo 28 da IN/SRF nº 210/02. Confirase: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Parágrafo único. Na compensação de ofício, os juros compensatórios e acréscimos moratórios de que trata o caput serão calculados considerandose as seguintes datas: I do consentimento, expresso ou tácito, da compensação; ou II da efetivação da compensação, quando se tratar de débito inscrito em Dívida Ativa da União." Assim, a Receita Federal, no regular exercício de sua competência legislativa, editou nova norma para regulamentar a incidência dos acréscimos moratórios nas compensações efetuadas pelo sujeito passivo e nas compensações efetuadas de ofício. Não fez qualquer ressalva para situações em que os fatos geradores do crédito e dos débitos indicados na compensação fossem anteriores à sua vigência. Nesse sentido, foi precisa a decisão recorrida quando frisou que ao procedimento de compensação aplicase a legislação vigente à época em que se efetua o Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10670.720021/200529 Acórdão n.º 1102001.105 S1C1T2 Fl. 1.044 15 confronto dos créditos e débitos. No caso presente, o pedido foi originalmente apresentado em 17/07/2003 (fls. 3 e 14), portanto, quando já vigia a nova redação do artigo 28 da IN/SRF nº 210/02. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 13805.010650/96-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1992 a 28/02/1993, 01/06/1993 a 30/06/1993, 01/08/1993 a 30/09/1993, 01/03/1994 a 31/12/1995
FALTA DE RECOLHIMENTO.
É devida a exigência da contribuição apurada no confronto dos valores escriturados e os declarados/pagos, com os encargos legais correspondentes.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Karina Machado, OAB/SP nº 242.615.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1992 a 28/02/1993, 01/06/1993 a 30/06/1993, 01/08/1993 a 30/09/1993, 01/03/1994 a 31/12/1995 FALTA DE RECOLHIMENTO. É devida a exigência da contribuição apurada no confronto dos valores escriturados e os declarados/pagos, com os encargos legais correspondentes. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Karina Machado, OAB/SP nº 242.615. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 01 06 50 /9 6- 10 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescido de juros e multa proporcional, referente a períodos de apuração compreendidos entre setembro de 1992 a dezembro de 1995. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Em ação fiscal no domicilio da empresa, lançouse de oficio a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, por falta de recolhimento resultante de diferenças entre valores declarados e escriturados nos períodos acima, perfazendo, época, créditos nos valores totais de UFIR 34.457,57 (fatos geradores até 31/12/94) e R$ 572,03 (fatos geradores a partir de 01/01/95), conforme Auto de Infração (fl. 1 a 14). 2. A base legal do lançamento da contribuição foi a Lei Complementar (LC) n° 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 1 0, 2°, 30, 40 e 5'; quanto aos juros de mora: a Lei n° 8.383, de dezembro de 1991, art. 59, § 2°, a Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 38 e § 1°, a Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 84 e seu § 5°, a Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, art. 13; quanto à multa proporcional: a MP 298/91, art. 4°, I (convertida na Lei n°8.218, de 29 de agosto de 1991). As conversões para UFIR decorrem da Lei n° 8.383/91, art. 54, § 1°. A data da ciência é 11/09/1996. 3. A empresa impugnou em 11/10/1996 (fls. 69/70) e requer acolhimento da impugnação para julgar improcedente o auto e arquivar o processo, alegando, em síntese: a) os valores autuados foram recolhidos ou parcelados (PEPAR 10.880.008216/9599); b) a multa de 100% é indevida em razão do art. 10 da Lei 8.696/93, cabendo multa de mora de 20% e juros de mora de 1% ao mêscalendário ou fração. 4. Em 13/12/99, com fundamento no fato da interessada alegar recolhimento ou parcelamento e não ter atacado o auto em sua essência, o processo foi enviado EQCOB/DISAR para: certificar recolhimentos (fls 81/90 e 92/103); auditar cálculos dos períodos março a dezembro de 1994 e janeiro a dezembro de 1995 e anexar demonstrativo caso houver débito remanescente (fl 110). 5. A EQCOB certificou os recolhimentos em DARF referentes aos meses de 03 a 12/94 (fls. 81/90) e 01 a 12/95 (fls. 92/103), após pesquisar o sistema SINAL08, e concluiu estar liquidada a parte relativa aos períodos autuados entre 03/94 e 12/95, pois a diferença constituída fora recolhida antes do lançamento (fl 132 e 134). 6. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SP2 n.º 1616.091, de 15/01/2008 (fls. 277/289), assim ementado: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13805.010650/9610 Acórdão n.º 3202001.108 S3C2T2 Fl. 379 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1992 a 28/02/1993, 01/06/1993 a 30/06/1993, 01/08/1993 a 30/09/1993, 01/03/1994 a 31/12/1995 FALTA DE RECOLHIMENTO. É devida a exigência da contribuição apurada no confronto dos valores escriturados e os declarados/pagos, com os encargos legais correspondentes. JUROS DE MORA.TAXA SELIC. Cabimento dos juros pela taxa Selic (Lei n° 9.065/95, art. 13). MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Em lançamento decorrente de infração a dispositivo legal detectada em ação fiscalizadora é legitimo aplicar a multa de oficio. A multa superior a 75 % deve ser reduzida a este percentual. Retroação benigna do art. 44 da Lei n° 9.430/96 (ADN n° 1/1997). Lançamento Procedente em Parte Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 325/335, por meio do qual alega: Na impugnação apresentada, além de se insurgir contra a aplicação da multa de oficio de 100%, ainda demonstrou que os valores exigidos ou estavam pagos ou parcelados (PEPAR 10880.008216/9599). Após a apresentação da impugnação, foi proferido o r. despacho de fls. 110, onde se determinou a realização de análise para fins de se comprovar os recolhimentos cujas guias foram juntadas aos autos, o que motivou as imputações de fls. 120 e seguintes do feito, que disseram respeito, única e exclusivamente, às guias pagas que foram carreadas aos autos. Em que pese a constatação de que houve o abatimento de uma pequena parte das guias apresentadas, o fato é que a diligência determinada nada dispôs com relação ao parcelamento. Entretanto, em que pese a omissão em que incorreu o d. julgador a quo, o fato é que efetivou o parcelamento e adimpliu com os valores exigidos no presente feito, de modo que não poderia subsistir a exigência fiscal, eis que os débitos estão extintos por pagamento. Nesse passo, não é demais ressaltar que o próprio v. acórdão recorrido também se omitiu em tecer uma única palavra sobre o parcelamento. Consta nos autos a comprovação da sua realização e o il. órgão preparador do julgamento possuía plenas condições de realizar as verificações necessárias à constatação de que o débito exigido já está integralmente recolhido aos cofres públicos, cancelandose a integralidade do auto de infração com base no inciso I do art. 156 do Código Tributário Nacional. Ao final, requer seja acolhido e provido o Recurso Voluntário, de sorte que, previamente ao exame do seu mérito, seja o presente feito baixado para a DRJ, com a Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 determinação de que esta analise e emita manifestação expressa sobre o resultado da análise do parcelamento efetivado e adimplido. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A questão tratada nos autos não reclama deste Colegiado maior detença. O lançamento decorreu da falta de recolhimento da Cofins resultante de diferenças estimadas entre os valores declarados e os escriturados nos períodos de apuração a que se referem os autos. Como a Recorrente alegou, na impugnação, que as importâncias exigidas corresponderiam a valores já recolhidos ou parcelados, a instância de piso determinou à unidade administrativa de origem que esta se certificasse dos recolhimentos, efetuasse auditoria de cálculos através da imputação proporcional, aplicandose a multa de mora vigente à época dos fatos geradores, e informasse se havia crédito tributário remanescente (fl. 223). Em despacho anexado às fls. 267/271, a unidade de origem atestou, em relação ao período de 09/92 a 09/93, que houve, antes da autuação, recolhimentos iguais a cada uma das diferenças lançadas, daí a exoneração, pela DRJ, de parte do crédito tributário exigido. Todavia, quanto aos demais períodos, constatouse que a fiscalização deduziu, no cálculo de cada uma das diferenças estimadas, tanto os valores parcelados quanto os recolhidos, de modo que concluiu, como de outra forma não poderia deixar de concluir, que as bases de cálculo mensais da Cofins apuradas pela fiscalização excederam as bases apuradas pela Recorrente para parcelar ou para recolher (vide fl. 267). Eis claríssima passagem da decisão recorrida, no qual o assunto é abordado: “Nada disso foi contestado na peça recursal. Continuou a Recorrente a alegar o parcelamento, sem atentar, contudo, o que expressamente expôs o relator da decisão recorrida (Como as autuações de setembro/92 a fevereiro/93 e de junho, agosto e setembro/93 decorrem de diferenças a maior entre os valores escriturados e os declarados/pagos, já excluídas as quantias parceladas e recolhidas, subsiste cada um destes lançamentos”). (g.n.) Essa conclusão é especialmente corroborada com a análise da tela do extrato do processo de n.º 10880.008216/9599 (fls. 225/231), que consubstanciou parcelamento da Cofins devida em vários dos períodos de apuração, alguns dos quais coincidentes com os que foram lançados, no qual se vê que os valores parcelados não foram objeto do lançamento, pois iguais aos já apurados pela Recorrente. Nesse contexto, absolutamente equivocado alegar o parcelamento, para fins de redução dos valores devidos. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de voluntário. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13805.010650/9610 Acórdão n.º 3202001.108 S3C2T2 Fl. 380 5 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 382DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 12883.007203/2009-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1997
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 2403-002.491
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art.150 § 4º do CTN
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art.150 § 4º do CTN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 88 3. 00 72 03 /2 00 9- 64 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio De Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas De Souza Costa e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12883.007203/200964 Acórdão n.º 2403002.491 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Recife, DecisãoNotificação nº 15.401.4/0244/2006, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: 1. De acordo com o relatório fiscal, fls. 87/92, os discriminativos de fls. 4/36, e o anexo de fundamentos legais do débito, fls. 37/42, esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD apura contribuições devidas à seguridade social (parte dos segurados e patronal, incluindo SAT) e terceiros (INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 03/1996 a 13/1997. 2. As bases de cálculo foram obtidas nas guias de . Recolhimento do SalárioEducação em virtude de ter havido recusa a apresentação de documentos, e, ainda, a contabilidade do contribuinte autuado não demonstrar sua real movimentação, pois que: a) não se conseguiu identificar na contabilidade, no período indicado no relatório fiscal: processos trabalhistas; rescisões de contrato de trabalho; férias gozadas; pagamentos de prólabore aos sóciosgerentes; pagamentos a titulo de honorários do contador; documentos e arrecadação do salárioeducação; salário de José Gestosa Ferreira; pagamento ao jardineiro; b) não comprovação dos seguintes lançamentos contábeis: pagamento realizado, em 31/12/1996, a crédito da conta "caixa", no valor de R$ 295.066,00 (duzentos e noventa e cinco mil e sessenta e seis reais); pagamento efetuado, em 31/12/1996 a débito da conta "adiantamentos funcionários", no valor de R$ 113.260,00 (cento e treze mil, duzentos e sessenta reais), sem a identificação do beneficiário; pagamento efetuado na conta "contas a receber", no valor de R$ 154.600,00 (cento e cinqüenta e quatro mil e seiscentos reais); c) constatação de saldo credor na conta "caixa", nos meses de 04/1999 a 11/1999, e na conta "Banco Sudameris Brasil", nos meses de 02/1999 a 08/1999. 3. Diante destes fatos, o auditor notificante concluiu que, estando os balanços encerrados, com igualdade de valores a débito e a crédito e havendo comprovação de que os pagamentos (item 2, "a") foram realmente efetuados, não transitaram pela contabilidade regular os numerários necessários a fazer frente aos mesmos. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 4. O notificado apresentou, a fls. 130/145, tempestivamente, defesa, na qual, em síntese, argüiu: a) que o prazo decadencial para a constituição do crédito relativo às contribuições previdenciárias é o previsto no art. 173, do CTN, e não o do art. 45, da Lei 8.212/91, conforme mandamentos constitucionais; b) que o prazo previsto no art. 32, § 11, da Lei 8.212/91, tem de corresponder ao decadencial para a constituição do crédito respectivo, que é de 5 (cinco) anos; c) que seria necessário a identificação da relação de empregados cujo salário serviu de base para o lançamento, implicando.em cerceamento.de defesa essa omissão; d) que anexou parte da documentação supostamente não apresentada aos autos do Autode Infração 35.861.4074, bem como foram exíguos os prazos para a total apresentação dos documentos; e) que ao mesmo tempo em que tenta desqualificar a contabilidade, utiliza dados extraídos da mesma; f) que o pagamento de salário está devidamente registrado na conta "ordenados e salários"; g) que as hipóteses constantes do art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/91, fogem às particularidades do caso concreto; tiTque, tomando o valor do SalárioEducação registrado na conta 4.1.1.01.0065, resulta em bases inferiores às utilizadas na NFLD; i) que, na competência 11/1997, as contribuições exigidas no campo diferença, não correspondem As alíquotas aplicadas ao saláriodecontribuição de R$ 35.444,47 (trinta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e quarenta e sete centavos); j) que a taxa SELIC fere a norma constitucional do art. 192, § 3°, bem como utiliza metodologia incompatível com a matéria tributária, pois que deveriam ser regulados, os juros, por lei complementar. 5. In fine, requereu a improcedência da NFLD. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese, o mesmo que apresentou na impugnação. O recurso apresentado não foi encaminhado para o CRPS por falta do depósito recursal. É o relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12883.007203/200964 Acórdão n.º 2403002.491 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário e com a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, deste CARF. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial Fl. 347DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12883.007203/200964 Acórdão n.º 2403002.491 S2C4T3 Fl. 5 7 para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido ao regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.( Recurso 140.076, Acórdão 9101 da 1ª Turma da CSRF) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. Os relatórios RDA – Relatório de Documentos Apresentados e RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados registram a existência de recolhimentos. Aplico a regra do § 4°, art. 150. O período do lançamento é de 03/1996 a 12/1997. A ciência do lançamento ocorreu em 14/02/2006. Entendo atingido pela decadência todo o lançamento. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000908/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
PER/DCOMP. CONDIÇÃO.
O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. PER/DCOMP. CONDIÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. PER/DCOMP. CONDIÇÃO. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 08 /2 00 7- 31 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 381 2 MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 135141, com a exigência do crédito tributário no valor de R$68.173,92 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos quatro trimestres do ano calendário de 2003. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 0540, no Livro Caixa, fls. 66103, no Livro de Apuração de ICMS, fls. 104129 e nos recolhimentos efetuados, fls. 4449, bem como pela não confissão de dívida desses valores em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 4449, já que houve opção pelo regime de tributação com base no lucro Fl. 381DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 382 3 presumido, em conformidade com o Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130 134. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: Lei nº 9779, de 19 de janeiro de 1999, art. 224 e art. 518 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 142149 com a exigência do crédito tributário no valor de R$37.200,38 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970 e alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. III – O Auto de Infração às fls. 150157 com a exigência do crédito tributário no valor de R$171.694,93 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: parágrafo único do inciso II do art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22, art. 51 e art. 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 158164 a exigência do crédito tributário no valor de R$61.356,50 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 168175, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: O presente Auto de Infração em análise, em hipótese alguma poderá prosperar contra a impugnante, assim vejamos, a Contribuição Social s/ Lucro Liquido (do item 1), referese ao 1º trimestre 03/2003 no valor de R$ 6.467,68; 2º trimestre 06/2003 no valor de R$ 6.073,80; 3º trimestre 09/2003 no valor de R$ 6.501,15 e do 4º trimestre 12/2003 no valor de R$ 6.846,23 , portanto, faz prova neste ato, que todos os valores foram pagos, conforme DARF's em anexos. Quanto ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (do item 2), referese ao 1º trimestre 03/2003 no valor de R$ 7.186,31; 2º trimestre 06/2003 no valor de R$ 6.748,67; 3º trimestre 09/2003 no valor de R$ 7.223,50 e do 4º trimestre 12/2003 no valor de R$ 7.606,93, todos foram quitados, conforme DARF's em anexos. Em se tratando da Contribuição PIS/PASEP (do item 3), referese ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, sendo que foram pagos parte dos valores, conforme DARF's, e o restante compensado, através de créditos tributários (planilha em anexo), conforme processo judicial n.° 2001.50.02.0014818 (decisão em Fl. 382DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 383 4 anexo), transitado em julgado em 17/11/2005, e retificado na DCTF, conforme documentos em anexos. Da mesma forma, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (do item referese ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, sendo parte pagos conforme DARF's, e o restante compensado, através de créditos tributários (planilha em anexos), conforme processo judicial n.° 2001.50.02.0014818, transitado em julgado em 17/11/2005, e retificado na DCTF, conforme documentos em anexos. Todavia, se outro for o entendimento de V. Exa., o que se admite apenas a título de argumentação, também quanto ao mérito não merece melhor sorte a pretensão fiscal. Apresenta argumentos em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e requer a realização de diligência. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante das razões expostas, REQUER de V.Sa, se digne determinar que seja realizada diligência fiscal com o objetivo de ser sanada todas as dúvidas que por ventura existirem, quanto ao AUTO DE INFRAÇÃO em análise, para que o contribuinte não venha a ser penalizado de forma inteiramente absurda. Por fim, REQUER também, que o AUTO DE INFRAÇÃO seja julgado insubsistente, em face da improcedência do lançamento fiscal, quanto à multa aplicada pela ilustre autuante, agindo desta forma V. S.a, pode estar certa de que estará contribuindo, para que uma empresa continue no mercado, trabalhando, gerando riquezas e mais empregos para o País, ser medida da mais lídima JUSTIÇA. Está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1226.844, de 23.10.2009, fls. 314328: “Impugnação Procedente em Parte” para: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto: Não conhecer da Impugnação no que se refere aos valores já recolhidos, conforme parágrafos 7 a 11 do voto, mas cancelar a multa de ofício a eles relacionados (ver alínea seguinte), tornando definitivamente constituído o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$27.687,50, de CSLL, no valor de R$23.012,34, de PIS, no valor de R$1.558,14, e de Cofins, no valor de R$7.191,36, sem acréscimo da multa de ofício e dos juros moratórios; Considerar procedente em parte a Impugnação, para exonerar apenas a multa de ofício relacionada aos valores já pagos (ver alínea anterior), conforme parágrafos 15, 22 e 28 do voto, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722,17 e de CSLL, no valor de R$2.876,52, acrescidos de multa de ofício e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento ; e Indeferir o pedido de diligência. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 384 5 Intimese a Interessada para, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência deste acórdão, recolher o Crédito Tributário Mantido, sob pena de cobrança executiva, ressalvada, para as matérias impugnadas e conhecidas, a interposição de recurso voluntário, em igual prazo, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. À unidade competente para cientificar a interessada e demais providências de estilo, principalmente quanto à alocação dos pagamentos existentes aos créditos tributários correspondentes. Restou ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 DILIGÊNCIA Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelase prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 VALORES PAGOS ESPONTANEAMENTE E NÃO DECLARADOS. Os valores pagos, espontaneamente, relativos a débitos não declarados em DCTF nem informados em outro instrumento de confissão de dívida devem ser objeto de auto de infração, podendo, em sede de julgamento, ser cancelada a multa de ofício quando espontâneos os pagamentos, mantendose os valores principais lançados para que neles sejam alocados, vinculados ou aproveitados os pagamentos existentes. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003 REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO. A compensação de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, efetuase nos termos do art.74 da Lei n° 9.430/96. LANÇAMENTOS DECORRENTES DO DE IRPJ: CSLL, PIS E COFINS. Ressalvados os casos especiais, os lançamentos decorrentes colhem a sorte daquele que lhe deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Notificada em 30.04.2012, fls. 346 e 376, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 30.05.2012, fls. 347350, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 385 6 admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal, que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente e acrescenta que: Em que pese os argumentos dos eméritos julgadores, no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, para exonerar apenas a multa de oficio relacionada aos valore já pagos, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722, 17 e de CSLL, no valor de R$87,52, acrescidos de multa de oficio e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento, conforme consta do Acórdão, no caso onde fala no acórdão em manter o crédito tributário, não podem prosperar, pelos seguintes motivos: Conforme já demonstrado na impugnação de fls. 03, a impugnante pagou a contribuição social s/lucro liquido, referente ao 1º trimestre 03/2003 no valor de R$6.4 67,68, 2º trimestre 06/2003, no valor de R$6.073,80; 3º trimestre 09/2003, no valor de R$6.501,15 e do 4º trimestre 12/2003, no valor de R$6.846,23, como já fez prova através dos Darfs juntados em sua impugnação. Quanto à cobrança do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referente ao 1º trimestre 03/2003, no valor de R$7.186,31; 2º trimestre 06/2003, no valor de R$6.748,67; 3º trimestre 09/2003, no valor de R$7.223,50 e do 4º trimestre 12/2003, no valor de R$7.606,93, sendo todos quitados, conforme Darfs já juntados a impugnação. Com relação à Contribuição para o PIS/PASEP, referente ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, foram pagos parte dos valores através de Darfs e o restante compensado com créditos tributários, conforme processo judicial n° 2001.50.02.0014818, transitado em julgado em 17/11/2005 e retificado na DCTF, como consta dos documentos já mencionados as fls. 03 da impugnação. Em se tratando da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, referente ao fato gerador de 31/01/2003 à 31/12/2003, foram pagos parte dos valores através de Darf’s, e o restante compensado com créditos tributários, conforme processo judicial n° 2001.50.02.0014818, transitado em julgado em 17/11/2005 e retificado na DCTF, conforme consta dos documentos juntados as fls. 4 da impugnação (cópia anexa). Portanto, não há que se falar em ausência de apresentação de declaração de Compensação, como tenta justificar a Receita Federal para ver seus créditos constituídos, pois, a recorrente compensou seus créditos com débitos, com respaldo em Sentença Judicial. Conclui que: Isto posto, a recorrente requer: a) seja os créditos da autora reconhecidos, por estarem amparados por decisão judicial transitada em julgado, bem como, aceitos para compensação de débitos junto a Receita Federal do Brasil. b) seja, finalmente, dado provimento ao recurso, com o deferimento da IMPUGNAÇÃO, em todos os seus termos, concedendo a compensação efetuada na Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 386 7 forma com foi feita, requerendo, ainda, pela produção de todas as provas em direito admitidas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Por essa razão não restaram caracterizas o abuso de autoridade tampouco excesso de exação. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 387 8 Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 0540, no Livro Caixa, fls. 66103, no Livro de Apuração de ICMS, fls. 104129 e nos recolhimentos efetuados, fls. 4449, bem como pela não confissão de dívida desses valores em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 4449, já que houve opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, em conformidade com o Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130134. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Ainda sobre os pagamentos, tendo em vista que a Recorrente efetuou recolhimentos os mesmos foram considerados pela autoridade julgadora de primeira instância. Não constam nos registros internos na RFB quaisquer outros pagamentos a serem considerados. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 388 9 que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente3. No que se refere à DCTF, o Ministro da Fazenda, podendo eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, delegou esta competência ao Secretário da Receita Federal. O documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência da referida exigência4. A Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) foi instituída por atos administrativos emitidos pelo Secretário da Receita Federal que vigoraram até 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 389 10 1º.11.19985, de cujos teores podese inferir que o débito ali informado e não pago nos prazos legais deve ser objeto de comunicação à Procuradoria da Fazenda Nacional pois este documento formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para inscrição na Dívida Ativa da União e posterior cobrança executiva. Neste sentido, a constituição do crédito tributário por meio de lançamento de ofício representa ônus desnecessário para o sujeito passivo e para a Administração Pública6. Posteriormente foi instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) a partir de 02.11.1998, disciplinada por atos normativos supervenientes, em que o saldo a pagar relativo ao tributo ali informado, bem como o valor da diferença apurada em procedimento de auditoria interna atinente às informações indevidas ou não comprovadas sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, deve ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidado, enviado para inscrição em Dívida Ativa da União. Logo, a DCTF é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício7. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 8, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF9. Ademais, o art. 47 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fixa com condição para que a pessoa jurídica submetida a ação fiscal possa pagar, até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo somente se estivessem já declarados com o efeito de confissão de dívida. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fls. 0540, no Livro Caixa, fls. 66103, no Livro de 5 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, Instrução Normativa SRF nº 89, de 28 de agosto de 1984 e a na Instrução Normativa SRF nº 79, de 27 de junho de 1986. 6 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 7 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 8 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 9 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 390 11 Apuração de ICMS, fls. 104129 e nos recolhimentos efetuados, fls. 4449, bem como pela não confissão de dívida desses valores em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 4449, já que houve opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, em conformidade com o Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130 134, e com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos no anocalendário de 2003 Períodos (A) Valores Informados nas DIPJ R$ (B) Valores Não Informados nas DCTF Omissão de Receita R$ (C) 1º Trimestre de 2003 598.860,00 598.860,00 2º Trimestre de 2003 569.389,73 569.389,73 3º Trimestre de 2003 601.958,45 601.958,45 4º Trimestre de 2003 633.911,09 633.911,09 Está registrado no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 130 134, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Em 25 de setembro de 2007 a fiscalizada tomou ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal (doc. de fls. 48 a 50) por via postal AR (aviso de recebimento), através do qual foi intimada a apresentar dentre outros elementos, os livros fiscais e contábeis do anocalendário 2003 e posteriormente, os cupons fiscais e mapas resumo ECF MRE de alguns meses, para amostragem. Para o anocalendário 2003, foi apresentada a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) n° 1173589 (doc. de fls. 03 a 38), com opção pelo LUCRO PRESUMIDO, na qual constam como faturamento mensal os valores expressos na tabela abaixo, conforme fichas 14A (Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido), 18 A ( Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, 19A (Cálculo do PIS), e 20A (Cálculo da COFINS):[...] Os valores contabilizados mensalmente; em seu Livro Caixa a título de "Vendas de Mercadorias" (doc. de fls. 62 a 99), são iguais aos valores declarados na DIPJ do anocalendário de 2003 (doc. de fls. 03 a 38). O mesmo se verificou no Livro Fiscal de Registro de Apuração de ICMS (doc. de fls. 100 a 125), quando os valores contábeis registrados nas saldas do período são exatamente iguais aos contabilizados no Livro Caixa e os declarados na DIPJ do respectivo período. Constatei, no entanto, que a fiscalizada encontravase omissa de apresentação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais referente ao ano calendário de 2003. Procedi então à lavratura do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (doc. de fls. 51 a 53), datado de 24 de outubro de 2007, intimando a fiscalizada a se manifestar em relação ao fato. Em 26 de outubro de 2007, em carta resposta (doc. de fls. 61), a fiscalizada informa que: "...consulta a agência da Receita Federal do Brasil em Cachoeiro de IrapemerimES , não localizada o recebimento da DCTF ano calendário 2003, outrossim a empresa estava dispensada pois seus impostos, eram de valores inferiores, conforme legislação em vigor.. e continua . . o faturamento anual apresentado, estaria enquadrada como ME/EPP ...". Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 391 12 O teor da cartaresposta (doc. de fls. 61), acima transcrito, não procede, tendo em vista que o disposto na Instrução Normativa SRF 255/02, vigente para 2003, no seu artigo 3º, I, estabelece: "estão" dispensadas da , apresentação da Declaração de Débitos e Créditos .Tributários Federais DCTF as microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) enquadradas no SIMPLES" e a empresa fiscalizada, CALVI Produtos Alimentícios Ltda, não atende ao dispositivo aqui.expresso,conforme relato a seguir: Das condições de enquadramento como ME e EPP para efeito do SIMPLES: De acordo com a Lei 9.317/96" 'e suas"., alterações, aplicáveis ao ano calendário em questão, o valor da receita bruta anual deveria ser igual ou inferior a R$120.000,00 para enquadrar a empresa como ME e, o valor da receita bruta anual superior a R$ 120.000,00 e igual ou inferior a R$1.200.000,00 para enquadrar a empresa como EPP. No entanto, a empresa fiscalizada apresenta em sua DIPJ 2004/anocalendário 2003, corroborada com seus Livros Fiscais e Contábeis do mesmo período, receita bruta anual no valor de R$2.397.119,27 (dois milhões trezentos e noventa e sete mil cento e dezenove reais e vinte e sete centavos). Depreendese, portanto, que a fiscalizada não atende as exigências legais vigentes à época. Da opção pela forma de tributação: A fiscalizada apresentou sua DIPJ 2004/anocalendário 2003 (doc. de fls. 03), tempestivamente e optou pela forma de tributação com base no Lucro Presumido.Portanto, não está enquadrada como empresa do SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). Diante do exposto, constatei que a fiscalizada estava obrigada à apresentação da DCTF e procedi à lavratura do Termo de Intimação Fiscal (doe. de fls. 54 e 55), intimandoa a apresentar a DCTF Declaração dos Débitos e Créditos Tributários Federais, do período de 2003 (período omisso), por meio da Internet, conforme determina a Nota Conjunta Cofis/Cosar n° 2001/00003, de 30 de Julho de 2001. Com a publicação da IN SRF 126/88 que instituiu a DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, a partir do anocalendário de 1999, esta declaração deve conter informações que sejam a expressão da verdade, pois a DCTF se constitui em CONFISSÃO de dívida o que equivale a um titulo executivo extrajudicial, passível de inscrição na Divida Ativa da União. A partir de então, a DIPJ (Declaração de, Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) deixa de ser instrumento de confissão de dívida. Assim, apesar dos recolhimentos efetuados pela fiscalizada, os débitos de impostos e contribuições apurados pela mesma em seus registros contábeis, não foram declarados em DCTF, sendo esta obrigatória, o que ensejará a formalização da exigência do crédito tributário abrangendo todos os tributos devidos, inclusive quanto aos valores constantes da DCTF entregue sob procedimento fiscal. Tendo em vista o exposto, procedi à apuração da receita bruta com base nos registros contábeis, ratificada pela fiscalizada, através da DIPJ 2004/anocalendário 2003 [...]. As diferenças apuradas na tabela acima correspondem ao faturamento mensal, base de cálculo do PIS e da COFINS e, trimestralmente correspondem à receita Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 392 13 bruta auferida, sobre a qual incidirá o percentual de presunção de Lucro e o percentual para a apuração da base de cálculo da CSLL PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO Diante dos fatos acima apresentados, procedi ao lançamento do Crédito Tributário, mantendo para tanto a opção da fiscalizada pela tributação com base no Lucro Presumido. A infração apurada enquadrarseá como ."Receita da Atividade", gerando tributação reflexa para a CSLL, PIS e COFINS, por falta de recolhimento, conforme discriminado no Auto de Infração de fls. 131 a 160. Em relação aos valores então pagos, está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1226.844, de 23.10.2009, fls. 314328: “Impugnação Procedente em Parte” para: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto: Não conhecer da Impugnação no que se refere aos valores já recolhidos, conforme parágrafos 7 a 11 do voto, mas cancelar a multa de ofício a eles relacionados (ver alínea seguinte), tornando definitivamente constituído o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$27.687,50, de CSLL, no valor de R$23.012,34, de PIS, no valor de R$1.558,14, e de Cofins, no valor de R$7.191,36, sem acréscimo da multa de ofício e dos juros moratórios; Considerar procedente em parte a Impugnação, para exonerar apenas a multa de ofício relacionada aos valores já pagos (ver alínea anterior), conforme parágrafos 15, 22 e 28 do voto, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722,17 e de CSLL, no valor de R$2.876,52, acrescidos de multa de ofício e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento; Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente diz que tem em seu favor provimento jurisdicional com trânsito em julgado sobre a exigência de PIS com fundamento no DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e no DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o Fl. 392DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 393 14 procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 10. A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício111213. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 14, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF15 Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial a apresentação do Per/DComp e a verificação da precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O Acórdão proferido pelo TRF da 2a Região na Apelação Civil nº 2001.50.02.0014818, já transitada em julgado, reconhece a inconstitucionalidade DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e no DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988 e a possibilidade de compensação do PIS recolhido até 17.12.1991 com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, fls. 210219: Tratase de apelações cíveis interpostas por ENCOPEL COMERCIO DE EMBALAGENS LTDA (fls. 117/122) e CALVI PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA (fls. 142/151), contra a sentença de fls. 106/114, que julgou extinto o processo sem julgamento do mérito, por ausência de interesse de agir, em relação ao pedido de declaração de inexistência de relação jurídica tributária tendo por objeto a exigibilidade do PIS nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 com fundamento no art.267 VI CPC e extinguiu o processo com julgamento de mérito por ocorrência da prescrição, em relação ao pedido de compensação com 10 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 11 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. 12 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 13 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 14 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 15 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 394 15 fundamento no art. 269 — IV CPC. Honorários fixados em 10% sobre o valor da causa. Custas ex lege. Nas suas razões recursais, ENCOPEL COMÉRCIO de EMBALAGENS LTDA sustenta a adequação da ação declaratória, pois, sua pretensão é a declaração de inexistência jurídica da cobrança do PIS, nos termos dos DecretosLeis n°s 2.445/88 e 2.445/88, face a inconstitucionalidade dos mesmos, bem como, o reconhecimento do direito da autora à compensação das importâncias pagas indevidamente, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91. Alega, que a prescrição ainda não ocorreu, por se tratar de contribuição sujeita a homologação e, inexistindo esta, o prazo decadencial começa a fluir após o decurso de cinco anos dá ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Nas suas razões recursais, CALVI PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA sustenta que ainda não ocorreu a prescrição do direito de compensar as parcelas indevidamente recolhidas a título de PIS, nos termos do art. 168 do CTN, pois, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a prescrição do direito de repetir ou compensar o indébito só ocorre em 10 anos. Argumenta ainda, que as ações declaratórias são imprescritíveis, razão pela qual, mesmo se já estivesse prescrito o direito da apelante em proceder à compensação dos valores pagos indevidamente à título de PIS, ainda assim, não poderia ser declarada a prescrição da ação. Contrarazões da União Federal às fls.156/170 e fls. 172/186. Parecer do Ministério Público Federal às fls.190/194, entendendo ser desnecessária, sua intervenção. E o relatório. Passo a decidir. O eg. Supremo Tribunal Federal decidiu que a contribuição destinada ao custeio do Programa de Integração Social (PIS) foi recepcionada pela Constituição de 1988 nos termos da Lei Complementar n° 7/70, sendo, porém, inconstitucionais os DecretosLeis n°s. 2.445/88 e 2.449/88 Cegamente do RE 148.7542/RJ DJ de 04/03/94). O Senado Federal, por sua vez, suspendeu a execução dos DecretosLeis em questão, através da resolução n° 49/95, pub,:caaa no DJ de 10/10/95. No que se refere à prescrição, o eg. Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do EREsp 435.835/SC, pela Primeira Seção, em 24.03.2004, onde foi Relator o Exmo. Ministro José Delgado, adotou novamente o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para haver a restituição e/ou compensação é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação expressa ou tácita, não mais acolhendo a tese da prescrição contada da data da declaração de inconstitucionalidade da exação em controle difuso (Resolução do Senado suspendendo a execução da norma) ou concentrado (ADIN) de constitucionalidade. Verifico, portanto que, de acordo com o novo entendimento da eg. Corte Superior, ao qual me inclino, no que se refere aos indébitos decorrentes da sistemática dos DecretosLeis n°s. 2.445/88 e 2.449/88, a prescrição atingiu apenas os valores referentes ao decênio anterior à propositura da ação, que foi ajuizada em 17 de dezembro de 2001. Não há que se falar em ausência de interesse de agir, uma vez que a inconstitucionalidade dos referidos decretos foi reconhecida, não estando prescrito o direito do autor em pleitear o ressarcimento de possível indébito fiscal. Ainda, em Fl. 394DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 395 16 face do princípio constitucional do amplo acesso à justiça, no processo sub judice fazse necessária a intervenção do Poder Judiciário para resolver o conflito de interesses existente entre as partes processuais e que transparece de modo inconteste nos autos, como também para compor a pretensão resistida. Instituise, por instrução normativa, a livre compensação entre quaisquer tributos OU contribuições, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Contudo, não garantiu, como aliás não se poderia fazer, o direito a essa compensação. No tocante à compensação, em que pese o entendimento anteriormente firmado no sentido de que somente poderiam ser compensáveis entre si tributos que fossem da mesma espécie e que possuíssem a mesma destinação constitucional, com a nova redação do art. 74, da Lei n° 9.430/96 (alterada pela Lei n° 10.637/2000), esse entendimento foi alterado, uma vez que, o referido artigo permite a compensação de tributos cuja arrecadação esteja a cargo da Secretaria da Receita Federal, independentemente de serem de espécies diferentes ou de destinação diversa. Disciplinado o citado dispositivo, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 210/2002, em que o artigo 21 deixa claro esse entendimento. Portanto, não há mais que se impor limites à compensação, uma vez que a legislação que rege a matéria permite a compensação entre quaisquer tributos que sejam administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os valores a serem compensados deverão ser corrigidos monetariamente, aplicandose os mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional para a correção de seus débitos fiscais. [...] Em face do exposto, dou provimento à apelação, com fundamento no art.557, § Io A do CPC c/c art. 43, § Io, VII do RI desta corte. Publiquese. Intimese. Decorrido o prazo legal, baixem os autos à Vara de Origem. Rio de Janeiro, 01 de abril de 2005. Nesse sentido a compensação no âmbito dos tributos administrados pela RFB têm rito próprio previsto no art. 170 e no art. 170A do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esse procedimento não se confunde com a constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim, a Recorrente deve apresentar o Per/Dcomp como condição essencial para o exercício do direito previsto no provimento jurisdicional, nos termos da legislação que rege a matéria. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada nos presentes autos. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 396 17 recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos16. Vale reiterar que sobre a multa incidente sobre os valores então pagos, está registrado como resultado do Acórdão da 9ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1226.844, de 23.10.2009, fls. 314328: “Impugnação Procedente em Parte” para: Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto: Não conhecer da Impugnação no que se refere aos valores já recolhidos, conforme parágrafos 7 a 11 do voto, mas cancelar a multa de ofício a eles relacionados (ver alínea seguinte), tornando definitivamente constituído o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$27.687,50, de CSLL, no valor de R$23.012,34, de PIS, no valor de R$1.558,14, e de Cofins, no valor de R$7.191,36, sem acréscimo da multa de ofício e dos juros moratórios; Considerar procedente em parte a Impugnação, para exonerar apenas a multa de ofício relacionada aos valores já pagos (ver alínea anterior), conforme parágrafos 15, 22 e 28 do voto, e manter o crédito tributário constituído de IRPJ, no valor de R$1.077,93, de PIS, no valor de R$14.023,08, de Cofins, no valor de R$64.722,17 e de CSLL, no valor de R$2.876,52, acrescidos de multa de ofício e dos encargos moratórios calculados até a data do efetivo pagamento ; No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso17. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade18. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da 16 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 17 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 18 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15586.000908/200731 Acórdão n.º 1803002.172 S1TE03 Fl. 397 18 Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 19. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 19 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720060/2013-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-005.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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score : 1.0
Numero do processo: 11128.010014/2008-87
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
EXPORTAÇÃO. DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO.
Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornou-se certo e determinado.
Numero da decisão: 3803-005.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 EXPORTAÇÃO. DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO. Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornou-se certo e determinado.
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DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO. Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornouse certo e determinado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 01 00 14 /2 00 8- 87 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de auto de infração com valor total de R$ 80.000,00, em decorrência do cumprimento intempestivo de obrigação tributária acessória de informar os dados de embarques de mercadorias no Siscomex. Irresignado, o sujeito passivo apresentou impugnação onde alega: a) inepta da inicial, pois a fiscalização não anexou documento que comprove a infração apontada b) decadência de parte dos lançamentos, pois na data da ciência já haviam decorridos cinco anos da data da ocorrência da infração; c) tempestividade na entrega dos documentos, pois, segundo documentação comprobatória anexa, protocolou as informações pertinente dentro do prazo d) ilegitimidade para figurar no pólo passivo da autuação por não se tratar de transportador marítimo ou representante deste, mas de agente marítimo; e) não causou embaraço e impedimento à fiscalização e o atraso não tipifica infração f) a multa não pode ser aplicada ao agente marítimo por falta de previsão legal e que, por não se tratar de responsabilidade pelo recolhimento do imposto de importação, não há solidariedade, g) realizou denúncia espontânea, visto que informou os dados no sistema antes da lavratura do Auto de Infração; h) a penalidade deveria ser aplicada uma única vez para punir uma só infração praticada de forma continuada, i) não houve atraso na prestação da informação, mas retificação, a qual independe de sua vontade por depender de informações prestadas pelos exportadores, desta feita, a presunção de sua boafé exclui a ilicitude diante da total ausência de qualquer dano ou prejuízo ao erário. Ao final, requer o apensamento dos processos administrativos fiscal 11128.009341/200896 com fulcro no § 1º do art. 9° do Decreto n.° 70.235, de 1972, e solicita o cancelamento do Auto de Infração hostilizado. A 24ª Turma da DRJ/SPI julgou a Impugnação parcialmente procedente e manteve o crédito tributário em parte, acatou a decadência de parte dos lançamentos e desconsiderou as demais alegações do contribuinte. Ementou como se segue: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/08/2003 a 15/02/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 3803005.288 S3TE03 Fl. 11 3 No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, é devida a multa regulamentar por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não caracteriza denúncia espontânea a informação extemporânea dos registros dos dados de embarque, pois este fato, por si, caracteriza conduta infracional cominada por multa regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/08/2003 a 15/02/2004 AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. DECADÊNCIA. INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extinguese em cinco anos a contar da data da infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual alega: a) há denúncia espontânea, uma vez que as informações retificadas pelo Requerente, foram inseridas no Siscomex antes da lavratura do auto de infração, prejudicando totalmente o auto de infração, à vista disso há exclusão da punibilidade; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 b) por não ser uma empresa de transporte internacional ou uma prestadora de serviços de transporte internacional, nem tampouco um agente de carga, não há tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar. c) a multa não pode ser aplicada ao agente marítimo por falta de previsão legal e que, por não se tratar de responsabilidade pelo recolhimento do imposto de importação, não há solidariedade; d) a penalidade deveria ser aplicada uma única vez para punir uma só infração praticada de forma continuada, Ao final requer que seja reformada a decisão recorrida, julgandose totalmente improcedente o lançamento fiscal e arquivese o presente processo. É o relatório Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Depreendese do processo que a questão principal se encontra na intempestividade de prestação de obrigação autônoma. Porém à época dos fatos ainda não vigorava a Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que instituiu o prazo de 7 dias para se efetuar o registro no sistema de dados por meio de alteração do artigo 37 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 27 de abril de 1994. Até então o artigo 37 da IN SRF nº 28/1994, em sua redação original, assim versava: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. A conduta típica descrita na norma em evidência não se restringe simplesmente à omissão na prestação da informação exigida, abrangendo, também, a forma e o prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, isso em relação às informações sobre a carga transportada em veículo de transporte de carga internacional, é o que se extrai da redação do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, abaixo reproduzido: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas:[...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):[...] Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 3803005.288 S3TE03 Fl. 12 5 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e” (Negritamos) Dessa forma, patente está que a conduta praticada pela recorrente apenas se subsume a hipótese da infração descrita no referido preceito legal caso seja incontroverso o fato de que a prestação das informações sobre a carga embarcada se deu depois do prazo definido à época pela Administração TributárioAduaneira. Isto posto, devese interpretar o artigo 37 da IN SRF nº 28/94 sem as alterações posteriores à data dos fatos, de forma a esclarecer qual era o prazo estabelecido para que se registrassem os dados no SISCOMEX. Percebese que o artigo contém a expressão “imediatamente após” para regulamentar o tempo de que o contribuinte dispunha para informar os dados do embarque. Sobre tal assunto colaciono entendimento da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento na sessão de 26 de novembro de 2013 por meio do Acórdão nº 3202000.997: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN/SRF nºs. 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF n.º 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF n.º 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário provido. Tal acórdão utilizouse do raciocínio do então Conselheiro José Luiz Novo Rossari, relator do processo administrativo nº. 10715.004710/200952 (Acórdão CARF/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária nº. 320200.359), citase: Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não é próprio dos diplomas pátrios norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade certa. A respeito, vêse que o Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002) refere a prazos em horas, dias, meses e anos (arts. 132 et alia), o que traduz quantificação em números certos e induvidosos. Também a Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe sobre o processo administrativo, expressa prazos em dias, meses e anos (art. 66), revelando quantificação certa. O Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece todos os seus prazos em dias, também com quantificação certa. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF nº 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex nº 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF nº 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB nº 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.010014/200887 Acórdão n.º 3803005.288 S3TE03 Fl. 13 7 vigente, que desde a Medida Provisória nº 135/2003 tem tipificação legal distinta. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei nº 37/1966, na redação que lhe deu a Lei nº 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF nº 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 3/8 e 15/8/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, “a”, da Constituição Federal e pelo art. 2º, parágrafo único, XIII, da Lei nº 9.784, de 1999, que rege o processo administrativo. Em face dos elementos constantes dos autos e da legislação aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos básicos tendentes à caracterização de infração, resultando desnecessária a apreciação das demais alegações da recorrente. Conclusão Em concordância com o todo o exposto, concebese que na data em que foram realizados os embarques não havia prazo para registro dos dados no Siscomex, de forma que não se fundamenta a punição por entrega intempestiva destes. Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e pela IMPROCEDÊNCIA de todo o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 13855.901515/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Confirmadas as antecipações e o direito creditório utilizado nas compensações, devem ser elas homologadas.
Numero da decisão: 1101-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. Confirmadas as antecipações e o direito creditório utilizado nas compensações, devem ser elas homologadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 15 15 /2 00 8- 85 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo retorna depois de promovida diligência requerida por esta Turma Ordinária por meio da Resolução nº 1101000.100, da qual constou o seguinte relatório: ACEF S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou as compensações vinculadas ao saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2001, no valor original de R$ 70.316,71. O despacho decisório de fl. 43 indica que, do total de antecipações consideradas na apuração do saldo negativo (R$ 459.181,44), apenas a parcela de R$ 347.580,34 foi confirmada. Como a CSLL devida no período representava R$ 388.864,73, não foi apurado crédito a ser reconhecido, restando integralmente não homologadas as compensações veiculadas nas DCOMP nº 42211.05054.270307.1.7.035040 e 37470.90489.250604.1.3.037808. Cientificada em 04/10/2008, a interessada manifestou sua inconformidade asseverando que por equívoco do departamento contábil do contribuinte ora impugnante não constou que o saldo remanescente aqui compensado foram os mencionados em DCOMP apresentadas em 27/02/2004, conforme os pagamentos que realizou no exercício 2001 e demonstrados através da planilha (documento 04) e através da integralidade do mencionado na PERDCOMP não homologada (documento 05). Acrescentou que tendo em vista os recolhimentos feitos a maior, fora do prazo, o impugnante não recuperou os valores referentes aos juros e multa referente ao código 2484 nos períodos de apuração compreendidos entre 31.03.2001 a 30.04.2001. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: 8. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB, cujas respectivas telas juntei às fls. 135/139, constatei que a interessada teria arrolado todos os 9 (nove) pagamentos de estimativas mencionados no demonstrativo de fls. 103/104 em Dcomps apresentadas em datas anteriores às da apresentação das Dcomps analisadas no presente processo. O extrato que juntei à fl. 140 traz ainda a utilização de dois pagamentos tidos como não localizados segundo o demonstrativo de fls. 103/104. Todos os pagamentos foram arrolados como créditos nas compensações declaradas pela interessada e teriam sido utilizados, não restando valor remanescente para compor o saldo negativo do anocalendário de 2001, sob pena de se estar aproveitando os pagamentos em dobro, tanto nas compensações com crédito de pagamento indevido como nas compensações que utilizam o saldo negativo da CSLL. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/09/2010 (fl. 148), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/10/2010 (fls. 150/155). Assevera que a compensação é correta e possível quando realizado pagamento a maior do que ao devido através da sistemática de estimativa de IRPJ/CSLL e questiona a aplicação retroativa da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 4 3 Afirma estar provada a efetividade dos pagamentos feitos por estimativa, e que houve recolhimento a maior conforme DIPJ apresentada. Cita dispositivos normativos e ementa de decisão administrativa em favor de seu entendimento. Finaliza juntando planilha explicativa do direito creditório do recorrente (documento 02), demonstrando a efetividade dos recolhimentos a maior feitos através do regime de estimativa, bem como o direito de compensar do recorrente. Esta Conselheira propôs a conversão do julgamento em diligência pelos motivos assim expostos no voto condutor da Resolução: O demonstrativo de fl. 164, juntado ao recurso voluntário, evidencia que o saldo negativo de CSLL no anocalendário 2001, no valor de R$ 70.316,71 decorreria do confronto entre antecipações no valor total de R$ 459.181,44 com a CSLL devida de R$ 388.864,73. O despacho decisório de nãohomologação das compensações aponta a confirmação, apenas, de estimativas no valor de R$ 347.580,34, insuficientes para liquidar a CSLL devida de R$ 388.864,73. Segundo demonstrativo de Informações Complementares da Análise de Crédito (fls. 103/104), as estimativas de janeiro, fevereiro, abril e julho/2001 foram integralmente confirmadas. Já a estimativa de dezembro/2001 não foi confirmada. Por sua vez, as estimativas de março, maio, junho, agosto, setembro, outubro e novembro/2001 foram parcialmente confirmadas porque o DARF indicado foi suficiente para quitar parcialmente débito de estimativa. Referido demonstrativo enuncia sob o título Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas, além dos recolhimentos vinculados à estimativa de dezembro/2001 que não foram localizados, os recolhimentos promovidos para as demais estimativas, relativamente aos quais indica qual parcela foi confirmada, e qual o valor não confirmado. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou DCOMP que teria se prestado a liquidar débitos de estimativas de CSLL ao longo do ano calendário 2001, valendose de crédito de saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário 1999. Além disso, apresentou outras DCOMP por meio das quais utilizou outras parcelas de recolhimentos de CSLL do anocalendário 2001 para compensações, dentre elas compensações com débitos de estimativas de CSLL do próprio anocalendário 2001. Assim, a contribuinte compreendeu a razão de os recolhimentos de estimativas terem sido parcialmente confirmados, e juntou provas para demonstrar que elas não foram, de fato, integralmente recolhidas, mas sim, em alguns períodos, compensadas com outros créditos, ou mesmo destinadas a compensações de outros débitos de estimativas do mesmo anocalendário. A título de exemplo, vêse que o recolhimento de R$ 41.686,52 realizado em 31/01/2002 e referente à estimativa de CSLL devida em dezembro/2001 (fl. 140) foi parcialmente vinculada à DCOMP nº 36929.59041.270204.1.3.048654 (fls. 93/98) para liquidação de débito de CSLL de julho/2001 no valor de R$ 19.376,91 e acréscimos. Aquele recolhimento, porém, não foi admitido como antecipação na apuração do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, nem em dezembro/2001, nem parcialmente em julho/2001. De forma semelhante, do recolhimento de estimativa de CSLL no valor R$ 74.472,97, promovido em 28/09/2001, após o vencimento de 30/04/2001, somente foi admitida a dedução, na apuração do saldo negativo de 2001, da parcela principal de R$ 73.731,65, porque a parcela remanescente de R$ 741,32 foi utilizada na DCOMP nº 28013.56412.270204.1.3.041194 (fls. 51/56). Todavia, esta utilização destinouse a liquidar outra parcela da CSLL devida em fevereiro/2001 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 5 4 (R$ 650,84 e acréscimos), cujo cômputo no saldo negativo ficou limitado à sua apuração original de R$ 41.748,20, recolhida em atraso em 31/07/2001. A autoridade julgadora de 1a instância entendeu que todos os pagamentos foram arrolados como créditos nas compensações declaradas pela interessada e teriam sido utilizados, não restando valor remanescente para compor o saldo negativo do ano calendário de 2001, sob pena de se estar aproveitando os pagamentos em dobro, tanto nas compensações com crédito de pagamento indevido como nas compensações que utilizam o saldo negativo da CSLL. Não atentou, porém, que a utilização se deu com débitos do próprio período de apuração de formação do crédito. Esta Turma de Julgamento já apreciou, na sessão de 07 de agosto de 2013, procedimento semelhante realizado pela contribuinte relativamente às antecipações de IRPJ devidas no anocalendário 2004. Esta Relatora assim abordou a questão no Acórdão nº 1101000.923: A contribuinte fez uso de indébito no valor original de R$ 1.450,69, apurado em recolhimento da estimativa de IRPJ devida em setembro/2004, para quitação de estimativa de IRPJ devida no mês subseqüente (outubro/2004), no valor de R$ 1.465,20. Considerando que crédito e débito integram a apuração do mesmo ano calendário, a vantagem obtida pela contribuinte pode se restringir aos juros incorridos sobre o indébito, equivalente a 1% (R$ 14,51), a qual não se verificaria caso todo o recolhimento de estimativa pertinente a setembro/2004 fosse considerado devido, reduzindo o IRPJ acumulado até outubro/2004, ou no ajuste anual. Ocorre que a jurisprudência administrativa já está consolidada em favor do procedimento adotado pela contribuinte, consoante recente Súmula aprovada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 10 de dezembro de 2012: Súmula CARF nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, cabe aqui afastar a nãohomologação da compensação, que teve por fundamento a impossibilidade de a contribuinte utilizar indébitos formados a partir de recolhimentos de estimativas. Porém, para afirmar a homologação da compensação, é necessária a prova da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. De fato, a desconstituição do único fundamento da decisão – impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos de estimativas – é insuficiente para concluir pela integridade da formação do crédito, dado que as análises da autoridade administrativa foram interrompidas em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido. Superada esta preliminar, necessária se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido na apuração da estimativa de setembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 1.450,69, e a correspondente disponibilidade no momento da compensação. Enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 6 5 contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Também aqui devem ser admitidas as compensações de pagamentos de estimativas, que a interessada reputa indevidos, com outros débitos. E, quando esta compensação se verifica com débitos de estimativas do mesmo anocalendário, embora seja válido rejeitar parcialmente o pagamento original na formação do saldo negativo, de outro lado devese computar neste saldo negativo a estimativa quitada com a sua compensação. Definidas estas premissas, necessário se faz que a autoridade administrativa local, frente ao erro de preenchimento da DCOMP nº 42211.05054.270307.1.7.035040 alegado pela recorrente, identifique quais estimativas de CSLL devidas no ano calendário 2001 foram liquidadas por meio das demais compensações apresentadas, confirmando nos sistemas informatizados da Receita Federal quais DCOMP foram efetivamente apresentadas e qual valor das estimativas foi alcançado pela compensação, de modo a determinar qual parcela suplementar do saldo negativo pode ser reconhecida à interessada. Por tais razões, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade administrativa local identifique, na forma proposta, qual parcela suplementar do saldo negativo pode se reconhecida à interessada. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado das verificações promovidas e do resultado alcançado, cientificandoo à interessada e reabrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, após o qual os autos deverão retornar a este Conselho. Por meio da Informação Fiscal de fls. 189/190 a autoridade fiscal consigna que estimativas de CSLL compensadas com DARF ao longo do anocalendário 2001 foram validadas no sistema SIEF em montante equivalente a R$ 79.447,80, assim como foram validadas estimativas de CSLL compensadas sem DARF no valor total de R$ 60.067,50. Considerando as estimativas de CSLL recolhidas e já validadas na análise preliminar da compensação, no valor total de R$ 347.560,34, informa que as estimativas de CSLL confirmadas no período seriam elevadas para R$ 487.075,64, mas observa que a contribuinte somente deduziu em sua apuração o montante de R$ 459.181,44, de modo a constituir o saldo negativo utilizado de R$ 70.316,71. Cientificada do resultado dos trabalhos fiscais em 13/02/2014 (fl. 245/246), a contribuinte manifestouse às fls. 248/280 para juntar outros elementos e elevar para R$ 103.213,31 o saldo negativo de CSLL apurado em 2001. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consta destes autos apenas duas compensações declaradas pelo sujeito passivo e vinculadas ao saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2001: · DCOMP nº 42211.05054.270307.1.7.035040, por meio da qual a contribuinte retificou a DCOMP nº 05404.24698.300404.1.3.03 6703, valendose do crédito original de R$ 70.316,71, acrescido de juros calculados à taxa SELIC no percentual de 42,02%, totalizando o montante de R$ 99.863,79, destinouo à liquidação de débitos de CSLL devidos em janeiro/2002 (vencimento 28/02/2002), no valor total de R$ 16.934,48 (principal de R$ 10.533,36, acrescido de multa de mora de R$ 2.106,67 e juros de mora de R$ 4.294,45); e · DCOMP nº 37470.90489.250604.1.3.037808, por meio da qual a contribuinte, valendose do crédito indicado na DCOMP inicial nº 05404.24698.300404.1.3.036703, mas agora acrescido de juros calculados à taxa SELIC no percentual de 44,43%, destinouo à liquidação de débitos de CSLL devidos em julho/2002 (vencimento 30/08/2002), no valor total de R$ 73.664,63 (principal de R$ 47.645,45, acrescido de multa de mora de R$ 9.529,09 e juros de mora de R$ 16.490,09), e em agosto/2002 (vencimento 30/09/2002), no valor total de R$ 10.671,95 (principal de R$ 6.964,66, acrescido de multa de mora de R$ 1.392,93 e juros de mora de R$ 2.314,36). Os débitos assim extintos foram cobrados em razão da nãohomologação das compensações como se vê às fls. 105/106. Por sua vez, o trabalho fiscal realizado por ocasião da diligência requerida por este Colegiado confirmou as antecipações informadas na DCOMP e autorizou o reconhecimento do direito creditório no valor original ali indicado, de R$ 70.316,71. As taxas de juros aplicadas ao indébito, apontadas na DCOMP, correspondem à variação verificada entre fevereiro/2002 e o mês anterior à compensação, acrescidas de 1% no mês da compensação. E, considerando o indébito assim atualizado, temse que: · Em 30/04/2004 o indébito original de R$ 70.316,71 corresponderia ao valor atualizado de R$ 99.863,79, e liquidaria integralmente o débito de R$ 16.934,48, consumindo a parcela de R$ 11.924,01 do crédito original; · Em 25/06/2004 o indébito remanescente de R$ 58.392,70 (R$ 70.316,71 diminuído de R$ 11.924,01) corresponderia ao valor Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13855.901515/200885 Acórdão n.º 1101001.111 S1C1T1 Fl. 8 7 atualizado de R$ 84.336,58, montante idêntico à soma dos débitos compensados de R$ 73.664,63 e R$ 10.671,95. Os débitos compensados, por sua vez, foram acrescidos de multa de mora no percentual máximo de 20%, bem como de juros calculados com base na variação da taxa SELIC entre o mês subseqüente ao de vencimento até o mês anterior ao da compensação, somada ao percentual de 1% no mês da compensação. Assim, confirmado o indébito indicado na DCOMP pelo valor original de R$ 70.316,71, e sendo ele suficiente para liquidar os débitos compensados, regularmente adicionados dos acréscimos moratórios devidos pela compensação em atraso, as compensações declaradas restam homologadas, e a contribuinte não tem mais qualquer pretensão resistida nestes autos que imponha a apreciação dos documentos apresentados às fls. 248/280, com vistas ao reconhecimento de direito creditório superior ao utilizado nas compensações. Suas alegações devem ser apresentadas frente a outro questionamento que eventualmente venha a se formar em face da utilização ou pedido de restituição de outra parcela do saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2001. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para homologar as compensações declaradas por meio das DCOMP nº 42211.05054.270307.1.7.035040 e 37470.90489.250604.1.3.037808. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 15771.720565/2013-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/03/2012
IMPORTAÇÃO. RECURSOS DE TERCEIROS. CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO.
A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste.
IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS À OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. CONTRATOS PARTICULARES. INOPONIBILIDADE. PENALIDADE.
Contrato de pactuação de sociedade em conta de participação não pode ser oposto ao controle aduaneiro das operações de comércio exterior com o fito de ocultar os reais intervenientes na operação.
A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante a cessão do nome da pessoa jurídica importadora, enseja a aplicação de penalidade de 10% sobre o valor da operação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/03/2012 IMPORTAÇÃO. RECURSOS DE TERCEIROS. CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS À OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. CONTRATOS PARTICULARES. INOPONIBILIDADE. PENALIDADE. Contrato de pactuação de sociedade em conta de participação não pode ser oposto ao controle aduaneiro das operações de comércio exterior com o fito de ocultar os reais intervenientes na operação. A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante a cessão do nome da pessoa jurídica importadora, enseja a aplicação de penalidade de 10% sobre o valor da operação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/03/2012 IMPORTAÇÃO. RECURSOS DE TERCEIROS. CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS À OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. CONTRATOS PARTICULARES. INOPONIBILIDADE. PENALIDADE. Contrato de pactuação de sociedade em conta de participação não pode ser oposto ao controle aduaneiro das operações de comércio exterior com o fito de ocultar os reais intervenientes na operação. A ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mediante a cessão do nome da pessoa jurídica importadora, enseja a aplicação de penalidade de 10% sobre o valor da operação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 05 65 /2 01 3- 86 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Novomédica Comércio Importação e Exportação Ltda. teve contra si lavrado o Auto de Infração em decorrência de procedimento de controle aduaneiro da Declaração de Importação (DI) nº 12/05176367, registrada em 20 de março de 2012., em que se constatou que houve cessão de seu nome para ocultar o real adquirente das mercadorias importadas Medstar Importação e Exportação Ltda. CNPJ nº 03.580.620/000135, com aplicação da multa equivalente a 10% do valor da operação, cominada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c o art. 727 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 – RA/2009. A exação montou a R$ 5.695,49. A Fiscalização narra que Novomédica registrou na data de 20/03/2012, junto à Alfândega da Receita Federal em São Paulo ALF/SPO, a referida DI, visando à nacionalização de aparelho dermatológico a laser proveniente dos Estados Unidos, declarando como valor da mercadoria no local do embarque VMLE no valor de USD 30.700,00 na condição de importadora e adquirente do bem em causa. Registrou ainda que, mediante pesquisas realizadas na internet, foi encontrado produto idêntico ao importado no valor de US$138.271,98 (novo) e usado por US$115.000,00 valores muito superiores àquele declarado pelo importador, evidenciando indício de subfaturamento da operação. Prosseguiu aduzindo que a operação de revenda do bem em questão para a citada empresa Medstar registrou margem de lucro muito reduzida. A partir desses indícios, iniciouse Procedimento Especial de Controle Aduaneiro para aquela Declaração de Importação, previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011, e a consequente retenção do bem. No curso do procedimento, após sucessivas reintimações realizadas, a Fiscalização coletou diversos documentos e informações de interesse fiscal, dentre os quais destacamse: a) que em 23/02/2012, consta de seu livro Diário de Novomédica um ingresso de R$53.111,00, relativo a um adiantamento de MEDSTAR e que, na mesma data, há o registro do contrato de câmbio relativo à DI n 12/05176367 no valor de R$52.282,10; b) que, na mesma data, o extrato de uma de suas contascorrentes registra o ingresso de R$53.111,00 e, logo após, a saída de R$52.282,10 pela contratação do referido contrato de câmbio; c) que a importação foi realizada por meio da comissária Advance Assessoria e Consultoria de Comércio Exterior Ltda, cuja remuneração foi custeada com recursos igualmente originários da MEDSTAR; d) que verificou que, em data de 20/03/2012 (data do registro da DI), MEDSTAR creditou nessa conta os recursos requeridos para o pagamento do despacho de importação, destacando que, ato contínuo, esses cabedais foram transferidos pela NOVOMÉDICA para a comissária de despachos ADVANCE para que esta última efetuasse o despacho aduaneiro; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15771.720565/201386 Acórdão n.º 3403003.109 S3C4T3 Fl. 267 3 e) que a análise das movimentações financeiras realizadas, bem como o registro dos lançamentos efetuados no seu livro Diário, identifica correlação de datas e de valores que revela que os recursos utilizados para o financiamento da importação em questão foram provenientes da MEDSTAR, que até então permanecia oculta do Fisco Federal. Em impugnação de fls. 125 a 139, a autuada contraditou a exação com os seguintes argumentos: a) que, sendo importadora de aparelhos e de materiais médico hospitalares, aparelhos eletroeletrônicos e componentes eletrônicos, realizou, no período de 2012, a importação de equipamento (aparelho dermatológico a laser da marca Fotona Inc.), a fim de realizar transação comercial conjunta com MEDSTAR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LIDA; b) que é importadora e comercializadora do bem em questão em virtude de ter firmado Instrumento Particular de Formação de Sociedade em Conta de Participação com MEDSTAR IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (colacionou cópia do contrato), estando assim autorizada a efetivar a importação do referido aparelho dermatológico; c) que dessa forma a propriedade do bem para fins de despacho aduaneiro é da NOVOMÉDICA, mas que realizou a importação em virtude de Contrato anteriormente firmado com a MEDSTAR; d) que o contrato de formação de Sociedade em Conta de Participação é veículo mais eficaz e conveniente para implementação de sua relação no Brasil; e) que este tipo de Sociedade está estruturada quando duas ou mais pessoas se reúnem, sem firma social, para lucro comum, em uma ou mais operações de comércio determinadas, trabalhando em nome individual para o fim social, e que tal sociedade não está sujeita às formalidades prescritas para a formação de outras; f) que o artigo 992 do Código Civil prescreve que "a constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito"; g) que, ...na relação comercial firmada entre MEDSTAR e NOVOMÉDICA, não houve ocultação da identidade do terceiro, pelo contrário, foi realizada a Sociedade em Conta de Participação a fim de regular esta situação e evitar possíveis sanções e alegações de fraude e simulação, sendo que todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal para a regular identificação da operação foram apresentados ; h) que “...não houve afronta ao dispositivo legal descrito no artigo 23 do DecretoLei n° 1.455/76, pois em nenhum momento da transação comercial houve a ocultação intencional do sujeito passivo, vez que estava acobertado por uma sociedade dita como secreta e, como visto, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 anteriormente, não tinha a necessidade de possuir os seus atos registrados na Junta Comercial”; i) que ... ato tendente a diminuir a eficácia do Instituto Civil da Sociedade em Conta de participação não apenas irá apresentar afronta ao Código Civil, mas também ao Código Tributário Nacional, de onde emanam as normas de cunho tributário, devendo todas as demais legislações infra legais se subordinarem aos ditames prescritos nesta Legislação Complementar ; j) que a Autoridade Fiscal em momento algum comprovou que realmente realizou as pesquisas nas Internet que alegou ter feito e que meras alegações sem a real comprovação dos fatos não podem gerar presunção de que houve subfaturamento; k) que o princípio da boafé e da função social dos contratos está disciplinado nos artigos 421 e 422 do Código Civil, os quais prescrevem que os contratantes são obrigados a guardar, seja na conclusão do contrato, seja na sua execução, os princípios de probidade e boafé; l) que a operação realizada foi totalmente legal, não dando margem alguma para a alegação de ilicitude do ato; m) que se insurge contra a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Ad cautelam, protestou pelo prazo suplementar de dez dias para juntada de cópia autenticada de seu contrato social. A impugnação foi julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ/REC. O Acórdão nº 1142.292, de 23 de agosto de 2013, fls. 174 a 187, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II Data do Fato Gerador: 20/03/2012 Imposto sobre a Importação II IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS À OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. A lei prevê a penalidade de multa equivalente a 10% do valor da operação para as operações de importação realizadas com a ocultação do real adquirente ou beneficiário, mediante a cessão do nome da pessoa jurídica importadora. Base Legal: Art. 33 da Lei nº 11.488/2007 c/c Art. 727 do Decreto nº 6.759/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 6ª Turma da DRJ/REC. O arrazoado de fls. 174 a 187, após síntese dos fatos relacionados com a lide, em preliminar, argúi a nulidade da decisão recorrida, que se omitiu em analisar diversos pontos Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15771.720565/201386 Acórdão n.º 3403003.109 S3C4T3 Fl. 268 5 controvertidos pelo impugnante, cerceando seu direito de defesa. No mérito, aduz que a decisão de primeira instância é equivocada, pois a operação foi realizada sob o pálio de uma Sociedade em Conta de Participação, o que caracteriza o ato como operação totalmente amparada pelas normas legais, principalmente no que diz respeito aos limites de interpretação do aplicador da lei, o qual deverá fazêlo conforme os ditames da lei civil, nos termos do art. 110 do CTN. Insiste em ter promovido a correta importação do produto, imiscuída de boafé, sem intenção ou dolo de causar dano ao erário, nem ao menos de fraudar a ordem tributária. Retoma a alegação de boafé na realização da operação entre Medstar e Novomédica, que deve ser presumida com todos os seus efeitos legais. Rechaça a aplicação da multa de ofício de 10%, tendo em vista que realizou ação totalmente legal, amparada pelo ordenamento jurídico sob o a celebração de Sociedade em conta de participação. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 192 a 213 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJREC6ª Turma nº 1142.292, de 23 de agosto de 2013. Preliminar O recorrente tacha a decisão recorrida de carente de fundamentação naquilo que se refere aos fatos, provas e documentos apresentados pela impugnante e que não foram enfrentados pela autoridade julgadora. Nesse sentido, pede que seja decretada a asua nulidade por cerceamento do direito de defesa. É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 6ª Turma da DRJ em Recife é hígida e enfrentou a impugnação sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. E esse deslize a decisão recorrida não cometeu. No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Rejeito a preliminar. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15771.720565/201386 Acórdão n.º 3403003.109 S3C4T3 Fl. 269 7 Mérito A partir de indícios de subfaturamento detectados na importação documentada pela Declaração de Importação (DI) nº 12/05176367, a Fiscalização da ALF/SPO iniciou ação fiscal junto ao declarante Novomédica Comércio Importação e Exportação Ltda., ora recorrente, no curso da qual analisou as movimentações financeiras realizadas, bem como o registro dos lançamentos efetuados no livro Diário da Novomédica e identifica correlação de datas e de valores entre o aporte de recursos e os desembolsos realizados, concluindo que os recursos utilizados para o financiamento da importação em questão foram fornecidos por Medstar. Essa conclusão não foi contestada, nem pela impugnante, nem pela recorrente. Incide assim a presunção legal inscrita no art. 27 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Quedou incontroverso também o fato de que, nem Novomédica, nem Medstar preencheram os requisitos legais para a realização da modalidade de importação por conta e ordem, pois: a. não apresentaram previamente cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz b. não indicaram em campo próprio da Declaração de Importação, do número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) c. o conhecimento de carga correspondente não foi consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado d. a fatura comercial não identificou o real adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias importadas. Opõem, entanto, a alegação de que a importadora Novomédica e a real adquirente Medstar pactuaram a formação de uma sociedade em conta de participação, em que a apenas a primeira atua ostensivamente, estando assim legitimada para efetivar a importação do referido aparelho dermatológico. Desde já, há de se sublinhar o disposto no art. 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Obviamente, se se permitir que o real adquirente da mercadoria importada se oculte, por exemplo, escudandose numa obscura sociedade em conta de participação, todo o arcabouço legal do controle aduaneiro, construído ao longo de 50 anos, corre o risco de ser desarticulado. A interpretação dos fatos e a aplicação do direito não podem admitir que o infrator se locuplete da simulação por ele próprio orquestrada, inquinando a própria legislação da mácula de prestarse à função de acobertar fraudes, que assim permaneçam alheias aos incontáveis dispositivos legais inseridos na legislação no intento de coibir tais práticas. Não bastasse a inoponibilidade dessa avença particular – e oculta – ao controle aduaneiro, o que se constata é que, fosse realmente negócio jurídico celebrado para a consecução do escopo da alegada SCP, o bem importado deveria remanescer registrado em nome do sócio ostensivo. A transferência do bem importado com uso do fundo social para o sócio participante acaba por desnaturar a participação, fato que lança por terra a já frágil tergiversação recursal. A alegação de boafé ou de ausência de dolo é irrelevante para a caracterização da infração tributária, como pertinentemente enfatizado na decisão recorrida, que, aliás, se sustenta por suas próprias e jurídicas razões. A ocultação dos reais intervenientes na operação de importação caracteriza, de per si, a infração tipificada como dano ao Erário, sendo absolutamente desnecessário que a Fiscalização se esforce em provar a efetiva ocorrência de prejuízo aos cofres públicos, na medida em que a própria conduta do administrado constitui uma ação não autorizada, inquinada pela presunção de ato abusivo da pessoa jurídica, em detrimento do interesse coletivo. Conclusão Provado que os recursos empregados para a realização da operação de comércio exterior foram supridos por terceiro, que permaneceu oculto às autoridades aduaneiras, aplicase a penalidade cominada no cominada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, contra o importadorocultante, que cedeu seu nome. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 23 de julho de 2014 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 36378.004487/2006-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-003.135
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, pela falta de ciência da diligência realizada no decorrer do procedimento administrativo.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, pela falta de ciência da diligência realizada no decorrer do procedimento administrativo. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 37 8. 00 44 87 /2 00 6- 62 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi lavrada em 30/04/2001 e cientificada ao sujeito passivo em 04/05/2001, referindose ao adicional SAT/RAT, em razão da exposição de segurados a agentes nocivos, no período de 04/1999 a 02/2001. O Relatório Fiscal de fls. 26 e seguintes, diz que o crédito foi lançado por arbitramento sobre o valor total da folha de pagamento, porque o sujeito passivo não apresentou os documentos solicitados, como o Laudo Técnico, capazes de identificar os segurados expostos aos riscos ambientais do trabalho. Após a apresentação da impugnação, os autos foram baixados em diligência, conforme despachos de fls. 190 e 192, para que o lançamento do adicional de SAT fosse feito de forma discriminada, por segurado exposto a agente nocivo. Informação Fiscal de fls. 193/198, procedeu como proposto, anexando às fls. 199/202, planilha apenas dos segurados expostos aos agentes nocivos e retificando o valor lançado. Ato contínuo foi exarada a DecisãoNotificação de fls. 209/215, pugnando pela procedência parcial da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, frente à retificação proposta. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: a) que procedeu ao parcelamento dos valores lançados; b) que a aferição indireta não pode subsistir até porque o Fisco fez um minucioso levantamento dos segurados expostos a riscos, e c) argúi que a decisão não pode ser mantida, devendo prevalecer a apuração realizada pelo auditor. Foram oferecidas as contrarrazões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36378.004487/200662 Acórdão n.º 2302003.135 S2C3T2 Fl. 273 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Questões Preliminares ao Mérito Analisando os autos verifiquei que não há provas de que a notificada tenha sido cientificada do resultado da diligência de fls. 193/198, 199/202, que propôs a retificação do crédito lançado. A DecisãoNotificação pugnou pela procedência parcial do lançamento, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarrazões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente do resultado da diligências fiscal de fls. 193/198, 199/202, abrindolhe prazo para manifestação e posterior emissão de novo decisório, se for o caso. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36378.004487/200662 Acórdão n.º 2302003.135 S2C3T2 Fl. 274 5 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10073.902037/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 37 /2 00 9- 11 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902037/200911 Acórdão n.º 3802003.095 S3TE02 Fl. 124 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902037/200911 Acórdão n.º 3802003.095 S3TE02 Fl. 125 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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